UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA - UNAMA CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE - CCBS CURSO DE FISIOTERAPIA Rivcah Belicha Israel AVALIAÇÃO DOS NÍVEIS DE ESTRESSE EM PROFESSORES DE ESCOLAS PÚBLICAS DE BELÉM Belém 2010 Rivcah Belicha Israel AVALIAÇÃO DOS NÍVEIS DE ESTRESSE EM PROFESSORES DE ESCOLAS PÚBLICAS DE BELÉM Trabalho de Conclusão de curso de Fisioterapia do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde da UNAMA para obtenção do grau de Bacharel em Fisioterapia. Orientadora: Prof ª. Tainá Alves Teixeira. Belém 2010 Rivcah Belicha Israel AVALIAÇÃO DOS NÍVEIS DE ESTRESSE EM PROFESSORES DE ESCOLAS PÚBLICAS DE BELÉM Trabalho de Conclusão de curso de Fisioterapia do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde da UNAMA apresentado à banca examinadora como requisito para obtenção do grau de Bacharel em Fisioterapia. Banca Examinadora ________________________ Prof. ________________________ Prof. ________________________ Prof. Apresentado em: __ / __ / __ Conceito: ___________ Belém 2010 AGRADECIMENTOS Agradeço a todos que contribuíram direta e indiretamente à elaboração e realização desta pesquisa, a D’s, aos meus pais e familiares, meus amigos, à minha orientadora, e às instituições onde foram feitas este trabalho. RESUMO O estresse no trabalho é uma preocupação comum a todos, porém cada um tem a sua maneira de lidar com este problema. O mundo atual tenta cada vez mais melhorar a qualidade de vida, buscando a promoção do bem estar do trabalhador. Mas, muitas vezes a sobrecarga emocional, sobre tensão acumulada, leva a uma incapacitação do individuo de exercer suas atividades. Este trabalho teve como objetivo investigar a relação entre o ambiente de trabalho e os níveis de estresse em professores de escolas públicas de Belém. Para isso, foi realizada uma pesquisa onde foram aplicados dois questionários, um relacionado ao nível de estresse, e outro, à estrutura física do ambiente de trabalho. A amostra foi composta por 32 professores das escolas EEEFM “Camilo Salgado” e EEEFM “David Salomão Mufarrej”. Através desta pesquisa ficou evidente que os níveis de estresse independem do sexo dos professores, ou seja, tanto homens como mulheres estão expostas aos mesmos níveis de estresse, além de mostrar que estes níveis observados são diretamente relacionados à quantidade de alunos em sala de aula, quantidade de turma em que o professor atua por dia, tempo de serviço como docente, quantidade de horas que os mesmos ficam em pé. Além de mostrar que quanto maior a idade dos professores maior é o índice de estresse que estes docentes tendem a apresentar. Palavras- chave: saúde ocupacional, estresse no trabalho, prevenção do estresse. ABSTRACT Stress at work is a common concern to all, but each has its own way of dealing with this problem. Today's world increasingly try to improve the quality of life, seeking to promote the well being of the worker. But often the emotional burden on accumulated tension, leads to an individual's incapacity to perform her duties. This study aimed to investigate the relationship between work environment and stress levels in teachers from public schools in Bethlehem For this, a search was conducted were applied two questionnaires, one related to the level of stress, and second, the physical structure of the workplace. The sample consisted of 32 teachers from schools EEEFM "Camilo Salgado and EEEFM" David Solomon Mufarrej. Through this research it became evident that the stress levels are independent of the sex of teachers, ie, both men and women are exposed to the same levels of stress and show that these observed rates are directly related to the number of students in the classroom, amount of classroom where the teacher works per day, length of service as a teacher, number of hours that they are standing. Besides showing that the higher the age of teachers is the greatest levels of stress that these teachers tend to have. Keywords: occupational health, work stress, stress prevention. LISTA DE FIGURAS FIGURA 1: Em quantas escolas trabalha 28 FIGURA 2: Quantas horas passa em pé 28 FIGURA 3: Há quantos anos trabalha como professor 28 FIGURA 4: Trabalho atrapalha suas atividades físicas 29 FIGURA 5: Quanto à solução dos problemas 32 LISTA DE TABELAS TABELA 1: Distribuição das idades dos Professores Pesquisados 25 TABELA 2: Avaliação quanto ao nº de aluno/turma, aulas/dia, escolas, horas em pé e tempo de serviço dos professores 26 TABELA 3: Quanto ao relacionamento entre professores, coordenação e equipe gestora 30 TABELA 4: Quanto ao relacionamento com os alunos 31 TABELA 5: Quanto a fatores que dificultam o desempenho profissional 33 TABELA 6: Quanto ao nível de Estresse dos professores 34 TABELA 7: Teste de Contingência C com alfa de 5% entre o estresse e idade 36 TABELA 8: Teste de Contingência C com alfa de 5% entre o nível de estresse e o sexo 37 TABELA 9: Teste de Contingência C com alfa de 5% entre o nível de estresse e a quantidade de alunos em sala de aula 38 TABELA 10: Teste de Contingência C com alfa de 5% entre o nível de estresse e o número de turmas em que o professor trabalha 39 TABELA 11: Teste de Contingência C com alfa de 5% entre o nível de estresse e a quantidade de escolas que trabalha 40 TABELA 12: Teste de Contingência C com alfa de 5% entre o nível de estresse e a quantidade de horas que trabalha/dia 41 TABELA 13: Teste de Contingência C com alfa de 5% entre o nível de estresse e o tempo que exerce a profissão 42 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 13 CAPÍTULO I- SAÚDE OCUPACIONAL 15 1. SAÚDE 15 1.1 TRABALHO E O HOMEM 15 1.2 SAÚDE DO PROFESSOR 16 CAPÍTULO II- ESTRESSE E O MUNDO MODERNO 18 2.1 A DOENÇA DO SÉCULO 18 2.1.1 Consequências e Respostas do Estresse 19 2.1.2 Estresse no Trabalho 20 2.1.3 Fases do Estresse 20 2.1.3.1 Reação de Alarme 20 2.1.3.2 Fase de Adaptação ou Resistência 21 2.1.3.2.1 Resiliência 21 2.1.3.3 Fase de Exaustão 22 2.1.3.3.1 Burnout 22 2.2 PREVENÇÃO DO ESTRESSE 23 CAPÍTULO III- METODOLOGIA 24 3.1 TIPO DE ESTUDO 24 3.2 LOCAL DO ESTUDO 24 3.3 ASPECTOS ÉTICOS 24 3.4 INFORMANTES 25 3.4.1 Critérios de inclusão 25 3.4.2 Critérios de exclusão 25 3.5 COLETA DE DADOS 25 3.6 ANÁLISE ESTATÍSTICA 26 3.7 RISCOS E BENEFÍCIOS 26 CAPÍTULO IV- RESULTADOS E DISCUSSÃO 27 4.1 ANÁLISE DA IDADE DOS PROFESSORES 27 4.2 ANÁLISE ENTRE A CARGA HORÁRIA; NÚMERO DE ALUNOS; HORAS EM PÉ E TEMPO DE SERVIÇO 28 4.3 ANÁLISE DA MÉDIA DE ALUNOS E TURMAS 29 4.4 ANÁLISE DA QUANTIDADE DE ESCOLAS; HORAS EM PÉ E TEMPO DE PROFISSÃO 30 4.5 RELAÇÃO DO TRABALHO E ATIVIDADES FÍSICAS 31 4.6 ANÁLISE DO RELACIONAMENTO ENTRE PROFESSORES, COORDENAÇÃO E EQUIPE GESTORA 32 4.7 ANÁLISE DO RELACIONAMENTO COM ALUNOS 33 4.8 RELAÇÃO DE FATORES QUE DIFICULTAM O DESEMPENHO PROFISSIONAL 35 4.9 RELAÇÃO DE NÍVEIS DE ESTRESSE 36 TESTE DE CONTINGÊNCIA C 1 38 TESTE DE CONTINGÊNCIA C 2 39 TESTE DE CONTINGÊNCIA C 3 40 TESTE DE CONTINGÊNCIA C 4 41 TESTE DE CONTINGÊNCIA C 5 42 TESTE DE CONTINGÊNCIA C 6 43 TESTE DE CONTINGÊNCIA C 7 44 CAPÍTULO V- CONCLUSÃO 46 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 47 APÊNDICES 50 Apêndice A 51 Apêndice B 52 Apêndice C 54 Apêndice D 57 ANEXOS Anexo A 61 62 INTRODUÇÃO O mundo moderno exige um estilo de vida que favorece o surgimento do estresse no ambiente de trabalho. A demanda intensa de atividades dos profissionais, num ritmo desenfreado, está aumentando a incidência de pessoas estressadas. Caso estes níveis de estresse se tornem excessivos, há um comprometimento na qualidade de vida da pessoa. Segundo Muchinsky (2004) o trabalho realiza um papel importante no que diz respeito à identidade, auto-estima e bem-estar psicológico de um indivíduo. Porém, pessoas que trabalham em ambientes não propícios, sem qualidade, como é o caso dos professores que lecionam em escolas públicas se submetem a uma jornada de trabalho diária com carga horária alta, geralmente possuem mais de um emprego, com muitos alunos em sala de aula e em condições físicas precárias tem mais chances de serem estressadas. Além disso, aqueles que trabalham com adolescentes estão constantemente em prova, pois nesta fase o indivíduo passa por mudanças físicas e psicológicas levando a diversas manifestações de comportamento, quer ter novas experiências e também necessita contrariar todos em seu redor. Para Vieira et al. (2007) a população jovem é vulnerável às conseqüências negativas, podendo ferir não intencionalmente, cometer homicídio e suicídio, sendo mais comum entre os homens jovens e solteiros. Todos esses fatores favorecem a uma sobrecarga emocional, comprometendo o comportamento do profissional, podendo trazer sérias conseqüências como: irritabilidade, desmotivação e baixa realização profissional. Por este motivo surgiu necessidade de um estudo que aborde a qualidade de vida deste profissional, sendo relevante a contribuição do fisioterapeuta na compreensão, assim como, na elaboração de propostas de prevenção e intervenção do estresse visando uma melhor qualidade de vida e bem – estar do professor. Este estudo teve como questão saber de que forma o trabalho do professor que leciona em escola pública influencia nos níveis de estresse, tendo então como hipótese nula (H0) saber se o trabalho do professor que leciona em escolas públicas não influencia nos níveis de estresse, enquanto na hipótese alternativa (H1), foi de saber se o trabalho do professor que leciona em escolas públicas influencia nos níveis de estresse, esta questão será respondida mais à frente. Este trabalho teve como objetivo investigar a relação entre o ambiente de trabalho e os níveis de estresse em professores de escolas públicas de Belém; verificar se os professores de escolas públicas apresentam níveis de estresse que interferem na qualidade de vida; avaliar a estrutura do ambiente de trabalho deste profissional; e, discutir a relação entre o ambiente de trabalho e o estresse no professor. CAPÍTULO I- SAÚDE OCUPACIONAL 1. SAÚDE A Organização Mundial da Saúde (OMS) define saúde como estado de completo bemestar físico, mental e social,e não somente a ausência de enfermidade ou invalidez. Para Muchinsky (2004) saúde ocupacional é tudo aquilo que envolve um conjunto de questões que afetam o bem-estar mental, emocional e físico dos funcionários em seu ambiente de trabalho. A saúde mental representa uma avaliação abrangente das principais dimensões de bem-estar; competência, autonomia e aspiração refletem aspectos de comportamento de uma pessoa em relação ao ambiente e muitas vezes determinam seu bem-estar afetivo. No bemestar afetivo a pessoa diz sentir-se bem por não se sentir fisicamente debilitada, mas também pelo fato de estar bem mentalmente e emocionalmente. É importante que se saiba o caminho a ser trilhado para se alcançar os objetivos estabelecidos para o bem-estar mental, emocional e físico dos profissionais em seu trabalho, e, o conhecimento da práxis da saúde ocupacional é essencial para a compreensão desta ação. Segundo Glina et al. (2001) o descompasso entre a organização do trabalho e o ser humano favorece o aparecimento do sofrimento mental, uma vez que levaria o trabalhador à necessidade de transgredir para poder executar a tarefa. 1.1 TRABALHO E O HOMEM O trabalho sempre esteve presente nas diversas civilizações, desde os tempos préhistóricos até a atualidade. Entretanto, profundas modificações em sua estrutura e relações aconteceram no decorrer de toda a evolução humana. Formas distintas foram desenvolvidas, variando nas sociedades primitivas, no período da escravidão, na inserção do capitalismo e com todo o advento da tecnologia, cada vez mais mecanicista. As formas de controle de produção e divisão do trabalho, com o passar do tempo, tornaram-se mais rigorosas, acarretando uma mudança radical na natureza do trabalho, ao longo dos séculos e após as revoluções, sempre mantendo seu peso na organização social e constituindo-se um conceito fundamental para a explicação do espaço como produto social. No plano da dinâmica das relações atuais, coloca-se a necessidade de compreender o trabalho como um mecanismo que torna o homem humano, satisfaz suas necessidades e é fonte de toda riqueza. Além do desenvolvimento econômico, social e político que o trabalho propiciou ao ser humano em toda a história, acredita-se que sua contribuição foi ainda maior: o homem produz e é produto da sua obra. Existem pensadores que defendem que o trabalho teve grande influência no desenvolvimento físico e cognitivo do homem O trabalho é um modo de produção capitalista que sustenta uma lógica de competição, de individualismo e de busca do lucro. Com o aumento do desemprego, o número de experiências de autogestão vem aumentando. Novas formas de organização e de relação com a produção vêm surgindo em busca de melhorar a saúde e a organização no trabalho (BARFKNECHT; MERLO; NARDI, 2006). Segundo Zanelli; Borges-Andrade; Bastos (2004) o trabalho impõe-se aos mais variados gêneros, classes sociais e entre jovens, adultos e idosos. Eles podem promover uma assistência de qualidade que valorize não só a parte técnica e estrutural, mas também a relação no atendimento ao grupo, o qual valoriza a saúde. O trabalho humaniza, permite, constrói e expressa o individuo. De acordo com Muchinsky (2004) o status profissional desempenha um papel importante no senso de identidade, auto-estima e bem-estar psicológico de uma pessoa. O trabalho é a característica central e definidora da vida da maioria dos indivíduos. 1.2 SAÚDE DO PROFESSOR A Organização Internacional do Trabalho – OIT (1984) identificou a profissão docente como de alto risco, considerando a segunda categoria profissional, em nível mundial, a portar doenças de caráter ocupacional. De acordo com Albuquerque (2004) ensinar é promover valores, solidariedade entre homens, igualdade e reflexão do pensamento, exige planejamento. A ação do professor tem como foco principal no ensino na aprendizagem. O professor é peça fundamental na formação moral e social dos alunos, orientando- os na medida do possível em todos os aspectos de suas vidas. Cantos; Silva e Nunes (2005) afirmam que o estresse no trabalho continuará a aumentar em um ritmo alarmante, o que acarretará conseqüências desastrosas de saúde. Sendo preciso assim, é preciso analisar a psicodinâmica do trabalho e discutir como os aspectos de uma atividade profissional podem favorecer o estado de saúde ou de doença. Segundo Gonçalves, Penteado e Silvério (2005) mudanças e transformações nas formas de perceber e responder às necessidades de saúde dos trabalhadores, bem como na atribuição de responsabilidades sociais, de comprometimento dos segmentos da sociedade e de compromisso dos diversos atores sociais envolvidos com a causa da saúde dos trabalhadores vem sendo estabelecidas a partir de determinadas relações sociais, culturais, econômicas e produtivas, orientadas por políticas de saúde que tem pressupostos e concepções subjacentes, valorizando os cidadãos, o processo de doença e a própria saúde sendo diferente em cada tempo e lugar. CAPÍTULO II- ESTRESSE E O MUNDO MODERNO 2.1 A DOENÇA DO SÉCULO Segundo Ballone (2005) o estresse pode ser definido como um conjunto de reações que ocorrem no organismo, em resposta a fatores que de alguma forma ameaçam sua integridade funcional. E a capacidade adaptativa dos sistemas biológicos e tem papel fundamental na perseverança da integridade dos organismos vivos. Para Zanelli; Borges-Andrade; Bastos (2004) o termo estresse popularizou-se a partir de seu uso na medicina, de tal forma que ninguém desconhece ou deixa de usá-lo em algum momento e com os mais variados significados. A difusão do termo veio tanto para o bem quanto para o mal. Por bem, devemos às pesquisas sobre estresse a popularização do problema de saúde mental no trabalho. Por mal, porque esta vulgarização acabou atingindo de alguma forma a própria pesquisa científica e transformando o conceito em uma espécie de fórmula mágica que tudo explica e tudo resolve: tudo provoca o estresse (a rotina do trabalho muito simples, a complexidade do trabalho muito complexo, etc.) e tudo resolve o estresse (massagens, conversas, chazinhos, meditações). Existem, no entanto, muitas pesquisas sérias e boas conclusões a extrair-se. De acordo com Margis et al. (2003) estresse é o estado gerado pela percepção de estímulos sendo resultado da interação entre as características da pessoa e as demandas do meio, ou seja, as discrepâncias entre o meio externo e interno e a percepção do indivíduo quanto a sua capacidade de resposta. Afirma ainda que as situações ambientais podem ser provocadoras de estresse e agrupadas como: acontecimentos vitais, acontecimentos diários menores e situações de tensão crônica. O estresse é uma resposta adaptativa do organismo a situações que podem perturbar o equilíbrio natural. Estas situações geram um estado de excitação emocional, levando à liberação de diversas substâncias, dentre elas a adrenalina. 2.1.1 Consequências e Respostas do Estresse De acordo com Margis et al. (2003) a resposta ao estresse depende, em grande medida, da forma como o indivíduo filtra e processa a informação e sua avaliação sobre as situações ou estímulos a serem considerados como relevantes, agradáveis, aterrorizantes, etc. O estresse, quando exagerado, provoca problemas de ordem física e mental, resultando numa insatisfação do trabalhador, comprometendo a atividade do indivíduo e o sucesso no trabalho (COUTO; VIEIRA; LIMA, 2007). Margis et al. (2003) afirma que o estresse provoca excitação emocional e, perturba a homeostasia, disparando um processo de adaptação caracterizado, entre outras alterações, pelo aumento de secreção de adrenalina produzindo diversas manifestações sistêmicas, com distúrbios fisiológicos e psicológicos. A explicação para a ocorrência do estado de estresse é biológica e diz respeito à necessidade de adaptação ou ajustamento do organismo frente às pressões do meio com os quais este se depara. Essa adaptação manifesta-se em três fases: a reação de alarme diante de um agente agressor, a resistência e a exaustão. É comum a todo ser humano passar pelas fases de alarme e de adaptação ao longo da vida, pela demanda constante de ajuste às atividades e necessidade de resistência aos infortúnios da existência (ZANELLI; BORGES-ANDRADE; BASTOS, 2004). Do ponto de vista evolutivo, a ansiedade e o medo, assim como o estresse ocorrem em resposta aos perigos encontrados em seu meio ambiente (MARGIS et al., 2003). Segundo Nilsen et al. (2007) o organismo responde fisiologicamente ao estresse com dor no ombro e no pescoço, fazendo com que o individuo adote uma postura de elevação do músculo do trapézio, ocorre também o aumento da pressão arterial, da freqüência respiratória e da freqüência cardíaca. Além desses efeitos, Chandola et al. (2008) afirma que é possível associar o estresse no trabalho e a falta de atividade física, devido à falta te tempo, podem estar diretamente relacionados com riscos de doenças cardiovasculares e obesidade. Isso se dá pelo fato de que há a ativação direta nas respostas neuroendócrinas aos estressores, ou, mais indiretamente, através de comportamentos que não são saudáveis que aumentam o risco de doença coronariana. 2.1.2 Estresse no Trabalho O número de docentes irritados, desmotivados, cansados, sem encontrar significado pessoal no seu trabalho e sentindo-se desvalorizados profissionalmente leva o individuo a uma condição de desistência emocional no trabalho (BOCK e SARRIERA, 2006). O estresse ocupacional é um desequilíbrio entre as demandas existentes no trabalho e sua habilidade e/ou possibilidade para enfrentá-las. Isto pode ocorrer por medo de fracassar, cansaço físico e emocional, por apoio inadequado das pessoas que o cercam, sensação de ser mal interpretado ou não apreciado. Para Kroemer e Grandjean (2005) algumas condições de trabalho facilitam o individuo a ficar estressado, como ficar de pé, exige uma imobilização prolongada das articulações dos pés, joelhos e quadris, além disso, se for por um tempo prolongado é cansativo e doloroso, devido ao aumento importante da pressão hidrostática do sangue nas veias das pernas e a restrição geral da circulação linfática, causando um progressivo acúmulo de líquidos tissulares nas extremidades inferiores. É importante frisar que as reações de estresse não são o bandido da história, estão presentes em todos os momentos de nossa vida; são tão importantes que não podemos viver sem elas, pois nos auxiliam em todos os movimentos de adaptação de que necessitamos (FRANÇA e RODRIGUES, 2007). 2.1.3 Fases do Estresse 2.1.3.1 Reação de Alarme Rosseti et al. (2008) afirma que esta fase do estresse é considerada a positiva, o ser humano se energiza por meio da produção da adrenalina, a sobrevivência é preservada e uma sensação de plenitude é freqüentemente alcançada. Segundo Greenberg (2002) a reação de alarme corresponde a um estado de choque, onde é ativado o sistema nervoso autônomo, em sua porção simpática, assim ativando as respostas físicas, mentais e psicológicas ao estresse durante a reação de alarme. O organismo apresenta um aumento da sua capacidade orgânica, preparando- se para agir, lutar ou fugir. É caracterizada por apresentar taquicardia, hiperventilação, tensão muscular, aumento da sudorese, dilatação das pupilas e ansiedade. Esta fase dura desde alguns dias ate semanas. 2.1.3.2 Fase de Adaptação ou Resistência Ocorre quando a exposição do individuo aos fatores causadores de estresse é duradoura. Há uma tentativa de manter o equilíbrio orgânico, busca de mecanismos compensatórios. É caracterizada pela: irritabilidade, insônia, oscilações de humor, diminuição da libido, gastrite. Nesta fase as doenças de caráter psicossomático instalam-se e tornam-se crônicas. Esta fase dura alguns meses e pode durar por muitos anos. Segundo Greenberg (2002) durante essa fase prossegue o aumento de atividade do sistema simpático e a conseqüente liberação de catecolaminas, isto permite um aumento de glicose nas células em geral, os quais são fundamentais para a excitação de atividades cerebrais durante a síndrome de adaptação ou estresse. É necessário que o nível de glicose no sangue seja alto, pois o organismo precisa ter energia armazenada para enfrentar o estresse, se o estresse continua por muito tempo, os glicocorticóides são destrutivos para os tecidos, inibindo o crescimento somático e ósseo, é quando se inicia a terceira fase do estresse: a fase de exaustão (GREENBERG, 2002). 2.1.3.2.1 Resiliência Segundo Silveira e Mahfoud (2008) o termo resiliência consiste na resistência à destruição, transformar uma situação de dor em possibilidade de crescimento, capacidade humana para enfrentar, sobrepor-se e ser fortalecido ou transformado por experiências de adversidade. Para Noronha et al. (2009) a resiliência caracteriza-se pela capacidade do ser humano responder às demandas da vida cotidiana de forma positiva, apesar das adversidades que enfrenta ao longo de seu ciclo vital de desenvolvimento, resultando na combinação entre os atributos do indivíduo e de seu ambiente familiar, social e cultural. Trata-se de um conceito que comporta um potencial valioso em termos de prevenção e promoção da saúde das populações, onde são encontrados incertezas e controvérsias. 2.1.3.3 Fase de Exaustão De acordo com Greenberg (2002) esta fase se caracteriza pela falha dos mecanismos de adaptação e déficit das reservas de energia. Esta é a fase mais grave, pois pode levar a morte de alguns organismos. Afirma ainda, que as modificações biológicas que aparecem, se assemelham aquelas da reação de alarme, mas precisamente a fase de choque, nesta o organismo já não é capaz de equilibrar-se por si só e sobrevém a falência adaptativa. O que na realidade acontece é que essa revolução fisiológica produzida pelo estresse visa colocar todo o organismo a disposição da adaptação, e não apenas da adequação do desempenho físico, mas, sobretudo, fornecendo uma quantidade suficiente de ansiedade como requisito psicológico para a manutenção do estado de alerta (GREENBERG, 2002). 2.1.3.3.1 Burnout A síndrome de burnout é uma reação à tensão crônica gerada principalmente nas pessoas que mantêm, contato direto e contínuo com outros indivíduos, profissionais que trabalham com qualquer tipo de cuidado interpessoal (BOCK e SARRIERA, 2006). Segundo Jodas e Haddad (2009) esta síndrome se manifesta através de quatro classes sintomatológicas, sendo: física, quando o trabalhador apresenta fadiga constante, distúrbio do sono, falta de apetite e dores musculares; psíquica observada pela falta de atenção, alterações da memória, ansiedade e frustração; comportamental, quando o indivíduo apresenta-se negligente no trabalho, com irritabilidade ocasional ou instantânea, incapacidade para se concentrar, aumento das relações de conflito com os colegas, longas pausas para o descanso, cumprimento irregular do horário de trabalho; e defensiva, quando o trabalhador tem tendência ao isolamento, sentimento de onipotência, empobrecimento da qualidade do trabalho e atitude cínica. O burnout causa mal-estar, sentimento de exaustão ou fadiga, esgotamento e perda de energia, em termos emocional, mental e físico, com sentimentos de infelicidade, desamparo, diminuição da auto-estima, perda do entusiasmo com a profissão e, eventualmente, com suas vidas em geral, alem da sensação de que a pessoa dispõe de poucos recursos para dar ou cuidar de outras pessoas. Esta síndrome é caracterizada por ser um estado que vai corroendo progressivamente a relação do sujeito com a sua atividade profissional (FRANÇA e RODRIGUES, 2007). 2.2 PREVENÇÃO DO ESTRESSE De acordo com Kroemer e Grandjean (2005) ao caminhar, os músculos do tríceps sural funcionam como uma bomba, auxiliando no retorno venoso e evitando o desconforto e a fadiga muscular, causados devido à dilatação das veias das pernas; edema de extremidades; ulceração da pele edemaciada. França e Rodrigues (2007) afirmam que para lidar com o estresse são utilizados recursos como: hábitos saudáveis com uma alimentação adequada; prática de exercício físico regular; repouso, lazer e diversão; técnicas de relaxamento; sono apropriado às necessidades individuais. Os programas específicos de saúde pessoal são os programas de condicionamento físico – inclusive com salas onde poderão realizar sessões de relaxamento, exercícios de postura no trabalho, além de programas de lazer, musicoterapia e ginástica laboral. CAPÍTULO III- METODOLOGIA 3.1 TIPO DE ESTUDO: Foi realizado um estudo do tipo transversal. 3.2 LOCAL DO ESTUDO: O estudo foi realizado nas escolas: EEEFM “David Salomão Mufarrej”; EEEFM “Camilo Salgado”, localizadas em Belém-Pará, após a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade da Amazônia e o aceite da coordenação das escolas. 3.3 ASPECTOS ÉTICOS: Os procedimentos experimentais foram executados dentro das normas éticas previstas na Resolução Nº. 196, de 10 de Outubro de 1996, do Conselho Nacional de Saúde. O presente trabalho atende às normas para a realização de pesquisa em seres humanos, Resolução 196/96, do Conselho Nacional de Saúde de 10/10/1996 (Brasil, 1996). Estando cientes, a orientadora que assinou o Aceite de Orientador da Pesquisa (APÊNDICE A), e as instituições através do Termo de Autorização das Instituições (APÊNDICE B). O estudo teve seu projeto de pesquisa submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Universidade da Amazônia- UNAMA. Após aprovação do CEP, e pela banca de pré-qualificação, as voluntárias assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) (APÊNDICE D). O TCLE é composto pelo objetivo do estudo, os procedimentos de avaliação, os riscos e benefícios, o caráter de voluntariedade da participação do sujeito e a responsabilidade por parte do avaliador, sendo respeitada a privacidade e a total confiabilidade dos dados, a partir daí o projeto entrou em fase de execução. 3.4 INFORMANTES O estudo foi realizado nas escolas EEEFM “David Salomão Mufarrej”; EEEFM “Camilo Salgado”, onde em cada uma, o número total de professores de 5ª à 8ª era de 25. Sendo assim, foram inclusos 15 da escola EEEFM “David Salomão Mufarrej” e 17 da EEEFM “Camilo Salgado”. Totalizando 32, selecionados de acordo com os critérios de inclusão da pesquisa. 3.4.1 Critérios de inclusão Foram inclusos todos os professores que lecionam somente em escolas públicas; que tenham idade entre 28 e 55 anos; de ambos os sexos; nas séries de 5ª à 8ª; que estão na instituição há pelo menos dois anos; e aqueles que aceitaram participar no estudo, através da assinatura do TCLE. 3.4.2 Critérios de exclusão Foram excluídos os professores que lecionam tanto em escolas públicas quanto particulares; aqueles que estavam fora da faixa etária da pesquisa; que lecionam em outras séries que não sejam de 5ª à 8ª; os que estavam na instituição num tempo inferior a dois anos; e aqueles que não assinaram o TCLE. 3.5 COLETA DE DADOS Foi feito a aplicação de questionários, sendo um do autor Oliveira (2003), onde foram verificados os níveis de estresse através da pontuação que se obteve, sendo esta de 0 a 25 quando o individuo estiver num sofrimento severo, 26 a 40, sofrimento sério, 41 a 55, sofrimento, 56 a 70 problemas de estresse, 71 a 75 no limite, 76 a 80 baixa positividade e 81 a 110 indicando positivo bem estar; e outro, relacionado à qualidade de vida no trabalho, onde foram feitas perguntas sobre a carga horária do professor, quantas turmas ele tem por dia, quantos alunos em sala de aula e perguntas relacionadas às condições físicas no ambiente de trabalho como iluminação, ventilação, ruídos, entre outros. 3.6 ANÁLISE ESTATÍSTICA As informações coletadas foram inseridas em planilhas do Excel para formação do banco de dados. Os resultados foram apresentados em tabelas e gráficos do Microsoft Excel e BioEstat 5.0. Para avaliação da significância foi aplicado o teste de correlação de Pearson com n-2 graus de liberdade e nível de significância α = 0,05 e Tabela de Contingência C com Teste de Qui-Quadrado. 3.7 RISCOS E BENEFÍCIOS Os professores não foram expostos a nenhum tipo de risco durante a pesquisa por se tratar de aplicação de questionários e também pelo fato de não terem sido submetidos a nenhum tipo de tratamento. O presente estudo teve como beneficio a ampliação do conhecimento sobre o estresse em professores de escolas públicas de Belém. Após os resultados foram ministradas palestras a esta população com o objetivo de prevenir o estresse. CAPÍTULO IV- RESULTADOS E DISCUSSÃO Em um total de 50 professores de ensino fundamental das escolas EEEFM David Salomão Mufarrej e EEEFM Camilo Salgado, foram aplicados questionários com 32 professores, selecionados de acordo com os critérios de inclusão da pesquisa. Onde se buscou avaliar através de níveis de ocorrência o grau de satisfação dos professores e através da matriz de correlação de Pearson identificar o grau de relação entre os fatores em estudo com um nível de significância alfa de 5%. A média de idade dos 32 professores que participaram da pesquisa foi de aproximadamente 43, 44 anos com um desvio padrão em torno dessa média de (±6,6 anos). O professor mais novo participante da pesquisa tem a idade de 28 anos e o mais velho apresentou idade equivalente a 55 anos, essas idades encontram-se centradas na mediana de 45 anos, onde se observou que as idades estão distribuídas com aproximadamente 80% dos professores entre 35 a 50 anos. 4.1 ANÁLISE DA IDADE DOS PROFESSORES IDADE Média Mediana Desvio Padrão Mímimo Máximo 43.4375 45.0000 6.26788 28.00 55.00 Tabela1: Distribuição das idades dos Professores Pesquisados. Fonte: Elaboração própria da autora. 4.2 ANÁLISE ENTRE A CARGA HORÁRIA; NÚMERO DE ALUNOS; HORAS EM PÉ E TEMPO DE SERVIÇO Frequência N % Média de alunos em cada turma < = 20 21 a 30 31 a 40 41 a 50 3 9 10 10 9.4% 28.1% 31.3% 31.3% Quantas turmas dá aula por dia? 1a5 6 a 10 11 a 15 16 a 20 6 17 7 2 18.8% 53.1% 21.9% 6.3% Em quantas escolas trabalha? Uma Duas Três Quatro a cinco 9 14 6 3 28.1% 43.8% 18.8% 9.4% Quantas horas passa em pé? 1a4 5a8 9 a 12 13 a 16 17 a 20 6 8 10 5 3 18.8% 25.0% 31.3% 15.6% 9.4% Há quanto tempo trabalha como professor? (em anos) 5 a 10 11 a 15 16 a 20 21 a 25 26 a 30 7 4 10 6 5 21.9% 12.5% 31.3% 18.8% 15.6% Tabela 2: Avaliação quanto ao nº de aluno/turma, aulas/dia, escolas, horas em pé e tempo de serviço dos professores. Fonte: Elaboração própria da autora. Segundo Gasparini; Barreto e Assunção (2005) o papel do professor extrapolou a mediação do processo de conhecimento do aluno, ampliou-se a missão do profissional para além da sala de aula, o professor, além de ensinar, deve participar da gestão e do planejamento escolares, o que significa uma dedicação mais ampla, a qual se estende às famílias e à comunidade. Araújo; Graça e Araújo (2003) afirmam que a maioria das reações adversas das exigências psicológicas, tais como fadiga, ansiedade, depressão e doença física ocorrem quando a demanda do trabalho é alta e o grau de controle do trabalhador sobre o trabalho é baixo. Segundo Carlotto e Palazzo (2006) o professor ao ter que arcar com uma sobrecarga horária, vê reduzido seu tempo disponível para estudos individuais ou em grupo, participação de cursos ou outros recursos que possam contribuir para a sua qualificação e favorecer o seu desenvolvimento e sua realização profissional. Sendo assim, confirma o que foi encontrado neste estudo de forma subjetiva. 4.3 ANÁLISE DA MÉDIA DE ALUNOS E TURMAS Na análise da Tabela 2, trata do número de alunos e a quantidade de turmas em que os professores estão alocados, percebe-se que 62,6% dos professores alegaram que suas turmas são compostas em média com 31 a 50 alunos por turma. Evidenciou-se também que 17 (53,1%) dos professores informaram que dão aulas em torno de 6 a 10 turmas ao dia; 7 (21,9%) em torno, de 11 a 15 turmas; 6 (18,8%) entre 1 a 5 turmas por dia; e 2 (6,3%) de 16 a 20 turmas. Quanto maior a quantidade de turmas e o número de alunos em sala de aula, mais chances destes profissionais serem estressados, devido ao fato de que com isso eles terão que se submeter a salas mais quentes, provavelmente terão que falar um pouco mais alto ou até mesmo gritar para que todos os alunos possam escuta- los. Além disso, estarão mais suscetíveis a doenças de origem musculares devido ao tempo elevado que passam escrevendo no quadro cm um dos membros superiores elevado. 4.4 ANÁLISE DA QUANTIDADE DE ESCOLAS; HORAS EM PÉ E TEMPO DE PROFISSÃO 40.0% 60.0% 31.3% 43.8% 50.0% 40.0% 30.0% 25.0% 18.8% 28.1% 20.0% 30.0% 15.6% 18.8% 9.4% 20.0% 10.0% 9.4% 10.0% 0.0% 1a 4 0.0% Uma Duas Três 5a 8 9 a 12 13 a 16 17 a 20 Quatro a cinco Quantas horas passa em pé? Em quantas escolas trabalha? Figura 1: Em quantas escolas trabalha. Figura 2: Quantas horas passa em pé. Fonte: Elaboração própria da autora. Já a respeito ao número de escolas e número de horas em que o professor passa em pé, verificou- se que 43,5% dos professores alegam que trabalham em torno de duas escolas por dia e 28,1% em apenas uma escola, 18,8% em até três escolas e apenas 9,4% trabalham em até cinco escolas por dia. Quando questionados sobre o número de horas que passa em pé os professores em sua maioria alegam que passam em torno de 9 a 13 horas por dia (31,3%), 5 a 8 horas (25,0%) 1 a 4 horas (18,8%), 13 a 16 horas (15,6%) e apenas 9,4% informaram que passam em média 17 a 20 horas em pé por dia, ver Figuras 1 e 2. 40.0% 31.3% 30.0% 21.9% 18.8% 20.0% 15.6% 12.5% 10.0% 0.0% 5 a 10 11 a 15 16 a 20 21 a 25 26 a 30 Há quantos anos trabalha como professor? Figura 3: Há quantos anos trabalha como professor. Fonte: Elaboração própria da autora. Com auxílio da Figura 3 percebe-se que cerca de 10 (31,3%) dos professores já estão na atividade entre 16 e 20 anos, 7 (21,9%) entre 5 a 10 anos, 6 (18,8%) entre 21 a 25 anos, 5 (15,8%) entre 26 a 30 anos em média e apenas 4 (12,5%) informaram que trabalham em média a cerca de 11 a 15 anos com professor. A maioria dos professores já tem um longo período na profissão e provavelmente por este tempo ser elevado, os mesmos já possuem um estresse acumulado. 4.5 RELAÇÃO DO TRABALHO E ATIVIDADES FÍSICAS O seu trabalho atrapalha nas suas atividades físicas ou de lazer? Sempre 21.9% Não 25.0% Quase sempre 18.8% As vezes 28.1% Raramente 6.3% Figura 4: Trabalho atrapalha suas atividades físicas. Fonte: Elaboração própria da autora No estudo realizado com objetivo específico de identificar se o trabalho dos professores atrapalha de alguma forma suas as atividades físicas ou de lazer, se constatou que 9 (28.1%) dos que efetivamente participaram da pesquisa responderam que somente as vezes isso ocorre, 7 (21.9%) relata que sempre atrapalha, 6 (18.8%) informou que quase sempre atrapalha, para 2 (6.3%) isso raramente ocorre e (25.0%) relatou que sua atividade de trabalho não atrapalha em nada suas atividades físicas. Segundo Cardoso et al. (2009) a dor musculoesquelética ou sensação dolorosa é apontada em diversos estudos com professores como um relevante problema de saúde e as doenças decorrentes de agravos ao sistema musculoesquelético aparecem como as principais causas de afastamento do trabalho e de doenças profissionais nessa categoria. Segundo Tamayo (2001) a prática regular de exercício físico tem se revelado como variável importante para a saúde em geral, pois a atividade física regular aumenta a tolerância ao estresse ocupacional, tornando o sujeito de bom condicionamento físico são menos vulneráveis ao estresse laboral. A falta de atividade física é explicada por eles devido a falta de tempo que os mesmos possuem para a realização da mesma. 4.6 ANÁLISE DO RELACIONAMENTO ENTRE PROFESSORES, COORDENAÇÃO E EQUIPE GESTORA RELACIONAMENTO Relação com outros professores? Excelente Muito boa Boa Relação com os profissionais da coordenação Excelente Muito boa Boa Ruim Relação com a equipe gestora da escola? Excelente Muito boa Boa Ruim N % 6 16 10 18.8% 50.0% 31.3% 4 12 14 2 12.5% 37.5% 43.8% 6.3% 5 13 12 2 15.6% 40.6% 37.5% 6.3% Tabela 3: Quanto ao relacionamento entre professores, coordenação e equipe gestora. Fonte: Elaboração própria da autora. Com base na Tabela 3 referente ao relacionamento entre os professores, coordenação e equipe gestora da inseridos na instituição de ensino onde se promoveu a pesquisa se verificou que de um modo geral este relacionamento é muito bom entre professores com exatamente a metade dos participantes alegando tal relação, ou seja, 50.0% do total. Para a relação entre a coordenação o nível de relacionamento é de apenas 37,.5% e entre professores e equipe gestora é muito boa com 13 (40.6%). Fato interessante que se pode notar é que entre professores não houve informações sobre ocorrência de um ruim relacionamento, porém entre professores com coordenação e equipe gestora se constatou que cerca de 2 (6.3%) dos participantes do estudo alegaram um ruim relacionamento. 4.7 ANÁLISE DO RELACIONAMENTO COM ALUNOS Relacionamento com os alunos N % Não 3 9.4% Raramente 11 34.4% As vezes 14 43.8% Quase sempre 4 12.5% Tem problemas com os alunos em sala de aula? Tabela 4: Quanto ao relacionamento com os alunos. Como você resolve? Fonte: Elaboração própria da autora. Diálogo 16 50.0% Serviço técnico 1 3.1% Sem resposta 12 37.5% Como você resolve? Sem resposta 41.4% Diálogo 55.2% Serviço técnico 3.4% Figura 5: Quanto à solução dos problemas. Fonte: Elaboração própria da autora. Com base na Tabela 4 pode-se verificar que referente aos questionamentos sobre existência de problemas com os alunos a grande maioria 43.8% respondeu que às vezes ocorre, 34.4% que raramente ocorre, 12.5% informou que quase sempre ocorre e apenas 9.4% relatou que nunca ocorreu. Já a respeito das soluções dadas a estes eventuais problemas ocorridos a grande maioria 55.2% dos professores informou que a solução encontrada foi o diálogo para sanar o problema, 41.4% não respondeu e apenas 3.4% informaram que a solução fica por conta do serviço técnico especializado. Segundo Reis et al. (2005) a categoria docente é uma das mais expostas a ambientes conflituosos e de alta exigência de trabalho, tais como tarefas extra-classe, reuniões e atividades adicionais, problemas com alunos que chegam até ameaças verbais e físicas, pressão do tempo, etc. Muitos alunos vão à escola, mas não possuem interesse algum de aprender, não fazem questão de estarem naquele ambiente, estes passam o horário de aula entrando e saindo de sala, correndo e gritando pelos corredores, atrapalhando a aula dos professores e também os alunos que estão interessados em aprender. 4.8 RELAÇÃO DE FATORES QUE DIFICULTAM O DESEMPENHO PROFISSIONAL Fatores que dificultam o desempenho profissional. N % Barulho 8 25.0% Desinteresse do aluno 6 18.8% Espaço físico 6 18.8% Falta material 6 18.8% Tempo: planejamento de atividades 5 15.6% Apoio pedagógico 4 12.5% Calor 4 12.5% Apoio familiar ao aluno 3 9.4% Carga horária pesada 3 9.4% Indisciplina 2 6.3% Insegurança 2 6.3% Muitos alunos 2 6.3% Valorização da profissão 1 3.1% Acesso ao local 1 3.1% Tabela 5: Quanto a fatores que dificultam o desempenho profissional. Fonte: Elaboração própria da autora. A Tabela 5 mostra que segundo professores os fatores que se dificultam o desempenho profissional em que o professor poderia dá uma boa aula e assim facilitar o processo de aprendizagem são: barulho com 25% das respostas favoráveis, desinteresse por parte dos discentes 18.8%, o espaço físico com 18.8%, falta de tempo para planejamento das atividades curriculares 15.6%, falta de apoio pedagógico 12.5%, o calor com 12.5%, falta de apoio familiar ao aluno 9.4%, elevada carga horária 9.4%, indisciplina dos alunos 6.3%, insegurança 6.3%, salas muito lotadas 6.3%, falta de uma política de valorização dos professores 3.1% e dificuldade de acesso a instituição de ensino. De acordo com Santos (2000) som ou ruído é o nome dado a qualquer vibração que ocorre em um meio elástico, geralmente o ar, que é capaz de ser percebido pelo ouvido humano. Guerreiro (2002) afirma que o ruído é um dos agentes físicos que gera mais incomodidade. É responsável por conflito entre pessoas, entre pessoas e empresas, e por causar problemas de saúde a quem lhe está exposto. Para Carter, Cheuvront e Sawka (2007) estresse pelo calor refere-se a processos ambientais e metabólicos que aumentam a temperatura corporal. A síncope (desmaio) caracteriza-se pela vertigem (tontura) e fraqueza durante ou após permanecer em pé por tempo prolongado ou após levantar-se depois de permanecer deitado ou sentado em ambiente quente. Exaustão pelo calor é uma condição moderada ou grave que se caracteriza pela incapacidade de manter o débito cardíaco e a presença de temperatura corporal. 4.9 RELAÇÃO DE NÍVEIS DE ESTRESSE NÍVEL DE ESTRESSE N % Positivo bem-estar 8 25.0% Baixa positividade 8 25.0% No limite 2 6.3% Problemas de estresse 9 28.1% Sofrimento 3 9.4% Sofrimento sério 2 6.3% 32 100.0% TOTAL Tabela 6: Quanto ao nível de Estresse dos professores. Fonte: Elaboração própria da autora. Na Tabela 6 tem-se uma síntese de como os professores se encontram quanto ao nível de estresse e neste estudo se verificou que 28.1% dos professores indicam estarem com problemas de estresse 25% indicam um positivo bem - estar, 25% apontaram uma baixa positividade, 9.4% já indicam se encontrarem com problemas a nível de sofrimento, e 6.3% relataram que já se encontram com sério problemas a níveis de sofrimento sério e como estando no limite de estresse. Medo de fracassar, conflito com colegas de profissão, longa jornada de trabalho, trabalho com alta concentração mental, responsabilidade mal delegada, estresse do tempo se esgotando, ambiente, salário, trabalho monótono, falta de motivação. São alguns fatores que contribuem ao surgimento do estresse. Segundo Cardoso et al. (2009) o trabalho docente é exercido sob circunstâncias desfavoráveis, sob as quais os mesmos mobilizam as suas capacidades físicas, cognitivas e afetivas para atingir os objetivos da produção escolar, gerando com isso sobreesforço ou hipersolicitação de suas funções psicofisiológicas. TESTE DE CONTINGÊNCIA C 1: Teste de Contingência C para determinar a magnitude de associações de variáveis neste trabalho foi utilizado para definir, portanto a associação entre a variável idade e o nível de estresse do professores. Tabela de Contingência = Qui-quadrado = Coef. de Contingência C = Graus de liberdade = (p) = Resultados 2 x 32 70.0896 0.137 31 < 0.0001 Tabela 7: Teste de Contingência C com alfa de 5% entre o estresse e idade dos professores. Fonte: Elaboração própria da autora. Hipótese para constatação de Relação entre as variáveis H0: Não existe associação entre as idades dos professores e os níveis de estresse associado. Ha: Existe correlação entre as variáveis, ou seja, quanto mais idoso vai ficando o docente maior é o nível de estresse associado. Através da análise da tabela de contingência 7, e com base nas hipóteses formuladas para o teste de auto-correlação entre as variáveis, se constatou com base no valor de χ2 quiquadrado igual a 70.09 com p<0.0001 que quanto maior a idade dos docentes maiores são os níveis de estresse associados ao indivíduo. O resultado de uma combinação de fatores acumulados ao longo do tempo é o estresse que pode se manifestar como problemas de saúde física ou emocional e ainda como alterações de comportamento no trabalho e em casa, podendo ser deflagrado por pressões súbitas e inesperadas. TESTE DE CONTINGÊNCIA C 2: Teste de Contingência C para determinar a magnitude de associações de variáveis neste trabalho foi utilizado para definir, portanto a associação entre a variável sexo e o nível de estresse do professores. Tabela de Contingência = Qui-quadrado = Coef. de Contingência C = Graus de liberdade = (p) = Resultados 2 x 32 12.1798 0.0721 31 0.999 Tabela 8: Teste de Contingência C com alfa de 5% entre o nível de estresse e o sexo dos professores Fonte: Elaboração própria da autora. Hipótese para constatação de Relação entre as variáveis H0: Não existe associação entre o nível de estresse dos professores e o sexo dos mesmos. Ha: Existe correlação entre as variáveis, ou seja, o sexo influência diretamente os níveis de estresse do docente ligado a instituição de ensino pesquisada. Através da análise da tabela de contingência 8, e com base nas hipóteses formuladas para o teste de auto-correlação entre as variáveis, se constatou com base no valor de χ2 quiquadrado igual a 12.18, coeficiente de contingência de 0.072 e p<0.99 que não existe relação entre o sexo do docente e os níveis de estresse sofrido. Ou seja, este fator é importante para mostrar que independente do sexo ser masculino ou feminino os mesmos níveis de estresse são observados entre professores. Apesar da atividade exercida entre o professor e a professora seja a mesma, a mulher aparenta ter níveis de estresse maior do que o do homem, isso acontece porque geralmente ela associa o trabalho, a casa, os filhos, porém, ela procura ajuda para resolver seus problemas, seja com psicólogo, ou até mesmo com as amigas. Já o homem tende a ser mais fechado quanto a isso, guardam mais os seus sentimentos, angústias. TESTE DE CONTINGÊNCIA C 3: Teste de Contingência C para determinar a magnitude de associações de variáveis neste trabalho foi utilizado para definir, portanto a associação entre a quantidade de alunos em sala de aula e o nível de estresse do professores. Tabela de Contingência = Qui-quadrado = Coef. de Contingência C = Graus de liberdade = (p) = Resultados 2 x 32 129.2247 0.1917 31 < 0.0001 Tabela 9: Teste de Contingência C com alfa de 5% entre o nível de estresse e a quantidade de alunos em sala de aula. Fonte: Elaboração própria da autora. Hipótese para constatação de Relação entre as variáveis H0: Não existe associação entre a quantidade de aluno em sala de aula e nível interesse por sofrido por parte dos professores. Ha: Existe correlação entre as variáveis, ou seja, o número de alunos em sala de aula influencia no nível de estresse relacionado aos professores. Para o teste de contingência C para avaliar a existência de relação entre o nível de estresse relacionado aos professores e a quantidade de alunos nas turmas, com p<0.0001 inferior a alfa 0.05 se concluiu é altamente significativo a correlação entre o nível de estresse e a quantidade de alunos em sala de aula. Esta relação se deve ao fato de que quando a sala está com uma quantidade de alunos alta, o professor necessita falar mais alto para que todos lhe escutem. A falta de interesse dos alunos também contribui para o aumento desta relação. TESTE DE CONTINGÊNCIA C 4: Teste de Contingência C para determinar a magnitude de associações de variáveis neste trabalho foi utilizado para definir, portanto a associação entre o número de turmas e o nível de estresse do professores. Tabela de Contingência = Qui-quadrado = Coef. de Contingência C = Graus de liberdade = (p) = Resultados 2 x 32 59.0814 0.1501 31 0.0017 Tabela 10: Teste de Contingência C com alfa de 5% entre o nível de estresse e o número de turmas em que o professor trabalha. Fonte: Elaboração própria da autora. Hipótese para constatação de Relação entre as variáveis H0: Não existe associação entre o número de turmas e nível interesse sofrido por parte dos professores. Ha: Existe correlação entre as variáveis, ou seja, o número de turmas em que o professor trabalha influencia no nível de estresse relacionado aos professores. Para o teste de contingência C para avaliar a existência de relação entre o nível de estresse relacionado aos professores e a quantidade de alunos nas turmas com p<0.0017 inferior a alfa 0.05, pode-se, portanto concluir que é altamente significativa a correlação entre o nível de estresse e a quantidade de turmas em que o professor trabalha. Quanto mais turmas este professor tem, maior o tempo que fica em pé, o número de provas para elaborar, para corrigir, menos tempo que ele terá para resolver seus assuntos pessoais, familiares, de trabalho ou de lazer. TESTE DE CONTINGÊNCIA C 5: Teste de Contingência C para determinar a magnitude de associações de variáveis neste trabalho foi utilizado para definir, portanto a associação entre quantidade de escolas e o nível de estresse do professores. Tabela de Contingência = Qui-quadrado = Coef. de Contingência C = Graus de liberdade = (p) = Resultados 2 x 32 18.911 0.0894 31 0.9564 Tabela 11: Teste de Contingência C com alfa de 5% entre o nível de estresse e a quantidade de escolas que trabalha. Fonte: Elaboração própria da autora. Hipótese para constatação de Relação entre as variáveis H0: Não existe associação entre a quantidade os números de escolas em que os professores trabalham e o nível de estresse relacionado. Ha: Existe correlação entre as variáveis, ou seja, o nível de estresse sofrido pelos professores está diretamente ligado ao número de escolas em que os mesmos trabalham. Para o teste de contingência C com nível alfa de 5% se verificou que p>0.05, portanto pode-se concluir que o nível de estresse não está relacionado à quantidade de escolas em que os professores trabalham. A maioria dos professores relataram ir à escola de transporte partículas, sendo assim, menos desconforto, ganho de tempo para deslocamento de uma escola a outra. Também pelo fato de que eles montam seus horários de aulas em cada escola de acordo com os dias da semana que estarão na escola, por exemplo, três dias na semana eles vão somente pra uma escola, e nos outros dias eles vão em outra, conseguindo assim conciliar o tempo para que não haja desperdício do mesmo. TESTE DE CONTINGÊNCIA C 6: Teste de Contingência C para determinar a magnitude de associações de variáveis neste trabalho foi utilizado para definir, portanto a associação entre a quantidade de horas e o nível de estresse do professores. Tabela de Contingência = Qui-quadrado = Coef. de Contingência C = Graus de liberdade = (p) = Resultados 2 x 32 74.3564 0.1672 31 < 0.0001 Tabela 12: Teste de Contingência C com alfa de 5% entre o nível de estresse e a quantidade de horas que trabalha/dia. Fonte: Elaboração própria da autora. Hipótese para constatação de Relação entre as variáveis H0: Não existe associação entre a quantidade de horas que trabalha ao dia e o nível de estresse relacionado. Ha: Existe correlação entre as variáveis, ou seja, o nível de estresse não está diretamente relacionado à quantidade de horas trabalhada ao dia pelos em sala de aula. Para o teste de contingência C com nível alfa de 5% se verificou que p<0.0001, deste modo pode-se concluir com base na Tabela 12, que se deve aceitar a hipótese alternativa e, portanto concluir que o nível de estresse está diretamente relacionado à quantidade de horas que o professor é submetido a ministrar aulas ao dia. Professores com carga horária elevada passam muitas horas do dia em pé, ocasionando imobilização prolongada das articulações, alem de ser cansativo. Há uma dificuldade no retorno venoso, podendo levar a um edema de extremidades inferiores. TESTE DE CONTINGÊNCIA C 7: Teste de Contingência C para determinar a magnitude de associações de variáveis neste trabalho foi utilizado para definir, portanto a associação entre o tempo de profissão e o nível de estresse do professores. Tabela de Contingência = Qui-quadrado = Coef. de Contingência C = Graus de liberdade = (p) = Resultados 2 x 32 69.8864 0.1547 31 < 0.0001 Tabela 13: Teste de Contingência C com alfa de 5% entre o nível de estresse e o tempo que exerce a profissão. Fonte: Elaboração própria da autora Hipótese para constatação de Relação entre as variáveis H0: Não existe associação entre o tempo em que os professores exercem a profissão e o nível de estresse relacionado. Ha: Existe correlação entre as variáveis, ou seja, o nível de estresse em que o professor está submetido está diretamente associado ao tempo em que o professor já exerce sua função. Para este estudo se observou com base no teste de contingência C com nível de significância alfa de 5% que o nível de estresse em que o professor está submetido está diretamente associado ao tempo em que o professor já exerce sua função. Professores que já exercem a profissão há um tempo elevado já possuem alguns meios de fuga do problema como não relacionar os problemas do trabalho com nenhum outro, mesmo assim, há um esgotamento acumulado durante todos esses anos de trabalho. Muitos deles vão ao trabalho apenas por ir, cansados e desanimados. CAPÍTULO V- CONCLUSÃO Através desta pesquisa ficou evidente que os níveis de estresse independem do sexo dos professores, ou seja, tanto homens como mulheres estão expostas aos mesmos níveis de estresse, além de mostrar que estes níveis observados são diretamente relacionados à quantidade de alunos em sala de aula, quantidade de turma em que o professor atua por dia, tempo de serviço como docente, quantidade de horas que os mesmos ficam em pé. Além de mostrar que quanto maior a idade dos professores maior é o índice de estresse que estes docentes tendem a apresentar. O ato de ensinar possui características particulares, geradoras de estresse e de alterações do comportamento dos que nele trabalham para evitar estes profissionais utilizam válvulas de escape, onde cada um procura fazer o que gosta e se distrair quando não estão em sala de aula. Como por exemplo, o jogo de futebol do final de semana, as piadas na sala dos professores nos intervalos, alguns levam instrumentos pra escola pra tornar as aulas mais agradáveis. Esta pesquisa mostra a importância do acompanhamento de uma equipe interdisciplinar visando a prevenção e a intervenção das conseqüências do estresse nas atividades de vida diária, melhorando assim, o desempenho destes trabalhadores em relação as suas atividades e relações interpessoais. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALBUQUERQUE, I. L. O professor e seu papel social. Revista Brasileira em Promoção da Saúde. 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Eu,_________________________________________________________, residente e domiciliado na _____________________________________________________, portador da Cédula de identidade, RG _____________________, e inscrito no CPF_________________ nascido (a) em _____ / _____ /______ , concordo de livre e espontânea vontade na sua participação como voluntário(a) do estudo “Avaliação dos níveis de estresse em professores de escolas públicas de Belém”. Estou ciente que: I) A presente pesquisa tem como objetivo avaliar níveis de estresse em professores de escolas públicas de Belém e relacionar com a qualidade de vida; II) Os dados serão coletados em escolas públicas de Belém, através de aplicação de questionários sobre níveis de estresse e condições físicas no ambiente de trabalho para a caracterização da amostra; III) A participação neste projeto não tem objetivo de submeter a um tratamento, bem como não causará nenhum gasto com relação aos procedimentos efetuados com o estudo; IV) Tenho a liberdade de desistir ou de interromper a colaboração neste estudo no momento em que desejar, sem necessidade de qualquer explicação; V) A desistência não causará nenhum prejuízo à minha saúde ou bem estar físico. Não virá interferir no atendimento ou tratamento médico; VI) A minha participação neste projeto contribuirá para acrescentar à literatura dados referentes ao tema, direcionando as ações voltadas para a promoção da saúde e não causará nenhum risco por se tratar de aplicação de questionários e também pelo fato de não serem submetidos a nenhum tipo de tratamento; VII) A pesquisa terá como benefício a ampliação do conhecimento sobre o estresse em professores de escolas públicas de Belém, sendo ministradas palestras após os resultados a esta população com o objetivo de prevenir o estresse. Além disso, como toda pesquisa este estudo virá a acrescentar mais conhecimentos a respeito deste assunto para a sociedade científica; VIII) Não receberei remuneração e nenhum tipo de recompensa nesta pesquisa, sendo minha participação voluntária; IX) Os resultados obtidos durante este ensaio serão mantidos em sigilo; X) Concordo que os resultados sejam divulgados em publicações científicas, desde que dados pessoais não sejam mencionados; XI) Caso eu desejar, poderei pessoalmente tomar conhecimento dos resultados parciais e finais desta pesquisa. ( ) Desejo conhecer os resultados desta pesquisa. ( ) Não desejo conhecer os resultados desta pesquisa. Belém, _______ de_______________ de 2010. Declaro que obtive todas as informações necessárias, bem como todos os eventuais esclarecimentos quanto às dúvidas por mim apresentadas. ......................................................................... Assinatura do participante Testemunha 1: ______________________________________________________________________ Nome / RG / Telefone Testemunha 2: ____________________________________________________________________ Nome / RG / Telefone Responsável pelo Projeto: PESQUISADOR RESPONSÁVEL (Tainá Alves Teixeira) Telefone para contato: (91) 8143-4837 Tainá Alves Teixeira (91) 8159-9266 Rivcah Belicha Israel Apêndice D: Percepção da qualidade de vida no trabalho. TESTE A QUALIDADE DE VIDA NO SEU TRABALHO Nome: _____________________________________________________ Idade: _____ Sexo: ( )Feminino ( ) Masculino Instruções: As questões seguintes se referem a como você se sente e como o seu trabalho pode ou não estar interferindo na sua qualidade de vida. Para cada questão, marque um X a resposta mais aplicada a você. 1) Como você começa o seu dia? ( ) sempre disposto ( ) raramente estou disposto ( ) na maioria das vezes disposto ( ( ) as vezes disposto ( ) indisposto ) nunca disposto 2) Como você vai à escola? ( ) veículo particular ( ) bicicleta ( ) veículo coletivo ( ) à pé 3) Como você acha o ambiente de sala de aula? ( ) excelente ( ) bom ( ) muito bom ( ) ruim 4) E a temperatura, a sala possui uma boa ventilação? ( ) excelente ( ) bom ( ) muito bom ( ) ruim 5) A escola possui uma higiene adequada? ( ) excelente ( ) bom ( ) muito bom ( ) ruim 6) E a iluminação em sala de aula? ( ) excelente ( ) muito bom ( ) bom ( ) ruim 7) E em relação à acústica da sala? ( ) excelente ( ) muito bom ( ) bom ( ) ruim 8) Você precisa falar muito alto? ( ) normal ( ) as vezes preciso gritar ( ) as vezes preciso falar um pouco mais alto ( ) sempre falo gritando 9) Ruídos externos atrapalham a sua aula ao ponto de você precisar aumentar a altura da sua voz dentro de sala de aula? ( ) não ( ) raramente ( ) as vezes ( ) quase sempre ( ) sempre 10) Quantos alunos têm em sala de aula em cada turma? 11) Pra quantas turmas você dá aula por dia? 12) Em quantas escolas você trabalha? 13) Quantas horas do seu dia você passa de pé? 14) Há quanto tempo você trabalha como professor? 15) O seu trabalho te atrapalha nas suas atividades físicas ou de lazer? ( ) não ( ) raramente ( ) quase sempre ( ) sempre ( ) as vezes 16) Quanto à segurança no ambiente escolar, você considera suficiente? ( ) excelente ( ) boa ( ) muito boa ( ) ruim 17) Como é a sua relação com os outros professores? ( ) excelente ( ) boa ( ) muito boa ( ) ruim 18) Como é a sua relação com os profissionais da coordenação pedagógica? ( ) excelente ( ) boa ( ) muito boa ( ) ruim 19) Como é a sua relação com a equipe gestora da escola? ( ) excelente ( ) boa ( ) muito boa ( ) ruim 20) Você tem problemas com os alunos em sala de aula? ( ) não ( ) raramente ( ) quase sempre ( ) sempre ( ) as vezes Como você resolve? 21) Cite alguns fatores que dificultam o seu desempenho profissional. 22) O que você gostaria que melhorasse no seu ambiente de trabalho? ANEXOS Anexo A: Questionário para avaliar os níveis de estresse. TESTE O SEU NÍVEL DE ESTRESSE Nome: _____________________________________________________ Idade: _____ Sexo: ( )Feminino ( ) Masculino Instruções: As questões seguintes se referem a como você se sente e como as coisas tem andando no ultimo mês. Para cada questão, marque um X a resposta mais aplicada a você. Uma vez que não há respostas corretas ou incorretas, é bom responder rapidamente as questões, sem largas pausas. 1- Em geral, como você se sente? ( ) Com excelente disposição ( ) Às vezes de bom e outras de mau – . humor ( ) Com boa disposição ( ) Desanimado, muitas vezes ( ) Bem, na maioria das vezes ( ) Sempre desanimado 2- Você tem sido incomodado emocionalmente? ( ) Nem um pouco ( ) Mais ou menos ( ) Um pouco ( ) Muito ( ) Algumas vezes ( ) Constantemente, ao ponto de ficar desligado das coisas e até de não poder trabalhar 3- Você tem tido controle sobre seu comportamento, pensamentos, emoções ou sentimentos? ( ) Sim, absolutamente ( ) Não muito ( ) Sim, na maioria das vezes ( ) Não, e ainda fico às vezes perturbado ( ) Geralmente, sim ( ) Não, e sempre fico muito perturbado 4- Você tem se sentido triste, desencorajado, desesperançado, ou tem tido muitos problemas? ( ) Nada, nada ( ) Realmente, um pouco ( ) Um pouco ( ) Bastante ( ) Às vezes, o suficiente para aborrecer-me ( ) Bastante, ao ponto de muitas vezes ter vontade de desistir de tudo 5- Você tem sentido estar sob estresse, pressão ou tensão? ( ) Absolutamente não ( ) Sim, um pouco mais do que o comum ( ) Sim, um pouquinho ( ) Sim, sob um pouco de pressão ( ) Sim, um pouco, mas dá para encarar ( ) Sim, quase mais do que posso suportar 6- Quão feliz, satisfeito ou alegre, você tem se sentido com relação a sua vida? ( ) Muito feliz, acha que não poderia sê-la mais do que sou ( ) Satisfeito ( ) Muito feliz ( ) Moderadamente feliz ( ) Um pouco satisfeito ( ) Muito insatisfeito 7- Você tem tido razão para temer a perda do controle de sua mente, de seus atos, palavras, pensamentos, sentimentos ou memória? ( ) Nem pensar! ( ) Pouco, mas tenho me preocupado ( ) Só um pouquinho ( ) Pouco, mas tenho me preocupado bastante ( ) pouco, mas não o suficiente para ( ) Muito, ao ponto de colocar-me em preocupação constante estado de preocupações 8- Você tem estado ansioso, preocupado ou abatido? ( ) De jeito nenhum ( ) Regularmente ( ) Pouquinho ( ) Bastante ( ) Um pouco, o suficiente para importunar-se ( ) Em excesso até, ao ponto de sentir-me doente 9- Você se levanta, pela manha, revigorado e descansado? ( ) Todos os dias ( ) Menos que a metade dos dias ( ) Quase todos os dias ( ) Raramente ( ) Com freqüência ( ) Nunca 10- Você tem sido incomodado por alguma doença, desordem orgânica, dores ou temores sobre sua saúde? ( ) Nunca ( ) Durante algum tempo ( ) Um pouquinho ( ) Na maioria das vezes ( ) Às vezes ( ) Sempre 11- Sua vida tem sido plena de coisas interessantes? ( ) Sempre ( ) Algum tempo ( ) Na maioria das vezes ( ) Um pouco ( ) Durante um bom tempo ( ) Nunca 12- Você se sente desanimado e tristonho? ( ) Nunca ( ) Durante um bom tempo ( ) Um pouco ( ) Na maioria das vezes ( ) Algum tempo ( ) Sempre 13- Você se sente emocionalmente estável e seguro de si? ( ) Sempre ( ) Algum tempo ( ) Na maioria das vezes ( ) Um pouco ( ) Durante um bom tempo ( ) Nunca 14- Você se sente cansado, exausto, quebrado, esgotado? ( ) Nunca ( ) Durante um bom tempo ( ) Um pouco ( ) Na maioria das vezes ( ) Algum tempo ( ) Sempre * Para cada uma das quatro perguntas a seguir, as palavras em cada final descrevem sentimentos opostos. Assinale com um círculo (O) o numero que mais se relaciona ao que você sentiu no último mês. 15- Quão preocupado ou interessado acerca de sua saúde você tem estado? 10 8 6 4 2 Nada, nada 0 Muito preocupado 16- Quão relaxado ou tenso você tem se sentido? 10 8 6 4 2 Bastante relaxado 0 Bastante tenso 17- Quanta energia, animação e vitalidade você tem tido? 10 8 6 4 2 Muito 0 Nenhuma 18- Quão deprimido ou alegre você tem estado? 10 Muito alegre 8 6 4 2 0 Muito deprimido * Contagem dos pontos: Some todos os pontos assinalados em cada questão e compare os resultados com a tabela a seguir Estado de Estresse Pontos Indica positivo bem-estar 81 a 110 Baixa positividade 76 a 80 Marginal (no limite) 71 a 75 Indica problemas de estresse 56 a 70 Indica sofrimento 41 a 55 Indica sofrimento sério 26 a 40 Indica sofrimento severo 0 a 25 Fonte: Oliveira, 2003. Qual o seu nível?