IAHCS - ESCOLA SUPERIOR DE GESTÃO E CIÊNCIAS DA SAÚDE UNIVERSIDADE CORPORATIVA MÃE DE DEUS MBA GESTÃO EM SAÚDE OPORTUNIDADES ESTRATÉGICAS OPORTUNIZADAS PELA GESTÃO DO CONHECIMENTO EM DUAS INSTITUIÇÕES DE SAÚDE NO RS VIVIANE GIUSTI BALESTRIN Porto Alegre, 2009 1 IAHCS - ESCOLA SUPERIOR DE GESTÃO E CIÊNCIAS DA SAÚDE UNIVERSIDADE CORPORATIVA MÃE DE DEUS MBA GESTÃO EM SAÚDE VIVIANE GIUSTI BALESTRIN OPORTUNIDADES ESTRATÉGICAS OPORTUNIZADAS PELA GESTÃO DO CONHECIMENTO EM DUAS INSTITUIÇÕES DE SAÚDE NO RS Monografia de conclusão de curso apresentada ao curso de MBA Gestão em Saúde, Escola Superior de Gestão e Ciências da Saúde – IAHCS e Universidade Corporativa Mãe de Deus – UCMD, como requisito para a obtenção do título de Especialista em Gestão em Saúde. Orientador: Prof. Dr. Cláudio Reis Gonçalo Porto Alegre, 2009 2 Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do vôo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-las para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o vôo. Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são os pássaros em vôo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o vôo, isso elas não podem fazer, porque o vôo já nasce dentro dos pássaros. O vôo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado. Rubem Alves 3 RESUMO Viviane Giusti Balestrin1 No cenário contemporâneo presencia-se um momento de transformações sociais, econômicas, políticas e culturais, que resultam num processo de reestruturação produtiva e organizacional. O novo contexto de negócios, caracterizado pela integração dos mercados, queda das barreiras comerciais, acelerada evolução tecnológica e o aumento do fluxo de informações, apresenta-se como desafio para as empresas conquistarem níveis cada vez maiores de competitividade e produtividade. Em uma economia em que a única certeza é a mudança, certamente uma fonte garantida de vantagem competitiva duradoura é o conhecimento. Inseridas em um ambiente de elevada competição, as empresas buscam se organizar no sentido de acelerar o processo de acúmulo e transmissão dos conhecimentos fundamentais às suas estratégias empresariais. A importância desse estudo será identificar as políticas e práticas utilizadas por duas instituições de saúde no Estado do Rio Grande do Sul, na gestão de educação corporativa, oportunizando uma reflexão sobre sua complexidade. Os resultados apontam para as Universidades Corporativas como uma Unidade de Negócios que poderá trazer vantagens às instituições e aos profissionais da saúde, como por exemplo: atividades científicas proporcionadas no próprio ambiente da saúde, com profissionais renomados da área; oportunidade de educação permanente constante; viabilidade de educação a distância, em qualquer hora e lugar, devido ao fator tempo ser um contratempo aos profissionais da saúde; cultura de autodesenvolvimento e aprimoramento profissional; organização da gestão do conhecimento na empresa e valorização das pessoas. Palavras-Chave: estratégia empresarial, gestão do conhecimento, universidade corporativa, aprendizagem organizacional. 1 Graduada em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e Mestre em Psicologia Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), com estágio-sanduíche na Universidade Autônoma de Barcelona (UAB). Atualmente atua como Supervisora da Universidade Corporativa da AMRIGS (UniAMRIGS) e como Professora Universitária. Contato: [email protected] 4 SUMÁRIO INTRODUÇÃO............................................................................................................06 1 CENÁRIOS DA PESQUISA.....................................................................................09 1.1 Universidade Corporativa Mãe de Deus (UCMD)........................................ 09 1.2 Universidade Corporativa AMRIGS (UniAMRIGS)............................. .........11 2 OBJETIVOS.............................................................................................................15 2.1 Objetivo geral..............................................................................................15 2.2 Objetivos específicos..................................................................................15 3 MÉTODO..................................................................................................................16 3.1 Delineamento da pesquisa..........................................................................16 3.2 População e amostra...................................................................................16 3.3 Processo de obtenção de dados e variáveis...............................................17 4 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA.....................................................................................18 4.1 Gestão do conhecimento.............................................................................18 4.2 Universidade Corporativa: conhecimento buscando resultados..................23 4.3 Competências e suas dimensões................................................................26 4.4 A complexidade do cenário da saúde..........................................................27 5 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS...................................................................32 5.1 Dados de Identificação Institucional.............................................................32 5.2 Atividades de Universidade Corporativa (UC)..............................................35 5.3 Sistemas de Governança.............................................................................43 5.4 Planejamento e Operação............................................................................43 5.5 Avaliação......................................................................................................48 5.5.1 Resultados efetivamente percebidos..............................................48 5.5.2 Principais dificuldades encontradas................................................49 CONSIDERAÇÕES - Perguntas e respostas que são novas perguntas.................51 REFERÊNCIAS.............................................................................................................54 APÊNDICE A – Modelo de questionário on-line........................................................58 APÊNDICE B – Gráfico questionário aplicado..........................................................59 5 INTRODUÇÃO É evidente que estamos vivendo em um ambiente cada vez mais turbulento, no qual vantagens competitivas precisam ser, permanentemente, reinventadas e setores de baixa intensidade em tecnologia e conhecimento perdem, constantemente, participação econômica. Essas mudanças trazem à tona novos conceitos, como competências e competitividade, estabelecendo um vínculo entre educação e processo produtivo, e fortalecendo o papel do mercado como regulador das relações sociais. Este modelo de produção requer a participação não apenas dos braços, mas também do cérebro do trabalhador, que passa a ter mais participação no ambiente de trabalho, realizando cada vez mais diversificadas tarefas, opinando e sugerindo alterações para melhorar a produtividade. Santos (2004) aponta o deslocamento das funções do Estado para o empresariado no tocante à educação, em função da mudança do modelo de acumulação, que gera, segundo o discurso neoliberal, a necessidade de um trabalhador formado de acordo com as necessidades da empresa. São muitos os sinais de que o conhecimento se tornou o recurso econômico mais importante para a competitividade das empresas e dos países. Nos setores de serviços, em particular, a importância do conhecimento ou do capital intelectual com relação à gestão dos ativos físicos é intrínseca e amplamente visível (TERRA, 1999). O grande trunfo de sucesso de grandes empresas seria a capacidade em criar processos efetivos de conversão entre os conhecimentos individuais, coletivos, tácitos e explícitos que resultam em novos produtos e processos. 6 Vianna (2004 p.1), ao explicitar o que seria esse novo espaço de aprendizagem, salienta que, na expressão universidade corporativa, o uso do termo “corporativo” significa que ela é vinculada a uma corporação e que serviços educacionais não são sua atividade fim. Da mesma forma o termo “universidade” não deve ser entendido dentro do contexto do ensino superior, o qual designa a educação de estudantes e o desenvolvimento de pesquisa em várias áreas do conhecimento. Para o autor, na universidade corporativa “a educação, os programas de capacitação, o desenvolvimento de competências e as pesquisas estarão relacionadas sempre à área do negócio da empresa e fundamentalmente ao seu posicionamento estratégico”. Enquanto para Meister (1999, p. 35), o uso dessa metáfora (do termo universidade) cria a imagem da grande finalidade da iniciativa da educação ou ensino corporativo, que é prometer aos participantes e seus patrocinadores que a universidade corporativa irá prepará-los para o sucesso no trabalho atual e na carreira futura. Segundo a autora, o uso desse termo “ajudou a dar ao programa a marca de que ele precisava para decolar”. O universo de abrangência desta pesquisa foram nove (9) colaboradores que atuam diretamente em Universidades Corporativas na área da saúde, sendo estes, cinco (5) da Universidade Corporativa Mãe de Deus e quatro (4) da Universidade Corporativa da AMRIGS. Esta pesquisa caracteriza-se como um estudo exploratório e, no seu delineamento, o procedimento adotado para a coleta de dados foi o estudo de caso. É uma pesquisa de natureza qualitativa, com vistas à compreensão do fenômeno no contexto em que ocorre e no qual faz parte. A importância desse estudo será identificar quais são as oportunidades estratégicas oportunizadas pela gestão do conhecimento em duas instituições de saúde no RS, a partir da identificação das políticas e práticas utilizadas na gestão de Educação Corporativa, oportunizando uma reflexão sobre sua complexidade (atividades desenvolvidas, sistema de governança, planejamento e operação, recursos internos disponíveis, parcerias utilizadas e avaliação). 7 Pretende-se que este trabalho, sobre gestão do conhecimento nas empresas, contribua para reflexões sobre o futuro da educação corporativa e que possibilite a compreensão dos desafios e perspectivas para o seu desenvolvimento. Espera-se que essa reflexão contribua para um sistema nacional de educação de qualidade, pois parte-se do pressuposto que a educação corporativa não seja apenas um modismo na área de gestão empresarial. 8 1 CENÁRIOS DA PESQUISA 1.1 UNIVERSIDADE CORPORATIVA MÃE DE DEUS (UCMD) Inauguração Dezembro de 2004 Breve Relato A implementação da UCMD assegura um modelo de gestão voltado ao investimento nas pessoas e na qualificação dos processos médicos-assistenciais, visando à satisfação do cliente. Tem como objetivo ampliar e gerenciar o conhecimento de toda a cadeia de valor do Sistema de Saúde Mãe de Deus, alinhando o conhecimento institucional para as suas estratégias e as necessidades do mercado da saúde. Além de qualificar o público interno, a Universidade Corporativa Mãe de Deus oferece, em parceria com centros acadêmicos, diversos produtos ao mercado, como programa de estágios, consultorias, cursos de extensão e de pós-graduação em nível de especialização e mestrado. Suas ações têm, portanto, como público alvo seus funcionários, profissionais de secretarias de saúde, hospitais ligados ao SUS e comunidade em geral. 9 Linhas de atuação Todos os treinamentos programados nas linhas de desenvolvimento: Institucionais - Treinamentos obrigatórios que visam o desenvolvimento das competências institucionais alinhadas às estratégias e sustentação do negócio Mãe de Deus (Liderança em Soluções de Saúde, Foco do Cliente, Gestão MédicoAssistencial, Responsabilidade Social e Foco no Resultado). Técnico-específicos - corresponde à capacitação técnica para o perfil de cada função. É de suma importância registrar a realização de todos os treinamentos em serviço, por meio do registro de frequência. Autodesenvolvimento - Cursos que têm como objetivo despertar nos profissionais interesse para o aprendizado e a responsabilidade por seu processo de desenvolvimento pessoal e profissional. Esta linha de desenvolvimento, não obrigatória, tem como premissa que a participação seja fora do horário de trabalho. MATRIZ DE DESENVOLVIMENTO Institucional competências essenciais alinhadas às estratégias e sustentação do negócio Mãe de Deus: Lideranças em Soluções em Saúde Foco do Cliente Gestão Médico Assistencial Responsabilidade Social Foco no Resultado Técnico Específico Capacitação técnica para o perfil de cada função. O grande diferencial desta linha é fortalecer as especialidades médicas definidas do negócio: Transplante, Medicina Vascular (Neurologia, Cardiologia e Periféricos), Traumatologia, Doenças desenvolvimento Mentais, Oncologia e Pneumologia. Auto- Linhas de Desenvolvimento Treinamentos fundamentais que visam o desenvolvimento das Cursos opcionais que têm como objetivo despertar nos profissionais interesse para o aprendizado e a responsabilidade por seu processo de desenvolvimento pessoal e profissional. Oportunizam o desenvolvimento de habilidades individuais e um diferencial de qualificação. 10 Caracterização do Hospital Mãe de Deus O Hospital Mãe de Deus (HMD) é um prestador de serviços hospitalares que atua há 30 anos no mercado da saúde como hospital geral privado de grande porte. Sua estrutura conta com mais de 2.000 funcionários e 356 leitos. No decorrer de sua história, o HMD tem como base os Valores Congregacionais - acolhida, fraternidade, participação, disponibilidade, justiça e ética. Pertencente à Congregação das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeu – Scalabrinianas, tem como missão “Cuidar da Saúde, por meio da Assistência física, espiritual e social, fundamentada nos valores da Congregação, no conhecimento e na gestão auto-sustentável”. O HMD é hoje a principal unidade do Sistema de Saúde Mãe de Deus - SSMD, no qual fazem parte outros hospitais espalhados pelo RS: Hospital Nossa Senhora de Navegantes (Torres), Hospital Santa Luzia (Capão da Canoa), Hospital Lauro Réus (Campo Bom), Hospital Giovanni Batista - Mãe de Deus Center (Porto Alegre) e COR Mãe de Deus (Porto Alegre). 1.2 UNIVERSIDADE CORPORATIVA DA AMRIGS (UniAMRIGS) Inauguração Dezembro de 2006 11 Breve Relato A UniAMRIGS - Universidade Corporativa da AMRIGS foi criada para oportunizar o aprendizado e melhor qualificação permanente dos associados, colaboradores, fornecedores e comunidade em geral, e assim, possam melhor cumprir sua missão, tornando a AMRIGS um centro de excelência na difusão da Arte e da Ciência Médica no Rio Grande do Sul, com o fim principal de cumprir as estratégias empresariais da AMRIGS. Linhas de atuação A UniAMRIGS possui quatro programas: Ensino Avançado Visa qualificar os processos de atualização científica, intercâmbio de experiências e integração profissional, tendo como objetivo a promoção da capacitação constante dos profissionais da saúde. Destinado a médicos e profissionais graduados que trabalham na área da saúde. Ensino Básico Visa qualificar os processos de atualização científica para acadêmicos e outros profissionais da área da saúde, possibilitando o início do exercício do processo capacitação constante. Destinado aos acadêmicos e profissionais qualificados que trabalham na área da saúde. 12 Treinamento e Desenvolvimento O Programa de Treinamento e Desenvolvimento de Pessoas da UniAMRIGS visa qualificar os processos de atualização de profissionais que trabalham indiretamente com a área da saúde. Neste grupo encontram-se secretárias, recepcionistas, fornecedores, colaboradores e interessados em melhor suprir as necessidades profissionais de atendimento, fornecimento e qualificações necessárias para se trabalhar na área da saúde. Destinado a colaboradores, fornecedores e demais profissionais que trabalham na área da saúde. Ensino Comunitário O Programa de Ensino Comunitário da UniAMRIGS visa informar a comunidade leiga a promover ações que possibilitando uma mudança de atitude através da informação. Destinado à comunidade leiga, colaboradores, fornecedores e demais profissionais que trabalham na área da saúde. 13 Caracterização Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS) A razão de ser, de existir da AMRIGS, alicerçou-se na necessidade compulsória de agregar, de juntar, de reunir em um ato e/ou efeito as entidades médicas símiles préexistentes, numa única figuração jurídica, social, científica e cultural estaturiariamente predeterminada (LAITANO, 2008). Ao longo de mais de meio século de existência, a trajetória da AMRIGS se confunde com a própria história da Medicina moderna no Rio Grande do Sul. Foi fundada em 27 de outubro de 1951 sob a inspiração de um grupo de médicos de destaque no meio profissional gaúcho. Hoje, aos 58 anos de idade, a AMRIGS congrega cerca de 7 mil sócios em todo o Estado do Rio Grande do Sul, reunindo 41 seccionais e 45 Sociedades de Especialidades e Departamentos. Da aquisição de sua primeira sede, na Rua Uruguai à compra da segunda em 1968, na Avenida Salgado Filho, passando pela conclusão em 1990 do atual Centro AMRIGS, do Centro Científico Cultural em 1996 até a inauguração em outubro de 1999 do Teatro AMRIGS, a entidade consolidou um sólido patrimônio material, que lhe permitiu, ao longo dos anos, aprimorar as suas atividades. A maior expansão das instalações físicas da AMRIGS ocorreu a partir dos anos 70. Mais precisamente do dia 10 de outubro de 1973, quando o Diário Oficial do Estado publicou a Lei no. 6.608 doando o terreno do atual Centro AMRIGS pelo Governo gaúcho. A escritura foi assinada no ano seguinte com o testemunho de todos os expresidentes, e em 1976 o projeto Centro AMRIGS, assinado pelo arquiteto Oscar Niemeyer começou a sair do papel. Historicamente, as atividades voltadas para o aprimoramento técnico-científico e cultural da classe médica foram as que demandaram os maiores investimentos da entidade. E é nesta área, pela Universidade Corporativa da AMRIGS, que estão, talvez, as suas maiores realizações: o Programa de Educação Médica Continuada (PEC), a Revista AMRIGS, o Exame AMRIGS, entre outros. As atividades do Núcleo TécnicoCientífico estão abertas a profissionais da saúde no geral, que queiram se atualizar em conhecimento científico e na prática profissional. 14 2 OBJETIVOS 2.1 Objetivo geral - Identificar e analisar as políticas e práticas utilizadas por duas instituições de saúde do RS na gestão de Educação Corporativa, na perspectiva dos colaboradores de nível estratégico. 2.2 Objetivos específicos - Caracterizar as atividades desenvolvidas, sistema de governança, planejamento e operação, recursos internos disponíveis, parcerias utilizadas e avaliação. - Avaliar se os programas de educação corporativa desenvolvidos estão alinhados com a estratégia da empresa, com as reais contribuições para o negócio. 15 3 MÉTODO 3.1 Delineamento da pesquisa Esta pesquisa caracteriza-se como um estudo exploratório e, no seu delineamento, o procedimento adotado para a coleta de dados foi o estudo de caso. É uma pesquisa de natureza qualitativa, com vistas à compreensão do fenômeno no contexto em que ocorre e no qual faz parte. 3.2 População e amostra O estudo de caso não requer necessariamente um modo único de coleta de dados, por isso, será utilizado diário de campo, visita técnica, análise de materiais impressos e conteúdos no site, e entrevista com os dirigentes/lideranças de Educação corporativa (EC) (nível estratégico e tático – gerente, coordenador, supervisor, consultor). As entrevistas foram baseadas nas perguntas contidas no questionário do Portal de Educação Corporativa do Governo Federal - http://www.educor.desenvolvimento.gov.br/ -, adaptado conforme os objetivos da pesquisa. A pesquisa foi vinculada virtualmente num site eletrônico (http://www.eencuesta.com/answer.do?testid=a+36ppVaf4I&chk=1) (em anexo) . Foi enviado um convite, por email, a 12 colaboradores que atuam na UCMD e na UniAMRIGS. Destes 12 convites, tivemos 9 participações, sendo estas, 5 de colaboradores da UCMD e 4 da UniAMRIGS. 16 3.3 Processo de obtenção de dados e variáveis A partir da análise de livros, revistas, sites, material gráfico impresso e visita técnica presencial, buscou-se identificar os sentidos produzidos pelo discurso da educação corporativa como estratégia empresarial na construção de enunciados que, em articulação com campos de conhecimentos distintos, posicionam os sujeitos como criadores de conhecimento nas organizações. Esse exercício é constituído a partir da visibilização de quem fala, de como se fala, do que se fala e de que lugar se fala. Através da discussão do material coletado, procura-se problematizar os sentidos produzidos pelo discurso da educação corporativa na produção da gestão do conhecimento como vantagem competitiva e estratégia empresarial. Além disso, será utilizado um diário de campo para enriquecer os dados,. Nem sempre este modelo de políticas e práticas está explicitado ou formalizado, podendo ser inferido a partir da observação das práticas cotidianas no desenvolvimento da educação continuada. Outras vezes, embora documentos atestem princípios e diretrizes básicas na gestão do desenvolvimento de pessoas, há contradições entre o que é proposto em nível formal e o que é realizado em nível concreto. Por isso, da importância de possuir diferentes modos de coleta de dados, utilizando-se, sobretudo, da vivência profissional em ambas as instituições, representada pela atuação profissional da pesquisadora. 17 4 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 4.1 Gestão do Conhecimento: aprendizagem contínua e vantagem competitiva “O conhecimento não é algo novo, porém novo é reconhecer o conhecimento como um ativo corporativo”. Davenport, 1998 As substantivas mudanças no mundo da produção e do trabalho ocorridas a partir dos anos 70 desencadearam um processo de instabilidade na economia capitalista, que se mundializou, passando o capital a buscar cada vez mais estratégias de aumento de competitividade, uso de tecnologias avançadas e nova forma de gestão empresarial. O avanço das idéias neoliberais e a adoção efetiva de novos modelos econômicos, políticos e sociais, são consequências do ajuste do País à nova ordem mundial. Essas mudanças trazem à tona novos conceitos, como competências, competitividade, entre outros, estabelecendo um vínculo entre educação e processo produtivo e fortalecendo o papel do mercado como regulador das relações sociais. Conforme destaca Balestrin (2007), estamos em meio à mudança, de uma sociedade industrial, para um sistema polimorfo, informacional. Ao contrário do modelo fordista ou taylorista, este “novo modelo de produção” requer a participação não apenas dos braços, mas também do cérebro do trabalhador, que passa a ter mais participação no ambiente de trabalho, realizando cada vez mais diversificadas tarefas, opinando e sugerindo alterações para melhorar a produtividade. É como falar que é “a alma do trabalhador que é posta a trabalhar, não mais o corpo, que apenas lhe serve de suporte” (HARDT & NEGRI, 2004, p. 24). Como escreve Pelbart (2003), o trabalho imaterial “exige, sobretudo, a subjetividade de quem o produz; afetam e formatam, sobretudo, a subjetividade de quem os consome” (p. 147). 18 Alves (2009) salienta que estamos vivendo um momento, em termos de filosofia das empresas, que se caracteriza por uma revolução de valores. Se, na primeira e na segunda fase a empresa olhava para o mundo exterior apenas como "mercado", isto é, lugar do lucro, agora ela olha para o mundo exterior como um espaço de vida de que é preciso cuidar. Às relações comerciais agrega-se agora uma dimensão ética: o cuidado com o meio ambiente, a cultura, a educação, o bem-estar, não só dos empregados mas de toda a comunidade que a cerca. Santos (2004) aponta o deslocamento das funções do Estado para o empresariado no tocante à educação, em função da mudança do modelo de acumulação, que gera, segundo o discurso neoliberal, a necessidade de um trabalhador formado de acordo com as necessidades da empresa. O padrão de acumulação da produção modifica as condições sociais e técnicas de organização do trabalho, que tem um padrão de racionalidade ditado pelo capital, agora em escala global, e que por sua vez, com sua flexibilização, demanda a emergência de um novo trabalhador, com um novo perfil. Gonçalo (2004) escreve que “o gerenciamento do conhecimento sempre existiu nas organizações de alguma forma. Atualmente, a diferença encontra-se no reconhecimento do conhecimento como um ativo estratégico e a necessidade de ações gerenciais sistemática para a sua promoção (p. 55)”. Terra (1999) complementa ao dizer que são muitos os sinais de que o conhecimento se tornou o recurso econômico mais importante para a competitividade das empresas e dos países. Nos setores de serviços, em particular, a importância do conhecimento ou do capital intelectual com relação à gestão dos ativos físicos é intrínseca e amplamente visível. No cenário empresarial, a própria noção de concorrência também sofre mudanças. Concorrentes passam a ser empresas que têm uma base de conhecimentos semelhantes e não aquelas que, simplesmente, têm uma linha de produtos similar (TERRA, 1999). O grande trunfo de sucesso de grandes empresas seria a capacidade em criar processos efetivos de conversão entre os conhecimentos individuais, coletivos, tácitos e explícitos que resultam em novos produtos e processos. 19 Vive-se em um ambiente cada vez mais turbulento, no qual as vantagens competitivas precisam ser, permanentemente, reinventadas e onde setores de baixa intensidade em tecnologia e conhecimento perdem, constantemente, participação econômica. Cabe destacar que a novidade não está na importância do fator conhecimento e capital intelectual para o desenvolvimento das empresas, mas sim, na velocidade com que novos conhecimentos precisam ser capturados, gerados, disseminados e armazenados. Pela velocidade e complexidade dos desafios, não podemos mais concentrar nossos esforços em alguns poucos indivíduos ou áreas das organizações, catalogando e separando a disseminação do conhecimento. Diferentemente de um passado não muito distante, o desafio não é, simplesmente, produzir mais, melhor e mais barato. É necessário tornar a inovação uma missão permanente (TERRA, 1999). A idéia é expropriar e controlar esse conhecimento tácito, que Nonaka; Takeuchi (1997) definem como totalmente pessoal e complexo de formalizar, sendo também difícil comunicar ou dividir com outros. Para os autores, o conhecimento compõe-se por perspectivas subjetivas e intuições, estando enraizados nas ações e experiências de um indivíduo, bem como nos seus valores. A criação do conhecimento organizacional é uma interação contínua e dinâmica entre o conhecimento tácito e o conhecimento explícito, o que os autores chamam de espiral do conhecimento. Numa economia onde a única certeza é a incerteza, apenas o conhecimento é fonte segura de vantagem competitiva. Quando os mercados mudam, as tecnologias proliferam, os concorrentes se multiplicam e os produtos se tornam quase obsoletos da noite para o dia, as empresas de sucesso são aquelas que, de forma consistente, criam novos conhecimentos, disseminamos profusamente em toda a organização e rapidamente incorporam em novas tecnologias e produtos (NONAKA; TAKEUCHI, 1997, p.28). 20 Para tornar mais clara essa “revolução do saber e do conhecimento”, é necessário discorrer com um pouco mais de detalhes sobre as formas que o conhecimento pode tomar. Primeiramente, é preciso definir os dois tipos de conhecimento que podem ser identificados em uma organização (NONAKA, 1999): o formal (ou explícito) e o informal (ou implícito). O conhecimento formal é aquele que está registrado nos livros, manuais, documentos, periódicos, bases de dados, entre outros. Por ser um produto concreto, ele normalmente é captado pelas organizações. Já o conhecimento informal é aquele gerado e utilizado no processo de produção do conhecimento formal, constituindo-se de idéias, fatos, suposições, experiências, interações, intuições. Por conter a inteligência do conhecimento formal, ele reveste-se de uma importância maior e diferenciada para a inteligência de uma empresa e para o seu patrimônio intelectual, apesar de se perder ao longo do tempo pela ausência de mecanismos apropriados para que seja construído, coletado, estruturado e compartilhado. Portanto, capturar e disseminar conhecimento informal é mais um desafio a ser vencido pelas empresas. Para Nonaka (1999), o conhecimento novo sempre começa no indivíduo. Um pesquisador tem uma percepção que leva a uma nova descoberta que representará grandes avanços para a humanidade. A intuição de um médio gerente, em relação às tendências de mercado, o habilita a desenvolver um produto que se tornará líder de mercado. Um operário, valendo-se de sua perícia, aprimora um dado processo produtivo. Em cada caso, o conhecimento individualizado pode ser transformado em conhecimento organizacional, valioso para toda a empresa. Tornar o conhecimento pessoal disponível em locais e tempo apropriados para a comunidade organizacional é uma das atividades centrais da empresa que tem o conhecimento como base competitiva. Para isso, esse procedimento deve ser continuamente desenvolvido em todos os níveis da organização. 21 Falar em conhecimento não é nada novo, mas colocar como foco de gestão é algo inovador, pois é fundamental aos negócios. Quem faz uma empresa são os colaboradores que nela trabalham, imbuídos de conhecimento e experiência ao longo de suas vidas. Os projetos de gestão do conhecimento (GC) ainda são incipientes no Brasil e, conforme destaca Moreira (2009), há um paradoxo nas organizações: “é uma ironia que muitas companhias busquem informações no concorrente, por meio de benchmark, e não façam essa procura internamente, deixando de usar o conhecimento que já possuem” (p. 01). Um ponto em comum entre as empresas que já implantaram um processo de GC é o uso em larga escala da tecnologia, principalmente das facilidades propiciadas pelo uso da internet. Muitas vezes, o primeiro passo para a montagem de um projeto de GC é a criação de um portal para fomentar a troca de informações entre as pessoas. Essa ferramenta permite organizar a captação e a acumulação do conhecimento e, posteriormente, o seu acesso por todos. O envolvimento do presidente da instituição ou da Diretoria, quando a área de UC está ligada, acaba sendo fundamental para o sucesso do processo, pois a liderança precisa estar engajada e acreditar no projeto. “Simplesmente não é mais possível encontrar soluções na alta gerência e fazer com que todos os outros sigam as ordens do ‘grande estrategista’”. As organizações que realmente terão sucesso no futuro são aquelas que descobrirem como cultivar nas pessoas o comprometimento e a capacidade de aprender em todos os níveis da organização (SENGE, 1998, p. 37 - 38). É evidente, ademais, que subjacente à maior parte destas dimensões está o reconhecimento de que o capital humano, formado pelos valores e normas individuais e organizacionais, bem como pelas competências, habilidades e atitudes de cada funcionário, é a “mola propulsora” da geração de conhecimentos e geração de valor nas empresas. 22 4.2 Universidade Corporativa: conhecimento buscando resultados Quando se discute as transformações que precisam ser feitas na América Latina para que se dê continuidade às reformas e ao desenvolvimento dos países que a compõem, evidencia-se a estreita ligação existente entre educação, modernidade e competitividade. Um dos maiores obstáculos ao progresso dessa região é a “falta de investimento na qualificação e na educação da força de trabalho, bem como no desenvolvimento de competências locais” – etapa essencial na busca de eficácia e da competitividade e que deve unir progresso e cultura, universo técnico e cultural. (EBOLI 2001, p. 111). A migração da área de Treinamento e Desenvolvimento (T&D) tradicional, para a educação corporativa, ganhou foco e força estratégica, evidenciando-se hoje como um dos pilares de uma gestão empresarial bem-sucedida. Eboli (2001) destaca que como resultado, surgiu um novo ambiente empresarial, caracterizado por profundas e frequentes mudanças, pela necessidade de respostas cada vez mais ágeis para garantir a sobrevivência da organização. Estruturas verticalizadas e altamente centralizadas cedem descentralizadas. espaço Exige-se a cada estruturas vez mais horizontalizadas uma postura e amplamente voltada para o autodesenvolvimento e para a aprendizagem contínua. Nas organizações, a educação corporativa tem sido nomeada como universidade corporativa ou empresarial, academia, instituto, escola de negócios, educação estratégica organizacional. Vários autores utilizam esses termos como sinônimos (GDIKIAN e SILVA, 2002; EBOLI, 2004). As universidades corporativas foram criadas no final do século XX como uma solução encontrada pelos empresários para suprirem a falta de qualificação dos funcionários, qualificação esta necessária para a sua organização e também pela necessidade de fornecerem aos seus empregados um aprendizado permanente. 23 Nos Estados Unidos existiam 400 universidades corporativas em 1988 e mais de 2000 em 2004, incluindo os mais variados setores produtivos. No Brasil, já passa de 500 o número de empresas que investem em UC (Portal E-learning, www.elearningbrasil.com.br acesso em 01/2009), podendo-se citar, entre outras: Alcoa, Amil, Banco do Brasil, Bankboston, BNDS, Caixa Econômica Federal, Companhia Vale do Rio Doce, Embraer, Globo, GVT, IBM, Kraft Foods, MacDonalds, Motorola, Natura, Nestlé, Petrobrás, Sadia, Siemens, Visa, Volkswagen, Xerox. Fala-se em Educação Corporativa desde a década de 1950, quando a General Eletric lançou a Crotonville (QUARTIERO; BIANCHETTI, 2005). Nas duas décadas seguintes, grandes empresas formaram grupos para ensinar aos trabalhadores profissionais como fazer seu trabalho melhor, mas o seu verdadeiro impulso ocorreu no final da década de 1980, com a percepção de que o aumento da produtividade deveria ser a meta de todo o trabalhador, o que outrora era função apenas das categorias gerenciais. Foi então que a Educação Corporativa tornou-se ainda mais necessária na visão dos empresários. Sua origem é nos Estados Unidos quando muitas empresas determinadas a tornarem-se líderes empresariais na economia global lançaram a Educação Corporativa com veículo para ganhar vantagem competitiva (MEISTER, 1999). Para a autora, que é uma das precursoras da fase contemporânea do movimento, a Educação Corporativa é mais do que um processo, é um “trabalho em andamento”, e a define como um “guardachuva estratégico para o desenvolvimento e a educação de funcionários, clientes e fornecedores, buscando otimizar as estratégias organizacionais, além de um laboratório de aprendizagem para a organização e um pólo de educação permanente.” (MEISTER, 1999, p.8). Segundo Meister (1999), o modelo de Educação Corporativa, é sustentado por cinco grandes forças do cenário global: o surgimento da educação por processos, horizontalizada e flexível; a emergência da gestão do conhecimento; a volatilidade da informação e obsolescência do conhecimento; o foco na empregabilidade, educar para o trabalho, não para o emprego; e a mudança no foco da educação geral. 24 As empresas mais bem-sucedidas, ao invés de esperar que as escolas tornem seus currículos mais relevantes para a realidade empresarial, resolveram percorrer o caminho inverso e trouxeram a escola para dentro da empresa. Abandonaram o paradigma de que a educação seria um capítulo da responsabilidade social da empresa e passaram de forma muito pragmática a entender que o diferencial decisivo de competitividade reside no nível de capacitação em todos os níveis de seus funcionários, fornecedores principais, clientes e até mesmo membros da comunidade onde atuam (MEISTER, 1999, p. xv). Outros objetivos da universidade corporativa, segundo a autora, são os seguintes: desenvolver uma cultura organizacional favorável à mudança, promover a gestão do conhecimento organizacional (geração, assimilação, difusão e aplicação) e desenvolver competências profissionais, técnicas e gerenciais consideradas essenciais para a viabilização das estratégias da organização. Já Vianna (2004, p.1), ao explicitar o que seria esse novo espaço de aprendizagem, salienta que, na expressão universidade corporativa, o uso do termo “corporativo” significa que ela é vinculada a uma corporação e que serviços educacionais não são sua atividade fim. Da mesma forma o termo “universidade” não deve ser entendido dentro do contexto do ensino superior, o qual designa a educação de estudantes e o desenvolvimento de pesquisa em várias áreas do conhecimento. Para o autor, na universidade corporativa “a educação, os programas de capacitação, o desenvolvimento de competências e as pesquisas estarão relacionadas sempre à área do negócio da empresa e fundamentalmente ao seu posicionamento estratégico” (VIANNA, 2004, p.1). Enquanto para Meister (1999, p. 35), o uso dessa metáfora (do termo universidade) cria a imagem da grande finalidade da iniciativa da educação ou ensino corporativo, que é prometer aos participantes e seus patrocinadores que a universidade corporativa irá prepará-los para o sucesso no trabalho atual e na carreira futura. Segundo a autora, o uso desse termo “ajudou a dar ao programa a marca de que ele precisava para decolar”. 25 4.3 Competências e suas dimensões Dessa forma, um aspecto importante na definição de uma proposta para a capacitação profissional é guiar-se pelas tendências sinalizadas pelo mercado. Algumas delas, adaptadas de Meister (1999) e de Eboli (1999), são apresentadas a seguir: Alinhamento dos programas com as estratégias e metas empresariais. Flexibilidade das ações de educação e capacitação profissional, objetivando reduzir a efemeridade do conhecimento. Ambientes de aprendizagem que proporcionem rapidez na aquisição, reconstrução e compartilhamento do conhecimento. Influência cada vez maior dos mercados nos sistemas educacionais. Responsabilidade crescente das empresas na formação de profissionais. Redução de custos na capacitação de pessoas. Educação ampla e continuada. Desenvolvimento de competências e habilidades técnicas, sem, contudo, esquecer a pessoa na sua totalidade. Educação sem restrições de tempo e lugar. Uso crescente da Educação a Distância (EAD), com ênfase na aprendizagem organizacional e nas tecnologias colaborativas para empresas distribuídas. A gestão do conhecimento implica, necessariamente, de acordo com Terra (1999) no desenvolvimento de competências interrelacionadas nos planos estratégicos, organizacionais e individuais. É difícil imaginar uma sólida estratégia corporativa que não coloque a aquisição, desenvolvimento e manutenção de habilidades e competências individuais e coletivas como ponto central para o sucesso competitivo. 26 Considerando que o aprendizado organizacional não é possível sem o aprendizado individual, a competência de “aprender a aprender” do indivíduo é importante para que o objetivo da educação corporativa de promover o aprendizado contínuo seja eficaz. Zarifian (2001, p.73) define competência como um “entendimento prático de situações que se apóia em conhecimentos adquiridos e os transforma na medida em que aumenta a diversidade”. Para o autor, essa definição apóia-se em descobertas importantes da Psicologia Cognitiva, em que o indivíduo aprende melhor e mais rápido à medida que precisa lidar com situações variadas. A repetição da desestabilização de esquemas cognitivos adquiridos (acomodados) permite estar aberto à aprendizagem do novo. Entendendo competência dessa maneira, é possível desenvolver a competência explorando sistematicamente eventos relativamente imprevistos, explorar várias soluções possíveis para responder a uma categoria de problemas, e considerar como estratégia uma multiplicidade de situações profissionais, cada uma delas comportando elementos parcialmente novos. “Está provado que quanto mais uma pessoa aprende a enfrentar, com êxito, uma multiplicidade de situações, mais sua própria capacidade de aprendizagem se desenvolve: ela aprende a aprender” (ZARIFIAN, 2001, p.115). Um aspecto fundamental para o desenvolvimento de competências é a apropriação do conhecimento em ações de trabalho (BITENCOURT, 2004), ou seja, quando o aprendizado é posto em prática, transformado em comportamento, é que o desenvolvimento de competências agrega valor às atividades e à organização. 4.4 A complexidade do cenário da saúde Nas organizações, há um processo permanente de mudança, que se dá por meio da “mobilização contínua dos ciclos de aprendizagem individual e organizacional, caracterizando o estabelecimento da dinâmica de uma aprendizagem constante (FLEURY, 2001, p. 99)”. Segundo Drucker (2000), um crescimento jamais visto da indústria da educação acontecerá não apenas por questões demográficas, mas principalmente por causa da sociedade do conhecimento. Trata-se de uma era em que 27 os ativos físicos, como instalações ou máquinas, perderam importância para o ativo intelectual. Ele afirma que conhecimento tornou-se o principal recurso econômico e o único marcado pela escassez. Ele acredita que a educação será a indústria de maior crescimento nos próximos 20 anos, acompanhada apenas pela saúde. Yamamoto (2001) salienta que nos dias atuais, além da medicina que muda sob ângulos tecnológicos e de novos conhecimentos que surgem, há também a preocupação com outros aspectos que cercam o profissional. Esses aspectos, que vão desde o número de médicos que se formam a cada ano até a mudança do mercado de trabalho com a criação de empresas que passaram a atuar na medicina, provocaram a necessidade de um preparo diferente, com necessidade de visualizar e perceber o mercado com conhecimentos de outras áreas que não só a medicina. “Cientes das particularidades e exigências de novas habilidades e conhecimentos, os médicos estão voltando aos bancos escolares para tentar complementar seus currículos” (YAMAMOTO, 2001, p. 48). Os cursos de negócios para a classe médica estão se multiplicando – a maioria ensina contabilidade básica, apresenta exemplos de casos de maximização de eficiência e técnicas de negociação eficazes. Moura (2004) ressalta que a escola médica guarda como já se pode ver algo de muito tradicional e hierárquico. Ali alguns alunos ainda tratam o professor como mestre, na sua presença ou não. “Esse tratamento, misto de reverência e afeto, é destinado a alguns professores que se destacam por algum atributo – conhecimento ou habilidade técnica – e que acabam por ser eleitos como modelo por alguns alunos” (p. 134). Dessa forma, constituída como um campo de poder, a profissão médica, como grupo profissional, é resultante de uma correlação de forças que, por sua vez, resulta de disputas internas e externas, que consagra uma elite profissional, que produz – como elementos de conservação da ordem e das relações sociais estabelecidas – uma institucionalização, constrói uma burocracia e estrutura um sistema de ensino que, apesar de estar alojado no interior do sistema de educação acadêmico formal, tem compromisso ideológicos com uma cultura profissional que deve ser salvaguarda acima de tudo (MOURA, 2004, p. 91). 28 Durante seis anos de curso de graduação, mais dois a quatro anos de residência médica – conforme a especialidade – e por toda a sua vida de estudos individuais, congressos e programas de educação continuada, os médicos são postos intensivamente em contato com trabalhos científicos. Folland et. al. (2008) escreve que “os médicos dividem-se em um grande número de especialidades, e portanto não são um grupo homogêneo. Cerca de 50% dos médicos que atendem em consultórios atuam em assistência primária, e 20% ou atuam em cirurgia geral, ou em nenhuma especialidade cirúrgica” (p. 428). “Nesse contexto, emergem uma série de questões no interior da profissão e do seu núcleo reprodutivo: a escola médica. Que médico formar? Médicos para quem? Para que condições de trabalho? Que ética validar? Que atitudes estimular? Que comportamentos reforçar? Que habilidades desenvolver? Que tipo de conhecimento consagrar?” (MOURA, 2004, p. 101). Como encarar a constituição de equipes multiprofissionais para prover a atenção em saúde se antes um médico já bastava? Folland et. al. (2008) ressalta que “proporcionalmente à sua alta participação no PIB e à característica trabalho-intensivo de seu produto, o setor de assistência à saúde emprega um grande número de trabalhadores, das mais diversas áreas” (p. 419). Atualmente uma organização hospitalar já não pode ser considerada como dependente, exclusivamente, do saber médico onde as especializações existentes desenham um quadro de disputa do poder institucional. O desafio da gestão eficiente encontra-se na consolidação das diversas categorias de especializações existentes, envolvendo também profissionais da saúde de outras áreas. 29 Porter (2007) destaca que “o relacionamento entre experiência, escala e resultados não é automático, especialmente quando os prestadores não têm que competir em resultados”. Um importante fator é a aprendizagem. É possível repetir as mesmas práticas equivocadas continuamente, mas a aprendizagem consciente é um poderoso gerador de melhoria. Muitos prestadores tampouco estão estruturados e organizados para sistematizar e capturar a aprendizagem. Estudos sugerem que, em geral, o número de anos decorridos desde a graduação de um médico não se correlaciona com os melhores resultados para o paciente. Isso implica que muitos médicos experientes não estão se atualizando quanto às melhores abordagens. A aprendizagem requer um constante processo de reavaliação e melhoria (p. 111). O processo de recertificação profissional (CNA – Comissão Nacional de Acreditação) já é uma realidade e para qual todos devem preparar-se. Instituído pela Resolução nº 1772 do Conselho Federal de Medicina, o Certificado de Atualização Profissional (CAP) é um documento padronizado emitido pela Associação Médica Brasileira e Sociedades de Especialidade que atesta os novos conhecimentos do médico, habilitando-o ao exercício de sua especialidade, com validade de cinco anos. Os médicos que obtiveram Título de Especialista ou Certificado de Área de Atuação a partir de janeiro de 2006 têm de obter o CAP a cada cinco anos, sob pena de perda do registro desses documentos. A participação dos demais especialistas é opcional. O médico especialista tem de acumular cem (100) pontos ao longo de cinco anos, participando de diferentes atividades de atualização, devidamente credenciadas pela Comissão Nacional de Acreditação. Para efeito de certificação, será considerado apenas um máximo de quarenta (40) pontos por ano. Os programas de educação médica continuada são, mundialmente, práticas obrigatórias para a atualização do profissional, mantendo suas competências científicas. O especialista que obtiver o CAP será mais valorizado por seus pacientes e no mercado de trabalho, pois poderá comprovar seu aprimoramento constante frente à evolução da medicina. A seguir, será mostrada a análise e discussão de dados da pesquisa, com base nas seguintes categorias, segundo as dimensões previstas na pesquisa: 30 * Estratégia corporativa Área de atuação profissional e Função em que atua Tempo de Empresa Nível de Escolaridade * Atividades desenvolvidas pela UC Tempo de Existência Motivos da criação Planejamento das atividades da UC Documento conceitual Estágio de desenvolvimento da UC (inicial, médio, avançado) Tercerizados * Sistema de governança Nível de vinculação imediata * Planejamento e operação Finalidade das atividades Modalidades de aprendizagem Benchmarking Recursos internos disponíveis Parcerias e tipo de colaboração * Avaliação Resultados efetivamente percebidos Principais dificuldades encontradas 31 5 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS 5.1 Dados de Identificação Institucional e Caracterização da Instituição Conforme mostra o gráfico abaixo, dos 9 participantes que atuam na Universidade Corporativa, 55,56% trabalham diretamente no setor de Educação e 33,33% atuam no Recursos Humanos (RH) da Empresa. “Como resposta a essas solicitações e demandas não atendidas, os chamados Centros de Treinamento e Desenvolvimento de Recursos Humanos nas empresas estão se transformando em Universidades Corporativas” (QUARTIERO; CERNY, 2005, p. 24). Há uma cultura de aprendizagem contínua, proporcionando a aquisição de novas competências vinculadas às estratégias empresariais com o propósito de assegurar vantagem competitiva permanente. Eboli (2001) ratifica ao escrever que “a migração de treinamento e desenvolvimento (T&D) tradicional para a educação corporativa ganhou foco e força estratégica, evidenciando-se hoje como um dos pilares de uma gestão empresarial bem-sucedida” (p. 109). Gráfico 1 : Área de Atuação Profissional 32 No gráfico a seguir, que indaga aos líderes de educação corporativa (EC) nas empresas sobre qual função eles desempenham, a grande maioria (44,44%) assinalou o cargo de Consultor, ficando em segundo lugar empatados (22,22%) os cargos de gerente e supervisor. Segundo Leite et. al. (2006), o termo consultor, do latim consultare, é aquele que dá ou pede conselhos. O modelo encontrado pelas organizações em resposta às necessidades do processo evolutivo da administração, em especial no que se refere à gestão de pessoas. As ações de consultoria são consideradas como ações estratégicas que permitem aos gestores visualizar caminhos que os levem a administrar suas áreas de trabalho de forma mais eficaz. O consultor deve ser um facilitador dos processos de mudança, compreendidos como altamente necessários e desejados simultaneamente por determinada organização, mediamente o comprometimento de seus gestores, líderes. Gráfico 2 : Em qual função atua na Instituição? 33 A maioria dos profissionais (44,44%) que atuam diretamente com EC trabalha entre 2 a 4 anos na empresa, um tempo considerado breve, que acompanha o tempo curto de inauguração das Universidades Corporativas nas instituições (menos de 5 anos). Gráfico 3 : Tempo de Empresa Além disso, os líderes possuem um alto grau de escolaridade e especialização, sendo que 8 (88,88%) responderam possuir superior completo com Especialização e/ou Mestrado e 1 (11,11%) respondeu possuir Doutorado. Essa ideia corrobora com Quartiero e Cerny (2005), que destacam “na UC a aprendizagem é contínua, com ênfase no futuro, baseada na prática do mundo dos negócios, ensina a pensar e praticar, com um corpo docente altamente profissional, que pratica o que transmite, sendo que a aprendizagem é coletiva e ensina crenças e valores do ambiente de negócios” (p. 39). São profissionais que já introduziram a máxima do mundo dos negócios: educação para toda a vida. 34 Gráfico 4 : Escolaridade 5.2 Atividades de Universidade Corporativa (UC) Abaixo, mostra o tempo de início das atividades de UC nas empresas, caracterizando 66,67% existem há menos de 5 anos. A Universidade Corporativa Mãe de Deus foi inaugurada em dezembro de 2004 e a Universidade Corporativa da AMRIGS em dezembro de 2006. Creio que apareceram dados de início antes deste prazo, pois as instituições já faziam treinamento e desenvolvimento, mas não em um sistema estruturado de UC. Como resultado, surgiu um novo ambiente empresarial, caracterizado por profundas e frequentes mudanças, pela necessidade de respostas cada vez mais ágeis para garantir a sobrevivência da organização. Estruturas verticalizadas e altamente centralizadas cedem espaço a estruturas horizontalizadas e amplamente descentralizadas (Eboli, 2001). Exige-se cada vez mais uma postura voltada para o autodesenvolvimento e para a aprendizagem contínua. 35 Gráfico 5 : Início das atividades de Universidade Corporativa (UC) Na pergunta abaixo, 66,67% colocam que a UC foi criada como uma evolução das atividades de Recursos Humanos (treinamento e desenvolvimento) e 22,22% como uma Unidade com denominação e filosofia atuais. Para compreender a importância dessas universidades corporativas tanto no novo padrão para a educação superior quanto, em um sentido mais amplo, como instrumento-chave de mudança cultural, é necessário entender o contexto de surgimento desse fenômeno, cujas características essenciais são cinco: “organizações flexíveis, era do conhecimento, rápida obsolescência do conhecimento, empregabilidade e educação global (Eboli, 2001, p. 115)”. 36 Meister (1999), corrobora ao destacar que as empresas mais bem-sucedidas abandonaram o paradigma de que a educação seria um capítulo da responsabilidade social da empresa ou uma continuação da área de treinamento e desenvolvimento, dentro do Recursos Humanos, e passaram de forma muito pragmática a entender que o diferencial decisivo de competitividade reside no nível de capacitação em todos os níveis de seus funcionários, fornecedores principais, clientes e até mesmo membros da comunidade onde atuam. A Universidade Corporativa é um capítulo a parte dentro das empresas, pois transformaram-se em centro de resultados, ou seja, com a intenção de tornarem-se do próprio desenvolvimento gerando receita. Gráfico 6 : Criação da UC 37 Na próxima pergunta (questionário em anexo), foi solicitado que os participantes numerassem de 1 a 3 (sendo 3 maior importância), os fatores que formalizaram as atividades da UC nas empresas. Dentre as respostas assinaladas como as mais importantes, verificamos as seguintes: cumprimento das metas de planejamento da empresa, viabilizar a reorientação estratégica no mercado produtivo, facilitar os processos de inovação, viabilizar a capacitação interna para aquisição de competências específicas, possibilitar o desenvolvimento da cidadania corporativa (missão, visão, valores), facilitar a promoção de treinamentos conforme necessidade e demanda, dar suporte as atividades de gestão do conhecimento, melhorar a imagem institucional, estabelecimento de parcerias acadêmicas. Segundo Meister (1999), o modelo de Educação Corporativa, é sustentado por cinco grandes forças do cenário global: o surgimento da educação por processos, horizontalizada e flexível; a emergência da gestão do conhecimento; a volatilidade da informação e obsolescência do conhecimento; o foco na empregabilidade, educar para o trabalho, não para o emprego; e a mudança no foco da educação geral. Uma das autoras de maior destaque no assunto Educação Corporativa no âmbito nacional, Marisa Éboli (2004) destaca os sete princípios de sucesso para avaliar a implantação bem-sucedida de sistemas de Educação Corporativa: Competitividade – a educação e capacitação das pessoas aumentando o valor de mercado das empresas; Perpetuidade – a Educação Corporativa transmitindo herança cultural; Conectividade – integração de conhecimento entre o público interno e externo de uma empresa; Disponibilidade – oferecer informações de alto nível com fácil acesso para pessoas dispersas geograficamente (programas a distância, e-learning); Cidadania – a empresa como formadora de atores sociais preparados para construir a realidade social em que vivem (projetos sociais); Parceria – internamente entre os líderes dos setores da empresa e externamente com instituições de ensino e pesquisa; e Sustentabilidade – a Educação Corporativa como centro gerador de resultados, agregando valores à empresa e aos negócios. 38 É nesse contexto que a educação corporativa é apresentada como uma proposta de capacitação dos funcionários, diferenciada dos departamentos de treinamento e desenvolvimento (T&D). A educação corporativa é implementada de forma estratégica com programas permanentes de educação, centralizados nos objetivos empresariais, não se restringindo às habilidades técnicas, mas envolvendo também o conhecimento de valores e cultura da corporação e as competências básicas do negócio. Nas organizações, o programa de educação corporativa não se restringe aos seus funcionários, podendo atender também clientes, fornecedores e público externo e as organizações possuem vínculo com instituições de ensino superior tradicionais para desenvolver programas de ensino específicos aos seus empregados. Foram questionadas as bases sobre as quais se fundamenta o planejamento das atividades da UC, por grau de importância, e conforme mostra o gráfico a seguir, 88,89% assinalaram o planejamento estratégico organizacional, 66,67% apontaram atendimento a demandas das áreas funcionais, 55,56% elementos obtidos junto ao mercado, 44,44% elementos obtidos junto a empresas da cadeia produtiva e 22,22% elementos obtidos de estudos prospectivos. Isso levar a crer que todas as atividades planejadas da UC correspondem a uma lógica de mercado vigente, acompanham as tendências do setor. Meister (1999) coloca que “nosso conhecimento e nossas qualificações só são adequados durante um período que pode ir de 12 a 18 meses, depois do qual precisamos reabastecê-los para competir na economia global do conhecimento” (p. 10). Nesse sentido, os empresários estão cada vez mais entrando no setor da educação, ao realizar experiências com o aprendizado a distância, parcerias de colaboração com universidades, a criação de ambientes eletrônicos para armazenamento e gestão de informações, assim como a institucionalização de modelos educacionais voltados para as necessidades de mercado. 39 Gráfico 7 : Planejamento das atividades da UC A grande maioria salienta que existem documentos por escrito, com conceitualização básica da UC. Dentre esse arquivos, foram destacados: material interno criado pela equipe de trabalho, políticas e estudos teóricos, planejamento estratégico da própria UC, de acordo com as diretrizes da organização, normas para os cursos (freqüência, certificado, carga horária, plano de ensino, etc.). 40 Gráfico 8 : Documento Básico Conceitual Abaixo, 75% das respostas afirmaram que as atividades da UC são desenvolvidas ao público-alvo: fornecedores, clientes e comunidade externa, oscilando entre 37,5% que assinalou que as atividades em andamento, consolidadas, voltadas para a capacitação de toda a organização nos níveis operacional, tático e estratégico. No segundo gráfico, a pergunta foi “as atividades da UC podem atender a terceiros?” e 88,89% assinalaram que Sim, atende todos os stakeholders (grupos interessados). A definição de universidade corporativa, segundo Meister (1999, p.29), é “um guarda-chuva estratégico para desenvolver e educar funcionários, clientes, fornecedores e comunidade, a fim de cumprir as estratégias empresariais da organização” . Para essa autora, as universidades corporativas podem ser diferentes em aspectos superficiais, mas tendem a organizar-se em torno de princípios e objetivos semelhantes, nos quais o fundamental é tornar-se uma organização em que o aprendizado seja permanente. Outros objetivos da universidade corporativa, são os seguintes: desenvolver uma cultura organizacional favorável à mudança, promover a gestão do conhecimento organizacional (geração, assimilação, difusão e aplicação) e desenvolver competências profissionais, técnicas e gerenciais consideradas essenciais para a viabilização das estratégias da organização. 41 Gráfico 9 : Momento Atual da UC Gráfico 10 : Tercerizados na UC 42 5.3 Sistema de Governança Na categoria Sistema de Governança, foi questionado o grau de vinculação da Unidade de UC, sendo que 55,56% assinalaram estar vinculada a Diretoria Administrativa e empatadas com 22,22% vinculadas diretamente a Administração Superior (Presidência) ou Diretoria Técnica. Gráfico 11 : Nível de Vinculação Imediata 5.4 Planejamento e Operação Na categoria de Planejamento e Operação das atividades da UC, a finalidade principal apresentada foi de 88,89% atender a consecução de objetivos estratégicos da empresa, 77,78% para constituir uma Unidade de Negócios, 33,33% para viabilizar a implementação de diretrizes táticas e 11,11% para capacitação de pessoal para o nível operacional. 43 Fleury (2001) coloca que nas organizações, “há um processo permanente de mudança, que se dá por meio da mobilização contínua dos ciclos de aprendizagem individual e organizacional, caracterizando o estabelecimento da dinâmica de uma aprendizagem constante (p. 99)”. Eboli (2004) cita que nas Universidades Corporativas (UC) aparece a preocupação, por parte dos dirigentes, da UC tornar-se um centro de agregação de resultados para o negócio e a percepção geral de que o desempenho da organização melhorou depois da sua implantação. Para as organizações que desejam agilidade no aprendizado organizacional e na troca de informações com baixos custos, possibilitando o treinamento de um número significativo de pessoas, o método tradicional não responde às exigências devido a: Altos custos; Tempo restrito para realizar capacitação; Baixa retenção de conhecimento; Falta de homogeneização de treinamento; Indisponibilidade dos funcionários para participar de atividades de treinamento presencial; Desrespeito perante falta de homogeneidade de capacidade e de velocidade de aprendizado dos aprendizes. Quartiero e Cerny (2005) escrevem que não se trata, porém, de um cardápio de livre opção e nem esgota todas as necessidades e interesses individuais. O alinhamento com os objetivos da empresa é o norte do processo. 44 Gráfico 12 : Finalidade das atividades No gráfico abaixo, mostra-se uma tendência na área da educação: 44,44% indicaram que as três modalidades (presencial, semi-presencial e a distância) são oferecidas pela empresa. A definição da sociedade atual como uma “sociedade da informação” é recorrente e afirma-se, a partir dos anos 90, pela ocorrência de três grandes acontecimentos: a reestruturação tecnológica, organizacional e gerencial do mundo do trabalho; a expansão da Internet via rede World Wide Web (WWW), e um movimento de reformas educacionais que perpassa a maioria dos países. Esses fatos guardam estreita relação entre si e vão ser responsáveis por uma série de propostas e iniciativas para a área da educação, principalmente a partir da metade dos anos 90, o que vai permitir e impulsionar a criação de novas universidades corporativas (QUARTIERO; CERNY, 2005). Este contexto de educação permanente gera uma população de clientes que cresce continuamente: os adultos profissionais/alunos. A educação do adulto torna-se um grande e diversificado negócio. Nas empresas que possuem a sua universidade corporativa, constata-se que muitas deles oferecem serviços educacionais a outras empresas e não apenas aos seus empregados, funcionando como uma empresa dentro de outra. 45 A grande promessa de revolução no ensino – e nos negócios ligados a ele – está na Educação a Distância (EAD). A associação Brasileira de Educação a Distância ABED estima que mais de 1 milhão de pessoas utilizam este recurso no país, cerca de duzentas mil na área corporativa. De acordo com a empresa de pesquisa de mercado Internacional Data Corporation – IDC, os gastos das empresas com e-learning devem quadruplicar até 2008. E mais, quando a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) de 1997 institui no Brasil a educação a distância como uma modalidade de ensino, cria-se um espaço privilegiado para pensar e articular essas potencialidades. Estamos diante de uma tecnologia que permite a formação de comunidades virtuais de aprendizagem colaborativa, isto é, comunidades compostas por pessoas que estão em diversas partes do mundo e que interagem todos com todos sem que necessariamente estejam juntas ou conectadas na mesma hora e no mesmo lugar - em modo assíncrono. Via Internet pode-se experimentar aprender junto com outros, interagindo com muitos, independente do tempo e do lugar de cada um. Gráfico 13 : Modalidades de Aprendizagem 46 Por unanimidade, todos os pesquisados assinalaram que foram realizadas visitas técnicas externas (benchmarking) a outras empresas durante e após o processo de implementação da UC. Isso reflete uma tendência que as melhores práticas devem ser compartilhadas, para que cada organização instaure a sua marca diferencial no processo. Kim e Mauborgne (2005), destacam três características da boa estratégia: “foco, singularidade e mensagem consistente e convincente ao mercado (p. 40)”. Esses três critérios orientam as empresas em seu processo de reconstrução, a fim de revolucionar a criação de valor, tanto para os compradores quanto para si próprias. “Quando a curva de valor da empresa carece de foco, sua estrutura de custos tenderá a ser alta, e seu modelo de negócios complexo em termos de implementação e execução”. Na ausência de singularidade, a estratégia da empresa é mera imitação, sem atributos que a destaquem das demais concorrentes. Sem uma mensagem irresistível para se comunicar com o mercado, será uma empresa orientada para si própria ou um exemplo clássico de inovação pela inovação, sem grande potencial comercial e sem autonomia natural (p. 41). Também, por unanimidade, todos os pesquisados assinalaram que a UC conta com parcerias de instituições para as atividades que desenvolve. O depoimento a seguir, retirado da página na internet da Universidade Corporativa Mãe de Deus (UCMD), ratifica a afirmação abaixo de que além de qualificar o público interno, a UCMD oferece, em parceria com centros acadêmicos, diversos produtos ao mercado, como programa de estágios, consultorias, cursos de extensão e de pós-graduação em nível de especialização e mestrado. Suas ações têm, portanto, como público alvo seus funcionários, profissionais de secretarias de saúde, hospitais ligados ao SUS e comunidade em geral. No gráfico a seguir, aparece que 88,89% recebem colaboração nas atividades docentes, contratando externamente especialistas no assunto, 55,56% na elaboração de metodologias e/ou material pedagógico, 44,44% na capacitação de docentes da Unidade de UC e atividades de credenciamento (MEC), 33,33% no planejamento de atividades da UC e no fornecimento de infra-estrutura e apoio logístico e 11,11% na divulgação para o público externo. 47 Gráfico 14 : Tipo de colaboração recebida 5.5 Avaliação Na categoria avaliação, apesar de ambas as UC serem Unidades recentes (menos de 5 anos) nota-se que há uma preocupação na parte de indicadores de gestão e resultados, pois 100% desenvolvem indicadores próprios de suas atividades. 5.5.1 Resultados efetivamente percebidos As duas últimas perguntas tinham o caráter qualitativo e questionavam os resultados e as principais dificuldades encontradas a partir da implementação da UC em ambas as instituições (Hospital Mãe de Deus e Associação Médica do Rio Grande do Sul). Como resultados, obtiveram-se as seguintes respostas em comum - Melhora da Imagem da organização, tanto a nível interno como externo; - Organização da gestão do conhecimento na empresa; 48 - Atende aos princípios da missão, visão e valores da instituição e maior participação de funcionários em razão dos cursos serem mais atrativos e mais alinhados as necessidades do negócio, e com isso, maior efetividade; - Participação da Unidade da UC na elaboração do Planejamento Estratégico; - Atuação da UC como unidade de negócios, sendo auto-sustentável: resultados financeiros; - Meta de treinamento institucional na empresa (média de 3,5 hora/mês) controlada e alcançada. Tendência de elevação em cada ano. Mudança de cultura da empresa, que valoriza a educação permanente; - Cultura do auto-desenvolvimento e conforme demanda e/ou necessidade; - Pioneirismo e referência no treinamento/educação de atendimento na área da saúde; - Tornou-se um setor, independente do RH ou ONG, comprometido com o desenvolvimento interno e externo de pessoas; - É conduzido por pessoas altamente capacitadas na gestão do negócio como unidade de ensino; - Alinhamento entre o Plano de Capacitação Institucional e as Diretrizes Estratégicas da Instituição; - Maior qualificação dos processos educativos da Empresa; - Reconhecimento interno e externo das ações realizadas; - Eficácia das ações realizadas. 5.5.2 Principais dificuldades encontradas Como resultados, obtiveram-se as seguintes respostas em comum: 49 - Baixo investimento financeiro na Unidade de UC: persiste o entendimento de que investimento em capacitação e desenvolvimento é ainda custo, o que gera pressão por reduções/adequações de orçamento. Carência de dotação orçamentária; - Necessidade de expandir área física e ampliar a participação da área médica nas atividades da UC; - Garantir efetividade nos treinamentos, de acordo com as necessidades institucionais; - Descomprometimento da diretoria na formação da base estratégica da UC como unidade de negócio; - Precária divulgação à sociedade civil das atividades científicas, - A falta da chancela do MEC como unidade de ensino, para ter maior autonomia nos processos e atividades científicas; - Profissionais que conduzem a UC são altamente qualificados (graduação com pósgraduação), mas não são reconhecidos por sua formação e baixos salários; - Grande rotatividade dos profissionais no setor em virtude do baixo reconhecimento financeiro, o que perde em termos de construção histórica; - Ter um sistema de informações que facilite o gerenciamento das informações da UC; - Falta de entendimento dos outros setores da Empresa da importância da gestão do conhecimento e do auto-desenvolvimento; - Relativa falta de interesse do seu público-alvo (profissionais da saúde) para processos educativos; - O futuro é investir em educação a distância, porém, falta recursos financeiros e foco no negócio para tal; - Dificuldade de efetivamente comprovar o resultados das ações educacionais nos resultados da instituição. 50 CONSIDERAÇÕES Perguntas e respostas que são novas perguntas É preciso fazer um fechamento, mesmo que consideremos esta elaboração parcial e em andamento. Concluir, em geral, significa fechar, entretanto, propomos a conclusão como abertura de outros pensamentos. O desenvolvimento da pesquisa sobre as oportunidades estratégicas oportunizadas pela Universidade Corporativa em suas instituições de saúde possibilitou o alcance dos objetivos que a delimitaram e as respostas às questões de estudo. Analisando o cenário da saúde e a educação permanente nestas instituições, podemos afirmar que a gestão do conhecimento, pelas Universidades Corporativas, está relacionada à intenção estratégica da organização e poderá contribuir muito na alavancagem dos negócios, em termos de oportunidades estratégicas e vantagem competitiva. Há uma melhora tanto da imagem institucional, como na formação de colaboradores e todos os envolvidos no processo, de acordo com as competências e negócio da empresa. Ao analisar como se efetivava a proposta da instituição, quais suas concepções e objetivos e como eram compreendidos e avaliados as atividades na gestão da educação corporativa, percebemos que muitas vezes são utilizadas as práticas do antigo departamento de treinamento, com cursos e palestras pontuais, mas sem um acompanhamento efetivo de sua aplicabilidade, resultados e desempenho dos participantes. Há uma deficiência em termos de gestão dos resultados, com indicadores de desempenho. As concepções das instituições trazem o discurso da Educação Corporativa como incentivo da parte científica nas empresas e na produção do conhecimento, porém, percebemos que apesar de valorizarem, não há investimento real e significativo para o desenvolvimento de novas propostas e continuidade de ações. Também, ficaram claros, os ganhos de imagem e reconhecimento interno e externo para a empresa, em 51 função de sua prática inovadora de programas educacionais. Assim, a adoção da Educação Corporativa, ao menos como teoria, ajudou a divulgar a marca da empresa. Trata-se portanto, de um investimento, que obviamente tem como objetivo um retorno, o lucro. A demanda por educação empresarial é impulsionada por vários fatores diretamente relacionados à geração de valor para o negócio. Dentre eles, podemos destacar a sustentação dos objetivos institucionais através dos programas de educação corporativa, bem como, a extensão de oportunidades de educação corporativa a clientes, fornecedores e parceiros do negócio. Ao incorporar as UC as suas estratégias, as organizações criam uma infra-estrutura privilegiada para potencializar a contribuição do ativo humano, fonte inesgotável de geração de valor para o negócio. Para concluir, é relevante destacar que as relações entre o mundo do trabalho e o mundo da educação parecem estar cada vez mais unidas perdendo os limites que até então identificavam cada área de atuação. Então, surgem algumas questões reflexivas, como por exemplo, como construir uma educação profissional de qualidade e com competência, mas que contribua para a melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores e não apenas para o aumento dos lucros e exploração do trabalho? Alinhando o que a literatura propõe e o que pude comprovar por meio das informações levantadas na UCMD e na UniAMRIGS, a Universidade Corporativa vista como uma Unidade de Negócios poderá trazer vantagens evidentes às instituições e aos profissionais da saúde, como por exemplo: atividades científicas proporcionadas no próprio ambiente da saúde, com profissionais renomados da área; oportunidade de educação permanente constante; viabilidade de educação a distância, em qualquer hora e lugar, devido ao fator tempo ser um contratempo aos profissionais da saúde; cultura de auto-desenvolvimento e aprimoramento profissional; organização da gestão do conhecimento na empresa e valorização das pessoas. Percebo que as tendências para as UC são o investimento em educação a distância (EAD), promovendo uma cultura de aprendizagem a qualquer hora e lugar, incentivando uma postura ativa por parte do aprendiz. A EAD também proporciona um baixo custo na criação de novas linhas de aprendizagem e uma demanda diferenciada de contrato de trabalho por parte da equipe que prestará o suporte na aprendizagem. Além disso, cada vez mais, as empresas estão buscando estabelecer parcerias de 52 trabalho com outras instituições de ensino, talvez pelo fato de ainda não terem o credenciamento do MEC e precisarem desta chancela para a credibilidade e o funcionamento na promoção de cursos. Outra espécie de parceria está sendo verificada através da captação de recursos tanto no setor público como privado de outras instituições, que entram como apoiadoras do processo de ensino aprendizagem. Em ambas as UC estudadas, verifica-se que há necessidade de um maior engajamento da alta administração para os processos de gestão do conhecimento, bem como, a necessidade de desenvolver com clareza o regimento e diretrizes de funcionamento da UC. Para futuros trabalhos de pesquisa, sugiro alguns temas que a pesquisa não levantou, pois não fazia parte do escopo principal do trabalho: - Ampliar o estudo da educação corporativa para todas as Universidades Corporativas em instituições de saúde no RS - Verificar se a UC melhora o resultado das organizações em termos de faturamento. 53 REFERÊNCIAS ALVES, Rubem. Conversa com Empresários. http://www.rubemalves.com.br/conversacomempresarios.htm. 12/06/2009. Disponível Acesso em: em BALESTRIN, Viviane. Giusti. Cartografias do Consumo e da Subjetividade Contemporânea. Dissertação de Mestrado em Psicologia Social, Biblioteca da PUCRS, v. 1, p. 1-92, 2007. BITENCOURT, C; BARBOSA, A. A gestão de competências. In: BITENCOURT, C. 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