Mediação pedagógica com apoio tecnológico em ambientes
de EAD
Carlos Emilio Padilla Severoa, Liliana Maria Passerinob e José Valdeni de Limac
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Abstract. Assuming that the mapping of student participation in activities supported by virtual learning environments
allows the teacher grants for educational intervention and monitoring trends in the development of individual learning of
each student, we propose a mechanism that automates the search and extraction of the contents of these interactions in
form of evidences of needs mediation.
Keywords: virtual learning environment; pedagogical mediation; mediation supported by technology.
PACS: 01.50.H-
INTRODUÇÃO
As primeiras iniciativas de construção de ambientes virtuais de ensino-aprendizagem (AVEA) ocorreram em
meados da década de 1990, influenciadas por mudanças na Internet, tais como: popularização e crescimento do uso
da rede com a incorporação de organizações empresariais; e o surgimento da Web, através da utilização do
navegador e sua padronização como interface de acesso a conteúdos [1].
Segundo Almeida [2], tais ambientes permitem a integração de diversas mídias, linguagens e recursos. Além de
potencializarem a interação entre os participantes e objetos do conhecimento, visando objetivos previamente
traçados. Entretanto, devemos entender que não são as ferramentas disponíveis nesses ambientes, nem mesmo sua
estrutura que irão garantir aprendizagem, mas sim, a forma como tais recursos são utilizados para construção do
conhecimento coletivo a partir de interações dos indivíduos, pautadas em um planejamento prévio.
A intervenção de moderadores em AVEA é essencial para que ocorra o engajamento dos participantes, tentandose evitar frustrações de expectativas. Tal moderação pode influenciar o participante de maneira positiva ou negativa.
Para isso, devem-se considerar questões como acesso e participação, estilos de aprendizagem e natureza do curso e
seus participantes [3] [1].
Okada [4] acrescenta afirmando que outro problema do modelo educacional baseado em ambientes virtuais de
ensino-aprendizagem é preço da flexibilidade temporal e espacial proporcionada, visto que pode gerar uma
sobrecarga ao professor durante a organização do grande fluxo de informações gerado, demandando um expressivo
tempo para isso. Dessa forma, a autora destaca a importância da mediação pedagógica em AVEA como forma de
incentivar a colaboração. Franco e Costa [5] complementam a importância da mediação pedagógica informando que
o professor deve agir como um facilitador durante o processo de construção da aprendizagem em ambientes virtuais,
agindo na seleção de conteúdos, estabelecendo sequências lógicas, identificando materiais e fontes, moderando
espaços compartilhados, acompanhando espaços de produção, bem como, desenvolvendo estratégias para
constituição de um ambiente de aprendizagem colaborativa.
Sendo assim, este trabalho apresenta uma abordagem de pesquisa que visa conceber uma arquitetura de software
para apoio ao professor em sua atividade de mediação pedagógica em ambientes virtuais de ensino-aprendizagem.
Para isso, pretende-se realizar uma análise qualitativa dos conteúdos resultantes das interações dos alunos no interior
do ambiente virtual de ensino-aprendizagem, buscando o levantamento do nível de autonomia do aluno no
desenvolvimento de sua aprendizagem. Dessa maneira, enfatizamos a importância da combinação de princípios
epistemológicos de mediação pedagógica em ambientes virtuais com tecnologias computacionais que auxiliem as
atividades didático-pedagógicas do professor através da identificação de indícios de mediação em tais ambientes.
MEDIAÇÃO PEDAGÓGICA EM AVEA
Utilizamos a teoria sócio-histórica como base epistêmica deste trabalho para compreensão da mediação como
processo pedagógico em ambientes virtuais de ensino-aprendizagem. Através das obras de Vygotsky [6] [7], bem
como, autores contemporâneos da mesma linha como [8] [9] [10] [11], [12] [13] e [14], os quais representam o
alicerce para os estudos sobre atividades de mediação em AVEA. A escolha da abordagem epistemológica está
relacionada com as afinidades do grupo de pesquisa, bem como, aos princípios teóricos que conduzem as
investigações do projeto de pesquisa MEDIATEC [17] – Mediação Tecnológica em Espaços Virtuais para Apoio ao
Professor Online, no qual este trabalho está inserido. O MEDIATEC é um projeto que visa verificar como os ajustes
de mediação pedagógica podem ser realizados no contexto educativo da modalidade de ensino a distância através do
emprego de tecnologias da informação e comunicação [15] [16] [17] [18] [19] [20] [21].
Tomamos aqui o conceito de mediador proposto por Kozulin [10], onde o mediador é visto como a pessoa que
interage com o indivíduo aprendiz através do acompanhamento do desenvolvimento de suas funções cognitivas, na
busca da organização do pensamento e melhora dos processos de aprendizagem. Segundo Werstch [8] a mediação
ocupa um papel teórico central nos trabalhos de Vygotsky, de forma especial a mediação semiótica. De acordo com
a pesquisa sócio-histórica, os seres humanos têm acesso ao mundo de forma indireta ou mediada, tanto na forma
como obtemos informações, como na forma como agimos sobre ele através de nossas ações. De acordo com Daniels
[22] o mediador exerce uma função fundamental, pois é o meio pelo qual o indivíduo age sobre fatores sociais,
culturais e históricos sofrendo a ação dos mesmos.
Portanto, utilizaremos neste trabalho o termo mediador como o indivíduo que irá intervir pedagogicamente
através da utilização dos instrumentos de mediação na forma de ferramentas de um ambiente virtual de ensino e
aprendizagem. Assim, mediação pedagógica será a ação desenvolvida pelo professor em interação com seus alunos
dentro de um espaço de interação que denominaremos de ambiente virtual de ensino-aprendizagem.
Em pesquisas preliminares verificamos que poucos estudos relacionam a teoria sócio-histórica com a área de
computação no quesito de levantamento de indícios de mediação em ambientes virtuais. Os trabalhos de Andrade e
Vicari [23] [24] exploram o tema Zona de Desenvolvimento Proximal na concepção de um modelo de aluno em
AVEA, associando técnicas da Inteligência Artificial como agentes pedagógicos e modelos mentalistas. Já o
trabalho de Faria [25] analisa a interatividade em ambientes virtuais de ensino-aprendizagem, cuja investigação
buscou desvendar como se estabeleceu as relações, comunicações e mediações entre os indivíduos no ambiente,
entretanto, não realiza alguma relação entre o uso de tecnologia computacional e o processo de mediação. O trabalho
de Machado [26] investiga a relevância da mediação pedagógica em ambientes virtuais de ensino-aprendizagem sob
a perspectiva sócio-histórica, mas também não associa tecnologia da informação e comunicação na mediação
pedagógica. Silva [27] toma como base os princípios sobre interação e mediação pedagógica, sob uma perspectiva
sócio-histórica, para investigar a influência dos gêneros hipertextuais na interação e mediação pedagógica entre os
indivíduos envolvidos em cursos à distância pela Internet.
Apesar dos trabalhos citados não relacionarem diretamente a teoria sócio-histórica com tecnologias
computacionais na concepção de mecanismos de apoio a mediação pedagógica em ambientes virtuais, tais trabalhos
enfatizam a aplicação dos princípios epistemológicos propostos pela teoria e a importância da mediação em AVEA.
REGULAÇÃO DA APRENDIZAGEM
A teoria sócio-histórica explica o desenvolvimento cognitivo como uma estruturação progressiva das relações
com o ambiente. Sendo este processo individual, mas estruturado pelas experiências sociais as quais desempenham
não apenas um papel adicional, senão fundamental na constituição das dinâmicas individuais originadas a partir de
relações interindividuais. Para Vygosky a ação do homem tem efeitos físicos de mudanças no mundo e efeitos
psicológicos sobre o próprio homem. Desta forma os Processos Psicológicos Superiores (PPS) ou Processos
Cognitivos se desenvolvem durante a vida de um indivíduo a partir da sua participação em situações de interação
social mediados por instrumentos e signos. No desenvolvimento dos processos cognitivos, os signos são
internalizados de forma tal que os processos cognitivos “incorporam à sua estrutura, como parte central de todo o
processo, o emprego de signos como meio fundamental de orientação e domínio nos processos psíquicos” [7]. Essa
internalização, que chamaremos de apropriação não é tanto uma questão de posse, de propriedade ou mesmo de
domínio, individualmente alcançados, mas é essencialmente uma questão de pertencer e participar nas práticas
sociais.
A apropriação resulta assim numa transmissão cultural “que permite aprendemos as coisas através dos outros de
forma que não apenas nos apropriamos dos artefatos e práticas sociais, mas também dos problemas e situações para
os quais estes foram desenvolvidos [28]. Desta forma, os artefatos e práticas apontam para além deles mesmos
(mundo físico) apontam para o mundo psicológico, das intenções e crenças, das representações mentais dos nossos
pares conformando o que genericamente denominamos de processo de mediação. Para Werstch [8] mediação é um
processo dinâmico, no qual intervém ferramentas e signos numa ação envolvendo o potencial das ferramentas para
modelar a ação e o uso das mesmas por parte dos indivíduos.
Um dos problemas atuais dos pesquisadores sócio-históricos é acompanhar e compreender esse processo de
mediação até a internalização. Alguns pesquisadores identificaram a existência de um mecanismo que poderia
identificar um signo internalizado e portanto acompanhar o desenvolvimento cognitivo do sujeito [14] [11] e [8].
Para Diaz et. al. [14] “o comum denominador destas transformações ou câmbios evolutivos são a diminuição do
poder das contingências imediatas do meio e o crescente papel da reformulação de projetos e de objetivos na
regulação da conduta e da atividade cognitiva” e o que denominou de auto-regulação1. As capacidades de autoregulação se desenvolvem dentro do contexto da interação social entre os parceiros mais e menos experientes. Seria
através dela que o processo de internalização poderia ser verificado.
Assim, do ponto de vista educacional, ações de mediação são importantes, não somente para o desenvolvimento
cognitivo do aluno, mas também, para o desenvolvimento de sua autonomia. Em ambientes virtuais de ensinoaprendizagem não poderia ser diferente. Tais ambientes apresentam mecanismos que permitem tanto ensino como
aprendizagem flexível, independentes de espaço e tempo para que possam ser desenvolvidos.
Além disso, aprendizagem, mediação e comunicação são conceitos intimamente ligados e que representam um
ponto chave para a qualidade do ensino a distância. O professor exerce uma importante função no desempenho de
sua atividade de mediação, buscando a realização de ajustes para que o aluno possa desenvolver um melhor
desempenho, de acordo com as necessidades individuais do estudante.
O processo de regulação proposto por Diaz et. al. [14] e adaptado por Passerino [29] é realizado em níveis que
partem de um controle, passando por autocontrole e chegando a auto-regulação.
• Controle é externo ao sujeito, realizado pelo sujeito mais experiente e pode assumir duas dimensões: direta
ou indireta.
• Controle Direto verifica-se através de ordens, diretivas e perguntas diretivas.
• Já o Indireto constata-se através de perguntas perceptivas, conceituais, procedimentais, e culminam no
afastamento físico (o sujeito mais experiente deixa só o menos experiente apenas observando) que entra na
categoria de autocontrole.
Diaz et. al. [14] consideram autocontrole, como a realização, por parte do sujeito, de uma ação esperada
obedecendo a um tutor internalizado. Ou seja, a figura do sujeito mais experiente que era real e externo no processo
anterior, agora é interna, mas ainda existe como outro sujeito. A auto-regulação não pode ser observada de forma
direta, pois a mesma acontece internamente ao sujeito, mas considera-se que o sujeito está na categoria de autocontrole quando organiza, planeja e executa a ação sem intervenção de nenhum mediador externo. Assim, a autoregulação é o plano de ação concebido pelo sujeito que se converte no seu próprio tutor. A diferença entre
autocontrole e auto-regulação passa pela capacidade do aluno planejar e definir objetivos, organizando
funcionalmente sua conduta e adaptando-a de acordo com o contexto. A figura 1 apresenta as categorias.
1
Na auto-regulação a conduta do sujeito segue um plano projetado pelo próprio sujeito, adaptando-se flexivelmente a fim de cumprir
com os objetivos que ele mesmo formulou.
FIGURA 1. Categorias de mediação pedagógica.
MINERAÇÃO DE DADOS E NÍVEIS DE REGULAÇÃO DA APRENDIZAGEM
Como as ações de mediação são importantes para o desenvolvimento da aprendizagem do aluno no âmbito
educacional, em ambientes virtuais de ensino-aprendizagem não poderia ser diferente. Tais ambientes apresentam
mecanismos que permitem tanto ensino como aprendizagem flexível, independentes de espaço e tempo para que
possam ser desenvolvidos.
O trabalho de Koch [18] aponta que as evidências de mediação em ambientes de ensino a distância mostram-se
de grande importância no desenvolvimento de processos educativos. Os dados coletados a partir de pesquisa
empírica mostram que do ponto de vista pedagógico, o papel do mediador e seu ajuste nas ajudas oferecidas dentro
das categorias identificadas de controle, autocontrole e auto-regulação são importantes para a autonomia do aluno e
a apropriação do conhecimento.
A hipótese básica do estudo de Koch é que as categorias de controle, autocontrole e auto-regulação, podem ser
aplicadas de forma produtiva na análise e ajustes dos processos de mediação que ocorrem em ambientes de EAD,
pois além de ajudarem na compreensão dos processos de mediação propõem que estas categorias possam servir de
base para a construção de ferramentas para AVEA. As quais apóiem tanto professores quanto alunos a atingirem
processos de mediação produtivos, do ponto de vista pedagógico.
Neste trabalho, enfatizamos a importância da combinação de princípios epistemológicos de mediação pedagógica
em ambientes virtuais com tecnologias computacionais que auxiliem as atividades didático-pedagógicas do
professor através do levantamento de indícios de mediação em tais ambientes. Para isso, faz-se necessário a
exploração da tecnologia de mineração de dados na construção de uma arquitetura de software de apoio ao processo
de mediação.
Muitos trabalhos encontrados na literatura reforçam esta idéia, como em Ma et. al. [30] onde a preocupação é
analisar estudantes identificando aqueles que possuem um fraco potencial para determinado curso. Os resultados da
análise são utilizados para sugestão de realocação do estudante para outro curso de interesse. Para isso, os autores
utilizaram um modelo de pontuação de alunos, baseado em regras de associação.
Outro trabalho, desenvolvido por Luan [31], utiliza algoritmos supervisionados e não supervisionados de
agrupamento e predição com o objetivo de orientação de instituições educacionais na alocação de recursos e pessoal,
através de um gerenciamento pró-ativo na busca do desenvolvimento do estudante.
Lei et. al. [32] propõem a utilização de funções exploratórias para mineração de dados na Web, com foco em um
melhor entendimento do aluno para elaboração de um processo de avaliação formativa, cujo objetivo é a melhora de
projetos instrucionais baseados na Web. Com isso, os autores sugerem a utilização de análise de padrões seqüenciais
relacionados às atividades de aprendizagem dos alunos, buscando uma importante realimentação para o professor.
Talavera e Gaudioso [33] investigaram a utilização de técnicas de agrupamento para identificação de padrões que
refletem o comportamento de estudantes em dados provenientes de sistemas de gerenciamento de cursos virtuais. O
trabalho focou no estudo e definição de padrões de modelos de dados para representação das interações no ambiente
dos cursos.
Em Ventura et. al. [34] apresentam um trabalho sobre o desenvolvimento de um framework para auxílio ao
professor durante o processo de análise de medidas geradas por regras de avaliação na mineração de dados
educacionais, dando suporte à criação de novas regras pelo professor.
Os trabalhos citados visam à obtenção de informações acerca dos estudantes com o objetivo de orientação ao
professor quanto às necessidades dos alunos, relacionando-se com o presente trabalho, o qual apresenta uma
proposta de utilização de técnicas de mineração de dados orientada a professores, buscando a concepção de uma
arquitetura de software direcionada ao apoio às atividades de intervenção pedagógica em ambientes virtuais de
ensino-aprendizagem. Tal apoio será realizado através da identificação do nível de regulação da aprendizagem atual
do aluno, para que o professor possa estabelecer estratégias de mediação.
METODOLOGIA
O foco deste trabalho foi o desenvolvimento de um mecanismo que combine a tecnologia de mineração de dados
com princípios da epistemologia sócio-histórica para o fornecimento de elementos de apoio à mediação pedagógica
em ambientes virtuais de ensino-aprendizagem.
Sendo assim, este trabalho envolveu uma pesquisa aplicada de ordem tecnológica, cuja finalidade foi a
elaboração de um software e aplicação deste no âmbito da mediação pedagógica em ambientes virtuais de ensinoaprendizagem. Tal software irá auxiliar no processo de intervenção pedagógica do docente através da identificação
do nível de regulação da aprendizagem atual do aluno pelo mapeamento de suas interações nas diversas ferramentas
do ambiente, tais como: e-mail, chat, mural, fórum, diário, etc.
O conteúdo resultante das interações através dessas ferramentas é essencialmente textual, formando a base para a
tomada de decisões pedagógicas do professor durante o desenvolvimento de suas atividades na modalidade de
ensino a distância. Tais decisões pedagógicas levam em conta o estado atual do aluno no desenvolvimento de sua
aprendizagem.
Como o presente trabalho está inserido no escopo do projeto de pesquisa MEDIATEC, convém uma breve
explanação sobre as etapas desenvolvidas no mesmo para que possamos contextualizar esta investigação.
Uma primeira etapa do projeto MEDIATEC foi a identificação das categorias de mediação apontadas por
Passerino et. al. [35] [36] e [14] em textos provenientes de interações dos alunos através de distintas ferramentas do
ambiente virtual. A identificação das categorias foi realizada por uma equipe de especialistas na área de educação e
ocorreu pela identificação de marcadores textuais que permitem a classificação das postagens em uma determinada
categoria de mediação [18].
A segunda etapa do MEDIATEC foi a proposta de definição de um modelo formal para representação do
domínio de um sistema de aprendizagem supervisionada direcionado a detecção das categorias de mediação
presentes nas interações realizadas no ambiente virtual. O trabalho de Raminelli et. al. [19] avaliou diversos
algoritmos de aprendizagem através de experimentos, chegando à conclusão que o algoritmo de classificação Naive
Bayes foi o mais eficaz.
A etapa atual do projeto MEDIATEC é a concepção de uma arquitetura de software para ambientes virtuais de
ensino aprendizagem para identificação do nível de regulação da aprendizagem do aluno. Conforme apontam Gluz
[15] e Passerino [16] um mecanismo de mediação tecnológica poderia atuar mais identificação da categoria de
controle, pois é a que detém maior parte do trabalho do professor, principalmente no início de um curso onde o
aluno precisa se apropriar de conceitos novos que são fundamentais para o desenvolvimento de sua aprendizagem.
Dessa forma, busca-se aliviar a sobrecarga de trabalho do professor na análise do volume de informações
provenientes de interações no ambiente, reduzindo-se o tempo de dedicação do mesmo em atividades online. Tempo
esse que pode ser quatro ou cinco vezes maior que em atividades presenciais no modelo de ensino tradicional,
conforme nos esclarecem Palloff e Pratt [37].
Neste trabalho, almejamos determinar o grau de precisão do processo de captura de indícios de mediação através
da identificação dos níveis de regulação da aprendizagem dos alunos envolvidos em um curso online, através da
aplicação de um estudo piloto. O estudo piloto é caracterizado como Ex-Post-Facto, pois utilizou dados provenientes
de um curso já realizado para sua execução.
Os dados utilizados na avaliação do processo de captura de indícios de mediação foram provenientes do
ambiente virtual de ensino-aprendizagem Moodle, mantido pelo curso de especialização em Mídias na Educação,
promovido pelo Centro Interdisciplinar de Novas Tecnologias na Educação – CINTED, da Universidade Federal do
Rio Grande do Sul.
Para o estudo piloto utilizamos dados provenientes da ferramenta fórum na identificação de postagens
relacionadas às categorias de controle direto e indireto. No trabalho foram utilizadas observações de processos
envolvidos na implantação do software no ambiente virtual de ensino-aprendizagem Moodle, mantido pelo grupo de
pesquisa no âmbito do projeto MEDIATEC, bem como, o comportamento do software durante a captura dos
indícios de mediação.
Aspectos tecnológicos
Em relação aos aspectos tecnológicos cabe ressaltar que o software foi implementado em três camadas, ilustradas
através da Figura 2, a saber:
A primeira camada corresponde a um bloco o qual foi escrito em PHP [38] utilizando a interface de
programação do Moodle. O bloco apresenta uma interface gráfica para acesso as funcionalidades do
software, tais como: realização do processo de preparação dos dados para posterior utilização pelo algoritmo
de inferência bayesiana; apresentação gráfica dos resultados de identificação do nível de regulação da
aprendizagem do aluno.
Uma segunda camada permite a integração de duas tecnologias utilizadas na codificação do software que são
PHP e Java [39]. Trata-se de uma ponte que permite a comunicação entre ambas as tecnologias denominada
JavaBridge [40].
A terceira camada realiza as tarefa de mineração de dados propriamente dita, a qual envolve a aplicação do
algoritmo de inferência bayesiana. Esta camada foi desenvolvida através da tecnologia Java com bibliotecas
de mineração de dados do framework Weka [41].
A arquitetura para mediação pedagógica apresenta uma interface de integração com ambientes virtuais de ensinoaprendizagem para que os resultados da análise de interações sejam categorizados e apresentados ao professor
através de metáforas de interface. A utilização de metáforas de interface visa uma representação abstrata do nível de
intervenção necessário do professor em relação ao aluno, de acordo com o nível de regulação da aprendizagem
identificado para o aluno. As categorias de mediação são: controle, autocontrole e auto-regulação.
Para a classificação de alunos em categorias de mediação serão aplicados algoritmos de mineração textos, os
quais visam a identificação de indícios que propiciem a identificação de necessidades de mediação pedagógica.
FIGURA 2. Arquitetura de mediação pedagógica em AVEA.
Análise dos resultados do estudo piloto
Os resultados da aplicação do estudo piloto foram obtidos por meio de uma observação do comportamento do
software em sua tarefa de levantamento dos níveis de regulação dos alunos. A observação objetivou a verificação do
grau de precisão do processo de identificação do nível de regulação da aprendizagem de cada aluno, buscando-se
apresentar ao professor (mediador) em que nível de regulação o aluno se encontra. Com base nessa informação, o
professor poderá identificar o nível de intervenção pedagógica necessário durante o aprendizado do aluno.
A figura 3 apresenta o bloco e-Mediation e suas funcionalidades. O professor poderá acessar um relatório de
análise do nível de regulação da aprendizagem de cada aluno participante do curso.
FIGURA 3. Bloco e-Mediation para o ambiente Moodle.
A figura 4 apresenta uma interface gráfica do módulo e-Mediation na qual é apresentada a participação de um
aluno na ferramenta fórum do curso Mídias na Educação. O gráfico ilustrado representa a identificação dos níveis de
regulação baseados nos conteúdos das mensagens postadas pelo aluno no fórum. Na ilustração podemos observar
que o aluno em questão pode ser classificado no nível de controle direto, visto que 94% dos conteúdos postados no
fórum foram identificados como interações passíveis de uma intervenção pedagógica direta; enquanto que 6% dos
conteúdos postados representam interações relacionadas a uma intervenção pedagógica indireta; onde ambos os
tipos de intervenções do docente visam a uma maior autonomia do aluno no desenvolvimento de seu aprendizado.
FIGURA 4. Nível de regulação da aprendizagem do aluno.
Utilizamos uma metáfora de interface para apresentar ao professor o nível de regulação da aprendizagem que o
aluno se encontra no momento. Para isso nos baseamos em uma simbologia bem conhecida que são os sinais de um
semáforo de trânsito; onde a luz vermelha representa um alerta, chamando a atenção do professor para que sua
intervenção pedagógica seja de controle direto; já a luz verde é um indicativo que o tipo de intervenção pedagógica
de ser de controle indireto.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A intervenção pedagógica do docente durante o desenvolvimento da aprendizagem do aluno é um fator essencial
tanto no modelo de ensino tradicional como no modelo online.
O fornecimento de subsídios para que o professor mediador possa desenvolver suas atividades pedagógicas no
sentido de conduzir suas intervenções visando à autonomia do aluno, durante o desenvolvimento de sua
aprendizagem em ambientes virtuais é um fator importante para redução da sobrecarga de trabalho do docente.
Acreditamos que a utilização de ferramentas que gerem informações aos docentes acerca das necessidades de
mediação do aluno seja um elemento importante para que o professor possa elaborar estratégias pedagógicas no
decorrer do curso no ambiente online. Além de auxiliar o mesmo evitando um desgaste no processo manual de
identificação das necessidades pedagógicas individuais de cada aluno.
Quanto à aplicação do estudo piloto o que podemos observar é que o mecanismo realizou a identificação de
indícios de mediação no ambiente virtual, cumprindo com seu propósito inicial. Tal fato foi comprovado visto que
as postagens dos alunos foram classificadas de acordo com nível de regulação da aprendizagem atual dos mesmos.
Além disso, acreditamos que o software possa levantar informações para auxílio ao professor mediador,
apresentando de forma gráfica os resultados do levantamento de níveis de regulação da aprendizagem para cada
aluno participante do curso online.
Dessa forma, o professor poderá direcionar suas estratégias de intervenções de forma a atender o aluno de acordo
o grau de desenvolvimento de sua autonomia. Sendo assim, podemos concluir que a combinação de algoritmos de
classificação de textos com uma abordagem educacional sócio-histórica permite o levantamento de indícios de
mediação em ambientes virtuais de ensino-aprendizagem, sendo possível a concepção de uma arquitetura de
software para apoio a mediação pedagógica para ambientes de educação online.
Cumpre destacar que este estudo piloto abre perspectivas para investigações acerca da concepção de novas
tecnologias aplicadas a educação, principalmente no âmbito de inovações na área de levantamento do estado de
desenvolvimento da aprendizagem do aluno, segundo uma perspectiva sócio-histórica.
Trabalhos futuros
O estudo piloto apresentado neste trabalho visou à avaliação do grau de precisão do software durante a captura
dos indícios de mediação provenientes das interações dos alunos no ambiente virtual. Entretanto, o objetivo geral da
tese de doutorado na qual está inserido este trabalho é a concepção de uma arquitetura de software para captura de
indícios de mediação a partir das interações realizadas em toda amplitude de ferramentas do ambiente virtual.
Sendo assim, identificamos a necessidade de extensão das funcionalidades do software para as demais
ferramentas do ambiente virtual, visto que utilizamos para este estudo piloto somente a ferramenta fórum. Assim, o
professor obterá informações relevantes que permitirão um maior grau de identificação do nível de regulação dos
alunos.
Além disso, verificamos a necessidade de elaboração de um estudo de caso a ser aplicado a um curso em
andamento. A observação do comportamento do software no decorrer de um curso nos permitirá avaliar se o
professor realmente estará obtendo informações relevantes que permitirão o auxílio na elaboração de estratégias
pedagógicas para acompanhamento do desenvolvimento individual da aprendizagem.
O resultado de um estudo de caso aplicado a um curso em andamento abre possibilidades para comparação com
cursos sem a utilização de algum mecanismo de apoio a mediação pedagógica. Isso possibilita outras linhas de
investigação como a avaliação da aprendizagem, podendo-se estabelecer um comparativo entre os resultados obtidos
com a utilização de um mecanismo de apoio ao processo de mediação pedagógica do docente com os resultados de
um curso online sem o apoio de algum mecanismo de mediação.
AGRADECIMENTOS
Agradecemos ao CNPQ pelo apoio financeiro a este trabalho.
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