Agricultura de precisão no monitoramento de pragas
Helicoverpa Armigera
Identificação, monitoramento e controle
Histórico da
Helicoverpa no Brasil
A Helicoverpa armigera é uma praga detectada recentemente no
Brasil entre janeiro e fevereiro de 2013. Possui alto poder destrutivo e pode ser encontrada em mais de cem espécies de plantas,
inclusive importantes culturas comerciais como: soja, milho,
algodão, feijão, sorgo e tomate.
Por ter aparecido em diversos locais do Brasil, ao mesmo tempo,
é possível que ela já estivesse presente anterior a sua identificação em 2013. Apenas informações genéticas possibilitarão
dizer, com certeza, quando e como exatamente a Helicoverpa
armigera chegou até aqui.
Sua aparição data de 1809, quando foi identificada pelo pesquisador Jacob Hübner pela primeira vez. Essa praga é conhecida
na Ásia, África, Oceania e Europa.
Helicoverpa Armigera - Identificação, monitoramento e controle
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Os prejuízos causados pela Helicoverpa armigera até então
chegam a dois bilhões de reais no Brasil :
Chegam a 80% no feijão e 60% na cultura do algodão as perdas causadas pela Helicoverpa armigera.
O custo adicional para conter a praga alcançou a média de R$ 118,07 por hectare.
60%
80%
R$118,07
O levantamento do Sescoop/SP foi feito junto a cooperativas paulistas.
O custo de aplicação passou de
R$100 para R$200. No caso do
algodão de R$800 para R$1.600.
Mais a perda da produtividade.
R$1600
R$200
R$800
R$100
Aplicações
Custo de produção
No Centro-Oeste, as aplicações de inseticidas no algodão
já subiram para 15 e, hoje, os custos de produção no
algodão tiveram um aumento entre 40% e 45% em função
da Helicoverpa armigera.
Alguns cotonicultores de algodoais da Bahia foram
obrigados a realizar até 30 aplicações de inseticidas (a
média na região é entre 10 e 12) para controlar a praga,
mas, mesmo assim, não colheram nada.
30
40%
15
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Porque a Helicoverpa
armigera causa tantos
danos
A Helicoverpa armigera foi classificada pela
Embrapa como uma espécie quarentenária A1.
Essa classificação indica que são pragas não
presentes no Brasil de alto risco e com alto
potencial de danos.
• Desenvolve rápida resistência a inseticidas.
• A dose de defensivos necessária para controle da lagarta é maior do que as outras
espécies encontradas no Brasil.
[
Não aplique inseticida
de maneira abusiva ou
produtos misturados.
]
• Em sua fase de lagarta, ela ataca preferencialmente as partes de frutificação das
plantas, podendo também se alimentar de
folhas e hastes.
• Tem alto poder de polifagia, ou seja, se
alimenta de grande variedade e de várias
partes das plantas.
• Alimenta-se mais rápido que as pragas presentes no Brasil.
• A mariposa da Helicoverpa armigera tem alta
capacidade de dispersão, bota de 2.200 a
3.000 ovos, normalmente, nos botões florais,
nas vagens e nas sementes, o que faz com
que o dano causado seja muito maior do
que espécies que se concentram nas folhas.
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• Resiste a vários tipos de climas e ambientes, pode se abrigar
em espécies selvagens.
• A mariposa pode viajar até mil quilômetros.
Por ser uma praga nova no Brasil, há muito que se estudar a respeito: tamanho de ciclo, cultivos preferenciais
das pragas, exigências térmicas para cada fase de seu
ciclo, práticas de manejo específico de armadilhas de
feromônio, etc.
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Aspectos biológicos
Como identificar
A identificação da espécie é difícil, pois as diferenças para outras espécies são muito sutis, a Helicoverpa armigera pode ser facilmente
confundida com a lagarta-da-espiga (Helicoverpa zea) e com a lagarta da maçã (Heliothis
virescens). A diferenciação têm sido feita com
base no aparelho reprodutor masculino e na
análise molecular de adultos.
Ao identificar a primeira lagarta na sua lavoura, capture-a e conserve-a em um frasco com
álcool 92% ou 70%, as mariposas podem ser
mantidas a seco, leve-as aos órgãos de identificação.
Deixamos aqui algumas dicas de como identificá-la:
Na soja, a Helicoverpa armigera pode ocorrer
desde a emergência das plantas, podendo
se alimentar até a fase reprodutiva onde os
grãos estão secos.
OVOS
Os ovos são branco-amarelados com aspecto
brilhante , adquirem cor marrom escura próximo do momento de eclosão.
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A parte superior do ovo é lisa, e a superfície
da sua circunferência é esculpida com uma
textura de linhas longitudinais. Os ovos vão
escurecendo à medida que se aproxima o dia
de eclosão, o período de incubação dos ovos
é, em média, 3 dias.
LARVAS
No período larval da H. armigera sua coloração varia de branco-amarelada a marromavermelhada e, a cabeça entre marrom-escuro
a preto. Nessa fase, ela possui 6 ínstares,
alimentam-se inicialmente das partes mais
tenras das plantas.
[
Período mais adequado
para controle químico
]
LAGARTA
À medida que as larvas crescem, a lagarta
adquire diferente coloração do amarelo-palha
ao verde, apresentando listras de coloração
marrom lateralmente no tórax, abdômen e
na cabeça. O tipo de alimentação pode influenciar na cor da lagarta. A partir do quarto
ínstar, as lagartas apresentam tubérculos
abdominais escuros e z bem visíveis na
região dorsal do primeiro segmento abdominal, disposto em semicírculo aparentando um
formato de sela.
Outra característica detectável nas lagartas
desta espécie diz respeito à textura do seu
tegumento, que se apresenta com aspecto
levemente coriáceo, diferindo das demais
espécies de Heliothinae que ocorrem no Brasil;
esta característica a faz mais resistente aos
agentes químicos.
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Quando é tocada, a lagarta da Helicoverpa armigera curva a cápsula encefálica em direção
a região abdominal como tentasse se defender.
MARIPOSA
As mariposas fêmeas de H. armigera apresentam as asas dianteiras amareladas, enquanto
as dos machos são cinza-esverdeadas com
uma banda ligeiramente mais escura no terço
distal e uma pequena mancha escurecida no
centro da asa, em formato de rim. As asas
posteriores são mais claras, apresentando uma borda marrom na sua extremidade
apical. As fêmeas apresentam longevidade
média de 11,7 dias e os machos de 9,2 dias.
Photo by Tony Davison
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Escala de níveis de ação
SOJA
ALGODÃO
Vegetativa
Florescimento
4 lagartas por
metro ou 30%
de desfolha
(< que 1,5 cm)
4 lagartas por
pano de batida
(>que 1,5 cm)
Recomendação uso de produtos
fisiológico e controle biológico
Inseticidadas de
ação mais rápida
Vegetativa
Florescimento
2 lagartas por
pano de batida
(< que 1,5 cm)
2 lagartas por
pano de batida,
(< que 1,5 cm )
5 a 8 lagartas a
cada 100 plantas
Para algodão BT,
permitir que a lagarta
se alimente e tenha a
chance de se intoxicar
Reprodutiva
Monitorar ovos no cabelo
(estilo- estigma)
MILHO
Liberação programada
de Trichogramma
Vegetativa
1 a 3 largartas por metro
FEIJÃO
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Controle
A utilização de armadilhas, iscas e outros métodos
de controle físico.
A utilização da rotação de culturas, destruição de
plantas vivas voluntárias [guaxas] e restos culturais.
A adoção de manejo integrado de pragas de forma emergencial.
Período de vazio sanitário.
Áreas de refúgio no plantio.
Controle biológico.
O uso de cultivares que reduzem a população das pragas.
Antecipação da dessecação do plantio em três semanas,
eliminando o alimento da praga. E uma próxima dessecação
no período próximo ao novo plantio.
Tratamento de sementes com inseticida.
Faça aplicação de defensivos de qualidade com regulação,
volumes e ponteiras adequados para obter boa cobertura.
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Uso das armadilhas
de feromônio
Especialistas têm apontado como principal
método de combate à Helicoverpa armigera o
monitoramento semanal no período vegetativo. No período reprodutivo, o monitoramento pode acontecer até duas vezes por
semana com o pano-de-batida.
O uso de armadilhas de feromônio é um dos
métodos mais indicados para um monitoramento constante da lavoura devido a suas
grandes extensões. Adotar o uso das armadilhas cedo e identificar a chegada da mariposa
na lavoura, pode ser a diferença entre o lucro
e a quebra de safra.
Atualmente, os fabricantes recomendam a
instalação de uma armadilha a cada cinco
hectares e a renovação do feromônio de 30 a
40 dias após a instalação.
Além do registro georreferenciado
das amostras de pano-de-batida,
o Strider possibilita melhor controle das armadilhas: instalação,
lembrete de inspeção, registro de
amostras, lembrete de renovação
de feromônio.
[email protected] | +55 (31) 3564.2867
Benefício do
monitoramento de pragas
Pelas características já citadas, como a resistência a certos tipos de inseticida, polifagia e grande capacidade de dispersão, realizar
apenas o controle químico não é uma boa
saída.
Já recomendado por especialistas e pesquisadores, o monitoramento frequente é a chave
para uma ação racional.
Em trabalhos realizados pela Embrapa
Agrossilvipastoril recentemente, conseguiram reduzir pela metade a aplicação de
defensivos, realizando um monitoramento
sistemático da lavoura, o que reduziu os
custos com aplicação de defensivos que hoje
representam o segundo maior custo para os
produtores.
Além disso, a racionalização do uso de defensivos diminui o impacto ambiental o que ajuda a conservar maior quantidade de inimigos
naturais das pragas, que são um controle
alternativo e gratuito.
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www.strider.ag
Este Ebook possui referencias das seguintes fontes: http://www.escoladegoverno.pr.gov.br/arquivos/File/formulacao_e_gestao_de_politicas_publicas_no_parana/
volume_II/capitulo_6_agricultura_meio_ambiente_e_recursos_hidricos/6_4.pdf , http://www.noticiasagricolas.com.br/noticias/agronegocio/130100-monitoramento-de-pragas-na-lavoura-diminui-custos-com-aplicacao-em-mato-grosso.html#.Uvy1AvldWSo , http://ccpran.com.br/upload/downloads/dow_7.pdf , http://
canalrural.ruralbr.com.br/noticia/2013/09/veja-como-identificar-a-helicoverpa-e-aprenda-manejos-adequados-para-controlar-a-praga-no-tecnica-rural-4283231.html
, http://agricultura.ruralbr.com.br/noticia/2013/09/helicoverpa-armigera-conheca-a-lagarta-e-veja-acoes-de-manejo-para-combate-la-4283178.html , http://www.
noticiasagricolas.com.br/noticias/agronegocio/130100-monitoramento-de-pragas-na-lavoura-diminui-custos-com-aplicacao-em-mato-grosso.html#.Uvy1AvldWSo
, http://agricultura.ruralbr.com.br/noticia/2013/09/especialistas-defendem-monitoramento-continuo-contra-helicoverpa-4280825.html , http://jornalggn.com.br/
blog/luisnassif/lagarta-helicoverpa-ataca-lavoura-e-gera-prejuizo-de-r-2-bi , http://noticias.bol.uol.com.br/ultimas-noticias/economia/2014/02/10/prejuizo-comlagarta-comilona-chega-a-r-1-bilhao-no-mato-grosso.htm , http://economia.uol.com.br/agronegocio/noticias/redacao/2014/02/10/prejuizo-com-lagarta-comilonachega-a-r-1-bilhao-no-mato-grosso.htm http://www.ecofinancas.com/noticias/setor-torce-para-helicoverpa-armigera-goste-cana , http://www.agrolink.com.br/
agrolinkfito/noticia/prejuizos-com-lagarta-helicoverpa-armigera-chegam-a-80--do-feijao-em-sp_168639.html
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