A INFLUÊNCIA DAS RELAÇÕES PÚBLICAS NA ACEITAÇÃO DOS VALORES NORMAS E OBJETIVOS ORGANIZACIONAIS PELO PÚBLICO INTERNO ADRIANA MACHADO CASALI - UFPR PAULA GERON SAIZ - UFPR RESUMO No processo de comunicação, gerenciado pelas Relações Públicas, diversas variáveis podem interferir na decodificação das mensagens organizacionais. Assim sendo, a mesma mensagem pode ser percebida de diferentes maneiras e por isso pode conduzir a diferentes níveis de aceitação das normas, valores e objetivos organizacionais. Este trabalho discutirá as variáveis intervenientes no processo de comunicação organizacional e como estas podem conduzir a níveis distintos de aceitação. Parte-se do pressuposto a percepção do indivíduo sobre si mesmo, o seu relacionamento com os demais, com o trabalho, os fatores motivacionais e as relações de poder, são elementos que intervém no processo de decodificação das mensagens organizacionais. Palavras-Chave: Relações Públicas, Aceitação e Comprometimento INTRODUÇÃO As Relações Públicas, enquanto codificadoras das mensagens organizacionais, buscam desenvolver nos indivíduos a aceitação das normas, valores e objetivos organizacionais, criando comprometimento com a organização. No entanto, as mensagens transmitidas perpassam por diversas variáveis que interferem na visão do indivíduo sobre determinada informação. Estas variáveis participam do processo de decodificação das mensagens e de aceitação dos elementos organizacionais pelo público interno. Este trabalho discutirá as variáveis intervenientes no processo de comunicação organizacional e como estas podem conduzir a níveis distintos de aceitação. Parte-se do pressuposto a percepção do indivíduo sobre si mesmo, o seu relacionamento com os demais, com o trabalho, os fatores motivacionais e as relações de poder, são elementos que intervém no processo de decodificação das mensagens organizacionais. Assim sendo, a mesma mensagem pode ser percebida de diferentes maneiras e por isso pode conduzir a diferentes níveis de aceitação (e comprometimento) definidos como: aceitação total, grande aceitação, aceitação, contestação e contestação total. A partir desta exposição sobre a influência dos instrumentos de Relações Públicas sobre o comportamento do público interno podem-se visualizar os motivos pelos quais uma mesma mensagem é percebida de maneiras distintas pelo público. A intenção não é estabelecer padrões rígidos e sim contribuir o melhor entendimento das várias interpretações da realidade 2 se encarregam de exprimir, traduzir e registrar, em uma palavra, de dizer o que uns querem comunicar aos outros durante uma relação”. É através da comunicação que os homens interagem, tomam conhecimento do seu passado, das crenças e valores de seu povo, mantêm e aperfeiçoam a ordem que rege a vida humana transformando a realidade, constróem suas personalidades e a sociedade. A comunicação é inerente ao homem e, portanto, estende-se a todas as instituições formadas por ele. O processo de comunicação organizacional existe naturalmente nas instituições e ocorre mesmo que não haja uma atividade específica para coordená-lo. Esta atividade cabe às Relações Públicas. Quando se estrutura esta atividade, ocorre a formalização e a transmissão do fazer e do pensar organizacional. As Relações Públicas trabalham com a definição e a transmissão destes posicionamentos para os públicos. Entendem-se como Relações Públicas, segundo a ABRP (Associação Brasileira de Relações Públicas) “a atividade e o esforço deliberado, planejado, coeso e contínuo da alta administração, para estabelecer e manter a compreensão mútua entre uma instituição pública ou privada e os grupos e pessoas a que esteja, direta ou indiretamente ligada” (EVANGELISTA, 1975, p.15). Nesta definição reúnem-se elementos que proporcionam um entendimento de como é articulada a comunicação organizacional que é de responsabilidade das Relações Públicas. As decisões sobre sua forma e conteúdo ocorrem em nível estratégico, as ações são executadas segundo planejamentos específicos- realizados pelo profissional de Relações Públicas e aprovados pela diretoria da empresa- que contam com avaliações constantes e reformulações sempre que necessário. Trabalhar com a transmissão de informações e a mediação organização-público é uma atividade complexa pois os indivíduos têm formas diferentes de ler determinada situação e, em um processo comunicativo, a mensagem transmitida nunca estará isenta de alguma interferência do meio e/ou das pessoas que a realizam. Assim, uma mesma informação sobre a organização será percebida de maneiras distintas e ocasionará atitudes diferentes quanto à aceitação do que está sendo proposto através das Relações Públicas. Em uma analogia entre o modelo de comunicação composto por emissor/codificação, meio, mensagem, ruído e receptor/decodificação - e o papel desempenhado pelas Relações Públicas na comunicação organizacional, observa-se que a organização é o emissor e a atividade de Relações Públicas é o codificador, responsável pelo envio da mensagem. O canal para a transmissão da mensagem é constituído pelos diversos instrumentos de comunicação dirigida de Relações Públicas, que podem ser escritos (house-organ, jornal mural, manuais), orais (telefone, alto-falantes), auxiliares (vídeo e rádio institucionais) e aproximativos (eventos, serviços prestados à comunidade) (FERREIRA apud KUNSCH, 1997). A mensagem é tudo que se relaciona com a empresa e que chega ao público através do 3 ambiente externo e a influência de ambas sobre o indivíduo, o nível de envolvimento do indivíduo com a organização, a concepção da realidade organizacional e as variáveis que condicionam a leitura das situações e que serão abordadas posteriormente. Finalmente, tem-se o receptor, que é o público de interesse para o qual a mensagem foi enviada. A decodificação traduz-se na aceitação e no comprometimento do indivíduo com a organização. No papel de codificador das mensagens organizacionais, as Relações Públicas têm como função estabelecer a melhor relação possível entre organização e públicos. A tendência das Relações Públicas é aprimorar cada vez mais este relacionamento e, principalmente, estabelecer vínculos entre as organizações e o ambiente onde estão inseridas, definindo seu posicionamento estratégico, após considerar o impacto provocado pelas mudanças econômicas, políticas e sociais. As organizações necessitam do apoio do meio para se firmarem em um mercado competitivo onde o diferencial deixou de ser a tecnologia e se tornou a contribuição da empresa à sociedade. Há uma necessidade crescente de integração entre organização e sociedade, que se estabelece com o desenvolvimento de ações que contribuam para a qualidade de vida nas comunidades, para as políticas ambientais, defesa dos valores morais e éticos e para um bom relacionamento com os funcionários (IANHEZ apud KUNSCH, 1997). Cabe às Relações Públicas suprir esta necessidade de integração implementando programas que tratem da responsabilidade social da empresa e que sirvam para otimizar o relacionamento com os públicos. As Relações Públicas atendem a esta condição pois têm uma proposta de responsabilidade social que é executada, entre outras formas, pela compreensão da cultura organizacional. A cultura organizacional tem uma importância fundamental na prática da responsabilidade social, pois traz elementos que definem o modo de agir e pensar da organização e institui padrões que promovem internamente uma homogeneização de atitudes, definindo uma única imagem, fruto da colaboração de todos, a ser transmitida para o público externo e vivenciada pelo interno. A questão da cultura organizacional pode ser entendida como instrumento de controle, uma vez que mascara o antagonismo entre trabalhadores e administradores e anula a reflexão (ALVESSON apud FREITAS, 1991). Ao mesmo tempo, pode ser considerada como resposta a uma desagregação social que tem sua origem na quebra de padrões culturais - importância da família, moral e papéis sexuais, menor influência da religião e da moral por ela determinada, fortalecimento de uma sociedade consumista, etc. Assim, a cultura organizacional surge como alternativa para o estabelecimento de uma ordem interna, enfatizando idéias e conceitos comuns que envolvem todos os membros da organização (PAGÈS apud AKTOUF, 1993; FREITAS, 1991). Assim, define-se cultura organizacional como: Modelo dos pressupostos básicos, que determinado grupo tem inventado, descoberto ou 4 Como pressupostos básicos, entendem-se respostas que geraram resultados favoráveis e, por isso acabaram sendo internalizadas como verdades inquestionáveis. Dentro destes pressupostos encontram-se os diferentes elementos que formam a cultura organizacional: os valores, as crenças, os ritos, rituais e cerimônias, os mitos e estórias, os tabus, os heróis, as normas e o processo de comunicação. Cada um deles têm uma função específica na construção da cultura, mas todos servem para estimular a adoção, por parte dos empregados do conteúdo difundido e reforçar uma imagem positiva (FREITAS, 1991). As opiniões dos teóricos sobre cultura organizacional divergem em relação a pontos como desenvolvimento, tipologia e unicidade da mesma. De qualquer forma, permanece indiscutível a importância da cultura organizacional dentro das instituições, uma vez que ela permite manter a coerência entre a imagem transmitida externamente e a imagem proveniente da realidade organizacional vivida pelos funcionários. A tendência da valorização dos públicos resulta em uma atenção especial pelo público interno que é o responsável pelo desenvolvimento da organização. O público interno não se resume aos recursos humanos necessários para produção de bens e serviços. Eles são a própria organização pois é através do seu trabalho que ela existe. Os funcionários têm o poder de abalar a imagem de uma empresa -fator cada vez mais decisivo na conquista de share de mercado- ao revelar através de manifestações públicas, greves e contra-propaganda, os fatores negativos desta, como a falta de boas condições de trabalho, a pouca ou inexistente preocupação com as questões sociais e ambientais e a não valorização do ser humano. Quando a imagem é um mero produto de estratégias mercadológicas de comunicação, não ligadas à cultura organizacional, ela é incapaz de perdurar para o público externo e misto e se torna foco constante de discussões entre o público interno, uma vez que não tem identidade. A atividade de Relações Públicas voltada ao público interno deve sentir o “clima” organizacional e guiar suas ações para a melhoria do ambiente de trabalho. Para isto, tornam-se importantes a análise do feedback dos instrumentos de Relações Públicas e a percepção da rede informal, através do que é divulgado na “rádio peão” e pelos próprios comportamentos dos funcionários, que demonstram a aceitação ou não dos valores, normas e objetivos organizacionais. Este trabalho apresenta um corte na questão da cultura ao trabalhar com apenas três de seus elementos formadores. Acredita-se que é a partir da aceitação dos valores, normas e objetivos que o indivíduo passa a se envolver com os outros elementos: ritos, cerimônias, crenças, estórias, tabus e heróis. Para o entendimento de como as Relações Públicas influenciam a aceitação das normas, valores e objetivos organizacionais faz-se necessário definir os elementos da cultura organizacional a serem abordados neste estudo: valores, normas e objetivos. 5 ordenar a estrutura da organização, a realização do trabalho e as relações humanas. Para ALLEN (apud FREITAS, 1991, p.03) norma é “o comportamento sancionado, através do qual as pessoas são recompensadas ou punidas, confrontadas ou encorajadas, ou postas em ostracismo quando violam as normas”. Cabe ao profissional de Relações Públicas a definição e a divulgação destes elementos, com a finalidade de unir todos dentro da organização para que, com objetivos e valores comuns e respeito às normas, a organização, as pessoas e o meio a sua volta possam desenvolverse e se consolidar. Numa perspectiva simplista pode-se acreditar que criar um envolvimento do público interno é simples, bastando para isto eleger como normas, valores e objetivos organizacionais elementos comuns com os quais todos os funcionários se identificarão e divulgá-los com o auxílio de instrumentais bem elaborados. Porém, não existem elementos que possam ser absorvidos da mesma forma por vários indivíduos transformando-se em conceitos únicos nos quais todos se engajariam, justamente porque as pessoas têm suas próprias maneiras de encarar um fato e porque um belo layout não é suficiente para conquistar a confiança do funcionário se o conteúdo da mensagem não for relevante e não houver confiança na fonte emissora. Objetivos, valores e interpretação das normas variam entre os indivíduos, e as diferentes interpretações geram diferentes contextos. Para alguns, o objetivo maior da organização pode ser o retorno financeiro, enquanto para outros o desenvolvimento dos executivos, o reconhecimento da sociedade à qualidade dos serviços prestados, a posição de mercado ou a responsabilidade social é o mais importante. Da mesma forma, uma norma que proíbe funcionários de trabalharem de sandália é aceita como válida pelos os funcionários do setor de produção, mas não é entendida pelos funcionários de um setor administrativo, mesmo que obedeçam a ela. Para que os valores, normas e objetivos pessoais e organizacionais possam coincidir, é necessário que o funcionário sinta a importância de cada elemento e compreenda por que ele deve estar presente naquela organização. A aceitação do que a organização propõe implica em entender a utilidade do que está sendo proposto; assim, a regra que proíbe usar sandália em qualquer setor da empresa é justificada e não apenas imposta aos funcionários. É claro que mostrar a importância de cada item não se resume a explicar cada um, até mesmo porque estes itens não se encontram dissociados uns dos outros. Na realidade organizacional, o que se encontra é o conjunto dos valores - que refletem a conduta social da organização -, dos objetivos -que mostram o que ela pretende alcançar- e das normas- que formalizam os relacionamentos e o trabalho -, somados ao conceito que a organização almeja junto aos públicos e aos outros elementos da cultura organizacional, elaborada e transmitida através das Relações Públicas que têm como desafio conhecer o público interno e suas maneiras de receber e interpretar as mensagens transmitidas. Estas interpretações serão tidas 6 organizações tornam-se mais produtivas quando existe uma afinidade entre os interesses, valores e objetivos do público interno e da organização, mesmo que esta afinidade não ocorra de maneira uniforme entre os envolvidos. Pela presença constante dos instrumentos de Relações Públicas no cotidiano do público interno e pela própria necessidade humana de socialização -que estes realizam nas organizações -, acredita-se que o indivíduo não permanece alheio a esta atividade e que ela influencia na aceitação dos valores, normas e objetivos organizacionais. No entanto, como os indivíduos não são iguais e não recebem uma mesma mensagem da mesma forma, crê-se que esta aceitação ocorre em níveis diferentes, de acordo com os fatores que promovem a formação do entendimento de cada indivíduo. Estes fatores serão abordados na segunda parte, que trata do comportamento humano, e se encontram divididos em dois blocos: o primeiro refere-se ao indivíduo e é formado pela interação entre personalidade, comunicação humana e fatores sócio- culturais. O segundo trata da relação homem-organização e engloba a evolução do trabalho, a motivação, as relações de poder e o surgimento do conflito nas organizações. O conhecimento destes fatores e da forma como são trabalhados pelas Relações Públicas possibilita a visualização dos níveis de aceitação das normas, valores e objetivos, pois aponta os diferentes modos de compreender a organização. 2. O COMPORTAMENTO DO INDIVÍDUO Em todos os estágios da vida- nascimento, desenvolvimento e maturidade- o indivíduo encontra-se exposto a variáveis que condicionam sua forma de ver o mundo, sua personalidade e suas relações, além de pertencer a várias formas de organização social, das quais a família é a primeira. Estas variáveis são estudadas por diferentes áreas de conhecimento- da biologia à sociologia - e como coloca CHANLAT (1991), esta divisão do saber acaba provocando por vezes uma concepção fragmentária e reducionista, que tenta compreender o ser humano centrando-se apenas em um aspecto e negligencia o fato de que “o Homo humanus aparece como um todo cujos diferentes elementos estão intimamente interligados” (p.27). As variáveis que permeiam o comportamento humano possuem todas o mesmo valor e não podem ser dissociadas, sendo impossível definir qualquer escala de importância ou ordem de ocorrência entre elas. A escolha de alguns fatores não implica em desconsiderar qualquer outro e não propõe a existência humana ligada apenas a eles, apenas ressalta sua interveniência no processo de decodificação das mensagens das Relações Públicas e da aceitação dos valores normas e objetivos organizacionais. O homem, como todo ser vivo, influencia e é influenciado pelo meio no qual está inserido, trocando matéria e energia com este meio e transformando ambos. Esta transformação mútua não é algo simples, pois o próprio homem é um ser complexo, sujeito a vários fatores internos e 7 pois não é capaz de desenvolver sua personalidade e os hábitos humanos como a comunicação, a vivência social e a aquisição cultural. O indivíduo é sujeito e objeto da realidade social pois ambos se constróem através da interação de três elementos: realidade psíquica, comunicação e fatores sócio-culturais, que constituem a primeira variável responsável pela percepção da realidade vivida pelo indivíduo. O psiquismo e o comportamento humanos são o campo de estudo da psicologia e dela serão emprestados conceitos e abordagens para mostrar o caráter biopsicossocial do ser humano.1 Dentro da psicanálise freudiana e para os outros teóricos objetais, a construção da realidade psíquica realiza-se em determinadas fases do desenvolvimento humano e resulta do processo de interiorização de objetos, através da introjeção das imagens de si mesmo e dos outros. Os primeiros objetos introjetados correspondem à família, transformam-se na base da realidade interior e criam vida própria, não refletindo o que eram na realidade exterior e sim, as percepções que o indivíduo introjetou e projetou sobre eles. Os processos psíquicos, situados na origem do desenvolvimento cognitivo e afetivo, desempenharem um papel relevante nas relações que os homens mantêm entre si. Estes processos estimulam a interpretação de gestos e palavras, valendo-se dos mecanismos, na maioria das vezes inconscientes, de projeção, de identificação, de introspecção, de transferência, de clivagem, de repressão, etc. (CHANLAT, 1991); mecanismos estes que estão presentes no comportamento humano. O “eu” surge com a interação entre indivíduo e meio, sendo um único processo o responsável pela formação do “eu” e a formação da concepção dos “outros”. ASCH (1960, p. 14) refere-se a isto dizendo que “a seqüência não é a presença de meu eu, a presença de outros ‘eus’ e as ligações subseqüentes entre eles. O eu social da criança adquire forma no decorrer de um processo prolongado de interação com as pessoas”. Possuir um “eu” promove o surgimento de exigências ligadas à auto-estima, à necessidade de realização e de aceitação social. Surgem também as defesas que tentam esconder da pessoa o que ela realmente é, seu verdadeiro “eu”. A interação entre os “eus” possibilita uma comparação entre os desempenhos de cada um e afirma o desejo de aprovação e respeito social. Os relacionamentos humanos são possíveis graças à comunicação que, em suas distinções verbal ou não verbal e através do aparato simbólico e contextual específico em cada agrupamento social, sustenta o processo de socialização tornando o homem singular enquanto espécie e como indivíduo. Pela comunicação entre duas pessoas, constata-se a visão que cada uma tem de si, dos outros e do universo ao seu redor; por isso, ela é, ao mesmo tempo uma variável condicionante da 8 percepção do indivíduo e o meio utilizado por ele para expressa-la. Segundo PEREIRA (1978, p. 118), a comunicação está “a serviço das necessidades do ser humano”, tanto das biológicas, quanto das psicológicas e sociais. As necessidades expressam-se pela comunicação a partir do momento em que o homem percebe que elas existem pela racionalização e, quando se torna conveniente ou indispensável, pela linguagem. A interação social é o desejo final do ser humano, pois é através dela que seus interesses podem ser concretizados. Nenhum homem vive só, nenhum é capaz de constituir uma instituição sem os outros, o que comprova a necessidade da convivência entre eles. As organizações são um importante local para o desenvolvimento das relações sociais pois estabelecem um grande nível de convivência entre as pessoas, que devem permanecer abertas ao diálogo e cientes de suas responsabilidades em relação ao trabalho e em relação ao próprio convívio. Nas organizações e em todas as outras instituições sociais, é fundamental que não se tente explicar por que os homens necessitam do relacionamento social com a utilização de teses unilaterais que põem em dúvida o fato das relações sociais serem inerentes à vida humana. O ambiente social estabelece normas e princípios, representados por conjuntos de leis, que estipulam os direitos e deveres dos indivíduos perante o grupo a que pertencem, com a finalidade de se manter a ordem. As leis refletem os valores e crenças de determinada sociedade e decorrem do desenvolvimento econômico e cultural, provocado pela divisão do trabalho, que não se realizou de maneira uniforme na história humana. Da mesma forma, é fundamental que as Relações Públicas considerem os aspectos psicológicos, para conhecer os níveis de interação público-público e público-organização e, assim, direcionem os instrumentos às necessidades do público. Enquanto atividade responsável pela comunicação organizacional e pela transmissão de valores, normas e objetivos das organizações as Relações Públicas necessitam entender a formação do “eu” para entender como se processam as percepções humanas em relação ao mundo e como os comportamentos individuais podem ser tão distintos. Obviamente, interações são produtivas em todos os ambientes da sociedade humana- do lar às nações, passando pelas relações entre os indivíduos e pelos diversos tipos de instituições -, desde que tenham o propósito de acrescentar possibilidades para a continuidade do desenvolvimento social e cultural do ser humano. 3. O HOMEM E A EVOLUÇÃO DO TRABALHO A relação do homem com o trabalho significa a própria relação do homem com o mundo, com a sua história individual e com a história da humanidade. Foi através da evolução do trabalho que se ergueu a sociedade moderna. O homem primitivo, ao fabricar as primeiras ferramentas e ao 9 membros, transformando também sua forma de se relacionar com os outros. Segundo CODO (apud LANE & CODO, 1994), a divisão do trabalho, na história da humanidade, se dá de duas formas: transversalmente - onde cada indivíduo ou grupo executa uma tarefa paralelamente a outro indivíduo ou grupo e longitudinalmente - onde as técnicas de uma geração são aperfeiçoadas por outra. A divisão de trabalho ganha um papel de destaque no início da formação social por exigir do ser humano o aperfeiçoamento das inter-relações homem-homem e homem-meio, através do desenvolvimento de projetos realizados com o auxílio de instrumentos. Aparecem, então, dois novos elementos, a saber: os projetos e os próprios instrumentos. Estes são inerentes um ao outro, pois a fabricação de um instrumento implica necessariamente a elaboração de um projeto. Os instrumentos como “uma coisa ou um conjunto de coisas que o homem interpõe entre ele e o objeto do seu trabalho, como condutor de sua ação” (MARX apud LANE & CODO, 1994, p. 52). O instrumento torna possível, portanto, a ação efetiva do homem sobre o meio e se sobrepõe ao homem enquanto objeto, pois continuará existindo após a morte do homem que o utiliza. O instrumento é, de certa forma, um elo entre o indivíduo e a história da humanidade. No entanto, para se produzir o instrumento é indispensável que o homem conceba a imagem do mesmo e o projete a fim de transpô-lo do imaginário ao concreto. A transposição do ideal para o real remete a Platão (apud ARENDT, 1989) e demonstra o surgimento de um homem que contemplava o modelo e depois o concretizava, verificando a semelhança entre a "idéia" e o objeto o qual nunca atingiria a excelência tida pelo modelo, pois é sempre incompleto quando produzido pelas mãos do homem. Neste ponto da história, o trabalho ainda não era um fim em si mesmo4. O trabalho era, antes, uma das etapas do processo que garantia a produção de um objeto que satisfizesse ao ser humano de alguma forma -para saciar um desejo ou suprir uma necessidade- sendo o homem a razão do processo. Como expõe MIGLIACCIO (1994, p. 22), "o trabalho está em função do homem e não o homem em função do trabalho. [...] O valor do trabalho não reside no fato de que se façam coisas, mas de que são coisas feitas pelo homem. A mudança da visão do trabalho está intimamente ligada aos eventos históricos que marcaram o fim do sistema feudal. O homem dos filósofos, que contemplava o modelo e depois o imitava, deu lugar ao homem que produzia independente da contemplação. Surge o homo faber 2 que, ao aperfeiçoar os modos de produção, torna o processo de fabricação mais importante que o próprio objeto. A era moderna é marcada pela sobreposição da ação, da atividade, no lugar da contemplação. Ao se alterar esta ordem, o trabalho passa a ser a razão, o produto final e o homem assume o lugar de operador desta transformação (ARENDT, 1989). Não se consegue imaginar o mundo sem o processo produtivo e sem a tecnologia decorrente deste e que o transforma a todo momento. O avanço tecnológico propiciado pela ação 10 produtivas ao considerar que a atitude típica do homo faber é reduzir tudo ao princípio da utilidade e descartar todos os pensamentos que não possam ser considerados como ponto de partida para a fabricação. O trabalho conseguiu agregar novos valores ao longo da história e, dentre eles, encontramse em posição de destaque justamente a tecnologia e o capital. O capital substitui a contemplação no sentido de que é ele que fornece os instrumentos, não quanto idéia mas quanto realidade, possibilitando a execução do trabalho. A preocupação atual na questão sobre o trabalho volta-se, então, para uma super valorização da tecnologia em detrimento das outras capacidades humanas como a criatividade e a flexibilidade, e para a idéia de que o trabalho deve servir o capital possibilitando um acréscimo cada vez maior deste (MIGLIACCIO, 1994). Como o homem encara o trabalho na atualidade? É indiscutível que o homem mantém estreita relação com o trabalho que realiza, por necessitar dele para sobreviver e por uma questão cultural que prega o enobrecimento humano através do trabalho. Também a divisão transversal do trabalho manteve-se durante a história e ocasionou uma divisão ainda maior, que consiste em separar o trabalho intelectual do manual, ou ainda, dividir os homens em dois grupos: o daqueles que controlam e ordenam e o grupo dos que obedecem. Esta separação origina a divisão do próprio homem enquanto indivíduo, pois é relegado a assumir uma destas posturas e enquanto coletividade, pela formação de interesses antagônicos e desconfiança mútua. É necessário que se mantenha o homem como ente único, pois, sendo apenas operador ou apenas gerente, o ser humano perde sua qualidade racional - a possibilidade de pensar e agir sobre determinado fato. Segundo LLANO (apud MIGLIACCIO, 1994), há uma diferença substancial entre a divisão dos trabalhos, que é fundamental para o funcionamento da sociedade, e a divisão do trabalho que separa apenas o homem da posição gerencial remetendo-o à obediência pura e simples e, consequentemente, à alienação. O fato é que, desde o surgimento da era industrial, a sociedade tem-se orientado pelo progresso material e este justifica a divisão do homem e a relevância do trabalho como meio de se obter status social e poder econômico. Perdeu-se a noção de trabalho como oportunidade de exercício do potencial criativo do homem. Ter um trabalho é esperança de uma vida melhor no sentido de conforto e segurança material. Como coloca HARMAN (1993) , a produção já não requer mais grande parte do número de trabalhadores aptos a desenvolver determinada função, gerando o medo do "desemprego tecnológico". Este medo leva à procura de subempregos que se, por um lado, não satisfazem às expectativas de crescimento e as ambições do homem, por outro lado, lhe dão uma chance de sobreviver e consumir mesmo em pequena escala. É claro que não se pode partir para o âmbito das generalizações uma vez que para uma parcela dos trabalhadores as recompensas materiais só 11 como a sociedade surge e se mantém graças à interação de ambos. A atividade de Relações Públicas surge nas organizações justamente como meio para o aprimoramento desta nova percepção do trabalho, uma vez que propõe ações para valorizar o público interno e estimular sua participação na vida organizacional através dos instrumentos de comunicação. 4. A MOTIVAÇÃO A questão da motivação tem sido uma preocupação constante para os estudiosos das organizações. No entanto, ainda não se pode afirmar até que ponto determinados fatores específicos- o trabalho, as recompensa materiais, o reconhecimento, etc.- são responsáveis pela motivação de um indivíduo. É necessário que, ao se apontar a motivação como uma das variáveis que influenciam o comportamento humano dentro das organizações, não se adote uma posição rígida a respeito desta, pois os seres humanos, enquanto seres complexos e sujeitos a vários outros fatores, se sentem motivados de formas diferentes e por motivos diferentes. Sabe-se apenas que, quando motivado, o ser humano apresenta um envolvimento maior com a tarefa que deve executar. As teorias de motivação, embora não produzam todas as respostas sobre o impulso para o trabalho, oferecem recomendações para uma ação efetiva no meio organizacional. Essas teorias procuram compreender a própria natureza humana, explicando, prevendo e criando formas de direcionar o comportamento do indivíduo no trabalho. MOTTA (1991) expõe as teorias que tratam sobre a motivação em três correntes distintas: a das necessidades, das intenções e das expectativas e os estímulos externos. Esta divisão se dá pelo foco de cada uma sendo que, para a corrente das necessidades, o principal são os aspectos internos; para a corrente das intenções e expectativas, o homem age combinando fatores internos e externos e, finalmente, para a corrente dos estímulos externos3 -ou do aprendizado social- os fatores ambientais determinam o comportamento. Na teoria das necessidades encontra-se o trabalho de MASLOW (apud CORADI, 1986) que propõe uma hierarquia das necessidades humanas que parte dos fatores fisiológicos e chega às realizações subjetivas. ALDEFER (apud HAMPTON, 1991 a), também, propõe a satisfação das necessidades humanas como fator que motiva o homem; no entanto, não estabelece uma hierarquia para estas necessidades. O que se questiona na corrente das necessidades é, novamente, o fato das generalizações sobre o homem. Na prática, as necessidades não se dão da mesma maneira entre os indivíduos, pois o que pode ser motivador para um indivíduo ou grupo pode, ao mesmo tempo não o ser para outro. Além disto, as necessidades são influenciadas por fatores sócio-culturais e não se pode mostrar a existência de uma relação clara entre um tipo de necessidade e comportamento no trabalho. 12 A teoria da intencionalidade e das expectativas expõe que os indivíduos para atingir seus objetivos, agem intencionalmente segundo sua concepção da realidade organizacional e segundo as expectativas que têm sobre o resultado. Portanto, “a motivação se liga à ação [...] A expectativa de que determinado tipo de comportamento provocará um nível de desempenho e o alcance de um resultado valorizado pelo indivíduo o motivarão a adotar aquele comportamento” (MOTTA, 1991, p.196). O desejo do indivíduo pela recompensa, inserida no final do processo “esforçodesempenho esperado, desempenho- recompensa esperada e validade da recompensa” (HAMPTON, 1990 a, p.174), é o principal fator que leva o indivíduo a agir tornando-o, assim, mais motivado. As recompensas são mais atrativas para um indivíduo à medida que satisfazem as necessidades ocultas de cada um. “Se são as necessidades humanas que revelam o que nos motiva, são as expectativas e a atratividade da recompensa que nos dizem algo sobre como a motivação ocorre” (HAMPTON, 1990 a, p.177). A teoria das intenções e expectativas encontrou grande aceitação com o surgimento do Enfoque Neoclássico, que se preocupava com a definição de metas e objetivos organizacionais. Esta relação é lógica a partir do momento que se entende que a motivação, nesta teoria, está intimamente ligada aos objetivos do indivíduo, sendo proporcional ao grau de dificuldade exigido para atingi-lo (HAMPTON, 1990 b). Esta tentativa de unir a intenção com a expectativa provoca, no entanto, uma discussão sobre o valor dado para a expectativa em relação ao valor dado para a execução do trabalho em si. O que motiva o indivíduo não é a recompensa real e sim a recompensa projetada por ele como ideal para o nível de esforço que está sendo feito na execução da tarefa. Os problemas práticos que se apresentam na teoria das intenções e expectativas dizem respeito ao grau de subjetividade encontrado tanto na definição da recompensa desejada quanto na concepção da realidade organizacional, que é a desencadeadora de toda a expectativa. A teoria do aprendizado, por sua vez, não considera elementos subjetivos nem se utiliza da palavra motivação. Contudo, preocupa-se com a questão do comportamento e acredita que, quando estes oferecem bons resultados para o indivíduo, são mantidos por ele, ao passo que comportamentos que geraram uma resposta negativa tendem a ser evitados (HAMPTON, 1990 b). Para esta teoria o comportamento é causado “por contingências que são relações mais complexas do indivíduo com seu meio ambiente do que simplesmente a visão do estímulo resposta. A contingência envolve um estado ambiental prévio, um comportamento e sua conseqüência” (MOTTA, 1991, p.197). A motivação é, sem dúvida, um dos elementos mais complexos dentro da organização. O que Guerreiro RAMOS (1989, p.52) identifica como uma “síndrome comportamentalista” é o 13 Como cita MOTTA (1991), é necessário que se considerem todos os aspectos das teorias de motivação propostas até o momento, inclusive a noção de individualidade e a preservação de uma autonomia de pensamento e ação, para que o trabalhador descubra sua maneira adequada de contribuir e mantenha um grau de liberdade. Na realidade, todas as teorias de motivação pecam em algum ponto, justamente por isolar um aspecto e examiná-lo sem considerar as relações que este mantém com as outras variáveis que impulsionam o homem a desempenhar suas tarefas. Todas elas valem-se de alguma generalização do ser humano e de suas ambições dentro das organizações, que é justificável enquanto podem ser transformadas de alguma maneira, mas que se torna reducionista quando tenta encaixar o ser humano em uma possibilidade descartando as outras. 5. AS RELAÇÕES DE PODER A maneira pela qual o indivíduo interpreta as relações de poder e as situações de conflito constitui outro item relevante para a compreensão da aceitação de normas, valores e objetivos organizacionais. As relações de poder refletem a estrutura da organização - o nível de controle sobre os indivíduos, como estes controles são efetuados, como se realiza a divisão dos grupos para defender seus interesses. É a percepção que o indivíduo tem sobre este fator - mesclada às outras variáveis que influenciam seu modo de compreensão da realidade- que determina um posicionamento favorável ou divergente às decisões da empresa. As relações de poder e o conflito são inerentes às relações humanas, pois os indivíduos pertencem a vários agrupamentos sociais distintos, dotados de características e interesses próprios - como a família, a igreja, a escola, os sindicatos, as comunidades, as organizações, entre outros. Portanto, o simples fato de existir esta divisão já proporciona o surgimento das relações de poder e do conflito, uma vez que cada agrupamento se mobiliza para defender seu posicionamento em relação a uma questão e, dentro destes agrupamentos, existe a busca de cada indivíduo pela satisfação de suas necessidades e objetivos pessoais. Além disto, é o poder legitimado que permite a manutenção da ordem social e das instituições que dela participam. Para MOTTA (1991, p. 156), poder é “ a capacidade de influenciar outra pessoa ou grupo a aceitar idéias diferentes e a se comportar de maneira diversa do que usualmente faria”. Mesmo existindo em todas as relações sociais, a palavra “poder” foi, por muito tempo, negligenciada ou escondida na vida organizacional, pois explicitava a relação de dominação e subordinação ocasionada pela divisão do trabalho. Atualmente, percebe-se a contribuição destes fatores para o desenvolvimento organizacional- independente de posicionamentos ou correntes teóricas - a partir do momento em que temas fundamentais na realidade das instituições passam a ser discutidos. O poder encontra-se nas organizações sob a forma weberiana, seguindo a estrutura 14 organizacional. Porém, esta não é uma visão única e, além da luta de classes, outros fatores como a cultura, o sexo, a etnia e a idade, responsáveis pela construção de identidades sociais colaboram na delimitação do campo de influência de um indivíduo perante determinado grupo (CLEGG apud CHANLAT, 1996). [...] Não é concebível que as organizações possam ser reduzidas à expressão fenomênica de algum princípio interno essencial, como a exploração econômica ou a racionalidade. [...] A ação organizacional não pode reduzir-se à expressão de algum princípio interno essencial, quando se faz apelo a um princípio único e essencial, negligencia-se necessariamente a complexidade e as condições nas quais as ações organizacionais aparecem (CLEGG apud CHANLAT, 1996, p. 56-58). A organização é, sobretudo, o palco para a contestação e a negociação das ações efetivadas ou desejadas pelos grupos que dela participam, ou seja, é o local onde, além de se produzirem bens e serviços, percebe-se a dinâmica do conflito de interesses e das relações de poder e as várias formas de tratá-lo. Segundo CLEGG (apud CHANLAT, 1996), o poder não é algo estático, pois as regras organizacionais estão sujeitas às diferentes interpretações dadas pelos indivíduos. No entanto, as regras pressupõem obediência e asseguram que o seu descumprimento é passível de advertências e punições e é justamente contra esta interpretação legitimada das regras, como meio de prática de controle, que se dão os conflitos. O conflito surge então da chamada “relação contratual formal” que visa disciplinar as relações simbólicas e as relações de produção - e, segundo RONDEAU (apud CHANLAT, 1996), é um processo dinâmico cujo estudo deve considerar três níveis: o estrutural- que engloba as partes e suas interdependências -, o dinâmico - que se volta para o estudo das interações - e o diacrônico - que tenta entender a evolução do conflito e evitá-la quando esta é negativa. Neste modo de análise, percebe-se que o relevante não é um estudo dos principais motivos que geram conflitos nas organizações, mas a preocupação em se entender a dinâmica que estes possuem independentemente de sua origem. As Relações Públicas devem visualizar os prováveis focos de conflito e assegurar a continuidade da comunicação entre os grupos envolvidos, pois cabe a ela transmitir as regras da organização aos funcionários através de instrumentos específicos, que têm como finalidade fazê-lo de forma explícita -como manuais, programas de treinamento - ou através dos outros veículos house-organ, jornal mural, confraternizações -, onde as regras, bem como os valores e objetivos organizacionais, são reafirmados implicitamente ao se divulgar as ações da companhia, o trabalho e a dedicação dos funcionários. As Relações Públicas devem fazer um esforço contínuo para que as informações que chegam ao público sejam claras, objetivas e confiáveis, pois os funcionários 15 melhorias concretas (CLEGG, 1996). A participação dos funcionários liga-se à questão da aceitação de forma diretamente proporcional, pois o funcionário aceita mais facilmente uma decisão quando reconhece nela a sua contribuição. Os funcionários sentem-se valorizados por terem suas sugestões ouvidas e incorporadas à rotina de trabalho, mais responsáveis pelo seu bom andamento e, ao mesmo tempo, coibidos para realizar críticas diretas, já que as mudanças “partiram” de um colega de trabalho e não de uma imposição vertical. Até que ponto estas técnicas são instrumentos de controle em função da manutenção das relações de poder é ainda uma discussão em aberto e que possivelmente nunca chegará a uma conclusão definitiva. Da mesma forma, a legitimação e o os outros fatores que se agregam ao poder institucionalizado continuarão sendo questionados de acordo com as proposições das diversas correntes teóricas voltadas ao assunto. O que deve ser ressaltado é que, dentro das organizações, os funcionários não se atêm a uma análise empírica das relações de poder e da formação dos conflitos, sendo envolvidos por estas dinâmicas e processando-as com base na sua leitura individual das situações. Um indivíduo, por exemplo, só aceitará que a sua sugestão dentro de uma gestão participativa não simboliza apenas uma oportunidade de tornar o seu ambiente de trabalho melhor, sendo, acima disto, uma das atuais maneiras de controle, se estiver predisposto a fazer esta leitura. A mobilização favorável ou contrária de cada indivíduo às decisões estabelecidas nas organização é uma conseqüência do que ele entende da realidade organizacional e pode ocorrer de forma racional, quando há uma reflexão sobre esta realidade, ou emotiva, quando a necessidade de pertencer a determinado grupo e a pressão social gerada por este leva o indivíduo a assumir uma postura sem a devida reflexão. Assim, as outras variáveis contribuem para apresentar uma leitura das relações de poder e incorporam o entendimento prévio destas relações influenciando-se mutuamente. 6. A ACEITAÇÃO O processo de comunicação organizacional ocorre com a transmissão de mensagens organizacionais codificadas pelas Relações Públicas para o público interno, tido, neste trabalho, como decodificador. Entre as Relações Públicas e o público interno encontram-se as variáveis intervenientes, que são o ruído deste processo de comunicação e são responsáveis pelas diferentes interpretações que a mesma mensagem pode ter para cada indivíduo. Ao receber uma mensagem, o indivíduo assumirá certo posicionamento, de acordo com sua leitura particular da situação. Assim, a aceitação da mensagem e, consequentemente, das normas, valores e objetivos nela imbutidos, não ocorrerá de forma única, mas sim em níveis distintos de aceitação que fazem parte de um continuum e, portanto, não se configuram como padrões rígidos. Neste estudo, os níveis de aceitação são flexíveis pois acredita-se que a aceitação 16 sua ligação com a questão da aceitação. O comprometimento será aqui empregado como construto ligado diretamente à aceitação das normas, valores e objetivos. Desta forma, não se apresenta em níveis ou padrões de comprometimento, existindo apenas os posicionamentos comprometido ou não comprometido. Um indivíduo não se encontra “pouco/menos” ou “muito/mais” identificado com algo. Ou ele se identifica ou não. O que pode variar é a ocorrência ou não do comprometimento, ocasionada pelas circunstâncias que envolvem o indivíduo, pela sua interpretação da situação no momento de se posicionar; por isso, diz-se que o comprometimento é situacional. Existem várias definições para o comprometimento, sendo que estas diferem devido às várias disciplinas que demonstram interesse em entender o tema -sociologia, administração e psicologia social - e à diversidade de fatores que são considerados elos entre trabalhador e organização. Além da organização, citam-se como elos o sindicato, os valores, a profissão e a carreira, que constituem linhas de investigação próprias porém apresentam problemas comuns, havendo a necessidade de integrá-los (BASTOS, 1993, p.54). Esta confusão acerca do conceito origina vários enfoques de pesquisa: afetivo, normativo, instrumental, sociológico e comportamental. O enfoque afetivo liga-se aos trabalhos da escola behaviorista de administração e considera como comprometimento o desejo do indivíduo em se manter como membro da organização. Ocorre uma identificação do indivíduo com a organização, com seus valores e objetivos (BASTOS, 1993). Para o enfoque instrumental, o comprometimento seria um mecanismo psicossocial, pois liga-se às conseqüências de uma ação (boas ou ruins), restringindo ou limitando a execução de ações futuras. Já o enfoque sociológico trata das relações de autoridade entre empregador e empregado, definindo como comprometimento o vínculo desenvolvido na relação de controle e subordinação entre eles (TEIXEIRA, 1994). O enfoque normativo trabalha com os conceitos de cultura organizacional e motivação como elementos provocadores da pressão normativa que leva o indivíduo a se comprometer, através da internalização destas pressões e da adoção de comportamentos congruentes com os interesses da empresa. Por fim, o enfoque comportamental, influenciado pela psicologia social, considera que as pessoas comprometem-se com seus próprios atos por um sentimento de autoresponsabilidade, graças a um mecanismo de pressão psicológica responsável pela manutenção de uma posição anteriormente escolhida e assumida publicamente (BASTOS, 1993). Percebe-se a semelhança entre as discussões sobre comprometimento e motivação, pois ambas trabalham pontos similares. O enfoque instrumental e a teoria dos estímulos externos partem da discussão sobre estímulo/resposta como condicionante das atitudes futuras; o enfoque 17 Portanto, entende-se que o comprometimento com a organização ocorre quando há identificação dos valores e objetivos individuais com os organizacionais; porém, a aceitação não parte de um fator isolado. Ela não surge apenas da vontade de pertencer do indivíduo como poderia ser interpretada pelo enfoque afetivo. Há a influência decisiva das ações normativasinstrumentais, presentes no enfoque normativo, das quais as Relações Públicas participam como instrumento - ao transmiti-las- e como atividade - ao definir valores, objetivos e normas. Da mesma forma, somente as normas sem o comprometimento do indivíduo com seus atos, como propõe o comportamental, não seria o suficiente para promover a aceitação. O enfoque sociológico também deve ser considerado, pois a relação de controle e subordinação permeia todas as relações e comportamentos humanos. O comprometimento estará presente a partir do momento que exista a aceitação. Esta aceitação pode ocorrer nos seguintes níveis: aceitação total, grande aceitação, aceitação, contestação e negação total. Os níveis de grande aceitação, aceitação e contestação estabelecem um paralelo com os três tipos de comportamento do indivíduo, propostos por SCHEIN (apud Prestes MOTTA, 1993): pirrotais, relevantes e periféricos. Os pirrotais são tidos como essenciais pela organização e servem como base para que a organização decida se o funcionário está cumprindo os padrões mínimos de desempenho exigidos. Estes funcionários podem fazer parte do nível da grande aceitação, pois introjetam os elementos organizacionais e, tornando-se os “homens de alto valor”, propostos por TAYLOR (apud HAMPTON, 1990 b), que são os trabalhadores ideais. Os relevantes são comportamentos desejáveis mas não absolutamente necessários, que se ligam ao nível da aceitação, uma vez que podem estar presentes com maior ou menor intensidade. Já os comportamentos periféricos são aqueles que eventualmente podem tornar-se relevantes e se ligam ao nível da contestação, pois são permitidos pela organização sem serem estimulados por ela. O primeiro nível, chamado de aceitação total, é um conceito ideal, não se verificando, portanto, na realidade. Ele corresponde a uma identificação total dos funcionários com valores, normas e objetivos organizacionais, o que acarreta a aceitação passiva de tudo que chega ao indivíduo, sendo impossível na prática devido à complexidade do ser humano, que possui inúmeras formas de percepção de um mesmo fato, como se pode verificar pela análise das variáveis intervenientes. A aceitação total implicaria na perda do caráter humano, pois o indivíduo se tornaria a organização, o que é impossível na prática. A grande aceitação, que constitui o segundo nível, caracteriza-se por apresentar alta similaridade entre objetivos e valores individuais e organizacionais e respeito pelas normas internas, ressaltando-se seu caráter contingencial. O indivíduo, a partir da identificação com estes elementos, posiciona-se favoravelmente em alguns casos e se compromete com a organização, 18 necessárias para obter recompensas na organização. Quando se consegue estabelecer a discussão, através das gestões participativas, abre-se caminho para o questionamento da validade de certas proposições. Contrariamente, quando os funcionários não aceitam e não argumentam, ou quando a participação não se dá de forma efetiva, a organização é prejudicada, pois a participação continua a ser a mínima necessária. Não há o desenvolvimento do potencial criativo e da aprendizagem em equipe que, através do diálogo e da discussão, têm a capacidade de oferecer novas possibilidades (SENGE, 1999). No terceiro nível, chamado de aceitação e apresentado como nível intermediário, os indivíduos podem identificar-se com os valores e objetivos e seguem as normas da organização, porém não introjetam nenhum elemento organizacional ou podem não se identificar, porém não se manifestam. Isto não significa que eles não participem das atividades organizacionais. A participação ocorre, porém, no nível da aceitação; os funcionários contribuem com a execução do trabalho de forma mecânica, rotineira. Não se faz nada além do requisitado, sendo o trabalho executado exatamente o exigido pela organização como mínimo necessário. Por ser um nível intermediário, as posições entre organização e indivíduos não são extremas / não há uma grande diferença entre as posições dos indivíduos e da organização. Assim, a oscilação quanto à aceitação ou não das normas, valores e objetivos por parte do público interno é maior, reforçando seu caráter situacional. No entanto, as posições diferentes das propostas pela organização não chegam a provocar rupturas internas. O quarto nível, chamado de contestação, é o foco inicial de conflitos pois abriga discussões sérias sobre a realidade organizacional. Neste nível, o fator interno que mantém o indivíduo na organização é o respeito às normas, pois os objetivos, bem como os outros elementos da cultura organizacional, são freqüentemente vistos como vazios, sem sentido e/ou opressores. Os valores da organização não correspondem aos valores do indivíduo e são quase totalmente rejeitados por ele. AKTOUF (apud CHANLAT, 1993) apresenta casos que demonstram as diferentes faces da cultura organizacional, destacando sua rejeição pelo público interno quando a realidade organizacional não é compatível com os elementos difundidos pela cultura. Segundo ele, são comuns casos de separação dos membros da empresa em grupos, provocada pelas diferentes visões e pelos papéis organizacionais de cada um. Para que a identidade seja compartilhada, os valores devem ser instalados e amadurecidos pelo tempo, sem serem escritos e expostos exaustivamente (AKTOUF apud CHANLAT, 1993). Os sindicatos de trabalhadores são um exemplo deste nível, pois não aceitam as proposições da organização e, no entanto, permanecem vinculados a ela pela existência de normas internas que os vinculam à organização. Quando os empregados oferecem resistência às mensagens e ações vindas da organização e não há consenso, a situação pode evoluir para a desvinculação do indivíduo da organização. 19 organização. O indivíduo pode oscilar entre os três níveis intermediários - grande aceitação, aceitação e contestação - a todo momento, durante toda sua vida organizacional, pois é natural no homem a mudança de idéia e a reopção diante de uma escolha anterior. Enquanto ser racional, agente e sujeito de sistemas de influência, que por sua vez também são instáveis, não se deve negar a complexidade do ser humano. Por isto, este trabalho não tem a intenção de propor modelos rígidos e sistemáticos de níveis de aceitação das normas, valores e objetivos organizacionais, mas sim de contribuir para a exposição de alguns níveis teóricos que sirvam como referencial para um melhor entendimento da aceitação dentro das organizações. Os níveis descritos são o resultado do trabalho de Relações Públicas sobre três elementos da cultura organizacional: normas, valores e objetivos. Os vários níveis surgem porque, ao perpassar pelas variáveis intervenientes -que também interagem com as Relações Públicas -, as normas, valores e objetivos ganham interpretações diferentes ligadas ao universo conceitual de cada indivíduo. A aceitação é tida aqui como um processo em si, uma vez que o indivíduo pode mover-se de um nível a outro, bastando para isto “utilizar-se”do seu universo conceitual. Quando o universo conceitual apresenta afinidade com as mensagens organizacionais, há uma evolução positiva, que pode ser a aceitação ou a grande aceitação, caso elementos sejam introjetados. Se não houver similaridade, a evolução é negativa e verificada na aceitação, quando não há nenhum tipo de discussão, ou na contestação. As Relações Públicas precisam conhecer os pontos convergentes e divergentes entre funcionários- enquanto indivíduos com personalidades próprias, pertencentes a grupos sociais e capazes de expressar suas opiniões- e empresa quanto à importância do trabalho, fatores considerados motivadores e estruturas de autoridade nas organizações. As relações humanas e de trabalho nas organizações tornam-se mais produtivas quando existe uma afinidade entre os interesses, valores e objetivos do público interno e da organização, que pode ser obtida pela comunicação organizacional realizada pelas Relações Públicas. Portanto, é válido e possível o questionamento sobre o nível de influência que os instrumentos de Relações Públicas têm sobre a aceitação dos valores, normas e objetivos da organização pelo público interno. CONCLUSÃO As Relações Públicas estão presentes no dia-a-dia organizacional, codificando e transmitindo aos públicos as mensagens emitidas por uma instituição. É de responsabilidade das Relações Públicas executar o trabalho de comunicação organizacional, que, uma vez formalizado, reflete a cultura da organização. A cultura é formada por uma série de elementos dos quais, neste trabalho, retiraram-se os valores, normas e objetivos organizacionais para se propor cinco níveis de aceitação: aceitação 20 - Grande aceitação: Há um grande respeito pelas normas da organização, a aceitação dos valores e objetivos é alta e estes são introjetados pelos indivíduos. Os funcionários deste nível são considerados pela organização como modelos a serem seguidos. - Aceitação: É o nível intermediário do continuum. Os valores, normas e objetivos são respeitados, mas não há uma identificação que leve à introjeção e nem um questionamento que leve à contestação. O funcionário realiza apenas o que lhe é solicitado. - Contestação: Há questionamento sobre o que está sendo transmitido, uma discrepância entre os valores e objetivos pessoais e os da organização, mas mantém-se o respeito pelas normas. Não há comprometimento e pode-se caminhar rapidamente para uma situação de conflito e desvinculação do indivíduo da organização. - Contestação total: Também não é possível na prática, porque o indivíduo não tem nenhuma espécie de vínculo com a organização, não respeitando nem as normas internas pré-estabelecidas. A aceitação dos valores, normas e objetivos é tida como contingencial. Os indivíduos podem oscilar entre os três níveis de aceitação, que não se configuram como conceitos ideais e estar “comprometidos” ou “não comprometidos” com a organização. Não se apresentam níveis de comprometimento uma vez que se liga este construto com a identificação com valores, normas e objetivos. Portanto, o comprometimento, surge a partir do momento em que existe a aceitação. Acredita-se na possibilidade teórica da existência destes níveis, pois uma mesma mensagem não é interpretada da mesma forma pelos indivíduos. Os níveis são tidos como resultado do trabalho de Relações Públicas e se formam graças às chamadas variáveis intervenientes que respondem pela decodificação da mensagem. Consideram-se como variáveis intervenientes os fatores que colaboram na construção do indivíduo, enquanto ser único, possuidor de um universo conceitual que serve como guia para suas atitudes e comportamentos. São eles: a) a formação do “eu” estreitamente relacionada com os processos de socialização e comunicação; b) a importância do trabalho que originou o homo faber e a atual estrutura social e econômica; c) os fatores que motivam o homem a produzir mais e melhor dentro das organizações; d) o poder legitimado que regulamenta a estrutura da organização e os conflitos pela afirmação individual ou grupal nas organizações. A não caracterização de outras variáveis intervenientes não significa sua inexistência. Ao contrário, ao se considerar o homem como um ser complexo, deve-se ressaltar a possibilidade de identificação de outras variáveis. Ressalta-se também que estas variáveis não existem 21 O trabalho das Relações Públicas resulta da aceitação da cultura que é construída e reconstruída. A partir do entendimento das variáveis as Relações Públicas podem melhorar a codificação das mensagens organizacionais e otimizar a aceitação dos valores, normas e objetivos organizacionais. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AKTOUF, Omar. “O simbolismo e a cultura da empresa: dos abusos conceituais às lições empíricas”. In: CHANLAT, Jean François (organizador). O Indivíduo na organização: dimensões esquecidas, v.2, São Paulo : Atlas, 1993. ARENDT, Hannah. A condição humana. Rio de Janeiro : Forense Universitária, 1989. ASCH, Solomon. Psicologia Social. São Paulo : Nacional, 1960. BASTOS, Antonio Virgílio B. Comprometimento Organizacional. Revista de Administração de Empresas, São Paulo v.33, n.3, p.52-64, maio/junho, 1993. CHANLAT, Jean François. “Por uma antropologia da condição humana nas organizações”. CHANLAT, Jean François (organizador). O indivíduo na organização : dimensões esquecidas, v. 1, São Paulo : Atlas, 1991. CLEGG, Stewart. “Poder, linguagem e ação nas organizações”. In: CHANLAT, Jean François (organizador). O indivíduo na organização: dimensões esquecidas, v. 1, São Paulo : Atlas, 1991. CORADI, Carlos Daniel. Administração de empresas: O comportamento humano em administração de empresas. São Paulo : Pioneira, 1985. DEJOURS, Christophe. “Uma nova visão do sofrimento humano nas organizações”.In: CHANLAT, Jean François (organizador). O indivíduo na organização: dimensões esquecidas, v. 1, São Paulo : Atlas, 1991. EVANGELISTA, Marcos F. Relações Públicas, fundamentos e legislação. Petrópolis : Vozes, 1975. FERREIRA, Waldir. “Comunicação dirigida: instrumento de Relações Públicas”. In: KUNSCH, Margarida Maria Krohling (organizadora).Obtendo resultados com Relações Públicas. São Paulo : Pioneira, 1997. FREITAS, Maria Ester de. Cultura Organizacional: formação, tipologias e impacto. São Paulo: Makron Books, 1991. GUERREIRO RAMOS, Alberto. A nova ciência das organizações- São Paulo : FGV, 1989. HAMPTON, David. Administração: Processos administrativos. São Paulo : McGraw-Hill, 1990. (a) 22 Pioneira, 1997. LANE, Sílvia; CODO, Wanderley (organizador). Psicologia Social: O homem em Movimento. São Paulo : Brasiliense, 1994. MIGLIACCIO Filho,. Rubens. Reflexões sobre o homem e o trabalho. Revista de Administração de Empresas, São Paulo, v.34, n.2, p.18-32, março/abril, 1994. MOTTA. Paulo R.. Gestão contemporânea: a ciência e a arte de se dirigir. Rio de Janeiro: Record, 1991. PEREIRA, José Maria Nascimento. “Fundamentos Psicológicos da Comunicação”. In: SÁ, Adísia (organizadora). Fundamentos científicos da comunicação. Petrópolis : Vozes, 1978. PRESTES MOTTA, Fernando. Controle social nas organizações. Revista de Administração de Empresas, São Paulo v. 33, n. 5, p.68-87, setembro/outubro, 1993. RONDEAU, Alain. “A gestão dos conflitos nas organizações”.In: CHANLAT, Jean François (organizador). O indivíduo na organização: dimensões esquecidas, v. 3, São Paulo : Atlas, 1996. SENGE, Peter M. A quinta disciplina. São Paulo : Best Seller, 1999. TEIXEIRA, Marcelo Gouvêa. Comprometimento organizacional: uma análise dos fatores individuais numa empresa de prestação de serviços. In: Anais XVIII ENANPAD, Curitiba PR: Anpad, v.. 8, p. 269-270, set. 1994.