Universidade Federal de Pernambuco Centro de Ciências Sociais Aplicadas Curso de Mestrado em Administração A Motivação dos Professores do Centro Federal de Educação Tecnológica da Paraíba Para Participarem do Programa da Qualidade: Um Exame Com Base na Teoria da Expectância Helder Pontes Régis Dissertação apresentada como requisito complementar para obtenção do grau de Mestre em Administração. Recife, 2000 1 Universidade Federal de Pernambuco Centro de Ciências Sociais Aplicadas Curso de Mestrado em Administração A Motivação dos Professores do Centro Federal de Educação Tecnológica da Paraíba Para Participarem do Programa da Qualidade: Um Exame Com Base na Teoria da Expectância Helder Pontes Régis Dissertação submetida ao corpo docente do Curso de Mestrado em Administração da Universidade Federal de Pernambuco e aprovada em: 05 de junho de 2000 Banca Examinadora: Profª Sônia Maria Rodrigues Calado, Ph.D.(Orientadora) Prof. Antonio Virgílio Bittencourt Bastos, D.Sc. (Examinador Externo) Profª. Janann Joslin Medeiros, Ph.D. (Examinadora Interna) 2 Agradecimentos Esta dissertação de mestrado faz parte de um projeto de vida e mais que isso, faz parte de um sonho que agora se realiza. Sou eternamente grato a quem possibilitou a realização de um sonho. A Deus pela iluminação em todas as etapas deste trabalho. Na fraqueza me deu força, na angústia me alegrou e na enfermidade me curou. À minha esposa Paula, mais que companheira, cúmplice nos sucessos da vida. Aos meus pais, Joaquim e Nair Régis, que me ensinaram a importância de aprender. À minha orientadora Prof. ra Sônia Calado, que proporcionou, à cada reunião, não só uma orientação acadêmica mas motivação para continuar. Ao Prof. Jorge Alexandre, meu co-orientador, sempre pronto a atender. Ao Prof. Robert Allen, Wyoming University, pela atenção dispensada ao enviar o modelo do questionário. Aos professores Antonio Virgílio e Janann Medeiros pelas avaliações críticas e referencial necidos. À UFPE por proporcionar a oportunidade de realização de um mestrado gratuito e de qualidade. Ao CEFET-PB pelas portas sempre abertas ao desenvolvimento de pesquisas que agregam conhecimento à humanidade. Ao CEFET-PE que, apesar das dificuldades, tem apoiado os docentes que buscam nos programas de pós-graduação a capacitação profissional. Como estas organizações não existiriam sem as pessoas e a tentativa de citá-las incorreria em omissões injustas, opto por eleger representantes para agrade em cada uma delas, contribuíram para que este trabalho fosse realizado. Na pessoa do Prof. 3 Pedro Lincoln Mattos, agradeço à UFPE e a todos os docentes do Curso de Mestrado em Administração; na pessoa do Prof. Almiro de Sá Ferreira, Diretor do CEFET-PB, agradeço a este centro de ensino e a todos os docentes que participaram da pesquisa; na pessoa da Profra. Xênia Luna de Souza, Gerente de Ensino do CEFET-PE, agradeço a esta organização e a todos os colegas de trabalho que apoiaram e incentivaram a realização deste estudo. Mesmo correndo os riscos de um esquecimento, não poderia deixar de agradecer nominalmente àqueles que estiveram de forma mais próxima colaborando ou incentivando e sempre trazendo uma mensagem de otimismo. Antônio Carlos Varela, Leila, Aleksandro de Lima, Rivaldo Serrano, Verônica Lacerda, Alberto Sávio, Severino Cesarino, Alexandra, Gibson, Carlos Santacruz, Edilson Machado, Arizoneide, Fátima, Conceição, Marileuza F. de Lima, Nadja Pessoa, Lúcia, Vânia, Laura, Tércio Xavier, Luiz dos Santos Jr., Zaqueu, Solange, Renato Castro, André Melo, Gustavo Koury, José Francisco, Irani, Floriza e Simone. Por fim, agradeço a todos os amigos e familiares que em muitos momentos suportaram a minha ausência por estar dedicado às atividades do mestrado. Resumo Várias questões carecem de resposta quanto à motivação para a participação em programas de mudança organizacional. Devido ao fato do engajamento depender da decisão individual de ser voluntário, é importante compreender o que motiva tais decisões. Apoiado na teoria da expectância, este estudo analisa o quadro motivacional dos docentes do Centro Federal de Educação Tecnológica da Paraíba (CEFET-PB) para o envolvimento no programa de melhoria da qualidade. Um modelo do tipo “within-subject” da teoria da expectância é testado quanto a sua validade em uma cultura diferente daquelas em que ele tem sido aplicado. Este modelo, pertencente ao grupo cognitivo das teorias da motivação, está sendo retomado pela comunidade científica internacional e nos últimos anos, vários estudos têm sido publicados. No presente estudo, um questionário, aplicado em um estudo de caso nos Estados Unidos para avaliar a decisão de participar, foi validado para o contexto do CEFET-PB. Foram encontradas evidências, em apoio à descobertas anteriores, de que quanto maior a força motivacional resultante, maior será a probabilidade do indivíduo se tornar voluntário para o programa de melhoria da qualidade. Contudo, os dados também sugerem que há limitações transculturais para a generalização do modelo da expectância. 5 Abstract There are a number of unanswered questions about motivation to participate in organizational change programs. Given the fact that engagement in change programs depends on the individual’s own decision to volunteer, it is important to understand what motivates such decisions. Based on expectancy theory, the present study analyzes the motivation of teachers at the Federal Center for Technological Education (CEFET-PB) in Paraiba State, Brazil, to participate in a program for quality improvement. The validity of a within-subject model of expectancy theory is tested in this study in a culture different from that in which it has previously been applied. The model, which belongs to the cognitive group of motivational theories, is being given a fresh look by the international scientific community and in recent years a number of new studies have been published. In the present study, a questionnaire applied to a case study in the United States to understand the engagement decision was validated for the CEFET-PB context. Evidence was found that supports previous findings that the greater the resultant motivational force, the greater the likelihood that the individual will volunteer to participate in a quality improvement program. However, the data also suggest that there are cross-cultural limitations to the generalizability of the expectancy model. 6 SUMÁRIO pág. 1 Introdução....................................................................................................... 09 1.1 Formulação do problema............................................................................... 14 1.2 Questões de pesquisa..................................................................................... 18 1.3 Objetivos....................................................................................................... 19 1.3.1 Objetivo geral............................................................................................. 19 1.3.2 Objetivos específicos................................................................................. 19 2 Fundamentação teórica.................................................................................... 21 2.1 Mudança organizacional: um convite à resistência..................................... 21 2.2 Mudança e resistência: um processo de aprendizagem organizacional...... 24 2.3 Os programas da qualidade total: aspectos motivacionais.......................... 26 2.3.1 Teorias da motivação............................................................................... 29 2.3.2 A motivação na abordagem de Maslow.................................................. 30 2.4 A Motivação para o engajamento no PQT................................................. 32 2.5 Os fundamentos da teoria da expectância................................................... 33 2.6 O modelo da expectância aplicado aos programas participativos.............. 35 2.6.1 Valência.................................................................................................... 36 2.6.2 Instrumentalidade..................................................................................... 37 2.6.3 Expectância............................................................................................... 38 2.7 Teste das predições da teoria da expectância.............................................. 41 2.8 A decisão individual de ser voluntário........................................................ 44 2.9 Limitações da teoria da expectância............................................................ 47 2.10 Limitações das pesquisas transculturais: necessidade de adaptação ao contexto nacional.......................................... 48 3 Metodologia.................................................................................................... 51 3.1 Hipóteses.................................................................................................... 51 3.2 Desenho da pesquisa................................................................................... 52 3.3 Locus da investigação................................................................................. 54 7 Sumário ( continuação) Pág. 3.4 Plano de amostragem.................................................................................. 54 3.5 Método de coleta de dados......................................................................... 56 3.6 Instrumentação das variáveis..................................................................... 58 3.6.1 Medição da força motivacional para participar........................................ 59 3.6.2 Medição da força motivacional para não participar................................. 61 3.6.3 Cálculo da força motivacional resultante................................................. 63 3.7 Tratamento dos Dados................................................................................ 64 4 Resultados....................................................................................................... 65 4.1 O estado atual dos respondentes quanto a participação no programa da qualidade......................................................... 65 4.2 Força para participar a partir dos escores das valências, instrumentalidades e expectâncias............................................... 66 4.3 Força motivacional para não participar....................................................... 72 4.4 Exatidão das predições da teoria da expectância......................................... 76 4.5 Probabilidade de participação com base na força motivacional resultante........................................................... 77 5 Discussões e conclusões.................................................................................. 79 5.1 O modelo multiplicativo de Vroom............................................................ 80 5.1.1 Valências................................................................................................... 81 5.1.2 Instrumentalidades.................................................................................... 82 5.1.3 Expectância............................................................................................... 84 5.1.4 A força para participar............................................................................. 85 5.2 A exatidão das predições............................................................................ 86 5.3 A probabilidade de ser voluntário com base na força resultante....................................................................... 89 5.4 Limitações do estudo.................................................................................. 90 5.5 Implicações práticas.................................................................................... 92 5.6 Sugestões para futuros trabalhos................................................................. 94 6 Referências bibliográficas............................................................................... 97 APÊNDICE A – Roteiros empregados nos APÊNDICE B – Questionário aplicado.............................................................. painéis............................................ 104 APÊNDICE C – Freqüências das valências........................................................ 117 APÊNDICE D – Freqüências das instrumentalidades de participação e de não participação............................................................... 120 110 8 pág. Sumário (continuação) APÊNDICE E – Histogramas das expectâncias................................................. 125 APÊNDICE F – Histogramas das forças; Resultado das forças, predições, estado atual e erros nas predições para cada questionário.............................................................. 127 APÊNDICE G – Regressão logística.................................................................. 132 APÊNDICE H – Resultados obtidos com o uso da escala original de instrumentalidades (-3 a +3)................................. 134 ANEXO A 147 – Modelo de questionário utilizado............................................ LISTA DE QUADROS TABELAS Quadro: 1: Descrição da amostra pág. 55 Tabelas: pág. 1: Nº de participantes e voluntários..................................................................... 66 2: Modas e percentagens das avaliações de valências para cada uma da 27 recompensas.................................................................. 68 3: Modas e percentagens das avaliações de instrumentalidades para as 27 recompensas.................................................................................... 70 4: Frequências, percentagens e moda das avaliações de expectância de participação........................................................................ 71 5: Resultados da força motivacional para participar do programa da qualidade............................................................................... 72 6: Modas e percentagens das avaliações de instrumentalidades de não participação........................................................... 74 7: Frequências, percentagens e moda das avaliações da expectância de não participação................................................................. 75 8: Resultados da força motivacional para não participar do programa da qualidade............................................................................... 75 9: Nº de participantes, voluntários e as predições com base na força motivacional resultante..................................................... 76 10: Exatidão do modelo para predizer o comportamento dos docentes quanto ao PQT......................................................................... 77 11: Regressão logística para a probabilidade de ser voluntário para o programa da qualidade...................................................... 78 9 1 Introdução Este capítulo apresenta uma exposição dos motivos que levaram à realização deste estudo, incluindo a formulação do problema, as questões de pesquisa e os objetivos da investigação. Esta investigação é um estudo de caso que busca avaliar a aplicabilidade do modelo multiplicativo de Victor H. Vroom da teoria da expectância para a análise da motivação dos professores do Centro Federal de Educação Tecnológica da Paraíba (CEFET-PB) para participarem de um programa da qualidade total. Desta forma, o modelo da teoria da expectância aqui utilizado é submetido a um teste transcultural. Além disso, os resultados poderão ser utilizados para maximizar a eficácia do programa e desenvolver expectativas mais realistas concernentes aos efeitos destes programas sobre a organização e seus membros. Conforme Abrúcio apud Mello (1999), a implementação de novos modelos gerenciais assim como as mudanças e adaptações que eles sofrem ante as necessidades de cada nação têm sido tema de debates nos mais diversos países. Desta forma, as novas práticas gerenciais contemplam um pluralismo organizacional sob bases pós-burocráticas vinculadas aos padrões históricos (institucionais e culturais) de cada país. A autora ainda destaca que as principais tendências de modificação do padrão burocrático weberiano estão em torno do modelo gerencial. Tais tendências, que também 10 ocorrem no Brasil, mostram maior autonomia das agências governamentais, no sentido de horizontalizar a estrutura hierárquica, incentivar parcerias com o setor privado e com organizações não governamentais. Além disso, elas buscam profissionalizar o servidor público, introduzir novos mecanismos de avaliação de desempenho individual e de resultados organizacionais baseados em indicadores de qualidade e produtividade. Em março de 1996 o Governo Federal lançou o projeto de lei da reforma do ensino técnico e médio. As transformações que estas modalidades de ensino vêm sofrendo trouxeram muitas mudanças para o ambiente das Instituições de ensino técnico e médio (Brasil. Projeto de Lei no 1.603). Aprovado pelo Congresso Nacional, foi decretado pelo Presidente da República em abril de 97 (Brasil. Decreto no 2.208-17 abr.1997). Este decreto regulamenta a lei de diretrizes e bases da educação nacional (Brasil. Lei no 9394, de 20 Dez. 1996) quanto aos rumos do ensino profissionalizante. O modelo educacional determinado por esta regulamentação, busca aumentar o desempenho das escolas e dar maior liberdade ao aluno, permitindo que ele caminhe logo para o mercado de trabalho e disponha de uma educação continuada. De acordo com Carneiro (1996), um dos pressupostos teóricos que nortearam a elaboração do referido projeto de lei foi a qualidade no ensino. Esta qualidade deve ser expressada na melhoria de processos educacionais, no estabelecimento de padrões de ensino e no desenvolvimento de habilitações requeridas pelas mudanças no ambiente global.[HPR1] No ano de 1995 foi firmado um convênio entre o CEFET-PB e a SEMTEC1, com assistência técnica de uma consultoria externa, para dar treinamento e consultoria durante a implantação de Sistemas Gerenciais da Qualidade Total junto às instituições federais de ensino técnico. Este convênio teve como objetivo retomar as atividades do Núcleo 1 SEMTEC- Secretaria da Educação Média e Tecnológica - Brasil. MEC 11 Especial de Qualidade e Produtividade da SEMTEC. Assim, pretendia-se melhorar o desempenho das escolas, diminuir a evasão escolar, reduzir a repetência e aumentar a qualidade do ensino. Ao se avaliar o projeto de implantação do programa da qualidade no CEFET-PB, passados quatro anos do início da sua execução, pôde-se perceber que os resultados esperados não foram alcançados e que não houve continuidade com respeito às ações inicialmente planejadas. Associado a isto, foram observadas manifestações de rejeição às mudanças por parte de muitos funcionários. Robbins (1998) coloca que as organizações são, por natureza, conservadoras e que resistem ativamente à mudança. Para ele, evidências deste fenômeno podem ser observadas em órgãos do governo que resistem às mudanças independentemente da necessidade por seus serviços mudar ou não. O autor ainda exemplifica: Instituições educacionais, que existem para abrir mentes e desafiar doutrinas estabelecidas, são também extremamente resistentes à mudança. A maioria dos sistemas escolares está usando hoje essencialmente as mesmas tecnologias de ensino que usava há 50 anos (Robbins, 1998 p. 400). Campos (1995) esclarece que ao adotarem a GQT – Gestão da Qualidade Total, as organizações têm como missão maior, satisfazer as necessidades do ser humano. Alicerçado na hierarquia das necessidades de Maslow, Campos enfatiza que a base da motivação é a confiança (amizade, apoio, estabilidade) e que existem fatores básicos da motivação como: influência do gerente, bom ambiente de trabalho, trabalho em grupo, reconhecimento e crescimento constante. Para ele, a introdução do modelo americano de qualidade, cuja ênfase está na satisfação do cliente, foi fortemente influenciada pela obra de Maslow que também é americano. Apesar da linha de questionamentos sobre os programas de GQT ter produzido resultados interessantes no meio acadêmico, pesquisas com o foco sobre a motivação para 12 participar de programas que envolvem as pessoas são necessárias. Os programas de qualidade total têm sido difundidos nos processos de mudança organizacional do país, gerando uma carência de estudos sistemáticos acerca das questões que envolvem o seu uso e os pressupostos para o seu sucesso. Vale destacar as colocações de Bastos (2000): Muito se tem, ainda, por compreender acerca dos fatores que diferenciam os indivíduos em termos do seu engajamento em programas de mudança organizacional. Essa compreensão é básica não só por vivermos em um contexto de aceleradas transformações sociais, tecnológicas e econômicas, com fortes reflexos nos formatos e processos organizacionais; torna-se relevante, também, pela contribuição que possa vir a agregar ao reduzido conhecimento disponível, especialmente na realidade brasileira, sobre fatores pessoais que predispõem à ação engajada em programas organizacionais, por ser esse engajamento, simultaneamente, condição indispensável e resultado desejável do processo de mudança. A teoria da Expectância, um dos modelos contemporâneos de motivação mais largamente aceitos e testados (Lawler III, 1991; Arnold, 1981; Giles, 1977; Mitchell, 1974), foi escolhido como base para o estudo da motivação. Publicações internacionais recentes têm dado relevância a esta teoria como uma forma de ajudar a explicar porque muitos trabalhadores não estão motivados nos seus ambientes de trabalho e meramente executam o mínimo necessário (Jurkiewicz, Massey Jr. & Brown, 1998). Este modelo também está entre os mais complexos modelos motivacionais já elaborados e conta com uma boa produção científica internacional embasando-o e desenvolvendo-o a partir da sua formulação inicial (Allen, Lucero & Van Norman, 1997; Allen & Van Norman, 1996; Leanna, Ahlbrandt & Murrell, 1992; Verma, 1989; Verma & McKersie, 1987; Arnold, 1981; Giles, 1977; Parker & Dyer, 1976; Mitchell, 1974). Foram encontrados mais de dez trabalhos de autores estrangeiros abordando o modelo da expectância. Estes artigos foram publicados em revistas reconhecidas internacionalmente entre 1996 e 19992 . Isto mostra o suporte científico que o modelo tem recebido a nível internacional. Entretanto, não foram encontradas publicações nacionais que abordem o 2 Pesquisa realizada no banco de dados on-line do ProQuest [www.umi.com/proquest]. 13 desenvolvimento ou aplicação do modelo da expectância no país.3 É importante, assim, a aplicação da teoria da expectância buscando, não só, incorporar uma perspectiva de análise dos processos cognitivos envolvidos nas decisões ‘motivadas’, mas possíveis elementos que possam interferir numa aplicação transcultural do modelo. Para tanto, além de fornecer embasamento ao estudo, o próprio modelo da expectância também é avaliado, à medida em que é aplicado em uma cultura diferente da norte americana. Desta forma, este estudo é precursor na análise do modelo da expectância no ambiente brasileiro. Além disso, apesar da pouca difusão do modelo da expectância entre gestores e empresas (Bastos, 2000), pode-se perceber através das publicações internacionais, que há um contexto de transformação da dinâmica motivacional tendo em vista a retomada dos estudos sobre as teorias cognitivas da motivação. Devido à carência de dados atualizados para se estudar a falta de motivação em relação a implantação do programa de qualidade do CEFET-PB e julgando que o sucesso deste tipo de programa depende da participação voluntária das pessoas, a compreensão da motivação dos professores para participar pode ser bastante útil na implementação e avaliação do processo de mudança. A escolha do corpo docente de uma instituição de ensino como objetos de análise, permitiu o acesso a elementos específicos sobre programas da qualidade neste contexto. O presente estudo replicou hipóteses e metodologias aplicadas por Allen, Lucero & Van Norman, (1997) e Parker & Dyer, (1976), em um ambiente culturalmente diferente do norte americano onde foram inicialmente aplicadas. Além disso, busca agregar conhecimento à linha de pesquisa que tem usado métodos e terminologias similares no exame do processo de envolvimento dos empregados. Estes trabalhos enquadram os sujeitos dentro de três grupos: os participantes do programa (já participam), os voluntários (têm desejo de participar) 3 Pesquisa realizada nos bancos de dados “On -line”: USP, UFRGS, UFRJ, UnB, UFBA e UFPE, utilizando as palavras-chave: Motivação, Modelos Cognitivos, Vroom, Expectância, Valência e Instrumentalidade. 14 e os não-voluntários (não têm desejo de participar) (Allen, Lucero & Van Norman, 1997; Allen & Van Norman, 1996; Leanna, Ahlbrandt & Murrell, 1992; Verma, 1989; Verma & McKersie, 1987). Com base nesta perspectiva, optou-se por analisar a antecipação dos resultados associados com uma decisão de participar do programa da qualidade. Pretende-se assim, conhecer os fatores que influem na decisão individual de participar do PQT - Programa da Qualidade Total e avaliar a aplicabilidade da teoria da expectância em um contexto transcultural. Busca-se ainda fornecer subsídios que auxiliem o CEFET-PB a enfrentar as dificuldades que se apresentam em relação às mudanças exigidas pela conjuntura atual. Dada a metodologia de estudo de caso, a seção seguinte apresenta o contexto organizacional do CEFET-PB como a base para a formulação do problema de pesquisa. 1.1 Formulação do Problema Observada a relevância do estudo, abordaremos a seguir o problema de pesquisa levantado a partir das dificuldades enfrentadas na implantação do programa da qualidade total no CEFET-PB. Vale salientar que a qualidade tem sido objeto de estudo no setor industrial por algum tempo, contudo, na área da educação os estudos são bastante recentes. A qualidade na educação só passou a ser estudada após diversas abordagens sobre a qualidade nos serviços. Pode-se constatar ainda, dificuldades na operacionalização dos conceitos da GQT na educação (Moller, 1994; Barbosa, 1994). 15 A implantação do PQT no CEFET-PB foi orientada por consultores externos especializados na implantação de programas de melhoria da qualidade. Apesar das adaptações para a educação, o modelo que se buscou m i plantar ainda trazia muitos conceitos inerentes ao setor produtivo. O projeto de implantação do Programa da Qualidade Total no CEFET-PB teve sua execução iniciada a partir da criação de um Núcleo de Promoção da Qualidade – NPQ1 e de um Grupo de Promoção da Qualidade – GPQ2. Após o treinamento inicial, o grupo de promoção iniciou os trabalhos de implantação de técnicas e princípios da gestão pela qualidade total em áreas administrativas e de ensino. Dentre os itens do programa a serem implantados, estavam: a) Realização de palestras sobre os conceitos da Gestão pela Qualidade Total; b) Implantação do Programa 5S’s; c) Identificação dos processos; d) Implantação de métodos de solução de problemas; e) Padronização dos processos – Elaboração do manual de procedimentos; f) Realização de pesquisa junto aos clientes; g) Implantação de indicadores de eficiência e eficácia. Após o treinamento inicial, o grupo de promoção iniciou os trabalhos de implantação de técnicas e princípios da gestão pela qualidade total em áreas administrativas e de ensino. Aos servidores destas áreas foi primeiramente apresentado o programa e o seu papel na organização e foram treinados para a utilização de métodos de solução de problemas, programa 5S’s, elaboração do manual de procedimentos, dentre outros. Estas pessoas foram então, incentivadas a formarem grupos de trabalho, de forma livre e espontânea, para a aplicação dos métodos e técnicas da GQT nos seus setores de trabalho e contando com o apoio do GPQ. Os professores 1 2 Núcleo de Promoção da Qualidade, composto pelos diretores dos departamentos e pelo diretor geral do CEFET -PB. Grupo de Promoção da Qualidade, composto por funcionários dos diversos departamentos da instituição. 16 também foram estimulados a adotarem as técnicas da GQT em sala de aula visando a melhoria do processo ensino-aprendizagem. Com o início dos treinamentos para a implantação do programa da qualidade no CEFETPB, pôde-se perceber as manifestações de rejeição às mudanças por parte de muitos professores. Apesar da consultoria externa durante a implantação o programa não conseguiu gerar o impacto desejado. Em uma avaliação do processo de implantação, realizada pelo próprio GPQ, foram identificados problemas como: a) Falta de resultados quantitativos quanto à melhoria dos processos de trabalho dos setores envolvidos pelo programa; b) Influência negativa sobre os outros setores da instituição, por não se perceber melhorias na qualidade dos serviços fornecidos pelas áreas envolvidas pelo programa; c) Alta rotatividade com relação aos membros do grupo de promoção da qualidade, provocando um desnível dos conhecimentos com respeito à filosofia e às ferramentas da GQT. Iniciou-se assim, uma investigação empírica em busca de evidências que dessem alguma luz sobre o clima psicológico existente no CEFET-PB. Manteve-se contato com alguns professores em busca de respostas e atitudes; reações que refletissem um sentimento comum à maioria das pessoas, se eram motivadas ou não pelas práticas administrativas da escola, o estilo de liderança e a expectativa em relação ao programa de qualidade. A seguir, são apresentados alguns indícios do ambiente interno, segundo considerações dos coordenadores de curso e docentes, obtidas através de entrevistas e conversas informais: 17 a) Os coordenadores dizem que boa parte dos professores estão acomodados, não se comprometem com os resultados da instituição e enfatizam os pontos negativos da política governamental para justificar suas ações; b) Os docentes reclamam que há falta de informações corretas a respeito das diretrizes governamentais, que não há interesse do governo em atualizar os salários defasados e que a direção da escola não tem muito o que fazer devido às restrições orçamentárias e legais; c) Membros do próprio GPQ afirmam estarem desmotivados em relação ao programa, não acreditando na sua continuidade. Considerando o contexto organizacional delineado através dos relatos e observações acima citados, constata-se que a análise da motivação dos professores para participarem do programa de melhoria da qualidade do CEFET-PB é essencial. Assim, pode-se conseguir um melhor desempenho do PQT e um clima que mantenha a motivação para o engajamento. Deve-se ressaltar que o clima na organização não estava imune às diversas mudanças exógenas, como as novas necessidades dos clientes e as novas exigências legais concernentes à educação profissionalizante. Nos últimos três anos a Escola Técnica Federal da Paraíba passou por profundas mudanças na estrutura organizacional para se tornar um CEFET, com competência para oferecer cursos de nível superior. A estrutura didático-pedagógica também vem passando por transformações com vistas ao enquadramento à nova lei de diretrizes e bases da educação (Brasil. lei no 9394, de 20 Dez. 1996). Com tantas mudanças, alguns servidores não conseguiram se adaptar as novas exigências do ambiente com a rapidez necessária. Este fato pode haver influenciado nas suas expectativas e motivação para participar do programa da qualidade. 18 Apesar das diversas mudanças enfrentadas pelas pessoas no CEFET-PB, este estudo priorizou como recorte desta investigação, a motivação dos professores para participarem de um programa de GQT. Para a análise da motivação, foi empregado o modelo multiplicativo VIE – “Valência x Instrumentalidade x Expectância” da teoria da expectância. Ressalta-se ainda, que esta investigação não focaliza apenas a obtenção de um diagnóstico da situação motivacional, mas avalia a aplicabilidade do modelo VIE em um ambiente culturalmente diferente e toma como objeto de análise uma categoria profissional com características bastante específicas. Com vistas à manutenção do curso desta investigação tomar-se-á como norte as questões de pesquisa apresentadas a seguir. 1.2 Questões de Pesquisa Para melhor especificar a problemática esboçada e delinear os contornos do objeto de pesquisa, faz-se necessário responder as seguintes questões: 1) Até que ponto a teoria da expectância no modelo multiplicativo “valência x instrumentalidade x expectância” de Victor H. Vroom se aplica na compreensão do fenômeno motivacional para participar de um programa da qualidade total no ambiente cultural brasileiro, mais especificamente no ambiente do CEFET-PB? 2) À luz da teoria da expectância, até que ponto os professores que se definem como voluntários ao PQT do CEFET-PB são mais motivados do que aqueles que se definem como não-voluntários? Este trabalho foi orientado pelas indagações anteriormente formuladas. A seguir, são apresentados os objetivos da investigação. 19 1.3 Objetivos 1.3.1 Objetivo Geral Analisar a motivação dos professores do CEFET-PB ao passo que avalia a aplicabilidade do modelo multiplicativo de Vroom (VIE) em um ambiente culturalmente diferente daqueles anteriormente empregados, com o intuito de auxiliar a organização na execução do Programa da Qualidade Total. 1.3.2 Objetivos Específicos a) Identificar o nível de motivação dos docentes para o envolvimento no Programa da Qualidade, com base no modelo multiplicativo VIE. b) Avaliar a aplicabilidade do modelo da expectância na cultura brasileira, mais especificamente no caso do CEFET-PB. c) Identificar o potencial de voluntários para participarem do Programa da Qualidade. d) Gerar dados que auxiliem a organização a enfrentar as resistências para a implantação do programa. e) Fornecer subsídios para que as pessoas se sintam motivadas para esta nova situação. Este relatório de pesquisa é composto ainda pela fundamentação teórica (capítulo 2), onde são revisados os temas mudança organizacional, resistência, aprendizagem organizacional, programas de qualidade total, teorias da motivação, os fundamentos da teoria da expectância, o modelo da expectância aplicado aos programas participativos e suas limitações. Este modelo é o indutor das hipóteses do trabalho. O capítulo 3 trata da metodologia da pesquisa. Neste, são 20 apresentadas as hipóteses, o desenho da pesquisa, o locus da investigação, o plano de amostragem, o método de coleta de dados, a instrumentação das variáveis e a análise estatística aplicada. O capítulo 4 mostra os resultados encontrados e o capítulo 5 encerra com as discussões e conclusões. 21 2 Fundamentação teórica Este capítulo contém os fundamentos teóricos e conceituais do estudo. São apresentados a mudança e a resistência nas organizações (um processo de aprendizagem), os programas da qualidade total e seus aspectos motivacionais, a motivação para o engajamento no programa da qualidade, os fundamentos da teoria da expectância, o modelo da expectância aplicado aos programas participativos com suas respectivas valências, instrumentalidades e expectâncias. Por fim, são apresentados os testes e as limitações da teoria da expectância. Assim, busca-se fundamentar teoricamente as respostas às questões de pesquisa e gerar as hipóteses do trabalho. 2.1 Mudança organizacional: um convite à resistência Rocha e Bastos (1999) esclarecem que nos dias de hoje as organizações enfrentam um ambiente dinâmico e em mudança. Isto exige, portanto, uma rápida adaptação por parte das organizações. Nestes ambientes onde a busca por mudanças é constante, as organizações se deparam com uma outra grande necessidade: manter pessoas efetivamente comprometidas com a 22 missão e valores da organização, assim, capazes de enfrentar as mudanças necessárias. Além disso, esse contexto leva as pessoas a tomarem decisões que afetam os contratos psicológicos historicamente construídos entre elas e a própria organização. Estes autores salientam ainda que a implementação de programas de mudança podem afetar as pessoas de uma forma negativa, gerando tensão, ansiedade e estresse. Isto acontece normalmente devido a situações de incerteza e insegurança enfrentadas por elas e que podem trazer conseqüências sobre o desempenho individual e organizacional. A compreensão dos fatores que interferem na relação entre o indivíduo e a organização é bastante requerida nos dias de hoje. Esta compreensão tem o objetivo de encontrar um equilíbrio entre a produtividade das empresas e as aspirações, desejos e necessidades individuais. Nas teorias organizacionais são encontrados múltiplos conceitos que buscam a compreensão dos vínculos do indivíduo com o seu trabalho e consequentemente sua organização. As teorias sobre a motivação, a satisfação e em especial, o comprometimento têm sido muito úteis na compreensão do comportamento micro organizacional. A mudança pode introduzir modificações importantes na estrutura da organização. Redimensionamento de cargos ou de horários de trabalho, introdução de horas de trabalho flexíveis ou ainda modificação no sistema de compensação da organização. A motivação pode ser aumentada, por exemplo, com a introdução de bônus de desempenho ou participação nos lucros (Jurkiewicz, Massey Jr. & Brown, 1998). Contudo, como comentam Szilagyi & Wallace (1990), a maneira pela qual a mudança é introduzida pode criar áreas de resistência não só pelo fato da magnitude da mudança mas pelo fato da mudança em si. 23 Como se pode observar, as pessoas poderão reagir de variadas formas às mudanças. A maneira que cada indivíduo avalia os custos e os benefícios de uma mudança determinará sua reação. Estas reações podem vir na forma de resistência à mudança. Na visão de Robbins (1998), descobertas bem documentadas dos estudos do comportamento individual e organizacional mostram que as organizações e seus membros resistem à mudança. O aspecto positivo destas descobertas é o fornecimento de um certo grau de previsibilidade ao comportamento. Na ausência de resistência, o comportamento organizacional assumiria características imprevisíveis e caóticas. A resistência à mudança pode estimular um debate saudável sobre os méritos de uma idéia e resultar numa decisão melhor. Mas há, também, desvantagens na resistência à mudança: ela pode atrasar a adaptação e o desempenho da mudança. Apesar das pessoas tenderem a resistir às mudanças, existe um efeito compensatório advindo dos desejos que elas têm de experimentar as coisas novas e as recompensas associadas a elas. Algumas mudanças não sofrem resistência ou sofrem pouca resistência, seja por sua trivialidade ou por ter se tornado um desejo das pessoas. A habilidade com que a mudança é planejada e gerenciada, poderá resultar na minimização da resistência (Davis & Newstrom, 1996). Considerando que a resistência nem sempre é ruim, Hackman & Wageman (1995) realçam alguns benefícios da resistência aos programas da qualidade. Ela pode auxiliar na identificação de áreas específicas com problemas, de forma que os gerentes possam agir corretivamente. Da mesma forma, pode fazer com que a gerência reexamine suas propostas de mudança na busca de melhores decisões administrativas. Como vimos, podemos aprender coisas novas não só com a mudança, mas também com a resistência a ela. É portanto, desejável que as pessoas e as organizações passem por um processo 24 de aprendizagem ao enfrentarem os desafios da mudança. A seguir, levantaremos a questão da mudança como um processo de aprendizagem. 2.2 Mudança e resistência: um processo de aprendizagem organizacional Na visão de Garvin (1993), melhorias contínuas requerem um comprometimento com a aprendizagem. Na ausência da aprendizagem, organizações e indivíduos simplesmente repetem velhas práticas. Szilagyi & Wallace (1990) explicam que numa perspectiva micro, a mudança conduz a um processo de aprendizagem pelo qual as pessoas gradualmente desaprendem velhos padrões de comportamento e adotam outros novos. Quando um processo de mudança envolve medição da eficácia e análise dos resultados, é comum encontrar uma lacuna entre o desempenho realizado e o desempenho desejado. É na identificação e correção das falhas de desempenho que se percebe os processos de aprendizagem na organização (Medeiros, Oliveira e Souza, 1999). Nevis, DiBella e Gould (1995) recomendam que se visualizem os sistemas produtivos como sendo simultaneamente sistemas de aprendizado. Para eles, é no processo de estruturação e realização de seus processos de trabalho que as organizações aprendem. A este tipo de processo de retroalimentação e controle, se dá o nome de aprendizagem de circuito simples (Argyris & Schon apud Hackman & Wageman 1995). A aprendizagem de circuito simples é adequada para atividades de rotina em condições de estabilidade ambiental. Um outro tipo de processo de retroalimentação e controle, chamado aprendizagem de circuito duplo (Argyris & Schon apud Hackman & Wageman, 1995), permite não só detectar os 25 desvios dos objetivos estabelecidos mas também possibilita detectar problemas com os próprios objetivos. A aprendizagem de circuito duplo, requer questionamento também dos propósitos ou metas coletivas da organização. Este tipo de aprendizagem viabiliza os sistemas adaptáveis e flexíveis, adequados às condições de turbulência que as organizações vêm enfrentando nos últimos anos (Medeiros, Oliveira e Souza, 1999). Hackman & Wageman (1995) comentam que as práticas da GQT criam bons ambientes de aprendizagem, tanto pela minimização do medo na cultura organizacional como pelo fornecimento de diversas ferramentas de aprendizagem. Além disso, a GQT expõe as pessoas aos dados relativos aos seus processos de trabalho e os encoraja a usar métodos científicos para analisar e melhorar estes processos. Contudo, o aprendizado contínuo através da melhoria do processo de trabalho está no patamar do aprendizado adaptativo, ou de circuito simples. Apesar da pouca ênfase à aprendizagem de circuito duplo, contemplada na filosofia da GQT apenas por Juran quando trata dos gerentes, é importante que as pessoas das organizações sob GQT busquem executar o circuito duplo tão bem quanto o circuito simples de aprendizagem. Durante a implantação de programas da qualidade os executivos normalmente procuram os consultores externos, temporários, com conhecimento especializado da teoria e métodos de implementação. Entretanto, eles estão em desvantagem pois geralmente têm um entendimento inadequado da história, cultura, procedimentos operacionais e pessoal da organização (Hackman, & Wageman, 1995). Portanto, é preciso compreender a problemática que envolve a motivação das pessoas para participarem dos processos de mudança organizacional, seja ela implantada por consultores externos ou pela própria organização. A seguir, são apresentados os aspectos motivacionais com relação aos programas da qualidade total. 26 2.3 Os programas da qualidade total: aspectos motivacionais As organizações têm buscado novos modelos de gestão que visam uma melhor eficiência nos seus processo produtivos. Inúmeras ferramentas têm sido desenvolvidas na busca de maior flexibilidade organizacional, onde se destaca, pela freqüência de uso e pela ampla literatura disponível, os programas de Gestão pela Qualidade Total - GQT (TQM - total quality management). Após a segunda guerra mundial, com o surgimento do conceito de organização como sistema organizacionais. sociotécnico, várias experiências surgiram sobre novas arquiteturas O conceito de sistemas de trabalho de alto desempenho (STADs) é uma expressão recente, que busca sintetizar os elementos centrais que definem tais experiências inovadoras. Essas experiências consistem em novas formas de realização da tarefa e verificação dos resultados obtidos, podendo gerar níveis mais altos de desempenho (Nadler e Gerstein apud Bastos e Borges-Andrade, 1999). Segundo Barbosa et al. (1994), gerência da qualidade total (GQT) é um sistema administrativo baseado no engajamento ativo de todos os profissionais de uma instituição em atividades de controle da qualidade por toda a organização através de métodos e técnicas específicos. Dentro da filosofia da GQT todos gerenciam os seus respectivos processos. Por exemplo: numa escola o Diretor é um gerente, cada Professor é um gerente, cada Supervisor Pedagógico é um gerente, o Secretário da escola é um gerente. Para melhor entendermos a importância que o ser humano assume no contexto da GQT, analisaremos alguns pontos relacionados à filosofia do crescimento do ser humano de Maslow e também alguns aspectos ligados aos princípios da administração científica de Taylor. O fator humano assume importância fundamental para a GQT, declara Barbosa et al (1994). A implantação desse modelo gerencial em qualquer instituição pressupõe o 27 envolvimento e engajamento das pessoas, um envolvimento que não pode se verificar por nenhum mecanismo de imposição, nenhum artifício “de fora para dentro”, ou seja, mediante exortação ou convocação. Não se pode conceber nem é possível implantar a GQT por decreto ou instrumento similar. Hackman e Wageman (1995), comentam que a GQT dá as oportunidades para as pessoas aprenderem e desenvolverem a si próprias a partir dos esforços para a solução dos problemas. A busca do atendimento às necessidades dos clientes e o trabalho de melhoria contínua dos processos, produzem tarefas desafiantes que testam e estendem as habilidades dos membros. Aliado a isto, a ênfase nos times de trabalho e os relacionamentos inter-funcionais promovem muitas oportunidades para interações sociais. Desta forma, consegue-se incentivar a motivação intrínseca das pessoas envolvidas com os programas da qualidade total. Entretanto, estes autores alertam que os modelos de GQT que estão sendo implantados nas organizações não têm considerado certos fundamentos teóricos apresentados por Juran, Ishikawa e Deming1 . Dentre estes aspectos estão o papel da alta administração, a utilização de métodos científicos, o planejamento da abrangência dos programas, os dispositivos motivacionais, o treinamento na metodologia da qualidade e os métodos de avaliação do próprio programa. No início deste século, Taylor defendia o princípio segundo o qual o desempenho das pessoas pode ser definido e controlado por padrões e regras do trabalho. Defendia também o uso de estudos de tempos e movimentos para dividir as tarefas em etapas simples e separadas, a serem executadas de forma repetitiva, sem desvios, por diferentes empregados. Taylor buscava o aumento da produtividade mediante métodos que reduzissem o esforço e a fadiga dos operários (Szilagyi & Wallace, 1990). 1 Juran, J. M.; Ishikawa, K e Deming, W. E., citados por Hackman & Wageman (1995) como primeiros teóricos da Qualidade. 28 A administração Científica de Taylor evoluiu numa época em que predominavam operários sem qualificação e instrução que eram absorvidos pelo parque industrial emergente. Assim, Taylor separava as atividades de planejamento e execução de uma tarefa ou atividade: os líderes planejavam e os operários limitavam-se à execução da tarefa. Sob este ângulo, acreditava se que a melhor maneira de aumentar a produção seria através da melhoria dos métodos e técnicas, considerando as pessoas como simples executores da atividade planejada, estando o planejamento a cargo de uns poucos (Campos, 1995). Os pontos positivos do Taylorismo foram incorporados à GQT, entre os quais destacamse: a busca constante da melhoria dos métodos e técnicas de trabalho e o treinamento contínuo do trabalhador. Todavia, faltava a “base humana”, indispensável, ao novo modelo gerencial cuja ênfase está na pessoa humana e não exclusivamente nos métodos e técnicas. Assim, foram adotados também aspectos da filosofia do crescimento humano de Maslow, psicólogo americano que desenvolveu um esquema mediante o qual buscou explicar as necessidades humanas em suas diferentes intensidades (Campos, 1992). Segundo Maslow, os seres humanos possuem necessidades básicas que se apresentam de forma concomitante, em graus de intensidade diferentes. Nesta perspectiva, favorecer o crescimento do ser humano significa: buscar o atendimento a essas necessidades, buscar a utilização do potencial mental e da capacidade de criar. Neste modo de pensar, relega-se a segundo plano a força física e o trabalho repetitivo. Devido à importância que os teóricos da qualidade total atribuem ao modelo motivacional de Maslow, esse modelo será analisado de forma mais detalhada. Antes disso, torna-se relevante posicionar os modelos motivacionais abordados neste estudo, a saber, a teoria das necessidades de Maslow e a teoria da expectância de Vroom, frente as diversas abordagens teóricas da motivação no campo do comportamento organizacional. Para tanto, é mostrado a seguir um dos critérios de classificação das teorias da motivação. 29 2.3.1 Teorias da motivação As teorias da motivação têm buscado elucidar o comportamento do indivíduo no trabalho de forma que o conceito de motivação já era tratado na filosofia grega. No início do século XX a temática principal da teoria da motivação passou de uma abordagem filosófica para uma abordagem psicológica-gerencial. Desde então as teorias têm tentado explicar o comportamento das pessoas através do estudo de variáveis que focalizam não só o indivíduo mas também a situação contingencial com a qual ele interage (Szilagyi & Wallace, 1990). No presente estudo, não se pretende expor todas as teorias existentes sobre motivação, no entanto, cabe apresentar um dos critérios de classificação empregados. Na classificação aqui apresentada as teorias se classificam em: teorias de conteúdo e teorias de processo (Szilagyi & Wallace, 1990). As teorias centradas no conteúdo tratam dos construtos substantivos que motivam a atividade, como por exemplo, as necessidades. Ou seja, estas teorias têm seu foco sobre fatores que provocam, estimulam ou atiçam a busca ou a escolha de estratégias que satisfaçam certas necessidades à procura do estado de equilíbrio. Por exemplo, a motivação para o suprimento de necessidades individuais como dinheiro, status e realização. Se enquadram nesta categoria a teoria da hierarquia das necessidades de Maslow, as teorias X e Y de McGregor, a teoria dos dois fatores ou teoria da motivação-higiene de Herzberg, a teoria ERC (existência, relacionamento e crescimento) de Alderfer e a teoria das necessidades de McClelland (Salanova, Hontangas e Peiró, 1996). Por outro lado, as teorias centradas no processo tratam não apenas do estímulo mas dos fatores que dão direção para o comportamento motivado, ou seja, elaboram os construtos do processo que possibilita direcionar e manter de uma conduta ou padrão de comportamento. Por exemplo, a motivação devido à percepção do indivíduo quanto ao esforço que deve ser 30 empregado no trabalho, quanto aos requisitos de desempenho e quanto às recompensas possíveis de serem obtidas (Szilagyi & Wallace, 1990). Estas teorias de processo têm o foco sobre uma área nitidamente psicológica. Três estágios são identificáveis: a teoria do instinto, a teoria do reforço e as teorias cognitivas. Se enquadram neste último estágio a teoria da expectância de Vroom, a teoria da eqüidade de Adams, a teoria do estabelecimento de metas de Locke e a teoria da avaliação cognitiva (Salanova, Hontangas e Peiró, 1996). 2.3.2 A motivação na abordagem de Maslow Maslow formulou seu conceito de hierarquia de necessidades que influenciam o comportamento humano, pelo fato de o homem ser uma criatura que expande suas necessidades no decorrer da vida. À medida que o homem satisfaz suas necessidades básicas, outras mais elevadas tomam o predomínio do comportamento. Segundo Maslow, as necessidades humanas estão dispostas em uma hierarquia, a saber: Necessidades Fisiológicas ( ar, comida, repouso, abrigo, etc.); Necessidades de Segurança (proteção, segurança, estabilidade, etc.) Necessidades Sociais (amizade, inclusão em grupos, etc.); Necessidades de Estima (reputação, reconhecimento, auto-respeito, auto-estima); Necessidades de Auto-realização (crescimento, realização, progressão, etc.). (Szilagyi & Wallace, 1990, p.97). No modelo de Maslow, o estado natural das pessoas é de questionamento, de insatisfação. Ainda que momentaneamente possam ficar satisfeitas, as pessoas tendem a retornar ao estado natural de questionamento e insatisfação. Todavia, se uma pessoa convive com um grupo que tem suas necessidades básicas atendidas, ela desfrutará do “estado de satisfação” mais freqüentemente (Barbosa et al.,1994). 31 A teoria das necessidades no modelo de Maslow tem recebido muitas críticas. Dentre elas cabe assinalar as críticas que enfatizam que os modelos das necessidades têm que ser complementados com outras explicações teóricas e as críticas que afirmam que as necessidades informam somente qual aspecto deve ser atendido, contudo, não explicam como se produz a motivação. Assim, as necessidades por si só são insuficientes para explicar as ações humanas. Nos informam sobre o porquê uma pessoa realiza uma ação, mas nada dizem sobre a ação particularmente escolhida. As teorias do processo motivacional surgem precisamente como resposta a esta problemática (Salanova, Hontangas e Peiró, 1996). Outras questões levantadas sobre o modelo das necessidades abordam a falta de consenso entre os teóricos. Eles concordam sobre quais recompensas específicas são consideradas metas pessoais, entretanto, discordam sobre quais tipos de necessidades levariam às recompensas tidas como metas para as pessoas. Estas e outras discordâncias existentes acabam gerando questões como: Quantas necessidades existem realmente? Há mesmo uma hierarquia nestas necessidades? Podem as recompensas satisfazerem mais de uma necessidade? Qual a importância que as pessoas dão às diferentes necessidades? Quão mutável é a importância das necessidades? (Lawler III, 1991). A abordagem cognitiva das teorias da motivação sugere que indivíduos que acreditam na obtenção de recompensas como conseqüência do engajamento no programa da qualidade tenham maior interesse em fazê-lo que quaisquer outros (Kanfer, 1990). Dada a necessidade de uma melhor compreensão dos fatores que levam uma pessoa a querer participar de um programa da qualidade, abordaremos a seguir a motivação para o engajamento no PQT. 32 2.4 A Motivação para o engajamento no PQT Apesar da importância do apoio dos trabalhadores para o sucesso dos programas participativos, comumente se obtêm baixas taxas de participação (Dumaine apud Allen, Lucero & Van Norman, 1997). A taxa de participação para com os programas depende da decisão individual de se envolver no processo. Conseqüentemente, organizações usualmente experimentam uma resposta mista dos empregados quando programas voluntários de envolvimento das pessoas são introduzidos. Alguns empregados entusiasticamente endossam o esforço, enquanto outros são indiferentes em relação a ele. Outros ainda podem resistir à introdução de um programa de envolvimento. O ato de se voluntariar é o mecanismo pelo qual os indivíduos tornam-se participantes do processo, portanto, passa a ser importante o entendimento da motivação para se tornar voluntário (Allen, Lucero & Van Norman, 1997). Estes autores ainda comentam que o sucesso de um programa participativo será, em certo grau, uma função de quão bem as expectativas dos indivíduos que decidem se envolver são atendidas. Assim sendo, pelo estudo da força que motiva os voluntários a se envolverem no processo, uma melhor compreensão pode ser obtida com respeito às dinâmicas dos programas, às expectâncias e aos obstáculos para o envolvimento. Miller e Pritchard (1992), esclarecem que as descobertas geralmente suportam a visão de que os interesses dos empregados nos programas tendem a refletir uma busca por auto-expressão e realização pessoal. Isto sugere que a oportunidade de satisfazer as necessidades mais altas é um fator importante que influencia na motivação para participar dos programas. Neste aspecto, as recompensas intrínsecas têm um papel fundamental para a motivação das pessoas, e de forma especial para os trabalhadores de empresas públicas. Estas, além possuírem diferenças quanto à missão, são diferentes também quanto aos mecanismos de 33 controle orçamentário para fins de recompensas extrínsecas para seus funcionários (Crewson, 1997). Lawler III (1991), salienta a necessidade da compreensão da diferença entre as implicações dos modelos de motivação baseados nas necessidades e a idéia da valência dentro do modelo da expectância. No primeiro tipo, amplas generalizações podem ser utilizadas quando um grupo de empregados tem as necessidades não satisfeitas. Em contrapartida, no modelo da expectância, as informações sobre as preferências de um empregado em meio a um conjunto de recompensas são específicas. Portanto, não só a atuação dos gerentes deve ser específica como também deve haver uma monitoração das mudanças em relação a essas preferências. Nesta perspectiva, é importante a compreensão das expectativas que as pessoas possuem em relação ao processo de mudança trazido pela GQT. Buscando a melhor compreensão destas expectativas, abordaremos a seguir um dos modelos cognitivos de motivação, a teoria da expectância. 2.5 Os fundamentos da teoria da expectância Kanfer (1990) explica que a família das teorias da expectância tem suas raízes nas teorias cognitivas da motivação propostas por Edwards, Lewin, Sears e outros. Na psicologia industrial e organizacional é o modelo da expectância, desenvolvido por Victor H. Vroom, o mais conhecido. Expansões e modificações realizadas por diversos autores, como Porter & Lawler e Campbell & Pritchard, geraram um largo campo de pesquisa relacionada com a previsão do desempenho da tarefa e a escolha ocupacional. Vroom desenvolveu o modelo multiplicativo VIE: “valência x instrumentalidade x expectância”. Este modelo pretendia predizer escolhas entre empregos, tarefas e níveis de 34 esforço que produzem os mais altos benefícios percebidos. Na sua visão, o que motiva uma pessoa a tomar uma decisão é um produto destas três variáveis: do quanto uma pessoa deseja uma recompensa (valência), sua estimativa da probabilidade de que o esforço resultará num desempenho bem-sucedido (expectância) e a estimativa de que aquele desempenho será um meio para se chegar à recompensa (instrumentalidade). Esses relacionamentos são apresentados na seguinte equação matemática (Kanfer, 1990; Szilagyi & Wallace, 1990; Nadler e Lawler III, 1991): Valência x Expectância x Instrumentalidade = Força Motivacional Após esta explanação da teoria da expectância, faz-se necessário uma melhor compreensão deste modelo aplicado a um programa de melhoria da qualidade. Com este intuito, a seção seguinte apresenta o modelo da expectância aplicado aos programas participativos. Devido aos desafios enfrentados quando se tenta operacionalizar a teoria da expectância, uma descrição mais detalhada das variáveis que compõem o modelo também é apresentada a seguir. Mais que uma atitude fideísta à teoria da expectância, esse detalhamento busca dissecar o modelo com o intuito melhor avaliá-lo. 35 2.6 O modelo da expectância aplicado aos programas participativos A partir da abordagem da teoria da expectância, pode-se estudar a motivação para o envolvimento em um programa participativo como o programa da qualidade. Neste aspecto, o foco do estudo está sobre a decisão individual de ser ou não ser voluntário para o programa. Nesta abordagem, empregada por Allen, Lucero & Van Norman (1997) e tomada como modelo para este estudo, a motivação para participar de um programa da qualidade pode ser vista como uma função de três fatores: a probabilidade percebida pelo indivíduo de que ele é capaz de se engajar no programa caso decida fazê-lo (expectância); a probabilidade também percebida de que o engajamento seja um meio, ou instrumento, que leve a certas recompensas associadas à participação (instrumentalidades); e, finalmente, o desejo que estas recompensas despertam no indivíduo com base nos seus objetivos pessoais (valências). A teoria da expectância prediz que as pessoas irão escolher a alternativa (voluntário ou não-voluntário) que promover a maior força motivacional, isto é, o mais alto valor atingido quando expectância, instrumentalidades e valências forem matematicamente combinadas. Dada a composição básica do modelo de Vroom que possui três construtos distintos com efeito multiplicador e procurando responder as questões de pesquisa de uma forma que permita analises mais amplas, as subseções seguintes detalham as três variáveis. Cada subseção é finalizada com a apresentação de uma subhipótese: A, B e C, respectivamente. As três subhipóteses convergirão para a hipótese 1a que é apresentada ao final da última subseção. 36 2.6.1 Valência Valência é a força da preferência de uma pessoa por uma certa recompensa ou resultado. Ela expressa o montante do desejo de se atingir um objetivo pessoal que pode ser um aumento salarial, uma promoção, um reconhecimento, um trabalho de melhor qualidade, etc. A valência de uma recompensa é única para cada indivíduo, estando condicionada às suas experiências e pode variar substancialmente durante um período de tempo, uma vez que quando necessidades antigas são satisfeitas, outras novas emergirão (Szilagyi & Wallace, 1990; Nadler & Lawler III, 1991). As valências podem possuir valores tanto positivos como negativos, à medida que as pessoas possuem preferências positivas ou negativas por um determinado resultado. Em uma situação de trabalho, poderia se esperar que um aumento de salário pudesse ter uma valência positiva enquanto que uma repreensão do supervisor tivesse uma valência negativa. Mas se a pessoa é indiferente a uma dada recompensa, a valência é 0 (Szilagyi & Wallace, 1990; Mitchell, 1974). A valência tem seu foco sobre a relação recompensas-metas pessoais. Ou seja, o grau em que as recompensas vêm satisfazer os objetivos ou necessidades individuais e a atratividade destas potenciais recompensas para o indivíduo (Salanova, Hontangas e Peiró, 1996; Nadler & Lawler III, 1991). Ao se observar os princípios da GQT através dos fundamentos teóricos apresentados, surgem evidências de que os professores valorizarão as recompensas, apesar do contexto organizacional trazer indícios de uma motivação baixa. Isto é esperado porque muitas recompensas, inerentes à participação em um programa da qualidade, satisfaze m necessidades sociais, de auto-estima e de auto-realização. Portanto, com relação à valência, há evidências que levam a seguinte subhipótese. 37 Subhipótese A: Os professores do CEFET-PB apresentam, em sua maioria, escores positivos de valência com respeito às recompensas possíveis de serem alcançadas com a participação no PQT. 2.6.2 Instrumentalidade Instrumentalidade representa a crença do indivíduo de que uma recompensa será recebida em função do desempenho. Espera-se, portanto, que as pessoas façam um julgamento subjetivo a respeito da probabilidade de que a organização valorize o desempenho e forneça recompensas com base no desempenho. Também é necessário que o indivíduo perceba o sistema como sendo justo, por exemplo, é recompensado quem obtém desempenho satisfatório, ser amigo do chefe não vai fazer diferença (George & Brief, 1996; Szilagyi & Wallace, 1990). A instrumentalidade tem seu foco sobre a relação desempenho-recompensa. Ou seja, até que ponto o nível de desempenho alcançado na tarefa levará a uma recompensa na percepção da pessoa. Se um empregado percebe que recompensas como aumento de salário, promoção, etc., estão relacionadas com os dados da avaliação de desempenho a instrumentalidade tenderá a ser avaliada positivamente (sistema meritocrático). Todavia, não havendo clareza nesta relação, uma baixa estimativa poderá ser feita (Salanova, Hontangas e Peiró, 1996). No caso do estudo da motivação para participar no programa da qualidade, o desempenho satisfatório está relacionado ao envolvimento no programa, esta é a tarefa. Neste caso, o desempenho não está necessariamente relacionado aos resultados alcançados pelo indivíduo nas suas tarefas do trabalho, como uma melhora nos índices de produtividade. O quadro motivacional do CEFET-PB, apresentado no capítulo 1, visto através das bases teóricas a respeito da variável instrumentalidade, mostra evidências de que os professores 38 avaliarão como baixa a probabilidade de que a participação os leve a certas recompensas. Isto conduz à elaboração da segunda subhipótese, que é relativa à instrumentalidade. Subhipótese B: Os professores do CEFET-PB apresentam, em sua maioria, escores baixos de instrumentalidade com respeito às recompensas possíveis de serem alcançadas com a participação no PQT. 2.6.3 Expectância Expectância é a crença de que um certo nível de esforço relacionado ao trabalho resultará em um correspondente nível de desempenho. Este desempenho pode ser simplesmente a conclusão da tarefa. A expectância é expressada em termos de probabilidade; a pessoa estima até que ponto o desempenho será determinado pelo esforço despendido. Por expressar a probabilidade de uma conexão entre esforço e desempenho, seu valor pode variar de 0 a +1 ou de 0% a 100%. Se o indivíduo não vê uma chance que um dado esforço possa levar a um desempenho desejado, a expectância é 0 (0%). Por outro lado, se ele tem alta confiança de que o esforço possa levar à conclusão da tarefa, a expectância tem o valor 1 (100%) (Szilagyi & Wallace, 1990; Nadler & Lawler III, 1991). Salanova, Hontangas e Peiró (1996) comentam que a expectância pode estar relacionada com um estado temporário ou com um traço de personalidade. A expectância como estado, está relacionada a uma crença momentânea acerca da execução em um momento determinado. Neste sentido, pode-se afirmar que as expectâncias variam e são determinadas em função das situações e circunstâncias de um ambiente em constante mutação. Por outro lado, expectância como um traço é uma cognição sobre a autocompetência, sendo estável através das situações. É similar ao conceito de autoeficácia percebida. 39 A expectância tem seu foco sobre a relação esforço-desempenho. Ou seja, uma dada quantidade de esforço levará ao desempenho. Utilizada para avaliar a motivação relativa à participação em um programa da qualidade, a variável expectância do modelo VIE passa a ser a probabilidade percebida pelo indivíduo de poder se engajar no programa caso decida fazê-lo (Allen, Lucero & Van Norman, 1997). Neste caso, o esforço empregado está relacionado às resistências que o indivíduo enfrenta para o envolvimento. Estas resistências podem ser internas: convicções pessoais quanto aos programas de qualidade, a resistência natural que cada indivíduo possui diante de mudanças e traços de personalidade; ou externas: o sindicato pode ser contra o programa, os pares podem ser contra o programa ou até mesmo a família pode não dar apoio a este tipo de envolvimento (Miller & Prichard, 1992). Dada a natureza voluntária do programa do CEFET-PB e dada a existência de tarefas que exigem um certo nível de complexidade, como o uso de ferramentas estatísticas, a probabilidade percebida pelo indivíduo de poder se engajar no programa pode ser interpretada como a percepção da sua capacidade pessoal (autoeficácia). Neste sentido, apesar das pessoas poderem perceber que um determinado desempenho (o engajamento) levará a certas recompensas (instrumentalidade), que são desejáveis para elas (valências), ainda assim, elas poderão duvidar da capacidade de conseguirem realizar adequadamente as ações necessárias (expectância baixa) para concluir a tarefa de forma efetiva (um engajamento promissor na percepção do indivíduo) (Salanova, Hontangas e Peiró, 1996). O contexto do programa da qualidade do CEFET-PB, como apresentado no capítulo 1, traz evidências de que os professores avaliarão como alta a probabilidade por eles percebida para o engajamento no programa. Com base nestas evidências com respeito à variável expectância, construiu-se a terceira subhipótese. 40 Subhipótese C: Os professores do CEFET-PB apresentam, em sua maioria, escores altos com respeito à expectância de participação no PQT. Também vale ressaltar que, por se tratar de um modelo multiplicativo, “valência x instrumentalidade x expectância”, a existência de uma variável com escores predominantemente negativos ou baixos (valência, por exemplo) poderá produzir uma força motivacional negativa ou baixa. Isto ocorre, mesmo que uma das variáveis (expectância, por exemplo) apresente valores elevados (Mitchell, 1974). As subhipóteses anteriores foram construídas a partir das evidências observadas no contexto do PQT à luz dos fundamentos teóricos apresentados. Desta forma, seguindo as orientações de Allen, Lucero e Van Norman (1977), busca-se responder as questões de pesquisa convergindo as subhipóteses A, B e C para a hipótese 1a. Para uma melhor compreensão dos fatores que induziram a formulação da hipótese 1a, as subhipóteses A, B e C estão repetidas. Subhipótese A: Os professores do CEFET-PB apresentam, em sua maioria, escores positivos de valência com respeito às recompensas possíveis de serem alcançadas com a participação no PQT. Subhipótese B: Os professores do CEFET-PB apresentam, em sua maioria, escores baixos de instrumentalidade com respeito às recompensas possíveis de serem alcançadas com a participação no PQT. Subhipótese C: Os professores do CEFET-PB apresentam, em sua maioria, escores altos com respeito à expectância de participação no PQT. Hipótese 1a: Em função do modelo multiplicativo, a força motivacional para participar do programa da qualidade no CEFET-PB apresenta baixos resultados devido a presença de uma variável com escores também baixos (instrumentalidade) dentre as três variáveis que compõem o modelo. A seguir, serão abordadas as questões que dizem respeito aos testes das predições de comportamento das pessoas no ambiente de trabalho com base na teoria da expectância. Também é enfatizada a necessidade de testes do modelo de Vroom em pesquisas transculturais. Desta forma procura-se finalizar as respostas para a primeira questão de pesquisa. 41 2.7 Teste das predições da teoria da expectância De acordo com Allen, Lucero e Van Norman (1997), a antecipação dos resultados associados à motivação para o envolvimento em um programa da qualidade é consistente com a abordagem das predições de comportamento com base na teoria da expectância. O estudo da força que motiva os professores a se envolverem pode, portanto, fornecer uma melhor compreensão da dinâmica da GQT, das expectativas das pessoas e dos obstáculos a serem enfrentados pelo CEFET-PB. Na tentativa de esclarecer o processo de tomada de decisão, à luz da teoria da expectância, Miller e Pritchard (1992, p. 419) colocam que: “Dentro do contexto da teoria da expectância, o impulso para participar em atividades voluntárias estaria associado com a expectativa de que uma conduta participativa resultaria em recompensas pessoais e talvez organizacionais. Portanto, pode-se dizer que trabalhadores que tipificam as características de mudança da força de trabalho seriam inclinados a participar porque eles aguardavam obter tanto recompensas intrínsecas quanto extrínsecas...” Vários estudos têm sido realizados com o intuito de testar a validade da teoria da expectância com respeito às predições que ela propõe para o comportamento humano nas diversas áreas do trabalho (Nadler & Lawler III, 1991). Neste aspecto, Mitchell (1974) alerta que o uso da teoria da expectância para predizer o comportamento só deve ser feito quando as opções de escolha puderem ser claramente identificáveis e forem mutuamente exclusivas. Segundo este autor, Vroom via claramente a teoria da expectância como um modelo de escolha comportamental “whithin-subject”. Apesar disso, a maioria dos pesquisadores da teoria da expectância têm testado muito mais o modelo “between” do que o “within-subject”. 42 Mitchell (1974) ainda explica que a prática usual tem sido computar para cada sujeito estudado o valor simples da força (somente uma alternativa) e compará-lo com um valor padrão esperado e assim, poder examinar a correlação ou análise de variância entre estas duas séries de valores. Uma abordagem teoricamente correta seria computar para cada indivíduo, uma força para cada alternativa comportamental em estudo e testar a frequência com a qual a alternativa comportamental cuja força é mais alta corresponde à escolha atual do indivíduo (força resultante). Parker & Dyer (1976) fazem uso da abordagem de Mitchell, salientando a necessidade das comparações internas do indivíduo (“within-subject comparisons”) da força que o atrai às duas alternativas de comportamento em estudo. No contexto do processo de envolvimento das pessoas, a decisão chave é ser voluntário (motivado a se envolver e/ou a evitar o status quo) ou não voluntário (motivado a manter o status quo e/ou a evitar o envolvimento). Desta forma, é possível assumir que as pessoas venham a reagir racionalmente às escolhas alternativas e que disponham de informações que as torne capazes de delinear todas a variáveis relevantes para tomarem a decisão. Ou seja, na perspectiva do modelo de Vroom eles devem ser capazes de distinguir valências, instrumentalidades e expectâncias para todas as opções de escolha (Parker e Dyer, 1976). Estas condições básicas podem ser satisfeitas quando se estuda o processo da decisão individual para se envolver com um programa da qualidade. Neste sentido, a abordagem para a operacionalização da teoria da expectância que avalia valências, instrumentalidades e expectâncias (força motivacional) para diferentes alternativas de comportamento foi empregada inicialmente por Parker e Dyer (1976). Isto, para predizer se oficiais da marinha americana estariam motivados a se aposentarem ou permanecerem na ativa, completado o tempo de serviço. 43 Allen, Lucero e Van Norman (1997) empregaram esta mesma abordagem para predizer a probabilidade de voluntários para um programa de envolvimento de empregados em uma companhia de geração de energia elétrica dos Estados Unidos. A partir deste modelo, uma força motivacional resultante é obtida da diferença entre a força motivacional de participação e a força motivacional de não participação. Devido à relevância que a abordagem empregada por Parker & Dyer (1976) e Allen, Lucero & Van Norman (1997) apresenta para este estudo, o capítulo da metodologia apresentará esta abordagem em mais detalhes. Mitchell (1974) também expõe a questão dos diferentes tipos de expectância como um ponto da teoria que carece de investigações. Vroom considerou seu modelo como subjetivo, onde a expectância é uma probabilidade. Teóricos da tomada de decisão, ao usar o modelo, fazem distinção entre diferentes tipos de expectância. Como Salanova, Hontangas e Peiró (1996) esclarecem, a expectância sobre o nível de execução que uma pessoa momentaneamente tem (expectância de estado) é influenciada tanto por fatores internos (p. ex., a expectância de traço de personalidade), como por fatores externos (p. ex., a dificuldade da tarefa). Deste modo, a expectância de traço (ou autoeficácia), junto com outros fatores externos, influem na expectância de estado e portanto, nos processos de tomada de decisão e a conseguinte ação. Allen, Lucero & Van Norman (1997) e Giles (1977) encontraram apoio para a hipótese de que indivíduos com medidas altas de “locus de controle” avaliavam as recompensas de envolvimento em um programa voluntário mais favoravelmente do que aqueles com baixas medidas. 44 Como se pode observar, variáveis de personalidade e valores pessoais podem estar influenciando num determinado processo de tomada de decisão. Além disso, estes valores pessoais e estas variáveis de personalidade podem apresentar dimensões bastante distintas no caso de comparações trans culturais (Dunbar, et al., 2000; Jowell, R., 1998; Bulmer, M. 1998). Na busca por evidências da aplicabilidade do modelo em um ambiente culturalmente diferente dos anteriormente pesquisados e, também, procurando ampliar a linha de pesquisas que promovem o teste das predições da teoria da expectância, levantou-se a seguinte hipótese: Hipótese 1b : O modelo da expectância empregado é capaz de fazer uma distinção precisa entre os professores que escolhem ser voluntários e os que escolhem não ser voluntários para o programa no CEFET-PB. Ou seja, os voluntários apresentam resultados positivos da força motivacional resultante, enquanto os não voluntários apresentam resultados negativos. Na seção seguinte, buscam-se esclarecimentos a respeito da decisão individual de se tornar voluntário para um programa de envolvimento das pessoas. Isto é feito na tentativa de encontrar respostas para a segunda questão de pesquisa. 2.8 A decisão individual de ser voluntário Pesquisas anteriores sobre programas de envolvimento dos empregados têm identificado variáveis situacionais que estão relacionadas à decisão de se tornar voluntário. Por exemplo, as atitudes dos gerentes e dos sindicatos em relação ao programa podem influenciar na taxa de participação dos empregados (Verma & Mckersie, 1987). Miller & Pritchard (1992) observaram que a probabilidade de participação diminui quando os empregados percebem que a gerência 45 não está sendo sincera em relação ao seu próprio comprometimento com o programa ou não dispõe dos recursos necessários para fazê-lo funcionar. Também, quando os sindicatos estão apoiando os programas, uma participação mais ampla dos empregados pode ser esperada (Allen & Van Norman, 1996; Leanna, Albrandt, & Murrell, 1992; Verma, 1989; Verma & McKersie, 1987). A decisão de ser ou não ser voluntário e sua influência nas taxas de participação das pessoas nos programas não são muito bem entendidas nos dias de hoje. Apesar de poucos estudos terem enfocado a decisão individual para participar em programas de envolvimento das pessoas, esta é uma importante linha de pesquisa. “Insights” com respeito à dinâmica do processo de envolvimento são úteis para desenvolver projetos, implementação e avaliação de programas e podem ser obtidos pela melhor compreensão da decisão individual de se voluntariar. Observando o processo de envolvimento através da abordagem de conteúdo das teorias da motivação, pode-se sugerir que os indivíduos que desejam satisfazer necessidades de ordens mais altas através dos seus trabalhos são mais prováveis participantes do que os seus companheiros que não têm tais interesses. (Allen, Lucero e Van Norman, 1997). Na visão de Salanova, Hontangas e Peiró (1996), o modelo de Vroom procura predizer as escolhas ou decisões individuais, não necessariamente o desempenho posterior (o envolvimento efetivado). Para Harel & Conen apud Allen, Lucero & Van Norman (1997), na análise da tomada de decisão à luz da teoria da expectância, dá-se ênfase à natureza intencional da conduta do ser humano com escolhas comportamentais. Estas escolhas são baseadas, em parte, na percepção dos resultados que estariam associados com aquelas escolhas. A análise dos valores da força motivacional para as predições das escolhas individuais, como proposto por Parker & Dyer (1976), é útil para se testar estas predições. Apesar disto, estes testes são do tipo não paramétrico (não probabilístico). Allen, Lucero e Van Norman (1997), 46 fazendo uso de regressão logística, buscaram verificar de quanto aumentava a probabilidade de uma pessoa se tornar voluntária à medida que sua força motivacional aumentava. Portanto, este método leva em conta não só o fato da força resultante ser positiva ou negativa mas considera também a magnitude da força. Ou seja, quanto mais positivo for o valor da força motivacional resultante, maior será a probabilidade de que a pessoa venha a incluir-se entre os voluntários. Por outro lado, quanto mais negativo for o valor da força resultante, maior será a probabilidade de que a pessoa venha a incluir-se entre os não voluntários. Allen, Lucero e Van Norman (1997) usaram a teoria da expectância para fazer comparações entre voluntários e não voluntários, assim, puderam estudar os efeitos da decisão individual e dos fatores que influenciam a decisão de participar das atividades de um programa da qualidade. Para os programas em andamento, a compreensão da decisão de se tornar voluntário é crítica. Dela depende a continuidade do processo com a infusão de novos voluntários para aumentar a participação ou substituir pessoas que por diversas razões abandonam as atividades. Sabendo que o sucesso do programa da qualidade do CEFET-PB depende, de certo modo, da participação voluntária dos professores, a compreensão da decisão individual de participar pode ser útil na implementação e avaliação deste programa. Com base nesta perspectiva, apresentamos a Hipótese 2. Hipótese 2: Voluntários e não-voluntários diferem significativamente com respeito as suas forças motivacionais para participar do programa da qualidade total. Isto é, voluntários registram valores mais altos da força motivacional resultante do que os nãovoluntários. 47 Apesar da maioria das pesquisas trazerem evidências que sustentam a teoria da expectância, algumas críticas são levantadas. Assim, para uma melhor compreensão das relações que envolvem o modelo multiplicativo, a seção seguinte aborda as limitações da teoria da expectância. 2.9 Limitações da teoria da expectância As teorias de conteúdo, dentre elas a hierarquia das necessidades de Maslow, assumem que os resultados são atrativos para uma pessoa porque ela possui algum impulso, motivo, ou necessidade. Por outro lado, Vroom aborda a motivação de forma diferente: o modelo da expectância diz simplesmente que recompensas têm valor se elas levam a outras recompensas valorizadas pelo indivíduo. Nada é dito sobre a causa das pessoas darem valor às recompensas nem sobre a causa de certas recompensas serem mais valorizadas que outras. Apesar de facilitar o entendimento da atratividade das recompensas individuais, ela sacrifica o poder preditivo. Isto, se comparada à teoria das necessidades, que estabelece de antemão quais as recompensas que provavelmente irão ser valorizadas e o que afeta o seu valor (Lawler III, 1991). Na visão de Salanova, Hontangas e Peiró (1996), uma série de outros aspectos também influenciam os fatores que determinam o nível de esforço que a pessoa empregará na realização da tarefa: a experiência passada, as características de personalidade, as emoções, as habilidades, as oportunidades e as estratégias exigidas para a realização da tarefa. Apesar de não interferirem na aplicabilidade do modelo, é importante que as pesquisas abordem também estes outros aspectos. Isto se torna relevante para este modelo uma vez que busca predizer eleições ou tomada de decisões que uma pessoa virá a fazer no trabalho. 48 Nadler & Lawler III (1991) ressaltam a necessidade de compreensão com relação aos tipos de comportamento que o modelo da expectância explica e com relação às situações que podem interferir nas predições. Além disso, o modelo é baseado no pressuposto de que as pessoas tomam as decisões de uma maneira racional após explorar e ponderar as possíveis recompensas de todas as alternativas disponíveis. Entretanto, observa-se que as decisões das pessoas não são tomadas a partir de análises tão completas. O ser humano possui limites para a quantidade de informações a serem utilizadas para a tomada de decisão. Uma outra fonte de críticas em relação à teoria da expectância emerge da multiplicação das três variáveis independentes: valências, instrumentalidades e expectância. Contudo, em um teste da validade do modelo multiplicativo, Arnold (1981) levantou evidências que dão apoio às interações das variáveis para a determinação da força motivacional. Entretanto, este autor destaca alguns pré-requisitos básicos para um teste adequado da validade do modelo multiplicativo: utilização de escalas adequadas, onde o zero não deve ser desconhecido; utilização do “within-subject” como modelo de análise; informações corretas com respeito às recompensas; existência de ações alternativas que levem às mesmas recompensas. Vale salientar que no modelo “within-subject” o indivíduo é utilizado como unidade de análise. Vale salientar que além das críticas levantadas, existem limitações quanto às pesquisas de caráter transcultural. Desta forma, finalizando a fundamentação teórica, a seção seguinte aborda a necessidade de adaptação ao contexto nacional. 49 2.10 Limitações das pesquisas transculturais: necessidade de adaptação ao contexto nacional Apesar da importância dos estudos transnacionais, Bulmer (1998) esclarece os problemas relacionados com a exportação de pesquisas sociais, tais como os contextos nacionais, problemas políticos enfrentados pelos pesquisadores, questões técnicas e metodológicas, assim como, problemas éticos. Deve-se, portanto, questionar a idéia de que é possível elicitar atitudes individuais e valores de respondentes de diferentes contextos nacionais e culturais de forma idêntica. Este autor ainda destaca que os Estados Unidos é atualmente o país que mais exporta modelos de pesquisa em ciências sociais no mundo, podendo ser considerado até mesmo um dos seus principais produtos de exportação. Apesar das aspirações por generalizações transculturais, poucos são os trabalhos que desprendem uma atenção séria às análises comparativas e às validações metodológicas, conceituais e teóricas para estudos aplicados a outras culturas. Poucos são os exemplos em que se busca a adequação ao contexto nacional na realização de pesquisas sociais. Na área de comportamento organizacional, Oliveira-Castro et al. (1998) relatam a experiência de construção e validação de um instrumento brasileiro de Percepção de Suporte Organizacional baseada na proposta teórica de Eisenberger, Huntington, Hutchinson e Sowa (1986) e em aspectos levantados junto a uma amostra de trabalhadores de empresas privadas e órgãos públicos. Trabalhos como este, buscam o fornecimento de medidas confiáveis de percepção. Outro exemplo é o trabalho de Siqueira (1995); em seu estudo sobre comportamentos de cidadania organizacional, a pesquisadora validou também uma escala reduzida de percepção de suporte organizacional, adaptando o instrumento de Eisenberger e col. (1986) às características culturais brasileiras junto a uma amostra de 287 trabalhadores. Portanto, pode-se observar a preocupação destes autores para que trabalhos futuros venham a ser mais confiáveis quanto à generalidade dos resultados. 50 O capítulo seguinte aborda a metodologia da pesquisa. São apresentadas as hipóteses, o desenho da pesquisa, o locus da investigação, o plano de amostragem, o método de coleta de dados, a instrumentação das variáveis e a análise estatística a ser aplicada. 51 3 Metodologia Peres (1986) enfatiza que o processo de apreensão do real não ocorre aleatoriamente. Neste sentido é mister sistematizar o procedimento metodológico balizador desta investigação. Para tanto, este capítulo reúne as hipóteses, apresenta o desenho da pesquisa, o locus da investigação, o plano de amostragem, o método de coleta de dados, a instrumentação das variáveis e a análise estatística empregada. 3.1 Hipóteses Com base na discussão do capítulo anterior onde fundamentamos teoricamente esta investigação, as seguintes hipóteses serão testadas: Subhipótese A: Os professores do CEFET-PB apresentam, em sua maioria, escores positivos de valência com respeito às recompensas possíveis de serem alcançadas com a participação no PQT. Subhipótese B: Os professores do CEFET-PB apresentam, em sua maioria, escores baixos de instrumentalidade com respeito às recompensas possíveis de serem alcançadas com a participação no PQT. Subhipótese C: Os professores do CEFET-PB apresentam, em sua maioria, escores altos com respeito à expectância de participação no PQT. 52 Vale lembrar que as subhipóteses anteriores foram construídas a partir das evidências observadas no contexto do PQT à luz dos fundamentos teóricos apresentados. Desta forma, busca-se responder as questões de pesquisa através da convergência das subhipóteses A, B e C para a Hipótese 1a. Para uma melhor compreensão dos fatores que induziram a formulação da Hipótese 1a, as subhipóteses antecederam a apresentação da hipótese. Hipótese 1a: Em função do modelo multiplicativo, a força motivacional para participar do programa da qualidade no CEFET-PB apresenta baixos resultados devido à presença de uma variável com escores também baixos (instrumentalidade) dentre as três variáveis que compõem o modelo. Hipótese 1b[HPR1] : O modelo da expectância empregado é capaz de fazer uma distinção precisa entre os professores que escolhem ser voluntários e os que escolhem não ser voluntários para o programa no CEFET-PB. Ou seja, os voluntários apresentam resultados positivos da força motivacional resultante, enquanto os não voluntários apresentam resultados negativos.[HPR2] Hipótese 2[HPR3] : Voluntários e não-voluntários diferem significativamente com respeito as suas forças motivacionais para participar do Programa da Qualidade Total. Isto é, voluntários registram valores mais altos da força motivacional resultante do que os não-voluntário[HPR4]s. 3.2 Desenho da pesquisa Nesta investigação nos baseamos na proposição de Verma & McKersie (1987), confirmada por Allen, Lucero & Van Norman (1997), de que os indivíduos se engajam aos programas quando a participação beneficia os seus interesses e não trazem prejuízos a eles. Assim sendo, consideramos que a motivação para participar e a decisão de se tornar voluntário são influenciadas, em parte, pela percepção dos resultados que o envolvimento no programa 53 possa trazer. Para tanto, este estudo replicou partes dos modelos de pesquisa empregados por Allen, Lucero & Van Norman (1997) e Parker & Dyer (1976). A coleta de dados ocorreu aproximadamente 4 anos após o início da implantação do programa da qualidade, assim sendo, não foi possível dispor de um modelo de pesquisa abordando o antes versus o pós-programa. Para reduzir os efeitos que o programa provocou sobre a amostra, os respondentes foram divididos em dois grupos (participantes e nãoparticipante). Isto, com base nas respostas à questão que perguntou se eles estavam participando ou não do PQT. Aqueles que se definiram como participantes não foram considerados na análise deste trabalho. Os que se definiram como não participantes foram divididos ainda em dois grupos: voluntários e não voluntários. Para efetuar esta divisão foi perguntado se eles participariam caso lhes fosse dada a chance de fazê-lo. Os voluntários responderam afirmativamente a esta questão, e os não voluntários deram uma resposta negativa. A inclusão apenas dos não participantes tem como objetivo manter o foco sobre os fatores que motivam o indivíduo a tornar-se um voluntário para o PQT. A remoção da análise, dos sujeitos identificados como participantes, apesar de reduzir o tamanho global da amostra, forneceu uma maior clareza pela separação dos efeitos do programa sobre a motivação para participar. Além disso, o uso deste modelo de pesquisa fornece uma continuidade à literatura existente (Allen, Lucero & Van Norman, 1997; Allen & Van Norman, 1996; Leanna et al., 1992; Verma, 1989; Verma & McKersie, 1987) à medida que busca aplicar o modelo no caso do CEFET-PB. Portanto, utilizar-se-á da mesma categorização dos sujeitos. Na seção seguinte, definir-se-ão os critérios para a escolha do “locus” da pesquisa. 54 3.3 Locus da investigação Os indivíduos pesquisados neste estudo são os professores do Centro Federal de Educação Tecnológica da Paraíba que lecionam nos sete cursos técnicos e no curso de Tecnólogo em Telemática. A pesquisa foi desenvolvida na escola matriz em João Pessoa. Não consideramos portanto a unidade descentralizada de ensino localizada na cidade de Cajazeiras no interior da Paraíba. A escolha do CEFET-PB está baseada no seguinte fato: desde o ano de 1995 esta instituição vem trabalhando na implantação de um programa da qualidade total. Outro fator relevante diz respeito a acessibilidade, já verbalizada pelos seus dirigentes, resultante da participação do pesquisador quando pertencente ao quadro de professores da instituição, inclusive como membro do Grupo de Promoção da Qualidade. 3.4 Plano de amostragem Quanto ao universo da pesquisa, estudou-se uma amostra significativa dos docentes, em um universo de aproximadamente 230 docentes que estavam em atividade na instituição. Não consideramos os professores que estavam temporariamente afastados. Para garantir a representatividade da população de docentes na amostra, foi utilizada como base de amostragem uma lista incluindo todos os professores ativos do CEFET de João Pessoa. Esta lista foi ordenada de forma randômica com o auxílio do SPSS (“Statistical Pakage for the Social Sciences”). Considerando as características da população de 230 professores, foi tomada uma amostra aleatória simples. Os cálculos resultaram numa amostra de 144 docentes, com um nível de confiança de 95% e um erro permitido de 5% (Richardson, 1989). 55 A decisão de envolver apenas docentes ocorreu, em primeiro lugar, como uma forma de limitar o número de recompensas associadas à participação no programa, uma vez que as recompensas apontadas pelos professores podem ser bastante distintas daquelas apontadas pelos outros seguimentos. Em segundo lugar, por fazerem parte da categoria funcional mais envolvida com a atividade fim da instituição. Portanto, o quadro técnico-administrativo, o corpo discente e os prestadores de serviços não compuseram o universo pesquisado. Contudo, vale salientar que um estudo complementar, envolvendo dos demais segmentos poderá enriquecer os resultados encontrados nesta pesquisa. Vale lembrar que, por não se conhecer quais os docentes que já estavam efetivamente participando, não foi possível separá-los antes da aplicação do questionário. Portanto, dos 144 docentes que compuseram a amostra, 62 afirmaram estar participando (QUADRO 1). 63 (76,8%) Voluntários 82 (57%) Não Participantes 44 (54,3%) Voluntários Predições Amostra: 144 (100%) Docentes 19 (23,2%) Não Voluntários 62 (43%) Participantes QUADRO 1 : Descrição da amostra 37 (45,7%) Não Voluntários 56 3.5 Método de coleta de dados Para se compreender a percepção dos professores em relação ao programa da qualidade, fez-se necessário, num primeiro momento, visitar a instituição com a finalidade de nos fundamentarmos empiricamente. Este levantamento preliminar, detalhado no capítulo 1, foi de caráter exploratório e proporcionou o norteamento da investigação, o que possibilitou a elaboração das questões de pesquisa. O passo seguinte, na busca de um melhor entendimento da percepção dos professores, foi a realização de dois painéis de debate no CEFET-PB que contou com a participação de 10 professores. O objetivo dos painéis foi a validação semântica e operacional do instrumento de pesquisa. O instrumento aplicado foi uma tradução do questionário empregado por Allen, Lucero & Van Norman (1997). Esta validação possibilitou a adequação das recompensas utilizadas à realidade do CEFET-PB. Das 27 recompensas usadas no questionário modelo, nove foram substituídas por outras de maior significância para a decisão de se envolver com o programa. Destas nove, quatro foram relatadas pelos próprios docentes (5,9,18,25-APÊNDICE BPARTE III-SEÇÃO A) e as outras cinco foram obtidas de Jurkiewicz, Massey Jr. & Brown (1998) (1,4,6,7,8). Desta forma, estes painéis forneceram uma lista de 27 recompensas que, na percepção dos professores, poderiam ser conseguidas como conseqüência do envolvimento no programa. Vale destacar que a recompensa, aumento de salário foi uma das substituídas na lista. Devido às restrições orçamentárias e legais para este tipo de recompensa nas empresas públicas, ela foi considerada como não associada à participação no PQT, como orienta Mitchell (1974). A lista de 27 recompensas foi então utilizada nas avaliações de valências e instrumentalidades. Os roteiros empregados nesta validação são apresentados no APÊNDICE A. A montagem do questionário só foi possível após o levantamento dos resultados dos dois painéis. 57 Antes da aplicação, o questionário ainda passou por um pré-teste. Na operacionalização do pré-teste foi utilizado o mesmo grupo de 10 professores que participou dos painéis iniciais. Portanto, foi empregado um questionário estruturado, anônimo, contendo uma questão do tipo aberta e todas as outras do tipo fechada. Nas questões fechadas foram utilizadas escalas do tipo Likert de sete pontos. O instrumento foi dividido em quatro partes. A Parte I, composta de uma questão aberta, foi utilizada na verificação do entendimento do respondente com respeito ao conceito de recompensas obtidas através da participação no programa da qualidade. Além disso, esta questão aberta permitiu a comparação das recompensas listadas no questionário com aquelas que, na percepção dos professores, são as mais relevantes. Contudo, não faz parte dos objetivos deste trabalho testar hipóteses a partir destes dados. A Parte II consistiu de questões fechadas nas quais se obteve dos respondentes o estado atual quanto à participação no programa da qualidade (se ele é participante ou não; se ele é voluntário ou não). Foram também obtidas nesta parte, as expectâncias de participação e as de não participação. A Parte III consistiu de três listas com 27 recompensas que foram utilizadas para a obtenção das valências (Seção A), instrumentalidades de participação (Seção B) e instrumentalidades de não participação (Seção C). Finalmente a Parte IV encerrou o questionário com questões demográficas sobre os respondentes. O modelo final do questionário, com as devidas alterações feitas com base nas críticas e dúvidas levantadas durante o pré-teste, é mostrado no APÊNDICE B. O questionário original, empregado por Allen, Lucero e Van Norman (1997) foi obtido através de contatos por e-mail com o primeiro autor e é apresentado no ANEXO 1. Para a aplicação dos instrumentos, os docentes que compunham a amostra foram convidados a participar de painéis. Nestes painéis, foi exposto o objetivo do questionário e ressaltada a importância da participação consciente de cada respondente. Dez painéis foram operacionalizados num intervalo de 5 dias. Contudo, o índice de participação foi de apenas 40% 58 da amostra. Devido a baixa participação nos painéis, foi adotada a aplicação individual do questionário. Para isto, os docentes foram procurados e solicitados a responderem os questionários em seus horários de trabalho departamental ou nos intervalos entre aulas. Para esta aplicação seguiu-se a ordem numérica da lista aleatória. Os docentes que não foram encontrados, ou que se recusaram a responder o questionário, foram substituídos pelos docentes que ocupavam as posições seguintes. 3.6 Instrumentação das variáveis Com base nas reflexões realizadas e a partir das questões norteadoras da pesquisa, são indicadas a seguir as categorias da análise e consequentemente sua operacionalização. Em função do tema pesquisado e dos objetivos estabelecidos, são definidas as variáveis na tentativa de medir a influência destas nos resultados obtidos de forma a conduzir aos motivos que levam os professores a participarem, ou não, do programa da qualidade do CEFET-PB. A teoria da expectância foi utilizada para avaliar a percepção individual das vantagens e desvantagens de participar do programa da qualidade em relação ao status quo alternativo. Para este fim, as subseções seguintes apresentam o modelo para a operacionalização da teoria da expectância. Vale lembrar que este modelo vem sendo empregado em uma série de pesquisas, tendo sido empregado inicialmente por Parker & Dyer (1976) e, mais recentemente, por Allen, Lucero & Van Norman (1997) no estudo da motivação para o engajamento em um programa da qualidade. 59 3.6.1 Medição da força motivacional para participar Em função do caráter desta pesquisa, que busca a compreensão da decisão individual dos docentes para participarem do programa da qualidade, através da identificação da percepção que eles têm acerca das valências, das instrumentalidades e da expectância adotamos o modelo multiplicativo de Vroom (1964), com os seguintes indicadores: Indicadores das Valências: Os indicadores das valências foram validados através dos painéis realizados inicialmente com os 10 professores. A partir destes painéis, foram listadas as 27 recompensas percebidas pelos participantes como sendo significativas com relação ao engajamento no programa da qualidade. Estas 27 recompensas foram incluídas no questionário para avaliação dos respondentes. Assim, cada respondente foi solicitado a avaliar as recompensas numa escala de 7 pontos, variando de -3 (extremamente indesejável) passando por 0 (não faz diferença) até +3 (extremamente desejável). Isto resultou na medição das valências específicas para cada recompensa de cada respondente (APÊNDICE B - Parte III – Seção A ). Indicadores das Instrumentalidades: Os indicadores das instrumentalidades relativas a participação no programa da qualidade são as mesmas 27 recompensas validadas nos painéis. As Instrumentalidades foram obtidas solicitando-se do respondente que ele avaliasse a probabilidade de vir a experimentar cada uma das 27 recompensas como conseqüência do envolvimento no programa. Uma escala de sete pontos foi disponibilizada, variando de -3 (impossível de acontecer) passando por 0 (nem improvável nem provável) até +3 (certamente acontece). Isto produziu um valor de instrumentalidade para cada uma das 27 recompensas de cada respondente (APÊNDICE B-Parte III-Seção B). Entretanto, após a coleta dos dados, foi observada uma não conformidade com o modelo original de Vroom na escala de 60 instrumentalidade aplicada no questionário de Allen, Lucero e Van Norman (1997). Para manter a fidelidade teórica com o modelo de Vroom, o escore –3 (impossível de acontecer) deveria eqüivaler a uma avaliação de instrumentalidade igual a zero. Os escores negativos teriam sido corretamente utilizados se o envolvimento no programa, na percepção do indivíduo, o afastasse ainda mais de conseguir a recompensa (Mitchell, 1974). Em outras palavras, o envolvimento geraria mais do que uma probabilidade de ser impossível de acontecer (zero), ele aumentaria a probabilidade de distanciamento da obtenção da recompensa. Visando manter a precisão teórica, a variável foi recodificada e variou de 0 (impossível de acontecer) passando por 3 (nem improvável nem provável) até 6 (certamente acontece). Indicadores da Expectância: Como sugerido por Mitchell (1974), as percepções de expectância são vistas como uma relação entre comportamento e desempenho que deve ser medida como uma probabilidade subjetiva. A expectância associada com a decisão de se envolver com o programa da qualidade, foi medida pela resposta à terceira questão da parte II do questionário: Qual a probabilidade de você poder participar do programa da qualidade caso queira ou venha a querer participar? O formato de resposta consistiu em uma escala de 10 pontos oscilando de 0% (não há chance de participar, ainda que quisesse) a 100% (não há dúvida de que eu poderia participar se quisesse). O cálculo da força motivacional associada com a opção de participar foi feito da seguinte forma: Primeiramente, para cada uma das 27 recompensas avaliadas, a valência foi multiplicada por sua respectiva instrumentalidade. Em um segundo passo, os valores resultantes dos 27 produtos “valência x instrumentalidade” foram somados. Por último, esta soma foi multiplicada pela probabilidade do professor poder participar do programa (percepção da expectância). Este cálculo produziu a força motivacional para a opção de participar do programa da qualidade e pode ser expressado pela seguinte equação matemática: 61 27 Fn = En x [ Σ (Vni x Ini)] i=1 Onde: Fn - Força Motivacional para participar de cada professor En - Expectância de participação de cada professor Vni - Valência para cada recompensa de cada professor Ini - Instrumentalidade para cada recompensa de cada professor i- Iésima recompensa avaliada da lista de 27 recompensas n- Identificação do questionário por ordem numérica 27 - Nº de recompensas avaliadas pelos professores 3.6.2 Medição da força motivacional para não participar Segundo Mitchell (1974), para a correta operacionalização do modelo deve-se considerar outras alternativas de comportamento existentes. Neste sentido, a abordagem empregada inicialmente por Parker e Dyer (1976) que avalia a força motivacional para diferentes alternativas de comportamento foi utilizada. Isto gerou duas expressões matemáticas para este estudo: na primeira, já mostrada, “Fn ” indica a força motivacional para participar de cada respondente e na segunda, mostrada a seguir, “Fn ” indica a força motivacional para não participar de cada respondente, ou seja, para permanecer no status quo alternativo. Desta forma, a força motivacional para não participar foi obtida a partir dos seguintes indicadores: Indicadores das Valências: Foram os mesmos utilizados para a força motivacional de participar. Tendo em vista que as recompensas avaliadas são as mesmas. Indicadores das Instrumentalidades: As instrumentalidades associadas à decisão de não participar foram obtidas solicitando-se dos respondentes uma avaliação da probabilidade de que ele venha experimentar cada uma das 27 recompensas como resultado da decisão de não se envolver com o programa (ex. mantido o status quo). Semelhantemente à instrumentalidade de 62 participação, a escala foi recodificada, portanto, variando de 0 (impossível de acontecer) passando por 3 (nem improvável nem provável) até 6 (certamente acontece). Isto produziu uma série adicional de instrumentalidades (decisão de não participar) para cada uma das 27 recompensas de cada respondente (APÊNDICE B - Parte III–Seção C). Indicadores da Expectância: A expectância, associada à decisão de não se envolver com o programa da qualidade, foi medida pela resposta à quarta questão da parte II do questionário: Qual a probabilidade de você se sentir pressionado pelos seus superiores a ter que participar do programa da qualidade? O formato de resposta consistiu em uma escala de 10 pontos oscilando de 0% (não há chance de ser pressionado a participar) a 100% (Certamente serei pressionado a participar). Devido a participação no programa ser voluntária, a probabilidade resultante foi subtraída de 1 (um). Esta inversão produziu um valor que foi interpretado como sendo a expectância para não participar do programa, ou seja, a probabilidade percebida de poder manter o status quo sem a interferência dos superiores (Allen, Lucero & Van Norman, 1997). Semelhantemente, o cálculo da força motivacional associada à opção de não participar foi realizado: Primeiramente, para cada uma das 27 recompensas avaliadas, a valência foi multiplicada por sua respectiva instrumentalidade de não participação. Em um segundo passo, os valores resultantes dos 27 produtos “valência x instrumentalidade” foram somados. Por último, esta soma foi multiplicada pela expectância de não participação (a probabilidade de manter o status quo sem a interferência do chefe). Este cálculo produziu a força motivacional para a opção de não participar do programa da qualidade. Também pode ser resumida na seguinte equação matemática: 63 27 Fn = En x [ Σ (Vni x Ini)] conhecido que: En = 1- Pn i=1 Onde: Fn - Força Motivacional para não participar de cada professor En - Expectância de não participação de cada professor Pn - Probabilidade de ser pressionado pelos superiores a participar Vni - Valência para cada recompensa de cada professor Ini - Instrumentalidade de não participação para cada recompensa de cada professor i- Iésima recompensa avaliada da lista de 27 recompensas n- Identificação do questionário por ordem numérica 27 - Nº de recompensas avaliadas pelos professores 3.6.3 Cálculo da força motivacional resultante A Força Motivacional Resultante “ FRn “ foi determinada subtraindo-se da força motivacional para participar, a força para não participar. Esta resultante foi interpretada como sendo a força motivacional que leva o indivíduo a ser um voluntário ou não para o programa da qualidade. A expressão seguinte resume o significado da Força Motivacional Resultante: FRn = Fn – Fn Onde: FRn – Força motivacional resultante de cada professor Fn – Força Motivacional para participar de cada professor Fn – Força Motivacional para não participar de cada professor n- Identificação do questionário por ordem numérica 64 3.7 Tratamento dos dados A força motivacional para participar (Hipótese 1a), as valências (Subhipótese A), as instrumentalidades (Subhipótese B) e a expectância (Subhipótese C) foram analisadas através das freqüências dos valores obtidos. Também foram verificadas as percentagens de acertos e erros com respeito às predições propostas pela teoria (Hipótese 1b) através de tabulação cruzada, cálculo do coeficiente de correlação phi e cálculo do X2 para a bondade de ajustamento (Parker & Dyer, 1976). Para a Hipótese 2, devido a natureza dicotômica da variável dependente (voluntário ou não-voluntário), foi utilizada regressão logística (Allen, Lucero e Van Norman, 1997) no exame das diferenças entre voluntários e não-voluntários medidas através da força motivacional resultante. Os resultados da investigação são apresentados no capítulo seguinte. Para facilitar a observação da magnitude de cada indicador os resultados foram dispostos em tabelas. A estrutura de apresentação deste documento está de acordo com o manual de orientações para apresentação da monografia de mestrado do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (1999). 65 4 Resultados Este capítulo apresenta os resultados do estudo e as respectivas análises. Para tanto, as análises dos resultados são feitas com base nas tabelas de dados. Estas tabelas foram elaboradas de forma a facilitar a observação da magnitude de cada indicador e estão dispostas na seqüência em que os procedimentos estatísticos foram realizados para testar as respectivas hipóteses. 4.1 Estado atual dos respondentes quanto a participação no programa da qualidade Dos 144 professores que responderam o questionário corretamente, 82 disseram que não estão participando do programa e 62 afirmaram que estão participando. Como já explicado no capítulo anterior, apenas os não participantes foram analisados. Portanto, dos 82 que não estão participando, 63 afirmaram que são voluntários para participar, caso haja uma oportunidade e 19 disseram que não são voluntários para participar. A TABELA 1 resume os resultados com relação ao número de participantes e de voluntários. 66 TABELA 1 : Número de participantes e voluntários Participantes 62 (43%) Voluntários 63 (76,8%) Não Participantes 82 (57%) Não Voluntário 19 (23,2%) Total 144 (100%) Total 82 (100%) 4.2 Força para participar a partir dos escores das valências, instrumentalidades e expectâncias As subhipóteses A, B e C antecedem a Hipótese 1a. A Subhipótese A afirma que os professores do CEFET-PB apresentam, em sua maioria, escores positivos de valência com respeito às recompensas possíveis de serem alcançadas com a participação no PQT. A escala de valências variou de -3 (extremamente indesejável) passando por 0 (não faz diferença) até +3 (extremamente desejável). A TABELA 2 mostra os resultados obtidos com respeito às modas e às percentagens das avaliações feitas pelos docentes. Como se observa, das 27 recompensas, vinte e uma apresentaram como moda avaliações positivas, quatro obtiveram como moda o valor 0 e duas mostraram ter como moda valores negativos. Vale salientar que as recompensas 15 e 24 são de caráter negativo; exatamente estas, obtiveram como moda valores negativos. Quanto às percentagens, a maioria dos respondentes fez avaliações positivas de valências para as recompensas. Existem exceções para as recompensas 15 e 24, de caráter negativo, que receberam avaliações negativas na maioria dos casos e para as recompensas 6 e 23 que em sua maioria receberam o escore 0 (não faz diferença). Vale salientar que as recompensas 15 e 24 não sofreram reversão de sinal porque quando passam a compor o modelo multiplicativo a diferença de sinal influencia nos resultados. 67 Assim, a Subhipótese A foi testada através dos percentuais das avaliações (escores) dos docentes (TABELA 2), neste aspecto ela é plenamente aceita, visto que a maioria dos docentes avaliou positivamente as valências com respeito às recompensas. A média das percentagens de avaliações positivas foi de 75,9%. O APÊNDICE C mostra as frequências das avaliações das valências para cada ponto da escala. 68 TABELA 2: Modas e percentagens das avaliações de valências para cada uma da 27 recompensas Recompensas Valências Moda (+) % (0) % (-) % 1. Oportunidade de beneficiar a sociedade. 1 97,6 1,2 1,2 2. Oportunidade de promoção e desenvolvimento profissional. 3 89 9,8 1,2 3. Sentimentos fortes de satisfação com o emprego. 1 89 9,8 1,2 4. Oportunidade de aprender coisas novas. 3 96,4 2,4 1,2 5. Oportunidade de vender serviços (prestar serviços externos). 0 58,5 29,3 12,2 6. Oportunidade de exercer liderança. 0 37,9 46,3 15,8 7. Variedade nas obrigações do trabalho. 1 59,7 30,5 9,8 8. Participação em um time de trabalho. 1 65,9 25,6 8,5 9. Reconhecimento especial por parte dos alunos. 1 79,3 17,1 3,6 10. Maior oportunidade de crescimento como pessoa. 3 96,4 2,4 1,2 11. Maior segurança no emprego (estabilidade). 3 81,8 17,1 1,2 12. Oportunidade de sentir que faz algo importante. 2 91,5 7,3 1,2 13. Utilização e desenvolvimento de novas habilidades. 2 89,1 8,5 2,4 14. Oportunidade de contribuir para decisões importantes. 1 85,4 13,4 1,2 15. Consumo do tempo de outras atividades importantes devido ao engajamento no programa. -1 24,4 24,4 51,2 16. Maiores sentimentos de amizade com os colegas de trabalho. 1 91,5 8,5 0,0 17. Reconhecimento da administração pelas contribuições do servidor à organização. 1 67,1 30,5 2,4 18. Oportunidade de melhorar a capacitação profissional. 2 94 2,4 3,6 19. Reconhecimento especial por parte dos colegas de trabalho. 0 64,6 35,4 0,0 20. Oportunidade de melhorar o desempenho individual no trabalho. 3 95,1 3,7 1,2 21. Melhor comunicação entre os servidores e a administração. 1 90,2 9,8 0,0 22. Maior competitividade do CEFET diante da concorrência. 1 81,8 13,4 4,8 0 44 45,1 10,9 -3 11 14,6 74,4 2 92,7 4,9 2,4 3 93,9 4,9 1,2 3 81,8 13,4 4,8 23. Oportunidade de trabalhar de maneira mais próxima à administração. 24. Descontrole da programação diária do trabalho devido às atividades do programa. 25. Possibilidade de aumentar a qualidade de vida pessoal e a qualidade de vida no trabalho. 26. Sentimentos fortes de auto-respeito (eu me respeito como profissional). 27. Sentimentos fortes de orgulho e auto-estima (sua percepção à respeito do seu próprio valor). 69 A Subhipótese B diz que os professores do CEFET-PB apresentam, em sua maioria, escores baixos de instrumentalidade com respeito às recompensas possíveis de serem alcançadas com a participação no PQT. A TABELA 3 traz os resultados obtidos com respeito às modas e às percentagens das avaliações feitas pelos docentes. A escala de instrumentalidades variou de 0 (impossível de acontecer) passando por 3 (nem improvável nem provável) até 6 (certamente acontece). Como se observa, das 27 recompensas, vinte e três apresentaram valores modais maiores que 3 (ponto médio), três obtiveram valores modais iguais a 3 e apenas uma apresentou valor modal menor que 3. Esta última, a recompensa 24, possui um caráter negativo. Quanto às percentagens, a maioria dos respondentes fez avaliações de instrumentalidades com valores maiores que 3, com exceção das recompensas 24, de caráter negativo, e da recompensa 6 que obteve proporções iguais entre os valores maiores que 3 e iguais a 3. Portanto, a Subhipótese B foi testada através dos percentuais das avaliações (escores) dos docentes (TABELA 3). A partir dos resultados obtidos conclui-se que esta hipótese não é verdadeira. Na realidade, os docentes não apresentaram escores baixos de instrumentalidade como se pensava inicialmente, visto que a maioria avaliou as instrumentalidades acima do ponto médio (nem improvável nem provável). A média das percentagens de avaliações acima de 3 foi de 62,9%. O APÊNDICE D mostra as frequências das avaliações das instrumentalidades de participação para cada ponto da escala. 70 TABELA 3: Modas e percentagens das avaliações de instrumentalidades para as 27 recompensas Recompensas Instrumentalidades Moda (>3) % (=3) % (<3) % 1. Oportunidade de beneficiar a sociedade. 4 74,4 15,9 9,7 2. Oportunidade de promoção e desenvolvimento profissional. 4 60,9 22,0 17,1 3. Sentimentos fortes de satisfação com o emprego. 4 73,2 15,9 10,9 4. Oportunidade de aprender coisas novas. 5 83,0 13,4 3,6 5. Oportunidade de vender serviços (prestar serviços externos). 4 51,2 26,8 22,0 6. Oportunidade de exercer liderança. 3 37,8 37,8 24,4 7. Variedade nas obrigações do trabalho. 4 65,9 28,0 6,1 8. Participação em um time de trabalho. 4 68,3 18,3 13,4 9. Reconhecimento especial por parte dos alunos. 4 58,6 25,6 15,8 10. Maior oportunidade de crescimento como pessoa. 4 75,6 17,1 7,3 11. Maior segurança no emprego (estabilidade). 3 39,0 37,8 23,2 12. Oportunidade de sentir que faz algo importante. 4 76,8 12,2 11,0 13. Utilização e desenvolvimento de novas habilidades. 5 75,7 14,6 9,7 14. Oportunidade de contribuir para decisões importantes. 4 58,4 24,4 17,2 15. Consumo do tempo de outras atividades importantes devido ao engajamento no programa. 4 64,7 18,3 17,0 16. Maiores sentimentos de amizade com os colegas de trabalho. 4 65,8 24,4 9,8 17. Reconhecimento da administração pelas contribuições do servidor à organização. 4 50,0 25,6 24,4 18. Oportunidade de melhorar a capacitação profissional. 4 76,9 15,9 7,2 19. Reconhecimento especial por parte dos colegas de trabalho. 4 51,3 28,0 20,7 20. Oportunidade de melhorar o desempenho individual no trabalho. 4 80,4 11,0 8,6 21. Melhor comunicação entre os servidores e a administração. 4 61,0 24,4 14,6 22. Maior competitividade do CEFET diante da concorrência. 4 67,2 28,0 4,8 3 37,7 36,6 25,7 2 35,4 25,6 39,0 4 67,1 20,7 12,2 4 74,3 17,1 8,6 4 67,1 20,7 12,2 23. Oportunidade de trabalhar de maneira mais próxima à administração. 24. Descontrole da programação diária do trabalho devido às atividades do programa. 25. Possibilidade de aumentar a qualidade de vida pessoal e a qualidade de vida no trabalho. 26. Sentimentos fortes de auto-respeito (eu me respeito como profissional). 27. Sentimentos fortes de orgulho e auto-estima (sua percepção à respeito do seu próprio valor). 71 A Subhipótese C diz que os professores do CEFET-PB apresentam, em sua maioria, escores altos com respeito à expectância de participação no programa da qualidade total. A escala da expectância oscilou de 0% (não há chance de participar, ainda que quisesse) a 100% (não há dúvida de que eu poderia participar se quisesse). A TABELA 4 mostra os resultados obtidos com respeito às freqüências, percentagens e moda das avaliações feitas pelos docentes. Como se observa, o valor modal da expectância de participação é 0,5. Quanto às percentagens, a maioria dos respondentes (61,1%) avaliou a expectância com escores inferiores ou iguais a 0,5. APÊNDICE E mostra os histogramas das expectâncias. Com base nos resultados das freqüências dos escores de expectância, a Subhipótese C também é refutada. Na prática, a maioria dos professores não faz avaliações da expectância com altos valores de probabilidade. TABELA 1: Frequências, percentagens e moda das avaliações de expectância de participação Exp. 0,0 0,1 Freq. 4 8 Perc. 4,9 9,8 Moda 0,5 Exp.< 0,5 (61,1%) 0,2 2 2,4 0,3 5 6,1 0,4 9 11,0 0,5 22 26,9 0,6 5 6,1 0,7 7 8,5 0,8 7 8,5 0,9 1 1,2 1,0 Total 12 82 14,6 100 Med. = 0,53 (s.d.=0,29) Finalmente, a Hipótese 1a afirma que em função do modelo multiplicativo, a força motivacional para participar apresenta baixos resultados devido à presença de uma variável com escores também baixos (instrumentalidade) dentre as três variáveis que compõem o modelo multiplicativo. A TABELA 5 mostra os resultados obtidos com respeito às percentagens da força motivacional para participar. Os valores mínimos e máximos possíveis de serem obtidos pelos produtos das valências, instrumentalidades e expectâncias são –486 e +486 respectivamente. Como se observa, dos oitenta e dois docentes, quarenta e sete (57,4%) apresentaram o valor da força motivacional entre 0,1 e 100. Outros vinte e um docentes (25,6%) obtiveram uma força motivacional que estava entre 100,1 e 200. Vale salientar que apenas seis docentes (7,3%) O 72 obtiveram valores negativos ou nulos da força motivacional para participar. Considerando-se o valor da força máxima (486), a maioria dos docentes (83%) apresentou valores baixos (0,1 a 200) da força motivacional para participar do programa da qualidade. O APÊNDICE F mostra os histogramas e as magnitudes das forças para cada questionário. Estes resultados fornecem uma validação parcial à Hipótese 1a. Os resultados das forças dos docentes foram realmente baixos em sua maioria, entretanto, isto não ocorreu como uma conseqüência de escores baixos na variável instrumentalidade mas sim devido a escores baixos de expectância em sua maioria, como mostrado na TABELA 4. TABELA 2: Resultados da força motivacional para participar do programa da qualidade Força -486 a -100,1 Freq. 0 1 5 47 21 6 2 0 Perc. 0% 1,2% 6,1% 57,4% 25,6% 7,3% 2,4% 0% -100 a -0,1 0,0 0,1 a 100 100,1 a 200 200,1 a 300 300,1 a 400 400,1 a 486 Total 82 respondentes (100%) 4.3 Força motivacional para não participar Apesar de não haver hipóteses diretamente relacionadas às variáveis do modelo multiplicativo para a força motivacional para não participar, os resultados das instrumentalidades, das expectâncias e das forças para não participar estão apresentados nas tabelas a seguir. Os resultados das forças motivacionais para não participar são usados para o cálculo da força resultante de cada docente. A força resultante é utilizada na hipótese 1b e na 73 hipótese 2. Vale ressaltar que as valências que compõem o modelo da força para não participar são as mesmas que compõem o modelo da força para participar. A escala de instrumentalidades de não participação variou de 0 (impossível de acontecer) passando por 3 (nem improvável nem provável) até 6 (certamente acontece). Como se observa na TABELA 6, apesar das recompensas com percentuais de escores acima de 3 (Recompensas: 1, 2, 3, 4, 7, 8, 9, 10, 12, 13, 14, 16, 18, 20, 25, 26, 27) serem em maior número (17), elas não apresentam valores muito mais altos do que os seus respectivos percentuais de iguais a 3 e menores que 3. 74 TABELA 6: Modas e percentagens das avaliações de instrumentalidades de não participação Recompensas Instrumentalidades n-part. Moda a (>3) % (=3) % (<3) % 1. Oportunidade de beneficiar a sociedade. 4 41,5 24,4 34,1 2. Oportunidade de promoção e desenvolvimento profissional. 3 41,5 30,5 28,0 3. Sentimentos fortes de satisfação com o emprego. 3 46,3 35,4 18,3 4. Oportunidade de aprender coisas novas. 4 50,0 20,7 29,3 5. Oportunidade de vender serviços (prestar serviços externos). 3 32,9 42,7 24,4 6. Oportunidade de exercer liderança. 3 32,9 42,7 24,4 7. Variedade nas obrigações do trabalho. 3 41,5 35,4 23,2 8. Participação em um time de trabalho. 3 39,0 31,7 29,3 9. Reconhecimento especial por parte dos alunos. 3 40,2 34,1 25,6 10. Maior oportunidade de crescimento como pessoa. 3 40,2 35,4 24,4 11. Maior segurança no emprego (estabilidade). 3 23,2 51,2 25,6 12. Oportunidade de sentir que faz algo importante. 4 53,7 24,4 22,0 13. Utilização e desenvolvimento de novas habilidades. 4 42,7 22,0 35,4 14. Oportunidade de contribuir para decisões importantes. 3 37,8 26,8 35,4 15. Consumo do tempo de atividades importantes devido ao não engajamento no programa. 3 17,1 37,8 45,1 16. Maiores sentimentos de amizade com os colegas de trabalho. 3 39,0 36,6 24,4 17. Reconhecimento da administração pelas contribuições do servidor à organização. 3 26,8 36,6 36,6 18. Oportunidade de melhorar a capacitação profissional. 3 43,9 24,4 31,7 19. Reconhecimento especial por parte dos colegas de trabalho. 3 31,7 42,7 25,6 20. Oportunidade de melhorar o desempenho individual no trabalho. 3 42,7 31,7 25,6 21. Melhor comunicação entre os servidores e a administração. 3 25,6 47,6 26,8 22. Maior competitividade do CEFET diante da concorrência. 3 30,5 35,4 34,1 3 23,2 37,8 39,0 3 17,1 32,9 50,0 3 37,8 31,7 30,5 3 48,8 31,7 19,5 3 46,3 26,8 26,8 23. Oportunidade de trabalhar de maneira mais próxima à administração. 24. Descontrole da programação diária do trabalho devido ao não engajamento no programa. 25. Possibilidade de aumentar a qualidade de vida pessoal e a qualidade de vida no trabalho. 26. Sentimentos fortes de auto-respeito (eu me respeito como profissional). 27. Sentimentos fortes de orgulho e auto-estima (sua percepção à respeito do seu próprio valor). a Algumas destas recompensas possuem mais de uma moda. O menor valor é mostrado 75 A TABELA 7 mostra os resultados obtidos com respeito às freqüências, percentagens e moda das avaliações de expectância de não participação. Como se observa, o valor modal da expectância de não participação é 1,0. Quanto às percentagens, a maioria dos respondentes (85,4%) avaliou a expectância de não participação com escores superiores ou iguais a 0,5 (APÊNDICE E). TABELA 7: Frequências, percentagens e moda das avaliações da expectância de não participação Exp. 0,0 0,1 Freq. 6 0 Perc. 7,3 0,0 Moda 1,0 Exp. > 0,5 (85,4%) 0,2 2 2,4 0,3 3 3,7 0,4 1 1,2 0,5 12 14,6 0,6 2 2,4 0,7 8 9,8 0,8 11 13,4 0,9 6 7,3 1,0 Total 31 82 37,9 100 Média = 0,73 (s.d.=0,31) A TABELA 8 mostra os resultados obtidos com respeito às percentagens da força motivacional para não participar. Os valores mínimos e máximos possíveis de serem obtidos pelos produtos das valências, instrumentalidades de não participação e expectâncias de não participação são –486 e +486 respectivamente. Como se observa, a maioria dos docentes (84,2%) apresentou valores entre 0,1 e 200 da força motivacional para não participar do programa. Apenas nove docentes (10,9%) obtiveram valores negativos ou nulos da força motivacional para não participar (APÊNDICE F). TABELA 8: Resultados da força motivacional para não participar do programa da qualidade Força Freq. -486 a -100,1 -100 a -0,1 0,0 0,1 a 100 100,1 a 200 200,1 a 300 300,1 a 400 400,1 a 486 0 1 8 39 30 4 0 0 Perc. 0% 1,2% 9,7% 47,6% 36,6% 4,9% 0% 0% Total 8 82 respondentes (100%) 76 4.4 Exatidão das predições da teoria da expectância A Hipótese 1b diz que o modelo da expectância empregado seria capaz de predizer quais os docentes que escolheriam ser voluntários e os que escolheriam não ser voluntários. Ou seja, os voluntários apresentariam resultados positivos da força motivacional resultante, enquanto os não voluntários apresentariam resultados negativos. É importante lembrar que a força motivacional resultante é igual a força para participar menos a força para não participar. Para testar estas predições, o valor da força motivacional resultante de cada professor foi observado. Aqueles que apresentaram força resultante positiva foram rotulados de participantes, por outro lado, os que apresentaram força resultante negativa foram rotulados de não participantes, obtendo-se assim, as predições para os docentes. A TABELA 9 repete o número de participantes e voluntários, conforme declarado pelos próprios docentes no questionário, e traz as predições com base na força motivacional resultante na última coluna. TABELA 9 : Nº de participantes, voluntários e as predições com base na força motivacional resultante Participantes 62 (43%) Voluntários 63 (76,8%) Não Participantes 82 (57%) Não Voluntário 19 (23,2%) Total 144 (100%) Total 82 (100%) 44 (54,3%) 37 (45,7%) Total 81a (100%) Predição de Voluntários Predic. Não Voluntários a A diferença no número de voluntários é devido ao fato de que quando a força para participar é igual a força para não participar, nenhuma predição pode ser feita. Por último, estas predições foram comparadas com as declarações dos docentes no questionário quanto ao estado atual: voluntário ou não voluntário. A TABELA 10 mostra os resultados da tabulação cruzada feita pelo SPSS. Esta ferramenta disponível no “software” estatístico permite a comparação individual entre a predição, baseada na força resultante, e a declaração do docente quanto ao seu estado atual. 77 Pode ser observado na TABELA 10 que a Hipótese 1b foi parcialmente aceita. O modelo fez predições corretas em 59,4% dos casos, produzindo um coeficiente phi de 0,225. Contudo, fica claro que o modelo mostrou exatidão apenas em suas predições com respeito aos docentes que seriam voluntários (86,4%) mas não com respeito aos que não seriam voluntários (32,4%). Como mostrado na segunda linha das predições da tabela 10, 37 não voluntários eram esperados (força resultante negativa), mas apenas 12 dentre estes afirmaram ser não voluntários (estado atual). Quanto às predições para ser voluntário, primeira linha da tabela, 44 voluntários eram esperados (força resultante positiva), sendo que 38 disseram ser voluntários (estado atual). TABELA 10: Exatidão do modelo para predizer o comportamento dos docentes quanto ao PQT Estado Atual Voluntários Predições Total Percent. de Acertos Voluntários 38 6 44 86,4% Não Voluntário 25 12 37 32,4% 63 18 81 Total X2 = 17,95 p< 0,01 Não Voluntários 59,4% med. Phi = 225 Sig. Aprox. 0,043 4.5 Probabilidade de participação com base na força motivacional resultante A Hipótese 2 diz que os voluntários e não voluntários irão diferir significativamente com respeito as suas forças motivacionais para participar do programa da qualidade, de modo que os voluntários irão registrar valores mais altos da força motivacional resultante do que os não 78 voluntários. Os resultados da regressão logística são apresentados na TABELA 11 e dão apoio a esta hipótese. O estado atual (voluntário; não voluntário) compôs a variável dependente e a força resultante, a variável independente. O coeficiente de correlação apresentado é estatisticamente significante e positivo. Como levantado na Hipótese 2, valores mais altos da força motivacional resultante aumentaram a probabilidade do indivíduo ser voluntário, sugerindo que os voluntários avaliam a participação no programa da qualidade de maneira mais favorável do que os não voluntários (em relação ao status quo alternativo). Este resultado é consistente com a perspectiva da teoria da expectância de que as pessoas irão escolher a alternativa (tornar-se voluntário ou não voluntário) de acordo com suas percepções individuais do valor associado com as várias recompensas. O APÊNDICE G traz os dados da regressão logística, no formato apresentado pelo SPSS. TABELA 11: Regressão logística para a probabilidade de ser voluntário para o programa da qualidade Variável Coeficiente S.E. Wald Sig. R Exp (B) ,0097 ,0041 5,5622 ,0184 ,2003 1,0097 Força Motivacional Resultante Bondade de Ajustamento X2 79,440 -2 Log Likelihood 81,810 Percentagem de Acertos 78,05% No capítulo seguinte, são apresentadas as discussões com respeito aos resultados encontrados e as conclusões desta investigação. 79 5 Discussões e Conclusões Antes do início das discussões, é apresentada uma síntese das descobertas deste estudo com base nas questões de pesquisa apresentadas no capítulo 1. O presente estudo foi realizado na busca de evidências que pudessem levar ao desenvolvimento do modelo da expectância através do exame da motivação de uma categoria profissional específica, professores de uma escola pública de ensino tecnológico. Para tanto, abordou a motivação dos docentes para participarem de um programa de envolvimento de pessoas, programa da qualidade, em um ambiente cultural diferente dos anteriormente pesquisados, o Brasil. Duas questões principais compuseram as bases desta investigação. 1) Até que ponto a teoria da expectância no modelo multiplicativo “valência x instrumentalidade x expectância” de Victor H. Vroom se aplica na compreensão do fenômeno motivacional para participar de um programa da qualidade total no ambiente cultural brasileiro? Especificamente no caso do CEFET-PB? 2) À luz da teoria da expectância, até que ponto os professores que se definem como voluntários ao PQT do CEFET-PB são mais motivados do que aqueles que se definem como não voluntários? Para responder estas questões, inicialmente foi levantada a variável dependente, esta se refere ao estado atual (voluntário ou não voluntário) para o programa. Em segundo lugar, foram 80 levantadas as frequências dos escores com os quais os respondentes avaliaram as variáveis independentes, valências, instrumentalidades e expectância. Estas frequências são analisadas para verificar o impacto de cada uma sobre a força motivacional para participar. Em terceiro lugar, foi montada uma tabulação cruzada entre as freqüências observadas (variável dependente) e as freqüências esperadas a partir da força motivacional resultante (resultado do modelamento das variáveis independentes), assim, pôde-se observar o grau de acerto das predições do modelo da expectância. Finalmente, foi realizada a regressão logística para verificar a probabilidade do comportamento com base nos valores da força motivacional resultante. As descobertas, em geral, mostram que: 1) A teoria da expectância no modelo multiplicativo “valência x instrumentalidade x expectância” é aplicável, com restrições, na compreensão do fenômeno motivacional para participar de um programa da qualidade total no ambiente cultural brasileiro, mais especificamente no CEFET-PB. 2) Os professores que se definem como voluntários ao programa da qualidade do CEFET-PB, à luz da teoria da expectância, são mais motivados do que aqueles que se definem como não voluntários. Cada uma destas descobertas será discutida na seção seguinte, na seqüência em que as hipóteses foram formuladas. 5.1 O modelo multiplicativo de Vroom As subhipóteses A, B e C foram construídas a partir das evidências observadas no contexto do CEFET-PB. Desta forma, buscou-se responder as questões de pesquisa de forma que estas subhipóteses venham compor a Hipótese 1a. 81 5.1.1 Valências Consistente com as evidências encontradas na literatura sobre a teoria da expectância, com respeito às valências (Parker & Dyer, 1976), as recompensas foram positivamente valorizadas pelos docentes. Estes autores esclarecem que, dentre outras coisas, um teste adequado da teoria da expectância depende da habilidade dos pesquisadores em incluir nos estudos recompensas (TABELA 2-CAP.4) que sejam relevantes para as pessoas. Apesar dos cuidados tomados para garantir a relevância das recompensas, através dos painéis iniciais, as recompensas 6 e 23 receberam o escore 0 (não faz diferença) por parte da maioria dos respondentes (TABELA 2-CAP.4). Contudo, observa-se que estas percentagens do valor 0 não estão muito acima das percentagens de escores positivos para estas mesmas recompensas. As recompensas 6 e 23 foram, respectivamente: Oportunidade de exercer liderança e Oportunidade de trabalhar de maneira mais próxima à administração. Estes resultados estão de acordo com Jurkiewicz, Massey Jr. & Brown (1998). Eles observaram que dentre as recompensas desejáveis pelos servidores públicos (não supervisores), oportunidade de exercer liderança não estava entre as mais valorizadas. A recompensa, trabalhar mais próximo à administração, está ligada a prestígio e status dentro da organização. Estes autores também encontraram que prestígio e status são muito pouco valorizados pelos servidores públicos. Considerando que o estudo citado foi realizado nos Estados Unidos, isto levanta evidências de que as diferenças culturais têm pouca interferência no que se refere ao desejo por estas duas recompensas. Portanto, há indícios de ser uma característica do servidor público. Quanto às recompensas 15 e 24, de caráter negativo, pode-se considerar como avaliadas positivamente, ou corretamente, tendo em vista que uma avaliação negativa (indesejável) de uma recompensa ruim é algo positivo, portanto, estas recompensas não contribuem para 82 invalidar a subhipótese. Vale lembrar que a reversão não foi possível devido a influência do sinal no modelo multiplicativo. 5.1.2 Instrumentalidades A Subhipótese sobre instrumentalidade que discorria que os docentes apresentariam escores baixos desta variável, não foi validada pelos dados. Os docentes não apresentaram escores baixos de instrumentalidade como se pensava inicialmente, a maioria avaliou as instrumentalidades acima do ponto médio (3). As exceções ficam para as recompensas 24, de caráter negativo, recebendo avaliações menores que 3 e para a recompensa 6 que obteve proporções iguais entre os valores maiores que 3 e iguais a 3 (TABELA 3). Na recompensa 23, apesar dos escores maiores que 3 serem maioria, a diferença não é significante em relação à recompensa 6. Como ocorreu nas valências, observa-se novamente um comportamento semelhante para estas duas recompensas. Contudo, os escores não são baixos, ou seja, a maioria dos docentes avaliou estas duas recompensas com escores de instrumentalidade a partir do ponto médio (3). Ou seja, apesar de serem recompensas indiferentes para a maioria (valências), eles percebem que o envolvimento pode trazer estas recompensas (instrumentalidades). Com relação às baixas avaliações para a recompensa 24, este resultado vem contribuir, juntamente com as outras recompensas, para invalidar a subhipótese. Tendo em vista que percepções de uma baixa probabilidade de obtenção de uma recompensa ruim resulta em algo positivo ou bom. Desta forma, a única recompensa que contribui para validar a subhipótese é a de número 15, ela foi avaliada positivamente pelos docentes, contudo, possui caráter negativo. 83 Uma possível razão para os resultados não esperados pode ter como base as sugestões de Wahba & House apud Parker & Dyer (1976) de que recompensas intrínsecas podem ter maior poder motivacional que recompensas extrínsecas. Isto pode acontecer principalmente porque as percepções de instrumentalidade associadas às recompensas que são auto-administradas tendem a uma avaliação alta de instrumentalidade. As 27 recompensas avaliadas foram baseadas nos trabalhos de Allen, Lucero e Van Norman (1997) e Jurkiewicz, Massey Jr. & Brown (1998), sendo que 4 delas foram relatadas pelos docentes; destas, 17 eram intrínsecas, 8 extrínsecas e 2 negativas. Assim, apesar das circunstâncias enfrentadas pelos docentes no contexto atual do CEFET-PB, eles conseguem perceber que há um nível de probabilidade que estas recompensas venham acontecer como consequência do engajamento no programa. Os resultados do estudo de Crewson (1997), sobre motivação no serviço público, sugerem que apesar de não haver diferença significativa entre os setores público e privado quanto a importância dada a um bom salário, trabalhadores de empresas públicas avaliam as recompensas intrínsecas como sendo de maior importância do que as recompensas extrínsecas. Este autor ainda comenta que estes resultados são consistentes com as expectativas de que, as diferenças entre missões, entre elementos de controle e entre a auto-seleção de um empregado nos setores público e privado, levam os servidores públicos a valorizarem mais a ajuda aos outros e o ser útil à sociedade do que aqueles que estão nos outros setores. Há indícios que este sentimento seja ainda mais forte quando estes servidores públicos são professores, educadores de instituições públicas de ensino, das quais se espera a descoberta, o desenvolvimento e a disseminação do conhecimento científico. 84 5.1.3 Expectância A Subhipótese que dizia que os professores apresentariam escores altos com respeito à expectância de participação também foi refutada. Na prática, a maioria dos docentes fez avaliações da expectância com valores de probabilidade menores ou iguais a 0,5. Uma possível razão para estes resultados seria a falta ou pouca informação a respeito do que seria um desempenho satisfatório (engajamento) (Nadler & Lawler III, 1991). No plano de implantação, estavam previstas palestras de treinamento para os servidores, contudo, as palestras foram realizadas em sua maioria para os servidores de setores específicos, onde o grupo de promoção da qualidade prestou assessoria durante a implantação; em média, 16 horas de treinamento. Entretanto, os docentes destes setores não ultrapassavam 15% do total de docentes da instituição. Os professores das outras áreas (85%) que foram estimulados a implantar as técnicas da qualidade receberam em média 4 horas de palestras sobre o programa da qualidade. Hackman & Wageman (1995) citam pesquisas realizadas nos Estados Unidos sobre as práticas de gestão da qualidade total em organizações americanas. Nestas organizações, normalmente, 80% dos supervisores de primeira linha e 50% dos empregados sem cargo de gerência haviam recebido em média 8 horas de treinamento sobre as práticas da qualidade. Salanova, Hontangas e Peiró (1996) também esclarecem que a “expectância de eficácia pessoal” (autoeficácia) é uma componente da expectância do modelo cognitivo. Esta expectância pode ser definida como a probabilidade subjetiva percebida por uma pessoa de poder, ou ter a capacidade de, realizar com êxito uma tarefa requerida. Portanto, as poucas horas de treinamento podem ter agido no sentido de baixar as avaliações de expectância por parte dos docentes. Uma outra explicação para os resultados de expectância pode estar nos esclarecimentos de George & Brief (1996) quanto às limitações do modelo cognitivo. Na visão deste autor, os sentimentos e as emoções das pessoas irão afetar os julgamentos de expectância. Dentre estes 85 sentimentos estão o humor ou a disposição das pessoas e as lembranças de experiências passadas. Como se sabe, os servidores públicos vêm passando por sérias dificuldades; desde o ano de 1994 não recebem reajuste salarial. Mais especificamente na área da educação pública federal, as restrições orçamentárias e legais têm gerado dificuldades para contratação de novos docentes que substituiriam aqueles que se aposentam, ou que deixam as instituições por algum outro motivo. Isto tem gerado uma sobrecarga para os que ficam. Até mesmo o exercício da docência tem sido sacrificado; a carência de recursos para financiar a capacitação e a formação dos docente tem gerado sentimentos de impotência diante dos desafios que estes profissionais enfrentam como educadores e pesquisadores. 5.1.4 A força para participar A Hipótese 1a era composta pelas subhipóteses anteriores e dependia diretamente delas uma vez que o modelo é composto pela multiplicação de valências, instrumentalidades e expectância. Esta hipótese afirmava que em função do modelo multiplicativo, a força motivacional para participar do programa da qualidade apresentaria baixos resultados. Isto, devido a presença de uma variável com escores também baixos (instrumentalidade) dentre as três variáveis que compunham o modelo. Como se observou, os resultados forneceram uma validação parcial à hipótese. Os resultados das forças dos docentes foram realmente baixos, entretanto, isto ocorreu devido a escores de expectância abaixo do esperado, não devido a escores baixos de instrumentalidade. 86 5.2 A exatidão das predições A Hipótese 1b, que testou a exatidão das predições feitas com base na força motivacional resultante (força para participar menos a força para não participar) foi parcialmente aceita (TABELA 10). O modelo mostrou exatidão apenas em suas predições com respeito aos docentes que seriam voluntários (86,4% de acertos) mas não com respeito aos que não seriam (32,4% de acertos). Dimensões distintas podem estar influenciando para esta diferença nas predições, principalmente dos não voluntários. Estas dimensões podem estar relacionadas às próprias declarações dos docentes quanto ao estado atual (voluntários ou não) ou relacionadas às variáveis do modelo multiplicativo (variáveis independentes). A dimensão cultural pode estar influenciando nas declarações dos docentes quanto ao estado atual da participação. Esta dimensão cultural estaria embutida no temor dos docentes em afirmar no questionário que não estariam dispostos a serem voluntários. Segundo sugere Motta (1997) o empregado brasileiro traz consigo fortes traços da cultura do Brasil-colônia. A ditadura militar no país também pode ter deixado o temor como um resquício cultural. Assim, a replicação deste estudo em outras culturas além da norte americana e da brasileira é determinante para se conhecer a influência desta dimensão nas predições do modelo. Quanto às dimensões do próprio modelo multiplicativo, vale a pena destacar q ue as diferenças nas predições podem estar relacionadas aos valores da força motivacional resultante. Diversos fatores podem estar influenciando os resultados desta força. Além disto, estes fatores podem ter relação tanto com a força para participar como com a força para não participar. Os fatores que envolvem a força para participar foram discutidos nas seções anteriores, uma vez que foram levantadas hipóteses quanto às variáveis que envolveram esta força. Apesar deste trabalho não ter levantado hipóteses, de forma direta, com respeito às variáveis que 87 compuseram a força para não participar, torna-se relevante o esclarecimento de alguns resultados. Como se observa na TABELA 6 as modas apresentaram valores entre 3 e 4, com maior incidência do valor 3 para as instrumentalidades de não participação. Se comparadas às modas das instrumentalidades de participação (TABELA 3), observa-se que aqueles valores modais foram maiores, com maior incidência do valor 4. As percentagens também refletem uma instrumentalidade de não participação mais baixa se comparadas às percentagens das instrumentalidades de participação, ou seja, os valores não foram muito mais altos do que os seus respectivos percentuais de iguais a 3 e menores que 3. Apesar dos resultados demonstrarem instrumentalidades de não participação um pouco mais baixas, quando comparadas às de participação, a maioria dos docentes (84,2%) obteve força motivacional para não participar com valores entre 0,1 e 200 (TABELA 8). Quando se compara estes valores da força motivacional para não participar com os valores da força motivacional para participar (TABELA 5), observa-se uma proximidade muito grande das duas forças, uma vez que a maioria dos docentes (83%) obteve força para participar com valores entre 0,1 e 200. Observando o modelo multiplicativo, isto ocorreu devido a valores mais altos da expectância de não participação (TABELA 7) em relação a expectância de participação (TABELA 4). Esta proximidade nos valores das forças não gerou, necessariamente, forças resultantes com valores baixos. Isto porque os percentuais apresentados referem-se à amostra como um todo, contudo, o cálculo da força resultante é feito através da diferença entre as forças de participação e de não participação de cada indivíduo “within-subject”. A força motivacional resultante, as predições com respeito a estas forças e o estado atual de cada docente são apresentados no APÊNDICE F. 88 Como explicado no capítulo anterior, as valências que compõem a força para não participar são as mesmas utilizadas para o cálculo da força para participar. Portanto, a força para não participar obteve valores próximos aos da força para participar devido a valores mais altos de expectância e a valores um pouco mais baixos de instrumentalidade quando comparados aos valores da força para participar. A instrumentalidade um pouco mais baixa, quando comparada à de participação, não significou uma instrumentalidade baixa, as modas entre três e quatro demostraram que os valores estão em patamares médios. Portanto, as discussões feitas na seção 5.1.2 sobre instrumentalidade de participação também são válidas para as de não participação. Quanto à expectância, a forma como a pergunta foi elaborada para compor o instrumento pode ter influenciado para uma expectância de não participação mais alta do que a de participação. Como explicado na metodologia do trabalho, os docentes teriam que avaliar a probabilidade de se sentirem pressionados pelos superiores a participar. Estas avaliações de probabilidade foram então invertidas para expressar as expectâncias de não participação. Uma probabilidade igual a zero, de ser pressionado, passou a ser uma probabilidade igual a um e representava a percepção do indivíduo poder manter o status quo sem a interferência do superior (Allen, Lucero & Van Norman, 1997). Apesar desta inversão ser correta, a pergunta, como apresentada no instrumento, pode ter induzido avaliações baixas da probabilidade de ser pressionado pelo superior (APÊNDICE B-PARTE II-Quest.4). Isto pode ser explicado pelo grau de autonomia que os professores têm em suas atividades, principalmente quanto à didática a ser utilizada em sala de aula. As questões abordadas no parágrafo anterior trazem à tona as influências culturais, em especial, sobre o sistema educacional. Ramos (1992) esclarece que o sistema educacional brasileiro traz consigo marcas da cultura ibero-latina, conseguidas através de práticas educacionais iniciadas pelos religiosos que acompanhavam os colonizadores. Portanto, uma 89 provável explicação para as diferenças nas predições também pode estar nas diferenças culturais entre Brasil e Estados Unidos. Nadler e Lawler III (1991) comentam que nos EUA vários cientistas têm mostrado a validade da teoria da expectância na compreensão da motivação humana. Desta forma, faz-se necessário a replicação deste trabalho em outras culturas. 5.3 A probabilidade de ser voluntário com base na força resultante A Hipótese 2, que afirmava que os voluntários registram valores mais altos da força motivacional resultante do que os não voluntários, foi validada pelos dados, como já mostrado anteriormente (TABELA 11). Isto significou que valores mais altos da força motivacional resultante aumentaram a probabilidade do docente ser voluntário, sugerindo que os voluntários avaliam a participação no programa da qualidade de maneira mais favorável do que os não voluntários (em relação ao status quo alternativo). Este resultado é consistente com a perspectiva da teoria da expectância de que as pessoas escolhem a alternativa (voluntário ou não voluntário) de acordo com suas percepções individuais do valor associado às várias recompensas (Miller & Pritchard, 1992). Allen, Lucero e Van Norman (1997) também encontraram resultados semelhantes. Apesar disso, os resultados mostram apenas um aumento na probabilidade do indivíduo ser voluntário, ou seja, o modelo continua não garantindo uma boa exatidão para predições de não voluntário (Regressão logística - APÊNDICE G). Como já discutido anteriormente, outras variáveis como traços de personalidade, sentimentos, emoções, ou aspectos culturais podem estar atuando sobre as variáveis do modelo 90 da expectância, interferindo nas predições. Hampden-Turner & Trompenaars (1993), a partir de uma perspectiva da avaliação de desempenho, consideram a abordagem “behaviorista”, sobre a qual está a prática de recompensa-por-desempenho, como um fenômeno característico da cultura norte americana e que não é aceita, ou compartilhada, por muitas outras culturas. Culturas latinas, por exemplo, tendem a possuir um foco muito menor sobre a quantificação, assim como, menos confiança de que um bom desempenho possa ser trocado por recompensas numa avaliação de desempenho. Finalmente, um outro fator que pode estar contribuindo para a diferença nas predições, especialmente dos não voluntários, seja o comprometimento dos docentes para com a organização. Crewson (1997) esclarece que indivíduos com alto comprometimento, provavelmente são mais participativos na organização, mesmo que estejam insatisfeitos com o salário ou com os superiores. 5.4 Limitações do estudo Apesar do estudo ter importantes contribuições, ele também possui limitações. As principais limitações são comentadas nesta seção. Não obstante o modelo de pesquisa empregado (“cross-sectional”) fornecer dados que possibilitam importantes interpretações da realidade, um modelo de pesquisa longitudinal seria capaz de fornecer dados ainda mais ricos. Poderia inclusive, ser capaz de abordar influências diversas sobre o objeto de estudo. Uma delas seria o efeito da exposição dos docentes aos resultados do programa, 4 anos após sua implantação. Outra influência seria o efeito das mudanças de estrutura que a organização sofreu ao passar de Escola Técnica para CEFET. 91 O fato dos docentes identificados como participantes terem sido retirados da análise trouxe limitações metodológicas, uma vez que o tamanho da amostra foi reduzido de 144 para 82 sujeitos. Esta medida foi tomada para manter a continuidade com relação à literatura anterior que usou a mesma categorização dos sujeitos (Allen, Lucero & Van Norman, 1997; Allen & Van Norman, 1996; Leanna et al., 1992; Verma, 1989). A amostra composta apenas de docentes também reduz o poder de generalização do estudo, devido ao fato da categoria profissional escolhida possuir características bastante peculiares. O tamanho do questionário foi outra limitação da pesquisa. Cada docente respondeu três listas, totalizando 81 questões. Estas listas diziam respeito às avaliações de valências, instrumentalidades de participação e instrumentalidades de não participação para cada uma das 27 recompensas. Além destas, as outras partes do questionário somaram mais 12 questões perfazendo um total de 93 questões. Portanto, o tamanho do questionário pode ter influenciado nas avaliações da última lista de recompensas de alguns respondentes em consequência da fadiga. Por fim, devido à recodificação das escalas das variáveis instrumentalidade de participação e instrumentalidade de não participação, conforme explicado no capítulo 3, restrições eram esperadas em termos de comparações com os trabalhos de Allen, Lucero & Van Norman, (1997) e Parker & Dyer (1976). Mitchell (1974) explica que o uso de escalas de instrumentalidades somente positivas, pode influenciar nos resultados devido as possíveis inversões de sinais do modelo multiplicativo. Com o intuito de esclarecer até que ponto estas restrições afetaram este estudo, os resultados obtidos com a utilização da escala original utilizada no questionário são apresentados no APÊNDICE H. 92 5.5 Implicações práticas A teoria da expectância pode ajudar no planejamento de um clima motivacional capaz de estimular comportamentos que sejam desejáveis na organização. Para isto, pode-se desenvolver a comunicação no sentido de que as pessoas expressem quais as recompensas que elas valorizam. Da mesma forma, pode-se procurar conhecer se os indivíduos acreditam que seus esforços resultarão num desempenho bem sucedido e conhecer o quão próximo eles acreditam estar do recebimento de suas recompensas desejadas. Desta forma, os administradores de instituições públicas poderão discutir e desenvolver recompensas que ultrapassem as restrições orçamentárias e legais encontradas na administração pública. Como também, esclarecer os servidores quanto ao porquê de certas recompensas desejáveis não estarem disponíveis ou explicar a eles o porquê de certos esforços serem restritivos ao desempenho (Crewson, 1997; Nadler & Lawler, 1991). É importante ressaltar que cada tipo de trabalho deve requerer uma descrição diferente da tarefa, diferentes comportamentos e portanto, diferentes sistemas de recompensas. Desta forma, estudos mostram que quando as pessoas de uma organização são consideradas como um grupo que possui comportamentos iguais, isto pode levar a uma redução na eficácia do programa motivacional e na habilidade para medir seus impactos (Mitchell, 1982). O modelo da expectância também é uma ferramenta útil para ajudar os gerentes a pensarem no processo mental através do qual ocorre a motivação. Nesse modelo, os indivíduos não agem somente por causa dos seus fortes impulsos interiores, das necessidades não atendidas ou devido à aplicação de recompensas ou punições. Em lugar disso, as pessoas devem ser vistas como indivíduos pensantes cujas crenças, percepções e estimativas de probabilidades influenciam fortemente seus comportamentos (Churchill & Pecotich, 1981; Mitchell, 1982). 93 Não há um princípio universal que explique as motivações de todas as pessoas e que assegure a compreensão das necessidades delas. Além do que, não se pode garantir que as pessoas estejam percebendo o bom desempenho como necessariamente levando à satisfação das necessidades. Assim sendo, pode-se fazer o seguinte questionamento: em que condições as recompensas realmente motivarão as pessoas? Com base na teoria da expectância, para que as recompensas sejam úteis, elas precisam ser vistas como oportunas e associadas ao desempenho eficaz. Portanto, o modelo de Vroom sugere que as seguintes condições estejam presentes para a motivação das pessoas no ambiente de trabalho: 1. As pessoas precisam acreditar que o desempenho eficaz (ou um comportamento específico) resultará no recebimento de uma recompensa. Esta recompensa pode ser extrínseca, concedida pela empresa (bonificação, promoção ou reconhecimento por parte dos colegas e superiores) ou intrínseca, resultante da própria execução da tarefa (oportunidade de aprender coisas novas ou oportunidade de trabalhar de maneira mais próxima à administração, dando uma sensação de poder). Esta crença ou percepção nada mais é do que a instrumentalidade da teoria da expectância. Com relação à participação no PQT, os percentuais das instrumentalidades, para cada recompensa, são apresentados na TABELA 3 – Cap. 4. 2. As pessoas precisam possuir desejo pelas recompensas oferecidas. Alguns podem desejar promoções porque buscam poder, mas outros podem desejar outra forma de benefício como uma maior participação nos processos decisórios da empresa, elevando sua auto estima. O valor que as pessoas dão a cada recompensa tem como base os seus objetivos individuais e é exatamente a valência tratada no modelo da expectância. Com respeito à participação no PQT, os percentuais das valências, para cada recompensa, são apresentados na TABELA 2 – Cap. 4. 3. As pessoas precisam acreditar que um determinado nível de esforço individual fará com que elas alcancem os padrões de desempenho considerados eficazes pela empresa. Esta percepção de que o esforço leve ao desempenho é a expectância do modelo de Vroom. Com relação à participação no PQT, os percentuais da expectância são apresentados na TABELA 4 – Cap. 4. 94 Em resumo, a operacionalização do modelo da expectância depende da compreensão correta dos objetivos pessoais, da ligação entre esforço e desempenho, entre desempenho e recompensas e por último, entre as recompensas e a satisfação dos objetivos individuais. 5.6 Sugestões para futuros trabalhos Em primeiro lugar, é importante que os trabalhos que abordam programas participativos sigam o modelo de pesquisa longitudinal. Assim, será possível fazer comparações do antes versus o pós programa. No caso de pesquisas “cross sectional”, especialmente nos casos em que o programa está em andamento, comparações entre os participantes e os não participantes serão úteis na compreensão dos efeitos gerados pelo programa sobre estas duas categorias de indivíduos (Allen, Lucero & Van Norman, 1997). Quanto ao desenvolvimento teórico do modelo da expectância, George & Brief (1996) alertam que uma compreensão mais rica da motivação para o trabalho deve considerar os sentimentos, suas origens nas interações pessoa-contexto e a combinação dos sentimentos com os pensamentos para determinar a direção e o nível da motivação. Na visão deste autor, seria importante o estabelecimento de uma conecção entre as teorias afetivas (de conteúdo) e as cognitivas (de processo). Nadler e Lawler (1991) também sugerem que nem o indivíduo nem o ambiente sozinhos determinam o comportamento. As pessoas vêm para as organizações com certa “bagagem psicológica”. Da mesma forma, o ambiente de trabalho provê estruturas (sistemas de avaliação 95 de desempenho) que influenciam o comportamento das pessoas. Portanto, como salientam Allen, Lucero & Van Norman (1997) medidas de personalidade e atitudes sociopsicológicas devem ser incluídas. Variáveis como, necessidade de crescimento, auto estima e apoio dos familiares, apesar de fazerem parte de modelos afetivos (de conteúdo), podem ser utilizadas nos testes das predições do modelo da expectância. Desta forma, pode ser verificado se a inclusão destas variáveis nas correlações promove uma melhor exatidão no modelo. A inclusão de outras variáveis, como locus de controle, também pode ser útil na compreensão das diferenças nas predições feitas com base na teoria da expectância. Devido às restrições orçamentárias e legais para a recompensa aumento de salário, esta foi considerada como não estando associada à participação no PQT e retirada da lista para as avaliações das valências e instrumentalidades, como orienta Mitchell (1974). Contudo, é importante que trabalhos futuros avaliem o impacto desta recompensa sobre a força motivacional resultante. De acordo com Beer e Walton (1997), praticamente todos os estudos sobre a importância da remuneração comparada a outras possíveis recompensas mostram que ela é importante. Normalmente aparece entre as cinco principais recompensas. A cultura nacional é um outro fator importante a ser pesquisado quando se trata de recompensas financeiras. Há evidências de que os trabalhadores norte-americanos dão mais ênfase à remuneração com base no desempenho individual do que seus colegas europeus ou japoneses. As empresas japonesas, por exemplo, se baseiam mais em certos graus de estabilidade no emprego. Finalmente, Porter apud Crewson (1997) sugere que o comprometimento organizacional é um melhor preditor de comportamento das pessoas no trabalho do que medidas como satisfação no trabalho. Para ele, apesar das pessoas possuírem expectativas de que receberão recompensas devido ao desempenho, a análise do comprometimento pode ser especialmente importante para organizações com recursos limitados para prover recompensas financeiras. 96 Rocha e Bastos (1999) também apresentam evidências da existência de relações entre os padrões de comprometimento dos empregados e a sua interpretação sobre a implementação de um programa de mudanças. Portanto, seria relevante que os estudos futuros também incluíssem medidas de comprometimento como uma forma de ampliar os testes das predições do modelo da expectância. Isto poderia explicar, tomando como exemplo este estudo, o grande número de docentes que afirmaram ser voluntários para o programa da qualidade apesar do clima motivacional não favorável, como apresentado no capítulo 1. Ao final deste estudo, pode-se concluir que ele foi capaz de revelar o quadro motivacional percebido pelos docentes do CEFET-PB para o envolvimento no programa da qualidade; também foi capaz de avaliar a aplicabilidade do modelo da expectância no ambiente cultural brasileiro, mais especificamente no ambiente do CEFET-PB; de identificar o potencial de professores voluntários para o programa da qualidade; de gerar conhecimento capaz de contribuir com a organização para enfrentar as resistências inerentes à implantação destes programas; de contribuir também para que as pessoas se sintam mais motivadas em seu trabalho e finalmente, capaz de ampliar as fronteiras do conhecimento na área do comportamento das pessoas no trabalho. Com base nos resultados da investigação, conclui-se que o CEFET-PB conta com o apoio de uma parcela significativa dos docentes. Em suma, o modelo da expectância foi capaz de predizer bem, o potencial de voluntários mas não foi muito efetivo na predição do número de não voluntários, o que sugere a existência de limitações transculturais para a generalização do modelo da expectância. 97 6 Referências Bibliográficas ALLEN, Robert E.; LUCERO, M. A. & VAN NORMAN, K. L. “An Examination of the Individual’s Decision to Participate in an Employee Involvement Program”. Group & Organization Management, V. 22 Nº 1, Mar. 1997, 117-143. ALLEN, Robert E., & VAN NORMAN, K. L. “Employee involvement programs: The noninvolvement of unions revisited.” Journal of Labor Research, 1996, V.17, 479-496. ARNOLD, Hugh J. “A Test of the Validity of the Multiplicative Hypotheses of ExpectancyValence Theories of Work Motivation”. Academy of Management Journal, 1981, Vol. 24 Nº 1, 128-141. BARBOSA, Eduardo F. et al. Gerência da Qualidade Total na Educação. UFMG - Belo Horizonte-MG, 1994. BASTOS, A.V.B. 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Na sua opinião, os resultados (ou recompensas) apresentados a seguir estão relacionados à participação no Programa da Qualidade Total do CEFET-PB? Marque o parêntese que exprime a sua opinião. 1. Oportunidade de beneficiar à sociedade. ( ) Está relacionado ( ) Não está relacionado 2. Oportunidade de aprender coisas novas. ( ) Está relacionado ( ) Não está relacionado 3. Oportunidade engajamento em atividades de lazer (ex. recreacional, cultural). ( ) Está relacionado ( ) Não está relacionado 4. Oportunidade de exercer liderança. ( ) Está relacionado ( ) Não está relacionado 5. Liberdade de supervisão. ( ) Está relacionado ( ) Não está relacionado 107 6. Liberdade de pressões de comportamento devido ao cargo, tanto no ambiente de trabalho como fora dele (ex: executivo, reitor, pastor, padre, professor, juiz, etc.). ( ) Está relacionado ( ) Não está relacionado 7. Alto prestígio e “status” social. ( ) Está relacionado ( ) Não está relacionado 8. Variedade nas obrigações do trabalho. ( ) Está relacionado ( ) Não está relacionado 9. Participação em um time de trabalho. ( ) Está relacionado ( ) Não está relacionado 10. Sentimentos fortes de auto-respeito. ( ) Está relacionado ( ) Não está relacionado 11. Sentimentos fortes de satisfação com o emprego. ( ) Está relacionado ( ) Não está relacionado 12. Sentimentos fortes de orgulho e auto-estima. ( ) Está relacionado ( ) Não está relacionado 13. Sentimentos fortes de que vale a pena realizar a tarefa. ( ) Está relacionado ( ) Não está relacionado 14. Maior oportunidade de crescimento como pessoa. ( ) Está relacionado ( ) Não está relacionado 15. Oportunidade de sentir que faz algo importante. ( ) Está relacionado ( ) Não está relacionado 16. Utilização e desenvolvimento de novas habilidades. ( ) Está relacionado ( ) Não está relacionado 17. Oportunidade de contribuir para decisões importantes. 108 ( ) Está relacionado ( ) Não está relacionado 18. Maiores sentimentos de amizade com os colegas de trabalho. ( ) Está relacionado ( ) Não está relacionado 19. Mais autoridade e responsabilidade. ( ) Está relacionado ( ) Não está relacionado 20. Maior qualidade do ambiente de trabalho. ( ) Está relacionado ( ) Não está relacionado 21. Melhor comunicação entre trabalhadores e gerência. ( ) Está relacionado ( ) Não está relacionado 22. Oportunidade de trabalhar de maneira mais próxima à gerência. ( ) Está relacionado ( ) Não está relacionado 23. Maior competitividade da organização. ( ) Está relacionado ( ) Não está relacionado 24. Maior segurança no emprego. ( ) Está relacionado ( ) Não está relacionado 25. Reconhecimento da gerência pelas contribuições do servidor à organização. ( ) Está relacionado ( ) Não está relacionado 26. Reconhecimento especial por parte dos colegas de trabalho. ( ) Está relacionado ( ) Não está relacionado 27. Aumento de salário ou bônus. ( ) Está relacionado ( ) Não está relacionado 28. Participação nos times do programa faz o dia passar mais rápido. ( ) Está relacionado ( ) Não está relacionado 29. Oportunidade de promoção e desenvolvimento. 109 ( ) Está relacionado ( ) Não está relacionado 30. Atividades do programa levam a uma diminuição da carga de trabalho. ( ) Está relacionado ( ) Não está relacionado 31. Desperdício de tempo. ( ) Está relacionado ( ) Não está relacionado 32. Consumo do tempo de outras atividades importantes. ( ) Está relacionado ( ) Não está relacionado 33. Relacionamento forçado com colegas de trabalho. ( ) Está relacionado ( ) Não está relacionado 34. O programa pode enfraquecer o sindicato ou associação dos servidores. ( ) Está relacionado ( ) Não está relacionado 35. Sensação de incomodar os não-participantes do programa. ( ) Está relacionado ( ) Não está relacionado 36. Quebra da rotina diária do trabalho pelas atividades do programa. ( ) Está relacionado ( ) Não está relacionado 110 APÊNDICE B Questionário Aplicado 111 UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS ADMINISTRATIVAS CURSO DE MESTRADO EM ADMINISTRAÇÃO ORIENTAÇÃO: Profra . Sônia Calado ALUNO: Helder Pontes Régis QUESTIONÁRIO DE PESQUISA Programas da qualidade são exemplos de atividades designadas para estimular o envolvimento das pessoas com os processos de tomada de decisão no ambiente de trabalho. Os programas da qualidade total têm sido implantados em diversas organizações em todo o mundo, mas apesar da popularidade destes processos de mudança, ainda há muito que aprender sobre a reação das pessoas à implantação destes tipos de programa nas organizações. Portanto, esta pesquisa trata da motivação dos servidores para participarem do Programa da Qualidade Total do CEFET-PB. Nosso estudo está sendo desenvolvido em cumprimento às exigências estabelecidas pelo Curso de Mestrado em Administração da UFPE e visa melhorar a compreensão com respeito à motivação dos servidores para se envolverem em um Programa da Qualidade. A PARTE I do questionário é composta por uma questão aberta e as partes seguintes, por questões fechadas. Durante o preenchimento do questionário, você irá notar que algumas questões estão redigidas de forma muito similar. Apesar de fazer o questionário parecer um pouco repetitivo, isto é de extrema importância para que possamos ter resultados significativos. Por favor, leia as instruções que antecedem cada parte do questionário. PARTE I: RECOMPENSA RELACIONADA COM A PARTICIPAÇÃO NO PROGRAMA DA QUALIDADE DO CEFET-PB O futuro obviamente reserva algo imprevisível para todos nós. É natural que criemos expectativas a respeito das recompensas que poderemos obter como conseqüência das nossas decisões. Por exemplo, faça a seguinte indagação a você mesmo: “Supondo que hoje tomei a decisão de me envolver com o Programa da Qualidade do CEFET-PB, qual a recompensa que eu poderia obter como conseqüência deste envolvimento?” Por favor, com base na indagação anterior, indique abaixo uma recompensa que, na sua opinião, poderia ser alcançada através da sua participação no Programa da Qualidade. Lembramos que esta recompensa pode ter um caráter negativo, exemplo: “discriminação por parte dos colegas de trabalho”. ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ 112 PARTE II: PARTICIPAÇÃO NO PROGRAMA DA QUALIDADE DO CEFET-PB As questões seguintes dizem respeito à sua participação no Programa da Qualidade do CEFET-PB. Marque com um “X” no espaço em branco antes do item que mais se aproxima da sua resposta. Obs.: Se você aplica alguma técnica ou ferramenta da Qualidade Total em seu trabalho, pode se considerar um participante do programa da qualidade. 1. Você tem participado do programa, utilizando as técnicas da qualidade total no seu ambiente de trabalho? ____ Sim ____ Não Se respondeu Sim, pule para a questão 5. Se respondeu Não, então continue. 2. Se você não está participando do Programa da Qualidade, você gostaria de se envolver em alguma atividade deste programa caso haja uma oportunidade? ____ Sim ____ Não Responda as questões seguintes mesmo que tenha respondido Não. 3. Qual a probabilidade de você poder se envolver com o Programa da Qualidade caso queira ou venha a querer participar? ___0% ___10% ___20% ___30% ___40% ___50% ___60% ___70% ___80% ___90% ___100% Não há chance de participar ainda que quisesse: _X 0% 4. Exemplos Não há dúvida de que eu poderia participar se quisesse: X 100% Qual a probabilidade de você se sentir pressionado pelos seus superiores a ter que participar do Programa da Qualidade? ___0% ___10% ___20% ___30% ___40% ___50% ___60% ___70% ___80% ___90% ___100% Não há chance de ser pressionado a participar: X 0% Exemplos Certamente serei pressionado a participar : X 100% 5. Você participou de algum tipo de treinamento com respeito às técnicas e métodos da Qualidade Total? ____ Sim ____ Não PARTE III: ATITUDES ACERCA DO PROGRAMA DA QUALIDADE DO CEFET-PB (Por favor, antes de responder leia as orientações abaixo) Nas páginas seguintes você irá encontrar afirmações descrevendo recompensas que poderiam ser conseguidas por uma pessoa, como conseqüência da participação, ou da não participação, no Programa da Qualidade Total do CEFET-PB. Você será solicitado a considerar cada uma destas recompensas cuidadosamente. Primeiramente, você irá avaliar o grau do seu desejo por cada recompensa (SEÇÃO-A). Posteriormente, você irá indicar a probabilidade de conseguir cada recompensa, assumindo que a sua decisão é participar do programa (SEÇÃO-B). Finalmente, você será solicitado a indicar a probabilidade de conseguir cada recompensa, assumindo que a sua decisão é não participar do programa (SEÇÃO-C). Obs.: Por favor, é importante para nós que você responda as SEÇÕES seguintes, esteja você participando ou não, seja a sua decisão, querer participar ou não querer participar do Programa da Qualidade. 113 SEÇÃO A: O GRAU DO DESEJO POR CADA RECOMPENSA - PERSPECTIVA DO SERVIDOR A maioria dos servidores têm uma idéia geral do que experimentariam caso viessem a participar do programa da qualidade. Nesta seção nós gostaríamos que você avaliasse cada recompensa listada abaixo no que diz respeito ao grau em que cada uma é desejável, ou indesejável, como conseqüência do seu envolvimento com o programa da qualidade do CEFET-PB. Por favor, preencha a linha em branco antes de cada questão com o número que melhor descreve a sua opinião sobre cada afirmação. Não esqueça do sinal “ - “ quando a sua resposta estiver entre as indesejáveis. SINAL NEGATIVO - 3 = Extremamente Indesejável - 2 = Muito Indesejável - 1 = Indesejável Desejável 0 = Não Importa ou Não Faz Diferença 1 = Desejável 2 = Muito Desejável 3 = Extremamente Exemplo: Se você acha que a primeira recompensa listada abaixo é extremamente indesejável, deverá preencher o espaço antes do item com o número “ - 3 ”: ( ___ 1. Oportunidade de beneficiar à sociedade.). ____ 1. ____ 2. ____ 3. ____ 4. ____ 5. ____ 6. ____ 7. ____ 8. ____ 9. ____ 10. ____ 11. ____ 12. ____ 13. ____ 14. ____ 15. programa. ____ 16. ____ 17. ____ 18. ____ 19. ____ 20. ____ 21. ____ 22. ____ 23. ____ 24. ____ 25. trabalho. ____ 26. ____ 27. valor). Oportunidade de beneficiar a sociedade. Oportunidade de promoção e desenvolvimento profissional. Sentimentos fortes de satisfação com o emprego. Oportunidade de aprender coisas novas. Oportunidade de vender serviços (prestar serviços externos). Oportunidade de exercer liderança. Variedade nas obrigações do trabalho. Lembrando a Pergunta Básica:Qual o Participação em um time de trabalho. grau do meu desejo pela “recompensa Reconhecimento especial por parte dos alunos. Maior oportunidade de crescimento como pessoa. Nº...” relacionada ao programa da qualidade? Maior segurança no emprego (estabilidade). Oportunidade de sentir que faz algo importante. Utilização e desenvolvimento de novas habilidades. Oportunidade de contribuir para decisões importantes. Consumo do tempo de outras atividades importantes devido ao engajamento no Maiores sentimentos de amizade com os colegas de trabalho. Reconhecimento da administração pelas contribuições do servidor à organização. Oportunidade de melhorar a capacitação profissional. Reconhecimento especial por parte dos colegas de trabalho. Oportunidade de melhorar o desempenho individual no trabalho. Melhor comunicação entre os servidores e a administração. Maior competitividade do CEFET diante da concorrência. Oportunidade de trabalhar de maneira mais próxima à administração. Descontrole da programação diária do trabalho devido às atividadesdo programa. Possibilidade de aumentar a qualidade de vida pessoal e a qualidade de vida no Sentimentos fortes de auto-respeito (eu me respeito como profissional). Sentimentos fortes de orgulho e auto-estima (sua percepção à respeito do seu próprio 114 SEÇÃO B: A PROBABILIDADE DE CONSEGUIR CADA RECOMPENSA COMO CONSEQÜÊNCIA DA PARTICIPAÇÃO. Consideraremos novamente as recompensas relacionadas ao programa da qualidade. Entretanto, nesta seção solicitamos que você pergunte a si mesmo a seguinte questão: “Supondo que eu esteja participando do programa da qualidade do CEFET-PB, qual a probabilidade de que eu venha conseguir cada uma destas recompensas devido ao fato de estar envolvido com o programa ?” Por gentileza, utilize a escala que vai de “impossível até certamente” para preencher a linha em branco antes de cada recompensa com o número da resposta que melhor descreve a sua opinião. Não esqueça do sinal “ - “ quando a sua resposta estiver entre as improváveis e impossíveis. SINAL NEGATIVO -3 = Impossível de acontecer -2 = Muito Improvável -1 = Improvável acontece 0 = Nem Improvável Nem Provável 1 = Provável 2 = Muito Provável 3 = Certamente Exemplo: “Quão provável é que eu venha conseguir 1. oportunidade de beneficiar à sociedade como conseqüência da minha participação no programa da qualidade?” Se você acha que é impossível de acontecer, então, preencha o espaço antes do item com o número “-3”: ( __ 1. Oportunidade de beneficiar à sociedade.). ____ 1. ____ 2. ____ 3. ____ 4. ____ 5. ____ 6. ____ 7. ____ 8. ____ 9. ____ 10. ____ 11. ____ 12. ____ 13. ____ 14. ____ 15. programa. ____ 16. ____ 17. ____ 18. ____ 19. ____ 20. ____ 21. ____ 22. ____ 23. ____ 24. ____ 25. trabalho. ____ 26. ____ 27. valor). Oportunidade de beneficiar a sociedade. Oportunidade de promoção e desenvolvimento profissional. Sentimentos fortes de satisfação com o emprego. Oportunidade de aprender coisas novas. Oportunidade de vender serviços (prestar serviços externos). Oportunidade de exercer liderança. Variedade nas obrigações do trabalho. Lembrando a Pergunta Básica:Quão Participação em um time de trabalho. provável é que eu venha conseguir “a Reconhecimento especial por parte dos alunos. recompensa Nº...” como conseqüência Maior oportunidade de crescimento como pessoa. da minha participação no programa da Maior segurança no emprego (estabilidade). Oportunidade de sentir que faz algo importante. qualidade? Utilização e desenvolvimento de novas habilidades. Oportunidade de contribuir para decisões importantes. Consumo do tempo de outras atividades importantes devido ao engajamento no Maiores sentimentos de amizade com os colegas de trabalho. Reconhecimento da administração pelas contribuições do servidor à organização. Oportunidade de melhorar a capacitação profissional. Reconhecimento especial por parte dos colegas de trabalho. Oportunidade de melhorar o desempenho individual no trabalho. Melhor comunicação entre os servidores e a administração. Maior competitividade do CEFET diante da concorrência. Oportunidade de trabalhar de maneira mais próxima à administração. Descontrole da programação diária do trabalho devido às atividadesdo programa. Possibilidade de aumentar a qualidade de vida pessoal e a qualidade de vida no Sentimentos fortes de auto-respeito (eu me respeito como profissional). Sentimentos fortes de orgulho e auto-estima (sua percepção à respeito do seu próprio 115 SEÇÃO C: A PROBABILIDADE DE CONSEGUIR CADA RECOMPENSA COMO CONSEQÜÊNCIA DA NÃO PARTICIPAÇÃO. Nesta última seção, considerando ainda as recompensas relacionadas ao programa da qualidade do CEFET-PB, gostaríamos que você as avaliasse a partir de um outro ponto de vista. Para isto, solicitamos que você pergunte a si mesmo a seguinte questão: “Supondo que eu não queira participar do programa da qualidade, qual a probabilidade de que eu venha conseguir cada uma destas recompensas devido ao fato de não me envolver com o programa?” Por gentileza, utilize a escala que vai de “impossível até certamente” para preencher a linha em branco antes de cada recompensa com o número da resposta que melhor descreve a sua opinião. Não esqueça do sinal “ - “ quando a sua resposta estiver entre as improváveis e impossíveis. SINAL NEGATIVO -3 = Impossível de acontecer -2 = Muito Improvável -1 = Improvável acontece 0 = Nem Improvável Nem Provável 1 = Provável 2 = Muito Provável 3 = Certamente Exemplo: “Quão provável é que eu venha conseguir 1. oportunidade de beneficiar à sociedade devido ao fato de não me envolver com o programa da qualidade?” Se você acha que é impossível de acontecer, então, preencha o espaço antes do item com o número “-3”: ( __ 1. Oportunidade de beneficiar à sociedade). ____ 1. Oportunidade de beneficiar a sociedade. ____ 2. Oportunidade de promoção e desenvolvimento profissional. ____ 3. Sentimentos fortes de satisfação com o emprego. ____ 4. Oportunidade de aprender coisas novas. ____ 5. Oportunidade de vender serviços (prestar serviços externos). ____ 6. Oportunidade de exercer liderança. ____ 7. Variedade nas obrigações do trabalho. ____ 8. Participação em um time de trabalho. Lembrando a Pergunta Básica: Quão ____ 9. Reconhecimento especial por parte dos alunos. provável é que eu venha conseguir ____ 10. Maior oportunidade de crescimento como pessoa. “a recompensa Nº...” devido ao fato ____ 11. Maior segurança no emprego (estabilidade). de não me envolver com o programa ____ 12. Oportunidade de sentir que faz algo importante. da qualidade? ____ 13. Utilização e desenvolvimento de novas habilidades. ____ 14. Oportunidade de contribuir para decisões importantes. ____ 15. Consumo do tempo de atividades importantes devido ao não-engajamento no programa. ____ 16. Maiores sentimentos de amizade com os colegas de trabalho. ____ 17. Reconhecimento da administração pelas contribuições do servidor à organização. ____ 18. Oportunidade de melhorar a capacitação profissional. ____ 19. Reconhecimento especial por parte dos colegas de trabalho. ____ 20. Oportunidade de melhorar o desempenho individual no trabalho. ____ 21. Melhor comunicação entre os servidores e a administração. ____ 22. Maior competitividade do CEFET diante da concorrência. ____ 23. Oportunidade de trabalhar de maneira mais próxima à administração. ____ 24. Descontrole da programação diária do trabalho devido ao não-engajamento no programa. ____ 25. Possibilidade de aumentar a qualidade de vida pessoal e a qualidade de vida no trabalho. ____ 26. Sentimentos fortes de auto-respeito (eu me respeito como profissional). ____ 27. Sentimentos fortes de orgulho e auto-estima (sua percepção à respeito do seu próprio valor). 116 PARTE IV: INFORMAÇÕES DEMOGRÁFICAS 1. Qual a sua idade? _____ anos. 2. Qual o seu gênero? ( ) masculino ( ) feminino 3. Qual a sua escolaridade ? 2º Grau: ( ) Médio ( ) Técnico Superior: ( ) BachareIado Outro ( ) Licenciatura ( ) Esquema I ou II Pós Graduação: ( ) Especialização ( ) Mestrado 4. Há quanto tempo você trabalha no CEFET-PB ? 5. Você possui cargo de chefia? ( ) sim ( ) ( ) Doutorado _____ anos ( ) não Se você respondeu sim, quantos servidores estão sob a sua supervisão? _____ pessoas. 6. Você é professor(a)? ( ) sim ( ) não Se você respondeu sim, qual a sua carga horária semanal de aulas: ____ horas-aula. MUITO OBRIGADO PELA SUA COOPERAÇÃO Um abraço cordial do colega Prof. Helder Régis 117 118 120 121 122 123 124 125 APÊNDICE E Histogramas das Expectâncias 126 Histogramas das Expectâncias Expectância de Participação 30 20 Frequency 10 Std. Dev = ,29 Mean = ,5 N = 82,00 0 ,0 ,1 ,2 ,3 ,4 ,5 ,6 ,7 ,8 ,9 1,0 Expectância de Participação Expectância de Não-participação 40 30 Frequency 20 10 Std. Dev = ,31 Mean = ,7 N = 82,00 0 ,0 ,1 ,2 ,3 ,4 ,5 ,6 ,7 Expectância de Não-participação ,8 ,9 1,0 127 APÊNDICE F Histogramas das forças; Resultado das forças , predições, estado atual e erros nas predições para cada questionário 128 129 130 131 132 APÊNDICE G Regressão Logística 133 REGRESSÃO LOGÍSTICA Number of cases included in the analysis: 82 Dependent Variable Encoding: Original Value 0 1 Internal Value 0 1 Dependent Variable.. programa ? VOLUNTAR Beginning Block Number -2 Log Likelihood 0. É Voluntário ou Não para participação no Initial Log Likelihood Function 88,7783 * Constant is included in the model. Beginning Block Number 1. Method: Enter Variable(s) Entered on Step Number 1.. F_RESULTANTE Estimation terminated at iteration number 4 because Log Likelihood decreased by less than ,01 percent. -2 Log Likelihood Goodness of Fit Cox & Snell - R^2 Nagelkerke - R^2 81,810 79,440 ,081 ,123 Chi-Square Model Block Step df Significance 6,969 6,969 6,969 1 1 1 ,0083 ,0083 ,0083 Classification Table for VOLUNTAR The Cut Value is ,50 Observed Não-voluntário N Voluntário V Predicted Não-voluntário Voluntário Percent Correct N I V +---------------+---------------+ I 2 I 17 I 10,53% +---------------+---------------+ I 1 I 62 I 98,41% +---------------+---------------+ Overall 78,05% ---------------------- Variables in the Equation ----------------------Variable B S.E. Wald df Sig R Exp(B) F_RESINP Constant ,0097 1,3031 ,0041 ,2903 5,5622 20,1514 1 1 ,0184 ,0000 ,2003 1,0097 134 APÊNDICE H Resultados obtidos com o uso da escala original de instrumentalidades (-3 a +3) 135 1 Resultados obtidos (escala das instrumentalidades variando de –3 a +3) Este apêndice apresenta os resultados obtidos com a utilização da escala original utilizada no questionário de pesquisa. Devido à recodificação da escala de instrumentalidades, passando de –3 a +3 para 0 a 6, utilizando escores somente positivos, havia a possibilidade de mudança nos resultados dos testes das hipóteses 1a, 1b e 2. Com respeito aos testes das subhipóteses A, B e esperava alterações. Isto porque os dados das instrumentalidades foram apenas recodificados, não havendo portanto interações entre as variáveis no nível das subhipóteses. Desta forma, é importante prover estes resultados, com base na escala original, com o intuito de permitir comparações entre os dois formatos de escala. Assim, pode-se comparar os sinais e a magnitude das forças (Hipótese 1a), a exatidão das predições (Hipótese 1b) e a probabilidade de ser voluntário (Hipótese 2). Estes resultados são ap procedimentos estatísticos foram realizados para testar as respectivas hipóteses. 1.1 O estado atual dos respondentes e as predições com base na escala original A TABELA H-1 repete os resultados com relação ao número de participantes e voluntários e traz as predições de voluntários e não voluntários com base nos valores da força motivacional resultante, onde se utilizou a escala original (-3 a +3) para as instrumentalidades de participação e não participação. 136 TABELA H-1 : Nº de participantes, voluntários e as predições com base na força motivacional resultante Participantes 62 (43%) Voluntários 63 (76,8%) Não Participantes 82 (57%) Não Voluntário 19 (23,2%) Total 144 (100%) Total 82 (100%) 54 (67,5%) 26 (32,5%) Total 80a (100%) Predição de Voluntários Predic. Não Voluntários a A diferença no número de voluntários é devido ao fato de que quando a força para participar é igual a força para não participar, nenhuma predição pode ser feita. 1.2 Força para participar a partir dos escores das valências, instrumentalidades e expectâncias Como já comentado anteriormente, a Subhipótese A não sofreu alterações quanto ao seu teste. Da mesma forma, a Subhipótese B (instrumentalidades) também não sofreu alterações, contudo, faz-se necessário esclarecer um pouco mais a questão da recodificação. Esta subhipótese diz que os professores do CEFET-PB apresentam, em sua maioria, escores baixos de instrumentalidade com respeito às recompensas possíveis de serem alcançadas com a participação no PQT. A TABELA H-2 traz os resultados obtidos com relação às modas e às percentagens das avaliações feitas pelos docentes. Vale salientar que estes resultados são idênticos aos da Tabela 3 (capítulo 4). A diferença está apenas na recodificação da escala, que foi feita da seguinte forma: ESCALA ORIGINAL (resultados apresentados neste apêncice) : -3 = Impossível de acontecer 1 = Provável -2 = Muito Improvável 0 = Nem Improvável Nem Provável 2 = Muito Provável -1 = Improvável 3 = Certamente acontece ESCALA RECODIFICADA (resultados apresentados no capítulo 4) : 0 = Impossível de acontecer 4 = Provável 1 = Muito Improvável 3 = Nem Improvável Nem Provável 5 = Muito Provável 2 = Improvável 6 = Certamente acontece 137 A escala de instrumentalidades variou de -3 (impossível de acontecer) passando por 0 (nem improvável nem provável) até 3 (certamente acontece). Como se observa na TABELA H-2, das 27 recompensas, vinte e três apresentaram valores modais maiores que 0 (ponto médio), três obtiveram valores modais iguais a 0 e apenas uma apresentou valor modal menor que 0. Esta última, a recompensa 24, possui um caráter negativo. Quanto às percentagens, a maioria dos de instrumentalidades com valores maiores que 0 (ponto médio), com exceção das recompensas 24, de caráter negativo, e da recompensa 6 que obteve proporções iguais entre os valores maiores que 0 e iguais a 0. Observa-se portanto, que a Subhipótese B não sofreu alterações e continua não sendo verdadeira (comparar com a tabela 3, capítulo 4). 138 BELA H-2: Modas e percentagens das avaliações de instrumentalidades para as 27 recompensas 1 Instrumentalidades Recompensas Mod a (> 0) % (= 0) % (< 0) % 1. Oportunidade de beneficiar a sociedade. 1 74,4 15,9 9,7 2. Oportunidade de promoção e desenvolvimento profissional. 1 60,9 22,0 17,1 3. Sentimentos fortes de satisfação com o emprego. 1 73,2 15,9 10,9 4. Oportunidade de aprender coisas novas. 2 83,0 13,4 3,6 5. Oportunidade de vender serviços (prestar serviços externos). 1 51,2 26,8 22,0 6. Oportunidade de exercer liderança. 0 37,8 37,8 24,4 7. Variedade nas obrigações do trabalho. 1 65,9 28,0 6,1 8. Participação em um time de trabalho. 1 68,3 18,3 13,4 9. Reconhecimento especial por parte dos alunos. 1 58,6 25,6 15,8 10. Maior oportunidade de crescimento como pessoa. 1 75,6 17,1 7,3 11. Maior segurança no emprego (estabilidade). 0 39,0 37,8 23,2 12. Oportunidade de sentir que faz algo importante. 1 76,8 12,2 11,0 13. Utilização e desenvolvimento de novas habilidades. 2 75,7 14,6 9,7 14. Oportunidade de contribuir para decisões importantes. 1 58,4 24,4 17,2 15. Consumo do tempo de outras atividades importantes devido ao engajamento no programa. 1 64,7 18,3 17,0 16. Maiores sentimentos de amizade com os colegas de trabalho. 1 65,8 24,4 9,8 17. Reconhecimento da administração pelas contribuições do servidor à organização. 1 50,0 25,6 24,4 18. Oportunidade de melhorar a capacitação profissional. 1 76,9 15,9 7,2 19. Reconhecimento especial por parte dos colegas de trabalho. 1 51,3 28,0 20,7 20. Oportunidade de melhorar o desempenho individual no trabalho. 1 80,4 11,0 8,6 21. Melhor comunicação entre os servidores e a administração. 1 61,0 24,4 14,6 22. Maior competitividade do CEFET diante da concorrência. 1 67,2 28,0 4,8 0 37,7 36,6 25,7 -1 35,4 25,6 39,0 1 67,1 20,7 12,2 1 74,3 17,1 8,6 23. Oportunidade de trabalhar de maneira mais próxima à administração. 24. Descontrole da programação diária do trabalho devido às atividades do programa. 25. Possibilidade de aumentar a qualidade de vida pessoal e a qualidade de vida no trabalho. 26. Sentimentos fortes de auto-respeito (eu me respeito como profissional). 27. Sentimentos fortes de orgulho e auto-estima (sua percepção à respeito do seu próprio valor). 1 Foi utilizada a escala original do questionário que variou de –3 a +3. 1 67,1 20,7 12,2 139 A Subhipótese C diz que os professores do CEFET-PB apresentam, em sua maioria, escores altos com respeito à expectância de participação no programa. O teste desta subhipótese também não sofreu alterações com a recodificação. A Hipótese 1a afirma que em função do modelo multiplicativo, a força motivacional para participar apresenta baixos resultados devido à presença de uma variável com escores também baixos (instrumentalidade) dentre as três variáveis que compõem o modelo multiplicativo. A TABELA H-3 mostra os resultados obtidos com respeito às percentagens da força motivacional para participar com a utilização da escala original (-3 a +3). Os valores mínimo e máximo possíveis de serem obtidos pelos produtos das valências, instrumentalidades e expectâncias passam a ser respectivamente –243 e +243. Como se observa, dos oitenta e dois docentes, cinqüenta e dois (63,4%) apresentaram o valor da força motivacional entre 0,1 e 50. Outros dezessete docentes (20,8%) obtiveram uma força motivacional que estava entre 50,1 e 200. Treze docentes (15,8%) obtiveram valores negativos ou nulos da força motivacional para participar, contudo, considerando-se o valor da força máxima (243), a maioria dos docentes (78%) apresentou valores baixos (0,1 a 100) da força motivacional para participar do programa da qualidade. Os histogramas das forças para os dois formatos de escalas são mostrados no final deste apêndice. Portanto, estes resultados mantêm a validação parcial à Hipótese 1a pelos mesmos motivos apresentados no capítulo 4 (seção 4.2, tabela 5). Os resultados das forças dos docentes foram baixos em sua maioria, não como conseqüência de escores baixos na instrumentalidade mas sim devido a escores baixos da expectância. 140 TABELA H-3: Resultados da força motivacional para participar do programa da qualidade 1 Força -243 a –100,1 Freq. 0 7 6 52 12 4 1 0 Perc. 0% 8,5% 7,3% 63,4% 14,6% 5,0% 1,2% 0% -100 a -0,1 0,0 0,1 a 50 50,1 a 100 100,1 a 150 150,1 a 200 200,1 a 243 Total 82 respondentes (100%) 1 Foi utilizada a escala original do questionário que variou de –3 a +3. 1.3 Força motivacional para não participar Com o intuito de manter a apresentação dos resultados com o formato semelhante ao utilizado no capítulo 4, mesmo sem haver hipóteses diretamente relacionadas às variáveis do modelo que compõem a força para não participar, os resultados são apresentados a seguir. Os resultados das instrumentalidades de não participação, de maneira semelhante às instrumentalidades de participação, não sofreram alterações, a TABELA H-4 mostra os resultados das instrumentalidades de não participação com a utilização da escala original (-3 a +3). 141 TABELA H-4: Modas e percentagens das avaliações de instrumentalidades de não participação Recompensas Instrumentalidades Moda a (>0) % (=0) % (<0) % 1. Oportunidade de beneficiar a sociedade. 1 41,5 24,4 34,1 2. Oportunidade de promoção e desenvolvimento profissional. 0 41,5 30,5 28,0 3. Sentimentos fortes de satisfação com o emprego. 0 46,3 35,4 18,3 4. Oportunidade de aprender coisas novas. 1 50,0 20,7 29,3 5. Oportunidade de vender serviços (prestar serviços externos). 0 32,9 42,7 24,4 6. Oportunidade de exercer liderança. 0 32,9 42,7 24,4 7. Variedade nas obrigações do trabalho. 0 41,5 35,4 23,2 8. Participação em um time de trabalho. 0 39,0 31,7 29,3 9. Reconhecimento especial por parte dos alunos. 0 40,2 34,1 25,6 10. Maior oportunidade de crescimento como pessoa. 0 40,2 35,4 24,4 11. Maior segurança no emprego (estabilidade). 0 23,2 51,2 25,6 12. Oportunidade de sentir que faz algo importante. 1 53,7 24,4 22,0 13. Utilização e desenvolvimento de novas habilidades. 1 42,7 22,0 35,4 14. Oportunidade de contribuir para decisões importantes. 0 37,8 26,8 35,4 15. Consumo do tempo de atividades importantes devido ao não engajamento no programa. 0 17,1 37,8 45,1 16. Maiores sentimentos de amizade com os colegas de trabalho. 0 39,0 36,6 24,4 17. Reconhecimento da administração pelas contribuições do servidor à organização. 0 26,8 36,6 36,6 18. Oportunidade de melhorar a capacitação profissional. 0 43,9 24,4 31,7 19. Reconhecimento especial por parte dos colegas de trabalho. 0 31,7 42,7 25,6 20. Oportunidade de melhorar o desempenho individual no trabalho. 0 42,7 31,7 25,6 21. Melhor comunicação entre os servidores e a administração. 0 25,6 47,6 26,8 22. Maior competitividade do CEFET diante da concorrência. 0 30,5 35,4 34,1 0 23,2 37,8 39,0 0 17,1 32,9 50,0 0 37,8 31,7 30,5 0 48,8 31,7 19,5 0 46,3 26,8 26,8 23. Oportunidade de trabalhar de maneira mais próxima à administração. 24. Descontrole da programação diária do trabalho devido ao não engajamento no programa. 25. Possibilidade de aumentar a qualidade de vida pessoal e a qualidade de vida no trabalho. 26. Sentimentos fortes de auto-respeito (eu me respeito como profissional). 27. Sentimentos fortes de orgulho e auto-estima (sua percepção à respeito do seu próprio valor). a Algumas destas recompensas possuem mais de uma moda. O menor valor é mostrado 142 Os resultados da expectância de não participação também não sofreram alterações e são os mesmos apresentados no capítulo 4 (seção 4.3, tabela 7). Vale lembrar que as valências que compõem o modelo da força para não participar são as mesmas que compõem o modelo da força para participar (seção 4.2, tabela 2). A TABELA H-5 mostra os resultados obtidos com respeito às percentagens da força motivacional para não participar. Os valores mínimo e máximo são –243 e +243 respectivamente. Como se observa, 46,3% dos docentes apresentaram valores entre 0,1 e 100 da força motivacional para não participar do programa. Contudo, trinta e cinco docentes (42,7%) obtiveram valores negativos da força motivacional para não participar. Estes resultados negativos podem ter contribuído para o aumento no total das predições de voluntários, uma vez que a subtração de um valor negativo é revertido em uma soma, gerando mais valores positivos da força resultante. Apesar disso a percentagem de acertos para as predições de voluntários foi um pouco menor quanto se utilizou a escala original. TABELA H-5: Resultados da força motivacional para não participar do programa da qualidade 1 Força Freq. Perc. -243 a -100,1 -100 a -0,1 0,0 0,1 a 50 50,1 a 100 100,1 a 150 150,1 a 200 200,1 a 243 0 35 9 29 9 0 0 0 0% 42,7% 11% 35,3% 11% 0% 0% 0% Total 8 82 respondentes (100%) 1 Foi utilizada a escala original do questionário que variou de –3 a +3. 1.4 Exatidão das predições da teoria da expectância A Hipótese 1b diz que [HPR28]o modelo da expectância empregado é capaz de predizer quais os docentes que escolhem ser voluntários e os que escolhem não ser voluntários. Novas predições foram feitas devido à utilização da escala original das instrumentalidades (-3 a +3). A TABELA H-6 mostra os resultados. 143 Pode se observar (TABELA H-6) que com respeito ao teste da Hipótese 1b a análise é semelhante à apresentada no capítulo 4, portanto, a validação parcial também foi mantida para esta hipótese. As predições foram corretas em 59,9% dos casos, produzindo um coeficiente phi de 0,227. Novamente o modelo mostrou exatidão apenas em suas predições com respeito aos docentes que seriam voluntários (85,2%). Apesar do melhor percentual de acertos (34,6%) o modelo continua não fazendo boas predições com respeito aos não voluntários. TABELA H-6: Exatidão do modelo para predizer o comportamento dos docentes 1 Estado Atual Voluntários Prediçõ es X2 = 4,61 p< 0,01 Não Voluntários Tota l Percent. de Acertos Voluntários 46 8 54 85,2% Não Voluntário 17 9 26 34,6% Total Phi = 227 63 17 80 59,9% med. Sig. Aprox. 0,043 1 Foi utilizada a escala original do questionário que variou de –3 a +3. 1.5 Probabilidade de participação com base na força motivacional resultante A Hipótese 2 diz que os voluntários e não voluntários diferem significativamente com respeito as suas forças motivacionais para participar do programa da qualidade, de modo que os voluntários irão registrar valores mais altos da força motivacional resultante do que os não voluntário[HPR1]s. Os resultados da regressão logística feita com base na escala original das instrumentalidades (-3 a +3) são apresentados na TABELA H-7 e continuam dando apoio a esta hipótese. O coeficiente de correlação apresentado é estatisticamente significante e positivo. Alguém poderia interpretar estes valores como sendo melhores do que os apresentados no capítulo 144 4 (seção 4.5, tabela 11) devido a valores do “Coeficiente” (0,0187) e do “Exp (B)” (1,0189) que são próximos ao dobro dos valores encontrados com a escala só positiva (0 a 6). Contudo, vale salientar que os valores mínimo e máximo para a força motivacional resultante (força para participar – força para não participar) são de –972 e +972 quando se usa a escala de 0 a 6. Estes valores são exatamente o dobro dos valores mínimo e máximo da força motivacional resultante (– 486 a +486) quando se usa a escala de –3 a +3. Portanto, a escala original aqui utilizada, por ser mais curta, gera valores mais altos no “Coeficiente” e no “Exp (B)”. No final deste apêndice, é apresentada a regressão logística no formato fornecido pelo SPSS (utilização da escala –3 a +3 das instrumentalidades). TABELA H-7: Regressão logística para a probabilidade de ser voluntário para o programa1 Variável Coeficiente S.E. Wald Sig. R Exp (B) ,0187 ,0080 5,5349 ,0186 ,1995 1,0189 Força Motivacional Resultante Bondade de Ajustamento X2 79,057 -2 Log Likelihood 81,497 Percentagem de Acertos 76,83% 1 Foi utilizada a escala original do questionário que variou de –3 a +3. A partir destes resultados, pode-se observar que a recodificação das escalas de instrumentalidades não resultou em alterações significativas com respeito aos testes das hipóteses levantadas no trabalho. Contudo, o modelo original, com escores negativos na escala, apresentou resultados um pouco melhores da força motivacional resultante do que o modelo de escala com escores somente positivos. Isto pode ser observado através dos totais das predições de voluntários e não voluntários (tabelas, 10 e H-6). A seguir, são apresentados os histogramas das forças e a regressão logística no formato fornecido pelo SPSS. 145 Força para participar escala 0 a 6 30 20 20 10 10 Std. Dev = 40,05 Mean = 29 N = 82,00 0 -60 -20 -40 20 0 60 40 100 80 140 120 Frequency Frequency Força Mot. p. Participar escala -3 a +3 30 Std. Dev = 81,05 Mean = 90 N = 82,00 0 0 180 160 25 200 20 20 10 10 Fre qu en cy Std. Dev = 33,64 Regressão Logística Mean = 8 N = 82,00 0 Frequency 30 -90 -70 -50Variable -30 -10 10 30 50 70 90 Dependent Encoding: -20 0 125 200 175 250 225 300 275 350 325 400 375 20 40 60 80 Std. Dev = 67,30 Mean = 83 N = 82,00 0 -100 100 -20 -40 20 0 60 40 100 80 140 120 180 160 220 200 260 240 Força Força Mot.Variable.. Resultante (-3 aVOLUNTAR +3) Dependent participação n o programa ? ForçaouResultante É Voluntário Não para futura 20 20 Beginning Block Number -60 -80 Original Internal Força Mot. p. Não-participar Value Value 0 0 1 1 -2 Log Likelihood 75 150 Força para não participar Força Mot. p. Não-participar (-3 a +3) 30 -40 100 Força Força Mot. p. Participar -80 -60 50 0. Initial Log Likelihood Function 88,7783 10 10 Beginning Block Number 1. Frequency Frequency * Constant is included in the model. Std. Dev = 47,27 Enter Method: Mean = 21 N = 82,00 0 0 30 0 25 0 20 Força Estimation terminated Força Mot. Resultante = f_pa - f_npat iteration number 4 because 0 15 = f_pa - f_np 0 10 50 0 0 -5 00 -1 50 -1 00 -2 N = 82,00 0 Variable(s) Entered on Step Number -100 -60 -20 20 60 100 140 180 1.. -80 -40 F_RES Força Mot. Resultante 0 40 80 120 160 Std. Dev = 87,64 Mean = 6