LUIS FERNANDO DE ALMEIDA CARNEIRO MAYRA ROSANA RIBEIRO RITA DE CÁSSIA RADIGHIERI NAVARRO O BALANCED SCORECARD AUXILIANDO NO GERENCIAMENTO DA EMPRESA Monografia apresentada à Banca Examinadora do Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium, como requisito parcial para obtenção do título de especialista em Gestão Empresarial com Ênfase em Marketing e Recursos Humanos, sob a orientação das Profªs. M.Sc. Máris de Cássia Ribeiro e M.Sc. Heloísa Helena Rovery da Silva. LINS SP 2008 Carneiro, Luis Fernando de Almeida; Ribeiro, Mayra Rosana; Navarro, Rita de Cássia Radighieri C289b O Balanced Scorecard auxiliando no gerenciamento da empresa / Luis Fernando de Almeida Carneiro; Mayra Rosana Ribeiro; Rita de Cássia Radighieri Navarro . Lins, 2008. 76p. il. 31cm. Monografia apresentada ao Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium - UNISALESIANO, Lins, SP para Pós-Graduação Lato Sensu em Gestão Empresarial com Ênfase em Marketing e Recursos Humanos, 2008. Orientadores: Máris de Cássia Ribeiro; Heloisa Helena Rovery da Silva 1. Implementação. 2. BSC. 3. Gestão Empresarial. I Título. CDU 658 LUIS FERNANDO DE ALMEIDA CARNEIRO MAYRA ROSANA RIBEIRO RITA DE CÁSSIA RADIGHIERI NAVARRO O BALANCED SCORECARD AUXILIANDO NO GERENCIAMENTO DA EMPRESA Monografia apresentada ao Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium, para obtenção do título de especialista em Gestão Empresarial com Ênfase em Marketing e Recursos Humanos. Aprovada em: _____/_____/_____ Banca Examinadora: Profª. M.Sc. Máris de Cássia Ribeiro Mestre em Administração pela Universidade Metodista de Piracicaba UNIMEP-SP. Assinatura: ______________________________________ 1º Prof(a): _______________________________________________________ Titulação: _______________________________________________________ _______________________________________________________________ Assinatura: ______________________________________ 2º Prof(a): _______________________________________________________ Titulação: _______________________________________________________ _______________________________________________________________ Assinatura: ______________________________________ DEDICATÓRIA AOS PAIS Dedico este trabalho de conclusão de curso para as pessoas que mais amo, aos meus pais, Alcino e Maria José, a quem devo a vida e a minha formação moral e ao meu irmão Paulo, pela compreensão e apoio nesta jornada. E a todos meus familiares e amigos que direta ou indiretamente me ajudaram, apoiaram e me deram força para prosseguir. À PROFª E AMIGA MÁRIS Quero muito agradecer essa pessoa por tudo que ela que ela me proporcionou com sua atenção, carinho e amizade... Esta extraordinária alma, nunca olha a quem ajuda... sempre faz com dedicação e amor... E queria agradecer a você por tudo que me ajudou com sua amizade... Você é uma daquelas pessoas raras com um objetivo único de dar alegrias às pessoas que lhe cercam... você que sempre está pronta a ajudar não importando quem... Quero agradecer de coração por tudo que você me ajudou a realizar... Que Deus pague tudo isso...pois com certeza nunca poderei pagar tanta gentileza... Obrigado por tudo... RITA AOS PAIS Ao meu pai Antonio e minha mãe Lurdes, por confiarem em mim e estarem presente em todos os momentos da minha vida. Sempre com carinho, dedicação e amor ensinaram-me que o importante na vida é sempre ir a busca dos sonhos e, mesmo que pedras possam aparecer, e com elas que crescemos e lapidamos nossa história. Agradeço pelos sorrisos, pelos abraços, pelas broncas e, de peito aberto e alma explosiva, dedico a vocês mais esta etapa conquistada em minha vida. Muito obrigada, Amo Vocês! À MINHA IRMÃ MÁRIS Ufa!!! Eu não sabia que chegaria até aqui, tantas foram às lutas, o cansaço, as noites mal dormidas, que até pensei em desistir e só hoje fui perceber que consegui e que mais um obstáculo foi vencido dando um novo ânimo e coragem para se começar novamente. Diante dessa luta diária agradeço a você pelo seu apoio profissional e sentimental nessa caminhada. É preciso amar as pessoas como se não houvesse o amanhã. Por que se você parar pra pensar na verdade não há... AO MEU NAMORADO: MARCO ANTONIO A você que sempre me deu coragem e apoio nos momentos em que mais precisei. Você que estava presente com toda dedicação de amor, carinho, compreensão e principalmente muita paciência. Agradeço a Deus por esse inestimável presente de ter você em minha vida. Amo-te. Se eu não te amasse tanto assim, talvez perdesse os sonhos dentro de mim e vivesse na escuridão... se eu não te amasse tanto assim, talvez não visse flores por onde eu vi dentro do meu coração... MAYRA Ao meu namorado Fabio Meu grande amor, companheiro e amigo obrigado por me entender, me amar sinceramente, me dar apoio, cuidar de mim com tanto carinho e me mostrar que tudo daria certo. Obrigada por me fazer tão feliz e ensinar o verdadeiro significado do amor todos os dias. Aos meus pais Paulo e Ignez Que em todos os momento me incentivaram com ternura e nunca deixaram de confiar em mim fazendo de tudo o que puderam para que muito dos meus sonho se realizassem, com a luz e amor que recebi ofereço essa vitória à vocês. Agradecer é admitir que houve um minuto em que se precisou de alguém. Agradecer é reconhecer que o homem jamais poderá guardar para si o dom de ser suficiente. Aos nossos mestres, que nos convidaram a voar em sua sabedoria, mesmo sabendo que voar dependeria das asas de cada um de nós. Aos nossos mestres que, pelas sua presença as marcaram nossas vidas em um simples gesto ou ate num olhar, transmitiram-nos palavras A vocês, o nosso simples, mas eterno obrigado. RITA AOS MEUS PAIS, DAVID E JOANA Porque senão fossem por eles eu não estaria aqui hoje escrevendo para eles....Obrigado pela força!!!! Vocês são Imortais..... A ORIENTADORA E AMIGA PROFª MÁRIS Pela atenção e pela grande ajuda que você me deu num momento em que eu mais precisava... Obrigado mais uma vez e que Deus retribua em dobro pra você!!! AS AMIGAS E PARCEIRAS MAYRA E RITA Vocês não sabem o quanto sou grato a vocês....que sem hesitar me acolheram tão carinhosamente no desenvolvimento desse trabalho.... Obrigado de coração pela força...Jamais esquecerei!!!! LUIS FERNANDO AGRADECIMENTOS A Deus pelo amor e proteção que nos permitem superar todos os obstáculos da vida pessoal e profissional e por confortar-nos com momentos felizes. À Profª Ms. Máris de Cássia Ribeiro, pela atenção e orientação em todas as etapas de nossa jornada. Suas críticas e sugestões foram de extremo valor para o resultado final deste trabalho. À Profª Ms. Heloísa Helena Rovery da Silva, pela dedicação, orientação e, sobretudo, pela competência com que desenvolve seu trabalho. Aos Professores que durante todos esses anos várias pessoas colaboraram e nos ensinaram muitas coisas... E confessamos que não aprendemos tudo que quisemos, mas aprendemos tudo que pudemos. Andamos muito tentando alcançar este momento. E agora queremos revelar nossos sinceros agradecimentos às pessoas que nos fizeram sorrir, chorar, sentir, viver... crescer... MAYRA, RITA E LUIS FERNANDO RESUMO O Balanced Scorecard (BSC) é uma metodologia de gestão empresarial que mede o desempenho operacional, usando além dos indicadores financeiros costumeiros, indicadores de acompanhamento da satisfação do cliente, da eficácia dos processos operacionais internos e da capacidade de inovação da empresa. O BSC traduz a missão e a estratégia da empresa em quatro áreas prioritárias: financeira, cliente, processo/aprendizado e crescimento. É uma ferramenta gerencial, baseada em um mapa estratégico de informações, onde é possível visualizar e acompanhar as metas e objetivos da empresa. Muitas empresas ao serem criadas voltam sua preocupação para atrair clientes e compor uma estrutura física, acreditando que estas atitudes lhes garantirão a sobrevivência. No entanto, não há uma preocupação em determinar qual será sua estratégia para acompanhar as mudanças que ocorrem na economia e direcionar suas ações de forma que se mantenham competitivas. Para se criar um BSC que efetivamente traduza as estratégias e missão da empresa em metas e indicadores específicos, os gerentes converteram esses elementos da estratégia em quatro perspectivas distintas: financeira, dos clientes, dos processos internos, e do aprendizado e crescimento. Mas elas devem ser consideradas como um modelo e não como uma camisa de força. Não existe um teorema matemático segundo o qual as quatro perspectivas sejam necessárias e suficientes, que são: perspectiva financeira, perspectiva dos clientes, perspectiva de inovação e aprendizado e perspectiva interna da empresa. O BSC preenche a lacuna da grande maioria dos sistemas gerenciais, que é a falta de um processo sistemático para implementar e obter feedback sobre a estratégia utilizada, e quando utilizado em pequenas empresas facilita o processo de gerenciamento ajudando a estas na manutenção da sua sobrevivência e por envolver um menor número de pessoas torna-se mais fácil a sua implementação. Palavras-chave: Implementação. BSC. Gestão Empresarial. ABSTRACT The Balanced Scorecard (BSC) is a methodology of enterprise management that measures the operational performance, using beyond the usual, indicating financial pointers of accompaniment of the satisfaction of the customer, of the effectiveness of the internal operational processes and the capacity of innovation of the company. The BSC translates the mission and the strategy of the company in four with priority areas: financier, customer, process/learning and growth. It is a managemental tool, based in a strategical map of information, where she is possible to visualize and to follow the goals and objectives of the company. Many bred companies when being come back its concern to attract customers and to compose a physical structure, believing that these attitudes will guarantee the survival to them. However, she does not have a concern in determining which will be its strategy to follow the changes that occur in the economy and to direct its action of form that if they keep competitive. To create a BSC that effectively translates the strategies and mission of the company in goals and dedicated displays, the controlling had converted these elements of the strategy into four distinct perspectives: financier, of the customers, the internal processes, and the learning and growth. But they must be considered as a model and not as a force shirt. Which does not exist a mathematical theorem according to the four perspectives is necessary and enough, that are: financial, perspective perspective of the customers, perspective of innovation and learning and internal perspective of the company. The BSC fills the gap of the great majority of the managemental systems, that is the lack of a systematic process to implement and to get feedback on the used strategy, and when used in small companies it facilitates the management process helping to these in the maintenance of its survival and for involving a lesser number of people becomes more easy its implementation. Key- word: Implementation. BSC. Enterprise management. LISTA DE FIGURAS Figura 1: Perspectivas do Balanced Scorecard ................................................ 25 Figura 2: Gestão estratégica quatro processos.............................................. 46 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS BSC - Balanced Scorecard ABC - (Activity Based Cost) SUMÁRIO INTRODUÇÃO................................................................................................... 14 CAPÍTULO I: BALANCED SCOREDCARD: UM ENFOQUE ESTRATÉGICO 16 1 A UTILIZAÇÃO ORIGINAL DO BALANCED SCORECARD E SUAS ALTERAÇÕES .................................................................................................. 16 1.2 Balanced Scorecard: Aplicação e conceito............................................. 17 1.2.1 Evolução do conceito Balanced Scorecard ............................................ 18 1.2.1.1 Sistema de medidas de desempenho ................................................... 18 1.2.1.2 Sistema de comunicação e alinhamento............................................... 19 1.2.1.3 Sistema de gestão estratégica .............................................................. 20 1.2.1.4 Sistemas de gestão de desempenho .................................................... 22 1.2.1.4.1 Gestão orientada por custo ................................................................ 22 1.2.1.4.2 Gestão orientada por resultados ........................................................ 22 1.2.1.4.3 Gestão orientada para a estratégia .................................................... 22 1.3 Objetivos estratégicos e perspectivas de gestão ................................... 24 1.4 Desenhando o mapa estratégico de gestão da empresa ....................... 24 1.4.1 Proposição de valor................................................................................. 25 1.4.2 Desenvolvimento do negócio .................................................................. 27 1.4.3 Perspectiva Financeira............................................................................ 28 1.4.4 Perspectiva de clientes ........................................................................... 31 1.4.5 Perspectiva de processos internos ......................................................... 34 1.4.6 Perspectiva de aprendizado e crescimento ............................................ 36 1.5 As medidas, as metas e as ações .......................................................... 38 1.5.1 Medidas ................................................................................................... 38 1.5.2 Metas....................................................................................................... 42 1.5.3 Planos de ação........................................................................................ 43 1.6 BSC como um sistema de gestão estratégica ........................................ 44 1.6.1 Formular .................................................................................................. 46 1.6.2 Comunicar ............................................................................................... 48 1.6.3 Planejar ................................................................................................... 49 1.6.4 Avaliar...................................................................................................... 51 1.7 Necessidade de mudança na contabilidade ........................................... 53 1.8 A ineficiência dos antigos sistemas gerenciais contábeis ...................... 55 CAPÍTULO II BALANCED SCORECARD: CONTRIBUINDO PARA O GERENCIAMENTO DAS ORGANIZAÇÕES..................................................... 57 2.2 Conceituando Balanced Scorecard ........................................................ 57 2.1 Implementação........................................................................................ 60 2.2 Alinhar as organizações às estratégias .................................................. 60 2.3 Converter a estratégia em processo contínuo ........................................ 61 2.4 Propósitos do Balanced Scorecard......................................................... 62 2.5 Gerenciando a Estratégia ....................................................................... 62 2.6 Barreira nº 1: Visão e estratégia não executáveis .................................. 63 2.6.1 Barreira nº 2: Estratégia não associada às metas de departamentos, equipes e indivíduos .......................................................................................... 64 2.6.2 Barreira nº 3: estratégias não associadas a alocação de recursos........ 65 2.6.3 Barreira nº 4: Feedback tático, não estratégico...................................... 66 2.6.4 Benefícios do uso do BSC ...................................................................... 67 2.6.5 Feedback e o processo de aprendizado estratégico .............................. 68 2.6.6 Feedback estratégico .............................................................................. 68 CONCLUSÃO .................................................................................................... 70 REFERÊNCIAS.................................................................................................. 71 14 INTRODUÇÃO O sucesso de um empreendimento está no seu propósito principal, naquilo que está definido na sua missão, visão e estratégia. Ter um produto revolucionário, com um ótimo preço e com uma qualidade acima da concorrência, pode fazer a diferença, porém não é tudo. Há necessidade de entender como funciona o complexo empresarial, o processo da organização, e dotá-la de instrumentos que indiquem, a cada momento, como está a empresa e dê meios para que cada responsável em cada atividade possa corrigir o rumo com agilidade e eficácia. O BSC se diferencia de todos os outros modelos de gestão porque ele pode agregar todos os modelos de controle financeiro e não financeiros que existem desde que propiciem ao administrador uma forma de indicador de desempenho. É uma ferramenta de apoio para acompanhar e monitorar as evoluções das decisões da empresa, centradas em indicadores chaves. Cada pessoal na organização deve entender cada aspecto ligado a estratégia, para que o sucesso seja pleno. O principal efeito ou realização desta ferramenta é a sua capacidade de possibilitar aos gerentes o poder de medir tudo. Ele abriga no seu conceito a dimensão de avaliação de eventos não financeiros, fazendo com que tudo na organização passe a ser medido. Medir a estratégia permite que se confirme ou coloque de lado as ações de causa e efeitos assumidos quando foi estabelecida a estratégia. É uma informação vital. A estratégia está baseada naquilo que irá criar valor para a organização. A utilização do BSC é um fator determinante para o sucesso, pois são identificadas as principais causas que afetam o desempenho organizacional, sendo que esta metodologia permite esse tipo de avaliação, inclusive, permitindo a correção de determinados objetivos ou indicadores por não ter uma relação de causa e efeito com o que se deseja alcançar. Outro ponto positivo dessa aplicação é a estruturação geral de indicadores, facilitando o controle, inclusive visual, do desempenho e performance da empresa. 15 Com o objetivo de demonstrar a importância do BSC auxiliando no gerenciamento da empresa, foi realizada uma revisão bibliográfica que abrange o período de 1997 a 2008 sobre os assuntos principais do trabalho, aonde chegou-se ao seguinte questionamento: O Balanced Scorecard é uma ferramenta de gestão que contribui para um gerenciamento mais eficaz dos recursos disponíveis? Em resposta a esse questionamento foram colocados os seguintes pressupostos que norteiam o presente trabalho. A contabilidade não desempenhava o papel principal de promover ou implementar inovações tecnológicas e mudanças organizacionais, ela desempenhava um papel crítico desenvolvendo novas medidas não financeiras de desempenho, tais como produtividade, qualidade, custos de inventário, etc., para avaliar o progresso da empresa em relação aquelas mudanças. O Balanced Scorecard busca estratégias e ações equilibradas e balanceadas em todas as perspectivas que afetam o negócio da organização, permitindo que os esforços sejam dirigidos para as áreas de maior competência, detectando e indicando as áreas para eliminação de incompetências. É um sistema voltado para o comportamento e não para o controle. Seus indicadores estão direcionados para o futuro e para a estratégia organizacional em um sistema de contínua monitoração. O presente trabalho apresenta-se estruturado em dois capítulos: Capítulo I: aborda sobre a evolução histórica do BSC, sistemas de gestão, perspectivas, medidas, metas, planos de ação, planejamento, necessidade de mudança e ineficiência dos sistemas antigos. Capítulo II: discorre sobre o enfoque específico conceituando o BSC, a implementação, feedback e gerenciamento da empresa. E, finalmente, é apresentada a conclusão. 16 CAPÍTULO I Balanced Scoredcard: Um Enfoque Estratégico 1 A UTILIZAÇÃO ORIGINAL DO BALANCED SCORECARD E SUAS ALTERAÇÕES Segundo Peixinho (2003) as tradicionais medidas contábeis e financeiras não mais ajudavam e que, ao contrário, elas dificultavam a empresa a criar valor econômico para o futuro; David Norton, excecutivo do Instituto de Pesquisa da Nolan Norton, unidade de pesquisa da KPMG sob consultoria acadêmica de Robert Kaplan, em 1990, desenvolveu um projeto que abrangia várias empresas e que tinha o objetivo de elaborar um novo modelo de medidas de desempenho.O fundamento do projeto foi o modelo usado pela Analong Devices para medir o índice de progresso em atividades de melhoria contínua e o seu scorecard, que continha as medidas tradicionais financeiras e outras operacionais. De acordo com Chiavenato; Cerqueira (2003) a jornada em busca de excelência da gestão, ou pela melhoria do desempenho global, nada mais é que uma sucessão de processos decisórios da liderança, os quais guardavam entre si uma relação de atencedente-conseqüente. Segundo Costa (2006), o estudo de Kaplan e Norton foi direcionado para chegar a um scorecard multidimensional. Posteriormente, passou a ser chamado de Balanced Scorecard, para indicar a característica de equilíbrio (balanceamento) entre as medidas de curto e longo prazo, entre as medidas financeiras e as não financeiras, entre os indicadores de tendência e os de ocorrência e entre as perspectivas interna e externa de desempenho. A intenção dos executivos era utilizar o scorecard multidimensional balanceado de maneira inovadora, muito diferente da que vinha sendo proposta, não apenas como um sistema de medição e avaliação de desempenho, e sim utilizá-lo para comunicar as estratégias e a elas alinharem as empresas que dirigiam. Foram esses executivos que logo perceberam que, apesar de desenvolvido para ser um sistema de medição de desempenho, o 17 BSC podia ser utilizado para comunicar e alinhar a estratégia da empresa.Constatou-se então que um conjunto de medidas associado a quatro perspectivas definidas no Balanced Socorecard comunicava e ajudava a implementar uma estratégia consistente. A primeira vinculação do Balanced Scorecard com a estratégia das empresas, curiosamente, não foi feita pelos seus autores e sim por dois executivos desvinculados da academia e/ ou das empresas de consultoria. Foram os executivos da Rockwater e da FMC Corporation que logo perceberam que, apesar de desenvolvido para ser um sistema de medição de desempenho, o BSC podia ser utilizado para comunicar e alinhar a estratégia da empresa.Foram as experiências com outras dez empresas que comprovaram que o uso sugerido pelos exercícios da Rockwater e da FMC Corporation podia ser generalizado. Essas experiências, além do mais, demonstravam a importância de se montar um conjunto de medidas que descrevesse a trajetória da estratégia da empresa e ajudasse a refinar o sistema de gerenciamento da estratégia. A prática mostrou que os gestores podiam utilizar o sistema não só para comunicar estratégias, mas também para gerenciá-la. Segundo Costa (2006), Kaplan registrou que o sistema de mensuração, que havia se transformado em sistema de comunicação e alinhamento estratégico, estava começando a ser explorado como um sistema de gerenciamento de estratégia. O sucesso com essa nova utilização permitiu que, posteriormente, Kaplan e Norton apresentassem o Balanced Scorecard como um sistema gerencial essencial. Segundo Costa (2006) o que era uma preocupação deu origem, inicialmente, a um sistema de medição de desempenho que se transformou, primeiro, em um sistema de comunicação e alinhamento estratégico e, depois, num sistema de gerenciamento da estratégia, culminando numa nova forma organizacional focada na estratégia. 1.2 Balanced Scorecard: Aplicação e conceito De acordo com Chiavenato, Cerqueira (2006), Balanced Scorecard é a ferramenta para facilitar a construção do sistema de gestão estratégica por 18 meio da padronização dos indicadores e de sua conseqüente disponibilizacão para uso. Utilizam-se os recursos de tecnologia da informação disponíveis na organização além de uma relação de causa e efeito entre os objetivos estratégicos. Segundo Costa (2006), a prática mostrou que os gestores podiam utilizar o sistema não só para comunicar a estratégia, mas também para gerenciá-la. De acordo com Kaplan, Norton (1997), os conceitos dos componentes do mapa estratégico foram organizados e apresentados, mostrando de maneira mais direta os aspectos que deveriam ser considerados para análise em cada perspectiva, para cada proposição de valor. Mapas estratégicos, modelos (templates, que foram traduzidos indevidamente como gabaritos) foram, então, apresentados com o propósito apenas de servir como guia de discussão inicial dentro de uma empresa. As empresas não devem simplesmente transformar esses modelos nos seus mapas, são apenas guias para discussão que devem ser utilizados quando a empresa ainda não tem o hábito de promover discussões sobre o desdobramento da sua estratégia. 1.2.1 Evolução do conceito Balanced Scorecard 1.2.1.1 Sistema de medidas de desempenho De acordo com Costa (2006) o fenômeno e complexo ou multidimensional, concluiu que uma única medida não contemplara fatores importantes e mesmo indispensáveis. Se fatores importantes não forem captados, o desempenho de curto prazo pode melhorar, mas não se terá garantia de que esse desempenho contribuirá para a continuidade da empresa. É preciso usar uma cesta de medidas que ajudem o gestor a não perder o foco no lucro de longo prazo. O ambiente competitivo, de mudanças impõe aos gestores a necessidade não só de avaliar o desempenho passado, mas também de saber se eles estão criando valor futuro. 19 Na Era da informação, saber explorar ativos intangíveis é mais importante que saber investir e administrar ativos físicos. Não existe uma medida única informando quais as metas que precisam ser alcançadas com a finalidade de criação de valor futuro, é necessário recorrer a indicadores de tendências. Os indicadores deviam estar presentes num sistema de avaliação de desempenho que captasse as características dos novos processos produtivos, que expressasse a nova maneira de enxergar o negócio. É necessário aumentar a abrangência das medidas de desempenho sem aumentar o número de indicadores. Segundo Costa (2006), o Balanced Scorecard reúne em apenas um relatório as medidas que indicam o alcance das metas necessárias para a criação de valor futuro, combinando a diversidade de elementos típicos de uma empresa com agenda competitiva.Isso, para a empresa, significa: a) tornar-se orientada para seus clientes; b) ser capaz de dar respostas rápidas; c) qualificar a equipe de trabalho; d) reduzir o tempo de lançamento de novos produtos; e e) gerir para o longo prazo. Esse conjunto de medidas balanceadas não desconsiderava as medidas financeiras tradicionais, mas a complementava com as medidas operacionais que podiam ser vistas como direcionadoras de futuros desempenhos financeiros, ou melhor, como fatores que direcionavam os valores futuros. 1.2.1.2 Sistema de comunicação e alinhamento As medidas de desempenho no BSC, são desenhadas a partir de uma concepção geral da estratégia da empresa e não a partir das necessidades específicas de cada área. A necessidade especifica de cada área só são consideradas caso sejam determinantes do desempenho da empresa no cumprimento da estratégia. A ordem dos fatores, neste caso, altera o produto. A ferramenta requer que sejam estabelecidas medidas que efetivamente 20 indiquem se a estratégia delineada pela organização está sendo implementada e executada satisfatoriamente. O BSC não contém um conjunto de medidas de desempenho genérico, uma vez que cada empresa tem uma particular missão, uma particular visão, uma particular estratégia, e, portanto, um particular conjunto de medidas adequadas. O conjunto de indicadores que fazem parte do BSC deve ser construído de acordo com a missão da empresa, sua estratégia, tecnologia e cultura. Diferentes situações de mercado, estratégias de produtos e ambientes competitivos requerem diferentes scorecards. É fundamental ter presente que o ponto central do BSC não é o controle, mas a visão e a missão da empresa. O BSC mostrou-se capaz de comunicar estratégia e alinhar a empresa ao seu cumprimento. Foi a percepção dessa característica que levou os executivos a utilizá-la numa maneira diferente, não como simples conjunto de indicadores de desempenho, mas como instrumento de comunicação e alinhamento à estratégia. O sistema tradicional de gestão mede o desempenho passado, com o objetivo de controlar comportamentos para manter as unidades organizacionais de acordo com um plano pré-estabelecido. Com o foco no controle do que foi pré-estabelecido, principalmente em curto prazo (por meio de orçamento), o sistema tradicional de gestão tem-se mostrado inábil para ligar a estratégia de longo prazo da empresa com as suas ações de curto prazo. O BSC mostrou-se um instrumento útil para traduzir a estratégia da empresa em objetivos específicos mensuráveis, tanto os de curto prazo quanto os de longo prazo. Mostrou-se também útil para estabelecer a ligação lógica entre eles, com mais eficácia do que os sistemas tradicionais de controle. O BSC, diferentemente das ferramentas gerenciais tradicionais, explicita a ligação do planejamento estratégico com o planejamento operacional, ao detalhar os passos do desdobramento da vantagem competitiva em ações. Essas ações demandam recursos operacionais e financeiros que deverão estar contemplados orçamento. no planejamento operacional e, conseqüentemente, no 21 1.2.1.3 Sistema de gestão estratégica Segundo Costa (2006), da percepção de que o BSC podia ser usado como um sistema de comunicação, informação e aprendizado sobre a estratégia da empresa, basta um passo lógico para a percepção de que ele podia ser utilizado como um novo sistema de gestão estratégica, realizando seu verdadeiro pontencial. A primeira metáfora usada por Kaplan e Norton (1997) para expressarem a diferença entre o que se pode gerir com os sistemas gerenciais tradicionais e com o BSC foi a diferença entre pilotar um navio isolado por um ambiente estável até o seu destino e pilotar um barco em uma competição (sob mudanças nas condições de tempo e do mar). O comportamento das empresas tradicionais foi comparado ao caso do navio que parte de um porto em direção a outro porto pré-determinado. O modelo de comando e controle de uma organização é similar ao do capitão de um navio (executivo- chefe), que determina a direção e a velocidade com os quais o navio (unidade de negócio) deve navegar. Os marinheiros (gestores e funcionários de linha de frente) seguem as ordens e implementam os planos determinados pelo capitão. Os sistemas operacionais e de controle gerencial são estabelecidos para garantir que os gestores e os funcionários hajam de acordo com o plano estratégico estabelecido pelos executivos seniores. Esse processo linear de estabelecer uma visão e uma estratégia, de comunicá-la e ligá-la a todos na organização é alinhar processo simples de realimentação (single-loop feedback process). Nesse processo, o objetivo a ser alcançado permanece viável ou se os métodos usados para alcança-los ainda não são apropriados. Apenas serve para monitorar desvios em relação ao planejado. Os gestores, obviamente, precisam saber se sua estratégia planejada está sendo executada de acordo com o plano estabelecido, mas isso não é suficiente. É preciso saber também se as hipóteses fundamentais traçadas quando do lançamento da estratégia permanecem válidas. O BSC atende a essas duas demandas. Assim, mostrou-se um importante instrumento de ajuda aos gestores no ambiente competitivo moderno. O mecanismo que permite que se façam esses dois questionamentos e o processo duplo de aprendizado. 22 De acordo com Costa (2006) o BSC permite que o gestor reflita sobre a validade da estratégia traçada e a viabilidade de sua execução. Ao avaliar as condições de planejamento e de execução da estratégia, a empresa aprende sobre as relações causais entre ações e estratégia, permitindo que o desdobramento da estratégia em ações seja cada vez mais apurado. Tem-se, então, um efetivo sistema de gestão estratégia. Segundo Chiavenato, Cerqueira (2003) o BSC não é apenas um painel de indicadores e desempenho. É uma ferramenta facilitadora da implantação e implementação de sistemas de gestão estratégica nas organizações e,por conseqüência focada na estratégia. Aplicada na organização que já tem definido seu direcionamento estratégico e sua visão de futuro, constituiu-se também numa ferramenta gerencial que permite a tradução da visão do futuro da organização em objetivos estratégicos correlacionados entre si e definidos dentro da perspectiva financeira e não financeira escolhida pela liderança. Segundo esta definição, então, discutem-se as ações relativas às medições ou aos indicadores, relacionados aos objetivos estratégicos, que devem fazer a visão do futuro acontecer. Assegura-se, assim, um adequado alinhamento das ações das pessoas e dos times com a estratégica da organização, criando-se, em decorrência, uma organização, que aprende, focalizada na estratégia. 1.2.1.4 Sistemas de gestão de desempenho Segundo Costa (2006), a evolução dos modelos organizacionais surgiram e evoluíramos sistemas de gestão de desempenho, conforme abaixo descritos: 1.2.1.4.1 Gestão orientada por custo Este sistema, era apropriado para o ambiente empresarial vivenciado na sociedade industrial, valorizava os ativos tangíveis, cujos indicadores refletiam 23 o desempenho financeiro das empresas, tais como: demonstrativo do fluxo de caixa, balanço patrimonial, margem de contribuição, entre outros. O sistema operava de forma hierarquizada no estilo top down. Nesse paradigma de contabilidade gerencial destacava-se o controle dos custos em termos de produtos, clientes e funções. Além disso, enfatizava o enfoque interno, bem como o valor agregado representava o conceito-chave. Tal sistema, concebido para empresas industriais do século XIX e do princípio do século XX, tornou-se inadequado para o ambiente dinâmico e de rápidas transformações dos dias atuais. 1.2.1.4.2 Gestão orientada por resultados Este sistema surgiu num ambiente de rápidas transformações tecnológicas e num mercado em crescente competitividade. Manter-se competitivo passou a ser fator determinante para a sobrevivência da empresa. Nele, a trilogia: sistema de custo, de informações e de planejamento e controle da produção, devem ser considerada de forma integrada, afirma Soares e Prochnik (2003). A gestão orientada por resultado, própria da sociedade da informação, onde se globalizaram todos os níveis de relacionamentos, faz com que as empresas flexibilizem suas estratégias e, para assegurar sucesso, migrem de economia de escala para produto personalizado de qualidade. Nesse contexto, posicionamento além estratégico da do custo, empresa, crescem fatores de importância, relacionados com no o atendimento ao cliente, a qualidade dos produtos/serviços, a eliminação dos desperdícios, a minimização dos estoques, o prazo, a otimização de ciclos de produção, o contínuo aperfeiçoamento, entre outros. 1.2.1.4.3 Gestão orientada para a estratégia Este sistema parte da premissa de que na sociedade do conhecimento a vantagem competitiva deriva mais dos recursos intangíveis, como 24 conhecimento, capacidade e relacionamentos criados pelos empregados, do que investimentos em ativos físicos e do acesso de capital. Além de incorporar vários princípios definidos na gestão da qualidade total, este sistema estabelece uma abordagem focada na estratégia. A ação estratégica tem prevalência sobre a própria estratégia em si, e a sua implementação devem ser compartilhadas por todos da organização. A gestão orientada para a estratégia deve ser considerada como um processo contínuo estimulado e liderado pela alta administração. Este sistema, além de preservar as mensurações de desempenho financeiro, complementa com vetores de desempenho não-financeiros, emanados da visão e da estratégia da organização. 1.3 Objetivos estratégicos e perspectivas de gestão Segundo Costa (2006), o que deve ser enfatizado não é a perspectiva ou dimensão de gestão, mas a estratégia e as metas estratégicas em cada uma das perspectivas/ dimensões de gestão. A questão fundamental não se refere à dimensão a ser enfatizada. Metas definidas em diferentes perspectivas podem ter a mesma prioridade na agenda. Em uma mesma perspectiva pode haver metas que serão alcançadas em momentos diferentes. Não há uma receita para identificar o que deve ser feito primeiro. O que determinará isso é a relação de causa e efeito entre as ações para alcançar as metas delineadas. É essa relação de causa e efeito entre as ações que determinará a ordem e o momento em que uma particular ação ou objetivo deve ser enfatizado. O uso do BSC previne a subotimização dos recursos. Ao tratar as variáveis-chave para a gestão de forma integrada, permite que os gestores analisem os efeitos de alcançar um melhoramento de uma área em detrimento de outra. Afinal, há várias formas de se atingir um mesmo objetivo. Se essas formas forem analisadas separadamente, por área, podem promover um 25 melhoramento em determinada atividade a curto prazo, mas comprometer o futuro do negócio. 1.4 Desenhando o mapa estratégico de gestão da empresa Fonte: Costa, 2006, p.24 Figura 1: Perspectivas do Balanced Scorecard 1.4.1 Proposição de valor Segundo Costa (2006), a proposição de valor é o valor a ser criado e entregue ao cliente, para que esse se sinta satisfeito. Ao fazer isso, ela define os atributos importantes a serem entregues ao cliente. Uma vez definidos esses atributos, a empresa deve estruturar seus processos operacionais, suas 26 atividades de suporte, suas habilidades e investimentos necessários. Para cumprir com a estratégia e criar valor para o acionista, a empresa precisa alinhar todas as suas atividades, investimentos e habilidades de forma consistente. O elemento central da estratégia, que direcionará esse alinhamento, é a proposição de valor. O primeiro passo para desdobrar a estratégia pelas perspectivas é a empresa definir a proposição de valor com a qual trabalhará. Diferentes proposições de valor produzirão diferentes desdobramentos, desde a perspectiva financeira até a de aprendizado e crescimento. Kaplan e Norton (1997) sugerem quatro proposições de valor, desenhando um modelo de mapa para cada uma delas. Há, então, um modelo para excelência operacional, outro para liderança de produto, outro mais para soluções completas para o cliente e um outro para aprisionamento/ escravização do cliente. O mapa modelo não é uma camisa de força para as empresas, e sim uma base, um ponto de partida para a empresa pensar sobre seu próprio negócio e não esquecer de certos focos que são determinados pela proposição de valor escolhida. Uma empresa que está inserida em um mercado altamente competitivo, que produz um produto ou serviço sem muita margem para diferenciação, tipo commodity, não adianta querer competir com uma estratégia de liderança de produto. O próprio mercado já orienta a empresa em qual proposição ela deve atuar. Os processos gerenciais de tomada de decisão, controle, as políticas de incentivo e remuneração, treinamento e recrutamento são muito diferentes para cada proposição. Querer trabalhar com as duas proposições em uma mesma empresa usando os mesmos recursos, políticas e procedimentos, é trabalhar em regime de exceção o tempo todo, gerando insatisfação interna e externa. A empresa que está em um mercado que permite a diferenciação de produto e define a liderança de produto como a estratégia terá seus processos atividades e cultura organizacional estruturados para inovação de produtos/ serviços. Para ser reconhecida como líder em produto, a empresa terá que ter uma estrutura de produção flexível, para poder adaptar-se às constantes 27 inovações. Precisa controlar a produção com foco não na padronização, mas na qualidade dos atributos inovadores. A cultura organizacional não só deve incentivar a inovação, imaginação do futuro, experimentação, como também não punir idéias que não tiveram sucesso. Ser líder em um produto, não é só entender o consumidor e suas necessidades atuais melhor que o concorrente. Precisa ir além. Só criando o clima e estrutura para a imaginação e a experimentação é que o sucesso se sustentará. (COSTA,2006, p. 24) Outras empresas escolhem a estratégia de aprisionar/ escravizar seus consumidores. A intenção é tornar o custo da migração para um concorrente muito alto. Para não facilitar essa migração, a empresa precisa também trabalhar com inovações constantes, afinal, se seu produto se torna obsoleto, o custo de oportunidade de migrar para o concorrente se reduz. Esse tipo de empresa, em geral, além de inovadora, é pioneira. Lançar primeiro um produto com essas qualificações exclusivas é uma das formas de aprisionamento. Ao lançar produtos complementares ao principal, só será possível comprar da mesma marca ou trocar todo o sistema. Essa proposição de valor requer todas as características presentes na empresa com proposição de valor de inovação. Mas, além delas, é preciso gerir a exclusividade e a compatibilidade com os produtos concorrentes. A compatibilidade pode até existir desde que se controle essa rede de fornecedores de itens complementares. Todos os atributos que tornam o produto exclusivo devem ser entregues com qualidade e geridos com atenção especial. 1.4.2 Desenvolvimento do negócio Para desenhar o mapa específico da empresa, além de identificar a proposição de valor, há que se decodificar o estágio de desenvolvimento do 28 negócio. Os temas genéricos de rentabilidade, crescimento, produtividade são importantes para qualquer empresa, mas a cada estágio de desenvolvimento do negócio um desses aspectos é mais importante que outro. Em cada estágio, uns temas têm caráter estratégico e outros, operacional. Toda empresa tem a preocupação genérica de reduzir custos e aumentar receitas. No mapa estratégico, no entanto, é preciso ser mais específico, pois, dependendo da fase de desenvolvimento do negócio, alguns aspectos de custos são mais importantes que outros. Em cada momento do desenvolvimento do negócio, certas características devem ser enfatizadas e outras subordinadas a essas. Uma empresa que está entrando em um mercado novo, em um primeiro momento, deverá se ater ao objetivo de ganhar esse mercado. É claro que custo importa, mas não é todo tipo de custo que tem importância estratégica. Os custos do produto ou serviço, nesse instante de entrada em um mercado novo, estão dados, pois já foram definidos em um plano de negócios. Esses custos devem ser controlados no nível operacional. O que deve ser monitorado de perto pela alta administração, nessa fase, é a comparação dos custos decorrentes do esforço de expansão com o resultado proporcionado por esse esforço. O custo desse esforço inclui custos tais como de distribuição, estocagem, mapeamento de demanda e inovação, ou seja, de processos internos que devem estar focados nas várias formas de entrar no mercado. Custos de produção se tornarão estratégicos quando a empresa já estiver no mercado. Nessa fase, o ganho de produtividade passa a ser mais importante e a participação do mercado passa a ser controlada rotineiramente, ou seja, na operação. O foco das mudanças, da inovação, da operação não estará mais nas várias formas de entrar no mercado. O foco desses processos internos, nessa fase, estará no aumento de margem. Nessa fase em que a empresa já é uma concorrente relevante no mercado, o estratégico passa a ser a margem do produto. Segundo Costa (2006), Kaplan e Norton enfatizaram três diferentes estágios do negócio, para os quais devem ser definidos conjuntos diferentes de medidas, pois os objetivos são também diferentes: 29 a) rápido crescimento (rapid growth), quando a empresa está entrando no mercado; b) sustentação (sustain), quando a empresa já não é mais uma promessa e sim, efetivamente, uma concorrente no mercado; c) colheita (harvest), quando a empresa já tem uma posição consolidada. 1.4.3 Perspectiva Financeira As medidas financeiras indicam se a empresa está obtendo êxito com as estratégias definidas, implementadas e executadas. Em geral, esse êxito é medido pela sua lucratividade, pelo crescimento do negócio e pelo incremento do valor para o acionista. Se os indicadores financeiros não mostram o esperado, pode haver problemas na execução, na implementação ou até mesmo na definição das estratégias. No entanto, as empresas, normalmente, definem objetivos financeiros e medidas financeiras genéricos, que expressam essencialmente o resultado final esperado. O mapa estratégico requer um detalhamento maior para que possa efetivamente indicar como a empresa acredita poder alcançar o desempenho esperado nesses itens. Portanto, além das medidas de resultado, é preciso, ainda na perspectiva financeira, definir alguns objetivos e medidas específicas, chamadas no modelo de medidas de tendência. Se a empresa tem muitos espaços ociosos e mal aproveitados, pode-se pensar em aumentar a receita em função desses espaços. Se a empresa não tem espaço ocioso, mas está mal organizado, a empresa pode pensar primeiro em alternativas de receitas novas e depois na adaptação de seu espaço. A ordem de causação é importante, pois define o critério para que os gestores procurem e decidam por alternativas de ação. Se o mapa apresentar tanto objetivos de aumento de receita quanto de aproveitamento de espaço, ele não estará indicando a prioridade. Uma 30 alternativa é apresentar o objetivo que for fundamental, como objetivo estratégico, e o objetivo que for secundário ou subordinado àquele, como uma medida do objetivo estratégico, indicando que esse aspecto também deve ser considerado para atingir aquele objetivo principal. Não é uma boa alternativa deixar esse detalhamento para as metas ou planos de ação, pois se corre o risco de perder o alinhamento, uma vez que na própria dinâmica do desenho essa prioridade será transmitida verbalmente para os vários níveis de gestores envolvidos e ruídos surgirão nessa comunicação. Se a proposição de valor fora de excelência operacional, a redução de custos e de ociosidade e o aumento de mercado são de preocupações financeiras comuns. A especificidade está em identificar qual ou quais desses temas são mais críticos para a empresa em cada momento e como a mudança de desempenho deve ser encaminhada. Se a proposição for a de liderança de produto, a empresa terá sempre como preocupações financeiras comuns a gestão do custo no ciclo de vida dos produtos e a margem da cesta dos produtos, ou seja, o foco estará na gestão da inovação constante. No estágio de rápido crescimento, os objetivos financeiros enfatizarão o crescimento das vendas, os novos mercados e novos consumidores, os novos produtos e novos serviços, os sistemas, a capacitação de funcionários, o estabelecimento de novos canais de marketing, vendas e distribuição, mantendo um nível adequado de gastos com desenvolvimento de produtos e processos. No estágio de sustentação, os objetivos financeiros enfatizarão as medidas financeiras tradicionais, tais como retorno sobre capital investido, lucro operacional e margem bruta. Os investimentos em projetos, nesse estágio, serão avaliados por análises de padrões, fluxo de caixa descontado e orçamento de capital. Alguns podem incorporar o valor econômico agregado e o incremento de valor para o acionista. Essas medidas representam o objetivo financeiro clássico: excelente retorno sobre o capital investido. No estágio de colheita, a ênfase financeira recairá sobre o fluxo de caixa. Qualquer investimento deverá prover retorno em caixa certo e imediato, pois o objetivo não é maximizar o retorno sobre o investimento. Os gastos com pesquisa e desenvolvimento se escasseiam, pois o ciclo de vida do negócio 31 está em seu estágio final. Nesse caso, variáveis que possam comprometer o desfecho planejado do negócio (uma venda, uma liquidação, por exemplo) devem ser monitoradas. Essas variáveis podem ser o endividamento crescente, a contaminação ambiental, a insatisfação de clientes etc. Os temas financeiros mais usados pelas empresas, para realizar a estratégia, são: crescimento e mix de receita; redução de custo e aumento de produtividade; utilização de ativos e estratégia de investimento. Eles podem ser usados em qualquer um dos três estágios estratégicos antes referidos. As medidas financeiras, no entanto, é que serão diferentes de acordo com o caso. Esses temas também podem ser reorganizados em dois outros grupos genéricos: crescimento e produtividade. Pode-se crescer aumentando a fonte de receitas ou o valor por cliente atual. Pode-se obter ganho de produtividade mediante a redução dos custos ou a melhor utilização dos ativos. A preocupação quanto ao crescimento e mix de receita é diferente em cada fase do negócio. No estágio de crescimento rápido, o indicador mais apropriado pode ser a taxa de crescimento por segmento, pois se está entrando no mercado e o objetivo é medir o resultado das táticas usadas, para aumentar ou não a agressividade. A participação de mercado por clientes-alvos expressa melhor os objetivos típicos de quem está no estágio de sustentação, no qual o crescimento é mais lento e exige um esforço muito maior. No estágio da colheita, a empresa já cresceu e já conquistou a participação de mercado esperada. Resta, então, como preocupação maior em relação a crescimento e mix de receita, a rentabilidade por linha ou por cliente-alvo, pois a decisão estratégica é continuar ou não naquele segmento ou com aquele produto. Os indicadores financeiros, em cada fase, então, devem expressar o tipo de decisão estratégica que será tomada. Os objetivos financeiros de longo prazo devem nortear as ações de curto e médio prazo. Assim, não se deve gerir os indicadores operacionais sem ter em conta os reflexos que geram nos indicadores financeiros. Para que essa ligação seja clara, os indicadores financeiros não podem ser apenas os tradicionais de produtividade ou liquidez, entre outros. rentabilidade, 32 Os objetivos estratégicos financeiros devem endereçar qual desses aspectos é mais importante no momento, mas as medidas devem explicitar como rentabilidade, produtividade ou liquidez devem ser alcançadas. As diretrizes estratégicas devem estar claras nas medidas. Embora o BSC tenha sido desenvolvido para o setor privado, várias experiências mostraram que ele é uma valiosa ferramenta também para o setor público ou, ainda, para instituições sem fins lucrativos. O fato de o desenho ter que começar pelo objetivo financeiro não invalida o seu uso nesses outros setores. Se no setor privado o objetivo é o lucro, no setor público ou em instituições sem fins lucrativos o objetivo é cumprir a missão, a razão de sua existência. Os recursos financeiros exercem o papel de provento e de restrição para a execução da missão. Não se pode confundir o bom uso dos recursos, o seu uso eficiente com o objetivo de obter lucro. Se no setor privado são os objetivos financeiros que devem comandar a definição dos objetivos nas outras perspectivas, no setor público ou instituições sem fins lucrativos esse comando deve estar no cumprimento da missão. 1.4.4 Perspectiva de clientes Querer ser uma empresa orientada para seus clientes ou ser a empresa fornecedora número um de seus clientes são objetivos comuns entre as empresas. Nesse sentido, o que as diferencia é a maneira como operacionalizam esse objetivo. Nessa operacionalização é que reside uma grande dificuldade enfrentada pelas empresas. A dificuldade é traduzir missões em medidas específicas que reflitam os fatores que realmente importam aos consumidores. Medidas essas que servem para orientar as ações dos gestores. O BSC requer esse detalhamento, exige o enfrentamento dessa dificuldade. O processo de construção do BSC exige que os gestores reflitam sobre proposições genéricas, tais como entregar mais valor ao cliente-alvo. Freqüentemente, diferentes gestores têm diferentes entendimentos do que é 33 esse valor e de quem é esse cliente. O detalhamento encadeado do mapa estratégico evita esse problema. Ele exige que os gestores discutam e definam quem é esse cliente-alvo e que valor é esse a ser entregue. Eles terão que definir quais atributos são importantes e qual o nível de excelência em cada um dos atributos importantes. Assim, para definir o BSC da empresa é necessário articular os objetivos e as metas para esses atributos, tais como tempo, qualidade, desempenho e serviço e preço e traduzi-los em medidas específicas. Kaplan e Norton (1997), organizaram esses atributos em três categorias: atributos de serviço/ produto; relacionamento com o cliente; e imagem e reputação. Os atributos dos produtos e serviço dizem respeito a sua funcionalidade, seu preço e sua qualidade. O relacionamento com o cliente diz respeito à entrega do produto ou serviço, incluindo tempo de resposta e de entrega e como o cliente se sente diante da experiência da compra. A imagem e a reputação dizem respeito ao modo como a empresa se apresenta para seus clientes. Não é para se estabelecer metas para cada um dos atributos. O importante é definir qual ou quais atributos são realmente importantes para o consumidor-alvo e, a partir disso, identificar o que a empresa precisa mudar em relação a esses atributos. Esses atributos derivam, em primeiro lugar, da proposição de valor a ser entregue aos clientes. Se a empresa está em um mercado em que há pouco espaço para competir via diferenciação de produto, o atributo importante para o cliente dessa empresa é o preço. A proposição de valor, então, deve ser a de excelência operacional. O foco de todas as suas atividades, nesse caso, deve estar na redução de custos para aumento de margem. O fato de o preço ser o principal atributo não implica que outros atributos deixem de ser importantes. O consumidor, por exemplo, pode deixar de comprar seu produto, mesmo que ele seja um pouco mais barato, porque sua embalagem é muito ruim. Cabe à empresa identificar esses outros atributos e entrega-los sem comprometer o custo/ preço. Havendo outros atributos, esses 34 devem estar subordinados ao atributo principal, ou seja, à proposição de valor a ser entregue a esse cliente. Quando a empresa compete visa diferenciação de produto e o preço não é estratégico, esse deve ser controlado no nível de gestão operacional, rotineiramente, a fim de não comprometer a margem do produto diferenciado. A essência da estratégia é ter clareza quanto aos segmentos de clientes e quanto à proposição de valor que será entregue a cada segmento de cliente. Além da proposição de valor, as especificidades do negócio também definirão outros componentes do mapa estratégico. Uma das formas de aumentar a participação no mercado é vender mais para os clientes atuais de cada segmento. Cabe à empresa identificá-los para poder medir a fidelização deles. Outra forma de aumentar a participação no mercado é atrair novos consumidores. A empresa pode monitorar esse objetivo medindo o aumento de novos consumidores. Qualquer das duas formas comuns entre as empresas tem como referencial a satisfação do cliente. Mas os esforços exigidos para se atingir a meta final em cada uma das alternativas podem ser bem diferentes. O desdobramento em ações também é bem diferente. Se a intenção é fazer com que o cliente atual gaste mais, a empresa pode estimulá-lo a gastar mais com um cartão de descontos progressivos e ofertando novos produtos. As ações dependerão do negócio e de seus produtos. Se a intenção é atrair novos clientes, a empresa pode aumentar a publicidade e ofertar novos produtos. Uma medida genérica pode captar que a participação está aumentando, mas não pode captar se é a participação do público-alvo que está aumentando. Quanto à avaliação dos resultados apurados, é preciso ter atenção para aspectos das estratégias que são complementares e que devem ser avaliados conjuntamente. Se eles não forem avaliados em conjunto, pode-se induzir os gestores a cumprir com um objetivo e não com outro, gerando resultado perverso para a empresa. Clientes antigos não rentáveis podem não ser interessantes para o negócio e deve ser analisada a possibilidade de se descontinuar a atividade para esse segmento. É preciso, no entanto, tomar cuidado com as interdependências entre segmentos. A desativação de segmentos não 35 rentáveis pode afetar negativamente segmentos rentáveis. O que importa é a rentabilidade final, da cesta de produtos. Da mesma forma, em um programa de expansão de vendas, não necessariamente, se deve descartar clientes não rentáveis imediatamente. Muitas vezes a área de Marketing e Vendas trabalha para passar uma imagem do produto ou serviço, mas o desalinhamento nos processos internos faz com que, na hora da entrega, a empresa passe a imagem exatamente contrária. O BSC força os gestores a pensar no alinhamento da operação, dos sistemas de informação, dos processos e da qualificação de pessoal com aquilo que foi definido para ser entregue ao público-alvo. Assim, para fazer esse alinhamento, a empresa precisa deixar muito claro o que é prioridade em termos de cliente, seja por meio dos objetivos, seja por meio das medidas. Para desenhar o mapa estratégico no setor público ou em instituições sem fins lucrativos, também há uma diferença importante no que diz respeito à perspectiva de clientes. No setor privado, quem paga pelo produto ou serviço é quem o usa. No setor público essa relação não é direta. Os contribuintes pagam por um conjunto de serviços que serão prestados a um conjunto diferente de pessoas, às quais denominamos de usuários. Os clientes, portanto, são tanto os usuários dos serviços, que querem ser bem atendidos, quanto os contribuintes que querem ver suas contribuições financeiras ser bem usadas, sendo também usuário ou não. Uma terceira parte está envolvida nesse caso: os representantes legais que tomam decisões sobre os recursos dos contribuintes para atender aos usuários. 1.4.5 Perspectiva de processos internos As metas financeiras estabelecidas e as necessidades dos clientes norteiam os processos internos. As empresas necessitam definir os processos e as competências que precisam superar e definir as medidas adequadas para avaliar se o objetivo está sendo atingido. As técnicas e iniciativas devem ser escolhidas e priorizadas de acordo com a relevância para o cumprimento da 36 estratégia. Assim, decisões sobre qualidade total, reengenharia, just in time, novas máquinas, novos equipamentos etc. devem ser analisadas do ponto de vista do resultado final que produzirão, ou, melhor, sob o critério de relevância para entregar aqueles atributos considerados estratégicos, vis-à-vis às metas financeiras. As empresas costumam monitorar e melhorar os processos existentes, mesmo quando isso não é estratégico. O ganho de produtividade, freqüentemente, é um objetivo em si mesmo. O BSC rompe essa lógica. Os investimentos e as mudanças de processos que aumentam a produtividade só são considerados se forem críticos para o sucesso da estratégica da organização. As empresas costumam colocar o foco na entrega de produtos e serviços para os consumidores atuais. Elas, freqüentemente, limitam-se às ondas curtas de criação de valor, controlando e melhorando as operações existentes. O BSC exige a atenção para as ondas longas de criação de valor. O processo de inovações tem que levar em conta produtos e serviços novos que atenderão aos consumidores atuais e futuros. É na perspectiva de processos internos que a empresa definirá o que precisa ser melhorado ou criado para atender aos atributos importantes mapeados na perspectiva de clientes. Os principais processos internos são organizados, pelo BSC, em quatro grupos: processos relacionados à gestão operacional, processos relacionados à gestão de clientes, processos de inovação e processos regulatórios e sociais. A gestão operacional agrupa os processos de produção e entrega do produto, tais como abastecimento por fornecedores, produção, distribuição do produto e gerenciamento de riscos financeiros e operacionais. A gestão de clientes agrupa processos que são suporte à criação de valor para os clientes, tais como selecionar e mapear o perfil dos clientes-alvo, conquistar clientes, reter clientes e crescer em um segmento de clientes, cultivando relacionamentos com eles. Os processos de inovação são aqueles que tratam de identificar as oportunidades de novos produtos e serviços; de gerenciar o portfólio de pesquisa e desenvolvimento; de projetar e desenvolver novos produtos e serviços e de lançar novos produtos e serviços no mercado. Os 37 processos regulatórios e sociais são aqueles que melhoram a relação com a comunidade e o meio ambiente, tratando do meio ambiente; da segurança e da saúde; das práticas trabalhistas e dos investimentos na comunidade. Cada um desses grupos de atividades contempla aspectos que serão enfatizados ou não de acordo com a proposição de valor, o estágio de desenvolvimento do negócio e a estratégia traçada e já desdobrada em objetivos financeiros e de clientes. Segundo Kaplan e Norton (1997), os objetivos já traçados irão definir a subordinação de uns processos a outros. Se a empresa trabalha com a proposição de valor de excelência operacional, os aspectos relacionados aos processos de gestão de clientes, inovação e regulatórios e sociais estarão subordinados, ou melhor, deverão ser desenvolvidos para o alcance dos melhores resultados operacionais. Se, por exemplo, o prazo de entrega e disponibilidade do produto constituem problemas para a empresa, há que se subordinar os outros processos à busca da melhoria desse serviço. Os processos de inovação deverão estar focados nas alternativas mais rentáveis e eficazes de se melhorar o prazo de entrega e a disponibilidade do produto. Os processos de gestão de clientes também devem focar as alternativas de trabalhar a percepção do cliente quanto a esses atributos de prazo de entrega e disponibilidade do produto. Os processos envolvidos na gestão de estoque também devem ter como parâmetro a solução do problema de prazo de entrega e disponibilidade do produto. Obviamente o aspecto de rentabilidade não pode ser desconsiderado. É aqui, então, que programas de just in time, parcerias com fornecedores e distribuidores, começam a ter importância estratégica para a empresa e, assim, devem ser considerados implementados. 1.4.6 Perspectiva de aprendizado e crescimento 38 Como as chaves para o sucesso mudam ao longo do tempo, exigindo que as empresas melhorem, constantemente, seus produtos e seus processos e tenham a habilidade para introduzir produtos inteiramente novos, é necessário captar, mediante indicadores, se a empresa está se comportando adequadamente. O aprendizado e o crescimento da organização vêm de três principais fontes: as pessoas, os sistemas de informação e a estrutura e procedimentos organizacionais. A implantação de um BSC permite identificar eventuais defasagens entre as capacitações das pessoas, dos sistemas e dos procedimentos e as capacitações requeridas para alcançar os objetivos da empresa. Assim, devem-se analisar as decisões sobre treinamentos, pacotes de informática e modelos de gestão sob o ponto de vista da relevância da contribuição que darão para o cumprimento da estratégia. As empresas devem estabelecer as metas globais e traduzi-las em metas específicas. É possível estabelecer as metas de melhoramento nos processos existentes ou focar-se no desenvolvimento de novos produtos ou processos. Depende do que a empresa considera como fator crítico para o seu sucesso, em cada momento (curto, médio e longo prazo). Para eliminar essa defasagem, é necessário capacitar os funcionários, intensificar a tecnologia e os sistemas de informação e alinhar os procedimentos e rotinas organizacionais. Tal como na perspectiva do cliente, as medidas baseadas nos funcionários incluem uma mistura de medidas genéricas (satisfação do funcionário, retenção, treinamento e habilidades) e direcionadores específicos dessas medidas (índices detalhados de habilidades específicas requeridas pelo novo ambiente competitivo). Uma empresa distribuidora de energia elétrica que trabalha com a proposição de valor de excelência operacional, por exemplo, pode estabelecer como crítica a otimização do custo de serviço de fornecimento de energia. O prazo para o restabelecimento do fluxo de energia e, conseqüentemente, da receita, é crítico. É fundamental, entre outras coisas, mapear e diagnosticar mais rápido os problemas de interrupção de energia e fazer mais rapidamente o reparo. Na perspectiva de aprendizado e crescimento, então, essa empresa precisará aprimorar ou implantar um sistema integrado de informações que 39 permita esse mapeamento de problemas de forma rápida. Precisará ter um corpo técnico treinado nessa tecnologia de forma a fazer o diagnóstico mais rápido. Precisará estruturar logística e tecnicamente o serviço de manutenção (e todos os procedimentos internos de apoio) para a ação rápida e mais econômica. A prática tem mostrado que as empresas, em geral têm dado um tratamento genérico e superficial para a relação entre as pessoas (capital humano), os sistemas de informação (capital da informação) e a estrutura e procedimentos organizacionais (capital organizacional). O tratamento superficial, ao que parece, decorre de as empresas não terem clareza do que se deve fazer em relação a esses intangíveis para ajudá-las no cumprimento da estratégia. Assim, o detalhamento acaba ficando para uma outra etapa do processo. Segundo Costa (2006), modelos genéricos também não servem para essas ações. A empresa terá mesmo que fazer um esforço para implantar uma política própria com relação a pessoas, tecnologia e processos organizacionais. Na era da empresa informacional, que se diferencia muito mais pela sua capacidade gerencial do que pelas operações, é fundamental saber qual a combinação de intangíveis que na sua empresa libera energia para um desempenho excepcional. E essa combinação é única, pois o que produz resultado não é uma política, mas o efeito interação, a sinergia proporcionada pelas políticas e procedimentos em relação a todos esses intangíveis. 1.5 As medidas, as metas e as ações Uma vez definidos os objetivos que precisam ser alcançados para cumprir a estratégia, deve-se identificar a forma de acompanhar o resultado do esforço em alcançá-los. Assim, ao invés de a empresa medir apenas o cumprimento da estratégia final, ela passa a acompanhar o cumprimento dos objetivos estratégicos, que são o desdobramento da estratégia mais geral. 40 1.5.1 Medidas Uma infinidade de indicadores operacionais é criada para medir detalhes dos processos, mas poucos dão uma indicação do desempenho do conjunto. Mais importante que o número de medidas é assegurar que o BSC seja a expressão de uma única estratégia. O conjunto de medidas de avaliação de desempenho, no entanto, é preciso ressaltar, para ser facilmente utilizável, deve conter um número reduzido de medidas. Nele devem estar presentes apenas as medidas consideradas chaves para avaliar o cumprimento dos objetivos estratégicos. Com um reduzido número de medidas, os gestores podem focar a estratégia ao invés de se perderem na diversidade de indicadores possíveis. Mais ainda, essa recomendação para que os gestores selecionem um número limitado de indicadores críticos dentro de cada uma das quatro perspectivas é uma forma de forçá-los a manter o foco na visão estratégica. A partir do relatório sucinto, podem-se derivar outras medidas ainda obedecendo ao princípio do BSC de direcionadores de desempenho. Os sistemas de informação são valiosos na medida que podem dar suporte aos gestores quanto aos detalhamentos do que está no mapa. Se surge um resultado inesperado em um dos indicadores do mapa, através do sistema de informação, o gestor pode acessar os outros indicadores, que devem explicar o resultado naquele, de forma cumulativa. Assim, deve-se estar atento para a diferença entre medidas de diagnóstico e medidas estratégias. Medidas de diagnóstico são aquelas que monitoram se o negócio permanece sob controle e indicam quando eventos excepcionais ocorrem exigindo atenção imediata. Medidas estratégicas são aquelas que definem a estratégia. As medidas de diagnóstico são necessárias, mas não suficientes para o alcance dos objetivos de longo prazo. As organizações têm centenas, até milhares de medidas desse tipo. Mas elas não são os direcionadores de sucesso de competitividade. 41 É fundamental ter presente que o BSC não é substituto do sistema de mensuração do dia-a-dia da organização. Suas medidas são escolhidas para chamar a atenção dos gestores e dos funcionários para os fatores que se espera levar à mudança de desempenho desejada. Não é demais lembrar que o BSC centraliza sua atenção na estratégia, na visão e não no controle operacional. As medidas são estabelecidas para que as pessoas conduzam seus trabalhos em direção à visão geral, à estratégia. A definição da cesta de medidas pressupõe não só a discussão sobre o objeto a ser medido, mas também seu detalhamento: fórmula, fonte dos dados, periodicidade de apuração e interpretação. Essas informações devem compor um guia conciso e claro de como as medidas foram estabelecidas, como serão monitoradas e reportadas, ou seja, sobre como a organização deve gerir o cumprimento da estratégia. Segundo Costa (2006), para ajudar nisso, podem-se fazer alguns comentários a respeito das medidas, quanto: a) o processo de definição; b) à abrangência (medidas de resultado e de tendência); c) à coleta dos dados; d) à interpretação. Para definir as medidas, não se deve começar pelo conjunto de indicadores usados na empresa e tentar encaixá-los no mapa. A ordem correta é do mapa para as medidas. É preciso pensar na melhor forma de captar o alcance do objetivo estratégico. É comum que essas medidas identificadas como importantes para acompanhar o cumprimento da estratégia não sejam calculadas sistematicamente na empresa. Se forem importantes, devem passar a ser calculadas e apuradas. É importante que o conjunto de medidas contenha apenas aquelas que mais importam aos envolvidos. Parece uma dica óbvia, mas, na grande maioria das experiências relatadas, pensava-se que os clientes e suas preferências eram conhecidos e, ao longo da implantação, descobriu-se que gastos desnecessários haviam sido feitos ou estavam por ser feitos para melhorar atributos que não eram os prioritários do ponto de vista dos clientes. 42 Pela ordem das ligações de causa e efeito, os bons mapas contarão com um conjunto de medidas genéricas e específicas. As genéricas, tais como participação de mercado, rentabilidade, satisfação do consumidor, direcionam o resultado final a ser alcançado e, por isso, são conhecidas como medidas de resultado. As medidas específicas são aquelas que vão identificar como a rentabilidade, a satisfação do cliente e participação do mercado serão alcançadas. As medidas de tendência sinalizam que o alcance daquelas metas levará ao alcance de outras metas relacionadas por causa e efeito. As medidas de resultado já guardam uma relação direta de causalidade entre ação e resultado esperado. Assim, pode-se medir um objetivo pelo seu resultado esperado final e por resultados intermediários. Usar apenas medidas de resultado, não ajuda os gestores a tomar decisões sobre alternativas contraditórias. Usar apenas medidas de tendência sem as medidas de resultado permite apenas que a unidade de negócio alcance metas de curto prazo sem indicar o que deverá ocorrer com a organização como um todo ou sequer com o desempenho financeiro. Assim, estabelecer como meta a melhoria do prazo de entrega sem saber que essa meta está relacionada com a conquista de lealdade do consumidor, que por sua vez está relacionada com o aumento ou manutenção das vendas, não permite uma correta avaliação e checagem do cumprimento ou não da estratégia. Kaplan e Norton (1997), para estabelecer um conjunto de medidas que efetivamente acompanhe as necessidades dos clientes, parceiros e funcionários, observou-se a importância de envolvê-los nessa atividade, promovendo o trabalho em conjunto e interativo; de criar um conjunto de medidas de fácil compreensão; e de vincular claramente as medidas aos seus objetos de preocupação, ou seja, ao que se pretende controlar. Fórmulas e arranjos mal compreendidos podem desmotivar as pessoas, pois essas não saberão ajustar seus desempenhos ao que se está esperando delas. É preciso que as medidas, em seus desdobramentos pela empresa, sinalizem claramente o que se está querendo alcançar. 43 Algumas vezes a empresa irá identificar uma medida, que, apesar de ideal, contêm dados que ela ainda não tem condições de coletar em processo confiável ou que apure um resultado representativo. Mesmo que a empresa tenha uma definição clara do que quer que seja apurado, ela pode fazer a coleta de forma manual, ou por meio de sistemas que não são integrados, de forma a não ser possível auditar facilmente o resultado apurado. Pode haver digitação errada ou dupla ou ainda faltar informação. Uma empresa pode ainda ter a definição clara do que quer medir; o processo ser confiável no sentido de não haver erros nos seus registros nem imprecisão, mas é possível que a amostra coletada não seja representativa. Se a empresa quer saber da insatisfação de seus clientes medindo reclamações, mesmo que o processo seja perfeito, nem todos os insatisfeitos reclamam. Em alguns casos, pode-se melhorar o processo de coleta dos dados. Em outros, há que se pensar em medidas alternativas que possam levar à conclusão desejada indiretamente. É tão importante manter os clientes informados quanto ouvi-los, seja por pesquisas, seja no contato direto, ou por outros meios, de forma que se possa averiguar se a empresa está mesmo medindo o que é relevante. Se as informações de feedback não forem utilizadas para avaliar o negócio e tomar decisões, certamente servirão para causar má impressão no cliente, que reclama e que sabe que sua reclamação não sairá do Serviço de Atendimento ao Consumidor. As informações sobre o desempenho já servem para avaliar se a empresa está medindo certo. É bom lembrar que nem todas as informações estão disponíveis na mesma fonte. As informações que importam podem estar espalhadas pela organização, em sistemas diferentes ou até mesmo fora deles. Para evitar problemas com a coleta dessas informações, destaca-se a importância de ela ser centralizada no nível mais alto possível. Os objetivos, portanto, não devem ser acompanhados por uma única medida. Nenhuma medida sozinha capta o que a empresa quer atingir e o que ela não pode fazer para atingir esse resultado. Ao usar o BSC como sistema para gerir o cumprimento da estratégia, as medidas escolhidas mostrarão o que é importante no desempenho dos gestores. Não é demais destacar a 44 importância de limitar o número de medidas. Essa restrição obriga os gestores a refletir sobre a essência do negócio, e o resultado da concisão é o foco. 1.5.2 Metas Para cada medida considerada importante, é preciso definir metas de desempenho necessárias para o cumprimento dos objetivos estratégicos e, conseqüentemente, da estratégia. Essas metas devem expressar as hipóteses sobre a magnitude e a velocidade de mudanças necessárias para o cumprimento da estratégia. A meta é a quantificação do desempenho desejado a ser medido. Se a empresa considerar importante acompanhar determinado índice de devoluções, ela precisa estabelecer uma meta para esse índice, que servirá como referência para avaliar o resultado das ações. O plano de ações que a empresa define para essa redução de devolução pode incorporar ações na produção e no setor de vendas ou atendimento pós-venda. Cada uma das ações dentro desse plano tem uma maturidade diferente. Assim, é esperado que o resultado final desse esforço conjunto de áreas diferentes não aconteça de uma só vez. Está aí a importância de definir metas para o curto prazo, para o médio e para o longo. Não se pode cobrar dos gestores o resultado final ao longo do processo de mudança e, por outro lado, a empresa não deve deixar de medir o esforço ao longo do tempo desses gestores, a fim de verificar se o curso está correto. É fundamental iniciar pelo estabelecimento de metas de longo prazo. As metas de prazos menores devem ser estabelecidas depois das metas de longo prazo. A lógica de causação é: o longo prazo determina o curto prazo. O curto prazo é uma imposição do que se quer no longo. Forçar os gestores a traçarem no curto prazo, alternativas para viabilizar o longo prazo é um exercício ambicioso que poderá proporcionar mudanças expressivas de paradigmas. Se a empresa chegar à conclusão de que, para alcançar as metas de curto prazo, precisará de mais recursos de que dispõe e que não há como mudar isso no curto prazo, ela deverá redesenhar o que 45 definiu para o futuro ou alongar os prazos de acordo com suas possibilidades. Mas ela deverá fazer isso após o exercício de reflexão e argumentação de seus gestores. 1.5.3 Planos de ação Finalmente, uma vez definidas as metas a serem alcançadas, necessárias para se alcançar os objetivos estratégicos, devem ser planejar as ações a serem executadas. As ações devem ser identificadas para atingir metas de curto, médio e longo prazo. Às vezes parte de um plano de ações, ou seja, algumas ações dentro desse plano podem levar ao alcance de uma meta de curto e, ao completar todo o plano, alcance-se a meta de médio prazo. Pode-se se fazer o levantamento dos planos de ações que a empresa tem em andamento e avalia-lo sob os objetivos do mapa estratégico. Se eles não tiverem relação alguma com as metas traçadas para atingir os objetivos do mapa, devem ser descartados ou postergados, se for o caso. Algumas ações podem ser importantes para a operação, mas pode ceder lugar na lista de prioridade. De novo, deve-se diferenciar aquilo que é fundamental fazer naqueles prazos daquilo que pode ser feito em outra época sem comprometer a estratégia. Deve-se questionar se a dificuldade ou desconforto na operação, caso uma ação for postergada irá comprometer a estratégia ou é controlável. O que não pode deixar de ser feito é o que foi considerável fundamental para atingir as metas definidas no mapa. E, para garantir o que as metas sejam alcançadas, nenhuma pode ficar sem plano de ação. Principalmente as de curto prazo, cujas ações requererão recursos que devem estar refletidas no orçamento. Portanto, ao refletir sobre quais medidas são apropriadas, quais metas são necessárias e quais ações levarão ao atendimento daquelas metas, devese fazer um esforço de abstração, relacionando no BSC apenas o que é fundamental, crítico, para o cumprimento da estratégia. Os desdobramentos desses aspectos críticos devem ser monitorados fora do BSC, como controle operacional. 46 1.6 BSC como um sistema de gestão estratégica Segundo Kaplan e Norton (1997) desenhar o mapa estratégico é apenas um primeiro passo para usá-lo como ferramenta para acompanhar o cumprimento da estratégia. Se esse mapa não for absorvido pelos funcionários em seu dia-a-dia, ela não se tornará o paradigma para suas ações e, assim, estas acabarão desvinculadas da estratégia. Para que os funcionários usem o mapa como referência, a empresa precisa mostrar claramente que o usará para avaliar o desempenho de seus gestores, do negócio e para tomar decisões. Se houver dúvidas quanto a isso, o mapa poderá cair em desuso. Gerir com medidas, indicadores, metas exige um conhecimento maduro sobre o negócio e sobre as características dos recursos dos quais a administração dispõe. A gestão por resultados pressupõe que a empresa não padeça de problemas como falta de direção, motivação nem de competência. As pessoas podem simplesmente não entender o que a empresa espera delas. Nesse caso, a comunicação não está sendo bem feita ou a empresa não tem mesmo uma mensagem coerente, estratégica para passar, ou ainda pode passar sinais dúbios: fazer um discurso, mas não praticá-lo. A empresa pode comunicar a estratégia, mas, na prática, cobrar de seus gestores resultados de curto prazo sem uma ligação clara com a estratégia. Um outro caso é o das pessoas entenderem qual o desempenho esperado, mas não se sentirem motivadas a buscá-lo. A empresa, nesse caso, não conseguiu ganhar o comprometimento das pessoas com as metas, seja por falta de envolvimento dessas nas discussões, seja por falta de clareza de como o desempenho será recompensado, ou mesmo por insatisfação com essa recompensa. Mesmo que as pessoas tenham entendido o que a empresa espera delas, que elas se sintam motivadas para buscar aquele nível de desempenho, pode haver uma defasagem entre as competências necessárias para alcançar aquele desempenho e as existentes nos recursos dos quais a empresa dispõe. Nesse caso, a empresa pode ter traçado objetivos sem mapear essas competências e, portanto, sem considerar as mudanças necessárias quanto a esses recursos, impondo um resultado que não será possível ser atendido. 47 O desenho do mapa estratégico em todas as perspectivas requer que os gestores descrevam uma mensagem clara do que se quer (dos objetivos às ações), considerando as defasagens de competências, seja referente à qualificação profissional das pessoas, seja quanto aos sistemas de informação e procedimentos. No entanto, outros pontos devem ser enfatizados para que as pessoas realmente acreditem que o mapa será usado para avaliação de desempenho e se sintam motivadas a buscar o desempenho esperado. Kaplan e Norton (1997) organizaram esses pontos em quatro processos gerenciais, denominados sucintamente de: formular, comunicar, planejar e avaliar. Fonte: Kaplan, Norton, 1997, p.59 Figura 2: Gestão estratégica quatro processos. 48 1.6.1 Formular O primeiro passo da tradução da visão da organização é a elaboração do mapa estratégico, que tem como objetivo construir um consenso em torno da visão da empresa e da estratégia necessária para tanto. Esse consenso é fundamental para expressa-las em um conjunto integrado de objetivos e medidas, que descrevem os direcionadores de sucesso de longo prazo e refletem a forma como a empresa pretende transformar ativos intangíveis em ativos tangíveis. Diferentemente das medidas tradicionais, usualmente definidas por financistas, a definição das medidas, no BSC, deve envolver a alta administração e gerentes seniores, portadores de um quadro mais completo da visão da empresa e de suas prioridades. Uma participação ampla dos funcionários na construção do scorecard pode demandar tempo, mas oferece muitas vantagens: incorporação de informações de um grande número de gestores aos objetivos internos, melhor compreensão por parte dos gestores dos objetivos estratégicos de longo prazo da empresa e forte comprometimento para alcançar tais objetivos. Segundo Kaplan e Norton (1997) o comprometimento dos gestores nessa fase se dá principalmente com o envolvimento deles no processo de desdobramento. Recomenda-se envolver todas as partes interessadas. Uma forma de conseguir maior comprometimento e criar um clima favorável para a colaboração é recorrer aos notórios saberes existentes na organização, aproveitando os talentos e os treinamentos feitos pelos funcionários, mesmo que esses não trabalhem na área que mais está envolvida no alcance daquele objetivo. Afinal, os objetivos, as metas e os planos de ação são da empresa, exigem a interação de todas as áreas da empresa. Quanto aos gestores, propriamente, quanto maior o envolvimento deles ao longo do desdobramento até os planos de ação, menores os riscos de subestimar as dificuldades em pôr em prática os planos estratégicos. E se os gestores dos vários níveis gerenciais participarem da elaboração do mapa, seja dos objetivos, da escolha das medidas, da fixação das metas ou da elaboração dos planos de ação, eles ajudarão a comunicar aos funcionários o que está sendo esperado de todos. 49 Assim, a liderança, tão importante para o sucesso da implantação, é multiplicada pela empresa. Essas práticas ajudam a fazer com que todos compreendam a necessidade de mudança, a forma como esta será feita, a sua participação nesse desafio e, conseqüentemente, ajudam a obter o comprometimento desses envolvidos, tornando o cumprimento da estratégia uma responsabilidade de todos. A participação dos gestores, no entanto, é apenas o primeiro passo para ligar as ações individuais aos objetivos corporativos. É preciso que toda a empresa compartilhe da estratégia e das metas de longo prazo da organização para que os funcionários compreendam melhor como suas atuações específicas contribuirão para a realização daquelas e possam alinhar suas prioridades. 1.6.2 Comunicar Não basta criar sinergia na formulação do mapa estratégico. Para que ele se torne a ferramenta central para gerir a estratégia, é preciso divulgá-lo e incentivar as pessoas a usá-lo. O segundo processo, o da comunicação da estratégia pela organização e sua ligação aos objetivos individuais e departamentais, tem o objetivo de promover a compreensão da estratégia, da necessidade de interação das áreas para cumprir a estratégia e de motivar as pessoas a realizá-la. Como essa tarefa envolve um grande número de pessoas, as organizações que usam scorecards recorrem, em geral, a três mecanismos integrados para traduzir a estratégia em objetivos locais: comunicação e educação; estabelecimento de objetivos; e, ligação de recompensas às medidas de desempenho. Segundo Chiavenato e Cerqueira (2003), a comunicação e a educação constituem um processo contínuo na organização para que todos compreendam os componentes da estratégia e recebam as informações sobre os resultados alcançados. Quando a estratégia e os planos são compartilhados por toda a organização, é mais fácil estabelecer os objetivos individuais e das 50 equipes. Podem ser usados sistemas formais ou informais de comunicação e treinamento. Mas, para que o desempenho global desejado e comunicado seja efetivamente alcançado, os programas de incentivo e compensação devem ser vinculados aos scorecards. De nada adiantará comunicar o desempenho esperado se as pessoas não tiverem clareza de que a avaliação de seu desempenho e principalmente os incentivos e recompensas decorrentes desse estão efetivamente ligados ao que está determinado no mapa. A motivação para buscar o nível de desempenho desejado vem, em primeiro lugar, da certeza de que a recompensa será baseada no alcance das metas presentes no mapa e não nas tradicionais medidas financeiras ou operacionais de curto prazo, independentemente do que está no mapa. Segundo, vem da avaliação por parte das pessoas de que essa recompensa é compatível com o esforço a ser feito. O desafio da empresa está em acertar na ponderação esforço versus recompensa à cultura da organização e às características de seus recursos humanos. Não existe uma fórmula única para essa vinculação. O desafio da empresa é identificar a melhor forma de incentivar as pessoas que lá trabalham. A empresa deve mostrar que o mapa será usado para avaliação e decisão. A melhor forma de comunicar isso é usar de fato o mapa como base para discutir o orçamento, como base para recompensar desempenho, como base para discutir investimentos etc. 1.6.3 Planejar Depois de alinhar os recursos humanos à estratégia é preciso estabelecer as prioridades das ações e a alocação dos recursos de acordo com ela. A integração dos planos financeiros com os corporativos se dá pelo terceiro processo de planejamento. Segundo Kaplan e Norton (1997), o desafio está em aprender a estabelecer ligação entre a operação e as finanças. Essa ligação é explicitada na integração dos processos de planejamento e orçamento, de forma que mesmo os orçamentos de curto prazo contemplem medidas para as 51 perspectivas de cliente, processos internos e aprendizado e crescimento, além as tradicionais financeiras. A maioria das empresas que implementaram programas de mudanças falhou em integrar essas iniciativas aos objetivos estratégicos; elas não conseguiram alcançar uma consistência entre visão e ação. O resultado, conseqüentemente, foi a frustração das expectativas. A razão do insucesso está em que essas iniciativas competem entre si pelos mesmos recursos escassos, incluindo o mais escasso de todos: a atenção e o tempo dos gestores seniores. Quando se usa o Balanced Scorecard como base para alocar os recursos e estabelecer as prioridades, o tempo e a atenção desses mesmos gestores têm que ser canalizados para aquelas iniciativas que são fundamentais para direcionar a empresa aos objetivos estratégicos de longo prazo. Ao identificar o que é crítico para o sucesso, o BSC exige que todos os gestores, tanto no nível operacional quanto no nível superior, centralizem suas atenções para esse reduzido conjunto de fatores críticos de sucesso. Uma vez definida a estratégia e identificados os direcionadores, o scorecard faz com que os gestores se concentrem em melhorar ou redesenhar aqueles processos críticos para o sucesso estratégico da organização. Essa é a forma mais clara de como o scorecard liga e alinha as ações à estratégia. O passo final para fazer essa ligação é estabelecer metas específicas de curto prazo para as medidas do BSC. O orçamento contemplará recursos para ações rotineiras que não estão no mapa e para as ações estratégicas que permitirão atingir determinadas metas críticas. O que não pode acontecer é faltar recursos para executar essas ações estratégicas. Se a situação financeira da empresa não comportar o orçamento das ações de manutenção e de mudanças, há que se voltar para a discussão do mapa estratégico e das metas. Talvez algo possa ser postergado, sem prejuízo do alcance do resultado de longo prazo desejado. O foco não deve estar nas realizações de curto prazo, mas nas de longo. Os processos de planejamento e de orçamentação tradicionais, freqüentemente, são conduzidos erroneamente nas empresas. Muitas delas têm procedimentos e até unidades organizacionais separadas para planejamento estratégico e para alocação de recursos e orçamentação. Para 52 formular seus planos estratégicos, os executivos seniores passam alguns dias no ano fora da organização, em discussões facilitadas por gerentes seniores de planejamento e desenvolvimento ou por consultores externos. O resultado desse exercício é um plano estratégico contemplando onde a empresa tem expectativa de estar em três, cinco e dez anos. Tipicamente, tais planos ficam guardados pelos próximos doze meses. Enquanto isso, os processos de alocação de recursos e de orçamentação são preparados pela equipe de finanças, estabelecendo objetivos financeiros para receitas, despesas, lucros e investimentos para o próximo ano. Esse orçamento é quase inteiramente elaborado com números financeiros e geralmente tem pouca ou nenhuma relação com os objetivos dos planos estratégicos. Não só na prática das empresas, mas também na literatura contábil e de administração, é comum o tratamento do planejamento estratégico separadamente do planejamento operacional. O que o BSC faz de diferente é a amarração de todos esses requisitos em um sistema de gestão. O BSC explicita a ligação do planejamento estratégico com o planejamento operacional, ao detalhar os passos do desdobramento da vantagem competitiva em ações, cuja necessidade de recursos financeiros, para serem executadas, deve estar contemplada no orçamento, assim como os outros recursos devem estar contemplados no planejamento da operação propriamente. Segundo Kaplan e Norton (1997), o exercício de elaborar um balanced scorecard força a companhia a integrar seus processos de planejamento e orçamentação e, assim, ajuda a garantir que seus orçamentos suportem suas estratégias. O BSC ajuda a definir o foco correto, ajudando a empresa a alcançar os objetivos estratégicos de longo prazo. Ajuda a identificar quais modismos de gestão servem para sua estratégia e quais não servem. Permite focar as questões que promovem o crescimento e não apenas aquelas que reduzem custos e aumentam a eficiência. O BSC é um instrumental para implementar a estratégia e, ao mesmo tempo, permitir que ela evolua em resposta às mudanças nos ambientes tecnológico, de mercado e de concorrência da companhia. O BSC é mais que 53 um exercício de mensuração, constituindo-se num sistema de gestão que incentiva o melhoramento nas questões críticas, tais como produto, processo, cliente e desenvolvimento de mercado. 1.6.4 Avaliar O quarto processo, de realimentação e aprendizado, serve para que, em função da experiência adquirida, a empresa modifique sua estratégia, caso seja necessário. Nesse processo, os resultados de curto prazo são monitorados pelo aspecto financeiro e por mais três outros aspectos: clientes; processos internos; recursos humanos e sistemas de informação. A estratégia, portanto, é avaliada à luz do desempenho recente. Ao relacionar medidas financeiras com medidas referentes aos clientes, aos processos internos, às inovações e ao aprendizado da organização, o BSC ajuda os gestores a entender muitos inter-relacionamentos, permitindo que esses transcendam as tradicionais noções de barreiras funcionais e, por conseguinte, tomem melhores decisões. O simples fato de o gestor ser obrigado a pensar sistematicamente nos relacionamentos causa e efeito, a refletir sobre as suposições subjacentes às estratégias, constitui uma vantagem em relação às práticas correntes de tomada de decisão sobre resultados operacionais de curto prazo. O aprendizado permite validar a estratégia e saber como ela está sendo operacionalizada. O sistema dinâmico permite que se reafirme a convicção sobre a estratégia ou que se reconheça a necessidade de alterá-la em função de novos conhecimentos sobre as condições de mercado ou capacidades internas (processo duplo de aprendizado). Segundo Costa (2006), em qualquer das duas situações, o BSC estará estimulando o aprendizado, dos altos executivos, sobre a viabilidade e validade de suas estratégias. A esse processo de aprendizagem dos gestores, que permite o teste de hipóteses e tem o caráter de processo duplo de aprendizado, é dado o nome de aprendizado estratégico. Esse aprendizado requer uma boa comunicação com os envolvidos. Os funcionários devem ser regularmente informados sobre os resultados 54 alcançados e os não alcançados. O controle deve ser compartilhado com todos. O alcance do resultado deve ser visto como um esforço de todo o time. Os clientes e outros envolvidos também devem ser informados sobre o desempenho. Para que essa comunicação seja eficaz, a empresa precisa ter analisado informações de feedback dos clientes e de desempenho, conjuntamente, de forma a ter analisado as raízes dos problemas e encaminhando soluções adequadas. A suposição é que, quanto mais informados eles estiverem, melhor será a informação obtida deles para o próximo planejamento. Antes de começar uma mudança na forma de gerir a estratégia, é preciso convencer a empresa de que ela precisa mudar. Essa mobilização para a mudança, mediante a atuação firme dos executivos líderes, exige que eles intervenham em três momentos de projeto de mudança utilizando o Balanced Scorecard. No primeiro momento, seus esforços devem focar a mobilização da organização para a mudança, deixando claro a todos por que essa é necessária. Quando a organização já estiver preparada para a mudança, os esforços desses líderes devem centrar-se no processo de governança para guiar a transição. Esse processo é o que define, demonstra e reforça os novos valores culturais para a organização. Conforme esse processo evolui, os executivos líderes devem centrar seus esforços na consolidação dos novos valores em um novo sistema para gerir. O objetivo dessa fase é estabelecer, efetivamente, a ligação entre os processos de alocação de recursos e de recompensa com o Balanced Scorecard, culminando em um novo sistema gerencial: um sistema de gestão estratégica. É nessa fase que esses líderes mostrarão que essa ferramenta será efetivamente usada para definir e controlar a operação e o desempenho de todos. Esses processos, ou princípios devem nortear a empresa para que ela possa entender a sua estratégia, traduzí-la em objetivos específicos e estabelecer medidas adequadas a eles para poder acompanhar o cumprimento daquela. 55 1.7 Necessidade de mudança na contabilidade Segundo Elesbão (2005), os processos de produção haviam mudado, mas a maneira de medir o desempenho continuava a mesma. Com a mudança de liderança de gestão e de tecnologia industrial dos EUA para o Japão, havia um novo desafio para a pesquisa na área de contabilidade gerencial. Era necessário desenvolver novas medidas de desempenho que captassem as mudanças nos processos de produção e permitissem a retomada da liderança perdida. O tradicional e arcaico sistema contábil de custos, sem mudanças de características e especificações não era mais interessante no ambiente competitivo.A contabilidade não havia acompanhado as mudanças e os textos contábeis não continham discusões sobre técnicas, procedimentos ou propriedades da mensuração da produtividade. A mensuração da produtividade, os efeitos do volume de atividades da substituição de mão-de-obra, capital, materiais, energia, entre outras variáveis relacionadas as medidas de produtividade, não tinham sido tema de nenhuma pesquisa contábil. Iniciou uma nova linha de pesquisa refletindo no ensino da contabilidade gerencial e investimentos no setor, como equipamentos favorecendo a mão-de-obra, energia, mais confiança e redução de inventário, reduzindo também os custos totais. A contabilidade não desempenhava o papel principal de promover ou implementar inovações tecnológicas e mudanças organizacionais, ela desempenhava um papel crítico desenvolvendo novas medidas não financeiras de desempenho, tais como produtividade, qualidade, custos de inventário, etc.,para avaliar o progresso da empresa em relação aquelas mudanças. A estrutura de mercado, a inovação tecnológica e a relação fornecedor consumidor necessitavam da compreensão dos determinantes de sucesso no desempenho para contribuição de várias disciplinas. Segundo Costa (2006), a utilização de medidas de desempenho mais ampla não só era importante para procedimentos de orçamento de capital e para monitoramento do uso de novas tecnologias e de sistemas de manufatura flexíveis, como deveria estar presente ao longo de todo processo de gestão. 56 Kaplan, Norton (1997) reconheceu que era difícil definir uma agenda de pesquisas completa e precisa, pois as mudanças nas operações de manufatura eram relativamente recentes e suas implicações ainda não eram totalmente conhecidas. Ainda assim, era possível identificar vários assuntos que deveriam ser objetos de preocupação dos pesquisadores para os próximos anos. Alguns tópicos sugeridos para pesquisa foram apontados: a) a substituição do sistema tradicional de custos padrões; b) o desenvolvimento de novos procedimentos para a predição e o controle de custos, considerando o ambiente da fábrica do futuro (altamente automatizada, de manufatura flexível); c) a exploração da relevância do papel que a produtividade deve desempenhar na gestão (aumento de produtividade em uma área nem sempre significa aumento de rentabilidade para a empresa); d) a validação da relação entre decréscimos nos custos operacionais e decréscimos nos defeitos dos produtos (o quanto se economiza evitando retrabalhos, consertos e restos) e) o aperfeiçoamento dos procedimentos de gestão de inventário; f) a expansão dos procedimentos do orçamento de capital de forma a incorporar os benefícios medidos de melhoria de qualidade, flexibilidade e mudanças que podem ser conseguidas por investimentos em tecnologia manufaturada. g) a investigação de por que as empresas tendem a usar para o planejamento e o controle internos os mesmos procedimentos contábeis utilizados com o propósito de reporte externo. Segundo Costa (2006), Johnson e Kaplan afirmaram que os novos rumos propostos ainda não haviam sido adotados pela contabilidade gerencial. 1.8 A ineficiência dos antigos sistemas gerenciais contábeis Os sistemas tradicionais foram criticados por não auxiliarem na avaliação da eficiência dos processos e da lucratividade de seus produtos.O 57 foco excessivo em medidas financeiras de curto prazo também foi alvo de crítica. Os sistemas gerencias contábeis não eram os únicos causadores de falhas das empresas, mas davam uma contribuição importante para essas falhas.Era preciso definir os fatores-chave estratégicos que deveriam guiar a empresa, pois é impossível atingir todos os objetivos ao mesmo tempo. Esses processos não podem ser definidos apenas pelos contadores e precisam ser definidos com o envolvimento da alta administração. Kaplan, Norton (1997), afirma que a falta de ligação entre a estratégia e o chão de fábrica era causada por modificações no sistema produtivo e, sem correspondente e necessária modificação na maneira de enxergar o negócio. O que distinguiu Kaplan dos demais foi o seu esforço na busca de soluções para esses problemas. Esse esforço se consolidou em duas ferramentas gerenciais que tiveram enorme sucesso. Uma delas, apresentada em Kaplan e Norton (1997), foi o método de custeio denominado ABC (Activity Based Cost), desenvolvido como uma alternativa para suplantar a insatisfação com os sistemas tradicionais na avaliação da eficiência dos processos e da lucratividade dos produtos. A outra, apresentada em Kaplan e Norton (1997), foi um sistema de avaliação de desempenho denominado Balanced Scorecard, que indicava como decidir sobre o que deve ser medido (os fatores-chave estratégicos ) e como essas informações devem ser dispostas para que possam ter maior utilidade na gestão do negócio. 58 CAPÍTULO II BALANCED SCORECARD: CONTRIBUINDO PARA O GERENCIAMENTO DAS ORGANIZAÇÕES 2 CONCEITUANDO BALANCED SCORECARD O Balanced Scorecard (BSC) é uma ferramenta que permite a tradução da visão de futuro da organização em objetivos estratégicos correlacionados entre si. Tais objetivos são abrangidos por quatro dimensões: financeira, mercadológica, interna (processos), aprendizado e crescimento. A partir de indicadores e ações relacionados com objetivos assegura-se o alinhamento de iniciativas com a estratégia da organização em um processo de feedback e aprendizado contínuo. Este novo sistema gerencial se apresenta em três dimensões distintas, que segundo Chiavenato, Cerqueira (2003) são: a) estratégia representa o item mais relevante da agenda organizacional. O BSC permite que a organização descreva e comunique a estratégia de maneira compreensível e sirva de base para implementação da ação; b) foco adotando o BSC como guia concentra-se no foco e faz-se com que todos os recursos e atividades da organização estejam alinhados com a estratégia; c) organização todo o pessoal se mobiliza na direção da estratégia e o BSC fornece as condições para a formação de novos elos organizacionais entre as unidades de negócios, os serviços compartilhados e os empregados. Criado por Robert S. Kaplan e David P. Norton em 1997, o Balanced Scorecard corresponde a um sistema de avaliação do desempenho 59 organizacional que leva em consideração que os indicadores financeiros, por si mesmos, não refletem perfeitamente a efetividade da organização. Segundo Kaplan, Norton (1997), os indicadores financeiros somente medem os resultados dos investimentos e das atividades, medidas em termos monetários, não sendo sensíveis aos chamados impulsionadores de rentabilidade de longo prazo. Cada organização tem os seus próprios objetivos. O problema é que os objetos organizacionais são vários e muitas vezes conflitantes entre si. Assim, a redução de custos conflita com a melhor qualidade dos produtos, enquanto o aumento de preços conflita com a competitividade. Em geral, um objetivo atrapalha o outro. Algumas organizações definem hierarquia de objetivos para privilegiar alguns em detrimento de outros. As prioridades podem definir quais objetivos devem anteceder os demais. Mas como priorizar, ao mesmo tempo, o cliente, o acionista, as pessoas, o futuro, a estratégia, o serviço, os processos internos, a liderança tecnológica, o aprendizado e a inovação? Cada objetivo aponta em uma direção diferente. (KAPLAN; NORTON,1997 p.42). O problema está em fazer com que os múltiplos objetivos evitem possíveis conflitos entre eles. Busca-se a sinergia, ou seja, a ação positiva de um objetivo sobre os demais para proporcionar efeitos multiplicados e não apenas somados. De acordo com Chiavenato, Cerqueira (2003) o BSC é uma ferramenta fantástica é imprescindível para fazer as organizações serem cada vez mais orientadas pela estratégia, mas é somente uma ferramenta. E, como toda ferramenta, pode ser usada apenas para apertar um simples parafuso ou para construir uma nova organização e uma nova dinâmica empresarial. Depende da maneira como cada executivo aprende a lidar com ela. O Balanced Scorecard (BSC), ou placar balanceado, segundo Kaplan e Norton (1997), é uma metodologia baseada no equilíbrio organizacional e se fundamenta no balanceamento entre quatro diferentes perspectivas de objetivos: a) perspectiva financeira: como a organização é vista por seus acionistas ou proprietários. Os indicadores devem mostrar se a 60 implementação e a execução da estratégia organizacional estão contribuindo para a melhoria dos resultados. Exemplos: lucratividade, retorno sobre o investimento, fluxo de caixa, retorno sobre o capital; b) perspectiva do cliente: como a organização é vista pelo cliente e como ela pode atendê-lo da melhor maneira possível. Os indicadores devem mostrar se os serviços prestados estão de acordo com a missão da organização. Exemplos: satisfação do cliente, pontualidade na entrega, participação no mercado, tendências, retenção de clientes e aquisição de clientes potenciais. c) perspectiva de processos internos: os processos de negócios que a organização precisa ter excelência, cujos indicadores devem mostrar se os processos e a operação estão alinhados e se estão gerando valor. Exemplos: a qualidade, produtividade, logística, comunicação interna e interfaces; d) perspectiva de inovação e aprendizagem: a capacidade da organização para melhorar continuamente e se preparar para o futuro. Os indicadores devem mostrar como a organização pode aprender e se desenvolver para garantir o crescimento. Exemplos: índices de renovação dos produtos, desenvolvimento dos processos internos, inovação, competências e motivação das pessoas. O BSC busca estratégias e ações equilibradas e balanceadas em todas as perspectivas que afetam o negócio da organização, permitindo que os esforços sejam dirigidos para as áreas de maior competência e detectando e indicando as áreas para eliminação de incompetências. É um sistema voltado para o comportamento e não para o controle. Seus indicadores estão direcionados para o futuro e para a estratégia organizacional em um sistema de contínua monitoração. Peixinho, (2003) afirma que o Modelo de Gestão Estratégica baseada no Balanced Scorecard BSC é uma das ferramentas de gestão utilizada num ambiente competitivo e de rápidas transformações, onde o ativo intangível existente na organização, melhor aproveitado,representa um grande diferencial competitivo. Segundo Mibielü (2006), Balanced Scorecard é um sistema de gestão de desempenho, derivado da visão e estratégia da organização, 61 revelando os aspectos mais importantes do negócio. A primeira tentativa sistemática de desenvolver um projeto para o sistema de avaliação de desempenho que enfoca os objetivos da empresa, coordenação da tomada de decisão individual e provisão de uma base para o aprendizado organizacional. 2.1.1 Implementação De acordo com Mibielü (2006), na implementação do Balanced Scorecard é necessário identificar a visão da organização e a forma de atingir, que se torna clara através do reconhecimento das estratégias. As pessoas envolvidas no processo precisam compreender a estratégia para que, ao colocá-la em prática, não encontrem dificuldades. Mibielü (2006), afirma ainda que a estratégia deve ser transformada num conjunto de objetivos ligados entre si, por meio de relações de causa e efeito. Sendo assim, a existência de uma visão de futuro representa um fator importante para que se possa visualizar, de forma sistêmica, todo o processo empresarial. A visão sistémica pressupõe que as pessoas da organização entendam o seu papel no todo. A implementação do balanced scorecard nas empresas, permite incorporar uma filosofia que as tornam organizações orientadas para estratégias, as quais, segundo seus idealizadores, devem ser norteadas por cinco princípios básicos que segundo Peixinho (2003) são: a) traduzir a estratégia em termos operacionais; b) alinhar a organização com a estratégia; c) transformar a estratégia em tarefa cotidiana de todos; d) converter a estratégia em processo contínuo e, e) mobilizar a mudança por meio de uma liderança forte e eficaz. 2.2 Alinhar as organizações às estratégias 62 De acordo com Peixinho (2003), trata-se de um princípio fundamental para garantir o alinhamento de todos ao foco estratégico. É importante, portanto, promover a sinergia em toda a organização. A forma de superar as barreiras funcionais nas organizações orientadas para estratégias é criar mecanismos eficazes de comunicação e buscar estabelecer a conexão dos diferentes órgãos à estratégia, por meio de temas e objetivos comuns que permeiam os seus scorecards. Este princípio busca promover o alinhamento entre o scorecard corporativo, os scorecards das unidades de negócios e de serviços de apoio. O principio de transformar a estratégia em tarefa de todos estabelece para as organizações orientadas para a estratégia, a necessidade de que todos os empregados compreendam a estratégia e conduzam as suas tarefas cotidianas de modo a contribuir para o seu êxito. Neste sentido o BSC é utilizado para incentivar toda a organização a executar a estratégia, por meio da comunicação, da educação e da sinergia. Alguns observadores questionam a difusão da estratégia em toda a empresa, com receio de passar informações estratégicas para o concorrente. Por outro lado, não há como implementar a estratégia, de forma eficaz, se o pessoal a desconhece. A implementação deste princípio inicia-se com o treinamento dos empregados em todos níveis da organização e, em seguida, infunde-se para os níveis mais baixos o scorecard corporativo e de cada unidade de negócio. O estilo adotado para transmitir as estratégias é top-down. Uma etapa final que as organizações adotam é vincular a remuneração por incentivos ao scorecard. Dessa forma são realizadas três etapas importantes: comunicação, scorecard pessoal e incentivo. 2.3 Converter a estratégia em processo contínuo A maioria das organizações desenvolve seu processo gerencial em torno do orçamento e do plano operacional. A reunião gerencial mensal concentra-se 63 na avaliação do comportamento físico e financeiro e na aplicação de plano de ação para corrigir as distorções. As empresas que adotam o BSC implementam de forma integrada, num único processo, o gerenciamento estratégico e o gerenciamento tácito (orçamentos financeiros e avaliações mensais) de forma ininterrupta e contínua. Isto vem sendo feito obedecendo a uma evolução que se iniciou com as organizações buscando conectar a estratégia ao processo orçamentário. Numa fase seguinte implementaram reuniões gerais simples, para avaliação das estratégias, e, por fim, adotou-se um processo de aprendizado e adaptação da estratégia, utilizando métodos estatísticos para validar os scorecards iniciais (hipóteses sobre as estratégias). O processo envolve as seguintes etapas vinculadas à estratégia: orçamentação, sistema de informações (feedback) e reuniões. 2.4 Propósitos do Balanced Scorecard Segundo Mibielü (2006), um dos principais propósitos de um Balanced Scorecard é desenvolver uma organização de aprendizagem que esteja se aprimorando e mudando, constantemente, para manter a empresa competitiva no futuro. Para que isso ocorra, deve-se estabelecer dentro da organização um clima que dê suporte às mudanças, criando consciências estratégicas, alinhadas aos objetivos pessoais e à remuneração de cada indivíduo que faça parte do processo. Na verdade, conforme afirma Costa (2006), dar visibilidade à estratégia é mudar profundamente a maneira de agir, é permitir a cada indivíduo agir profissionalmente com pleno conhecimento das implicações produtivas estratégicas da empresa. 2.5 Gerenciando a Estratégia 64 Os executivos descobriram que os scorecards permite fechar a lacuna que antes existia em suas organizações: uma incoerência fundamental entre o desenvolvimento e a formulação da estratégia e sua implementação. Segundo Kaplan, Norton (1997), a incoerência entre a formulação e a implementação da estratégia é causada por barreiras criadas pelos sistemas gerenciais tradicionais, os sistemas que as organizações utilizam para: a) criar e comunicar estratégias e direções; b) alocar recursos; c) definir metas e direções para departamento, equipes e indivíduos; d) fornecer feedback. De acordo Kaplan, Norton (1997), identificou-se quatro barreiras específicas a implementação eficaz da estratégia: visões e estratégias não executáveis; estratégias não associadas às metas de departamentos, equipes e indivíduos; estratégias não associadas à alocação de recursos a longos e curtos prazos e feedback tático, não estratégico. Cada barreira pode ser superada com a integração do Balanced Scorecard a um novo sistema de gestão estratégica. Para detalhar os defeitos dos sistemas gerenciais atuais, orientados principalmente por um modelo financeiro tradicional, baseado em custos históricos, que levou uma ruptura entre a formulação e a implementação estratégia. Segundo Kaplan, Norton (1997) foi realizado, com a Business Intelligence, uma empresa organizadora de eventos no Reino Unido, uma pesquisa de opinião sobre as práticas gerenciais relacionadas aos sistemas de medição e gestão de desempenho. A pesquisa tinha por finalidade saber como as empresas estavam gerenciando os quatro componentes de um sistema de gestão estratégica: tradução da visão num entendimento compartilhado e identidade de propósitos; comunicação da estratégia e sua associação com a medição de desempenho; planejamento e estabelecimento de metas, feedback e análise de desempenho em relação a estratégia. As constatações ofereceram evidências quantitativas do fenômeno que se havia observado nas empresas que estavam implementando o Balanced Scorecard com um sistema de gestão estratégia. 65 2.6 Barreira nº 1: Visão e estratégia não executáveis Segundo Kaplan, Norton (1997), a primeira barreira à implementação estratégica ocorre quando a empresa não consegue traduzir sua visão e sua estratégia de forma compreensível e factível. Quando existem divergências fundamentais entre a maneira como as nobres declarações de visão e missão são traduzidas em ações, a conseqüência é a fragmentação e a subotimização das iniciativas. Os executivos principais e sua equipe não conseguem chegar a um consenso quando ao que a visão e a estratégia realmente significam. Na falta de consenso e clareza, os diversos grupos seguem agendas diferentes qualidade, melhoria contínua, reengenharia, emporwement segundo suas próprias interpretações de visão e estratégia. Suas iniciativas não são integradas nem cumulativas, visto que não estão associadas de forma coerente a uma estratégia global. Segundo Kaplan, Norton (1997), a pesquisa revelou que 59% das equipes de alta administração acreditam saber como implementar a visão, apenas 7% dos gerentes de nível médio e dos funcionários da linha de frente o sabem. Essa constatação comprova que mesmo para líderes que tenham uma clara visão, faltam mecanismos para que sua visão seja compartilhada com todos os funcionários da empresa em termos que a tornem exeqüível. Segundo Kaplan, Norton (1997), o processo de construção de um BSC esclarece as metas estratégicas e identifica os poucos vetores críticos para o sucesso estratégico. O processo gera consenso e sentido de equipe entre todos os altos executivos, independente de seus empregos anteriores, experiência profissional ou qualificação funcional. O scorecard traduz a visão em temas estratégicos críticos que podem depois ser comunicados e colocados em prática por toda organização. 2.6.1 Barreira nº 2: Estratégia não associada às metas de departamentos, equipes e indivíduos. 66 Segundo Kaplan, Norton (1997), a segunda barreira surge quando as exigências de longo prazo da estratégia da unidade de negócio não são traduzidas em metas para os departamentos, equipes e indivíduos. Nesse caso, o foco do desempenho dos departamentos continua a ser o cumprimento dos orçamentos financeiros estabelecidos com parte do processo tradicional de controle gerencial. E as equipes e indivíduos integrantes dos departamentos têm suas metas vinculadas á consecução de metas departamentais táticas e de curto prazo, em detrimento da criação de capacidades que permitam a realização de metas estratégicas a prazo mais longo. Essa barreira talvez possa ser atribuída ao fato de os executivos de recursos humanos não agirem como facilitadores do alinhamento das metas dos indivíduos e equipes aos objetivos da organização como um todo. De acordo com Kaplan, Norton (1997), os entrevistados relataram que a remuneração de 74% de seus altos executivos estava vinculada às metas anuais da empresa. Menos de um terço, no entanto, declarou que a remuneração variável estava de alguma forma vinculada às metas estratégicas de longo prazo. Em níveis inferiores, a falta de alinhamento era ainda mais radical. Menos de 10% dos gerentes de nível médio e funcionários de linha de frente tinham uma remuneração variável atrelada a uma estratégia de longo prazo. Dada essa incongruência, não é de se surpreender que as empresas tivessem dificuldades em direcionar a atenção bem concebida e formulada que fossem. O sistema de incentivo, associado á medida financeiras de curto prazo, simplesmente reforça formas ultrapassadas de fazer negócios. Afirmam Kaplan, Norton (1997), que as organizações estão utilizando Balanced Scorecard para comunicar suas novas estratégias a todos os funcionários e, a partir daí, alinhando as metas de departamentos, indivíduos e equipes ao sucesso na implementação da estratégia. Embora os altos executivos discordem quanto aos benefícios de scorecard, eles concordam que a comunicação e o processo de estabelecimento de metas melhoram notavelmente o alinhamento de todos os integrantes da organização estratégia. 2.6.2 Barreira nº 3: estratégias não associadas a alocação de recursos 67 Conforme Kaplan, Norton (1997), a terceira barreira à implementação da estratégia é a falta de alinhamento dos programas de ação e da alocação de recursos as prioridades estratégicas de longo prazo. Atualmente, muitas organizações adotam processos separados para o planejamento estratégico e a orçamentação a curto prazo. A conseqüência é que os fundos e alocações de capital discricionárias raramente estratégicas. As grandes iniciativas estão relacionados como reengenharia às prioridades são tomadas com um pouco sentido de prioridade ou impacto estratégico, e as revisões mensais e trimestrais se preocupam em explicar as divergências entre as operações reais e as operações orçadas e não com o progresso das metas estratégicas. A falha nesse caso pode ser atribuída conjuntamente aos vicepresidentes de planejamento estratégico e financeiro por não verem a necessidade de integração de suas iniciativas, preferindo o cumprimento de suas agendas funcionais independentes, afirma Kaplan, Norton (1997). Kaplan, Norton (1997), afirmam que são elementos críticos de um programa que traduz a estratégica em ação: a) estabelecer metas de superação, quantitáveis e de longo prazo, para medidas de scorecard que tanto executivos quanto funcionários consideram realizáveis; b) identificar as iniciativas (programas de investimento e ação) e recursos para essa iniciativas que permitam a realização das metas de longo prazo para as medidas estratégicas previstas no scorecard; c) coordenar planos e iniciativas entre as unidades organizacionais envolvidas; d) estabelecer referencias de curto prazo para associar as metas de longo prazo do scorecard às medidas dos orçamentos de curto prazo. 2.6.3 Barreira nº 4: Feedback tático, não estratégico A última barreira à implementação da estratégia é a falta de feedback sobre como a estratégia está sendo implementada, e seus resultados. A maioria dos sistemas gerencias de hoje fornece feedback apenas sobre 68 desempenho operacional a curto prazo e a maior parte desse feedback está relacionada às medidas financeiras, normalmente estabelecendo uma comparação entre os resultados reais e os orçamentos mensais e trimestrais. Segundo Kaplan, Norton (1997) as empresas não dedicavam nenhum tempo nas organizações periódicas de análise de desempenho para revisar a estratégia ou tomar decisões a ela relacionadas. A lacuna nesse caso pode ser atribuída a informações inadequadas, sob a responsabilidade do vicepresidente dos sistemas de informações, bem como aos processos de análise tática, organizados e conduzidos pelo vice-presidente financeiro. A conseqüência é que as empresas não tem como obter feedback sobre suas estratégias. E sem feedback, não tem como testar e aprender essa estratégia na prática. 2.6.4 Benefícios do uso do BSC De acordo com Kaplan, Norton (1997) o maior benefício do uso do Balanced Scorecard como sistema de gestão estratégica ocorre quando as empresas realizam revisões estratégicas regulares, não apenas análises operacionais. Um processo de feedback e aprendizado estratégico baseado no Balanced Scorecard possui três ingredientes essenciais: a) uma visão estratégica estruturada e compartilhada, que comunica a estratégia e permite aos participantes ver como suas atividades individuais contribuem para a realização da estratégia global; b) um processo de feedback que coleta dados de desempenho sobre a estratégia e permite que as hipóteses sobre inter-relações entre objetivos e iniciativas estratégicas sejam testadas; c) um processo de solução de problemas em equipe que analisa e aprende com os dados de desempenho obtidos e adapta a estratégia as condições e situações que venham a surgir. O Balanced Scorecard pode ser utilizado para desenvolver esse processo de feedback e aprendizado estratégico. Atualmente, este é o menos desenvolvido dos quatro grandes processos gerenciais. Apenas algumas empresas conseguiram implementar um novo processo de revisão estratégica, 69 mas aquelas que o fizeram reconhecem tratar-se de uma nova e poderosa ferramenta gerencial. A atualização da estratégia faz com que a empresa complete o ciclo de volta ao primeiro processo gerencial e estratégia esclarecer e obter consenso sobre visão permitindo que a estratégia envolva acompanhando mudanças nas condições de competitividade, mercado e tecnologia. 2.6.5 Feedback e o processo de aprendizado estratégico Muitas empresas ainda se utilizam dos sistemas de planejamento e controle hierárquicos projetados para a competição da era industrial. A estratégia é determinada pela cúpula; cabendo aos executivos estabelecer metas, políticas e alocações de recursos a longo prazo. Eles determinam que os gerentes e funcionários menos graduados devem determinar que os gerentes e funcionários menos graduados devem agir de acordo com esses planos. Os executivos e gerentes utilizam um sistema de controle gerencial para monitorar a aquisição e utilização de recursos de acordo com o plano estratégico. E mais abaixo na escala hierárquica da organização, os sistemas de controle operacional monitoram o desempenho a curto prazo de processos operacionais específicos e dos funcionários da linha de frente. Conforme Kaplan, Norton (1997), essa abordagem hierárquica a formulação e implementação da estratégia funciona bem quando os altos executivos possuem uma visão clara do destino da organização e das providencias a serem tomadas para que esse destino da organização seja alcançado. Trata-se de um processo de feedback com realimentação simples no qual os objetivos foram determinados e não mudarão. O descumprimento dos resultados planejados não leva as pessoas a questionar se os objetivos planejados continuam sendo desejáveis. Os desvios da trajetória planejadas são tratados como defeito e são adotadas medidas corretivas com a finalidade de colocar a organização de volta no caminho original. De acordo com Kaplan, Norton (1997), as organizações precisam ter capacidade para aprendizado em dois níveis o aprendizado que ocorre 70 quando os executivos questionam suas premissas e refletem sobre a teoria segundo a qual vinham operando e permanece coerente com as evidencias, as observações e a experiência atuais. Ocasionalmente, precisam ser capazes de criar novas estratégias para aproveitar novas oportunidades, ou para neutralizar novas ameaças não previstas quando da elaboração do plano estratégico inicial. Freqüentemente, as idéias para o aproveitamento de novas oportunidades provem dos gerentes menos graduados da organização. 2.6.6 Feedback estratégico Segundo Kaplan, Norton (1997) deve-se criar um sistema de feedback estratégico para testar, validar e modificar as hipóteses incorporadas a estratégia da unidade de negócios. As relações de causa e efeito incorporadas ao Balanced Scorecard permitem que os executivos estabeleçam metas de curto prazo refletindo suas melhores estimativas sobre deficiências e impactos entre mudanças nos vetores de desempenho e mudanças correlatadas em uma ou mais medidas de resultados. 71 CONCLUSÃO Um balanced score card sugere que a organização identifique e equilibre metas associadas às diferentes perspectivas para reduzir a possibilidade de que uma meta em particular sobrepuje as outras em detrimento da organização. Por exemplo, uma organização voltada unicamente aos ganhos por ação pode não estar investindo suficientemente em seus colaboradores, pode estar pressionando os clientes e pode não estar adotando medidas de qualidade e segurança. Da mesma maneira, organizações que gastam muito com inovação tecnológica ou se dedicam muito a satisfazer clientes, independentemente dos custos que isso represente, podem não estar obtendo receitas suficientes para permanecer no negócio. Ao forçar uma organização a enfrentar tais problemas, o balanced score card tende a levar a estabelecer compromisso realista que considere metas de curto prazo sintonizadas com objetivos de longo prazo. Uma vez que tais metas tenham sido definidas, podem ser utilizadas por técnicas de análise como simulações, custeio ABC, análise da cadeia de valor. As organizações devem adotar conceitos associados ao enfoque do balanced score card, que assegurem maior equilíbrio ou relacionamento de causa-efeito entre os indicadores. Contudo deve também existir consciência quanto à dimensão e aos custos associados aos esforços de implantar um balanced score card e se tornar um cético quanto a ferramentas específicas ou aplicativos que trazem implicitamente a mensagem de que é fácil implantar e usar um balanced score card. O assunto não está esgotado podendo outros estudantes e profissionais aprofundá-lo e redirecioná-lo. 72 REFERÊNCIAS BENVENHO,F.R. Utilizando o Balanced Scorecar para gerenciar pequenas empresas. Disponível em:http://www.administradores.com.br/producao_ academica/utilizando_o_balanced_scorecard_para_gerenciar_pequenas_empr esas/162/.Acesso em 21/05/2008. COSTA,A.P. Balanced Scorecarded .São Paulo: Atlas, 2006. CHIAVENATO,I.;CERQUEIRA,E.P.N. Administração estratégica. São Paulo: Saraiva, 2003. ELESBÃO, M. As Novas Perspectivas do Balanced Scorecard para a Contabilidade Gerencial, 2005. Monografia (Pós-graduação Lato-sensu em Contabilidade, Finanças e Auditoria). Centro Universitário Salesiano Auxilium, Lins. KAPLAN,R.S.;NORTON,D.P. A estratégia em ação:Balanced Scorecard .Rio de Janeiro: Campus, 1997. MIBIELÜ,M. Balanced Scorecard, Rio Grande do Sul, 17 mar. 2006. Disponível em : http://www.mmcontabilidade.com.br/materia.asp?ID=3329. Acesso em 10/02/2008. PEIXINHO, F.C. Proposta de aplicação do modelo de gestão estratégica baseado no Balanced Scorecard para uma empresa publica, 2003. Monografia ( Pós-graduação Lato Sensu em Gerência de Sistemas de Informação). UFRJ, Rio de Janeiro. RAFAEL, A.C.S., BRITO,F.F. Balanced Scorecard:um estudo sobre seus conceitos e processos de implementação. 2007. Monografia. (Pós graduação Lato Sensu em Contabilidade, Finanças e Auditoria). Centro Universitário Salesiano Auxilium, Lins. SOARES,H.J.;PROCHNIK,V.Experiências comparadas de implantação do balanced scorecard no Brasil. Rio de Janeiro: Editora Campus, 2003. SOUZA, J. E. R. ; CALIL, J. F.; MONOBE, T. Estratégia organizacional. Campinas: Akademika, 2006. 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