FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS DEPARTAMENTO DE ADMINISTRAÇÃO CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM FORMULAÇÃO E GESTÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS TURMA III ___________________________________________________________________________ AILTON BENINI PERFIL DOS RECURSOS HUMANOS DAS VIGILÂNCIAS SANITÁRIAS MUNICIPAIS DA 14ª REGIONAL DE SAÚDE. ORIENTADOR: PROF. DR. NEIO LUCIO PERES GUALDA MARINGÁ 2009 2 PERFIL DOS RECURSOS HUMANOS DAS VIGILÂNCIAS SANITÁRIAS MUNICIPAIS DA 14ª REGIONAL DE SAÚDE. Ailton Benini Secretaria de Estado da Saúde do Paraná [email protected] Artigo apresentado à UEM e a Escola de Governo, como parte das exigências do Curso de Especialização em Formulação e Gestão de Políticas Públicas para a obtenção do título de Especialista. Orientador: Prof. Dr. Neio Lucio Peres Gualda Universidade Estadual de Maringá [email protected] MARINGÁ 2009 3 PERFIL DOS RECURSOS HUMANOS DAS VIGILÂNCIAS SANITÁRIAS MUNICIPAIS DA 14ª REGIONAL DE SAÚDE Ailton Benini RESUMO A gestão dos Recursos Humanos da Vigilância Sanitária no Sistema Único de Saúde constitui um importante instrumento para a modernização dos serviços prestados, em especial as ações voltadas à sua qualificação para o exercício de suas funções públicas. Este artigo examina o perfil dos Recursos Humanos da Vigilância Sanitária Municipal no âmbito da 14ª Regional de Saúde, com base na análise estatística resultante da aplicação de questionário, numa análise comparativa do perfil da formação e qualificação técnica, correlacionados ao processo da municipalização da Vigilância Sanitária. Após análise conclui-se que os resultados demonstram a necessidade de ações de políticas públicas voltadas para a formação especializada dos Recursos Humanos no exercício da Vigilância Sanitária. Palavras Chaves: Vigilância Sanitária, Recursos Humanos, Perfil. 4 INTRODUÇÃO A municipalização da saúde surgiu de uma proposta aprovada na 8ª Conferencia Nacional de Saúde no ano de 1986, que previa a criação do Sistema Único de Saúde – SUS, a qual foi inscrita na Constituição de 1988. Tal proposta consubstanciava no seguinte fundamento: “A saúde é um direito de todos e dever do Estado”, conforme estabelecido no texto constitucional. Ao adotar o modelo do Sistema Único de Saúde – SUS, a atenção com a saúde coletiva foi estruturada em três diretrizes básicas: a descentralização, o atendimento integral e a participação da comunidade. Com a implantação do Sistema Único de Saúde – SUS, desencadeou-se a descentralização da saúde para os estados e municípios, que dentre inúmeras ações contemplou-se também as ações da Vigilância Sanitária, conforme artigo 200 da Constituição Federal, consolidando através da Lei 8.080 de 19 de setembro de 1990, (Lei Orgânica da Saúde). No artigo 18, que descentraliza a execução das ações de Vigilância Sanitária, promoveu-se uma reestruturação da arena decisória em torno da saúde, com transferência de responsabilidades e recursos financeiros para os estados e municípios (COHEN, 2004, p 291). Com isso, o município passou a responsabilizar-se também pela execução das atividades, tendo que constituir uma equipe para executar as ações da Vigilância Sanitária que, até então, eram executadas pelos estados. Diante dessa habilitação do município, no cumprimento das diretrizes do SUS, tendo que gerenciar as ações da Vigilância Sanitária e, responsabilizar-se pela execução, em detrimento ao repasse de recursos financeiros, desencadeou-se a estruturação das equipes das Vigilâncias Sanitárias por meio de contratações, através de testes seletivos ou por concursos, em cumprimento às diretrizes do SUS. Configurando, assim, o alicerce estrutural da Vigilância Sanitária. Mas que ainda se encontra em fase de descentralização, principalmente pelos recursos humanos constituídos para executar a Vigilância Sanitária. A maioria dos profissionais contratados que executa as atividades da Vigilância Sanitária, não passou por nenhum tipo de qualificação técnica específica para atuar, simplesmente foi contratada mediante a aprovação em testes seletivos ou concursos, com a comprovação de escolarização de ensino médio ou superior, em casos de cargos profissionais. 5 Nessa problemática da qualificação profissional para o exercício da Vigilância Sanitária, propusemos uma análise comparativa e norteadora sobre “O Perfil dos Recursos Humanos das Vigilâncias Sanitárias Municipais da 14ª Regional de Saúde”. Enfoque este, com a finalidade contribuir com as discussões que visam sugerir propostas para o redirecionamento das políticas públicas de qualificação dos Recursos Humanos, primando à qualidade dos serviços prestados pela Vigilância Sanitária. O presente artigo tem como objetivo analisar o perfil dos recursos humanos da Vigilância Sanitária que atuam no âmbito da 14ª Regional da Saúde, verificando as características profissionais, tais como, o grau de escolaridade, tempo de atuação, tipo de vínculo, experiências profissionais anteriores, capacitações e especializações para o exercício das atividades da vigilância sanitária. Numa análise comparativa decorrente da municipalização da vigilância sanitária, frente à magnitude e importância do exercício da atividade. Para análise de perfil, foi realizada uma pesquisa de campo, com a aplicação direta de um questionário contendo 08 (oito) questões, referentes ao aspecto pessoal e profissional, em 27 dos 28 municípios jurisdicionados à 14ª Regional de Saúde. Além desta introdução, este artigo conta com outros seis tópicos, por ordem de apresentação: o exercício da Vigilância Sanitária; a configuração básica da 14ª Regional da Saúde do Estado do Paraná; o processo da municipalização da saúde e vigilância sanitária, observando-se a metodologia utilizada, os procedimentos para a aplicação do questionário, bem como as fontes, formas de coleta e o tratamento dos dados; a análise dos resultados obtidos, num estudo comparativo com outros autores e, por último, as considerações e contribuições, com a finalidade de colaborar quanto à importância de identificar e acompanhar o perfil dos recursos humanos da Vigilância Sanitária. O EXERCÍCIO DA VIGILÂNCIA SANITÁRIA O exercício da vigilância sanitária pode ser compreendido como o conjunto de ações capaz de eliminar, diminuir ou prevenir riscos à saúde e de intervir nos problemas sanitários decorrentes do meio ambiente, da produção e circulação de bens e da prestação de serviços de interesse da saúde, abrangendo: o controle de bens de consumo que, direta ou indiretamente, se relacionem com a saúde, compreendidas todas as etapas e processos, da 6 produção ao consumo; o controle da prestação de serviços que se relacionem direta ou indiretamente com a saúde (LEI 8.080/1990 - BRASIL) . O Trabalho em Vigilância Sanitária é uma atividade que exige amplo conhecimento, desenvolvido em consonância com a sociedade onde se vive, de ser capaz de mudar e de ser ético. Portanto, é necessário em contrapartida que o técnico tenha uma boa formação, seja bem remunerado, que tenha planos de cargos e carreiras específicos, porque as atividades da Vigilância Sanitária se destacam pela sua particularidade, pelas ações diferenciadas das demais. Portanto, os Recursos Humanos constituídos deverão ter uma formação especializada, com a contrapartida da sua valorização. LUCCHESE (2006, p 10), afirma que o profissional técnico em vigilância sanitária pode trabalhar no controle, fiscalização e monitoramento de ações executadas no meio ambiente e em serviços direta ou indiretamente relacionados à Saúde, intervindo com o intuito de eliminar, diminuir ou prevenir riscos à Saúde. Também pode exercer o poder de polícia administrativa, função do Estado e específica da Vigilância Sanitária, privilegiando a ação orientadora e educativa sobre os direitos e deveres da população em relação à Saúde. Em nossa visão, nas atividades da Vigilância Sanitária, o perfil dos recursos humanos deve ser um ponto a ser discutido, porque é uma atividade essencial dentre as várias desenvolvidas no âmbito do SUS. Tal posição se deve a complexidade das ações desenvolvidas, desde o caráter social, conceitos tecnológicos e, principalmente, na aplicação das diretrizes legais. Além de mais vigilância, as novas tecnologias demandam, não somente maior conhecimento dos recursos humanos, mas, igualmente, mais habilidade, capacidade individual e experiência (LUCCHESE, 2006, p 51). Pela sua especificidade, particularidade e complexidade das ações desenvolvidas, não há dúvida que esta atividade deve ser calcada, também, em ações dialógicas com a sociedade, num processo que possibilite ver o homem capaz de alterar a sua realidade. Portanto, estas características evidenciam que o trabalho em saúde exige propostas de formação profissional comprometidas com capacidades muito além do saberfazer, um saber técnico científico articulado com a experiência e a cultura, para atender a um modelo de atenção que almeja a universalização e a integralidade. Sobretudo, é necessário contextualizar a saúde como política e acumulação social, que se expressa em um estado de bem-estar ou numa sociedade-de-bem-estar, decorrente da dinâmica sócioambiental concretizada num território-processo (ANVISA, 2005). 7 No exercício da Vigilância Sanitária, competência exclusiva do estado num conjunto de ações capazes de prevenir, diminuir ou eliminar riscos para a saúde, coloca a atividade em destaque das demais, pela sua complexidade e atribuições, que implica numa demanda crescente por informações e conhecimentos científicos atualizados, fundamentados numa base intelectual desde a sua formação acadêmica até as especializações. Cujas atividades vão desde as mais simples até as mais complexas e, que necessitam dos conhecimentos constantes do profissional, porque os desafios da formação profissional em saúde tornam-se mais agudos na área da Vigilância Sanitária (COSTA, 2001, p 7). Como destaca COSTA (2001, p 6), o trabalhador de vigilância sanitária, quando comparado com outros trabalhadores das áreas de saúde, apresenta distinções importantes, pois lida com um objeto complexo em suas diversidades, que requerem qualificações específicas, resultantes de múltiplas determinações. A formação dos profissionais de vigilância se dá num processo, muitas vezes empírico, descontínuo e assistemático e, não raramente, sem o comprometimento técnico e eficácia da ação (GARIBOTTI, 2001, p 1045), como também a qualidade do exercício da vigilância sanitária que esta calcada nas políticas públicas de saúde. Entretanto, os gestores com suas políticas assistencialistas desmerecem as ações preventivas, que, como conseqüência reflete na qualidade das ações da Vigilância Sanitária, onde a maioria dos trabalhadores não teve formação específica sequer para atuar na área da saúde e, muito menos, na vigilância sanitária. Sendo que, nem mesmo o pessoal de nível superior teve contado com conteúdos específicos da área durante o ensino de graduação. Na análise dos dados levantados e apresentados na Conferência Nacional de Vigilância Sanitária por FEKETE (2001, p 1), na questão de recursos humanos, cita, que dos profissionais de nível superior que atuam em Vigilância Sanitária no Brasil, 219 tem curso de saúde pública (12,8%), 111 tem especialização em vigilância sanitária (6,5%), 53 (3%) são mestres e 04 (0,2%) são doutores. A mesma reforça que os processos de formação para o nível superior (graduação/pós-graduação) e para o nível médio são insuficientes quanto aos aspectos mais abrangentes ao processo saúde/doença e quanto ao desenvolvimento de competências e habilidades para atuação no campo da vigilância sanitária. A maioria dos cursos da área de saúde e afins não abrange a temática da vigilância sanitária em seus programas curriculares (GARIBOTTI, 2006, p 1045). A baixa qualificação e desenvolvimento dos Recursos Humanos da Vigilância Sanitária são tidos como uns dos problemas na forma de atuação (ANVISA, 2001) que, quase sempre, são 8 motivos de estudos dos mais diversos, com inúmeras propostas de melhorar a qualidade, mas que são sempre isoladas e sem continuidade. De modo geral, os processos de capacitação profissional são fragmentados, insuficientes, desconectados dos serviços e processos de trabalho dos agentes da Vigilância Sanitária (ANVISA, 2001). Segundo CAMPOS E PREVIATI (2001, p 2), no Relatório Final da I Conferência Nacional de Vigilância Sanitária, realizada em Brasília, no período de 26 a 30 de novembro de 2001, resultado de um rico processo de construção democrática de um momento de reflexão e debates sobre os avanços e entraves no processo de efetivação do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária, destacam, entre outras, as seguintes questões: 1 - Falta de profissionais, em quantidade e qualidade; 2 - Instabilidade funcional; 3 - Ausência de Planos de Carreira e de uma Política bem – definida de Recursos Humanos para a área; 4 - Falta de prioridade para a solução desses problemas, por parte dos gestores do SUS, nos três níveis de governo; 5 - Constantes mudanças no processo de trabalho e nas concepções de controle sanitário, em face da incorporação de novas tecnologias que podem agregar novos riscos à saúde da população e ao meio ambiente; 6 - Inexistência de parcerias com o Ministério da Educação, Universidades, Escolas de Saúde Pública, Escolas Técnicas, Instituições de Pesquisa e outras afins (SEBRAE, EMBRAPA, IBAMA etc.) para a realização de cursos de diversas modalidades, voltados à realidade social do País, responsabilizando o Estado pela formação e capacitação de Recursos Humanos para a Vigilância Sanitária; 7 - Falta de estratégias de educação continuada e critérios para a participação nos processos de qualificação que levem em conta a estabilidade funcional, o tempo de serviço, o compromisso com o serviço, entre outros aspectos pertinentes; 8 - Escassez de cursos de pós-graduação em Vigilância Sanitária; 9 - Escassez de cursos técnicos de formação e capacitação em Vigilância Sanitária; 10 - Necessidade de se criar Pólos Regionais de Capacitação e Educação Continuada; 11 - Necessidade de assegurar aos trabalhadores de Vigilância Sanitária os princípios de acesso por concurso público, enquadramento dos servidores públicos, enquadramento dos servidores públicos concursados que já trabalham na Vigilância Sanitária e estabilidade por meio de mecanismos legais que evitem a rotatividade; 12 - A questão, Recursos Humanos é o componente mais expressivo da problemática dos recursos necessários para que a ação de Vigilância Sanitária se torne, efetivamente, uma ação de proteção e promoção da saúde; que o desenvolvimento de conhecimentos, habilidades, competências, enfim, de comportamentos que favoreçam o entendimento da prática social de cada profissão; faça dos trabalhadores de Vigilância Sanitária na condição de sujeitos, agentes ativos no modo de ver, sentir, refletir, conhecer, compreender, fazer e transformar o modelo assistencial vigente, passando a um modelo de cuidado que atenda as demandas específicas do SUS – Sistema Único de Saúde, o que se traduz na capacidade de resolver e prevenir problemas de saúde da população. 9 Portanto, a qualificação e habilitação para exercício da Vigilância Sanitária poderiam ser uma exigência prévia ou, mesmo, após a sua contratação, o trabalhador deveria passar por uma qualificação. Mas, o que se observa na prática, ao longo dos anos, é a realização de capacitações pulverizadas de acordo com a necessidade de programas específicos. Qualifica-se o pensar e a prática em vigilância sanitária amparados num “tripé de competências: conhecimento técnico, responsabilidade pública e compromisso ético” (ANVISA, 2005). CONFIGURAÇÃO DA 14ª REGIONAL DE SAÚDE DO ESTADO DO PARANÁ Situada na região noroeste do Estado do Paraná (Fig. 01), a 14ª Regional de Saúde, com sede administrativa no município de Paranavaí, unidade regional de representação administrativa intermediária da Secretaria de Estado da Saúde do Paraná. Cuja função é a de coordenação, assessoramento, e colaboração ao cumprimento das diretrizes do Sistema Único de Saúde – SUS, nas áreas de atenção básica, assistência médica, planejamento, investimentos, administração e vigilância em saúde, sobre os 28 municípios jurisdicionados1, com uma população aproximada de 250.000 habitantes. Sendo que a economia é basicamente de produção primária, principalmente, da Cana de Açúcar, Bovinocultura de Corte, Mandioca e Laranja, na maioria dos municípios, com exceção dos municípios pólos Paranavaí, Loanda e Nova Londrina, que despontam com indústrias de transformação dos produtos primários e grandes estabelecimentos comerciais, com IDH médio de 0,739 “Paraná 0,711” (IPARDES, 2008). Figura 01 – Localização da 14ª Regional de Saúde no Estado do Paraná 14ª Regional de Saúde Fonte: Sesa-Pr PROCESSO DA MUNICIPALIZAÇÃO Historicamente a descentralização e municipalização da Vigilância Sanitária nos municípios jurisdicionados à 14ª Regional de Saúde ocorreram a partir de 1992, 10 passando a executar as ações da vigilância sanitária. Neste processo, os municípios tiveram que reorganizar as suas equipes através de contratações de recursos humanos oriundos das mais diversas origens, tendo como contrapartida a transferência financeira do Ministério da Saúde. Nesta etapa, o estado, em contrapartida, promoveu a capacitação dos servidores em dois níveis: um direcionado à capacitação dos técnicos de nível superior, realizado pela equipe central da Secretaria de Estado da Saúde do Paraná; e outro direcionado aos técnicos de nível médio, promovido pelas equipes das Vigilâncias Sanitárias Regionais. Portanto, a capacitação foi desenvolvida em pouco tempo, em caráter emergencial no cumprimento de metas, tendo como objetivo garantir a efetivação das diretrizes da municipalização e repasse financeiro aos municípios. COHEN (2003, p 293) diz que dentre as diretrizes e princípios, que orientam a descentralização, é aquele cujos processos e resultados têm sido mais estudados e acompanhados, e vários são os desafios e avanços registrados. O processo da municipalização da Vigilância Sanitária ocorreu sob condições estabelecidas segundo responsabilidades, prerrogativas e mecanismos de financiamento, que o gestor se dispôs a assumir, segundo a sua vontade política e suas condições técnicas e materiais. Somente normatizadas em 1996, através da Norma Operacional Básica – nº 01 de 1996 (NOB-01/96); instrumento de regulação do SUS, que além de incluir as orientações operacionais, explicita e seqüência prática, em sua totalidade. Inova ao introduzir o Piso Básico de Vigilância Sanitária (PBVS), inserido como parte variável do Piso de Atenção Básica, assim como ao descrever, mesmo de forma genérica, as atribuições de cada gestor nas três esferas de governo no tocante à Vigilância Sanitária, sob os princípios e às diretrizes do Sistema, consubstanciados na Constituição Federal e nas Leis No. 8.080/90 e No. 8.142/90, que favorecendo mudanças essenciais no modelo de atenção à saúde no Brasil. LEVANTAMENTO DO PERFIL DOS RECURSOS HUMANOS DAS VIGILÂNCIAS SANITÁRIAS MUNICIPAIS DA 14ª REGIONAL DE SAÚDE. a) Metodologia Para a verificação dos perfis constituídos dos recursos humanos da Vigilância Sanitária, foi desenvolvida uma pesquisa de campo com aplicação de um questionário (Anexo 01) contento 20 itens relacionados à formação técnica, dados funcionais 11 e pessoais, em 27 dos 28 municípios jurisdicionados à 14ª Regional de Saúde de Paranavaí. O emprego de tal instrumento de coleta de dados teve como o objetivo buscar as informações necessárias para um estudo comparativo e delineamento conclusivo sobre o assunto. Para a realização da pesquisa, foi desenvolvido um questionário com perguntas abertas, subdivido em três partes, referentes a dados pessoais, informações profissionais e grau de instrução e, que foram aplicados diretamente aos técnicos num período de dois meses (setembro e outubro 2008) em 27 municípios da 14ª Regional de Saúde. Sendo que, de um total de 57 técnicos, 49 responderam, totalizando 83,0% dos profissionais. Os que deixaram de responder, tiveram suas justificativas: um deles não respondeu por motivo de licença eleitoral (município de Santa Mônica), e 7 devido à impossibilidade de contato. Portanto, na proporcionalidade da função, o questionário foi respondido por 80% dos técnicos de nível superior (total de 15) e 86% dos técnicos do nível médio (total de 43). b) Resultados Com os resultados obtidos no levantamento do perfil dos profissionais que atuam na Vigilância Sanitária da 14ª Regional de Saúde, foi possível construir um quadro de diagnóstico das principais características dos recursos humanos que atuam nesta unidade, e pode ser verificado nos dados constantes na Tabela nº. 01. Tabela 1 – Configuração das características dos profissionais da Vigilância Sanitária Características Sexo Masculino Feminino Estado Civil Solteiro Casado Outros Total % 36 13 73,5 26,5 13 25 11 26,5 51,0 22,5 Regime de Trabalho Concursado CLT Comissionado 44 4 1 90,0 8,0 2,0 Vínculo Institucional Estadual Municipal 7 43 14,0 86,0 Formação Básico Médio Superior 1 35 13 2,0 71,0 27,0 Cargo Agente de Saúde Auxiliar de Saúde Auxiliar Administrativo 11 8 4 1 22,4 16,3 8,2 2,0 12 Inspetor de Saneamento Técnico Vigilância Sanitária Gerencia Fiscal Sanitário Arquiteto Enfermeiro Farmacêutico Medico Veterinário 6 2 4 1 1 2 9 12,2 4,1 8,2 2,0 2,0 4,1 18,4 Idade (anos) 18 – 25 26 – 35 36 – 50 Acima de 51 7 24 14 5 14,5 47,0 28,5 10,0 Tempo na Atividade –5 6 – 10 11 – 20 21 – 30 31 – 19 10 12 7 1 38,0 20,5 25,0 14,5 2,0 Salário (SM) 1–2 2–5 5–9 Acima 9 25 21 2 1 51,0 43,0 4,0 2,0 49 100 Fonte: Vigilâncias Sanitárias Municipais – 14ª Regional de Saúde – Paranavaí - PR Na amostragem desenvolvida mediante a aplicação do questionário, foi constatado que a maioria dos técnicos é do sexo masculino, 73% do total (Fig. 02). Figura 02 – Sexo, segundo levantamento do perfil dos Recursos Humanos. 26% Masculino Feminino 73% Fonte: Vigilâncias Sanitárias Municipais – 14ª Regional de Saúde – Paranavaí - PR Com referência ao modo de contratação dos Recursos Humanos, o levantamento apontou que 90% das contratações (Fig. 03), foram realizadas através de concursos públicos, indicando os princípios da legalidade e imparcialidade dos gestores públicos. 13 Figura 03 – Regime 8% Estatutário 2% CLT Comissionado 90% Fonte: Vigilâncias Sanitárias Municipais – 14ª Regional de Saúde – Paranavaí - PR Na avaliação salarial (Fig. 04), constata-se que 52% dos técnicos recebem até dois SM e 42% até cinco SM e, 6% acima cinco SM, variando de 01 a 12 mínimos. Figura 04 – Remuneração. 4% 1 a 2 SM 2% 2 a 5 SM 5 a 9 SM 43% 10 ou mais 51% Fonte: Vigilâncias Sanitárias Municipais – 14ª Regional de Saúde – Paranavaí - PR Quanto ao perfil escolaridade, 48% possuem ensino médio e elementar e 52% ensino superior (Fig. 05), mas em comparação ao cargo exercido apenas 25% é de nível superior, sendo a maioria de médicos veterinários 69% (Fig. 08) e, que 54% dos técnicos do nível superior possuem especialização, sendo 31% na área da saúde (Fig. 09). Figura 05 – Escolaridade. 8% Nível Elementar 2% Nível Médio 6% 46% 12% Nível Médio com Curso Superior Nível Médio com Curso Superior e Especialização Nível Superior Nível Superior Especialização 4% Nível Superior Especialização em Saúde 22% Fonte: Vigilâncias Sanitárias Municipais – 14ª Regional de Saúde – Paranavaí - PR 14 Figura 06 – Escolaridade segundo o Cargo Superior 2% 27% Médio Elementar 71% Fonte: Vigilâncias Sanitárias Municipais – 14ª Regional de Saúde – Paranavaí - PR Figura 07 – Cargo Exercido Anteriormente Veterinário 4 Trabalhador Rural 6 Tecnico em Enfermagem 1 Profissional Liberal 1 Outros 4 Militar 1 Farmacêutico 1 Estudante 10 Enfermeiro 1 7 Comerciante Atividade do Lar 2 Assistente Administrativo 8 Arquiteto 1 2 Agente de Saúde 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Fonte: Vigilâncias Sanitárias Municipais – 14ª Regional de Saúde – Paranavaí – PR Figura 08 – Técnicos de Nível Superior. Arquiteto 8% Enfermeiro 8% Farmacêutico Medico Veterinário 69% 15% Fonte: Vigilâncias Sanitárias Municipais – 14ª Regional de Saúde – Paranavaí – PR 11 15 Figura 09 – Técnicos Nível Superior com Pós-Graduação (Lato sensu). 31% 46% Superior Especialização Especialização em Saúde 23% Fonte: Vigilâncias Sanitárias Municipais – 14ª Regional de Saúde – Paranavaí - PR Quanto à faixa etária observa-se média de 40 anos de idade, sendo 47% na faixa dos 26 a 35 anos e 34% na faixa 36 a 50 anos. Figura 10 - Idade 18 – 25 10% 14,5% 26 – 35 36 – 50 Acima de 51 28,5% 47% Fonte: Vigilâncias Sanitárias Municipais – 14ª Regional de Saúde – Paranavaí - PR Ao se verificar as experiências profissionais desenvolvidas anteriormente, observa-se na Tabela 2, diversas atividades exercidas, desde trabalhadores rurais, comerciantes, funcionários públicos de outras áreas, pressupondo que é a primeira atividade exercida profissionalmente, por exemplo, no caso dos estudantes. Portanto, as experiências profissionais, exercidas anteriormente, demonstram pouco ou quase nenhum conhecimento da área da Vigilância Sanitária, salvo no caso do nível superior que, na sua formação acadêmica são adquiridas as informações básicas, embora apresentem também deficiências para o exercício da Vigilância Sanitária. Tabela 2 – Distribuição das Características Profissionais Exercidas Anteriormente Características Agente Comunitário de Saúde Agente de Endemias Agricultor Arquiteto Assistente Administrativo Atividade do Lar Total 1 1 2 1 2 2 % 2,04 2,04 4,08 2,04 4,08 4,08 16 Auxiliar Administrativo de Tributação Auxiliar de Escritório Auxiliar de Laboratório Balconista Farmácia Bancário Cerealista Cobrador de Ônibus Comerciante Enfermeira Estudante Farmacêutica Militar Office Boy Profissional Liberal Técnico de Enfermagem Trabalhador Rural Vendedor Autônomo Vendedora Veterinário Total 2 2 1 1 1 1 1 4 1 12 1 1 1 1 1 4 1 1 3 49 4,08 4,08 2,04 2,04 2,04 2,04 2,04 8,16 2,04 24,5 2,04 2,04 2,04 2,04 2,04 8,16 2,04 2,04 6,12 100,0 Fonte: Vigilâncias Sanitárias Municipais – 14ª Regional de Saúde – Paranavaí – PR Quanto ao tempo do exercício na Vigilância Sanitária, chegou-se ao seguinte resultado: 38% (até 05 anos), 20% (de 06 a 10), 25% (de 11 a 20), 15% (de 21 a 30) e, 2% (acima de 30), demonstrando que o perfil dos recursos humanos constituídos são, na maioria, contratações promovidas após a municipalização da Saúde. Figura 11 – Tempo no Exercício da Vigilância Sanitária 15% 2% 38% 0 - 5 anos 6 -10 anos 11 - 20 anos 21 - 30 anos > 30 anos 25% 20% Fonte: Vigilâncias Sanitárias Municipais – 14ª Regional de Saúde – Paranavaí – PR Quanto ao vínculo institucional 14% dos técnicos possuem vínculo estadual com a Secretaria de Estado da Saúde, profissionais estes, remanescente das Vigilâncias Sanitárias Estaduais, incorporados aos quadros das secretarias municipais de saúde. 17 Figura 12 – Vínculo Institucional 14% Estadual Municipal 86% Fonte: Vigilâncias Sanitárias Municipais – 14ª Regional de Saúde – Paranavaí – PR ANÁLISE DOS RESULTADOS Os resultados obtidos com o levantamento de dados realizados permitiram constatar que os trabalhadores das Vigilâncias Sanitárias Municipais da 14ª Regional de Saúde do Estado do Paraná, na sua maioria, têm as suas origens nas mais diversas atividades, principalmente os técnicos de nível médio. O estudo de campo apontou um contingente de 73% (Fig. 06), cuja formação, em grande parte, foi apenas o prescrito na grade curricular acadêmica elementar e ensino médio, sem nenhuma formação especifica na área da Vigilância Sanitária. Formação esta que se defronta com um conjunto de limitações que advém do tradicional isolamento institucional da Vigilância Sanitária no contexto da saúde e até do desconhecimento da função como agente de saúde (COSTA & SOUTO, 2001, p 94). Este resultado confirma a constatação feita por FEKETE (2001, p 1), que em relação ao nível médio, o setor saúde vem historicamente incorporando pessoal sem qualificação para atuar nas distintas áreas, incluindo Vigilância Sanitária. Portanto, o seu conhecimento para atividade, vem da sua força de vontade, principalmente, e tão somente de participações nas capacitações e treinamentos em função do estado ter que cumprir metas de capacitação continuada. Dos profissionais do nível médio pesquisado, 22% têm curso superior e 4 % com pós-graduação (Fig. 05), indicando que a formação foi adquirida antes de entrar para o serviço, ou mesmo sendo realizado durante a atividade, porém são cursos das áreas da licenciatura, contabilidade e administração, que refletem a não qualificação para atuar na área da Vigilância Sanitária. Ou seja, estes cursos foram realizados no intuito da promoção profissional para atuação em outras áreas. 18 O estudo aponta também, conforme dados contidos na Tabela 01, que na descrição dos cargos e funções exercidas pelos técnicos do nível médio, há várias denominações. Não há, portanto, uma normatização quanto aos nomes dos cargos, o que comprova que cada município segue as nomenclaturas prescritas nos quadros próprios dos recursos humanos. Pode-se observar também o desvio de funções para as quais foram contratados, daí serem constituídos de 8% por auxiliares administrativos. Isso comprova a falta de uma profissionalização técnica para o exercício da Vigilância Sanitária, tendo como exemplo outras áreas da saúde como Técnico em Enfermagem, Técnico em Radiologia, Técnico em Higiene Dental, que são regulamentadas e indicadas especificamente para o exercício do cargo. Segundo dados do Congresso da Rede Unida – 2005 referentes ao tema “Vigilância Sanitária: a formação profissional em pauta” dos profissionais da vigilância sanitária com nível médio de instrução do cargo, apenas 2,3% possui habilitação técnica em VISA. Conforme estes dados tornam-se urgente pensar a formação do trabalhador da vigilância sanitária. É importante considerar a demanda quantitativa e também repensar a atuação destes agentes, apoiada no conceito ampliado de saúde pública. Além disso, é estruturante que se promovam sujeitos ativos com pensamento crítico que descubram no conhecimento a possibilidade de construção desta “nova” (grifo nosso) visão da vigilância sanitária. Quanto ao trabalhador com nível superior, que no estudo de campo apontou um contingente de 27% (Fig. 06), observa-se que, mesmo tendo sido privilegiado na sua formação acadêmica, com os conhecimentos básicos para as funções da Vigilância Sanitária, verifica-se a necessidade de capacitação específica para o exercício da função. Somente 31% possuem especialização na área de saúde (Fig. 09). Quanto aos cursos de graduação, raras são as instituições que incluem nos currículos conteúdos teórico-conceituais que abordem conhecimentos específicos do campo da Vigilância Sanitária (CONGRESSO DA REDE UNIDA – 2005). Daí decorre a necessidade de que sejam revistos constantemente os programas de formação de recursos humanos para a Saúde Pública, com o intuito de oferecer um preparo adequado aos papéis a que estes irão exercer nos diferentes escalões institucionais.(KRAUSZ, 1977, p 152) No levantamento realizado por esta pesquisa (Fig. 08), 69% dos recursos humanos de nível superior são constituídos por médicos veterinários, seguidos de (15%) de farmacêuticos, (8%) de enfermeiros e (8%) de arquitetos. Perfil este que difere daquele encontrado no estudo efetuado por (FEKETE, 2001, p1) cujas categorias mais numerosas eram: farmacêuticos (27%), médicos veterinários (22%), enfermeiros (20%), cirurgiões- 19 dentistas (17%) e médicos (11%). Tal diferença entre os dois estudos pode ser atribuída à realidade local, bem como pelas características dos profissionais mais indicados para a função. O médico veterinário, neste estudo, aparece em maior número devido, principalmente, em razão da realização de atividades específicas e pertinentes de sua área de atuação, como a inspeção de produtos de origem animal nos matadouros municipais, como também a vigilância sanitária de alimentos. Visto que foi uma das primeiras áreas a ser incorporada pelos municípios. Mesmo assim, não o coloca como um profissional em destaque, necessitando de uma pós-formação nos conceitos da Vigilância Sanitária e Saúde Pública, pois na grade curricular do curso não é contemplado a temática. Na seqüência, os farmacêuticos constituem o segundo grupo de técnicos. Tal contingente pode ser explicado pelas atividades de fiscalização e controle de produtos e serviços de saúde; seguidos dos enfermeiros nas atividades de prestação serviços de saúde e os arquitetos nas análises e aprovações de projetos. Mesmo nas disciplinas de Saúde Coletiva (Saúde Pública, Epidemiologia) integrante dos currículos da maioria dos cursos de formação de profissionais da saúde, são incipientes as iniciativas nesta direção. Percebe-se, entretanto, que recentemente alguns cursos de graduação de Farmácia e de Nutrição passaram a incorporar conteúdos de Vigilância Sanitária em determinadas disciplinas. (COSTA, 2002, p 96). Com referência aos profissionais com pós-graduação, apenas 30% dos técnicos de nível superior realizaram especializações na área de saúde, demonstrando uma realidade provocada pela motivação e a contrapartida dos gestores na promoção de melhorias salariais e ascensão profissional. Mostrando também que 20% possuem cursos de especializações de outras áreas, realizados antes do exercício da Vigilância Sanitária. Um grave problema dos serviços de Vigilância Sanitária, em todas as esferas de governo, é a insuficiência de recursos humanos qualificados (ANVISA, 2002) Segundo FEKETE (2001, p1) relata em seu estudo, que dentre os profissionais de nível superior que atuam em Vigilância Sanitária no Brasil, 12,8% têm curso de Saúde Pública, 6,5% têm especialização em Vigilância Sanitária, 3% são Mestres e 0,2% são Doutores. Entretanto, COSTA (2002, p 96), aponta que os cursos de pós-graduação em Saúde Coletiva cuja temática vêm emergindo, particularmente em programas Lato sensu. 20 Em programas Stricto sensu, embora a Vigilância Sanitária não constitua área de concentração, a discussão sobre o tema vem crescendo, dando lugar a alguma produção de estudos, dissertações de mestrado e teses de doutoramento. A formação de recursos humanos em Vigilância Sanitária nos dias de hoje, no país, defronta-se com um conjunto de limitações que advém do tradicional isolamento institucional da Vigilância Sanitária no contexto da saúde. Que se reflete na pequena produção de conhecimentos científicos na temática, na falta de formação docente e até mesmo no desconhecimento da função da Vigilância Sanitária como ação de saúde. Esses aspectos, com outros decorrentes do paradigma dominante na saúde centrado na doença. Concorre para a manutenção de certa dificuldade, mesmo entre sanitaristas pesquisadores, em se distinguir a função das ações de Vigilância do modelo que tem vigorado no país, como se essas ações se restringis sem à atividade regulamentadora e de fiscalização (COSTA & SOUTO, 2001, p 95). Com referência à idade (Fig. 10), os profissionais pesquisados têm, em média, 40 anos, sendo 47% na faixa dos 26 a 35 anos e 34% na faixa 36 a 50 anos, demonstrando que a maioria entrou na vigilância após exercer outras atividades (Tab. 02), que na prática, esta migração só ocorreu devido à garantia da estabilidade e segurança no emprego. Quanto ao gênero, constatou-se que a maioria é do sexo masculino e representam 73% (Fig. 02). Diferente do estudo realizado por LEITE & OLIVEIRA (2008, p 19), que os profissionais pesquisados são predominantemente do sexo feminino 74%, devido à particularidade regional e a caracterização da função que é a fiscalização. Quanto ao tempo de serviço na vigilância sanitária, verificou-se que 58% dos recursos humanos está há menos de 10 anos e, 17% há mais 20 anos (Fig. 11), demonstrando que a maioria foi contratada após a municipalização. Com referência ao vínculo institucional (Fig. 12) 86% dos técnicos possui vínculo empregatício com os municípios e 14% com a Secretaria de Estado da Saúde do Paraná, incorporados ao município durante o processo da municipalização, sendo 01 Inspetor de Saneamento e 06 Auxiliares de Saúde. No tocante à remuneração recebida, os dados da pesquisa apontam que 51% dos técnicos recebem até dois salários mínimos (Fig. 04). Segundo LUCCHESE, 2001, p28 as questões da insuficiência de quadros, dos tipos de contrato dos funcionários e de seus salários fecham o círculo vicioso do problema dos recursos humanos na administração pública. 21 Esta situação confirmada por LEITE & OLIVEIRA (2008) p 16, que os recursos humanos em vigilância sanitária (VISA) acompanham toda a problemática dos recursos humanos do Sistema Único de Saúde. Convive-se com insuficiências qualitativas quanto à disponibilidade de pessoal e acentuadas distorções nas distribuições geográficas, sociais e institucionais desses recursos humanos. Contudo, a Vigilância Sanitária exige uma inserção laboral diferenciada, com cargos específicos e explícitos em tempo integral e com dedicação exclusiva, além da proteção à atividade fiscalizadora e de salários condizentes com a importância social da tarefa (LUCCHESE, 2001, p 28). A complexidade que circunscreve tanto o processo de trabalho em saúde quanto o da Vigilância Sanitária exige dos profissionais e das instituições formadoras em saúde uma reflexão profunda, de caráter interdisciplinar, multiprofissional, intersetorial e intra-setorial, acerca dos processos de formação (GONDIM, 2003, p 2). Enfim, tendo a expectativa que este artigo possa subsidiar e nortear nas ações da qualificação do exercício da Vigilância Sanitária, no qual ficou demonstrado que há deficiências na formação técnica, ausências de programas específicos, deficiências nas políticas publicas de recursos humanos para o setor. Havendo, portanto, a necessidade da implementação de programas de governo para a profissionalização técnica específica, buscando parcerias com instituições de ensino, na oferta de cursos profissionalizantes e especializações atreladas a programas de valorização profissional. CONSIDERAÇÕES FINAIS E CONTRIBUIÇÕES Com os dados obtidos neste estudo e a análise dos mesmos e, sem ter a pretensão de estabelecer conclusões, buscou-se colaborar com as discussões quanto à importância de se identificar e acompanhar o perfil dos recursos humanos da Vigilância Sanitária, visto que são profissionais que se destacam no Sistema Único de Saúde pela magnitude de suas atividades, pela importância estratégica nas ações capazes de prevenir, diminuir ou eliminar riscos para a Saúde. Os resultados obtidos apontam que a maioria dos profissionais do nível médio não passou por nenhuma capacitação profissionalizante, quanto ao exercício da Vigilância Sanitária; que os técnicos de nível superior, que mesmo tendo sido privilegiados na sua formação acadêmica com os conhecimentos básicos para as funções da Vigilância 22 Sanitária, necessitam de capacitação específica para o exercício da mesma. E, com os estudos comparativos também fica notório que não há uma política de formação profissionalizante para o exercício da Vigilância Sanitária. Portanto, a situação diagnosticada indica a necessidade de Políticas Públicas próprias para o desenvolvimento de recursos humanos especializados no exercício da Vigilância Sanitária, tendo como base a sua especificidade, particularidade e complexidade articuladas na capacidade do saber-fazer com as experiências sociais e culturais. Sobretudo, saber contextualizar a saúde como política e acumulação social, decorrente da dinâmica sócioambiental concretizada num território-processo. Conclui-se com isso que deve haver incentivos, apoios e financiamento na implementação de programas de formação de recursos humanos especializados, por meio de parcerias com Escolas de Saúde Publica, Escolas Técnicas e Universidades através de Pólos Regionais de Capacitação e Educação Continuada. Como também, estabelecer critérios específicos para a contratação, através de atos normativos, para garantir o acesso de profissionais qualificados e habilitados para exercício da Vigilância Sanitária, como também, assegurar aos trabalhadores que já atuam a capacitação e o enquadramento específico ao exercício da profissão. REFERÊNCIAS AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. - Projeto Redevisa – Planejamento Participativo em Vigilância Sanitária: Relato da experiência na Paraíba. . Brasília; 2003. Disponível em: <http://www.anvisa.gov.br/institucional/snvs/coprh/index.htm> acesso em 07/10/2008. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA/COMITÊ DE POLITICAS DE RECURSOS HUMANOS PARA A VIGILÂNCIA SANITÁRIA Texto de fundamentação teórica para a da Oficina nº. 29 do VI Congresso Nacional da Rede Unida - Vigilância Sanitária: a formação profissional em pauta. P 14 Belo Horizonte, 2005. Disponível em: <http://www.anvisa.gov.br/ institucional/ snvs/coprh/index.htm> Acesso em 07/10/2008. ____BRASIL – Constituição da Republica Federativa do Brasil de 1988. ____BRASIL – Lei 8.080 de 19 de setembro de 1990 - Dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências. ____BRASIL - Norma Operacional Básica, NOB-SUS 01/96. Brasília, DF. 23 CAMPOS, FGE; PREVIATTI, M. - Recursos Humanos em Vigilância Sanitária I Fórum Estadual Intersetorial em Vigilância Sanitária, p 1-4, 2004. Disponível em: <http://www.saude.sc.gov.br/ temp/forumIntersetorial/> Acesso em 18/09/2008. COHEN, MM.; MOURA, MLO.; TOMAZELLI, JG - Descentralização das ações de Vigilância Sanitária nos municípios em Gestão Plena, Estado do Rio de Janeiro. Rev. Brasileira Epidemiologia, São Paulo, v. 7, n. 3 p 291-301, 2004. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php> Acesso em: 07/11/ 2008. 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AGRADECIMENTOS: Aos técnicos da Vigilância Sanitária Municipais, que colaboram para o presente estudo. 24 ANEXO LEVANTAMENTO DADOS CADASTRAIS – TÉCNICOS VISA MUNICIPAIS 14RS Ficha nº_______ 1- Data: 2- Município 3- Nome ( Somente as Iniciais) Dados Pessoais 4- Estado Civil ( ) Solteiro ( 5- Sexo ( ) Masculino ( ) Casado ( ) Feminino ) Outros 6- Idade Dados Profissionais 7- Atividades Exercidas Anteriormente 8- Ano do Inicio como Servidor Público 9- Ano do Inicio como Servidor na Saúde 10- Ano do Inicio como Servidor na VISA 11- Faixa Salarial ( ) 1 a 2 SM ( ) 2 a 5 SM ( ) 5 a 9 SM ( ) 10 ou + 12- Prestou Concurso ( ) Sim “” Se sim , vá para o item 14 ( ) Não “” Se não vá para o item 12 “ 13- Prestou Teste Seletivo ( ) Sim “” Se sim , vá para o item 14 ( ) Não “” Se não vá para o item 13 14- Regime ( )Estatutário ( ) CLT ( ) Comissionado ( ) Outros ____ 15 - Vínculo Institucional ( ) Federal ( ) Estadual ( ) Municipal ( ) Outros ________ 16- Função 17- Cargo Formação 18- Fundamental ( ) 19- Ensino Médio ( ) 20- Profissionalizante ( ) Se Profissionalizante, qual o curso: Curso 21- Superior 22 - Pós-Graduação Área/Título Especialização Mestrado Doutorado 1 Alto Paraná, Amaporã, Cruzeiro do Sul, Diamante do Norte, Guairaçá, Inajá, Itaúna do Sul, Jardim Olinda, Loanda, Marilena, Mirador, Nova Aliança do Ivaí, Nova Londrina, Paraíso do Norte, Paranapoema, Paranavaí, Planaltina do Paraná, Porto Rico, Querência do Norte, Santa Cruz de Monte Castelo, Santa Isabel do Ivaí, Santa Mônica, Santo Antônio do Caiuá, São Carlos do Ivaí, São João do Caiuá, São Pedro do Paraná, Tamboara e Terra Rica.