geometria
e medidas
Guia do professor
Experimento
Cilindro = cone + esfera⁄2?
Objetivos da unidade
1. Fazer a comparação de volumes de três sólidos: cone, esfera
e cilindro;
2. Obter as relações que fornecem o volume do cone e da esfera
a partir do volume do cilindro.
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Secretaria de
Educação a Distância
Ministério da
Ciência e Tecnologia
Ministério
da Educação
Cilindro =
cone + es fera ?
2
Guia do professor
Sinopse
Reunidos em grupos, os alunos construirão, usando massa de modelar, um
cone e um cilindro de alturas iguais ao raio de sua base e uma semiesfera
de mesmo raio. Depois, mergulharão os sólidos individualmente num
recipiente com água e anotarão a altura que ela atingiu. Fazendo isso,
pode-se perceber que a altura que a água sobe para o cone, semiesfera e
cilindro são proporcionais a 1, 2 e 3, respectivamente. Dessa forma serão
obtidas as relações de volume do cone e esfera a partir do volume do
cilindro.
Conteúdo
Geometria Espacial, Volumes.
Objetivos
1. Fazer a comparação de volumes de três sólidos: cone, esfera e cilindro;
2. Obter as relações que fornecem o volume do cone e da esfera a partir
do volume do cilindro.
Duração
Uma aula dupla.
?djheZk‚€e
O tema Geometria e Medidas envolve não somente conteúdos de geometria,
como também estabelece uma forte conexão com números. Em particular,
este experimento vem nos mostrar uma relação numérica entre os volumes
de alguns sólidos de revolução: a esfera, o cone e o cilindro.
Sabemos que chegar a uma expressão algébrica que representa o volume
de uma esfera não é simples, especialmente no Ensino Médio. Contudo,
podemos usar outros volumes conhecidos para obtê-la, por exemplo, o
volume do cone é a terça parte do volume de um cilindro de mesma base
e mesma altura. Mas de que maneira o aluno pode obter essa relação?
É muito comum o aluno ser apresentado a diversas fórmulas prontas,
que são de fácil uso, mas também de fácil esquecimento. No experimento,
propomos uma vivência do desenvolvimento do assunto relacionado para
que a aprendizagem seja mais rica e efetiva. Em geral, nos experimentos,
a manipulação, a visualização, os resultados obtidos e as conjecturas
propiciam momentos instigantes para o aluno, tornando-o mais atento,
mais interessado – no caso em particular, muito mais significativo do que
meras aplicações de fórmulas matemáticas. Ressaltamos que conclusões
obtidas experimentalmente devem ser demonstradas através de teorias
matemáticas.
O desafio do experimento consiste em determinar quantas vezes o
espaço contido em um cone cabe em um cilindro que tem a mesma base e
a mesma altura que o cone e, além disso, verificar qual é a relação do cone
e do cilindro com a semiesfera.
9_b_dZhe3Yed[![i\[hW Á5 Cej_lW‚€e
Arquimedes é considerado um dos maiores matemáticos de todos os
tempos. Nasceu na cidade grega de Siracusa, situada na ilha de Sicília, no
ano 287 a.C. e morreu aos 75 anos, assassinado por um soldado quando
Siracusa foi conquistada pelo exército romano durante a Segunda Guerra
Púnica.
Conta-se que o rei Herão lhe pediu para emitir juízo final sobre se uma
coroa tinha sido feita de ouro puro ou se o ourives o tinha enganado, misturando prata ao ouro. Certo dia, quando Arquimedes se encontrava em
banhos públicos, lugares não só para higiene, como para lazer e reuniões
de negócios, notou a subida do nível da água quando entrou na banheira
e encontrou a solução do problema: ele deduziu que, sendo o ouro mais
denso que a prata, um dado peso de ouro ocuparia um volume menor que
um peso igual de prata e, portanto, deslocaria uma menor quantidade de
água.
Na sua euforia devido à descoberta, esqueceu-se de se vestir e saiu nu
pelas ruas da cidade, correndo até sua casa gritando “Eureka, eureka!”,
que significa “Achei, achei!”. Ele verificou que a nova coroa de Herão
deslocava mais água que um peso igual de ouro, assim provando a fraude
do ourives.
Dentre os muitos trabalhos de Arquimedes destaca-se “O Método”,
no qual é explorado um modo mecânico, através de equilíbrio de pesos em
uma alavanca, para investigar problemas de matemática, como a relação
entre os volumes da esfera, do cilindro e do cone. Ele também salienta
a importância de uma demonstração posterior dos resultados obtidos.
Uma referência sobre como Arquimedes obteve o volume de uma esfera
segundo “O Método” encontra-se em [Ávila].
=k_WZefhe\[iieh
( % /
E[nf[h_c[dje
Comentários iniciais
Este experimento contém três etapas principais.
Na primeira, os alunos reunidos em grupos construirão os sólidos que
serão comparados. Esta parte, além de trabalhar conceitos geométricos,
como figuras planas e espaciais, envolve concentração, atenção, visualização, manipulação e desenho, que são importantes habilidades na
formação do aluno.
Na segunda etapa, com a utilização das figuras construídas, é feita
a comparação: o aluno irá obter, de maneira experimental, as relações
numéricas entre os volumes dos três sólidos de revolução.
Na terceira etapa, os alunos serão induzidos a encontrar uma relação
entre o volume de um cilindro e de um cone, ambos com mesmo raio
e altura, para posterior obtenção dos volumes desses sólidos.
;jWfW' Construção dos sólidos
Nesta etapa cada grupo de alunos construirá moldes em papelão de um
cilindro circular reto, de um cone circular reto, ambos com mesmo raio e
altura, e também de uma semiesfera com mesmo raio que os anteriores.
Na construção desses moldes, os raios devem ser diferentes para cada
grupo. O professor deve sugerir as medidas dos raios, levando em conta
o raio do recipiente cilíndrico que será usado na etapa seguinte.
Finalmente, os moldes devem ser preenchidos com as massas para
a obtenção dos respectivos sólidos. Atente para o fato de que a tarefa de
construir os sólidos com a massa de modelar é interessante, porém requer
certa habilidade.
9_b_dZhe3Yed[![i\[hW Á5 ;jWfW( Comparação dos volumes
Os alunos mergulharão cada sólido construído separadamente em um
recipiente cilíndrico contendo água. A escolha do recipiente é de fundamental importância. Se o sólido tiver um raio muito menor que o raio do
recipiente, a altura da água após a imersão poderá ficar muito próxima à
altura inicial e as relações algébricas desejadas ficarão muito difíceis de ser
obtidas. É importante também ter cuidado com as medições, que devem
ser orientadas pelo professor.
Cada grupo de alunos pode construir tabelas do tipo:
Altura da água deslocada
cone
semiesfera
cilindro
tabela 1
Razão entre os volumes
conecilindro
semiesferacilindro
tabela 2
Observação: Entende-se por altura da água deslocada a diferença entre
o nível da água após o objeto ser mergulhado no recipiente e o nível inicial
da água neste recipiente. O volume de cada sólido será igual ao volume
da água deslocada em cada caso.
Esperamos que as razões conecilindro e semiesferacilindro obtidas sejam,
respectivamente, próximas a e , e que os alunos percebam que o
deslocamento que a semiesfera produz no nível da água equivale ao dobro
=k_WZefhe\[iieh
) % /
do deslocamento produzido pelo cone quando cada objeto é mergulhado
separadamente.
A partir disso, os alunos podem notar que o volume da semiesfera é o
dobro do volume do cone. Sendo cone e semiesfera os volumes do cone e
da semiesfera, respectivamente, então semiesfera cone, aproximadamente.
Da mesma forma, esperamos que os alunos observem que, quando
colocamos o cone e o cilindro, um de cada vez, no recipiente, o nível da
água sobe três vezes mais quando o cilindro é mergulhado em comparação
com a submersão do cone. Portanto, o volume do cilindro é três vezes
o volume do cone. Sendo cilindro o volume do cilindro, então
cilindro cone .
Finalmente, podemos escrever
semiesfera cilindro
e
cone semiesfera cilindro
.
Assim, os alunos intuitivamente poderão perceber que o volume do
cone é igual à terça parte do volume do cilindro e o volume da semiesfera
é igual a dois terços do volume do cilindro (este resultado será justificado
no fechamento deste Guia).
;jWfW) Generalização do volume do cone
O objetivo desta etapa é obter, de modo geral, uma relação entre o volume
de um cone e de um cilindro de mesmo raio da base e mesma altura .
O procedimento é similar ao que foi desenvolvido nas etapas 1 e 2.
9_b_dZhe3Yed[![i\[hW Á5 Fechamento
O Fechamento é uma importante ferramenta para o professor concluir
os resultados, avaliar o método de aula e a fixação da aprendizagem do
aluno.
O professor pode iniciar o Fechamento expondo na lousa uma tabela
como a que segue para socializar os resultados de todos os grupos.
conecilindro
semiesferacilindro
Grupo 1
Grupo 2
Grupo 3
…
tabela 3
Em seguida, proponha também uma reflexão sobre o que foi obtido,
chegando à conclusão de que experimentalmente foram obtidas as razões
entre os volumes como sendo conecilindro e semiesferacilindro ,
aproximadamente. Isso deve ser então verificado com o uso de resultados
teóricos da matemática.
Sabendo que o volume de um paralelepípedo é igual ao produto da área
da base pela a altura, e o volume de uma pirâmide é igual a um terço do
produto da área da base pela a altura, vamos obter as expressões do volume
do cilindro e do volume do cone utilizando o Princípio de Cavalieri.
Princípio de Cavalieri
Sejam dados dois sólidos e um plano. Se todo plano paralelo ao plano
dado secciona os dois sólidos segundo figuras de mesma área, então esses
sólidos têm o mesmo volume.
=k_WZefhe\[iieh
* % /
Na figura temos dois sólidos e ’ e o plano . Qualquer plano ’, paralelo
a , corta os sólidos segundo secções de mesma área . O Princípio de
Cavalieri afirma que o volume de é igual ao volume de ’.
’
’
’
fig. 1
O volume do cilindro
O procedimento é tomar um cilindro circular reto e um paralelepípedo,
ambos com alturas e áreas de base iguais, e assentá-los em um mesmo
plano.
Toda secção do cilindro, que é paralela à base, é congruente a ela e,
portanto, tem a mesma área. Ocorre o mesmo com o paralelepípedo. Logo,
as áreas ’ e ’’ são iguais. Pelo Princípio de Cavalieri, os dois sólidos têm o
mesmo volume, que é igual ao produto da área da base pela sua altura .
9_b_dZhe3Yed[![i\[hW Á5 ’’
’
’ ’’ fig. 2
Concluímos que:
O volume de um cilindro circular reto com raio da base e altura é dado
por .
O volume do cone circular reto
Consideremos um cone com altura e base com área e uma pirâmide
também com altura e base com área , tais que suas bases estejam
contidas num mesmo plano.
fig. 3
=k_WZefhe\[iieh
+ % /
Com argumentos geométricos envolvendo semelhança e área de
triângulos, podemos mostrar que qualquer plano paralelo ao plano das
bases, distando dos vértices, secciona ambos os sólidos segundo
regiões de áreas e , temos
, ou seja, .
Então, pelo Princípio de Cavalieri, o cone e a pirâmide têm volumes
iguais. E, sabendo que o volume da pirâmide é igual a um terço do produto
da área da base pela altura, concluímos que:
O volume de um cone circular com raio da base e altura é dado por
.
O volume da esfera
Consideremos uma esfera de raio .
fig. 4
Chamemos de o sólido que restar no cilindro de raio e altura , ao
serem retirados dele, a partir de suas bases, dois cones congruentes, de
raio e altura , como na figura.
Assim, consideremos apoiados sobre um plano horizontal a esfera e
o sólido . Vamos agora comparar esses dois sólidos.
9_b_dZhe3Yed[![i\[hW Á5 Um plano paralelo a que dista do centro da esfera a intersecciona
segundo um círculo de área . A secção do sólido por esse
mesmo plano é a coroa circular limitada pelas circunferências de raio e ,
como mostra a figura, e sua área também é . Logo, pelo Princípio
de Cavalieri, o volume da esfera de raio é dado por
Assim, temos:
O volume de uma esfera de raio é dado por .
Chegamos então, a partir desses resultados, às relações obtidas experimentalmente:
semiesfera
cone
e
cilindro
cilindro
Consequentemente,
cone semiesfera cilindro
e
semiesfera
cilindro
cone
Sugestões
1. Depois de obtido o volume da esfera, poderá ser apresentada a área da
superfície esférica. Ver [Lima, 2000, p. 269-270].
2. O volume de uma cunha esférica e a área de um fuso esférico também
podem ser obtidos, respectivamente, do volume e da área da esfera
através da observação de que ambos são proporcionais ao ângulo diedro
correspondente.
=k_WZefhe\[iieh
, % /
LWh_W‚[i
Os sólidos construídos na etapa 1 deste experimento podem ser utilizados
para abordar alguns conceitos de simetria do cone, cilindro, esfera e semiesfera. A seguir apresentamos uma sugestão relativa a essa abordagem.
espelho
eixo do cone
fig. 5
Simetrias do cone
Para uma introdução ao estudo sobre algumas simetrias do cone, inicialmente solicite aos alunos que dividam o cone construído na etapa 1 através
de sua secção meridiana em duas partes iguais e que coloquem uma dessas
partes junto a um espelho, como na figura.
9_b_dZhe3Yed[![i\[hW Á5 fig. 6
Os alunos devem observar que a reflexão dessa parte do cone, em
relação ao espelho, é, visualmente, a outra parte do cone.
Mais formalmente, consideremos um cone circular reto e um plano contendo o eixo deste cone. Lembramos que o eixo de um cone circular
reto é a reta perpendicular à sua base passando por seu centro. Esse plano
divide o cone em duas partes iguais.
A reflexão em relação ao plano α de cada uma das partes do cone
coincide com a outra parte. Dizemos que o cone tem simetria de reflexão
em relação ao plano . Dizemos também que o plano é um plano de
simetria do cone.
De modo análogo, podemos também explorar algumas simetrias em
relação ao plano do cilindro, da esfera e da semiesfera.
Também podemos dizer, de um modo geral, que uma figura é simétrica
em relação a um determinado plano se sua reflexão em relação a esse
plano coincide com ela.
=k_WZefhe\[iieh
- % /
8_Xb_e]hWÅW
Ávila, Geraldo. Arquimedes, a esfera e o cilindro. Revista do Professor da
Matemática. São Paulo, nº 10, p. 11-20, 1987.
Eves, Howard. Introdução à História da Matemática. 4ª ed. Campinas:
Editora da Unicamp, 2004.
Lima, Elon Lages; Carvalho, Paulo Cezar Pinto; Wagner, Eduardo;
Morgado, Augusto César. A Matemática do Ensino Médio, Vol 2, Coleção
do Professor de Matemática, (3ª Edição). Rio de Janeiro: sbm, 2000.
Lima, Elon Lages. Medida e Forma em Geometria, Coleção do Professor de
Matemática. Rio de Janeiro: sbm, 1991.
9_b_dZhe3Yed[![i\[hW Á5 =k_WZefhe\[iieh
. % /
Ficha técnica
Autoras
Claudina Izepe Rodrigues,
Eliane Quelho Frota Rezende e
Maria Lúcia Bontorim de Queiroz
Revisores
Matemática
Antônio Carlos Patrocínio
Língua Portuguesa
Carolina Bonturi
Pedagogia
Ângela Soligo
Projeto gráfico
Preface Design
Ilustrador
Lucas Ogasawara de Oliveira
Universidade Estadual
de Campinas
Reitor
Fernando Ferreira Costa
Vice-Reitor
Edgar Salvadori de Decca
Pró-Reitor de Pós-Graduação
Euclides de Mesquita Neto
Matemática Multimídia
Coordenador Geral
Samuel Rocha de Oliveira
Coordenador de Experimentos
Leonardo Barichello
Instituto de Matemática,
Estatística e Computação
Científica (imecc – unicamp)
Diretor
Jayme Vaz Jr.
Vice-Diretor
Edmundo Capelas de Oliveira
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Ciência e Tecnologia
Ministério
da Educação
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