XVI ENDIPE - Encontro Nacional de Didática e Práticas de Ensino - UNICAMP - Campinas - 2012
EDUCAÇÃO AMBIENTAL E FORMAÇÃO DE PROFESSORES NUMA
PERSPECTIVA AUTOPOIÉTICA.
RANGEL, Iguatemi Santos. Professor Adjunto do Departamento de Linguagem Cultura
e Educação da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Tutor do Pet Conexões
Licenciatura e Coordenador do Núcleo de Educação Infantil da UFES.
RAMOS, Andréia Teixeira. Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Educação
(PPGE) pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) na linha de pesquisa
Cultura, Currículo e formação de educadores/as. Agência financiadora CAPES.
Membro do Núcleo de Estudos e Pesquisa Interdisciplinar em Educação
Ambiental/CNPq.
GONZALEZ, Soler. Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE)
pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), na linha de pesquisa Cultura,
Currículo e formação de educadores/as. Membro do Núcleo de Estudos e Pesquisa
Interdisciplinar em Educação Ambiental/CNPq e Professor Adjunto da Faculdade São
João Batista/Aracruz/ES
RESUMO
Esta pesquisa é fruto de um trabalho articulado de formação continuada cujo objetivo
foi problematizar as redes cotidianas de formação tecidas por meio de conversações e
intercambiamento de experiências com 250 professores de cinco prefeituras municipais
do Norte do Espírito Santo (São Mateus, Nova Venécia, Sooretama, Jaguaré, Pedro
Canário). A pesquisa surgiu a partir do Projeto de Extensão da Universidade Federal do
Espírito Santo e parceria com as Secretarias de Educação dos municípios envolvidos
com duração de 150 horas, sendo disponibilizado para cada município 50 vagas para os
professores de educação infantil da rede de ensino. Utilizou-se os aportes teóricos
metodológicos da perspectiva do cotidiano Alves (2002) Oliveira (2005), combinado
com as noções de autopoiése e redes de conversações em Maturana (1999), também
apoiamos na noção de experiência em Larrosa (2002). O trabalho evidenciou a
necessidade de produção de espaços-tempos de trocas de afecções por meio de
conversações em espaços de convivências potencializando e envolvendo, tanto os
próprios professores, como também o estabelecimento de diálogos com os
professores/formadores da Universidade Federal do Espírito Santo. As experiências
produzidas potencializaram diferentes modos de saberes e fazeres pedagógicos, que na
perspectiva autopoiética em Maturana juntamente com o devir docente produziu
processos de negociação e intercambiamento de sentidos, produção, fabricação e
interação com as redes cotidianas, problematizando a “suposta” autoridade constituidora
externa, reafirmando, assim, o sentido da autonomia pedagógica. Nesse sentido, fazemse necessário potencializar outros “possíveis” de formação continuada com
professores/as. A pesquisa enfatiza a potência em problematizar os espaços-tempos da
formação dos professores/as, e os saberes e fazeres produzidos nas redes de
conversações cotidianas no que o constituí como sujeitos autopoiéticos imersos no devir
ontológico que se produzem e em redes de interação e de compartilhamento de
conhecimentos e experiências.
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Palavras-chave: Formação Continuada. Experiência. Conversações. Autopoiése e
Educação Ambiental.
Introdução
O presente trabalho busca articular a Educação Ambiental (EA) com discussões sobre a
formação continuada de educadores numa abordagem autopoiética, em processos de
“autofazimento” dos sujeitos em redes cotidianas por meio de conversações. Para tal
apoiamo-nos nas teorizações do campo da EA associadas às pesquisas com narrativas
em processos de formação de educadores/as (Tristão, 2009) e na noção de autopoiese e
conversação presente no pensamento do biólogo chileno Humberto Maturana, e
também, na perspectiva do cotidiano como proposto por Alves (2002) e Oliveira (2005).
Pensar a EA e a formação de educadores/as com Maturana condiz com o fato de
percebermos nossa condição biológica enquanto ser humano nas relações de
aprendizagem produzida com as redes cotidianas na escola, assumindo também, que nos
tornamos humanos no nosso devir evolutivo baseado no linguajar, na linguagem e nas
emoções que ocorrem na convivência amorosa constituída e conservada historicamente
em relações cooperativas, assumindo também que a constituição do humano em nós
remete a condição inerente ao individuo de se conceber e se perceber como parte de um
coletivo que se auto (co) produz nas redes de conversações.
Perez (2007), na mesma perspectiva de Maturana (1999), ao fazer referencia os
processos de constituição do professor, destaca que esses movimentos de autofazimento
“autopoiético”, quase imperceptíveis pela lente do discurso da Modernidade,
configuram uma profissão que se realiza no espaço-tempo da mediação “simbólica”,
pois os professores são o que conseguem ser na relação com o outro; os professores
sozinhos não produzem a escola. Segundo essa mesma autora a docência é puro devir,
movimento, transformação, criação, invenção. A partir das reflexões com Deleuze, a
autora esclarece que:
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Devir não é imitação ou assimilação, devir é dupla captura. A experiência da
dupla captura, faz da docência um estado inédito que no plano do visível se
materializa na relação com o outro e que no plano do invisível, se expressa
na conjugação de novos fluxos, que abalam nossa subjetividade e nos
desterritorializam, lançando-nos à exigência de criarmos outras formas de
existir (pensar, sentir, agir), que encarnem este estado inédito que se fez em
nós, este outro que nos tornamos. A dupla captura incorpora a diferença e
instaura a abertura para a criação de outras formas de estar sendo no mundo.
A docência como devir, é um estado inédito, uma invenção que anuncia
novas possibilidades éticas-políticas-estéticas para o espaço escolar ( PEREZ,
2007).
Esses movimentos silenciosos, contínuos e persistentes são expressos nos depoimentos
das professoras em processos de formação, sobretudo quando relatam que a experiência
dos outros/outras é um dispositivo para ampliar a sua própria experiência.
Esse
processo de interdependência constitutiva do sujeito também é referenciado por
Carvalho (2011 apud SIMONDON, 2007) quando afirma que:
A experiência coletiva, a vida de grupo, não é, como se pode acreditar, o
âmbito no qual se moderam e diminuem os traços sobressalentes do
indivíduo singular, mas ao contrário, é o terreno de uma nova individuação,
ainda mais radical. Na participação em um coletivo, o sujeito, longe de
renunciar aos seus traços mais peculiares, tem a ocasião de individuar, ao
menos em parte, a cota de realidade pré-individual que leva sempre consigo.
Nesse sentido, acreditamos que autopoiese e devir docência são movimentos
complementares, sobretudo quando fazem parte de um processo de formação
continuada,
tendo como
forma de organização,
encontros
de
socialização,
intercambiamento de experiências entre professores das escolas e professores
formadores.
Cumpre esclarecer que Autopoiese vem do grego: autós, próprio; poieu, poiein, poiesis,
faço, fazer, o feito, é a produção de si mesmo, autofazimento, um sistema autopoiético é
uma teia de processos que vão se produzindo com transformações e interações, nesse
caso aqui tratado, transformações e interações nos modos de ser/estar na profissão de
professor/a.
Tal perspectiva se coaduna com a formação continuada que acredita que a docência se
constitui para além dos conhecimentos técnicos-cientificos ou mesmo disciplinares,
específicos de suas áreas de conhecimentos. Os professores se formam em complexos
processos de intercambiamento de experiências e em processos de negociação de
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sentidos, sobretudo localizados nas escolas, por meio de trocas dialógicas, ou como
propõe Maturana apud Carvalho, (2009) em processos de conversações.
As conversações apresentam-se como estratégias e táticas constitutivas do momento
formativo, pois permite a circulação e fertilização de idéias potentes com deslocamentos
de lugares conceituais arraigados, possibilitando a abertura ao novo, à atualidade e a
diferença.
A partir dos conceitos de autopoiese, conversações e experiências assumimos como
objetivos
nesse trabalho de pesquisa, a) problematizar e articular a EA numa
perspectiva autopoiética com discussões de formação de professores nas redes da
complexidade cotidiana, b) estabelecer relações entre processos de “autofazimento” dos
sujeitos engajados em redes de saberes-fazeres cotidianas com as questões ambientais
com c) oportunizar o debate das questões ambientais de modo a potencializar diferentes
espaços de convivência e aprendizagem na comunidade escolar para a produção de
conhecimentos e relações de cooperação, solidariedade e amorosidade.
Travessias da pesquisa
Para o desenvolvimento da pesquisa assumimos a perspectiva das teorizações do campo
da EA associadas às pesquisas com narrativas em processos de formação de
educadores/as (Tristão, 2009) e na noção de autopoiese e conversação presente no
pensamento do biólogo chileno Humberto Maturana, e também na perspectiva do
cotidiano como proposto por Alves (2002) e Oliveira (2005). O campo se constituiu
com interações experienciadas com 250 professores que fizeram parte do “Projeto de
formação continuada de professores de Educação Infantil: Múltiplos olhares sobre
a docência”. A apresentação das abordagens da formação de professores aconteceu por
meio de conversas problematizadoras com apresentação de textos/imagens/sons
provocativas com a intenção de criar diferentes caminhos que viabilizam novos modos
de existência na docência. Durante os sete meses do Projeto de formação continuada
realizamos atividades articulando as discussões da EA com a formação de professores.
O curso de formação tem me auxiliado muito, pois fez com que me esclarecesse
algumas dúvidas relacionadas à minha prática. Pois são compartilhadas as experiências
entre todos. Enfim, está sendo muito proveitosa a minha participação nos processo de
formação continuada (Professora Josiane Município de Sooretama)
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Como a proposta dessa formação foi trabalhar os múltiplos olhares o Grupo de Pesquisa
em Educação Ambiental (GPEA), do Núcleo Interdisciplinar de Estudos e Pesquisas em
Educação Ambiental (NIPEEA) da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) foi
convidado a compor a equipe desta formação com a temática “Educação Ambiental e
Educação Infantil”. O conteúdo programático da formação contemplou: a) Educação
Ambiental e as Políticas Estruturantes, b) “Um olhar sobre a Educação ambiental:
panorama do Brasil e no Espírito Santo, c) “Educação Ambiental e Educação Infantil”,
d) “Reinventando relações entre seres humanos e natureza nos espaços de educação
infantil”, e) “A Carta da Terra” e f) “Tratado de Educação Ambiental para a Sociedade
Sustentável e Responsabilidade Global”. Além disso contemplamos práticas educativas
em diferentes linguagens que emergiram com momentos autopoiéticos da formação,
como por exemplo, poesias, vídeos, filmes, músicas, danças circulares, jogos,
brincadeiras, dinâmicas, oficinas de mapas, cartografias, compartilhando experiências, e
narrativas nas redes de conversações tessidas com o devir dos docentes na formação.
A participação neste curso, esta sendo bastante gratificante, pois trabalho com crianças
na faixa etária de 04 anos. A capacitação tem contribuído muito para aplicação da
metodologia do meu trabalho em sala de aula” (Professora Marly – Município de Pedro
Canário)
No movimento da formação nossa proposta foi também problematizar metodologias em
EA, com a intenção de potencializar no grupo de docentes com suas escolas,
experiências didáticas em EA, envolvendo a comunidade escolar e outros espaços de
convivências e aprendizagens. Durante os encontros aos sábados apresentamos
perspectivas teórico-metodológicas no exercício de pensar a EA numa abordagem
autopoiética e seus entrelaçamentos com a formação de professores/as considerando os
diferentes espaços de convivências que permeiam as redes cotidianas da escola e que
encontram-se enredadas com narrativas e conversas (MATURANA, 1999).
São grandes as minhas expectativas em relação a formação continuada. No meu
entender, como o próprio nome sugere, são visões diferentes, experiências diferentes a
serem compartilhadas e isso possibilita grandes aprendizados. Através destes encontros
já mudei algumas visões em relação à comportamentos de alunos em sala de aula.
Compreendi, por exemplo, que aprendizado às vezes requer barulho e movimentação,
por parte dos pequenos (professora Maria Lucia-Município de Sooretama)
Na orientação dessas experiências foi proposto os atravessamentos dessas expeirências
com os princípios do documentos “A Carta da Terra”, desencadeando por sua vez, nesse
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devir coletivo e autopoiético de formação docente a realização do Seminário de
Educação Ambiental na Educação Infantil como momento autopoiético do processo de
formação docente, emergindo com as temáticas (Projetos “Água”, “Lixo”, “Horta”
Patrimônio Histórico e Ambiental do município”, etc.) apresentadas pelos grupos das
escolas redes de conversações na formação docente.
Os últimos encontros têm sido muito criativos e as experiências vivenciadas junto com
os professores do curso e as colegas de trabalho, esta sendo muito proveitoso para
minha prática na sala de aula, pois os alunos ficam muito felizes quando levamos algo
novo (professora Sirlene – Município de Pedro Canário)
As redes de conversações tessidas no devir autopoiético com os encontros de EA
As narrativas das professoras remete a pensar a formação continuada muito mais como
redes, fluxos, devires, movimentos do que como projeto estruturado para fazer os
professores tornarem-se competentes a partir de módulos instrucionais. Quando os
professores colocam em relevo as experiências (LARROSA, 2002), que os constituem
no encontro com os outros “professores/formadores”, sugerem que tão importante
quanto o conteúdo da formação são as múltiplas formas que esses saberes/fazeres são
socializados. Nesse sentido Carvalho (2009) propõe que a escola seja pensada como
comunidade de afetos, e que os espaços-tempos dos encontros (formação continuada,
planejamenotos) sejam alargados/ampliados para “fazer com que professores/as possam
conversar-conversar, alunos e professores possam conversar-conversar, escolas e outras
instâncias, dentre elas as mídias e outros produtos culturais, possam conversarconversar, considerando a alteridade, de modo que possibilite a conversação dos outros
com eles mesmos”.
Em relação a potencia desses encontros no compartilhar conhecimentos e afetos em
processos de formação continuada estacamos a narrativa de uma professora.
Apesar de já trabalhar na educação infantil, posso então relatar que as experiências vivenciadas no
decorrer do curso possibilitou-me um aprendizado mais amplo e significativo, principalmente nas
experiências relatadas por outros professores, a que me fez entender que buscar conhecimento
através da formação continuada é necessário para a nossa prática pedagógica (Professora Eloisa –
Município de Sooretama)
Assim, para além de conhecer “textualmente” o outro, independentemente do saber
científico acerca do outro, é preciso poder vincular/compartilhar experiências de uns
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com as experiências dos outros, problematizando o discurso da racionalidade moderna,
que sejam estabelecidos encontros que potencializem saberes, fazeres e afetos
constituindo um movimento da comunidade educativa que outorgue alternativas
possíveis e sensíveis.
Pensar a EA e a formação de educadores/as com Maturana condiz com o fato de
percebermos nossa condição biológica enquanto ser humano nas relações de
aprendizagem produzida com as redes cotidianas na escola, assumindo também, que nos
tornamos humanos no nosso devir evolutivo baseado na linguagem, no linguajar e nas
emoções que ocorrem na convivência amorosa constituída e conservada historicamente
em relações cooperativas.
Entendemos por EA numa perspectiva autopoiética os processos de aprendizagem em
que os seres humanos estão se autoproduzindo com relações amorosas no compartilhar,
na solidariedade, na aceitação do outro como legítimo outro junto a nós e no conviver
em prol da sustentabilidade. Como pensar a constituição dos sujeitos e da EA numa
perspectiva autopoiética nas relações e no compartilhar a solidariedade e na aceitação
do outro como legítimo outro junto nós na amorosidade? Tal questão potencializou o
processo de formação autopoiético docente e vem atualizando no devir cotidiano.
Nosso propósito foi apresentar potencialidades políticas e a relevância ética e ontológica
da abordagem da EA numa perspectiva autopoiética nas relações cotidianas de afeto e
aprendizagem da escola, fundamentais em processos de formação de professores com
atenção às vivências, valores, práticas e relações de cuidado (BOFF, 1999) de si, e com
os outros na sustentabilidade. Pensar com Maturana prescinde assumir nossa condição
biológica no domínio operacional do pensar, do fazer com e do aprender. É também,
assumirmos que nos tornamos humanos no linguajar na linguagem.
Pensando com o autor, queremos aqui, considerar nossas redes cotidianas como espaços
de convivência de “possíveis”, na qual a aprendizagem acontece de modo permanente e
de maneira recíproca, alargando os limites dos modelos, fórmulas, controles e
indicadores. A vida sempre escapa, assim, concebendo a escola também como espaço
de convivência e o currículo como redes cotidianas de saberes-fazeres que
permanentemente criam situações de ‘autofazimento’ dos sujeitos, como nós,
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educadores ambientais, podemos potencializar relações solidárias, fundamentadas em
emoções amorosas e de cooperação? Como nos tornamos o que somos?
Conclusões e recomendações
O encontro de hoje foi muito dinâmico e participativo. O conteúdo sobre Educação
Ambiental foi trabalhado de forma lúdica e prazerosa. Isso foi maravilhoso, porque a
professor de educação infantil é cobrado um trabalho acolhedor, lúdico, música, dança,
pois, movimento corporal, porém nos encontros de formação somos obrigados a
permanecer escutando, escutando,escutando, e hoje foi diferente. O encontro despertoume para um trabalho ambientalista na escola, já trabalhamos, mas pode ser melhor.
(Professora Sicleide do município de Pedro Canário)
Esta formação de professores (as) pretendeu ser um exercício coletivo de discussão dos
“possíveis” produzidos com a abordagem da EA numa perspectiva autopoiética nas
redes cotidianas da escola, por meio das narrativas e das conversas nos processos de
‘autofazimento’ de educadores/as. Foi também a possibilidade de problematizarmos as
questões ambientais, as relações sociais, éticas, políticas e as práticas cotidianas de
sustentabilidade, em ações de EA comprometida com a cooperação, a solidariedade e a
aceitação do outro como legítimo outro junto a nós na amorosidade.
Aprendi muitas coisas nesse dia importante para a nossa prática em sala de aula e no
meu viver. Sei que o presente é que requer mudanças da minha parte, também de todos
que estão a minha volta, para que assim no futuro o meu filho e as crianças de hoje
possam viver em um planeta terra cheio de vida, principalmente água para bebermos e
para os nossos cuidados no nosso dia-a-dia. A conscientização do cuidado das árvores e
animais e qualquer ser vivente na terra com amor e dedicação. Plante uma árvore, não
jogue o lixo de qualquer jeito em qualquer lugar, se possível for recicle. Essas práticas
que devemos ter na nossa vida para mantermos um mundo de paz e tranqüilidade.
(Professora Deisiane do Município de Pedro Canário)
Assim como os estudos de Maturana, esses encontros de formação em EA trouxeram
pistas para pensarmos as relações da biologia humana com a linguagem ao considerar
as nossas experiências enquanto seres humanos no linguajar, constituída e conservada
em relações amorosas e cooperativas no nosso devir evolutivo na história dos primatas
bípedes, de modo que a potência dessa condição ontológica pode em muito contribuir,
com processos de formação de educadores/as na ação do exercício do linguajar e do
conversar num movimento da sustentabilidade enquanto ação, verbo, ou seja,
sustentabilizar, as relações sociais nos espaços-tempos da escola.
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A experiência relatada por outros professores me fez perceber o quanto é importante
buscar novos conhecimentos para garantir através da nossa prática pedagógica um
conhecimento mais significativo que auxiliara no processo ensino aprendizagem da
criança, podendo então refletir no nosso desenvolvimento profissional (Professora Eva –
Município de Sooretama)
Ao apresentar argumentos associando as narrativas e as conversas produzidas nas redes
cotidianas de conversações da escola com a EA numa perspectiva autopoiética
apostamos nas dimensões éticas e políticas dos movimentos de formação e de
aprendizagens coletivas com educadores/as. Tal concepção ética e política acerca da
cooperação e da coletividade na formação de educadores/as por meio das conversas, nos
provoca a pensar em outros caminhos possíveis e diferentes das lógicas individualistas,
consumistas e da atitude anti-ecológica. Caminhos que sejam potentes em alternativas
que alarguem as relações de aceitação do outro como legítimo outro e de outras formas
de vida que atravessam os espaços-tempos da escola.
As ações desenvolvidas nos encontros de EA disseminaram outros movimentos
formativos com municípios que compõem a região metropolitana da Grande Vitória,
juntamente com professores da Educação Infantil da rede pública do município de Vila
Velha, dando sustentabilidade às ações que já foram realizadas e fertilizando outros
movimentos possíveis de formação docente.
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