Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 22 a 25 de outubro, 2012 825 EDUCAÇÃO INFANTIL EM PAUTA: VALORIZANDO AS CULTURAS DA INFÂNCIA. Cristiane de Castro Chagas Silva, Jéssika Naiara da Silva, Denise Watanabe, José Milton de Lima, Márcia Regina Canhoto de Lima. Curso de Pedagogia – Departamento de Educação e Curso de Educação Física – Departamento de Educação Física na Faculdade de Ciência e Tecnologia – UNESP – Câmpus de Presidente Prudente. Financiamento: Programa Núcleo de Ensino da UNESP. Email: [email protected] RESUMO Este artigo apresenta o projeto: “A construção de uma proposta de Educação Infantil: pautada no respeito às culturas da infância” realizado em parceria com a Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Álvares Machado/SP. A pesquisa é fundamentada em documentos oficiais, autores da Teoria Histórico Cultural e da Sociologia da Infância. Norteados pela metodologia de pesquisa‐ ação, os participantes integram todos os envolvidos na busca de respostas para os desafios da realidade relacionando teoria e prática. Tendo em vista que a brincadeira é a atividade principal da criança de 3 a 6 anos e que esta influencia na formação de sua personalidade, a pesquisa tem por objetivos inserir, ampliar, compreender e valorizar a cultura lúdica e expandir o repertório de brincadeiras das crianças. Como resultado, o projeto colaborou para a maior socialização e desenvolvimento das crianças, considerando o espaço de exercitação que as atividades lúdicas proporcionam e garantem. Palavras‐chave: Culturas lúdicas; Brincadeira; Educação Infantil. INTRODUÇÃO E OBJETIVO Diversas correntes teóricas contribuem para reflexões e avanços nas concepções de infância, criança e educação dentro do contexto da Educação Infantil, especialmente entre os educadores. Apesar do conceito de infância ser recente, Sarmento (2004, p. 03) destaca que essa nova forma de compreensão tem como intuito superar visões ainda correntes de “adulto em miniatura” e “tábula rasa”. É possível encontrar, ainda hoje, práticas e discursos pedagógicos que consideram a criança como passiva e incapaz. Antagonicamente, a Sociologia da Infância considera as crianças como sujeitos construtores de cultura, que não fazem isso de forma passiva, mas reinterpreta‐a em seu dia‐a‐dia. Possuem formas próprias de cultura, ou seja, “constituem‐se na capacidade de construírem modos de significação do mundo e ação nele, distintos dos modos de significação e ação do adulto, sendo histórica e socialmente produzidas” (SARMENTO, 2004, p.09). A criança deve ser reconhecida como ator social, sujeito ativo de sua socialização e do processo de apropriação cultural. Percepção distinta daquelas por séculos veiculadas de cunho: inatistas ou ambientalistas. Colloquium Humanarum, vol. 9, n. Especial, jul–dez, 2012 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 22 a 25 de outubro, 2012 826 Este artigo apresenta o projeto intitulado: “A construção de uma proposta de Educação Infantil: pautada no respeito às culturas da infância”, vinculado ao Centro de Estudos e Pesquisa em Educação, Ludicidade, Infância e Juventude (CEPELIJ) e financiado pelo Programa Núcleo de Ensino da FCT/UNESP. A pesquisa ocorre em parceria com a Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Álvares Machado/SP e conta com uma equipe multiprofissional, formada por dois docentes doutores do Departamento de Educação e Educação Física, discentes dos Cursos de Pedagogia e Educação Física. Embora a Teoria Histórico Cultural e a Sociologia da Infância constituam duas abordagens divergentes, inclusive nas bases filosóficas, ambas consideram a criança como centro do processo de ensino e aprendizagem, além de reconhecerem as brincadeiras, como fundamentais para o desenvolvimento das crianças. De acordo com o Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil, as instituições educacionais necessitam reconhecer e concretizar o seu papel no processo de ensino‐ aprendizagem e desenvolvimento das crianças. Nesta direção, [...] a proposta pedagógica das instituições de Educação Infantil deve ter como objetivo principal promover o desenvolvimento integral das crianças de 0 a 5 anos de idade garantindo a cada uma delas o acesso a processos de construção de conhecimentos e aprendizagem de diferentes linguagens, assim como o direito a proteção, a saúde, a liberdade, ao respeito, a dignidade, a brincadeira, a convivência e interação com outras crianças. (BRASIL, 2009, p. 9) A brincadeira é a principal atividade aplicada pelo projeto, visto que, para a criança entre três a seis anos de idade, é a atividade que gera maior desenvolvimento e influencia na formação de sua personalidade. Constitui‐se o objetivo central do projeto, inserir e ampliar a cultura lúdica dentro das instituições contempladas e expandir o repertório de brincadeiras das crianças, na esperança que elas possam reproduzi‐las e (re) significá‐las, nas relações com as demais crianças, com os educadores, com os irmãos, com os pais/responsáveis ou até mesmo sozinhas. Todo o processo direciona‐se a uma perspectiva interdisciplinar, afetando ativamente as instituições envolvidas, buscando assim, conscientizar e dar suporte aos educadores para que possam acolher, valorizar e respeitar as crianças. Constata‐se que crianças, desde muito cedo, são submetidas a inúmeras tarefas como, por exemplo, natação, danças, lutas, cursos de idiomas que as sobrecarregam com um conjunto de Colloquium Humanarum, vol. 9, n. Especial, jul–dez, 2012 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 22 a 25 de outubro, 2012 827 responsabilidades. O acúmulo dessas atividades preconiza e busca antecipar as competências que são atribuídas a elas no porvir, privando a criança de apropriar‐se das qualidades humanas que são desenvolvidas, entre outras formas, por meio de brincadeiras e atividades artísticas. O tempo de vivenciar sua infância acaba sendo‐lhe subtraído, prejudicando não somente a infância, mas também as fases posteriores de sua formação. Para Craidy e Kaercher (2001, p. 104) “a brincadeira é algo de pertence à criança, à infância. Através do brincar ela, experimenta, organiza‐se, regula‐se, constrói normas para si e para o outro, cria e recria o mundo que a cerca a cada nova brincadeira”. Brincar é uma forma de linguagem usada pela criança para compreender e interagir consigo mesma, com os outros e com o mundo. Na brincadeira ela fantasia, constrói cenários que se aproximem ou se distanciem da realidade vivida assume personagens e transforma objetos pelo uso que dele faz. Segundo Sarmento (2004, p. 15), o brinquedo não pode ser descartado, pois, cumpre papel fundamental na vida da criança. Mesmo sendo, ainda, tratado como atividade secundária, precisa ser introduzido no convívio infantil, de forma planejada e mediada, no entanto, respeitando os interesses e necessidades das crianças e privilegiando sempre o aspecto lúdico do brincar. METODOLOGIA O projeto adota como metodologia a pesquisa‐ação, que consiste na relação estreita entre teoria e prática e na atuação coletiva dos envolvidos. Foi devidamente aprovado pelo Comitê de Ética da FCT/UNESP com protocolo nº 71/2009. Todos os participantes desta pesquisa buscam, durante o processo, possíveis soluções para os problemas levantados, embasados no referencial teórico e considerando os procedimentos metodológicos. Para Thiollent (1988, p. 14), [...] a pesquisa‐ação é um tipo de pesquisa social com base empírica que é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo e no qual os pesquisadores e os participantes representativos da situação ou do problema estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo. Nesta perspectiva, é fundamental o comprometimento da maioria, em todas as dimensões: na definição da problemática e das necessidades, nos questionamentos e atividades de estudo, na metodologia e participação efetiva nas intervenções. Colloquium Humanarum, vol. 9, n. Especial, jul–dez, 2012 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 22 a 25 de outubro, 2012 828 Como procedimento de pesquisa, o grupo utiliza a observação participante. Ludke e André (1986, p.29) compreendem que: O “observador como participante” é um papel em que a identidade do pesquisador e os objetivos do estudo são revelados ao grupo pesquisado desde o início. Nessa posição, o pesquisador pode ter acesso a uma gama variada de informações, até mesmo confidenciais, pedindo cooperação ao grupo. Contudo, terá em geral que aceitar o controle do grupo sobre o que será ou não tornado público pela pesquisa. Durante o processo, também, foi aplicado entrevistas semi‐estruturadas junto às educadoras da instituição, com o objetivo de avaliar o desenvolvimento do projeto. As intervenções ocorrem semanalmente, com crianças de quatro a seis anos e conta com a participação dos discentes universitários e com as professoras da instituição. Os discentes, também, estão envolvidos em reuniões de estudo, planejamento e avaliação que ocorrem uma vez por semana na universidade. Semestralmente, são realizados seminários nos quais participam a equipe do Projeto e os profissionais de educação das escolas. O intuito é avaliar o projeto e ampliar o referencial teórico. Dialogando com a realidade Como resultado, o tempo destinado às atividades e culturas lúdicas foi ampliado, contribuindo para o desenvolvimento das faculdades humanas e maior socialização entre as crianças, considerando o espaço de exercitação que as atividades lúdicas aplicadas durante o projeto proporcionaram. Todo o processo foi direcionado para uma perspectiva interdisciplinar, influenciando ativamente as instituições envolvidas, buscando assim, conscientizar e dar suporte aos educadores para que possam acolher e respeitar, valorizar e ampliar as culturas infantis. O projeto é realizado em duas Instituições de Educação Infantil do Município de Álvares Machado. A primeira instituição foi escolhida devido à necessidade do grupo em realizar uma pesquisa mais direcionada na temática e nas necessidades apresentadas no contexto da instituição, na qual. denominaremos instituição “A”. A instituição denominada “B” será aquela que participa a quatro anos do projeto, prova da parceria e êxito que enriquecem tanto a escola quanto o projeto. Ao longo das intervenções observamos a maior participação dos educadores e das crianças, fato considerado importante que proporcionou maior interação entre os envolvidos. Podemos Colloquium Humanarum, vol. 9, n. Especial, jul–dez, 2012 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 22 a 25 de outubro, 2012 829 ressaltar que, uma atividade, quando significativa faz com que as crianças se apropriam e ressignifiquem a brincadeira. Na atividade em que propusemos a brincadeira de faz de conta, estimulamos à pintura de máscaras de urso para os meninos e coelho para as meninas, evidenciando grande satisfação pelas crianças. Elas pegavam as máscaras com entusiasmo e após colori‐las, saíam interpretando os referidos personagens: pulavam como coelhos ou rosnavam como os ursos, sem que houvéssemos dito algo a respeito. As crianças com a máscara de urso também saíam correndo uns atrás dos outros, de forma que pareciam “ursos” pegadores. Através da prática, pudemos observar o quanto às atividades lúdicas contribuem positivamente, inclusive na fantasia das crianças. Ao inserirmos e compartilharmos diversas culturas, elas recriam e vão além. Outro relato que merece destaque é a brincadeira de telefone sem fio. Uma das crianças errou, ao passar a palavra para o outro, o que fez os alunos rirem dela. Uma aluna interveio dizendo aos coleguinhas que naquela brincadeira todos eram amigos e que a menina não precisava ficar com vergonha de errar. Disse que eles estavam rindo de brincadeira, mas que não era para a menina que errou se envergonhar. Na avaliação realizada, o brincar propiciou situações que geraram melhor socialização entre essas crianças, além de favorecer o diálogo e a troca de opiniões. Em outra intervenção realizada na escola “B”, sugerimos a brincadeira de “Morto‐vivo”. Nesta atividade, o condutor dispõe as crianças enfileiradas na horizontal e cada vez que o condutor falar MORTO, as crianças devem se agachar e quando ele falar VIVO elas devem se levantar. As palavras: “MORTO” ou “VIVO” devem ser proferidas cada vez mais rápido. Normalmente, sai quem erra e a brincadeira continua até que reste apenas o vencedor. Não foi proposta a regra de que quem errasse deveria sair da brincadeira. Assim, durante a atividade, constatou‐se que nas salas do Infantil I (4 anos), conforme se dizia, “morto” ou “vivo”, as crianças se agachavam ou ficavam em pé, mas a medida que erravam, ficavam indiferentes, ou seja, permaneciam na brincadeira sem se darem conta de que erraram. Mas nas salas do Infantil II (5 anos), às crianças eram mais rígidas com a regra da brincadeira, pois à medida que erravam, as próprias crianças diziam “você errou, tem que sair”, ou seja, elas mesmo impuseram regras para si. Outra sala, ainda no Infantil II, as crianças que erravam saiam por si mesmo, sem ninguém ter que anunciar que elas haviam errado. Em outras salas, as crianças que erravam eram intimadas pelos colegas a sair. Mesmo assim, algumas resistiam e continuavam na brincadeira, não Colloquium Humanarum, vol. 9, n. Especial, jul–dez, 2012 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 22 a 25 de outubro, 2012 830 respeitando a regra imposta pelos pares. Tais comportamentos distintos mostram que as crianças revelam‐se em diferentes níveis, referentes à evolução na tomada de consciência e prática de regras. A instituição “B” conta com uma brinquedoteca amplamente estruturada com brinquedos, objetos, fantasias e calçados, resultado da parceria entre a instituição e o projeto. A brinquedoteca foi montada com o objetivo de auxiliar nas práticas pedagógicas e contemplar as crianças em aspectos: cognitivo, afetivo, social, motor e ético. Através da parceria com discentes do curso de Arquitetura e Urbanismo da FCT‐UNESP de Presidente Prudente, foram construídos blocos manipuláveis, confeccionados em MDF, de tamanhos variados, que permitem investir na criatividade e na imaginação das crianças, contribuindo para a elaboração de cenários como cozinha, sala, hospital, mercado, trem, mesa, banquinho, entre outros. Tais materiais estão sendo utilizados na brinquedoteca e têm promovido resultados bastante satisfatórios, pois o espaço desafiador, dinâmico, atraente facilita o trabalho do professor. Após o apoio inicial do projeto, a maioria das professoras da instituição demonstrou outras formas de mediar e compreender as implicações das atividades lúdicas no desenvolvimento da criança. Algumas professoras utilizam as propostas das intervenções em outros momentos da semana, pois entendem que o trabalho contribui em questões fundamentais como: no desenvolvimento do pensamento, concentração, imaginação, atenção, motricidade e no domínio da vontade das crianças. O projeto contribuiu também na maior interação entre as crianças, que estão se relacionando mais umas com as outras, aprendendo a lidar e solucionar conflitos. Segundo relato dos professores, as intervenções do projeto têm ajudado a ampliar as suas concepções sobre o conceito de criança e brincadeira, colaborando para o enriquecimento de suas práticas dentro do contexto escolar. Na entrevista realizada com as educadoras obtivemos as seguintes respostas quanto à pergunta: As ações do projeto influenciaram para o desenvolvimento de suas crianças? Em quais aspectos? “As crianças estão aprendendo a brincar e também a entender que as regras e normas são necessárias em casa, na escola e até mesmo nas brincadeiras com os colegas. Isto porque estas crianças chegam à pré‐escola com nenhum repertório de brincadeiras, jogos e músicas [...]. O projeto com certeza enriquece a fantasia e o brincar destas crianças que é extremamente limitado” (Prof. Rita) 1 . 1 Todos os nomes das professoras citados são fictícios Colloquium Humanarum, vol. 9, n. Especial, jul–dez, 2012 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 22 a 25 de outubro, 2012 831 “Melhorou a socialização, desenvolveu a criatividade” (Prof. Ana). “O desenvolvimento do emocional de crianças que sempre apresentaram insegurança, medo e constrangimento, sendo elas retraídas e apáticas e também no físico das crianças com a participação no lúdico, principalmente a socialização” (Prof. Clara). Os depoimentos revelam que as professoras já estão conseguindo enxergar a importância da brincadeira nas suas práticas educativas. O projeto nesse processo é fundamental, pois oferece fundamentação teórica e possibilita às professoras situações práticas no seu local de trabalho e com as suas crianças, demonstrando a viabilidade e as possibilidades da brincadeira como recurso pedagógico. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS A Teoria Histórico Cultural, quando trata da Educação Infantil, repulsa as tendências de escolarização precoce e de abreviamento da infância presentes nas práticas da Educação Infantil. De acordo com essa vertente teórica, o direito à infância é condição para a máxima apropriação das qualidades humanas (MELLO, 2007, p. 83). Nesse sentido, embora existam legislações e perspectivas teóricas, resultantes do avanço científico e que defendem o direito à infância, vivemos uma situação contraditória no que tange à Educação Infantil, visto que instituições preconizam atividades que desenvolvem apenas os aspectos de natureza linguística e lógico‐matemática, secundarizando a necessidade de a criança interagir com seus pares, de atuar, aprender e vivenciar a realidade através da brincadeira, da literatura e da fantasia do real. O brincar, portanto, é uma forma de viver e aprender no mundo social e natural. A Sociologia da Infância defende que considerar as crianças como atores sociais plenos é algo decorrente de um debate acerca dos conceitos de socialização no campo da Sociologia. Corsaro (2011) afirma que a perspectiva sociológica deve considerar não só as adaptações e internalizações dos processos de socialização, mas também os processos de apropriação, reinvenção e reprodução realizados pelas crianças. Essa visão de socialização considera a importância do coletivo: como as crianças negociam, compartilham e criam culturas com os adultos e com seus pares, além de estimular a compreensão das crianças como atores capazes de criar e modificar culturas, embora inseridas no mundo adulto. Se as crianças interagem no mundo Colloquium Humanarum, vol. 9, n. Especial, jul–dez, 2012 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 22 a 25 de outubro, 2012 832 adulto porque negociam, compartilham e criam culturas, necessitamos pensar em metodologias que realmente tenham como foco suas vozes, olhares, experiências e pontos de vista. Com base nessas duas vertentes teóricas, podemos observar o quanto o projeto contribui para que as crianças, como atores sociais e construtores de culturas, se apropriem ao máximo das qualidades humanas, expressando e vivenciando a brincadeira e interagindo com seus pares. Um foco central é mudar a concepção dos profissionais de Educação Infantil para que valorizem as culturas infantis e os auxiliem no processo de desenvolvimento das crianças em todas as dimensões: cognitiva, social, afetiva, motora. CONCLUSÃO Ao analisarmos a evolução das crianças que participam do projeto desde o ano de 2011 e as que entraram no ano de 2012, percebe‐se grandes mudanças. As crianças que estão participando pelo segundo ano demonstraram avanços qualitativos na comunicação durante as rodas de conversa; estão mais autônomas, ou seja, elas próprias organizam as brincadeiras nos momentos livres, como por exemplo, nos recreios e horário da entrada e saída, passaram a definir coletivamente as regras que serão aplicadas em cada brincadeira. É visível a maior interação entre elas, compartilhada entre ambos os gêneros. No grupo de crianças que iniciou a participação no projeto neste ano, percebeu‐se a evolução no envolvimento nas brincadeiras, visto que inicialmente algumas crianças se negavam a participar das atividades propostas. Atualmente, todas as crianças estão participando ativamente das brincadeiras. O trabalho continua em busca de resultados e tem assumido os desafios da prática educacional, através de um trabalho árduo, paciente e comprometido que acredita e que busca a valorização da infância e da qualidade da Educação Infantil, além de refletir e problematizar concepções históricas e cristalizadas de educação e infância que norteiam as práticas educativas atuais, de professores e instituições de Educação Infantil na realidade brasileira. Por fim, conclui‐se que no contexto histórico atual predominam os valores de competição e produção que se reproduzem no interior das instituições educacionais, portanto, pensar na ludicidade, na imaginação, na cultura de pares e na relativização do tempo, transforma‐se numa proposta desafiadora e de difícil convencimento, pois os resultados e seus efeitos são menos visíveis e refletem‐se em longo prazo. Colloquium Humanarum, vol. 9, n. Especial, jul–dez, 2012 Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 22 a 25 de outubro, 2012 833 REFERÊNCIAS BRASIL. Secretaria de Educação Básica. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. Secretaria de educação Básica. Brasília: MEC/SEB, 2009. _______. Ministério da Educação e do desporto. Referencial Curricular Nacional de Educação Infantil. Brasília: MEC/SEF, v.1‐3, 1998. CORSARO, William. A Sociologia da infância. Porto Alegre: Artmed, 2011. CRAIDY, Carmem; KAERCHER, Gládis. E. Educação Infantil: Pra que te quero? Porto Alegre: Artmed, 2001. 164 p. DELGADO, A. C. C.; MULLER, F.; Sociologia da Infância: Pesquisas com crianças. Educ. Soc., Campinas, vol. 26, n. 91, p. 351‐360, Maio/Ago. 2005. Disp. http://www.cedes.unicamp.br LÜDKE, M; ANDRÉ M.E.D.A. Pesquisa em educação: abordagens qualitativas. São Paulo: EPU, 1986. MELLO, S. A. Infância e humanização: algumas considerações na perspectiva histórico‐cultural. 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