A AÇÃO DA UNIVERSIDADE CORPORATIVA E DA GESTÃO DO CONHECIMENTO PARA A CULTURA DA INOVAÇÃO NAS EMPRESAS1 Dalton Antonio Giovannini Mestre em Educação, Administração e Comunicação Sandra Farto Botelho Trufem Doutora em Biologia pela USP e professora da Universidade São Marcos 1 Parte da Dissertação de Mestrado do primeiro Autor Pesquisa em Debate, edição especial, 2009 ISSN 1808-978X A AÇÃO DA UNIVERSIDADE CORPORATIVA E DA GESTÃO DO CONHECIMENTO PARA A CULTURA DA INOVAÇÃO NAS EMPRESAS Dalton Antonio Giovannini, Sandra Farto Botelho Trufem Resumo Neste trabalho é apresentado o estado da arte da dinâmica das Universidades Corporativas nas empresas que atuam como propulsoras de uma cultura de inovação, implementada por meio de métodos e procedimentos educacionais adequados, bem como a busca de pontos em comum dos fatores críticos para o sucesso da empresas que aplicam esses procedimentos. Palavras-chave: Universidades Corporativas, Gestão do Conhecimento, Inovação Abstract This paper presents the state of the art of the dynamics of Corporate Universities in companies that act as drivers of a culture of innovation, implemented by means of educational methods and procedures as well as on the search for common points of the critical factors for successful companies applying these procedures. Keywords: Corporate University, Knowledge Management, Innovation 2 Pesquisa em Debate, edição especial, 2009 ISSN 1808-978X A AÇÃO DA UNIVERSIDADE CORPORATIVA E DA GESTÃO DO CONHECIMENTO PARA A CULTURA DA INOVAÇÃO NAS EMPRESAS Dalton Antonio Giovannini, Sandra Farto Botelho Trufem Introdução A crescente complexidade dos negócios, somada a fatores como o das realidades multidimensionais resultantes da globalização, e da baixa qualificação da mão-de-obra no Brasil e no mundo faz com que as empresas procurem a complementação dos conhecimentos de seus funcionários. Além disso, gerar e gerir conhecimento, fatores imprescindíveis para a necessária inovação e para o crescimento das empresas neste cenário torna o problema da sobrevivência empresarial e de seu desenvolvimento ainda mais complexo. Tradicionalmente, as empresas captavam recursos humanos capacitados para uma dada função, ampliando suas competências, habilidades e atitudes com programas de treinamento internos e externos. Embora ainda este expediente seja muito utilizado, ele necessita ser inserido em um contexto mais amplo, que atenda às atuais e futuras necessidades da empresa quanto à geração e gestão do conhecimento, fator fundamental a qualquer negócio. Adicionalmente, este conhecimento ainda deve ser encarado dentro das várias realidades de um ambiente globalizado, exigindo de seus detentores pensamento cada vez menos linear e simplista, tornando-se mais interdisciplinar, multidisciplinar e transdisciplinar. Verificou-se que o treinamento tradicional, mesmo que estruturado de forma conveniente, não atendia por completo às necessidades atuais das empresas quanto à geração e gestão do conhecimento, bem como para a criação e manutenção de uma cultura interna voltada à inovação. Dentro deste enfoque, chegou-se ao conceito de educação empresarial, incorporado por meio das chamadas Universidades Corporativas, alinhadas aos requisitos específicos das empresas. A partir do polêmico papel do conceito de Universidade Corporativa, uma perspectiva inicial mostrou que sua estrutura não é criada com o intuito de contemplar e complementar os fatores referentes à Gestão do Conhecimento e da manutenção de uma cultura de inovação, e sim como de caráter imediato para suprir determinadas falhas educacionais de seus funcionários. Entretanto, o que se julga conveniente neste trabalho é a aplicação do conceito de aprender a aprender, ou das organizações que aprendem (learning organization), que deveria ser incorporado nas empresas, através dessas Universidades Corporativas, de forma substantiva. 3 Pesquisa em Debate, edição especial, 2009 ISSN 1808-978X A AÇÃO DA UNIVERSIDADE CORPORATIVA E DA GESTÃO DO CONHECIMENTO PARA A CULTURA DA INOVAÇÃO NAS EMPRESAS Dalton Antonio Giovannini, Sandra Farto Botelho Trufem Desta forma, constituem objetivos do presente trabalho a análise e a consolidação dos pontos comuns dos modelos pesquisados de uma Universidade Corporativa com aqueles de Gestão do Conhecimento e de inovação, sendo este último fator, interpretado no trabalho como essencial para a sustentação e crescimento empresarial, e derivado da correta conjunção dos dois primeiros. Para alcançar estes objetivos, o trabalho levanta e analisa os conhecimentos atuais acerca dos diversos modelos e casos empresariais de Gestão do Conhecimento, Universidade Corporativa e inovação, buscando os pontos chave e fatores comuns entre eles. A empresa na era do conhecimento Uma das mudanças mais importantes no âmbito empresarial foi o deslocamento da necessidade de mão-de-obra predominantemente operária para outra de trabalhadores de conhecimento. Com este processo, as empresas tiveram que realizar ajustes e se reestruturarem no mercado globalizado em busca de competitividade e produtividade. É neste cenário que surge o conceito de capital intelectual. A visão taylorista dos chamados recursos humanos, oriunda da revolução industrial, passa pela escola behaviorista do comportamento humano, chegando até uma posição onde o ser humano representa algo além de sua força de trabalho expressa em homens-hora. Novas formas de trabalho, enfocando os ativos intelectuais da empresa, colocam em evidência a necessidade da reformulação do conceito de valor desse trabalho. Visualizando-se uma empresa como um sistema, conforme sugere o conceito clássico de Ludwing Von Bertalanffy2, pode-se, para o contexto deste trabalho, imaginá-la como um organismo vivo, composto por vários subsistemas que interagem entre si e com o meio externo, trocando informação e conhecimento, vitais para sua evolução e para sua sobrevivência. A diferenciação entre o recurso do conhecimento em relação aos outros recursos disponíveis em uma empresa deve ser entendida por meio dos aspectos apresentados por 2 BERTALANFFY, Ludwig Von. Teoria Geral dos Sistemas. 3ª edição, Rio de Janeiro: Vozes, 1968, p. 61. 4 Pesquisa em Debate, edição especial, 2009 ISSN 1808-978X A AÇÃO DA UNIVERSIDADE CORPORATIVA E DA GESTÃO DO CONHECIMENTO PARA A CULTURA DA INOVAÇÃO NAS EMPRESAS Dalton Antonio Giovannini, Sandra Farto Botelho Trufem Maria Thereza Pompa Antunes3. Para a autora, esse conhecimento é um recurso ilimitado, que contribui para minimizar o consumo de outros recursos, que pode ser propagado e utilizado para gerar crescimento e que se encontra em todo o mundo, possibilitando assim a descentralização da riqueza. Feitas estas considerações sobre a importância do conhecimento nas empresas, pode-se apontar algumas definições de capital intelectual relevantes ao trabalho. Ele corresponde ao conjunto de conhecimentos e informações presentes nas empresas, que agrega valor ao produto/serviço, mediante a aplicação da inteligência e não do capital monetário, idéia apoiada por Thomas A. Stewart4. O autor ainda acrescenta que o conhecimento é mais valioso e mais poderoso do que os recursos naturais ou financeiros. Outro conceito oferecido pelos autores Inocência Martinez Leon e Juan Gabriel C. Navarro5 propõe que o capital intelectual consiste no conjunto de ativos intangíveis de uma organização e não estão refletidos nos relatórios contábeis tradicionais, passíveis de gerar valor para a organização. O capital estrutural representa a estrutura física de apoio que a empresa disponibiliza para que sua atividade fim seja desenvolvida, constituída pelas atividades de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento), rotinas administrativas e operacionais, sistemas disponíveis, bases de dados e direitos de propriedade intelectual da empresa. O capital relacional pode ser representado pelo conjunto de relações que a empresa mantém com os diversos agentes externos, como clientes, fornecedores, governo e parceiros de P&D. Finalmente, o capital humano pode ser representado pelos diversos colaboradores da empresa, seus conhecimentos, capacidades, habilidades e experiências, e que hoje são um fator diferencial para o crescimento e a sustentação de um negócio. O capital humano representa assim, o estoque de conhecimento individual, representado pelos colaboradores da empresa, nos quais são investidos treinamento e capacitação. 3 ANTUNES, Maria Thereza Pompa. Capital Intelectual. São Paulo: Atlas, 2000, p. 95. STEWART, Thomas A. Capital Intelectual: a nova vantagem competitiva das empresas. Rio de Janeiro: Futura, 1998, p. 112. 5 LEÓN, Inocência Martinez; NAVARRO, Juan Gabriel C. Gestión Dinámica del Capital Intelectual desde la Perspectiva de los Indicadores Externos. In.: ACEDE, 2003, p. 2. 4 5 Pesquisa em Debate, edição especial, 2009 ISSN 1808-978X A AÇÃO DA UNIVERSIDADE CORPORATIVA E DA GESTÃO DO CONHECIMENTO PARA A CULTURA DA INOVAÇÃO NAS EMPRESAS Dalton Antonio Giovannini, Sandra Farto Botelho Trufem O conceito de Gestão do Conhecimento surgiu com a necessidade de se controlar os novos ativos intelectuais das empresas no início da década de 1990 e Karl Erik Sveiby6 aponta que a Gestão do Conhecimento não é mais uma moda de eficiência operacional, fazendo parte da própria estratégia empresarial. A Gestão do Conhecimento engloba, inicialmente, outros conceitos que servem como base e fundamento do estudo, que são os conceitos de dado, informação, conhecimento. O dado para uma empresa pode ser entendido como o registro estruturado das transações executadas no negócio. Thomas Davenport e Laurence Prusak7 definem dado como um “conjunto de fatos distintos e objetivos, relativos a eventos”. É informação na forma bruta e, de maneira isolada, não são dotados de relevância, propósito e significado. São, entretanto, a matéria-prima para a criação da informação. O conceito de informação é a de um conjunto de dados processados de forma a criar significado. Peter Drucker 8 define a informação como um conjunto de “dados interpretados, dotados de relevância e propósito”. Desta definição e da anterior, pode-se deduzir que a informação tem uma maior relevância para a empresa do que o simples acúmulo dos dados. A ampliação do conceito de informação para a de conhecimento leva a implicações de uso e de acesso a mesma. Na gestão da informação a empresa tem uma preocupação mais centrada nas políticas, diretrizes e privilégios para a disseminação dessa informação, bem como em seu armazenamento. Na gestão do conhecimento a preocupação é voltada para a utilização mais nobre dessa informação. A informação, através dos diversos ativos intelectuais e da gestão do conhecimento, tem uma clara orientação estratégica para a empresa. Neste cenário, a gestão do conhecimento incorpora uma cultura colaborativa voltada captar, entender e integrar essa informação às funções da organização. Deste modo, o conceito de conhecimento deriva da informação assim como esta, dos dados. O conhecimento é muitas vezes intuitivo e subjetivo, existindo dentro das 6 SVEIBY, Karl Erik. The Intangible Assets Monitor. Journal of HRCA Vol 2 Number 1, Spring 1997. Disponível em:<http://www.sveiby.com/Portals/0/articles/IntangAss/ CompanyMonitor.html>. Acesso em 12/05/2007. 7 DAVENPORT, Thomas; PRUSAK, L. Conhecimento Empresarial: como as organizações gerenciam o capital intelectual. São Paulo: Publifolha, 1999, p. 02. 8 DRUCKER, Peter, op. cit., p. 23 6 Pesquisa em Debate, edição especial, 2009 ISSN 1808-978X A AÇÃO DA UNIVERSIDADE CORPORATIVA E DA GESTÃO DO CONHECIMENTO PARA A CULTURA DA INOVAÇÃO NAS EMPRESAS Dalton Antonio Giovannini, Sandra Farto Botelho Trufem pessoas como conhecimento tácito, sendo, portanto, complexo e imprevisível, dependendo dos valores e das crenças pessoais, determinando em grande parte o que aquele que detém o conhecimento vê, absorve e conclui a partir das suas observações. Ainda Thomas Davenport e Laurence Prusak9 definem conhecimento, pela sua adaptabilidade às constantes mudanças do ambiente, fazendo uma analogia com sistemas vivos: o conhecimento pode ser comparado a um sistema vivo que cresce, e se modifica à medida que interage com o meio ambiente. O conhecimento tem um ciclo de vida característico, composto de fases desenvolvidas por Barthès apud Luiz Carlos de A. Oliveira e Dante Carlos Antunes 10, que atuam de forma cíclica e repetitiva de maneira a manter uma cultura ativa e permanente dentro da empresa, o que leva a uma tendência de inovação constante. Neste ciclo, primeiramente encontra-se o conhecimento desejado identificando-o e localizando aquele conhecimento que seja necessário à empresa, ou para atender à demanda atual, ou para prospectar necessidades para possíveis demandas futuras, dentro de um programa consistente de inovação. Dentro deste ciclo, outra fase diz respeito à distribuição do conhecimento adquirido, de maneira a facilitar o acesso, difundindo-o para que possa ser explorado da forma mais criativa e inovadora possível para os negócios da empresa e, por fim, interagir com os outros conhecimentos que permeiam a empresa, combinando-o das mais diversas formas. Finalmente, este conhecimento deve ser constantemente atualizado e aperfeiçoado por intermédio de processos formais de pesquisa e desenvolvimento na empresa, e também pelos vários agentes participantes na empresa. Desse modo, a empresa mantém uma cultura de renovação contínua de conhecimento, ao mesmo tempo em que acompanha o ritmo da evolução e de mudanças de mercado. 9 DAVENPORT, Thomas; PRUSAK, L., op. cit., p. 49. OLIVEIRA, Luiz Carlos de Almeida & ANTUNES, Dante Carlos. Reuso de soluções de informática através da gestão do conhecimento. Disponível em:<http://www.pr.gov.br/batebyte/edicoes/1999/bb91/reuso.htm>. Acessado em: 15/05/2007 10 7 Pesquisa em Debate, edição especial, 2009 ISSN 1808-978X A AÇÃO DA UNIVERSIDADE CORPORATIVA E DA GESTÃO DO CONHECIMENTO PARA A CULTURA DA INOVAÇÃO NAS EMPRESAS Dalton Antonio Giovannini, Sandra Farto Botelho Trufem Os vários autores que escrevem sobre o tema, e particularmente Ikujiro Nonaka e Hirotaka Takeuchi11, classificam o conhecimento humano em dois tipos: o tácito e o explícito. O conhecimento explícito diz respeito àquele que pode ser articulado na linguagem formal. Esta linguagem formal é aquela que se encontra presente nas afirmações gramaticais, expressões matemáticas, especificações, manuais da empresa e outras formas escritas de comunicação, e que podem ser facilmente comunicadas entre os indivíduos e sistematizadas. Embora sejam fundamentais para o funcionamento das empresas são, muitas vezes, do ponto de vista da inovação, os menos importantes, pois representam aquele conhecimento vigente no cotidiano da empresa, o status quo que tenta manter a empresa dentro do modelo padrão. A dinâmica entre o conhecimento tácito e o explícito é a responsável pela criação do conhecimento na organização de negócios. Essa interação entre o conhecimento tácito e explícito é apontada por Ikujiro Nonaka e Hirotaka Takeuchi12 como a conversão do conhecimento, sendo um processo social entre indivíduos. Ainda segundo os autores, um trabalho efetivo com o conhecimento somente é possível em um ambiente em que possa ocorrer a contínua conversão entre esses dois formatos. Assim, a Gestão do Conhecimento, dentro do foco pertinente ao trabalho na criação de uma cultura de inovação, pode ser definida como apontado por L. H. Boff apud Danilo Leal Belmonte13, como um conjunto de estratégias para criar, adquirir, compartilhar e utilizar o conhecimento; estabelecer fluxos que garantam a informação necessária no tempo e formato adequados, a fim de auxiliar na geração de idéias, solução de problemas e tomada de decisão. O modelo de gestão que será tratado neste estudo e que aponta para a criação de uma cultura de inovação, foco do trabalho, é baseado na obra de José Cláudio Cyrineu Terra14, que apresenta sete dimensões, representando práticas adequadas para a efetiva e 11 NONAKA, Ikujiro; TAKEUCHI, Hirotaka. Criação do conhecimento na empresa: como as empresas japonesas geram a dinâmica da inovação. Rio de Janeiro: Campus, 1997, p. 165. 12 NONAKA, Ikujiro; TAKEUCHI, Hirotaka. op. cit., p. 112 13 BELMONTE, Danillo Leal et al. A Gestão do Conhecimento nas pequenas e médias empresas. Ponta Grossa: UEPG Ci. Hum., Ci. Soc. Appl. Ling., Letras e. Artes, dez 2005, p. 123. 14 TERRA, José Cláudio Cyrineu., op. cit., p. 91. 8 Pesquisa em Debate, edição especial, 2009 ISSN 1808-978X A AÇÃO DA UNIVERSIDADE CORPORATIVA E DA GESTÃO DO CONHECIMENTO PARA A CULTURA DA INOVAÇÃO NAS EMPRESAS Dalton Antonio Giovannini, Sandra Farto Botelho Trufem eficaz Gestão do Conhecimento. No trabalho, cujo ponto central está no incentivo a criação de uma cultura de inovação nas empresas, as discussões mais elaboradas e próprias serão aquelas relativas às dimensões de maior pertinência e aderência ao estudo. Na dimensão 1 encontram-se os fatores estratégicos e o papel da alta administração, e onde, na chamada era do conhecimento, a alta administração deve zelar pela definição das áreas de conhecimento a serem exploradas e pela condução de projetos inovadores, relacionando as várias atividades individuais a um propósito maior. Assim, o fator crítico de sucesso de uma empresa passa a ser a capacidade que a mesma tem de dominar um conjunto limitado de habilidades e áreas de conhecimento que sejam importantes para seus clientes. De acordo com este ponto de vista, o conhecimento na empresa passa a ser um dos principais elementos diferenciadores de mercado. Os concorrentes são aqueles que tem uma base de conhecimento similar e não aqueles que fabricam produtos similares ou prestam serviços semelhantes. A cultura e os valores organizacionais fazem parte da dimensão 2, onde é apontado o entendimento da cultura organizacional, pelas normas e valores que ajudam a interpretar eventos e avaliar o que é apropriado e inapropriado para a empresa, e que são capazes de comportar-se como um sistema de controle, visando a eficácia para as mudanças constantes necessárias. São normas que promovem a inovação, a tomada de riscos, a recompensa pela mudança e a transparência e abertura quanto à informação que circula pela empresa. Dentro desta dimensão, colaboram também para a cultura organizacional positiva os novos espaços de trabalho, abertos e não hierárquicos que facilitam a comunicação e os contatos informais. Como exemplo tem-se as atividades de empresas da área de Internet, onde os espaços de trabalho são mesclados com espaços para relaxamento, descontração, jogos, ginástica, não conectados com a atividade principal da empresa. A dimensão 3 diz respeito à estrutura organizacional, e é onde a Gestão do Conhecimento é fortemente prejudicada pelos esquemas burocráticos de estruturas organizacionais mais rígidas, uma vez que a gestão burocrática é orientada para a repetição. Estruturas mais flexíveis e inovadoras e que busquem a criatividade, o 9 Pesquisa em Debate, edição especial, 2009 ISSN 1808-978X A AÇÃO DA UNIVERSIDADE CORPORATIVA E DA GESTÃO DO CONHECIMENTO PARA A CULTURA DA INOVAÇÃO NAS EMPRESAS Dalton Antonio Giovannini, Sandra Farto Botelho Trufem conhecimento e o aprendizado constante, do tipo daquelas que seguem o princípio de aprender a aprender, devem tomar o lugar daquelas mais rígidas e burocráticas. A infra-estrutura de comunicação, definida como a composição dos elementos gerenciais lógicos necessários para a integração das equipes e para o acompanhamento e gerenciamento da concorrência de atividades pode ser efetivada através do correto gerenciamento da comunicação, que controla os processos de comunicação garantindo a troca de informação adequando necessidades e permissões. A administração de recursos humanos, componente da dimensão 4, aponta que o recrutamento de funcionários é, principalmente para uma empresa de conhecimento, a decisão de investimento mais importante que se possa tomar. Tal funcionário, para fazer parte e contribuir para uma cultura de inovação deve ter, como características pessoais, uma boa capacidade cognitiva, com criatividade e motivação individual, além da capacidade para trabalhar bem em grupos. Esta dimensão incentiva a contratação de perfis distintos e rebeldes, contribuindo assim com a diversidade de idéias que poderão ser geradas pelo aspecto multicultural. Outro ponto fundamental para essa dimensão é o treinamento, que deve ser colocado como ponto central e principal da administração de recursos humanos de uma empresa preocupada com a constante evolução de sua mão-de-obra e os resultados que ela pode vir a proporcionar. A dimensão 5, que diz respeito aos Sistemas de informação, aponta que embora certamente não seja o principal agente, os recursos atuais da informática auxiliam sobremaneira a criação de uma cultura de inovação, seja por meios de comunicação, ou de tecnologias que diminuem o tempo de simulações ou de trabalhos relacionados aos processos inovadores. Finalmente, a dimensão 7 relativa à aprendizagem com o ambiente, materializase através de alianças, internas e externas às empresas voltadas ao aprendizado, desenvolvendo motivadores, através de novos formatos de troca de informação, como redes formais e informais, e criando ou associando-se a organizações emergentes, gerando parcerias voltadas à inovação. Tais elementos devem contribuir para o trabalho no sentido de apontar as dimensões necessárias ao estabelecimento de um ambiente mais flexível e dinâmico, incentivando a criação da cultura de inovação. 10 Pesquisa em Debate, edição especial, 2009 ISSN 1808-978X A AÇÃO DA UNIVERSIDADE CORPORATIVA E DA GESTÃO DO CONHECIMENTO PARA A CULTURA DA INOVAÇÃO NAS EMPRESAS Dalton Antonio Giovannini, Sandra Farto Botelho Trufem O ritmo incrementado de mudanças no contexto que circunda a organização e a aprendizagem torna a política de inovação uma necessidade, ao invés de uma escolha. A perspectiva da hipótese de que se aprende a aprender, no processo de aprendizagem em si e que o papel central que a aprendizagem e o conhecimento podem representar na vida organizacional, tornaram crescente o interesse pelo assunto, fazendo com que, acadêmicos, profissionais, sociólogos, psicólogos e outros, disputem hoje sobre quem tem o modelo ideal de aprendizagem organizacional. A ênfase na aprendizagem pelo processamento de informação, na qual a idéia de que a sua tecnologia pode ser utilizada a serviço de propósitos diferentes, tanto pode liberar as pessoas para a produção e disponibilizar informações para todos, como pode ser usada para controle e vigilância em ambientes tecnológicos padronizados. Essa distinção acaba proporcionando a nítida ligação entre a perspectiva da aprendizagem organizacional com um processo social. Na abordagem social, mais de acordo com os propósitos deste trabalho, a aprendizagem é vista como algo que emerge de interações sociais, geralmente no ambiente natural de trabalho, proporcionando dois enfoques para a atribuição de significado às suas experiências: as derivadas de fontes explícitas, como uma informação de venda ou financeira, e as derivadas de fontes tácitas, tais como a sensibilidade e a intuição desfrutadas, por exemplo, por um estrategista de negócios. As formas tácitas e incorporadas de aprendizagem envolvem práticas, observação e emulação de profissionais competentes, bem como socialização em uma comunidade. No entanto, quando a aprendizagem organizacional está socialmente construída, ela é vista como um processo político, que está embutida na cultura de uma organização. Nesse contexto, os processos organizacionais, que permitem resistências e a redução da capacidade de aprendizagem, surgem, por exemplo, quando as pessoas necessitam proteger-se de uma ameaça política. É nesse sentido, que se pode afirmar que a atividade política representa papel significante na restrição ao estabelecimento de organizações de aprendizagem. Esse processo sócio-político é pouco referenciado pela escola técnica. Percebe-se, afinal, que a distinção entre a abordagem técnica e a social, tanto nas organizações de aprendizagem como na aprendizagem organizacional, aponta aparente 11 Pesquisa em Debate, edição especial, 2009 ISSN 1808-978X A AÇÃO DA UNIVERSIDADE CORPORATIVA E DA GESTÃO DO CONHECIMENTO PARA A CULTURA DA INOVAÇÃO NAS EMPRESAS Dalton Antonio Giovannini, Sandra Farto Botelho Trufem dicotomia. O resultado é o debate se a tendência à fragmentação, faz com que essa prática acabe por criar obstáculos e limitações ao estado do conhecimento e ao desenvolvimento dos diferentes conceitos. A diversidade de estratégias que o campo de estudo vive reflete limitações ao estado do conhecimento sobre aprendizagem organizacional e organização aprendente e, de forma consistente, preocupa-se em entender o por quê de o conceito ser tão difícil de implementar. Uma crítica às idéias de organizações que aprendem é dada no artigo de Garvin, Edmondson e Gino15. Os autores apontam que para uma organização que deseja aprender a aprender não é suficiente a visão clara do que se quer, os incentivos pessoais e treinamento. E ainda apontam que o autor do conceito de organizações que aprender, Peter Senge, tem uma visão romântica sem visão concreta e mira na floresta não nas árvores, além de ser voltada ao pessoal estratégico e não tático, que seriam aqueles que deveriam avaliar os resultados. Uma última crítica trata da falta de padrões e de ferramentas de avaliação. Muito difícil falar em criatividade e Gestão do Conhecimento sem citar a empresa 3M, que investe mais de US$ 1 bilhão em P&D, com cerca de 500 patentes por ano nos Estados Unidos. A Gestão do Conhecimento e particularmente a disseminação desse conhecimento e sua liberalização, parece ser o fator fundamental para a criação da cultura de inovação na 3M. Um dos preceitos da empresa, citado por José Cláudio Cyrineu Terra16, é sintetizado em uma frase: Se você erguer cercas ao redor das pessoas, você terá ovelhas. Dê às pessoas o espaço que necessitam. Outro ponto de destaque na empresa é o estabelecimento de fóruns técnicos e de novos produtos, incentivando a troca e o registro do conhecimento tácito presente entre seus funcionários. Desta forma, novos métodos de trabalho e novos processos são continuamente criados, disseminados e modificados, fazendo com que aqueles que sejam candidatos a melhores práticas possam vir a fazer parte do conhecimento empresarial. O papel do 15 GARVIN, David A.; EDMONDSEN, Amy C.; GINO, Francesca. Sua organização consegue aprender? São Paulo: Harvard Business Review, Mar 2008, p. 86. 16 TERRA, José Cláudio Cyrineu. op. cit., p. 105 12 Pesquisa em Debate, edição especial, 2009 ISSN 1808-978X A AÇÃO DA UNIVERSIDADE CORPORATIVA E DA GESTÃO DO CONHECIMENTO PARA A CULTURA DA INOVAÇÃO NAS EMPRESAS Dalton Antonio Giovannini, Sandra Farto Botelho Trufem incentivador e controlador desse ambiente é o mentor, que assim, assume o papel do executor do treinamento de longo prazo. A Gestão do Conhecimento aparentemente não necessita um investimento alto em tecnologias sofisticadas. Um exemlo disso é analisado em um artigo de Danillo Leal Belmonte e Luciano Scandelari17, onde a Foseco, empresa do setor de peças fundidas, passa por uma profunda evolução ao usar técnicas de Gestão do Conhecimento. No caso estudado, sobre os resultados obtidos com a implantação de um processo de Gestão do Conhecimento na empresa Foseco, os autores Danillo Leal Belmonte et. al18, apontam ganhos diversos, desde os de produtividade, os mais esperados e previsíveis, até aqueles como redução de acidentes de trabalho, que não são explícitos quando se estuda os possíveis resultados desse tipo de processo. Os autores citam textualmente que: os resultados obtidos na Foseco foram: aumento significativo na produtividade (utilizando o conceito de valorização por indivíduo), crescendo, no período de 1997 a 2002, 70%; redução de acidentes de trabalho; pontualidade de entrega, com um aumento de 30%; redução de reclamação de clientes; entre outros. A universidade corporativa Como apontado anteriormente, o conhecimento está se tornando um dos fatores de produção mais importante nas empresas, talvez ultrapassando o capital financeiro e a mão-de-obra em importância estratégica para a sobrevivência das empresas em um cenário de mudanças e desafios constantes, muito embora o conhecimento esteja a serviço do capital financeiro. Deste modo, empresas devem preparar-se para as mudanças com agilidade, significando que os colaboradores dessas empresas devem, no mínimo, acompanhá-las ou, preferencialmente, gerar tais mudanças. Para isso, as empresas devem investir em 17 BELMONTE, Danillo Leal; SCANDELARI, Luciano. Gestão do conhecimento: aplicabilidade prática na gestão da manutenção. Disponível em:<http://www.pg.cefetpr.br/ppgep/Ebook/ARTIGOS2005/Ebook%202006_artigo%2054. pdf>. Acessado em: 19/06/2007. 18 BELMONTE, Danillo Leal et al. op. cit., p. 123. 13 Pesquisa em Debate, edição especial, 2009 ISSN 1808-978X A AÇÃO DA UNIVERSIDADE CORPORATIVA E DA GESTÃO DO CONHECIMENTO PARA A CULTURA DA INOVAÇÃO NAS EMPRESAS Dalton Antonio Giovannini, Sandra Farto Botelho Trufem um treinamento diferenciado. Surgem então as Universidades Corporativas como complemento para treinamentos estratégicos, onde as pessoas aprendam a aprender, acompanhando a velocidade da geração de conhecimento do mundo atual. A crença de que as competências, habilidades e o conhecimento formam a base de vantagem competitiva, reforça a necessidade de intensificar o desenvolvimento de funcionários. Esta leitura faz parte dos conceitos apresentados por Marisa Eboli 19, justificando desta forma a existência da Universidade Corporativa e de suas ramificações em treinamentos contínuos dados pelas empresas. Documento da UNESCO20 apresenta os desafios que o ensino superior deve enfrentar dizendo que, atualmente, um país que: não dispuser de um sistema de formação e de pesquisa de qualidade no nível superior, não pode assegurar um progresso suficiente para responder às necessidades e às expectativas de uma sociedade em que o desenvolvimento econômico respeita o meio ambiente O documento ainda é taxativo sobre a necessidade de uma visão sistêmica em um mundo globalizado dizendo que se “chegue a uma visão global de seus objetivos, tarefas e fundamentos”. As instituições tradicionais de educação devem repensar seu relacionamento com as empresas e reexaminar suas metodologias, produtos, serviços e veículos de apresentação, orientando suas estratégias para o mercado empresarial, não se esquecendo de seu papel de formação moral e de cidadão para seus alunos, passando de treinamento pontual, para um processo contínuo e sistemático. Alguns pontos pesquisados e sintetizados podem apontar para as tendências da educação superior na atual economia, como o aumento da participação das empresas na aprendizagem por intermédio da educação corporativa, as parcerias entre instituições de educação formal e empresas tornando-se rotina entre entidades líderes nessas áreas, a 19 EBOLI, Marisa. Educação para as empresas do século XXI: coletânea de artigos sobre as Universidades Corporativas - Edição especial. São Paulo: FIA/FEA-USP, 1999, p. 33. 20 UNESCO. Mudanças e Desenvolvimento no Ensino Superior, 1995. Disponível em: <http://www.unesco.org.br/publicacoes/livros/politicamudanca/mostra_documento>. Acesso em 18/03/2007. 14 Pesquisa em Debate, edição especial, 2009 ISSN 1808-978X A AÇÃO DA UNIVERSIDADE CORPORATIVA E DA GESTÃO DO CONHECIMENTO PARA A CULTURA DA INOVAÇÃO NAS EMPRESAS Dalton Antonio Giovannini, Sandra Farto Botelho Trufem maior utilização da educação à distância, universalizando o acesso ao conhecimento, utilizando recursos multimídia, via rede ou satélite, assim como a maior utilização de tecnologias educacionais de ponta em apoio a metodologias avançadas e mais atraentes, facilitando a aprendizagem. O ensino acadêmico, considerado aqui no trabalho como ensino formal, é um dos motores do desenvolvimento econômico e, ao mesmo tempo, um dos pólos da educação ao longo de toda a vida. É, simultaneamente, o depositário e criador de conhecimentos. Esse tipo de ensino também pode ser considerado como o instrumento principal de transmissão da experiência cultural e científica acumulada pela humanidade, e que serve de base a cada geração. A educação corporativa é um sistema de aprendizagem adequado para que os colaboradores nas empresas desenvolvam competências, técnicas e os aspectos comportamentais específicos e necessários naquele momento, para que as empresas atinjam as metas e objetivos estabelecidos. Pode-se concluir daí que a finalidade da educação é a transmissão sistemática de conteúdos de conhecimentos produzidos e acumulados na empresa e por elementos fora dela, mas que tenham relevância no contexto desta mesma empresa. Ao mesmo tempo, essa educação corporativa deve assegurar aos participantes do processo a apropriação ativa destes conhecimentos para que se assim possam elaborar novos conhecimentos, dentro de uma crítica baseada na compreensão científica da realidade que, conforme Brzezinski21: o contato e o acesso aos conhecimentos são requisitos necessários para prover o homem de condições de participação na vida social, permitindo-lhe o acesso a cultura, ao trabalho, ao progresso, à cidadania. Dessa forma, o homem está se construindo nas relações sociais, portanto, ele deve ser sujeitopartícipe de um projeto coletivo que poderá chegar à superação dos condicionamentos que lhe determinam a ação. 21 BRZEZINSKI, Iria. Notas sobre o Currículo na Formação de Professores: Teoria e Prática. In Raquel Volpato Serbino et al. (orgs.) Formação de Professores. São Paulo: Unesp, 1998, p. 174. 15 Pesquisa em Debate, edição especial, 2009 ISSN 1808-978X A AÇÃO DA UNIVERSIDADE CORPORATIVA E DA GESTÃO DO CONHECIMENTO PARA A CULTURA DA INOVAÇÃO NAS EMPRESAS Dalton Antonio Giovannini, Sandra Farto Botelho Trufem Embora não muito bem visto pelo meio acadêmico, o ensino corporativo deve ser encarado de forma diferente daquele do ensino formal, este último voltado para a formação mais completa do ser humano. Portanto, o grande desafio está em reconhecer tanto o ensino formal como o corporativo como parceiros complementares que possam trazer benefícios para as duas partes, assim como para a empresa e toda a sociedade. Segundo pesquisa realizada apontada por Hauschild et al.22, as empresas de sucesso constroem um ambiente corporativo que encoraja o desejo de se obter conhecimentos entre os funcionários, que garantem a criação, a distribuição, e a aplicação de tecnologias. Assim, apoiado nesta pesquisa, e no argumento de que a inovação é o ponto chave dentro de um mundo empresarial em constante mudança, pode-se argumentar que a correta e justa correlação entre a Gestão do Conhecimento nas empresas, permite a criação e distribuição do conhecimento, aliada à educação corporativa, com foco em aplicação desse conhecimento, leva-as a um diferencial de inovação que as conduz ao sucesso. São apontadas por Emily Lawson e Colin Price23 quatro condições que devem existir em uma empresa para que ela possa mudar os seus padrões mentais, incentivando a criação de conhecimento e a inovação. A relação educacional de adulto deve ser baseada na interação entre facilitador e aprendiz, onde ambos aprendem entre si, com liberdade e pró-ação, diferente do professor tradicional, que prejudica o desenvolvimento do adulto, colocando-o num plano inferior de dependência. Deve-se atentar que segundo Abraham A. Moles 24 para que a mensagem produza o efeito desejado, isto é, a apropriação da mensagem pelo educando, o processo de codificação do emissor deve estar relacionado e contextualizado com o processo de decodificação do repertório do educando. As mensagens devem ser familiares ao receptor. Quanto mais o campo de experiência do emissor coincidir com o do receptor, maior será a probabilidade de a mensagem produzir o resultado esperado. 22 HAUSCHILD, Susanne; LICHT, Thomas; STEIN, Wolfram. Creating a knowledge culture. McKinsey Quarterly, 2001. Disponível em: <http://www.mckinseyquarterly.com/ Creating_a_knowledge_culture>. Acesso em 12/06/2007. 23 LAWSON, Emily; PRICE, Colin; HAUSCHILD, Susanne; LICHT, Thomas; STEIN, Wolfram. The psychology of change management. McKinsey Quarterly, 2003. Disponível em: <http://www.mckinseyquarterly.com/article_abstract.aspx?ar=1316&l2 =18&l3=27&srid=63>. Acesso em 26/04/2007. 24 MOLES, Abraham A. Sociodinâmica da Cultura. São Paulo: Perspectiva, 1974, p. 44. 16 Pesquisa em Debate, edição especial, 2009 ISSN 1808-978X A AÇÃO DA UNIVERSIDADE CORPORATIVA E DA GESTÃO DO CONHECIMENTO PARA A CULTURA DA INOVAÇÃO NAS EMPRESAS Dalton Antonio Giovannini, Sandra Farto Botelho Trufem A correta percepção, chave para a efetiva cooperação, seria conseqüência da estrutura e do Sistema de Informação da empresa. Desta forma, conclui-se que a estrutura da empresa e o seu Sistema de Informação permitem que se obtenha um fluxo de informação adequado, minimizando conflitos e problemas de sobrecarga de informação. Os processos gerenciais são o elemento que subsidiam a coordenação dentro do ambiente cooperativo, e o Sistema de Informação passa a apoiar a comunicação para uma efetiva cooperação, elemento fundamental para um ambiente inovador. Pode-se perceber a estrutura da matriz lugar-tempo associando o tipo de comunicação síncrona ou assíncrona (tempo) ao local em que a mesma ocorre de forma local, ou presencial, e de forma distribuída, ou à distância (lugar). O modo como se dará esta comunicação determinará os mecanismos para o controle da informação durante o trabalho cooperativo. As interações chamadas síncronas, isto é, onde a comunicação se dá de modo simultâneo entre os envolvidos, tem como exemplo uma reunião do tipo teleconferência. Nas comunicações assíncronas, um ou mais participantes enviam uma informação, que será posteriormente recebida ou processada por um ou mais participantes do grupo de desenvolvimento. Neste último caso o exemplo típico é o do correio eletrônico. As sementes das universidades corporativas surgiram nos Estados Unidos, nos anos de 1950 a 1970, quando as empresas formaram grupos para ensinar aos trabalhadores profissionais como fazer melhor o seu trabalho. Essas infra-estruturas educacionais inseridas dentro das organizações proliferaram em todo o país, ficando conhecidas como universidades, institutos ou faculdades corporativas. A Universidade Corporativa é, para Jeanne C. Meister 25, um guarda-chuva estratégico para desenvolver e educar funcionários, clientes, fornecedores e comunidade, a fim de cumprir as estratégias empresariais da organização. Deste modo, o conceito acaba ficando bem amplo e pode se aplicar inclusive, para áreas de treinamento de competências específicas dentro das empresas. No Brasil, o surgimento das universidades corporativas se deu na década de 1990, quando esse tipo de treinamento não oferecia nada mais além do que algumas poucas qualificações necessárias para a constituição imediata de um quadro de 25 MEISTER, Jeanne C. op. cit., p. 39. 17 Pesquisa em Debate, edição especial, 2009 ISSN 1808-978X A AÇÃO DA UNIVERSIDADE CORPORATIVA E DA GESTÃO DO CONHECIMENTO PARA A CULTURA DA INOVAÇÃO NAS EMPRESAS Dalton Antonio Giovannini, Sandra Farto Botelho Trufem funcionários habilitados. Embora já consolidadas em empresas multinacionais, e muitas vezes adaptada para a qualificação de funcionários no Brasil, a Universidade Corporativa ainda hoje não é tão difundida em empresas nacionais, que preferem a mãode-obra já formada, principalmente por outra empresa similar. Embora sejam administradas pelas empresas e estejam dispensadas de credenciamento, é conveniente, para efeitos legais e tributários, que as Universidades Corporativas que desejem oferecer esses cursos e programas devem buscar o credenciamento junto ao MEC, com base nas normas vigentes como a do ensino a distância conforme o Decreto nº 2.494, de 1998, e Portaria MEC nº 301, de 1998; da educação profissional de acordo com o Decreto nº 2.208, de 1997; para pós-graduação: em nível de especialização através da Resolução CFE nº 12, de 1983; e em nível de mestrado (mestrado profissional) autorizado pela Portaria CAPES nº 80, de 1998. A educação corporativa parte de um modelo estruturado, adaptado das estruturas do ensino formal, para transmissão de conhecimentos específicos para os funcionários, ou para prepará-los para os novos desafios da empresa. É este último ponto o de interesse do trabalho, aquele que trata da ensina o funcionário a prender a aprender, e o insere dentro de uma cultura permanente de evolução e inovação. Jeanne C. Meister 26 aponta que a proliferação de cursos mantidos pelas próprias empresas é conseqüência do crescente interesse organizacional pelo desenvolvimento permanente de seus funcionários, cujo propósito é o de desenvolver competências, formas de pensamento, atitudes, e hábitos, proporcionando nova visão e perspectivas de problemas, ampliando a capacidade mental criativa. Um dos componentes básicos para o projeto de uma Universidade Corporativa passa então a ser a transmissão de conteúdo aliada à mudança da forma de pensar, ensinando e motivando a aprendizagem e a aquisição da habilidade de compreender o conhecimento transmitido, contextualizando tal conhecimento no cotidiano empresarial, criando soluções inovadoras para os novos problemas que surgem, inclusive repensando o negócio. Outro componente importante a se destacar para o projeto de uma Universidade Corporativa é a sua diferenciação em relação um departamento responsável pelo treinamento. Enquanto este último normalmente é visualizado como um centro de 26 MEISTER, Jeanne C. op. cit., p. 41. 18 Pesquisa em Debate, edição especial, 2009 ISSN 1808-978X A AÇÃO DA UNIVERSIDADE CORPORATIVA E DA GESTÃO DO CONHECIMENTO PARA A CULTURA DA INOVAÇÃO NAS EMPRESAS Dalton Antonio Giovannini, Sandra Farto Botelho Trufem custos, as Universidades Corporativas devem, ao contrário, ser encaradas como um centro de resultados, eventualmente atingindo um nível de excelência a ponto de serem capazes de gerar lucro, licenciando seus programas. Um primeiro desses componentes é a formação de um sistema de controle para que se desenvolva uma visão compartilhada da Universidade Corporativa, identificando as necessidades de aprendizagem atual e futura, assegurando avaliação constante e orientação para o desenvolvimento de aprendizagem. Outro ponto essencial é a criação de uma visão esclarecendo a direção que a Universidade Corporativa deve caminhar. Essa visão deve ser inspiradora, de fácil memorização, confiável, concisa e evolutiva. Em relação a outro componente, o mesmo diz respeito a recomendar o alcance e a estratégia de obtenção de recursos, definindo programas e abrangência dos mesmos, e as fontes de recursos para tal estratégia. Componentes adicionais como criar uma organização para uso eficiente e eficaz, assim como para diluir custos decorrentes, identificar interessados, definindo a amplitude e interesses quanto a qualificações e competências necessárias e criar produtos e serviços com soluções de aprendizagem para compartilhamento de conhecimento e interação entre as pessoas, devem fazer parte, ainda segundo a autora, do projeto de uma Universidade Corporativa. Finalmente, um ponto de grande destaque é o de comunicar de forma mais contundente possível para que todos na empresa entendam o que é a Universidade Corporativa, quais são seus objetivos e seus programas, para que a idéia da cultura do conhecimento dentro da empresa possa vir a ser estabelecida e mantida. A missão da Universidade Corporativa foi definida em boa parte nos itens anteriores. Entretanto, cabe aqui a complementação e consolidação de sua missão, bem como a natureza e o alcance da mesma. Para isso, faz-se uso da proposta de Paulo Otolini Garrido27, que utiliza questões de ordem filosófica e pedagógica, como, por exemplo, quem aprende, o que, porque, como e para que se aprende. Este novo ponto de vista complementa e coloca em termos práticos, o que se deve esperar da Universidade 27 GARRIDO, Paulo Otolini. Educação corporativa policêntrica: Aplicação Transdisciplinar da Engenharia Pedagógica para a Produção da Aprendizagem Transformadora. Tese de Doutorado, Florianópolis: UFSC – Programa de pós-graduação em engenharia de produção – PPGEP, 2006, p. 140. 19 Pesquisa em Debate, edição especial, 2009 ISSN 1808-978X A AÇÃO DA UNIVERSIDADE CORPORATIVA E DA GESTÃO DO CONHECIMENTO PARA A CULTURA DA INOVAÇÃO NAS EMPRESAS Dalton Antonio Giovannini, Sandra Farto Botelho Trufem Corporativa, e ainda como elucidar de forma pragmática os pressupostos para sua implementação. O autor citado apresenta um quadro intitulado “5W2H do Posicionamento Estratégico Pedagógico do Aprendiz”, adaptado a partir de um modelo de sistemas administrativos conhecido como 5W2H que se compõe de: What? (o que?), Why? (por que?), Who? (quem?), When? (quando?), Where? (onde?), e How? (como?), How much? (quanto custa?), além da questão adicional de “para que aprender?”. Com estas questões, é possível definir-se a abrangência e as restrições para a implementação da Universidade Corporativa, bem como entender-se as dificuldades de se conciliar todos os pontos destacados. Nos posicionamentos estratégicos de o por que aprender, e de quem aprende deve-se criar uma consciência de aprendizagem constante, incitando o trabalhador a procurar novos conhecimentos. Essa conscientização não se forma de modo rápido, mas sim dentro de um conjunto de atitudes e de procedimentos educacionais que conduzem o funcionário a uma nova maneira de entender o conhecimento, fazendo com que o funcionário busque a auto-educação. A auto-aprendizagem, ou o como aprender, também exerce um papel crucial no processo da criação do ambiente propício a uma cultura da inovação, assim como o para que aprender, atendendo tanto às necessidades pessoais e profissionais do aprendiz, quanto ampliando a consciência e responsabilidade em seu desenvolvimento integral, fazendo com que o mesmo possa alcançar um sentido e realização em sua vida pessoal e profissional, contribuindo para o estabelecimento de uma cultura de inovação permanente. Finalmente, o posicionamento estratégico referente ao quanto custa aprender é compartilhado na empresa e muda a maneira de encará-lo. Ele passa a ser um investimento estratégico e não mais um custo, pois a questão de o quanto custa não aprender torna-se arriscada para a empresa, uma vez que assim ela ficaria à mercê do mercado e de seus concorrentes. Com o modelo proposto, o aprendiz desenvolve o aprender a conhecer, a fazer, a viver e o aprender a ser, por meio de orientação (como, por exemplo, mentoria e coaching), que podem ser conduzidos dentro de uma Universidade Corporativa de caráter permanente na empresa. Este processo está na raiz da instauração da cultura de 20 Pesquisa em Debate, edição especial, 2009 ISSN 1808-978X A AÇÃO DA UNIVERSIDADE CORPORATIVA E DA GESTÃO DO CONHECIMENTO PARA A CULTURA DA INOVAÇÃO NAS EMPRESAS Dalton Antonio Giovannini, Sandra Farto Botelho Trufem inovação devendo ser uma das principais características associadas ao modelo de Universidade Corporativa desejado para o trabalho. Adquirindo conhecimentos, competências e habilidades, o funcionário pratica o que aprendeu, não somente em ambientes organizacionais, mas também em sua vida pessoal, ampliando o compromisso de se integrar em um ambiente de aprendizado constante, sentindo-se bem com sua constante aquisição, adquirindo uma automotivação e o prazer de aprender. É dentro de um ambiente competitivo desse tipo, proporcionado pela Universidade Corporativa que, primeiro a cultura de conhecimento se estabelece e posteriormente, e de forma mais gradual, a cultura da inovação deve nascer. Deve ficar claro que a manutenção dessa cultura exige um trabalho constante de mudanças e compromissos da alta direção no sentido de proporcionar, ou pelo menos facilitar a seus funcionários as atividades necessárias e requisitadas. Instaura-se o competitivismo nas empresas como forma de capitalismo voltado para o controle do trabalho. Deste modo, o estabelecimento de uma cultura voltada ao conhecimento, e incentivando a criação e distribuição do mesmo, compõe aos poucos entre os diversos elementos integrantes do processo, um gostar de conhecer, de aprender, imprescindível em um ambiente em que se deseje educar adultos. O aprendiz, neste caso, é tratado como um ser integral e trabalhador do conhecimento, que não é adestrado, nem treinado, mas sim, se auto-educa. Ele aprende a aprender, a realizar escolhas adequadas para transformar a si próprio e para exercer a condição de liderança no ambiente pessoal e empresarial. O competitivismo proporciona às empresas a construção da cultura de conhecimento indispensável ao propósito de se construir uma condição para a inovação sociológica baseada em políticas públicas. A segunda é uma evolução da primeira ou ainda, a cultura de inovação necessita que a empresa tenha uma cultura do conhecimento atuando. Com a Universidade Corporativa as empresas esperam gerar valores para seus produtos e serviços. Tal valor deve vir das inovações geradas com o conhecimento obtido, ou incentivado por intermédio do processo de treinamento dessas universidades. 21 Pesquisa em Debate, edição especial, 2009 ISSN 1808-978X A AÇÃO DA UNIVERSIDADE CORPORATIVA E DA GESTÃO DO CONHECIMENTO PARA A CULTURA DA INOVAÇÃO NAS EMPRESAS Dalton Antonio Giovannini, Sandra Farto Botelho Trufem Um primeiro, e óbvio ponto é a busca, pelo treinamento dos funcionários da empresa nas Universidades Corporativas, de uma maior produtividade, qualidade e competitividade, gerando valor perceptível a seus produtos e serviços. Ações de Universidades Corporativas poderiam, ao mesmo tempo em que agregam valor financeiro a seus produtos e serviços, educar seus funcionários, combatendo assim o analfabetismo nas suas mais diversas formas, mais uma vez apresentando ganhos em sua imagem institucional. A concatenação dessas abordagens relativas às Universidades Corporativas e à Gestão do Conhecimento deve levar a um ambiente propício à inovação. Hoje, a prática em ambientes de inovação, apontado por Cláudia Canongia et al.28, diz que a mesma: consiste em adotar procedimentos e ferramentas sem muita atenção à perspectiva de integração, perdendo a oportunidade de obter sinergias que beneficiem de forma sistemática, a capacidade de inovar. Apesar de terem sido apresentados uma série de modelos e pontos que devem ser obedecidos pelas empresas para atingir tais características, cada uma das empresas no mundo real possui características próprias, e devem adaptar os modelos dentro de suas possibilidades e necessidades. Conhecimento e inovação Dentre todas as realidades e dificuldades atuais pelas quais passam as empresas, considerando o mercado globalizado e em constante e rápida mudança, o seu reinventar permanente é, certamente, tão necessário quanto difícil de ser implementado. As empresas buscam para seus produtos ou serviços novas maneiras de agregar valor para ganhar ou para se manter no mercado. Muito embora isso seja consenso, nem todas as empresas se preocupam de forma estruturada e disciplinada às diversas maneiras de pesquisa e desenvolvimento que permitam essa necessária inovação, optando muitas vezes por adotar medidas consideradas testadas e aprovadas pelo mercado. 28 CANONGIA, Claudia et. al. Foresight, Inteligência Competitiva e Gestão do Conhecimento: Instrumentos para gestão da inovação. São Paulo: Scielo-Gestão da Produção, 2004, p. 231-238. 22 Pesquisa em Debate, edição especial, 2009 ISSN 1808-978X A AÇÃO DA UNIVERSIDADE CORPORATIVA E DA GESTÃO DO CONHECIMENTO PARA A CULTURA DA INOVAÇÃO NAS EMPRESAS Dalton Antonio Giovannini, Sandra Farto Botelho Trufem A inovação tem, portanto, limites como os custos de implantação, a capacidade da empresa ou do mercado de absorver essa inovação, caso contrário ela só passa de um devaneio. O desenvolvimento é uma fase árdua de ensaios e testes para que se obtenha o resultado desejado, com o mínimo esforço e custo, e com o máximo resultado. Embora nesta fase possa se lançar mão de terceiros, deve-se tomar o cuidado de, uma vez obtido um resultado, patenteá-lo de forma a manter a propriedade do mesmo, sem o qual podese perder esta mesma inovação para um eventual concorrente. Dentro das empresas, a criatividade para a inovação pode ser estimulada pelas mudanças de paradigma, mais radicais e mais raras, ou de mudanças pontuais, seja na eliminação de um simples parafuso ou na pequena melhoria de um processo de atendimento, ou nas inovações incrementais, voltadas para pessoas, e que demandam parâmetros claros para a criatividade, exigindo também metas e motivação constante na empresa. Para isso pode-se aplicar o que Domenico De Masi29, chama de ócio criativo, praticado inclusive pela empresa 3M, embora não com este nome, e referenciado por José Cláudio Cyrineu Terra30 como uma parte do tempo que seus funcionários dedicam a refletir em inovações, observando exemplos de outras áreas e do mercado, para poderem gerar novos produtos e serviços. Um último fator diz respeito à aplicação do conhecimento baseada em experiências coletivas e externas. Em relação a esse fator, observa-se na Figura 10 que as empresas de sucesso, em contrapartida àquelas que não obtiveram sucesso, conseguem converter conhecimento subjetivo, pela intensa comunicação pessoal e entre equipes, equipes multifuncionais com objetivos sincronizados, e adaptá-lo dentro de novos contextos, por meio de comparações internas e externas (benchmarking). Outro ponto fundamental apontado pela pesquisa foi a de que as empresas de sucesso diferenciavam, de forma bem clara, gestão do conhecimento da Tecnologia da Informação. A criação do conhecimento é outro fator que incentiva a criação de um ambiente voltado à inovação. Sua implementação se dá através do encorajamento de inovações e da geração de idéias através de canais tecnológicos, da troca de idéias entre pares, e de 29 De MASI, Domenico. O Ócio Criativo. Rio de Janeiro: Sextante, 2000, p. 90. 23 Pesquisa em Debate, edição especial, 2009 ISSN 1808-978X A AÇÃO DA UNIVERSIDADE CORPORATIVA E DA GESTÃO DO CONHECIMENTO PARA A CULTURA DA INOVAÇÃO NAS EMPRESAS Dalton Antonio Giovannini, Sandra Farto Botelho Trufem um suporte sistemático à criatividade, que no caso desse trabalho, deve ser proporcionado pela Universidade Corporativa. Outro fator a ser discutido é o da distribuição do conhecimento, implementado através da captura de conhecimento tácito por meio de alocação de equipes ou departamentos da empresa, pelo trabalho temporário em áreas distintas àquelas originais do funcionário (job rotation), e pela utilização de Intranets para identificar especialistas internos. A criação de redes de relacionamento (networking) por intermédio de treinamento regular com especialistas internos e externos, relacionamento com parceiros externos, e base de dados funcionais cruzadas, é também um ponto essencial para a distribuição desse conhecimento, e deve ser incentivada ainda dentro da Universidade Corporativa. Finalmente, a aplicação do conhecimento é fator decisivo para que, após todos os fatores anteriores terem sido implementados, torne o ambiente útil à empresa. Para isso, um primeiro ponto crítico é a superação da subjetividade do conhecimento por intermédio da comunicação pessoal entre os diversos níveis hierárquicos, equipes multidisciplinares, sincronismo das metas dentro das funções. Outro ponto crítico está na adaptação do conhecimento dentro de novos contextos por meio de comparativos (benchmarking) internos e externos, cooperação com especialistas externos, encorajamento da observação do mercado. Outro ponto importante do trabalho cooperativo é que, ao argumentar suas idéias com os outros membros, o participante trabalha ativamente seus conceitos, raciocinando sobre os mesmos e refinando-os. Para que isso possa acontecer, deve existir um espaço de projeto compartilhado apresentado por Milad Saad e Mary Lou Maher apud Anna Cicognani e Mary Lou Maher 31 como possuidores de quatro aspectos fundamentais. O primeiro aspecto trata do compartilhamento de informações, onde a representação das informações, e dos objetos de projeto, são compartilhados usando-se uma linguagem que possa ser entendida por todos os participantes do projeto. O meio de comunicação que proporciona os meios lógicos e físicos para que os participantes do projeto colaborativo possam comunicar suas intenções, planos e ações, compõe o segundo aspecto. Como terceiro aspecto fundamental destaca-se o gerenciamento de processo, onde os participantes podem determinar o estágio em que se encontra o 30 TERRA, José Cláudio Cyrineu. op. cit., p. 150. 24 Pesquisa em Debate, edição especial, 2009 ISSN 1808-978X A AÇÃO DA UNIVERSIDADE CORPORATIVA E DA GESTÃO DO CONHECIMENTO PARA A CULTURA DA INOVAÇÃO NAS EMPRESAS Dalton Antonio Giovannini, Sandra Farto Botelho Trufem projeto e o que deve ser feito em seguida. O quarto e último aspecto fundamental é o espaço de exploração, onde as alternativas devem ser propostas, ampliadas, e modificadas. Para que se consiga de forma efetiva transformar conhecimento em inovação deve-se, como dito anteriormente, iniciar-se por estabelecer uma cultura de conhecimento na empresa, o que pode ser conseguido por intermédio de treinamento na Universidade Corporativa dessa empresa. Novamente, este trabalho passa a citar neste ponto a empresa 3M como modelo de inovação, que experimenta várias formas de inovar. Em referência ao artigo de Lívio DeSimone32, os diversos fatores que são propulsores e aqueles que são restritivos a um ambiente de inovação, são apresentados dentro da empresa 3M. Em primeiro lugar, as condições para que surjam idéias inovadoras em empresas são sintetizadas em dois pontos. O primeiro é a de que a oportunidade de negócio seja um diferencial, e a segunda sobre o potencial para conversão em algo exclusivo. Deste modo, pode-se deduzir que o simples fato de se criar um ambiente para criação não é suficiente, sendo em alguns casos um fator restritivo, pois não assegura um propósito a essas inovações. Outro ponto propulsor na política de inovação da 3M é a comunicação entre os milhares de funcionários, facilitada e incentivada, e que se dá por meio do chamado empowerment, ou delegação de poderes e de responsabilidades. Ainda segundo Lívio De Simone33, “a criatividade emerge mais facilmente quando as pessoas não precisam se adaptar a regras rígidas”. Scott D. Anthony et al.34 apresentam três princípios que devem ser respeitados para uma estratégia de inovação eficiente. O primeiro princípio diz que o razoável pode ser ótimo, enquanto que o segundo postula que se deve dar um passo, não um salto, e por último que ás vezes, o fracasso é o sucesso. Em relação aos fatores propulsores, pode-se apontar aqueles que incrementam os processos de criação pela sua aplicabilidade, integrando o planejamento estratégico, 31 32 CICOGNANI, Anna; MAHER, Mary Lou. op. cit., p. 70. DeSIMONE, Livio. A visão por trás da inovação. São Paulo: HSM Management, Nov/Dez 1998, p. 1 33 34 DeSIMONE, Livio. op. cit., p. 15. ANTHONY, Scott D. Um mapa para a estratégia de inovação. São Paulo: Harvard Business Review, mai 2006, p. 14. 25 Pesquisa em Debate, edição especial, 2009 ISSN 1808-978X A AÇÃO DA UNIVERSIDADE CORPORATIVA E DA GESTÃO DO CONHECIMENTO PARA A CULTURA DA INOVAÇÃO NAS EMPRESAS Dalton Antonio Giovannini, Sandra Farto Botelho Trufem com os estudos futuros e as estruturas organizacionais existentes; estimulam o potencial de inovação; contribuem para a circulação do conhecimento; apóiam a governança dos processos de inovação; e permitem e incentivam as ações em rede. São apontados oito fatores restritivos à inovação por John P. Kotter 35, quando as mudanças que ocorrem nos diversos mercados, obrigam as empresas a modificarem constantemente sua estrutura ou seus processos. Essas mudanças podem assumir várias formas como um processo de reengenharia, redução de custos ou de pessoal, em uma transformação cultural, ou ainda na combinação de várias dessas formas. Os fatores que podem influenciar negativamente a inovação são: não ter sentido de urgência; não envolver a alta direção, que deve apoiar e comandar a mudança; subestimar o poder da visão corporativa no sentido de direcionar os esforços da mudança; não transmitir a visão de mudança; não fomentar o empowerment; não obter resultados de curto prazo; satisfazer-se logo com os primeiros resultados, deixando de consolida-los para criação de novos resultados; e não incorporar as mudanças à cultura da empresa. Em relação ao ponto sobre a incorporação à cultura da empresa, ponto central do trabalho em relação à cultura de inovação, John P. Kotter 36 diz que: se os novos comportamentos não estiverem firmemente enraizados nas normas sociais e nos valores compartilhados pela comunidade empresarial, vão degradar-se à medida que diminuírem as pressões associadas ao esforço da mudança. Embora normalmente as empresas montem áreas de inovação para que sejam geradas idéias, apontado por Thomas D. Kuczmarsky37, e para que se encontre algum uso delas no mercado, o meio correto é identificar as necessidades e problemas do mercado e, a partir disso, gerar a idéia e transformá-la em um produto. Ainda segundo o autor, a cultura inovadora deve atender a quatro princípios básicos que devem ser considerados sempre que a empresa deseja que esta cultura seja estabelecida de forma permanente. 35 KOTTER, John P. Oito erros fatais. São Paulo: HSM Management, Nov/Dez 1998, p. 36. KOTTER, John P. op. cit., p. 36. 37 KUCZMARSKY, Thomas D. Por uma consciência inovadora. São Paulo: HSM Management, Jan/Fev 1998, p. 13. 36 26 Pesquisa em Debate, edição especial, 2009 ISSN 1808-978X A AÇÃO DA UNIVERSIDADE CORPORATIVA E DA GESTÃO DO CONHECIMENTO PARA A CULTURA DA INOVAÇÃO NAS EMPRESAS Dalton Antonio Giovannini, Sandra Farto Botelho Trufem Esses quatro princípios básicos apontados são: acreditar firmemente nas equipes e gerentes de desenvolvimento de produtos; reconhecer, respeitar e recompensar; ser otimista, construtivo e participante; e jamais cortar recursos de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento). Outro fator crítico apontado pelo autor é um obstáculo que muitas vezes a empresa se impõem quando dilui seus esforços em vários projetos, ao invés de concentrar-se em projetos mais promissores. Embora muitas vezes é apontado que a inovação nas empresas não traz, necessariamente o retorno financeiro desejado, conforme mostrado pelo jornalista Heitor Shimizu38 em um levantamento da Bozz Allen Hamilton, que derruba os mitos mais comuns sobre a relação pesquisa e desenvolvimento nas empresas, inovação e número de patentes versus indicadores financeiros positivos. A pesquisa mostra que, não necessariamente, tal relação traz um retorno financeiro para os acionistas da empresa. O modelo adotado pela Procter & Gamble, denominado de “Conectar e Desenvolver”, apresentado por Larry Huston e Nabil Sakkad 39 possui as seguintes características: a de que a exploração da criatividade se dá interna e externamente a empresa, sendo que a exploração externa da criatividade não é uma terceirização, mas sim a capitalização dos recursos internos de Pesquisa e Desenvolvimento, a busca de idéias que já tenham certo sucesso (produtos de interesse do consumidor, protótipos ou tecnologias operantes). Para Carlos Luiz Pimentel 40, a forma como a empresa se organiza para o trabalho tem influência direta em seu resultado e desempenho. São apontadas aqui três formas básicas de se estruturar uma organização desse tipo: a funcional, a de projetos autônomos e a matricial. No caso de organização por projetos autônomos existe uma área temporária, dedicada exclusivamente ao trabalho a ser realizado. É uma equipe interdisciplinar 38 SHIMIZU, Heitor. O preço de sufocar a inovação. Estudo Exame/Inovação. São Paulo: Editora Abril, Ago 2007, p. 90. 39 HUSTON, Larry; SAKKAD, Nabil. Conectar e desenvolver – como funciona o novo modelo de inovação da Procter & Gamble. São Paulo: Harvard Business Review, mar 2006, p. 36. 40 PIMENTEL, Carlos Luiz. Engenharia Simultânea e sua aplicação à indústria naval. Dissertação de Mestrado, Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. São Paulo: USP, 2003, p. 76. 27 Pesquisa em Debate, edição especial, 2009 ISSN 1808-978X A AÇÃO DA UNIVERSIDADE CORPORATIVA E DA GESTÃO DO CONHECIMENTO PARA A CULTURA DA INOVAÇÃO NAS EMPRESAS Dalton Antonio Giovannini, Sandra Farto Botelho Trufem temporária, concentrada nos objetivos do projeto, e atendendo os requisitos do produto encomendado pelo cliente. Nesta estrutura organizacional existe um gerente de projeto, que tem grande autonomia, separado da estrutura tradicional, e um líder ou representante, que coordena cada um, e também uma parte do projeto. Na estrutura organizacional matricial uma ou mais equipes interdisciplinares temporárias são alocadas dentro de um projeto, com os membros da equipe podendo trabalhar em diversos projetos, ou partes de um mesmo projeto, mantendo seus compromissos em suas unidades funcionais, sendo coordenados em diferentes momentos por diferentes gerentes, funcionais e de projeto, combinando vantagens das duas estruturas anteriores. A organização funcional favorece a especialização e o acúmulo de conhecimentos, enquanto a de projetos autônomos favorece a orientação para resultados, importante quando se trata de projetos. Em uma organização matricial, os gerentes de projeto dividem as responsabilidades com os gerentes funcionais. Os primeiros são responsáveis pelo projeto e pelas suas atividades e tarefas associadas. O segundo é responsável pela alocação de recursos para o projeto. Ambos trabalham visando o projeto, mas enquanto o gerente do projeto elabora as estimativas e faz o acompanhamento global, o gerente funcional cuida da disponibilidade de seus recursos podendo cedê-los em caso de falta ou excesso em algum ponto do projeto, apontado na obra de Kim Heldman41. De um ponto de vista estático, a estrutura organizacional de um ambiente cooperativo e inovador, deve incentivar a divisão de projetos, entendidos aqui como geradores de inovação, em módulos, idealmente por intermédio de módulos com alta coesão e baixo acoplamento. A concorrência de atividades e a integridade da informação de projeto compartilhada, característica de ambientes inovadores é, conforme adaptação da idéia de Joseph D. Blackburn et al.42, carente de processos gerenciais, sendo um dos maiores 41 42 HELDMAN, Kim. Gerência de Projeto. São Paulo: Campus, 2002, p. 45. BLACKBURN, Joseph D., et al. Time-Based Software Development. Integrated Manufacturing Systems, num. 7, 1996. Disponível em:<http://www.ingentaconnect.com/content/mcb/068old/1996/00000007/00000 002/art00007>. Acesso em 13/06/2007 28 Pesquisa em Debate, edição especial, 2009 ISSN 1808-978X A AÇÃO DA UNIVERSIDADE CORPORATIVA E DA GESTÃO DO CONHECIMENTO PARA A CULTURA DA INOVAÇÃO NAS EMPRESAS Dalton Antonio Giovannini, Sandra Farto Botelho Trufem empecilhos para a criação de ambientes que favoreçam a evolução constante de uma cultura de inovação dentro das empresas. Finalizando, a cultura de inovação nas empresas não depende somente de sua estrutura organizacional, mas também de uma chamada disciplina de inovação, isto é, do aproveitamento das oportunidades que levam à inovação. O autor ainda conclui que a inovação requer conhecimento, engenhosidade e, acima de tudo, foco, acrescentado que a inovação é esforço, e não inspiração. Outro ponto interessante discutido pelo autor é que a contribuição para a inovação proporcionada por uma determinada pessoa é, normalmente, em uma área do conhecimento, e não em várias áreas. Este ponto de vista reforça a hipótese de que trabalhos inovadores em empresas acontecem em ambientes multidisciplinares, onde pessoas com conhecimentos e habilidades diferentes, mas complementares, podem potencializar a cultura de inovação existente na empresa. A determinação das funcionalidades do ambiente cooperativo e concorrente que atenda uma proposta de uma Universidade Corporativa, ao mesmo tempo em que seja incentivada a inovação, criando, mantendo e evoluindo essa cultura, deve passar inicialmente pelo fato do que se espera desse ambiente, e como ele deve ser controlado. Assim, quanto ao gerenciamento de uma Universidade Corporativa que se proponha ao estabelecimento de uma cultura de inovação, convém que o mesmo, apesar de sua proposta inovadora, obedeça ao básico sistema PDCA. Neste modelo de gerenciamento, o P (Plan = Planejar), estabelece as metas e define os métodos que permitirão atingir os objetivos propostos. Em nosso trabalho, esta atividade corresponde ao planejamento que deve ser feito em relação à estratégia a ser adotada, a tática necessária e aos programas, conteúdos, forma e apresentação dos mesmos dentro da Universidade Corporativa, de modo a conseguir estabelecer a cultura de inovação. O D (Do = Executar), diz respeito à execução do planejado conforme as metas e métodos definidos. Para o trabalho esta atividade corresponde à execução do planejamento, baseado nos conceitos de trabalho cooperativo, e no estabelecimento da cultura de inovação desejada. 29 Pesquisa em Debate, edição especial, 2009 ISSN 1808-978X A AÇÃO DA UNIVERSIDADE CORPORATIVA E DA GESTÃO DO CONHECIMENTO PARA A CULTURA DA INOVAÇÃO NAS EMPRESAS Dalton Antonio Giovannini, Sandra Farto Botelho Trufem Em nosso trabalho, o C (Check = Verificar), corresponde à verificação constante do andamento do projeto e particularmente das atividades que devem levar ao estabelecimento da desejada cultura de inovação, verificando os resultados que alcançados, bem como à avaliação de qualidade do sistema. Finalmente, o A (Action = Agir) corresponde às correções que se fizerem necessárias, tomando ações corretivas ou de melhoria, que permitam o estabelecimento da cultura de inovação. Entretanto, em ambientes de trabalho cooperativo, o ciclo de gerenciamento tipo PDCA pode ser mais difícil de ser executado, dado que as complexidades são drasticamente combinadas pelo fato de se envolver múltiplos atores. A estratégia tradicional utilizada para se controlar essas complexidades, consiste em sujeitar o processo cooperativo a um regime rigorosamente hierárquico, o que pode acabar engessando a cultura criativa que se deseja instaurar. Outro ponto fundamental para um gerenciamento eficiente e eficaz de um ambiente deste tipo requer mais do que um bom planejamento. Ele requer que as informações relevantes, adaptando-se à manutenção de uma cultura de inovação sejam obtidas, analisadas e revistas em tempo hábil é apontado por Harold Kerzner 43. Para obter-se esta informação correta, no lugar certo e na hora certa, é necessário que um Sistema de Informação (SI) conveniente, seja constituído. Como requisitos mínimos para um SI deste tipo, apoiando os processos dentro do ambiente de inovação proposto, e como primeiro passo para o estabelecimento de um modelo de Universidade Corporativa, podem ser citados, de forma resumida, os seguintes: informações coerentes e atualizadas; compartilhamento de informações integradas, consistidas, coerentes e atualizadas; pessoal envolvido e preparado segundo padrões de desempenho constantes e documentados; utilização de tecnologia de informação distribuída (redes, bancos de dados, componentes, processamento, software cooperativo, etc.) disponibilizando-se recursos de modo descentralizado, apontado por Anthony M. Townsend et al. 44; conjunto de procedimentos padronizados e, ao mesmo tempo, dotados de flexibilidade; e incorporar características para o gerenciamento 43 KERZNER, Harold. Project management: a system approach to planning scheduling and controlling. New York: VNR, 1997, p. 120. 44 TOWNSEND, Anthony M.; DEMARIE, Samuel M.; HENDRICKSON, Anthony R. Virtual Teams: Technology and workplace of the future. IEEE Engineering Management Review, New York: Second Quarter, 2000, pp. 77. 30 Pesquisa em Debate, edição especial, 2009 ISSN 1808-978X A AÇÃO DA UNIVERSIDADE CORPORATIVA E DA GESTÃO DO CONHECIMENTO PARA A CULTURA DA INOVAÇÃO NAS EMPRESAS Dalton Antonio Giovannini, Sandra Farto Botelho Trufem adequado de documentos, tanto estruturados quanto desestruturados, desde que tenham relevância para o projeto, e chamado de Gerenciamento Eletrônico de Documentos.Finalmente, esses diversos elementos referentes aos requisitos e SI, devem ser consubstanciados por um conveniente conjunto de suporte computacional. Embora este não seja o objetivo do trabalho, a apresentação de tais ferramentas, sem entrar em seus detalhes, auxiliará o entendimento das necessidades de uma Universidade Corporativa que tenha como objetivo a criação de uma cultura de inovação. Para isso, idealmente e de forma mais genérica possível, pode-se destacar o chamado CSCW ( Computer Supported Cooperative Work), ou trabalho cooperativo suportado por computador. O CSCW pode ser definido de forma muito diferente por diversos autores, atestado por Jonathan Grudin45. Alguns deles colocam a tecnologia que fornece o acesso aos arquivos compartilhados como o enfoque principal do CSCW, enquanto outros considerarão sistemas de e-mail e outras formas de comunicação como os componentes do CSCW. Essa discussão leva a uma possível definição de CSCW como aqueles elementos que são baseados nos aspectos cooperativos do trabalho a serem suportados, e as facilidades que são fornecidas aos usuários pelo compartilhamento de arquivo, e outros dispositivos tecnológicos, constituindo uma mudança de paradigma para o trabalho. Embora o Brasil não considerado seja um exemplo de inovação, devido ao baixo número de patentes registradas no país, existem ilhas de excelência a serem exploradas. No artigo da jornalista Angela Pimenta46, a autora cita que um exemplo de sucesso brasileiro é da empresa 24X7, criada por um médico, “adaptando máquinas automáticas de refrigerantes para vender livros a preços populares em estações de metrô”. É o típico exemplo da adaptação de uma tecnologia já existente, inovando para a criação de um novo produto. Importante mostrar que a inovação não é somente a criação de produtos revolucionários, que quebram paradigmas, mas também daqueles que implicam em melhorias. O número de registros de patentes é um indicador de esforço inovador de uma empresa e revela a propriedade sobre investimentos em pesquisa e desenvolvimento 45 GRUDIN, Jonathan. CSCW: The convergence of two development contexts, in CHI ’91. ACM SIGCHI - Conference on Human Factors in Computing Systems. New Orleans: ACM Press, 1991, p. 89. 46 PIMENTA, Ângela., p. 05 31 Pesquisa em Debate, edição especial, 2009 ISSN 1808-978X A AÇÃO DA UNIVERSIDADE CORPORATIVA E DA GESTÃO DO CONHECIMENTO PARA A CULTURA DA INOVAÇÃO NAS EMPRESAS Dalton Antonio Giovannini, Sandra Farto Botelho Trufem executados. No Brasil o registro de uma patente no Instituto Nacional de Propriedade Industrial pode demorar de 8 a 10 anos, trazendo prejuízos à economia e à própria inovação. Assim, patentes registradas em um determinado ano referem-se a inovações realizadas há cerca de uma década. Com a finalidade de acelerar o registro de patentes e marcas no INPI, o órgão passa atualmente por um processo de ampliação de seu quadro de técnicos examinadores, responsáveis pela análise dos pedidos de patente, e também de informatização de seus diversos setores, processo esse fundamental para que se compare com produtos pendentes de patente no Brasil e no exterior, além de facilitar e otimizar os processos administrativos decorrentes. Essa demora atual na concessão de patentes é apontada como um dos entraves à inovação nas empresas, e que acabam diluindo o interesse em pesquisa, pois isso gera incerteza para os investidores, inclusive permitindo que pessoas e empresas inescrupulosas se aproveitem indevidamente de inovações que aguardam registro. Casos de universidades corporativas Nos Estados Unidos, onde nasceu o conceito, e que hoje é o principal seguidor da Universidade Corporativa, existem parcerias consolidadas com universidades tradicionais e, em alguns casos, cursos ministrados em universidades empresarias contam crédito em cursos de graduação de escolas tradicionais. Em um artigo de Marisa Eboli47, alguns exemplos destas parcerias incluem empresas como a Daimler-Chrysler com UCLA; a AT&T com University of Phoenix; a Whirlpool com Indiana University; o Chase Manhattan com Cornell University; e a Oracle com University of Maryland. Como referência histórica para o Brasil vale registrar que o Grupo Amil e a cervejaria Brahma foram empresas pioneiras no Brasil na implementação de Universidades Corporativas. No primeiro caso, uma iniciativa pioneira no Brasil foi o da Escola Amil, do Grupo Amil (serviços de saúde), criada em 1987, com o objetivo de perpetuar uma forma de trabalho dentro de um formato de uma Universidade Corporativa própria, que passou a virar referência de educação corporativa nos anos 1990 no país. 47 EBOLI, Marisa. op. cit, p. 34. 32 Pesquisa em Debate, edição especial, 2009 ISSN 1808-978X A AÇÃO DA UNIVERSIDADE CORPORATIVA E DA GESTÃO DO CONHECIMENTO PARA A CULTURA DA INOVAÇÃO NAS EMPRESAS Dalton Antonio Giovannini, Sandra Farto Botelho Trufem Outro caso pioneiro e que serviu como referência para uma série de modelos de educação empresarial foi o da Brahma. No caso da Universidade Corporativa da Brahma, posteriormente AmBeV, e mais atualmente uma empresa transnacional, a InBeV, se destaca como elemento incentivador da modernidade da empresa, situada em um concorrido segmento da economia, e que encontrava-se, recém adquirida pelo Grupo Garantia. Esse grupo, um conglomerado empresarial e financeiro, teve seu modelo de trabalho incorporado pela Brahma, consolidado por meio do treinamento em sua Universidade Corporativa, a chamada Universidade Brahma, em 1995, instituindo-se assim, pelo treinamento, a característica do pragmatismo, a ênfase no planejamento e o foco nos resultados. Outros casos que podem ser mencionados são os da White Martins, e o do o Grupo Gerdau. O estudo do caso Tigre mostra a vontade de inovar, o que em nosso trabalho representa a fixação de uma cultura de inovação, é atestada pelos entrevistados como uma das características que favorecem a aprendizagem, ao passo que a extrema cautela é um dos fatores que inibe tal percepção sobre a inovação. Em relação à aprendizagem de seus executivos, tem-se que os mesmos reconhecem na aprendizagem uma necessidade própria e, por conseguinte, da organização. Colocam-se como aprendizes, sabem das suas potencialidades e limitações e, sobretudo, conhecem as formas pelas quais aprendem. 48 Pode-se extrapolar daí que a empresa que conseguir, por meio do conveniente treinamento em sua Universidade Corporativa e na correta gestão de seus conhecimentos, criar a cultura de inovação, tem que posteriormente mantê-la viva dentro da cultura organizacional. Conforme a tese de Possomai49, a Tigre reúne duas qualidades, entendendo que a aprendizagem organizacional se dá por meio das aprendizagens individuais, sendo que a primeira dessas qualidades é que transforma conhecimento tácito em explícito, de modo intencional, e a segunda é a que cria um ambiente natural de aprendizagem, porque 48 49 EBOLI, Marisa. op. cit, p. 38 POSSOMAI, Fabíola. op. cit., p. 12 33 Pesquisa em Debate, edição especial, 2009 ISSN 1808-978X A AÇÃO DA UNIVERSIDADE CORPORATIVA E DA GESTÃO DO CONHECIMENTO PARA A CULTURA DA INOVAÇÃO NAS EMPRESAS Dalton Antonio Giovannini, Sandra Farto Botelho Trufem aprender faz parte do trabalho na organização e que, neste caso da Tigre, isto é feito de modo informal e com decisões partilhadas, sendo assim possível que as pessoas autodirecionarem sua aprendizagem. Finalmente, como chamada na tese de implicações para a prática, a autora apresenta suas conclusões quanto à influência da cultura da organização no aprendizado dos executivos da Tigre, por alguns pontos relevantes para o presente trabalho, expostos a seguir. O último ponto destacado pela tese de Possomai 50 leva me conta o quadro de profissionais da empresa e seu perfil quanto à forma de aprendizagem. Os entrevistados demonstraram claramente que compreendem a importância da educação continuada e que efetivamente, cada qual a seu modo, realizam ações ou atividades que os colocam permanentemente em sintonia com o sentido dessa concepção de educação. Outro ponto forte é que os executivos sabem as formas pelas quais seu aprendizado ocorre, o que se torna material importante para as organizações planejarem ou fomentarem a aprendizagem, seja ela formal ou não, em seu ambiente ou não. Tudo isso aponta para a demonstração do objetivo do trabalho, no sentido de avaliar práticas educacionais dentro de organizações que adotam a Universidade Corporativa como premissa para a educação de seus colaboradores, no sentido de criar uma cultura propícia à inovação. Uma crítica apontada por Maurício Hreczkiu51 é de que muitas empresas brasileiras ainda carecem de uma unidade responsável pela difusão de sua visão e valores estratégicos, bem como pela acumulação do conhecimento adquirido, missão que cabe às Universidades Corporativas. Assim, hoje os executivos cobram da área responsável pelo treinamento um foco maior no negócio, a demonstração do custo/benefício de suas atividades e a imagem de um centro de lucros, enquanto também deveriam pensar que essas Universidades Corporativas devem abordar o treinamento de forma pró-ativa, deixando de ser apenas solucionadoras de problemas que já ocorreram, preparando os funcionários para aprender a aprender e para inovar, mudando a empresa permanentemente. Conclusões 50 POSSOMAI, Fabíola. op. cit., p. 12 34 Pesquisa em Debate, edição especial, 2009 ISSN 1808-978X A AÇÃO DA UNIVERSIDADE CORPORATIVA E DA GESTÃO DO CONHECIMENTO PARA A CULTURA DA INOVAÇÃO NAS EMPRESAS Dalton Antonio Giovannini, Sandra Farto Botelho Trufem A pesquisa atual permitiu visualizar o estado-da-arte no relativo às Universidades Corporativas e ao trabalho das mesmas como o conhecimento dentro das empresas. Verificou-se que embora muitas empresas tenham incorporado dentro de domínio o que elas denominam Universidade Corporativa, algumas delas utilizam o conceito meramente como uma grife para apresentar treinamentos específicos para sua especialidade. Isto foi possível a partir da pesquisa e posterior seleção de casos representativos da situação atual das Universidades Corporativas dessas empresas. Outro ponto verificado é que as empresas que possuem Universidades Corporativas e as utilizavam para gerar uma cultura de aprendizado permanente são, de maneira direta, aquelas que mais são associadas com a inovação de seus produtos e serviços. Pode-se extrapolar daí, mesmo com o pequeno universo pesquisado, que o modo de utilização da Universidade Corporativa influencia diretamente em sua forte posição nos mercados nacional e mundial, por garantir um ambiente de trabalho mais flexível para as mudanças globais. A conclusão do estudo realizado também sugere a existência de uma relação entre a educação corporativa, materializada pelas chamadas Universidades Corporativas, e a gestão do conhecimento, no estabelecimento de uma cultura de inovação nas empresas. Chegou-se a esta conclusão por meio da pesquisa de diversos casos no Brasil e no exterior, apontados no trabalho, e selecionados a partir daquelas empresas que apresentavam processos de inovação presentes no seu cotidiano. A pesquisa realizada sugere que os pontos chave para a criação e manutenção de um ambiente de inovação são aqueles relacionados com o incentivo à aprendizagem constante. A partir daí, um dos principais objetivos da Universidade Corporativa passa a ser o de ensinar a aprender como forma de utilizar todo o conhecimento existente na empresa como fonte geradora de novos conhecimentos e atributos que a coloca como propícia à inovação. Imaginando um futuro próximo, não se vê perspectiva da Universidade Corporativa substituir as Universidades formais. Ela deve continuar como um complemento ao ensino clássico, incorporando competências e habilidades necessárias dentro de ambientes empresariais diversos, não cobertos pela educação formal. 51 HRECZKIU, Mauricio. op. cit., p. 77. 35 Pesquisa em Debate, edição especial, 2009 ISSN 1808-978X A AÇÃO DA UNIVERSIDADE CORPORATIVA E DA GESTÃO DO CONHECIMENTO PARA A CULTURA DA INOVAÇÃO NAS EMPRESAS Dalton Antonio Giovannini, Sandra Farto Botelho Trufem Adicionalmente, como objeto do trabalho, deve caber à Universidade Corporativa, mais do que simplesmente servir de base de treinamento operacional, tático e estratégico, o nobre papel de incentivar o aprendizado contínuo. Ensino a distância, ambientes para teleconferências, aulas gravadas e reprodutíveis indefinidamente, ambientes virtuais passíveis de serem convertidos em ambientes de treinamento como, por exemplo, o second life, irão proporcionar novas maneiras de se pensar o aprendizado, por meio de formas lúdicas e mais eficazes para a apresentação de conteúdo. Talvez, o futuro da Universidade Corporativa, passe pelo reconhecimento do sistema oficial de ensino como um certificado equivalente a um diploma, conforme as empresas forem sofisticando esta forma de treinamento. Ou então ela se torne o complemento de ordem particular de cada empresa, e seja reconhecida como uma certificação dentro de comunidades profissionais em áreas particulares, ampliando somente o conhecimento técnico de seus participantes. Embora em parte isto aconteça atualmente, esse trabalho aponta que a maior contribuição da Universidade Corporativa não é esse conhecimento técnico, e sim, o crescimento pessoal proporcionado. Trabalhos complementares a esse podem explorar o rico universo das ferramentas, principalmente aquelas informatizadas, que podem ser utilizadas para a obtenção dos resultados dentro dos modelos e pontos sugeridos, bem como partir para o estudo de casos que corroborem a hipótese. Referências bibliográficas ANTHONY, Scott D. Um mapa para a estratégia de inovação. São Paulo: Harvard Business Review, mai 2006, p. 14. ANTUNES, Maria Thereza Pompa. Capital Intelectual. São Paulo: Atlas, 2000, p. 95. BELMONTE, Danillo Leal et al. A Gestão do Conhecimento nas pequenas e médias empresas. Ponta Grossa: UEPG Ci. Hum., Ci. Soc. Appl. Ling., Letras e. Artes, dez 2005, p. 123. BERTALANFFY, Ludwig Von. 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