Previsão da volatilidade do risco de preço para o mercado bovino brasileiro usando o modelo GARCH de memória curta William Eduardo Bendinelli Universidade de São Paulo e-mail: [email protected] Andreia Cristina de Oliveira Adami Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada e-mail: [email protected] Pedro Valentim Marques Universidade de São Paulo e-mail: [email protected] RESUMO O objetivo deste trabalho foi comparar o desempenho das previsões de curto prazo da volatilidade dos preços da carne bovina brasileira usando o modelo GARCH de memória curta, volatilidade histórica (média móvel de três semanas) e a previsão simples (naïve). Utilizaram-se os três métodos para prever a volatilidade realizada do contrato futuro de boi gordo com vencimento mais próximo, no horizonte de uma semana à frente (informação referente às quartas-feiras). Observou-se que o modelo mais simples (estimativa naïve) foi mais eficiente, apresentando menor erro quadrático médio de previsão. Esse modelo é extremamente simples e pode facilmente ser aplicado pelos agentes da cadeia para efetuar previsões da volatilidade de curto prazo dos preços do contrato futuro de boi gordo, gerando informações importantes para a tomada de decisões estratégicas de produção, comercialização e hedge na cadeia de boi gordo do Brasil, bem como para monitoramento e aferição do grau de risco associado. Palavras-chaves: volatilidade; preços futuros; boi gordo; previsão. ABSTRACT The aim of this study was to compare the performance of Brazilian short-term cattle price volatility forecasts using the short memory GARCH, historical volatility (average of three weeks) and simple (naïve). We used the three methods to predict the realized volatility of the closest to expiration live cattle futures contract a week ahead (information regarding Wednesdays). It was observed that the simplest model (naïve) was more efficient, with lower mean square prediction error. This model is extremely simple and can be easily applied by officers in the chain to make predictions of shortterm price volatility of live cattle futures contract, generating information for strategic decisions of production, marketing and hedging in the Brazilian cattle supply chain, as well as monitoring and measuring the associated risk degree. Key Words: volatility; futures prices; cattle; forecasting. 1. INTRODUÇÃO O mercado de boi gordo é um dos mais importantes dentro do agronegócio brasileiro. Em 2012, produziu-se 9,2 milhões de toneladas de carne bovina no país e exportou-se 1,4 milhões de toneladas, um aumento de 2% e 4%, respectivamente, em relação ao ano anterior (USDA, 2013). Dentre os argumentos favoráveis à negociação com contratos futuros, estaria o fato de os mercados futuros facilitarem a descoberta de preço e promoverem um ambiente de gerenciamento dos riscos de preço com significativo benefício social, que auxiliaria tanto os produtores, quanto os consumidores a melhorarem os processos de planejamento e as decisões (FORTENBERY; ZAPATA, 1997). Entretanto, a relevância do mercado futuro de boi gordo da BM&FBOVESPA só foi alterada positivamente com a entrada dos frigoríficos no mercado em 2002 em função da variação cambial (PEROBELLI, 2005). Dessa forma, com o aumento da liquidez do mercado e a participação de todos os elos da cadeia, notou-se um movimento no qual o preço futuro da BM&FBOVESPA passou a ser observado por um número maior de agentes a partir de 2002, além de atuar como coordenador das cadeias regionais da commodity. Em 2012, por exemplo, a BMF&BOVESPA registrou 758,9 mil contratos negociados, equivalente a 15,2 milhões de cabeças de boi gordo, redução de 22,2% no volume de contratos negociados em relação ao ano anterior. A crise financeira que teve início em 2007 afetou a volatilidade dos mercados, elevando o grau de risco dos preços agropecuários (EUROPEAN COMMISSION, 2010). Adicionalmente, a ocorrência de surtos periódicos de febre aftosa impacta a produção e o processo de precificação de carne bovina brasileira, elevando o risco de preço para os agentes da cadeia (TEIXEIRA; MAIA, 2008). Para ilustrar, a mitigação dos riscos de preço da indústria de carne bovina do Brasil pode empregar os contratos futuros e de opções de boi gordo da BM&FBOVESPA. Além disso, as opções de boi gordo permitem a elaboração de estratégias de hedge mais baratas, com menor impacto sobre o fluxo de caixa, além de fornecerem informações sobre a volatilidade esperada. Como exemplo, um dos parâmetros obtidos do mercado de opções é a volatilidade implícita, que pode ser aplicada para prever a volatilidade futura realizada. Porém, diversos estudos sobre a volatilidade implícita de opções agropecuárias apontaram a existência de viés e ineficiência nas previsões, com impactos diretos sobre a gestão de risco. Por exemplo, uma elevada volatilidade esperada pode aumentar a propensão de um produtor de carne a pagar mais pela proteção de risco. Caso as expectativas não se concretizem, o prêmio adicional resultará em prejuízo (BRITTAIN; GARCIA; IRWIN, 2011). Uma vez que a volatilidade implícita pode registrar viés e ineficiência sistemáticos, cabe identificar de que maneira os administradores de risco podem empregar métodos alternativos de previsão da volatilidade realizada futura. Nesse sentido, o objetivo deste trabalho foi ajustar um modelo GARCH de memória curta para obter previsões de curto prazo da volatilidade dos preços da carne bovina do Brasil e compará-lo com modelos alternativos. Pretende-se: i. obter a volatilidade pela média histórica (três semanas), pela abordagem simples (naïve) e através da aplicação do modelo GARCH para prever a volatilidade realizada do contrato futuro de boi gordo com vencimento mais próximo, no horizonte de uma semana a frente; ii. examinar o desempenho das previsões da volatilidade realizada, através do erro quadrático médio de previsão e; iii. propor a adoção de modelo aplicando parâmetros de mercado facilmente acessíveis para efetuar previsões da volatilidade de curto prazo dos preços do contrato futuro de boi gordo. Além dessa introdução, o trabalho divide-se em outras quatro seções. Na primeira apontamse as principais referências teóricas sobre o tema. A segunda registra a metodologia e os dados usados. Na terceira discute-se os principais resultados. A quarta e última descreve e resume as conclusões da pesquisa. 2. REFERENCIAL TEÓRICO A importância da administração estratégica de riscos aumentou para os sistemas agropecuários, crescentemente complexos e industrializados, em particular a gestão dos riscos operacionais. Dentre os riscos operacionais, a mitigação do risco de preço assume papel relevante, em especial no novo regime de preços de commodities prevalecente a partir de 2008. O recente ambiente de preços caracteriza-se por níveis médios de preço e volatilidade mais elevados (EUROPEAN COMMISSION, 2010). Nesse sentido, Boehlje e Gloy (2011) registraram alta elevação do risco operacional e financeiro, em particular dos preços dos produtos agropecuários finais. Tal fato gerava a necessidade de proteger as margens operacionais com trava dos preços de compra de insumos, como sementes, adubos e produtos químicos, e dos preços de venda da produção, com operações de hedge de risco de preços usando-se os mercados futuros e de opções. Também, usa-se a previsão de volatilidade como parâmetro de modelos de avaliação de risco. Como exemplo, a modelagem Value-at-Risk (VaR) para commodities agropecuárias aplica a volatilidade como uma das variáveis explicativas (MANFREDO; LEUTHOLD, 2001). Diversos autores pesquisaram a eficiência de previsões da volatilidade implícita de opções. Entretanto, não existe consenso sobre o método mais eficiente, havendo conclusões distintas. A diferença entre as eficiências preditivas pode ser atribuída às assimetrias derivados da família do modelo de Black e Scholes (1973), o período de análise e as características das commodities agropecuárias, dentre outros fatores. Em particular, a prática de mercado para administração de risco generalizou o uso da volatilidade implícita de opções de commodities agropecuárias para previsões da volatilidade realizada no mercado a vista. Tal fato pode ser atribuído à disponibilidade imediata de informações no mercado de opções, obtidas a baixo custo e ininterruptamente, auxiliando a obtenção de inputs informacionais com baixa relação custo-benefício para aplicar na gestão de risco empresarial. Porém é necessário avaliar a qualidade das informações usadas para as previsões de volatilidade. Examinando o valor de previsões mais eficientes para preços e volatilidade, Adam, Garcia e Hauser (1996), com o uso de modelagem de utilidade esperada para produtores de suínos, concluíram que as decisões dos produtores baseavam-se em diversas combinações de contratos futuros e opções de compra e de venda, cujos preços sinalizavam previsões de mercado sobre a volatilidade e os preços futuros. Ainda, as informações mais eficientes sobre a volatilidade possuíam maior valor para os hedgers. Figlewski (1997) avaliou a eficiência da volatilidade implícita para prever a volatilidade realizada de diversos ativos. Comparando as previsões, concluiu que a volatilidade implícita dominava estatisticamente a histórica. Entretanto, não significava que as previsões da volatilidade implícita eram mais precisas ou um melhor parâmetro para aplicar em modelos de precificação de opções, o que poderia ser medido pelo viés preditivo. Também, os efeitos dos spreads de compra e venda das opções e ativo subjacente, a falta de sincronização dos preços e os custos de transação afetavam a microestrutura do mercado de opções. Empregando séries temporais, modelos ARCH e de volatilidade estocástica, Andersen e Bollerslev (1998) identificaram boas previsões da volatilidade realizada futura. Em contraste, Jorion (1995) concluiu que as previsões com a volatilidade implícita de taxas cambiais geravam melhores previsões do que os modelos de séries temporais. Christensen e Prabhala (1998) reexaminaram os resultados das previsões de volatilidade implícita do índice S&P 100, apontando menor viés preditivo do que o registrado em estudos anteriores. O resultado poderia ser atribuído ao uso de uma série de tempo com maior número de observações não superpostas. Recentemente, Glasserman e Wu (2011), usando opções sobre futuros cambiais, compararam as características da volatilidade implícita futura usando o arcabouço de volatilidade estocástica. Identificaram que as opções possuíam diferentes graus de informações sobre os preços futuros que podiam ser extraídas pela volatilidade implícita. Fackler e King (1990) avaliaram os retornos das opções de milho, soja, boi gordo e suínos da Chicago Board of Trade - CBOT. Concluíram que os prêmios das opções podiam ser usados para obter informações sobre a distribuição probabilística dos preços, com baixo custo e atualização contínua. Contudo, os diferentes tipos de produto registravam diferentes graus de eficiência preditiva. De forma análoga, examinando a volatilidade implícita de opções com vencimento próximo de contratos futuros de milho, soja e trigo, Simon (2002) registrou a ocorrência de robustez preditiva relevante. Além disso, a volatilidade implícita dos grãos englobava a informação fora da amostra de previsões de volatilidade sazonal. Tal fato poderia ser aplicado em estratégias operacionais com resultados financeiros positivos. Também, Egelkraut e Garcia (2006) comparam as previsões da volatilidade futura entre a volatilidade implícita, modelos ARCH, volatilidade histórica imediata, média móvel de três anos e um índice composto, para diversos produtos agropecuários em vencimentos distintos. Concluíram que existia eficiência preditiva não viesada para alguns produtos, sendo influenciada pelo menor espaço de tempo e distribuição espacial, diminuindo o grau associado de risco e incerteza da commodity. Egelkraut, Garcia e Sherrick (2007), usando o conteúdo informacional da estrutura a termo das volatilidades implícitas futuras das opções de milho do CME GROUP, avaliaram a eficiência preditiva, concluindo que eram previsoras eficientes. No curto prazo as previsões eram não-viesadas e, para prazos mais longos, previam a direção e magnitude da volatilidade futura. Poteshman (2000) investigou as previsões de variância futura de opções do índice S&P 500. Concluiu que as previsões eram viesadas devido à ausência de alternativas de arbitragem e de estratégias para os formadores de mercado lucrar com os spreads de compra e venda. Entretanto, grande parte do viés poderia ser eliminada pelo uso de dados de alta frequência e do modelo de precificação com valores não-nulos para o preço de mercado do risco de variância e dos erros de inovação dos preços no nível. Christoffersen e Diebold (2000) estimaram a previsibilidade da volatilidade dos retornos em diversos horizontes, sem aplicar nenhuma modelagem, nos mercados de ações, de taxas de câmbio e de títulos, num horizonte entre um e vinte pregões. Concluíram que, se o horizonte temporal fosse superior a dez ou vinte dias, dependendo do ativo, as previsões de volatilidade eram pouco eficientes, podiam ser melhoradas com o intervalo temporal da amostra, o uso dados de alta frequência e a adoção de métrica da volatilidade realizada. Nesse sentido, Hayenga, Jiang e Lence (1996) apontaram que as previsões de volatilidade eram úteis para a análise e a administração de risco das cadeias de carnes bovina e suína. A identificação de fatores explicativos para os preços a vista e futuros das cadeias de carnes melhoravam o ajuste dos modelos de previsão de preços. Com relação à eficiência e existência de vieses nas previsões de volatilidade implícita de opções agropecuárias, Manfredo, Leuthold e Irwin (2001), analisaram o desempenho de métodos alternativos de previsão da volatilidade para os preços a vista de boi gordo, boi magro e milho. O exame dos modelos de volatilidade implícita de opções de contratos futuros, de séries temporais e de especificações compostas identificou que a eficiência de nenhum método isolado superava as demais, embora houvesse evidências de que os administradores de risco e extensionistas aplicavam métodos compostos com séries temporais e volatilidade implícita quando disponíveis. Também, Manfredo e Sanders (2004) concluíram que a volatilidade implícita de opções de boi gordo era um previsor viesado e ineficiente, apesar de englobar as previsões de modelagem GARCH em períodos fora da amostra. Adicionalmente, apontaram ajustes baseados nos testes de viés e eficiência para melhorar a robustez de previsão da volatilidade implícita, auxiliando os administradores de risco da cadeia de carne bovina a tomarem decisões mais eficazes. Nesse sentido, Wang, Fausti e Qasmi (2011) examinaram um indicador baseado na taxa de variância de swaps sintetizado a partir de opções de compra e venda fora-do-dinheiro de milho. Concluíram que o indicador era uma ferramenta de previsão da variância futura mais eficiente, englobando um conjunto maior de informações e gerando uma quantidade menor de erros preditivos do que a volatilidade implícita e a modelagem GARCH. No seu conjunto, pode-se afirmar que as pesquisas sobre previsões de volatilidade implícita de opções agropecuárias expressaram resultados distintos. Entretanto, quando identificadas previsões viesadas e ineficientes. É possível ajustar modelos alternativos para melhorar a eficácia preditiva, auxiliando a obtenção de informações estratégicas para os administradores de risco. Nessa linha, a contribuição inédita deste estudo é a previsão da volatilidade realizada de curto prazo dos contratos futuros de boi gordo no Brasil usando o modelo GARCH de memória curta comparando-o com modelos alternativos, pois a previsão da volatilidade é uma informação estratégica para os administradores de risco da cadeia bovina do país. 3. REFERENCIAL METODOLÓGICO E DADOS Quando a série exibe períodos de variância crescente e correlacionada com o tempo, a série exibe volatilidade e ocorre heteroscedasticidade condicional. Nesses casos, a variância não condicional (longo prazo) pode ser constante, mas para certos períodos de grande incerteza a variância condicional pode apresentar grandes alterações por curtos períodos de tempo. Há diferentes métodos paramétricos para estimar a variância das séries com o objetivo de substituir a hipótese de que esta seja constante ao longo do tempo, por exemplo, os modelos ARCH (Autorregressivo com Heterocedasticia Condicional) e GARCH (ARCH Generalizado). Um exemplo desses modelos de heterocedasticia condicional foi proposto por Engle (1982): t vt 0 1 2t 1 (1) Na equação (1) vt é um processo de ruído branco tal que v 1 ; v t e t 1 são independentes um do outro e 0 e 1 são constantes tal que: 0 0 e 0 1 1 . Portanto, t segue as seguintes propriedades – equação (2): E[ t ] E[vt ( 0 1 2t 1 )1 / 2 ] E[vt ] * E[ 0 1 2t 1 ]1 / 2 0 (2) Com E t , t i 0 para todo i 0. Então – equação (2): E[ t2 ] E[vt2 ( 0 1 2t 1 )] = E[vt2 ] * E 0 1 2 t 1 (3) Ou seja, a sequência t mantém as seguintes propriedades: média zero e são não correlacionados. Como v2 1 , a variância não condicional de t é idêntica à de t 1 , isto é, E t2 E t21 e a variância não condicional fica: E[ t2 ] 0 1 - 1 (4) Como os erros são independentes, a média condicional é zero, mas, como E vt2 1 a variância condicional fica condicionada aos valores históricos passados da série: E[ t2 | t 1, t 2 ,...] 0 1 2t 1 (5) A variância de t é dependente dos valores realizados de t 1 . Se os valores realizados de 2 forem grandes a variância de t será grande também. Essa é uma característica de um modelo t 1 ARCH (1). Nos modelos ARCH a estrutura do erro é tal que a média condicional e não condicional são zero. Porém, a variância condicional é um processo autorregressivo resultante dos erros condicionalmente heteroscedásticos. Neste caso, a heteroscedasticia condicional de t resultará em heteroscedasticia na variável dependente. Assim, um modelo ARCH é capaz de captar períodos de tranquilidade e de alta volatilidade na série de volatilidade. Bollerslev (1986), através do trabalho de Engle (1982), mostra como a variância condicional pode seguir um processo ARMA. Seja o processo de erro conforme representado pela equação (6): t vt ht (6) q p i 1 j 1 Na equação (13), v2 1 e, ht 0 i t2i j ht j . Como v t é um ruído branco, as médias condicional e não condicional são zero e a variância condicional de t é dada por Et 1 t2 ht . Assim, a variância condicional de t é um processo ARMA dado pela expressão ht . Portanto, um modelo GARCH, é um modelo ARCH generalizado (p,q) – GARCH (p,q) - que permite movimentos autorregressivo e de média móvel na variância heteroscedástica condicional. O benefício de usar um modelo GARCH é que talvez haja um modelo GARCH mais parcimonioso que possa representar um modelo ARCH de alta ordem facilitando identificação e estimação. Um ponto importante nos modelos GARCH é que a variância condicional dos distúrbios na variável dependente constitui um processo ARMA. Similarmente ao que ocorre na identificação dos modelos ARIMA aplicados à média, espera-se que os resíduos do modelo ARMA para a variância condicional (ARCH, GARCH) auxiliem na identificação do modelo – definição dos termos autorregressivos e de média móvel. Se o modelo para a variável dependente foi corretamente especificado as funções de autocorrelação e autocorrelação parcial devem indicar um processo de ruído branco (série estacionária). Para a identificação dos termos (p,q) do modelo GARCH a função de autocorrelação dos quadrados dos resíduos podem auxiliar na identificação da ordem do processo. Assim, se existe um modelo de heteroscedasticia condicional, o correlograma da equação (6) indicaria esse processo. A estatística Q de Ljung-Box pode ser usada para testar grupos de coeficientes significativos. n Q T (T 2) i /(T i) (7) i 1 A estatística Q tem distribuição assintótica 2 com n graus de liberdade se a sequencia t2 é serialmente não correlacionada. Rejeitar a hipótese nula (H0) de que t2 é serialmente não correlacionado é equivalente a rejeitar a hipótese nula de que não existem erros ARCH ou GARCH. Na prática consideram-se valores de n até T/4. Engle (1982) propôs o teste formal do Multiplicador de Lagrange para erros ARCH. A metodologia envolve dois passos: i) usar Mínimos Quadrados Ordinários (MQO) para estimar a equação de regressão mais apropriada ou modelo ARMA e obter os t2 ; ii) ajustar a seguinte regressão para o erro quadrado estimado: ˆt2 0 1ˆt21 2ˆt2 2 ... qˆt2 q (8) Se não existir efeitos ARCH/GARCH, os valores estimados de 1 ... q serão zero. Então, a regressão terá pouco poder explanatório e o coeficiente de determinação R2 será baixo. Com uma amostra de T resíduos, sob a hipótese nula de inexistência de erros ARCH, a estatística teste TR2 converge para uma distribuição 2 com q graus de liberdade. Se TR2 é grande, a rejeição da Hipótese nula de que 1 ... q 0 é equivalente a rejeitar a Hipótese nula de que não há erros ARCH. Por outro lado, se TR2 é baixo, aceita-se H0. Em pequenas amostras, o teste F tem se mostrado superior ao teste 2 . Portanto, pode-se usar o teste F comparando o valor amostral com o valor F tabelado com q graus de liberdade no numerador e T- q graus de liberdade no denominador. O Modelo GARCH pressupõe que a variância da volatilidade siga um processo previsível. Pode-se estimar e prever a variância condicional de um modelo Heterocedástico Autorregresivo Generalizado – GARCH (1,1). Dado que t vt ht , a relação entre t2 e ht será dada por – equação (16): t2 vt2ht (9) 2 2 Como E vt Et 1 vt 1 , tem-se que a variância condicional da sequência t será: Et 1 t2 ht . Então, Et 1 t2 0 1 t21 1ht 1 . Ou seja, a variância condicional depende da inovação mais recente e da variância condicional anterior. No modelo GARCH (1,1) a variância condicional é dada por ht. A média incondicional é zero e a variância incondicional pode ser encontrada estabelecendo-se que Et 1 t21 ht ht 1 h . Então tem-se que – equação (10): h 0 1 1 1 (10) Para que o modelo seja estacionário, a soma dos parâmetros 1 1 deve ser menor que um. Essa soma é denominada persistência. Se 1 1 1 , deve-se ajustar um modelo IGARCH. Neste trabalho, além do ajuste do modelo GARCH para computo da volatilidade, outros dois modelos alternativos foram utilizados para se obter previsões da volatilidade realizada. O horizonte temporal considerado foi de uma semana à frente, tomando por referência as quartas-feiras, conforme a metodologia de Manfredo, Leuthold e Irwin (2001). Os autores concluíram que este horizonte temporal registra informações de mercado estratégicas para os agentes da cadeia produtiva de carne bovina. Entretanto, segundo Andersen e Bollerslev (1998), a volatilidade realizada efetiva não é um parâmetro diretamente observável. Em conseqüência, necessitou-se definir uma proxy, dada pelas Equações 11 e 12, adotando abordagem análoga a Jorion (1995), que definiu a volatilidade realizada como a raiz quadrada dos retornos médios quadráticos num horizonte temporal h: t t h 1 h 2 Rt j h j 1 Rt = ln (Pt) – ln (Pt-1) Onde: (11) (12) t t h = volatilidade realizada; Rt = retorno com composição contínua; Pt, Pt-1 = preços futuros observados em t e t-1, respectivamente. Como objetivou-se calcular a volatilidade realizada no intervalo de uma semana, a Equação (11) reduziu-se a: t t 1 Rt21 (13) Além disso, para o cálculo da volatilidade realizada usou-se a série contínua dos preços dos contratos futuros de boi gordo da BM&FBOVESPA com vencimento mais próximo, conforme Brittain, Garcia e Irwin (2011). Aplicou-se a Equação (13) como proxy da volatilidade realizada. Como modelos de previsão alternativos ao modelo GARCH, usaram-se a volatilidade histórica (média móvel de três semanas) e a avaliação simples (naïve), conforme Manfredo, Leuthold e Irwin (2001). 3.1. Dados Na pesquisa utilizou-se a série contínua dos preços de ajuste de boi gordo da BM&FBOVESPA (2013). O período analisado foi de janeiro de 2005 a dezembro de 2012. Escolheu-se a periodicidade pelos fatores de acessibilidade de dados e incremento das operações com contratos futuros e de opções de boi gordo na BM&FBOVESPA. 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO Na Figura 1 apresenta-se a série semanal de preços do boi gordo (cotação do preço de ajuste das quartas-feiras). A série tem início em janeiro de 2005 e término em dezembro de 2012. Observase que desde 2005 os preços da arroba têm seguido tendência de alta interrompida em 2008/2009 no ápice da crise financeira internacional. A partir de 2010 os preços apresentam recuperação e mais recentemente, em 2011 e 2012 observa-se reversão de tendência, mas com preços mais estáveis. Preço boi gordo 120,00 100,00 R$/@ 80,00 60,00 40,00 20,00 1 12 23 34 45 56 67 78 89 100 111 122 133 144 155 166 177 188 199 210 221 232 243 254 265 276 287 298 309 320 331 342 353 364 375 386 397 0,00 Figura 1 – Preço da arroba do boi gordo – cotação semanal referente às quartas-feiras Fonte:BM&FBovespa Nas Figuras 2, 3 e 4 comparam-se a volatilidade realizada no período com a volatilidade histórica, naïve e com as estimativas do modelo GARCH(1,1), respectivamente. Observa-se que a estimativa naïve (Figura 3) é a que melhor conseguiu prever a volatilidade da série do boi gordo. A volatilidade histórica (Figura 2) apresentou bom ajuste, porém observa-se um maior alisamento da série quando comparada com a naïve. O modelo GARCH(1,1) (Figura 4), também conseguiu captar os movimentos da série, no entanto, apresentou maior alisamento do que as estimativas históricas. 18,00% 16,00% 14,00% 12,00% 10,00% 8,00% 6,00% 4,00% 2,00% 1 18 35 52 69 86 103 120 137 154 171 188 205 222 239 256 273 290 307 324 341 358 375 392 0,00% Volatilidade realizada Volatilidade histórica Figura 2 – Volatilidade realizada x volatilidade histórica – estimativas para a série de preços do boi gordo Fonte:Dados da pesquisa 18,00% 16,00% 14,00% 12,00% 10,00% 8,00% 6,00% 4,00% 2,00% 1 18 35 52 69 86 103 120 137 154 171 188 205 222 239 256 273 290 307 324 341 358 375 392 0,00% Volatilidade realizada naive Figura 3 – Volatilidade realizada x naive – estimativas para a série de preços do boi gordo Fonte:Dados da pesquisa 18,00% 16,00% 14,00% 12,00% 10,00% 8,00% 6,00% 4,00% 2,00% 1 18 35 52 69 86 103 120 137 154 171 188 205 222 239 256 273 290 307 324 341 358 375 392 0,00% Volatilidade realizada GARCH(1,1) Figura 4 – Volatilidade realizada x modelo GARCH (1,1) – estimativas para a série de preços do boi gordo Fonte:Dados da pesquisa Para comparar o desempenho dos três modelos, foram realizadas 12 previsões semanais um passo à frente. Observa-se da Figura 5 que as previsões pelo método naïve foram as que melhor acompanharam os dados realizados. As previsões pelo método da volatilidade histórica e do modelo GARCH(1,1) apresentaram maior desvio em relação aos dados realizados, com pior desempenho para o modelo GRACH(1,1). A Figura 6 mostra o desvio das estimativas, histórica, naïve e do modelo GARCH, verifica-se que os desvios pelos três modelos seguira comportamento simular, no entanto, o modelo GARCH (1,1) foi o que apresentou o maior erro quadrático médio de previsão. 3,5% 3,0% 2,5% 2,0% 1,5% 1,0% 0,5% 0,0% 1 2 3 4 5 GARCH 6 7 Realizada 8 9 Histórica 10 11 12 11 12 naive Figura 5 – Previsões um passo a frente da volatilidade do mercado de boi gordo Fonte:Dados da pesquisa 3,00% 2,00% 1,00% 0,00% 1 2 3 4 5 6 7 8 9 -1,00% -2,00% -3,00% -4,00% Histórica naive GARCH Figura 5 – Desvios dos valores previstos aos dados – resultado dos três modelos Fonte:Dados da pesquisa 10 Devido a ineficiência das previsões da volatilidade implícita apresentada em Souza et. al. (2012), o modelo GARCH de memória curta surgiu como alternativa para obtenção das previsões da volatilidade realizada dos preços futuros de boi gordo da BM&F-BOVESPA. No entanto, os resultados das previsões de volatilidade pelo modelo GARCH apresentaram-se pouco eficientes subestimando sistematicamente a volatilidade observada. Já no caso dos modelos para volatilidade histórica (média móvel de três semanas) e a simples, os resultados diferiram dos obtidos pelos autores. No presente estudo o modelo que apresentou as melhores previsões foi o modelo para estimativa simples (naive), enquanto no trabalho de Souza et. al. (2012) foi o modelo de média móvel de três semanas. No entanto, a previsão da volatilidade pode ser facilmente calculada pelos dois métodos, pois são facilmente calculadas com dados disponíveis no mercado, facilitando as decisões operacionais dos administradores de risco da cadeia de carne bovina do Brasil. 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS Esta pesquisa objetivou comparar o desempenho das previsões de curto prazo da volatilidade dos preços da carne bovina brasileira usando o modelo GARCH de memória curta, volatilidade histórica (média móvel de três semanas) e a previsão simples (naïve). Utilizaram-se os três métodos para prever a volatilidade realizada do contrato futuro de boi gordo com vencimento mais próximo, no horizonte de uma semana à frente (informação referente às quartas-feiras). Observou-se que o modelo mais simples (estimativa naïve) foi mais eficiente, apresentando menor erro quadrático médio de previsão. Esse modelo é extremamente simples e pode facilmente ser aplicado pelos agentes da cadeia para efetuar previsões da volatilidade de curto prazo dos preços do contrato futuro de boi gordo. Com efeito, a previsão da volatilidade de curto prazo dos preços futuros de boi gordo a partir de informações eficientes é um parâmetro gerencial estratégico para as decisões alocativas na cadeia da carne bovina do Brasil. As decisões de produção, comercialização e hedge podem ser ajustadas de maneira mais eficiente a partir da volatilidade esperada de curto prazo. O acompanhamento da volatilidade semanal dos preços futuros de boi gordo é uma prática administrativa generalizada para tomar decisões. Entretanto, as decisões precisam ser embasadas em parâmetros e informações eficazes. O modelo GARCH(1,1) foi o que apresentou o pior desempenho. Esse modelo é extensivamente usado na área de finanças, no entanto para os dados semanais de preços do boi gordo apresentou-se pouco eficiente. Seria importante testar novos modelos da família ARCH/GARCH e até mesmo outras opções de modelos par obter-se a previsão da volatilidade de preços. Uma previsão de volatilidade de preços de curto prazo do boi gordo eficiente pode ser aplicada como parâmetro em modelos de Value-at-Risk (VaR), por exemplo. Adicionalmente, pode servir de medida de avaliação e monitoramento de riscos e fixação de preços futuros, pois geralmente a negociação de compra e venda na cadeia de boi gordo baseia-se numa fórmula de custo a partir de um indicador de preços. Outro aspecto gerencial estratégico é a avaliação dos impactos da volatilidade dos preços sobre o fluxo de caixa dos agentes da cadeia, as decisões de hedge e o momento ideal de comercialização. Há que se ter em conta que o resultado da aplicação desses modelos pode apresentar resultados diferentes à medida que se altera o tamanho da amostra e o período analisado, podendo haver melhorias informacionais futuras em outros modelos, particularmente nos modelos da família ARCH/GARCH decorrentes de mudanças de desempenho operacional e de microestrutura do mercado. 6. REFERÊNCIAS CITADAS ADAM, B. 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