EDUCAÇÃO INCLUSIVA: A AVALIAÇÃO DOS PROFESSORES DOS ANOS
INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL SOBRE O PROCESSO DE INCLUSÃO.
Cassia Tavares Siqueira
Helen Tatiana dos Santos-Lima
Resumo
A educação inclusiva é uma proposta de ensino que vem sendo desenvolvida nos
últimos 30 anos, com o objetivo de oferecer acesso ao ensino na rede regular de
ensino às pessoas que socialmente foram excluídas desse contexto. No entanto,
não somente o acesso é defendido, mas também que nesse processo, o ensino seja
desenvolvido em conformidade com as necessidades singulares dos alunos. Essa
realidade tem se constituído em um grande desafio aos profissionais da área que
necessitam rever concepções e metodologias de ensino para alcançar esse objetivo.
Nesse entendimento, esta pesquisa foi desenvolvida com o objetivo de analisar as
concepções dos professores dos anos iniciais do Ensino Fundamental, sobre o
processo de inclusão. Para isso, essa pesquisa seguiu uma abordagem qualitativa,
através da realização de entrevistas com 20 professores dos anos iniciais do Ensino
Fundamental, sendo 10 de umaescola da rede pública de ensinoe 10 de duas
escolas da rede privada do DF. Os resultados da pesquisa permitiram concluir que,
apesar de todas as dificuldades e problemas encontrados pelos professores, os
mesmos concordam com a inclusão e estão, cada vez mais, buscando se adaptar,
para que esses alunos especiais possam ter um ensino verdadeiramente inclusivo.
Palavras-chave: Inclusão. Alunos. Professor. Necessidades.
Introdução
A educação para a inclusão tornou-se um processo no qual se amplia a
participação de todos os alunos nos estabelecimentos de ensino regular e tem como
objetivo o desenvolvimento pessoal de cada indivíduo e a inserção social dos
mesmos, pois ao longo da história da humanidade, as pessoas com deficiência
foram excluídas do processo escolar e social.
Por isso, falar sobre a educação inclusiva é importante para que se possa
pensar e implementar ações que efetivem a inclusão no contexto escolar,
favorecendo de fato a aprendizagem desses alunos.
Referencial teórico
Segundo Mazzotta (2005), a história da educação mostra que a forma como
eram vistas as pessoas com deficiência, até o século XVIII, o respeito à deficiência
era unicamente aliadas ao misticismo o ocultismo, não havia base científica para o
desenvolvimento de noções realísticas e nem o conceito de diferenças individuais
era compreendido ou avaliado.
Levando em consideração que as coisas e situações desconhecidas causam
temor, as pessoas com deficiência acabavam sendo marginalizadas ou ignoradas,
isso ocorria pela falta de conhecimento das pessoas a respeito das deficiências. Até
mesmo a religião, que coloca o homem como imagem e semelhança de Deus, dava
a entender a condição humana a partir da perfeição física e mental. E os deficientes
por não serem "parecidos com Deus", eram postos à margem da condição humana.
Podia-se observar que através de um consenso social pessimista, baseado na ideia
da condição de incapacitado, deficiente, inválido é condição imutável, e levou a
omissão da sociedade a respeito de organização de serviços para atender às
necessidades individuais específicas dessa população.
Somente quando a sociedade apresentou condições favoráveis para que
todas as pessoas pudessem se manifestar a respeito de seus interesses, é que
alguns homens, mulheres, leigos, deficientes, apareceram como líderes da
sociedade em que viviam, para tentar sensibilizar, propor e organizar medidas para
atender as pessoas que tinham alguma deficiência. Estes líderes conseguiram abrir
espaço em várias áreas da vida social para a construção de alternativas de atuação
visando à melhoria das condições de vida de tais pessoas.
Foi principalmente na Europa no século XIX, que surgiram os primeiros
movimentos pelo atendimento aos deficientes, refletindo mudanças na atitude dos
grupos sociais e se concretizando em medidas educacionais. Essas medidas foram
se expandindo sendo levadas primeiramente aos Estados Unidos e Canadá e em
seguida para outros países, inclusive o Brasil.
Diversas expressões eram utilizadas, no século XIX, para se referir ao
atendimento educacional aos deficientes como Pedagogia de anormais, Pedagogia
da assistência social, Pedagogia curativa, Pedagogia emendativa.
A primeira obra impressa a respeito da educação de deficientes foi de autoria
de Jean-Paul Bonet, na França, em 1620, que tinha como título Redação das Letras
e Arte de Ensinar os Mudos a Falar. A primeira instituição especializada foi para a
educação de surdos que foi fundada em 1770, em Paris por Charles M. L’Eppée que
inventou o método de sinais para as pessoas surdas-mudas. No atendimento aos
deficientes visuais Valentin Hauy, fundou também em Paris, o Instituto Nacional dos
Jovens Cegos, no ano de 1784.
Em 1832, teve início em Munique, Alemanha, a educação de deficientes
físicos com a fundação de uma instituição que se encarregava em ensinar as
pessoas que tivessem alguma limitação física, enfim todas as pessoas com alguma
dessas deficiências. Nessa mesma época iniciou-se também o atendimento
educacional aos deficientes intelectuais, com o médico Jean Marc Itard.
Maria Montessori foi outra importante educadora que contribuiu para a
evolução da educação especial. Ela era uma médica italiana que desenvolveu um
programa de treinamento para crianças com deficiência intelectual nos internatos de
Roma em 1907. Montessori enfatizava a auto-educação através do uso de materiais
didáticos como blocos, encaixes, recortes letras em relevo e objetos coloridos.
Começa então no Brasil, inspirados pelas experiências concretizadas na
Europa e Estados Unidos, o atendimento às pessoas com deficiência. O
atendimento escolar especial aos deficientes teve início, mais precisamente em 12
de setembro de 1854. Foram criados em 1428, por D. Pedro II no Rio de Janeiro, o
Imperial Instituto dos Meninos Cegos, atualmente o Instituto Benjamin Constant em
homenagem a seu ilustre e atuante ex-professor de Matemática e ex-diretor,
Benjamin Constant Botelho de Magalhães e, mais tarde, o Instituto dos SurdosMudos, atual Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES), que foi criado graças
aos esforços de Ernesto Huet e seu irmão.
No decorrer da década de 1950, inúmeras outras instituições surgiram,
visando o atendimento nas diferentes áreas de excepcionais. Dentre os inúmeros
estabelecimentos de ensino se destacam sete escolas especiais, cinco das quais
localizadas e na capital do Paraná e duas em Londrina.
Foi criada em 1958, pela professora Pórcia dos Guimarães Alves, a primeira
classe especial em escola da rede pública de ensino do Paraná, onde as escolas
especiais são numerosas e constituídas, por Associações de Pais e amigos dos
Excepcionais.
Vale ressaltar que as iniciativas governamentais sobre educação especial, de
âmbito nacional, se deram em um momento político tipicamente populista (19551964).
Os chefes populistas têm como idéia fundamental, como diretriz básica,
nunca afrontar os movimentos populares. Eles vão se aproveitando das idéias
que medram no povo, vão se utilizando dos movimentos populares para
benefício pessoal, mas nunca se manifestam claramente contra.
(COMPARATO, 1987, p. 65.)
Educação Especial é então, um conjunto de recursos específicos que
responde às necessidades educativas especiais de todos os alunos. Pode-se dizer
que é a capacidade de entender e tentar reconhecer aquilo que o outro é capaz de
fazer, e assim ter o privilégio, de conviver com estas pessoas diferentes, mas ao
mesmo tempo iguais e tão capazes quanto os outros.
A integração de pessoas com necessidades especiais, na política educacional
brasileira vem a ocorrer somente no final dos anos cinquenta e início da década de
sessenta do século XX. Surgiu devido ao fato de os deficientes e as pessoas que
conviviam com eles, sentirem a necessidade de terem as mesmas oportunidades
que todas as outras pessoas sem deficiência.
Glat (1995) defendia que todos os alunos deveriam ser inseridos nas classes
comuns das escolas comuns, sem descartar a necessidade de manutenção dos
serviços de ensino especial, como a estruturação física das instituições que irão
receber os alunos especiais.
De acordo com a autora, para se reformar a instituição deve-se antes
reformar as mentes, para que toda a comunidade entenda e aceite as diferenças de
cada indivíduo, independente de sua deficiência. Nesse caso não se assume que a
escola precisa mudar de qualquer forma para acomodar uma criança em particular
ou para responder a uma maior gama de diversidade na população estudantil, o
objetivo é auxiliar a criança no processo de inserção no sistema educacional e
beneficiá-la com o que a escola possa oferecer-lhe.
Segundo Carvalho (2002), o ensino integrado refere-se às crianças com
deficiência para aprenderem de forma eficaz quando freqüentam as escolas
regulares. No ensino integrado a criança é vista como sendo portadora do problema
e necessitando ser adaptada aos demais estudantes. A integração propõe que a
criança deficiente se reabilite e possa ser integrada, ou não alcançará sucesso.
Segundo Mazzotta (2005), no período de 1961 a 1971, destaca-se a Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei n° 4.024/61, que indica em seu Artigo
88 que fala sobre os direitos dos excepcionais, que para integrá-los na comunidade
sua educação deverá enquadrar-se no sistema geral de educação. No artigo 89, há
o compromisso explícito dos poderes públicos de dispensar tratamento especial
mediante bolsas de estudo, empréstimos e subvenções a toda iniciativa privada,
relativa à educação de excepcionais.
A Declaração de Salamanca foi adotada pela Conferência Mundial em
Educação Especial organizada pelo governo da Espanha em cooperação com a
UNESCO, realizada em Salamanca entre 7 e 10 de junho de 1994. Seu objetivo foi
informar sobre políticas e guiar ações governamentais, de organizações não
governamentais e outras instituições sobre princípios, política e prática em
Educação Especial. A estrutura de ação baseia-se na experiência dos países
participantes, representando 88 governos e 25 organizações internacionais, e
também nas resoluções, recomendações e publicações do sistema das Nações
Unidas e outras organizações inter-governamentais, especialmente o documento
"Procedimentos padrões na equalização de oportunidades para pessoas com
deficiência" (BRASIL, 1996).
A partir da década de 90 com a Declaração de Salamanca, todo cidadão
independente de cor, raça, religião ou condição física e mental têm seus direitos, de
uma educação de qualidade, previstos em lei e eles devem ser respeitados por
todos. Das discussões realizadas nesse evento, bem como em Joitiem em 1990, a
integração passa a ser repensada, propondo-se a partir desse momento, a inclusão.
A educação inclusiva surge com o intuito de todas as crianças, independente de sua
condição física ou mental, tenham oportunidades iguais de educação (BRASIL,
1996).
Segundo Mittler (2003), a mudança da integração para a inclusão é muito
mais do que uma moda, há uma diferença real de valores e de prática entre eles.
A integração envolve preparar os alunos para que fossem colocados nas
escolas regulares, o que implica um conceito de “prontidão”, de toda a equipe
escolar, para transferir o aluno da escola especial para a escola regular. O aluno
deve adaptar-se a escola, e não há necessariamente uma perspectiva de que a
escola mudará para acomodar uma diversidade cada vez maior de alunos
(MITTLER, 2003).
De acordo com Mittler (2003), a inclusão implica uma reforma radical nas
escolas em termos de currículo, avaliação, pedagogia e formas de agrupamento dos
alunos nas atividades de sala de aula. Ela é baseada em um sistema de valores que
faz com que todos se sintam bem vindos e celebra a diversidade que tem como
base o gênero, a nacionalidade, a raça, a linguagem de origem.
“O objetivo de tal reforma é garantir o acesso e a participação de todas as
crianças em todas as possibilidades de oportunidades oferecidas pela escola e
impedir a segregação e o isolamento” (MITTLER, 2003, p.25).
Nessa proposta defende-se, o atendimento educacional especializado às
pessoas com deficiência preferencialmente na rede regular de ensino está previsto
na Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 e na Lei de Diretrizes e
Bases da Educação Nacional n° 9.394/96, dizendo que haverá serviço de apoio
especializado na escola regular, para atender às peculiaridades da clientela de
educação para a inclusão (MITTLER, 2003).
No âmbito escolar, a educação de alunos com necessidades especiais deve
ser entendida como processo que visa ao desenvolvimento do educando
assegurando-lhe a formação necessária para o exercício da cidadania plena
(CARVALHO, 2002, p. 33).
De acordo com Carvalho (2002), a política educacional tem suas ações
direcionadas no sentido de promover a inclusão e a participação de crianças e
jovens com deficiência em todas as atividades da escola, proporcionando a
igualdade de oportunidades.
Retomando Carvalho (2002), cabe lembrar que a Educação Especial não
deve ser entendida como simples instância preparadora para o ensino comum,
embora se deseje que o maior número possível dos alunos possa dele se beneficiar.
Assim, é no contexto da educação geral que devem estar presentes os princípios e
as propostas que definem a política de educação especial.
Segundo Mazzotta (2005) o objetivo da inclusão demonstra uma evolução da
cultura ocidental, defendendo que nenhuma criança deve ser separada das outras
por apresentar alguma diferença ou necessidade especial. Do ponto de vista
pedagógico esta inclusão assume a vantagem de existir interação entre as crianças,
procurando um desenvolvimento conjunto, com igualdade de oportunidades para
todos e acatamento à diversidade humana e cultural, o que acontece na rede regular
de ensino quando uma criança com necessidade especial é inserida.
No campo da educação, a inclusão envolve um processo de reestruturação
do espaço físico das escolas como um todo, com o objetivo de assegurar que todos
os alunos possam ter acesso a todas as oportunidades educacionais e sociais
oferecidas pela escola (MAZZOTTA, 2005).
“O objetivo de tal reforma é garantir o acesso e a participação de todas as
crianças em todas as possibilidades de oportunidades oferecidas pela escola e
impedir a segregação e o isolamento” (MITTLER, 2003, p.25).
De acordo com Mittler (2003), essa política foi planejada para beneficiar todos
os alunos, incluindo aqueles pertencentes a minorias lingüísticas e étnicas, aqueles
com deficiência ou dificuldades de aprendizagem, aqueles que se ausentam
constantemente das aulas e aqueles que estão sob o risco de exclusão.
Ainda retomando o pensamento de Mittler (2003), a inclusão é baseada em
um sistema de valores que faz com que todos se sintam bem vindos e celebra a
diversidade que tem como base o gênero, a nacionalidade, a raça a linguagem de
origem social, o nível de aquisição educacional ou a deficiência.
“Se o que pretendemos é que a escola seja inclusiva, é urgente que seus
planos se redefinam para uma educação voltada para a cidadania global, plena, livre
de preconceitos e que reconhece e valoriza as diferenças” (MANTOAN, 2003, p. 13).
Na inclusão o vocabulário integração é abandonado, uma vez que o
objetivo é incluir um aluno ou um grupo de alunos que já foram
anteriormente excluídos. A meta primordial da inclusão é não deixar
ninguém no exterior do ensino regular, desde o começo
(WERNECK,1997,p.52).
Para Werneck (1997), aceitar um aluno com deficiência pode parecer muito
complicado, mas na realidade, ter um aluno com deficiência em sua sala de aula, é
aceitar que todos de alguma forma são diferentes uns dos outros e devem-se ter
direitos e oportunidades iguais.
Ainda de acordo com Werneck (1997), as classes devemincluir todos os
alunos, promover uma cultura de escola inclusiva, realizar um trabalho colaborativo
eficiente entre os agentes educativos, usar recursos diversificados e estratégias
educacionais também diversificadas, ter um modelo organizacional flexível, ter uma
programação sistemática e específica, realizar avaliação sistemática do progresso
dos alunos em várias áreas (cognitiva, emocional, social, relacional, etc.) e propor
medidas para superar as dificuldades, promover atividades extra-curriculares e
valorizar a colaboração com a comunidade.
“A inclusão diz respeito a cada pessoa ser capaz de ter oportunidade de
escolha e de autodeterminação. Em educação, isso significa ouvir e valorizar o que
a criança tem a dizer, independente de sua idade ou de rótulos”. (MITTLER; 2003, p.
17).
De acordo com Sebba e Sachdev (1997) a principal barreira à inclusão
encontra-se na percepção dos professores de que as crianças especiais são
diferentes e de que a tarefa de educá-las exige um conhecimento e uma experiência
especiais, escolas especiais e que a percepção e atitude do professor apresentam
maior e significativo obstáculo à inclusão, o qual não pode ser ignorado.
De acordo com Carvalho (2002), o ensino inclusivo enxerga a deficiência de
maneira mais humana, compreendendo a deficiência e diferença, reconhecendo
assim que todas as crianças são diferentes, e que as escolas e sistemas de ensino
precisam ser transformados para atender as necessidades individuais de todos os
educandos, com ou sem necessidade especial. O ensino inclusivo não visa tornar
todos iguais, mas respeitar as diferenças, utilizando de diferentes métodos de ensino
para se responder as diferentes necessidades.
Os educandos com necessidades educacionais especiais, precisavam se
modificar para se tornarem aptos a satisfazerem os padrões aceitos no meio social,
familiar, escolar, profissional entre outros. A inclusão é da década de 90 e segue o
modelo social da deficiência, segundo o qual a nossa tarefa consiste em modificar a
sociedade para torná-la capaz de acolher todas as pessoas que apresentem alguma
diversidade (CARVALHO, 2002).
A educação inclusiva, para Carvalho (2002), é oferecida na sala de aula
regular, o qual pode ser planejado e oferecido com um assistente de apoio à
aprendizagem ou um outro professor na sala de aula. Uma outra alternativa seria o
planejamento entre o professor e o coordenador das necessidades educacionais
especiais para variar a abordagem usada pelo docente com a classe, seja coletiva,
seja individualmente. A natureza e a intensidade do apoio, de um assistente,
variarão de aluno para aluno e será diferente para um aluno em particular durante o
dia. Entretanto, atualmente, há uma conscientização muito maior das muitas formas
pelas quais apenas a presença de um apoio na sala de aula pode
inconscientemente segregar um aluno na sala de aula regular.
De acordo com Mittler (2003), o professor tem papel fundamental nesse
processo de inclusão, pois é ele que recebe em sua sala de aula o aluno com
necessidades educativas especiais. Esse professor deve desenvolver um trabalho
pedagógico que garanta que todos tenham oportunidades iguais de aprender,
depende dele também como esse aluno vai ser visto pelos colegas, por isso ele
deve fazer um papel de mediador, para que todos entendam e respeitem as
diferenças dos colegas com deficiência. É através dessa convivência que o
professor vai aprendendo a fazer um trabalho diferenciado com os alunos especiais,
pois nada substitui a prática, é através dela que se ganha experiência.
“A inclusão implica que todos os professores têm direito de esperar e de
receber preparação apropriada na formação inicial em educação e desenvolvimento
profissional contínuo durante sua vida profissional” (MITTLER, 2003, p. 35).
Segundo Glat (1995), a educação inclusiva exige um novo padrão de escola,
é preciso modernizar os aspectos estruturais, aperfeiçoar as práticas pedagógicas e
aliar-se a comunidade para atender as diferentes condições dos indivíduos.
O diretor das escolas, o governo e os coordenadores de educação especial
são, cada um a seu modo, responsáveis por assegurar que todos os alunos tenham
acesso ao currículo global e a todas as possibilidades de experiências oferecidas
pelas escolas.
A preparação dos professores constitui questão primordial de todas
as reformas satisfatória, será totalmente inútil organizar belos
programas ou construir belas teorias a respeito do que deveria ser
realizado. Ora esse assunto apresenta dois aspectos. Em primeiro
lugar, existe o problema social da valorização ou da revalorização do
corpo docente primário e secundário, a cujos serviços não são
atribuídos o devido valor pela opinião pública, donde o
desinteressante e a penúria que se apoderaram dessas profissões e
que constituem um dos maiores perigos para o progresso, e mesmo
para a sobrevivência de nossas civilizações doentes (PIAGET, 1984,
p. 62).
Ainda de acordo com Piaget (1984), neste contexto, fica evidente a
necessidade de capacitar os professores para transformar sua prática educativa.
Essa capacitação docente é meta principal na concretização do sistema educacional
que inclua todos.
Como descrito por Almeida (2004, p. 27), “a formação continuada assume
grande importância na formação permanente do professor, complementando e
auxiliando seu desenvolvimento profissional e suprindo deficiências da formação
inicial”.
Retomando Almeida (2004), a inclusão deve atingir a todos os alunos e fazer
com que todos participem, com o objetivo de desenvolvimento de aprendizagem
para todos, e isso também inclui os pais e a comunidade.
Segundo Mittler (2003), o educador deve procurar conversar com os pais,
ressaltando os aspectos positivos, devem ser explorados assuntos de interesse
geral e temas que os pais gostariam de discutir como sexualidade, televisão entre
outros. A postura do professor deve ser de valorização dos pais e do trabalho
conjunto.
“A inclusão não é apenas uma meta que pode ser alcançada, mas uma
jornada com propósito” (MITTLER, 2003, p. 31). Os professores vão construir e
ampliar suas habilidades sobre as experiências que já possuem com o objetivo de
alcançar todas as crianças e suas necessidades de aprendizagem. Essa tarefa não
é tão difícil, pois muitos professores já têm muito do conhecimento e das habilidades
que eles precisam para ensinar de forma inclusiva. Os professores precisam de
oportunidades para refletir sobre as propostas de mudança que atingem seus
valores e suas convicções, assim como aquelas que afetam sua prática profissional.
É importante que a inclusão não seja vista apenas como outra inovação.
No dizer de Mittler (2003, p. 38), “assegurar que os professores,
recentemente qualificados, tenham uma compreensão básica do ensino inclusivo e
de escolas inclusivas e o melhor investimento que pode ser feito em longo prazo”.
Ainda segundo Mittler (2003), um currículo de formação de um professor
inclusivo deve incluir padrões e critérios para todos os estudantes existentes nas
escolas, sem qualquer necessidade de fazer referência específica aos alunos com
necessidades especiais, para que, assim, a prática inclusiva atinja todas as áreas da
capacitação, sejam elas teóricas ou de orientação prática.
Vale destacar que a formação docente não pode se restringir a participação
em cursos eventuais, precisa abranger programas de capacitação, supervisão e
avaliação que sejam realizados de forma integrada e permanente. Os professores
devem buscar o aperfeiçoamento constante, pois a realidade educacional vem
mudando bastante e essa formação implica um processo contínuo, o qual precisa ir
além da presença de professores em cursos que visem mudar sua ação no processo
ensino-aprendizagem.
Os professores devem contar com o apoio de uma equipe especializada em
atendimento a alunos especiais, além de diretores e demais funcionários da
instituição a parceria entre esses profissionais facilitará muito o trabalho, tanto de um
quanto de outro.
As maiores justificativas das escolas que não acolhem alunos especiais em
suas turmas de ensino regular, é que o professor não está preparado para atendêlos. O que não deixa de ser verdade, pois muitos professores foram formados
apenas para a educação fundamental e não para receber uma criança com
deficiência em sua sala de aula. É preciso que estes profissionais tenham um
preparo ainda na graduação, para que possam atuar com todas as crianças sejam
ela deficientes ou não, assim haveria mais escolas para todos serem atendidos com
igualdade nas oportunidades de aprender. É indispensável a parceria entre pais e
escola para o progresso da criança especial (ALMEIDA, 2004).
Metodologia
Diante do anseio da sociedade em ver muitos de seus filhos com necessidades
educacionais especiais matriculados na rede regular de ensino, a proposta das
escolas inclusivas se concretizou para que se pudesse atender esses alunos. Essas
classes, portanto, deviam incluir todos os alunos, promover uma cultura de escola
inclusiva, realizando um trabalho colaborativo e eficiente entre os agentes
educativos. No entanto, o que se percebe é que a inclusão não está ocorrendo na
efetividade desejada. Neste contexto, o objetivo é analisar como o professor dos
anos iniciais do Ensino Fundamental avalia a inclusão.
Buscando a compreensão do tema proposto para este estudo, optou-se por
uma pesquisa de abordagem qualitativa, porque essa abordagem traria mais
benefícios para o trabalho.Nessa abordagem, realizou-se uma pesquisa bibliográfica
e outra de campo.
Para a construção dos dados na pesquisa de campo foi adotado como
instrumento de pesquisa a entrevista.As entrevistas foram realizadas em escolas
públicas e particulares, com os professores dos anos iniciais do Ensino
Fundamental.
Participaram desta pesquisa 20 professores no total, sendo 10 professores da
rede pública e 10 da particular.
Dados da pesquisa
Percebe-se que há um consenso entre professores da escola pública e
particular em relação à falta de capacitação dos professores para atuar na educação
inclusiva, que apenas uma parte dos professores traz uma prática de ensino
diferenciada para trabalhar com alunos especiais. Mas nota-se que esses
professores estão buscando a capacitação, para a melhor qualidade de suas aulas,
e também para assim saberem lidar com as diferenças sejam elas quais forem.
De acordo com Piaget (1984), a formação dos professores é questão
fundamental de todas as reformas e será inútil organizar bons programas ou belas
teorias a respeito do que deveria ser realizado. Existe o problema da valorização do
professor que não é valorizado pela opinião pública, e que pode constituir em um
dos maiores problemas para o progresso.
Os professores acreditam, em sua maioria, que as escolas ainda não estão
suficientemente preparadas para receber alunos com necessidades especiais, pois
dentre outras necessidades, falta estrutura física e recursos materiais, humanos e
financeiros para melhor receber estes alunos.
O que se percebe é que, de um modo geral, tanto os professores da escola
pública quanto particular acreditam que a falta de estrutura e capacitação dos
profissionais são as maiores dificuldades vividas na inclusão.
Segundo Brasil (1996), para que os alunos com necessidades educativas
especiais tenham um ambiente repleto de oportunidades devem ser levados em
conta alguns aspectos como a preparação da equipe docente, recursos
especializados e apoio adequado. Não basta oferecer o espaço para incluir, mas
efetivar propostas de ação de modo que os alunos tenham liberdade de aprender de
seu modo e de acordo com suas condições.
Quando questionados se concordam com a inclusão de crianças com
necessidades educacionais nas classes regulares de ensino, os professores da
escola pública se mostram menos receptivos do que os da escola particular. Alguns
professores da escola pública ainda acreditam que as escolas especiais estão e são
melhor preparadas para atender esses alunos especiais.
Nota-se que as escolas e professores devem se adaptar para receber os
alunos com necessidades educativas especiais, e que o ensino inclusivo vem
acolher a todos de forma igual, dando assim a oportunidade de todos poderem
compartilhar da convivência um do outro, seja eles com deficiência ou não.
Em relação aos direitos dos alunos a maior parte dos professores, da escola
pública, dizem que os alunos especiais estão tendo seus direitos garantidos pela
escola e pelos professores. Já na escola particular a metade dos professores
respondeu que as escolas estão buscando se adaptar para que os alunos
especiaistenham seus direitos garantidos. Direitos esses que dizem respeito a uma
educação igual e de qualidade, assim como um acesso facilitado as salas de aula e
demais ambientes da escola.
Os pontos comuns da avaliação dos professores, das escolas pública e
particular, se dão em relação à capacitação dos professores, a formação continuada,
os direitos dos alunos especiais e a inclusão dos alunos especiais nas classes
regulares.
Os pontos divergentes são poucos e são a respeito das dificuldades
encontradas no processo de inclusão e em relação as dificuldades encontradas no
processo inclusão.
De acordo com a Declaração de Salamanca, "os programas de estudo têm de
se adaptar as necessidades das crianças e não o contrário. As escolas devem
adequar seus currículos para atender as crianças em suas capacidades e interesses
diferentes"(BRASIL, 1996). O currículo deve prever a flexibilização das atividades
para contemplar as diversas necessidades.
Conclusão
Percebe-se através da pesquisa bibliográfica que o processo de inclusão, é
um processo recente e que vem buscando melhorias para as crianças com
necessidades especiais, dando-lhes oportunidade de ter uma vida escolar normal.
A partir disso nota-se que a inclusão somente se dará de fato quando toda a
equipe escolar estiver preparada para ela. Garantir que os alunos com necessidades
educativas especiais sejam respeitados na sua individualidade, já se nota que as
escolas regulares estão se adaptando fisicamente para dar um bom atendimento a
esses alunos.
A maior parte dos professores entrevistados está de acordo com a inclusão
de crianças especiais nas classes inclusivas. Apesar de concordarem que as
escolas precisam estar mais bem estruturadas para receber estes alunos, os
professores, da escola particular como da pública, avaliam que a inclusão é positiva,
tanto para os alunos especiais quanto para os demais alunos, pois eles acreditam
que é através da convivência que a socialização vai acontecendo, é também através
do convívio que as crianças vão aprendendo a respeitar o próximo independente de
sua deficiência.
Por fim nota-se que a inclusão é um grande desafio para professores e toda a
comunidade escolar sendo necessário que todos se empenhem para que a inclusão
não se perca no tempo.
Desta forma, esperamos produzir um instrumento de referência para
professores que sirva para conscientizar a todos sobre a importância do processo de
inclusão, como se dá esse processo e buscar melhorá-lo no que for necessário, para
que haja assim uma escola igual para todos.
Referências
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PIAGET, JEAN. Para onde vai a educação?. Rio de Janeiro: Olympio, 1984.
SEBBA, J.; SACHDEV, D. O que funciona em educação inclusiva. Ediouro, 5. ed.
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WERNECK, Claudia. Ninguém mais vai ser bonzinho na sociedade inclusiva. Ed. Rio
de Janeiro. 1997.
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