UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS UNIDADE DE CIÊNCIAS SÓCIO – ECONÔMICAS E HUMANAS CURSO DE PEDAGOGIA FABIANA ANGELICA FELICIO AFETIVIDADE FIO CONDUTOR DO DESENVOLVIMENTO COGNITIVO Anápolis-GO Dezembro/2009 UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS UNIDADE DE CIÊNCIAS SÓCIO – ECONÔMICAS E HUMANAS CURSO DE PEDAGOGIA AFETIVIDADE FIO CONDUTOR DO DESENVOLVIMENTO COGNITIVO FABIANA ANGELICA FELICIO Monografia desenvolvida sob Orientação da Prof. Esp. Ellen Muniz na disciplina Trabalho de Conclusão de Curso II como requisito final para a aprovação e obtenção do título de Licenciado em Pedagogia pela Universidade Estadual de Goiás. Anápolis /GO Dezembro /2009 Banca Avaliadora da Monografia __________________________________________ Esp.Ellen Muniz Sink Isaac (Orientadora) __________________________________________ Dr. Magda Ivonete Montagnini (Docente Leitora) __________________________________________ (Coordenador Adjunto do TCC/Pedagogia ) Data:___/___/___ Nota:________(_________________) DEDICATÓRIA Dedico este trabalho aos meus pais, a minha irmã Fernanda, ao meu namorado e aos meus amigos que compreenderam a minha ausência, o meu cansaço, as minhas limitações e me apoiaram todo o tempo. AGRADECIMENTOS Uma folha seria pouco, para agradecer todos aqueles que contribuíram para a minha formação e para a realização deste trabalho. …primeiramente agradeço a DEUS, pois ele foi e é a minha fonte de força, graça, paciência e acima de tudo de vida. …a minha família pelo apoio. As minhas amigas Deise e Vanessa que me motivaram a não desistir. …à professora Esp. Ellen Muniz, pelas orientações, pela dedicação, pelas críticas que me ajudaram a avançar, pelo seu humanismo e acima de tudo pela sua paciência na construção deste trabalho. …à Dra. Magda Ivonete Montagnini, não apenas pela aceitação do convite para avaliar o trabalho, mas também, por ter sido referência intelectual e humana, para a construção do conhecimento que hoje possuo. …aos demais professores do curso de Pedagogia da Universidade Estadual de Goiás, que contribuíram para minha formação. “Se não morre aquele que escreve um livro ou planta uma árvore, com mais razão, não morre o educador, que semeia vida e escreve na alma”. (Jean Piaget) RESUMO A afetividade é o fio condutor do desenvolvimento cognitivo, daí se a importância e a necessidade de oferecer para a sociedade conhecimentos que mostrem como ocorre a construção da afetividade e do desenvolvimento cognitivo do indivíduo. Nesse estudo foi priorizado o desenvolvimento afetivo e cognitivo das crianças da primeira infância 0 a 5 anos. É necessário compreender a importância da afetividade: nos processos de aprendizagem, no desenvolvimento cognitivo e nas relações sociais, sendo que estes fatores contribuem na formação e no caráter dos indivíduos. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, que têm como objetivo gerar conhecimentos, para compreender a importância da afetividade no desenvolvimento cognitivo. A pesquisa é direcionada para profissionais da educação, pesquisadores, alunos e para a sociedade em geral. No primeiro capítulo o foco é a afetividade. O seguinte apresenta como o fator inteligência se desenvolve. Finalizando com o terceiro capítulo que apresenta a relação da criança com o meio social a qual está inserida. Palavras Chave: Afetividade. Aprendizagem. Inteligência. Interações Sociais. SUMÁRIO 1 – INTRODUÇÃO 07 2 – A RELAÇÃO DA AFETIVIDADE COM O DESENVOLVIMENTO COGNITIVO....................................................................................................09 2.1 – AFETIVIDADE ......11 2.2 – APRENDIZAGEM ......15 2.3 – A RELAÇÃO DA AFETIVIDADE NO PROCESSO ENSINO- APRENDIZAGEM 21 3 – A INTELIGÊNCIA 25 3.1 – O DESENVOLVIMENTO COGNITIVO DE CRIANÇAS NA PRIMEIRA INFÂNCIA (0 A 5 ANOS) 26 3.2 – O DESENVOLVIMENTO PSICOLÓGICA DAS DE 0 A 5 ANOS 27 3.3 – COMO A AFETIVIDADE CONTRIBUI PARA O DESENVOLVIMENTO DA INTELIGÊNCIA 30 3.4 – CONTRIBUIÇÃO DA INTELIGÊNCIA NA APRENDIZAGEM 34 4 – AFETIVIDADE:A PARTIR DO MEIO – SOCIAL 36 4.1 – O INÍCIO DAS ATIVIDADES PSICOLÓGICAS SUPERIORES NO DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA 37 4.2 – INFLUÊNCIAS DO MEIO NA APRENDIZAGEM ESCOLAR 43 4.3 – PAPEL DA ESCOLA NA APRENDIZAGEM 47 5 – CONCLUSÃO 49 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 50 7 INTRODUÇÃO A educação é considerada como redentora da sociedade a qual visa abrir portas para o desenvolvimento do ser social. Nesse âmbito acredita-se que a educação poderá melhorar o mundo. É necessário compreender como a afetividade contribui para a cognição; a afetividade é o fio condutor do desenvolvimento cognitivo, daí a importância e a necessidade de oferecer para a sociedade conhecimentos que demonstram como ocorre a construção da afetividade e o desenvolvimento cognitivo de crianças de 0 a 5 anos. É necessário compreender a importância da afetividade nos processos de aprendizagem, no desenvolvimento cognitivo, no desenvolvimento da inteligência e nas relações sociais, sendo que esses fatores contribuem na formação e no caráter do indivíduo. O método utilizado foi pesquisa bibliográfica que têm como objetivo gerar conhecimentos para compreender a importância da afetividade no desenvolvimento intelectual. A pesquisa é direcionada para profissionais da educação, pesquisadores, alunos e a sociedade em geral. O primeiro capítulo mostra a afetividade como um fator contribuinte para o desenvolvimento cognitivo, apresenta – se conceitos de afetividade e aprendizagem mostrando a relação da afetividade no processo ensino – aprendizagem. O segundo capítulo descreve como o fator inteligência se desenvolve na primeira infância (0 a 5 anos). O terceiro e último capítulo apresenta a influencia do meio – social na aprendizagem, apresentando a criança como um ser histórico social, mostra o início das atividades psicológicas superiores no seu desenvolvimento; como também as influências do meio na aprendizagem escolar e o papel da escola na aprendizagem. A pesquisa foi desenvolvida a partir das contribuições de vários autores como: ABIGAIL (2000), BEE (2003), BOCK (1989), COLL (2004), DAVIDOFF (2001), DORIN (1976), FALCÃO (1988), FARIA (1993), GALVÃO (2002), GOULART (2007), LURIA (1985), MERCÊS (2001), REGO (1995), PIAGET 8 (1989), SISTO (2007), TAILLE (1992), VYGOTSKY, WALLON, WADSWORTH (1987) e entre outros. . 1 A RELAÇÃO DA AFETIVIDADE COM O DESENVOLVIMENTO COGNITIVO A partir do nascimento dos bebês as suas principais relações são de natureza afetiva; por isso é importante que a afetividade seja solidificada desde os primeiros anos de vida. “É de extrema importância na primeira infância, o desenvolvimento afetivo, tanto para a cognição como para adaptação psíquica ao mundo exterior” (BRENELLI, 2007). “Wallon (1968 apud GALVÃO, 2002) propõe o estudo integrado do desenvolvimento distribuindo atividade infantil em campos funcionais (afetividade, motricidade, inteligência)”. Afetividade é um termo usado na psicologia para representar fenômenos psíquicos como: emoção, sentimento e paixão (tanto boas como ruins). O afeto é parte integrante de nossa vida psíquica nossas expressões não podem ser compreendidas se não considerarmos o afeto que nos acompanha (BOCK, 1991, p.172). Segundo Piaget (1974 apud BRENELLI, 2007, p.106, grifo do autor), os aspectos afetivos e cognitivos da ação são “indissociáveis, irredutíveis e complementares”. O desenvolvimento, o comportamento, a aprendizagem, a socialização são fatores que dependem da afetividade e da inteligência, porém ambas são indissociáveis, ou seja, uma não desenvolve sem a outra, são complementares. O desenvolvimento afetivo e o cognitivo são construídos juntos, pois todo comportamento corresponde uma ação afetiva ou cognitiva (BRENELLI, 2007). Segundo Piaget (1983 apud BRENELLI, 2007, p.108) a afetividade é caracterizada por suas composições energéticas, com cargas distribuídas sobre um objeto ou outro (cathesis), segundo as ligações positivas ou negativas. Nos processos afetivos, logo energéticos, o resultado ao qual eles atingem é relativamente consciente; quer dizer que se traduz por sentimentos que o indivíduo ressente mais ou menos claramente enquanto dados atuais. Piaget (1981 apud BRENELLI, 2007) compara as estruturas cognitivas e sistemas afetivos no desenvolvimento. 10 “Quadro I – Desenvolvimento Intelectual e Afetivo” (PIAGET, 1981 apud BRENELLI, 2007, p.111). A) INTELIGÊNCIA SENSÓRIA – A) SENTIMENTOS INTRA-INDIVIDUAIS MOTORA I) Organizações hereditárias – I) Organizações hereditárias – Incluem os Incluem reflexos e instintos presentes impulsos instintivos e todas as outras ao nascimento. reações afetivas congênitas. II) Primeiros esquemas adquiridos – II) Primeiros sentimentos adquiridos – São Incluem os primeiros hábitos e sentimentos de alegria, tristeza, agradável percepções. – de desagradável, ligados à percepção, e sentimentos diferenciados de contentamento e descontentamento unidos à ação. III) Inteligência sensória – motora – III) Afetos regulando o comportamento Inclui estruturas adquiridas desde os intencional 6 ou 8 meses até a aquisição da (no sentindo de Janet) – Inclui sentimentos linguagem ,por volta do segundo ano. ligados à ativação e retardamento da ação, reações como sentimento de sucesso ou fracasso. B) INTELIGÊNCIA VERBAL IV) Representações B) SENTIMENTOS INTERPESSOAIS pré – IV) Afetos intuitivos – Incluem os operacionais – As ações começam a sentimentos interpessoais elementares e o ser internalizadas. Apesar disso,o começo dos sentimentos morais. pensamento ainda não é reversível. V) Operações concretas (7 – 8 anos V) Afetos normativos – Este estágio é até 10 -11 anos aproximadamente) – caracterizado pelo sentimento de moral Marcadas pela aquisição das autônoma, intervindo na decisão. O que é operações elementares de classes e justo ou não, depende mais de obediência relações. Pensamento formal ainda a uma regra . não é possível. 11 VI) Operações formais – Este estágio VI) Sentimentos idealistas –Sentimentos tem início por volta dos 11 anos ou dirigidos a ideais coletivos.Paralelamente a 12 anos.O caracterizado pensamento pela lógica é isto está a elaboração da personalidade das ,cujos papéis e objetivos do indivíduo são proposições liberadas do conteúdo. dirigidos á vida social . Por esse quadro, é possível observar que a afetividade e a inteligência se desenvolvem juntas. As relações interindividuais são baseadas pela cooperação e a reciprocidade entre os indivíduos (BRENELLI, 2007). Os sentimentos intrapessoais são aqueles que acompanham as ações dos sujeitos, quaisquer que sejam eles, e os sentimentos interpessoais dizem respeito às trocas afetivas entre pessoas (BRENELLI, 2007, p.111). Na primeira infância, a criança sofre contínuas modificações tanto no aspecto afetivo como cognitivo. Portanto, a afetividade é um fator essencial para o desenvolvimento da aprendizagem, é necessário conhecer o seu significado e a sua influência na aprendizagem. 1.1 Afetividade Para compreender a vida afetiva, é importante adotar a terminologia adequada por tratar-se de uma área de estudos repletas de nuances. Portanto, Se até o século 19 usavam-se, indiscriminadamente, termos como emoção e sentimento, no estudo da vida afetiva já fazemos uma distinção mais precisa entre esses termos: A emoção: Estado agudo e transitório. Exemplo: a raiva. O sentimento: Estado mais atenuado e durável. Exemplo: a gratidão (BOCK, 2001, p.191). Para Wallon (1934 apud DANTAS, 1992) a afetividade é como o centro da construção do “eu” e do próprio conhecimento, ela é uma fase do desenvolvimento do ser humano sendo que, no início da vida, afetividade e a inteligência estão interligadas e é por meio das relações que elas se diferenciam. 12 Afetividade é representada por sentimentos, emoções, desejos e valores. É a partir desses afetos que o indivíduo conduz suas ações e seu comportamento. De acordo com Piaget (1983 apud BRENELLI, 2007, p.110) afetividade intervém no funcionamento da inteligência, causando os comportamentos, podendo provocar acelerações ou atrasos no desenvolvimento cognitivo. Segundo Wallon (1934 apud DANTAS,1992) para desenvolver a inteligência é necessário estimular a afetividade,pois é a união do afeto, da inteligência e do meio-social que se constrói o caráter dos indivíduos. Nas associações humanas mais primitivas, o contágio afetivo supre, pela criação de um vínculo poderoso para a ação comum, as insuficiências das técnicas e dos instrumentos intelectuais. Enquanto não for possível a articulação sofisticada de pontos de vista bem diferenciados a emoção garantirá para o indivíduo como para a espécie, uma forma de solidariedade afetiva (DANTAS, 1992, p.90). Assim para melhor convivência é necessário que a criança se sinta bem confortável e amada pelos que a cercam, pois a vida afetiva é um fator importante para a formação do indivíduo. Em muitas situações o afeto é responsável por nossas decisões as quais poderão determinar o nosso comportamento. A afetividade é completa por meio das relações e comportamentos que a criança mantém com os indivíduos a sua volta. De acordo com Piaget (1937 apud LA TAILLE, 1992) para falar de afetividade é necessário analisar a concepção do juízo moral. “De fato, a moralidade humana é o palco por excelência onde afetividade e razão se encontram,via de regra, sob forma do confronto’’ (LA TAILLE, 1992, p.47). Segundo Piaget (1973 apud LA TAILLE, 1992) a razão e a afetividade estão interligadas, pois a razão impulsiona a afetividade, porém é fácil compreender os dois termos, pois são complementares. A afetividade seria a energia, o que move a ação, enquanto a Razão seria o que possibilitaria ao sujeito identificar desejos, sentimentos variados, e obter êxito nas ações (TAILLE, 1996, p.66). 13 Age-se pela razão movido pela emoção. Para Piaget (1973 apud LA TAILLE, 1992), o desenvolvimento de tal capacidade de raciocínio lógico é exatamente paralelo ao desenvolvimento moral. Na teoria de Piaget (1973 apud TAILLE, 1992), não existe uma luta entre a afetividade e razão, mas uma conciliação entre ambas, pois uma contribui para o desenvolvimento da outra. Piaget não dá uma condição suficiente, mas uma condição necessária em relação ao desenvolvimento moral. Ele mostra como a inteligência nos permite organizar o mundo afetivo dentro da área moral (LA TAILLE, 1996, p.67). Segundo Piaget (1975), afeto e cognição resultam de uma adaptação contínua e interdependente, em que os sentimentos exprimem os interesses e os valores das ações ou das estruturas inteligentes (FLAVELL, 1976 apud FARIA, 1993, p.8). Há uma relação forte e importante entre as experiências do passado com as expectativas do futuro, mas a primeira oferece condições para adaptar os novos conhecimentos que ocorrerão no cotidiano. O indivíduo está em constante transformação, pois recebe influências internas e externas que contribuem para o seu desenvolvimento. Todo e qualquer ato, cognitivo e afetivo, implica uma incorporação de experiências e sentimentos novos aos antigos (assimilação) através de uma transformação das experiências e sentimentos antigos (acomodação) (FARIA, 1993, p.57). Piaget (1975 apud FARIA, 1993) relaciona a vida afetiva e a vida intelectual, como sendo uma adaptação contínua e interligada que passam pela mesma transformação de receber conhecimento/afeto em forma de assimilação e adaptação conforme a sua necessidade e o seu interesse. [...] percebemos que as construções mentais, esquemas ou estruturas da inteligência estão impregnados de elementos sociais e afetivos desde os primeiros meses da vida infantil, mas precisamente desde o momento em que a criança separa o seu próprio corpo dos objetos que povoam o real (FARIA, 1993, p.7). O domínio da afetividade está em constante modificação e associando se com o desenvolvimento cognitivo. 14 É na primeira infância que se desenvolvem as estruturas cognitivas e afetivas. No primeiro mês de vida, o bebê apresenta atividades - reflexos, entendidas como afeto. Os sentimentos só poderão ser observados a partir de dois anos de idade, pois nesse período os aspectos cognitivos e afetivos serão mais explícitos(WADSWORTH,1997). Afetividade no bebê de 0 a 2 anos se dá a partir de trocas afetivas e sociais, pois o bebê está num processo de imitação. Até os 2 anos de idade a emoção/sentimento surgirá da relação mãefilho. Nessa fase os bebês estão focalizados em seu próprio “eu” com o outro formando suas relações afetivas (FARIA,1993). Entre os 3 e os 6 anos o afeto é o principal fator para o bom desenvolvimento da criança, que é a fase que ela começa a descobrir o mundo e a diferença entre ela e o outro (FARIA,1993). A afetividade é o fio condutor do desenvolvimento, e a construção psíquica do eu adquire importância crescente sobre o dado objetivo; é a etapa que marca a diferenciação entre o eu e o mundo exterior, em que a criança aprende a perceber o que é de si o que é do outro (AMARAL, 2003, p.51). As condições para o desenvolvimento cognitivo têm suas raízes na afetividade. Falar sobre afetividade engloba vários fatores e até mesmo conceitos, pois há diversas definições sobre o termo, dentre eles está à diferenciação dos termos emoção e sentimento. Emoção: Um estado psíquico cuja principal característica é o grau muito forte de sentimento e uma atividade motora quase sempre intensa. Sentimento: é uma experiência ou disposição afetiva de prazer ou desprazer com relação a um objeto, pessoa ou idéia abstrata e que carece da característica de uma verdadeira emoção (DORIN, 1976, p.172). A contribuição da afetividade é essencial para construção do ser humano, pois é responsável pelo comportamento que o indivíduo apresenta diante da realidade, sendo que a sua ausência pode interferir em vários aspectos da vida, emocional e social. Quando a criança experimenta sucesso em suas decisões, ela tem maior probabilidade em administrar situações futuras. Nas experiências vitoriosas do passado pode motivá-la para alcançar o seu objetivo. Isso 15 acontece tanto para o sucesso como para o fracasso. Crianças que não são estimuladas podem não estar preparadas para enfrentar frustrações. A afetividade é comumente interpretada como uma “energia”, portanto como algo que impulsiona as ações. Vale a dizer que existe algum interesse, algum móvel que motiva a ação. O desenvolvimento da inteligência permite, sem dúvidas, que a motivação possa ser despertada por um número cada vez maior de objetos ou situações. Todavia, ao longo desse desenvolvimento, o princípio básico permanece o mesmo: a afetividade é a mola propulsora das ações, e a razão está a seu serviço (LA TAILLE, 1992, p.65). As experiências que a criança acomoda durante a história de sua vida influenciam em todo o decorrer da sua vida; tanto experiências positivas como negativas. Por isso o afeto, deve ser bem alicerçado em todas as idades, principalmente nos anos iniciais, pois nessa fase que o indivíduo recebe mais influências do meio. 1.2 Aprendizagem Na vida cotidiana é possível perceber que o estado emocional do indivíduo pode ou não alterar o desempenho intelectual. A atividade intelectual está relacionada com a emoção. “Podemos dizer que a emoção está na origem da atividade intelectual” (GALVÃO, 2002, p.66). Aprendizagem é um processo contínuo, pois o indivíduo está em constante aprendizagem. Há diversas possibilidades de aprendizagem, mas para a psicologia é dividida genericamente em dois grupos como: O primeiro define aprendizagem pela suas consequências comportamentais e enfatiza as condições ambientais como forças propulsoras da aprendizagem. Em outro grupo define a aprendizagem como um processo de relação do sujeito com o mundo externo e que tem consequências no plano da organização interna do conhecimento (BOCK, 1991, p.89). Aprendizagem, para Bock (1991) é o processo de organização de informações obtidas, as quais podem ser: uma aprendizagem mecânica aquela que as novas informações não se dissociam com outros conhecimentos já existentes; e a aprendizagem significativa - é quando um novo conteúdo rela 16 ciona com outros conceitos relevantes que estão disponíveis na estruturas cognitivas. A motivação é um fator que contribui para aprendizagem. O indivíduo precisa ter um motivo/necessidade para buscar conhecimento, informações e é nessa relação que ocasiona a aprendizagem. “A motivação é um processo que relaciona necessidade, ambiente e objeto e que predispõe o organismo para a ação em busca da satisfação da necessidade” (BOCK, 1991, p.94). O indivíduo adquire um número crescente de informações a todo o momento do ambiente em que está inserido. A aprendizagem é uma relação com o meio, pois todo tipo de aprendizagens terá um mediador para alcançar o conhecimento desejado. Para Vygotsky (1984 apud BOCK, 1989) o desenvolvimento é um processo que se dá de fora para dentro. E no processo de ensino–aprendizagem que ocorre a apropriação da cultura e o consequente desenvolvimento do indivíduo. Para Piaget (1983 apud BOCK, 1989) a aprendizagem se dá pela assimilação e acomodação o que proporciona novas estruturas mentais. “Assim, o homem aprende o mundo de maneira diversa a cada momento de seu desenvolvimento” (FURTADO, 2001, p.128). Para Vygotsky (1984 apud BOCK, 1991) o desenvolvimento se dá pela relação com os outros. “A cultura torna-se parte da natureza humana num processo histórico que, ao longo do desenvolvimento da espécie e do indivíduo, molda o funcionamento psicológico do homem” (OLIVEIRA, 1992, p.24). Segundo Vygotsky (1988 apud OLIVEIRA, 1992) os conceitos que os indivíduos aprendem se dá pelas construções culturais que são internalizadas durante o processo de desenvolvimento dos indivíduos. O meio social em que o indivíduo está inserido que vai lhe fornecer um universo de significados que ordena o real em conceitos, nomeadas por palavras da língua do grupo social. O indivíduo aprende quando se depara com dificuldade de alcançar o que se deseja, ou seja, quando necessita de uma resposta para satisfazer a sua necessidade, pois quando alcançada, satisfeito o seu desejo ocorre à aprendizagem. “Portanto quando um organismo muda seu comportamento com 17 o consequência de suas experiências, temos uma aprendizagem. Essa mudança será mantida pelo reforço” (DORIN, 1976, p.99). A aprendizagem está relacionada com o ambiente e com o indivíduo. “A aprendizagem humana depende da maturação do indivíduo, das motivações e entre outros fatores” (DORIN, 1976). Aprendizagem ocorre de diversas maneiras e em diferentes ambientes. Porém haverá vários fatores internos e externos que interferem na aprendizagem, pois cada ser humano tem a sua própria limitação e o seu próprio tempo para aprender em áreas diversas, sendo que cada indivíduo é um ser inteiramente único. Os estilos de aprendizagem variam de acordo com as condições educativas, como o aluno aprende como se adapta no ambiente escolar no período de aprendizagem (SANTOS, 2007). As crianças não aprendem de uma mesma maneira, pois cada aluno é um ser único, com a sua própria limitação. E a sua aprendizagem também está relacionada com o seu ambiente familiar e ambiente escolar, fatores que contribuem para a aprendizagem escolar. Os professores em sua maioria reconhecem os estilos de aprendizagem, pois os resultados adquiridos dão base para decidir a melhor adequação do ensino para cada aluno (SANTOS, 2007). É por meio das observações realizadas pelos professores em sala de aula, que ele adapta e adéqua o ensino para facilitar a aprendizagem. De acordo com Santos (2007) a aprendizagem é um conjunto de condições, que o indivíduo absorve, retém conhecimentos novos e modifica os antigos. Há fatores que afetam aprendizagem como: ambientais (temperatura, som e maior e menor formalidade na situação de aprendizagem); emocionais (motivação, persistência e estruturas mais formais para aprender); sociais (aprender só ou em conjunto); físicos (visual, auditiva e alimentação). Segundo Kolb(1976 apud SANTOS ,2007,p.48) o processo de aprendizagem começa uma experiência concreta,que envolve o aprender através dos sentimentos e do uso dos sentidos;é seguido pela observação e reflexão ,que diz respeito a aprender observando, conduzindo à conceitualização abstrata ,que se refere a aprender pensando e compreende o uso da lógica e das idéias , e finaliza 18 com a experimentação ativa .Para ele a experiência influencia e modifica as situações, que por sua vez conduzem a novas experiências. A aprendizagem ocorre a partir das experiências, das assimilações e acomodações de conhecimento que os indivíduos adquirirem por meio das relações que eles mantêm com o mundo externo. A aprendizagem pode influenciar tanto a vida escolar como o social da criança. Aprender é uma das capacidades mais importantes do ser humano, que frequentemente defronta-se com novas experiências ou novas situações de aprendizagem em diferentes esferas da sua vida (SANTOS, 2007, p.53). Para transmitir o conhecimento, ou seja, ensinar é necessário, além de uma série de metodologias, conhecer o aluno, suas características, suas limitações, enfim, suas particularidades e não apenas ter conhecimentos, mas é preciso que compreenda o aluno. Quando se fala em aprendizagem é necessário lembrar que toda aprendizagem tem o seu início em algum motivo, ou seja, um motivo para adquirir o conhecimento que lhe é ofertado. É essencial ressaltar que “do princípio psicológico, segundo o qual nenhum comportamento existe sem uma causa motivadora que o determine” (ANGELINI, 1955 apud LIMA, 2007, p.149). Sendo que o motivo é construído pelo o próprio indivíduo ou em alguns casos é estimulado pelo seu ambiente cultural. São os motivos que o impulsionam na busca de algo, que venha o satisfizer. O motivo “não existe” efetivamente, mas é “criado” pela pessoa para explicar a razão ou a necessidade que ela tem de fazer algo, de agir de uma determinada maneira (Winterstein 1992 apud LIMA, 2007, p.149). Segundo Lima (2007), a motivação tem o poder de facilitar ou não a aprendizagem dos alunos. Á casos de reforcamento, como consequências de um comportamento, que pode ser reforço positivo (quando é um comportamento agradável, modifica-se o aluno, para agir de tal maneira, outra vez), ou pode ser o reforço negativo (é quando um comportamento, tem 19 resultado negativo, diminui-se a probabilidade do aluno praticar tal ação novamente. Para o aluno aprender é necessário que o ambiente o estimule, através de elogios e agrados e pouco a pouco deixar que ele próprio busque os seus motivos, para aprender, não necessitando somente de estímulos de pais ou professores. A motivação para a realização é definida por Heckhausen(1956) como o processo em busca de melhoria ou manutenção da própria capacidade em todas as atividades nas quais existe uma norma de qualidade(onde se pode medir qualitativamente o próprio desempenho) e onde a execução pode levar a um sucesso ou a um fracasso (WINTERSTEIN 1992 apud LIMA,2007,p.154). O motivo desenrola várias ações que permitem a competição como algo agradável. A auto – estima reflete diretamente nos aspectos motivacionais das pessoas. Confiar em si mesmo, valorizar - se diante das pessoas e situações, ter força de vontade para realizar algo, saber de sua própria utilidade para uma determinada situação... Todos estes são sentimentos que resultam da satisfação da necessidade de estima, ou seja, de ser reconhecido como alguém de valor. Quando essa necessidade não é satisfeita, os resultados aparecem em forma de sentimentos de inferioridade, de fraqueza ou de desamparo, dificultando muito ou até mesmo, em casos extremos, impedindo que a pessoa empreenda algo. É por esse motivo que o senso de auto- estima de um aluno interfere diretamente no resultado de suas atitudes e realizações escolares (LIMA, 2007, p.158). Aprendizagem é fenômeno do dia-a-dia, que ocorre desde o início da vida. “Definir aprendizagem como uma modificação relativamente duradoura do comportamento, através de treino, experiências e observação” (FALCÃO, 1988, p.20). A aprendizagem não é um fator hereditário, mas é possível ocorrer aprendizagem por meio de observações e experiências cotidianas e escolares; sendo que esse processo é pessoal e intransferível, no qual o indivíduo só aprende se ele busca e se esforça; é um processo pessoal e gradual, aprende passo a passo, dentro de seus limites e do seu próprio ritmo. “Aprendizagem um processo cumulativo, em que cada nova aquisição se adiciona ao repertório já adquirido” (FALCÃO, 1988, p.21). 20 A partir dos conteúdos anteriores o indivíduo aprende os novos conteúdos, por meio das associações que ele faz entre anteriores e novos conhecimentos. No entanto há a aprendizagem também como integrativa, ou seja, “que cada nova aprendizagem modifica o quadro anterior, faz o indivíduo reestruturar –se dá – lhe nova perspectiva” (FALCÃO, 1988, p.21). A aprendizagem é um processo contínuo ao longo da vida do indivíduo, porém é na infância em que mais se aprende. O indivíduo é composto pelo os aspectos cognitivo – afetivo – motor qualquer alteração em um dos três aspectos, afeta os demais e a aprendizagem (FALCÃO, 1988). A aprendizagem resulta em três produtos: cognitivos, afetivos e motores: “Produto cognitivo resulta da aprendizagem consistente em novas informações e novos conhecimentos” (FALCÃO, 1988, p.110). O produto afetivo é: Aprendizagem lenta que vai desde primeira quebra da indiferença,quando a pessoa mal registra o fenômeno ,até o momento da aceitação, da internalização, em que o fenômeno passa a compor a sua expectativa de vida (FALCÃO, 1988, p.116). Produto motores é aprendizagem que se dá através das ações psicomotoras (FALCÃO, 1988). Aprender é fazer coisas ou algo, que antes não fazíamos, se faz agora é porque aprendemos. Dentro do termo, aprendizagem há várias teorias, entre elas, estão teoria do condicionamento e a teoria cognitiva. Teoria do condicionamento é a aprendizagem pelo resultado do comportamento tendo as influências do ambiente como aliada. Teoria do cognitivismo é o processo de interação do indivíduo com o mundo externo e por meio dessas relações adquira conhecimentos e internaliza (TEIXEIRA, 2001). “O processo de organização das informações e de integração do material à estrutura cognitiva denominam aprendizagem” (TEIXEIRA, 2001, p.116). 21 As influências e as experiências passadas contribuem com a aprendizagem futura e solidifica as aprendizagens anteriores. Quando se fala em aprendizagem é importante falar sobre os condicionantes de aprendizagem; expostos por Bee (2003) os quais são: Condicionamento clássico: essa aprendizagem é mais notória, no início da vida, pois é uma aprendizagem que se desenvolve a partir de um estímulo que lhe é imposto. Condicionamento operante: relaciona a aprendizagem com um antigo reforço, ou seja: “Qualquer comportamento que seja reforçado terá uma probabilidade maior de ocorrer outra vez na mesma situação ou em uma situação parecida” (BEE, 2003, p.49). Segundo BANDURA (1977 apud BEE, 2003) a aprendizagem pode ocorrer, pela observação, ou seja, através do modelo que ela vivencia na sua vida cotidiana ou através da TV. Dessa maneira, através da modelação, crianças e adultos assimilam atitudes, valores, maneiras de resolver problemas e, inclusive, padrões de auto-avaliação (BEE, 2003, p.51). Estamos a todo momento sendo observados ,pelas as pessoas ao nosso redor.Todas as crianças ditas como “normais” desenvolvem o processo de aprendizagem, no entanto, é necessário respeitar, as dificuldades e as limitações de cada criança; pois há vários fatores que influenciam na aprendizagem como: relação afetiva, inteligência e as relações sociais; todos esses aspectos são de extrema importância no processo de aprendizagem. 1.3 A Relação da afetividade no processo ensino – aprendizagem Não se separa o aspecto afetivo do intelectual, pois toda origem de pensamento tem-se um interesse afetivo camuflado nas ações do indivíduo. Demonstra a existência de um sistema dinâmico de significados em que o afetivo e o intelectual se unem. Mostra que cada idéia contém uma atividade afetiva transmutada com relação ao fragmento de realidade ao qual se refere (OLIVEIRA, 1992, p.77). O afeto é importante para o desenvolvimento da aprendizagem cognitiva ou motora, a junção desses fatores resulta na construção da identidade do 22 indivíduo. A afetividade se origina na família, pois a criança inicia a sua vida em uma situação de total dependência do meio externo o qual contribui para o seu desenvolvimento no processo de aprendizagem. A relação entre intelecto e afeto é importantíssimo para o desenvolvimento do indivíduo, pois cada idéia contém uma atividade afetiva e é transmitida com relação ao fragmento da realidade. Para Vygotsky (1998 apud REGO, 2007, p.122) “não separa o intelecto do afeto porque busca uma abordagem abrangente, que seja capaz de entender o sujeito como totalidade”. Apesar de diferentes funções que exercem afetividade e a intelectualidade, elas se unem em um só processo, formando o desenvolvimento psíquico. A cognição e o afeto se inter-relacionam no ser humano e exercem influências recíprocas ao longo de toda a história do desenvolvimento do indivíduo. A inteligência e a afetividade estão ligadas entre si, pois a afetividade é o fio condutor do desenvolvimento da construção psíquica da criança. Há leis gerais para a aprendizagem, cada indivíduo tem o seu tempo, espaço e momento para aprender, sendo que as experiências vividas e os genes de cada indivíduo contribuem de maneira significativa para aprendizagem (DAVIDOFF, 2001). Segundo DAVIDOFF (2001) há grande necessidade dos seres humanos se sentirem motivados independente de quaisquer situações, a ausência desse estímulo implica na aprendizagem dos indivíduos. Sendo que as motivações dependem de forças internas e externas a qual essas variações dependerão de cada indivíduo, levando em consideração que tais estimulações têm uma base genética e não se pode eliminar o fato que o meio poderá modificá-lo. Essa motivação no meio escolar é necessário, pois quando os alunos se sentem mais motivados e têm apoio, obtêm mais confiança em si mesmo para alcançar os seus objetivos, mas se não tem apoio consequentemente ficarão inseguros em suas decisões(COLL,2004). É necessário que os conteúdos emocionais, mentais e de conduta deve ser proporcionadas para favorecer o bem – estar das pessoas e dos grupos sociais, para contribuir com a aprendizagem. Se os alunos com dificuldades de 23 aprendizagem se sentirem rejeitados pelo os pais, professores e colegas, eles se sentirão menosprezados e esse sentimento poderá produzir efeitos negativos em todos os aspectos de sua vida. “Os alunos também devem adquirir os valores humanos universais que lhes permitam ser valiosos socialmente e sentir-se bem consigo mesmos” (COLL, 2004, p.127). Para o indivíduo melhor desenvolver-se é preciso que ele se sinta bem confiante apoiado nas situações diversas da sua vida,ao contrário disso,ele pode se sentir fracassado, sentimento que prejudica o seu aprendizado. Pois “as pessoas extinguem os operantes desejáveis e reforçamos indesejáveis, isso acontece inconscientemente’’(DAVIDOFF, 2001). As reações emocionais dependem muitas vezes do comportamento do indivíduo, da necessidade, ou seja, de fatores somáticos. Alguns desses fatores podem comprometer a aprendizagem das crianças. Essa necessidade de se relacionar está empregada no indivíduo, pois ele necessita das relações sociais e relações emocionais para sobreviver e sentirem bem diante da sociedade. É que os sentimentos surgiram com o desenvolvimento da espécie humana e como consequências das inter-relações sociais do homem. As necessidades e exigências sociais são responsáveis pela existência do que chamamos sentimento (DORIN, 1976, p.172). O aspecto afetivo influência a aprendizagem em qualquer etapa da vida do indivíduo. A afetividade pode modificar o funcionamento da inteligência, tanto acelerar como regredir o desenvolvimento do mesmo. Para Piaget (1989), a afetividade, mesmo se estabelecendo como condição necessária, não constitui se pré-requisito suficiente para a formação das estruturas mentais. Para isso, a auto-estima compõe um elo na relação com o interesse da criança em aprender. É o afeto que orienta a auto-estima e, depois de sacramentado o vinculo afetivo, a aprendizagem vai estabelecer-se como parte de uma conquista expressiva. É importante estudar os seres humanos como um ser completo (afeto, cognição e movimento) para compreender a importância da afetividade na aprendizagem do indivíduo. 24 O desenvolvimento afetivo e social nos anos iniciais das crianças é de total importância para um bom desenvolvimento nos anos posteriores, mas não determina a vida futura dos indivíduos. A afetividade e a aprendizagem são fatores indissociáveis e interdependentes, para desenvolvimento cognitivo, ambos têm a sua importância e a contribuição para com o outro, pois o ser humano é um ser complexo. Se a criança se sente bem amada pelas as pessoas que a cercam, ela tem mais confiança em si mesma, o que facilita a sua aprendizagem. Essa confiança impulsiona a avançar no processo de desenvolvimento. Buscando novos desafios, a criança terá melhor desenvolvimento na sua vida escolar. Daí se importância da afetividade referente a aprendizagem, sendo que a primeira impulsiona a segunda e ambas auxiliam o desenvolvimento cognitivo do indivíduo. Sentimentos como fracasso e sucesso têm grande contribuição para o desenvolvimento da criança, pois o primeiro pode a levar a inferioridade e a baixa auto-estima o que prejudica seu desenvolvimento; já o segundo pode elevar a sua auto-estima e a superioridade, por meio desses sentimentos, a criança torna-se mais confiante em si mesma. O desenvolvimento do indivíduo se dá pela busca do equilíbrio, e nesta busca da equilibração, a inteligência e a afetividade estão inseridas, pois o indivíduo é um ser complexo. Compreender as relações de afetividade /inteligência, a existência de um inconsciente afetivo e inconsciente cognitivo e o paralelismo entre o desenvolvimento da inteligência como o da afetividade, coloca em destaque a maneira como a afetividade é concebida no sistema piagetiano:como resultado de uma construção ativa,possibilitando conceder o desenvolvimento humano como um todo inseparável (BRENELLI,2007,p.116). O afeto e a inteligência são base para o desenvolvimento da criança. 2 INTELIGÊNCIA Para se falar de desenvolvimento cognitivo é necessário apresentar a contribuição da inteligência no processo de aprendizagem, é nesse contexto que será explanado assuntos que influenciam o processo do desenvolvimento cognitivo. É necessário apresentar a importância da linguagem para o desenvolvimento mental de crianças de 0 a 5 anos que desenvolve a partir das comunicações com o meio. A linguagem é um fator essencial para entender o desenvolvimento psíquico da criança, pois ela é a primeira comunicação entre a criança e o adulto. A partir da linguagem a criança irá interagir com o meio, fará novas descobertas, explorando o que está a sua volta. Para explicar o desenvolvimento cognitivo é necessário primeiramente entender a influência da linguagem dentro desse processo. Vygotsky (1934) chegou á conclusão fundamental de que o desenvolvimento mental humano tem origem na comunicação verbal entre a criança e o adulto e que “uma função que está em principio dividida entre duas, passa depois a ser o meio pelo qual se origina a conduta pessoal da criança” (apud LURIA, 1985, p.15). Para criança entender o mundo a sua volta é necessário que ela relacione as suas experiências vividas com os adultos por meio da fala, e por meio dessas relações começarem a criar /formar os seus próprios conceitos sobre os significados da linguagem. “Com a linguagem, a criança descobre as riquezas insuspeitas de um mundo de realidades superiores a ela” (PIAGET, 1893, p.26). É nesse momento que as crianças se relacionam com o mundo, na busca de novas descobertas e novas experiências. É a partir dos primeiros anos de vida que começará o processo de desenvolvimento e aprendizagem. “É na primeira infância que ocorre o processo de transformação do senso – motor para a inteligência, estando debaixo de duplas influencias da linguagem e da socialização” (PIAGET, 1893). A partir da linguagem a criança constrói conceitos o qual reforçará o pensamento individual, se ela não desenvolver o processo da linguagem ficará 26 excluída das formas de comunicação e de trocas de experiências humanas. Essa interferência poderá influenciar outros aspectos do seu desenvolvimento. Segundo Piaget (1954 apud FARIA, 1993, p.48) “a linguagem – sistema de significados genérico ou de signos verbais- não é decodificada pela criança, e a imagem – representação figurativa - só tem sentido quando a criança constrói”. É a partir dessas significações e signos que a criança entrará para o mundo do adulto. 2.1 O desenvolvimento cognitivo de crianças de 0 a 5 anos A criança começa a se socializar a partir do 1° ao 5° ano de vida, e nesse período as relações externas são mais significantes para o seu desenvolvimento, por isso é necessário apresentar fatores que influenciará na primeira infância. A partir de 2-3 anos as crianças aumenta capacidade de aprender com os adultos, e entre 4-5 anos a criança deixa de pensar somente em si mesmo e começa a ter considerações pela as pessoas a sua volta. Para melhor compreender o desenvolvimento mental da criança, Piaget dividiu em seis estágios: 1° Estágio dos reflexos ou mecanismo ou mecanismos assim como também das primeiras tendências instintivas (nutrição) e das primeiras emoções. 2° Estágio dos primeiros hábitos motores e das primeiras percepções organizadas, como também dos primeiros sentimentos diferenciados. 3° Estágio da inteligência senso - motora ou prática (anterior á linguagem) das regulações afetivas elementares e das primeiras fixações exteriores da afetividade. 4° Estágio da inteligência intuitiva dos sentimentos interindividuais espontâneos e das relações sociais de submissão ao adulto. 5° Estágio das operações intelectuais concretas (começo da lógica) e dos sentimentos morais e sociais e de cooperação. 6° Estágio das operações intelectuais abstratas, da formação da personalidade e da inserção afetiva e intelectual na sociedade dos adultos (adolescência) (PIAGET, 1989, p.13). “Designaremos por estágios os grandes cortes do desenvolvimento mental, marcados pelo acabamento ou pela constituição de etapas de equilíbrio” (FARIA 1993 apud PIAGET, 1978, p.21). 27 Períodos ou Inteligência estágios I ocorrem antes Afeto Social Sensório-motor Ações Intercâmbio Inteligência Indissiociação entre Afetos Pratica a partir dos o eu e o outro prazer, 8 meses do I I intra-individuais: sucesso, fracasso,etc. Ausência de pensamento Ações linguagem Simbólico Inteligência Início simbólica dissociação entre o individuais: eu e o outro Sentimentos I heterônomos I Pensamento I egocêntrico Imagens da Início de afetos inter- morais Linguagem egocêntrica Operacional Inteligência Dissociação Afetos concreto Concreta entre o eu e o outro sentimentos I I Início do I inter-individuais: morais autônomos Operações Linguagem concretas socializada Operacional Inteligência Intercâmbio Afeto inter-individuais: formal formal entre o eu e o outro sentimentos e ideais pensamento verbalizado semi- e socializado I I Pensamento verbalizado e I Operações Linguagem formais Socializada coletivos socializado 2.2 O desenvolvimento psicológico das crianças de 0 a 5 anos O desenvolvimento psíquico da criança começa desde o nascimento, sendo esse período o mais importante até a fala, aquisição da linguagem. No recém-nascido, a vida mental se retém a coordenação motoras e sensoriais que correspondem às tendências instintivas, como a nutrição (PIAGET, 1893). Esses serão os primeiros exercícios que os bebês iram assimi 28 lar em relação às coisas ao redor; a partir desses momentos os bebês começaram a manipular o que está á sua volta decorrente disso criaram novos hábitos por meio desses esquemas senso-motores. A inteligência é um fator que precede a linguagem. Neste momento o desenvolvimento mental, ainda não diferenciará o “eu” dos outros, os bebês nesse período está na construção do seu mundo. A afetividade durante os dois primeiros anos testemunham um egocentrismo próprios das crianças. Não se pode falar, sobre o desenvolvimento cognitivo, sem antes relatar sobre o egocentrismo, pois esse aspecto é de total relevância, para compreender os estádios do desenvolvimento das crianças. O egocentrismo como visão do mundo a partir da perspectiva pessoal constitui características do pensamento simbólico e da linguagem que o expressa, principalmente nos primeiros anos do período representativo (FARIA, 1993, p.41). O egocentrismo é a fase em que a criança cria e interpreta o mundo á sua maneira. É nesse momento que começa o mundo da imaginação e da imitação, e é por meio das brincadeiras de faz de conta que a criança se realiza e dramatiza a sua realidade. O egocentrismo é aquele indivíduo que internaliza, assimila tudo à sua maneira, o seu pensamento, objetivos, necessidades e linguagem são interligados no “eu”, para ele o que importa é a sua vontade a sua verdade, desconsiderando a vontade do outro. O egocentrismo manifesta-se em várias formas: Intelectuais, lingüística e moral (FARIA, 1993). - Egocentrismo Intelectual Ao estudar o início da fase simbólica, Piaget (1970 apud FARIA, 1993, p.42) “concluiu que a criança representa o mundo e suas relações casualidade- dentro de uma perspectiva pessoal”. Esse egocentrismo intelectual aparece nos primeiros anos, para a satisfação do próprio “eu” ou dos indivíduos que estão ao seu redor. A partir dos dois anos de vida, o desenvolvimento intelectual e afetivo ganha maior impulso em decorrência ao aparecimento da linguagem, que é por 29 meio dela que a criança reconstitui sua ações passadas e antecipa suas ações futuras.Esse aspecto traz três consequências para o desenvolvimento mental os quais são essenciais, são elas: Uma possível troca em indivíduos, ou seja, o inicio da socialização da ação, uma interiorização da palavra, isto é, a aparição do pensamento propriamente dito, que tem como base a linguagem interior e o sistema de signos e finalmente, uma interiorização da ação como tal, que puramente perceptiva e motora que era até então, pode ai, em diante reconstituir no plano intuitivo das imagens e das “experiências mentais” (PIAGET, 1893, p.24 grifo do autor). Nesse período á assimilação e acomodação se harmonizam entre si. “O processo de repetição revela os mecanismos íntimos do desenvolvimento mental” (PIAGET, 1893). O firmamento da equilibração é a relação da assimilação com acomodação, a busca dessa harmonia (assimilação-acomodação) se dá o equilíbrio entre o indivíduo e o meio em que está inserido. Piaget (1961 apud FARIA, 1993) diz que “uma descoberta deve estar em equilíbrio com outras ações, para o indivíduo se adaptar ao meio-social”. Assimilação e acomodação nem sempre está em perfeito equilíbrio, e nesses desequilíbrios que acontecem à aprendizagem; sendo que nos primeiros meses de vida não há separação entre a assimilação e acomodação. Nos primeiros meses o campo visual é o mais explorado pelos bebês. “E a partir dos quatro meses que se inicia a separação entre o sujeito e objeto” (FARIA, 1993, p.27). Mas ainda não ocorre o processo de assimilação e acomodação. A partir dos oito meses os bebês se adequará às situações por meio de esquemas exploratórios (olhar, virar, deslocar, etc.). “A conduta passa a ser intencional ou inteligente, havendo um intervalo entre a necessidade de incorporar o objeto e a consumação do ato assimilatório” (FARIA, 1993, p.28). E a partir dos doze meses ,quando as crianças se deparam com novas situações,elas tentam compreender as sequencias que acontecem ao seu redor, para assimilá-la e acomodá-la. 30 Nos dezoitos meses em diante a criança já consegue construir a imagem sem visualizá-la relacionando com as imagens anteriores, pois neste período ela já internalizou o aprendizado/conhecimento (as imagens). O sujeito pode construir a imagem de uma bola, por exemplo, evocando com esta imagem as ações que executou sobre ela: chutar, atirar, rolar, etc. assim como imaginar os deslocamentos do objeto no espaço. Isto acontece porque o objeto continua existindo na mente do sujeito, embora esteja ausente de seu quadro perceptual (FARIA, 1993, p.33). “É a partir dos 5 anos que o egocentrismo desaparecerá lentamente pois,a partir dessa idade o pensamento da criança anuncia as relações próprias ao pensamento operatório”(FARIA ,1993). Sendo que a adaptação infantil se dará a partir do equilíbrio (acomodação e assimilação) em plano harmonioso. No egocentrismo social a criança se relaciona com os adultos, através da fala, mas ainda não consegue fazer ligações entre acontecimentos, no tempo certo, apenas fala a sua maneira, do jeito em que ela assimilou, e nesse momento ela começa a criar seus próprios conceitos/idéias, formando assim suas significações. “A criança representa com firmeza os fenômenos/ações em que ela presencia, mas não conseguem sequenciar essas informações para apresentar a situação de maneira correta aos seus olhos” (FARIA, 1993). 2.3 Como a afetividade contribui para o desenvolvimento da inteligência As mudanças que ocorrem nos primeiros anos de vida são de suma importância para a compreensão do desenvolvimento cognitivo, afetivo e do pensamento; esses fatores estão interligados para o desenvolvimento da inteligência. O desenvolvimento afetivo com o intelectual ambos estão juntos, pois não há ações puramente intelectual e nem ações puramente intelectual e nem ações puramente afetivos .O interesse começa com a vida psíquica ,propriamente dita ,e desempenha ,em particular,papel essencial no desenvolvimento da inteligência sensomotora (PIAGET,1893,p.37). 31 Assim como a afetividade nascem por meio das relações com o indivíduo, a aprendizagem também, e é por meio dessas trocas que desenvolve o intelecto. O desenvolvimento do ser humano é muito complexo, sendo que este processo é composto por vários fatores que poderá influenciar, tanto para o avanço quanto para o retardamento do processo de desenvolvimento do indivíduo. “Segundo Piaget (1978 apud FARIA, 1993, p.12) os fatores como maturação, experiências físicas e lógicos- matemático e experiência social e equilibração são dinamizadores da vida cognitiva e afetiva”. Falaremos sinteticamente e rapidamente de cada um desses fatores. “A maturação é um fator relacionado ao desenvolvimento e crescimento fisiológico do sistema nervoso (FARIA, 1993). A experiência que ocorre na vida do indivíduo, já favorece a evolução mental, principalmente nos primeiros anos de vida. “As experiências físicas são ações como (tocar, pegar) e também de situações em que os indivíduos agem sobre objetos e a experiência lógico-matematico é o conjunto de ações que acontecerá ao mesmo tempo e as coordena mentalmente” (FARIA, 1993). Para uma pessoa realizar uma experiência lógico-matematico como a de reunir ou classificar objetos, precisa ter descobertos, anteriormente, as características semelhantes e diferentes dos mesmos, ou seja, ter realizado uma operação física (FARIA, 1993, p.13). Experiências e transmissões sociais e culturais influenciam no desenvolvimento cognitivo, principalmente em crianças de 2 anos em diante,pois é o momento em que a linguagem está em evidência e é nessa troca que a criança construirá seu aprendizado (FARIA,1993). Há vários tipos de inteligências e vários fatores que influenciam no desenvolvimento cognitivo e na aprendizagem dos indivíduos, mas dentro dessas variações será relatado a inteligência prática, pois é um fator indispensável para entender o desenvolvimento mental dos indivíduos. A inteligência prática que aparece na primeira infância é dividida em dois lados: “um lado é a inteligência sensório-motor, e o outro, as noções técnicas as quais se desenvolverá até a vida adulta” (PIAGET, 1893). 32 Na inteligência simbólica a criança invoca segmentos de imagens e acontecimentos, os quais aparecem numa forma imediata no sincretismo um após o outro (FARIA ,1993). No inicio do desenvolvimento da criança, a afetividade dependerá mais das suas próprias relações com que das relações com outras pessoas. Os avanços cognitivos estão relacionados com os outros aspectos como social e afetivo um contribuirá para o processo do outro. “A progressiva separação entre o organismo e o ambiente contribui para a cognição, vida social e afetiva das crianças” (FARIA, 1993); e nesse processo inicia a vida social e afetiva os quais contribuirá para o desenvolvimento cognitivo. Tanto adulto como a criança executa uma ação (interior – exterior) quando sente falta de algo, ocorre uma necessidade de fazer tal ação para suprir essa necessidade. É esse desejo que ocasionará desequilíbrio que provocará a aprendizagem, pois a desequilibração busca a equilibração e nesse momento que ocorre o processo de aprendizagem. Toda ação, todo movimento, pensamento ou sentimento corresponde a uma necessidade. “A ação humana consiste neste movimento contínuo e perpétuo de reajustamento ou de equilibração” (PIAGET, 1989, p.16). A interiorização de acontecimentos e experiências tem consequências sérias na vida social e afetiva das crianças e poderá dificultar o desenvolvimento intelectual. É necessário que as experiências que as crianças retenham sejam boas, ás quais motivarão elas aprender o que lhe ensinado, de maneira afetuosa. Quando a criança compreende os seus erros e acertos, ela terá uma melhor aprendizagem, pois saberá enfrentar futuras frustrações e lidar com situações cotidianas a partir das situações anteriores que proporcionou experiências de sucesso no passado. A autovalorização gera maior confiança em si e facilitara o prosseguimento da aprendizagem. A criança inicia a autodesvalorização ao experimentar impressões desagradáveis, decorrentes dos insucessos ou das quedas. Isto repercutira no processo de aprendizagem, levando – o a um retardamento (FARIA, 1993, p.37). 33 Para se ter o desenvolvimento cognitivo é necessário que se tenha a motivação, pois “a vida mental resulta de um processo construtivo que tem como ponto de partida a motivação” (FARIA, 1993, p.16), sendo que crianças ou adultos que são motivados têm mais incentivo para avançar, principalmente as crianças, pois elas estão em processo de auto-afirmação e ainda não estarão preparados para frustrações, o que poderá prejudicar o seu desempenho escolar e a sua aprendizagem a qual poderá ficar comprometida. Para as crianças se desenvolverem cognitivamente é necessário que elas se sintam bem amadas e aprovadas pelo os pais, professores e pelos os que estão ao seu redor, sendo assim, elas farão um esforço para aprender na tentativa de não desagradar os pais e os que estão ao seu redor, por isso a importância da afetividade no processo de aprendizagem (COLL, 2004). O Aprendizado/conhecimento se dá pela interação entre o indivíduo e o ambiente, pois ambos são fundamentais e essenciais para o desenvolvimento mental. A relação da criança com o meio ocasiona esquemas afetivos os quais terão grandes influências em sua vida; quando se trata de aprendizagem e da formação do indivíduo a afetividade é essencial para desenvolvimento desses processos (aprendizagem – formação). O conjunto dos esquemas afetivos irá constituírem o caráter da pessoa. Este processo de formação e de enriquecimento deixa evidente que, na vida afetiva, a continuidade e a novidade estão presentes ao mesmo tempo (FARIA, 1993, p.69). “Podemos afirmar que os aspectos cognitivos e afetivos não são conhecidos em seu funcionamento, mas, de acordo com as circunstâncias são aprendidos em seus resultados” (FARIA,1993). Para se ter o desenvolvimento mental é necessário que a vida afetiva, social e a intelectual esteja em perfeita harmonia, pois uma desencadeia a outra, portanto são complementares entre si. O processo de tomada de consciência dos significados cognitivos e afetivos acontece quando indivíduo domina as estruturas correspondentes a eles e sofre pressão do ambiente social. O choque de idéias e de sentimentos é fator importante para o enriquecimento da inteligência e do afeto (FARIA, 1993, p.77). 34 2.4 Contribuição da inteligência na aprendizagem O fator inteligência não só separa a espécie humana, mas dentro da própria espécie, ela distingui uns dos outros. Pessoas inteligentes são capazes de fazer alianças diversas, como por exemplo: manobrar a política e questionar situações. Esse fator oferece suporte para o sucesso social, fazendo assim que tenha maior probabilidade de sobrevivência. Há vários fatores que contribuirão para o desenvolvimento da aprendizagem, entre eles, está a hereditariedade que é um fator importantíssimo para caracterizar os indivíduos, pois, os genes têm algo a dizer sobre a capacidade de aprendizagem. As características do funcionamento psicológico são construídas ao longo da vida do indivíduo através de um processo de interação do homem e o seu meio físico e social. Para Vygotsky (1984 apud REGO, 2007) “as origens das atividades psicológicas mais sofisticadas devem ser procuradas nas relações sociais do indivíduo com o meio externo’’. O aprendizado é um fator necessário e fundamental no processo de desenvolvimento cognitivo, entretanto o desenvolvimento do indivíduo depende do aprendizado e da interação entre os indivíduos. O aprendizado de modo geral e o aprendizado escolar não só possibilitam como orientam e estimulam processos de desenvolvimento os quais estão inter-relacionados. A escola deve saber relacionar os conceitos construídos pela vivência das crianças com os conhecimentos sistematizados nas interações escolarizadas, pois os dois tipos de conceitos estão intimamente relacionados e influenciam mutuamente, eles fazem parte de um único processo: a aprendizagem. Vygotsky(1987 apud REGO,2007,p.79) “ressalta, no entanto que, se o meio ambiente não desafiar e estimular o intelecto do adolescente, esse processo poderá não chegar a conquistar estágios mais elevados de raciocínio”. Á medida que o indivíduo expande o seu conhecimento intelectual, modifica sua relação cognitiva com o mundo; mas o acesso a esse conhecimento dependerá, de fatores, de ordem social, política e econômica, quanto a qualidade de ensino oferecido. 35 Enquanto os esquemas afetivos levam à construção do caráter, os esquemas afetivos cognitivos conduzem à formação da inteligência (FARIA, 1993, p.8). A inteligência é um fator essencial para o bom desenvolvimento cognitivo do individuo, principalmente na primeira infância (0 a 5 anos) pois a criança está começando a conhecer o mundo e explorá-lo; a partir desse conhecimento que ela construirá a sua formação e o seu aprendizado. 3 AFETIVIDADE: A PARTIR DO MEIO – SOCIAL A criança é moldada pelo ambiente, pelas interações que ocorrem na sua vivência. A partir dessas experiências, que ela constrói o seu histórico. E por meio das mediações culturais, que a criança adquire conhecimento e significados tanto para a sua vida cotidiana como a sua vida escolar. É nesse processo de internalização que ocorrera o aprendizado, sendo que esses fatores são carregados de fatores sócio-culturais. Para Vygotsky (1984 apud OLIVEIRA, 1992) “o indivíduo se desenvolve por meio das relações sociais, sendo que a cultura é parte do processo histórico ao longo do desenvolvimento do indivíduo”. O indivíduo só se desenvolve no interior de um grupo, por meio das relações e experiências vividas no decorrer da sua existência. As concepções de Vygotsky(1984 apud OLIVEIRA,1992,p.24) sobre o funcionamento do cérebro humano fundamentam-se em sua idéia de que as funções psicológicas superiores são construídas ao longo da história social do homem. Na sua relação com o mundo, mediada pelos instrumentos e símbolos desenvolvidos culturalmente, o ser humano cria formas de ação que distinguem de outros animais. Sendo assim, as compreensões do desenvolvimento psicológico não podem ser buscadas em propriedades naturais do sistema nervoso. Vygotsky rejeitou, portanto, a idéia de funções mentais fixas e imutáveis, trabalhando com a noção de cérebro como um sistema aberto, de grande plasticidade, cuja estrutura e modos de funcionamentos são moldados da história da espécie e do desenvolvimento intelectual. E por meio dessas relações o indivíduo estará em constante desenvolvimento e aprendizado. Segundo Vygotsky (1989 apud OLIVEIRA, 1992) os fatores biológicos e sociais são caminhos complementares para o desenvolvimento psicológicos e a cultura é importante para a formação do indivíduo, em que o biológico se transforma no sócio-histórico. Piaget (1973 apud LA TAILLE, 1992) relata que a partir das relações sociais, que o indivíduo desenvolve a inteligência, mas em alguns casos essas relações são negligenciadas. Não tem como se pensar em um homem sem relações sociais, sem influencias internas e externas, pois todo indivíduo está inserido num grupo cultural; e nessas relações com o mundo, que o indivíduo se desenvolve 37 cognitivamente e afetivamente. “O homem é um ser essencialmente social, impossível, portanto, de ser pensado fora do contexto da sociedade em que nasce e vive ”(LA TAILLE, 1992, p.11). Mesmo que o indivíduo tente se isolar das relações sociais, ele não irá conseguir, pois ele já faz parte dessas relações, participa do histórico de sua família, sendo assim, um indivíduo que não faz parte da sociedade e das suas relações simplesmente não existe. Segundo Piaget (1973 apud LATAILLE, 1992, p.12) se tornarmos a noção do social nos diferentes sentidos do termo, isto é, englobando tanto as tendências hereditárias que nos levam á vida em comum é a imitação, como as relações “exteriores” (no sentido Durkhein) dos indivíduos entre eles, não se pode negar que, desde o nascimento, o desenvolvimento intelectual é, simultaneamente, obra da sociedade e do indivíduo. O desenvolvimento social, intelectual e afeto são estabelecidos pelas relações e interações realizadas pelo indivíduo. 3.1 O início das atividades psicológicas superiores no desenvolvimento da criança O desenvolvimento e a aprendizagem estão ligadas desde o nascimento da criança. Para a criança se desenvolver desde o nascimento até a fase adulta, é necessário, que ela percorra todo o processo de maturação do organismo. Sendo que o desenvolvimento intelectual se dá no momento adequado à faixa etária da criança, apesar da interação, que ela estabelece como cultura em que está inserida, também contribuir com o seu desenvolvimento. “Sua característica individual será construída a partir da interação do indivíduo com o meio físico e social” (REGO, 1995). O desenvolvimento está intimamente ligado relacionado ao contexto sócio – cultural em que a pessoa se insere e se processa de forma dinâmica (e dialética) através de rupturas e desequilíbrios de provocadores de contínuas reorganizações por parte do indivíduo (REGO, 1995, p.58). O bebê está a todo o momento interagindo com os adultos, pois são eles que suprem suas necessidades e transmitem sua cultura a criança. Os adultos 38 são o elo da relação criança com o mundo, conforme Rego (1995). As influencias culturais interferem no comportamento da criança. E por meio dessas interferências, experiências, acomodações e assimilações de conhecimentos e ainda habilidades sócio-culturais, que a criança vai desenvolvendo o processo psicológico. Para Vygotsky(1984 apud REGO,1995,p.61) ,o desenvolvimento do sujeito humano se dá a partir das constantes interação com o meio social em que vive,já que as formas psicológicas mais sofisticadas emergem da vida social.Assim ,o desenvolvimento psiquismo humano é sempre mediado pelo outro ( outras pessoas do grupo social) ,que indica,delimita e atribui significados á realidade.Por intermédio dessas mediações,os membros imaturos da espécie humana vão pouco a pouco se apropriando dos modos de funcionamento psicológico,do comportamento e da cultura ,enfim,do patrimônio da história da humanidade e de seu grupo cultural.Quando internalizados,estes processos começam a ocorrer sem a intermediação de outras pessoas. No primeiro ano de vida, a criança está totalmente dependente do outro, pois ela é indefesa e despreparada para se relacionar com o mundo. Nesse período ela precisa suprir suas necessidades básicas físicas como: alimentação, higiene, etc. quanto afetivas e só por meio da interferência do indivíduo que ele consegue sobreviver, pois o bebê sozinho não sobrevive. Nesse período é pouca a interação do bebê com o social. Vygotsky (1984) ressalta que “os fatores biológicos têm preponderância sobre os sociais somente no início da vida da criança” (apud REGO, 1995, p.59). É a partir do desenvolvimento físico e psicológico que a criança começa a interagir com o seu grupo social e a sua cultura reflete no seu comportamento. Há duas linhas diferentes que contribuem para o desenvolvimento do indivíduo, de um lado, fatores biológicos de outro, as funções psicológicas superiores, de origem, sócio-cultural. “A história do comportamento da criança nasce do entrelaçamento dessas duas linhas” (VYGOTSKY, 1984 apud REGO, 1995, p.59). É por meio da união dessas duas linhas que a criança entra para o mundo das relações, é o início da sua vida histórico-social. A partir dos dois anos, a criança esta mais independente, ela estabelece diretamente relações com o meio, mas ainda depende dos adultos, não possui 39 totalmente a sua autonomia a qual irá adquirir no decorrer dos anos. “O processo de desenvolvimento esta firmado nas relações: histórico individual e histórico – social” (VYGOTSKY, 1984 apud REGO, 1995). O desenvolvimento da criança se dá pela sua individualidade junto com as experiências trazidas pela sua cultura. Piaget (1973 apud LA TAILLE, 1992) relaciona os estágios do desenvolvimento cognitivo de acordo com o desenvolvimento social. No estágio sensório-motor da criança, são quase inexistentes as trocas sociais, a criança é totalmente individual. Na fase pré-operatória, começam as relações sociais, pois as crianças começam a interagir por meio da linguagem. Mas ela ainda não consegue totalmente equilibrar suas trocas intelectuais. Por fim, a criança tem dificuldades em se colocar no lugar do outro, circunstâncias que prejudica as relações com os outros (reciprocidade). Um dos mediadores entre a cultura e o homem é a linguagem. Entre 4-7 anos aproximadamente, a criança passa por uma fase egocêntrica, ou seja, pensamento e ações que estão voltadas para elas. “Egocentrismo significa que a criança ainda não tem domínio de seu “eu” e que, longe de ser autônoma, ainda e heterônoma nos seus modos de pensar e agir” (LA TAILLE, 1992, p.16). No estágio pré-operatório a criança possui poucas trocas intelectuais, ela não consegue explorar a diversidades de relações que estão ao seu redor. No estágio operatório, as trocas intelectuais e sociais terão mais frequência, pois a criança esta no período de construção de personalidade (LA TAILLE, 1992). Na primeira infância as atividades mentais se consolidam a partir das funções elementares. O funcionamento cerebral que é construído por instrumentos e símbolos. A cultura que fornece ao indivíduo os sistemas simbólicos de representação da realidade, e por meio deles, o universo de significações que permite construir uma ordenação, uma interpretação dos dados do mundo real. Ao longo de seu desenvolvimento o indivíduo internaliza formas culturalmente dadas de comportamento, num processo em que atividades 40 externas, funções interpessoais, transformam-se em atividades internas, intrapsicológicas. As funções psicológicas superiores baseadas na operação com sistemas simbólicos, são, pois construídas de fora para dentro do indivíduo. O processo de internalização é assim fundamental no desenvolvimento psicológico humano (OLIVEIRA, 1992). Ou seja, os conceitos e significações são construídos, internalizadas pelos indivíduos ao longo do processo de desenvolvimento. A partir das relações sociais que o indivíduo mantém com o grupo, que ele percebe variações de significados e conceitos, identificadas por palavras da cultura do grupo. O processo de formação de conceitos refere-se aos conceitos cotidianos ou espontâneos, esses conceitos são desenvolvidos por meio das atividades praticas de suas interações com o meio o qual estão inseridos. Há conceitos científicos que para Vygotsky (1989 apud OLIVEIRA, 1992): “São conhecimentos adquiridos por meio da escola e por organizações instruídas num sistema escolar, geralmente em sociedade letrada, onde as crianças frequenta instituições de ensino” (OLIVEIRA, 1992). Para que as crianças se desenvolvam cognitivamente os conceitos científicos é necessário que o conceito espontâneo esteja em um nível maior, assim ela consegue absorver o conhecimento científico. É de extrema importância a relação das crianças com os adultos, para promover o desenvolvimento, a construção do conhecimento, ou seja, aprendizagem da criança. “A aprendizagem desperta processos internos que só podem ocorrer quando o indivíduo interage com outras pessoas” (OLIVEIRA, 1992, p.33). As relações sociais interferem no processo cognitivo, desde o nascimento até a fase adulta. A evolução social passa pelo desenvolvimento da inteligência, pois para o indivíduo se desenvolver e necessárias ações do sujeito sobre os objetos, sendo que as estruturas mentais são construídas nesse processo ( LA TAILLE, 1992). Todos os indivíduos precisam de relações sociais para construir os seus conhecimentos. 41 Segundo Piaget (1973 apud LA TAILLE, 1992) é essencial apresentar dois tipos de relação social: a coação e a cooperação. Coação social é a relação entre vários indivíduos no qual interfere a autoridade e o prestigio que exerce sobre o outro. Nessa relação o indivíduo tem escassa participação na produção e autoria de conhecimento e idéias. Nesse tipo de relação o indivíduo não se desenvolve cognitivamente, pois as situações são impostas para ele, não há desequilibração, sendo assim, não há desenvolvimento da inteligência, sendo que é este processo de desequilíbrio que aproxima o indivíduo do conhecimento. Porém a relação de cooperação possibilita o desenvolvimento da inteligência da criança; Essa relação interindividual representa um alto grau de socialização. Segundo La Taille (1992), é a partir dessa relação que o indivíduo se desenvolve. Essa relação leva o indivíduo a se interessar pela busca do conhecimento, esse interesse desequilibra o processo, o qual abre o caminho para o indivíduo se equilibrar novamente, é dentro desse processo (equilibração – desequilíbrio) que o indivíduo constrói o seu conhecimento, desenvolvendo a inteligência. Quando eu discuto e procuro sinceramente compreender outrem, comprometo – me não somente a não me contradizer, a não jogar com as palavras etc., mas ainda comprometo – me a entrar numa série indefinida de pontos de vista que não são os meus. A cooperação não é,portanto,um sistema de equilíbrio estático ,como ocorre no regime da coação.É um equilíbrio estático ,como ocorre no regime da coação.É equilíbrio móvel .Os compromissos que assumo em relação á coação podem ser penosos ,mas sei aonde me levam.Aqueles que assumo em relação á cooperação me levam nãos sei aonde.Eles são formais,e não materiais (Piaget,1973 apud LA TAILLE,1992,p.20). O método da cooperação possibilita chegar à verdade, porém, a coação apenas apresenta crença e dogmas, que devem permanecer (LA TAILLE, 1992). É na vida da criança que a coação é mais presenciada, porém para a sua socialização é necessária essa etapa, mas não deve esquecer que o cooperativo é fundamental para o desenvolvimento das operações mentais; ambos cooperação e coação são fundamentais para o desenvolvimento da criança. “É a procura da reciprocidade entre os pontos de vistas individuais que 42 permite a inteligência construir este instrumento lógico que comanda os outros, e que é a lógica das relações” (PIAGET,1973 apud LA TAILLE ,1992,p.20). A relação com o outro, começa pela reciprocidade, por meio da socialização dos indivíduos dentro da sociedade. As características dos indivíduos são formadas por junções de fatores internos e externos, é a partir dessas interações que os indivíduos se relacionam socialmente entre si. Vygotsky (1984 apud REGO, 1995, p.41) afirma que as características tipicamente humanas não estão presentes desde o nascimento do indivíduo, nem são mero resultado das pressões do meio externo. Elas resultam da interação dialética do homem e o seu meio sócio-cultural. E essas modificações influenciam o comportamento dos indivíduos e daqueles que estão ao seu redor. O desenvolvimento psicológico dos indivíduos se origina nas relações históricas-culturais. “Sendo que a cultura faz parte da construção do ser – humano e é por meio das internalizações históricas e culturais que o indivíduo desenvolve – se psicologicamente” (REGO, 1995). A partir dos signos e dos outros, que a criança desenvolve o seu cognitivo. Para perspectiva sócio-histórica é extremamente importante as mediações que ocorrem através de signos e instrumentos, os quais são fornecidos pela cultura e é a partir desse processo que ocorre o funcionamento psicológico (REGO, 1995). A cultura social é a grande contribuinte para o desenvolvimento cognitivo do indivíduo. O indivíduo recebe influências a todo tempo em sua vida, essas influências interferem no seu modo de vida. Porém tais influências, não são fatores determinantes em sua vida, pois “o indivíduo é um ser livre e independente das condições do momento e dos espaços presentes” (REGO, 1995, p.47). As características do funcionamento psicológico são transmitidas pela interação com o meio externo. São a partir dessas interações que são construídas as relações culturais. 43 Para Leontiev (1978 apud REGO, 1995, p.49) cada indivíduo aprende a ser um homem. O que a natureza lhe dá quando nasce não basta para viver em sociedade. É lhe ainda preciso adquirir o que foi alcançado no decurso do desenvolvimento histórico da sociedade humana. O início das atividades psicológicas se dá por meio das relações sociais dos indivíduos com o meio externo. Vygotsky (1984 apud REGO, 1995, p.55) ”afirma que os processos de funcionamento mental do homem são fornecidos pela cultura...“. É dentro dessas relações dos indivíduos com a cultura e por suas práticas históricas sociais que a criança imita as formas de comportamento que estão impregnadas no comportamento humano, ou seja, das experiências humanas. Para Vygotsky (1988 apud OLIVEIRA, 1993) a cultura é um “palco de negociações” em que os indivíduos estão a todo momento ,criando e reinterpretando as informações,conceitos e significados que recebe do seu meio cultural. Segundo Vygotsky (1984 apud REGO, 1995) o processo de desenvolvimento é socialmente construído e de suma importância para as relações sociais e para o desenvolvimento do indivíduo. As características do individuo são construída pela junção de fatores externos, internos e das relações sociais. O indivíduo se constitui enquanto, tal não somente devido aos processos de maturação orgânica, mas, principalmente através de suas interações sociais a partir das trocas estabelecidas com seus semelhantes. O homem constitui-se como tal através de suas interações sociais, portanto, é visto como alguém que transforma e é transformado nas relações produzidas em uma determinada cultura. Segundo Wallon (1975 apud ABIGAIL, 2003) o homem é um ser inteiramente e essencialmente social, dotados de fatores orgânicos e fatores sociais. O homem está a todo o momento influenciando e sendo influenciado pelo meio o qual está inserido. 3.2 Influências do meio na aprendizagem escolar 44 O processo do desenvolvimento cognitivo é o início da aprendizagem. Porém essa aprendizagem, só ocorre quando a criança está biologicamente e psicologicamente madura para tal processo. O desenvolvimento tem que anteceder o aprendizado, pois é por esse processo que a criança estará em condições biológicas e sociais para aprender, os conhecimentos que são apresentados. “Os processos de desenvolvimento são impulsionados pelo aprendizado. Ou, seja só “amadurecerá”, se aprender” (REGO, 1995, p.107, grifo do autor). O ensino-aprendizagem ocorre em sua maioria das vezes, no âmbito escolar; É nesse ambiente que a criança tem probabilidade melhor desenvolver, sendo que é por meio dessa interação com os indivíduos letrados que a criança constrói seu próprio conhecimento e por meio desse aprendizado pode ter um nível maior que proporciona o conceito científico. Há casos que a aprendizagem é prejudicada por pais ou professores que subestimam a capacidade intelectual do indivíduo, não percebendo que o sucesso ou fracasso da criança, não depende apenas da sua individualidade, mas de todos os fatores que as cercam. “Terá sucesso a criança que tiver algumas qualidades e aptidões básicas, que implicarão na garantia de interesse ou mesmo maturidade para aprender” (REGO, 1995, p.88). A escola tem a função importante de formar e transformar o indivíduo e interferir nos problemas sociais que o cercam; contribuindo com formação moral e intelectual do aluno, transmitindo, assim, a cultura e o modelo de comportamento do grupo social segundo Rego (1995). A aprendizagem, não pode ser confundida com memorização ou apenas aplicações e assimilações de conteúdos sem coerência e com práticas inadequadas de ensino, através de estímulos errôneos, como reforço positivo (elogios) ou negativo (notas baixas) (REGO, 1995). Isto pode percebido nos métodos tradicionais em que o aluno é visto como uma tábua rasa, que só recebe os conteúdos e não tem autonomia própria. O aprendizado ocorre pelas relações recíprocas entre os indivíduos; ao mesmo tempo em que ele aprende ele ensina, pois o indivíduo está em 45 constante transformação e aprendizado .Para ocorrer o aprendizado é necessário criar um ambiente que proporciona desafios e conquistas. As características do indivíduo são construídas pela interação do meio, ou seja, dimensões interpessoais e culturais. Por meio desses processos o indivíduo internaliza as formas culturais e modifica-as e interfere ao seu modo, ao seu jeito, e é por meio desses processos que ocorre o aprendizado. O desenvolvimento humano é compreendido não como a decorrência de fatores isolados que amadurecem, nem tão pouco de fatores ambientais que agem sobre o organismo controlando seu comportamento, mas sim através de trocas recíprocas, que se estabelecem durante toda a vida, entre o indivíduo e meio, cada aspecto influindo sobre o outro (REGO,1995,p.95). O aprendizado é um fator importante e essencial para o desenvolvimento cognitivo; este processo depende das relações e interações que o indivíduo mantém com o seu grupo social (REGO, 1995). É por meio do aprendizado, que o processo de desenvolvimento das funções psicológicas superiores se desenvolve: “o aprendizado pressupõe uma natureza social especifica é um processo o qual as crianças mergulham na vida intelectual daqueles que as cercam” (VYGOTSKY 1984 apud REGO, 1995). Vygotsky (1984 apud REGO, 1995) divide o desenvolvimento em dois níveis: Nível de desenvolvimento real, ou seja, são conhecimentos que a criança já aprendeu, e outro: Nível de desenvolvimento potencial são conhecimentos em que a criança está prestes a construir o aprendizado, mas é necessário ajuda de outras pessoas. A criança desenvolve vários processos de aprendizagens, a partir das relações com os adultos, sem a contribuição do meio externo a criança não consegue se desenvolver. “Esses processos se internalizam e passam a fazer parte das aquisições do seu desenvolvimento individual” (REGO, 1995, p.74). Para entender a responsabilidade da escola dentro do processo de desenvolvimento do indivíduo, Vygotsky difere os conhecimentos/construídos nas experiências pessoal da criança: Conceitos cotidianos referem-se aqueles conceitos construídos a partir da observação, manipulação e da vivencia direta da criança. Conceitos científicos se relacionam aqueles eventos não diretamente acessíveis á observação de ação imediata da criança,são 46 conhecimentos sistematizados escolarizadas (REGO, 1995, p.77). adquiridos nas interações Ambos contribuem para o desenvolvimento da formação de conceitos. Sendo que esse processo é essencial para o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. É neste contexto, que o adulto ou professor deve motivar estimular o intelecto da criança, pois a partir desses estímulos a criança chega ao estágio superior, sem esse estímulo a criança não consegue por si, vencer os desafios que estão a sua frente. O indivíduo está sendo estimulado a todo o momento pelo ambiente ele é capaz de pensar de, mudar de acordo com as circunstâncias, pois se adapta várias condições. Aprende-se por observações é até mesmo pelos resultados de nossos comportamentos. Há vários tipos de interação genético-ambiental que pode estimular ou não o desenvolvimento da aprendizagem dos indivíduos. Sendo elas: ”Passiva: os pais poderão estimular aos seus filhos ao pensamento lógico e o raciocínio, que o ajudarão na resolução de problemas, não se esquecendo que a sua hereditariedade contribui para tal desenvolvimento. Evocativa: A criança recebe do ambiente a resposta de suas qualidades intelecto, e de sua personalidade que terá mais atenção dos seus professores, por causa do bom desempenho nas atividades propostas. Mas aquelas crianças que são vistas como relapsa, receberão com hostilidade e frustração por não alcançar o desenvolvimento previsto. Ativa: As pessoas buscam experiências que estão ao seu nível intelectual, quanto maior for o seu desenvolvimento, mas ela buscará situações que estimularão o seu desenvolvimento’’(DAVIDOFF, 2000). Durante todo o desenvolvimento predominam diferentes influências genético-ambientais. A do tipo passivo é particularmente observável na infância, diminuindo na adolescência. A influência de tipo ativo aumenta com a idade. As interações evocativas permanecem constantes ao longo de toda a vida (DAVIDOFF, 2000, p.52). O organismo não herda padrões completos de comportamentos e tampouco podemos eliminar as influências que nos são impostas todos os momentos. Mas influências são inevitáveis, quando os pais são mais 47 desenvolvidos, seus filhos terão maior probabilidade de seguir os mesmo caminhos. 3.3 Papel da escola na aprendizagem É dentro da escola que o indivíduo mais recebe influência do meio, pois convive com diferentes grupos. É na escola que a criança exercita suas potencialidades e neste momento que o professor deve manter uma relação igualitária dentro da sala de aula evitando competições, em que o sucesso de um seja o fracasso do outro, mas deve ajudá-lo na construção da sua identidade. Nessa fase, ela ainda necessita da confirmação de seu trabalho, ainda precisa ser estimulado a participar de novos grupos em que seja possível a divisão de tarefas, o trabalho em equipe, e a competição temporária entre equipes, num ambientes em que ela possa, sobretudo sentir-se aceita (ABIGAIL, 2003, p.58). A escola tem a função de estimular a criança, desafiando-a na busca de novas conquistas e por meio desses estímulos ela adquire conhecimentos e novas aprendizagens. Davidov (1988 apud REGO, 1985, p.104) afirma que a escola deve ser capaz de desenvolver nos alunos a capacidade intelectual que lhe permitam assimilar plenamente os conhecimentos adquiridos. O aluno deve ser visto como um agente ativo, capaz de interferir no seu ambiente e modificá-lo, pois, a todo o momento e todo tempo ele está relacionando e interagindo com o seu grupo social, contribuindo para a sua formação como indivíduo e para aqueles que estão a sua volta. Os diferentes ritmos, comportamentos, experiências, trajetórias pessoais, contexto familiar, valores e níveis de conhecimentos de cada criança (e dos professores) imprimem ao cotidiano escolar e a possibilidade de trocas de repertórios, de visão de mundo, confrontos, ajuda mútua, e conseqüente ampliação das capacidades individuais (REGO, 1995, p.110). Deve-se considerar a importância e o aprendizado do professor e as relações entre as próprias crianças, que contribuem para o desenvolvimento do indivíduo (REGO, 1995). A criança se constitui na junção dos fatores biológicos com fatores sociais (interações sociais) e por meio desses fatores que ela constrói as relações com seus semelhantes. O seu desenvolvimento se dá pela construção 48 dos seus relacionamentos e das interações sociais ao qual ela participa a todo momento em sua vida;pelas experiências influenciada;pois a partir das interações a criança influência e é que a criança internaliza conhecimentos culturais e intervém no seu grupo social. As funções psíquicas das crianças são interligadas ao aprendizado e a linguagem, contribui para que elas se apropriem dos conhecimentos culturais do seu grupo cultural. Outros fatores importantes para o aprendizado da criança são as relações sociais, pois aspectos econômicos, sociais, políticos interfere no processo de aprendizado, pois a escola é uma parte integrante e essencial na sociedade (letrada) a qual a maioria das crianças estão inseridas. 49 4 – CONSIDERAÇÕES FINAIS A afetividade é importante para o desenvolvimento psíquico e da aprendizagem da criança; a partir da afetividade a criança se desenvolve e constrói a sua identidade. O aspecto afetivo e o intelectual são sincréticos, pois uma desenvolve a outra. A inteligência é um fator necessário no desenvolvimento cognitivo e no processo da aprendizagem; através desse fator o indivíduo expande o seu conhecimento intelectual e social. A criança influencia e é influenciada a todo o momento pelo ambiente que a cerca, e a partir de suas interações sociais e mediações culturais se desenvolve cognitivamente A afetividade está relacionada com a vivência do indivíduo e esse fator é de extrema importância para a prática educativa. Conhecer o desenvolvimento cognitivo e afetivo da criança possibilita aos professores uma intervenção adequada no cotidiano escolar. É importante priorizar a afetividade em todos os relacionamentos intra e extra-escolar e é por meio desses sentimentos e emoções que o professor poderá contribuir de forma significativa no processo de ensino-aprendizagem. A afetividade é importante para o desenvolvimento psíquico da criança. A inteligência é um fator necessário no desenvolvimento cognitivo, pois é fundamental no processo de aprendizagem. 50 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABIGAIL et.al. Henri Wallon:psicologia e educação. 3.ed. São Paulo: Loyola, 2000. ANDRADE, Marina; MARIA, Eva. Fundamentos Científica. 5.ed. São Paulo: Atlas, 2003. AZEVEDO, Sylvia. Projetos de estágios administração. 2.ed. São Paulo: Atlas, 1999. e de de Metodologia pesquisa em BEE, Helen. A criança em desenvolvimento. 9.ed. Porto Alegre: Artmed,2003. BOCK, Ana M.Bahia,Odair Furtado,Maria de Lourdes Teixeira.Psicologia : uma introdução ao estudo de psicologia.3.ed. São Paulo. Saraiva, 1989. COLL, César et al. Desenvolvimento psicológico e educação. 2.ed. Porto Alegre: Artmed,2004. DAVIDOFF, Linda. Introdução a psicologia. 3.ed. São Paulo: Pearson Makron Books, 2001. DORIN, Lannoy.Psicologia geral.Guarulhos/São Paulo:Editora do Brasil S.A,1976. FALCÃO, Gérson Marinho. Psicologia de Aprendizagem. São Paulo: Ática, 1988. 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