FACULDADE ARTHUR SÁ EARP NETO CURSO DE ADMINISTRAÇÃO JULIANA CRISTINA SOARES EVOLUÇÃO DA QUALIDADE: O CASO DA HUYCK VANMINENT PETRÓPOLIS AGOSTO/ 2006 1 JULIANA CRISTINA SOARES EVOLUÇÃO DA QUALIDADE: O CASO DA HUYCK VANMINENT Monografia exigência apresentada final Administração do com como Curso de ênfase em Sistemas de Informação. Orientador: MSc. Manoel Carlos Diniz PETRÓPOLIS DEZEMBRO / 2006 2 EVOLUÇÃO DA QUALIDADE: O CASO DA RUYCK VANMINENT JULIANA CRISTINA SOARES Orientador: MSc. Manoel Carlos Diniz Monografia submetida ao Corpo Docente do Curso de Administração da Faculdade Arthur Sá Earp Neto como parte dos requisitos necessários para obtenção do Grau de Bacharel em Administração, com ênfase em Sistemas de Informação. Aprovada em __ de ___________ de 2006. Banca Examinadora: ______________________________________________ Professor Presidente ______________________________________________ Professor 1 ______________________________________________ Professor 2 PETRÓPOLIS DEZEMBRO / 2007 3 DEDICATÓRIA À minha mãe por me dar a vida, aos meus avós por me terem dado a oportunidade de estudar, ao meu mestre, chefe e amigo, Professor João Carlos de Miranda que deu inicio à minha trajetória profissional e, principalmente, ao meu filho Vitor que é a minha maior fonte de inspiração e força para seguir em frente. 4 AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus que me deu forças para elaboração desta monografia e a todos que, direta ou indiretamente, contribuíram para que a mesma fosse concluída. As professoras Ana Auler e Isabel Romero pela apoio para a realização deste trabalho. E, em especial, agradeço ao meu orientador Professor Manoel Carlos Diniz pela sua dedicação quando mais precisei. 5 “Não é o desafio com que nos deparamos que determina quem somos e sim a forma como agimos diante do desafio”. Henfil 6 RESUMO O presente trabalho visa a pesquisa historica da evolução da qualidade e as mudanças geradas quando da sua implantação. Seu objetivo principal é relatar como a qualidade contribui para o sucesso das empresas. O método utilizado para este trabalho, foi à pesquisa bibliográfica. O presente estudo possui uma transcrição da entrevista dirigida em uma empresa que utiliza o conceito de qualidade e visa a dar sensibilidade de como vem sendo a experiência desta empresa através da utilização da qualidade. 7 SUMÁRIO 1.1. Apresentação .................................................................................................. 10 1.2. Objetivos ......................................................................................................... 12 1.2.1. Objetivo geral ............................................................................................... 12 1.2.2. Objetivos específicos ................................................................................... 12 1.3. Metodologia .................................................................................................... 12 2. QUALIDADE.......................................................................................................... 14 2.1. Conceito.......................................................................................................... 14 Quadro I: Conceitos de Qualidade ........................................................................................................... 17 2.2. Histórico .......................................................................................................... 17 2.3. Teorias da Qualidade...................................................................................... 22 Quadro II – Ciclo PDCA ............................................................................................................................. 28 2.4 A Evolução da Qualidade no Japão ................................................................. 29 2.5 A Evolução da Qualidade no Brasil ................................................................. 31 Quadro III - Empresas Premiadas pelo PNQ ......................................................... 33 2.6 Exigência dos Clientes X Necessidades das Empresas .................................. 34 3. CONTROLE DE QUALIDADE ............................................................................... 36 3.1. Histórico do Controle de Qualidade ................................................................ 38 3.2 Sete Ferramentas Básicas do Controle da Qualidade ..................................... 44 4. APRESENTAÇÃO DE CASO ............................................................................ 51 4.1. Huyck Petrópolis - Histórico ............................................................................ 51 4.2. Huyck e o Programa de Qualidade ................................................................. 52 8 5. CONCLUSÕES .................................................................................................. 56 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................................... 58 http://paginas.terra.com.br/servicos/maik.com/qualidade_total.htm ...................... 60 9 1. INTRODUÇÃO 1.1. Apresentação O conceito de qualidade não é novo. E com o passar do tempo, a preocupação das empresas com a qualidade só faz aumentar. Esta preocupação já existia desde a Antigüidade, quando os artesãos inspecionavam os seus produtos de forma a satisfazer, totalmente, os seus clientes. A Qualidade, inicialmente, era associada ao produto em si. Com o passar dos tempos, houve um aumento da concorrência e consequentemente aumento de ofertas de produtos. A qualidade dos produtos e serviços passou a ser um fator de competitividade e sobrevivência para as empresas, que tiveram que adotar uma nova filosofia para que pudessem competir, ou seja, foi preciso reavaliar suas ações e oferecer aos clientes produtos e serviços de qualidade para que estas permanecessem no mercado. Segundo Bueno (2004, p. 01) “vive-se hoje um cenário de busca incessante da Qualidade Total em todos os tipos de organização, seja de produtos, seja na de serviços, como fator de sobrevivência e competitividade”. O que o mercado exige as empresas têm que atender. Atualmente, a qualidade é vista pelas empresas não mais como um diferencial, mas como uma questão essencial. As pessoas passaram a ser mais exigentes, cobrando, cada vez mais das empresas, para que estas ofereçam produtos e serviços que satisfaçam, inteiramente, às suas necessidades. A gestão pela qualidade tem sua filosofia baseada na satisfação dos clientes internos e externos. A sua busca pode se dar através do processo de implantação do controle de qualidade e da melhoria contínua, visando à redução de desperdícios, erros e do conhecimento dos processos. Muitas empresas vêm adotando sistemas e programas de qualidade como forma de melhorar o desempenho dos seus processos, como também querem ser vistas de modo diferenciado por seus clientes. Ter um programa de qualidade ou melhorar os 10 seus processos é o que toda empresa deve buscar, e, para isso, é preciso também adotar o controle de qualidade, para que ele garanta que as atividades do programa ocorram conforme planejado. O controle de qualidade é definido como um conjunto de métodos e atividades operacionais adotadas com o objetivo de planejar, manter e melhorar a qualidade, visando eliminar todas as imperfeições existentes no processo de produção. Este deve ser visto como uma atividade permanente, com o envolvimento de todos na participação efetiva do programa de melhoria da qualidade. As organizações que implantam e/ou implantaram ferramentas para a qualidade estão preocupadas com diversos fatores, entre eles, diminuição de desperdícios, redução de custos, aumento da produtividade, melhor qualidade em seus produtos, entre outros. As atividades do controle da qualidade, também, poderão descobrir falhas no projeto e, assim, indicarem mudanças que irão melhorar a qualidade. De fato, os temas qualidade e controle de qualidade têm sido bastante discutidos e continuarão sendo, até que as empresas tomem consciência de que a qualidade é tão necessária como qualquer outro insumo utilizado pelas mesmas, sendo, cada vez mais necessário, que as organizações absorvam as grandes mudanças e os novos conceitos, que têm surgido em relação à qualidade, para assim alcançar eficiência e eficácia na melhoria de seus produtos e serviços. Frente a este contexto, a relevância deste estudo se dá pelos benefícios que a qualidade traz para as organizações, mostrando ainda, sua evolução até os dias atuais. A presente pesquisa foi dividida em seis capítulos, cujo primeiro e segundo capítulos apresentam a introdução, os conceitos de qualidade e sua história. O terceiro capítulo apresenta toda a história do controle de qualidade, desde sua evolução até as suas ferramentas. O quarto capítulo aborda um caso de sucesso de uma empresa que utiliza a qualidade com diferencial em sua produção. E, por fim, no quinto capítulo, é apresentada a conclusão. Para tanto, levantou-se a seguinte questão, objeto de estudo: Quais os benefícios da implantação da qualidade para as organizações? 11 1.2. Objetivos 1.2.1. Objetivo geral O objetivo do presente estudo foi identificar as mudanças geradas pela implantação da qualidade nas organizações. 1.2.2. Objetivos específicos Conceituar qualidade; Apresentar o desenvolvimento histórico do conceito; Discutir a importância da qualidade para as organizações; Apresentar os princípios do controle da qualidade. Relatar um caso de empresa que implantou o conceito da qualidade. 1.3. Metodologia O presente trabalho visa a argumentar sobre a evolução da qualidade e as mudanças geradas com a sua implantação. O método utilizado para este trabalho foi a pesquisa bibliográfica como também, apresentação de um caso de empresa que utiliza o conceito de qualidade. Para Oliveira: (2002, p. 119) “A pesquisa bibliográfica tem por finalidade conhecer as diferentes formas de contribuição científica que se realizaram sobre determinado assunto ou fenômeno”. Já Vergara (2000, p. 48) entendem que a “pesquisa bibliográfica é o estudo sistematizado desenvolvido com base em material publicado em livros, revistas, jornais, redes eletrônicas, isto é, material acessível ao público em geral”. Vergara (2000, p. 49) relata ainda que “o estudo de caso é o circunscrito a uma ou poucas unidades, entendidas essas como uma pessoa, uma família, um produto, uma empresa, um órgão público, uma comunidade ou mesmo um país. Tem caráter de profundidade e detalhamento. Pode ou não ser realizado no campo”. 12 Com base nestes dois autores, a metodologia do presente trabalho foi dividida em duas partes: a primeira deu fundamento às idéias e conceitos contidos neste trabalho, através de levantamento bibliográfico, realizado em livros, tais como, Paladini, Rodrigues e Brassard, artigos e sites sobre Qualidade e suas ferramentas, como http: //www.banasqualidade.com.br. O segundo momento, como forma de enriquecer o trabalho, apresenta-se um caso de empresas que utilizam à qualidade e a importância desta para a mesma. 13 2. QUALIDADE Nos dias atuais, os consumidores estão, cada vez mais, exigentes em relação aos produtos e serviços que adquirem no mercado. Estes levam as empresas a se empenharem em oferecer as seus clientes produtos e serviços de qualidade, que penetrem de forma positiva no mercado, tornando-os satisfeitos e fiéis. Uma das formas de atender estas exigências é a utilização das ferramentas de qualidade e do controle de qualidade. A qualidade tornou-se fundamental para as empresas, não sendo mais vista como um programa para incentivar melhorias, mas sim como um diferencial tanto para o ambiente interno como para o externo, sob cuja ótica quem melhor oferecer qualidade em seus produtos e serviços será mais valorizado e reconhecido pelo consumidor. Quando se fala de qualidade dentro das organizações pode-se pensar sobre dois aspectos: qualidade do produto oferecido e qualidade dos serviços oferecidos. Nas empresas um produto ou serviço de qualidade pode ser definido como aquele que atende perfeitamente, de forma confiável, acessível, segura e no tempo certo às necessidades dos clientes. (CAMPOS, 1999, p. 02) Assim, pode-se dizer que, um produto de qualidade é aquele que atende as necessidades do consumidor. Já, um serviço de qualidade é aquele cujos parâmetros exigidos (atrasos, vazão, perdas, etc) para a execução do mesmo estejam de acordo com o estabelecido (valor mínimo e valor máximo). 2.1. Conceito Qualidade é um termo bastante utilizado, nos dias de hoje, e, segundo Garvin (1992, p. 47) "é essencial um melhor entendimento do termo para que a qualidade possa assumir um papel estratégico”. Fala-se muito em qualidade de vida, qualidade do trabalho, qualidade de ensino, dos alimentos, dos carros, dos serviços, entre outros. O conceito de qualidade sofreu 14 ao longo do tempo, diversas modificações e vem sendo ampliado e adaptado de acordo com os interesses de quem o utiliza. Vários foram os autores que, de forma diferenciada, compreenderam e definiram a qualidade, entre eles: JENKINS (1972), que define a qualidade como o “grau de ajuste de um produto à demanda que pretende satisfazer”. Pode-se entender sobre esta definição que o produto será de boa qualidade quando satisfizer tanto o produtor quanto o consumidor, devendo-se para isso otimizar os recursos empresariais, materiais, econômicos e humanos. Para Juran (1992, p. 653) a qualidade significa “adequação ao uso”, ou seja, a qualidade deve ser trabalhada de forma que o produto fabricado atenda as necessidades e desejos do consumidor. GARVIN apud Slack (1997, p. 550) apresentou a qualidade de forma diferente, dividindo as muitas definições de qualidade em “cinco abordagens”, a saber: Abordagem transcendental – Conceitua a qualidade como um sinônimo de excelência inata, onde a qualidade é vista como uma característica que torna o produto plenamente aceitável. Abordagem baseada em manufatura – Esta abordagem preocupa-se em fazer produtos ou proporcionar serviços que sejam livres de erros e que correspondam precisamente, às suas especificações do projeto. Abordagem baseada no usuário – Esta abordagem assegura que o produto ou serviço está adequado ao seu propósito, demonstrando preocupação não só em conformidade de suas especificações, mas também com da adequação das especificações ao consumidor. Abordagem baseada no produto – Esta abordagem vê o produto como um conjunto mensurável e preciso de características, que são requeridas para satisfazer o consumidor. Abordagem baseada em valor – Esta abordagem define a qualidade em termos de custo e preço, ou seja, um produto de qualidade é aquele que é confiável e que possui bom desempenho, mas com preço e custo aceitáveis. 15 Para Deming (1990), a qualidade significa “um grau previsível de uniformidade e confiabilidade, com baixo custo e que esteja adequada ao mercado”. Entende-se por este conceito que a qualidade significa proporcionar ao consumidor um produto e/ou serviço que atenda as necessidades dos clientes de forma confiável e aceitável em relação a preço e à conformidade de suas especificações. Nos anos 90, foram criadas no Oriente, a partir de diversos programas de qualidade, entre eles, círculos de controle de qualidade1, controle estatístico de qualidade e melhoria contínua, as normas ISO 9000. A ISO 9000 é um modelo de qualidade internacional e tem como requisitos básicos a implementação de processos de qualidade total de forma bem sucedida, sendo as empresas que obtêm essa certificação, consideradas empresas que oferecem aos seus clientes produtos confiáveis e com garantia de qualidade. A Norma ISO 9000:2000 define a qualidade “como um conjunto de características, inerente ou atribuída, qualitativa ou quantitativa, que satisfaz a necessidade ou a expectativa do cliente”. (OLIVEIRA, 2002, p. 59) Com o conceito da Norma ISO 9000, entende-se que a qualidade é atingida quando o produto através de normas e procedimentos atinge seus padrões mais elevados, proporcionando aos clientes produtos de qualidade e, consequentemente, deixando-os mais satisfeitos. Para os autores citados, pode se verificar que a qualidade é uma forma de implantação de um processo contínuo de melhoria, visando à redução de desperdícios e erros, reorganização do trabalho nas organizações, como também satisfação do cliente. Outro fator importante é o envolvimento de todas as pessoas da empresa, em busca de melhoria contínua, respeitando suas atribuições, responsabilidades e autoridades. O envolvimento deve ser iniciado pela alta administração, atingindo até o mais modesto colaborador. Shiozawa (1993) expõe que, historicamente, o conceito de qualidade foi sendo apresentado conforme o quadro a seguir: (OLIVEIRA, 2002, p. 59) 1 Os CCQ consistem em times que se reúnem voluntariamente para estudar, analisar e resolver problemas de qualidade de seu interesse. 16 Quadro I: Conceitos de Qualidade Ano 1950 1951 1954 1961 1964 1979 Autor Deming Feigenbaum Juran Juran Juran Crosby Definição Máxima utilidade para o consumidor Perfeita satisfação do usuário Satisfação das aspirações do usuário Maximização das aspirações do usuário Adequação ao uso Conformidade com os requisitos do cliente Fonte: Oliveira (2002). Segundo Dias e Silveira (2002, p. 24) “a preocupação com a questão da qualidade remonta épocas antigas, porém não havia, neste período, uma noção muito clara do que era qualidade”. Havia a prática da qualidade, mas não o conceito. 2.2. Histórico A preocupação com qualidade dos produtos e serviços data do início da humanidade. (RODRIGUES, 1999, p. 04). A busca pela qualidade sempre foi uma constante desde a era primitiva, onde os homens já procuravam materiais resistentes para produzir suas armas. No entanto, “a qualidade envolve, ainda, muitos aspectos e sofre alterações conceituais ao longo do tempo”. (PALADINI, 1996, p. 15) Para melhor compreensão deste processo evolutivo pode-se dividi-lo em cinco fases, como segue: 1ª Fase – Artesanato No inicio do século XVII até o final do século XIX, a Qualidade era alcançada de uma forma muito diferente de hoje em dia. A atividade produtiva era basicamente artesanal e em pequena escala. Os artesãos eram os responsáveis pelo produto e pela qualidade final. (BUENO, 2004, p. 02) Antigamente, o mestre artesão era proprietário de uma oficina e recebia jovens aprendizes para estudarem o ofício. Estes jovens permaneciam em sua oficina até os 15 anos, aprendendo as técnicas da profissão e só poderiam exercer o ofício de forma autônoma quando estivessem qualificados para o trabalho. 17 Nesta época, o artesão era a unidade produtiva e cada sociedade possuía o seu artesão, com seus produtos e características específicas. Estes produtos eram trocados entre as diversas sociedades existentes, possibilitando ao consumidor reconhecer as características dos produtos que eram fabricados por artesãos de outras sociedades. Assim, a qualidade passou a ser associada a valores percebidos pelo cliente. Do ponto de vista da qualidade, os bons artesãos eram capazes de realizar obras refinadas e de grande complexidade e detinham o domínio completo do ciclo de produção, já que negociavam com o cliente o serviço a ser realizado. O padrão de qualidade do artesão era, em geral, muito elevado e resultava na plena satisfação do cliente. (LINS, 2000, p. 02) 2ª Fase – Colonização Em meados do século XVII, o comércio europeu aumentou, alavancando a produção. Isto ocorreu, graças à tecnologia marítima que se expandiu consideravelmente, dando inicio ao comércio fora dos limites da aldeia. Nesta fase comprava-se e vendia-se em grande quantidade, surgindo as primeiras corporações, que nada mais eram do que micro e médias empresas, nos quais os proprietários davam empregos a um certo número de artesãos que trabalhavam por um salário. A produção era organizada através da divisão de trabalho e a qualidade era diretamente proporcional à experiência e técnica de quem fazia. O consumidor que antes era inspetor do seu produto, atuava quase que de longe em relação ao mesmo. 3ª Fase – Revolução Industrial Nesta fase, era exigido que os operários produzissem em grande quantidade, e não havia preocupação com a qualidade do trabalho do operário. Nos séculos XV a XVIII, surgiram a imprensa de tipo e o tear elétrico. Com a utilização destes maquinários, ficou provado que o trabalho poderia ser mecanizado e os bens produzidos em séries. Mas, em 1776, com o desenvolvimento da máquina 18 a vapor por James Watt2, o homem passou a dispor de um recurso fácil para substituir o trabalho humano ou a tração animal por outro tipo de energia. (LINS, 2000, p. 03). A máquina impôs o ritmo da produção e os locais foram construídos de acordo com a necessidade dos equipamentos, surgindo assim as fábricas. O homem que, antes era um artesão, produzia e fiscalizava todo o seu produto, passou a ser operário, perdendo o contato com o cliente. A produção tornou-se padronizada ocorrendo a divisão de trabalho entre gerentes e operários. Nos séculos XVIII e XIX, surgiu a necessidade de uma nova forma de estruturação das indústrias, a fim de que as organizações fossem mais adequadas às padronizações já existentes, e com isso melhorarem o grau de eficiência e produtividade. Em virtude desta nova estruturação, ocorreram diversos estudos sobre o seu funcionamento, o papel e sua administração. Surgiram, também nestes séculos, as primeiras iniciativas para criarem sistemas de medidas e normas industriais. Com todas estas mudanças, com os artesãos passando a operários, começaram a surgir as falhas, os desperdícios e a crescer o número de acidentes. A partir daí, ocorreu a implantação da inspeção final do produto, cuja finalidade era verificar se o produto era ou não considerado adequado ao uso do cliente. 4ª Fase – Gerenciamento Científico Nesta fase, com a evolução da indústria, a moderna administração consolidouse. Havia grande preocupação com a execução das tarefas e pouca preocupação com o elemento humano. Porém, a maior crítica, neste período, se dá em relação ao aumento da produtividade e, consequentemente, a diminuição da qualidade. Destacam-se nesta fase, os trabalhos de Frederick Taylor, Henri Fayol e Henry Ford. Henri Fayol (1845-1925) - Engenheiro de minas, sempre se dedicou às atividades gerenciais. Em 1916, publicou o livro Administração Industrial e Geral, que teve como fonte originadora a Administração Clássica. 2 Matemático e engenheiro escocês cujos melhoramentos do motor a vapor foram um passo fundamental na revolução industrial. 19 Fayol subdividiu as atividades da função administrativa em prever, organizar, comandar, coordenar e controlar e concentrou suas atenções no papel da gestão e na qualificação dos gestores, enquanto os outros estudavam o trabalho humano e a sua mecânica. Fayol foi o criador da idéia da organização estrutural das empresas por funções, a saber: técnica, comercial, financeira, contábil, administrativa e de segurança. O trabalho de Fayol foi de extrema importância. Ele introduziu no conceito de gestão científica do trabalho, o papel dos gestores como supervisores do trabalho dos subordinados, e analisou como é que uma empresa poderia organizar-se de forma mais eficaz. Fayol valorizou a questão estrutural das organizações, causando uma revolução no pensamento da administração clássica, defendendo a universalidade das funções da administração e a sua utilização em qualquer nível e tipo de organização. Frederick Winston Taylor (1856-1915) - Nasceu na Filadélfia, em 1856. Criador da Administração Científica. Taylor, o primeiro grande medidor de produtividade, estudou as organizações de tarefas e o tempo gasto por operários em sua execução. Taylor idealizou as diversas formas de remuneração por acreditar que o homem fosse estimulado pelo dinheiro, dando ênfase à otimização do local de trabalho e o adestramento do operário. Taylor trabalhou em uma perspectiva mais operacional, estudando a organização de baixo para cima. Ele defendeu a estruturação global da empresa, a aplicação dos princípios da supervisão funcional, da padronização de procedimentos, ferramentas e instrumentos, do estudo de tempos e movimentos, do planejamento de tarefas, de cargos e dos sistemas de premiação por eficiência. (LINS, 2000). Henry Ford (1863-1947) – Nasceu na cidade de Springwells, Michigan e escreveu a obra Filosofia do Trabalho, em que expôs seus princípios. Ford sempre demonstrou habilidades mecânicas e, em 1903, fundou a Ford Company com a ajuda de investidores. Em 1908, lançou o Ford Model T e ultrapassou seus concorrentes transformando-se no maior produtor e vendedor de automóveis do mundo. 20 Ford foi o primeiro a aplicar a montagem em série, produzindo automóveis em massa e com um preço acessível a qualquer consumidor. O preço do Ford Model T em 1908 era de $ 850 dólares, mas, em 1922, era possível comprá-lo por apenas 295 dólares. Outra característica importante era cor do veículo, sempre preta. Desse modo, Ford, conseguia montar os veículos sem ter que diferenciar o processo de pintura. Ford foi responsável por introduzir inovações importantes não só no campo da mecânica como também no da gestão, dentre eles: venda a prazo, fomento da exportação, divisão do trabalho e sistema de prêmios para os funcionários. As teorias da administração científica e da administração clássica, criadas por Taylor e Fayol, colocaram em evidência diversos aspectos importantes da atividade gerencial e tiveram maior uso na década de 50, quando as multinacionais norteamericanas se consolidaram em vários países e aumentaram as suas instalações fabris para atender, localmente, os mercados que vinham explorando. Por um lado, os lucros alcançados pelas empresas que utilizavam estas teorias eram elevados, mas, por outro lado, elas também trouxeram alguns problemas crônicos, como baixa produtividade, absenteísmo, rotatividade de mão-de-obra, furtos e sabotagens, ambiente empresarial de conflito, temor, disputas e desentendimentos por causa dos procedimentos de inspeção e supervisão. 5ª Fase – Século XX Somente no início do século XX, com o surgimento da administração científica, é que as preocupações com a qualidade passaram a ser sistematizadas e a fazer parte das normas e objetivos organizacionais. A administração cientifica introduziu nesta fase, técnicas e conceitos para viabilizar a produção em escala, com rapidez e produtividade, possibilitando a medição e inspeção do processo e do produto final. Nos anos 30, aconteceram fatos importantes, tais como a divisão funcional que levou à criação dos Departamentos de Controle de Qualidade (Bell Company) e ao aperfeiçoamento das técnicas de inspeção. A inspeção por amostragem começou a ser utilizada nos EUA. e no Brasil, e a "função qualidade" começou a ser adotada. 21 Nos anos 40, com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, as indústrias bélicas norte-americanas buscaram novas técnicas de controle da produção e da qualidade, pois estas necessitavam produzir bens de guerra com maior eficiência. Neste período as técnicas estatísticas e os conceitos de confiabilidade foram aprimorados e bastante utilizados. Nos anos 50, após a guerra, com a destruição dos parques industriais das grandes potências, França, Inglaterra, Japão e Alemanha, os Estados Unidos passaram a ditar os modelos de gestão e expandiram suas corporações para todo o mundo. Houve, nesta década, uma grande procura por bens industriais e também a escassez destes no mercado. A procura por esses bens junto com a existência de um cliente carente e com um grau menor de exigência, levou as empresas a abrirem mão de algumas das técnicas de produtividade e controle da qualidade, utilizadas durante a Segunda Guerra Mundial. 2.3. Teorias da Qualidade Após a Segunda Guerra Mundial, o mundo encontrava-se em plena escassez de produtos. As empresas que ofereciam estes produtos, já não trabalhavam com qualidade e os clientes ficaram “não mão” de potências como os Estados Unidos. Foi neste período que a moderna Gestão de Qualidade Total consolidou-se, graças ao trabalho de quatro grandes autores, que são considerados os gurus da Qualidade Total. Sendo eles: Armand V. Feigenbaum, Joseph M. Juran, Winston Edwards Deming e Walter Shewhart. Mas foram Deming e Juran que tiveram maior destaque no mundo ocidental, pois foram as suas teorias que tiveram maior impacto sobre as organizações empresariais. Deming (1900-1993) - Físico e estatístico. Contribuiu para os procedimentos adotados pelo censo americano em 1940. Durante a Segunda Guerra, prestou consultoria para as empresas norte-americanas na implantação de sistemas de controle de qualidade. Após a guerra foi para o Japão, onde prestou apoio às indústrias. Divulgou o conceito de melhoria contínua, defendendo também, os 22 conceitos de aplicação do controle da qualidade em todas as áreas da empresa, com um maior envolvimento da alta administração para a melhoria da qualidade. Deming estabeleceu quatorze pontos, conhecidos como Conceitos de Deming, que representam em sua concepção os fundamentos para alcançar a qualidade. (DEMING, 1990, p. 18) 1. criar constância de propósitos para melhora dos produtos e serviços; 2. adotar a nova filosofia; 3. cessar a dependência da inspeção em massa; 4. acabar com a prática de aprovar o orçamento apenas com base nos preços; 5. melhorar constantemente o sistema de produção e prestação de serviços; 6. instituir o treinamento no local de trabalho; 7. instituir a liderança; 8. eliminar o medo; 9. eliminar as barreiras entre os departamentos; 10. eliminar lemas e exortações para o pessoal; 11. eliminar padrões (quotas) de trabalho na linha da produção; 12. remover barreiras ao orgulho do trabalho bem realizado; 13. instituir um forte programa de educação e auto-aprimoramento; 14. engajar todos da empresa no processo de realizar a transformação. Deming (1990), definiu ainda, a existência de sete doenças mortais que são obstáculos à qualidade, são elas: 1. Fracasso em fornecer recursos humanos e financeiros adequados para apoiar o objetivo de melhoria da qualidade; 23 2. Ênfase em lucros, em curto prazo e valores de acionistas; 3. Avaliações anuais do desempenho baseadas em observações ou críticas; 4. Ausência de continuidade administrativa em virtude de mudança de emprego; 5. Utilização, pela gerência, de dados facilmente disponíveis, sem se concentrar no que é necessário para melhorar o processo; 6. Gastos excessivos com programa de saúde; 7. Gastos excessivos com problemas jurídicos. Algumas destas doenças são definições negativas dos 14 pontos de Deming. Para o autor a erradicação destas sete doenças em uma empresa contribuirá para o sucesso da TQM (Gestão da Qualidade Total)3. Deming tornou-se um autor de extrema importância para os programas de qualidade total e é quase impossível executar um programa de qualidade sem incluir alguns elementos de sua filosofia (OLIVEIRA, 2002) Joseph M. Juran - Engenheiro, empresário e consultor. Visitou o Japão e, durante dois meses, observou as práticas japonesas onde a partir daí formou os gestores e engenheiros no que ele designou "Gestão da Qualidade"4. Defensor da qualidade desde o projeto e da contabilização de custos da qualidade, apresentou a aplicação do Principio de Pareto5 aos problemas gerenciais, sugerindo também a implementação de sistemas de qualidade através de três etapas: planejamento, controle e melhoria, conhecida como Trilogia de Juran. As ações da trilogia de Juran são detalhadas como segue: (QUINQUIOLO, 2002, p. 29-30) 3 O TQM abrange o gerenciamento do grau de eficácia e eficiência em todos os elementos, internos e externos à empresa, impactados pela existência do empreendimento. 4 Fonte http://www.infonet.com.br/qualidade/ED_20/gestaoed020.htm Acesso em 10 de outubro de 2005 5 estabelece que para todo problema existem poucos itens (ou causas) vitais e muitos triviais. As principais e maiores causas dos problemas estão concentradas em poucos itens vitais e não em muitos triviais. 24 I- Planejamento da Qualidade: 1. identificação dos consumidores; 2. determinação das necessidades dos consumidores; 3. tradução dessas necessidades em linguagem compreensível em todos os níveis da empresa; 4. desenvolvimento de um produto que possa responder essas necessidades; 5. otimização das características do produto de modo a satisfazer os clientes tanto internos como externos; 6. desenvolvimento de um processo compatível para a fabricação desse produto; 7. otimização do processo; 8. estabilização e capacitação dos processos de forma a poder fabricar o produto em condições normais de operação; 9. transferência do processo aos meios de produção. II – Controle da Qualidade: 1. avaliação do nível de desempenho atual do processo; 2. comparação do processo com os objetivos fixados; 3. providências para reduzir a diferença entre o desempenho atual e o previsto. III– Melhoria da Qualidade: 1. reconhecimento das necessidades de melhoria, uma vez que, por melhor que seja um processo e por mais estabilidade que alcance, pode ser melhorado constantemente (conceito de melhoria contínua); 25 2. transformação das oportunidades de melhoria numa tarefa de todos os trabalhadores, fazendo com que os trabalhadores tenham pleno conhecimento de suas atividades, a ponto de enxergar as oportunidades de melhoria; 3. criação de um conselho de Qualidade e seleção de projetos de melhorias, fase em que as equipes de projeto e facilitadores, os grupos multifuncionais serão de extrema importância; 4. promoção da formação em Qualidade; instituindo o treinamento para despertar comprometimento para com os objetivos da Qualidade; 5. avaliação da evolução dos projetos; 6. premiação das equipes vencedoras; 7. publicação promocional dos resultados; 8. revisão dos sistemas de recompensa, para aumentar o nível de melhorias; 9. inclusão dos objetivos de melhorias, nos planos de negócios da empresa. Armand V. Feigenbaum – Disseminou pelo mundo desde meados dos anos 50, a importância que as ferramentas de Gestão pela Qualidade possuem. Trabalhou dez anos na Companhia General Electric, sendo presidente também da Companhia General System, uma empresa especializada em Gestão da Qualidade. Com base nessa experiência, ele desenvolveu o conceito custo-qualidade e seus componentes, isto é, custos da prevenção e de acontecimento de falhas. Feigenbaum reconhece a qualidade como um trabalho de todos, nascendo desta forma, o "enfoque sistêmico para a qualidade". Para ele não é possível adquirir qualidade apenas evitando falhas ou inspecionando o produto, mas o custoqualidade já deve vir "embutido" no serviço ou produto. Feigenbaum (1994, p.79) destaca que a qualidade de produtos e serviços é afetada por nove áreas, sendo elas: 1. Mercados – “... um negócio deve ser flexível e capaz de alteração rápida em seu direcionamento...”. 26 2. Dinheiro – “... custos operacionais e perdas podem ser reduzidos a fim de melhorar os lucros...”. 3. Gerenciamento – “... aumentou a responsabilidade atribuída à alta gerência...”. 4. Homens – “... o crescimento rápido do conhecimento técnico e a geração de campos inteiramente novos ... levaram a uma grande procura por profissionais com conhecimento especializado...”. 5. Motivação – “... aumentou a importância da contribuição de cada funcionário no tocante à qualidade ... os funcionários atuais exigem reforço do sentido de realização em seus trabalhos e reconhecimento positivo...” 6. Materiais – “... as especificações de materiais tornaram-se mais fechadas e aumentou sua diversidade ...” 7. Máquinas e mecanização – “Quanto mais as companhias se mecanizam e se automatizam... mais crítica se torna a qualidade satisfatória ...” 8. Métodos modernos de informação – “... nova e eficaz tecnologia de informação propiciou os meios para um nível sem precedentes de controle de máquinas e processo e de produtos e serviços...” 9. Exigências na montagem do produto – “... Controle bem mais restrito sobre processos industriais, atribui às pequenas coisas, anteriormente ignorada grande importância potencial...”. Feigenbaum contribuiu de maneira grandiosa para a conquista da qualidade nas empresas. Ele ampliou o modo como a qualidade e a sua prática eram vistas, indo além da inspeção, incluindo no processo outros interessados na qualidade do produto, como funcionários e fornecedores. (OLIVEIRA, 2002) Walter Shewhart (1891-1967) - Trabalhou nos laboratórios Bell, onde teve seus primeiros contatos com a Qualidade Total. Desenvolveu os conceitos básicos da moderna engenharia da qualidade e os apresentou na obra Economic Control of Quality of Manufactured Products, de 1931. 27 Shewhart foi criador de dois métodos de muita importância. O primeiro foi o Controle Estatístico de Processo, onde são usados métodos estatísticos, para analisar e controlar processos estatisticamente. O outro método desenvolvido por Shewhart foi o PDCA. O PDCA é uma estratégia formada por quatro fases, com o objetivo de promover o controle de qualidade. No Japão, o PDCA é conhecido como Ciclo de Deming e no Brasil como PDCA, que se encontra mais bem especificado no Quadro II. Quadro II – Ciclo PDCA Significado PDCA na Rotina PDCA na Melhoria (Plan, P.) – Planejar; Etapa que está relacionada ao estabelecimento de padrões, os procedimentos esperados e definição dos clientes e do processo; Etapa que está relacionada ao estabelecimento de uma meta e os métodos que serão usados para atingi-la; (Do, D.) – Executar; Etapa que consiste na Nesta etapa são executadas as realização dos processos de providências necessárias para acordo com os padrões. alcançar as metas; (Check, C) – Examinar Nesta etapa os dados obtidos são comparados com os esperados, em seguida é feita uma análise dos problemas identificados e de suas causas a ajustar; (Act, A.) – Atuar; Nesta etapa é checado se as providências estão sendo tomadas de acordo com o planejado e se os prazos estão sendo cumpridos; Esta é a etapa em que há uma Havendo necessidade, efetuar ação sobre as causas, visando ações para garantir que os corrigi-las e/ou eliminá-las. desvios em relação ao planejado sejam corrigidos. Fonte: Adaptado de Taublib (1993) Shewhart foi o primeiro autor que reconheceu que a variabilidade é um fator concreto na indústria e que ela seria entendida por meios de probabilidades e estatística. 28 2.4 A Evolução da Qualidade no Japão Após o fim da Segunda Guerra Mundial, a economia japonesa encontrava-se arrasada por causa da derrota sofrida. O Japão era um país pobre, totalmente destruído, dispondo apenas de um recurso, sua poderosa força humana. Mas, se por um lado as indústrias japonesas tinham uma mão-de-obra abundante e barata, por outro lado a baixa qualidade dos produtos comprometia a economia do país como também o esforço para desenvolver seus produtos. Nos anos 50, após passarem por este processo de perda, os japoneses com o auxílio de Deming e Juran criaram os primeiros programas de melhoria da qualidade, desenvolveram técnicas de produção e um programa de industrialização que aumentou rapidamente a qualidade dos produtos. Inicialmente os japoneses desenvolveram técnicas de trabalho em equipe, aproveitando a competência dos seus profissionais em apoiar os programas de melhoria de processos. Em seguida, desenvolveram novas formas para organizar a produção e otimizar a ocupação do espaço, através da eliminação de estoques (justin-time)6 e técnicas de melhoria, limpeza e organização do trabalho, conhecidas como 5S (cinco esses). O programa de industrialização criado pelo Japão tinha como objetivo produzir em massa os artigos de consumo. Esses produtos japoneses eram cópias de produtos que foram desenvolvidos em outros países, surgindo aí, as indústrias eletrônica, fotográfica, relojoeira, automobilística, de computação, entre outras. Muitas organizações japonesas lideraram os programas de industrialização, dentre elas a Toyota, apresentando ao mundo seu método produtivo, o Toyota Production System – TPS, que estabeleceu um novo paradigma para todo o setor produtivo mundial. Segundo Lins (2000, p. 11) nos anos oitenta, a indústria japonesa já oferecia ao cliente a possibilidade de escolha de inúmeras opções de produto e produzia quase que "por encomenda". Com a organização do trabalho os produtos tornaram-se 6 Técnica em que o produto é fabricado no momento do pedido evitando estoques intermediários na produção. 29 personalizados e tecnicamente perfeitos. Os japoneses focaram-se na preparação profissional e conseguiram com isso elevada satisfação nas técnicas de trabalho em equipe e organização do local de trabalho. Com o sucesso das indústrias japonesas, todo o mundo, principalmente os Estados Unidos, tiveram que se adequar à nova concorrência e aos quesitos de qualidade impostos. No inicio dos anos 90, os países do Ocidente conseguiram equiparar-se aos japoneses. Neste período, surgiram as certificações de fornecedores pelo critério ISO-9000, dando origem a normas específicas em determinadas indústrias. A última versão é a ISO 9000/2000, que é composta por normas que estabelecem as diretrizes de gestão da qualidade, garantindo a conformidade de um processo e atendimento das expectativas dos clientes. O Japão perdeu a guerra militar, mas tem ganhado a guerra econômica de maneira absolutamente notável, a ponto de muitas nações e empresas ocidentais buscarem ansiosamente copiar o modelo japonês7. 2.4.1 Kaoru Ishikawa Nascido em 1915 é considerado o guru da qualidade no Japão. Em 1946, tornouse membro do Grupo de Pesquisa de Controle de Qualidade (QCRG), criado pela União Japonesa dos Cientistas e Engenheiros (JUSE). A primeira atividade de Ishikawa na JUSE foi liderar e desenvolver o controle japonês de qualidade, e principalmente dar inicio ao nascimento dos círculos da qualidade. Ishikawa obteve suas primeiras noções de qualidade com os norte-americanos. Estudou a evolução dos processos de industrialização, e desenvolveu sua teoria para o Japão. Ele afirmou em seus estudos que as teorias de administração mecanicistas de Taylor e Fayol, que obtiveram resultados positivos nos países ocidentais, no início da revolução industrial não eram adequadas a realidade do 7 Fonte http://www.wwconsultoria.com.br/artigos/trabalho_equipe.html Acesso em 15 de outubro de 2005 30 Japão, por se tratar principalmente de um país que possui taxas de escolaridade bastante elevadas.8 Os estudos de Ishikawa são de extrema importância para a Gestão da Qualidade. Para Ishikawa, o controle da qualidade total é um processo integrado e todos da empresa devem participar. Ishikawa foi criador de duas teorias importantes para a qualidade, sendo a primeira as "sete ferramentas do controle de qualidade" e a segunda os "círculos de controle de qualidade", desenvolvendo ainda, no ano de 1943 o Diagrama de Causa e Efeito, também conhecido como diagrama Espinha de Peixe, conforme explicação no capítulo 3 desta monografia. 2.5 A Evolução da Qualidade no Brasil Segundo Bueno (2004), “o movimento pela Qualidade no Brasil é mais antigo do que no Japão e nos Estados Unidos”. O Brasil têm instituições ligadas à Qualidade desde 1976, porém, no Brasil, não houve o mesmo envolvimento e comprometimento que o Japão e outros países tiveram. A busca pela qualidade “explodiu” no Brasil, no ano de 1990, onde houve um enorme crescimento em relação à qualidade. Hoje, o Brasil é considerado um dos países que mais evolui em favor da Qualidade em nível mundial. Desde 1991, o Brasil realiza, anualmente, um congresso nacional sobre Qualidade e Produtividade. Este congresso é coordenado pela União Brasileira de Qualidade (UBQ) através da Fundação Nacional para o Prêmio da Qualidade (FNPQ). A FNPQ foi fundada em 1991 por 39 organizações públicas e privadas com o objetivo de criar critérios e premiar, em nível nacional, as empresas que possuem padrão de excelência no Brasil, através do Prêmio Nacional de Qualidade (PNQ). O PNQ é um reconhecimento à excelência na gestão das organizações do Brasil, estimulando a melhoria da qualidade dos serviços e produtos oferecidos. O PNQ, inicialmente, teve como suporte para a sua formulação o Prêmio Malcolm 8 Texto extraído do site http://pt.wikipedia.org/wiki/Kaoru_Ishikawa 31 Baldrige, criado pelos Estados Unidos em 1987 e baseia-se, atualmente, em um sistema de pontuação no qual se priorizam sete critérios, a saber: (RODRIGUES, 1999, p. 60-62) 1. Liderança (90 pontos) – São considerados os sistemas de liderança (60 pontos) e a Responsabilidade pública e cidadania (30 pontos) 2. Planejamento Estratégico (90 pontos) – são consideradas a formulação das estratégias (40 pontos) e a operacionalização das estratégias (50 pontos). 3. Foco no Cliente e no Mercado (90 pontos) – são considerados o conhecimento mútuo (40 pontos) e o relacionamento com o cliente (50 pontos). 4. Informação e análise (90 pontos) – são consideradas a gestão das informações da organização (30 pontos), Gestão das informações comparativas (30 pontos) e análise crítica do desempenho da organização (30 pontos). 5. Gestão de Pessoas (90 pontos) – são considerados os sistemas de trabalho (30 pontos), educação, treinamento e desenvolvimento das pessoas (30 pontos) e o bem-estar e satisfação das pessoas (30 pontos). 6. Gestão de processos (90 pontos) –a gestão de processos é considerada como: relativa ao produto (40 pontos); Gestão de processos de apoio (20 pontos) e Gestão de processos relativos aos fornecedores e parceiros (30 pontos). 7. Resultados da organização (460 pontos) – são considerados os resultados relativos à satisfação do cliente e ao mercado (110 pontos), resultados relativos às pessoas (80 pontos), resultados relativos aos fornecedores e parceiros (60 pontos) e resultados relativos aos produtos e aos processos organizacionais (100 pontos). O Brasil possui tradição e, também, a maioria dos requisitos para ter um sistema nacional de qualidade. Em 1976, nosso país recebeu treinamento dos maiores gurus mundiais da qualidade (Deming, Juran, Feigenbaum, Crosby e Ishikawa, entre outros). Criou a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), que cuida da normalização geral e o INMETRO (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e 32 Qualidade Industrial), que é o órgão acreditador das normas ISO e representa o Brasil junto aos organismos internacionais. (OLIVEIRA, 2002, p. 20) Várias ações têm sido desenvolvidas visando buscar a melhoria dos produtos e processos nas empresas. Alguns Centros de Pesquisa, universidades e empresas têm tido participação relevante na busca pela melhoria destes processos, destacando-se a atuação da Fundação Christiano Ottoni, da Fundação Alberto Vanzolini e do Instituto Nacional de Pesquisa Nuclear. Em todo o mundo, já foram emitidos mais de 220.000 certificados ISO 9000. No Brasil, foram emitidos quase 10.000 certificados ISO 9000 e mais de 1.000 certificados da ISO 14.000. Oliveira (2002, p. 20) destaca que “o Brasil tem produzido material e, principalmente, recursos humanos de padrão mundial na área de qualidade. Quadro III - Empresas Premiadas pelo PNQ Ano Empresa Categoria 1992 IBM Unidade Sumaré Manufaturas 1993 Xerox do Brasil Manufaturas 1994 Citibank-Unidade Global Consumer Bank Prestadora de serviços 1995 Serasa-Centralização de serviços dos bancos Prestadora de serviços 1996 Alcoa-Unidade Poços de Caldas Manufaturas 1997 Citibank-Unidade Corporate Banking Prestadora de serviços 1997 Copesul Cia. Petroquímica do Sul Manufaturas 1997 Weg-Unidade Motores Manufaturas 1998 Siemens – Unidade de Telecomunicações Manufaturas 1999 Caterpillar Brasil Manufaturas 1999 Cetrel S.A.-Empresa de Proteção Ambiental Médias empresas 2000 Serasa–Centralização de serviços dos bancos Grandes empresas 2001 Bahia Sul Celulose S.A. Grandes Empresas 2002 Gerdau – Aços Finos Piratini Grandes Empresas 2002 Politeno – Industria e Comercio S.A. Médias Empresas 2002 Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre Sem Fins Lucrativos 2003 Dana Albarus – Divisão Cardans Grandes Empresas 2003 Escritório Engenharia Joal Teitelbaum Médias Empresas 2004 Belgo Juiz de Fora Grandes Empresas 33 Ano Empresa Categoria 2005 Companhia Paulista de Força e Luz Grandes Empresas 2005 Petroquímica União S.A. Grandes Empresas 2005 Serasa S.A. Grandes Empresas 2005 Suzano Petroquímica S.A. Médias Empresas Fonte: Fundação Nacional da Qualidade (2006) As empresas brasileiras premiadas pelo PNQ estão em nível de excelência mundial. Essas empresas recebem incentivos para participarem do PNQ, incentivos esses, que induzem à mudança de comportamento, em várias áreas, tais como: clima interno, meio ambiente, valorização do capital humano e estilos de gerência. A qualidade tornou-se, hoje, objetivo básico para a satisfação das necessidades dos clientes. Os produtos ou serviços que não corresponderem ao padrão desejado serão descartados. 2.6 Exigência dos Clientes X Necessidades das Empresas Nas últimas décadas, o mundo sofreu e tem sofrido grandes transformações, seja cultural, econômica ou social. A globalização econômica, junto com a comunicação e a tecnologia, proporcionou o aumento das ofertas de bens e serviços e colaborou para que as empresas se tornassem cada vez mais competitivas, fator este, de fundamental importância para a sobrevivência e o crescimento no mercado globalizado. Anteriormente, os clientes eram em muitos casos desrespeitados. As empresas pensavam em vender em quantidade e não em vender com qualidade. Estas “jogavam” seus produtos no mercado, gerando, muitas vezes, insatisfação nos seus clientes. Hoje, essa realidade mudou, os consumidores estão mais exigentes e despertando para o seu papel, ou seja, o poder de escolha. É certo que, se uma empresa não atender as necessidades e expectativas do seu cliente, haverá outra concorrente que o fará. 34 Para Deming (1990) “o cliente é a parte mais importante do processo de produção”. O cliente é a pessoa capacitada para dizer se um produto é bom ou ruim, suas necessidades e o quanto esse produto pode ser útil a ele. Oferecer ao cliente um atendimento de qualidade ou satisfazê-lo é uma filosofia empresarial, uma estratégia para aumentar lucro. Mas é fundamental que essas empresas compreendam que atender um cliente com qualidade não significa exatamente tratálo com cortesia, mas sim, oferecer produtos e serviços de forma a satisfazer suas expectativas. As empresas devem entender as necessidades e desejos dos consumidores, e serem capazes de criar produtos de qualidade, que agreguem valor e propiciem uma vida melhor futuramente. Caso isso não ocorra, elas não conseguirão obter uma quota de mercado e sem esta não sobreviverão. As empresas precisam ainda, se conscientizar de que o nível de satisfação do cliente deve ser sempre medido, para que assim ela possa reconhecer as suas carências e defeitos. Uma das formas de medir este nível de satisfação é utilizar técnicas e ferramentas, por exemplo, serviço de atendimento ao consumidor (SAC), questionários, pesquisa, etc., que permitam identificar os requisitos que são desejados pelos clientes e, em seguida, medir e monitorar a melhor forma para atender esses requisitos. Embora ainda existam diferenças em relação ao que o cliente quer e o que a empresa quer, é válido ressaltar que as empresas devem priorizar sempre as necessidades e interesses do cliente. Isto tornará o cliente satisfeito e fiel, aumentando o volume de negócios e, conseqüentemente, o lucro. O cliente estando satisfeito comprará os produtos e serviços e também os recomendará a seus conhecidos. 35 3. CONTROLE DE QUALIDADE Em uma era de economia global, não é mais possível garantir a sobrevivência da empresa apenas exigindo das pessoas, que fazem parte dela, que façam o melhor que puderem ou cobrar apenas resultados. É preciso, também, que a empresa se envolva, crie métodos que possam ser utilizados por todos buscando cumprir os seus objetivos, que são ter uma empresa competitiva. Estes métodos devem ser praticados e aprendidos por todos para que a empresa alcance eficiência e eficácia na qualidade de seus produtos e serviços. Para Rodrigues (1999, p. 13), um destes métodos é o controle de qualidade, que é definido como “um sistema administrativo aperfeiçoado no Japão, que surgiu a partir de idéias americanas introduzidas no próprio Japão, logo após a Segunda Guerra Mundial”. O controle de qualidade pode ser definido, ainda, como um conjunto de métodos e atividades operacionais adotadas com três objetivos principais: planejar; manter e melhorar a qualidade (Trilogia de Juran)9. Para Paladini, (1990, p. 60), o controle de qualidade tem como objetivo “buscar melhorias no produto, nos serviços, nas atividades, na visão do trabalho, na produtividade, entre outros”. Já Rossato (1996) declara que o “controle de qualidade deve eliminar imperfeições que existem no sistema e no processo de produção e ser visto como uma atividade permanente, envolvendo todos os funcionários na participação efetiva do programa de melhoria da qualidade”. Ishikawa (1993, p. 43) relata que "praticar um bom controle de qualidade é desenvolver, projetar, produzir e comercializar um produto de qualidade que é mais econômico, mais útil e sempre satisfatório para o consumidor”. O controle de qualidade deve garantir que as atividades do programa de qualidade implantado ocorram conforme o planejado. Essas atividades são responsáveis por descobrir falhas no projeto e, assim, indicar mudanças que possam 9 (www.indg.com.br/info/glossario/glossario.asp) Acesso em 27 de maio de 2006. 36 melhorar a qualidade. O controle de qualidade deve levar em consideração as expectativas e ser uma obrigação de todos, desde os altos executivos, até os funcionários dos mais baixos níveis hierárquicos, como também, fornecedores, clientes, comunidades e sociedade em geral. Segundo Barreto (1990, p. 8-9) os princípios do controle de qualidade dividem-se em: Produzir e fornecer produtos/serviços que atendam às necessidades do cliente; Garantir a sobrevivência da empresa através do lucro contínuo adquirido pela qualidade; Identificar o problema mais crítico e solucioná-lo pela mais alta prioridade conhecendo o método que estabelece prioridades e o método que permite solucionar os problemas; Tomar decisões em cima de fatos e dados concretos e não com base em experiências, bom senso, intuição ou coragem; Gerenciar a empresa ao longo do processo, e tomar decisões quando houver resultados não satisfatórios; Não permitir a venda de produtos defeituosos, respeitar sempre o cliente; Prevenir a origem dos problemas não deixando para resolver depois; Não permitir que o problema venha a se repetir pela mesma causa; Respeitar os empregados como seres humanos; Definir e garantir a hierarquia. As empresas devem utilizar como critério a padronização e o treinamento no trabalho como base para o gerenciamento. Com a padronização o consumidor passará a identificar o produto da empresa sempre pelas mesmas características, ou seja, por suas características de qualidade. 37 3.1. Histórico do Controle de Qualidade Do ponto de vista histórico, ocorreram diversas mudanças significativas no conceito de controle de qualidade. Segundo Garvin (1992) “a evolução do conceito e das técnicas de qualidade utilizadas nos programas de qualidade consistem em quatro eras: inspeção, controle estatístico da qualidade, garantia da qualidade e gestão estratégica da qualidade”. Essas “eras” visam à busca de melhores produtos, processos e serviços. 1ª Era – Inspeção da Qualidade Segundo Silveira et al. (2002, p. 01) “na era da inspeção a concepção do que era qualidade, bem como seu controle, não se parecia com a qualidade que conhecemos hoje”. Anteriormente, nos séculos XVIII e XIX, a produção era artesanal, quase tudo era fabricado por artesãos ou aprendizes, que trabalhavam sob a supervisão de seus mestres, os artesãos. As peças produzidas pelos artesãos eram ajustadas manualmente umas às outras e a inspeção final feita pelo próprio artesão. Os artesãos trabalhavam com o intuito de satisfazer suas exigências estéticas como também queriam impressionar os seus clientes. A inspeção, neste período, tinha como objetivo separar os produtos bons dos produtos defeituosos através de observação direta. Segundo Maximiano (2000) “ enquanto houver clientes se relacionando diretamente com o produtor, haverá uma modalidade de inspeção e esta será, observação direta”. Com o aumento do comércio e o surgimento de tecnologias e da produção em massa, a adoção da inspeção formal tornou-se necessária. Foram criados, em razão disto, conceitos e ferramentas com o objetivo de auxiliar o gerenciamento para qualidade, ou seja, verificações por amostragem e garantia de qualidade nas vendas. Esse novo conceito de inspeção apoiou-se em um sistema de medidas, utilizando-se gabaritos e focando-se no controle de atributos ou no controle de variáveis. 38 Com a Revolução Industrial e o sistema fabril, a inspeção da qualidade passou a ter papel fundamental dentro da empresa, tornando-se uma função independente. Foram criados os departamentos de inspeção, que tinham como principal objetivo selecionar técnicas de medição adequadas, realizar verificações dimensionais com a ajuda de ferramentas específicas, para decidir entre o uso de amostras aleatórias de qualidade. No inicio do século XX, com o surgimento de grandes empresas, o supervisor de produção, que, após a inspeção formal, passou a ser um agente do controle de qualidade, foi substituído pelo inspetor de qualidade. Este inspetor trabalhava independente da empresa, para que sua opinião sobre os produtos também fosse independente (MAXIMIANO, 2000). Ainda no século XX, foram criados os departamentos de controle da qualidade, que eram separados dos departamentos de produção, para que também tivessem um julgamento independente em relação aos produtos. 2ª Era – Controle Estatístico de Qualidade O controle Estatístico de Qualidade baseia-se em amostragem e surgiu em vista do constante aumento das quantidades produzidas e da complexidade dos produtos fabricados, tornando-se difícil inspecionar a qualidade dos produtos que saíam em grandes quantidades das linhas de montagem. O controle estatístico de qualidade foi estudado e utilizado inicialmente por Bell Telephone Laboratories, em 1920, e tinha o objetivo controlar a qualidade e não somente verificá-lo após o processo. (RODRIGUES, 1999, p. 05). Walter A. Shewhart foi considerado o pioneiro da aplicação estatística no controle de qualidade. Em suas pesquisas realizadas na Bell Telephone Laboratories, em 1922, "estabeleceu o conceito de tolerância de um lote e, em 1924, usou, pela primeira vez, o gráfico de controle de qualidade de produtos de fabricação" (COSTA, 1977, p.13). Rodrigues & Amorim (1995, p. 04) definem os gráficos de controle “como uma ferramenta de baixo custo, que visam a identificar as causas para melhoria do processo, permitindo que, de alguma forma, o processo” “fale com você “”. 39 O processo criado por Shewhart era realizado da seguinte forma, ao invés de se inspecionar o produto um a um, selecionava-se um lote, ou seja, uma amostragem do produto para que fosse inspecionado, através de ferramentas e técnicas estatísticas. Se a amostragem do produto, depois de inspecionado estivesse fora dos limites de controle, isto significava que havia uma anormalidade, justificando a interrupção do processo produtivo e a inspeção de todas as peças fabricadas. Atualmente, o controle estatístico é bastante utilizado no setor industrial, proporcionando redução nos custos de inspeção e auxiliando o controle de qualidade na verificação dos lotes ou amostragem dos produtos fabricados. Com essas inovações, a qualidade obteve níveis bastante elevados, às custas do aumento dos custos de inspeção, que seria, facilmente, compensado pela redução de gastos com retrabalho e perdas de material, bem como por meio do melhor nível de qualidade oferecido (CORDEIRO, 2004, p. 04). 3ª Era – Garantia da Qualidade – 1940-1950 Surgiu na década de 50 e baseava-se no princípio de que para que a qualidade do produto seja alcançada, esta deve iniciar-se pelo projeto e estender-se até a sua entrega e, somente, terminar quando o consumidor estivesse satisfeito com o uso do produto. Na garantia da qualidade a prevenção era o objetivo principal, mas, a forma e as técnicas utilizadas iam além dos métodos estatísticos e enfocava quatro aspectos: Quantificação dos custos da qualidade e Engenharia da qualidade (Josefh Juran), Controle total da qualidade (Armand Feigenbaum), e Defeito zero (Phillip Crosby). Nesta era, foram criadas ferramentas que identificavam o trabalho em conjunto e tinham o objetivo de mostrar que os custos totais da qualidade poderiam ser reduzidos através dos meios de prevenção. Tais ferramentas são: a) quantificação de custos da qualidade; b) engenharia da qualidade; c) controle total da qualidade e, d) defeito zero. 40 a) Quantificação dos custos da Qualidade Até os anos 50, não havia preocupação com os custos que ocorriam por falta da qualidade dos produtos e serviços. A quantificação dos custos da qualidade surgiu para mudar isso, e as várias ferramentas foram criadas para auxiliarem na redução dos custos de produção. Juran teve papel fundamental. Ele desenvolveu um estudo sobre a economia da qualidade, definindo os níveis de custo para um produto ou serviço: custos evitáveis e custos inevitáveis. (RODRIGUES & AMORIM, 1995, p. 20). Os custos evitáveis estão relacionados com os prejuízos causados por produto rejeitado, retrabalho, material sucateado e pela insatisfação do cliente. Os custos inevitáveis são aqueles decorrentes do custo de inspeção de fabricação, amostragem e de outras ferramentas para melhorarem a qualidade dos produtos. b) Engenharia da Qualidade Também conhecida como Engenharia da Confiabilidade, foi criada por Juran, tem como objetivo garantir que o desempenho de um produto seja aceitável com o passar dos tempos. A engenharia de qualidade foi desenvolvida pelas indústrias eletro-eletrônicas e espacial, com o intuito de minimizar o número de falhas técnicas ocorridas. Dentre as principais ações para propiciar este processo estão: análise de componentes individuais; componentes usados abaixo de duas especificações e uso de sistemas paralelos. (RODRIGUES & AMORIM, 1995, p. 15) c) Controle Total da Qualidade - TCQ Armand Feigenbaum propôs a criação do Controle Total de Qualidade, dando fundamento nos anos 80 a ISO 9000. Para Feigenbaum a qualidade está ligada a cada função e atividade dentro da organização e tem como objetivo elevar o padrão de qualidade promovendo a plena satisfação do cliente. 41 Segundo Feigenbaum, "para se conseguir uma verdadeira eficácia, o controle precisa começar pelo projeto do produto e só terminar quando o produto tiver chegado às mãos de um freguês que fique satisfeito" (GARVIN, 1992, p.15). No Controle Total da Qualidade, a qualidade é responsabilidade de todos e a participação deve ser freqüente em todas as etapas do processo, sejam elas: controle dos novos projetos, controle do material recebido, controle da produção, controle da distribuição e controle da satisfação do cliente. O controle total da qualidade tem como principal característica o controle da qualidade, do custo e do atendimento ao cliente. d) Defeito Zero O defeito zero foi criado por Crosby no início da década de 60, quando trabalhava em uma empresa que fabricava equipamento bélico para o governo norte-americano. Defeito Zero “significa fazermos aquilo que concordamos, da forma e quando concordarmos em fazê-lo. (CROSBY, 1990, p. 62). Considerado por muitos como um programa de motivação para os funcionários, o defeito zero consiste em eliminar completamente as operações com erros até reduzir seu índice a zero, ou seja, fazer certo na primeira vez. As causas mais comuns dos erros são a falta de conhecimento, a falta de atenção e falta de instalações adequadas. O Defeito Zero passa, necessariamente, por um realinhamento da cultura da organização, e o seu sucesso está vinculado ao desenvolvimento e à adequação das atitudes e do comportamento gerencial. (RODRIGUES & AMORIM, 1995, p. 25) 4ª Era – Gestão estratégica de Qualidade A gestão estratégica da qualidade consolidou-se nos anos 60 e é utilizada até os dias de hoje. Tem como objetivos buscar o compromisso de toda a organização com a qualidade, envolvendo cada núcleo da empresa, desde a alta gerência até atingir todo o corpo funcional. A educação, o treinamento e a formação de equipes são fatores de fundamental importância para o desenvolvimento da qualidade. A 42 pesquisa de mercado e a análise dos produtos e estratégias dos concorrentes são outros aspectos que viabilizam a gestão estratégica da qualidade. Esta gestão também é marcada pela participação das empresas japonesas, que definiram que o interesse do cliente era o ponto de partida para a qualidade (Paladini, 1990) e pelo surgimento de prêmios da qualidade e da ISO 9000. Outro fator de grande relevância é a utilização de recursos tecnológicos em projetos de sistemas de qualidade, onde foram desenvolvidos vários softwares e criadas leis de proteção ao consumidor. A qualidade evoluiu e vem evoluindo. Empresas têm se esforçado para garantirem melhor qualidade nos seus produtos e, também, para a garantia da participação de todos os envolvidos no processo. Feigenbaum (1994, p. 20-22) descreve a evolução do controle de qualidade segundo cinco fases distintas: 1a etapa (1900) – Controle da Qualidade pelo Operador – Fase em que o trabalhador ou um grupo pequeno de trabalhadores era responsável pela fabricação, pela qualidade do produto e de seu serviço; 2a etapa (1918) - Controle da Qualidade pelo Supervisor – Nesta fase, o supervisor era responsável pela qualidade referente ao trabalho da equipe, dirigindo as ações e executando as tarefas onde fossem necessárias e convenientes, em cada caso. 3a etapa (1937) - Controle da Qualidade por Inspeção – Esta fase surgiu com a finalidade de verificar se os materiais, peças, componentes, ferramentas e outros estavam de acordo com os padrões estabelecidos, sendo que seu maior objetivo foi detectar os problemas nas organizações. 4ª Etapa (1960) - Controle Estatístico da Qualidade (CEQ) – Com a produção em massa gerada por causa da Segunda Guerra Mundial surgiu o CEQ, introduzindo a amostragem. O CEQ tinha como maior objetivo prevenir e atacar os problemas. Nesta etapa, ocorreu o reconhecimento da variabilidade na indústria, na produção sempre ocorre uma variação, de equipamentos, matéria-prima, operários, dentre 43 outros. O maior problema não era distinguir a variação, mas sim separar as variações aceitáveis daquelas que indicassem problemas. Surgiram, neste período também, as sete ferramentas básicas de controle de qualidade na utilização da produção: Fluxograma, Folha de Verificação, Diagrama de Pareto, Diagrama de Causa e Efeito, Histograma, Diagrama de Dispersão e Carta de Controle. 5 a etapa (1980) - Controle da Qualidade - A qualidade passou de um método restrito para um mais amplo, e o gerenciamento, que surgiu, deu-se por causa da necessidade da tomada de decisão pela péssima qualidade dos produtos. Essa má qualidade começou a ser constatada através de técnicas estatísticas e também de outros instrumentos, tais como: quantificação dos custos da qualidade, controle da qualidade, engenharia da confiabilidade e defeito zero. Figura I: Evolução do controle de Qualidade segundo Feigenbaum Fonte: Rossato, 1996. 3.2 Sete Ferramentas Básicas do Controle da Qualidade As ferramentas de qualidade são ferramentas que foram criadas com o objetivo de controlar os processos, utilizando dados numéricos para resolver problemas que aparecem no início da implantação da Gestão da Qualidade Total (GQT). 44 Para Giltlow (1993, p. 67), essas ferramentas são extremamente úteis no estudo da eficácia das medidas acionadas na etapa fazer do ciclo PDCA e podem ser utilizadas por todos da organização, em seus esforços para a melhoria da qualidade. As sete ferramentas de qualidade são: a) Fluxograma Sempre que se tem um problema relacionado com serviços para resolver, é necessário visualizar como eles acontecem. Para visualizar estes problemas podese utilizar o fluxograma. Fluxograma é o resultado ilustrado do fluxo de várias operações, ou seja, tarefas, decisões, passos de um processo. O fluxograma documenta um processo. Todo fluxograma possui três elementos básicos, a saber: Início e fim – são representados por círculos; Fases dos processos – são representados por retângulos; Passos decisórios – são representados por losangos. Figura 2 - Exemplo de Fluxograma Início Fase do Processo Decisão Fim 45 b) Diagrama de Causa e Efeito Também conhecido como Diagrama de Ishikawa, é uma ilustração didática de todos os fatores que influenciam um processo gerando resultados. Pode ser usado para organizar as causas de um problema de processo ou produto em uma apresentação lógica, como também são úteis para identificar a causa básica de um problema. Além disso, esses diagramas são utilizados, freqüentemente, para organizar o resultado de uma sessão de brainstorming10. Figura 3 - Exemplo de Diagrama de Causa e Efeito Fonte: Brassard (2000, p. 24) c) Folha de Verificação É a ferramenta utilizada para o registro de todos os dados que se deseja colher para posterior análise. Usa-se uma folha de verificação para coletar dados sobre um produto ou processo, de uma maneira organizada, de forma que os dados possam ser analisados com uma ferramenta estatística, como por exemplo, histograma, diagrama de Pareto, carta controle, entre outros. 10 Chuva de idéias – Forma de coletar grandes quantidades de contribuições criativas (incluindo fatos, opiniões, suposições e dados) relativas a um processo ou produto. 46 Figura 4 – Exemplo de Folha de Verificação Lixo espalhado nas áreas livres da Escola e nas Salas de Aula Ocorrência Nº insuficiente de caixas coletadas Demora na reforma do material Falta de informação sobre as novas lixeiras Lixeiras instaladas em locais pouco visíveis Outros Total Verificação Total IIII IIII IIII IIII IIII 20 IIII IIII IIII.......... IIII 50 IIII IIII IIII.................. IIII 150 IIII IIII IIII.......... IIII 80 IIII IIII IIII..... IIII 30 230 Fonte: http://www.indg.com.br/escolasdoceara/guia/spg/b d) Diagrama de Pareto Trata-se de um gráfico de colunas nos quais pode-se verificar a freqüência dos problemas ocorridos. Neste gráfico, os eventos que não são desejáveis ou os custos ligados à qualidade e à produtividade são de diversos tipos, de acordo com suas causas. Estes ainda, são organizados em ordem decrescente de importância da esquerda para a direita. Os estudos que deram origem ao Princípio de Pareto, relatam que nem sempre um elemento que aparece com maior freqüência é um problema. Figura 5 – Exemplo de Diagrama de Pareto . Fonte: http//:www.lgti.ufsc.br/O&m/quatro1.htm 47 e) Histograma Ferramenta utilizada para analisar um determinado problema. O histograma constrói uma representação ilustrada da distribuição de freqüência para a característica mensurável de um produto ou processo. Baseia-se na medição de dados em valores numéricos e revela quanto de variação existe em qualquer processo. O histograma tem forma de uma curva superposta a um gráfico de barras. A curva é chamada normal, quando as medidas estão concentradas em torno da medida central e, chamada de curva inclinada, quando um número igual de medidas situa-se de cada lado deste ponto central. Figura 6 - Exemplo de Histograma Fonte: Giltlow (1993, p. 72) f) Carta de Controle Pode ser usada para distinguir as causas especiais de variação das causas sistêmicas, ajudando a gerência a decidir como agir em uma dada situação, isto é, uma ação de solução de problemas para resolver uma causa especial de variação, ou uma ação de melhoria do sistema para eliminar uma causa sistêmica de variação. A carta controle é formada por: um gráfico cartesiano, onde o eixo horizontal representa o tempo e, o vertical, o valor da característica; 48 um conjunto de valores (pontos) unidos por segmentos de reta; três linhas horizontais: limite inferior de controle, limite controle e linha média; Figura 8 – Exemplo de Carta Controle Fonte: http://www.datalyzer.com.br/site/suporte/administrador/info/arquivos/info52 g) Diagrama de Dispersão Representa, graficamente, a intensidade e direção da relação entre duas características de um processo ou produto. Ele é construído de forma que o eixo horizontal represente os valores medidos de uma variável e o eixo vertical representa os valores da outra variável. Utiliza-se este tipo de diagrama para estudar a possibilidade de relação de causa e efeito ou entre duas variáveis. Neste diagrama não é possível afirmar que uma variável influencia a outra, mas podemos estabelecer se uma relação existe e em que intensidade. Figura 9 – Exemplo de Diagrama de Dispersão Fonte: http://www.esalq.usp.br/qualidade/mod3/pag1_3.htm 49 h) Estratificação A estratificação nos permite a análise de dados e suas tendências. Ela classifica sistematicamente um conjunto de dados relativos a características de um processo ou produto em subgrupos menores, de modo a permitir a determinação da causa principal dos problemas de um produto ou processo. Figura 10 - Gráfico de Estratificação Fonte: Brassard (2000, p. 76) Para que a empresa seja inserida no moderno conceito de qualidade, é necessário que ela procure envolver todos no processo, desde fornecedores até o presidente da empresa. Vale ressaltar, que os setores de produção são responsáveis por boa parte do sucesso da implantação de um programa de qualidade. Os operários através destes processos podem participar de grupos que estudam e discutem temas e problemas relacionados ao ambiente de trabalho, para assim, perceberem os problemas e suas causas, e proporem soluções que melhorem não só o processo de trabalho, mais a qualidade dentro da organização. A qualidade e o controle da qualidade independente dos tempos continuam sendo muito utilizados pelas organizações. Originalmente, a qualidade não significava um fator importante, mas hoje a qualidade faz parte dessas organizações e quem não aderir, pode perder lucratividade e seus clientes. 50 4. Transcrição da entrevista 4.1. Huyck Petrópolis - Histórico A Huyck Petrópolis foi fundada em 1921. Anteriormente era conhecida como Lanifício Petrópolis, cuja atividade principal era vender tecidos de lã e tecidos feltrados. Em 1941 o Lanifício Petrópolis foi comprado pelo grupo Lobera, fundandose assim, a Lobera, que fabricava feltros de lã para a indústria de papel celulose e cobertores. Em 1968 o grupo Huyck Corporation comprou a Lobera e a transformou em Lobera Huyck, e, em seguida, Huyck Indústria e Comércio S.A. Em 1980 a Huyck Corporation, num processo de globalização se fundiu com várias outras empresas internacionais e tornou-se parte do grupo internacional BTR. A BTR era quadragésima maior empresa do mundo em lucratividade, chegando a ter um lucro de 35 bilhões de dólares. Em 1999 aconteceu a fusão entre a SIEBE (um dos maiores grupos de fabricantes de controles de eletrodomésticos do mundo, com sede em Londres) e a BTR, formando-se assim, o grupo Invensys. A Invensys no ano de 2000 começou a vender segmentos de negócio, surgindo aí, o grupo de tecnologia chamado Xerium Technologies. A partir disso, foi criado uma holding chamada Xerium Corporation, que cuida de toda tecnologia para fabricação de papel celulose. Hoje, a Huyck pertence ao grupo Xerium Corporation que no Brasil é conhecido como Xerium Technologies Brasil Indústria e Comércio S.A. A Huyck possui quatros unidades, a saber: Huyck Vanminent – Planta de Petrópolis, responsável por fabricar feltros para a indústria de papel e fibras de cimento; Huyck Vanminent – Planta de Piracicaba, que fabrica telas secadoras, formadoras de papel e telas metálicas. 51 Huyck Vanminent – Planta de João Pessoa, que fabrica telas formadoras e secadoras finas para papéis. Huyck Vanminent – Argentina que fabrica feltros, telas formadoras de papel, secadora de papel, cobertura de borracha e outros. A Huyck Vanminent – Planta de Petrópolis é detentora de mais de 4.000 mil posições de produtos e mais de 1.000 clientes, entre eles: Ripasa, Klabin, Votorantim de papel, Suzano, Santa Maria de Papéis, Grupo João Santos, Papéis Pirahi Cigarros, entre outros. A Huyck Vanminent – Planta de Petrópolis, tem aproximadamente 150 funcionários e possui como atividade a fabricação de vestimenta para máquina de papel celulose e fibrocimento. Essa vestimenta é responsável por cobrir os cilindros (de aço, de borracha, etc.) existentes nas máquinas de papéis. Estes cilindros são revestidos na parte de prensagem para que a água do papel seja retirada. 4.2. Huyck e o Programa de Qualidade11 A Huyck implantou há 15 anos, como forma de garantir a qualidade, o programa de qualidade total, obtendo assim, o certificado ISO 9001:2000. A ISO 9001:2000 é uma norma de sistema de gestão, que tem como objetivo orientar as empresas no sistema de gestão da qualidade, satisfazendo os clientes, buscando a melhoria contínua, ampliando as possibilidades de negócios com seus fornecedores e principalmente assegurando a competitividade da empresa. A ISO 9001:2000 também possibilita que a empresa invista em seus funcionários, garantindo e aumentando o desenvolvimento profissional, as oportunidades e criando um ambiente de trabalho melhor. As normas da ISO 9001:2000 são baseadas em procedimentos, manual de qualidade, indicadores de qualidade, desempenho, medição, auditoria e monitoramento, ou seja, tudo aquilo que o sistema de qualidade utiliza. 11 Informações fornecidas por Luciana Ávila (Supervisora de Qualidade) e Dr. Ricardo Ramos (Presidente da Huyck – Planta de Petrópolis) 52 Segundo o Prof. Msc. Ricardo Ramos, que nos acompanhou na entrevista juntamente com a...., a utilização da norma ISO 9001 pela Huyck Vanminent – Planta de Petrópolis foi uma decisão estratégica corporativa para manutenção de mercado. Anteriormente a Huyck era a única fornecedora da América do Sul de produtos para a indústria de papel celulose (feltros) e obtinha o monopólio do mercado. Na década de 80, surgiram as concorrências com produtos que duravam mais e davam melhores resultados, conseqüentemente a Huyck começou a perder seus clientes, chegando a ficar apenas com 20% do mercado que atendiam. Além da perda de clientes, outro fator atingia a Huyck Petrópolis, o fato da empresa ser muito desorganizada. Segundo Dr. Ricardo Ramos, havia sujeira e desorganização em todo lugar. Com a evolução tecnológica e a globalização, processo este, que vem desde a década de 90, a empresa começou a perceber que não podia apenas atender os requisitos, mas também tinham que satisfazer os clientes. Foi preciso adotar uma nova filosofia e principalmente obter uma forma de melhorar a situação que a Huyck se encontrava. Neste período já se falava muito em qualidade e a Huyck decidiu seguir por este caminho. Após diversos estudos sobre os programas existentes, foi escolhido o modelo ISO 9001, por se tratar de um modelo que exigia padronização e principalmente uma documentação rica do que era realizado na empresa, já que a Huyck tinha carência nos seus procedimentos e especificações e isso acarretava erros. Houve uma grande mudança dentro da empresa com a adoção do programa de qualidade. As atividades tornaram-se padronizadas e tudo passou a ser documentado, para que assim, pudessem garantir a repetição do processo. Foi criado também, um programa de melhoria contínua dentro da qualidade, chamado SOL. O SOL funciona como o programa de qualidade “5 esses”12, mas com os seguintes significados, segurança, ordem e limpeza. Foi realizado um trabalho de 12 Programa surgido no Japão que tem como objetivo transformar o ambiente de trabalho Esses termos podem ser traduzidos como utilização (ou descarte), arrumação, limpeza, padronização (higiene). e autodisciplina. 53 conscientização com os funcionários, para que a empresa pudesse melhorar o seu ambiente. Hoje, a fábrica é extremamente limpa e organizada e todos os funcionários participam e colaboram neste processo. Além da mudança no espaço físico, houve também mudança de comportamento. Os funcionários foram envolvidos no processo desde o começo e eles tiveram que se acostumar a seguir as novas regras, ou seja, foi preciso aprender a registrar tudo que acontecia durante uma atividade, para que fosse possível saber que tipo de ação tomar quando algo acontecesse de errado. Com a utilização das normas ISO 9001 a empresa cresceu novamente, ficando mais exigente com a qualidade. Hoje, a Huyck é a maior indústria de feltro do Brasil e a segunda da América do Sul. Para garantir a continuidade da qualidade são realizadas dentro da empresa auditorias internas (auditoria de sistema e auditoria de produto), que funcionam como um programa. Essas auditorias são realizadas com o intuito de se saber como está a gestão da empresa e se os procedimentos estão sendo cumpridos de maneira correta. A auditoria possibilita ainda, que seja verificado como as pessoas estão gerenciando essas atividades, para isso, são utilizados os indicadores de desempenho, onde são coletadas as informações principais que tiram retrato de como está a empresa para que seja comparado na próxima auditoria. Quando há não-conformidade em um processo, é utilizado um formulário interno, onde são registradas as não-conformidades, seja ela de qualquer natureza. São registradas também, a causa e a ação corretiva ou preventiva, quando aplicável. Se algo está errado é preciso buscar a causa e resolver dentro de um prazo. Este prazo é de extrema importância, pois a partir dele é possível medir a eficácia da ação e se esta ação surtiu efeito. Se não, o formulário é “fechado” e chamado de não conformidade reincidente, onde todo processo é refeito, para assim, verificar-se onde ocorreu o erro. Segundo ainda, o Prof. MSC. Ricardo Ramos, todas as outras unidades possuem programa de qualidade e melhoria contínua e metas de produtividade e qualidade. Para cada falha existe uma determinada pontuação. As falhas e 54 produtividade, quando ocorrem, influenciam diretamente nos rendimentos do funcionário. Vale ressaltar que todos os funcionários que entram na empresa participam de um processo de integração. Durante este processo são transmitidas as políticas da qualidade, os objetivos e para que serve. Pois estes funcionários precisam saber que na área em que vão atuar existem procedimentos e que esses procedimentos precisam ser aprendidos. Transmitir a qualidade para os funcionários é uma prática da empresa, tanto no processo de integração como na prática de treinamento e conscientização. A melhor forma de avaliar o grau de comprometimento do corpo de Empregados, da Direção, dos Fornecedores e dos Clientes. Esta na Política de ......................................................................... - Reproduza os dizeres dos quadrinhos. E fale sobre o ambiente de trabalho, como reflexo da implantação do conceito de qualidade. Termine agradecendo a oportunidade que lhe foi concedida. Não esqueça de fazer menção, (se possível transcreva uma passagem do livro), ao livro do Prof. Msc. Ricardo Ramos. Olhe o Resumo, fiz sugestões. Esta bom o texto. Passe todo o trabalho pelo corretor do WORD, tem muito erro ortográfico. Faça as adaptações na conclusão de acordo com o enfoque do RESUMO. 55 5. CONCLUSÕES Esta monografia buscou avaliar a evolução e a importância da qualidade para as empresas. A tecnologia avançada e a globalização colaboraram muito para o crescimento das mesmas. O mercado tornou-se competitivo e exigente, e as empresas tiveram que se adaptar a estas exigências para permanecerem neste mercado. No capítulo 4, foi apresentado o caso da Huyck Vanminent – Planta de Petrópolis, empresa produtora de feltros. A Huyck utiliza a qualidade e baseia-se na norma ISO 9001 há quase 15 anos, por este motivo após passar por um período difícil, conseguiu superar as perdas e entrar novamente no mercado, tornando-se a maior empresa de feltros do Brasil e a segunda da América Latina. A Huyck tornou-se uma empresa padronizada, organizada e com metas e objetivos a serem seguidos. Os funcionários tornaram-se mais participativos e se envolveram nos conceitos. O processo de qualidade é algo contínuo e deve ser sempre aperfeiçoado. Anteriormente a ISO 9001 era aplicada apenas para as empresas que desenvolviam produtos. Hoje, esta realidade mudou, pois estes sistemas não certificam mais apenas os produtos, mas tudo o que envolve sua produção. A ISO 9001 é um bom modelo para direcionar a consciência para a qualidade. Pela análise dos conceitos contidos nesta monografia, pode-se concluir que a qualidade é de extrema importância para qualquer empresa, seja ela de qualquer seguimento ou tamanho. Com a utilização dos programas de qualidade as empresas são sempre beneficiadas, pois se tornam padronizadas, evitam erros e possibilitam a satisfação dos seus clientes internos e externos, alcançando sucesso e principalmente lucro. A opção feita pela Huyck de se basear na norma ISSO 9001 foi correta, pois a ISO 9001 além de encaixar-se nos objetivos da empresa, também esta preocupada com a gestão dentro da empresa. 56 Vale ressaltar que hoje a qualidade não é mais discutível, mas é parte de um processo de transformação, onde todos os personagens da empresa possuem papel importante. Se a qualidade for “encarada” seriamente, os erros serão evitados nos processos e conseqüentemente o lucro e a satisfação do cliente aumentará. Para finalizar, uma definição atual sobre a qualidade: “Qualidade é atitude, estado de espírito, ciclo sem fim de melhorias contínuas e deve-se fazer disso uma filosofia, uma forma de viver”. (RAMOS, 2006) 57 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BARRETO, Maria Imaculada. Controle da qualidade. /s.d./. 52p. Monografia de final de Curso de Economia – Graduação, 1990. BRASSARD, M. Qualidade: Ferramenta para uma Melhoria Contínua. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2000, 87 p. BUENO, M. Gestão pela Qualidade Total: uma Estratégia Administrativa. Santa Catarina, 33 p.,Trabalho de revisão de literatura desenvolvido no âmbito do Mestrado em Engenharia de Produção: Gestão da Inovação Tecnológica e Ambiental Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC - 2004. CAMPOS, Vicente Falconi. TQC: controle da qualidade total: (no estilo japonês). Belo Horizonte: UFMG, 1999. 229 p CONTE, A.L. & DURSKI, G.R. Qualidade. FAE Business. v. 2, n. 5, p. 51-60. 2002 CORDEIRO, J. V. B. de M. 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