III FÓRUM IDENTIDADES E ALTERIDADES EDUCAÇÃO, DIVERSIDADE E QUESTÕES DE GÊNERO 11 a 13 de novembro de 2009 UFS – Itabaiana/SE, Brasil 2 IDENTIDADE ÉTNICO-RACIAL DO POVO INDÍGENA KIRIRI: ALGUMAS REFLEXÕES Jailda Evangelista do Nascimento Carvalho (UFS)1 Alecrisson da Silva (Pio-Décimo)2 INTRODUÇÃO Neste texto abordaremos algumas reflexões acerca da identidade étnico-racial no contexto geral, e faremos um recorte para a identidade étnico-racial do indígena kiriri da aldeia de Mirandela, no município de Banzaê-BA. Alguns dados estatísticos apontam que negros e índios não chegam as universidade ,fato que também lhes impede de entrar no mercado do trabalho, uma vez que este exige qualificação profissional, cuja estes povos são impedidos de adquirir através de cursos universitários que são em sua grande maioria direcionados para os sujeitos de classes sociais considerada elevadas, excluindo os indígenas e os negros de participarem desse processo, fruto de um contexto interétnico e discriminatório que vivemos atualmente no Brasil. Nesse contexto voltamos nosso olhar para a identidade étnico-racial e cultural do povo, uma vez que essa identidade étnico-racial e cultural foram lhes negada durante muito tempo ao longo de sua história, fruto de grandes repressões sofridas pela sociedade dominante. 1 Graduada em pedagogia; especialista em Metodologias de Ensino para a Educação Básica; aluna do curso de Química (CESAD/ [email protected] 2 Graduado em Letras Vernáculas (Faculdade AGES), aluno do curso de Especialização em Língua Portuguesa (Pio Décimo), professor da rede municipal do município de Coronel João Sá/BA, professor da rede estadual na cidade de Carira/SE, tutor da UFS-CESAD. ANAIS III Fórum Identidades e Alteridades GEPPIADE/UFS ISSN 2176-7033 III FÓRUM IDENTIDADES E ALTERIDADES EDUCAÇÃO, DIVERSIDADE E QUESTÕES DE GÊNERO 11 a 13 de novembro de 2009 UFS – Itabaiana/SE, Brasil 3 Dessa forma, percebe-se que estudos realizados acerca dessa temática vem ganhado espaços no âmbito das discussões acadêmicas da sociedade brasileira, onde negro e índios eram visto culturalmente como seres humanos menos capazes e que carecia de “misericórdia” para que pudesse realizar sua atividade sociais, educacionais entre outras, gerando preconceito e racismo. Para (AZEVEDO, 2004 apud CORDEIRO, 2008), o racismo desde o século passado vem sendo considerado uma construção ideológica, produto de conjunturas históricas nas quais as classes dominantes se apóiam para justificar cientificamente, no passado, a inferiorização dos negros e índios e hoje, justificar as diversas formas de discriminação social, educacional e econômica que estes grupos sofrem em nosso país. A RESERVA KIRIRI A nação Kiriri vive na reserva de Mirandela, no município de Banzaê, nordeste da Bahia. Esta reserva possui uma área de 12.300 hectares e tem formato de octógono, constitui uma população de aproximadamente 1.163 pessoas que e estão divididos em 08 comunidades: Mirandela, Lagoa Grande, Canta Galo, Baixa da Gangalha, Segredo, Gado Velhaco, Curral Falso, Araçá e Marcação . Esses povos vêm sofrendo repressões desde a época das missões jesuíticas no Brasil. Essas missões tiveram contato com estes, pouco mais de um século. Com a expulsão dos jesuítas do território brasileiro pelo Marquês de Pombal em 1758, deu-se a implantação da Administração Civil, com os chamados Diretórios de Índios. Este fato, assim como a dissolução desse sistema administrativo significou, para os índios das aldeias Kipeá-Kiriri, a invasão de seus territórios por posseiros e fazendeiros, restando apenas a Aldeia Saco dos Morcegos, que se manteve apesar do contínuo processo de invasão (Côrtes, 1996, p. 80). ANAIS III Fórum Identidades e Alteridades GEPPIADE/UFS ISSN 2176-7033 III FÓRUM IDENTIDADES E ALTERIDADES EDUCAÇÃO, DIVERSIDADE E QUESTÕES DE GÊNERO 11 a 13 de novembro de 2009 UFS – Itabaiana/SE, Brasil 4 Ainda segundo a mesma autora, essa aldeia permaneceu em atividades por ser considerada pelos posseiros um território pouco produtivo, o que limitava a produtividade apenas para a economia de subsistência dos povos Kiriri. Com a expulsão “dos jesuítas, a administração quis apagar a história dos Kiriri: a aldeia Saco dos Morcegos perdeu seu nome e passou a se chamar de Mirandela” (CÔRTES, 1996, p.72). Para eles mudando o nome da aldeia apagaria toda a história desses povos. Ao perceber os danos que estes estavam lhes causando, o povo da nação Kiriri buscaram juntos aos órgãos responsáveis recuperar seu prejuízo cultural, educacional e territorial. Somente “em meados do século XX as terras doadas pelo rei de Portugal em 1700, foi efetivamente reclamadas pelos Kiriri, principalmente após a instalação, em Mirandela, de um posto Indígena de Serviço de Proteção ao Índio em 1949” (BANDEIRA, 1972, p. 02). Com a implantação desse posto em Mirandela o qual prestava serviço de proteção aos índios esses povos sentiram-se mais seguros e começaram a reivindicar o direito as suas terras. Essas reivindicações transformaram-se em grandes conflitos entre índios e posseiros. Os posseiros não desocuparam as terras indígenas, provocando inúmeros conflitos entre ambos. Vários anos se passaram e os índios continuavam desaldeados por falta de apoio para lutar por suas terras. Revoltados com as injustiças atribuídas a eles começaram a produzir seus alimentos aos redores de Mirandela e cercaram de arame farpado um determinado território que eles próprios denominaram ser deles já que os posseiros não saiam de suas terras. Somente após vários conflitos entre posseiros e indígenas em 11 de novembro de 1995, deu-se a desocupação definitiva das terras indígenas e os povos da nação Kiriri que ANAIS III Fórum Identidades e Alteridades GEPPIADE/UFS ISSN 2176-7033 III FÓRUM IDENTIDADES E ALTERIDADES EDUCAÇÃO, DIVERSIDADE E QUESTÕES DE GÊNERO 11 a 13 de novembro de 2009 UFS – Itabaiana/SE, Brasil 5 lutavam por suas terras, voltaram a viver em Mirandela, antigo Saco dos Morcegos. Estes povos passaram a morar nas casas que haviam sido construídas pelos posseiros durante a ocupação. Assim, passaram a dispor dos serviços de água encanada e energia elétrica. O contribui para a melhoria de vida na aldeia. O POVO KIRIRI O povo Kiriri são descendentes da grande nação Kariri que segundo Fernando índio Kiriri esse nome tem seu significado relacionado por uma árvore de nome kiri que antes da destruição das matas existia ali, quando construíram a igreja de Mirandela, os índios plantaram um pé dessa árvore Kari a qual deu origem ao nome da nação Kiriri. Para Mariano (2000) o nome Kiriri vem de um vocábulo tupi que significa povo “calado”, “taciturno”. Essa designação teria sido atribuída pelos Tupi da costa aos índios habitantes do sertão. Nesse contexto, percebemos que este povo vive em busca da paz, respeito e harmonia com a sociedade envolvente buscando apenas recuperar o que é seu por direito. A língua falada por esses povos é Kipeá que foi perdida durante o processo de lutas e repressões, estes estão buscando resgatá-la junto aos tuxás de Rodela que fala a mesma língua, bem como através de pesquisas em documentos antigo e também junto aos anciãos da aldeia que são as únicas pessoas que falam a língua Kipeá. A ALDEIA DE MIRANDELA A aldeia de Mirandela é considerada o “coração da reserva indígena Kiriri” (MARIANO, 2000, p. 01). Nesse contexto, focalizamos nossa pesquisa apenas nessa aldeia que possui uma população de 80 famílias tendo como total de habitantes 496 pessoas. O povo dessa aldeia praticam atividade voltada para a economia de subsistência. ANAIS III Fórum Identidades e Alteridades GEPPIADE/UFS ISSN 2176-7033 III FÓRUM IDENTIDADES E ALTERIDADES EDUCAÇÃO, DIVERSIDADE E QUESTÕES DE GÊNERO 11 a 13 de novembro de 2009 UFS – Itabaiana/SE, Brasil 6 Entre as várias atividades econômicas desenvolvidas na aldeia destacamos: o artesanato e a agricultura. Segundo Carvalho e Lopes (2009, p. 38) “As práticas artesanais desenvolvidas na aldeia são consideradas de suma importância para o enriquecimento cultural e econômico desses povos, pois a mesma é considerada por eles de fundamental importância para a preservação das tradições”. Ainda segundo as mesmas autoras, nessa aldeia pode-se observar que o artesanato é “praticado pelas mulheres em suas casas onde as mesmas fazem belos colares, brincos, pulseiras e tiaras usando penas de aves e sementes extraídas de plantas nativas” (p. 38). Segundo eles, com a prática artesanal buscam favorecer o desenvolvimento econômico e cultural da aldeia respeitando as suas diversidades e especificidades étnicos -culturais e a valorização do trabalho manual feminino desenvolvido na aldeia. Carvalho e Lopes (2009) salientam que a cultura para o povo de etnia Kiriri é de fundamental importância para diferenciar os índios dos não-índios, no entanto procuram usar sempre as vestes que preservem a sua tradição como saias de pindoba usadas por todos da aldeia por cima do short. As mulheres usam além da saia um sutiã feito do mesmo material e ambos usam adereços na cabeça. Segundo eles é essa caracterização que os faz ser diferentes dos outros povos, sentem orgulho de serem Kiriri (p. 38) No tocante a agricultura, Carvalho e Lopes (2009) afirmam que “ esses povos retiram parte do alimento necessário à sobrevivência da própria natureza” (39). Os homens da aldeia têm um dia da semana que trabalham para a produção coletiva e os demais trabalham individual para o sustento da família ficando alerta que, se caso algum membro da tribo esteja necessitando de ajuda na sua roça os demais membros se dispõem a ajudá-lo ANAIS III Fórum Identidades e Alteridades GEPPIADE/UFS ISSN 2176-7033 III FÓRUM IDENTIDADES E ALTERIDADES EDUCAÇÃO, DIVERSIDADE E QUESTÕES DE GÊNERO 11 a 13 de novembro de 2009 UFS – Itabaiana/SE, Brasil 7 no momento de necessidade. O seu principal cultivo são as culturas de milho, feijão e mandioca, bem como a prática da caça, pesca e a coleta de frutos silvestres. Segundo Carvalho e Lopes (2009) “a religião praticada por esses é a católica. A aldeia possui uma igreja secular que segundo José Valdo índio da aldeia, foi construída pelos jesuítas na época das missões” (39). Ela é preservada com muito cuidado por fazer parte da história desse povo. Nessa igreja, que tem como padroeiro nosso Senhor de Ascensão, é celebrada missas uma vez a cada mês, pelo padre do município de Banzaê/BA. IDENTIDADE ÉTNICO-RACIAL DO POVO KIRIRI: ALGUMAS REFLEXÕES Ao refletirmos acerca da identidade étnico-racial consideramos pertinente destacar o significado do termo identidade. Segundo (SODRÉ, 1999 apud LOPES; LIMA, 2008) falar de identidade é designar um complexo relacional que liga o sujeito a um quadro contínuo de referências, constituído pela interseção de sua história individual com a do grupo onde vive. Cada sujeito singular é parte de uma comunidade histórico-social, afetado pela integração num contexto global de carências naturais, psicossociais e de relações com outros indivíduos, vivos e mortos. A identidade de alguém, de um “si mesmo”, é sempre dada pelo reconhecimento do “outro”, ou seja, a representação que o classifica socialmente (p. 13). Nesse contexto, percebe-se a importância da interação entre os grupos étnicos os quais objetivam construir-se e transformar-se socialmente ao longo de sua história. É nesse contexto que buscamos compreender o processo de (re) construção da identidade étnica dos sujeitos pesquisados. Segundo eles, a consolidação da identidade étnico-racial é considerada um elemento de fundamental importância para que possam lutar pelos seus direitos, pois, sua identidade deve ser respeitada e valorizada. ANAIS III Fórum Identidades e Alteridades GEPPIADE/UFS ISSN 2176-7033 III FÓRUM IDENTIDADES E ALTERIDADES EDUCAÇÃO, DIVERSIDADE E QUESTÕES DE GÊNERO 11 a 13 de novembro de 2009 UFS – Itabaiana/SE, Brasil 8 Dessa forma a identidade pode ser definida como sendo um conjunto de caracteres próprios e exclusivos de uma determinada pessoa. Podendo este conceito, está ligado às atividades pessoais, à sua história de vida, ao futuro, características de personalidade e outras características do indivíduo. A identidade permite que o indivíduo se perceba como sujeito único, tomando posse da sua realidade individual e, portanto, consciência de si mesmo Cordeiro (2008). A identidade não é só o que a pessoa aparenta, ela agrupa várias idéias como a noção de permanência, de pontos que não mudam com o tempo, ou seja, esses pontos identitários são permanentes na vida do individuo que vive em um determinado grupo social e que precisa se relacionar com este grupo respeitando suas normas e padrões de convivência social. É nesse contexto de negação da identidade que vivem os povos indígenas e negro no Brasil, Cordeiro (2008) afirma que Ao analisarmos a trajetória dessas populações na construção de sua identidade, temos que considerar as várias formas de expressão do racismo e de como estas, no decorrer da história de vida do negro e do índio, torna-se o principal fator de desvalorização de suas matrizes raciais e, por conseguinte, de sua cultura. Foi nesse contexto de repressão e negação de sua identidade étnico-racial que viveu durante muito tempo os índios Kiriri da aldeia de Mirandela que segundo Côrtes (1996) Até o ano de 1970, os Kiriri eram identificados pela sociedade envolvente, e se auto-identificavam como caboclos, pois, reconhecer-se como índios, naquele momento, era ser chamado de bicho - do - mato. Até então, para a população envolvente, os Kiriri não passavam de caboclos sem passado ou futuro, em aparente processo de assimilação progressiva (p. 61) Naquele momento identificar-se como índios para eles não era bom, pois ser índio, era sinônimo de “selvagerismo” entre outros termos pejorativos que eram usados para se referir a esses povos. A partir da década de 70, esses povos começaram a buscar sua reafirmação identitária e a lutar pelos seus direitos e pela posse de seu território. ANAIS III Fórum Identidades e Alteridades GEPPIADE/UFS ISSN 2176-7033 III FÓRUM IDENTIDADES E ALTERIDADES EDUCAÇÃO, DIVERSIDADE E QUESTÕES DE GÊNERO 11 a 13 de novembro de 2009 UFS – Itabaiana/SE, Brasil 9 Segundo Carvalho e Lopes (2009) para o “povo Kiriri preservar sua identidade étnico-racial é muito importante, pois a mesma já lhes foi negada durante muito tempo” (p.02). Nesse contexto, a escola é um dos elementos que contribuirá com a solidificação desse processo, pois, atualmente em seus relatos informais esse povo se identificam como índios kiriri assumindo sua identidade étnica de forma espontânea, sem nenhuma preocupação em se auto-identificar como índio . Santana (2008) salienta que ao mesmo tempo em que os kiriri buscam (re) construir sua identidade étnica e (re) afirmar suas tradições culturais, os mesmos começam a reivindicar projetos de educação escolar que possam servir enquanto instrumento de luta política e como meio de acesso a conhecimentos universais e de valorização e sistematização de saberes e conhecimentos tradicionais ( p. 02). Desse modo, o povo Kiriri veem a escola como um dos instrumentos que contribui para sua (re) afirmação étnico–racial, uma vez que essa é um instrumento de acesso ao mundo dos conhecimentos políticos, sociais e universais. CONSTRUÇÃO DE PROJETOS ESCOLARES EM BUSCA DE RE(AFIRMAÇÃO) ÉTNICO-RACIAL E CULTURAL NA ALDEIA DE MIRANDELA Segundo Côrtes (1996) somente a partir da década de 1980 surgiu o primeiro projeto de educação escolar Kiriri, desenvolvido com base nas idéias de Pulo Freire e Celesttin Freinet e outros estudos sobre educação popular e escola comunitária . Esse projeto tinha por objetivo buscar uma prática educativa de um processo interativo entre o saber cotidiano dos kiriri – oriundos de seus processos coletivos de produção – e a escola de origem ocidental (CORTES, 1996, p. 87). Nesse projeto os kiriri, buscaram adquirir uma prática educativa que pudesse favorecer a educação desses povos e relacioná-la com os saberes cotidianos dessa ANAIS III Fórum Identidades e Alteridades GEPPIADE/UFS ISSN 2176-7033 III FÓRUM IDENTIDADES E ALTERIDADES EDUCAÇÃO, DIVERSIDADE E QUESTÕES DE GÊNERO 11 a 13 de novembro de 2009 UFS – Itabaiana/SE, Brasil 10 comunidade, que seja diferenciada e procure valorizar e respeitar as tradições de seu povo. O cacique Lázaro afirma em seu discurso que o índio precisa de quem os ensine a pescar, não adianta dar o peixe pescado. Nós precisamos também compartilhar nossa sabedoria de lá de fora, de lá da cidade, mas temos nossa história, cada um tem a sua história, a sua sabedoria própria (LÁZARO apud MARIANO, 2000, p. 07-08). Assim, percebemos na fala do Cacique que ser índio não é deixar de ser brasileiro, mas sim buscar uma interação entre as culturas, pois ambas tem saberes a serem compartilhados. Portanto, a escola na comunidade é vista como algo positivo, sobretudo, nos aspectos que dizem respeito aos fatores culturais, principalmente à cultura. Podemos então perceber que esses sujeitos valorizam a escola na sua comunidade, pois vêem na escola a oportunidade de aprender a ler e escrever, bem como a valorização de sua cultura, especialmente a língua nativa. Dessa forma percebemos que a interculturalidade e a diversidade fazem parte dos seus projetos de reafirmação étnica, que vêm buscando resgatá-la ao longo de sua história. Nesse contexto, concordamos com Grupioni (2008), quando salienta que as escolas indígenas devem contar, dentre outros elementos, “com recursos pedagógicos e materiais didáticos específicos que valorizem e tragam para dentro da sala de aula, os conhecimentos tradicionais daqueles povos, escritos em língua indígena e em língua nacional” (p.14). Desse modo, a escola estará contribuindo com a solidificação do processo de reafirmação étnica desse povo, com a valorização de suas línguas maternas, saberes tradicionais e identitários. CIAMPA (2002), afirma que ANAIS III Fórum Identidades e Alteridades GEPPIADE/UFS ISSN 2176-7033 III FÓRUM IDENTIDADES E ALTERIDADES EDUCAÇÃO, DIVERSIDADE E QUESTÕES DE GÊNERO 11 a 13 de novembro de 2009 UFS – Itabaiana/SE, Brasil 11 os grupos sociais lutam pela afirmação e pelo desenvolvimento de suas identidades coletivas, no esforço de controlar as condições de vida de seus membros; indivíduos buscam a transformação e o reconhecimento de suas identidades pessoais na tentativa de resolver conflitos em face de expectativas sociais conflitantes. (p. 01). Nesse contexto de diversidade cultural em que contra nosso país, estes indivíduos lutam pelo o reconhecimento de suas identidades para que possam viver em harmonia com os demais grupos sociais. No tocante a busca da ancestralidade esses povos praticam o ritual do toré que é um ritual celebrado na praça junto a uma cabana, onde fica a bebida da jurema, que é consumida por todos durante o ritual do toré. Carvalho e Lopes (2009, p.39) “esse ritual é praticado por eles para celebrar as conquistas da comunidade, pois, oferecem as suas vitórias aos seus ancestrais. Esse ritual de busca a ancestralidade estes povos estão buscando resgatá-lo junto aos povos Tuxá de Rodelas bem como, introduzi-lo alguns novos elementos tais como: seus encantados, repertório melódico original, seus próprios toantes, bases coreográficas e vestuários (MARTINS, 1985, apud. BANDEIRA, 1972, p. 07). Dessa forma o toré ficará com características próprio do povo indígena kiriri. CONSIDERAÇÕES FINAIS No contexto étnico do povo Kiriri percebemos que estes povos vêm enfrentando grandes dificuldades na (re) construção de sua identidade étnico-racial, visto que esta tinha sido lhes negada durante muito tempo fruto da discriminação e preconceito que sempre foi atribuído a esses povos ao longo de sua história. ANAIS III Fórum Identidades e Alteridades GEPPIADE/UFS ISSN 2176-7033 III FÓRUM IDENTIDADES E ALTERIDADES EDUCAÇÃO, DIVERSIDADE E QUESTÕES DE GÊNERO 11 a 13 de novembro de 2009 UFS – Itabaiana/SE, Brasil 12 Dessa forma percebe-se que apesar das dificuldades enfrentadas por esses povos, não desistiram de lutar pelo que era seu de direito, como a sua identidade, seu território e demais direitos lhes concebido pelos órgãos de ordenamento legal, a Constituição de 1988 e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional Lei 9394/96 (LDB). Que entre vários outros direitos assegurados, está o direito a preservação de sua identidade étnico-racial e diversidade cultural, bem como a educação diferenciada. Atualmente esses povos se identificam espontaneamente como índios da nação Kiriri e sentem-se orgulhosos em fazerem parte desse povo. Para eles essa é uma das vitórias alcançadas através de muitas lutas, hoje podem ter sua identidade reconhecida. 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Dos “Saberes da tradição” aos “saberes da escola” no contexto do povo indígena kiriri. In: Anais do II Fórum Identidades e Alteridades. Ed. UFS. Dias 13e 14 de novembro, Itabaiana-SE , 2008. ANAIS III Fórum Identidades e Alteridades GEPPIADE/UFS ISSN 2176-7033