UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA FACULDADE DE FISIOTERAPIA ANA CLARA CATTETE BAINHA EFEITO DO TEMPO DE TRATAMENTO HEMODIALÍTICO NA FUNÇÃO RESPIRATÓRIA, CAPACIDADE FUNCIONAL E QUALIDADE DE VIDA JUIZ DE FORA 2011 UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA FACULDADE DE FISIOTERAPIA ANA CLARA CATTETE BAINHA EFEITO DO TEMPO DE TRATAMENTO HEMODIALÍTICO NA FUNÇÃO RESPIRATÓRIA, CAPACIDADE FUNCIONAL E QUALIDADE DE VIDA Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Faculdade de Fisioterapia da Universidade Federal de Juiz de Fora, como requisito para a obtenção da aprovação na disciplina Trabalho de Conclusão de Curso II. Orientador: Prof. Leandro Ferracini Cabral Co-orientador: Prof. Maycon de Moura Reboredo JUIZ DE FORA 2011 UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA FACULDADE DE FISIOTERAPIA ANA CLARA CATTETE BAINHA EFEITO DO TEMPO DE TRATAMENTO HEMODIALÍTICO NA FUNÇÃO RESPIRATÓRIA, CAPACIDADE FUNCIONAL E QUALIDADE DE VIDA Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Faculdade de Fisioterapia da Universidade Federal de Juiz de Fora, como requisito final para obtenção do título de Graduação em Fisioterapia. Aprovado em: 11/7/2011 BANCA EXAMINADORA: ____________________________________ Prof. Leandro Ferracini Cabral (Orientador) Universidade Federal de Juiz de Fora _________________________________ Profª. Rosa Maria de Carvalho Universidade Federal de Juiz de Fora ______________________________________ Prof. Paulo Giovanni de Albuquerque Suassuna Universidade Federal de Juiz de Fora Bainha, Ana Clara Cattete. Efeito do tempo de tratamento hemodialítico na função respiratória, capacidade funcional e qualidade de vida / Ana Clara Cattete Bainha. – 2011. 46 f. : il. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Fisioterapia)— Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, 2011. 1. Insuficiencia Renal Crônica. 2. Diálise Renal . 3. Qualidade de Vida. I. Título. CDU 616.61-008.315 AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente à Deus pela saúde, pela tranqüilidade nos momentos em que mais precisei, e por me fazer entender que era preciso entregar minhas angústias em Suas mãos. À minha mãe Ana Maria, que passou grande parte do tempo rezando pelo meu sucesso e lutando comigo para a conclusão desta árdua etapa. Ao meu pai Jorge, pelo apoio e paciência. Henrique, pelo amor, carinho, amizade, suporte emocional e compreensão de todas as lágrimas que derramei, obrigada sempre. Aos meus verdadeiros amigos, Ana Letícia Zanardi, Clarice Sinder, Débora Verneque, Diene Schaefer, Lílian Atalaia, Mariana Palermo, Pollyana Teixeira e Rodrigo Almeida, que estiveram comigo todo o tempo, sempre disponíveis a me ouvir e me ajudar de todas as formas; e com os quais pude dividir todas as emoções. Aos queridos, Vinicius Weiss, Érica Defilipo e Simone Carvalho, pela ajuda sincera e abnegada. Lílian Verado, Juliana Doro, e Amélia Deolinda, pelo carinho. Em especial aos pacientes do Setor de Hemodiálise do HU-CAS, voluntários para este estudo, pois sem o carinho e disponibilidade nada disto seria possível. Ao meu orientador prof. Leandro Ferracini, pela competência e profissionalismo. Ao meu co-orientador Maycon Reboredo, pela atenção e confiança. Ao Edimar Pedrosa, Erich Vidal e Bruno Valle pela inestimável ajuda. À Natalia Fernandes e Ruiter Faria pela colaboração. À equipe de saúde e funcionários do Setor de Hemodiálise do HU-CAS pela importante assistência. E a todos que contribuíram direta ou indiretamente para a realização deste trabalho, meus sinceros agradecimentos. RESUMO A doença renal crônica (DRC) consiste em lesão renal e, perda progressiva e irreversível da função dos rins. Em seu último estágio pode ocorrer comprometimento sistêmico do paciente e levá-lo à terapia renal substitutiva (TRS) que engloba a hemodiálise (HD). Estes pacientes podem apresentar prejuízos na função pulmonar (FP) e na força muscular respiratória (FMP), na capacidade funcional (CF), na força muscular periférica (FMP) de membros superiores e na qualidade de vida (QV). Os objetivos deste estudo foram comparar as variáveis de FP, FMP, CF, FMP e QV de pacientes com diferentes períodos de tratamento hemodialítico e correlacionar as variáveis avaliadas com o tempo de HD e CF. A amostra foi composta de 12 pacientes que foram divididos em dois subgrupos por tempo de tratamento hemodialítico. Foram realizadas as avaliações da FP e da FMR por meio da espirometria e da manovacuometria; da CF por meio do teste de caminhada de seis minutos (TC6M) e do teste de sentar e levantar; da FMP de membros superiores por meio do teste de preensão palmar e; da QV por meio do questionário SF-36. Foi realizado o teste t ou o teste de Mann-Whitney para comparação das variáveis entre os subgrupos, e o teste de Pearson para a correlação (n=12) entre estas variáveis. O nível de significância foi considerado quando p<0,05. Os resultados obtidos sugerem tendência de redução do volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1) e da capacidade vital forçada (CVF) na comparação entre os subgrupos. Além disso, houve correlação das variáveis espirométricas com os testes de CF e destes com alguns domínios de QV. Diante do exposto, concluímos que o tempo de tratamento hemodialítico pode influenciar a função pulmonar e a CF dos pacientes com DRC. E, que a redução da CF está ligada à redução da QV. Palavras-chave: Doença Renal Crônica, Hemodiálise, Respiratória, Capacidade Física e Qualidade de Vida. Testes de Função ABSTRACT Chronic kidney disease (CKD) consists in a renal injury with progressive and irreversible loss of kidney function. In this last stage may occur systemic commitment of the patient and renal replacement therapy (RRT) which includes hemodialysis (HD). These patients may have impairments in lung function and strength (LFS), in functional capacity (FC) and peripheral muscle strength (PMS) and quality of life (QoL). The objectives of this study were to compare the variables of LFS, FC, PMS and QoL of patients with different hemodialytic treatment periods and correlate these variables with total duration of HD and FC. The sample consisted of 12 patients divided into two subgroups by duration of hemodialysis treatment. We evaluated the LFS by spirometry and the manovacuometry; CF by six-minute walk time (6MWT) and sit and stand chair test; PMS of superior members by grip test and QoL by SF-36 questionnaire. Was performed t test or the Mann-Whitney test for comparison the variables of the subgroups, and Pearson’s test for correlation (n=12) between these variables. The differences were considered significant when p<0,05. There was a trend of reduction in forced expiratory volume in one second (FEV1) and forced vital capacity (FVC) in the comparison between subgroups. Moreover, spirometric variables were associated with the FC’s tests and this with some domains of QoL. Therefore, we conclude that duration of hemodialysis treatment may influence pulmonary function and FC of patients with CKD. And, the reduction of FC is linked to reduced QoL. Key words: Chronic Renal Disease, Hemodialysis, Quality of life, Pulmonary Function Tests and Physical Capacity LISTA DE ABREVIATURAS bpm batimentos por minuto CF capacidade funcional CVF capacidade vital forçada DRC doença renal crônica FC frequência cardíaca FEF 25-75 fluxo expiratório forçado entre 25% e 75% da capacidade vital HD hemodiálise IMC índice de massa corporal K/DOQI Kidney Disease Outcomes Quality Initiative KDQOL-SF Kidney Disase and Quality of Life – Short Form Kgf quilogramas força Kt/V índice de eficiência da diálise NKF National Kidney Foundation PA pressão arterial PAD pressão arterial diastólica PAS pressão arterial sistólica Pemax pressão expiratória máxima PFE pico de fluxo expiratório Pimax pressão inspiratória máxima pmp por milhão da população QV qualidade de vida TC6M teste de caminhada de seis minutos TCLE termo de consentimento livre e esclarecido TFG taxa de filtração glomerular TRS terapia renal substitutiva VEF1 volume expiratório forçado no primeiro segundo VO2 pico pico de consumo de oxigênio SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO....................................................................................... 10 1.1 DOENÇA RENAL CRÔNICA.............................................................. 10 1.2 FUNÇÃO RESPIRATÓRIA NA DOENÇA RENAL CRÔNICA............ 12 1.3 CAPACIDADE FÍSICA E FORÇA MUSCULAR NA DOENÇA RENAL CRÔNICA............................................................................... 13 1.4 QUALIDADE DE VIDA NA DOENÇA RENAL CRÔNICA.................. 14 2 OBJETIVOS.......................................................................................... 16 3 METODOLOGIA................................................................................... 17 3.1 AMOSTRA.......................................................................................... 17 3.2 CRITÉRIOS DE INCLUSÃO E EXCLUSÃO....................................... 17 3.3 PROTOCOLO DE AVALIAÇÃO.......................................................... 18 3.4 AVALIAÇÃO DA FUNÇÃO RESPIRATÓRIA..................................... 18 3.5 AVALIAÇÃO DA FORÇA MUSCULAR RESPIRATÓRIA.................. 19 3.6 AVALIAÇÃO DA FORÇA MUSCULAR PERIFÉRICA DE MEMBROS SUPERIORES E DA FORÇA MUSCULAR DE MEMBROS INFERIORES............................................................................................ 19 3.7 AVALIAÇÃO DA CAPACIDADE FUNCIONAL................................... 20 3.8 AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA............................................ 21 3.9 ANÁLISE ESTATÍSTICA..................................................................... 21 4 RESULTADOS...................................................................................... 23 5 DISCUSSÃO......................................................................................... 29 6 CONCLUSÃO....................................................................................... 32 7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.................................................... 33 APÊNDICE A............................................................................................ 37 ANEXOS................................................................................................... 39 10 1 INTRODUÇÃO 1.1 DOENÇA RENAL CRÔNICA Os rins são órgãos fundamentais para a manutenção da homeostase do corpo humano. Entre muitas funções, eles regulam o equilíbrio ácido-básico, regulam a pressão arterial e excretam produtos de degradação metabólica (GUYTON E HALL, 1998). A Doença Renal Crônica (DRC) consiste em lesão renal e perda progressiva e irreversível da função dos rins (glomerular, tubular e endócrina); e em sua fase mais avançada os rins não conseguem mais manter a normalidade do meio interno ocorrendo comprometimento sistêmico do paciente (ROMÃO JR, 2004). De acordo com o documento Kidney Disease Outcomes Quality Initiative (K/DOQI) da National Kidney Foundation (NKF), em 2002, definiu-se a DRC baseada nos seguintes critérios: • Lesão renal durante período igual ou superior a três meses, definida por anormalidades estruturais ou funcionais do rim, com ou sem diminuição da Taxa de Filtração Glomerular (TFG), manifestada por anormalidades patológicas ou marcadores de lesão renal, incluindo alterações na composição do sangue ou da urina, ou nos exames de imagem. • TFG < 60ml/min/1,73m2 durante período maior ou igual a 3 meses com ou sem lesão renal. Assim, este mesmo documento propôs a seguinte classificação para a DRC (Tabela 1): 11 Tabela 1. Estagiamento da DRC. ___________________________________________________________________ Estágio Descrição 2 FG (ml/min/1,73m ) ___________________________________________________________________ 1 Lesão renal com FG normal ou aumentada ≥ 90 2 Lesão renal com leve diminuição da FG 60-89 3 Lesão renal com moderada diminuição da FG 30-59 4 Lesão renal com acentuada diminuição da FG 15-29 5 Falência renal funcional <15 ___________________________________________________________________ DRC = Doença Renal Crônica; FG = Filtração Glomerular. Atualmente, a DRC constitui um problema importante de saúde pública. No Brasil, a incidência e a prevalência de falência da função renal estão aumentando, o prognóstico é ruim e os custos do tratamento da doença são muito altos. De acordo com o Relatório do Censo Brasileiro de Diálise de 2008 (SESSO et al., 2008), a taxa de prevalência de tratamento dialítico em março de 2008 foi de 468 pacientes por milhão da população (pmp), variando por região entre 236 pacientes pmp na região norte a 593 pacientes pmp na região sudeste. O número projetado atualmente para pacientes em tratamento dialítico e submetidos ao transplante renal no Brasil está próximo dos 120.000, a um custo de 1,4 bilhões de reais (BASTOS et al., 2010). Além disso, o número estimado de óbitos em 2007 foi de 13.338, correspondendo a uma taxa de mortalidade bruta de 15,2% em relação aos pacientes em risco durante o ano. As principais causas de óbito foram: cardiovascular (37%), cerebrovascular (10%) e infecciosa (26%). Em março de 2008, 89,4% dos pacientes em diálise crônica faziam tratamento por hemodiálise (HD) e 10,6% por diálise peritoneal (SESSO et al., 2008). De acordo com o Relatório do Censo Brasileiro de Diálise de 2008 (SESSO et al., 2008), as etiologias mais frequentes da doença renal primária foram Hipertensão Arterial (36%) e Diabetes (26%). Além disso, as comorbidades mais freqüentes encontradas nos pacientes em diálise foram: Insuficiência Cardíaca Congestiva (10,4%), Insuficiência Cardíaca Obstrutiva (8,2%), Acidente Vascular Cerebral (3,7%), Doença Vascular Periférica (5,2%), Neoplasias (1,8%) e Infecções (3,9%). A DRC, como exposto na tabela 1, é dividida em estágios sendo o último chamado de falência renal funcional. Segundo Riella (1996), é nesta fase que 12 predominam os sintomas e sinais de uremia (síndrome urêmica), indicando a necessidade de terapia renal substitutiva (TRS) que engloba a HD, diálise peritoneal e o transplante renal. Com relação aos sinais e sintomas da síndrome urêmica, podem ocorrer manifestações gastrintestinais, neurológicas, hematológicas, cardiovasculares, dermatológicas, osteomioarticulares e pleuropulmonares. Todas essas complicações; com destaque para a anemia, consequências fisiológicas de uremia e doenças coexistentes; contribuem para a diminuição da capacidade desses pacientes em realizar exercícios, a perda de massa muscular e a limitação fisiológica para exercer outras atividades como, por exemplo, as de vida diária (PAINTER et al., 2002; SIETSEMA et al., 2004; CHEN et al., 2010). Além desse conjunto de alterações, a DRC também pode ocasionar comprometimentos da função respiratória. 1.2 FUNÇÃO RESPIRATÓRIA NA DOENÇA RENAL CRÔNICA No que se refere à pacientes nos estágios pré-dialíticos, existe alteração da função respiratória, da qualidade de vida (QV) e da força da musculatura respiratória, sugerindo que os comprometimentos apresentados devem ser abordados nos estágios iniciais da doença (FARIA et al., 2008). Nos pacientes sob tratamento hemodialítico, o maior ganho de peso no período interdialítico está associado com a piora da função pulmonar. Além disso, o maior tempo deste tratamento está associado à diminuição da força muscular respiratória (KOVELIS et al., 2008). No estudo de Cury et al. (2010), foi observada redução da força muscular respiratória e da função pulmonar nos pacientes com DRC em HD se comparados à população geral. Esses autores inferiram que a força muscular é o componente respiratório mais afetado no indivíduo com DRC, tomando como base as correlações encontradas entre força muscular respiratória, parâmetros de capacidade vital forçada (CVF) e ventilação voluntária máxima. Da mesma forma, no estudo de Karacan et al. (2006) foi revelado o status da função pulmonar em pacientes renais crônicos em HD, em diálise peritoneal contínua e transplantados; mostrando que fluxo expiratório forçado entre 25% e 75% da capacidade vital (FEF 25-75) foi ligeiramente abaixo do normal nos pacientes em 13 diálise. A força muscular inspiratória e expiratória foram reduzidas em todos os grupos. Além disso, os resultados da espirometria indicaram que doenças de pequenas vias aéreas provocam aumento do volume residual e da capacidade pulmonar total (hiperinsuflação pulmonar) em pacientes em HD e diálise peritoneal. Para correlacionar o tempo total de tratamento hemodialítico com algumas variáveis clínicas (função pulmonar, força muscular respiratória e QV), Schardong et al. (2008) avaliaram 30 pacientes com DRC em tratamento de HD e observou que 13 pacientes não atingiram 80% do previsto para CVF e 15 pacientes não alcançaram 80% do previsto para o volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1). Concluíram ainda que pacientes com DRC que realizam HD apresentam diminuição na QV, bem como alteração na função pulmonar e na força dos músculos respiratórios. Entretanto, não foram encontradas correlações entre a QV, função pulmonar e força muscular respiratória com o tempo total de tratamento hemodialítico. 1.3 CAPACIDADE FÍSICA E FORÇA MUSCULAR NA DOENÇA RENAL CRÔNICA Atualmente sabe-se que, independente do curso da doença renal, a aptidão física diminui continuamente com a progressão da DRC. A redução da capacidade física nesses pacientes se caracteriza pela redução da flexibilidade, distúrbios da coordenação, diminuição da força muscular e da resistência (FUHRMANN et al., 2004). A diminuição da capacidade funcional (CF) pode ser atribuída à uremia, à anemia, à fraqueza muscular, ao sedentarismo e à desnutrição, entre outros (PAINTER, 2005). Existem variáveis que são identificadas como fatores preditivos de mortalidade em pacientes no estágio cinco da DRC. Estas incluem fatores laboratoriais e antropométricos, refletindo o estado nutricional, a presença de inflamação crônica, ônus das comorbidades e função cardiovascular (SIETSEMA et al., 2004). Além disso, os fatores periféricos são parcialmente responsáveis pela baixa tolerância ao exercício comumente relatada pelos pacientes em HD (HEADLEY et al., 2002; FAHAL et al., 1997). Diesel et al. (1990) mostraram forte correlação entre os índices de força 14 muscular periférica e capacidade de exercício, porém não encontraram correlação entre as variáveis que refletem a capacidade de transporte de oxigênio (níveis de hemoglobina e hematócrito) e a capacidade ao exercício em pacientes com doença renal terminal. De acordo com a revisão sistemática de Leal et al. (2010), apesar da força de preensão palmar ser considerada um método simples e confiável para avaliar função muscular, e indiretamente o estado nutricional, ainda não há consenso sobre seu uso em pacientes dialíticos. Além disso, ainda é necessário padronizar as técnicas com o uso da preensão palmar, quanto ao posicionamento, período de avaliação e escolha do membro superior a ser avaliado. Vários tipos de testes podem ser utilizados para avaliar a CF. O teste de caminhada de seis minutos (TC6M), segundo a American Thoracic Society (2002), é um método prático, simples, de fácil administração, bem tolerado, de baixo custo, além de ser representativo das atividades de vida diária quando comparado a outros testes. Reboredo et al. (2007) encontraram forte correlação entre a distância obtida no TC6M e o pico de consumo de oxigênio (VO2 pico), sugerindo o TC6M como alternativa simples e barata para avaliação da CF de pacientes portadores de DRC em tratamento hemodialítico. Cury et al. (2010) avaliaram a função pulmonar e a CF, por meio do TC6M, em pacientes com DRC em HD e pacientes pós-transplantados renais. Concluíram que a CF apresenta valor inferior ao da população em geral; sendo que os pacientes em HD possuem um maior comprometimento da função muscular respiratória quando comparados aos transplantados renais. Além das alterações físicas e fisiológicas, a QV também pode apresentar alterações importantes nos pacientes com DRC submetidos à HD. 1.4 QUALIDADE DE VIDA NA DOENÇA RENAL CRÔNICA Nas últimas décadas, a abordagem da QV do ser humano tem adquirido cada vez mais importância no mundo científico. Uma definição muito utilizada para a QV é a descrita por Calman (1984), que diz que a QV significa a diferença entre o que é desejado na vida do indivíduo e o que é alcançado ou alcançável. Esta definição é um 15 conceito abstrato útil, porém é muito amplo para ter qualquer aplicação prática. Além disso, aquilo que é desejado na vida por um indivíduo pode ser bem diferente do que é importante para outro indivíduo. Em diversas situações clínicas, é necessário mensurar o efeito da doença de forma que pacientes e tratamentos possam ser comparados. Por esta razão, a mensuração do bem estar e da qualidade da saúde devem ser padronizados de forma que todos os indivíduos sejam avaliados da mesma maneira. A QV relacionada à saúde tem grande importância clínica e avaliá-la revela como a DRC afeta a vida dos pacientes (PERLMAN et al., 2005). Muitos estudos (CHOW et al., 2003; GORODESTSKAYA et al., 2005; PERLMAN et al., 2005; SCHARDONG et al., 2008; FARIA et al., 2008) apontam para uma diminuição da QV em pacientes renais crônicos quando comparados à população geral. Neste sentido, Perlman et al. (2005) compararam a QV de indivíduos saudáveis (grupo controle) com a de pacientes antes e após o início do tratamento dialítico. Esses autores confirmaram a redução da QV em pacientes com DRC e encontraram menor comprometimento da QV em pacientes em tratamento conservador quando comparados aos submetidos à HD. Vários fatores como a anemia, a modalidade da diálise, a associação com comorbidades, o diabetes melitus, a depressão e o sedentarismo, estão relacionados com a piora da QV nestes pacientes (GORODESTSKAYA et al., 2005; VALDERRÁBANO et al., 2001). Diante do exposto e devido à carência de estudos relacionados, considera-se a relevância de avaliar a função respiratória, a capacidade física e a QV de pacientes com DRC; pela redução destas variáveis nesta população e também pela correlação destas com tempo de HD. Além disso, estas informações serão de grande valia para futuras intervenções nestes pacientes, como elaboração de protocolos de tratamento que abordem o treinamento físico como estratégia para melhoria da capacidade física, pulmonar e de QV nestes pacientes. 16 2 OBJETIVOS 1 – Comparar as variáveis de função respiratória, capacidade funcional, força muscular periférica e qualidade de vida de pacientes com diferentes tempos de tratamento hemodialítico no Serviço de Nefrologia do Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora. 2 – Correlacionar as variáveis avaliadas com o tempo de hemodiálise e capacidade funcional. 17 3 METODOLOGIA 3.1 AMOSTRA O presente estudo é do tipo transversal e a amostra foi constituída de pacientes portadores de DRC submetidos à HD no Serviço de Nefrologia do Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora, três vezes por semana, totalizando 12 horas semanais. Após concordarem com o estudo todos os pacientes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) (Apêndice A). O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa – CEP-HU/CAS da UFJF, sob o Parecer nº 015/2011(Anexo 1). 3.2 CRITÉRIOS DE INCLUSÃO E EXCLUSÃO Foram selecionados pacientes em tratamento dialítico por no mínimo três meses, com idade igual ou superior a 18 anos, de ambos os sexos e de todas as raças e que assinaram o TCLE. Os critérios de exclusão foram doenças respiratórias crônicas, doenças crônicas do sistema musculoesquelético, déficit cognitivo, angina instável, infarto agudo do miocárdio no mês anterior, frequência cardíaca (FC) de repouso maior que 120 batimentos por minuto (bpm), pressão arterial sistólica (PAS) maior que 180 mmHg e diastólica (PAD) superior a 100 mmHg. 18 3.3 PROTOCOLO DE AVALIAÇÃO A anamnese dos pacientes ocorreu por um mesmo avaliador, no período intradialítico através do preenchimento de uma ficha (Anexo 2) da qual extraiu-se idade, altura, índice de massa corporal (IMC), etiologia da DRC, hábitos de vida e comorbidades. Os dados laboratoriais foram obtidos dos prontuários dos pacientes. Entre estes o Kt/V é um índice utilizado para quantificar a adequação do tratamento hemodialítico e sua eficiência. 3.4 AVALIAÇÃO DA FUNÇÃO RESPIRATÓRIA A função respiratória foi avaliada no período interdialítico por meio da espirometria forçada. Foi escolhida a manobra de CVF para mensurá-la, obtendo os valores de CVF, VEF1, pico de fluxo expiratório (PFE) e FEF 25-75. Foi utilizado o espirômetro Vitalograph Alpha (Vitalograph Ltd; Buckingham, Inglaterra) utilizando os valores preditos para a população brasileira de acordo com a padronização recomendada pela Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (PEREIRA, 2002). Para realização da CVF os pacientes foram orientados a realizar alguns ciclos basais da respiração, inspirar completa e profundamente e em seguida fazer uma expiração máxima forçada por pelo menos seis segundos. Para a aceitação do teste, os dois maiores valores do VEF1 e da CVF diferiram menos de 0,5 L e a diferença entre os valores de PFE foi menor que 10% ou 0,5 L (PEREIRA, 2002). 19 3.5 AVALIAÇÃO DA FORÇA MUSCULAR RESPIRATÓRIA A força muscular respiratória também foi avaliada no período interdialítico por meio da manovacuometria na qual foi utilizado o manovacuômetro computadorizado (EMG System do Brasil, Ltda., São Paulo, Brasil), modelo EMG_ECG_1. Todos os pacientes realizaram a manobra utilizando o mesmo modelo de bocal e clipe nasal, orientados pelo mesmo avaliador. Foram realizadas no máximo quatro manobras de pressão inspiratória máxima (Pimax) bem como de pressão expiratória máxima (Pemax) para que não houvesse fadiga da musculatura. Para a obtenção da Pimax o paciente recebeu comandos verbais para realizar uma expiração completa e em seguida uma inspiração máxima mantida no bocal. Para a Pemax o paciente inspirou profundamente e, com as mãos nas bochechas, realizou uma expiração máxima sustentada no bocal. Considerou-se um platô de um segundo para seleção dos valores, a unidade mensurada foi em cmH2O e o valor selecionado foi o maior encontrado na análise de três medidas com variação menor que 10% entre elas (NEDER et al., 1999). 3.6 AVALIAÇÃO DA FORÇA MUSCULAR PERIFÉRICA MEMBROS SUPERIORES E DA FORÇA MUSCULAR DE MEMBROS INFEIRORES A força de preensão palmar (Handgrip) foi medida no período interdialítico com o Dinamômetro Manual JAMAR (Sammons Preston, INC. Boling Brook, IL 604404989). Todos os pacientes foram avaliados no mesmo local, por um mesmo avaliador e numa cadeira padronizada que facilitou o posicionamento dos mesmos. Os pacientes foram orientados a apoiar os pés no chão, recostar na cadeira e colocar o membro superior que não possui a fístula arteriovenosa no apoio de braço da cadeira. Assim, o antebraço se manteve a 90º e o punho em posição neutra. Além disso, os pacientes foram orientados a não desencostar o antebraço e as costas da cadeira durante a manobra. Foi pedido então que realizassem a preensão palmar com o máximo de força possível no início da manobra. Foram realizadas três medições com 20 intervalo de dois minutos entre elas e escolhida a de maior valor. Os resultados foram mensurados em quilogramas força (Kgf). Dentre os testes avaliam força muscular de membros inferiores destaca-se a mensuração da ação funcional de levantar-se de uma cadeira (teste de sentar e levantar), que exige força e potência muscular de membros inferiores e tem sido utilizada em diferentes abordagens (CAMARA et al., 2008; CSUKA E McCARTY, 1985; LUSARDI et al., 2003; ROGERS et al., 2003). Na primeira etapa os pacientes foram posicionados numa cadeira padronizada, sendo que o encosto foi colocado contra a parede para garantir estabilidade. Também foram orientados a apoiar os pés no chão, manter a respiração e os membros superiores cruzados na altura do peito para que qualquer compensação fosse eliminada. Assim, foi dado o comando para que se levantassem e sentassem 10 vezes o mais rápido possível. Um cronômetro foi utilizado para avaliar o tempo (em segundos) necessário para completar as 10 repetições. Na segunda etapa, partindo do mesmo posicionamento, foi solicitado aos pacientes que repetissem o ciclo de levantar-se e sentar-se quantas vezes possível durante um minuto. O valor predito para o tempo para realizar 10 repetições foi calculado de acordo com a idade usando a fórmula desenvolvida por Csuka e McCarty (1985). 3.7 AVALIAÇÃO DA CAPACIDADE FUNCIONAL A avaliação da CF foi feita no período interdialítico, por um mesmo avaliador por meio do TC6M e do teste de sentar e levantar. No TC6M, o paciente foi orientado a caminhar o máximo que ele conseguisse, durante seis minutos, em uma pista plana de 18 metros, sendo registrada a distância obtida em metros. Durante o teste o paciente pôde diminuir a intensidade, parar e descansar se necessário, mas sem interrupção da contagem do tempo. Se ele parasse para descanso, seria motivado a retornar o mais breve possível. Não foi permitida corrida ou marcha a meio trote. O avaliador deu estímulos verbais a cada minuto e verificou a ocorrência de sinais e sintomas para a interrupção do mesmo. O teste seria interrompido se o paciente apresentasse dor torácica, dispneia intolerável, cãibras, palidez ou vertigem. Antes da 21 sua realização, o paciente permaneceu sentado por cinco minutos, para posterior aferição da pressão arterial (PA). Caso o paciente apresentasse valores elevados de PAS (> 180 mmHg) e/ou PAD (> 110 mmHg) o teste não seria realizado. No fim da avaliação foram medidas a PA, FC e percepção do esforço através da escala de Borg (Anexo 4) (AMERICAN THORACIC SOCIETY, 2002). 3.8 AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA Para a avaliação da QV foi utilizado o questionário SF-36 (Anexo 3). A entrevista para a aplicação do questionário foi realizada no período intradialítico e por um mesmo avaliador que leu em voz alta as questões para os pacientes e marcou as alternativas. O questionário SF-36 é composto por 36 itens que avaliam as seguintes dimensões: capacidade funcional (desempenho das atividades diárias, como capacidade de cuidar de si, caminhar e subir escadas), aspectos físicos (impacto da saúde física no desempenho das atividades diárias e ou profissionais), dor (nível de dor e sua interferência no desempenho das atividades diárias e ou profissionais), estado geral de saúde (percepção subjetiva do estado geral de saúde), vitalidade (percepção subjetiva do estado de saúde), aspectos sociais (reflexo da condição de saúde física e emocional nas atividades sociais), aspectos emocionais (impacto das condições emocionais no desempenho das atividades diárias e/ou profissionais) e saúde mental (escala de humor e bem estar). Para cada uma das oito dimensões obtém-se um escore com valores de zero (mais comprometido) a 100 (nenhum comprometimento) (CICONELLI et al., 1999). 3.9 ANÁLISE ESTATÍSTICA Os dados foram avaliados para normalidade com o teste de KolmogorovSmirnov com correção de Lilliefors e para igualdade de variâncias com o teste de 22 mediana de Levene. De acordo com o resultado do teste de normalidade, foi realizado o teste t ou o teste de Mann-Whitney para comparação das variáveis dos subgrupos. O coeficiente de correlação de Pearson foi utilizado para avaliar a associação entre variáveis. O programa SigmaStat (versão 3.11, Systat Software, Inc., San Jose, CA, EUA) foi utilizado para análise estatística e as diferenças foram consideradas significativas quando p<0,05. 23 3 RESULTADOS De um total de 17 pacientes recrutados no Setor de HD, cinco foram excluídos por não completarem as avaliações. Desta forma, a amostra do estudo foi composta por 12 pacientes adultos com DRC submetidos ao tratamento hemodialítico. Estes foram divididos por tempo de tratamento de HD em dois subgrupos distintos. O subgrupo A (n= 7) foi caracterizado pelo tempo de tratamento hemodialítico entre três meses a seis anos, enquanto o subgrupo B (n= 5) por tempo superior a seis anos de tratamento. Os subgrupos analisados apresentaram características demográficas e clínicas semelhantes com exceção do tempo de HD (Tabela 2). Os dados laboratoriais dos subgrupos avaliados também apresentaram resultados similares (Tabela 3). Não houve diferença significativa entre os resultados dos dois subgrupos em relação à qualidade de vida, força muscular respiratória, força de preensão palmar, teste de sentar e levantar e distância percorrida no TC6M (Tabela 4). O subgrupo B apresentou tendência de redução do VEF1 em porcentagem do predito em relação ao subgrupo A (p = 0,056). Além disso, o número de pacientes com alterações significativas na espirometria (moderada a grave) foi maior no subgrupo B. Foi observado que dos sete pacientes do subgrupo A, dois não apresentaram distúrbio ventilatório, três apresentaram distúrbio restritivo leve, um teve distúrbio obstrutivo leve e um apresentou distúrbio combinado. Entre os cinco pacientes do subgrupo B, quatro apresentaram distúrbio restritivo (dois classificados como leve, um moderado e um grave) e um apresentou distúrbio obstrutivo leve. A correlação do tempo de hemodiálise com as outras variáveis está representada na Tabela 5. Houve correlação negativa estatisticamente significativa do tempo em tratamento hemodialítico com a CVF e com o VEF1. Na Tabela 6 está expressa a correlação da distância percorrida no TC6M com outras variáveis. Houve correlação estatisticamente significativa da distância percorrida no TC6M com a CVF, com a primeira etapa do teste de sentar e levantar, com a força de preensão palmar e com os domínios aspectos físicos, vitalidade, aspectos emocionais e saúde mental do SF-36. 24 Foi observada correlação estatisticamente significativa da primeira etapa do teste de sentar e levantar com CVF (ρ= -0,675; p= 0,016), VEF1 (ρ= -0,617; p= 0,032), domínios de qualidade de vida, CF (ρ= -0,685; p= 0,014), vitalidade (ρ= -0,747; p= 0,005) e aspectos emocionais (ρ= -0,742; p= 0,005). Além disso, a força de preensão palmar correlacionou-se com os domínios vitalidade (ρ= 0,605; p= 0,037), aspectos emocionais (ρ= 0,761; p= 0,004) e saúde mental (ρ= 0,588; p= 0,044). Tabela 2 – Características demográficas e clínicas dos pacientes Características Total Subgrupo A Subgrupo B (subgrupos A e B) (n= 7) (n=5) 51,08 ± 15,72 52,29 ± 18,48 49,4 ± 12,7 6/6 4/3 2/3 IMC 24,2 ± 5,02 24,7 ± 5,23 23,4 ± 5,2 Tempo de HD (anos) 5,72 ± 4,66 2,26 ± 1,22* 10,57 ± 2,66* Kt/V 1,51 ± 0,19 1,51 ± 0,22 1,50 ± 0,19 Glomerulonefrite Crônica 4 (33,33%) 1 (14,28%) 3 (60%) Nefropatia Diabética 2 (16,66%) 2 (28,57%) 0 (0%) Amiloidose Renal 2 (16,66%) 2 (28,57%) 0 (0%) Outras 4 (33,33%) 2 (28,57%) 2 (40%) 12 (100%) 7 (100%) 5 (100%) 3 (25%) 3 (42,85%) 0 (0%) (n= 12) Idade Sexo (masculino/feminino) Etiologia da DRC, pacientes (%) Comorbidades, pacientes (%) Hipertensão Arterial Diabetes Melitus Sistêmica Nota: Valores expressos em média e desvio padrão. * representa p<0,05 IMC= índice de massa corporal. Kt/V = índice de eficácia da diálise, DRC= doença renal crônica 25 Tabela 3 – Diferenças entre os grupos referentes aos dados laboratoriais Dados Laboratoriais Total Subgrupo A Subgrupo B (subgrupos A e B) (n=7) (n=5) (n=12) Hemoglobina 10,94 ± 1,46 10,59 ± 1,19 11,41 ± 1,80 Hematócrito 33,38 ± 4,65 32,21 ± 3,89 35,02 ± 5,58 Ferro 78,83 ± 7,91 73,85 ± 41,57 85,80 ± 7,91 611,18 ± 391,04 533,31 ± 720,18 ± 474,77 Ferritina 336,29 Creatinina 12,69 ± 4,11 11,79 ± 3,42 13,94 ± 5,06 Fósforo 5,94 ± 2,24 6,46 ± 2,55 5,20 ± 1,70 Potássio 5,13 ± 0,44 5,27 ± 0,44 4,94 ± 0,40 Cálcio 8,95 ± 0,62 8,95 ± 0,77 8,94 ± 0,39 Ácido Úrico 4,92 ± 1,04 4,54 ± 1,07 5,44 ± 0,82 PCR 1,12 ± 0,25 1,07 ± 0,25 1,17 ± 0,28 PTH 671,83 ± 510,41 860,90 ± 407,14 ± 528,34 437,54 Colesterol 165,00 ± 33,60 159,14 ± 21,35 173,20 ± 47,72 Nota: valores expressos em média e desvio padrão. PCR= proteína C-Reativa. PTH= paratormônio. 26 Tabela 4 – Resultados da comparação entre os grupos Variáveis Total Subgrupo A Subgrupo B (subgrupos A e B) (n=7) (n=5) (n=12) Espirometria CVF (% pred) 76,57 ± 21,28 84,83 ± 15,16 65,01 ± 24,69 VEF1 (% pred) 75,50 ± 17,91 83,67 ± 13,87 64,05 ± 17,69 VEF1/CVF 81,91 ± 12,01 80,28 ± 9,03 84,2 ± 16,23 FEF 25-75 (% pred) 72,52 ± 36,76 73,24 ± 40,53 71,52 ± 36,76 PFE (% pred) 47,33 ± 18,28 44,81 ± 20,77 50,85 ± 15,65 Pimax (% pred) 94,61 ± 38,56 82,72 ± 19,73 111,25 ± 53,97 Pemax (% pred) 95,61 ± 30,95 104,36 ± 30,48 95,61 ± 30,95 62,40 ± 12,52 66,87 ± 10,74 56,15 ± 13,19 10 repetições/tempo (% pred) 49,09 ± 9,29 51,42 ± 10,4 45,83 ± 7,25 N° de repetições em 60 s 21,66 ± 4,55 21 ± 5,35 22,6 ± 3,50 Força de preensão palmar (Kgf) 31,66 ± 10,57 33,14 ± 9,00 29,60 ± 13,29 Capacidade Funcional 68,66 ± 21,28 67 ± 27,13 71 ± 11,40 Aspectos Físicos 43,75 ± 40,06 50 ± 40,82 35 ± 41,83 Dor 57,75 ± 29,16 62,85 ± 28,09 50,6 ± 32,33 51 ± 20,18 45,28 ± 20,83 59 ± 18,23 Vitalidade 55,83 ± 22,34 58,57 ± 24,95 52 ± 20,18 Aspectos Sociais 60,41 ± 30,07 51,78 ± 30,12 72,5 ± 28,50 Aspectos Emocionais 49,91 ± 48,18 52,28 ± 50,36 46,6 ± 50,57 Saúde Mental 68,66 ± 24,58 66,85 ± 25,89 71,2 ± 25,36 Manovacuometria TC6M (% pred) Teste Sentar e Levantar Domínios do SF-36 Estado Geral de Saúde Nota: valores expressos em média e desvio padrão. (% pred) = porcentagem do predito. Kgf= quilogramas força. Pimax= pressão inspiratória máxima. Pemax= pressão expiratória máxima. N°= número. s= segundos. TC6M= teste de caminhada de seis minutos. CVF= capacidade vital forçada. VEF1= volume expiratório forçado no primeiro segundo. FEF 25-75= fluxo expiratório forçado em 25% a 75% da CVF. PFE= pico de fluxo expiratório. 27 Tabela 5 – Correlação do tempo de hemodiálise com outras variáveis Tempo de Hemodiálise (n= 12) ρ = -0,507 p= 0,092 CVF (% pred) ρ = -0,618 p= 0,032* VEF1 (% pred) ρ = -0,675 p= 0,016* VEF1/CVF (% pred) ρ = 0,296 p= 0,350 FEF 25-75 (% pred) ρ = 0,008 p= 0,978 PFE (% pred) ρ = -0,115 p= 0,698 Pimax (% pred) ρ = 0,551 p= 0,0631 Pemax (% pred) ρ = - 0,271 p= 0,394 ρ = 0,267 p= 0,401 N° de repetições em 60 s ρ = 0,136 p= 0,674 Força de preensão palmar ρ = -0,358 p= 0,253 Capacidade Funcional ρ = 0,073 p= 0,821 Aspectos Físicos ρ = -0,251 p= 0,432 Dor ρ = -0,210 p= 0,512 Estado Geral de Saúde ρ = 0,304 p= 0,336 Vitalidade ρ = -0,226 p= 0,480 Aspectos Sociais ρ = 0,197 p= 0,539 Aspectos Emocionais ρ = -0,184 p= 0,568 Saúde Mental ρ = -0,100 p= 0,757 TC6M (% pred) Espirometria Manovacuometria Teste Sentar e Levantar 10 repetições/tempo (% pred) (Kgf) Domínios do SF-36 Nota: valores expressos em média e desvio padrão. (% pred) = porcentagem do predito. Kgf= quilogramas força * representa p<0,05. Pimax= pressão inspiratória máxima. Pemax= pressão expiratória máxima. N°= número. s= segundos. TC6M= teste de caminhada de seis minutos. CVF= capacidade vital forçada. VEF1= volume expiratório forçado no primeiro segundo. FEF 25-75= fluxo expiratório forçado em 25% a 75% da CVF. PFE= pico de fluxo expiratório. 28 Tabela 6 – Correlação da distância percorrida no TC6M com outras variáveis Distância percorrida no TC6M (n=12) Tempo de hemodiálise ρ = -0,507 p= 0,092 CVF (% pred) ρ = 0,601 p= 0,038* VEF1 (% pred) ρ = 0,552 p= 0,062 VEF1/CVF (% pred) ρ = -0,463 p= 0,129 FEF 25-75 (% pred) ρ = 0,115 p= 0,721 PFE (% pred) ρ = 0,045 p= 0,888 Pimax (% pred) ρ = -0,480 p= 0,114 Pemax (% pred) ρ = 0,220 p= 0,493 ρ = -0,832 p= 0,0007* N° de repetições em 60 s ρ = 0,545 p= 0,066 Força de preensão palmar ρ = 0,600 p= 0,039* Capacidade Funcional ρ = 0,573 p= 0,051 Aspectos Físicos ρ = 0,616 p= 0,032* Dor ρ = 0,521 p= 0,082 Estado Geral de Saúde ρ = 0,183 p= 0,569 Vitalidade ρ = 0,777 p= 0,003* Aspectos Sociais ρ = 0,409 p= 0,186 Aspectos Emocionais ρ = 0,805 p= 0,001* Saúde Mental ρ = 0,573 p= 0,005* Espirometria Manovacuometria Teste Sentar e Levantar 10 repetições/tempo (% pred) (Kgf) Domínios do SF-36 Nota: valores expressos em média e desvio padrão. (% pred) = porcentagem do predito. Kgf= quilogramas força * representa p<0,05. Pimax= pressão inspiratória máxima. Pemax= pressão expiratória máxima. N°= número. s= segundos. TC6M= teste de caminhada de seis minutos. CVF= capacidade vital forçada. VEF1= volume expiratório forçado no primeiro segundo. FEF 25-75= fluxo expiratório forçado em 25% a 75% da CVF. PFE= pico de fluxo expiratório. 29 4 DISCUSSÃO Este estudo demonstrou tendência à redução do VEF1 em pacientes com maior tempo de HD e correlação negativa entre o tempo de HD e as varáveis de função pulmonar (CVF e VEF1). Apesar de excluir pacientes com doença respiratória diagnosticada, não possível eliminar pacientes tabagistas e ex-tabagistas. Sendo o tabagismo um fator que influencia na função pulmonar, foi quantificada a carga tabágica dos dois subgrupos. Verificou-se que o subgrupo B apresentou menor carga tabágica em relação ao subgrupo A (subgrupo A: três pacientes nunca fumaram, um paciente apresentava carga tabágica de 15 anos-maço e três pacientes 30 anosmaço/ subgrupo B: quatro pacientes nunca fumaram e um apresentava carga tabágica menor que cinco anos-maço). Entretanto, o subgrupo B foi o que apresentou pior função pulmonar em relação ao subgrupo A, sugerindo que o tempo em tratamento hemodialítico foi determinante para piora da função pulmonar do subgrupo B. Além disso, foi observado que os subgrupos apresentaram semelhança em relação às características clínicas e dados laboratoriais. Desta forma, estas características não devem ter influenciado os resultados obtidos. Atualmente sabe-se que pacientes com DRC e submetidos ao tratamento hemodialítico apresentam diminuição da força muscular respiratória e da função pulmonar com o passar dos anos quando comparados à população em geral (KOVELIS et al., 2008; CURY et al., 2010). No presente estudo, encontramos relação entre o tempo de HD e a função pulmonar (CVF e VEF1) sendo que estas duas variáveis se associaram com a primeira etapa do teste de sentar e levantar (tempo gasto para realizar 10 repetições). Ou seja, quanto maior a força muscular de membros inferiores melhor a função pulmonar destes pacientes. Em relação à força muscular respiratória, nosso estudo não encontrou diferença entre Pimax e Pemax nos dois subgrupos avaliados, nem correlação entre estas variáveis e o tempo de HD. Estes resultados corroboram aqueles demonstrados por Schardong et al. (2008) que avaliaram as pressões respiratórias utilizando um manovacuômetro digital. Portanto, a força muscular respiratória encontra-se diminuída neste pacientes, mas não se relaciona com o tempo de HD. Este fato pode estar relacionado ao comprometimento 30 muscular prévio apresentado pelos pacientes (KARACAN et al., 2006; BARK et al., 1988). Neste estudo, a distância percorrida no TC6M se correlacionou com a força de preensão palmar, com o tempo gasto para realizar 10 repetições no teste de sentar e levantar, com a função pulmonar (CVF) e com domínios aspectos físicos, vitalidade, aspectos emocionais e saúde mental do questionário SF-36. Isto significa que quanto maior a distância percorrida no TC6M, maior sua força de preensão palmar, maior a força muscular de membros inferiores, melhor sua função pulmonar e maior sua pontuação no SF-36 demonstrando melhor QV. Em contrapartida, não foram encontrados trabalhos que correlacionassem CF com estas variáveis em pacientes com DRC. Nos resultados apresentados a CF não foi diferente entre os subgrupos A e B. No subgrupo A, somente dois dos sete pacientes praticavam atividade física regular por, pelo menos, 30 minutos, e no subgrupo B, dois dos cinco pacientes atingiram esse critério de atividade física. Os demais pacientes eram sedentários. A redução do nível de atividade física é um dos fatores que ocasionam redução da CF, demonstrada pela diminuição dos valores da distância percorrida no TC6M para aproximadamente 60% do predito com impacto na QV do paciente. Em relação à força muscular de membros inferiores, também sabemos que se encontra reduzida em pacientes com DRC e que os fatores periféricos são parcialmente responsáveis pela baixa tolerância ao exercício comumente relatada pelos pacientes em HD (HEADLEY et al., 2002; FAHAL et al., 1997; DIESEL et al., 1990). Nossos resultados mostraram que não houve diferença significativa quando comparamos o teste de sentar e levantar, em ambas as etapas, entre os dois subgrupos de tratamento hemodialítico. Por outro lado, podemos constatar que os resultados do teste de sentar e levantar e do TC6M nos dois subgrupos foram abaixo de 70% do predito, sugerindo redução da força muscular de membros inferiores e da CF nos pacientes. Além disso, houve ótima correlação negativa do tempo gasto para realizar 10 repetições com a distância percorrida no TC6M, ou seja, quanto maior sua CF menor o tempo gasto para realizar as 10 repetições. Isto sugere que o teste de sentar e levantar também pode ser indicador da capacidade física dos indivíduos com DRC. Um parâmetro ainda pouco estudado na DRC é a força de preensão palmar. Sendo assim, tornamo-nos limitados em confrontar nossos achados com os de outros pesquisadores. Nossos resultados mostraram que não houve diferença entre os 31 diferentes tempos de HD e a força de preensão palmar; e não encontramos correlação desta com o tempo total de HD. Sabe-se que pacientes portadores de DRC apresentam redução da QV e da CF quando comparados à uma população saudável (FARIA et al., 2008; SCHARDONG et al., 2008; PERLMAN et al., 2005; GORODESTSKAYA et al., 2005 e CHOW et al., 2003). Neste sentido, Perlman et al. (2005) avaliaram a QV de pacientes em diferentes estágios da DRC através do SF-36, e seus resultados mostraram que houve redução da QV nesses pacientes em relação aos saudáveis. Além disso, os pacientes em tratamento conservador da DRC apresentaram menor comprometimento da QV que os pacientes submetidos à HD. Schardong et al. (2008) encontraram redução da QV em uma amostra de 30 pacientes renais crônicos sob tratamento hemodialítico utilizando o questionário Kidney Disase and Quality of Life – Short Form (KDQOL-SF) que apresenta 43 questões sobre DRC além das já apresentadas no SF-36. Em nosso estudo, não houve diferença significativa da QV na comparação entre dois subgrupos com tempos diferentes de tratamento hemodialítico. Da mesma forma, Schardong et al. (2008) não encontraram correlação da duração total do tratamento hemodialítico com a QV dos pacientes com DRC. Este foi um estudo piloto cuja principal limitação foi o número reduzido de pacientes. Apesar da divisão dos subgrupos pelo tempo de HD (três meses a 6 anos vs. acima de 6 anos), a distribuição dos paciente nos subgrupos foi heterogênea. No subgrupo A, o paciente com maior tempo de HD apresentava 4,17 anos de tratamento. Neste subgrupo, cinco pacientes apresentavam menos de 3 anos de HD, e no subgrupo B, o paciente com menor tempo de diálise apresentou 8,17 anos de tratamento. Finalmente, podemos propor que abordagens precoces em pacientes com DRC submetidos à HD, provavelmente, podem evitar alterações de funcionalidade e de QV. 32 5 CONCLUSÃO Neste estudo piloto, o tempo de tratamento hemodialítico está relacionado à piora da função pulmonar que por sua vez se associou à capacidade funcional. A redução da CF pode gerar redução da qualidade de vida dos pacientes. Sugere-se que os fatores que desencadeiam estas alterações sejam abordados na fase inicial do tratamento hemodialítico. 33 6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AMERICAN THORACIC SOCIETY. 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SCHARDONG TJ, LUKRAFKA JL, GARCIA VD. Avaliação da Função Pulmonar e da Qualidade de Vida em Pacientes com DRC. J Bras Nefrol. 2008; 30(1):40-7. SESSO R, LOPES, AA, THOMÉ AS, BEVILACQUA, JL, ROMÃO JUNIOR JE, LUGON JR. Relatório do Censo Brasileiro de Diálise, 2008. J Bras Nefrol. 2008. SHUBERT TE, SCHRODT LA, MERCER VS, BUSBY-WHITEHEAD J, GIULIANI CA. Are scores on balance screening tests associated with mobility in older adults? J Geriatr Phys Ther. 2006; 29 (1):33-9. SIETSEMA KE, HIATT WR, ESLER A, ADLER S, AMATO A, BRASS EP. Clinical and demographic of exercise capacity in end-stage renal disease. Am J Kidney Dis. 2002; 39(1):76-85. SIETSEMA KE, AMATO A, ADLER SG, BRASS EP. Exercise capacity a predictor of survival among ambulatory patients with end stage renal disease. Kidney Int. 2004; 65:719-24. VALDERRÁBANO F.; JOFRE, R.; LÓPEZ-GÓMEZ. J.M. Quality of life in end-estage renal disease patients. Am J Kidney Dis. 2001; 38(3)443-64. 37 APÊNDICE A UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA COMITÊ DE ÉTICA EM PESQUISA – CEP HU/UFJF JUIZ DE FORA – MG – BRASIL NOME DO SERVIÇO DO PESQUISADOR: SERVIÇO DE FISIOTERAPIA – HU/CAS/UFJF. PESQUISADOR RESPONSÁVEL: LEANDRO FERRACINI CABRAL ENDEREÇO: RUA FRANCISCO VAZ DE MAGALHÃES N.358/301 - CASCATINHA CEP: 36.033 –340 JUIZ DE FORA/ MG. FONE: (32) 8808-1253. E-MAIL: [email protected] TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO O Sr. (a) está sendo convidado (a) como voluntário (a) a participar da pesquisa “Avaliação da função respiratória, capacidade funcional e qualidade de vida de pacientes em hemodiálise” realizada pelos Professores Leandro Ferracini Cabral e Maycon de Moura Reboredo e a pela aluna Ana Clara Cattete Bainha – Graduanda em Fisioterapia pela UFJF . Neste estudo, pretendemos avaliar a função respiratória, a capacidade de andar durante 6 minutos num corredor (capacidade funcional), a força muscular e a qualidade de vida. O motivo que nos leva a esse estudo o fato de que os portadores da Doença Renal Crônica apresentam alteração na função respiratória, na capacidade funcional, na qualidade de vida e na força muscular. Entretanto, os efeitos da hemodiálise nestes parâmetros precisam ser melhor compreendidos. Para realização destas avaliações, adotaremos os seguintes procedimentos: 1) Realização da Prova de Função Pulmonar, que consiste em puxar e soltar o ar através de um aparelho que tem um bocal e estará ligado a um computador. 2) Realização da manobra de Ventilação Voluntária Máxima (VVM), que consiste em puxar e soltar o ar, o mais rápido e profundamente possível, através de um bocal. 3) Realização da Manovacuometria, que consiste em puxar e soltar o ar com toda a força através de um bocal. Assim, vamos avaliar a força da musculatura respiratória. 4) Realização de um exercício de caminhada ao longo de um corredor plano durante seis minutos. Durante a realização desta etapa, você poderá parar para descansar quando for necessário. Durante o teste, a freqüência cardíaca e a pressão arterial serão medidas. 5) Avaliação da força muscular do braço e da perna: você terá que contrair o máximo possível os músculos solicitados. 6) Responder a um questionário de qualidade de vida que tem 36 questões. 1- RISCOS E BENEFÍCIOS: A realização de exercício representa o único fator de risco para os participantes desta pesquisa. Durante a realização do teste para avaliação da capacidade funcional, os pacientes poderão apresentar falta de ar e cansaço, porém, estes sintomas são transitórios e revertidos logo após a interrupção do exercício. Esta pesquisa apresenta poucos riscos aos indivíduos. Se você tiver algum problema de saúde em decorrência deste estudo, receberá atendimento imediato no local da avaliação sob responsabilidade 38 dos pesquisadores e o custo deste tratamento será inteiramente proporcionado pelo Hospital Universitário da UFJF. 2- RESSARCIMENTO: Para participar deste estudo, você não terá nenhum custo nem receberá qualquer vantagem financeira. Você será esclarecido (a) sobre o estudo em qualquer aspecto que desejar e estará livre para participar ou recusar-se a participar. Poderá retirar seu consentimento ou interromper a participação a qualquer momento. A sua participação é voluntária e a recusa em participar não acarretará qualquer penalidade ou modificação na forma em que é atendido pelas pesquisadoras. Os pesquisadores irão tratar a sua identidade com padrões profissionais de sigilo. Os resultados da pesquisa estarão à sua disposição quando finalizada. Seu nome ou o material que indique sua participação não será liberado sem a sua permissão. O(A) Sr.(a) não será identificado em nenhuma publicação que possa resultar deste estudo. Este termo de consentimento encontra-se impresso em duas vias, sendo que uma cópia será arquivada pelo pesquisador responsável, no Centro de Atenção à Saúde (CAS/HU/UFJF) e a outra será fornecida a você. Eu, ____________________________________________, portador do documento de Identidade ____________________ fui informado (a) dos objetivos do estudo “Avaliação da função respiratória, capacidade funcional e qualidade de vida de pacientes em hemodiálise”, de maneira clara e detalhada e esclareci minhas dúvidas. Sei que a qualquer momento poderei solicitar novas informações e modificar minha decisão de participar se assim o desejar. Declaro que concordo em participar desse estudo. Recebi uma cópia deste termo de consentimento livre e esclarecido e me foi dada à oportunidade de ler e esclarecer as minhas dúvidas. Juiz de Fora, _________ de __________________________ de 20__. Nome Assinatura participante Data Nome Assinatura pesquisador Data Nome Assinatura testemunha Data Em caso de dúvidas com respeito aos aspectos éticos deste estudo, você poderá consultar CEP – COMITÊ DE ÉTICA EM PESQUISA/UFJF CAMPUS UNIVERSITÁRIO DA UFJF PRÓ-REITORIA DE PESQUISA CEP 36036-900 Fone: (32) 3229-3788 39 ANEXO 1 40 41 ANEXO 2 Ficha de Avaliação Pesquisa: título do projeto Avaliador(a): Paciente: Idade: Cor: Altura: Peso seco: IMC: Data da Avaliação: Data de Nascimento: 1)Etiologia da DRC: a)Glomerulonefrite b)HAS c)Diabetes tipo 1 e)Nefrite Intersticial f)Rins Policísticos d)Diabetes tipo 2 g)Uropatia Obstrutiva Outras: _______________________________________________. 2)Dados Gerais: a)Tabagista? N S Há quanto tempo?_____ Maços/dia _____ b)Etilista? N S Há quanto tempo?_______ Frequência _______________. c)Atividade Física? N S Há quanto tempo?______ Qual?_______ Frequência____ d)Você se considera uma pessoa estressada? N S e)Medicamentos em uso: ________________________________________________ ___________________________________________________________________________________ _______________________________________________________. 2)Diagnóstico de Distúrbio Respiratório: a)DPOC b)Enfisema Pulmonar f)Tuberculose c)Asma d)Pneumonia e)Bronquite Crônica g)Embolia Pulmonar h)Nenhum diagnóstico Outros:______________________________. 3)Diagnóstico de Doença Cardíaca: a)IAM b)Aterosclerose c)Arritmias d)IC e)HVE f)Valvulopatias g)Nenhum diagnóstico 4)Comorbidades: a)DM b)HAS c)HVE d)DAC e)IC 5)Internações e Cirurgias: a)Número de internações: 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 b)Número de Cirurgias: 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 42 Qual(ais)?___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________ _________________________________________. c)Já foi transplantado? S N 6)Tempo de Hemodiálise:_______________________________________________. a)EPO: b)Ferro: c)Hemoglobina: d)KTV: e)Acesso: Fístula MS ( ) Fístula MI ( ) Cateter ( ) 7)Sintomas freqüentes durante as sessões de hemodiálise: a)Cãibras b)Hipotensão Arterial c)Hipoxemia d)Arritmias Cardíacas e)Reações Alérgicas f)Mal estar g)Hemólise i)Reações Pirogênicas j)Angina k)Nenhum 8)Exames Clínicos: Sangue a)Uréia: b)Creatinina: c)Bicarbonato: d)Sódio: e)Potássio: f)Ácido Úrico: g)Cálcio: h)Fósforo: i)Ferritina(trimestral mais próximo): j)IST(trimestral mais próximo): k)PTH(trimestral mais próximo): l)CT(trimestral mais próximo): m)HDL(trimestral mais próximo): n)LDL(trimestral mais próximo): o)PCR(trimestral mais próximo): h)Complicações da Coagulação 43 ANEXO 3 44 45 46 ANEXO 4 Escala de Borg Modificada (Dispnéia)