KPMG Internacional
Pesquisa Internacional
da KPMG sobre
Relatórios de
Responsabilidade
Corporativa 2013
kpmg.com/sustainability
Sumário Executivo
2
Pesquisa Internacional da KPMG sobre Relatórios de Responsabilidade Corporativa 2013: Sumário Executivo
Pesquisa Internacional
da KPMG sobre
Relatórios de
Responsabilidade
Corporativa 2013
Sobre a pesquisa
A Pesquisa Internacional da KPMG oferece um panorama das atuais tendências
relativas à elaboração de relatórios de responsabilidade corporativa, com o objetivo
de apoiar as iniciativas de empresas no mundo inteiro para mais transparência e
melhor prestação de contas.
A publicação se destina primariamente a líderes empresariais, membros de
conselhos de administração e profissionais de responsabilidade corporativa e de
sustentabilidade. Ela também se dirige a outros públicos, como investidores,
gestores de ativos e agências de rating, que têm demonstrado interesse crescente
em informações relacionadas à governança corporativa, desempenho ambiental e
social. Organizações não governamentais, acadêmicos e os responsáveis pela
gestão de políticas públicas também poderão encontrar nesta pesquisa assuntos
para reflexão.
Esta é a oitava edição da pesquisa, que marca os vinte anos desde a primeira
edição, publicada em 1993. Neste ano, ela envolveu 4.100 empresas de 41 países,
uma amostra 20% maior que a da edição anterior. Esta ampliação não só reflete a
importância que a KPMG atribui ao tema, mas é também um indicativo de que os
relatórios de responsabilidade corporativa, ou de sustentabilidade, estão se
tornando cada vez mais comuns e necessários.
Os resultados da pesquisa são apresentados em duas partes:
Parte 1:
As tendências globais em relatórios de responsabilidade corporativa
Nesta seção, examina-se o conjunto das 100 maiores empresas em faturamento
dos 41 países pesquisados a fim de avaliar a) quantas produzem relatórios de
responsabilidade corporativa; b) os fatores que motivaram a publicação destes
relatórios; c) as diferenças setoriais; d) o uso de normas; e e) a asseguração dos
indicadores divulgados.
Parte 2:
A qualidade dos relatórios entre as maiores empresas do mundo
Nesta seção, analisam-se os relatórios das 250 maiores empresas do mundo para
avaliar sua qualidade, identificar as empresas líderes e discutir tendências.
Pesquisa Internacional da KPMG sobre Relatórios de Responsabilidade Corporativa 2013: Sumário Executivo
3
4 | IDH - The Sustainable Trade Initiative, Solidaridad and UTZ Certified
4
Pesquisa Internacional da KPMG sobre Relatórios de Responsabilidade Corporativa 2013: Sumário Executivo
Metodologia
Escopo desta pesquisa
Os profissionais das firmasmembro da KPMG conduziram
uma pesquisa detalhada sobre
as práticas de divulgação, pelas
empresas, de informações
relacionadas à responsabilidade
corporativa. A pesquisa se baseou em
informações publicadas em relatórios
financeiros anuais, em relatórios de
responsabilidade corporativa e nas
páginas oficiais das empresas na
internet. Utilizaram-se prioritariamente
os relatórios publicados entre meados
de 2012 e meados de 2013. Na eventual
ausência de relatórios deste período,
consideraram-se as informações de
2011. As informações referentes a
períodos anteriores a janeiro de 2011
não foram incluídas nesta pesquisa.
As análises foram baseadas somente
em informações públicas, e não em
informações enviadas pelas empresas
às firmas-membro da KPMG.
Figura 1:
Terminologia usada nos relatórios
publicados used
pelasbyN100
Terminology
N100
11
2 2
6
6
43
14
Uma nota sobre a terminologia:
“responsabilidade corporativa” vs.
“sustentabilidade”
A terminologia utilizada em relatórios
corporativos varia entre as empresas.
Um levantamento realizado para
esta pesquisa1 revela que os termos
mais adotados são “Relatório de
Responsabilidade Corporativa” (14%)
ou “Relatório de Responsabilidade
Social Corporativa” (25%), ou “Relatório
de Sustentabilidade” (43%). Nesta
pesquisa, os termos “responsabilidade
corporativa” e “sustentabilidade” são
usados como equivalentes e foram
considerados como tal para a seleção da
amostra de relatórios corporativos.
Pesquisa N100
A primeira parte da pesquisa avalia a
prática de relatórios de responsabilidade
corporativa entre as 100 maiores empresas
em cada um dos 41 países pesquisados,
4.100 empresas no total. Essas empresas
são citadas como as empresas “N100”.
As firmas-membro da KPMG
identificaram as N100 pelo seu
faturamento, tomando como base
fontes nacionais reconhecidas. Nos
países onde não havia um ranking
completo disponível, as N100 foram
identificadas pelo valor de mercado ou
por meio de outras formas de
mensuração adequadas ao setor. As
N100 incluem tanto empresas cotadas
Américas
Sobre o grupo de empresas N100, foram
analisados os seguintes aspectos:
• número de empresas que publicam
as informações de responsabilidade
corporativa, em relatórios específicos
ou como parte integrante do seu
relatório anual, por país e por setor
• o formato do relatório e a integração
das informações sobre as
responsabilidades corporativas em
outros relatórios
• uso de diretrizes e normas para
elaboração dos relatórios
• proporção de relatórios que são
objeto de asseguração externa, os
tipos de asseguração realizada, quais
os prestadores de serviços de
asseguração e a frequência de
republicação de dados
Os países incluídos na pesquisa de 2013
foram:
Europa
Oriente Médio e
África
Brasil
Austrália
Bélgica
Polônia
Angola
Canadá
China (incluindo Hong Kong)
Dinamarca
Portugal
Israel
Chile
Índia
Finlândia
Romênia
Nigéria
Colômbia
Indonésia
França
Rússia
África do Sul
Sustentabilidade
México
Japão
Alemanha
Eslováquia
EAU
Responsabilidade Corporativa
EUA
Cazaquistão
Grécia
Espanha
Responsabilidade Social Corporativa
Malásia
Hungria
Suécia
Desenvolvimento Sustentável
Nova Zelândia
Itália
Suíça
Cingapura
Holanda
Reino Unido
Relatório Socioambiental
Coreia do Sul
Noruega
People, planet, profit (pessoas, planeta, lucro)
Taiwan
25
Outro
Cidadania Corporativa
Responsabilidade Corporativa e Sustentabilidade
Fonte: KPMG Survey of Corporate Responsibility
Reporting, dezembro de 2013
1
Ásia-Pacífico
em bolsa como empresas com
estruturas de propriedade diferenciadas,
tais como empresas privadas e estatais.
Nove países foram incorporados à
amostra da pesquisa neste ano (vide o
quadro abaixo), enquanto outros dois
que participaram em 2011 não fazem
mais parte da pesquisa de 2013
(Bulgária e Ucrânia).
Países que foram incluídos pela primeira vez na amostra da pesquisa de 2013
Fonte: KPMG Survey of Corporate Responsibility Reporting, dezembro de 2013
Pesquisa realizada apenas nos países de língua inglesa.
Pesquisa Internacional da KPMG sobre Relatórios de Responsabilidade Corporativa 2013: Sumário Executivo
5
Figura 2:
Empresas G250, por local da sede (%)
2
2
2
2
2
11
Figura 3:
Empresas G250, por setor de atividade (%)
11
2 16
3
3
27
2 2 2
25
4
4
3
3
5
3
6
5
13
8
8
Estados Unidos
13
6
7
12
Outros:
Japão
Malásia
China
Áustria
França
Tailândia
Alemanha
Finlândia
Reino Unido
Noruega
Suíça
Arábia Saudita
Itália
Taiwan
Espanha
Singapura
Holanda
Turquia
Coreia do Sul
Canadá
Austrália
Dinamarca
Brasil
Luxemburgo
Índia
Suécia
Rússia
Venezuela
México
7
Serviços Financeiros
e Seguros
Construção e Materiais
de Construção
Petróleo e Gás
Alimentos e Bebidas
Comércio e Varejo
Farmacêutico
Automotivo
Serviços Diversos
Eletroeletrônicos
Mineração
Comunicação e Mídia
Transporte
Serviços Públicos
Produtos Químicos
e Sintéticos
Metais e Manufaturados
A categoria de “serviços diversos” inclui: entretenimento,
saúde, hotelaria, correio, serviços de embalagem e
despacho. O número de empresas em cada um destes
setores representa menos de 1% das G250.
Fonte: KPMG Survey of Corporate Responsibility Reporting, dezembro
de 2013
Fonte: KPMG Survey of Corporate Responsibility
Reporting, dezembro de 2013
6
11
Pesquisa Internacional da KPMG sobre Relatórios de Responsabilidade Corporativa 2013: Sumário Executivo
Pesquisa G250
Avaliou-se a qualidade dos relatórios de
responsabilidade corporativa emitidos
pelas G250 com base em sete critérioschave, que têm destaque nas atuais
diretrizes para elaboração de relatórios e
são fundamentais na visão da KPMG:
• Estratégia, risco e oportunidade – o
relatório apresenta uma avaliação
clara dos riscos relacionados às
responsabilidades corporativas, além
das oportunidades que eles
representam em contrapartida.
Descreve as medidas que a empresa
adota como resposta a estes riscos.
• Materialidade – o relatório
demonstra a forma como se
identificaram as questões com maior
potencial de impacto sobre a
empresa em si e suas partes
interessadas (stakeholders). Ou seja,
descreve o processo de avaliação da
materialidade, de engajamento dos
stakeholders e a maneira como os
resultados desta análise se refletem
no gerenciamento de riscos e na
busca de oportunidades.
• Metas e indicadores – a empresa
utiliza metas e indicadores de
desempenho representativos (p.ex.,
dados mensuráveis e em escalas de
tempo apropriadas) para monitorar a
evolução e reportar, de forma clara,
seu desempenho em relação a estas
metas e objetivos.
• Fornecedores e cadeia de valor – o
relatório de responsabilidade
corporativa explica os impactos
sociais e ambientais gerados pela
cadeia de fornecedores, bem como
os impactos causados nas etapas de
produção e comercialização de
produtos e/ou serviços pela empresa.
Demonstra como a empresa gerencia
estes impactos.
• Engajamento das partes
interessadas – a empresa apresenta
no relatório de responsabilidade
corporativa seus principais
stakeholders. Descreve o processo de
engajamento e a maneira como ela
responde aos feedbacks recebidos.
• Governança corporativa – o relatório
apresenta a estrutura de governança e
os processos decisórios criados para a
gestão das questões relacionadas a
responsabilidade corporativa.
Descreve o vínculo existente entre o
desempenho nestas atividades e a
remuneração.
equilibrada sobre o desempenho da
empresa, incluindo informações
sobre aspectos tanto positivos
quanto negativos.
As empresas G250 foram avaliadas
com base nos critérios acima. Atribuiuse maior peso aos temas estratégia,
riscos e oportunidades, materialidade,
metas e indicadores e engajamento
das partes interessadas, dada sua
importância relativa.
Como resultado, foi identificado um
grupo de 10 empresas líderes (cada
uma delas com 90 pontos ou mais, em
uma escala de 100), assim como as
empresas com a mais alta pontuação
em cada um dos 14 setores industriais
representados nas G250.
Os executivos deste conjunto de 14
empresas foram entrevistados para
revelar como eles abordam as
questões relacionadas ao relatório de
responsabilidade corporativa. As
principais lições aprendidas estão
descritas na página 38 da pesquisa.
• Transparência e equilíbrio – o
relatório de responsabilidade
corporativa apresenta uma visão
Pesquisa Internacional da KPMG sobre Relatórios de Responsabilidade Corporativa 2013: Sumário Executivo
7
8
Pesquisa Internacional da KPMG sobre Relatórios de Responsabilidade Corporativa 2013:
20
Sumário Executivo
Vale a pena publicar um Relatório
de Responsabilidade Corporativa?
Alguns dizem que os relatórios de
responsabilidade corporativa são uma
perda de tempo e de dinheiro –
acreditam que eles são tão densos e
maçantes que ninguém se daria ao
trabalho de lê-los. Outros veem estes
relatórios como veículos de propaganda
e greenwashing, uma oportunidade para
as empresas supervalorizarem suas
credenciais sociais e ambientais sem
qualquer intenção real de mudanças.
Alguns no mundo corporativo acham a
produção desses relatórios muito
complexa e dispendiosa e o retorno
sobre o investimento, duvidoso.
Embora eu entenda as preocupações
por trás de críticas como essas,
acredito que, felizmente, tal visão vem
sendo superada.
Sim, os relatórios de responsabilidade
corporativa muitas vezes não são fáceis
de ler e as empresas deveriam
comunicar as informações de forma
mais digerível e envolvente. Contudo,
isso não justifica não publicá-lo.
Sim, o greenwashing pode ser um risco,
mas com o tempo as partes
interessadas - desde organizações não
governamentais e grupos de pressão
até clientes e investidores – serão todas
mais capazes de fazer a distinção entre
ações de fachada e o desempenho da
empresa com relação às suas
responsabilidades corporativas. Não é
mais tão fácil assim ludibriar as pessoas.
Sim, um relatório de responsabilidade
corporativa elaborado de forma
adequada, assim como qualquer tipo de
relatório corporativo, requer recursos
humanos e financeiros.
O ponto que não tem sido percebido por
muitas pessoas que fazem esse tipo de
crítica é que, no século 21, o relatório de
responsabilidade corporativa é – ou
deveria ser – uma ferramenta essencial
de gestão de negócios. Ele não é – ou
não deveria ser – algo produzido
simplesmente para amenizar potenciais
críticas e destacar as boas ações das
empresas.
Vivemos em um mundo que está
passando por mudanças ambientais e
sociais sem precedentes. O
crescimento desenfreado da população
está fomentando demandas cada vez
maiores por recursos limitados e
condições climáticas extremas e
imprevisíveis estão afetando o
fornecimento das principais
commodities. Condições e expectativas
sociais em transformação estão
impulsionando tanto um maior poder de
compra como tensões sociais.
A elaboração do relatório de
responsabilidade corporativa possibilita
à empresa entender, de um lado, a sua
exposição aos riscos provocados por
estas mudanças e, de outro, a sua
capacidade para explorar as novas
oportunidades de negócio que elas
geram. É um meio pelo qual uma
empresa coleta e analisa dados que são
determinantes no seu processo de
geração de valor e de adaptação a
mudanças ambientais e sociais no longo
prazo. O relatório de responsabilidade
corporativa é essencial para convencer
os investidores sobre o futuro da
empresa que vai além do próximo
trimestre ou do próximo ano.
O que me deixa entusiasmado nesta
edição da Pesquisa Internacional da
KPMG sobre os Relatórios de
Responsabilidade Corporativa são os
sinais de que muitas das maiores
empresas do mundo estão utilizando o
processo de elaboração deste relatório
para incorporar as responsabilidades
corporativas e o conceito de
sustentabilidade ao cerne da sua
estratégia de negócio, que é o lugar ao
qual elas pertencem.
Quase todas as 250 maiores empresas
do mundo produzem relatórios de
responsabilidade corporativa. Entre
estas que o fazem, nove em cada dez
utilizam seus relatórios para identificar
as mudanças ambientais e sociais que
impactam tanto os negócios como seus
stakeholders. Oito em cada dez
empresas afirmam ter uma estratégia
para gerenciar os riscos e as
oportunidades. Sete em cada dez
empresas afirmam que essas mudanças
trazem oportunidades de inovação de
produtos e serviços e um número
pequeno de empresas na vanguarda,
aproximadamente um terço das
pesquisadas, também reporta
oportunidades de aumentar sua
participação no mercado e de cortar
custos. O caminho que estas empresas
estão trilhando hoje deverá ser seguido
pelas outras no futuro.
Acredito que não nos cabe mais discutir
se as empresas devem ou não devem
elaborar um relatório de
responsabilidade corporativa. De acordo
com as constatações desta pesquisa,
essa já se tornou uma prática
empresarial padrão, adotada no mundo
inteiro. As perguntas que as empresas
deveriam fazer a si mesmas agora, e as
quais nos empenhamos em responder,
são “o que incluir no relatório?”, “como
fazê-lo?”, e, acima de tudo, “como
aproveitar o processo de elaboração do
relatório para gerar o máximo valor para
os nossos acionistas e demais
stakeholders?”.
Yvo de Boer
Líder global da KPMG
para consultoria em
Mudanças Climáticas
e Sustentabilidade
Pesquisa Internacional da KPMG sobre Relatórios de Responsabilidade Corporativa 2013: Sumário Executivo
9
Principais constatações:
As tendências globais em relatórios de
responsabilidade corporativa
Observa-se um crescimento
significativo de relatórios de
responsabilidade corporativa nos
países emergentes.
• Nos últimos dois anos, houve um
aumento significativo nos índices de
publicação de relatórios de
responsabilidade corporativa na região
Ásia-Pacífico. Este tipo de relatório é
elaborado por quase três quartos (71%)
das empresas com sede na região – um
aumento de 22 pontos percentuais
desde 2011, quando menos da metade
delas (49%) o produzia.
• A região das Américas ultrapassou a
Europa como a região líder em publicação
de relatórios de responsabilidade
corporativa, devido principalmente ao
aumento expressivo observado na
América Latina. Atualmente, o percentual
de empresas que adotam esta prática na
região das Américas, Europa e ÁsiaPacífico corresponde, respectivamente, a
76%, 73% e 71% do total de empresas
pesquisadas em cada uma delas.
• O maior aumento em publicação de
relatórios de responsabilidade
corporativa, comparado a 2011, ocorreu
nos seguintes países: Índia (+53 pontos
percentuais), Chile (+46), Cingapura
(+37), Austrália (+25), Taiwan (+19) e
China (+16).
• Atualmente, o relatório de
responsabilidade corporativa é, sem
dúvida, uma prática empresarial padrão
no mundo inteiro, adotada por quase
três quartos (71%) das 4.100 empresas
que participaram da pesquisa em 2013.
Esse índice global aumentou 7 pontos
percentuais desde 2011, ano em que
menos de dois terços das empresas
que participaram da pesquisa (64%)
publicavam este tipo de relatório.
• Entre as 250 maiores empresas do
mundo, o índice de publicação de
Visão da KPMG
Publicar ou não publicar relatórios de
responsabilidade corporativa?
10
relatório de responsabilidade
corporativa está mais ou menos estável
em 93%.
Os setores de indústria na retaguarda
demonstram progresso e se aproximam
dos líderes.
• Em todos os setores, mais da metade
das empresas publica relatórios de
responsabilidade corporativa, o que
significa que esta pode ser considerada
uma prática empresarial padrão,
adotada no mundo inteiro,
independentemente do setor. Dois
anos atrás, menos da metade dos
setores obteve índices de publicação de
relatórios acima de 50%.
Paralelamente, a diferença entre o setor
com a pontuação mais alta e o setor
com a pontuação mais baixa diminuiu
para 22 pontos percentuais.
• Nos últimos dois anos, os relatórios de
responsabilidade corporativa se
disseminaram mais rapidamente em
alguns setores específicos. As
empresas dos setores de
Telecomunicação / Mídia e Automotivo
apresentam hoje os mais altos índices
de publicação do relatório (77% e 75%,
respectivamente), o que contrasta com
o que foi observado em 2008, quando
estas taxas estavam entre as mais
baixas (49% e 47%, respectivamente).
As empresas não deveriam mais se questionar se devem ou não publicar um relatório de
responsabilidade corporativa - acreditamos que essa discussão já esteja encerrada. Os índices
de publicação encontrados no mundo todo demonstram que hoje se trata de uma prática
empresarial padrão e isto tende a reforçar as expectativas dos stakeholders com relação à
transparência e à prestação de contas sobre os impactos causados pelas empresas e à sua
capacidade de gerar valor. As empresas que não se antecipam a estas pressões devem
considerar o alto risco que estão assumindo, além das oportunidades que deixam escapar.
É cada vez mais comum a divulgação
de informações de relacionadas às
responsabilidades corporativas no
relatório anual.
Se já não restam dúvidas sobre a importância de se divulgarem estas informações, por outro lado, é
o momento de se discutir o que incluir no relatório e como elaborá-lo. Em outras palavras, é preciso
examinar sua qualidade e as melhores formas de se atingirem os públicos relevantes. Isso inclui
uma análise do que é significativo para os negócios, o engajamento dos principais stakeholders da
empresas, a definição de uma estratégia de comunicação pautada pelos princípios de transparência
e equilíbrio, e a implantação de processos de coleta e verificação de dados.
• Atualmente, mais da metade das
empresas pesquisadas (51%) inclui
informações referentes às
responsabilidades corporativas em seus
relatórios financeiros anuais. Trata-se de
um aumento impressionante em
Pesquisa Internacional da KPMG sobre Relatórios de Responsabilidade Corporativa 2013: Sumário Executivo
relação a 2011, quando apenas 20%
delas o faziam, e principalmente em
relação a 2008, quando só 4% optavam
por este modelo. Tais resultados
sugerem que esta prática é uma
tendência mundial.
• Todavia, a simples inclusão de
informações sobre responsabilidade
corporativa nos relatórios anuais não é
um indicativo de que as empresas
tenham adotado o modelo de relato
integrado <RI>: apenas uma em cada
dez empresas que publicam relatórios
de responsabilidade corporativa (10%)
diz elaborar um relatório nestes moldes.
O uso das diretrizes estabelecidas
pelo Global Reporting Initiative (GRI) é
quase universal.
• Setenta e oito por cento das
empresas do mundo inteiro que
publicam esses relatórios se baseiam
nas diretrizes estabelecidas pelo
Global Reporting Initiative (GRI) para a
publicação de relatórios, o que
representa um aumento de 9 pontos
percentuais em relação à pesquisa de
2011. Na Coreia do Sul, na África do
Sul, em Portugal, no Chile, no Brasil e
na Suécia, este percentual é de 90%.
• O índice é ainda mais alto no grupo
das 250 maiores empresas do
mundo: 82% por cento das empresas
do G250 que produzem relatórios de
responsabilidade corporativa se
baseiam nas diretrizes estabelecidas
pelo GRI (em comparação aos 78%
em 2011).
A asseguração externa de relatórios de
responsabilidade corporativa atingiu
um ponto crítico.
• Mais da metade das empresas G250
que publicam um relatório de
responsabilidade corporativa agora
investe em asseguração externa. Em
2011, esta taxa era de 46%.
Visão da KPMG
Os conselhos de administração devem
endossar o Relato Integrado <RI> como
um aperfeiçoamento dos atuais relatórios
corporativos.
Com base na pesquisa e nas experiências dos nossos profissionais, parece haver uma aceitação
de que o <RI> representa a próxima etapa na evolução de relatórios corporativos. Contudo, por
enquanto, foram poucas as empresas que o colocaram em prática.
O conceito no qual se baseia o <RI> é a gestão integrada. A experiência da KPMG na África do Sul,
onde o <RI> agora é obrigatório, mostra que o estreito envolvimento dos CEOs e do Conselho de
Administração é crucial para se desenvolver esta visão holística dos negócios e se atingir um
consenso sobre aquilo que afeta significativamente sua capacidade de geração de valor no curto,
médio e longo prazo. Sem a liderança da alta administração, as lacunas que existem hoje não serão
preenchidas.
Quando comparado aos relatórios de responsabilidade corporativa, o <RI> tem causado
discussão pelo fato de ter como público alvo primário os acionistas, em oposição a outros
stakeholders. Em contrapartida, um dos seus princípios é a “relação com as partes
interessadas”, que lança luz sobre a qualidade do relacionamento que a organização estabelece
com seus principais stakeholders e a capacidade de responder às pressões destes grupos,
aspectos determinantes para a perenidade dos negócios. Sendo assim, são diversos públicos
que poderão se beneficiar do novo modelo de reporte.
Visão da KPMG
A asseguração não é mais só uma opção.
Da mesma forma que o relatório de responsabilidade corporativa se tornou uma prática
empresarial padrão, a asseguração externa dos dados nele publicados também é uma tendência.
Mais da metade das maiores empresas do mundo (G250) investe em asseguração e, como ocorre
em geral, as maiores empresas tendem a determinar a direção que será seguida pelas demais.
Atualmente, muitas empresas enfrentam o escrutínio de diferentes stakeholders e são
pressionadas a fornecer informações confiáveis. A asseguração externa é um meio para lhes
conferir credibilidade.
• Dois terços dessas empresas que
investem em asseguração optam por
contratar uma empresa de auditoria
de grande porte.
Pesquisa Internacional da KPMG sobre Relatórios de Responsabilidade Corporativa 2013: Sumário Executivo
11
Figura 4:
Percentual de empresas que publicam
relatórios de responsabilidade corporativa,
em 41 países - 2011 e 2013
México
79 83
66 56
EUA
83 86
Brasil
88 78
27 73
Canadá
Chile
Colômbia
– 77
Angola
AMERICAS
Israel
Nigéria
África do Sul
EAU
2011
Em percentual
2013
–
18
68
97
50
19
82
98
– 22
ORIENTE-MÉDIO
E ÁFRICA
O cenário regulatório sobre publicação de relatórios de responsabilidade corporativa
Os seguintes países apresentam taxas de publicação de relatórios de responsabilidade corporativa elevadas, ou taxas que cresceram
significativamente, em decorrência de medidas regulatórias implantadas nos últimos anos:
Dinamarca
Lei obriga empresas de
grande porte a publicar um
relatório de responsabilidade corporativa ou, em
caso negativo, explicar no
relatório anual por que não
o fazem.
12
França
Lei determina que
empresas de grande porte
publiquem um relatório de
responsabilidade
corporativa anualmente e
recomenda que seja
submetido a verificação
independente.
Índia
Comissão de Valores
Mobiliários do país exige
que as 100 maiores
empresas listadas na bolsa
publiquem informações
sobre responsabilidade
corporativa desde o ano
fiscal de 2012/2013.
Indonésia
Lei obriga que sociedades
de responsabilidade
limitada e empresas
listadas publiquem
informações de
responsabilidade
corporativa no seu
relatório anual.
Japão
Foram criados padrões
mandatórios e voluntários,
aplicáveis a determinados
tipos de empresas, para a
elaboração de relatórios
sobre impacto ambiental,
incluindo de emissão
de GEE.
Pesquisa Internacional da KPMG sobre Relatórios de Responsabilidade Corporativa 2013: Sumário Executivo
Malásia
Lei determina que
empresas listadas na bolsa
publiquem informações de
responsabilidade
corporativa no seu
relatório anual.
Nigéria
Banco Central requer que
companhias do setor
financeiro publiquem
relatórios de responsabilidade corporativa. A
Comissão de Valores
Mobiliários indiana
recomenda esta prática no
seu código de governança
corporativa.
Bélgica
Dinamarca
Finlândia
França
Alemanha
Grécia
Hungria
– 68
91 99
85 81
Polônia
94
62
33
70
Rússia
99
67
43
78
74 77
82 82
– 73
Itália
Holanda
Noruega
Portugal
Romênia
Eslováquia
Espanha
Suécia
Suíça
Reino Unido
– 56
69 71
54 69
58
63
88
72
57
57
81
79
64 67
100 91
EUROPA
Austrália
China (incl. Hong Kong)
Índia
Indonésia
Japão
Cazaquistão
57 82
59 75
20 73
– 95
99 98
– 25
Coreia do Sul
–
43
43
48
Taiwan
37 56
Malásia
Nova Zelândia
Singapura
98
47
80
49
Ásia-Pacífico
Base: 4.100 empresas N100
Fonte: KPMG International, The KPMG Survey of
Corporate Responsibility Reporting 2013, dezembro 2013.
Noruega
Lei exige que empresas de
grande porte publiquem
informações sobre suas
práticas com relação à
questões sociais e
ambientais e de combate
corrupção.
Singapura
África do Sul
Bolsa de valores recomenda, no
seu Código de Governança
Corporativa e em guias
elaborados para empresas
listadas, a publicação de
relatórios de responsabilidade
social. Lei determina que
empresas de grande porte
reportem sobre o uso
de energia.
A bolsa de Johanesburgo,
bem como os códigos de
governança corporativa
conhecidos como King
Code of Governance
Principles e King Report on
Governance (King III),
exigem que as empresas
publiquem relatórios
integrados. A medida
ganhou notoriedade no
mundo todo.
Reino Unido
Empresas listadas na bolsa
de valores de Londres são
obrigadas a publicar um
inventário de GEE a partir de
2013. Lei determina que
empresas de grande e médio
porte divulgem, no seu
relatório anual, informações
sobre responsabilidade
corporativa que são materiais
para o seu desempenho
geral.
EUA
A Lei Dodd-Frank e regras da
SEC determinam a divulgação
de informações relacionadas
ao uso de minérios
provenientes de área de
conflito. Outra medida obriga
as agências federais a publicar
um relatório de responsabilidade corporativa.
Fonte: KPMG, Programa das Nações Unidas
para o Meio Ambiente, Global Reporting
Initiative e Unidade para Governança
Corporativa na África, Carrots and Sticks,
Sustainability reporting policies worldwide,
2013.
Pesquisa Internacional da KPMG sobre Relatórios de Responsabilidade Corporativa 2013: Sumário Executivo
13
A qualidade dos relatórios entre
as maiores empresas do mundo
Mais atenção deve ser dada à cadeia de valor.
• Na análise da KPMG, a pontuação média alcançada pelas
empresas G250 em função da qualidade de seus relatórios de
responsabilidade corporativa é de 59 em uma escala de 100.
Isso indica que, em geral, há grandes oportunidades
de melhoria.
• A divulgação de metas e indicadores chave é, entre os
aspectos que foram examinados, o aspecto mais bem
desenvolvido até o momento, com uma pontuação média de
68 em uma escala de 100. As empresas de grande porte
também publicam informações acerca da materialidade e da
estratégia, obtendo uma pontuação média de 66 e 62 nestes
quesitos, respectivamente.
• Um aspecto a ser aprimorado é o relato de informações sobre
fornecedores e a cadeia de valor, questões importantes que, no
entanto, parecem ser omitidas. Com relação a este critério, a
qualidade média de publicação de relatórios das empresas G250
foi avaliada em 46 em uma escala de 100. Os critérios referentes
às informações sobre governança e o engajamento das partes
interessadas apresentaram ambos uma pontuação média
levemente maior, de 53.
Figura 5:
Qualidade média dos relatórios das empresas G250 de acordo com
os critérios pré-definidos (Pontuação máxima: 100)
Metas e indicadores
Materialidade
Estratégia, riscos e oportunidades
Transparência e equilíbrio
Governança
Engajamento das partes interessadas
Fornecedores e cadeia de valor
Empresas europeias são um exemplo para outras regiões.
• No quesito qualidade, cerca de um quarto das empresas
G250 (63 empresas) obteve a pontuação acima de 80 em
uma escala de 100 e 10 empresas obtiveram uma pontuação
acima de 90. Essas empresas estão localizadas na Europa e
nos Estados Unidos.
Tabela 1:
Dez empresas do G250 obtiveram uma pontuação acima de 90 em
uma escala de 100 no quesito qualidade do relatório.
Empresa
País
Setor
A.P. Møller Mærsk
Dinamarca
Transporte
BMW
Alemanha
Automotivo
Cisco Systems
Estados Unidos
Telecomunicação e Mídia
Ford Motor Company
Estados Unidos
Automotivo
Hewlett-Packard
Estados Unidos
Eletroeletrônicos
ING
Holanda
Serviços Financeiros e Seguros
Nestlé
Suíça
Alimentos e Bebidas
Repsol
Espanha
Petróleo e Gás
Siemens
Alemanha
Eletroeletrônicos
Total
França
Petróleo e gás
Fonte: KPMG Survey of Corporate Responsibility Reporting, dezembro de 2013
68
66
62
58
53
53
46
Fonte: KPMG Survey of Corporate Responsibility
Reporting, dezembro de 2013
14
Pesquisa Internacional da KPMG sobre Relatórios de Responsabilidade Corporativa 2013: Sumário Executivo
Figura 6:
Qualidade média dos relatórios das empresas do G250 de acordo
com o país (Pontuação máxima: 100)
• Em termos de qualidade, os relatórios de responsabilidade
corporativa das empresas europeias G250 obtiveram uma
pontuação média de 71 em uma escala de 100, a pontuação
mais alta da amostra global. Comparado à pontuação média
atribuída às empresas na região das Américas, de 54
pontos, e às da região Ásia-Pacífico, de 50 pontos, o
resultado é positivo. Merecem destaque as empresas na
Itália, na Espanha e no Reino Unido, que receberam, em
média, uma pontuação de 85, 79 e 76, respectivamente.
Itália
Espanha
Reino Unido
França
Austrália
Holanda
Alemanha
Suíça
Coreia do Sul
Japão
Estados Unidos
China/Hong Kong
85
79
76
70
70
69
68
63
60
55
54
39
Figura 7:
Qualidade média dos relatórios das empresas G250 por setor
(Pontuação máxima: 100)
• Os relatórios de responsabilidade corporativa de empresas
de grande porte nos setores de Eletroeletrônicos, de
Mineração e Farmacêutico foram os melhores avaliados
conforme os critérios definidos. Atingiram uma pontuação
média de 75, 70 e 70, respectivamente.
Eletroeletrônicos
Mineração
Farmacêutico
Serviços Públicos
Comunicação e Mídia
Transporte
Automotivo
Alimentos e Bebidas
Serviços Financeiros e Seguros
Produtos Químicos e Sintéticos
Petróleo e Gás
Comércio e Varejo
Metais e Manufaturados
Construção e Materiais de Construção
75
70
70
65
65
64
64
59
58
58
55
55
48
46
Fonte: KPMG Survey of Corporate Responsibility
Reporting, dezembro de 2013
Fonte: KPMG Survey of Corporate Responsibility Reporting, dezembro de 2013
*As pontuações médias por país são atribuídas somente àqueles países onde há cinco ou mais empresas G250 que
produzem relatórios de responsabilidade corporativa.
Entre os setores de alto impacto, a pontuação permanece
estável
• Entre alguns dos setores de alto impacto social e/ou ambiental
e nos quais os riscos e oportunidades relacionados à
responsabilidade corporativa são significativos, os relatórios
receberam uma avaliação abaixo da média global. Os setores
de Petróleo e Gás, de Comércio e Varejo, de Metais e
Manufaturados, e de Construção e Materiais de Construção
têm pontuações médias de 55, 55, 48 e 46, respectivamente,
em uma escala de 100.
As oportunidades superam os riscos
A maior parte dos relatórios de responsabilidade corporativa das
G250 (87%) identifica pelo menos algumas das mudanças sociais
e ambientais, que denominamos “megaforças”, com potencial de
impactar os negócios. Mudanças climáticas, escassez de recursos
materiais, além de segurança energética e instabilidade no
mercado de combustíveis são os temas mais citados. Um número
crescente de empresas destaca as oportunidades que estas
mudanças podem promover: enquanto 81% dos relatórios
apresentam os riscos aos negócios advindos de fatores sociais e
ambientais, um número ligeiramente maior (87%) identifica
oportunidades comerciais.
A oportunidade citada com mais frequência é a inovação de
produtos e serviços, mencionada por 72% das empresas do grupo
de empresas G250 que publicam relatórios. A oportunidade de
fortalecimento da marca e da reputação corporativa é a segunda
mais citada (mencionada por 51% das empresas que publicam
relatórios), seguida por melhorias na posição de mercado/aumento
na participação de mercado (36%) e por corte de custos (30%).
Pesquisa Internacional da KPMG sobre Relatórios de Responsabilidade Corporativa 2013: Sumário Executivo
15
Somente uma em cada dez empresas (12%) identifica um maior
acesso a capital ou um maior valor para o acionista como uma
oportunidade.
O risco à reputação é o risco citado com mais frequência,
mencionado por 53% das empresas G250 que publicam relatórios.
Fatores de risco que podem impactar as operações, e não apenas
a reputação corporativa, também são citados com frequência. São
eles: risco regulatório (48%), risco competitivo (45%), risco físico
(38%), riscos sociais (36%) e riscos legais (21%).1
Por outro lado, são poucos os relatórios de responsabilidade
corporativa das empresas G250 (apenas 5%) que divulgam
informações sobre o valor financeiro ameaçado por estes fatores
de risco.
A região das Américas é a única região onde os riscos
concorrenciais e regulatórios são mencionados com mais
frequência nos relatórios de responsabilidade corporativa das
empresas G250 do que os riscos à reputação.
Na maioria dos relatórios de empresas G250 (83%) se afirma a
existência de uma estratégia para assuntos de responsabilidade
corporativa. As empresas na região das Américas são as mais
propensas a apresentar uma estratégia: sete em cada dez o fazem.
Há necessidade de uma maior transparência no processo
de análise da materialidade.
• Mais de três quartos (79%) das empresas G250 que emitem
relatórios de responsabilidade corporativa apontam as
questões de responsabilidade corporativa que foram
identificadas como sendo materiais para a empresa e suas
partes interessadas.
• Por outro lado, a transparência em relação ao processo de
avaliação da materialidade, ainda pode melhorar – 41% das
empresas que publicam esses relatórios não explicam o
processo utilizado e uma minoria (5%) faz esta análise de
forma contínua.
Metas e indicadores ainda não foram totalmente
definidos.
• Uma em cada oito empresas G250 que publicam relatórios de
responsabilidade corporativa (13%) não divulga metas e um
quarto (26%) não relaciona suas metas a questões materiais.
Em setores de alto risco, pouco é divulgado sobre os
impactos de fornecedores e da cadeia de valor.
• As empresas do setor de Produtos Químicos e Sintéticos são
as menos propensas a incluir questões relacionadas à cadeia
de fornecimento em seus relatórios. Sessenta por cento das
empresas G250 deste setor que publicam relatórios de
VISÃO DA KPMG
Os riscos e as oportunidades precisam estar vinculados à geração
de valor.
É crescente a visão de que as responsabilidades corporativas não se reduzem a um imperativo moral, mas também representam riscos e oportunidades
para as empresas. Um número cada vez maior de investidores reconhece que, diante das mudanças ambientais e sociais que atingem o mundo dos
negócios, o valor das empresas está em jogo. Isso nos leva à seguinte questão: quais são os potenciais impactos financeiros e que medidas estão sendo
tomadas para mitigar estes riscos ou maximizar estas oportunidades?
Contudo, poucos relatórios refletem a capacidade de mensurar o valor preservado e/ou gerado. É importante que empresas comecem examinar os
efeitos destes fatores sobre sua receita e seu lucro e integrar tal análise ao processo de planejamento estratégico, construção de cenários e
gerenciamento de riscos corporativos.
1
16
Vide página 17 para obter a definição dos diferentes tipos de riscos
Pesquisa Internacional da KPMG sobre Relatórios de Responsabilidade Corporativa 2013: Sumário Executivo
responsabilidade corporativa não divulgam informações
relacionadas aos fornecedores. As empresas do setor de
Eletroeletrônicos, ao contrário, são as que mais divulgam
informações sobre seus fornecedores.
• Em geral, as empresas G250 localizadas na Europa divulgam
mais informações sobre os impactos ambientais e sociais de
seus produtos e serviços. Quase três quartos (73%) das
empresas dessa região que publicam relatórios apresentam os
impactos da etapa de produção e comercialização em mais
detalhe e outros 23% fornecem uma quantidade limitada de
informação. Na região das Américas, menos da metade (49%)
oferecem estas informações detalhadas. Esse número cai para
menos de um terço (32%) na região Ásia-Pacífico.
• Em grande parte das empresas G250 (61%), questões desta
ordem são gerenciadas por um departamento específico, de
“responsabilidade corporativa” ou de “sustentabilidade”.
• Somente uma em cada dez empresas G250 (10%) demonstra um
vínculo evidente entre o desempenho informado em seus relatórios
e a remuneração dos seus executivos ou de seus funcionários.
O aspecto Transparência e Equilíbrio é pouco
desenvolvido na maioria das empresas
• Apenas uma em cada cinco empresas G250 (23%) publica um
relatório que apresenta, além dos exemplos de sucesso, os
desafios e os reveses deste processo de desenvolvimento de
práticas corporativa mais responsáveis. As empresas do setor
de Alimentos e Bebidas, de Eletroeletrônicos e Farmacêutico
são as mais propensas a demonstrar uma visão mais
equilibrada sobre seu desempenho.
Visão da KPMG
A cadeia de fornecedores
merece mais atenção.
A pesquisa indica que setores com cadeias de fornecimento
complexas e sujeitas a problemas ambientais e sociais potencialmente
catastróficos, em geral, têm dado pouca ênfase a tais questões em
seus relatórios.
Incidentes recentes são evidência de que as empresas não estão
isentas da responsabilidade sobre os danos gerados pelos seus
fornecedores e podem ser gravemente penalizadas mediante uma
denúncia deste tipo. A gestão da cadeia de fornecimento é um novo
condicionante da sua licença social para operar e deve ser
demonstrada, de forma transparente, no relatório de responsabilidade
corporativa para desenvolver a confiança dos stakeholders.
As empresas na região das Américas e na região ÁsiaPacífico apresentam menos informações sobre o processo
de engajamento das partes interessadas
• Quando se avalia a divulgação do processo de engajamento das
partes interessadas, as empresas G250 localizadas na região
Ásia-Pacífico e nas Américas, em geral, perdem para as
empresas europeias. Quatro em cada dez empresas naquelas
regiões não oferecem nenhuma informação sobre tal processo.
• Os setores de Mineração e de Metais e Manufaturados
obtiveram as pontuações mais altas no quesito de identificação
e reporte de partes interessadas mais relevantes.
• Somente um terço das empresas G250 (31%) inclui os
comentários das partes interessadas em seus relatórios de
responsabilidade corporativa.
Um número pequeno de empresas estabelece vínculo
entre desempenho e remuneração.
• Cerca de um quarto das empresas (24%) reporta que o
Conselho da empresa é o responsável final pelos assuntos de
responsabilidade corporativa.
Pesquisa Internacional da KPMG sobre Relatórios de Responsabilidade Corporativa 2013: Sumário Executivo
17
Relatórios de Responsabilidade
Corporativa no Brasil
É notável a difusão dos temas sobre
responsabilidade corporativa no Brasil,
especialmente na última década,
também no que diz respeito à divulgação
de informações de sustentabilidade pelas
organizações por meio de relatórios
corporativos. O assunto ganhou
visibilidade na mídia, contribuindo para a
conscientização dos consumidores, e
tem sido pauta de discussão de órgãos
reguladores, que assumem um papel
relevante na promoção de práticas
corporativas mais adequadas às
expectativas da sociedade*.
Este movimento ganhou novo impulso
em 2012, quando a BM&FBOVESPA
passou a recomendar que as empresas
listadas informassem ao mercado se
publicam um Relatório de
Sustentabilidade ou documento similar e,
em caso negativo, explicassem por que
não o fazem. A medida, conhecida como
“Relate ou Explique”, rendeu bons frutos
– segundo a BM&FBOVESPA, a adesão
das empresas à iniciativa aumentou de
45,31% para 66,29% entre maio de 2012
e junho de 2013. A bolsa informa que o
número de empresas de capital aberto
que efetivamente publicam informações
desta ordem aumentou de 96 para 157
neste período.
O Brasil tem se destacado nas pesquisas
realizadas pela KPMG pelo percentual de
empresas que publicam relatórios de
responsabilidade corporativa. Na
pesquisa realizada em 2011, esta taxa era
de 88%, o que colocou o país em 6º lugar
no ranking global. No entanto, apesar da
tendência geral de aumento na
divulgação de informações deste tipo
pelas empresas brasileiras, a pesquisa
atual identifica uma aparente retração.
Este resultado se deve essencialmente à
mudança na composição do grupo de
empresas pesquisadas.
O grupo de empresas N100, que serviu
de amostra para a análise quantitativa,
18
foi definido conforme os critérios
metodológicos adotados globalmente e
descritos nas páginas anteriores. A
amostra brasileira teve como base as
100 maiores empresas em faturamento
segundo o ranking do Valor Econômico
de 2013. Uma vez que este ranking
sofre alterações todos os anos, nem
todos os resultados das pesquisas que
realizamos podem ser atribuídos a uma
mudança no comportamento de
empresas específicas.
Do total de 100 empresas pesquisadas,
34 foram incorporadas à amostra em
2013. Deste grupo, 13 não reportam
informações sobre responsabilidade
corporativa. Das 34 empresas que
deixaram de compor o ranking das 100
empresas pesquisadas em 2013, apenas
3 não publicavam este tipo de relatório
em 2011, o que justifica a diferença no
percentual de empresas relatoras. Vale
acrescentar que, destas 3, 2 passaram a
publicar relatórios de sustentabilidade
desde então; e, das 31 empresas
restantes, as quais já divulgavam
relatórios de responsabilidade
corporativa naquele ano, apenas 1
deixou de publicá-lo.
Logo, pode-se afirmar que a redução no
percentual que apresentamos nesta
pesquisa se deve, em parte, a um
aspecto inerente à metodologia utilizada
– as variações na composição da amostra
– e não a uma mudança real na trajetória
que estávamos observando.
Reconhecendo tal limitação
metodológica, podemos realizar uma
análise mais detalhada dos dados e tirar
proveito da série de conclusões que
resultam desta pesquisa.
A disseminação no uso de diretrizes
GRI
Brasil, 91% afirmam adotar estas
diretrizes, o que coloca o país em 4º lugar
no ranking global, ao lado da Suécia e do
Chile. O alto percentual se deve, em
grande medida, à referência explícita ao
padrão GRI em recomendações
relacionadas à divulgação de informações
de ordem socioambiental e, também, a
ativa atuação da GRI no Brasil por meio
seu de ponto focal. A BM&FBOVESPA
também tem contribuído para a
disseminação deste modelo oferecendo
workshops gratuitos sobre sua aplicação,
em parceria com a própria GRI.
Mais da metade dos relatórios são
assegurados por terceiros
A asseguração das informações por
terceiros provê confiança sobre a
qualidade das informações, tanto às
partes interessadas quanto aos
responsáveis pela gestão do
desempenho. À medida que cresce a
importância de um bom controle sobre os
indicadores reportados, em decorrência
de novas normas regulatórias ou de
compromissos voluntários assumidos
pelas organizações, a asseguração
também tende a se valorizar.
Na amostra brasileira, chama a atenção o
percentual de relatórios que são
assegurados. Enquanto a média global é
de 38%, no Brasil esta taxa sobe para
56%. Dentre os provedores de
asseguração contratados, 68% são
grandes empresas de auditoria.
Para mais informação sobre as medidas
regulatórias relacionadas ao reporte de informações
socioambientais ao redor do mundo e especificamente
no Brasil, leia Carrots and Sticks: Sustainability
reporting policies worldwide – today’s best practice,
tomorrow’s trends, um estudo realizado pela GRI, com
a colaboração da KPMG. https://www.globalreporting.
org/resourcelibrary/Carrots-and-Sticks.pdf
*
No mundo todo, as diretrizes GRI para a
elaboração de relatórios de
sustentabilidade são amplamente
utilizadas. Entre as empresas N100 no
Pesquisa Internacional da KPMG sobre Relatórios de Responsabilidade Corporativa 2013: Sumário Executivo
Sobre os serviços da KPMG para
Mudanças Climáticas e Sustentabilidade
A KPMG é uma das pioneiras em serviços
de consultoria em Mudanças Climáticas e
Sustentabilidade e acumula mais de 20
anos de experiência na área. Atualmente,
suas firmas-membro estão espalhadas por
cerca de 60 países e reúnem centenas de
profissionais especializados.
Conhecimento local, experiência
global
A rede internacional da KPMG é capaz de
proporcionar conhecimento extenso sobre
o contexto político, econômico, ambiental e
social, onde quer que sua organização
opere. Aliamos nossa experiência global ao
conhecimento local para ajudá-lo.
Especialistas na elaboração e
asseguração de Relatórios de
Responsabilidade Corporativa
A disseminação de Relatórios de
Responsabilidade Corporativa pode ser
atribuída à crescente demanda de
stakeholders por informações sobre os
impactos ambientais e sociais
causados pela empresa e sobre os
fatores de risco corporativo que
podem assolar o seu valor. Interessalhes conhecer a capacidade da
organização identificar estes
problemas e gerenciá-los de forma
efetiva, bem como saber se as
informações disponíveis são precisas
e confiáveis.
Na evolução dos relatórios
corporativos, o modelo de Relato
Integrado <RI> aos poucos ganha
notoriedade pela visão holística sobre
o desempenho da empresa e pela
ênfase na capacidade de criação de
Abordagem integrada
Insights e inovação
Trabalhamos lado a lado com outros
especialistas da KPMG, de áreas como
Audit, Management Consulting, IT, Supply
Chain e Infrastructure. Não fazemos
recomendações genéricas – oferecemos
soluções personalizadas para a
complexidade do cenário de negócios atual,
tendo em vista os riscos emergentes e as
novas oportunidades comerciais.
A KPMG ajuda seus clientes a
desenvolver estratégias com base em um
entendimento mais profundo dos
problemas atuais. A equipe de
profissionais conta com o apoio do
Centro de Excelência da KPMG na
Holanda, dedicado a estudar os grandes
causadores das mudanças globais e a
criar soluções que refletem o estado da
arte em estratégias e técnicas de gestão.
Orientação por resultados
Pensamos grande e desafiamos as
convenções, mas sempre respeitando a
viabilidade de implantação e a necessidade de
encontrar soluções práticas que conduzirão ao
sucesso e crescimento dos negócios.
valor no curto, médio e longo prazo.
Destaque especial é dado à relação de
interdependência entre os diferentes
tipos de capital, que incluem, além do
capital financeiro, o capital
manufaturado, intelectual, humano,
intelectual, natural e social.
A KPMG ajuda seus clientes a:
• Entender o que é material para a sua
organização e deve ser reportado.
• Definir a abordagem a ser adotada
pela empresa e criar ou integrar
estruturas e processos de reporte
de informações.
• Realizar estudos de benchmarking
para comparar a qualidade do seu
relatório aos padrões do seu setor
de atividade.
• Prover asseguração independente
sobre seu sistema de elaboração de
relatórios internos e externos, ou
sobre as informações publicadas no
Relatório de Sustentabilidade.
• Verificar o desempenho dos seus
fornecedores em relação aos
temas considerados materiais para
o negócio.
• Elaborar relatórios com propósitos
específicos, como o Inventário de
Emissões de Gases de Efeito Estufa
e o formulário para inclusão em
índices de sustentabilidade, como o
ISE ou o DJSI.
Pesquisa Internacional da KPMG sobre Relatórios de Responsabilidade Corporativa 2013: Sumário Executivo
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Contato:
Sidney Ito
Sócio líder
[email protected]
Tel.: 55 (11) 2183 3316
Ricardo Zibas
Sócio diretor
[email protected]
Tel.: 55 (11) 2183 1795
Serviços da KPMG para Mudanças Climáticas e Sustentabilidade
/ kpmgbrasil
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Corporate Responsibility Reporting 2013”. KPMG International. Dezembro, 2013.
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