CONTEXTO DE TRABALHO E ESTRESSE: UM ESTUDO DE CASO COM BANCÁRIOS DE UMA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA Vanessa da Fonseca Guimarães1, Cristina Eurípedes Moreira2 1 2 Professora nível mestre do curso Gestão de Recursos Humanos da FacSENAC – DF; Administradora de empresas, Introdução O setor bancário tem crescido significativamente nos últimos tempos, apresentando um aumento considerável na variedade dos serviços prestados e na totalidade de indivíduos atendidos pelas instituições. Com o aumento das oportunidades do mercado financeiro, as cobranças sobre trabalhadores bancários têm crescido, ocasionando diversas exigências a esse tipo de trabalhadores, influenciando em sua saúde física e mental, bem como em seu rendimento e relação com o trabalho. O levantamento teórico e o estudo de campo apresentados nesta pesquisa tiveram o objetivo de identificar as teorias brasileiras que tratam o tema estresse e contexto de trabalho, bem como realizar um breve diagnóstico organizacional acerca desses constructos em uma instituição bancária de iniciativa privada - situada em Uberlândia, Minas Gerais – e sugerir análises e intervenções organizacionais. Adiante, uma revisão da literatura sobre o assunto será apresentada. 1. Levantamento teórico O tema Qualidade de Vida no Trabalho – QVT vem ganhando, a cada dia, mais evidência em nível global e, mais recentemente, no Brasil. Artigos científicos no tema, tais como Ferreira, Alves e Tostes (2009), Ferreira, Ferreira, Antloga, Bergamaschi (2009), Ferreira e Seidl (2000), Ferreira (2008), Vasconcelos (2001), dentre outros, confirmam a relevância e contemporaneidade dos estudos sobre 1 QVT, seja para a saúde física e mental dos empregados, seja para a organização, no alcance de suas metas e objetivos. Walton (1973) e Hackman e Oldham (1975) são duas referências amplamente utilizadas quando se fala de qualidade de vida no trabalho. Segundo Walton, a QVT refere-se ao equilíbrio entre trabalho e outras esferas da vida, do papel social da organização e da importância de se conciliar produtividade com QVT. Hackman e Oldham enfocam em sua teoria aspectos ligados à motivação interna, satisfação e enriquecimento do cargo. Conforme Ferreira, Alves e Tostes (2009), para as organizações, o tema QVT insere-se numa perspectiva de enfrentamento dos problemas presentes no cotidiano dos ambientes de trabalho que reconhecem este tema como uma real necessidade. Para Ferreira et. al (2009), o campo científico da QVT, de viés preventivo, guarda uma nítida interface de interesses com o campo da Ergonomia. A diferença entre essas duas áreas de estudos consiste no fato de que as abordagens de QVT apresentam, em geral, uma perspectiva analítica de natureza macroprocessual: foco no estudo da organização como um todo; enquanto os estudos e pesquisas em Ergonomia da Atividade alinham-se em uma perspectiva de natureza microprocessual: foco em setores específicos da organização nos quais se manifestam determinados problemas. Definindo melhor, Ferreira e Mendes (2003) afirmam que ergonomia relaciona-se à abordagem científica que investiga a relação entre os indivíduos e o contexto de produção de bens e serviços. Neste campo de estudo, analisam-se as contradições presentes nessa inter-relação, bem como as estratégias individuais e coletivas de mediação operatória que os indivíduos constroem para responder às múltiplas exigências existentes nas situações de trabalho e garantir o bem-estar. Mais adiante, Ferreira e Mendes (2008) propõem que a qualidade de vida no trabalho se relaciona a diversos fatores vivenciados no ambiente organizacional, tais como o contexto de trabalho no qual o funcionário está inserido. Diante desta interação indivíduo x contexto de trabalho, notam-se reações do trabalhador, resultantes desse intercâmbio, tal como o nível de estresse que ele apresenta. Nas próximas seções, os temas contexto de trabalho e estresse serão apresentados e discutidos, visando a uma melhor caracterização do tema e possibilitando, em 2 seguida, uma análise desses aspectos em um banco localizado na cidade de Uberlândia. 1.1. Contexto de Trabalho O contexto de trabalho representa o lócus material, organizacional e social, onde se operam as atividades de trabalho e as estratégias individuais e coletivas de mediação, utilizadas pelos trabalhadores na interação com a realidade de trabalho (FERREIRA; MENDES, p.41, 2003). Estudar contexto de trabalho é compreender como o empregado percebe: a organização de seu trabalho (OT), as condições de trabalho (CT) e as relações socioprofissionais (RS) presentes em seu local de trabalho. Elucidar como o indivíduo percebe o seu contexto de trabalho é essencial na Gestão de Pessoas, uma vez que possibilita analisar sistematicamente fatores que podem influenciar na satisfação no trabalho, em um baixo nível de estresse e/ ou em um adequado desempenho individual, grupal e organizacional. Segundo Ferreira e Mendes (2001, p.94), o atendimento a clientes constituise frequentemente em um serviço terminal que resulta da sinergia de multivariáveis: a conduta do usuário, as atividades dos funcionários envolvidos na situação, a organização do trabalho e as condições físico-ambientais/instrumentais. Conforme os autores supracitados, o atendimento ao cliente pode ser compreendido como uma prestação de serviços complexa entre diferentes interlocutores, cuja interação social é mediada por distintas necessidades, as quais podem ser facilitadas ou dificultadas em função das condições (físicas, materiais, instrumentais, organizacionais) disponibilizadas pela organização. Muitos são os motivos que podem gerar mal-estar no ambiente de trabalho em uma agência bancária; dentre eles, podem ser destacados: a constante realização de horas extras; o direito a poucas pausas durante o expediente; ambiente com temperaturas inadequadas, pouco ventilado e com ruídos; falta de equipamentos adequados ao tipo físico de quem o utiliza (cadeiras reguláveis na altura, por exemplo), trabalho sobre pressão e alto ritmo das atividades a serem desempenhadas. 3 Ciente das condições de trabalho que acometem várias ocupações, o site do Ministério do Trabalho e Emprego (em http://www.mte.gov.br) assevera que o local de trabalho precisa ter qualidade ergonômica, respeitando os requisitos de segurança, produtividade, flexibilidade e conforto. Essa qualidade ergonômica abrange a facilidade de manuseio, a adaptação antropométrica (medidas físicas do corpo humano), a nitidez das informações, a compatibilidade de movimento e demais itens de conforto e segurança. Nas agências bancárias, observa-se que o setor mais crítico com relação à ergonomia é a função de caixa ou escriturários, os quais contemplam tarefas de atendimento ao público. Estes precisam estar bem acomodados a fim de evitar lesões musculares, dores, fadigas e ter uma maior produtividade nas atividades desempenhadas. Ainda no site do Ministério do Trabalho e Emprego, afirma-se que, ao permanecer sentado, o bancário precisa usar muito suas mãos, além de curvar o pescoço e tronco com maior frequência, assumindo uma postura desconfortável, o que acaba por inclinar sua coluna, prejudicando-a. Coerente a esses fatos, é importante a análise periódica do contexto de trabalho dos bancários, ainda que essas mudanças gerem custos adicionais, pois, dentro de um período de médio e longo prazo, esses gastos se converterão em investimentos, ou seja, o colaborador passa a ter um ambiente mais ergonomicamente favorável, evitando fadigas ou problemas de desempenho. 1.2. Estresse É caracterizado por perturbações que causam distúrbios agudos ou crônicos no bem-estar das pessoas. Podem surgir em função de estímulos físicos ou emocionais. O estresse no trabalho pode ser causado por aspecto, como: (1) inadequado relacionamento interpessoal entre colegas, (2) tarefas conflitantes ou desqualificação do empregado para realizá-las, (3) normas ou processos internos da organização de trabalho, (4) condições precárias de trabalho, entre outros (PASCHOAL , TAMAYO, 2004) O estresse do indivíduo ou no ambiente de trabalho pode ocasionar um aumento de erros ou acidentes de trabalho, faltas ou licenças médicas, insatisfação 4 e baixo desempenho profissional (FIORELLI, 2000). Com a inserção de tecnologias, o ritmo de trabalho em agências bancárias aumentou, assim como a pressão por alcance de metas, a cobrança e sobrecarga de trabalho. Paschoal e Tamayo (2004) afirmam que o estresse ocupacional acontece devido ao colaborador não conseguir executar adequadamente seu trabalho, provocando alterações em seu nível emocional. No ambiente bancário, Couto (1995) ressalta que as modificações na esfera bancária originárias da informatização, diminuição de colaboradores, elevação da produtividade, objetivos a serem desempenhados e diferentes serviços individualizados, a fim de adquirir diferentes clientes, são sinônimos de uma melhora ininterrupta da excelência em procedimentos e que, no entanto, podem originar o estresse nesse contexto de trabalho. 2. Método O diagnóstico organizacional a ser apresentado nesta pesquisa objetivou um breve diagnóstico organizacional acerca das percepções dos empregados sobre o contexto de trabalho no qual estão inseridos, bem como do nível de estresse dos trabalhadores de uma instituição bancária de iniciativa privada, no estado de Minas Gerais. Para isso, foi realizada uma pesquisa por meio de duas escalas psicométricas, nomeadas Escala de Avaliação de Contexto de Trabalho (EACT) de Ferreira e Mendes (2008) e Escala de Estresse no Trabalho (EET) de Paschoal e Tamayo (2004), possibilitando uma análise quantitativa desses fenômenos. A relação entre contexto de trabalho e estresse foi avaliada a partir da aplicação de 17 kits de instrumentos, os quais apresentavam as escalas EET e EACT, respectivamente. Questões sobre dados pessoais, como sexo, escolaridade, idade, cargo atual e tempo de empresa também foram respondidas pelos participantes. Os questionários foram entregues no mês de maio/2010 a todos os 17 funcionários da empresa, com exceção do gerente geral. A aplicação dos questionários foi realizada com o consentimento formal da empresa e de seus 17 colaboradores participantes, os quais tiveram a garantia de que o nome da empresa e os dados individuais seriam mantidos em sigilo. Ao final desse diagnóstico, um retorno junto à gerência e aos colaboradores foi programado, 5 a fim de informar aos integrantes dessa organização os resultados e possíveis sugestões de intervenções organizacionais. A Escala de Contexto de Trabalho de Ferreira e Mendes (2008) é multifatorial e é composta por trinta itens, sendo divididos em três aspectos: (1) a Organização de Trabalho (OT – 9 itens, 0,72), (2) Condições de Trabalho (CT – 10 itens, 0,89) e as (3) Relações Socioprofissionais (RS – 11 itens, 0,87), apresentando ao respondente cinco opções de respostas: 1- Nunca a 5 – Sempre. A Escala de Estresse no Trabalho (EET) de Paschoal e Tamayo (2004) é unifatorial com opções de respostas de 1 – Discordo totalmente a 5 – Concordo totalmente. Foi utilizada a versão reduzida da escala, com 13 itens e alfa de 0,85. De posse de todas as escalas respondidas, os dados foram tabulados no programa Excel e depurados no programa estatístico SPSS for Windows 12.0, possibilitando, assim, as análises estatísticas e descritivas dos dados, como média, desvio padrão e frequência. 3. Resultados 3.1. Análise descritiva das variáveis Participaram da pesquisa 17 funcionários, sendo 59% do sexo masculino e 42% do sexo feminino, com idades variando entre 19 a 44 anos, e média de 28,2 anos. O tempo médio de trabalho na empresa era de 4,5 anos. Em relação à área de atuação, 47% dos respondentes pertenciam à área de “back-office”, responsável pelos processos administrativos da agência, e 53%, eram gerentes e assistentes da área comercial ou, preferindo, “front-office”. A seguir, são apresentados os resultados obtidos pelas escalas adotadas nesta pesquisa exploratória. Certo de que as opções de respostas das escalas eram de 1 a 5, a média foi analisada, considerando estes valores. 3.2. Média dos itens analisados pela escala de estresse de Paschoal, Tamayo (2004). 6 Conforme as médias obtidas e apresentadas na tabela 01, observa-se que os temas que mais têm deixado os empregados dessa empresa estressados se referem aos itens 13, 2, 8 e 12, respectivamente, demonstrando que aspectos referentes à realização das tarefas, tempo, definição de responsabilidades, falta de autonomia e de reconhecimento são fontes de estresse mais presentes no cotidiano desses trabalhadores nessa instituição bancária. Os itens 7 e 11 obtiveram índices menores nas respostas dos sujeitos, indicando que a maioria dos respondentes discorda quando lhe é perguntado se sente isolada ou se há competição no local de trabalho. Tabela 01: Média da Escala Estresse – Análise descritiva Itens da Tabela de Estresse N° de Opções de respostas de 1 – Discordo totalmente a resposta Média 5 – Concordo totalmente. s válidas 1. A forma como as tarefas são distribuídas em minha 17 3,0 área tem me deixado nervoso. 2. A falta de autonomia na execução do meu trabalho 17 3,17 tem sido desgastante. 3. Tenho me sentido incomodado com a falta de 17 2,53 confiança do meu superior sobre o meu trabalho. 4. Sinto-me irritado com a deficiência na divulgação 17 2,41 de informações sobre decisões organizacionais. 5. Sinto-me incomodado por ter de realizar tarefas 17 2,59 que estão além da minha capacidade. 6. Tenho me sentido incomodado com a deficiência 17 2,88 nos treinamentos para capacitação profissional. 7. Fico de mau humor por me sentir isolado na 17 2,29 organização. 8. Fico irritado por ser pouco valorizado por meus 17 3,05 superiores. 9. As poucas perspectivas de crescimento na carreira 17 2,29 têm me deixado angustiado. 10. Tenho me sentido incomodado por trabalhar em 17 2,64 tarefas abaixo do meu nível de habilidade. 11. A competição no meu ambiente de trabalho tem 17 2,35 me deixado de mau humor. 12. A falta de compreensão sobre quais são minhas responsabilidades neste trabalho tem me causado 17 3,05 irritação. Desvio Padrão 1,27 0,95 1,23 1,27 1,46 1,45 1,21 1,19 1,40 1,53 1,22 1,29 7 13. O tempo suficiente para realizar o meu volume de trabalho deixa-me nervoso. 17 3,29 1,31 A tabela 2 apresenta a média geral obtida pela escala de estresse. A média de 2,7 em uma escala que vai de 1 a 5 demonstra que o nível de estresse dos empregados está acima do ponto médio (2,5), indicando um nível moderado de estresse entre os participantes da pesquisa. O desvio padrão (DP) permite analisar a variância das respostas dos entrevistados. De acordo com os dados obtidos, os itens 5, 6, 9 e 10 (ver tabela 1) obtiveram os altos índices de DP, sugerindo que há uma relevante variância na percepção desses aspectos entre os empregados consultados. Isso pode ter ocorrido devido à participação de funcionários das duas áreas distintas da empresa: administrativo ou back-office (47% da amostra) e atendimento/comercial ou front-office (53% da amostra). Entende-se que devido às particularidades de cada área, os participantes da pesquisa realizam e, consequentemente, percebem de formas diferentes os mesmos aspectos investigados pela escala, relacionados à realização de tarefas, desenvolvimento de habilidades, possibilidades de ascensão profissional. Tabela 02: Média geral e Desvio Padrão obtidos na escala de estresse Escala de estresse de Paschoal, Tamayo N° de respostas (2004) válidas Média geral obtida escala 17 Média Desvio Padrão 2,7 0,36 3.3. Média dos itens analisados pela Escala de Avaliação de Contexto de Trabalho Referindo-se à coleta de dado realizada pela Escala de Avaliação de Contexto no Trabalho (EACT) de Ferreira, Mendes (2008), nota-se que, em relação ao fator Organização de Trabalho (OT), os itens 1 e 3 obtiveram maiores médias (ver tabela 03). Isso significa que os profissionais que responderam a esta pesquisa acham que o seu trabalho apresenta frequentemente, ou sempre, o ritmo acelerado e uma cobrança presente por resultados. 8 Analisando os índices de desvio padrão, nota-se que a variação obtida pelo item 7 (“os resultados esperados estão fora da realidade”) e 8 (“falta tempo para realizar pausa de descanso no trabalho”) do fator organização de trabalho apresentaram o maior desvio padrão, indicando variância significativa das respostas. Como esses itens referem-se a metas e ao tempo de descanso e pausa, essa variação pode estar relacionada novamente às diferenças existentes nos departamentos, uma vez que na área administrativa (back-office) não existe meta de vendas, e o tempo de descanso é limitado e controlado, ao contrário da área comercial (front-office) que possui metas diárias e tem flexibilidade e pouco controle sobre o descanso e pausas durante o dia. Tabela 03: Média da Escala Contexto de Trabalho – Fator: Organização de trabalho Itens da tabela OT_1. O ritmo de trabalho é acelerado OT_2. As tarefas são cumpridas com pressão temporal OT_3. A cobrança por resultados é presente OT_4. As normas para execução das tarefas são rígidas OT_5. Existe fiscalização do desempenho OT_6. O número de pessoas é insuficiente para se realizarem as tarefas OT_7. Os resultados esperados estão fora da realidade OT_8. Falta tempo para realizar pausa de descanso no trabalho OT_9. Existe divisão entre quem planeja e quem executa N° de respostas Média válidas 17 4,76 17 4,05 Desvio Padrão 0,43 0,82 17 17 4,82 4,52 0,39 0,62 17 17 4,29 3,82 0,68 1,01 17 2,94 1,19 17 3,47 1,37 17 3,94 1,08 Em relação ao fator Condições de Trabalho (CT), observa-se que as médias se apresentam mais baixas que o fator anterior (OT), sugerindo que o local de trabalho seja percebido pelos bancários como adequado para realização das tarefas (Ver tabela 04). O único problema assinalado nesse fator se refere ao item 3, 9 relacionado ao barulho no ambiente de trabalho, demonstrando que as pessoas dessa empresa acham o recinto barulhento, referindo-se, provavelmente, aos barulhos da fila, dos telefones, das máquinas e impressoras presentes nos guichês de caixa. Tabela 04: Média da Escala Contexto de Trabalho – Fator: Condições de trabalho Itens da tabela CT_1. As condições de trabalho são precárias CT_2. O ambiente físico é desconfortável CT_3. Existe barulho no ambiente de trabalho CT_4. O mobiliário existente no local de trabalho é inadequado CT_5. Os instrumentos de trabalho são insuficientes para realizar as tarefas CT_6. O posto de trabalho é inadequado para realização das tarefas CT_7. Os equipamentos necessários para realização das tarefas são precários CT_8. O espaço físico para realizar o trabalho é inadequado CT_9. As condições de trabalho oferecem risco à segurança física das pessoas CT_10. O material de consumo é insuficiente N° de respostas válidas 17 Média 1,35 Desvio Padrão 0,49 17 17 1,47 3,29 0,87 1,35 17 1,52 1,12 17 1,76 0,83 17 1,52 1,00 17 1,58 0,71 17 1,17 0,39 17 1,70 1,35 17 2,35 1,11 Conforme a tabela 05, que apresenta dados obtidos através da média dos itens analisados pela EACT, no fator Relações Socioprofissionais (RS), os fatores com maior média são: o item 7 (“existe individualismo no ambiente de trabalho”); 4 (“os funcionários são excluídos das decisões”) e 8 (“existem conflitos no ambiente de trabalho”), confirmando a presença de uma percepção negativa desses fatores sociais no ambiente de trabalho. As lideranças, a par dessas informações, devem proporcionar uma participação maior do profissional nas decisões organizacionais e 10 promover a cooperação entre os membros, evitando o comportamento de individualismo ou competição nesse ambiente laboral. Tabela 05: Média da Escala Contexto de Trabalho – Fator: Relações socioprofissionais N° de respostas válidas Média Desvio Padrão RS_1. As tarefas não estão claramente definidas 17 2,64 1,16 RS_2. A autonomia é inexistente 17 2,35 0,93 RS_3. A distribuição das tarefas é injusta 17 3,00 1,11 RS_4. Os funcionários são excluídos das decisões 17 3,17 1,33 RS_5. Existem dificuldades na comunicação chefia-subordinado 17 2,94 1,39 RS_6. Existem disputas profissionais no local de trabalho 17 3,00 1,27 RS_7. Existe individualismo no ambiente de trabalho 17 3,23 1,20 RS_8. Existem conflitos no ambiente de trabalho 17 3,05 1,14 RS_9. A comunicação entre funcionários é insatisfatória 17 2,70 1,26 RS_10. As informações de que preciso para executar minhas tarefas são de difícil acesso 17 2,00 1,00 RS_11. Falta apoio das chefias para o meu desenvolvimento profissional 17 2,35 1,27 Itens da tabela 3.4. Análise de Correlação Segundo Dancey e Reidy (2006), a análise estatística nomeada correlação (r) estuda o grau de relacionamento linear entre duas variáveis. Entre as diversas técnicas disponíveis, o coeficiente de Pearson é a mais adotada entre os cientistas. Este coeficiente varia entre os valores -1 e 1. O valor 1 indica uma correlação 11 perfeita positiva entre as duas variáveis, e -1 indica uma relação linear perfeita inversa, ou seja, quando uma das variáveis aumenta, a outra diminui. Quanto mais próximo os índices obtidos estiverem de 1 ou -1, mais forte é a associação linear entre as duas variáveis. O índice p indica o nível de significância, representando o grau de erro dessa correção. Um p0,01 indica que apenas em 1% dos casos essa correlação entre dois fatores pode ocorrer ao acaso, reforçando a confiabilidade do índice de correlação alcançado. Tabela 6: Análise de correlação – Pearson Contexto de trabalho Estresse Organização do trabalho r=0,79; p<0,01 Condições de trabalho r=0,63; p<0,01 Relações Socioprofissionais r=0,61; p<0,01 Referente à variável estresse e aos três fatores avaliados na escala de contexto de trabalho, encontraram-se relações entre estresse – organização de trabalho (r=0,79; p<0,01). Os valores indicam uma forte correlação, alta e positiva, afirmando que, na amostra estudada, a organização de trabalho influencia no nível de estresse dos empregados, sendo fonte importante de compreensão e tratamento das causas relacionadas ao estresse. Referente à variável estresse, constataram-se correlações entre este fator e condições de trabalho (r=0,63; p<0,01) e relações socioprofissionais (r=0,61; p<0,01). Os valores indicam que essa relação é alta e positiva (mas não tão alta quanto o fator organização de trabalho), afirmando que na amostra estudada as condições de trabalho e as relações socioprofissionais também influenciam o nível de estresse dos empregados. Conclui-se que, neste estudo específico, o estresse está, provavelmente, mais relacionado com o fator organização de trabalho ao qual os empregados estão submetidos, obrigando a empresa a analisar quais aspectos são indicadores mais expressivos de estresse. De acordo com a tabela 1, os aspectos OT_1 – “Ritmo acelerado” e OT_3 – “Cobrança por resultados”, apresentaram-se com valores altos neste estudo, indicando que provavelmente são fontes importantes de estresse. Sugere-se que a empresa em questão proponha mudanças nesses aspectos, assim 12 como em outros que se apresentaram em igual relevância. Essas mudanças devem vir acompanhadas de um programa de qualidade de vida no trabalho que, conforme Ferreira et. al (2009), privilegie um viés preventivo, por meio da participação dos empregados na definição destas novas diretrizes, da análise organizacional sobre o contexto do trabalho, bem como das relações de troca entre indivíduo e organização. 4. Considerações finais Realizar um diagnóstico organizacional através de ferramentas confiáveis é de suma importância para uma organização, pois é através deste que pode se identificar como os funcionários percebem seu ambiente de trabalho, e quais os fatores críticos podem ser melhorados. O diagnóstico organizacional consiste numa análise minuciosa do contexto organizacional e se propõe como um instrumento indispensável de gestão, uma técnica gerencial de primeira ordem. A principal contribuição da pesquisa consistiu em fornecer uma visão panorâmica sobre como está o contexto de trabalho sob a ótica dos bancários de uma organização mineira, tendo, portanto, um respaldo teórico-prático para se compreenderem as bases concretas das representações de estresse que ocorrem nesses funcionários. Os resultados forneceram dados pertinentes para delinear os principais indicadores críticos que atuam no contexto de trabalho, possibilitando assim uma visão global de como os funcionários percebem seu ambiente de trabalho e quais aspectos mais podem estar contribuindo para gerar estresse. Do ponto de vista de sua aplicação, os resultados da pesquisa fornecem valiosas informações que podem servir não só de fonte para reflexões sobre a realidade organizacional estudada, mas, sobretudo, como subsídios para uma agenda de mudanças e pesquisas organizacionais futuras voltadas para a melhoria dos principais pontos críticos encontrados. Nesse sentido, o diagnóstico oferece um ponto de partida aos dirigentes e gestores responsáveis por ações que visam melhorar a qualidade de vida desses bancários. 13 Por fim, cabe assinalar que esta pesquisa alimenta de forma pontual o processo de reflexão sobre a importância do contexto de trabalho, uma vez que o ambiente organizacional deve ser sempre fonte de construção da identidade do indivíduo, expressa por meio do prazer, e não do sofrimento. No caso presente, agregar prazer ao trabalho dos bancários, melhorar as condições dentro do ambiente da empresa implica significativas mudanças no contexto organizacional bancário e no modelo de gestão do trabalho existente. Ao tratar bem seus colaboradores, proporcionando qualidade de vida no trabalho, as empresas conseguirão, de forma eficaz, alcançar seus resultados. 5. Referências Bibliográficas COUTO, H. de A. Ergonomia aplicada ao trabalho: o manual técnico da máquina humana. Belo Horizonte: Ergo, 1995. DANCEY, C. P.; REIDY, J. 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