UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES INSTITUTO DE PESQUISA SÓCIO-PEDAGÓGICAS PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” MOTIVAR O ALUNO EM SALA DE AULA: UMA TAREFA DIFÍCIL? Por: Fatima Cristina Martins Matos Orientador: Prof. Ms. Marco A. Larosa Rio de Janeiro 2001 UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES INSTITUTO DE PESQUISA SÓCIO-PEDAGÓGICAS PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” MOTIVAR O ALUNO EM SALA DE AULA: UMA TAREFA DIFÍCIL? Apresentação de monografia ao Conjunto Universitário Cândido Mendes como condição prévia para a conclusão do Curso de PósGraduação “Lato Sensu” em Psicopedagogia. Por Fatima Cristina Martins Matos ii AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus, por estar sempre presente em minha vida e aos meus pais, irmã e marido, por me incentivarem ao longo de mais uma etapa da vida. iii DEDICATÓRIA Dedico este trabalho ao meu pai, que além da vida, foi também o responsável pela minha formação moral e intelectual, contribuindo de toda a forma para o que hoje sou. E a minha irmã, pela grande ajuda na concretização deste e pelo carinho. iv RESUMO Uma queixa presente na maioria dos encontros de professores é: “Os alunos não têm interesse em aprender o que se quer ensinar”. Esse fato afeta diretamente professores e alunos em função das áreas de estudo, dos níveis do sistema educacional e das características sócio-culturais de quem aprende, entre outras variáveis. No entanto, em toda ação educativa o professor deve responder à pergunta motivacional: Como conseguir dos alunos um comprometimento pessoal com sua própria aprendizagem e um aprofunda implicação nas tarefas escolares? Este trabalho apresenta duas perspectivas sobre a motivação para aprendizagem escolar. Uma defende que o interesse escolar não depende de um único fator, seja pessoal ou contextual. A motivação está ligada à interação dinâmica entre as características pessoais e os contextos em que as tarefas escolares se desenvolvem. Entre as primeiras, destaca-se a importância das metas que se têm no momento de aprender e suas repercussões na aprendizagem escolar. Sabe se dos benefícios que alcançam os estudantes cujo objetivo é incrementar a própria competência e conhecer a fundo o que estudam. Já, quanto aos contextos, destacam-se quatro aspectos essenciais: o começo da aula, a organização das atividades, a interação do professor com seus alunos e a avaliação da aprendizagem. Esses momentos dependem mais da iniciativa do professor e podem interferir, reforçar ou anular os padrões motivacionais dos alunos. A outra perspectiva focaliza o papel do professor na motivação dos alunos. Saber motivar para a aprendizagem escolar é saber como os alunos aprendem. Para entender o que ocorre na aula é preciso transcendê-la. Essas variáveis do contexto exterior à sala de aula recordam que não se ensina no vazio e que a ação docente é mediada pela percepção social do professor e pela percepção que ele tem de si. v Por último, identifica uma série de tarefas específicas do professor antes, durante e depois da aula e demonstra sua incidência na motivação. Nesse sentido, é evidente que o interesse dos alunos em aprender depende em grande medida das decisões que o professor toma com respeito à organização do ensino. Saber motivar para aprendizagem escolar não é uma tarefa fácil. A motivação na escola é algo complexo, processual e contextual, mas alguma coisa se pode fazer para que os alunos recuperem ou mantenham seu interesse em aprender. À sociedade, aos órgãos públicos e outras instituições cabe encontrar soluções. Aos professores e equipes docentes cabe a reflexão. As pessoas, mais que as máquinas e qualquer tipo de recursos, motivam as pessoas. Saber algo sobre motivação, compartilhar experiências e animar-se mutuamente é um bom começo para saber motivar. vi METODOLOGIA O presente estudo enfatiza um problema que os professores enfrentam na sua rotina que é a falta de motivação dos alunos. Esta tem suma importância no alcance das metas desejadas, que se têm no momento de aprender e suas repercussões na aprendizagem escolar. Tal pesquisa envolve tanto um estudo do educador, como figura chave motivacional quanto um estudo do educando. Além também de abordar o contexto no qual ocorre o processo de aprendizagem. Este trabalho apóia-se numa pesquisa bibliográfica e na observação feita em sala de aula durante os estágios realizados em algumas séries do primeiro ciclo do ensino fundamental no Centro Educacional Berenice Barra, localizado num bairro da zona sul do Rio de Janeiro. vii SUMÁRIO INTRODUÇÃO CAPÍTULO I CAPÍTULO II CAPÍTULO III CAPÍTULO IV CAPÍTULO V CAPÍTULO VI CONCLUSÃO BIBLIOGRAFIA CITADA ANEXOS INDICE FOLHA DE AVALIAÇÃO 09 10 25 31 36 42 51 56 58 59 64 66 9 Viii INTRODUÇÃO A aprendizagem nos primeiros anos escolares tem relevância indiscutível na formação sócio-emocional, motora e cognitiva de cada indivíduo. Para que alguém aprenda é necessário que queira aprender. Ninguém consegue ensinar nada a uma pessoa que não quer aprender. Esse “querer aprender” também não surge sozinho. Por isso, é muito importante que o professor saiba motivar seus alunos. Que esteja realmente interessado em obter total atenção e interesse. A personalidade da criança, sua capacidade de aprender, motivação, comportamento social e atitudes com relação à escola são formados como um conjunto de fatores que começam no nascimento, ou até mesmo antes, e estendem-se por todos os momentos da vida. 10 Desses fatores, a motivação do aluno é um artifício indispensável na prática diária do professor. Valendo-se dele, o professor atinge resultados satisfatórios, já que entre motivação e aprendizagem existe uma forte relação. Ambas se reforçam. Sem motivação não há aprendizagem. Os motivos acabem por gerar novos motivos, dando seguimento a uma aprendizagem significativa e duradoura. Entretanto, embora seja um artifício indispensável, sua falta é também um problema considerável que os professores enfrentam em sala. A exposição de alguns fatores capazes de motivar, ou não, o aluno no processo de aprendizagem pode contribuir para o desenvolvimento de uma prática mais eficaz e segura por parte do educador, desde que ele esteja motivado a motivar. Além de seu saber teórico e prático de técnicas e métodos de ensino que previamente ele já possui, estar consciente de aspectos e condições que motivam o educando em sala de aula tornam o ensinar e o aprender mais prazerosos e estimulantes. 11 CAPÍTULO I CONTEXTO, MOTIVAÇÃO E APRENDIZAGEM 12 CONTEXTO, MOTIVAÇÃO E APRENDIZAGEM Um problema que professores enfrentam dia a dia é o dos alunos que não parecem ter interesse algum em compreender e aprender o que lhes é tentado ensinar. Ao deparar-se com alunos aparentemente pouco motivados, tende-se a pensar que são desinteressados, que sua falta de atenção está em outras coisas, que talvez não lhes interesse o que é ensinado porque não o entendem, etc. Às vezes, o motivo pode estar no fato de as condições em que ocorre o trabalho não facilitam a motivação para a aprendizagem. Além disso, muitas dessas condições fogem do controle dos professores – programas excessivamente carregados, muitos alunos numa sala, falta de materiais adequados, influência negativa da família, poucas perspectivas de futuro, entre outras -, o que dá uma visão bem pessimista da possibilidade de motivar esses alunos. Entretanto, muitos profissionais não desistem e continuam se perguntando: que posso fazer para que meus alunos se interessem pelo que quero lhes ensinar de modo que empreguem esforço e dedicação nesta aprendizagem? Fazer-se esta pergunta implica em reconhecer o contexto como ativador da motivação e do interesse em aprender. Os alunos estão motivados ou desmotivados abstratamente. Estão motivados ou não de acordo com o significado do trabalho que têm a realizar. Por um lado, ao definir objetivos de aprendizagem, apresentar informações, propor tarefas, avaliar a aprendizagem, exercer o controle e a autoridade, os professores criam ambientes que afetam a motivação e a aprendizagem. Então, se pretende-se motivar os alunos, é preciso saber de que forma a atuação pode contribuir para criar ambientes capazes de conseguir que os alunos se interessem e se esforcem por aprender. As diferentes formas de enfrentar a atividade escolar não sugerem por si sós, mas são afetadas pelo contexto que professores, e, em certo medida, os pais criam com o modo de atuação. 13 Por outro lado, o contexto motiva ou desmotiva dependendo das características do aluno, suas metas, expectativas, formas de enfrentar tarefas. É preciso levar em conta, também, que esse interação das características do contexto e das do aluno é dinâmica: à medida que a aula prossegue, o contexto pode mudar e mudar a percepção da situação. Um aluno pode passar da experiência de compreender e progredir para a de não compreender e não seguir em frente ou vice-versa. Desta forma, é necessário conhecer algumas variáveis pessoais que influenciam no interesse e na motivação com que os alunos enfrentam as tarefas escolares e nas mudanças que se produzem à medida que uma atividade transcorre. E como diferentes formas de atuação do professor podem contribuir para a motivação de desmotivação do aluno. A motivação depende de condicionantes pessoais e contextuais. Através delas dá-se a aprendizagem. 1.1 – Condicionantes pessoais da motivação para aprender Algo que pode nos ajudar a compreender a motivação de nossos alunos é observar seu comportamento, o que dizem e o que fazem os garotos e garotas de diferentes idades quando têm de realizar atividades relacionadas com a aprendizagem. Conforme Jesús Alonso Tapia (1999), os alunos agem tendo em vista diferentes metas. Em alguns casos o mais importante aprender algo que faça sentido. Em outros é prioritário que o que se tem a realizar ou estudar tenha alguma utilidade prática. Há ainda os que têm a preocupação em agir com autonomia, como na fase da adolescência, fazem porque querem ou porque aceitam fazer. E também há alunos e alunas que agem movidos especialmente para conseguir atenção e aceitação dos demais – professores, pais, colegas, etc. 14 As metas descritas pelo autor citado acima estão presentes, de algum modo, em todos os alunos quando assistem à aula, realizam suas atividades escolares ou estudam em casa. No entanto, cada uma dessas metas afeta o aluno em graus diferentes. Realizar as tarefas escolares preocupados principalmente em aumentar a própria competência e estar interessado no descobrimento, na compreensão, no domínio de conhecimentos e habilidades nos leva a um tipo de motivação que tem efeitos mais positivos sobre a aprendizagem. Porém no caso de estar preocupado com a própria imagem tem efeitos negativos, especialmente se o que se pretende é evitar que os outros riam dos erros ou fracassos. Por exemplo, alunos que costumam estudar pensando na avaliação, na nota, tendem a memorizar conceitos ou regras, o que nem sempre é o melhor para que ocorra a compreensão. Quanto ao fato de realizar a atividade escolar preocupado com metas externas à própria aprendizagem, é possível observar que ameaçá-los com uma punição ou prometer-lhes uma recompensa lhes induz a fazer suas tarefas. Ainda que isso pareça positivo, nem sempre o é. Hamilton Werneck (1998) afirma: “A necessidade de conseguir algo externo à aprendizagem estimula um esforço momentâneo, considerando que esta implica não só em memorizar, mas em compreender e saber aplicar o que se sabe a situações novas” (p.38) De fato, as recompensas e punições têm efeito na medida em que estão presentes, mas, depois que desaparecem, seu efeito não é muito duradouro. No que diz respeito à necessidade da autonomia e controle pessoal da própria conduta, pode-se pensar que as possibilidades de motivar adequadamente os alunos 15 são bastante escassas, uma vez que na escola tudo lhes é imposto: o professor, o currículo, programas, atividades, colegas, avaliações, etc. No entanto, não é menos correto que a escola oferece a possibilidade de certos desenvolvimentos pessoais que facilitam o incremento da própria autonomia. Afinal, ela proporciona, ou deveria, oportunidades de opção e alternativas; trabalha a consciência do que significa realmente aprender; divide as tarefas parcialmente de modo que seja possível realizá-las, o que auxilia na percepção do progresso pessoal. Quando essas condições não estão presentes ou quando os alunos não estão conscientes do desenvolvimento pessoal que o trabalho escolar possibilita, o sentimento de ter de fazer as coisas obrigatoriamente aumenta e tende a influir de modo negativo. A preocupação com o futuro e com a autonomia pessoal acentua-se a partir da adolescência. Segundo David Fontana (1998): “... os alunos mais novos costumam estar mais interessados nas tarefas e na aceitação dos demais, enquanto a partir dos nove, dez anos é que há uma tendência a preservar a própria imagem, tratando de sair-se bem e evitando sair-se mal, assim como evitando ser reprovado ou conseguindo uma nota determinada” (p. 233) 1.2 – Condicionantes contextuais da motivação para aprender Para que o educando realize uma atividade escolar com motivação suficiente parece necessário intervir tentando mudar a idéia sobre a possibilidade de melhorar ou não as capacidades e habilidades, e o conceito que o aluno tem de si mesmo com relação às possibilidades de êxito nas diferentes áreas, principalmente ensinando modos de prensar que, no momento de realizar tarefas escolares, permitam enfrentá-las a fim de aprender, 16 com a atenção voltada para a busca e a utilização de estratégias que permitam superar as dificuldades, aprender com os erros e construir procedimentos que facilitem a percepção de progresso e contribuam para manter a motivação elevada. Ao definir objetivos de aprendizagem, apresentar a matéria, propor tarefas, responder às demandas dos alunos, avaliar a aprendizagem e exercer o controle e a autoridade, os professores criam ambientes que afetam a motivação e a aprendizagem. As diferentes formas de enfrentar a atividade escolar não sugerem por si sós, mas são afetadas pelo contexto que professores, e, em certa medida, os pais criam com seu modo de atuação. Como nossos modos de atuação contribuem para criar ambientes facilitadores da motivação, ou, ao contrário, inibidores dela? Para responder essa pergunta é necessário examinar em que medida a atividade do professor na sala de aula responde aos objetivos almejados em diferentes momentos do desenvolvimento da aula. Sendo assim, é válido observar quais são esses objetivos, que padrões de atuação os professores podem adotar, o que os faz ser mais ou menos adequados e o que se pode fazer para melhorá-los. a) Início da aula: Algo que todo o professor deve conseguir no começo de uma aula, como condição necessária para motivar seus alunos a aprender, é atrair sua atenção despertando sua curiosidade e interesse e mostrando a importância do que vão aprender. b) Curiosidade: Ao conceituar curiosidade, Elsie Masini (1999) diz que: “A curiosidade é uma atividade, manifesta na conduta exploratória, ativada pelas características da informação, tais como sua novidade, complexidade, caráter inesperado” (p. 32) 17 O professor deve apropriar-se destas características da curiosidade para iniciar sua aula. È importante que use estratégias para apresentar uma noção nova e estas possam ir de encontro aos conhecimentos prévios dos alunos, o que irá desperta-lhes a curiosidade. c) Interesse: O termo interesse, de acordo com David Fontana, faz referência ao fato de manter a atenção centrada em algo (1998) – neste caso, o desenvolvimento de uma explicação ou de uma tarefa, na medida em que a informação que se recebe pode relacionar-se com o que já se sabe. Trata-se, pois, de um processo diferente da curiosidade, a qual implica dirigir a atenção para um fenômeno novo, incerto ou surpreendente, seguido de uma atividade orientada para a exploração dele que facilite seu conhecimento e compreensão. Uma vez que o interesse depende da facilidade com que a informação se relaciona com o que já se sabe, é particularmente motivador, por um lado, o professor começar levando em conta o que seus alunos sabem sobre o tema; por outro, seu discurso expositivo – como o de um texto escrito – possuir uma coesão e uma progressão claras que facilitem a hierarquização e a compreensão das idéias; bem como o ritmo da exposição permitir assimilar seu conteúdo, e, finalmente, a informação se apresenta sempre que possível com imagens concretas, especialmente se permitem ao aluno estabelecer uma conexão com ele mesmo. Quando estas características não estão presentes torna-se mais difícil manter a atenção centrada na informação que se recebe. Isso pode propiciar lacunas na compreensão que desencadeiam freqüentemente processos de má adaptação como tensão e atribuição do problema à falta de capacidade. Por esse motivo, parece claro que não se deve deixar de examinar, de um lado, em que medida a forma e o ritmo em que a informação é apresentada podem estar contribuindo para manter o interesse não só dos alunos, mas rápidos, mas também dos que não progridem, e, de outro, o grau em que tanto a forma com que expomos como as perguntas, tarefas e problemas estão suficientemente ilustrados com exemplos concretos. 18 d) Importância dos conteúdos: Outro processo que pode se ver afetado positiva ou negativamente pela atividade que os professores desenvolvem no início da aula é a percepção da importância dos conteúdos que se devem aprender ou das tarefas que se devem realizar. Todo aluno enfrenta a atividade escolar com a seguinte pergunta – explícita ou implícita -: “Para que necessito sobre isso?”, buscando assim o significado de uma atividade depende ao menos de dois fatores: do grau em que o aluno é capaz de situar a tarefa no contexto do que já sabe e do grau em que é capaz de determinar as implicações futuras de sua realização. Que o aluno seja capaz de ambas as coisas depende em boa medida da atividade do professor. Vale citar Tapia (1999): “Se nós, professores, não utilizamos atividades que manifestam a importância interna da aprendizagem almejada, ou se as mensagens utilizadas indicam que o que está em jogo é sair-se bem ou mal diante dos outros, em vez de gerar processos de enfrentamento motivacionalmente adequados, ativam-se a ansiedade e as estratégias de enfrentamento centradas mais na consecução ou evitação de um resultado externo à própria aprendizagem” (p. 44) A motivação, como se pode comprovar, não depende só do aluno, mas também do contexto. Daí a importância dos professores avaliarem e modificarem, se preciso, a menta que suas mensagens privilegiam, já que ela define por que é relevante ao aluno fazer ou aprender o que se pede. 19 1.3 – Organização das atividades Após induzir um tema e dar as explicações relevantes, os professores normalmente propõem aos alunos diferentes tipos de atividades. A apresentação de uma atividade qualquer resolve problemas, fazer experiências, analisar textos, fazer uma redação, etc. – pode variar de acordo com certas características que têm repercussões importantes na motivação. Isso se refere ao grau de autonomia de que o aluno dispõe para a realização de uma tarefa e ao tipo de interação que tal tarefa requer. 1.3.1 – Autonomia Para que uma pessoa assuma de bom grado a tarefa de mudar suas normas de comportamento, a primeira condição é que, embora essa mudança possa vir sugerida de fora, ela a assuma como algo que deseja e escolha de forma autônoma e voluntária. Isto também é válido no caso dos alunos, porque, se essa condição não ocorre, podem rejeitar a atividade escolar e não progredir em sua aprendizagem. A aceitação da atividade escolar como algo positivo e desejável se vê facilitada ou dificultada dependendo da forma como os professores a apresentam. Para que os alunos sintam que trabalham no que querem porque eles assim o querem, é importante que o professor ofereça o máximo de possibilidades de opção, por exemplo, deixando que escolham companheiro ou companheira quando têm de trabalhar em grupo, oferecendo-lhes vários temas de trabalho para que escolham um quando possível, etc. Esse é um recurso que o professor pode controlar facilmente e cuja a importância reside no fato de que todos nos sentimos mais à vontade quando trabalhamos para conseguir o que nos interessa e que nós mesmos escolhemos quando fazemos algo que nos é imposto. A condição anterior, no entanto, pode não ser suficiente porque, ainda que se possa escolher, a escolha se faz no contexto de uma atividade rejeitada em seu conjunto 20 seja por que motivo for – não entender seu significado, não se sentir capaz, etc. – e cuja realização se percebe, em conseqüência, como algo imposto. Por isso é necessário que os alunos percebam que o que estão aprendendo aumenta suas capacidades e lhes abre a possibilidade de escolher quando antes não podiam. Trabalhar em um projeto em que houve a possibilidade não só de aceitar ou rejeitar, mas de elaborar, contribui para a percepção de que não se é uma marionete do outro, mas que se faz algo escolhido com autonomia que beneficia a si mesmo. No entanto, na medida em que a situação atual não implica propor aos alunos seus trabalhos escolares no contexto de projetos de desenvolvimento, é difícil que possam superar a sensação de fazer coisas que não têm muito sentido para eles, o que evidentemente desencadeia processos negativos do ponto de vista motivacional. 1.3.2 – Interação dos alunos O modo de os alunos enfrentarem a atividade escolar ou a maneira de se portarem diante dos outros depende também, em boa medida, de como os professores e professoras organizam as atividades de aula, promovendo entre eles interações de cooperação (há professores que organizam os alunos em equipes para fazer trabalhos) ou de competição (às vezes se busca a competição entre os alunos individualmente ou entre equipes), ou não promovendo interação alguma (o que ocorre quando os alunos trabalham sempre individualmente), assim como de que as condições exigidas para trabalhar em grupo sejam adequadas. As diferentes formas de interação promovidas pelo professor têm diferentes efeitos sobre a motivação. Conforme estudos de Jesús Alonso Tapia (1999) sobre isso, o mesmo conclui que: 21 “A organização das atividades escolares em um contexto competitivo é a que tem efeitos motivacionalmente mais negativos para a maioria dos alunos. A razão principal é que sempre há perdedores; o trabalho individual pode ter efeitos mais ou menos positivos dependendo do tipo de tarefa, do tipo de mentas e das mensagens dadas pelo professor; a organização da atividade escolar em grupos cooperativos sob certas condições parece ser um fator especialmente útil tanto para estimular o interesse e o esforço dos alunos para aprender como para facilitar seu rendimento” (p.48) Por seus efeitos positivos, tanto sobre a motivação como sobre a aprendizagem, as tarefas mais adequadas para o trabalho em grupo parecem ser as abertas, que admitem várias soluções, nas quais os participantes têm a possibilidade de optar por diferentes formas de atuação, selecionar como trabalhar ou que informações recolher, etc. No entanto, às vezes os professores organizam trabalhos em grupos sem considerar algumas características. Por exemplo, se os grupos são grandes, a responsabilidade tende a se diluir ao se esperar que alguém faça o trabalho. Além disso, às vezes se propõe que os alunos trabalhem em grupo sem considerar se têm a capacidade necessária para tirar proveito da atividade em questão. É preciso assinalar que as atividades de cooperação não se realizam no vazio, mas no contexto definido pelo clima geral da aula, dependendo em grande medida da atuação dos professores. Quando esse clima é definido pela percepção do interesse do professor em que cada aluno aprende, de que na aula reina a ordem e há objetivos claros, de que o ritmo da aula é adequado, essa costuma ser uma forma aceita de trabalho não só aceita, mas preferida pelos alunos, com efeitos claros sobre sua motivação, desenvolvimento cognitivo e rendimento. 22 1.4 – Interação do professor com os alunos Um dos fatores contextuais que mais contribuem para definir a motivação dos alunos e facilitar ou dificultar a aprendizagem são as mensagens dadas pelo professor antes, durante e depois das tarefas escolares, especialmente se são consistentes, se se orientam na mesma direção e ocorrem de forma regular. Carmem Zancaner (1996) estuda estas três etapas e mostra mais detalhadamente sua importância. 1.4.1 – Antes de realizar uma tarefa As mensagens que um professor transmite a seus alunos antes de realizar uma tarefa podem orientar sua atenção em diferentes direções. Podem, por exemplo, sugerir que a tarefa é realmente importante para diferentes tipos de metas, ao apresentá-la relacionando-a com diferentes objetivos. Mas, além disso, podem orientar a atenção dos alunos para o processo em vez de para o resultado; podem ajudar a estabelecer metas realistas; podem sugerir as estratégias para realizar a tarefa, ajudando o sujeito a pensar e não a ficar bloqueado. 1.4.2 – Durante a tarefa Quando as tarefas são realizadas em aula, as mensagens que os professores transmitem durante sua realização ao aluno que pergunta ou ao que observam estar em dificuldades também podem ter repercussão na motivação. Quando um aluno pergunta, não é a mesma coisa dar-lhe imediatamente a solução de seu problema, dizer-lhe simplesmente que se esforce ou, uma vez analisada sua dificuldade, dar-lhe pistas que o ajudem a superá-la. As mensagens que um professor transmite enquanto os alunos trabalham não só podem salientar a importância da tarefa para alcançar um objetivo, mas podem ajudar um sujeito a aprender como realizar a tarefa, 23 ensinando-lhe a planejá-la e a estabelecer metas realistas, a dividi-las em etapas, e a buscar e comprovar possíveis meios de superar as dificuldades. As mensagens que salientam os pontos assinalados orientam o sujeito para metas de aprendizagem e ensinam a pensar, que é uma das condições para que os alunos possam perseguir essas metas. No entanto, os professores também podem transmitir mensagens que afetam negativamente a motivação de aprender. Segundo Zancaner (1996): “Dizer esforce-se a um aluno que pergunta, quando ele não sabe como continuar é deixá-lo sem ação. Perguntar à classe quem sabe a resposta ao que o aluno perguntou pode pô-lo em evidência e fazer com que não volte a perguntar.” ( p.94 ) A natureza exata das mensagens que um professor pode dar a tarefa varia muito. No entanto, é possível categorizá-las em função das metas que salientam, das expectativas que geram, da ajuda que proporcionam e do grau que supõe para o sujeito uma avaliação positiva ou negativa de sua conduta e sua pessoa. 1.4.3 - Ao final da tarefa Quanto às mensagens transmitidas pelo professor ao término de uma tarefa, também podem ter repercussões motivacionais variadas. O professor pode dizer simplesmente se a tarefa foi corretamente realizada ou não. Ou, além disso, ressaltar que o importante não é que a tarefa esteja correta, mas que tenham aprendido o procedimento para resolver esse tipo de problema. Mensagens como essas orientam os alunos para o processo seguido, até a tomada de consciência do que se aprendeu e por quê, fazendo-os compreender que não importa que tenham se equivocado porque o importante é avançar. Se os professores não transmitem mensagem nesse sentido ou, o que é pior, se em vez disso dão mensagens que implicam uma avaliação negativa (“Está tudo errado”) 24 ou induzem a comparação com os colegas, mensagens que implicam uma ameaça contra a auto-estima, contribuem para que os alunos não vejam as situações escolares como oportunidade de aprender, mas como ocasiões em que o que está em jogo é a própria imagem, e isso, como já foi colocado, desencadeia padrões de enfrentamento inadequados. A interação de professores e professoras como seus alunos, no entanto, não se limita ao que eles dizem a estes. Quando os professores, ainda conforme Carmen Zancaner, em voz alta, o que pensam acerca de seus próprios acertos e erros, suas preferências sobre o trabalho, suas expectativas e outros aspectos de sua conduta, eles se constituem em modelos dos quais os sujeitos aprendem o interesse por aprender ou como enfrentar uma dificuldade. Assim, pois, o exemplo que os professores dão sobre suas metas é outro fator determinante da motivação que deve ser objeto de reflexão e mudança se se quer melhorar a motivação dos alunos. 1.5 – Avaliação da aprendizagem Um dos fatores contextuais que condicionam a motivação ou desmotivação dos alunos diante das tarefas escolares é a avaliação da aprendizagem. A avaliação afeta de modo positivo ou negativo a motivação. Claudino Piletti (1988) diz: “Toda avaliação implica basicamente um juízo sobre a qualidade da execução de uma tarefa por parte do aluno” (p.190) Dado que o fracasso tem normalmente um impacto negativo sobre a motivação, se a avaliação ocorre sem que se busque minimizar essa experiência, se produz um nível de fracasso que contribui para que diminuam as expectativas do aluno e, conseqüentemente, sua disposição para se esforçar. 25 Toda avaliação pode servir, no caso de o aluno não conhecer ou não dominar adequadamente o que se lhe pergunta, para que os professores lhe dêem informação que lhe permita corrigir seus erros. O fato de essa informação se produzir ou não condiciona os alunos a perceber a avaliação como uma ocasião para aprender ou, ao contrário, como um evento que serve para julgá-los, mas não ajudá-los. Para que o primeiro caso seja possível, citando Tapia (1999), é preciso que: • “as tarefas de avaliação sejam planejadas de modo que permitam dizer ao aluno não só se sabe ou não; • o conjunto da avaliação responda a um modelo que permita mostrar se o aluno está alcançando um progresso significativo na aquisição de um conteúdo ou nos procedimentos determinados, em vez de proporcionar informação sobre aprendizagens isoladas; • a informação sobre o que está mal, por que está mal e como superar o problema, obtida pelos procedimentos anteriores, seja dada aos alunos de modo que possam superar suas dificuldades; • se evite na medida do possível a comparação entre os alunos ao dar-lhes os resultados, já que, caso contrário se ativaria a preocupação de evitar juízos de valor que possam prejudicar a própria estima, o que resulta emocionalmente negativo” ( p.57 ) Porém, em muitos casos as tarefas de avaliação utilizadas não permitem determinar a origem das falhas dos alunos, o que contribui para a maioria deles ver as avaliações como julgamento e não como uma ocasião. 26 CAPÍTULO II APRENDIZAGEM E MOTIVAÇÃO 27 APRENDIZAGEM E MOTIVAÇÃO Motivar os alunos não é uma tarefa fácil. Muitas vezes o professor conhece as teorias e técnicas de motivação da aprendizagem, mas, ele próprio, não está motivado para ensinar. Os alunos percebem essa desmotivação e, apesar das técnicas e dos métodos de ensino utilizados, não demonstram maior entusiasmo pela matéria. Outras vezes, a falta de motivação para aprender pode ter origem na não satisfação de necessidades que antecedem a necessidade de conhecimentos. A motivação ou a falta dela para aprender pode ser atribuída, enfim, a diversos fatores. Porém, certamente, como aumentar a motivação dos alunos não é uma tarefa fácil. O que um professor pode fazer para que seus alunos se interessem por sua matéria? Como assegurar que os alunos serão capazes de realizar o esforço que o estudo e a compreensão dos principais temas requerem? Por que determinado aluno não avança em alguma matéria quando as capacidades que são intuídas nele são mais do que suficientes? Como poderia conseguir que o interesse que determinado aluno tem por uma matéria o tivesse por outra também? De que maneira deveria organizar uma classe para que a maioria dos alunos se interessasse pelas atividades e tarefas realizadas? Que conteúdos ou que tipo de conteúdo são mais adequados para que os alunos realizassem uma aprendizagem significativa? Todas essas perguntas e outras semelhantes os professores fazem e farão com freqüência. O problema é que muitas vezes não se têm respostas claras e contundentes. A motivação é um dos fatores principais para que se possa alcançar os objetivos propostos, isto é, que os alunos aprendam e desenvolvam ao máximo suas capacidades em todos os âmbitos. 28 2.1 – A aprendizagem Entende-se por aprendizagem a mudança que se produz no aluno ao passar de um estado inicial par um estado final. Segundo Piletti (1988): “A aprendizagem implica normalmente uma interação do aluno com o meio, captar e processar os estímulos provenientes do organizados e exterior que seqüenciados foram pelo selecionados, professor. Como conseqüência da aprendizagem, o aluno transforma seu estado inicial, alcançando um estado final que se caracteriza por ser capaz de manter uma conduta que antes do processo era incapaz de gerar; o aluno é capaz de realizar algo que antes não podia ou não sabia fazer. Assim, a aprendizagem é uma construção que o aluno realiza sobre a base do estado inicial ao incorporar a nova informação em seus esquemas cognitivos” (p.31) Esses processos de recepção de estímulos, de interação das novas idéias com as que já se possuem, de aplicação da nova informação requerem um esforço. É aqui que aparece a importância da motivação. Toda mobilização cognitiva que a aprendizagem requer deve nascer de um interesse, de uma necessidade de saber, de um querer alcançar determinadas metas. 2.2 – Aprendizagem significativa Para Ausubel (1976), as diferenças entre aprendizagem significativa e repetitiva podem se resumir nos seguintes aspectos: incorporação não-arbitrária e não verbal da nova informação; esforço para relacionar os novos conhecimentos com conceitos 29 de nível superior, já existentes na estrutura cognitiva e a implicação afetiva para relacionar os novos conhecimentos com aprendizagem anteriores. A aprendizagem significativa apresenta diante da repetitiva três vantagens essenciais: produz uma retenção mais duradoura da informação; facilita a realização de novas aprendizagens relacionadas e gera mudanças profundas na estrutura cognitiva, que persistem além do esquecimento de detalhes concretos. 2.2.1 – Características da aprendizagem significativa São características da aprendizagem significativa, ainda conforme Ausubel: a memorização abrange do que se aprende; uma reflexão crítica por parte do aluno para relacionar a nova informação como os conceitos de que já dispõe e a funcionalidade, ou seja, o que o aluno aprende serve-lhe para resolver novas situações, novos problemas e para realizar novas aprendizagens. 2.2.2 – Condições Para que ocorra a aprendizagem mais significativa possível, três condições são requeridas: • Dados e conceitos que compõem o material de aprendizagem devem estar bem estruturados e seqüenciados do ponto de vista lógico; • Na estrutura cognitiva do aprendiz deve existir a base conceitual necessária para incorporar o novo material e para estabelecer um vínculo entre a nova informação e os esquemas cognitivos do aluno. “O fator mais importante que influi na aprendizagem é o que o aluno sabe. Pesquisem e ensinem com base nisso” (Ausubel, 1976, p.124) 30 • Motivação do aluno. Este deve estar disposto a realizar o esforço necessário que toda aprendizagem requer. 2.3 – Processo de ensino – aprendizagem Para planejar e aplicar processos de ensino e aprendizagem deve-se ter claros os seguintes aspectos que decorrem naturalmente do próprio conceito de aprendizagem. 2.3.1 – Formulação de metas: Que aprendizagens o aluno deve realizar? O que se espera obter ao final do processo? Trata-se, pois, de dar uma descrição do estado final do aluno. Que capacidades poderão ser desenvolvidas? Enfim, a formulação de metas refere-se às tarefas de planejamento e programação. 2.3.2 – Conhecimento do estado inicial: Se a aprendizagem é uma construção que o aluno deve realizar ao fazer interagir as novas informações com os conceitos disponíveis, é evidente que há necessidade de conhecer o estado inicial do aluno, seus conceitos-base e seus preconceitos ou idéias prévias que deveremos substituir por conceitos científicos. É importante conhecer também o desenvolvimento das capacidades dos alunos e o grau de motivação com que iniciarão o processo de ensino. 2.3.3 – Modelo de aprendizagem: Necessita-se dispor de um modelo que indique os processos que ocorrem na mente do aluno durante a aprendizagem. Não dispõe-se de um modelo completo que se possa iluminar sobre a imensa complexidade dos processos de aprendizagem. Se tal modelo existisse, dele se poderia deduzir a maneira de ensinar os alunos. Apesar disso, é evidente que muitas das idéias procedentes da psicologia da aprendizagem podem dar luzes importantes para o processo de ensino. 31 2.3.4 – Modelo de ensino: Que atividades de ensino serão as melhores para que os alunos realizem as aprendizagens planejadas ou programadas? Qual deve ser o estilo didático? Que metodologias são mais eficientes para realizar determinadas aprendizagens? Como influir positivamente na motivação dos alunos? 2.3.5 – Modelo de avaliação: É imprescindível controlar o estado inicial dos alunos, seu estado final e os processos que levaram de um a outro. Necessitamos, pois, de um modelo de avaliação que nos permitirá controlar e melhorar processos e resultados. Muitas das decisões que devem ser tomadas estão relacionadas com algum desses cinco elementos do processo de ensino e se referirão à motivação dos alunos. É evidente que no momento de programar as metas, definir os objetivos, será imprescindível ter presente qual é a motivação dos alunos e como se pode melhora-la. Conhecer o estado inicial dos alunos implica verificar também qual é seu grau e estilo de motivação. Os modelos de aprendizagem e ensino deverão estar impregnados de idéias relativas à motivação se existe a intenção de que os alunos realmente aprendam. E ninguém desconhece a influência que os processos de avaliação têm na motivação dos alunos. 32 CAPÍTULO III A MOTIVAÇÃO 33 A MOTIVAÇÃO De forma muito resumida Jesus Alonso Tapia (1999) sintetiza algumas idéias sobre a motivação dos alunos fixados em diversas pesquisas realizadas por estudiosos do tema. Louis Not citado pelo autor acima afirma: “Toda atividade requer um dinamismo, uma dinâmica, que se define por dois conceitos, o de energia e o de direção. No campo da psicologia, esse dinamismo tem sua origem nas motivações que os sujeitos podem ter” (p.77) A motivação é um conjunto de variáveis que ativam a conduta e a orientam em determinado sentido para poder alcançar um objetivo. Estudar a motivação consiste em analisar os fatores que fazem as pessoas empreender determinadas ações dirigidas a alcançar objetivos. 3.1 – Classes de motivação De acordo com Tapia (1999), existem quatro grandes classes de motivação para a conduta humana e para a conduta de aprendizagem / estudo. 3.1.1 – Motivação relacionada com a tarefa ou motivação intrínseca A própria matéria de estudo desperta no indivíduo uma atração que o impulsiona a se aprofundar nela e a vencer os obstáculos que possam ir se apresentando ao longo do processo de aprendizagem. O aluno encontra reforço no processo à medida que 34 avança, ao verificar que o domínio de alguns conceitos e técnicas abre-lhes as portas para novos conceitos e técnicas que lhe permitirão ir aprofundando e dominando a matéria. 3.1.2 – Motivação relacionada com o eu, com a auto-estima. Os processos de aprendizagem incluem muitos aspectos afetivos e relacionais. Os êxitos e fracassos que se obtêm vão definindo o conceito que se tem de si mesmo. Quando se tenta aprender e se aprende, forma-se uma auto-imagem positiva que, sem dúvida, ajudará a realizar novas aprendizagens, já que gerará uma confiança e uma auto-estima positiva que impulsionarão a seguir adiante. David Fontana (1998) afirma que as crianças e adolescentes com alto nível de auto-estima obtêm melhores resultados na escola. Quando este é negativo, as expectativas negativas tendem a se confirmar, o que reforça uma baixa auto-estima, estabelecendo-se assim um círculo vicioso, difícil de se quebrar. As experiências, os êxitos e os fracassos, a opinião que os outros têm de nós colaboram de forma considerável para definir o autoconceito e a auto-estima. 3.1.3 – Motivação centrada na valorização social Satisfação afetiva que produz a aceitação dos outros, o aplauso ou a aprovação de pessoas ou grupos sociais que o aluno considera superiores a ele. Esse tipo de motivação manifesta algumas relações de dependência. 3.1.4 – Motivação que aponta para a conquista de recompensas externas Prêmios, dinheiro, presentes que serão recebidos ao se conquistar objetivos de aprendizagem. 35 Diante dessa classificação deve-se advertir que a motivação de determinado aluno não se enquadra exclusivamente numa das quatro categorias ou classes anteriores. A motivação de qualquer pessoa apresentará componentes presentes em cada um dos quatro grupos. 3.2 – Teorias sobre a motivação Algumas das principais teorias sobre motivação que podem ter maior incidência no campo do ensino e da aprendizagem são resumidas por Tapia (1999). Ele as cita, enumerando-as. 3.2.1 – Teoria das necessidades de Maslow Maslow (1954) estabelece uma hierarquia de necessidades, que começa pelas de nível baixo (sobrevivência, segurança, necessidades sociais de contato, autoestima) e conclui com as de nível superior (conquista intelectual, apreciação, autorealização). Quando estão satisfeitas as necessidades de determinado nível, a pessoa se sente motivada para satisfazer as de níveis superior. 3.2.2 – Teoria da conquista Em todas as pessoas se encontram presentes tanto a necessidade de conquista, de alcançar determinada meta como a de evitar o fracasso. Existem instrumentos que permitem ao professor verificar que os alunos experimentam preferencialmente a necessidade de conquista e quais a de evitar o fracasso. Os que se apresentam mais motivados pela necessidade de conquista: selecionam problemas que apresentam desafios moderados; esforçam-se longo tempo diante de problemas difíceis; diminuem sua motivação se alcançam êxito com muita facilidade; e respondem melhor as tarefas que implicam maiores desafios. Os que se motivam basicamente pela necessidade de evitar fracasso: escolhem problemas fáceis ou irracionalmente difíceis; desanimam com os 36 fracassos e são estimulados pelos êxitos; preferem como colegas de trabalho os que se mostram amistosos; respondem melhor a tarefa que apresentam desafios reduzidos e diante de uma aprendizagem fracionada em pequenas etapas. 3.2.3 – Teoria da atribuição Todas as pessoas tentam explicar por que as coisas aconteceram de determinada maneira atribuindo-lhes algumas causas. Essas causas podem ser internas ou externas, segundo as causas se encontrem no interior do sujeito ou fora dele; estáveis, segundo respondem a algo permanente ou mutável e, por último, controláveis ou incontroláveis, segundo seja possível ou não intervir nelas. 37 CAPITULO IV O PROFESSOR COMO FIGURA-CHAVE NA MOTIVAÇÃO DOS ALUNOS 38 O PROFESSOR COMO FIGURA-CHAVE NA MOTIVAÇÃO DOS ALUNOS As múltiplas decisões dos professores têm seu reflexo na motivação dos alunos. A mudança produzida quando se alcança uma melhora no sistema de ensino é importante e faz variar substancialmente o trabalho dos professores. Quando a sociedade não oferece muitas saídas aos jovens e as perspectivas de encontrar trabalho ao sair da escola são poucas, parece que toda a responsabilidade de motivar os alunos recai nos professores. A tarefa não é fácil, mas necessária. Analisando-se atentamente todos os processos correspondentes ao planejamento, implementação e avaliação das atividades de ensino-aprendizagem, observar-se-á que a equipe de professores tomam uma quantidade notável de decisões das quais, muitas vezes arrastados pelas rotinas, não estão plenamente conscientes. Um importante grupo de decisões diz respeito às que um professor toma durante o desenvolvimento de uma aula ao interagir com os alunos. Muitas decisões têm importância na criação ou manutenção dos alunos. Os professores decidem: • O planejamento inicial O que ensinar (conteúdos, objetivos, estratégias de aprendizagem). A seqüência dos conteúdos e objetivos. A duração, a distribuição por cursos e a criação de unidades didáticas. • A avaliação inicial A pesquisa do estado inicial, conceitos-base, capacidades e idéias prévias. A adaptação ao planejamento inicial. • O trabalho em classe 39 O ensino de pré-requisitos. As atividades de ensino-aprendizagem. A avaliação formativa, retificação. • Avaliação final e também a melhora do planejamento dos processos A pesquisa do estado infantil. A tomada de decisões: resultados, processos e planejamento. As modificações necessárias do esboço inicial. 4.1 - Influência da figura do professor na motivação dos alunos Se um professor não está motivado, se não exerce de forma satisfatória sua profissão, é muito difícil que seja capaz de comunicar a seus alunos entusiasmo, interesse pelas tarefas escolares; é, definitivamente, muito difícil que seja capaz de motivá-los. O autor Jesús Alonso Tapia faz algumas considerações importantes sobre a figura do professor (1999): 4.2 - Deficiência na formação social Parece claro que a formação inicial dos professores não é adequada para o exercício da profissão. No caso dos professores do ensino fundamental, parecem escassos os conhecimentos das diferentes áreas e muito limitados os do campo psicopedagógico. A situação ao examinar-se a formação dos professores do ensino médio, cujos conhecimentos pedagógicos primam por sua ausência. Parece urgente a revisão dos estudos do professor de ensino fundamental e a criação de alguns estudos de professor de ensino médio em ciências, letras, sociais, etc., nos quais se combinaria a formação científica nas disciplinas básicas de cada especialidade com a formação psicopedagógica. Aqui deveria incluir-se a formação necessária para que o professor seja capaz de motivar seus alunos. Este será um dos principais problemas que deverá enfrentar 40 durante o exercício de sua profissão e, portanto, deveria ser um dos tópicos principais em sua formação. É urgente valorizar o trabalho do professor. Deve-se reconhecer que, no decorrer dos anos, o professor foi perdendo prestígio social, sendo evidente a desmoralização que globalmente afeta os professores. “É urgente valorizar o ofício do professor. O governo, as escolas e os próprios professores devem considerar isso o objetivo primordial. Caso contrário, encontraremos professores cada vez mais desmotivados que não serão psicologicamente capazes sequer de abordar o problema da motivação de seus alunos” (Alayde Marcozzi, 1986, p. 90) 4.3 –Educar e motivar, tarefas fundamentalmente artísticas Os conhecimentos de psicologia são muito importantes, mas não transformam um bom professor. Podem ajudar a melhorar, a refletir sobre o fato educativo, podem iluminar determinadas parcelas normalmente obscuras, podem dar idéias ao planejar o ensino de determinada matéria. Os processos de ensino-aprendizagem são satisfatórios quando se estabelece uma conexão, uma sintonia entre o professor e os alunos, uma cumplicidade. Isso só determinados professores artistas são capazes de fazer. Alguns profissionais comunicam mais que outros. Às vezes se diz que o mais motivador para um aluno é ter um bom professor. Também se diz que um bom professor é aquele que sabe motivar seus alunos. Deve-se reconhecer que existem grandes professores com escassos conhecimentos de psicopedagogia, mas grande intuição e capacidade de interagir com seus alunos. Sua 41 simples presença já é motivadora. Ao entrar na classe, a atitude dos alunos muda, mostrando-se dispostos a realizar tarefas que com outros professores pareciam impossíveis. 4.4 – A importância de conhecer a fundo a matéria que se ensina Para ensinar é muito importante o conhecimento da matéria em questão. Deve-se conhecer os tópicos básicos da matéria, as metodologias normalmente utilizadas, as estruturas que traçam sua lógica, sua história, a relação com outras ciências. Isso é condição necessária, ainda que insuficiente, para poder ensinar com êxito. Se essa condição não se dá, a reciclagem dos professores deve começar pelo aprofundamento da matéria. As idéias psicopedagógicas serão um luxo supérfluo quando não há o domínio da matéria por parte de quem irá conduzi-la. Conhecer a fundo a matéria que ensinamos e vibrar com ela é indispensável para comunicar aos alunos a motivação que se costuma considerar mais valiosa do ponto de vista pedagógico: a motivação intrínseca. No decorrer dos anos os conhecimentos dos professores ficam facilmente defasados, fossilizados. Nesse sentido é necessária uma formação permanente, já que é importante que os professores falem dos temas da atualidade, os quais interessam aos alunos. Esse é um poderoso artifício para que eles se aproximem da matéria. 4.5 – O professor, objetivo de conhecimento de seus alunos Uma característica especialmente difícil da tarefa do professor é que ele mesmo é objeto de conhecimento de seus alunos. Além da comunicação explícita, daquilo que o professor diz e explica, ele comunica muitas outras coisas: a maneira de raciocinar, o estilo cognitivo, a personalidade, suas atitudes e valores. Atitudes, valores, ética se 42 mostram, não se demonstram. O autêntico professor não pode apenas se fazer de professor, deve sê-lo. Essa é uma característica que faz com que a vocação de professor seja de uma só vez difícil e apaixonante. A própria pessoa do professor pode ser uma fonte de motivação importantíssima. O tipo de relação que se estabelece com os alunos pode gerar um confiança e um aumento de atenção – condições indispensáveis para a aprendizagem. 4.6 – Paradoxos Por fim, deve-se lutar contra um paradoxo que afeta o professor: “A promoção de um professor consiste em deixar de sê-lo”. Muitos deles, quando alcançam um alto nível de competência, deixam de sê-lo ou reduzem ao mínimo de suas tarefas docentes, transformando-se em diretores, administradores ou assumindo qualquer outro tipo de ocupação que os vai afastando do trabalho docente e do contato com os alunos. Essa começa a ser uma característica da profissão: promoção como sinônimo de fuga. Também é estranha a mentalidade de alguns professores que identificam como uma ascensão passar de 3ª a 8ª série, como se ser professor de alunos maiores em vez de alunos pequenos tivesse mais valor. Esses paradoxos e outros afetam o autoconceito e a auto-estima dos professores e influem em sua motivação e, em definitivo, sua atitude diante dos alunos. Estas considerações serão úteis, algumas mais e outras menos, na análise sobre o papel do professor e sua influência na motivação dos alunos. 43 CAPÍTULO V AS TAREFAS DO PROFESSOR E SUA INFLUÊNCIA NA MOTIVAÇÃO DOS ALUNOS 44 AS TAREFAS DO PROFESSOR E SUA INFLUÊNCIA NA MOTIVAÇÃO DOS ALUNOS Tendo influência direta em seus alunos o professor acaba por admitir diversos papéis. Estes, por sua vez, são de fundamental interferência na motivação de cada educando. Alguns com mais destaque e outros com menos, porém todos atuam de certa forma e merecem atenção 5.1 – O professor como planejador O professor tem a possibilidade de organizar o planejamento do currículo assim como de retorná-lo se o feedback não satisfaz. Então pode estabelecer-se uma verdadeira interação entre planejamento e desenvolvimento curricular. Isso torna mais interessante, o enriquece e pode colaborar para dignificar a profissão. Do estudo do contexto da aprendizagem, das características dos alunos, de suas idéias prévias, convicções, motivações é possível extrair conclusões que devem plasmar-se nos planejamentos de ensino. Deve-se aproveitar a liberdade para realizar planos que tenham relação com a realidade, com os interesses dos alunos, que podem ajudar a desenvolver suas capacidades. Deve-se partir da realidade na qual se encontram os alunos, não para acomodá-los a ela, mas para transformá-la e fazê-los crescer. Tem-se a oportunidade de escolher os conteúdos que mais interessam aos alunos, aqueles para os quais eles se sintam motivados. Não esquecer que o mais importante é desenvolver suas capacidades, e isso se pode conseguir trabalhando com diferentes tipos de conteúdo. Certamente existem conteúdos difíceis de evitar. Nesse caso é possível cercá-los de conceitos, procedimentos e atividades que possam ser atraentes para os alunos. 45 Planejamentos e programações devem constituir uma referência, mas não podem ser rígidos, deve-se acomodá-los à realidade motivacional dos alunos sem necessidade de rebaixar os níveis de exigência. É importante incorporar ao projeto educativo objetivos motivacionais. Esses objetivos implicarão em concentrar a atenção do sujeito sobretudo nos processos e empregar técnicas de trabalho cooperativo. 5.2 – O professor como avaliador A avaliação está na moda. Cada vez há mais empresas que se dedicam a ela. Controle de qualidade, de produtos, dos processos, auditorias econômicas, financeiras, de organização... Tudo isso é avaliação. Um conceito mais novo e amplo de avaliação deve mudar a atuação do professor. Hoje só se avalia o resultado dos alunos. Na prática, avaliação é sinônimo de qualificação dos alunos. Esse conceito estende-se ao controle e seguimento dos processos de aprendizagem, à avaliação dos planejamentos curriculares e didáticos, ao trabalho do professor, ao funcionamento da instituição educativa. Avalia-se para controlar a qualidade, mas sobretudo para melhorar processos e resultados. De acordo com Claudino Piletti (1988): “Toda avaliação deve ser seguida de uma tomada de decisão. Os resultados de uma avaliação não devem servir apenas para ser contemplados ou manipulados aplicando-se algumas técnicas estatísticas. Os resultados de uma avaliação devem nos fazer pensar. Deve-se analisa-los e tomar as decisões que pareçam adequadas a fim de melhorar os resultados e os processos” (p.190) Quanto às avaliações do rendimento escolar dos alunos, é muito importante organiza-las de modo que os alunos as considerem uma ocasião para aprender e se evitem, 46 na medida do possível, as comparações de uns com os outros, acentuando-se a comparação com o próprio aluno. Um campo normalmente esquecido, mas muito importante, é o da avaliação inicial como forma de verificar o estado de ânimo do aluno que se pretende transformar com conseqüência das aprendizagens programadas. Não só é importante averiguar quais são os conceitos-base e as idéias prévias dos alunos, mas também interessa conhecer suas metas, motivações, interesses e expectativas. Dos resultados dessa avaliação inicial faz-se um ajuste das programações e planejamentos à situação real da aula. É importante elaborar instrumentos que permitam averiguar as características motivacionais com que os alunos abordam o processo de aprendizagem. 5.3 – O professor como pesquisador Em todas as profissões com certa carga intelectual se pesquisa. No ensino, conforme Jesús Alonso Tapia (1999), esse hábito ainda não esta suficientemente enraizado. O professor deverá se ocupar da criação e aplicação de inovações destinadas a melhorar os processos e resultados. Na escola deve-se pesquisar para saber mais sobre questões psicopedagógicas e para melhorar a qualidade do ensino. A incorporação da tarefa da pesquisa pode contribuir para a valorização da profissão. A escola deverá estar consciente da importância dessa tarefa e deverá criar condições que tornem possível e a facilitem.As necessárias inovações de que o sistema educativo precisa podem nascer dessa mudança na atitude dos professores. A idéia de aprendizagem como mudança, que se opera num sistema chamado aluno que passa de um estado inicial a um estado final sugere múltiplas possibilidades de pesquisa. Pode-se estudar o estado inicial do aluno, o estado final, os processos que se produzem na mente do aluno, como este elabora a informação, como a 47 incorpora a seus esquemas cognitivos, quais são as estratégias mais adequadas para conseguir aprendizagens significativas ou de qualidade. Os professores, devido a proximidade com os alunos, são os que estão melhor situados para abordar esse tipo de pesquisa. 5.4 – O professor e a tarefa de ensinar seus alunos a pensar Essa é uma das missões fundamentais de qualquer professor. O contexto da realidade atual convida a incorporar no trabalho dos professores a tarefa de ensinar a pensar. È importante trabalhar os aspectos relacionados à lógica das diferentes matérias, a formulação de perguntas detalhadas que impliquem uma compreensão das idéias, a capacidade para analisar novas informações, a realização de novas sínteses. Tudo isso supõe habilidades que nem todos os professores possuem. Como diz Scoz (1995): “Querer aprender e saber pensar constituem condições pessoais básicas que permitem a aquisição de novos conhecimentos e a aplicação do que foi aprendido de forma efetiva quando se necessita. Saber pensar num contexto dado – diante de uma conseqüentemente, o tarefa interesse concreta e a – condiciona, motivação pela aprendizagem” (p. 129) Em alguns alunos o desinteresse e o baixo rendimento podem ser devidos a deficiências tão básicas quanto não ser capaz de recolher, elaborar e utilizar adequadamente a informação. À medida que esses e outros alunos aprendem a pensar corretamente, sua motivação e seu interesse pelas tarefas escolares vão aumentando. Diz o citado autor ao final da introdução que: 48 “(...) conhecer, querer saber e saber pensar são fatores do sujeito que podem ser melhorados mediante treino, sempre que este se realiza tendo em conta os princípios assinalados: 1– Que as estratégias de pensamento sejam ensinadas de modo explícito, preferencialmente combinando o ensino direto e o modelado por um tempo suficiente. 2 – Que se ensine aos alunos quando, como e por que aplicar tais estratégias, a fim de que possam auto-regular sua utilização. 3 – Que o ensino dessas estratégias se realize em diferentes contextos para facilitar a generalização” (p. 141) A tarefa de ensinar a pensar pode ser enfocada a partir das diferentes áreas ou matérias. Os programas são constituídos de instrumentos ou lições que se poderia incorporar às diferentes áreas e facilitariam a complicada tarefa de ensinar a pensar. È imprescindível uma boa coordenação das diferentes áreas. Existem capacidades que podem ser trabalhadas com maior facilidade a partir de determinadas matérias. É necessário fazer uma distribuição, verificando o que se trabalha a partir de cada uma das áreas. Deve-se escolher os instrumentos que possam facilitar a aprendizagem e distribuí-los pelas diferentes matérias. Deve-se mudar o modo de ensinar e de avaliar para tornar possível esse importante e ambicioso objetivo. Para elaborar um plano que permita incorporar o ensinar a pensar às diferentes matérias, será necessário conforme Tapia, seguir um processo. Inicialmente fazer uma lista dos procedimentos que aparecem nos planejamentos curriculares das diferentes áreas e matérias, agrupando-os e acrescentando outros que se considerem importantes. Daí, então, decidir a partir de que área ou áreas se trabalhará cada um dos procedimentos. Por fim, escolher os instrumentos, as atividades, os métodos adequados para trabalhar em cada área os procedimentos assinalados. 49 Como se pode ver, essa tarefa não é fácil, já que requer o trabalho paralelo de todas as coordenações e áreas. Sua realização pode colaborar para a formação permanente do professorado e, como todas as inovações, gerará produtos e avanços não incluídos no inventário das intenções iniciais. Este esforço é importante para romper o círculo de que os alunos não sabem pensar porque não estão motivados e não estão motivados porque não sabem pensar. 5.5 – O professor e a tarefa de ensinar seus alunos a aprender É importante que professores dediquem um tempo a ensinar seus alunos a aprender. Deve-se incorporar a prática docente o ensino e a utilização de estratégias de aprendizagem, ou seja, um conjunto de técnicas e procedimentos que objetivem facilitar a aprendizagem dos alunos. Deve-se apresentar aos alunos diferentes modos de abordar e dar sentido às novas informações, isto é, ensinar-lhes a aprender, torná-los autônomos diante da aprendizagem. A reflexão e a análise das estratégias utilizadas diante da aprendizagem. A reflexão e a análise das estratégias utilizadas favorecerão a reflexão por parte do aluno sobre seus próprios processos de aprendizagem. É útil, pois, incorporar a programação de ensino as estratégias de aprendizagem. Sendo assim, toda atividade de ensino-aprendizagem deve poder se situar ou projetar sobre três pontos: objetivo, conteúdo e estratégia de aprendizagem. Esse esforço de incorporar à didática das diferentes áreas o conhecimento e a utilização de estratégias de aprendizagem ajudará os alunos em suas tarefas de estudo e tem implicações evidentes e importantes em sua motivação. 5.6 – O professor orientador Cada dia é mais importante o papel do professor como orientador do processo de aprendizagem dos alunos. É necessário que o professor informe e oriente seus 50 alunos sobre as relações existentes entre os estudos que estão realizando, sua utilidade na vida cotidiana e a importância dos mesmos para o futuro. O professor deve se interessar pelo aluno e aconselhá-lo sobre as dificuldades que se apresentam nos processos de aprendizagem. A atenção pessoal a cada aluno no âmbito acadêmico é missão sua. A reflexão conjunta sobre as experiências de aprendizagem e as ações conseqüentes devem ser guiadas pelo professor. É, sm dúvida, pelo contato pessoal com o aluno que se pode incidir mais eficazmente sobre sua motivação, analisando com ele seus processos, as causas de seus êxitos ou fracassos, reorientando seus esforços para continuar melhorando, etc. No campo da motivação, nenhuma técnica didática de grupo pode substituir o contato pessoa, o diálogo, a escrita, a ajuda para que o aluno exponha seus sentimentos diante das tarefas escolares. Ser capaz de estabelecer canais de comunicação pessoal com cada um dos alunos dá ao professor a chance de poder tratar e encaminhar muitos dos problemas relativos à motivação que irão se apresentando. É imprescindível dedicar um tempo a esse acompanhamento pessoal dos alunos. 5.7 – O professor como transmissor de valores Hoje quase ninguém discute que transmissão de valores é uma importante missão do professor. Conscientemente ou não, o professor transmite alguns valores e atitudes: sua maneira de ser, de raciocinar, sua forma de apresentar os problemas, seus critérios para solucionar os conflitos que se apresentam, sua maneira de viver... À parte essa transmissão de valores implícita, é necessário que o professor transmita valores de forma explícita. Deve-se lutar contra a tendência de deixar isso exclusivamente nas mãos dos “especialistas”, professores de religião, ética. Essa tarefa deve ser assumida por todos os professores. Esse interesse em promover explicitamente a 51 aquisição de aprendizagens no campo de valores e atitudes terão implicações positivas no campo da motivação. 5.8 – O professor como membro de uma equipe Todas ou a maioria das tarefas consideradas até aqui requerem a incorporação do professor a um grupo de educadores que trabalha em equipe. Há sempre a tentativa de empenho voltado para o bom funcionamento das equipes docentes. Deve-se fazer um esforço para facilitar que as experiências e trocas destas sejam enriquecedoras para seus membros e produtivas para as escolas. As equipes de professores deveriam ter núcleos de formação permanente. O trabalho em comum, o intercâmbio de conhecimentos e experiências, a reflexão conjunta e sistemática, a pesquisa contribuem para realizar a partir da escola a formação permanente dos educadores. A motivação dos alunos se vê notavelmente influenciada pelo clima que se vive e pelo ambiente que se respira na escola, pelas normas de funcionamento, pelos valores que se depreendem da atuação dos professores individualmente e em equipe. É, portanto, muito importante que as equipes de professores sejam capazes de iniciar positivamente no clima da escola criando um ambiente que favoreça o interesse pelo estudo, o esforço, a solidariedade, ajuda mútua entre os alunos, entre professores e entre professores e alunos. 52 CAPÍTULO VI O TRABALHO DO PROFESSOR NA SALA DE AULA E SUA INTERAÇÃO COM OS ALUNOS 53 O TRABALHO DO PROFESSOR NA SALA DE AULA E SUA INTERAÇÃO COM OS ALUNOS O planejamento de ensino realizado pelo professor ou pela equipe de professores deve seguir metodologias ricas e variadas. Deve-se utilizar o ensino expositivo e a aprendizagem de recepção, o estudo dirigido, a aprendizagem por descobrimento guiado e aprendizagem autônoma. Em cada momento é necessário utilizar a metodologia que pareça mais direta, mais eficaz ou mais enriquecedora e, sobretudo, mais motivadora. Deve-se combinar o trabalho individual dos alunos com trabalhos em pequenos e grandes grupos, a reflexão individual com os debates, etc. Decidir que tarefas, que atividades de ensino-aprendizagem os alunos realizarão é uma das tarefas mais criativas que os professores realizam. Um dos critérios que se deve ter presente nessa tomada de decisões é a motivação dos alunos. Raths é citado por Alonso Tapia em sua obra (1999), indicando alguns critérios na escolha das diversas atividades de ensino-aprendizagem. Em condições iguais uma atividade é preferível à outra se: • Permite ao aluno tomar decisões razoáveis sobre como desenvolver e ver as conseqüências de sua escolha. • Atribui ao aluno um papel ativo em sua realização. • Exige do aluno uma pesquisa de idéias, processos intelectuais, acontecimentos ou fenômenos de índole pessoal ou social e o estimula a se comprometer nessa atividade. • Obriga o aluno a interagir com sua realidade. • Pode ser realizada por alunos de diversos níveis de interesses diferentes. • Obriga o aluno a examinar em um contexto novo uma idéia, conceito, lei que já conhece. • Obriga o aluno a examinar idéias ou acontecimentos que normalmente são aceitos de forma quase automática pela sociedade. 54 • Põe o aluno e o ensino numa posição de êxito, fracasso ou crítica. • Obriga o aluno a aplicar e dominar regras significativas, normas ou • É relevante para os propósitos e interesses explícitos dos alunos. disciplinas. Em qualquer caso é importante ter presente que o objetivo é conseguir aprendizagens de qualidade, realmente significativas, profundas. Não se deve contentar apenas com aprendizagens por memorização ou superficiais. O fato dos alunos utilizarem preferencialmente um enfoque profundo ou mais superficial não é uma questão de sorte, mas produto de diversas variáveis, algumas das quais têm a ver com aquilo que é proposto pelo professor para se feito pelo aluno e com o tipo de avaliação que ele costuma utilizar. 6.1 – Fatores motivacionais Ao referir-se à motivação na sala de aula, Masini (1999) indica fatores que podem ajudar o aluno a preservar nas atividades dos processos de ensino-aprendizagem. Pode-se reduzi-los a quatro: a informação recebida se processará em melhores condições se existir atenção, se for considerada útil, se se prever que var ter êxito e se a atividade produzir alguma satisfação. Ou seja, a atenção supõe o primeiro passo para que a aprendizagem seja significativa. Ela é uma concentração seletiva sobre algo que se encaixa nos esquemas prévios. A motivação melhora quando o aluno percebe que determinada tarefa é útil, que esta pode resolver alguma necessidade. Também as atitudes de uma pessoa diante do êxito ou fracasso podem ter uma influência sobre os sucessos do educando; trata-se de criar um ambiente educativo que estimule nos alunos sentimentos de competência e controle pessoal que desemboquem em êxitos. Por fim, a avaliação dos resultados obtidos feita pelos outros e pelo aluno individualmente influi na motivação necessária para seguir adiante com a atividade. 55 Estes fatores são realmente fundamentais e devem ser cuidadosamente observados em toda situação de aprendizagem. A motivação depende deles e o educador precisa estar atento a proporciona-los em suja prática a fim de obter um feedback satisfatório. 6.2 – A atuação do professor As possíveis maneiras de atuação do docente pode (e deve) incidir positivamente na motivação dos alunos. As seguintes proposições de ação levam em conta os quatro fatores comentados anteriormente: a tenção, a utilidade, o êxito e a satisfação. A partir das experiências observadas e vivenciadas durante os estágios, acrescidas das afirmações teóricas dos autores Vânia Dohme (2000), Alonso Tapia (1999) e Alayde Marcozzi (1986) foi possível elaborar o quadro abaixo, com atitudes que intimamente colaboram para a motivação dos alunos em sala de aula. Começar as explicações de um tema indicando quais são os conceitos básicos necessários para um adequado seguimento desse tema. • Organizar e relacionar os conceitos básicos mediante algum tipo de • Avaliar de alguma forma os conceitos básicos de cada aluno. • Iniciar cada tema ou unidade didática apresentando perguntas-problema. • As perguntas-problema geram no aluno dúvidas que lhe interessa • Responder às perguntas-problema mediante o ensino expositivo. • Responder às perguntas-problema por meio de experiências ou • Permitir aos alunos apresentar experiências para resolver as perguntas- • Estabelecer relações entre o que o aluno sabe e os novos conteúdos que esquema. resolver. atividades. problema. deve aprender utilizando experiências, audiovisuais ou explicações. 56 • Os novos conceitos surgirão de experiências e atividades realizadas. • Aplicar habilidades e conhecimentos adquiridos a diferentes situações. • Estabelecer o nível de conhecimento do grupo e daí iniciar novos • Ordenar e apresentar os conteúdos dos mais fáceis aos mais difíceis. • Utilizar nas explicações exemplos concretos e próximos aos alunos. • Utilizar casos que tornem a aula mais divertida. Propor uma variedade conceitos. de metas e objetivos que permitam ao aluno diferentes opções. • Animar e estimular os avanços individuais. • Ensinar os alunos a controlar pessoalmente seu trabalho escolar (atenção à aula, horário, realização de esquemas, resumos, etc.) • Ensinar aos alunos técnicas de estudo específicas para a matéria. • Dar tempo suficiente para que cada aluno reflita e possa resolver uma atividade antes de ensinar-lhe rapidamente como fazê-la. • Ajudar os alunos com dificuldades, propondo atividades que possam resolver sem cometer erros. • Ajudar os alunos a valorizar seu esforço, reconhecendo-o mediante uma nota ou outro tipo de prêmio. proposto. • Utilizar algumas vezes trabalho em grupo. • Na aula, manter um alto nível de atividade. • Corrigir no momento os erros de cada aluno. • Animar e reforçar os alunos com dificuldades em cada etapa. • Pensar que os alunos têm consciência de que podem fazer o que e 57 CONCLUSÃO Algumas idéias que podem ajudar os professores a influir positivamente na motivação de seus alunos e a melhorar os processos de aprendizagem que se desenvolvem na escola foram apresentadas. Como ficou claro, não existem receitas mágicas que melhorem a motivação dos alunos. Tampouco há caminhos ou linha s de trabalho simples que garantam sua melhora. È importante ter muito presente o tema, pesquisar sobre ele, refletir de forma sistemática sobre a prática educativa com fé em que se pode melhorar, convencendo-se de que os esforços não são inúteis. Portanto, ser professor requer uma atitude mais criativa, uma confiança maior em si mesmo e nas próprias capacidades. É importante questionar determinadas rotinas consolidadas nas escolas ao longo dos anos que à simples vista parecem muito difíceis de mudar. Tem-se a necessidade de formular perguntas elementares como: Esta é a melhor maneira de fazer as coisas? Não existiria uma forma mais eficaz? Evidentemente é muito importante a pesquisa sobre educação que fazem os especialistas, os professores universitários, os estudantes, mas é imprescindível a reflexão profunda e sistemática dos professores que passam muitas horas do dia ao lado dos alunos. Esses, sim, conhecem os problemas, as dificuldades, a falta de motivação de seus alunos e, desta forma, são os mais indicados para enfocar sua solução. Para tornar possível muito do que foi enumerado neste trabalho é necessária uma formação específica do professorado no terreno psicopedagógico e na atuação de conhecimentos sobre as diferentes matérias. A formação necessária deve ser teórico-prática, deve supor aprofundamento dos princípios básicos e inclusões práticas nas diferentes didáticas. Do acerto no planejamento dessa formação específica dependerá o êxito e a viabilidade de muitas das idéias necessárias para melhorar a qualidade do ensino oferecido nas escolas. 58 Podemos desenvolver uma parte da formação específica por meio do trabalho de equipes docentes. O professor pode completar sua formação permanente, pode refletir de maneira crítica e sistemática sobre seu trabalho com a intenção de melhorá-lo. Deve tomar decisões sobre o planejamento de ensino, avaliar os resultados e os processos de estudo que conduzam à cristalização das necessárias inovações para melhorar e tornar mais coerente a prática educativa. As escolas deveriam se preocupar em oferecer saídas aos trabalhos de seus professores: publicação de artigos, elaboração de livros de textos, materiais didáticos próprios, difusão de pesquisas. O trabalho dos professores precisa e muitos incentivos. Como se vê, a motivação do aluno está intimamente ligada ao incentivo do professor. Motivar o educando em sala de aluno não é uma tarefa fácil e esta é uma questão que diz respeito á motivação do próprio docente. O professor não pode, de forma alguma, adotar uma postura acomodada diante de sua ralação como s alunos, com os meios, recursos e processos que utiliza para ensinar. Embora seja mais fácil permanecer nesta condição estática, é urgente reagir para salvar a escola, fazendo-a cumprir seu verdadeiro papel: o de desenvolver a cognição através de um ser humano que se realiza. Para isso não há modelos definitivos. É preciso, antes de tudo, da conscientização do desejo de mudar, por parte dos educadores e administradores dos sistemas educacionais. Só depois, então, será possível alimentar as iniciativas com programas e metodologias simples ou sofisticados, dependendo das circunstâncias e meios que dispõe. 59 BIBLIOGRAFIA CITADA 1. AUSUBEL, NOVAK, HANESIAN. Psicologia Educacional. Rio de Janeiro: Interamericana, 1980 2. DOHME, Vânia D’angelo. Trinta e duas idéias que auxiliam o aprendizado. São 3. Paulo: Códice, 2000 4. FONTANA, David. Psicologia para professores. São Paulo: Loyola, 1998 5. MASINI, Elsie F. Salzano. O ato de aprender. São Paulo: Menmon, 1999 6. MARCOZZI, Alayde Madeira. Ensinando à criança: um guia para o professor. Rio de Janeiro: Ao livro técnico, 1986 7. PILETTI, Claudino. Didática Geral. São Paulo: Ática, 1988 8. SCOZ, BARONE, CAMPOS, MENDES. Psicopedagogia: Contextualização, formação e atuação profissional. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995 9. TAPIA, Jesús Alonso. A motivação em sala de aula. São Paulo: Loyola, 1999 10. WERNECK, Hamilton. Ensinamos demais, aprendemos de menos. Petrópolis: Vozes, 1998 11. ZANCANER, Carmen L. C.. Como aprender melhor. São Paulo: Tilibra, 1996 12. TAPIA, Jesús Alonso. A motivação em sala de aula. São Paulo: Loyola, 1999 60 ANEXOS 61 62 63 64 65 ÍNDICE AGRADECIMENTOS iii DEDICATÓRIA iv RESUMO v METODOLOGIA vii SUMÁRIO viii INTRODUÇÃO 09 CAPÍTULO I CONTEXTO, MOTIVAÇÃO E APRENDIZAGEM 1.1 – Condicionantes pessoais da motivação para aprender 1.2 - Condicionantes contextuais da motivação para aprender 1.3 - Organização das atividades 1.3.1 – Autonomia 1.3.2 – Interação dos alunos 1.4 – Interação do professor com os alunos 1.4.1 – Antes de realizar uma tarefa 1.4.2 – Durante a tarefa 1.4.3 – Ao final da tarefa 1.5 – Avaliação da aprendizagem 10 CAPÍTULO II APRENDIZAGEM E MOTIVAÇÂO 2.1 – A aprendizagem 2.2 – A aprendizagem significativa 2.2.1 – Características da aprendizagem significativa 2.2.2 – Condições 2.3 – Processo de ensino-aprendizagem 2.3.1 – Formulação de metas 2.3.2 – Conhecimento do estado inicial 2.3.3 – Modelo de aprendizagem 2.3.4 – Modelo de ensino 2.3.5 – Modelo de avaliação 25 12 14 18 18 19 21 21 21 22 23 27 27 28 28 29 29 29 29 30 30 65 CAPÍTULO III A MOTIVAÇÃO 3.1 – Classe das motivações 3.1.1 – Motivação relacionada com a tarefa ou motivação intrínseca 3.1.2 – Motivação relacionada com o eu, com a auto-estima 3.1.3 – Motivação centrada na valorização social 3.1.4 – Motivação que aponta para a conquista de recompensas externas 3.2 – Teorias sobre a motivação 3.2.1 – Teoria das necessidades de Maslow 3.2.2 – Teoria da conquista 3.2.3 – Teoria da atribuição 31 CAPÍTULO IV O PROFESSOR COMO FIGURA-CHAVE NA MOTIVAÇÃO DOS ALUNOS 4.1 – Influência da figura do professor na motivação dos alunos 4.2 – Deficiência na formação social 4.3 – Educar e motivar, tarefas fundamentalmente artísticas 4.4 – A importância de conhecer a fundo a matéria que se ensina 4.5 – O professor, objetivo de conhecimento de seus alunos 4.6 – Paradoxos 36 CAPITULO V AS TAREFAS DO PROFESSOR E SUA INFLUÊNCIA NA MOTIVAÇÃO DOS ALUNOS 5.1 – O professor como planejador 5.2 – O professor como avaliador 5.3 – O professor como pesquisador 5.4 – O professor e a tarefa de ensinar seus alunos a pensar 5.5 – O professor e a tarefa de ensinar seus alunos a aprender 5.6 – O professor orientador 5.7 – O professor como transmissor de valores 5.8 – O professor como membro de uma equipe 42 CAPITULO VI O TRABALHO DO PROFESSOR NA SALA DE AULA E SUA INTERAÇÃO COM OS ALUNOS 6.1 – Valores motivacionais 6.2 – A atuação do professor 51 CONCLUSÃO 56 BIBLIOGRAFIA CITADA 58 ANEXOS 59 32 32 33 33 33 34 34 34 34 38 38 39 40 40 41 43 44 45 46 48 48 49 50 53 54 FOLHA DE AVALIAÇÃO UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES Instituto de Pesquisa Sócio-Pedagógicas Pós-Graduação “Lato Sensu” Título da Monografia: _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ Data da Entrega: ___________________________________________________ Avaliado por:_________________________________Grau_________________________ Rio de Janeiro ___ de _______________de 200__ ________________________________________ Coordenador do Curso