1 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES Pró-Reitoria de Planejamento e Desenvolvimento Diretoria de Projetos Especiais Projeto “A Vez do Mestre” INTELIGÊNCIA EMOCIONAL Autor: Carla de Oliveira Cler Orientador: Antônio Fernando Vieira Ney Rio de Janeiro Agosto, 2002 2 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES Pró-Reitoria de Planejamento e Desenvolvimento Diretoria de Projetos Especiais Projeto “A Vez do Mestre” INTELIGÊNCIA EMOCIONAL CARLA DE OLIVEIRA CLER Trabalho monográfico apresentado como requisito parcial para a obtenção do grau em Especialização em Psicopedagogia. Rio de Janeiro Agosto, 2002 3 Dedico este trabalho aos meus familiares, principalmente a minha mãe que nunca deixou de acreditar em mim. 4 Agradecimentos À minha família; ao meu querido Thiago – por estar presente em todos os momentos; a Tânia Gama – por ter iluminado meu caminho nos momentos de dificuldade; ao meu amigo Osmar – que foi o meu grande incentivador e companheiro em mais uma caminhada, aos professores e colegas. 5 A verdadeira educação consiste em pôr a descoberta o melhor de uma pessoa. Mahatma Gandhi 6 SUMÁRIO INTRODUÇÃO.....................................................................................................................8 CAPÍTULO I - INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS.....................................................................9 1.1 – Conceito......................................................................................................................9 1.2 – Histórico....................................................................................................................10 1.3 - A Teoria das Inteligências Múltiplas..........................................................................11 1.4- As Oito Inteligências..................................................................................................12 CAPÍTULO II - A EMOÇÃO...............................................................................................16 2.1- O que é emoção? ......................................................................................................17 2.2 - A importância das emoções.......................................................................................19 2.2.1 – As funções da emoção...........................................................................................19 2.3 – O que é inteligência emocional? ..............................................................................20 2.4 – O papel dos pais na educação emocional................................................................22 2.4.1 – Quando os problemas são os pais.........................................................................24 2.5 – Conseqüências do Abandono Emocional.................................................................25 CAPÍTULO III - ALFABETIZAÇÃO EMOCIONAL..............................................................26 3.1 – As Origens da Aprendizagem Emocional.................................................................28 3.2 – Um Processo Continuo e Eficaz...............................................................................28 3.3 – Treinamento Emocional na Escola...........................................................................29 3.4 – A Escola Emocional..................................................................................................29 CONCLUSÃO....................................................................................................................34 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...................................................................................36 7 RESUMO Por muito tempo se acreditou no QI como a única medida válida de inteligência. A Teoria das Inteligências Múltiplas surgiu para mudar este conceito sobre a inteligência. A emoção que era vista como algo inconveniente e até inaceitável, em certos ambientes, como a escola, passa a ter um papel preponderante. A partir dos trabalhos de Daniel Goleman, a Inteligência Emocional ganhou uma importância muito pronunciada. Estudiosos vêem desenvolvendo programas de alfabetização emocional, visando desenvolver nas crianças, habilidades emocionais, para que possam ser adultos mais saudáveis e mais integrados. Outra questão apresentada é a educação dos filhos, visto que, nos primeiros anos de vida que são desenvolvidas as habilidades emocionais básicas para o estabelecimento dos fundamentos de uma escolaridade mais humanizada e equilibrada. 8 INTRODUÇÃO A inteligência e a capacidade de aprender sempre foram mais valorizadas do que outras qualidades humanas. No entanto, isoladamente, a inteligência não constitui o valor de um ser humano. Através de estudos realizados, durante a década de 80, pode-se afirmar que a sociedade estava sofrendo de um grande mal-estar social. Os indicadores mostravam que, principalmente, as crianças estavam sendo vítimas de um grande desconforto emocional. Ficou constatado que há uma tendência mundial da atual geração infantil de ser mais sujeita a perturbações emocionais que a geração anterior. Essas crianças estão propensas a serem mais solitárias e deprimidas, mais revoltadas e rebeldes, mais nervosas, mais impulsivas e agressivas. Certamente todas essas perturbações influenciarão na aprendizagem. O objetivo deste trabalho é estudar como a escola poderá trabalhar com as emoções de alunos, com idade pré-escolar, e como será possível desenvolver habilidades emocionais básicas para que esse alunos se tornem mais sociáveis e automotivados. Esta pesquisa será baseada na teoria da Inteligência Emocional, desenvolvida pelo psicólogo Daniel Goleman. 9 CAPÍTULO 1 INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS 1.1-CONCEITO A primeira definição dada por Howard Gardner sobre o conceito de Inteligência: é a capacidade de resolver problemas, compreender idéias, interpretar informações transformando-as em conhecimento e, também, a capacidade de criar. Para Alfred Binet, existe na inteligência uma faculdade fundamental, cuja alteração ou ausência é da mais extrema importância para a vida prática. Esta faculdade é o julgamento, também chamado de bom senso, iniciativa, faculdade de adaptação de si mesmo às circunstâncias. Para o bom julgamento, a boa compreensão e bom raciocínio, essas são atividades essenciais da inteligência. Depois de duas décadas do nascimento da teoria das Inteligências Múltiplas, Gardner apresenta uma definição mais refinada do conceito de inteligência "como um potencial biopsicológico, para processar informações, que pode ser ativado em um cenário cultural para solucionar problemas ou criar produtos que sejam valorizados em uma cultura" 1. As questões que permeiam a natureza do conhecimento e o desenvolvimento da inteligência no ser humano têm sido estudadas por muitas pessoas, e por este motivo, não se pode ainda encontrar uma definição universalmente aceita deste 2- Gardner, Howard. Inteligências Múltiplas: a teoria na prática. Porto Alegre: Artmed, 1993. conceito. 10 1.2 – HISTÓRICO No início do século XX, as autoridades francesas solicitaram a Alfredo Binet, psicólogo francês, que criasse um instrumento pelo qual se pudesse prever quais as crianças que teriam sucesso nos liceus parisienses. O instrumento criado por Binet, testava a habilidade das crianças nas áreas verbal e lógica, já que os currículos acadêmicos dos liceus enfatizavam, sobretudo o desenvolvimento da linguagem e da matemática. Este instrumento deu origem ao primeiro teste de inteligência, na Universidade de Standford, na Califórnia: o Standford-Binet Intelligence Scale. Surgiu o teste de QI (Quociente Intelectual) e esta moda parisiense logo chegou aos Estados Unidos. O maior entusiasmo com a medida aconteceu na primeira guerra mundial, quando o instrumento foi utilizado para medir a inteligência dos soldados e em seguida, aplicada na população em geral. Aqueles que obtivessem pontos acima de 130 eram considerados superdotados. Subseqüentes testes de inteligência e a comunidade de psicometria tiveram enorme influência, durante este século, sobre a idéia que se tem de inteligência, embora o próprio Binet, tenha declarado que um único número, derivado da performance de uma criança em um teste, não poderia retratar uma questão tão complexa quanto à inteligência humana. As pesquisas em desenvolvimento cognitivo e neuropsicológico sugerem que as habilidades cognitivas são bem mais diferenciadas e mais especificas do que se acreditava. Neurologistas têm documentado que o sistema nervoso humano não é um órgão com propósito único nem tão pouco é infinitamente plástico. Acredita-se, que o sistema nervoso seja altamente diferenciado e que diferentes centros neurais processem diferentes tipos de informação. 11 Howard Gardner, psicólogo da Universidade de Harvard, baseou-se nestas pesquisas para questionar a tradicional visão da inteligência, uma visão que enfatiza as habilidades lingüística e lógico - matemática. Este autor tem investigado, desde meados da década de 70, as questões da ciência e é o responsável pelo alargamento do conceito de inteligência, fundamentando sua teoria nas funções cerebrais. A partir de achados da psicologia e da neurociência, Gardner compreendeu a organização cerebral como uma multiplicidade de competências. Segundo ele, nos últimos 50 anos os conhecimentos da mente e do cérebro modificaram-se fundamentalmente. Sabese hoje que a mente humana, refletindo a estrutura do cérebro, compõe-se de módulos ou faculdades. Segundo Gardner, todos os indivíduos normais são capazes de uma atuação em pelo menos sete diferentes e, até certo ponto, independentes áreas intelectuais. Ele sugere que não existem habilidades gerais, duvida da possibilidade de se medir a inteligência através de testes de lápis e papel e dá grande importância a diferentes atuações valorizadas em culturas diversas.2 1.3) A TEORIA DAS INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS A Teoria das Inteligências Múltiplas representa o estágio mais elevado das descobertas cognitivas. A origem da teoria se deu, com o acompanhamento do desempenho de alunos fracos, e Gardner se surpreendeu com o sucesso obtido por eles. Gardner passou então a questionar a avaliação escolar, cujos critérios não incluem a análise de capacidades que, no entanto, são importantes na vida das pessoas. Concluiu que as formas convencionais de avaliação apenas traduziam a concepção de inteligência vigente na escola, limitada à valorização da competência lógico - matemática e lingüística. 2 (idem, p. 20) 12 Gardner trabalhou no sentido inverso ao desenvolvimento, retroagindo para eventualmente chegar às inteligências que deram origem a tais realizações. Na sua pesquisa, Gardner estudou também: A) o desenvolvimento de diferentes habilidades em crianças normais e crianças superdotadas; B) adultos com lesões cerebrais e como estes não perdem a intensidade de sua produção intelectual, mas sim uma ou algumas habilidades, sem que outras habilidades sejam sequer atingidas; C) população dita excepcional, tais como idiot-savants3 e autistas, e como os primeiros podem dispor de apenas uma competência, sendo bastante incapazes nas demais funções cerebrais, enquanto as crianças autistas apresentam ausências nas suas habilidades intelectuais; D) como se deu o desenvolvimento cognitivo através dos milênios. Gardner demonstrou, que as demais faculdades também são produtos de processos mentais e que não há motivo para diferenciá-las do que geralmente se considera inteligência. Assim, ele ampliou o conceito de inteligência única para o de um feixe de capacidades e conceituou inteligência como "a capacidade de resolver problemas ou elaborar produtos valorizados em um ambiente cultural ou comunitário".4 O potencial das inteligências varia extremamente de pessoa para pessoa e esses espectros são assim diversificados pela integração de fatores genéticos e estímulos ambientais desenvolvidos dentro e fora da realidade escolar. A teoria das Inteligências Múltiplas não repudia a existência de uma inteligência geral, mas, sim, a concepção de que o saber humano se expressa através de apenas uma ou duas linguagens diferentes. A existência de problemas com disfunções cerebrais podem afetar uma ou algumas inteligências sem que exista um comprometimento integral. Assim, pessoas com privações de várias ordens podem não evoluir bem na compreensão em geometria e em geografia, mais relacionadas a atividades cerebrais do hemisfério direito, mas podem, em 3 (Idiot savant = Idiotas sábios.) 4 (idem, p. 14) 13 contraste, atingir nível médio ou excelente de progresso na aprendizagem de línguas, história ou filosofia que envolve funções predominantemente do hemisfério cerebral esquerdo; cada inteligência pode ser notada através de diferentes manifestações e estas, poderiam ser consideradas sub-inteligências. O valor social de uma determinada inteligência subordina-se à cultura em que o indivíduo é criado. Desta maneira, algumas culturas valorizam extremamente a inteligência musical, outras a lingüística ou ainda outras. É importante que a educação das inteligências não privilegie o destaque específico de uma ou de algumas em relação às demais, sempre envolvemos mais de uma habilidade na solução de problemas, embora existam predominâncias. Nosso cérebro é um órgão que se compromete pelo desuso e, assim, as manifestações das diferentes inteligências precisam de estímulos da vida prénatal até idades bastante avançadas. 1.4) AS OITO INTELIGÊNCIAS Em 1983, Gardner definiu sete inteligências: a lógico - matemática, a lingüística, a espacial, a corporal - cinestésica, a interpessoal, a Intrapessoal e a musical. Recentemente, Gardner definiu mais uma inteligência, a naturalista. Inteligência Lingüística - Os componentes centrais da inteligência lingüistica são uma sensibilidade para os sons, ritmos e significados das palavras, além de uma especial percepção das diferentes funções da linguagem. É a habilidade para usar a linguagem para convencer, agradar, estimular ou transmitir idéias. Gardner indica que é a habilidade exibida na sua maior intensidade pelos poetas. Em crianças, esta habilidade se manifesta através da capacidade para contar histórias originais ou para relatar, com precisão, experiências vividas. 14 Inteligência Musical - Esta inteligência se manifesta através de uma habilidade para apreciar, compor ou reproduzir uma peça musical. Inclui discriminação de sons, habilidade para perceber temas musicais, sensibilidade para ritmos, texturas e timbre, e habilidade para produzir e/ou reproduzir música. A criança pequena com habilidade musical especial percebe desde cedo diferentes sons no seu ambiente e, freqüentemente, canta para si mesma. Inteligência Lógico-matemática - Os componentes centrais desta inteligência são descritos por Gardner como uma sensibilidade para padrões, ordem e sistematização. É a habilidade para explorar relações, categorias e padrões, através da manipulação de objetos ou símbolos, e para experimentar de forma controlada; é a habilidade para lidar com séries de raciocínios, para reconhecer problemas e resolvê-los. É a inteligência característica de matemáticos e cientistas. Gardner, porém, explica que, embora o talento cientifico e o talento matemático possa estar presentes num mesmo indivíduo, os motivos que movem as ações dos cientistas e dos matemáticos não são os mesmos. Enquanto os matemáticos desejam criar um mundo abstrato consistente, os cientistas pretendem explicar a natureza. A criança com especial aptidão nesta inteligência demonstra facilidade para contar e fazer cálculos matemáticos e para criar notações práticas de seu raciocínio. Inteligência Espacial - Gardner descreve a inteligência espacial como a capacidade para perceber o mundo visual e espacial de forma precisa. É a habilidade para manipular formas ou objetos mentalmente e, a partir das percepções iniciais, criar tensão, equilíbrio e composição, numa representação visual ou espacial. É a inteligência dos artistas plásticos, dos engenheiros e dos arquitetos. Em crianças pequenas, o potencial especial nessa inteligência é percebido através da habilidade para quebra-cabeças e outros jogos espaciais e a atenção a detalhes visuais. 15 Inteligência Cinestésica - Esta inteligência se refere à habilidade para resolver problemas ou criar produtos através do uso de parte ou de todo o corpo. É a habilidade para usar a coordenação grossa ou fina em esportes, artes cênicas ou plásticas no controle dos movimentos do corpo e na manipulação de objetos com destreza. A criança especialmente dotada na inteligência cinestésica se move com graça e expressão a partir de estímulos musicais ou verbais demonstra uma grande habilidade atlética ou uma coordenação fina apurada. Inteligência Interpessoal - Esta inteligência pode ser descrita como uma habilidade pare entender e responder adequadamente a humores, temperamentos, motivações e desejos de outras pessoas. Ela é melhor apreciada na observação de psicoterapeutas, professores, políticos e vendedores bem sucedidos. Na sua forma mais primitiva, a inteligência interpessoal se manifesta em crianças pequenas como a habilidade para distinguir pessoas, e na sua forma mais avançada, como a habilidade para perceber intenções e desejos de outras pessoas e para reagir apropriadamente a partir dessa percepção. Crianças especialmente dotadas demonstram muito cedo uma habilidade para liderar outras crianças, uma vez que são extremamente sensíveis às necessidades e sentimentos de outros. Inteligência Intrapessoal – Esta inteligência é, a habilidade para ter acesso aos próprios sentimentos, sonhos e idéias, para discriminá-los e lançar mão deles na solução de problemas pessoais. É o reconhecimento de habilidades, necessidades, desejos e inteligências próprias, a capacidade para formular uma imagem precisa de si próprio e a habilidade para usar essa imagem para funcionar de forma efetiva. Como esta inteligência é a mais pessoal de todas, ela só é observável através dos sistemas simbólicos das outras inteligências, ou seja, através de manifestações lingüisticas, musicais ou cinestésicas. 16 Inteligência Naturalista - Essa oitava inteligência se refere à habilidade humana de reconhecer objetos na natureza. Trata-se da capacidade de distinguir plantas, animais, rochas. É fácil perceber que isso é indispensável para a sobrevivência no ambiente natural. Botânicos e pessoas que trabalham no campo, por exemplo, precisam explorar a inteligência naturalista para dar conta de suas atividades. Podemos ainda citar o criador da Teoria da Evolução, Charles Darwin, como alguém que possuía a inteligência naturalista em nível muito elevado. Gardner encontra-se discutindo a possibilidade de haver uma nona inteligência, que será chamada de existencial. Essa inteligência está ligada à capacidade de considerar questões mais profundas da existência, de fazer reflexões sobre quem somos, de onde viemos ou por que morremos. Ele ainda não aceita inteiramente essa inteligência porque os cientistas não provaram que ela requer áreas específicas do cérebro. Para Gardner existem oito inteligências e meia, embora a afirmação possa parecer um pouco estranha à primeira vista. 5 CAPÍTULO II A EMOÇÃO Durante muito tempo nossa cultura, fortemente centrada no conceito de racionalidade, reservou um lugar secundário para a Emoção. Daniel Goleman em sua teoria mostrou que a maioria das pessoas bem sucedidas tem como característica seu equilíbrio emocional e não o QI (Quociente de inteligência) nas alturas. Estudando o conjunto de aptidões que contribuem para esse equilíbrio, Goleman desenvolveu o conceito de Inteligência Emocional, trabalhando então com o QE (Quociente Emocional). Ele afirma que as aptidões emocionais podem e devem ser desenvolvidas no ambiente familiar e na escola, e 6– Vera e Silva, Adriana. “ O Guru das Inteligências Múltiplas”. Revista Nova Escola. Ed. Setembro,1997. 17 é a base genética que determina nossas características emocionais, que se consolidam ao longo da infância. Surgi o conceito de Inteligência Emocional, que passa a incluir a emoção nas manifestações do saber, também se apropriando do termo “inteligência”. Assim, para ser inteligente, além das capacidades tradicionais voltadas ao intelecto, é preciso ter domínio das emoções, usando-as de forma produtiva, sensata, reconhecendo os sentimentos dos outros e os de si mesmo. As cinco habilidades existentes que caracterizam a trajetória de pessoas consideradas emocionalmente inteligentes estão ligadas à inteligência Interpessoal e Intrapessoal, descritas pelo psicólogo Howard Gardner em sua Teoria das Inteligências Múltiplas. 2.1) O QUE É EMOÇÃO? A palavra emoção vem do latim, o prefixo e - que quer dizer afastar-se; junto com mover, que significa mover-se, isto é, emoção denota ação imediata6. A emoção é um estado anímico da mente caracterizado por um conjunto de pensamentos, sentimentos e disposição para a ação expressas em um conjunto de manifestações corporais correspondentes. Segundo Goleman, “emoções são sentimentos a se expressarem em impulsos e numa vasta gama de intensidade, gerando idéias, condutas, ações e reações. Quando burilados, equilibrados e bem-conduzidos transformam-se em sentimentos elevados, sublimados, tornando-se, aí sim – virtudes”.7 Existem inúmeros estados emocionais possíveis que correspondem a uma resposta emocional personalizada às diferentes situações apresentadas pela vida. As emoções mais complexas são formadas por uma mescla de emoções básicas. As emoções básicas são aquelas naturalmente apresentadas desde o início da vida como respostas mais ou menos programadas geneticamente e que se manifestam através de expressões faciais e corporais encontradas 6 - (idem. 2001, p. 20). 18 universalmente, cada uma apresentando uma gama de variações de intensidade. Alguns pesquisadores dispõem-se em caracterizar as emoções em famílias básicas, onde podem ser encaixadas, entre seus membros, definindo-as em, ira, tristeza, medo, prazer, amor, surpresa, nojo e vergonha. Porém, com estes itens ainda não podemos caracterizar a emoção, pois esta família básica junta cientificamente pode representar uma coisa, mas na realidade, separadamente, podem ter outro significado. Na concepção de Ekman os princípios básicos, ao pensar nas emoções em termos de famílias ou dimensões, tomando as famílias principais, ira, tristeza, amor, medo etc., podemos dizer que no centro de cada família , existe um núcleo emocional básico, com as características partindo do núcleo em ondas de impossíveis transformações, por outro lado existe ondas externas, onde estão os estados de espíritos, que duram muito mais que uma emoção, isto significa, que estes estados de espíritos, seriam as famílias principais que é muito relativo de pessoa a pessoa a duração. Juntamente com os estados de espíritos obteremos também os temperamentos, a disposição para buscarmos uma determinada emoção ou estado de espírito que tornam as pessoas melancólicas, tímidas e alegres. Hoje a ciência diz que as emoções ocupam a nossas vidas, para moldar nossas decisões e ações, cujas vezes, o valor e a importância é puramente racional, e acabamos deixando de lado a medição do QI. Mas quando a emoção começa a dominar, o intelecto não poderá nos conduzir a lugar algum, causado pela emoção e não pela lógica racional. O controle dessas emoções e conseqüentes ações é o que demostra o quanto somos inteligentes emocionalmente e mostra a capacidade ou não de adiarmos as nossas manifestações emocionais. 7 - (ibidem. p. 35) 19 2.2) A IMPORTÂNCIA DAS EMOÇÕES As emoções são padrões automatizados de reações que foram desenvolvidas ao longo do processo de evolução das espécies. Elas são uma espécie de bússola que nos orienta no caminho da vida, funcionam como sinalizadores que nos informam a cada instante o estado do nosso organismo global em relação ao ambiente. O Sistema Límbico pode ser comparado ao painel de um carro, no qual vários instrumentos avaliam e sinalizam ao motorista o estado do veículo a cada instante. O Sistema Límbico é, portanto, um complexo mecanismo cibernético de feedback. Ao longo do processo de formação da personalidade este sistema vai sofrendo ajustes que são fixados na forma de padrões personalizados de reação. Estes ajustes, muitas vezes são malfeitos e acabam por se constituir em dificuldades emocionais mais ou menos graves.8. 2.2.1) AS FUNÇÕES DA EMOÇÃO Sobrevivência: Nossas emoções foram desenvolvidas naturalmente através de milhões de anos de evolução. Como resultado, nossas emoções possuem o potencial de nos servir como um sofisticado e delicado sistema interno de orientação. São elas que nos alertam quando as necessidades humanas naturais não são encontradas. Por exemplo, quando nos sentimos sós, nossa necessidade é encontrar outras pessoas. Quando nos sentimos receosos, nossa necessidade é por segurança. Quando nos sentimos rejeitados, nossa necessidade é por aceitação. 8 (ibidem. p. 40) 20 Tomadas de Decisão: Nossas emoções são uma fonte valiosa da informação, elas nos ajudam a tomar decisões. Os estudos mostram que quando as conexões emocionais de uma pessoa estão danificadas no cérebro, ela não pode tomar nem mesmo as decisões simples. Por que? Porque não sentirá nada sobre suas escolhas. Ajuste de limites: Quando nos sentimos incomodados com o comportamento de uma pessoa, nossas emoções nos alertam. Se nós aprendermos a confiar em nossas emoções e sensações, isto nos ajudará a ajustar nossos limites que são necessários para proteger nossa saúde física e mental. Comunicação: Nossas emoções ajudam-nos a comunicar com os outros. Nossas expressões faciais, por exemplo, podem demonstrar uma grande quantidade de emoções. Com o olhar, podemos sinalizar que precisamos de ajuda. Se formos também verbalmente hábeis, juntamente com nossas expressões teremos uma possibilidade maior de melhor expressar nossas emoções. Também é necessário que nós sejamos eficazes para escutar e entender os problemas dos outros. União: Nossas emoções são talvez a maior fonte potencial capaz de unir todos os membros da espécie humana. As emoções são "universais", embora as diferenças religiosas, culturais e políticas não permitam isto. 2.3) O QUE É INTELIGÊNCIA EMOCIONAL? Inteligência Emocional é o conjunto de aptidões básicas necessárias para lidar adequadamente com as diferentes situações da existência e com relacionamentos interpessoais através de uma regulação das emoções. Daniel Goleman define inteligência emocional como “saber administrar os sentimentos 21 de forma a expressá-los apropriadamente e efetivamente permitindo as pessoas trabalharem juntas, com tranqüilidade, visando suas metas comuns” 9. Goleman mapeia a Inteligência Emocional em cinco áreas de habilidades: 1) A autoconsciência é a capacidade de saber o que se está sentindo. As próprias emoções parecem óbvias para as pessoas, mas não é rara a confusão de sentimentos diferentes, como raiva e frustração. Também é comum se deixar dominar por estados de ânimo confusos: nutrir um mau humor, por exemplo, quando se lembra do motivo que o provocou. A noção precisa dos sentimentos permite a tomada correta de decisões. 2) Saber lidar com as emoções é administrar o que se sente. Esse autocontrole não significa negar as emoções, mas dar a elas sua devida dimensão, procurando uma maneira positiva de superá-las ou de conviver com elas. É preciso estabelecer uma estratégia para lidar com os sentimentos. 3) Automotivação é a faculdade de colocar as emoções a serviço de uma meta. Quando conseguimos estabelecer um objetivo, fica mais fácil conter a ansiedade e controlar impulsos que poderiam colocá-lo em risco. O resultado é a persistência. A capacidade de motivar-se está associada à crença de que, se nos empenharmos, atingiremos resultados. Segundo Goleman, a automotivação é característica dos grandes atletas. 4) Ter empatia, é ter sensibilidade para perceber as emoções do outro e colocarse no lugar dele. Esse sentimento, básico nas manifestações de solidariedade, relaciona-se com comportamentos de fundo ético. A empatia deixa claro o quanto é doloroso ser injustiçado ou agredido. Assim, as pessoas compreendem que os outros têm sentimentos semelhantes aos seus e se esforçam para não cometer injustiças ou agressões. 9 (ibidem. p. 55) 22 5) Capacidade de se relacionar é a habilidade de lidar com as emoções dos outros de maneira adequada. Em qualquer relacionamento, as pessoas enviam sinais verbais e não verbais que afetam os demais. O controle adequado dessa sinalização permite elevar o grau de bem estar que se causa aos outros. Essa bagagem humana é básica nos líderes e nas chamadas "estrelas sociais", pessoas que todos consideram encantadoras. As três primeiras habilidades acima referem-se a Inteligência Intrapessoal, as duas últimas, a Inteligência Interpessoal, descritas por Gardner Howard em sua teoria das Inteligências Múltiplas.10 2.4) O PAPEL DOS PAIS NA EDUCAÇÃO EMOCIONAL Uma das grandes preocupações dos pais, atualmente, é educar seus filhos emocionalmente, ou seja, prepará-los para enfrentar os desafios impostos pela vida com inteligência e ensiná-los, como reagir nas diversas ocorrências que podem vir a acontecer. Para John Gottman "Ter inteligência emocional significa perceber os sentimentos dos filhos e ser capaz de compreendê-los, tranquilizá-los e guiálos"11. Ele exemplifica a reação errada dos pais, quando uma criança se perde em uma loja de departamentos. Ao reencontrar a criança, a mãe reage dizendo: "Seu cretino! Estou danada com você, nunca mais te trago ao shopping". Fica perfeitamente claro que a reação da mãe foi totalmente inadequada. No entanto, muitas pessoas poderiam reagir assim, simplesmente por ficarem impossibilitadas de reagir de outra forma. Não basta estar consciente da reação ideal, da atitude correta a ser tomada. É necessário, acima de tudo, que a pessoa seja capaz de se comportar da maneira adequada. Goleman explica que os pais devem ser os preparadores 11 - Lopes, Josiane. “ Lidar com as emoções é sinal de inteligência.” Revista Nova Escola. Ed. Março,1998 12 - Gottman,John ; De Claire, Joan. Inteligência Emocional e a Arte de Educar Nossos filhos.17a ed. Rio de Janeiro: Objetiva,1997 23 emocionais dos filhos, o que muitas vezes não tem ocorrido devido ao stress e a correria do cotidiano. A formação emocional básica se constrói na infância e adolescência através da educação familiar e experiências com outras pessoas. Estudos demonstram que a forma como os pais tratam os filhos - se com rígida disciplina ou empática compreensão, indiferença ou simpatia etc. - tem conseqüências profundas e duradouras para a vida afetiva da criança. A maneira como um casal lida com os seus sentimentos - além do trato direto com a criança - passa poderosas lições para seus filhos, que aprendizes astutos, estão sintonizados com os mais sutis intercâmbios emocionais na família. Também foi constatado que casais que eram mais competentes, do ponto de vista emocional, na relação conjugal eram também os mais eficazes na ajuda com problemas emocionais dos filhos. Goleman afirma que "quando os pais são emocionalmente aptos (...), os filhos compreensivelmente se dão melhor, mostram mais afeição e tem menos tensão com eles. Mas, além disso, essas crianças também são melhores com as próprias emoções, mais eficientes no aliviar-se quando perturbadas, e se perturbam com menos freqüência. São também mais relacionadas biologicamente (...), um padrão que, se mantido pela vida afora, bem pode augurar melhor saúde física".12 A infância modificou-se muito nos último anos, o que vem dificultando ainda mais o aprendizado afetivo. Os pais que são efetivamente preparadores emocionais, devem ensinar aos filhos estratégias para lidar com os altos e baixos da vida. Devem aproveitar os estados de emoções da criança, para ensiná-la como lidar com eles e como tornar-se uma pessoa mais centrada e mais feliz. 12 (Goleman, op. cit. p. 206) 24 2.4.1) QUANDO OS PROBLEMAS SÃO OS PAIS Vem ocorrendo uma visão desmedidamente liberal na relação pais/filhos. O receio de produzir crianças reprimidas está gerando uma quantidade muito grande de crianças mal educadas e emocionalmente menos aptas. Geralmente os pais trazem deficiências emocionais de sua própria formação e transmitem suas dificuldades emocionais para seus filhos. As vivências infantis dolorosas causam traumas emocionais levando ao desenvolvimento de defesas emocionais, que diminuem a sensibilidade para atenuar a dor do sofrimento emocional. Porém, as barreiras criadas para afastar a dor afastam também os sentimentos normais. O que impede de sentir dor, pode impossibilitar de sentir amor ou alegria. As defesas diminuem a autoconsciência emocional e dificultam a compreensão dos sentimentos alheios. Os choques emocionais começam na infância e continuam por toda a vida. Cria-se uma “capa” que ao mesmo tempo em que defende, empobrece emocionalmente13. Gottman destaca os três padrões (mais comuns) de pais emocionalmente inábeis: 1) Os que ignoraram qualquer tipo de sentimento do filho: Esses pais consideram a perturbação emocional do filho como algo banal ou que os chateia, uma coisa que passará com o tempo. Não aproveitam o momento para uma aproximação maior com o filho ou para iniciá-lo na competência emocional. 2) Os "Laissez-faire": Esses pais sabem o que o filho está sentindo, mas partem do princípio que qualquer que seja a forma com que criança vá lidar com a tempestade emocional está ótimo. Tal como aqueles pais que ignoram os sentimentos da criança, estes pais raramente intervêm para sugerir ao filho um 13 (Gottman, op. cit. p. 39) sentimento diferente. Tentam aliviar todas as perturbações e serão capazes de "comprar" a criança para que ela não fique triste ou zangada. 25 3) Aqueles que não se importam, não respeitam o que a criança sente: esses pais são em geral desaprovadores, severos nas críticas e nos castigos. São os pais que berram irados com a criança que tenta argumentar: "Não fale assim comigo!" Depois de destacar os padrões mais comuns de pais inábeis, Gotttman propõe algumas medidas para que estes se tornem aptos emocionalmente: a) perceba as emoções dos seus filhos e as suas próprias; b) reconheça a emoção, como uma oportunidade de intimidade e orientação; c) ouça com empatia e legitime os sentimentos de seus filhos; d) Imponha limites e ajude o seu filho a encontrar soluções para seus problemas; e) Ajude seus filhos a verbalizar as emoções; 14 2.5) CONSEQUÊNCIAS DO ABANDONO EMOCIONAL Atualmente a maioria das crianças não tem recebido a atenção e o afeto que precisam. A falta de valores, de segurança, de apoio, bem como de amor, carinho e atenção, pode ter conseqüências lamentáveis, como a formação de personalidades doentes e até criminosas. Os pais, freqüentemente não possuem preparo adequado para o papel de educadores emocionais. A falta ou inadequação das aptidões emocionais tem ocasionado que o progresso material obtido pelas pessoas individualmente e pela sociedade como um todo não se refletia em bem-estar emocional (felicidade) em proporção equivalente. Os estudos alertam para conseqüências, cada vez mais desastrosas, devido a falta de preparo emocional, e mostram que os casos vêm crescendo entre crianças e adolescentes. 14 (ibidem. p.80) Alguns dados desta pesquisas: 26 - Transtornos emocionais como a depressão e delinqüência (transtornos de conduta anti-social) têm aumentado sistematicamente. - Aumento do número de homicídios e suicídios. - Aumento do abuso físico e sexual de mulheres e crianças - Aumento do número de crianças abandonadas - Aumento do uso de drogas lícitas e ilícitas - Aumento dos problemas de conduta e evasão escolar na infância e adolescência em todas as classes sociais. - Aumento dos problemas conjugais e conflitos entre pais e filhos. - Alarmante aumento da gravidez na adolescência e do fenômeno da mãe solteira. O mais alarmante é que estes indicadores não são particularidade de apenas um grupo social, e sim de uma sociedade inteira, estando incluso os países chamados de terceiro mundo e os países, ditos, do primeiro mundo ou países desenvolvidos15. CAPÍTULO III ALFABETIZAÇÃO EMOCIONAL Várias pesquisas revelam uma tendência mundial da atual geração infantil, de ser mais sujeita a perturbações emocionais, mais solitárias e deprimida, mais revoltada e rebelde, mais nervosa e propensa a preocupar-se, mais impulsiva e agressiva. Daí a grande importância da alfabetização emocional. Iniciamos tal alfabetização na vida familiar, onde aprendemos como nos sentimos em relação a nós mesmos e como os outros vão reagir a nossos 15 (Goleman, op. cit. p. 247) sentimentos; aprendemos como avaliar nossos sentimentos e como reagir a eles; aprendemos como interpretar e manifestar nossas expectativas e temores. 27 Aprendemos na infância, seja em casa ou na escola, lições emocionais que nos tornarão mais aptos ou inaptos nos fundamentos da "Inteligência Emocional". Isso significa que a infância e a adolescência são janelas críticas de oportunidade para determinar os hábitos emocionais básicos que irão governar nossas vidas. Pensando no futuro das crianças e da sociedade, é que a lógica da prevenção, oferecida às nossas crianças, ensinando aptidões para enfrentar a vida e para aumentar as oportunidades de terem sucesso. É por este motivo que devemos iniciar tal prevenção desde muito cedo.16. A partir do berço, os estudos mostram que bebês recém-nascidos podem compreender o que se passa ao redor deles. Por isso suas mães têm que estar muito bem orientadas em como lidar com seus bebês, pois é deste relacionamento entre mãe e filho, e familiar como todo, que se dará início à alfabetização emocional. Na fase pré-escolar (de 2 a 6 anos) a criança começa a por em prática o que observou até então no comportamento de seus familiares. Nesta fase é que ela revela seu temperamento: ser otimista ou pessimista; saber ou não controlar seus impulsos para satisfação de seus desejos; ser autoconfiante ou não; entre outros. Se a maior parte de seus comportamentos tenderem ao lado negativo, então a mãe deve procurar ajuda de um profissional, tanto para uma orientação para si, para poder lidar com tais comportamentos, quanto para a criança, pois esta é a fase exata para uma mudança em suas atitudes e comportamentos. Quando a criança passa para a fase escolar (a partir dos 7 anos) ela tem que ter adquirido as principais lições da alfabetização emocional, pois ela estará entrando numa fase de outras preocupações, como por exemplo, a escola. Ela terá que estar preocupada em aprender, e para que isto ocorra da maneira mais propícia e adequada, ela tem que ter interiorizado as lições emocionais. Se ocorrer qualquer problema de comportamento ou aprendizado, nesta fase, ela precisará de ajuda 16 (ibidem. p. 204) 28 profissional, para recapitular seu desenvolvimento e saber qual lição emocional não foi aprendida para, então, reaprendê-la. 3.1) AS ORIGENS DA APRENDIZAGEM EMOCIONAL A partir da idéia de Inteligência Emocional, foi possível trilhar um caminho para a Aprendizagem Emocional. Essa expressão foi considerada mais adequada do que "Inteligência Emocional", pois o conceito de inteligência referese primordialmente a recursos disponíveis na consciência, enquanto o aprendizado a que nos referimos ocorre, principalmente, a nível não consciente. Conforme explica Goleman, “a parte mais primitiva do cérebro dispara comportamentos instintivos antes que a “consciência" possa avaliar a situação e escolher a forma mais conveniente para se agir em cada contexto. Assim sendo, faz-se necessário que o aprendizado emocional ocorra também a nível não consciente, para que possam ser alterados os estados emocionais de um indivíduo.”17. 3.2) UM PROCESSO CONTÍNUO E EFICAZ Na Aprendizagem Emocional, não podemos descartar a idéia de que um procedimento executado uma única vez possa produzir resultados permanentes. Todavia, entende-se que um processo contínuo é o meio mais adequado para lidar com a complexidade dinâmica do ser humano. Além disso, a utilização de técnicas de mudança rápida deve garantir que os resultados almejados sejam alcançados dentro de um período de tempo razoável, medido em semanas ou meses e não em muitos anos. A Aprendizagem Emocional trata da capacidade de identificar, selecionar, transformar e utilizar as emoções. Através de suas técnicas, o aluno 17 (ibidem. p. 250) 29 torna-se gradativamente capaz de escolher o estado emocional adequado a cada momento ou contexto, usando suas emoções a seu favor - isto é, como poderosos recursos organizadores do seu comportamento. 3.3) TREINAMENTO EMOCIONAL NA ESCOLA Cada vez mais os educadores estão se conscientizando da necessidade de desenvolverem programas de Alfabetização Emocional para serem aplicados nas escolas. Goleman chega a falar em "alfabetização emocional", como uma espécie de nova matéria, e em "lições emocionais". Mesmo que essa idéia tenha o mérito de chamar a atenção para a necessidade de levar em conta, de forma mais consciente, o desenvolvimento emocional dos alunos, ela merece uma ressalva, na medida em que não se aprendem emoções apenas recebendo lições, mas principalmente negociando-se com os outros. O projeto ideal dos programas de alfabetização emocional consiste em: começar cedo, ser apropriado à idade, cobrir todo o tempo de escolaridade e entremear os trabalhos na escola, em casa e na comunidade. Goleman afirma que os anos da pré-escola são cruciais para deitar as bases das aptidões, identificando os benéficos efeitos sociais e emocionais a longo prazo sobre as crianças que, já há décadas, tiveram esse treinamento.18. 3.4) A ESCOLA EMOCIONAL Hoje, assistimos ao fortalecimento do indivíduo enquanto pessoa, fazendo com que as instituições, para obter sucesso, moldem-se aos indivíduos, treinando professores para tal missão. 18 (ibidem, p. 291) 30 Além do treinamento do professor, a alfabetização emocional amplia a visão acerca do que é a escola, explicitando-a como um agente da sociedade encarregado de constatar se as crianças estão obtendo os ensinamentos essenciais para a vida. Esse projeto exige, além de qualquer coisa específica no currículo, o aproveitamento das oportunidades, dentro e fora das salas de aula, para ajudar os alunos a transformar momentos de crise pessoal em lições de competência emocional. Funciona melhor quando as lições em classe são coordenadas com o que se passa na casa das crianças. Muitos programas de alfabetização emocional incluem aulas especiais para pais, a fim de transmitir a eles o que seus filhos estão aprendendo, não apenas para complementar o que se dá na escola, mas para ajudar os pais que querem lidar mais efetivamente com a vida emocional de seus filhos. A moderna pedagogia introduz Programas de Treinamento em Inteligência Emocional, que considera a importância das emoções na vida estudantil e na formação das crianças e dos jovens. Com a informática o aluno pode adquirir conhecimento através da mesma (Internet, cd-rom...) e o professor está deixando de ser um transmissor de conteúdos para ser um orientador. Assim a função da escola é motivar o aluno, despertar as energias vitais, curiosidade, criatividade e desejo de aprender. Os meios de comunicação como a televisão e ambientes familiares podem “distorcer” as emoções infantis, que precisam ser trabalhadas positivamente e é necessário que as escolas estejam preparadas para isto, qualificando seus professores. O "princípio da educação emocional" é simples. Devemos ensinar ao indivíduo o senso de respeito, importância e de responsabilidade. Não apenas falando ou impondo responsabilidades, mas compartilhando responsabilidade com ele. E isto é fácil de se conseguir através das atividades em equipes, onde todos trabalhem igualmente e possuem a responsabilidade de manter a equipe viva.19. Segundo Goleman deve-se ensinar as seguintes aptidões do alfabeto emocional: 19 (ibidem, p.295) 31 • Autoconsciência. • Administração de sentimentos aflitivos. • Manutenção do otimismo. • Perseverança, apesar das frustrações. • Aumento da empatia - a capacidade de ler as emoções do outro. • Cooperação, envolvimento. • Capacidade de motivar a si mesmo. Atualmente, a escola pretende contribuir para a equilibrada formação da personalidade do aluno e sua integração ao ambiente sociocultural, através do ajuntamento de seus sentimentos, atitudes e ideais aos do grupo a que o mesmo pertence. Há um ano, o Colégio Almeida Gasparin, situado em Guarulhos, São Paulo, está colocando em prática um currículo diferenciado, empregando as teses educacionais, formuladas pelo psicólogo Daniel Goleman 20. O objetivo principal do programa é melhorar o comportamento dos alunos em sala de aula e contribuir para a evolução do quociente emocional (QE) de cada um. A dona da escola, Roberta Gasparin, vem estudando o tema desde 1993. Seu primeiro contato com o mesmo se deu por meio de artigos de jornais e revistas e livros específicos. "Quando estive convicta da eficácia da tese, fiz um curso com o professor Celso Antunes para entender como as idéias funcionavam na prática". Afirma, "Antunes inventou as dinâmicas de grupo e está bem informado sobre o assunto", conclui a diretora. Seguindo um dos exemplos das aulas de Antunes, a professora manda os alunos construir um avião de papel e escrever em uma das asas seus pontos negativos e na outra, os positivos. Em seguida todos soltam os aviões e pegam o do colega para ler. 21 - Aguiar , Rafael. “Emoção em Alta”. Revista Amae. Ed. Maio,2000. 32 "Eles passam a compreender o ponto de vista do amigo", explica a diretora. No início de 1998, a escola começou a investir no projeto e modificou a grade escolar para possibilitar a realização das atividades práticas em todas as salas, uma vez por semana. "Muitos aprenderam a conhecer seus defeitos, a controlar suas emoções e a respeitar seus colegas", diz Roberta. Apesar do pouco tempo de aulas, os resultados já podem ser observados. "Diante de uma bronca exaltada da mãe, uma menina respondeu com calma e educação: “Tudo bem, mas não precisa falar desse jeito'", citou a professora. Abaixo, a diretora sugere algumas atividades já experimentadas com nossos alunos em sala de aula. Cubo dos sentimentos A professora apresenta uma caixa em forma de cubo, forrada com papel colorido e atraente com as carinhas alternadas em todos os lados, explorando o interesse e a criatividade das crianças para falarem sobre as expressões apresentadas; geralmente elas identificam como alegre e triste. Hoje estou... Recorte ou desenho livre das carinhas de acordo com o que a criança está sentindo; colagem de papel crepom picado e amassado completando a carinha. Colar do sentimento Trabalho em tampas de embalagens e cordão de lã formando um colar que a criança coloca no pescoço mostrando como se sente naquele dia. Disco do sentimento Entregar para as crianças um disco de papel branco para que elas completem com todas as partes do rosto que expressam sentimentos. 33 "Emociômetro" Painel formado com envelopes de plástico transparente. Dentro deles, no momento em que é feita a chamada, cada criança coloca a figura representativa de seu sentimento (feliz ou triste). Esse painel possibilita a contagem de quantos alunos estão tristes e quantos estão alegres naquele dia. Trabalhando com balões As crianças enchem balões e colam neles cabelo, olhos, boca, de acordo com o sentimento que estão sentindo naquele dia. Roda dos sentimentos O material consta de dois discos de cartolina do mesmo tamanho. O primeiro está dividido em setores e em cada setor foi escrito o nome de um sentimento: medo, raiva, felicidade, alegria, etc. O segundo disco tem um setor recortado e se encaixa sobre o material consta de dois discos de cartolina do mesmo tamanho. O primeiro está dividido em setores e em cada setor foi escrito o nome de um sentimento: medo, raiva, felicidade, alegria etc. O segundo disco tem um setor recortado e se encaixa sobre o outro. A criança gira esse disco aleatoriamente e, conforme o que aparecer, ela deve lembrar-se de situações que lhe provocaram aquele sentimento, descrevendo o que sentiu, se foi em casa ou na escola. Ou ainda, diante do nome que apareceu, o aluno vai dramatizar ou expressar o sentimento por meio de mímica. A partir destas atividades, os professores podem extrapolar várias "situações - desafio" para os alunos refletirem e aplicarem no dia-a-dia. 34 CONCLUSÃO Durante décadas nos preocupamos em sermos inteligentes e ignoramos a emoção. Após estudar a teoria da inteligência emocional, pude constatar a necessidade de trabalhar a emoção, para ajudar a formar um adulto completo, isto é, não só inteligente mas também feliz. Trabalhar o lado emocional, principalmente nos primeiros anos, é essencial para as crianças saberem identificar os sentimentos que estão acontecendo com ela, e saber lidar com eles. Não devemos negar nossas emoções e sim saber trabalhá-las. O trabalho proposto na teoria é a prevenção. A escola deve trabalhar para que nossas crianças sejam mais tolerantes, compreensivas, que tenham empatia, enfim, para que sejam mais equilibrados e menos “doentes” do que os adultos de hoje. A influência dessa teoria sobre a educação é totalmente positiva, pois chama a atenção para o fato de que as escolas não devem se preocupar apenas com a inteligência de cada aluno, mas também com o desenvolvimento de sua capacidade de se relacionar bem com os outros e consigo mesmo. Esta é a melhor forma que temos de aumentar as possibilidades de as crianças virem a se dar melhor na vida. Felizmente, algumas escolas já estão mudando, pelo menos as que desejam preparar seus alunos para o mundo atual, elas estão se adaptando as exigências de uma nova sociedade. O que se espera da escola atual, não é a criação de um programa de auto-ajuda aos seus alunos, até mesmo porque eles não precisaram, se tiverem uma alfabetização emocional, mas sim uma escola que saiba fazer uma ligação entre o racional e o emocional. 35 Talvez, trabalhar a inteligência emocional não seja a única maneira de trabalhar os sentimentos e precisemos ir muito além do que ela demostra, mais certamente ela nos alertou para não valorizarmos somente o que pensamos, precisamos estar muito atentos para o que sentimos. 36 REFERÊNCIA BIBLIOGRAFIA 1. GARDNER, Howard. Inteligências Múltiplas: A teoria na Prática. Porto Alegre: Artes Médicas, 1993. 2. GOLEMAN, Daniel. Inteligência Emocional: A Teoria Revolucionaria que Redefine o que é Ser Inteligente. Rio de Janeiro: Objetiva, edição revista, 2001. 3. GOTTMAN, John e DeClaire, Joan. Inteligência Emocional - A Arte de Educar nossos Filhos.17ª edição, 1997 4. Revista Amae – “ Emoção em alta” - Maio/2000 5. Revista Nova Escola – ”O Guru das inteligências Múltiplas”- Setembro/1997. 6. ________ – “Lidar com as emoções é sinal de inteligência”.- Março/1998. 7. www.abrae.com.br 8. www.educacaoonline.pro.br