Maria Cristina Munhoz Araújo
Gestão Escolar
2009
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por escrito dos autores e do detentor dos direitos autorais.
CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE
SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ
A69g
Araújo, Maria Cristina Munhoz
Gestão Escolar / Maria Cristina Munhoz Araújo. – Curitiba, PR: IESDE,
2009.
128 p.
Inclui bibliografia
ISBN 978-85-387-0781-3
1. Escolas - Organização e administração. I. Inteligência Educacional e Sistemas de Ensino. II. Título.
09-4497
CDD: 371.2
CDU: 37.091
Capa: IESDE Brasil S.A.
Imagem da capa: Istockphoto
Todos os direitos reservados.
IESDE Brasil S.A.
Al. Dr. Carlos de Carvalho, 1.482. CEP: 80730-200
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Maria Cristina Munhoz Araújo
Mestre em Educação pela PUCPR – Área de Gestão da Educação. Especialista em
Tecnologia de Projetos Educacionais pela UFPR. Pedagoga, com habilitação
em Administração Escolar. Autora de material didático para Pós-Graduação em
Gestão Educacional e para a Educação Infantil. Professora de Pós-Graduação nas
áreas de Gestão da Educação, Educação Infantil e Séries Iniciais. Sócio-Fundadora
(1995) e Diretora (1997 a 2006) da Escola Cidadã (Curitiba-PR).
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Sumário
A Gestão da Educação............................................................. 11
Origem e concepções no seu desenvolvimento............................................................. 11
A especificidade da organização escolar........................................................................... 18
Marcos na significação e ressignificação da Gestão Escolar....................................... 19
O gestor escolar......................................................................... 31
Quem é o gestor escolar?........................................................................................................ 31
Qual o perfil desejado?............................................................................................................ 32
O líder: características, estratégias e práticas................................................................... 34
Do radicalismo do educador à realidade socioeconômica. Como adaptar?.......... 41
Pensar e construir uma escola.............................................. 49
Concepção política e pedagógica........................................................................................ 49
A educação é um ato político................................................................................................ 50
Conhecer e buscar a construção de uma nova escola.................................................. 52
Organizando e estruturando a escola................................ 61
Organização e estruturação da escola................................................................................ 61
Estrutura pedagógica............................................................................................................... 66
Estrutura física............................................................................................................................. 67
Estrutura administrativa e financeira.................................................................................. 70
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Planejamento e avaliação institucionais........................... 85
Princípios teóricos...................................................................................................................... 86
Planejamento educacional..................................................................................................... 87
Avaliação institucional: ferramenta para a tomada de decisão................................. 97
Gabarito......................................................................................113
Referências.................................................................................121
Anotações..................................................................................127
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Apresentação
Prezado aluno e aluna,
Procurei selecionar para este programa os principais fundamentos para uma
Gestão Democrática que sirva de respaldo para a vivência democrática e, ao
mesmo tempo, para educar para a cidadania.
A primeira aula faz uma chamada para o tipo de escola que queremos em decorrência da sua gestão: educação para reproduzir e servir, ou para construir e participar. E, evidente, cabe ressaltar que todo o conteúdo deste livro está centrado na
educação para construir e participar, é o seu princípio básico. A partir desse ponto
discorremos sobre a origem da Administração Escolar e suas implicações, os tipos
de escolas e modelos de gestão gerados, o técnico-científico e o sociocrítico, bem
como o destaque da especificidade da organização escolar e a significação e ressignificação da Gestão Escolar, conceituando, a seguir, a Gestão Democrática.
A essa gestão, não poderíamos nos furtar de um capítulo inteiramente dedicado ao gestor/empreendedor e ao gestor/educador, traçando paralelos para
servir até como parâmetro à autoavaliação e reflexão para mudanças. Avançamos
com o perfil desejado ao gestor, a necessidade de um novo tipo de líder para
a escola que almejamos, a escola como espaço de aprendizagem para todos os
participantes da comunidade escolar, a escola que aprende, suas características,
estratégias e práticas.
De extrema relevância ao empreendedor/gestor na construção de uma escola,
ou no seu repensar e reestruturar, há o capítulo” Pensar e construir uma escola”.
Trata-se de uma chamada para a extrema responsabilidade desse empreendimento, levando a pensar sobre a concepção do homem e de educação, que sociedade pretendemos ter e a escola que queremos. Com essas reflexões, surgem
as possibilidades de construção coletiva do Projeto Político Pedagógico e, então,
pensar na escola como um todo, sua estrutura, seus meios, seus recursos, todos
definidos e organizados em função do Projeto Político Pedagógico.
Com toda a fundamentação delineada, pudemos, de forma prática, até mesmo
estabelecer um passo a passo para a estruturação e organização de uma escola
de qualidade. Apresentamos, também, a estrutura organizacional, a pedagógica,
a física, a administrativa e a financeira.
Para finalizar, abordamos o planejamento e avaliação institucionais por serem
ferramentas técnico-operacionais para uma boa Gestão Escolar.
A vocês, o meu desejo do aproveitamento das pistas apontadas neste livro
para a construção de uma nova escola e de uma boa Gestão Democrática.
Maria Cristina
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Planejamento e avaliação institucionais
O planejamento e a avaliação institucionais têm relevância significativa
no contexto das políticas e da Gestão da Educação no Brasil, especialmente no campo das pesquisas educacionais, como categoria pesquisada. Isso
devido ao entendimento, ou seja, à concepção que se tem do planejamento, como um instrumento de implantação das políticas estabelecidas
e a avaliação como o mecanismo de verificação e julgamento de planos,
programas e projetos, entendida também “[...] como um dos componentes do processo de planejamento e uma forma técnica que possibilita à
gestão analisar e julgar todas as fases deste processo” (KIPNIS; ALGARTE
apud WITTMANN; GRACINDO, 2001). Passam, assim, o planejamento e a
avaliação a serem ferramentas técnico-operacionais possibilitadoras de
concretização de ideias e proposições em educação.
Dessa forma, o planejamento e a avaliação, vistos como ação prática,
constituem-se em caminhos metodológicos, congregando duas bases do
conhecimento: o ideal das concepções teóricas e o objetivo da realização
concreta. Tornando-se, portanto, o planejamento e a avaliação imprescindíveis à construção de propostas, pois se integram aos processos político
e gerencial da educação, dando-lhes o sentido da exequibilidade.
Bernardo Kipnis e Roberto Algarte, no texto Planejamento e avaliação
educacionais, constante no livro O Estado da Arte em Política e Gestão da
Educação no Brasil, posicionam-se em relação ao tema de acordo com o
que acima descrevemos e, ainda, completam seu pensamento argumentando sobre a necessária fundamentação em princípios teóricos, objetivando a mediação dos movimentos criativos da política e as realizações
efetivas dessa criação: a dialogicidade, a participação e a diretividade
(WITTMANN; GRACINDO, 2001)
Vamos, agora, a um breve relato desses três princípios, uma vez que
nos permitirá um melhor embasamento para o estudo mais detalhado do
planejamento e da avaliação.
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Gestão Escolar
Princípios teóricos
Dialogicidade
Este princípio está ligado à teoria da argumentação. A dialogicidade
[...] designa várias formas de raciocínio que não se deixam enquadrar nas regras da lógica
convencional e que implicam um relacionamento entre pelo menos dois interlocutores, um
deles procurando convencer o outro ou refutar seus argumentos. (THIOLLENT, 1986)
Evidencia o envolvimento da comunicação, especialmente da comunicação
social na dialogicidade. A partir do entendimento de planejamento e de avaliação, constata-se que ambos são ações comunicativas e, portanto, dialógicas, “[...]
no sentido específico de produzir conhecimento do outro para si, e de si para o
outro” (DEMO, 1996).
Participação
Este princípio constitui um dos mais importantes pontos da fundamentação
teórica do planejamento e avaliação. Numa perspectiva dialógica e construtivista do conhecimento, o planejamento e a avaliação constituem-se em instrumentos metodológicos, uma vez que levam ao envolvimento consciente e crítico de
todos os participantes, ou seja, de todos os que planejam e avaliam. Segundo
Ludke e André (1986), a participação representa
[...] uma ocasião privilegiada, reunindo o pensamento e a ação de uma pessoa, ou de um
grupo, no esforço de elaborar o conhecimento de aspectos da realidade que deverão servir
para a composição de soluções propostas aos seus problemas.
Diretividade
Ao que chamo de intencionalidade, como princípio de fundamento, do planejamento e da avaliação, leva para a especificidade do objeto pesquisado, com
o objetivo de conhecê-lo e transformá-lo. É a condução dos processos de planejar e avaliar para a consecução dos objetivos previamente estabelecidos. Retrata a função operacional do planejamento e da avaliação da educação, pois são
parte de planos e ações direcionadas ao estudo e transformação da realidade
social, na busca de sua formação democrática e cidadã.
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Planejamento e avaliação institucionais
As características técnico-metodológica e operacional do planejamento e
da avaliação educacional, que ocorrem durante o processo simultaneamente
e inter-relacionadas, destacam-se na sustentação teórico-prática, uma vez que
levam à sistematização de ideias e concepções propositivas, bem como ao suporte para implantação e acompanhamento das ideias e proposições na realidade educacional.
Com esse entendimento, vamos agora ao estudo mais detalhado do planejamento e da avaliação, abordando-os separadamente, por uma opção didática,
objetivando o aprofundamento dos temas e uma maior clareza a você leitor.
Planejamento educacional
Concepção e organização
Historiando, brevemente, a exemplo da Administração Escolar, também o
planejamento educacional enveredou no respaldo teórico da administração e
planejamento empresarial, objetivando organização racional e racionalidade financeira com desempenho. Surgiram os técnicos de planejamento, importando,
copiando e sofisticando os modelos das empresas privadas, altamente capitalistas. Dessa forma, os atores do processo tornaram-se meramente executores, distanciados, portanto, da elaboração e avaliação, pois o planejamento não é visto
como processo, a avaliação ocorre no final e é de interesse da administração.
Agrava-se o quadro ao detectar a não discussão do significado social e político
da ação, objeto do planejamento.
O planejamento é um processo social, com opções filosófico-políticas, estabelecendo os fins de uma determinada ação, visando ao alcance de objetivos
em períodos previamente determinados. Não há, portanto, neutralidade. Aos
que assim querem entendê-lo, usam-no apenas como instrumento técnico, a
serviço reprodutor da sociedade. O ato de planejar é um ato axiológico e ideológico, comprometido com a sociedade.
O planejamento sem comprometimentos, tecnocrático, reduz os homens à
condição de objetos e valor de produção e não sujeitos da ação planejadora.
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Gestão Escolar
O planejamento participativo
[...] constitui um processo político, um contínuo propósito coletivo, na deliberada e amplamente
discutida construção do futuro da comunidade, na qual participa o maior número possível de
membros de todas as categorias que a constituem. Significa, portanto, mais do que na atividade
técnica, um processo político à decisão da maioria, tomada pela maioria, em benefício da
maioria. (CORNELY apud ZAINKO, 1998, p. 89)
Baseado na Pedagogia da Libertação de Paulo Freire, parte da crença
[...] no potencial humano propõe que o povo seja encarado como o sujeito da história, como
ator e não como mero espectador e aceita que o desenvolvimento não é um pacote de
benefícios dados à população necessitada, mas um processo através do qual a população
adquire maior domínio sobre seu próprio destino. (CORNELY apud ZAINKO, 1998, p. 89)
Assim, ao assumir como valor principal e essencial a pessoa, os sujeitos envolvidos, seres com histórias singulares, com conhecimentos próprios, agentes dos
processos, valoriza-se uma educação mais humana, justa e participativa.
As relações verticais que ocorrem no processo tecnocrático passam a ser, no
planejamento participativo, relações horizontalizadas, valorizadas e assumidas.
A participação é altamente considerada e, além disso, na prática, o planejamento participativo consegue integrar o operacional e o estratégico, organizando-os num todo, ao que Freire denomina processo de reflexão–ação.
A transformação social propalada teoricamente, na prática, entretanto ausente, talvez por comodismo, resistência às mudanças, implicação em lidar com desafios e conflitos, eleva o planejamento participativo à condição de instrumento
viável de execução e à renovação das estruturas e das relações na educação.
[...] ser o planejamento participativo um desafio para os verdadeiros educadores, exigindo
daqueles que pretendem realizá-lo muita disponibilidade, coragem, persistência, tenacidade,
garra, espírito de luta. Não é trabalho impossível, mas plenamente viável, apesar de todos os
empecilhos colocados pelo sistema e por educadores descompromissados com a tarefa que
abraça como profissão: educar as novas gerações de brasileiros conscientes e livres. (VIANNA
apud DALMÁS, 1994, p. 30)
Ao assumir o planejamento participativo, é necessário ter a clareza de que
planejar consiste em um processo para alcançar determinados objetivos, significando transformação, revolução. E para essa opção da escola é importante previamente a consciência das dificuldades a serem encontradas, principalmente
pela formação das pessoas, tradicionalmente, e sem vivência democrática, mas
acreditando primeiramente no potencial humano, no diálogo, no debate, na discussão e no sonho, na utopia, na busca do impossível, no desejo de crescimento
pessoal e comunitário. “Fazer hoje o possível de hoje para amanhã fazer o impossível de hoje.” (FREIRE apud GADOTTI, 1999, p. 32).
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Planejamento e avaliação institucionais
A gestão democrática impõe-se como condição à participação. São interdependentes, ou seja, não é possível uma sem a outra. Hoje, em discussões sobre
formas de administrar, a participação está sempre presente, tomando espaço,
apesar de muito lentamente, junto a valores atuais como flexibilidade, tolerância
com as diferenças, relações mais igualitárias, justiça e cidadania de pressupostos
teóricos do taylorismo. (GUTIERREZ; CATANI, 2001, p. 60).
Ao tratar da participação temos que ter certeza do que se entende por participar, pois há os que pensam que as pessoas devem participar para estarem bem
integradas, harmonicamente, sem conflitos. Isso significa apenas apoiar, trabalhar, colaborar, fazer o que está previsto que se faça. Também é permitido dar
sugestões, não reclamar, estar presente às programações da direção, ou seja, o
velho termo “vestir a camisa”, de acordo com Gandin e Gandin (1999, p. 56).
Essa é, ainda, a visão conservadora da reprodução, da manutenção, do deixa
tudo como está. Não existe intenção de transformação.
Buscando o entendimento em Habermas (apud GUTIERREZ; CATANI, 2001, p.
62), “[...] participar significa que todos podem contribuir com igualdade de oportunidades nos processos de formação discursiva da vontade”. Gutierrez e Catani
(2001, p. 62) explicam: “[...] participar consiste em ajudar a construir comunicativamente o consenso quanto a um plano de ação coletiva”.
Riscos e conflitos constituem-se num desafio constante na vivência da participação da comunidade escolar no processo educativo.
O Projeto Político Pedagógico
O Projeto Político Pedagógico constitui-se no plano global da instituição. Pode
ser entendido como a sistematização, nunca definitiva, de um processo de planejamento participativo, que se aperfeiçoa e se concretiza na caminhada, que
define claramente o tipo de ação educativa que se quer realizar. É um instrumento teórico-metodológico para a transformação da realidade. É um elemento de
organização e integração da atividade prática nesse processo de transformação.
Tem, portanto, esse valor de articulação da prática, de memória do significado da ação, de elemento de referência para a caminhada. O Projeto Político
Pedagógico é também a construção coletiva de um conhecimento.
O Projeto Político Pedagógico, quando elaborado de forma ética, é um instrumento de transformação na medida em que expressa o compromisso do grupo
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Gestão Escolar
com uma caminhada. Dessa forma, tanto o dirigente pode cobrar coerência do
dirigente como dos companheiros entre si. Havendo um projeto, há uma maior
facilidade em não se tomar as críticas como pessoais; as críticas devem fazer
parte do cotidiano, se queremos superar as contradições.
Temos, então, como finalidades do Projeto Político Pedagógico:
aglutinar pessoas em torno de uma causa comum;
dar um referencial para a caminhada;
ser um instrumento de transformação da realidade;
colaborar na formação dos participantes.
O projeto necessita ser político pelo compromisso com a formação do cidadão, e pedagógico, pela efetivação da função da escola nesse cidadão. Portanto,
o Projeto Político Pedagógico é a forma de organização do trabalho pedagógico
que supere conflitos, elimine relações competitivas, corporativas e autoritárias,
para que ele rompa com o tradicional, diminuindo a fragmentação na escola.
Organizando a escola como um todo, não como um simples rearranjo formal,
mas tendo uma nova qualidade de trabalho, partindo dos seguintes princípios
norteadores:
igualdade (igualdade não quer dizer uniformidade, ao contrário, é a única
autêntica diversidade);
qualidade para todos;
gestão democrática;
liberdade versus autonomia;
valorização do magistério, formação continuada, no que se refere ao levantamento de necessidades de formação, e com a elaboração de programas.
No entanto, o projeto não pode ser idealizado como “panaceia”, como solução
para todos os problemas. Antes de qualquer coisa, precisamos de uma matéria-prima fundamental: as pessoas que buscam, sonham, pensam, interrogam, desejam. Sujeitos, projeto e organização devem se articular a partir do fundamental que são as pessoas, construtoras e destinatárias da transformação social.
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Planejamento e avaliação institucionais
O que dá vida a uma escola? Seria o Projeto Político Pedagógico?
Não podemos ter essa ilusão. O que dá vida à escola são as pessoas, os sujeitos
que historicamente assumem a construção de uma prática transformadora.
E para que isso aconteça é necessário considerar a estrutura organizacional da
escola, o seu currículo, o seu tempo escolar, o processo de decisão, as relações de
trabalho e a avaliação que é feita nela, ou seja, conhecer as situações concretas
da escola para assim poder criar outras condições, que geram uma outra forma
de trabalho, iniciando com a reorganização de dentro para fora, pois o Projeto
Político Pedagógico é uma reflexão do cotidiano, visando uma continuidade no
processo do conhecimento, democratizando-o.
O referencial teórico a respeito da construção do Projeto Político Pedagógico
é vasto, entretanto, a prática, ou seja, como as pessoas, os elementos a serem
considerados, enfim o processo de construção, traz dificuldades aos educadores.
Assim, apenas para elucidar ou, ainda, visualizar, e por que não dizer vislumbrar
possibilidades reais de construção do Projeto Político Pedagógico, traremos, a
seguir, indicativos do processo ocorrido em uma escola.
Na elaboração do Projeto Político Pedagógico da escola X ocorreram estudos
prévios pela equipe técnico-docente, reuniões, organização de comissões, elaboração e distribuição do questionário à comunidade escolar, envolvendo professores e funcionários, pais e comunidade (vizinhos), estudos dos resultados
para embasamento e formulação do projeto.
A coleta de dados para a construção do Projeto Político Pedagógico abordou assuntos que remetem à reflexão e compreensão do mundo atual, incluindo
movimentos de melhoria de qualidade de vida e dificultadores do bem-estar
comum. Dessa visão inicial, foram levantadas as finalidades, o papel, os desejos
para a escola X. Reavaliação das opções teóricas para embasamento e estruturação da escola, encaminhamentos de objetivos, conteúdos, metodologia, avaliação e disciplina, e as relações que se estabelecem.
Atividades culturais, estrutura e organização da escola, gestão, participação,
condições objetivas de trabalho, gerenciamento de recursos financeiros, participação da escola X na comunidade, relacionamentos professor/aluno, escola/
família, escola/comunidade, participação e orientação de aluno, educação religiosa, atividades esportivas e culturais, coerência da proposta pedagógica e a
prática, bem como item aberto a qualquer outra opinião ou comentário fizeram
parte do instrumento de pesquisa direcionado aos professores e funcionários.
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Gestão Escolar
O instrumento utilizado na pesquisa para a coleta de dados à construção
do Projeto Político Pedagógico, como já colocamos, foi bastante amplo, e este
último destinado aos profissionais da escola. Entretanto, aos pais e à comunidade, pela especificidade da escola e o necessário conhecimento pedagógico,
foram retiradas algumas questões, permanecendo as outras situações questionadoras de total pertinência aos pais e à comunidade.
Esses instrumentos procuraram envolver o “todo” da escola, no intuito de democratizar a construção da escola X, e esse é o planejamento participativo.
Sugestões foram dadas, opiniões e debates foram realizados, leitura conjunta
de todos os itens e a estruturação do Projeto Político Pedagógico tornou-se não
“um projeto”, mas processo, pois num continuum realizado, revisto e debatido
por todos que constituem a comunidade escolar.
Retratamos a seguir, em síntese, alguns elementos relevantes colhidos dos
questionários relativos ao Projeto Político Pedagógico.
Finalidade e papel da escola X
De extrema importância, a definição primeira a ser construída, a finalidade e
o papel da escola X, geradores e embasadores das ações pedagógicas e administrativas foram amplamente discutidos durante a elaboração do Projeto Político
Pedagógico, e os resultados definidos pelos sujeitos envolvidos, apresentados,
principalmente na Filosofia e Princípios Didático-Pedagógicos.
Opções teóricas da escola X em relação
ao campo de ação e à instituição, nos níveis
pedagógico, comunitário e administrativo
O processo de planejamento
“[...] elaborado de forma a servir de referencial para o trabalho reflexivo e crítico.... aberto e flexível ...”.
“[...] orientar o trabalho em sala de aula”.
“[...] discussões com a equipe de trabalho para uma maior participação dos
alunos e professores”.
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Planejamento e avaliação institucionais
“[...] realidade e necessidade do grupo”.
“[...] dinâmico, fruto de pesquisa e atualizações, feito no coletivo”.
“[...] realizado no conjunto, levando em consideração uma proposta inovadora”.
“democrático”.
“maior interdisciplinaridade”.
“participativo”.
Um planejamento participativo, portanto democrático, construído para servir
de referencial, orientador de um trabalho reflexivo e crítico, devendo ser aberto
e flexível, atendendo e voltado aos interesses, às necessidades e à realidade dos
alunos. Dinâmico, fruto de pesquisas e atualizações, levando em consideração
uma proposta inovadora, visando também a interdisciplinaridade.
A definição dos objetivos,
dos conteúdos, da metodologia e da avaliação
“[...] que façam relações com o cotidiano do aluno”.
“[...] os conteúdos e objetivos são definidos de acordo com a realidade social”.
“[...] com a participação e opinião de todos os professores”.
“A metodologia deve ser empregada com o máximo de tecnologia, na forma
de despertar o interesse do aluno.”
“Que o aluno seja capaz de compreender a cidadania como exercício de direitos e deveres, que tenham atitudes de solidariedade, cooperação e respeito ao outro e a si mesmo. Os conteúdos devem ser determinados por uma
seleção das mais significativas. Quanto à metodologia e avaliação poderiam
ser mais discutidas. Em algumas vezes nota-se uma falta de sintonia entre
disciplinas e turmas.”
A elaboração e a definição dos objetivos, conteúdos, metodologia e avaliação
devem ser feitas com a participação de todos, de acordo com o cotidiano e a
realidade social, com metodologia inovadora e avaliação processual e contínua,
e os conteúdos selecionados pelo seu valor de significância.
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Gestão Escolar
A disciplina e a relação
professor/aluno/coordenador/diretor
“[...] o diálogo como principal ferramenta para que as dificuldades sejam resolvidas”.
“[...] direta, aberta, afetuosa, respeitosa, cumplicidade, trocas”.
“[...] relação de respeito mútuo”.
“Sem barreiras de comunicação, de forma aberta e direta, com bom nível de
relacionamento e seus devidos limites.”
A disciplina e a relação entre todos deve ocorrer pelo diálogo, franco e aberto,
numa relação de respeito mútuo, no qual haja cumplicidade e trocas, com afetividade e limites.
Participação e organização dos alunos
“Desejamos a participação e organização dos alunos de forma que eles se posicionem de maneira crítica e responsável, utilizando o diálogo como forma
de medir conflitos e tomar decisões.”
“Inserida no processo ensino–aprendizagem e estruturada pelo professor
para que isso faça parte do cotidiano do aluno.”
“Incentivando e acreditando no potencial e criatividade dos alunos.”
“Que a participação seja uma constante troca de conhecimentos e experiências.”
“De forma a combater os elementos que excluam uns aos outros, interferindo
de forma consciente, buscando harmonia entre eles.”
Ideias, sugestões e reflexão da atual condição de participação e organização
dos alunos foram a maior constante.
A participação deve ser constantemente incentivada e motivada, tendo o
professor como organizador e disponibilizador de recursos, em um clima de respeito, bem como sempre acreditar no potencial e criatividade dos alunos.
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Planejamento e avaliação institucionais
As atividades culturais
“Significativas para os alunos e contando com a participação e presença dos
pais e, quando possível, da comunidade.”
“Estimular a leitura, passeios culturais, visitas a museus.”
“Com a participação da família e comunidade.”
“Voltadas para a necessidade e interesse de todo grupo, com a participação
de todos, valorizando a nossa cultura.”
Participação e significância são aspectos que fazem proliferar o estímulo pelo
conhecimento, pela cultura e pelo engajamento do sujeito, e que vinculados à
necessidade e interesse do aluno estarão voltados ao exercício da cidadania.
Estrutura e organização da escola
“De forma que haja um ambiente de trabalho onde todos desempenhem
suas funções com prazer”.
“Com democracia”.
“Buscando no coletivo soluções conjuntas, bem como ações de ordem individual que cada um ofereça visando concretizar o objetivo da escola”.
“Que seja compromissado com a educação (como já é)”.
“Estruturada democraticamente, produzindo um ambiente de colaboração,
de participação, de integração e prazeroso, no qual o compromisso para com
o processo de aprendizado transpire em todas as suas ações e atuações junto
aos alunos, pais, colaboradores e comunidade”.
Direção e equipe técnica
“Democrático”.
“Abertos a sugestões e críticas construtivas”.
“Devem estar atentos e dispostos a colaborar para resolver situações com os
professores e com os alunos, dando ideias, gerenciando recursos e mantendo-se acessíveis”.
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Gestão Escolar
“Cooperativos”.
“Pessoas abertas à discussão profissional, compreendendo que atitudes deverão ser tomadas, se necessário, de forma ética, e levando todos a uma consciência de que nada é pessoal”.
“Compromissados com a educação, dispostos e abertos a opiniões e críticas”.
“[...] competência”.
A vivência em um ambiente mais democrático e participativo remete à revisão das posturas dos educadores, nesse caso equipe técnica e direção. Nessa
vivência os comportamentos passivos, reprodutores, cerceados pela direção já
não cabem mais, exige-se competência, compromisso, participação, orientação,
incentivo, ou seja, uma postura de líder, receptivo a discussões e democratização
das relações.
Que professor?
“Professores atualizados, humanos, preocupados com as características individuais de cada aluno, aptos a mudanças, criativos, amigos e conscientes do
seu papel na formação dos alunos.”
“Professores amorosos, que valorizem cada aluno como eles são. Professores
mais amigos do que julgadores e juízes injustos. Professores firmes que não
deixam os alunos mandarem, mas que buscam um relacionamento de respeito mútuo [...]”
“Que tenham capacidade para aproveitar todo o potencial do aluno, e que
possam explorar ao máximo a criatividade das crianças.”
Os pais, hoje, não desejam mais a postura de um professor de concepção tradicional, na qual impera o autoritarismo e a inflexibilidade. Os pais mostram-se
desejosos de professores afetivos, participativos, criativos e capacitados e que
sua autoridade seja baseada no respeito mútuo e sua visão de mundo seja coerente às necessidades da sociedade.
A participação e organização dos alunos
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“Compartilhar responsabilidades: o aluno pode e deve participar das atividades escolares e até decidir em grupos por essas atividades, respeitando-se um currículo-base e a orientação do professor. Ele quer se sentir corresponsável pela sua educação.”
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Planejamento e avaliação institucionais
“Participação ativa, porém com ordem. Organização em grupos.”
“Que debatam os assuntos e criem espírito de corpo e união.”
“Alunos responsáveis, conhecedores de seus deveres e da importância de
participar na sociedade. Alunos com pensamento crítico, que busquem soluções e tenham as dúvidas respondidas.”
A expectativa de formarem alunos conscientes e críticos, tanto quanto participativos e envolvidos em grupos, norteia os desejos de pais preocupados em
educar formal e informalmente filhos/alunos-cidadãos. Emerge o desejo de que
os alunos se organizem em grupos e equipes, debatendo desde questões do cotidiano do sujeito até a sua própria construção no que concerne ao conhecimento e cidadania, tendo sempre como bússola o respeito ao ser humano (limites,
organização, diálogo, criatividade, criticidade).
À proposta dessa escola realmente não caberia outro modelo e metodologia
de planejamento senão o participativo, pois segundo Gandin (1994, p. 57):
Aí se pode construir um processo de planejamento em que todos, com seu saber próprio,
com sua consciência, com sua adesão específica, organizam seus problemas, suas ideias, seus
ideais, seu conhecimento da realidade, suas propostas e suas ações. Todos crescem juntos,
transformam a realidade, criam o novo, em proveito de todos e com o trabalho coordenado.
Avaliação institucional:
ferramenta para a tomada de decisão
O dia a dia da humanidade, desde os tempos remotos, está permeado de
ações que levam os indivíduos a medir, comparar, analisar e valorar emitindo
um juízo de valor.
Hoje, as instituições de ensino – senão na prática, ainda na teoria – assumem
no seu cotidiano o tema da democratização. Assim, a avaliação institucional torna-se preocupação essencial para a melhoria dos serviços e para a conquista de
maior autonomia.
Dessa forma, a avaliação institucional não é mais vista como um instrumento
burocrático de controle e centralizador em conflito com a autonomia. Ela está
sendo vista como um processo necessário da administração do ensino, como
condição para a melhoria do ensino e como exigência da democratização.
Mesmo assim, a avaliação encontra resistências e não se constitui numa prática
constante nas instituições e nos sistemas de ensino.
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Gestão Escolar
A avaliação formal ou informal, sistemática ou assistemática, faz parte de
um processo de reflexão do cotidiano sobre toda e qualquer atividade humana,
sendo o instrumental de orientação ou reorientação das ações dos indivíduos e
organizações sociais.
Usamos Bertold Brecht, para, com seu pensamento, percebermos que a avaliação poderá ser utilizada tanto numa perspectiva diagnóstica e orientadora do
trabalho pedagógico, quanto concebida como processo e instrumento de desvelamento da realidade, ou de maneira mais enfática, da vida.
Nós vos pedimos com insistência
Não digam nunca – isso é natural.
Sob o familiar, descubram o insólito.
Sob o cotidiano, desvelem o inexplicável.
Que tudo o que é considerado habitual
provoque inquietação.
Na regra, descubram o abuso
e sempre que o abuso for encontrado,
encontrem o remédio.
Bertold Brecht
E, por fazer parte da permanente reflexão sobre a atividade humana, a
avaliação se constitui em processo com intencionalidade, auxiliado por diversas ciências e aplicável em qualquer prática (GADOTTI apud DEMO, 2002,
prefácio).
A avaliação, além de ser um processo técnico, é também uma questão política, pois ela pode ser usada apenas para julgar e então se constitui em instrumento do poder (autoritário) ou pode se constituir num processo ou projeto em que
os participantes, avaliadores e avaliados, tendo o propósito da transformação,
procuram e sofrem mudanças qualitativas.
A avaliação institucional visa ao aperfeiçoamento da qualidade da educação, isto é, do ensino,
da aprendizagem e da gestão institucional, com a finalidade de transformar a escola atual
em uma instituição comprometida com a aprendizagem de todos e com a transformação da
sociedade. (BELLONI, apud FERNANDES, 2002, p. 114)
Ao se tratar de avaliação institucional, esta deverá ser dentro de um processo
sistemático, utilizando-se de procedimentos do método científico e realizando
o estudo com objetivos definidos de elementos da realidade. Ainda, a avaliação
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Planejamento e avaliação institucionais
vista como processo que julga, implica o necessário conhecimento do objeto a
ser avaliado, com base em dados e informações pertinentes e relevantes. Há que
se destacar também a avaliação como guia para a tomada de decisão.
Esses pontos essenciais levantados estão claramente explicitados na definição elaborada, a partir de diversos conceitos pesquisados por Aquilar et al.,
(apud FREITAS; SILVEIRA, 1997, p. 19-20).
A avaliação é uma forma de pesquisa social aplicada, sistemática, planejada e dirigida; destinada
a identificar, obter e proporcionar de maneira válida e confiável dados e informação suficiente
e relevante para apoiar um juízo sobre o mérito e o valor dos diferentes componentes de um
programa (tanto na fase de diagnóstico, programação ou execução), ou de um conjunto de
atividades específicas que se realizam, foram realizadas ou se realizarão, com o propósito de
produzir efeitos e resultados concretos: comprovados à extensão e o grau em que se deram
as conquistas, de forma tal que sirva de base ou guia para uma tomada de decisão racional e
inteligente entre cursos de ação, ou para solucionar problemas e promover o conhecimento e a
compreensão dos fatores associados ao êxito ou fracasso de seus resultados. [...] a necessidade
de avaliação se explica porque permite uma retroalimentação sobre o que se está fazendo
e os erros que se cometem ou foram cometidos, a fim de poder ir sanando, melhorando ou
evitando passo a passo.
Da mesma forma, embasados em vários conceitos de diferentes autores e
correntes, Flores et al. (apud FREITAS; SILVEIRA, 1997) chegaram ao conceito de
que:
La evaluación es el processo sistemático y permanente que permite captar información sobre el
objeto evaluada para contrastarlo com un marco de referência y a partir de esta contrastación
emitir juicios de valor y proporner alternativa para mejorar dicho objeto.
Conceitos outros, constituídos por diversos autores, em sua síntese, acabam
por refletir a definição dada por Luckesi (1984), citado como elemento introdutório deste breve registro sobre avaliação institucional.
A avaliação, principalmente no campo educacional, remonta aos primórdios
bancos escolares. Evidente que em sua trajetória sofre alterações de acordo com
sua concepção. Entretanto, em termos de avaliação institucional, trata-se de assunto relativamente novo no cenário educacional brasileiro, gerando polêmicas
nesse meio.
A literatura a respeito de avaliação educacional está na maioria voltada à avaliação da aprendizagem. Acresce-se a isso a preparação dos educadores para
proceder somente a avaliação da aprendizagem dos alunos.
Avaliar a escola como um todo, sua gestão, seu funcionamento, as atividades
que são desenvolvidas levam realmente à formação conforme apregoa a filosofia da escola?
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Gestão Escolar
E como está a atuação dos professores?
A participação dos pais e da comunidade é significativa?
E o papel e a função da escola na comunidade?
O que está bem e o que precisa melhorar?
São diversos os questionamentos que podem ser respondidos mediante a
avaliação institucional, constituindo-se esta em ferramenta fundamental de percepção, de investigação e de construção.
A avaliação institucional ainda é uma área bastante restrita, são poucas
as experiências e a tradição em avaliação sistemática de instituições, bem
como sua literatura e, em consequência, carente ainda em sua conceituação e
metodologia.
Apesar de recente, destaca-se com relevância o tema, deixando a discussão
de lado sobre a realização ou não da avaliação institucional, na busca da melhor
metodologia que levará à qualidade e à eficiência.
Reconhece-se, assim, a avaliação institucional como instrumento de gestão que
permite repensar o compromisso da escola com a sociedade na qual está inserida.
A avaliação institucional é hoje vista como necessária, pois é um instrumento de grande valia que pode ser construído e implantado por uma instituição
de ensino para produzir um conhecimento da realidade, daquilo que se deseja,
bem como do indesejável do interior da organização, no intuito de fornecer subsídios ao planejamento para a melhoria da qualidade.
Assim, a avaliação institucional não é mais vista somente como um instrumento
de controle burocrático e centralizador, em conflito com a autonomia. Na verdade
ela está sendo concebida como um processo necessário da administração educacional e como exigência da democratização, segundo Moacir Gadotti (2000).
Freitas e Silveira (1997) destacam pontos fundamentais sobre a avaliação na
Universidade, que aqui generalizamos para toda e qualquer instituição de ensino:
necessário clareza da concepção da educação e da realidade social;
compromisso da instituição com o avanço da sociedade, no sentido de
transformação ou, pelo menos, interpretação da realidade;
definição do Projeto Político Pedagógico da instituição.
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Planejamento e avaliação institucionais
Como conclusão, a partir de considerações e conceitos diversos, Freitas e Silveira (1997, p. 22) colocam que:
[...] a melhor definição que representa o significado da avaliação institucional na universidade
é aquela que contemple os aspectos básicos, tais como: um processo sistemático de reflexão,
acompanhamento e aperfeiçoamento das atividades acadêmico-administrativas; um
instrumento necessário para a tomada de decisões de forma racional, servindo também para
comparar o real com o ideal e, por fim, tendo como objeto a qualidade dos serviços oferecidos,
no cumprimento de sua missão como organização social.
Nesse contexto, a avaliação institucional deve ser concebida como um processo sistemático de
análise, informação, acompanhamento e orientação das atividades desenvolvidas, cujo objeto
é a qualidade do ensino, da pesquisa, da extensão e de sua gestão. (FREITAS; SILVEIRA, 1997)
Dissemos que avaliar é um ato que exercemos no nosso dia a dia, pois sempre
que precisamos tomar uma decisão fazemos avaliação dos aspectos positivos e
negativos e nesse processo estamos ao mesmo tempo atribuindo valores.
Além desse entendimento, o que levantamos para ressaltar, especialmente
aos gestores, é que ao instituir a avaliação institucional como instrumental à
gestão, voltamos à concepção de educação e aos objetivos que se desejam atingir porque evidentemente ela será correspondente à concepção educacional e,
portanto, a avaliação institucional poderá acontecer por meio:
de um diálogo construtivo e reflexivo, numa visão de educação humanizadora; ou
de autoritarismo e repressão, com finalidade classificatória e competitiva.
Como já existe a clareza de nossa postura educacional, salta aos olhos de
você, leitor, até porque colocamos a conceituação também de avaliação, principalmente quando a vemos de forma processual, a nossa opção por uma avaliação institucional num enfoque humanizador, reflexivo e construtivo.
Nesse sentido, o processo de avaliação institucional é profundamente formativo e, atualmente,
vem desempenhando um destacado papel “proativo e construtivo” [...] na reestruturação de
universidades, escolas e sistemas de ensino. Através dele é possível compreender melhor os
processos que produzem a instituição para poder melhorar a qualidade de seus serviços e
produtos. (GADOTTI, 2000, p. 197)
Assim, a avaliação institucional pode ser promotora de qualidade no interior
da escola, melhorando as relações sociais, humanas e interpessoais e aperfeiçoando sistematicamente todos os participantes, bem como e, principalmente,
em decorrência desse acontecimento, ocorre também a melhoria dos serviços
educacionais prestados pela escola.
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Gestão Escolar
Gadotti (2000, p. 199) refere-se à colocação de Genuíno Bordignon ao dizer:
a avaliação institucional constitui-se num “processo de autoconsciência institucional”, desvelando causas e determinantes dos seus avanços, seus retrocessos,
seus sucessos e insucessos.
A avaliação de desempenho das instituições de ensino tem como objetivo
geral a revisão e o aperfeiçoamento do projeto pedagógico da mesma, promovendo a continuada melhoria da qualidade e o propósito das atividades
desenvolvidas.
Dessa forma, a utilização eficiente e eficaz, a ética e a relevância dos recursos
humanos e materiais da instituição transformadas em compromissos científicos
e sociais, afiança à qualidade e à importância dos seus serviços à comunidade.
Enfim, o processo de avaliação deve ser um processo contínuo e sistemático,
visando a promover e manter aperfeiçoamento institucional, incentivando uma
sistemática de reflexão, redefinição de objetivos e priorização científica e social
da instituição educacional.
Verifica-se que os processos de avaliação possuem objetivos que, para além
de qualquer preocupação classificatória, buscarão apontar – dentre os elementos considerados determinantes – pontos necessários de superação e pistas de
encaminhamentos para isso.
Assim, um processo de avaliação precisará necessariamente da adesão dos
participantes, pois a coleta, tabulação e análise dos dados não terão sentido se
não forem acompanhadas de um plano de superação das dificuldades constatadas e de promoção de mudanças, pois a avaliação institucional possibilita, como
vimos, o aprofundamento do conhecimento da instituição, assim como a análise
de sua trajetória e de seu Projeto Político Pedagógico.
Qual é a nossa pretensão maior com esse texto? Poderíamos simplesmente
deixar que vocês respondessem, mas vamos pensar juntos?
Primeiramente, vamos destacar a necessidade premente de se realizar a avaliação institucional e de forma séria e competente, pesquisando e buscando a
metodologia mais adequada à instituição, objeto da avaliação.
Segundo, a avaliação deve se constituir em processo contínuo na instituição
ao seu desvelamento, ao aperfeiçoamento, ao aprofundamento, ao crescimento
quantitativo, qualitativo e às mudanças, tendo em vista sempre a melhoria e a
transformação.
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Planejamento e avaliação institucionais
Terceiro, imprimir a visão da possibilidade de se fazer avaliação de maneira
diferenciada: democrática, portanto participativa, reflexiva e construtiva, tendo
como referencial o Projeto Político Pedagógico e, por isso, com a avaliação, vai
sempre promover o enriquecimento deste e da escola, na realização de seu
papel de transformação social.
Texto complementar
Planejamento e avaliação como subsídios para a
melhoria da ação docente
[...]
O planejamento tem servido como instrumento de melhoria da qualidade e da eficiência das mais variadas instituições, inclusive nas de ensino
superior. Os resultados do planejamento podem ser verificados a partir da
avaliação institucional, como processo de mudança da ação e da formação
continuada do docente, e consequentemente apontadas em seu instrumento técnico que direciona o plano, no caso, o Projeto Pedagógico Institucional
e do Projeto Pedagógico Curso. O referencial teórico trabalhado neste capítulo busca mostrar a relação entre Avaliação Institucional e o Projeto Pedagógico Institucional que articula e orienta a ação e a formação continuada
do professor.
Considerações sobre o projeto pedagógico
A educação é um desafio permanente na análise do contexto das políticas públicas. É fator fundamental debater a questão curricular, perceber a relação entre Avaliação Institucional e o Projeto Pedagógico Institucional que
articula e orienta a ação do professor na melhoria da educação superior.
O Projeto Pedagógico Institucional é uma proposta de educação, é um
instrumento político, filosófico e teórico-metodológico que se articula no
currículo da lES que norteia as práticas acadêmicas. Deve nascer com propósitos próprios, resultado do contexto social no qual está inserido.
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Gestão Escolar
O Projeto Pedagógico Institucional deve ser elaborado de forma participativa, deve ser democrático quando se refere ao processo de tomada de
decisões e demonstra a intencionalidade educacional da lES para a formação
do cidadão.
Eyng (2007, p. 164) referendada em Antúnez enfatiza que no processo articulado de planejamento, efetivação e avaliação do PPI, é vital que se tenha
clareza de sua finalidade e funções:
Apresentar a instituição à comunidade interna – gestores, professores, funcionários
e alunos, e à comissão externa – futuros alunos, organizações parceiras e empregadoras.
Promover um consenso em torno dos princípios e diretrizes que fundamentam a ação
institucional.
Orientar a construção e a atualização dos projetos pedagógicos de cursos de Graduação e Pós-Graduação.
Orientar e servir de guia para qualquer ação individual ou coletiva de ensino, pesquisa, extensão e gestão que se desenvolva na instituição ou em outro espaço da
comunidade por seus colaboradores.
Articular o conjunto das ações institucionais de ensino, pesquisa, extensão e gestão.
Ser referência nos processos de avaliação institucional.
Orientar o processo decisório na gestão institucional.
O Projeto Pedagógico Institucional, portanto, direciona os ideais da instituição de ensino com o objetivo de formar para a cidadania. A construção do
Projeto Pedagógico Institucional é a intervenção na realidade diária, é a criação de estruturas a partir de ideais que se pretende atingir, exige visão crítica, conscientização, integração, abertura e entrosamento (conforme citado
acima Art.12 da LDB 9394/96) motivação, conhecimento, envolvimento, estrutura, boa vontade, portanto, autonomia com responsabilidade, voltado
para os interesses e perfil da clientela.
Faz-se necessária, porém, uma organização desses elementos básicos.
Cabe à instituição de ensino adequar essas orientações de forma a concretizá-las, delineando seu caminho para promover, de forma competente, o
ensino. Assim, cada instituição tem a possibilidade de definir seu Projeto Pedagógico Institucional. Ao ocupar seu espaço de autonomia para realizar o
trabalho educativo, a instituição faz mais do que seguir as normas estabele-
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Planejamento e avaliação institucionais
cidas pela lei, com seu projeto, o caminho escolhido tem a sua marca, tem
feição própria, tem personalidade.
Segundo Eyng (2002, p. 26) sobre a autonomia na construção do projeto:
A possibilidade de cada instituição construir seu Projeto Político Pedagógico lhe confere
autonomia na construção de sua identidade. Essa construção, contudo, exige de todos
os profissionais o envolvimento, no sentido de assumir seu compromisso de educador e
de cidadão na construção de uma sociedade mais democrática, crítica e consciente. É um
desafio que deve ser enfrentado com ousadia.
Assim, construir um Projeto Pedagógico Institucional que esteja apto a
enfrentar os desafios externos à lES e ainda contemplar as finalidades da
educação e sua relação com a sociedade, se faz por meio de uma avaliação
que supere a visão de mercado que impõe a submissão, o individualismo, a
fragmentação, a quantificação, o Projeto Pedagógico Institucional acabado
e imediatista.
O Projeto Pedagógico Institucional deve ser discutido e pensado democrática e constantemente para organizar as ações diárias da instituição. O
caminho a seguir é registrar os pontos de chegada, as ações que serão desenvolvidas, a organização dessas ações e seus responsáveis, o tempo, os
resultados esperados. Independente do tipo de registro feito, o importante
é que seja completo, preciso e, ao mesmo tempo, fácil de consultar.
Nele não cabem adereços; deve ser um documento substantivo que delineie os caminhos da instituição educacional; ter caráter permanente, duradouro. Deve ser, assim, o eixo norteador da instituição educacional. Não
pode e não deve ser substituído a cada momento, conforme Franco (2004),
“na busca da identidade do ensino superior”. Deve estabelecer a missão, a
vocação, os objetivos, os princípios e as diretrizes de uma instituição educacional de ensino; revelar as características da instituição, de tal maneira que
se torne um instrumento permanente de pesquisa.
A avaliação, como o planejamento e a organização do Projeto Pedagógico
Institucional, é direcionada por diretrizes gerais, estabelecidas para orientar
a formação comum a ser assegurada a toda a população. Essas diretrizes traduzem-se em políticas de atendimento e de funcionamento do sistema educacional, conforme as possibilidades de cada realidade. Assim, é necessário
detalhar a importância do currículo e sua relação com o Projeto Pedagógico
Institucional para dar continuidade à discussão em torno do conhecimento
pedagógico.
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Gestão Escolar
Construir o projeto da instituição de ensino requer planejamento e avaliação em uma construção coletiva, continuada e contextualizada. Conforme
afirma Veiga (2000, p. 11-13) mesmo que para a educação básica, contudo
com fundamentação inclusive para o ensino superior:
[...] É refletir acerca da construção do projeto político pedagógico, entendido como
a própria organização do trabalho pedagógico da escola como um todo [...] A escola
é o lugar de concepção, realização e avaliação de seu projeto educativo, uma vez que
necessita organizar seu trabalho pedagógico com base em seus alunos.
[...] O projeto ao se constituir em processo democrático de decisões, preocupa-se em
instaurar uma forma de organização de trabalho pedagógico que supere os conflitos,
buscando eliminar as relações competitivas, corporativas e autoritárias, rompendo com
a rotina e a racionalização da burocracia que permeia as relações no interior da escola,
diminuindo os efeitos da divisão do trabalho que reforça as diferenças e hierarquiza os
poderes de decisão. (VEIGA, 2000, p. 13)
Planejar faz parte das rotinas diárias, devendo superar a obrigação, a
rotina burocrática, e é um momento de troca, de construção, de visão de
futuro. Construir o Projeto Pedagógico Institucional é objetivar a transformação da realidade de forma reflexiva, consciente e crítica. Mas o que é tudo
isso senão o planejamento participativo, que busca uma atitude prática reflexiva, permitindo que o agir e o pensar se interliguem conscientemente
para alcançar o conhecimento. Veiga (2000, p. 133) chama a atenção para o
planejamento articulado com a vivência da instituição de ensino:
[...] As temáticas do planejamento participativo e do projeto pedagógico da escola,
referenciando-as a uma proposta concreta de planejamento que vem sendo construída ao
mesmo tempo em que é vivenciada por coletivos humanos singulares, incluindo-se, entre
eles, grupos e instituições que interatuem numa comunidade escolar também singular. A
reflexão sobre o planejamento participativo deverá percorrer os pressupostos da proposta
referenciada; a construção teórico-metodológica do objeto do planejamento; fazer
considerações sobre os sujeitos que o projeto integra e descrever alguns instrumentos
técnicos que ajudarão a viabilizar o plano, no caso, o projeto político pedagógico da escola.
O eixo da reflexão estará em torno da capacidade de um planejamento participativo e
seu produto – o projeto político pedagógico da escola – possibilitar a vivência da prática
reflexiva, democrática e democratizante e, com isso, atuarem no sentido da construção de
identidades, da escola e dos sujeitos que ela congrega.
O planejamento participativo permite o envolvimento de todos os sujeitos do processo. Essa vivência com a realidade do outro vai proporcionar um
conhecimento da organização, da instituição e de suas minúcias, enquanto
prática e teoria, conflitos, discussões, trocas de opinião geram um processo
de democratização nas tomadas de decisões coletivamente. Segundo Dalmás
(1994, p. 27) o planejamento ideal é:
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Planejamento e avaliação institucionais
[..] O planejamento que envolve as pessoas como sujeitos a partir de sua elaboração,
e com presença constante na execução e avaliação, não apenas como indivíduos, mas
sujeitos de um processo que envolve como grupo, visando ao desenvolvimento individual
e comunitário.
O homem é visto como ser social envolto em realizações pessoais e que,
na convivência e participação comunitária, desenvolve a ação das suas vivências, experiências, consciência crítica da realidade, obtendo coerência e
eficácia no processo de ação/reflexão/ação do planejamento.
É preciso juntar objetividade e sonho para poder ver o trabalho como ele
é hoje, mas que pertence ao futuro. “Se não posso, de um lado, estimular os
sonhos impossíveis, não devo, de outro, negar a quem sonha o direito de
sonhar” (FREIRE, 1996, p. 144). Sonhar, aqui, se destaca no planejamento participativo como a utopia do que se quer alcançar, bem como no diagnóstico,
quando se analisa a distância para alcançar esse objetivo, ou seja, preparação, avaliação e efetivação.
A ousadia de aceitar não ser uma instituição perfeita, de acreditar que
pode melhorar e se adequar, de analisar suas potencialidades e suas deficiências e permitir, na ação, que esses itens sejam direcionados para um futuro
melhor, entender que a utopia cabe dentro do Projeto Pedagógico Institucional e que esse é o meio para se deixar de ser utópico.
Não há receitas prontas, mas há aspectos importantes que não podem
ser deixados de lado nesse processo coletivo. Ter clareza de aonde se quer
chegar (metas), conhecer a instituição (alunos, comunidade, recursos internos e externos, corpo administrativo, estrutura física etc.); decidir e preparar
ações que serão executadas com acompanhamento e avaliação constantes.
Quando a equipe se reunir na organização da ação geral do projeto, o
planejamento estará voltado para o funcionamento dos setores da instituição, as atividades que cada um desenvolve, as relações internas e externas,
as atividades dos alunos, entre outros fatores, ou seja, todos estarão pensando, em grupo, em uma maneira de operacionalizar as metas da instituição,
tendo a aquisição do conhecimento como pano de fundo. O acompanhamento por meio da avaliação, enquanto crítica do percurso visa à melhoria
do processo formativo e consolidação da identidade da instituição.
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Gestão Escolar
A relação projeto e avaliação é fundamental quando se visa alterar a realidade existente, quando se quer transformar a instituição. A avaliação fornecerá informações relevantes sobre a sua estrutura e funcionamento e leva a
um projeto possível. Tudo isso significa que para compreender o sentido do
Projeto Pedagógico Institucional será necessário ter em mente uma teoria da
ação humana que articule a reflexão e a ação, a teoria e a prática, o trabalho
material e o político, o econômico e o cultural, e assim por diante. Segundo
Rabelo (1998, p. 21):
Uma avaliação só é produtivamente possível se realizada como um dos elementos de um
processo de ensino e de aprendizagem, que estejam claramente definidos por um projeto
pedagógico. Somente ao refletir e organizar a ação pedagógica como um todo é possível
refletir sobre cada um deles.
É necessário analisar a avaliação de maneira interligada com os demais
elementos que compõe o planejamento pedagógico, por se tratar de temas
– avaliação e Projeto Pedagógico Institucional – nada imparciais, por traduzirem uma concepção de mundo, de sociedade e de indivíduos que formam
a lES.
A avaliação institucional, enquanto rigorosa, confiável e objetivamente
discutida, visando a ser o horizonte de superação de limitações, obterá uma
visão global do todo, não fechado em si mesmo, mas de forma ativa.
A avaliação do Projeto Pedagógico Institucional é assim entendida por
Veiga (2000, p. 32):
A avaliação do Projeto Político Pedagógico, numa visão crítica, parte da necessidade de
se conhecer a realidade escolar, busca explicar e compreender criticamente as causas da
existência de problemas, bem como suas relações, suas mudanças e se esforça para propor
ações alternativas (criação coletiva). Esse caráter criador é conferido pela autocrítica.
Portanto, quando há discussão sobre o Projeto Pedagógico Institucional, a
avaliação institucional é fator imprescindível, pois é ela que impulsiona as ações
que visam a alcançar todos os ideais pretendidos, a continuidade e a emancipação da educação nesse processo contínuo em busca do aperfeiçoamento.
Considerações sobre a relação
avaliação e formação do docente
Hoje o papel do docente vai além da mediação do processo de conhecimento do discente e do interior da instituição de ensino. O professor ensina e participa da gestão institucional, suas atividades estão cada vez mais complexas.
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Planejamento e avaliação institucionais
É ao professor que cabe o trabalho de interpretar, criticar e contextualizar
os conteúdos disponibilizados pelo currículo da melhor forma para obter os
benefícios para a formação intelectual dos alunos. Portanto, o docente está
sempre refletindo, atento, em constante aperfeiçoamento em relação aos
alunos e em relação às questões de sua ação.
Embora os professores recorram a processos para ensinar, planejar um
determinado conteúdo, avaliar uma determinada aprendizagem ou gerir
uma determinada situação, o processo nunca está pronto e acabado, pois
imprevistos acontecem. Os processos, na realidade, são meios que o professor usa para colocar os conhecimentos ao alcance dos alunos.
Explicam Mellouki e Gauthier (2004, p. 7) sobre o papel do docente:
É nessa tarefa de mediação que se revela o papel de intelectual do professor, papel não só
de portador, intérprete e crítico de uma cultura, mas também de produtor e de divulgador
de conhecimentos, técnicas e procedimentos pedagógicos, e de agente de socialização,
de intérprete e de guardião responsável pela consolidação das regras de conduta e
daquelas maneiras de ser, valorizadas pela sociedade e pela escola.
(CARON, Sheila Cristina. Planejamento e Avaliação como Subsídios para a Melhoria
da Ação Docente. Disponível em: <www.biblioteca.pucpr.br/tede/tde_busca/arquivo.
php?codArquivo=1157>. Acesso em: maio 2009.)
Dica de estudo
GADOTTI, Moacir. Avaliação Institucional: necessidade e condições para a sua
realização. In: Perspectivas Atuais da Educação. Porto Alegre: Artmed, 2000.
Esse texto, escrito por Moacir Gadotti, serviu de texto-roteiro para uma teleconferência organizada pela Assessoria de Avaliação Institucional da Secretaria
de Estado da Educação do Estado do Rio de Janeiro, no dia 6 de abril de 1999.
Trata-se de um texto rico e conciso, situando o tema historicamente, ao mesmo
tempo em que apresenta seus reflexos no meio educacional. Expõe a necessidade da avaliação educacional, aliada às concepções e princípios. Fornece, ainda,
orientações para a realização da avaliação institucional.
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Gestão Escolar
Atividades
1. Registre o seu entendimento de Planejamento Participativo.
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Planejamento e avaliação institucionais
2. Planejamento e Avaliação: ferramentas indispensáveis para uma boa gestão
educacional. Justifique.
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Gabarito
Planejamento e avaliação institucionais
1. O planejamento participativo é um processo político, pois contém a
decisão tomada pela maioria dos participantes da comunidade escolar em benefício da própria comunidade, objetivando a construção do
futuro almejado pela e para a comunidade.
Ao assumir o planejamento participativo, a organização escolar expressa o seu pensar em relação ao homem, como sujeito histórico,
com conhecimentos próprios e agentes dos processos, assim as relações, antes verticalizadas num processo tecnocrático, passam, no planejamento participativo, a ser relações horizontalizadas, valorizadas
e assumidas. Na prática, o planejamento participativo consegue integrar o operacional e o estratégico, organizando-os num todo, ao que
Freire denomina processo de reflexão–ação. A escola ao eleger o planejamento participativo tem que ter a clareza de que planejar consiste
em um processo para alcançar determinados objetivos, significando
transformação, revolução.
2. O planejamento e a avaliação educacionais têm relevância significativa no contexto das políticas e da Gestão da Educação. Isso devido
à concepção que se tem do planejamento, como um instrumento de
implantação das políticas estabelecidas e a avaliação como o mecanismo de verificação e julgamento de planos, programas e projetos.
A avaliação institucional é considerada como um dos integrantes importantes do processo de planejamento, constituindo-se em uma forma técnica possibilitadora à gestão da análise e julgamento de todas
as fases do processo de planejamento.
Com esse entendimento, planejamento e avaliação passam a ser ferramentas técnico-operacionais possibilitadoras de concretização de
ideias e proposições em educação.
Dessa forma, o planejamento e a avaliação são vistos como ação prática, constituem-se em caminhos metodológicos, congregando duas
bases do conhecimento: o ideal das concepções teóricas e o objetivo
da realização concreta. Tornando-se ambos imprescindíveis à construção de propostas, pois se integram aos processos político e gerencial
da educação, dando-lhes o sentido da exequibilidade.
Esse material é parte integrante do Videoaulas on-line do IESDE BRASIL S/A,
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GESTÃO Escolar - UOL Concursos Públicos