Monografia apresentada ao Programa de Residência Médica em
Pediatria do Hospital Regional da Asa Sul (HRAS)/SES/DF
Análise psicofísica da escala
multidimensional de dor
Neonatal Pain, Agitation and
Sedation Scale (N-PASS) em
recém-nascidos.
Tatiane Melo de Oliveira
Orientador:Paulo Roberto Margotto
Colaborador: Marcos Vinícius M. Oliveira
(Graduando 4º Ano-UnB)
Residência Médica em Pediatria
HRAS 2010-2011
www.paulomargotto.com.br
Brasília, 17 de novembro de 2011
Introdução

“Dor é definida como uma experiência sensorial e
emocional desagradável associado a dano tecidual
real ou potencial ou descrita em termos de tal
lesão.” IASP - International Association for the Study of Pain

Nos RNs, a subjetividade da dor dificulta a sua
avaliação.

Parâmetros comportamentais e fisiológicos são
medidos por meio de indicadores undimensionais
(expressão facial) e multidimensionais (escalas).

A escala N-PASS tem como objetivo:

Avaliar a dor, a agitação ou a sedação;

Avaliar em RNs termos, pretermos;

Avaliar dor aguda, aguda prolongada e crônica ;

RNs saudáveis, em ventilação mecânica, durante
procedimentos e no pós-operatório.

É composta por 5 indicadores: irritabilidade/choro,
estado comportamental, expressão facial, tônus dos
membros e sinais vitais.

Uma das formas de validar uma escala é por meio da
avaliação dos parâmetros psicofísicos da dor (Oberlander
2005).
***
*
***
**
*Tabelas descritivas
**Regressão Logística
***Teste não Paramétrico
de Friedman
**
Objetivos

Analisar os parâmetros psicofísicos da escala
multidimensional de dor N-PASS sob o ponto de
vista da intensidade, direção, inclinação, regulação
e reatividade;

Identificar dados gestacionais, perinatais e pós
natais dos recém-nascidos;

Validar a escala N-PASS traduzido-a para a língua
portuguesa.
Material e Métodos

Estudo observacional, analítico e de coorte,
realizado no Hospital Regional da Asa Sul (HRAS)
em 2011.

Utilizou-se o teste amostral com intervalo de
confiança de 95% e um erro amostral de 20%,
chegando ao valor de 25 RNs. O trabalho apresenta
uma amostra de 39 RNs.

Incluídos: IG entre 37 e 41 semanas, Apgar 5º min > 4 e
com indicação de punção venosa. TOTAL de 33 RNs

Excluídos: Uso de opióide pela mãe durante a gestação,
antes de entrar em trabalho de parto e problemas com a
filmagem e funcionamento do equipamento. TOTAL de 6
RNs

Os escores da escala N-PASS foram pontuados por 2
observadores 3 min antes (“antes”), imediatamente
após o procedimento doloroso (“durante”) e 3 min
após (“depois”).

A escala de dor N-PASS foi traduzida conforme as
normas da língua portuguesa vigente e a mesma foi
aplicada na avaliação dos recém-nascidos.

Esta pesquisa atende à Declaração de Helsinque e à
Resolução nº 196/96 da Comissão Nacional de Ética
em Pesquisa (CONEP).
Resultados e
Discussão
Escala de dor N-PASS
Critérios de
Avaliação
Irritabilidade
/ Choro
Estado
Comportamen
tal
Expressão
Facial
Tônus dos
Membros
Sinais Vitais
(FC, FR, PA,
SaO2)
Sedação / Dor
Sedação
-2
Ausência de
choro com
estímulo
doloroso.
-1
Gemência ou
choro mínimo
com estímulo
doloroso.
0/0
Ausência de
sedação / Ausência
de sinais de dor.
Dor / Agitação
1
2
Irritabilidade ou
choro intermitente.
Choro alto ou
silencioso contínuo.
Consolável.
Inconsolável.
Chuta ou se
hiperextende.
Ausência de
resposta a
qualquer
estímulo.
Ausência de
movimentos
espontâneos.
Reação mínima
aos estímulos.
Poucos
movimentos
espontâneos.
Ausência de
sedação / Ausência
de sinais de dor.
Inquieto, se contorce
Desperta com
freqüência.
Boca está
relaxada.
Ausência de
expressão.
Mínima
expressão com
estímulos.
Ausência de
sedação / Ausência
de sinais de dor.
Qualquer expressão
de dor intermitente.
Qualquer expressão
de dor contínua.
Ausência do
reflexo da
pega.
Reflexo da pega
mínimo.
Mãos cerradas ou
espalmadas de forma
intermitente.
Mãos cerradas ou
espalmadas de forma
contínua.
Tensão corporal
ausente.
Tensão corporal
presente.
Tônus flácido.
Ausência de
variação com
estímulos.
Hipoventilação
ou apneia.
Ausência de
sedação / Ausência
Tônus muscular . de sinais de dor.
Variação < 10%
dos sinais vitais
basais com o
estímulo.
Intervir quando pontuação > 3
Ausência de
sedação / Ausência
de sinais de dor.
 10-20% dos sinais
vitais iniciais.
SaO2 76-85% com
estímulo – rápido.
Constantemente
acordado.
Dificuldade em
desperta / ausência
de movimentos (sem
sedação).
> 20% dos sinais
vitais iniciais.
SaO2 75% com
estímulo – lento.
Ventilação assincrônica
/ Briga com o
ventilador.
* +1 se <
30
semanas
Características Clínicas e
Epidemiológicas
Características Clínicas e
Epidemiológicas
+ + + ++ ++
+ - - ++ ++

Escores relacionados aos
parâmetros psicofísicos
+ p<0,05; ++ p<0,001

Houve correlação significativa entre a análise interobservadores nos três momentos: antes (p=0,004;
Kappa=0,165), durante (p=0,002; Kappa=0,282), e
depois (p≤0,001; Kappa=0,212).

A melhor correlação encontrada foi no momento
durante, pois o momento presença de dor não é tão
dependente de fatores externos para ser
identificado.

Apesar da correlação entre os observadores ter sido
significativa, ela foi baixa, se devendo ao fato da
grande subjetividade dos componentes presentes
nas escalas que avaliam a dor.

Explica as diversas pesquisas que vem sendo
desenvolvidas para se encontrar um padrão-ouro de
avaliação da dor.
Conclusão

A escala de dor N-PASS mostrou ser um excelente
indicador de dor aguda na faixa etária proposta,
pois se relacionou bem com os parâmetros
reatividade, regulação e intensidade.

No entanto, o indicador Sinal Vital, apresentou-se
inadequado nesse trabalho. Mesmo assim, a análise
da dor quando este indicador foi retirado, manteve
a qualidade da avaliação.

Novas pesquisas dessa magnitude são importantes
para se avaliar todas as possibilidades que a escala
N-PASS propõem e que não foram analisadas nesse
estudo: a avaliação da sedação, da dor prolongada
ou crônica e da dor nos recém-nascidos prematuros.
Obrigada!
Referencial Bibliográfico
1. Stevens BJ, Anand KJS, McGrath PJ. An overview of pain in neonates and
infants. In: Anand KJS, Stevens BJ, McGrath PJ, editors. Pain in
Neonates and Infants. 2nd ed. Philadelphia: Elsevier Science; 2007. p. 1 –
9.
2. Stevens BJ, Riddell RRP, Oberlander TE, Gibbins S. Assessment of pain in
neonates and infants. In: Anand KJS, Stevens BJ, McGrath PJ, editors.
Pain in neonates and infants. 2nd ed. Philadelphia: Elsevier; 2007. p.
67–90.
3. Craig K, Gilbert-MacLeod C, Lilley C. Crying as an indicator of pain in
infants. In: Barr R, Hopkins B, Green J, editors. Crying as a sing, a
symptom, and a signal: clinical, emotional and developmental aspects of
infant and toddler crying. London: Mac Keith Press; 2000. p. 23 -40.
4. Hummel P, Lawlor-Klean P, Weiss MG. Validity and reliability of the NPASS assessment tool with acute pain. J Perinatol. 2010;30(7):474-8.
Publicação Eletrônica 20/11/2009.
5. Oliveira MVM, Jesus JAL, Tristão RM. Psychophysical parameters in a
multidimensional pain scale in newborns. No prelo .
6. Hummel P. N-PASS Neonatal pain, agitation and sedation scale. 2009
[citado em 20 de outubro de 2011]; Disponível em: www.n pass.com/assesment_table.html.
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você.
Faça com que em vez de pena, tenham respeito por
você.
Quando não conseguir correr através dos anos,
trote.
Quando não conseguir trotar, caminhe.
Quando não conseguir caminhar, use uma bengala.
Mas nunca se detenha!
Madre Teresa de Calcutá
OBRIGADO!
Ddo Marcos Vinicius M. Oliveira, Dr. Paulo R. Margotto e Dra. Tatiane Melo de Oliveira
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Análise psicofísica da escala multidimensional de dor Neonatal Pain