UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” INSTITUTO A VEZ DO MESTRE ACORDOS DE RESULTADOS: A IMPLEMENTAÇÃO DA GESTÃO DE DESEMPENHO NO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO Por: Gecina Dalva Constantino Orientador Prof. Nelsom Magalhães Rio de Janeiro 2011 2 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” INSTITUTO A VEZ DO MESTRE ACORDOS DE RESULTADOS: A IMPLEMENTAÇÃO DA GESTÃO DE DESEMPENHO NO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO Apresentação Candido de Mendes monografia como à requisito Universidade parcial para obtenção do grau de especialista em Gestão Pública Por: Gecina Dalva Constantino 3 AGRADECIMENTOS À Deus, por tornar possível mais esta realização em minha vida. 4 DEDICATÓRIA Aos servidores municipais que executam com primazia as funções públicas. 5 RESUMO A presente monografia pretende estudar a introdução da Administração Pública Gerencial no Município do Rio de Janeiro, que traça como caminho a Gestão de desempenho, e ainda dentro deste contexto a utilização da ferramenta Acordos de Resultados. Este estudo busca analisar a importância dos Acordos de Resultados na administração de desempenho no âmbito do Município do Rio de Janeiro, além de conceituar a administração gerencial após a Reforma do Estado, trazendo uma abordagem sobre a relevância dos Acordos para os servidores públicos municipais. Palavras chave: Reforma do Estado, Administração Pública Gerencial, Gestão de Desempenho, Acordos de Resultados. 6 METODOLOGIA Esta monografia baseou-se na pesquisa exploratória utilizando levantamento bibliográfico sobre os seguintes temas: Reforma do Estado, Administração gerencial, Gestão Pública e Gestão de desempenho. Dentro da metodologia aplicou-se a utilização de um estudo de natureza qualitativa através de coleta de dados documental que incluíram Leis, Decretos, Resoluções e demais publicações do Diário Oficial do Município do Rio de Janeiro. A pesquisa bibliográfica encontra-se nos seguintes autores: PEREIRA, Luiz Carlos Bresser; COSTA, Índio da; SANTOS, Luis Alberto dos; SALDANHA, Clezio e MATIAS-PEREIRA, José. 7 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 8 CAPÍTULO I - O novo modelo de Administração Pública 9 CAPÍTULO II - A Gestão de Desempenho 20 CAPÍTULO III - Os Acordos de Resultados na Prefeitura do Rio 30 CONCLUSÃO 43 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 45 ÍNDICE 49 FOLHA DE AVALIAÇÃO 50 8 INTRODUÇÃO De acordo com Rezende (2009), as reformas gerenciais que ocorrem a partir dos anos 90 colocaram como problema central a necessidade de redefinir os moldes de gestão pública a partir de novos modelos institucionais que permitissem ampliar a capacidade de governar, a legitimidade política e a eficiência na provisão de bens e serviços para a sociedade. Seguindo esta premissa, o modelo de reestruturação da administração pública implantado com a Reforma do Estado, incidiu diretamente nos padrões de eficiência, o que solicitou dos servidores públicos maior desempenho na realização de suas tarefas, sobretudo após a promulgação da Emenda Constitucional nº 19/1998. Acompanhando este movimento, o Município do Rio dentro das perspectivas da administração gerencial, incrementou ações voltadas especificamente para a Gestão de desempenho. As ações implantadas pretendem atender as novas necessidades e expectativas dos cidadãos, além de dinamizar os serviços prestados pela Prefeitura, dando respostas mais imediatas à população. Dentre as ações implantadas em 2010, o Município passou a utilizar os Acordos de Resultados, que visam atingir resultados de produtividade através da fixação de metas estabelecidas. A adoção deste modelo de administração gerencial refletiu sobre o trabalho dos servidores, que passarão a ser avaliados por aferição dos índices de resultados alcançados, e poderão obter uma bonificação anual. 9 CAPÍTULO I O novo modelo de Administração Pública Com a explosão da crise de endividamento internacional na década de 80, a atenção de políticos e economistas no mundo todo se voltou para o ajuste estrutural, também conhecido como ajuste fiscal, criando reformas orientadas para o mercado. A partir da década de 90, a ênfase deslocou-se para a reforma do Estado, particularmente para a reforma administrativa. Segundo Soares (2000), a necessidade de reorganizar a máquina estatal era a proposta máxima da reforma do Estado, retirando seu poder de comandar a economia e reduzindo o setor público estrategicamente. Desta forma, deixando clara a idéia de que reduzindo o tamanho do Estado, se reduziria os gastos públicos. Uma das premissas para alavancar tal reforma era retirar o Estado como agente econômico produtivo, privatizando as empresas estatais, reduzindo o setor público e reorganizando a máquina estatal. O Brasil passou por diversas fases de reforma da administração pública desde meados da década de 80, sendo que o foco foi mudando nos sucessivos governos e resultando em esforços de reforma sem continuidade. Posteriormente, com a promulgação da constituição de 1988, foram impressas as principais ondas de reforma. 10 Sob o primeiro governo Fernando Henrique Cardoso (1995-99), um ambicioso programa de reforma gerencial foi lançado juntamente com novas linhas de administração pública, incluindo programas de elaboração de orçamento. O objetivo era tornar a prestação de serviços mais eficaz por meio da reestruturação da administração e da introdução de incentivos ao desempenho. Foi tentada uma grande reestruturação das organizações do serviço público, e alguns elementos dos serviços públicos foram terceirizados ou privatizados e foram feitos também esforços para introduzir métodos de gestão por desempenho. “É preciso, agora, dar um salto adiante, no sentido de uma administração pública que chamaria de "gerencial", baseada em conceitos atuais de administração e eficiência, voltada para o controle dos resultados e descentralizada para poder chegar ao cidadão, que, numa sociedade democrática, é quem dá legitimidade às instituições e que, portanto, se torna "cliente privilegiado" dos serviços prestados pelo Estado. É preciso reorganizar as estruturas da administração com ênfase na qualidade e na produtividade do serviço público; na verdadeira profissionalização do servidor, que passaria a perceber salários mais justos para todas as funções. Esta reorganização da máquina estatal tem sido adotada com êxito em muitos países desenvolvidos e em desenvolvimento”. (BRASIL-PDRAE, 1995) 11 Ainda em 1995, começou a ser discutida a introdução da Administração Pública Gerencial, onde as principais características desse novo modelo de gestão, segundo PAULA, 2007 apud SANTOS e VIEIRA: 2008, são as seguintes: administração profissional, autônoma e organizada em carreiras; descentralização administrativa; maior competição entre as unidades administrativas; disciplina e contenção no uso dos recursos; indicadores de desempenho transparentes; maior controle dos resultados; ênfase no uso de práticas de gestão originadas no setor privado. Dentro deste contexto, o que se constata é que o modelo de Administração Pública Gerencial solicita do poder público: • Foco da ação das instituições públicas no cidadão. • Foco da atuação dos agentes públicos e do controle voltados predominantemente para os resultados, em lugar de ritos meramente processuais. • Busca de maior transparência às ações do Estado. • Instituição de instâncias de participação da sociedade na formulação, no acompanhamento da execução e na avaliação das políticas públicas: participação e controle social. • Revisão do tamanho da máquina pública, descentralização e desconcentração. Segundo Santos e Vieira (2008), para que a administração pública tenha um efetivo funcionamento, pressupõe-se a existência de uma série de condições favoráveis em termos institucionais, administrativos e técnicos. 12 Institucionalmente, é requerido apoio político, estabilidade, continuidade administrativa e ações legalmente fundamentadas; administrativamente, são necessárias estruturas organizacionais capazes de formular e coordenar a execução de atividades e programas, e cuja eficácia possa ser medida pela capacidade em suplantar os obstáculos da burocracia tradicional, bem como assegurar uma integração de esforços para a consecução de objetivos comuns voltados à melhoria dos padrões de vida da coletividade; e tecnicamente, é preciso pessoal capacitado, submetido a programas sistemáticos de atualização e aperfeiçoamento, para que possam ser julgados pelos seus méritos e não por injunções políticas, bem como disponibilidade de informações conjunturais, de maneira a dar consistência à formulação de políticas públicas. A introdução de novos modelos administrativos e gerenciais tem como problema central, para os formuladores e implementadores de políticas públicas nessas organizações, o modo como combinar burocracia e democracia, portanto a questão crucial é saber em que medida as estruturas burocráticas comportam ambientes democráticos. (REZENDE, 1998, apud SALDANHA, 2006: 5). 1.1 - A Administração Pública após a Reforma do Estado Em linhas gerais a reforma do Estado pretende acompanhar a flexibilidade do mercado capitalista globalizado, em resposta aos reflexos das crises econômica, fiscal, política e principalmente de Estado, que afetaram o governo, e impedia a sua melhor atuação nas esferas sociais. 13 Segundo Pereira (1995), reconstruir o Estado significa superar definitivamente a crise fiscal e rever as estratégias de intervenção no plano econômico e social, abandonando as intervenções diretas e adotando formas regulatórias. A reforma visa modernizar a administração pública, descentralizando suas ações, onde as atividades burocráticas devem ser desempenhadas com maior qualidade por servidores mais eficientes. Para Pereira (1995), a reforma do Estado é um tema que envolve aspectos políticos, econômicos e administrativos, e dentro dos pressupostos para reformular a administração se encontra a certeza de que a administração pública burocrática devia mudar, e ser substituída por uma administração pública gerencial. No Brasil, estas reformas tornaram-se mais evidentes a partir de 1995 com o Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado que procurou criar condições para a reconstrução da administração pública em bases modernas e racionais. “No passado, constituiu grande avanço a implementação de uma administração pública formal, baseada em princípios racional-burocráticos, os quais se contrapunham ao patrimonialismo, ao clientelismo, ao nepotismo, vícios estes que ainda persistem e que precisam ser extirpados. Mas o sistema introduzido, ao limitar-se a padrões hierárquicos rígidos e ao concentrarse no controle dos processos e não dos resultados, revelou-se lento e ineficiente para a magnitude e a complexidade dos desafios que o País passou a enfrentar diante da globalização econômica”. (BRASIL-PDRAE, 1995) 14 Para Pereira (1996), no lugar da velha administração pública burocrática, emergiu uma nova forma de administração - a administração pública gerencial -, que tomou emprestado do setor privado os imensos avanços práticos e teóricos ocorridos no século XX na administração das empresas, sem, contudo, perder sua característica específica: a de ser uma administração que não está orientada para o lucro, mas para o atendimento do interesse público. De acordo com Matias-Pereira (2010), o que se buscou com a reforma do Estado é a substituição do modelo burocrático pelo modelo gerencial, pautado em princípios da administração das empresas privadas, que traz novos conceitos de gestão, que se acredita possam ser aplicados com sucesso em muitos setores da administração pública: administração por objetivos, downsizing1, serviços públicos voltados para o consumidor, empowerment2, pagamento por desempenho, qualidade total, formas de descentralização Os esforços para importar as novas linhas de administração pública em um serviço público totalmente despreparado e enfraquecido não vingaram, deixando um legado de medidas parcialmente implantadas. Para melhor compreensão da relação entre administração e reforma conceitua-se a administração pública como o conjunto de meios materiais, humanos, financeiros e institucionais empregados com a finalidade de execução das funções públicas, ou seja, são os meios necessários ao atendimento das necessidades administrativas do Estado. 1 É uma técnica da Administração contemporânea, que tem por objetivo a eliminação da burocracia corporativa desnecessária, é focada no centro da pirâmide hierárquica, na área de recursos humanos. 2 Delegação de autoridade, é uma abordagem a projetos de trabalho que se baseia na delegação de poderes de decisão, autonomia e participação dos funcionários na administração das empresas. 15 Matias-Pereira (2010), aponta que a reforma do Estado brasileiro, na qual está inserida a reforma administrativa, deve ser orientada para o desenvolvimento e levar em consideração a absoluta necessidade do Estado e sua construção em novas bases. De acordo com Pereira Jr.(1999), a sociedade necessita que o Estado realize e preste atividades, funções e serviços não lucrativos, posto que não comerciais, nem industriais, porém essenciais, como são os relacionados com a saúde pública, a educação fundamental, a assistência social, o saneamento básico, a segurança pública, a tutela jurisdicional, a polícia administrativa e a diplomacia. Para o autor, a sociedade não organiza e mantém o Estado para que seja ineficiente, embora ineficiências possam ser, e são, encontradas em vários setores da Administração Pública, como podem ser, e são, encontráveis em setores de qualquer empreendimento privado. 1.2 - A introdução da Administração Pública Gerencial no Município do Rio de Janeiro De acordo com Matias-Pereira (2010), a administração pública gerencial surgiu na segunda metade do século XX com estratégia para reduzir custos e tornar mais eficiente a administração dos serviços sob a responsabilidade do Estado; como instrumento de proteção ao patrimônio público; e para amenizar a insatisfação existente contra a administração pública burocrática. Ressalta-se que o gerencialismo consiste na administração voltada para cidadão/usuário. resultados, voltado para atender as demandas do 16 Segundo o levantamento da Confederação Nacional dos Municípios (2008), a reestruturação administrativa do Estado compreende na gestão gerencial a única forma viável de padronização e sistematização de atividades capaz de permitir que sejam alcançados objetivos e resultados, demonstrando um conceito empresarial e privatizador de governabilidade. Este novo cenário, que enfoca uma nova dimensão de ajuste com pretensão de competitividade e lucratividade, vem se consolidando inclusive nas administrações públicas municipais. Ainda de acordo com a CNM (2008), as transformações tecnológicas, estruturais, econômicas e sociais exercem um grande impacto na vida das pessoas, e conseqüentemente afetam as gestões por elas lideradas. Estas transformações atingem todos os setores socioeconômicos, e especificamente nos municípios encontram-se características marcantes desse processo, o que sugere a necessidade de novas concepções e abordagens sobre a gestão municipal. Encontra-se explicitado no Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado (1995), que a administração pública gerencial vê o cidadão como contribuinte de impostos e como cliente dos seus serviços. Para tanto, os resultados da ação do Estado são considerados bons não porque os processos administrativos estão sob controle e são seguros, mas porque as necessidades do cidadão-cliente estão sendo atendidas. “O modelo gerencial tornou-se realidade no mundo desenvolvido quando, através da definição clara de objetivos para cada unidade da administração, da descentralização, organizacionais da e da mudança adoção de de estruturas valores e de comportamentos modernos no interior do Estado, se revelou mais capaz de promover o aumento da qualidade 17 e da eficiência dos serviços sociais oferecidos pelo setor público”. (BRASIL-PDRAE, 1995) Para lidar com essa nova situação, são necessários conceitos e instrumentos capazes de levar em consideração adequadamente as transformações e desenvolvimentos que estão ocorrendo. Não utilizar uma orientação clara de desenvolvimento que se baseie no potencial do município, e sem flexibilidade para reagir às influências externas, o desenvolvimento municipal pode ser prejudicado sensivelmente. Um dos instrumentos para lidar adequadamente com processos dinâmicos de mudanças e transformações é o Planejamento. O planejamento é um instrumento de gerenciamento que tem como único propósito tornar o trabalho de uma organização mais eficiente. Os dois principais instrumentos de planejamento urbano no Brasil são a Lei Orgânica e o Plano Diretor. Segundo Pfeiffer (2000), os Municípios com mais de 20.000 habitantes são obrigados a elaborar um Plano Diretor, sob a orientação da Constituição, onde seu objetivo é “ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem-estar de seus habitantes” (Brasil, 1988: título VII, capítulo III, art. 182). A Constituição também orienta que a elaboração do Plano Diretor deve ser participativa e considerar os interesses das organizações civis locais. No entanto, os pormenores sobre o procedimento são definidos na Lei Orgânica e podem variar de município para município, desde que não firam as legislações federal ou estadual. Desta forma, segundo Matias-Pereira (2010), passa o planejamento governamental a constituir uma função do governo, de cunho permanente. O planejamento, com base nas novas atribuições constitucionais, deixou de ser um instrumento de caráter técnico e tornou-se um mecanismo jurídico por meio do qual o dirigente passou a ter a obrigação de executar sua atividade governamental na busca da realização das mudanças necessárias para alcançar o desenvolvimento econômico e social. 18 Para Pfeiffer (2000), ao contrário de um Plano Diretor, o Planejamento/Plano Estratégico, não é uma norma legal senão um contrato político e social, cuja execução corresponde àquelas partes que têm a competência ou a capacidade para fazê-lo. No entanto, o plano funciona como meio de pressão pública para promover o cumprimento dos seus objetivos. Outro aspecto é de que o Planejamento Estratégico deve ser entendido como um processo permanente no qual o ambiente da organização é observado e analisado, ações são planejadas, executadas e os seus impactos são avaliados, antes do ciclo começar outra vez. Nas premissas do Plano Estratégico da Prefeitura do Rio de Janeiro que compreende o período de 2009-2012, encontram-se expressos os princípios da atuação do governo: “Colocar o cotidiano das pessoas como tema prioritário de governo. Assegurar uma gestão profissional de toda máquina municipal. Estabelecer uma perfeita integração entre as políticas públicas municipais, estaduais e federais. Garantir que os serviços públicos prestados pela Prefeitura tenham o mesmo padrão de qualidade em todas as regiões da cidade. Potencializar a capacidade de investimento da Prefeitura através de parcerias com o setor privado e outras esferas de governo. Uma Prefeitura moderna, ágil e presente. Enfim, um Rio mais integrado e mais competitivo. Pronto para vencer novos desafios”. (D.O RIO:2010) Para Souza (2005), a base de qualquer sistema contemporâneo de desempenho é o plano estratégico. A visão de futuro e as estratégias corporativas, construídas para a resolução de problemas que afetam o desempenho organizacional, são os alicerces principais. 19 De acordo com Pfeiffer (2000), o Planejamento Estratégico sempre deverá ser realizado por uma organização, seja uma empresa privada, ou parte dela; uma organização não governamental; a própria administração pública, ou parte dela; e ainda, um município. Segundo Costa (2004), existem semelhanças enormes e diferenças abissais entre a iniciativa privada e poder público. O serviço público é uma organização que só trabalha com aquilo que a lei permite ou abriga. A iniciativa privada visa o lucro, o outro, não; a administração pública depende das decisões do Legislativo, a privada não; quando quebra a empresa privada fecha as portas; o poder público nunca fecha. O que se pode adotar da lógica privada são os cortes de custos e de prazos, a modernização e a implantação de uma cultura tecnológica, uma administração profissional, a busca da eficácia. Ainda segundo Costa (2004), a reforma na Prefeitura busca agir dentro da lógica pública, observando as amarras, as obrigações e os deveres da função governamental, entretanto, quebrando barreiras no uso de conceitos inovadores, definição de metas, corte de custos, qualidade total, balance scorecard3, administração por processos, dentre outros. A implantação da administração pública gerencial, para MatiasPereira (2010), envolve uma alteração na estratégia de gerência, que deve ser posta em prática em uma estrutura administrativa reformada. Neste sentido, busca descentralizar, delegar autoridade e, em especial, definir de forma clara os setores de autuação do Estado, competências e modalidades de administração adequadas a cada setor. 3 É uma metodologia de medição e gestão de desempenho desenvolvida pelos professores da Harvard Business School, Robert Kaplan e David Norton, em 1992. 20 CAPÍTULO II A Gestão de Desempenho As reformas gerenciais partiram do pressuposto de fazer a burocracia pública funcionar melhor e com menor custo, apresentando uma nova Administração Pública construída a partir de flexibilidade gerencial, descentralização, autonomia, e com novas formas de gerenciamento. Dentro desta perspectiva, a velha estrutura burocrática entrou num processo de obsolescência, sendo sucedida por um novo modelo, o modelo gerencial, que imprimiu uma nova gestão, a gestão de desempenho. De acordo com o Relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (2010), no começo da gestão por desempenho, diversos países estabeleceram medidas muito sofisticadas para avaliar as realizações e resultados, por meio de modelos destinados a atingir certo nível de avaliação científica. Esses modelos se mostraram bastante complicados do ponto de vista burocrático e focaram a atenção dos trabalhadores não sobre o seu comportamento geral e prestação global de serviços, mas em alguns poucos resultados e medidas. A Gestão de desempenho pode ser conceituada como um processo contínuo de negociação, acompanhamento e renegociação de metas, individuais e grupais, com foco nos resultados organizacionais e que gera subsídios para recompensar desempenhos superiores. 21 Para Matias-Pereira (2010), o esforço para melhorar o desempenho dos governos, por sua vez, passa pela formação de equipes de trabalho comprometidas com as instituições e com as missões primordiais do Estado, especialmente com a prestação de serviços de qualidade à população e com a geração de estímulos ao desenvolvimento econômico do país. Para entender melhor o que se espera com a implantação das metodologias de gestão de desempenho verifica-se que as questões ligadas à gerência do trabalho estão integradas à gerência de pessoas. Conforme a seguinte definição: “A administração de desempenho é uma metodologia gerencial que visa promover a consecução das metas organizacionais e o desempenho dos recursos humanos, através de um processo participativo, dinâmico, continuo e sistematizado de planejamento, acompanhamento, avaliação e melhoria do desempenho”. (STOFFEL, 2000:13, apud SALDANHA, 2006:113) Um sistema de gestão de desempenho funciona com a delimitação inicial dos trabalhos a serem realizados e dos resultados a serem alcançados (planejamento) e o acompanhamento do desempenho, visando assegurar o cumprimento das metas e os resultados estabelecidos com base no planejamento previamente elaborado e na avaliação do desempenho (GUIMARÃES, NADER E RAMAGEM, 1998, apud Cadernos ENAP n. 22: 2003) 22 O objetivo do acompanhamento e da avaliação de desempenho é verificar o modo como o trabalhador está realizando seu trabalho e os resultados alcançados, visando ter diagnóstico dos aspectos que interferiram ou estão interferindo neles positiva ou negativamente e, a partir do diagnóstico, estabelecer planos de ação para assegurar o alcance de objetivos previamente estabelecidos ou valorizar os resultados alcançados e a atuação do profissional. A avaliação de desempenho passou a compor a metodologia de gestão de desempenho com uma característica diferente da sua forma tradicional, entende-se que a gestão de desempenho de organizações e pessoas é uma questão relacionada com a busca da eficiência e eficácia organizacional. 2.1- A Gestão de Desempenho no serviço público O processo de introdução da administração publica gerencial, tem como pressupostos: descentralização das decisões e funções do Estado, autonomia no que diz respeito à gestão de recursos humanos, materiais e financeiros e ênfase na qualidade e na produtividade do serviço público. Desta forma, na implementação da Gestão de desempenho é necessário que a administração meça seu desempenho de maneira sistemática e estruturada, dotando as organizações públicas de um modelo de avaliação do desempenho organizacional que possa contribuir para tornar o Estado mais ágil, transparente e focado em resultados que agreguem valor à sociedade. 23 As preocupações com a melhoria do desempenho surtiram reflexos na inclusão do princípio da eficiência na administração pública, e também no Regime Jurídico Único dos servidores, proporcionado dotar a administração pública de maior flexibilidade na gestão de recursos humanos Segundo Saldanha (2006), a avaliação de desempenho resulta da análise entre o desempenho esperado e o desempenho realizado, fechando o ciclo de administração do desempenho. Ela permite conceituar o resultado obtido, gerando conseqüências para o próximo ciclo, não devendo, contudo, apresentar surpresas nem sobressaltos, uma vez que as metas e os indicadores foram negociados na fase de planejamento e revistos periodicamente na fase de acompanhamento. De acordo com Souza (2005), a gestão estratégica do desempenho humano exige a continuidade do ciclo ao demandar a transformação das informações obtidas na etapa de avaliação em suporte à tomada de decisão. Segundo o Relatório OCDE (2010), o critério de melhoria de competências tem se tornado cada vez mais importante, em parte porque é uma forma de incentivar o desenvolvimento das competências-chave necessárias dos servidores. Também pode ser mais fácil acordar sobre o que constitui as competências técnicas do que avaliar quais resultados foram alcançados. Tal caminho permitiu aos países evitar a divisão muitas vezes associada com a remuneração com base em resultados de desempenho avaliados. Para Schwartzman (1996), o controle adequado do funcionamento e desempenho das instituições públicas requer a combinação de dois ingredientes que nem sempre andam juntos: a legitimidade, e a competência técnica e profissional dos responsáveis pelos mecanismos de avaliação e acompanhamento. 24 Um dos maiores desafios que se deve enfrentar é como motivar os gerentes e servidores a usar as informações geradas pelos indicadores de maneira que se converta a medição de desempenho em um sistema de gestão. O que se espera é que as diretrizes usadas para a formulação e implantação dos processos de Avaliação de Desempenho sejam inspiradas na percepção e no reconhecimento do desempenho humano como fator de impulso do sucesso da organização. Mais além, as funções realizadas pelo servidor devem promover as mudanças no setor público, sendo que o trabalho deverá ser permanente de readaptação e também de assimilação de novos conhecimentos. Para compreensão destes fatores conclui a OCDE no Relatório Brasil (2010): “O “desempenho” nos serviços e administrações públicas é um conceito amplo que inclui não apenas custos, produção e efeitos nos resultados, mas também conceitos como adequação, devido processo legal e confiabilidade. O desempenho de um servidor público envolve não apenas trabalhar e entregar, mas também o respeito pelas leis do país, pelo sistema democrático e pelo governo eleito durante seu o período na função. O bom desempenho não acontece por acaso, pelo menos não de forma consistente. Ele requer ações apropriadas por parte dos líderes políticos, legisladores, administradores públicos e servidores públicos. Isso se refere à cultura e às atitudes tanto quanto às organizações, mandatos, competências e incentivos”. (OCDE: 2010:204) 25 O que se constata é que a situação atual do serviço público brasileiro é moldada pelo legado das reformas passadas. Isso deve ser levado em consideração para decidir como abordar mudanças futuras. 2.2- Os reflexos da Gestão de Desempenho na Administração Pública Municipal Segundo Ferreira (2006), vivemos em uma sociedade estruturada em torno de organizações. O bom funcionamento das empresas, instituições públicas, escolas e hospitais é fundamental para que possamos ter maior qualidade de vida e alcançar níveis mais elevados de desenvolvimento humano, econômico e cultural. Por isso, muitos esforços foram desenvolvidos na busca de modelos de gestão que se revelem mais adequados às necessidades inerentes à gestão organizacional. Acompanhando este movimento, a Administração Pública do 4 Município do Rio de Janeiro passou a promover dentro da sua organização, um novo modelo de modernização e desenvolvimento de processos, que visa acompanhar os movimentos da atual conjuntura de gestão operacional. Para gerenciar o processo de mudança administrativa no âmbito Municipal, formulou-se o Sistema Municipal de Administração, que foi institucionalizado através da Lei 3.789/04 e regulamentado pelo Decreto 24.749/04. 4 Município é o ente federativo, a pessoa jurídica de direito público, enquanto Prefeitura é apenas a sede do Poder Executivo Municipal. 26 O Sistema Municipal de Administração se compõe dos Subsistemas de Gestão Institucional, Recursos Humanos e Infra-estrutura e Logística. Integram o Sistema o órgão gestor, os órgãos setoriais, seccionais e locais da Administração Direta, Indireta e Fundacional, entendidos como aqueles que respondem pelo desenvolvimento sistemático das atividades específicas dos subsistemas. O processo de mudança implementado na Administração Pública do Rio levou em consideração: o foco no cidadão, que são os clientes; a qualidade, na prestação de serviços; organização focada em processos, informação e tecnologia disponíveis, abandonando a lógica piramidal, departamental, e hierárquica como a base organizacional, e passando a enxergar a organização publica de forma integrada. Possibilitando a mudança organizacional e permitindo o gradativo deslocamento da administração tradicional para uma administração eminentemente participativa, inseriu-se a importância do papel de cada indivíduo, que neste caso, se expressou na figura dos servidores. Para tanto, a municipalidade passou a investir na reformulação das dinâmicas de capacitação gerencial com visão nos resultados, baseados na formação específica e na atuação funcional aprimorada. Para Costa (2004), o que se pretende é redesenhar a administração pública municipal para reduzir sua burocracia, aumentar a produtividade com processos mais simples e com menos custos para a sociedade. Tornar a Prefeitura uma facilitadora da vida das pessoas, mais transparente e acessível a todos. Para alguns estudiosos, o que se pretende é inserir no cotidiano da administração pública municipal, as rotinas do que acontecem nas grandes empresas da iniciativa privada. 27 De acordo com Ferreira (2006), o sucesso das mudanças que os gestores precisam buscar em suas organizações depende, entre outros fatores, da adoção de uma política de gestão de pessoas adequadas aos novos modelos de gestão. A superação das limitações apontadas nos estudos administrativos mais tradicionais e a incorporação de idéias propostas pelas abordagens inovadoras estão relacionadas à forma como a organização percebe as pessoas que nela trabalham. Segundo Saldanha (2006), a gestão de desempenho das pessoas (como elas podem ser mais produtivas) e da organização (como são atingidos os resultados esperados) é uma questão recorrente na busca da eficiência e eficácia organizacionais. E para acompanhar esta nova lógica de gestão pública, a Prefeitura do Rio instituiu Acordos de Resultados com secretarias e órgãos, para premiar funcionários da ativa que atingirem metas estabelecidas para a execução de projetos estratégicos. Segundo o estabelecido, os Acordos de Resultados representam uma ferramenta de gestão usada na administração pública para garantir um maior comprometimento de toda a máquina pública municipal com os resultados previstos, usado para institucionalizar uma nova cultura que privilegie o planejamento com metas claras; motivar a participação dos servidores com um modelo de meritocracia que avalie e premie aqueles que atingirem bons resultados e, antecipar problemas e apontar soluções através do acompanhamento formal dos resultados obtidos. A partir dessa avaliação, juntamente com o cumprimento de metas institucionais, é que será estabelecido o sistema de recompensas, que deverá ser variável conforme o desempenho dos servidores e das instituições. Isso é ilustrado na figura a seguir: 28 Fonte: COLETÂNEA GESTÃO PÚBLICA MUNICIPAL. Confederação Nacional dos Municípios. Brasília: CNM, 2008, p. 53 29 Para Lopes (2009), a etapa final do processo de gestão de desempenho requer a existência de uma política de recompensas e a definição de procedimentos que funcionem como estímulos para a indução de comportamentos eficazes e eficientes, por parte de grupos e indivíduos Para que se possa alcançar eficiência, eficácia e efetividade organizacional é indispensável a manutenção de coerência e compatibilidade na modelagem das diversas variáveis organizacionais. As escolhas das variáveis devem atender a critérios de sua adequação à tarefa/função da organização. Fica clara, assim, a necessidade de adequação do modelo organizacional conforme a natureza da organização e sua relação com o ambiente. A idéia dos Acordos é estabelecer uma nova cultura de gestão pública e criar um maior comprometimento dos funcionários para a melhoria dos serviços prestados à população, valorizando o desempenho de cada um. Esta proposta pretende implementar um modelo de gestão de desempenho que privilegia o planejamento (metas claras) e a meritocracia, como elementos centrais para a melhoria dos serviços prestados a população. 30 CAPÍTULO III Os Acordos de Resultados na Prefeitura do Rio Segundo Matias-Pereira (2010), o esforço de identificar as limitações nos papéis desempenhados por organizações públicas, e de sua necessidade de redirecionamento, não é tarefa fácil. A administração pública, num sentido amplo, é todo o sistema de governo, todo o conjunto de idéias, atitudes, normas, processos, instituições e outras formas de conduta humana, que determinam na forma de distribuir e exercer a autoridade política e de atender com equidade aos interesses públicos. Ainda segundo o autor, a elevação do nível de desempenho dos governos e das administrações públicas depende da formação de equipes de trabalho comprometidas com as instituições e com as missões primordiais do Estado, especialmente com a prestação de serviços de qualidade à população e com a geração de estímulos ao desenvolvimento econômico do país. Desta maneira, a atual gestão municipal, dentro da nova visão estratégica de governança de vanguarda, publicou o Decreto nº 32.214 em 4 de maio de 2010, que fixou metas e indicadores de desempenho, e versa na íntegra do seu Art. 1º: “O Município do Rio de Janeiro poderá firmar acordos de resultados com Órgãos Públicos integrantes da Administração Direta Municipal, com a finalidade de melhorar o desempenho e a qualidade dos serviços prestados à população, ampliar a eficiência na utilização 31 dos recursos públicos e ter assegurada, dentro da lei, medidas de fomento de ordem financeira, orçamentária e de política de recursos humanos, com vistas à otimização dos resultados almejados, mensuráveis quantitativamente e qualitativamente”. (D.O. RIO, 2010) Os Acordos de Resultados se baseiam em exemplos de experiências bem sucedidas de outros governos, como o Governo de Minas, Prefeitura de Porto Alegre, Prefeitura de Curitiba e Governo de Pernambuco, que desde 2004 utilizam esse modelo de gestão por resultados. Como modelo de Gestão de Desempenho, os Acordos começaram a ser implementados na Prefeitura do Rio em julho de 2009 quando ocorreu a assinatura do Acordo de Resultados entre a Secretaria Municipal de Educação e as Diretoras das Escolas Municipais. Em 2010 foram assinados 18 Acordos de Resultados com as seguintes Secretarias e órgãos: Administração, Assistência Social, Casa Civil, Desenvolvimento, Educação, Habitação, Meio Ambiente, Transportes, Obras, Saúde, Urbanismo, Procuradoria, Trabalho e Emprego, Fazenda, Empresa Municipal de Urbanização, Instituto Pereira Passos, Ordem Pública, Companhia de Engenharia de Tráfego do Rio de Janeiro. Até o momento, estão sendo contemplados aproximadamente 80% dos servidores ativos da Prefeitura. Durante os anos de 2011 e 2012, serão renovadas as metas dos 20 primeiros acordos estabelecidos, e ainda novos acordos serão assinados, chegando a praticamente 100% da Prefeitura. A implantação bem sucedida do modelo de gestão de desempenho, em questão os Acordos de Resultados, pode garantir um maior comprometimento de toda a máquina pública municipal com o alcance dos resultados, aumentando significativamente as chances de atingir as metas propostas à sociedade carioca por seus gestores e governantes. 32 Consta estipulado no Art. 18 do Decreto nº 32214/2010 que o resultado anual dos Acordos e eventuais medições da satisfação da população carioca em relação à prestação de serviços públicos daí derivados, poderão contribuir para a ampliação dos órgãos/entidades eleitos no âmbito da Administração Pública Municipal, na medida da disponibilidade orçamentária do Erário. Acompanhar o cumprimento dos Acordos será missão da Subsecretaria de Monitoramento de Resultados, vinculada à Secretaria Municipal da Casa Civil. Este acompanhamento é realizado por meio de três rotinas: 1. Relatórios de progresso, que deverão ser entregues ao Prefeito mensalmente, informando o desempenho de cada Secretaria; 2. A expectativa em relação ao cumprimento de suas metas no final do ano; 3. Levantamento de possíveis ações para a melhora da atuação da Secretaria. Os Acordos prevêem ainda que trimestralmente ocorram reuniões de progresso para que desta forma o Prefeito possa, diretamente, tratar de soluções para os problemas que estejam impedindo as Secretarias de cumprirem as metas. Posteriormente, ocorrerá uma avaliação final, em que serão apresentadas as metas alcançadas e não alcançadas pelas Secretarias, ou seja, quem cumpriu ou não o acordo. Quanto a revisão ou rescisão dos Acordos, o Decreto nº 32214/2010 prevê no Art. 14 que os Acordos de resultados poderão ser revistos ou rescindidos a qualquer tempo, por consenso ou por vontade unilateral do Município do Rio de Janeiro, Ente Político que engloba os Órgãos Públicos com os quais ajustará metas de desempenho. 33 Com a publicação do Decreto nº 32.214/10, o que a administração pública municipal espera é estabelecer uma nova cultura de gestão pública. Desta maneira os Acordos de Resultados consideram que: “Formalismos desnecessários devem ceder à materialização de objetivos concretos, o que permite garantir o compromisso do Município do Rio de Janeiro com Órgãos Públicos dele integrantes que, mesmo despersonalizados, devem não só defender suas prerrogativas institucionais, mas, também, atingir seus propósitos, motivados por instrumentos razoáveis de medidas de fomento de ordem administrativa, financeira e orçamentária, nos limites da lei, e por mecanismos de recompensa dos respectivos servidores”. (D.O. RIO, 2010) Para Santos (2002), não se consegue gerar resultados novos com estruturas antigas e defasadas. Uma nova ordem exige assimilação de valores novos e uma estrutura compatível com a produção dos resultados planejados. 3.1- Os Acordos de Resultados como ferramenta de Gestão de Desempenho De acordo com KAPLAN e NORTON, 1997, apud LOPES, 2009:5, tudo que é importante tem de ser medido, porque somente o que é medido pode ser gerenciado. Portanto, a mensuração se impõe como condição imprescindível para aferir desempenhos, seja da organização, seja de seus colaboradores. 34 O Decreto Municipal nº 32.214/10 considera a necessidade de que sejam criados instrumentos de aferição da produtividade dos Órgãos integrantes da Administração Pública Direta, com vistas à concretização de Políticas Públicas concebidas no contexto de uma Administração de Resultados, voltada não só para a eficiência, como também para a eficácia do aparato estatal e de seus servidores. Na prática, a Prefeitura do Rio pretende acompanhar e monitorar através de relatórios mensais de progresso, reuniões trimestrais e de relatório anual, os resultados obtidos. Segundo Mota e Marques (2005), as experiências brasileiras na realização de acordos de resultados são das mais variadas matizes principalmente após o advento da Emenda Constitucional n.º 19/98. O assunto tornou-se matéria já na promulgação da Constituição Federal de 1988, disposto no parágrafo 8º do art. 37: “Art. 37... §8º. A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos órgãos e entidades da administração direta e indireta poderá ser ampliada mediante contrato, a ser firmado entre seus administradores e o poder público, que tenha por objeto a fixação de metas de desempenho para o órgão ou entidade, cabendo à lei dispor sobre: I - o prazo de duração do contrato; II - os controles e critérios de avaliação de desempenho, direitos, obrigações e responsabilidade dos dirigentes; III - a remuneração do pessoal.” (Mota e Marques, 2005: 4) Compreende-se que os Acordos de Resultados são validados quando da assinatura dos Secretários de cada Secretaria da Administração Direta juntamente com o Prefeito, e poderão ser revalidados anualmente. 36 As Secretarias que cumprirem o Acordo (notas 4 e 5), ao final do ano serão recompensadas com remuneração variável e verba de treinamento adicional. Os Acordos estabelecem ainda metas orçamentárias para garantir que os objetivos sejam atingidos dentro do orçamento definido. Se uma Secretaria cumprir as metas e economizar parte de seus gastos, poderá reverter 80% dessa economia em investimento no ano seguinte. Entretanto, se uma Secretaria estourar o orçamento estipulado para o cumprimento de suas metas, a recompensa será reduzida. Segundo Lopes (2009), a meta representa um fim específico mais próximo, expresso de forma quantitativa e mensurável, a ser atingido em curto prazo. A perspectiva de tempo para alcance de metas fica geralmente restrita a um período de no máximo doze meses. Se os objetivos estratégicos são resultados de uma dimensão mais geral que a organização pretende alcançar, para Matias-Pereira (2010), as metas de desempenho devem ser mais concretas e objetivas, visto que são necessárias ao atendimento dos objetivos e um referencial para a avaliação do desempenho organizacional. Neste sentido, devem ser priorizadas, no processo de definição de metas de desempenho, aquelas que impactam mais e diretamente com os objetivos estratégicos. Sendo assim, as metas de desempenho devem definir os níveis de desempenho mínimos aceitáveis, no curto e médio prazo. Elas devem possuir as mesmas medidas de seus respectivos quantificadores. Conforme aponta Matias-Pereira (2010), dentro desta perspectiva, a construção de metas, além do componente de realismo da meta, ou seja, sua factibilidade, é necessário levar em consideração o elenco de dimensões de desempenho da gestão, que é traduzido na eficiência, eficácia, qualidade e economia. Para o autor, isso implica na necessidade de gerar compromissos internos, tendo como referência que o cumprimento de metas não deve depender de outras organizações ou de fatores exógenos. 37 Para Lopes (2009), é fácil planejar e colocar no papel as idéias para a execução de um processo estratégico de gestão de desempenho, em que as gerências e subordinados estejam comprometidos em mudar o enfoque, mas o difícil é colocá-lo em prática. Os principais problemas encontram-se enraizados profundamente na cultura organizacional e estão vinculados a valores reativos e inércia funcional, quando consideramos o perfil que tende a predominar no serviço público e em algumas empresas brasileiras. Em relação à adoção de medidas para melhorar o desempenho da administração pública, sustenta MATHESON, 2006 apud MATIASPEREIRA:2010,18 que a administração pública moderna : “Requer servidores politicamente responsáveis e capazes de interagir com grupos sociais diversos; requer pessoas intelectualmente preparadas para analisar problemas complexos e oferecer assessoramento para solucioná-los; requer equipes suficientemente estáveis para assegurar que o conhecimento institucional permaneça independentemente das mudanças e governo; e por fim requer uma base ética profissional, de forma que os políticos recebam os dos servidores apartidário, e equânime.” (MATHESON, PEREIRA:2010,18 ) cidadãos assessoramento recebam 2006 apud tratamento MATIAS- 38 3.2 - Os servidores públicos municipais e os Acordos de Resultados Dentre os problemas enfrentados para a avaliação de desempenho no serviço público, está a definição genérica de cargos e funções (onde os ocupantes realizam os mais diversos trabalhos) e a não-definição de objetivos, metas, resultados e padrões de desempenho a serem alcançados. Segundo o Relatório da OCDE: Brasil 2010, que trata da Avaliação da Gestão de Recursos Humanos no Governo, a introdução e aumento das avaliações de desempenho, dos elementos de remuneração por desempenho e da definição descentralizada da remuneração são tarefas difíceis. Elas exigem competências gerenciais e de supervisão que os gestores públicos muitas vezes recrutados e estudados de modo gerencial burocrático, geralmente não possuem. Além disso, existe o risco de que avaliações de desempenho deficientes e diferenciações subjetivas de remuneração possam afetar de forma negativa a moral no trabalho e o desempenho. O uso inadequado da avaliação de desempenho por parte dos avaliadores reduz o comprometimento afetivo dos avaliados e a injustiça percebida nas avaliações tem impacto sobre o comportamento das pessoas. Matias-Pereira (2010), afirma que o monitoramento do desempenho é o processo administrativo que indica que aquilo que uma organização está realizando está consistente com o que ela decidiu fazer. Para o autor, é relevante destacar que a sistemática de monitoramento do desempenho necessita ser implementada de forma rápida, visto que dessa celeridade depende a obtenção dos planos de ações e melhoria no desempenho. 39 Para uma melhor compreensão dos parâmetros de avaliação individual dos servidores, e melhor explicitando o que se encontra estabelecido nos Acordos de Resultados, os critérios de desempenho deverão seguir um padrão conforme o que versa o Anexo II do art. 2º da Resolução Nº 917 de 06 de julho de 2010 da Secretaria Municipal de Urbanismo, como por exemplo: Critérios de Avaliação de Desempenho de Servidores Item Competência Descrição 1 Conhecimento Conhecimento das tarefas que lhe são confiadas para desenvolver, com domínio técnico e eficiência, e respeitando o prazo previsto. 2 Iniciativa Iniciativa para empreender e/ou resolver problemas e capacidade de tomar decisões claras e sensatas, com foco nos resultados. 3 Comprometimento Interesse em desenvolver esforços em prol da Secretaria, comprometendo-se a cumprir seus objetivos institucionais e as tarefas pelas quais for incumbido. 4 Relacionamento Aptidão para trabalhar em grupo e para desenvolver e manter boas relações interpessoais. 5 Disciplina Comportamento adequado para a manutenção da ordem no ambiente de trabalho, cumprindo as normas, leis e regulamentos sobre o cargo de servidor público, principalmente quanto à assiduidade e pontualidade. Pontos Fonte: Resolução SMU Nº 917 de 06 de julho de 2010. Diário Oficial do Rio de Janeiro, 2010 40 Ficou também estabelecido que todas as habilidades possuem o mesmo peso e a nota de avaliação para cada uma delas varia de 0 (zero) a 10 (dez), sendo a nota final correspondente à média aritmética entre as notas, aproximada até a 2ª casa decimal. A Nota Final equivale a média aritmética entre as notas. A avaliação será efetuada semestralmente pelo chefe imediato do funcionário ou servidor, considerando-se o período de 30 de junho e 31 de dezembro do ano em curso. Ainda quanto à avaliação dos funcionários, a Orientação CVL/SUBGC nº 001 de 24/05/2010, que dispõe sobre o desdobramento das metas estabelecidas nos Acordos, prevê que: “Art. 5º A chefia de cada unidade administrativa deverá definir quem são os servidores e funcionários que se destacaram no atendimento das metas segundo os seguintes critérios: I –continuar o desdobramento das metas quantitativas em cada sub-área; ou II –realizar avaliações qualitativas realizadas pelas chefias imediatas.”(D.O RIO, 2010) Considerando a importância de reconhecer de forma diferenciada os servidores e funcionários que se destacam na administração pública, os Acordos de Resultados beneficiarão com uma bonificação anual, os servidores que cumprirem o planejado e atingirem os resultados previstos. As bonificações serão distribuídas de acordo com os resultados obtidos, sempre no meio do ano seguinte. 41 De acordo com a Orientação CVL/SUBGC nº 001/2010, a distribuição da bonificação variável deverá seguir critério de classificação, para os quais a Secretaria Municipal da Casa Civil sugere os seguintes parâmetros, conforme o Art. 6º: “I – os servidores e funcionários que estiverem entre os 10% de melhor desempenho nas áreas que atingirem suas metas deverão receber 1,5 salários de bonificação variável; II – caso haja excedente de recursos, os servidores e funcionários que estiverem entre os 20% de melhor desempenho, após os contemplados no inciso I, nas áreas que atingirem suas metas deverão receber 1 salário de bonificação variável; III – o valor restante deverá ser distribuído igualmente entre os demais servidores e funcionários.” (D.O RIO, 2010) Segundo pesquisa publicada nos Cadernos ENAP 22: 2003, os resultados de uma avaliação de desempenho devem servir de subsídio a inúmeras decisões administrativas, mas estas não devem ser a razão de realização da avaliação. Os indicadores de desempenho, segundo Matias-Pereira (2010) se apresentam como referências para permitir que o sistema de gestão possa controlar e identificar as necessidades e melhorar o desempenho da organização. Devem ser definidos previamente, visto que a medição do desempenho em relação ao objetivo principal da organização depende deles. Assim, constituem um meio para auxiliar a gestão no propósito de alcançar os objetivos e não um fim em si mesmos. 42 Para melhor situar as questões de avaliação inseridas nos Acordos de Resultados que incidem diretamente nas relações de trabalho dos servidores, Santos (2002), afirma que: “No art. 39, § 7º da CF o servidor, celetista ou estatutário, poderá ser recompensado com o pagamento de adicional de produtividade, vinculando- se aos contratos de gestão. Essas variáveis, notoriamente associadas às concepções da administração gerencial, fortalecem a figura dos gerentes, que buscarão resultados a qualquer custo, inclusive com redução da efetividade dos serviços públicos, como vem ocorrendo nos serviços já privatizados, e mitigarão a sujeição dos dirigentes aos princípios moralizadores da Administração Pública, sem conferir ao servidor ou ao cidadão mecanismos de garantia ou de proteção contra os desmandos”. (Santos, 2002: 48-49) Ainda de acordo com Santos (2002), a administração pública que resulta desse processo não é necessariamente mais transparente ou socialmente controlada. A redação final do art. 37, § 3º não garantiu espaços decisórios para a cidadania, embora tenha previsto a disciplina, em lei, das formas de participação do usuário na administração direta e indireta. Para o autor, existe a necessidade de regulamentações que assegurem meios de participação do cidadão no processo decisório, assim como também regular as reclamações relativas à prestação de serviços públicos, a avaliação periódica, interna e externa, da sua qualidade, e o acesso do usuário a registros e informações. 43 Entretanto, para o autor, a ênfase do texto constitucional fortalece a tese de que o servidor está no pólo passivo do sistema de avaliação, tanto pela chefia, quanto pelo usuário. E será o servidor no final, quem será penalizado pela má gestão, pelos maus resultados, pelas deficiências do serviço público. CONCLUSÃO Este estudo procurou buscar, partindo da verificação da relação existente entre a Reforma Estado e a implantação da Administração Pública Gerencial, a compreensão dos motivos que desencadearam a implantação da Gestão de Desempenho e a principalmente a utilização da ferramenta Acordos de Resultados na Prefeitura do Rio de Janeiro. As imposições que advinham da nova organização econômica mundial compeliram os países que mantinham suas organizações políticoadministrativas burocráticas a repensarem seus modos de operacionalização e a formularem novos paradigmas de gerenciamento. No Brasil, a reestruturação administrativa do Estado enfocou uma nova dimensão de ajuste com pretensão de competitividade e lucratividade, que compreende na gestão gerencial a única forma viável de padronização e sistematização de atividades capaz de permitir ao país alcançar objetivos e resultados, num conceito empresarial e privatizador de governabilidade. 44 No âmbito Municipal, as hipóteses que convergiram para a adoção da Gestão de Desempenho impressas na nova organização administrativa, encontram-se referendados na realização dos Acordos de Resultados que visam atingir metas estabelecidas e avaliar o desempenho dos servidores. Considerando os moldes da Administração Pública Gerencial, os Acordos de Resultados estabelecem uma cultura de gestão pública que investe no comprometimento dos funcionários, fazendo referência ao privado, com objetivos que visam o aprimoramento no sentido da competência estratégica, e impondo maior desempenho de cada servidor. Paralelamente, os Acordos restringem o desempenho a critérios e diretrizes definidos antecipadamente por cada Secretaria que remetem às questões próprias do poder público, e apenas com repasse de incentivo para os que cumprirem o planejado e atingirem os resultados previstos. Os “Acordos de Resultados” pretendem colaborar para inserir no cotidiano da administração municipal os parâmetros da eficiência que visam alcançar a melhoria da prestação dos serviços públicos, entretanto a responsabilidade final compete aos próprios servidores, demonstrando de forma coercitiva e legalizada que depende exclusivamente de cada indivíduo a obtenção dos resultados que propiciarão a modernidade que os governantes almejam, numa prática que evidencia a presença das formas do poder políticoburocráticas constatadas neste estudo. 45 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA BRASIL. Código civil e Constituição Federal. São Paulo: Saraiva, 2007. ___________. Escola Nacional de Administração Pública. Experiências de avaliação de desempenho na Administração Pública Federal/Pesquisa ENAP. Cadernos ENAP n. 19. Brasília: ENAP, 2000, 96 p. ___________. Relatório de avaliação da política de Gratificação de Desempenho de Atividade Técnico-Administrativa (GDATA)/Pesquisa ENAP. Cadernos ENAP n. 22. 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Fixa metas e indicadores de desempenho para os Órgãos da Administração Direta do Município do Rio de Janeiro, a serem objeto de Acordos de Resultados e disciplina, para fins de premiação, a forma de aplicação da gratificação prevista no art. 119, inciso IV, da Lei Municipal 94/1979 especificamente para tal desiderato. Rio de Janeiro: Diário Oficial do Município do Rio de Janeiro, 2010. ___________. ORIENTAÇÃO CVL/SUBGC Nº 001 de 24 de maio de 2010. Dispõe sobre o desdobramento das metas estabelecidas nos Acordos de Resultados previstos no Decreto nº 32.214, de 4 de maio de 2010. Rio de Janeiro: Diário Oficial do Município do Rio de Janeiro, 2010. ___________. Resolução SMU Nº 917 de 06 de julho de 2010. Dispõe sobre o desdobramento das metas estabelecidas no acordo de resultados celebrado entre o Município do Rio de Janeiro e a Secretaria Municipal de Urbanismo para a gestão de 2010. Rio de Janeiro: Diário Oficial do Rio de Janeiro, 2010. ____________. Primeiro programa de formação do nível inicial dos agentes do sistema municipal de administração. Rio de Janeiro: Secretaria Municipal de Administração, Fundação João Goulart, 2005. SCHARTZMAN, Simon. Desempenho e controle na reforma administrativa. Texto para discussão. N. 9. Brasília: MARE/ENAP, 1996, 15 p. SALDANHA, Clezio. Introdução à gestão pública. São Paulo: Saraiva 2006. SANTOS, Luis Alberto dos. O Servidor público e a reforma gerencial: papel, organização do Serviço Público e perspectivas para a sua universalização. Revista ResPvblica, Goiânia: ANESP, v. 1, n.1, p. 48-49, 2002. SOARES, Laura Tavares. Os custos sociais do ajuste neoliberal na América Latina. São Paulo: Cortez, 2000. (Coleção Questões da Nossa Época: v 78). 48 SOUZA, Vera Lúcia de et al. Gestão de desempenho. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2005. SANTOS, Heriana Robaina dos e VIEIRA, Fernando de Oliveira. O papel da avaliação de desempenho na administração pública: o caso da secretaria municipal de planejamento e gestão de uma prefeitura fluminense. Disponível em: <http://www.uff.br/sta/textos/fv003.doc> Acesso em: 16 ago. 2010. 49 ÍNDICE FOLHA DE ROSTO 2 AGRADECIMENTO 3 DEDICATÓRIA 4 RESUMO 5 METODOLOGIA 6 SUMÁRIO 7 INTRODUÇÃO 8 CAPÍTULO I - O novo modelo de Administração Pública 9 1.1 - A Administração Pública após a Reforma do Estado 12 1.2 - A introdução da Administração Gerencial no Município do Rio de Janeiro 15 CAPÍTULO II - A Gestão de Desempenho 20 2.1- A Gestão de Desempenho no serviço público 22 2.2- Os reflexos da Gestão de Desempenho na Administração Municipal CAPÍTULO III - Os Acordos de Resultados na Prefeitura do Rio 25 30 3.1- Os Acordos de Resultados como ferramenta de Gestão de Desempenho 33 3.2- Os servidores públicos municipais e os Acordos de Resultados 38 CONCLUSÃO 43 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 45 ÍNDICE 49 50 FOLHA DE AVALIAÇÃO Nome da Instituição: INSTITUTO A VEZ DO MESTRE Título da Monografia: ACORDOS DE RESULTADOS: A IMPLEMENTAÇÃO DA GESTÃO DE DESEMPENHO NO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO Autor: Gecina Dalva Constantino Data da entrega:..../..../2011 Avaliado por: Conceito: