Indicação de Imagens em Endocrinologia Hipófise Marcello D. Bronstein 1) O padrão-ouro é a ressonância magnética (RM), A tomografia computadorizada seria reservada para pacientes impossibilitados de realizar RM (obesidade grau III, portadores de marca-passo, etc), e para avaliação de estruturas ósseas e calcificações, quando necessário. 2) Casos operados: 3 meses após a cirurgia, e daí em diante anualmente (salvo portadores de tumores agressivos, a critério do médico assistente) 3) Pacientes portadores de prolactinomas em tratamento com agonistas dopaminérgicos: a) Macroprolactinomas: reavaliação dentro dos 3 primeiros meses, a seguir após 6 meses, e em seguida anualmente. b) Microprolactinomas: reavaliação após 12 meses, e a seguir a cada 2 anos. 4) Pacientes acromegálicos em tratamento com análogos da somatostatina Reavaliação dentro dos 3 primeiros meses, para decisão cirúrgica. Os casos que se mantiverem em tratamento clínico, após 6 meses, e em seguida anualmente. Neuroendócrinologia pediatria Ivo Jorge Prado Arnhold Puberdade precoce dependente de gonadotrofinas. RM de região hipotálamo-hipofisária basal. Se alterada repetição conforme critério clínico. Puberdade precoce independente de gonadotrofinas em meninos com suspeita de tumor produtor de hCG. RM de região hipotálamo-hipofisária basal. Se alterada, repetição conforme critério clínico. Deficiência de hormônio de crescimento (isolado ou associado a outras deficiências hipofisárias): RM de região hipotálamo-hipofisária basal sem caso de tumores, repetição conforme critério clínico. RNM de encéfalo: em caso de suspeita de mutação no LHX4. Hipogonadismo hipogonadotrófico: RM de região hipotálamo-hipofisária e cortes coronais e axiais a partir da órbita para bulbos e sulcos olfatórios. Em caso de tumores, repetir conforme critério clínico. Suspeita de tumores intracranianos: RM de encéfalo ou região hipotálamo-hipofisária. Neoplasias Endócrinas Múltiplas Marilza C. L. Ezabella Neoplasia Endócrina Múltipla Tipo 1 1) Investigação da Hipófise: Ressonância Nuclear Magnética da Hipófise 2) Investigação das Paratireóides: Mapeamento com Sestamibi, se necessário RNM da região cervical 3) Investigação do Pâncreas e/ou Trato Gastrointestinal: Ultra-sonografia e/ou endoscopia RNM do Abdômen Neoplasia Endócrina Múltipla Tipo 2 1) Ca Medular da Tireóide:Ultra-sonografia, Tomografia e/ou RNM da região cervical 2)Investigação de Feocromocitoma: RNM das Supra-Renais Seguimento 1)- Para investigar metástases dos tumores malignos presentes nas Neoplasias Endócrinos Múltiplas, serão necessários TC e/ou RNM do Tórax, Mediastino, Crânio, Abdômen conforme evolução do caso, anualmente. 2)-Pacientes que apresentam mutações positivas para as NEM também necessitam de rastreamento com RNM de Hipófise, região Cervical e região Abdominal anualmente. Tumores do Pâncreas Maria Adelaide Albergaria Pereira Principais técnicas são ressonância magnética (RM), ultrassonografia (USG) endoscópica e mapeamento de corpo inteiro com somatostanina marcada (Octreoscan). Secundariamente pode ser utilizada tomografia computadorizada (TC) de cortes finos. 1= 1ª opção 2= 2ª opção 3= 3ª opção 4= 4ª opção I- Insulinoma Imagem é sempre necessária para detecção de tumor grande (potencial maior de malignidade) e metástases hepáticas. RM USG endoscópica TC Octreoscan Nos pacientes com NEM tipo 1 ou mesmo nos pacientes com suspeita de insulinoma maligno pode ser necessária a associação de RM + octreoscan ou de USG endoscópica + octreoscan II-Gastrinoma: Em geral o endocrinologista pesquisa este tumor no contexto de NEM tipo 1 RM USG endoscópica Octreoscan TC Pode ser necessária a associação de RM + octreoscan ou de USG + octreoscan III- Outros tumores funcionantes: Tumores muito raros e ,em geral, grandes RM TC IV- Tumores não funcionantes Em geral o endocrinologista pesquisa este tumor no contexto de NEM tipo 1 RM USG endoscópica Octreoscan Pode ser necessária a associação de RM + octreoscan ou de USG + octreoscan. Observação: A ultrasonografia intraoperatória é essencial durante a cirurgia , tanto para identificação de tumores pequenos, como para avaliação da relação do tumor com os ductos pancreáticos. Imagem de Tórax Luiz Roberto Salgado 1.Tomografia computorizada é o melhor exame para tórax e deve ser realizado em tomógrafo Multislice Indicada para avaliação de: tumores ou lesões pulmonares tais com tumor de células pequenas (SCLC), carcinoides brônquicos, tumores de timo (em cortes axiais) 2.Tomografia computorizada com cortes axiais e reconstrução no plano coronal em cortes finos. Indicada para avaliação de: A) carcinoides brônquicos pequenos; Seguimento: os exames de imagem devem ser repetidos na dependência do quadro clínico. Em casos de lesões pequenas imagens deverão ser repetidas com 3, 6 e 12 meses para avaliação de crescimento. Lesões maiores ou restos cirúrgicos podem merecer avaliações mais precoces. 3. Ressonância Magnética: utilizada para avaliar lesões mediastinais e sobretudo nos pacientes que não podem receber contraste iodado. Não há consenso se a RM seria mais sensível nos casos de lesões hilares. 4.Octreoscan: Indicado em casos de tumores ocultos com secreção ectópica de ACTH (90% carcinoides em tórax ). Embora menos sensível do que os métodos convencionais de imagem (CT/RM) deve ser realizado em casos selecionados. As imagens deverão ser repetidas na dependência do quadro clínico. Para nódulos ou lesões pequenas a CT deverá ser repetida em 3,6 e 12 meses (avaliação de crescimento ).Quando não há imagem 6 meses é um período razoável. Consultoria: grupo do tórax do HC, o grupo de imagem do Incor e o departamento de imagem do Lab Fleury Tireóide Meyer Knobel Doença Indicações Neoplasia maligna da glândula Detecção de metástases ósseas; detecção de tireóide (carcinoma folicular; metástases pulmonares e hepáticas, avaliação carcinoma papilífero; carcinoma de invasão de estruturas adjacentes cervicais; de células de Hurthle) detecção de invasão de gânglios cervicais Bócio não-tóxico multinodular de Avaliação de extensão subesternal; compressão grande dimensão traqueal; avaliação do volume glandular Doença de Graves: oftalmopatia Estudo das estruturas retrooculares de Graves TC – Avaliação ocasional, sem contraste. TC dá o diagnóstico, mas não serve para avaliar atividade da doença. Não serve para avaliar atividade RNM – Preferível p/ avaliações repetidas e estimativa da resposta terapêutica Útil para determinar atividade da doença Síndrome de Pendred Estudo de malformação do ouvido interno – defeito coclear de Mondini Imagens da Pelve Elaine Maria Frade Costa O melhor método de imagem para avaliação dos órgãos da pelve é a ultrassonografia, no entanto, a CT e a RM são úteis na avaliação dos tumores dessa região. As indicações de CT e RM da pelve são as seguintes: Tumores em gônadas disgenéticas: a CT e RM são úteis no diagnóstico e estadiamento de tumores gonadais, porém não se mostram superiores ao ultrassom. O seguimento desses tumores após tratamento deve ser realizado semestralmente no primeiro ano e em seguida anualmente com ultrassonografia e/ou CT de pelve. Tumores ovarianos : Vide tumores em gônadas disgenéticas Tumores testiculares: A CT e RM se prestam apenas para avaliação e detecção de metástases pélvicas de tumores testiculares. No seguimento, devem ser realizadas CT de abdomen e pelve trimestrais no 1º ano, quadrimestrais no 2º ano, semestrais no 3º ano, e a partir daí, anuais. Tumores uterinos: A CT e RM têm acurácia semelhante a da linfangiografia para a detecção de metástases de câncer de colo uterino para gânglios pélvicos e paraaórticos, devem ser os métodos de escolha na avaliação das pacientes por serem menos invasivos. O seguimento deve ser realizado com ultrassonografia ou CT a cada 3 meses no primeiro ano, 6 meses no segundo ano e, a seguir, anualmente. Tumores de bexiga A CT e RNM são os métodos de imagem melhor indicados para o diagnóstico e estadiamento local do câncer de bexiga. CT e RM durante o seguimento pós tratamento devem ser realizadas a critério clínico. Trauma pélvico: A CT tem se mostrado superior à cistografia convencional na detecção e classificação do local da ruptura vesical, na detecção e localização de hematomas pélvicos e hemorragia ativa. Tumores prostáticos: A CT e RM têm acurácia similar na avaliação de metástases em linfonodos, desde que estes estejam aumentados e no estadiamento de tumores com crescimento extra-prostáticos, principalmente no planejamento da radioterapia. A RM com linfografia pode detectar metástases em linfonodos não aumentados. A CT ou RM de pelve estão indicadas no seguimento desses pacientes após a detecção bioquímica de recorrência. Glândulas Suprarrenais Ana Claudia Latronico A- Indicações de Tomografia Computadorizada Formas de hiperplasia adrenal difusa (doença de Cushing e HAC) micronodular macronodular Tumores adrenocorticais Insuficiência adrenal primária B-Indicações de Ressonância Magnética Suspeita de Feocromocitoma Tumores adrenocorticais > 5 cm (avaliar estruturas vasculares, como a presença de trombo em veia cava e invasão de orgãos adjacentes) Suspeita de hiperplasia micronodular não confirmada pela CT Diabetes Melito Marcia Nery Os portadores de Diabetes podem ter qualquer outra doença que exija a realização de CT ou RNM; algumas dessas, inclusive, são mais prevalentes nos diabéticos que na população geral, como, por exemplo, hipofisite linfocitária e apoplexia pituitária. Imagem do pâncreas pode ser necessária: 1-CT-- no diagnóstico de agenesia pancreática em diabetes neo-natal,quando há dúvida na ultrasonografia. 2-CT -- Diagnóstico de ca de pâncreas em diabéticos de diagnóstico recente. 3-RNM -- Diagnóstico de hemocromatose (imagem de fígado e pâncreas) Diagnóstico diferencial de lesões ulceradas em pé. No pé diabético a RNM é indicada nas seguintes situações. Charcot fase 1 Infecções Tendinopatias Doenças Ósteo Metabólicas Pedro Henrique Silveira 1-Hipercalcemia a) Independente de PTH - CT – tórax e abdômen b) Hiperparatireoidismo primário : NEM -RM ou CT sela túrcica 2- Hipocalcemia: Hipoparatireoismo CT crânio Pseudo hipoparatireoidismo CT crânio 3- Osteomalacia oncogênica: RM crânio ou CT crânio 4- Doença de Paget: CT crânio 5- Displasia fibrosa: CT crânio 3- Doença de von Hippel-Lindau Dra Maria Lucia Gianella Na doença de von-Hippel - Lindau, de herança autossômica dominante, mutações no gene VHL determinam o desenvolvimento de cistos e diversos tipos de tumores benignos e malignos em vários tecidos: Sistema Nervoso Central: hemangioblastomas supratentoriais, cerebelares, de medula espinhal, de tronco e de raízes nervosas lombosacrais; hemangioblastomas de retina e tumores de saco endolinfático; Sistema Nervoso Autônomo: paragangliomas em cabeça e pescoço, tórax e abdômen; Viscerais: cistos renais, carcinoma de células renais, feocromocitomas, cistos pancreáticos e tumores neuroendócrinos pancreáticos; Genitais: cistoadenoma de epidídimo e cistoadenoma de ligamento largo; Os indivíduos que devem ser considerados de alto risco para o desenvolvimento de tumores e que devem ser submetidos ao rastreamento clínico são: Pacientes sabidamente portadores de doença de von Hippel-Lindau; Familiares de pacientes afetados que apresentam mutação no gene VHL detectada pelo exame genético; Familiares de pacientes afetados (irmãos, pais, filhos) que não realizaram o exame genético. Observação: o rastreamento de mutações no gene VHL é realizado no Laboratório de Investigações Médicas – LIM-25. Tabela 1- Exames e periodicidade com que devem ser realizados em pacientes de alto risco de VHL (recomendações do National Institutes of Health (NIH): Exames Idade do início do Periodicidade rastreamento Exame de fundo de olho Infância Anualmente Metanefrinas e catecolaminas 2 anos Anualmente ou quando houver elevação da PA Ultra-som de abdômen 8 -17 anos Anualmente Ultra-som de testículos 8 anos Anualmente 18 anos ou quando houver A cada 2 anos Tomografia computadorizada de abdômen com e sem contraste imagens suspeitas ao US de abdômen Ressonância magnética de abdômen Quando houver dúvidas na - imagem da tomografia Tomografia computadorizada de 18 anos A cada 2 anos 18 anos A cada 2 anos Quando houver perda - cabeça e pescoço Tomografia computadorizada de tórax Tomografia computadorizada ou ressonância magnética dos canais auditivos internos Ressonância magnética crânio e de medula espinhal auditiva, vertigem, distúrbios do equilíbrio ou zumbido de 11 anos Anualmente