ANVISA Agência Nacional de Vigilância Sanitária no 12 - setembro de 2001 ISSN 1518-6377 boletim informativo 12 Regionais esquentam clima de reflexão e despertam interesse para I Conferência págs 4 e 5 Teleconferência tem ampla participação pág. 3 Usuários e setor regulado apóiam iniciativa pág. 7 Mobilização supera expectativas pág. 6 “Quando soprarem os ventos da mudança, não construa abrigos, construa cataventos” ANVISA Boletim Informativo Editorial Entre os objetivos da esperada e desejada Conferência Nacional de Vigilância Sanitária, torcemos intensamente para que se produza um significativo avanço na consciência sanitária da população, visando impulsionar a procura pelos serviços de Vigilância em Saúde e debater nos conselhos de saúde, de forma permanente, oferta e demanda desses serviços. Todos os riscos crescem em número de pessoas expostas e em intensidade, em função do baixo nível socioeconômico da maioria da população brasileira, atingindo, na forma de verdadeira guerra declarada, legiões de desempregados, trabalhadores infantis, jovens das periferias urbanas e idosos. No entanto, todos os riscos são passíveis de serem atenuados e, algumas vezes, eliminados. Seu controle encontra-se na efetivação simultânea de duas atividades imprescindíveis. A primeira são as intervenções específicas dos serviços de saúde, que protegem os grupos populacionais expostos a cada tipo de risco. Alguns exemplos dessas ações são as vacinas, a retirada do mercado de produtos nocivos, a correção de ambientes insalubres (inclusive o de trabalho), a informação e comunicação direcionadas aos grupos humanos expostos a cada risco, além de exames periódicos de saúde, que detectam precocemente a perda da saúde. A outra ação fundamental é a construção de um conjunto de informações e posturas que, socializadas com a população e suas representações, visem à conjugação e ao sinergismo dos grupos populacionais expostos aos riscos com os conhecimentos e ações do SUS na área de vigilância epidemiológica e sanitária. A identificação dos grupos de risco em cada cidade, bairro ou área coberta por unidade básica de saúde deveria ser atividade prioritária e permanente, realizada pelos técnicos do SUS e com efetiva participação dos conselhos de saúde e da população. A Vigilância em Saúde, mapeando os fatores de risco e intervindo na proteção específica da saúde, somente será efetiva e benéfica quando compartilhada igualmente pelas entidades da sociedade organizada, tanto na sua agenda de atuações permanentes, como nos conselhos de saúde, nos órgãos dirigentes e com a participação dos profissionais do SUS. Não vemos outro campo de funcionamento do SUS tão carente e premente de elevação do nível da oferta e da procura desses serviços. Outros interesses, legítimos da população mas ilegítimos dos financiadores e organizadores dos sistemas de saúde, elevaram somente a oferta dos serviços assistenciais às pessoas já adoecidas. A população foi condicionada a exigir apenas esses serviços, deixando para trás a proteção a sua saúde e o controle dos riscos. O Modelo de Atenção à Saúde do SUS ressalta as garantias dos Direitos de Cidadania à Saúde, por meio da proteção das pessoas e grupos humanos dos riscos a que sua saúde está exposta. Os riscos podem ser decorrentes das faixas etárias, das condições de trabalho, do consumo de certos produtos e também do meio ambiente. Podem estar relacionados ainda a hábitos ou à hereditariedade, que geram predisposição a certas doenças, como câncer e doenças cardíacas. Nelson Rodrigues dos Santos Coordenador Geral do Conselho Nacional de Saúde Ensaio Teleconferência I No dia 1º de outubro, foi realizada, no auditório da Embratel, no Rio de Janeiro, a segunda teleconferência para estimular a participação da sociedade na I Conferência. Com o tema “Construção do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária” o público de todo o Brasil que acompanhou a teleconferência esquentou o debate com muitas perguntas. Participaram do encontro, o diretor da Anvisa, Luis Carlos Carlos Wanderley Lima, a coordenadora de vigilância sanitária da Bahia, Maria Conceição Riccio, o presidente da Associação de Laboratórios Farmacêuticos Nacionais (Alanac), José Fernando Leme Magalhães e o presidente da Associação Nacional de Servidores de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde (Ansevs). Teleconferência II Já a terceira teleconferência, que aconteceu dia 8 de outubro teve a participação do coordenador geral de Supervisão e Controle do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor do Ministério da Justiça, Amarildo Baesso, o diretor da Anvisa, Luiz Felipe Moreira Lima, o deputado estadual (PT/ SP), Roberto Gouveia e a presidente da Associação Franco Basaglia de Usuários de Serviços de Saúde Mental. Vigilância Sanitária, Saúde e Cidadania foi o tema discutido nesta última teleconferência. Quem não teve a oportunidade de acompanhar os três encontros pode assisti-los na íntegra acessando o site www.canalsaudenaweb.fiocruz.br. As teleconferências ficam disponíveis na internet até o dia 25 de novembro, véspera da I Conferência Nacional de Vigilância Sanitária. Expediente Anvisa Boletim Informativo é uma publicação mensal da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA)-Ministério da Saúde Conselho Editorial: Gonzalo Vecina Neto, Luiz Milton Veloso Costa, Luís Carlos Wanderley Lima, Luiz Felipe Moreira Lima e Ricardo Oliva Edição: Carlos Dias Lopes, registro MTb 7476/34/14/DF Textos: Simone Rodrigues, Nara Anchises e Laila Muniz Colaboração: Graça Guimarães, José Saad Neto e Melissa Freitas Projeto e Design Gráfico: Gerência de Comunicação Multimídia Editoração: Julien Gorovitz Capa: Daniel Ferreira Fotos: Arquivos pessoais Apoio: Oralda Betânia Diniz e Juvenal da Silva Impressão: Coordenação de Processo Editorial/MS Tiragem: 16.000 exemplares Endereço: SEPN Quadra 515, Bloco B, Ed. Ômega Brasília (DF) CEP 70770-502 Telefones: (61) 448-1022 ou 448-1301 Fax: (61) 448-1252 E-mail: [email protected] ISSN: 1518-6377 2 setembro de 2001 Dia cheio para participantes da I Conferência De 26 a 30 de novembro, a I Conferência Nacional de Vigilância Sanitária vai tomar conta do Centro de Convenções Ulysses Guimarães em Brasília. Serão mais de mil pessoas circulando entre mesas-redondas, grupos de trabalho e painéis específicos. A abertura do evento será na noite do dia 26. Nos três dias seguintes, a rotina dos trabalhos será de mesasredondas pela manhã, contemplando os três eixos temáticos principais, grupos de trabalho no início da tarde - para aprofundar as discussões das mesas - e 12 painéis sobre assuntos específicos no final da tarde. Embora os temas dos painéis não estejam ainda definidos, a assessora de Programação da Conferência, Vera Bacelar, adianta que a seleção obedecerá a quatro critérios principais. Primeiro, os painéis devem contemplar questões políticas importantes identificadas na sociedade, para que não seja um encontro estritamente técnico. Em segundo lugar, devem apresentar experiências em vigilância sanitária que indiquem caminhos para superar en- 3 traves do setor. Além disso, os painéis contribuirão para definir a função de cada esfera do governo - federal, estadual e municipal - e para ajustar e aprofundar as questões debatidas nas mesas-redondas. O último dia da Conferência está reservado para a plenária final. Publicações A I Conferência deve ser um momento de reflexão sobre o setor. Não poderiam faltar, então, publicações que trouxessem estudos, análises e experiências dessa área tão complexa. A revista Divulgação em Saúde para Debate , do Centro Brasileiro de Estudos da Saúde, por exemplo, aproveitará a Conferência para lançar um número especial com relatos sobre experiências relevantes em vigilância sanitária em estados e municípios brasileiros. A revista é editada pela professora Ediná Alves Costa, do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia, e por José Rubem de Alcântara Bonfim, coordenador-executivo da Sociedade Brasi- leira de Vigilância de Medicamentos (Sobravime). A professora Ediná adianta que o número especial trará artigos com experiências de Goiás, Minas Gerais, Bahia e São Paulo, além dos municípios de Rio das Ostras (RJ), Paraisópolis (MG), Vitória da Conquista (BA) e Santo André (SP). A revista publicará também um texto sobre trabalhos realizados pela Anvisa e ainda dois artigos produzidos pela Oficina de Trabalho de Formação de Recursos Humanos em Vigilância Sanitária, promovida durante o Congresso de Saúde Coletiva da Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (Abrasco). “O objetivo da revista é estimular o debate sobre vigilância sanitária e contribuir para a construção do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária”, resume Ediná. As novidades não param por aí. Dois livros serão lançados durante a Conferência: a segunda edição de Vigilância Sanitária: proteção e defesa da saúde, de Ediná; e Saúde e Política: a Vigilância Sanitária no Brasil, de Ana Cristina Souto. Teleconferência tem boa participação da audiência Lançamento da Reblas ocorrerá durante o encontro No final de setembro tiveram início as teleconferências organizadas para mobilizar profissionais de saúde e população em torno dos temas a serem discutidos na I Conferência. No auditório da Embratel, no dia 24, foi debatido o assunto “Vigilância Sanitária: proteção e promoção da saúde”, que teve expressiva participação da população na forma de envio de perguntas aos participantes. Entre os convidados estavam Gonzalo Vecina Neto, diretorpresidente da Anvisa; Carlos Gross, presidente do Sindicato das Indústrias Farmacêuticas do Rio de Janeiro; Sirlei Famer, coordenadora da Vigilância Sanitária do Rio Grande do Sul; e Luzia Franco, do Conselho Estadual de Saúde do Rio de Janeiro. Vecina lembrou que pelo controle da Vigilância Sanitária passam hoje produtos que representam 25% da taxa de Produto Interno Bruto (PIB) do país, o que exige respaldo da população para que o sistema resista às pressões e consiga focar seu trabalho na garantia da qualidade de produtos e serviços. Sirlei disse que as ações de baixa complexidade das vigilâncias municipais precisam ser aperfeiçoadas e citou o caso do Rio Grande do Sul, onde há grande produção caseira de alimentos sem que, no entanto, a Vigilância Sanitária consiga garantir que esses produtos sejam inseridos no mercado com garantia de qualidade. Gross, que representava o setor regulado, adiantou que a indústria está disposta a ampliar o acesso da população a medicamentos, desde que isso seja feito com a colaboração do governo. Luzia, que representou os usuários, afirmou que os conselhos regionais de Saúde não devem deixar de participar da conferência, pois são espaços privilegiados de discussão dos problemas do setor. Durante a I Conferência, será lançada oficialmente a Rede Brasileira de Laboratórios Analíticos em Saúde (Reblas). Os laboratórios que fizerem parte da Reblas serão os realizadores oficiais de análises solicitadas por órgãos de Vigilância Sanitária. Para integrar essa rede, os laboratórios devem obedecer procedimentos operacionais próprios, baseados em normas internacionais de qualidade e serem habilitados pela Anvisa. Segundo a Gerência-Geral de Laboratórios de Saúde da Agência, a criação da Reblas traz contribuições importantes para a saúde pública, pois garante a qualidade das análises feitas pelos laboratórios habilitados. Além disso, significa avanços do ponto de vista econômico, facilitando a exportação de produtos com selo de qualidade. Até agora, existem 31 instituições credenciadas pela Reblas: um laboratório analítico em alimentos; um provedor em ensaios de proficiência (testa a eficiência técnica de outros laboratórios); e 29 de equivalência farmacêutica. Quinze outras estão com suas solicitações de habilitação em análise. O próximo passo é credenciar laboratórios de análise de saneantes e de água para hemodiálise. Os procedimentos recomendados pela Reblas e outras informações podem ser encontrados no site www.anvisa.gov.br 50% dos delegados da conferência representarão usuários do SNVS ANVISA Boletim Informativo Pré-conferências refletem mobiliz Pela primeira vez, a sociedade se reúne para discutir Vigilância Sanitária. Durante os meses de setembro e outubro, gestores, profissionais de saúde, usuários e setor regulado participaram das Conferências Regionais de Vigilância Sanitária, uma prévia das etapas estadual e nacional do encontro. Cada estado promoveu as pré-conferências em suas macro ou micro-regiões com o objetivo de eleger seus delegados, promover ampla participação na I Conferência Nacional de Vigilância Sanitária e elaborar propostas para a construção dos sistemas municipal e estadual de Vigilância Sanitária. “Estamos cumprindo uma determinação constitucional que é debater o Sistema Único de Saúde com a comunidade”, afirmou a coordenadora de Vigilância Sanitária de Goiás, Maria Cecília Brito Martins, durante a Pré-Conferência de Formosa. Nos encontros regionais foi possível também discutir a função da Vigilância Sanitária e demonstrar, principalmente à população, a amplitude do trabalho realizado no setor. Para isso, os participantes assistiram palestras que abordaram a estrutura do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária e integraram grupos de discussão para confecção de propostas que serão levadas às conferências estaduais. Para se ter uma idéia da mobilização das pré-conferências, em apenas três regionais - Formosa (GO), Juiz de Fora (MG) e Canindé (CE) - 600 pessoas estiveram presentes, respectivamente nos dias 20, 22 e 25 de setembro. Participantes durante a regional de Formosa: reflexão e empenho Procon estimula participação de usuários Juiz de Fora reuniu representantes de 180 municípios sediados pela sua Diretoria Regional de Saúde. O destaque dessa pré-conferência foi a presença do advogado do Procon da cidade, Eduardo Braga. O advogado enfatizou a importância da participação da população atuando também como um fiscal. “O governo não pode estar em todos o lugares o tempo todo, por isso, a sociedade deve agir como um vigilante permanente. Estamos aqui para exercer um direito de cidadão e estreitar o laços da sociedade com a “Vigilância Sanitária é o conjunto das ações capaz de eliminar, diminuir ou prevenir riscos à saúde nos problemas sanitários decorrentes do meio ambiente, da produção e circulação de bens e da prestação de serviços de interesse da saúde”. parágrafo 1º do art. 5º da Lei Orgânica da Saúde (8.080/90) 900 delegados vão ser eleitos nas etapas estaduais Vigilância Sanitária.”, disse Eduardo. Já o presidente da Associação dos Hospitais de Minas Gerais, Agenor Laval, estimulou a atuação do setor regulado no processo de construção do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária. “Nós, do setor regulado, não temos direitos especiais porque geramos emprego. Devemos garantir produtos e serviços de qualidade para a população que está cada vez mais exigente e não quer comprar uma carne exposta e nem uma medicação com o prazo de validade vencido”, explica Agenor. A opinião dos participantes “A população tem poder de transformar e precisa ter essa consciência. Divulgar a vigilância sanitária é a forma de demonstrar esse poder.” Fernando Fernandes, Secretário de Saúde de Caridade (CE). “A Anvisa está de parabéns por promover esse momento tão sonhado pelos profissionais de vigilância sanitária” Robson Cavalcante, sanitarista em Canindé (CE). “Estamos aqui para apresentar a Vigilância Sanitária à população”. Maria Cecília Brito Martins, coordenadora de Vigilância Sanitária de Goiás. “Esse encontro servirá como uma porta para o conhecimento da função e importância da Vigilância Sanitária para a proteção da saúde”. Maria Gorete Fernandes Nogueira, Conselheira Estadual de Saúde do Ceará. 4 setembro de 2001 m mobilização para etapa nacional Ceará realiza conferência nas micro-regionais Ao contrário de Minas Gerais e Goiás, no Ceará optou-se por organizar pré-conferências nas 21 micro-regiões do estado. Canindé é uma delas e reúne seis municípios (Itatira, Paramoti, Boa Viagem, Madalena e Caridade, além de Canindé) dentro de um universo de 187 mil habitantes. “Decidimos realizar em todas micro-regionais porque concluímos que a participação seria muito mais ampla”, afirmou Ângela Maria Gomes Leite, gerente da Célula de Vigilância de Produtos Relacionados à Saúde do Núcleo de Vigilância Sanitária do estado. Para Ângela, a I Conferência Nacional de Vigilância Santária será uma marco para o setor, pois a partir daí haverá um estímulo à conscientização da sociedade e a Vigilância Sanitária ganhará parceiros na construção de um sistema efetivo. No encontro, além das palestras e do debate, houve uma votação para a escolha dos delegados que irão à etapa estadual. Os candidatos tiveram a oportunidade de expor suas propostas e todos demonstraram muito empenho em participar. Ao todo, seis delegados e mais seis suplentes foram eleitos pelos participantes desta pré-conferência. “É fundamental que todos se esforcem nesse processo, afinal estamos aqui para zelar por nossos interesses”, disse Ângela Leite. Datas dos encontros nos estados Região Norte Amazonas: 23 a 25 de outubro Acre: 24 a 26 de outubro Amapá: 29 a 31 de outubro Rondônia: 17 a 19 de outubro Roraima: 17 e 19 de outubro Pará: 7 e 9 de outubro Tocantins: 29 a 31 de outubro Região Nordeste Ceará: 23 de outubro Piauí: 15 e 16 de outubro Maranhão: 23 a 26 de outubro Rio Grande do Norte: 29 a 31 de outubro Sergipe: 22 de outubro Paraíba: 25 a 27 de outubro Alagoas: 25 a 27 de outubro Bahia: 7 e 8 de novembro Técnico da Anvisa fala da importância do encontro Na Pré-Conferência de Formosa, o técnico da gerência de Portos, Aeroportos e Fronteiras da Anvisa, Alfredo Benatto, ressaltou a relevância da realização desses eventos. “A possibilidade desses encontros revela a capacidade de se respeitar a verdade de cada um para a construção de uma nova verdade. É preciso discutir o que a Vigilância Sanitária propõe e o que é feito atualmente. Compartilhar verdades é fazer saúde, é Vigilância Sanitária”, destaca Alfredo. O veterinário disse ainda que o inspetor sanitário é um educador, pois ele atua no dia-a-dia das pessoas que vivem em um processo permanente de risco à saúde. A participação de Alfredo foi um momento de reflexão para as 250 pessoas que estiveram na regional de Formosa, um dos municípios sede das cinco macro-regiões de Goiás. Logo após a palestra, um amplo debate foi aberto, no qual todos os presentes demonstraram interesse em dar sua contribuição para o sucesso da I Conferência. O sanitarista Wellington Miranda, por exemplo, acredita que a criação de um símbolo para Vigilância Sanitária, como o Zé Gotinha é para as Campanhas de Vacinação, seria um instrumento educacional, principalmente para jovens e crianças. Além de Alfredo Benatto, participaram dessa Pré-Conferência, as coordenadoras de Vigilância Sanitária de Goiás e Bahia, Maria Cecília Brito Martins e Conceição Risso, e secretários municipais de saúde. 5 Pernambuco: 26 a 28 de outubro Região Centro-Oeste Goiás: 29 a 31 de outubro Distrito Federal: 7 a 9 de outubro Mato Grosso: 29 e 30 de outubro Mato Grosso do Sul: 30 e 31 de outubro Região Sudeste Minas Gerais: 22 a 24 de outubro Rio de Janeiro: 29 a 31 de outubro Espírito Santo: 6 a 8 de novembro São Paulo: 16 a 18 de novembro Região Sul Paraná: 24 a 25 de outubro Santa Catarina: 25 a 26 de outubro Rio Grande do Sul:14 e 17 de novembro 1.040 delegados vão estar presentes no encontro nacional ANVISA Boletim Informativo Coordenadora fala em milhares de pessoas mobilizadas A coordenadora da I Conferência, Ana Maria Figueiredo, enfatiza que a realização das pré-conferências regionais e estaduais está sendo responsável pela mobilização de milhares de pessoas em torno do tema Vigilância Sanitária. “Podemos dizer que a conferência está indo além de qualquer expectativa positiva. Isso graças ao esforço das coordenações estaduais que com a mobilização dos conselhos e dos secretários de saúde estão conseguindo promover movimentadas conferências locais, apesar da escassez de tempo”, diz Ana. Por conta desta mobilização, ela acredita que a história da Vigilância Sanitária no Brasil nunca mais será a mesma. “Dentro dos estados as áreas de vigilância estão conseguindo sair da obscuridade, assumindo visibilidade. O fundamental é que estão se expondo e dizendo ao que vieram ao explicitar discussões, por meio dos eixos temáticos, sobre o que será avaliado na condução da política de Vigilância Sanitária a ser adotada.” A partir de novembro, serão distribuídos os cadernos com os temas a serem discutidos na etapa nacional, que estavam Ana: Delegados vão ter muito trabalho resumidos nos Termos de referência. Ana lembra que é hora de os delegados estaduais se prepararem lendo esses documentos e, a partir deles, formularem propostas e sugestões ao grande encontro de novembro. “A responsabilidade dos delegados é grande, pois eles não representam a si mesmos, mas um conjunto de pessoas que os indicaram em processos anteriores, num grande incentivo à constituição da cidadania participativa”, completa ela. Polêmicas Ana Figueiredo já antevê possíveis pontos polêmicos que surgirão nos debates da Conferência. Pelo menos três temas vão gerar acaloradas discussões. Um deles é sobre a concepção de agência como alternativa de organização às esferas estaduais e municipais de vigilâncias. Outro, diz respeito a um modelo de vigilância à saúde que aglutine as vigilâncias sanitárias, ambiental e epidemiológica. O terceiro assunto envolve o diagnóstico, sustentado por alguns profissinais de saúde, de que a Vigilância Sanitária teria se tornado uma área auto-centrada dentro do sistema de saúde. Nesse debate estará em foco o modo como poderia ser reinserida a discussão da função da Vigilância Sanitária dentro da política de Saúde. Enquete avalia percepção sobre atividades de vigilância sanitária Cartilha para conselheiros abre caminho para controle social Uma enquete disponível no site da Anvisa está avaliando a percepção dos usuários sobre as atividades dos órgãos de vigilância sanitária. Até o dia 20 de outubro, 12.320 pessoas já haviam respondido a pergunta “Qual das opções você acha que é a principal atividade dos órgãos de vigilância sanitária?”, que está disponível desde 25 de julho. A maioria das respostas, 37,9%, relacionam a atividade de vigilância sanitária com a proteção e a promoção da saúde. A segunda opção mais escolhida foi a que destaca as instituições de vigilância sanitária como principais responsáveis pela fiscalização de bares, restaurantes e hospitais. Mais de 2.800 pessoas, correspondentes a 22,7%, escolheram esta opção. A percepção de que os órgãos de vigilância sanitária têm como principal atividade a inspeção de produtos de limpeza, cosméticos, medicamentos e alimentos também é grande. Cerca de 21% dos usuários da enquete optaram por esta resposta. A alternativa menos escolhida foi a que relaciona a vigilância sanitária com a elaboração de normas de fabricação, armazenamento e comercialização de produtos. A enquete está disponível no site da Anvisa, na seção da I Conferência: http://www.anvisa.gov.br/conavisa/index.htm. Buscar alternativas para ampliar a participação do cidadão no Sistema Único de Saúde é um dos pontos fortes da Conferência Nacional de Vigilância Sanitária. Um instrumento que poderá contribuir para alcançar esse objetivo é a cartilha que será lançada durante o evento. O público-alvo são os conselheiros de saúde, que atuam como porta-vozes da sociedade nos conselhos municipais e estaduais, assim como na esfera nacional. A meta é distribuir 45 mil exemplares num projeto do Ministério da Saúde de capacitação de conselheiros para fortalecimento do controle social no SUS. O projeto é coordenado por quatro instituições: Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade de Brasília (UnB) e Universidade de Campinas (Unicamp). De acordo com a professora Ana Costa, do Núcleo de Estudos de Saúde Pública da UnB, a cartilha abordará de forma simples e direta as principais questões de vigilância sanitária no Brasil, colaborando para que sua prática seja mais efetiva. “A cartilha vai ajudar a instruir os conselheiros, fornecendo-lhes fundamentos para inserir a discussão das questões de vigilância sanitária nos conselhos de saúde”, explica Ana. Distribuída em quatro capítulos, a publicação vai esclarecer o que é vigilância sanitária, como atua e de que maneiras a sociedade pode colaborar para a eficácia de suas ações, além de trazer um resumo da legislação do setor. A cartilha conta com o apoio financeiro da Anvisa e está inserida no Projeto de Desenvolvimento de Parcerias e Mobilização Social do Comitê de Política de Recursos Humanos da Agência. 80 pessoas estão trabalhando na organização da etapa nacional 6 setembro de 2001 Setores envolvidos têm boas expectativas Integrar todos os setores da sociedade de forma que haja participação efetiva na construção de um Sistema de Vigilância Sanitária eficaz. Esse é um dos principais objetivos da I Conferência. Por isso, a importância de unir setor regulado, comunidade, gestores e profissionais de saúde em um encontro para debater qual a vigilância sanitária que todos querem para o país. O setor regulado, como aquele que sofre a atuação da vigilância sanitária, e o usuário, como quem usufrui dessas ações, estão apoiando a iniciativa e a consideram fundamental para consolidar um vínculo permanente de comunicação entre profissionais de vigilância sanitária e a população. As entidades que representarão o setor regulado na delegação nacional já foram selecionadas pelo Conselho Consultivo da Anvisa. Entre os escolhidos, estão a Associação Brasileira da Indústria Farmoquímica (Abiquif) e a Associação Nacional de Farmácias Magistrais (Anfarmag). “Neste momento de ascensão das atribuições e responsabilidades do sis- 7 tema de Vigilância Sanitária, considero de imensa importância a realização da Conferência como fórum de reflexão sobre os avanços no setor dos últimos cinco anos”, avalia o presidente do Conselho Diretor da Abiquif, José “Consideramos de imensa importância a realização da Conferência como fórum de reflexão sobre os avanços no setor dos últimos cinco anos” Anvisa ouvir o cidadão e todos os setores envolvidos nesse processo de construção do Sistema de Vigilância Sanitária. “É uma iniciativa de extrema importância para abrir um canal de comunicação com a sociedade e buscar melhorias para a regulamentação de vigilância sanitária já existente. Não se trata de flexibilizar e sim de aperfeiçoar”, analisa Evandro. Idec O Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), que faz parte de uma das comissões organizadoras do evento, também representará os José Correia da Silva, presidenusuários na delegação nacional. Para te do Conselho Diretor da AsLynn Silver, que representa a entisociação Brasileira da Indústria dade na organização da conferênFarmoquímica (Abiquif). cia, a realização desse evento é muito positiva, pois existem demandas Correia da Silva. Ele considera tam- para o setor que devem ser discutidas bém que o encontro será uma oportu- e efetivadas. Lynn disse ainda que a nidade para analisar propostas e avali- conferência representa um avanço para ar o papel das organizações privadas o estreitamento das relações da sociedentro desse sistema. dade com os Conselhos Estaduais e Já o presidente da Anfarmag, Municipais de Saúde, importantes insEvandro Tokarski, acredita que será trumentos de defesa dos interesses da uma grande oportunidade para a população. Fórum preparatório para a 1ª Conferência Grupo temático da Abrasco acompanha e dá apoio Nos dias 9 e 10 de novembro, acontece o Fórum Preparatório da Anvisa para a 1ª Conferência Nacional de Vigilância Sanitária, em Brasília. Os diretores, gerentes e funcionários da Agência participam do evento. Além de mobilizar a Instituição frente à relevância histórica e política da 1ª Conferência, o Fórum visa aprofundar o debate sobre o tema da Conferência ,“Efetivar o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária: proteger e promover a saúde construindo cidadania”, além de eleger os delegados da Conferência Nacional. São 300 vagas e as inscrições acontecem de 15 a 19 de outubro. Do total de vagas, 27 são destinadas aos coordenadores estaduais de PAFs e outras 33 vagas aos funcionários das coordenações. Os gestores da Anvisa têm 60 vagas disponíveis e os funcionários da Agência podem ocupar 180 vagas. A abertura do Fórum será realizada pelo diretor-presidente da Agência, Gonzalo Vecina Neto, abordando o tema “Anvisa, o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária e a sociedade”. Ainda serão realizadas três mesas redondas relacionando vigilância sanitária, cidadania e promoção da saúde. O Grupo Temático em Vigilância Sanitária da Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (Abrasco) está acompanhando e apoiando a I Conferência. O grupo foi instalado em 30 de agosto e será um espaço para discussão de temas relacionados ao ensino, pesquisa e prática em vigilância sanitária. O diretor da Anvisa, Luis Carlos Wanderley Lima, diz que o grupo poderá cumprir a função de acelerar iniciativas de reflexão, estudo pesquisa e ensino, capazes de ampliar a base de estruturação técnica, metodológica e instrumental para as ações de vigilância sanitária. “Mas a contribuição mais expressiva que pode ser oferecida por essa agregação de profissionais, docentes, pesquisadores e trabalhadores em saúde coletiva relacionados à área de vigilância sanitária é a apreciação crítica às políticas do setor”, completa Wanderley. 80 mil cartazes de divulgação foram distribuídos para todo o País ANVISA Boletim Informativo Entrevista Gonzalo Vecina Neto A Conferência será um espaço de construção Desde que chegou ao Ministério da Saúde, em agosto de 1998, o diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Gonzalo Vecina Neto, tem se confrontado com desafios inéditos e de grande responsabilidade. Primeiro, precisou conduzir uma grande transição administrativa, transformando a antiga Secretaria de Vigilância Sanitária na atual Agência. Agora, tem pela frente a missão de transformar a I Conferência num espaço de participação organizado e estruturado para ouvir a sociedade. “O debate deve ser amplo e democrático a fim de possibilitar uma visão sistêmica da área de atuação do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária”, diz o diretor-presidente. Especialista em administração hospitalar, ex-diretor do Hospital das Clínicas paulista, o sorocabano de 48 anos, além das atribuições em Brasília, também dá aulas na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP). Ultimamente, tem estado em contato direto com a comissão executiva da Conferência acompanhando de perto a organização do primeiro encontro nacional do setor. de de transformarmos o encontro num espaço conseqüente de construção da Vigilância Sanitária enquanto movimento estruturado na busca da integralidade da ação sanitária. Vecina: Debate será amplo e democrático 2. Qual a importância da Conferência em termos de construção da relação entre saúde e cidadania? Gonzalo: A Vigilância Sanitária deve garantir a segurança sanitária quando do consumo dos produtos e serviços à disposição no mercado e, por isso, na medida em que funcione, é um movimento que constrói cidadania. A I Conferência, como representa um momento de discussão e de geração de novas propostas e teses para viabilizar o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária, dará sinergia a essa construção. 1. Qual a importância da Conferência? Gonzalo: O lema “Efetivar o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária: proteger e promover a saúde construindo cidadania” 3. Como espera que as discussões nos coloca diante da possibilida- da Conferência possam contri- buir para um modelo de Vigilância Sanitária mais compatível com o Sistema Único de Saúde (SUS)? Gonzalo: Isso será conseguido na medida em que os três eixos de discussão tenham boas respostas: o primeiro, que trata da integralidade; o segundo, que cuida da descentralização na construção da rede, o que está embutido na visão de futuro da Anvisa; e o terceiro, que se refere ao controle social. É bom lembrar que tanto a equidade quanto a universalidade estão dentro do projeto de Vigilância Sanitária que já está sendo construído. 4. Do ponto de vista das competências das esferas federal, estadual e municipal, como espera que as discussões contribuam para esclarecê-las? Gonzalo: Propondo ou definindo as ações e os espaços de atuação de cada uma delas e até discutindo quais os instrumentos que serão usados. 5. Que tipo de contribuição espera de cada um dos setores que enviarão delegados à Conferência? Gonzalo: Espero que os usuários tenham visão crítica, particularmente com relação ao controle social. Dos regulados espero que nos ajudem nas formulações das condições de funcionamento das vigilâncias sanitárias. Os gestores deverão ajudar a aperfeiçoar o modelo de funcionamento do sistema. 8