UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA
CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE
CURSO DE TERAPIA OCUPACIONAL
Bárbara Ivy Souza Neri
Débora Cristina dos Santos Pereira
NÍVEL DE ESTRESSE DE ESTUDANTES MIGRANTES:
UMA PROPOSTA TERAPÊUTICA OCUPACIONAL
BELÉM-PA
2013
Bárbara Ivy Souza Neri
Débora Cristina dos Santos Pereira
NÍVEL DE ESTRESSE DE ESTUDANTES MIGRANTES:
UMA PROPOSTA TERAPÊUTICA OCUPACIONAL
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso
de Terapia Ocupacional, do Centro de Ciências
Biológicas e da Saúde, da Universidade da Amazônia
como requisito para obtenção do grau em Terapia
Ocupacional.
Orientadora: Profª Esp. Laiana Soeiro Ferreira.
BELÉM-PA
2013
Bárbara Ivy Souza Neri
Débora Cristina dos Santos Pereira
NÍVEL DE ESTRESSE DE ESTUDANTES MIGRANTES:
UMA PROPOSTA TERAPÊUTICA OCUPACIONAL
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso
de Terapia Ocupacional, do Centro de Ciências
Biológicas e da Saúde, da Universidade da Amazônia
como requisito para obtenção do grau em Terapia
Ocupacional.
Orientadora: Profª Esp. Laiana Soeiro Ferreira.
Banca Examinadora:
Apresentado em: ____/____/____.
______________________________________
Profª Esp.Laiana Soeiro Ferreira
Orientadora
______________________________________
Prof° Nonato Márcio Custódio Maia Sá
_______________________________________
Terapeuta Ocupacional Alan dos Santos Reis
Conceito: ____________________
BELÉM-PA
2013
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
615.8
N445n
Neri, Bárbara Ivy Souza
Nível de estresse de estudantes migrantes: uma proposta terapêutica
ocupacional / Bárbara Ivy Souza Neri, Débora Cristina dos Santos Pereira. –
Belém, 2013.
91 f.: 30 x 21 cm.
Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação) – Universidade da
Amazônia, Centro de Ciências Biológicas e da Saúde – CCBS, Curso de
Terapia Ocupacional, 2013.
Orientadora: Profª. Esp. Laiana Soeiro Ferreira.
1. Estresse – cuidados de terapia ocupacional. 2. Estudante migrante estresse. 3. Casa do estudante. I. Pereira, Débora Cristina dos Santos. II.
Ferreira, Laiana Soeiro. III. Título.
AGRADECIMENTOS
Primeiramente agradeço a Deus, por sempre iluminar meus caminhos e está ao meu lado
me ajudando e direcionando. Agradeço também pelas conquistas e alegrias durante
esses 4 anos fazendo com que este tão esperado sonho se realizasse.
Aos meus pais, Alba Neri e Sérgio Neri, por me darem a vida e sempre fazerem o
possível e o impossível por mim. Pelo incentivo a prosseguir nas conquistas dos meus
objetivos, contribuindo em meu crescimento na vida pessoal e profissional.
Aos meus irmãos, Neto Neri e Murilo Neri, por todos os momentos bons e ruins que
passamos e obstáculos que vencemos. Pelos momentos de alegria e pela proteção de
irmãos mais velhos.
Agradeço a minha família, meu sobrinho, minha avó, tias e tios, primas e primos, que são
base da minha vida, sinônimo de amor e satisfação a me ver subir mais um degrau da
minha vida.
Ao meu avô Raimundo Neri (in memorian), que sempre foi para mim exemplo de avô
amoroso, pai dedicado e esposo companheiro. Tenho certeza que ele se tornou meu anjo
da guarda e está me acompanhando em todos os momentos da minha vida
principalmente nesta trajetória de conclusão da minha formação acadêmica. Vô está
vitória é para você!
A minha parceira de TCC Débora Pereira que esteve comigo na realização deste trabalho,
por tudo que podemos compartilhar, a convivência, as alegrias, as frustrações, as
descobertas, enfim por tudo que aprendemos.
A nossa orientadora Laiana Ferreira, por ter aceitado orientar esse trabalho, pelos
conhecimentos passados e por colaborar para que este tenha sido concretizado.
Agradeço a todos os meus amigos de turma que me acolheram e que me proporcionaram
momentos agradáveis, pelas trocas de conhecimentos e pelo grande elo de amizade
formado durante esse tempo com vocês.
A todos os mestres da UNAMA que contribuíram para a minha formação profissional,
pelas batalhas, obstáculos enfrentados e também pelas conquistas, vocês também
contribuíram para esta vitória!
Meu muito obrigada!
Bárbara Ivy Souza Neri
AGRADECIMENTOS
Em primeiro lugar, agradeço a Deus e ao Senhor Jesus Cristo, pelo dom da vida que me
concedeu, por ter iluminado meu caminho durante todos esses 4 anos, me dando forças
para superar todos os obstáculos e dificuldades enfrentados, pelas conquistas e alegrias
por fazer com que mais esse sonho tornasse realidade.
A vocês meu pai Celso Pereira, a minha mãe Girlene Pereira, a minha avó Jacira Pereira
que sempre me motivam e incentivam a prosseguir nas conquistas dos meus objetivos,
me dando conselhos, contribuindo para o meu crescimento na vida pessoal e acadêmica.
Por sua compreensão pelas vezes que estive ausente e não pude estar ao lado de vocês,
pelo amor que me fez mais forte, fazendo entender que sou capaz de ir mais além. Vocês
são responsáveis por este momento tão marcante em minha vida. Obrigada por tudo!
Esta vitória também é de vocês. Amo vocês!
Agradeço a toda minha família, meu irmão Ricardo Pereira, minha linda e amada sobrinha
e afilhada Jamily Siany, ao meu noivo Jefferson Rodrigo que durante o período de
estudos me incentivou, me ajudou e apoiou sempre que eu precisava, você também se
transformou em mais um responsável por essa vitória em minha vida, muito obrigada por
tudo, amo você. Aos meus tios, minhas tias, primos e primas, e cunhada que são a base
da minha vida, sinônimo de amor, compreensão por minha ausência e satisfação a me ver
subir mais um de grau de minha vida. amo todos vocês!
A minha parceira de TCC que esteve junto comigo nesta realização Bárbara Neri, por tudo
que podemos compartilhar, a convivência, as alegrias, as frustrações, as descobertas,
enfim por tudo que aprendemos.
A nossa orientadora Laiana Ferreira, e idealizadora deste trabalho pelos seus
conhecimentos, orientações e contribuições cedidas para que este tenha se concretizado.
As Casas de Estudantes CAESUN, CEUP, CEA, CAEUC, CEMAB e CEUGP participantes
deste TCC, a todos os participantes da pesquisa o meu muito obrigada por participarem e
colaborarem para a coleta de dados.
Obrigada a todas as minhas amigas (os) feitos ao longo de minha vida aos quais
proporcionaram a verdadeira amizade e os de turma feitos ao longo desses 4 anos, em
especial a Aline Miranda, Jéssica Vera Cruz, Lívia Andrade, Rafaela de Fátima e o Kaio
Maia, vocês que sempre estiveram em vários momentos e compartilharam alegrias e
tristezas contando sempre uns com os outros. Adoro vocês!
Aos professores, mestres e doutores da UNAMA que contribuíram fundamentalmente na
nossa formação acadêmica e que nos guiaram para fazermos o diferencial em todos os
aspectos de nossas vidas. Aos quais contribuíram para a minha formação profissional,
pelas batalhas, obstáculos enfrentados e também pelas conquistas, vocês também
contribuíram para esta vitória.
Por fim, agradeço a todos aqueles que contribuíram diretamente e/ou indiretamente para
a concretizando deste projeto e para a formação de minha vida profissional.
O meu muito obrigada a todos!
Débora Cristina dos Santos Pereira
“A mente que se abre a uma nova ideia,
jamais voltará ao seu tamanho original”.
Albert Einstein
RESUMO
Devido a um vasto processo de mudanças que o migrante pode enfrentar é necessário
que se compreenda que este deslocamento pode ocasionar um abalo na identidade
territorial e na segurança existencial do indivíduo que migra, esse processo pode
acarretar na exposição a fatores estressores, como possíveis mudanças de papéis,
problemas sociais e até de saúde, como o estresse. Portanto, o presente trabalho tem
como objetivo investigar o nível de estresse percebido pelo estudante migrante residente
em casas de estudantes na cidade de Belém do Pará, bem como, traçar o perfil sócio
demográfico dos mesmos e ainda elaborar uma proposta de intervenção terapêutica
ocupacional que contribua para a minimização do estresse percebido por esses
estudantes. Optou-se pela temática após a participação das pesquisadoras em um projeto
de mestrado que abordava a migração estudantil, buscou-se a expansão do arcabouço
teórico, levantamentos bibliográficos (onde se observou a falta de trabalhos relacionados
a este tema na literatura científica) e a contribuição na construção do campo profissional
da Terapia Ocupacional com essa clientela, assim como, construir estratégias de
intervenção que possam ajudar este estudante migrante para melhor qualidade de vida.
Optou-se então, pela realização de um estudo quantitativo, com revisão bibliográfica,
pesquisa de campo, do tipo exploratório, descritivo e de corte transversal. Realizou-se a
pesquisa em seis casas de estudantes na cidade de Belém do Pará, onde foram
aplicados os seguintes instrumentos: Inventário Sociodemográfico (ISD) e a Escala de
Percepção de Estresse (EPS-10). Os resultados obtidos em relação ao nível de estresse
percebido pelo estudante foi o nível de estresse moderado, entre estes a maioria é do
sexo feminino, estão predominantemente entre a faixa etária de 19 – 24 anos, sendo 28
estudantes da Casa do Estudante Universitário do Pará (CEUP), no curso de graduação
de Direito e com predominância da religião católica.
Palavras-chaves: Migração humana. Estudantes. Estresse. Casas de estudante. Terapia
Ocupacional.
ABSTRACT
The migration is the fact that the population move spatially. Due to a long process of
change that the migrant may face is necessary to understand that this shift can cause a
concussion in territorial identity and existential security of the individual who migrates, this
process may result in exposure to stressors, such as possible changes roles, and social
problems to health, such as stress. Therefore, this study aims to investigate the level of
stress perceived by migrant student living in student houses in the city of Belém do Pará,
as well as socio-demographic profiling of the same and also prepare a proposal for
occupational therapy intervention that contributes to minimize the stress perceived by
these students. We opted for the theme after participating in a master project that
addressed student migration, we sought to expand the theoretical framework, literature
surveys (where there was a lack of work related to this subject in the scientific literature)
and contribution in building the professional field of occupational therapy with these
patients, as well as building intervention strategies that may help this migrant student to
better quality of life. We then decided, by conducting a quantitative study with literature
review, field research, exploratory, descriptive and cross-sectional. We conducted
research in six student houses in the city of Belém do Pará, where were the following
instruments: Sociodemographic Inventory (SDI) and Perceived Stress Scale (EPS - 10).
The results obtained in relation to the level of stress perceived by the student level was
moderate stress, among these the majority are female, are predominantly between the
age 19-24 years, and 28 students Student House University of Pará undergraduate course
in law and predominantly Catholic religion.
Keywords: Human migration. Students. Stress. Student houses. Occupational Therapy.
SUMÁRIO
1
INTRODUÇÃO
12
2
REFERENCIAL TEÓRICO
14
2.1
ESTRESSE
14
2.2
ESTUDANTE MIGRANTE
16
2.3
TERAPIA OCUPACIONAL
23
3
METODOLOGIA
26
3.1
TIPO DE ESTUDO
26
3.2
LOCAL DA PESQUISA
27
3.3
POPULAÇÃO DE REFERÊNCIA
28
3.4
AMOSTRA
28
3.5
CRITÉRIOS DE INCLUSÃO
28
3.6
CRITÉRIOS DE EXCLUSÃO
28
3.7
PROCEDIMENTOS
29
3.8
HIPÓTESES
30
3.8.1
Hipótese afirmativa
30
3.8.2
Hipótese negativa
30
3.9
DESFECHOS
31
3.9.1
Desfecho primário
31
3.9.2
Desfecho secundário
31
3.10
INSTRUMENTOS
31
3.10.1 Inventário Sociodemográfico (ISD)
31
3.10.2 Escala de Percepção de Estresse (EPS-10)
34
3.11
ASPECTOS ÉTICOS
38
3.12
RISCOS E BENEFÍCIOS
39
4
RESULTADOS
41
4.1
INVENTÁRIO SOCIODEMOGRÁFICO (ISD)
41
4.2
ESCALA DE PERCEPÇÃO DE ESTRESSE (EPS-10)
47
5
DISCUSSÃO
54
5.1
INVENTÁRIO SOCIODEMOGRÁFICO (ISD)
54
5.2
ESCALA DE PERCEPÇÃO DE ESTRESSE (EPS-10)
60
6
PROPOSTA TERAPÊUTICA
6.1
6.3
MODELO DE DESEMPENHO OCUPACIONAL - SEGUNDO PEDRETTI
(1996)
MODELO DE OCUPAÇÃO HUMANA - SEGUNDO WILLARD &
SPACKMAN
MODELO COMPORTAMENTAL - SEGUNDO WILLARD & SPACKMAN
6.4
TÉCNICAS/ATIVIDADES
68
7
CONCLUSÃO
70
REFERÊNCIAS
72
APÊNDICE A – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE)
78
APÊNDICE B – Termo de Autorização de Uso de Imagem
80
APÊNDICE C – Inventário SocioDemográfico
81
APÊNDICE D – Aceite do Orientador
85
APÊNDICE E – Aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa
86
ANEXO A – Escala de Percepção de Estresse (EPS-10)
88
6.2
65
65
66
67
12
1 INTRODUÇÃO
A migração consiste no deslocamento definitivo ou temporário dos habitantes de
um lugar para outro. Referindo-se a migração de estudantes e a transferência do seu
estilo de vida de origem para um novo, pode-se citar a vulnerabilidade destes a
determinadas situações como, por exemplo, a exposição por estímulos estressores
(NASCIMENTO, 2003). Diante disso, a migração pode ser produtora de estresse nas
dimensões física, psíquica e social (BRONFENBRENNER, 2000).
O estresse pode ser definido como uma reação complexa e global do organismo,
envolvendo componentes físicos, psicológicos, mentais e hormonais frente a situações
que representem um desafio maior e que ultrapassem sua capacidade de enfrentamento,
visando adaptar o indivíduo à nova situação (PEREIRA, 2002; BOTSARIS, 2003).
O presente Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) tem como objetivos a
investigação do nível de estresse percebido pelo estudante migrante residente em casas
de estudantes na cidade de Belém do Pará, além de traçar o perfil socio demográfico do
mesmo e elaborar propostas de intervenção terapêutica ocupacional que possa vim
contribuir para um maior bem estar deste estudante ajudando na minimização do estresse
percebido por ele.
A temática deste estudo surgiu em função da participação das pesquisadoras em
um projeto de mestrado que abordava a migração estudantil, buscou-se também a partir
deste trabalho a expansão do arcabouço teórico sobre o assunto em destaque onde a
partir de levantamentos bibliográficos se observou a falta de trabalhos relacionados a este
tema na literatura científica, além de contribuir para a construção do campo profissional
da Terapia Ocupacional com essa clientela e a elaboração de estratégias de intervenção
que possam ajudar este estudante migrante a minimizar o estresse percebido por ele
foram pontos relevantes para a construção do referido trabalho.
O estudo caracteriza-se como quantitativo, com revisão bibliográfica, pesquisa de
campo, do tipo exploratório, descritivo, de corte transversal e de utilização do perfil
sociodemográfico. Realizou-se a coleta de dados em seis casas de estudantes na cidade
de Belém do Pará que acolhem estudantes vestibulandos e universitários procedentes de
cidades do interior do estado do Pará, de outros estados brasileiros e de outros países.
13
Os instrumentos utilizados durante a realização da pesquisa foram o Termo de
Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE (APÊNDICE A), o Termo de Uso de Imagem
(APÊNDICE B), o Inventário Sociodemográfico – ISD (APÊNDICE C) e a Escala de
Estresse Percebido (ANEXO A).
Diante do exposto, pode-se estabelecer a seguinte questão-problema: Qual o nível
de estresse percebido pelo estudante migrante residente em casas de estudantes na
cidade de Belém do Pará e como o terapeuta ocupacional pode atuar junto a este
estudante visando à minimização do estresse percebido por ele?
Após a coleta de dados e verificação dos resultados do Inventário Socio
Demográfico (ISD) e por meio da Escala de Percepção de Estresse (EPS - 10), buscou-se
confrontar os dados obtidos por esta escala com a literatura sobre a temática. Em relação
ao nível de estresse percebido pelo estudante encontrou-se que a maioria possui nível de
estresse moderado, entre estes a maioria é do sexo feminino, estão predominantemente
entre a faixa etária de 19 – 24 anos, sendo 28 estudantes residentes na Casa do
Estudante Universitário do Pará (CEUP), dentre o curso de graduação ao qual estão
cursando predominou o curso de Direito com 6 estudantes, seguido do curso de
Fisioterapia com 4 estudantes e, na religião, verificou-se a grande predominância da
religião católica que prevaleceu no total de 54 estudantes.
Nos próximos capítulos se fará um maior detalhamento dos aspectos conceituais
que serão importantes no contexto deste trabalho, tais como: estudante migrante,
estresse e Terapia Ocupacional.
14
2 REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 ESTRESSE
Estresse é definido como uma organização do organismo, com componentes
físicos e/ou psicológicos, causada pelas alterações psicofisiológicas que ocorrem quando
a pessoa se confronta com uma situação que, de um modo ou de outro, a irrite,
amedronte, excite ou confunda, ou até mesmo que a faça imensamente feliz (LIPP, 2000).
Segundo Selye (1936), a reação do estresse se define como uma síndrome geral
de adaptação, funcionando como uma resposta específica do corpo a qualquer exigência,
as populações necessitam estar permanentemente se reajustando a essas novas
condições ambientais.
Atualmente, a palavra estresse tem sido muito empregada, associada a sensações
de desconforto, sendo cada vez maior o número de indivíduos que se definem como
estressados.
Os sinais e sintomas que ocorrem com maior frequência em decorrência do
estresse em nível físico são: aumento da sudorese1, tensão muscular, taquicardia2,
hipertensão3, hiperatividade4, náuseas, mãos e pés frios. Em termos psicológicos, vários
sintomas podem ocorrer como: ansiedade, tensão, angústia, insônia, alienação,
dificuldades interpessoais, preocupação excessiva, inabilidade de concentrar-se em
outros assuntos que não o relacionado ao estressor, dificuldade de relaxar, ira e
hipersensibilidade emotiva (LIPP, 2000).
O estresse pode ainda contribuir para a etiologia de várias doenças (úlceras
gastroduodenais, câncer, psoríase, vitiligo5) e afetar a qualidade de vida individual e de
populações específicas (LIPP, 1996).
Os estímulos que desencadeiam uma reação de estresse no organismo são
chamados de estressores. Devido ao fato de que a natureza dos eventos estressores
pode ser variada e distinta, classificam-se os eventos em estressores externos (HOLMES;
RAHE, 1967) e internos (MEICHENBAUM, 1985).
1
SUDORESE: secreção de suor. (FERREIRA, 2001)
TAQUICARDIA: batimentos cardíacos rápidos. (DICIONÁRIO..., 2006)
3
HIPERTENSÃO: pressão sanguínea arterial alta. (DICIONÁRIO..., 2006)
4
HIPERATIVIDADE: nível excessivo de atividade. (DICIONÁRIO..., 2006)
5
VITILIGO: vitiligem ou afecção cutânea caracterizada por zonas de despigmentação. (FERREIRA, 2001).
2
15
Os estressores externos são constituídos dos eventos que ocorrem na vida de uma
pessoa, sejam eles, pequenos dissabores, a situação político-econômica do país,
dificuldade financeira, nascimento de filhos, entre outros. Os estressores internos são
entendidos como tudo aquilo que faz parte do mundo interno, das cognições do indivíduo,
seu modo de ver o mundo, nível de assertividade, crenças, valores, características
pessoais, padrão de comportamento, vulnerabilidades, ansiedade e o seu tema de vida
(BRASIO; RANGÉ, 2003; LIPP, 2005).
Cada pessoa possui diferentes resistências e vulnerabilidades ao estresse. A
presença de fatores genéticos, preexistentes ou adquiridos, em conjunto com a
resistência do indivíduo e à exposição a estressores determinam o surgimento de
doenças físicas e psicológicas. Quanto maior a predisposição do indivíduo, menor será o
nível tolerado de estresse antes do surgimento de alguma doença (LIPP, 1996).
Aqui estão algumas das causas que provocam o estresse com maior frequência:
nervosismo passageiro, o trabalho e seus problemas em geral, tensão, problemas de
relacionamento, um choque emocional, falta de tempo para efetuar uma tarefa, falta de
repouso, problemas sociais, problemas do sono, provas estudantis, migração, sendo os
dois últimos fatores destacados o objeto de estudo desta pesquisa (FURTADO;
FALCONE; CLARK, 2003).
Durante sua formação acadêmica, os estudantes estão expostos a diversas
situações geradoras de estresse, entre essas situações pode-se citar a migração
estudantil. O despreparo do estudante para lidar com estas situações pode trazer
repercussões importantes em seu desempenho acadêmico, na sua saúde e no seu bemestar psicossocial (FURTADO; FALCONE; CLARK, 2003).
De acordo com Selye (1952, apud LIPP, 1996), o estresse divide-se em 3 tipos: o
agudo ou transtorno transitório que ocorre em indivíduo que não apresenta nenhum outro
transtorno mental manifesto em razão da exposição a um evento traumático; o estresse
cumulativo que é o conjunto de alterações psicofisiológicas que afetam o cotidiano da
pessoa, devido à frequente adoção de estratégias equivocadas para o alívio dos sintomas
do estresse; e por fim o estresse pós-traumático que é a resposta retardada a uma
situação ou evento crítico (de curta ou longa duração), que provoca sintomas evidentes
de perturbação na maioria das pessoas.
16
O processo de estresse desencadeia-se em três fases: alerta, resistência e
exaustão. A fase de alerta caracteriza-se pelo fato dos estímulos estressores começarem
a agir; já na fase de resistência os estímulos estressores continuam a persistir, é nesta
fase que começam aparecer as primeiras consequências mentais, emocionais e físicas; e
por último a fase de exaustão que é a partir do momento que os sintomas começam a se
diferenciar, dependendo da seriedade do estresse (SELYE, 1952).
Apesar de Selye (1952) ter identificado apenas três fases do estresse, Lipp no
decorrer da avaliação de seu instrumento (Inventário de Sintomas de Stress para Adultos
de Lipp - ISSL) para diagnóstico do estresse identificou uma quarta fase. Esta nova fase,
chamada de quase exaustão, encontra-se entre a fase de resistência e a da exaustão e
caracteriza-se pelo enfraquecimento da pessoa que não mais está conseguindo adaptarse ou resistir ao estressor. Inicia-se o surgimento de doenças, no entanto, ainda não tão
graves como na fase de exaustão. Mesmo apresentando desgaste e outros sintomas, a
pessoa ainda é capaz de trabalhar e “funcionar” na sociedade até certo ponto, ao
contrário do que ocorre na fase de exaustão, quando a pessoa para de “funcionar”
adequadamente, não conseguindo, na maioria das vezes, trabalhar ou concentrar-se
(LIPP, 2000).
O presente estudo tem como objetivos investigar o nível de estresse percebido pelo
estudante migrante residente em casas de estudantes na cidade de Belém do Pará, além
de investigar o perfil sociodemográfico deste estudante e elaborar uma proposta de
intervenção terapêutica ocupacional, que possa ajudar o estudante migrante a minimizar o
nível de estresse percebido pelo mesmo.
No capítulo a seguir, serão discutidos a condição de ser estudante e de ser
migrante, buscando-se compreender suas possíveis relações com o estresse.
2.2 ESTUDANTE MIGRANTE
A migração é um fenômeno demográfico, porém também social. Ela possui
características demograficamente universais que se assemelham a outros tipos de fluxos
de pessoas, no entanto cada grupo migratório apresenta suas singularidades históricas e
sociais (FAZITO, 2009). A migração é um processo seletivo e diferenciado, interligado
17
com as transformações sociais, econômicas, culturais e estruturais da sociedade das
áreas de origem e receptora de migrantes (MOURA, 1999).
Migração na conceituação mais tradicional corresponde a um movimento de
pessoas, grupos ou povos de um lugar para outro, tendo como finalidade estabelecer-se,
estudar ou trabalhar no novo local. Entende-se por migrante aquele que se move de sua
residência comum para outro lugar, região ou país (MASEY et al, 1987; ZAMBERLAM,
2004).
A palavra Migração - mudar de país ou região - possui derivações, a saber: Emigrar
- deixar um país para ir estabelecer-se em outro e; Imigrar: entrar (num país estranho)
para nele viver (FERREIRA, 2001). Sua definição mais “moderna” recebe um enfoque
mais amplo, no qual a migração é cunhada como um processo complexo, uma
experiência social concreta, entrecortada por linhas de dominação e de exploração que se
reconstituem social, política e economicamente, sendo assim o migrante é atravessado
por dificuldades, necessidades e possibilidades com um grande potencial de
transformação (MEZZADRA, 2005).
As causas para que a migração ocorra estão ligadas a vários segmentos, como:
questões políticas, religiosas, naturais e econômicas. No entanto, o principal motivo da
ocorrência das migrações seriam as desigualdades regionais. O processo migratório se
dá, em sua maioria, de um local periférico, para outro central, isso ocorre por fatores
econômicos e sociais, que estão atrelados com a valorização do centro em detrimento a
periferia (BORGES; MARTINS, 2004).
A migração e os processos políticos, econômicos e sociais que a envolvem podem
influenciar negativamente ou positivamente a qualidade de vida do migrante, é
fundamental realizar uma reflexão sobre sua condição, no intuito de compreender como
este processo de migração permeia a rede de apoio social e a qualidade de vida desta
população.
A proposta de migrar para o estudante está potencializada na garantia de uma
melhor qualificação em seus estudos principalmente os relacionados à sua graduação,
evidenciando a dimensão de resistência e constituição de liberdade e autonomia
(CORSINI, 2007).
Os benefícios alcançados pelos migrantes são muitas vezes partilhados com as
suas famílias e comunidades dos seus países de origem. Em muitos casos, estes
18
benefícios surgem sob a forma monetária ou remessas, mas as famílias dos migrantes
poderão beneficiar de outros modos também – pelas “remessas sociais”, tal como são
chamadas, incluem reduções na fertilidade, taxas de escolarização mais elevadas e o
aumento da participação das mulheres na sociedade (KLUGMAN; PEREIRA, 2003).
Contudo, a migração não traz sempre benefícios. O ponto a que as pessoas
poderão beneficiar com a migração depende em grande medida das condições sob as
quais se deslocam. As despesas poderão atingir níveis consideráveis e as deslocações
envolvem inevitavelmente incertezas, alteração das redes sociais, em especial das redes
de apoio social – representada muitas vezes, fortemente pela separação de famílias
(KLUGMAN, 2009).
Migrar é sair do seu lugar de origem para outro lugar – lugar hospedeiro, logo, o
migrante é a pessoa que se desloca de seu lugar primeiro e que está envolvido em um
processo de desterritorialização e reterritorialização, que podem não ser necessariamente
sucessivos nem ordenados (MARANDOLA; GALLO, 2010).
O processo de desterritorialização se dá pela saída do lugar-natal, o que tange em
abandonar lugares da infância, juventude ou idade adulta (dependendo da faixa etária do
individuo). O lugar-natal muitas vezes é responsável pela formação como pessoa e onde
se edifica a identidade. Assim a desestabilização da ligação com o lugar de origem pode
ser o causador de um abalo na segurança existencial e identidade territorial do migrante,
o qual enfrenta o desencaixe espacial e alterações nas redes de relações (HAESBAERT,
2006).
A perda ou diminuição qualitativa e quantitativa das redes de apoio social fica
suscetível à angústia e ansiedade o que faz gerar a necessidade de enraizar-se no lugar
de destino, pois a segurança existencial e a identidade do sujeito dependem do
estabelecimento e cultivação de laços com o lugar e da forma como o migrante se
envolve com ele, bem como, do estabelecimento de novas redes sociais e pelo
estabelecimento de novas fontes de apoio social (MARANDOLA; GALLO, 2010).
Claude Raffestin (1993), geógrafo dedicou-se a estudar o conceito de território,
gerando uma teorização inédita sobre o que determinou de T-D-R: territorialização –
desterritorialização – reterritorialização. Para ele, a concepção de território pode ser
definida como o conjunto de relações efetivas pelos indivíduos que pertencem a certa
coletividade, ou seja, um conjunto de redes de relações de uma comunidade.
19
O território corresponde a um reordenamento do espaço, onde existe um sistema
informacional utilizado pelo homem enquanto pertencente a uma cultura. No território há
informação e comunicação que comandam atualmente as relações sociais e o processo
T-D-R. Os territórios são produzidos, portanto, no movimento contínuo e concomitante de
desterritorialização e reterritorialização, ou seja, através da territorialização do migrante,
tanto econômica, como política e culturalmente (RAFFESTIN, 1993).
Como a desterritorialização e a reterritorialização são contraditórias, podem ao
mesmo tempo, complementar-se através da coexistência no tempo e podendo coexistir no
espaço, pois são movidas na relação de economia – política – cultura (EPC), onde as
redes estão presentes e atuam dinamicamente em ambos os processos. A
desterritorialização num lugar pode significar reterritorialização em outro, de acordo com a
promoção da mobilidade da força de trabalho e suas características culturais. É um
processo inerente à natureza contraditória do espaço e do território (SAQUET, 2007).
Segundo Saquet (2007) o migrante efetiva relações com as pessoas conhecidas
que ficaram no território de origem e com outras conhecidas na reterritorialização. A
reterritorialização é marcada pelo movimento de apropriação e reprodução das relações
sociais que podem ser produzidas por uma conexão em rede, alterando as redes sociais e
redes de apoio social do local de origem e forjando novas configurações destas no local
de acolhida.
A migração constitui um processo complexo, contraditório, uma experiência de
perda, ruptura, mudança, vivenciada pelo indivíduo de uma forma mais ou menos
traumatizante ou harmoniosa, segundo os seus recursos psicológicos e sociais, as
características da sociedade dominante, as condições de acolhimento e as políticas do
país receptor (RAMOS, 2010).
Com isso, pode-se entender que a migração pode gerar uma série de confusão ou
como vários estudos pontuam que essa experiência gera choque cultural ou estresse de
aculturação ao migrante. Aculturação é a transformação da cultura de um grupo, pela
assimilação de elementos culturais de outro grupo social com que mantém contato direto
e regular (FERREIRA, 2001).
O processo paralelo de aprendizagem de significados e habilidades e o sentimento
de ser aceito, tem sido nomeado de "choque cultural" (BOEKESTITIJIN, 1989). Este pode
ser avaliado pelo grau de incerteza enfrentado pelo migrante após sua chegada a um
20
novo lugar. O "dilema do migrante" consiste na tensão entre adaptação sócio-cultural e
"preservação da identidade".
Segundo Silva (2004), o choque cultural se expressa por uma espécie de
saudosismo, estresse e pressões, frustrações, fadiga mental, perda qualitativa ou
quantitativa das redes sociais e das redes de apoio social, dificuldade de trabalhar e de
formar novas redes de relação, tédio, perda de motivação, hipersonia ou insônia, dores
musculares.
Assim quando o sujeito é levado a enfrentar uma nova realidade que é diferente
tanto em termos culturais quando espaciais, o individuo sofre um choque identitário o que
exige uma adaptação em termos comportamentais e até mesmo (em casos) no próprio
modo de ser, de tal forma o sujeito constrói o lugar e novas redes sociais e ao mesmo
tempo é construído por eles, pois o indivíduo não pode ignorar sua história e formação,
assim o mesmo é impulsionado a construir ambientes com que se identifique e redes que
o apoiem, recriando seus lugares mesmo estando em outros, preservando sua formação
(MARANDOLA; GALLO, 2010).
Faz-se necessário oportunizar ao indivíduo migrante uma atmosfera acolhedora
tanto nos aspectos psicossociais e familiares, cultural, sanitário e jurídico, para assim
fazer do risco, da situação de vulnerabilidade que comporta o migrante, num processo
dinamizador, criativo e inclusivo que o reconstrua no meio ambiente e as redes de
relações (RAMOS, 2010).
No caso do estudante migrante visto que o mesmo é sujeito alvo deste estudo,
torna-se fundamental realizar uma reflexão sobre sua condição de estudante, no intuito de
compreender como estes processos em associação influenciam a qualidade de vida desta
população.
Segundo Ferreira (2001), o estudante é conceituado como uma pessoa que estuda,
aluno; e o aluno é aquele que recebe instrução e/ ou educação de mestre (s), em
estabelecimento de ensino ou particularmente. Mediante esses fatores, pode-se
estabelecer que o estudante é uma espécie de receptor de conhecimentos, podendo
assim, passar a adquirir e transformar as informações, tornando-se um construtor social.
Nas últimas décadas, ocorreram fenômenos relacionados a transformações no
contexto social, político e educacional (entre eles, o prolongamento da escolaridade e a
elevação das taxas de desemprego, especialmente entre os jovens), como também
21
mudanças no campo da sociologia com a recomposição da problemática das
desigualdades de escolarização entre classes sociais (VAN ZANTEN, 1999). Houve
também uma renovação nas pesquisas, contribuindo para que os estudantes ocupassem
um novo lugar nos estudos sociológicos em educação (ZAGO, 2006).
Ao se falar do estudante migrante, nota-se que ao ingressarem na universidade,
muitos jovens, provindos de local distante de onde passam a estudar, vivenciam novas
experiências, como distanciar-se da família de origem pela primeira vez, residirem com
outros estudantes e experimentarem a ausência da supervisão de adultos (PERKINS,
1999).
Quando grupos populacionais migram, como por exemplo, os estudantes, passam
a se expor a várias mudanças, afetando assim suas áreas de desempenho ocupacional
como: mudanças no ambiente físico, nas suas Atividades de Vida Diária (AVD´s), nas
suas Atividades de vida Prática (AVP`s), Atividades de Vida de Trabalho (AVT`s),
Atividades de Vida de Lazer (AVL`s), hábitos nutricionais, de moradia, entre outros.
Portanto, estes tipos de mudanças podem representar fatores de risco para problemas de
saúde, acarretando, por exemplo, em um possível estresse para essa população, quando
se deslocam para centros mais complexos em áreas urbanas ou mais desenvolvidas
(CAVALCANTI, 1999).
É possível afirmar que esta nova fase de experiências pode ser tanto benéfica,
podendo proporcionar independência e autonomia para o estudante, como também
traumática e geradora de perda de saúde e de qualidade de vida. Tudo dependerá da
maneira como o indivíduo se adapta à situação.
Zago (2006) traça um quadro bastante detalhado de vários aspectos da condição
do estudante: financiamento dos estudos, moradia, transporte, alimentação, saúde,
condições e hábitos de trabalho, relações com o meio de origem e com o meio estudantil,
cultura e lazer. Esse autor argumenta uma pesquisa representativa do conjunto da
população de estudantes permitindo observar diferentes dimensões do êxito e do
fracasso, e os efeitos cumulativos da escolarização anterior.
Diante deste fato, com o aumento do número de estudantes que buscam a
educação superior no Brasil, exige-se cada vez mais um número maior de residências ou
casas de estudantes, sendo que as condições dos cursos não acompanham as
demandas existentes (MACHADO, 2007).
22
As casas estudantis, de modo geral, são moradias que abrigam estudantes
universitários oriundos de classes sociais de baixa renda. Elas reúnem pessoas que
investem na escolarização como uma forma de encaminhar suas vidas, em busca de uma
carreira, tendo, para isso, deixar seu lugar de origem, afastar-se de suas famílias, para
morar com outras pessoas em condições semelhantes (DE SOUSA; SOUSA, 2009).
De acordo com a Secretaria Nacional de Casas de Estudantes (1993), as
informações históricas sobre essas casas são escassas, a primeira funcionar no território
brasileiro foi à Casa do Estudante do Brasil, em atividade desde 1929. É interessante
saber que exatamente em 1937, nessa entidade, se deu a fundação da mais importante
agremiação estudantil brasileira, a Universidade Nacional do Estudante – UNE.
No contexto do ensino superior brasileiro, foi, a partir de 1964, com o golpe militar,
que as universidades passaram a incorporar as casas estudantis. Uma pesquisa realizada
pela Secretaria Nacional de Casas de Estudantes (SENCE), em março de 1993, mostra
que as moradias estudantis, com exceção das repúblicas, são, em regra, mantidas por
alguma instituição externa.
Assim, Barreto (2002) afirma que a casa estudantil faz parte da assistência
universitária e é definida como um instrumento facilitador da política educacional, bem
como uma ação de inclusão social e direito de cidadania.
Entretanto, pode-se entender esse complexo universo dos sujeitos moradores das
casas estudantis como uma problemática social, na qual é ressaltada a desigualdade
vivenciada pelos sujeitos. Em vista de sua condição socioeconômica e das
impossibilidades que dela decorrem, muitos moradores sentem-se imensamente
agradecidos, porém, há na situação de morar em casas estudantis muitas dificuldades
que eles precisam enfrentar.
Embora esteja assegurado a esses estudantes o direito de residir na cidade onde
estão estudando, vale ressaltar que esse direito é concedido de um modo muito precário,
tendo em vista as condições de moradia e de convivência. Isso traz consequências,
muitas vezes, dolorosas, como o sentimento de estar numa condição inferior (DE SOUSA;
SOUSA, 2009).
Portanto, ao analisar a sociedade moderna, pode-se considerar que, um dos
aspectos mais importante na vida de um estudante que migra para outro lugar é a
importância de se ter um conhecimento de maior e melhor qualidade, expectativas
23
melhores de vida, autonomia e independência perante seus familiares (CAVALCANTI,
1999).
De acordo com Nascimento (2003), há uma necessidade de adaptação para a
sobrevivência, em relação a eventos que atuam como estressores na medida em que
sobrecarregam ou excedem os recursos adaptativos da pessoa ou grupos numa dada
circunstância.
Segundo Mota (1999), as fontes de estresse são aquelas que têm o efeito de
ameaçar ou perturbar a dinâmica do estado estável do qual a vida do organismo depende
ou ameaça fazê-lo. Porém, é importante levar em consideração que o significado que os
indivíduos apontam as mudanças e aos eventos são particulares, ou seja, uma situação
pode ser apontada como estressante para um indivíduo enquanto que para o outro não
(CARVALHO; SERAFIM, 1995).
No próximo capítulo, será discutido sobre a Terapia Ocupacional e sua relação com
estudantes migrantes, onde será colocada a importância da intervenção terapêutica
ocupacional para o presente estudo.
2.3 TERAPIA OCUPACIONAL
A Terapia Ocupacional é uma ciência na qual se processa a análise e a
aplicabilidade da atividade humana, objetivando a prevenção e/ou a adaptação do homem
nas relações consigo mesmo e com o mundo. É, portanto, uma forma de tratar que
envolve ativamente o indivíduo numa relação terapêutica com o seu fazer. A Terapia
Ocupacional está centrada nas disfunções ocupacionais do cotidiano do homem, sendo
então possível pensar, a partir dessa vertente, que a ocupação é o núcleo de sua
intervenção (PEDRAL; BASTOS, 2008).
Segundo Ferrari (1991), a ocupação é considerada o uso intencional do tempo
pelos seres humanos a fim de satisfazer seus próprios impulsos internos em direção à
exploração e ao domínio de seu ambiente, que, ao mesmo tempo, satisfaz as exigências
do grupo social ao qual pertencem e as necessidades pessoais de auto-suficiência.
A profissão de Terapia Ocupacional utiliza o termo ocupação para captar a
dimensão e o significado da “atividade do cotidiano”. A Terapia Ocupacional é
24
fundamentada na compreensão de que o engajamento em ocupações estrutura a vida
cotidiana e contribui para a saúde e para o bem-estar (ZEMKE; CLARCK, 1996).
De uma forma geral, pode-se compreender que o engajamento ocupacional está
ligado às diferentes atividades significativas que a pessoa faz no seu cotidiano cuja
compreensão perpassa pela sua caracterização no que se refere à identificação e análise
de quem desempenha a ocupação, onde, quando, como e porque a faz (POLATAJKO et
al, 2007).
Quando terapeutas ocupacionais trabalham com clientes, eles consideram os
diferentes tipos de ocupação nas quais os clientes podem se envolver. A ampla variedade
de ocupações ou atividades é classificada em categorias chamadas “áreas de ocupação”
– atividades de vida diária, atividades instrumentais de vida diária, descanso e sono,
educação, trabalho, brincar, lazer e participação social (HAKANSSON; DAHLINIVANOFF; SONN, 2006).
As atividades de vida diária são aquelas orientadas para o cuidado do indivíduo
para com seu próprio corpo (ROGERS; HOLM, 1994). AVD também é chamada como
atividades básicas da vida diária (ABVD) e atividades pessoais da vida diária (APVD).
Estas atividades são fundamentais para viver no mundo social, elas permitem a
sobrevivência básica e o bem-estar (CHRISTIANSEN; HAMMECKER, 2001).
As atividades instrumentais de vida diária (AIVD´s) são aquelas que apoiam a vida
diária dentro de casa e na comunidade que, frequentemente, requer maior complexidade
de interações do que o autocuidado usado na AVD.
O descanso e o sono incluem atividades relacionadas para obter relaxamento e
assim apoiam a saúde e o envolvimento ativo em outras áreas de ocupação (NURIT;
MICHEL, 2003).
A educação inclui atividades necessárias para o aprendizado e participação em
ambiente.
O trabalho inclui atividades necessárias para o envolvimento remunerado em
empregos ou atividades voluntárias (MOSEY, 1996). O brincar é qualquer atividade
espontânea e organizada que ofereça satisfação, entretenimento, diversão e alegria
(PARHAM; FAZIO, 1997).
O lazer é considerado uma atividade não obrigatória, motivada intrinsecamente e
realizada durante o tempo livre, ou seja, um tempo livre de ocupações obrigatórias tais
25
como o trabalho, o autocuidado e o sono (PARHAM; FAZIO, 1997). A participação social
é considerada um padrão de comportamento organizado que é característico e esperado
de um indivíduo ou de uma dada posição dentro do sistema social (MOSEY, 1996).
Diante das áreas de ocupações conceituadas acima, pode-se relacionar a
migração com a perda de papéis ocupacionais. A partir do momento que o estudante
realiza a migração, o mesmo terá mudanças em suas AIVD´s, lazer e participação social.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, o envolvimento do cliente em áreas de
ocupação acontece em um determinado contexto. O termo contexto refere-se a uma
variedade de condições inter-relacionadas que estão ao alcance do cliente e o cercam.
Esses contextos exercem uma forte influência no desempenho do indivíduo. Eles podem
ser: cultural, pessoal, temporal e virtual.
De acordo com Cavalcanti e Galvão (2007), o contexto cultural inclui costumes,
crenças, padrões de atividades, de comportamentos e expectativas aceitas pela
sociedade na qual o cliente é membro. Com a migração o estudante passa a ter esses
padrões modificados vindos a construir uma nova rotina em sua vida. Já o contexto
pessoal refere-se às características demográficas do indivíduo, tais como idade, gênero,
status sócio econômico e nível educacional que não são parte de uma condição de saúde.
O contexto temporal inclui estágios da vida, hora do dia ou época do ano,
periodicidade, ritmo da atividade ou história. Este contexto poderá ser relacionado à
população alvo deste estudo já que a migração trás a esses indivíduos modificações em
suas vidas. O contexto virtual refere-se às interações simuladas, em tempo real ou a
situações que não fazem parte do contexto físico (CAVALCANTI; GALVÃO, 2007).
Alguns contextos são externos ao cliente (por exemplo, o virtual), enquanto outros
são internos ao cliente (por exemplo, o pessoal) e outros podem ter ambas as
características externas, crenças e valores internalizados (por exemplo, o contexto
cultural) (CAVALCANTI; GALVÃO, 2007).
A Terapia Ocupacional envolve a facilitação de interações entre o cliente, contextos
e suas atividades ou ocupações, com o propósito de ajudá-lo a alcançar os resultados
desejados que apoiem à saúde e a participação na vida.
26
3 METODOLOGIA
3.1 TIPO DE ESTUDO
O estudo realizado caracterizou-se como quantitativo, com revisão bibliográfica,
pesquisa de campo, do tipo exploratório, descritivo e de corte transversal.
Em relação à forma de abordar o problema classifica-se esta pesquisa como
quantitativa, ao passo que foram utilizados instrumentos com este cunho para a
realização da coleta e análise de dados, com a intenção de organizar e/ou sistematizar os
elementos constitutivos, relacionados ao nível de estresse percebido pelo estudante
migrante residente em casas de estudantes na cidade de Belém do Pará.
Foi utilizada revisão bibliográfica, almejando aprofundar o estudo, dessa forma,
busca-se desenvolver uma pesquisa sobre literaturas pertinentes aos temas abordados –
estresse; estudante; migração e Terapia Ocupacional, estabelecendo assim um diálogo
entre estas diversas perspectivas.
Além disso, foi desenvolvida pesquisa de campo, por meio de visitas em seis casas
de estudantes na cidade de Belém do Pará.
Considera-se neste estudo também seu caráter exploratório, que é o primeiro
passo de todo trabalho científico, ou seja, visa proporcionar maiores informações sobre
determinado assunto, facilitando a delimitação de um tema de trabalho, definindo os
objetivos ou formulando a(s) hipótese(s) de uma pesquisa ou descobrindo novo tipo de
enfoque para o trabalho que se tem em mente (ANDRADE, 2001).
Por sua vez, o estudo é considerado descritivo, pois permite ao pesquisador a
obtenção de uma melhor compreensão do comportamento de diversos fatores e
elementos que influenciam ou causam determinado fenômeno (OLIVEIRA, 1997).
As pesquisas descritivas caracterizam-se frequentemente como estudos que
procuram determinar status, opiniões ou projeções futuras nas respostas obtidas. A sua
valorização está baseada na premissa que os problemas podem ser resolvidos e as
práticas podem ser melhoradas através de descrição e análise de observações objetivas
e diretas. As técnicas utilizadas para a obtenção de informações são bastante diversas,
destacando-se os questionários, as entrevistas e as observações (ANDRADE, 2001).
27
Trata-se de estudo de corte transversal, pois os fenômenos em estudos são
medidos em um único ponto no tempo ou no decorrer de um curto intervalo de tempo
(GIL, 2000).
Utilizou-se como base para este estudo o perfil sociodemográfico, pelo fato do
mesmo possuir variáveis e características sociodemográficas contendo fatores pessoais
como gênero, idade, grau de instrução, renda (“status” sócio-econômico), raça, etnia,
estado civil, apoio social e participação da família e a falta de tempo percebido pelos
indivíduos (MARTIN; SINDEN, 2001).
3.2 LOCAL DA PESQUISA
Realizou-se a pesquisa em seis casas de estudantes existentes na cidade de
Belém do Pará que acolhem estudantes vestibulandos e universitários procedentes de
cidades do interior do estado do Pará, de outros estados brasileiros e de outros países. A
seleção das casas de estudantes foi feita de maneira aleatória, por meio de sorteio.
A Casa da Estudante Universitária - CAESUN, que abriga estudantes oriundas do
interior do estado e também de outras partes do Brasil e do exterior, possui vínculo com a
Universidade Federal do Pará – UFPA. Atualmente hospeda 24 universitárias.
A Casa do Estudante Universitário do Pará - CEUP, trata-se de uma instituição
privada, sem fins lucrativos, registrada no Conselho Federal de Serviço Social, oferta
alojamento para 120 estudantes de curso superior e 8 para pré-vestibulandos, de ambos
os sexos, sem condições de alojamento na zona metropolitana de Belém.
A Casa de Estudante de Castanhal - CAEUC existe há mais de 12 anos e abriga
universitários oriundos de Castanhal, atualmente oferta 20 vagas, ampara estudantes de
ambos os sexos e possui convênio com a prefeitura de Castanhal.
A Casa do Estudante Marabaense - CEMAB é uma fundação que ampara
estudantes de ambos os sexos, procedentes da cidade paraense de Marabá. Por meio de
convênio com a prefeitura, seleciona estudantes para residir na casa e atualmente
oferece 32 vagas, sendo 8 para pré-universitários e 24 para universitários.
A Casa de Estudante Masculina de Abaetetuba existe há 19 anos e abriga
estudantes que precisam se deslocar para Belém, com oferta de 32 vagas, tendo
convênio com a prefeitura de Abaetetuba.
28
A Casa de Estudante Universitária de Goianésia no Pará existe há 5 anos e abriga
estudantes oriundos da cidade de Goianésia, possuindo convênio com a prefeitura desta
cidade.
3.3 POPULAÇÃO DE REFERÊNCIA
É formada por estudantes, de ambos os sexos, que migraram de outros locais
(interior do estado do Pará, outros estados e outros países) para realizar seus estudos na
cidade de Belém.
3.4 AMOSTRA
Trata-se de amostra de conveniência constituída por 90 estudantes, de ambos os
sexos residentes em casas de estudantes da cidade de Belém do Pará, durante os meses
de agosto a dezembro de 2013.
3.5 CRITÉRIOS DE INCLUSÃO
Ser estudante;
Ambos os sexos;
Estar matriculado em instituição oficial de ensino;
Ser residente em casas de estudantes definidas no local de pesquisa no período da
coleta de dados;
Participar
voluntariamente
da
pesquisa
com
assinatura
do
Termo
de
Consentimento Livre e Esclarecido –TCLE.
3.6 CRITÉRIOS DE EXCLUSÃO
Não ser estudante;
Não estar matriculado em instituição oficial de ensino.
Não ser residente em casas de estudantes definidas no local da pesquisa no
período da coleta de dados;
29
Não participar voluntariamente da pesquisa com assinatura do Termo de
Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE.
3.7 PROCEDIMENTOS
Inicialmente, foi realizada a escolha do tema e revisão bibliográfica, para assim ser
construído o devido projeto de conclusão de curso, em seguida este foi enviado ao
Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos – CEP onde recebeu aprovação. A
etapa seguinte foi à qualificação do projeto. Com a aprovação do mesmo pelo comitê de
ética e evidenciando as devidas considerações feitas pela banca de qualificação, realizouse uma nova revisão bibliográfica, para construção do Trabalho de Conclusão de Curso –
TCC, durante os meses de agosto a dezembro de 2013.
Foi estabelecido contato com a direção de cada casa de estudantes para solicitar
adesão à pesquisa. Após a aprovação da pesquisa pela direção de cada casa, se deu o
processo de ambientação das pesquisadoras nas mesmas, ocorrendo à seleção de
participantes por meio de convites individuais e em pequenos grupos, quando as
pesquisadoras deram explicações sobre o projeto visando adesão voluntária pelos
participantes sorteados. Em caso de desistência de algum participante, foi realizado um
novo sorteio até completar a amostra previamente estabelecida.
Após a realização dos procedimentos citados acima, iniciou-se a pesquisa de
campo com a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, assinatura do
Termo de Uso da Imagem, aplicação do Inventário SocioDemográfico (ISD) e Escala de
Percepção de Estresse (EPS 10).
A coleta de dados aconteceu de julho a setembro de 2013, onde foi realizado
visitas durante 4 vezes na semana em cada casa no período da tarde. Após o término da
coleta de dados, realizou-se a sua categorização através de tabelas no Excel e análise de
dados por meio de scores.
Em seguida os dados referentes ao ISD foram analisados com o uso de estatísticas
descritivas de modo a apresentar aspectos sociodemográficos relevantes, por meio do
cálculo de frequências e porcentagens das variáveis: sexo, idade, religião, local de
origem, classe econômica, casa de estudante a qual o mesmo reside, curso de graduação
e semestre que está cursando atualmente.
30
Nos questionários EPS – 10 também foram realizadas estatísticas descritivas, por
meio do cálculo de frequências e porcentagens.
Portanto, com a finalização da tabulação e análise de dados coletados, foi entregue
e será defendido o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC).
3.8 HIPÓTESES
3.8.1 Hipótese afirmativa
É possível investigar o nível de estresse percebido pelo estudante migrante
residente em casas de estudantes na cidade de Belém do Pará;
É possível investigar o perfil sociodemográfico do estudante migrante residente em
casas de estudantes na cidade de Belém do Pará;
É possível elaborar uma proposta de intervenção terapêutica ocupacional, que
possa ajudar o estudante migrante residente em casas de estudantes na cidade de Belém
do Pará a minimizar o nível de estresse percebido pelo mesmo.
3.8.2 Hipótese negativa
Não é possível investigar o nível de estresse percebido pelo estudante migrante
residente em casas de estudantes na cidade de Belém do Pará;
Não é possível investigar o perfil sociodemográfico do estudante migrante residente
em casas de estudantes na cidade de Belém do Pará;
Não é possível elaborar uma proposta de intervenção terapêutica ocupacional, que
possa ajudar o estudante migrante residente em casas de estudantes na cidade de Belém
do Pará a minimizar o nível de estresse percebido pelo mesmo.
31
3.9 DESFECHOS
3.9.1 Desfecho primário
No desfecho primário, foi obtida em curto prazo uma revisão bibliográfica acerca do
tema abordado: “Nível de estresse de estudantes migrantes: Uma proposta terapêutica
ocupacional”.
3.9.2 Desfecho secundário
Enquanto que no desfecho secundário, investigou-se o nível de estresse do
estudante migrante que reside em casas de estudantes na cidade de Belém do Pará,
visando à intervenção da Terapia Ocupacional.
3.10 INSTRUMENTOS
3.10.1 Inventário Sociodemográfico (ISD)
O Inventário Sociodemográfico (ISD) utilizado na coleta de dados investiga as
seguintes variáveis:
Sexo: a variável qualitativa nominal, determinada pelo sexo do participante por
meio dos descritores masculino e feminino.
Idade: a variável quantitativa contínua, determinada pela idade do participante em
anos completos na ocasião da pesquisa.
Religião: variável qualitativa nominal, investigada por meio de alternativas nas
quais o participante pode escolher a categoria que estiver incluído. Esta variável admite
as seguintes categorias: católica; evangélica; espírita; umbanda; nenhuma caso o
participante não possua nenhuma religião; e outra, caso o participante não se inclua nas
categorias apresentadas e nesse caso poderá especificar qual a religião professada.
Classe econômica: a variável qualitativa ordinal, classe econômica, será
determinada por intermédio da utilização do Critério de Classificação Econômica Brasil
(CCEB). Este instrumento estima o poder de compra de pessoas que vivem em
32
ambientes urbanos baseado na quantidade da posse de determinados itens e no grau de
instrução do chefe da família. Esta variável admite as seguintes categorias: Classe A1,
Classe A2, Classe B1, Classe B2, Classe C1, Classe C2, Classe D e Classe E.
Curso de graduação: variável que verifica qual curso de graduação se faz mais
presente entre os estudantes migrantes.
Casa de estudante: variável que analisa qual casa abriga uma maior quantidade de
estudantes migrantes.
Esta categorização é realizada após o somatório de pontuações obtidas pelos
itens possuídos e escolaridade do chefe da família. O Quadro 01 apresenta escores
correspondentes a cada uma das categorias.
Quadro 01 – Escores para categorização de Classes Econômicas
Classes Econômicas
Escores
Classe A1
Classe A2
Classe B1
Classe B2
Classe C1
Classe C2
Classe D
Classe E
42 a 46
35 a 41
29 a 34
23 a 28
18 a 22
14 a 17
8 a 13
0a7
Fonte: ABEP (2012).
Para a composição desta variável serão investigadas três outras variáveis
discriminadas a seguir.
Itens possuídos pelo grupo familiar do participante.
A variável quantitativa discreta, itens que o grupo familiar possui, será determinada
ao indagar os itens que a família possui: televisão, rádio, banheiro, automóvel, empregada
doméstica mensalista, máquina de lavar, aparelho de DVD ou videocassete, geladeira e
freezer na residência do participante. Para cada item esta variável admite as seguintes
categorias: não tem, tem um, tem dois, tem três, tem quatro ou mais.
Para cada uma das categorias dos itens possuídos será determinada a pontuação
de acordo com os critérios ABEP (2012) que varia de 0 a 38. O Quadro 02 apresenta esta
pontuação.
33
Quadro 02 – Escores para Itens possuídos
Quantidade
0
1
2
Televisão em cores
0
1
2
Rádio
0
1
2
Banheiro
0
4
5
Automóvel
0
4
7
Empregada mensalista
0
3
4
Máquina de lavar
0
2
2
Videocassete e/ou DVD
0
2
2
Geladeira
0
4
4
Freezer (aparelho independente ou
0
2
2
parte da geladeira duplex)
3
3
3
6
9
4
2
2
4
2
4 ou +
4
4
7
9
4
2
2
4
2
Fonte: ABEP (2012).
Chefe da família: a variável qualitativa nominal será determinada ao indagar qual a
pessoa considerada como chefe da família na residência de origem do participante, ou
seja, a pessoa que gerencia financeiramente a família. Esta variável admite as seguintes
categorias: você mesmo/a, pai, mãe, irmão (ã), outra pessoa e, nesse caso, pode
especificar quem é essa pessoa.
Escolaridade do chefe da família: a variável qualitativa ordinal será investigada
oferecendo um quadro no qual o participante seleciona o ultimo ano de estudos
completados pela pessoa identificada como chefe da família.
Esta variável admite as seguintes categorias: não alfabetizada/ até terceira série
fundamental, caso o chefe da família não tenha ingressado em escola formal ou tenha
concluído a terceira série fundamental; quarta a sétima série fundamental, caso o chefe
da família tenha cursado a quarta série, tenha completado a sétima série ou estivesse
cursado a oitava série; ensino fundamental completo/ensino médio incompleto, caso o
chefe da família tenha completado a oitava série e estivesse estudando qualquer série do
ensino médio; ensino médio completo/ensino superior incompleto, caso o chefe da família
tenha concluído o ensino médio ou estivesse cursando qualquer ano do ensino superior;
ensino superior completo, caso o chefe da família tenha concluído ensino superior.
Para cada uma das categorias escolaridade do chefe da família será determinada a
pontuação de acordo com os critérios ABEP (2012) que varia de 0 a 8. O Quadro 03
apresenta esta pontuação.
34
Quadro 03 – Escores para escolaridade do chefe da família.
Nomenclatura
Nomenclatura Atual
Escore
Antiga
0
Analfabeto/ Primário Analfabeto/ Até 3ª série Fundamental/ Até 3ª série
incompleto
1º. Grau
1
Primário
completo/ Até 4ª série Fundamental / Até 4ª série 1º. Grau
Ginasial incompleto
2
Ginasial
completo/ Fundamental completo/ 1º. Grau completo
Colegial incompleto
4
Colegial
completo/ Médio completo/ 2º. Grau completo
Superior incompleto
8
Superior completo
Superior completo
Fonte: ABEP, 2012
3.10.2 Escala de Percepção de Estresse-10 (EPS-10)
Na escala de percepção de estresse estão contidas questões com perguntas a
respeito dos seus sentimentos e pensamentos durantes os últimos 30 dias (último mês). A
escala pede que em cada questão o participante indique a frequência com que este sentiu
ou pensou a respeito da situação.
Embora algumas das perguntas sejam similares, há diferenças entre elas e devese analisar cada uma como uma pergunta separada. A melhor abordagem é responder a
cada pergunta razoavelmente rápido. Isto é, o participante não deve contar o número de
vezes que se sentiu de uma maneira particular, mas indique a alternativa que lhe pareça
como uma estimativa razoável (COHEN, 1984).
A escala possui 10 questões que são:
Com que frequência você ficou aborrecido por causa de algo que aconteceu
inesperadamente? (considere os últimos 30 dias).
Com que frequência você sentiu que foi incapaz de controlar coisas importantes na
sua vida? (considere os últimos 30 dias).
Com que frequência você esteve nervoso ou estressado? (considere os últimos 30
dias).
Com que frequência você esteve confiante em sua capacidade de lidar com seus
problemas pessoais? (considere os últimos 30 dias).
Com que frequência você sentiu que as coisas aconteceram da maneira que você
esperava? (considere os últimos 30 dias).
35
Com que frequência você achou que não conseguiria lidar com todas as coisas que
tinha por fazer? (considere os últimos 30 dias).
Com que frequência você foi capaz de controlar irritações na sua vida? (considere
os últimos 30 dias).
Com que frequência você sentiu que todos os aspectos de sua vida estavam sob
controle? (considere os últimos 30 dias).
Com que frequência você esteve bravo por causa de coisas que estiveram fora de
seu controle? (considere os últimos 30 dias).
Com que frequência você sentiu que os problemas acumularam tanto que você não
conseguiria resolvê-los? (considere os últimos 30 dias).
As respostas dadas para as perguntas são: [0] Nunca. [1] Quase Nunca. [2] Às
Vezes. [3] Pouco Frequente. [4] Muito Frequente.
A computação dos escores da escala de percepção de estresse é dada pelo
Professor Dr. Rodrigo Siqueira Reis e é computada da seguinte forma:
a) Os itens 1, 2, 3, 6, 9 e 10 são negativos, sendo assim mantêm-se a pontuação
0, 1, 2, 3, e 4.
b) Os itens 4, 5, 7 e 8 são positivos e por esta razão devem ter a pontuação
revertida.
Ex: 0 = 4, 1 = 3, 2 = 2, 3 = 1 e 4 = 0.
c) Após a reversão todos os itens devem ser somados.
d) O escore, obtido com a soma de todos os itens, é utilizado como medida de
estresse percebido.
A partir da análise dos scores, a classificação para o nível de estresse se dará da
seguinte forma: sem estresse 0-10, estresse leve 11-20, estresse moderado 21-30 e
estresse elevado 31-40.
Utilizaram-se os seguintes cálculos da amostra para obtenção dos resultados da
escala. Na Figura 1, a resposta “Muito freqüente” teve a maior ocorrência entre os dez
itens no item 3, representando 46,7% dos estudantes que responderam a este item.
Considerando as respostas: “Pouco freqüente” e “Muito freqüente” conjuntamente, pois
são as opções que mais contribuíram para a composição do escore de estresse (exceto
para os itens 4,5,7 e 8), nota-se que o item 3 e 9 correspondem cerca de 72% das
respostas, seguido do item 9 com 41% e do item 2 com 40%.
36
Gráfico 1 - Distribuição relativa das repostas aos itens da escala EPS-10.
100%
90%
11,1
21,1
34,4
80%
70%
28,9
46,7
13,3
24,4
14,4
20,0
55,6
31,1
41,1
24,4
24,4
4,4
20,0
3,3
3,3
8,9
6,7
1,1
EPS 1
EPS 2
EPS 3
Nunca
40,0
34,4
25,6
20%
41,1
43,3
26,7
40%
0%
26,7
21,1
12,2
50%
10%
12,2
13,3
17,8
28,9
60%
30%
10,0
11,1
25,6
13,3
11,1
22,2
16,7
EPS 4
Quase nunca
12,2
EPS 5
Às vezes
6,7
EPS 6
12,2
EPS 7
Pouco frequente
16,7
21,1
10,0
8,9
7,8
12,2
EPS 8
EPS 9
EPS 10
Muito frequente
Fonte: Das autoras (2013).
No Quadro 1, o item com maior média (3,1) na escala foi o item 3, cujo a moda ou
resposta mais freqüente foi “pouco frequente”, superando o valor médio teórico para este
item que é 2 (resposta “às vezes”).
Quadro 4 - Mínimo, Média e Máximo dos escores das respostas de cada item
EPS EPS EPS EPS EPS
Estatística
1
2
3
4
5
Mínimo
0
0
0
0
0
Média
2,53 2,09 3,10 1,49 1,87
Moda
2
3
4
0
2
Máximo
4
4
4
4
4
EPS EPS EPS EPS
6
7
8
9
0
0
0
0
2,02 1,69 1,87 2,42
2
2
2
2
4
4
4
4
EPS
10
0
1,92
2
4
Fonte: Das autoras (2013).
Foi realizado o Teste de qui-quadrado de associação com nível de significância de
5% entre as respostas dos itens 1 a 10 da escala EPS-10 com as variáveis: Sexo
(Masculino, Feminino), Religião (Católica, Outras religiões e nenhuma), Raça (Branco ou
não branco), Classe econômica e se o entrevistado estava atualmente frequentando um
curso de graduação.
Devido a restrição de no máximo 20% do número de células esperadas na tabela
de contingência serem menores ou iguais a 5 exigidas para a realização do teste qui-
37
quadrado, somente a variável Sexo foi utilizada nesta análise. Conforme a Tabela 10, os
itens 7 e 10 estão significativamente associados com o sexo dos estudantes (Quadro 2).
Quadro 5 - Teste Qui-quadrado de associação entre os itens 4, 5, 7, 8 e 10 da Escala EPS-10 e
Sexo.
Item
EPS 4
EPS 5
EPS 7
EPS 8
EPS 10
Χ2
4,736
2,336
11,502
5,412
12,466
gl
4
4
4
4
4
Resultado
valor p
0,3160 Não significativo
0,6700 Não significativo
Significativo
0,0210
0,2480 Não significativo
Significativo
0,0140
Fonte: Das autoras (2013).
Para avaliar os fatores que influenciam o estresse percebido dos estudantes
migrantes foi proposto um modelo de regressão linear. Os fatores avaliados foram:
- Sexo (se Masculino);
- Idade em anos;
- Raça (se Branca);
- Religião (se Católica);
- Se o estudante está atualmente na graduação;
- Classe Econômica (Classe C1 ou superior);
- Origem (se do estado do Pará);
- Escolaridade do chefe da família (se nível médio ou superior);
O coeficiente e sua respectiva estimativa são os pesos que representam a
importância de fator na composição do nível de estresse percebido. O valor p indica o
menor nível de significância para o qual este coeficiente é considerado importante na
análise, neste estudo fixou-se o nível de significância em 5%, de forma que p valores
menos que 5% indicam fatores importantes para análise e que, portanto devem
permanecer no modelo.
De acordo com os resultados da Tabela 11, somente o Sexo entre os fatores
considerados é determinante do nível de estresse percebido, sendo que o valor de seu
coeficiente negativo (estimativa de -2,976) indica que homens tendem a ter um nível de
estresse menor que as mulheres (Quadro 3).
38
Quadro 6- Coeficientes de regressão estimados
Coeficiente
Constante
Sexo: Masculino*
Idade
Raça: Branco
Religião: Católico
Estudando: Na graduação
Classe Econômica: C1 ou superior
Estado de Origem: Pará
Escolaridade do Chefe: Médio ou
superior
Estimativa
24,012
-2,976
-0,032
-0,058
0,156
-0,705
1,262
0,558
Erro-padrão
6,4
1,415
0,172
2,056
0,91
2,423
1,663
2,730
Valor p
0
0,039
0,851
0,977
0,864
0,772
0,450
0,839
-0,913
1,480
0,539
Fonte: Das autoras (2013).
Para determinar o estado de estresse dos estudantes entrevistados, utilizou-se os
resultados obtidos em Cohen (1984) e Reis e Petroski (2004). Ressalvando o caráter
exploratório do presente estudo, nota-se que o escore médio neste trabalho é superior
aos escores obtidos pelos autores supracitados por sexo e por faixa etária em pelo menos
57% indicando elevado nível de estresse dos estudantes pesquisados. Recomenda-se o
aumento da amostra para validação dos resultados apresentados, pois para ambas as
variáveis o tamanho amostral foi inferior a 11,8% quando comparado ao estudo de Cohen
(1984), apesar dos coeficientes de variação terem sido menores neste trabalho.
3.11 ASPECTOS ÉTICOS
A pesquisa foi realizada de acordo com a Resolução 196/96 (BRASIL, 1987) do
Conselho Nacional de Saúde (CNS), após aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa e
autorização nas casas de estudantes na cidade de Belém do Pará.
Esta pesquisa incorpora sob a ótica do indivíduo e das coletividades os quatro
referenciais básicos da bioética: autonomia, não maleficência, beneficência e justiça. E
assegura os direitos e deveres que dizem respeito à comunidade científica aos sujeitos da
pesquisa (BRASIL, 1987).
Ainda segundo a referida Resolução (BRASIL, 1987) são garantidas as exigências
éticas e científicas fundamentais de uma pesquisa envolvendo seres humanos que são:
contar com o consentimento livre e esclarecido dos indivíduos alvo, ponderação entre
riscos e benefícios por parte do pesquisador sendo que o mesmo se comprometendo com
39
o máximo de benefícios e o mínimo de riscos e garantir a não utilização das informações
em prejuízo dos participantes através do sigilo dos dados pessoais dos mesmos.
3.12 RISCOS E BENEFÍCIOS
Esta pesquisa foi de grande importância para comunidade científica, em especial
para os terapeutas ocupacionais, contribuindo para a construção de seu campo
profissional no que diz respeito à atuação desta profissão em relação à intervenção
terapêutica ocupacional, que possa ajudar o estudante migrante residente em casas de
estudantes na cidade de Belém do Pará a minimizar o nível de estresse percebido pelo
mesmo.
Pois, ainda há a escassez de literatura científica sobre o assunto, em função disto
a realização dessa pesquisa veio estimular estudos científicos relacionados ao tema.
Em relação à pessoa pesquisada, ela teve benefícios quanto ao seu possível nível
de estresse uma vez que o objetivo é investigar o nível de estresse percebido pelo
estudante migrante residente em casas de estudantes na cidade de Belém do Pará,
garantindo assim melhorias na sua qualidade de vida.
Com a conclusão do trabalho foram elaboradas propostas de intervenção
terapêutica ocupacional, que possam ajudar o estudante migrante residente em casas de
estudantes na cidade de Belém do Pará a minimizar o nível de estresse percebido pelo
mesmo, gerando também melhoria na qualidade de vida da referida clientela.
Em relação aos prováveis riscos para a comunidade científica poderia ter ocorrido
de não se alcançar os objetivos ou ocorrer à publicação de falsos dados sobre o estudo e
consequentemente não haver contribuições para o campo da Terapia Ocupacional no que
diz respeito à atuação desta profissão com estudantes migrantes. Se isso tivesse ocorrido
os objetivos seriam refeitos e readaptados pelas acadêmicas e sua orientadora para que
a pesquisa alcance a finalidade almejada. E as pesquisadoras se comprometem com a
veracidade dos fatos que serão publicados nesta pesquisa.
Os riscos para a comunidade alvo estão relacionados a não disposição dos
resultados do estudo, uma vez que inviabilizaria a verificação pela comunidade dos
benefícios gerados a ela e estarão privados de obter informações acerca da intervenção
terapêutica ocupacional com a clientela abordada na pesquisa. Porém as pesquisadoras
40
se comprometem em dispor os resultados do estudo ao final de todo o processo de
pesquisa.
Para os participantes da pesquisa, os riscos que poderiam ocorrer seriam na
divulgação de seus dados pessoais que poderiam comprometer sua integridade moral,
social e/ou profissional. Entretanto as pesquisadoras se comprometeram com o sigilo
absoluto das informações, identificando os clientes através de pseudônimos, divulgando
apenas os dados pertinentes à pesquisa, de modo a preservar em todos os momentos a
identidade e privacidade dos clientes.
Mais esclarecimentos acerca dos riscos e benefícios da pesquisa serão fornecidos
aos participantes por escrito, através do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido –
TCLE (APÊNDICE A). Apenas participaram da pesquisa as pessoas que estavam de
acordo com o TCLE e Termo de Autorização de Uso de Imagem (APÊNDICE B).
41
4 RESULTADOS
4.1 INVENTÁRIO SOCIODEMOGRÁFICO (ISD)
Foram pesquisados um total de 90 estudantes, sendo 39 (43,3%) do sexo feminino
e 51 (56,7%) do sexo masculino, distribuídos em seis casas. Cerca de metade eram
residentes na Casa do Estudante Universitário do Pará (TABELA 1).
Tabela 1 - Distribuição dos Estudantes por Casa de Residência e Sexo
Casa do
estudante
Sexo
Total
Feminino
n
%
Masculino
N
%
N
%
15
38,5
0
0
15
16,7
6
15,4
1
2,6
7
7,8
0
0
13
33,3
13
14,4
CEMAB4
1
2,6
6
15,4
7
7,8
5
2
5,1
1
2,6
3
3,3
15
39
38,5
100
30
51
76,9
100
45
90
50,0
100
CAESUN1
2
CAEUC
CEA
3
CEUGP
CEUP
Total
6
1
2
3
Nota: Casa da Estudante Universitária, Casa de Apoio de Estudantes Universitários de Castanhal, Casa
4
5
de Estudante de Abaetetuba, Casa de Estudante de Marabá, Casa de Estudante Universitária de
6
Goianésia do Pará, Casa do Estudante Universitário do Pará.
Fonte: Das autoras (2013).
A Média das idades das mulheres foi de 23,2 (DP= 3,56) anos e dos homens de
24,71 (DP 4,28) anos. Na amostra geral foi de 24,06 (DP= 4,04) anos e não houve
diferença significativa de idade entre os grupos dada pelo valor de p=0,196 (Tabela 2).
Tabela 2 - Média e Desvio Padrão das Idades dos Estudantes
Sexo
Feminino
Masculino
Total da amostra
n
39
51
90
Fonte: Das autoras (2013).
Média
23,16
24,71
24,06
DP
3,56
4,28
4,04
Idade
Idade
Mínima Máxima
19
32
19
35
19
35
42
A distribuição da amostra por classes de idades mostrou que os estudantes são
predominantemente mais jovens com idades entre 19 e 24 anos com 61 (69,3%) dos
entrevistados, seguida da classe dos 25 aos 30 anos com 15 estudantes (17%) (Tabela
3).
Tabela 3 - Classes de Idades
Classes de idade
19 |—| 24
25 |—| 30
31 |— 36
Total
N
%
61
15
12
88
69,3
17,0
13,6
100
Fonte: Das autoras (2013).
Com relação aos cursos de graduação, foram 30 cursos e destes, o de maior
frequência entre o sexo feminino foi o de Enfermagem que totalizou 5 (5,6%) estudantes
e entre os de sexo masculino foram os cursos de Direito, com 8 (8,9%) estudantes,
seguido pelo curso de Medicina com 5 (5,6%) estudantes. No geral, os cursos mais
frequentes foram Direito e Enfermagem ambos com 9 (11,1%) estudantes (Tabela 4).
43
Tabela 4 - Curso em realização pelos estudantes por Sexo
Sexo
Curso de Graduação
Feminino
Masculino
n
%
N
%
Agronomia
2
5,1
3
5,9
Arquitetura
1
2,6
0,0
Biblioteconomia
1
2,6
0,0
Biomedicina
1
2,6
0,0
Ciências Contábeis
4
10,3
2
3,9
Ciências da Computação 0,0
1
2,0
Ciências Políticas
1
2,6
0,0
Direito
1
2,6
8
15,7
Economia
0,0
3
5,9
Enfermagem
5
12,8
4
7,8
Engenharia Civil
3
7,7
4
7,8
Engenharia/
Computação
2
5,1
0,0
Engenharia de Pesca
1
2,6
3
5,9
Engenharia de Produção 0,0
1
2,0
Engenharia Elétrica
0,0
2
3,9
Engenharia Sanitária e
Ambiental
2
5,1
0,0
Estatística
0,0
1
2,0
Farmácia
1
2,6
0,0
Fisioterapia
2
5,1
2
3,9
Geografia
1
2,6
1
2,0
Geologia
2
5,1
1
2,0
Matemática
1
2,6
1
2,0
Medicina
1
2,6
5
9,8
Medicina Veterinária
0,0
1
2,0
Nutrição
1
2,6
0,0
Odontologia
1
2,6
0,0
Psicologia
1
2,6
0,0
Serviço Social
1
2,6
0,0
Sistema de Análise
0,0
1
2,0
Terapia Ocupacional
1
2,6
0,0
Perdidos
2
5,13
7
13,7
Total
39
100
51
100
Fonte: Das autoras (2013).
Total
N
5
1
1
1
6
1
1
9
3
9
7
%
5,6
1,1
1,1
1,1
6,7
1,1
1,1
10,0
3,3
10,0
7,8
2
4
1
2
2,2
4,4
1,1
2,2
2
1
1
4
2
3
2
6
1
1
1
1
1
1
1
9
90
2,2
1,1
1,1
4,4
2,2
3,3
2,2
6,7
1,1
1,1
1,1
1,1
1,1
1,1
1,1
10
100
44
Tabela 5 – Grande área do conhecimento dos estudantes por Sexo
Grande Área do
Conhecimento
Ciências da Saúde
Ciências da Terra
Ciências Exatas e
Naturais
Ciências Humanas e
Sociais Aplicadas
Tecnologia
Perdidos
Total
Feminino
n
%
13
33,3
4
10,3
Sexo
Masculino
n
%
12
23,5
4
7,8
Total
N
25
8
%
27,8
8,9
1
2,6
4
7,8
5
5,6
10
25,6
14
27,5
24
26,7
9
23,1
10
19,6
19
21,1
2
39
5,1
100
7
51
13,7
100
9
90
10,0
100
Fonte: Das autoras (2013).
Quanto ao Semestre que estava sendo cursado na época da coleta, cerca da
metade dos estudantes se encontravam nos quatro primeiros semestres, totalizando
47,8% da amostra (Tabela 6).
Tabela 6 - Semestre Acadêmico em realização pelos estudantes por Sexo
Sexo
Feminino
Semestre Acadêmico
1º
2º
3º
4º
5º
6º
7º
8º
9º
10º
Não informado
Total
Fonte: Das autoras (2013).
n
1
7
5
8
5
5
1
2
1
2
2
39
Masculino
% do
% do total n
total
2,6
0,0
17,9
4
7,8
12,8
6
11,8
20,5
12 23,5
12,8
2
3,9
12,8
11 21,6
2,6
3
5,9
5,1
2
3,9
2,6
3
5,9
5,1
1
2,0
5,1
7
13,7
100
51
100
Total
N
1
11
11
20
7
16
4
4
4
3
9
90
% do
total
1,1
12,2
12,2
22,2
7,8
17,8
4,4
4,4
4,4
3,3
10,0
100
45
No que tange à Religião, a mais frequente foi a católica para 55 (61,1%)
estudantes, seguida da evangélica por 18 (20%) estudantes e umbanda por 3 (3,3%)
estudantes e 14 (15,6%) não professavam religião (Tabela 7).
Tabela 7 - Religião dos estudantes por Sexo
Sexo
Religião
Católica
Evangélica
Umbanda
Nenhuma
Total
Feminino
n
%
26
66,7
9
23,1
0,0
4
10,3
39
100
Total
Masculino
n
29
9
3
10
51
%
56,9
17,6
5,9
19,6
100
N
55
18
3
14
90
%
61,1
20,0
3,3
15,6
100
Fonte: Das autoras (2013).
Quanto ao local de origem observou-se 33 ocorrências de municípios do estado do
Pará, 2 de municípios do estado do Maranhão, 1 município de Goiás e uma única
ocorrência de estudante oriundo do exterior (GUINÉ). Os municípios de maior frequência
foram Abaetetuba com 18 (20%) estudantes; Marabá com 11 (12,2%) estudantes e
Castanhal com 10 (11,1%) estudantes (Tabela 8).
46
Tabela 8 - Local de origem dos estudantes por Sexo
Sexo
Local de origem
Feminino
n
%
GOIÁS
1
GOIANIA
Masculino
%
N
%
2,6
0,0
1
1,1
1
2,6
0,0
1
1,1
GUINɹ
2
5,1
0,0
2
2,2
BISSAU
2
5,1
0,0
2
2,2
MARANHÃO
FORTALEZA DAS
NOGUEIRAS
0
0,0
3
2,0
3
1,1
0
0,0
1
2,0
1
1,1
MONTES ALTOS
0
0,0
2
3,9
2
2,2
PARÁ
36
92,3
48
94,1
84
93,3
ABAETETUBA
3
7,7
15
29,4
18
20,0
0,0
2
3,9
2
2,2
3
5,9
7
7,8
BAIÃO
N
Total
BARCARENA
4
10,3
BELÉM
1
2,6
0,0
1
1,1
BRAGANÇA
2
5,1
0,0
2
2,2
BREU BRANCO
1
2,6
0,0
1
1,1
BREVES
0,0
1
2,0
1
1,1
CAMETÁ
2
5,1
2
3,9
4
4,4
CASTANHAL
9
23,1
1
2,0
10
11,1
0,0
1
2,0
1
1,1
5,1
1
2,0
3
3,3
0,0
1
2,0
1
1,1
0,0
1
1,1
15,7
11
12,2
CURUÇÁ
GOIANÉSIA DO PARÁ
2
IPIXUNA DO PARÁ
MÃE-DO-RIO
1
2,6
MARABÁ
3
7,7
MARAPANIM
1
2,6
0,0
1
1,1
MOCAJUBA
1
2,6
0,0
1
1,1
8
MOJU
0,0
1
2,0
1
1,1
MONTE DOURADO
0,0
1
2,0
1
1,1
NOVA TIMBOTEUA
0,0
1
2,0
1
1,1
0,0
1
1,1
ORIXIMINÁ
1
2,6
PARAUAPEBAS
0,0
1
2,0
1
1,1
PEIXE-BOI
0,0
1
2,0
1
1,1
0,0
2
2,2
POÇO DE CALDAS
2
5,1
RIO LIMOEIRO DO AJURÚ
0,0
1
2,0
1
1,1
RONDON DO PARÁ
0,0
1
2,0
1
1,1
0,0
1
1,1
SALINOPÓLIS
1
2,6
47
SALVATERRA
1
2,6
0,0
1
1,1
SANTA MARIADO PARÁ
0,0
1
2,0
1
1,1
SÃO DOMINGOS DO CAPIM
0,0
1
2,0
1
1,1
SÃO MIGUEL DO GUAMÁ
0,0
2
3,9
2
2,2
TERRA ALTA
0,0
1
2,0
1
1,1
TUCUMÃ
0,0
1
2,0
1
1,1
0,0
1
1,1
100,0
90
100,0
ULIANOPOLIS
1
2,6
Total
1
Nota: Fora do Brasil
Fonte: Das autoras (2013).
39
100,0
51
Quanto à Classe Econômica observou-se que a maioria encontrava-se na Classe C
(1 e 2) com 65 (72,2%) estudantes, seguido da Classe B (1 e 2) com 18 (20%) estudantes
(Tabela 9).
Tabela 9 - Distribuição da Amostra Geral dos estudantes por Classe Econômica e Sexo
Sexo
Classe
econômica
A2
B1
B2
C1
C2
D
E
Total
Feminino
n
%
2
5,1
4
10,3
15
38,5
14
35,9
3
7,7
1
2,6
39
100
Masculino
n
%
1
2,0
4
7,8
8
15,7
16
31,4
20
39,2
2
3,9
51
100
Total
N
1
6
12
31
34
5
1
90
%
1,1
6,7
13,3
34,4
37,8
5,6
1,1
100
Fonte: Das autoras (2013).
4.2 ESCALA DE ESTRESSE PERCEBIDO (EPS 10)
Neste capítulo serão expostos os resultados da Escala de Percepção de Estresse
(EPS - 10), ao qual foi realizado através da tabulação dos scores. A computação dos
escores da escala de percepção de estresse é dada pelo Professor Dr. Rodrigo Siqueira
Reis (2004) e o escore, obtido com a soma de todos os itens, é utilizado como medida de
estresse percebido. As tabelas que serão apresentadas abaixo descrevem o tipo de
estresse que o estudante migrante apresenta correlacionados com as seguintes variáveis:
48
casa de estudante que reside, sua classe de idade, sexo, curso de graduação, classe
econômica e religião.
As tabelas construídas para servirem de base na discussão da Escala de Estresse
Percebido (EPS-10), descrevem o estresse a partir dos scores como sendo: sem estresse
que compreende valores entre 0 – 10, nível de estresse leve entre 11- 20, nível de
estresse moderado 21- 30 e nível de estresse elevado 31- 40.
Quanto ao nível de estresse dos estudantes por sexo, através dos resultados da
pesquisa percebe-se que há um elevado número de 49 estudantes apresentando um nível
de estresse moderado. Dentre eles, 26 estudantes do sexo feminino e 23 do sexo
masculino. Seguido do nível de estresse leve com total de 32 estudantes, sendo 20 do
sexo masculino e 12 do sexo feminino (Tabela 1).
Tabela 10 - Nível de Estresse dos Estudantes por Sexo
Sexo
TOTAL
Nível de Estresse
F
M
N
Sem Estresse
0
4
4
12
20
32
26
23
49
2
3
5
40
50
90
0|—|10
Estresse Leve
11|—|20
Estresse Moderado
21|—|30
Estresse
Elevado
31|—|40
TOTAL
Fonte: Das autoras (2013).
A partir da verificação do maior quantitativo de estudantes classificados no nível de
estresse moderado, será feita análise diferenciada do perfil destes estudantes. No que
tange a distribuição dos estudantes com nível de estresse moderado por Casa de
Residência, verificou-se que 9 estudantes são da CAESUN, 3 da CAEC, 6 da CEA, 1 da
CEMAB, 2 da CEUGP e 28 da CEUP, totalizando em 49 estudantes (Tabela 2).
49
Tabela 11 - Distribuição dos Estudantes por Casa de Residência e Nível de Estresse Percebido
Nível de
Estresse
Sem
Casa do estudante
CAESUN1 CAEUC2 CEA3
TOTAL
CEMAB4 CEUGP5 CEUP6
N
0
0
2
2
0
0
4
6
4
2
4
1
15
32
9
3
6
1
2
28
49
0
0
3
0
0
2
5
15
7
13
7
3
45
90
Estresse
0|—|10
Estresse
Leve
11|—|20
Estresse
Moderado
21|—|30
Estresse
Elevado
31|—|40
TOTAL
1
2
3
Nota: Casa da Estudante Universitária, Casa de Apoio de Estudantes Universitários de Castanhal, Casa de Estudante
4
5
6
de Abaetetuba, Casa de Estudante de Marabá, Casa de Estudante Universitária de Goianésia do Pará, Casa do
Estudante Universitário do Pará.
Fonte: Das autoras (2013).
No que tange as classes de idades dos estudantes com nível de estresse
moderado entre a classe de idade de 19 e 24 anos encontrou-se 34 estudantes. Seguido
da classe de idade entre 25 e 30 anos com 10 estudantes e entre a classe de idade de 31
e superior a 36 anos encontra-se 5 estudantes (Tabela 3).
50
Tabela 12 - Classes de Idades e Nível de Estresse Percebido
Nível de Estresse
Classes de
Sem
Estresse
Estresse
Estresse
TOTAL
idade
Estresse
Leve
Moderado
Elevado
0|—|10
11|—|20
21|—|30
31|—|40
N
19 |—| 24
0
20
34
3
57
25 |—| 30
1
11
10
1
23
31 |— 36
3
1
5
1
10
Total
4
32
49
5
90
Fonte: Das autoras (2013).
Em relação ao curso de graduação ao qual os estudantes com nível de estresse
moderado, que são os estudantes predominantes nesta pesquisa, o curso mais
observado foi o de Direito com 6 estudantes, seguido pelo curso de Fisioterapia com 4
estudantes (Tabela 4).
51
Tabela 13 - Curso em realização pelos estudantes por Nível de Estresse
Curso de
Graduação
Agronomia
Arquitetura
Biblioteconomia
Biomedicina
Ci. Contábeis
Ciências da
Computação
Ciências
Políticas
Direito
Economia
Enfermagem
Eng. Civil
Engenharia da
Computação
Eng. de Pesca
Eng. de Produção
Eng. Elétrica
Eng. Sanitária e
Ambiental
Estatística
Farmácia
Fisioterapia
Geografia
Geologia
Matemática
Medicina
Medicina
Veterinária
Nutrição
Odontologia
Psicologia
Serviço Social
Sistema de
Análise
Terapia
Ocupacional
Perdidos
TOTAL
Sem Estresse
0|—|10
n
0
0
0
0
0
0
Estresse
Leve
11|—|20
N
2
1
0
0
3
0
Estresse
Moderado
21|—|30
n
3
0
1
1
2
1
Estresse
Elevado
31|—|40
n
0
0
0
0
1
0
TOTAL
N
5
1
1
1
6
1
0
1
0
0
1
0
0
1
3
0
3
1
5
0
1
6
2
3
3
1
0
0
0
1
0
9
3
9
7
2
0
0
0
0
2
0
2
2
2
1
0
0
0
0
0
0
4
1
2
2
0
0
0
0
0
0
0
0
1
0
0
0
0
0
4
2
0
1
4
2
3
1
1
0
0
0
0
0
0
1
0
0
1
1
4
2
3
2
5
2
0
0
0
0
0
1
1
1
0
0
0
0
0
1
1
0
0
0
0
0
1
1
1
1
1
0
0
1
0
1
1
5
1
34
6
47
1
4
9
90
Fonte: Das autoras (2013).
52
Quanto à religião, verificou-se a grande predominância da religião católica que
prevaleceu no total de 54 estudantes, destes 28 apresentando nível de estresse
moderado, seguido da evangélica com 9 estudantes, a umbanda com 3 estudantes e os
que não apresentaram religião alguma foram 8 estudantes (Tabela 5).
Tabela 14 - Religião dos estudantes por Nível de Estresse
Religião
TOTAL
Evangélica
Umbanda
2
2
0
0
4
Estresse Leve
11|—|20
22
7
0
5
34
Estresse
Moderado
21|—|30
28
9
3
8
48
Estresse
Elevado
31|—|40
2
1
0
1
4
TOTAL
54
19
3
14
90
Nível de
Católica
Nenhuma
N
Estresse
Sem Estresse
0 |—|10
Fonte: Das autoras (2013).
Em relação a amostra geral dos estudantes por classe econômica dividida em
Classe A2, B (1 e 2), C (1 e 2), D e E, analisou-se dentre os que apresentaram o nível de
estresse moderado a predominância da classe C (1 e 2), no total de 35 estudantes,
seguido da classe B (1 e 2) com 11 estudantes, as classes D e E apresentaram 1
estudante cada, enquanto a classe A2 não apresentou nível de estresse (Tabela 6).
53
Tabela 15 - Distribuição da Amostra Geral dos estudantes por Classe Econômica
Nível de
Classes Econômicas
TOTAL
Estresse
Sem
A2
B1
B2
C1
C2
D
E
N
1
0
1
0
1
1
0
4
0
4
2
15
11
1
0
38
0
2
9
15
20
1
1
48
0
0
0
1
2
2
0
5
1
6
12
31
34
5
1
90
Estresse
0 |—|10
Estresse
Leve
11|—|20
Estresse
Moderado
21|—|30
Estresse
Elevado
31|—|40
TOTAL
Fonte: Das autoras (2013).
54
5 DISCUSSÃO
5.1 INVENTÁRIO SOCIODEMOGRÁFICO (ISD)
Neste capitulo serão apresentados as discussões dos resultados obtidos por meio
do Inventário Sociodemográfico (ISD) e da Escala de Percepção de Estresse (EPS -10).
Em relação ao ISD, foram pesquisados um total de 90 estudantes distribuídos em seis
casas. Cerca da metade é residente na Casa do Estudante Universitário do Pará (CEUP).
No que tange a idade dos estudantes migrantes onde a Média das idades das
mulheres foi de 23,2 anos e dos homens de 24,71 anos, na amostra geral não houve
diferença significativa de idade entre os grupos. A distribuição da amostra por classes de
idades mostrou que os estudantes são predominantemente mais jovens com idades entre
19 e 24 anos.
Em relação aos cursos de graduação, foram 30 cursos diferentes que aos quais os
participantes da pesquisa estavam freqüentando na época da coleta, o de maior
frequência entre ambos os sexos foi de Direito, Medicina e Enfermagem. Quanto ao
Semestre que estava sendo cursado à época da coleta, cerca da metade dos estudantes
se encontra nos quatro primeiros semestres.
No que tange à Religião, a mais frequente foi a católica, seguida da evangélica e
umbanda. Quanto ao local de origem observou-se 33 ocorrências do município do estado
do Pará, 2 do município do estado do Maranhão, 1 município de Goiás e 2 ocorrências de
estudantes oriundo do exterior (GUINÉ) e na Classe Econômica observou-se que a
maioria encontrava-se na Classe C (1 e 2) com 65 (72,2%) estudantes, seguido da Classe
B (1 e 2) com 18 (20%) estudantes.
Ao observar os resultados da presente pesquisa, no que diz respeito às casas de
residências dos estudantes pesquisados, onde todos são oriundos de outros municípios,
estados ou países, e migraram com o principal objetivo de estudar, cursar alguma
universidade e assim, obter melhor qualidade de vida.
De acordo com o Relatório sobre a Divisão de População das Nações Unidas
atualmente há 191 milhões de migrantes no mundo, levando no imaginário a possibilidade
de alcançar uma melhor qualidade de vida para si e para os seus. Tal fator, melhor
qualidade de vida, que leva a maioria das pessoas migrar pode ocorrer por vários
55
motivos, como por exemplo: estudos, trabalhos, melhor moradia, maior e melhor
oportunidades de emprego, qualificação de mão-de-obra, entre outros. Porém, no
presente estudo verifica-se com relação ao estudante que migra em busca de melhor
qualidade de vida por meio de estudos que há predominância do sexo masculino
(COUTINHO; RAMOS; FRANKEN, 2008).
Em relação à distribuição da amostra por classes de idades no resultado deste
TCC, mostrou que as idades mais frequentes estavam entre os 19 aos 24 anos, seguida
da classe dos 25 aos 30 anos. Segundo o Censo da Educação Superior 2010, outras
modalidades de ensino no cenário contemporâneo, como é o caso dos cursos de menor
duração, conhecidos por tecnológicos, e das universidades à distância também
despertam o interesse do estudante migrante, apresentando cerca de 14,6% do total de
matrículas.
Outro dado apresentado pelo Censo 2010 diz respeito à faixa etária dos inscritos
no Ensino Superior, tendo os alunos de cursos presenciais uma média de 26 anos, e os
de cursos à distância 33 anos, o que sugere que a modalidade de ensino a distância atrai
aqueles que já estão empregados e necessitam de uma maior flexibilidade de horários e
dá oportunidade de acesso ao Ensino Superior àqueles que não tiveram quando mais
novos.
Com relação aos cursos de graduação dos estudantes participantes deste trabalho
de TCC, estavam frequentando no período da coleta de dados com maior freqüência os
estudantes dos cursos de Direito, Enfermagem e Medicina. Verificou-se então, que os
dados encontrados neste trabalho, corroboram com a literatura que aponta a tradição do
curso de Medicina dentre os cursos mais concorridos nas maiores universidades do País.
E, por mais que surjam novos cursos de graduação a cada ano, a tradição ainda impera
no ensino superior brasileiro.
Segundo a jornalista Rose Saconi no estadão acervo, as carreiras mais procuradas
nos vestibulares hoje são as mesmas de 80 anos atrás: medicina, direito e engenharia. Se
isso era verdade para os homens, não acontecia o mesmo com as mulheres. Para elas, o
magistério era uma das poucas profissões respeitáveis para as jovens de classe média
até a década de 1930.
Com o crescimento da aviação no País, nas décadas de 1960 e 1970, a profissão
da moda para as meninas se tornou a de comissária de bordo. “Nos anos 1980, Medicina
56
e Direito continuaram a ser cursos procurados, mas Engenharia não vivia uma boa fase.
Nessa época, como mostram levantamentos publicados no jornal, cerca de 20% dos
engenheiros de São Paulo acabavam desempregados. A reviravolta da profissão veio
com o século 21, quando também cresceram a quantidade e variedade de profissões
ligadas à tecnologia e à internet. Mas essas novas carreiras continuam dividindo espaço
com as mais antigas e tradicionais, que ainda ocupam o lugar de favoritas entre os
estudantes (SACONI, 2013).
O Centro de Processos Seletivos da UFPA (CEPS) divulgou a demanda de
candidatos por curso para as vagas ofertadas por meio da Mobilidade Acadêmica Interna
(Mobin) e Mobilidade Acadêmica Externa (Mobex) para o ano de 2013. Entre os cursos
mais concorridos, estão Direito, Medicina, Engenharia Civil e Odontologia para o Mobin, e
Direito, Medicina, Psicologia e Odontologia para o Mobex (Universidade Federal do Pará,
2012).
Tais resultados podem ser vistos no presente trabalho, onde o curso de Medicina é
um dos mais realizados entre a população do estudo. Fato este pode ser explicado devido
a grande maioria dos cursos oferecidos nas instituições públicas do estado do Pará ser
cursos de Licenciatura. Por esse motivo, muitos estudantes do interior do estado tendem
a se deslocarem para a capital em busca de seguir outros cursos que não estão
disponíveis em seus municípios.
Quanto ao Semestre que estava sendo cursado à época da coleta, cerca da
metade dos estudantes se encontra nos quatro primeiros semestres. Vale ressaltar que
durante sua formação na universidade, os estudantes passam por processos de
adaptação que podem gerar situações de crises, como o surgimento de depressões,
alcoolismo, evasão escolar, dificuldades na aprendizagem, nos relacionamentos pessoais
e isolamento, podendo assim, o estudantes acarretar problemas, de saúde como o
estresse (EURICH; KLUTHCOVSKY, 2008).
Em relação ao grau de escolaridade, na da juventude rural, este é 30% inferior ao
da juventude urbana. Como observa o autor, o acesso ou não do jovem ao Ensino
Superior está também relacionado ao nível de escolaridade dos pais e à renda da família.
“Nesse sentido, o ensino superior público acaba funcionando como o instrumento possível
para superar as desigualdades ou para diminuir a iniquidade no sistema educacional”
(CUNHA, 2011, p. 265).
57
No que tange à Religião, a mais frequente foi a católica, seguida da evangélica e
umbanda, alguns não professavam religião. Durante o século XX, cientistas e intelectuais
de grande influência no meio acadêmico, principalmente na área de saúde mental,
atribuíram à religiosidade um efeito negativo para o funcionamento psicológico. Partindo
basicamente de teoria e opiniões pessoais, sem base em investigações epidemiológicas
sistematizadas, contribuíram para a disseminação da idéia de que a religiosidade teria um
impacto negativo sobre a saúde mental (STROPPA; ALMEIDA, 2009).
Atualmente as investigações sobre a relação entre religiosidade e saúde buscam
testar e avaliar como crenças e comportamentos religiosos relacionam ou interferem na
saúde, assim como em outros aspectos da vida do indivíduo. Do ponto de vista clínico e
epidemiológico, importa avaliar o impacto que religião, religiosidade e espiritualidade
possam ter sobre a saúde física e mental de uma pessoa ou uma comunidade
(MOREIRA; ALMEIDA, 2008).
Assim, podemos observar que crenças religiosas podem influenciar o modo como
pessoas lidam com situações de estresse, sofrimento e problemas de suas vidas. A
religiosidade pode proporcionar à pessoa maior aceitação, firmeza e adaptação a
situações difíceis de vida, gerando paz, autoconfiança e perdão, e uma imagem positiva
de si mesmo. Porém, por outro lado, dependendo do tipo e uso de tais crenças religiosas,
podem gerar culpa, dúvida, ansiedade e depressão por aumento da autocrítica.
Portanto, as Religiões podem tanto orientar a pessoa de maneira rígida e inflexível,
desestimulando a busca de cuidados médicos, como podem ajudá-la a integrar-se a uma
comunidade e motivá-la para o tratamento, e parecem compartilhar uma vida social
caracterizada por vínculos que possibilitam maior suporte em situações de estresse e
adoecimento (STROPPA; ALMEIDA, 2009).
Segundo Savioli, houve um progressivo aumento de pesquisas científicas sobre o
assunto, o autor diz que muitas delas apontaram para a existência de uma associação
entre envolvimento religioso e saúde. Segundo o mesmo, uma das explicações desse
fenômeno existentes atualmente atribui à atividade religiosa a capacidade de diminuir os
níveis de estresse.
Conjuntamente,
diversas
pesquisas
associam
estresse
elevado
com
o
desenvolvimento de várias patologias. Assim, finaliza Savioli, a fé religiosa poderia atuar
no âmbito psíquico (aliviando o estresse), e isso ajudaria a evitar diversos tipos doenças
58
(uma vez que o plano psicológico interage com outros sistemas, como o imunológico e o
neurológico). Resumidamente, a fé ajudaria a combater o estresse, e isso poderia ajudar
a prevenir doenças e aumentar a expectativa de vida.
Quanto ao local de origem observou-se 33 ocorrências de municípios do estado do
Pará, 2 de municípios do estado do Maranhão, 1 município de Goiás e 2 ocorrências de
estudantes oriundo do exterior (GUINÉ). Os municípios de maior frequência foram
Abaetetuba, Marabá e Castanhal.
A complexidade do mundo moderno, o capitalismo e o desenvolvimento
tecnológico aprimoram cada vez mais as técnicas de produção, ampliam mercados,
modificam postos de trabalho e provocam a expansão de necessidades de consumo,
acarretando irreversíveis modificações na vida das pessoas.
Em função desta produção, destes mercados e da globalização, sacrificam-se os
referenciais humanos e suas integridades psicológicas, o que determina, muitas vezes, o
deslocamento das pessoas para novos centros de trabalhos, provocando fenômenos
sociais como: o êxodo rural, migrações internas e internacionais, em busca de viver,
principalmente, com melhor qualidade de vida (RAMOS, 2010). Para isso, muitas vezes o
jovem busca se apropriar de novas tecnologias e do conhecimento acadêmico.
Quanto à Classe Econômica observou-se que a maioria encontrava-se na Classe C
(1 e 2), seguido da Classe B (1 e 2). Observa-se que a população pesquisada apresenta
um numero de médio para acentuado da renda econômica, destacando no presente
trabalho a predominância da Classe C. Utilizou-se o Critério de Classificação Econômica
Brasil de 2008, que enfatiza sua função de estimar o poder de compra das pessoas e
famílias urbanas, abandonando a pretensão de classificar a população em termos de
“classes sociais”. A divisão de mercado definida é exclusivamente de classes
econômicas.
A Classe média é uma classe social presente no capitalismo moderno que se
convencionou tratar como possuidora de um poder aquisitivo e de um padrão de vida e de
consumo razoáveis, de forma a não apenas suprir suas necessidades de sobrevivência
como também a permitir-se formas variadas de lazer e cultura, embora sem chegar aos
padrões de consumo eventualmente considerados exagerados das classes superiores
(Manuel Anastácio, 2011). A nova classe média brasileira representa mais de 50% da
59
população. O crescimento desse segmento, com renda familiar mensal entre R$ 1 mil e
R$ 4 mil, deve-se principalmente ao aumento na renda dos mais pobres.
Ao final da última década, a pobreza extrema declinou de forma acentuada no país,
diminuindo um pouco a desigualdade social e melhorando a distribuição de renda. Porém,
o jornal O GLOBO, em reportagem sob título "Nova classe média é fenômeno mundial",
em sua edição de Março de 2013, apresenta opinião de Célia Lessa Kerstenetzky,
diretora do Centro de Estudos sobre Desigualdade e Desenvolvimento da Universidade
Federal Fluminense, que julgo espelhar, magistralmente, a real situação desta alardeada
classe média: "... mas em muitos casos, o mercado de trabalho é precário, a proteção
social é incipiente e o acesso a serviços sociais essenciais é muito limitado. Acho
equivocado falarmos em classe média no sentido sociológico do termo" e "Pesquisa que
fiz revela padrões de consumo muito deficientes entre as famílias consideradas da classe
média brasileira: moradias inadequadas, baixa escolaridade dos chefes de família,
perspectivas desalentadoras para as crianças e jovens".
E em Julho de 2013 o governo brasileiro apresenta uma nova definição para a
classe média brasileira com renda entre R$ 291 e R$ 1.019. Considerando a renda
familiar como critério básico, uma comissão de especialistas formada pela Secretaria de
Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República definiu que a nova classe
média é integrada pelos indivíduos que vivem em famílias com renda per capita
(somando-se a renda familiar e dividindo-a pelo número de pessoas que compõem a
família) entre R$ 291 e R$ 1.019.
Dentro dessa definição, dividiu-se a classe média em três grupos: a baixa classe
média, composta por pessoas com renda familiar per capita entre R$ 291 e R$ 441, a
média classe média, com renda compreendida entre R$ 441 e R$ 641 e a alta classe
média, com renda superior a R$ 641 e inferior a R$ 1.019.
Ao verificar esses dados pode-se concluir que, de acordo com a pesquisa e as
novas definições do governo brasileiro, a maioria da população estudada neste trabalho
está inclusa na “alta classe média” (com renda entre superior a R$ 726,00 e inferior a R$
1.195,00).
60
5.2 ESCALA DE ESTRESSE PERCEBIDO (EPS 10)
Neste capítulo serão discutidos os resultados obtidos por meio da Escala de
Percepção de Estresse (EPS - 10), buscando-se confrontar os dados obtidos por esta
escala com a literatura sobre a temática.
Em relação ao nível de estresse percebido pelo estudante migrante encontrou-se
que a maioria possui nível de estresse moderado, entre estes a maioria é do sexo
feminino, estão predominantemente entre a faixa etária de 19 – 24 anos, sendo 28
estudantes residentes na Casa do Estudante Universitário do Pará (CEUP), dentre o
curso de graduação ao qual estão cursando predominou o curso de Direito com 6
estudantes, seguido do curso de Fisioterapia com 4 estudantes e, na religião, verificou-se
a grande predominância da religião católica que prevaleceu no total de 54 estudantes.
Portanto, pode-se considerar que os resultados encontrados nas referidas tabelas
estão de acordo com o que as pesquisadoras esperavam desde o início da pesquisa, que
pelo menos a maioria pudesse apresentar alterações quanto seu nível de estresse,
prevalecendo assim nos resultados o nível de Estresse Moderado.
Pelo fato da migração possuir características demograficamente universais que se
assemelham a outros tipos de fluxos de pessoas, cada grupo migratório apresenta suas
singularidades históricas e sociais (FAZITO, 2002). Em relação ao estudante universitário,
segundo Rezende et al, 2008, que está constantemente exposto a situações de estresse,
como cobrança dos pais, medo do fracasso e imposições do mercado de trabalho, nas
quais a atuação de fatores patogênicos sobre disposições preexistentes, ou não, pode
resultar em quadros de neuroses e depressões, podendo assim, influenciar para esse
possível nível de estresse.
Fazendo a comparação do estresse com o vivido na universidade, pode-se
considerar o estudante migrante, como pertencente a um grupo vulnerável, vindo a sofrer
reações de ajustamento a situações estressantes provocadas não só pelo ingresso na
vida acadêmica, mas também, pelo processo de migração, devido às mudanças que
ocorrem na vida deste estudante (como mudança de moradia, hábitos, costumes, entre
outros). A reação positiva ou negativa a essas situações se dará mediante dispositivos
internos para enfrentar essas questões, que se somam às mudanças ambientais, da
própria migração e da formação acadêmica.
61
De acordo com os resultados ao verificar-se que a população do presente trabalho
apresenta um nível de estresse moderado, pode-se entender, que o estresse é
reconhecido como a doença do século de acordo com a Organização das Nações Unidas
(ONU) e a maior epidemia mundial do século, segundo a Organização Mundial da Saúde.
É estimado que cerca de 25% de toda a população irá experimentar os sintomas do
estresse pelo menos uma vez na vida.
Holisticamente, o estresse pode ser definido como o resultado da relação entre a
pessoa, o ambiente e as circunstâncias que a cercam. Tais circunstâncias, e até mesmo o
próprio ambiente, são avaliados pela pessoa como uma ameaça ou como algo que exige
dela mais que suas próprias habilidades ou recursos pessoais do momento,
consequentemente demandando algum esforço adaptativo, como é o caso da população
de estudantes no presente trabalho. Pois, estes jovens estudantes ao migrar deparam-se
em, muitas vezes, com ambientes total ou parcialmente diferentes em relação ao de
origem. Podendo assim, dificultar o processo de adaptação ao meio (CONTAIFER, 2003).
Algumas pessoas são mais propensas a envolver-se em situações estressantes do
que outras. Para que o estresse se instale é necessário uma fonte ou estímulo, que, ao
ser percebido pelo indivíduo, desencadeia todo o processo. A essa fonte denomina-se
estressor. Os maiores estressores são aqueles relacionados à família e ao trabalho, pelo
fato de serem uma fonte na maioria das vezes permanente de tensão ao longo da vida
(CONTAIFER, 2003) .
Além dos vários fatores e problemas de saúde, sociais, de trabalho, entre outros,
que o estresse pode causar, é muito comum a mudança de certos hábitos como:
alimentares, em geral para o excesso, incluindo o aumento de bebidas alcoólicas, uso de
drogas lícitas ou até mesmo ilícitas. O raciocínio torna-se mais acelerado ou mais lento,
mas no geral apresenta-se confuso (CONTAIFER; BACHION; YOSHIDA; SOUZA, 2003).
A lógica começa a desaparecer, havendo tendência a adiar decisões, sendo assim,
um estudante ao apresentar esses hábitos irregulares pode gerar conflitos preocupantes,
não só para seus estudos, mas também em vários contextos relacionados à sua
ocupação. Por isso, verifica-se a importância de uma intervenção terapêutica ocupacional,
junto a esta população de estudantes migrantes.
Em relação ao sexo, no presente trabalho verificou-se que há predominância de
maior nível de estresse moderado no sexo feminino em 26 estudantes e 23 do sexo
62
masculino com o mesmo nível. Segundo a pesquisa realizada por Lipp, Pereira,
Floksztrumpf, Muniz e Ismael (1996) onde verificou-se o nível de estresse entre homens e
mulheres na cidade de São Paulo, participaram desse estudo 1.818 pessoas de ambos os
sexos, sendo que 32% apresentaram sintomas significativos do estresse. Encontrou-se,
também, uma diferença significativa entre homens e mulheres: as mulheres apresentaram
mais sintomas de estresse que os homens.
Os dados mostraram que o estresse estava elevado nessa população. Através
desses dados e levando em consideração o presente trabalho pode-se observar uma
consonância entre os resultados, onde a população do sexo feminino demonstrou ser
mais afetada pelo estresse.
Pode-se observar na distribuição dos estudantes por casa de residência o nível de
estresse moderado em 28 estudantes destes da Casa do Estudante Universitário do Pará
(CEUP). Levando-se em consideração que estes resultados relacionam a casa que possui
o maior número de vagas 128 no total. A CEUP, trata-se de uma instituição privada, sem
fins lucrativos, registrada no Conselho Federal de Serviço Social, oferta alojamento para
120 estudantes de curso superior e 8 para pré-vestibulandos, de ambos os sexos, sem
condições de alojamento na zona metropolitana de Belém.
Conforme a classe de idades que obteve o maior número de estresse moderado foi
à classe entre 19 e 24 anos, totalizando 34 estudantes. Segundo Arnett (1999), poucos
estudos têm se dedicado à investigação do estresse no adolescente e no adulto jovem.
Esse autor considera que apesar de que nem todo adolescente tem estresse, a
probabilidade de desenvolvê-lo é maior na adolescência do que em qualquer outra faixa
etária, dependendo da cultura e de diferenças individuais existentes. Portanto, se faz
necessário o trabalho em destaque para assim contribuir na construção de estudos
relacionados à investigação do nível de estresse no jovem que é a população alvo deste
trabalho.
Em relação ao curso de graduação ao qual os estudantes com nível de estresse
moderado, predominou-se o curso de Direito com 6 estudantes, seguido pelo curso de
Fisioterapia com 4 estudantes. São mais suscetíveis a estes estressores os estudantes
que tenham uma personalidade pouco resiliente, definida por Flach (2011) como aquela
que apresenta características como inflexibilidade, medo de depender dos outros
(dificuldade para delegar atribuições inabilidade para dar e receber nas relações mente
63
fechada, baixa tolerância ao sofrimento e ausência de um contexto filosófico para
interpretar as experiências pessoais.
Tais fatores podem ser de alta complexidade podendo gerar conflitos inter e
pessoais, no que se refere a população estudada, estes jovens estudantes ao migrar
passam por varias situações que pode lhes gerar em experiências que podem resultar em
problemas de saúde mental, como o estresse.
Quanto à religião, verificou-se a grande predominância da religião católica que
prevaleceu no total de 54 estudantes, destes 28 apresentando nível de estresse
moderado, seguido da evangélica com 9 estudantes, a umbanda com 3 estudantes e os
que não professaram religião alguma foram 8 estudantes.
Para Koenig et al, religião é um sistema organizado de crenças, práticas, rituais
e símbolos destinados a facilitar a proximidade com o sagrado e o transcendente
(Deus, força superior ou verdade absoluta). Segundo Hufford, Religião “é o aspecto
institucional da espiritualidade”, “religiões são instituições organizadas em torno da idéia
de espírito”. O termo religião aqui usado refere-se ao Cristianismo, Judaísmo, Islamismo,
Hinduísmo, Budismo e outras tradições religiosas com suas diversas vertentes. E a
Religiosidade diz respeito ao nível de envolvimento religioso e o reflexo desse
envolvimento na vida da pessoa, o quanto isso influencia seu cotidiano, seus hábitos e
sua relação com o mundo.
De acordo com a maioria dos estudos de boa qualidade realizados até o momento,
apontam que maiores níveis de envolvimento religioso estão associados positivamente a
indicadores de bem-estar psicológico, como satisfação com a vida, felicidade, afeto
positivo e moral elevado, melhor saúde física e mental.
O nível de envolvimento religioso tende a estar inversamente relacionado à
depressão, pensamentos e comportamentos suicidas, uso e abuso de álcool e outras
drogas. Habitualmente, o impacto positivo do envolvimento religioso na saúde mental é
mais intenso entre pessoas sob estresse ou em situações de fragilidade, como idosos,
pessoas com deficiências e doenças clínicas (STROPPA; ALMEIDA 2009).
Fato este, encontra-se em contradição nos resultados finais deste trabalho, que
apresenta a maioria dos estudantes de algumas religiões com nível de estresse
moderado. Portanto, verificou-se a importância de se investigar a influência da
religiosidade e espiritualidade na vida desses jovens estudantes e, como muitos são
64
extremamente ligados a sua fé, observou-se também, o como saber lidar adequadamente
com tais sentimentos e comportamentos. E para intervir junto a essa clientela em um
processo terapêutico ocupacional um treinamento adequado é necessário para integrar
espiritualidade e prática clínica. Assim como, identificar tais aspectos em sua avaliação.
Em relação a amostra geral dos estudantes por classe econômica divida em Classe
A2, B (1 e 2), C (1 e 2), D e E, prevalecendo a classe C (1 e 2),com o nível de estresse
moderado.
Evidências mostram, de maneira constante, que nas classes econômicas
mais baixas ocorre maior mortalidade, morbidade e índices de incapacidade. As
explicações mais frequentes para esta relação incluem moradias pobres (favelas),
desemprego, má alimentação, trabalhos insalubres, baixo nível educacional e salarial.
Além da falta de acesso a bens materiais, os fatores psicossociais apresentam
associações fortes com a saúde, pois diferentes valores determinam comportamentos
cotidianos e a prevalência de fatores de risco para algumas doenças; tais como: dieta,
exercício e sono, que contribuem substancialmente para o bem-estar e longevidade.
Por sua vez, os fatores que agridem o indivíduo nos dias de hoje, como a agitação
e o estresse em que vivemos e os distúrbios político-sociais, entre outros, geram não
apenas hipertensão, cardiopatias e outras doenças físicas, mas também incontáveis
distúrbios mentais, como o estresse, que eclodem como sintomas físicos.
Pode-se então, chegar à conclusão de que quanto mais baixo o nível da classe
econômica mais propensa estarão a um possível nível de estresse alterado.
65
6 PROPOSTA TERAPÊUTICA
Na sua abordagem, o terapeuta ocupacional dispõe de um vasto leque de
conhecimentos que assentam em disciplinas como a Fisiologia, Anatomia, Psiquiatria,
Neurologia, Psicologia, Epidemiologia, etc (PEDRETTI, 1996).
Para além destes, existem diversos modelos teóricos, técnicas e atividades que
facilitam o planejamento e a execução de um raciocínio clínico apropriado.
Neste capítulo busca-se apresentar de forma sintetizada os princípios que norteiam
uma proposta de intervenção terapêutica ocupacional, abordando-se alguns dos modelos
teóricos da Terapia Ocupacional, técnicas e atividades que podem ser utilizados na
intervenção junto à população de estudo.
6.1 MODELO DO DESEMPENHO OCUPACIONAL - SEGUNDO PEDRETTI (1996)
O Modelo do Desempenho Ocupacional é um modelo de prática utilizado como um
sistema conceitual unificador, ou seja, ao se abordar o tratamento de um determinado
cliente deve-se levar em consideração o contexto em que este está inserido. Este modelo
refere-se ao:
Desempenho ocupacional como a habilidade para desempenhar tarefas de forma a
poder levar a cabo os papéis ocupacionais de maneira satisfatória, que seja apropriada ao
estadio de desenvolvimento, cultura e ambiente do indivíduo.
Este modelo tem como pressupostos o desempenho ocupacional do cliente nas
AVD’s, no trabalho, atividades recreativas ou lazer, e equilíbrio apropriado do
desempenho ocupacional.
O Modelo do Desempenho Ocupacional defende que o tratamento é contínuo e se
divide em quatro fases:
1ª fase - Métodos Adjuvantes: procedimentos que preparam o cliente para o
Desempenho Ocupacional e são preliminares para a realização de atividades
intencionais, que se caracteriza como objetivo do terapeuta ocupacional. Estes
procedimentos podem incluir exercícios, técnicas de facilitação e de inibição,
posicionamentos, estimulação sensorial, seleção de agentes físicos e dispositivos de
compensação.
66
2ª Fase - Atividades Capacitantes: muitos dos métodos utilizados pelos terapeutas
ocupacionais podem não ser claramente intencionais, mas podem ser um caminho ou
preparação para a atividade intencional. Os terapeutas criaram dispositivos de
compensação e métodos de simulação de atividades intencionais, por exemplo,
atividades de carpintaria, empilhamentos, enfiamentos, encaixes, atividades de mesa.
3ª Fase - Atividade Intencional: é o objetivo do terapeuta ocupacional e inclui
atividades que são significativas para o cliente. São exemplo as AVD’s, trabalhos
manuais, jogos, desportos e atividades educacionais. Estas atividades são utilizadas para
avaliar, facilitar, restabelecer ou manter as capacidades funcionais nos desempenhos do
dia-a-dia.
4ª Fase - Desempenho Ocupacional dos seus papéis: o cliente assume todos os
papéis ocupacionais nas suas rotinas diárias quer em casa quer na comunidade. O
mesmo adquire o mais alto nível de independência de acordo com as suas capacidades e
limitações. A intervenção da Terapia Ocupacional é diminuída progressivamente e tornase descontínua.
6.2 MODELO DE OCUPAÇÃO HUMANA - SEGUNDO WILLARD & SPACKMAN
Este modelo baseia-se em teorias que tiveram o seu começo nas proposições
filosóficas articuladas pelos fundadores da Terapia Ocupacional no princípio do século
XX. Este modelo ou paradigma, como foi denominado originalmente, tem sofrido um
contínuo desenvolvimento e refinamento desde a sua criação.
O Modelo de Ocupação Humana considera o indivíduo como um sistema aberto
que evolui e sofre diferentes formas de crescimento, desenvolvimento e mudança através
da interação progressiva com o ambiente externo. O sistema humano funciona
simultaneamente como uma totalidade, com os seus próprios subsistemas internos e
como parte de um sistema social mais amplo.
Para além de ser um sistema aberto, o ser humano é composto por três
subsistemas:
Motivação - responsável por eleger livre e conscientemente a participação em
ocupações. A sua função é representar o comportamento;
67
Habituação - responsável por organizar o comportamento dentro de rotinas e
padrões. A sua função é manter o comportamento;
Desempenho de funções - consiste nas capacidades básicas de ação. A sua
função é produzir a ação do sistema.
Num ciclo adaptativo, as experiências positivas aumentam o desejo de explorar,
dominar e satisfazer as exigências ambientais da pessoa. Num ciclo inadaptado, a pessoa
repetidamente experimenta desorganização, pouca função e antecipação do fracasso
futuro: más escolhas, rotinas pouco organizadas e destrezas deficientes conduzem ao
aumento da desorganização do sistema e estabelecem disfunção ocupacional.
O principal objetivo da Terapia Ocupacional é capacitar os indivíduos para
organizar os seus comportamentos ocupacionais para que os ciclos adaptativos sejam
aprendidos e restaurados.
6.3 MODELO COMPORTAMENTAL - SEGUNDO WILLARD & SPACKMAN
Este modelo baseia-se em teorias de trabalho de psicólogos experimentais como
Thorndike (1898), Pavlov (1927) e Skinner (1938, 1953). Estas teorias foram reformuladas
de
forma
a
desenvolver
estratégias
de
intervenção
para
originar
mudanças
comportamentais.
A
proposição
central
das
teorias
comportamentais
consiste
em
que
a
aprendizagem é à base de todos os comportamentos. A aprendizagem sempre influenciou
o comportamento conduzindo-o para um comportamento mais efetivo, conhecido como
adaptativo, ou para um comportamento inadaptado.
Quando a aprendizagem se aplica à Terapia Ocupacional, o cliente é visto como
tendo desenvolvido um repertório de comportamentos adaptativos e inadaptados, que
determinam a sua habilidade para funcionar em Atividades da Vida Diária, Trabalho e
Atividade Produtiva e Atividade Recreativa e Lazer. Em terapia, o cliente compromete-se
ativamente com um processo de aprendizagem para desenvolver comportamentos
específicos necessários para funcionar no seu ambiente.
Pode-se observar o comportamento do cliente nas seguintes tarefas: destrezas
interpessoais, interação familiar, realização das AVD’s e atividades laborais, destreza na
recreação ou lazer e adaptação temporal do indivíduo.
68
Este modelo está destinado a mudar comportamentos específicos, definíveis e
observáveis que comprometam as capacidades funcionais do indivíduo.
Uma vez identificados os comportamentos funcionais e disfuncionais, proporcionase ao cliente a oportunidade de aprender os comportamentos específicos necessários
para maximizar a sua independência funcional. Os comportamentos disfuncionais podem
ser modificados através da manipulação de variáveis ambientais de modo que os
comportamentos funcionais sejam reforçados e os disfuncionais não. Os métodos de
reforço consistem em imitação, vinculação retrógrada e modelação de comportamentos
desejados.
6.4 TÉCNICAS/ATIVIDADES
Dadas as dificuldades do estudante migrante associadas ao estresse, tornam-se
necessárias intervenções terapêuticas para sua prevenção ou controle. Programas de
manejo de estresse podem ser focados na organização do ambiente em que o estudante
se encontra.
Intervenções focadas na organização são voltadas para a modificação de
estressores do ambiente, podendo incluir mudanças na estrutura organizacional e
treinamento/desenvolvimento de relações interpessoais relacionadas ao contexto em que
o estudante se encontra. As Intervenções focadas no indivíduo almejam reduzir o impacto
de riscos já existentes, através do desenvolvimento de um adequado repertório de
estratégias de enfrentamento individuais (IVANCEVICH; MATTESON; FREEDMAN;
PHILLIPS, 1990).
O uso de estratégias de enfrentamento saudáveis também poderão ser utilizadas
no tratamento terapêutico dos estudantes migrantes já que aumenta em frequência e
intensidade estados emocionais positivos, como tranquilidade, esperança ou bem-estar.
Estes sentimentos interferem direta e indiretamente na saúde física por facilitar o bom
funcionamento do sistema imune, favorecer o engajamento em comportamentos de saúde
e potencializar relações interpessoais gratificantes (SALOVEY; ROTHMAN; DETWEILER;
STEWARD, 2000).
Programas focados no estudante buscam precisamente incrementar os recursos
individuais de enfrentamento ao estresse. Tais programas se baseiam em orientações
69
técnicas diversas como: educação (ex: causas e manifestações do estresse), treinamento
em habilidades pessoais (ex: assertividade, manejo de tempo e negociação) e redução de
tensão (ex: técnicas de relaxamento, dinâmicas de grupo), implementadas em pequenos
grupos, em sessões semanais.
Portanto, pode-se dizer que uma das contribuições deste estudo foi apresentar as
premissas de um programa de controle de estresse viável ao estudante migrante
residente em casas de estudantes visando pouca alteração da rotina diária do mesmo.
Contudo, não se pode afirmar de fato que estas propostas citadas podem levar à
generalização de um impacto positivo a população de estudo durante as sessões, bem
como na redução do nível de estresse da amostra. Esta é uma demanda a ser investigada
em futuras avaliações, estudos e intervenções acerca do tema estresse no estudante
migrante.
70
7 CONCLUSÃO
Na produção deste Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), foram encontrados
poucos estudos relacionados aos temas em estudo, o que demonstra a necessidade das
pesquisas serem construídas, abordando a atuação da Terapia Ocupacional junto ao
estudante migrante, visto que o objetivo geral do referido trabalho consiste em investigar o
nível de estresse percebido pelo estudante migrante residente em casas de estudantes na
cidade de Belém do Pará.
Com a realização deste trabalho, através de referenciais teóricos e da experiência
obtida na prática acadêmica desenvolvida a partir da seguinte pesquisa de mestrado:
“Ecologia do Desenvolvimento: investigando redes de apoio social e concepções de
saúde mental de jovens migrantes” e posterior coleta de dados nas casas de residências
dos estudantes migrantes na cidade de Belém, torna-se clara a importância que a
pesquisa tem neste ambiente. A partir da conclusão da pesquisa, os estudantes migrantes
poderão construir novos sentidos para este momento e tornarem-se autores de sua
própria história.
Pode-se observar que este trabalho torna-se de suma importância não só para
comunidade científica, em especial a da Terapia Ocupacional como também para a
população em estudo. Investigar o perfil sociodemográfico e a elaboração de uma
proposta de intervenção terapêutica ocupacional, que possa ajudar o estudante migrante
residente em casas de estudantes na cidade de Belém do Pará a minimizar o nível de
estresse percebido pelo mesmo, constitui-se em duas prováveis soluções visando a
problemática do estudo.
Pode-se notar que o terapeuta ocupacional não foca apenas nas atividades, mas
também no cotidiano das pessoas, pensando/agindo de forma que traga benefícios como,
por exemplo, aos estudantes. Constata-se assim, a sua contribuição para a qualidade de
vida.
Sendo assim, além de chegar a conclusão do que previa-se para o resultado desta
pesquisa desde o inicio da mesma, o qual era de investigar o nível de estresse desses
estudantes, com este estudo pode-se então concluir que é indispensável à presença de
profissionais de Terapia Ocupacional em serviços de acompanhamento a esta clientela,
71
tendo em vista todos os benefícios que este profissional pode acarretar aos estudantes
com possíveis níveis elevados de estresse.
72
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78
APÊNDICE A – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE)
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
O Sr. (Sra.) está sendo convidado (a) a participar da pesquisa intitulada “Nível de estresse de estudantes
migrantes: Uma proposta terapêutica ocupacional” do curso de Terapia Ocupacional da Universidade da Amazônia
(UNAMA) que tem como finalidade investigar o nível de estresse percebido pelo estudante migrante residente em casas
de estudantes na cidade de Belém do Pará.
A pesquisa será realizada pelas discentes Bárbara Ivy Souza Neri e Débora Cristina dos Santos Pereira sob a
supervisão e orientação da Professora Especialista Laiana Soeiro Ferreira, no período de agosto de 2013 a dezembro
de 2013 após aceite da instituição onde será realizada a pesquisa (Casas de estudantes) e aprovação pelo Comitê de
Ética em Pesquisa da Universidade da Amazônia (UNAMA).
Os sujeitos desta pesquisa são estudantes migrantes residentes em casas de estudantes na cidade de Belém do
Pará. Para a obtenção de dados dos participantes da pesquisa serão utilizados instrumentos para coleta de dados.
O Sr. (Sra.) tem liberdade de se recusar a participar e ainda se recusar a continuar participando em qualquer fase
da pesquisa, sem qualquer prejuízo para o Sr. (Sra.). Caso isso ocorra o Sr. (Sra.) continuará sendo assistido (a), e
caso sofra algum dano terá seu ressarcimento garantido por lei, dispondo de ajuda psicológica ou outro tipo.
A participação nesta pesquisa não traz complicações legais.
As informações dos sujeitos serão divulgadas apenas para fim de pesquisa, não havendo divulgação de nomes ou
qualquer outra informação que possa prejudicar os mesmos.
Os procedimentos adotados nesta pesquisa obedecem aos Critérios da Ética em Pesquisa com Seres Humanos
conforme Resolução n°. 196/96 do Conselho Nacional de Saúde. Nenhum dos procedimentos usados oferece riscos à
dignidade dos sujeitos.
Todas as informações coletadas neste estudo são estritamente confidenciais. Somente as pesquisadoras e a
orientadora terão conhecimento dos dados.
O Sr. (Sra.) não terá nenhum tipo de despesa para participar desta pesquisa, bem como nada será pago por sua
participação.
Os riscos mencionados na pesquisa são: não se alcançar os objetivos ou ocorrer publicação de falsos dados
sobre o estudo; não haver contribuições para o campo da Terapia Ocupacional, caso isso aconteça os objetivos serão
refeitos e readaptados pelas acadêmicas e sua orientadora para que a pesquisa alcance a finalidade almejada;
A não disposição dos resultados do estudo, uma vez que inviabilizaria a verificação pela comunidade dos
benefícios gerados a eles, porém as pesquisadoras se comprometem em dispor os resultados do estudo ao final da
pesquisa;
Divulgação de dados pessoais que podem comprometer sua integridade: moral, social e/ou profissional, entretanto
as pesquisadoras se comprometem com o sigilo absoluto das informações, identificando os sujeitos através de
pseudônimos, divulgando apenas dados pertinentes à pesquisa.
Os benefícios mencionados na pesquisa são: contribuir na construção do campo profissional da Terapia
Ocupacional intervindo junto ao estudante migrante residente em Belém a minimizar o nível de estresse;
Estimular estudos científicos relacionados ao tema aumentando o arcabouço teórico;
Investigar o nível de estresse destes estudantes, uma vez que se elevado pode acarretar em possíveis problemas
de saúde e garantir melhor qualidade de vida para estes sujeitos.
Apenas participarão da pesquisa as pessoas que estiverem de acordo com o TCLE e o Termo de Autorização de
Uso de Imagem, sendo este último utilizado apenas quando for necessário.
79
Após estes esclarecimentos, solicitamos o seu consentimento de forma livre para participar desta pesquisa.
Portanto preencha, por favor, os itens que se seguem.
Tendo em vista os itens acima apresentados, eu, __________________________________________, domiciliado
na ________________________, portador da Cédula de Identidade (RG) ______________ e inscrito no CPF
______________________, nascido em __/__/____ manifesto, de forma livre e esclarecida, meu consentimento em
participar da pesquisa “Nível de estresse de estudantes migrantes: Uma proposta terapêutica ocupacional”.
Declaro que recebi cópia deste termo de consentimento, e autorizo a realização da pesquisa e a divulgação
dos dados obtidos neste estudo.
_________________________
Nome do Participante da Pesquisa
_____________________________________ Assinatura da Pesquisadora
Nome: Bárbara Ivy Souza Neri
Telefone: 8296-2337
Assinatura da Pesquisadora
Nome: Débora Cristina dos Santos Pereira
Telefone: 8216-8155
____________________________
Assinatura da Orientadora
Nome: Laiana Soeiro Ferreira
Telefone: 8129-6152
CREFITO 12429 - PA
Belém, _____ de _____________ de 2013.
80
APÊNDICE B – Termo De Autorização De Uso De Imagem
TERMO DE AUTORIZAÇÃO DE USO DE IMAGEM
Eu, ____________________________________________________________,
Portador da Cédula de identidade RG nº___________________________,
CPF nº_____________________, residente à rua _______________________
__________________________, bairro __________________, nº _________,
Cidade ___________________ e Estado _________________________.
EU __________________________________________________________
Autorizo o uso da minha imagem para ser utilizada na pesquisa intitulada “Nível de
estresse de estudantes migrantes: Uma proposta terapêutica ocupacional” do curso
de Terapia Ocupacional da Universidade da Amazônia (UNAMA) a ser realizada pelas
discentes Bárbara Ivy Souza Neri e Débora Cristina dos Santos Pereira sob a supervisão
e orientação da Professora Especialista Laiana Soeiro Ferreira.
A presente autorização é concedida a título gratuito.
Por esta ser a expressão da minha vontade declaro que autorizo o uso acima descrito
sem que nada haja a ser reclamado a título de direitos conexos à imagem ou a qualquer
outro, e assino a presente autorização em 02 (dias) vias de igual teor e forma.
Belém, ______ de _______________ de ________.
_____________________________________________
Assinatura
81
APÊNCICE C - Inventário Sociodemográfico
UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA
TRABALHO ACADÊMICO PARA CONCLUSÃO DO CURSO DE TERAPIA
OCUPACIONAL
Nível de estresse de estudantes migrantes: Uma proposta terapêutica ocupacional
INVENTÁRIO SÓCIODEMOGRÁFICO
Aplicador: _________________________________________
Data: ____/____/____
Participante nº._______
Casa de Estudante: ______________________________________________
I - PERFIL DO PARTICIPANTE
Nome:__________________________________________________________
Sexo:
( ) 1. Feminino
( ) 2. Masculino
Idade:_________________
Local de Nascimento: 1_____________ 2. ___________3._______________
(Cidade)
(Estado)
(País)
Raça/Cor:
( ) 1.Branca ( ) 2.Negra ( ) 3.Parda ( ) 4.Amarela ( ) 5.Indígena ( ) 6.Outra
Religião:
( ) 1. católica ( ) 2. evangélica ( ) 3. espírita ( ) 4.umbanda ( ) 5.nenhuma
( ) 6.outra
Se outra, qual? ______________________
Sua Escolaridade:
( ) 1. Fundamental completo
( ) 2. Ensino Médio incompleto
( ) 3. Ensino Médio completo
( ) 4. Superior incompleto
Atualmente está cursando: __________________________________
Se Graduação: 1. Curso: ____________________ 2. Semestre: _____
Local de origem (cidade de onde você veio):
1__________________________ 2. ___________3._______________
(Cidade)
(Estado)
(País)
82
Quanto tempo morou no seu local de origem? (em anos) _______________________
Quando você se mudou para Belém?
1.___________________ 2._______________
(mês)
(ano)
Motivo(s) para a mudança para Belém?
________________________________________________________________________
________________________________________________________________________
______
II - COMPOSIÇÃO DA FAMILIA DE ORIGEM (Pessoas que residiam na mesma casa em
que você morava)
Você pode usar apenas as siglas abaixo do quadro para especificar STATUS FAMILIAR,
ESTADO CIVIL e ESCOLARIDADE
NOME
(Iniciais)
SEXO
(M ou
F)
STATUS
FAMILIAR
(Parentesco)*
IDADE
(em
anos)
ESTADO
CIVIL**
OCUPAÇÃO
ESCOLARIDADE***
*Status Familiar (Relação de Parentesco):
Pai= P; Padrasto=PD; Mãe= M; Madrasta= MD; Irmão= IO; Irmã= IA; Filho= FO; Filha=
FA; Tio=TO; Tia=TA; Avô= AO; Avó= AA
**Estado Civil:
Solteiro= S; Casado= C; Viúvo= V; União Estável= UE; Separado/ Divorciado=S/D
***Escolaridade:
Fundamental Incompleto= FI; Fundamental Completo= FC; Ensino Médio Incompleto=
EMI; Ensino Médio Completo= EMC; Superior Incompleto= SI; Superior Completo= SC
83
III- PERFIL ECONÔMICO DA FAMÍLIA DE ORIGEM
3.1.Marque com um "X" os itens que sua família possui, de acordo com a quantidade de
cada um dos itens
2
3
Quantidade
0
1
2
3
4 ou +
Televisão em cores
Rádio
Banheiro
Automóvel
Empregada mensalista
Máquina delavar
Videocassete e/ou DVD
Geladeira
Freezer (aparelho independente ou parte da geladeira
duplex)
3.2 Quem o Chefeem sua família (responsável principal pelo pagamento das despesas
familiares)?
( )1. Você mesmo/a ( ) 2. Seu pai ( ) 3. Sua mãe ( ) 4.Seu irmão/ã ( ) 5. Outro
Se Outro, quem? __________________
3.3 Grau de Instrução do chefe de família ( Marque com um "X", na coluna à direita)
Nomenclatura Antiga
Nomenclatura Atual
1.Analfabeto/ Primário incompleto
1.Analfabeto/ Até 3ª série Fundamental/ Até
3ª série 1º. Grau
2.Primário
completo/
Ginasial 2.Até 4ª série Fundamental / Até 4ª série 1º.
84
incompleto
Grau
3.Ginasial
incompleto
completo/
Colegial 3.Fundamental completo/ 1º. Grau completo
4.Colegial
incompleto
completo/
Superior 4.Médio completo/ 2º. Grau completo
5.Superior completo
5.Superior completo
85
APÊNDICE D – Aceite do Orientador para o Trabalho de Conclusão de Curso
86
APÊNDICE E – Aprovação do Projeto pelo Comitê de Ética em Pesquisa
87
88
ANEXO A - Escala De Percepção De Estresse (EPS-10)
As questões nesta escala perguntam a respeito dos seus sentimentos e pensamentos durantes os
últimos 30 dias (último mês). Em cada questão indique a freqüência com que você se sentiu
ou pensou a respeito da situação.
1. Com que freqüência você ficou aborrecido por causa de algo que aconteceu inesperadamente?
(considere os últimos 30 dias)
[ 0 ].Nunca [ 1 ].Quase Nunca [ 2 ].Às Vezes [ 3 ].Pouco Freqüente [ 4 ] Muito Freqüente
2. Com que freqüência você sentiu que foi incapaz de controlar coisas importantes na sua vida?
(considere os últimos 30 dias)
[ 0 ].Nunca [ 1 ].Quase Nunca [ 2 ].Às Vezes [ 3 ].Pouco Freqüente [ 4 ] Muito Freqüente
3. Com que freqüência você esteve nervoso ou estressado? (considere os últimos 30 dias)
[ 0 ].Nunca [ 1 ].Quase Nunca [ 2 ].Às Vezes [ 3 ].Pouco Freqüente [ 4 ] Muito Freqüente
4. Com que freqüência você esteve confiante em sua capacidade de lidar com seus problemas
pessoais? (considere os últimos 30 dias)
[ 0 ].Nunca [ 1 ].Quase Nunca [ 2 ].Às Vezes [ 3 ].Pouco Freqüente [ 4 ] Muito Freqüente
5. Com que freqüência você sentiu que as coisas aconteceram da maneira que você esperava?
(considere os últimos 30 dias)
[ 0 ].Nunca [ 1 ].Quase Nunca [ 2 ].Às Vezes [ 3 ].Pouco Freqüente [ 4 ] Muito Freqüente
6. Com que freqüência você achou que não conseguiria lidar com todas as coisas que tinha por
fazer? (considere os últimos 30 dias)
[ 0 ].Nunca [ 1 ].Quase Nunca [ 2 ].Às Vezes [ 3 ].Pouco Freqüente [ 4 ] Muito Freqüente
7. Com que freqüência você foi capaz de controlar irritações na sua vida? (considere os últimos 30
dias)
[ 0 ].Nunca [ 1 ].Quase Nunca [ 2 ].Às Vezes [ 3 ].Pouco Freqüente [ 4 ] Muito Freqüente
8. Com que freqüência você sentiu que todos os aspectos de sua vida estavam sob controle?
(considere os últimos 30 dias)
[ 0 ].Nunca [ 1 ].Quase Nunca [ 2 ].Às Vezes [ 3 ].Pouco Freqüente [ 4 ] Muito Freqüente
9. Com que freqüência você esteve bravo por causa de coisas que estiveram fora de seu
controle? (considere os últimos 30 dias)
[ 0 ].Nunca [ 1 ].Quase Nunca [ 2 ].Às Vezes [ 3 ].Pouco Freqüente [ 4 ] Muito Freqüente
10. Com que freqüência você sentiu que os problemas acumularam tanto que você não
conseguiria resolvê-los? (considere os últimos 30 dias)
[ 0 ].Nunca [ 1 ].Quase Nunca [ 2 ].Às Vezes [ 3 ].Pouco Freqüente [ 4 ] Muito Freqüente
89
Computação Dos Escores Da Escala De Percepção de Estresse
Prof. Dr. Rodrigo Siqueira Reis
1. Os itens 4, 5, 7 e 8 são positivos e por esta razão devem ter a pontuação revertida.
Ex: 0 = 4, 1 = 3, 2 = 2, 3 = 1 e 4 = 0
2. Após a reversão todos os itens devem ser somados.
3. O escore, obtido com a soma de todos os itens, é utilizado como medida de estresse percebido.
OBS: O resultado final não é uma medida critério-concorrente. No entanto, os escores podem ser
comparados com a tabela normativa da população americana (COHEN, 1984) ou ainda com a
população de professores do Sul do Brasil (REIS; PETROSKI, 2004).
Tabela 1. Dados Normativos da População Americana (COHEN, 1984) e de Professores do Sul do Brasil
(REIS; PETROSKI, 2005).
Cohen (1984)
Reis e Petroski (2004)
n
Média (desvio-padrão)
n
Média (desvio-padrão)
MASCULINO
926
12,1(5.9)
451
16,3(0,6)
FEMININO
1406
13,7(6.6)
334
18,3(0,3)
18-29
645
14,2(6.2)
11
21,3(2,1)
30-44
750
13,0(6.2)
356
17,8(0,4)
45-54
285
12,6(6.1)
311
17,2(0,4)
55-64
282
11,9(6.9)
88
14,5(0,7)
65 e acima
296
12,9(6.3)
16
15,7(1,8)
SEXO
IDADE
Artigo Original:
Cohen, S., Kamarck, T., & Mermelstein, R. (1983). A global measure of perceived stress. Journalof Health
and Social Behavior, 24, 385-396.
Artigo de Validação da versão brasileira:
Reis, R.S., Hino, A., Rodriguez-Añez, C.R. (in press). Perceived Stress Scale: Reliability and Validity Study
in Brazil. Journal of Health Psychology.
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UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA CENTRO DE CIÊNCIAS