UM ESTUDO DESCRITIVO: LEVANTAMENTO DO NÍVEL DE ESTRESSE OCUPACIONAL NUMA EMPRESA FARMACÊUTICA.* Vinícius Santana Soares1 Resumo: O presente estudo tem como objetivo, contribuir para os conhecimentos acerca do estresse ocupacional entre os profissionais que atuam em uma empresa Farmacêutica. Com o intuito de identificar o nível de estresse ocupacional prevalente entre os mesmo, através da Escala de Vulnerabilidade ao Estresse no Trabalho (EVENT). Para efeitos da pesquisa, o lugar escolhido para sua realização foi uma empresa do ramo farmacêutico, situado no município de Rolim de Moura, estado de Rondônia, da qual tem 17 funcionários, que realizam uma jornada de trabalho de 41hs à 63 horas semanais. A faixa etária de idade dos participantes varia de 19 a 38 anos. Os resultados obtidos através da pesquisa de campo mostram algumas diferenças e semelhanças que são coerentes com as apresentadas pela revisão literária, contudo, vale destacar a necessidade de se levar em consideração as limitações da pesquisa, uma vez que esta além de ter sido realizada em apenas uma empresa, é composta por um número muito limitado de participantes. Assim, um dos intuitos dessa pesquisa, é que esta sirva tanto de material de pesquisa como também de estimulo para que outros venham futuramente explorar outros aspectos do estresse ocupacional resultante da relação do individuo com o seu ambiente de trabalho aqui analisado. Palavras-chave: Estresse. Estresse Ocupacional. EVENT. Abstract: This study aims at contributing to knowledge about occupational stress among professionals working in a pharmaceutical company. In order to identify the level of occupational stress prevalent among even by Scale Vulnerability to Stress at Work (EVENT). For the purposes of research, the place chosen for its realization was a pharmaceutical company, located in the town of Rolim de Moura, Rondonia state, which has 17 employees, who perform a workday of 63 hours weekly to 41hs. The age of the participants' age ranges from 19 to 38 years. The results obtained through field research show some differences and similarities that are consistent with those presented by the literature review, however, it is worth highlighting the need to take into account the limitations of the research, since this addition has been performed in only a company, consists of a very limited number of participants. Thus, one of the purposes of this research is that this serves both research material but also to encourage others to come in the future to explore other aspects of occupational stress arising from the relationship of the individual with their work environment analyzed here. Keywords: Stress. Stress. Occupational Stress. EVENT. INTRODUÇÃO O trabalho ocupa um papel central na vida das pessoas e é um fator relevante na formação da identidade e na inserção social. As condições de trabalho em que o individuo está submetido, reforçado pela competitividade do mercado de trabalho e a exigência de um profissional qualificado e experiente, vêm trazendo sérios problemas à saúde do trabalhador, 1 * Artigo apresentado à Faculdade de Rolim de Moura – FAROL, como requisito final de aprovação na disciplina de TCC II, sob supervisão da Professora Especialista Maria Izabel Pereira Carneiro. 1 Acadêmico do Curso de Psicologia, X período, na Faculdade Rolim de Moura. E-mail: [email protected]. 2 culminando em doenças psicossomáticas, tornando a qualidade de vida uma questão preocupante que precisa ser melhor analisada. A importância do estudo do clima de funcionamento organizacional das empresas está no fato de que esta pode interferir de forma significativa na produtividade e na motivação dos funcionários. Assim, a pesquisa sobre tema em tela, tem como objetivo central, identificar o nível de estresse ocupacional prevalente no ambiente de trabalho. O presente estudo está desenvolvido em três (03) etapas, na qual na primeira etapa vem apresentando algumas discussões acerca dos conceitos e dos modelos geral de estresse. Posteriormente, a discussão trará conceitos, modelos mais frequentes, fontes, reações e possíveis formas de tratamento para o Estresse Ocupacional, tendo em vista que este faz parte do objetivo especifico do presente estudo. A segunda etapa é destinada a Metodologia, cuja responsabilidade é revelar os procedimentos e os instrumentos que proporcionaram a analise dos dados e principalmente aos resultados e discussões da presente pesquisa. E finalmente, na terceira etapa vem resumidamente apresentar a importância dessa pesquisa, revelar quem é o público alvo, e principalmente responder a pergunta que objetivou a mesma. ESTRESSE O estresse faz parte da vida de todos os seres humanos, em maior ou menor grau, envolvendo componentes físicos e psicológicos, e tem contribuído para muitas situações características da contemporaneidade tais como: agitação da vida moderna, competitividade, ambição desmedida, violência, tecnologia e exigências do mercado de trabalho. Estresse, de acordo com Limongi-França e Rodrigues (2002) é uma palavra muito antiga e que ao longo dos séculos foi adquirindo novos significados. No principio era utilizada pelos engenheiros e físicos como sendo o peso, tensão, ou pressão que uma estrutura, como por exemplo, uma barra de metal pode tolerar sem partir ou romper.Contudo, segundo o dicionário Houaiss (2001) a palavra estresse vem denominada como sendo de uma palavra derivada do latim do verbo stringere que significa estreitar, apertar, comprimir. Pereira et al (2004) afirma em suas pesquisas que até meados do século XVII, áreas como engenharia, utilizavam o termo no inglês stress para designar a propriedade que certos 3 materiais tem em apresentar antes de serem rompidos conforme o peso ou a pressão colocada sobre eles. Nessa época, o termo ainda utilizado em sua forma traduzida para o inglês – stress passaria a ser utilizada tanto para referir-se as ciências físicas como também às humanas, pois passam a verificar que o homem, assim como os materiais físicos também tem certos limites para certas cargas emocionais. Contudo, de acordo com Lipp (2004) o termo estresse somente viria ser utilizado como conhecemos hoje como sendo uma reação do homem diante de algo que lhe foge o controle na década de 1930 quando o endocrinologista canadense Hans Selye iniciou suas pesquisas com o intuito de compreender as reações não esperadas do ser humano diante de alguma adversidade. E os resultados dessa pesquisa, segundo Lipp (2004) o endocrinologista Hans Selye apresentou ao mundo somente no ano de 1952 através de sua obra titulada por “The stress of life” que traduzindo para o português seria “O estresse da vida”. Hans Selye (apud LIPP, 2004, p. 48) em sua obra “Estresse: a tensão da vida” denomina o estresse como sendo uma “síndrome do simplesmente ficar doente”, pois segundo o mesmo, o ser humano tem uma capacidade chamada de homeostase (o esforço que o organismo tem de tentar se manter estável seu equilíbrio interior independente das mudanças externas) para manter-se em equilíbrio. Desta forma, segundo Lipp (2004) o endocrinologista Selye vem ratificando suas pesquisas da década de 1930 ao afirmar que o estresse seria a ruptura desse equilíbrio, o que levaria o homem a ficar doente após um acidente traumático. Segundo Lipp (2004) as pesquisas acerca do estresse somente ganhariam espaço depois da Segunda Guerra Mundial quando os médicos começam a verificar que não seria necessário que o ser humano vivenciasse por uma situação tão traumatizante quanto os momentos vividos durante a guerra para apresentarem um quadro de estresse profundo. Em geral, o estresse é uma reação do organismo diante de situação muito difícil ou muito excitante, que pode ocorrer com qualquer pessoa, independentemente de idade, raça, sexo e situação socioeconômica. (LIPP, 2008) Essa reação surge quando o organismo necessita de uma adaptação grande, a um evento ou uma situação de grande importância. Segundo Lipp (2000, p. 81) esse evento pode ter um sentido negativo ou positivo. Negativo é o em excesso. Ocorre quando a pessoa ultrapassa seus limites e esgota sua capacidade de adaptação. O organismo fica destituído de nutrientes e reduzida a energia mental. Produtividade e capacidade de trabalho ficam muito prejudicadas. A qualidade de vida sofre danos. Posteriormente adoecer. Positivo é a fase inicial, a do 4 alerta. O organismo produz adrenalina que dá animo, vigor e energia fazendo a pessoa produzir mais e ser mais criativa. Ela pode passar por períodos em que dormir e descansar passa a não ter tanta importância. É a fase da produtividade. Ninguém consegue ficar em alerta por muito tempo, pois o stress se transforma em excessivo quando dura de mais. O ideal, segundo Lipp (2000), é que a pessoa aprenda uma forma de administrar a fase de alerta onde o mesmo possa estar em alerta e sair de alerta. Ao sair da fase de alerta, o organismo precisa encontrar o equilíbrio para se recuperar. Após a recuperação o organismo não terá problema caso venha a entrar na fase de alerta. Caso não haja tempo para o organismo se recuperar, as doenças começarão ocorrer, pois o organismo esta cansado e o stress excessivo. (LIPP, 2000). Sendo assim, Carvalho (2008, pp. 49-50) caracteriza o stress em três fases: alerta, resistência e exaustão. A fase de alerta é quando uma pessoa se depara com um estressor, inicialmente uma reação de alerta se instala e o organismo se prepara para uma resposta de ‘luta ou fuga’. Se esse estiver uma duração curta, essa fase será eliminada em poucas horas e o organismo retornará a homeostase. A fase de resistência é quando o estressor perdura, e é de maior intensidade e o organismo responde através de sua ação reparadora tentando estabelecer o equilíbrio interno. A pessoa automaticamente utiliza toda energia adaptativa para se reequilibrar. Quando consegue os sintomas iniciais desaparecem e a pessoa acredita estar melhor. Já no final da fase da resistência, uma nova fase começa a ser identificada tanto clinica como estatisticamente e tem o nome de quase-exaustão. Caracteriza-se pelo enfraquecimento da pessoa que não mais esta conseguindo adaptar-se ou resistir ao estresse. O organismo pode apresentar varias doenças, tais como: picos de hipertensão, gripes repetidas, tonturas, herpes simples, psoríase, redução da libido. Caso permaneça nesta fase por muito tempo, o processo do estresse poderá caminha para a fase mais critica: a da exaustão. A fase de exaustão: o estressor perdura por mais tempo ou vem associado a outros estressores simultaneamente, levando a um processo de exaustão psicológica (em forma de depressão) e fisiológica. Há um aumento das estruturas linfáticas e doenças começam a aparecer e em alguns caso pode ocorrer óbito.Além da depressão, outros sintomas psicológicos ocorrem, como: apatia, desânimo, ansiedade aguda, irritabilidade, hipersensibilidade emotiva, ira, inabilidade de tomar decisões, Vontade de fugir de tudo. Na área física aparecem na forma de úlceras gástricas, vitiligo, hipertensão arterial, aumento do colesterol, e até o aparecimento de diabete nas pessoas geneticamente predisposta a ele. Caso a pessoa esteja na ultima fase do estresse, a de exaustão terá mais dificuldade em remover os sintomas, pois nessa fase, há uma diminuição dos seguintes fatores: energia, concentração, disposição, animo e da vontade de trabalhar, podendo levar até a morte. (LIPP, 2000). Contudo, segundo Selye (apud LIPP, 2004) e Alves (2009), o estresse nem sempre é prejudicial ao ser humano, pois o mesmo ajuda a enfrentar os desafios e a manter o equilíbrio 5 interno. Na falta do estresse, o homem entra numa fase de estresse de monotonia, ou seja, numa fase de acomodação da qual se limita apenas a continuar vivendo, sem busca de desafios. Resumindo, o excesso de estresse é prejudicial, contudo o homem necessita de certo estresse para buscar novos desafios. ESTRESSE OCUPACIONAL O estresse pode ser efetuado por inúmeros fatores, entre os quais normalmente se destacam a perda de um ente querido, excesso de trabalho, dificuldades financeiras e nos relacionamentos amorosos, dentre outros. Contudo, para efeitos desta pesquisa, serão analisados somente os efeitos do estresse ocupacional, também conhecido como estresse laboral ou estresse no ambiente de trabalho. Segundo Bernick (1997) e Bianchini et al (2011), o estresse ocupacional tem sido uma das grandes preocupações da modernidade, devido a sua repercussão como sendo um dos principais motivos de afastamento do trabalho. O estresse ocupacional de acordo com Resende (2002) pode ter origem ou pode ainda ser agravado pelas condições existentes no ambiente de trabalho, ou seja, o estresse ocupacional ou laboral seria na realidade o resultado da falta de capacidade que certas pessoas apresentam para enfrentarem, por exemplo, a rotina, o excesso e até mesmo os desafios de se manter constantemente atualizado dentro de um mercado de trabalho cada vez mais competitivo e eliminatório, pois quem não atende os objetivos e necessidades deste é considerado defasado e até mesmo fora dele. Cunha (2004) e Bianchini et al (2011) afirmam que o estresse ocupacional, devido aos seus danos para a saúde do homem, vem sendo um dos grandes dilemas do mundo contemporâneo e ocidental. Isso ocorre porque o trabalho para o homem é muito mais do que um instrumento para sua sobrevivência, é também uma forma de realização do mesmo como individuo. Portanto, o estresse ocupacional pode acarretar em inúmeras perdas para este individuo, pois se caracteriza como sendo uma fonte permanente de conflito ao longo de toda uma vida. Assim, segundo Sobrinho (2007, p.82): “O stress ocupacional constitui-se em experiência individual, extremamente desagradável, associada a sentimento de hostilidade, 6 tensão, ansiedade, frustração e depressão”. O stress, também “[...] pode ser definido como um desequilíbrio, na percepção das pessoas, entre as demandas a ela imposta e sua capacidade, habilidade ou recursos para atendê-las”. (WETZEL, 2000, P. 67-68) Visto que, “os fatores contribuinte para a manifestação do stress ocupacional vão desde as características individuais de cada trabalhador, estilo de relacionamento social no ambiente de trabalho e pelo clima organizacional, até as condições gerais que o trabalho é executado”. (SOBRINHO, 2007, p. 82) Essas “manifestações do stress podem, por sua vez, ser classificada em físicas e psíquicas. As físicas incluem extremidades frias, taquicardia, insônia e mesmo infarto. Entre sintomas psicológicos, estão: irritação, apatia, ansiedade ou depressão”. (WETZEL, 2000, p.68). Segundo Lipp (2005, p. 83) o stress trás consequências para a empresa como: Excesso de atraso, excesso de faltas, aumento de licenças médicas, alta rotatividade, acidente de trabalho, problemas de relacionamento com a chefia e subordinados, queda na produtividade (qualidade e quantidade), falta de originalidade nas idéias, Desempenho irregular, dificuldades interpessoais com colegas. Lipp (2005, p. 84) caracteriza as consequência do stress para o empregado como: “depressão, falta de ânimo, falta de envolvimento com o trabalho e a organização, faltas e atrasos frequentes, excesso de idas ao ambulatório médico, alcoolismo, tabagismo e uso de outras drogas”. Assim, ao realizar um trabalho de investigação no ambiente de trabalho sobre o stress ocupacional, é importante que o profissional saiba diferenciar o stress ocupacional do ambiente familiar e pessoal, afim de que possa implementar medidas adequadas para o próprio trabalho e para a empresa no âmbito geral. (LIPP, 2005). Resumindo, o estresse ocupacional não se difere muito do estresse geral, pois o segundo especifica o primeiro, ou seja, revela ao profissional os fatores que vem ocasionando sofrimento do individuo a ser tratado. Vale ressaltar que, para se chegar a um diagnóstico de estresse ocupacional deve ser feito um estudo detalhado com o grupo de profissionais da mesma empresa e verificar as condições de trabalho em que os profissionais estão submetido, para depois chegar a uma conclusão. 7 MÉTODOLOGIA Participantes O lugar escolhido para a realização da pesquisa foi uma empresa do ramo farmacêutico, situado no município de Rolim de Moura, estado de Rondônia. A farmácia funciona de segunda a segunda, das 07hs às 22hs, independente de feriado. O quadro de funcionários é composto por 17 pessoas, sendo utilizado para a pesquisa o universo total dos funcionários, que tem a faixa etária de idade de 19 a 38 anos. Em relação ao nível de escolaridade dos participantes, foi levantado que; 02 (dois) possuem Ensino Fundamental Incompleto, 06 (seis) possuem Ensino Médio Completo, 06 (seis) possuem Ensino Superior Incompleto e 03 (três) possuem Ensino Superior Completo. Os funcionários trabalham em média de 41hs a 63 horas dependendo da função que exerce na farmácia. Conforme demonstra o quadro I, na farmácia tem as seguintes funções: Quadro I – Quadro de Funcionários da Farmácia. Função Homem Mulher Atendente 04 01 Operador de caixa 02 Operadora de caixa e 01 crediarista Entregador 02 Entregador e cobrador 01 Serviço geral 01 Perfumista 01 Comprador 01 Escriturário 01 Auxiliar de escritório 01 Farmacêutica 01 Esses dados foram coletados no mês de outubro de 2011, e sendo assim, neste período havia funcionários que estavam desde 01 (um) mês a 01 (um) ano e 06 (seis) meses. 8 Dos 17 funcionários, 06 (seis) homens e 05 (cinco) mulheres são casados, 03 (três) homens e 03 (três) mulheres são solteiros. Como a farmácia funciona todos os dias, os funcionários fazem uma escala para que todos possam ter um domingo ou feriado destinado para o descanso pessoal. Os funcionários que realizam plantão nos finais de semanas são os atendentes, os operadores de caixa, entregadores, e do serviço geral. O restante trabalha de segunda a sábado. Instrumento O instrumento de mensuração utilizado para obter dados que revelem o nível de estresse ocupacional entre os participantes da pesquisa foi a Escala de Vulnerabilidade ao Estresse no Trabalho – EVENT. Segundo Sisto et al (2007) a EVENT é uma escala composta por 40 itens relacionados a situações geradoras de estresse dentro do ambiente de trabalho, como por exemplo, acúmulo de funções ou de trabalho, ambiente físico inadequado, dentre outros. Nessa escala, a pessoa deve pontuar os itens conforme lhes causam incômodo a partir das opções de intensidade que são: nunca (0), às vezes (1) e frequentemente (2). De acordo com os autores acima, a pontuação da escala EVENT se dá pela soma total de todos os itens marcados pelo participante. A pontuação mínima é 0 (zero) e a máxima é 80 (oitenta). E quanto maior o resultado, maior é vulnerabilidade ao estresse. A escala de EVENT é divida em três fatores, a saber: Fator I – corresponde ao Clima e Funcionamento Organizacional, tem 16 (dezesseis) itens, e está relacionado com ao ambiente de trabalho e aspecto da função, como por exemplo, salário, plano de cargo e salário, plano de carreira, e relacionamento com a chefia. O Fator II – composto por 13 (treze) itens, corresponde a pressão do trabalho, e nesse fator entra situações como o trabalho que o colega realiza, novas obrigações, e falta de solidariedade dos colegas de trabalho. O Fator III – tem 11 (onze) da escala e corresponde a infra-estrutura e rotina, ou seja, esse fator é marcado por situações como salários atrasados, licença de saúde dos colegas e si próprio, jornadas duplas de trabalho, problemas com materiais e equipamentos de trabalho. Sisto, et al (2007) afirmam que a escala de EVENT pode ser aplicada tanto individualmente, quanto coletivamente. Contudo, o importante é que não se ultrapasse o 9 número de 60 (sessenta) pessoas e o tempo de 20 (vinte) minutos. E esse questionário deve ser de preferência preenchido em uma só sessão. Método O método de pesquisa utilizado baseou-se no estudo de caso de caráter quantitativo, através da pesquisa de campo, de cunho descritivo e exploratório. Procedimento e Analise dos dados No primeiro momento foi exposto os objetivos e solicitado ao responsável da empresa, a autorização para a realização da pesquisa. Em seguida foi solicitada a participação dos funcionários, mediante a assinatura de um termo de livre consentimento, que certamente lhes foi esclarecido qual a finalidade. Para fins da investigação da existência de estresse, foi aplicado o teste psicológico que avalia a Escala de Vulnerabilidade ao Estresse no Trabalho (EVENT). O teste foi aplicado individualmente, cada participante recebia uma folha de resposta. Esta folha de resposta continha 40 situações de trabalho onde o mesmo assinalava o quanto cada uma delas o incomodava, a pontuação de cada situação variava de 0 a 2 pontos. A pontuação máxima que cada participante poderia chegar era de 80 pontos e a pontuação mínima era de 00 pontos. Os resultados obtidos foram tabulados utilizando o formulário da EVENT, computando-se os escores de cada participante através da soma de cada fator e posterior mente da soma total. Na analise dos dados, foi utilizado uma amostra de referência do mesmo grau de escolaridade e do cargo que exercia, que avalia o clima e funcionamento organizacional, pressão no trabalho, infra-estrutura e rotina e estresse.(SISTO et al 2007) 10 RESULTADOS O quadro II apresenta o resultado da pesquisa de campo, através da incidência do estresse nos participantes, bem como a predominância dos sintomas. E o gráfico I, mostrará essa predominância em porcentagem. Quadro II - Demonstração de resultados Sexo Estresse Masculino Feminino Total 2 1 3 Altamente vulnerável estresse 3 4 7 Pré-disposição ao estresse ao Nenhum sintoma de estresse 3 1 4 1 2 3 Fonte: o autor Gráfico I- Predominância em Porcentagem Estresse 17,65% 17,65% Estresse Altamente vulneravel ao estresse 23,52% 41,18% Pré-disposição ao estresse Sem sintomas de estresse Fonte: o autor O resultado da pesquisa de campo demonstra a vulnerabilidade de estresse nos participantes. Os fatores da escala estão relacionados em Fator I - Clima e Funcionamento Organizacional, as pontuações obtidas nesta pesquisa, para este fator específico, estão situadas em intervalos de 01 a 19 pontos de uma escala que tem variação de 00 a 32 pontos, num total de 16 itens (3, 4, 5, 6, 11, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 25, 26, 27, 36 40). 11 No Fator II - Pressão no Trabalho, os pontos variam entre 08 a 25 pontos neste estudo, numa escala de 00 a 26 pontos, com 13 itens (1, 2, 12, 17, 24, 28, 29, 30, 33, 34, 35, 38 e 39). E no Fator III – Infra-estrutura e Rotina, as pontuações foram entre 00 e 11 pontos, em uma escala de 00 a 22 pontos, com 11 itens (7, 8, 9, 10, 20, 21, 22, 23, 31, 32 e 37). As pontuações obtidas foram relacionadas por fatores. O Fator I obteve um total de 147 pontos, sendo divididos em: 78 pontos para os homens e 53 pontos para as mulheres na alternativa “às vezes”, e na alternativa “frequentemente” obteve 10 pontos (homens) e 06 pontos (mulheres). Neste Fator, os itens mais pontuados foram: 3, 5, 11, 14, 16, 19, 25, 26, 27 e 36, o que corresponde cerca de 30 a 50% dos participantes para cada questão. O Fator II teve 255 pontos, sendo que nas alternativas “às vezes e frequentemente” os homens obtiveram 152 pontos, e as mulheres 103 pontos respectivamente. Os itens mais pontuados são: 1, 2, 12, 17, 24, 29, 33, 34, 38 3 39, correspondendo cerca de 25 a 35% dos participantes por situação apresentada. O Fator III obteve 42 pontos (homens) e 30 pontos (mulheres) na alternativa “às vezes” e 06 pontos (homens) na alternativa frequentemente, as mulheres não obtiveram nenhum ponto, sendo assim, o total de pontos nesse fator foram 78 pontos. Embora representa o Fator de menor pontuação, apresentou maiores pontuações nas situações apresentadas nos itens relacionados a jornadas duplas, doença ou acidente pessoal e de colegas, mudanças nas horas de trabalho, mudanças de chefia e de trabalho, o que corresponde cerca de 30 a 45% dos participantes por item. A medida de estresse geral neste estudo de caso obteve uma pontuação que varia entre 10 e 52 pontos, numa escala de intervalo de 00 a 80 pontos. Na avaliação deste estudo com relação aos três fatores, a dimensão Pressão no trabalho (Fator II) apresentou uma pontuação bem maior com relação ao outros dois fatores. DISCUSSÃO Os resultados das pontuações nos três fatores demonstram que conforme foi descrito no subitem anterior, a dimensão Pressão no trabalho (Fator II) apresentou uma pontuação bem maior com relação ao outros dois fatores. O Fator II está relacionado com questões como, por exemplo, acúmulo de funções e de trabalho, realizar trabalho que não faz parte de sua função, fazer o trabalho do colega, 12 excesso de responsabilidade, prazos para cumprir metas, necessidade de ajudar na execução de tarefas dos colegas e por isso deixar as suas atrasadas, receber novas obrigações, medo de errar, ritmo acelerado de trabalho na empresa, e medo de ter que atender mais de uma pessoa ao mesmo tempo. Assim, com base nas pontuações no Fator II e III (descrito no item anterior), pode-se observar que os resultados vêm de encontro com a teoria de Limongi-França e Rodrigues (2002) no sentido de que os funcionários de uma determinada empresa se tornam inseguros mediantes a mudanças de ambientes de trabalho e chefes, e estas podem afetar decisivamente no seu bem estar físico e psicológico. E durante a análise dos dados, e conforme constata o quadro I (Quadro de Funcionários da Farmácia) a empresa farmacêutica participante desta pesquisa tem dois funcionários que atualmente apresentam acúmulo de funções. Em Sisto et al (2007) e Alves (2009) encontramos teorias que defendem que o acúmulo de funções e a sobrecarga de trabalho pode estar relacionado à falta de infraestrutura da empresa, e isto a médio e longo prazo podem ser muito prejudiciais para quem está submetido a vivenciar isso cotidianamente. O Fator I embora esteja com a segunda maior pontuação com relação aos três fatores, vale destacar os itens referentes à: chefes despreparados, expectativa excessiva por parte do chefe, falta de expectativa profissional, falta de solidariedade e de dialogo com a chefia, e não saber como se é avaliado, pois segundo Bianchini et al (2011), estão relacionados com as profissões, cargos e funções que por si próprias constituem fatores potencias no desenvolvimento do estresse. Assim, conforme também indicam pesquisas apresentadas por Alves (2009), as funções de atendentes, operadores de caixa, entregadores, cobradores, e outras ligadas ao ramo farmacêutico (cujos cargos estão no quadro I), tem uma grande tendência a serem insatisfeitos por não haver uma relação positiva entre o trabalho executado e a valorização do individuo enquanto profissional. Resumindo, o quadro II e o gráfico I revelam que dos 17 participantes da pesquisa, 03 apresentaram estresse, representando 17,65% dos funcionários que necessitam de afastamento imediato. E 07 encontram-se altamente vulneráveis ao estresse, representando 41,18% dos funcionários, caso não venha ocorrer nenhuma mudança, os mesmo desenvolveram futuramente o estresse. E 04 apresentaram uma predisposição ao estresse, 13 representando 23,52% dos funcionários, caso não venha ocorrer nenhuma mudança, os mesmos, desenvolveram o estresse e 03 não apresentaram nenhum sintoma de estresse até o momento. CONSIDERAÇÕES FINAIS O estresse ocupacional tem preocupado não somente os Psicólogos, pois tem despertado atenção de médicos de todas as áreas, uma vez que este tem feito com que aumente tanto o número de doentes como também o número de doenças. No Brasil, infelizmente, ainda tem sido pouco os estudos dessa natureza, em face disso, é que o presente estudo procurou investigar o nível de estresse dentro de uma empresa farmacêutica no Município de Rolim de Moura – Rondônia. Os resultados obtidos através da pesquisa de campo mostram algumas diferenças e semelhanças que são coerentes com as apresentadas pela revisão literária. Foram encontradas respostas significativas a respeito do estresse ocupacional, sendo possível visualizar que os funcionários submetidos à escala EVENT apresentam maior vulnerabilidade no Fator II Pressão no Trabalho, fato que pode ser entendido em função do acúmulo e sobrecarga de trabalho. Contudo, vale destacar por um lado, a necessidade de se levar em consideração as limitações da pesquisa, uma vez que esta além de ter sido realizada em apenas uma empresa, é composta por um número muito limitado de participantes. É nesse contesto, que se espera, que a mesma venha a servir tanto de material de pesquisa como também de estimulo para que outros pesquisadores, futuramente venham explorar outros aspectos no sentido de estudar e construir, por meio da pesquisas científicas parâmetros psicométricos relevantes sobre o estresse ocupacional. 14 REFERÊNCIAS ALVES, Rita de Cássia de Araújo. Estresse e saúde mental no ambiente de trabalho jurídico. Pesquisa Psicológica (Online), Maceió, ano 3, n. 1, jul./dez. de 2009. Disponível em: <http://www.pesquisapsicologica.pro.br>. Acesso: 18 de Out. de 2011. BERNICK, Vladimir MD. Estresse: O assassino silencioso. Revista Eletrônica Cérebro e Mente, n.3, set./nov./1997. (Artigo). 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