1 UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS, LETRAS E ARTES DEPARTAMENTO DE LETRAS ESTRANGEIRAS MODERNAS CURSO DE LETRAS – FRANCÊS MARIÂNGELA FELÍCIO RIBEIRO “A ATIVIDADE LÚDICA É ESSENCIAL PARA MANTER O INTERESSE DO ALUNO”: Relatos de professores de língua francesa sobre o uso do lúdico em sala de aula João Pessoa 2011 2 MARIÂNGELA FELÍCIO RIBEIRO “A ATIVIDADE LÚDICA É ESSENCIAL PARA MANTER O INTERESSE DO ALUNO”: Relatos de professores de língua francesa sobre o uso do lúdico em sala de aula Trabalho apresentado ao Curso de Licenciatura em Letras da Universidade Federal da Paraíba como requisito para obtenção do grau de Licenciado em Letras – Francês. Orientadora: Profa. Dra. Katia Ferreira Fraga João Pessoa 2011 3 Catalogação da Publicação na Fonte. Universidade Federal da Paraíba. Biblioteca Setorial do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA). Ribeiro, Mariângela Felício. A atividade lúdica é essencial para manter o interesse do aluno: relatos de professores de língua francesa sobre o uso do lúdico em sala de aula/ Mariângela Felício Ribeiro. - João Pessoa, 2011. 39f. Monografia (Graduação em Letras) – Universidade Federal da Paraíba - Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes. Orientadora: Profª. Drª. Kátia Ferreira Fraga 1. Língua francesa. 2. Ensino lúdico. 3. Atividades lúdicas – Sala de aula I. Título. BSE-CCHLA CDU 811.133.1 4 MARIÂNGELA FELÍCIO RIBEIRO “A ATIVIDADE LÚDICA É ESSENCIAL PARA MANTER O INTERESSE DO ALUNO”: Relatos de professores de língua francesa sobre o uso do lúdico em sala de aula Trabalho de Conclusão de Curso, aprovado como requisito parcial para obtenção do grau de Licenciado em Letras no Curso de Letras- Francês, da Universidade Federal da Paraíba. Data de Aprovação: ___/___/____ Banca Examinadora: _____________________________________________ Profa. Dra. Katia Ferreira Fraga Orientadora (UFPB) _____________________________________________ Profa. Ms. Miriam Pereira de Luna Examinadora (UFPB) _____________________________________________ Profa. Ms. Mariana Pé 5 É no brincar, e somente no brincar, que o indivíduo, criança ou adulto, pode ser criativo e utilizar sua personalidade integral: e é somente sendo criativo que o indivíduo descobre o eu (self). D.W.Winnicott 6 AGRADECIMENTOS Meus mais sinceros agradecimentos: A Deus, pela graça de mais um objetivo alcançado e por ter sido a minha fortaleza e consolo nos momentos difíceis. À minha querida mãe, Maria de Fátima, pelo seu belo exemplo de vida e superação em meio às dificuldades e pelo seu amor e cuidados. Aos meus irmãos, José Alex, Alessandro e Ana Carolinne, a minha sobrinha, Maria Clara, e a todos os meus familiares. Ao meu querido companheiro de todas as horas e momentos, Juarês Jr. Muito obrigada, amor, NEOQUEAV! As minhas queridas amigas de curso, Edna (minha grande mãe), Martha, Mônica e aos meus colegas de turma, pois foi graças a nossa união que conseguimos superar os obstáculos e desafios encontrados no decorrer de nosso curso. As minhas amigas fieis Cibelle, Josiete, Fernanda, Dani, Vanice, Lisa, Meg, Renata, Laila, Fátima e Suedna, e aos meus grandes amigos Lucas, Adriano, Alcides, Jeferson e Fagny. A todos os professores participantes desta pesquisa, que contribuíram, através de seus relatos, revelando que não se deixaram acomodar em meio às dificuldades de sua profissão e buscam formas de cativar e motivar seus alunos ao aprendizado de uma nova língua. À minha professora orientadora, Kátia, por ter contribuído significativamente para essa pesquisa, por meio de suas orientações e conselhos, mas, acima de tudo, pelo seu caráter admirável e pela maneira atenciosa e carinhosa com a qual me conduziu nesse trabalho final de conclusão de curso. MUITO OBRIGADA!!! A todos os professores que contribuíram de maneira positiva para a minha formação neste curso, em especial, as professoras Cléa Macêdo, Miriam Pereira e Sandra Paiva, pois fizeram toda a diferença em minha formação por serem verdadeiras semeadoras de bom 7 caráter, responsabilidade, afetividade e dedicação em sala de aula. A elas, o meu enorme MERCI BEAUCOUP!!! Enfim, a todas as pessoas que acreditam em mim, a vocês, a minha imensa gratidão!!! 8 RESUMO A presente pesquisa procura refletir sobre a relação entre a formação docente e o trabalho efetivo em sala de aula no que se refere à utilização do lúdico. Nosso corpus se constitui de relatos de professores de língua francesa dos estados da Paraíba e do Rio de Janeiro, coletados através de questionários enviados via internet, buscando, a partir de uma análise qualitativa dos dados, possíveis implicações das atividades lúdicas no processo de ensino-aprendizagem. Palavras-chave: língua francesa – ensino lúdico – crenças docentes 9 RÉSUMÉ La présente recherche a pour objetif de réfléchir sur la rélation entre la formation enseignante et le travail effectif dans salle de classe par rapport à l‟utilisation du ludique. Notre corpus se constitue de discours de professeurs de langue française des états de Paraíba et Rio de Janeiro, réunis à partir de questionnaires envoyés par internet dans le but de réfléchir sur les implications des activités ludiques dans le processus de l‟enseignement-apprentissage. Mots-clés: langue française – enseignement ludique – croyances enseignantes 10 SUMÁRIO INTRODUÇÃO ............................................................................................................... 9 CAPÍTULO I – POR UM ENSINO MOTIVADOR E ENVOLVENTE ................... 11 1.1 ALGUMAS CONCEPÇÕES SOBRE O JOGO E A BRINCADEIRA .................. 11 1.2 O USO DO LÚDICO EM SALA DE FLE .............................................................. 13 1.3 A PRESENÇA DAS CRENÇAS NA PRÁTICA DOCENTE ................................ 16 CAPÍTULO II – CONSTRUINDO UM CAMINHO METODOLÓGICO ............... 21 2.1 A NATUREZA E O CONTEXTO DA PESQUISA ............................................... 21 2.2 PARTICIPANTES ................................................................................................... 21 2.3 INSTRUMENTOS PARA COLETA DOS DADOS .............................................. 22 2.4 PROCEDIMENTOS DE ANÁLISE ........................................................................ 23 CAPÍTULO III – APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS ............................ 25 3.1 O LÚDICO E A PRÁTICA DAS PROFESSORAS................................................. 25 3.2 O LÚDICO NA SALA DE FLE .............................................................................. 28 CONSIDERAÇÕES FINAIS ......................................................................................... 31 REFERÊNCIAS .............................................................................................................. 33 APÊNDICES ................................................................................................................... 35 Apêndice A ....................................................................................................................... 36 Apêndice B ....................................................................................................................... 38 9 INTRODUÇÃO A educação atual testemunha mudanças que ocorrem em ritmo acelerado em nossa sociedade. Tais mudanças são decorrentes da globalização, das tecnologias que estão associadas a modelos políticos e econômicos e que obrigam a população a adequar-se às exigências de mercado, para geração de lucro, produção, mão de obra qualificada etc. Saber uma língua estrangeira (LE) nos dias atuais também é um fator presente em tais exigências. Sabemos que, diferentemente dos países da Europa, que possuem uma grande acessibilidade e proximidade com diferentes línguas e culturas, o Brasil, mesmo fazendo fronteira com dez países da América do Sul, possui uma grande extensão territorial que dificulta a acessibilidade para o conhecimento de outras línguas por parte dos seus cidadãos. Assim, o professor de LE, além de ensinar, precisa também estimular os alunos que costumam indagar: “professor (a), pra quê aprender outra língua se eu não vou sair do país?”. Pensando nessas exigências de mercado, mas sobretudo em formas estimulantes e agradáveis de ensinar LE, especialmente o francês, que nos dias de hoje não se apresenta como língua estrangeira com peso no cenário político e econômico, o presente trabalho traz como justificativa minhas experiências enquanto aluna e professora de LE com as atividades lúdicas, visto que estas tornariam o ambiente da sala de aula mais interessante e divertido. Na experiência como aluna de LE, lembro que minhas professoras, especialmente as da escola livre de idioma em que estudei, sempre trabalhavam com o lúdico (jogo de memorização, músicas, bingo, origami etc.), o que tornava as aulas mais dinâmicas e divertidas. Enquanto professora de LE, também levei o lúdico para minhas aulas e percebi que as atividades lúdicas contribuíam não apenas para deixar o ambiente da classe menos monótono, como também ajudavam os alunos a superar dificuldades na aprendizagem da língua. Tendo em vista minhas experiências com o lúdico, decidi pesquisar de que forma ele participa do trabalho dos professores, mais especificamente, por que o utilizam e em que contextos o fazem. Por meio da análise de um questionário sobre o uso de atividades lúdicas em aulas de FLE, buscarei responder às seguintes perguntas: 1- Por que usar o lúdico em sala de francês como língua estrangeira (FLE)? 2- Em que contexto os professores utilizam atividades lúdicas? 3- Os professores tiveram contato com o lúdico durante sua formação acadêmica? 10 Assim, temos como objetivo refletir sobre a relação entre a formação docente e o trabalho efetivo em sala de aula no que se refere à utilização do lúdico. Dessa forma, visamos quatro objetivos específicos, a saber: 1- Verificar se o lúdico é um elemento utilizado pelos professores. 2- Analisar em que momentos as atividades lúdicas são utilizadas. 3- Identificar com que público as atividades lúdicas são mais utilizadas. 4- Analisar como os professores percebem as atividades lúdicas no processo de ensinoaprendizagem. 5- Saber sobre a formação dos professores no que se refere ao lúdico. Partindo do pressuposto de que o trabalho docente comporta certo número de elementos ritualizados, não variáveis, que terminam por caracterizar a profissão, tenho como hipótese que as atividades lúdicas são um suporte ao qual os professores, de forma geral, recorrem para despertar em seus alunos o interesse pela LE. Ou seja, o lúdico seria um elemento comumente integrado às práticas dos professores, da mesma forma que o livro didático, a compreensão de textos, os exercícios de gramática, as atividades metalinguísticas. Assim, através da pesquisa, buscarei de certa forma contribuir para o enriquecimento de informações sobre o lúdico, visto que estudos que abordem tal tema precisam ser mais frequentemente desenvolvidos na área de ensino de FLE no Brasil. Este trabalho se organizará em quatro capítulos. No primeiro, abordaremos algumas definições sobre o lúdico, sua utilização em sala de FLE e, finalmente, possíveis motivos que norteiam a prática docente em relação ao ensino lúdico. No segundo capítulo, apresentaremos o passo a passo construído ao longo da pesquisa. No terceiro capítulo, realizaremos a análise dos dados para chegar, enfim, às considerações finais sobre nosso trabalho. 11 CAPÍTULO I – POR UM ENSINO MOTIVADOR E ENVOLVENTE Neste capítulo, discutiremos aspectos relacionados ao lúdico no processo de ensinoaprendizagem em sala de aula de FLE e, para tal, apresentaremos, primeiramente, algumas concepções sobre o jogo e a brincadeira para podermos, em seguida, abordar o uso do lúdico na sala de FLE e, por fim, discutir a presença das crenças na prática docente. 1.1 - ALGUMAS CONCEPÇÕES SOBRE O JOGO E A BRINCADEIRA Para que possamos analisar o uso do lúdico em sala de aula de FLE, é necessário, antes de tudo, compreendermos como a noção de lúdico foi tratada por alguns estudiosos ao longo dos anos. Segundo Huizinga (1996) o termo lúdico é oriundo do latim inludere, inlusio, que significa ilusão. Desde Aristóteles, o jogo teve sua imagem associada à ilusão, ao não real, ao lazer, enquanto que as atividades “sérias” inscreviam-se na noção de real, de útil e de trabalho. Foi principalmente durante o período do Romantismo que as atividades lúdicas começaram a ter sua importância na educação, quando as noções de origem e natureza foram valorizadas. Em Émile, ou de l’Éducation de Jean-Jacques Rousseau (1762/1966), já considerava que as ações infantis, livres das influências negativas da sociedade, expressavam verdade e, portanto, eram o caminho natural para o desenvolvimento do indivíduo. A fim de fortalecer o corpo e fazê-lo crescer, a natureza tem meios que não devemos nunca contrariar. Não se deve obrigar uma criança a ficar quando ela deseja ir, nem de ir quando deseja ficar [...] é necessário que elas pulem, corram, gritem quando têm vontade. Todos os seus movimentos são necessidades de sua constituição, que busca se fortalecer ¹ (p. 54). Platão, em sua República, que acreditamos tão severa, só educa as crianças em festas, com jogos, músicas, passa-tempos ², parece que ele teria realizado tudo ao lhes ensinar a divertirem-se. (p. 71, grifo do autor). ¹ La nature a, pour fortifier le corps et le faire croître, des moyens qu'on ne doit jamais contrarier. Il ne faut point contraindre un enfant de rester quand il veut aller, ni d'aller quand il veut rester en place [...] il faut qu'ils sautent, qu'ils courent, qu'ils crient, quand ils en ont envie. Tous leurs mouvements sont des besoins de leur constitution, qui cherche à se fortifier. [tradução nossa] ² Platon, dans sa République, qu'on croit si austère, n'élève les enfants qu'en fêtes, jeux, chansons, passe-temps ,[tradução nossa] 12 O psiquiatra inglês, D.W.Winnicott (1975), influenciado pelo Romantismo, interessou-se por questões ligadas ao lúdico na formação do indivíduo. Para ele, as crianças brincam com mais facilidade, pois ainda não teriam as barreiras psíquicas da vida adulta, mas o mesmo demonstra que os adultos não só podem, mas devem brincar e jogar, entrando assim no mundo do “faz-de-conta, no mundo da ilusão.” O psiquiatra foi responsável pela criação do espaço transicional, considerado o espaço da brincadeira, da ilusão – onde se realiza a interação - resultado de reflexões decorrentes de suas análises clínicas, sobretudo em crianças, mas também em adolescentes e adultos. Winnicott (op. cit., p.63, apud SILVA 2003, p.24) revela benefícios decorrentes desse espaço, que garante a boa saúde mental, como também a interação entre as pessoas, afirmando que “[...] a brincadeira que é universal e que é própria da saúde: o brincar facilita o crescimento e, portanto, a saúde; o brincar conduz aos relacionamentos grupais [...]”. O autor afirma que o brincar é de extrema importância, pois é através desse ato que tanto a criança quanto o adulto deixam fluir sua criatividade contribuindo para sua constituição: É no brincar, e somente no brincar, que o indivíduo, criança ou adulto, pode ser criativo e utilizar sua personalidade integral: e é somente sendo criativo que o indivíduo descobre o eu (self). Ligado a isso, temos o fato de que somente no brincar é possível a comunicação (WINNICOTT, 1975 p.80, apud SILVA, 2003 p.25). Outro teórico que se interessou pelo lúdico, especialmente por aspectos relacionados a jogos, foi J. Huizinga (1996), que defendia que os seres humanos têm a capacidade intrínseca e a necessidade de jogar. Mesmo sem conceituar a palavra jogo, o autor aponta características relevantes encontradas nos jogos: 1º) o fato do jogo ser livre, de ser ele próprio liberdade, sendo uma atividade conscientemente tomada como „não-séria‟. 2º) o jogo não é vida „corrente‟, nem „vida real‟, ou seja, propicia uma evasão da vida real, conduzindo a uma imersão no „mundo do faz-de-conta‟. 3º) o jogo consiste no isolamento, na limitação, ou seja, o jogo acontece num espaço e num tempo limitado, mas vale ressaltar que, embora o espaço e o tempo utilizados sejam limitados, eles são extremamente significativos, uma vez que deixam, frequentemente, marcas profundas na memória. 13 Huizinga (1996) revela a presença das seguintes características lúdicas contidas no jogo: ordem, tensão, movimento, mudança, solenidade, ritmo, entusiasmo, mas o autor revela que o jogo possui também o caráter sagrado e religioso, afirmando que: [...] a unidade e a indivisibilidade da crença e da incredulidade, a indissolúvel ligação entre a gravidade do sagrado e o „faz de conta‟ do divertimento, são características melhor compreendidas no interior do próprio conceito do jogo. (p.28, apud SILVA 2003, p.16) O lúdico e o sagrado seriam as duas fundamentais vertentes, segundo Huizinga (op. cit.), associadas à noção do jogo, observando que as mesmas, com inúmeras outras implicações, acabam levando o jogador a uma sensação de divertimento, euforia e prazer, mas também de arrebatamento e de enlevo. O neurologista e psicólogo suíço, E. Claparède (1956), outro estudioso que contribuiu para estudos relacionados ao lúdico, nos revela sobre a natureza educativa dos jogos, observando que, se estes forem bem elaborados e direcionados, podem contribuir para o desenvolvimento cognitivo do indivíduo. Segundo o neurologista e psicólogo: Todos os jogos são, por sua própria essência, educativos. Reserva-se, porém, o nome de jogos e de brinquedos educativos a certos jogos ou brinquedos combinados de maneira que proporcione um desenvolvimento sistemático de espírito ou inculque certos conhecimentos positivos (op. cit., apud KISHIMOTO 1993, p.76). Na seção seguinte, procuramos discorrer como o uso do lúdico foi introduzido em sala de FLE e apresentar algumas visões teóricas que justificam a utilização de atividades lúdicas no contexto escolar. 1.2 – O USO DO LÚDICO EM SALA DE FLE Como mencionamos anteriormente, as atividades lúdicas se fizeram presentes na educação desde o Romantismo, porém, ao pensarmos nas diferentes metodologias de ensino de LE, verificamos que, apesar de no método audiolingual (também conhecido como método do exército) as atividades de memorização e jogos terem sido utilizadas como atividades de motivação, para a didática do francês como LE, é principalmente com a abordagem comunicativa que há a introdução do jogo na sala de aula, graças ao seu aspecto interacionista, estimulante e motivador. 14 Sabemos que o ensino de LE sofreu modificações ao longo dos anos, modificações estas propostas pelos métodos e abordagens de ensino de LE que surgiram decorrentes de críticas a modelos anteriores de ensino, visando novos métodos e abordagens que fossem, de certa forma, mais eficientes, privilegiando não apenas uma competência, mas que dessem condições ao aluno de desenvolver as quatro competências: a produção escrita, a produção oral, a compreensão leitora e a compreensão oral. Segundo autores como Silveira (1999); Cuq & Gruca (2002); Silva (2003) e Silva (2005), no século XX, a partir dos anos 70, o ensino de línguas estrangeiras e de segunda língua se torna conhecido pela abordagem de ensino comunicativa³. Essa abordagem teve grande importância e receptividade no continente europeu, pois é nesse mesmo período que acontece um redirecionamento dos rumos da Didática da Língua Estrangeira (DLE), em razão da criação do Mercado Comum Europeu, e com isso é dado enfoque à questão da comunicação entre os povos e ao incentivo ao ensino das línguas estrangeiras. Silveira (op. cit.) afirma que o encontro de várias culturas na Europa, em razão de um grande movimento migratório, propiciou o surgimento de um “movimento comunicativo” decorrente de uma convergência de teorias linguísticas, filosóficas, pragmáticas, sociológicas e etnográficas que tinham como preocupação o uso efetivo da língua, ou seja, [...] na Europa, devido ao grande movimento de imigração, ocorre uma busca de métodos mais eficazes que levassem as pessoas a dominarem não apenas o conhecimento gramatical de línguas estrangeiras que tivessem que aprender, mas que pudessem usar adequadamente estas línguas em situações reais (ou plausíveis) de interação social, principalmente nos postos de trabalho, nas universidades, nas instituições públicas, etc. (p.74) Logo, a abordagem comunicativa nasce em um contexto político, social e econômico como meio de “[...] atender às necessidades de aquisição de línguas dos imigrantes e, por extensão, de adultos em geral que tivessem necessidade de aprender línguas estrangeiras para fins específicos.” (SILVEIRA, op. cit, p.74) ³ Trazemos aqui alguns conceitos propostos por Silveira (1999, p.74-78) sobre esta abordagem. Segundo a autora, a língua é vista como uma atividade destinada à realização das interações sociais; a aprendizagem da língua é um processo ativo que se dá pela interação de componentes cognitivos e sociais; os papéis destinados ao professor seriam o de informante, animador, organizador entre outros; e o papel do aprendiz é o de utilizar suas estratégias de aprendizagem durante as atividades propostas e construir os seus conhecimentos através da interação com os colegas e o professor. 15 Silva (2003) afirma que, com a introdução da abordagem comunicativa, reformulamse as concepções de como ensinar e de como aprender, mostrando que o papel do professor, nesse caso, deixa de ser centro (como em outras abordagens, por exemplo, a tradicional) e passa a ser um facilitador das atividades em sala de aula, como também o aluno deixa de ser apenas mero receptor de conhecimentos transmitidos pelo professor e passa a ser um indivíduo com autonomia e atuante em sua aprendizagem. As atividades pedagógicas nesta abordagem, segundo Germain (1993, p.211, apud SILVA, op. cit., p. 41), “[...] visam uma real comunicação, levando em conta a intenção de comunicação”. Não se exclui totalmente a competência linguística, que é o conhecimento gramatical, mas essa passa a ser considerada insuficiente para a interação social. Defende-se então o que Silveira (1999) cita como competência comunicativa, competência que abarca não só os conhecimentos gramaticais e lexicais, mas também o conhecimento do uso social da língua. A autora afirma que “a abordagem comunicativa, no que se refere às condições de ensino-aprendizagem, leva em consideração os conceitos de aprendizagem versus aquisição” (SILVEIRA, op. cit., p.78), que são, na verdade, dois fenômenos completamente diferentes. Segundo Krashen: [...] temos duas maneiras independentes de desenvolver uma capacidade em outra língua: a aquisição da língua é um processo inconsciente que tem como resultado um conhecimento linguístico armazenado no cérebro de forma inconsciente (conhecimento tácito). A aprendizagem de uma língua é um processo consciente que tem como resultado “um conhecimento sobre” a língua. A aquisição de uma língua é “incidente” (em oposição a intencional) e “implícito”, enquanto que a aprendizagem de uma língua é intencional e explícita [...] (1982, apud BANGE, 2005). Assim, a aquisição seria um processo conduzido de forma implícita (natural) e inconsciente, e por isso, considerado mais duradouro que o processo da aprendizagem, considerado consciente e visto pelo aluno de maneira explícita. A abordagem comunicativa proporcionou ao lúdico um enfoque relevante no processo de ensino-aprendizagem de FLE, visto que possui aspectos que despertam a interação e a motivação nos alunos, e, por isso mesmo, interessante a ser utilizado no contexto escolar. Através dessa importância atribuída às atividades lúdicas, alguns estudiosos apontam justificativas para a utilização destas pelo professor em sala de aula. Silva (op. cit.), por exemplo, alinhado a Winnicott, aponta a importância do professor na condução de atividades lúdicas na sala de aula, uma vez que um de seus papéis é o de facilitador na aprendizagem de seus alunos: 16 [...] o professor deve criar situações e tarefas onde o brincar e o jogar estejam presentes, o que facilita a introdução de aprender num outro universo, o da aprendizagem da língua estrangeira. E é nesse espaço de confiança, de mundo “fazde-conta”, de ilusão, de inserção, que o aluno pode sentir prazer em brincar, em se comunicar em língua estrangeira (p.26). Pensando nessas mudanças de abordagens de ensino no decorrer dos anos, a pesquisadora Elichirigoity (1999) esclarece que atualmente, “[...] o estudante de LE exige uma utilidade prática para tudo o que vai aprender [...]” (p.13) e aponta para meios que enfatizem a prática do que é ensinado teoricamente em sala de aula e a necessidade de “[...] novos procedimentos na sala de aula de LE que não enfatizam os conhecimentos gramaticais, mas que, ao propor jogos e simulações, dêem condições de aquisição da linguagem” (p.15). Ao sugerir atividades lúdicas em classe, o professor daria condições ao aluno de unir o que ele aprendeu em sala de aula na teoria com a prática, criando assim sentido em sua aprendizagem. Seguindo a mesma linha de pensamento, Teixeira (1995) afirma que os educadores possuem vários motivos para recorrerem às atividades lúdicas e utilizá-las como um recurso no processo de ensino-aprendizagem, pois segundo o autor, [...] o jogo é um fator didático altamente importante, mais do que um passatempo, ele é elemento indispensável para o processo de ensino-aprendizagem. Educação pelo jogo deve, portanto, ser a preocupação básica de todos os professores que têm intenção de motivar seus alunos ao aprendizado (p.49). Um dos motivos apontados por Teixeira (op. cit.) para a utilização de atividades lúdicas em sala de aula está relacionado a esquemas mentais que estas mobilizam. Sendo uma atividade física e mental, a ludicidade aciona e ativa as funções psico-neurológicas e as operações mentais, estimulando o pensamento. Na próxima seção, refletiremos sobre as experiências e os valores que os professores acabam trazendo para sua prática profissional. 1.3 – A PRESENÇA DAS CRENÇAS NA PRÁTICA DOCENTE No percurso teórico exposto até então, observamos que o lúdico, apesar de estar sempre presente na vida do ser humano (seja como criança ou adulto), em sala de aula de LE, especialmente de língua francesa, ele só se faz relevante com o enfoque dado pela abordagem comunicativa, que surgiu no século XX a partir da década de 70 na Europa. 17 Visto assim, o ensino lúdico, de certa maneira, é um assunto recente quando falamos em formação de futuro professores de LE. Em cursos destinados à área de Educação, como Pedagogia, o ensino lúdico se faz presente na formação dos futuros educadores infantis, mas, como vimos anteriormente, autores como Teixeira (1995); Elichirigoty (1999) e Silva (2003) demonstraram a importância do ensino lúdico em sala de aula de LE, revelando que este é eficaz, pois motiva e desperta a interação entre os participantes (professor-aluno, alunoaluno). Pensando em minha experiência e a de colegas da graduação do curso de Letras (Francês) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), percebi que durante nossa formação o lúdico não foi teorizado como elemento a ser utilizado no ensino-aprendizagem de LE, apesar de termos vivenciado situações de atividades lúdicas durante nosso processo de formação docente. É interessante perceber o quanto do trabalho docente se realiza a partir de uma vivência prática e não de uma formação teórica para a realização do trabalho. Altet (1998), ao analisar as competências e os conhecimentos profissionais dos professores, fala dos saberes que envolvem a atividade de ensino, “[...] construídos na interação entre conhecimento e informação, entre sujeito e ambiente, na mediação e através dela [...]” (p.28), mostrando-nos que o trabalho docente se compõe de uma pluralidade de saberes, que ultrapassam os saberes teóricos, aqueles a serem ensinados e os saberes para ensinar (pedagógicos e didáticos). Como afirma Marcelo (2002), os próprios aspirantes a professores não são „vasos vazios‟ ao ingressarem em uma instituição de formação inicial docente, pois estes “[...] já têm ideais e crenças fortemente estabelecidas sobre o que é ensinar e aprender.” (p.116). Todos nós já observamos modelos de professores e situações educativas que nos levaram a criar representações do que é “ser professor”. Para Tardif (1993, apud Altet, op. cit., p.29), [...] os saberes dos docentes não correspondem a um conhecimento no sentido usual desse termo; eles se referem muito mais a representações concretas, específicas; são práticas orientadas para o controle das situações, a solução de problemas, a realização de objetivos em um contexto. Em resumo, trata-se de saberes pragmáticos, isto é, no sentido primeiro do termo, de saberes construídos em contato com as coisas em si, isto é, situações concretas do ofício de professor. Por isso, achamos importante trazer à tona a noção de crenças na atividade docente. Vários estudiosos da Linguística Aplicada têm se interessado pelo tema das crenças sobre o ensino e aprendizagem de línguas, tanto no Brasil (Barcelos, 2007; Silva, 2000, VieiraAbrahão, 2006) como no exterior (Feiman-Nemer, 2001; Kagan, 1992; Wideen, MayerSmith, & Moon, 1998). Segundo Silva (2005, p.31, apud SAMIA, 2011 p.5), a crença 18 [...] é um termo que pode ser definido a partir de diferentes enfoques. Do ponto de vista psicocultural, o termo aparece sob o nome de pensamento, representação, orientações cognitivas, teorias implícitas, saberes, além de valores, expectativas, perspectivas e atitudes. São categorias vistas como parte da cultura e são estruturadoras de formas de pensamento de comportamentos. Do ponto de vista filosófico ou sociológico, o termo crença pode se tornar circular, pois, além de se diluir dentro das correntes de pensamento, ele aparece junto a outros termos para explicá-lo, como o conceito de ideologia, por exemplo. Nesse caso, ideologia pode ser explicada como um sistema de crenças e o conceito de crença pode ser considerado um tipo de pensamento que é ideológico. Cada corrente tem uma linguagem própria para se referir ao pensamento humano ou ao conhecimento; podemos então, entender o termo crença subjacente a outros termos, de acordo com as visões de mundo e de ser humano. Para nós, a palavra crença não se contrapõe ao termo saber e nem significa um conhecimento pouco elaborado. Ela é uma das formas do pensamento humano. Iremos levar em consideração em nossas reflexões as crenças relacionadas aos professores, ou seja, as crenças educacionais, que são convicções a respeito dos vários assuntos que dizem respeito à educação e se revelarão nas falas, ações e comportamentos do professor em sua prática cotidiana. Marcelo (2002) aponta pesquisas realizadas por Feiman-Nemer (2001); Kagan (1992); Wideen, Mayer-Smith & Moon (1998) que revelam que os professores entram no programa de formação com crenças pessoais acerca do ensino, sejam estas ligadas com a imagem de bom professor, a imagem de si mesmos como professores, e a memória de si mesmos como alunos, demonstrando que tais crenças não sofreriam mudanças ao longo de sua formação e que as mesmas influenciam os professores no decorrer de sua prática como docente. O autor aponta três categorias que influem nas crenças e conhecimentos desenvolvidos pelos professores acerca do ensino: - Experiências pessoais: Incluem aspectos da vida que determinam uma visão do mundo, crenças em torno de si mesmo e em relação aos demais, ideias acerca das relações entre a escola e a sociedade, assim como sobre a família e a cultura. A procedência socioeconômica, étnica, o sexo, a religião, podem afetar as crenças acerca do aprender a ensinar. - Experiências com o conhecimento formal: O conhecimento formal, entendido como aquele sobre o qual se deve trabalhar na escola. As crenças acerca da matéria que se ensina assim como a forma de ensiná-la. - Experiência escolar e de aula: Inclui todas aquelas experiências como estudante, que contribuem para formar uma ideia acerca do que é ensinar e qual é o trabalho do professor. 19 Pacheco (1995), em suas contribuições para o tema “crenças”, aponta a influência de aspectos relacionados à cultura na construção de crenças encontradas nos professores. O autor afirma que [...] as crenças dos professores, seu mundo representacional, sua visão de mundo, são categorias vistas como parte de cultura e da cultura profissional do professor; são o pano de fundo do contexto em que ele decide diante das situações específicas e definem tanto seu pensamento quanto sua ação (op. cit., p.52 apud SAMIA, 2011, p.). Pacheco (op. cit.) continua seu raciocínio revelando que com estudos sobre crenças educacionais é possível identificar os principais ideais que guiam a ação dos professores, ou seja, a estrutura cognitiva e experiencial que lhes permite decodificar a realidade norteadora da ação. Tendo em vista o alto grau de influência das crenças nas práticas de professores, Sadalla et al. (2002, apud SAMIA, 2011) revelam que estas interferem inclusive no modo como estes preparam as aulas, na forma que irão ensinar, nas suas escolhas pedagógicas e, consequentemente, na sua prática cotidiana. Observamos, até aqui, que as crenças possuem papel de destaque nas práticas docentes, sejam estas expressas de forma consciente ou não pelo professor. Tal fator que influencia o processo de ensino-aprendizagem precisa ser exposto e colocado em evidência na formação de professores. Sadalla et al. (1998, p. 107-108, apud SAMIA, 2011, p. 6) demonstram em seus estudos que A formação do professor tem apontado na direção de que ele deve ser auxiliado a ter consciência da fundamentação das suas ações. Assim, é mister que o professor tenha consciência e torne explícitas suas crenças, teorias e saberes que norteiam as questões educacionais na direção do desenvolvimento profissional. Quanto mais clareza o docente tiver não só de seus pressupostos, mas também de sua visão de Homem, mundo, educação e processo ensino-aprendizagem, melhores serão suas possibilidades de atingir suas metas e objetivos. O conhecimento das crenças docentes e das relações destas com as suas ações, poderá, portanto, viabilizar efeitos positivos e duradouros no processo ensino-aprendizagem, beneficiando não só os alunos, mas também os próprios professores. Possuindo uma visão semelhante à de Sadalla et al., Silva (2005), defende a ideia de que as instituições de formação inicial para professores tenham a preocupação em desenvolver posturas críticas e reflexivas em seus futuros profissionais para que estas possam resultar em práticas fundamentadas. O autor afirma que 20 [...] a rigor, os cursos de formação deveriam proporcionar aos seus alunos uma crítica de suas posturas, de seus preconceitos e opiniões, dos saberes que construíram na vida [...] o papel dos cursos de formação implica uma base teórica conceitual suficiente para que o professor questione o que já aprendeu e para que possa construir o seu próprio referencial teórico para trabalhar e superar o senso comum (p.40, apud SAMIA, 2011 p.6). A partir de tais reflexões teóricas sobre as crenças no contexto educacional, podemos perceber que estas são fortemente presente nas práticas docentes, como também precisam ser trazidas à tona através de discursões e reflexões nos centros de formação inicial à docência para que as crenças não passem despercebidas pela formação dos futuros professores, mas, que possam ser vistas e trabalhadas a partir de um estudo consciente e fundamentado. No próximo capítulo, iremos expor os procedimentos metodológicos utilizados ao longo desta pesquisa. 21 CAPÍTULO II – CONSTRUINDO UM CAMINHO METODOLÓGICO Neste capítulo, apresentaremos o percurso metodológico desta pesquisa, constituído por quatro partes, a saber: a natureza e o contexto da pesquisa, os participantes, o instrumento de coleta de dados e os procedimentos de análise. 2.1 - A NATUREZA E O CONTEXTO DA PESQUISA A natureza de nossa pesquisa se constrói com base em um estudo qualitativo interpretativista, pois procuramos através de nosso instrumento de coleta de dados, como explicam Denzin e Lincoln (2006), interpretar e descrever as informações que as pessoas (no nosso caso, professores de francês do Rio de Janeiro e da Paraíba) a ele conferem. Dessa forma, buscamos compreender as razões que levam os professores de língua francesa a usarem o lúdico e em que momentos da aprendizagem recorrem a ele, como também obter informações de cada professor sobre sua formação e experiências no que se refere ao lúdico. O contexto da pesquisa se realizou via internet, pois enviamos um questionário para o e-mail da Associação dos Professores de Francês do Estado do Rio de Janeiro (APFERJ), a fim de obter dados sobre a utilização de atividades lúdicas pelos associados, professores de francês. Também enviamos o questionário para uma professora da cidade de João Pessoa, por ser esta a única que ensina a língua francesa em uma escola pública da rede estadual. A Paraíba, hoje, adota como componente curricular a língua inglesa, principalmente, começando a inserir o espanhol em cumprimento à orientação do MEC, o que nos levou a buscar outros professores que ensinam francês fora do estado para a realização da pesquisa. 2.2 - PARTICIPANTES Com o envio dos questionários pela internet, recebemos a resposta de sete professores, dentre os quais seis eram do Rio de Janeiro e uma professora de João Pessoa, totalizando assim, a participação de sete professores. Através das informações obtidas com as perguntas pessoais (cf. Apêndice A), traçaremos aqui o perfil de cada um deles, isto é, de cada uma delas, pois todos os questionários foram respondidos por mulheres. Doravante, iremos nos referir a elas como professoras A, B, C, D, E, F e G. 22 A professora A possui graduação, ensinando há 34 anos em escola da rede estadual e seu alunado tem a faixa etária entre 10 e15 anos, aproximadamente. A professora B possui título de mestre, lecionou durante 48 anos e, atualmente, encontra-se aposentada desde o ano passado (2010), ensinou em escolas do município e da rede privada, tendo experiência com alunos de faixa etária entre 11 e 20 anos. A professora C (de nacionalidade francesa) é especialista e leciona desde fevereiro de 2010 em escola privada, tendo alunos com idade entre 8 e 77 anos. A professora D é graduada, leciona há um ano em escola privada e ensina para alunos com faixa etária a partir de 18 anos. A professora E possui especialização, ensinando há 23 anos, possui experiência em escolas do estado e da rede privada, lecionando para alunos de 7 até mais de 40 anos. A professora F possui graduação, leciona há 27 anos em escola federal para alunos com idade atualmente entre 10 e 16 anos. A professora G possui especialização, ensina há oito anos em escola federal e seus alunos tem idade entre 12 e 18 anos. 2.3 - INSTRUMENTOS PARA COLETA DOS DADOS Para o desenvolvimento da pesquisa, utilizamos, como instrumento de coleta de dados um questionário (cf. Apêndice A) seguido de um termo de consentimento livre e esclarecido (cf. Apêndice B) que informava para os professores participantes o intuito do questionário, como também a nossa preocupação em preservar e manter em sigilo as identidades destes. O questionário utilizado continha treze questões, sendo quatro delas pessoais, tendo como intuito obter informações sobre os professores participantes. As outras nove estavam relacionadas ao lúdico. A formulação do questionário se baseou em Ninin et al. (2005), que apontam que esse tipo de instrumento utilizado para a coleta de dados possui aspectos que se fazem relevantes em sua elaboração. Segundo os autores, é importante que o pesquisador, ao elaborar um questionário, “[...] tente utilizar diferentes estilos de perguntas/respostas, de modo a não tornar o questionário enfadonho e cansativo para a pesquisa” (p.2). Pensando nisso, utilizamos perguntas que não cansassem nossos pesquisados, mas que fornecessem respostas objetivas e informativas para nossa análise. 23 Desta maneira, iremos apresentar aspectos que caracterizam nossas perguntas de acordo com o ponto de vista de alguns teóricos, sobretudo no que se refere a tipo e forma de perguntas. Podemos dizer que quanto à forma Babbie (2001, apud NININ, 2005 p. 3-4) expõe cinco formas de perguntas (matriciais, declarativas, interrogativas: diretas e indiretas, listas e gráfica). Em nosso questionário, nos baseamos em perguntas de aspecto interrogativas diretas – caracterizadas por marcadores de função interrogativa (qual, quanto, que – por exemplo, Qual a sua formação acadêmica?) e, pelo pronome explicativo (como – por exemplo, Como os alunos reagem às atividades lúdicas?) – e outras de aspecto de listas – caracterizadas por alternativas a serem consideradas pelos pesquisados (sim/não, preenchimento de lacunas e múltipla escolha – por exemplo, Você verifica alguma(s) contribuição(ões) do lúdico para aprendizagem dos seus alunos? ( )sim ( ) não. Explicite.). Outros modelos de perguntas utilizados em nosso questionário dizem respeito à pergunta quanto ao tipo, no qual autores como (Marcuschi, 1991; Nunan, 1992; Gil, 1999), revelam três tipos de perguntas, as fechadas (sim/não e com possíveis respostas predeterminadas, por exemplo, Em que tipo(s) de escola(s) você trabalha? ( ) municipal ( ) estadual ( ) privada), abertas ou informativas (dando ao pesquisado o poder de decidir o que dizer, e são caracterizadas por marcadores: qual, como etc., por exemplo, Qual a faixa etária de seus alunos?) e, dependentes (ou seja, a resposta da próxima pergunta depende da resposta da pergunta anterior, por exemplo, Há dificuldade(s) em aplicar atividades lúdicas em sua sala de aula? Se positivo, qual(is)?). 2.4 – PROCEDIMENTOS DE ANÁLISE No próximo capítulo, analisaremos os dados, buscando nas respostas das professoras, aspectos que nos indiquem o que pensam sobre o lúdico e suas experiências com o mesmo, enquanto, alunos e professores. Assim, levaremos em consideração os seguintes tópicos: - O lúdico e a prática dos professores - O lúdico na sala de FLE Visto desta maneira, iremos transcrever as respostas das professoras e destacar em negritos os trechos mais relevantes de seus relatos para a pesquisa. Vale frisarmos, que nem todas as questões do nosso questionário foram analisadas no capítulo a seguir, pois tivemos 24 que nos limitarmos a selecionar apenas as que nossos objetivos buscavam responder devido ao curto tempo para a entrega deste trabalho. 25 CAPÍTULO III – APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS Neste capítulo, buscaremos interpretar as falas dos professores de FLE a respeito do lúdico, refletindo sobre ele, em um primeiro momento, pela perspectiva da prática docente para, em seguida, buscarmos compreender as implicações que as atividades lúdicas acarretariam para o processo de ensino-aprendizagem. 3.1- O LÚDICO E A PRÁTICA DO PROFESSOR Como discutimos anteriormente, os professores precisam adotar em suas aulas meios que despertem interesse em seus alunos para a aprendizagem de uma LE. Com isso, procuramos observar a utilização de atividades lúdicas pelos professores, e se estes possuem formação acadêmica para lidar com tais recursos. Sendo assim, percebemos que todas as professoras que participaram da pesquisa utilizam o lúdico em suas aulas, algumas delas trabalhando com o lúdico há mais de vinte anos. Vejamos seus relatos: Profª A: Sim, desde sempre, porém com muito mais frequência de uns 10 anos pra cá. Profª B: Trabalhei mto, durante toda carreira, até pq comecei como professora primária. Profª C: Sempre trabalhei com o lúdico. Profª D: Sim. Há um ano. O programa de francês para a terceira idade busca, justamente, trabalhar com aspecto lúdico da aprendizagem. Profª E: Sim, com as crianças, com os adolescentes e com os adultos. Com as crianças, desde 1989 e com os adolescentes e os adultos desde 1994 mais ou menos. Profª F: Sim. Há uns 20 anos. Profª G: Sim, mas não sei precisar o tempo. Sempre que possível. Porém, apesar de usarem este suporte, chamou-nos a atenção o fato de todas, com exceção da professora G, não terem tido em sua formação inicial contato com textos teóricos sobre o uso de atividades lúdicas como suporte de aprendizagem. As que tiveram acesso a esses textos o fizeram através de formação continuada ou por interesse pessoal, auto formação. Vejamos o que estas revelam sobre sua formação: Profª A: Não. Profª B: Na formação acadêmica normal, não, apenas na Formação Continuada, em vários cursos organizados pela APFERJ, pelo Consulado e pela Secretaria Municipal de 26 Educação. Fiz também uma pós-graduação, na UNIRIO de “Artes e Educação”, que foi ligada às artes em geral, com atividades de jogos dramáticos, musicais e ligados às literaturas e artes plásticas. Profª C: Eu procurei alguns pessoalmente (artigos de revistas especializadas), minha prof. deu uma bibliografia. Profª D: Não. Há uma tendência nas universidades em dar atenção, de maneira exagerada, a estudos literários, em consequências, as outras áreas não são desenvolvidas. Profª E: Não nas disciplinas do curso de Letras, mas durante a especialização em Educação Infantil. Profª F: Na minha formação, não. Mas em cursos de formação realizados pela APFERJ. Profª G: Poucos textos. Observamos, assim, que as professoras B, C, E e F só tiveram contato com o lúdico de forma teorizada através de cursos e formações continuada, através de pós-graduações ou porque buscaram conhecer tal assunto por interesse próprio. Vale ressaltar também o relato da professora D que demonstra haver um privilégio atribuído às disciplinas de literatura, o que acaba por afetar outras áreas de conhecimento importantes para a formação docente, como a reflexão sobre a prática docente, as ações possíveis de serem utilizadas no processo de ensino-aprendizagem, enfim, os saberes que Altet (1998) define como “os saberes para ensinar”. Apesar de constatar que a maioria das professoras não teve contato com um ensino lúdico na sua formação inicial, todas elas, exceto a professora B que não respondeu, possuem noções sobre a definição do termo lúdico. Vendo que lúdico para cada uma delas é: Profª A: Lúdico é a característica do que diverte, possui objetivos claros e é funcional. O desenvolvimento da atividade lúdica tem tanta importância quanto o resultado e, através dela, em todas as etapas, desenvolve-se a sensibilidade e a criatividade, promove-se a socialização e a disciplina, supera-se dificuldades, a espontaneidade se manifesta, conhecendo-se melhor as potencialidades de quem participa, entre outros, sendo um instrumento facilitador, em muitos casos. Profª B: ? Profª C: É uma maneira de atingir uma meta didática, dando a impressão de estar brincando. Profª D: Diversão, pela definição do dicionário. Para mim, o lúdico é uma ferramenta eficaz para ser explorada pelo professor. 27 Profª E: Uma ferramenta de auxílio à aprendizagem que a torna mais agradável para o aluno e o professor. Profª F: É você tornar atraente o que parecia sem graça. É mostrar ao aluno que as atividades em sala podem ser muito prazerosas. Profª G: É qualquer atividade que trabalhe com o inesperado, com o diferente, mudando a dinâmica da aula e atraindo, assim, de forma mais eficaz, a atenção e o interesse dos alunos. Identificamos, nas falas das professoras, que o lúdico está associado ao divertimento, ao brincar, como também a uma ferramenta eficaz e de auxílio no processo de ensinoaprendizagem. Verificamos que a maioria das professoras tiveram, enquanto alunas de LE, experiências com as atividades lúdicas em sua aprendizagem. Vejamos o que estas dizem sobre tais vivências: Profª A: Sim, em atividades de música e jogos de vocabulário (e olha que foi há mais de 34 anos atrás!!!). Professor que sabe o que quer, entende a importância do lúdico não importa a época. Profª B: Não. Profª C: Sim, pelo canto, alguns jogos de cartas ou de mesa... Especialmente nas aulas de inglês quando era criança. Profª D: Sim. Poucas vezes uma professora trazia reportagens, músicas e atividades de Jeux de rôle que eram desenvolvidas em salas. Profª E: Sim, com atividades de “briser la glace” e outras atividades para introduzir um novo conteúdo – jogos, brincadeiras por exemplo. Profª F: Sim. Em dramatizações, na Aliança Francesa. Em sala de aula, ouvindo músicas e poemas. Profª G: Sim. Em jogos e em atividades com clip de música, vídeos. Algo que nos chamou a atenção foi um trecho na fala da professora A em relação ao agir do professor, vendo que a ação deste independe de conhecimentos teóricos para justificar sua prática, mas vai além, é algo ligado às suas próprias decisões, ao que ele acredita ser relevante para a aprendizagem naquele momento. Ao dizer “professor que sabe o que quer, entende a importância do lúdico...”, constatamos o quanto crenças pessoais influem no agir docente. Por mais que a formação docente seja feita com estudos e teorias sobre o pedagógico, o didático, enfim, uma formação específica para ministrar a disciplina a contento, os professores acabam por agir a partir de “[...] saberes construídos em contato com as coisas em si [...]” (Tardif, 1993 apud Altet, 1998), da interação e das inúmeras experiências vividas. 28 A partir das falas das professoras, concluímos que estas utilizam o lúdico em suas aulas graças a experiências que vivenciaram ao longo de suas vidas, especialmente, experiências associadas às categorias apontadas por Marcelo (2002), vendo que estas influem nas crenças e conhecimentos desenvolvidos acerca do ensino, e, consequentemente, ao agir em sala de aula. 3.2 - O LÚDICO NA SALA DE FLE Na análise dos questionários, percebemos que todas as professoras afirmam que o lúdico faz parte de suas atividades em sala de aula. Dessa maneira, buscaremos analisar em que circunstâncias as professoras utilizam as atividades lúdicas e que implicações as mesmas percebem em sua utilização. Assim, vejamos em que momento(s) estas recorrem ao lúdico: Profª A: Não há ocasião precisa, pois é necessário sentir se os alunos estão receptivos psicologicamente à atividade. Mas pode ser para introduzir um conceito, servindo de motivação, para fixar conteúdo ou até mesmo para avaliar. Profª B: Usava mtas vezes no início das aulas, como uma espécie de “aquecimento” e/ou ao final da aula, como relaxamento. Usava também mtas vezes como avaliação e como fixação. Profª C: Muitas vezes, no final de uma “lição”, como aplicação da aprendizagem. Profª D: Antes de introduzir um conteúdo gramatical e depois, para “fixar” os conteúdos abordados. Geralmente, nos métodos, as atividades lúdicas estão na parte de civilização. Profª E: Depende da necessidade, do envolvimento da turma, mais em geral as atividades são realizadas no início da aula, para recapitular a(s) aula(s) anterior(es) e descontrair os alunos e deixá-los mais receptivos à nova aula. Profª F: Quando o conteúdo que está no programa foi cumprido e me sobra tempo para desenvolver essas atividades. Profª G: Em vários momentos: para introduzir um ponto novo ou para fixar algo já trabalhado; para quebrar a rotina de livro/caderno de exercícios; para descontrair; para animá-los. Identificamos que, de maneira geral, as professoras recorrem às atividades em momentos para a introdução de algum conteúdo, como recurso motivador e que descontrai o aluno. 29 Constatamos também que as professoras usam o lúdico para vários tipos de faixa etária, rompendo de certa forma com a “crença” de que lúdico está apenas destinado à infância, pois há professoras que utilizam as atividades lúdicas para aulas com adolescentes e adultos, inclusive para o público de terceira idade. Vejamos com que público estas professoras utilizam o lúdico: Profª A: De 10 a 15 anos aproximadamente, em 2011. Profª B: De 11 a 20 anos. Profª C: De 8 a 77 anos. Profª D: A partir de 18 anos. Profª E: De 7 até mais de 40 anos. Profª F: De 10 a 16 anos. Profª G: De 12 aos 18 anos. Nessa perspectiva, Winnicott (1975) ressalta em seus estudos a importância do brincar para os seres humanos, observando que estes possuem não só a capacidade como também a necessidade de brincar e afirma que o ato de brincar deve ser realizado independente de idade, trazendo benefícios para o desenvolvimento de crianças e adultos. Em seus relatos, as professoras, exceto a professora B que não respondeu, afirmam que o lúdico traz contribuições para a aprendizagem de seus alunos, principalmente no que se refere à motivação. Profª A: Motiva e ajuda a aprendizagem, facilitando a compreensão, fixando conhecimento e avaliando sem grande intenção. Estando há 34 anos na sala de aula e observando por tanto tempo o andar da carruagem, verifico que hoje, mais que em outras épocas, a atividade lúdica é essencial para manter o interesse do aluno. Profª B:? Profª C: Eles se animam e tem vontade de conseguir brincar, fazem esforços para se lembrar da “lição”. Profª D: Os alunos se sentem motivados a produzir em língua estrangeira, porque encaram o processo de ensino-aprendizagem como um jogo. Profª E: Com o lúdico os alunos se sentem mais a vontade e com isso, participam mais das aulas e aprendem com mais facilidade que durante uma aula mais tradicional. Profª F: O aluno fica mais interessado, ele se sente mais seguro ao perceber que realmente sabe a matéria e estas atividades tornam a relação professor-aluno mais próxima. 30 Profª G: Os alunos aprendem com mais prazer e mais facilidade, pois normalmente não se dão conta de que estão aprendendo. Eles tendem a se lembrar bem das atividades e, consequentemente, do que foi aprendido. Sabemos que para uma aprendizagem efetiva é necessário que os alunos estejam implicados no processo de aprendizagem, que se sintam motivados, assim como seus professores. No entanto, nos perguntamos, a partir das falas das professoras, até que ponto podemos afirmar com precisão que os alunos aprendem com mais facilidade? Até que ponto as crenças dessas professoras de que jogos e brincadeiras são necessários e positivos na aprendizagem não determinam também o envolvimento e a motivação dos alunos, facilitando com isso todo o processo de aprendizagem? Barcelos (2007), ao relatar as diferentes pesquisas no campo de crenças no Brasil, aponta resultados que indicam uma relação direta entre crenças e motivações. Segundo Lima, as crenças determinam as expectativas e julgamentos de valor que podem conduzir à motivação ou desmotivação. A motivação, por sua vez, impulsiona o indivíduo para a ação, a qual influencia o sucesso e sustenta a crença e a motivação (p.55). De qualquer forma, os estudos de Winnicott (1975) e Huizinga (1996) já apontavam que as atividades lúdicas trazem contribuições significativas para a interação entre o professor-aluno ou aluno-aluno, como também para a saúde mental, contribuindo para estimular e manter o aluno interessado e motivado para aprender uma LE. Em resumo, as professoras se utilizam das atividades lúdicas em diferentes contextos e com diferentes faixas etárias a partir da crença de que elas contribuem com a aprendizagem, mesmo sem que tenham tido uma formação teórica a respeito. 31 CONSIDERAÇÕES FINAIS Ao término de nossa pesquisa podemos afirmar que foi possível compreender com mais clareza como se configura a utilização do lúdico por tais professoras de FLE nesses dois estados brasileiros. O fato de termos que recorrer a professores de outro Estado para termos vozes de professores do ensino fundamental e médio também foi para nós um alerta, pois nos mostra que a realidade de ensino da língua francesa carece de cuidados e atenção: para onde estão indo os egressos da formação em Letras-Francês do Estado da Paraíba? Como garantir a língua francesa na grade curricular das escolas públicas e/ou particulares de nossa região? Essas são questões que poderão nos guiar numa próxima pesquisa, pois, no momento, as questões que nos motivaram a desenvolver esse trabalho referem-se apenas à utilização das atividades lúdicas em sala de aula de FLE: Por que usá-las? Em que momentos? Com que finalidades? Com que público? Através dos sete questionários que nos serviram de corpus, verificamos que todas as professoras que participaram da pesquisa utilizam o lúdico em suas aulas, algumas delas trabalhando com o lúdico há mais de vinte anos. Esse dado nos levou a uma outra questão: não existiriam professores contrários ao uso de atividades lúdicas na aula de FLE? Talvez, por termos enviado nosso questionário em meio ao recesso de julho, muitos professores não tenham podido colaborar. Nossa outra hipótese é que apenas os professores que creem e defendem o uso das atividades lúdicas tenham se sentido motivados a colaborar com a pesquisa. Essa ausência de vozes contrárias foi, para nós, motivo de reflexão também e de certa forma nos frustrou, pois poderíamos analisar os argumentos contrários ao lúdico. Dentre os dados conclusivos de nossa pesquisa, podemos dizer que um dos que mais nos chamou a atenção foi o que se refere à ausência de formação teórica sobre o tema durante a formação na graduação, momento em que o futuro professor deveria ter acesso a textos que remetem ao fazer docente. Os que tiveram acesso a esses textos o fizeram através de formação continuada ou por interesse pessoal. Esse dado nos permite concluir que o trabalho docente se faz não apenas com conhecimentos teóricos para justificar sua prática, mas vai além, é algo ligado às próprias decisões do professor, ao que ele acredita ser relevante para a aprendizagem naquele momento. Por isso, a importância de levantarmos a questão das crenças – sejam elas advindas de experiências pessoais ou de experiências com o aprendiz – e sua influência sobre o agir dos professores. 32 Da mesma forma, constatamos que os professores analisam a utilização do lúdico como benéfica para a aprendizagem sem, contudo, informarem que parâmetros e critérios utilizam para fazer tal afirmação. Com exceção da motivação, não há nenhum outro argumento que nos informe que as atividades lúdicas melhoraram realmente o aprendizado. Por isso, voltamos a levantar a questão das crenças e como elas podem ser definitivas nas opções que os professores fazem em seu encaminhamento pedagógico cotidiano. O uso das atividades lúdicas pelos professores é, em geral, fruto de experiências passadas como alunos de LE. Podemos concluir que nossa hipótese inicial, que as atividades lúdicas são um suporte ao qual os professores, de forma geral, recorrem para despertar em seus alunos o interesse pela LE, foi comprovada através dos relatos dos professores afirmando que os alunos em contato com tais atividades se sentem à vontade e instigados a aprender a língua francesa. Esperamos que nossa pesquisa tenha contribuído para enriquecer e ampliar estudos sobre o lúdico em sala de FLE, e, também, motivar professores – não apenas de FLE, mas também de outras áreas – na construção de ambientes que facilitem o processo de ensinoaprendizagem. Enfim, encerramos o nosso trabalho com o relato da professora A, que inspirou o título de nossa monografia, ao relatar suas experiências de décadas com o lúdico em sala de aula... Estando há 34 anos na sala de aula e observando por tanto tempo o andar da carruagem, verifico que hoje, mais que em outras épocas, a atividade lúdica é essencial para manter o interesse do aluno. 33 REFERÊNCIAS ALTET, Marguerite. Formando Professores Profissionais: quais estratégias? quais competências? São Paulo: ARTMED, 1998. BANGE, Pierre. L’Apprentissage d’une Langue étrangère: cognition et interaction. Paris: L‟Harmattan, 2005. BARCELOS, Ana Maria Ferreira. Crenças sobre ensino e aprendizagem de línguas: reflexões de uma década de pesquisa no Brasil. In: M. O. Alvarez e K. Silva. Linguística Aplicada, múltiplos olhares. Campinas: Pontes, 2007. CUQ, Jean-Pierre; GRUCA, Isabelle. Cours de didactique du français langue étrangère et seconde. Saint-Martin-d‟Hères (Isère): Pug, 2002. DENZIN, Norman K.; LINCOLN, Yvonna S. O planejamento da pesquisa qualitativa: teorias e abordagens. Tradução de Sandra Regina Netz. Porto Alegre: Artmed, 2006. ELICHIRIGOITY, Maria Teresinha Py. 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São Paulo: Loyola, 1995. 35 APÊNDICES 36 Apêndice A Universidade Federal da Paraíba Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes Departamento de Letras Estrangeiras Modernas ....................................................................................................................................... Questionário sobre atividades lúdicas em sala de FLE Dados pessoais: 1°) Qual a sua formação acadêmica? ( ) graduação ( ) especialização ( ) mestrado ( ) doutorado 2°) Há quanto tempo leciona? 3°) Em que tipo(s) de escola(s) você trabalha? ( ) municipal ( ) estadual ( ) privada 4°) Qual a faixa etária de seus alunos? Perguntas sobre o lúdico: 1°) Para você, o que é o lúdico? 2°) Como aluno, você vivenciou o lúdico em sala de aula de LE? Se positivo, em que atividades? 37 3°) Na sua formação acadêmica, você teve acesso a textos teóricos sobre o uso do lúdico na aprendizagem de língua estrangeira? 4°) Você trabalha com o lúdico em sua(s) sala(s) de aula? Se positivo, há quanto tempo? 5°) Que atividades lúdicas você adota em sua sala de FLE? 6°) Em que momento(s) você usa atividades lúdicas em sala de aula? 7°) Você verifica alguma(s) contribuição(ões) do lúdico para aprendizagem dos seus alunos? ( )sim ( ) não. Explicite. 8°) Há dificuldade(s) em aplicar atividades lúdicas em sua sala de aula? Se positivo, qual(is)? 9°) Como os alunos reagem às atividades lúdicas? 38 Apêndice B Universidade Federal da Paraíba Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes Departamento de Letras Estrangeiras Modernas TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Prezado(a) professor(a): Sou estudante do curso de graduação no Curso de Letras (Língua Francesa) na Universidade Federal da Paraíba. Estou realizando uma pesquisa sob supervisão da professora Katia Ferreira Fraga, cujo objetivo é analisar o uso de atividades lúdicas nas aulas de FLE. Sua participação envolve o preenchimento de um pequeno questionário que acompanha esse documento. A participação nesse estudo é voluntária e se você decidir não participar ou quiser desistir de continuar em qualquer momento, tem absoluta liberdade de fazê-lo. Na publicação dos resultados desta pesquisa, sua identidade será mantida no mais rigoroso sigilo. Serão omitidas todas as informações que permitam identificá-lo(a). Mesmo não tendo benefícios diretos em participar, indiretamente você estará contribuindo para a compreensão do fenômeno estudado e para a produção de conhecimento científico. Quaisquer dúvidas relativas à pesquisa poderão ser esclarecidas pelo(s) pesquisador (es) fone 0(83)87448775 ou pelo e-mail de minha orientadora: [email protected] Atenciosamente ___________________________ Mariângela Felício Ribeiro Matrícula: 10723969 João Pessoa, 18 de julho de 2011 39 __________________________________________________ Katia Ferreira Fraga Matrícula: 1099598 Consinto em participar deste estudo e declaro ter recebido uma cópia deste termo de consentimento. _____________________________ Nome e assinatura do participante ______________________________ Local e data