PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática O RESGATE DE ELEMENTOS E DE CONSTRUÇÕES DO DESENHO GEOMÉTRICO PARA AUXILIAR O ESTUDO DA GEOMETRIA ESPACIAL COM ALUNOS DO 2o ANO DO ENSINO MÉDIO Cláudio Antônio da Silva Belo Horizonte 2011 Cláudio Antônio da Silva O RESGATE DE ELEMENTOS E DE CONSTRUÇÕES DO DESENHO GEOMÉTRICO PARA AUXILIAR O ESTUDO DA GEOMETRIA ESPACIAL COM ALUNOS DO 2o ANO DO ENSINO MÉDIO Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, como requisito parcial para a obtenção do título de Mestre em ensino de Ciências e Matemática. Orientador: Dr. Dimas Felipe de Miranda Belo Horizonte 2011 Cláudio Antônio da Silva O Resgate de Elementos e de Construções do Desenho Geométrico para Auxiliar o Estudo da Geometria Espacial com Alunos do 2o Ano do Ensino Médio Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais Belo Horizonte, 2011. ______________________________________________________________ Dimas Felipe de Miranda (Orientador) – PUC Minas ______________________________________________________________ – FUMEC Edna ______________________________________________________________ – PUC Minas Eliane Gazire ______________________________________________________________ – Belo Horizonte 2011 A quatro pessoas que são os pilares da minha vida: À minha mãe Helena: Por ser um exemplo de força, coragem, responsabilidade e está sempre presente em minha vida. À minha esposa Rita: Pelo amor dedicado a mim e a nossa família, força nos momentos de desânimo e com a qual divido todos os meus sonhos e realizações. Às minhas filhas Isabella e Mirella: Por serem meu sonho realizado, amo vocês. AGRADECIMENTOS A Deus, pelo dom da vida e pela oportunidade de participar do seu plano neste mundo. A todas as pessoas que contribuíram para que este trabalho fosse realizado. A minha esposa Rita que desde o dia em que fiz minha inscrição no processo seletivo foi incansável e perseverante no apoio a mim. Minhas filhas Isabella e Mirella que ficaram sem minha presença em vários momentos em prol da realização desse trabalho. Ao meu querido orientador Professor Dimas pela paciência e interesse em que este trabalho fosse realizado com êxito. Ao corpo docente do Programa de Mestrado em ensino da PUC – Minas. Aos meus alunos do 2º. Ano do Ensino Médio, ano 2009, dos dois colégios onde apliquei as atividades, vocês são demais e, em especial ao Pedro que já se tornou anjo.. E, finalmente, a banca pelos conselhos e orientações que levarei para minha vida. A Geometria faz com que possamos adquirir o hábito de raciocinar, e este hábito pode ser empregado, então, na pesquisa da verdade e ajudar-nos na vida. Jacques Bernoulli RESUMO Essa dissertação apresenta uma pesquisa, de caráter Qualitativo, do tipo Observação Participante, cujo objetivo foi resgatar elementos e construções usados na disciplina de Desenho Geométrico, como auxiliares no estudo de Geometria Espacial. Foram observados e analisados o desenvolvimento dos trabalhos dos alunos das turmas do segundo ano do Ensino Médio de duas escolas particulares da cidade de Belo Horizonte. Eles trabalharam com régua, compasso e esquadro na resolução de um conjunto de Atividades Didáticas, abordando construções geométricas, produto dessa pesquisa. As Atividades foram planejadas e elaboradas, conforme os objetivos estabelecidos e os referenciais teóricos previamente levantados em autores, como Polya, Ponte, Zabala, Ludke, Piaget e outros. Como resultado, foram verificadas entre os alunos expectativas e posturas favoráveis à proposta, bem como notório empenho ao desenvolver as atividades e, posteriormente, em relacionar e aplicar o conhecimento adquirido nos estudos de Geometria Espacial ou Sólida. Ao término do processo, pesquisador e alunos avaliaram o trabalho. Na análise e na avaliação foram identificadas formas de contribuições, dificuldades e estímulos advindos da experiência com a proposta da pesquisa. Palavras-chave: Desenho Geométrico. Geometria Espacial. Atividades didáticas. ABSTRACT This dissertation presents a research work which proposes recovering elements used in Geometric Drawings discipline, aiming for the development of Solid Geometry study. In this research, two classes of second grade High School students, in two private schools in Belo Horizonte, were observed and analysed. They worked in a solution of a set of didatic activities which were planned and elaborated according to previous theoretical references. Geometric drawing materials like rules, pair of compasses and set squares were used in the activities by the students, in order to star or restart a certain familiarity with them and notice how developed geometric constructions could help them throughout Solid Geometry studies. As a result, it was checked a favorable expectation and position to the proposal among the students, as well as a notorious commitment in doing the activities; and afterwards, in applying the acquired knowledge in future geometric studies. At the end of Spacial Geometry unit study, researcher and students evaluated the work done, identifying how they realized the contribution ways, the difficulties and encouragement coming from the experience toward the research proposal. Key words: Geometric Drawing. Solid Geometry. Didactic Activities. SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ......……………… ……………………………………..…………………… 2 UM POUCO DA HISTÓRIA DA GEOMETRIA ..................................................................... 2.1 GEOMETRIA PLANA ......................................................................................................... 2.2 DESENHO GEOMÉTRICO ................................................................................................ 2.3 GEOMETRIA SÓLIDA ........................................................................................................ 3 O TRABALHO DE PESQUISA ................................................................................................ 3.1 A SONDAGEM ...................................................................................................................... 3.2 A SEQUÊNCIA DIDÁTICA NA PESQUISA ..................................................................... 3.3 ATIVIDADE 1: Posições relativas entre retas .................................................................... 3.4 ATIVIDADE 2: As cevianas e os pontos notáveis de um triângulo .................................. 3.5 ATIVIDADE 3: Polígonos regulares inscritos em uma circunferência ............................ 3.6 ATIVIDADE 4: Isometria e Homotetia ............................................................................... 3.7 ANÁLISE DOS DADOS ....................................................................................................... 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS ...................................................................................................... REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................... APÊNDICE ..................................................................................................................................... ANEXOS .......................................................................................................................................... 1. INTRODUÇÃO O tema geometria tem sido um objeto de estudo bastante freqüente nas pesquisas em Educação Matemática. A geometria, como um dos ramos mais antigos da Matemática, continua levando os estudiosos a grandes descobertas e abrindo perspectivas de estudos futuros. O desenho geométrico, com seus instrumentos e construções sistematizadas e sequenciadas, pode auxiliar e contribuir com o estudo da geometria, em geral, desenvolvendo e conectando as percepções mental e visual. Hoje, com os ambientes cada vez mais informatizados, as construções geométricas manuais desfrutam de pouco atenção por parte de professores, pesquisadores e alunos. O interesse desse pesquisador pelo tema, bem como o sentimento de que este aspecto artesanal do desenho geométrico pode trazer benefícios ao estudante, vem de quando ele cursava o ensino médio. Ao fazer seu curso numa Escola Técnica Federal, em 1980, pode, já no segundo ano, ter contato com a disciplina de Desenho Técnico e manusear instrumentos de desenho, como escala triangular, régua T, compasso e esquadros. Durante o curso superior de Engenharia Mecânica, em 1983, veio o reforço na assimilação dos conhecimentos em Desenho Técnico, quando o pesquisador pode ser aprovado com notas máximas, levando-o a se interessar mais pela disciplina. Ao cursar licenciatura plena em Matemática, esse pesquisador percebeu que, no currículo e na proposta do curso, não se dava muita ênfase ao tema Desenho Geométrico, o foco recaía na Geometria Plana e Espacial, com ênfase nas definições e deduções de teoremas. Há 19 anos dedicando-se à prática docente em Matemática, quase em sua totalidade com ensino médio, esse pesquisador pode perceber uma lacuna entre a Geometria Sólida estudada no 2º. Ano do Ensino Médio e a visão dos elementos que a constroem, associada a um desconhecimento e despreparo no contato com instrumentos geométricos (régua, compasso, esquadros). A partir daí, foi-se construindo a idéia de um trabalho de pesquisa que experimentasse uma metodologia que contemplasse levar aos alunos uma proposta, visando manusearem e construírem figuras geométricas como suporte e em conexão com o estudo da Geometria Espacial. Por isso, o pesquisador escolheu como questão principal de estudo: Que contribuições e desafios podem ser observados e identificados ao se resgatar a utilização de materiais de desenho geométrico e suas construções, através da realização de atividades didáticas planejadas, visando o estudo de Geometria Espacial em turmas de 2º. ano do Ensino Médio? As construções geométricas e a própria Geometria são um conteúdo de importância reconhecida pelos PCN’s (2005). O documento prevê a organização dos conteúdos matemáticos em quatro blocos: Números e operações; Funções; Geometria; e Análise de dados e probabilidade. No bloco Geometria é colocada como orientação: possibilitar ao aluno desenvolver a capacidade de resolver problemas práticos do quotidiano, como, por exemplo, orientar-se no espaço, ler mapas, estimar e comparar distâncias percorridas, reconhecer propriedades de formas geométricas básicas e saber usar diferentes unidades de medida. Alguns estudiosos da Educação Matemática dão ênfase às construções geométricas, como no trabalho de Zuin (2001) com suas investigações a respeito do Desenho Geométrico, realizado em escolas mineiras. O pesquisador, Wagner (1993), já preocupado com o tema, escreveu o livro Construções Geométricas, incentivando o resgate do ensino do Desenho Geométrico. Assunto, segundo o autor, esquecido nas escolas atuais. Mas, quanto à geometria, há um consenso e até um reclamo, em nível do discurso, de que seu estudo seja incentivado em todas as faixas básicas de aprendizagem (Ensino Infantil, Ensino Fundamental I, Ensino Fundamental II e Ensino Médio) e em todos os níveis superiores no campo das Exatas (Engenharia, Arquitetura, Matemática etc.). O estudo da Geometria, em conexão com as construções geométricas, pode levar os alunos a ter uma visão mais ampla de medida, área e espaço, dentro de sua realidade e na sua vivência pessoal e física. A observação da prática docente leva à percepção de que os alunos e professores, em geral, não dão ênfase ao estudo de Geometria, tornando-se um assunto de pouca aceitação. Este pesquisador, no entanto, tem como hipótese que este conteúdo pode ter melhor aceitação se for ministrado de forma mais lúdica, com atividades devidamente conduzidas e deduções das fórmulas geométricas, ao invés de simplesmente levar os alunos a construir pequenos sólidos de papelão ou com palitos, imaginando que, com isso, os alunos terão uma “visão” do que é a Geometria Sólida. O estudo de Geometria pode levar os alunos a grandes descobertas não só na própria Geometria, mas também na Álgebra. Espera-se que este resgate da utilização dos instrumentos de construção de elementos geométricos (compasso, esquadros, transferidor, etc.) possa levar a um conhecimento maior dos entes geométricos, ajudando na construção de uma Geometria com maior visualização e mais rica em informações. É importante frisar que, a Geometria é seqüencial (está em todos os níveis de estudo), portanto não é recomendável prosseguir no estudo se, os pré-requisitos básicos não ficarem bem fixados. Em particular, este fato é tido como o grande empecilho para que todos aprendam e estudem, efetivamente, a Geometria e a Matemática, em geral. Este trabalho pretende contribuir para resgatar a importância do estudo e aplicação de atividades de Desenho Geométrico em todos os níveis do ensino básico. A prática deste pesquisador vem detectando um déficit deste conteúdo nos alunos do segundo ano do Ensino Médio, ao iniciar o estudo de Geometria Espacial ou Geometria Sólida. Neste contexto, o objetivo geral desta pesquisa estabeleceu-se como: - resgatar elementos e construções usados na disciplina de Desenho Geométrico, como auxiliares no estudo de Geometria Espacial. Os objetivos específicos seriam: - formular um conjunto de atividades didáticas conforme os objetivos e a questão de pesquisa; - realizar observações do processo de desenvolvimento das atividades pelos sujeitos da pesquisa; - analisar os dados, as observações e as contribuições advindas do processo da pesquisa. Frente à problemática levantada, foi estabelecida uma seqüência de ações. Este trabalho foi desenvolvido durante o ano de 2009 com duas turmas de alunos do 2º. Ano do Ensino Médio em duas escolas particulares de Belo Horizonte. Percebeu-se, ao final, um significativo diferencial no desempenho dos alunos, detectado em todo o processo avaliativo, tanto qualitativa, como quantitativamente, visto que o pesquisador lecionou esta disciplina nos anos de 2008 e 2009. Inicialmente, foi feito, pelo pesquisador, um levantamento a respeito do conhecimento e contato dos alunos das turmas do 2º. Ano do ensino médio com os instrumentos e as construções do desenho geométrico. O intuito era de preparar e embasar o pesquisador sobre como conduzir o trabalho de pesquisa. Em seguida, o pesquisador aplicou quatro atividades para suas turmas com o objetivo de observar e coletar dados para montagem de seu trabalho de pesquisa. A elaboração e a condução da pesquisa foram feitas conforme metodologias e teorias de LUDKE e ANDRÉ (...........), ZABALLA (2007), PONTE (2003) e POLYA (1995) entre outros. ZABALLA (2007) com suas áreas de formação da aprendizagem, conceitual (C), procedimental (P) e atitudinal (A), determinou categorias de análise para a pesquisa. As teorias investigativas de PONTE (2003) proporcionoaram ao pesquisador, durante a aplicação das atividades, uma postura de busca, de descoberta e de formas de se lidar com os alunos diante das situações e desafios apresentados. POLYA (1995) deu suporte para as Atividades. As etapas propostas pelo autor para se trabalhar com problemas: compreensão do problema, estabelecimento de um plano, execução do plano e retrospecto foram assumidas na elaboração e no desenvolvimento das Atividades. As contribuições de LUDKE (.......) se deram na tipologia da pesquisa, permitindo classificá-la como uma pesquisa de caráter Qualitativo, na categoria de Observação Participante. A pesquisa que se apresenta tem como escopo básico 5 capítulos. Neste capítulo 1, tem-se a Introdução. No capítulo 2, aborda-se uma breve história da Geometria, com os tópicos envolvendo a geometria plana, o desenho geométrico e a geometria sólida ou espacial, demonstrando a importância da mesma na trajetória da Matemática e na história da humanidade. No capítulo 3 relata-se a sondagem inicial que foi feita com os alunos, uma rápida teoria sobre atividades didáticas e uma descrição das quatro atividades realizadas com os alunos do 2º. ano do ensino médio de duas escolares particulares de Belo Horizonte para o trabalho de pesquisa. No capítulo 4 é apresentada a análise dos dados obtidos com as atividades, mostrando os resultados através de comentários e descobertas feitas pelos alunos e pelo próprio pesquisador. No capítulo 5 é apresentada a conclusão a partir dos resultados gerais do trabalho de pesquisa e das observações. No Apêndice, apresenta-se o conjunto de Atividades, elaborado e proposto aos sujeitos da pesquisa. E, finalmente, nos anexos estão apresentadas algumas fotos tiradas durante a execução das atividades, dentro das instituições de ensino. É importante frisar que, essas duas turmas foram escolhidas porque o pesquisador é o professor de Matemática efetivo delas e, não foi objetivo da pesquisa, em momento algum, realizar uma comparação entre os alunos ou entre as escolas. 2. GEOMETRIA E DESENHO GEOMÉTRICO A Geometria é um dos ramos mais antigos do estudo de Matemática e, durante milênios intrigou estudiosos e leigos por seus detalhes e pela sua magnitude. Através dela foram construídas obras faraônicas e foram descobertas informações que definiram a forma de nosso planeta e do espaço fora dele. A origem da palavra Geometria vem do grego significa medidas da terra (geo = terra e metron = medida) O historiador grego Heródoto, que viveu no século V antes de Cristo, no livro II (Euterpe) das suas Histórias, refere-se deste modo às origens da Geometria: (CARAÇA, 2003) “Disseram-me que este rei (Sesóstris) tinha repartido todo o Egipto entre os egípcios, e que tinha dado a cada um uma porção igual e rectangular de terra,, com a obrigação de pagar por ano um certo tributo. Que se a porção de algum fosse diminuída pelo rio (Nilo), ele fosse procurar o rei e lhe expusesse o que tinha acontecido a sua terra. Que ao mesmo tempo o rei enviava medidores ao local e fazia medir a terra. Eu creio que foi daí que nasceu a Geometria e que depois ela passou aos gregos”. Há registros da geometria babilônica que datam de 2000 a.C. a 1600 a.C. sobre estudos de áreas de retângulos, triângulos e trapézios, do volume de um paralelepípedo e de prisma trapezoidal reto. A principal marca da geometria babilônica era seu aspecto algébrico. Isto nos mostra que a humanidade nesse momento já sentia a necessidade e a importância dos elementos geométricos como base para seus estudos futuros. Dois papiros traziam informações geométricas: - Nos papiros de Moscou e Rhind, vinte e seis problemas dos 110 contidos neles são geométricos. Neles a problematização é feita para situações práticas do dia a dia, ou seja, a utilização da geometria para solucionar necessidades cotidianas, já naquela época. A título de informação, é notável já existir no papiro de Moscou um exemplo correto da fórmula do volume de um tronco de pirâmide de base quadrada. (EVES,1997) Outra civilização que deixou um grande legado geométrico foi a egípcia, onde todos os estudos para construção das pirâmides e das divisões de terras, em função das enchentes do rio Nilo, levaram a um grande desenvolvimento geométrico, colocando-a na posição de maior potência geométrica da época e, transformando Alexandria num grande centro geômetra da antiguidade. Com o declínio do poder do Egito e da Babilônia nos últimos séculos do segundo milênio a.C., começa a se destacar a Matemática Demonstrativa com Tales de Mileto e Pitágoras de Samos, momento em que a geometria grega assume um destaque no cenário mundial da época, apesar de que, a história dos 300 primeiros anos da matemática grega foi obscurecida pela grandeza dos Elementos de Euclides, escritos por volta de 300 a.C. As descobertas da matemática grega, evidenciada por Pitágoras e pelos pitagóricos, até hoje são muito utilizadas em nossos estudos e desenvolvimentos geométricos. O período iniciado por Tales e culminado com os Elementos de Euclides denota um período de realizações extraordinárias, que gerou o início do que hoje chamamos de Geometria Euclidiana. Continuando a história da Geometria encontramos Arquimedes, considerado o maior matemático da antiguidade; Eratóstenes, matemático, astrônomo, geógrafo, historiador, filósofo, poeta e atleta; Apolônio, conhecido como “ O Grande Geômetra”, principalmente pela sua obra sobre seções cônicas e também Hiparco, Menelau, Ptolomeu que se destacaram na trigonometria grega. A tradição geométrica grega prolongou-SE por algum tempo, mas veio a declinar, permanecendo apenas estudos relativos à astronomia, a trigonometria e a álgebra. Só próximo do século III d.C. cerca de 500 anos depois de Apolônio, surgiria um outro grande geômetra, Papus de Alexandria tentando resgatar e reacender o estudo de geometria, ele fez grandes descobertas e notáveis estudos. Três civilizações também desempenharam um papel importante na geometria antiga, a chinesa, a indiana e a árabe. A chinesa que, após o declínio da matemática grega clássica se tornou a mais criativa, deixou grandes contribuições na obtenção de valores precisos de π, desenvolveu a geometria descritiva, entre outras; a indiana não era proficiente em geometria, mas sua grande contribuição foi na parte algébrica da geometria e a árabe que se destacou mais em conservar a geometria descoberta do que mesmo inovar em alguma coisa. Depois disto a geometria entrou em uma fase estagnaria até meados do século XVI, quando matemáticos como René Descartes, Pierre de Fermat, Evangelista Torricelli entre outros, contestando alguns pontos da Geometria Euclidiana iniciaram estudos que resultaram numa geometria que fosse além desses estudos, chamada Geometria não Euclidiana, onde podemos perceber que as figuras podem ser vistas e estudadas com outro foco, porém sempre levando a uma lógica matemática. Este histórico nos leva hoje a perceber a trajetória e a importância da Geometria para os povos antigos, portanto não deve ser diferente hoje, ela deve ter um lugar de destaque dentro da Matemática para que possamos entender nossa posição no espaço. 2.1. GEOMETRIA PLANA Nos últimos séculos do segundo milênio a.C. o homem começou a formular questões sobre as figuras planas, devido a grandes mudanças econômicas e políticas. Algumas questões fundamentais foram formuladas como “Por que o diâmetro de um círculo divide esse círculo ao meio?” e “Por que os ângulos da base de um triângulo isósceles são iguais?”. Nesse momento surge a mudança de perspectiva do como para o porquê. Segundo a tradição a geometria demonstrativa começou com Tales de Mileto, um dos “sete sábios” da Antiguidade, durante a primeira metade do sexto século a.C. (EVES, 1997). Os fundamentos da Matemática, especialmente a geometria plana, nos retomam os gregos da antiguidade. A famosa obra de Euclides, Os Elementos, é a primeira apresentação sistemática dessa geometria que, posteriormente foi desenvolvida. Temos muito pouca informação sobre Euclides, que teria vivido por volta do ano 300 a.C. E o pouco que sabemos vem dos comentários de Proclus (410-485), mesmo tendo vivido, aproximadamente 700 anos depois de Euclides, ele tem dificuldade em determinar a época exata em que viveu Euclides. (ÁVILA, 2001). É importante saber que nesse período a geometria plana não era expressa numericamente e sim através de figuras planas e demonstrações de desenhos com régua e compasso. Por exemplo, hoje determinamos a área de um triângulo como a metade do produto da medida da base pela medida da altura, naquela época Euclides determinava a área de um triângulo através da metade da área de um paralelogramo obtido da união de dois triângulos iguais ao triângulo dado. Já a área de um paralelogramo é igual à área de um retângulo de mesma medida de base e de mesma medida de altura. Outro exemplo interessante é a fórmula para o cálculo da área de um círculo, para nós é A = r2, porém para Archimedes (287-212 a.C.), que viveu algumas décadas depois de Euclides, a área do círculo é igual à área de um triângulo de medida de base igual a medida do comprimento da circunferência e medida de altura igual a medida do raio do círculo. Na época de Euclides surgiu a idéia, devido à dificuldade de que a palavra número era usada só para números inteiros e uma fração era considerada apenas para razão entre números, de associar as grandezas a segmentos de reta. Assim o conjunto das grandezas contínuas passou a ser tratado por métodos geométricos. Nasce nesse período uma nova álgebra, completamente geométrica onde a palavra resolver se torna sinônimo de construir. (WAGNER,1993) Na Matemática Grega não havia fórmulas como as de hoje, todos os cálculos eram feitos através de proporções, por isso a importância de Tales de Mileto, com seu Teorema de Tales, esses métodos continuaram por mais de um milênio. Tales deu um grande passo em prol da geometria e despertou uma grande admiração pelos sábios da época, ao calcular a altura de uma pirâmide através da proporcionalidade com sua sombra. Ele é o primeiro matemático reconhecido a quem são associadas algumas descobertas matemáticas. Na geometria plana, devem-se a ele as seguintes proposições matemáticas: 1. Qualquer diâmetro efetua a bissecção do círculo em que é traçado. 2. Os ângulos da base de um triângulo isósceles são iguais. 3. Ângulos opostos pelo vértice são iguais. 4. Se dois triângulos têm dois ângulos iguais e um lado em cada um deles respectivamente iguais, então esses dois triângulos são iguais. 5. Um ângulo inscrito num semicírculo é reto. A grande importância desses resultados é que Tales os obteve por raciocínios lógicos e não pela intuição ou experimentalmente. Outro grande Matemático que foi fundamental para o desenvolvimento da Geometria Plana foi Pitágoras de Samos, ao que parece ele nasceu por volta de 572 a.C. Ele foi o fundador da escola pitagórica que teve um papel fundamental nas descobertas geométricas como, por exemplo, o Teorema de Pitágoras. Porém como os ensinamentos da escola eram inteiramente orais e como era de costume atribuir todas as descobertas ao fundador, hoje é difícil saber quais descobertas matemáticas são realmente do próprio Pitágoras e quais são de outros matemáticos da irmandade. A Geometria Plana ou Geometria Euclidiana permaneceu nas escolas e universidades até o final do século XVIII, período denominado Iluminismo, quando alguns matemáticos contrariando alguns teoremas e postulados, desenvolveram um novo ramo na geometria denominado Geometria não Euclidiana, onde o plano deixou de ser o universo único. 2.2 GEOMÉTRIA ESPACIAL OU SÓLIDA A Geometria Sólida é também chamada de Geometria Espacial pois ela é estudada no espaço, definido como o conjunto de todos os pontos. No estudo de Geometria Sólida temos dois blocos de estudos: os poliedros e os sólidos de revolução ou corpos redondos. No caso dos poliedros, um exemplo importante ocorre com as pirâmides da civilização egípcia, que datam de 2700 a.C., estruturas construídas com base quadrangular e faces triangulares. Muito tempo depois, os matemáticos, decidiram teorizar matematicamente essas formas geométricas, vindo a denominá-las poliedros, cujas propriedades sempre levaram os matemáticos a discussões, inclusive nos dias atuais. Coube ao matemático grego Euclides, no livro XIII de sua importantíssima obra Os Elementos, sistematizar os poliedros regulares (poliedros cujas faces são polígonos regulares), que foram por ele denominados sólidos de Platão. Depois, outros matemáticos gregos como Arquimedes (287-212 a.C.) e Papus (290-350 d.C.) tiveram muito interesse pelos poliedros, demonstrando e estabelecendo propriedades relativas a eles. A partir do Renascimento, alguns teóricos, tais como Leonhard Euler, René Descartes e Johannes Kepler, fizeram estudos com os poliedros. É importante destacar a contribuição de Descartes e Euler no desenvolvimento do teorema de Euler, expressão que envolve todos os elementos dos poliedros. Já em relação aos corpos redondos, houve uma longa e árdua caminhada; por volta do ano 2000 a.C., os egípcios já calculavam o volume de um cilindro, multiplicando a área da base pela medida da altura. As inscrições egípcias demonstravam que eles se preocupavam apenas com o resultado, buscando solucionar seu problema prático e imediato, não se atendo a como foi feita aquela dedução, consequentemente não registravam como era feito o cálculo. No século IV a.C. surge em Atenas, na Grécia, a Academia de Platão e, Eudoxo de Cnido (480-355 a.C.) um de seus integrantes, demonstrou pela primeira vez de forma satisfatória que, o volume de um cone é igual a terça parte do volume de um cilindro de mesma área de base e de mesma medida de altura. Arquimedes de Siracusa, aproveitando os estudos de Eudoxo, escreveu muitos estudos sobre Matemática, porém os temas que ele mais gostava era sobre a Esfera e o Cilindro, ele provou que o volume de uma esfera e de um cilindro estão para a razão de 2 para 3, se o raio da base do cilindro tiver a mesma medida do raio da esfera e se a altura do cilindro tiver igual medida à do diâmetro da esfera. Este estudo facilitou a dedução da fórmula do volume da esfera. (ROSSO, 2011). Hoje muitos estudos ainda são feitos no desenvolvimento da Geometria Sólida, com investimentos em tecnologia e informática. 2.3 DESENHO GEOMÉTRICO O desenho geométrico acompanha a geometria desde a sua concepção, vinda da necessidade do homem de entender, interpretar e demonstrar o mundo em que vive. Jorge (2002) introduz muito bem a idéia inicial do desenho geométrico afirmando que a linguagem gráfica é universal, pois independe dos idiomas e proporciona compreensão imediata e interpretação exata dos símbolos usados. Podemos perceber isso em situações cotidianas como interpretar as placas de sinalização nas ruas de uma grande cidade ou mesmo na interpretação de um projeto dentro de uma indústria feito por uma filial de um país europeu e interpretado e construído no Brasil. No caso específico da Geometria podemos perceber que o desenho geométrico é uma linguagem que permeia os vários ramos: Geometria Plana, Geometria Sólida, Geometria não Euclidiana, Trigonometria e outros. Porém, a expressão desenho geométrico tem sido interpretada, historicamente, como a ciência que objetiva a resolução gráfica dos problemas relacionados com a geometria plana. As construções geométricas estão cada vez aparecendo menos nos currículos escolares, deve-se ajudar a resgatar esse tema do abandono e demonstrar sua importância como instrumento auxiliar no aprendizado da geometria, pois as construções com régua e compasso são encontradas na época dos Pitagóricos, provavelmente no século V a.C. e tiveram grande importância no desenvolvimento da matemática grega.(WAGNER,1993) Os PCN’s apresentam o conteúdo de Geometria organizado em blocos e, em dois deles, Espaço e Forma e Grandezas e Medidas, recomenda-se que o trabalho com espaço e forma pressupões que o professor de Matemática envolva situações em que sejam necessárias construções geométricas com régua e compasso, e também é indicado no trabalho com grandezas e medidas a utilização de instrumentos de medida, como régua, escalímetro, transferidor, esquadro, etc. em função de situações-problema. Alguns matemáticos hoje, ainda desenvolvem trabalhos, com o tema Desenho Geométrico, Figuras Geométricas e Construções Geométricas. Em seu trabalho, Da régua e do compasso, Zuin (2001) faz uma investigação linear de tempo da aplicação e presença do ensino de Desenho Geométrico nas escolas de todos os níveis de ensino no Brasil, destacando e demonstrando sua importância para o estudo de Geometria. Ela verifica que este tema foi priorizado apenas em escolas profissionalizantes e, nas escolas regulares o Desenho Geométrico ficou em segundo plano. Na sua dissertação de Mestrado, Construção de Conceitos Matemáticos: investigando a importância do Desenho Geométrico, nos anos finais do ensino fundamental, Raymundo (2010), faz um levantamento no nível do ensino fundamental da necessidade do Desenho Geométrico e do descaso, pelas leis da utilização desse conteúdo nas escolas, o que segundo ela, daria um suporte maio no conhecimento geral de Geometria. Já no trabalho de Oliveira (2006), Importância do Desenho Geométrico, ele confirma o descaso com o estudo de Desenho Geométrico, e demonstra as conseqüências graves do ponto de vista da educação dos alunos, propondo assim, aos professores que retomem este conteúdo com os alunos. Wagner (2005), em seu livro Construções Geométricas, escrito para um curso de aperfeiçoamento de professores secundários, mostra a importância do Desenho Geométrico através de exemplos de construções motivadoras e intrigantes, levando os participantes do curso a uma reflexão sobre o abandono desse tema nas escolas e de sua importância no estudo de Geometria e em outros campos do conhecimento. Alguns trabalhos foram feitos na linha do resgate da conexão do desenho geométrico e geometria, mas o tema ainda carece de pesquisa e atenção. 3. O TRABALHO DE PESQUISA Na prática docente do ensino médio trabalha-se muito a Geometria como instrumento de visualização de figuras e sólidos, porém a preocupação em reconhecer neles os entes geométricos através da construção geométrica está ficando esquecida. Por isso este trabalho vem resgatar esta linha de raciocínio e prática, com as construções geométricas planas, auxiliando o estudo da Geometria Sólida no conhecimento dos elementos separadamente. Este trabalho foi realizado nos meses de agosto a novembro de 2009, em duas escolas particulares de Belo Horizonte, as quais chamaremos de escola Piloto e escola A. A escola Piloto foi a primeira a realizar as atividades e, nela foram detectados alguns pequenos problemas de redação e, após os devidos ajustes, foi feita a aplicação na escola A. 3.1 O MOMENTO DA SONDAGEM Nesse primeiro momento foi feita uma sondagem, através de um questionário, com 8 questões (Apêndice.....), para obter algumas informações sobre os sujeitos envolvidos na pesquisa. A sondagem tinha dois objetivos fundamentais: se o aluno conhece e já utilizou os instrumentos geométricos e qual o seu interesse pela participação nas atividades a serem propostas. A Questão 2, que sintetiza o primeiro objetivo, perguntava: Quetão 2 - Qual material você conhece e qual já utilizou? a) COMPASSO b) ESQUADRO 45 c) ESQUADRO 30/60 d) TRANSFERIDOR e) RÉGUA 30 cm f) GABARITO (formas) g) GABARITO (números) Pelas respostas desta questão, o pesquisador pode avaliar a falta de contato, por parte dos alunos, com alguns instrumentos, mas também pode verificar que uma minoria teve contato com todos os instrumentos listados. ( Tabela.... e Gráficos..........) Escola Piloto Escola A SIM PARA TODOS - 11 SIM PARA TODOS - 8 SIM PARA ALGUNS - 34 SIM PARA ALGUNS - 19 NÃO PARA TODOS - 0 NÃO PARA TODOS - 0 0% 24% Sim p/ todos Sim p/ alguns 76% Gráfico da pergunta 2 – Escola Piloto 0% 30% Sim p/ todos Sim p/ alguns 70% Gráfico da pergunta 2 – Escola A O pesquisador verificou que, entre os alunos que marcaram alguns instrumentos, três foram os mais indicados: esquadros, transferidor e gabaritos; os outros dois instrumentos, compasso e régua, os alunos foram unânimes em indicar que já utilizaram. Complementarmente, obteve-se a informação de que estes instrumentos foram usados com pouca freqüência na vida escolar deles e direcionados para alguma atividade específica de uma disciplina. A Questão 3 do questionário sintetiza o segundo objetivo, que tenta detectar o interesse dos alunos pela participação na pesquisa. Pedia-se ao aluno que respondesse com sim, ou não, à questão a seguir, e justificasse a resposta. Questão 3 - Você acha que seria importante este tipo de aula? Quase a totalidade dos alunos responderam sim nas duas escolas, apenas 1 aluno respondeu não. As justificativas às respostas mostradas nos Protocolos, a seguir, foram dadas por alunos da escola Piloto. Aluna L. - SIM Justificativa Aluna A.M. – SIM justificativa Aluno L – SIM Justificativa. Aluno M. Justificativa Podemos verificar que os alunos da escola A, além de demonstrarem interesse em aprender Desenho Geométrico, auxiliando a Geometria Sólida, demonstram também interesse no conteúdo vislumbrando conhecimento prévio para o seu curso superior, já escolhido. O pesquisador apresentou a resposta do aluno que respondeu NÃO ter interesse, para comentar que obteve dele informações de que não havia tido aula de Desenho Geométrico em sua vida acadêmica. Ele argumentou, num primeiro momento, que essas aulas poderiam comprometer outros conteúdos matemáticos do 2º. Ano do Ensino Médio, o qual ele estava cursando. O mais interessante é que, com o início da aplicação das Atividades de Desenho Geométrico, este mesmo aluno foi um dos destaques em participação e resultados. Reconheceu que, como não havia tido contato com Desenho, sua reação inicial foi de rejeição. Na Questão 7 do questionário, o pesquisador desejava verificar a aceitação dos alunos para a possibilidade de se executar o trabalho de pesquisa fora do horário de aula. O resultado mostrou que um número razoável de alunos tinha interesse em participar como sujeitos da pesquisa, mesmo tendo que retornar a escola fora do horário normal. Questão 7 - Se utilizarmos algumas aulas extras, à tarde, qual seria seu grau de interesse? Escola Piloto Escola A 100% a 80% – 23 alunos 100% a 80% – 12 alunos 80% a 50% – 15 alunos 80% a 50% – 11 alunos 50% a 30% – 4 alunos 50% a 30% – 4 alunos Menos de 30% – 3 alunos Menos de 30% – 0 alunos Ele detectou também que os alunos que não se direcionavam para o Vestibular nas áreas de exatas se apresentavam mais resistentes, demonstrando menor interesse pelas aulas extras e tarefas constituintes do desenvolvimento do trabalho. A Questão 8 se destina a ouvir os comentários livres de cada aluno. Questão 8 – Faça um pequeno comentário sobre o assunto abordado neste questionário. São apresentados abaixo alguns relatos de alunos, demonstrando sua posição, em relação ao questionário, ao conteúdo de Geometria e ao Desenho Geométrico. Na escola Piloto os 45 alunos da turma demonstraram interesse em participar das Atividades e, neste momento, os comentários de alguns deles são destacados. “Meu pai trabalha muito com desenho geométrico e o estudou em cursos técnicos. Desde pequena tive muito contato com os objetos da questão dois, e, gostando muito de desenho, sempre apresentei grande interesse pelo desenho geométrico. Dentro das áreas exatas a que mais me causa interesse é a geometria, pois através dela pode-se visualizar as questões e relacionar valores sem necessidade de muita abstração”. (Aluna A.M.) “Acho muito interessante fazer essas aulas de geometria porque podemos desenvolver nossas habilidades em desenhos, aprendemos a utilizar os diversos materiais e ainda adiantamos um pouco a matéria para o 3º. Ano. Para mim é mais importante ainda, pois pretendo fazer Engenharia Civil, e sei que o domínio da área de Geometria é essencial”. (aluna B.) “Acho que a complementação do estudo teórico com a prática de desenho geométrico durante todo o período escolar (desde crianças até o ensino médio), provavelmente melhoraria o desempenho dos alunos pois ajudaria o melhor entendimento a partir da vivência”. (aluna T.) Na escola A, vinte e cinco alunos da turma demonstraram estar interessados e consideravam importante participar das atividades, como registrado em alguns protocolos a seguir. “Gostaria muito de ter essas aulas pelo fato de não ter um conhecimento adequado da Geometria, que é muito utilizada em vários cursos superiores. Penso que as escolas deveriam adotar essas aulas para o bem dos alunos”. (aluno M.) “O assunto abordado é interessante, esse assunto seria uma maneira de os jovens se interessarem mais pela matemática, pois, essa matéria nós vamos utilizá-la até o fim da vida, está no nosso dia a dia”. (aluno M.) mas um aluno não demonstrou interesse “A utilização de instrumentos não é necessariamente precisa para o ensinamento do tema de Geometria, sendo mais própria para uso em estudos mais específicos, a nível universitário ou profissional”. (aluno M.) 3.2 OBJETIVOS INERENTES E FUTUROS DAS ATIVIDADES PROPOSTAS Em seguida foram aplicadas quatro atividades, primeiramente em uma das escolas, a qual foi considerada como piloto e, posteriormente, na segunda, denominada escola A, com as devidas correções, quando isto se fez necessário. QUADRO I – OBJETIVOS DAS ATIVIDADES DA PESQUISA ATIVIDADE I – POSIÇÕES RELATIVAS ENTRE RETAS Material utilizado - Compasso Objetivo inerente à própria Objetivo futuro, auxiliar a atividade Geometria Sólida - Obter um contato inicial com - Rever as posições relativas entre - Esquadro de 30 e 60 o material de Desenho Geo- - Esquadro de 45 metrico. - Régua de 30 cm - Conhecer e construir, com o retas. - Auxiliar na visualização de retas como arestas de figuras sólidas. - Transferidor uso de instrumentos de dese- - Entender que duas retas podem - Papel quadriculado nho, todas as posições relati- estar no espaço, com posições vas entre duas retas no plano relativas de retas no plano. ( paralelas, concorrentes e perpendiculares) . ATIVIDADE II – AS CEVIANAS E OS PONTOS NOTÁVEIS DE UM TRIÂNGULO Material utilizado - Compasso Objetivo inerente à própria Objetivo futuro, auxiliar a atividade Geometria Sólida - Aprofundar mais o contato - Auxiliar a visualização e obten- - Esquadro de 30 e 60 com os objetos de Desenho ção de centros de bases de pris- - Esquadro de 45 Geométrico. mas e pirâmides. - Régua de 30 cm - Rever a definição e construir, - Calcular medidas de apótemas - Transferidor com o auxílio de instrumen- da base de pirâmides triangula- - Papel quadriculado tos, as cevianas (mediana, res. bissetriz e altura), a mediatriz e os pontos notáveis de um - Resolver questões de sólidos envolvam triângulos. triângulo ( baricentro, incentro, circuncentro e ortocentro) ATIVIDADE III – POLÍGONOS REGULARES INSCRITOS EM UMA CIRCUNFERÊNCIA Material utilizado - Compasso - Esquadro de 30 e 60 Objetivo inerente à própria Objetivo futuro, auxiliar a atividade Geometria Sólida - Rever os tipos de polígonos, nomenclaturas e formas. - Auxiliar a visualização de bases poligonais de sólidos, inscritas - Esquadro de 45 - Traçar, com o auxílio de ins- em circunferências. - Régua de 30 cm trumentos, polígonos inscri- - Resolver problemas que envol- - Transferidor tos e circunscritos a uma cir- vam prismas/pirâmides e cir- - Papel quadriculado cunferência. ferência e, questões que envolvam cilindros/cones e polígonos ATIVIDADE IV – ISOMETRIA E HOMOTETIA Material utilizado - Compasso - Esquadro de 30 e 60 - Esquadro de 45 Objetivo inerente à própria Objetivo futuro, auxiliar a G. atividade Sólida - Rever as definições de isome- - Auxiliar a visualização de figutria e homotetia. - Traçar figuras semelhantes a ras obtidas de uma semelhante, denotando uma visão espacial. - Régua de 30 cm uma figura dada, por rotação, - Construir, no aluno, a idéia de - Transferidor translação ou reflexão. - Papel quadriculado projeção ortogonal e oblíqua. - Utilizar a homotetia para re- - Fixar a definição de prismas e duzir ou ampliar figuras. cilindros por projeção entre planos. Na primeira atividade intitulada Posições Relativas entre Retas pretendia-se levar o aluno a um contato com os instrumentos e a técnica do Desenho Geométrico. Foi uma atividade de grau fácil, pois o objetivo inicial era introduzi-los no universo do Desenho Geométrico. Pode-se verificar que na escola A, apesar de ser a primeira atividade, a aluna posiciona os instrumentos corretamente e, verifica-se também a deficiência de uma mesa apropriada para execução da atividade proposta. Foto 1 – Execução da atividade 1 na escola A Na segunda atividade As cevianas e os pontos notáveis de um triângulo pretendia-se levar o aluno a fixar alguns elementos fundamentais do triângulo, mostrando sua importância dentro da Geometria e, particularmente, a função desses elementos dentro da Geometria Sólida. Pode-se verificar que na foto abaixo, com a aplicação da atividade 2 na escola piloto, além de uma precariedade na mesa para execução da atividade, o aluno apresenta uma dificuldade em posicionar os instrumentos e executar o que foi solicitado pelo problema em questão. Foto 2 – Execução da atividade 2 na escola Piloto Na terceira atividade Polígonos regulares inscritos em uma circunferência pretendia-se levar o aluno a perceber a importância desses polígonos, mostrando sua importância dentro da Geometria e, particularmente, a função desses elementos dentro da Geometria Sólida, onde os poliedros tem como bases e laterais polígonos regulares e não-regulares. Podemos verificar, pela foto 3 que, durante a execução da terceira atividade, na escola A, os alunos já apresentam uma organização, um lê orientando a execução da atividade e o outro, com os instrumentos, executa a tarefa solicitada. Foto 3 – Execução da atividade 3 na escola A Na quarta e última atividade Isometria e Homotetia pretendia-se levar o aluno a perceber a idéia da perspectiva, mostrando sua importância dentro da Geometria e, particularmente, a importância dessas visualizações na construção da Geometria Sólida, pois, a definição dos sólidos geométricos pode ser dada pela projeção de um polígono contido em um plano num plano paralelo a ele. Podemos verificar pela foto 4, feita na escola Piloto, que os alunos já apresentam uma facilidade no manuseio dos instrumento e, apresentam um trabalho bem feito, com traços e manuseio ótimos. Durante a execução das atividades, como as duas escolas não tinham sala de Desenho, os alunos utilizaram as próprias carteiras escolares, o que no início prejudicou um pouco, mas que, nas últimas atividades não foi um empecilho para as execuções das atividades. Foto 4 – Execução da atividade 4 na escola A Em todas as atividades, feitas em duplas, houve uma mobilização dos alunos em fazer as atividades com muita concentração e esmero, principalmente no que se relaciona com o aspecto visual das construções. 3.3 TEORIAS DE SUPORTE DAS ATIVIDADES DA PESQUISA Desde o início desta pesquisa, foi dada atenção aos suportes teóricos, procurando orientações educacionais e didático-metodológicas, de cujos princípios foram feitas aproximações ao longo do seu desenvolvimento. O conjunto de Atividades foi organizado, aplicado e observado pelo professor/pesquisador à luz das teorias de Zabala (1998), Ponte (2003) e Polya (1995). Zaballa, (1998) define Sequências Didáticas como séries ordenadas e articuladas de atividades que formam as unidades didáticas. Primeiramente devemos escolher qual o tipo de tarefa, podendo ser a exposição de um tema, a observação, o debate, as provas, os exercícios, as aplicações, etc., sendo assim o elemento diferenciador das diversas metodologias ou maneiras de ensinar. A seqüência didática apresenta um alto grau de complexidade diante daquele modelo de aula tradicional que geralmente é expositivo, pois propicia uma diversidade de propostas, cuja dificuldade não se encontra nas fases da realização das tarefas e sim na elaboração das atividades. A seqüência do modelo tradicional tem a seguinte formatação: a) composição da lição; b) estudo individual sobre o livro didático; c) repetição do conteúdo aprendido( numa espécie de ficção de ter se apropriado dele e o ter compartilhado, embora não se esteja de acordo com ele), sem discussão ou ajuda recíproca; d) O julgamento ou sanção administrativa ( nota) do professor ou professora. Esse modelo não é tão simples quanto parece e configura-se como um ponto de partida com variações significativas das diversas maneiras de ensinar. A proposta de Zaballa é de colocar sobre a mesa instrumentos que permitam ao professor introduzir, nas variadas formas de intervenção, atividades que proporcionem uma melhora substancial de sua atuação na sala de aula, como resultado de um conhecimento com profundidade das variáveis e do papel que cada uma delas tem no processo de aprendizagem dos alunos. Um dos modelos de seqüência didática proposto por ele é do “estudo do meio” que se formata nas seguintes fases: a) atividade motivadora relacionada com uma situação conflitante da realidade experiencial dos alunos; b) explicação das perguntas ou problemas que esta situação coloca; c) respostas indutivas ou hipóteses; d) seleção e esboço das fontes de informação e planejamento da investigação; e) coleta, seleção e classificação dos dados; f) generalização das conclusões tiradas; g) expressão e comunicação. O pesquisador procurou orientar-se por estes princípios ao propor e estabelecer as atividades didáticas destinadas à experiência com o processo ensino-aprendizagem das EDL. Às vezes, pretendemos inicialmente com determinada atividade, que os alunos trabalhem certos conteúdos numa esfera mais conceitual. Mas, durante a aplicação da atividade, além das observações do pesquisador nesta direção, observamos que os alunos também usam algumas técnicas, algoritmos, diálogos, debates, fazem propostas, participam, respeitam a vez de o outro falar, etc... que são classificados como elementos que se distribuem pelas áreas de formação procedimental e/ou atitudinal, segundo Zabala (2007). Ele define a aprendizagem de uma forma sintética: A aprendizagem é uma construção pessoal que cada menino ou menina realiza graças à ajuda que recebem de outras pessoas. Esta construção através da qual podem atribuir significado a um objeto de ensino, implica a contribuição por parte da pessoa que aprende, de seu interesse e disponibilidade, de seus conhecimentos prévios e de sua experiência. (ZABALLA, 2007, p. 63). Para visualizar as três categorias referidas acima pelo autor, o quadro abaixo apresenta alguns tópicos de um possível caderno de campo em que a apresentação da situação problemática visava o aspecto conceitual, mas, a troca ou comparação de pontos de vistas entre os alunos permitiu observações de aspectos procedimentais e atitudinais, além do conceitual. (C = Conceitual; P = Procedimental; A = atitudinal.) 1 – Apresentação situação problemática C 2 – Diálogo professores/ alunos C P A 3 – Comparações pontos de vista C P A 4 – Conclusões C 5 – Generalização C 6 – Exercícios de memorização C 7 – Avaliação C P Nas aplicações das atividades de pesquisa da presente dissertação, foi possível observar que o apego a uma destas categorias dificultava, em algumas ocasiões, que o aluno tirasse conclusões ou alcançasse generalizações maiores. A intervenção do professor/pesquisador se fez na tentativa de auxiliar o aluno a raciocinar e executar as atividades de forma abrangente e mais completa. A leitura de Ponte (2003) permitiu ajudar a conduzir, de forma especial, o processo de aplicação das atividades desta pesquisa para uma linha investigativa. Pela orientação deste autor, é importante que o professor esteja atento para promover a investigação nas aulas de matemática e valorizar o papel dela no ensino e na aprendizagem dessa disciplina. Cabe ao docente criar condições necessárias para que elas aconteçam. O processo de investigação não consiste na exploração de problemas sofisticados e difíceis, mas implica na formulação de questões interessantes, sem respostas prontas, cuja procura das mesmas depende de uma fundamentação teórica e rigorosa. Ponte (2003) reflete da seguinte forma: Desse modo, investigar não representa trabalhar em problemas mais difíceis. Significa, pelo contrário, trabalhar com questões que nos interpelam e que se apresentam, no início, de modo confuso, mas que procuramos clarificar e estudar de modo organizado. (PONTE, 2003, p. 9). Nesse tipo de investigação são envolvidos, de forma natural, conceitos, procedimentos e representações matemáticas, onde se deve enfatizar as características da conjectura testedemonstração. Uma atividade investigativa constitui-se numa poderosa forma de construção de conhecimentos, mas o professor deve ficar atento neste tipo de tarefa em não promover uma simples aplicação de procedimentos repetitivos, não só em construir tabelas e obter regularidades, mas sim, dar condições ao aluno de desenvolver o seu lado cognitivo, criando um ambiente harmônico e propício para a aprendizagem desse aluno. Investigar significa procurar conhecer o que não se sabe. Consiste em “pesquisar e inquirir”, é realizar atividades que envolvam uma busca de informação. “Investigar é descobrir relações entre os objetos matemáticos conhecidos ou desconhecidos, procurando identificar as respectivas propriedades.” (PONTE, 2003, p. 13). Todo trabalho investigativo é pautado pela imprevisibilidade. Neste contexto, durante a pesquisa, o professor/pesquisador, ao explorar a tarefa a ser executada, estava sempre consciente de novas situações no decorrer da mesma, e quando isto ocorria, ele procurava imbuir-se de maior sensibilidade para enfrentar os acontecimentos inesperados e despertar o espírito investigativo do aluno. Segundo Ponte (2003), durante a investigação, o professor deve adotar uma postura interrogativa, cujas questões colocadas por ele devem visar a clarificação de idéias, promovendo a compreensão do assunto. Quando um aluno apresentar uma indagação, gerando um impasse no decorrer da tarefa, o professor deve saná-la com questionamentos abertos, inicialmente. Em seguida, levar esse aluno a uma melhor reflexão do problema. Posteriormente, as questões levantadas pelo professor devem ser transformadas em sugestões orientadoras das atividades dos alunos. A leitura de Polya (1995) orienta o professor a exercer o seu verdadeiro papel, ou seja, o de auxiliar do aluno na compreensão de um problema, e não de se colocar como alguém com o absoluto poder de validar ou não a resolução ou resposta. Ele faz a seguinte colocação sobre a compreensão de um problema: É uma tolice responder a uma pergunta que não tenha sido compreendida. É triste trabalhar para um fim que não se deseja. Essas coisas tolas e tristes fazem-se muitas vezes, mas cabe ao professor evitar que elas ocorram nas suas aulas. (POLYA, 1995, p.4). Polya (1995) considera que o aluno deve compreender o problema e ter algum interesse na sua resolução. Não se pode culpá-lo, caso isto não aconteça, pois a escolha do problema proposto deve ter um grau médio de dificuldade, de forma natural e interessante, com certa disponibilidade de tempo para a sua apresentação. O aluno deve ser condicionado a identificar as partes principais do problema que são: a incógnita, os dados e a condicionante que devem ser encarados pelos alunos sob vários pontos de vista, como por exemplo, traçar uma figura relacionada ao problema e nela indicar os dados e a incógnita. A compreensão do problema se faz, muitas vezes, em dois estágios: da familiarização e do aperfeiçoamento da compreensão. No decorrer da pesquisa, atentamos sempre para a observação de Polya (1995), quando afirma que na resolução de um problema, a maior dificuldade está na sua compreensão e no estabelecimento de um plano. Para vencer essas duas etapas, são necessários conhecimentos anteriores, bons hábitos mentais, concentração nos objetivos e, além disso, boa sorte. A execução do plano é menos tortuosa, requer maior paciência, pois os detalhes inseridos no roteiro geral gerado pelo plano devem ser examinados, calmamente, para que não dêem margem à ocultação de um erro. Assim, nesta pesquisa, o professor/pesquisador enfatizava para que o aluno verificasse cada passo, que não perdesse a sua idéia final concebida, analisando as possíveis restrições de cada problema. Para Polya, (1995), reexaminar a trajetória de resolução é muito importante. Depois de consignada a solução do problema ou a sua demonstração, é necessário que o aluno faça uma retrospectiva da resolução completa, fazendo reconsiderações, reexaminando o resultado final e o caminho percorrido para atingir esse feito, consolidando o seu conhecimento e aprimorando sua capacidade de resolver problemas. 3.4 ATIVIDADE 1: POSIÇÕES RELATIVAS ENTRE RETAS Nesse início os alunos tiveram dificuldade em interpretar as solicitações da atividade e com o manuseio do material geométrico. A atividade iniciou-se com um texto informativo sobre o tema, apresentando os elementos a serem executados na atividade depois a descrição das atividades em forma de atividade didática, a serem realizadas e, por fim uma questão dissertativa em que o aluno fez inferências sobre o trabalho. Abaixo temos a atividade e alguns casos interessantes de alunos: ATIVIDADE No..1 TEMA: Posições Relativas entre Retas TIPO: Sequência didática OBJETIVO: Conhecer e construir co uso de instrumentos de desenho, todas as posições relativas entre duas retas no plano, auxiliando as construções geométricas espaciais. TEXTO INFORMATIVO: As preocupações mais fundamentais com o que se pode chamar hoje de geometria de posição, como posições relativas entre retas, surgiram provavelmente de observações como a percepção de caminhos ou de ruas paralelas ou perpendiculares, distância entre cidades, cruzamentos de vigas, etc. Os pitagóricos (séc. VI a.C.) foram os primeiros a desenvolver estudos teóricos sobre a geometria de posição para organizar o que ocorria na prática, tanto na civilização grega quanto em outras importantes, como a egípcia e a babilônica. Esses estudos foram sistematizados na obra Os elementos, do matemático grego Euclides. Esses conhecimentos são importantes para a própria Matemática e também para as demais áreas do conhecimento, onde retas e pontos tem papel importante na linguagem, realização e execução de projetos. Duas retas distintas irão assumir as seguintes posições relativas no espaço: Retas paralelas: duas retas são paralelas se pertencerem ao mesmo plano (coplanares) e não possuírem ponto de intersecção ou ponto em comum. (r // s) Retas coincidentes: pertencem ao mesmo plano e possuem todos os pontos em comum. (r = s) Retas concorrentes: duas retas concorrentes possuem apenas um ponto comum. Não é necessário que pertençam ao mesmo plano. (r X s) Retas concorrentes: perpendiculares: são retas que possuem ponto em comum formando um ângulo de 90º. (r s) OBS: Se a perpendicular passar pelo ponto médio do segmento ela será uma mediatriz. MATERIAL NECESSÁRIO: - Compasso - Esquadro de 30 e 60 - Esquadro de 45 - Régua de 30 cm - Transferidor - Papel quadriculado DESENVOLVIMENTO: 1) TRAÇADO DE PARALELAS COM ESQUADROS Trace uma reta r em uma folha quadriculada. Posicione o esquadro de 45 com o lado maior alinhado com a reta traçada. Fixe o maior lado do esquadro de 60 em um dos lados do esquadro de 45. Deslize o esquadro de 45 sobre o esquadro de 60, traçando retas paralelas à reta r inicial. 2) TRAÇADO DE PARALELA COM COMPASSO Trace uma reta r e um ponto A fora dela em uma folha quadriculada. Posicione a ponta fixa do compasso no ponto A e trace um arco que intercepte a reta num ponto B pertencente à reta r. Posicione, agora, a ponta fixa do compasso no ponto B e, com o mesmo raio inicial, trace um arco que determine um ponto C na reta r. Posicionando agora, a ponta fixa do compasso em C, trace um arco que intercepte o arco inicial, obtendo o ponto D, interseção dos dois arcos ( o último e o primeiro). Trace uma reta que passe por A e D, que chamaremos de reta AD, paralela a reta r inicial. 3) TRAÇADO DE CONCORRENTES COM ESQUADRO Trace uma reta r na folha quadriculada. Posicionando um dos esquadros aleatoriamente, trace uma reta s que intercepte a reta r inicial, obtendo assim duas retas concorrentes. 4) TRAÇADO DE PERPENDICULARES COM ESQUADROS Trace uma reta r em uma folha quadriculada. Posicione o esquadro de 45 com o lado maior alinhado com a reta traçada. Fixe o maior lado do esquadro de 60 em um dos lados do esquadro de 45. Gire o esquadro de 45, com o esquadro de 60 fixo, apoiando agora o outro lado menor no esquadro de 60. Deslize o esquadro de 45 sobre o esquadro de 60 e trace, pelo maior lado do esquadro de 45, perpendiculares a reta r inicial. 5) TRAÇADO DE PERPENDICULAR COM COMPASSO Trace uma reta r na folha quadriculada e marque um ponto A sobre ela. Fixando a ponta fixa do compasso em A, trace dois arcos de mesmo raio, determinando na reta r dois pontos, B e C equidistantes de A. Fixando a ponta fixa do compasso em B e depois em C, trace dois arcos com raios iguais, porém com medida maior que AB, marque o ponto D, na interseção desses dois arcos. Trace uma reta ligando os pontos A e D, que chamaremos de AD, perpendicular a reta r inicial. 6) TRAÇADO DE UMA MEDIATRIZ Trace um segmento de reta AB na folha quadriculada. Posicione a ponta fixa do compasso nos pontos A e B, trace dois arcos (um acima e outro abaixo da reta) com raio maior que a metade do segmento, e obtenha os pontos C e D nas interseções desses arcos. Trace uma reta ligando os pontos C e D, ligando os pontos e obtenha uma reta CD perpendicular ao segmento AB inicial, que é a mediatriz do segmento. CONCLUSÃO: A partir do que foi estudado dê suas sugestões e/ou inferências sobre a atividade: Vamos observar dois exemplos um da escola 1 e um da escola 2, com as suas respectivas resoluções da atividade 1: Figura 1 – Atividade 1 feita por alunos da escola 1 No final dessa atividade foi proposta uma questão em que o aluno pudesse expressar suas conclusões a cerca do trabalho, vamos transcrever duas delas feitas por alunos da escola 1: “Essa atividade foi importante para ter mais noção de utilização de materiais, entendimento do espaço e percepção das possibilidades oferecidas pelo uso dos materiais estudados. Percebemos os conceitos estudados com maior facilidade” (Ana Maria) “Após a realização da atividade em questão, percebemos que o contato que tivemos com esse material durante a nossa formação acadêmica é insuficiente, tendo em vista importância da atividade”. (Letícia e Gabriella) Figura 2 – Atividade 1 feita por alunos da escola 2 Podemos observar que os alunos da escola 2, trabalharam com mais desenvoltura devido aos ajustes feitos, a conclusão feita pelo aluno será transcrita abaixo: “É interessante ter conhecimento sobre os diversos meios de utilização dos instrumentos matemáticos. Dependendo da necessidade, tais meios garantirão a resolução do problema, sem dispor de um método sofisticado, o que traz praticidade e realização”. (Mateus e Pedro) 3.5 ATIVIDADE 2: AS CEVIANAS E OS PONTOS NOTÁVEIS DE UM TRIÂNGULO Nessa segunda atividade, o objetivo era o de definir e reconhecer as cevianas (mediana, bissetriz e altura) através do desenho geométrico, pois suas construções levam os alunos a percebe-las com mais clareza dentro do estudo e importância do triângulo. Nessa atividade os alunos, apesar do grau de dificuldade maior, já demonstraram uma facilidade de manuseio e de interpretação das solicitações do problema. A atividade iniciou-se com um pequeno texto informativo sobre o tema, depois a descrição das atividades em forma de seqüência didática, a serem realizadas e, por fim uma questão dissertativa em que o aluno fez inferências sobre o trabalho. Abaixo temos a atividade e alguns casos interessantes de alunos: ATIVIDADE No..2 TEMA: As cevianas e os pontos notáveis de um triângulo TIPO: Sequência didática OBJETIVO: Conhecer e construir com o uso de instrumentos de desenho, todas as cevianas (mediana, bissetriz, altura e mediatriz) e os pontos notáveis de um triângulo (baricentro, incentro, ortocentro e circuncentro), auxiliando as construções geométricas espaciais. TEXTO INFORMATIVO: Ceviana é um segmento de reta que liga um vértice do triângulo ao lado oposto correspondente ou ao do seu prolongamento. São exemplos de cevianas a Mediana, a Altura e a Bissetriz. O nome vem do matemático italiano Giovanni Ceva, que formulou o Teorema de Ceva, que dá condições para que três cevianas sejam concorrentes. O encontro de duas alturas no triangulo é o ortocentro. o encontro de três medianas é o baricentro, o encontro das três bissetrizes é o incentro. É importante destacar também a Mediatriz, que apesar de não ser um ceviana, tem como encontro das três mediatrizes dos três lados do triângulo o circuncentro. MEDIANA é o segmento que une um vértice ao ponto médio do lado oposto (AM). (Fig. 9) BISSETRIZ é o segmento da bissetriz de um ângulo interno que tem por extremidades o vértice desse ângulo e o ponto de encontro com o lado oposto (B2). (Fig.10) ALTURA é o segmento da perpendicular traçada de um vértice à reta suporte do lado oposto, cujos extremos são esse vértice e o ponto de encontro com essa reta (A3). (Fig.11) MEDIATRIZ é a mediatriz de um de seus lados (m). (Fig.12) INCENTRO de um triângulo é o ponto de encontro das três bissetrizes do triângulo. É também o centro da circunferência inscrita no triângulo. BARICENTRO (do grego - baros "peso", do latim - centrum "centro de gravidade") de um triângulo é também chamado de centro de gravidade ou centróide. É o ponto de encontro das três medianas de um triângulo. É também o ponto que divide cada mediana do triângulo em duas partes: um terço a contar do lado e dois terços a contar do vértice. CIRCUNCENTRO de um triângulo é o ponto de encontro das mediatrizes dos lados do triângulo. O circuncentro pode ser interno ou externo ao triângulo. É também o centro da circunferência circunscrita ao triângulo. ORTOCENTRO de um triângulo é o ponto de encontro das três alturas do triângulo. O ortocentro pode ser interno ou externo ao triângulo. OBS: Se os 4 pontos notáveis são colineares, o triângulo é isósceles. Se os 4 pontos notáveis coincidem, o triângulo é eqüilátero. MATERIAL NECESSÁRIO: - Compasso - Esquadro de 30 e 60 - Esquadro de 45 - Régua de 30 cm - Transferidor - Papel quadriculado DESENVOLVIMENTO: 1) TRAÇADO DE MEDIANAS E DO BARICENTRO Trace um triângulo qualquer na folha com a régua de 30cm. Posicione a ponta fixa do compasso em um vértice e trace um arco com raio maior que a metade do lado, repita a operação para um vértice adjacente e marque o ponto de interseção dos dois arcos com o ponto A, ligue este ponto ao terceiro vértice e, obtenha no interior do triângulo um segmento chamado MEDIANA. Repita o procedimento para todos os vértices e encontre as três medianas, cada uma relativa a um vértice. Marque o ponto de interseção das três medianas com o ponto G, este é o baricentro. 2) TRAÇADO DE BISSETRIZES E DO INCENTRO Trace um triângulo qualquer na folha com a régua de 30cm. Posicione a ponta fixa do compasso em um dos três vértices e trace um arco que passe pelos dois lados adjacentes. Marque os pontos A e B nas interseções e, fixando a ponta fixa nesses pontos trace um arco por cada um deles e encontre o ponto de interseção C. Ligue o ponto C ao vértice, prolongando até o lado oposto obtem-se no interior do triângulo um segmento chamado BISSETRIZ. Repita o procedimento para todos os vértices e encontre as três bissetrizes, cada uma relativa a um vértice. Marque o ponto de interseção das três bissetrizes com o ponto I, este é o incentro. Trace a circunferência com centro em I e que tangencia um dos lados do triângulo. 3) TRAÇADO DE ALTURAS E DO ORTOCENTRO Trace um triângulo qualquer na folha com a régua de 30cm. Posicione o lado maior do esquadro de 45em um lado do triângulo, em seguida posicione o esquadro de 60 em outro lado do esquadro de 45. Gire o esquadro de 45 no esquadro de 60 e trace uma perpendicular ao lado do triângulo passando pelo vértice oposto, obtendo no interior do triângulo um segmento chamado ALTURA. Repita o procedimento para todos os lados e encontre as três alturas, cada uma relativa a um lado. Marque o ponto de interseção das três alturas com o ponto O, este é o ortocentro. 4) TRAÇADO DE MEDIATRIZES E DO CIRCUNCENTRO Trace um triângulo qualquer na folha com a régua de 30cm. Posicione a ponta fixa do compasso em um vértice e trace um arco com raio maior que a metade do lado, repita a operação para um vértice adjacente e marque o ponto de interseção dos dois arcos com o ponto A. Em seguida, posicione o lado maior do esquadro de 45 nesse lado do triângulo, depois posicione o esquadro de 60 em outro lado do esquadro de 45. Gire o esquadro de 45 no esquadro de 60 e trace uma perpendicular ao lado do triângulo passando pelo ponto A e, obtenha assim, no triângulo um segmento chamado MEDIATRIZ. Repita o procedimento para todos os lados do triângulo e encontre as três mediatrizes, cada uma relativa a um lado. Marque o ponto de interseção das três mediatrizes com o ponto C, este é o circuncentro. Trace a circunferência com centro em C e que passa por um dos vértices do triângulo. CONCLUSÃO: A partir do que foi estudado dê suas sugestões e/ou inferências sobre a atividade: Vamos observar dois exemplos um da escola 1 e um da escola 2, com as suas respectivas resoluções da atividade 2: Figura 3 – Atividade 2 feita por alunos da escola 1 No final dessa atividade foi proposta uma questão em que o aluno pudesse expressar suas conclusões a cerca do trabalho, vamos transcrever a que foi feita por um aluno da escola 1: “Com a atividade proposta, observamos como através de alguns materiais simples, é fácil descobrir vários segmentos dentro de um triângulo, sendo estes pontos extremamente importantes para a geometria”.(Marlon) Figura 4 – Atividade 2 feita por alunos da escola 2 Podemos observar que o aluno da escola 2, trabalhou com mais detalhamento e identificando os pontos notáveis do triângulo, a conclusão feita pelo aluno está transcrita abaixo: “Achamos muito interessante, pois podemos traçar bissetrizes e medianas com outros materiais. E achamos que esse trabalho deveria ser aplicado nas escolas”. (Aline e Lucas) 3.6 ATIVIDADE 3: POLÍGONOS REGULARES INSCRITOS EM UMA CIRCUNFERÊNCIA Nessa terceira atividade, o objetivo era o de traçar os polígonos regulares mais utilizados (triângulo eqüilátero, quadrado, hexágono regular e octógono regular) dentro de uma circunferência como apoio ao estudo de Geometria Sólida, especificamente de prisma e pirâmide. Nessa atividade os alunos, apesar do grau de dificuldade, já demonstraram uma habilidade e facilidade de manuseio e de interpretação das solicitações do problema. A atividade iniciou-se com um pequeno texto informativo sobre o tema, depois a descrição das atividades em forma de seqüência didática, a serem realizadas e, por fim uma questão dissertativa em que o aluno fez inferências sobre o trabalho. Abaixo temos a atividade e alguns casos interessantes de alunos: ATIVIDADE No..3 TEMA: Polígonos regulares inscritos em uma circunferência TIPO: Sequência didática OBJETIVO: Conhecer e construir com o uso de instrumentos de desenho, todos os principais polígonos inscritos em uma circunferência de raio r, auxiliando as construções geométricas espaciais. TEXTO INFORMATIVO: Polígonos regulares inscritos na circunferência Polígono regular é todo polígono que possui lados e ângulos congruentes entre si. O nome de um polígono regular será dado de acordo com seu número de lados. Nomenclatura POLÍGONOS CIRCUNSCRITOS E INSCRITOS Um polígono é dito circunscrito a uma circunferência, se os seus lados são tangentes à circunferência. Um polígono é dito inscrito em uma circunferência, se todos os seus vértices estão na circunferência. MATERIAL NECESSÁRIO: - Compasso - Esquadro de 30 e 60 - Esquadro de 45 - Régua de 30 cm - Transferidor - Papel quadriculado DESENVOLVIMENTO: 1) TRAÇADO DE UM TRIÂNGULO EQUILÁTERO Trace uma circunferência de raio r qualquer na folha com o compasso. Determine um ponto A qualquer na circunferência e trace o diâmetro AB, passando pelo centro O. Trace um arco de centro A e raio r e determine os pontos C e D na circunferência. Ligue com segmentos de reta os pontos B, C e D, obtendo o triângulo equilátero BCD. 2) TRAÇADO DE UM HEXÁGONO REGULAR Trace uma circunferência de raio r qualquer na folha com o compasso. Determine um ponto A qualquer na circunferência e trace o diâmetro AB, passando pelo centro O. Trace um arco de centro A e outro de centro B, ambos de raio r e determine os pontos C, D, E e F na circunferência. Ligue com segmentos de reta os pontos A, D, E, B, F e C, obtendo o hexágono regular ADEBFC. OBS: Os lados de um hexágono regular são iguais ao raio da circunferência 3) TRAÇADO DE UM QUADRADO Trace uma circunferência de raio r qualquer na folha com o compasso. Determine um ponto A qualquer na circunferência e trace o diâmetro AB, passando pelo centro O. Trace a mediatriz de AB e determine os pontos C e D na circunferência. Ligue com segmentos de reta os pontos A, C, B e D, obtendo o quadrado ACBD. 4) TRAÇADO DE UM OCTOGONO REGULAR Trace uma circunferência de raio r qualquer na folha com o compasso. Determine um ponto A qualquer na circunferência e trace o diâmetro AB, passando pelo centro O. Trace a mediatriz de AB e determine os pontos C e D na circunferência. Posicione a ponta fixa do compasso nos pontos A, C, D e B e, trace arcos de forma a encontrar pontos de interseção externos, obtenha uma reta que passa pela interseção dos arcos e pelo centro, chamado bissetriz do ângulo, marcando na circunferência os pontos E, F, G e H. Ligue com segmentos de reta os pontos A, E, C, F, B, G, D e H, obtendo o octógono AECFBGDH. CONCLUSÃO: A partir do que foi estudado dê suas sugestões e/ou inferências sobre a atividade: Vamos observar dois exemplos um da escola 1 e um da escola 2, com as suas respectivas resoluções da atividade 3: Figura 5 – Atividade 3 feita por alunos da escola 1 No final dessa atividade foi proposta uma questão em que o aluno pudesse expressar suas conclusões a cerca do trabalho, vamos transcrever a que foi feita por um aluno da escola 1: “Com este trabalho aprendemos que podemos formar polígonos perfeitos dentro de circunferências, fazendo um novo raciocínio de como figuras geométricas que se combinam. A atividade foi muito boa”. (Lucas e Mateus) Figura 10 – Atividade 3 feita por alunos da escola 2 Podemos observar que tanto o aluno da escola 1 como o aluno da escola 2, já demonstram trabalhar com mais esmero e atenção nas figuras, identificando a utilização e importância do Desenho Geométrico na construção de polígonos regulares a partir da circunferência. A conclusão feita pelo aluno da escola 2 está transcrita abaixo: “Trabalhar apenas com circunferência é um modo eficaz para se obter polígonos corretamente desenhados, com o conhecimento adequado. É interessante o desenvolvimento do desenho geométrico a partir de tais conhecimentos”. (Pedro e Mateus) 3.7 ATIVIDADE 4: ISOMETRIA E HOMOTETIA Nessa quarta atividade, o objetivo era o de despertar nos alunos a idéia de congruência e semelhança de figuras, proporcionando um direcionamento para as construções geométricas sólidas no espaço, onde os sólidos são visualizados através de desenhos com inclinações, permitindo a percepção de perspectivas espaciais. Nessa atividade, como era a última, os alunos, apesar do grau de dificuldade, já demonstraram uma satisfação e facilidade de manuseio e de interpretação das solicitações do problema. A atividade iniciou-se com um pequeno texto informativo sobre o tema, depois a descrição das atividades em forma de seqüência didática, a serem realizadas e, por fim uma questão dissertativa em que o aluno fez inferências sobre o trabalho. Abaixo temos a atividade e alguns casos interessantes de alunos: ATIVIDADE No..4 TEMA: Isometria e Homotetia TIPO: Sequência didática OBJETIVO: Traçar figuras semelhantes a uma figura dada através de rotação, translação ou relexão e, conhecer a homotetia que é um processo de redução ou ampliação de figuras, auxiliando as construções geométricas espaciais. TEXTO INFORMATIVO: Isometria é uma transformação geométrica que, aplicada a uma figura geométrica, mantém as distâncias entre pontos. Ou seja, os segmentos da figura transformada são geometricamente iguais aos da figura original, podendo variar a direcção e o sentido. Os ângulos mantêm também a sua amplitude. Existem isometrias simples e isometrias compostas. As isometrias simples podem ser rotações, translações e reflexões. O geómetra alemão Felix Klein no seu célebre programa de Erlangen (1872) sugeriu que a "simetria" (conceito que, em português, poderia ser mais fielmente traduzido por "isometria") seria o princípio organizador e unificador da geometria (na altura utilizava-se o termo "geometrias", no plural). Este é um princípio mais abrangente que axiomático. Inicialmente abriu caminho a investigações sobre grupos relacionados com as "geometrias"). Em consequência, estabeleceu-se o termo "transformação geométrica" (aspecto da Nova Matemática, mas muito controverso na prática matemática actual). Este conceito é, hoje, aplicado, sob várias formas, como um modelo aplicado na resolução de vários problemas. Homotetia significa ampliação ou redução das distâncias dos pontos de um espaço em relação a um ponto fixo. Uma homotetia é definida pelo seu centro O e pela razão k de homotetia e é a aplicação afim tal que a cada ponto P faz corresponder o ponto P' tal que: O termo é devido ao matemático francês Michel Chasles, em 1827, derivado do grego como composto de homo (similar) e tetia (posição). Uma homotetia preserva: ângulos razões entre segmentos de reta segmentos e linhas são transformados em segmentos e linhas paralelos aos originais MATERIAL NECESSÁRIO: - Compasso - Esquadro de 30 e 60 - Esquadro de 45 - Régua de 30 cm - Transferidor - Papel quadriculado DESENVOLVIMENTO: 1) CONSTRUÇÃO DO TRIÂNGULO A’B’C’ SIMÉTRICO AO TRIÂNGULO ABC Trace um triângulo ABC qualquer e uma reta vertical r, a direita do triângulo. Trace uma reta s perpendicular a r pelo ponto A. Com o compasso determine o ponto A’ em s tal que, a distância de A até r seja igual a distância entre A’ e r. Repita o processo para os pontos B e C, determinando B’ e C’, nas retas t e u. Ligue os pontos A’B’, B’C’ e A’C’, obtendo o triângulo semelhante a ABC. 2) CONSTRUÇÃO DE UM QUADRILÁTERO SIMÉTRICO POR ROTAÇÃO Trace um quadrilátero qualquer ABCD, por um dos vértices (por exemplo A) trace uma reta AA’ (para isso marque um ponto A’ na reta) com uma inclinação qualquer e, em seguida paralelas a ela pelos outros vértices. Nas paralelas traçadas, marque os pontos B’, C’ e D’ com um compasso, tal que AA’ = BB’ = CC’ = DD’. Trace A’B’, B’C’, C’D’ e D’A’ obtendo o quadrilátero A’B’C’D’, simétrico a ABCD. 3) CONSTRUÇÃO DE UM RETÂNGULO HOMOTÉTICO NA RAZÃO K =2 Trace um retângulo ABCD na folha, em seguida trace um ponto O à esquerda da figura. Trace retas que passam por O e pelos vértices do retângulo ABCD, no sentido da direita. Utilizando o compasso, determine A’ em AO de modo que OA’ = 2 . OA. Repita para os outros vértices, obtendo B’, C’ e D’. Ligue os pontos A’, B’, C’ e D’, obtendo o retângulo homotético a ABCD. 4) CONSTRUÇÃO DE UM TRIÂNGULO HOMOTÉTICO NA RAZÃO K = -3 Trace um triângulo ABC na folha, em seguida trace um ponto O à esquerda da figura. Trace retas que passam por O e pelos vértices do triângulo ABC, no sentido da esquerda. Utilizando o compasso, determine A’ em AO de modo que OA’ = 3 . OA. Repita para os outros vértices, obtendo B’ e C’. Ligue os pontos A’, B’ e C’, obtendo o triângulo homotético a ABC.. CONCLUSÃO: A partir do que foi estudado dê suas sugestões e/ou inferências sobre a atividade: Vamos observar dois exemplos um da escola 1 e um da escola 2, com as suas respectivas resoluções da atividade 4: Figura 6 – Atividade 4 feita por alunos da escola 1 No final dessa atividade foi proposta uma questão em que o aluno pudesse expressar suas conclusões a cerca do trabalho, vamos transcrever a que foi feita por uma dupla de alunos da escola 1: “A atividade realizada foi muito enriquecedora, uma vez que se baseia em conceitos importantes da Geometria e propicia uma maior interação com esta “área” específica da Matemática. Tal fato por sua vez, nos auxilia em assimilações importantes do nosso dia-dia, como as noções espaciais, por exemplo.”. (Ana e Letícia) Figura 7 – Atividade 4 feita por alunos da escola 2 No final dessa atividade foi proposta uma questão em que o aluno pudesse expressar suas conclusões a cerca do trabalho, vamos transcrever a que foi feita por uma dupla de alunos da escola 2: “A atividade permitiu um novo conceito geométrico sobre figuras homotéticas.A utilização de ferramentas (compasso, esquadro)permite estabelecer novos modelos com as relações desejadas, o que enriquece o estudo da Geometria.” (Kaíque e Mateus) 3.8 ANÁLISE DOS DADOS A análise dos dados feita pelo pesquisador, apesar de em alguns momentos apresentar os resultados das duas escolas pesquisadas, ambas têm o pesquisador como professor titular do conteúdo didático, em nenhum instante pretende indicar uma comparação entre elas, pois na primeira escola foram realizadas inicialmente as atividades, foi feito um pequeno ajuste, quando necessário e, posteriormente, aplicadas as mesmas atividades, porém ajustadas, na segunda escola. Na primeira atividade os alunos tiveram muita dificuldade por não terem o hábito de manusear os instrumentos de Desenho Geométrico, apesar da atividade ser simples, construção de retas paralelas, concorrentes e perpendiculares. Na escola 1 vários alunos deixaram a atividade incompleta e reclamaram de falta de orientação, por parte do professor, de como deveriam agir e desenhar. Na escola 2 alguns alunos também deixaram partes incompletas, porém em relação a autonomia no trabalho foi bem mais tranqüila. Nas duas escolas pude perceber uma enorme heterogeneidade, alguns alunos gostam e por isso se dedicam, primeiro em relação à disciplina Matemática e, segundo, em relação ao Desenho Geométrico. Alguns esqueceram o material, uma vez que, mesmo o professor avisando com antecedência, quais materiais deveriam ser levados, por ser primeira atividade a ser feita os alunos não tinham, ainda, o hábito desses instrumentos. Podemos observar isso em algumas observações feitas pelos próprios alunos: Figura 8 – Conclusão da atividade 1 de um aluno da Escola Piloto Figura 9 – Conclusão da atividade 1 de aluno da Escola Piloto Figura 10 – Conclusão da atividade 1 de aluno da Escola A Figura 11 – Conclusão da atividade 1 de aluno da Escola A Dos grupos que participaram na Escola Piloto, 50% deles conseguiram realizar a atividade sem dificuldades e 50% tiveram dificuldade, nesses casos foram detectados dois problemas, erros de interpretação e dificuldade em manusear os instrumentos, uma vez que, a maioria deles nunca havia deito nenhuma atividade ou aula com os referidos instrumentos (compasso, esquadro e transferidor). Na Escola A, 86% dos alunos conseguiram realizar a atividade sem dificuldades e 14% tiveram dificuldades, essas relativas a interpretação, ou seja, dificuldade em transferir da teoria para a prática, consequência também, de uma falta de aplicação em anos anteriores dos materiais utilizados na pesquisa. Vejamos os gráficos relativos às escolas, com suas frequências relativas, utilizadas pelo pesquisador por entender que dão uma visão melhor de relatividade com o universo pesquisado: Realiz. Total 50% 50% Realiz. Parcial Gráfico da Atividade 1 na Escola Piloto 14% Realiz. Total Realiz. Parcial 86% Gráfico da Atividade 1 na Escola A Esta atividade de no. 1 auxiliou a execução de exercícios de Geometria Sólida como podemos ver em alguns exemplos que foram aplicados em sala de aula, conforme abaixo: - Na Geometria de Posição, item 1 do capítulo de Geometria do livro texto dos alunos (GIOVANNI, 2000) no exercício número 10 os alunos puderam relembrar as idéias de retas paralelas, concorrentes e coincidentes, em um exercício que exigia uma visão espacial do objeto, que, segundo os próprios alunos foi facilitado pela 1ª. atividade executada no trabalho anterior ao estudo da geometria de posição, obtendo um rendimento excelente: Figura 12 – Exercício de Geometria Sólida - Na Geometria Espacial, item 3 do capítulo de Geometria do livro texto dos alunos (GIOVANNI, 2000) no exercício número 118 os alunos trabalharam a idéia de retas paralelas e perpendiculares, em um exercício que envolve o sólido prisma, em sua forma planificada, onde foi solicitado o volume do mesmo, os alunos obtiveram aí também excelentes resultados, relacionando o exercício a 1ª. atividade feita previamente: Figura 13 – Exercício de Geometria Sólida Na segunda atividade a curiosidade já foi aguçada de início, pois, os alunos não lembravam o que eram cevianas e os pontos notáveis de um triângulo. Após uma breve leitura do texto informativo, os alunos já começaram a se ambientar com o assunto da atividade e, iniciaram então uma grande expectativa em como, através de desenho geométrico obter tais segmentos e pontos. Isso ocorreu tanto na escola 1 como na 2. Em seguida, com o início da atividade, percebeu-se um grande interesse em executá-lo e os resultados foram muito bons. Podemos observar isso em algumas observações feitas pelos próprios alunos: Figura 14 – Conclusão da atividade 2 de aluno da Escola Piloto Figura 15 – Conclusão da atividade 2 de aluno da Escola Piloto Figura 16 – Conclusão da atividade 2 de aluno da Escola A Figura 17 – Conclusão da atividade 2 de aluno da Escola A Dos grupos que participaram na escola 1, 67% deles conseguiram realizar a atividade sem dificuldades e 33% tiveram dificuldade, nesses casos foram detectados dois problemas, erros de interpretação devido ao desconhecimento ou esquecimento inicial dos termos em estudo (cevianas, circuncentro, incentro e ortocentro), dificuldade em manusear os instrumentos e na construção dos objetos em estudo, em função das razões prepostas.. Na escola 2, 73% dos alunos conseguiram realizar a atividade sem dificuldades e 27% tiveram dificuldades relativas aos mesmos motivos da outra escola, só que menor intensidade, motivo pelo qual o desempenho foi um pouco melhor. Vejamos os gráficos relativos às escolas: 33% Realiz. Total Realiz. Parcial 67% Gráfico da Atividade 2 na Escola Piloto 27% Realiz. Total Realiz. Parcial 73% Gráfico da Atividade 2 na Escola A Esta atividade de no. 2 auxiliou a execução de exercícios de Geometria Sólida como podemos ver em alguns exemplos abaixo: - No estudo de Pirâmides, item 4 do capítulo de Geometria do livro texto dos alunos (GIOVANNI, 2000) no exercício número 2 os alunos, para resolver o problema têm que encontrar a medida da mediana da face, chamada de apótema da pirâmide (letra a) e encontrar a distância entre o ponto O, centro do triângulo da base (baricentro) e o ponto M , ponto médio do lado da base, essa distância é denominada apótema da base, no estudo de pirâmide. Figura 18 – Exercício de Geometria Sólida - Na Geometria Espacial, item 4, Tetraedros, do capítulo de Geometria do livro texto dos alunos (GIOVANNI, 2000) no exercício número 145 os alunos trabalharam com a idéia de projeção ortogonal do vértice de um tetraedro ser o centro da base, o baricentro do triângulo e determinaram a ceviana mediana, para encontrar a área total do sólido em questão: Figura 19 – Exercício de Geometria Sólida Na terceira atividade os alunos já estavam habituados com o manuseio dos instrumentos e por ser construção de polígonos regulares, ou seja, figuras que fazem parte do cotidiano deles, o interesse foi geral e todos trocaram idéias, entre si e com o professor. Esta atividade foi, com certeza, a mais satisfatória para os alunos e, aquela que eles tiraram maior proveito. Este interesse ocorreu nas escolas Piloto e A da mesma forma.. Figura 20 – Conclusão da atividade 3 de aluno da Escola Piloto Figura 21 – Conclusão da atividade 3 de aluno da Escola Piloto Figura 22 – Conclusão da atividade 3 de aluno da Escola A Figura 23 – Conclusão da atividade 3 de aluno da Escola A Dos grupos que participaram na escola 1 e na escola 2 , 100% deles conseguiram realizar a atividade sem dificuldades e nenhum teve dificuldade alguma em realiza-la. Essa situação se deve ao conhecimento prévio que os alunos tinham de figuras geométricas, triângulo, quadrado, hexágono e octógono, o que além de transmitir tranqüilidade, gerou um interesse pela realização da atividade, até então na percebida em nenhuma das atividades anteriores. Vejamos os gráficos relativos às escolas que, na realidade poderia ser um só, pois todos conseguiram realizar com total êxito a atividade: 0% Realiz. Total Realiz. Parcial 100% Gráfico 1 – Atividade 1 na Escola 1 0% Realiz. Total Realiz. Parcial 100% Gráfico 2 – Atividade 1 na Escola 2 Esta atividade de no. 3 auxiliou a execução de exercícios de Geometria Sólida como podemos ver em alguns exemplos abaixo: - Na Geometria Espacial, item 5, Cilindros, do capítulo de Geometria do livro texto dos alunos (GIOVANNI, 2000) no exercício número 3 os alunos utilizaram o conteúdo de polígonos inscritos em uma circunferência para resolver o problema, pois, na base do cilindro (círculo) está inscrita a base do prisma (quadrado), o aluno trabalhou com generalização, uma vez que, o problema não apresenta dados numéricos e sim, elementos comuns: Figura 25 – Exercício de Geometria Sólida - Na Geometria Espacial, item 3 do capítulo de Geometria do livro texto dos alunos (GIOVANNI, 2000) no exercício número 118 os alunos trabalharam a idéia de retas paralelas e perpendiculares, obtendo aí também excelentes resultados: Na quarta e última atividade os alunos ficaram um pouco apreensivos porque não sabiam ou lembravam o conteúdo sobre isometria e homotetia. Esse problema foi sanado após a leitura do texto informativo. Na execução da atividade foi muito interessante porque vários pontuavam sobre a visão espacial, ou seja, questionavam com o professor se não é devido a homotetia que surgiram as figuras em perspectiva, inclusive um aluno perguntou se esse conteúdo seria novamente trabalhado, pois ele pretendia prestar vestibular para Arquitetura e outra porque faria vestibular para Engenharia Civil. Podemos observar isso em algumas observações feitas pelos próprios alunos: Dos grupos que participaram na escola 1, 94% deles conseguiram realizar a atividade sem dificuldades e 6% tiveram dificuldade, nesses casos foram detectados problemas relativos ao desconhecimento ou esquecimento do conteúdo tratado nessa atividade. Na escola 2, 100% dos alunos conseguiram realizar a atividade sem dificuldades e nenhum teve dificuldade, isso se deve a habilidade que se construir durante a realização das atividades anteriores. Vejamos os gráficos relativos às escolas: 6% Realiz. Total Realiz. Parcial 94% Gráfico 1 – Atividade 1 na Escola 1 0% Realiz. Total Realiz. Parcial 100% Gráfico 2 – Atividade 1 na Escola 2 Esta atividade de no. 4 auxiliou a execução de exercícios de Geometria Sólida como podemos ver em alguns exemplos abaixo: - Na Geometria Espacial, item 3, Tronco de Pirâmides, do capítulo de Geometria do livro texto dos alunos (GIOVANNI, 2000) no exercício número 70, da página 421, os alunos utilizaram o conteúdo de homotetia para resolver o problema, pois, será obtido um tronco de pirâmide através da imagem do quadro retangular produzida no anteparo plano. Com a construção da idéia pela atividade de Desenho Geométrico os alunos tiveram mais facilidade em interpretar o enunciado e o desenho, tendo um desempenho tranqüilo na resolução do problema em questão: Figura 30 – Exercício de Geometria Sólida - Na Geometria Espacial, item 1, Prismas, do capítulo de Geometria do livro texto dos alunos (GIOVANNI, 2000) no exercício número 2, da página 274, os alunos utilizaram o conteúdo de isometria para dar um giro no sólido da questão (piscina) e verificar que com o giro de 90 a nova posição representa um prisma com bases formadas por um trapézio e um retângulo e, então calcular o volume do sólido, resolvendo o problema proposto: Figura 31 – Exercício de Geometria Sólida Com isso verificamos que os resultados da aplicação das atividades foram muito satisfatórios, no início houve um pequeno momento de apreensão, mas que foi diluído e transformado em alegria e conhecimento com a execução de todas as atividades. As atividade s foram executadas em aulas extras, onde os alunos vinham a escola fora de seu horário, normalmente à tarde, e logo após a aplicação das atividades, tanto na Escola Piloto, como na Escola A, estava previsto o início do estudo de Geometria Sólida pelo currículo escolar. Ambiente desenvolvido com a pesquisa O ambiente de trabalho, que foi criado com o manuseio de instrumentos de desenhos, gerando construções geométricas em sala, deu uma nova dinâmica às tarefas executadas pelos alunos. Muitos tiveram a oportunidade de mostrar suas habilidades pessoais no manuseio dos instrumentos e de compartilhá-las com os colegas. Também os conteúdos matemáticos eram relembrados e relacionados às construções geométricas. Como conseqüência deste ambiente, destacam-se atitudes e reações do grupo (interação, socialização, papel do professor) que podem ser comentadas a partir de elementos categóricos fundamentais presentes nas teorias propostas por Piaget (......) e Ponte(.....), entre outros teóricos. Interacionismo e Socialização A concepção interacionista do processo ensino-aprendizagem foi desenvolvida por algumas teorias de aprendizagem, que surgiram a partir do início do século XX e que buscaram superar as visões racionalistas e empiristas do conhecimento, explicando a aprendizagem através das trocas que o indivíduo realiza com o meio. É mediante essas trocas - e não a partir de um determinismo ambiental ou orgânico - que o indivíduo organiza o seu conhecimento sobre o real, ao mesmo tempo em que desenvolve a sua própria capacidade de conhecer, ou seja, ao mesmo tempo em que desenvolve as suas estruturas de conhecimento. Nessa pesquisa percebemos, explicitamente, a interação existente entre os sujeitos durante a coleta dos dados. Os diálogos, as trocas de informações, de instrumentos de desenho e as ajudas mútuas, em classe, ilustram, perfeitamente, a interação entre os alunos. O ambiente criado permitiu que novas relações (amizade, reconhecimento) fossem criadas entre alunos. As aprendizagens realizadas com o auxílio de instrumentos, e em ambientes de aprendizagem que tendem a ser colaborativos, reforçam a idéia de que o conhecimento se constrói de forma compartilhada, e que isto tem forte efeito motivador nos alunos. Durante a realização das atividades o professor também tem um papel importante no processo de interação, pois, é questionado sobre as potencialidades e funcionalidades dos instrumentos, bem como das justificativas matemáticas. O papel do professor nesse momento foi de mediar o desenvolvimento da aprendizagem dos alunos, incentivando-os a realizar investigações e a construir de seus próprios processos cognitivos, criando um ambiente favorável a dúvidas, questionamentos, acertos e erros. Também, as pessoas não vivem sozinhas, são seres sociais, necessitam de sugestões e aprovação de outros. Estas características fazem parte da essência do ser humano. O ambiente em que se trabalha de forma mais coletiva contribui para o exercício da convivência e o suprimento das necessidades individuais. Este ambiente propicia ao aluno benefícios no seu processo de aprendizagem. Para Piaget (1976): Do ponto de vista das relações interindividuais, a criança depois dos sete anos torna-se capaz de cooperar, porque não confunde mais seu próprio ponto de vista com o dos outros, dissociando-os mesmo para coordená-los. Isto é visível na linguagem entre crianças. As discussões tornam-se possíveis porque comportam compreensão e respeito aos pontos de vista do adversário e procuram justificação de provas para a afirmação própria. Durante a realização das atividades percebemos que essa socialização proporcionou interações, mas também algumas dificuldades ou desinteresses nos relacionamento foram verificadas entre alunos. Observou-se, no entanto, que os impasses foram se reduzindo, gradativamente, devido às necessidades de colaboração impostas pelo processo. Dessa forma, o desenvolvimento de pesquisa, que incentiva o trabalho nestes ambientes, apresenta uma relevância metodológica, didática, social, pedagógica e psicológica, na medida em que fornece uma proposta de utilização dos instrumentos como ferramenta para oportunizar um contato que desenvolve as relações sociais e afetivas, além de promover a análise de situações didáticas específicas de cada aluno. Limitações Pedagógicas do processo Apesar de todas as potencialidades apresentadas pelo ambiente colaborativo desta pesquisa, em que se manipulam instrumentos físicos de desenho, destacam-se algumas limitações técnicas e pedagógica. Atualmente, diante dos atrativos dos ambientes virtuais, professores, alunos e mesmo as instituições dedicam pouca atenção às construções geométricas manuais. A explicação deve-se a um deslumbramento com a automatização. Traçar um quadrado com um Software é tido como moderno e avançado, com régua e compasso é retrocesso. Alguns alunos sentiram-se cansados, fisicamente, ao manusear os instrumentos de desenho por algum tempo, ou mesmo prejudicados no manuseio deles. Um dos problemas encontra-se nos móveis de sala de aula. As carteiras e cadeiras das salas não são mais pensadas para aulas com instrumentos de desenho. A velocidade com que tudo acontece no mundo, como característica da vida moderna, desencoraja o professor a optar por trabalhar em um ambiente de construções artesanais. Como complemento, as cargas horárias das disciplinas são cada vez menores, justificadas, muitas vezes, pelo ritmo acelerado com que a informação circula. Realmente, são situações com as quais o professor de matemática se depara no mundo atual e não possui elementos, e, às vezes, nem infra-estrutura para dar suporte às suas escolhas didático-pedagógicas. Outra questão, mais séria, angustia o professor e antecede a esta: qual escolha didático-pedagógica, no contexto atual, é correta e adequada para o processo ensino aprendizagem da Matemática? As necessidades da humanidade, as pesquisas e as atentas observações ao longo do tempo estarão sempre indicando novos caminhos, então, a alternativa é estar bem informado e convicto no ato de uma escolha. Esta atitude moveu este pesquisador a propor a presente pesquisa. CONSIDERAÇÕES FINAIS Antes da experiência docente do professor pesquisador, através de sua vivência como Engenheiro Mecânico, atuando como desenhista e projetista, já havia um grande interesse no estudo da Geometria apoiada no Desenho Geométrico. Daí o interesse intrínseco de desenvolver um trabalho nessa área, a Geometria. Esse trabalho de pesquisa, voltado para o resgate do desenho com régua e compasso, através do Desenho Geométrico, demonstra este interesse e foi desenvolvido no curso médio de duas escolas particulares de Belo Horizonte (denominadas escolas Piloto e A), com o objetivo de auxiliar a visualização, compreensão e resolução de exercícios de Geometria Espacial ou Sólida, que é conteúdo obrigatório do 2º. Ano de Ensino Médio. O pesquisador buscava também verificar o conhecimento, vivência e aplicabilidade dos alunos em relação aos instrumentos de Desenho Geométrico, levando os alunos a uma aula “diferente”, lúdica que despertasse neles, ainda mais, o interesse pelo conteúdo de Geometria, que o pesquisador e alguns matemáticos em seus trabalhos acadêmicos consideram que este conteúdo está um pouco deixado de lados pelas escolas e pelos professores. (ZUIN, 2001) Antes de aplicação da seqüência de atividades, um questionário diagnóstico, com o objetivo de verificar o interesse e o grau de conhecimento prévio dos alunos em relação ao conteúdo, Desenho Geométrico, e em relação aos instrumentos, compasso, régua, esquadros, transferidor e gabaritos. O pesquisador ficou apreensivo pois, alguns alunos demonstraram pouco interesse em participar das atividades, porém, nas execuções, surpreendentemente, foram os que expressaram as melhores conclusões e obtiveram melhores resultados. Em seguida, foi aplicada nessas duas turmas do 2º. Ano do Ensino Médio, da escola Piloto e da escola A, as quatro atividades seguindo, parcialmente, as idéias de seqüência didática (ZABALLA, 1998). O pesquisador teve algumas dificuldades em relação a mesas para execução das atividades e inexperiências dos alunos no manuseio do material, num primeiro momento, mas a partir da segunda atividade os alunos começaram a desenvolver melhor o trabalho de pesquisa. No estudo para a construção da fundamentação teórica, foram feitas pesquisas de investigação em livros de visão geral da Geometria e, também, com livros didáticos de autores reconhecidos, em nível de ensino médio. O pesquisador construiu as atividades com olhar nas idéias investigativas de Polya, levando os alunos a resolver problemas e construir conhecimento. Durante o trabalho percebeu-se a importância de aulas que levem o aluno a construir elementos geométricos como uma forma de entendimento desse conteúdo, que é, definitivamente, encarado como difícil pelos alunos do Ensino Médio. Houve durante o trabalho um crescimento gradativo do interesse e do conhecimento, culminando numa melhora de rendimento no estudo posterior de Geometria Espacial. Essa melhora foi observada pelo pesquisador tanto em relação ao conteúdo de Geometria, quanto em relação ao manuseio dos instrumentos de Desenho Geométrico, quanto a interpretação e análise das atividades. Esse resgate do Desenho Geométrico através de construções com régua e compasso pode parecer, num primeiro momento, um retorno em relação a todo um desenvolvimento tecnológico e informatizado da educação e do ensino de Geometria e, esse pesquisador não quer contrariar esta linha de pensamento, pelo contrário ele quer agregar valores mostrando que, a utilização desses instrumentos e atividades pode levar nosso aluno a descobertas tão fascinantes quanto às feitas diante de um computador. Durante a aplicação das atividades e no momento de fazer as conclusões das mesmas, o professor aplicador pôde presenciar alunos escrevendo e manifestando o contentamento pelas descobertas feitas. Estas atividades foram realizadas em duplas, gerando a oportunidade de, em equipe, alcançar os resultados propostos e proporcionar uma troca de idéias e experiências nas execuções das tarefas. Muitos alunos associaram as execuções das atividades a um possível auxílio em sua vida profissional futura, uma vez que, vários pretendiam fazer um curso superior na área de exatas, já os outros alunos que pretendem fazer vestibular em outras áreas, biológicas e humanas, tasmbém demonstraram grande interesse na execução das mesmas. Desenvolver este projeto representou muito mais do que, simplesmente, obter novos conhecimentos e executar tarefas orientadas. Foi um momento de perceber que o ensino de Geometria pode ser feito de uma forma lúdica, interessante e, que podemos aprender esse conteúdo, que para alguns é muito complexo, utilizando instrumentos de desenho. As duas trajetórias, primeiramente na Escola Piloto e. em seguida na escola A, começaram cm muita dificuldade, mas com o passar do tempo se tornou muito prazerosa. Este pesquisador sabe que, ao encerrar este trabalho, ainda há muito a fazer e desenvolver para a facilitação do estudo de Geometria, porém com muito estudo e dedicação levaremos nossos alunos a atingir este grau de entendimento. Como o pesquisador era professor efetivo das duas turmas, Piloto e A, a idéia que ele deixou ao final do trabalho de pesquisa foi que todo conhecimento deve ser transmitido de forma a levar as pessoas a gostarem do que estão aprendendo, pois, só se aprende aquilo que se gosta e, só se gosta daquilo que se entende. REFERÊNCIAS ÁVILA, Geraldo. Revista do Professor de Matemática. Artigo. Editora da UFMG – Belo Horizonte, 2001. BOYER, C. B. História da matemática. Tradução de Elza F. Gomide. 2. ed. São Paulo: Edgard Blücher, 1996. BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais (Ensino Fundamental). Secretaria de Educação Média e Tecnológica - Brasília: MEC/SEMT, 1999. BRASIL. Orientações Curriculares para o Ensino Médio. Secretaria de Educação Básica – Brasília: MEC/SEB, 2006 BRIGHENTI, Maria J.L. Representações gráficas: atividades para o ensino e a aprendizagem de conceitos trigonométricos. Bauru, SP: EDUSC, 2003. CARAÇA, Bento de Jesus. Conceitos fundamentais da Matemática. 5ª. ed. Lisboa: Gradiva, 2003 DAVIS, Philip J.; HERSH, Reuben. A experiência Matemática. Lisboa: Gradiva, 1995. EVES, Howard. Introdução à história da Matemática. 2ª ed. Campinas: Editora da UNICAMP – São Paulo, 1997. FIORENTINI, Dario; LORENZATO, Sérgio. Investigação em educação matemática: percursos teóricos e metodológicos. Campinas, SP: Autores Associados, 2006. GIOVANNI, José Ruy; BONJORNO, José Roberto. Matemática:uma nova abordagem. Vol. 2 São Paulo: FTD, 2002. GIOVANNI, José R.; FERNANDES, Tereza M.; OGASSAWARA, Elenice L. Desenho Geométrico: novo. São Paulo: FTD, 2002. JORGE, Sônia. Desenho Geométrico Idéias & Imagens. 2ª. ed., Saraiva, São Paulo, 2002. LÁZARO, Coutinho. Convite às geometrias não-euclidianas. Rio de Janeiro: Interciência, 2001. POLYA, G. A arte de resolver problemas. 2. ed. Rio de Janeiro: Interciência, 1995. ROSSO Jr., Antônio Carlos; FURTADO, Patrícia. Matemática - uma ciência para a vida. Vol. 2 São Paulo: Harbra, 2011 WAGNER, Eduardo. Construções Geométricas. 5ª. Edição. Coleção do Professor de Matemática – SBM – Rio de Janeiro, 1993. ZABALLA, A. A prática educativa: como ensinar. reimpressão. São Paulo: Artmed, 2007. . . APÊNDICE CADERNO DE ATIVIDADES DE GEOMETRIA PLANA DESENHO GEOMÉTRICO Aluno: ________________________________________________ nº:_____ turma:__________ Disciplina:______________________ Profº:__________________ data:______________ Disciplina: Matemática – QUESTIONÁRIO Logomarca da escola Aluno (a): Série: Nº.: Turma: 1 - Você já teve aula utilizando material de desenho? ( ) SIM ( ) NÃO 2 - Qual material você conhece e qual já utilizou? a) Professor: Cláudio Antônio COMPASSO Conheço ( ) SIM Já utilizei ( ) SIM b) ESQUADRO 450 Conheço ( ) SIM Já utilizei ( ) SIM ( ) NÃO ( ) NÃO ( ) NÃO ( ) NÃO Data: c) ESQUADRO 300/600 Conheço ( ) SIM Já utilizei ( ) SIM d) TRANSFERIDOR Conheço ( ) SIM Já utilizei ( ) SIM e) f) RÉGUA 30 cm Conheço ( ) SIM Já utilizei ( ) SIM ( ) NÃO ( ) NÃO ( ) NÃO ( ) NÃO ( ) NÃO ( ) NÃO GABARITO (formas) Conheço ( ) SIM Já utilizei ( ) SIM g) GABARITO (números) Conheço ( ) SIM Já utilizei ( ) SIM 3 - Você acha que seria importante este tipo de aula? ( ( ) NÃO ( ) NÃO ( ) NÃO ( ) NÃO ) SIM ( ) NÃO Por quê? _________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ 4 – Você considera que traçar figuras poderia ter auxiliado no estudo de geometria? ( ) SIM ( ) NÃO 5 – Você conhece alguém que tem ou teve aula de desenho geométrico? ( ) SIM ( ) NÃO 6 – Você gostaria de ter aula de desenho geométrico, com construções utilizando os objetos da questão 2? ( ) SIM ( ) NÃO 7 – Se utilizarmos algumas aulas de 4a. Feira à tarde, qual seria seu grau de interesse? ( ) 100% a 80% ( ) 80% a 50% ( ) 50% a 30% ( ) menos de 30% 8 – Faça um pequeno comentário sobre o assunto abordado neste questionário. _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ ATIVIDADE No..1 TEMA: Posições Relativas entre Retas TIPO: Sequência didática OBJETIVO: Conhecer e construir co uso de instrumentos de desenho, todas as posições relativas entre duas retas no plano, auxiliando as construções geométricas espaciais. TEXTO INFORMATIVO: As preocupações mais fundamentais com o que se pode chamar hoje de geometria de posição, como posições relativas entre retas, surgiram provavelmente de observações como a percepção de caminhos ou de ruas paralelas ou perpendiculares, distância entre cidades, cruzamentos de vigas, etc. Os pitagóricos (séc. VI a.C.) foram os primeiros a desenvolver estudos teóricos sobre a geometria de posição para organizar o que ocorria na prática, tanto na civilização grega quanto em outras importantes, como a egípcia e a babilônica. Esses estudos foram sistematizados na obra Os elementos, do matemático grego Euclides. Esses conhecimentos são importantes para a própria Matemática e também para as demais áreas do conhecimento, onde retas e pontos tem papel importante na linguagem, realização e execução de projetos. Duas retas distintas irão assumir as seguintes posições relativas no espaço: Retas paralelas: duas retas são paralelas se pertencerem ao mesmo plano (coplanares) e não possuírem ponto de intersecção ou ponto em comum. (r // s) Retas coincidentes: pertencem ao mesmo plano e possuem todos os pontos em comum. (r = s) Retas concorrentes: duas retas concorrentes possuem apenas um ponto comum. Não é necessário que pertençam ao mesmo plano. (r X s) Retas concorrentes: perpendiculares: são retas que possuem ponto em comum formando um ângulo de 90º. (r s) OBS: Se a perpendicular passar pelo ponto médio do segmento ela será uma mediatriz. MATERIAL NECESSÁRIO: - Compasso - Esquadro de 30 e 60 - Esquadro de 45 - Régua de 30 cm - Transferidor - Papel quadriculado DESENVOLVIMENTO: 5) TRAÇADO DE PARALELAS COM ESQUADROS Trace uma reta r em uma folha quadriculada. Posicione o esquadro de 45 com o lado maior alinhado com a reta traçada. Fixe o maior lado do esquadro de 60 em um dos lados do esquadro de 45. Deslize o esquadro de 45 sobre o esquadro de 60, traçando retas paralelas à reta r inicial. 6) TRAÇADO DE PARALELA COM COMPASSO CONCLUSÃO: Trace uma reta r e um ponto A fora dela em uma folha quadriculada. Posicione a ponta fixa do compasso no ponto A e trace um arco que intercepte a reta num ponto B pertencente à reta r. Posicione, agora, a ponta fixa do compasso no ponto B e, com o mesmo raio inicial, trace um arco que determine um ponto C na reta r. Posicionando agora, a ponta fixa do compasso em C, trace um arco que intercepte o arco inicial, obtendo o ponto D, interseção dos dois arcos ( o último e o primeiro). Trace uma reta que passe por A e D, que chamaremos de reta AD, paralela a reta r inicial. 7) TRAÇADO DE CONCORRENTES COM ESQUADRO Trace uma reta r na folha quadriculada. Posicionando um dos esquadros aleatoriamente, trace uma reta s que intercepte a reta r inicial, obtendo assim duas retas concorrentes. 8) TRAÇADO DE PERPENDICULARES COM ESQUADROS Trace uma reta r em uma folha quadriculada. Posicione o esquadro de 45 com o lado maior alinhado com a reta traçada. Fixe o maior lado do esquadro de 60 em um dos lados do esquadro de 45. Gire o esquadro de 45, com o esquadro de 60 fixo, apoiando agora o outro lado menor no esquadro de 60. Deslize o esquadro de 45 sobre o esquadro de 60 e trace, pelo maior lado do esquadro de 45, perpendiculares a reta r inicial. 9) TRAÇADO DE PERPENDICULAR COM COMPASSO Trace uma reta r na folha quadriculada e marque um ponto A sobre ela. Fixando a ponta fixa do compasso em A, trace dois arcos de mesmo raio, determinando na reta r dois pontos, B e C equidistantes de A. Fixando a ponta fixa do compasso em B e depois em C, trace dois arcos com raios iguais, porém com medida maior que AB, marque o ponto D, na interseção desses dois arcos. Trace uma reta ligando os pontos A e D, que chamaremos de AD, perpendicular a reta r inicial. 10) TRAÇADO DE UMA MEDIATRIZ Trace um segmento de reta AB na folha quadriculada. Posicione a ponta fixa do compasso nos pontos A e B, trace dois arcos (um acima e outro abaixo da reta) com raio maior que a metade do segmento, e obtenha os pontos C e D nas interseções desses arcos. Trace uma reta ligando os pontos C e D, ligando os pontos e obtenha uma reta CD perpendicular ao segmento AB inicial, que é a mediatriz do segmento. A partir do que foi estudado dê suas sugestões e/ou inferências sobre a atividade: ATIVIDADE No..2 TEMA: As cevianas e os pontos notáveis de um triângulo TIPO: Sequência didática OBJETIVO: Conhecer e construir com o uso de instrumentos de desenho, todas as cevianas (mediana, bissetriz, altura e mediatriz) e os pontos notáveis de um triângulo (baricentro, incentro, ortocentro e circuncentro), auxiliando as construções geométricas espaciais. TEXTO INFORMATIVO: Ceviana é um segmento de reta que liga um vértice do triângulo ao lado oposto correspondente ou ao do seu prolongamento. São exemplos de cevianas a Mediana, a Altura e a Bissetriz. O nome vem do matemático italiano Giovanni Ceva, que formulou o Teorema de Ceva, que dá condições para que três cevianas sejam concorrentes. O encontro de duas alturas no triangulo é o ortocentro. o encontro de três medianas é o baricentro, o encontro das três bissetrizes é o incentro. É importante destacar também a Mediatriz, que apesar de não ser um ceviana, tem como encontro das três mediatrizes dos três lados do triângulo o circuncentro. MEDIANA é o segmento que une um vértice ao ponto médio do lado oposto (AM). (Fig. 9) BISSETRIZ é o segmento da bissetriz de um ângulo interno que tem por extremidades o vértice desse ângulo e o ponto de encontro com o lado oposto (B2). (Fig.10) ALTURA é o segmento da perpendicular traçada de um vértice à reta suporte do lado oposto, cujos extremos são esse vértice e o ponto de encontro com essa reta (A3). (Fig.11) MEDIATRIZ é a mediatriz de um de seus lados (m). (Fig.12) INCENTRO de um triângulo é o ponto de encontro das três bissetrizes do triângulo. É também o centro da circunferência inscrita no triângulo. BARICENTRO (do grego - baros "peso", do latim - centrum "centro de gravidade") de um triângulo é também chamado de centro de gravidade ou centróide. É o ponto de encontro das três medianas de um triângulo. É também o ponto que divide cada mediana do triângulo em duas partes: um terço a contar do lado e dois terços a contar do vértice. CIRCUNCENTRO de um triângulo é o ponto de encontro das mediatrizes dos lados do triângulo. O circuncentro pode ser interno ou externo ao triângulo. É também o centro da circunferência circunscrita ao triângulo. ORTOCENTRO de um triângulo é o ponto de encontro das três alturas do triângulo. O ortocentro pode ser interno ou externo ao triângulo. OBS: Se os 4 pontos notáveis são colineares, o triângulo é isósceles. Se os 4 pontos notáveis coincidem, o triângulo é eqüilátero. MATERIAL NECESSÁRIO: - Compasso - Esquadro de 30 e 60 - Esquadro de 45 - Régua de 30 cm - Transferidor - Papel quadriculado DESENVOLVIMENTO: 11) TRAÇADO DE MEDIANAS E DO BARICENTRO Trace um triângulo qualquer na folha com a régua de 30cm. Posicione a ponta fixa do compasso em um vértice e trace um arco com raio maior que a metade do lado, repita a operação para um vértice adjacente e marque o ponto de interseção dos dois arcos com o ponto A, ligue este ponto ao terceiro vértice e, obtenha no interior do triângulo um segmento chamado MEDIANA. Repita o procedimento para todos os vértices e encontre as três medianas, cada uma relativa a um vértice. Marque o ponto de interseção das três medianas com o ponto G, este é o baricentro. 12) TRAÇADO DE BISSETRIZES E DO INCENTRO Trace um triângulo qualquer na folha com a régua de 30cm. Posicione a ponta fixa do compasso em um dos três vértices e trace um arco que passe pelos dois lados adjacentes. Marque os pontos A e B nas interseções e, fixando a ponta fixa nesses pontos trace um arco por cada um deles e encontre o ponto de interseção C. Ligue o ponto C ao vértice, prolongando até o lado oposto obtem-se no interior do triângulo um segmento chamado BISSETRIZ. Repita o procedimento para todos os vértices e encontre as três bissetrizes, cada uma relativa a um vértice. Marque o ponto de interseção das três bissetrizes com o ponto I, este é o incentro. Trace a circunferência com centro em I e que tangencia um dos lados do triângulo. 13) TRAÇADO DE ALTURAS E DO ORTOCENTRO Trace um triângulo qualquer na folha com a régua de 30cm. Posicione o lado maior do esquadro de 45em um lado do triângulo, em seguida posicione o esquadro de 60 em outro lado do esquadro de 45. Gire o esquadro de 45 no esquadro de 60 e trace uma perpendicular ao lado do triângulo passando pelo vértice oposto, obtendo no interior do triângulo um segmento chamado ALTURA. Repita o procedimento para todos os lados e encontre as três alturas, cada uma relativa a um lado. Marque o ponto de interseção das três alturas com o ponto O, este é o ortocentro. 14) TRAÇADO DE MEDIATRIZES E DO CIRCUNCENTRO Trace um triângulo qualquer na folha com a régua de 30cm. Posicione a ponta fixa do compasso em um vértice e trace um arco com raio maior que a metade do lado, repita a operação para um vértice adjacente e marque o ponto de interseção dos dois arcos com o ponto A. Em seguida, posicione o lado maior do esquadro de 45 nesse lado do triângulo, depois posicione o esquadro de 60 em outro lado do esquadro de 45. Gire o esquadro de 45 no esquadro de 60 e trace uma perpendicular ao lado do triângulo passando pelo ponto A e, obtenha assim, no triângulo um segmento chamado MEDIATRIZ. Repita o procedimento para todos os lados do triângulo e encontre as três mediatrizes, cada uma relativa a um lado. Marque o ponto de interseção das três mediatrizes com o ponto C, este é o circuncentro. Trace a circunferência com centro em C e que passa por um dos vértices do triângulo. CONCLUSÃO: A partir do que foi estudado dê suas sugestões e/ou inferências sobre a atividade: ATIVIDADE No..3 TEMA: Polígonos regulares inscritos em uma circunferência TIPO: Sequência didática OBJETIVO: Conhecer e construir com o uso de instrumentos de desenho, todos os principais polígonos inscritos em uma circunferência de raio r, auxiliando as construções geométricas espaciais. TEXTO INFORMATIVO: Polígonos regulares inscritos na circunferência Polígono regular é todo polígono que possui lados e ângulos congruentes entre si. O nome de um polígono regular será dado de acordo com seu número de lados. Nomenclatura POLÍGONOS CIRCUNSCRITOS E INSCRITOS Um polígono é dito circunscrito a uma circunferência, se os seus lados são tangentes à circunferência. Um polígono é dito inscrito em uma circunferência, se todos os seus vértices estão na circunferência. MATERIAL NECESSÁRIO: - Compasso - Esquadro de 30 e 60 - Esquadro de 45 - Régua de 30 cm - Transferidor - Papel quadriculado DESENVOLVIMENTO: 5) TRAÇADO DE UM TRIÂNGULO EQUILÁTERO Trace uma circunferência de raio r qualquer na folha com o compasso. Determine um ponto A qualquer na circunferência e trace o diâmetro AB, passando pelo centro O. Trace um arco de centro A e raio r e determine os pontos C e D na circunferência. Ligue com segmentos de reta os pontos B, C e D, obtendo o triângulo equilátero BCD. 6) TRAÇADO DE UM HEXÁGONO REGULAR Trace uma circunferência de raio r qualquer na folha com o compasso. Determine um ponto A qualquer na circunferência e trace o diâmetro AB, passando pelo centro O. Trace um arco de centro A e outro de centro B, ambos de raio r e determine os pontos C, D, E e F na circunferência. Ligue com segmentos de reta os pontos A, D, E, B, F e C, obtendo o hexágono regular ADEBFC. OBS: Os lados de um hexágono regular são iguais ao raio da circunferência 7) TRAÇADO DE UM QUADRADO Trace uma circunferência de raio r qualquer na folha com o compasso. Determine um ponto A qualquer na circunferência e trace o diâmetro AB, passando pelo centro O. Trace a mediatriz de AB e determine os pontos C e D na circunferência. Ligue com segmentos de reta os pontos A, C, B e D, obtendo o quadrado ACBD. 8) TRAÇADO DE UM OCTOGONO REGULAR Trace uma circunferência de raio r qualquer na folha com o compasso. Determine um ponto A qualquer na circunferência e trace o diâmetro AB, passando pelo centro O. Trace a mediatriz de AB e determine os pontos C e D na circunferência. Posicione a ponta fixa do compasso nos pontos A, C, D e B e, trace arcos de forma a encontrar pontos de interseção externos, obtenha uma reta que passa pela interseção dos arcos e pelo centro, chamado bissetriz do ângulo, marcando na circunferência os pontos E, F, G e H. Ligue com segmentos de reta os pontos A, E, C, F, B, G, D e H, obtendo o octógono AECFBGDH. CONCLUSÃO: A partir do que foi estudado dê suas sugestões e/ou inferências sobre a atividade: ATIVIDADE No..4 TEMA: Isometria e Homotetia TIPO: Sequência didática OBJETIVO: Traçar figuras semelhantes a uma figura dada através de rotação, translação ou relexão e, conhecer a homotetia que é um processo de redução ou ampliação de figuras, auxiliando as construções geométricas espaciais. TEXTO INFORMATIVO: Isometria é uma transformação geométrica que, aplicada a uma figura geométrica, mantém as distâncias entre pontos. Ou seja, os segmentos da figura transformada são geometricamente iguais aos da figura original, podendo variar a direcção e o sentido. Os ângulos mantêm também a sua amplitude. Existem isometrias simples e isometrias compostas. As isometrias simples podem ser rotações, translações e reflexões. O geómetra alemão Felix Klein no seu célebre programa de Erlangen (1872) sugeriu que a "simetria" (conceito que, em português, poderia ser mais fielmente traduzido por "isometria") seria o princípio organizador e unificador da geometria (na altura utilizava-se o termo "geometrias", no plural). Este é um princípio mais abrangente que axiomático. Inicialmente abriu caminho a investigações sobre grupos relacionados com as "geometrias"). Em consequência, estabeleceu-se o termo "transformação geométrica" (aspecto da Nova Matemática, mas muito controverso na prática matemática actual). Este conceito é, hoje, aplicado, sob várias formas, como um modelo aplicado na resolução de vários problemas. Homotetia significa ampliação ou redução das distâncias dos pontos de um espaço em relação a um ponto fixo. Uma homotetia é definida pelo seu centro O e pela razão k de homotetia e é a aplicação afim tal que a cada ponto P faz corresponder o ponto P' tal que: O termo é devido ao matemático francês Michel Chasles, em 1827, derivado do grego como composto de homo (similar) e tetia (posição). Uma homotetia preserva: ângulos razões entre segmentos de reta segmentos e linhas são transformados em segmentos e linhas paralelos aos originais MATERIAL NECESSÁRIO: - Compasso - Esquadro de 30 e 60 - Esquadro de 45 - Régua de 30 cm - Transferidor - Papel quadriculado DESENVOLVIMENTO: 1) CONSTRUÇÃO DO TRIÂNGULO A’B’C’ SIMÉTRICO AO TRIÂNGULO ABC Trace um triângulo ABC qualquer e uma reta vertical r, a direita do triângulo. Trace uma reta s perpendicular a r pelo ponto A. Com o compasso determine o ponto A’ em s tal que, a distância de A até r seja igual a distância entre A’ e r. Repita o processo para os pontos B e C, determinando B’ e C’, nas retas t e u. Ligue os pontos A’B’, B’C’ e A’C’, obtendo o triângulo semelhante a ABC. 2) CONSTRUÇÃO DE UM QUADRILÁTERO SIMÉTRICO POR ROTAÇÃO Trace um quadrilátero qualquer ABCD, por um dos vértices (por exemplo A) trace uma reta AA’ (para isso marque um ponto A’ na reta) com uma inclinação qualquer e, em seguida paralelas a ela pelos outros vértices. Nas paralelas traçadas, marque os pontos B’, C’ e D’ com um compasso, tal que AA’ = BB’ = CC’ = DD’. Trace A’B’, B’C’, C’D’ e D’A’ obtendo o quadrilátero A’B’C’D’, simétrico a ABCD. 5) CONSTRUÇÃO DE UM RETÂNGULO HOMOTÉTICO NA RAZÃO K =2 Trace um retângulo ABCD na folha, em seguida trace um ponto O à esquerda da figura. Trace retas que passam por O e pelos vértices do retângulo ABCD, no sentido da direita. Utilizando o compasso, determine A’ em AO de modo que OA’ = 2 . OA. Repita para os outros vértices, obtendo B’, C’ e D’. Ligue os pontos A’, B’, C’ e D’, obtendo o retângulo homotético a ABCD. 6) CONSTRUÇÃO DE UM TRIÂNGULO HOMOTÉTICO NA RAZÃO K = 3 Trace um triângulo ABC na folha, em seguida trace um ponto O à esquerda da figura. Trace retas que passam por O e pelos vértices do triângulo ABC, no sentido da esquerda. Utilizando o compasso, determine A’ em AO de modo que OA’ = 3 . OA. Repita para os outros vértices, obtendo B’ e C’. Ligue os pontos A’, B’ e C’, obtendo o triângulo homotético a ABC.. CONCLUSÃO: A partir do que foi estudado dê suas sugestões e/ou inferências sobre a atividade: ANEXOS Algumas fotos foram tiradas nas execuções dos trabalhos dos alunos das escolas 1 e 2. Fotos tiradas na Escola Piloto Fotos tiradas na Escola A