Antonio Carlos Tonelli Gusson Hábitos Alimentares de Crianças com Idade Até 5 Anos de São José do Rio Preto São José do Rio Preto 2009 Antonio Carlos Tonelli Gusson Hábitos Alimentares de Crianças com Idade Até 5 Anos de São José do Rio Preto Tese apresentada à Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto para obtenção do Título de Doutor no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde. Eixo Temático: Medicina Interna. Orientador: Profa. Dra. Maria Cristina O.S. Miyazaki São José do Rio Preto 2009 Ficha Catalográfica Gusson, Antonio Carlos Tonelli Hábitos Alimentares de Crianças com Idade Até 5 Anos de São José do Rio Preto / Antonio Carlos Tonelli Gusson. São José do Rio Preto, 2009, 77 p. Tese (Doutorado) – Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto Eixo Temático: Medicina Interna Orientador: Profa. Dra. Maria Cristina O.S. Miyazaki 1. Pediatria; 2. Alimentação; 3. Hábito alimentar. Antônio Carlos Tonelli Gusson Hábitos Alimentares de Crianças com Idade Até 5 Anos de São José do Rio Preto BANCA EXAMINADORA TESE PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE DOUTOR Presidente e Orientadora: Profa. Dra. Maria Cristina O.S. Miyazaki 2º Examinador: Profa. Dra. Maria Rita Zoega Soares 3º Examinador: Profa. Dra. Agdamar Affini Suffredini 4º Examinador: Prof. Dr. João Batista Salomão Júnior 5º Examinador: Profa. Dra. Neide Aparecida Micelli Domingos Suplentes: Prof. Dr. Airton Camacho Moscardini Profa. Dra. Lívia Gussoni Basile São José do Rio Preto, 14/12/2009. SUMÁRIO Dedicatória....................................................................................................................... i Agradecimentos .............................................................................................................. ii Epígrafe .......................................................................................................................... v Lista de Figuras ............................................................................................................. vi Lista de Tabelas ............................................................................................................ vii Lista de Abreviaturas e Símbolos .................................................................................. ix Resumo ......................................................................................................................... x Abstract......................................................................................................................... xii 1- INTRODUÇÃO.................................................................................................... 1 1.1- Objetivo.......................................................................................................... 8 2- CASUÍSTICA E MÉTODO.................................................................................. 9 2.1- Casuística............................................................................................... 9 2.2- Método.................................................................................................. 9 2.3- Análise Estatística................................................................................. 12 3- RESULTADOS.................................................................................................... 13 3.1- Comportamento Alimentar................................................................... 14 3.1.1- Pré-natal e amamentação.......................................................... 16 3.1.2- Introdução de alimentos complementares................................. 16 3.1.3. Primeiro ano de vida (Importância) .......................................... 17 3.1.4. Características das refeições...................................................... 18 3.1.5. Ingestão de líquidos................................................................... 21 3.1.6. Fatores que influenciam na alimentação da criança.................. 24 3.2- Freqüência Alimentar............................................................................ 25 3.2.1. Grupo 1....................................................................................... 25 3.2.2. Grupo 2....................................................................................... 27 3.2.3. Grupo 3....................................................................................... 28 3.2.4. Grupo 4....................................................................................... 30 3.2.5. Grupo 5....................................................................................... 31 3.2.6. Grupo 6....................................................................................... 32 3.2.7. Grupo7........................................................................................ 33 3.3- Recordatório Alimentar ......................................................................... 35 4- DISCUSSÃO.......................................................................................................... 38 4.1- Comportamento Alimentar........................................................................ 38 4.2- Freqüência Alimentar................................................................................ 47 4.3- Recordatório Alimentar............................................................................. 51 5- CONCLUSÕES..................................................................................................... 54 6- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.................................................................. 55 7- APÊNDICES………………………………...………..................……………...... 68 8- ANEXOS…………………………………………..................……………..….… 75 i À minha família: Lilia: amor, amizade, crescimento e estímulo de vida. Carolina e Gabriela: tesouros, incentivos à vida·e desafios. Aldiva e Jacintho: exemplo, amizade, amparo, amor e sabedoria. Martha (in memoriam): exemplo, amizade e apoio. Irmãos, cunhados, sobrinhos e tios: apoio e amizade. ii AGRADECIMENTOS À Profa. Dra. Maria Cristina de Oliveira Santos Miyazaki, pela amizade, orientação e constante incentivo durante a realização deste trabalho. Aos Profs. Drs. Maria Rita Zoega Soares, Agdamar Affini Suffredini, João Batista Salomão Júnior e Neide Aparecida Micelli Domingos da FAMERP, membros da banca examinadora, pelas valiosas contribuições durante a defesa da tese. Ao Prof. Dr. Domingo Marcolino Braile, Diretor Adjunto de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (FAMERP), pelo estímulo e apoio desde o início do doutorado. Ao Prof. Dr. Reinaldo Azoubel, Coordenador do Eixo Temático Medicina Interna do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da FAMERP, pelo apoio e importantes sugestões. Ao Prof. Dr. Moacir Fernandes de Godoy, Diretor Adjunto de Ensino da FAMERP, pela amizade e importantes discussões sobre a análise dos dados. A todos os docentes do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da FAMERP, pelos ensinamentos durante o transcorrer da pós-graduação. Ao Prof. Dr. Mauro Fisberg, Chefe do Centro de Atendimento e Apoio ao Adolescente do Departamento de Pediatria da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), pelas sugestões, correções e idéias para melhora da qualidade desta tese. À Profa. Dra. Roseli Oselka Saccardo Sarni, Presidente do Departamento Científico de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria, pelas sugestões e importantes idéias. iii À pedagoga Lilia Sestini dos Santos Gusson, pós-graduanda do Curso de Especialização em Intervenção Familiar da FAMERP, pelo fundamental apoio no levantamento bibliográfico e pelas valiosas discussões sobre comportamento alimentar de crianças. Aos colegas do Departamento de Pediatria e Cirurgia Pediátrica da Famerp, pelo apoio recebido. Ao Dr. Arnaldo Almendros Mello, Secretário Municipal de Saúde e Higiene de São José do Rio Preto, pelo apoio e autorização para coleta de dados durante a campanha de vacinação. Aos funcionários da Secretaria Municipal de Saúde e Higiene de São José do Rio Preto, pela colaboração durante a campanha de vacinação. À Profa. Dra. Adriana Barbosa dos Santos do Departamento de Ciências da Computação e Estatística do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (IBILCE) da Universidade Estadual Paulista (UNESP) de São José do Rio Preto, pela análise estatística. Ao Prof. Dr. Renato Braz de Araujo do IBILCE-UNESP, pela amizade, incentivo e tradução do resumo para o inglês. Às nutricionistas Juliana Morelli França e Luciana de Souza Benhalbel Silva do Serviço de Nutrição do Hospital de Base de São José do Rio Preto, SP, pelo auxílio na utilização do programa computacional de apoio à nutrição NutWin e discussão sobre aspectos nutricionais. À Profas. Dras. Agdamar Affini Suffredini e Sílvia Maria Albertini do Centro Universitário de Rio Preto (UNIRP), pelo valioso apoio na coleta de dados. iv Aos alunos de graduação dos cursos de medicina da FAMERP e de nutrição da UNIRP, pela colaboração na coleta de dados. Ao acadêmico Vinicius Tadeu Nogueira do Nascimento do curso de medicina da FAMERP e ao Aerton Aparecido Rebustini, auxiliar administrativo da FAMERP, pela digitação dos dados. À secretária Maria Luiza Lourenço Alves Silva do Departamento de Pediatria e Cirurgia Pediátrica da FAMERP, pela amizade e ajuda em vários momentos do curso de pósgraduação. Aos funcionários da pós-graduação da FAMERP, em especial à Fabiana Cristina de Godoy, Rosimeire Cleide Souza Desidério e José Antonio Silistino, pela atenção e auxílio em diversos momentos. Aos funcionários da Biblioteca da FAMERP, em especial à Zélia Cristina Régis Brazolim, pela atenção e auxílio no levantamento bibliográfico. À funcionária Juceléa Soares da Silva da FAMERP pela colaboração na confecção dos slides do exame de qualificação. Às secretárias Dalva dos Santos Souza e Rosecler Aparecida Rodrigues do Centro Médico Pró-Infância, pelo auxílio sempre que precisei. À secretária Rosângela Aparecida Miranda, pela amizade e auxílio durante o transcorrer da pós-graduação. Aos cuidadores das crianças aqui estudadas, pela confiança depositada e inestimável colaboração. v “Talvez não tenhamos conseguido fazer o melhor, mas lutamos para que o melhor fosse feito... Não somos o que deveríamos ser, não somos o que iremos ser, mas, graças a Deus, não somos o que éramos.” Martin Luther King vi LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Regiões administrativas do município de São José do Rio Preto, SP.......... 10 Figura 2 - Histograma (em meses) da idade das crianças de São José do Rio Preto com até 60 meses.................................................................................................. 13 Figura 3 - Distribuição percentual dos locais onde as crianças permanecem durante a semana de acordo com a faixa etária............................................................ 15 Figura 4 - Alimentos solicitados com maior freqüência entre as refeições................... 19 Figura 5 - Distribuição percentual da conduta dos cuidadores em relação à solicitação de alimentos entre as refeições pelas crianças................................................... 20 Figura 6 - Distribuição percentual da freqüência de crianças que fazem suas refeições em diferentes cômodos da casa..................................................................... 21 vii LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Distribuição percentual da atividade física em relação à faixa etária........ 15 Tabela 2 - Estatística descritiva do tempo (em meses) de introdução de alimentos complementares na dieta da criança............................................................ 16 Tabela 3 - Distribuição percentual da variável “alimentação da criança nos primeiros anos de vida” em relação à faixa etária....................................................... 17 Tabela 4 - Distribuição percentual da variável “facilidade em aceitar alimentos no primeiro ano de vida” em relação à faixa etária....................................... 18 Tabela 5 - Distribuição percentual do hábito de ingerir refrigerante de acordo com a faixa etária das crianças.............................................................................. 22 Tabela 6 - Freqüência relativa ao hábito de ingerir água por parte das crianças, pais, mães e cuidadores..................................................................................... 23 Tabela 7 - Distribuição percentual do hábito de ingerir água de acordo com a faixa etária das crianças..................................................................................... 23 Tabela 8 - Distribuição percentual da freqüência alimentar de acordo com os alimentos do Grupo 1.................................................................................. 25 Tabela 9 - Distribuição percentual da freqüência alimentar no Grupo 1 em relação à faixa etária (em meses) das crianças. Valor P referente ao teste Qui-Quadrado.................................................................................... 26 Tabela 10 - Distribuição percentual da freqüência alimentar de acordo com os alimentos do Grupo 2............................................................................... 27 Tabela 11 - Distribuição percentual da freqüência alimentar no Grupo 2 em em relação à faixa etária (em meses) das crianças. Valor P referente ao teste Qui-Quadrado........................................................................... 28 viii Tabela 12 - Distribuição percentual da freqüência alimentar de acordo com alimentos do Grupo 3................................................................................... 29 Tabela 13 - Distribuição percentual da freqüência alimentar no Grupo 3 em relação à faixa etária (em meses) das crianças. Valor P referente ao teste Qui-Quadrado.................................................................. 29 Tabela 14 - Distribuição percentual da freqüência alimentar de acordo com os alimentos do Grupo 4................................................................................... 30 Tabela 15 - Distribuição percentual da freqüência alimentar no Grupo 4 em relação à faixa etária (em meses) das crianças. Valor P referente ao teste Qui-Quadrado.................................................................. 31 Tabela 16 - Distribuição percentual da freqüência alimentar de acordo com os alimentos do Grupo 5 por faixa etária (em meses)...................................... 32 Tabela 17 - Distribuição percentual da freqüência alimentar de acordo com os alimentos do Grupo 6................................................................................... 32 Tabela 18 - Distribuição percentual da freqüência alimentar no Grupo 6 em relação à faixa etária (em meses) das crianças. Valor P referente ao teste Qui-Quadrado................................................................................ 33 Tabela 19 - Distribuição percentual da freqüência alimentar de acordo com os alimentos do Grupo 7................................................................................... 33 Tabela 20 - Distribuição percentual da freqüência alimentar no Grupo 7 em relação à faixa etária (em meses) das crianças. Valor P referente ao teste Qui-Quadrado................................................................................ 34 Tabela 21 - Distribuição percentual do consumo de caloria total, carboidratos, proteínas e lipídios abaixo, normal e acima do recomendado.................................. 35 Tabela 22 - Distribuição percentual do consumo de caloria total, carboidratos, proteínas e lipídios segundo a faixa etária (em meses). Valor P relativo ao teste QuiQuadrado...................................................................................................... 36 ix LISTA DE ABREVIATURAS E SÍMBOLOS CEP Comitê de Ética em Pesquisa FAMERP Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto g grama h horas n número p nível de significância SP São Paulo UBS Unidade Básica de Saúde UBSF Unidade Básica de Saúde da Família UNIRP Centro Universitário de Rio Preto χ2 qui-quadrado x RESUMO Introdução: A alimentação da criança, desde o nascimento e nos primeiros anos de vida, tem repercussões ao longo de toda a vida. O desenvolvimento de hábitos alimentares adequados na infância pode influenciar preferências e práticas futuras, promovendo ótima condição de saúde, crescimento e desenvolvimento intelectual, prevenindo diversas doenças crônicas não-transmissíveis. Objetivo: Estudar hábitos alimentares de crianças com idade até 5 anos de São José do Rio Preto visando: 1) caracterizar o comportamento alimentar de crianças e cuidadores; 2) determinar a freqüência do consumo de alimentos ingeridos durante a semana; 3) identificar alimentos ingeridos nas últimas 24 horas em termos de macronutrientes. Casuística e Método: Estudo transversal, realizado a partir do relato das mães ou cuidadores de 1180 crianças com idade até 5 anos, sendo 586 (49,7%) do sexo masculino e 594 (50,3%) do feminino. Os dados foram coletados durante duas fases da campanha nacional de vacinação realizada em 2006. Foram utilizados os seguintes instrumentos: questionários de comportamento alimentar, freqüência alimentar semanal e recordatório alimentar de 24 horas. Resultados: A maioria das mães (97,3%) realizou acompanhamento pré-natal e 73,6% das crianças foram ou estavam sendo amamentadas. O tempo médio de introdução de alimentos complementares variou de 5,2 a 5,7 meses. A maioria das crianças avaliadas ingeriu diariamente e freqüentemente arroz, pães, biscoitos, massas, legumes, verduras, frutas, sucos de frutas, carne vermelha, carne branca, ovos, leite e derivados, leguminosas, doces e refrigerantes. Com relação ao consumo de alimentos ricos em carboidratos, proteínas e lipídios, cerca de 14%, 16% e 33% respectivamente, das crianças estão acima do recomendado. Conclusões: a maioria das mães realizou acompanhamento pré- xi natal; a duração da amamentação e a introdução de alimentos complementares foram adequadas; o consumo de refrigerantes aumenta gradativamente com a idade e metade das crianças e famílias fizeram suas refeições com a televisão ligada. A maioria das crianças consumiu diariamente e freqüentemente alimentos energéticos, reguladores, leite e derivados, construtores e leguminosas. A ingestão diária e freqüente de frituras e salgadinhos e açúcar, doces e refrigerantes sugere adoção de medidas educativas. O consumo de alimentos ricos em carboidratos, proteínas e lipídios está adequado para a maioria das crianças. Houve associação significativa entre faixa etária e consumo em termos de caloria total, carboidratos, proteínas e lipídios. Palavras-chave: criança, alimentação, hábito alimentar xii ABSTRACT Introduction: Child diet at birth and during the first years of life has repercussions throughout life. The development of healthy eating habits in infancy can influence future preferences and practices, promoting good health condition, intellectual growth and development, preventing several non-transmissible chronic diseases. Objective: The purpose of this research was to investigate eating habits of children until 5 years of age from São José do Rio Preto aiming: 1- to characterize eating behavior of children and caretakers; 2- to determine the weekly food frequency, and 3- to identify consumed food in terms of macronutrients from 24-hour diet recall. Casuistic and Method: Transversal study, using data from interviews with mothers or caretakers of 1180 children with until five years of age, 586 (49.7%) males and 594 (50.3%) females. Data were collected during two phases of national campaign of vaccination performed in 2006 using a food behavior questionnaire, a weekly food frequency and a 24-hour diet recall method. Results: The majority of mothers (97.3%) made prenatal care and 73.6% of children were or was being breastfed. The mean time of introduction of complementary foods varied from 5.2 to 5.7 months. Most of the children intake daily and frequently rice, bread, biscuits, pasta, vegetables, fruits, fruit juices, red meat, white meat, eggs, milk and derivatives, beans, sweets and soft drinks. Regarding foods rich in carbohydrates, proteins and lipids, approximately 14%, 16% e 33% respectively, of children are above of the recommended values. Conclusions: the majority of the mothers carried out prenatal care; breastfeeding duration and introduction of complementary foods were adequate; soft drinks intake during the day increases gradually with age, and half of children and families eat their meals with the television on. The weekly food frequency revealed that most children intaked daily and frequently xiii energetic, regulator and constructor foods, milk and derivatives, and beans. The daily and frequent intake of fritters and snacks, sugar, sweets and soft drinks suggests adoption of educative measures. The 24-hour diet recall showed that the food intake rich in carbohydrates, proteins and lipids is adequate for the majority of children. There was a statistically significant association between age and intake in terms of total caloric, carbohydrates, proteins and lipids. Key-words: child, diet, eating habits INTRODUÇÃO 1- INTRODUÇÃO Mudanças nos padrões alimentares, nas práticas de atividade física e na composição corporal da população podem ser identificadas ao longo do tempo, e associadas com padrões de morbi-mortalidade.(1-3) A transição nutricional, ocorrida nos últimos 50 anos, evidencia importantes mudanças no consumo de alimentos. Estas mudanças, bem como suas conseqüências, podem ser divididas em três etapas: 1) pré-transicional, na década de 60, com alimentação baseada principalmente no consumo de cereais, tubérculos, vegetais e frutas e consequente predominância do déficit nutricional; 2) transição, durante a década de 80, com aumento no consumo de açúcares, gorduras e alimentos processados, acarretando tanto deficiências nutricionais como a obesidade; 3) póstransicional, após 1990, quando houve um aumento ainda maior no consumo de gordura e açúcares, associado ao baixo consumo de fibras, tendo como consequência o predomínio da obesidade e das dislipidemias.(4-6) Modificações no contexto social, cultural, nos hábitos, estilos de vida e no consumo são importantes determinantes do estilo de vida ocidental contemporâneo.(6,7) Este inclui elevado consumo de alimentos industrializados e fast-food, uma alimentação mais prática, mais fácil, mais calórica, mais gordurosa e menos saudável.(8) Várias tentativas foram realizadas para substituir inclusive o leite materno pelos leites in natura, e com o aumento no índice de morbimortalidade infantil, surgiram as fórmulas lácteas.(9) Mesmo com o avanço tecnológico, nenhum alimento foi capaz de substituir a amamentação do ponto de vista nutricional, imunológico, emocional e sócio-cultural.(10) As vantagens da amamentação sobre a alimentação artificial são enormes, sob qualquer ângulo que se examine: morbidade, mortalidade, segurança alimentar, economia, ecologia, bem estar psíquico e social, qualidade de vida, praticidade e muitos outros.(11-13) O leite materno, primeiro alimento do homem, passou a ser valorizado ainda mais nas últimas décadas, e a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomendou sua utilização exclusiva até o sexto mês.(11,14) Somente a partir deste momento, novos alimentos, como sucos, papas de frutas e papas salgadas, devem ser administrados.(15) A introdução de novos alimentos, a partir do sexto mês, considera não só o fato do leite materno ser um alimento completo. Antes desse período há uma imaturidade neurológica da criança para ingerir alimentos sólidos.(16) As crianças nascem com preferências pelos alimentos doces.(17) A aquisição de novos paladares ocorrerá com a persistência na introdução de novos alimentos pelos pais ou cuidadores.(18,19) Durante o primeiro ano de vida, a introdução dos alimentos deve ser individualizada, objetivando um adequado aporte nutricional e o desenvolvimento de hábitos alimentares saudáveis. A infância é o período de formação dos hábitos alimentares. A compreensão dos fatores que atuam na formação desses possibilita a elaboração de processos educativos, que podem modificar o padrão alimentar da criança. Esses fatores podem ser fisiológicos e ambientais.(20,21) Os fisiológicos incluem experiência intra-uterina, paladar do recém-nascido, aleitamento materno e neofobia. Desde a fase intra-uterina, o feto é exposto a uma variedade de estímulos sensoriais in útero, que podem contribuir para a preferência de sabores. O líquido amniótico é aromático e o seu odor é influenciado pela dieta da mãe. A semelhança de aromas entre o líquido amniótico e o leite materno pode estar envolvida na preferência do recém-nascido pelo cheiro do leite materno.(22) Os compostos químicos que dão sabor e aroma aos alimentos são ingeridos pelo lactente através do leite materno e, dessa maneira, a criança vai sendo introduzida aos hábitos alimentares da família.(19,22) Pesquisas têm indicado que a alimentação das mães durante a lactação pode afetar o sabor do leite.(19,23) Um estudo revelou que, durante as primeiras horas de vida, os lactentes exibem expressões faciais de relaxamento e movimentos de sucção em resposta ao sabor doce dos açúcares, enquanto o sabor azedo do ácido cítrico concentrado e o sabor amargo da quinina e uréia concentrados provocaram caretas.(24) Nenhuma resposta facial distinta foi relatada para a estimulação com sal.(24) A preferência pela água com sal, em relação à água pura, emerge pela primeira vez aproximadamente aos quatro meses. Representa uma evidente alteração no estímulo ao paladar durante o desenvolvimento que ocorre após o nascimento, provavelmente influenciada pela experiência.(24) A composição do leite se modifica à medida em que a lactação progride. Os níveis de lactose diminuem e aumentam os de cloreto, tornando o leite levemente salgado. Essa mudança pode favorecer a aceitação dos alimentos complementares no tempo oportuno.(22) A tendência de rejeitar alimentos desconhecidos é denominada neofobia.(25) Muitos dos alimentos que as crianças rejeitam inicialmente acabarão sendo aceitos se elas tiverem oportunidade de prová-los em condições favoráveis. A aprendizagem é fator importante na aceitação dos novos alimentos, e existe relação direta entre freqüência de exposições e preferência pelo alimento.(8,23,25,26) Dentre os fatores ambientais que contribuem para a formação de hábitos alimentares na infância, estão a alimentação dos pais, o comportamento do cuidador, a influência da televisão e a alimentação em grupo.(27) De Bourdeaudhuij & van Oost(28) enfatizaram a importância familiar no desenvolvimento de hábitos alimentares. A família oferece amplo campo de aprendizado social. O ambiente doméstico, o estilo de vida dos pais e as relações familiares podem ter grande influência na alimentação, nas suas preferências, e afetar o equilíbrio energético da alimentação pela disponibilidade e composição dos alimentos. Assim, a família poderá estabelecer o aprendizado de um hábito socialmente aceito ou inserir novos hábitos, contribuindo para a formação de um padrão de comportamento alimentar adequado ou não.(8,29) Alguns estudos demonstram que quando os pais são envolvidos na mudança de hábitos dos filhos, há evolução significativa nas práticas alimentares.(30,31) De acordo com Curran & Barness(32) os adultos devem perceber que os hábitos alimentares são melhor ensinados pelo exemplo. Edmunds et al.(33) constataram que os pais são melhores agentes de mudança, que o treinamento dos pais e a terapia familiar foram mais efetivos, e o tratamento de pais e filhos juntos pode ser melhor que o tratamento somente da criança. Por outro lado, as dificuldades alimentares entre dois e cinco anos muitas vezes são resultantes de uma insistência excessiva dos pais na alimentação, e conseqüente ansiedade quando a criança não se adapta a algum padrão arbitrário.(8,32,34) Esses aspectos interferem na preferência dos pais, especialmente da mãe,(35-37) que também desempenha função fundamental na transmissão de valores culturais sobre peso, forma e aparência do corpo.(38) Kain et al.(39) identificaram deficiências no conhecimento de mães sobre alimentação, ponto importante, uma vez que estas exercem marcante influência na formação dos hábitos alimentares da criança.(26) A alimentação dos pais costuma exercer influência decisiva na alimentação infantil, afetando a preferência alimentar da criança e sua regulação da ingestão energética.(40) A produção de refeições e o cuidado com a saúde da criança, ainda são uma atribuição feminina, em muitos casos passada de geração em geração, envolvendo a dimensão econômica, a afetiva e a socialização. A relação mãe-criança e alimento está inserida numa dimensão afetiva, de estímulo, de busca, de autonomia e socialização.(41) Os primeiros conflitos da interação mãe-criança podem encontrar sua expressão na esfera da nutrição. A adequação das respostas maternas às necessidades fisiológicas da criança contribui para o seu funcionamento harmonioso, assim como as dificuldades maternas na compreensão dessas necessidades podem facilitar o desencadeamento de problemas nutricionais.(42,43) A educação nutricional das mães deveria enfatizar a importância da experiência na alimentação nos primeiros dois anos de vida, para favorecer a aceitação de variedades de vegetais e frutas na idade escolar.(44) Além disso, mulheres com conhecimento sobre dietas de controle de peso podem influenciar suas filhas, transmitindo para elas conceitos, idéias e crenças sobre dietas, muitas vezes prejudiciais à saúde. Um controle excessivamente restrito e rígido por parte dos pais tende a prejudicar a capacidade da criança de se auto-regular. Ao contrário, práticas de controles mais livres promovem o desenvolvimento do amor próprio e do autocontrole nas crianças.(23,34) A mídia representa importante fonte de informações sobre alimentos e nutrição. A televisão influencia de forma importante a alimentação.(45) Seu poder de influência ocorre pelos seus agentes sociais na criação de valores míticos como liberdade, autonomia, felicidade e bem-estar, prescrevendo, simultaneamente, comportamentos adequados ao alcance de tais fins.(46) Além de promover o sedentarismo, a televisão estimula também a ingestão de alimentos calóricos.(47,48) No passado a alimentação das crianças ocorria durante a interação familiar. Atualmente, esta interação vem sendo substituída pela televisão, o que fez com que Westenhoefer(49) afirmasse que a família está sendo trocada pela televisão como “companhia social” durante a refeição. A partir do momento em que as crianças começam a freqüentar creches ou escolas, ficam mais suscetíveis aos alimentos disponíveis nessas instituições, dificultando o controle dos pais. Para muitas crianças, mais da metade dos nutrientes consumidos diariamente é oferecida nestes estabelecimentos. Devido à pressão dos colegas, as crianças normalmente comem bem em grupo, tornando creches e escolas ambientes ideais para programas de educação nutricional. As atividades que enfocam as relações do mundo real da criança com o alimento são mais prováveis de produzir resultados positivos. Participar de jogos que ensinam nutrição, experimentar novos alimentos, participar do preparo de alimentos simples e fazer uma horta, são atividades que melhoram os hábitos e desenvolvem atitudes alimentares positivas.(43) A educação nutricional dirigida às crianças pode contribuir para a formação de hábitos alimentares adequados, uma vez que o comportamento na vida adulta depende do aprendizado na infância.(50) Há uma associação entre hábitos alimentares inadequados e prejuízos à saúde, cujos índices têm crescido nas últimas décadas, como resultado do aumento no consumo de alimentos com alta densidade calórica e redução na atividade física.(3,51) A alimentação da criança, desde o nascimento e nos primeiros anos de vida, tem repercussões ao longo de toda a vida. O desenvolvimento de bons hábitos alimentares na infância e adolescência pode influenciar preferências e práticas futuras, promovendo ótima condição de saúde, crescimento e desenvolvimento intelectual, prevenindo problemas como anemia, hipertensão arterial, obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares, cárie dentária e câncer.(52,53) Hábitos alimentares adequados podem melhorar as condições de saúde de uma população, além de gerar economias do ponto de vista financeiro, social, ético e moral, sobretudo se forem dirigidos esforços no sentido de proporcionar as crianças dignas e plenas condições de crescimento e desenvolvimento. Segundo Borra et al.,(54) muitas crianças com 9 anos já desenvolveram conceitos incorretos, que vão interferir na apreciação dos alimentos e, portanto, na escolha de uma alimentação saudável. O principal determinante da preferência alimentar é o fator ambiental. Apesar disso, fatores hereditários podem influenciar na escolha de alimentos que promovem boa saúde.(55) Atualmente, devido ao aumento da prevalência de obesidade e outros problemas de equilíbrio energético em pacientes pediátricos, como anorexia, bulimia e alimentação crônica diet, é necessário começar a aplicar conhecimentos sobre o desenvolvimento de controles da ingestão alimentar nos primeiros anos de vida.(56) Conhecer hábitos alimentares de crianças de zero a cinco anos fornece subsídios para elaboração de planos preventivos fundamentais, capazes de evitar problemas de saúde no futuro. De acordo com Gesell,(57) os primeiros cinco anos do ciclo de desenvolvimento da criança são os mais essenciais e formativos. Para Curran & Barness(32) os hábitos alimentares formados nos primeiros um ou dois anos de vida afetam claramente os hábitos dos anos subseqüentes. A observação clínica realizada em pacientes pediátricos durante 30 anos mostrou que parece haver maior facilidade no estabelecimento de hábitos alimentares no primeiro ano de vida, período, na maioria das vezes, desconhecido pelos profissionais de saúde que buscam intensamente em idades avançadas a reeducação alimentar com o intuito de desenvolver novos e bons hábitos alimentares. Portanto, a avaliação da situação alimentar da população infantil (0 a 5 anos) de São José do Rio Preto é de fundamental importância para o planejamento de políticas públicas voltadas para uma melhor qualidade de vida. 1.1- Objetivo Esta pesquisa teve como objetivo estudar hábitos alimentares de crianças com idade até cinco anos de São José do Rio Preto e inclui, especificamente: 1) caracterizar o comportamento alimentar de crianças e cuidadores; 2) determinar a freqüência do consumo de alimentos ingeridos durante a semana; 3) identificar alimentos ingeridos nas últimas 24 horas em termos de macronutrientes. CASUÍSTICA E MÉTODO 2- CASUÍSTICA E MÉTODO 2.1- Casuística Foram incluídas no estudo 1180 crianças na faixa etária entre zero e quatro anos e 11 meses, independente de raça, sexo e condição sócio-econômica, provenientes de São José do Rio Preto, SP, cujo comportamento alimentar foi estudado de forma transversal a partir de entrevistas com as mães ou responsáveis. Do total de crianças, 586 (49,7%) eram do sexo masculino e 594 (50,3%) do feminino. 2.2- Método Esta pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (FAMERP), SP (Anexo 1, Apêndice 1) e autorizada pela Secretaria Municipal de Saúde de São José do Rio Preto (Anexo 2). Os dados foram coletados durante duas fases da Campanha Nacional de Vacinação contra Poliomielite realizada em 10 de junho e 26 de agosto de 2006. Do total de crianças do município nessa faixa etária (25.754), foram vacinadas 20.973 crianças na primeira fase e 22.784 na segunda.(11) Em 2006 havia no município 23 unidades básicas de saúde. Este estudo foi realizado em 20 destas unidades, distribuídas em 13 áreas administrativas, das 14 existentes no município (Figura 1, Anexo 3): Unidade Básica de Saúde (UBS) Parque Industrial, UBS Central, UBS Jardim Americano, UBS São Francisco, UBS Anchieta, UBS Vetorazzo, UBS Eldorado, UBS São Deocleciano, UBS Vila Elvira, UBS Vila Mayor, Unidade Básica de Saúde da Família (UBSF) Cidade Jardim, UBSF Parque da Cidadania, UBSF Gonzaga de Campos, UBSF Maria Lúcia, UBSF Residencial Rio Preto, Centro de Saúde Escola Estoril, Policlínica Jaguaré, Policlínica Santo Antonio, Policlínica Vila Toninho e Policlínica Solo Sagrado.(58) Os cuidadores das crianças eram esclarecidos sobre os objetivos do estudo e importância do mesmo e convidados a participar. Figura 1 - Regiões administrativas do município de São José do Rio Preto, SP. A coleta de dados foi realizada junto aos cuidadores de crianças vacinadas nas duas fases da campanha de vacinação contra a poliomielite foi realizada por alunos de graduação dos cursos de medicina da FAMERP e de nutrição do Centro Universitário de Rio Preto (UNIRP), previamente selecionados e treinados pelo pesquisador. Antes da coleta de dados na segunda fase da campanha de vacinação, os cuidadores foram questionados se haviam participado desta pesquisa na primeira fase. Somente foram considerados aqueles cuidadores que ainda não haviam participado do estudo na primeira fase. Para a coleta de dados foram utilizados os seguintes instrumentos: a) Questionário sobre comportamento alimentar composto por perguntas fechadas e abertas (Apêndice 2); b) Questionário de freqüência alimentar semanal (Apêndice 3) composto por perguntas fechadas, com alimentos agrupados de acordo com a pirâmide alimentar.(59) Este instrumento prevê a medição da exposição e sua relação com o tempo, de modo que reflita características de como começa, quando termina e qual sua distribuição no período de intervenção.(60) Na análise da freqüência alimentar foram consideradas as respostas diariamente, freqüentemente (3 a 6 dias por semana), raramente (1 a 2 vezes por semana) e não consome. c) Recordatório alimentar das 24 horas(15,61) composto por perguntas abertas (Apêndice 4). O consumo alimentar, em caloria total, carboidrato, proteína e lipídio, é calculado com auxílio do Programa de Apoio à Nutrição NutWin, desenvolvido pelo Departamento de Informática em Saúde da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP),(62) complementado com tabelas nutricionais em casos de ausência de determinados alimentos. Esse instrumento segue as recomendações da OMS para a obtenção de indicadores sobre práticas de alimentação infantil em estudos populacionais, utilizando dados sobre alimentação infantil obtidos a partir de recordatório de 24h. Na análise do recordatório alimentar de 24 horas foram utilizados valores de referência de ingestão (Dietary Reference Intakes ou DRI) para caloria total por faixa etária. Para carboidratos e lipídios foram usados o Adequate Intake (AI) de 0 a 12 meses e Acceptable Macronutrient Distribution Range (AMDR) de 12 a 60 meses, e para proteínas Adequate Intake (AI) de 0 a 6 meses, Recommended Dietary Allowances (RDA) de 6 a 12 meses e AMDR de 12 a 60 meses.(63) Na freqüência alimentar e no recordatório alimentar das 24 horas, a avaliação nutricional foi efetuada por nutricionista. 2.3-Análise Estatística Os dados foram digitados no programa Excel (Microsoft Corp., Estados Unidos) e envolveu cálculos de estatística descritiva e tabelas cruzadas para análises bidimensionais. Foi aplicado o teste qui-quadrado para avaliar associação entre consumo de alimentos em termos de macronutrientes e faixa etária. O nível de significância adotado foi p < 0,05. RESULTADOS 3- RESULTADOS Nos resultados do comportamento alimentar, freqüência alimentar semanal e recordatório alimentar das 24 horas, o número de casos analisados em cada um das questões varia, pois foram registrados casos de não-resposta. De um total de 1162 crianças1, a média de idade foi 27,6 ± 16,3 meses e a mediana foi 26 meses, sendo a idade mínima um mês e a máxima 60 meses. A mediana indica que 50% das crianças possuem idade entre um mês e 26 meses e os outros 50% das crianças apresentam idade de 26 a 60 meses. Os extremos da distribuição são distantes, evidenciando alto valor para o desvio padrão. Pela Figura 2 nota-se que as crianças estudadas possuem idades com distribuição aproximadamente uniforme, sendo que 19,53% tem idade entre 0 e 12 meses; 24,35% entre 12 e 24 meses; 20,83% entre 24 e 36 meses e 20,74% entre 36 e 48 meses e a menor freqüência é observada na faixa de idade de 48 a 60 meses (14,54%). 24,35% % 25 20,83% 19,53% 20 20,74% 14,54% 15 10 5 0 0 12 24 36 Idade (meses) 48 60 Figura 2 - Histograma (em meses) da idade das crianças de São José do Rio Preto com até 60 meses. 1 Do total de crianças estudadas (n=1180), não foram obtidos dados sobre idade para 18 crianças. 3.1- Comportamento Alimentar Sobre a profissão das mães, os resultados mostram que de 1126 mães, 546 (48,5%) são do lar, enquanto 580 (51,5%) exercem outras profissões. Quanto ao parentesco do cuidador, das 722 respostas informadas, 480 (66,58%) são os próprios pais, 134 (18,56%) algum parente, 68 (9,42%) outras pessoas, 27 (3,74%) avós e 13 (1,80%) babá ou empregada. Com relação ao tempo que a criança permanece com o cuidador, das 604 crianças avaliadas, 490 (81,13%) permanecem período integral junto a seus cuidadores e 114 (18,87%) meio período com os mesmos. A possibilidade de a criança apresentar alguma enfermidade também foi abordada no estudo. De um total de 1180 crianças analisadas, 124 (10,51%) apresentaram alguma enfermidade, enquanto 1056 (89,49%) não apresentaram. As principais doenças encontradas foram: alergias (24,2%), bronquite ou asma (24,2%), refluxo gastroesofágico (20,2%), anemias (4,8%) e outras (26,6%). Em relação ao local onde as crianças permanecem durante a semana, de 1170 crianças avaliadas, 645 (55,13%) ficam em casa durante a semana (de segunda a sextafeira), 179 (15,30%) permanecem em casa ou na escola e 177 (15,13%) crianças ficam na creche. As demais (14,44%) alternam o local de maior permanência, podendo ficar da creche e em casa, apenas na escola, entre outros. A Figura 3 mostra a distribuição percentual do local onde a criança permanece durante a semana de acordo com a idade, considerando os locais mais freqüentes (casa, creche, casa e escola). Observa-se que o aumento da idade da criança está vinculado à diminuição da sua permanência em casa e ao aumento da sua permanência entre casa e escola. Com relação à creche, nota-se aumento gradativo, seguido de uma queda na faixa entre 48 e 60 meses. Figura 3 - Distribuição percentual dos locais onde as crianças permanecem durante a semana de acordo com a faixa etária. Quanto ao fato da criança exercer alguma atividade física, observou-se que de 1180 crianças, 95 (8,05%) exercem atividades esportivas como natação, judô e balé, e 1085 (91,95%) não praticam atividade física, tendo atividades de lazer como leitura e brincadeiras em geral. A Tabela 1 mostra a distribuição percentual da atividade física em relação à faixa etária. Verifica-se que 18,92% das crianças com 48 a 60 meses fazem algum tipo de atividade física. Nota-se que o percentual entre 36 e 48 meses (7,63%) foi inferior ao de 24 a 36 meses (12,61%). Tabela 1 - Distribuição percentual da atividade física em relação à faixa etária. Atividade física Faixa etária (meses) 0-12 12-24 24-36 6 (2,25) Sim 12 (4,40) 30 (12,61) 261 (97,75) Não 261 (95,60) 208 (87,39) 267 (100) Total 273 (100) 238 (100) valores entre parênteses correspondem à porcentagem. 3.1.1- Pré-natal e amamentação 36-48 48-60 18 (7,63) 218 (92,37) 236 (100) 28 (18,92) 120 (81,08) 148 (100) De um total de 1174 respostas, 1142 (97,27%) realizaram acompanhamento prénatal, 18 (1,53%) não realizaram e em 14 casos (1,19%) essa informação é desconhecida. Em relação à realização de curso pré-natal, de 1171 respostas verifica-se que 496 (42,36%) mães realizaram esse curso, 623 (53,20%) não realizaram e 52 (4,44%) não souberam responder. Quanto ao tipo de parto, de 1175 crianças, 831 (70,72%) nasceram por cesárea, 331 (28,17%) por parto normal e em 13 casos (1,11%) o tipo de parto não foi informado. Com relação à amamentação, os resultados mostram que das 1164 crianças analisadas, 857 (73,63%) foram ou estavam sendo amamentadas e 307 (26,37%) não foram ou não estavam sendo amamentadas. Sobre o tempo de amamentação, avaliado em 838 crianças, a média foi 9,06 ± 7,77 meses e a mediana foi 6,00 meses (mínimo = 0 meses e máximo = 48 meses). 3.1.2- Introdução de alimentos complementares Os resultados da estatística descritiva do tempo de introdução de alimentos complementares na dieta da criança encontram-se na Tabela 2. Verifica-se que o tempo médio de introdução do suco de frutas na dieta (4,90 meses) foi inferior ao de papas de frutas (5,21 meses) e papas salgadas (5,68 meses). A distância entre os extremos da distribuição denota considerável valor para o desvio padrão. A mediana para suco de frutas e papas de frutas foi 5,00 meses e para papas salgadas 6,00 meses. Tabela 2 - Estatística descritiva do tempo (em meses) de introdução de alimentos complementares na dieta da criança. n x±s Md Mín Máx Suco de frutas 1003 4,90±1,94 5,00 0,50 35,00 Papas de frutas 1002 5,21±1,68 5,00 0,50 24,00 Papas salgadas 1004 5,68±1,72 6,00 0,50 24,00 Alimento 3.1.3. Primeiro ano de vida (Importância) Nesse tópico, são analisados aspectos relativos ao histórico alimentar da criança no primeiro ano de vida. Crianças com menos de um ano não foram consideradas, pois o foco da pergunta está centrado somente em crianças com, no mínimo, um ano (12 meses). Na análise dessas questões, o total exposto nas tabelas cruzadas não será, obrigatoriamente, o mesmo total mencionado na análise geral, visto que nem todos os respondentes, para essas questões, mencionaram suas respectivas idades. Dos 853 respondentes, 382 (44,78%) consideraram que a alimentação da criança era mais saudável no primeiro ano de vida em comparação aos anos seguintes, 448 (52,52%) informaram que não era mais saudável e 23 (2,70%) não souberam responder. A Tabela 3 mostra os resultados percentuais em relação à faixa etária das crianças analisadas. Para tal, foram considerados intervalos fixos de um ano (12 meses). Tabela 3 - Distribuição percentual da variável “alimentação da criança nos primeiros anos de vida” em relação à faixa etária. A alimentação da criança era mais saudável no primeiro ano de vida em relação os anos seguintes? Faixa etária (meses) 12-24 24-36 36-48 Sim 101 (27,45) 96 (26,09) 95 (25,82) Não 133 (31,07) 117 (27,34) 113 (26,40) Teste qui-quadrado P=0,225 valores entre parênteses correspondem à porcentagem. Resposta 48-60 76 (20,64) 65 (15,19) Total 368 (100) 428 (100) De acordo com os resultados da Tabela 3, nota-se certo equilíbrio entre os valores percentuais das faixas etárias em relação ao fato da alimentação da criança ser mais saudável nos primeiros anos de vida, destacando as faixas 12 a 24 meses (27,45%) e 24 a 36 meses (26,09%), enquanto o contrário teve maior percentual na faixa 12 a 24 meses (31,07%). O valor P relativo ao teste qui-quadrado indica que não há evidências de associação entre o fato da alimentação ser mais saudável no primeiro ano e a faixa etária (P=0,225). Em relação à facilidade de aceitação de alimentos pelas crianças, de 864 respostas, 413 (47,80%) indicaram que era mais fácil aceitar alimentos no primeiro ano de vida em relação aos anos seguintes. Em contrapartida, em 435 (50,35%) constatou-se o contrário e 16 (1,85%) não souberam responder. Para 27,71% das crianças entre 12 e 24 meses e para 26,45% das crianças entre 36 e 48 meses, era mais fácil aceitar alimentos no primeiro ano de vida; entretanto, para 31,49% das crianças entre 12 e 24 meses e para 29,09% das crianças entre 24 e 36 meses, a situação é contrária (Tabela 4). O valor P relativo ao teste qui-quadrado indica que não há evidências de associação entre a facilidade de aceitação dos alimentos no primeiro ano e a faixa etária (P=0,054). Tabela 4 - Distribuição percentual da variável “facilidade em aceitar alimentos no primeiro ano de vida” em relação à faixa etária. É mais fácil aceitar alimentos no primeiro ano de vida em comparação com os anos seguintes? Faixa etária (meses) Resposta Total Sim 12-24 110 (27,71) 24-36 99 (24,94) 36-48 105 (26,45) 48-60 83 (20,90) 397 (100) Não 131 (31,49) 121 (29,09) 105 (25,24) 59 (14,18) 416 (100) Teste qui-quadrado P=0,054 valores entre parênteses correspondem à porcentagem. 3.1.4. Características das refeições Nesse tópico foram abordadas características das refeições como horários de alimentação das crianças, hábitos freqüentes no momento da refeição, conduta dos cuidadores frente às situações de solicitação de outros alimentos pelas crianças e alguns hábitos dos cuidadores durante as refeições. De um total de 1147 crianças, 919 (80,12%) possuem horário fixo para as refeições, 224 (19,53%) não possuem e quatro (0,35%) não responderam. Com relação aos horários de alimentação da família, verificou-se que de 1167 famílias, 809 (69,32%) possuem horário fixo para as refeições; em contrapartida, em 352 (30,16%) delas não há horário fixo e em seis casos (0,61%) a informação não foi registrada. De acordo com a conduta da criança em relação ao hábito de comer entre as refeições, verifica-se que de 1092 casos, 896 (82,05%) crianças possuem o hábito de comer entre as refeições, 191 (17,49%) não possuem e cinco (0,46%) não responderam. Analisando a conduta da família relacionada a esse hábito, constata-se que de 1141 casos, 766 (67,13%) famílias consomem algum tipo de alimento entre as refeições, 364 (31,90%) agem de forma contrária e 11 (0,96%) não responderam. Com base em um total de 865 crianças, a Figura 4 mostra que os alimentos mais solicitados pelas crianças entre as refeições foram: biscoito (27,5%), seguido de frutas (17,3%), leite (15,7%), iogurte (14,9%), pães e bolos (6,1%) e doces e sorvetes (4,5%). Outros alimentos como legumes, cereais, refrigerantes e sucos obtiveram menores percentuais. Figura 4 - Alimentos solicitados com maior freqüência entre as refeições. Com relação à conduta dos cuidadores em relação à solicitação de alimentos entre as refeições pelas crianças, constatou-se que de 835 cuidadores, 499 (59,76%) cedem o alimento à criança para evitar choro, 133 (15,93%) não fornecem e 203 (24,31%) cedem somente se a criança se comportar de forma adequada. A Figura 5 mostra a distribuição da freqüência sobre a conduta dos cuidadores em relação à solicitação de alimentos entre as refeições pelas crianças. Figura 5 - Distribuição percentual da conduta dos cuidadores em relação à solicitação de alimentos entre as refeições pelas crianças. Quanto ao hábito dos pais em realizar pelo menos uma refeição em família, de 1130 respostas analisadas, verificou-se que 918 (81,24%) pais fazem pelo menos uma refeição em família, 205 (18,14%) não realizam e sete (0,62%) não responderam. A análise da idade na qual a criança começou a fazer suas refeições junto à família mostrou que a média de idade foi estimada em 12,74 meses com desvio padrão de 8,00 meses e a mediana foi estimada em 12,00 meses. Com relação ao local da casa onde a criança faz suas refeições, verificou-se que de 819 respostas os locais mais freqüentes foram cozinha (69,96%), sala (26,13%), sala e cozinha (1,95%), quarto (1,47%) e varanda (0,49%). A Figura 6 mostra os resultados da freqüência de crianças que fazem suas refeições em diversos cômodos da casa. Figura 6 - Distribuição percentual da freqüência de crianças que fazem suas refeições em diferentes cômodos da casa. Quanto ao hábito de fazer refeições com a televisão ligada, de 1130 respostas 488 (45,86%) crianças possuem esse hábito e 575 (54,04%) não possuem (n=1064). Em relação à família, 645 (57,08%) fazem suas refeições com a televisão ligada e 477 (42,21%) agem de forma contrária. 3.1.5. Ingestão de líquidos Na análise da ingestão de refrigerantes pelas crianças, constatou-se que de 974 crianças, 442 (45,38%) têm o hábito de ingerir refrigerante somente durante as refeições, 365 (37,47%) não têm esse hábito, 160 (16,43%) ingerem o dia todo e sete (0,72%) não responderam. Em relação à ingestão de refrigerante pela família, nota-se que de 1060 respostas, 566 (53,40%) possuem esse hábito somente durante as refeições, 246 (23,21%) ingerem o dia todo, 239 (22,55%) não possuem esse hábito e 9 (0,85%) não responderam. Considerando a ingestão de refrigerantes pelos cuidadores, de 594 respostas, 237 (39,90%) ingerem somente durante as refeições, 194 (32,66%) não ingerem, 123 (20,71%) consomem durante todo o dia e 40 (6,73%) não responderam. A ingestão de refrigerante de acordo com a faixa etária das crianças encontra-se na Tabela 7. Nota-se que a maioria das crianças de 0 a 12 meses (68,30%) não tem o hábito de ingerir refrigerante, sendo que 24,59% ingere somente durante as refeições. Para as demais faixas etárias, a maioria das crianças tem o hábito de ingerir refrigerante somente durante as refeições. O consumo durante o dia todo aumentou progressivamente com a idade, de 4,92% para crianças de 0 a 12 meses chegando até 27,34% de 48-60 meses. Tabela 7 - Distribuição percentual do hábito de ingerir refrigerante de acordo com a faixa etária das crianças. Hábito (refrigerante) Não ingere Durante as refeições O dia todo Não sabe Total 0-12 125 (68,30) 45 (24,59) 9 (4,92) 4 (2,19) 183 (100) Faixa etária (meses) 12-24 24-36 88 (37,77) 57 (27,14) 111 (47,64) 110 (52,38) 32 (13,73) 42 (20,00) 2 (0,86) 1 (0,48) 233 (100) 210 (100) 36-48 62 (30,10) 105 (50,97) 39 (18,93) 0 (0,00) 48-60 28 (21,88) 65 (50,78) 35 (27,34) 0 (0,00) 206 (100) 128 (100) valores entre parênteses correspondem à porcentagem. Os resultados da análise da ingestão de água pela criança, pai, mãe ou cuidador estão na Tabela 8. Verifica-se com maior freqüência o hábito de ingerir água durante o dia todo, sendo 90,61% para as crianças, 81,22% para os pais, 76,68% para as mães e 75,77% para os cuidadores. As mães apresentaram a maior freqüência para a não ingestão de água (12,10%) e, em contrapartida, as crianças apresentaram o menor percentual para o mesmo item (5,72%). Tabela 8 - Freqüência relativa ao hábito de ingerir água por parte das crianças, pais, mães e cuidadores. Hábito de ingerir água Criança (n=1118) Pai (n=1118) Freqüência Não ingere 64 (5,72) Somente durante as refeições 38 (3,40) O dia todo 1013 (90,61) Não sabe 3 (0,27) Não ingere 94 (8,41) Somente durante as refeições 43 (3,85) O dia todo 908 (81,22) Não sabe 73 (6,53) Não ingere 137 (12,10) Somente durante as refeições 100 (8,83) O dia todo 868 (76,68) Não sabe 27 (2,39) Não ingere 45 (7,73) Cuidador Somente durante as refeições 44 (7,56) (n=582) O dia todo 441 (75,77) Não sabe 52 (8,93) Mãe (n=1132) valores entre parênteses correspondem à porcentagem. A Tabela 9 mostra os resultados do hábito de ingestão de água pelas crianças de acordo com suas respectivas faixas etárias. Nota-se que a maioria das crianças tem o hábito de ingerir água durante todo o dia, independentemente da faixa etária observada. Tabela 9 - Distribuição percentual do hábito de ingerir água de acordo com a faixa etária das crianças. Não ingere Durante as refeições 0-12 35 (15,35) 14 (6,14) 12-24 10 (3,73) 14 (5,22) Faixa etária (meses) 24-36 5 (2,17) 3 (1,30) O dia todo Não sabe 177 (77,63) 2 (0,88) 244 (91,04) 0 (0,00) 222 (96,52) 0 (0,00) 224 (96,14) 0 (0,00) 134 (92,41) 0 (0,00) 228 (100) 268 (100) 230 (100) 233 (100) 145 (100) Hábito (água) Total 36-48 5 (2,15) 4 (1,72) 48-60 8 (5,52) 3 (2,07) valores entre parênteses correspondem à porcentagem. 3.1.6. Fatores que influenciam na alimentação da criança A alimentação da criança pode ser influenciada por diversos fatores, dentre eles: por aquilo que os pais acham certo, por meios de comunicação, por intermédio de outras pessoas ou, até mesmo, por orientação médica. Considerando-se 1138 respostas, constatou-se que em 581 (51,05%) a alimentação da criança é influenciada por aquilo que a mãe acredita ser correto, em 387 (34,01%) é influenciada pela orientação de um profissional (nutricionista, médico, entre outros), em 67 (5,89%) pela interação desses dois fatores, em 27 (2,37%) por aquilo que se ouviu de outras pessoas e em 19 (1,67%) os meios de comunicação influenciam na alimentação da criança. Para as 57 outras situações (5,02%), os percentuais foram inexpressivos. 3.2- Freqüência Alimentar Na análise da freqüência alimentar foram consideradas quatro categorias: diariamente (D), freqüentemente (F), raramente (R) e não consome (NC). O número de casos analisados em cada um dos alimentos varia, pois para muitos deles houve nãoresposta. Essa análise foi feita com base nos seguintes grupos alimentares: Grupo 1: pães, biscoitos, arroz e massas; Grupo 2: verduras, legumes, frutas e suco de frutas; Grupo 3: leite e derivados; Grupo 4: carnes e ovos; Grupo 5: leguminosas; Grupo 6: salgadinhos e frituras; Grupo 7: açúcar, doces e refrigerantes 3.2.1- Grupo 1 De um total de 1180 crianças, 1063 (90,1%) consomem pães e biscoitos, 1066 (90,3%) arroz e 1054 (89,3%) massas. Os resultados da Tabela 10 mostram que 87,99% das crianças consomem diariamente arroz e 77,80% pães e biscoitos, enquanto massas são consumidas freqüentemente por 41,65% das crianças. Tabela 10 - Distribuição percentual da freqüência alimentar de acordo com os alimentos do Grupo 1. Alimento Freqüência alimentar Total D F R NC Pães e biscoitos 827 (77,80) 138 (12,98) 44 (4,14) 54 (5,08) 1063 (100) Arroz 938 (87,99) 60 (5,63) 19 (1,78) 49 (4,60) 1066 (100) Massas 240 (22,77) 439 (41,65) 280 (26,57) 95 (9,01) 1054 (100) D = diariamente; F = freqüentemente, R = raramente; NC = não consome valores entre parênteses correspondem à porcentagem Analisando a distribuição percentual da freqüência alimentar em relação aos alimentos do grupo 1 de acordo com a faixa etária (Tabela 11), verifica-se que os percentuais de consumo desses alimentos são aproximados quando as idades são comparadas entre si. Isso sugere que não há evidências de diferenças estatisticamente significantes entre as faixas etárias para todos os alimentos do grupo 1, visto que todos os valores P foram superiores ao nível de significância adotado (P=0,301 para pães e biscoitos; P=0,894 para arroz; P=0,289 para massas). Pela Tabela 11 a freqüência de consumo diário de pães/biscoitos variou de 75,00% (24-36 meses) a 81,66% (0-12 meses) e de arroz de 85,92% (24-36 meses) a 91,60% (48-60 meses). Para massas, o consumo freqüente variou de 37,93% (36-48 meses) a 45,76% (12-24 meses). Tabela 11 - Distribuição percentual da freqüência alimentar no Grupo 1 em relação à faixa etária (em meses) das crianças. Valor P referente ao teste QuiQuadrado. Alimento D Freqüência alimentar F R NC Total Pães e Biscoitos 0-12 12-24 24-36 36-48 48-60 Teste qui-quadrado 789 (78,27) 187 (81,66) 183 (76,57) 153 (75,00) 159 (77,94) 107 (81,06) 131 (13,00) 29 (12,66) 32 (13,39) 26 (12,75) 29 (14,22) 15 (11,36) 41 (4,07) 4 (1,75) 11 (4,60) 15 (7,35) 9 (4,41) 2 (1,52) P=0,301 47 (4,66) 9 (3,93) 13 (5,44) 10 (4,90) 7 (3,43) 8 (6,06) 1008 (100)* 229 (22,72) 239 (23,71) 204 (20,24) 204 (20,24) 132 (13,10) Arroz 0-12 12-24 24-36 36-48 48-60 Teste qui-quadrado 892 (88,32) 202 (88,21) 211 (88,28) 177 (85,92) 182 (88,78) 120 (91,60) 53 (5,25) 13 (5,68) 14 (5,86) 12 (5,83) 11 (5,37) 3 (2,29) 18 (1,78) 4(1,75) 4 (1,67) 3 (1,46) 5 (2,44) 2 (1,53) P=0,894 47 (4,65) 10 (4,37) 10 (4,18) 14 (6,80) 7 (3,41) 6 (4,58) 1010 (100)* 229 (22,67) 239 (23,66) 206 (20,40) 205 (20,30) 131 (12,97) 418 (41,88) 98 (43,56) 108 (45,76) 80 (39,60) 77 (37,93) 55 (41,67) 265 (26,55) 71 (31,56) 54 (22,88) 51 (25,25) 56 (27,59) 33 (25,00) P=0,289 89 (8,92) 16 (7,11) 18 (7,63) 25 (12,38) 16 (7,88) 14 (10,61) 998 (100)* 225 (22,55) 236 (23,65) 202 (20,24) 203 (20,34) 132 (13,23) Massas 226 (22,65) 0-12 40 (17,78) 12-24 56 (23,73) 24-36 46 (22,77) 36-48 54 (26,60) 48-60 30 (22,73) Teste qui-quadrado * Total de respostas com informação sobre freqüência alimentar e idade. D = diariamente; F = freqüentemente, R = raramente; NC = não consome valores entre parênteses correspondem à porcentagem 3.2.2- Grupo 2 Os resultados percentuais expostos na Tabela 12 mostram que diariamente 66,45% das crianças se alimentam de frutas, 60,96% de suco de frutas, 56,14% de legumes e 39,32% de verduras. Para todos os alimentos o consumo diário somado ao freqüente é elevado com percentual acima de 65%. Com relação ao consumo de verduras, 15,80% das crianças não consomem esse alimento e 16,65% consomem raramente. Tabela 12 - Distribuição percentual da freqüência alimentar de acordo com os alimentos do Grupo 2. Verduras D 418 (39,32) Freqüência alimentar F R 300 (28,22) 177 (16,65) Legumes 599 (56,14) 309 (28,96) Frutas 709 (66,45) Suco de frutas 651 (60,96) Alimento Total NC 168 (15,80) 1063 (100) 109 (10,22) 50 (4,69) 1067 (100) 242 (22,68) 82 (7,69) 34 (3,19) 1067 (100) 232 (21,72) 128 (11,99) 57 (5,34) 1068 (100) D = diariamente; F = freqüentemente, R = raramente; NC = não consome valores entre parênteses correspondem à porcentagem A distribuição percentual da freqüência alimentar em relação à idade das crianças de acordo com cada alimento do grupo 2 (Tabela 13) mostra que não há diferença estatisticamente significante, visto que o valor P calculado foi maior que o nível de significância adotado (P=0,813 para frutas; P=0,257 para verduras; P=0,490 para legumes; P=0,456 para sucos de frutas). Observa-se que o consumo diário predomina em todas as idades, sendo que somente o consumo de verduras na faixa etária de 48-60 meses foi freqüente. Para frutas o maior percentual é diário, variando de 64,14% (12-24 meses) a 68,12% (0-12 meses). Para verduras a freqüência predominante é diária, variando de 30,00% (48-60 meses) a 41,48% (0-12 meses); porém para 48-60 meses houve predomínio do consumo freqüente com 36,15%. Para legumes e sucos de frutas o consumo é diário, variando de 46,97% (48-60 meses) a 62,62% (36-48 meses) e de 57,58% (48-60 meses) a 64,19% (0-12 meses), respectivamente. Tabela 13 - Distribuição percentual da freqüência alimentar no Grupo 2 em relação à faixa etária das crianças. Valor P referente ao teste Qui-Quadrado. Alimento Frutas 0-12 12-24 24-36 36-48 48-60 Teste qui-quadrado D 668 (66,07) 156 (68,12) 152 (64,14) 135 (65,22) 139 (67,48) 86 (65,15) Freqüência alimentar F R 233 (23,05) 79 (7,81) 42 (18,34) 23 (10,04) 57 (24,05) 19 (8,02) 55 (26,57) 12 (5,80) 47 (22,82) 15 (7,28) 32 (24,24) 10 (7,58) P=0,813 Total NC 31 (3,07) 8 (3,49) 9 (3,80) 5 (2,42) 5 (2,43) 4 (3,03) 1011 (100)* 229 (22,65) 237 (23,44) 207 (20,47) 206 (20,38) 132 (13,06) Verduras 395 (39,23) 0-12 95 (41,48) 12-24 97 (40,76) 24-36 80 (39,02) 36-48 84 (40,98) 48-60 39 (30,00) Teste qui-quadrado 285 (28,30) 62 (27,07) 67 (28,15) 51 (24,88) 58 (28,29) 47 (36,15) 160 (15,89) 33 (14,41) 37 (15,55) 40 (19,51) 28 (13,66) 29 (22,31) P=0,257 167 (16,58) 39 (17,03) 37 (15,55) 34 (16,59) 35 (17,07) 15 (11,54) 1007 (100)* 229 (22,74) 238 (23,63) 205 (20,36) 205 (20,36) 130 (12,91) Legumes 0-12 12-24 24-36 36-48 48-60 Teste qui-quadrado 572 (56,58) 129 (56,33) 137 (57,56) 115 (55,83) 129 (62,62) 62 (46,97) 290 (28,68) 62 (27,07) 68 (28,57) 60 (29,13) 50 (24,27) 50 (37,88) 102 (10,09) 27 (11,79) 24 (10,08) 20 (9,71) 19 (9,22) 12 (9,09) P=0,490 47 (4,65) 11 (4,80) 9 (3,78) 11 (5,34) 8 (3,88) 8 (6,06) 1011 (100)* 229 (22,65) 238 (23,54) 206 (20,38) 206 (20,38) 132 (13,06) Sucos de frutas 0-12 12-24 24-36 36-48 48-60 Teste qui-quadrado 614 (60,61) 147 (64,19) 143 (59,83) 121 (58,45) 127 (61,65) 76 (57,58) 225 (22,21) 46 (20,09) 50 (20,92) 52 (25,12) 48 (23,30) 29 (21,97) 121 (11,94) 27 (11,79) 29 (12,13) 24 (11,59) 26 (12,62) 15 (11,36) P=0,456 53 (5,23) 9 (3,93) 17 (7,11) 10 (4,83) 5 (2,43) 12 (9,09) 1013 (100)* 229 (22,61) 239 (23,59) 207 (20,43) 206 (20,34) 132 (13,03) * Total de respostas com informação sobre freqüência alimentar e idade. D = diariamente; F = freqüentemente, R = raramente; NC = não consome valores entre parênteses correspondem à porcentagem 3.2.3- Grupo 3 A distribuição percentual da freqüência alimentar está na Tabela 14. Nota-se que 94,17% das crianças consomem leite diariamente, ao passo que o não consumo somado ao raramente totaliza 3,70%. Com relação aos derivados, verifica-se que 50,47% das crianças consomem derivados de leite diariamente e 26,89% freqüentemente. Constatase que a somatória entre não consumo e raramente totaliza 22,64%. Tabela 14 - Distribuição percentual da freqüência alimentar de acordo com alimentos do Grupo 3. Alimento Leite D 1008 (94,17) Derivados 535 (50,47) Freqüência alimentar F R 23 (2,13) 17 (1,57) 285 (26,89) 140 (13,21) Total NC 23 (2,13) 1081 (100) 100 (9,43) 1060 (100) D = diariamente; F = freqüentemente, R = raramente; NC = não consome valores entre parênteses correspondem à porcentagem Os resultados da Tabela 15 evidenciam que não há diferenças significantes na distribuição percentual da freqüência alimentar em relação à idade para os alimentos do grupo 3. Pelos resultados do teste qui-quadrado o valor P calculado foi maior que 0,05 para leite (P=0,935) e para derivados (P=0,787). Constata-se pela Tabela 15 que houve predomínio no consumo diário de leite e derivados; porém, isso é mais acentuado para o leite que é mais ingerido no primeiro ano de vida (95,24%). Para os derivados do leite, a variação percentual refere-se ao intervalo de 46,80% (36-48 meses) a 56,82% (48-60 meses). Tabela 15 - Distribuição percentual da freqüência alimentar no grupo 3 em relação à faixa etária das crianças. Valor P referente ao teste Qui-Quadrado. Alimento Leite 0-12 12-24 24-36 36-48 48-60 Teste qui-quadrado D 965 (94,24) 220 (95,24) 228 (93,44) 196 (94,69) 196 (93,78) 125 (93,98) Derivados 503 (50,10) 0-12 117 (51,09) 12-24 118 (50,00) 24-36 98 (48,04) 36-48 95 (46,80) 48-60 75 (56,82) Teste qui-quadrado * Freqüência alimentar F R 22 (2,15) 16 (1,56) 4 (1,73) 3 (1,30) 6 (2,46) 2 (0,82) 5 (2,42) 4 (1,93) 4 (1,91) 4 (1,91) 3 (2,26) 3 (2,26) P=0,935 272 (27,09) 58 (25,33) 62 (26,27) 61 (29,90) 61 (30,05) 30 (22,73) 134 (13,35) 28 (12,23) 37 (15,68) 28 (13,73) 27 (13,30) 14 (10,61) P=0,787 Total de respostas com informação sobre freqüência alimentar e idade. D = diariamente; F = freqüentemente, R = raramente; NC = não consome valores entre parênteses correspondem à porcentagem Total NC 21 (2,05) 4 (1,73) 8 (3,28) 2 (0,97) 5 (2,39) 2 (1,50) 1024 (100)* 231 (22,56) 244 (23,83) 207 (20,21) 209 (20,41) 133 (12,99) 95 (9,46) 26 (11,35) 19 (8,05) 17 (8,33) 20 (9,85) 13 (9,85) 1004 (100)* 229 (22,81) 236 (23,51) 204 (20,32) 203 (20,22) 132 (13,15) 3.2.4- Grupo 4 Pela Tabela 16 verifica-se que 49,06% das crianças consomem carne vermelha diariamente e 34,84% freqüentemente. A carne branca é diariamente consumida por 26,19% das crianças e freqüentemente por 49,81%. Com relação aos ovos, 18,22% das crianças consomem diariamente e 39,47% freqüentemente. Tabela 16 - Distribuição percentual da freqüência alimentar de acordo com os alimentos do Grupo 4. Freqüência alimentar Alimento Total D F R NC Carne vermelha 521 (49,06) 370 (34,84) 101 (9,51) 70 (6,59) 1062 (100) Carne branca 276 (26,19) 525 (49,81) 170 (16,13) 83 (7,87) 1054 (100) Ovos 193 (18,22) 418 (39,47) 267 (25,21) 181 (17,09) 1059 (100) D = diariamente; F = freqüentemente, R = raramente; NC = não consome valores entre parênteses correspondem à porcentagem A Tabela 17 mostra a distribuição percentual da freqüência alimentar em relação à faixa etária das crianças de acordo com cada alimento do grupo 4. Os valores P decorrentes do teste qui-quadrado indicam que não há diferenças significantes entre as idades. Todos os valores foram superiores a 0,05, sendo P=0,981 para carne vermelha, P=0,354 para carne branca e P=0,386 para ovos. Verifica-se que para carne vermelha, o consumo predominante foi diário, enquanto para carne branca e ovos foi freqüente. O intervalo de variação percentual para o consumo diário de carne vermelha foi de 46,56% (48-60 meses) até 51,47% (3648 meses). Para carne branca e ovos, houve predomínio do consumo freqüente, variando de 47,03% (36-48 meses) a 55,30% (48-60 meses) e de 36,64% (48-60 meses) a 43,84% (36-48 meses), respectivamente. Tabela 17 - Distribuição percentual da freqüência alimentar no grupo 4 em relação à faixa etária das crianças. Valor P referente ao teste Qui-Quadrado. Freqüência alimentar F R 355 (35,29) 89 (8,85) 82 (36,12) 21 (9,25) 84 (35,29) 18 (7,56) 69 (33,50) 21 (10,19) 74 (36,27) 15 (7,35) 46 (35,11) 14 (10,69) P=0,981 NC 68 (6,76) 16 (7,05) 17 (7,14) 15 (7,28) 10 (4,90) 10 (7,63) 1006 (100)* 227 (22,56) 238 (23,66) 206 (20,48) 204 (20,28) 131 (13,02) Carne branca 258 (25,83) 0-12 61 (27,48) 12-24 63 (26,58) 24-36 45 (21,84) 36-48 63 (31,19) 48-60 26 (19,70) Teste qui-quadrado 500 (50,05) 106 (47,75) 118 (49,79) 108 (52,43) 95 (47,03) 73 (55,30) 161 (16,12) 43 (19,37) 36 (15,19) 32 (15,53) 30 (14,85) 20 (15,15) P=0,354 80 (8,01) 12 (5,41) 20 (8,44) 21 (10,19) 14 (6,93) 13 (9,85) 999 (100)* 222 (22,22) 237 (23,72) 206 (20,62) 202 (20,22) 132 (13,21) Ovos 185 (18,43) 0-12 43 (18,94) 12-24 45 (18,99) 24-36 32 (15,53) 36-48 40 (19,70) 48-60 25 (19,08) Teste qui-quadrado 399 (39,74) 84 (37,00) 100 (42,19) 78 (37,86) 89 (43,84) 48 (36,64) 171 (24,80) 66 (29,07) 58 (24,47) 49 (23,79) 44 (21,67) 32 (24,43) P=0,386 249 (17,03) 34 (14,98) 34 (14,35) 47 (22,82) 30 (14,78) 26 (19,85) 1004 (100)* 227 (22,61) 237 (23,61) 206 (20,52) 203 (20,22) 131 (13,05) Alimento D Carne vermelha 494 (49,11) 0-12 108 (47,58) 12-24 119 (50,00) 24-36 101 (49,03) 36-48 105 (51,47) 48-60 61 (46,56) Teste qui-quadrado * Total Total de respostas com informação sobre freqüência alimentar e idade. D = diariamente; F = freqüentemente, R = raramente; NC = não consome valores entre parênteses correspondem à porcentagem 3.2.5- Grupo 5 De um total de 1058 crianças, 719 (67,96%) tinham hábito de consumir leguminosas diariamente, 168 (15,88%) freqüentemente, 85 (8,03%) raramente e 86 (8,13%) não consomem esse tipo de alimento. A Tabela 18 mostra a distribuição percentual da freqüência alimentar em relação à faixa etária das crianças de acordo com cada alimento do grupo 5. Os resultados mostram que não houve diferenças significantes entre as idades (P=0,064). Verifica-se, ainda, que a freqüência predominante, para todas as faixas etárias, é a diária e que o intervalo de variação percentual para o consumo diário de leguminosas é de 64,22% (24-36 meses) até 72,81% (0-12 meses). Tabela 18 - Distribuição percentual da freqüência alimentar de leguminosas em relação à faixa etária das crianças analisadas no estudo. Alimento Freqüência alimentar Total D F R NC Leguminosas 686 (68,39) 158 (15,75) 80 (7,98) 79 (7,88) 1003 (100)* 0-12 166 (72,81) 21 (9,21) 21 (9,21) 20 (8,77) 228 (22,73) 12-24 169 (71,61) 38 (16,10) 16 (6,78) 13 (5,51) 236 (23,53) 24-36 131 (64,22) 31 (15,20) 20 (9,80) 22 (10,78) 204 (20,34) 36-48 135 (65,85) 41 (20,00) 16 (7,80) 13 (6,34) 205 (20,44) 48-60 85 (65,38) 27 (20,77) 7 (5,38) 11 (8,46) 130 (12,96) Teste qui-quadrado * P=0,064 Total de respostas com informação sobre freqüência alimentar e idade. D = diariamente; F = freqüentemente, R = raramente; NC = não consome valores entre parênteses correspondem à porcentagem 3.2.6- Grupo 6 Com relação aos alimentos do grupo 6, a distribuição percentual da freqüência alimentar (Tabela 19) mostra que o consumo diário tanto para frituras como para salgadinhos é de 14,31% e 17,56% respectivamente. Além disso, 24,62% das crianças freqüentemente consomem frituras e 22,66% salgadinhos. Tabela 19 - Distribuição percentual da freqüência alimentar de acordo com os alimentos do Grupo 6. Alimento Freqüência alimentar Total D F R NC Frituras 150 (14,31) 258 (24,62) 378 (36,07) 262 (25,00) 1048 (100) Salgadinhos 186 (17,56) 240 (22,66) 362 (34,18) 271 (25,59) 1059 (100) D = diariamente; F = freqüentemente, R = raramente; NC = não consome valores entre parênteses correspondem à porcentagem A análise da freqüência alimentar de acordo com a faixa etária mostrou que a idade também não influenciou no consumo desses alimentos (Tabela 20), ou seja, não houve diferenças significantes, pois os valores P calculados pelo teste qui-quadrado não foram maiores que 0,05 (P=0,902 para frituras e P=0,290 para salgadinhos). Tabela 20 - Distribuição percentual da freqüência alimentar no grupo 6 em relação à faixa etária das crianças. Valor P referente ao teste Qui-Quadrado. Alimento Frituras 0-12 12-24 24-36 36-48 48-60 Teste qui-quadrado D 141 (14,19) 32 (14,29) 29 (12,29) 28 (14,00) 34 (16,75) 18 (13,74) Salgadinhos 175 (17,45) 0-12 41 (18,30) 12-24 45 (18,83) 24-36 36 (17,65) 36-48 34 (16,67) 48-60 19 (14,39) Teste qui-quadrado * Freqüência alimentar F R 249 (25,05) 357 (35,92) 57 (25,45) 74 (33,04) 64 (27,12) 88 (37,29) 46 (23,00) 73 (36,50) 44 (21,67) 76 (37,44) 38 (29,01) 46 (35,11) P=0,902 NC 247 (24,85) 61 (27,23) 55 (23,31) 53 (26,50) 49 (24,14) 29 (22,14) 994 (100)* 224 (22,54) 236 (23,74) 200 (20,12) 203 (20,42) 131 (13,18) 231 (23,03) 41 (18,30) 62 (25,94) 49 (24,02) 44 (21,57) 35 (26,52) 254 (25,32) 56 (25,00) 70 (29,29) 45 (22,06) 51 (25,00) 32 (24,24) 1003 (100)* 224 (22,33) 239 (23,83) 204 (20,34) 204 (20,34) 132 (13,16) 343 (34,20) 86 (38,39) 62 (25,94) 74 (36,27) 75 (36,76) 46 (34,85) P=0,290 Total Total de respostas com informação sobre freqüência alimentar e idade. D = diariamente; F = freqüentemente, R = raramente; NC = não consome valores entre parênteses correspondem à porcentagem 3.2.7- Grupo 7 A distribuição da freqüência alimentar está exposta na Tabela 21. O consumo diário e freqüente de açúcar foi 44,18% e 13,34%, respectivamente. Para doces, 28,76% das crianças consomem diariamente e 26,02% freqüentemente. Quanto aos refrigerantes, 23,06% ingerem diariamente e 27,60% freqüentemente. Tabela 21 - Distribuição percentual da freqüência alimentar de acordo com os alimentos do Grupo 7. Alimento Freqüência alimentar Total D F R NC Açúcar 467 (44,18) 141 (13,34) 225 (21,29) 224 (21,19) 1057 (100) Doces 304 (28,76) 275 (26,02) 326 (30,84) 152 (14,38) 1057 (100) Refrigerantes 244 (23,06) 292 (27,60) 320 (30,25) 202 (19,09) 1058 (100) D = diariamente; F = freqüentemente, R = raramente; NC = não consome valores entre parênteses correspondem à porcentagem Os resultados do teste qui-quadrado mostram que a idade não está associada com a freqüência alimentar de açúcar, doces e refrigerantes (Tabela 22), pois todos os valores foram superiores a 0,05 para todos os alimentos desse grupo (P=0,224 para açúcar; P=0,635 para doces; P=0,485 para refrigerantes). Nota-se pela Tabela 22 que houve predomínio no consumo diário de açúcar em todas as idades. O intervalo de variação percentual para o consumo diário de açúcar é de 36,36% (48-60 meses) até 50,24% (24-36 meses). Para doces, o consumo diário variou de 25,21% (12-24 meses) a 33,48% (0-12 meses). Para refrigerantes, o consumo freqüente variou de 25,00% (0-12 meses) a 32,51% (24-36 meses). Tabela 22 - Distribuição percentual da freqüência alimentar no grupo 7 em relação à faixa etária das crianças. Valor P referente ao teste Qui-Quadrado. Freqüência alimentar F R 135 (13,49) 209 (20,88) 23 (10,27) 54 (24,11) 31 (13,14) 51 (21,61) 23 (11,22) 35 (17,07) 31 (15,20) 42 (20,59) 27 (20,45) 27 (20,45) P=0,224 NC 211 (21,08) 44 (19,64) 54 (22,88) 44 (21,46) 39 (19,12) 30 (22,73) 1001 (100)* 224 (22,38) 236 (23,58) 205 (20,48) 204 (20,38) 132 (13,19) Doces 289 (28,84) 0-12 76 (33,48) 12-24 60 (25,21) 24-36 56 (27,72) 36-48 58 (28,43) 48-60 39 (29,77) Teste qui-quadrado 261 (26,05) 48 (21,15) 71 (29,83) 55 (27,23) 49 (24,02) 38 (29,01) 308 (30,74) 68 (29,96) 71 (29,83) 63 (31,19) 71 (34,80) 35 (26,72) P=0,635 144 (14,37) 35 (15,42) 36 (15,13) 28 (13,86) 26 (12,75) 19 (14,50) 1002 (100)* 227 (22,65) 238 (23,75) 202 (20,16) 204 (20,36) 131 (13,07) Refrigerantes 234 (23,35) 0-12 54 (24,11) 12-24 52 (21,85) 24-36 48 (23,65) 36-48 46 (22,44) 48-60 34 (25,76) Teste qui-quadrado 282 (28,14) 56 (25,00) 68 (28,57) 66 (32,51) 55 (26,83) 37 (28,03) 299 (29,84) 79 (35,27) 74 (31,09) 46 (22,66) 61 (29,76) 39 (29,55) P=0,485 187 (18,66) 35 (15,63) 44 (18,49) 43 (21,18) 43 (20,98) 22 (16,67) 1002 (100)* 224 (22,36) 238 (23,75) 203 (20,26) 205 (20,46) 132 (13,17) Alimento Açúcar 0-12 12-24 24-36 36-48 48-60 Teste qui-quadrado * D 446 (44,56) 103 (45,98) 100 (42,37) 103 (50,24) 92 (45,10) 48 (36,36) Total de respostas com informação sobre freqüência alimentar e idade. D = diariamente; F = freqüentemente, R = raramente; NC = não consome valores entre parênteses correspondem à porcentagem Total 3.3- Recordatório Alimentar Os resultados do recordatório alimentar de 24 horas, de 969 crianças estudadas quanto ao consumo de caloria total, carboidratos, proteínas e lipídios estão apresentados na Tabela 23. Tabela 23 - Distribuição percentual do consumo de caloria total, carboidratos, proteínas e lipídios abaixo, recomendado e acima do recomendado. Consumo Nutriente Abaixo Recomendado Acima Total Caloria total 548 (56,91) 0 (0) 415 (43,09) 963 Carboidratos 330 (34,06) 505 (52,12) 134 (13,83) 969 Proteínas 26 (2,69) 785 (81,18) 156 (16,13) 967 Lipídios 256 (26,47) 396 (40,95) 315 (32,57) 967 valores entre parênteses correspondem à porcentagem. Os resultados da Tabela 24 indicam que há evidências de associação da faixa etária com o consumo de cada nutriente. Os valores de probabilidade de significância decorrentes do teste de associação (teste qui-quadrado) fornecem evidências de que dependendo da idade da criança, a quantidade de cada nutriente sofre alterações em relação aos valores de referência (P<0,001). Tabela 24 - Distribuição percentual do consumo de caloria total, carboidratos, proteínas e lipídios segundo a faixa de idade. Valor P relativo ao teste qui-quadrado. Nutriente Caloria total Total 548 0 (0) 0 (0) 415 15 (12,61) 22 (18,49) 14 (11,76) 415 244 202 208 134 963 69 (20,91) 84 (25,45) 64 (19,39) 75 (22,73) 38 (11,52) 330 0 (0) 153 (30,30) 134 (26,53) 125 (24,75) 93 (18,42) 505 Acima 108 (80,60) 10 (7,16) 4 (2,99) 9 (6,72) 03 (18,42) 134 Total 177 247 202 209 134 969 21 (80,77) 0 (0) 1 (3,85) 0 (0) 04 (15,38) 26 0 (0) 247 (31,50) 201 (25,63) 209 (26,66) 127 (16,19) 784 Acima 154 (98,08) 0 (0) 0 (0) 0 (0) 03 (1,92) 157 Total 175 247 202 209 134 967 91 (35,55) 70 (27,34) 62 (24,22) 22 (8,59) 11 (4,30) 256 0 (0) 128 (32,40) 97 (24,56) 97 (24,56) 73 (18,48) 395 Acima 84 (26,35) 49 (15,56) 43 (13,65) 90 (28,57) 50 (15,87) 316 Total 175 247 202 209 134 967 Abaixo Acima Total Abaixo Recomendado Proteínas** Abaixo Recomendado Lipídios* Abaixo Recomendado 12-24 93 (16,97) 0 (0) 0 (0) 0 (0) 42 (35,29) 26 (21,85) 175 P 48-60 85 (15,51) Recomendado Carboidratos* Idade 24-36 36-48 165 (30,11) 146 (26,64) 0-12 59 (10,77) valores entre parênteses correspondem à porcentagem. * valor de referência AI para 0-12 meses ** valor de referência AI para 0-6 meses Pela Tabela 24, com relação à caloria total, observa-se que a maioria consumia mais do que o recomendado, sendo que 57,14% das crianças que estão acima do valor de referência têm o consumo mais acentuado nos primeiros dois anos de vida. Enquanto que 72,26% das crianças que consomem abaixo da referência estão no terceiro, quarto e quinto ano de vida. Sobre os carboidratos, verifica-se que a maioria das crianças apresenta quantidade de carboidratos dentro do padrão recomendado, sendo que 80,6% dos que consomem em excesso carboidratos estão no primeiro ano de vida; percentual muito acima dos estimados para os outros anos. Do total de 330 crianças com quantidade de P<0,001 P<0,001 P<0,001 P<0,001 carboidratos abaixo do recomendado, o percentual mais relevante concentra-se na faixa de 0 a 48 meses. Verificou-se que há uma associação estatisticamente significante entre faixa etária e consumo de carboidrato (P<0,001). Quanto às proteínas, a maioria das crianças apresenta consumo recomendado desse nutriente. Para aquelas que consomem acima ou abaixo do valor de referência a grande maioria encontra-se no primeiro ano de vida. Verificou-se que há uma associação estatisticamente significante entre idade e consumo de proteína (P<0,001). O consumo de lipídios em excesso foi mais freqüente no primeiro ano (0 a 12 meses) com 26,35%, e entre 36 e 48 meses com 28,57%. Sobre o baixo consumo desse nutriente, os resultados sugerem que houve predominância entre as crianças com idade de 0 a 36 meses. Também para lipídios verificam-se evidências de associação estatisticamente significante entre faixas de consumo com a idade (P<0,001). DISCUSSÃO 4- DISCUSSÃO 4.1- Comportamento Alimentar Os resultados mostram que mais da metade das mães exercem atividades profissionais fora de casa. Com a entrada da mulher no mercado de trabalho, houve redução no tempo para amamentação e preparo da alimentação. O aumento da quantidade de mães trabalhando fora,(9,64,65) para alguns autores, tem influenciado negativamente o desenvolvimento cognitivo e comportamental de crianças.(66) Calvo Viñuela et al.,(67) investigando hábitos alimentares e estilos de vida de pacientes com distúrbios de comportamento alimentar, concluíram que o desenvolvimento desses problemas estão associados a uma estrutura familiar na qual as mães trabalham fora de casa. Como a necessidade de trabalhar fora de casa para as mulheres é hoje um fato, é necessário delinear estratégias que auxiliem no manejo da alimentação adequada dos filhos, para aquelas que possuem dificuldades neste sentido. Quanto ao parentesco do cuidador, a maioria é constituída pelos próprios pais, seguido por algum parente, outras pessoas, avós, babá ou empregada. Na Inglaterra Hansen & Hawkes,(66) avaliando dados do Millennium Cohort Study sobre mães de 4.800 crianças, acompanhadas dos 9 meses aos 3 anos, que trabalham fora, constataram que aos 3 anos crianças cuidadas pelos avós apresentaram mais problemas comportamentais do que as que ficaram aos cuidados de uma creche, babá ou outro membro da família. Assim, incluir avós em programas de treinamento de pais pode ser necessário, uma vez que estas passam quantidade considerável de tempo junto às crianças. Com relação ao tempo que a criança permanece com o cuidador, a maior parte permanece período integral junto a seus cuidadores. Atualmente, mães que trabalham fora tentam aproveitar ao máximo seu tempo com crianças e os pais estão consumindo mais tempo com seus filhos do que no passado.(66) Esses dados sugerem uma adaptação da família às necessidades atuais, bem como ênfase em uma relação de qualidade com os filhos. Pré-natal à Amamentação Segundo Kramer et al.(68) um melhor atendimento pré-natal e orientações sobre aleitamento materno podem aumentar a duração da amamentação total e exclusiva. No presente trabalho, aproximadamente 97,3% das mães realizaram acompanhamento prénatal e 42,3% fizeram curso pré-natal. Esses resultados indicam que o índice de amamentação foi satisfatório possivelmente devido à orientação pré-natal. Por outro lado, as mães das crianças que não foram ou não estão sendo amamentadas necessitam maior conscientização, pois são inúmeras, inegáveis e inquestionáveis as vantagens da amamentação para a criança, sua mãe, a família e a sociedade. Portanto, ações que promovam a amamentação e a formulação de políticas que priorizem essa prática devem ser incentivadas. Apesar da ampla divulgação em nosso país, a prática do aleitamento materno ainda não atingiu a freqüência e duração desejáveis, embora venha evoluindo favoravelmente durante os últimos 30 anos.(69) Mesmo com evidências do aumento da duração mediana da amamentação em algumas regiões do país e no Brasil como um todo,(70-72) o padrão de aleitamento materno está ainda aquém das recomendações internacionais. Em nosso país, a duração mediana foi mais do que duplicada entre 1975 e 1989, passando de 2,5 para 5,5 meses.(71) No presente estudo, a duração mediana foi ainda maior, ou seja, seis meses. Este dado indica que, provavelmente, os programas de incentivo ao aleitamento materno vêm tendo sucesso. Em muitos países em desenvolvimento, a maioria das mães amamenta seus filhos ao nascer.(73) Dados da última Pesquisa Nacional sobre Demografia e Saúde, consolidada em 2006 pelo Ministério da Saúde, mostraram que entre as mães entrevistadas, 43% relataram ter amamentado seus filhos na primeira hora após o parto.(74) Figueiredo et al.,(73) estudando práticas de alimentação em 719 crianças menores de 1 ano em UBS de São José do Rio Preto, SP, que compareceram a 8 postos de vacinação, constataram que a maioria das mães (96,2%) amamentou seus filhos ao nascer. Nesta pesquisa, os dados obtidos em 19 postos de vacinação mostraram que do total de crianças analisadas com idade até cinco anos 73,6% delas foram ou estavam sendo amamentadas. Alguns estudos demonstram que o padrão de aleitamento materno é influenciado por fatores como tipo de emprego(75) e tipo de parto.(76) Quanto ao tipo de parto, das crianças estudadas 70,7% nasceram por cesárea, 28,2% por parto normal. Weiderpass et al.(76) não encontraram diferença na incidência de amamentação em mães submetidas a cesarianas eletivas, quando comparadas àquelas que tiveram partos vaginais ou cesarianas emergenciais. Entretanto, segundo esses autores as crianças nascidas por cesariana eletiva apresentaram um risco três vezes maior de interromper a lactação no primeiro mês de vida. Wenzel,(77) mapeando a situação do aleitamento materno do Brasil e investigando fatores que favorecem e desfavorecem a amamentação de crianças menores de um ano, constatou que o uso da creche é um fator de risco para o aleitamento, talvez porque sejam distantes do local de trabalho, impedindo a continuidade da amamentação, obrigando as mães a desmamarem precocemente seus filhos. Na Dinamarca Weile et al.,(78) avaliando prospectivamente 500 crianças nascidas consecutivamente em um mesmo hospital, também verificaram aumento na taxa de descontinuidade da amamentação devido à entrada dessas crianças em creches. Diversos fatores podem levar ao desmame, como nível educacional materno; retorno das mães ao trabalho; comportamento da equipe de saúde, principalmente do pediatra; falta de informação sobre importância do aleitamento materno e riscos associados ao uso de leites artificiais; práticas e crenças culturais; falta de habilidade dos profissionais para manejar adequadamente a lactação; elevado número de partos cesarianas, falta de disponibilidade de alojamento conjunto, período muito longo de tempo entre nascimento e início da amamentação no peito, número insuficiente de bancos de leite humano; propaganda e distribuição de fórmulas, mamadeiras e chupetas; e não cumprimento de leis que protegem a mulher trabalhadora.(10,13,79,80) Segundo Del Ciampo et al.(69) para que a amamentação seja mais adotada, é necessário avaliar o que pensam as mães em relação ao período de amamentação e por qual motivo interrompem a mesma. Introdução de Alimentos Complementares No presente estudo, o tempo médio de introdução de alimentos complementares variou de 4,9 a 5,7 meses. Esses achados estão próximos às recomendações da OMS, ou seja, uso exclusivo do aleitamento materno até o 6º mês,(14) quando novos alimentos devem ser administrados.(15) Dados do Ministério da Saúde(74) mostram que o aleitamento materno complementado ocorreu em 56% das crianças na faixa entre 4 a 6 meses, sendo que 33% estavam completamente desmamadas e 35% das crianças já consumiam “comida de sal”. Os resultados satisfatórios obtidos neste estudo sugerem que os cuidadores estão possivelmente recebendo orientação adequada na área de puericultura ou estão sendo positivamente influenciados pela mídia. Figueiredo et al.,(73) estudando práticas de alimentação em 719 crianças menores de 1 ano em UBS de São José do Rio Preto, SP, constataram que a introdução de outros alimentos como água/chá e leite de vaca foi muito precoce, observando-se poucas crianças em aleitamento materno exclusivo. Mesmo em crianças não-amamentadas, a recomendação habitual para a introdução dos alimentos sólidos é após os 4 meses de vida.(26) Nesse período dentre outros fatores existe imaturidade neurológica evidenciada pela presença do reflexo de protrusão da língua, por meio do qual a criança empurra os objetos que são aproximados dos seus lábios, rejeitando a alimentação oferecida de colher. Além disso, a criança não consegue expressar reações que indicam saciedade e recusa ao alimento como fechar a boca e inclinar a cabeça para trás,(81) aproximar-se ou afastar-se espontaneamente dos alimentos oferecidos e permanecer sentada. Primeiro Ano de Vida (Importância) Segundo Curran & Barness(32) os hábitos alimentares formados nos primeiros um ou dois anos de vida afetam os hábitos dos anos subseqüentes. Quando questionados se a alimentação da criança era mais saudável no primeiro ano de vida em comparação aos anos seguintes, aproximadamente a metade das respostas foi afirmativa. Isso pode ser explicado por fatores como amamentação que, no presente estudo, teve a duração mediana de 6 meses, sendo que a maioria das crianças foram ou estavam sendo amamentadas. Além disso, no primeiro ano de vida o repertório cognitivo infantil é limitado, e por isso o comportamento alimentar não tem apenas a função de garantir o aporte calórico necessário ao crescimento; é também uma das vias preferenciais de expressão das experiências subjetivas da criança.(82) Outro fator pode ser a maior quantidade de visitas regulares ao pediatra, que poderia salientar a importância da alimentação saudável nessa fase. Sobre a facilidade de aceitação de alimentos pelas crianças no primeiro ano de vida em relação aos anos seguintes, aproximadamente metade dos cuidadores responderam que era mais fácil. As experiências iniciais com o mundo externo e a formação dos primeiros vínculos afetivos ocorrem pelo ato de sugar e ingerir leite, de expressar desconforto quando tem fome e satisfação quando a criança mama.(83) Além disso, no primeiro semestre de vida a criança afirma a sua identidade como integrante de um grupo social, a família, e estabelece ligações de afeto sólidas com a mãe, o pai e os demais familiares.(84) Nesse contexto, a necessidade de maior ingestão calórica, devido ao rápido crescimento (pondero-estatural) e desenvolvimento da criança no primeiro ano de vida, também poderia influenciar na facilidade de aceitação de alimentos. Por outro lado, a outra metade dos cuidadores respondeu que não era mais fácil aceitar alimentos no primeiro ano de vida em relação aos anos seguintes. Esse resultado pode ser devido à tendência de rejeitar alimentos desconhecidos, ou seja, neofobia.(25) De acordo com Euclydes(26) a aprendizagem é fator importante na aceitação dos novos alimentos. Nessa fase, a alimentação é muitas vezes utilizada pela criança como uma maneira de firmar sua posição para discriminar sua vontade da do adulto e para tentar controlar o ambiente e fazer pequenos testes de independência.(83) Características das Refeições Com relação a horário para refeições, a maioria das crianças e das famílias estudadas possui horário fixo. Esses achados foram satisfatórios, pois as refeições representam importante evento nas interações familiares. Segundo Golan(29) o ambiente doméstico, o estilo de vida dos pais e as relações interfamiliares podem ter grande influência na alimentação, nas preferências alimentares, e afetar o equilíbrio energético da alimentação pela disponibilidade e composição dos alimentos. Além disso, a família oferece amplo campo de aprendizado social à criança, podendo estabelecer o aprendizado de um hábito socialmente aceito ou inserir novos hábitos, contribuindo para a formação de um comportamento alimentar adequado ou não. É importante ressaltar que crianças aprendem cedo que os alimentos são servidos em uma ordem particular nas refeições, como, por exemplo, a refeição e depois a sobremesa e que as ocasiões sociais especiais, como os aniversários, pedem alimentos diferenciados. No presente estudo, os resultados obtidos indicam que, apesar da quantidade de mães que trabalham fora, a maioria das famílias tem conseguido manter horário fixo para refeições. Esse dado pode indicar novamente uma adaptação da família atual à necessidade da mulher trabalhar fora de casa. Por outro lado, o hábito de comer entre as refeições foi registrado na maior parte das crianças e das famílias, sendo que os alimentos mais solicitados pelas crianças entre as refeições incluíram biscoito, frutas, leite e iogurte. Sabe-se que crianças têm necessidade de ingerir alimentos nos intervalos das refeições principais, o que deve ser permitido, sempre que não interfira nessas refeições.(85) Deve ser dada preferência a alimentos de fácil digestão como frutas, sucos e biscoitos.(32,86) Nesta pesquisa, apenas sucos não foram registrados dentre os alimentos mais solicitados. Vale ressaltar que o hábito de comer entre as refeições pode interferir na ingestão de alimentos essenciais consumidos em horários fixos. Outro aspecto analisado foi a conduta dos cuidadores em relação à solicitação de alimentos entre as refeições pelas crianças. A maioria dos cuidadores revelou que cedem o alimento à criança para evitar o choro. Considerando que crianças formam associações entre os alimentos e os contextos sociais em que a alimentação ocorre através da aprendizagem,(23) atitudes negativas dos pais durante a administração das refeições são preditores de problemas alimentares.(87) Na ânsia de que a criança fique alimentada, algumas mães apresentam práticas alimentares inadequadas.(41) No presente trabalho, é possível que para a maioria dos cuidadores a qualidade do alimento administrado entre as refeições pode não estar sendo prioridade, ou seja, o silêncio da criança está sendo mais importante. Isso pode ser reflexo da falta de tempo ou falta de habilidade para manejo adequado das crianças devido à atual conjuntura envolvendo a estrutura familiar. Ingestão de Líquidos Neste trabalho, aproximadamente metade das crianças, das famílias e dos cuidadores têm o hábito de ingerir refrigerante somente durante as refeições. Por outro lado, cerca de 20% das crianças, das famílias e dos cuidadores consomem refrigerante durante todo o dia. Esse consumo pode contribuir para o aumento do peso das crianças a longo prazo, além de prejudicar a ingestão de alimentos adequados durante as refeições e principalmente o dia todo. Com relação ao consumo de refrigerantes o dia todo, de acordo com a faixa etária das crianças, nota-se aumento gradual com a idade. Isso sugere que a influência de fatores ambientais, como comportamento da sociedade e hábitos da família, pode estar aumentando na medida em que ocorre o crescimento da criança. Além disso, o exemplo dos pais ou cuidadores é fundamental, pois a família propicia campo de aprendizado social à criança como já mencionado anteriormente. Atualmente, o consumo de bebidas com adição de açúcar, incluindo refrigerantes, tem aumentado no mundo todo.(88) Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mostraram um aumento de 500% no consumo de refrigerantes nos últimos 50 anos.(89) Segundo a recente Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) entre 2002 e 2003, foi identificado um desequilíbrio entre os alimentos disponíveis nos domicílios, devido à presença excessiva de açúcar, com importante incremento no consumo de refrigerantes.(90) Com relação ao hábito de ingerir água durante o dia todo, houve aumento gradual com a idade, diminuindo levemente aos 48-60 meses. Essa redução pode ser devido ao maior consumo de refrigerante o dia todo também nessa faixa etária. Por outro lado, segundo Del Ciampo et al.(91) com o crescimento, as necessidades hídricas do organismo vão sendo reduzidas. Entretanto, para confirmar tal diminuição seria necessário outro estudo incluindo crianças com idades subseqüentes. A freqüência da não ingestão de água pelas crianças e mães é preocupante, pois existe a possibilidade de aumento da freqüência de não ingestão de água pelas crianças devido ao exemplo da mãe. A hidratação adequada reduz o risco de cálculo renal, infecção do trato urinário, constipação intestinal, hipertensão, infarto e trombose.(92) Televisão Quanto à influência da televisão, na presente pesquisa aproximadamente metade das crianças e das famílias fazem suas refeições com a televisão ligada. De acordo com Westenhoefer,(49) parece que a família está sendo trocada pela televisão como “companhia social” durante a refeição. Segundo Borra et al.,(47) a mídia representa a fonte primária de informação sobre alimentos e nutrição. A televisão é um dos fatores potenciais que promove o sedentarismo e estimula a ingestão de alimentos calóricos.(45,48) A exposição de apenas 30 segundos a comerciais de alimentos é capaz de influenciar a escolha de crianças por determinados produtos.(51) Estudo realizado por Almeida et al.(51) sobre a qualidade dos alimentos veiculados pela televisão, demonstrou que 60% dos produtos estavam classificados nas categorias gorduras, óleos e açúcares. Segundo os autores a predominância de produtos com altos teores de gordura e/ou açúcar pode estar contribuindo para uma mudança nos hábitos alimentares de crianças e jovens e agravando o problema da obesidade na população. Na literatura existe consenso na associação positiva entre assistir televisão e obesidade.(93-99) 4.2- Freqüência Alimentar No presente estudo foi utilizado o questionário de freqüência alimentar, que apesar de suas limitações, é considerado o mais prático e informativo método de avaliação da ingestão dietética. É de baixo custo, estima a ingestão habitual do indivíduo e minimiza a variação intrapessoal ao longo dos dias.(60) Por outro lado, esse questionário depende da memória dos hábitos alimentares passados e sua quantificação é pouco exata. Considera-se ainda, que esse questionário é delineado e conduzido para uma determinada população. Assim, os resultados obtidos neste estudo não podem ser extrapolados para a população brasileira. Os resultados obtidos nos alimentos do Grupo 1, ou seja, alimentos energéticos ou carboidratos complexos, responsáveis por gerar energia para que o organismo possa realizar suas funções normais,(100) mostram que das crianças avaliadas, o arroz é consumido diariamente por aproximadamente 90%. Em nossa sociedade esse alimento é considerado um alimento adequado, principalmente devido à sua associação freqüente com o feijão, que é uma leguminosa rica em ferro e proteínas. Quanto ao consumo de pães e biscoitos, a maior parte das crianças ingere esses alimentos diariamente, sugerindo que já fazem parte dos hábitos alimentares de nossa sociedade. As massas são consumidas diariamente e freqüentemente pela maioria das crianças, indicando a necessidade de controle já nessa idade devido ao aporte calórico. Analisando a freqüência alimentar em relação à faixa etária das crianças de acordo com cada alimento, não houve diferenças significativas entre as faixas etárias para todos os alimentos analisados, ou seja, não há influência da idade em relação a qualquer alimento do grupo 1. Outro aspecto a ser ressaltado é a importância da conduta dos pais ou cuidadores no consumo desses alimentos ao longo da infância e adolescência, evitando doenças no futuro. Na avaliação da freqüência alimentar de legumes, verduras, frutas e sucos de frutas (Grupo 2), verificou-se que a maioria das crianças consome diariamente legumes, verduras, frutas e sucos de frutas. Esses alimentos são reguladores e ricos em vitaminas, minerais e fibra.(101) Apesar da existência de adequada freqüência alimentar semanal de frutas, sucos de frutas e legumes, torna-se necessária maior orientação visando aumento da ingestão e manutenção do consumo desses alimentos, principalmente de verduras, pois 15,80% das crianças não consomem esse alimento e 16,65% consomem raramente. Uma alimentação rica em frutas e vegetais tem sido associada com diversos benefícios incluindo redução no risco de obesidade,(102) doença cardiovascular,(103) acidente vascular,(104) diabetes(105) e alguns tipos de câncer(106). Cooke,(36) investigando a influência de fatores demográficos, familiares e das próprias crianças no consumo de frutas e vegetais por crianças em fase pré-escolar, constataram que o consumo desses alimentos pelos pais, amamentação e introdução precoce desses alimentos foram associados à ingestão de ambos. No presente trabalho, não houve diferença significativa na distribuição percentual da freqüência alimentar em relação às faixas etárias. Nos alimentos do Grupo 3 (leite e derivados) o resultado da freqüência alimentar mostrou que a grande maioria das crianças consomem leite diariamente. Com relação aos derivados, verifica-se que metade das crianças vem consumindo derivados de leite diariamente e 26,9% consomem freqüentemente. O leite e seus derivados são ricos em proteínas de alto valor biológico e nutrientes essenciais como cálcio, fósforo, vitaminas (A, D, B2 e biotina) e responsáveis pela construção, crescimento e reparação do desgaste natural dos tecidos,(107) prevenção de doenças crônicas não-transmissíveis como obesidade, hipertensão arterial, câncer de cólon e osteoporose.(108) Por outro lado, a elevada ingestão de leite pode reduzir o consumo de outros alimentos ricos em nutrientes essenciais. Com relação aos alimentos do Grupo 4 (carnes e ovos), a maioria das crianças avaliadas consomem diariamente e freqüentemente carne vermelha, carne branca e ovos. Por outro lado, esses mesmos alimentos não são consumidos por 6,6%, 7,9% e 17,1% das crianças, respectivamente. Portanto, uma orientação junto aos cuidadores dessas crianças é necessária, pois as carnes possuem grande quantidade de proteínas de alto valor biológico, sendo também fonte de gordura, ferro, fósforo e vitaminas enquanto ovos constituem importante fonte de fosfolipídios e lipoproteínas fundamentais para constituição do sistema nervoso.(91) Nos alimentos do Grupo 5, leguminosas (feijão, lentilha, ervilha, grão-de-bico, soja) o resultado da freqüência alimentar mostrou que a maioria das crianças consome leguminosas diariamente. É importante salientar que esses alimentos não são consumidos por 8,1% das crianças e consumidos raramente por 8,03% delas. Esses achados indicam a necessidade de orientação junto aos cuidadores dessas crianças, pois as leguminosas são ricas em proteínas, têm poucos lipídios, carboidratos principalmente amido, e fibra por meio da celulose, além de micronutrientes e fitoquímicos,(109) que são importantes para o bom desenvolvimento e crescimento da criança. O resultado da freqüência alimentar para os alimentos do Grupo 6 (frituras e salgadinhos) mostrou que 14,2% e 17,5% das crianças consomem diariamente frituras e salgadinhos, respectivamente, e 25,1% e 23% delas consomem freqüentemente esses mesmos alimentos. Esses dados são preocupantes, pois a ingestão inadequada de óleos e gorduras, em termos de quantidade e qualidade, pode causar impacto negativo na saúde e no estado nutricional, favorecendo o desenvolvimento de doenças crônicas nãotransmissíveis como obesidade, diabetes mellitus, hipertensão arterial e dislipidemia e câncer de mama, cólon e reto.(110-112) Por outro lado, vale reforçar que esses alimentos, ingeridos de forma equilibrada, são imprescindíveis em uma dieta saudável, pois os óleos e gorduras fornecem energia, ácidos graxos essenciais e são veículos de vitaminas lipossolúveis e antioxidantes (A, D, E e K).(110) Nos alimentos do Grupo 7 (açúcar, doces e refrigerantes), o resultado mostrou que a soma do consumo diário e freqüente de açúcar, doces e refrigerantes foi elevada. Além disso, a análise por faixa etária revelou que o consumo desses alimentos foi aproximadamente igual em todas as idades. Considerando, que as crianças já nascem com preferências pelos alimentos doces,(17) torna-se necessária a conscientização dos cuidadores visando o estabelecimento de novos paladares. Segundo Alderson & Ogden(18) isso ocorrerá com a persistência na introdução de novos alimentos. Outro dado preocupante é a considerável ingestão diária e freqüente de refrigerante na faixa etária de 0 a 12 meses, quando tem início o processo de formação de hábitos alimentares com a introdução de alimentos complementares. A tendência apresentada no consumo de alimentos ricos em açúcares simples é motivo de preocupação tendo em vista os efeitos deletérios desses alimentos quando consumidos de forma desarmoniosa em relação ao conjunto da alimentação.(113) A ingestão energética excessiva pode ser proveniente do aumento da oferta de alimentos em grandes quantidades, podendo repercutir sobre o aumento da prevalência de excesso de peso.(53,114-116) 4.3- Recordatório Alimentar A utilização do recordatório alimentar de 24 horas apresenta como vantagens rápida aplicação, imediato período de recordação e baixo custo. Por outro lado, a qualidade das informações do recordatório depende da memória e da cooperação do entrevistado, assim como da capacidade do entrevistador em estabelecer um canal de comunicação em que se obtém informação por meio do diálogo.(60) Analisando o consumo em termos de caloria total, quase a metade das crianças está consumindo acima do recomendado. Esses dados confirmam os resultados da freqüência alimentar semanal, que mostraram que a maioria das crianças consome diariamente e freqüentemente alimentos calóricos dos grupos 1 (pães, biscoitos, arroz e massas), 4 (carnes e ovos), 6 (salgadinhos e frituras) e 7 (açúcar, doces e refrigerantes). Além disso, segundo Birch et al.(23) as crianças tendem a preferir alimentos com alta densidade energética. Portanto, verifica-se que essas crianças apresentam alimentação inadequada, reforçando a necessidade de educação alimentar. Desse modo, doenças crônicas não-transmissíveis como obesidade, diabetes mellitus, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, cárie dentária e câncer podem ser prevenidas.(51-53,110-112) Com relação ao consumo de alimentos ricos em carboidratos, apesar da maioria das crianças estarem na faixa recomendada, aproximadamente 14% delas estão acima do recomendado. Vale salientar que os resultados da freqüência alimentar semanal mostraram que a maioria das crianças consome diariamente e freqüentemente alimentos dos grupos 1 e 7. Além disso, aproximadamente metade das crianças tem o hábito de ingerir refrigerante somente durante as refeições e cerca de 20% delas consomem refrigerante durante todo o dia. Em síntese, esses resultados indicam a necessidade de atenção, pois esse consumo pode favorecer o desenvolvimento de doenças crônicas nãotransmissíveis.(51) Quanto à ingestão de alimentos ricos em proteínas, apesar da maioria das crianças estarem na faixa recomendada, aproximadamente 16% delas estão acima do recomendado. Esses achados confirmam os resultados da freqüência alimentar semanal que mostraram que a maioria das crianças consomem diária e freqüentemente alimentos dos grupos 3 (leite e derivados) e 4 (carnes e ovos). É importante ressaltar que especialmente no primeiro ano de vida, período crítico para a promoção de uma nutrição adequada, o consumo excessivo de leite pode prejudicar a introdução de alimentos complementares na época apropriada. O consumo exagerado desses alimentos pode limitar a ingestão de uma dieta variada, pois rapidamente saciam a criança, impedindo-a de ingerir outros alimentos.(22) A análise do consumo de alimentos ricos em lipídios mostrou que apesar da maioria das crianças estarem na faixa recomendada, aproximadamente 33% delas estão acima do recomendado. Esses resultados são concordantes com os da freqüência alimentar de alimentos dos grupos 6 (frituras e salgadinhos). Nota-se que a ingestão de lipídios está inadequada, indicando a necessidade de educação alimentar no sentido de prevenir o desenvolvimento de doenças crônicas não-transmissíveis como obesidade, diabetes mellitus, hipertensão arterial, dislipidemia e câncer.(110-112) Neste estudo, houve associação estatisticamente significativa entre faixa etária e consumo em termos de caloria total, carboidratos, proteínas e lipídios, ou seja, dependendo da idade da criança a quantidade de cada nutriente sofre alterações em relação aos valores de referência. No primeiro ano de vida observa-se que a maioria das crianças está acima do recomendado quanto ao consumo de caloria total, carboidrato e proteína. No entanto, na maioria das crianças nessa idade a ingestão de lipídios está abaixo do recomendado. Os primeiros dois anos de vida e, em especial, o primeiro ano de vida constituise numa fase bastante singular devido à acelerada taxa de crescimento somático e do desenvolvimento apresentados pelo lactente. Ele duplica seu peso em torno dos quatro aos seis meses, triplica-o por volta de um ano de idade e quadruplica-o quando atinge dois anos; aumenta o comprimento em cerca de 50% ao final de um ano de vida; cresce mais 50% ao alcançar quatro anos, o que denota a intensidade do crescimento particularmente no primeiro ano de vida.(117) Os dados deste estudo indicam ser necessária uma atenção especial ao aporte nutricional adequado no primeiro ano de vida. Nesse contexto, é imprescindível o conhecimento científico, essencial para suprir as necessidades definidas pelo crescimento e desenvolvimento da criança nas diferentes faixas etárias. CONCLUSÕES 5- CONCLUSÕES Com base nos resultados obtidos, pôde-se chegar às seguintes conclusões: 1- O comportamento alimentar de crianças e cuidadores mostrou que mais da metade das mães exercem atividades profissionais fora de casa; a maioria dos cuidadores é constituída pelos próprios pais; a maior parte das crianças permanece período integral com seus cuidadores; a maioria das mães realizou acompanhamento pré-natal; a duração da amamentação e a introdução de alimentos complementares foram adequadas; a maioria das crianças e das famílias possui horário fixo para refeições e hábito de comer entre elas; a maioria dos cuidadores revelou que cedem o alimento à criança para evitar o choro; metade das crianças, das famílias e dos cuidadores ingerem refrigerante durante as refeições; consumo de refrigerantes o dia todo aumenta gradualmente com a idade e metade das crianças e das famílias fazem suas refeições com a televisão ligada; 2- A freqüência alimentar semanal mostrou que a maioria das crianças consumiu diariamente e freqüentemente alimentos energéticos (Grupo 1), reguladores (Grupo 2), leite e derivados (Grupo 3), construtores (Grupo 4) e leguminosas (Grupo 5). A ingestão diária e freqüente de frituras e salgadinhos (Grupo 6) e açúcar, doces e refrigerantes (Grupo 7) sugere adoção de medidas educacionais. 3- O recordatório alimentar de 24 horas mostrou que o consumo em termos de caloria total para quase metade das crianças está abaixo do recomendado. O consumo de alimentos ricos em carboidratos, proteínas e lipídios está adequado para a maioria das crianças. Houve associação estatisticamente significativa entre faixa etária e consumo em termos de caloria total, carboidratos, proteínas e lipídios. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 6- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1- Popkin BM. Global nutrition dynamics: the world is shifting rapidly toward a diet linked with noncommunicable diseases. Am J Clin Nutr 2006;84:289-98. 2- Popkin BM. The nutrition transition and obesity in the developing world. J Nutr 2001;131(3):871-3. 3- Nagamine KK. Mulheres em programa de atividade física: ansiedade, depressão, fadiga, burnout e qualidade de vida [tese]. 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Informo que compreendi todas as informações que me foram dadas pelo pesquisador Antonio Carlos Tonelli Gusson e/ou auxiliares de pesquisa sob sua responsabilidade, de acordo c/ o seguinte texto: A alimentação da criança, desde o nascimento, têm grande influência sobre o seu desenvolvimento. Hábitos alimentares saudáveis são desenvolvidos desde o início da vida e promovem saúde. Por outro lado, hábitos alimentares inadequados podem aumentar o risco para diversas doenças. Assim, é importante identificar como está ocorrendo a alimentação durante a infância, bem como os fatores que contribuem para os hábitos alimentares das crianças. A presente pesquisa tem como objetivo identificar a situação da alimentação de crianças com até quatro anos de idade, que participam da Campanha de vacinação. Para participar da pesquisa as mães ou responsáveis responderão a questionários sobre hábitos alimentares. Os riscos para os participantes são mínimos e incluem possibilidade de experimentar sentimentos de ansiedade frente a alimentação dos filhos e, neste caso, serão orientados. Fui esclarecido que minha identidade será preservada e serão apresentados em eventos científicos e publicados apenas os dados obtidos pelo grupo como um todo. Compreendi que responderei a questionários sobre a alimentação da criança e que posso, a qualquer momento, interromper minha participação ou solicitar esclarecimentos. Confirmo que, após entender todas as informações sobre o estudo, aceito participar como voluntário e autorizo a publicação dos resultados e sua apresentação em eventos científicos, aulas, sem que meu nome venha a público. São José do Rio Preto, de de 2006. Assinatura do(a) Participante Assinatura do pesquisador __________________________________ _ Antonio Carlos Tonelli Gusson Telefone para contato: 3201-5700 ramal 5842 APÊNDICE 2 PESQUISA: Hábitos alimentares em crianças de 0 a 4 anos de São José do Rio Preto Responsável: Dr. Antônio Carlos Tonelli Gusson Questionário sobre Comportamento Alimentar Data:...../....../......... Nome da criança:............................................................................................................. Data do nascimento:..../....../.......... Nome do pai................................................................Profissão:.................................... Nome da mãe...............................................................Profissão:................................... Nome do cuidador:...................................................... Profissão:.................................. Grau de parentesco do cuidador..................................................................................... Tempo do cuidador com a criança:................................................................................ Em que cidade a criança reside ? .................................................................................. Há quanto tempo ? ........................................................................................................ Endereço:............................................................................Bairro:................................ Fone(s):.......................................................................................................................... A criança tem alguma doença de base ?........................................................................ Durante o dia (segunda a sexta), a criança permanece: 1- ( ) em casa ( ) parcial ( 2- ( ) na creche ( ) parcial ( 3- ( ) na escola ( ) parcial ( 4- ( ) outros ( ) parcial ( Especificar:............................ ) integral ) integral ) integral ) integral Durante o dia (sábado e domingo), a criança permanece: 1- ( ) em casa ( ) parcial ( ) integral 2- ( ) outros ( ) parcial ( ) integral Especificar:............................ Que tipo de atividades a criança faz nesse local (exemplos: assiste TV, brinca, faz esporte, video game, computador) ?................................................................................... 1- A mãe fez acompanhamento pré-natal ? 1- ( ) sim 2- ( ) não 3- ( ) não sabe 2- A mãe fez curso de pré-natal? 1-( ) sim 2-( ) não 3-( ) não sabe 3- Tipo de parto: ( ) cesárea ( ) normal ( ) não sabe 4-A criança foi ou está sendo amamentada? 1-( ) sim 2-( ) não 3-( ) não sabe 5- Quanto tempo a criança foi amamentada? ................................... meses ( ) não sabe ( ) não lembra 6- Com quantos meses foram introduzidos sucos de frutas ? .............meses ( ) não sabe ( ) não lembra ( ) não foram introduzidos 7- Com quantos meses foram introduzidas papas de frutas ?.................meses ( ) não sabe ( ) não lembra ( ) não foram introduzidas 8- Com quantos meses foram introduzidas papas salgadas ?.................meses. ( ) não sabe ( ) não lembra ( ) não foram introduzidas 9- A criança se alimenta de: 1- ( 2- ( 3- ( 4- ( 5- ( 6- ( 7- ( 8- ( ) leite (materno, artificial) ) frutas ) cereais (arroz, feijão) ) verduras ) proteínas (carnes, ovos, vegetais) ) carboidratos (massas, pães) ) doces (doces caseiros, danones etc.) ) não sabe 10- Você acha que a alimentação dessa criança é saudável ? ( ) sim ( ) não ( ) não sabe 11- No primeiro ano de vida, a alimentação dessa criança era mais saudável do que nos anos seguintes ? ( ) sim ( ) não ( ) não sabe Comentário: ....................................................................................................................... 12- No primeiro ano de vida, a criança aceitava mais facilmente os novos alimentos do que nos anos seguintes ? ( ) sim ( ) não ( ) não sabe Comentário: ....................................................................................................................... 13- A criança possui horários fixos para as refeições ? 1- ( ) sim 2- ( ) não 3- ( ) não sabe 14- A família possui horários fixos para as refeições ? 1- ( ) sim 2- ( ) não 3- ( ) não sabe 15- A criança tem o hábito de comer entre as refeições ? 1- ( ) sim 2- ( ) não 3- ( ) não sabe 16- A família tem o hábito de comer entre as refeições ? 1- ( ) sim 2- ( ) não 3- ( ) não sabe 17- Quais alimentos são solicitados pela crianças entre as refeições ?.............................. 18- Quando as crianças solicitam esses alimentos entre as refeições, o cuidador: 1- ( ) dá imediatamente para evitar choro 2- ( ) não dá 3- ( ) dá somente se a criança se comporta de forma adequada 19- Os pais tem o hábito de fazer pelo menos uma refeição em família ? 1- ( ) sim 2- ( ) não 3- ( ) não sabe 20- Com que idade a criança começou a fazer suas refeições junto com a família ?......... 21- Onde (local) a criança realiza suas refeições? R.: ........................................................ 22- A criança tem o hábito de fazer suas refeições diante da televisão ligada ? 1- ( ) sim 2- ( ) não 3- ( ) não sabe 23- A família tem o hábito de fazer suas refeições diante da televisão ligada ? 1- ( ) sim 2- ( ) não 3- ( ) não sabe 24- A criança tem o hábito de ingerir refrigerante: 1- ( ) somente durante as refeições 2- ( ) dia todo 3- ( ) não 4- ( ) não sabe Volume.................... 25- A família tem o hábito de ingerir refrigerante: 1- ( ) somente durante as refeições 2- ( ) dia todo 3- ( ) não 4- ( ) não sabe Volume.................... 26- O cuidador tem o hábito de ingerir refrigerante: 1- ( ) somente durante as refeições 2- ( ) dia todo 3- ( ) não 4- ( ) não sabe Volume.................... 27- A criança tem o hábito de ingerir água: 1- ( ) somente durante as refeições 2- ( ) dia todo 3- ( ) não 4- ( ) não sabe Volume.................... 28- O pai tem o hábito de ingerir água: 1- ( ) somente durante as refeições 2- ( ) dia todo 3- ( ) não 4- ( ) não sabe Volume.................... 29- A mãe tem o hábito de ingerir água: 1- ( ) somente durante as refeições 2- ( ) dia todo 3- ( ) não 4- ( ) não sabe Volume.................... 30- O cuidador tem o hábito de ingerir água: 1- ( ) somente durante as refeições 2- ( ) dia todo 3- ( ) não 4- ( ) não sabe Volume.................... 31- A alimentação da criança é escolhida a partir: 1- ( ) do que a mãe acredita ser certo 2- ( ) da orientação de um profissional (nutricionista, médico etc) 3- ( ) do que ouviu nos meios de comunicação (revistas, jornais, TV etc) 4- ( ) do que ouviu de outras pessoas (parentes, vizinhos etc) APÊNDICE 3 Questionário de Freqüência Alimentar Semanal Alimentos Verduras Legumes Frutas Suco de Frutas Carne Vermelha Carne Branca Ovos Leite Derivados Pão/Bolachas Arroz Massas Leguminosas Açúcar Doces Frituras Salgadinhos Refrigerantes Diariamente Freqüentemente Raramente Não Consome APÊNDICE 4 Questionário de Recordatório Alimentar de 24 horas Refeições Café da Manhã ( ............. h) Lanche ( ............. h) Almoço ( ............. h) Lanche da Tarde ( ............. h) Jantar ( ............. h) Ceia ( ............. h) Alimentos Quantidade ANEXOS