UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE CURSO DE TERAPIA OCUPACIONAL Bárbara Ivy Souza Neri Débora Cristina dos Santos Pereira NÍVEL DE ESTRESSE DE ESTUDANTES MIGRANTES: UMA PROPOSTA TERAPÊUTICA OCUPACIONAL BELÉM-PA 2013 Bárbara Ivy Souza Neri Débora Cristina dos Santos Pereira NÍVEL DE ESTRESSE DE ESTUDANTES MIGRANTES: UMA PROPOSTA TERAPÊUTICA OCUPACIONAL Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Terapia Ocupacional, do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde, da Universidade da Amazônia como requisito para obtenção do grau em Terapia Ocupacional. Orientadora: Profª Esp. Laiana Soeiro Ferreira. BELÉM-PA 2013 Bárbara Ivy Souza Neri Débora Cristina dos Santos Pereira NÍVEL DE ESTRESSE DE ESTUDANTES MIGRANTES: UMA PROPOSTA TERAPÊUTICA OCUPACIONAL Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Terapia Ocupacional, do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde, da Universidade da Amazônia como requisito para obtenção do grau em Terapia Ocupacional. Orientadora: Profª Esp. Laiana Soeiro Ferreira. Banca Examinadora: Apresentado em: ____/____/____. ______________________________________ Profª Esp.Laiana Soeiro Ferreira Orientadora ______________________________________ Prof° Nonato Márcio Custódio Maia Sá _______________________________________ Terapeuta Ocupacional Alan dos Santos Reis Conceito: ____________________ BELÉM-PA 2013 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) 615.8 N445n Neri, Bárbara Ivy Souza Nível de estresse de estudantes migrantes: uma proposta terapêutica ocupacional / Bárbara Ivy Souza Neri, Débora Cristina dos Santos Pereira. – Belém, 2013. 91 f.: 30 x 21 cm. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação) – Universidade da Amazônia, Centro de Ciências Biológicas e da Saúde – CCBS, Curso de Terapia Ocupacional, 2013. Orientadora: Profª. Esp. Laiana Soeiro Ferreira. 1. Estresse – cuidados de terapia ocupacional. 2. Estudante migrante estresse. 3. Casa do estudante. I. Pereira, Débora Cristina dos Santos. II. Ferreira, Laiana Soeiro. III. Título. AGRADECIMENTOS Primeiramente agradeço a Deus, por sempre iluminar meus caminhos e está ao meu lado me ajudando e direcionando. Agradeço também pelas conquistas e alegrias durante esses 4 anos fazendo com que este tão esperado sonho se realizasse. Aos meus pais, Alba Neri e Sérgio Neri, por me darem a vida e sempre fazerem o possível e o impossível por mim. Pelo incentivo a prosseguir nas conquistas dos meus objetivos, contribuindo em meu crescimento na vida pessoal e profissional. Aos meus irmãos, Neto Neri e Murilo Neri, por todos os momentos bons e ruins que passamos e obstáculos que vencemos. Pelos momentos de alegria e pela proteção de irmãos mais velhos. Agradeço a minha família, meu sobrinho, minha avó, tias e tios, primas e primos, que são base da minha vida, sinônimo de amor e satisfação a me ver subir mais um degrau da minha vida. Ao meu avô Raimundo Neri (in memorian), que sempre foi para mim exemplo de avô amoroso, pai dedicado e esposo companheiro. Tenho certeza que ele se tornou meu anjo da guarda e está me acompanhando em todos os momentos da minha vida principalmente nesta trajetória de conclusão da minha formação acadêmica. Vô está vitória é para você! A minha parceira de TCC Débora Pereira que esteve comigo na realização deste trabalho, por tudo que podemos compartilhar, a convivência, as alegrias, as frustrações, as descobertas, enfim por tudo que aprendemos. A nossa orientadora Laiana Ferreira, por ter aceitado orientar esse trabalho, pelos conhecimentos passados e por colaborar para que este tenha sido concretizado. Agradeço a todos os meus amigos de turma que me acolheram e que me proporcionaram momentos agradáveis, pelas trocas de conhecimentos e pelo grande elo de amizade formado durante esse tempo com vocês. A todos os mestres da UNAMA que contribuíram para a minha formação profissional, pelas batalhas, obstáculos enfrentados e também pelas conquistas, vocês também contribuíram para esta vitória! Meu muito obrigada! Bárbara Ivy Souza Neri AGRADECIMENTOS Em primeiro lugar, agradeço a Deus e ao Senhor Jesus Cristo, pelo dom da vida que me concedeu, por ter iluminado meu caminho durante todos esses 4 anos, me dando forças para superar todos os obstáculos e dificuldades enfrentados, pelas conquistas e alegrias por fazer com que mais esse sonho tornasse realidade. A vocês meu pai Celso Pereira, a minha mãe Girlene Pereira, a minha avó Jacira Pereira que sempre me motivam e incentivam a prosseguir nas conquistas dos meus objetivos, me dando conselhos, contribuindo para o meu crescimento na vida pessoal e acadêmica. Por sua compreensão pelas vezes que estive ausente e não pude estar ao lado de vocês, pelo amor que me fez mais forte, fazendo entender que sou capaz de ir mais além. Vocês são responsáveis por este momento tão marcante em minha vida. Obrigada por tudo! Esta vitória também é de vocês. Amo vocês! Agradeço a toda minha família, meu irmão Ricardo Pereira, minha linda e amada sobrinha e afilhada Jamily Siany, ao meu noivo Jefferson Rodrigo que durante o período de estudos me incentivou, me ajudou e apoiou sempre que eu precisava, você também se transformou em mais um responsável por essa vitória em minha vida, muito obrigada por tudo, amo você. Aos meus tios, minhas tias, primos e primas, e cunhada que são a base da minha vida, sinônimo de amor, compreensão por minha ausência e satisfação a me ver subir mais um de grau de minha vida. amo todos vocês! A minha parceira de TCC que esteve junto comigo nesta realização Bárbara Neri, por tudo que podemos compartilhar, a convivência, as alegrias, as frustrações, as descobertas, enfim por tudo que aprendemos. A nossa orientadora Laiana Ferreira, e idealizadora deste trabalho pelos seus conhecimentos, orientações e contribuições cedidas para que este tenha se concretizado. As Casas de Estudantes CAESUN, CEUP, CEA, CAEUC, CEMAB e CEUGP participantes deste TCC, a todos os participantes da pesquisa o meu muito obrigada por participarem e colaborarem para a coleta de dados. Obrigada a todas as minhas amigas (os) feitos ao longo de minha vida aos quais proporcionaram a verdadeira amizade e os de turma feitos ao longo desses 4 anos, em especial a Aline Miranda, Jéssica Vera Cruz, Lívia Andrade, Rafaela de Fátima e o Kaio Maia, vocês que sempre estiveram em vários momentos e compartilharam alegrias e tristezas contando sempre uns com os outros. Adoro vocês! Aos professores, mestres e doutores da UNAMA que contribuíram fundamentalmente na nossa formação acadêmica e que nos guiaram para fazermos o diferencial em todos os aspectos de nossas vidas. Aos quais contribuíram para a minha formação profissional, pelas batalhas, obstáculos enfrentados e também pelas conquistas, vocês também contribuíram para esta vitória. Por fim, agradeço a todos aqueles que contribuíram diretamente e/ou indiretamente para a concretizando deste projeto e para a formação de minha vida profissional. O meu muito obrigada a todos! Débora Cristina dos Santos Pereira “A mente que se abre a uma nova ideia, jamais voltará ao seu tamanho original”. Albert Einstein RESUMO Devido a um vasto processo de mudanças que o migrante pode enfrentar é necessário que se compreenda que este deslocamento pode ocasionar um abalo na identidade territorial e na segurança existencial do indivíduo que migra, esse processo pode acarretar na exposição a fatores estressores, como possíveis mudanças de papéis, problemas sociais e até de saúde, como o estresse. Portanto, o presente trabalho tem como objetivo investigar o nível de estresse percebido pelo estudante migrante residente em casas de estudantes na cidade de Belém do Pará, bem como, traçar o perfil sócio demográfico dos mesmos e ainda elaborar uma proposta de intervenção terapêutica ocupacional que contribua para a minimização do estresse percebido por esses estudantes. Optou-se pela temática após a participação das pesquisadoras em um projeto de mestrado que abordava a migração estudantil, buscou-se a expansão do arcabouço teórico, levantamentos bibliográficos (onde se observou a falta de trabalhos relacionados a este tema na literatura científica) e a contribuição na construção do campo profissional da Terapia Ocupacional com essa clientela, assim como, construir estratégias de intervenção que possam ajudar este estudante migrante para melhor qualidade de vida. Optou-se então, pela realização de um estudo quantitativo, com revisão bibliográfica, pesquisa de campo, do tipo exploratório, descritivo e de corte transversal. Realizou-se a pesquisa em seis casas de estudantes na cidade de Belém do Pará, onde foram aplicados os seguintes instrumentos: Inventário Sociodemográfico (ISD) e a Escala de Percepção de Estresse (EPS-10). Os resultados obtidos em relação ao nível de estresse percebido pelo estudante foi o nível de estresse moderado, entre estes a maioria é do sexo feminino, estão predominantemente entre a faixa etária de 19 – 24 anos, sendo 28 estudantes da Casa do Estudante Universitário do Pará (CEUP), no curso de graduação de Direito e com predominância da religião católica. Palavras-chaves: Migração humana. Estudantes. Estresse. Casas de estudante. Terapia Ocupacional. ABSTRACT The migration is the fact that the population move spatially. Due to a long process of change that the migrant may face is necessary to understand that this shift can cause a concussion in territorial identity and existential security of the individual who migrates, this process may result in exposure to stressors, such as possible changes roles, and social problems to health, such as stress. Therefore, this study aims to investigate the level of stress perceived by migrant student living in student houses in the city of Belém do Pará, as well as socio-demographic profiling of the same and also prepare a proposal for occupational therapy intervention that contributes to minimize the stress perceived by these students. We opted for the theme after participating in a master project that addressed student migration, we sought to expand the theoretical framework, literature surveys (where there was a lack of work related to this subject in the scientific literature) and contribution in building the professional field of occupational therapy with these patients, as well as building intervention strategies that may help this migrant student to better quality of life. We then decided, by conducting a quantitative study with literature review, field research, exploratory, descriptive and cross-sectional. We conducted research in six student houses in the city of Belém do Pará, where were the following instruments: Sociodemographic Inventory (SDI) and Perceived Stress Scale (EPS - 10). The results obtained in relation to the level of stress perceived by the student level was moderate stress, among these the majority are female, are predominantly between the age 19-24 years, and 28 students Student House University of Pará undergraduate course in law and predominantly Catholic religion. Keywords: Human migration. Students. Stress. Student houses. Occupational Therapy. SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO 12 2 REFERENCIAL TEÓRICO 14 2.1 ESTRESSE 14 2.2 ESTUDANTE MIGRANTE 16 2.3 TERAPIA OCUPACIONAL 23 3 METODOLOGIA 26 3.1 TIPO DE ESTUDO 26 3.2 LOCAL DA PESQUISA 27 3.3 POPULAÇÃO DE REFERÊNCIA 28 3.4 AMOSTRA 28 3.5 CRITÉRIOS DE INCLUSÃO 28 3.6 CRITÉRIOS DE EXCLUSÃO 28 3.7 PROCEDIMENTOS 29 3.8 HIPÓTESES 30 3.8.1 Hipótese afirmativa 30 3.8.2 Hipótese negativa 30 3.9 DESFECHOS 31 3.9.1 Desfecho primário 31 3.9.2 Desfecho secundário 31 3.10 INSTRUMENTOS 31 3.10.1 Inventário Sociodemográfico (ISD) 31 3.10.2 Escala de Percepção de Estresse (EPS-10) 34 3.11 ASPECTOS ÉTICOS 38 3.12 RISCOS E BENEFÍCIOS 39 4 RESULTADOS 41 4.1 INVENTÁRIO SOCIODEMOGRÁFICO (ISD) 41 4.2 ESCALA DE PERCEPÇÃO DE ESTRESSE (EPS-10) 47 5 DISCUSSÃO 54 5.1 INVENTÁRIO SOCIODEMOGRÁFICO (ISD) 54 5.2 ESCALA DE PERCEPÇÃO DE ESTRESSE (EPS-10) 60 6 PROPOSTA TERAPÊUTICA 6.1 6.3 MODELO DE DESEMPENHO OCUPACIONAL - SEGUNDO PEDRETTI (1996) MODELO DE OCUPAÇÃO HUMANA - SEGUNDO WILLARD & SPACKMAN MODELO COMPORTAMENTAL - SEGUNDO WILLARD & SPACKMAN 6.4 TÉCNICAS/ATIVIDADES 68 7 CONCLUSÃO 70 REFERÊNCIAS 72 APÊNDICE A – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) 78 APÊNDICE B – Termo de Autorização de Uso de Imagem 80 APÊNDICE C – Inventário SocioDemográfico 81 APÊNDICE D – Aceite do Orientador 85 APÊNDICE E – Aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa 86 ANEXO A – Escala de Percepção de Estresse (EPS-10) 88 6.2 65 65 66 67 12 1 INTRODUÇÃO A migração consiste no deslocamento definitivo ou temporário dos habitantes de um lugar para outro. Referindo-se a migração de estudantes e a transferência do seu estilo de vida de origem para um novo, pode-se citar a vulnerabilidade destes a determinadas situações como, por exemplo, a exposição por estímulos estressores (NASCIMENTO, 2003). Diante disso, a migração pode ser produtora de estresse nas dimensões física, psíquica e social (BRONFENBRENNER, 2000). O estresse pode ser definido como uma reação complexa e global do organismo, envolvendo componentes físicos, psicológicos, mentais e hormonais frente a situações que representem um desafio maior e que ultrapassem sua capacidade de enfrentamento, visando adaptar o indivíduo à nova situação (PEREIRA, 2002; BOTSARIS, 2003). O presente Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) tem como objetivos a investigação do nível de estresse percebido pelo estudante migrante residente em casas de estudantes na cidade de Belém do Pará, além de traçar o perfil socio demográfico do mesmo e elaborar propostas de intervenção terapêutica ocupacional que possa vim contribuir para um maior bem estar deste estudante ajudando na minimização do estresse percebido por ele. A temática deste estudo surgiu em função da participação das pesquisadoras em um projeto de mestrado que abordava a migração estudantil, buscou-se também a partir deste trabalho a expansão do arcabouço teórico sobre o assunto em destaque onde a partir de levantamentos bibliográficos se observou a falta de trabalhos relacionados a este tema na literatura científica, além de contribuir para a construção do campo profissional da Terapia Ocupacional com essa clientela e a elaboração de estratégias de intervenção que possam ajudar este estudante migrante a minimizar o estresse percebido por ele foram pontos relevantes para a construção do referido trabalho. O estudo caracteriza-se como quantitativo, com revisão bibliográfica, pesquisa de campo, do tipo exploratório, descritivo, de corte transversal e de utilização do perfil sociodemográfico. Realizou-se a coleta de dados em seis casas de estudantes na cidade de Belém do Pará que acolhem estudantes vestibulandos e universitários procedentes de cidades do interior do estado do Pará, de outros estados brasileiros e de outros países. 13 Os instrumentos utilizados durante a realização da pesquisa foram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE (APÊNDICE A), o Termo de Uso de Imagem (APÊNDICE B), o Inventário Sociodemográfico – ISD (APÊNDICE C) e a Escala de Estresse Percebido (ANEXO A). Diante do exposto, pode-se estabelecer a seguinte questão-problema: Qual o nível de estresse percebido pelo estudante migrante residente em casas de estudantes na cidade de Belém do Pará e como o terapeuta ocupacional pode atuar junto a este estudante visando à minimização do estresse percebido por ele? Após a coleta de dados e verificação dos resultados do Inventário Socio Demográfico (ISD) e por meio da Escala de Percepção de Estresse (EPS - 10), buscou-se confrontar os dados obtidos por esta escala com a literatura sobre a temática. Em relação ao nível de estresse percebido pelo estudante encontrou-se que a maioria possui nível de estresse moderado, entre estes a maioria é do sexo feminino, estão predominantemente entre a faixa etária de 19 – 24 anos, sendo 28 estudantes residentes na Casa do Estudante Universitário do Pará (CEUP), dentre o curso de graduação ao qual estão cursando predominou o curso de Direito com 6 estudantes, seguido do curso de Fisioterapia com 4 estudantes e, na religião, verificou-se a grande predominância da religião católica que prevaleceu no total de 54 estudantes. Nos próximos capítulos se fará um maior detalhamento dos aspectos conceituais que serão importantes no contexto deste trabalho, tais como: estudante migrante, estresse e Terapia Ocupacional. 14 2 REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 ESTRESSE Estresse é definido como uma organização do organismo, com componentes físicos e/ou psicológicos, causada pelas alterações psicofisiológicas que ocorrem quando a pessoa se confronta com uma situação que, de um modo ou de outro, a irrite, amedronte, excite ou confunda, ou até mesmo que a faça imensamente feliz (LIPP, 2000). Segundo Selye (1936), a reação do estresse se define como uma síndrome geral de adaptação, funcionando como uma resposta específica do corpo a qualquer exigência, as populações necessitam estar permanentemente se reajustando a essas novas condições ambientais. Atualmente, a palavra estresse tem sido muito empregada, associada a sensações de desconforto, sendo cada vez maior o número de indivíduos que se definem como estressados. Os sinais e sintomas que ocorrem com maior frequência em decorrência do estresse em nível físico são: aumento da sudorese1, tensão muscular, taquicardia2, hipertensão3, hiperatividade4, náuseas, mãos e pés frios. Em termos psicológicos, vários sintomas podem ocorrer como: ansiedade, tensão, angústia, insônia, alienação, dificuldades interpessoais, preocupação excessiva, inabilidade de concentrar-se em outros assuntos que não o relacionado ao estressor, dificuldade de relaxar, ira e hipersensibilidade emotiva (LIPP, 2000). O estresse pode ainda contribuir para a etiologia de várias doenças (úlceras gastroduodenais, câncer, psoríase, vitiligo5) e afetar a qualidade de vida individual e de populações específicas (LIPP, 1996). Os estímulos que desencadeiam uma reação de estresse no organismo são chamados de estressores. Devido ao fato de que a natureza dos eventos estressores pode ser variada e distinta, classificam-se os eventos em estressores externos (HOLMES; RAHE, 1967) e internos (MEICHENBAUM, 1985). 1 SUDORESE: secreção de suor. (FERREIRA, 2001) TAQUICARDIA: batimentos cardíacos rápidos. (DICIONÁRIO..., 2006) 3 HIPERTENSÃO: pressão sanguínea arterial alta. (DICIONÁRIO..., 2006) 4 HIPERATIVIDADE: nível excessivo de atividade. (DICIONÁRIO..., 2006) 5 VITILIGO: vitiligem ou afecção cutânea caracterizada por zonas de despigmentação. (FERREIRA, 2001). 2 15 Os estressores externos são constituídos dos eventos que ocorrem na vida de uma pessoa, sejam eles, pequenos dissabores, a situação político-econômica do país, dificuldade financeira, nascimento de filhos, entre outros. Os estressores internos são entendidos como tudo aquilo que faz parte do mundo interno, das cognições do indivíduo, seu modo de ver o mundo, nível de assertividade, crenças, valores, características pessoais, padrão de comportamento, vulnerabilidades, ansiedade e o seu tema de vida (BRASIO; RANGÉ, 2003; LIPP, 2005). Cada pessoa possui diferentes resistências e vulnerabilidades ao estresse. A presença de fatores genéticos, preexistentes ou adquiridos, em conjunto com a resistência do indivíduo e à exposição a estressores determinam o surgimento de doenças físicas e psicológicas. Quanto maior a predisposição do indivíduo, menor será o nível tolerado de estresse antes do surgimento de alguma doença (LIPP, 1996). Aqui estão algumas das causas que provocam o estresse com maior frequência: nervosismo passageiro, o trabalho e seus problemas em geral, tensão, problemas de relacionamento, um choque emocional, falta de tempo para efetuar uma tarefa, falta de repouso, problemas sociais, problemas do sono, provas estudantis, migração, sendo os dois últimos fatores destacados o objeto de estudo desta pesquisa (FURTADO; FALCONE; CLARK, 2003). Durante sua formação acadêmica, os estudantes estão expostos a diversas situações geradoras de estresse, entre essas situações pode-se citar a migração estudantil. O despreparo do estudante para lidar com estas situações pode trazer repercussões importantes em seu desempenho acadêmico, na sua saúde e no seu bemestar psicossocial (FURTADO; FALCONE; CLARK, 2003). De acordo com Selye (1952, apud LIPP, 1996), o estresse divide-se em 3 tipos: o agudo ou transtorno transitório que ocorre em indivíduo que não apresenta nenhum outro transtorno mental manifesto em razão da exposição a um evento traumático; o estresse cumulativo que é o conjunto de alterações psicofisiológicas que afetam o cotidiano da pessoa, devido à frequente adoção de estratégias equivocadas para o alívio dos sintomas do estresse; e por fim o estresse pós-traumático que é a resposta retardada a uma situação ou evento crítico (de curta ou longa duração), que provoca sintomas evidentes de perturbação na maioria das pessoas. 16 O processo de estresse desencadeia-se em três fases: alerta, resistência e exaustão. A fase de alerta caracteriza-se pelo fato dos estímulos estressores começarem a agir; já na fase de resistência os estímulos estressores continuam a persistir, é nesta fase que começam aparecer as primeiras consequências mentais, emocionais e físicas; e por último a fase de exaustão que é a partir do momento que os sintomas começam a se diferenciar, dependendo da seriedade do estresse (SELYE, 1952). Apesar de Selye (1952) ter identificado apenas três fases do estresse, Lipp no decorrer da avaliação de seu instrumento (Inventário de Sintomas de Stress para Adultos de Lipp - ISSL) para diagnóstico do estresse identificou uma quarta fase. Esta nova fase, chamada de quase exaustão, encontra-se entre a fase de resistência e a da exaustão e caracteriza-se pelo enfraquecimento da pessoa que não mais está conseguindo adaptarse ou resistir ao estressor. Inicia-se o surgimento de doenças, no entanto, ainda não tão graves como na fase de exaustão. Mesmo apresentando desgaste e outros sintomas, a pessoa ainda é capaz de trabalhar e “funcionar” na sociedade até certo ponto, ao contrário do que ocorre na fase de exaustão, quando a pessoa para de “funcionar” adequadamente, não conseguindo, na maioria das vezes, trabalhar ou concentrar-se (LIPP, 2000). O presente estudo tem como objetivos investigar o nível de estresse percebido pelo estudante migrante residente em casas de estudantes na cidade de Belém do Pará, além de investigar o perfil sociodemográfico deste estudante e elaborar uma proposta de intervenção terapêutica ocupacional, que possa ajudar o estudante migrante a minimizar o nível de estresse percebido pelo mesmo. No capítulo a seguir, serão discutidos a condição de ser estudante e de ser migrante, buscando-se compreender suas possíveis relações com o estresse. 2.2 ESTUDANTE MIGRANTE A migração é um fenômeno demográfico, porém também social. Ela possui características demograficamente universais que se assemelham a outros tipos de fluxos de pessoas, no entanto cada grupo migratório apresenta suas singularidades históricas e sociais (FAZITO, 2009). A migração é um processo seletivo e diferenciado, interligado 17 com as transformações sociais, econômicas, culturais e estruturais da sociedade das áreas de origem e receptora de migrantes (MOURA, 1999). Migração na conceituação mais tradicional corresponde a um movimento de pessoas, grupos ou povos de um lugar para outro, tendo como finalidade estabelecer-se, estudar ou trabalhar no novo local. Entende-se por migrante aquele que se move de sua residência comum para outro lugar, região ou país (MASEY et al, 1987; ZAMBERLAM, 2004). A palavra Migração - mudar de país ou região - possui derivações, a saber: Emigrar - deixar um país para ir estabelecer-se em outro e; Imigrar: entrar (num país estranho) para nele viver (FERREIRA, 2001). Sua definição mais “moderna” recebe um enfoque mais amplo, no qual a migração é cunhada como um processo complexo, uma experiência social concreta, entrecortada por linhas de dominação e de exploração que se reconstituem social, política e economicamente, sendo assim o migrante é atravessado por dificuldades, necessidades e possibilidades com um grande potencial de transformação (MEZZADRA, 2005). As causas para que a migração ocorra estão ligadas a vários segmentos, como: questões políticas, religiosas, naturais e econômicas. No entanto, o principal motivo da ocorrência das migrações seriam as desigualdades regionais. O processo migratório se dá, em sua maioria, de um local periférico, para outro central, isso ocorre por fatores econômicos e sociais, que estão atrelados com a valorização do centro em detrimento a periferia (BORGES; MARTINS, 2004). A migração e os processos políticos, econômicos e sociais que a envolvem podem influenciar negativamente ou positivamente a qualidade de vida do migrante, é fundamental realizar uma reflexão sobre sua condição, no intuito de compreender como este processo de migração permeia a rede de apoio social e a qualidade de vida desta população. A proposta de migrar para o estudante está potencializada na garantia de uma melhor qualificação em seus estudos principalmente os relacionados à sua graduação, evidenciando a dimensão de resistência e constituição de liberdade e autonomia (CORSINI, 2007). Os benefícios alcançados pelos migrantes são muitas vezes partilhados com as suas famílias e comunidades dos seus países de origem. Em muitos casos, estes 18 benefícios surgem sob a forma monetária ou remessas, mas as famílias dos migrantes poderão beneficiar de outros modos também – pelas “remessas sociais”, tal como são chamadas, incluem reduções na fertilidade, taxas de escolarização mais elevadas e o aumento da participação das mulheres na sociedade (KLUGMAN; PEREIRA, 2003). Contudo, a migração não traz sempre benefícios. O ponto a que as pessoas poderão beneficiar com a migração depende em grande medida das condições sob as quais se deslocam. As despesas poderão atingir níveis consideráveis e as deslocações envolvem inevitavelmente incertezas, alteração das redes sociais, em especial das redes de apoio social – representada muitas vezes, fortemente pela separação de famílias (KLUGMAN, 2009). Migrar é sair do seu lugar de origem para outro lugar – lugar hospedeiro, logo, o migrante é a pessoa que se desloca de seu lugar primeiro e que está envolvido em um processo de desterritorialização e reterritorialização, que podem não ser necessariamente sucessivos nem ordenados (MARANDOLA; GALLO, 2010). O processo de desterritorialização se dá pela saída do lugar-natal, o que tange em abandonar lugares da infância, juventude ou idade adulta (dependendo da faixa etária do individuo). O lugar-natal muitas vezes é responsável pela formação como pessoa e onde se edifica a identidade. Assim a desestabilização da ligação com o lugar de origem pode ser o causador de um abalo na segurança existencial e identidade territorial do migrante, o qual enfrenta o desencaixe espacial e alterações nas redes de relações (HAESBAERT, 2006). A perda ou diminuição qualitativa e quantitativa das redes de apoio social fica suscetível à angústia e ansiedade o que faz gerar a necessidade de enraizar-se no lugar de destino, pois a segurança existencial e a identidade do sujeito dependem do estabelecimento e cultivação de laços com o lugar e da forma como o migrante se envolve com ele, bem como, do estabelecimento de novas redes sociais e pelo estabelecimento de novas fontes de apoio social (MARANDOLA; GALLO, 2010). Claude Raffestin (1993), geógrafo dedicou-se a estudar o conceito de território, gerando uma teorização inédita sobre o que determinou de T-D-R: territorialização – desterritorialização – reterritorialização. Para ele, a concepção de território pode ser definida como o conjunto de relações efetivas pelos indivíduos que pertencem a certa coletividade, ou seja, um conjunto de redes de relações de uma comunidade. 19 O território corresponde a um reordenamento do espaço, onde existe um sistema informacional utilizado pelo homem enquanto pertencente a uma cultura. No território há informação e comunicação que comandam atualmente as relações sociais e o processo T-D-R. Os territórios são produzidos, portanto, no movimento contínuo e concomitante de desterritorialização e reterritorialização, ou seja, através da territorialização do migrante, tanto econômica, como política e culturalmente (RAFFESTIN, 1993). Como a desterritorialização e a reterritorialização são contraditórias, podem ao mesmo tempo, complementar-se através da coexistência no tempo e podendo coexistir no espaço, pois são movidas na relação de economia – política – cultura (EPC), onde as redes estão presentes e atuam dinamicamente em ambos os processos. A desterritorialização num lugar pode significar reterritorialização em outro, de acordo com a promoção da mobilidade da força de trabalho e suas características culturais. É um processo inerente à natureza contraditória do espaço e do território (SAQUET, 2007). Segundo Saquet (2007) o migrante efetiva relações com as pessoas conhecidas que ficaram no território de origem e com outras conhecidas na reterritorialização. A reterritorialização é marcada pelo movimento de apropriação e reprodução das relações sociais que podem ser produzidas por uma conexão em rede, alterando as redes sociais e redes de apoio social do local de origem e forjando novas configurações destas no local de acolhida. A migração constitui um processo complexo, contraditório, uma experiência de perda, ruptura, mudança, vivenciada pelo indivíduo de uma forma mais ou menos traumatizante ou harmoniosa, segundo os seus recursos psicológicos e sociais, as características da sociedade dominante, as condições de acolhimento e as políticas do país receptor (RAMOS, 2010). Com isso, pode-se entender que a migração pode gerar uma série de confusão ou como vários estudos pontuam que essa experiência gera choque cultural ou estresse de aculturação ao migrante. Aculturação é a transformação da cultura de um grupo, pela assimilação de elementos culturais de outro grupo social com que mantém contato direto e regular (FERREIRA, 2001). O processo paralelo de aprendizagem de significados e habilidades e o sentimento de ser aceito, tem sido nomeado de "choque cultural" (BOEKESTITIJIN, 1989). Este pode ser avaliado pelo grau de incerteza enfrentado pelo migrante após sua chegada a um 20 novo lugar. O "dilema do migrante" consiste na tensão entre adaptação sócio-cultural e "preservação da identidade". Segundo Silva (2004), o choque cultural se expressa por uma espécie de saudosismo, estresse e pressões, frustrações, fadiga mental, perda qualitativa ou quantitativa das redes sociais e das redes de apoio social, dificuldade de trabalhar e de formar novas redes de relação, tédio, perda de motivação, hipersonia ou insônia, dores musculares. Assim quando o sujeito é levado a enfrentar uma nova realidade que é diferente tanto em termos culturais quando espaciais, o individuo sofre um choque identitário o que exige uma adaptação em termos comportamentais e até mesmo (em casos) no próprio modo de ser, de tal forma o sujeito constrói o lugar e novas redes sociais e ao mesmo tempo é construído por eles, pois o indivíduo não pode ignorar sua história e formação, assim o mesmo é impulsionado a construir ambientes com que se identifique e redes que o apoiem, recriando seus lugares mesmo estando em outros, preservando sua formação (MARANDOLA; GALLO, 2010). Faz-se necessário oportunizar ao indivíduo migrante uma atmosfera acolhedora tanto nos aspectos psicossociais e familiares, cultural, sanitário e jurídico, para assim fazer do risco, da situação de vulnerabilidade que comporta o migrante, num processo dinamizador, criativo e inclusivo que o reconstrua no meio ambiente e as redes de relações (RAMOS, 2010). No caso do estudante migrante visto que o mesmo é sujeito alvo deste estudo, torna-se fundamental realizar uma reflexão sobre sua condição de estudante, no intuito de compreender como estes processos em associação influenciam a qualidade de vida desta população. Segundo Ferreira (2001), o estudante é conceituado como uma pessoa que estuda, aluno; e o aluno é aquele que recebe instrução e/ ou educação de mestre (s), em estabelecimento de ensino ou particularmente. Mediante esses fatores, pode-se estabelecer que o estudante é uma espécie de receptor de conhecimentos, podendo assim, passar a adquirir e transformar as informações, tornando-se um construtor social. Nas últimas décadas, ocorreram fenômenos relacionados a transformações no contexto social, político e educacional (entre eles, o prolongamento da escolaridade e a elevação das taxas de desemprego, especialmente entre os jovens), como também 21 mudanças no campo da sociologia com a recomposição da problemática das desigualdades de escolarização entre classes sociais (VAN ZANTEN, 1999). Houve também uma renovação nas pesquisas, contribuindo para que os estudantes ocupassem um novo lugar nos estudos sociológicos em educação (ZAGO, 2006). Ao se falar do estudante migrante, nota-se que ao ingressarem na universidade, muitos jovens, provindos de local distante de onde passam a estudar, vivenciam novas experiências, como distanciar-se da família de origem pela primeira vez, residirem com outros estudantes e experimentarem a ausência da supervisão de adultos (PERKINS, 1999). Quando grupos populacionais migram, como por exemplo, os estudantes, passam a se expor a várias mudanças, afetando assim suas áreas de desempenho ocupacional como: mudanças no ambiente físico, nas suas Atividades de Vida Diária (AVD´s), nas suas Atividades de vida Prática (AVP`s), Atividades de Vida de Trabalho (AVT`s), Atividades de Vida de Lazer (AVL`s), hábitos nutricionais, de moradia, entre outros. Portanto, estes tipos de mudanças podem representar fatores de risco para problemas de saúde, acarretando, por exemplo, em um possível estresse para essa população, quando se deslocam para centros mais complexos em áreas urbanas ou mais desenvolvidas (CAVALCANTI, 1999). É possível afirmar que esta nova fase de experiências pode ser tanto benéfica, podendo proporcionar independência e autonomia para o estudante, como também traumática e geradora de perda de saúde e de qualidade de vida. Tudo dependerá da maneira como o indivíduo se adapta à situação. Zago (2006) traça um quadro bastante detalhado de vários aspectos da condição do estudante: financiamento dos estudos, moradia, transporte, alimentação, saúde, condições e hábitos de trabalho, relações com o meio de origem e com o meio estudantil, cultura e lazer. Esse autor argumenta uma pesquisa representativa do conjunto da população de estudantes permitindo observar diferentes dimensões do êxito e do fracasso, e os efeitos cumulativos da escolarização anterior. Diante deste fato, com o aumento do número de estudantes que buscam a educação superior no Brasil, exige-se cada vez mais um número maior de residências ou casas de estudantes, sendo que as condições dos cursos não acompanham as demandas existentes (MACHADO, 2007). 22 As casas estudantis, de modo geral, são moradias que abrigam estudantes universitários oriundos de classes sociais de baixa renda. Elas reúnem pessoas que investem na escolarização como uma forma de encaminhar suas vidas, em busca de uma carreira, tendo, para isso, deixar seu lugar de origem, afastar-se de suas famílias, para morar com outras pessoas em condições semelhantes (DE SOUSA; SOUSA, 2009). De acordo com a Secretaria Nacional de Casas de Estudantes (1993), as informações históricas sobre essas casas são escassas, a primeira funcionar no território brasileiro foi à Casa do Estudante do Brasil, em atividade desde 1929. É interessante saber que exatamente em 1937, nessa entidade, se deu a fundação da mais importante agremiação estudantil brasileira, a Universidade Nacional do Estudante – UNE. No contexto do ensino superior brasileiro, foi, a partir de 1964, com o golpe militar, que as universidades passaram a incorporar as casas estudantis. Uma pesquisa realizada pela Secretaria Nacional de Casas de Estudantes (SENCE), em março de 1993, mostra que as moradias estudantis, com exceção das repúblicas, são, em regra, mantidas por alguma instituição externa. Assim, Barreto (2002) afirma que a casa estudantil faz parte da assistência universitária e é definida como um instrumento facilitador da política educacional, bem como uma ação de inclusão social e direito de cidadania. Entretanto, pode-se entender esse complexo universo dos sujeitos moradores das casas estudantis como uma problemática social, na qual é ressaltada a desigualdade vivenciada pelos sujeitos. Em vista de sua condição socioeconômica e das impossibilidades que dela decorrem, muitos moradores sentem-se imensamente agradecidos, porém, há na situação de morar em casas estudantis muitas dificuldades que eles precisam enfrentar. Embora esteja assegurado a esses estudantes o direito de residir na cidade onde estão estudando, vale ressaltar que esse direito é concedido de um modo muito precário, tendo em vista as condições de moradia e de convivência. Isso traz consequências, muitas vezes, dolorosas, como o sentimento de estar numa condição inferior (DE SOUSA; SOUSA, 2009). Portanto, ao analisar a sociedade moderna, pode-se considerar que, um dos aspectos mais importante na vida de um estudante que migra para outro lugar é a importância de se ter um conhecimento de maior e melhor qualidade, expectativas 23 melhores de vida, autonomia e independência perante seus familiares (CAVALCANTI, 1999). De acordo com Nascimento (2003), há uma necessidade de adaptação para a sobrevivência, em relação a eventos que atuam como estressores na medida em que sobrecarregam ou excedem os recursos adaptativos da pessoa ou grupos numa dada circunstância. Segundo Mota (1999), as fontes de estresse são aquelas que têm o efeito de ameaçar ou perturbar a dinâmica do estado estável do qual a vida do organismo depende ou ameaça fazê-lo. Porém, é importante levar em consideração que o significado que os indivíduos apontam as mudanças e aos eventos são particulares, ou seja, uma situação pode ser apontada como estressante para um indivíduo enquanto que para o outro não (CARVALHO; SERAFIM, 1995). No próximo capítulo, será discutido sobre a Terapia Ocupacional e sua relação com estudantes migrantes, onde será colocada a importância da intervenção terapêutica ocupacional para o presente estudo. 2.3 TERAPIA OCUPACIONAL A Terapia Ocupacional é uma ciência na qual se processa a análise e a aplicabilidade da atividade humana, objetivando a prevenção e/ou a adaptação do homem nas relações consigo mesmo e com o mundo. É, portanto, uma forma de tratar que envolve ativamente o indivíduo numa relação terapêutica com o seu fazer. A Terapia Ocupacional está centrada nas disfunções ocupacionais do cotidiano do homem, sendo então possível pensar, a partir dessa vertente, que a ocupação é o núcleo de sua intervenção (PEDRAL; BASTOS, 2008). Segundo Ferrari (1991), a ocupação é considerada o uso intencional do tempo pelos seres humanos a fim de satisfazer seus próprios impulsos internos em direção à exploração e ao domínio de seu ambiente, que, ao mesmo tempo, satisfaz as exigências do grupo social ao qual pertencem e as necessidades pessoais de auto-suficiência. A profissão de Terapia Ocupacional utiliza o termo ocupação para captar a dimensão e o significado da “atividade do cotidiano”. A Terapia Ocupacional é 24 fundamentada na compreensão de que o engajamento em ocupações estrutura a vida cotidiana e contribui para a saúde e para o bem-estar (ZEMKE; CLARCK, 1996). De uma forma geral, pode-se compreender que o engajamento ocupacional está ligado às diferentes atividades significativas que a pessoa faz no seu cotidiano cuja compreensão perpassa pela sua caracterização no que se refere à identificação e análise de quem desempenha a ocupação, onde, quando, como e porque a faz (POLATAJKO et al, 2007). Quando terapeutas ocupacionais trabalham com clientes, eles consideram os diferentes tipos de ocupação nas quais os clientes podem se envolver. A ampla variedade de ocupações ou atividades é classificada em categorias chamadas “áreas de ocupação” – atividades de vida diária, atividades instrumentais de vida diária, descanso e sono, educação, trabalho, brincar, lazer e participação social (HAKANSSON; DAHLINIVANOFF; SONN, 2006). As atividades de vida diária são aquelas orientadas para o cuidado do indivíduo para com seu próprio corpo (ROGERS; HOLM, 1994). AVD também é chamada como atividades básicas da vida diária (ABVD) e atividades pessoais da vida diária (APVD). Estas atividades são fundamentais para viver no mundo social, elas permitem a sobrevivência básica e o bem-estar (CHRISTIANSEN; HAMMECKER, 2001). As atividades instrumentais de vida diária (AIVD´s) são aquelas que apoiam a vida diária dentro de casa e na comunidade que, frequentemente, requer maior complexidade de interações do que o autocuidado usado na AVD. O descanso e o sono incluem atividades relacionadas para obter relaxamento e assim apoiam a saúde e o envolvimento ativo em outras áreas de ocupação (NURIT; MICHEL, 2003). A educação inclui atividades necessárias para o aprendizado e participação em ambiente. O trabalho inclui atividades necessárias para o envolvimento remunerado em empregos ou atividades voluntárias (MOSEY, 1996). O brincar é qualquer atividade espontânea e organizada que ofereça satisfação, entretenimento, diversão e alegria (PARHAM; FAZIO, 1997). O lazer é considerado uma atividade não obrigatória, motivada intrinsecamente e realizada durante o tempo livre, ou seja, um tempo livre de ocupações obrigatórias tais 25 como o trabalho, o autocuidado e o sono (PARHAM; FAZIO, 1997). A participação social é considerada um padrão de comportamento organizado que é característico e esperado de um indivíduo ou de uma dada posição dentro do sistema social (MOSEY, 1996). Diante das áreas de ocupações conceituadas acima, pode-se relacionar a migração com a perda de papéis ocupacionais. A partir do momento que o estudante realiza a migração, o mesmo terá mudanças em suas AIVD´s, lazer e participação social. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o envolvimento do cliente em áreas de ocupação acontece em um determinado contexto. O termo contexto refere-se a uma variedade de condições inter-relacionadas que estão ao alcance do cliente e o cercam. Esses contextos exercem uma forte influência no desempenho do indivíduo. Eles podem ser: cultural, pessoal, temporal e virtual. De acordo com Cavalcanti e Galvão (2007), o contexto cultural inclui costumes, crenças, padrões de atividades, de comportamentos e expectativas aceitas pela sociedade na qual o cliente é membro. Com a migração o estudante passa a ter esses padrões modificados vindos a construir uma nova rotina em sua vida. Já o contexto pessoal refere-se às características demográficas do indivíduo, tais como idade, gênero, status sócio econômico e nível educacional que não são parte de uma condição de saúde. O contexto temporal inclui estágios da vida, hora do dia ou época do ano, periodicidade, ritmo da atividade ou história. Este contexto poderá ser relacionado à população alvo deste estudo já que a migração trás a esses indivíduos modificações em suas vidas. O contexto virtual refere-se às interações simuladas, em tempo real ou a situações que não fazem parte do contexto físico (CAVALCANTI; GALVÃO, 2007). Alguns contextos são externos ao cliente (por exemplo, o virtual), enquanto outros são internos ao cliente (por exemplo, o pessoal) e outros podem ter ambas as características externas, crenças e valores internalizados (por exemplo, o contexto cultural) (CAVALCANTI; GALVÃO, 2007). A Terapia Ocupacional envolve a facilitação de interações entre o cliente, contextos e suas atividades ou ocupações, com o propósito de ajudá-lo a alcançar os resultados desejados que apoiem à saúde e a participação na vida. 26 3 METODOLOGIA 3.1 TIPO DE ESTUDO O estudo realizado caracterizou-se como quantitativo, com revisão bibliográfica, pesquisa de campo, do tipo exploratório, descritivo e de corte transversal. Em relação à forma de abordar o problema classifica-se esta pesquisa como quantitativa, ao passo que foram utilizados instrumentos com este cunho para a realização da coleta e análise de dados, com a intenção de organizar e/ou sistematizar os elementos constitutivos, relacionados ao nível de estresse percebido pelo estudante migrante residente em casas de estudantes na cidade de Belém do Pará. Foi utilizada revisão bibliográfica, almejando aprofundar o estudo, dessa forma, busca-se desenvolver uma pesquisa sobre literaturas pertinentes aos temas abordados – estresse; estudante; migração e Terapia Ocupacional, estabelecendo assim um diálogo entre estas diversas perspectivas. Além disso, foi desenvolvida pesquisa de campo, por meio de visitas em seis casas de estudantes na cidade de Belém do Pará. Considera-se neste estudo também seu caráter exploratório, que é o primeiro passo de todo trabalho científico, ou seja, visa proporcionar maiores informações sobre determinado assunto, facilitando a delimitação de um tema de trabalho, definindo os objetivos ou formulando a(s) hipótese(s) de uma pesquisa ou descobrindo novo tipo de enfoque para o trabalho que se tem em mente (ANDRADE, 2001). Por sua vez, o estudo é considerado descritivo, pois permite ao pesquisador a obtenção de uma melhor compreensão do comportamento de diversos fatores e elementos que influenciam ou causam determinado fenômeno (OLIVEIRA, 1997). As pesquisas descritivas caracterizam-se frequentemente como estudos que procuram determinar status, opiniões ou projeções futuras nas respostas obtidas. A sua valorização está baseada na premissa que os problemas podem ser resolvidos e as práticas podem ser melhoradas através de descrição e análise de observações objetivas e diretas. As técnicas utilizadas para a obtenção de informações são bastante diversas, destacando-se os questionários, as entrevistas e as observações (ANDRADE, 2001). 27 Trata-se de estudo de corte transversal, pois os fenômenos em estudos são medidos em um único ponto no tempo ou no decorrer de um curto intervalo de tempo (GIL, 2000). Utilizou-se como base para este estudo o perfil sociodemográfico, pelo fato do mesmo possuir variáveis e características sociodemográficas contendo fatores pessoais como gênero, idade, grau de instrução, renda (“status” sócio-econômico), raça, etnia, estado civil, apoio social e participação da família e a falta de tempo percebido pelos indivíduos (MARTIN; SINDEN, 2001). 3.2 LOCAL DA PESQUISA Realizou-se a pesquisa em seis casas de estudantes existentes na cidade de Belém do Pará que acolhem estudantes vestibulandos e universitários procedentes de cidades do interior do estado do Pará, de outros estados brasileiros e de outros países. A seleção das casas de estudantes foi feita de maneira aleatória, por meio de sorteio. A Casa da Estudante Universitária - CAESUN, que abriga estudantes oriundas do interior do estado e também de outras partes do Brasil e do exterior, possui vínculo com a Universidade Federal do Pará – UFPA. Atualmente hospeda 24 universitárias. A Casa do Estudante Universitário do Pará - CEUP, trata-se de uma instituição privada, sem fins lucrativos, registrada no Conselho Federal de Serviço Social, oferta alojamento para 120 estudantes de curso superior e 8 para pré-vestibulandos, de ambos os sexos, sem condições de alojamento na zona metropolitana de Belém. A Casa de Estudante de Castanhal - CAEUC existe há mais de 12 anos e abriga universitários oriundos de Castanhal, atualmente oferta 20 vagas, ampara estudantes de ambos os sexos e possui convênio com a prefeitura de Castanhal. A Casa do Estudante Marabaense - CEMAB é uma fundação que ampara estudantes de ambos os sexos, procedentes da cidade paraense de Marabá. Por meio de convênio com a prefeitura, seleciona estudantes para residir na casa e atualmente oferece 32 vagas, sendo 8 para pré-universitários e 24 para universitários. A Casa de Estudante Masculina de Abaetetuba existe há 19 anos e abriga estudantes que precisam se deslocar para Belém, com oferta de 32 vagas, tendo convênio com a prefeitura de Abaetetuba. 28 A Casa de Estudante Universitária de Goianésia no Pará existe há 5 anos e abriga estudantes oriundos da cidade de Goianésia, possuindo convênio com a prefeitura desta cidade. 3.3 POPULAÇÃO DE REFERÊNCIA É formada por estudantes, de ambos os sexos, que migraram de outros locais (interior do estado do Pará, outros estados e outros países) para realizar seus estudos na cidade de Belém. 3.4 AMOSTRA Trata-se de amostra de conveniência constituída por 90 estudantes, de ambos os sexos residentes em casas de estudantes da cidade de Belém do Pará, durante os meses de agosto a dezembro de 2013. 3.5 CRITÉRIOS DE INCLUSÃO Ser estudante; Ambos os sexos; Estar matriculado em instituição oficial de ensino; Ser residente em casas de estudantes definidas no local de pesquisa no período da coleta de dados; Participar voluntariamente da pesquisa com assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido –TCLE. 3.6 CRITÉRIOS DE EXCLUSÃO Não ser estudante; Não estar matriculado em instituição oficial de ensino. Não ser residente em casas de estudantes definidas no local da pesquisa no período da coleta de dados; 29 Não participar voluntariamente da pesquisa com assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE. 3.7 PROCEDIMENTOS Inicialmente, foi realizada a escolha do tema e revisão bibliográfica, para assim ser construído o devido projeto de conclusão de curso, em seguida este foi enviado ao Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos – CEP onde recebeu aprovação. A etapa seguinte foi à qualificação do projeto. Com a aprovação do mesmo pelo comitê de ética e evidenciando as devidas considerações feitas pela banca de qualificação, realizouse uma nova revisão bibliográfica, para construção do Trabalho de Conclusão de Curso – TCC, durante os meses de agosto a dezembro de 2013. Foi estabelecido contato com a direção de cada casa de estudantes para solicitar adesão à pesquisa. Após a aprovação da pesquisa pela direção de cada casa, se deu o processo de ambientação das pesquisadoras nas mesmas, ocorrendo à seleção de participantes por meio de convites individuais e em pequenos grupos, quando as pesquisadoras deram explicações sobre o projeto visando adesão voluntária pelos participantes sorteados. Em caso de desistência de algum participante, foi realizado um novo sorteio até completar a amostra previamente estabelecida. Após a realização dos procedimentos citados acima, iniciou-se a pesquisa de campo com a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, assinatura do Termo de Uso da Imagem, aplicação do Inventário SocioDemográfico (ISD) e Escala de Percepção de Estresse (EPS 10). A coleta de dados aconteceu de julho a setembro de 2013, onde foi realizado visitas durante 4 vezes na semana em cada casa no período da tarde. Após o término da coleta de dados, realizou-se a sua categorização através de tabelas no Excel e análise de dados por meio de scores. Em seguida os dados referentes ao ISD foram analisados com o uso de estatísticas descritivas de modo a apresentar aspectos sociodemográficos relevantes, por meio do cálculo de frequências e porcentagens das variáveis: sexo, idade, religião, local de origem, classe econômica, casa de estudante a qual o mesmo reside, curso de graduação e semestre que está cursando atualmente. 30 Nos questionários EPS – 10 também foram realizadas estatísticas descritivas, por meio do cálculo de frequências e porcentagens. Portanto, com a finalização da tabulação e análise de dados coletados, foi entregue e será defendido o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). 3.8 HIPÓTESES 3.8.1 Hipótese afirmativa É possível investigar o nível de estresse percebido pelo estudante migrante residente em casas de estudantes na cidade de Belém do Pará; É possível investigar o perfil sociodemográfico do estudante migrante residente em casas de estudantes na cidade de Belém do Pará; É possível elaborar uma proposta de intervenção terapêutica ocupacional, que possa ajudar o estudante migrante residente em casas de estudantes na cidade de Belém do Pará a minimizar o nível de estresse percebido pelo mesmo. 3.8.2 Hipótese negativa Não é possível investigar o nível de estresse percebido pelo estudante migrante residente em casas de estudantes na cidade de Belém do Pará; Não é possível investigar o perfil sociodemográfico do estudante migrante residente em casas de estudantes na cidade de Belém do Pará; Não é possível elaborar uma proposta de intervenção terapêutica ocupacional, que possa ajudar o estudante migrante residente em casas de estudantes na cidade de Belém do Pará a minimizar o nível de estresse percebido pelo mesmo. 31 3.9 DESFECHOS 3.9.1 Desfecho primário No desfecho primário, foi obtida em curto prazo uma revisão bibliográfica acerca do tema abordado: “Nível de estresse de estudantes migrantes: Uma proposta terapêutica ocupacional”. 3.9.2 Desfecho secundário Enquanto que no desfecho secundário, investigou-se o nível de estresse do estudante migrante que reside em casas de estudantes na cidade de Belém do Pará, visando à intervenção da Terapia Ocupacional. 3.10 INSTRUMENTOS 3.10.1 Inventário Sociodemográfico (ISD) O Inventário Sociodemográfico (ISD) utilizado na coleta de dados investiga as seguintes variáveis: Sexo: a variável qualitativa nominal, determinada pelo sexo do participante por meio dos descritores masculino e feminino. Idade: a variável quantitativa contínua, determinada pela idade do participante em anos completos na ocasião da pesquisa. Religião: variável qualitativa nominal, investigada por meio de alternativas nas quais o participante pode escolher a categoria que estiver incluído. Esta variável admite as seguintes categorias: católica; evangélica; espírita; umbanda; nenhuma caso o participante não possua nenhuma religião; e outra, caso o participante não se inclua nas categorias apresentadas e nesse caso poderá especificar qual a religião professada. Classe econômica: a variável qualitativa ordinal, classe econômica, será determinada por intermédio da utilização do Critério de Classificação Econômica Brasil (CCEB). Este instrumento estima o poder de compra de pessoas que vivem em 32 ambientes urbanos baseado na quantidade da posse de determinados itens e no grau de instrução do chefe da família. Esta variável admite as seguintes categorias: Classe A1, Classe A2, Classe B1, Classe B2, Classe C1, Classe C2, Classe D e Classe E. Curso de graduação: variável que verifica qual curso de graduação se faz mais presente entre os estudantes migrantes. Casa de estudante: variável que analisa qual casa abriga uma maior quantidade de estudantes migrantes. Esta categorização é realizada após o somatório de pontuações obtidas pelos itens possuídos e escolaridade do chefe da família. O Quadro 01 apresenta escores correspondentes a cada uma das categorias. Quadro 01 – Escores para categorização de Classes Econômicas Classes Econômicas Escores Classe A1 Classe A2 Classe B1 Classe B2 Classe C1 Classe C2 Classe D Classe E 42 a 46 35 a 41 29 a 34 23 a 28 18 a 22 14 a 17 8 a 13 0a7 Fonte: ABEP (2012). Para a composição desta variável serão investigadas três outras variáveis discriminadas a seguir. Itens possuídos pelo grupo familiar do participante. A variável quantitativa discreta, itens que o grupo familiar possui, será determinada ao indagar os itens que a família possui: televisão, rádio, banheiro, automóvel, empregada doméstica mensalista, máquina de lavar, aparelho de DVD ou videocassete, geladeira e freezer na residência do participante. Para cada item esta variável admite as seguintes categorias: não tem, tem um, tem dois, tem três, tem quatro ou mais. Para cada uma das categorias dos itens possuídos será determinada a pontuação de acordo com os critérios ABEP (2012) que varia de 0 a 38. O Quadro 02 apresenta esta pontuação. 33 Quadro 02 – Escores para Itens possuídos Quantidade 0 1 2 Televisão em cores 0 1 2 Rádio 0 1 2 Banheiro 0 4 5 Automóvel 0 4 7 Empregada mensalista 0 3 4 Máquina de lavar 0 2 2 Videocassete e/ou DVD 0 2 2 Geladeira 0 4 4 Freezer (aparelho independente ou 0 2 2 parte da geladeira duplex) 3 3 3 6 9 4 2 2 4 2 4 ou + 4 4 7 9 4 2 2 4 2 Fonte: ABEP (2012). Chefe da família: a variável qualitativa nominal será determinada ao indagar qual a pessoa considerada como chefe da família na residência de origem do participante, ou seja, a pessoa que gerencia financeiramente a família. Esta variável admite as seguintes categorias: você mesmo/a, pai, mãe, irmão (ã), outra pessoa e, nesse caso, pode especificar quem é essa pessoa. Escolaridade do chefe da família: a variável qualitativa ordinal será investigada oferecendo um quadro no qual o participante seleciona o ultimo ano de estudos completados pela pessoa identificada como chefe da família. Esta variável admite as seguintes categorias: não alfabetizada/ até terceira série fundamental, caso o chefe da família não tenha ingressado em escola formal ou tenha concluído a terceira série fundamental; quarta a sétima série fundamental, caso o chefe da família tenha cursado a quarta série, tenha completado a sétima série ou estivesse cursado a oitava série; ensino fundamental completo/ensino médio incompleto, caso o chefe da família tenha completado a oitava série e estivesse estudando qualquer série do ensino médio; ensino médio completo/ensino superior incompleto, caso o chefe da família tenha concluído o ensino médio ou estivesse cursando qualquer ano do ensino superior; ensino superior completo, caso o chefe da família tenha concluído ensino superior. Para cada uma das categorias escolaridade do chefe da família será determinada a pontuação de acordo com os critérios ABEP (2012) que varia de 0 a 8. O Quadro 03 apresenta esta pontuação. 34 Quadro 03 – Escores para escolaridade do chefe da família. Nomenclatura Nomenclatura Atual Escore Antiga 0 Analfabeto/ Primário Analfabeto/ Até 3ª série Fundamental/ Até 3ª série incompleto 1º. Grau 1 Primário completo/ Até 4ª série Fundamental / Até 4ª série 1º. Grau Ginasial incompleto 2 Ginasial completo/ Fundamental completo/ 1º. Grau completo Colegial incompleto 4 Colegial completo/ Médio completo/ 2º. Grau completo Superior incompleto 8 Superior completo Superior completo Fonte: ABEP, 2012 3.10.2 Escala de Percepção de Estresse-10 (EPS-10) Na escala de percepção de estresse estão contidas questões com perguntas a respeito dos seus sentimentos e pensamentos durantes os últimos 30 dias (último mês). A escala pede que em cada questão o participante indique a frequência com que este sentiu ou pensou a respeito da situação. Embora algumas das perguntas sejam similares, há diferenças entre elas e devese analisar cada uma como uma pergunta separada. A melhor abordagem é responder a cada pergunta razoavelmente rápido. Isto é, o participante não deve contar o número de vezes que se sentiu de uma maneira particular, mas indique a alternativa que lhe pareça como uma estimativa razoável (COHEN, 1984). A escala possui 10 questões que são: Com que frequência você ficou aborrecido por causa de algo que aconteceu inesperadamente? (considere os últimos 30 dias). Com que frequência você sentiu que foi incapaz de controlar coisas importantes na sua vida? (considere os últimos 30 dias). Com que frequência você esteve nervoso ou estressado? (considere os últimos 30 dias). Com que frequência você esteve confiante em sua capacidade de lidar com seus problemas pessoais? (considere os últimos 30 dias). Com que frequência você sentiu que as coisas aconteceram da maneira que você esperava? (considere os últimos 30 dias). 35 Com que frequência você achou que não conseguiria lidar com todas as coisas que tinha por fazer? (considere os últimos 30 dias). Com que frequência você foi capaz de controlar irritações na sua vida? (considere os últimos 30 dias). Com que frequência você sentiu que todos os aspectos de sua vida estavam sob controle? (considere os últimos 30 dias). Com que frequência você esteve bravo por causa de coisas que estiveram fora de seu controle? (considere os últimos 30 dias). Com que frequência você sentiu que os problemas acumularam tanto que você não conseguiria resolvê-los? (considere os últimos 30 dias). As respostas dadas para as perguntas são: [0] Nunca. [1] Quase Nunca. [2] Às Vezes. [3] Pouco Frequente. [4] Muito Frequente. A computação dos escores da escala de percepção de estresse é dada pelo Professor Dr. Rodrigo Siqueira Reis e é computada da seguinte forma: a) Os itens 1, 2, 3, 6, 9 e 10 são negativos, sendo assim mantêm-se a pontuação 0, 1, 2, 3, e 4. b) Os itens 4, 5, 7 e 8 são positivos e por esta razão devem ter a pontuação revertida. Ex: 0 = 4, 1 = 3, 2 = 2, 3 = 1 e 4 = 0. c) Após a reversão todos os itens devem ser somados. d) O escore, obtido com a soma de todos os itens, é utilizado como medida de estresse percebido. A partir da análise dos scores, a classificação para o nível de estresse se dará da seguinte forma: sem estresse 0-10, estresse leve 11-20, estresse moderado 21-30 e estresse elevado 31-40. Utilizaram-se os seguintes cálculos da amostra para obtenção dos resultados da escala. Na Figura 1, a resposta “Muito freqüente” teve a maior ocorrência entre os dez itens no item 3, representando 46,7% dos estudantes que responderam a este item. Considerando as respostas: “Pouco freqüente” e “Muito freqüente” conjuntamente, pois são as opções que mais contribuíram para a composição do escore de estresse (exceto para os itens 4,5,7 e 8), nota-se que o item 3 e 9 correspondem cerca de 72% das respostas, seguido do item 9 com 41% e do item 2 com 40%. 36 Gráfico 1 - Distribuição relativa das repostas aos itens da escala EPS-10. 100% 90% 11,1 21,1 34,4 80% 70% 28,9 46,7 13,3 24,4 14,4 20,0 55,6 31,1 41,1 24,4 24,4 4,4 20,0 3,3 3,3 8,9 6,7 1,1 EPS 1 EPS 2 EPS 3 Nunca 40,0 34,4 25,6 20% 41,1 43,3 26,7 40% 0% 26,7 21,1 12,2 50% 10% 12,2 13,3 17,8 28,9 60% 30% 10,0 11,1 25,6 13,3 11,1 22,2 16,7 EPS 4 Quase nunca 12,2 EPS 5 Às vezes 6,7 EPS 6 12,2 EPS 7 Pouco frequente 16,7 21,1 10,0 8,9 7,8 12,2 EPS 8 EPS 9 EPS 10 Muito frequente Fonte: Das autoras (2013). No Quadro 1, o item com maior média (3,1) na escala foi o item 3, cujo a moda ou resposta mais freqüente foi “pouco frequente”, superando o valor médio teórico para este item que é 2 (resposta “às vezes”). Quadro 4 - Mínimo, Média e Máximo dos escores das respostas de cada item EPS EPS EPS EPS EPS Estatística 1 2 3 4 5 Mínimo 0 0 0 0 0 Média 2,53 2,09 3,10 1,49 1,87 Moda 2 3 4 0 2 Máximo 4 4 4 4 4 EPS EPS EPS EPS 6 7 8 9 0 0 0 0 2,02 1,69 1,87 2,42 2 2 2 2 4 4 4 4 EPS 10 0 1,92 2 4 Fonte: Das autoras (2013). Foi realizado o Teste de qui-quadrado de associação com nível de significância de 5% entre as respostas dos itens 1 a 10 da escala EPS-10 com as variáveis: Sexo (Masculino, Feminino), Religião (Católica, Outras religiões e nenhuma), Raça (Branco ou não branco), Classe econômica e se o entrevistado estava atualmente frequentando um curso de graduação. Devido a restrição de no máximo 20% do número de células esperadas na tabela de contingência serem menores ou iguais a 5 exigidas para a realização do teste qui- 37 quadrado, somente a variável Sexo foi utilizada nesta análise. Conforme a Tabela 10, os itens 7 e 10 estão significativamente associados com o sexo dos estudantes (Quadro 2). Quadro 5 - Teste Qui-quadrado de associação entre os itens 4, 5, 7, 8 e 10 da Escala EPS-10 e Sexo. Item EPS 4 EPS 5 EPS 7 EPS 8 EPS 10 Χ2 4,736 2,336 11,502 5,412 12,466 gl 4 4 4 4 4 Resultado valor p 0,3160 Não significativo 0,6700 Não significativo Significativo 0,0210 0,2480 Não significativo Significativo 0,0140 Fonte: Das autoras (2013). Para avaliar os fatores que influenciam o estresse percebido dos estudantes migrantes foi proposto um modelo de regressão linear. Os fatores avaliados foram: - Sexo (se Masculino); - Idade em anos; - Raça (se Branca); - Religião (se Católica); - Se o estudante está atualmente na graduação; - Classe Econômica (Classe C1 ou superior); - Origem (se do estado do Pará); - Escolaridade do chefe da família (se nível médio ou superior); O coeficiente e sua respectiva estimativa são os pesos que representam a importância de fator na composição do nível de estresse percebido. O valor p indica o menor nível de significância para o qual este coeficiente é considerado importante na análise, neste estudo fixou-se o nível de significância em 5%, de forma que p valores menos que 5% indicam fatores importantes para análise e que, portanto devem permanecer no modelo. De acordo com os resultados da Tabela 11, somente o Sexo entre os fatores considerados é determinante do nível de estresse percebido, sendo que o valor de seu coeficiente negativo (estimativa de -2,976) indica que homens tendem a ter um nível de estresse menor que as mulheres (Quadro 3). 38 Quadro 6- Coeficientes de regressão estimados Coeficiente Constante Sexo: Masculino* Idade Raça: Branco Religião: Católico Estudando: Na graduação Classe Econômica: C1 ou superior Estado de Origem: Pará Escolaridade do Chefe: Médio ou superior Estimativa 24,012 -2,976 -0,032 -0,058 0,156 -0,705 1,262 0,558 Erro-padrão 6,4 1,415 0,172 2,056 0,91 2,423 1,663 2,730 Valor p 0 0,039 0,851 0,977 0,864 0,772 0,450 0,839 -0,913 1,480 0,539 Fonte: Das autoras (2013). Para determinar o estado de estresse dos estudantes entrevistados, utilizou-se os resultados obtidos em Cohen (1984) e Reis e Petroski (2004). Ressalvando o caráter exploratório do presente estudo, nota-se que o escore médio neste trabalho é superior aos escores obtidos pelos autores supracitados por sexo e por faixa etária em pelo menos 57% indicando elevado nível de estresse dos estudantes pesquisados. Recomenda-se o aumento da amostra para validação dos resultados apresentados, pois para ambas as variáveis o tamanho amostral foi inferior a 11,8% quando comparado ao estudo de Cohen (1984), apesar dos coeficientes de variação terem sido menores neste trabalho. 3.11 ASPECTOS ÉTICOS A pesquisa foi realizada de acordo com a Resolução 196/96 (BRASIL, 1987) do Conselho Nacional de Saúde (CNS), após aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa e autorização nas casas de estudantes na cidade de Belém do Pará. Esta pesquisa incorpora sob a ótica do indivíduo e das coletividades os quatro referenciais básicos da bioética: autonomia, não maleficência, beneficência e justiça. E assegura os direitos e deveres que dizem respeito à comunidade científica aos sujeitos da pesquisa (BRASIL, 1987). Ainda segundo a referida Resolução (BRASIL, 1987) são garantidas as exigências éticas e científicas fundamentais de uma pesquisa envolvendo seres humanos que são: contar com o consentimento livre e esclarecido dos indivíduos alvo, ponderação entre riscos e benefícios por parte do pesquisador sendo que o mesmo se comprometendo com 39 o máximo de benefícios e o mínimo de riscos e garantir a não utilização das informações em prejuízo dos participantes através do sigilo dos dados pessoais dos mesmos. 3.12 RISCOS E BENEFÍCIOS Esta pesquisa foi de grande importância para comunidade científica, em especial para os terapeutas ocupacionais, contribuindo para a construção de seu campo profissional no que diz respeito à atuação desta profissão em relação à intervenção terapêutica ocupacional, que possa ajudar o estudante migrante residente em casas de estudantes na cidade de Belém do Pará a minimizar o nível de estresse percebido pelo mesmo. Pois, ainda há a escassez de literatura científica sobre o assunto, em função disto a realização dessa pesquisa veio estimular estudos científicos relacionados ao tema. Em relação à pessoa pesquisada, ela teve benefícios quanto ao seu possível nível de estresse uma vez que o objetivo é investigar o nível de estresse percebido pelo estudante migrante residente em casas de estudantes na cidade de Belém do Pará, garantindo assim melhorias na sua qualidade de vida. Com a conclusão do trabalho foram elaboradas propostas de intervenção terapêutica ocupacional, que possam ajudar o estudante migrante residente em casas de estudantes na cidade de Belém do Pará a minimizar o nível de estresse percebido pelo mesmo, gerando também melhoria na qualidade de vida da referida clientela. Em relação aos prováveis riscos para a comunidade científica poderia ter ocorrido de não se alcançar os objetivos ou ocorrer à publicação de falsos dados sobre o estudo e consequentemente não haver contribuições para o campo da Terapia Ocupacional no que diz respeito à atuação desta profissão com estudantes migrantes. Se isso tivesse ocorrido os objetivos seriam refeitos e readaptados pelas acadêmicas e sua orientadora para que a pesquisa alcance a finalidade almejada. E as pesquisadoras se comprometem com a veracidade dos fatos que serão publicados nesta pesquisa. Os riscos para a comunidade alvo estão relacionados a não disposição dos resultados do estudo, uma vez que inviabilizaria a verificação pela comunidade dos benefícios gerados a ela e estarão privados de obter informações acerca da intervenção terapêutica ocupacional com a clientela abordada na pesquisa. Porém as pesquisadoras 40 se comprometem em dispor os resultados do estudo ao final de todo o processo de pesquisa. Para os participantes da pesquisa, os riscos que poderiam ocorrer seriam na divulgação de seus dados pessoais que poderiam comprometer sua integridade moral, social e/ou profissional. Entretanto as pesquisadoras se comprometeram com o sigilo absoluto das informações, identificando os clientes através de pseudônimos, divulgando apenas os dados pertinentes à pesquisa, de modo a preservar em todos os momentos a identidade e privacidade dos clientes. Mais esclarecimentos acerca dos riscos e benefícios da pesquisa serão fornecidos aos participantes por escrito, através do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE (APÊNDICE A). Apenas participaram da pesquisa as pessoas que estavam de acordo com o TCLE e Termo de Autorização de Uso de Imagem (APÊNDICE B). 41 4 RESULTADOS 4.1 INVENTÁRIO SOCIODEMOGRÁFICO (ISD) Foram pesquisados um total de 90 estudantes, sendo 39 (43,3%) do sexo feminino e 51 (56,7%) do sexo masculino, distribuídos em seis casas. Cerca de metade eram residentes na Casa do Estudante Universitário do Pará (TABELA 1). Tabela 1 - Distribuição dos Estudantes por Casa de Residência e Sexo Casa do estudante Sexo Total Feminino n % Masculino N % N % 15 38,5 0 0 15 16,7 6 15,4 1 2,6 7 7,8 0 0 13 33,3 13 14,4 CEMAB4 1 2,6 6 15,4 7 7,8 5 2 5,1 1 2,6 3 3,3 15 39 38,5 100 30 51 76,9 100 45 90 50,0 100 CAESUN1 2 CAEUC CEA 3 CEUGP CEUP Total 6 1 2 3 Nota: Casa da Estudante Universitária, Casa de Apoio de Estudantes Universitários de Castanhal, Casa 4 5 de Estudante de Abaetetuba, Casa de Estudante de Marabá, Casa de Estudante Universitária de 6 Goianésia do Pará, Casa do Estudante Universitário do Pará. Fonte: Das autoras (2013). A Média das idades das mulheres foi de 23,2 (DP= 3,56) anos e dos homens de 24,71 (DP 4,28) anos. Na amostra geral foi de 24,06 (DP= 4,04) anos e não houve diferença significativa de idade entre os grupos dada pelo valor de p=0,196 (Tabela 2). Tabela 2 - Média e Desvio Padrão das Idades dos Estudantes Sexo Feminino Masculino Total da amostra n 39 51 90 Fonte: Das autoras (2013). Média 23,16 24,71 24,06 DP 3,56 4,28 4,04 Idade Idade Mínima Máxima 19 32 19 35 19 35 42 A distribuição da amostra por classes de idades mostrou que os estudantes são predominantemente mais jovens com idades entre 19 e 24 anos com 61 (69,3%) dos entrevistados, seguida da classe dos 25 aos 30 anos com 15 estudantes (17%) (Tabela 3). Tabela 3 - Classes de Idades Classes de idade 19 |—| 24 25 |—| 30 31 |— 36 Total N % 61 15 12 88 69,3 17,0 13,6 100 Fonte: Das autoras (2013). Com relação aos cursos de graduação, foram 30 cursos e destes, o de maior frequência entre o sexo feminino foi o de Enfermagem que totalizou 5 (5,6%) estudantes e entre os de sexo masculino foram os cursos de Direito, com 8 (8,9%) estudantes, seguido pelo curso de Medicina com 5 (5,6%) estudantes. No geral, os cursos mais frequentes foram Direito e Enfermagem ambos com 9 (11,1%) estudantes (Tabela 4). 43 Tabela 4 - Curso em realização pelos estudantes por Sexo Sexo Curso de Graduação Feminino Masculino n % N % Agronomia 2 5,1 3 5,9 Arquitetura 1 2,6 0,0 Biblioteconomia 1 2,6 0,0 Biomedicina 1 2,6 0,0 Ciências Contábeis 4 10,3 2 3,9 Ciências da Computação 0,0 1 2,0 Ciências Políticas 1 2,6 0,0 Direito 1 2,6 8 15,7 Economia 0,0 3 5,9 Enfermagem 5 12,8 4 7,8 Engenharia Civil 3 7,7 4 7,8 Engenharia/ Computação 2 5,1 0,0 Engenharia de Pesca 1 2,6 3 5,9 Engenharia de Produção 0,0 1 2,0 Engenharia Elétrica 0,0 2 3,9 Engenharia Sanitária e Ambiental 2 5,1 0,0 Estatística 0,0 1 2,0 Farmácia 1 2,6 0,0 Fisioterapia 2 5,1 2 3,9 Geografia 1 2,6 1 2,0 Geologia 2 5,1 1 2,0 Matemática 1 2,6 1 2,0 Medicina 1 2,6 5 9,8 Medicina Veterinária 0,0 1 2,0 Nutrição 1 2,6 0,0 Odontologia 1 2,6 0,0 Psicologia 1 2,6 0,0 Serviço Social 1 2,6 0,0 Sistema de Análise 0,0 1 2,0 Terapia Ocupacional 1 2,6 0,0 Perdidos 2 5,13 7 13,7 Total 39 100 51 100 Fonte: Das autoras (2013). Total N 5 1 1 1 6 1 1 9 3 9 7 % 5,6 1,1 1,1 1,1 6,7 1,1 1,1 10,0 3,3 10,0 7,8 2 4 1 2 2,2 4,4 1,1 2,2 2 1 1 4 2 3 2 6 1 1 1 1 1 1 1 9 90 2,2 1,1 1,1 4,4 2,2 3,3 2,2 6,7 1,1 1,1 1,1 1,1 1,1 1,1 1,1 10 100 44 Tabela 5 – Grande área do conhecimento dos estudantes por Sexo Grande Área do Conhecimento Ciências da Saúde Ciências da Terra Ciências Exatas e Naturais Ciências Humanas e Sociais Aplicadas Tecnologia Perdidos Total Feminino n % 13 33,3 4 10,3 Sexo Masculino n % 12 23,5 4 7,8 Total N 25 8 % 27,8 8,9 1 2,6 4 7,8 5 5,6 10 25,6 14 27,5 24 26,7 9 23,1 10 19,6 19 21,1 2 39 5,1 100 7 51 13,7 100 9 90 10,0 100 Fonte: Das autoras (2013). Quanto ao Semestre que estava sendo cursado na época da coleta, cerca da metade dos estudantes se encontravam nos quatro primeiros semestres, totalizando 47,8% da amostra (Tabela 6). Tabela 6 - Semestre Acadêmico em realização pelos estudantes por Sexo Sexo Feminino Semestre Acadêmico 1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º 10º Não informado Total Fonte: Das autoras (2013). n 1 7 5 8 5 5 1 2 1 2 2 39 Masculino % do % do total n total 2,6 0,0 17,9 4 7,8 12,8 6 11,8 20,5 12 23,5 12,8 2 3,9 12,8 11 21,6 2,6 3 5,9 5,1 2 3,9 2,6 3 5,9 5,1 1 2,0 5,1 7 13,7 100 51 100 Total N 1 11 11 20 7 16 4 4 4 3 9 90 % do total 1,1 12,2 12,2 22,2 7,8 17,8 4,4 4,4 4,4 3,3 10,0 100 45 No que tange à Religião, a mais frequente foi a católica para 55 (61,1%) estudantes, seguida da evangélica por 18 (20%) estudantes e umbanda por 3 (3,3%) estudantes e 14 (15,6%) não professavam religião (Tabela 7). Tabela 7 - Religião dos estudantes por Sexo Sexo Religião Católica Evangélica Umbanda Nenhuma Total Feminino n % 26 66,7 9 23,1 0,0 4 10,3 39 100 Total Masculino n 29 9 3 10 51 % 56,9 17,6 5,9 19,6 100 N 55 18 3 14 90 % 61,1 20,0 3,3 15,6 100 Fonte: Das autoras (2013). Quanto ao local de origem observou-se 33 ocorrências de municípios do estado do Pará, 2 de municípios do estado do Maranhão, 1 município de Goiás e uma única ocorrência de estudante oriundo do exterior (GUINÉ). Os municípios de maior frequência foram Abaetetuba com 18 (20%) estudantes; Marabá com 11 (12,2%) estudantes e Castanhal com 10 (11,1%) estudantes (Tabela 8). 46 Tabela 8 - Local de origem dos estudantes por Sexo Sexo Local de origem Feminino n % GOIÁS 1 GOIANIA Masculino % N % 2,6 0,0 1 1,1 1 2,6 0,0 1 1,1 GUINɹ 2 5,1 0,0 2 2,2 BISSAU 2 5,1 0,0 2 2,2 MARANHÃO FORTALEZA DAS NOGUEIRAS 0 0,0 3 2,0 3 1,1 0 0,0 1 2,0 1 1,1 MONTES ALTOS 0 0,0 2 3,9 2 2,2 PARÁ 36 92,3 48 94,1 84 93,3 ABAETETUBA 3 7,7 15 29,4 18 20,0 0,0 2 3,9 2 2,2 3 5,9 7 7,8 BAIÃO N Total BARCARENA 4 10,3 BELÉM 1 2,6 0,0 1 1,1 BRAGANÇA 2 5,1 0,0 2 2,2 BREU BRANCO 1 2,6 0,0 1 1,1 BREVES 0,0 1 2,0 1 1,1 CAMETÁ 2 5,1 2 3,9 4 4,4 CASTANHAL 9 23,1 1 2,0 10 11,1 0,0 1 2,0 1 1,1 5,1 1 2,0 3 3,3 0,0 1 2,0 1 1,1 0,0 1 1,1 15,7 11 12,2 CURUÇÁ GOIANÉSIA DO PARÁ 2 IPIXUNA DO PARÁ MÃE-DO-RIO 1 2,6 MARABÁ 3 7,7 MARAPANIM 1 2,6 0,0 1 1,1 MOCAJUBA 1 2,6 0,0 1 1,1 8 MOJU 0,0 1 2,0 1 1,1 MONTE DOURADO 0,0 1 2,0 1 1,1 NOVA TIMBOTEUA 0,0 1 2,0 1 1,1 0,0 1 1,1 ORIXIMINÁ 1 2,6 PARAUAPEBAS 0,0 1 2,0 1 1,1 PEIXE-BOI 0,0 1 2,0 1 1,1 0,0 2 2,2 POÇO DE CALDAS 2 5,1 RIO LIMOEIRO DO AJURÚ 0,0 1 2,0 1 1,1 RONDON DO PARÁ 0,0 1 2,0 1 1,1 0,0 1 1,1 SALINOPÓLIS 1 2,6 47 SALVATERRA 1 2,6 0,0 1 1,1 SANTA MARIADO PARÁ 0,0 1 2,0 1 1,1 SÃO DOMINGOS DO CAPIM 0,0 1 2,0 1 1,1 SÃO MIGUEL DO GUAMÁ 0,0 2 3,9 2 2,2 TERRA ALTA 0,0 1 2,0 1 1,1 TUCUMà 0,0 1 2,0 1 1,1 0,0 1 1,1 100,0 90 100,0 ULIANOPOLIS 1 2,6 Total 1 Nota: Fora do Brasil Fonte: Das autoras (2013). 39 100,0 51 Quanto à Classe Econômica observou-se que a maioria encontrava-se na Classe C (1 e 2) com 65 (72,2%) estudantes, seguido da Classe B (1 e 2) com 18 (20%) estudantes (Tabela 9). Tabela 9 - Distribuição da Amostra Geral dos estudantes por Classe Econômica e Sexo Sexo Classe econômica A2 B1 B2 C1 C2 D E Total Feminino n % 2 5,1 4 10,3 15 38,5 14 35,9 3 7,7 1 2,6 39 100 Masculino n % 1 2,0 4 7,8 8 15,7 16 31,4 20 39,2 2 3,9 51 100 Total N 1 6 12 31 34 5 1 90 % 1,1 6,7 13,3 34,4 37,8 5,6 1,1 100 Fonte: Das autoras (2013). 4.2 ESCALA DE ESTRESSE PERCEBIDO (EPS 10) Neste capítulo serão expostos os resultados da Escala de Percepção de Estresse (EPS - 10), ao qual foi realizado através da tabulação dos scores. A computação dos escores da escala de percepção de estresse é dada pelo Professor Dr. Rodrigo Siqueira Reis (2004) e o escore, obtido com a soma de todos os itens, é utilizado como medida de estresse percebido. As tabelas que serão apresentadas abaixo descrevem o tipo de estresse que o estudante migrante apresenta correlacionados com as seguintes variáveis: 48 casa de estudante que reside, sua classe de idade, sexo, curso de graduação, classe econômica e religião. As tabelas construídas para servirem de base na discussão da Escala de Estresse Percebido (EPS-10), descrevem o estresse a partir dos scores como sendo: sem estresse que compreende valores entre 0 – 10, nível de estresse leve entre 11- 20, nível de estresse moderado 21- 30 e nível de estresse elevado 31- 40. Quanto ao nível de estresse dos estudantes por sexo, através dos resultados da pesquisa percebe-se que há um elevado número de 49 estudantes apresentando um nível de estresse moderado. Dentre eles, 26 estudantes do sexo feminino e 23 do sexo masculino. Seguido do nível de estresse leve com total de 32 estudantes, sendo 20 do sexo masculino e 12 do sexo feminino (Tabela 1). Tabela 10 - Nível de Estresse dos Estudantes por Sexo Sexo TOTAL Nível de Estresse F M N Sem Estresse 0 4 4 12 20 32 26 23 49 2 3 5 40 50 90 0|—|10 Estresse Leve 11|—|20 Estresse Moderado 21|—|30 Estresse Elevado 31|—|40 TOTAL Fonte: Das autoras (2013). A partir da verificação do maior quantitativo de estudantes classificados no nível de estresse moderado, será feita análise diferenciada do perfil destes estudantes. No que tange a distribuição dos estudantes com nível de estresse moderado por Casa de Residência, verificou-se que 9 estudantes são da CAESUN, 3 da CAEC, 6 da CEA, 1 da CEMAB, 2 da CEUGP e 28 da CEUP, totalizando em 49 estudantes (Tabela 2). 49 Tabela 11 - Distribuição dos Estudantes por Casa de Residência e Nível de Estresse Percebido Nível de Estresse Sem Casa do estudante CAESUN1 CAEUC2 CEA3 TOTAL CEMAB4 CEUGP5 CEUP6 N 0 0 2 2 0 0 4 6 4 2 4 1 15 32 9 3 6 1 2 28 49 0 0 3 0 0 2 5 15 7 13 7 3 45 90 Estresse 0|—|10 Estresse Leve 11|—|20 Estresse Moderado 21|—|30 Estresse Elevado 31|—|40 TOTAL 1 2 3 Nota: Casa da Estudante Universitária, Casa de Apoio de Estudantes Universitários de Castanhal, Casa de Estudante 4 5 6 de Abaetetuba, Casa de Estudante de Marabá, Casa de Estudante Universitária de Goianésia do Pará, Casa do Estudante Universitário do Pará. Fonte: Das autoras (2013). No que tange as classes de idades dos estudantes com nível de estresse moderado entre a classe de idade de 19 e 24 anos encontrou-se 34 estudantes. Seguido da classe de idade entre 25 e 30 anos com 10 estudantes e entre a classe de idade de 31 e superior a 36 anos encontra-se 5 estudantes (Tabela 3). 50 Tabela 12 - Classes de Idades e Nível de Estresse Percebido Nível de Estresse Classes de Sem Estresse Estresse Estresse TOTAL idade Estresse Leve Moderado Elevado 0|—|10 11|—|20 21|—|30 31|—|40 N 19 |—| 24 0 20 34 3 57 25 |—| 30 1 11 10 1 23 31 |— 36 3 1 5 1 10 Total 4 32 49 5 90 Fonte: Das autoras (2013). Em relação ao curso de graduação ao qual os estudantes com nível de estresse moderado, que são os estudantes predominantes nesta pesquisa, o curso mais observado foi o de Direito com 6 estudantes, seguido pelo curso de Fisioterapia com 4 estudantes (Tabela 4). 51 Tabela 13 - Curso em realização pelos estudantes por Nível de Estresse Curso de Graduação Agronomia Arquitetura Biblioteconomia Biomedicina Ci. Contábeis Ciências da Computação Ciências Políticas Direito Economia Enfermagem Eng. Civil Engenharia da Computação Eng. de Pesca Eng. de Produção Eng. Elétrica Eng. Sanitária e Ambiental Estatística Farmácia Fisioterapia Geografia Geologia Matemática Medicina Medicina Veterinária Nutrição Odontologia Psicologia Serviço Social Sistema de Análise Terapia Ocupacional Perdidos TOTAL Sem Estresse 0|—|10 n 0 0 0 0 0 0 Estresse Leve 11|—|20 N 2 1 0 0 3 0 Estresse Moderado 21|—|30 n 3 0 1 1 2 1 Estresse Elevado 31|—|40 n 0 0 0 0 1 0 TOTAL N 5 1 1 1 6 1 0 1 0 0 1 0 0 1 3 0 3 1 5 0 1 6 2 3 3 1 0 0 0 1 0 9 3 9 7 2 0 0 0 0 2 0 2 2 2 1 0 0 0 0 0 0 4 1 2 2 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 4 2 0 1 4 2 3 1 1 0 0 0 0 0 0 1 0 0 1 1 4 2 3 2 5 2 0 0 0 0 0 1 1 1 0 0 0 0 0 1 1 0 0 0 0 0 1 1 1 1 1 0 0 1 0 1 1 5 1 34 6 47 1 4 9 90 Fonte: Das autoras (2013). 52 Quanto à religião, verificou-se a grande predominância da religião católica que prevaleceu no total de 54 estudantes, destes 28 apresentando nível de estresse moderado, seguido da evangélica com 9 estudantes, a umbanda com 3 estudantes e os que não apresentaram religião alguma foram 8 estudantes (Tabela 5). Tabela 14 - Religião dos estudantes por Nível de Estresse Religião TOTAL Evangélica Umbanda 2 2 0 0 4 Estresse Leve 11|—|20 22 7 0 5 34 Estresse Moderado 21|—|30 28 9 3 8 48 Estresse Elevado 31|—|40 2 1 0 1 4 TOTAL 54 19 3 14 90 Nível de Católica Nenhuma N Estresse Sem Estresse 0 |—|10 Fonte: Das autoras (2013). Em relação a amostra geral dos estudantes por classe econômica dividida em Classe A2, B (1 e 2), C (1 e 2), D e E, analisou-se dentre os que apresentaram o nível de estresse moderado a predominância da classe C (1 e 2), no total de 35 estudantes, seguido da classe B (1 e 2) com 11 estudantes, as classes D e E apresentaram 1 estudante cada, enquanto a classe A2 não apresentou nível de estresse (Tabela 6). 53 Tabela 15 - Distribuição da Amostra Geral dos estudantes por Classe Econômica Nível de Classes Econômicas TOTAL Estresse Sem A2 B1 B2 C1 C2 D E N 1 0 1 0 1 1 0 4 0 4 2 15 11 1 0 38 0 2 9 15 20 1 1 48 0 0 0 1 2 2 0 5 1 6 12 31 34 5 1 90 Estresse 0 |—|10 Estresse Leve 11|—|20 Estresse Moderado 21|—|30 Estresse Elevado 31|—|40 TOTAL Fonte: Das autoras (2013). 54 5 DISCUSSÃO 5.1 INVENTÁRIO SOCIODEMOGRÁFICO (ISD) Neste capitulo serão apresentados as discussões dos resultados obtidos por meio do Inventário Sociodemográfico (ISD) e da Escala de Percepção de Estresse (EPS -10). Em relação ao ISD, foram pesquisados um total de 90 estudantes distribuídos em seis casas. Cerca da metade é residente na Casa do Estudante Universitário do Pará (CEUP). No que tange a idade dos estudantes migrantes onde a Média das idades das mulheres foi de 23,2 anos e dos homens de 24,71 anos, na amostra geral não houve diferença significativa de idade entre os grupos. A distribuição da amostra por classes de idades mostrou que os estudantes são predominantemente mais jovens com idades entre 19 e 24 anos. Em relação aos cursos de graduação, foram 30 cursos diferentes que aos quais os participantes da pesquisa estavam freqüentando na época da coleta, o de maior frequência entre ambos os sexos foi de Direito, Medicina e Enfermagem. Quanto ao Semestre que estava sendo cursado à época da coleta, cerca da metade dos estudantes se encontra nos quatro primeiros semestres. No que tange à Religião, a mais frequente foi a católica, seguida da evangélica e umbanda. Quanto ao local de origem observou-se 33 ocorrências do município do estado do Pará, 2 do município do estado do Maranhão, 1 município de Goiás e 2 ocorrências de estudantes oriundo do exterior (GUINÉ) e na Classe Econômica observou-se que a maioria encontrava-se na Classe C (1 e 2) com 65 (72,2%) estudantes, seguido da Classe B (1 e 2) com 18 (20%) estudantes. Ao observar os resultados da presente pesquisa, no que diz respeito às casas de residências dos estudantes pesquisados, onde todos são oriundos de outros municípios, estados ou países, e migraram com o principal objetivo de estudar, cursar alguma universidade e assim, obter melhor qualidade de vida. De acordo com o Relatório sobre a Divisão de População das Nações Unidas atualmente há 191 milhões de migrantes no mundo, levando no imaginário a possibilidade de alcançar uma melhor qualidade de vida para si e para os seus. Tal fator, melhor qualidade de vida, que leva a maioria das pessoas migrar pode ocorrer por vários 55 motivos, como por exemplo: estudos, trabalhos, melhor moradia, maior e melhor oportunidades de emprego, qualificação de mão-de-obra, entre outros. Porém, no presente estudo verifica-se com relação ao estudante que migra em busca de melhor qualidade de vida por meio de estudos que há predominância do sexo masculino (COUTINHO; RAMOS; FRANKEN, 2008). Em relação à distribuição da amostra por classes de idades no resultado deste TCC, mostrou que as idades mais frequentes estavam entre os 19 aos 24 anos, seguida da classe dos 25 aos 30 anos. Segundo o Censo da Educação Superior 2010, outras modalidades de ensino no cenário contemporâneo, como é o caso dos cursos de menor duração, conhecidos por tecnológicos, e das universidades à distância também despertam o interesse do estudante migrante, apresentando cerca de 14,6% do total de matrículas. Outro dado apresentado pelo Censo 2010 diz respeito à faixa etária dos inscritos no Ensino Superior, tendo os alunos de cursos presenciais uma média de 26 anos, e os de cursos à distância 33 anos, o que sugere que a modalidade de ensino a distância atrai aqueles que já estão empregados e necessitam de uma maior flexibilidade de horários e dá oportunidade de acesso ao Ensino Superior àqueles que não tiveram quando mais novos. Com relação aos cursos de graduação dos estudantes participantes deste trabalho de TCC, estavam frequentando no período da coleta de dados com maior freqüência os estudantes dos cursos de Direito, Enfermagem e Medicina. Verificou-se então, que os dados encontrados neste trabalho, corroboram com a literatura que aponta a tradição do curso de Medicina dentre os cursos mais concorridos nas maiores universidades do País. E, por mais que surjam novos cursos de graduação a cada ano, a tradição ainda impera no ensino superior brasileiro. Segundo a jornalista Rose Saconi no estadão acervo, as carreiras mais procuradas nos vestibulares hoje são as mesmas de 80 anos atrás: medicina, direito e engenharia. Se isso era verdade para os homens, não acontecia o mesmo com as mulheres. Para elas, o magistério era uma das poucas profissões respeitáveis para as jovens de classe média até a década de 1930. Com o crescimento da aviação no País, nas décadas de 1960 e 1970, a profissão da moda para as meninas se tornou a de comissária de bordo. “Nos anos 1980, Medicina 56 e Direito continuaram a ser cursos procurados, mas Engenharia não vivia uma boa fase. Nessa época, como mostram levantamentos publicados no jornal, cerca de 20% dos engenheiros de São Paulo acabavam desempregados. A reviravolta da profissão veio com o século 21, quando também cresceram a quantidade e variedade de profissões ligadas à tecnologia e à internet. Mas essas novas carreiras continuam dividindo espaço com as mais antigas e tradicionais, que ainda ocupam o lugar de favoritas entre os estudantes (SACONI, 2013). O Centro de Processos Seletivos da UFPA (CEPS) divulgou a demanda de candidatos por curso para as vagas ofertadas por meio da Mobilidade Acadêmica Interna (Mobin) e Mobilidade Acadêmica Externa (Mobex) para o ano de 2013. Entre os cursos mais concorridos, estão Direito, Medicina, Engenharia Civil e Odontologia para o Mobin, e Direito, Medicina, Psicologia e Odontologia para o Mobex (Universidade Federal do Pará, 2012). Tais resultados podem ser vistos no presente trabalho, onde o curso de Medicina é um dos mais realizados entre a população do estudo. Fato este pode ser explicado devido a grande maioria dos cursos oferecidos nas instituições públicas do estado do Pará ser cursos de Licenciatura. Por esse motivo, muitos estudantes do interior do estado tendem a se deslocarem para a capital em busca de seguir outros cursos que não estão disponíveis em seus municípios. Quanto ao Semestre que estava sendo cursado à época da coleta, cerca da metade dos estudantes se encontra nos quatro primeiros semestres. Vale ressaltar que durante sua formação na universidade, os estudantes passam por processos de adaptação que podem gerar situações de crises, como o surgimento de depressões, alcoolismo, evasão escolar, dificuldades na aprendizagem, nos relacionamentos pessoais e isolamento, podendo assim, o estudantes acarretar problemas, de saúde como o estresse (EURICH; KLUTHCOVSKY, 2008). Em relação ao grau de escolaridade, na da juventude rural, este é 30% inferior ao da juventude urbana. Como observa o autor, o acesso ou não do jovem ao Ensino Superior está também relacionado ao nível de escolaridade dos pais e à renda da família. “Nesse sentido, o ensino superior público acaba funcionando como o instrumento possível para superar as desigualdades ou para diminuir a iniquidade no sistema educacional” (CUNHA, 2011, p. 265). 57 No que tange à Religião, a mais frequente foi a católica, seguida da evangélica e umbanda, alguns não professavam religião. Durante o século XX, cientistas e intelectuais de grande influência no meio acadêmico, principalmente na área de saúde mental, atribuíram à religiosidade um efeito negativo para o funcionamento psicológico. Partindo basicamente de teoria e opiniões pessoais, sem base em investigações epidemiológicas sistematizadas, contribuíram para a disseminação da idéia de que a religiosidade teria um impacto negativo sobre a saúde mental (STROPPA; ALMEIDA, 2009). Atualmente as investigações sobre a relação entre religiosidade e saúde buscam testar e avaliar como crenças e comportamentos religiosos relacionam ou interferem na saúde, assim como em outros aspectos da vida do indivíduo. Do ponto de vista clínico e epidemiológico, importa avaliar o impacto que religião, religiosidade e espiritualidade possam ter sobre a saúde física e mental de uma pessoa ou uma comunidade (MOREIRA; ALMEIDA, 2008). Assim, podemos observar que crenças religiosas podem influenciar o modo como pessoas lidam com situações de estresse, sofrimento e problemas de suas vidas. A religiosidade pode proporcionar à pessoa maior aceitação, firmeza e adaptação a situações difíceis de vida, gerando paz, autoconfiança e perdão, e uma imagem positiva de si mesmo. Porém, por outro lado, dependendo do tipo e uso de tais crenças religiosas, podem gerar culpa, dúvida, ansiedade e depressão por aumento da autocrítica. Portanto, as Religiões podem tanto orientar a pessoa de maneira rígida e inflexível, desestimulando a busca de cuidados médicos, como podem ajudá-la a integrar-se a uma comunidade e motivá-la para o tratamento, e parecem compartilhar uma vida social caracterizada por vínculos que possibilitam maior suporte em situações de estresse e adoecimento (STROPPA; ALMEIDA, 2009). Segundo Savioli, houve um progressivo aumento de pesquisas científicas sobre o assunto, o autor diz que muitas delas apontaram para a existência de uma associação entre envolvimento religioso e saúde. Segundo o mesmo, uma das explicações desse fenômeno existentes atualmente atribui à atividade religiosa a capacidade de diminuir os níveis de estresse. Conjuntamente, diversas pesquisas associam estresse elevado com o desenvolvimento de várias patologias. Assim, finaliza Savioli, a fé religiosa poderia atuar no âmbito psíquico (aliviando o estresse), e isso ajudaria a evitar diversos tipos doenças 58 (uma vez que o plano psicológico interage com outros sistemas, como o imunológico e o neurológico). Resumidamente, a fé ajudaria a combater o estresse, e isso poderia ajudar a prevenir doenças e aumentar a expectativa de vida. Quanto ao local de origem observou-se 33 ocorrências de municípios do estado do Pará, 2 de municípios do estado do Maranhão, 1 município de Goiás e 2 ocorrências de estudantes oriundo do exterior (GUINÉ). Os municípios de maior frequência foram Abaetetuba, Marabá e Castanhal. A complexidade do mundo moderno, o capitalismo e o desenvolvimento tecnológico aprimoram cada vez mais as técnicas de produção, ampliam mercados, modificam postos de trabalho e provocam a expansão de necessidades de consumo, acarretando irreversíveis modificações na vida das pessoas. Em função desta produção, destes mercados e da globalização, sacrificam-se os referenciais humanos e suas integridades psicológicas, o que determina, muitas vezes, o deslocamento das pessoas para novos centros de trabalhos, provocando fenômenos sociais como: o êxodo rural, migrações internas e internacionais, em busca de viver, principalmente, com melhor qualidade de vida (RAMOS, 2010). Para isso, muitas vezes o jovem busca se apropriar de novas tecnologias e do conhecimento acadêmico. Quanto à Classe Econômica observou-se que a maioria encontrava-se na Classe C (1 e 2), seguido da Classe B (1 e 2). Observa-se que a população pesquisada apresenta um numero de médio para acentuado da renda econômica, destacando no presente trabalho a predominância da Classe C. Utilizou-se o Critério de Classificação Econômica Brasil de 2008, que enfatiza sua função de estimar o poder de compra das pessoas e famílias urbanas, abandonando a pretensão de classificar a população em termos de “classes sociais”. A divisão de mercado definida é exclusivamente de classes econômicas. A Classe média é uma classe social presente no capitalismo moderno que se convencionou tratar como possuidora de um poder aquisitivo e de um padrão de vida e de consumo razoáveis, de forma a não apenas suprir suas necessidades de sobrevivência como também a permitir-se formas variadas de lazer e cultura, embora sem chegar aos padrões de consumo eventualmente considerados exagerados das classes superiores (Manuel Anastácio, 2011). A nova classe média brasileira representa mais de 50% da 59 população. O crescimento desse segmento, com renda familiar mensal entre R$ 1 mil e R$ 4 mil, deve-se principalmente ao aumento na renda dos mais pobres. Ao final da última década, a pobreza extrema declinou de forma acentuada no país, diminuindo um pouco a desigualdade social e melhorando a distribuição de renda. Porém, o jornal O GLOBO, em reportagem sob título "Nova classe média é fenômeno mundial", em sua edição de Março de 2013, apresenta opinião de Célia Lessa Kerstenetzky, diretora do Centro de Estudos sobre Desigualdade e Desenvolvimento da Universidade Federal Fluminense, que julgo espelhar, magistralmente, a real situação desta alardeada classe média: "... mas em muitos casos, o mercado de trabalho é precário, a proteção social é incipiente e o acesso a serviços sociais essenciais é muito limitado. Acho equivocado falarmos em classe média no sentido sociológico do termo" e "Pesquisa que fiz revela padrões de consumo muito deficientes entre as famílias consideradas da classe média brasileira: moradias inadequadas, baixa escolaridade dos chefes de família, perspectivas desalentadoras para as crianças e jovens". E em Julho de 2013 o governo brasileiro apresenta uma nova definição para a classe média brasileira com renda entre R$ 291 e R$ 1.019. Considerando a renda familiar como critério básico, uma comissão de especialistas formada pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República definiu que a nova classe média é integrada pelos indivíduos que vivem em famílias com renda per capita (somando-se a renda familiar e dividindo-a pelo número de pessoas que compõem a família) entre R$ 291 e R$ 1.019. Dentro dessa definição, dividiu-se a classe média em três grupos: a baixa classe média, composta por pessoas com renda familiar per capita entre R$ 291 e R$ 441, a média classe média, com renda compreendida entre R$ 441 e R$ 641 e a alta classe média, com renda superior a R$ 641 e inferior a R$ 1.019. Ao verificar esses dados pode-se concluir que, de acordo com a pesquisa e as novas definições do governo brasileiro, a maioria da população estudada neste trabalho está inclusa na “alta classe média” (com renda entre superior a R$ 726,00 e inferior a R$ 1.195,00). 60 5.2 ESCALA DE ESTRESSE PERCEBIDO (EPS 10) Neste capítulo serão discutidos os resultados obtidos por meio da Escala de Percepção de Estresse (EPS - 10), buscando-se confrontar os dados obtidos por esta escala com a literatura sobre a temática. Em relação ao nível de estresse percebido pelo estudante migrante encontrou-se que a maioria possui nível de estresse moderado, entre estes a maioria é do sexo feminino, estão predominantemente entre a faixa etária de 19 – 24 anos, sendo 28 estudantes residentes na Casa do Estudante Universitário do Pará (CEUP), dentre o curso de graduação ao qual estão cursando predominou o curso de Direito com 6 estudantes, seguido do curso de Fisioterapia com 4 estudantes e, na religião, verificou-se a grande predominância da religião católica que prevaleceu no total de 54 estudantes. Portanto, pode-se considerar que os resultados encontrados nas referidas tabelas estão de acordo com o que as pesquisadoras esperavam desde o início da pesquisa, que pelo menos a maioria pudesse apresentar alterações quanto seu nível de estresse, prevalecendo assim nos resultados o nível de Estresse Moderado. Pelo fato da migração possuir características demograficamente universais que se assemelham a outros tipos de fluxos de pessoas, cada grupo migratório apresenta suas singularidades históricas e sociais (FAZITO, 2002). Em relação ao estudante universitário, segundo Rezende et al, 2008, que está constantemente exposto a situações de estresse, como cobrança dos pais, medo do fracasso e imposições do mercado de trabalho, nas quais a atuação de fatores patogênicos sobre disposições preexistentes, ou não, pode resultar em quadros de neuroses e depressões, podendo assim, influenciar para esse possível nível de estresse. Fazendo a comparação do estresse com o vivido na universidade, pode-se considerar o estudante migrante, como pertencente a um grupo vulnerável, vindo a sofrer reações de ajustamento a situações estressantes provocadas não só pelo ingresso na vida acadêmica, mas também, pelo processo de migração, devido às mudanças que ocorrem na vida deste estudante (como mudança de moradia, hábitos, costumes, entre outros). A reação positiva ou negativa a essas situações se dará mediante dispositivos internos para enfrentar essas questões, que se somam às mudanças ambientais, da própria migração e da formação acadêmica. 61 De acordo com os resultados ao verificar-se que a população do presente trabalho apresenta um nível de estresse moderado, pode-se entender, que o estresse é reconhecido como a doença do século de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU) e a maior epidemia mundial do século, segundo a Organização Mundial da Saúde. É estimado que cerca de 25% de toda a população irá experimentar os sintomas do estresse pelo menos uma vez na vida. Holisticamente, o estresse pode ser definido como o resultado da relação entre a pessoa, o ambiente e as circunstâncias que a cercam. Tais circunstâncias, e até mesmo o próprio ambiente, são avaliados pela pessoa como uma ameaça ou como algo que exige dela mais que suas próprias habilidades ou recursos pessoais do momento, consequentemente demandando algum esforço adaptativo, como é o caso da população de estudantes no presente trabalho. Pois, estes jovens estudantes ao migrar deparam-se em, muitas vezes, com ambientes total ou parcialmente diferentes em relação ao de origem. Podendo assim, dificultar o processo de adaptação ao meio (CONTAIFER, 2003). Algumas pessoas são mais propensas a envolver-se em situações estressantes do que outras. Para que o estresse se instale é necessário uma fonte ou estímulo, que, ao ser percebido pelo indivíduo, desencadeia todo o processo. A essa fonte denomina-se estressor. Os maiores estressores são aqueles relacionados à família e ao trabalho, pelo fato de serem uma fonte na maioria das vezes permanente de tensão ao longo da vida (CONTAIFER, 2003) . Além dos vários fatores e problemas de saúde, sociais, de trabalho, entre outros, que o estresse pode causar, é muito comum a mudança de certos hábitos como: alimentares, em geral para o excesso, incluindo o aumento de bebidas alcoólicas, uso de drogas lícitas ou até mesmo ilícitas. O raciocínio torna-se mais acelerado ou mais lento, mas no geral apresenta-se confuso (CONTAIFER; BACHION; YOSHIDA; SOUZA, 2003). A lógica começa a desaparecer, havendo tendência a adiar decisões, sendo assim, um estudante ao apresentar esses hábitos irregulares pode gerar conflitos preocupantes, não só para seus estudos, mas também em vários contextos relacionados à sua ocupação. Por isso, verifica-se a importância de uma intervenção terapêutica ocupacional, junto a esta população de estudantes migrantes. Em relação ao sexo, no presente trabalho verificou-se que há predominância de maior nível de estresse moderado no sexo feminino em 26 estudantes e 23 do sexo 62 masculino com o mesmo nível. Segundo a pesquisa realizada por Lipp, Pereira, Floksztrumpf, Muniz e Ismael (1996) onde verificou-se o nível de estresse entre homens e mulheres na cidade de São Paulo, participaram desse estudo 1.818 pessoas de ambos os sexos, sendo que 32% apresentaram sintomas significativos do estresse. Encontrou-se, também, uma diferença significativa entre homens e mulheres: as mulheres apresentaram mais sintomas de estresse que os homens. Os dados mostraram que o estresse estava elevado nessa população. Através desses dados e levando em consideração o presente trabalho pode-se observar uma consonância entre os resultados, onde a população do sexo feminino demonstrou ser mais afetada pelo estresse. Pode-se observar na distribuição dos estudantes por casa de residência o nível de estresse moderado em 28 estudantes destes da Casa do Estudante Universitário do Pará (CEUP). Levando-se em consideração que estes resultados relacionam a casa que possui o maior número de vagas 128 no total. A CEUP, trata-se de uma instituição privada, sem fins lucrativos, registrada no Conselho Federal de Serviço Social, oferta alojamento para 120 estudantes de curso superior e 8 para pré-vestibulandos, de ambos os sexos, sem condições de alojamento na zona metropolitana de Belém. Conforme a classe de idades que obteve o maior número de estresse moderado foi à classe entre 19 e 24 anos, totalizando 34 estudantes. Segundo Arnett (1999), poucos estudos têm se dedicado à investigação do estresse no adolescente e no adulto jovem. Esse autor considera que apesar de que nem todo adolescente tem estresse, a probabilidade de desenvolvê-lo é maior na adolescência do que em qualquer outra faixa etária, dependendo da cultura e de diferenças individuais existentes. Portanto, se faz necessário o trabalho em destaque para assim contribuir na construção de estudos relacionados à investigação do nível de estresse no jovem que é a população alvo deste trabalho. Em relação ao curso de graduação ao qual os estudantes com nível de estresse moderado, predominou-se o curso de Direito com 6 estudantes, seguido pelo curso de Fisioterapia com 4 estudantes. São mais suscetíveis a estes estressores os estudantes que tenham uma personalidade pouco resiliente, definida por Flach (2011) como aquela que apresenta características como inflexibilidade, medo de depender dos outros (dificuldade para delegar atribuições inabilidade para dar e receber nas relações mente 63 fechada, baixa tolerância ao sofrimento e ausência de um contexto filosófico para interpretar as experiências pessoais. Tais fatores podem ser de alta complexidade podendo gerar conflitos inter e pessoais, no que se refere a população estudada, estes jovens estudantes ao migrar passam por varias situações que pode lhes gerar em experiências que podem resultar em problemas de saúde mental, como o estresse. Quanto à religião, verificou-se a grande predominância da religião católica que prevaleceu no total de 54 estudantes, destes 28 apresentando nível de estresse moderado, seguido da evangélica com 9 estudantes, a umbanda com 3 estudantes e os que não professaram religião alguma foram 8 estudantes. Para Koenig et al, religião é um sistema organizado de crenças, práticas, rituais e símbolos destinados a facilitar a proximidade com o sagrado e o transcendente (Deus, força superior ou verdade absoluta). Segundo Hufford, Religião “é o aspecto institucional da espiritualidade”, “religiões são instituições organizadas em torno da idéia de espírito”. O termo religião aqui usado refere-se ao Cristianismo, Judaísmo, Islamismo, Hinduísmo, Budismo e outras tradições religiosas com suas diversas vertentes. E a Religiosidade diz respeito ao nível de envolvimento religioso e o reflexo desse envolvimento na vida da pessoa, o quanto isso influencia seu cotidiano, seus hábitos e sua relação com o mundo. De acordo com a maioria dos estudos de boa qualidade realizados até o momento, apontam que maiores níveis de envolvimento religioso estão associados positivamente a indicadores de bem-estar psicológico, como satisfação com a vida, felicidade, afeto positivo e moral elevado, melhor saúde física e mental. O nível de envolvimento religioso tende a estar inversamente relacionado à depressão, pensamentos e comportamentos suicidas, uso e abuso de álcool e outras drogas. Habitualmente, o impacto positivo do envolvimento religioso na saúde mental é mais intenso entre pessoas sob estresse ou em situações de fragilidade, como idosos, pessoas com deficiências e doenças clínicas (STROPPA; ALMEIDA 2009). Fato este, encontra-se em contradição nos resultados finais deste trabalho, que apresenta a maioria dos estudantes de algumas religiões com nível de estresse moderado. Portanto, verificou-se a importância de se investigar a influência da religiosidade e espiritualidade na vida desses jovens estudantes e, como muitos são 64 extremamente ligados a sua fé, observou-se também, o como saber lidar adequadamente com tais sentimentos e comportamentos. E para intervir junto a essa clientela em um processo terapêutico ocupacional um treinamento adequado é necessário para integrar espiritualidade e prática clínica. Assim como, identificar tais aspectos em sua avaliação. Em relação a amostra geral dos estudantes por classe econômica divida em Classe A2, B (1 e 2), C (1 e 2), D e E, prevalecendo a classe C (1 e 2),com o nível de estresse moderado. Evidências mostram, de maneira constante, que nas classes econômicas mais baixas ocorre maior mortalidade, morbidade e índices de incapacidade. As explicações mais frequentes para esta relação incluem moradias pobres (favelas), desemprego, má alimentação, trabalhos insalubres, baixo nível educacional e salarial. Além da falta de acesso a bens materiais, os fatores psicossociais apresentam associações fortes com a saúde, pois diferentes valores determinam comportamentos cotidianos e a prevalência de fatores de risco para algumas doenças; tais como: dieta, exercício e sono, que contribuem substancialmente para o bem-estar e longevidade. Por sua vez, os fatores que agridem o indivíduo nos dias de hoje, como a agitação e o estresse em que vivemos e os distúrbios político-sociais, entre outros, geram não apenas hipertensão, cardiopatias e outras doenças físicas, mas também incontáveis distúrbios mentais, como o estresse, que eclodem como sintomas físicos. Pode-se então, chegar à conclusão de que quanto mais baixo o nível da classe econômica mais propensa estarão a um possível nível de estresse alterado. 65 6 PROPOSTA TERAPÊUTICA Na sua abordagem, o terapeuta ocupacional dispõe de um vasto leque de conhecimentos que assentam em disciplinas como a Fisiologia, Anatomia, Psiquiatria, Neurologia, Psicologia, Epidemiologia, etc (PEDRETTI, 1996). Para além destes, existem diversos modelos teóricos, técnicas e atividades que facilitam o planejamento e a execução de um raciocínio clínico apropriado. Neste capítulo busca-se apresentar de forma sintetizada os princípios que norteiam uma proposta de intervenção terapêutica ocupacional, abordando-se alguns dos modelos teóricos da Terapia Ocupacional, técnicas e atividades que podem ser utilizados na intervenção junto à população de estudo. 6.1 MODELO DO DESEMPENHO OCUPACIONAL - SEGUNDO PEDRETTI (1996) O Modelo do Desempenho Ocupacional é um modelo de prática utilizado como um sistema conceitual unificador, ou seja, ao se abordar o tratamento de um determinado cliente deve-se levar em consideração o contexto em que este está inserido. Este modelo refere-se ao: Desempenho ocupacional como a habilidade para desempenhar tarefas de forma a poder levar a cabo os papéis ocupacionais de maneira satisfatória, que seja apropriada ao estadio de desenvolvimento, cultura e ambiente do indivíduo. Este modelo tem como pressupostos o desempenho ocupacional do cliente nas AVD’s, no trabalho, atividades recreativas ou lazer, e equilíbrio apropriado do desempenho ocupacional. O Modelo do Desempenho Ocupacional defende que o tratamento é contínuo e se divide em quatro fases: 1ª fase - Métodos Adjuvantes: procedimentos que preparam o cliente para o Desempenho Ocupacional e são preliminares para a realização de atividades intencionais, que se caracteriza como objetivo do terapeuta ocupacional. Estes procedimentos podem incluir exercícios, técnicas de facilitação e de inibição, posicionamentos, estimulação sensorial, seleção de agentes físicos e dispositivos de compensação. 66 2ª Fase - Atividades Capacitantes: muitos dos métodos utilizados pelos terapeutas ocupacionais podem não ser claramente intencionais, mas podem ser um caminho ou preparação para a atividade intencional. Os terapeutas criaram dispositivos de compensação e métodos de simulação de atividades intencionais, por exemplo, atividades de carpintaria, empilhamentos, enfiamentos, encaixes, atividades de mesa. 3ª Fase - Atividade Intencional: é o objetivo do terapeuta ocupacional e inclui atividades que são significativas para o cliente. São exemplo as AVD’s, trabalhos manuais, jogos, desportos e atividades educacionais. Estas atividades são utilizadas para avaliar, facilitar, restabelecer ou manter as capacidades funcionais nos desempenhos do dia-a-dia. 4ª Fase - Desempenho Ocupacional dos seus papéis: o cliente assume todos os papéis ocupacionais nas suas rotinas diárias quer em casa quer na comunidade. O mesmo adquire o mais alto nível de independência de acordo com as suas capacidades e limitações. A intervenção da Terapia Ocupacional é diminuída progressivamente e tornase descontínua. 6.2 MODELO DE OCUPAÇÃO HUMANA - SEGUNDO WILLARD & SPACKMAN Este modelo baseia-se em teorias que tiveram o seu começo nas proposições filosóficas articuladas pelos fundadores da Terapia Ocupacional no princípio do século XX. Este modelo ou paradigma, como foi denominado originalmente, tem sofrido um contínuo desenvolvimento e refinamento desde a sua criação. O Modelo de Ocupação Humana considera o indivíduo como um sistema aberto que evolui e sofre diferentes formas de crescimento, desenvolvimento e mudança através da interação progressiva com o ambiente externo. O sistema humano funciona simultaneamente como uma totalidade, com os seus próprios subsistemas internos e como parte de um sistema social mais amplo. Para além de ser um sistema aberto, o ser humano é composto por três subsistemas: Motivação - responsável por eleger livre e conscientemente a participação em ocupações. A sua função é representar o comportamento; 67 Habituação - responsável por organizar o comportamento dentro de rotinas e padrões. A sua função é manter o comportamento; Desempenho de funções - consiste nas capacidades básicas de ação. A sua função é produzir a ação do sistema. Num ciclo adaptativo, as experiências positivas aumentam o desejo de explorar, dominar e satisfazer as exigências ambientais da pessoa. Num ciclo inadaptado, a pessoa repetidamente experimenta desorganização, pouca função e antecipação do fracasso futuro: más escolhas, rotinas pouco organizadas e destrezas deficientes conduzem ao aumento da desorganização do sistema e estabelecem disfunção ocupacional. O principal objetivo da Terapia Ocupacional é capacitar os indivíduos para organizar os seus comportamentos ocupacionais para que os ciclos adaptativos sejam aprendidos e restaurados. 6.3 MODELO COMPORTAMENTAL - SEGUNDO WILLARD & SPACKMAN Este modelo baseia-se em teorias de trabalho de psicólogos experimentais como Thorndike (1898), Pavlov (1927) e Skinner (1938, 1953). Estas teorias foram reformuladas de forma a desenvolver estratégias de intervenção para originar mudanças comportamentais. A proposição central das teorias comportamentais consiste em que a aprendizagem é à base de todos os comportamentos. A aprendizagem sempre influenciou o comportamento conduzindo-o para um comportamento mais efetivo, conhecido como adaptativo, ou para um comportamento inadaptado. Quando a aprendizagem se aplica à Terapia Ocupacional, o cliente é visto como tendo desenvolvido um repertório de comportamentos adaptativos e inadaptados, que determinam a sua habilidade para funcionar em Atividades da Vida Diária, Trabalho e Atividade Produtiva e Atividade Recreativa e Lazer. Em terapia, o cliente compromete-se ativamente com um processo de aprendizagem para desenvolver comportamentos específicos necessários para funcionar no seu ambiente. Pode-se observar o comportamento do cliente nas seguintes tarefas: destrezas interpessoais, interação familiar, realização das AVD’s e atividades laborais, destreza na recreação ou lazer e adaptação temporal do indivíduo. 68 Este modelo está destinado a mudar comportamentos específicos, definíveis e observáveis que comprometam as capacidades funcionais do indivíduo. Uma vez identificados os comportamentos funcionais e disfuncionais, proporcionase ao cliente a oportunidade de aprender os comportamentos específicos necessários para maximizar a sua independência funcional. Os comportamentos disfuncionais podem ser modificados através da manipulação de variáveis ambientais de modo que os comportamentos funcionais sejam reforçados e os disfuncionais não. Os métodos de reforço consistem em imitação, vinculação retrógrada e modelação de comportamentos desejados. 6.4 TÉCNICAS/ATIVIDADES Dadas as dificuldades do estudante migrante associadas ao estresse, tornam-se necessárias intervenções terapêuticas para sua prevenção ou controle. Programas de manejo de estresse podem ser focados na organização do ambiente em que o estudante se encontra. Intervenções focadas na organização são voltadas para a modificação de estressores do ambiente, podendo incluir mudanças na estrutura organizacional e treinamento/desenvolvimento de relações interpessoais relacionadas ao contexto em que o estudante se encontra. As Intervenções focadas no indivíduo almejam reduzir o impacto de riscos já existentes, através do desenvolvimento de um adequado repertório de estratégias de enfrentamento individuais (IVANCEVICH; MATTESON; FREEDMAN; PHILLIPS, 1990). O uso de estratégias de enfrentamento saudáveis também poderão ser utilizadas no tratamento terapêutico dos estudantes migrantes já que aumenta em frequência e intensidade estados emocionais positivos, como tranquilidade, esperança ou bem-estar. Estes sentimentos interferem direta e indiretamente na saúde física por facilitar o bom funcionamento do sistema imune, favorecer o engajamento em comportamentos de saúde e potencializar relações interpessoais gratificantes (SALOVEY; ROTHMAN; DETWEILER; STEWARD, 2000). Programas focados no estudante buscam precisamente incrementar os recursos individuais de enfrentamento ao estresse. Tais programas se baseiam em orientações 69 técnicas diversas como: educação (ex: causas e manifestações do estresse), treinamento em habilidades pessoais (ex: assertividade, manejo de tempo e negociação) e redução de tensão (ex: técnicas de relaxamento, dinâmicas de grupo), implementadas em pequenos grupos, em sessões semanais. Portanto, pode-se dizer que uma das contribuições deste estudo foi apresentar as premissas de um programa de controle de estresse viável ao estudante migrante residente em casas de estudantes visando pouca alteração da rotina diária do mesmo. Contudo, não se pode afirmar de fato que estas propostas citadas podem levar à generalização de um impacto positivo a população de estudo durante as sessões, bem como na redução do nível de estresse da amostra. Esta é uma demanda a ser investigada em futuras avaliações, estudos e intervenções acerca do tema estresse no estudante migrante. 70 7 CONCLUSÃO Na produção deste Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), foram encontrados poucos estudos relacionados aos temas em estudo, o que demonstra a necessidade das pesquisas serem construídas, abordando a atuação da Terapia Ocupacional junto ao estudante migrante, visto que o objetivo geral do referido trabalho consiste em investigar o nível de estresse percebido pelo estudante migrante residente em casas de estudantes na cidade de Belém do Pará. Com a realização deste trabalho, através de referenciais teóricos e da experiência obtida na prática acadêmica desenvolvida a partir da seguinte pesquisa de mestrado: “Ecologia do Desenvolvimento: investigando redes de apoio social e concepções de saúde mental de jovens migrantes” e posterior coleta de dados nas casas de residências dos estudantes migrantes na cidade de Belém, torna-se clara a importância que a pesquisa tem neste ambiente. A partir da conclusão da pesquisa, os estudantes migrantes poderão construir novos sentidos para este momento e tornarem-se autores de sua própria história. Pode-se observar que este trabalho torna-se de suma importância não só para comunidade científica, em especial a da Terapia Ocupacional como também para a população em estudo. Investigar o perfil sociodemográfico e a elaboração de uma proposta de intervenção terapêutica ocupacional, que possa ajudar o estudante migrante residente em casas de estudantes na cidade de Belém do Pará a minimizar o nível de estresse percebido pelo mesmo, constitui-se em duas prováveis soluções visando a problemática do estudo. Pode-se notar que o terapeuta ocupacional não foca apenas nas atividades, mas também no cotidiano das pessoas, pensando/agindo de forma que traga benefícios como, por exemplo, aos estudantes. Constata-se assim, a sua contribuição para a qualidade de vida. Sendo assim, além de chegar a conclusão do que previa-se para o resultado desta pesquisa desde o inicio da mesma, o qual era de investigar o nível de estresse desses estudantes, com este estudo pode-se então concluir que é indispensável à presença de profissionais de Terapia Ocupacional em serviços de acompanhamento a esta clientela, 71 tendo em vista todos os benefícios que este profissional pode acarretar aos estudantes com possíveis níveis elevados de estresse. 72 REFERÊNCIAS ANDRADE, M. M. de. Introdução à metodologia do trabalho científico: elaboração de trabalhos na graduação. 5 ed. São Paulo: Atlas, 2001. ARNETT, J.J. Adolescent storm and stress reconsidered. American Psychologist, 54, 317-326, 1999. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EMPRESAS DE PESQUISA - ABEP. São Paulo, 2012. BARRETO, I.S. Relatório do Seminário de Assistência Universitária na UFG. Goiânia, 2002. BOEKESTIJIN, C. 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A pesquisa será realizada pelas discentes Bárbara Ivy Souza Neri e Débora Cristina dos Santos Pereira sob a supervisão e orientação da Professora Especialista Laiana Soeiro Ferreira, no período de agosto de 2013 a dezembro de 2013 após aceite da instituição onde será realizada a pesquisa (Casas de estudantes) e aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade da Amazônia (UNAMA). Os sujeitos desta pesquisa são estudantes migrantes residentes em casas de estudantes na cidade de Belém do Pará. Para a obtenção de dados dos participantes da pesquisa serão utilizados instrumentos para coleta de dados. O Sr. (Sra.) tem liberdade de se recusar a participar e ainda se recusar a continuar participando em qualquer fase da pesquisa, sem qualquer prejuízo para o Sr. (Sra.). Caso isso ocorra o Sr. (Sra.) continuará sendo assistido (a), e caso sofra algum dano terá seu ressarcimento garantido por lei, dispondo de ajuda psicológica ou outro tipo. A participação nesta pesquisa não traz complicações legais. As informações dos sujeitos serão divulgadas apenas para fim de pesquisa, não havendo divulgação de nomes ou qualquer outra informação que possa prejudicar os mesmos. Os procedimentos adotados nesta pesquisa obedecem aos Critérios da Ética em Pesquisa com Seres Humanos conforme Resolução n°. 196/96 do Conselho Nacional de Saúde. Nenhum dos procedimentos usados oferece riscos à dignidade dos sujeitos. Todas as informações coletadas neste estudo são estritamente confidenciais. Somente as pesquisadoras e a orientadora terão conhecimento dos dados. O Sr. (Sra.) não terá nenhum tipo de despesa para participar desta pesquisa, bem como nada será pago por sua participação. Os riscos mencionados na pesquisa são: não se alcançar os objetivos ou ocorrer publicação de falsos dados sobre o estudo; não haver contribuições para o campo da Terapia Ocupacional, caso isso aconteça os objetivos serão refeitos e readaptados pelas acadêmicas e sua orientadora para que a pesquisa alcance a finalidade almejada; A não disposição dos resultados do estudo, uma vez que inviabilizaria a verificação pela comunidade dos benefícios gerados a eles, porém as pesquisadoras se comprometem em dispor os resultados do estudo ao final da pesquisa; Divulgação de dados pessoais que podem comprometer sua integridade: moral, social e/ou profissional, entretanto as pesquisadoras se comprometem com o sigilo absoluto das informações, identificando os sujeitos através de pseudônimos, divulgando apenas dados pertinentes à pesquisa. Os benefícios mencionados na pesquisa são: contribuir na construção do campo profissional da Terapia Ocupacional intervindo junto ao estudante migrante residente em Belém a minimizar o nível de estresse; Estimular estudos científicos relacionados ao tema aumentando o arcabouço teórico; Investigar o nível de estresse destes estudantes, uma vez que se elevado pode acarretar em possíveis problemas de saúde e garantir melhor qualidade de vida para estes sujeitos. Apenas participarão da pesquisa as pessoas que estiverem de acordo com o TCLE e o Termo de Autorização de Uso de Imagem, sendo este último utilizado apenas quando for necessário. 79 Após estes esclarecimentos, solicitamos o seu consentimento de forma livre para participar desta pesquisa. Portanto preencha, por favor, os itens que se seguem. Tendo em vista os itens acima apresentados, eu, __________________________________________, domiciliado na ________________________, portador da Cédula de Identidade (RG) ______________ e inscrito no CPF ______________________, nascido em __/__/____ manifesto, de forma livre e esclarecida, meu consentimento em participar da pesquisa “Nível de estresse de estudantes migrantes: Uma proposta terapêutica ocupacional”. Declaro que recebi cópia deste termo de consentimento, e autorizo a realização da pesquisa e a divulgação dos dados obtidos neste estudo. _________________________ Nome do Participante da Pesquisa _____________________________________ Assinatura da Pesquisadora Nome: Bárbara Ivy Souza Neri Telefone: 8296-2337 Assinatura da Pesquisadora Nome: Débora Cristina dos Santos Pereira Telefone: 8216-8155 ____________________________ Assinatura da Orientadora Nome: Laiana Soeiro Ferreira Telefone: 8129-6152 CREFITO 12429 - PA Belém, _____ de _____________ de 2013. 80 APÊNDICE B – Termo De Autorização De Uso De Imagem TERMO DE AUTORIZAÇÃO DE USO DE IMAGEM Eu, ____________________________________________________________, Portador da Cédula de identidade RG nº___________________________, CPF nº_____________________, residente à rua _______________________ __________________________, bairro __________________, nº _________, Cidade ___________________ e Estado _________________________. EU __________________________________________________________ Autorizo o uso da minha imagem para ser utilizada na pesquisa intitulada “Nível de estresse de estudantes migrantes: Uma proposta terapêutica ocupacional” do curso de Terapia Ocupacional da Universidade da Amazônia (UNAMA) a ser realizada pelas discentes Bárbara Ivy Souza Neri e Débora Cristina dos Santos Pereira sob a supervisão e orientação da Professora Especialista Laiana Soeiro Ferreira. A presente autorização é concedida a título gratuito. Por esta ser a expressão da minha vontade declaro que autorizo o uso acima descrito sem que nada haja a ser reclamado a título de direitos conexos à imagem ou a qualquer outro, e assino a presente autorização em 02 (dias) vias de igual teor e forma. Belém, ______ de _______________ de ________. _____________________________________________ Assinatura 81 APÊNCICE C - Inventário Sociodemográfico UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA TRABALHO ACADÊMICO PARA CONCLUSÃO DO CURSO DE TERAPIA OCUPACIONAL Nível de estresse de estudantes migrantes: Uma proposta terapêutica ocupacional INVENTÁRIO SÓCIODEMOGRÁFICO Aplicador: _________________________________________ Data: ____/____/____ Participante nº._______ Casa de Estudante: ______________________________________________ I - PERFIL DO PARTICIPANTE Nome:__________________________________________________________ Sexo: ( ) 1. Feminino ( ) 2. Masculino Idade:_________________ Local de Nascimento: 1_____________ 2. ___________3._______________ (Cidade) (Estado) (País) Raça/Cor: ( ) 1.Branca ( ) 2.Negra ( ) 3.Parda ( ) 4.Amarela ( ) 5.Indígena ( ) 6.Outra Religião: ( ) 1. católica ( ) 2. evangélica ( ) 3. espírita ( ) 4.umbanda ( ) 5.nenhuma ( ) 6.outra Se outra, qual? ______________________ Sua Escolaridade: ( ) 1. Fundamental completo ( ) 2. Ensino Médio incompleto ( ) 3. Ensino Médio completo ( ) 4. Superior incompleto Atualmente está cursando: __________________________________ Se Graduação: 1. Curso: ____________________ 2. Semestre: _____ Local de origem (cidade de onde você veio): 1__________________________ 2. ___________3._______________ (Cidade) (Estado) (País) 82 Quanto tempo morou no seu local de origem? (em anos) _______________________ Quando você se mudou para Belém? 1.___________________ 2._______________ (mês) (ano) Motivo(s) para a mudança para Belém? ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ ______ II - COMPOSIÇÃO DA FAMILIA DE ORIGEM (Pessoas que residiam na mesma casa em que você morava) Você pode usar apenas as siglas abaixo do quadro para especificar STATUS FAMILIAR, ESTADO CIVIL e ESCOLARIDADE NOME (Iniciais) SEXO (M ou F) STATUS FAMILIAR (Parentesco)* IDADE (em anos) ESTADO CIVIL** OCUPAÇÃO ESCOLARIDADE*** *Status Familiar (Relação de Parentesco): Pai= P; Padrasto=PD; Mãe= M; Madrasta= MD; Irmão= IO; Irmã= IA; Filho= FO; Filha= FA; Tio=TO; Tia=TA; Avô= AO; Avó= AA **Estado Civil: Solteiro= S; Casado= C; Viúvo= V; União Estável= UE; Separado/ Divorciado=S/D ***Escolaridade: Fundamental Incompleto= FI; Fundamental Completo= FC; Ensino Médio Incompleto= EMI; Ensino Médio Completo= EMC; Superior Incompleto= SI; Superior Completo= SC 83 III- PERFIL ECONÔMICO DA FAMÍLIA DE ORIGEM 3.1.Marque com um "X" os itens que sua família possui, de acordo com a quantidade de cada um dos itens 2 3 Quantidade 0 1 2 3 4 ou + Televisão em cores Rádio Banheiro Automóvel Empregada mensalista Máquina delavar Videocassete e/ou DVD Geladeira Freezer (aparelho independente ou parte da geladeira duplex) 3.2 Quem o Chefeem sua família (responsável principal pelo pagamento das despesas familiares)? ( )1. Você mesmo/a ( ) 2. Seu pai ( ) 3. Sua mãe ( ) 4.Seu irmão/ã ( ) 5. Outro Se Outro, quem? __________________ 3.3 Grau de Instrução do chefe de família ( Marque com um "X", na coluna à direita) Nomenclatura Antiga Nomenclatura Atual 1.Analfabeto/ Primário incompleto 1.Analfabeto/ Até 3ª série Fundamental/ Até 3ª série 1º. Grau 2.Primário completo/ Ginasial 2.Até 4ª série Fundamental / Até 4ª série 1º. 84 incompleto Grau 3.Ginasial incompleto completo/ Colegial 3.Fundamental completo/ 1º. Grau completo 4.Colegial incompleto completo/ Superior 4.Médio completo/ 2º. Grau completo 5.Superior completo 5.Superior completo 85 APÊNDICE D – Aceite do Orientador para o Trabalho de Conclusão de Curso 86 APÊNDICE E – Aprovação do Projeto pelo Comitê de Ética em Pesquisa 87 88 ANEXO A - Escala De Percepção De Estresse (EPS-10) As questões nesta escala perguntam a respeito dos seus sentimentos e pensamentos durantes os últimos 30 dias (último mês). Em cada questão indique a freqüência com que você se sentiu ou pensou a respeito da situação. 1. Com que freqüência você ficou aborrecido por causa de algo que aconteceu inesperadamente? (considere os últimos 30 dias) [ 0 ].Nunca [ 1 ].Quase Nunca [ 2 ].Às Vezes [ 3 ].Pouco Freqüente [ 4 ] Muito Freqüente 2. Com que freqüência você sentiu que foi incapaz de controlar coisas importantes na sua vida? (considere os últimos 30 dias) [ 0 ].Nunca [ 1 ].Quase Nunca [ 2 ].Às Vezes [ 3 ].Pouco Freqüente [ 4 ] Muito Freqüente 3. Com que freqüência você esteve nervoso ou estressado? (considere os últimos 30 dias) [ 0 ].Nunca [ 1 ].Quase Nunca [ 2 ].Às Vezes [ 3 ].Pouco Freqüente [ 4 ] Muito Freqüente 4. Com que freqüência você esteve confiante em sua capacidade de lidar com seus problemas pessoais? (considere os últimos 30 dias) [ 0 ].Nunca [ 1 ].Quase Nunca [ 2 ].Às Vezes [ 3 ].Pouco Freqüente [ 4 ] Muito Freqüente 5. Com que freqüência você sentiu que as coisas aconteceram da maneira que você esperava? (considere os últimos 30 dias) [ 0 ].Nunca [ 1 ].Quase Nunca [ 2 ].Às Vezes [ 3 ].Pouco Freqüente [ 4 ] Muito Freqüente 6. Com que freqüência você achou que não conseguiria lidar com todas as coisas que tinha por fazer? (considere os últimos 30 dias) [ 0 ].Nunca [ 1 ].Quase Nunca [ 2 ].Às Vezes [ 3 ].Pouco Freqüente [ 4 ] Muito Freqüente 7. Com que freqüência você foi capaz de controlar irritações na sua vida? (considere os últimos 30 dias) [ 0 ].Nunca [ 1 ].Quase Nunca [ 2 ].Às Vezes [ 3 ].Pouco Freqüente [ 4 ] Muito Freqüente 8. Com que freqüência você sentiu que todos os aspectos de sua vida estavam sob controle? (considere os últimos 30 dias) [ 0 ].Nunca [ 1 ].Quase Nunca [ 2 ].Às Vezes [ 3 ].Pouco Freqüente [ 4 ] Muito Freqüente 9. Com que freqüência você esteve bravo por causa de coisas que estiveram fora de seu controle? (considere os últimos 30 dias) [ 0 ].Nunca [ 1 ].Quase Nunca [ 2 ].Às Vezes [ 3 ].Pouco Freqüente [ 4 ] Muito Freqüente 10. Com que freqüência você sentiu que os problemas acumularam tanto que você não conseguiria resolvê-los? (considere os últimos 30 dias) [ 0 ].Nunca [ 1 ].Quase Nunca [ 2 ].Às Vezes [ 3 ].Pouco Freqüente [ 4 ] Muito Freqüente 89 Computação Dos Escores Da Escala De Percepção de Estresse Prof. Dr. Rodrigo Siqueira Reis 1. Os itens 4, 5, 7 e 8 são positivos e por esta razão devem ter a pontuação revertida. Ex: 0 = 4, 1 = 3, 2 = 2, 3 = 1 e 4 = 0 2. Após a reversão todos os itens devem ser somados. 3. O escore, obtido com a soma de todos os itens, é utilizado como medida de estresse percebido. OBS: O resultado final não é uma medida critério-concorrente. No entanto, os escores podem ser comparados com a tabela normativa da população americana (COHEN, 1984) ou ainda com a população de professores do Sul do Brasil (REIS; PETROSKI, 2004). Tabela 1. Dados Normativos da População Americana (COHEN, 1984) e de Professores do Sul do Brasil (REIS; PETROSKI, 2005). Cohen (1984) Reis e Petroski (2004) n Média (desvio-padrão) n Média (desvio-padrão) MASCULINO 926 12,1(5.9) 451 16,3(0,6) FEMININO 1406 13,7(6.6) 334 18,3(0,3) 18-29 645 14,2(6.2) 11 21,3(2,1) 30-44 750 13,0(6.2) 356 17,8(0,4) 45-54 285 12,6(6.1) 311 17,2(0,4) 55-64 282 11,9(6.9) 88 14,5(0,7) 65 e acima 296 12,9(6.3) 16 15,7(1,8) SEXO IDADE Artigo Original: Cohen, S., Kamarck, T., & Mermelstein, R. (1983). A global measure of perceived stress. Journalof Health and Social Behavior, 24, 385-396. Artigo de Validação da versão brasileira: Reis, R.S., Hino, A., Rodriguez-Añez, C.R. (in press). Perceived Stress Scale: Reliability and Validity Study in Brazil. Journal of Health Psychology.