Tribunal de Justiça de Minas Gerais Número do 1.0126.11.000890-4/001 Relator: Des.(a) Mota e Silva Relator do Acordão: Des.(a) Mota e Silva Númeração 0008904- Data do Julgamento: 12/11/2013 Data da Publicação: 19/11/2013 EMENTA: EXTINÇÃO DO PROCESSO POR ABANDONO - INTIMAÇÃO PESSOAL DA PARTE AUTORA - INÉRCIA - EXTINÇÃO DO FEITO. O processo depois de instaurado não pode ficar à mercê da vontade das partes, devendo ser dado ao mesmo o devido andamento, cabendo ao Juiz zelar pela rápida e eficaz solução da lide, em obediência ao princípio do impulso oficial. A regra imposta no §1º do artigo 267 do CPC é de que a extinção do feito em razão do abandono da causa seja precedida de intimação pessoal da parte autora, sendo desnecessário o requerimento do Réu quando este ainda não foi citado. APELAÇÃO CÍVEL Nº 1.0126.11.000890-4/001 - COMARCA DE CAPINÓPOLIS - APELANTE(S): BANCO ITAUCARD S/A. APELADO(A)(S): JOSÉ NIVALSI DA SILVEIRA. ACÓRDÃO Vistos etc., acorda, em Turma, a 18ª CÂMARA CÍVEL do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, na conformidade da ata dos julgamentos, à unanimidade, em negar provimento. DES. MOTA E SILVA RELATOR. DES. MOTA E SILVA (RELATOR) 1 Tribunal de Justiça de Minas Gerais VOTO Trata-se de recurso de apelação interposto por Banco Itaucard S.A., contra a sentença proferida pelo MM. Juiz de Direito da Comarca de Capinópolis, Cássio Macedo Silva, que nos autos da ação de busca e apreensão movida contra José Nilvasi da Silveira, julgou extinto o processo sem resolução do mérito nos termos do art. 267,III, §1º do CPC, condenando a parte autora ao pagamento das custas processuais (f.36-38). Através das razões recursais (f.40-58) a parte autora pretende a reforma da sentença alegando, em síntese, que não pode ser aceita a intimação via Correios para a extinção do feito nos termos do art. 267,III, §1º CPC, exigindo-se ao menos que seja certificado de que o recebedor da intimação seja aquele que tem poderes legais para responder pelas conseqüências de seu descumprimento. Aduz que o entendimento jurisprudencial é no sentido de que o patrono da parte autora também deve ser intimado, o que não ocorreu nos presentes autos. Colaciona jurisprudência que entende a seu favor e ao finar requer o provimento do recurso. Não foram apresentadas contrarrazões uma vez que a relação processual não foi regularizada. Verificada a irregularidade na representação processual da parte autora/apelante este Relator determinou a regularização (f.67-68), o que foi regularmente cumprido (f.71-75). É o relatório. Conheço do recurso porque regular e tempestivo. Constatados os pressupostos subjetivos e objetivos de admissibilidade recursal. Inicialmente observo que, no caso dos presentes autos, para cumprimento da intimação prevista no §1º do art. 267 CPC foi expedida carta precatória que foi regularmente cumprida por Oficial 2 Tribunal de Justiça de Minas Gerais de Justiça (f.33v), não havendo que se falar em intimação por carta como alegado pela apelante nas razões recursais. Juntada a carta precatória aos autos e decorrido o prazo legal, também não houve manifestação (f.34v), motivo pelo qual foi proferida a sentença que extinguiu o processo (f.37-38). A extinção do processo de conhecimento sem julgamento do mérito pode ser decretada conforme estabelecido no art. 267, III, CPC: "Art. 267. Extingue-se o processo, sem resolução de mérito: (...) III - quando, por não promover os atos e diligências que Ihe competir, o autor abandonar a causa por mais de 30 (trinta) dias." Para tanto, deve-se observar a diligência prévia estabelecida no § 1º do art. 267 do mesmo diploma legal: "§ 1o O juiz ordenará, nos casos dos ns. II e Ill, o arquivamento dos autos, declarando a extinção do processo, se a parte, intimada pessoalmente, não suprir a falta em 48 (quarenta e oito) horas." Portanto, entendo que no caso destes autos correta está a decisão do MM. Juiz de Direito a quo que julgou extinto o feito sem julgamento de mérito. Inexistem dúvidas de que o processo, depois de instaurado, não pode ficar à mercê da vontade das partes, devendo ser dado ao mesmo o devido impulso, o que é atribuição do Magistrado, a quem cumpre velar pela rápida solução das lides. Na lição dos mestres Antônio Carlos de Araújo Cintra, Ada Pellegrini Grinover e Cândido Rangel Dinamarco, esse proceder é o que se denomina princípio do impulso oficial: 3 Tribunal de Justiça de Minas Gerais "...que garante a continuidade dos atos procedimentais e seu avanço em direção à decisão definitiva, (ressaltando, inclusive, que) embora a jurisdição seja inerte, o processo, uma vez instaurado, pode não ficar à mercê das partes." (Teoria Geral do Processo, 13ª ed., São Paulo: Malheiros, 1997,p.330). Em consonância com essa orientação, o legislador inseriu o abandono da causa pela parte autora como uma das hipóteses autorizativas da extinção do processo, nos precisos termos do inciso III do artigo 267 do CPC. Nestes casos, recomendou como condição para a extinção do feito, a prévia intimação pessoal da parte autora, o que devidamente ocorreu nos presentes autos. Ressalta-se que, no caso em tela, os procuradores foram intimados e não apresentaram o comprovante de recolhimento da diligência necessária para a expedição do mandado de busca e apreensão em cumprimento ao pedido de concessão liminar que foi deferido (f.27-28v). Neste sentido confira julgados desta Eg. Corte: "EXECUÇÃO DE SENTENÇA - EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM JULGAMENTO DE MÉRITO - ABANDONO DA CAUSA - INTIMAÇÃO PESSOAL DO AUTOR - CARTA ENCAMINHADA AO ENDEREÇO RESIDENCIAL - FINALIDADE CUMPRIDA - INTIMAÇÃO DO PROCURADOR DO AUTOR - DESNECESSIDADE. Supre-se a exigência de intimação pessoal pela intimação realizada por carta, com aviso de recebimento, entregue no endereço residencial, ainda que recebida por interposta pessoa. A lei processual não exige a intimação do procurador do autor, pois é a inércia do profissional que deve ser levada ao conhecimento da parte ativa". (TJMG - Apelação Cível n.º 1.0024.02.860471-8/001 - Rel. Des. Elias Camilo - DJ. 11.10.06) "EMBARGOS DO DEVEDOR - INTIMAÇÃO PESSOAL DO ADVOGADO PARA DAR PROSSEGUIMENTO AO FEITO DESNECESSIDADE - EXTINÇÃO DO PROCESSO - POSSIBILIDADE. O 4 Tribunal de Justiça de Minas Gerais comando do § 1º do art. 267 do CPC é no sentido de ser obrigatória a intimação pessoal da parte. Desnecessária a intimação do advogado. Recurso não provido". (TJMG - Apelação Cível 1.0443.01.001469-6/001 Rel. Des. Roberto Borges de Oliveira - DJ. 11.05.07) AÇÃO DE EXECUÇÃO. ABANDONO DA CAUSA. INTIMAÇÃO DO PROCURADOR. DESNECESSIDADE. PARTE INTIMADA PESSOALMENTE. SENTENÇA MANTIDA. 1- Deve o julgador extinguir execução autônoma se a parte exeqüente, embora intimada pessoalmente para dar-lhe andamento, na forma do art. 267, §1º, do Código de Processo Civil, permaneceu inerte. 2- Para fins de caracterização do abandono da causa, não há na legislação processual dispositivo que determine a obrigatoriedade da intimação pessoal do procurador da parte para dar andamento ao feito. 3- Não estando completa a relação processual, pode o julgador, de ofício, extinguir o feito por inércia da parte. (TJMG - Apelação Cível 1.0024.99.078420-9/001 - Relatora Desembargadora Cláudia Maia DJe 09/05/2011) Assim sendo, constata-se a possibilidade de extinção do feito, após intimação pessoal da parte autora, mesmo que inexista requerimento do réu a este respeito, já que este ainda não foi citado. Por todo exposto, NEGO PROVIMENTO à apelação para manter a sentença. Custas recursais, pela parte apelante. DES. ARNALDO MACIEL (REVISOR) - De acordo com o(a) Relator(a). DES. JOÃO CANCIO - De acordo com o(a) Relator(a). SÚMULA: "NEGARAM PROVIMENTO" 5 Tribunal de Justiça de Minas Gerais 6