Professor Adriano Medeiros
GEOGRAFIA
Violência nas Grandes Cidades.
Não é tão simples definir a palavra ‘violência’, segundo
sociólogos e pesquisadores deste tema. As conotações deste
conceito variam conforme suas fontes.
Por exemplo, segundo a Organização Mundial da Saúde
(OMS), este termo significa impor um grau intenso de dor e
sofrimento que não se pode evitar.
Para os militantes dos direitos humanos, a ‘violência’ é
entendida como a violação dos direitos civis. Mas os
estudiosos crêem que seu significado é muito mais profundo.
A violência tem várias faces. Na verdade, a violência urbana é
apenas uma delas, entre guerras, miséria, discriminações, e
tantas mais.
O ângulo aqui abordado é um dos mais discutidos e
controvertido de nossos tempos.
Os atos transgressores ocorridos no âmago das grandes
cidades, de caráter estritamente agressivo, frutos da vida em
sociedade na esfera urbana, caracterizam, em parte, este
fenômeno social que se convencionou chamar de violência
urbana.
Diversos fatores colaboram para aumentar a violência, tais
como a urbanização acelerada, que traz um grande fluxo de
pessoas para as áreas urbanas e assim contribui para um
crescimento desordenado e desorganizado das cidades.
Colaboram também para o aumento da violência as fortes
aspirações de consumo, em parte frustradas pelas dificuldades
de inserção no mercado de trabalho.
Por outro lado, o poder público, especialmente no Brasil, tem
se mostrado incapaz de enfrentar essa calamidade social.
Pior que tudo isso é constatar que a violência existe com a
conivência de grupos das polícias, representantes do
Legislativo de todos os níveis e, inclusive, de autoridades do
poder judiciário.
A corrupção, uma das piores chagas brasileiras, está associada
à violência, uma aumentando a outra, faces da mesma moeda.
As causas da violência são associadas, em parte, a problemas
sociais como miséria, fome, desemprego.
Mas nem todos os tipos de criminalidade derivam das
condições econômicas.
Além disso, um Estado ineficiente e sem programas de
políticas públicas de segurança, contribui para aumentar a
sensação de injustiça e impunidade, que é, talvez, a principal
causa da violência.
A violência se apresenta nas mais diversas configurações e
pode ser caracterizada como violência contra a mulher, a
criança, o idoso, violência sexual, política, violência
psicológica, física, verbal, dentre outras.
Em um Estado democrático, a repressão controlada e a polícia
têm um papel crucial no controle da criminalidade.
Porém, essa repressão controlada deve ser simultaneamente
apoiada e vigiada pela sociedade civil.
A solução para a questão da violência no Brasil envolve os
mais diversos setores da sociedade, não só a segurança pública
e um judiciário eficiente, mas também demanda com urgência,
profundidade e extensão a melhoria do sistema educacional,
saúde, habitacional, oportunidades de emprego, dentre outros
fatores.
Requer principalmente uma grande mudança nas políticas
públicas e uma participação maior da sociedade nas discussões
e soluções desse problema de abrangência nacional.
PRINCIPAIS CAUSAS DETEMINANTES DO AUMENTO DA
VIOLÊNCIA E DA CRIMINALIDADE DE MENORES
A falta de infra-estrutura das famílias e de apoio de programas
que possam ajudar o menor, já nos primeiros dias de sua vida,
é a carência básica de seu mais elementar direito, a
alimentação.
Isto já determina naturalmente o que será a criança em termos
de funcionamento intelectual, vez que a subalimentação, a
desnutrição na infância, comprovadamente, já o condena para
o resto de sua vida a uma situação de inferioridade intelectual,
que o levará fatalmente, a enfrentar dificuldades, que as
crianças oriundas de famílias mais abastadas não enfrentarão.
A questão social não é a única que marginaliza essa camada da
sociedade.
Ao contrário outros fatores se fazem presentes, tais como a
própria família da criança, desemprego de seus pais, falta de
moradia, mendicância, miserabilidade, na verdadeira acepção
da palavra.
Quase sempre os pais entregam-se aos vícios, principalmente
o álcool. Desenvolvem, a partir daí, verdadeiras sessões de
horror com seus filhos e para piorar, muitas vezes os
violentam sexualmente.
A televisão tem exaustivamente mostrado, em programas
policiais, que inundam as tardes de todos os dias, que a
violência dos pais, contra seus filhos, é alarmante.
Aliada a essa questão encontramos a prostituição infantil e
adolescente, o uso de drogas, ingestão de cola, ausência de
escolaridade, famílias sem qualquer tipo de planejamento,
inchamento demográficos das grandes cidades, dando origem
às favelas, tão nossas conhecidas, e que, na maioria das vezes,
estão distribuídas próximas dos bairros ricos formando um
cinturão que vem mantendo praticamente, no clausuro, essa
outra camada da sociedade, que brada, que grita por liberdade
e segurança.
Mapa da Violência 2013: Brasil mantém taxa de 20,4 homicídios por
100 mil habitantes
O Mapa da Violência 2013 - Mortes Matadas por Armas de
Fogo, divulgado nesta quarta-feira, informa que 36.792
pessoas foram assassinadas a tiros em 2010.
O número é superior aos 36.624 assassinatos anotados em
2009 e mantém o país com uma taxa de 20,4 homicídios por
100 mil habitantes, a oitava pior marca entre 100 nações com
estatísticas consideradas relativamente confiáveis sobre o
assunto.
Entre os estados que apresentaram as mais altas taxas de
homicídios estão Alagoas com 55,3, Espírito Santo com 39,4,
Pará com 34,6, Bahia com 34,4 e Paraíba com 32,8. Pará,
Alagoas, Bahia e a Paraíba estão entre os cinco estados
também que mais sofreram com o aumento da violência na
década.
No Pará, o número de assassinatos aumentou 307,2%, Alagoas
215%, Bahia 195% e Paraíba 184,2%. Neste grupo está ainda
o Maranhão com a disparada da matança em 282,2% entre o
ano 2000 e 2010.
O Rio de Janeiro aparece em 8º lugar no ranking dos estados
mais violentos com uma taxa de 26,4. O estudo mostra, no
entanto, que o número de mortes por armas de fogo está em
declínio.
De 2000 a 2010, os assassinatos a tiros no Rio caíram 43,8%.
Em São Paulo a queda foi ainda maior, 67,5%, e o estado viu a
taxa de homicídio baixar 9,3%.
O estado, que no início da década passada estava entre os seis
mais violentos, aparece desta vez na 24º posição, atrás apenas
de Santa Catarina, Roraima e Piauí.
Entre as capitais mais violentas estão Maceió, a primeira da
lista com 94,5 homicídios por 100 mil habitantes. Logo depois
vêm João Pessoa com taxa de 71,6, Vitória com 60,7, Salvador
com 59,6 e Recife com 47,8.
São taxas bem acima da média nacional, 20,4, e dos níveis
considerados toleráveis pela ONU, que giram em torno de 10
homicídios por 100 mil.
Com uma taxa de 23,5, o Rio aparece em 19º lugar na lista. A
cidade de São Paulo apresentou taxa de 10,4 e está na 25ª
colocação.
O estudo confirma ainda a "nacionalização" dos homicídios e
duas diferentes tendências da violência.
O número de assassinatos a tiros tem aumentado em áreas
tradicionalmente hospitaleiras do Norte e do Nordeste e
diminuído no Sudeste, a partir de avanços registrados em São
Paulo e no Rio de Janeiro.
Dos cinco estados mais violentos do país em 2010, três estão
na região Nordeste: Alagoas, Bahia e Paraíba. Quatro das
cinco cidades com os piores dados estão no litoral da região:
Maceió, João Pessoa, Salvador e Recife.
A violência tem crescido também no Paraná, em Santa
Catarina e no entorno de Brasília.
Santa Catarina sofreu aumento de homicídios de 44,5% na
década, embora ainda permanece com taxa de 8,5 homicídios
por grupos de 100 mil.
O Distrito Federal, com uma taxa de 25,3 por 100 mil, está em
9º lugar no ranking de assassinatos com armas de fogo.
O Mapa da Violência apresenta o ranking de homicídios das
cidades com mais de 20 mil habitantes.
Entre as cinco cidades mais perigosas do país estão: Simões
Filho, na Bahia, com taxa de 141,5 homicídios por 100 mil
habitantes;
Campina Grande do Sul, no Paraná, com 107,0, Lauro de
Freitas (BA) com 106,6, Guaíra com 103,9, e Maceió com
91,6.
São números piores que o de Medellin e Bogotá, na Colômbia,
no auge do poder do narcotráfico de Pablo Escobar.
Pelo estudo, 70% dos homicídios no país são cometidos com
armas de fogo. Uma explicação seria a disseminação da
cultura da violência.
Muitos homicídios resultam dos chamados conflitos de
proximidade. São desentendimentos em que uma das partes,
ao invés de tentar eliminar o conflito, mata o oponente.
Índices de violência continuam subindo
A Secretaria de Segurança Pública (SSP) divulgou, na última
sexta-feira, os dados sobre violência na capital paulista no mês
de abril. Os números alertam para um aumento de 55% de
latrocínios, em relação ao mesmo período de 2012.
Fernando Grella anunciou os números
de violência em São Paulo.
Em abril de 2013, 14 pessoas morreram após serem assaltadas,
já no mesmo mês, mas no passado, haviam sido nove.
“Na verdade, ao que se deve o aumento dos latrocínios?
Veja esse é um fator que o crime tem sazonalidades. Então
você combate às vezes uma modalidade, outra modalidade se
coloca. Isso não existe uma explicação”, afirmou, em
entrevista coletiva, o secretario de Segurança Pública.
Estupros
Os estupros continuam aumentando em São Paulo. Se
contabilizado os quatro primeiros meses de 2013, os números
são os maiores dos últimos três anos.
De janeiro até abril, foram 1113 casos, somente na capital
paulista, que revela o maior índice em três anos.
A alta é de 20,8% em relação ao primeiro quadrimestre de
2012, e 36,7% sobre 2011.
Três fatores impulsionaram a alta de estupros:
O aumento de denúncias por parte das mulheres,
Envolvimento com drogas (o secretário não especificou este
item) e a mudança na lei que transforma em estupro qualquer
atentado violento ao pudor.
O mês de abril de 2013 teve 246 casos de estupros, contra 233
de 2012, na capital.
Assim como os demais quesitos analisados no mapa da
violência, os homicídios também aumentaram.
Na análise do primeiro quadrimestre de 2013, os números
mostram que o estado já chegou aos 1.552 assassinatos,
superando em 13,8% os dados de 2012, e 27% acima do índice
de 2013.
Violência aumenta, mas número de presos também.
Se de um lado os números mostram aumento da violência no
Estado, de outro, as estatísticas apontam também aumento de
prisões realizadas pela polícia.
Cresceram nos três últimos anos as detenções, principalmente
no interior.
Apenas nos três primeiros meses de 2013 foram detidas
38.245 pessoas em todo o Estado, 17% a mais que em 2012 e
28% a mais que em 2011. Desse total, 24.276 pessoas foram
presas só no interior.
Cidade de São Paulo tem um arrastão a cada 66
horas em 2013
A cidade de São Paulo teve, em média, um arrastão
a cada 66 horas neste ano, segundo levantamento
feito pelo G1 com base em ocorrências registradas
pelas polícias civil e militar e em casos
acompanhados pela equipe de reportagem.
Foram 57 arrastões a restaurantes, pedestres,
condomínios, salão de beleza e até a igreja no
período de 157 dias.
A área com mais casos foi a Zona Sul, com 24
ocorrências; a Zona Norte não teve nenhum
registro.
Apesar de não aparecer oficialmente como
modalidade criminosa nos índices criminais da
Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, o
termo arrastão é uma denominação recorrente
utilizada por policiais civis e militares para assaltos
praticados por um ou mais criminosos contra
várias vítimas num mesmo local.
O levantamento indica que os criminosos preferem
invadir restaurantes e bares.
De 1º de janeiro até 6 de junho, 32 arrastões (ou
56% do total) ocorreram nesses estabelecimentos,
sendo que 18 deles aconteceram na Zona Sul da
cidade, principalmente em bairros nobres como o
Itaim Bibi, Morumbi e Moema.
Em comparação, o levantamento aponta que no
ano passado inteiro foram 73 arrastões na capital,
sendo 49 em bares e restaurantes.
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