Complexidade, Sistêmica e Holismo:
hipóteses possíveis acerca da
realidade
MASP
11/08/2009
Nelson Fiedler-Ferrara
Premissas:
Cognição como ato ou processo dinâmico de
conhecer.
No exercício do viver elegemos/construímos
modelos sobre a realidade.
ABORDAGEM BIO-COGNITIVA
____________________________________________
(P. Galvani)
S3
Autoformação
(pilotado pelo sujeito)
S1
S2
Héteroformação
(outras pessoas)
Família, meio social,
cultura
Ecoformação
(coisas)
.
Meio ambiente
Clima, influências
físicas e físicocorporais, dimensão
simbólica do meio
ambiente físico
No processo de cognição procedemos a
recortes da realidade como representada
pelo modelo que escolhemos. Também
conceitualizamos, categorizamos,
hierarquizamos.
Esses atos cognitivos realizam-se
segundo critérios.
Metaconceito (dinâmico) para os critérios
AXIOLOGIA
(fins, valores)
ONTOLOGIA
EPISTEMOLOGIA
(natureza do
Ser ou dos Objetos)
(métodos, tipo de
conhecimento)
GNOSIOLOGIA
(validade do conhecimento em
função do Ser cognoscente)
( Fiedler-Ferrara e Mattos )
Os critérios podem se atualizar ao
longo da cognição
Princípio do Balanço Complementar
Quanto maior o número de comportamentos controlados que
impomos para uma específica solução de problema, mais a cognição
se torna uma tarefa específica efetivamente realizada.
Mais permitimos o desvelamento histórico, mais a cognição se
parece ao senso comum criativo.
Trata-se de aceitar o desafio de como permanecer na riqueza da
criatividade cognitiva mantendo a possibilidade de uma efetiva
implementação.
(F. Varela)
 Holismo
 Pensamento Sistêmico
 Sistêmica
 Complexidade
Antes porém, alguns comentários...
 Crítica à demonização do Cartesianismo, do Reducionismo e do
Mecanicismo.
 A questão da prioridade epistemológica: a complexidade do
mundo não era desconhecida pelos cientistas, apenas não se
sabia como trabalhar com ela – daí a adoção, antes, de uma
prioridade epistemológica reducionista.
 O advento dos grandes computadores muda esse cenário.
 Nossa preferência por uma visão de mudança em Ciência
contínua e “adaptativa” e não pela concepção de revolução
científica.
Modelo Reticulado de Racionalidade
Científica
(Laudan)
Objetivos
Teorias
Metodologias
Mudança contínua e “adaptativa”
Revolução Científica
(Khun)
Paradigma 1
Objetivos
Metodologias
Teorias
Paradigma 2
Objetivos
Metodologias
Teorias
Mudança ao mesmo tempo
Hipóteses (critérios) adotados pela ortodoxia dos
cientistas hoje
 Realismo : a realidade de um mundo externo ( objetivismo




realista crítico )
Pluralismo: a realidade tem uma estrutura de vários níveis
Determinismo Ontológico: Leis ( a não ser confundido com
Determinismo Epistemológico, isto é, admitem-se leis
estocásticas, a objetividade do acaso, etc.)
Determinismo Epistemológico Flexível (cognocibilidade limitada)
Formalismo: a autonomia da Lógica e da Matemática
(incorporando, também, teoremas de incompletude, por
exemplo, Teorema de Gödel )
 Hipóteses ontológicas sobre a realidade,
adotadas pela maioria dos cientistas hoje
(a) A realidade é sistêmica
(b) A realidade é complexa
(c) A realidade pode ser expressa por leis
 Holismo
 Pensamento Sistêmico
 Sistêmica
 Complexidade
Metaconceito (dinâmico) para os critérios
AXIOLOGIA
(fins, valores)
ONTOLOGIA
EPISTEMOLOGIA
(natureza do
Ser ou dos Objetos)
(métodos, tipo de
conhecimento)
GNOSIOLOGIA
(validade do conhecimento em
função do ser cognoscente)
( Fiedler-Ferrara e Mattos )
Os critérios podem se atualizar ao
longo da cognição
Holismo
É um critério epistemológico através do qual
se consideram certas realidades – e às
vezes todas as realidades – primariamente
como totalidades ou “todos” e
secundariamente como compostas por
certos elementos ou membros.
Alguns Holismos ...
Modelo para o organismo
Kurt Goldstein ( 1878 – 1965 ), neurologista e
psiquiatra, caracteriza (1934) os organismos
individuais como entidades “holísticas”.
“ Os organismos são sistemas que funcionam
como um todo , de tal modo que um estímulo dado
deve produzir mudanças no organismo inteiro ”.
Sociologia
Aplicado à sociedade humana, Holismo foi utilizado
seja como concepção da natureza da realidade social
(holismo ontológico social), seja como modo de
explicação dessa realidade (holismo metodológico
social). Nesse contexto, holismo se contrapõe a
individualismo.
Durkheim ( 1858-1917)
As instituições sociais, uma vez criadas pelo homem
passam a funcionar de maneira independente,
condicionando suas ações, integrando o quadro de
indivíduos em uma moral ou sistema de valores
coletivos ( religião, moral, direito,
economia/mercado, estética ).
Os sistemas de valores tem como finalidade a
regulamentação e o monitoramento do indivíduo,
enquanto ser pertencente a um coletivo,
assegurando que este trabalhe com o intuito das
necessidades do grupo, e não de suas necessidades
individuais.
Filosofia da Linguagem
Proliferam problemáticas holísticas com relação
ao significado. Uma palavra isolada ( ou uma
oração, ou uma hipótese, ou uma crença, etc
) parece não ter sentido por si mesma, mas na
medida em que faz parte de uma unidade
mais ampla ( uma linguagem, uma teoria,
uma ideologia ).
A aceitação do Holismo Semântico ( ou do
significado ) é a aceitação de que aquelas
unidades menores têm um sentido derivado
do conjunto.
Wittgenstein ( 1889-1951) [ das Investigações
Filosóficas (1953), em relação àquele do
Tractatus (1921) ]
Quine ( 1908-2000 )
Duhem ( 1861-1916) etc.
 Nesses três “holismos”, a questão da totalidade é
tratada na sua relação com as partes.
 Nesse tipo de holismo, é logicamente obrigatório
explicitar as condições necessárias para garantir, a
partir do conjunto, o significado das partes. Caso
contrário, não se terá sucesso em compreender as
partes e seu papel no todo,bem como o todo a partir
das partes.
 Assim, como se compreenderá mais à frente, essas
abordagens, apesar de não serem assim
denominadas, já são protocomplexistas.
O Holismo de J.C.Smuts (1870- 1950)
( Holism and Evolution, 1926 )
 Não classifica seu livro como de Filosofia ou de
Ciência. Busca promover a aproximação entre elas.
Afirma que a Ciência não poderá confirmar suas
afirmações, porque o âmbito de suas preocupações
é diverso.
 Usa Holismo em sentido mais geral que os
precedentes.
 Holismo, para Smuts, é um método de explicação e
não o nome de qualquer entidade especial.
 Para Smuts, Holismo é a tendência sintética
do universo em evoluir por meio da formação
de todos.
 Como proposto por Smuts, Holismo é uma
forma de evolucionismo emergentista: o
universo é descrito como um conjunto
evolutivo formado por totalidades que dão
origem, por sua vez, em séries emergentes, a
novas totalidades. Opõe-se à idéia de vida
como reagrupamento de fatos
fisicoquímicos.
 A realidade final do universo não é nem
material, nem espiritual, mas composta por
todos. Esse todo não pode ser visto como um
princípio geral, ou como uma tendência, pois
ele se apresenta como uma forma ou
estrutura.
 O todo é uma unidade formada por partes que são
intimamente relacionadas e as unidades individuais
afetam o todo, assim como são afetadas por esse.
 Na prática, é impossível delimitar onde se inicia o
todo e onde termina cada parte: há uma interação
profunda, na qual as partes e o todo se influenciam
continuamente.
 O todo é “dinâmico, evolucionário e criador”; ele
não é a mera agregação mecânica das partes.
 O processo evolutivo é criativo e traz, em cada
estágio do seu desenvolvimento, o aparecimento de
novas qualidades nos todos que vão se
configurando.
 Para Smuts, Holismo não é incompatível com
Mecanicismo. Eles regem esferas diferentes dos
processos da natureza. No ser humano, alguns
processos do corpo físico são regidos por princípios
mecanicistas, mas a personalidade é holística.
 No universo holístico, tudo tende à formação do “
todo holístico”, que para Smuts é a personalidade: a
mais elevada estrutura na evolução holística.
 A personalidade humana surge a partir da interação
entre a mente e o corpo. A mente se estrutura a
partir da matéria e da vida.
 Sendo o todo mais holístico do universo, a
personalidade tem atributos como a
capacidade de auto-realização, de auto-cura,
de auto-expressão e de purificação.
 Purificação, para Smuts, é a capacidade que a
personalidade possui de eliminar os
elementos desarmônicos da natureza
humana.
Metaconceito (dinâmico) para os critérios
AXIOLOGIA
(fins, valores)
ONTOLOGIA
EPISTEMOLOGIA
(natureza do
Ser ou dos Objetos)
(métodos, tipo de
conhecimento)
GNOSIOLOGIA
(validade do conhecimento em
função do ser cognoscente)
( Fiedler-Ferrara e Mattos )
Os critérios podem se atualizar ao
longo da cognição
Pensamento Sistêmico
Abordagem que, em geral, inclui:
 Elementos de Sistêmica ( sistema, retroação,
homeostase etc.) tratados de forma hipersimplificado.
 Um “fundo epistemológico” do tipo holista, com
diferentes níveis de privilégio ao todo.
 Elementos de Complexidade ( níveis hierárquicos,
múltiplos focos, circularidade complexa, autoorganização, emergência, flutuações, instabilidades,
teoria do caos etc ) tratados de maneira
extremamente simplificada.
 Estas simplificações, em geral, comprometem a
validade e o alcance das afirmações. Elas não são
apresentadas como esforço de vulgarização
(divulgação), mas como a epistemologia, ela mesma.
 Sua proposta, bastante genérica, é “um meio termo”
entre o reducionismo e o holismo pleno.
 Numa significativa parte das abordagens, Capra
aparece como referência de base importante.
 Insistência em justificar com a Ciência ( em particular
a Mecânica Quântica ) algumas dessas abordagens.
O uso normalmente feito da Mecânica Quântica é
incorreto.
do contemporâneo como “crise que se abate sobre a
ciência, sobre a tecnologia, sobre a cultura e a
sociedade”, sendo a causa da crise o “ excesso de
racionalismo, a fragmentação do conhecimento, da
educação, da ciência e da pessoa humana”.
Apresenta-se, o Pensamento Sistêmico numa
perspectiva salvacionista.
 Faz uma crítica feroz à especialização, ao modelo
cartesiano e ao reducionismo, como fontes de todos
os males: “Toda especialização nega a ação
integrada. Os especialistas que estão interessados
na parte e não no todo são entes inumanos”
s
 Recorre, com insistência, a uma visão catastrofista
Metaconceito (dinâmico) para os critérios
AXIOLOGIA
(fins, valores)
ONTOLOGIA
EPISTEMOLOGIA
(natureza do
Ser ou dos Objetos)
(métodos, tipo de
conhecimento)
GNOSIOLOGIA
(validade do conhecimento em
função do ser cognoscente)
( Fiedler-Ferrara e Mattos )
Os critérios podem se atualizar ao
longo da cognição
Sistêmica (Teoria do Sistema Geral)
 Construções clássicas (1940-1950)
Bertalanffy (1901-1972), biólogo. General System
Theory (1937)
Wiener e Rosemblueth (cibernética, eletrônica)
 Trata-se de uma poderosa teoria científica que se
articula, seja tendo em vista seus desenvolvimentos
(disciplina acadêmica) ou aplicando-se a problemas
específicos.
 Pode ser aplicada, em princípio, a qualquer problema
ou área de conhecimento, segundo qualquer recorte
epistemológico (causalidade linear ou circular,
dinâmicas não lineares, totalidades, dinâmicas
complexas etc. )
 Na Teoria de Sistemas, algumas de suas noções
básicas correspondem aos conceitos lógicomatemáticos gerais correspondentes.
 No que se segue baseio-me na exposição que faz E.
Bresciani Filho em “Conceitos básicos de sistêmica”. In
Auto-organização. D’Ottaviano eM.E.Q.Gonzales (orgs.).
Coleção CLE 30, Campinas, 2000, p. 283-306.
Sistema
Entidade unitária,organizada, construída por
um conjunto não vazio de elementos ativos
que mantêm relações com características de
invariança no tempo, o que garante sua
própria identidade.
Um sistema consiste num conjunto de
elementos que formam uma estrutura, a qual
possui uma funcionalidade.
Estrutura: é o conjunto articulado de relações entre os
elementos do sistema.
Funcionalidade: é o exercício das funções do sistema.
Funções do sistema são caracterizadas pelas atividades
desenvolvidas pelos elementos do sistema.
 O sistema é concebido por um sujeito, que também
pode lhe atribuir finalidade. Trata-se, porém, de um
sujeito disposicional (que pode não ter existência
atual, mas pode vir a tê-la ).
 O sistema pode ser considerado como um objeto a
ser observado, estudado, abstraído, conceituado,
concebido, analisado, simulado, modelado ou
representado por um sujeito que pode não ser
interno a esse sistema.
 O sujeito, não sendo interno ao sistema, estabelece
uma relação com o objeto de estudo através de
atividades de reflexão, especulação, observação e
experimentação. Essas atividades buscam encontrar
qualidades de organização no objeto que
caracterizem a sua existência, funcionalidade e
possível evolução.
 Quando o sujeito é interno ao sistema, ele é um
participante e exerce influência sobre os demais
elementos e é influenciado por eles: o
comportamento do observador afeta aquele do
observado e este afeta o primeiro em um processo
recorrente.
 A presença de um sujeito implica a presença de um
ponto de vista subjetivo , decorrente de todos os
seus limites de entendimento e de incerteza de
avaliação.
 O universo de fenômenos observados
(representados, etc. ) se define na relação entre
sujeito e objeto no domínio da forma, do espaço e
do tempo.
 Sem entrar em detalhes, forma, sumariamente,
pode ser definida como o “ equilíbrio da organização
dinâmica do sistema” ( G. Lerbet )
 Universo do sistema
É o conjunto não vazio de elementos subjacentes a
um sistema (não se deve confundir um sistema com
o seu universo)
 Elementos do sistema
São: as partes, os componentes, os atores ou
agentes que realizam atividades ( ações, reações,
retroações, proações, transações etc.), conduzem
processos e operações, produzem fenômenos e são
responsáveis por transformações, conversões e
eventos que caracterizam os seus comportamentos.
 Os elementos de um sistema possuem
características, atributos, predicados e qualidades
que podem ser expressos por parâmetros variáveis
ou constantes
Cada parâmetro pode assumir valores para
descrever o estado do elemento. Esses valores são
estabelecidos pelas características do elemento,
pelas relações dele com outros elementos e pelas
restrições externas ao elemento.
 Os elementos podem ser :
● de entrada ( ou importação ) do sistema;
● dos processos de transformação interna do
sistema;
● de saída ( ou exportação ) do sistema.
 O sistema também desenvolve atividades (funções,
processos, ações etc. ), assume estados e possui
características próprias (propriedades etc.)
 Subconjuntos do universo do sistema podem
constituir subsistemas do sistema geral
(subestruturas da estrutura subjacente ao sistema).
Tais subestruturas possuem funcionalidade, que é
parte integrante da funcionalidade do sistema geral.
 Devido às relações estabelecidas entre os
elementos, as características do sistema não são
obrigatoriamente iguais à soma das características
de seus elementos ou subsistemas: “ o todo é mais,
ou menos, do que a soma das partes”.
Assim, as propriedades e o comportamento de cada
elemento do conjunto têm efeito nas propriedades
e comportamento do todo e dependem das
propriedades e do comportamento de pelo menos
um dos outros elementos; ou seja, não existem
elementos isolados no sistema.
 As características ( propriedades etc.) do sistema
podem ser consideradas como emergências (
produtos, resultantes, etc.) desse sistema.
Outras propriedades fundamentais são a
globalidade ( constituição da unidade global com sua
invariança ) e a possibilidade de novidade.
 As relações entre os elementos podem ser:
interações, interrelações, interdependências,
integrações, ligações, articulações, comunhões,
associações, conjunções, inclusões, identificações,
combinações, conexões, comunicações etc.
 Essas relações exercem restrições, fazem
imposições, estabelecem sujeições e repressões às
atividades dos elementos na forma de leis e regras
de relações, hierarquia de decisões, controle de
regularidade, ajuste de equilíbrio e comando de
mudanças.
 Os elementos dentro do sistema constituem um
rede de relações que, em geral, se arranjam em
relações arborescentes ( por exemplo relações de
hierarquia) e em relações circulares ( de anel, de
laço)
 As relações circulares se apóiam no princípio do
círculo recorrente: os efeitos de uma relação entre
elementos são causas dessa mesma relação ou os
produtos de um sistema afeta o processo de
produção desses produtos, ou ainda, o estado final
de um sistema geral modifica o estado inicial, ou,
mais ainda, os efeitos retroagem sobre as causas.
 Organização de um sistema
A organização é identificada pelo conjunto
das características estruturais e funcionais de
um sistema.
Ela representa as relações e as atividades ou
funções desse sistema e tem a capacidade de
transformar, produzir, reunir, manter e gerar os
comportamentos desse sistema.
 Em face de seu comportamento dinâmico, a
organização pode ser também uma fonte de criação
de diversidade.
 Para exercer seu papel de criação de diversidade, o
sistema precisa se constituir e se desenvolver de
forma a fazer com que as forças de atração ou
cooperação (inclusão, composição, associação etc. )
predominem sobre as forças de repulsão ou de
competição representadas pelos antagonismos
(exclusão, decomposição, desassociação etc.),essas
responsáveis pela desintegração.
 As forças de cooperação e de competição não são
somente internas ao sistema, podendo provir de
elementos externos ao sistema ou elementos de
fronteira.
 Os sistemas podem ter objetivos (finalidades,
propósitos, intenções, expectativas e significados).
Esses objetivos são atribuídos pelo sujeito.
 Todo sistema tem uma fronteira, que será definida




pelo sujeito quando da sua observação ( concepção,
análise etc.)
A fronteira define o que faz parte e o que não fazem
parte do sistema.
O meio ambiente é tudo o que se convenciona ficar
fora do sistema.
O universo do meio ambiente é o complemento do
universo do sistema.
A fronteira de um sistema é o onde se dá a
passagem daquilo que sai ou entra no sistema.
 Os elementos de fronteira são aqueles que têm a
incumbência de estabelecer as relações do sistema
com o meio ambiente e vice-versa.
 Um elemento é de fronteira quando todas as suas
relações se efetuam com elementos internos e
externos ao sistema.
 Em geral, um sistema não é completamente isolado
do seu meio-ambiente, pois tudo (matéria, energia
ou informação) o que entra ou sai do sistema vem
do, passa ou sai para o meio ambiente.
Ainda assim, como aproximação ou hipótese,
pode-se admitir a existência de sistemas que não
interagem com o meio ambiente (sistemas fechados
ou isolados) e sistemas completamente sensíveis às
contingências do meio ambiente (sistemas abertos).
 Um sistema pode se encontrar em um estado de
equilíbrio ( característico de estabilidade) ou de
desiquilíbrio (característico de instabilidade). No
primeiro, o sistema não se transforma e mantém
suas características organizacionais, o que não
ocorre no segundo caso. Esses estados podem ser
matematicamente definidos.
 As mudanças de estado podem ser identificadas pela
mudança dos comportamentos dos elementos de
entrada e de saída do sistema: cada novo estado
pode ser considerado uma novidade no sistema.
 Duas características de sistemas associadas às
mudanças de estado:
● Regulação: que se manifesta pela manutenção
do estado de equilíbrio e da existência do sistema
frente às contingências externas e internas;
● Adaptação: que se expressa pela mudança em
um novo estado de equilíbrio, e garante a
manutenção da existência do sistema frente às
contingências externas e internas.
 Os mecanismos de regulação e de adaptação
surgem das relações dinâmicas no sistema e do
sistema com o seu meio-ambiente: através desses
mecanismos o sistema mantém a sua existência em
equilíbrio com o meio ambiente.
 A regulação é um processo circular que permite a
correção de desvios e a compensação de
desiquilíbrios que possam mudar o estado a ser
mantido ( ou o objetivo a ser atingido no caso de
sistemas com finalidades específicas).
 A regulação e a adaptação se dão através de
atividades exercidas por elementos externos,
internos ou de fronteira do sistema.
 Podem ocorrer em um sistema mudanças
organizacionais espontâneas, com o
comparecimento de comportamentos inesperados,
imprevistos, imprevisíveis e incertos. Isso pode
decorrer de altos graus de liberdade dos elementos
do sistema ou de altas sensibilidades dos elementos
a contingências e circunstâncias ambientais.
 Por outro lado, é possível também promover
mudanças organizacionais (estruturais ou
funcionais) predeterminadas, preconcebidas ou
planejadas, através de elementos de fora, de dentro
ou da fronteira.
 A auto-organização em um sistema se caracteriza
como um fenômeno de transformação ou de criação
de uma organização, que decorre
fundamentalmente da interação das atividades
predeterminadas, se as houver, com essa atividade
autônoma e espontânea de elementos internos, e,
eventualmente, de elementos de fronteira do
sistema. Isso se dá, tipicamente, através de
processos recorrentes.
 “Uma organização é auto-organizada quando se
produz a si própria. Há auto-organização cada vez
que o advento ou a reestruturação de uma forma, ao
longo de um processo, se deve principalmente ao
próprio processo – e características nele intrínsecas –
e só em menor grau às suas condições de partida, ao
intercâmbio com o meio ambiente ou à presença de
uma instância supervisora” (M. Debrun)
 Sem entrar em detalhes, forma, sumariamente,
pode ser definida como o “ equilíbrio da organização
dinâmica do sistema” ( G. Lerbet )
ABORDAGEM BIO-COGNITIVA
____________________________________________
(P. Galvani)
SISTEMA
S3
Autoformação
(pilotado pelo sujeito)
S1
S2
Héteroformação
(outras pessoas)
Família, meio social,
cultura
Ecoformação
(coisas)
.
Meio ambiente
Clima, influências
físicas e físicocorporais, dimensão
simbólica do meio
ambiente físico
Metaconceito (dinâmico) para os critérios
AXIOLOGIA
(fins, valores)
ONTOLOGIA
EPISTEMOLOGIA
(natureza do
Ser ou dos Objetos)
(métodos, tipo de
conhecimento)
GNOSIOLOGIA
(validade do conhecimento em
função do ser cognoscente)
( Fiedler-Ferrara e Mattos )
Os critérios podem se atualizar ao
longo da cognição
Complexidade
 Designa um conjunto de conceitos, modelos e
procedimentos que vêm sendo desenvolvidos e
aplicados em várias áreas do conhecimento, seja em
caráter disciplinar, multidisciplinar ou
interdisciplinar.
 Abordagens complexistas têm possibilitado às
disciplinas (exatas, da vida, economia e humanas)
alargarem seus domínios tradicionais de
abordagem.
 As disciplinas têm incorporado novas idéias,
conceitos e procedimentos para tratar sistemas
complexos, sem contudo abandonarem seu
patrimônio tradicional, num positivo processo de
mudança contínua e “adaptativa”.
 Não é pertinente referir-se a uma Teoria da
Complexidade, mas sim a “abordagens
complexistas”, isto é, abordagem de sistemas onde
comparece comportamento complexo.
 A complexidade não adota uma visão holística com
privilégio ao todo: ela busca articular o todo com a
parte e vice-versa.
 A complexidade não demoniza o reducionismo: ele
funciona excepcionalmente bem numa grande
variedade de situações; além disso, em um sistema
complexo, os conceitos e abordagens de base
reducionista podem permitir compreender
dinâmicas locais de subsistemas (que se articularão
com outras dinâmicas locais).
 As abordagens complexistas também se beneficiam de
desenvolvimentos da
● A partir dos anos 1940
Cibernética
Teoria da Informação
Teoria Geral de Sistemas
● A partir dos anos 1970
Desenvolvimentos ligados à autoorganização
● A partir dos anos 1950
Teoria de Sistemas Dinâmicos
● A partir dos anos 1970
Teoria do Caos
 A partir dos anos 1960, e mais intensamente a partir
dos anos 1970, começa a haver uma mudança
gradativa de prioridade epistemológica das
categorias estritas
simplicidade
ordem
regularidade
para categorias dialógicas
simplicidade/complexidade
ordem/desordem
regularidade/caoticidade
 Já nos anos 1960, são pioneiros em abordagens
complexistas programas de pesquisa científica em
● Teoria da matéria condensada ( Física ), onde
além do estudo de gases e sólidos com estruturas
regulares e composição fixa, passam a ser estudados
líquidos, sistemas amorfos e vidros. Fenômenos
cooperativos em ótica quântica ( laser) também
podem ser incluídos nessa categoria.
● Utilização de um ponto de vista “global” em
Ecologia
Imunologia
Sistemas Complexos
São sistemas em que:
 Identificam-se níveis hierárquicos de organização
(por exemplo, níveis microscópico, mesoscópico e
macroscópico: no ser vivo – células, orgãos, corpo;
na sociedade – indivíduo, cidade, planeta )
 Há retroações entre esses níveis, o que se dá
segundo dinâmicas não-lineares (efeito não é
linearmente proporcional à causa). [Hierarquias com
anéis de realimentação interna]
 Os elementos dentro do sistema também interagem




não linearmente em relações circulares ( os efeitos
retroagem sobre as causas ) [ Sistemas com rede de
relações arborescentes ( hierárquicas não circulares )
podem ser considerados apenas complicados ]
Combinam-se princípios de regulação e desiquilíbrio.
A dinâmica é marcada por contingências e
determinismos
A dinâmica se realiza entre as partes e todo e viceversa, num processo dinâmico. [ A parte repercute
no todo e o todo na parte].
Pode ocorrer auto-organização.
 Pode ocorrer emergência de primeira ordem:
aparecimento de propriedade emergente no
sistema, não inerente a seus componentes.
 Pode ocorrer emergência de segunda ordem:
aparecimento de propriedade emergente que
confere funcionalidade adicional ao sistema. Um
caso específico, e relevante, é aquele em que a
funcionalidade aumenta a habilidade do sistema
para processar informação
Propriedade emergente = macro-comportamento
observável
Trabalhar com sistemas complexos inclui
 Buscar leis que possam ser aplicadas a uma
variedade de sistemas complexos
 Encontrar princípios unificadores
► Notar bem
● Buscar princípios unificadores não
significa necessariamente proceder a abordagens
reducionistas
● É também conveniente distinguir
redutibilidade e o seu caso extremo que é o
reducionismo
● Mesmo o reducionismo pode ser o
melhor caminho. Só não o é quando mutila o objeto
a ser estudado
 Ao buscar identificar leis, devemos decidir em qual
nível pretendemos formula-las: macroscópico,
mesoscópico ou microscópico. Em cada caso
podemos chegar a descrições bastante diferentes do
sistema. Em cada nível encontraremos tipos
específicos de organização e estrutura.
 Ao se tratar sistemas complexos, há situações em
que não é possível encontrar um princípio unificado
ou uma lei geral. Isso não significa insucesso. Nesses
casos, há de se tratar cada caso com ferramentas
específicas e adequadas.
Sistemas Complexos Adaptativos que
mostram Comportamento Emergente
São sistemas complexos que aprendem
(comportamento emergente), reagindo às
necessidades específicas e eventualmente
mutantes de seus meios (adaptativo)
Um caso particular, seria um sistema
(composto por agentes, por exemplo
cidadãos) que aprende a partir de um nível
hierárquico mais baixo (no bairro, por
exemplo) com regras locais, adaptando-se ao
meio, gerando um estado global do sistema.
Cinco princípios fundamentais para a construção de um
sistema que aprende a partir de um nível mais baixo
com regras locais ( S. Johnson )
1. É necessário uma massa crítica de agentes para
produzir registros confiáveis do estado global do
sistema. Micromotivos (locais) e
macrocomportamentos são diversos; “somente pela
observação de todo o sistema em ação é que o
comportamento global se manifesta”.
2. As partes dos sistemas emergentes não devem ser
excessivamente complicadas; “ é melhor construir
um sistema com elementos simples densamente
interconectados”
3. Interações aleatórias de agentes são desejáveis
4. Os agentes do sistema devem estar dotados de
habilidade para detectar padrões, “ o que permite a
circulação de metainformação (sinais acerca de
sinais )”
5. Os agentes do sistema devem estar dotados da
capacidade de interagir com os vizinhos;
“informação local pode levar à sabedoria global”.
Junto com uma massa crítica de agentes, isso
favorece a adaptabilidade do sistema.
É possível que algumas desses princípios podem
parecer óbvios. Algumas delas, provavelmente já são
postas em prática, por exemplo, na organização de
movimentos sociais. Entretanto, o que é
surpreendente nesses princípios é que eles foram
estabelecidos a partir de cenários bastante gerais,
sem que se considerasse um sistema específico.
Além disso, utilizando formalismos lógicomatemáticos é possível, para problemas específicos,
proceder-se a modelagem matemática de
problemas desse tipo, com resultados que podem vir
a ser de utilidade prática e eventual generalização.
Imagine-se, por exemplo, a capacitação de agentes
de saúde pública.
Metaconceito (dinâmico) para os critérios
AXIOLOGIA
Sistema Complexo
(fins, valores)
ONTOLOGIA
EPISTEMOLOGIA
(natureza do
Ser ou dos Objetos)
(métodos, tipo de
conhecimento)
GNOSIOLOGIA
(validade do conhecimento em
função do ser cognoscente)
( Fiedler-Ferrara e Mattos )
Os critérios podem se atualizar ao
longo da cognição
Que todos possamos fazer o
melhor uso do que se tenha
compreendido hoje em benefício
de todos os seres.
Muito obrigado
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Apresentação - Comitê da Cultura de Paz