KPMG Internacional Pesquisa Internacional da KPMG sobre Relatórios de Responsabilidade Corporativa 2013 kpmg.com/sustainability Sumário Executivo 2 Pesquisa Internacional da KPMG sobre Relatórios de Responsabilidade Corporativa 2013: Sumário Executivo Pesquisa Internacional da KPMG sobre Relatórios de Responsabilidade Corporativa 2013 Sobre a pesquisa A Pesquisa Internacional da KPMG oferece um panorama das atuais tendências relativas à elaboração de relatórios de responsabilidade corporativa, com o objetivo de apoiar as iniciativas de empresas no mundo inteiro para mais transparência e melhor prestação de contas. A publicação se destina primariamente a líderes empresariais, membros de conselhos de administração e profissionais de responsabilidade corporativa e de sustentabilidade. Ela também se dirige a outros públicos, como investidores, gestores de ativos e agências de rating, que têm demonstrado interesse crescente em informações relacionadas à governança corporativa, desempenho ambiental e social. Organizações não governamentais, acadêmicos e os responsáveis pela gestão de políticas públicas também poderão encontrar nesta pesquisa assuntos para reflexão. Esta é a oitava edição da pesquisa, que marca os vinte anos desde a primeira edição, publicada em 1993. Neste ano, ela envolveu 4.100 empresas de 41 países, uma amostra 20% maior que a da edição anterior. Esta ampliação não só reflete a importância que a KPMG atribui ao tema, mas é também um indicativo de que os relatórios de responsabilidade corporativa, ou de sustentabilidade, estão se tornando cada vez mais comuns e necessários. Os resultados da pesquisa são apresentados em duas partes: Parte 1: As tendências globais em relatórios de responsabilidade corporativa Nesta seção, examina-se o conjunto das 100 maiores empresas em faturamento dos 41 países pesquisados a fim de avaliar a) quantas produzem relatórios de responsabilidade corporativa; b) os fatores que motivaram a publicação destes relatórios; c) as diferenças setoriais; d) o uso de normas; e e) a asseguração dos indicadores divulgados. Parte 2: A qualidade dos relatórios entre as maiores empresas do mundo Nesta seção, analisam-se os relatórios das 250 maiores empresas do mundo para avaliar sua qualidade, identificar as empresas líderes e discutir tendências. Pesquisa Internacional da KPMG sobre Relatórios de Responsabilidade Corporativa 2013: Sumário Executivo 3 4 | IDH - The Sustainable Trade Initiative, Solidaridad and UTZ Certified 4 Pesquisa Internacional da KPMG sobre Relatórios de Responsabilidade Corporativa 2013: Sumário Executivo Metodologia Escopo desta pesquisa Os profissionais das firmasmembro da KPMG conduziram uma pesquisa detalhada sobre as práticas de divulgação, pelas empresas, de informações relacionadas à responsabilidade corporativa. A pesquisa se baseou em informações publicadas em relatórios financeiros anuais, em relatórios de responsabilidade corporativa e nas páginas oficiais das empresas na internet. Utilizaram-se prioritariamente os relatórios publicados entre meados de 2012 e meados de 2013. Na eventual ausência de relatórios deste período, consideraram-se as informações de 2011. As informações referentes a períodos anteriores a janeiro de 2011 não foram incluídas nesta pesquisa. As análises foram baseadas somente em informações públicas, e não em informações enviadas pelas empresas às firmas-membro da KPMG. Figura 1: Terminologia usada nos relatórios publicados used pelasbyN100 Terminology N100 11 2 2 6 6 43 14 Uma nota sobre a terminologia: “responsabilidade corporativa” vs. “sustentabilidade” A terminologia utilizada em relatórios corporativos varia entre as empresas. Um levantamento realizado para esta pesquisa1 revela que os termos mais adotados são “Relatório de Responsabilidade Corporativa” (14%) ou “Relatório de Responsabilidade Social Corporativa” (25%), ou “Relatório de Sustentabilidade” (43%). Nesta pesquisa, os termos “responsabilidade corporativa” e “sustentabilidade” são usados como equivalentes e foram considerados como tal para a seleção da amostra de relatórios corporativos. Pesquisa N100 A primeira parte da pesquisa avalia a prática de relatórios de responsabilidade corporativa entre as 100 maiores empresas em cada um dos 41 países pesquisados, 4.100 empresas no total. Essas empresas são citadas como as empresas “N100”. As firmas-membro da KPMG identificaram as N100 pelo seu faturamento, tomando como base fontes nacionais reconhecidas. Nos países onde não havia um ranking completo disponível, as N100 foram identificadas pelo valor de mercado ou por meio de outras formas de mensuração adequadas ao setor. As N100 incluem tanto empresas cotadas Américas Sobre o grupo de empresas N100, foram analisados os seguintes aspectos: • número de empresas que publicam as informações de responsabilidade corporativa, em relatórios específicos ou como parte integrante do seu relatório anual, por país e por setor • o formato do relatório e a integração das informações sobre as responsabilidades corporativas em outros relatórios • uso de diretrizes e normas para elaboração dos relatórios • proporção de relatórios que são objeto de asseguração externa, os tipos de asseguração realizada, quais os prestadores de serviços de asseguração e a frequência de republicação de dados Os países incluídos na pesquisa de 2013 foram: Europa Oriente Médio e África Brasil Austrália Bélgica Polônia Angola Canadá China (incluindo Hong Kong) Dinamarca Portugal Israel Chile Índia Finlândia Romênia Nigéria Colômbia Indonésia França Rússia África do Sul Sustentabilidade México Japão Alemanha Eslováquia EAU Responsabilidade Corporativa EUA Cazaquistão Grécia Espanha Responsabilidade Social Corporativa Malásia Hungria Suécia Desenvolvimento Sustentável Nova Zelândia Itália Suíça Cingapura Holanda Reino Unido Relatório Socioambiental Coreia do Sul Noruega People, planet, profit (pessoas, planeta, lucro) Taiwan 25 Outro Cidadania Corporativa Responsabilidade Corporativa e Sustentabilidade Fonte: KPMG Survey of Corporate Responsibility Reporting, dezembro de 2013 1 Ásia-Pacífico em bolsa como empresas com estruturas de propriedade diferenciadas, tais como empresas privadas e estatais. Nove países foram incorporados à amostra da pesquisa neste ano (vide o quadro abaixo), enquanto outros dois que participaram em 2011 não fazem mais parte da pesquisa de 2013 (Bulgária e Ucrânia). Países que foram incluídos pela primeira vez na amostra da pesquisa de 2013 Fonte: KPMG Survey of Corporate Responsibility Reporting, dezembro de 2013 Pesquisa realizada apenas nos países de língua inglesa. Pesquisa Internacional da KPMG sobre Relatórios de Responsabilidade Corporativa 2013: Sumário Executivo 5 Figura 2: Empresas G250, por local da sede (%) 2 2 2 2 2 11 Figura 3: Empresas G250, por setor de atividade (%) 11 2 16 3 3 27 2 2 2 25 4 4 3 3 5 3 6 5 13 8 8 Estados Unidos 13 6 7 12 Outros: Japão Malásia China Áustria França Tailândia Alemanha Finlândia Reino Unido Noruega Suíça Arábia Saudita Itália Taiwan Espanha Singapura Holanda Turquia Coreia do Sul Canadá Austrália Dinamarca Brasil Luxemburgo Índia Suécia Rússia Venezuela México 7 Serviços Financeiros e Seguros Construção e Materiais de Construção Petróleo e Gás Alimentos e Bebidas Comércio e Varejo Farmacêutico Automotivo Serviços Diversos Eletroeletrônicos Mineração Comunicação e Mídia Transporte Serviços Públicos Produtos Químicos e Sintéticos Metais e Manufaturados A categoria de “serviços diversos” inclui: entretenimento, saúde, hotelaria, correio, serviços de embalagem e despacho. O número de empresas em cada um destes setores representa menos de 1% das G250. Fonte: KPMG Survey of Corporate Responsibility Reporting, dezembro de 2013 Fonte: KPMG Survey of Corporate Responsibility Reporting, dezembro de 2013 6 11 Pesquisa Internacional da KPMG sobre Relatórios de Responsabilidade Corporativa 2013: Sumário Executivo Pesquisa G250 Avaliou-se a qualidade dos relatórios de responsabilidade corporativa emitidos pelas G250 com base em sete critérioschave, que têm destaque nas atuais diretrizes para elaboração de relatórios e são fundamentais na visão da KPMG: • Estratégia, risco e oportunidade – o relatório apresenta uma avaliação clara dos riscos relacionados às responsabilidades corporativas, além das oportunidades que eles representam em contrapartida. Descreve as medidas que a empresa adota como resposta a estes riscos. • Materialidade – o relatório demonstra a forma como se identificaram as questões com maior potencial de impacto sobre a empresa em si e suas partes interessadas (stakeholders). Ou seja, descreve o processo de avaliação da materialidade, de engajamento dos stakeholders e a maneira como os resultados desta análise se refletem no gerenciamento de riscos e na busca de oportunidades. • Metas e indicadores – a empresa utiliza metas e indicadores de desempenho representativos (p.ex., dados mensuráveis e em escalas de tempo apropriadas) para monitorar a evolução e reportar, de forma clara, seu desempenho em relação a estas metas e objetivos. • Fornecedores e cadeia de valor – o relatório de responsabilidade corporativa explica os impactos sociais e ambientais gerados pela cadeia de fornecedores, bem como os impactos causados nas etapas de produção e comercialização de produtos e/ou serviços pela empresa. Demonstra como a empresa gerencia estes impactos. • Engajamento das partes interessadas – a empresa apresenta no relatório de responsabilidade corporativa seus principais stakeholders. Descreve o processo de engajamento e a maneira como ela responde aos feedbacks recebidos. • Governança corporativa – o relatório apresenta a estrutura de governança e os processos decisórios criados para a gestão das questões relacionadas a responsabilidade corporativa. Descreve o vínculo existente entre o desempenho nestas atividades e a remuneração. equilibrada sobre o desempenho da empresa, incluindo informações sobre aspectos tanto positivos quanto negativos. As empresas G250 foram avaliadas com base nos critérios acima. Atribuiuse maior peso aos temas estratégia, riscos e oportunidades, materialidade, metas e indicadores e engajamento das partes interessadas, dada sua importância relativa. Como resultado, foi identificado um grupo de 10 empresas líderes (cada uma delas com 90 pontos ou mais, em uma escala de 100), assim como as empresas com a mais alta pontuação em cada um dos 14 setores industriais representados nas G250. Os executivos deste conjunto de 14 empresas foram entrevistados para revelar como eles abordam as questões relacionadas ao relatório de responsabilidade corporativa. As principais lições aprendidas estão descritas na página 38 da pesquisa. • Transparência e equilíbrio – o relatório de responsabilidade corporativa apresenta uma visão Pesquisa Internacional da KPMG sobre Relatórios de Responsabilidade Corporativa 2013: Sumário Executivo 7 8 Pesquisa Internacional da KPMG sobre Relatórios de Responsabilidade Corporativa 2013: 20 Sumário Executivo Vale a pena publicar um Relatório de Responsabilidade Corporativa? Alguns dizem que os relatórios de responsabilidade corporativa são uma perda de tempo e de dinheiro – acreditam que eles são tão densos e maçantes que ninguém se daria ao trabalho de lê-los. Outros veem estes relatórios como veículos de propaganda e greenwashing, uma oportunidade para as empresas supervalorizarem suas credenciais sociais e ambientais sem qualquer intenção real de mudanças. Alguns no mundo corporativo acham a produção desses relatórios muito complexa e dispendiosa e o retorno sobre o investimento, duvidoso. Embora eu entenda as preocupações por trás de críticas como essas, acredito que, felizmente, tal visão vem sendo superada. Sim, os relatórios de responsabilidade corporativa muitas vezes não são fáceis de ler e as empresas deveriam comunicar as informações de forma mais digerível e envolvente. Contudo, isso não justifica não publicá-lo. Sim, o greenwashing pode ser um risco, mas com o tempo as partes interessadas - desde organizações não governamentais e grupos de pressão até clientes e investidores – serão todas mais capazes de fazer a distinção entre ações de fachada e o desempenho da empresa com relação às suas responsabilidades corporativas. Não é mais tão fácil assim ludibriar as pessoas. Sim, um relatório de responsabilidade corporativa elaborado de forma adequada, assim como qualquer tipo de relatório corporativo, requer recursos humanos e financeiros. O ponto que não tem sido percebido por muitas pessoas que fazem esse tipo de crítica é que, no século 21, o relatório de responsabilidade corporativa é – ou deveria ser – uma ferramenta essencial de gestão de negócios. Ele não é – ou não deveria ser – algo produzido simplesmente para amenizar potenciais críticas e destacar as boas ações das empresas. Vivemos em um mundo que está passando por mudanças ambientais e sociais sem precedentes. O crescimento desenfreado da população está fomentando demandas cada vez maiores por recursos limitados e condições climáticas extremas e imprevisíveis estão afetando o fornecimento das principais commodities. Condições e expectativas sociais em transformação estão impulsionando tanto um maior poder de compra como tensões sociais. A elaboração do relatório de responsabilidade corporativa possibilita à empresa entender, de um lado, a sua exposição aos riscos provocados por estas mudanças e, de outro, a sua capacidade para explorar as novas oportunidades de negócio que elas geram. É um meio pelo qual uma empresa coleta e analisa dados que são determinantes no seu processo de geração de valor e de adaptação a mudanças ambientais e sociais no longo prazo. O relatório de responsabilidade corporativa é essencial para convencer os investidores sobre o futuro da empresa que vai além do próximo trimestre ou do próximo ano. O que me deixa entusiasmado nesta edição da Pesquisa Internacional da KPMG sobre os Relatórios de Responsabilidade Corporativa são os sinais de que muitas das maiores empresas do mundo estão utilizando o processo de elaboração deste relatório para incorporar as responsabilidades corporativas e o conceito de sustentabilidade ao cerne da sua estratégia de negócio, que é o lugar ao qual elas pertencem. Quase todas as 250 maiores empresas do mundo produzem relatórios de responsabilidade corporativa. Entre estas que o fazem, nove em cada dez utilizam seus relatórios para identificar as mudanças ambientais e sociais que impactam tanto os negócios como seus stakeholders. Oito em cada dez empresas afirmam ter uma estratégia para gerenciar os riscos e as oportunidades. Sete em cada dez empresas afirmam que essas mudanças trazem oportunidades de inovação de produtos e serviços e um número pequeno de empresas na vanguarda, aproximadamente um terço das pesquisadas, também reporta oportunidades de aumentar sua participação no mercado e de cortar custos. O caminho que estas empresas estão trilhando hoje deverá ser seguido pelas outras no futuro. Acredito que não nos cabe mais discutir se as empresas devem ou não devem elaborar um relatório de responsabilidade corporativa. De acordo com as constatações desta pesquisa, essa já se tornou uma prática empresarial padrão, adotada no mundo inteiro. As perguntas que as empresas deveriam fazer a si mesmas agora, e as quais nos empenhamos em responder, são “o que incluir no relatório?”, “como fazê-lo?”, e, acima de tudo, “como aproveitar o processo de elaboração do relatório para gerar o máximo valor para os nossos acionistas e demais stakeholders?”. Yvo de Boer Líder global da KPMG para consultoria em Mudanças Climáticas e Sustentabilidade Pesquisa Internacional da KPMG sobre Relatórios de Responsabilidade Corporativa 2013: Sumário Executivo 9 Principais constatações: As tendências globais em relatórios de responsabilidade corporativa Observa-se um crescimento significativo de relatórios de responsabilidade corporativa nos países emergentes. • Nos últimos dois anos, houve um aumento significativo nos índices de publicação de relatórios de responsabilidade corporativa na região Ásia-Pacífico. Este tipo de relatório é elaborado por quase três quartos (71%) das empresas com sede na região – um aumento de 22 pontos percentuais desde 2011, quando menos da metade delas (49%) o produzia. • A região das Américas ultrapassou a Europa como a região líder em publicação de relatórios de responsabilidade corporativa, devido principalmente ao aumento expressivo observado na América Latina. Atualmente, o percentual de empresas que adotam esta prática na região das Américas, Europa e ÁsiaPacífico corresponde, respectivamente, a 76%, 73% e 71% do total de empresas pesquisadas em cada uma delas. • O maior aumento em publicação de relatórios de responsabilidade corporativa, comparado a 2011, ocorreu nos seguintes países: Índia (+53 pontos percentuais), Chile (+46), Cingapura (+37), Austrália (+25), Taiwan (+19) e China (+16). • Atualmente, o relatório de responsabilidade corporativa é, sem dúvida, uma prática empresarial padrão no mundo inteiro, adotada por quase três quartos (71%) das 4.100 empresas que participaram da pesquisa em 2013. Esse índice global aumentou 7 pontos percentuais desde 2011, ano em que menos de dois terços das empresas que participaram da pesquisa (64%) publicavam este tipo de relatório. • Entre as 250 maiores empresas do mundo, o índice de publicação de Visão da KPMG Publicar ou não publicar relatórios de responsabilidade corporativa? 10 relatório de responsabilidade corporativa está mais ou menos estável em 93%. Os setores de indústria na retaguarda demonstram progresso e se aproximam dos líderes. • Em todos os setores, mais da metade das empresas publica relatórios de responsabilidade corporativa, o que significa que esta pode ser considerada uma prática empresarial padrão, adotada no mundo inteiro, independentemente do setor. Dois anos atrás, menos da metade dos setores obteve índices de publicação de relatórios acima de 50%. Paralelamente, a diferença entre o setor com a pontuação mais alta e o setor com a pontuação mais baixa diminuiu para 22 pontos percentuais. • Nos últimos dois anos, os relatórios de responsabilidade corporativa se disseminaram mais rapidamente em alguns setores específicos. As empresas dos setores de Telecomunicação / Mídia e Automotivo apresentam hoje os mais altos índices de publicação do relatório (77% e 75%, respectivamente), o que contrasta com o que foi observado em 2008, quando estas taxas estavam entre as mais baixas (49% e 47%, respectivamente). As empresas não deveriam mais se questionar se devem ou não publicar um relatório de responsabilidade corporativa - acreditamos que essa discussão já esteja encerrada. Os índices de publicação encontrados no mundo todo demonstram que hoje se trata de uma prática empresarial padrão e isto tende a reforçar as expectativas dos stakeholders com relação à transparência e à prestação de contas sobre os impactos causados pelas empresas e à sua capacidade de gerar valor. As empresas que não se antecipam a estas pressões devem considerar o alto risco que estão assumindo, além das oportunidades que deixam escapar. É cada vez mais comum a divulgação de informações de relacionadas às responsabilidades corporativas no relatório anual. Se já não restam dúvidas sobre a importância de se divulgarem estas informações, por outro lado, é o momento de se discutir o que incluir no relatório e como elaborá-lo. Em outras palavras, é preciso examinar sua qualidade e as melhores formas de se atingirem os públicos relevantes. Isso inclui uma análise do que é significativo para os negócios, o engajamento dos principais stakeholders da empresas, a definição de uma estratégia de comunicação pautada pelos princípios de transparência e equilíbrio, e a implantação de processos de coleta e verificação de dados. • Atualmente, mais da metade das empresas pesquisadas (51%) inclui informações referentes às responsabilidades corporativas em seus relatórios financeiros anuais. Trata-se de um aumento impressionante em Pesquisa Internacional da KPMG sobre Relatórios de Responsabilidade Corporativa 2013: Sumário Executivo relação a 2011, quando apenas 20% delas o faziam, e principalmente em relação a 2008, quando só 4% optavam por este modelo. Tais resultados sugerem que esta prática é uma tendência mundial. • Todavia, a simples inclusão de informações sobre responsabilidade corporativa nos relatórios anuais não é um indicativo de que as empresas tenham adotado o modelo de relato integrado <RI>: apenas uma em cada dez empresas que publicam relatórios de responsabilidade corporativa (10%) diz elaborar um relatório nestes moldes. O uso das diretrizes estabelecidas pelo Global Reporting Initiative (GRI) é quase universal. • Setenta e oito por cento das empresas do mundo inteiro que publicam esses relatórios se baseiam nas diretrizes estabelecidas pelo Global Reporting Initiative (GRI) para a publicação de relatórios, o que representa um aumento de 9 pontos percentuais em relação à pesquisa de 2011. Na Coreia do Sul, na África do Sul, em Portugal, no Chile, no Brasil e na Suécia, este percentual é de 90%. • O índice é ainda mais alto no grupo das 250 maiores empresas do mundo: 82% por cento das empresas do G250 que produzem relatórios de responsabilidade corporativa se baseiam nas diretrizes estabelecidas pelo GRI (em comparação aos 78% em 2011). A asseguração externa de relatórios de responsabilidade corporativa atingiu um ponto crítico. • Mais da metade das empresas G250 que publicam um relatório de responsabilidade corporativa agora investe em asseguração externa. Em 2011, esta taxa era de 46%. Visão da KPMG Os conselhos de administração devem endossar o Relato Integrado <RI> como um aperfeiçoamento dos atuais relatórios corporativos. Com base na pesquisa e nas experiências dos nossos profissionais, parece haver uma aceitação de que o <RI> representa a próxima etapa na evolução de relatórios corporativos. Contudo, por enquanto, foram poucas as empresas que o colocaram em prática. O conceito no qual se baseia o <RI> é a gestão integrada. A experiência da KPMG na África do Sul, onde o <RI> agora é obrigatório, mostra que o estreito envolvimento dos CEOs e do Conselho de Administração é crucial para se desenvolver esta visão holística dos negócios e se atingir um consenso sobre aquilo que afeta significativamente sua capacidade de geração de valor no curto, médio e longo prazo. Sem a liderança da alta administração, as lacunas que existem hoje não serão preenchidas. Quando comparado aos relatórios de responsabilidade corporativa, o <RI> tem causado discussão pelo fato de ter como público alvo primário os acionistas, em oposição a outros stakeholders. Em contrapartida, um dos seus princípios é a “relação com as partes interessadas”, que lança luz sobre a qualidade do relacionamento que a organização estabelece com seus principais stakeholders e a capacidade de responder às pressões destes grupos, aspectos determinantes para a perenidade dos negócios. Sendo assim, são diversos públicos que poderão se beneficiar do novo modelo de reporte. Visão da KPMG A asseguração não é mais só uma opção. Da mesma forma que o relatório de responsabilidade corporativa se tornou uma prática empresarial padrão, a asseguração externa dos dados nele publicados também é uma tendência. Mais da metade das maiores empresas do mundo (G250) investe em asseguração e, como ocorre em geral, as maiores empresas tendem a determinar a direção que será seguida pelas demais. Atualmente, muitas empresas enfrentam o escrutínio de diferentes stakeholders e são pressionadas a fornecer informações confiáveis. A asseguração externa é um meio para lhes conferir credibilidade. • Dois terços dessas empresas que investem em asseguração optam por contratar uma empresa de auditoria de grande porte. Pesquisa Internacional da KPMG sobre Relatórios de Responsabilidade Corporativa 2013: Sumário Executivo 11 Figura 4: Percentual de empresas que publicam relatórios de responsabilidade corporativa, em 41 países - 2011 e 2013 México 79 83 66 56 EUA 83 86 Brasil 88 78 27 73 Canadá Chile Colômbia – 77 Angola AMERICAS Israel Nigéria África do Sul EAU 2011 Em percentual 2013 – 18 68 97 50 19 82 98 – 22 ORIENTE-MÉDIO E ÁFRICA O cenário regulatório sobre publicação de relatórios de responsabilidade corporativa Os seguintes países apresentam taxas de publicação de relatórios de responsabilidade corporativa elevadas, ou taxas que cresceram significativamente, em decorrência de medidas regulatórias implantadas nos últimos anos: Dinamarca Lei obriga empresas de grande porte a publicar um relatório de responsabilidade corporativa ou, em caso negativo, explicar no relatório anual por que não o fazem. 12 França Lei determina que empresas de grande porte publiquem um relatório de responsabilidade corporativa anualmente e recomenda que seja submetido a verificação independente. Índia Comissão de Valores Mobiliários do país exige que as 100 maiores empresas listadas na bolsa publiquem informações sobre responsabilidade corporativa desde o ano fiscal de 2012/2013. Indonésia Lei obriga que sociedades de responsabilidade limitada e empresas listadas publiquem informações de responsabilidade corporativa no seu relatório anual. Japão Foram criados padrões mandatórios e voluntários, aplicáveis a determinados tipos de empresas, para a elaboração de relatórios sobre impacto ambiental, incluindo de emissão de GEE. Pesquisa Internacional da KPMG sobre Relatórios de Responsabilidade Corporativa 2013: Sumário Executivo Malásia Lei determina que empresas listadas na bolsa publiquem informações de responsabilidade corporativa no seu relatório anual. Nigéria Banco Central requer que companhias do setor financeiro publiquem relatórios de responsabilidade corporativa. A Comissão de Valores Mobiliários indiana recomenda esta prática no seu código de governança corporativa. Bélgica Dinamarca Finlândia França Alemanha Grécia Hungria – 68 91 99 85 81 Polônia 94 62 33 70 Rússia 99 67 43 78 74 77 82 82 – 73 Itália Holanda Noruega Portugal Romênia Eslováquia Espanha Suécia Suíça Reino Unido – 56 69 71 54 69 58 63 88 72 57 57 81 79 64 67 100 91 EUROPA Austrália China (incl. Hong Kong) Índia Indonésia Japão Cazaquistão 57 82 59 75 20 73 – 95 99 98 – 25 Coreia do Sul – 43 43 48 Taiwan 37 56 Malásia Nova Zelândia Singapura 98 47 80 49 Ásia-Pacífico Base: 4.100 empresas N100 Fonte: KPMG International, The KPMG Survey of Corporate Responsibility Reporting 2013, dezembro 2013. Noruega Lei exige que empresas de grande porte publiquem informações sobre suas práticas com relação à questões sociais e ambientais e de combate corrupção. Singapura África do Sul Bolsa de valores recomenda, no seu Código de Governança Corporativa e em guias elaborados para empresas listadas, a publicação de relatórios de responsabilidade social. Lei determina que empresas de grande porte reportem sobre o uso de energia. A bolsa de Johanesburgo, bem como os códigos de governança corporativa conhecidos como King Code of Governance Principles e King Report on Governance (King III), exigem que as empresas publiquem relatórios integrados. A medida ganhou notoriedade no mundo todo. Reino Unido Empresas listadas na bolsa de valores de Londres são obrigadas a publicar um inventário de GEE a partir de 2013. Lei determina que empresas de grande e médio porte divulgem, no seu relatório anual, informações sobre responsabilidade corporativa que são materiais para o seu desempenho geral. EUA A Lei Dodd-Frank e regras da SEC determinam a divulgação de informações relacionadas ao uso de minérios provenientes de área de conflito. Outra medida obriga as agências federais a publicar um relatório de responsabilidade corporativa. Fonte: KPMG, Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Global Reporting Initiative e Unidade para Governança Corporativa na África, Carrots and Sticks, Sustainability reporting policies worldwide, 2013. Pesquisa Internacional da KPMG sobre Relatórios de Responsabilidade Corporativa 2013: Sumário Executivo 13 A qualidade dos relatórios entre as maiores empresas do mundo Mais atenção deve ser dada à cadeia de valor. • Na análise da KPMG, a pontuação média alcançada pelas empresas G250 em função da qualidade de seus relatórios de responsabilidade corporativa é de 59 em uma escala de 100. Isso indica que, em geral, há grandes oportunidades de melhoria. • A divulgação de metas e indicadores chave é, entre os aspectos que foram examinados, o aspecto mais bem desenvolvido até o momento, com uma pontuação média de 68 em uma escala de 100. As empresas de grande porte também publicam informações acerca da materialidade e da estratégia, obtendo uma pontuação média de 66 e 62 nestes quesitos, respectivamente. • Um aspecto a ser aprimorado é o relato de informações sobre fornecedores e a cadeia de valor, questões importantes que, no entanto, parecem ser omitidas. Com relação a este critério, a qualidade média de publicação de relatórios das empresas G250 foi avaliada em 46 em uma escala de 100. Os critérios referentes às informações sobre governança e o engajamento das partes interessadas apresentaram ambos uma pontuação média levemente maior, de 53. Figura 5: Qualidade média dos relatórios das empresas G250 de acordo com os critérios pré-definidos (Pontuação máxima: 100) Metas e indicadores Materialidade Estratégia, riscos e oportunidades Transparência e equilíbrio Governança Engajamento das partes interessadas Fornecedores e cadeia de valor Empresas europeias são um exemplo para outras regiões. • No quesito qualidade, cerca de um quarto das empresas G250 (63 empresas) obteve a pontuação acima de 80 em uma escala de 100 e 10 empresas obtiveram uma pontuação acima de 90. Essas empresas estão localizadas na Europa e nos Estados Unidos. Tabela 1: Dez empresas do G250 obtiveram uma pontuação acima de 90 em uma escala de 100 no quesito qualidade do relatório. Empresa País Setor A.P. Møller Mærsk Dinamarca Transporte BMW Alemanha Automotivo Cisco Systems Estados Unidos Telecomunicação e Mídia Ford Motor Company Estados Unidos Automotivo Hewlett-Packard Estados Unidos Eletroeletrônicos ING Holanda Serviços Financeiros e Seguros Nestlé Suíça Alimentos e Bebidas Repsol Espanha Petróleo e Gás Siemens Alemanha Eletroeletrônicos Total França Petróleo e gás Fonte: KPMG Survey of Corporate Responsibility Reporting, dezembro de 2013 68 66 62 58 53 53 46 Fonte: KPMG Survey of Corporate Responsibility Reporting, dezembro de 2013 14 Pesquisa Internacional da KPMG sobre Relatórios de Responsabilidade Corporativa 2013: Sumário Executivo Figura 6: Qualidade média dos relatórios das empresas do G250 de acordo com o país (Pontuação máxima: 100) • Em termos de qualidade, os relatórios de responsabilidade corporativa das empresas europeias G250 obtiveram uma pontuação média de 71 em uma escala de 100, a pontuação mais alta da amostra global. Comparado à pontuação média atribuída às empresas na região das Américas, de 54 pontos, e às da região Ásia-Pacífico, de 50 pontos, o resultado é positivo. Merecem destaque as empresas na Itália, na Espanha e no Reino Unido, que receberam, em média, uma pontuação de 85, 79 e 76, respectivamente. Itália Espanha Reino Unido França Austrália Holanda Alemanha Suíça Coreia do Sul Japão Estados Unidos China/Hong Kong 85 79 76 70 70 69 68 63 60 55 54 39 Figura 7: Qualidade média dos relatórios das empresas G250 por setor (Pontuação máxima: 100) • Os relatórios de responsabilidade corporativa de empresas de grande porte nos setores de Eletroeletrônicos, de Mineração e Farmacêutico foram os melhores avaliados conforme os critérios definidos. Atingiram uma pontuação média de 75, 70 e 70, respectivamente. Eletroeletrônicos Mineração Farmacêutico Serviços Públicos Comunicação e Mídia Transporte Automotivo Alimentos e Bebidas Serviços Financeiros e Seguros Produtos Químicos e Sintéticos Petróleo e Gás Comércio e Varejo Metais e Manufaturados Construção e Materiais de Construção 75 70 70 65 65 64 64 59 58 58 55 55 48 46 Fonte: KPMG Survey of Corporate Responsibility Reporting, dezembro de 2013 Fonte: KPMG Survey of Corporate Responsibility Reporting, dezembro de 2013 *As pontuações médias por país são atribuídas somente àqueles países onde há cinco ou mais empresas G250 que produzem relatórios de responsabilidade corporativa. Entre os setores de alto impacto, a pontuação permanece estável • Entre alguns dos setores de alto impacto social e/ou ambiental e nos quais os riscos e oportunidades relacionados à responsabilidade corporativa são significativos, os relatórios receberam uma avaliação abaixo da média global. Os setores de Petróleo e Gás, de Comércio e Varejo, de Metais e Manufaturados, e de Construção e Materiais de Construção têm pontuações médias de 55, 55, 48 e 46, respectivamente, em uma escala de 100. As oportunidades superam os riscos A maior parte dos relatórios de responsabilidade corporativa das G250 (87%) identifica pelo menos algumas das mudanças sociais e ambientais, que denominamos “megaforças”, com potencial de impactar os negócios. Mudanças climáticas, escassez de recursos materiais, além de segurança energética e instabilidade no mercado de combustíveis são os temas mais citados. Um número crescente de empresas destaca as oportunidades que estas mudanças podem promover: enquanto 81% dos relatórios apresentam os riscos aos negócios advindos de fatores sociais e ambientais, um número ligeiramente maior (87%) identifica oportunidades comerciais. A oportunidade citada com mais frequência é a inovação de produtos e serviços, mencionada por 72% das empresas do grupo de empresas G250 que publicam relatórios. A oportunidade de fortalecimento da marca e da reputação corporativa é a segunda mais citada (mencionada por 51% das empresas que publicam relatórios), seguida por melhorias na posição de mercado/aumento na participação de mercado (36%) e por corte de custos (30%). Pesquisa Internacional da KPMG sobre Relatórios de Responsabilidade Corporativa 2013: Sumário Executivo 15 Somente uma em cada dez empresas (12%) identifica um maior acesso a capital ou um maior valor para o acionista como uma oportunidade. O risco à reputação é o risco citado com mais frequência, mencionado por 53% das empresas G250 que publicam relatórios. Fatores de risco que podem impactar as operações, e não apenas a reputação corporativa, também são citados com frequência. São eles: risco regulatório (48%), risco competitivo (45%), risco físico (38%), riscos sociais (36%) e riscos legais (21%).1 Por outro lado, são poucos os relatórios de responsabilidade corporativa das empresas G250 (apenas 5%) que divulgam informações sobre o valor financeiro ameaçado por estes fatores de risco. A região das Américas é a única região onde os riscos concorrenciais e regulatórios são mencionados com mais frequência nos relatórios de responsabilidade corporativa das empresas G250 do que os riscos à reputação. Na maioria dos relatórios de empresas G250 (83%) se afirma a existência de uma estratégia para assuntos de responsabilidade corporativa. As empresas na região das Américas são as mais propensas a apresentar uma estratégia: sete em cada dez o fazem. Há necessidade de uma maior transparência no processo de análise da materialidade. • Mais de três quartos (79%) das empresas G250 que emitem relatórios de responsabilidade corporativa apontam as questões de responsabilidade corporativa que foram identificadas como sendo materiais para a empresa e suas partes interessadas. • Por outro lado, a transparência em relação ao processo de avaliação da materialidade, ainda pode melhorar – 41% das empresas que publicam esses relatórios não explicam o processo utilizado e uma minoria (5%) faz esta análise de forma contínua. Metas e indicadores ainda não foram totalmente definidos. • Uma em cada oito empresas G250 que publicam relatórios de responsabilidade corporativa (13%) não divulga metas e um quarto (26%) não relaciona suas metas a questões materiais. Em setores de alto risco, pouco é divulgado sobre os impactos de fornecedores e da cadeia de valor. • As empresas do setor de Produtos Químicos e Sintéticos são as menos propensas a incluir questões relacionadas à cadeia de fornecimento em seus relatórios. Sessenta por cento das empresas G250 deste setor que publicam relatórios de VISÃO DA KPMG Os riscos e as oportunidades precisam estar vinculados à geração de valor. É crescente a visão de que as responsabilidades corporativas não se reduzem a um imperativo moral, mas também representam riscos e oportunidades para as empresas. Um número cada vez maior de investidores reconhece que, diante das mudanças ambientais e sociais que atingem o mundo dos negócios, o valor das empresas está em jogo. Isso nos leva à seguinte questão: quais são os potenciais impactos financeiros e que medidas estão sendo tomadas para mitigar estes riscos ou maximizar estas oportunidades? Contudo, poucos relatórios refletem a capacidade de mensurar o valor preservado e/ou gerado. É importante que empresas comecem examinar os efeitos destes fatores sobre sua receita e seu lucro e integrar tal análise ao processo de planejamento estratégico, construção de cenários e gerenciamento de riscos corporativos. 1 16 Vide página 17 para obter a definição dos diferentes tipos de riscos Pesquisa Internacional da KPMG sobre Relatórios de Responsabilidade Corporativa 2013: Sumário Executivo responsabilidade corporativa não divulgam informações relacionadas aos fornecedores. As empresas do setor de Eletroeletrônicos, ao contrário, são as que mais divulgam informações sobre seus fornecedores. • Em geral, as empresas G250 localizadas na Europa divulgam mais informações sobre os impactos ambientais e sociais de seus produtos e serviços. Quase três quartos (73%) das empresas dessa região que publicam relatórios apresentam os impactos da etapa de produção e comercialização em mais detalhe e outros 23% fornecem uma quantidade limitada de informação. Na região das Américas, menos da metade (49%) oferecem estas informações detalhadas. Esse número cai para menos de um terço (32%) na região Ásia-Pacífico. • Em grande parte das empresas G250 (61%), questões desta ordem são gerenciadas por um departamento específico, de “responsabilidade corporativa” ou de “sustentabilidade”. • Somente uma em cada dez empresas G250 (10%) demonstra um vínculo evidente entre o desempenho informado em seus relatórios e a remuneração dos seus executivos ou de seus funcionários. O aspecto Transparência e Equilíbrio é pouco desenvolvido na maioria das empresas • Apenas uma em cada cinco empresas G250 (23%) publica um relatório que apresenta, além dos exemplos de sucesso, os desafios e os reveses deste processo de desenvolvimento de práticas corporativa mais responsáveis. As empresas do setor de Alimentos e Bebidas, de Eletroeletrônicos e Farmacêutico são as mais propensas a demonstrar uma visão mais equilibrada sobre seu desempenho. Visão da KPMG A cadeia de fornecedores merece mais atenção. A pesquisa indica que setores com cadeias de fornecimento complexas e sujeitas a problemas ambientais e sociais potencialmente catastróficos, em geral, têm dado pouca ênfase a tais questões em seus relatórios. Incidentes recentes são evidência de que as empresas não estão isentas da responsabilidade sobre os danos gerados pelos seus fornecedores e podem ser gravemente penalizadas mediante uma denúncia deste tipo. A gestão da cadeia de fornecimento é um novo condicionante da sua licença social para operar e deve ser demonstrada, de forma transparente, no relatório de responsabilidade corporativa para desenvolver a confiança dos stakeholders. As empresas na região das Américas e na região ÁsiaPacífico apresentam menos informações sobre o processo de engajamento das partes interessadas • Quando se avalia a divulgação do processo de engajamento das partes interessadas, as empresas G250 localizadas na região Ásia-Pacífico e nas Américas, em geral, perdem para as empresas europeias. Quatro em cada dez empresas naquelas regiões não oferecem nenhuma informação sobre tal processo. • Os setores de Mineração e de Metais e Manufaturados obtiveram as pontuações mais altas no quesito de identificação e reporte de partes interessadas mais relevantes. • Somente um terço das empresas G250 (31%) inclui os comentários das partes interessadas em seus relatórios de responsabilidade corporativa. Um número pequeno de empresas estabelece vínculo entre desempenho e remuneração. • Cerca de um quarto das empresas (24%) reporta que o Conselho da empresa é o responsável final pelos assuntos de responsabilidade corporativa. Pesquisa Internacional da KPMG sobre Relatórios de Responsabilidade Corporativa 2013: Sumário Executivo 17 Relatórios de Responsabilidade Corporativa no Brasil É notável a difusão dos temas sobre responsabilidade corporativa no Brasil, especialmente na última década, também no que diz respeito à divulgação de informações de sustentabilidade pelas organizações por meio de relatórios corporativos. O assunto ganhou visibilidade na mídia, contribuindo para a conscientização dos consumidores, e tem sido pauta de discussão de órgãos reguladores, que assumem um papel relevante na promoção de práticas corporativas mais adequadas às expectativas da sociedade*. Este movimento ganhou novo impulso em 2012, quando a BM&FBOVESPA passou a recomendar que as empresas listadas informassem ao mercado se publicam um Relatório de Sustentabilidade ou documento similar e, em caso negativo, explicassem por que não o fazem. A medida, conhecida como “Relate ou Explique”, rendeu bons frutos – segundo a BM&FBOVESPA, a adesão das empresas à iniciativa aumentou de 45,31% para 66,29% entre maio de 2012 e junho de 2013. A bolsa informa que o número de empresas de capital aberto que efetivamente publicam informações desta ordem aumentou de 96 para 157 neste período. O Brasil tem se destacado nas pesquisas realizadas pela KPMG pelo percentual de empresas que publicam relatórios de responsabilidade corporativa. Na pesquisa realizada em 2011, esta taxa era de 88%, o que colocou o país em 6º lugar no ranking global. No entanto, apesar da tendência geral de aumento na divulgação de informações deste tipo pelas empresas brasileiras, a pesquisa atual identifica uma aparente retração. Este resultado se deve essencialmente à mudança na composição do grupo de empresas pesquisadas. O grupo de empresas N100, que serviu de amostra para a análise quantitativa, 18 foi definido conforme os critérios metodológicos adotados globalmente e descritos nas páginas anteriores. A amostra brasileira teve como base as 100 maiores empresas em faturamento segundo o ranking do Valor Econômico de 2013. Uma vez que este ranking sofre alterações todos os anos, nem todos os resultados das pesquisas que realizamos podem ser atribuídos a uma mudança no comportamento de empresas específicas. Do total de 100 empresas pesquisadas, 34 foram incorporadas à amostra em 2013. Deste grupo, 13 não reportam informações sobre responsabilidade corporativa. Das 34 empresas que deixaram de compor o ranking das 100 empresas pesquisadas em 2013, apenas 3 não publicavam este tipo de relatório em 2011, o que justifica a diferença no percentual de empresas relatoras. Vale acrescentar que, destas 3, 2 passaram a publicar relatórios de sustentabilidade desde então; e, das 31 empresas restantes, as quais já divulgavam relatórios de responsabilidade corporativa naquele ano, apenas 1 deixou de publicá-lo. Logo, pode-se afirmar que a redução no percentual que apresentamos nesta pesquisa se deve, em parte, a um aspecto inerente à metodologia utilizada – as variações na composição da amostra – e não a uma mudança real na trajetória que estávamos observando. Reconhecendo tal limitação metodológica, podemos realizar uma análise mais detalhada dos dados e tirar proveito da série de conclusões que resultam desta pesquisa. A disseminação no uso de diretrizes GRI Brasil, 91% afirmam adotar estas diretrizes, o que coloca o país em 4º lugar no ranking global, ao lado da Suécia e do Chile. O alto percentual se deve, em grande medida, à referência explícita ao padrão GRI em recomendações relacionadas à divulgação de informações de ordem socioambiental e, também, a ativa atuação da GRI no Brasil por meio seu de ponto focal. A BM&FBOVESPA também tem contribuído para a disseminação deste modelo oferecendo workshops gratuitos sobre sua aplicação, em parceria com a própria GRI. Mais da metade dos relatórios são assegurados por terceiros A asseguração das informações por terceiros provê confiança sobre a qualidade das informações, tanto às partes interessadas quanto aos responsáveis pela gestão do desempenho. À medida que cresce a importância de um bom controle sobre os indicadores reportados, em decorrência de novas normas regulatórias ou de compromissos voluntários assumidos pelas organizações, a asseguração também tende a se valorizar. Na amostra brasileira, chama a atenção o percentual de relatórios que são assegurados. Enquanto a média global é de 38%, no Brasil esta taxa sobe para 56%. Dentre os provedores de asseguração contratados, 68% são grandes empresas de auditoria. Para mais informação sobre as medidas regulatórias relacionadas ao reporte de informações socioambientais ao redor do mundo e especificamente no Brasil, leia Carrots and Sticks: Sustainability reporting policies worldwide – today’s best practice, tomorrow’s trends, um estudo realizado pela GRI, com a colaboração da KPMG. https://www.globalreporting. org/resourcelibrary/Carrots-and-Sticks.pdf * No mundo todo, as diretrizes GRI para a elaboração de relatórios de sustentabilidade são amplamente utilizadas. Entre as empresas N100 no Pesquisa Internacional da KPMG sobre Relatórios de Responsabilidade Corporativa 2013: Sumário Executivo Sobre os serviços da KPMG para Mudanças Climáticas e Sustentabilidade A KPMG é uma das pioneiras em serviços de consultoria em Mudanças Climáticas e Sustentabilidade e acumula mais de 20 anos de experiência na área. Atualmente, suas firmas-membro estão espalhadas por cerca de 60 países e reúnem centenas de profissionais especializados. Conhecimento local, experiência global A rede internacional da KPMG é capaz de proporcionar conhecimento extenso sobre o contexto político, econômico, ambiental e social, onde quer que sua organização opere. Aliamos nossa experiência global ao conhecimento local para ajudá-lo. Especialistas na elaboração e asseguração de Relatórios de Responsabilidade Corporativa A disseminação de Relatórios de Responsabilidade Corporativa pode ser atribuída à crescente demanda de stakeholders por informações sobre os impactos ambientais e sociais causados pela empresa e sobre os fatores de risco corporativo que podem assolar o seu valor. Interessalhes conhecer a capacidade da organização identificar estes problemas e gerenciá-los de forma efetiva, bem como saber se as informações disponíveis são precisas e confiáveis. Na evolução dos relatórios corporativos, o modelo de Relato Integrado <RI> aos poucos ganha notoriedade pela visão holística sobre o desempenho da empresa e pela ênfase na capacidade de criação de Abordagem integrada Insights e inovação Trabalhamos lado a lado com outros especialistas da KPMG, de áreas como Audit, Management Consulting, IT, Supply Chain e Infrastructure. Não fazemos recomendações genéricas – oferecemos soluções personalizadas para a complexidade do cenário de negócios atual, tendo em vista os riscos emergentes e as novas oportunidades comerciais. A KPMG ajuda seus clientes a desenvolver estratégias com base em um entendimento mais profundo dos problemas atuais. A equipe de profissionais conta com o apoio do Centro de Excelência da KPMG na Holanda, dedicado a estudar os grandes causadores das mudanças globais e a criar soluções que refletem o estado da arte em estratégias e técnicas de gestão. Orientação por resultados Pensamos grande e desafiamos as convenções, mas sempre respeitando a viabilidade de implantação e a necessidade de encontrar soluções práticas que conduzirão ao sucesso e crescimento dos negócios. valor no curto, médio e longo prazo. Destaque especial é dado à relação de interdependência entre os diferentes tipos de capital, que incluem, além do capital financeiro, o capital manufaturado, intelectual, humano, intelectual, natural e social. A KPMG ajuda seus clientes a: • Entender o que é material para a sua organização e deve ser reportado. • Definir a abordagem a ser adotada pela empresa e criar ou integrar estruturas e processos de reporte de informações. • Realizar estudos de benchmarking para comparar a qualidade do seu relatório aos padrões do seu setor de atividade. • Prover asseguração independente sobre seu sistema de elaboração de relatórios internos e externos, ou sobre as informações publicadas no Relatório de Sustentabilidade. • Verificar o desempenho dos seus fornecedores em relação aos temas considerados materiais para o negócio. • Elaborar relatórios com propósitos específicos, como o Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa e o formulário para inclusão em índices de sustentabilidade, como o ISE ou o DJSI. Pesquisa Internacional da KPMG sobre Relatórios de Responsabilidade Corporativa 2013: Sumário Executivo 19 Contato: Sidney Ito Sócio líder [email protected] Tel.: 55 (11) 2183 3316 Ricardo Zibas Sócio diretor [email protected] Tel.: 55 (11) 2183 1795 Serviços da KPMG para Mudanças Climáticas e Sustentabilidade / kpmgbrasil App KPMG Brasil – disponível em iOS e Android App KPMG Thought Leadership para iPad © 2014 KPMG Risk Advisory Services Ltda., uma sociedade simples brasileira, de responsabilidade limitada, e firma-membro da rede KPMG de firmas-membro independentes e afiliadas à KPMG International Cooperative (“KPMG International”), uma entidade suíça. Todos os direitos reservados. Impresso no Brasil. Conteúdo traduzido para a língua portuguesa da publicação “The KPMG Survey of Corporate Responsibility Reporting 2013”. KPMG International. Dezembro, 2013. Todas as informações apresentadas neste documento são de natureza genérica e não têm por finalidade abordar as circunstâncias de uma pessoa ou entidade específica. Embora tenhamos nos empenhado em prestar informações precisas e atualizadas, não há garantia de sua exatidão na data em que forem recebidas nem de que tal exatidão permanecerá nofuturo. Essas informações não devem servir de base para se empreenderem ações sem orientação profissional qualificada, precedida de um exame minucioso da situação em pauta. O nome KPMG, o logotipo e “cutting through complexity” são marcas registradas ou comerciais da KPMG.