INSPECÇÃO-GERAL DA EDUCAÇÃO
Avaliação Externa das Escolas
Relatório de escola
Agrupamento de Escolas
Dr. Azevedo Neves
AMADORA
Delegação Regional de Lisboa e Vale do Tejo da IGE
Datas da visita: 28 a 30 de Abril de 2010
I – INTRODUÇÃO
A Lei n.º 31/2002, de 20 de Dezembro, aprovou o sistema de
avaliação dos estabelecimentos de educação pré-escolar e dos
ensinos básico e secundário, definindo orientações gerais para a
auto-avaliação e para a avaliação externa.
Após a realização de uma fase-piloto, da responsabilidade de um
Grupo de Trabalho (Despacho Conjunto n.º 370/2006, de 3 de Maio),
a Senhora Ministra da Educação incumbiu a Inspecção-Geral da
Educação (IGE) de acolher e dar continuidade ao programa nacional
de avaliação externa das escolas. Neste sentido, apoiando-se no
modelo construído e na experiência adquirida durante a fase-piloto, a
IGE está a desenvolver esta actividade, entretanto consignada como
sua competência no Decreto Regulamentar n.º 81-B/2007, de 31 de
Julho.
O presente relatório expressa os resultados da avaliação externa do
Agrupamento de Escolas Dr. Azevedo Neves – Amadora, realizada
pela equipa de avaliação, na sequência da visita efectuada entre 28 e
30 de Abril de 2010.
Os capítulos do relatório – Caracterização do Agrupamento,
Conclusões da Avaliação por Domínio, Avaliação por Factor e
Considerações Finais – decorrem da análise dos documentos
fundamentais do Agrupamento, da sua apresentação e da realização
de entrevistas em painel.
Espera-se que o processo de avaliação externa fomente a autoavaliação e resulte numa oportunidade de melhoria para o
Agrupamento, constituindo este relatório um instrumento de reflexão
e de debate. De facto, ao identificar pontos fortes e pontos fracos,
bem como oportunidades e constrangimentos, a avaliação externa
oferece elementos para a construção ou o aperfeiçoamento de planos
de melhoria e de desenvolvimento de cada escola, em articulação
com a administração educativa e com a comunidade em que se
insere.
A equipa de avaliação externa congratula-se com a atitude de
colaboração demonstrada pelas pessoas com quem interagiu na
preparação e no decurso da avaliação. No entanto, sublinha-se o
facto de a direcção não ter promovido a eleição dos participantes nos
painéis onde tal era exigível, tendo aqueles sido escolhidos pelo
Conselho Pedagógico.
O texto integral deste relatório está disponibilizado
no sítio da IGE na área
Avaliação Externa das Escolas 2009-2010
E S C A L A D E A V ALI A Ç Ã O
Níveis de classificação dos
cinco domínios
MUITO BOM – Predominam os
pontos fortes, evidenciando uma
regulação sistemática, com base
em
procedimentos explícitos,
generalizados e eficazes. Apesar
de alguns aspectos menos
conseguidos,
a
organização
mobiliza-se para o aperfeiçoamento contínuo e a sua acção tem
proporcionado um impacto muito
forte na melhoria dos resultados
dos alunos.
BOM – A escola revela bastantes
pontos fortes decorrentes de uma
acção intencional e frequente,
com base em procedimentos
explícitos e eficazes. As actuações
positivas são a norma, mas
decorrem muitas vezes do
empenho e da iniciativa individuais. As acções desenvolvidas
têm proporcionado um impacto
forte na melhoria dos resultados
dos alunos.
SUFICIENTE – Os pontos fortes e os
pontos
fracos
equilibram-se,
revelando uma acção com alguns
aspectos positivos, mas pouco
explícita e sistemática. As acções
de aperfeiçoamento são pouco
consistentes ao longo do tempo e
envolvem áreas limitadas da
escola. No entanto, essas acções
têm um impacto positivo na
melhoria dos resultados dos
alunos.
INSUFICIENTE – Os pontos fracos
sobrepõem-se aos pontos fortes. A
escola não demonstra uma
prática coerente e não desenvolve
suficientes acções positivas e
coesas. A capacidade interna de
melhoria é reduzida, podendo
existir alguns aspectos positivos,
mas pouco relevantes para o
desempenho global. As acções
desenvolvidas têm proporcionado
um impacto limitado na melhoria
dos resultados dos alunos.
Agrupamento de Escolas Dr. Azevedo Neves – Amadora
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II – CARACTERIZAÇÃO DO AGRUPAMENTO
O Agrupamento de Escolas Dr. Azevedo Neves, formado em 2006, serve as freguesias da Damaia e da
Reboleira, no concelho da Amadora. É constituído pela Escola Básica e Secundária Dr. Azevedo Neves (EscolaSede) e pelas escolas básicas do 1.º ciclo com jardim-de-infância (EB1/JI) de Condes da Lousã e José Ruy. O
Agrupamento integra o Programa Territórios Educativos de Intervenção Prioritária 2 (TEIP2) e, desde 2008, criou
um Centro Novas Oportunidades. No ano lectivo de 2009-2010, a oferta educativa/formativa, para além da
educação pré-escolar e do ensino básico, abrange o ensino secundário, com cursos científico-humanísticos
(Ciências e Tecnologias e Línguas e Humanidades) e profissionais (Técnico de Multimédia, Animador
Sociocultural, Técnico de Apoio à Infância, e Técnico de Restauração), os cursos de educação e formação para
jovens, de nível básico – tipo 3 (Empregado de Mesa) e para adultos, de nível secundário tipo A (Técnico de
Acção Educativa, Técnico Administrativo e Técnico Informático), as Unidades de Formação de Curta Duração
para adultos (Inglês e Tecnologias de Informação e Comunicação), os cursos de educação extra-escolar de
Português para estrangeiros, o curso de Alfabetização e o reconhecimento, validação e certificação de
competências. De acordo com o Perfil de Agrupamento, a população escolar é constituída por 1411 discentes,
dos quais 109 crianças frequentam a educação pré-escolar, 947 alunos o ensino básico (412 o 1.º ciclo, 254 o
2.º e 281 o 3.º), 249 alunos o ensino secundário (109 os cursos científico-humanísticos e 140 os profissionais),
31 formandos os cursos de educação e formação de jovens e 75 formandos os cursos de educação e formação
de adultos. No âmbito da Acção Social Escolar, há 612 alunos (49,9%) que beneficiam de auxílios económicos,
dos quais 458 (37,3%) estão integrados no escalão A e 154 (12,6%) no escalão B. Os alunos estrangeiros
representam 35,1% do total da população escolar e são naturais de 21 países, predominando os dos países
africanos de língua oficial portuguesa (28,1%), do Brasil (3,4%) e da Roménia (1,2%). Dispõem de computador
em casa 9,4% dos alunos, sendo que 6,4 têm ligação à Internet. Quanto à actividade profissional dos
encarregados de educação, as áreas que registam uma maior percentagem de activos são: trabalhadores não
qualificados dos serviços e comércio (16,7%); operários, artífices e trabalhadores similares das indústrias
extractivas e da construção civil (13,4%); pessoal dos serviços directos e particulares, de protecção e segurança
(7,7%); empregados de escritório (1,6%); e condutores de veículos e embarcações e operadores de
equipamentos pesados móveis (1,5%). Já relativamente à sua formação académica, 19,9% possuem o 1.º ciclo,
12,9% o 2.º, 14,1% o 3.º, 9,0% o ensino secundário e 3,1% possuem formação pós-secundária. Desconhece-se
a formação, ou não têm habilitações 41% dos encarregados de educação. O corpo docente é constituído por um
total de 161 educadores e professores, dos quais 95 (59%) pertencem aos quadros de Agrupamento ou de zona
pedagógica e 66 (41%) são contratados. Do pessoal não docente fazem parte 42 profissionais: uma chefe de
serviços de administração escolar, seis assistentes técnicos, 31 assistentes operacionais e quatro técnicos
superiores. O Agrupamento conta ainda com dois elementos do Gabinete Coordenador da Segurança Escolar.
III – CONCLUSÕES DA AVALIAÇÃO POR DOMÍNIO
1. Resultados
BOM
Os dados disponibilizados permitem verificar a tendência dos resultados dos alunos do Agrupamento, nos
últimos três anos lectivos. Tal análise não pode deixar de ter em conta as especificidades socioculturais da
maioria destes discentes. As taxas de transição/conclusão e as classificações em todas as provas de avaliação
externa, no ensino regular, estão abaixo dos valores nacionais. As percentagens de sucesso na avaliação interna
têm revelado oscilações, apresentando o 1.º ciclo uma tendência de melhoria. Esta evolução torna-se mais
evidente nas taxas de conclusão dos cursos de educação e formação, quer no nível básico quer no secundário.
O Agrupamento actua com determinação no sentido de minimizar os factores externos que condicionam o
sucesso dos alunos. Estes estão representados nos órgãos e estruturas nos quais têm assento e neles
participam activamente, embora não tenham sido envolvidos na preparação dos documentos estruturantes. O
desenvolvimento cívico e a solidariedade são potenciados nas várias actividades realizadas. Ressalta a
existência de uma política bem conseguida de integração social e de consciência cívica dos discentes. A
comunidade educativa mantém uma postura de combate aos incidentes disciplinares e procede à sua
monitorização. Contudo, os problemas de indisciplina escolar e de falta de pontualidade e assiduidade
subsistem, em especial na Escola-Sede. É reconhecido o mérito das iniciativas do Agrupamento, no sentido da
Agrupamento de Escolas Dr. Azevedo Neves – Amadora
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integração socioeducativa dos discentes, do envolvimento das famílias e da valorização cultural da população
local, que dão uma resposta diversificada e flexível às necessidades e expectativas de quem o procura.
2. Prestação do serviço educativo
MUITO BOM
A planificação do processo de ensino e aprendizagem revela fragilidades na construção de um percurso
curricular sequencial e articulado dos discentes. Contudo, existem iniciativas que facilitam a transição entre
níveis e ciclos de educação e ensino. É no contexto dos grupos e das turmas que o desenvolvimento das
aprendizagens se revela mais contextualizado e coeso. O trabalho cooperativo entre docentes é crescentemente
valorizado, o que tem facilitado a partilha de experiências e de materiais pedagógicos, a reflexão sobre as
práticas e, inclusivamente, a supervisão do trabalho lectivo, embora não estejam implementados mecanismos
generalizados de observação de aulas. A articulação dos docentes e dos directores de turma com os
responsáveis pela educação especial, pelos apoios educativos e pelos serviços técnico-pedagógicos é
sistemática. Existe uma política consistente de apoio aos discentes, traduzida em iniciativas diversificadas e
flexíveis, tendo em conta vários factores que se cruzam: características sociais e culturais, as necessidades
educativas especiais, dificuldades de aprendizagem, grande desmotivação, problemas comportamentais e/ou
emocionais, dificuldades socioeconómicas e a heterogeneidade linguística. A grande abrangência da oferta
educativa e formativa, intencionalmente dirigida à grande variedade sociocultural existente no meio envolvente,
serve os interesses dos alunos, as necessidades das famílias e as expectativas das populações locais. O
incentivo às práticas activas, experimentais e profissionais está amplamente consubstanciado no leque de
actividades e projectos dinamizados pelo Agrupamento.
3. Organização e gestão escolar
MUITO BOM
O Projecto Educativo e o projecto Território Educativo de Intervenção Prioritária complementam-se e definem as
linhas de orientação da acção educativa do Agrupamento. Contudo, é evidente a falta de articulação do Projecto
Curricular com o Plano Anual de Actividades e destes com os dois supra referidos projectos. A planificação do
ano lectivo e a organização dos horários das turmas têm em conta os critérios aprovados em Conselho
Pedagógico e possibilitam a articulação entre as actividades lectivas, os apoios educativos e as iniciativas de
enriquecimento curricular. A gestão dos recursos humanos e a integração dos profissionais colocados pela
primeira vez no Agrupamento são feitas em ordem a um desempenho eficiente, propiciando um bom ambiente
de cooperação. A Escola-Sede vive momentos difíceis, fruto das actuais obras de requalificação, mas são
evidentes os esforços em relação ao bem-estar em todos os estabelecimentos. A falta de salas na educação préescolar, ao impedir que todas as crianças beneficiem da preparação a este nível, ameaça a melhoria dos
resultados do Agrupamento. Os recursos financeiros disponíveis não foram apresentados como factor
paralisador das estratégias definidas e os responsáveis escolares têm revelado capacidade na captação de
verbas por sua iniciativa. O Agrupamento tem uma acção determinada em relação ao envolvimento dos pais e
encarregados de educação, bem como de outros elementos da comunidade educativa, na vida escolar. Esta
actuação é reconhecida pelos encarregados de educação e mobiliza as entidades locais para uma colaboração
efectiva e sistemática. São evidentes os sinais de que o Agrupamento tem uma actuação pautada por critérios
de equidade e justiça e, ainda que a constituição de turmas homogéneas possa acarretar riscos, é inegável que
assume uma política activa de inclusão socioescolar, com o objectivo de criar oportunidades de sucesso para
todos.
4. Liderança
MUITO BOM
A visão e a estratégia do Agrupamento encontram-se assumidas pelos responsáveis escolares e estão
interiorizadas pela generalidade da comunidade educativa. Foram estabelecidos critérios que permitem avaliar
os projectos delineados. Os órgãos de direcção, administração e gestão vêem nas urbanizações recentemente
construídas nas proximidades da Escola-Sede uma oportunidade para captar novos alunos e revigorar a imagem
pública do Agrupamento. O Director revela significativa capacidade de liderança e é assessorado por uma
equipa que demonstra coesão e grande disponibilidade. As lideranças intermédias são valorizadas e, de um
modo geral, têm um papel activo. O Agrupamento conta com profissionais muito empenhados na melhoria do
Agrupamento de Escolas Dr. Azevedo Neves – Amadora
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serviço prestado. A abertura à inovação assenta num claro esforço interno em encontrar respostas para os
problemas identificados, sendo evidente a capacidade de adaptação a novos desafios. O Agrupamento tem
instituído uma dinâmica consolidada de articulação com um leque muito diversificado de organismos e
empresas, visível na celebração de protocolos e no estabelecimento de parcerias, para melhor concretizar as
linhas de orientação da acção educativa definidas.
5. Capacidade de auto-regulação e melhoria do Agrupamento
BOM
O Agrupamento tem instituídas rotinas de auto-avaliação que revelam, claramente, uma postura constante de
questionamento aprofundado sobre, designadamente, os resultados escolares dos alunos, o funcionamento das
estruturas de coordenação e supervisão e dos serviços técnico-pedagógicos e a eficiência e eficácia das
iniciativas concretizadas. Estas práticas regulares têm originado, consequentemente, a determinação de acções
de melhoria consistentes. Contudo, os responsáveis escolares e a própria equipa de auto-avaliação do
desempenho escolar, recentemente constituída, reconhecem que não existe um processo organizado e
fundamentado de auto-avaliação, para além do inerente ao projecto Território Educativo de Intervenção
Prioritária. Este reconhecimento, conjugado com a acção conjunta, intencional e empenhada de toda a
comunidade educativa e a informação sobre o desempenho interno já recolhida, afirmam as condições de
sustentabilidade do progresso alcançado.
IV – AVALIAÇÃO POR FACTOR
1. Resultados
1.1 Sucesso académico
O Agrupamento faz registos relativos à evolução das aprendizagens das crianças da educação pré-escolar. Os
dados relativos ao triénio 2006-2007 a 2008-2009 permitem concluir que as taxas de transição/conclusão, no
Agrupamento, foram sempre inferiores às taxas homólogas nacionais. As referidas taxas apresentaram, no 1.º
ciclo, uma evolução (87,6%, 90,4%, 94,0%), no 2.º ciclo, uma estabilidade (81,3% em 2007-2008 e 80,1% em
2008-2009), no 3.º ciclo, uma tendência decrescente (71,9%, 56,3%, 67,4%) e, nos cursos científicohumanísticos do ensino secundário, uma estabilidade (65,5%, 61,2%, 65,8%). Relativamente aos cursos de
educação e formação, a evolução das taxas de conclusão é significativa, quer no nível básico (58,8%, 77,7%,
87,9%), quer no secundário (40,9%, 74,1%, 94,7%). De acordo com os dados do perfil do Agrupamento, em
2008-2009, a taxa de conclusão dos cursos de educação e formação de adultos foi de 96,3%, mas a
percentagem de insucesso dos cursos profissionais do ensino secundário atingiu os 24,4%. Em resultado das
acções implementadas não se registaram, em 2008-2009, casos de abandono escolar nos 1.º e 2.º ciclos;
contudo, nos restantes níveis e cursos leccionados, as percentagens de abandono/desistência atingem valores
significativos (p. ex., 13,3% no 8.º ano, 24,0%, no 11.º ano dos cursos científico-humanísticos e 23,7% no 10.º
ano dos cursos profissionais). Há um esforço permanente da comunidade educativa para reduzir estas
percentagens. Nas provas de avaliação externa, também no último triénio, os resultados dos alunos do
Agrupamento foram sempre inferiores aos nacionais. As percentagens de alunos com classificação igual ou
superior a Satisfaz nas provas de aferição do 4.º ano foram de 83,4%, 84,9% e 82,6%, em Língua Portuguesa, e
de 73,1%, 84,1% e 71,2%, em Matemática. No 6.º ano, nos dois anos lectivos em que o Agrupamento realizou
as provas de aferição (2007-2008 e 2008-2009), as referidas percentagens apresentaram uma tendência de
descida, quer em Língua Portuguesa (82,4% e 62,9%) quer em Matemática (58,4% e 48,1%). Nos exames
nacionais do 3.º ciclo, as taxas de alunos com classificação igual ou superior a três, em Língua Portuguesa,
foram de 66,0%, 75,0% e 60,7% e em Matemática registaram uma melhoria (7,6%, 15,7% e 21,3%). Nos
exames nacionais do ensino secundário, as médias obtidas pelos alunos, no último triénio, registaram uma
tendência crescente nas disciplinas constantes no perfil de Agrupamento: Português (8,9; 8,3 e 9,6 valores),
Matemática A (9,3; 13,8 e 9,7 valores) e História A (6,7; 7,8 e 10,2 valores). O Agrupamento, designadamente
no Conselho Pedagógico, analisa o percurso escolar dos discentes, traça a evolução dos resultados, estabelece
a comparação entre a avaliação interna e externa, identifica as áreas de menor sucesso (Língua Portuguesa,
Matemática e Inglês) e fixa metas a alcançar. Um conjunto de factores externos tem de ser equacionado,
Agrupamento de Escolas Dr. Azevedo Neves – Amadora
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quando se analisam os resultados académicos destes alunos. A heterogeneidade cultural, as problemáticas
sociais, as disfunções familiares e, principalmente, o facto de grande parte dos alunos não falar ou não dominar
correctamente o Português perturbam a vida escolar, diminuindo as possibilidades de sucesso. As dificuldades
económicas levam a que muitos alunos do ensino secundário sejam trabalhadores-estudantes. A comunidade
educativa está atenta a todas estas contrariedades e actua com determinação para as minimizar.
1.2 Participação e desenvolvimento cívico
Os alunos estão representados no Conselho Pedagógico e no Conselho Geral e têm acesso fácil à direcção, onde
colocam os seus problemas e expõem as suas opiniões. São eleitos os delegados das turmas e estes são
regularmente convocados para os conselhos de turma do 5.º ao 12.º ano. Contudo, não foram chamados a
participar activamente na elaboração e reformulação dos documentos estruturantes da vida escolar, nem existe
Associação de Estudantes. O Regulamento Interno, designadamente os aspectos relativos aos direitos e
deveres, é dado a conhecer aos alunos e estes revelam conhecer as regras de funcionamento da sua escola. As
questões ligadas à temática da cidadania consciente são abordadas em várias actividades curriculares
(Formação Cívica, p. ex.), nas múltiplas iniciativas de enriquecimento curricular (p. ex., na participação na
Assembleia Municipal Jovem e na comemoração do Dia Escolar da Não Violência) e nas experiências de
aprendizagem que trocam com colegas de múltiplos países, raças e credos. Percebe-se que os alunos valorizam
a vivência escolar, em especial a convivência saudável entre as diferentes etnias e países representados, o que
denota um esforço bem conseguido de integração social e de uma consciência cívica assinalável. É fomentada a
responsabilização dos discentes, de que é exemplo o projecto Sou Tutor, no qual alunos do ensino secundário
colaboram na integração dos mais novos na Escola-Sede. A solidariedade é desenvolvida através de campanhas
específicas, muitas delas em colaboração com entidades externas.
1.3 Comportamento e disciplina
Na visita efectuada ao Agrupamento, a equipa de avaliação externa encontrou, no interior e no exterior das
salas de aula, um ambiente calmo e de boa convivência. No entanto, é assumido pela comunidade educativa
que existem alunos com atitudes inadequadas, em especial na Escola-Sede. O Agrupamento enfrenta estas
condutas e apoia os jovens problemáticos que o frequentam. Existe mesmo uma evidente conjugação de
esforços dos vários intervenientes internos e externos numa postura sistemática de combate aos
comportamentos indisciplinados, perturbadores e mesmo desviantes. É interessante verificar que os próprios
alunos têm consciência deste esforço comum e nele participam, a seu modo e ao seu nível. Os diversos
elementos da comunidade educativa afirmam que não existe violência escolar e que as condutas delinquentes
vividas no exterior não passam para o interior do Agrupamento. De 2007-2008 para 2008-2009, diminuiu o
número de alunos a quem foi aplicada a sanção de suspensão da escola (de 53 para 45), contudo este ano
lectivo já foram suspensos 48 alunos, num total de 140 dias. Não existindo absentismo na educação préescolar e no 1.º ciclo, as medidas de superação deste fenómeno na Escola-Sede não têm tido o sucesso
esperado e a falta de assiduidade e de pontualidade dos alunos é um problema que os responsáveis escolares
classificam de grave.
1.4 Valorização e impacto das aprendizagens
O Agrupamento, desde a sua criação, tem vindo a aumentar o número de discentes. A oferta dos cursos
profissionalizantes teve um impacto decisivo neste aumento. A comunidade educativa demonstra satisfação
com o serviço educativo prestado e é evidente o sentido de pertença que alunos, docentes e não docentes
revelam em relação ao Agrupamento. É assinalável o seu papel na resposta às necessidades dos alunos (p. ex.,
o conjunto consistente de iniciativas de apoio social, afectivo e educativo), em promover iniciativas educativas
estimulantes (p. ex., com a diversificação de actividades de enriquecimento curricular e a participação em mais
de 80 visitas de estudo no presente ano lectivo), em atrair aqueles que precocemente abandonaram o sistema
de ensino ou estão em perigo de o fazer (p. ex., com a criação de vários cursos de educação e formação de
jovens), em proporcionar o aumento da formação de adultos (p. ex., com a criação dos cursos de educação e
formação, a dinamização de unidades de formação de curta duração na Escola-Sede, em bairros e em
empresas), em proporcionar a integração social (p. ex., com os cursos de alfabetização e de Português para
Todos) e, ainda, com o reconhecimento e validação de competências. O Agrupamento estimula o sucesso
Agrupamento de Escolas Dr. Azevedo Neves – Amadora
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académico dos seus alunos, através do estabelecimento dos Quadros de Honra e de Mérito, do envolvimento
em concursos internos e externos (no âmbito da Geografia e da Música, entre outros), da entrega e divulgação
formal de troféus, prémios e diplomas, da exposição dos trabalhos realizados pelos alunos e da participação no
certame Amadora Educa e na Mostra de Teatro da Amadora. Dos alunos candidatos ao ensino superior, 9 em
2008 e 14 em 2009, foram colocados na 1.ª fase, 7 (77,8%) e 12 (85,7%) alunos, respectivamente.
2. Prestação do serviço educativo
2.1 Articulação e sequencialidade
O trabalho de orientação e organização do processo de ensino-aprendizagem, ao nível do Agrupamento,
encontra-se muito centrado nos conselhos de docentes do 1.º ciclo e da educação pré-escolar (um por cada
escola) e nas áreas disciplinares na Escola-Sede. Neste contexto, são evidentes as fragilidades do
funcionamento dos departamentos na gestão curricular e na construção de um percurso sequencial e articulado
dos discentes. Contudo, para facilitar a transição entre níveis e ciclos de ensino, foram referidas algumas
iniciativas específicas, designadamente a concertação sobre algumas actividades destinadas às crianças de
cinco anos, as reuniões de docentes para transmissão de informação relevante sobre os grupos/turmas e as
visitas guiadas das crianças e alunos às instalações que irão frequentar. Da iniciativa dos serviços técnicopedagógicos, foram desenvolvidos projectos, como À Descoberta de um Mundo Novo (transição do 1.º para o 2.º
ciclo), Ofertas Educativas no 9.º ano e Percursos Educativos e Formativos no Ensino Secundário (do 3.º ciclo
para o ensino secundário) e, ainda, acções para preparar a entrada no ensino superior ou no mundo do
trabalho. A articulação entre as diversas áreas do currículo acontece, pontualmente, em algumas acções
constantes no Plano Anual de Actividades e na abordagem de temas transversais, no âmbito dos projectos
curriculares dos grupos e das turmas. É também nestes projectos que se mostra mais coesa e contextualizada a
tarefa de planificação das experiências de aprendizagem a desenvolver com os discentes. São estabelecidas
metas mensuráveis em relação aos resultados, mas a sua concretização nem sempre é alcançada. Não foram
claras as formas de articulação entre os técnicos das actividades de enriquecimento curricular do 1.º ciclo e os
professores titulares das turmas. Pelo contrário, existe uma ligação sistemática dos docentes e dos directores
de turma com os responsáveis pela educação especial, pelos apoios educativos e pelos serviços técnicopedagógicos.
2.2 Acompanhamento da prática lectiva em sala de aula
As diferentes estruturas de coordenação educativa e supervisão pedagógica estabelecidas no Regulamento
Interno reflectem sobre as práticas docentes, estabelecem orientações comuns, analisam os resultados dos
alunos, definem estratégias de remediação para os problemas educativos identificados e verificam o
cumprimento das planificações elaboradas. Neste contexto, o acompanhamento da prática lectiva é realizado e
os docentes mostram-se abertos a práticas de supervisão em sala de aula, tendo sido referidas algumas
experiências nesse sentido, para além da observação de aulas no âmbito da avaliação de desempenho. Existe
uma política de reforço do trabalho em equipa dos docentes que passa pelas actividades já referidas e,
também, pela aplicação flexível dos critérios de avaliação, a elaboração de matrizes comuns para testes de
conhecimentos e a construção de instrumentos de avaliação diferenciados.
2.3 Diferenciação e apoios
Em 2009-2010, o Agrupamento, para além de um número muito significativo de alunos com necessidades de
integração sociocultural (35,1% dos alunos são estrangeiros), conta 63 discentes com necessidades educativas
especiais de carácter permanente (NEE), mais de 90 alunos com necessidades linguísticas resultantes do
desconhecimento total ou parcial da língua portuguesa e um número variável de alunos com dificuldades de
aprendizagem mais genéricas. Para responder a esta realidade, o Agrupamento desdobra-se em estratégias de
apoio e de diferenciação, movimenta os seus docentes e assistentes técnicos e operacionais, dispõe de uma
equipa técnico-pedagógica alargada e multidisciplinar e mobiliza recursos externos indispensáveis. O apoio aos
alunos com NEE revela bons índices de sucesso (em 2008-2009, 90% dos alunos apoiados transitaram) e inclui
sete alunos com currículo específico individual, um com plano individual de transição para a vida pós-escolar e
Agrupamento de Escolas Dr. Azevedo Neves – Amadora
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seis alunos numa Unidade de Ensino Estruturado para a Educação de Alunos com Perturbações do Espectro do
Autismo. Foi realizada uma exposição interactiva para todas as escolas do Agrupamento – Experimentar a
Diferença – que sensibilizou a comunidade escolar para os problemas da educação especial. No sentido de
responder às necessidades linguísticas dos alunos, para além de todas as medidas de apoio previstas
legalmente, está a ser desenvolvido um projecto específico de apoio – o Ano Zero. São várias as modalidades de
apoio educativo que procuram, a cada momento e em cada caso específico, responder às dificuldades
manifestadas pelos alunos – atente-se nas seguintes estratégias: par pedagógico em algumas disciplinas; apoio
individual ou em pequeno grupo dado pelo professor curricular ou por um professor específico (1.º ciclo); reforço
pedagógico em disciplinas de maior insucesso ou com exame nacional; oficinas ligadas a algumas disciplinas;
as actividades e o espaço da Biblioteca Escolar na Escola-Sede; apoio inter-pares nas turmas e plano de acção
para o reforço de competências na disciplina de Matemática. Propiciou, de igual modo, o reforço nas disciplinas
de Língua Portuguesa e Matemática (com leccionação em par pedagógico). Não foram disponibilizados dados
sobre a eficácia de todas estas medidas consideradas individualmente. Contudo, a percentagem de sucesso dos
alunos com planos de recuperação ou de acompanhamento não é significativa e não apresenta uma tendência
de melhoria nos últimos três anos lectivos. A resposta às necessidades de integração sociocultural é também
uma prioridade que passa por problemas mais básicos, como a alimentação diária e a higiene corporal, mas
também envolve aspectos como a sexualidade e a saúde em geral, o apoio a grávidas ou mães jovens e o
acompanhamento individual e/ou domiciliário a alunos problemáticos ou em risco social. Em todas estas
questões, o Agrupamento conta com profissionais que revelam sensibilidade para as diversas problemáticas,
iniciativa na acção e apoios externos empenhados. Na tentativa de procurar melhorar as aprendizagens, à
semelhança do que já faz na Escola-Sede, o Agrupamento implementou o projecto – A pensar, vamos
descobrir… Diferenciação pedagógica, um caminho para o sucesso – que consiste na constituição de turmas
homogéneas. Não foi evidente como é que o desenvolvimento deste projecto está a ser acompanhado pelo
Conselho Pedagógico e não é perceptível como vai ser avaliado.
2.4 Abrangência do currículo e valorização dos saberes e da aprendizagem
O Agrupamento, para além do que chama disciplinas de enriquecimento curricular (Jogos Lúdicos - Matemática
no 5.º ano e Aplicações Matemáticas no 7.º Ano) e de uma disciplina de opção na área de Educação Artística do
3.º ciclo (Pintura e Gravura) tem uma oferta educativa muito diversificada que resulta de uma reflexão dos
responsáveis escolares sobre os recursos humanos disponíveis, as carências formativas do público que serve e
a especificidade da rede educativa da Amadora. A educação integral dos seus discentes é uma preocupação
sempre presente nas actividades de acompanhamento e apoio à família, nas iniciativas de enriquecimento do
currículo do 1.º ciclo e nas mais variadas iniciativas, clubes e projectos nos restantes níveis e ciclos de ensino.
Em todas as escolas são dinamizadas actividades e projectos, como: Educação para a Saúde; socorrismo,
clubes ou grupos ligados a várias áreas: História, Filosofia, ambiente, teatro, canto coral, artes, dança e imagem;
oficinas de Inglês, Matemática, Letras e Informática; e, ainda, o Desporto Escolar (Basquetebol, Tiro com Arco,
Ténis de Campo, Ténis de Mesa, Dança, Futebol, Voleibol e Atletismo). Os alunos envolvem-se, com entusiasmo,
em todas estas iniciativas e têm gosto em apresentar os trabalhos que desenvolvem nas semanas Cultural ou
de Escola. O incentivo a práticas activas na aprendizagem é uma constante que, apesar de todas as vicissitudes
em termos de instalações que se vivem na Escola-Sede, pode ser ilustrado com o desdobramento das turmas
nas aulas das ciências experimentais, na participação nas actividades do Centro de Ciência Viva da Amadora, na
iniciativa o Laboratório dos Pequeninos, na dinamização da Semana das Ciências no 1.º ciclo e no Projecto das
Ciências. A valorização dos saberes profissionais está patente nas actividades práticas e nos estágios dos
cursos profissionalizantes e na participação na Expo do Emprego e Formação do concelho da Amadora. Para dar
resposta às necessidades e solicitações das populações locais, o Agrupamento oferece várias modalidades de
formação integradas no Centro Novas Oportunidades, incluindo o reconhecimento e validação de competências.
3. Organização e gestão escolar
3.1 Concepção, planeamento e desenvolvimento da actividade
O Projecto Educativo, sob o lema Viver o presente, construindo o futuro (uma escola do século XXI), foi
reformulado sem que o anterior tenha sido objecto de avaliação. Apresenta, consubstanciadas em sete
Agrupamento de Escolas Dr. Azevedo Neves – Amadora
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objectivos, as linhas de orientação da acção educativa. É no projecto TEIP – O Mosteiro do século XXI – que se
encontra o complemento das referidas linhas. O Projecto Curricular não evidencia uma articulação explícita com
os referidos documentos, embora faça alusão a prioridades educativas. O Plano Anual de Actividades estabelece
eixos de intervenção e as inúmeras iniciativas a dinamizar surgem integradas em planos de acção das
diferentes estruturas educativas, mas não se reportam directamente à operacionalização de cada um dos
referidos eixos. Neste documento, que não contou na sua elaboração com uma plena participação de todos os
agentes educativos, não é explícita a articulação com os referidos projectos educativos e curricular. O
planeamento do ano lectivo é efectuado pelo Director, privilegiando os critérios aprovados em Conselho
Pedagógico, e atempadamente divulgado junto dos diferentes sectores da comunidade educativa. Os horários
de todas as turmas evidenciam uma organização equilibrada e em regime normal, possibilitando uma
articulação entre as actividades lectivas, a frequência dos apoios educativos e o usufruto das actividades de
enriquecimento curricular, com claros benefícios para alunos e professores. Nas áreas curriculares não
disciplinares, a Formação Cívica apresenta-se como um espaço efectivo de desenvolvimento de competências
sociais, no Estudo Acompanhado reforçam-se as aprendizagens estruturantes e em Área de Projecto promove-se
a transversalidade das várias disciplinas.
3.2 Gestão dos recursos humanos
A relativa estabilidade do corpo docente permite ao Director (com alguns anos de continuidade em funções de
gestão) ter um bom conhecimento das competências desses profissionais e usá-lo na distribuição do serviço,
com vista a um desempenho adequado às características dos alunos. Essa estabilidade permite que a
afectação às turmas e às direcções de turma assente, sempre que tal seja possível, no critério da continuidade.
O acolhimento e a integração dos profissionais colocados pela primeira vez no Agrupamento, reconhecidos pelos
próprios como muito bons, são feitos pela direcção e pelos coordenadores das diferentes estruturas
pedagógicas, no sentido de os inserir nas respectivas dinâmicas e de os ajudar a ultrapassar eventuais
dificuldades. Assim, é propiciado um bom ambiente de trabalho, em que há partilha de práticas e de
experiências resultantes de um trabalho cooperativo. A gestão dos assistentes operacionais, particularmente
difícil na Escola-Sede, fruto das obras de requalificação em curso, afigura-se equilibrada, assegurando o
funcionamento dos vários sectores. A dimensão educativa dos conteúdos funcionais destes não docentes é
valorizada. Os Serviços Administrativos apresentam uma organização por áreas funcionais e, embora não
procedam a uma monitorização da qualidade do serviço que prestam, consideram que têm uma boa capacidade
de resposta. O atendimento, no âmbito da Acção Social Escolar, assegura condições de privacidade. Os
assistentes técnicos mostram-se disponíveis para garantir a abertura dos respectivos serviços aos sábados de
manhã, apoiando as famílias imigrantes. Há um plano de formação contínua para os profissionais, com base
nas necessidades identificadas, mas o centro de formação respectivo nem sempre dá resposta suficiente. Ao
nível interno, existem formações inter-pares, nomeadamente no âmbito das tecnologias da comunicação e da
informação (TIC).
3.3 Gestão dos recursos materiais e financeiros
A Escola-Sede está a ser alvo de intervenção no âmbito do Programa de Modernização do Parque Escolar do
Ensino Secundário, prevendo-se a sua conclusão em 2011. Dispõe, ainda assim, dos espaços indispensáveis
para o seu funcionamento, tendo sido, para o efeito, instalados monoblocos climatizados. Embora a exiguidade
do centro de recursos apenas possibilite a presença simultânea de um reduzido número de alunos, está
assegurada a utilização de equipamento informático e de algum acervo documental. Os espaços laboratoriais
encontram-se razoavelmente apetrechados. As instalações das duas EB1/JI apresentam, genericamente, boas
condições, incluindo o espaço destinado à Unidade de Ensino Estruturado, e possibilitam a realização das
actividades de enriquecimento curricular. Enquanto na EB1/JI de Condes da Lousã as actividades de expressão
motora e desportiva são desenvolvidas no polivalente, na EB1/JI de José Ruy existe um espaço específico para
esse efeito. Em ambas as escolas, faltam áreas exteriores cobertas para assegurar a ligação entre os edifícios. A
escassez de meios informáticos no 1.º ciclo, associado à inexistência de ligação à Internet, bem como as
condicionantes técnicas impostas pela requalificação do espaço escolar na Escola-Sede, condicionam a plena
utilização das TIC. Assim, a utilização da plataforma Moodle é um processo em construção. As salas destinadas
à educação pré-escolar são insuficientes, tendo ficado, no presente ano lectivo, 46 crianças, de três e quatro
Agrupamento de Escolas Dr. Azevedo Neves – Amadora
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anos, em lista de espera. São realizados simulacros de situações de emergência nas EB1/JI, enquanto na
Escola-Sede é a empresa Parque Escolar que tem actualmente a seu cargo os aspectos relacionados com a
segurança. É evidente o esforço realizado ao nível da decoração e da aprazibilidade de todos os espaços
escolares, em especial na EB1/JI de Condes da Lousã. O forte dinamismo revelado, no último biénio, na
captação de receitas próprias, nomeadamente através da cedência a título oneroso de espaços na Escola-Sede,
sofreu, neste ano lectivo, uma quebra significativa com o processo de requalificação das instalações. As
candidaturas efectuadas no âmbito do Programa Operacional do Potencial Humano, do Programa TEIP2, do
Plano de Acção para a Matemática (PAM), do Plano Nacional de Leitura (PNL), dos projectos financiados pela
Câmara Municipal, a título de exemplo, têm um impacto positivo no desenvolvimento das iniciativas do
Agrupamento. O uso das verbas encontra-se alinhado com as prioridades estabelecidas e o cumprimento dos
objectivos definidos nos documentos estruturantes.
3.4 Participação dos pais e outros elementos da comunidade educativa
Os encarregados de educação (EE) manifestam uma opinião muito favorável sobre o acompanhamento prestado
aos discentes e a facilidade de comunicação com os docentes e a direcção. Alguns testemunharam que os seus
receios e reticências em matricular os seus educandos na Escola-Sede foram infundados e reforçaram a
elevada satisfação com os percursos formativos proporcionados. É fomentada a sua participação em
actividades dinamizadas pelo Agrupamento, sendo mais evidente esse envolvimento na educação pré-escolar e
no 1.º ciclo. A abertura da oferta formativa para adultos, assim como as iniciativas de apoio social
desencadeadas, são reconhecidos como factores estimulantes da vinda dos pais ao Agrupamento. Embora não
se tenham recolhido evidências da colaboração dos EE na elaboração dos documentos estruturantes, que, em
regra, desconhecem, participam activamente nos diversos órgãos e estruturas em que têm assento. O contacto
entre EE e docentes é estabelecido através do atendimento individual, com um horário flexível, ou em reuniões
em horário pós-laboral. A monitorização dos índices de presença dos EE no Agrupamento não é feita com um
carácter sistemático e intencional. A Associação de Pais e EE, embora numa fase muito embrionária da sua
constituição, disponibiliza um blogue no site do Agrupamento e dinamiza as actividades de tempos livres na
EB1/JI Condes da Lousã. A continuação deste trabalho afigura-se dependente de um maior envolvimento de
outros pais, para além dos promotores da iniciativa. O Agrupamento tem uma relação estreita e consolidada
com a comunidade envolvente, traduzida num número muito considerável de apoios de empresas e entidades
locais. A Câmara Municipal da Amadora e as juntas de freguesia da Damaia e da Reboleira têm também um
papel importante, quer no âmbito das suas competências quer na colaboração que prestam à concretização de
iniciativas constantes do Plano Anual de Actividades.
3.5 Equidade e justiça
O Agrupamento tem, no seu quotidiano, uma política activa de inclusão, apoiada em princípios de equidade e
justiça e num trabalho constante de cooperação entre as estruturas internas e inúmeras entidades externas. Os
responsáveis escolares denotam estar muito atentos aos problemas de aprendizagem e de integração escolar, o
que se traduz numa multiplicidade de acções diferenciadas, das quais se referem, a título meramente
exemplificativo, a prestação de apoios para além dos suportados pela Acção Social Escolar e o auxílio à
legalização de alunos indocumentados. A constante procura da solução mais adequada para cada situação é
reconhecida pela comunidade educativa, designadamente pelos alunos. A decisão dos responsáveis escolares
de constituir turmas homogéneas acarreta alguns factores de risco, eventualmente minimizados com a
implementação de uma monitorização eficaz. As actividades de apoio à família e as iniciativas de
enriquecimento curricular no ensino básico propiciam a crianças e alunos experiências enriquecedoras,
possibilitando às famílias beneficiar, até às 18 horas, da escola a tempo inteiro.
4. Liderança
4.1 Visão e estratégia
Os responsáveis escolares expressam claramente, para o futuro do Agrupamento, uma visão e uma estratégia a
médio e longo prazo que se encontram apropriadas pela generalidade da comunidade educativa. É no projecto
Agrupamento de Escolas Dr. Azevedo Neves – Amadora
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de candidatura ao Programa TEIP 2 que as estratégias a implementar, visando a superação dos problemas
identificados, se encontram visivelmente explicitadas, embora não se encontrem calendarizadas, e são
apresentados os critérios objectivos que permitem avaliar com rigor a eficácia dos planos operacionalizados. O
Agrupamento é reconhecido, no contexto local, pelas práticas de inclusão e de apoio social que realiza junto da
comunidade, pelos cursos profissionalizantes disponibilizados e pelo envolvimento em programas de
desenvolvimento educativo e de qualificação de adultos. Neste âmbito, encontram-se abrangidos 435 adultos,
em 2009-2010. No caso dos cursos profissionalizantes, foi feita uma auscultação ao Instituto de Emprego e
Formação Profissional sobre as saídas profissionais mais viáveis. Os órgãos de direcção, administração e
gestão, confiados na qualidade das futuras instalações e na diversidade dos seus recursos humanos, esperam
que as urbanizações recentemente construídas na zona contribuam para renovar as características da
população discente e para alterar a imagem do Agrupamento.
4.2 Motivação e empenho
É reconhecida a liderança e o espírito de iniciativa do Director que, coadjuvado por uma equipa que
eficientemente o acompanha, aposta numa liderança partilhada, assente na responsabilidade colectiva e na
abertura à comunidade local. O conhecimento pormenorizado que detém das diferentes situações não significa
interferência nas áreas de competência próprias ou delegadas, pois mobiliza as lideranças intermédias,
incutindo-lhes responsabilidades e promovendo a subsidiariedade e a complementaridade de funções. Ainda
assim, a consciencialização de algumas estruturas de coordenação, designadamente dos departamentos
curriculares, quanto às suas funções, não está assumida por todos. É, no entanto, notório o empenho dos
responsáveis escolares e da generalidade dos profissionais, na prossecução de estratégias e na concretização
das metas constantes nos documentos estruturantes. Verificou-se um ambiente de proximidade e afectividade
com os alunos e de boas relações interpessoais entre os elementos da comunidade escolar. É feita a
monitorização do absentismo do pessoal docente e não docente – o número de faltas tem decrescido – e
encontra-se minimizado o impacto das suas ausências. A actuação do pessoal não docente espelha a dimensão
educativa das suas funções e o empenho em proporcionar um ambiente educativo adequado. O Conselho Geral,
no âmbito das competências que lhe estão cometidas, mostra-se disponível e interessado em cooperar na
consolidação da identidade do Agrupamento.
4.3 Abertura à inovação
O Agrupamento mostra-se aberto à inovação, consubstanciada, nomeadamente na diversidade de tipos de
formação de jovens e adultos e no reconhecimento de competências implementados pelo Centro Novas
Oportunidades. Estas iniciativas ocorrem quer em contexto escolar quer no local de trabalho ou na área de
residência dos formandos. O espírito inovador está igualmente patente na disponibilidade da direcção ao apoio
social prestado aos alunos e às respectivas famílias, designadamente na legalização de indocumentados, e na
acção do Gabinete de Acompanhamento Pedagógico, ao realizar visitas domiciliárias em ordem à redução dos
níveis de absentismo e de abandono escolar. Todas estas acções são apoiadas pela abertura dos serviços
administrativos aos sábados de manhã, facilitando, inclusivamente, a inscrição nos exames para obtenção da
nacionalidade portuguesa. O projecto Ano Zero assenta num conjunto de actividades pedagógicas diferenciadas
para alunos estrangeiros com grandes dificuldades no domínio da língua portuguesa. O site do Agrupamento na
Internet, além de informações relevantes acerca da sua organização e funcionamento, disponibiliza blogues (p.
ex., da EB1/JI de Condes da Lousã) e links diversos.
4.4 Parcerias, protocolos e projectos
No Conselho Geral, para além da Câmara Municipal da Amadora, está representada a Associação Casal Popular.
Os protocolos estabelecidos com 24 empresas do tecido económico local, no âmbito da formação prática dos
cursos profissionalizantes, assumem particular relevância. As parcerias estabelecidas com a Câmara Municipal,
as juntas de freguesia da Damaia e da Reboleira e vários centros de saúde (Damaia, Reboleira, Venda Nova,
Buraca e Amadora) constituem-se como uma rede social importante em áreas diversificadas. O Agrupamento
tem igualmente uma interligação com diversas entidades – Instituto de Apoio à Criança, Comissão de Protecção
de Crianças e Jovens, Equipa de Crianças e Jovens, Abraço, Direcção-Geral de Reinserção Social, Escola Segura,
entre outras – que colaboram no diagnóstico e na resolução de problemas do foro social que afectam os alunos.
Agrupamento de Escolas Dr. Azevedo Neves – Amadora
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A rede de parcerias abarca ainda outros estabelecimentos de ensino para onde são encaminhados os alunos
que pretendem frequentar cursos de educação e formação de tipos 1 e 2 (p. ex., Escola Intercultural das
Profissões, Centro de Formação da Venda Nova e Centro Multicultural de Formação de Benfica) ou para onde
são encaminhados discentes com NEE (Externato Rumo ao Sucesso). Com outras escolas ou agrupamentos
próximos existem laços informais e de boa vizinhança, consubstanciando-se a articulação feita, nomeadamente,
na partilha de equipamentos. As oportunidades que permitem reforçar a acção educativa são bem acolhidas
pela direcção (p. ex., a Associação EPIS – Empresários pela Inclusão Social, desde 2008-2009). Paralelamente,
e tendo em vista a formação integral dos discentes, o Agrupamento concorre e participa em projectos locais (p.
ex., Mostra de Teatro da Amadora, Amadora Educa, Assembleia Municipal Jovem) ou nacionais (PNL, PAM, Rede
de Bibliotecas Escolares, Desporto Escolar, a título de exemplo). É dada visibilidade a toda esta dinâmica
através do site do Agrupamento, do jornal escolar Azevedo, das exposições de trabalhos e das semanas
temáticas dinamizadas.
5. Capacidade de auto-regulação e melhoria do Agrupamento
5.1 Auto-avaliação
Desde a constituição do Agrupamento que estão estabelecidos procedimentos regulares de levantamento e
análise dos resultados académicos pelo Conselho Pedagógico e pelas diferentes estruturas de coordenação
educativa e supervisão pedagógica. Sobre o funcionamento das diferentes actividades e estruturas são
realizados relatórios críticos anuais. No âmbito do Programa TEIP 2, há uma avaliação consistente e
estruturada, incidente nas diferentes vertentes contempladas no respectivo projecto. O trabalho desenvolvido
denota uma clara atitude crítica de autoquestionamento por parte do Agrupamento que, em função das análises
realizadas, tem vindo a delinear estratégias de melhoria, com reflexos evidentes na gestão e planeamento da
actividade. No entanto, para além da avaliação do projecto TEIP, não está implementado um processo
estruturado de auto-avaliação assente em metodologias fundamentadas. Tão pouco têm procedido à avaliação
da satisfação dos utentes. Com a nomeação, em Março de 2010, de uma equipa de auto-avaliação de
desempenho escolar, constituída por quatro docentes, foi produzido um documento onde são apresentados
dados sobre os resultados escolares do último triénio. Esta equipa, embora consciente do trabalho a realizar,
ainda não definiu um cronograma estruturado de actividades.
5.2 Sustentabilidade do progresso
As práticas auto-avaliativas regularmente concretizadas têm possibilitado ao Agrupamento reflectir sobre o seu
trabalho. Desta reflexão, resultou, por um lado, a identificação dos seus pontos fortes (que procura garantir) e
dos pontos fracos (que procura enfrentar) e, por outro lado, reconhecer as oportunidades (que quer aproveitar) e
os constrangimentos (que quer minimizar). A necessidade de um trabalho de avaliação interna, concretizado de
forma sistemática e mais consistente, é reconhecida pelos responsáveis escolares. A liderança do Director, nos
moldes em que tem vindo a ser exercida, conjugada com a motivação e o empenho de toda a comunidade
educativa, apontam, claramente, para a sustentabilidade do progresso organizacional alcançado pelo
Agrupamento.
V – CONSIDERAÇÕES FINAIS
Neste capítulo, apresenta-se uma selecção dos atributos do Agrupamento de Escolas Dr. Azevedo Neves (pontos
fortes e fracos) e das condições de desenvolvimento da sua actividade (oportunidades e constrangimentos). A
equipa de avaliação externa entende que esta selecção identifica os aspectos estratégicos que caracterizam o
Agrupamento e define as áreas onde devem incidir os seus esforços de melhoria.
Entende-se aqui por:
•
Pontos fortes – atributos da organização que ajudam a alcançar os seus objectivos;
•
Pontos fracos – atributos da organização que prejudicam o cumprimento dos seus objectivos;
Agrupamento de Escolas Dr. Azevedo Neves – Amadora
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•
Oportunidades – condições ou possibilidades externas à organização que poderão favorecer o
cumprimento dos seus objectivos;
•
Constrangimentos – condições ou possibilidades externas à organização que poderão ameaçar o
cumprimento dos seus objectivos.
Os tópicos aqui identificados foram objecto de uma abordagem mais detalhada ao longo deste relatório.
Pontos fortes

A tendência crescente das taxas de conclusão dos cursos de educação e formação, no último triénio;

A política bem conseguida de integração social e de consciência cívica dos discentes;

A diversidade de iniciativas e a abrangência da oferta educativa e formativa, intencionalmente dirigidas
às necessidades e às expectativas dos alunos, das famílias e das populações locais;

A articulação sistemática estabelecida entre os docentes e os directores de turma com os responsáveis
pela educação especial, pelos apoios educativos e pelos serviços técnico-pedagógicos;

A diversificação e a flexibilidade das medidas de apoio educativo aos discentes;

A cuidada gestão dos recursos humanos e integração dos profissionais colocados pela primeira vez no
Agrupamento, propiciando um bom ambiente de trabalho cooperativo;

As práticas de inclusão socioescolar, com vista a criar oportunidades de sucesso aos alunos;

A existência de uma visão e estratégia apropriadas pela generalidade da comunidade educativa;

A capacidade de liderança do Director e o empenho dos profissionais;

A dinâmica de articulação com um conjunto muito alargado de parceiros externos;

A implementação de acções de melhoria consistentes fruto das iniciativas de auto-avaliação
desenvolvidas.
Pontos fracos

Os resultados dos alunos do ensino regular, na avaliação interna e externa, inferiores aos valores
nacionais, no último triénio;

A subsistência de indisciplina e de falta de assiduidade e pontualidade por parte dos alunos, em
especial na Escola-Sede, apesar de todas as medidas tomadas;

As fragilidades de articulação e sequencialidade na construção do percurso curricular dos discentes;

A falta de articulação do Projecto Curricular com o Plano Anual de Actividades e destes com o Projecto
Educativo e o projecto Território Educativo de Intervenção Prioritária;

A falta de um processo estruturado e fundamentado de auto-avaliação.
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Oportunidade

A construção de novas urbanizações na zona envolvente da Escola-Sede poderá contribuir para cativar
novos alunos e para revigorar a imagem pública do Agrupamento.
Constrangimento

A falta de salas para a educação pré-escolar, ao impedir que todas as crianças beneficiem da
preparação a este nível, ameaça a melhoria dos resultados que o Agrupamento deseja.
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Avaliação Externa - Agrupamento de Escolas Dr. Azevedo Neves