UNIVERSIDADE FEDERAL DO TRIÂNGULO MINEIRO SANDRA BEATRIZ MANGUCCI CALLEGARI ESTUDO DE FATORES DE RISCO CARDIOMETABÓLICO DURANTE O CICLO GRAVÍDICO UBERABA 2013 SANDRA BEATRIZ MANGUCCI CALLEGARI ESTUDO DE FATORES DE RISCO CARDIOMETABÓLICO DURANTE O CICLO GRAVÍDICO Dissertação apresentada ao Curso de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, área de concentração “Patologia Humana”, da Universidade Federal do Triângulo Mineiro, como requisito parcial para obtenção do título de mestre. Orientadora: Prof.a Dr.a Maria de Fátima Borges UBERABA 2013 Catalogação na fonte: Biblioteca da Universidade Federal do Triângulo Mineiro C161e Callegari, Sandra Beatriz Mangucci Estudo de fatores de risco cardiometabólico durante o ciclo gravídico / Sandra Beatriz Mangucci Callegari. -- 2013 113 f. : il., Graf., tab. Dissertação (Mestrado em Ciências da Saúde) -- Universidade Federal do Triângulo Mineiro, Uberaba, MG, 2013. Orientadora: Profª Drª Maria de Fátima Borges 1. Doenças cardiovasculares. 2. Gravidez. 3. Obesidade 4. Leptina. 5. Adiponectina. I. Borges, Maria de Fátima. III. Universidade Federal do Triângulo Mineiro. III. Título. CDU 616.1 Ao meu marido, José Alberto Callegari Júnior, pelo incentivo e apoio. Quem me sustentou na meta do mestrado em todos os momentos de dificuldades. Meu complemento espiritual, responsável pela minha paz interior. Aos meus pais Neide Aparecida Mangucci e Laércio Mangucci, pela compreensão do tempo de ausência durante o período do mestrado e pela expressão de orgulho em seus olhares. Aos meus filhos Eduardo Mangucci de Oliveira e Laércio Mangucci de Oliveira, pela aceitação da menor atenção que lhes dediquei e pela força que fazem existir dentro de mim para que eu possa servir de exemplo. Em especial ao meu filho Eduardo por ter estado ao meu lado, dia a dia nesta etapa da minha vida, e pelo auxílio na informática. À Osmara Abadia Gonçalves Oliveira, companheira fiel, pela atenção e carinho dispensados a mim. AGRADECIMENTOS À orientadora deste estudo, Prof.a Dr.a Maria de Fátima Borges, Professora Associada, responsável pela Disciplina de Endocrinologia da Universidade Federal do Triângulo Mineiro, por acreditar e confiar em mim. À amiga e colaboradora Dr.a Elisabete Aparecida Mantovani Rodrigues de Resende, médica endocrinologista da UFTM, pessoa decisiva na realização deste trabalho. À amiga e colaboradora Prof.a Dr.a Marina Carvalho Paschoini, Professora Adjunta da Disciplina de Ginecologia e Obstetrícia da UFTM, pela ajuda prestada. Ao amigo Prof. Dr. Virmondes Rodrigues Junior, Professor Titular da Disciplina de Imunologia da Universidade Federal do Triângulo Mineiro, Reitor da UFTM, pela orientação nos ensaios imunológicos. À Prof.a Dr.a Berenice Bilharinho de Mendonça, Professora Titular do Departamento de Clinica Médica, Área de Endocrinologia, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, e Diretora Técnica de Divisão de Saúde do Laboratório de Hormônios e Genética Molecular-LIM 42, pelo apoio na dosagem da leptina. A Sr.a Salma Alice de Oliveira Oliveira, funcionária do Laboratório de Análises Clínicas da UFTM, e Srta.Jacqueline Mendes de Fonseca Soares, Auxiliar de Saúde do Ambulatório de Endocrinologia da UFTM, pelo auxílio na coleta das amostras de sangue. A Srta. Silvia Baldan da Costa, Biomédica do Laboratório de Análises Clínicas da UFTM, pelas orientações e disponibilidade em auxiliar na realização dos exames. A Srta. Betânia Maria Ribeira, Técnica de Laboratório de Imunologia da UFTM, pelo auxílio na dosagem da adiponectina. Ao meu afilhado, interno da turma 65, Rafael Leite Nunes, pela ajuda na preparação das amostras. À Roche Diagnóstica Brasil Ltda., na pessoa de seu assessor científico, Sr. José Carlos Moino, pela doação dos estojos comerciais que foram usados na dosagem da insulina. Ao Prof. Dr. Octávio Barbosa Neto, Professor Adjunto do Curso de Educação Física da UFTM, pelo auxílio na análise estatística. Às pacientes que participaram e confiaram em mim durante a pesquisa. Minha vida foi feita de vitórias, sim, vitórias, mas isso não quer dizer que não foi sofrida, mas com muita confiança e fé. Agradeço a Deus as oportunidades que me concedeu e pelos caminhos que traçou para mim. RESUMO O objetivo deste estudo foi avaliar os fatores de risco cardiometabólicos, concentrações de leptina e adiponectina durante a gestação normal. Foram analisadas 25 gestantes sadias, com gestação única e idade gestacional menor que 20 semanas. Convidadas aleatoriamente a participar da pesquisa, simultaneamente ao acompanhamento do pré-natal. Na primeira entrevista, com IG média 16 semanas, as pacientes apresentavam idade entre 13 e 34 anos (média: 22 anos). Analisou-se longitudinalmente pressão arterial, peso, IMC, concentrações de leptina, adiponectina, cortisol, colesterol total e frações, triglicérides, ácido úrico, glicose de jejum, TOTG, HOMA-IR e relação insulina/glicose nos três trimestres. As gestantes foram divididas em ≤ ou > 19 anos e < ou ≥ 25 Kg/m 2 IMC (1ºT). No momento do parto registrou-se IG, peso e IMC maternos, peso e índice de Apgar fetais. Os exames bioquímicos realizados no laboratório de análises clínicas, os exames hormonais foram processados no setor de hormônios do laboratório do Hospital de Clínicas da UFTM. A adiponectina dosada no Laboratório de Imunologia da UFTM e a leptina no Laboratório de Hormônio e Genética Molecular-LIM 42 do Hospital das Clínicas da FMUSP-SP. Para análise estatística, o teste de Kolmogonov-Smirnov foi usado para definir a distribuição das variáveis e análises comparativas foram obtidas pelo teste de RM-ANOVA ou Friedman e Student-test ou Mann-Whitney Rank Sum test. Nas correlações empregou-se o teste de Pearson. Diferenças foram consideradas estatisticamente significativas com os valores de p< 0,05. Como resultado, foi observado que peso, IMC e pressão arterial aumentaram após o segundo trimestre. Colesterol total, LDL-colesterol, VLDL-colesterol, TG, ácido úrico aumentaram durante a gestação, enquanto o HDL-colesterol não se alterou. A glicemia de jejum manteve-se estável, mas a insulina, HOMA-IR, I/G aumentaram com a gestação. As obesas apresentavam maior aumento da PAD, maior concentração de LDL-colesterol e menor de HDL-colesterol no terceiro trimestre, e maior concentração de leptina nos três trimestres. As adolescentes apresentaram um maior aumento de leptina e diminuição de adiponectina, piora do perfil lipídico e aumento de insulina, HOMA-IR e I/G, a partir do segundo trimestre. Foi demonstrada correlação entre leptina e pressão arterial. Conclui-se que durante a gestação o organismo materno passa por adaptações metabólicas para prover nutrientes para o feto. Com o propósito de manutenção da glicemia, iniciam-se RI fisiológica e alterações no metabolismo lipídico. Observam-se elevações nos níveis pressóricos, das concentrações de colesterol total, LDL-colesterol, triglicérides, ácido úrico e diminuição do HDL-colesterol, elevação do HOMA-IR e I/G, concomitante ao ganho de peso e consequentemente interferência nas adipocinas, alterando os fatores de risco cardiometabólica durante a gestação. O risco de desequilíbrio nessas adaptações é maior na presença de obesidade e na adolescência. Palavras-chave: Adiponectina. Doenças cardiovasculares. Gravidez. Obesidade. Leptina. ABSTRACT This study aimed to evaluate clinical cardiometabolic risk factors,adiponectin and leptin serum concentrations in normal pregnancy. Twenty-five healthy women with normal singleton pregnancies and fetal age fewer than 20 weeks were evaluated. The patients were randomly invited to participate in this research study while receiving antenatal care. At first-contact care consultation participants with 16week gestation were selected for the analysis and the age ranged from 13 to 34 years (mean age 22). Longitudinal analyses were used to investigate arterial pressure, weight, BMI, concentrations of leptin, adiponectin, cortisol, total cholesterol and fractions, triglyceride, uric acid, fasting glycemia, OGTT, HOMA-IR and insulin/glucose during the three trimesters. The women were divided into, ≤ or > 19 years and BMI (1st quarter) < or ≥ 25 kg/m 2. At delivery were recorded IG, maternal weight and BMI, weight and fetal Apgar score. Biochemical tests were performed in the clinical analysis laboratory, hormonal tests were processed in the hormones laboratory at the Teaching Hospital of Triangulo Mineiro Federal University (UFTM). Adiponectin was measured in the immunology Laboratory of UFTM and leptin was measured in the Laboratory of Molecular Genetics and Hormones LM-42 at the Clinical Hospital at FMUSP-SP. The statistical analysis was performed through Kolmogonov-Smirnov test. Comparative analyzes were made through RM-ANOVA or Friedman and Student-tested or Mann-Whitney rank sum test. The Pearson test was used for the correlation. Differences were considered statistically significant with p values <0.05. As a result it was observed that the weight, BMI and blood pressure increased after the second trimester. Total cholesterol, LDL cholesterol, VLDLcholesterol, TG, uric acid increased during pregnancy while HDL cholesterol remained unchanged. Fasting glucose was stable, but insulin, HOMA-IR, I/G increased with pregnancy. The obese women had a greater increase in DBP in the third quarter, the highest concentration of leptin in the three quarters, higher LDL cholesterol and lower HDL-cholesterol levels in the third quarter. Pregnant teenagers presented a greater increase of leptin and decreased adiponectin, worsening of lipid profile and increased insulin, and HOMA-IR I/G from the second quarter. Correlation was observed between leptin and blood pressure. Conclusion: During pregnancy the maternal organism undergoes metabolic adaptations to supply nutrients to the fetus. With the purpose of maintaining blood glucose a physiological insulin resistance starts along with changes in lipid metabolism. It was observed elevated blood pressure, higher concentrations of total cholesterol, LDL-cholesterol, triglycerides, uric acid and decreased HDL-cholesterol, elevated HOMA-IR and I/G, concomitant weight gain and consequently interference in adipocin, demonstrating changes in risk factors for cardiometabolic disease during pregnancy. The risk of these adaptations imbalance is even greater in the presence of obesity and during adolescence. Keywords: Cardiovascular Diseases. Pregnancy. Obesity. Leptin. Adiponectin. LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Dados clínicos e antropométricos das gestantes, obtidos na primeira consulta. .................................................................................................................... 38 Tabela 2 - Dados demográficos e clínicos das gestantes obtidos durante a primeira consulta. .................................................................................................................... 39 Tabela 3 - Antecedentes clínicos familiares das gestantes. ...................................... 40 Tabela 4 - Dados laboratoriais obtidos logo após a primeira consulta. ..................... 41 Tabela 5 - Evolução do peso (kg) e IMC (kg/m2) das gestantes no período prégestacional e no 1º, 2º e 3º trimestres, e variações do peso e do IMC. .................... 48 Tabela 6 - Médias dos pesos (kg) pré-gestacionais e variações do peso (kg) e IMC (kg/m2) dos grupos A e B (IMC < ou ≥ 25 kg/m2) e grupos C e D (idade cronológica ≤ ou >19 anos). ............................................................................................................ 49 Tabela 7 - Evolução da pressão arterial (mm/Hg) no período gestacional. ............... 50 Tabela 8 - Concentrações de leptina (ng/mL), adiponectina (pg/mL) e cortisol (µg/mL) nos três trimestres da gestação. .................................................................. 51 Tabela 9 - Valores do colesterol e frações (mg/dL), triglicérides (mg/dL), ácido úrico (mg/dL) nos três trimestres da gestação. .................................................................. 52 Tabela 10 - Concentrações de glicemia de jejum (mg/dL), TOTG (mg/dL), insulina (µU/mL) e marcadores de resistência insulínica........................................................ 53 Tabela 11 - Concentrações de glicemia de jejum (mg/dL), TOTG (mg/dL), insulina (µU/mL) e marcadores de resistência insulínica, excluindo-se pacientes hiperinsulinêmicas, pré-gestacionais......................................................................... 54 Tabela 12 - Médias (M) e desvio padrão (DP) da pressão arterial (mm/Hg), Leptina (ng/mL), adiponectina (pg/mL), IMC (kg/m2) e HOMA-IR nas pacientes hipertensas e normotensas.............................................................................................................. 55 Tabela 13 - Correlação entre peso e IMC com as variáveis estudadas .................... 56 Tabela 14 - Correlações das variáveis estudadas entre si. ....................................... 57 Tabela 15 -Condições de nascimento dos recém-nascidos. ..................................... 58 Tabela 16 - Correlação do peso fetal (kg) com variáveis clínicas e laboratoriais maternas, durante o ciclo gravídico. .......................................................................... 59 LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1 - Representação gráfica do peso (kg) e IMC (Kg/m2) no período prégestacional, nos três trimestres e no parto. ............................................................... 60 Figura 2 - Representação gráfica da pressão artérial sistólica (mmHg) e pressão artéria diastólica nos três trimestres. ......................................................................... 61 Figura 3 - Representação gráfica pressão arterial diastólica - PAD (mmHg) nos três trimestres, comparando-se os grupos A e B (IMC). .................................................. 62 Figura 4 - Representação gráfica do cortisol (µg/mL) nos três trimestres. ................ 63 Figura 5 - Representação gráfica de adiponectina (pg/mL) nos três trimestres, comparando-se os grupos C e D (Idade). ................................................................. 64 Figura 6 - Representação gráfica dos valores de leptina (ng/mL) nos três trimestres, comparando-se os grupos A e B (IMC) e grupos C e D (idade). ............................... 65 Figura 7 - Representação gráfica dos valores do colesterol total (mg/dL), LDLcolesterol (mg/dL), VLDL-colesterol (mg/dL), triglicérides - TG (mg/dL), ácido úrico (mg/dL) e HDL-colesterol (mg/dL) nos três trimestres. .............................................. 66 Figura 8 - Representação gráfica dos valores do colesterol total (mg/dL), LDLcolesterol (mg/dL) e triglicérides(mg/dL) nos três trimestres, comparando-se os grupos C e D (Idade). ................................................................................................ 67 Figura 9 - Representação gráfica do colesterol total (mg/dL), VLDL-colesterol (mg/dL), LDL-colesterol (mg/dL) e HDL-colesterol (mg/dL) nos três trimestres, comparando-se os grupos A e B (IMC). .................................................................... 68 Figura 10 - Representação gráfica dos valores do TOTG (mg/dL), HOMA-IR e insulina (µU/mL) nos três trimestres. ......................................................................... 69 Figura 11 - Representação gráfica dos valores de glicose (mg/dL) e insulina (µU/mL) nos três trimestres, comparando-se os grupos C ...................................................... 70 Figura 12 - Representação gráfica dos valores de HOMA-IR e insulina/glicose nos três trimestres, comparando-se os grupos C e D ...................................................... 71 Figura 13 - Representação gráfica dos valores de TOTG (mg/dL) e insulina (µU/mL) nos grupos A e B (IMC). ............................................................................................ 72 Figura 14 - Representação gráfica dos valores de HOMA-IR e insulina/glicose nos três trimestres, comparando-se os grupos A e B ...................................................... 73 Figura 15 - Representação gráfica da pressão arterial sistólica - PAS (mmHg), pressão arterial diastólica - PAD (mmHg), HOMA-IR e leptina (ng/mL) nos grupos normotensas e hipertensas gestacionais. ................................................................. 74 LISTA DE ABREVIATURAS E UNIDADES µg/dL - Micrograma por decilitro µg/mL - Micrograma por mililitro µU/mL - Microunidade por mililitro 1º T - 1º trimestre 2º T - 2º trimestre 3º T - 3º trimestre AA - Aminoácidos AGL - Ácidos graxos livres AIG - Adequado para idade gestacional AVC - Acidente vascular cerebral CBG - Corticosteroidbinding globulin (proteína transportadora de cortisol) DCV - Doença cardiovascular DHEG - Doença Hipertensiva Específica da Gestação DM - Diabetes Mellitus DM2 - Diabetes Mellitus Tipo 2 DMG - Diabetes Mellitus Gestacional E2 - Estrogênio GIG - Grande para idade gestacional HÁ - Hipertensão Arterial HAG - Hipertensão Arterial Gestacional HAS - Hipertensão Arterial Sistêmica HDL - High density lipoprotein (lipoproteína de alta densidade) HLP - Hormônio lactogênio placentário HOMA-IR - Homeostasismodel assessment insulin resistance I/G - Relação Insulina/glicose IAM - Infarto Agudo do miocárdio IG - Idade gestacional IL-1 - Interleucina-1 IL-10 - Interleucina-10 IL-6 - Interleucina-6 IMC - Índice de massa corporal KDa - Quilodalton Kg - Quilogramas Kg/m2 - Quilogramas por metro quadrado LDL - Low density lipoprotein (lipoproteína de baixa densidade) mg/dL - Miligrama por decilitro mm3 - Milímetro cúbico mUI/L - Miliunidade internacional por litro ng/dL - Nanograma por decilitro ng/mL - Nanograma por mililitro NO - Nitric oxide (Óxido Nítrico) ºC - Graus célsius OMS - Organização Mundial de Saúde PAD - Pressão arterial diastólica PAS - Pressão arterial sistólica PCR - Proteína C Reativa PE - Pré-eclâmpsia PIG - Pequeno para idade gestacional RCIU - Restrição de crescimento intrauterino RI - Resistência insulínica SM - Síndrome Metabólica SNC - Sistema Nervoso Central T4 livre - Tiroxina livre TG - Triglicérides TGO - Transaminase glutâmica oxalacética TGP - Transaminase glutâmica pirúvica TNF-α - Tumor necrosis factor α(fator de necrose tumoral-α) TOTG - Teste oral de tolerância à glicose TPP - Trabalho de parto prematuro TSH - Thyroid stimulating hormone U/L - Unidade por litro u3 - Unidade ao cubo UFTM - Universidade Federal do Triangulo Mineiro VLDL - Very low density lipoprotein (lipoproteína de muito baixa densidade) SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO........................................................................................................16 1.1 REVISÃO DA LITERATURA................................................................................16 1.1.1 Alterações metabólicas e hormonais durante a gestação normal ............. 16 1.1.2 Síndrome metabólica - risco cardiometabólico - risco cardiovascular ..... 19 1.1.3 Tecido adiposo como “órgão endócrino”, citocinas e gestação ............... 22 1.1.4 Obesidade e gestação.................................................................................... 29 2 OBJETIVOS ........................................................................................................... 32 2.1 OBJETIVO GERAL...............................................................................................32 2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS................................................................................32 3 CASUÍSTICA E MÉTODOS ................................................................................... 33 3.1 CASUÍSTICA........................................................................................................33 3.2 MÉTODOS...........................................................................................................34 3.2.1 Análise estatística .......................................................................................... 37 4 RESULTADOS ....................................................................................................... 42 5 DISCUSSÃO .......................................................................................................... 75 6 CONCLUSÕES ...................................................................................................... 87 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................... 89 ANEXOS ................................................................................................................. 102 16 1 INTRODUÇÃO Estudos recentes sugerem que complicações da gravidez como préeclâmpsia, diabetes mellitus gestacional (DMG), restrição de crescimento intrauterino (RCIU) estão relacionadas à resistência insulínica (RI) e que durante ou após a gestação poderia evoluir para síndrome metabólica (SM) e mais adiante para doença cardiovascular (DCV). (CASTELLANO, 2009). De grande importância se torna a identificação, ainda no período gestacional, de características clínicas e marcadores bioquímicos considerados como fatores de risco cardiometabólico que poderiam predizer o desenvolvimento de DCV, como sobrepeso e obesidade, hipertensão arterial (HA), dislipidemias, diabetes mellitus (DM), estilo de vida sedentário, tabagismo, hiperinsulinemia e mais recentemente alterações da produção e secreção de adipocinas. (LAWERENCE, et al, 2011). O presente trabalho se propõe a avaliar o comportamento de alguns fatores de risco cardiometabólicos e duas adipocinas no ciclo gravídico normal, levando em consideração os três trimestres da gestação em mulheres saudáveis. 1.1 REVISÃO DE LITERATURA 1.1.1 Alterações metabólicas e hormonais durante a gestação normal A gravidez humana saudável está diretamente relacionada a alterações fisiológicas, nutricionais e metabólicas, que objetivam ambiente favorável para o desenvolvimento fetal. No primeiro trimestre, a saúde do feto depende do estado nutricional pré-gestacional da mãe. No segundo e terceiros trimestres interagem outras condições ambientais. Durante a gestação, hormônios são produzidos e secretados por glândulas endócrinas maternas, fetais e pela placenta, sendo observadas interações complexas entre esses três compartimentos. A produção de hormônios pela placenta determina, direta ou indiretamente, adaptações fisiológicas em praticamente todo o organismo materno, inclusive no sistema endócrino, e alterações no metabolismo dos carboidratos e lipídios para garantir fornecimento contínuo de nutrientes para o feto. (ZAVALZA-GÓMEZ, et al., 2008). 17 Os hormônios placentários são considerados os fatores mais importantes da reprogramação na fisiologia materna para atingir um estado de RI, para o qual também influencia o aumento do tecido adiposo materno. (KIRWAN, 2002). A gravidez humana é caracterizada por uma progressiva RI, mas ainda não foram totalmente esclarecidos os mecanismos exatos de como a RI se instala. Vários fatores seriam responsáveis, alguns já bem conhecidos, enquanto outros têm sido investigados. É de consenso que elevadas concentrações séricas de estrogênio (E2) e progesterona induzem maior atividade das células pancreáticas e aumentam a secreção de insulina.(FONSECA, 2008). Além do que ocorrem alterações estruturais e funcionais do pâncreas materno, como hiperplasia e hipertrofia das ilhotas pancreáticas, hiperinsulinismo e progressivo aumento da RI. Segundo Catalano, a ação da insulina no final da gravidez normal é 50-70% menos que em mulheres não grávidas. (CATALANO, 2002). Durante a gestação, ao lado do aumento gradual de E2, da progesterona, dos corticoides e do hormônio lactogênio placentário (HLP), observa-se paralelamente o aumentodo tecido adiposo materno e da RI. (FONSECA, 2008). No início da gravidez, as concentrações séricas de glicose basal e insulina não diferem na mulher não grávida. No segundo trimestre, ocorre aumento da concentração de insulina com sensibilidade normal. No terceiro trimestre, as concentrações de glicose basal decrescem de 10 a 15 mg/dL, a insulina quase dobra em relação aos níveis não gestacionais e as concentrações de glicose pósprandial se tornam significativamente elevadas. A insulina controla a concentração sérica de glicose, de aminoácidos e de ácidos graxos. Na gravidez normal instala-se a RI e amplifica-se a produção de glicose, sendo a glicemia materna regulada pelas necessidades do desenvolvimento fetal. (RYAN, 2003). No término da gestação, com a finalidade de se manter a glicemia materna, há um acréscimo de 200% a 250% na secreção de insulina. A capacidade da insulina de suprimir lipólise também está reduzida ao final da gestação, para assegurar a glicose para as necessidades fetais. (RAMOS, et al., 2003). A placenta produz vários hormônios. Dentre eles, a gonadotrofina coriônica, que favorece a conversão placentária do colesterol materno ligado à lipoproteína de baixa densidade (LDL-colesterol) em pregnenolona e progesterona, e o HLP, que assegura a demanda nutricional do feto através do efeito lipolítico, facilitando a mobilização dos ácidos graxos livres e o aumento da RI periférica materna, a qual 18 propicia maior disponibilidade de glicose para o feto. Portanto, o HLP é diabetogênico e hiperinsulinêmico. (KIRWAN, et al., 2002). Durante a gestação, a placenta também sintetiza e secreta adipocinas, como leptina, adiponectina e resistina, além das adipocinas relacionadas ao sistema imunológico e fatores do crescimento. (BRIANA E MALAMITSI-PUCHNER, 2009). Segundo Hoegh (2005), a placenta é, ao mesmo tempo, origem e destino para as citocinas. É difícil separar a origem da leptina, resistina e outras citocinas, se placentária ou do tecido adiposo materno, mas a influência da adiponectina é exclusivamente de origem materna devido à ausência de ligantes na placenta para sua ação. (HOEGH, et al., 2005). Os lipídios sanguíneos alteram-se durante a gestação humana normal. Os níveis de triglicérides (TG) séricos aumentam com a evolução da gestação, com seu ponto máximo ao final do 1º trimestre. Os níveis do colesterol podem elevar até o dobro do limite normal fora da gestação, sendo que a taxa de lipoproteínas de densidade muito baixa (VLDL-colesterol) aumenta durante a gestação. Essas variações possivelmente ocorrem em decorrência ao aumento do E2. (BAKER, 1993). As necessidades calóricas durante a gravidez aumentam, em média, de 300 kcal/dia. Numa primeira fase, até 24-26 semanas, o aporte energético é direcionado para reservas maternas, ocorrendo deslocamento no equilíbrio entre o metabolismo materno de carboidratos e lipídios. Observa-se redução da glicemia de jejum à custa de armazenamento de gorduras, glicogênese hepática e transporte de glicose para o feto, promovendo o acréscimo do tecido adiposo. Após 24-26 semanas, numa segunda fase, o aporte energético ingerido, bem como as reservas maternas, é direcionado para o crescimento ponderal fetal. Iniciam-se a lipólise, a gliconeogênese e a RI periférica, com aumento do HLP (40 a 70%) associado ao aumento de leptina e fator de necrose tumoral-α (TNF-α). A lipólise leva ao aumento dos ácidos graxos livres, os quais contribuem para a RI periférica, mantendo ambiente hiperglicêmico pós-prandial, com consequente hiperinsulinemia. Durante o jejum, as concentrações plasmáticas de ácidos graxos livres, TG e colesterol estão aumentados. (FONSECA, 2008). 19 1.1.2 Síndrome metabólica - risco cardiometabólico - risco cardiovascular Segundo Lawerence (2011), o termo cardiometabólico descreve uma lista completa de fatores existentes e emergentes que predizem a doença cardiovascular e/ou diabetes mellitus. O termo destina-se a incentivar a consideração de fatores além dos fatores tradicionais, incluindo os fatores emergentes, visa identificar as fontes do risco e não quantifica-lo. Assim como na SM se relaciona a processo aterogênico e desenvolvimento de DM tipo 2, bem como morbimortalidade resultante. O termo foi usado pela primeira vez pela American Diabetes Association (ECKEL, et al., 2006) para incluir todos os fatores de risco para DM e DCV, também descrito por Després e le Lemieux em 2006. A expressão SM é um subconjunto específico do risco cardiometabólico que quando juntos aumentam o risco de DCV. Descreve um conjunto de fatores mais limitados ligados a RI, associados a obesidade abdominal.(DESPRÉS, et al., 2008). A velocidade na evolução tecnológica e no aumento da conectividade vem provocando modificações na vida do homem, notadamente quanto ao estilo de vida, padrão alimentar, psicológico e metabólico. O homem passou a ter dieta hipercalórica, a ser sedentário e a desenvolver alto nível de estresse psicossocial, deixando-o muito mais suscetível à SM, doença multifatorial, cujo desenvolvimento depende de associações de fatores genéticos e do estilo de vida, como padrão alimentar ruim, sedentarismo e obesidade. Historicamente, desde o século passado (1929) têm sido feitas associações entre obesidade, alteração do metabolismo da glicose e HA. Segundo Godoy-Matos (2005), foi em 1936 que se caracterizou a RI, quando Himms-Worth reconheceu a existência de dois tipos de DM, no tocante à sensibilidade à ação da insulina. Na década de 1940, Jean Vague reconheceu a existência de dois tipos de obesidade “andróide e ginecóide”. Vague publicou alguns estudos mostrando a associação da obesidade andróide (predominantemente abdominal) e diabetes mellitus do tipo dois (DM2), hiperlipidemia e hiperuricemia. (GODOY-MATOS, 2005). Uma maior compreensão sobre RI aconteceu em 1979, quando De Fronzo; Tobin; Andres introduziram a técnica do clamp hiperglicêmico e do clamp hiperinsulinêmico normoglicêmico. Segundo Godoy-Matos, (2005) na década de 1980, o grupo de Matsuzawa, no Japão, mensurou a gordura abdominal por meio de tomografia computadorizada e demostrou que era o compartimento intra-abdominal visceral que 20 mais se associava com a intolerância à glicose e com fatores de risco, como hipertrigliceridemia. Em 1987, Reaven e Hoffman especularam a unificação das anormalidades no metabolismo da glicose, dos lipídios e da HA com a RI e associaram-nas ao risco de doença aterosclerótica. (REAVEN E HOFFMAN, 1987). Reaven reconheceu a obesidade como um componente da SM, em publicação posterior, 1993. (GODOY-MATOS, 2005). A partir da percepção do tecido adiposo como órgão produtor e secretor de hormônios, obteve-se um grande avanço do conhecimento da SM. Inúmeros estudos têm sido realizados na tentativa de descobrir sua etiopatogenia e fatores associados. Clinicamente, a síndrome de resistência insulínica inclui a RI com ou sem DM2, HA, obesidade (especialmente central), dislipidemia, disfunção endotelial e doença cardiovascular, presença de partículas pequenas e densas de lipoproteínas de baixa densidade, hipercoagulabilidade, hiperuricemia e síndrome de ovários policísticos (anovulação crônica associada ao hiperandrogenismo). (GODOYMATOS, 2005). O ponto comum parece ser a resistência dos tecidos periféricos à insulina como um estado de resposta biológica subnormal aos níveis circulantes de insulina. A RI consiste em um distúrbio metabólico que se manifesta por redução na utilização da glicose pelo músculo esquelético periférico (FERRANNINI, 1997). Apresenta componente genético (cromossomos 3, 7 e 17), que é transmitido ao longo das gerações e tem sido associado à disfunção endotelial, presente na SM. Devido à variedade e heterogeneidade de suas manifestações, e falta de consenso, várias sociedades recomendam critérios diagnósticos entre elas a Organização Mundial da Saúde (OMS) (ALBERTI E ZIMMET, 1998); a American Association of Clinical Endocrinologists (AACE, 2003), as diretrizes do programa NCEP ATP III (National Cholesterol Education Program Adult Treatment Panel), que é o mais frequentemente empregado na clínica (EXPERT PANEL, 2001), e International Diabetes Federation (IDF) (CAPANEMA, 2010). Segundo os critérios do ATP III, define-se como portador de síndrome metabólica o paciente que apresentar três ou mais dos fatores de riscos a seguir: circunferência abdominal > 102 cm para homens e > 88 cm para mulheres; pressão arterial ≥ 130 mmHg sistólica e/ou ≥ 85 mmHg diastólica; glicose plasmática ≥ 110 mg/dL; 21 TG > 150 mg/dL; HDL-colesterol < 40 mg/dL para homens e < 50 mg/dL para mulheres. Fazendo parte importante de todo esse contexto está a obesidade, a qual atualmente é um problema de saúde pública em todo o mundo, uma epidemia global, atingindo países desenvolvidos e em desenvolvimento. Dados de 2003-2004 (NHANES) relatam que 66% dos adultos americanos estão acima do peso. E a porcentagem de adultos obesos aumentou de 23% para 32% nos últimos 10 anos. Fazendo parte dessa epidemia de obesidade encontram-se as mulheres em idade reprodutiva, aumentando a taxa de sobrepeso e obesidade durante a gestação (CDC website). No Brasil, a situação não é diferente. Pesquisa do Ministério da Saúde revelou que 15,8% da população brasileira estão obesa, 52% dos homens e 45% das mulheres estão acima do peso. Há epidemia de obesidade em todas as classes sociais e idade, interferindo no presente e futuro da saúde da população. Segundo esta pesquisa, nos últimos seis anos a proporção de pessoas acima do peso no Brasil avançou de 42,7%, em 2006, para 48,5%, em 2011. No mesmo período, o percentual de obesos aumentou de 11,4 para 15,8 %. Entre as mulheres de 18 e 24 anos, 25% estão com excesso de peso. Entre as de 25 e 34 anos, o percentual atinge 39%. Na faixa etária de 45 e 54 anos, o percentual atinge 55,9% delas. (SCHMIDT E TELES, 2011). A OMS define sobrepeso e obesidade como o acúmulo anormal ou excessivo de tecido adiposo no organismo, que pode levar ao desenvolvimento de várias doenças crônicas, como HA, Dislipidemia, DM, DCV e morte. A obesidade, tendo prevalência cada vez maior, apresenta um intenso impacto sobre essas doenças, elevando a mortalidade em duas vezes, o risco de DCV em três vezes e o risco de DM em cinco vezes, quando em comparação com a população que não apresenta a SM. (KEEN, et al., 1965; ISOMAA, 2001). A obesidade foi reconhecida como doença desde 1985 (GREENWAY E SMITH, 2000), o que foi fundamental para estabelecer a necessidade de seu tratamento. Os estudos (NCEP, 1999) vêm demonstrando que, mais importante que o excesso de peso é a distribuição de gordura corporal. O depósito em excesso da gordura visceral na região abdominal é o que leva ao maior risco de doenças relacionadas ao estado de RI. 22 A pesquisa fisiológica de Reaven documentou que a resistência tecidual aos efeitos da insulina era uma característica da obesidade e um precursor fisiopatológico do DM2, bem como da HA e dislipidemia. (REAVEN E HOFFMAN, 1987). Obesidade e RI estão geralmente presentes por muitos anos antes do aparecimento destas doenças (CABALLERO, 2003), e a gestação pode ser um momento importante no diagnóstico precoce dessa tendência orgânica. 1.1.3 Tecido adiposo como “órgão endócrino”, citocinas e gestação. O tecido adiposo está distribuído em diversos sítios anatômicos; é composto pelos compartimentos subcutâneo e visceral (KLAUS, 2004) e por dois tipos citológicos, tecido adiposo marrom e tecido adiposo branco. Os adipócitos são células especializadas em estocar energia, fornecer proteção mecânica, regular temperatura corporal, sendo regulados através de controle hormonal e neural. A descoberta de que os adipócitos secretam fatores envolvidos na regulação da ingestão de alimentos e na homeostase energética fez emergir um conceito muito mais complexo e dinâmico, elucidando seu papel no desenvolvimento da obesidade e na patogênese da SM. As citocinas são proteínas que mediam a comunicação intracelular por transmitirem informações às células-alvo, via interações com receptores específicos. As citocinas sintetizadas e secretadas pelo tecido adiposo foram denominadas coletivamente de adipocinas. Exercem efeitos diretos ou indiretos no músculo, gordura e células hepáticas. (FRIEDMAN e HALAAS, 1998; HALAAS e FRIEDMAN, 1997). As adipocinas são hormônios protéicos produzidos preferencialmente pela gordura visceral e o aumento de suas concentrações leva à RI. (HENDLER, et al., 2005). O fato de muitas citocinas e proteínas de fase aguda inflamatória apresentarem níveis séricos aumentados na obesidade resultou na percepção da obesidade como estado de inflamação crônica, motivando os estudos dos mediadores inflamatórios como fatores preditivos de doenças metabólica e DM2, sendo que nesta última os dados foram confirmados. (DANDONA, 2004). As adipocinas são proteínas solúveis, de baixo peso molecular com diversas funções metabólicas e endócrinas que participam da inflamação e resposta do sistema imune. Elas são altamente diversificadas em termos de estrutura protéica e 23 função fisiológica. O adipócito produz uma série de adipocinas, entre elas leptina, adiponectina, as quais são mais abundantemente sintetizadas, e também resistina, visfatina, interleucina 6, TNF- α, interleucina-1, angiotensina e receptor ativado pelo proliferador de peroxissomos gama. (KIM e MOUSTAID-MOUSSA, 2000). A leptina é uma proteína com 167 aminoácidos (aa) e 16 KDa, codificada pelo gene ob, identificada em 1994, sendo sintetizada predominantemente no tecido adiposo, e liberada na circulação proporcionalmente à quantidade de depósito de lipídios. Ela atua no controle da saciedade e homeostase energética, agindo nos receptores do hipotálamo, diminuindo a ingestão de alimentos e aumentando o gasto de energia. Ela também influencia na secreção de insulina, na utilização de glicose, na síntese de glicogênio, no metabolismo de ácidos graxos e na inflamação. (WAUTERS; CONSIDINE; VAN GAAL, 2000). Atua nos linfócitos-T aumentando a produção de linfocinas pró-inflamatórias e regula a memória das células-T. Portanto, o estado nutricional exerce influência sobre a função imune através da leptina. (MARTI; MARCOS; MARTINEZ, 2001; LORD, et al., 1998). Segundo Carvalho, Colaço, Fortes (2006): alguns estudos têm demonstrado que a leptina é uma molécula pleiotrópica com uma ampla variedade de ações biológicas como função reprodutora, regulação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, metabolismo da insulina e glicose, lipólise, atividade do sistema nervoso simpático, resposta imune, hematopoiese e angiogênese. Van Gaal et al. (1999) demonstraram a relação positiva entre aumento do peso corporal e aumento dos níveis séricos de leptina, sendo níveis elevados associados a mulheres obesas não gestantes. Trata-se de uma proteína com mecanismo de regulação ligado ao sexo, sendo que as mulheres apresentam maior concentração sérica que os homens na mesma idade; recém-nascidos femininos apresentam maior concentração sérica que recém-nascidos masculinos. (YANG E KIM, 2000; PETRIDOU, et al., 2005). Na gestação normal têm sido observadas elevações dos níveis séricos de leptina, relacionadas tanto com a manutenção do gasto energético quanto com a RI fisiológica da gravidez. (HAUGUEL-MOUZON; LEPERCQ; CATALANO, 2006). As concentrações aumentam significantemente durante o segundo e terceiro trimestres da gestação (150 a 200%), associadas às crescentes concentrações de E2. O aumento da concentração sérica no primeiro trimestre, antes do ganho de peso 24 materno, sugere que outros fatores além da adiposidade modulam os níveis de leptina. (BRIANA E MALAMITSI-PUCHNER, 2009). Durante a gravidez normal os adipócitos maternos, fetais e a placenta, produzem e secretam leptina. Segundo Hauguel-de Mouzon et al. (2006), e Masuzaki et al. (1997), em torno de 95% da leptina produzida pela placenta é liberada na circulação materna, modulando o gasto energético, o metabolismo, o crescimento placentário (implantação, função endócrina), a transferência de nutrientes (desenvolvimento do concepto), a angiogênese e a invasão trofoblástica. Os outros 5% são secretados na circulação fetal. A diminuição da concentração sérica materna após o parto demonstra a importância da produção placentária. Zavalza-Gómez et al. (2008), em um estudo de revisão, relataram que adipócitos cultivados na presença de gonadotrofina coriônica e E2 aumentam a produção de leptina, que explica o aumento dos níveis de leptina no curso da gravidez, independente do peso. Eles sugerem que os níveis de leptina materna não se relacionam com o peso fetal. Medidas seriadas de leptina durante a gestação têm mostrado concentração máxima de 30 µg/L entre 22 e 27 semanas de gestação, com uma diminuição para 25,2 µg/L entre 34 e 39 semanas de gestação, sendo os níveis séricos nas 36 semanas de gestação 1,7 vezes maior que no pós-parto. Observaram, ainda, que a leptina sérica correlaciona-se positivamente com a massa de gordura durante a gestação e no pós-parto. Quando a mulher obesa, com níveis elevados de leptina, engravida, ela terá mais chance de desenvolver DMG, sendo os níveis de leptina um dos fatores causais. (MAGHBOOLI, et al., 2007). Segundo Lepercq et al. (2003), “o aumento exagerado de sua concentração no sangue materno, acoplado com a invasão trofoblástica inadequada, favorece o desenvolvimento da pré-eclampsia e serve como marcador para insuficiência placentária”. Outra citocina de destaque durante a gestação, a adiponectina estruturalmente pertence à superfamília do colágeno. Trata-se de uma proteína de 247 aa com aproximadamente 30 KDa, secretada especificamente pelo tecido adiposo. Entretanto suas concentrações apresentam uma relação inversa à quantidade de tecido adiposo. Hormônio envolvido na homeostase energética, através da modulação do metabolismo glicídico e lipídico, adicionalmente tem propriedades anti-inflamatórias, antidiabética, antitumoral, antiaterogênica, 25 sensibilizadora da insulina e angiogênica. (CHANDRAN, et al., 2003). Descoberta em meados de 1995, ela difere das outras adipocinas em quase todas suas propriedades e efeitos biológicos. Seus efeitos metabólicos incluem aumento da sensibilidade à insulina no fígado (reduz a produção hepática de glicose e a oxidação dos ácidos graxos), no músculo (estimula a captação de glicose no músculo esquelético) e no tecido adiposo, onde promove oxidação dos ácidos graxos. Na vasculatura, altera os efeitos adversos das citocinas, aumentando o óxido nítrico (NO) endotelial. Sua resposta antiinflamatória parece ser mediada pelas concentrações de outras citocinas pró–inflamatórias, como IL-6, proteína C reativa (PCR), e TNF-α. A adiponectina é inibida por atividade adrenérgica, glicocorticóide, pelo TNF-α, e pelo dibutiril-cAMP. (FAUSSHAUER, et al., 2002). As concentrações séricas de adiponectina são consideráveis em humanos, embora os limites normais ainda estejam mal definidos, variando dependendo do estudo e do método de dosagem. Koerner; Kratzsch; Kiess (2005), encontraram concentrações plasmáticas em torno de 10 µg/ml, equivalendo 0,01% das proteínas totais do soro. Segundo Berg et al., 2002, as concentrações plasmáticas em indivíduos sadios foram de 1,9 a 17 µg/ml. Arita et al., 1999, encontraram uma variação de 3,0 a 30 µg/ml em indivíduos normais, correspondendo a aproximadamente 0,001 a 0,05% das proteínas plasmáticas totais. Sua meia-vida é de 2,5 horas na corrente sanguínea. (HOFFSTEDT, et al., 2004). Segundo Matsuzawa et al. (2004), o nível plasmático do RNA mensageiro da adiponectina está reduzido na obesidade e em estados de RI. Eles se correlacionam negativamente com a porcentagem de gordura corpórea, distribuição de gordura central, insulina plasmática no jejum, com teste oral de tolerância à glicose (TOTG) e com fatores de risco cardiovascular associados à obesidade, incluindo pressão arterial sistólica (PAS) e pressão arterial diastólica (PAD), colesterol total, TG, LDLcolesterol e ácido úrico. Alguns estudos têm demonstrado que os níveis de adiponectina aumentaram após perda de peso em indivíduos obesos, sugerindo que o tecido adiposo exerce um feedback negativo sobre a produção e secreção de adiponectinemia. A hipoadiponectinemia está relacionada com RI, hiperleptinemia e SM. (ESPOSITO, et al., 2004; ABBASI, et al., 2004). 26 As mulheres apresentam níveis de adiponectina duas vezes maior do que os homens, fato atribuído pela ação inibitória dos androgênios sobre a mesma. Na gravidez normal, os níveis séricos de adiponectina diminuem progressivamente na medida em que a gravidez evolui e instala-se a RI. (ZAVALZAGOMEZ, et al., 2008). Esta se desenvolve na segunda metade da gestação, concomitante com o aumento do peso materno. Todavia, a secreção e níveis séricos de RNA-m da adiponectina diminuem com a progressão da gravidez, mesmo em mulheres magras, sugerindo que existem outros fatores associados à gravidez que reduzem os níveis de adiponectina. Portanto, a fisiologia da gravidez normal compreende mudanças que podem afetar os níveis de adiponectina. (CATALANO, et al., 2006). Receptores de adiponectina são abundantes na placenta humana, enquanto que a produção de adiponectina pela placenta é discutível. (CHEN, et al., 2006). A recente detecção de adiponectina no cordão umbilical sugere um importante papel no desenvolvimento fetal intrauterino. O desenvolvimento do tecido adiposo fetal é regulado pela interação complexa de fatores de transcrição, nutrientes e adipocinas. (KIESS, et al., 2008). Vários estudos associam a diminuição dos níveis séricos de adiponectina com situações patológicas durante a gravidez, como diabetes mellitus, restrição de crescimento intrauterino. (CORTELAZZI, et al., 2007). Na pré-eclâmpsia (PE) há evidências de que adiponectina interage com muitos fatores de risco, como RI, desordem inflamatória, reatividade vascular anormal, sugerindo que a adiponectina pode desempenhar um papel importante nesta doença. (FERNANDEZ-REAL, et al., 2004). Os estudos demostram que a adiponectina está diminuída na obesidade, o que pode conferir um aumento substancial para o risco de DM, DCV, sugerindo que ela pode contribuir diretamente para a patogênese de tais doenças. (TRUJILLO E SCHERER, 2005). Outras citocinas como o TNF-α, interleucina-6 (IL-6) e inreleucina-1 (IL1) são citocinas pró-inflamatórias secretadas por vários tecidos, incluindo o adiposo. Encontram-se elevadas em mulheres obesas não grávidas, (GREENBERG E OBIN, 2006), e parece que contribuem significativamente para a instalação da RI. (PICKUP et al., 2000). São mediadores inflamatórios compostos derivados do hospedeiro que são secretados por células ativadas e servem para aliviar ou aumentar aspectos 27 específicos da inflamação. Estes compostos são ditos pró-inflamatórios, significando que eles promovem inflamação. Garcia et al. (1988), demonstraram que soro de gestante suprime o efeito da IL-1, inibindo sua síntese ou bloqueando sua ação num ensaio de atividade de timócitos. Esse efeito inibidor pode ser responsável pela aceitação materna do aloenxerto fetal. Em condições normais, o tecido adiposo produz uma quantidade relativamente grande de TNF-α: uma porcentagem se origina do próprio adipócito, outra porcentagem é secretada por monócitos e macrófagos infiltrados no tecido adiposo. (WEISBERG, 2003). Ele seria um fator regulador interno do adipócito, influenciando vários processos intracelulares, como a apoptose. O TNF-α produzido no tecido adiposo não é secretado na circulação sistêmica, entretanto estudos sugerem relação positiva entre concentração de TNF-α sérico e obesidade. (BULLO, et al., 2003). O TNF-α influencia várias funções biológicas como imunorregulação, coagulação, regulação da função endotelial, modulação e diferenciação do crescimento celular. Induz geração de radicais livres, produção mitocondrial de radicais superóxidos, considerados passos fundamentais na ação citotóxica. (GAMBLE, et. al., 1985). A IL-6 também é uma citocina multifuncional com papéis fundamentais na resposta inflamatória e na diferenciação de células T e na imunidade adaptativa. É amplamente expressa no aparelho reprodutor feminino e durante a gestação. Exerce função de regulação do embrião, implantação e desenvolvimento da placenta, e adaptações imunológicas para tolerar a gravidez. Sua maior ou menor produção na gestação está relacionada à infertilidade, abortamento de repetição, parto pré-termo e PE. Foi relatada pela primeira vez em 1986. (HIRANO, et al., 1986). É produzida por uma grande variedade de células, como as células dendríticas, macrófagos, linfócitos, queratinócitos, fibroblastos, células epiteliais, astrócitos, e trofoblasto placentário. (BOWEN, et al., 2002). Ela é produzida, sobretudo, pelo macrófago do tecido adiposo (Eder, et al., 2009) e atinge concentrações elevadas na obesidade. (POU, et al., 2007). Lesões, infecções, estresse induzem produção de IL-6, e sua expressão está aumentada em doenças inflamatórias crônicas e autoimunes. Durante a gestação normal, IL-6 e TNF-α aumentam seus níveis séricos no terceiro trimestre (3ºT) da gravidez e esse aumento se dá principalmente devido à produção placentária, a qual tem sido relacionada à RI. (CSEH, et al., 2002). Níveis 28 séricos aumentados acima do que ocorre na gestação normal têm sido observados no DMG, na PE e na RCIU, relacionados com grau de severidade das doenças. (MONTAGNANA, et al., 2008; ATEGBO, et al., 2006). A IL-6 é capaz de desencadear a produção de derivados plaquetários, fatores de crescimento, aumento da relação tromboxano A2/prostaciclina nestas desordens. Outra interleucina, interleucina-10 (IL-10), apresenta funções reguladoras de imunorregulação e inflamação, inibindo a atividade e função dos macrófagos, supressão da imunidade mediada por célulase inibição da produção de NO (GOTSCH, et al., 2008). Atua inibindo citocinas inflamatórias, alguns fatores do crescimento (fator estimulador de colônias de granulócitos e macrófagos), quimiocinas produzidas por fagócitos mononucleares (proteína inibidora do macrófago 1- α), o interferon gama e TNF- α. Tem capacidade de autorregulação inibindo seu próprio RNA-m. (MOCELLIN, et al., 2003). Ela é produzida por monócitos, macrófagos, linfócitos Be células Th2. (MOSMANN, et al., 1990). Os monócitos têm um papel importante na homeostase, devido a sua capacidade de expressar o fator tecidual, o iniciador da coagulação do sangue in vivo. A IL-10 por sua vez exerce efeito inibitório na expressão do fator tecidual do monócito, também desempenhando um papel na homeostase in vivo. (JUNGI, et al.,1994). Estudos recentes demonstraram que os monócitos (fator tecidual) apresentam menor concentração em mulheres grávidas comparados com mulheres não grávidas. Seria este o motivo para menor incidência de fenômenos trombóticos na gestação, mesmo sendo um estado de hipercoagubilidade. (HOLMES, et al.,2002). A IL-10 tem um papel importante durante a gestação, pelo fato de estar envolvida na maturação e manutenção do corpo lúteo e na produção de progesterona. (HASHII, et al., 1998). Relaciona-se com as variações hormonais da gestação, progesterona e 17-beta estradiol, os quais aumentam durante toda a gestação. A progesterona estimula a produção de IL-10 pelo linfócito, através de um fator bloqueador induzido pela progesterona. (SZEKERES-BARTHO, et al., 2001). Existem controvérsias se a placenta produz IL-10. Segundo Roth et al.,1996, o trofoblasto produz uma citocina pró-inflamatória (TNF-α) e uma citocina imunorreguladora(IL-10). Eles postularam que aprodução de IL-10 pela placenta serve para proteger o feto da resposta Th1 mediada por células. Para outros autores não seria o citotrofoblasto e sim o leucócito decidual o produtor de IL-10. (SACKS, et 29 al., 2001). Por outro lado, a produção de IL-10 pela placenta pode afetar a circulação da unidade feto-placentária, levando a uma menor produção de NO, inibindo o fator estimulante de colônias de granulócitos e macrófagos. (MOLINA; ROMERO; RUIZ, 1999). Existe uma inter-relação entre as várias adipocinas. A adiponectina é inversamente proporcional à concentração de PCR, pode inibir indiretamente a produção de IL-6 e PCR via inibição de TNF-α (OUCHI, et al., 2003). Tanto a IL-6 como TNF-α contribuem para a formação de PCR no fígado. (BLAKE E RIDKER, 2001). Adiponectina e TNF-α inibem a produção mútua no tecido adiposo e desta forma a adiponectina se opõe ao efeito inflamatório do TNF-α (OUCHI et al., 1999). A síntese de leptina é estimulada pelo TNF-α e IL-6, o aumento dessas citocinas pode explicar a anorexia e perda de peso que ocorre nos processos inflamatórios, (FRUHBECK, et al, 2001) e a hiperleptinemia na obesidade. (SETHI E HOTAMISLIGIL, 1999). Segundo Prado et al. (2009), a obesidade altera a produção das adipocinas que levam a grandes mudanças nas funções corporais, como controle da ingestão alimentar, balanço energético, sistema imune, sensibilidade à insulina, angiogênese, pressão arterial, metabolismo lipídico, e homeostase corporal. 1.1.4 Obesidade e gestação Em média, a gestante deveria ganhar em torno de 12,5 kg durante os nove meses de gestação, sendo em torno de 2,3 kg durante o 1º trimestre, o restante nos dois últimos trimestres e, do total, 3,6 kg são realmente de gordura materna. Não existe um consenso quanto à definição de obesidade na gestação. Enquanto muitos autores utilizam o estado nutricional antropométrico, ou seja, o índice de massa corporal (IMC) pré-gestacional como parâmetro, outros utilizam o IMC no primeiro trimestre de gestação maior que 30, enquanto outros utilizam o peso corporal da gestante superior a 150% do peso ideal. O mais utilizado é o IMC [peso (Kg) / altura2 (m2)] pré-gravídico, segundo o qual as gestantes são classificadas em baixo peso (menor 18,5 kg/m2), peso normal (18,5 a 24,9 kg/m2), obesidade grau I ou sobrepeso (25 a 29,9 kg/m2), obesidade grau II ou obesa (30 a 39,9 kg/m 2) e obesidade grau III ou obesidade mórbida (maior ou igual a 40 kg/m 2). (World Health Organization, 2000). Essa obesidade gestacional geralmente é condicionada à maior ingestão 30 calórica associada à menor atividade física em todas as faixas etárias e classes sociais. Segundo o American College of Obstetricians and Gynocologists (1993), a gestante com baixo peso deveria ganhar de 12,5 a 18 kg durante a gravidez, a gestante com peso normal, de 11,5 a 16 Kg, a gestante com obesidade I e II, de 7,0 a 11,5 kg, a gestante com obesidade III, em torno de 7,0 Kg, e a gestante gemelar, de 15,0 a 20,0 kg. A gestação pode atuar como fator desencadeante da obesidade, influenciando a composição corpórea da mulher, ou como agravante, quando for pré-existente. (MATAR, et al., 2009). Fraser (2006) demonstrou que após a gravidez as mulheres com obesidade II e III apresentaram diferença em sua composição corpórea quando comparadas com mulheres com IMC normal ou sobrepeso. Os dois grupos tiveram perda de peso semelhante, mas a porcentagem de peso perdido em gordura no grupo de gestantes de peso normal chegava a ser quatro vezes maior que no grupo das obesas, no período de um ano. Além de apresentar maior depósito de gordura corporal, esse era de gordura visceral, já que não havia diferença na medida de prega cutânea. Os efeitos adversos da obesidade sobre a gravidez são relacionados a diferentes fatores, incluindo o desequilíbrio de subpopulações de linfócitos T e ao grau de RI. Segundo Castelano Filho et al. (2009): é razoável especular que o acúmulo de gordura visceral durante a gravidez possa induzir a desregulação na produção das adipocinas. A combinação de obesidade e gestação resulta no desenvolvimento de processo inflamatório intenso, tanto na unidade materno-fetal como em nível sistêmico, aumentando o risco de complicações obstétricas. Essas alterações metabólicas vasculares e inflamatórias podem levar a complicações durante o pré-natal, parto, no pós-parto e por vezes permanecem por toda a vida da mulher, estabelecendo as bases para a doença metabólica e complicações cardiovasculares. (RAMSAY, et al., 2002). Segundo Ramsay et al. (2002), o estado pró-inflamatório da obesidade possui papel importante na fisiopatologia de complicações obstétricas. O risco de PE dobra a cada aumento de 5 a 7 kg/m2 do IMC, da mesma forma que, quanto maior for o IMC materno inicial, maior será o risco de DMG. (O'BRIEN; RAY; CHAN, 2003). As mulheres obesas também apresentam maior risco para trabalho de parto 31 prolongado, parto cirúrgico, RCIU, desproporção céfalo-pelvica, trauma, asfixia, morte perinatal e prematuridade. (NELSON; MATTHEWS; POSTON, 2010). Segundo Coppack (2001), existe associação sinérgica dos hormônios placentários, obesidade e secreção de citocinas pró-inflamatórias pelo tecido adiposo, o que pode ser a chave para compreensão de como se desenvolve a resistência à insulina durante a gravidez. Os sinais que regulam a secreção dessas moléculas ainda não estão totalmente elucidados. Evidências publicadas sugerem que as adipocinas exercem um papel importante na RI, gordura corporal, ingestão de alimentos e gasto energético. (ZAVALZA-GOMEZ, et al., 2008). Portanto, elas regulam o metabolismo energético materno e a sensibilidade à insulina durante a gestação normal. (MAZAKI-TOVI, KANETY, SIVAN, 2005; SAGAWA, et al., 2002). Elas têm sido relacionadas com complicações na gravidez, como DMG, PE e RCIU. (HAUGEN, et al., 2006; BRIANA, et al.,2008). As DCV são responsáveis por 30% das mortes em nosso país (www.datasus.com.br). Os fatores de risco para DCV são bem conhecidos. Grundy et al. (1999), demonstraram em seu estudo alguns fatores de risco indiscutíveis para DCV, como LDL-colesterol elevado, lipoproteína de alto peso molecular (HDLcolesterol) diminuído, hipertensão arterial sistêmica (HAS), fumo, idade, DM, e, potencializando esses fatores, história familiar precoce de doença isquêmica cardíaca, obesidade, sedentarismo, etnia e fatores psicossociais. Existe um terceiro grupo de fatores que provavelmente são de risco para DCV, que são TG, homocisteína, LDL-colesterol pequena e densa, fibrinogênio e fatores inflamatórios. É discutível se a menopausa funciona como um fator de risco. Apesar de bem estabelecidos, esses fatores não recebem a devida atenção e deixam de ser controlados. Atualmente, como já referido anteriormente, vários países vivenciam epidemia de obesidade, que na maioria das vezes se acompanha da dislipidemia, sedentarismo, maior incidência de HA e DM, alterações dos fatores inflamatórios e adipocinas, caracterizando a íntima relação entre DCV e SM, tendo como substrato comum a RI. Na gestação já existe RI fisiológica, à qual se associam frequentemente os fatores supracitados. O conhecimento dos fatores de risco cardiometabólicos e o conhecimento de como se comportam durante a gestação poderão auxiliar em sua abordagem clínica preventiva. 32 2 OBJETIVOS 2.1 OBJETIVO GERAL Estudar o comportamento de alguns fatores de risco cardiometabólicos, clínicos e laboratoriais, durante o ciclo gravídico normal, bem como as concentrações séricas de leptina e adiponectina. 2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS Em três momentos da gestação, compreendendo 1º trimestre (1ºT) (idade gestacional ≤ 20 semanas), 2º trimestre (2ºT) (idade gestacional entre 21 e 29 semanas) e 3º trimestre (3ºT) (≥ 30 semanas), será observado o comportamento das seguintes variáveis: 1- Clínicas: PAS, PAD, peso e IMC. 2- Laboratoriais: colesterol total e frações, TG, ácido úrico, glicemia de jejum, glicemia durante o teste de tolerância oral de glicose (TOTG), insulina, Homeostasis model assessment insulin resistance (HOMA-IR), relação insulina/glicose, concentrações séricas de cortisol, leptina e adiponectina. 3- Será observada a existência ou não de correlação entre os fatores clínicos e laboratoriais. 4- Avaliar se a adolescência e a obesidade interferem no comportamento destes fatores. 33 3 CASUÍSTICA E MÉTODOS 3.1 CASUÍSTICA O projeto do presente estudo foi apresentado e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFTM, sob o número de protocolo 2067/2011 (Anexo I). As gestantes do ambulatório de pré-natal de baixo risco foram aleatoriamente convidadas a participar da pesquisa simultaneamente ao acompanhamento do prénatal. Considerou-se, como critérios de inclusão idade gestacionais (IG) menores que 20 semanas, e, como critério de exclusão, gestação múltipla e a ocorrência de doença cardiometabólica prévia como HAS, DM. Selecionadas 25 gestantes que concordaram espontaneamente em participar do estudo e que após lerem, compreenderem e assinarem o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Anexos II e III) as mesmas passaram a integrar o estudo. Na primeira entrevista realizada, com IG média de 16 semanas, as pacientes apresentavam idade entre 13 e 34 anos (média: 22 anos) (Tabela 1); além do exame clínico pré-natal de rotina (CARVALHO, 2008), fizeram exame antropométrico, mensuração da PA segundo métodos convencionais (LOPEZ E JAURENTYS, 1999), observação de marcadores clínicos de RI, como acantose nigrans e antecedentes pessoais e familiares. Também na primeira consulta colheram-se dados demográficos. (Tabela 2 e Tabela 3). No exame antropométrico foram obtidos peso (kg), altura (m) e calculado o IMC (Kg/m2). Baseado no peso autorreferido também se calculou o IMC prégestacional sendo as gestantes classificadas, segundo o estado nutricional, em magras (IMC < 18,5kg/m2), peso normal (IMC ≥ 18,5 e < 25kg/m2), com sobrepeso (IMC ≥25 e <30kg/m2) ou obesas (IMC≥30kg/m2). (World Health Organization, 2000). Após a primeira consulta, foram colhidos exames preliminares para avaliar o estado de saúde das gestantes e afastar comorbidades, como função renal (uréia e creatinina), função hepática: transaminase glutâmica oxalacética (TGO) e transaminase glutâmica pirúvica (TGP), hemograma, função tireoidiana: thyroid stimulating hormone (TSH) e tiroxina livre (T4 livre), glicemia de jejum (Tabela 4), bem como os exames de rotina do pré-natal. (CARVALHO, 2008). 34 3.2 MÉTODOS A partir da primeira consulta as pacientes fizeram acompanhamento clínico e laboratorial, no 1º T (IG ≤ 20 semanas), 2º T (IG entre 21 e 29 semanas) e 3º T (≥ 30 semanas). O cálculo da idade gestacional (IG) foi feito baseado na data da ultima menstruação e/ou IG do primeiro exame de ultrassonografia, caso esse tivesse sido realizado antes da 18ª semana de gestação. A IG foi dada em semanas completas. (CARVALHO, 2008). A colheita sanguínea do 1º T foi feita entre nove e 20 semanas gestacionais (media: 16 semanas), a do 2º T, entre 24 e 29 semanas gestacionais (media: 27 semanas) e a do 3º T, entre 30 e 39 semanas gestacionais (media: 35 semanas). No momento do parto, foi calculada a IG, obtido peso, comprimento e índide de Apgar fetal, (COSTA VAZ, et al., 2003; RAMOS, et al., 2003), sendo o recémnascido classificado, segundo Lubchenco (1963) como pequeno para idade gestacional (PIG), se percentil menor que 10%; adequado para idade gestacional (AIG), se estiver entre 10% e 90%, e grande para idade gestacional (GIG), se percentil maior que 90%. Neste momento, também se procedeu à quarta aferição do peso e ao cálculo do IMC materno. Ao longo do seguimento obstétrico, as pacientes foram submetidas ao ultrassom obstétrico com doppler entre 26 e 30 semanas e repetido entre 32 e 36 semanas de gestação. Intercorrências clínicas e complicações obstétricas foram catalogadas. Em cada um destes momentos referidos como 1º, 2º e 3º trimestres foram colhidas amostras de sangue após um período de 10 a 12 horas de jejum, entre sete e nove horas da manhã. As amostras foram encaminhadas ao laboratório do Hospital de Clínicas da UFTM, onde foram centrifugadas e o soro obtido, separado em três alíquotas. Uma delas foi encaminhada para processamento imediato dos exames bioquímicos. Duas alíquotas foram armazenadas a -20 ºC até o momento da realização dos ensaios hormonais e das citocinas de interesse. Os exames bioquímicos feitos no setor do laboratório dedicado a análises clínicas empregaram sistema de automação Cobas 6000 (módulo E601) e Cobas 35 E411 da Roche-Hitachi, utilizando-se os métodos de dosagem padronizados pelo referido setor. Foram feitas as seguintes dosagens bioquímicas: Glicose sanguínea de jejum; dosada empregando-se o método enzimático com hexoquinase (ESTRIDGE E REYNOLDS, 2011) com os limites de normalidade entre 70 e 90mg/dL. Na gestante consideramos anormal quando dois ou mais testes apresentarem valores iguais ou superiores a 105 ng/dL. (CARVALHO, 2008). TOTG: realizado empregando-se o método enzimático com hexoquinase (ESTRIDGE E REYNOLDS, 2011) com limite de normalidade ≤ 140 mg/dL aos 120 minutos, utilizando 75g de dextrose. Colesterol total e frações: dosados pelo método colorimétrico enzimático (MOURA, et al., 2008), cujos valores de referência são: colesterol total: menor que 200 mg/dL (abaixo de 19 anos: menor que 170 mg/dL); HDL-colesterol: maior que 50 mg/dL; VLDL-colesterol: menor que 40 mg/dL e LDL-colesterol– ótimo: menor que 100; desejável: 100 a 129; limítrofe: 130 a 159; alto: 160 a 189; muito alto: maior ou igual a 190 mg/dL. TG: dosado pelo método colorimétrico enzimático (MOURA, et al., 2008), cujo valor de referência é menor que 150 mg/dL (abaixo de 19 anos: menor que 130 mg/dL). Ácido úrico: dosado pelo método colorimétrico enzimático (MOURA, et al., 2008), cujo valor de referência é menor que 6,5mg/dL. Transaminases: método colorimétrico enzimático (Moura et al., 2008), cujos valores de referência são: TGP menor que 41 U/L e TGO menor que 40 U/L. Creatinina: pelo método cinético de Jaffé (FABINY e ERTINGSHAUSEN, 1971), cujo valor de referência é 0,6 a 1,1 mg/dL. Ureia: método cinético com urease e glutamato desidrogenase (TIFFANY, et al., 1972), cujo valor de referência é menor que 50 mg/dL. Hemograma automatizado utilizando-se aparelho Roche Sysmex XE-2000D, cujos valores de referência são: Hemácias 4,5 a 5,4 milhões/mm3, Hematócrito 39 a 54%, Hemoglobina 13 a 17 g%, VCM-81 a 98 u3, HCV-29 a 33 pg, CHCM-30 a 34%, RDW-11 a 14 %, Leucócitos 04 a 10 mil/mm3 e 36 Plaquetas 150.000 a 400.000 mm3. Para as gestantes o valor mínimo de referência da hemoglobina é 11 g%. (CARVALHO, 2008). Os exames hormonais foram processados no setor de hormônios do laboratório do Hospital de Clínicas da UFTM, utilizando sistema de automação Cobas 6000(Módulo E601) e Cobas E411 da Roche-Hitachi. Insulina basal, cortisol basal, TSH e T4 livre: dosados pelo método imunoensaio background de eletroquimioluminescência information-CD, 2010), (ECLIA) utilizando-se (Compendium estojos of comerciais RocheDiagnostics (Indianapolis, USA), sendo os valores de referência menor que 20 µU/mL; entre 6,20 a 19,40µg/dL; entre 0,27 a 4,20mUI/L e entre 0,93 a 1,70 ng/dL respectivamente. A adiponectina: dosada no Laboratório de Imunologia da UFTM, utilizando-se imunoensaio quantitativo (ELISA), ensaio com padrão duplo anticorpo recombinante e estojos comerciais fornecidos pela Abcam inc.(Cambridge, USA), Adiponectin Human Elisa kit ab(108786). Os resultados foram lidos em espectrofotômetro BIORAD, utilizando-se placas Benchmark plus. A leptina: dosada no Laboratório de Hormônio e Genética Molecular-LIM 42 do Hospital das Clínicas da FMUSP-SP, empregando-se o método enzimaimunoensaio MI e estojos comerciais Human Leptin cat#EZHL-80SK, fornecidos por Millipore Corpoation, (St. Charles, Missouri-USA), kits calibrados com padrão da NIBSC 97/554. Os valores de referência para IMC 18 a 25 Kg/m2 foram de 3,70 a 11,10 ng/mL. A partir dos valores de glicemia de jejum e de insulina basal calculou-se o índice HOMA-IR como expressão da RI segundo a fórmula: HOMA-IR = glicemia de jejum(mg/dL) x insulina( U/mL) 405 Obtiveram-se os valores de referência segundo o IMC: até 25 Kg/m2 0,40 a 2,90; IMC de 25 a 30 Kg/m2 0,40 a 4,30 e IMC maior 30 Kg/m2 0,70 a 8,20. (OLIVEIRA, SOUZA, LIMA, 2005). A relação insulina/glicose também foi calculada, sendo considerada normal quando o quociente era menor do que 0,2. (WAREHAM, et al., 1995). 37 A ultrassonografia obstétrica realizada no Serviço de Ultrassonografia de Medicina Fetal da UFTM, sob a supervisão de radiologista treinado, utilizou aparelho Toshiba, modelo Nemio, transdutor convexo frequência 3,0 a 6,0 MHz. Os partos foram realizados na Maternidade do Hospital de Clínicas da UFTM, seguindo protocolos obstétricos. (FRANCISCO, 2008). 3.2.1 Análise estatística Para análise estatística dos resultados obtidos, utilizaram-se testes paramétricos e não paramétricos, dependendo da natureza e comportamento das variáveis estudadas. O teste de Kolmogorov-Smirnov avaliou a normalidade de distribuição e a homogeneidade da variância amostral e os dados submetidos a análise descritiva, Descriptive Statistics, foram apresentados em média, desvio padrão, mediana, máximo, mínimo, segundo a distribuição das variáveis. A análise comparativa dos fatores de risco cardiometabólicos nos três trimestres empregou o teste de RM-ANOVA, One Way Repeated Measures Analysis of Variance para as variáveis de distribuição normal ou Friedman Repeated Measures Analysis of Variance na ausência desta característica. Para comparação de variáveis em grupos quanto à idade e ao estado nutricional utilizou-se Student-test e, na falha do teste de normalidade, Mann-Whitney Rank Sum test. As correlações entre os fatores de risco cardiometebólicos foram estabelecidas pelo teste Pearson, teste de hipóteses utilizando o teste tc com n-2 graus de liberdade na tabela t de Student, por se tratar de variáveis contínuas e pelo “n” de 25 pacientes. Dados estatísticos foram calculados através do Software Sigmastat 2.0.3 (SPSS Inc., Sommers, NY, USA). Diferenças foram consideradas estatisticamente significativas com os valores de p< 0,05. 38 Tabela 1 - Dados clínicos e antropométricos das gestantes, obtidos na primeira consulta. Idade Pré-Gestacional Altura (anos) Menarca (anos) (m) Peso (Kg) IMC (Kg/m ) 1 14 10 1,6 52,0 20,2 2 16 13 1,6 58,0 21,6 3 17 11 1,6 45,0 18,7 4 14 12 1,5 42,0 18,7 5 19 10 1,6 40,0 16,6 6 13 09 1,6 72,0 28,8 7 34 14 1,6 47,0 19,7 8 18 13 1,6 65,3 25,5 9 28 09 1,6 110,0 42,4 10 22 13 1,5 69,0 30,7 11 20 09 1,5 45,5 19,2 12 23 11 1,6 93,0 36,3 13 19 10 1,6 47,0 19,6 14 28 14 1,6 56,0 21,6 15 28 13 1,6 88,9 35,2 16 30 12 1,6 57,0 23,7 17 22 10 1,6 69,0 28,4 18 26 12 1,6 80,0 33,3 19 21 11 1,6 63,0 25,2 20 28 11 1,7 86,0 31,6 21 22 12 1,6 70,0 27,3 22 15 12 1,7 62,0 22,8 23 27 12 1,6 70,0 28,0 24 24 14 1,6 52,0 19,6 25 22 12 1,6 71,0 26,7 Média 22 12 1,6 64,4 25,7 Mínimo 13 09 1,5 40,0 16,6 Máximo 34 14 1,7 110,0 42,0 Nº Fonte: A autora. # idade autorreferida da menarca # 2 39 Tabela 2 - Dados demográficos e clínicos das gestantes obtidos durante a primeira consulta. # Nº Cor Escolaridade Ciclo Regular Acantose Atividade Física 1 Branca Ensino Fund. Incompleto Sim Ausente Educação Física 2 Negra Ensino Médio Incompleto Sim Ausente Não 3 Branca Ensino Fund. Completo Sim Ausente Não 4 Branca Ensino Fund. Completo Sim Ausente Educação Física 5 Parda Ensino Médio Completo Sim Ausente Não 6 Parda Ensino Fund. Incompleto Não Presente Não 7 Branca Ensino Fund. Incompleto Não Ausente Não 8 Branca Ensino Médio Incompleto Não Ausente Não 9 Branca Ensino Médio Completo Sim Ausente Caminhada 10 Branca Ensino Médio Completo Não Ausente Não 11 Parda Ensino Médio Incompleto Sim Ausente Não 12 Branca Ensino Sup. Incompleto Sim Discreta Academia 13 Negra Ensino Fund. Completo Sim Ausente Futebol 14 Branca Ensino Fund. Incompleto Sim Ausente Bicicleta 15 Branca Ensino Médio Completo Sim Ausente Não 16 Branca Ensino Médio Completo Sim Ausente Não 17 Branca Técnico de Enfermagem Sim Ausente Não 18 Branca Ensino Médio Incompleto Sim Ausente Não 19 Branca Ensino Fund. Completo Sim Ausente Não 20 Parda Ensino Fund. Incompleto Sim Ausente Não 21 Parda Ensino Médio Completo Sim Presente Bicicleta 22 Negra Ensino Fund. Incompleto Sim Ausente Não 23 Branca Ensino Médio Completo Sim Ausente Caminhada 24 Parda Ensino Médio Completo Sim Ausente Não 25 Parda Ensino Fund. Completo Sim Ausente Não Fonte: A autora. # ciclo menstrual 40 Tabela 3 - Antecedentes clínicos familiares das gestantes. Nº HA AVC IAM DM Dislip. Total 1 Avô (P) - - Avô (P) Avô (P) 1 2 Bisavó (M) - Bisavó (M) - 1 3 Mãe - Mãe Mãe / Irmão - 2 4 Avós (M) - - Avô (M) - 2 5 - - - Mãe - 1 6 Avós (MP) Avós (MP) Avós (MP) 4 7 Avô / Tio Avô / Tio Tio 2 8 Mãe Mãe Mãe 1 9 Pais Pai Pai Pai Pai 2 10 Pai - - - - 1 11 Avô (M) Tio (P) Pai Pai 3 Mãe 1 Avó (M) - 2 - Avô 12 13 Avô (P) 14 - - - - - 0 15 - - - - Tia (M) 1 16 Pai e Mãe Pai 17 - - 18 Mãe e Avô (M) 19 - - - 20 - - 21 Avós (P), Mãe e Irmã 22 Pai e Avô(M) - - 3 - 0 Mãe e Tia 3 Avô (M) Avó (M) 1 - Avô(P) Mãe 2 Irmã Avô (P) - - 4 Avô (M) - - Avô (M) - 1 23 Avô (P) - Tio (P) Avós(P) Tio (P) 3 24 Avô (M) Avô (M) - Mãe - 2 25 Mãe - Mãe - - 1 Total 28 05 09 17 12 44 Mãe e Avô (M) Fonte: A autora. AVC - Acidente vascular cerebral Dislip. - Dislipidemia DM - Diabetes mellitus HA - Hipertensão arterial IAM - Infarto agudo do miocárdio M - Materno MP - Materno e paterno P - Paterno Total - Número de parentes envolvidos 41 Tabela 4 - Dados laboratoriais obtidos logo após a primeira consulta. Hb Ureia Creatinina TGO TGP TSH T4 Glicose (g%) (mg/dL) (mg/dL) (U/L) (U/L) (mUI/L) (ng/dL) (mg/dL) 1 11,80 12,30 0,46 14,03 5,66 1,88 1,13 69,30 2 11,50 17,20 0,48 12,61 8,96 1,65 0,99 70,80 3 14,20 10,00 0,38 15,44 13,64 1,48 0,98 64,80 4 12,00 11,30 0,47 16,92 11,30 1,63 1,24 86,90 5 11,80 14,30 0,49 20,20 14,00 1,02 1,30 88,50 6 13,50 12,10 0,47 16,85 20,66 1,13 1,05 81,00 7 11,10 13,30 0,46 20,40 14,00 1,27 0,98 72,20 8 13,20 10,40 0,43 17,60 14,75 1,71 0,98 75,10 9 13,00 10,60 0,44 12,67 18,47 0,82 0,99 88,20 10 11,00 17,50 0,43 11,38 8,92 1,56 1,00 69,40 11 12,50 12,00 0,37 11,45 8,02 2,77 1,01 75,50 12 13,60 17,00 0,68 17,03 18,73 1,68 1,02 93,10 13 12,80 15,10 0,56 18,47 18,02 0,95 0,99 64,20 14 12,50 20,70 0,76 24,17 27,89 2,47 0,96 87,20 15 13,70 16,20 0,51 17,49 18,18 1,98 0,95 75,40 16 12,50 12,40 0,49 21,07 18,09 1,79 0,94 80,20 17 12.20 9,00 0,40 11,32 3,50 1,48 0,97 72,40 18 14,10 12,40 0,54 11,76 8,85 2,72 0,99 93,60 19 11,30 14,90 0,49 30,25 14,23 1,83 1,02 77,40 20 13,00 13,00 0,52 19,37 12,24 1,91 0,98 89,30 21 12,90 16,10 0,66 14,10 18,81 2,17 1,02 91,10 22 11,80 8,10 0,48 14,46 4,65 0,92 1,36 73,10 23 13,70 8,20 0,57 10,82 8,38 2,18 0,94 92,90 24 11,20 27,30 0,46 14,47 4,90 1,07 0,98 82,80 25 12,80 11,80 0,44 14,00 6,16 1,57 0,93 82,20 Média 12,56 13,73 0,50 16,33 12,84 1,67 1,03 79,86 Mínimo 11,00 8,10 0,37 10,82 3,50 0,82 0,93 64,20 Máximo 14,20 27,30 0,76 30,25 27,89 2,77 1,36 93,60 < 50 0,60 a 1,10 < 40 < 41 Nº Valor de 11 a 17 referência Fonte: A autora. 0,27 a 4,20 0,93 a 1,70 70 a 90 42 4 RESULTADOS Na avaliação inicial, à primeira entrevista, as pacientes apresentavam idade cronológica entre 13 e 34 anos (média: 22 anos). Nove pacientes (36%) tinham idade ≤ 19 anos, (média: 16 anos e um mês), sendo, portanto, consideradas adolescentes. Dezesseis gestantes (64%) apresentavam idade cronológica > 19 anos, (média: 25 anos e três meses). Para fins de análise estatística de alguns dados, considerou-se esta diferença etária, sendo as pacientes avaliadas separadamente (Anexo IV). As pacientes referiram menarca entre nove e 14 anos (média: 11 anos e sete meses) e peso pré-gestacional entre 40 e 110 Kg (média: 64,40 Kg). Após obtenção da estatura, foi calculado IMC pré-gestacional que variou de 16,60 a 42,00 Kg/m2, média: 25,25 Kg/m2 (Tabel 5). De acordo com o IMC do 1ºT, 13 gestantes (52%) foram classificadas como portadoras de sobrepeso/obesidade, com IMC ≥ 25 Kg/m2, média: 30,73 Kg/m2. Doze gestantes (48%), com peso normal, com IMC < 25 Kg/m2, média: 20,16 Kg/m2. Para fins de análise estatística de alguns dados, considerou-se essa divisão, sendo as pacientes avaliadas separadamente (Anexo IV). Vinte e uma pacientes (84%) referiram ciclos menstruais regulares e quatro (16%), ciclos irregulares. A maioria, 15 (60%), era branca, sete (28%), pardas, e três (12%), negras. Doze gestantes (48%) concluíram o ensino médio, 11 (44%), o ensino fundamental, uma (4%), o ensino superior e uma (4%), o curso técnico. Em três gestantes (12%) foi identificada acantose nigricans. A maioria, 17 (68%), era sedentária e oito (32%) praticavam atividade física predominantemente recreativa ou na escola (Tabela 2), destas ultimas, três (37,5%) apresentavam IMC ≥ 25 kg/m2. Das oito gestantes que praticavam atividade física, cinco (62,5%), ganharan < 12,5 Kg durante a gravidez. As sedentárias ganharam em média 13,62 Kg e as que faziam atividade física 10,6 Kg. Com relação aos antecedentes familiares, 17 (68%) referiram familiares de 1º e 2º grau com HAS, 17 (68%) tinham antecedentes de DM2, 11 (44%) relataram presença de dislipidemia habitualmente referida como “colesterol alto”, sete (28%) referiram familiares com IAM e cinco (20%), acidente vascular cerebral (AVC) (Tabela 3). 43 Dentre as variáveis clínicas estão representadas na Tabela 5 a evolução do peso e IMC das 25 gestantes no período pré-gestacional, nos 1º, 2º, 3º trimestres e no momento do parto e as variações do peso e do IMC. Considerando-se as duas variáveis, peso e IMC, observam-se diferenças estatísticas significantes com (p<0,001) entre os períodos 1ºT < 2ºT, 2ºT < 3ºT e 3ºT < parto com exceção da relação entre o período pré-gestacional e o 1º T, onde não se obteve diferença estatística. Também foram representadas as variações do peso e IMC (parto/prégetacional) de cada gestante durante toda a gestação, com média de ganho de peso de12,7 Kg e média da variação do IMC de 5,1 Kg/m2 (Figura1). Na Tabela 6 estão representadas as médias de peso e IMC, após terem sido divididos os grupos quanto ao IMC < 25 (A) ou ≥ 25 Kg/m2(B) e idade cronológica ≤ 19 (C) ou > 19 anos (D). Está também representada a variação do peso e IMC destes grupos, onde se observa que o grupo (A) ganhou mais peso do que o (B) e as adolescentes (C), mais peso do que as adultas (D), porém não em nível de significância estatística, talvez devido ao nosso n pequeno. Na tabela 7 foram representados os níveis pressóricos (PAS e PAD) obtidos no 1º, 2º e 3º trimestres. Os níveis pressóricos durante os três trimestres diferiram significantemente entre o 1º < 3º trimestres, e 2º < 3º trimestres (p<0,001). Entretanto, entre o 1º e 2º trimestres não houve diferença estatística tanto para a pressão sistólica como para a diastólica, realçamos que essas diferenças dentro da faixa de normalidade da PA (Figura 2). Quando avaliamos os níveis pressóricos, sistólico e diastólico, comparando os dois grupos divididos pela idade cronológica (C e D), não houve diferença estatística entre eles. Entretanto a comparação dos dois grupos divididos pelo IMC (A e B), demonstrou diferença estatisticamente significativa somente no 3º T para PAD. (p=0,038) (Figura 3). Observou-se que três pacientes (12%) desenvolveram hipertensão arterial essencial latente ou hipertensão arterial gestacional (HAG), aumento dos níveis pressóricos no final da gestação, sem proteinúria. (RUANO, 2008). As outras 22 (84%) mantiveram-se normotensas. Na tabela 8 estão representadas as concentrações de leptina, adiponectina e cortisol. Com relação à leptina, não houve diferença estatística entre os valores do 1º, 2º e 3º trimestres (p=0,368). Da mesma forma, com relação à adiponectina, não se observou diferença estatística entre os valores dos três trimestres (p=0,782). 44 Entretanto, a análise dos valores do cortisol basal demonstrou diferença estatisticamente significante entre 1ºT e 2ºT, 2ºT e 3ºT, e 1ºT e 3ºT (p=0,013) (Figura 4). Não se observou diferença estatística nos níveis séricos do cortisol, quando se dividiu os grupos por idade e estado nutricional. As concentrações séricas de adiponectina e leptina mostraram-se significativamente diferentes no 1º (p=0,02) (p=0,006) e 2º (p=0,001) (p=0,009) trimestres respectivamente, quando divididos os grupos por idade, sendo a adiponectina maior e leptina menor nas adolescentes (Figuras 5 e 6). Já quando divididos os grupos por estado nutricional, a adiponectina não apresentou diferença estatística. Entretanto, a leptina mostrou uma diferença significativa no 1º (p<0,001), 2º (p=0,014) e 3º (p=0,033) trimestres, sendo maior nas obesas (Figura 6). As médias das concentrações de colesterol total e frações bem como de triglicérides e ácido úrico foram representadas na tabela 9. Os valores individuais obtidos nos três trimestres podem ser consultados nos anexos V e VI. A análise comparativa demonstrou diferença estatística significante no colesterol total (p<0,001), LDL-colesterol (p=0,008), VLDL-colesterol (p<0,001), TG (p<0,001), ácido úrico (p<0,001) sendo as concentrações crescentes do 1º ao 3ºT, excetuando-se o HDL-colesterol (Figura 7). Na Figura 8 estão representados lipidograma. Quando considerada a idade cronológica, ≤ 19 anos ou > 19 anos. O colesterol total apresentou diferença significativa, sendo maior nas adultas nos três trimestres, 1ºT (p=0,002), 2ºt (p=0,035) e 3ºT (p=0,002), bem como LDL-colesterol no 1º (p=0,004) e 3º (p=0,04) trimestres. VLDL-colesterol, HDL-colesterol e ácido úrico não tiveram diferença estatística entre os dois grupos nos trimestres, mas de modo geral o VLDL-colesterol e o ácido úrico estiveram menor nas adolescentes. TG apresentou diferença estatística somente no 1º T (p=0,019). Quando dividimos os grupos pelo estado nutricional, o colesterol total sofreu influência significativa do IMC apenas no 2º T (p=0,026), sendo maior nas obesas, assim como VLDL-colesterol no 1º T (p=0,024), LDL-colesterol no 3ºT (p=0,041). HDL-colesterol apresentou diferença significativa, mostrando-se menor nas obesas no 1º T (p=0,022) e 3º T (p=0,022) (Figura 9). TG e o ácido úrico não apresentaram diferença estatística nos trimestres, apesar de o TG manter níveis mais altos nas obesas durante a gestação. 45 As médias das concentrações da glicemia de jejum, TOTG, insulina, HOMAIR e I/G estão representados na tabela 10 estando os valores individuais destas variáveis expressos nos Anexos VII e VIII. Não foi encontrada diferença significativa ao se comparar 1º, 2º e 3º trimestres na glicemia de jejum. Quanto à glicemia obtida no TOTG diminuiu entre 1ºT e 2ºT (p=0,035) e aumentou entre 2ºT e 3ºT (p=0,035) (Figura 10). Nenhuma das gestantes, durante a gestação, preencheu critérios para DMG. As concentrações basais de insulina nos três trimestres não diferiram significativamente entre si, mas foram observadas menores concentrações no 2º T, o que se refletiu em queda na relação I/G e HOMA-IR no 2º T. A relação I/G não apresentou diferença significativa entre os três trimestres; entretanto, a média dos valores basais do 1º e 3º trimestres foi maior do que 0,2, valor considerado limite e que caracteriza hiperinsulinemia. As pacientes 06, 12, 16, 20, 24 e 25 eram hiperinsulinêmicas desde o início da gestação e foram responsáveis pelo aumento da média da relação I/G no 1º T, pois a maioria (19) das gestantes apresentou relação I/G normal (Anexo VII). O índice HOMA-IR diferiu estatisticamente (p=0,039) entre o 2º e 3º trimestres, sendo maior no 3º T. O índice HOMA-IR no 1º T foi maior que no 2º T, pelas mesmas razões já mencionadas para relação I/G, as pacientes 06, 12, 16, 20, 24 e 25 apresentavam-se hiperinsulinêmicas desde o início da gestação (Figura 10). Considerando que em seis pacientes a hiperinsulinemia no 1ºT e provavelmente antes da gestação poderia estar interferindo na análise dos dados, como um exercício optou-se por realizar nova análise após exclusão das mesmas. Na tabela 11 estão representadas as novas médias dos valores da glicemia de jejum, TOTG, insulina basal, HOMO-IR e relação I/G. Observou-se diminuição das concentrações de insulina basal, principalmente no 1º e 2º trimestres, com aumento gradativo no evoluir da gestação. Em consequência, verificou-se queda do índice HOMA-IR e relação I/G, no 1º e 2º trimestres, resultando em diferença estatística significativa no índice HOMA-IR entre 1º e 2º T; 2º e 3º T; 1º e 3º T (p=0,04). Da mesma forma a relação IG tornou-se significativo entre 1º e 3º T; 2º e 3º T (p=0,039). Quando se separam as pacientes em dois grupos segundo idade cronológica, observa-se que as adolescentes apresentam menores valores com diferença estatística no 1º T da concentração de glicose de jejum (p=0,037), insulina (p=0,012), HOMA-IR (p=0,002) e I/G (p=0,002) (Figuras 11 e 12). 46 Ao analisar os dois grupos conforme IMC do 1ºT, as obesas apresentaram menor glicemia pós TOTG no 3ºT (p=0,036), assim como Insulina (p=0,018 e 0,038), HOMA-IR (p=0,004 e 0,022) e I/G (p=0,006 e 0,042) no 1º e 2ºT respectivamente (Figuras 13 e 14). Glicose jejum apesar de níveis séricos maiores durante a gestação nas obesas, não apresentou diferença estatística nos trimestres. Na Tabela 12 estão representadas as médias das PAS, PAD, leptina, adiponectina, IMC e HOMA-IR das três pacientes (06, 12, 16) que desenvolveram HAG durante a gestação. As pacientes que desenvolveram hipertensão essencial latente apresentavam IMC ≥ 25 kg/m2 no 1º T de gestação, (29,7; 37,4 e 26,3 Kg/m2 respectivamente), tiveram um ganho de peso de 20,7; 21,9 e 23,3 kg durante a gestação, correspondendo a 28,6; 25,5 e 40% do peso corporal inicial, respectivamente. Observou-se que a mais obesa (nº 12), peso 93,00kg, apresentava hiperleptinemia (37,5ng/mL) no inicio da gestação, e a menos obesa (nº 16), peso 64,4Kg, teve sua concentração de leptina aumentada em 52,41% (12,4 para 18,9ng/mL). As três gestantes apresentavam relação I/G >0,2 no 1º trimestre (0,24: 0,54 e 1,05, respectivamente), revelando hiperinsulinemia. A menos obesa (nº 16) apresentou um ganho de peso de 40% do seu peso inicial (57-80,3 kg). Ao comparar esse grupo com as gestantes que se mantiveram normotensas, observou-se que PAS, PAD e HOMA-IR apresentaram diferença significativa (p < 0,001) entre os dois grupos. A Leptina apresentou diferença significativa (p = 0,003). Não houve diferença significativa entre adiponectina e IMC. Ao correlacionar esses fatores observou-se correlação positiva entre PAS, PAD e leptina p < 0,001 e r=0,41 e 0,46, respectivamente (Figura 15). Foram feitas correlações entre peso e IMC com as variáveis estudadas, indicativas de risco cardiometabólico. (Tabela 13). Considerando-se o peso, observou-se correlação positiva e significativa com colesterol total, LDL-colesterol, TG, ácido úrico, glicose jejum, insulina, I/G e HOMA-IR. Também correlacionados, porém inversamente, foram adiponectina, cortisol e HDL-colesterol. PAD, PAS e leptina não apresentaram correlação com peso. Estas mesmas correlações foram encontradas com relação ao IMC, com exceção da adiponectina, cujas concentrações não apresentaram significância estatística. As correlações entre as diversas variáveis foram expressas na Tabela 14. As condições de nascimento dos 25 recém-nascidos foram representadas na tabela 15, como IG do parto, peso no nascimento, índice de Apgar do 1º e 5º 47 minutos, sexo e adequação do peso. IG média do parto foi de 39 semanas, peso médio dos recém-nascidos de 3,2 Kg, média do índice de Apgar foi de nove no 1º e 5º minutos. Quanto ao sexo, 13 (52%) foram meninas e 12 (48%), meninos. Na avaliação da adequação dos recém-nascidos 19 (76%) foram AIG, três (12%) PIG e três (12%) GIG. Na tabela 16 estão representadas as correlações entre peso fetal e os fatores clínicos e laboratoriais estudados. Observou-se correlação positiva e significativa com peso fetal e IMC maternos principalmente no momento do parto. Correlação significativa, mas negativa com HDL-colesterol materno e uma tendência a associação entre maiores concentrações sérica da glicemia de jejum com maiores peso fetal, em gestantes sadias. 48 2 Tabela 5 - Evolução do peso (kg) e IMC (kg/m ) das gestantes no período pré-gestacional e no 1º, 2º e 3º trimestres, e variações do peso e do IMC. Pré-Gestacional 1º T 2º T 3º T Parto Variações Nº Peso IMC Peso IMC Peso IMC Peso IMC Peso IMC Peso IMC 1 52,0 20,2 55,0 21,4 64,5 25,0 66,2 25,7 67,2 26,1 15,2 5,9 2 58,0 21,6 65,3 24,3 72,6 27,0 79,6 29,6 84,5 31,4 26,5 9,9 3 45,0 18,7 52,8 22,0 59,1 24,6 65,3 27,2 68,5 28,5 23,5 9,8 4 42,0 18,7 42,1 18,7 47,7 21,2 51,7 23,0 52,8 23,5 10,8 4,8 5 40,0 16,6 39,3 16,4 45,4 18,9 49,0 20,4 49,5 20,7 9,5 4,0 6 72,0 28,8 74,2 29,7 86,6 34,7 91,6 36,7 92,6 37,1 20,6 8,3 7 47,0 19,7 53,5 22,4 59,9 25,1 66,2 27,7 67,2 28,2 20,2 8,5 8 65,3 25,5 60,0 23,4 66,9 26,1 70,3 27,5 71,2 27,8 5,9 2,3 9 110,0 42,4 97,9 37,8 98,4 38,0 102,6 39,6 102,7 39,6 -7,3 -2,8 10 69,0 30,7 71,7 31,9 72,0 32,0 78,1 34,7 81,5 36,2 12,5 5,6 11 45,5 19,2 48,1 20,3 53,8 22,7 58,8 24,8 58,8 24,8 13,3 5,6 12 93,0 36,3 95,8 37,4 102,8 40,2 110,6 43,2 114,9 44,9 21,9 8,6 13 47,0 19,6 47,7 19,9 52,6 21,9 58,0 24,1 61,4 25,6 14,4 6,0 14 56,0 21,6 57,3 22,1 62,9 24,3 66,3 25,6 65,0 25,1 9,0 3,5 15 88,9 35,2 88,2 34,9 89,0 35,2 91,2 36,1 92,5 36,6 3,6 1,4 16 57,0 23,7 63,1 26,3 71,1 29,5 79,3 33,1 80,3 33,4 23,3 9,7 17 69,0 28,4 75,0 30,8 78,0 32,1 81,0 33,3 83,0 34,1 14,0 5,8 18 80,0 33,3 82,1 34,2 86,1 35,8 88,5 36,8 93,2 38,8 13,2 5,5 19 63,0 25,2 57,5 23,0 61,4 24,6 60,0 24,0 62,2 24,9 -0,8 -0,3 20 86,0 31,6 96,8 35,6 100,8 37,0 104,0 38,2 106,6 39,2 20,6 7,6 21 70,0 27,3 76,0 29,7 80,2 31,3 81,2 31,8 82,7 32,3 12,7 5,0 22 62,0 22,8 57,1 21,0 59,6 21,9 63,0 23,1 64,0 23,5 2,0 0,7 23 70,0 28,0 72,2 28,9 73,7 29,5 75,4 30,2 78,1 31,3 8,1 3,2 24 52,0 19,6 58,0 21,8 64,0 24,1 65,5 24,7 67,0 25,2 15,0 5,7 25 71,0 26,7 70,3 26,5 75,4 28,4 79,1 29,8 80,0 30,1 8,7 3,4 Média 64,4 25,7 66,3 26,4 71,4 28,4 75,3 30,0 77,1 30,7 12,7 5,1 (±) DP 17,5 6,6 16,7 15,9 16,2 16,7 8,1 3,2 Fonte: A autora. 1º T x 2º T x 3º T x Parto Pré-gestacional x 2º T x 3º T x Parto Pré-gestacional x 1º T 6,3 5,9 6,1 Teste estatístico: Friedman p< 0,001 p< 0,001 p > 0,05 6,3 49 2 Tabela 6 - Médias dos pesos (kg) pré-gestacionais e variações do peso (kg) e IMC (kg/m ) dos 2 grupos A e B (IMC < ou ≥ 25 kg/m ) e grupos C e D (idade cronológica ≤ ou >19 anos). ΔPeso ΔPeso ΔIMC IMC<25 IMC≥25 IMC<25 (A) (B) (A) (B) (C) (D) (C) (D) 15,2 20,6 5,9 8,3 15,2 20,2 5,9 8,5 26,5 5,9 9,9 2,3 26,5 -7,3 9,9 -2,8 23,5 -7,3 9,8 -2,8 23,5 12,5 9,8 5,6 10,8 12,5 4,8 5,6 10,8 13,3 4,8 5,6 9,5 21,9 4,0 8,6 9,5 21,9 4,0 8,6 20,2 3,6 8,5 1,4 20,6 9,0 8,3 3,5 13,3 14,0 5,6 5,8 5,9 3,6 2,3 1,4 14,4 13,2 6,0 5,5 14,4 23,3 6,0 9,7 9,0 -0,8 3,5 -0,3 2,0 14,0 0,7 5,8 23,3 20,6 9,7 7,6 13,2 5,5 2,0 12,7 0,7 5,0 -0,8 -0,3 15,0 8,1 5,7 3,2 20,6 7,6 3,4 12,7 5,0 8,1 3,2 15,0 5,7 8,7 3,4 8,7 ΔIMC ΔPeso ΔPeso ΔIMC ΔIMC IMC≥25 Idade≤19 Idade>19 Idade≤19 Idade>19 Média Δ 15,2 10,3 6,2 4,1 14,3 11,8 5,7 4,7 (±) DP Δ 7,1 8,6 2,8 3,4 8,1 8,3 3,2 3,3 # 50,3 77,5 20,2 30,7 53,7 70,5 21,4 28,1 # 6,9 13,5 2,0 5,0 11,2 17,7 3,8 6,7 Média PG (±) DPPG Fonte: A autora. ΔPeso = peso parto - peso pré-gestacional ΔIMC = IMC parto - IMC pré-gestacional # = Peso pré-gestacional 50 Tabela 7 - Evolução da pressão arterial (mm/Hg) no período gestacional. Nº 1º Trimestre 2º Trimestre 3º Trimestre 1 100 x 70 110 x 70 100 x 60 2 100 x 50 100 x 60 110 x 70 3 090 x 70 090 x 70 100 x 70 4 110 x 60 100 x 70 110 x 60 5 090 x 50 090 x 60 090 x 60 6 120 x 50 120 x 70 150 x 90 7 100 x 60 090 x 70 110 x 70 8 100 x 60 100 x 60 100 x 70 9 110 x 70 100 x 60 110 x 80 10 095 x 70 110 x 60 100 x 60 11 110 x 60 090 x 70 100 x 60 12 110 x 80 120 x 80 140 x 100 13 100 x 60 080 x 60 090 x 70 14 090 x 50 110 x 50 100 x 60 15 110 x 70 100 x 55 110 x 80 16 100 x 70 110 x 70 140 x 90 17 110 x 70 090 x 60 110 x 70 18 120 x 80 120 x 80 130 x 80 19 095 x 60 100 x 60 100 x 60 20 090 x 60 100 x 70 110 x 70 21 100 x 65 100 x 60 120 x 80 22 100 x 80 100 x 60 120 x 80 23 090 x 60 100 x 60 110 x 80 24 090 x 50 090 x 50 100 x 60 25 110 x 60 120 x 60 110 x 80 Média 102 x 63 102 x 64 111 x 72 (±) DP 9x9 11 x 8 15 x 11 Fonte: A autora. Teste estatístico: Friedman 1º T x 3º T 2º T x 3º T 1º T x 2º T p < 0,001 p < 0,001 p > 0,05 51 Tabela 8 - Concentrações de leptina (ng/mL), adiponectina (pg/mL) e cortisol (µg/mL) nos três trimestres da gestação. Leptina Caso Adiponectina Cortisol Nº 1º T 2º T 3º T 1º T 2º T 3º T 1º T 2º T 3º T 1 7,80 5,30 12,80 1832,90 1757,30 1836,80 24,60 13,10 38,40 2 9,40 7,00 14,40 1819,30 1888,10 1891,00 20,60 19,00 22,20 3 7,00 7,30 7,40 1795,10 1949,20 1879,40 12,40 16,40 17,20 4 5,00 7,50 2,90 1959,80 1763,10 1731,10 32,20 43,90 26,80 5 5,70 9,90 11,80 1820,30 1771,80 1719,50 30,20 27,70 25,70 6 18,50 25,90 18,80 1807,70 1891,00 1821,20 25,30 33,40 25,70 7 11,70 16,90 19,60 1597,40 1751,50 1682,70 31,50 24,30 33,60 8 6,40 10,90 12,90 1923,00 1912,30 1886,20 15,70 27,80 22,10 9 27,90 27,50 30,00 1855,20 1810,60 1878,40 18,70 20,50 24,10 10 17,30 16,60 19,90 1825,10 1721,40 1844,50 25,70 34,80 34,70 11 16,00 10,60 23,80 1811,60 1737,90 1780,50 19,60 25,40 38,40 12 37,50 67,60 50,70 1732,10 1851,30 1723,40 12,30 15,30 17,20 13 15,40 8,50 21,80 1830,00 1926,90 1853,20 27,40 24,50 23,70 14 5,70 11,20 5,50 1751,50 1759,20 1653,60 35,20 50,90 49,50 15 27,70 35,20 26,60 1796,10 1667,20 1746,60 10,40 22,30 18,20 16 12,40 29,50 18,90 1749,50 1777,60 1617,70 14,40 15,70 25,70 17 21,60 24,50 12,70 1770,90 1642,90 1740,80 43,30 38,50 44,60 18 43,20 23,80 30,00 1709,80 1767,90 1854,20 9,10 13,6 20,30 19 13,50 8,00 11,70 1677,80 1741,80 1969,50 41,70 44,50 40,00 20 28,90 38,00 37,50 1689,50 1770,90 1767,90 14,90 20,10 24,30 21 17,10 4,20 17,00 1843,50 1620,60 1801,90 27,50 35,30 26,00 22 7,90 8,00 16,00 1691,40 1740,80 1876,50 27,00 36,70 36,70 23 23,10 13,10 12,60 1810,60 1702,10 1804,80 25,70 14,10 19,10 24 13,80 9,50 7,70 1628,40 1778,60 1639,10 15,00 18,90 23,70 25 7,90 15,10 11,50 1799,00 1731,10 1783,20 20,40 29,00 26,20 Média 16,30 17,70 18,20 1781,10 1777,30 1791,30 23,20 26,60 28,16 (±) DP 10,30 14,20 10,60 83,80 85,00 89,00 9,30 10,70 8,84 Fonte: A autora. Teste estatístico: RM-ANOVA/Friedman 1ºT x 2ºT x 3ºT p = 0,368 1ºT x 2ºT x 3ºT p = 0,782 3ºT > 2ºT > 1ºT p = 0,013 52 Tabela 9 - Valores do colesterol e frações (mg/dL), triglicérides (mg/dL), ácido úrico (mg/dL) nos três trimestres da gestação. 1º T 2º T 3º T Valor de P Colesterol total 204,32 ± 42,54 222,33 ± 39,10 239,12 ± 43,18 < 0,001 HDL-Colesterol 61,94 ± 19,60 62,20 ± 17,77 61,60 ± 16,99 = 0,175 LDL-Colesterol 120,78 ± 47,04 126,00 ± 36,18 137,95 ± 53,66 = 0,008 VLDL-Colesterol 27,07 ± 11,71 35,70 ± 15,35 42,88 ± 16,69 < 0,001 Triglicérides 135,64 ± 57,11 169,00 ± 54,32 213,68 ± 83,00 < 0,001 3,28 ± 0,74 3,59 ± 0,86 4,05 ± 1,00 < 0,001 Á. Úrico Fonte: A autora. Teste estatístico: RM-ANOVA/Friedman 3º T > 2º T > 1º T, exceto para HDL-colesterol 53 Tabela 10 - Concentrações de glicemia de jejum (mg/dL), TOTG (mg/dL), insulina (µU/mL) e marcadores de resistência insulínica. Variáveis 1º T 2º T 3º T Valor de P 79,86 ± 9,16 78,69 ± 12,08 78,68 ± 10,44 = 0,147 TOTG(b) 102,15 ± 17,53 94,37 ± 14,76 95,62 ± 22,59 = 0,035 Insulina (c) 20,18 ± 22,72 11,80 ± 6,95 18,62 ± 14,56 = 0,141 HOMA IR (d) 4,18 ± 4,87 2,36 ± 1,75 3,86 ± 3,75 = 0,039 Insulina/Glicose (e) 0,24 ± 0,26 0,15 ± 0,08 0,23 ± 0,14 = 0,088 Glicose (a) Fonte: A autora. Teste estatístico: Friedman b = 1ºT x 2ºT p = 0,035 2ºT x 3ºT p = 0,035 d = 2ºT x 3ºT p = 0,039 c,d,e = 1ºT > 2ºT < 3ºT 54 Tabela 11 - Concentrações de glicemia de jejum (mg/dL), TOTG (mg/dL), insulina (µU/mL) e marcadores de resistência insulínica, excluindo-se pacientes hiperinsulinêmicas, pré-gestacionais. Variáveis 1º T 2º T 3º T Valor de P 78,31 ± 9,69 77,47 ± 11,13 77,51 ± 9,37 0,943 101,64 ± 17,31 93,37 ± 15,09 99,76 ± 16,71 0,076 Insulina (c) 10,18 ± 4,29 10,26 ± 5,05 16,46 ± 12,48 0,080 HOMA-IR (d) 1,79 ± 0,96 1,96 ± 0,96 3,31 ± 3,12 0,040 Insulina/Glicose (e) 0,14 ± 0,08 0,13 ± 0,07 0,20 ± 0,13 0,039 Glicose (a) TOTG (b) Fonte: A autora. Teste estatístico: Friedman d = 1º T < 2º T 1º T < 3º T 2º T < 3º T p = 0,04 p = 0,04 p = 0,04 e = 2º T < 3º T 1º T < 3º T 1º T x 2º T p = 0,039 p = 0,039 p > 0,05 55 2 Tabela 12 - Médias (M) e desvio padrão (DP) da pressão arterial (mm/Hg), Leptina (ng/mL), adiponectina (pg/mL), IMC (kg/m ) e HOMA-IR nas pacientes hipertensas e normotensas. PAS PAD Leptina Adiponectina IMC HOMA-IR Hipertensas (M) 123,33 77,76 31,09 1774,61 31,14 6,55 (DP) 16,58 14,81 18,01 80,42 5,71 4,92 Normatensas (M) 102,12 65,00 15,53 1784,44 25,76 3,04 9,81 8,68 9,28 86,04 6,02 3,37 (DP) Fonte: A autora. Teste estatístico: Student-t/Mann- Whitney Correlação PAS x leptina p<0,001 r=0,41 PAD x leptna P<0,001 r=0,46 56 Tabela 13 - Correlação entre peso e IMC com as variáveis estudadas Peso Correlação p r Correlação IMC p PAS - 0,93 - 0,01 - 0,70 r + 0,04 - 0,89 + 0,01 - 0,89 + 0,01 PAD - 0,55 + 0,06 - 0,09 + 0,41 Leptina ↓ 0,02 - 0,25 - 0,06 - 0,21 Adiponectina ↓ 0,01 - 0,27 ↓ 0,02 - 0,25 Cortisol ↑↑↑ < 0,001 + 0,43 ↑↑↑ < 0,001 + 0,46 Colesterol Total ↑↑ 0,001 + 0,36 ↑↑↑ < 0,001 + 0,40 LDL-colesterol - 0,14 + 0,16 - 0,13 + 0,17 VLDL-colesterol ↓ 0,03 - 0,24 ↓ 0,01 - 0,27 HDL-olesterol ↑↑↑ < 0,001 + 0,43 ↑↑↑ < 0,001 + 0,45 Triglicérides ↑↑ 0,004 + 0,32 ↑↑ 0,003 + 0,33 Ácido Úrico ↑↑ 0,007 + 0,30 ↑↑ 0,006 + 0,31 Glicose Jejum - 0,11 - 0,18 - 0,19 - 0,15 TOTG ↑ 0,02 + 0,26 ↑ 0,01 + 0,27 Insulina ↑ 0,03 + 0,24 ↑ 0,02 + 0,26 I/G ↑↑ 0,009 + 0,29 ↑↑ 0,008 + 0,30 HOMA-IR Fonte: A autora. ↑ - Correlação positiva com p < 0,05 ↑↑ - Correlação positiva com p < 0,01 ↑↑↑ - Correlação positiva com p < 0,001 Teste estatístico: Pearson ↓ - Correlação negativa com p < 0,05 ↓↓ - Correlação negativa com p < 0,01 ↓↓↓ - Correlação negativa com p < 0,001 57 Tabela 14 - Correlações das variáveis estudadas entre si. PAS PAD Cortisol Adiponectina Colesterol total LDL VLDL HDL Triglicérides Glicose jejum Insulina Insulina/glicose Fonte: A autora. Glicose Leptina Insulina HOMA-IR LDL VLDL TG Ácido Úrico I/G HDL ↑↑ - - - - - - - - ↑↑↑ - - - - - - - - - ↓ ↓ - - - - ↓↓ - - - - ↓ ↓ ↓ - - - - ↑ - ↑↑↑ ↑↑↑ ↑↑↑ ↑↑ ↓ - - - - - ↑↑ ↑↑ ↑ - ↓ - - - - - - ↑↑↑ ↑↑ - ↓↓ - - - - - - ↓↓ - - - - - - - - - ↑↑↑ - - - ↑↑↑ ↑↑↑ - - - - ↑ - - - ↑↑↑ - - - - ↑↑↑ - - - ↑↑↑ - - - - - - ↑ - Correlação positiva com p < 0,05 ↑↑ - Correlação positiva com p < 0,01 ↑↑↑ - Correlação positiva com p < 0,001 Teste estatístico: Pearson ↓ - Correlação negativa com p < 0,05 ↓↓ - Correlação negativa com p < 0,01 ↓↓↓ - Correlação negativa com p < 0,001 - ↓ - 58 Tabela 15 -Condições de nascimento dos recém-nascidos. Nº IG Peso Apgar 1' Apgar 5' Sexo Adequação 1 41 3,5 9 10 M AIG 2 40 3,9 9 10 F GIG 3 41 3,6 9 9 M AIG 4 40 3,3 9 9 M AIG 5 35 1,7 9 9 M PIG 6 38 3,1 9 9 F AIG 7 38 2,6 9 10 F AIG 8 36 2,3 9 9 M PIG 9 40 3,4 9 10 F AIG 10 41 4,1 4 8 F GIG 11 36 2,0 9 9 M PIG 12 40 3,9 9 9 M GIG 13 40 2,8 9 9 F AIG 14 40 3,1 9 9 M AIG 15 41 2,8 9 10 F AIG 16 37 3,3 9 9 M AIG 17 38 3,7 8 9 F AIG 18 41 3,4 7 8 F AIG 19 40 3,0 9 10 F AIG 20 40 3,4 9 9 F AIG 21 40 3,5 9 10 M AIG 22 39 3,0 9 10 F AIG 23 41 3,2 9 10 M AIG 24 38 3,0 9 10 F AIG 25 41 3,7 9 9 M AIG Média 39 3,2 9 9 - - (±) DP 1,8 0,6 1,1 0,6 - - Fonte: A autora. 59 Tabela 16 - Correlação do peso fetal (kg) com variáveis clínicas e laboratoriais maternas, durante o ciclo gravídico. Peso Fetal Peso materno - pré-gestacional Peso materno – parto IMC - pré-gestacional IMC – parto PAS PAD Leptina Adiponectina Cortisol Colesterol total LDL-Colesterol VLDL-Colesterol HDL-Colesterol Triglicérides Ácido úrico Glicose jejum TOTG Insulina Insulina/glicose HOMA-IR Fonte: A autora. Teste estatístico: Pearson ↑ - Correlação positiva com p < 0,05 ↑↑ - Correlação positiva com p < 0,01 ↓ - Correlação negativa com p < 0,05 Correlação P ↑ 0,0362 ↑↑ 0,0032 ↑ 0,0324 ↑↑ 0,0027 - 0,0790 - 0,1190 - 0,4390 - 0,5510 - 0,9240 - 0,0708 - 0,0740 - 0,1350 ↓ 0,0307 - 0,1090 - 0,3750 - 0,0988 - 0,3680 - 0,2770 - 0,3730 - 0,2430 R + 0,421 + 0,566 +0,429 + 0,574 + 0,357 + 0,320 + 0,162 + 0,125 - 0,020 + 0,367 + 0,364 + 0,308 - 0,433 + 0,328 - 0,185 + 0,338 - 0,188 + 0,226 + 0,186 + 0,243 60 2 Figura 1 - Representação gráfica do peso (kg) e IMC (Kg/m ) no período pré-gestacional, nos três trimestres e no parto. Fonte: A autora. Teste estatístico: Friedman p < 0,001 entre todos os períodos, exceto entre o período pré-gestacional e primeiro trimestre. 61 Figura 2 - Representação gráfica da pressão artérial sistólica (mmHg) e pressão artéria diastólica nos três trimestres. Fonte: A autora Teste estatístico: Friedman 3º T > 1º T (p < 0,001) 3º T > 1º T (p < 0,001) 3º T > 2º T (p < 0,001) 3º T > 2º T (p < 0,001) 2º T x 1º T (p > 0,05) 2º T x 1º T (p > 0,05) 62 Figura 3 - Representação gráfica pressão arterial diastólica - PAD (mmHg) nos três trimestres, comparando-se os grupos A e B (IMC). Fonte: A autora. Teste estatístico: Student-t/Mann- Whitney p > 0,05 p > 0,05 p = 0,038 63 Figura 4 - Representação gráfica do cortisol (µg/mL) nos três trimestres. Fonte: A autora. Teste estatístico: Friedman 3º T > 2º T > 1º T (p = 0,013) 64 Figura 5 - Representação gráfica de adiponectina (pg/mL) nos três trimestres, comparando-se os grupos C e D (Idade). Fonte: A autora. Teste estatístico: Student-t p = 0,02 p = 0,001 p > 0,05 65 Figura 6 - Representação gráfica dos valores de leptina (ng/mL) nos três trimestres, comparando-se os grupos A e B (IMC) e grupos C e D (idade). Fonte: A autora. Teste estatístico: Student-t/Mann- Whitney p = 0,006 p = 0,009 p > 0,05 p < 0,001 p = 0,014 p = 0,033 66 Figura 7 - Representação gráfica dos valores do colesterol total (mg/dL), LDL-colesterol (mg/dL), VLDL-colesterol (mg/dL), triglicérides - TG (mg/dL), ácido úrico (mg/dL) e HDL-colesterol (mg/dL) nos três trimestres. Fonte: A autora. Teste estatístico: RM-ANOVA/Friedman p < 0,001 p = 0,008 p < 0,001 p < 0,001 p < 0,001 p > 0,005 67 Figura 8 - Representação gráfica dos valores do colesterol total (mg/dL), LDL-colesterol (mg/dL) e triglicérides(mg/dL) nos três trimestres, comparando-se os grupos C e D (Idade). Fonte: A autora. Teste estatístico: Student-t/Mann- Whitney p (1ºT) = 0,002 p (1ºT) = 0,004 p (1ºT) = 0,019 p (2ºT) = 0,035 p (2ºT) > 0,05 p (2ºT) > 0,05 p (3ºT) = 0,002 p (3ºT) = 0,004 p (3ºT) > 0,05 68 Figura 9 - Representação gráfica do colesterol total (mg/dL), VLDL-colesterol (mg/dL), LDL-colesterol (mg/dL) e HDL-colesterol (mg/dL) nos três trimestres, comparando-se os grupos A e B (IMC). Fonte: A autora Teste estatístico: Student-t/Mann- Whitney . p > 0,05 p = 0,024 p > 0,05 p = 0,022 p = 0,026 p > 0,05 p > 0,05 p > 0,05 p > 0,05 p > 0,05 p = 0,041 p = 0,022 69 Figura 10 - Representação gráfica dos valores do TOTG (mg/dL), HOMA-IR e insulina (µU/mL) nos três trimestres. Fonte: A autora. Teste estatístico: Friedman 1º T > 2º T (p = 0,035) 3º T > 2º T (p = 0,035) 3º T > 2º T (p = 0,039) 1ºT>2ºt<3ºT (p > 0,05) 70 Figura 11 - Representação gráfica dos valores de glicose (mg/dL) e insulina (µU/mL) nos três trimestres, comparando-se os grupos C e D (Idade). Fonte: A autora. Teste estatístico: Student-t/Mann- Whitney 1º T (p = 0,037) 1º T (p = 0,012) 2º T (p > 0,05) 2º T (p > 0,05) 3º T (p > 0,05) 3º T (p > 0,05) 71 Figura 12 - Representação gráfica dos valores de HOMA-IR e insulina/glicose nos três trimestres, comparando-se os grupos C e D (idade). Fonte: A autora. Teste estatístico: Student-t/Mann- Whitney 1º T (p = 0,002) 1º T (p = 0,002) 2º T (p > 0,05) 2º T (p > 0,05) 3º T (p > 0,05) 3º T (p > 0,05) 72 Figura 13 - Representação gráfica dos valores de TOTG (mg/dL) e insulina (µU/mL) nos grupos A e B (IMC). Fonte: A autora. Teste estatístico: Student-t/Mann- Whitney 1º T (p > 0,05) 1º T (p = 0,018) 2º T (p > 0,05) 2º T (p = 0,038) 3º T (p = 0,036) 3º T (p > 0,05) 73 Figura 14 - Representação gráfica dos valores de HOMA-IR e insulina/glicose nos três trimestres, comparando-se os grupos A e B (IMC). Fonte: A autora. Teste estatístico: Student-t/Mann- Whitney 1º T (p = 0,004) 1º T (p = 0,006) 2º T (p = 0,022) 2º T (p = 0,042) 3º T (p > 0,05) 3º T (p > 0,05) 74 Figura 15 - Representação gráfica da pressão arterial sistólica - PAS (mmHg), pressão arterial diastólica - PAD (mmHg), HOMA-IR e leptina (ng/mL) nos grupos normotensas e hipertensas gestacionais. Fonte: A autora. Teste estatístico: Student-t/Mann- Whitney p < 0,001 p < 0,001 p < 0,001 p = 0,003 75 5 DISCUSSÃO O estudo descreve as mudanças longitudinais dos fatores de risco cardiometabólicos, clínicos e laboratoriais, avaliados em 25 gestantes saudáveis. A gravidez é um estado em que o organismo precisa se reorganizar para sustentar a gestação. Adaptações metabólicas e imunológicas são necessárias. O metabolismo glicídico e lipídico sofre influências alterando seu comportamento, provendo glicose para as necessidades fetais e utilizando o metabolismo lipídico para sustentar as necessidades maternas. Ocorre uma redistribuição do tecido gorduroso materno, segundo Mastorakos et al. (2007), com aumento da gordura subcutânea no 1º T, o que mais tarde pode ser o fator causal da RI. Vários estudos investigam essa redistribuição. Sidebottom et al. (2001), descrevem que as reservas de gordura corporal subcutânea permanecem estáveis até seis semanas, quando se inicia o aumento até 35 semanas, principalmente para o tríceps, região subescapular e coxas. Gunderson et al. (2008), demonstraram que a gestação associa-se com acúmulo de gordura visceral. No presente estudo foi visto que peso e IMC aumentam durante toda a gestação, aumento discreto no 1º T, passando ser significativo a partir do 2º T. Portanto, foi a partir daí que as gestantes ganharam peso. Como já mencionado, é a partir desse momento que se instala a RI da gestação. A obesidade central agrava o risco de SM e DCV, quando associada à RI, atividade crônica do sistema imune inato e disfunção endotelial. (CASTELLANO E AARESTRUP, 2009). O peso pré-gestacional é considerado o fator mais influente no ganho de peso durante a gestação e sobre a saúde materno-fetal. O ganho de peso excessivo durante a gestação contribui para que essa mulher se torne obesa após a gravidez. A prevalência de ganho inadequado de peso durante a gestação vem aumentando entre as mulheres com excesso de peso, sendo motivo de preocupação, já que o fato de iniciar uma gravidez, obesa, vai influenciar em seu peso e saúde durante a gravidez e pós-parto. (RASMUSSEN, 2010). No presente estudo as gestantes apresentavam IMC pré-gestacional médio de 25,7 Kg/m2, sendo de 20,2 Kg/m2 a média das gestantes com peso normal e 30,7 Kg/m2 das gestantes com sobrepeso e obesidade. Peso médio das gestantes foi de 64,4 Kg, sendo de 50,3 e 77,5 Kg das gestantes de peso normal e das gestantes com sobrepeso e obesidade respectivamente. A variação do peso e IMC foi de 12,7 76 Kg e 5,1 Kg/m2 das 25 gestantes, sendo 15,2 e 10,3 Kg o ganho de peso, e 6,2 e 4,1 Kg/m2 a variação do IMC das gestantes de peso normal e das gestantes com sobrepeso e obesidade, respectivamente. Estes dados demonstram que as gestantes com peso normal ganharam mais peso que as gestantes com sobrepeso e obesidade, variações dentro do estabelecido pelo American College of Obstetricians and Gynocologists (1993). Mas as gestantes com sobrepeso tiveram uma média de ganho muito próximo do limite superior estabelecido (11,5 Kg) e as obesas além do estabelecido (7,0 Kg). A maioria das pacientes que praticavam atividade física ganhou menos que 12,5 Kg durante a gravidez. Segundo Ziccardi et al (2002) atividade física , dieta reduz gordura corporal associado a menores concentrações de citocinas próinflamatórias e aumento de adiponectina, concluíram que perda de peso diminui estado inflamatório e modula disfunção endotelial de mulheres obesas. O sedentarismo propicia maior ganho de peso e as complicações adivindas dele. Foi também observado no presente estudo que as pacientes adolescentes, idade ≤ 19 anos, ganharam mais peso que as > 19 anos, 14,30 Kg e 11,80 Kg, respectivamente. O peso inicial das adolescentes era menor em relação às gestantes adultas, essa diferença diminuiu a partir do 2º T, mostrando que elas ganharam mais peso relativo que as adultas a partir do 2º T. Rasmussen et al. (2010), constataram, avaliando ganho de peso durante a gestação, que 63%, 46% e 38% das gestantes com sobrepeso, obesidade e peso normal pré-gestacional, respectivamente, apresentaram ganho excessivo de peso durante a gestação, com média do ganho de 12,75 Kg, 15,22 Kg e 10,30 Kg, respectivamente. As gestantes do presente estudo apresentaram IMC médio de 26,40 Kg, sendo de 20,16 Kg/m2 a média das de peso normal e 30,73 Kg/m2 das com sobrepeso e obesidade. Estes ganhos de peso ficaram próximos dos limites máximos de normalidade estabelecidos pela American College of Obstetricians and Gynocologists (1993). Gisele et al. (2011), avaliaram 433 puérperas, sendo que as com sobrepeso e obesidade pré-gestacional tiveram IMC médio de 28,2 Kg/m 2, e as mulheres com peso normal e baixo peso tiveram IMC médio de 21,5 Kg/m2. A média do ganho de peso durante a gestação foi de 11,1 Kg e 13,6 Kg, respectivamente. Embora a média de ganho ponderal total tenha sido menor nas primeiras, esta foi superior à 77 recomendada para a faixa de estado nutricional. As mulheres com sobrepeso e obesas apresentaram risco aumentado de desenvolver pré-eclâmpsia. Viswanathan et al. (2008), revisaram sistematicamente o ganho de peso na gestação e observaram forte evidência entre ganho de peso e maior incidência de DMG, PE, RCIU, trabalho de parto prematuro (TPP) e maior taxa de cesariana. No presente estudo, a pressão arterial das gestantes se manteve sem grandes variações até o 2º T, quando houve um aumento significativo dos níveis pressóricos sistólicos e diastólicos, em paralelo ao aumento do peso e instalação da RI, dentro do padrão de normalidade. A idade cronológica das gestantes nas faixas etárias avaliadas não interferiu na PA durante a gestação. Ressaltamos que a média da idade, mesmo no grupo não adolescente, foi baixa, de 25 anos e três meses. Foi observado que apesar de estarem em níveis normais a PA sistólica foi maior nas obesas e que esse grupo apresentou aumento significativo da PA diastólica no 3º T, mostrando maior tendência do grupo para HAG ou pré-eclâmpsia, caso não seja estabelecido o equilíbrio metabólico nestas gestantes. As três gestantes que desenvolveram hipertensão arterial essencial latente iniciaram a gestação com obesidade, ganharam peso excessivo no decorrer da gestação, cursaram-na com hiperleptinemia e relação I/G > 0,2. Segundo Ruano (2008), o risco de doença hipertensiva específica da gravidez (DHEG) é 2 a 3 vezes maior em gestantes com IMC maior que 30 Kg/m2 e chega a ser 5 vezes maior com IMC maior que 40Kg/m2, e o aumento do IMC de 3 ou mais unidades durante a gestação dobra o risco de pré-eclâmpsia, em decorrência à RI periférica e processo inflamatório subclínico nos vasos. Na fisiopatogenia da HA na SM é conhecido o papel do óxido nítrico (NO), que se encontra diminuído. Para sua síntese necessita da enzima NO sintetase, sua isoforma induzível é produzida por estímulo inflamatório, na SM a obesidade é responsável pela manutenção do estado inflamatório. Para Hall (2003), a hiperinsulinemia causa uma hiperatividade do sistema nervoso simpático, que leva a um aumento da PA. Somando-se a esta situação a hiperinsulinemia aumenta a retenção de sódio pelos túbulos renais, contribuindo para o aumento da PA. Alguns trabalhos vêm demonstrando a associação de hipertensão gestacional e pré-eclâmpsia com as variações das adipocinas. No presente trabalho não foi observada relação da PA com adiponectina. Entretanto, Abd-Aalaleem et al (2011), demonstraram essa associação em um estudo comparativo entre o nível sérico de 78 adiponectina de 60 gestantes egípcias divididas em três grupos: gravidez normal, PE e PE severa, onde foi observado que a concentração de adiponectina no soro de gestantes com PE foi significativamente maior que na gestante normal e o aumento foi maior nos casos de PE severa. Observaram também que havia correlação inversa entre adiponectina e pressão arterial em todos os grupos. Estes resultados sugerem que a adiponectina pode ser parte do mecanismo de feedback, melhorando a RI e diminuindo o risco de DCV em gestantes com PE. No presente estudo, foi obtida correlação significante e positiva entre PA e níveis séricos de leptina, o que está de acordo com Hauguel-de Mouzon; Lepercq; Catalano (2006), que encontraram concentrações séricas de leptina elevadas em gestantes com DMG, PE e RCIU, provavelmente relacionadas com a gravidade destas complicações. Existem razões fisiológicas importantes para o aumento de leptina durante a gestação. No presente estudo, foi observado que os níveis séricos da leptina tenderam a elevar-se durante o período gestacional, mas o aumento não foi estatisticamente significativo. Produzida predominantemente no tecido adiposo, níveis aumentados estão associados a IMC maior que 25 Kg/m2. Durante a gestação, a placenta também sintetiza leptina, portanto seus níveis tendem a aumentar não só pelo ganho de peso, mas também pela produção placentária, com a finalidade de manter o gasto energético, sinalizando reserva energética, saciedade e ingestão de alimentos. Para Lepercq e Hauguel (2002), os níveis séricos de leptina correlacionam positivamente com marcadores de secreção das células beta e hiperinsulinemia durante 1º, 2º e 3º trimestres da gestação, em paralelo com o aumento da massa corporal, funcionando como um sensor de balanço energético durante a gestação. Ela também age no sistema nervoso central (SNC) aumentando o tônus adrenérgico, sendo mais um elo entre obesidade e HA. (AIZAWA-ABE, et al., 2000). No presente estudo, a leptina apresentou concentrações sanguíneas menores nas adolescentes, com exceção do 3º T, quando essa diferença deixou de ser significativa, ainda que menor. As obesas apresentaram níveis séricos mais elevados do que as gestantes de peso normal, mostrando sua estreita relação com o peso, porém não foi observada correlação entre leptina e peso nem entre leptina e IMC neste estudo. Madan et al. (2009), e Highman et al. (1998), que evidenciaram correlação positiva entre leptina e IMC em mulheres gestantes e não gestantes. 79 O aumento da leptina associado ao aumento do TG pode induzir apoptose das células β do pâncreas, contribuindo para instalação de RI. (GAGLIARDI, 2007). Quanto à adiponectina, no presente estudo não foram observadas variações significativas durante a gestação no grupo avaliado, 1ºT (1781,10 pg/mL), 2ºT (1777,30 pg/mL) e 3ºT (1791,30 pg/mL). Estes dados estão de acordo com MazakiTovi et al. (2005), que dosaram adiponectina em 80 gestantes no 1º, 2º e 3º trimestres de gestação e pós-parto, e não observaram variações significantes nos níveis séricos de adiponectina, 1º T (13,3 ± 3,6 µg/mL), 2º T (12,6±4,4 µg/mL) e 3º T(11,2 ± 3,7 µg/mL), embora significativamente maiores que no pós-parto (8,8 ± 2,1 µg /mL). No entanto, outros estudos mostram diminuição de adiponectina durante a gestação, como o de Cseh et al. (2004), que além de diminuição dos níveis séricos observaram correlação positiva com massa corporal e IMC. No presente estudo, foi observada correlação negativa com o peso, o que eatá de acordo com Bowen et al (2002), e Fuglsang et al (2006). A adiponectina é secretada especificamente pelo tecido adiposo, controla a homeostase energética, modulando o metabolismo lipídico e glicídico. Matsuzawa et al. (2004), encontraram relação inversa com quantidade de tecido adiposo e RI. Em relação ao metabolismo glicídico, promove sensibilização da insulina, e no metabolismo lipídico apresenta correlação inversa com colesterol total, TG, LDLcolesterol e ácido úrico. Ela também aumenta o NO endotelial com relação negativa com a HA. No presente estudo, foi observada correlação inversa com peso, LDLcolesterol, VLDL-colesterol e TG. No presente estudo, a concentração sérica de adiponectina foi menor nas gestantes adultas em relação às adolescentes, com exceção do 3º T, quando a diferença não foi significativa. Esses dados nos sugerem que no 3º T de gestação existe mais desequilíbrio metabólico nas gestantes adolescentes, deixando-as mais propícias a riscos, devido ao estado inflamatório mais intenso, em relação aos trimestres anteriores. Adiponectina apresentou comportamento semelhante entre obesas e não obesas. Porém, existem estudos que mostram concentrações maiores nas gestantes com IMC < 25 Kg/m2, quando comparadas com gestantes com IMC ≥ 25 Kg/m2, conforme descrito por Mazaki-tovi, S. et al (2008), que estudaram 466 gestantes com IMC normal, 257 gestantes com sobrepeso e 40 mulheres não 80 grávidas de peso normal. Encontraram concentrações de adiponectina significantemente maiores nas mulheres não grávidas em relação às grávidas de peso normal e, entre as gestantes, concentrações significativamente maiores nas de peso normal do que nas com sobrepeso. A adiponectina seria, portanto, um marcador de eventos metabólicos mais adequados e saudáveis. O que está de acordo com o estudo. Na gestação, observa-se elevação dos níveis séricos do cortisol, que seria mais um fator indutor de RI. No presente estudo, as concentrações aumentaram ao longo da gestação, mas se relacionaram inversamente com peso, IMC, concentrações de insulina, HOMA-IR e I/G, um achado surpreendente. A explicação para este achado poderia estar no comportamento da proteína transportadora do cortisol (CBG), que aumenta em decorrência da elevação séricas do E2, ligando uma parcela maior de cortisol e diminuindo o cortisol livre.(GIBSON E TULCHINSKY, 1980) Os glicocorticóides também estão envolvidos na síntese, translocação e secreção dos lipídios (TAYLOR E LEBOVIC, 2007), mas no presente estudo não houve correlação entre concentração de cortisol total e colesterol, frações e TG. A hiperinsulinemia, ao contrário do E2, reduz as concentrações de CBG, que se correlacionam inversamente com os marcadores de RI, HOMA-IR, IL-6 e TNF-α, e, segundo Schmidt et al. (1999), níveis diminuídos de CBG refletiriam estes mecanismos fisiológicos e poderiam ser utilizados como preditor da DCV. Se durante a gestação suas concentrações se elevam normalmente, o encontro deste índice em níveis diminuídos poderia ser significativo, sobretudo na gestação de pacientes previamente portadoras de SM e DM2. Não é o caso da totalidade desta amostra estudada, em que a hiperinsulinemia se desenvolveu ao longo da gestação mesmo sem intensidade suficiente para ser considerada patológica. No presente estudo, o perfil lipídico das gestantes apresentou modificações marcantes. O colesterol total aumentou durante o evoluir da gestação, sendo esse aumento baseado no aumento de LDL-colesterol, VLDL-colesterol, já que a fração HDL-colesterol manteve-se sem variações significantes, acompanhados do aumento gradativo de TG e ácido úrico. Questiona-se se esse achado evidente de piora do perfil lipídico aumenta o risco de DCV, em ambiente de RI, ainda que fisiológica. 81 Segundo Lesser e Carpenter (1994), até oito semanas de IG, ocorre diminuição e, após, um aumento crescente de TG, colesterol total, LDL e VLDLcolesterol, devido ao aumento das concentrações de E2 e desenvolvimento da RI. O aumento da obesidade intra-abdominal em mulheres não grávidas faz com que o tecido adiposo libere mais TG e consequentemente ácidos graxos livres (AGL) na circulação. A permanência de AGL na circulação diminui a sinalização da insulina no músculo e fígado aumentando a neoglicogenese hepática e ativando vias inflamatórias que estimulam a apoptosedas células β pancreáticas. Para Gagliasdi, R. T. (2007), este quadro ocorre principalmente na obesidade e RI. Na gestação normal existe uma estratégia do metabolismo materno para garantir glicose e aminoácidos para o feto, ativando o mecanismo de lipólise na 2ª fase da gestação para suprir o gasto energético da mãe. Com a lipólise, muitos AGL são fornecidos pelo tecido adiposo, induzindo a RI. Com o aumento do TG e AGL pode ter início o depósito ectópico de TG no fígado e miocárdio. A mudança do perfil lipídico, possivelmente para disponibilizar maior fonte energética para a gestante, economizando a glicose para o feto, embora fisiológica, quando descontrolada pode gerar mais risco cardiometabólico, sendo danosa. (GAGLIARDI, 2007). Foi observado no presente estudo que o Colesterol total apresentou-se mais elevado, de modo significativo, nas gestantes adultas em relação às adolescentes nos três trimestres (1ºT p=0,002; 2ºT p=0,035 e 3ºT p=0,002), LDL-colesterol no 1ºT (p=0,004) e 3ºT (p=0,04) e TG no 1ºT (p=0,019). As concentrações de TG e ácido úrico elevaram-se de modo marcante, após o 2º T, nas gestantes adolescentes, tornando seu perfil metabólico evolutivamente pior em relação às gestantes adultas. Uma explicação para isso pode ser o fato de termos dois organismos em desenvolvimento, mãe adolescente e feto, gerando maior necessidade energética. Como era de se esperar, as gestantes obesas apresentavam colesterol total, frações LDL, VLDL, bem como TG elevados nos três trimestres, em relação às gestantes de peso normal, sendo significativo no 2ºT (p=0,026), 3ºT (p=0,041), 1ºT (p=0,024), para colesterol total, LDL-colesterol e VLDL-colesterol, respectivamente. Por sua vez, as gestantes de peso normal apresentaram concentrações de HDLcolesterol mais elevado nos três trimestres, sendo significativo no 1ºT (p=0,022) e 3ºT (p=0,022). Foi observada uma mudança no perfil lipídico, através das frações do colesterol das gestantes obesas: no 1ºT o VLDL-colesterol relativamente foi o mais elevado; no 3ºT o mais elevado foi o LDL-colesterol, concomitantemente com menor 82 valor do HDL-colesterol, promovendo um perfil ruim para estas gestantes, principalmente no 3ºT. Não obstante, ao longo da gestação houve correlação positiva de colesterol total, LDL-colesterol, TG e ácido úrico com peso e IMC, e inversa com HDL-colesterol. DAVID et al (2010), observaram correlação positiva em relação ao TG e peso materno. Também foi observada correlação positiva entre colesterol total, LDL-colesterol, VLDL-colesterol com ácido úrico. A observação dos valores individuais do perfil lipídico nos Anexos V e VI sugere valores comprometedores no último trimestre, sobretudo nas gestantes obesas. A maioria das variáveis estudadas também teve este comportamento, como se o 3ºT fosse o ápice das alterações metabólicas acumuladas ao longo da gestação. No metabolismo glicídico, foi observado, no presente estudo, que a glicemia de jejum não se alterou durante a gestação, demostrando equilíbrio metabólico. Glicemia pós TOTG apresentou uma queda gradativa ao longo da gestação (p=0,039). Os níveis séricos de insulina não apresentaram variações significantes nos trimestres, mas reduziram no 2º T. Os valores do índice de RI, HOMA-IR apresentaram diferença estatística entre o 2º e 3º trimestres, sugerindo aumento da RI a partir do 2º T. A relação I/G não apresentou diferença significativa, mas esboçou uma tendência a diminuir no 2º T. Observou-se que seis pacientes apresentavam I/G>0,2 no 1º T, ou seja, eram hiperinsulinêmicas de base e isto estava interferindo na análise dos resultados; analisamos estatisticamente sem incluí-las e os novos resultados demonstraram glicemia de jejum e pós TOTG sem grandes variações, o que é esperado no evoluir de uma gestação normal. Mas para que isso ocorresse, houve variações crescentes nos níveis séricos da insulina e conseqüente aumento progressivo do HOMAIR(p=0,040) e a relação I/G (p=0,039), demostrando que, apesar do desenvolvimento da RI apartir do 2º T da gestação, ela foi compensada de forma fisiológica, com o objetivo de manter as reservas nutricionais do feto, mantendo a glicemia materna estável. Segundo Gagliardi, quando temos RI não necessariamente temos hiperglicemia, porque as células β do pâncreas têm capacidade de aumentar a produção e secreção de insulina mantendo uma situação metabólica de hiperinsulinemia e normoglicemia, mas já estão acontecendo alterações metabólicas que favorecem a aterogênese, como aumento do VLDL-colesterol e AGL, ainda que transitórias. A hiperinsulinemia leva à diminuição de produção do NO, favorecendo a 83 HA e processo aterosclerótico; na falha de compensação dos processos metabólicos fisiológicos surgem hiperglicemia e DMG. (GAGLIARDI, 2007). A RI no músculo, fígado e tecido adiposo, ao lado de obesidade, leva a um processo semelhante a processo inflamatório crônico de baixo grau. Pickup e Crook, (1998), afirmam que há evidências de que um processo inflamatório crônico pode desencadear RI, portanto estamos diante de um ciclo-vicioso. Segundo Gagliardi (2007), a disfunção endotelial é o elo entre RI e aterogênese, a hiperinsulinemia estimula a proliferação de células da musculatura lisa vascular e endotelial, fazendo parte do início do processo aterosclerótico. No presente estudo, as concentrações da glicemia de jejum, insulina, HOMAIR e I/G apresentaram-se significativamente menor nas adolescentes em relação às gestantes adultas, durante o 1ºT. Depois, apesar de níveis séricos menores, deixaram de ter significância, demostrando mudança do metabolismo glicídico, com RI mais expressiva nas gestantes adolescentes a partir do 2ºT. As gestantes obesas apresentaram concentrações significativamente maiores de insulina, HOMA-IR e I/G no 1ºT (p=0,018; 0,004; 0,006) e 2ºT (p=0,038; 0,022; 0,042), respectivamente, e TOTG no 3ºT (p=0,036), mostrando que as gestantes de peso normal passaram a produzir relativamente mais insulina a partir do 2ºT para manutenção da glicemia, demonstrando um pâncreas mais efetivo à solicitação metabólica, apesar de as concentrações séricas das gestantes obesas permanecerem maiores que das de peso normal. Para Valsamakis et al. (2010), a secreção e índice de resistência à insulina se relaciona principalmente com a massa de gordura no início da gestação. Foi observada correlação positiva da glicemia de jejum, insulina, HOMA-IR e I/G com peso e IMC. Britt Eriksson et al. (2009), concluíram que a gravidez tem um efeito potencializador sobre a relação entre IMC e RI representada pela HOMA, possivelmente em resposta à situação nutricional da mãe. Haffner et al. (2000), descreve que há evidências do desenvolvimento de um sistema de retroalimentação negativo entre ganho de peso e sensibilidade à insulina, em que um aumento do peso levaria a uma progressiva RI, com objetivo de diminuir o ganho de peso. No presente estudo, foi observado que a gestação interfere nos metabolismos lipídico e glicídico para suprir a demanda do feto, resultando em RI fisiológica, mas nesse ambiente de RI com glicemia compensada temos alterações do metabolismo lipídico, que se traduz em ambiente favorável à DCV, interligando ganho de peso, 84 aumento de leptina, diminuição de adiponectina, processo inflamatório crônico, aumento de colesterol total, aumento das frações LDL e VLDL, aumento de TG, aumento de ácido úrico e, como ponto central, a RI. Se o processo não fosse transitório com o parto, seguramente caminharíamos para um desfecho desfavorável, mas, quando muito intenso, pode interferir no desfecho da gestação em si e na saúde futura desta gestante. A maioria dos recém-nascidos foi classificada como adequada para idade gestacional. Foram encontradas correlações positivas entre peso fetal com peso e IMC maternos pré-gestacional e principalmente do momento do parto, e relação inversa com concentração HDL-colesterol materno. Este dado está de acordo com Isaac et al. (1994), que também relataram que macrossomia fetal é mais frequente nas gestantes obesas independente da presença de diabetes. Kac e VelásquezMeléndez (2005), analisaram 230 gestantes e obtiveram 29,1% das gestantes com ganho excessivo de peso, 4,8% de macrossomia fetal, sendo esta característica incidente 10,4% nos fetos filhos de mães com ganho excessivo de peso e 2,5% de mães com ganho de peso normal, portanto a chance de macrossomia fetal foi 5,4 vezes maior nas mães com excessivo ganho de peso. A presença de altas concentrações de adipocinas no cordão umbilical sugere sua participação no crescimento fetal. (AMARILYO, et al, 2011). Segundo alguns estudos (LINDSAY, et al, 2003; BRIANA, et al, 2008) elas exercem efeito sobre a gordura, músculo e células do fígado fetal, contribuindo tanto para a restrição de crescimento como para a macrossomia fetal. Esse estado nutricional e hormonal durante a gestação pode interferir de forma irreversível no controle do metabolismo fetal, sendo responsável por sua futura obesidade e síndrome metabólica. As adipocinas são produzidas pelos adipócitos maternos e placenta, portanto o estado nutricional da mãe vai refletir no controle do metabolismo desse feto, durante toda a sua vida. Trabalhos (FORHEAD E FOWDEN, 2009; SURABHI, et al, 2011) falam sobre a influência da leptina, adiponectina, IMC materno e glicemia materna no peso fetal. Com relação à leptina, no presente estudo, não foi encontrada correlação significante, mas foi observada tendência a maior concentração sérica, proporcionalmente ao maior peso fetal. Britt Eriksson et al (2010), sugerem que um dos mecanismos reguladores do peso fetal seria a leptinemia materna; Forhead e Fowden (2009), através de seus dados, sugerem que a leptina fetal seria um 85 marcador endócrino de adiposidade fetal, participando no controle do metabolismo e maturação dos tecidos fetais. Por sua vez, Pighetti et al. (2003), demonstraram associação entre crianças PIG e baixa concentração de leptina, e Lea et al (2000), indicaram associação de fetos macrossômicos com elevadas concentrações de leptina na circulação placentária. No presente estudo, também não foi observada correlação entre peso fetal e concentrações de adiponectina materna. Alguns autores têm demonstrado correlação inversa entre adiponectina materna e peso fetal. Wang et al (2010), encontraram níveis séricos mais baixos de adiponectina em 30 gestantes que tiveram recém-nascidos GIG, comparadas com 40 gestantes que tiveram recémnascidos AIG. Outro estudo foi realizado por Surabhi et al. (2011), que compararam os níveis de adiponectina sérica materna entre 11 e 13 semanas de idade gestacional em 50 gestantes que tiveram recém-nascidos macrossômicos ou grandes para idade gestacional (GIG) com 300 gestantes que tiveram recémnascidos adequados para idade gestacional (AIG). Eles concluíram que a adiponectina sérica entre 11 e 13 semanas é um biomarcador útil para a predição inicial de macrossomia fetal. Lindsay et al. (2003), relataram que altas concentrações de adiponectina podem exercer um feedback regulador negativo, levando a uma menor massa gordurosa fetal. No presente estudo, não encontramos correlação significativa entre as glicemias das gestantes e HOMA-IR e peso fetal, não obstante tendência a níveis maiores nas gestantes sadias com recém-nascidos GIG e uma tendência a níveis menores para os recém-nascidos PIG. Metzger et al (2002), demonstraram maior incidência de macrossomia fetal em mulheres com níveis séricos inicialmente normais de glicose, que tiveram elevação das suas concentrações ao longo da gestação, analisando gestantes de 24 a 32 semanas gestacionais. Vale ressaltar que foram avaliadas características clínicas e variações de concentrações séricas de marcadores bioquímicos relacionados a risco cardiometabólico em gestantes sadias, sem doenças prévias, com evolução normal da gestação, com ganho de peso dentro de um padrão de normalidade estabelecido para as gestantes. Além disso, obtivemos padrões de referência, sobretudo das concentrações de leptina e adiponectina, que poderão ser utlilizados em pesquisas futuras no estudo de gestações de pacientes portadoras de condições clínicas 86 patológicas como diabetes mellitus, hipertensão arterial, dislipidemias e outras de interesse. 87 6 CONCLUSÕES 1. Do ponto de vista clínico, as pacientes ganharam peso progressivamente, principalmente após o 2º T, bem como aumento dos níveis pressóricos, os quais se correlacionaram com os níveis séricos de leptina. Quando foi observada hipertensão gestacional, esta se relacionou com peso pré-gestacional, ganho excessivo de peso, hiperleptinemia e I/G > 0,2. A prática de atividade física se associou-se a ganho de peso adequado. 2. Concomitante ao ganho de peso houve alteração do metabolismo do cortisol, colesterol total, LDL-colesterol, VLDL-colesterol, TG, ácido úrico, insulina, HOMA-IR e I/G, que tiveram aumento ao longo da gestação. Cortisol se correlacionou inversamente com peso e IMC maternos, insulina, HOMA-IR e I/G. As demais variáveis se correlacionaram positivamente com peso e IMC maternos. TG se correlacionou positivamente com colesterol total, LDL-colesterol, VLDL-colesterol e ácido úrico e, inversamente, com adiponectina e HDL-colesterol. A Insulina correlacionou-se positivamente com colesterol total e glicose. 3. Concentrações de adiponectina, HDL-colesterol, glicose de jejum e pós TOTG não tiveram alterações com o evoluir da gestação, mas foi observada correlação inversa entre adiponectina com peso materno, LDL-colesterol, VLDL-colesterol e TG. Glicose de jejum se correlacionou positivamente com peso materno, insulina, HOMA-IR e I/G. 4. Gestantes adolescentes ganharam mais peso relativo, apresentaram maior aumento relativo nas concentrações de leptina, TG, insulina, glicose jejum, HOMA-IR e I/G, e diminuição de adiponectina, sendo mais expressivo após o 2ºT, proporcionando ambiente mais inflamatório e pior perfil lipídico, o que nos faz concluir que gestantes com ≤ 19 anos necessitam de adaptações metabólicas mais significativas, sendo, portanto, alvos mais fáceis para descompensações dos fatores de risco cardiometabólicos. 5. Obesidade pré-gestacional é um agravante dos fatores de risco cardiometabólicos no ciclo gravídico. As gestantes obesas, mesmo apresentando menor ganho de peso que as de peso normal, apresentaram ganho além ou muito próximo do estabelecido como normalidade. Concomitantemente, apresentaram níveis pressóricos maiores à custa da PAD no 3ºT, maiores concentrações de leptina, VLDL-colesterol, LDL-colesterol, TG, insulina, HOMA-IR e I/G, e menor 88 concentração de HDL-colesterol, diferença marcante após o 2ºT, ficando a gestante obesa mais predisposta a desenvolver doenças cardiometabólicas. No 3ºT o menor aumento de insulina, HOMA-IR e I/G pode refletir menor efetividade de resposta das células β pancreáticas. A obesidade materna também interferiu no peso fetal, apresentando correlação positiva, com maior tendência a fetos GIG. 6. O peso e IMC maternos pré-gestacionais e principalmente no final da gestação (ganho de peso) correlacionam-se positivamente com o peso do recém-nascido, havendo uma tendência à associação entre maior concentração sérica de leptina e glicose de jejum materna com recém-nascido de maior peso, demonstrando a importância do estado nutricional da mãe sobre o desenvolvimento fetal. 7. Durante a gestação o organismo materno passa por adaptações metabólicas para prover nutrientes para o feto. Com o propósito de manutenção da glicemia, iniciamse RI fisiológica e alterações no metabolismo lipídico. Subjacente à hiperinsulinemia observamos elevações nos níveis pressóricos, nas concentrações de colesterol total, LDL-colesterol, triglicérides, ácido úrico e diminuição do HDL-colesterol, elevação do HOMA-IR e I/G, concomitante ao ganho de peso e consequentemente interferência nas citocinas. Podemos então acrescentar que a gravidez pode ser considerada um fator emergente de risco cardiometabólico. O risco é ainda maior na presença de obesidade e no período da adolescência, com seu ápice no 3º trimestre. 89 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABBASI, F. et al. Plasma adiponectin concentrations do not increase in association with moderate weight loss in insulin-resistant, obese women. Metab. Clin. Exp., Philadelphia, v. 53, n. 3, p. 280-3, Mar. 2004. ABD-AALALEEM, D.I. et al. Adiponectin level in sérum of women with pre-eclampsiaEastern Mediterranean health.Jounal la Revue de Santé de la Mèditerrance orientale . v. 17, nº7, 2011. AIZAWA-ABE, M. et al.Pathifisiological role of leptin in obesity-related hypertension.J. Clin. Invest. V. 105, p. 1243-52.2000. ALBERTI, F.G.M.M.; ZIMMET, P.Z. for the WHO Consultation. Definition, diagnosis and classification of diabetes mellitus and its complications. Part 1: Diagnosis and classification of diabetes mellitus, provisional report of a WHO consultation. Diabet. Med.; v.15, p. 539-53, 1998. AMARILYO, G. et al. 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TERMO DE ESCLARECIMENTO A menor sob sua responsabilidade está sendo convidada a participar do estudo: Avaliação das adipocinas durante o ciclo gravídico. Os avanços na área da saúde ocorrem através de estudos como este, por isso a sua participação é importante. O objetivo deste estudo é avaliar o comportamento das adipocinas, hormonios produzidos pelas células de gordura, durante o período gestacional, e caso a menor participe, será necessário seguir seu pré-natal no ambulatório de pré-natal de risco habitual da UFTM. Durante as coleta de sangue da rotina do pré-natal, será também dosado as adipocinas. A menor não fará nenhuma coleta além das rotinas. No seguimento do pré-natal também serão realizados dois ultrassons com doppler. Você e a menor sob sua responsabilidade poderão obter todas as informações que quiser e poderá não participar da pesquisa ou retirar seu consentimento a qualquer momento, sem prejuízo no seu atendimento. Pela participação da menor no estudo, você nem a menor não receberão qualquer valor em dinheiro, mas haverá a garantia de que todas as despesas necessárias para a realização da pesquisa não serão de sua responsabilidade. O nome da menor não aparecerá em qualquer momento do estudo, pois ela será identificada com um número ou por uma letra ou outro código. 106 TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE, APÓS ESCLARECIMENTO Título do Projeto: Avaliação das adipocinas durante o ciclo gravídico. Eu, __________________________________________________, li e/ou ouvi o esclarecimento acima e compreendi para que serve o estudo e qual procedimento ao qual a menor sob minha responsabilidade será submetido. A explicação que recebi esclarece os riscos e benefícios do estudo. Eu entendi que eu e a menor sob minha responsabilidade somos livres para interromper a participação dele na pesquisa a qualquer momento, sem justificar a decisão tomada e que isso não afetará o tratamento dele. Sei que o nome da menor não será divulgado, que não teremos despesas e não receberemos dinheiro por participar do estudo. Eu concordo com a participar da menor no estudo, desde que ele também concorde. Por isso ele assina (caso seja possível) junto comigo este Termo de Consentimento. Uberaba, ........../........../............... _________________________________________________________________ Assinatura do responsável legal _______________________________________ Assinatura do menor (caso ele possa assinar) Documento de identidade __________________________ Documento (se possuir) ___________________________________________ Assinatura do pesquisador orientador Telefone de contato dos pesquisadores: Dra. Sandra Beatriz Mangucci Callegari – (34) 3318-5565 Dra. Maria de Fátima Borges – (34) 3318-5292 Em caso de dúvida em relação a esse documento, você pode entrar em contato com o Comitê Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Triângulo Mineiro, pelo telefone 3318-5854. 107 ANEXO III - TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Título do Projeto: AVALIAÇÃO DAS ADIPOCINAS DURANTE O CICLO GRAVÍDICO. TERMO DE ESCLARECIMENTO Você está sendo convidada a participar do estudo: Avaliação das adipocinas durante o ciclo gravídico. Os avanços na área da saúde ocorrem através de estudos como este, por isso a sua participação é importante. O objetivo deste estudo é avaliar o comportamento das adipocinas, hormônios produzidos pelas células de gordura, durante o período gestacional, e caso você participe, será necessário seguir seu pré-natal no ambulatório de pré-natal de risco habitual da UFTM. Durante as coleta de sangue da rotina do pré-natal, será também dosado as adipocinas. Você não fará nenhuma coleta além das rotinas. No seguimento do pré-natal também serão realizados dois ultrassons com doppler. Você poderá obter todas as informações que quiser e poderá não participar da pesquisa ou retirar seu consentimento a qualquer momento, sem prejuízo no seu atendimento. Pela sua participação no estudo, você não receberá qualquer valor em dinheiro, mas terá a garantia de que todas as despesas necessárias para a realização da pesquisa não serão de sua responsabilidade. Seu nome não aparecerá em qualquer momento do estudo, pois você será identificado com um número. 108 TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE, APÓS ESCLARECIMENTO Título do Projeto: Avaliação das adipocinas durante o ciclo gravídico. Eu, __________________________________________________, li e/ou ouvi o esclarecimento acima e compreendi para que serve o estudo e qual procedimento a que serei submetido. A explicação que recebi esclarece os riscos e benefícios do estudo. Eu entendi que sou livre para interromper minha participação a qualquer momento, sem justificar minha decisão e que isso não afetará meu tratamento. Sei que meu nome não será divulgado, que não terei despesas e não receberei dinheiro por participar do estudo. Eu concordo em participar do estudo. Uberaba, ........../........../............... __________________________________________ Assinatura do voluntário ou seu responsável legal ___________________________________ Assinatura do pesquisador responsável _______________________ Documento de identidade _______________________________ Assinatura do pesquisador orientador Telefone de contato dos pesquisadores: Dra. Sandra Beatriz Mangucci Callegari – (34) 3318-5565 Dra. Maria de Fátima Borges – (34) 3318-5292 Em caso de dúvida em relação a esse documento, você pode entrar em contato com o Comitê Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Triângulo Mineiro, pelo telefone 3318-5854. 109 ANEXO IV - DIVISÃO DE GRUPOS DAS GESTANTES CONFORME IDADE CRONOLÓGICA E IMC DO 1º TRIMESTRE. Grupo A Grupo B Grupo C Grupo D IMC < 25 IMC ≥ 25 Idade ≤ 19 anos Idade > 19 anos 1 6 1 7 2 8 2 9 3 9 3 10 4 10 4 11 5 12 5 12 7 15 6 14 11 17 8 15 13 18 13 16 14 19 22 17 16 20 18 22 21 19 24 23 20 25 21 23 24 25 Fonte: A autora. 110 ANEXO V - CONCENTRAÇÕES DO COLESTEROL TOTAL (MG/DL), HDLCOLESTEROL (MG/DL), LDL-COLESTEROL (MG/DL) NOS TRÊS TRIMESTRES DA GESTAÇÃO. Colesterol total Caso Nº 1º T 2º T 3º T HDL-colesterol 1º T 2º T 3º T LDL-colesterol 1º T 2º T 3º T 1 170,00 224,70 224,60 47,00 42,00 40,00 103,80 150,50 152,40 2 165,20 214,30 220,70 64,00 65,00 65,00 80,40 109,70 102,90 3 174,50 168,50 181,80 80,00 69,00 68,00 75,70 76,70 4 150,40 258,70 276,60 48,00 55,00 54,00 79,00 160,90 178,40 5 156,20 130,70 164,00 77,00 57,00 72,00 55,80 41,10 60,00 6 160,00 173,40 182,10 44,00 42,00 38,00 86,60 96,20 93,50 7 183,90 205,30 200,80 113,00 118,00 105,00 49,90 66,30 72,60 8 146,80 191,80 186,20 54,00 60,00 50,00 72,20 112,20 105,60 9 211,40 215,50 269,20 69,00 54,00 63,00 121,00 131,20 169,30 10 186,50 230,00 252,90 49,00 61,00 47,00 106,10 131,40 152,90 11 186,60 169,00 242,80 49,00 41,00 82,00 104,60 104,30 120,00 12 219,50 275,30 281,70 67,00 60,00 51,00 134,70 178,70 180,30 13 223,80 239,90 211,00 91,00 99,00 96,00 181,70 118,80 14 212,80 250,30 281,10 62,00 63,00 44,00 126,20 150,70 160,10 15 246,40 279,90 284,90 59,00 64,00 47,00 158,60 168,70 189,10 16 308,10 278,70 262,70 58,00 74,00 56,00 210,90 158,00 140,50 17 192,60 205,70 209,30 54,00 54,00 50,00 114,30 118,70 124,10 18 316,80 280,40 351,40 50,00 41,00 53,00 235,90 194,00 325,50 19 222,20 249,30 283,30 61,90 63,00 66,00 198,80 146,70 174,30 20 231,80 241,20 236,00 82,00 72,00 76,00 116,20 116,00 104,30 21 187,10 187,60 252,70 28,00 36,00 45,00 123,70 22 199,00 204,80 202,00 78,00 70,00 77,00 102,60 110,80 101,60 23 219,50 233,90 240,60 22,60 73,00 65,00 128,20 134,70 141,80 24 208,40 206,40 215,30 82,00 63,00 75,00 106,20 122,40 110,70 25 228,40 242,90 264,20 59,00 59,00 55,00 146,40 162,50 182,00 Fonte: A autora. 88,80 87,20 98,80 120,90 111 ANEXO VI - CONCENTRAÇÕES DO VLDL-COLESTEROL (MG/DL), TRIGLICÉRIDES (MG/DL) E ÁCIDO ÚRICO (MG/DL) NOS TRÊS TRIMESTRES DA GESTAÇÃO. VLDL-colesterol Caso Triglicérides Nº 1º T 2º T 3º T 1º T 1 19,60 32,20 32,20 98,00 2 20,80 39,60 3 18,80 4 1º T 2º T 3º T 161,00 161,00 3,52 3,67 4,82 52,80 104,00 198,00 264,00 2,32 2,84 2,78 22,80 22,60 94,00 114,00 133,00 2,04 2,22 2,36 23,40 42,80 44,20 117,00 214,00 221,00 1,90 2,24 3,01 5 23,40 32,60 31,60 117,00 163,00 158,00 3,02 3,42 4,46 6 30,00 35,10 50,60 150,00 176,00 253,00 3,68 3,47 3,82 7 21,00 21,00 23,20 107,00 105,00 116,00 3,61 4,32 4,68 8 16,60 19,60 35,60 83,00 153,00 2,40 2,90 4,19 9 21,40 29,90 36,90 107,00 150,00 185,00 3,34 4,18 3,64 10 31,40 37,60 55,00 157,00 188,00 265,00 3,31 3,49 3,59 11 33,00 24,10 40,80 165,00 120,00 204,00 2,73 2,94 4,56 12 17,80 36,60 50,40 89,00 4,68 5,90 5,43 13 21,00 22,40 16,20 105,00 112,00 81,00 3,47 4,01 4,18 14 24,60 36,60 65,80 123,00 183,00 329,00 3,57 4,03 3,81 15 28,80 87,20 48,80 144,00 236,00 244,00 2,90 2,89 3,10 16 38,90 46,40 66,20 195,00 232,00 331,00 3,65 3,91 5,98 17 24,00 33,00 35,20 120,00 165,00 176,00 2,95 3,29 2,44 18 36,00 45,40 61,00 180,00 227,00 305,00 4,64 5,11 5,14 19 23,40 39,30 46,00 117,00 198,00 230,00 2,94 2,96 3,34 20 58,20 53,20 56,00 281,00 226,00 280,00 3,42 3,30 3,26 21 63,40 62,80 86,80 317,00 314,00 434,00 4,65 4,66 5,56 22 18,40 24,00 23,60 92,00 120,00 118,00 3,29 3,97 4,21 23 19,69 26,20 33,80 113,00 131,00 169,00 3,64 2,99 3,62 24 20,20 20,80 29,60 101,00 104,00 144,00 3,76 4,22 5,59 25 23,00 21,40 27,20 115,00 107,00 136,00 2,51 2,83 3,75 Fonte: A autora. 2º T Ácido Úrico 98,00 3º T 183,00 252,00 112 ANEXO VII - CONCENTRAÇÕESDE GLICEMIA DE JEJUM (MG/DL), TOTG (MG/DL), INSULINA (µU/ML) NOS TRÊS TRIMESTRES DA GESTAÇÃO. Glicose Caso TOTG Insulina Nº 1º T 2º T 3º T 1º T 2º T 3º T 1º T 2º T 3º T 1 69,30 80,10 83,90 97,38 55,30 90,90 4,43 2,69 11,95 2 70,80 81,30 75,40 74,40 98,40 108,20 4,91 9,28 10,62 3 64,80 85,50 76,80 101,40 86,20 99,20 6,07 10,80 33,46 4 86,90 81,50 75,20 115,70 93,40 119,30 6,53 13,20 5,27 5 88,50 84,40 81,30 81,39 116,10 122,10 16,90 9,17 9,99 6 81,00 73,00 88,50 87,60 91,70 92,30 19,11 17,00 21,70 7 72,20 68,30 70,00 68,67 81,30 92,90 8,31 10,92 15,59 8 75,10 88,40 69,00 97,38 92,40 112,00 8,46 11,49 11,07 9 88,20 82,90 85,30 105,33 91,00 91,30 12,65 9,50 11,23 10 69,40 77,60 103,40 97,90 71,30 85,60 10,30 20,02 58,07 11 75,50 68,60 67,30 97,38 97,38 98,20 9,44 7,85 14,38 12 93,10 112,30 65,10 97,10 97,38 84,10 50,59 33,13 16,38 13 64,20 76,10 69,20 125,60 127,80 97,38 5,30 5,50 28,80 14 87,20 73,60 79,20 88,00 105,40 96,10 6,32 5,18 7,10 15 75,40 72,50 70,40 101,80 97,38 70,90 12,76 20,12 13,00 16 80,20 76,10 70,20 124,40 121,20 117,10 84,51 22,50 16,90 17 72,40 90,60 84,10 114,13 97,38 97,38 13,17 11,74 14,30 18 93,60 71,00 82,90 133,90 94,20 77,10 14,40 14,84 22,01 19 77,40 63,30 73,00 109,30 91,50 96,00 10,53 11,90 7,34 20 89,30 84,00 88,80 132,50 91,50 16,80 87,76 14,00 28,50 21 91,10 100,70 85,80 117,10 97,38 141,00 15,04 3,68 19,06 22 73,10 49,70 61,20 110,80 97,38 87,70 9,06 2,77 5,67 23 92,90 75,90 79,40 77,40 102,64 116,10 15,50 14,30 13,93 24 82,80 77,80 102,20 87,80 83,00 93,60 38,34 6,33 62,59 25 82,20 72,10 79,30 109,30 80,60 87,30 34,00 7,04 6,47 Fonte: A autora. 113 ANEXO VIII - CONCENTRAÇÕES DOS MARCADORES DE RESISTÊNCIA INSULÍNICA NOS TRÊS TRIMESTRES DE GESTAÇÃO. HOMA-IR Caso Insulina/Glicose Nº 1º T 2º T 3º T 1º T 2º T 3º T 1 0,80 0,50 2,50 0,06 0,03 0,14 2 0,90 1,90 2,00 0,07 0,11 0,14 3 1,00 2,30 6,30 0,09 0,13 0,44 4 1,40 2,70 1,00 0,08 0,16 0,07 5 3,70 1,90 2,00 0,19 0,11 0,12 6 3,80 3,10 4,70 0,24 0,23 0,25 7 1,50 1,80 2,70 0,12 0,16 0,22 8 1,60 2,50 1,90 0,11 0,13 0,16 9 2,80 1,90 2,40 0,14 0,11 0,13 10 1,80 3,80 14,80 0,15 0,26 0,56 11 1,80 1,30 2,40 0,13 0,11 0,21 12 11,60 9,20 2,60 0,54 0,30 0,25 13 0,80 1,00 4,90 0,08 0,07 0,42 14 1,40 0,90 1,40 0,07 0,07 0,09 15 2,40 3,60 2,30 0,17 0,28 0,18 16 16,70 4,20 2,90 1,05 0,30 0,24 17 2,40 2,60 3,00 0,18 0,13 0,17 18 3,30 2,60 4,50 0,15 0,21 0,27 19 2,00 1,90 1,30 0,14 0,19 0,10 20 19,40 2,90 6,20 0,98 0,17 0,32 21 3,40 0,90 4,00 0,17 0,04 0,22 22 1,60 0,30 0,90 0,12 0,06 0,09 23 3,60 2,70 2,70 0,17 0,19 0,18 24 7,80 1,20 15,80 0,46 0,08 0,61 25 6,90 1,30 1,30 0,41 0,10 0,08 Fonte: A autora.