Teresa Simões Silva e Carlos Guerra Os tumores do ovário podem ter origem em um de três componentes distintos: o epitélio de superfície e estroma subjacente que embriologicamente dão origem aos ductos mullerianos/ mesonéfricos; o estroma ovárico especializado que inclui os cordões sexuais e precursores de células endócrinas do ovário pós-natal; e as células germinativas que migram para o ovário a partir do saco vitelino e são pluripotenciais. Há ainda um grupo de tumores de histogénese incerta e os tumores secundários ou metastáticos, dado que o ovário é um sítio comum de metastização de várias outras neoplasias malignas1. A classificação adoptada na abordagem destes tumores é a formulada em 2003 pela Organização Mundial da Saúde (OMS)2. 1. TUMORES OVÁRICOS PRIMITIVOS 1.1. TUMORES DOS CORDÕES SEXUAIS ESTROMA Inclui um grupo de neoplasias com um vasto espectro morfológico (Quadro 1) constituído por células do tipo estromal ovárico e testiculares. Representam 8% de todos os tumores primitivos ováricos e são os tumores ováricos funcionantes mais frequentemente associados com manifestações endócrinas. Os tumores dos cordões sexuais têm origem em células especializadas na produção de hormonas esteróides. Se compostos predominantemente de células do tipo ovárico/células do tipo feminino (células da granulosa e células da teca) são geralmente estrogénicos, se compostos de células do tipo testicular/células do tipo masculino (células de Sertoli e células de Leydig) são androgénicos. Mas, nem sempre há uma correlação directa entre a morfologia das células tumorais e o tipo de hormonas por elas segregadas, havendo também tumores não funcionantes. Recentemente tornaram-se disponíveis marcadores imuno-histoquímicos que são de grande utilidade na identificação destes tumores3,4. A α-inibina é um dos marcadores mais úteis. A calretinina é mais sensível mas menos específica que a α-inibina, no sentido que frequentemente cora tumores dos cordões sexuais/estroma que são negativos para a α-inibina, como fibromas. O CD99, o marcador geralmente usado para identificar sarcoma de Ewing/tumor neuroectodérmico primitivo (PNET) também frequentemente mostra afinidade imuno-histoquímica para este grupo de neoplasias. Finalmente o anticorpo WT-1 (factor de transcrição expresso no tumor de Wilms), presente em células normais da granulosa, é expresso na maior parte dos tumores dos cordões sexuais/estroma5. 2. TUMORES DE CÉLULAS DA GRANULOSA ESTROMA Este grupo de tumores é constituído pela combinação em proporções variáveis de células da granulosa (ou a sua variante 413 Sem o consentimento prévio por escrito do editor, não se pode reproduzir nem fotocopiar nenhuma parte desta publicação © Permanyer Portugal 2011 25 Tumores raros do ovário é a base para a sua classificação no grupo dos tecoma/fibroma ou no grupo de tumores de células da granulosa. Quadro 1. Tumores dos cordões sexuais/estroma do ovário — Tumores de células da granulosa/estroma: u Tumor de células da granulosa: Tumor de células da granulosa do adulto. Tumor de células da granulosa juvenil. u Tecoma/fibroma: Tecoma: Tecoma típico. Tecoma luteinizado. Fibroma. Fibroma celular. Fibrossarcoma. Tumor estromal com componente minor de elementos dos cordões sexuais. Tumor estromal esclerosante. Tumor estromal de células em anel de sinete. Fibrotecomas. — Tumor de células de Sertoli/estroma: u Tumor das células de Sertoli-Leydig: Bem diferenciado. Com diferenciação intermédia: Com elementos heterólogos. Pouco diferenciado: Com elementos heterólogos. Retiforme: Com elementos heterólogos. u Tumor de células de Sertoli. u Tumor estromal de células de Leydig. — Tumor dos cordões sexuais/estroma mistos ou de tipos celulares não classificados: u Tumor dos cordões sexuais com túbulos anulares. u Ginandroblastoma. u Tumores dos cordões sexuais não classificados. — Tumores de células esteróides: u Luteoma estromal. u Tumores de células de Leydig: Tumor de células do hilo. Tumores de células não-hilares. Sem outra especificação. u Tumores de células esteróides (sem outra especificação): Bem diferenciados. Malignos. Adaptado da classificação da OMS, 2003. 414 Capítulo 25 Sem o consentimento prévio por escrito do editor, não se pode reproduzir nem fotocopiar nenhuma parte desta publicação © Permanyer Portugal 2011 luteinizada), células da teca e fibroblastos. A presença ou ausência de um componente de células da granulosa (no mínimo de 10%) O tumor de células da granulosa é uma neoplasia ovárica que mostra diferenciação no sentido das células da granulosa folicular. É controverso se estes tumores têm origem em células da granulosa de folículos pré-existentes ou a partir do estroma ovárico especializado. Dois tipos distintos existem, respectivamente: a forma adulta e a forma juvenil. A forma adulta ocorre frequentemente em mulheres de meia-idade e pós-menopáusicas e caracteristicamente contêm microfolículos e células uniformes com citoplasma escasso e pálido e núcleos em fenda. Pelo contrário, o subtipo juvenil ocorre sobretudo em crianças e mulheres novas e tipicamente mostra grandes folículos rudimentares, com células com citoplasma moderado a abundante, núcleos escuros geralmente sem fendas longitudinais2,6. 2.1.1. TUMOR DE CÉLULAS DA GRANULOSA DO ADULTO Clínica Este tumor tem uma incidência anual de 0,5 a 1,5 casos/100.000 mulheres e representa 2 a 3% dos tumores ováricos primitivos7 e até 95% dos tumores de células da granulosa. Podem ocorrer em qualquer idade, mas mais frequentemente em mulheres peri e pós-menopáusicas. É o tumor ovárico mais frequentemente associado com manifestações estrogénicas (75% dos casos)6,8-10. Devido à produção de estrogénios, as doentes frequentemente apresentam menometrorragias ou sangramento pós-menstrual, e podem apresentar hiperplasia endometrial concomitante (em até 50%) e mesmo adenocarcinoma (em até 10%). Em doentes pré-púberes, a manifestação mais frequente é pseudoprecocidade isossexual. Outras manifestações frequentes incluem dor abdominal associada a massa pélvica. Menos Tumores raros do ovário frequentemente o tumor é androgénico e pode ser virilizante. Em 10% das doentes o tumor manifesta-se por sintomas abdominais agudos devido a rotura com hemoperitoneu. Na grande maioria dos casos, os tumores de células da granulosa do adulto são diagnosticados no estádio I. Características patológicas Macroscopicamente, os tumores são unilaterais em mais de 95% dos casos, podendo apresentar-se com rotura em 10 a 15%. O tamanho varia de microscópico até superior a 30 cm de maior eixo, com um tamanho médio de 12 cm. São predominantemente sólidos ou sólidos e quísticos com uma superfície de corte amarela ou esbranquiçada, dependendo da quantidade de células com conteúdo lipídico. A consistência pode ser amolecida ou mais firme também dependendo da proporção de células da granulosa versus células indiferenciadas estromais, observando-se frequentemente áreas hemorrágicas. Microscopicamente, trata-se de proliferação de células com características de células da granulosa num fundo de estroma fibrotecomatoso podendo adoptar vários padrões característicos: padrão difuso, trabecular, microfolicular (com formação de corpos CallExner, que são característicos e que se traduzem por espaços microquísticos que podem conter material do tipo lâmina basal eosinofílico), macrofolicular, insular, giriforme e em «seda moiré». As células caracteristicamente mostram escasso citoplasma e núcleo redondo a oval com uma fenda longitudinal evidenciando atipia citológica mínima e um baixo índice mitótico (tipicamente inferior a cinco mitoses/10 campos de grande ampliação). Raramente podem ser observados núcleos bizarros, extensa luteinização e uma diferenciação hepatóide11,12. Os vários padrões descritos geralmente ocorrem misturados, manifestando-se as formas menos bem diferenciadas pelo padrão em «seda moiré», giriforme e difuso (sarcomatóide). 415 Sem o consentimento prévio por escrito do editor, não se pode reproduzir nem fotocopiar nenhuma parte desta publicação © Permanyer Portugal 2011 2.1. TUMORES DE CÉLULAS DA GRANULOSA 2.1.2. TUMORES DE CÉLULAS DA GRANULOSA JUVENIL Clínica Representam 5 a 15% dos tumores de células da granulosa e 10% dos tumores ováricos em doentes com menos de 20 anos de idade7. Geralmente ocorrem em mulheres com menos de 30 anos de idade, metade dos quais na primeira década de vida. Estes tumores frequentemente produzem estrogénios e se ocorrem antes da puberdade estão associados em 80% dos casos com pseudoprecocidade isossexual. Se detectados após a puberdade, podem traduzir-se por aumento do volume abdominal, dor, massa pélvica ou irregularidades menstruais. Foi referida associação com a doença de Ollier, encondromatose e com a síndrome de Maffucci. Características patológicas Macroscopicamente, estes tumores apresentam aspectos sobreponíveis à variante adulta. Contêm no entanto células de aspecto menos maduro que o tumor de células da granulosa do adulto, sendo frequentemente confundidos com outras neoplasias, geralmente tumores de células germinativas ou carcinomas indiferenciados. Microscopicamente, observa-se uma proliferação nodular ou em toalha de células neoplásicas da granulosa identificando-se geralmente espaços foliculares dispersos. Variam em tamanho e forma, não atingindo o aspecto macrofolicular dos tumores de células da granulosa do adulto. O lúmen contém material basofílico ou eosinofilico, 416 praticamente não se identificando corpos de Call-Exner. As células neoplásicas situam-se num estroma mixóide ou edematoso e caracterizam-se por serem maiores que as do tumor de células da granulosa do adulto frequentemente com citoplasma relativamente abundante pálido, eosinófilo. Os núcleos são redondos, ovais e hipercromáticos e raramente há fendas longitudinais. Há atipia citológica, que pode variar de ligeira a severa e a actividade mitótica também pode ser muito elevada, com presença de figuras de mitose atípicas. Podem ser observadas células da teca, conjuntamente, sendo a coloração pela reticulina útil para as pôr em evidência. Há frequentemente luteinização, quer de células da granulosa, quer de células da teca, podendo uma coloração para gordura pôr em evidência pequenos lípidos intracitoplasmáticos, observando-se também frequentemente células hipercromáticas pleomórficas. Do ponto de vista histoquímico e imunohistoquímico, apresentam características sobreponíveis às descritas no tumor de células da granulosa do adulto, sendo de referir que pode haver positividade focal para o EMA. O diagnóstico diferencial inclui o tumor de células da granulosa do adulto, o tecoma, que não tem espaços foliculares e é praticamente desprovido de actividade mitótica, em idade jovem o tumor do seio endodérmico e, numa idade mais avançada, o carcinoma de pequenas células do tipo hipercalcémico. Este diagnóstico diferencial é extremamente importante, uma vez que ambas as entidades têm prognósticos completamente diferentes. 2.2. TUMORES DO GRUPO TECOMA/FIBROMA São os tumores dos cordões sexuais mais frequentes nesta categoria (representam 70% dos tumores dos cordões sexuais do estroma), apesar de representarem menos de 10% Capítulo 25 Sem o consentimento prévio por escrito do editor, não se pode reproduzir nem fotocopiar nenhuma parte desta publicação © Permanyer Portugal 2011 Do ponto de vista histoquímico e imuno-histoquímico, observa-se através da coloração pela reticulina que esta delimita grupos de células, em contraste com o componente estromal onde as células são individualmente rodeadas por fibras de reticulina. O quadro 2 resume as principais características imunohistoquímicas da neoplasia. Imunomarcação Anticorpo Positiva α-inibina Calretinina CD99 CD56 Vimentina Negativa EMA CK7 Positiva ou negativa Queratinas (Cam 5.2, pancitoqueratina), CD10, proteína S-100, WT-1 (factor de transcrição expresso no tumor de wilms), actina do músculo liso e desmina dos tumores primitivos do ovário na generalidade. Pela sua raridade, salientam-se neste grupo o tumor estromal esclerosante e o tumor estromal com células em anel de sinete. 2.2.1. TUMOR ESTROMAL ESCLEROSANTE Clínica Este tumor representa 2 a 6% dos tumores do estroma ovárico e mais de 80% ocorrem em mulheres jovens, na segunda ou terceira décadas13. Traduzem-se geralmente por anomalias menstruais ou desconforto abdominal, sendo as manifestações hormonais raras. Diferem também dos fibromas e tecomas pelo grupo etário afectado. Característica patológicas Macroscopicamente, o tumor é tipicamente unilateral e bem delimitado, de dimensões oscilando entre 3 e 17 cm de diâmetro. A secção é sólida, branco-acinzentada com ocasionais focos amarelados e pode conter áreas quísticas ou edematosas. O exame histológico com observação em pequena ampliação é típico, revelando áreas mal definidas pseudolobulares densamente celulares separadas por um estroma fibroedematoso. Os nódulos contêm dois tipos celulares: células fusiformes que produzem colagénio e células arredondadas ou ovais correspondendo a células luteinizaTumores raros do ovário das com características degenerativas. Apresentam citoplasma vacuolizado e contém lípidos. Observa-se ainda uma trama de vasos de parede fina congestivos, dentro dos nódulos. Do ponto de vista imuno-histoquímico, há expressão de vimentina, α-inibina, calretinina e CD34. A actina do músculo liso é geralmente positiva com desmina negativa. 2.2.2. TUMOR ESTROMAL DE CÉLULAS EM ANEL DE SINETE Clínica Esta neoplasia rara ocorre em adultos e é não funcionante, tendo apenas oito casos sido descritos na literatura1,14. O modo de apresentação é sobreponível aos restantes tumores do grupo tecoma/fibroma. Características patológicas Macroscopicamente, estes tumores também são indistinguíveis dos restantes tumores do grupo tecoma/fibroma. Microscopicamente, há uma proliferação de dois tipos celulares, o primeiro de células fusiformes de disposição difusa que se fundem gradualmente com o segundo tipo celular constituído por células do tipo em anel de sinete, sendo contudo a coloração para as mucinas e para lípidos negativa. É extremamente importante o diagnóstico diferencial 417 Sem o consentimento prévio por escrito do editor, não se pode reproduzir nem fotocopiar nenhuma parte desta publicação © Permanyer Portugal 2011 Quadro 2. Características imuno-histoquímicas dos tumores de células da granulosa do adulto 3. TUMORES DE CÉLULAS DE SERTOLI/ESTROMA Os tumores deste grupo são extremamente raros, responsáveis por menos de 1% de todos os tumores de cordões sexuais/estroma7 (0,1-0,5% de todas as neoplasias primitivas ováricas). São tumores constituídos por células de Sertoli imaturas ou maduras, células de Leydig, fibroblastos ou células de rete testis, na forma pura ou em combinação, e com graus variáveis de diferenciação. O termo androblastoma é sinónimo, embora actualmente em desuso. A origem das células de Sertoli nestas neoplasias ováricas não foi ainda estabelecida de forma conclusiva e há controvérsia quanto ao componente de células de Leydig, argumentando alguns autores que são células reactivas de origem no estroma ovárico e não um verdadeiro componente neoplásico15. Outros autores afirmam que as células de Leydig são componente integral do processo neoplásico nestes tumores, (ao contrário das células da teca nos tumores de células da granulosa), o que justifica a presença de células de Leydig nos focos metastáticos16. Neste contexto, os tumores puros de células de Leydig são, na classificação da OMS, que é a classificação aqui adoptada, integrados no grupo dos tumores de células esteróides. Saliente-se que nos ovários os tumores mistos de células de Sertoli-Leydig são muito mais frequentes que as formas puras de tumores só de células de Sertoli ou só de células de Leydig, o contrário do que acontece no testículo. Estes tumores ocorrem predominantemente na segunda e terceira década (idade média 25 anos), raramente antes da puberda- 418 de e menos de 10% após a menopausa16. São bilaterais em menos de 2% e confinados aos ovários em mais de 95% dos casos (estádio I). Certos subtipos desviam-se um pouco deste padrão; os tumores apenas constituídos por células de Sertoli e, em menor grau os tumores puros de células de Leydig, exibem uma distribuição etária bimodal, com picos de incidência na 3.a e 7.a décadas. Em 40 a 50% dos casos, os sintomas de apresentação relacionam-se com sinais clínicos de actividade androgénica, sendo a maioria dos restantes sintomas relativos à presença de massa pélvica. Do ponto de vista endócrino, os tumores de células de Sertoli-Leydig produzem uma mistura de C-19 esteróides (sobretudo de-hidroepiandrosterona e androsterona, com pequenas quantidades de testerona)17, enquanto os tumores puros de células de Leydig tendem a produzir apenas progesterona, sendo por isso detectados mais precocemente16. Os tumores puros de células de Sertoli, se bem diferenciados, são geralmente estrogénicos, podendo contudo ser endocrinologicamente inactivos ou androgénicos. Saliente-se que os tumores de Leydig puros e os tumores de células de Sertoli e Leydig pouco diferenciados também são em 50% dos casos androgénicos podendo contudo ser feminizantes. É assim oportuno salientar que o diagnóstico destas neoplasias deve ser baseado no seu aspecto morfológico e não na natureza das manifestações hormonais que lhe estão associadas. 3.1. TUMORES DE CÉLULAS DE SERTOLILEYDIG Clínica Os tumores de células de Sertoli-Leydig são raros representando menos de 0,5% das neoplasias primitivas ováricas16, sendo as formas pouco e moderadamente diferenciadas as mais comuns. Foram relatados em mulheres dos dois aos 75 anos de idade com uma Capítulo 25 Sem o consentimento prévio por escrito do editor, não se pode reproduzir nem fotocopiar nenhuma parte desta publicação © Permanyer Portugal 2011 com tumor de Krukenberg, que caracteristicamente apresenta mucinas nas células em anel de sinete, para além de imunomarcação para as citoqueratinas. Características macroscópicas A grande maioria dos tumores de células de Sertoli-Leydig é unilateral com apenas 2% de bilateralidade. Em 80% são diagnosticados no estádio IA1. O tamanho médio destes tumores é de 15 cm, apesar das formas pouco diferenciadas serem geralmente maiores. Têm tipicamente uma superfície de corte sólida, amarela ou amarela-acastanhada com formação focal de quistos, com excepção da forma retiforme e da forma com elementos heterólogos que são mais frequentemente quísticos. Também na forma retiforme para além do componente quístico ser por vezes proeminente, pode apresentar projecções papilares ou poliTumores raros do ovário póides para dentro dos quistos. Os tumores pouco diferenciados contêm áreas de necrose e hemorragia. Do ponto de vista microscópico dividem-se em cinco subgrupos: — Tumor de células de Sertoli-Leydig bem diferenciado (10%). — Tumor de células de Sertoli-Leydig de diferenciação intermédia. — Tumor de células de Sertoli-Leydig pouco diferenciado. — Tumor de células de Sertoli-Leydig retiforme (10 a 15%). — Tumor de células de Sertoli-Leydig com elementos heterólogos. Há, contudo, uma considerável sobreposição entre as várias categorias à excepção dos tumores de células de Sertoli-Leydig bem diferenciados. 3.2. TUMORES DE CÉLULAS DE SERTOLI Os tumores das células de Sertoli caracterizam-se pela proliferação de células de Sertoli, geralmente com formação de túbulos sólidos ou ocos, não estando representadas células de Leydig. Clínica São neoplasias raras representando 4% dos tumores de células de Sertoli/estroma7. Podem ocorrer em qualquer faixa etária sendo mais frequentes na idade reprodutiva (média de 30 anos). São geralmente não funcionantes mas podem estar associados com manifestações endócrinas, mais frequentemente estrogénicas (30%) e menos frequentemente mostram evidência de produção de androgénios ou de progesterona. Também podem estar associados com a síndrome de Peutz-Jeghers e com produção de renina. Características patológicas São neoplasias unilaterais, com tamanho variável, sendo a média de 7 a 9 cm. São bem circunscritos, sólidos com uma superfície externa lisa ou lobulada e mostram em 419 Sem o consentimento prévio por escrito do editor, não se pode reproduzir nem fotocopiar nenhuma parte desta publicação © Permanyer Portugal 2011 média etária de 25/35 anos1. Apesar dos tumores de células de Sertoli-Leydig geralmente produzirem androgénios e masculinizarem as pacientes em 30 a 50% dos casos, muitos são não funcionantes e alguns têm mesmo efeitos estrogénicos1. Em contraste com os tumores adrenais virilizantes, os níveis urinários de 17-cetoesteróides estão geralmente normais ou apenas ligeiramente elevados. Em 20% dos casos pode haver níveis séricos elevados de α-fetoproteína, não atingindo contudo os valores do tumor do seio endodérmico. Os tumores de células de Sertoli-Leydig são classificados em cinco subtipos histológicos devido a importantes implicações clínicas e patológicas. Subdividem-se em formas bem diferenciadas, com diferenciação intermédia ou pouco diferenciadas baseadas no grau de diferenciação tubular do componente de células de Sertoli (que diminui com o grau da neoplasia) e com a quantidade de estroma gonadal primitivo (que aumenta com o aumento do grau da neoplasia). As células de Leydig também diminuem à medida que o grau aumenta. A presença de elementos heterólogos e um padrão retiforme pode ser observado em todos os tumores, à excepção da variante bem diferenciada. 4. TUMORES DOS CORDÕES SEXUAIS/ ESTROMA MISTOS OU DE TIPOS CELULARES NÃO CLASSIFICADOS São tumores que não são possíveis de classificar dentro dos tumores da granulosa/estroma ou nos tumores de células de Sertoli/estroma ou ainda na categoria de tumores de células esteróides. Salientam-se os descritos em seguida. 4.1. TUMOR DOS CORDÕES SEXUAIS COM TÚBULOS ANULARES Clínica A separação do tumor dos cordões sexuais com túbulos anulares dos outros tumores dos cordões sexuais não classificados justifica-se numa base clínica e morfológica. Este tumor pode ocorrer em dois contextos. No contexto da síndrome de Peutz-Jeghers (polipose intestinal hamartomatosa e manchas melanocíticas na mucosa oral, lábios e dedos) ocorrem em cerca de 1/3 dos casos de tumor dos cordões sexuais com túbulos anulares e afectam praticamente todas as mulheres com esta síndrome. Neste contexto, os tumores ocorrem em qualquer idade com uma média de 27 anos, estando associados com irregularidades menstruais em 40% dos casos. São tipicamente bilaterais, multifocais, calcificados e muito pequenos, 420 frequentemente microscópicos, sendo provavelmente de origem hamartomatosa em vez de neoplásica16. Todos estes tumores associados com síndrome de Peutz-Jeghers têm sido clinicamente benignos. Fora do contexto da síndrome de Peutz-Jeghers, os tumores são quase sempre grandes e unilaterais, devendo ser considerados como verdadeiras neoplasias, com pelo menos 20% tendo apresentado um comportamento maligno. A idade média de apresentação nestes pacientes é de 34 anos, dos quais mais de metade apresentam irregularidades menstruais, sangramento pós-menopausa ou pseudopuberdade isossexual sugerindo hiperestrogenismo. Características patológicas Macroscopicamente, os casos que ocorrem na síndrome de Peutz-Jeghers são multifocais, bilaterais e quase sempre pequenos, encontrados incidentalmente nos ovários. Geralmente têm uma superfície de corte amarelada com calcificação focal. Nas pacientes sem esta síndrome, os tumores são unilaterais, únicos e grandes podendo atingir 20 cm de diâmetro. Geralmente são multinodulares, firmes amarelos ou acastanhados, ocasionalmente com áreas quísticas ou de hemorragia e necrose. Do ponto vista microscópico em ambos os contextos a neoplasia exibe um padrão típico, constituído por túbulos em anel, simples ou complexos, rodeando um material do tipo membrana basal hialinizada de configuração redonda ovalada. A actividade mitótica está ausente ou é rara à excepção dos tumores que têm um comportamento maligno que podem ter pleomorfismo nuclear e até 10 mitoses por 10 campos. Estes tumores tipicamente não estão associados com a síndrome de Peutz-Jeghers e geralmente estão associados com focos típicos de outros tumores de células da granulosa. Estes tumores devem ser claramente distinguidos do tumor de células da granulosa com padrão microfolicular, dos tumores Capítulo 25 Sem o consentimento prévio por escrito do editor, não se pode reproduzir nem fotocopiar nenhuma parte desta publicação © Permanyer Portugal 2011 secção uma tonalidade amarela acastanhada. Microscopicamente exibem uma arquitectura proeminente tubular, com túbulos ocos revestidos por células cúbicas ou colunares com citoplasma pálido ou eosinofilico. Geralmente apresentam gotículas lipídicas no citoplasma que por vezes são confluentes dando um aspecto vacuolizado no citoplasma. Este aspecto ocasionalmente é dominante. A variante oxifílica nalguns casos foi descrita em associação com a síndrome de Peutz-Jeghers. A atipia citológica geralmente é ligeira e há raras figuras de mitose. 4.2. GINANDROBLASTOMA É um tumor misto apresentando um componente de células de Sertoli bem diferenciado e um componente de células da granulosa, representando o componente minoritário pelo menos 10% da lesão2. Clínica É uma neoplasia extremamente rara, excessivamente diagnosticada no passado, e de que actualmente poucos casos aceitáveis são referenciados16. A maior parte dos casos tem manifestações virilizantes e foram descritos em mulheres com uma idade média de 31 anos (faixa etária dos 15 aos 65 anos), apesar de raras doentes serem pós-menopáusicas. Características patológicas Quase todos os tumores são unilaterais, no estádio I, com tamanho geralmente pequeno (2 a 6 cm de diâmetro). A superfície de secção é predominantemente sólida, com raros quistos. Do ponto de vista microscópico o componente feminino (células do tipo ovárico) traduz-se pela formação de células da granulosa maduras frequentemente com corpos de Call-Exner, sendo raro o componente da granulosa do tipo juvenil. O componente masculino ou testicular traduz-se por túbulos de células revestidos por células de Sertoli observando-se também ocasionalmente células de Leydig. Raramente foram descritos elementos heterólogos e um componente de células de Sertoli-Leydig pouco diferenciado. 4.3. TUMORES DOS CORDÕES SEXUAIS/ESTROMA NÃO CLASSIFICADOS São neoplasias ováricas associadas a características clínicas ou histológicas que sugerem uma origem nos cordões sexuais/estroma gonadal, mas que no entanto não se conseguem Tumores raros do ovário completamente enquadrar nos tipos tumorais previamente descritos pouco diferenciados Assim, esta categoria deve restringir-se àqueles tumores muito raros pouco diferenciados geralmente com um padrão difuso ou de células fusiformes com ocasionais estruturas tubulares ou cordonais que é impossível categorizar mais pormenorizadamente16. Os tumores estromais bem diferenciados (fibromas) com um componente minoritário dos cordões sexuais representam outra categoria rara de tumores que até recentemente era colocada neste grupo mas que actualmente foi bem individualizado na classificação da OMS. 5. TUMORES DE CÉLULAS ESTERÓIDES Grupo de tumores do ovário constituído por células com características morfológicas que indicam secreção de hormonas esteróides. Estas características manifestam-se por um abundante citoplasma eosinofílico ou vacuolizado que é frequentemente positivo para as colorações da gordura. As células que normalmente segregam hormonas esteróides podem ser células luteínicas (da teca ou do estroma), células de Leydig (do hilo) ou células da cortical supra-renal. Todos os tumores de células esteróides são imunorreactivos para α-inibina. São neoplasias raras, constituindo aproximadamente 0,1% de todos os tumores ováricos18. No entanto, podem ter repercussão clínica acentuada uma vez que estão frequentemente associados com hiperestrogenismo ou masculinização. São um grupo heterogéneo, considerando-se três grupos. 5.1. LUTEOMA DO ESTROMA Tumor de células esteróides geralmente de pequenas dimensões unilateral e benigno que se localiza no estroma ovário presumivelmente tendo aí a sua origem18,19. Corresponde a 20% de todos os tumores de células 421 Sem o consentimento prévio por escrito do editor, não se pode reproduzir nem fotocopiar nenhuma parte desta publicação © Permanyer Portugal 2011 bem diferenciados de células de Sertoli e do gonadoblastoma. 5.2. TUMORES DE CÉLULAS DE LEYDIG São neoplasias raras de células esteróides constituídas por células de Leydig, o que pressupõe a identificação dos característicos cristais de Reinke. A grande maioria localiza-se no hilo, sendo designados tumores de células de Leydig do hilo; menos frequentemente estes tumores podem desenvolver-se no estroma ovárico, e são descritos como do tipo não-hilar. Correspondem a 15% dos tumores de células esteróides, ocorrem geralmente em mulheres pós-menopáusicas e mais frequentemente apresentam manifestações androgénicas devido a níveis elevados de testosterona, enquanto os efeitos estrogénicos são raros. Macroscopicamente os tumores são pequenos, geralmente menores que 5 cm, e aparecem como nódulos bem delimitados, de tonalidade castanha amarelada. São constituídos por células redondas ou poligonais num padrão difuso ou lobular, frequentemente com pseudoseptos fibrosos. As células mostram núcleos redondos com pequenos nucléolos, sendo as pseudo-inclusões nucleares frequentes assim como pigmento de lipofuscina e os cristais de Reinke já referidos, necessários para o diagnóstico. Apresentam raras figu- 422 ras de mitose, podendo no entanto ocorrer marcado pleomorfismo nuclear, sem que isso implique malignidade. 5.3. TUMORES DE CÉLULAS ESTERÓIDES SEM OUTRA ESPECIFICAÇÃO São tumores de células esteróides que não podem objectivamente ser classificados em qualquer uma das categorias atrás mencionadas. É um grupo heterogéneo que provavelmente inclui alguns luteomas do estroma ou tumores de células de Leydig que não puderam ser correctamente caracterizados (Fig. 1). Representam 60% dos tumores de células esteróides, dos quais cerca de 1/3 têm comportamento maligno. Estes tumores podem aparecer em qualquer idade, ocorrendo frequentemente numa idade mais jovem (média 43 anos) que os outros tumores de células esteróides18. Estão associados com hirsutismo ou virilização em aproximadamente 50% dos casos mas podem ser estrogénicos em 10%, havendo também descrições associadas com a síndrome de Cushing. Os critérios associados a um comportamento maligno não estão bem definidos, sendo os tumores malignos geralmente maiores que 7 cm, contêm áreas de hemorragia ou necrose e apresentam atipia moderada a marcada com índice mitótico superior a duas mitoses por 10/CGA (Fig. 2). 6. TUMORES DE CÉLULAS GERMINATIVAS Este grupo de neoplasias (Quadro 3) consiste em tumores com origem em células germinativas primordiais que migraram do saco vitelino para a crista gonadal primitiva e ficaram incorporadas nos cordões sexuais primários. A variabilidade destes tumores reflecte a capacidade das células germinativas em sofrer padrões divergentes de diferenciação em vários estádios de desenvolvimento. Capítulo 25 Sem o consentimento prévio por escrito do editor, não se pode reproduzir nem fotocopiar nenhuma parte desta publicação © Permanyer Portugal 2011 esteróides e 80% ocorrem na mulher pósmenopáusica. É bem circunscrito, sólido, amarelo acastanhado geralmente com menos de 3 cm de diâmetro, constituído por células luteinizadas com relativamente escasso componente lipídico e abundante pigmento de lipofuscina. Os núcleos caracteristicamente contêm nucléolos proeminentes, as figuras de mitose são raras e as células dispõem-se num padrão difuso, em ninhos ou cordões. Não se identificam cristais de Reinke. Ao contrário de todos os outros tipos de células esteróides, o luteoma do estroma está frequentemente associado com hiperestrogenismo (60%) apesar de alguns terem sido documentados como androgénicos (22%)18. B C D Figura 1. Tumor de células esteróides sem outra especificação (NOS) benigno. A e B: tumor bem delimitado, localizado na região hilar, envolvido pela cortical. C e D: constituído por células esteróides monótonas, sem atipia ou mitoses. Figura 2. Tumor de células esteróides maligno, com áreas de hemorragia e necrose. Pensa-se actualmente que as células do disgerminoma são pluripotenciais, podendo ser a célula precursora de outros tumores germinativos20. Representam 30% dos tumores primitivos do ovário, dos quais 95% correspondem a teratoTumores raros do ovário mas quísticos maduros. Os tumores de células germinativas malignos representam 3 a 4% de todas as neoplasias ováricas nos países ocidentais, ao contrário do que acontece na população oriental e africana, onde estes tumores podem atingir uma incidência de 20%21. Os tumores malignos de células germinativas ocorrem geralmente em mulheres com menos de 30 anos e são responsáveis por 2/3 dos cancros do ovário nas primeiras duas décadas. São geralmente grandes com tamanho médio de 16 cm e a bilateralidade é rara à excepção dos disgerminomas. Traduzem-se geralmente por sintomas como aumento do volume abdominal e dor pélvica estando geralmente os níveis séricos de βHCG (sub-unidade beta da gonadotropina coriónica humana) e α-fetoproteína alterados, sendo estes marcadores úteis para o diagnóstico e na monitorização da terapêutica. 423 Sem o consentimento prévio por escrito do editor, não se pode reproduzir nem fotocopiar nenhuma parte desta publicação © Permanyer Portugal 2011 A Classificação dos tumores de células germinativas do ovário — — — — — — Disgerminoma. Tumor do seio endodérmico. Carcinoma embrionário. Poliembrioma. Coriocarcinoma. Teratoma: u Quístico maduro (quisto dermóide): Secundariamente com tumor maligno. u Sólido maduro. u Fetiforme (homunculus). u Imaturo. u Monodérmico: Struma ovarii. Carcinóides. Tumores neuroectodérmicos. Tumores sebáceos. Outros. — Tumores mistos de células germinativas. Adaptado da classificação da OMS, 2003. Aproximadamente 10% dos tumores mostram mais que um tipo celular, sendo a combinação mais frequente o disgerminoma com o tumor do seio endodérmico21. É importante identificar os vários componentes da neoplasia, uma vez que a sua presença mesmo em quantidades pequenas, pode afectar significativamente o prognóstico e a terapêutica. O disgerminoma é responsável por cerca de 45% dos tumores malignos de células germinativas, o tumor do seio endodérmico por 20%, o carcinoma embrionário por 2% e o coriocarcinoma por 1%. Os tumores mistos de células germinativas rondam os 6%. Os teratomas imaturos e neoplasias malignas com origem em quistos dermóides são responsáveis pelos restantes 15 a 20% das neoplasias germinativas malignas22 (Quadro 4). 424 6.1. DISGERMINOMA Clínica É o tumor de células germinativas maligno mais frequente do ovário, sendo responsável por quase metade destes tumores e por 1% de todos os tumores ováricos malignos21. Em aproximadamente 15% observa-se um segundo componente maligno germinativo, mais frequentemente tumor do seio endodérmico. Cerca de 80% dos disgerminomas ocorrem na segunda e terceira décadas, com uma média de 22 anos. Correspondem a 20 a 30% dos cancros do ovário diagnosticados durante a gravidez. Em doentes pré-menarca que se apresentem com uma massa pélvica, o cariótipo deve ser determinado uma vez que 5% dos disgerminomas têm origem em gonadoblastomas em pacientes fenotipicamente mulheres com gónadas anormais. Assim, Capítulo 25 Sem o consentimento prévio por escrito do editor, não se pode reproduzir nem fotocopiar nenhuma parte desta publicação © Permanyer Portugal 2011 Quadro 3. Tumores de células germinativas do ovário Disgerminoma Tumor do seio endodérmico Carcinoma embrionário Coriocarcinoma Teratoma imaturo (incl. malignização de teratomas quísticos maduros) Mistos o exame macroscópico dos disgerminomas deve incluir a radiografia da peça operatória como um auxiliar na localização de calcificação focal e portanto para detectar um disgerminoma com origem num gonadoblastoma. As doentes geralmente apresentam sinais e sintomas decorrentes de uma massa pélvica ou abdominal de crescimento rápido, podendo também apresentar manifestações hormonais, geralmente estrogénicas. Raramente também podem ocorrer manifestações androgénicas. Quase todos os pacientes com disgerminoma têm níveis séricos elevados de LDH (lactato desidrogenase) e, nalguns casos βHCG também elevada que pode pôr problemas de diagnostico diferencial com doença do trofoblasto. Foram relatados níveis séricos elevados de fosfatase alcalina placentar, CA125 e α-inibina. O doseamento de α-fetoproteína está geralmente dentro dos limites normais e, quando elevado, deve sugerir um componente de tumor do seio endodérmico. Os disgerminomas são tumores de crescimento rápido mas as metástases só ocorrem tardiamente no decorrer da doença. Geralmente estão confinados aos ovários (Fédération Internationale de Gynécologie et d’Obstrétrique [FIGO] estádio I) em 2/3 dos casos, dos quais 15% são bilaterais. Este valor inclui uma percentagem de 6% nos quais o envolvimento do ovário contralateral é apenas microscópico, salientando a importância da biopsia do ovário contralateral em pacientes para os quais se planeia uma cirurgia conservadora. A disseminação linfáTumores raros do ovário 45-50% 20% 2% 1% 20% 6% tica afecta primeiro a cadeia ilíaca comum e o grupo inferior dos gânglios para-aórticos e apenas subsequentemente os gânglios mediastínicos e supraclaviculares. As metástases por via sanguínea para órgãos à distância ocorrem tipicamente numa fase tardia, para o fígado, pulmões, rins, e ossos. Características patológicas Os disgerminomas são caracteristicamente sólidos e bem capsulados, com diâmetro médio de 15 cm. Ao corte são lobulados, moles/carnudos e de tonalidade brancoacinzentada ou ligeiramente acastanhada. Microscopicamente têm características sobreponíveis ao tumor homólogo testicular (seminoma). São constituídos por uma população relativamente monótonas de células germinativas primordiais, poligonais com abundante citoplasma que varia de claro a eosinofilico contendo glicogénio. Os núcleos são volumosos centrais arredondados por vezes de aspecto vesiculoso ou contendo um ou mais pequenos nucléolos. As figuras de mitose são geralmente numerosas. As células tumorais são geralmente separadas por finos septos fibrosos que podem apresentar-se edematosos e infiltrados por linfócitos T. Em 5% dos germinomas há células gigantes do sinciciotrofoblasto, não traduzindo um componente de coriocarcinoma, e não afectando o prognóstico. Não há critérios histológicos bem definidos para graduar a agressividade da neoplasia, embora uma celularidade muito aumentada, invasão tumoral vascular, 425 Sem o consentimento prévio por escrito do editor, não se pode reproduzir nem fotocopiar nenhuma parte desta publicação © Permanyer Portugal 2011 Quadro 4. Frequência de tumores malignos de células germinativas do ovário 6.2. TUMOR DO SEIO ENDODÉRMICO Clínica É a segunda neoplasia maligna de células germinativas mais frequente em crianças e mulheres jovens a seguir ao disgerminoma, representando cerca de 20% das neoplasias malignas das células germinativas21. A idade média é de 19 anos, sendo contudo tão frequente como o disgerminoma nas primeiras duas décadas. Os sintomas de apresentação são geralmente aumento do volume abdominal e dor de curta duração (uma semana ou menos em metade dos casos). Rotura do tumor, antes ou durante a intervenção, ocorre em 1/3 dos casos. Os níveis séricos de α-fetoproteína tipicamente estão elevados, superiores a 20 ng/ml, podendo atingir facilmente valores de 1.000 ng/ml. Na medida que a α-fetoproteína tem uma semivida biológica de cerca de cinco dias, a determinação dos níveis séricos no período pós-operatório 426 imediato ainda pode ser útil para estabelecer valores de base. Na ausência de doença residual, os níveis séricos de α-fetoproteína no pós-operatório caem para o normal em quatro a seis semanas. Um aumento destes níveis séricos é indicativo de recorrência, mesmo antes de haver evidência clínica. O CA 125 e o CEA também estão elevados20. Os tumores do seio endodérmico são morfologicamente heterogéneos, podendo diferenciar-se em várias estruturas endodérmicas, variando desde estruturas com origem no intestino primitivo, até aos seus derivados de origem extra-embrionária ou embrionária do tipo somático (como sejam intestino e fígado). Por isso mesmo, o termo «tumor primitivo endodérmico» seria talvez mais apropriado ao definir as possíveis linhas de diferenciação quer epitelial quer mesenquimatosa que ocorrem nesta neoplasia. Características patológicas Estes tumores são quase invariavelmente unilaterais e grandes (média de 15 cm) com uma superfície externa lisa. São sólidos ao corte, carnudos acinzentados ou acastanhados com extensas áreas hemorrágicas e áreas quísticas. Se houver calcificações associadas devem levantar a suspeição de outro componente de tumor germinativo, tipicamente um teratoma quístico maduro, que está presente em 15% dos casos. Do ponto de vista microscópico, estes tumores mostram uma mistura de diferentes padrões, dos quais os mais frequentes são o reticular, o pseudopapilar, o festonado (com os característicos corpos de Schiller-Duval). Outros padrões incluem o polivesicular (que se pensa representa estruturalmente a transição do saco vitelino primário para o saco vitelino secundário, de menores dimensões). Outros padrões menos frequentes, mas claramente distintos, são o padrão hepatóide e glandular, ambos indicadores de uma diferenciação embrionária, somática. A diferenciação hepatóide está presente em 40%, e pode mimetizar a variante fibrolamelar do carcinoma Capítulo 25 Sem o consentimento prévio por escrito do editor, não se pode reproduzir nem fotocopiar nenhuma parte desta publicação © Permanyer Portugal 2011 escasso componente linfocitário peritumoral, marcado pleomorfismo nuclear e um índice mitótico superior a três mitoses/10 CGA tenham sido características descritas em «disgerminoma anaplásicos» e conotadas com uma maior agressividade20. Do ponto de vista imuno-histoquímico, estas células caracteristicamente são imunorreactivas para vimentina e fosfatase alcalina placentar (PLAP) e nalguns casos também apresentam imunomarcação para NSE (enolase neuro-específica), CK, desmina GFAP (proteína glial fibrilar acídica) e αinibina. Em 92 a 100% há expressão para o produto do gene c-kit (CD117). Esta expressão está relacionada com a mutação deste gene identificada em 65% dos disgerminomas e que é diferente quanto à localização, tipo e frequência das mutações deste gene identificadas no seminoma23. Observa-se ainda consistentemente negatividade para o antigénio epitelial de membrana (EMA) e antigénio carcino-embrionário (CEA). 6.3. CARCINOMA EMBRIONÁRIO O carcinoma embrionário é o menos diferenciado de todas as neoplasias de células germinativas ováricas, e tem capacidade pluripotencial, tal como o disgerminoma. É assim capaz de diferenciação ao longo de várias vias, incluindo a via de estruturas somáticas ou no sentido de componentes extra-embrionários, como o seio endodérmico ou coriocarcinoma. No entanto os tumores que exibem uma diferenciação óbvia em qualquer uma destas direcções são melhor classificados como tumores malignos mistos de células germinativas. Assim sendo, os carcinomas embrionários puros do ovário são extremamente raros, constituindo 2 a 3% de todas as neoplasias malignas de células germinativas. O carcinoma embrionário ocasionalmente pode ocorrer no contexto de um gonadoblastoma pré-existente. Clínica A maioria das pacientes tem entre quatro a 28 anos de idade, com uma média de 12 anos, das quais pelo menos metade são prépúberes21. A maioria apresenta sintomas e Tumores raros do ovário sinais decorrentes de massa abdominal ou pélvica e, ao contrário dos tumores do seio endodérmico e disgerminomas, em 2/3 há manifestações hormonais, estando os níveis séricos de βHCG geralmente elevados, devido à produção de βHCG pela neoplasia. As manifestações endócrinas traduzem-se geralmente por pseudoprecocidade isossexual, sangramento irregular, amenorreia ou hirsutismo. A α-fetoproteína sérica também está ligeiramente elevada nalguns pacientes, sem que isso signifique um componente de tumor do seio endodérmico. Características patológicas Estes tumores são tipicamente unilaterais e grandes com tamanho médio de 17 cm, sólidos amolecidos, com áreas de hemorragia e necrose e um componente quístico minoritário. Do ponto de vista microscópico é uma neoplasia constituída por células muito pleomórficas de tamanho médio a grande com uma disposição em toalha, ninhos ou, em tumores mais diferenciado, formando estruturas nitidamente epiteliais, glandulares ou papilares. Há uma intensa actividade mitótica, extensa necrose e há frequentemente células do sinciciotrofoblasto. É importante o diagnóstico diferencial com o disgerminoma anaplásico, tendo esta diferenciação importante implicação prognóstica e terapêutica. Por vezes, do ponto de vista patológico, também se pode pôr o problema do diagnóstico diferencial com carcinomas indiferenciados com origem no epitélio de superfície, mas a faixa etária afectada é completamente distinta. 6.4. CORIOCARCINOMA A maioria dos coriocarcinomas que envolvem o ovário representa metástases de tumores uterinos. O coriocarcinoma ovárico primitivo é extremamente raro e pode desenvolver-se no contexto de uma gravidez ectópica ovárica (então é do tipo gestacional, que é o mais frequente) ou como uma forma de neoplasia 427 Sem o consentimento prévio por escrito do editor, não se pode reproduzir nem fotocopiar nenhuma parte desta publicação © Permanyer Portugal 2011 hepatocelular e a variante glandular pode traduzir-se por glândulas do tipo intestinal ou endometrióide. A presença de glóbulos hialinos PAS-diastase (ácido periódico de Schiff após digestão pela diastase) resistentes, de localização quer intracitoplasmática quer extracitoplasmática e de agregados de material do tipo membrana basal, conhecidos com padrão parietal de tumor do seio endodérmico, são bons indicadores histológicos para esta neoplasia. Os corpos de Schiller-Duval, tidos como patognomónicos, estão apenas presentes em 13 a 20% dos casos. Do ponto de vista imuno-histoquímico, estes tumores são tipicamente imunorreactivos para α-fetoproteína, e frequentemente para a A-1 antitripsina, observando-se positividade para citoqueratinas e CD34. O CEA é positivo apenas na variante glandular e hepatóide sendo os anticorpos EMA e CK7 negativos. Clínica Estes tumores tipicamente ocorrem em mulheres abaixo dos 20 anos de idade podendo este perfil etário estar falseado devido, na maioria dos casos descritos na literatura, a discriminação entre coriocarcinoma gestacional e não gestacional em mulheres numa idade reprodutiva não ter sido efectuada de forma correcta, ou seja, baseada em análises de ADN20. É um tumor raro na forma pura, constituindo menos de 1% dos tumores de células germinativas malignas do ovário. As manifestações clínicas são sobreponíveis às dos outros tumores de células germinativas malignos, havendo também manifestações hormonais causadas pela produção de βHCG. Há frequentemente sangramento extenso quer nos focos metastáticos quer no próprio tumor, podendo resultar em hemoperitoneu. 428 Características patológicas São tumores grandes, friáveis e hemorrágicos. Do ponto de vista histológico caracterizam-se pela presença em íntima associação de células do citotrofoblasto e do sinciciotrofoblasto, havendo extensas áreas de necrose e hemorragia, e, tipicamente, grande variabilidade de área para área, quer quanto a arquitectura, quer quanto à celularidade. Do ponto de vista imuno-histoquímico, observa-se positividade para as citoqueratinas em todos os três tipos do trofoblasto, com positividade para a βHCG e α-inibina no sinciciotrofoblasto. 6.5. TERATOMAS Os teratomas são tumores de células germinativas constituídos por uma mistura de tecidos derivados de dois ou três folhetos embrionários (ectoderme, mesoderme ou endoderme). A grande maioria dos teratomas são benignos e quísticos, contendo elementos maduros e são designados teratomas quísticos maduros ou quistos dermóides. A presença de tecido imaturo obriga a um diagnóstico de teratoma imaturo que é potencialmente maligno. No entanto os quistos dermóides quísticos que contêm apenas pequenos focos de tecido imaturo têm um comportamento benigno22. Raramente, os teratomas podem ser predominante ou exclusivamente constituídos por tecidos endodérmicos ou ectodérmicos – teratomas monodérmicos. 6.5.1. TERATOMAS IMATUROS Clínica São o terceiro tumor maligno de células germinativas do ovário em frequência, representando 20% destes tumores e 1% dos cancros do ovário em geral. Apenas 3% dos teratomas ováricos são imaturos25. Ocorrem predominantemente nas primeiras duas décadas de vida com um pico de incidência dos 14 aos 19 anos. Raramente Capítulo 25 Sem o consentimento prévio por escrito do editor, não se pode reproduzir nem fotocopiar nenhuma parte desta publicação © Permanyer Portugal 2011 de células germinativas (coriocarcinoma não gestacional). Este pode acontecer na forma pura ou, mais frequentemente, como um componente de um tumor misto de células germinativas. Em mulheres em idade reprodutiva, a distinção entre a forma gestacional e não gestacional do coriocarcinoma puro não pode ser feita com certeza absoluta baseando-se apenas em critérios histológicos. São necessárias análises do ADN para excluir a presença de um componente paterno, para confirmar que se trata de um coriocarcinoma não gestacional21,24. É um tumor maligno com diferenciação trofoblástica, constituído por células do citotrofoblasto, sinciciotrofoblasto e trofoblasto extraviloso. A presença isolada de células do sinciciotrofoblasto não é suficiente para o diagnóstico de coriocarcinoma. Aliás, a sua presença isolada em tumores malignos de células germinativas doutros tipos (ex.: disgerminoma, carcinoma embrionário e poliembriomas) ou mesmo em outros tumores não germinativos, não altera quer o diagnóstico, quer o prognóstico ou o tratamento. Características patológicas Os teratomas imaturos são quase sempre unilaterais mas um segundo teratoma quístico maduro está presente em 5 a 10% dos casos no ovário contralateral20. São tumores geralmente grandes (tamanho médio de 18 cm), capsulados, e apresentam rotura em Tumores raros do ovário 50% dos casos. São em secção predominantemente sólidos, com aspecto variegado, podendo ter áreas quísticas, de hemorragia e de necrose. Os focos de gliomatose peritoneal consistem em múltiplos pequenos nódulos peritoneais superficiais, branco-acinzentados, semelhantes aos que ocorrem na tuberculose miliar. Geralmente estão localizados no peritoneu pélvico e podem estar limitados à imediata vizinhança do tumor ovárico, parecendo por vezes relacionados com o ponto de rotura do tumor. Está também referido envolvimento do peritoneu pélvico e abdominal difuso, em placa. Os nódulos variam em tamanho entre 0,1 e 1,1 cm com uma média de 0,3 cm. Em contraste com estes depósitos maduros, os focos metastáticos teratomatoso imaturos tendem a ser em menor número, em maior tamanho e tendem a associar-se com aderências. Do ponto de vista microscópico todos os três folhetos germinativos são geralmente evidentes e a maioria dos tumores contém uma mistura de elementos maduros e imaturos. Há habitualmente um claro predomínio de elementos derivados da ectoderme e mesoderme e é nestes últimos que a imaturidade é mais evidente. O elemento imaturo mais frequentemente encontrado é neuroepitélio, sendo também frequentes o epitélio imaturo e a cartilagem. O sistema de graduação dos teratomas imaturos baseia-se na quantidade de neuroepitélio imaturo encontrado no tumor. Este classifica-se assim em grau I, II e III, sendo esta classificação puramente histológica, representando o grau III aquele em que há maior componente de tecido imaturo. Foi também recentemente proposto um sistema de graduação com apenas dois graus (baixo grau e alto grau) também baseado na proporção de neuroepitélio26. Os teratomas imaturos são um componente frequente de tumores mistos de células germinativas, e como tal devem 429 Sem o consentimento prévio por escrito do editor, não se pode reproduzir nem fotocopiar nenhuma parte desta publicação © Permanyer Portugal 2011 podem ocorrer acima dos 40 anos de idade. As pacientes queixam-se de uma massa abdominal palpável dolorosa, podendo haver na história clínica antecedentes de quistos dermóides removidos meses ou anos antes, tipicamente múltiplos e com rotura. Níveis séricos de α-fetoproteína elevados são encontrados em até 60% das pacientes com teratomas imaturos, mas geralmente em níveis muito inferiores aos observados em outros tumores germinativos. Nalguns teratomas imaturos com α-fetoproteína elevada, foi feita a pesquisa exaustiva de outro componente germinativo, não tendo sido encontrado20. Outros marcadores tumorais usados no seguimento destas neoplasias incluem a βHCG, CA 19.9, CA 125 e CEA. Estes tumores crescem rapidamente e a disseminação extra-ovárica está presente aquando da laparotomia inicial em cerca de 1/3 dos casos. Como resultado de rotura ou de penetração capsular, há disseminação tumoral na cavidade peritoneal. Depósitos metastáticos peritoneais de tecido teratomatoso maduro, por vezes chamados «implantes», são frequentemente compostos exclusivamente ou quase exclusivamente de tecido glial maduro – «gliomatose peritoneal». Este fenómeno ocorre em cerca de 10% dos pacientes com teratomas imaturos e é biologicamente benigno se os implantes também forem histologicamente maduros. Estes elementos teratomatosos maduros gliais também podem ocorrer fora do peritoneu, no omento ou nos gânglios linfáticos. Não são específicos do teratoma imaturo, ocorrendo aliás mais frequentemente no contexto de um teratoma sólido maduro20. 6.5.2. TERATOMAS MONODÉRMICOS São formas raras de teratomas quísticos maduros compostos exclusivamente de tecidos derivados de um único folheto germinativo. A forma mais frequente de teratoma monodérmico é aquela em que se forma exclusivamente tecido tiroideu e representa 2,7% de todos os teratomas ováricos25. O termo «struma ovarii» é apenas aplicado aos teratomas compostos predominante ou exclusivamente de tecido tiroideu. Pode traduzir-se por tecido tiroideu normal ou apresentar todas as patologias também observadas a nível da tiróide. O segundo teratoma monodérmico em frequência é o carcinóide ovárico que se caracteriza pela presença de um tumor carcinóide geralmente com características sobreponíveis às descritos no tubo gastrointestinal. Pode ocorrer na forma pura (15%), ou mais geralmente em combinação com outros elementos teratomatosos (85%), tais como quisto dermóide ou «struma ovarii», neste último caso constituindo a entidade conhecida como «strumal carcinoid»22. Pode cursar com síndrome carcinóide, que tipicamente desaparece após remoção do tumor. Como exemplo de outros teratomas monodérmicos salientam-se os tumores de origem neuroectodérmica. São raros, e a maioria está associada a outros elementos teratomatosos, havendo contudo alguns casos descritos de formas puras que repro- 430 duzem os tumores que ocorrem no sistema nervoso central. Há formas bem diferenciadas, como ependimomas, tumores pouco diferenciados como o PNET e o meduloepitelioma e formas anaplásicas como o glioblastoma multiforme. 6.5.3. TUMORES MALIGNOS MISTOS DE CÉLULAS GERMINATIVAS São tumores constituídos por dois ou mais elementos celulares germinativos neoplásicos, já descritos neste capítulo. Correspondem a menos de 10% de todos os tumores de células germinativas malignas do ovário. O disgerminoma é o componente maligno mais frequente, seguido do tumor do seio endodérmico e do teratoma imaturo. O carcinoma embrionário e o coriocarcinoma são relativamente menos frequentes (ocorrem em 20% dos casos). Os teratomas quísticos maduros com transformação maligna secundária (mais frequentemente carcinoma espinhocelular) estão excluídos desta categoria, assim como o gonadoblastoma e outros tumores mistos de células germinativas e dos cordões sexuais/estroma. 7. TUMORES MISTOS DE CÉLULAS GERMINATIVAS E DOS CORDÕES SEXUAIS/ESTROMA São tumores constituídos por células germinativas e elementos estromais, dos quais o representante mais frequente é o gonadoblastoma. Clínica É um tumor raro, que ocorre quase exclusivamente em gónadas disgenéticas, em pacientes jovens, frequentemente antes dos 20 anos. As pacientes são geralmente fenotipicamente mulheres virilizadas mas quase todas são genotipicamente do sexo masculino, isto é, têm um cromossoma Y22. Capítulo 25 Sem o consentimento prévio por escrito do editor, não se pode reproduzir nem fotocopiar nenhuma parte desta publicação © Permanyer Portugal 2011 ser exaustivamente estudados. Deve ser feito o diagnóstico diferencial com carcinossarcomas que frequentemente exibem uma grande variedade de tipos de tecidos, mas que ocorrem predominantemente em mulheres pós-menopáusicas, enquanto os teratomas imaturos quase nunca foram relatados nesta faixa etária. Também a variante monodérmica do teratoma imaturo (tumor neuroectodérmico maligno) deve claramente ser identificado. 8. OUTROS TUMORES PRIMITIVOS A enorme variedade de tipos diferentes de tumores primitivos que podem ocorrer no ovário reflecte a origem diversificada ou mesmo desconhecida de muitos destes tumores, tornando uma classificação baseada na sua histogénese impraticável. No quadro 5, referem-se os tumores mais frequentes dentro desta categoria, dos quais Tumores raros do ovário salientamos o carcinoma de células pequenas do tipo hipercalcémico e do tipo pulmonar, e o carcinoma hepatóide. 8.1. CARCINOMA DE CÉLULAS PEQUENAS DO TIPO HIPERCALCÉMICO Clínica Este tumor ocorre em mulheres entre os dois e os 46 anos com uma média de 24 anos e está associado com hipercalcemia em 2/3 dos casos. Esta regride espontaneamente após o tumor ser excisado. Manifestam-se ainda por distensão abdominal ou dor e, em 50% dos casos, o tumor é diagnosticado num estádio avançado, com disseminação extra-ovárica aquando da laparotomia27. Características patológicas Macroscopicamente o tumor é geralmente grande (15 a 20 cm) e predominantemente sólido, de tonalidade creme, podendo ter necrose, hemorragia e degenerescência quística (Fig. 3). Histologicamente há dois padrões, o mais frequente corresponde a proliferação mitoticamente muito activa, de células pequenas compactadas, em toalha, assemelhando-se a um linfoma ou a um tumor de células da granulosa juvenil, ou a um PNET. Há estruturas do tipo folicular revestidas por células tumorais em 80% dos casos, contendo nos pseudolumina material fluido eosinofílico acelular. O segundo tipo histológico é constituído por células de maiores dimensões com características epitelióides ou rabdóides e citoplasma mais abundante eosinofílico, frequentemente observando-se nucléolos proeminentes. Estes tumores são tipicamente citoqueratina positivos (citoqueratinas 8 e 18) e EMA positivos, com co-expressão de vimentina, mas negativos para α-inibina. 8.2. CARCINOMA DE PEQUENAS CÉLULAS DO TIPO PULMONAR Estes tumores extremamente malignos são histologicamente similares aos carcinomas 431 Sem o consentimento prévio por escrito do editor, não se pode reproduzir nem fotocopiar nenhuma parte desta publicação © Permanyer Portugal 2011 Características patológicas O gonadoblastoma é mais frequentemente observado na gónada direita e é bilateral em 38% dos casos. Os gonadoblastomas puros são tipicamente pequenos, inferiores a 8 cm, podendo estar completamente calcificados. Quando há um componente de tumor de células germinativas maligno associado, apresentam maiores dimensões. Em 20% dos casos têm origem em gónadas em fita. Microscopicamente é composto por ninhos de células germinativas primordiais intimamente misturadas com elementos dos cordões sexuais semelhantes a células de Sertoli imaturas e células da granulosa. Estas rodeiam espaços arredondados preenchidos com material eosinófilo do tipo da membrana basal. Células de Leydig ou células luteínicas estão presentes no estroma na maior parte dos casos e são responsáveis pelas manifestações endócrinas. O desenvolvimento, neste contexto, de um tumor maligno de células germinativas acontece em cerca de 50% dos casos, mais frequentemente sob a forma de disgerminoma e, menos frequentemente de tumor do seio endodérmico, carcinoma embrionário, coriocarcinoma ou teratoma imaturo. O risco de malignização é de cerca de 28% aos 20 anos para as doentes com disgenesia gonadal pura e 19% na mesma faixa etária para as doentes com disgenesia gonadal mista22.O gonadoblastoma puro é benigno. — — — — — — — — — — — — — — — Carcinoma de células pequenas do tipo hipercalcémico. Carcinoma de células pequenas do tipo pulmonar. Carcinoma neuroendócrino de grandes células. Carcinoma hepatóide. Mesotelioma primitivo do ovário. Tumor de Wilms. Coriocarcinoma gestacional. Mola hidatiforme. Carcinoma adenóide quístico. Tumor de células basais. Tumor wolffiano do ovário. Paraganglioma. Mixoma. Tumores dos tecidos moles não específicos do ovário. Outros. Adaptado da classificação da OMS, 2003. A B Figura 3. Tumor de células pequenas do tipo hipercalcémico. A: tumor com área central quística e hemorrágica. B: aspecto microscópico. de pequenas células do pulmão, pondo o problema do diagnóstico diferencial com metastização de tumor primitivo pulmonar. Os doentes são geralmente mais velhos do que aqueles com carcinoma de células pequenas do tipo hipercalcémico e a maioria apresenta-se num estádio avançado da doença. Apesar da histogénese destes tumores não ser clara, a coexistência de alguns com carcinomas endometrióides ou com tumores de Brenner sugere uma origem no epitélio de superfície. 432 8.3. CARCINOMA NEUROENDÓCRINO DE GRANDES CÉLULAS = CARCINOMA INDIFERENCIADO DE NÃOPEQUENAS CÉLULAS DO TIPO NEUROENDÓCRINO Apenas duas séries de carcinomas neuroendócrinos de não-pequenas células foram publicadas28,29. Os pacientes situam-se numa idade etária reprodutora ou para além desta, com uma média de 56 anos. O modo de apresentação é de uma massa pélvica na maioria dos casos. Nas séries publicadas há associação com tumores do epitélio de superfície Capítulo 25 Sem o consentimento prévio por escrito do editor, não se pode reproduzir nem fotocopiar nenhuma parte desta publicação © Permanyer Portugal 2011 Quadro 5. Classificação de outros tumores primitivos do ovário 8.4. CARCINOMA HEPATÓIDE É uma neoplasia primitiva ovárica que histologicamente se assemelha ao carcinoma hepatocelular e como tal é positiva do ponto de vista imuno-histoquímico para a α-fetoproteína e α-1 antitripsina. A maior parte das mulheres são pós-menopáusicas e o tumor é geralmente diagnosticado num estádio avançado. Coexiste geralmente elevação sérica da α-fetoproteína e também do CA 125. O carcinoma hepatóide deve ser distinguido do carcinoma hepatocelular metastático para o ovário (que é uma raridade), e de outros tumores constituídos por células com um citoplasma abundante eosinofílico, particularmente a variante hepatóide do tumor do seio endodérmico, o tumor de células esteróides e os carcinomas com células oxifílicas. 9. LESÕES PSEUDOTUMORAIS São lesões não-neoplásicas que podem mimetizar uma neoplasia ovárica quer do pon- to de vista clínico quer do ponto macroscópico, quer ainda do ponto de vista histológico (Quadro 6). 9.1. EDEMA MACIÇO DO OVÁRIO É uma lesão pseudotumoral que se traduz por aumento do volume de um ou ambos os ovários devido a edema. Pensa-se resultar de torção parcial ou intermitente, comprometendo a drenagem venosa e linfática, sem causar necrose isquémica30. Clínica Ocorre em mulheres na segunda e terceira décadas, com uma média de 21 anos30. Raramente pode acontecer em doentes prépúberes. Os sintomas de apresentação são geralmente dor abdominal aguda ou massa anexial e, menos frequentemente, distúrbios menstruais. Por vezes apresentam-se com hirsutismo ou virilização, acompanhados de níveis séricos elevados de testosterona ou outros androgénios. Características patológicas O ovário está aumentado de volume podendo atingir 35 cm de diâmetro (média de 11 cm)31 com uma superfície externa esbranquiçada e opaca. A superfície de secção tipicamente exsuda líquido aquoso. Histologicamente observa-se edema difuso da porção medular e do córtex interno, estando relativamente poupado o córtex superficial e a albugínea, por vezes de aspecto espessado/fibrótico. Quadro 6. Classificação das lesões pseudotumorais do ovário — — — — — — Luteoma da gravidez. Hipertecose estromal. Hiperplasia estromal. Fibromatose. Edema maciço do ovário. Outros. Adaptado da classificação da OMS, 2003. Tumores raros do ovário 433 Sem o consentimento prévio por escrito do editor, não se pode reproduzir nem fotocopiar nenhuma parte desta publicação © Permanyer Portugal 2011 (em sete casos tumores mucinosos e num caso tumor endometrióide), quer benignos, quer malignos. O componente neuroendócrino consiste em células de tamanho médio a grande com núcleos com nucléolos proeminentes e frequentes mitoses. O diagnóstico é confirmado através da imunomarcação para marcadores neuroendócrinos. 10. NEOPLASIAS OVÁRICAS LINFÓIDES E HEMATOPOIÉTICAS 10.1. LINFOMAS Os linfomas primários do ovário são extremamente raros, constituindo 0,1 a 0,2% de todos os linfomas. Uma excepção ocorre em áreas onde o linfoma de Burkitt é endémico onde é responsável por mais de metade dos tumores ováricos em pacientes jovens. O envolvimento do ovário por linfomas malignos pode ocorrer sob três formas32. Uma forma é o envolvimento incidental do ovário no contexto de um linfoma generalizado. É a forma mais comum, e ocorre em cerca de 20% dos pacientes com linfoma disseminado. A outra forma pode ser a apresentação de um linfoma disseminado até então desconhecido. Acontece em 0,3% dos pacientes com linfoma. A maioria destes pacientes também tem envolvimento ganglionar oculto e doença generalizada cuja tradução clínica ocorre geralmente num curto espaço de tempo após a descoberta da massa ovárica. A terceira forma é a do linfoma ovárico, como um linfoma primitivo extraganglionar. Este diagnóstico é actualmente questionado, sugerindo-se que todos os linfomas aparentemente primários do ovário devem ser tratados como uma manifestação local de doença sistémica. 434 Clínica A faixa etária afectada tem a ver com o tipo histológico do linfoma, e não com o órgão em causa. Os linfomas que mais frequentemente envolvem o ovário são, nos países ocidentais, o linfoma B difuso de grandes células, (mais frequentemente na faixa etária dos 35-45 anos), e o linfoma folicular (que acontece numa idade mais tardia). O linfoma de Burkitt endémico tipicamente afecta crianças dos cinco aos 10 anos, podendo também afectar adultos. A variante esporádica ocorre geralmente em adultos jovens, ocasionalmente no decurso de gravidez. Aspectos patológicos O envolvimento linfomatoso ovárico é bilateral em 50% dos casos, independentemente do estádio. O linfoma de Burkitt é quase sempre bilateral. Os ovários podem estar grandemente aumentados, atingindo 15 cm de diâmetro. Se o envolvimento é incidental no contexto de um linfoma disseminado, podem ter o tamanho normal ou mostrarem apenas ligeiro aumento do volume. Os ovários geralmente não apresentam aderências e mostram uma superfície nodular ou bosselada, tendo em secção um aspecto lardáceo característico. 10.2. LEUCEMIAS A infiltração leucémica do ovário é mais frequente do que a infiltração linfomatosa, e é mais frequente em crianças do que em adultos. Em autópsia, 2/3 dos doentes com leucemia apresentavam infiltração ovárica, apesar de clinicamente o aumento do volume ovárico ser raro32. A leucemia a nível do ovário também pode ser uma manifestação primária da doença ou manifestar-se como envolvimento secundário disseminado. 11. TUMORES OVÁRICOS METASTÁTICOS Os ovários são frequentemente sede de neoplasia metastática. As metástases para os Capítulo 25 Sem o consentimento prévio por escrito do editor, não se pode reproduzir nem fotocopiar nenhuma parte desta publicação © Permanyer Portugal 2011 Podem observar-se células isoladas ou pequenos grupos de células estromais luteinizadas por entre estruturas ováricas preservadas, que se pensa serem a fonte de produção excessiva de hormonas esteróides nos pacientes que se apresentam com virilização. Estes focos de luteinização estão geralmente confinados às áreas edematosas mas podem também ser encontrados no ovário contralateral, edematoso ou não edematoso. Pensa-se que estas alterações estão em relação com o tempo de duração dos sintomas. Clínica As metástases ováricas são geralmente uma manifestação de doença neoplásica disseminada, ocorrendo alguns anos após o diagnóstico da neoplasia primitiva. No entanto, a metastização para o ovário pode preceder a descoberta do tumor primitivo, e, nesses casos, uma idade de aparecimento mais precoce que a da faixa etária normalmente associada às neoplasias primitivas do ovário pode alertar para o facto de se tratar de neoplasia metastática, nomeadamente de origem gástrica ou mamária, visto que estes tumores ocorrem mais frequentemente em mulheres mais jovens. Cerca de 90% das metástases ováricas têm origem no aparelho gastrointestinal e aparelho genital feminino, seguindo-seTumores raros do ovário -lhes em frequência as metástases com origem mamária33. Em séries de autópsia de mulheres falecidas por cancro da mama, em 40% foram observadas metástases ováricas de carcinoma da mama. O envolvimento ovárico em pacientes que sofreram ooforectomia terapêutica por disseminação da doença é de 30%, e inferior a 10% quando a ooforectomia é «profiláctica»34. As metástases correspondem a carcinomas ductais em 75% dos casos e a carcinomas lobulares em 25%, reflectindo uma proporção mais elevada de metastização ovárica nos carcinomas lobulares. As metástases ováricas de tumores primitivos do tubo gastrointestinal são das mais frequentes, tendo sido identificadas na autópsia em 15 a 50% das mulheres com carcinoma gástrico, e em 15 a 30% das mulheres com carcinoma colorrectal. No entanto, em séries clínicas, as metástases ováricas só são diagnosticas em 3 a 8% dos casos34. A metástase do carcinoma colorrectal (mais frequentemente com origem no cólon sigmóide e recto) é aquela que mais frequentemente mimetiza uma neoplasia primitiva ovárica, sobretudo quando a este nível apresenta características do tipo mucinoso ou endometrióide. A parecença destes tumores do ponto de vista clínico, macro e microscópico, com tumores primitivos ováricos ainda é agravada pelo facto de ocasionalmente ocorrer associada a uma pseudo-síndrome de Meigs e a níveis séricos elevados de CA 125 (o que acontece em cerca de 1/3 dos casos de carcinomas colorrectais metastáticos para o ovário). Também frequentemente carcinomas com origem uterina metastizam para os ovários e, sendo de tipo histológico semelhante, é necessário averiguar se se trata de tumores primários síncronos ou efectivamente de lesões metastáticas. Características patológicas As características que favorecem metastização são a bilateralidade (75% de todos os casos são bilaterais), o que raramente acontece 435 Sem o consentimento prévio por escrito do editor, não se pode reproduzir nem fotocopiar nenhuma parte desta publicação © Permanyer Portugal 2011 ovários podem ser síncronas ou metacrónicas com o tumor primitivo. No caso de a apresentação ser desfasada no tempo, quando o local primitivo da neoplasia ainda não foi identificado e o tumor ovárico é a primeira manifestação da doença, o diagnóstico de doença metastática é difícil, colocando grandes desafios, quer do ponto de vista clínico, quer do ponto de vista patológico. Isto porque as metástases ováricas podem apresentar as mesmas características macroscópicas e microscópicas que os tumores ováricos primitivos, tornando o seu reconhecimento extremamente difícil. Acresce que uma pequena percentagem de mulheres com neoplasia ovárica metastática pode apresentar alterações menstruais, metrorragias ou virilização, devido à presença de células estromais luteinizadas induzidas pela neoplasia33. Este aspecto pode erradamente sugerir um diagnóstico de tumor dos cordões sexuais/estroma. As vias de disseminação para o ovário da neoplasia primitiva incluem: a via linfática, a via hematogénica, a via transcelómica, a via transluminal que se pensa ser a que mais frequentemente ocorre nos carcinomas do endométrio e da trompa e por infiltração directa, em contiguidade. fológico, variando desde lesões de aspecto benigno do tipo do cistadenoma até lesões do tipo borderline e de carcinoma franco. 12. TRATAMENTO DOS TUMORES DE CÉLULAS GERMINATIVAS Os tumores de células germinativas do ovário são menos frequentes que as neoplasias epiteliais malignas. Afectam, contudo, com maior frequência as jovens com potencial para procriarem pelo que devem se alvo de tratamento ainda mais especializado. Esta aproximação terapêutica, multidisciplinar, deve ser ainda mais atenta pois além de atingirem maioritariamente jovens com pico de incidência na segunda e terceira década de vida tendem a um aumento de incidência em algumas áreas geográficas, mas mantêm a uma possibilidade curativa elevada. Em contraste com os tumores epiteliais os tumores de células germinativas apresentam-se em dois terços dos casos no estádio I, sendo raros os tumores diagnosticados no estádio IV e cerca de um terço restante no estádio III. Os marcadores BHCG (gonadotrofina coriónica) e AFP (α-fetoproteína) são preciosos no diagnóstico discriminativo e sobretudo na avaliação da eficácia terapêutica e controlo clínico. Como já dissemos e, em contraste com os tumores epiteliais, 60 a 70% dos tumores de células germinativas diagnosticam-se no estádio I, estando no estádio III a quase totalidade dos restantes. Quadro 7. Possíveis indicadores de metastização para o ovário — — — — — — 436 Bilateralidade (sobretudo nos tipos histológicos mucinoso e endometrióide). Tumores pequenos, superficiais e multinodulares. Invasão linfovascular. Reacção desmoplásica peritumoral. Disseminação extra-ovárica extensa. História clínica compatível. Capítulo 25 Sem o consentimento prévio por escrito do editor, não se pode reproduzir nem fotocopiar nenhuma parte desta publicação © Permanyer Portugal 2011 com tumores primitivos ováricos mucinosos ou endometrióides, com os quais se podem confundir histologicamente. Também favorece o diagnóstico de doença metastática a presença de múltiplos nódulos tumorais, quer na superfície do ovário quer ocupando todo o órgão, e um tamanho inferior a 10 cm, embora este possa ser muito variável. Recentemente foi proposto um algoritmo para diferenciar, em exame extemporâneo, tumor primitivo de tumor metastático envolvendo os ovários, que se tem provado útil nos casos mais difíceis que correspondem a tumores mucinosos e adenocarcinomas de baixo grau, nomeadamente do tipo endometrióide. Com este algoritmo tem-se atingindo uma taxa de acuidade de 81 a 90%. Neste algoritmo, os carcinomas são considerados como metastáticos quando são bilaterais, e quando, sendo unilaterais têm menos de 10 cm de diâmetro e pelo contrário, como primários quando são unilaterais e com um tamanho superior a 10 cm35-37. As características microscópicas que também favorecem a natureza metastática incluem um padrão de crescimento multinodular, presença neoplásica a nível da serosa, envolvimento de linfáticos ou de vasos sanguíneos, particularmente a nível do hilo, um padrão de crescimento infiltrativo por entre estruturas foliculares preservadas, infiltração sob a forma de células isoladas ou com formas em anel de sinete e um padrão variável de nódulo para nódulo (Quadro 7). As metástases com diferenciação mucinosa frequentemente mostram um espectro mor- 12.1. PRINCÍPIOS DO TRATAMENTO CIRÚRGICO A abordagem cirúrgica é diferente da dos tumores epiteliais por ser condicionada pela necessidade da preservação da fertilidade. Apesar da conservação do ovário contralateral e do útero ser a regra, a atitude cirúrgica persiste ditada pelos achados laparoscópicos. Mesmo nos disgerminomas, onde a bilateralidade é comum a ovariectomia bilateral deve ser evitada pois na maioria dos casos a quistectomia/tumorectomia possibilita a manutenção de tecido ovárico viável no pressuposto que a quimioterapia citostática é curativa, podendo a anexectomia restante ser efectuada de forma diferida após concluído o desejo reprodutor ou em caso de esterilidade inultrapassável. A abordagem técnica obedece aos mesmos parâmetros que nos tumores epiteliais, com laparotomia ampla, inspecção completa de toda a cavidade peritoneal, colheita de líquido ascítico ou de lavagem peritoneal para estudo citológico. Nos casos mais comuns em que o tumor se confina à pélvis, estádios precoces, estão indicadas a biopsias do peritoneu parietal e visceral (goteiras parieto-cólicas, mesentério, cúpulas diafragmáticas, sigmóide, fundo-de-saco de Douglas e peritoneu vesical). Os gânglios pélvicos e para-aórticos estão mais frequentemente envolvidos do que nos tumores epiteliais pelo que há indicação para biopsia electiva das adenopatias ou, na ausência destas, para linfadenectomias. Tumores raros do ovário 12.2. DISGERMINOMAS São maioritariamente diagnosticados no estádio I apesar de poderem envolver os dois ovários e infiltrarem os gânglios retroperitoneais. Tradicionalmente são sensíveis à radioterapia, outrora usada, particularmente nos tumores localizados à escavação pélvica, mas relegada pela sensibilidade já confirmada à quimioterapia citostática com associações fundamentadas nos derivados da platina. Os ensaios do Gynecological Oncological Group (GOG) iniciados há mais de 20 anos com a associação cisplatina + vimbastina + bleomicina (PVB)38, mostraram resultados superiores no que concerne a sobrevivência e morbilidade. Posteriormente a associação bleomicina + etoposido + cisplatina (BEP) demonstrou menor toxicidade. Este esquema de quimioterapia preconizado para os tumores de células germinativas foi comparado (Quadro 8) com a associação vincristina + actinomicina D + ciclofosfamida (VAC)39 e é hoje o tratamento standard para os tumores no estádio I e III completamente ressecados pertencentes aos tipos histológicos: teratoma imaturo de grau II e III completamente ressecados, tumores do seio endodérmico, tumores de células mistas, carcinomas embrionários e coriocarcinomas não gestacionais, aguardando-se conclusões definitivas para os outros tipos histológicos. 12.3. TUMORES DE CÉLULAS GERMINATIVAS NÃO DISGERMINOMAS O tratamento consiste na generalidade, igualmente, na cirurgia seguida da quimioterapia. 12.4. TERATOMAS IMATUROS Os teratomas imaturos, segundo mais frequente dos tumores de células germinativas malignos, ocorre frequentemente na segunda e terceira décadas de vida: contêm elementos embrionários e ocasionalmente elementos mistos. 437 Sem o consentimento prévio por escrito do editor, não se pode reproduzir nem fotocopiar nenhuma parte desta publicação © Permanyer Portugal 2011 Contribui para o diagnóstico e sobretudo prognóstico mais favorável a apresentação quase sempre unilateral (excepção para os disgerminomas). A ascite é menos frequente que nos tumores epiteliais mas a metastização peritoneal é frequente assim com a infiltração ganglionar. Têm ainda uma maior tendência para a disseminação por via hemática com possibilidade de localização secundária no fígado e pulmão. BEP Cisplatina: 20 mg/m2 dias 1 a 5 Etoposido (VP-16): 100 mg/m2 dias 1 a 5 Bleomicina: 20 U/semanal Ciclos de 21 dias VAC Vincristina: 2 mg dia 1 e 14 repete até nove vezes Actinomicina D: 350 ug/m2 dias 1 a 5 Cisplatina: 20 mg/m2 dias 1 a 5 Ciclos de 21 dias O mais importante factor de prognóstico e indicador de terapêutica é o grau da lesão: nas doentes no estádio IA com grau I a cirurgia conservadora da fertilidade assegura uma sobrevivência superior a 90% e a quimioterapia adjuvante pode ser dispensada em favor da observação clínica; nas outras situações de grau I e II mesmo que em estádios iniciais a quimioterapia adjuvante é imperativa. As localizações mais frequentes de disseminação são o peritoneu e os gânglios retroperitoneais, sendo a metastização visceral (pulmão, fígado e cérebro) pouco frequente. Antes do desenvolvimento da quimioterapia o prognóstico das doentes com tumores avançados era mau. A terapêutica com quimioterapia citostática utilizando a associação PVB conseguiu uma sobrevivência superior a 70% num grupo heterogéneo no ensaio prospectivo do GOG. Apesar de não haver ainda uma comparação prospectiva entre as associações PVB e BEP a segunda associação tem sido preferida pela menor toxicidade e por, em analogia, ter apresentado melhores resultados nos ensaios realizados nos tumores testiculares avançados. No ensaio terapêutico do GOG para os carcinomas de células germinativas do ovário 438 avaliaram-se de forma prospectiva as associações VAC e BEP40 .Verificou-se superioridade da segunda associação apesar de nos tumores avançados ainda não haver resultados claros. 12.5. TUMORES DO SEIO ENDODÉRMICO São o terceiro grupo mais frequente. Produzem AFP (α-fetoproteína), factor prognóstico importante e preditivo sensível do controlo da doença. É um tumor quase exclusivamente unilateral onde a atitude cirúrgica é a ovariectomia unilateral. Contudo o estadiamento é indicado e a quimioterapia baseada, mais uma vez, em associações contendo derivados da platina, melhora a taxa de sobrevivência. 12.6. CARCINOMA EMBRIONÁRIO E CORIOCARCINOMA NÃO GESTACIONAL São muito raros e ambos libertam B-HCG e o carcinoma embrionário também liberta AFP. A falta de dados prognósticos depende da raridade destes tumores mas também a cirurgia unilateral com cirurgia de citorredução e estadiamento são a regra assim como a quimioterapia adjuvante com a associação mais consensual BEP. Capítulo 25 Sem o consentimento prévio por escrito do editor, não se pode reproduzir nem fotocopiar nenhuma parte desta publicação © Permanyer Portugal 2011 Quadro 8. Esquemas empregues no ensaio do GOG, comparando BEP versus VAC nos disgerminomas do ovário39 Contêm dois ou mais elementos e devem ser tratados da forma já indicada para os outros tipos histológicos, sendo o prognóstico dependente do elemento mais agressivo. A quimioterapia preconizada é ainda a associação BEP e o componente histológico mais frequente é o de elementos do seio endodérmico e disgerminoma. 13. TRATAMENTO DOS TUMORES DOS CORDÕES SEXUAIS/ESTROMA OVÁRICO Representam 5% dos cancros dos ovários e em geral diagnosticam-se no estádio I e por vezes associados a efeitos hormonais. 13.1. TUMORES DE CÉLULAS DA GRANULOSA Os mais comuns são os tumores da granulosa que se associam a hiperplasia e carcinoma endometrial. Os tumores de Sertoli-Leydig estão também frequentemente correlacionados com maior incidência de carcinoma endometrial. Especula-se sobre o papel da hiperestimulação iatrogénica dos tratamentos da esterilidade ou funcional hipofisária como factor desencadeante ou simplesmente amplificador da formação destes tumores. A abordagem cirúrgica destes tumores é a mesma que para os tumores epiteliais, baseada no estádio do tumor e na idade da doente. Em geral as doentes antes da menarca ou no período reprodutor apresentam tumor no estádio I na maioria das séries e a salpingoooforectomia unilateral é a conduta usual. A quimioterapia na doente jovem não tem utilidade ainda demonstrada embora nas doentes que já procriaram, a cirurgia completa, de acordo com a conduta indicada Tumores raros do ovário para os carcinomas epiteliais é a mais indicada. É de esperar uma maior taxa de recorrências nas doentes com mais de 40 anos, motivo pelo qual se preconiza a quimioterapia adjuvante sem ter a certeza de uma menor taxa de recidiva. As doentes com doença avançada (estádio II a IV) têm indicação para quimioterapia incluindo um derivado da platina: a associação inicialmente utilizada foi o PVB41, com elevada toxicidade. Boa resposta foi obtida com a associação cisplatina + doxorrubicina + ciclofosfamida. Mais recentemente volta a ser a associação BEP generalizada ao tratamento dos tumores dos cordões sexuais em geral, embora se registe ainda a falta de resultados prospectivos, pelo que não é seguro afirmar qual a associação mais eficaz. No consenso possível recomenda-se para as mulheres com menos de 40 anos e estádio I apenas a cirurgia (sobrevivência de 85, 90 e 100% a cinco anos), e a cirurgia seguida quimioterapia com a associação de carboplatina + etoposido acima dos 40 anos. Para as mulheres com mais de 40 anos e doença avançada (estádio II a IV) recomenda-se a associação doxorrubicina + cisplatina + etoposido, embora sem estudos determinantes que possam ser consensuais. Outros factores prognósticos, além do estádio do tumor e idade da doente são especulativos: a inibina sérica não mostrou sensibilidade nem especificidade42; melhores resultados foram conseguidos com o Mullerian Iinhibin Substance (MIS)43. A citometria de fluxo e análise da fase S apresentam-se promissoras como factores preditivos, discriminando os tumores aneuploides como prováveis candidatos à terapêutica adjuvante versus controlo. 13.2. TUMORES DE CÉLULAS DE SERTOLILEYDIG São menos frequentes que os de células da granulosa mas são os segundos mais 439 Sem o consentimento prévio por escrito do editor, não se pode reproduzir nem fotocopiar nenhuma parte desta publicação © Permanyer Portugal 2011 12.7. TUMORES MISTOS DE CÉLULAS GERMINATIVAS Bibliografia 1. Jaime Prat. Sex Cord-Stromal Tumors. Em: Pathology of the Ovary. Saunders; 2004. 2. Tavassoli FA, Mooney E, Gersell DJ, McCluggage WG, Konishi I. Sex cord-stromal tumors.In: World Health Organization Classificationb of Tumours – Tumours of the Breast and Female Genital Organs. Lyon: IARC Press; 2003. 3. McCluggage WG. Recent advances in immunohistochemistry in gynecological pathology. Int J Gynecol Pathol. 2001;20:79-85. 4. Yazgi H, Gown AM. 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Ovarian Lymphoid and hematopoietic neoplasms. Em: Robboy’s Pathology of the Female Reproductive Tract. Elsevier Churchill Livingstone; 2009. Capítulo 25 Sem o consentimento prévio por escrito do editor, não se pode reproduzir nem fotocopiar nenhuma parte desta publicação © Permanyer Portugal 2011 frequentes dos tumores dos cordões sexuais/estroma. A sua terapêutica cirúrgica e adjuvante é a mesma, assim como o estadiamento. Algumas formas raras: tumores tubulares com síndrome de Peutz-Jeghers são tratados apenas com cirurgia tal como os tecomas que raramente são malignos. Em resumo os tumores malignos, avançados e recorrentes têm a mesma abordagem cirúrgica e adjuvante dos tumores da granulosa. Tumores raros do ovário 38. William SD, et al. Cisplatin, vinblastine and bleomicine in recurrent ovarian germ cell tumors: A trial of the GOG. Ann Intern Med. 1988;3:22-7. 39. Slayton RE, Park RC, Silverberg SG, et al. 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