UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO
GRANDE DO SUL
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS ADMINISTRATIVAS, CONTÁBEIS,
ECONÔMICAS E DA COMUNICAÇÃO
CURSO DE PÓS GRADUAÇÃO LATO SENSUEM CONTROLADORIA
E GESTÃO TRIBUTÁRIA
TATIANE DUMKE CARNEIRO
A RELEVÂNCIA DA INFORMAÇÃO CONTÁBIL NA GESTÃO DAS
EMPRESAS DO AGRONEGÓCIO DA REGIÃO NOROESTE DO RIO
GRANDE DO SUL
Ijuí (RS),
2014
1
A RELEVÂNCIA DA INFORMAÇÃO CONTÁBIL NA GESTÃO DAS EMPRESAS
DO AGRONEGÓCIO DA REGIÃO NOROESTE DO RIO GRANDE DO SUL
Tatiane Dumke Carneiro1
Euselia Paveglio Vieira2
RESUMO
As organizações vivem atualmente em um ambiente de constantes mudanças, onde o
mercado extremamente competitivo e em ritmo acelerado impõem desafios cada vez maiores
aos gestores. Neste cenário, a informação passou a ser um recurso extremamente valioso para
acompanhar as grandes evoluções geradas pela globalização e a Contabilidade, compreendida
como um “banco de dados” que contempla informações sobre todos os eventos econômicos e
empresariais apresenta-se na sua mais moderna expressão como um sistema de informações
auxiliando nos processos decisórios.Este trabalho teve por objetivo verificar a percepção dos
gestores das empresas do ramo do agronegócio da região noroeste do Rio Grande do Sul, em
relação àcontribuição das informações geradas pela Contabilidade na gestão destes
empreendimentos. As informações foram coletadas por meio de entrevistas realizadas com os
gestores de 08 (oito) empresas que possuem unidades de recebimento e comercialização de
grãos nos Municípios de Jóia, Augusto Pestana e Ijuí. Os resultados demonstram que
grandeparte dos gestores utilizamamplamente as informações geradas pela Contabilidade no
gerenciamento destes empreendimentos.
Palavras chave: Contabilidade. Controladoria. Informação. Sistemas de Informações. Gestão
Empresarial. Indicadores de Gestão. Agronegócio.
1
Graduada em Ciências Contábeis e Pós Graduanda em Controladoria e Gestão Tributária pela UNIJUI.
Mestre em Contabilidade pela FVC; Professora do Depto de Ciências Administrativas, Contábeis, Econômicas
e da Comunicação. Professora Orientadora.
2
2
INTRODUÇÃO
As organizações atuam em um ambiente globalizado com o mercado extremamente
competitivo e em ritmo acelerado, o qual impõem desafios cada vez maiores aos gestores.
Neste cenário, a informaçãotornou-se um recurso extremamente valioso para o
acompanhamento das constantes evoluções, sejam elas tecnológicas, econômicas, sociais,
políticas e até mesmo do comportamento do mercado consumidor.
A velocidade destas mudanças na conjuntura econômica e o aumento da complexidade
dos processos internos das organizações têm obrigado os gestores a tomarem importantes
decisões em curtos espaços de tempo, sendo que o grau de assertividade destas escolhastem
ditado a permanência nomercado. Para isso, necessitamestar munidos de informações precisas
e relevantes, que os permitaanteverem cenários favoráveis ou contraditórios, assegurando um
posicionamento competitivoem relação aos concorrentes epromovendo o crescimento da
organização como um todo.
A Contabilidade, compreendida como um “banco de dados” que contempla
informações sobre todos os eventos econômicos e empresariais, mensurados por medidas
físicas e monetárias, não se restringe apenas à geração de informações sobre eventos
passados, mas também sobre acontecimentos planejados, apresentando-se como um eficiente
sistema de informação,deixandode ser mera técnica de registro das variações patrimoniais e
passando a ser considerada uma poderosa ferramenta de gestão e apoio ao processo decisório
dentro das organizações.
Para Sell (2004, p. 15), “todas as informações da empresa passam pela Contabilidade,
e esta deverá, da melhor forma possível, evidenciar as informações de que os gestores
necessitam para as tomadas de decisão”.
Para cumprir seus objetivos,a Contabilidade precisa fazer uso de diversos artifícios e
desenvolver instrumentos,dentre os quais se destacao Sistema de Informações, que deve estar
alinhado ao modelo de gestão organizacional, servindo de subsídio aos gestores em todas as
fases do processo decisório e da gestão da empresa, desde o planejamento, a execução e o
controle, não devendo ser realizada apenas para atendimento das exigências legais, mas como
um instrumento gerencial pelo qual o contador transforma os dados em informações úteis para
o controle de tarefas, contribuindo para que sejam cumpridas conforme o planejado.
Diante do exposto o objetivo deste estudo foi verificar qual a percepção dos gestores
das empresas do ramo do agronegócio da região noroeste do Rio Grande do Sulem
3
relaçãoàcontribuição das informações
geradaspela Contabilidade na gestão destes
empreendimentos.
2 CONTABILIDADE E CONTROLADORIA
A Contabilidade é uma Ciência milenar que objetiva o registro, acompanhamento e
controle das movimentações do patrimônio dasentidades, em seus aspectos qualitativos e
quantitativos.
Segundo historiadores, os primeiros sinais de contas datam de 4.000 anos a.c.,
entretanto, muito antes disso o homem pré-histórico já fazia registros a fim de inventariar seus
rebanhos, instrumentos de caça e pesca, fazendo com isso uma Contabilidade rudimentar.
Àmedida que foram surgindo novas necessidades de controles e registros a
Contabilidade foi evoluindo junto com a humanidade, até se transformar na indispensável
ferramenta empresarial dos dias de hoje.
De acordo com Basso (2011, p. 28) a Contabilidade pode ser entendida como um:
Conjunto ordenado de conhecimento próprios, leis científicas, princípios e métodos
de evidenciação próprios, é a ciência que estuda, controla e observa o patrimônio das
entidades nos seus aspectos quantitativo (monetário) e qualitativo (físico), e que
como conjunto de normas, preceitos, regras e padrões gerais, se constitui na técnica
de coletar, catalogar e registrar informações de suas variações e situação,
especialmente de natureza econômica e financeira.
Para Marion (2003, p. 25) a Contabilidade “pode ser considerada como o sistema de
informação destinado a prover seus usuários de dados para ajudá-los a tomar decisões”, de
modo que a amplitude e diversidade do público a que se destina, requer-lhe versatilidadepara
que os dados possam se transformar em informações úteis e a mesma possa cumprir com sua
finalidade.
A contabilidade é componente da gestão empresarial, porque fornece informações
para o processo de tomada de decisão, levando a formulação de estratégias no
negócio. As informações são consideradas elemento estratégico, pois, de posse das
mesmas, o gestor terá subsídios para uma tomada de decisão precisa e eficaz, ou
seja, a informação correta e oportuna é fator decisivo para as empresas manterem-se
competitivas perante as constantes mudanças no cenário econômico mundial,
(RIBEIRO et al, 2013, p. 6).
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Entende-se como usuários da informação contábil, pessoas físicas ou jurídicas, que
direta ou indiretamente, tenham algum tipo de interesse na avaliação e no desenvolvimento de
determinada organização, sendo classificados em internos e externos, cada qual com
interesses específicos.
Os usuários externos são aqueles que não atuam diretamente na empresa, mas que
externamente desejamconhecer a situação patrimonial, como por exemplo, os acionistas e
investidores, instituições financeiras, fornecedores, órgãos públicos e de fiscalização,
entidades de classe, sindicatos, mercado em geral, entre outros.
Por sua vez os usuários internos, são aqueles que por atuarem na atividade da empresa
e por estarem fazendo sua gestão, além de utilizarem os relatórios normais, também
necessitam de relatórios específicos, para fins de controle e planejamento, tais como os
administradores, gerentes, diretoria e pessoal interno em geral.
Em uma organização, o controle tem por objetivo comparar os resultados alcançados
com aqueles projetados, sendo possível através dele perceber desvios e aplicar medidas
corretivas em tempo hábil.
Para Barreto (2008) o controle vem tornando-se cada vez mais indispensável, pois o
crescimento das organizações e a complexidade de suas atividades acarretaram ao longo do
tempo,o distanciamento físico entre o executivo e a realização do processo administrativo e
produtivo, surgindo em consequência a necessidade de descentralização de poderes e
decisões.
Sabe-se que o controle está intimamente ligado ao planejamento, pois este determina
quais serão os objetivos a serem alcançados, enquanto que aquele verifica se os mesmos estão
sendo atingidos,permitindo conhecer a situação da organização, acompanhar seu desempenho
e determinar as correções necessárias para mantê-la no rumo desejado. Para que estes
processos sejam de fato eficientes e eficazes, e em consequência seja possível a redução das
incertezas envolvidas nessas decisões, são necessárias informações adequadas, oportunas e
confiáveis.
Neste contexto, a Controladoria é entendida como um departamento ou uma Ciência,
que se revela como uma importante fonte de informação na gestão empresarial, cujo objetivo
é munir a alta gestão com informações relevantessobre o desempenho dos diversos setores e
da organização como um todo.
Segundo Padoveze (2004) a Controladoria pode ser entendida como a Ciência
Contábil evoluída, que em função do alargamento do campo de atuação em relação à
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Contabilidade recebe a denominação de Controladoria. Em outras palavras, para o autor, a
Controladoria é a utilização plena da Ciência Contábil, cabendo àquela a implementação,
desenvolvimento, aplicação e controle de todo o ferramental desta, com uma visão
multidisciplinar, utilizando-se inclusive de conhecimentos, métodos e técnicas de outros
ramos do conhecimento ligados à gestão econômica empresarial, tais como a Administração,
Economia e Estatística.
Basicamente a controladoria é a responsável pelo sistema de informação contábil
gerencial da empresa e sua missão é assegurar o resultado da companhia. Para tanto
ela deve atuar fortemente em todas as etapas do processo de gestão da empresa, sob
pena de não exercer adequadamente sua função de controle e reporte na correção do
planejamento, (PADOVEZE, 2000, p. 122).
Assim, o papel da Controladoria, conforme Oliveira, Perez Junior e Silva (2005), é
oferecer aos gestores subsídios para o planejamento e controle das atividades operacionais,
comerciais, financeiras, administrativas, tributárias, entre outras. Ou seja, cabe a ela manter
um monitoramento permanente sobre os diversos departamentos e atividades da organização,
de modo a conhecer todos os níveis desde o operacional e tático até o estratégico.
Com base no exposto, é possível observar que em uma organização de pequeno porte
as funções da Controladoria podem ser executadas diretamente pelo proprietário, já que o
mesmo tem condições de acompanhar as atividades de todas as áreas da empresa. Entretanto,
conforme o crescimento da organização, também cresce a complexidade das operações
executadas e a dificuldade de se manter um controle efetivo de todos os setores.
Conseqüentemente, a Controladoria passa aser de fundamental importânciahaja visto
as diversas funções que executa, especialmente quanto a geração de informações úteis à
tomada de decisão e acompanhamento da real situação da entidade.
2.1Sistemas de Informações
Devido ao complexo e competitivo ambiente em que estão inseridas,as organizações
necessitam de informações adequadas para sua gestão, sendo que conforme Toigo (2007, p.
23) percebe-se que nos últimos anos “a informação adquiriu o reconhecimento da sociedade e
que constitui uma peça-chave para as empresas enfrentarem a crescente competitividade”.
Beuren (2000, p. 43) destaca que o “desafio maior da informação é habilitar os
gestores a alcançar os objetivos propostos para a organização, por meio do uso eficiente dos
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recursos disponíveis”, sendo fundamental para a elaboração das estratégias da empresa, no
processo de tomada de decisão e no controle das diversas operações.
Para que a informação contábil seja usada no processo de administração, é
necessário que essa informação contábil seja desejável e útil para as pessoas
responsáveis pela administração da entidade. Para os administradores que buscam a
excelência empresarial, uma informação, mesmo que útil, só é desejável se
conseguida a um custo adequado e interessante para a entidade. A informação não
pode custar mais do que ela pode valer para a administração da entidade,
(PADOVEZE, 2010, p. 47).
Com isto, é possível perceber a informação contábil como uma importante ferramenta
para a administração empresarial, porém, para cumprir seu papel e atender as características
que a tornam relevante, é importante a construção de um Sistema de Informaçõesadequado ao
porteda organizaçãoe ao tipo de informações demandadas.
Padoveze (2010, p. 48) defineSistema de Informações como “um conjunto de recursos
humanos, materiais, tecnológicos e financeiros agregados segundo uma sequência lógica para
o processamento dos dados e tradução em informações, para com seu produto, permitir às
organizações o cumprimento de seus objetivos principais”.
Por sua vez Almeida (2001) ensina que Sistema de Informação é o mecanismo que
possibilitaa captação das ocorrências internas e externas de maneira estruturada, relacionadas
a gestão nas organizações empresariais, subsidiando os gestores nas decisões requeridas no
processo de gestão, para os diferentes níveis hierárquicos e áreas funcionais da empresa.
Frezatti et al (2009, p. 70) acrescenta ainda que o “sistema de informação deve
transformar dados em informações; sabendo-se que produtos é todo que satisfaz uma
necessidade, pode-se deduzir, por analogia, que a informação é um produto, cuja matériaprima são os dados”.
Portanto, um Sistema de Informação é um conjunto de componentes inter-relacionados
que coletam dados (entrada), manipulam, armazenam (processamento) e disseminam as
informações geradas (saída), fornecendo um mecanismo de feedback, ou retroalimentação do
próprio sistema.
É indispensável observar que todos os níveis de uma organização, seja operacional,
tático ou estratégico, precisam de informações específicas para as suas necessidades
particulares, a fim de garantir o uso adequado dos recursos e o atingimento dos objetivos
organizacionais. Isto somente é possível quando a empresa possui um Sistema de Informações
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capaz de gerar relatórios específicos e adaptados para suprir suas demandas particulares,
(SOBRAL; PECI, 2008).
Cabe destacar a importância das pessoas como parte integrante dos Sistemas de
Informações, pois como frisa Mattos (2005),não adianta investir grandes montantes de
recursos em equipamentos e novas tecnologias, se as pessoas que trabalharão com estes não
estiverem preparadas para aceitá-los e utilizá-los de forma adequada, tornando-os deficientes.
Enfim, a competitividade e complexidade do mercado moderno levouas empresas à
necessidade de utilização de Sistemas de Informações capazes degerenciar o crescente volume
de informações geradas diariamente. Uma empresa com um SI bem estruturado destaca-seem
relação aos concorrentes, visto que seus gestores possueminformações adequadas, seguras e
em tempo hábil para um processo decisório assertivo, garantindo com isso,elevados níveis de
produtividade e eficácia.
2.2 Gestão Empresarial
Conforme já citado anteriormente, as empresas encontram-se atualmente em um
ambiente extremamente dinâmico, complexo e competitivo, onde sua continuidade depende
das decisões tomadas pelos responsáveis pela gestão.
O termo gestão deriva do latim gestione e significa gerir, gerência, administração.
Administrar é planejar, organizar, dirigir e controlar recursos, visando atingir
determinado objetivo. Gerir é fazer as coisas acontecerem e conduzir a organização
para seus objetivos. Portanto, gestão é o ato de conduzir as empresas para a obtenção
dos resultados desejados, (OLIVEIRA et al,2005, p. 136).
A definição de Gestão Empresarial, é dada por Rezende e Abreu (2003, p. 206), como
um conjunto dos “processos de operação funcional quotidiana de uma empresa, com
otimização das atividades e procedimentos operacionais e gerenciais, planejamento de
investimentos atuais e futuros, análise dos retornos e flexibilização de perenidade e
crescimento da empresa”.
De acordo com Catelli; Guerreiro, (1992, apud PADOVEZE, 2011, p. 27) a Gestão
Empresarial é segmentada em três aspectos, sendo eles o operacional, o econômico e o
financeiro, onde:
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O primeiro diz respeito à qualidade, quantidade e cumprimento de prazo, que
denominamos de operacional [...] aos recursos consumidos e aos produtos e serviços
gerados, podem ser associados valores econômicos [...] o que caracteriza o aspecto
econômico da atividade. Finalmente, as operações envolvem prazos de pagamentos
e recebimentos, o que caracteriza o aspecto financeiro da entidade.
Cada entidade possui um Modelo de Gestão que orienta a atuação de seus gestores,
representando a forma como se pretende desenvolver o negócio, ou seja, “uma representação
teórica do processo de administrar uma organização, a fim de garantir a consecução da missão
para a qual foi concebida”, (BEUREN, 2000, p. 36).
Segundo Oliveira et al(2005), o Modelo de Gestão é composto pela definição das
crenças e valores, refletindo os atributos que norteiam os negócios da entidade, pela filosofia
da empresa, pela determinação da missão, representando o que ela se propõe a fazer, e pelos
propósitos básicos na condição dos resultados esperados pelo cumprimento da missão.
Portanto, o Modelo de Gestão representa o conjunto de princípios e normas que
norteiam uma organização e servem de referencial para os gestores na decisão pelas melhores
alternativas dentre todas as disponíveis, a fim de levar a empresa a cumprir sua missão com
eficácia, (PADOVEZE, 2011).
Sua estruturação decorre de uma série de diretrizes, dentre as quais se destacam:
 a existência ou não e planejamento e controle, bem como suas definições básicas;
 o grau de participação dos gestores nas decisões;
 o grau de autonomia dos gestores;
 os critérios de avaliação de desempenhos;
 os papéis e posturas gerenciais, (PEREIRA, 2001, p. 58).
A adoção de um Modelo de Gestão por uma entidade é diretamente influenciada pela
cultura organizacional existente, e é a partir dele que se dá o processo de tomada de decisão
também denominado de Processo de Gestão, o qual “visa garantir que as decisões dos
gestores contribuam para otimizar o desempenho da organização”, (BEUREN, 2000, p. 38).
Para Padoveze (2004, p. 26):
O processo de gestão tem por finalidade permitir à empresa alcançar os seus
resultados dentro de um conjunto de coordenado de diretrizes, para atingir as metas
e objetivos explicitados na declaração da visão empresarial. O processo de gestão
não se limita ao planejamento; inicia-se a partir dele e incorpora todas as etapas da
execução das atividades, bem como controle da execução das atividades.
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Em cada uma dessas fases do Processo de Gestão são tomadas decisões quanto às
ações a serem desempenhadas, e para tanto, demandam de informações adequadas a fim de
reduzir as incertezas envolvidas nessas escolhas.O Processo de Gestão pode ser observado de
forma detalhada na figura a seguir:
Figura 01 - Processo de gestão: visão analítica
Crenças e
Variáveis
Valores
Ambientais
Planejamento
Planejamento
Estratégico
Operacional
Externas
Objetivos
Modelo
Missão
de Gestão
Cenários
Diretrizes
Diretrizes
Organizacionais
Estratégicas
Oportunidades
Ameaças
Organizacionais
do Negócio
Definição
Estratégicas
Características
Aprovação
dos
Meios e
Avaliação
Variáveis
Recursos
Plano e
Ambientais
Internas
PontosF
PontosF
ortes
racos
Metas
Alternativas
de Ação
Simulação
Controle
Execução
Plano
Aprovado
Fonte: Padoveze (2011, p. 29)
Quanto à fase do planejamento, considera-se que seja dividida em planejamento
estratégico e planejamento operacional. No primeiro, são analisadas as relações da empresa
com o ambiente através da confrontação das ameaças e oportunidades com os pontos fortes e
fracos da empresa. A partir disso, são definidas as políticas, diretrizes e objetivos estratégicos
da organização. Por sua vez, a fase do planejamento operacional é dividida em préplanejamento, planejamento operacional de longo prazo e de curto prazo ou programação. No
pré-planejamento operacional são definidos os objetivos operacionais e planos de ações para
as diversas áreas funcionais, com vistas a implementar os objetivos estipulados no
planejamento estratégico. No planejamento operacional de longo prazo são detalhadas as
alternativas selecionadas para um determinado período, quantificando-se os volumes de
recursos necessários, prazos, valores, resultados, entre outros. Por último, na fase da
programação, são efetuados ajustes e readequações nos planos operacionais para o curto
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prazo, procedendo-se as alterações necessárias em função das modificações ocorridas nos
ambientes internos e externos da organização, (OLIVEIRA, 2009).
A execução corresponde à etapa onde as coisas acontecem, ou seja, onde as ações
definidas no planejamento estratégico e operacional são colocadas em prática, os recursos são
consumidos e os produtos gerados. Já o controle, tem a finalidade de avaliar o grau de
assertividade do planejamento através da comparação entre o desempenho real e o previsto.
Nesta fase são analisados os desvios ocorridos, identificadas suas causas e determinadas as
ações corretivas, (OLIVEIRA, 2009).
2.2.1Indicadores de Gestão
Tendo por premissa que tudo aquilo que não pode ser medido não pode ser avaliado, e
que, em consequência, não se pode decidir sobre ações a tomar, deve-se ter em mente que
todas as decisões nas organizações precisam estar baseadas em fatos, dados e informações
quantitativas.
Com esse propósito sugere-se a “utilização dos indicadores de gestão, como uma
relação matemática a qual mensura atributos de um processo ou dos resultados empresariais,
com o objetivo de comparar essa métrica advinda de eventos reais com metas padrões préestabelecidas”, (TACHIZAWA et al,2001, p. 276).
No entendimento de Oliveira (2009), indicadores são índices que objetivam informar
aspectos de interesse decisório, que permitam a comparação do desempenho de uma empresa
com outras, ou com si própria em outros períodos. Podem ser classificados segundo diversos
critérios, como por exemplo:
 Indicadores contábil-financeiros: normalmente têm como base os seguintes
demonstrativos contábeis (demonstração do resultado do exercício balanço
patrimonial): liquidez, endividamento, lucratividade e atividade.
 Indicadores físico-operacionais: proporcionam uma visão não-econômica e tentam
revelar a eficiência operacional. Os principais são: satisfação no mercado, taxa de
crescimento das vendas, satisfação dos clientes, retenção de clientes e atendimento
dos fornecedores.
 Indicadores econômicos: são mais complexos. As demonstrações contábeis não
são suficientes para a apuração e mensuração desses valores e estão ligas à
avaliação das empresas, (OLIVEIRA, 2009, p. 215).
Neste sentido, pode-se afirmar que Indicadores de Gestão são medidas usadas para
determinar o sucesso da organização, como um todo ou em parte, permitindo a percepção do
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momento certoparaintervenção e do local para onde devem ser focadas as energias com vistas
a garantir o bom funcionamento dos processos.
São essenciais ao planejamento e controle dos processos organizacionais, pois
constituem a base do planejamento, estabelecem medidas verificadoras do cumprimento de
metas e objetivos.
Cada organização deve estabeleceros Indicadores de Gestão mais adequados para o
seu tipo de negócio,os quais podem ser utilizados como parâmetros para o monitoramento e
desenvolvimento das atividades operacionais e rotineiras, como subsídios nos processos
decisórios em âmbito gerencial, dando suporte para a análise crítica dos resultados do
negócio, para as tomadas de decisões e ao replanejamento.
Cabe ressaltar, entretantoque a implementação de indicadores gera custos, e, portantoé
preciso planejar a cerca desta decisão, pois para serem de fato eficientes,os benefícios gerados
pela sua utilização devem superar os custos inerentes à sua geração.
2.3Agronegócio
Segundo Megido e Xavier (2003), na década de 1950 o termo agribusinessou
agronegócio foi cunhado pelos professores Ray Goldeberg e John H. Davis, da Universidade
de Harvard, como sendo o somatório das operações de produção e distribuição de suprimentos
agrícolas com as operações de produção nas unidades agrícolas, e ainda o armazenamento,
processamento e distribuição dos produtos agrícolas ou produzidos a partir destes.
Zylbersztajn (2006 p. 36)também traz sua definição para agronegócios afirmando que
“abrangem a agricultura, o fornecimento dos insumos para a agricultura, a distribuição
varejista e as agroindústrias”.
Dessa forma, o conceito engloba os fornecedores de bens e serviços para
aagricultura, os produtores rurais, os processadores, os transformadores
edistribuidores e todos os envolvidos na geração e fluxo dos produtos de
origemagrícola até o consumidor final. Participam também desse complexo, os
agentes queafetam e coordenam o fluxo dos produtos, tais como o governo, os
mercados, asentidades comerciais, financeiras e de serviços, (MENDES, 2007, p. 7).
Assim, pode-se afirmar que o agronegócio corresponde ao ramo daquelas atividades
econômicas de alguma forma ligadas a agricultura ou a pecuária, que exploram a capacidade
produtiva do solo através do cultivo da terra, da criação de animais ou da transformação de
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produtos agrícolas, incluindo desde os financiadores da atividade, da indústria que produz os
implementos e equipamentos agrícolas, que fornece os insumos e fertilizantes, que efetua o
beneficiamento e seleção de sementes, a colheita, o armazenamento e a distribuição, até
chegar ao consumidor final.
Tais atividades têm destacada importância em países de grandes extensões territoriais
e condições climáticas favoráveis como o Brasil, um dos maiores produtores e exportadores
mundiais de produtos oriundos do agronegócio, chamados de commodities, que em inglês
significa mercadoria. Este termo é utilizado para definir produtos em estado bruto (in natura)
ou em pequeno grau de industrialização, que possuem padronização internacional, produzidos
em grandes quantidades, com pouca diferenciação, independentemente da marca ou
fornecedor, negociados em bolsas de mercadorias com cotações e negociabilidade globais,
(MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR,
2013).
O agronegócio é um dos setores mais importantes e dinâmicos da economia
brasileira. Sua evolução para novos modelos de gestão rural é consequência de sua
progressão, num contexto de mudança na ordem política, exigência competitiva do
mercado e surgimento de novos modelos tecnológicos, (BRUM et al,2008, p. 31).
Entretanto, apesar de osistema do agronegócio brasileiro representar uma parcela
significativa do Produto Interno Brutomovimentando grandes volumes de recursos, gerar
milhares de empregos e tornaram algumas regiões do país verdadeiros pólos de riqueza, em
termos de gestão como um todo, o mesmo encontra-se muito carente de aprofundamentos por
meio de pesquisas das áreas administrativas e contábeis, principalmente relacionadas à gestão.
Conforme destaca Neto (2012, p. 4) existem muitas “disparidades detectadas entre o
processo de gestão do agronegócio e as inovações tecnológicas ocorridas na produção e
comercialização dos produtos”, isto porque,enquanto são feitos grandes avanços tecnológicos
nos processos de produção rumo à modernidade e mecanização, tem-se deixado em segundo
plano às questões relativas à gestão dos empreendimentos do ramo do agronegócio.
Além disso, ao pensarmos na competitividade e abertura de mercados advindos da
globalização da economia,fica evidente que surgiram novas demandas nos processos de
gestão das empresas que compõem o sistema do agronegócio brasileiro, as quais precisam ser
supridas por eficientes ferramentas de gestão.
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Cabe salientar, que um dos maiores desafios dos gestores destes empreendimentos se
refere a oscilação dos preços,independentemente da composição dos custos de produção, pois
conforme Mendes (2007),a instabilidade é sua característica fundamentalvisto que apresenta
uma grande variação em função de diversos fatores,tais como sazonalidade da produção,
dificuldade de previsão da demanda e controle da oferta, bem como influência das políticas
governamentais, entre outros, mas o que entretanto, não torna impossível seu gerenciamento,
desde que hajam bons controles e um modelo de gestão adequado ao tipo de negócio.
Neste sentido, a Contabilidade e seus diversos instrumentos de gestão têm muito a
contribuir, devendo-se ressaltar que o presente estudo não pretende enfatizar processos
técnicos das empresaspesquisadas, mas somente questões ligadas aos aspectos administrativos
e gerenciais.
3 METODOLOGIA DO TRABALHO
Método significa o caminho, ou seja, as etapas a seguir num determinado processo
para se alcançar o fim desejado.Segundo Gil (1999) método científico pode ser entendido
como o conjunto de procedimentos técnicos e intelectuais utilizados para se atingir o
conhecimento. A pesquisa pode ser definida como “o processo formal e sistemático de
desenvolvimento do método científico” (GIL, 1999, p.42),cujo objetivo é descobrir as
respostas para os problemas apresentados.
Na definição de Vergara (2004), a pesquisa aplicada é motivada pela necessidade de
resolver problemas concretos, ou seja, sua característica principal é a aplicação prática do
conhecimento. Desta forma, quanto a sua natureza,o estudo assim se caracteriza porque
objetivou a aplicação prática de conhecimentos teóricos, bem como conhecer a percepção dos
gestores quanto à importância das informações Contábeis na gestão.
De um universo de 11 empresas existentes na região pesquisada, que atuam no ramo
do agronegócio com recebendo e comercializando grãos, 8 delas aceitaram conceder
entrevistas constituindo-se na amostra efetiva do estudo.
Na pesquisa descritiva, Gil (2010) entende que seja aquela que tem por objetivo
descrever as características de uma determinada população ou fenômeno, ou ainda identificar
a relação existente entre variáveis.
Com base no exposto, quanto ao ponto de vista de seus objetivos, a pesquisa
classifica-se em descritiva, porqueprocuroudescrever a percepção dos gestores de empresas do
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agronegócio quanto à importância das informações Contábeis para a gestão dos
empreendimentos.
Quanto a forma de abordagem do problema, uma pesquisa se classifica como
qualitativa ou quantitativa, sendo que segunda Vergara (2004) a forma quantitativa utiliza-se
de procedimentos estatísticos, enquanto que a abordagem qualitativa ocorre quando os dados
são codificados, apresentados de forma estruturada sem o emprego de instrumental estatístico
para a análise. Portanto, o presente estudo enquadra-se como pesquisa qualitativa, tendo em
vista que buscará entender os fenômenos segundo a perspectiva dos participantes da situação
estudada.
Em relação aos procedimentos técnicos Gil (1999, p. 65) define que “a pesquisa
bibliográfica é aquela desenvolvida a partir de material, constituído principalmente de livros e
artigos científicos”, tendo como “propósito fornecer a fundamentação teórica ao trabalho, bem
como a identificação do estágio atual do conhecimento referente o tema” (GIL, 2010, p. 2930).
Por sua vez as pesquisas do tipo levantamento:
Se caracterizam pela interrogação direta das pessoas cujo comportamento se deseja
conhecer. Basicamente, procede-se à solicitação de informações a um grupo
significativo de pessoas acerca do problema estudado em seguida, mediante análise
quantitativa, obter as conclusões correspondentes dos dados coletados,(GIL, 2010,
p.35).
Quanto ao estudo de caso Vergara (2004, p.49) ensina que “é o circunscrito a uma ou
poucas unidades, entendidas essas como pessoa, família, produto, empresa, órgão público,
comunidade ou mesmo país”,caracterizando-se segundo Gil (2010) pelo profundo e exaustivo
estudo de um determinado objeto permitindo seu conhecimento de forma ampla e detalhada.
Com base no exposto, pode-se dizer que o presente estudo se caracteriza por pesquisa
bibliográfica, visto que o embasamento teórico necessário foi construído com base em
materiais já publicados acerca do assunto em livros, revistas, artigos e meios eletrônicos.
Também pode ser classificada como levantamento, visto queforam interrogadas as
pessoas diretamente envolvidas na gestão dos empreendimentos objetos do estudo a fim de
conhecer este universo, bem como caracterizada como um estudo de multicasos, por se tratar
de uma investigação acerca da utilização da informação contábil no contexto empresarial de
algumas empresas do agronegócio.
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Para o alcance dos objetivos propostos, foi precisoo uso de instrumentos de coleta de
dados, dentre os quais a entrevista que segundo Gil (1999, p. 117) é a “técnica em que o
investigador se apresenta frente ao investigado e lhe formula perguntas, com o objetivo de
obtenção dos dados que interessam a pesquisa”, bem como sua opinião acerca do assunto em
questão, sendo que neste estudo foram realizadas entrevistas despadronizadas.
Após a obtenção dos dados, os mesmos foram classificados, codificados e tabulados, e
a partir deles elaborados quadros e gráficos, com a finalidade de auxiliar na demonstração dos
resultados encontrados, facilitando sua compreensão e interpretação.
A análise segundo Gil (1999, p. 168) “tem como objetivo organizar e sumariar os
dados de forma tal que possibilitem o fornecimento de respostas ao problema proposto para a
investigação” enquanto que a interpretação objetiva“a procura do sentido mais amplo das
respostas, o que é feito mediante sua ligação a outros conhecimentos anteriores obtidos”.
Desta forma, no presente estudo apósa manipulação dos dados, os mesmos foram
analisados a fim de se obter às devidas respostas ao problema e o consequente alcance dos
objetivos propostos à pesquisa.
4 ANÁLISE DOS RESULTADOS
Na sequência apresenta-sea descrição e a análise dos dados coletados, iniciando pela
caracterização das empresas pesquisadas e o perfil dos entrevistados, seguido da percepção
dos gestores quanto à relevância da informação contábil na gestão de empresasdo ramo de
agronegócio.
4.1 Caracterização das empresas pesquisadas
A região noroeste do Estado do Rio Grande do Sul tem como uma de suas principais
características a economia voltada para o agronegócio, sendo que em muitos municípiosa
agricultura representa a principal atividade econômica, dentre os quais Jóia e Augusto
Pestana, participantes deste estudo, assim comoo Município de Ijuí, que também possui os
setores de Comércio e Indústria muito fortes.
No Município de Jóia, nas safras de 2008 a 2012 foram colhidas as quantidades de
grãos representadas,em toneladas,no Gráfico 01.
16
Gráfico 01 - Toneladas de grãos produzidas no Município de Jóia de 2008 a 2012
Milho
2012
2011
4710
Trigo
Soja
37500
39645
5520
40500
202800
22000
27600
2010
182400
17745
21000
2009
139500
23100
37800
2008
153300
Fonte - Site IBGE (2013)
Por sua vez o Gráfico 02, representa as toneladas de grãos produzidas no Município de
Ijuí, nos anos de 2008 a 2012:
Gráfico 02 - Toneladas de grãos produzidas no Município de Ijuí de 2008 a 2012
Milho
2012
2011
2010
2009
2008
2280
25650
3960
10080
7505
7200
Trigo
Soja
38400
39000
128160
25200
27000
27000
119610
84480
92400
Fonte - Site IBGE (2013)
Já no Município de Augusto Pestana, as safras de 2008 a 2012 resultaram nas
seguintes quantidades de grãos colhidos:
17
Gráfico 03 - Toneladas de grãos produzidas no Município de Augusto Pestana de 2008 a 2012
Milho
2012
2011
2010
2009
2008
360,0
Trigo
Soja
10800,0
15120,0
2520,0
2160,0
15600,0
57600,0
9600,0
1200,0
50400,0
10500,0
5400,0
40800,0
12600,0
44400,0
Fonte - Site IBGE (2013)
A análise dos três gráficos anteriores permite inferir que estes Municípios são grandes
produtores de grãos, sendo que a população inicial deste estudo são 11 empresas que possuem
unidades neles estabelecidas, que atuam no ramo do agronegócio cuja principal atividade é o
recebimento e comercialização de grãos. Da amostra inicial, 08 empresas aceitaram participar
da pesquisa, sendo a amostra efetiva final, composta em sua maioria por empresas de pequeno
e médio porte. Para garantir o sigilo das informações obtidas, a pesquisadora comprometeu-se
em não divulgar os nomes das empresas, sendo estes substituídos pelas letras A a H.
A coleta dos dados foi realizada por meio de entrevistas feitas pessoalmente com os
gerentes das empresas sendo que todos são do sexo masculino, com idade entre 29 e 54 anos.
Otempo de experiência dos entrevistados à frente da empresa está demonstrado no
Gráfico 04, onde observa-seque 50% possuem entre 6 e 8 anos,e que os demais encontram-se
distribuídos igualitariamente entre as demais faixas de tempo.
Gráfico 04 –Tempo de Experiência dos Entrevistados à frente da empresa
De 12 à 15 anos
12,50%
De 9 à 11 anos
12,50%
Até 2 anos
12,50%
De 3 à 5 anos
12,50%
Série1; Mais de
15 anos;
Série1; De 61900ral; 0%
à 8 anos;
1900ral;
50%
Fonte - Dados conforme pesquisa
18
Observa-se no gráfico que a maioria dos participantes possuimais de 06 anos de
experiência profissional na empresa, sendo possível inferir que estão adaptados à sua cultura
organizacional constituindo-se num ponto favorável para o sucesso do presente estudo, pois
suas opiniões são embasadas na experiência e no conhecimento da empresa em que atuam.
Quadro 01 - Nível de Formação/Escolaridade dos Entrevistados
Escolaridade
Percentual
Curso
Ensino Médio
25%
-
Ensino Superior
50%
Agronomia (2)
Direito (1)
Tecnologia em Cooperativismo
Pós - Graduação
12,50%
Ciências Contábeis – Especialização em Gestão Empresarial
Mestrado
12,50%
Administração – Mestrado em Relações Internacionais na América
Latina
Fonte - Dados conforme pesquisa
Em relação ao grau de escolaridadedos entrevistados, evidenciou-se conforme
demonstrado no quadro 01, que 25% deles possuem apenas o Ensino Médio completo, 50%
possuem Ensino Superior completo, 12,5% possuem Pós Graduação e 12,5% Mestrado.
Quanto aos entrevistados que possuem Ensino Superior, um deles é formado em
Direito, outro em Tecnologia em Cooperativismo e os demais em Agronomia. Por sua vez o
entrevistado que possui Pós Graduação, temcomo formação de nível superior, Ciências
Contábeis e especialização em Gestão Empresarial, e quanto ao entrevistado que possui
mestrado, sua graduação é no curso de Administração e mestrado em Relações Internacionais
na América Latina.
O Quadro seguinte apresenta um resumo das características das empresas participantes
do estudo, das quais 06, representando 75% da amostra,são Filiais e 02, representando 25% da
amostra são Matrizes, sendo que neste último caso ambas possuem filiais na região. É
possível observar ainda, que 02empresas são Cooperativas, representando 25% da amostra,
outras 02, representando 25% da amostra,são participantes de Grupo de Empresas, e as
demais, ou 50% da amostra,são empresas únicas.
19
Quadro 02- Classificação, composição e tempo de existência das empresas
Empresas
Classificação
Composição
Tempo de Existência
A
Filial
Cooperativa
17 anos
B
Matriz
Cooperativa
55 anos
C
Filial
Empresa única
1 ano e 7 meses
D
Filial
Empresa única
21 anos
E
Matriz
Empresa única
16 anos
F
Filial
Participante de Grupo de empresas
40 anos
G
Filial
Participante de Grupo de empresas
18 anos
H
Filial
Empresa única
42 anos
Fonte - Dados conforme pesquisa
A amostra caracteriza-se por apresentar uma grande diferença no tempo de existência
das empresas, visto que apenas uma delas é recente, com menos de 02 anos, 50% possuem
entre 16 e 21 anos de existência e as demais 37,50% possuem mais de 40 anos de existência.
Chama a atenção o fato de as empresas estarem distribuídas entre três distintas “faixas” de
tempo, mas que em sua grande maioria são empresas maduras, sólidas e resistentes no
mercado.
Em relação a criação de empregos diretos, a pesquisa apurou que 75% das unidades
pesquisadas empregam até 18 colaboradores, conforme demonstrado no Gráfico seguinte.
Gráfico 05 - Quantidade de Colaboradores por unidade
H
65
G
45
F
8
E
14
D
C
B
A
7
4
18
17
Fonte - Dados conforme pesquisa
Cabe ressaltar uma importante característica destas organizações que é a contratação
dos chamados “safristas”, ou seja, colaboradores contratados por período curto e determinado,
20
para trabalhar apenas nas safras de culturas de inverno e verão,devido ao significativo
aumento do volume de serviço.
Dentre as atividades desenvolvidas pelas empresas, além do recebimento e
comercialização de grãos, foram citadas pelos entrevistados a venda de insumos, fertilizantes,
defensivos, sementes, produtos veterinários, peças e ferragens, a industrialização de grãos e a
prestação de serviços de assistência técnica ao produtor rural.
Quanto a abrangência de mercado, 25% das empresas atuam em nível regional, 12,5%
em nível estadual, 12,5% em nível nacional, e 50% trabalham com exportações, sendo que
esta distribuição está diretamente relacionada com o porte da empresa.
Uma vez caracterizada a amostra, a seguir são apresentas as informações obtidas e as
análises dos resultados encontrados acerca da percepção dos gestores destasempresas quanto à
relevância da informação contábil para a gestão empresarial.
4.2 Informaçõessobre a gestão das empresas pesquisadas
Em um segundo momento da entrevista,buscou-se investigar a forma como são
administradas as empresas participantes do estudo, visandoconhecer o modelo de gestão
adotado e a utilização das informações geradas pela Contabilidade no gerenciamento de
empreendimentos do ramo do agronegócio.
Em relação às estratégias competitivas adotadas para se manter no mercado, pode-se
observar uma grande variação nas respostas, demonstrando que cada empresa possui uma
postura diferente em relação ao caminho a seguir para o bom andamento dos negócios.
Das 08 empresas, apenas 03 citaram estratégias diferentes das elencadas no roteiro da
entrevista, conforme pode ser observado no Quadro 03.
Quadro 03 - Principais estratégias competitivas adotadas pelas empresas
Principais estratégias competitivas adotadas/Empresas
A
B
C
D
E
F G H
Qualidade
1º 3º
2º
1º
2º
1º 1º 1º
Produtividade
2º 4º
3º
5º
4º
5º 4º 2º
Flexibilidade na alteração do volume de produção
5º 6º
5º
6º
5º
4º 5º 5º
Controle/Redução de Custos
3º 5º
1º
2º
6º
3º 3º 3º
Marca
4º 2º
6º
3º
3º
2º 2º 4º
Outros
-
-
-
1º
6º
Fonte - Dados conforme pesquisa
1º
-
-
21
O gestor da empresa B revelou que a principal estratégia adotada está relacionada com
a fidelização do associado, pois mantendo a confiança do mercado, não abrirá espaço para que
concorrentes ganhem a preferência de seus clientes.
Já o entrevistado da empresa E, citou a excelência no bom atendimento ao cliente
como principal estratégia competitiva adotada para atender as exigências do mercado.
Por sua vez na empresa F, aprincipal estratégia está relacionada com o estudo de
mercado e a definição de metas específicas a serem atingidas.
Quando questionados se o (s) Sistema (s) de Informação utilizado atualmente atendem
as necessidades da empresa, todos os entrevistados afirmaram que sim, sendo que para 75%
deles, atende totalmente as necessidades e para os demais 25%, atende parcialmente as
necessidades.
Quadro 04 – Sistema(s) de Informação(ões)
O SI utilizado atualmente atende as necessidades da empresa?
Sim
Não
Totalmente
Parcialmente
100%
0%
75%
25%
Fonte - Dados conforme pesquisa
Cabe ressaltar que a implantação de um bom Sistema de Informações é um diferencial
importante para o sucesso de uma organização, pois decisões tomadas com base em
informações precisas, relevantes e obtidas em tempo hábil, garantem um índice maior de
assertividade.
Das 08 empresas pesquisadas, 04, sendo elas A, D, F e H, possuem Departamento de
Controle Interno e Auditoria Interna. Já as empresas E e G possuem apenas o Departamento
de Controle Interno estruturado, e as empresas B e C ainda não possuem nenhum dos dois
departamentos, de modo que as atividades são dirigidas diretamente pelo gestor.
Isto revela que a maior parte das empresas está preocupada em dar maior
credibilidade, segurança e integridade aos informes administrativos e relatórios contábeis, a
fim de minimizar riscos, tais como erros involuntários ou fraudes nas operações
desempenhadas cotidianamente.
22
Quadro 05–Departamentos Estruturados
Controle Interno
A
-
-
D
E
F
G
H
Auditoria Interna
A
-
-
D
-
F
-
H
Responsabilidade pela implementação dos Controles Internos
Controladoria
-
-
-
-
-
-
-
-
Administrativo
A
-
C
D
-
-
-
H
Controle Interno
-
-
-
E
-
-
-
Finanças
-
B
-
-
-
-
G
-
Outros
-
-
-
-
F
-
-
Fonte - Dados conforme pesquisa
Em relação àimplementação dos Controles Internos, em 50% das empresas, a
responsabilidade por esta tarefa é do Departamento Administrativo, em 25% é
responsabilidade do Departamento Financeiro, em 12,50% do Departamento de Planejamento
e 12,50% responsabilidade do Controle Interno.
Quanto à Contabilidade da empresa, foi constatado que das 08 empresas apenas 1, a
empresa C, possui Contabilidade externa feita por um EscritórioContábil.Além disso,
constatou-se que das demais empresas que possuem a Contabilidade realizada internamente,
somente a empresa G não possui o Sistema de Contabilidade totalmente integrado, sendo o
mesmo integrado somente com o Sistema Fiscal e Financeiro.
Quando questionados sobre sua percepção acerca da utilização das informações
geradas pelo Sistema Contábil da empresa, da forma como está integrado, os entrevistados A
e D responderam que proporciona melhorias no controle dos dados e informações e contribui
para o gerenciamento das atividades.
Para os entrevistados B e F, contribui para o gerenciamento das atividades e para a
tomada de decisões.Por sua vez os entrevistados G e H afirmaram que contribui para a tomada
de decisões. Para o entrevistado E, contribui para a tomada de decisões e para melhorias na
redução de custos e retrabalhos.
O entrevistado C, não respondeu a este questionamento, pois não possui Sistema
Contábil tendo em vista que a Contabilidade é externa.
Ao serem questionados se a Contabilidade tem proporcionado as informações para a
gestão da empresa, 87,50% dos entrevistadosrevelaram que plenamente e 12,50% afirmaram
que parcialmente. Com base nestes dados observar-se quea maioria dos entrevistados está
satisfeito com as informações geradas pela Contabilidade, as quais segundo eles contribuem
23
para os processos de planejamento operacional, tático e estratégico e o respectivo
acompanhamento de cada um deles, bem como servem de subsídio para o processo decisório
dos dirigentes e nos diversos setores que estão ligados a administração da organização.
A partir da verificação de que de fato ocorre o uso das informações contábeis por parte
dos gestores, foi solicitado aos entrevistados que em seu ponto de vista indicassemquais os
departamentos da empresamais utilizam as informações geradas pela Contabilidade,sendo
possível observar,com base nos dados apresentados no Quadro 06, que o único citado por
todos foi o Departamento Financeiro, seguido da Administração Geral, e dos Departamentos
de Planejamento e Orçamento, e Departamento Fiscal/Tributário.
Quadro 06 -Departamentos que mais utilizam informações geradas pela Contabilidade
Departamento /Empresa
A
Departamento de Controle Interno/auditoria
X
Departamento Financeiro
X
B
C
D
E
X
X
X
Departamento Recursos Humanos
X
G
X
X
X
X
H
X
X
X
X
Departamento de Marketing
X
Departamento de Planejamento e Orçamento
Departamento Tributário/Fiscal
F
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
Depto. de Suprimentos (compras, vendas, estoques)
X
Administração Geral
X
Diretoria
X
Outros
X
X
X
X
X
Fonte - Dados conforme pesquisa
O entrevistado da Empresa B, citou ainda na opção “outros” a Diretoria de Produção
que em sua empresa utiliza-se muito das informações contábeis.
Cabe ressaltar que os entrevistados afirmaram que todos os departamentos, direta ou
indiretamente, utilizam algum tipo de informação gerada pela Contabilidade, sendo que o
entrevistado da Empresa F citou todas as opções, pois em sua opinião a “Contabilidade é o
coração de uma empresa”, julgando que tudo em uma organização, principalmente as de
maior porte, gira em torno da Contabilidade e dos dados que ela proporciona através dos seus
registros e demonstrativos.
O Gráfico seguinte representao ponto de vista dos gestores quanto autilização das
informações geradas pela Contabilidade como subsídio para os processos decisórios, onde
24
87,50% afirmaram que as informações contábeis são relevantes e 12,50% afirmaram que são
parcialmente importantes na tomada de decisões da empresa.
Gráfico 06 - Relevância das informações contábeis geradas para a tomada de decisões
Relevantes nas tomadas
de decisões da empresa
(87,5%)
São parcialmente
importantes na tomada
de decisões da empresa
(12,5%)
Fonte -Dados conforme pesquisa
Entre as decisões citadas, as mais freqüentes foram: compras, vendas, preços dos
produtos, investimentos em novas tecnologias considerando o retorno esperado,concessão de
crédito, gerenciamento de recursos humanos (contratações/demissões).
Dentre os Demonstrativos Contábeis que em geral são elaborados pelas empresas, os
mais utilizados como fonte na geração de informações para gestão empresarial, no ponto de
vista dos entrevistados e segundo o grau de importância, são respectivamente a Demonstração
do Resultado do Exercício, o Balanço Patrimonial e o Fluxo de Caixa. Apenas duas empresas
citaram o Balanço Ambiental e o Balanço Social, conforme representado na sequência,
demonstrando que estes últimos não são muito utilizados como fonte de informações para a
gestão destes empreendimentos.
Quadro 07 -Importância dos Demonstrativos Contábeis para a geração de informações para a
gestão empresarial
Demonstrativo Contábil/Empresas
A
B
C
Balanço Patrimonial
1º 2º
3º
3º
2º
2º 1º 2º
Demonstração do Resultado do Exercício – DRE
2º 1º
1º
1º
1º
1º 2º 1º
Balanço Ambiental
-
-
4º
-
-
Balanço Social
-
Demonstração do Fluxo de Caixa – DFC
-
D
E
F
G
H
4º
-
-
-
-
-
3º -
2º
2º
3º
3º 3º 3º
Demonstração do Valor Adicionado – DVA
-
-
-
-
-
-
-
-
Demonstração das Origens e Aplicações dos Recursos – DOAR
-
-
-
-
-
-
-
-
Notas Explicativas
Fonte - Dados conforme pesquisa
-
-
-
-
-
-
-
25
Por determinação legal as empresas são sujeitas à elaboração das Demonstrações
Contábeis Obrigatórias, as quais de um modo geral atendem as necessidades informacionais
dos usuários externos ou daqueles que não estejam diretamente ligados à gestão, e cuja
periodicidade geralmente é mais longa.
Os gestores,por serem os responsáveis pelas tomada de decisões dentro das entidades,
apresentam uma necessidade diária e permanente de receber informações atualizadas e em
tempo hábil, com um grau de detalhamento capaz de suprir as demandas dos diversos níveis
gerenciais.
Para os gestores não basta apenas conhecer o que aconteceu no passado, maso que está
acontecendo em tempo real, pois as decisões visam gerenciar, principalmente, aquilo que
ainda está por acontecer.
Geralmente os Sistemas de Informações permitem a emissão de relatórios que
atendam particularidades e necessidades informacionais específicas dos diversos setores em
uma empresa.Nesse sentido, foi questionado aos entrevistados quais os relatórios especiais ou
a informações não estruturadas, que julgam mais importantes para o gerenciamento dos
empreendimentos,
além
daqueles
Demonstrativos
Contábeis
estruturados
que
obrigatoriamente a empresa já precisa apresentar periodicamente. Osresultados podem ser
observados no Gráfico 07.
Gráfico 07 - Informações não estruturadas/Relatórios Especiais que julga mais importantes
Situação de Endividamento
000%
Planejamento Tributário
013%
Situação Gerencial
013%
Situação Econômica
025%
Situação Financeira
050%
Fonte - Dados conforme pesquisa
Em relação aos relatórios especiais, identificou-se que os mais utilizados, 50% das
escolhas, são os de cunho financeiro, que demonstram a posição das contas a pagar e a
receber, falta ou sobra de recursos, etc., seguido pelos relatórios que demonstram a situação
26
econômica, com 25% das escolhas, tais como posição da lucratividade, receitas, custos e
despesas.
Para 12,50% dos entrevistados, os relatórios mais importantes são os que demonstram
a situação gerencial, tais como produtos mais lucrativos, ponto de equilíbrio, margem de
contribuição, etc., e para os demais, 12,50%, são os relatórios de planejamento tributário que
objetivam revelar o melhor posicionamento quanto ao pagamento de tributos, visto que boa
parte das empresas possui atuação em nível nacional e exportação, necessitando observar que
de um Estado ou País para outro há uma grande variação na legislação tributária.
Quanto a forma de participação da Contabilidade no processo de planejamento
estratégico e operacional da empresa,as respostas dos entrevistados foram unanimesao afirmar
que a Contabilidade participadeste processo através do fornecimento de informações.
Sabe-se que de nada adianta elaborar um bom planejamento, seja operacionl, tático ou
estratégico, se não houver um efetivo acompanhamento e comparação dos resultados que
estão sendo obtidos com aqueles que foram planejados, a fim de verificar o cumprimento do
plano, processo este que também pode ser chamado de avaliação de desempenho.
Nesse sentido, questinou-se aos entrevistados qual a contribuição das informações
Contábeis para a Avaliação de Despenho na empresa, sendo que todos afirmaram que tem
contribuição. Para 50% deles, contribui totalmente e para os demais contribui parcialmente.
Comisso, nota-se a grande importância da Contabilidade nas diferentes etapas dos
processos gerencias das empresas participantes da pesquisa.
Neste contexto, visando esclarecer em que sentido os gestores percebem esta
contribuição, foi solicitado aos entrevistados que escolhessemas alternativas com as quais
mais se identificassem acerca da importância da informação contábil para a gestão das
empresas que representam.
Os dados obtidos estão apresentado no quadro 08.
Quadro 08 - Importância da informação contábil para a gestão da empresa
Importância/Empresa
A
Importante para fins de acompanhamento da empresa
C
X
Importante para cumprimento das obrigações legais e fiscais
Importante para avaliar o desempenho econômico obtido e
elaboração de projeções futuras
X
Importante para o processo de tomada de decisão
X
Não vejo importância a contabilidade para o sucesso da empresa
Fonte - Dados conforme pesquisa
B
D
X
E
X
X
F
G
H
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
27
Os resultados mostram que todos citaram a importância da informação contábil para o
processo de tomada de decisão, demonstrando que em todas as empresas o processo decisório
tem como subsídio as informações fornecidas pela Contabilidade. Por sua vez a opção
relacionada com o cumprimento das obrigações legais e fiscais, foi a segunda mais lembrada,
demonstrando que esta é uma preocupação, visto que a legislação contábil sofre frequentes
alterações, exigindo constante atualização e acompanhamento a fim de evitar os transtornos
acarretados pelo descumprimento dos dispositivos legais e sanções aplicadas pelo fisco.
A importância da informação contábil para o acompanhamento da empresa foi citada
por 04 dos entrevistados, seguida pela opção que diz respeito à avaliação do desempenho
econômico obtido, e elaboração de projeções futuras.
Visando verificar a percepção dos gestores quanto aos objetivos da Contabilidade, lhes
foi solicitado que atribuíssem uma nota 1 à 5 para cada alternativa, conforme demonstrado na
sequência.
Quadro 09 - Objetivos da Contabilidade
Objetivos da Contabilidade /Empresas
1
2
3
4
5
Média
Garantir Informações adequadas ao processo decisório
0% 0%
12,5%
25%
62,5% 4,50
Criar condições para exercer o controle
0% 0%
12,5%
50%
37,5% 4,25
Zelar pelo desempenho da organização
Coordenar a elaboração do planejamento estratégico e
operacional
Acompanhar a execução do planejamento estratégico e
operacional
Planejar ações que reduzam custos/ Controle e redução de
custos
Fonte - Dados conforme pesquisa
0% 0%
25%
37,5%
37,5% 4,125
0% 0%
37,5%
50%
12,5% 3,75
0% 0%
37,5%
50%
12,5% 3,75
0% 0%
12,5%
25%
62,5% 4,50
Escala utilizada: 1=Nenhuma, 2=Baixa, 3=Média, 4= Elevada, 5= Total
Observando as informações, evidenciou-se que apenas as opções que tratavam da
coordenação da elaboração do planejamento estratégico e operacional e o acompanhamento
de sua execução, obtiveram média acima de 03 e inferior à04, a qual foi atribuído o valor de
“média”. As demais opções obtiveram uma média superior à04, para a qual foi atribuído o
valor de “elevada”, demonstrando que a maior parte dos entrevistados consideram que a
Contabilidade garante as informações adequadas ao processo decisório, cria condições para o
exercício do controle, zela pelo desempenho da organização e planeja ações de redução de
custos.
28
Utilizando a mesma sistemática, foi solicitado aos entrevistados que atribuíssem notas
a cada uma das opções relacionadas à abrangência da Contabilidade, conforme demonstrado
no quadro 10.
Quadro 10 - Abrangência da Contabilidade
Abrangência da Contabilidade /Empresas
1
2
3
4
5
Média
Planejamento e Controle Orçamentário
0%
0%
0%
12,5%
87,5%
4,875
Contabilidade de Custos
0%
0%
12,5%
12,5%
75%
4,625
Contabilidade Fiscal/Planejamento Tributário
0%
0%
0%
0%
100%
5
Controle de Patrimônio
0%
0%
62,5%
37,5%
0%
3,375
Contabilidade Financeira
0%
0%
12,5%
25%
62,5%
4,5
Acompanhamento de Vendas
0%
0%
50%
50%
0%
3,5
Controle de Estoque
0%
0%
37,5%
50%
12,5%
3,75
Auditoria Interna
Fonte - Dados conforme pesquisa
0%
0%
37,5%
37,5%
25%
3,875
Escala utilizada: 1=Nenhuma, 2=Baixa, 3=Média, 4= Elevada, 5= Total
Observou-se que apenas o Planejamento Tributário recebeu nota 05 de todos os
entrevistados, evidenciando que reconhecem a importância da Contabilidade quanto à sua
capacidade de proporcionar o melhor posicionamento em relação ao pagamento de tributos.
Por sua vez as opções de Planejamento e Controle Orçamentário, Contabilidade de
Custos e Financeira obtiveram média superiora04, cujo valor atribuído foi “elevada”, e as
opções relacionadas ao Controle de Patrimônio, Acompanhamento de Vendas, Controle de
Estoques e Auditoria Interna, obtiveram média superior a 03 e inferior à04, a qual foi
atribuído o valor de “média”, demonstrando-se com isso que para todos a Contabilidade
permeia todos os processos e ações ligados à gestão empresarial e desempenha de forma
satisfatória esse papel.
CONCLUSÃO
Nas últimas décadas o ambiente mundial tornou-se palco de rápidas e profundas
mudanças. Constata-se que o novo arranjo da economia provocado pelo processo de
globalização tem afetado as empresas no sentido de disponibilizar promissoras oportunidades
advindas da abertura de novos mercados, porém em contrapartida, exige uma adequação onde
a agilidade e a flexibilidade são fundamentais, impondo aos empresários que tomem
29
decisõesrápidas, racionais e acertadas.Assim, a sobrevivência das empresas depende, cada vez
mais, de uma gestão subsidiada em informações eficientes e precisas,onde a maximização da
lucratividade e da rentabilidade estão diretamente ligadas a velocidade de assimilação das
informações e correspondente agilidade decisória.
Neste ambiente de competição acirrada, a necessidade de transformar a informação em
conhecimento passa a ser fator de estratégia competitiva, onde a Contabilidade passou a
ocupar um papel fundamental, deixando de ser vista somente no âmbito de uma exigência
legal, mas tambémreconhecida pela sua contribuição para a gestão das organizações, haja
vista sua capacidade de fornecer um fluxo contínuo de informações sobre os mais variados
aspectos da gestão da empresa, tornando-se um poderoso instrumental de trabalho que permite
tomar decisões com maior segurança, além do conhecimento da situação atual e o grau de
acertos e desacertos das decisões passadas.
Percebe-se, portanto, que a Contabilidade não deve apenas gerir as obrigações fiscais e
tributárias das empresas, mas também, atuar como um instrumento administrativo, que venha
a controlar efetivamente o patrimônio da empresa, com o objetivo de fazer a diferença num
ambiente tão competitivo.
A pesquisa buscou, por meio da revisão bibliográfica e das entrevistas,analisar qual a
contribuição da Contabilidade e das informações por ela geradas para o gerenciamento de
empresas que atuam no ramo do agronegócio. Ao longo da realização do estudo foram
encontradas diversas dificuldades, mas pode-se citar como mais significativa a dificuldade em
conversar pessoalmente com os gestores das empresas, visto que os mesmos encontram-se
sempre muito atarefados e com pouca disponibilidade de tempo, bem como devido a certa
resistência por parte deles em participar da pesquisa, o que, no entanto, não prejudicou os
resultados obtidos.
Tomando como base os dados coletados e as análises realizadas, pode-se afirmar que
os gestores de fato utilizam informações contábeis na gestão de suas empresas em todas as
fases de planejamento desde o operacional, tático e estratégico, bem como nas avaliações de
desempenho.Foi possível perceber que o papel da Contabilidade, sob a ótica da gestão
empresarial, é o de gerar informações que permitam a redução dos riscos e incertezas
inerentes ao processo de tomada de decisões, garantindo a maior assertividade possível neste
processo.
Como ficou evidenciado ao longo deste trabalho, a Contabilidade e suas informações,
principalmente do âmbito gerencial, são importantes instrumentos de controle e de
30
acompanhamento da empresa, permitindo aos gestores a detecção de falhas e adoção de
medidas corretivas, bem como possibilitam estudos e elaboração de projeções de condições
futuras, a fim de que se possa antecipar e melhor aproveitar as oportunidades do mercado do
agronegócio, sobressaindo-se aos demais concorrentes e garantindo sua permanência no
mercado.
Deste modo, pode-se afirmar que em linhas geraisos objetivos propostos para o
presente estudo, foram plenamente alcançados, assim como o problema em estudo foi
satisfatoriamente respondido, visto que para 87,50% dos entrevistados a Contabilidade tem
proporcionado plenamente as informações necessárias para gestão da empresa e servem como
relevante subsídio para os processos de tomadas de decisões.
Como recomendação,sugere-se para a empresa que não possui o Sistema de
Contabilidade totalmente integrado com os demais sistemas da empresa, que realize a
integração, visto que com tal medida reduzirão custos e retrabalhos, bem como evitarão erros
na “integração” dos dados de um sistema para outro, ocasionando informações errôneas.
Sugere-se ainda que as empresas, principalmente as maiores, implantem um
Departamento de Controladoria adequado ao seu porte, visto ser este um órgão se staff ligado
à alta administração,cuja missão é zelar pela eficácia do Processo de Gestão daorganização e
garantir que os usuários disponham oportunamente de informações adequadas,assegurando
assim, a otimização dos resultados para o alcance dos objetivos da entidade e o seu
crescimento pleno.
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Artigo TatianeCarneiro - Biblioteca Digital da UNIJUÍ