AU TO RA L TO EI DI R DE UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES LE I PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” PR OT EG ID O PE LA PROJETO A VEZ DO MESTRE NAS ESCOLAS PÚBLICAS DO DISTRITO FEDERAL DO CU M EN TO GESTÃO ESCOLAR DEMOCRÁTICA E PARTICIPATIVA Por: Mário César da Silva Castro Orientador Prof. Antonio Fernando Vieira Ney Brasília - DF 2009 2 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” PROJETO A VEZ DO MESTRE GESTÃO ESCOLAR DEMOCRÁTICA E PARTICIPATIVA NAS ESCOLAS PÚBLICAS DO DISTRITO FEDERAL Apresentação Candido de Mendes monografia como à requisito Universidade parcial para obtenção do grau de especialista em Administração Escolar Lato Sensu. Por: Mário César da Silva Castro. Brasília - DF 2009 3 AGRADECIMENTOS Agradeço a todos que fazem parte da minha vida mesmo os que não mais estão a minha vista, mas que ainda pertencem a ela, por deixarem um pouco de si em mim. Nesta relação estão presentes as seguintes pessoas: Em primeiro lugar a Deus por me dar forças na hora da fraqueza, a minha esposa por lutar junto comigo, para conquistar este título de especialista. 4 DEDICATÓRIA Dedico a Deus por sua presença constante, aos meus pais pela força e pelo encorajamento, a minha esposa Eliane Castro por sua paciência e simplicidade, a minha filha Mayariane Castro por influenciar na minha vida e estudos acadêmicos. 5 RESUMO Este trabalho é fruto de um compromisso acadêmico para a conclusão do curso de Pós Graduação Lato Sensu em Administração Escolar. Todo trabalho proporciona um convite para a pesquisa a todos os profissionais envolvidos na área de educação e, fundamenta-se na necessária recriação da prática educativa das escolas, mostrando os desafios para a construção da democratização da gestão escolar. Ele oferece elementos fundamentais para a relevância e para o sentido do fazer concreto do dia-a-dia escolar. A realização deste trabalho enfatiza o compromisso e o desafio de se implantar uma gestão verdadeiramente democrática e participativa na escola pública. Este trabalho está dividido em três capítulos. No primeiro tem-se um contexto da administração e a gestão democrática. No segundo busca-se destacar o conceito de gestão democrática e suas concepções teóricas, fazendo uma abordagem sobre a democracia dentro do ambiente escolar, não deixando de ressaltar o papel do gestor administrador dentro da escola pública. No terceiro capitulo existe uma investigação da concretização da gestão democrática propriamente dita. E na conclusão também se tem uma reflexão a cerca da gestão democrática, sendo, aos poucos alcançada pelas instituições públicas de ensino do Distrito Federal. Palavras-chaves: Gestão democrática; construção da democratização; instituições públicas do DF. 6 METODOLOGIA O estudo sobre gestão democrática: participativa fez uma solicitação sobre o uso de uma abordagem etnográfica - analítica - descritiva, pois se procura descrever as dificuldades existentes na implementação de uma democratização da gestão escolar. Por tratar-se de uma pesquisa do tipo etnográfica, encontramos ANDRÉ que afirma: (2001 p.41) Por meio de técnicas etnográficas, de observação participante e de entrevistas intensivas, é possível documentar o não documentado, isto é, desvelar os encontros e desencontros que permeiam o dia-adia da prática escolar, desvelar as ações e representações dos seus atores sociais, reconstruir sua linguagem, suas formas de comunicação e os significados que são criados e recriados no cotidiano do seu fazer pedagógico. Isto remete a uma pesquisa que permitirá estar em contato mais próximo da escola e procurar analisar como se opera o seu dia-a-dia os mecanismos de repulsa e indignação, sendo que ao mesmo tempo são reelaborados os conhecimentos, e valores da vida da prática escolar. Para tanto, elegeu-se quatro escolas da rede pública de ensino do Distrito Federal, sendo a primeira do ensino fundamental séries iniciais chamada de Centro de Ensino Fundamental Juscelino Kubitscheck (CEF-JK), localizada à Condomínio Estância Mestre D’armas, de Planaltina-DF. A segunda do ensino fundamental séries finais, denominada Centro de Ensino Fundamental Estância III (CEF-EIII), localizada no Condomínio Mestre D’armas III, de Planaltina-DF, terceira de ensino fundamental e ensino médio, denominada de Centro Educacional Pompílio Marques de Souza (CEDPOMP’S), situada no Condomínio Estância Mestre D’armas, em Planaltina-DF e escola que atualmente eu atuo como coordenador pedagógico e a quarta de ensino fundamental series finais, denominada de Centro de Ensino Fundamental Arapoanga (CEFA) e situada no Condomínio Arapoanga, em 7 Planaltina-DF, por se tratarem de escolas em que o autor participou de ações escolares. E para tentar compreender a diversidade de cada escola pela única amostragem foco da investigação. Os informantes serão os gestores administrativos e os coordenadores de ensino das respectivas escolas da rede pública de ensino do Distrito Federal. A coleta de dados será realizada simultaneamente com os gestores e coordenadores da Escola, utilizando entrevistas semi-estruturadas através de questionário com doze questões sendo: cinco abertas, três semi-abertas e três fechadas, buscando coletar dados que venham revelar toda investigação. Com o objeto de estudo, que é a gestão democrática será apresentado à operacionalidade do cotidiano, identificando a organização do trabalho escolar e os desafios dos gestores enquanto membros atuantes do contexto. 8 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 9 CAPÍTULO I - MÚLTIPLOS PROPÓSITOS PARA A CONSTRUÇÃO DO REAL 11 CAPÍTULO II - A TEORIA SUBSIDIANDO A AÇÃO GESTORA 20 2.1 - Gestão Democrática 21 2.2 - O Espaço Escolar 23 2.3 - O Administrador e a Gestão Democrática 26 2.4 - O Desafio de uma Gestão Democrática 30 2.5 - Caminhos da Gestão Democrática do Ensino Público 34 CAPÍTULO III – INVESTIGANDO A CONCRETIZAÇÃO DE UMA GESTÃO DEMOCRÁTICA PARTICIPATIVA 39 CONCLUSÃO 60 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 65 BIBLIOGRAFIA CITADA 67 ANEXOS 69 ÍNDICE 80 9 INTRODUÇÃO Este trabalho foi desenvolvido no sentido de atender a uma exigência acadêmica e curricular do Curso de Pós Graduação Lato Sensu em Administração Escolar, da Universidade Candido Mendes em conjunto com Instituto A Vez do Mestre. Este trabalho de conclusão de curso apresenta, dentre os seus objetivos, o de investigar as dificuldades encontradas pelos gestores de escolas públicas do Distrito Federal para a implementação da gestão democrática e participativa. Assim, teve por finalidade realizar um estudo a cerca do processo de democratização da gestão escolar, buscando verificar em que medida os mecanismos de participação concorrem para a democratização da gestão administrativa, para a autonomia da escola e principalmente, para melhorar a qualidade da participação de todos os segmentos da escola. Neste sentido, a gestão democrática participativa, hoje, significa ser capaz de recolocar a escola no centro das atenções sociais. Tornar a escola capaz de conduzir um debate sobre suas ações e torná-la capaz de definir seus objetivos diante das vistas da opinião pública. Por isso, não se pode negar que, no meio educacional, ainda muito se discute a questão da democracia da escola; a necessidade de construção de um projeto político-pedagógico, com vistas a delinear e definir coletivamente seus pressupostos filosóficos; a necessidade de gestão democrática, onde haja possibilidade de elaborar, decidir, executar e repensar a prática educacional coletiva; da importância de garantir um trabalho de qualidade, onde a avaliação seja um elemento presente, favorecedor de uma continuidade consciente, séria e competente; da necessidade da escola acompanhar o avanço tecnológico e de valorizar a formação dos educadores, em homens e mulheres capazes de conquistar e praticar o pleno exercício da cidadania. Enfim, da escola definir o seu real papel frente à sociedade contemporânea. 10 CAPÍTULO I MÚLTIPLOS PROPÓSITOS PARA A CONSTRUÇÃO DO REAL O conceito de gestão se fundamenta na pretensa universalidade dos princípios adotados na empresa capitalista. Isto porque a administração empresarial, ainda é vista de modo geral o ideal de organização. Nos estudos bibliográficos dos diferentes tipos de organizações, foi possível compreendermos que existe uma função administrativa que é basicamente a mesma para qualquer tipo de organização, variando as ações em função dos objetivos específicos do empreendimento considerado. Esta adequação dos tipos de estruturas aos objetivos e também ao tipo de autoridade envolvidos na organização não invalida, portanto a essência comum da função administrativa, mas apenas acrescenta a necessidade de se definirem aos fatores variáveis em cada caso para que seja possível o ajuntamento da teoria geral aos diferentes tipos de organização existente. O processo administrativo é essencialmente o mesmo em todo empreendimento humano. Assim, o conceito de gestão se fundamenta na pretensa universalidade dos princípios adotados na empresa capitalista. Isto porque a administração empresarial, ainda é vista de modo geral o ideal de organização. Para compreender melhor a administração nos dias atuais é necessário entender que ela é produto de longa evolução histórica e que conseqüentemente traz cicatrizes das contradições sociais e dos interesses políticos em jogo na sociedade. PARO (2000, p.19), assim registra: 11 A sociedade se apresenta como enorme conjunto de instituições que realizam tarefas sociais determinadas, e que em virtude da complexidade das tarefas, da escassez dos recursos disponíveis, da multiplicidade de objetivos a serem perseguidos e do grande número de trabalhadores envolvidos, assume-se absoluta necessidade de que esses trabalhadores tenham suas ações coordenadas e controladas por pessoas ou órgãos com funções chamadas administrativas. É importante ressaltar que essa perspectiva é característica própria da sociedade capitalista, onde a administração em sua concepção mais geral e abstrata, advinda da racionalidade deve estar constantemente buscando objetivos que atentam aos interesses da classe trabalhadora, configurando-se, portanto, na concorrência para que a transformação social de fato seja realizada. Neste contexto a escola está inserida como qualquer outra instituição que precisa ser administrada com a necessidade de promover a eficiência e a produtividade, tendo a figura gestor como responsável pelas ações desenvolvidas. Neste sentido elege-se o tema Gestão Escolar: gestão democrática e participativa na escola pública, decorrentes de convivências profissionais, no campo da educação escolar e nos estudos na área da administração de escolas. A partir dessas convivências no interior da escola, percebi que a administração da escola pública, ainda não encontrou um caminho seguro, eficaz e democrático, pois boa parte das escolas, os envolvidos no processo (diretor, coordenador e professores) encontram-se perdidos no exercício da gestão escolar. Para tanto, entende-se que a gestão deverá estar inserida no processo de relação da instituição educacional com a sociedade, de forma que, a escola cumpra a sua função social garantindo assim um trabalho participativo, integrado com a comunidade em geral. 12 Assim, ao eleger o tema Gestão Democrática, cuja meta é de analisar o papel do gestor escolar diante dos desafios e compromissos com a escola. O tema tem como premissa, analisar as principais dificuldades encontradas pelos gestores escolares para implementação uma gestão democrática no ambiente escolar, pois sei que a democracia discutida em muitas escolas públicas está muito distante de atender o que diz na integra o termo democracia. Para o autor HORA, Dinair Leal (1994, p. 21): As pessoas que fazem parte do cotidiano escolar vêem a escola fragmentada, separando-a por setores e competências, deixando que cada um responda por seus direitos e deveres. Neste sentido, a participação de novos atores na gestão escolar, a descentralização do poder e a delegação de responsabilidades precisam ser organizadas nos estabelecimentos de ensino, pois as ações de gestão democrática trazem consigo uma concepção educativa que valoriza a autonomia da escola e das pessoas que a fazem. Estudar e investigar sobre a gestão democrática é importante porque propicia fortalecer procedimentos de participação na comunidade escolar incluindo os processos de planejamento, tomada de decisões e a avaliação dos resultados alcançados. Portanto, tem características e exigências próprias e para efetivá-la devem-se observar procedimentos que promovam o envolvimento, o comprometimento e a participação e atuação das pessoas envolvidas, descentralizando o poder e dividindo responsabilidades. Neste sentido, a gestão democrática tem por objetivo envolver todos os segmentos interessados na construção de uma proposta coletiva de educação. A administração que não envolve a comunidade está fadada a formar um conjunto de interesses internos que dificilmente coincidirão com os interesses da população em geral. Assim, percebe-se que uma gestão democrática precisa da participação ativa da comunidade escolar, no momento em que há partilha do poder, de tomar uma decisão. Uma gestão participativa 13 requer união e perseverança entre os membros participantes, para que não fiquem intimidados diante da primeira dificuldade que surgir. Em síntese, a gestão democrática do trabalho pedagógico pressupõe uma maneira de atuar “coletivamente”, oferecendo aos membros da comunidade local e escolar oportunidades para elaborar um plano de ação para minimizar ou solucionar possíveis problemas existentes na escola. Assim, a pesquisa é relevante e polêmica, pois buscaremos levantar questões sobre as dificuldades encontradas pelos gestores de escolas públicas na implantação de uma gestão verdadeiramente democrática. Neste sentido, busquei HORA (1994) que diz: A principal função do administrador escolar é realizar uma liderança política, cultural, e pedagógica, sem perder de vista a competência técnica para administrar a instituição que dirige, demonstra que o diretor e a escola contam com possibilidades de, em cumprimento com a legislação que os rege, usar criatividade e colocar o processo administrativo a serviço do pedagógico e assim facilitar a elaboração de projetos educacionais que sejam resultantes de uma construção coletiva dos componentes da escola. (HORA, 1994, p.53). Entretanto, a efetivação da gestão democrática deverá constituir-se para a comunidade local e escolar, um espaço público de direito, na qual ofereça condições de igualdade, garantindo um trabalho de qualidade e transformando o ambiente escolar com ações coletivas mesmo que existam dificuldades encontradas pelos gestores de escolas públicas para implantar um modelo eficaz de gestão democrática, para compartilhar responsabilidades e garantir bons resultados na tarefa difícil que é a discussão coletiva e a decisão de participar na definição de metas e ações, do acompanhamento e avaliação dos resultados entre toda a comunidade. E a partir da observação durante os anos de trabalho em escolas públicas, percebe-se o descaso por parte de alguns gestores em relação à democratização na escola, pois é fundamental compreender que o processo de democratização da escola perpassa necessariamente por vários aspectos. 14 Entretanto, faz a opção pela democratização dos processos no interior da escola e como esta pode se organizar, para aprofundar a questão, incluindo a sua relação com o contexto na qual está inserida, procurando preservar a visão de totalidade implicada nesta questão. Procura-se ainda, apropriação dos fundamentos que alicerçam a gestão democrática no ambiente escolar, buscando conhecimento das características evidenciadas pele administração escolar no seu processo de democratização dos vários seguimentos que compõe as comunidades escolar e local. Por isso, levanta-se a seguinte questão: como os gestores escolares da administração se comportam diante do desafio da implementação das ações de uma escola democrática participativa? Assim, diante desta questão maior, outras foram geradas como: v Quais as principais dificuldades encontradas pelos gestores de escolas públicas para a implementação da gestão democrática? v Como vem ocorrendo o processo de democratização da gestão nas escolas públicas do Distrito Federal? v Como promover a participação dos vários segmentos da escola na democratização da gestão escolar? Por estas razões, formulam-se alguns objetivos a fim de nortear os estudos de pesquisa para desenvolver um grande trabalho sobre a questão da democracia e participação na gestão escolar. v Investigar as principais dificuldades encontradas pelos gestores para a implementação da gestão democrática participativa. 15 v Discutir as bases teóricas encontradas para a democratização da gestão escolar. v Identificar o processo de democratização da gestão escolar. v Mapear as principais dificuldades encontradas pelo diretor na implantação de uma gestão democrática participativa. v Identificar os mecanismos de envolvimento dos vários segmentos da escola em ações compartilhadas no processo de gestão democrática. O estudo sobre gestão democrática: participativa fez uma solicitação o uso de uma abordagem etnográfica - analítica – descritiva, pois se procura descrever as dificuldades existentes na implementação de uma democratização da gestão escolar. Por tratar-se de uma pesquisa do tipo etnográfica, encontre-se em ANDRÉ (2001) que afirma: Por meio de técnicas etnográficas, de observação participante e de entrevistas intensivas, é possível documentar o não documentado, isto é, desvelar os encontros e desencontros que permeiam o dia-adia da prática escolar, desvelar as ações e representações dos seus atores sociais, reconstruir sua linguagem, suas formas de comunicação e os significados que são criados e recriados no cotidiano do seu fazer pedagógico. ANDRÉ (2001 p.41) Isto remete a uma pesquisa que me permitirá estar em contato mais próximo da escola e procurar analisar como se opera o seu dia-a-dia os mecanismos de repulsa e indignação, sendo que ao mesmo tempo são reelaborados os conhecimentos, e valores da vida da prática escolar. Para tanto, fez-se uma escolha de quatro escolas da rede pública de ensino de Planaltina cidade do Distrito Federal, sendo a primeira do ensino fundamental de séries iniciais chamada de Centro de Ensino Fundamental Juscelino Kubitscheck (CEF-JK), localizada no Condomínio Estância Mestre D’armas, de Planaltina-DF. A segunda do ensino fundamental séries finais, 16 denominada Centro de Ensino Fundamental Estância III (CEF-EIII), localizada no Condomínio Mestre D’armas III, de Planaltina-DF e a terceira de ensino fundamental e ensino médio, denominada de Centro Educacional Pompílio Marques de Souza (CED-POMPS), situada no Condomínio Estância Mestre D’armas, em Planaltina-DF, e a quarta localizada no Condomínio Arapoanga com ensino fundamental séries finais e denominada de Centro de Ensino Fundamental Arapoanga (CEFA), por se tratarem de escolas em que existem participações de professores defensores de ações escolares. E para tentar compreender a diversidade de cada escola pela única amostragem foco da investigação. Os informantes serão os gestores administrativos e os coordenadores de ensino das respectivas escolas da rede pública de ensino. A coleta de dados será realizada simultaneamente com os gestores e coordenadores da Escola, utilizando entrevistas semi-estruturadas através de questionário com doze questões sendo: quatro abertas, quatro semi-abertas e quatro fechadas, buscando coletar dados que venham revelar a minha investigação. Com o objeto de estudo, que é a gestão democrática será apresentado à operacionalidade do cotidiano, identificando a organização do trabalho escolar e os desafios dos gestores enquanto membros atuantes do contexto. Na História da Educação brasileira, as questões concernentes à administração escolar sempre esteve vinculada aos princípios e métodos utilizados na administração de empresas. A administração escolar não constitui um corpo teórico próprio e no seu conteúdo podem ser identificadas as diferentes escolas da administração de empresas o que significa uma aplicação dessas teorias a uma atividade especifica neste caso a educação. (FELIX:1996, p. 71) 17 Nesse contexto os teóricos da administração escolar ao introduzir os princípios da administração de empresa, assim o fizeram por entenderem a escola como uma organização que deve ter: Um grau de “cientificidade“ necessário para comprovar a importância da administração escolar como orientação teórica capaz de assegurar o funcionamento satisfatório da organização escolar em correspondência às expectativas da sociedade. (FELIX:1996, p. 72). Assim sendo o processo de transferência das teorias empresarias para o interior das escolas, centrou-se nas idéias da “administração cientifica do trabalho“, nos princípios Taylorista e Fayolista. Logo essas idéias tiveram profundas implicações nas organizações escolares, assim às escolas passaram a ser vistas como uma organização que deve promover a eficiência e produtividade. Nesse sentido o quadro delineado nas instituições escolares brasileiras no tocante à administração segundo FELIX (1996), passa por dois pontos que devem ser considerado o primeiro é de que: As organizações, apesar de terem objetivos diferentes, são semelhantes e, por isso, têm estruturas similares, podendo ser administrada segundo os mesmos princípios, conforme os mesmos modelos propostos pelas teorias da administração de empresas. (p. 73) E o segundo ponto a ser considerado pela autora diz respeito à: A organização Escolar e o sistema escolar como um todo, para adequar-se às condições sociais existente e atingir os objetivos que são determinados pela sociedade, necessita assimilar métodos e técnicas de administração que garantam a eficiência do sistema, justificando assim a sua própria manutenção. (p. 74) Ao transpor a máximas das teorias administrativas para dentro do universo escolar encontramos uma escola voltada para seus ambiente interno cujo os problemas, dificuldades e soluções: 18 Tinham como referência básica a sua realidade interna. Os Problemas na gestão eram considerados decorrente, da forma como se processava na escola o planejamento, a organização, o exercício da direção, a coordenação e o controle das atividades e das pessoas, (...) em outras palavras os problemas da escola eram considerados exclusivamente técnicos. FALCÃO FILHO (1997:183) E muitos dos profissionais ligados à educação apenas cumpriam tarefas, meramente rotineiras e mecanicistas para a realização do trabalho. Dentro desse enfoque foi significativa a ausência de discursos nas organizações educacionais sobre a natureza profunda do ser humano que educa e é educado, que administra e são administrados, como atores estratégicos capazes de elaborar hipóteses sobre seus parceiros, sabendo respeitar suas identidades, interesses desejos e projetos, sobretudo, interpretando incessantemente os comportamentos dos outros. Portanto, agindo como seres ativos que não absolvem passivamente o contexto daí derivado a impossibilidade de vê-los apenas como trabalhadores e alunos que devem desempenhar suas funções visando à produtividade e a eficiência e que, necessariamente, deverão apresentar um produto acabado ao final do processo, segundo o ritmo ditado pelo sistema. Esquecendo, portanto, os principais objetivos do processo de ensino dos quais as organizações escolares estão destinadas que é promover a socialização, ampliar os conhecimentos, desenvolver o pensamento, raciocínio entre outros. 19 CAPÍTULO II A TEORIA SUBSIDIANDO A AÇÃO GESTORA O processo de democratização da gestão educacional aprofunda-se o debate em torno da figura do diretor. Eles estão sendo obrigados a deixar o estilo tradicional de administrar, para adotar um novo modelo de administração totalmente voltado e integrado à esfera pedagógica. Segundo essa visão, todas às ações administrativas, até as mais burocráticas, devem visar o produto final, que é a educação. Uma outra visão que permeia o novo modelo de administração escolar é a eleição direta para diretores, algo impensável até bem pouco tempo atrás. Mas que agora é realidade, a eleição direta para diretores, tem como maior virtude a explicitação do debate no contexto da escola. Permite que os vários segmentos que a compõem se manifestem e defendam seus interesses, confrontem-se, pleiteiem e ao final, pela proeminência do debate cheguem a uma dada convivência. O que se discute, o que se debate, o que se disputa é: quem administra a escola. Segundo OLIVEIRA (1997). As eleições diretas representam a possibilidade de introduzir certos elementos de horizontalizado de uma relação cristalizada de cima para baixo. Porque ela não só permite como necessita de participação de todos, sem a qual não é possível prosseguir, pois falta – lhe legitimidade. É nessa busca de autorização, de respaldo, que os portadores das condições últimas para gerir a escola vão infletir sobre os demais segmentos que a compõem. (p. 108) Nesse contexto quebra-se um tradicionalismo que durante décadas tornou-se imutável e impensável às mudanças, a rotina escolar. Esse novo gestor delega poderes e responsabilidades aos outros parceiros para compartilhar as funções da escola. Que antes era exclusivo da escola passa a ser discutido com a comunidade. A participação dos pais torna-se um dos pontos chaves do processo administrativo e pedagógico, acompanhando o desempenho de alunos e professores, discutindo projetos dando sugestões, fiscalizando e em alguns casos tomados decisões. 20 O ponto de partida para que se consigam mudanças significativas no sistema escolar é o de uma gestão mais democrática, onde todos possam participar contribuir dando sua opinião e idéias coerentes com a situação. No atual contexto não pode mais existir apenas a figura do Gestor com autoridade máxima na escola, onde a sua função será de mero executor de tarefas burocráticas e controlador das atividades escolares, esquecendo-se da sua função pedagógica. A gestão democrática e toda a sua complexidade exigem que o gestor tenha conhecimento da realidade educacional, que coordene e dirija a ação conjunta dos professores, alertando-os para o processo de mudança que irão enfrentar, a fim de que eles estejam preparados para uma possível reformulação educacional, buscando criar condições favoráveis a esse processo. Convencido da insuficiência da gestão democrática em algumas escolas propõe-se a empreender os estudos que deram origem a este trabalho que apresenta-se na forma de examinar condições de possibilidades de uma gestão escolar voltada para a transformação social. 2.1. - GESTÃO DEMOCRÁTICA O sentido etimológico do termo gestão vem do “gestio", que por sua vez vem de "gerere" (trazer em, produzir). Gestão é o ato de administrar um bem fora-de-si (alheio), mas também é algo que traz em si porque nele está contido. E o conteúdo deste bem é a própria capacidade de participação, sinal maior da democracia. O mundo atual está sendo marcado por profundas mudanças devido ao processo de reestruturação capitalista e de internalização e globalização da economia. Em conseqüência disso, é natural que o modo de pensar de cada pessoa acompanhe estas transformações, no sentido de fazer reflexões e ir em busca de soluções para os problemas encontrados no decorrer da história do Brasil. 21 A gestão da escola pública no Brasil é o resultado do movimento de profissionais da educação que se empenham para ter o reconhecimento estabelecido por lei. Embora a gestão democrática da educação figure como a norma jurídica desde a Constituição Federal de 1988, sua interpretação é variada de acordo com o local e o pensamento das pessoas envolvidas. Inúmeras propostas no campo educacional surgiram na década de 90, principalmente com relação à gestão da educação, pois estas propostas comportam preocupações em torno dos objetivos, meios e fins, aos quais, a educação pública deve atender. São discussões que envolvem um enorme conjunto de problemas e questões da gestão da educação os quais não se restringem somente aos aspectos e característica do ensino formal e regular, mas vão além desses limites, abrangendo também o ensino informal. A movimentação em torno das reformas administrativas no setor educacional é intensa. Vive-se atualmente em constantes debates em torno da gestão da educação. Isso se torna o ponto central das discussões, devido à necessidade de se tomar conhecimento dos problemas existentes, para tentar resolvê-los com certa urgência, pois as mudanças acontecem rapidamente o maior desafio é abordar os grandes temas e procurar desvendar os seus aspectos mais nebulosos. Vale ressaltar que a gestão democrática do ensino público exige que os projetos e as ações sejam elaborados e executados com mais transparência, para que todos possam ter conhecimento e participem do processo administrativo da escola. Em hipótese alguma, o administrador escolar deve agir como se fosse o dono da situação. O que se propõem na verdade é que as decisões administrativas sejam socializadas, para que todos possam assumir as conseqüências dos seus atos com consciência e responsabilidade. Enfim, o administrador precisa saber que não é o senhor absoluto da razão e que existe uma complexidade social muito grande dentro e fora do âmbito escolar, que 22 precisa de esclarecimentos educativos. Agindo assim, certamente estará contribuindo para o desenvolvimento crítico e social do indivíduo e consequentemente para o progresso do País. Diante dessa realidade, compreende-se que a educação é o principal meio para se ter acesso às grandes transformações sociais pelas qual o mundo está passando, visto que as exigências quanto à qualificação das pessoas para o mercado de trabalho está se intensificando e as escolas precisam acompanhar esta evolução, capacitando os seus alunos de acordo com as exigências atuais. Portanto, independente dos seus interesses governamentais que são mínimos e muitas vezes até ilusórios, cabe aos profissionais da educação fazerem valer o que papel de educador, dando ênfase a um ensino mais democrático, com diálogos abertos, com informações que provoquem reflexões a respeito dos fatos sociais existentes. É importante que se trabalhe sempre com o concreto, assim o educando se sentirá estimulado a criar situações que facilitarão o seu aprendizado. A participação da comunidade na escola, como todo processo democrático, é um caminho que se faz ao caminhar, o que não elimina a necessidade de se refletir previamente a respeito dos obstáculos e potencialidades que a realidade apresenta para a ação. PARO (1997, p.17). Neste sentido, a gestão democrática, por sua vez requer, dentre outras, a participação da comunidade nas ações desenvolvidas na escola. Visto que envolver a comunidade escolar é tarefa complexa, pois articula interesses, sentimentos e valores diversos. Nem sempre é fácil, mas competem às equipes gestoras pensar e envolver estratégias para motivar as pessoas a participarem da vida da escola. 2.2. - O ESPAÇO ESCOLAR 23 Sendo a escola um espaço de livre articulação de ideologias, a classe dominante utiliza dela para exercer o domínio sobre a classe dominada. É bom lembrar que a ideologia é um sistema de idéias e representações favoráveis à classe dominante e a escola por sua vez é um espaço de livre articulação da mesma. Com isso, a educação torna-se um meio eficaz para a reprodução de uma sociedade burguesa sem conflitos entre as classes, o que garante à classe dominante o maior controle no processo educacional. Diante dessa realidade, pode-se perceber também que existem dentro da escola alguns intelectuais que agem em busca do desenvolvimento de práticas educacionais e em busca da democratização. HORA (1994:34) assim comenta: A escola como uma instituição que deve procurar a socialização do saber, da ciência, da técnica e das artes produzidas socialmente, deve estar comprometida politicamente e ser capaz de interpretar as carências reveladas pela sociedade, direcionando essas necessidades em função de princípios educativos capazes de responder as demandas sociais. Dessa forma, a função da escola é a de preparar o indivíduo para a vida, buscando suprimir as necessidades apresentadas pelo mesmo, contribuindo para a sua formação social. Para isso, é necessário que a escola tenha um comprometimento político com a sociedade, localizando as carências evidenciadas, trabalhando os seus princípios educativos a fim de que possam amenizar os devaneios sociais. Diante do contexto, percebe-se que a gestão democrática em educação apresenta um compromisso social-político, onde o interesse de todos que permanece, por mais que estejam além dos limites institucionais, pois para que se obtenham resultados satisfatórios, é necessário que a comunidade interna da escola esteja socializada com a comunidade externa. Sabe-se que é fundamental a contribuição da escola para a sociedade em geral, pois faz com que o indivíduo compreenda o mundo, perceba a 24 importância da sua relação com a sociedade e a necessidade de se exercer a cidadania, para que se tenha um mundo melhor. Contudo, nota-se que a escola precisa ter uma administração coletiva, onde exista a participação de toda a comunidade escolar nas decisões do processo educativo, desenvolvendo assim, a democratização das relações que existem na mesma facilitando bastante o desempenho administrativopedagógico da instituição. O administrador por sua vez, deverá estar ciente do seu papel administrativo, o qual deve ter uma dimensão política, com a ação participativa, deixando de ser autoritário, burocrático e alienado. Neste contexto, é notória a necessidade de uma nova prática administrativa. A dimensão política do gestor-administrador traduz-se num compromisso com uma ação educativa revolucionária que assim nos diz PARO (1997: 150-151): Quer pela transmissão de um saber objetivo, quer pela promoção de uma consciência crítica da realidade social, visa precisamente servir de um instrumento de superação da dominação e da exploração vigente na sociedade. Numa gestão democrática o administrador precisa ser comprometido com a educação, mostrar para o indivíduo que além do conhecimento, é necessário que se tenha uma consciência crítica do seu contexto social, político e econômico, que lute para superar a dominação da classe exploradora na sociedade, com segurança e responsabilidade. Somente assim, a classe trabalhadora está fortalecida para o desenvolvimento da sociedade brasileira. A prática da gestão democrática requer a participação efetiva de pais, educadores, alunos e funcionários da escola. Todos juntos trabalham em prol de uma educação melhor, procurando solucionar os problemas da escola e buscando sempre desenvolver uma consciência crítica no aluno, a fim de que o mesmo desperte o seu potencial e haja com autonomia no momento de uma tomada de decisão. 25 Assim, o que se vê atualmente são escolas reprodutoras de uma ideologia dominante, que age como manipuladora de uma classe popular. Essa classe se apresenta carente de conhecimentos e deixa-se enganar por umas idéias distorcidas da verdadeira realidade do mundo. Isso contribui para o crescimento do poder de uma classe dominante na sociedade. Para que tenha uma escola transformadora; é necessário que essa transformação seja feita no setor administrativo, bem como na distribuição do trabalho no interior da escola, pois o que temos hoje. Segundo PARO (1997:11) é: Um sistema hierárquico que pretensamente coloca todo o poder nas mãos do diretor. Não é possível falar das estratégias para transformar o sistema de autoridade no interior da escola, em direção a uma efetiva participação de seus diversos setores, sem levar em conta a dupla contradição que vive o diretor de escola hoje. Esse diretor, por um lado, é considerada autoridade máxima no interior da escola, e isso pretensamente, lhe daria um grande poder e autonomia; mas, por outro lado, ele acaba se constituindo, de fato, em virtude de sua condição de responsável último pelo cumprimento da lei e da ordem na escola, em mero, preposto do Estado. Portanto, é fundamental que a escola tenha autonomia, assim poderá alcançar os objetivos educacionais articulados com os interesses da comunidade escolar e juntos lutarem por uma organização no interior da escola, fortalecendo o movimento do grupo como um todo, procurando alcançar os objetivos almejados no decorrer do processo educacional. O diretor, por sua vez precisa estar de acordo com os interesses da população, distribuindo autoridade entre os vários setores da escola e dividindo responsabilidades. Com isso, a escola estará conquistando a sua autonomia. 2.3 - O GESTOR DEMOCRÁTICA ADMINISTRATIVO E A GESTÃO 26 DINAIR DA HORA (1994) o processo de democratização das relações administrativas dentro da escola e sua função com a comunidade são uns pontos importantes para a busca da participação na realidade escolar. Neste sentido a administração democrática e a participação da comunidade, longe de ser um dado consumado, são, na maioria das vezes, um horizonte a ser buscado, pois como diz a autora o caminho é um aprendizado coletivo. Para o êxito desse aprendizado podem colaborar o diretor da escola, a comunidade escolar e todos os demais envolvidos. A autora comenta que o diretor da escola, antes de ser um educador comprometido com a formação do educando se depara com situações na qual passa a ser um mero repassador de ordens, usando uma burocracia sendo atado atrás de mesas e assinando papéis de pouco significado para a educação, sendo obrigado a cumprir certos programas educacionais que muita das vezes não leva em conta o conhecimento, a realidade e necessidade da comunidade escolar, quando declara. Na medida em que tenta assumir seu papel educativo, buscando espaço para exercer a práxis educacional sofre sanções que vão das advertências à substituição sumária, por alguém que não “incomode” o sistema. (HORA:1994, p.19) Entretanto, isso está sendo mudado através do novo panorama de mobilização da sociedade brasileira que vem alcançando uma amplitude capaz de impulsionar mudanças significativas nas relações de poder em todas as áreas de ações políticas do País. Neste sentido, é possível entender que a consolidação de uma gestão democrática no interior da escola não é um processo espontâneo e fácil, pois a dinâmica das relações do poder poderá entravar o avanço do processo, sendo necessário que o permanente esforço humano seja coletivo e esteja caminhando sempre em função de decisões de grupos e não de indivíduos. A gestão democrática em educação nos remete a possibilidade de uma ação administrativa coletiva exigindo a participação de toda a comunidade 27 escolar nas decisões do processo educativo, o que resultará na democratização das ações desenvolvidas na escola, contribuindo para o aperfeiçoamento da administração e da parte pedagógica, fazendo com que a escola como instituição social tenha a possibilidade de construir a democracia como forma política de convivência humana. Na concepção de KIMBROUGH, o gestor está em interação contínua com os cidadãos de sua comunidade escolar. Neste sentido, em qualquer acontecimento, prontamente vemos algumas oportunidades abertas ao gestor para exercer liderança com o corpo docente ou com os pais e cidadãos de sua área de assistência. O gestor está numa posição importante exercer liderança cívica em relação aos líderes de sua área de atuação. Assim, trabalhando em coordenação com os professores, outros gestores e educadores de escolas podem gerar uma força política visando o progresso escolar, pois os gestores e professores podem ser um vínculo muito importante no grupo profissional. Portanto, o papel de liderança do gestor administrador não está totalmente devotado ao processo de mudança e de progresso, pois em um número de comunidades muito maior do que aquele que gostaria de admitir, os gestores escolares são forçados a resistir aos tipos de mudanças almejadas pelos grupos extremistas, sendo que há exemplos notáveis em que os grupos extremistas “tomaram conta'' dos Conselhos Escolares e das associações de pais e mestres. Como conseqüência o administrador deve fornecer uma liderança cívica eficiente para resistir a alguns grupos, tendo em vista o interesse dos princípios educacionais bem fundados. Neste sentido, KIMBROUGH (1997:107) coloca que: “Os educadores, algumas vezes, dão a impressão de serem cidadãos preocupados apenas com as condições escolares, não levando em conta as necessidades dos outros setores”. 28 Esta é uma tendência natural e indica o interesse vital dos professores pelo empreendimento educacional. Ainda assim, a tendência de isolar a vitalidade da educação da natureza do sistema de poder das comunidades constitui um erro grave, pois a vitalidade da educação morre aos poucos a cada momento em que se negam a um cidadão as oportunidades para ascender no sistema sócio econômico da nação. Porém, percebe-se que em muitos distritos escolares a democracia é um ideal de poucas pessoas ao invés de ser a realidade de muitos. Partindo da reflexão do autor que resulta o desenvolvimento de todos os indivíduos até atingirem sua total potencialidade é, em essência, o nosso motivo forte para defender a existência da democracia dentro de um espaço escolar. O papel do gestor na escola não requer somente executar decisões às sim preparar condições, estimular, organizar as mudanças que advirem no decorrer do processo administrativo. A função administrativa é uma função comum a todas as organizações e requer indivíduos especialmente preparados para exercê-la. Em cada tipo de organização ela se apresenta com características próprias, pois cada uma busca alcançar os seus objetivos. Sob esta perspectiva LÜCK relata que: O diretor eficaz é um líder que trabalha para desenvolver uma equipe composta por pessoas que juntamente são responsáveis por garantir o sucesso da escola. A ênfase principal da liderança está no papel de ensino, pois o líder deve ajudar a desenvolver as habilidades nos outros, para que compartilhem a gestão na unidade. (2000:45) Dentro deste contexto, a função do gestor é de coordenar e dirigir todas as ações, tanto dos professores quanto dos outros membros que fazem parte do sistema escolar. Deve alertá-los para o processo de mudança no mundo globalizado, criando situações favoráveis para que tenham um bom desempenho nas atividades realizadas a partir de uma realidade educacional. 29 Percebe-se que o administrador escolar tem um papel fundamental na escola, pois é o principal responsável pelo desenvolvimento de todas as atividades a serem realizadas no âmbito escolar. Daí pode-se afirmar que o gestor, antes de ser um administrador, deve ser um educador mais ainda, um educador por excelência neste sentido, NAURA diz que: Um processo de gestão que construa coletivamente um projeto pedagógico de trabalho tem já, na sua raiz, a potência da transformação. Por isso, é necessário que atuem na escola com maior competência, para que o ensino realmente se faça e que a aprendizagem se realize, para que as convicções se construam no diálogo e no respeito e as práticas se efetivam coletivamente, no companheirismo e na solidariedade. (2000:113). Uma nova e boa compreensão faz uma estimulação em afirmar que o gestor deve desempenhar o seu papel assumindo funções administrativas e funções pedagógicas. Sendo que, no ponto de vista administrativo, competelhe: a organização e a articulação de todas as unidades competentes da escola, o controle dos aspectos materiais e financeiros da escola, a articulação e controle dos recursos humanos, a articulação escola X comunidade, a articulação da escola com o nível superior de administração do sistema educacional, a formulação de normas, regulamentos e adoção de medidas condizentes com os objetivos e princípios propostos, a supervisão e orientação todos aqueles a quem são delegados responsabilidades. 2.4 - O DESAFIO DE UMA GESTÃO DEMOCRÁTICA O êxito de uma organização depende da ação construtiva conjunta de seus componentes, pelo trabalho associado, mediante reciprocidade por uma vontade coletiva como fala LÜCK: O entendimento do conceito de gestão já pressupõe, em si, a idéia de participação, isto á, do trabalho associado de pessoas analisando 30 situações, decidindo sobre o seu encaminhamento e agindo sobre elas em conjunto. (1996 p.15) A literatura sobre a gestão participativa reconhece que a vida organizacional contemporânea é altamente complexa, assim como seus problemas. No final da década de 70, os educadores e pesquisadores de todo o mundo começaram a prestar maior atenção ao impacto da gestão participativa na eficácia das escolas como organizações. Nesse sentido, não é possível para o gestor administrador solucionar sozinho todos os problemas e questões relativas à sua escolha, adotaram a abordagem participativa fundada no principio de que, para a sua organização ter sucesso é necessário que os diretores busquem o conhecimento especifico e experiência dos seus companheiros de trabalho. Os gestores participativos baseando-se no conceito da autoridade compartilhada, por meio do qual o poder é delegado a representantes da comunidade em conjunto. A participação, experiências vividas, muitas das quais algumas vezes com resultados mais negativos do que positivos, do ponto de vista de considerar a legitimidade do envolvimento dos sujeitos nas determinações de ações e sua efetivação. Isto porque, em nome da construção de uma sociedade democrática ou da promoção de maior envolvimento das pessoas nas organizações, promove-se à realização de atividades que possibilitem e até condicionem a sua participação. No entanto, existe a possibilidade de se praticar a gestão escolar pura e simplesmente como uma administração modernizada, atualizada em seus aspectos externos, mais se mantendo a antiga ótica de controle de pessoas e processos. Esta é a razão de se analisar a questão da participação em destaque. A abordagem participativa na gestão escolar demanda maior participação de todos os interessados no processo decisório da escola, 31 envolvendo-os também na realização das múltiplas tarefas de gestão. Esta abordagem também amplia a fonte de habilidades e experiências que podem ser aplicadas na gestão das escolas por não haver uma única maneira de se implantar um sistema participativo de gestão escolar. Democratizar o ensino, no entanto, não é só instalar uma escola publica atendendo aos reclames da população. É processo garantir, não só que as crianças tenham acesso à escola, mais também que aprendam, com vontade e prazer de aprender e não desistam depois de certo tempo. Por isso é que, defende-se a proposta de que é preciso universalizar o acesso e garantir a permanência dos alunos, oferecendo ensino de boa qualidade. Para isso, a escola precisa funcionar bem, tornando-se democrática. Para assegurar a reflexão busca-se VEIGA que diz: A gestão democrática exige a compreensão em profundidade dos problemas postos pela prática pedagógica. E visa romper com a separação e execução, entre pensar e fazer, entre a teoria e a prática. Busca resgatar o controle do processo e do produto de trabalho pelos educadores. (1997, p.18) Assim, diante desse pensamento, entende-se que a gestão ou a administração de uma escola publica é alvo que deve ser exercido, principalmente, por educador, que chegue nesse cargo, através de uma eleição direta, onde a própria comunidade faca a sua escolha. Entretanto, sabe-se que não é só dele, essa tarefa de administrar, mas, principalmente de todos os envolvidos no processo de educação. No pensar da gestão democrática, a comunidade está sendo chamada para participar das tomadas de decisões, por varias razões. Uma delas é próprio processo de democratização da sociedade, ampliando os canais de participação. Outra grande razão é que a escola não está isolada, mas, inserida numa comunidade concerta, cuja população tem expectativas e necessidades específicas. 32 Partilhando a gestão com a comunidade, a escola fixa raízes, vai alem da busca de soluções próprias, mais adequadas às necessidades e às inspirações dos alunos e de suas famílias, conquistas, aos poucos, autonomia para definir seu projeto. Como comenta NAURA: A direção se constrói e se legitima na participação do exercício da democracia da construção coletiva do projeto pedagógico que reflita o projeto de homem e da sociedade que se quer. (2000, p 113) Por isso, pode se dizer que quando se almeja algo, não pode se estar só, e sim compartilhando das decisões da escola. Isso já é a realidade que começa a mudar para uma gestão democrática, uma vez que se acredita que juntos temos mais chances de encontrar caminhos para atender as expectativas da sociedade. A atuação da escola passa a ser compartilhada por todos. Por isso, diz que, que quando ampliamos o numero de pessoas que participam da vida da escola, é possível estabelecer relação mais flexível e menos autoritária entre educadores e clientela escolar. Entretanto, sabe-se que democratizar a gestão de uma escola é uma escolha que tem conseqüências conflituosas na atuação do gestor, uma vez que ele deixa de ser autoridade única da escola, assim como, também, não é mais aquele gestor burocrático, preocupando somente como a manutenção do prédio, preenchimento de papeis e suprimentos de recursos humanos e materiais, passando a descentralizar as tarefas com aquele que fazem parte dessa comunidade. Portanto, saber utilizar os elementos necessários para o bom desempenho, naquilo que se acredita ser a unidade desejada e manter vivo o sonho de encontrar caminho para a democracia no espaço escolar. Percebe-se também, no interior da escola, que a consciência do direito de participar das decisões sobre “que fazer” da escola, ainda não está disseminado entre os seguimentos que a constituem e que a construção de democracia, participativa, 33 é um processo lento, o que se confirma quando afirmam ROMÃO e PADILHA (1997, p. 23): A gestão democrática não é um processo simples, de curto prazo, mas também, não é um processo tão complexo ou irrealizável. Elaboração do projeto político pedagógico da escola, a implementação de conselhos de escolas que efetivamente influenciou a gestão escolar como um todo, à medida que, garantem a autonomia administrativa, pedagógica e financeira da escola, sem eximir o Estado de suas obrigações com o ensino publico. Entretanto esse processo democrático na sua complexibilidade, ou seja, assegura a sua efetividade, num contexto mais amplo, onde as exigências imediatas de ações concretas esbarram nas limitações da autonomia administrativa e até mesmo nas políticas paternalistas, empreendidos pelos próprios gestores, preocupados em manter o cargo (embora letivo), é que, percebe-se a dificuldade de um gestor escolar enfrenta no seu cotidiano escolar. Daí dizer que percurso de gestão democrática em nosso País, aponta algumas dificuldades, como falta de comunidade, precariedade da participação comunitária, entre outros, que precisa ser analisada, profundamente, nos seus diversos aspectos político-pedagógicos, para que os desafios sejam superados. Estes desafios precisam ser enfrentados, e na práxis, com ações e reflexões teóricas profundas e coletivas, para que o processo de participação comunitária na gestão aconteça nas escolas publicas da Brasil. 2.5 CAMINHOS DA GESTÃO DEMOCRÁTICA DO ENSINO PÚBLICO A democratização supõe a convivência e o dialogo entre pessoas que pensam de modo diferente e querem coisas distintas. O aprendizado democrático implica a capacidade de discutir, elaborar e aceitar regras coletivamente, assim como a superação de obstáculos e divergências, por meio do dialogo, para a construção de propósitos comuns. Na escola não é 34 diferente. Encontramos também a diversidade e o conflito de interesses. Uma gestão participativa de ensino público busca, pelo dialogo e pela mobilização das pessoas, a criação de um projeto pedagógico com base em formas colegiadas e princípios de convivência democrática. Muitas são as concepções sobre a gestão e democracia. Certamente a idéia da gestão escolar democrática está vinculada à função social que a escola deve cumprir. Inicialmente, definimos gestão democrática como um tio de gestão político-pedagógica e administrativa orientada por processos de participação das comunidades local e escolar. Vamos examinar melhor essa questão, porque tanto a Constituição Brasileira, quanto a LDB estabelecem a gestão democrática como o modo próprio de gerir as escolas públicas e os sistemas de ensino. O principio de gestão democrática do ensino publico, estabelecido na constituição brasileira, foi regulamentado pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDBEN (Lei n.º 9.394 / 96 ). Ao estabelecer a gestão democrática do ensino, o texto constitucional institui, ao mesmo tempo, o direito e o dever de participar de todos os que atuam nos sistemas e nas escolas publicas. A constituição relacionada à gestão democrática com as demais formas de gestão. A Constituição cita os princípios a serem observados na gestão das escolas que são: Art. 206 O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I – igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II – liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber; III – pluralidade de idéias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições publicas e privadas de ensino; IV – gratuidade do ensino publico em estabelecimentos oficiais; V – valorização dos profissionais de ensino, garantido, na forma da Lei, planos de carreira para o magistério publico, com piso salarial profissional e ingresso, exclusivamente, por concurso publico de provas e títulos, assegurado regimento jurídico único para todas as instituições mantidas pela União; VI – gestão democrática do ensino publico, na forma da Lei; VII – garantia de padrões de qualidade. 35 Assim, a Constituição Federal brasileira estabeleceu a gestão democrática do ensino publico como um entre os sete princípios necessários para se ministrar o ensino em nosso País e, por extensão, para gerir as escolas públicas. Igualdade, liberdade, pluralismo, gratuidade, valorização dos profissionais de ensino. Este princípio constitucional constitui uma das garantias do direito à participação. Ele possibilita as pessoas, independentemente de sua situação social e cultural, intervir na construção de políticas e na gestão das instituições educacionais. O conhecimento e a interpretação da LDBEN 9394/96 é fundamental para todos os atores cidadãos e, particularmente, para as equipes gestoras ela contem as diretrizes e as bases que norteiam a educação nacional, trazendo elementos importantes para a construção de uma nova escola, democrática e de qualidade para todos. Veja o que diz a Lei de Diretrizes e Bases da Educação – LDBEN 9394/96 de dezembro de l996: Art. 14 Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do ensino publico na educação básica, de acordo com os seguintes princípios: I – participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola; II–participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes; Art. 15 Os sistemas de ensino assegurarão às unidades escolares públicas de educação básica que os integram progressivos graus de autonomia pedagógica e administrativa e de gestão financeira pública. Cada sistema de ensino tem autonomia para a elaboração de normas próprias de gestão democrática. Em todos, no entanto, a participação dos profissionais da educação deve ser assegurada e incentivada na preparação do projeto pedagógico da escola, assim como a das comunidades escolar e local nos órgãos de decisão colegiada. A gestão das escolas e dos sistemas de ensinos deve contar com a participação de pais, alunos e professores (comunidade escolar), mas também com representantes das associações do 36 poder público e de outras entidades existentes em seu estado ou sua cidade (comunidade local). As dificuldades de democratização do sistema público quanto às formas de gestão, as tentativas de aproximação da população com a escola, em sua maioria evidenciando o fracasso, demonstrarem que a natureza dos problemas encontrados e a superação deles não se limitam à troca ou proposta de canais mais adequados tendo em vista gestão democrática capaz de envolver, efetivamente, professores, alunos e pais. Assim, a dificuldade reside na distancia entre representantes e representados. Pois, a prática democrática não se resume na indicação de representantes que imediatamente se desligam de seus representados. Então, torna-se também preciso aliar as práticas representativas com práticas democráticas diretas, no sentido da ampliação do espaça de discussão e de decisão a envolver setores mais amplos, muitas vezes construindo sem possibilidade de ampla participação. Mais ainda, os eventuais representantes dos pares que constituem os colegiados, sobretudo no âmbito da escola como professores, alunos e pais ou moradores, devem criar mecanismos e canais constantes de interação para que esse debate amplo possa ocorrer. Não obstante a existência, sob o ponto de vista estratégico, de interesses comuns, a luta pela real democratização da educação destinada às classes de trabalhadores, à maioria da população, é preciso reconhecer que os sujeitos envolvem o conflito entre as partes e a diversidade de orientações deve ser explicitada. Segundo BASTOS (1999, p.23): As relações entre os gestores das atividades educativas devem estar abertas ao conflito, pois o consenso não é ponto de partida para a interação dos gestores, pois, apenas obscurece a diversidade, sendo que ele deve ser buscado numa trajetória que comporte a discussão e o conflito, enfim, o consenso e as decisões devem ser construídos coletivamente. 37 Neste sentido, o quadro dos atores coletivos, professores, alunos, população escolar, as maiores dificuldades residem na relação do interior da unidade escolar com os estudantes e suas formas de organização, em grande parte inexistente ou veladamente proibida. Mas, residem, principalmente, entre pais, moradores e demais forcas sociais que atuam nos movimentos populares. Para tanto, resta, na maioria das vezes, aos pais e moradores apenas a colaboração na prestação de pequenos serviços, a contribuição financeira ou o encargo de assumir penas disciplinares “compartilhadas” com professores e direção, uma vez que a atividade educativa torna-se tarefa cada vez mais complexa diante das quais os educadores tendem a não encontrar respostas inovadoras e preferem assumir muitas vezes as saídas mais fáceis. Por isso, a constituição desses gestores da atividade educativa enquanto atores coletivos envolvem a necessidade de sua organização independente, sendo importante, sobretudo, para alunos, pais e demais forcas que atuam nas organizações de bairros. Assim, torna-se precisa a criação de esferas próprias de expressão, garantindo sua liberdade de organização, devendo estar ser mesma assegurada por lei. Assim, se é importante à criação de canais institucionais capazes de viabilizar essa participação democrática, é ainda na escola e, muitas vezes ultrapassando suas fronteiras, que a luta maior deve ser travada. Qualquer possibilidade de uma presença popular mais efetiva no sistema educativo exige a organização independente como sustentação e instancia de aprofundamento dessa participação. É preciso, assim, ousar, lutar por um novo projeto que está delinear, e construí-lo ao lado de uma trajetória recentemente iniciada, isto significa que é preciso ter em conta a possibilidade real de serem tomadas decisões e, sobretudo, o reconhecimento de interesses das partes envolvidas no processo de democratização escolar. 38 CAPITULO III INVESTIGANDO A CONCRETIZAÇÃO DE UMA GESTÃO DEMOCRÁTICA PARTICIPATIVA Gestão é administração, é direção, relaciona-se com atividade de impulsionar uma organização a atingir seus objetivos, cumprir sua função desempenhar seu papel. Segundo FERREIRA E AGUIAR (2000): Gestão constitui de princípios e práticas decorrente que afirmam ou desafirmam os princípios que as geram. Estes princípios, entretanto não são intrínseco à gestão como a concebia a administração clássica, mas são princípios sociais, visto que a gestão da educação se destina à promoção humana (p.197) No entanto, a passagem de uma administração autoritária para uma administração democrática e participativa é complexa e terá de enfrentar vários desafios ou superar vários obstáculos, antes de produzir os resultados esperados. Mas, o maior e mais difícil desafio a ser resolvido é fazer com que a administração escolar, nas instituições de ensino atinja grau satisfatório de autonomia, que lhes garantam recursos e condições capazes de permitir a implantação de novas idéias pedagógicas e administrativas surgida no coletivo. Logo, sabendo da complexidade, e da dificuldade que as mudanças provocam, uma vez que para se mudar de uma idéia/ação que não corresponde com a realidade vigente para outra nova idéia/ação que exige a ruptura histórica na prática administrativa da escola requer tempo e muita conscientização dos profissionais. A exemplo disso LÜCK (2000) nos diz: (...) nem sempre os membros da escola estiveram preparados para formas complexas de ação e passam a simplifica-la e a estereotipalas, burocratizando-as e estabelecendo, desnecessariamente, hierarquizar e segmentação inadequada. (p. 88). Portanto, toda mudança provocada no âmbito de qualquer instituição exige muitas discussões dialética, para não evoluir para um grau de 39 insatisfatoriedade onde não exista espaço para discussões, questionamento e muito menos críticas. Por isso a gestão participativa se constitui numa alternativa a administração centralizada. É um tipo de gestão que se baseia na representação. Um conselho escolar formado por representantes eleitos de todos os setores da entidade administrada, com poderes não só consultivo, mas também normativo e até deliberativo. Nos casos específicos da escola, este conselho é formado por representantes dos alunos, dos professores, dos funcionários, dos setores de apoio. Gestão participativa parece, portanto, minimizar o aspecto coercitivo inerente à própria administração, uma vez que as decisões não ocorrem unilateralmente de cima para baixo, mas sim, ao contrário de baixo para cima, já que cada indivíduo participa direta ou indiretamente, das decisões administrativas. A gestão democrática na educação é um princípio consagrado pela Constituição Federal de 1988, e abrange as dimensões pedagógicas, administrativa e financeira das unidades educacionais. As palavras de BASTOS (1999), a respeito da gestão democrática são bastante esclarecedoras: A gestão democrática restabelece o controle da sociedade civil sobre a educação e a escola pública, introduzindo a eleição de dirigentes escolares e os conselhos escolares garantem a liberdade de expressão, de pensamento, de criação e de organização coletiva na escola, facilita a luta por condições materiais para aquisição e manutenção dos equipamentos escolares bem como por salários dignos a todos os profissionais. (p. 7) Neste contexto, a gestão democrática exige a ruptura histórica na forma estrutural como a escola vinha se organizando já que a democracia é o regime da reflexibilidade, é o regime que se reflete e se decide em comum sobre o que se vai fazer tudo isso concerne à discussão sobre os objetivos políticos e das instituições. A gestão democrática prever a descentralização e um processo de autonomia para as escolas poderem decidir questões referentes ao seu plano 40 pedagógico, material que quer utilizar e como administrar recursos financeiros, além de transferir parte da responsabilidade sobre a administração, socializando todas as decisões referentes à melhoria das escolas. Segundo VEIGA (1997), a gestão democrática inclui, necessariamente, a ampla participação dos representantes dos diferentes segmentos das escolas nas decisões / ações administrativa pedagógicas ali desenvolvidas. (p. 67) Assim, as participações dos diferentes segmentos da escola, formam os chamados conselhos escolares ou colegiados e são peças fundamentais dessa engrenagem. Os colegiados devem constitui-se num espaço de construção coletiva em que determinados momentos funcionará como uma arena onde interesses distintos se confrontam; em outro momento constitui-se em um palco de denuncias, ou em instâncias consagradoras de certas práticas, decisões e propostas em muitos outros, em um grupo de trabalho que pensa, elabora e determina os rumos dessa escola. Para tanto, exige-se de todos que participam desse processo. Segundo VEIGA (1997), a compreensão em profundidade dos problemas postos pela prática pedagógica, pois rompe com a separação entre concepção e execução, entre a teoria e a prática. (p.68). A gestão democrática é, portanto, um fazer prático participativo, pois há transformações dos sujeitos envolvidos. Daí para uma proposta se auto denominar de revolucionária deve não apenas abalar as estruturas concretas da organização, mas atuar com e para as pessoas, porque é ela e para elas que a organização existe. Na intenção de se fazer uma análise para demonstrar a parte prática da gestão democrática e participativa fez-se uma coleta de informações de como pensam e agem os gestores escolares e orientadores das escolas num total de quatro escolas como sujeitos da pesquisa, foram selecionadas quatro escolas públicas da cidade de Planaltina, Distrito Federal, com o objetivo de 41 analisarem-se os desafios e compromissos de uma gestão democrática como propostas de complemento das ações desenvolvidas pelos gestores destas instituições. Na coleta de dados utiliza-se questionários com questões semi-abertas, abertas e fechadas, por se tratar de uma pesquisa descritiva-analítica, cujos sujeitos devem desenvolver ações que serão apoio da informação. Os sujeitos investigados encontram-se em escolas pesquisadas da cidade de Planaltina Distrito Federal que serão identificados como: A1, A2, A3 e A4, representando as escolas da pesquisa. Foi detectado que 50% são formados em Pedagogia com especialização em Administração Escolar e 25% com graduação em Ciências Humanas e 25% Códigos e Linguagens. Neste sentido, houve a necessidade de esclarecer que os gestores têm a seguinte formação? A1 Pedagogia com especialização em Administração Escolar A2 Ciências Humanas A3 Códigos e Linguagens A4 Pedagogia com Magistério Diante dos resultados, percebe-se que no exercício da gestão democrática todos os setores envolvidos no processo precisam ser considerados e o se grau de instrução ou formação. O corpo técnico, os professores, os funcionários que embora não trabalhem em funções propriamente docentes, nem por isso devem deixar de emprestar o seu esforço na concretização dos objetivos educacionais sem esquecer da sua formação continuada. Pois não existe chefe colocado autoritariamente sobre os demais, visto que as responsabilidades administrativas são distribuídas juntamente com a autoridade, como afirma LÜCK (2000), o sucesso nos resultados da gestão participativa depende do conhecimento e prática das habilidades, da motivação 42 e da criatividade das equipes das escolas, professores, colaboradores, parceiros, fornecedores que coordenados pela direção planejam estrategicamente, definindo metas e ações. Dentre as respostas dadas pelos Administradores e Orientadores escolares, percebe-se que 50% não têm formação específica para atuar como gestor administrador, sendo que os outros entrevistados possuíam os cursos específicos da área de atuação, conforme a figura 1 em anexo. A indagação: Há quanto tempo encontra-se atuando como gestor da administração e qual o tipo de líder que eles se consideram? As respostas A1 menos de um ano A2 menos de cinco anos A3 mais de cinco anos A4 menos de um ano Todos se consideram democráticos. Considerando o apresentado, pode-se perceber que há certa relação entre as respostas dos entrevistados e que os mesmos possuem conhecimento na questão da gestão democrática, que fica assegurada pela fala de HORA (1994), que pode se dizer de modo geral que a gestão democrática é vista como um meio viabilizador das possibilidades de mudança na sociedade e na construção de uma escola melhor, com a participação de todos. Pois os mesmos deixam clara a necessidade de compromisso e participação de todos na busca de soluções e transformações existentes na comunidade escolar. Com essas informações, foi demonstrado que a maioria dos gestores escolar tem pouco tempo de atuação. Sendo que 50% menos de um ano e 43 25% mais de cinco anos e 25% menos de cinco anos, segue em anexo a figura 2 que mostra essas respostas e que suas lideranças são democráticas. A indagação: Suas decisões perpassam: Todos foram unânimes em dizer que: buscam com os demais gestores da escola e com a comunidade. Neste sentido, analisa-se que todos, apesar da maioria ter pouco tempo de atuação como gestores escolares, encontram-se em busca de uma escola participativa e democrática, onde as suas decisões são compartilhadas com os demais gestores e com a comunidade. LÜCK (1996), ao referir-se à antiga concepção de administração escolar, comenta que em virtude da necessidade de reordenação do sistema educacional, não se sabe conceber mais dentro da escola uma ação partidária, unilateral e autocrática por parte do Gestor. Busca-se a descentralização do trabalho de uma redefinição de papéis a fim de proporcionar resultados satisfatórios das pessoas que o praticam para consolidar uma ação progressista no desenvolvimento de todas as atividades dentro da escola. Com isso a atuação do Gestor é decisiva para o dinamismo da escola, uma vez que a mesma jamais deverá afastar-se da realidade e desvincular-se do meio. Longe de desempenhar uma função meramente burocrática, cabe ao Gestor estabelecer um relacionamento entre “meios e fins” para equacionar na escola problemas educacionais e administrativos com a participação de todos os membros que compõem o ambiente escolar. A indagação: A escola possui Projeto Político Pedagógico? As respostas. A obtenção do não foi categórica em 100%, justificando-se assim: 44 A1 Com a implantação do Projeto Político Pedagógico onde já tive a oportunidade de fazer uma diagnose da escola, diagnose essa que me deu subsídios para buscar a discussão do projeto político pedagógico. A2 _Porém está em processo de elaboração. A3-_Ainda não existe, mas já estão trabalhando para isso acontecer e já desenvolverão varias ações que compõem o projeto político pedagógico. A4-_Encontra-se ainda em diagnose, pois pensam fazer com a participação de toda a comunidade escolar, já realizarão questionários, palestras e coletamos bastantes informações para a elaboração do projeto político pedagógico. Neste sentido, observa-se que todos dizem encontrar-se em fase de elaboração do Projeto Político Pedagógico, pois se percebe nas suas falas um compromisso com a elaboração e execução do mesmo. Caminhar na direção da democracia na escola, na construção de sua identidade como espaço - tempo como organização e com um projeto político pedagógico próprio, com base nas convicções que envolvem o processo como construção coletiva, VEIGA (1995:51), assim supõe ser necessário: • Rompimento com as estruturas mentais e organizacionais fragmentadas; • Definição clara e princípios e diretrizes contextualizada, que projetem o vir a ser da escola; • Envolvimento e vontade política da comunidade escolar para criar a utopia pedagógica que rompe com os individualismos e estabelece a parceria e o diálogo franco; 45 • Conhecimento da realidade escolar baseado em diagnóstico sempre atualizado e acompanhado; • Análise e avaliação diagnosticam para criar soluções às situaçõesproblemas da escola, dos grupos, dos indivíduos; • Planejamento participativo que aprofunde compromissos estabeleça metas claras e exeqüíveis e crie consciência coletiva com base nos diagnósticos: geral, das áreas, por componentes curriculares, por setor escolar, por grupos de professores, por pessoas nos grupos. Diante destas categorias podemos afirmar o quão é preciso pensar que existe uma administração escolar instalada, e que essa é conduzida por profissionais autorizados a um exercício legal com o mínimo de processo decisório. A construção do Projeto Político Pedagógico é um instrumento de transformação das práticas pedagógicas. Dessa forma, será que os gestores entendem que o projeto pedagógico permite à escola construir sua autonomia, baseada em processos de gestão democrática. A indagação: Você cria ou fortalece ambientes que favoreçam a participação da comunidade escolar no processo de gestão democrática? As respostas: A1 Respeitando as decisões tomadas em grupo. A2__Valorizando o trabalho participativo; respeitando as decisões tomadas em grupo; estando atento às solicitações da comunidade. A3 e A4 Incidiram com a mesma resposta, valorizando o trabalho participativo. 46 Justificativa: A1__Todas as decisões fundamentais da escola passam pelas decisões dos vários segmentos representados no Conselho Escolar. A2__Sem esse método ou atitude de valorização, respeito e atenção haveria o fortalecimento das relações democráticas e das ações participativas. A3__Pois através do trabalho participativo as decisões tomadas em grupos à solicitação da comunidade tornam-se fortes no ambiente. A4 Nossa escola valoriza o trabalho participativo por isso está sempre desenvolvendo atividades em que todos os segmentos da escola estejam envolvidos. Nossa meta é atender bem a comunidade em que nossa escola está situada para que nossos alunos sejam agentes de transformação. Segundo LÜCK (2000), vivem-se no meio da 3ª onda em administração, as décadas finais do século XX marcaram o surgimento de uma revolução no pensamento administrativo. Atualmente, o nosso mundo é marcado pela emergência de novas estruturas organizacionais que são significativamente mais democráticas, criativas e, potencialmente mais produtivas do que foram em quaisquer estágios anteriores da história onde há necessidade de todos participarem de decisões no âmbito educacional. Ainda segundo Heloísa Lück, a mudança vem de baixo para cima, porém tem que haver um clima de liderança para que as pessoas do grupo expressem os problemas, confiando um nos outros e resolvendo os problemas juntos, isto contribui para uma atitude de se sentir capaz e livre para fazer as coisas. As falas fazem uma transmissão de que os gestores possuem visões diferenciadas sobre a participação da comunidade escolar no processo de 47 gestão democrática, porém ocorrem semelhanças quanto à gestão democrática e suas formas de atuação. A indagação: Quais dos agentes da Educação possuem maior envolvimento com a gestão? As respostas: Todos os gestores disseram: 90% responderam que os professores possuem envolvimento mais direto com os gestores e 10% acrescentam os alunos, de acordo com o gráfico da figura 3 em anexo. Justificando-se: A1 Apesar dos professores serem os mais envolvidos, os alunos se mostram sensíveis procuram a direção da escola e o Conselho Escolar para exporem suas reivindicações. A2__Professores e alunos estão presentes no dia a dia da escola, portanto são os agentes primeiros. Os pais e a comunidade local de vem ser chamados a participarem para que todos possam envolver-se, cada um com suas habilidades e ações, nesse processo de gestão escolar administrativa, visando fazer referência de qualidade nesse universo escolar. A3__São os professores, pois é através deles que todos os elos se tornam mais abrangentes apesar de que a ligação com os pais e alunos também é envolvente, mas os professores se tornam uma camada de mais envolvimento com a equipe gestora. A4__Os professores por considerarmos como elo integrador aos alunos, pais e comunidade e principalmente por ser fazedor de opiniões. Sem o bom trabalho do professor o gestor não consegue chegar à comunidade. 48 Para compreendermos melhor a administração nos dias atuais é necessário entendermos que ela é produto de longa evolução histórica e que conseqüentemente traz cicatrizes das contradições sociais e dos interesses políticos em jogo na sociedade e todos são agentes da gestão democrática e participativa. PARO (2000, p.19), assim registra: A sociedade se apresenta como enorme conjunto de instituições que realizam tarefas sociais determinadas, e que em virtude da complexidade das tarefas, da escassez dos recursos disponíveis, da multiplicidade de objetivos a serem perseguidos e do grande número de trabalhadores envolvidos, assume-se absoluta necessidade de que esses trabalhadores tenham suas ações coordenadas e controladas por pessoas ou órgãos com funções chamadas administrativas. É importante ressaltar que essa perspectiva é característica própria da sociedade capitalista, onde a administração em sua concepção mais geral e abstrata, advinda da racionalidade deve estar constantemente buscando objetivos que atentam aos interesses da classe trabalhadora, configurando-se, portanto, na concorrência para que a transformação social de fato seja realizada sendo que o gestor faça uma união entre todos os agentes da gestão. Verifica-se que existe um consenso no envolvimento dos professores em todas as respostas, acrescido dos alunos que são os atores principais nesse envolvimento. Assim, o resultado desse dado proporciona-se uma abordagem satisfatória, pois a deste trabalho é encontrar possíveis caminhos para a verdadeira realização da prática da gestão democrática escolar, no ambiente das escolas aqui mencionadas, podendo alcançar um dos objetivos que é detectar as principais dificuldades encontradas pelos gestores de escolas públicas no desafio de uma gestão democrática. Portanto, o grau de envolvimento dos gestores no processo de gestão democrática, juntamente com os professores, permitiu-me entender que apesar 49 das dificuldades encontradas, é possível implantar executar a gestão democrática na escola pública. A partir destas questões abertas ficaram os gestores à vontade para registrar suas falas. A indagação: Na sua visão o que é gestão democrática? As respostas: A1__Entendo gestão democrática como um processo de tomada de decisões, conflitos, interesses e consenso. Certamente, quaisquer tomadas de decisões. A2__Sem esses métodos ou atitudes de valorização, respeito e atenção, não haveria o fortalecimento das relações democráticas e das ações participativas. A3__É participar das atividades da escola seja ela didática ou administrativa em todos os segmentos da escola, tanto no segmento interno como externo. A4 É dividir todas as ações da escola com todos os segmentos da comunidade fora da escola e dentro da escola, fazendo com que seu trabalho seja respeitado quando está ausente da escola. É trabalhar de forma coesa e transparente, sem perder sua função de liderança. Percebe-se que todos têm uma visão ampla sobre gestão democrática pelo grau de maturidade nas suas respostas. Portanto, os gestores estão no caminho da democratização da gestão escolar, pois se entende que eles colaboram para que a democracia exista no ambiente escolar, tendo em vista que todos possuem direito de opinar e buscar soluções, mantendo sempre a unidade frente aos desafios e somando esforços para obterem o sucesso. 50 Conforme diz OLIVEIRA: O desafio posto aos sujeitos interessados na educação escolar e sua qualidade será o de encontrar, no interior destes avanços, o caminho conseqüente e viável de sua efetivação. (l997:206). Todavia, a concepção de gestão democrática no pensar dos gestores escolares é algo bem conceituado, porém pouco praticado, pois a ausência de determinação e envolvimento por parte de alguns agentes com o fazer pedagógico no processo de ensino, ficando muito na linha do querer. É notório ainda que esse conceito enfatize a consciência de que a realidade da instituição/escola pode ser modificada à medida que seus segmentos tenham consciência de que a produzem com seu trabalho e à medida que ajam de acordo com essa consciência. Segundo LÜCK (1996), o entendimento de práxis mostra assim, o significado de se administrar à escola não impositivamente, mas a partir de uma recíproca integração com seus segmentos a quem deve servir. Esse entendimento sobre o principio da gestão resultado do embate social, relacionado à democratização das organizações, especificamente à organização escolar, demanda a participação constante de todas que atuam na sociedade e dos segmentos escolares na tomada de decisões, no planejamento participativo, na reformulação de conteúdos, cursos na melhoria das condições de trabalho e valorização profissional, que são respostas imediatas e urgentes na funcionalidade das instituições. A indagação: Como os gestores promovem a participação de todos os segmentos da escola? As respostas: A1_ No caso especifico da nossa escola, nós tivemos que reativar a formação de um novo Conselho Escolar através de todos os 51 segmentos da escola. Não foi uma tarefa fácil, principalmente por parte das comunidades do entorno da escola. Por sua vez, também, não promovemos a participação. No processo democrático, todos os segmentos são responsáveis pela gestão da escola. A2__Reunindo, ouvindo as propostas, avaliando conjuntamente, procurando fazer com que as ações sejam executadas visando o bem da comunidade escolar e valorizando o ensino, o corpo docente e discente. A3__Através de reuniões, encontros, onde todos participam das decisões e das atividades a serem desenvolvidas. A4__Através de reuniões, divisão de tarefas e acima de tudo valorizando a competência de cada um em determinadas ações. Na visão de LÜCK (1996), é imprescindível o processo de consultoria como via para a atuação do Gestor e demais profissionais da escola, pois é através dela que haverá um consenso das idéias, opiniões e informações sobre determinada problemática. Entretanto, o gestor deverá estar aberto a novas idéias e opiniões para a resolução dos problemas referentes à escola e fazer uma observação com relação ao Conselho Escolar para atar em conjunto coma consultoria e tendo assim uma maior participação de todos. Assim, acredita-se que para os gestores escolares, alguns aspectos são relevantes quanto os processos de participação de todos os segmentos da escola. Não somente através de reuniões, mas também envolver pais, alunos e outros membros da comunidade local nas escolas, pois para eles é necessário realizar esforços para incorporar à escola aqueles que, por diferentes razões, pouco ou nada interferem na vida da instituição. A indagação: Qual o seu ponto de vista em relação ao acesso, e a permanência dos vários segmentos da escola? A resposta: 52 A1__Certamente, dividir a responsabilidade da gestão escolar, sintome mais seguro em tomar decisões. Fica uma gestão mais transparente, uma vez que não é o diretor quem está tomando decisões, mas sim uma comunidade escolar. A2__É necessário, pois cada segmento exerce suas tarefas de forma independente, põem a instituição precisa de todos para que possamos oferecer uma educação de qualidade. Todos podem dar sua opinião sobre as ações educativas e também administrativas. A3 Em meu ponto de vista, com a participação de todos os segmentos dentro da escola às atividades se tornam bem mais práticas, pois onde se trabalha. A4_ A escola deixa de ser uma instituição em que todos estão comprometidos com o sucesso dos alunos para que este possa ser um cidadão que perceba os segmentos da escola como companheiros. Para isto torna-se necessário que seja realizado o planejamento participativo e que o gestor escolar seja democrático, visto que terá que delegar poderes aos outros membros do grupo de elaboração e participação, conforme afirma LUCK (1996), que a gestão já pressupõe, em si, a idéia de participação, isto é, decidindo sobre seu encaminhamento e agindo sobre elas em conjunto. Isso porque o êxito de uma organização depende da ação construtiva conjunta de seus componentes, pelo trabalho associado, mediante reciprocidade que cria um “todo” orientado por uma vontade coletiva. O acesso e a permanência na escola é um fator primordial nas visões dos gestores entrevistados, pois a escola deve ser um local de livre acesso para se poder chegar a uma participação completa, sendo importante que a escola construa com a participação de todos os seus atores, a fim de que ela venha a ser, de fato, um instrumento de transformação de suas práticas. 53 Claro que, para realmente o processo de construção coletiva acontecer, precisam manter contato permanente e direto com os vários segmentos da escola. Mas, será preciso refletir sobre parte deste processo. A indagação: Qual é a relação estabelecida entre escola e a comunidade local, e como ocorre? A1__Apesar das dificuldades iniciais da participação da comunidade do entorno da escola no entorno da escola no Conselho Escolar, acreditamos que houve um avanço. Como forma de estreitar essa relação, a escola tem cedido seu espaço para reuniões, encontros culturais, religiosos e esportivos. A2__Deveria ser de parceria. A escola presta serviço educacional aos alunos da comunidade, esta, deveria ajudar a escola participando de seus projetos pedagógicos, encontros culturais e principalmente das festas e preservação do patrimônio e meio ambiente, sentindo-se parte deste ambiente buscando ajudar a melhorar as relações sociais entre escola e comunidade. A3_ Uma relação aberta. A4 Estamos iniciando um trabalho integrado em que a comunidade está sendo convidada para participar ativamente das ações desenvolvidas na escola e em outras ocasiões a escola também participa de eventos da comunidade dando opinião e participando como membro. Numa analise das respostas como a teoria e a prática os gestores dizem não serem autoritários que segundo PARO: Dessa constatação de que a forma da administração não é inteiramente autônoma em relação aos fins que busca realizar, 54 decorre que uma atividade administrativa comprometida com objetivos de cooperação entre os homens precisa está, em sua forma, impregnada por essa cooperação. Fica claro, portanto, que a Administração Escolar atual, pautada pelo autoritarismo em suas relações e pela ausência de realização, não se coordena com uma concepção de sociedade democrática a que se pretende se chegar através da transformação social. Por isso uma teoria e prática de Administração Escolar que se preocupe com a superação da atual ordem autoritária na sociedade precisam propor como horizonte a organização da escola em bases democráticas. E para a Administração Escolar ser verdadeiramente democrática é preciso que todos os que estão diretamente ou indiretamente envolvidos no processo escolar possam participar das decisões que dizem respeito à organização e funcionamento da escola. (2000, p.160) Isso implica dizer que a forma de administrar deve extinguir o seu tradicional modelo de concentração da autoridade nas mãos de uma só pessoa, o gestor, que se constitui assim no responsável último por tudo o que acontece na unidade escolar, evoluindo assim para formas coletivas que propiciem a distribuição da autoridade de maneira adequada a atingir os objetivos identificados na transformação social e participação de todos. E as questões acima conduzem à percepção que há um consenso de todos os gestores em relação à comunidade local que está aberta ao diálogo e à participação nas atividades desenvolvidas na escola. Visto que, os gestores A1 e A2, já desenvolvem um trabalho concreto com a comunidade local, os gestores A3 e A4 estão iniciando o processo, sendo que todos buscam uma comunicação abrangente com a comunidade local, considerando estes como elementos chave no processo da gestão democrática, na qual se sintam à vontade de expressarem abertamente suas opiniões. O importante é que atualmente, as unidades escolares estão articuladas para este tipo de gestão, deixando de lado, a autoridade repressiva da escola, e conquistando espaços verdadeiramente democráticos. A partir desta pergunta, pode estar-se envolvendo o ambiente escolar e as mudanças provenientes da ação democrática existentes no seu contexto. 55 A indagação: Informe se as mudanças vinculadas no ambiente escolar, decorrem do processo de gestão democrática. As respostas: A1__Certamente que sim, por exemplo. Este ano as pichações diminuíram, os alunos têm reclamado dos professores que faltam e a falta de professores para lecionar determinadas disciplinas. No geral, a comunidade fica mais atenta no acontecer escolar. A2__Com certeza há, se há gestão democrática em curso, há mudanças qualitativas no ambiente escolar e nos métodos educacionais. A3__Sim as mudanças no ambiente escolar decorrem sim através do processo da gestão democrática, pois se trabalhamos com tomada de decisões entre todos os segmentos, onde cada um ou categoria participa das atividades todas as ações e objetivos da escola se tornam mais práticas e com isso a escola só tem a ganhar em todos os sentidos tanto administrativos como didático. A4 Na maioria das vezes sim procuramos desenvolver o trabalho integrado que algumas vezes precisamos parar e avaliar quando se as ações fogem do objetivo determinado pelo grupo. Para LÜCK (2000), a área educacional brasileira está passando por transformações profundas. Reformas Nacionais juntamente com iniciativas em âmbito estadual e municipal estão alterando as práticas pedagógicas e a organização escolar na tentativa de torná-la mais eficaz e universalizar o seu acesso. 56 Nunca antes na história do Brasil a gestão de educação pública foi tão evidente nos meios de comunicação, na vida política e na própria consciência do cidadão comum, isto posto que, vem-se reconhecendo amplamente que a educação é um elemento essencial no desenvolvimento sócio econômico e que no Brasil, o ensino público é insatisfatório diante dos padrões internacionais, tanto na sua quantidade, quanto na qualidade. Verifica-se que na maioria das vezes, os procedimentos democráticos de gestão devem ser capazes de modificar o cotidiano das escolas e dos sistemas de ensino, valendo-se de processos participativos capazes de mudar o ambiente no qual a escola se encontra. Neste sentido, a escola deve ser um local onde se aprende que é possível a coexistência, em igualdade, dos diferentes esse trabalho se dá a todo instante e é baseado na tolerância, no respeito aos direitos humanos e na noção de cidadania compartilhada por todos os que pertencem à realidade do ambiente escolar. A análise desses dados dá uma proporção de observar que cada escola é um universo a ser conquistado e administrado, tendo em vista que as visões divergem pela localização no tempo e espaço, torna-se assim um espaço de desafios e conquistas que coincide com o momento histórico que cada escola perpassa. Assim sendo, a escola como um sistema de ensino, é um espaço aberto de livre circulação de ideologias, que permite a ação dos agentes que com ela estão envolvidos diretamente. Desenvolver, portanto, uma prática administrativa, voltada para a democratização dos processos pedagógicos no interior da escola, requer um relacionamento eficaz, voltado para o contexto social que ela se insere a fim de compreender melhor as opções existenciais. 57 Contudo, a Gestão Democrática não é um processo simples de curtíssimo prazo, mas também não é um processo tão complexo ou irrealizável, de prazo interminável. Significa dizer que se constituirá em uma ação, a prática a ser construída na escola. Segundo HORA (1994), a questão da democratização da escola tem sido analisada sob três aspectos, de acordo com a percepção dos órgãos oficiais ou na perspectiva dos educadores, especialmente daqueles que fazem análise mais critica do processo educacional: democratização como ampliação do processo educacional, acesso à instituição educacional; democratização dos processos pedagógicos e democratização dos processos administrativos. Com isso, os órgãos oficiais vêem a democratização do ensino como se fosse um meio mais fácil para as camadas mais pobres da população ter acesso às escolas. Assim, a substituição de velhos paradigmas do passado por novos paradigmas do futuro, implica na própria cultura organizacional. Portanto, a Gestão Democrática é o eixo fundamental de uma escola, pois através dela é que se constroem o alicerce de seu dinamismo e eficácia, a fim se alcançar seus objetivos e garantir um padrão de qualidade no processo de ensino. O resultado desta pesquisa revela que o gestor é ator desta gestão, desempenhando sua ação na escola ou na comunidade, o diretor ainda encontra resistência viva e ver até suas atividades criativas criticadas. Detecta-se que os gestores freqüentemente percebem que as orientações e as diretrizes definidas por eles encontram sempre grandes resistências e dificuldades de implementação da gestão democrática na comunidade educacional. Pois as prioridades podem ser diferentes de um ponto para outro ou variar mesmo entre escolas da mesma rede de ensino, sendo que as adoções de medidas aplicadas nas escolas públicas esbarram quase sempre com as mesmas dificuldades. Esta limitação encontra-se no 58 grau de autonomia delegado pela diretoria Regional de Ensino, entretanto, não se deve travar a vontade do diretor de agir e de inovar, pois só assim ele estará criando para a escola um projeto de melhoria com o envolvimento de todos que fazem parte da comunidade escolar e local. 59 CONCLUSÃO Numa grande reflexão sobre a gestão democrática escolar, observa-se que a plena instauração da democracia é conteúdo e destinação da democracia política. Lutar pela democratização do ensino é lutar para superar alguns obstáculos da democratização da sociedade global, assim como lutar pelas liberdades políticas inclui necessariamente o processo de incorporação das grandes massas no usufruto dos bens educacionais. Durante o período em que estive inserido no interior das escolas, foi realizada uma pesquisa na qual constatei que a gestão democrática dessas escolas, está num processo de aperfeiçoamento, pois a comunidade ainda está inibida em relação à questão da participação das atividades escolares, não só a comunidade como também professores, alunos e outros agentes da educação, e para isso tudo mudar precisa ser feita uma integração desses setores para se poder então chegar a uma escola democrática digna. Isso se leva a observar que não basta apenas administrar e obedecer às ordens dos órgãos superiores no caso do Distrito Federal onde é feita uma eleição para diretor entre aspas, pois é só para dar uma explicação para os professores. O gestor para poder atuar em uma escola, precisa visar à participação de todos, saber quais as necessidades da comunidade onde está estabelecida a escola que vai atuar, ou seja, para evidenciar a especificidade da escola pública, e a sua intensa relação com a comunidade, quer na prática cotidiana da administração, quer no que se refere à enorme heterogeneidade cultural que caracteriza a sociedade brasileira. Isso significa dizer que quando se fala de gestão participativa no âmbito da escola pública estão se referindo a uma relação entre desiguais onde irão encontrar uma escola sabidamente desaparelhada do ponto de vista financeiro 60 para enfrentar os crescentes desafios que se apresentam e, também uma comunidade não muito preparada para a pratica da gestão democrática da escola, assim, como do próprio exercício da cidadania. Assim, quando faz referência à participação dos professores, pais, alunos e representantes da comunidade, a democracia, pode ser elaborada sem sonhos, basta que a comunidade queira participar e a administração da escola possibilite a abertura para que a sociedade e os integrantes da escola participem da resolução de problemas e busquem alternativas para uma educação mais consistente e que os resultados adquiridos sejam positivos e atendam com consciência as dificuldades apresentadas, e essa discussão deve ser universal. Esta prática de colocar a questão educacional em discussão no âmbito da escola, por si mesma. Vai permitir à sociedade discutir as questões que julgam fundamentais, tanto no âmbito da educação como no de outras políticas sociais a serem desenvolvidas pelos aparelhos do estado. Não se pode partir do pressuposto de que a sociedade detenha o conhecimento da totalidade histórica que deve ser desenvolvida num certo momento, mais, também, não se deve partir do pressuposto de que a sociedade, enquanto comunidade organizada ignora totalmente aquilo que deve ser desempenhado. Os valores postos na sociedade moderna explicitam e incentivam que o individuo sozinho, é capaz de “vencer e alcançar o sucesso“, desde que tenha competência suficiente para competir e ganhar dos demais. A negação desses valores é o passo primordial na construção da gestão democrática que favoreça o fortalecimento do sujeito coletivo e busque novas identidades e competências político-pedagógicas. Este é, talvez, o grande desafio a ser enfrentado, tal o estado de isolamento e o desgaste das relações de trabalho existentes hoje em nossas 61 escolas que, por sua vez, espelham os traços de uma sociedade egoísta, e ante solidária. Consta-se ainda que, a gestão democrática na escola pública, é fato presente, apenas, nas Leis de Diretrizes e Bases e outros documentos, sendo que na prática, a realidade é outra. Porém, todos os anos, novos profissionais saem das Universidades, novos educadores que parecem estar preparados para assumir essa missão, isto é, colocar em prática o que ainda é só uma teoria. Dentre esses novos profissionais, é que firma-se o compromisso em buscar de forma coerente e adequada essa prática de gestão democrática, aplicada na escola pública. Portanto, a escola tem um papel fundamental nesse processo de transformação, que resgata inicialmente as referencias coletivas em convicção de que podemos intervir no processo da construção de uma gestão democrática. Nesse aspecto, a proposta de escola, democraticamente discutida, implementada, gerida e avaliada, vai fazer a grande diferença. Pois pode parecer muito ante os desafios que temos enfrentado, mais é pouco diante do que merecemos como “pessoas que nasceram para sermos felizes”. Na verdade, será um dos passos em nossa caminhada pela democratização da gestão escolar. Isso faz levar uma consideração de que a gestão democrática é um processo de coordenação das estratégias de ação para alcançar os objetivos definidos e requer liderança centrada na competência, legitimidade e credibilidade. A gestão da escola por sua natureza, é um processo de coordenação de iguais, não de subordinados. Em boa medida, portanto, escolher um gestor administrativo, é escolher os rumos e a qualidade dos processos da gestão escolar. 62 Neste sentido, a gestão democrática deve, dessa forma, ser compreendida não só apenas como um principio do novo paradigma, mais também como um objetivo a ser sempre perseguido e aprimorado, alem de configurar-se como uma prática cotidiana nos ambientes educativos. Assim, constrói-se o cidadão capaz de também colocar-se frente à sociedade em que vive como um participante consciente de sua inserção social. Por isso, esta é a contribuição que pretendo oferecer para a continuidade dos estudos sobre gestão democrática nas escolas, em especial nas escolas públicas de Planaltina Distrito Federal, para que possam todos os que fazem a comunidade escolar perceberem que uma gestão administrativa responsável, democrática e participativa poderá ser o caminho para recuperação da escola enquanto formadora de cidadãos, prontos para desempenhar a democracia em todos os lugares de sua convivência. A utopia pedagógica da gestão democrática e participativa ainda é existente depois dessa investigação e indagação o poder mágico do governo do Distrito Federal continua na mentira para o povo, onde promove uma propaganda da gestão democrática e participativa em escolas públicas do Distrito Federal, em que o processo democrático o gestor tem que fazer um concurso para a equipe gestora e passando se duas ou mais equipes, quase nunca acontece, faz-se a eleição para a escolha do novo gestor. A outra questão democrática na é só a eleição para gestor, mas sim que ele tenha autonomia para gerir seus recursos, bem como de resolver problemas internos sem a interferência do governo de estado. O gestor deve estar sintonizado com as necessidades e expectativas da situação específica vivida pela escola, isto parece óbvio, mas é bem mais freqüente do que se imagina a ocorrência de gestores que dirigem suas escolas de suas características e preferências, negligenciando as necessidades institucionais. As dificuldades existem, ignora-los é dificultar ainda mais qualquer processo de mudança. Diante essas questões como dizer 63 que as gestões nas escolas públicas do Distrito Federal são democráticas, participativas e não tem problemas. A vida das escolas públicas de Planaltina Distrito Federal, nos seus aspectos pedagógicos, estruturais, orgânicos, filosóficos, diários e rotineiros, deverá ser decidida em processo de gestão escolar democrática, pelos professores, pela equipe gestora, pelos membros da comunidade, pelos alunos e pelos pais. O novo e o difícil é a pratica do processo de gestão na sua construção todos os membros devem estar envolvidos com a gestão de sua escola, principalmente para a construção do Projeto Político Pedagógico. A mera tentativa de encaixar o sistema educacional dentro dos princípios da gestão da qualidade é, por si só, rompimento de paradigma, que pode assustar mesmo, no primeiro momento, o instigante e gratificante trabalho de busca de transposição para área educacional, dos elementos do modelo genérico proposto oferece respostas muito claras para perguntas como: por que, para que e para quem educar? Tais respostas levam a uma mudança drástica do foco das ações de um líder educacional que é o gestor, qualquer que seja o nível em que atua a escola, jogando-o numa direção que parece muito mais promissora, em termos de resultados para uma escola democrática e participativa. 64 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA LÜCK, Heloísa. A Evolução da Gestão Educacional, a partir de mudança paradigmática. 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Os questionários, entrevistas, mensuração dos resultados foram feitos de acordo com estudos de estatísticas pelo autor. Anexo 1 >> Questionário semi-aberto; Anexo 2 >> Questionário aberto; Anexo 3 >> Quadro Demonstrativo das Qualificações; Anexo 4 >> Quadro Demonstrativo do Tempo de Serviço; Anexo 5 >> Quadro Demonstrativo dos Agentes Envolvidos com a Educação; Anexo 6 >> Gráficos dos Questionários. 69 ANEXO 1 Questionário referente à monografia do aluno Mário César da Silva Castro para o título de pós-graduado em Administração Escolar do Instituto A Vez do Mestre em conjunto com a Universidade Cândido Mendes do Rio de Janeiro. Pesquisa de opinião sobre os gestores de Planaltina Distrito Federal. QUESTIONÁRIO 1 (QUESTÕES SEMI-ABERTAS) 1. Qual é a sua formação profissional? ( ) Pedagogia com especialização ( ) Pedagogia sem especialização ( ) Ciências Exatas ( ) Ciências Humanas ( ) Ciências Sócias ( ) Códigos e Linguagens 2. Há quanto tempo encontra-se atuando como gestor da administração e qual o tipo de líder que eles se consideram? ( ) menos de um ano ( ) mais de um e menos de cinco anos ( ) mais de cinco anos ( ) democráticos ( ) não democráticos 70 3. Suas decisões perpassam: ( ) demais gestores ( ) comunidade ( ) nenhum dos anteriores 4. A escola possui Projeto Político Pedagógico? Justifique sua resposta. ( ) sim ( ) não Justificativa: _______________________________________________ _______________________________________________ _______________________________________________ _______________________________________________ 5. Você cria ou fortalece ambientes que favoreçam a participação da comunidade escolar no processo de gestão democrática? Justifique sua resposta. ( ) Respeitando as decisões tomadas em grupo ( ) Valorizando o trabalho participativo ( ) Estando atento às solicitações da comunidade Justificativa: _______________________________________________ _______________________________________________ _______________________________________________ _______________________________________________ 6. Quais dos agentes da Educação possuem envolvimento com a gestão? Justifique sua resposta. ( ) professores ( ) alunos ( ) servidores maior 71 Justificativa: _______________________________________________ _______________________________________________ _______________________________________________ _______________________________________________ 72 ANEXO 2 Questionário referente à monografia do aluno Mário César da Silva Castro para o título de pós-graduado em Administração Escolar do Instituto A Vez do Mestre em conjunto com a Universidade Cândido Mendes do Rio de Janeiro. Pesquisa de opinião sobre os gestores de Planaltina Distrito Federal. QUESTIONÁRIO 2 (QUESTÕES ABERTAS) 7. Na sua visão o que é gestão democrática? ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ 8. Como os gestores promovem a participação de todos os segmentos da escola? ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ 73 9. Qual o seu ponto de vista em relação ao acesso, e a permanência dos vários segmentos da escola? ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ 10. Qual é a relação estabelecida entre escola e a comunidade local, e como ocorre? ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ 11. Informe se as mudanças vinculadas no ambiente escolar, decorrem do processo de gestão democrática. ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ 74 ANEXO 3 Quadro demonstrativo das qualificações referente à monografia do aluno Mário César da Silva Castro para o título de pós-graduado em Administração Escolar do Instituto A Vez do Mestre em conjunto com a Universidade Cândido Mendes do Rio de Janeiro. GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO DRE PLANALTINA DIRETORIA REGIONAL DE ENSINO DE PLANALTINA – NUCLEO DE RECURSOS HUMANOS QUADRO DEMOSTRATIVO DAS QUALIFICAÇÕES 2009 Concursado Escolas Equipes Especialista Qualificações Formação Gestoras em Gestão Sim CEF EIII A1 Magistério PEDAGOGIA Sim CED POMPS A2 CEF JK A3 CEFA A4 Ciências Humanas Códigos e Linguagens Magistério HISTORIA Não Sim LETRAS Não Sim PEDAGOGIA Não Sim FONTE: DIRETORIA REGIONAL DE ENSINO DE PLANALTINA DF 75 ANEXO 4 Quadro demonstrativo de tempo de serviços referente à monografia do aluno Mário César da Silva Castro para o título de pós-graduado em Administração Escolar do Instituto A Vez do Mestre em conjunto com a Universidade Cândido Mendes do Rio de Janeiro. GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO DRE PLANALTINA DIRETORIA REGIONAL DE ENSINO DE PLANALTINA – NUCLEO DE RECURSOS HUMANOS Escolas CEF EIII CED POMPS CEF JK CEFA QUADRO DEMOSTRATIVO DE TEMPO DE SERVIÇOS 2009 Equipes Tempo de Concursado Graduado Gestoras Serviço em MENOS DE Sim A1 FEV / 2009 UM ANO MENOS DE Sim A2 CINCO DEZ / 2005 ANOS MAIS DE Sim A3 CINCO JAN / 2000 ANOS MENOS DE Sim A4 FEV / 2009 UM ANO FONTE: DIRETORIA REGIONAL DE ENSINO DE PLANALTINA DF 2009 PósGraduado Sim Não Não Não 76 ANEXO 5 Quadro demonstrativo de tempo de serviços referente à monografia do aluno Mário César da Silva Castro para o título de pós-graduado em Administração Escolar do Instituto A Vez do Mestre em conjunto com a Universidade Cândido Mendes do Rio de Janeiro. GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO DRE PLANALTINA DIRETORIA REGIONAL DE ENSINO DE PLANALTINA – NUCLEO DE RECURSOS HUMANOS QUADRO DEMOSTRATIVO DE TEMPO DE SERVIÇOS Existe 2009 projeto Escolas Agentes Participação político Equipes Tipo de envolvidos com da pedagógico Gestoras Gestão a gestão Comunidade Sim Não CEF EIII A1 PROFESSORES Democrática CED POMPS A2 PROFESSORES Democrática E ALUNOS Sim Não CEF JK A3 PROFESSORES Democrática Sim Não CEFA A4 PROFESSORES Democrática Sim Não FONTE: DIRETORIA REGIONAL DE ENSINO DE PLANALTINA DF 2009 77 ANEXO 6 GRÁFICOS Os resultados dos questionários foram transformados em gráficos. Estes gráficos foram gerados conforme dados fornecidos pelo núcleo de recursos humanos que gerencia as escolas publicas de Planaltina DF em 2009. Formação dos Professores de Planaltina DF 2009 3 2,5 2 Quantidade de 1,5 Gestores 1 0,5 0 Pedagogia com Especialização História Letras Pedagogia sem Especialização A1 A2 A3 A4 Formação Formação dos Professores de Planaltina DF 2009 Figura 1 — Formação profissional dos professores de Planaltina-DF 2009 Fonte: DREP A4 Menos de um ano A3 Mais de cinco anos A2 Menos de cinco anos A1 Tempo de Serviço Tempo de Serviço dos Professores de Planaltina DF 2009 Menos de um ano 0 0,5 1 1,5 2 2,5 3 3,5 4 Quantidade de Gestores Tempo de Serviço dos Professores de Planaltina DF 2009 Figura 2 — Tempo de Serviço dos professores de Planaltina-DF 2009 Fonte: DREP 78 A4 A3 Professores A2 Agentes Envolvidos Professores Prof essores e Alunos A1 Agentes Envolidos com a Gestão das Escolas de Planaltina DF 2009 Professores 0 0,5 1 1,5 2 2,5 3 3,5 4 4,5 5 Quantidade de Gestores Agentes Envolidos com a Gestão das Escolas de Planaltina DF 2009 Figura 3 — Agentes Envolvidos com a Gestão das Escolas de PlanaltinaFonte: DREP DF 2009 79 ÍNDICE FOLHA DE ROSTO 2 AGRADECIMENTO 3 DEDICATÓRIA 4 RESUMO 5 METODOLOGIA 6 SUMÁRIO 8 INTRODUÇÃO 9 CAPÍTULO I - Contexto da Administração Escolar 11 CAPÍTULO II - Múltiplo Propósitos para a Construção do Real 20 2.1 - Gestão Democrática 21 2.2 - O Espaço Escolar 23 2.3 - O Administrador e a Gestão Democrática 26 2.4 - O Desafio de uma Gestão Democrática 30 2.5 - Caminhos da Gestão Democrática do Ensino Público 34 CAPÍTULO III – Investigando a Concretização de uma Gestão Democrática Participativa 39 CONCLUSÃO 60 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 65 BIBLIOGRAFIA CITADA 67 80 ANEXOS 69 ANEXO 1 70 ANEXO 2 73 ANEXO 3 75 ANEXO 4 76 ANEXO 5 77 ANEXO 6 78 ÍNDICE 80