IBMEC SÃO PAULO Faculdade de Economia e Administração Ernesto Martins Faria O CRIME CONTRA A PESSOA E O CRIME CONTRA O PATRIMÔNIO NA CIDADE DE SÃO PAULO: UMA ANÁLISE DO PERFIL DAS VÍTIMAS São Paulo 2008 Ernesto Martins Faria O CRIME CONTRA A PESSOA E O CRIME CONTRA O PATRIMÔNIO NA CIDADE DE SÃO PAULO: UMA ANÁLISE DO PERFIL DAS VÍTIMAS Monografia apresentada ao curso de Ciências Economias, como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel do Ibmec São Paulo. Orientadora: Prof. Luciana Yeung – Ibmec SP São Paulo 2008 Faria, Ernesto Martins O crime contra a pessoa e o crime contra o patrimônio na cidade de São Paulo: uma análise do perfil das vítimas / Ernesto Martins Faria. – São Paulo: Ibmec, 2008. 60 f. Monografia: Faculdade de Economia e Administração. Ibmec São Paulo. Orientadora: Prof.ª Luciana Yeung 1. Criminalidade 2. Pesquisa de Vitimização 3. Crime contra o patrimônio e crime contra a pessoa. Ernesto Martins Faria O crime contra a pessoa e o crime contra o patrimônio na cidade de São Paulo: uma análise do perfil das vítimas Monografia apresentada à Faculdade de Economia do Ibmec como parte dos requisitos para conclusão do curso de graduação em Economia. Aprovado em Dezembro de 2008 EXAMINADORES ______________________________________________________________________ Prof.ª Luciana Yeung Orientadora ______________________________________________________________________ Prof. Fábio Gomes Examinador Prof.ª Regina Madalozzo Examinadora Agradecimentos Agradeço a todos que contribuíram para que eu chegasse nesta etapa de conclusão da graduação de ciências econômicas, e não são poucas pessoas, por isto não vou conseguir agradecer todas. Mas, agradeço principalmente a minha família, que sempre me apoiou nos momentos que mais precisava. Depois, a minha orientadora, que sempre que necessitei de auxílio esteve disponível para me ajudar. Um agradecimento especial também a minha professora Regina Madalozzo, que representa muito para mim e foi fundamental neste ano para meu crescimento como aluno e como pessoa. E, como não destacar também a minha colega de trabalho Fernanda Patriota, que sempre me ajudou quando precisei. E, enfim, a instituição Ibmec São Paulo, a todos os amigos, aos professores que tive durante toda a minha vida escolar, colaboradores do Ibmec São Paulo, professor Fábio Gomes, também membro da minha banca examinadora, e ao Colégio Juarez Wanderley que fez com que fosse possível eu estar escrevendo esta monografia no Ibmec São Paulo. Dedicatória Dedico este trabalho há duas pessoas especiais na minha vida, a minha mãe Rosangela Damasio Martins e a minha irmã Nathalia Martins Faria. Ás vezes talvez não as trate como mereçam, mas o carinho que tenho pelas duas é incrível. Amo toda a minha família, mas hoje o “eu te amo” vai para vocês duas. Amo-te mamãe e te amo maninha! Resumo FARIA, Ernesto Martins. O crime contra a pessoa e o crime contra o patrimônio na cidade de São Paulo: uma análise do perfil das vítimas. São Paulo 2008. 60p. Monografia – Faculdade de Economia do Ibmec São Paulo. Diversos estudos acerca da criminalidade já utilizaram a abordagem econômica e muitos, utilizando o conceito proposto por Becker (1968) – do ato de fazer um crime ser uma escolha racional - chegaram a um consenso de haver diferenças entre crimes contra o patrimônio e crimes contra a pessoa quanto ao aspecto do perfil do criminoso e da forma a qual “estima-se” a viabilidade de se cometer um crime. Contudo, poucos estudos relevantes da literatura chegaram a investigar se há diferença no perfil das vítimas que sofrem um crime englobado em uma destas duas categorias, objetivo deste estudo. Aqui, pretende-se investigar as características dos vitimizados, utilizando-se da Pesquisa de Vitimização elaborada em São Paulo pelo Instituto Futuro Brasil (IFB). Os crimes analisados são roubo com utilização de arma de fogo, estelionato, agressão física e agressão verbal, apresentando assim crimes contra o patrimônio e crimes contra a pessoa com caráter violento e não violento. Adicionalmente, são apresentados os distritos que a pesquisa relatou terem os maiores percentuais de entrevistados vitimizados para cada delito aqui estudado, procurando saber se os resultados confirmam os modelos estimados e a dimensão de proximidade dos delitos quanto ao mapeamento destes crimes. Palavras-chave: probit, vitimização, criminalidade, crime contra o patrimônio, crime contra a pessoa, roubo, agressão, estelionato. Abstract FARIA, Ernesto Martins. The crime against person and the crime against property in the city of Sao Paulo: an analysis of the profile of the victims. São Paulo 2008. 60p. Monograph - Faculty of Economics of Ibmec São Paulo. Several studies of the crime use the economic approach and many, are using the concept proposed by Becker (Becker 1968) – the act of a crime to be a rational choice reached a consensus that there are differences between crimes against property and crimes against the person on the aspect of the criminal profile and the manner in which considers the feasibility of committing a crime. However, few relevant studies of the literature came to investigate if there was any difference in the profile of the victims who suffer a crime. This is one of the purposes of the study. Here, the intention is to investigate the characteristics of the victimized, using the Survey of Victimization in Sao Paulo's of Futuro Brasil Institute (FBI). The analyzed crimes are robbery with use of a firearm, swindle, physical violence and verbal aggression, and there are crimes against property and crimes against person (violent and not violent). Additionally, is presented the districts where the research reported the biggest percentage of respondents victimized for each offense here studied, looking whether the estimated results confirm the model and size of proximity to the mapping of these crimes. Keywords: probit, victimization, crime, crime against property, crimes against person, robbery, assault, swindle. Sumário 1 Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1 2 Revisão Bibliográfica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 3 Metodologia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11 3.1 Dados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11 3.2 Metodologia Econométrica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12 4 Resultados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15 4.1 Análise Descritiva . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .15 4.2 Modelos para a Criminalidade. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29 4.3 Análise dos Distritos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38 5 Considerações Finais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44 Referências. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45 Apêndices. . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .48 Lista de tabelas Tabela 1 – Variáveis analisadas nos modelos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .14 Tabela 2 – Modelos para roubo com utilização de arma de fogo. . . . . . . . . . . . . . . . . . 30 Tabela 3 – Modelos para estelionato. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .32 Tabela 4 – Modelos para agressão física . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34 Tabela 5 – Modelos para agressão verbal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .35 Tabela 6 – Dprobit para os quatro crimes investigados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .48 Tabela 7 – Matriz de correlação das variáveis explicativas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .37 Tabela 8 – Percentual de pessoas vitimizadas por distrito e por tipo de crime . . . . . . . 39 Tabela 9 – Vitimizações por entrevistado para os distritos e por tipo de crime. . . . . . . 49 Lista de figuras Figura 1 – Percentual de pessoas vitimizada em São Paulo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16 Figura 2 – Percentual de homens dentre os entrevistados e vitimizados . . . . . . . . . . . . 17 Figura 3 – Faixas etárias dos entrevistados e vitimizados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18 Figura 4 – Estado conjugal dos entrevistados e vitimizados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19 Figura 5 – Percentual de entrevistados e vitimizados dentro da PEA. . . . . . . . . . . . . . .20 Figura 6 – Renda da família dos entrevistados e vitimizados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20 Figura 7 – Renda pessoal dos entrevistados e vitimizados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .21 Figura 8 – Percentual de entrevistados e vitimizados que mora com pelo menos uma pessoa que sofreu furto ou roubo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .22 Figura 9 – Percentual de entrevistados e vitimizados que mora com pelo menos uma pessoa que sofreu agressão física . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23 Figura 10 – Percentual de entrevistados e vitimizados que mora com pelo menos uma pessoa que sofreu outra violência . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .24 Figura 11 – Percentual de entrevistados e vitimizados que foi à casa noturna . . . . . . . 24 Figura 12 – Consumo de mais de cinco doses de bebida alcoólica dos entrevistados e vitimizados. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .25 Figura 13 – Percentual de entrevistados e vitimizados que nasceu em outra cidade . . .26 Figura 14 – Percentual de entrevistados e vitimizados que mora em uma favela. . . . . .27 Figura 15 – Percentual de entrevistados e vitimizados que possui automóvel . . . . . . . .28 Figura 16 – Percentual de entrevistados e vitimizados que participa mais de uma vez por semana em alguma atividade religiosa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .28 Figura 17 – Crimes violentos em Belo Horizonte . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41 Figura 18 – Percentual de vítimas por crime no distrito . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .42 Figura 19 – Número de vítimizações por pessoa por crime no distrito . . . . . . . . . . . . . 43 1 1. Introdução No dia 4 de maio de 2008 a Folha de São Paulo lançou uma manchete mostrando o resultado de uma pesquisa feita na cidade de São Paulo no qual verifica-se que o principal medo dos paulistanos é a violência. Esta manchete, que foi feita por meio de uma pesquisa elaborada e que comemorava os 25 anos do Instituto de Pesquisa Datafolha, gerou as mais diversas análises e opiniões. Contudo, a análise da mesma deve ser feita com relativo cuidado para não se extrair informações que não necessariamente a pesquisa fornece, algo que ocorreu em algumas das análises. Primeiramente, ter medo da violência não pode ser confundido com ter medo de crimes violentos. O medo de ser vítima de homicídio e de ser vítima de agressão física deve ser diferente e, muitos estudos acabam não se atentando para isto quando analisam tipos de crime. Outro ponto é a alta variância das respostas, embora a média retrate que a violência é o maior medo, para alguns grupos o maior medo pode ser outro, como o desemprego. Por fim, a própria análise das pessoas que têm medo da violência deve ser feita com cuidado, pois o medo pode vir por diversos fatores: pelos hábitos do indivíduo, renda disponível para adquirir bens que aumentem a segurança, localização da residência dentre outros e não somente por problemas de segurança pública ou enforcement1 da lei como se pode intuir. Este estudo busca analisar os fatores que influenciam na vitimização dos moradores de São Paulo através da análise de características dos entrevistados. Serão testados modelos probit para ilustrar quais variáveis impactam na probabilidade de uma pessoa ser vitimizada. O texto não pretende adotar a simples abordagem de estudar crimes violentos e não violentos. Outro tipo de separação de crimes utilizado é por crimes contra o patrimônio e crimes contra a pessoa, e esta classificação parece ser mais adequada para a análise das vítimas. Primeiro, pois tal abordagem separa crimes que apresentam criminosos com perfis diferentes, já que as estatísticas mostram que os crimes contra a pessoa são cometidos por uma maior proporção de jovens, que tendem a ser mais influenciados por emoções. O próprio perfil destes dois crimes envolve objetivos diferentes, já que os benefícios do crime são diferentes, sendo os contra pessoa não 1 Enforcement é uma terminologia anglo-saxônica bastante abrangente e que aqui aplicado refere-se à execução e aplicação da lei. 2 monetários, ou não lucrativos como classifica Becker (1968). Outra vantagem é que estes dois tipos de crime apresentam diferenças quanto às atitudes que a possível vítima pode tomar. Seguindo as teorias de estilo de vida (life-style models) e oportunidades (opportunity models) utilizadas, por exemplo, em Beato, Andrade e Peixoto (2004), há cinco determinantes para a vitimização de um indivíduo: exposição da vítima, capacidade de proteção, atrativos das vítimas, natureza dos delitos e a proximidade da vítima com o agressor. Para crimes contra a pessoa, a variável “proximidade da vítima com o agressor” tem maior impacto se comparado com os crimes contra o patrimônio. Inicialmente, há a argumentação sobre o problema de considerar crimes violentos de forma agregada, mas não deixa de ser problemático analisar crimes contra o patrimônio e contra a pessoa de forma agregada. Por isto, o texto ilustra o problema por meio de um estudo dos distritos, o que permite também descobrir locais que são mais visados quanto à criminalidade (hot spots2). A análise dos distritos mostra o percentual de entrevistados vítima de roubo com utilização de arma de fogo, estelionato, agressão física e agressão verbal, os quatro crimes analisados neste estudo. Estes delitos foram escolhidos de forma a englobar crimes contra o patrimônio e crimes contra a propriedade com caráter violento e não violento. Com as taxas de vitimização nos distritos se perceberá que locais alvos de um delito podem ser locais de baixa vitimização em outro delito, mostrando a particularidade existente nos crimes analisados e se as taxas de vitimização corroboram os resultados ilustrados nos modelos probit. A seguir uma revisão bibliográfica sobre o tema, ilustrando estudos referência em criminalidade. Após a revisão haverá as seguintes seções: metodologia que explanará sobre a base de dados e sobre os modelos que pretende-se adotar; resultados, no qual há uma análise descritiva, modelos que identificam quais variáveis impactam os crimes analisados e também a relação entre os crimes contra o patrimônio nos distritos e os locais alvo de criminalidade, vendo se estão adequados com os resultados dos modelos estimados; e, por fim, as considerações finais, mostrando as principais conclusões do estudo. 2 Esta terminologia é usada para definir áreas com alta incidência de criminalidade. 3 2. Revisão Bibliográfica O estudo sobre crime pode ser feito por meio de diversas abordagens, das quais as principais são: a abordagem legal, a abordagem sociológica e a abordagem econômica. Este estudo tem mais ênfase na abordagem econômica, porém, para maior compreensão, é apresentada brevemente também a abordagem legal. Um crime, no sentido jurídico e de acordo com Brenner (2001), é um ato de transgressão de uma lei vigente na sociedade, ou como define Schaefer (2002), é uma ação típica, antijurídica e culpável, i.e., é uma ação que vai contra as leis vigentes em uma nação na qual o agente é plenamente responsável pela violação à legislação. Já no conceito da teoria econômica, é algo que causa danos públicos e privados. Desta forma, um ato é considerado criminoso se sua contenção gerar aumento do bemestar social, isto é, se a não presença do criminoso – ou a não realização do ato criminoso - na sociedade impacta positivamente o bem-estar da população. Para desincentivar ações criminosas a punição para a pessoa que cometeu o crime deverá ser de tal forma que a deixe em uma situação pior da qual estava antes de cometê-lo. Após ler a abordagem econômica, instintivamente, algumas pessoas podem questionar a atitude criminosa, já que o custo do crime pode ser superior aos seus benefícios esperados em cometê-lo. A teoria econômica explica a escolha da criminalidade como algo racional, i.e., para o criminoso, a punição esperada em vigor tem menor valor do que o ganho esperado do crime. Os grandes expoentes desta teoria são Gary Becker e Isac Ehrlich. Becker foi o primeiro economista a utilizar a visão do ser humano como agente individualista e racional como explicação para a criminalidade. Ele aponta o homem como um agente que avalia sua participação em atividades criminosas comparando o valor dos benefícios resultantes das atividades ilícitas com os ganhos alternativos no mercado legal. Algumas palavras de Becker sobre criminalidade: “Indivíduos racionais se tornam criminosos quando os retornos do crime, financeiros ou de outro tipo, superarem os retornos do trabalho em atividades legais, levando em consideração a probabilidade de detenção e condenação, assim como a severidade da punição.” (Becker apud Fajnzylber, 2000, p.01). 4 Para Becker, o criminoso é um empresário na sua atividade (crime). É ele quem mobiliza recursos, assume riscos e objetiva lucros no setor ilegal da economia. Ehrlich (1973) apresenta uma abordagem parecida com a de Becker, vendo a opção pelo crime como uma escolha racional. Ehrlich não defende o pensamento, que chegou a ser defendido por alguns pensadores do passado como Aristóteles, que a causa do crime tinha origem na miséria e que o criminoso era um “inimigo” da sociedade que deveria ser castigado. Para ele, partir da hipótese de que os criminosos são doentes mentais, excluídos pela família ou algo do gênero, sem condições de competir no mercado de trabalho, não permite obter nenhuma conclusão. Algumas de suas palavras: “Uma dependência numa motivação única (resultado de circunstâncias familiares ou sociais excepcionais) como a grande explicação para o crime não traz, em geral, previsões a respeito do resultado de circunstâncias objetivas. Também não temos conhecimento de qualquer evidência empírica persuasiva registrada na literatura que apóie teorias usando esta abordagem. Nosso ponto de vista alternativo, ainda que não incompatível, é que mesmo que aqueles que violam certas leis difiram sistematicamente em vários aspectos daqueles que seguem estas mesmas leis, estes últimos, como os primeiros, respondem a incentivos. Mais do que recorrer a hipóteses a respeito de características pessoais únicas e condições sociais que afetem o respeito à lei, tendência à violência, preferência por risco ou preferência pelo crime de um modo geral, os primeiros podem ser separados por oportunidades mensuráveis e ver em que extensão o comportamento ilegal pode ser explicado pelo efeito das oportunidades dadas as preferências”. (Ehrlich (1973) apud Sartoris Neto, 2000, p.04). Ehrlich argumenta que mesmo em casos de reincidência há racionalidade por parte do criminoso: “Reincidência não é necessariamente, portanto, o resultado de miopia, comportamento errático, ou falta de autocontrole por parte do criminoso, mas o resultado de escolha ditada por oportunidades.” (Ehrlich (1973) apud Sartoris Neto, 2000, p.09). 5 A teoria econômica do crime, contudo, é bastante ampla e suas abordagens, diversificadas. Existem diversas correntes do pensamento econômico, das quais três podem ser destacadas, segundo Engel (2003). Uma delas é a corrente de origem marxista, que argumenta que a criminalidade principalmente quando se trata de crimes contra o patrimônio - está ligada às características do processo capitalista e é resultado direto das alterações do comportamento empresarial no período pós-industrial (Fukuyama, 1999). Outra corrente, um pouco mais abrangente, relaciona a criminalidade a fatores socioeconômicos como desemprego, desigualdade, analfabetismo, renda. Ineficiências policiais e judiciais, que diminuem o custo esperado da criminalidade, também se relacionam a esta corrente. Alder (1991) utiliza os conceitos desta corrente para explicar a relação de variáveis socioeconômicas com violência. Já a terceira corrente, muito aceita atualmente e ao qual faz parte autores como Becker, Ehrlich, Blocke e Heineike entre outros, entende o ato de uma pessoa partir para criminalidade como uma escolha racional, na qual a sua decisão dependerá diretamente da probabilidade de sucesso na atividade, ou risco inerente a ela. As três visões, apesar de suas diferenças, entendem que, para um agente cometer um crime, ele compara benefícios e custos. A forma como cada um avalia e pondera custos e benefícios, hoje e no futuro, é que difere entre indivíduos. Este estudo utiliza preponderantemente as visões da segunda e terceira correntes. A criminalidade não pode ser analisada por meio de uma única variável, devido às diferenças existentes entre alguns crimes, que têm suas especificidades e que são impactados por diferentes motivos. Becker (1968) propôs a análise da criminalidade classificando o crime em dois grupos: o crime lucrativo e o não lucrativo. O crime lucrativo é aquele que visa ganhos financeiros (furto, roubo, estelionato, receptação, etc) e o crime não lucrativo engloba todos os outros tipos de crime (homicídios, estupro, tortura, lesões corporais, etc). Ehrlich (1973) utilizou uma classificação diferente, porém, muito semelhante, separou crimes contra o patrimônio de crimes contra a pessoa. Os crimes contra o patrimônio são os crimes lucrativos e os crimes contra a pessoa são os crimes cometidos sem fins lucrativos e com maior carga emocional envolvida, na qual o alvo é justamente a vítima. Ele entendia que as motivações para cometer crimes contra a pessoa são bastante distintas das motivações para cometer crimes contra o patrimônio. A seguir a visão de Ehrlich sobre crimes contra a pessoa: 6 “Crimes contra a pessoa são geralmente motivados por ódio ou paixão... assim, deve ser apropriado considerá-los atividades fora do mercado, isto é, atividades que visam diretamente a necessidades, em contraste com atividades de mercado ou geradoras de riqueza.” (Ehrlich (1973) apud Sartoris Neto, 2000, p.20). Porém, existem diferenças significativas entre os crimes contra a pessoa. Esta classificação, separando crimes contra o patrimônio e crimes contra a pessoa, é aceita na teoria econômica do crime, pois acredita-se que crimes contra o patrimônio são crimes mais planejados e com menor carga emocional envolvida enquanto crimes contra a pessoa são cometidos com maior carga por serem motivados por sentimentos como ódio e ciúme. Contudo, se verificam crimes contra a pessoa que apresentam características semelhantes aos crimes contra o patrimônio, isto é, que são feitos com baixa carga emocional, como acontece em alguns casos de homicídio, e que por isto tal crime aqui não é analisado. Hellman e Alper (1997) mostra que o homicídio é um crime que têm suas peculiaridades, podendo ser cometidos tanto com baixa como com alta carga emocional, e, por este motivo, precisa ser analisado com atenção diferenciada. Neste estudo, classificaram o crime de homicídios em dois grupos: homicídios de paixão - crimes cometidos dentro de grupos familiares, entre amantes ou resultantes de discussões entre conhecidos (crimes com forte carga emocional)-, e homicídios em que há ganho monetário ou psicológico - em que a decisão de cometer ou não o crime se dá pela comparação entre os benefícios obtidos com o homicídio e os custos de praticá-lo. A peculiaridade deste tipo de crime já tinha apresentado interesse de outros autores antecedentes. Ehrlich (1975), por exemplo, via este delito como um tipo de crime que era cometido por motivo de ódio, ciúme e outros conflitos interpessoais envolvendo motivos pecuniários e não pecuniários, ou ainda como subproduto de crimes contra o patrimônio. A importância de se classificar os crimes em determinados grupos se deve também ao fato das políticas para combater estes delitos serem diferentes. A teoria econômica do crime, diz, por exemplo, que as políticas para crimes contra a pessoa (mais cometido por jovens) e crimes contra o patrimônio (cometido por diversas faixas etárias) devem ser diferentes. Isto se deve ao fato dos jovens tenderem a ser mais influenciados por emoções na hora de cometer crimes, sendo então necessário que a 7 punição para crimes juvenis foque na redução da incerteza e no imediatismo, ou então deve-se procurar reduzir o crime pela redução na variabilidade das emoções dos jovens, combatendo fatores que influenciam nesta variabilidade, como o álcool e as drogas num contexto mais amplo. Já para crimes cometidos por adultos a punição mais eficiente deve ser uma em que tenha alto custo, mas que seja incerto (devido à restrição orçamentário do governo), pois adultos tendem a agir deliberadamente, medindo o valor esperado do crime. Além dos estudos já citados, existem outras referências no estudo de criminalidade, ao qual são destacadas algumas destas a seguir. Sah (1991) trouxe contribuições para a teoria econômica do crime. Até então, a probabilidade de ser apanhado era fixa, mas este trabalho apresentou-a como dinâmica. No modelo deste artigo o resultado de reincidência na criminalidade decorre da endogenização da probabilidade de ser apanhado em uma ação criminosa. Segundo o estudo, os criminosos calculam o retorno do crime através de um “amostra” de seus vizinhos, verificando a taxa de criminalidade nos arredores da sua residência no passado e no presente. No ensaio entitulado “Legalize drugs now” de Cussen e Block (2000) há o argumento de que a legalização das drogas, entre outros fatores, reduziria a criminalidade, os impostos pagos pelos contribuintes e a disseminação de doenças, levando a um grande aumento do bem-estar social. Tal argumento, embora muito questionado, vem encontrando embasamento empírico na análise de algumas regiões que fizeram a legalização, como no Canadá que legalizou a maconha para uso medicinal. Donohue e Levitt (2001) explicaram a grande queda na criminalidade dos Estados Unidos nos anos 90 pela legalização do aborto feita em 1973. Com a legalização, 1,6 milhão de abortos ocorreram somente em 1980 (quase 50% de todo o número de bebês nascidos), o que teria feito com que a população masculina propensa ao crime (homens 14-24 anos, mostrado empiricamente em outros estudos de Levitt, como em Juvenile Crime and Punishment (1998)) caísse na década de 1990 facilitando assim a queda da criminalidade. Além deste, outros argumentos no mesmo sentido são utilizados por Levitt. Segundo seu estudo, os estados que legalizaram com antecedência o aborto observaram também antes a redução da criminalidade. Existe uma correlação positiva entre o aumento da taxa de abortos no período anterior e redução do crime posterior. Também pode ser estabelecida correlação nula entre o aumento da taxa de 8 abortos e da criminalidade no mesmo momento temporal e que a redução da criminalidade se concentra nos grupos que nasceram depois da legalização do aborto, não existindo nenhuma mudança nos grupos etários. Contudo, tal estudo tem diversas críticas e não há comprovação empírica do que o caso americano não possa ser um caso isolado ou que a queda da criminalidade não possa ter vindo devido a outros fatores. Já na literatura nacional, deve-se destacar o estudo de Pezzin (1986) no qual se estimou equações que relacionavam os crimes (contra o patrimônio, contra a pessoa e total de crimes) com variáveis socioeconômicas (desemprego, índice de pobreza, segurança pública, analfabetismo, saldo migratório, entre outros). Neste estudo foram feitos dois tipos de regressão: cross-section (para municípios da grande São Paulo e sub-distritos administrativos da cidade de São Paulo) e séries de tempo (1970 a 1984 para os valores agregados da Grande São Paulo). Este artigo corroborou as formulações de Ehrlich (1973), pois fatores socioeconômicos apresentaram maior significância para crimes contra o patrimônio, ao qual seria devido ao fato de parte dos crimes contra a pessoa apresentarem forte carga emocional (não necessariamente afetados por tais fatores). Araújo Jr e Fajnzylber (2000) fizeram um estudo sobre a criminalidade em Minas Gerais. Para identificar determinantes da criminalidade na região foram testadas variáveis de nível educacional, desigualdade, urbanização, desorganização social e de participação de jovens na população. Dentre os resultados destaca-se a identificação de que maiores níveis educacionais implicam menores taxas de crime contra a pessoa e maiores taxas de crimes contra o patrimônio. Mendonça (2001) analisou a criminalidade no Brasil através de dados estaduais para o período de 1985 a 1995. O crime utilizado para medir criminalidade foi homicídio intencional. Um dos resultados importantes deste estudo foi que se verificou que o índice de GINI exerce impacto positivo sobre a criminalidade no caso brasileiro, e que, portanto, quanto maior a desigualdade social maiores os índices de criminalidade. Shikida et. al. (2006) analisou os determinantes do comportamento criminoso. Para isto, aplicou questionários nas penitenciárias de Piraquara (Paraná). Este estudo indicou que possuir arma de fogo é um dos principais fatores ligados ao comportamento violento na atividade criminosa, e também indicou que o jovem com ensino médio é o mais propenso ao uso de violência na atividade criminosa. Mariano (2007) fez um estudo analisando o impacto de variáveis socioeconômicas aos crimes contra o patrimônio no estado de São Paulo, e para isto 9 utilizou dados disponibilizados através da Fundação SEADE. Este estudo verificou o efeito de variáveis como consumo de drogas e desigualdade nos crimes contra o patrimônio e também verificou que para o estado paulista as variáveis socioeconômicas explicam de maneira significativa à criminalidade. Contudo, neste estudo não busca-se analisar a criminalidade apenas, mas principalmente identificar o perfil das vítimas. Por isto, é necessário rever alguns modelos que também abordaram o crime por esta vertente. Uma interessante abordagem é feita por Beato, Andrade e Peixoto (2004). Neste texto os autores utilizam-se das teorias de estilo de vida e oportunidades, fazendo a análise através dos cinco fatores que afetam a vitimização: exposição da vítima, capacidade de proteção, atrativos das vítimas, natureza dos delitos e a proximidade da vítima com o agressor. Este estudo buscou analisar o crime através de diversas variáveis referentes aos entrevistados de uma pesquisa de vitimização feita em Belo Horizonte. Algumas variáveis testadas foram: de características pessoas – sexo, idade, estado civil dentre outras –, características da residência, características da vizinhas e hábitos pessoais. Outro estudo analisando vitimização é o de Figueiredo (2004), que também estuda a vitimização em Belo Horizonte, só que analisando o efeito de medidas de coesão social e desordem percebida sobre o crime. Neste estudo ele utiliza os crimes como roubo e agressão física na análise, tendo conseguido intuir sobre alguns determinantes da criminalidade, como o fato de jovens sofrerem mais crimes contra a pessoa. Gomes e Paz (2004) analisa os determinantes da vitimização em São Paulo para os crimes de roubo ou furto e para agressão física, utilizando-se da Pesquisa de Condição de Vida da Fundação Seade. Dentre os resultados para roubo/furto, crimes contra o patrimônio, o modelo do estudo indicou que ser homem e que a renda influenciam positivamente na probabilidade e que ser casado e ter baixa escolaridade influenciam negativamente. Já para agressão física, o trabalho indicou que quanto menor o nível de escolaridade e a renda maior a probabilidade de sofrer o delito. Madalozzo e Furtado (2007) também faz uma análise interessante utilizando-se da Pesquisa de Vitimização do IFB. Também utilizando-se de um modelo probit identificou-se os determinantes da vitimização de alguns delitos, como roubo/furto à residência, roubo/furto à automóvel e agressão física. Deve-se destacar também os 10 modelos que intuíram determinantes da notificação de ocorrências, que indicou que negros e pardos têm uma menor probabilidade de notificar crimes. 11 3. Metodologia A seguir é apresentada a metodologia utilizada no estudo. Primeiramente, há as informações sobre a base de dados utilizada no estudo. No tópico seguinte há a metodologia econométrica utilizada na elaboração dos modelos discutidos na seção seguinte. Ainda neste tópico são informadas as variáveis que são utilizadas nos modelos. 3.1 Dados Os dados deste estudo foram extraídos da pesquisa de vitimização feita no município de São Paulo em 2003 elaborada pelo Instituto Futuro Brasil (IFB). Uma pesquisa de vitimização pode permitir a inferência de diversas características como a visão da população acerca da qualidade da segurança pública, como as regiões onde há uma maior incidência de criminalidade dentre outros fatores. A pesquisa do Instituto Futuro Brasil foi escolhida por analisar diversos tipos de crime e permitir fazer inferências sobre a relação crime – vítima. A pesquisa de vitimização do Instituto Futuro Brasil foi elaborada pela primeira vez em 2003 com o intuito de ser a pesquisa mais completa de vitimização já feita no município de São Paulo. Esta pesquisa englobou cinco mil entrevistados3 fornecendo informações de mais de vinte mil pessoas. No questionário, a pesquisa extrai diversas informações do respondente como escolaridade, ocupação, raça, religião, dentre outras juntamente com os tópicos que investigam determinadas vitimizações. Percebe-se um cuidado especial para evitar informações viesadas devido à baixa escolaridade de alguns indivíduos entrevistados. Não há, por exemplo, perguntas sobre furto ou roubo, mas sim sobre perdas de bens, sejam estes na residência, no automóvel ou em algum local público. As taxas específicas de roubo e furto são extraídas através de perguntas que definam o tipo de vitimização, obtendo informações se houve o contato com o assaltante, por exemplo. 3 Todos os entrevistados tinham que ter necessariamente pelo menos dezesseis anos para responder a pesquisa. 12 Contudo, em entrevistas há problemas que podem viesar os resultados, como o posicionamento das questões e o nível de instrução dos entrevistadores e, por isto, devem ser tomados os maiores cuidados para evitar falhas de interpretação. No questionário da pesquisa há pontos de maior complexidade, e juntando isto ao fato de ser um questionário consideravelmente longo, pode ser verificado inconsistência numa pequena porcentagem das observações. Estas observações não são retiradas da amostra para não promover um viés de seleção, já que os indivíduos que apresentaram respostas incoerentes podem possuir características semelhantes entre si e diferentes do restante da amostra, como baixa instrução. 3.2 Metodologia Econométrica Neste estudo visa-se encontrar características de uma pessoa residente em São Paulo que podem a torná-la mais propensa a ser vitimizada. Logo, o que se busca encontrar é a probabilidade de ela ser vítima de algum crime. Para obter esta probabilidade é necessário separar em dois grupos os entrevistados da pesquisa, um grupo contendo os que reportaram ter sido vítima de algum crime e outro com os que não foram vítimas de nenhum crime nos doze meses antecedentes à pesquisa. Contudo, esta pesquisa não busca somente avaliar a probabilidade de uma pessoa ser vitimizada, pois há uma grande diversidade de crimes, e que segundo a literatura econômica apresentam motivações distintas. Por isto, este trabalho analisará quatro crimes, dois crimes contra o patrimônio e dois crimes contra pessoa, sendo que para cada uma destas categorias será analisado um crime violento e um crime não violento, buscando ilustrar as semelhanças e diferentes das vítimas destes crimes. Os crimes analisados serão: roubo com utilização de arma de fogo, estelionato, agressão física4 e agressão verbal. Com isto, o estudo irá observar se as vítimas de crimes contra o patrimônio diferem das vítimas de crimes contra a pessoa. Desta forma, os modelos poderiam ser representados da seguinte forma, por um simples modelo de probabilidade linear5: 4 A agressão física aqui estudada considera lesões graves e lesões não graves. 5 Como os quatro modelos apresentam a mesma metodologia vou explicar a mesma por um modelo genérico. 13 Yi = ȕ0 + ȕ1X1i + ȕ2X2i + ... + ȕkXki + ui (1) em que Yi é a variável dependente e cada Xi representa uma variável que impacta a probabilidade de um indivíduo ser vitimizado. Para uma melhor interpretação, podemos calcular o valor esperado de Yi: E (Yi) = 1 (Pi) + 0 (1 – Pi) = Pi (2) em que Pi é igual a probabilidade do entrevistado i ser vitimizado. Um modelo de probabilidade linear também pode ser escrito da forma a seguir, permitindo que a variável dependente seja interpretada como uma probabilidade: Pi = Į + ȕXi quando 0 < Į + ȕXi < 1 1 quando Į + ȕXi 1 0 quando Į + ȕXi 0 (3) Contudo, há problemas com a utilização de um modelo regressão linear, pois ele não assume que a variável dependente só pode apresentar resultados entre zero e um. Por isto será adotado, um probit, que segue a seguinte expressão: (4) em que z é uma variável aleatória com distribuição normal, média zero e variância igual a um. A tabela 1 ilustra as variáveis dependentes e independentes analisadas. A faixa de idade omitida é a de pessoas que possuem 16 ou 17 anos. Tabela 1: Variáveis analisadas nos modelos Variável Caracterização da variável Roubo com arma de fogo dummy que assume valor 1 para o entrevistado que foi vítima de roubo com utilização de arma de fogo nos doze meses anteriores à pesquisa dummy que assume valor 1 para o entrevistado que foi vítima de estelionato nos doze meses anteriores à pesquisa dummy que assume valor 1 para o entrevistado que foi vítima de agressão física nos doze meses anteriores à pesquisa dummy que assume valor 1 para o entrevistado que foi vítima de agressão verbal nos doze meses anteriores à pesquisa Estelionato Agressão física Agressão verbal Sexo masculino dummy que assume valor 1 para o entrevistado do sexo masculino Idade - 18 a 25 anos dummy que assume valor 1 para o entrevistado que tem entre 18 e 25 anos Idade - 26 a 39 anos dummy que assume valor 1 para o entrevistado que tem entre 26 e 39 anos Idade - 40 a 59 anos dummy que assume valor 1 para o entrevistado que tem entre 40 e 59 anos Idade - 60 anos ou mais dummy que assume valor 1 para o entrevistado que tem mais de 60 anos Casada formalmente dummy que assume valor 1 para o entrevistado que for casado formalmente dummy que assume valor 1 para o entrevistado que tiver uma união consensual ou um casamento informal dummy que assume valor 1 para o entrevistado que for da população PEA economicamente ativa dummy que assume valor 1 se o entrevistado tiver uma renda pessoal entre cinco e Renda pessoal trinta salários mínimos. dummy que assume valor 1 para o entrevistado que morar num domicílio cujo a renda Família alta renda seja superior a trinta salários mínimos Família vítima de furto dummy que assume valor 1 para o entrevistado que morar num domicílio cujo tenha ou roubo um indivíduo que sofreu roubo ou furto nos doze meses anteriores à pesquisa Família vítima de dummy que assume valor 1 para o entrevistado que morar num domicílio cujo tenha agressão física um indivíduo que sofreu agressão física nos doze meses anteriores à pesquisa Família vítima de outra dummy que assume valor 1 para o entrevistado que morar num domicílio cujo tenha violência um indivíduo que sofreu outra violência nos doze meses anteriores à pesquisa dummy que assume valor 1 para o entrevistado que tiver frequentado casa noturna Casa noturna nos doze meses anteriores à pesquisa dummy que assume valor 1 para o entrevistado que tiver consumido mais de cinco Álcool vezes cinco doses de álcool no último mês dummy que assume valor 1 para o entrevistado que não nasceu na cidade de São Migrante Paulo Casada informalmente Favela dummy que assume valor 1 para o entrevistado que reside em uma favela Tem automóvel dummy que assume valor 1 para o entrevistado que tem automóvel Religiosidade dummy que assume valor 1 para o entrevistado que for a uma atividade religiosa mais de uma vez por semana Fonte: Elaborado pelo autor a partir da Pesquisa de Vitimização do IFB 2003 15 4. Resultados Nesta seção é apresentada primeiramente a análise descritiva das variáveis que foram incluídas nos modelos ou da característica ao qual a variável foi extraída, como no caso das variáveis “casada formalmente” e “casada informalmente”, que foram extraídas de estado conjugal. Esta análise inicial tem o papel de ser uma discussão inicial para o estudo, além de ilustrar o motivo para a escolha de cada variável nos modelos analisados posteriormente. Na seqüência são apresentados os modelos probabilísticos de criminalidade, discutindo seus resultados, intuições e verificando as semelhanças e diferenças nos resultados dos crimes analisados. A análise utilizar-se-á principalmente das teorias de estilo de vida e oportunidades e dos cinco determinantes para a vitimização de um indivíduo: exposição da vítima, capacidade de proteção, atrativos das vítimas, natureza dos delitos e a proximidade da vítima com o agressor. Por fim, a análise dos distritos, que ilustrará os locais alvo de criminalidade na cidade de São Paulo para cada crime estudado, assim como as características destes locais. Espera- se que a análise corrobore os resultados dos modelos probabilísticos, já que os moradores de um distrito são um componente importante na caracterização do mesmo. Tal abordagem também ajudará a perceber o quão adequado é a classificação de crimes por categorias, como crimes contra o patrimônio, crimes contra a pessoa, crimes violentos e crimes não violentos. 4.1 Análise Descritiva A figura 1 mostra o percentual de entrevistados que foi vítima de roubo com utilização de arma de fogo e/ou estelionato e/ou agressão física e/ou agressão verbal. A escolha destes crimes para a análise deve-se a diversos fatores. Primeiro, análises feitas na literatura abordando crimes contra o patrimônio e contra a pessoa ou crimes violentos e não violentos parece interessante, mas faz com que não se consiga obter um modelo de grande adequação para um crime específico, devido a relevante diferença existente entre os crimes que compõem estas categorias. Segundo, este estudo busca mostrar as diferenças existentes entre as vítimas de crimes contra o patrimônio e as 16 Fonte: Elaborado pelo autor a partir da Pesquisa de Vitimização do IFB 2003 vítimas de crimes contra a pessoa e, pela variância no perfil dos criminosos e vítimas, é interessante utilizar para ambas as categorias um crime violento e um não violento. Por fim, como alguns estudos apontam para o fato de nos crimes contra o patrimônio os criminosos calcularem os custos e benefícios do crime descontando ações futuras com taxas de desconto mais razoáveis, procurou-se escolher crimes que envolvam um planejamento do criminoso e não possam ser cometidos devido a fatores emocionais, característica dos crimes contra a pessoa. Finalmente, as estatísticas mostram que os crimes não violentos aqui estudados impactaram um maior percentual dos entrevistados. Contudo, o percentual para roubos com a utilização de arma de fogo e agressão física não deixam de ser relevantes e preocupantes. Os próximos gráficos ilustram características gerais de todos os entrevistados, e estas serão sempre apresentas no primeiro bloco dos gráficos da esquerda para a direita. Nos quatro blocos à direita são ilustrados apenas as características dos vitimizados, sendo o segundo bloco referente aos entrevistados que foram vítimas de roubo com utilização de arma de fogo, o terceiro de entrevistados que foram vítimas de estelionato, 17 Fonte: Elaborado pelo autor a partir da Pesquisa de Vitimização do IFB 2003 o quarto de entrevistados que foram vítimas de agressão física e por fim o quinto de entrevistados que foram vítimas de agressão verbal. A figura 2 mostra o percentual de homens entrevistados e o percentual correspondente de homens dentre os entrevistados vitimizados em um dos crimes analisados. Nos modelos da seção a seguir será testada uma dummy, que terá valor um para indivíduos do sexo masculino. A inclusão de tal variável na análise deve-se ao fato de haver indícios em estudos anteriores de que há crimes em que homens são mais visados, como, por exemplo, em Gomes e Paz (2004) que conclui que a probabilidade de um homem sofrer roubo ou furto é maior do que a probabilidade da mulher. As estatísticas da figura 2 parecem fornecer um indício de que homens têm maior propensão a sofrerem roubos com utilização de arma de fogo do que as mulheres, dado que enquanto dentre todos os entrevistados existe cerca de 52,7% de homens, dentre as vítimas de roubo com utilização de arma de fogo esta porcentagem sobe para 71,43%. 18 Fonte: Elaborado pelo autor a partir da Pesquisa de Vitimização do IFB 2003 A figura 3 analisa a idade dos entrevistados e vitimizados. Os crimes violentos parecem estar mais presente entre os jovens. Contudo, um resultado é interessante é o baixo percentual de jovens de 16 e 17 anos que sofrem roubo com utilização de arma de fogo. Este baixo percentual pode ser devido ao menor retorno que devem dar ao criminoso, já que jovens nesta idade geralmente não fazem parte ainda da população economicamente ativa. A relativa variância do percentual destas idades mostra a relevância de se estudar a idade na análise do perfil das vítimas dos crimes estudados. A figura 4 apresenta as estatísticas para o estado conjugal do entrevistado. Uma estatística que parece merecer ser investigada é o fato de, dentre os entrevistados que sofreram crimes contra a pessoa, o percentual de entrevistados casados formalmente ser extremamente baixo se comparado com o percentual dentre os entrevistados que sofreram crimes contra o patrimônio, que deve somar-se ao fato de não se ver a mesma discrepância para os casados informalmente. O fato de a maioria das pessoas que sofrem agressão, seja física ou seja verbal, ser solteira também merece destaque, podendo ser um indício de que o fator exposição tem maior efeito nos crimes contra a pessoa do que nos crimes contra o patrimônio. Nos modelos probabilísticos do tópico seguinte são 19 Fonte: Elaborado pelo autor a partir da Pesquisa de Vitimização do IFB 2003 utilizadas duas dummies para estado conjugal, “casada formalmente” e “casada informalmente”, justamente para ver se há diferenças nos resultados destas duas variáveis, já que pessoas casadas formalmente poderiam estar menos expostas à vitimização. A figura 5 mostra que para todos os grupos de vitimizados estudados o percentual de pessoas pertencentes à população economicamente ativa (PEA) é maior que o percentual de entrevistados pertencentes. Isto é algo esperado, já que pessoas economicamente ativas tendem a estar mais expostas ao crime. Contudo, este gráfico pode incorporar outros efeitos, como renda, sendo necessário o controle por outras variáveis, o que ocorrerá nos modelos da seção seguinte. A figura 6 apresenta a análise quanto a renda da família, entenda-se família as pessoas que moram no mesmo domicílio do entrevistado. Nos modelos estimados, mostrados na seção seguinte optou por se utilizar uma dummy para família com renda bem alta (acima de trinta salários mínimos), pois deseja-se testar se famílias de renda extremamente alta, por poderem investir em segurança, não possuem uma probabilidade 20 Fonte: Elaborado pelo autor a partir da Pesquisa de Vitimização do IFB 2003 Fonte: Elaborado pelo autor a partir da Pesquisa de Vitimização do IFB 2003 21 muito alta de sofrerem crimes contra o patrimônio, em específico o crime de roubo com utilização de arma de fogo, já que este crime envolve a escolha do criminoso de forma mais clara, já que no crime de estelionato é necessário situações de exposição ou situações de risco da possível vítima. Já a figura 7 analisa a renda dos indivíduos, analisando se a própria renda do indivíduo faz com que a sua probabilidade de ser vitimizado mude, já que renda é um atrativo para o criminoso. A dummy utilizada nos modelos expostos na seção seguir ganha valor um para indivíduos que recebem entre cinco salários mínimos e trinta salários mínimos. O não valor unitário para as pessoas que recebem mais de trinta salários mínimos deve-se ao fato destas deverem gastar mais em proteção, sendo capacidade de proteção um dos cinco determinantes da vitimização de um indivíduo. Fonte: Elaborado pelo autor a partir da Pesquisa de Vitimização do IFB 2003 Tanto na figura 6 quanto na figura 7 percebe-se que o percentual de pessoas com alta renda é maior no grupo que considera apenas os indivíduos que sofreram crimes contra o patrimônio, sendo um indício de que estes indivíduos são de fato mais visados. 22 Fonte: Elaborado pelo autor a partir da Pesquisa de Vitimização do IFB 2003 A figura 8 analisa o impacto de uma vitimização de um membro do domicílio na situação do entrevistado, quanto a ser alvo ou não de criminalidade. Percebe-se que há uma interação domiciliar que parece fazer com que existam famílias que tenham vários indivíduos vitimizados, sendo uma família alvo. A interação familiar existente, como mostra o gráfico, deve fazer com que indivíduos que morem com pessoas que têm grande probabilidade de ser vitimizado também tenham alta probabilidade. Estas variáveis que analisam a vitimização dos membros da família permitem também, no modelo que será mostrado na seção posterior, controlar o que é de fato efeito do perfil do indivíduo na sua probabilidade de ser vitimizado. A figura 9 também analisa uma característica das pessoas que moram no mesmo domicílio que o entrevistado. A intuição para utilização desta variável nos modelos que são mostrados na seção seguinte é a mesma da figura 8, procura-se verificar o impacto do domicílio no indivíduo. E o gráfico mostra resultados parecidos, isto é, a probabilidade de vitimização de uma pessoa em determinado crime deve ser maior se reside junto com um indivíduo que já sofreu este crime. Mas, estas análises descritivas 23 Fonte: Elaborado pelo autor a partir da Pesquisa de Vitimização do IFB 2003 servem apenas para visualizar intuições, sendo necessário a estimação do modelo para se chegar a um resultado conclusivo. A figura 10 ilustra também a relação entre a vitimização de um morador do domicílio do entrevistado com os entrevistados e vitimizados. Mas o que verifica-se é que os vitimizados, independente do delito que sofreram, compõem um maior percentual de domicílios que contém membros que sofreram outra violência6 do que comparado com a amostra com todos os entrevistados. A figura 11 ilustra o percentual de vitimizados e entrevistados que foi à casa noturna nos doze meses anteriores a pesquisa. Pela ilustração, parece haver uma relação entre ir à casa noturna e ser vitimizado, já que o percentual dos vitimizados é maior que o percentual considerando todos os entrevistados. O efeito é ainda maior para os crimes contra a pessoa. A utilização de uma variável relacionada à freqüentação de casas noturnas é razoável já que ilustra pessoas que estão expostas a serem vitimizadas. 6 O questionário da Pesquisa de Vitimização do IFB dá a liberdade ao entrevistado de definir o crime com outra violência da forma como entender, simplesmente deixando claro que a pergunta não considera roubos e agressões físicas. 24 Fonte: Elaborado pelo autor a partir da Pesquisa de Vitimização do IFB 2003 Fonte: Elaborado pelo autor a partir da Pesquisa de Vitimização do IFB 2003 25 O alto consumo de álcool parece influenciar na probabilidade de ser vitimizado em crimes contra a pessoa. A figura 12 mostra o número de vezes que os entrevistados e vitimizados consumiram mais de cinco doses de álcool nos trinta dias anteriores à pesquisa. Pelos resultados percebe-se que o percentual de pessoas que consumiu mais de cinco vezes é bem maior para as vítimas de crimes contra a pessoa do que comparado com o percentual de todos os entrevistados. Sobre este dados há ainda muitos resultados interessantes, quase 50% dos indivíduos alegaram que não bebem, nem raramente, um resultado de certa forma surpreendente. Outro resultado interessante é que o número de pessoas que alegam ter consumido álcool com relativa freqüência nos últimos trinta dias é muito baixa, algo que os dados atuais não parecem mostrar. Parece haver ainda alguma pressão social que induza o entrevistado a responder que não consome muito álcool. Fonte: Elaborado pelo autor a partir da Pesquisa de Vitimização do IFB 2003 26 Fonte: Elaborado pelo autor a partir da Pesquisa de Vitimização do IFB 2003 A figura 13 ilustra o percentual de vitimizados e entrevistados que não nasceram na cidade de São Paulo. Percebe-se que os migrantes parecem menos propensos a serem vitimizados, já que para todos os crimes o percentual de migrante é menor do que se comparado com o percentual considerando todos os entrevistados. Isto pode se dever a um menor retorno esperado que podem dar ao criminoso. A figura 14 mostra o percentual de vitimizados e entrevistados que residem em uma favela segundo o relato dos entrevistadores da pesquisa de Vitimização do IFB. Para crimes contra o patrimônio o impacto de morar na favela parece ser negativo, isto é, a probabilidade de pessoas que moram na favela de sofrer crimes contra o patrimônio deve ser baixa. Isto é algo razoável, pois pessoas que moram na favela são de baixa renda. 27 Fonte: Elaborado pelo autor a partir da Pesquisa de Vitimização do IFB 2003 A figura 15 ilustra o percentual de entrevistados e vitimizados que possui automóvel, isto é, carro ou moto. A utilização desta variável deve-se ao fato dela ser uma boa proxy para definir pessoas que tenham um nível de renda razoável. As estatísticas mostram que pessoas que têm veículo sofrem mais crimes contra o patrimônio e que esta variável não parece ser relevante na análise de crimes contra a pessoa. Por fim, os resultados da figura 16 fazem parecer haver influência de grande religiosidade na probabilidade de ser vitimizado apenas para o crime de agressão verbal. Contudo, embora os indivíduos que sofreram agressão verbal seja composto por um alto percentual de indivíduos que freqüenta bastante atividades religiosas, isto pode ser devido a um maior rigor deste grupo na caracterização do que é agressão verbal. Contudo, como não há uma prova cabal sobre isto, a hipótese de pessoas que freqüentam atividades religiosas toda semana poderem ter maior probabilidade de serem vítimas de agressão verbal não pode ser descartada. 28 Fonte: Elaborado pelo autor a partir da Pesquisa de Vitimização do IFB 2003 Fonte: Elaborado pelo autor a partir da Pesquisa de Vitimização do IFB 2003 29 4.2 Modelos para a Criminalidade Foram elaborados para a análise modelos para quatro crimes: roubo com utilização de arma de fogo, estelionato, agressão física e agressão verbal. Para cada crime foram feitos três modelos: uma regressão linear simples por Mínimos Quadrados Ordinários (modelo 1), um modelo probit (modelo 2) e um modelo dprobit7 (modelo 3). Para cada delito é relatado o resultado para os três modelos8. A tabela 2 mostra as variáveis que impactam na probabilidade de uma pessoa sofrer o crime de roubo com utilização de arma de fogo. A variável “sexo masculino” apresenta-se significante com coeficiente positivo, indicando que homens sofrem mais este crime. Os indivíduos homens possuem 2,10% a mais de possibilidades de sofrer esta vitimização do que as mulheres. Com os resultados das dummies de idade pode-se perceber que os jovens maiores de idade são os mais atingidos. Um resultado interessante e até um pouco surpreendente é a dummy para a faixa que englobava entrevistados de 40 a 59 anos não ter se apresentado significante com coeficiente negativo. Como apresentou-se insignificante, isto significa que os indivíduos que estão nesta faixa de idade têm a mesma probabilidade que os indivíduos que têm 16 ou 17 anos. Este resultado surpreende, pois os adolescentes se expõem mais e têm maior contato com possíveis criminosos. Um fator que pode explicar isto é o fato do atrativo dos adolescentes ser baixo, já que geralmente não possuem altas rendas nem propriedades. A não significância das variáveis “casada formalmente”, “casada informalmente”, “casa noturna” e “migrante” podem ser um indício de que o fator “exposição da vítima” não é tão determinante para este crime. A variável “renda pessoal” mostrou-se significante, retratando dois fatores que impactam na vitimização de uma pessoa. Primeiro, o fator “atrativo das vítimas” parece influenciar na vitimização de roubo com utilização de arma de fogo, já que possuir uma maior renda proporciona ao criminoso um atrativo, já que tudo mais constante o seu retorno esperado pode ser maior. E outro fator aceito é o de “capacidade de proteção”, 7 Comando do pacote estatístico Stata que revela a mudança de probabilidade quando a variável dummy assume valor um, isto é, ela capta o efeito marginal da variável. 8 No apêndice há os resultados dos modelos dprobit, procurando ilustrar as diferentes características dos delitos. Tabela 2: Modelos para roubo com utilização de arma de fogo Variáveis independentes Sexo masculino Idade - 18 a 25 anos Idade - 26 a 39 anos Idade - 40 a 59 anos Idade - 60 anos ou mais Casada formalmente Casada informalmente PEA Renda pessoal Família alta renda Família vítima de furto ou roubo Família vítima de agressão física Família vítima de outra violência Casa noturna Álcool Migrante Favela Tem automóvel Religiosidade Constante Número de observações R-quadrado R-quadrado ajustado Pseudo r-quadrado OLS (1) 0,0242 (0,000)*** 0,0484 (0,001)*** 0,0283 (0,057)* 0,0129 (0,398) 0,0136 (0,430) -0,0047 (0,532) -0,0019 (0,855) 0,0066 (0,409) 0,0288 (0,002)*** -0,0288 (0,096)* 0,0941 (0,000)*** -0,0026 (0,983) 0,0177 (0,346) -0,0129 (0,091)* 0,0057 (0,682) -0,0045 (0,492) -0,0232 (0,027)** 0,0169 (0,021)** -0,0088 (0,279) -0,0145 (0,311) 3989 0,0487 0,0442 - Probit (2) 0,3469 (0,000)*** 0,6989 (0,005)*** 0,5115 (0,045)** 0,2747 (0,294) 0,2389 (0,415) -0,0482 (0,607) -0,0138 (0,914) 0,0800 (0,482) 0,2823 (0,006)*** -0,3427 (0,116) 0,8257 (0,000)*** -0,0373 (0,834) 0,1153 (0,568) -0,1351 (0,140) 0,0552 (0,720) -0,0530 (0,521) -0,4829 (0,010)*** 0,1920 (0,028)** -0,1345 (0,225) -2,6806 (0,000)*** 3989 0,1251 Dprobit (3) 2,10% (0,000)*** 6,27% (0,005)*** 3,75% (0,045)** 1,91% (0,294) 1,76% (0,415) -0,29% (0,607) -0,08% (0,914) 0,47% (0,482) 2,09% (0,006)*** -1,55% (0,116) 8,79% (0,000)*** -0,22% (0,834) 0,78% (0,568) -0,79% (0,140) 0,35% (0,720) -0,32% (0,521) -2,07% (0,010)*** 1,25% (0,028)** -0,76% (0,225) 3989 0,1251 p-valores em parênteses e * significante a 10%; ** significante a 5%; *** significante a 1% Fonte: Elaborado pelo autor a partir da Pesquisa de Vitimização do IFB 2003 31 já que para indivíduos que possuem uma renda superior a trinta salários mínimos a dummy não assumiu valor unitário, pois esperava-se como o modelo mostrou, que pessoas com renda bem alta tivessem um menor probabilidade de vitimização do que as pessoas de renda média e alta. O não valor unitário dos indivíduos de renda bem alta na dummy de “renda pessoal” também se deveu ao fato de evitar adicionar ao modelo multicolinearidade, já que haveria uma maior correlação da variável “renda pessoal” com “família alta renda”. A variável que mostrou mais afetar a probabilidade de sofrer roubo com utilização de arma de fogo foi “família vítima de furto ou roubo”, ilustrando que há um background familiar. As outras variáveis que caracterizavam outras vitimizações que poderiam ser sofridas por outros membros do domicílio do entrevistado não se mostraram significantes, indicando que a vitimização de pessoas próximas em crimes contra a pessoa não afeta a probabilidade de sofrer um crime contra a propriedade. Deve-se destacar também a significância de “favela” com sinal negativo e “tem automóvel” com sinal positivo, que também corroboram o fator “atrativos das vítimas”. Na tabela 3 o resultado para a variável “idade – 60 anos ou mais” é bastante significativo, ilustrando que as pessoas nesta faixa etária possuem cerca de 13% a menos de possibilidades de sofrer estelionato, indicando que por uma maior experiência as pessoas com mais de sessenta anos devem se expor menos a situações de risco. As variáveis de background familiar apresentaram-se todas significantes, sendo “família vítima de agressão física” significante a um nível de 10% para o modelo 3. Para a interpretação destes resultados deve-se utilizar o fator “natureza dos delitos”, isto pois o crime de estelionato é um crime que a vítima tem uma maior possibilidade de se prevenir se comparado a outros crimes, pois para a vitimização é necessário algum ato que incorra em algum risco a possível vítima. Assim como nos modelos para roubos com utilização de arma de fogo, “renda pessoal”, “favela” e “tem automóvel” apresentaram-se significantes e para todos estes as razões para estes resultados são as mesmas das explicitadas anteriormente. Para estelionato, a variável “PEA” apresentou-se significante com sinal positivo e isto deve-se ao fato de a “exposição da vítima” e o “atrativo da vítima” serem determinantes para a vitimização neste crime. Por último, deve-se destacar que ao contrário dos modelos para roubo com utilização de arma de fogo os modelos de estelionato indicaram “casa noturna” uma variável significante com sinal positivo. Este resultado era esperado, pois muitas Tabela 3: Modelos para estelionato Variáveis independentes Sexo masculino Idade - 18 a 25 anos Idade - 26 a 39 anos Idade - 40 a 59 anos Idade - 60 anos ou mais Casada formalmente Casada informalmente PEA Renda pessoal Família alta renda Família vítima de furto ou roubo Família vítima de agressão física Família vítima de outra violência Casa noturna Álcool Migrante Favela Tem automóvel Religiosidade Constante Número de observações R-quadrado R-quadrado ajustado Pseudo r-quadrado OLS (1) 0,0093 (0,534) -0,0045 (0,888) -0,0354 (0,281) -0,0379 (0,263) -0,1185 (0,002)*** -0,0072 (0,662) 0,0333 (0,137) 0,0634 (0,000)*** 0,0737 (0,000)*** -0,0179 (0,640) 0,0570 (0,003)*** 0,0644 (0,072)* 0,1249 (0,003)*** 0,0598 (0,000)*** 0,0527 (0,087)* -0,0048 (0,742) -0,0455 (0,050)** 0,1159 (0,000)*** 0,0053 (0,766) 0,1693 (0,000)*** 3989 0,0632 0,0587 - Probit (2) 0,0382 (0,428) -0,0215 (0,835) -0,1200 (0,255) -0,1323 (0,225) -0,4813 (0,000)*** -0,0193 (0,720) 0,1096 (0,122) 0,2153 (0,000)*** 0,2095 (0,001)*** -0,0468 (0,690) 0,1740 (0,004)*** 0,1853 (0,090)* 0,3424 (0,006)*** 0,1739 (0,001)*** 0,1497 (0,108) -0,0195 (0,637) -0,1618 (0,038)** 0,3535 (0,000)*** 0,0142 (0,808) -0,9478 (0,000)*** 3989 0,0556 Dprobit (3) 1,22% (0,428) -0,69% (0,835) -3,80% (0,255) -4,16% (0,225) -13,31% (0,000)*** -0,62% (0,720) 3,61% (0,122) 6,68% (0,000)*** 7,03% (0,001)*** -1,48% (0,690) 5,80% (0,004)*** 6,27% (0,090)* 12,02% (0,006)*** 5,70% (0,001)*** 5,01% (0,108) -0,63% (0,637) -4,97% (0,038)** 11,72% (0,000)*** 0,46% (0,808) 3989 0,0556 p-valores em parênteses e * significante a 10%; ** significante a 5%; *** significante a 1% Fonte: Elaborado pelo autor a partir da Pesquisa de Vitimização do IFB 2003 33 vitimizações de estelionato acontecem em casa noturna quando a possível vítima está bastante exposta e a capacidade de proteção é menor. A tabela 4 mostra que o componente de background familiar também é muito relevante na análise de agressões. Para indivíduos que residem em domicílios que houve pelo menos um outro indivíduo que foi vítima de agressão física nos doze meses antecedentes à pesquisa a probabilidade de ser vítima também é mais de 13% maior do que a dos outros indivíduos. Os jovens de até 25 anos mostraram também ser indivíduos com maior probabilidade de sofrerem este delito. Este resultado vai de encontro com os resultados de pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde sobre o perfil das vítimas de acidentes e violências no primeiro semestre de 2008, que apontou que as vítimas de crimes violentos têm na grande maioria até 30 anos de idade. A variável “casada formalmente” apresentou-se significante com sinal negativo. A análise feita por Beato, Andrade e Peixoto (2004) ilustra bem o porquê do resultado. Segundo o estudo indivíduos casados passam mais tempo com suas famílias e, portanto, se expõem menos em lugares públicos e têm menos contato com desconhecidos do que indivíduos solteiros. Embora a análise deste trabalho não separe casados formais e informais é razoável afirmar que a exposição de pessoas casadas informalmente é maior do que as casadas formalmente. Como já ilustrava parecer na análise descritiva, o fator “exposição da vítima” parece ser mais determinante em crimes contra a pessoa. Além da significância da variável “casada formalmente” o resultado indicado para “casa noturna”, que é aceita com sinal positivo, parece corroborar tal fato. A variável “álcool” também apresentou-se significante com sinal positivo.. O resultado além de indiretamente também ilustrar o fenômeno de exposição da vítima já que consumos de mais de cinco doses de álcool em sua maioria são efetuados fora da residência ilustra o próprio caráter específico do álcool, que pode propiciar a violência. As variáveis relativas à renda como esperado não se mostraram significantes, com exceção da variável “tem automóvel”, mas esta além do fator de “atrativo da vítima” é composto pelo fator de exposição também. Assim como para estelionato as variáveis de background familiar apresentaramse todas significantes para agressão verbal, pois como para estelionato os hábitos da possível vítima são determinantes na sua probabilidade de vitimização. Tabela 4: Modelos para agressão física Variáveis independentes Sexo masculino Idade - 18 a 25 anos Idade - 26 a 39 anos Idade - 40 a 59 anos Idade - 60 anos ou mais Casada formalmente Casada informalmente PEA Renda pessoal Família alta renda Família vítima de furto ou roubo Família vítima de agressão física Família vítima de outra violência Casa noturna Álcool Migrante Favela Tem automóvel Religiosidade Constante Número de observações R-quadrado R-quadrado ajustado Pseudo r-quadrado OLS (1) -0,0088 (0,199) -0,0203 (0,166) -0,0349 (0,019)** -0,0486 (0,002)*** -0,0527 (0,002)*** -0,0218 (0,004)*** -0,0025 (0,804) -0,0048 (0,551) 0,0071 (0,446) -0,0251 (0,149) 0,0232 (0,008)*** 0,1710 (0,000)*** 0,0244 (0,195) 0,0259 (0,001)*** 0,0399 (0,004)*** -0,0109 (0,100) -0,0009 (0,931) -0,0164 (0,026)*** -0,0060 (0,459) 0,0868 (0,000)*** 3989 0,0612 0,0567 - Probit (2) -0,1372 (0,101) -0,1544 (0,281) -0,2747 (0,072)* -0,5148 (0,003)*** -0,7251 (0,003)*** -0,3154 (0,001)*** -0,0032 (0,978) -0,0295 (0,770) 0,1551 (0,204) -0,3041 (0,248) 0,2290 (0,017)** 0,9635 (0,000)*** 0,1706 (0,340) 0,2442 (0,005)*** 0,3201 (0,022)** -0,1399 (0,098)* -0,0152 (0,907) -0,1999 (0,041)** -0,0966 (0,377) -1,3582 (0,000)*** 3989 0,131 Dprobit (3) -0,88% (0,101) -0,91% (0,281) -1,62% (0,072)* -2,68% (0,003)*** -2,73% (0,003)*** -2,00% (0,001)*** -0,02% (0,978) -0,19% (0,770) 1,09% (0,204) -1,48% (0,248) 1,69% (0,017)** 13,54% (0,000)*** 1,26% (0,340) 1,71% (0,005)*** 2,67% (0,022)** -0,89% (0,098)* -0,10% (0,907) -1,20% (0,041)** -0,58% (0,377) 3989 0,131 p-valores em parênteses e * significante a 10%; ** significante a 5%; *** significante a 1% Fonte: Elaborado pelo autor a partir da Pesquisa de Vitimização do IFB 2003 Tabela 5: Modelos para agressão verbal Variáveis independentes Sexo masculino Idade - 18 a 25 anos Idade - 26 a 39 anos Idade - 40 a 59 anos Idade - 60 anos ou mais Casada formalmente Casada informalmente PEA Renda pessoal Família alta renda Família vítima de furto ou roubo Família vítima de agressão física Família vítima de outra violência Casa noturna Álcool Migrante Favela Tem automóvel Religiosidade Constante Número de observações R-quadrado R-quadrado ajustado Pseudo r-quadrado OLS (1) 0,0107 (0,427) -0,1190 (0,000)*** -0,1385 (0,000)*** -0,1753 (0,000)*** -0,1980 (0,000)*** -0,0630 (0,000)*** -0,0149 (0,461) 0,0239 (0,135) 0,0315 (0,090)* -0,0136 (0,694) 0,0337 (0,052)* 0,2301 (0,000)*** 0,1873 (0,000)*** 0,0743 (0,000)*** 0,0391 (0,159) -0,0452 (0,001)*** 0,0033 (0,873) 0,0149 (0,307) 0,0527 (0,001)*** 0,3121 (0,000)*** 3989 0,0791 0,0747 - Probit (2) 0,0405 (0,432) -0,3567 (0,000)*** -0,4169 (0,000)*** -0,5721 (0,000)*** -0,7315 (0,000)*** -0,2386 (0,000)*** -0,0360 (0,631) 0,0966 (0,123) 0,1259 (0,071)* -0,0502 (0,701) 0,1171 (0,067)* 0,6852 (0,000)*** 0,5563 (0,000)*** 0,2504 (0,000)*** 0,1325 (0,177) -0,1779 (0,000)*** 0,0237 (0,766) 0,0642 (0,247) 0,1980 (0,001)*** -0,5484 (0,000)*** 3989 0,0753 Dprobit (3) 1,08% (0,432) -8,74% (0,000)*** -10,49% (0,000)*** -13,53% (0,000)*** -14,53% (0,000)*** -6,36% (0,000)*** -0,95% (0,631) 2,54% (0,123) 3,50% (0,071)* -1,32% (0,701) 3,25% (0,067)* 22,84% (0,000)*** 18,05% (0,000)*** 6,99% (0,000)*** 3,73% (0,177) -4,77% (0,000)*** 0,64% (0,766) 1,74% (0,247) 5,60% (0,001)*** 3989 0,0753 p-valores em parênteses e * significante a 10%; ** significante a 5%; *** significante a 1% Fonte: Elaborado pelo autor a partir da Pesquisa de Vitimização do IFB 2003 36 Idade mostra-se determinante na probabilidade de uma pessoa sofrer agressão verbal. Uma maior faixa etária segundo todos os modelos (1, 2, e 3) reduz a probabilidade de um indivíduo sofrer agressão verbal. Os resultados para as dummies de estado conjugal seguem a mesma linha dos resultados encontrados para os modelos de agressão física, sendo o fator exposição determinante em crimes contra a pessoa. Verificou-se também que indivíduos que freqüentemente participam de atividades religiosas possuem maior probabilidade de sofrerem agressão verbal. Contudo, isto pode apenas retratar um rigor diferente destes indivíduos, mas como não há nenhuma conclusão efetiva sobre tal fato este resultado aqui é relatado e considerado. Por fim, a variável “casa noturna” se apresentou significante com sinal positivo e “migrante” foi aceita com sinal negativo, podendo indicar também resultados que corroboram o efeito da exposição da vítima. Para os modelos dos quatro crimes analisados o r-quadrado não apresentou-se alto, contudo, isto não é preocupante, pois como é argumentado em Goldberger (1991) não existe evidência de que um modelo com r-quadrado baixo esteja mal especificado. Em modelos com muitas variáveis explicativas é necessário sempre tomar o devido cuidado para não chegar a resultados viesados devido à multicolinearidade. Por isto, na página a seguir uma tabela com a matriz de correlação das variáveis explicativas, mostrando que não há variáveis fortemente correlacionadas, não devendo haver qualquer tipo de viés relevante no modelo em decorrência de multicolinearidade. 37 Tabela 7: Matriz de correlação das variáveis explicativas 1 2 3 1 1 0,08 6 0,00 0,06 0,08 0,05 7 0,00 8 0,30 9 0,15 4 5 10 0,00 11 0,07 12 0,02 13 0,03 14 0,11 15 0,14 16 0,03 17 0,06 18 0,19 19 0,09 2 3 1 0,40 0,34 0,18 0,23 0,01 4 1 0,44 1 0,23 0,20 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 1 0,04 0,22 0,09 1 0,17 0,07 0,09 0,40 1 0,13 0,18 0,02 0,36 0,09 0,08 0,14 0,01 0,15 0,04 0,08 0,05 0,03 0,03 0,08 0,01 0,06 0,05 0,05 0,06 0,04 0,04 0,04 0,05 0,04 0,02 0,01 0,04 0,00 0,01 0,03 0,04 0,02 0,02 0,00 0,01 0,25 0,02 0,15 0,17 0,20 0,05 0,05 0,03 0,03 0,06 0,07 0,00 0,19 0,02 0,14 0,15 0,10 0,11 0,04 0,05 0,09 0,04 0,08 0,15 0,09 0,03 0,13 0,02 0,17 0,05 0,02 0,00 0,01 0,00 0,06 0,05 1 0,12 1 0,01 0,15 1 0,01 0,01 0,09 1 0,03 0,00 0,02 0,16 1 0,04 0,03 0,04 0,10 0,18 1 0,20 0,10 0,13 0,08 0,04 0,06 0,09 0,07 0,02 0,00 0,00 0,00 0,07 0,02 0,03 0,05 0,03 0,05 0,05 0,12 0,07 0,05 0,00 0,02 0,12 0,33 0,19 0,06 0,01 0,03 0,05 0,05 0,03 0,00 0,01 0,01 1 0,20 1 0,17 0,03 1 0,07 0,02 0,14 1 0,12 0,05 0,06 0,14 1 0,15 0,08 0,02 0,02 0,05 Fonte: Elaborado pelo autor a partir da Pesquisa de Vitimização do IFB 2003 sendo “sexo masculino” 1, “idade - 18 a 25 anos” 2, “idade - 26 a 39 anos” 3, “idade 40 a 59 anos” 4, “idade - 60 anos ou mais” 5, “casada formalmente” 6, “casada informalmente” 7, “PEA” 8, “renda pessoal” 9, “família alta renda” 10, “família vítima de furto ou roubo” 11, “família vítima de agressão física” 12, “família vítima de outra violência” 13, “casa noturna” 14, “álcool” 15, “migrante” 16, “favela” 17, “tem automóvel” 18, “religiosidade” 19. 38 4.3 Análise para os Distritos Para complementar o estudo, foi elaborada uma análise baseada na taxa de vitimização dos distritos que a pesquisa do IFB indicou. Na página a seguir consta o percentual de entrevistados vitimizados em cada distrito para cada delito aqui estudado. A análise quanto o percentual de vítimas nos distritos nos mostra que o distrito no qual um maior percentual de entrevistados foi vítima de roubo com utilização de arma de fogo foi o distrito do Pari, com 20% dos entrevistados tendo sido vítimas deste crime. Pari é o distrito no qual está localizado a Rua 25 de março, rua de intenso comércio. Pari está no centro da cidade de São Paulo e sua população é na grande maioria de classe média. O segundo distrito com um maior percentual de vítimas dentre os entrevistados é Belém. Este distrito possui características semelhantes a Pari, sendo localizado no centro e sendo um local de grande movimento comercial. Os resultados para distrito para o crime de estelionato são bem ilustrativos. O distrito com um maior percentual de vítimas de estelionato é o Cambuci, com 60% das pessoas entrevistas tendo sido vítimas deste crime. Em segundo lugar os distritos Sé e Pari com 50 % das pessoas tendo sido vítimas. Os três distritos estão situados na região central de São Paulo e possuem fortes pontos de concentração comercial e de serviços. No Cambuci, nos arredores do Largo do Cambuci, nas ruas da Independência e dos Lavapés e na Avenida Lins de Vasconcelos há forte concentração comercial, o mesmo também nos arredores da Praça da Sé no distrito da Sé, enquanto, como já foi destacado anteriormente, também há concentração comercial na rua 25 de março no distrito do Pari. Parece então haver uma relação forte entre taxa de vitimização de estelionato e concentração comercial. Para o crime de agressão física os dois distritos com o maior percentual de entrevistados vitimizados é a Barra Funda (20%) e a Penha (10,77%). O primeiro é localizado na zona Oeste e o segundo localizado na zona Leste. Ambos os distritos embora tenham caráter policial não apresentam as mesmas características de distritos como Brás e Pari. Para a Barra Funda, deve-se tomar cuidado na análise, pois o número de entrevistados na pesquisa foi muito pequeno. A Barra Funda também é o distrito que apresentou o maior percentual de vítimas de agressão verbal. Raposo Tavares e Morumbi sãos os dois distritos que apresentaram 39 Tabela 8: Percentual de pessoas vitimizadas por distrito e por tipo de crime Distrito Obs. Água Rasa Alto de Pinheiros Anhanguera Aricanduva Artur Alvim Barra Funda Bela Vista Belém Bom Retiro Brás Brasilândia Butantã Cachoeirinha Cambuci Campo Belo Campo Grande Campo Limpo Cangaiba Capão Redondo Carrão Casa Verde Cidade Ademar Cidade Dutra Cidade Lider Cidade Tiradentes Consolação Cursino Ermelino Matarazzo Freguesia do Ó Grajaú Guaianases Iguatemi Ipiranga Itaim Bibi Itaim Paulista Itaquera Jabaquara Jaçanã Jaguara Jaguaré Jaraguá Jardim Ângela Jardim Helena Jardim Paulista Jardim São Luís José Bonifácio Lajeado 45 20 10 50 55 5 30 20 15 10 120 25 75 15 35 45 100 70 120 41 45 124 90 65 5 30 50 55 75 149 50 25 50 40 110 105 110 40 15 20 50 110 70 44 125 50 80 Roubo com arma de fogo 6,67% 0,00% 0,00% 4,00% 3,64% 0,00% 0,00% 15,00% 0,00% 10,00% 2,50% 8,00% 6,67% 0,00% 8,57% 6,67% 8,00% 5,71% 5,00% 2,44% 8,89% 4,84% 2,22% 12,31% 0,00% 6,67% 2,00% 1,82% 0,00% 6,04% 6,00% 0,00% 0,00% 0,00% 1,82% 2,86% 5,45% 5,00% 13,33% 0,00% 2,00% 6,36% 4,29% 2,27% 6,40% 8,00% 3,75% (18) (70) (70) (40) (45) (70) (70) (2) (70) (7) (52) (13) (18) (70) (12) (18) (13) (29) (34) (53) (11) (37) (55) (6) (70) (18) (57) (62) (70) (27) (28) (70) (70) (70) (62) (49) (31) (34) (3) (70) (57) (25) (39) (54) (24) (13) (44) Estelionato 15,56% 25,00% 30,00% 32,00% 21,82% 40,00% 23,33% 25,00% 40,00% 20,00% 19,17% 24,00% 29,33% 60,00% 28,57% 17,78% 19,00% 27,14% 30,83% 21,95% 33,33% 20,16% 22,22% 20,00% 0,00% 23,33% 38,00% 16,36% 24,00% 22,82% 20,00% 24,00% 34,00% 17,50% 31,82% 34,29% 29,09% 5,00% 26,67% 5,00% 18,00% 22,73% 28,57% 34,09% 20,00% 30,00% 26,25% (90) (48) (30) (21) (68) (4) (58) (48) (4) (70) (76) (53) (36) (1) (38) (83) (77) (42) (28) (67) (13) (69) (66) (70) (95) (58) (7) (86) (53) (64) (70) (53) (12) (84) (25) (10) (37) (93) (43) (93) (80) (65) (38) (11) (70) (30) (46) Agressão física 2,22% 5,00% 0,00% 6,00% 1,82% 20,00% 0,00% 5,00% 6,67% 10,00% 3,33% 4,00% 5,33% 0,00% 8,57% 4,44% 4,00% 1,43% 4,17% 7,32% 4,44% 6,45% 1,11% 3,08% 0,00% 0,00% 2,00% 0,00% 2,67% 4,70% 2,00% 4,00% 6,00% 2,50% 4,55% 5,71% 1,82% 5,00% 6,67% 0,00% 4,00% 1,82% 7,14% 0,00% 3,20% 2,00% 1,25% (65) (29) (79) (21) (71) (1) (79) (29) (13) (3) (53) (42) (28) (79) (7) (36) (42) (74) (41) (10) (36) (19) (78) (57) (79) (79) (67) (79) (62) (34) (67) (42) (21) (63) (35) (25) (71) (29) (13) (79) (42) (71) (11) (79) (56) (67) (77) Agressão verbal 22,22% 30,00% 10,00% 22,00% 12,73% 60,00% 13,33% 25,00% 13,33% 20,00% 24,17% 20,00% 17,33% 20,00% 14,29% 11,11% 11,00% 12,86% 23,33% 14,63% 22,22% 19,35% 20,00% 13,85% 20,00% 16,67% 22,00% 9,09% 6,67% 15,44% 14,00% 16,00% 20,00% 17,50% 18,18% 24,76% 23,64% 12,50% 6,67% 20,00% 12,00% 20,00% 21,43% 11,36% 21,60% 20,00% 13,75% (33) (6) (88) (35) (78) (1) (75) (17) (75) (42) (22) (42) (63) (42) (70) (85) (86) (77) (29) (69) (33) (54) (42) (73) (42) (64) (35) (90) (93) (68) (71) (66) (42) (62) (57) (21) (23) (79) (92) (42) (81) (42) (39) (84) (38) (42) (74) 40 Tabela 8 continuação Distrito Obs. Lapa Liberdade Limão Mandaqui Moema Mooca Morumbi Parelheiros Pari Parque do Carmo Pedreira Penha Perdizes Perus Pinheiros Pirituba Ponte Rasa Raposo Tavares República Rio Pequeno Sacomã Santa Cecília Santana Santo Amaro São Domingos São Lucas São Mateus São Miguel São Rafael Sapopemba Saúde Sé Socorro Tatuapé Tremembé Tucuruvi Vila Andrade Vila Curuçá Vila Formosa Vila Guilherme Vila Jacuí Vila Leopoldina Vila Maria Vila Mariana Vila Matilde Vila Medeiros Vila Prudente Vila Sônia 30 30 40 55 35 30 15 25 10 30 65 65 55 25 30 85 50 45 25 55 115 35 60 30 40 70 81 50 40 145 60 10 20 40 50 50 35 75 46 25 75 15 60 66 55 70 50 44 Roubo com arma de fogo 10,00% 6,67% 0,00% 5,45% 2,86% 0,00% 13,33% 0,00% 20,00% 0,00% 9,23% 1,54% 0,00% 0,00% 3,33% 0,00% 2,00% 13,33% 0,00% 1,82% 1,74% 0,00% 1,67% 10,00% 7,50% 1,43% 7,41% 4,00% 0,00% 2,07% 3,33% 0,00% 0,00% 5,00% 2,00% 0,00% 5,71% 2,67% 6,52% 4,00% 4,00% 0,00% 3,33% 6,06% 5,45% 1,43% 2,00% 4,55% (7) (18) (70) (31) (49) (70) (3) (70) (1) (70) (10) (67) (70) (70) (46) (70) (57) (3) (70) (62) (65) (70) (66) (7) (16) (68) (17) (40) (70) (56) (46) (70) (70) (34) (57) (70) (29) (51) (23) (40) (40) (70) (46) (26) (31) (68) (57) (38) Estelionato 30,00% 23,33% 32,50% 25,45% 37,14% 33,33% 33,33% 16,00% 50,00% 30,00% 27,69% 24,62% 30,91% 16,00% 33,33% 18,82% 18,00% 20,00% 32,00% 32,73% 30,43% 37,14% 26,67% 30,00% 25,00% 30,00% 38,27% 24,00% 17,50% 23,45% 23,33% 50,00% 20,00% 32,50% 28,00% 18,00% 22,86% 26,67% 32,61% 32,00% 16,00% 13,33% 23,33% 31,82% 18,18% 24,29% 32,00% 11,36% (30) (58) (19) (47) (8) (13) (13) (87) (2) (30) (41) (51) (27) (87) (13) (78) (80) (70) (21) (17) (29) (8) (43) (30) (48) (30) (6) (53) (84) (57) (58) (2) (70) (19) (40) (80) (63) (43) (18) (21) (87) (91) (58) (25) (79) (52) (21) (92) Agressão verbal Agressão física 0,00% 6,67% 10,00% 9,09% 2,86% 3,33% 0,00% 4,00% 0,00% 3,33% 3,08% 10,77% 9,09% 8,00% 6,67% 5,88% 4,00% 4,44% 4,00% 5,45% 4,35% 5,71% 8,33% 6,67% 2,50% 1,43% 6,17% 6,00% 5,00% 3,45% 5,00% 0,00% 0,00% 0,00% 4,00% 2,00% 2,86% 4,00% 2,17% 4,00% 1,33% 0,00% 6,67% 3,03% 0,00% 4,29% 0,00% 6,82% (79) (13) (3) (5) (60) (53) (79) (42) (79) (53) (57) (2) (5) (9) (13) (24) (42) (36) (42) (27) (39) (25) (8) (13) (63) (74) (20) (21) (29) (52) (29) (79) (79) (79) (42) (67) (60) (42) (66) (42) (76) (79) (13) (59) (79) (40) (79) (12) 30,00% 26,67% 25,00% 27,27% 31,43% 16,67% 33,33% 24,00% 10,00% 26,67% 27,69% 23,08% 23,64% 32,00% 20,00% 21,18% 18,00% 33,33% 24,00% 23,64% 13,91% 28,57% 21,67% 26,67% 20,00% 18,57% 27,16% 18,00% 25,00% 23,45% 20,00% 0,00% 25,00% 12,50% 16,00% 18,00% 11,43% 22,67% 8,70% 12,00% 10,67% 6,67% 18,33% 21,21% 25,45% 25,71% 18,00% 22,73% Fonte: Elaborado pelo autor a partir da Pesquisa de Vitimização do IFB 2003 (6) (12) (17) (10) (5) (64) (2) (23) (88) (12) (9) (30) (25) (4) (42) (41) (58) (2) (23) (23) (72) (8) (37) (12) (42) (55) (11) (58) (17) (28) (42) (95) (17) (79) (66) (58) (83) (32) (91) (81) (87) (94) (56) (40) (16) (15) (58) (31) 41 o segundo maior percentual de vítimas de agressão verbal. Raposo Tavares é considerada uma das regiões mais periféricas de São Paulo, fazendo fronteira com diversos municípios. Os resultados aqui encontrados corroboram o gráfico 17, apresentado em Beato (2000), de que crimes contra o patrimônio sendo concentrados na zona central e crimes contra a pessoa tendo os locais alvo mais espalhados pela cidade. Fonte: PMMG. Dados COPOM, 1999. Para alguns distritos alguns resultados podem parecer pouco razoáveis, contudo, deve-se ater ao fato de que a análise aqui feita analisa o percentual de pessoas vitimizadas e não o número de vitimizações em si. Em alguns distritos tidos com violentos ou perigosos pela população muitas vezes não apresentam um alto percentual de sua população vítima de crimes, mas sim um alto percentual de vitimizações, tendo muitas pessoas que pelo seu perfil sofrem recorrentes delitos, seja por alta exposição, proximidade com criminosos, por possuírem características atrativas ou por possuírem baixa capacidade de proteção. Por isto, para uma maior ilustração sobre os locais alvo 42 de criminalidade na cidade de São Paulo, no apêndice, na tabela 9, consta a posição de distritos quanto o número de vitimizações9, que não será aqui analisada, pois não é o objetivo do trabalho. Com os resultados da taxa de vitimização nos distritos foram elaborados gráficos relacionando os crimes estudados de diversas formas, relacionando crimes contra o patrimônio, crimes contra a pessoa, crimes violentos e crimes não violentos. Na figura 18 pode se perceber que os únicos crimes que apresentam uma correlação razoável são agressão física e agressão verbal, os dois crimes contra a pessoa estudados. Fonte: Elaborado pelo autor a partir da Pesquisa de Vitimização do IFB 2003 9 O número de vitimizações por pessoa para roubo com utilização de arma de fogo é aproximado e provavelmente superestimado. Isto se deve ao fato de não haver no questionário uma pergunta sobre quantas vezes o entrevistado sofreu tal vitimização, mas apenas questões que juntam roubos e furtos. Isto é, na verdade os resultados ilustram o número de vitimizações de roubo ou furto dos indivíduos que responderam terem sofrido roubo com utilização de arma de fogo dividido pelo número de entrevistados. 43 Analisando vitimizações ao invés de percentual de pessoas vitimizadas na figura 19 verifica-se ainda mais claramente que para análise do perfil vítima a análise separando crimes contra a pessoa e contra o patrimônio é a mais adequada, sendo as correlações seguindo tal abordagem maiores que as correlações relacionando crimes violentos e não violentos. Para os crimes contra o patrimônio até já se verifica uma correlação relevante. Fonte: Elaborado pelo autor a partir da Pesquisa de Vitimização do IFB 2003 Claramente estes gráficos apresentam outliers, no entanto, foi testada a análise sem estes e tanto a curva como o r-quadrado não se alteraram de forma significante. 44 5. Considerações finais A análise dos quatro tipos de crime selecionados forneceu algumas evidências interessantes. Os resultados mostram que analisar criminalidade separando por crimes contra o patrimônio e crimes contra a pessoa é mais adequado no que tange a identificação do perfil da vítima. Percebe-se que as vítimas alvo de crimes contra a patrimônio são pessoas com um bom nível de renda e que residem com pessoas que já sofreram crimes contra o patrimônio enquanto que as vítimas de crimes contra a pessoa são pessoas jovens, não casadas formalmente, que residem com pessoas que já sofreram crimes contra a pessoa e que freqüentam lugares com concentração de jovens, como casa noturna. Pode se perceber também que a classificação separando crimes violentos e não violentos analisados só acrescente consideravelmente a análise no que tange a análise de crimes não violentos no qual há grande influência dos hábitos do indivíduo sobre a probabilidade de ser vitimizado, característica dos dois crimes não violentos analisados. Percebe-se que tanto para estelionato quanto para agressão verbal a idade influencia negativamente a probabilidade de ser vitimizado, devido ao fato de indivíduos mais velhos terem menor exposição e menor contato com o agressor. Há também algumas características específicas de alguns dos crimes analisados. Para agressão verbal, verificou-se que pessoas que freqüentemente participam de atividades religiosas têm maior probabilidade de alegarem sofre agressão verbal e, isto pode se dever ao fato de o conceito de agressão verbal destes indivíduos ser diferente, sendo estes mais rigorosos. Já para agressão física verificou-se que as pessoas que consomem bastante álcool têm uma maior probabilidade de sofrerem agressões físicas, sendo um indício de que o consumo de álcool pode favorecer à violência. Outro resultado interessante é que para o crime contra o patrimônio violento analisado, roubo com utilização de arma de fogo atinge mais pessoas do sexo masculino e jovens maiores de idade. Após as estimações dos modelos probabilísticos foi elaborada uma análise para os distritos, que parecem corroborar tanto a idéia de que a classificação de crimes por determinada categoria não é a mais adequada, seja crime contra pessoa e crime contra o patrimônio ou seja crime violento e não violento, quanto a idéia de dentre as duas formas de se classificar crimes a mais razoável para a análise dos determinantes da 45 probabilidade de vitimização é a que separa crimes contra o patrimônio de crimes de crimes contra a pessoa. Referências Bibliográficas ALDER, C. 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Apêndices Tabela 6: Dprobit dos quatro crimes investigados Variáveis independentes Sexo masculino Idade - 18 a 25 anos Idade - 26 a 39 anos Idade - 40 a 59 anos Idade - 60 anos ou mais Casada formalmente Casada informalmente PEA Renda pessoal Família alta renda Família vítima de furto ou roubo Família vítima de agressão física Família vítima de outra violência Casa noturna Álcool Migrante Favela Tem automóvel Religiosidade Número de observações Pseudo r-quadrado Roubo com arma de fogo 2,10% (0,000)*** 6,27% (0,005)*** 3,75% (0,045)** 1,91% (0,294) 1,76% (0,415) -0,29% (0,607) -0,08% (0,914) 0,47% (0,482) 2,09% (0,006)*** -1,55% (0,116) 8,79% (0,000)*** -0,22% (0,834) 0,78% (0,568) -0,79% (0,140) 0,35% (0,720) -0,32% (0,521) -2,07% (0,010)*** 1,25% (0,028)** -0,76% (0,225) Estelionato Agressão física Agressão verbal 1,22% (0,428) -0,69% (0,835) -3,80% (0,255) -4,16% (0,225) -13,31% (0,000)*** -0,62% (0,720) 3,61% (0,122) 6,68% (0,000)*** 7,03% (0,001)*** -1,48% (0,690) 5,80% (0,004)*** 6,27% (0,090)* 12,02% (0,006)*** 5,70% (0,001)*** 5,01% (0,108) -0,63% (0,637) -4,97% (0,038)** 11,72% (0,000)*** 0,46% (0,808) -0,88% (0,101) -0,91% (0,281) -1,62% (0,072)* -2,68% (0,003)*** -2,73% (0,003)*** -2,00% (0,001)*** -0,02% (0,978) -0,19% (0,770) 1,09% (0,204) -1,48% (0,248) 1,69% (0,017)** 13,54% (0,000)*** 1,26% (0,340) 1,71% (0,005)*** 2,67% (0,022)** -0,89% (0,098)* -0,10% (0,907) -1,20% (0,041)** -0,58% (0,377) 1,08% (0,432) -8,74% (0,000)*** -10,49% (0,000)*** -13,53% (0,000)*** -14,53% (0,000)*** -6,36% (0,000)*** -0,95% (0,631) 2,54% (0,123) 3,50% (0,071)* -1,32% (0,701) 3,25% (0,067)* 22,84% (0,000)*** 18,05% (0,000)*** 6,99% (0,000)*** 3,73% (0,177) -4,77% (0,000)*** 0,64% (0,766) 1,74% (0,247) 5,60% (0,001)*** 3989 0,1251 3989 0,0556 3989 0,131 3989 0,0753 p-valores em parênteses e * significante a 10%; ** significante a 5%; *** significante a 1% Fonte: Elaborado pelo autor a partir da Pesquisa de Vitimização do IFB 2003 49 Tabela 9: Vitimizações por entrevistado para os distritos e por tipo de crime Distrito Obs. "Roubo com arma de fogo" Água Rasa Alto de Pinheiros Anhanguera Aricanduva Artur Alvim Barra Funda Bela Vista Belém Bom Retiro Brás Brasilândia Butantã Cachoeirinha Cambuci Campo Belo Campo Grande Campo Limpo Cangaiba Capão Redondo Carrão Casa Verde Cidade Ademar Cidade Dutra Cidade Lider Cidade Tiradentes Consolação Cursino Ermelino Matarazzo Freguesia do Ó Grajaú Guaianases Iguatemi Ipiranga Itaim Bibi Itaim Paulista Itaquera Jabaquara Jaçanã Jaguara Jaguaré Jaraguá Jardim Ângela Jardim Helena Jardim Paulista Jardim São Luís José Bonifácio Lajeado 45 20 10 50 55 5 30 20 15 10 120 25 75 15 35 45 100 70 120 41 45 124 90 65 5 30 50 55 75 149 50 25 50 40 110 105 110 40 15 20 50 110 70 44 125 50 80 0,067 0,000 0,000 0,040 0,073 0,000 0,000 0,250 0,000 0,100 0,033 0,120 0,107 0,000 0,200 0,111 0,100 0,057 0,075 0,024 0,222 0,105 0,033 0,169 0,000 0,067 0,040 0,018 0,000 0,148 0,100 0,000 0,000 0,000 0,018 0,029 0,182 0,075 0,133 0,000 0,020 0,100 0,143 0,023 0,096 0,120 0,038 (39) (70) (70) (50) (37) (70) (70) (2) (70) (24) (55) (17) (22) (70) (5) (20) (24) (43) (34) (60) (4) (23) (55) (8) (70) (39) (50) (65) (70) (10) (24) (70) (70) (70) (65) (57) (6) (34) (13) (70) (63) (24) (11) (61) (31) (17) (54) Estelionato 0,200 0,400 0,500 0,800 0,836 1,200 0,300 0,950 0,933 0,300 0,400 0,640 1,533 1,000 2,171 0,844 0,570 0,986 0,533 0,341 0,756 0,726 0,633 0,631 0,000 0,633 0,780 0,309 0,840 0,966 0,400 0,600 0,980 0,800 0,918 1,038 0,691 0,200 1,400 0,050 0,200 0,609 1,057 0,705 0,680 0,620 0,525 (90) (75) (69) (35) (33) (10) (82) (21) (23) (82) (75) (52) (6) (15) (3) (31) (61) (17) (63) (78) (39) (46) (53) (55) (95) (53) (37) (81) (32) (20) (75) (59) (18) (35) (26) (13) (49) (90) (8) (94) (90) (58) (12) (48) (50) (56) (66) Agressão física 0,022 0,050 0,000 0,060 0,018 0,200 0,000 0,050 0,067 0,100 0,050 0,040 0,053 0,000 0,143 0,044 0,040 0,014 0,058 0,195 0,044 0,137 0,022 0,062 0,000 0,000 0,040 0,000 0,053 0,074 0,020 0,040 0,080 0,025 0,082 0,105 0,027 0,075 0,067 0,000 0,040 0,027 0,129 0,000 0,032 0,020 0,013 (71) (46) (79) (39) (75) (3) (79) (46) (31) (19) (46) (54) (44) (79) (14) (51) (54) (76) (41) (4) (51) (15) (71) (37) (79) (79) (54) (79) (44) (30) (73) (54) (25) (70) (24) (18) (67) (28) (31) (79) (54) (67) (16) (79) (64) (73) (78) Agressão verbal 1,067 2,400 0,200 1,560 0,545 2,200 0,533 0,600 0,467 0,500 1,242 1,720 0,733 0,800 0,229 0,222 0,730 0,657 1,425 0,805 1,244 1,210 0,689 1,062 0,200 1,467 1,580 0,164 0,267 0,899 0,580 0,280 0,420 1,200 0,827 1,029 1,091 0,600 0,133 1,350 0,900 1,045 1,100 0,523 1,680 0,820 0,538 (41) (3) (90) (12) (75) (4) (77) (69) (82) (79) (26) (7) (62) (58) (88) (89) (64) (68) (16) (57) (25) (29) (66) (42) (90) (15) (11) (92) (87) (51) (72) (86) (83) (30) (55) (46) (39) (69) (93) (19) (49) (44) (38) (78) (8) (56) (76) 50 Tabela 9 continuação Distrito Obs. "Roubo com arma de fogo" Lapa Liberdade Limão Mandaqui Moema Mooca Morumbi Parelheiros Pari Parque do Carmo Pedreira Penha Perdizes Perus Pinheiros Pirituba Ponte Rasa Raposo Tavares República Rio Pequeno Sacomã Santa Cecília Santana Santo Amaro São Domingos São Lucas São Mateus São Miguel São Rafael Sapopemba Saúde Sé Socorro Tatuapé Tremembé Tucuruvi Vila Andrade Vila Curuçá Vila Formosa Vila Guilherme Vila Jacuí Vila Leopoldina Vila Maria Vila Mariana Vila Matilde Vila Medeiros Vila Prudente Vila Sônia 30 30 40 55 35 30 15 25 10 30 65 65 55 25 30 85 50 45 25 55 115 35 60 30 40 70 81 50 40 145 60 10 20 40 50 50 35 75 46 25 75 15 60 66 55 70 50 44 0,100 0,133 0,000 0,073 0,057 0,000 0,133 0,000 0,600 0,000 0,231 0,046 0,000 0,000 0,100 0,000 0,020 0,156 0,000 0,018 0,017 0,000 0,050 0,133 0,075 0,014 0,099 0,060 0,000 0,021 0,050 0,000 0,000 0,175 0,040 0,000 0,086 0,027 0,087 0,120 0,067 0,000 0,050 0,136 0,109 0,029 0,040 0,045 (24) (13) (70) (37) (43) (70) (13) (70) (1) (70) (3) (48) (70) (70) (24) (70) (63) (9) (70) (65) (68) (70) (45) (13) (34) (69) (30) (42) (70) (62) (45) (70) (70) (7) (50) (70) (33) (59) (32) (17) (39) (70) (45) (12) (21) (57) (50) (49) Estelionato 0,333 0,533 0,750 0,873 0,657 0,500 2,533 0,200 6,000 0,867 1,431 1,062 0,927 0,320 0,533 0,459 0,600 0,867 0,520 1,000 0,730 1,971 0,500 0,733 0,975 1,029 1,259 0,740 0,225 0,821 0,450 1,600 0,250 0,525 0,620 0,920 0,257 0,560 0,935 0,440 0,240 0,267 0,733 0,712 0,745 0,900 0,760 0,295 (79) (63) (40) (28) (51) (69) (2) (90) (1) (29) (7) (11) (24) (80) (63) (72) (59) (29) (68) (15) (45) (4) (69) (43) (19) (14) (9) (42) (89) (34) (73) (5) (87) (66) (56) (25) (86) (62) (22) (74) (88) (85) (43) (47) (41) (27) (38) (84) Agressão física 0,000 0,067 0,175 0,127 0,029 0,033 0,000 0,080 0,000 0,033 0,046 0,154 0,182 0,080 0,067 0,176 0,040 0,044 0,040 0,091 0,087 0,057 0,167 0,067 0,500 0,014 0,173 0,100 0,075 0,048 0,367 0,000 0,000 0,000 0,180 0,060 0,029 0,093 0,065 0,040 0,027 0,000 0,183 0,061 0,000 0,057 0,000 0,159 (79) (31) (9) (17) (65) (62) (79) (25) (79) (62) (50) (13) (6) (25) (31) (8) (54) (51) (54) (22) (23) (42) (11) (31) (1) (76) (10) (19) (28) (49) (2) (79) (79) (79) (7) (39) (65) (21) (36) (54) (67) (79) (5) (38) (79) (42) (79) (12) Agressão verbal 0,567 0,700 1,625 0,927 1,229 0,900 3,467 0,600 0,500 1,300 1,385 1,185 1,327 2,080 1,300 1,188 0,780 1,111 0,320 0,745 0,887 2,543 1,767 1,200 1,175 0,571 1,556 1,120 1,400 0,731 1,200 0,000 0,800 0,675 1,040 1,060 1,229 1,653 0,391 0,880 0,867 0,133 1,317 0,470 1,091 0,943 1,480 1,273 (74) (65) (10) (48) (27) (49) (1) (69) (79) (22) (18) (34) (20) (5) (22) (33) (60) (37) (85) (61) (52) (2) (6) (30) (35) (73) (13) (36) (17) (63) (30) (95) (58) (67) (45) (43) (27) (9) (84) (53) (54) (93) (21) (81) (39) (47) (14) (24) Fonte: Elaborado pelo autor a partir da Pesquisa de Vitimização do IFB 2003