AU TO RA L UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES TO INSTITUTO A VEZ DO MESTRE ID O PE LA LE I DE DI R EI PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” Por: Renata Oliveira Delfino DO CU M EN TO PR OT EG JOGO E APRENDIZAGEM Orientador Prof. Narcisa de Melo Niterói 2013 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES INSTITUTO A VEZ DO MESTRE PÓS-GADUAÇÃO LATO SENSU JOGO E APRENDIZAGEM Apresentação de monografia à AVM Faculdade Integrada como requisito parcial para obtenção do grau de especialista em Psicopedagogia. Por: . Narcisa melo AGRADECIMENTOS .... A Deus por ter me dado força para superar os obstáculos que estiveram em meus caminhos, se o qual nada teria feito. DEDICATÓRIA .....dedica-se aos meus pais ,aos meus filhos e ao meu marido e familiares e amigos de que de muitas formas me incentivaram e ajudaram para que fosse possível a realização e concretização deste trabalho. RESUMO Este trabalho teve como finalidade de trazer à tona a discursão sobre como a abordagem do ensino de um professor pode favorecer o processo de ensino aprendizagem de um aluno através dos jogos e brincadeiras .A fim de analisar a importância dos jogos e brincadeiras na sala de aula despertando interesses em aprender de forma lúdica e prazerosa influenciando no seu desenvolvimento cognitivo ,emocional e motor. Partindo do pressuposto de que o conhecimento a cerca desta disfunção poderá levar o professor a modificar a abordagem de ensino revendo seus posicionamentos teóricos e suas práticas. Este trabalho busca ilustrar de que forma torna-se possível estabelecer ligação entre teoria e prática. Palavras chave : jogos , ensino-aprendizagem, professor e aluno. METODOLOGIA Para a pesquisa quantitativa em questão , utilizei a abordagem qualitativa esse tipo trabalha o universo dos significados, dos motivos e das atitudes. A abordagem qualitativa se aprofunda dos significados e precisa ser interpretada pelo pesquisador que é influenciado pelo textos lidos, resultado de experiências .Na pesquisa bibliográfica existe uma interlocução entre o pesquisador e o texto. Minha fonte foi obtida através de pesquisa bibliográfica com consultas, livros, revistas, sites e entrevista com duas professoras da Educação Infantil que teve duração de 1 hora , foi utilizado questionário que dizem respeito a Importância dos jogos e brincadeiras na Educação Infantil. O nome dos principais autores e teóricos que foram utilizados para realização deste trabalho foram Piaget, Vygotsky, Pozas ,Freire ,Santos e Kishimoto. Os principais foram Pozas , kishimoto e Piaget. SUMÁRIO INTRODUÇÃO 06 CAPÍTULO I DESENVOLVIMENTO INFANTIL 10 CAPÍTULO II JOGOS E BRINCADEIRAS 17 CAPÍTULO III ORGANIZAÇÃO DO TEMPO E ESPAÇO 29 CONSIDERAÇÕES FINAIS 34 ANEXOS 35 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 39 INTRODUÇÃO O objetivo deste trabalho é analisar a influência dos jogos na aprendizagem dos alunos de 0 a 6 anos de idade. Assim sendo, este estudo foi dividido em três capítulos. No primeiro capítulo pretendeu-se analisar o comportamento humano e as características ambientais diante dos jogos e brincadeiras. No segundo ,por sua vez, objetivou-se que os jogos e brincadeiras desenvolve várias habilidades sejam motoras, cognitivas, social e a criatividade., por fim ,no terceiro capítulo procurou-se compreender que sem a determinação do tempo e o espaço as crianças não conseguiram desenvolver suas habilidades. Esse estudo pretende demonstrar como ocorre o desenvolvimento infantil e sua influência a partir das descobertas de vários pesquisadores , entretanto esses fatos foram sendo colocados em práticas a poucos anos porque muitos educadores, assim como os pais ainda não tinham conhecimentos sobre a importância deste. Piaget foi um grande percussor nesta área e pode com suas pesquisas abordar de forma clara como isso ocorre e assim ajudar a compreendê-lo. Muito se tem discutido qual a importância dos jogos e brincadeiras no desenvolvimento infantil, a partir de estudos de alguns autores como Pozas, Vygotsky, Santos, Kishimoto demonstram a sua preocupação em compreender este fenômeno. Ressalto-se ainda a importância do jogo na aprendizagem mostrando a dificuldade que há em incluir este como prática essencial do desenvolvimento da criança. A partir do século xx os enfoques era apenas para situar o sujeito e suas características ambientais e inatas. Após muitas discursões, alguns teóricos passaram a estudar o comportamento humano. Piaget foi um grandepercussor 10 Capítulo I Desenvolvimento Infantil Os estudos sobre o desenvolvimento infantil tiveram um avanço a partir de abordagens interacionistas .Anteriormente a elas, na virada do século xx, apenas os enfoques que situavam o sujeito dentro das características ambientais ou em características inatas prevaleciam nas abordagens da Psicologia. Muito se discutia sobre como abordar o comportamento humano, com sua complexidade e suas características tão peculiares. Foi tão efervescente aquele momento que vários teóricos propuseram estudar o comportamento humano de maneira própria, ou seja, buscando romper com o dualismo que propunha ambiente e corpo. Piaget considera que o indivíduo se desenvolve a partir da sua ação sobre o meio que está inserido Ele prioriza os fatores biológicos influenciando no desenvolvimento mental. Para ele, não se pode fazer dissociação entre crescimento mental do indivíduo, crescimento físico, maturação e sistema nervoso. Um dos pontos principais da obra de Piaget esta na perspectiva construtiva do ser humano. Através dos seus estudos fica claro que ele vem conceber uma criança em constante processo de aprendizagem, construindo-se pelas interações com os objetos. Essa foi uma das características da sua obra que tornou uma das maiores contribuições Para a Psicologia do Desenvolvimento, pois muitos Psicólogos, a partir da sua obra , puderam ter claro que a constituição do ser humano é um processo que as ações são construídas sucessivamente e precisam acontecer ao longo da vida da criança. Os estudos de Psicologia passaram a levar em conta o modo como a criança aprende. As pesquisas foram realizadas a partir do método clínico desenvolvido por Piaget para estudar as características do pensamento infantil das crianças em diferentes lugares do mundo. As pesquisas sobre o desenvolvimento infantil de 11 Piaget foram iniciadas por meios da observações de seus filhos. A construção dos estágios do pensamento infantil foi produto desta tarefa longa e meticulosamente produzida. O desenvolvimento foi caracterizado por um processo sucessivo de equilibrações . Esse desenvolvimento, apesar de contínuo, é caracterizado por determinadas formas de pensar e agir em diferentes idades, formas que o autor denominou estágios e refletem os diferentes modos da criança pensar ao longo de sua vida. Segundo Piaget, o desenvolvimento passa por quatro diferentes estágios: sensório- motor, pré- operatório, operatório- concreto e operatório formal. Sensório-motor (0-2 anos) A partir de reflexos neurológicos básicos, o bebê começa a construir esquemas de ação para assimilar mentalmente o meio. A inteligência é prática. As noções de espaço e tempo são construídas pela ação. O contato com o meio é direto e imediato, sem representação ou pensamento. Exemplos: O bebê pega o que está em sua mão; "mama" o que é posto em sua boca; "vê" o que está diante de si. Aprimorando esses esquemas, é capaz de ver um objeto, pegá-lo e levá-lo a boca. Pré-operatório ( 2-7 anos) 12 Também chamado de estágio da Inteligência Simbólica . Caracteriza-se, principalmente, pela interiorização de esquemas de ação construídos no estágio anterior (sensório-motor). A criança deste estágio: É egocêntrica, centrada em si mesma, e não consegue se colocar, abstratamente, no lugar do outro. Não aceita a ideia do acaso e tudo deve ter uma explicação (é fase dos "por quês"). Já pode agir por simulação, "como se". Possui percepção global sem discriminar detalhes. Deixa se levar pela aparência sem relacionar fatos. Exemplos: Mostram-se para a criança, duas bolinhas de massa iguais e dá-se a uma delas a forma de salsicha. A criança nega que a quantidade de massa continue igual, pois as formas são diferentes. Não relaciona Operatório-concreto(7-11 anos) A criança desenvolve noções de tempo, espaço, velocidade, ordem, casualidade, já sendo capaz de relacionar diferentes aspectos e abstrair dados da realidade. Não se limita a uma representação imediata, mas ainda depende do mundo concreto para chegar à abstração. desenvolve a capacidade de representar uma ação no sentido inverso de uma anterior, anulando a transformação observada (reversibilidade). 13 Exemplos: Despeja-se a água de dois copos em outros, de formatos diferentes, para que a criança diga se as quantidades continuam iguais. A resposta é afirmativa uma vez que a criança já diferencia aspectos e é capaz de "refazer" a ação. Operatório-formal( 12 anos em diante) A representação agora permite a abstração total. A criança não se limita mais a representação imediata nem somente às relações previamente existentes, mas é capaz de pensar em todas as relações possíveis logicamente buscando soluções a partir de hipóteses e não apenas pela observação da realidade. Em outras palavras, as estruturas cognitivas da criança alcançam seu nível mais elevado de desenvolvimento e tornam-se aptas a aplicar o raciocínio lógico a todas as classes de problemas. Exemplos: Se lhe pedem para analisar um provérbio como "de grão em grão, a galinha enche o papo", a criança trabalha com a lógica da ideia (metáfora) e não com a imagem de uma galinha comendo grãos. Segundo a psicopedagogia a interação em qualquer ambiente nasce da aceitação do outro onde o respeito e o acolhimento facilita a convivência entre os seres humanos. Na escola, o ambiente das relações interpessoais, deve estar focalizando a constituição do eu, a compreensão do indivíduo com suas diferenças e qualidades, para ter condições de vida nos grupos. Conforme Patto (1997, p. 319), “a educação para o mundo humano se dá num processo de interação constante, em que nos vemos através dos outros, e em que vemos os outros através de nós mesmos”. 14 Os grupos sociais representam o lócus onde os indivíduos estão inseridos, por isto são elementos básicos na sociedade onde a troca de conhecimento pode, por muitas vezes, ajudá-los a ter um bom desempenho nas relações interpessoais, no ambiente onde se encontram inseridos. Na prática profissional a troca de conhecimentos é indispensável para um bom relacionamento, porque passamos mais tempo em nosso ambiente de trabalho que em nosso lar, e ainda assim não nos damos conta da importância de estarmos em um ambiente saudável e o quanto isto depende de cada um e do coletivo. Percebe-se que as diferenças individuais não são apenas corporais ou intelectuais, as pessoas são individuais e únicas. É bem verdade que há semelhança entre elas, mas há algo que as diferencia umas das outras. No grupo, essas diferenças são importantes e devem ser respeitadas. É notória a grande necessidade de que temos de nos expressar, e quando não somos bem aceitos pelo outro, isso pode gerar conflitos. Conforme Melendo (1998, p, 19), “a relação interpessoal significa saber escutar. A escuta é um ato próprio e exclusivo do ser humano é, um ato consciente, voluntário e livre. Saber escutar é ter uma atitude de respeito, acolhida e aceitação do outro”. Muitos estudos têm afirmado que a escola tem o papel de socializar o conhecimento organizado, este que a sociedade julga necessário, mas também pelo desenvolvimento de seus membros, objetivando sua interação como cidadãos autônomos e conscientes em uma sociedade democrática. Infelizmente, ainda existem professores conservadores com comportamento autoritário, não dando importância à interação como uma das formas de obter conhecimento, com isto o relacionamento interpessoal 15 professor / professora e aluno / aluna ficam restritos somente em “transmitir” saberes. Detectamos também que as relações interpessoais, não só entre professor / professora e aluno / aluna, mas entre os próprios alunos não são boas. Em nosso entendimento, o grande desafio é colocar-se no lugar do outro para compreender o seu ponto de vista, com isto busca-se desenvolver a solidariedade e aprender a conviver com as diferenças. Em Vygotsky, ao contrário de Piaget, o desenvolvimento –principalmente o psicológico/mental (que é promovido pela convivência social, pelo processo de socialização, além das maturações orgânicas) – depende da aprendizagem na medida em que se dá por processos de internalização de conceitos, que são promovidos pela aprendizagem social, principalmente aquela planejada no meio escolar,ou seja, para Vygotsky, não é suficiente ter todo o aparato biológico da espécie para realizar uma tarefa se o indivíduo não participa de ambientes práticas específicas que propiciem esta aprendizagem. Não podemos pensar que a criança vai se desenvolver com o tempo, pois esta não tem, por si só ,instrumentos para percorrer sozinha o caminho do desenvolvimento, que dependerá das suas aprendizagens mediante as experiências a que foi exposta. Neste modelo, o sujeito – no caso, a criança – é reconhecida como ser pensante, capaz de vincular sua ação à representação de mundo que constitui sua cultura, sendo a escola um espaço e um tempo onde este processo é vivenciado, onde o processo de ensino-aprendizagem envolve diretamente a interação entre sujeitos. Essa interação e sua relação com a imbricação entre os processos de ensino e aprendizagem podem ser melhor compreendidos quando nos remetemos ao conceito de ZDP. Para Vygotsky (1996), Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP), é a distância entre o nível de desenvolvimento real, ou seja, determinado pela capacidade de resolver problemas independentemente, e o nível de desenvolvimento proximal, demarcado pela capacidade de solucionar problemas com ajuda de um parceiro mais experiente. São as aprendizagens que ocorrem na ZDP que 16 fazem com que a criança se desenvolva ainda mais, ou seja, desenvolvimento com aprendizagem na ZDP leva a mais desenvolvimento, por isso dizemos que ,para Vygotsky, tais processos são indissociáveis. É justamente nesta zona de desenvolvimento proximal que a aprendizagem vai ocorrer. A função de um educador escolar, por exemplo, seria, então, a de favorecer esta aprendizagem, servindo de mediador entre acriança e o mundo. Como foi destacado anteriormente, é no âmago das interações no interior do coletivo, das relações com o outro, que a criança terá condições de construir suas próprias estruturas psicológicas . Veja que esta diferença de concepções entre Piaget e Vygotsky se dá, em grande parte, pelo fato de que , para Piaget, desenvolvimento ´maturação’, e para Vygotsky, o termo também compreende o desenvolvimento psicológico. É assim que as crianças, possuindo habilidades parciais, as desenvolvem com a ajuda de parceiros mais habilitados (mediadores) até que tais habilidades passem de parciais a totais. Temos que trabalhar, portanto, com a estimativa das potencialidades da criança, potencialidades estas que, para tornarem-se desenvolvimento efetivo, exigem que o processo de aprendizagem, os mediadores e as ferramentas estejam distribuídas em um ambiente adequado (Vasconcellos e Valsiner, 1995).Temos portanto uma interação entre desenvolvimento e aprendizagem ,que se dá da seguinte maneira: em um contexto cultural, com aparato biológico básico interagir, o indivíduo se desenvolve movido por mecanismos de aprendizagem provocados por mediadores. Para Vygotsky, o processo de aprendizagem deve ser olhado por uma ótica prospectiva, ou seja, não deve focalizar o que a criança aprendeu, mas sim oque ela está aprendendo. 17 CAPÍTULO II JOGOS E BRINCADEIRAS O jogo é , sem dúvida , a atividade mais importante na Educação. Essa palavra sempre causou muita discussão quanto à sua definição e à ação prática e até hoje suscita livros e escritos, buscando-se uma definição que abranja toda a diversidade contida no ato de jogar. Na Educação, estas discussões sempre estiveram ligadas às atividades lúdicas fundamentais na formação dos jovens e crianças e verdadeiras facilitadoras dos relacionamentos e das vivências dentro da sala de aula. As atividades lúdicas promovem a imaginação e , principalmente, as transformações do sujeito em relação ao seu objeto de aprendizagem. O caráter de integração e interação contida nas atividades lúdicas fez com que a Educação infantil e o Ensino fundamental utilizassem constantemente estas atividades para integrar o conhecimento com uma ação prática dos nossos alunos. Parece ser um consenso entre o s autores da Educação que o jogo é fundamental no ato de aprender e ensinar de forma vivencial .Referindo-se às crianças, os autores são unânimes quando dizem que o jogo é a base epistemológica da Educação .Por esse motivo , o jogo tem um papel fundamental na Educação Infantil, pois é a base do desenvolvimento do ser humano .O jogo possui aspectos fundamentais para a aprendizagem racional e emocional. Existem muitas teorias sobre o jogo, mas as pesquisas científicas sobre o jogo só começaram no século XIX, a partir das pesquisas evolucionistas e desenvolvimentistas, que passaram a estudar o jogo infantil. O psicólogo norteamericano Stanleyhall defendia então a ideia de que o infantil recapitula toda a 18 história do pensamento humano. Mais adiante o jogo foi enfatizado como um modo de preservação dos costumes infantis. Ao acompanhar a evolução das pesquisas sobre o jogo, o brincar e o brinquedo no universo infantil, encontramos os fascinantes pensamentos de Piaget e Vygotsky .Na releitura desse autores, encontramos vários fatores que aproximam um do outro, e isso desmitifica a ideia de temos de seguir uma linha na Educação. Piaget ilustra muito bem o seu caráter abrangente e imaginativo: ”quando brinca, a criança assimila o mundo à sua maneira, sem compromisso com realidade, pois sua interação com o objeto não depende da natureza do objeto, mas da função que a criança lhe atribuiu (PIAGET,1971,P.97). Piaget aborda e valoriza, em suas fases de desenvolvimento da inteligência na criança, os tipos de jogos mais adequados para cada uma dessas fases. E isto é verdadeiro: o jogo é diferente para cada idade, cultura e meio, para as verdades de cada comunidade. Vygotsky, apesar de ter dedicado ao estudo específicos do desenvolvimento infantil, tem muitas contribuições que podem ser usadas na educação dessas crianças .Ele afirma, por exemplo, que os fatores biológicos são predominantes sobre os sociais no início do desenvolvimento humano .E, pouco a pouco, a integração social torna-se fundamental para o desenvolvimento do pensamento. Para Vygotsky, a criança é introduzida no mundo adulto pelo jogo e sua imaginação (estimulada por meio de jogos)pode contribuir para expansão de suas habilidades conceituais. Quando propomos um jogo, além dos objetivos cognitivos a serem alcançados, esperamos que nossas crianças sejam capaz de :respeitar limites, socializar, criar e explorar a criatividade, interagir e aprender a pesquisar. Para Vygotsky: ...o brincar e o brinquedo criam na criança uma nova forma de desejos ensinam-na a desejar, relacionando seus desejos a um fictício, ao seu papel no jogo e suas regras Dessa maneira, as maiorias aquisições de uma criança são 19 conseguidas nos brinquedos, aquisições que no futuro, tornar-se-ão seu nível básico de ação e moralidade. De acordo com as pesquisas de Pozas, a preocupação com a criança na faixa etária entre 0 e 6 anos é recente .Até muito pouco ( e ainda hoje), a criança era ( é ) vista como um ser em falta .A desvalorização de tudo que vinha ou ia para ela fez com que os pesquisadores e educadores concentrassem seus estudos em crianças de idade mais avançada, capazes de compreensões e respostas mais adequadas às expectativas autocêntricas. Hoje em dia , as pesquisas que tratam as crianças como cidadãs de pouca idade e buscam práticas educativas que respeitem suas especificidades começam a aparecer e a se multiplicar .A desconstrução de uma ideia de mini adulto é um caminho longo , mas o movimento já começou . Esta obra pautouse em uma concepção de criança contextualizada histórica, social e culturalmente, que tem seu crescimento marcado pela não linearidade, apostando sempre na construção de uma educação infantil mais criativa. Conforme com as práticas educacionais, observam-se duas maneiras de se promover tais as atividades lúdicas: a brincadeira dirigida pela professora, com o intuito de desenvolver determinadas habilidades, e a brincadeira livre, que possibilita a criança exercer seu desejo e sua decisão. Partindo do mesmo pressuposto teórico que conclama a importância do espaço de brincar, diversas instituições, especialmente, de educação infantil, têm trazido a brincadeira para o seu interior, mas dando a ela um caráter pedagógico, isto é, o brincar a serviço do desenvolvimento motor, da linguagem, da matemática etc. Na escola de hoje, algumas práticas ancestrais são repetidas por absoluta falta de questionamento. Uma herança da educação bancária, como diria Paulo Freire, imobilizou os sonhos e cristalizou os medos. Não se ousa ousar !Com isso, a Educação Infantil, impregnada de práticas compensatórias, repete, parcialmente, as receitas de preparação para o futuro 20 Mais uma vez , ouvindo o poeta, que se façam os caminhos novos, passos de dança e escadas que levem a novas construções, as quais possibilitem às crianças cidadãs exercitarem sua liberdade criadora. Para os que veem a liberdade da criança nas brincadeiras como algo desordenado e fora de controle, Leite lembra que: A brincadeira ajuda a organizar as ações e a realinhar o real. Defendendo o direito a brincadeiras sem amarras, sem pedagogia que não quer dizer sem regras. Pontua-se que, se de um lado os jogos já congregam sua regras preestabelecidas, inversamente, nas brincadeiras, as regras são construídas à medida que se desenrolam, de forma flexível e passageira, por aqueles que brincam .Para ajudar a criança no seu desenvolvimento buscamos compreender sua natureza, e nessa busca encontramos o BRINCAR como necessidade básica que surge nela muito cedo. Muitos estudiosos defendem a ideia de que a criança brinca porque gosta de brincar, e quando isso não acontece, alguma coisa não está bem com ela. Enquanto uns dizem que a criança brinca por prazer, outros dizem que ela brinca para dominar angústias ou dar vazão à agressividade. Na busca de resposta a esta questão encontra-se muitas formas de enfocar o brincar , todas elas com uma base teórica consistente. Assim, o brincar é enfocado tanto como fenômeno filosófico como sociológico, psicológico, criativo, psicoterapêutico, pedagógico, e também por outros ângulos de abrangência mais restrita e particularizada. A partir de tudo que foi dito sobre o brincar nos mais diferentes enfoques, pode-se perceber que ele está presente em todas as dimensões da existência do ser humano e muito especialmente, na vida das crianças .Pode-se afirmar que realmente BRINCAR É VIVER, e as crianças brincam porque esta é uma necessidade básica, assim como a nutrição, a saúde e a educação. Kishimoto (2003,p.45) acentua que os jogos culturais infantis, quando utilizados nas instituições de ensino para auxiliar o processo de ensino aprendizagem da criança, deixa de ser apenas uma brincadeira prazerosa e inocente, pois a intenção pedagógica é promover o desenvolvimento da criança. 21 A mesma autora alega, em seus estudos referentes às brincadeiras infantis, que com as mudanças e as melhorias socioeconômicas da população as cidades estão modificando sua paisagem em consequência das grandes indústrias e da urbanização. Desse modo, vão reduzindo as áreas públicas de práticas de lazer livre, como ruas e praças. Promovendo, assim, o esquecimento das brincadeiras populares que fazem parte da cultura infantil. Segundo Kishimoto (2003,p.34), a aprendizagem envolve a afetividade e a cognição, pois o educador deve estabelecer relações de afeto, confiança, de forma que a criança adquira a autonomia e possa interagir. Portanto, ela se realiza, com sua curiosidade, constrói, inventa e amplia o seu conhecimento. O mediador ao acompanhar a criança na construção do conhecimento deve valorizar a espontaneidade, ouvir suas dúvidas, relatos pessoais, desafiando-a como sujeito capaz de se adaptar à infância. A mesma autora ressalta que o jogo não deve ser utilizado apenas como brincadeira ou forma de extravasar energia, pois ele propicia à criança o desenvolvimento dos aspectos físico, cognitivo e social, uma vez que: As crianças ficam mais motivadas a usar a inteligência, pois querem jogar bem; sendo assim, esforçam-se para superar obstáculos, tanto cognitivos quanto emocionais. Estando mais motivadas durante o jogo, ficam também mais ativas mentalmente. (KISHIMOTO,2003, p.96).A criança motivada interessa-se pelo jogo e supera as dificuldades. A criança motivada interessa-se pelo jogo e supera as dificuldades relacionadas à cognição e à emoção. O jogo, por ser livre de pressão, proporciona a aprendizagem, estimula a moral, o interesse, fazendo com que a criança descubra e reflita sua ação. Assim, com a experiência da criança, ela se descobre, assimila e integra com o mundo que a rodeia. De acordo com Referencial Curricular Nacional Brincar é uma das atividades fundamentais para o desenvolvimento da identidade e da autonomia. O fato de a criança, desde muito cedo, poder se comunicar por meio de gestos, 22 sons e mais tarde representar determinado papel na brincadeira faz com que ela desenvolva sua imaginação. Nas brincadeiras as crianças poderão desenvolver algumas capacidades importantes, tais como a atenção, a imitação, a memória, a imaginação .Amadurecem também algumas capacidades de socialização, por meio da interação e da utilização e experimentação de regras e papéis sociais. A diferenciação de papéis se faz presente sobretudo no faz-de-conta, quando as crianças brincam como se fossem o pai, a mãe, o filhinho, o médico, o paciente, heróis e vilões etc., imitando e recriando personagens observados ou imaginados nas suas vivências. A fantasia e a imaginação são elementos fundamentais para que a criança aprenda mais sobre a relação entre as pessoas, sobre o eu e sobre o outro. No faz-de-conta, as crianças aprendem a agir em função da imagem de uma pessoa, de uma personagem, de um objeto e de situações que não estão imediatamente presentes e perceptíveis para elas no momento e que evocam emoções, sentimentos e significados vivenciados em outras circunstâncias. Brincar funciona como um cenário no qual as crianças tornam-se capazes não só de imitar a vida como também de transformá-la. Os heróis, por exemplo, lutam contra seus inimigos, mas também podem ter filhos, cozinhar e ir ao circo. Ao brincar de faz-de-conta, as crianças buscam imitar, imaginar, representar e comunicar de uma forma específica que uma coisa pode ser outra, que uma pessoa pode ser uma personagem, que uma criança pode ser um objeto ou um animal, que um lugar “faz-de-conta” que é outro. Brincar é, assim, um espaço no qual se pode observar a coordenação das experiências prévias das crianças e aquilo que os objetos manipulados sugerem ou provocam no momento presente. Pela repetição daquilo que já conhecem, utilizando a ativação da memória, atualizam seus conhecimentos prévios, ampliando-os e transformando-os por meio da criação de uma situação imaginária nova. Brincar constitui-se, dessa forma, em uma atividade interna das crianças, baseada no desenvolvimento da imaginação e na interpretação 23 da realidade, sem ser ilusão ou mentira. Também tornam- se autoras de seus papéis, escolhendo, elaborando e colocando em prática suas fantasias e conhecimentos, sem a intervenção direta do adulto, podendo pensar e solucionar problemas de forma livre das pressões situacionais da realidade imediata. Para que o faz-de-conta torne-se, de fato, uma prática cotidiana entre as crianças é preciso que se organize na sala um espaço para essa atividade, separado por uma cortina, biombo ou outro recurso qualquer, no qual as crianças poderão se esconder, fantasiar-se, brincar sozinhas ou em grupos, de casinha, construir uma nave espacial ou um trem etc. Teixeira e outros (2003, p.34) esclarecem que: As brincadeiras são fundamentais na vida da criança, porque são nessas atividades que ela constrói seus valores, socializa-se (...), cria seu mundo, desperta vontade, adquire consciência e sai em busca do outro pela necessidade que tem de companheiros. Portanto, não permitir as brincadeiras será uma violência para o desenvolvimento harmônico das crianças Dessa maneira, o brincar é a principal atividade da criança. As brincadeiras e jogos são terapêuticos por serem um espaço simbólico em que o sujeito irá integrar o mundo interno e externo. Através da brincadeira, a criança constrói uma ponte por onde passa os significados simbólicos dos objetos para a investigação ativa de suas verdadeiras funções e particularidades. O lúdico é um espaço mental, uma realidade intermediária entre o mundo interno e o mundo externo que, segundo WINNICOTT (1975), se origina na relação mamãe-bebê. Para o bebê, ele e sua mãe formam uma unidade, uma simbiose. Toda a satisfação provinda dessa relação, o bebê acredita que foi ele que criou. Nos momentos de separação entre a mãe e o bebê, na falta dessa 24 mãe, vai se construindo a individualização, através da experiência da desilusão e a esperança de que a mãe voltará. O lúdico se origina da ausência da mãe, pois na mente sua existência está registrada. Essa experiência é chamada de Fenômeno Transicional, que ensina a enfrentar o medo do novo, carregando a confiança apesar da ambiguidade e das dificuldades. Dessa forma, o lúdico supõe vínculo, interação, diálogo e confiança. É no brincar que a criança se insere no mundo interno e externo podendo integrar o princípio do prazer com o da realidade, moderando suas exigências internas com o que é factível. Isto é, através dos jogos é possível aprender a satisfazer as exigências internas e externas beneficiando a si próprio e aos outros. Nos jogos e brincadeiras, a criança é convidada a criar um mundo simbólico, uma nova oportunidade de ser, conservando suas características próprias e desafiando suas dificuldades. Além de desenvolver aspectos intelectuais, trabalham a perseverança, a persistência; sendo que alguns jogos exigem atenção redobrada e não são resolvidos com facilidade. Esse aspecto é fundamental para a intervenção psicopedagógica, pois através de uma abordagem lúdica, pode-se trabalhar a busca do êxito em múltiplas tentativaserro, a persistência e a segurança de que o mundo não irá acabar .Propondo brincadeiras simbólicas, teatro, psicodrama, pode-se compreender como uma criança vê e constrói o mundo, quais as suas preocupações e aflições, que problemas a inquietam, seus sonhos e ideais. Pela brincadeira, ela expressa o que teria dificuldade de colocar em palavras. Os jogos possuem um caráter distinto do psicodrama, pois exigem regras e os seus instrumentos devem ser utilizados do modo para o qual foram criados, respeitando a proposta e o desafio do jogo. Não se pode esquecer que nos jogos de regras há também o propósito de ganhar ou perder o jogo. O jogo de construção 25 O jogo de construção, enfatizado por Freire (2002), difere da caracterização de Souza (2006) e é mais uma forma de desenvolvimento da criança, uma mudança no ato de brincar: O jogo como o desenvolvimento infantil, evolui de um simples jogo de exercício, passando pelo jogo simbólico e o de construção, até chegar ao jogo social. No primeiro deles, a atividade lúdica refere-se ao movimento corporal sem verbalização; o segundo é o faz-de-conta, a fantasia; o jogo de construção é uma espécie de transição para o social. Por fim o jogo social é aquele marcado pela atividade coletiva de intensificar trocas e a consideração pelas regras (FREIRE, 2002, p.69). Ao trabalhar com o próprio corpo, a criança tem certa dificuldade em interpretar o simbolismo com o ato corporal. Mas, com a evolução do brincar, suas descrições verbais passam aos objetos utilizados, procurando reproduzir com materiais o que caracteriza o jogo de construção. O jogo de construção deixa de lado um pouco o simbolismo, para desenvolver a socialização da criança com o mundo social. Para que a criança encontre amplo espaço de expressão dentro do jogo de construção, precisa dispor de material variado e de contato com a natureza. O professor irá trabalhar com os lados cognitivo, físico e afetivo da criança trazendo a criatividade para dentro da sala de aula. A improvisação de material é estimular a criatividade da criança para que ela também possa fazer o mesmo, criar um brinquedo do seu próprio gosto. Isto irá despertar o interesse da criança em aprender e a criar algo diferente. Materiais diversificados trazem o lúdico como uma forma de aprendizado e desenvolvimento: "O jogo contém um elemento de motivação que poucas 26 atividades teriam para a primeira infância: o prazer da atividade lúdica" (FREIRE, 2002, p.75). Tipos de brinquedos e brincadeiras Os brinquedos são objetos manipuláveis, recursos voltados ao ensino que desenvolvem e educam de forma prazerosa; permitindo a ação intencional, a manipulação de objetos, o desempenho da ação sensório-motora e troca na interação, em um contexto diferenciado. A função do brinquedo desenvolvimento da no criança processo na pedagógico apreensão do hoje mundo é e permitir em o seus conhecimentos. Para tanto, esse brinquedo pode ser escolhido voluntariamente e vai atingir sua função lúdica quando propiciar prazer, diversão ou até mesmo desprazer. Os brinquedos educativos materializados destinados a ensinar estimulam o raciocínio, atenção, concentração, compreensão, coordenação motora, percepção visual, dentre outras. São brincadeiras com cores, formas, tamanhos, brincadeiras de encaixe, que trabalham noções de seqüência; quebra-cabeças que exigem a concentração, memória e raciocínio para juntar uma peça na outra; tabuleiros que exigem a compreensão do número e das operações matemáticas (FREIRE, 2002). A psicopedagogia estuda o ato de aprender e ensinar, levando sempre em conta as realidades interna e externa da aprendizagem, tomadas em conjunto. Procurando estudar a construção do conhecimento em toda a sua complexidade, procurando colocar em pé de igualdade os aspectos cognitivos, afetivos e sociais que lhe estão incluídos. O uso do brinquedo / jogo educativo com fins pedagógicos para situações de ensino-aprendizagem (a qual envolve o ser humano em processos interativos, com suas cognições, afetividade, corpo e interações sociais) é de grande relevância para desenvolvê-lo, utilizando o jogo como ensino-aprendizagem na construção de conhecimento, 27 introduzindo as propriedades do lúdico, do prazer, da capacidade de iniciação e ação ativa e motivadora (KISHIMOTO, 2001). A escola exige que as crianças leiam, escrevam, calculem; enfim, que compartilhe símbolos, linguagens comuns a uma sociedade. Para que isso aconteça, a atitude socializada deve ser praticada em carteiras estáticas e uniformes, que isolem as crianças uma das outras, com tarefas individuais em contraposição às possibilidades coletivas e trabalhos em equipes, que valorizem e trabalhem as diferenças e diversidades dos alunos. Exige-se uma atitude socializada, através de práticas individualizantes (FREIRE, 2002, p.183). Este é um ponto paradoxal muito presente ainda na escola: como é possível desenvolver e estimular o aspecto social e o convívio se as perspectivas valorizam e instigam ao isolamento, competição e individualismo desde a educação infantil. sociedade. Somente as separam da realidade, dificultando seu crescimento intelectual e social. Por essa razão, muitas crescem sem saber conviver e trabalhar em grupo. Através da atividade lúdica para o desempenho desta criança pode ajudá-la a aprender a conviver com os colegas e aumentar seus conhecimentos. Portanto, é importante demonstrar as relações entre os conteúdos da disciplina Educação Física e as demais disciplinas, não na sua importância como meio auxiliar daquelas, mas na identificação de pontos comuns do conhecimento e na dependência que o corpo e mente, ação e compreensão, possuem entre si. Com relação aos pontos comuns: Isolar a criança das outras não as ajuda a ter uma socialização agradável em meio à 28 sociedade. Somente as separam da realidade, dificultando seu crescimento intelectual e social. Por essa razão, muitas crescem sem saber conviver e trabalhar em grupo. Através da atividade lúdica para o desempenho desta criança pode ajudá-la a aprender a conviver com os colegas e aumentar seus conhecimentos. Portanto, é importante demonstrar as relações entre os conteúdos da disciplina Educação Física e as demais disciplinas, não na sua importância como meio auxiliar daquelas, mas na identificação de pontos comuns do conhecimento e na dependência que o corpo e mente, ação e compreensão, possuem entre si. Com relação aos pontos comuns: Dificilmente um professor de matemática deixaria de ressaltar o valor das atividades físicas para dar destaque ao papel de sua disciplina na formação das crianças, apresentando o quanto pode ser importante à motricidade para o desenvolvimento da inteligência (FREIRE, 2002, p.182). 29 CAPÍTULO III ORGANIZAÇÃO DO TEMPO E ESPAÇO As noções de espaço e tempo são de suma importância, pois é a partir delas que as relações sociais se estabelecem; por outro lado, são tão complexas que a criança irá levar anos para aperfeiçoá-las(Santos,1996,p.45) Há quem acredite que até os seis meses o bebê é apenas corpo e reflexo e que nada pode ser feito para ele a não ser cuidar e alimentar. A criança ao nascer é um ser social, e com tal, além do cuidado e alimentação , necessita de amor, carinho e proteção para que os vínculos afetivos se estabeleçam, pois tudo o que vem das pessoas que cuidam dela e do ambiente faz parte do seu desenvolvimento. A partir dos dois anos, com a manifestações simbólicas , a criança substitui ações e objetos por símbolos. Isso leva às noções do espaço representativo por meio de palavras e desenhos, embora ainda de forma rudimentar. Quanto ao espaço a criança pode dar uma orientação melhor sobre um determinado lugar, indicando onde mora, onde o pai trabalha, onde estão os brinquedos... De acordo com as pesquisas feita por ela definiu-se que o tempo e o espaço são determinantes para o desenvolvimento das crianças e que cada faixa etária corresponde de maneira diferentes. Ao analisar obras da psicologia observa-se em há descrição do desenvolvimento da criança a partir de fases evolutivas ou estágios, tendo como referência principal na sua determinação a 30 idade cronológica. Entretanto, são parâmetros gerais que procuram descrever o que a maioria das crianças é capaz de fazer num determinado espaço de tempo, mas não deve ser considerado como regra geral. Para ajudar a criança no seu desenvolvimento buscamos compreender sua natureza, e nessa busca encontramos o BRINCAR como necessidade básica que surge nela muito cedo. Muitos estudiosos defendem a ideia de que a criança brinca porque gosta de brincar, e quando isso não acontece, alguma coisa não está bem com ela. Enquanto uns dizem que a criança brinca por prazer, outros dizem que ela brinca para dominar angústias ou dar vazão à agressividade. Na busca de resposta a esta questão encontramos muitas formas de enfocar o brincar todas elas com uma base teórica consistente .Assim, o brincar é enfocado tanto como fenômeno filosófico como sociológico, psicológico, criativo, psicoterapêutico, pedagógico, e também por outros ângulos de abrangência mais restrita e particularizada. A partir de tudo que foi dito sobre o brincar nos mais diferentes enfoques, pode-se perceber que ele está presente em todas as dimensões da existência do ser humano e muito especialmente, na vida das crianças. O jogo não deve ser utilizado apenas como brincadeira ou forma de extravasar energia, pois ele propicia à criança o desenvolvimento dos aspectos físico, cognitivo e social, uma vez que: Nesse espaço, pode-se deixar à disposição das crianças panos coloridos, grandes e pequenos, grossos e finos, opacos e transparentes; cordas; caixas de papelão para que as crianças modifiquem e atualizem suas brincadeiras em função das necessidades de cada enredo .Também pode ser afixado um espelho de corpo inteiro, de maneira a que as crianças possam reconhecer-se, imitar-se, olhar-se, admirarse. Pode-se, ainda, agregar um pequeno baú de objetos e brinquedos úteis para o faz-de-conta, que pode ser complementado por um gabideiro contendo roupas velhas de adultos ou fantasias. Fundamentais, também, são os materiais e acessórios para a casinha, tais como uma pequena cama, um fogão confeccionado com uma velha caixa de papelão, louças, utensílios 31 variados etc. É importante ,porém, que esses materiais estejam organizados segundo uma lógica; por exemplo, que as maquiagens estejam perto do espelho e não dentro do fogão, de maneira a facilitar as ações simbólicas das crianças. Segundo kishimoto (2003,p.32), as atividades dirigidas constituem-se em ações orientadas em busca de propósitos pedagógicos . Em seus estudos expressam a necessidade de inserir na rotina da Educação Infantil períodos de tempos onde a brincadeira possa desenvolver, mostrando a situação de prazer proporcionada à criança ao brincar por ser uma forma de expressão livre.” A professora Kishimoto também ressalta que as pessoas não percebem a importância do brincar significativo. “O ato de brincar implica em regras externas, em ver o outro e a cultura em que ele vivem em casa, no mundo, com amigos .Hoje não há mais espaço nem tempo para essa socialização. Acriança fica enfurnada na sala de aula ou fica em casa, sozinha, vendo televisão. O adulto não ensina mais as brincadeiras do tempo da infância dele. Há uma nova forma de vida na qual todos correm e a criança perde a possibilidade de brincar e s expressar-se com a brincadeira.” Segundo o PCN: O espaço e o tempo são fundamentais para o desenvolvimento infantil, que o espaço seja concebido e criado pelo professor a partir das condições existentes na escola, para favorecer a produção artística dos alunos. Tal concepção diz respeito: -à organização dos materiais a serem utilizados dentro do espaço de trabalho. -à clareza visual e funcional do ambiente, incluindo a participação dos alunos nessa proposta. -à característica mutável e flexível do espaço, quer permita novos remanejamentos na disposição de materiais, objetos e trabalhos, de acordo com o andamento das atividades. -um espaço assim concebido convida e proporciona a criação dos alunos .Um espaço desorganizado, impessoal, repleto de clichês, como imagens supostamente infantis, desmente o propósito enunciado pela área. 32 O modo como o espaço é organizado na instituição da infância é muito revelador da pedagogia que é oferecida as crianças. O espaço é sempre retrato da relação pedagógica. Como afirma Ana Lúcia Goulart: “Um espaço e o modo como é organizado resulta sempre das ideias, das opções, dos saberes das pessoas que nele habitam. Portanto, o espaço de um serviço voltado para as crianças traduz a cultura da infância, a imagem da crianças, dos adultos que a organizaram; é uma poderosa mensagem do projeto educativo concebido para aquele grupo de crianças” Um espaço cercado por mesas e cadeiras enfileiradas revela que o movimento das crianças não é considerado e que as propostas estão na mão do adulto que é o único que precisa ser visto e ouvido. A própria decoração do ambiente é reveladora. Muitas vezes, o adulto no desejo de deixar o espaço bonito, o decora com cartazes e enfeites que não tem significado para aquele grupo de crianças e que é um referencial apenas para ele. Muitas revistas “pedagógicas” em especial aquelas destinadas a educação infantil infelizmente apresentam alguns desses modelos. Para ajudar a criança no seu desenvolvimento buscamos compreender sua natureza, e nessa busca encontramos o BRINCAR como necessidade básica que surge nela muito cedo. Muitos estudiosos defendem a ideia de que a criança brinca porque gosta de brincar, e quando isso não acontece, alguma coisa não está bem com ela. Enquanto uns dizem que a criança brinca por prazer, outros dizem que ela brinca para dominar angústias ou dar vazão à agressividade. Na busca de resposta a esta questão encontramos muitas formas de enfocar o brincar todas elas com uma base teórica consistente. 33 Assim, o brincar é enfocado tanto como fenômeno filosófico como sociológico, psicológico, criativo, psicoterapêutico, pedagógico, e também por outros ângulos de abrangência mais restrita e particularizada 34 CONSIDERAÇÕES FINAIS A partir dos avanços científicos, das pesquisas educacionais e das políticas públicas pode-se constatar que o brincar é de suma importância para o processo do desenvolvimento da criança que contribui para a formação e o processo de aprendizagem. A brincadeira e o jogo para as crianças não são apenas um passa – tempo ou uma simples diversão, mas um momento onde se aprende o que ninguém pode lhe ensinar. A escola é o centro do conhecimento, é o local adequado para essa aprendizagem, por isso a necessidade das instituições de Educação Infantil inserir jogos e brincadeiras nas atividades pedagógicas. Com os dados obtidos pela entrevista realizada com os professores, entende-se que os jogos fizeram e fazem parte do cotidiano das crianças. . 35 ANEXO ENTREVISTA Entrevista com professores da rede particular. Nome:Aline morais Profissão:Pedagoga 1-Para você, qual a importância dos jogos e brincadeiras na educação infantil? N a minha opinião, os jogos e as brincadeiras são uma forma de introduzir os conteúdos pedagógicos de forma lúdica e prazerosa. 2)No seu planejamento semanal, quantas brincadeiras e jogos são inserido de acordo com o conteúdo? No mínimo cinco brincadeiras e três jogos. 3)Qual a maior dificuldade de ensinar brincando? A maior dificuldade é impor regras. 4)Você acha que a falta de recursos , tempo e a utilização de livros e projetos dificulta a inserção das brincadeiras? Sim, pois o conteúdo fica muito limitado. 36 5)Sabemos que os pais se preocupam mais com a higiene e alimentação dos filhos do que com a própria aprendizagem. Isso atrapalha? Sim, muitos pais ignoram principalmente a Educação Infantil, acham que as creches só alimentam e higienizam as crianças. Não sabem que a Educação Infantil é a base de toda a vida escolar. 6)Os professores tem consciência da importância do brincar e dos jogos .Por que relutam em praticar? Porque não querem ter trabalho, pois precisam sentar para elaborar jogos e brincadeiras de acordo com o conteúdo proposto. 37 Entrevista com professores de rede particular. Nome:Juliana Ramos Profissão:Professora da Educação Infantil 1-Para você, qual a importância dos jogos e brincadeiras na educação infantil? Reforça aprendizagem 2)No seu planejamento semanal,quantas brincadeiras e jogos são inserido de acordo com o conteúdo? No mínimo cinco brincadeiras e três jogos. 3)Qual a maior dificuldade de ensinar brincando É impor regras. 4)Você acha que a falta de recursos , tempo e a utilização de livros e projetos dificulta a inserção das brincadeiras? Sim , acaba tomando tempo e a gente tem que se prender ao livro. 5)Sabemos que os pais se preocupam mais com a higiene alimentação dos filhos do que com a própria aprendizagem.Isso atrapalha? e 38 Sim, porque de acordo coma idade os pais não acham que a escola é só para brincar. 6)Os professores tem consciência da importância do brincar e dos jogos .Por que relutam em praticar? Sim, eu acredito que é por causa do tempo. 39 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL .Ministério da Educação e do Desporto .Secretaria de Educação Fundamental. Referencial curricular nacional para a educação infantil .Brasília: MEC/SEEF,1998. DANTAS ,Heloisa .Brincar e trabalhar .In :KISHIMOTO , Tzuko M.(Org.).O brincar e suas teorias .São Paulo:Pioneira,1998. KISHIMOTO, T. M.( org.). O Brincar e suas teorias .São Paulo:Pioneira,1998. KISHIMOTO, T. M. A organização do tempo e do espaço .Disponível em www.pt.scrib.com/doc/61444352/40.Acesso em :15 de dezembro de 2012. KISHIMOTO,T.M jogos e brincadeiras .Disponível em:www.formaremrede.org.br/biblioteca/0010.pdf.Acesso em 10 de dezembro de 2012. PIAGET, Jean. O nascimento da inteligência na criança. 4. Ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1982. POZAS, Denise .Criança que brinca mais aprende mais: a importância da atividade lúdica para o desenvolvimento cognitivo infantil .Rio de Janeiro: Editora Senac Rio,2011. 40 SANTOS, P.M.S .Brinquedo e infância :um guia para pais e educadores em creche.11.ed.-Petrópolis, RJ :Vozes, 2011. VYGOTSKY, Lev S. A Formação Social da Mente. Paulo :Martins Fontes,1984. Constituição da República Federativa do Brasil. Serie Legislação Brasileira, Editora Saraiva, 1988.