ii Gentil Ferreira Junior COMPETÊNCIAS GERENCIAIS DO GESTOR DE VENDAS DE AUTOPEÇAS Trabalho de Conclusão de Curso apresentado junto à USCS como parte dos requisitos para a obtenção do título de especialista em Gestão Empresarial Área de concentração: Gestão Empresarial Data da defesa: 07 / Agosto / 2009 Resultado: _________________________ BANCA EXAMINADORA: Prof. Dr. Fabio Appolinário _____________________________ Universidade Municipal de São Caetano do Sul Prof. Dr. Fernando Santini _____________________________ Universidade Municipal de São Caetano do Sul Profa. Esp. Sandra Cabral _____________________________ Universidade Municipal de São Caetano do Sul iii DEDICATÓRIA Dedico este trabalho e todo o meu amor aos meus filhos Marcos Vinícius e Ana Júlia. iv AGRADECIMENTOS Ao meu orientador, Prof. Dr. Fabio Appolinário, pelos ensinamentos, pela silenciosa compreensão das minhas grandes limitações e pelo estímulo ao pensamento e à pesquisa. Ao meu professor de língua Inglesa, Bel. Ariê Dênis Sangiuliano, pelos ensinamentos no idioma e no desenvolvimento da minha inteligência linguística. v A imaginação é mais importante que o conhecimento Albert Einstein vi RESUMO O objetivo deste trabalho foi o de pesquisar, identificar e qualificar as principais competências gerenciais do gestor de vendas de autopeças, dentro do ambiente de uma indústria automotiva Tier 1 (ver apêndice C), do segmento de autopeças e sistemas automotivos, localizada na região do grande ABC Paulista. As abordagens teóricas mostram, inicialmente, os principais conceitos e definições acerca do tema “competências gerenciais”, compreendendo também um breve capítulo versando sobre a definição do termo “vendas” e finalmente abordando os conceitos preliminares de marketing, marketing dentro do ambiente de vendas e da gerência de vendas propriamente dita. Foi realizada uma pesquisa de campo em um seleto grupo de trinta indivíduos adultos, todos com nível universitário ou acima, fluentes em uma segunda língua e atuantes profissionalmente no departamento de vendas desta empresa em questão. A pesquisa focou especificamente na determinação e na qualificação das competências gerenciais do gestor de vendas de autopeças, identificadas pela ótica de seus subordinados. Como resultado, a pesquisa de campo revelou dezenove competências que são importantes para o gestor de vendas de autopeças e, principalmente, indicou e classificou as cinco competências mais importantes para este profissional, quais sejam: liderança, energia, relacionamento interpessoal, ética e organização e planejamento. PALAVRAS-CHAVE: Competências gerenciais, competências do gestor de vendas e gestão por competências. vii ABSTRACT The main purpose of this study was to research, identify and qualify the main Managerial Competences of an automotive parts industry’s sales manager, focusing in the environment of a Tier 1 automotive systems and parts company settled in the Grande ABC Paulista. Its theoretical approaches comprehend the main concepts and definitions of the subject Managerial Competences, then briefly cover the definition and meaning of the term Sales and finally approach the basic concepts of Marketing, Marketing in Sales and Sales Managerial. It’s been performed a field survey for determining the major managerial competences of an auto parts sales manager throughout the opinion of a selected group of thirty persons; all them adults, graduated in some college degree, speakers of a second language and employees of the above mentioned company. The survey’s result has indicated nineteen managerial competences that were revealed to be important to an auto parts sales manager through his/her subordinates’ point of view. From this collection of competences, the survey has then indicated and ranked the five ones that are the most import; they’re as follows: Leadership, Interpersonal Relationship, Empowerment, Ethics and Planning & Organization. KEYWORDS: Managerial Competencies, Sales Manager Competences and Business Competencies viii LISTA DE QUADROS Quadro 1 – Competências para o profissional ......................................................... 13 Quadro 2 – Processo de desenvolvimento de competência .................................... 15 Quadro 3 – Comparação entre trabalho requerido e processo de tomada de decisões para os níveis de trabalho ............................... ... 20 Quadro 4 – Nível de complexidade para a competência gerencial “orientação estratégica” ......................................................................... ... 21 Quadro 5 – Nível de complexidade para competência da organização ................... 22 Quadro 6 – Nível de complexidade para a competência da gestão de processos de mudança ....................................................................... 23 Quadro 7 – Plano estratégico de marketing e vendas .......................................... ... 35 Quadro 8 – Consolidação dos indicadores de competências às suas respectivas competências associadas – Parte 1......................................... 43 Quadro 9 – Consolidação dos indicadores de competências às suas respectivas competências associadas – Parte 2......................................... 44 Quadro 10 – Consolidação dos indicadores de competências às suas respectivas competências associadas – Parte 3......................................... 45 Quadro 11 – Consolidação dos indicadores de competências às suas respectivas competências associadas – Parte 4......................................... 46 Quadro 12 – Consolidação dos indicadores de competências às suas respectivas competências associadas – Parte 5......................................... 47 Quadro 13 – Consolidação dos indicadores de competências às suas respectivas competências associadas – Parte 6......................................... 48 Quadro 14 – Consolidação dos indicadores de competências às suas respectivas competências associadas – Parte 7......................................... 49 Quadro 15 – Definição das competências associadas aos seus respectivos indicadores ................................................................................ ... 50 ix LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Competências como fonte de valor para o indivíduo para a organização ................................................................................ ... 12 Figura 2 – Conceitos complementares da gestão de pessoas ................................. 17 Figura 3 – Dimensões de complexidade ............................................................... ....18 Figura 4 – Espaço ocupacional na organização ................................................... ... 25 Figura 5 – Sistema simples de marketing ................................................................ 31 Figura 6 - Incidência de cada competência em função de seu respectivo número de indicadores ..................................................................... 51 x SUMÁRIO 1 – INTRODUÇÃO ................................................................................................ ......1 2 – OBJETIVO ............................................................................................................ 4 3 – JUSTIFICATIVA ........................................... ........................................................ 5 4 – COMPETÊNCIAS GERENCIAIS .......................................................................... 6 4.1 – Definição de competências ................................................................... 6 4.2 – Gestão por competências ................................................................... 10 4.3 – Competências individuais ................................................................... 11 4.4 – Caracterização das competências individuais .................................... 17 4.5 – Complexidade e espaço ocupacional ................................................. 18 4.6 – Mensuração da complexidade ............................................................ 19 4.7 – Espaço ocupacional ............................................................................ 25 4.8 – Gestão de pessoas ............................................................................. 26 4.8.1 – Processo de gestão de pessoas ......................................... 27 4.8.2 – Movimentação de pessoas ................................................. 27 5 – VENDAS ............................................................................................................. 29 5.1 – Sistema de Marketing ......................................................................... 30 5.1.1 – Marketing no ambiente de vendas ...................................... 32 5.1.2 – Vendas e o composto de marketing ................................... 33 5.2 – Plano de vendas ................................................................................. 34 5.3 – Importância da área de vendas .......................................................... 36 5.4 – Gerência de vendas ............................................................................ 36 5.5 – Funções do gerente de vendas .......................................................... 38 6 – MÉTODO ............................................................................................................ 39 6.1 – Sujeitos ............................................................................................... 39 xi 6.1.1 – Materiais ............................................................................. 39 6.1.2 – Procedimentos .................................................................... 40 7 – ANÁLISE DOS RESULTADOS .......................................................................... 41 7.1 – Consolidação dos indicadores de competências ............................ 43 7.2 – Determinação das competências mais importantes, segundo seus respectivos números de indicadores associados ............ 50 8 – CONCLUSÃO ..................................................................................................... 52 9 – REFERÊNCIAS .................................................................................................. 55 10 – APÊNDICES ..................................................................................................... 57 Apêndice A – Instrumento de pesquisa Questionário utilizado ............................................................................................... 57 Apêndice B – Instrumento de pesquisa Carta de solicitação de participação ......................................................................... 58 Apêndice C – Definição do termo Tier 1 ................................................................... 59 1 1 INTRODUÇÃO Segundo Quinn et al. (2003), todos nós temos crenças e premissas acerca da maneira certa de se fazer as coisas e, evidentemente, estas estão presentes nos indivíduos que exercem posições de liderança gerencial. Entretanto, segundo House e Podsakoff (1994 apud QUINN, 2003 p. 1), apesar de estas crenças e premissas poderem aumentar as nossas eficiências, podem por vezes, nos tornar ineficazes. Não obstante todos os avanços tecnológicos envolvendo processos de produção, materiais, produtos e serviços que se tornam a cada dia mais eficientes, duradouros e confiáveis, não restam dúvidas que a forma de se administrar as pessoas vem passando por profundas transformações, desde os primórdios da atividade industrial. Busca-se mais, a cada dia, extrair o capital humano dos seus colaboradores, por meio da exploração de suas competências, como sugerido por autor Leme (2009), ao afirmar que as empresas têm intensificado o seu entendimento sobre a necessidade de se trabalhar o tema gestão por competências, nas suas organizações. Conforme abordagem de Siqueira et al. (2008) é notório que a procura por instrumentos de diagnóstico e de gestão do comportamento organizacional é cada vez mais, uma demanda crescente e isto se justifica, pelo menos em partes, pela também crescente procura de material científico nesta área, demandada fundamentalmente, pelo aumento dos cursos de graduação e de pós-graduação, de mestrado e de doutorado neste segmento. Focando essa análise num âmbito industrial, Siqueira et al. (2008) esclarecem ainda que dentro daquele ambiente, observa-se a preocupação dos dirigentes organizacionais acerca dos possíveis impactos que a política empresarial teria sobre os trabalhadores, envolvendo aspectos como saúde, bem-estar e qualidade de vida. Tentarmos pensar em comportamento organizacional e, principalmente em gestão de pessoas num ambiente industrial, sem nos ater principalmente ao tema “competências” seria, de fato, um grande erro. Isso posto, Dutra (2008), deixa bastante claro, ao afirmar em sua obra, que a forma pela qual as organizações em todo o mundo efetuam a gestão de seu pessoal, passa por grandes transformações. Ainda segundo Dutra, (2008), tais transformações teriam 2 como a sua principal mola impulsora, o fato de que os modelos tradicionais de gestão de pessoas, se comparados às necessidades de atendimento às expectativas das empresas e da sociedade, estariam, cada vez mais, se tornando inadequados, em face destas crescentes expectativas. A busca pelo conjunto de premissas e conceitos que melhor expliquem a relação entre organização e pessoas, chamado por Fischer (1998 apud DUTRA, 2008, p. 11) de gestão de pessoas articulada por competências, é outro grande impulsor para o desenvolvimento e para a incorporação dos conceitos de competências na gestão das pessoas e das organizações. Neste trabalho de pesquisa buscou-se, primeiramente, se estabelecer um consistente conceito teórico acerca do tema “competências”, tomando como ponto de partida cronológico, o trabalho de McClelland (1973), os conceitos de Le Boterf (1995) e Zarifian (1999), bem como os notáveis trabalhos de Dutra (2008), Gramigna (2002) e Fleury (2001). Notadamente, o objetivo principal deste trabalho foi o de revelar e identificar, por meio de uma pesquisa de campo, quais eram as competências gerenciais necessárias para um gestor de vendas, particularmente no objeto pesquisado, que foi o ambiente de vendas de uma indústria de autopeças e de sistemas automotivos Tier 1 (ver apêndice C), situada na região do grande ABC Paulista . Este trabalho encontra-se estruturado em 7 capítulos, cujos conteúdos e objetivos específicos encontram-se listados abaixo: O primeiro capítulo simplesmente introduz o assunto ao leitor, dando a este, condições de compreender a importância do tema, bem como a abrangência e a linha de raciocínio que este trabalho adotou. O segundo capítulo apresenta a natureza do problema estudado, a hipótese que foi testada e a delimitação do estudo. O terceiro capítulo apresenta a justificativa para a escolha do tema. Nos capítulos 4 e 5 estão as abordagens teóricas, sendo que no capítulo 4 estão todas as bases do conhecimento e dos conceitos de competências, abordando desde a Definição de Competências (capítulo 4.1); Gestão por Competências (capítulo 4.2); Competências Individuais (capítulo 4.3); Complexidade e Espaço Ocupacional (capítulo 4.5), até finalmente abordar um tópico específico sobre Gestão de Pessoas (capítulo 4.8). No capítulo 5 se discorre sobre Vendas, Sistema de Marketing (capítulo 5.1); Marketing no Ambiente de 3 Vendas (capítulo 5.1.1); Vendas e o Composto de Marketing (capítulo 5.1.2); Plano de Vendas (capítulo 5.2); Importância da Área de Vendas (capítulo 5.3); Gerência de Vendas (capítulo 5.4) e Funções do Gerente de Vendas. Finalmente, nos capítulos 6, 7 e 8 apresenta-se a Metodologia utilizada na pesquisa, os Resultados obtidos com a sua aplicação e as Conclusões do autor, respectivamente. 4 2 OBJETIVO Investigar as competências gerenciais do gestor de vendas, pela percepção de seus subordinados, primeiramente de forma ampla e genérica e, principalmente, determinar quais são as competências gerenciais mais necessárias para este profissional, quando atuando especificamente no segmento do público pesquisado, neste caso, uma indústria de autopeças e de sistemas automotivos Tier 1 (ver apêndice C), situada na região do grande ABC Paulista. 5 3 JUSTIFICATIVA O estudo do tema “competências” tem seu início formal com a obra de McClelland (1973), na qual se tentou questionar os métodos existentes de avaliação das aptidões das pessoas, introduzindo com aquele trabalho, o conceito de “competências” como um substituto para o método clássico de qualificação do indivíduo pela sua inteligência medida por meio de testes específicos e pré-determinados. Todas as pesquisas bibliográficas envolvidas na elaboração desta pesquisa revelaram que o trabalho de McClelland foi o fomento para muitos outros pesquisadores se aprofundarem no tema, bem como serviu para iniciar a difusão do conceito dentro da psicologia industrial. A escolha deste tema, o qual aparentemente já estaria ampla e satisfatoriamente estudado e explorado pela sociedade até então, se justifica, primeiramente, pelo pujante interesse do autor acerca do mesmo e, também, pelo notório desejo de se observar os níveis de valorização que os modernos conceitos de competências efetivamente têm dentro da gestão de vendas, particularmente, no segmento de autopeças. 6 4 COMPETÊNCIAS GERENCIAIS 4.1 Definição de competência Para Cavalcanti (2001, p. 8), “o modelo de gestão de pessoas por competências vem surgindo, mais acentuadamente, a partir dos anos 90, como uma nova alternativa para gerir recursos humanos em ambientes competitivos”. Na concepção de Gramigna (2002, p. 1), atualmente os empresários focam nos indicadores que o diferenciem no mercado, tais como: 1) Competências fundamentais; 2) Gestão de pessoas; 3) Gestão de conhecimento; 4) Mudança na estrutura organizacional; 5) Inovação; 6) Custo de Produção. Os autores Fleury e Fleury (2001, p. 184) preliminarmente definem a palavra competência como sendo: Uma palavra do senso comum, utilizada para designar uma pessoa qualificada para realizar alguma coisa. O seu oposto, ou o seu antônimo, não implica apenas a negação desta capacidade, mas guarda um sentimento pejorativo, depreciativo. Chega mesmo a sinalizar que a pessoa se encontra ou se encontrará brevemente marginalizada dos circuitos de trabalho e de reconhecimento social (FLEURY; FLEURY, 2001, p. 184). Nessa mesma linha, McClelland (1973 apud FLEURY; FLEURY, 2001, p. 184) afirma que “a competência é uma característica subjacente a uma pessoa que é casualmente relacionada com desempenho superior na realização de uma tarefa ou em determinada situação”. Segundo Gramigna (2002, p. 15), o termo competência designa “repertório de comportamentos e capacitações que algumas pessoas ou organizações dominam melhor que outras, fazendo-as eficazes em uma determinada situação”. Porém, para Mirabile, (1973 apud FLEURY; FLEURY, 2001, p. 184), a competência se diferencia das aptidões (talento natural da pessoa, o qual pode ser aprimorado com treinamentos e experiências profissionais), das habilidades (demonstração de um talento particular na prática) e dos conhecimentos (o que as pessoas precisam saber para desempenhar uma tarefa). 7 Diante disso, Fleury e Fleury (2001, p. 185) afirmam que: O conceito de competência é pensado como um conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes (isto é, conjunto de capacidades humanas) que justificam um alto desempenho, acreditando-se que os melhores desempenhos estão fundamentados na inteligência e personalidade das pessoas (FLEURY; FLEURY, 2001, p. 185). Seguindo esse pensamento, o termo “gestão por competência”, segundo Fleury e Fleury (2001, p. 185), não deixa de ser uma nomenclatura mais moderna atualmente utilizada para denominar princípios organizacionais que ainda estão delineados dentro dos ditos: “taylorismo” e “fordismo”: 1. O princípio chamado de “taylorismo” é o modelo de administração desenvolvido pelo engenheiro Frederick Winslow Taylor, o qual segundo Calderelli (1997, p. 896), “baseia-se na aplicação sistemática do método científico ao estudo dos fenômenos industriais. Ainda segundo Calderelli (1997, p. 896), ”as regras deste sistema são: o estabelecimento da tarefa normal do operário; o estabelecimento de um prêmio ao operário pela realização da tarefa normal; a preparação do trabalho por um bureau especial; a organização funcional dos contramestres encarregados de ensinar aos operários os bons métodos de trabalho”. Calderelli (1997, p. 896) afirma ainda que para a aplicação destas regras, o taylorismo emprega o método experimental, a cronometragem e a divisão do trabalho. 2. O princípio chamado de “fordismo” é o sistema de organização idealizado pelo empresário norte americano Henry Ford, o qual segundo Calderelli (1997, p. 357) “baseia-se na transformação da matéria-prima, desde as operações mais elementares, até o completo acabamento”. Ainda segundo Calderelli (1997, p. 357), as características do “fordismo” são: a divisão do trabalho, o trabalho contínuo e o trabalho em cadeia. Para Lawler (apud FLEURY; FLEURY, 2001, p. 185) as competências baseadas no modelo “taylorista” não atendem as demandas atuais de uma organização complexa, num mundo globalizado e mutável, pois nesse modelo de administração, Taylor associa as competências das pessoas com as atribuições exigidas por um cargo cartesianamente desenhado, inflexível e não adequado ao dinamismo das crescentes mudanças industriais observadas dos tempos atuais. 8 Sendo assim: Argumenta contra esta linha de raciocínio, mostrando que trabalhar com o conjunto de habilidades e requisitos definidos a partir do desenho do cargo, próprios do modelo taylorista, não atende às demandas de uma organização complexa, mutável em um mundo globalizado. Em tais situações, afirma este autor, as organizações deverão competir não mais apenas mediante produtos, mas por meio de competências, buscando atrair e desenvolver pessoas com combinações de capacidades complexas, para atender às suas core competences (LAWLER 2001 apud FLEURY; FLEURY, 2001, p. 185). Faria (2004 apud DUTRA, 1998) acrescenta que: Competência é a capacidade de geração de resultados dentro dos objetivos empresariais de sua instituição, sendo fundamental o papel do desenvolvimento estratégico dos recursos humanos, principalmente nos aspectos de treinamento, desenvolvimento e remuneração. Na literatura francesa dos anos 90 procurava-se ir mais além do termo “qualificação”. Zarifian (1999 apud FLEURY; FLEURY, 2001, p. 186) aponta três mutações do mundo do trabalho, que justificam a emergência do modelo de competência para a gestão das organizações: 1) Noção de incidente: o que ocorre de forma não programada que foge do normal rotineiro do trabalho. Isto implica que a competência não pode estar contida nas pré-definições da tarefa; a pessoa precisa estar sempre mobilizando recursos para resolver as situações de trabalho. 2) Comunicação: compreender o outro e a si mesmo, partilhar normas comuns para a sua gestão; 3) Serviço: atender um cliente externo ou interno da organização precisa ser central e estar presente em todas as atividades; para tanto, a comunicação é fundamental. Segundo Fleury e Fleury (2001, p. 186), no Brasil a discussão acadêmica fica de fato fundamentada na literatura americana. A introdução de autores franceses como Le Boterf e Zarifian e de autores ingleses como Jaques e seus seguidores, contribui, entretanto, para o enriquecimento conceitual e empírico, mas limitando-se a gerar novas perspectivas e enfoques acerca do tema. Sendo assim, Cavalcanti (2001, p. 9) é enfático ao salientar que “para compreender o surgimento da gestão por competência como tendência, é importante verificar o histórico das práticas de gestão de pessoas”. 9 Resumidamente, constata-se que a “competência” pode ser definida como sendo o conjunto de capacidades que um indivíduo possui, determinado, fundamentalmente, pela somatória de três vetores: seus conhecimentos, suas habilidades e suas atitudes. Observa-se ainda, que cada uma destas faculdades se desenvolve ao longo da existência deste indivíduo, a partir do âmbito profissional, social e educacional no qual este está inserido. 10 4.2 Gestão por competência Segundo Dutra (2008, p. 13), “a falência das abordagens tradicionais de gestão de pessoas foi motivada por pressões que emergiram durante a década de 60 e consolidou-se no início da década de 80. Essas pressões provêm de duas fontes: o ambiente em que a organização se insere e as pessoas que nela trabalham”. Segundo Razzolini (2004, p. 88) “a gestão por competência é um sistema atual, dentro da política de Recursos Humanos”, que também pode ser denominada como Gestão por Habilidades. A mudança na gestão de pessoas surge para Dutra (2008, p. 14) da necessidade do comprometimento das pessoas em ampliar sua importância estratégica, fazendo com que as organizações mantenham seus diferenciais competitivos. Na concepção de Razzolini (2004, p. 89) “a organização deve estimular um desenvolvimento contínuo e proporcionar condições favoráveis para que estas habilidades e atitudes comportamentais possam emergir e serem destacadas”. Corroborando essa idéia, Dutra, (2008, p. 14) afirma que “quanto mais as organizações buscam flexibilidade e velocidade decisória, mais dependem das pessoas; em decorrência, tornam-se mais dispostas a atender às expectativas e necessidades que elas manifestam”. Porém, observa-se que isoladamente, o conceito de competência não supre a total necessidade da organização. Nesta linha, Dutra (2008, p. 18) afirma que as organizações brasileiras têm obtido bons resultados na gestão de pessoas, aplicando conceitos de competência, aliado ao conceito de complexidade e ao conceito de espaço organizacional, de forma a permitir que o gestor avalie riscos e acompanhe os resultados de suas decisões. Corroborando a idéia de Dutra, Cavalcanti, (2001, p. 10) afirma que o conceito de competência pode ser dividido em quatro momentos: a) Primeiro momento – avaliar as pessoas dentro da empresa, porém sem qualquer ruptura com o modelo de gestão baseado nos cargos; 11 b) Segundo momento – a gestão por competência marcada pelo surgimento das teorias de níveis de complexidade por trabalho; c) Terceiro momento – a gestão por competência foi influenciada pelo trabalho de Prahalad e Hamel (1990) os quais atribuíram à competência, um caráter estratégico; d) Quarto momento – onde a empresa utiliza a gestão por competências para integrar a gestão de pessoas com a estratégia, capacitando as pessoas para que o desenvolvimento de competências ocorra individualmente, proporcionando crescimento para a organização e para o indivíduo. Parry (1998 apud CAVALCANTI, 2001, p. 12) acrescenta mais três aspectos à definição de competências, quais sejam: a) Ligados ao desempenho do indivíduo e, desta maneira, não deveriam refletir aspectos da sua personalidade; b) Mensuráveis por meio de padrões usualmente aceitos; c) Passíveis de serem desenvolvidos por meio de treinamento e desenvolvimento. Resumidamente Cavalcanti (2001, p. 11) define a competência como sendo “um saber agir responsável e reconhecido que implica em mobilizar, integrar, transferir conhecimentos, recursos e habilidades que agreguem valor econômico para a organização e valor social ao indivíduo”. 4.3 Competências individuais Le Boterf (1995 apud FLEURY; FLEURY, 2001, p. 187) aponta que “a competência é o conjunto de aprendizagens sociais e de comunicação, nutridas à montante pela aprendizagem e formação e à jusante pelo sistema de avaliações”. Seguindo este mesmo raciocínio, o autor afirma ainda que “competência é um saber agir responsável e que é reconhecido pelos outros. Implica saber como mobilizar, integrar e transferir os conhecimentos, recursos e habilidades, num contexto profissional determinado”. Segundo Fleury e Fleury (2001, p. 187), deve haver uma interação entre os conhecimentos e o knowhow, ou seja, os dois conceitos devem estar associados para que possam gerar competências, e afirmam: 12 Os conhecimentos e o knowhow não adquirem status de competência a não ser que sejam comunicados e utilizados. A rede de conhecimento em que se insere o indivíduo é fundamental para que a comunicação seja eficiente e gere a competência (FLEURY; FLEURY, 2001, p. 187). Resumidamente Fleury e Fleury (2001, p. 197) concluíram que as competências devem agregar resultado para a organização e conhecimento teórico e social para o indivíduo. Definimos assim competência: um saber agir responsável e reconhecido, que implica mobilizar, integrar, transferir conhecimentos, recursos e habilidades, que agreguem valor econômico à organização e valor social ao indivíduo (FLEURY; FLEURY, 2001, p. 188). A figura abaixo planifica o que Fleury e Fleury (2001, p. 187) afirmaram no parágrafo anterior: Figura 1 – Competências como fonte de valor para o indivíduo e para a organização Fonte: Fleury e Fleury (2001, p. 188). 13 No do quadro abaixo, Fleury e Fleury (2001, p. 188) explicam as expressões verbais mencionadas no conceito planificado na figura 1: Quadro 1 – Competências para o profissional Saber o que faz e porque faz. Saber agir Saber julgar, escolher, decidir. Saber mobilizar recursos Saber comunicar Saber aprender Criar sinergia e mobilizar recursos e competências. Compreender, trabalhar, transmitir informações, conhecimentos. Trabalhar o conhecimento e a experiência, rever modelos mentais; saber desenvolver-se. Saber engajar-se e Saber empreender, assumir riscos. comprometer-se Comprometer-se. Ser responsável, assumindo os riscos e Saber assumir responsabilidades consequências de suas ações e sendo por isso reconhecido. Conhecer e entender o negócio da organização, o Ter visão estratégica seu ambiente, identificando oportunidades e alternativas. Fonte: Fleury e Fleury, (2001, p. 188). Dutra (2008, p. 24), afirma que ao colocarmos “organização e pessoas lado a lado podemos verificar um processo contínuo de troca de competências”, sendo que a organização transfere o seu patrimônio para as pessoas e vice e versa: A organização transfere seus patrimoniais para as pessoas, enriquecendoas e preparando-as para enfrentar novas situações profissionais e pessoais, na organização ou fora dela. As pessoas ao desenvolverem sua capacidade individual transferem para a organização seu aprendizado, capacitando-a a enfrentar novos desafios (DUTRA, 2008, p.24). De acordo com o exposto acima, Dutra (2008, p. 24) afirma que “a agregação de valor das pessoas é, portanto sua contribuição efetiva ao patrimônio de conhecimento da competitivas no tempo”. organização, permitindo-lhe manter suas vantagens 14 Há, segundo Dutra (2008, p. 18), uma relação estreita entre as competências organizacionais (competência das organizações) e as competências individuais (competências das pessoas). Definindo as competências gerenciais, Dutra (2008, p. 25), afirma que estas são as premissas e os princípios gerados dentro da organização que oferecem estabilidade e sustentabilidade para o negócio. Elas podem ser classificadas como: a) Competências essenciais – fundamentais para a sobrevivência da organização; b) Competências distintas – reconhecidas pelos clientes como diferenciais em relação aos competidores; c) Competências de unidades de negócio – pequeno número de atividadeschaves esperadas pela organização das unidades de negócios; d) Competências de suporte – atividades que servem de alicerce para outras atividades da organização; e) Capacidade dinâmica – condições da organização de adaptar continuamente suas competências as exigências do ambiente. Zarifian (1999 apud FLEURY; FLEURY, 2001, p.189) diferencia as seguintes competências em uma organização: a) Competências sobre processos: os conhecimentos do processo de trabalho; b) Competências técnicas: conhecimentos específicos sobre o trabalho que deve ser realizado; c) Competências sobre a organização: saber organizar os fluxos de trabalho; d) Competências de serviço: aliar à competência técnica a pergunta: qual o impacto que este produto ou serviço terá sobre o consumidor final? e) Competências sociais: saber ser, incluindo atitudes que sustentam os comportamentos das pessoas; o autor identifica três domínios destas competências: autonomia, responsabilização e comunicação. Segundo os autores Fleury e Fleury (2001, p. 190): A organização, situada em um ambiente institucional, define a sua estratégia e as competências necessárias para implantá-las, num processo de aprendizagem permanente. Não existe uma ordem de precedência neste processo, mas antes um círculo virtuoso, em que uma alimenta a outra mediante o processo de aprendizagem (FLEURY; FLEURY 2001, p. 190). 15 Nesta mesma linha, Dutra (2008, p. 26), ressalta a questão da origem das competências individuais e a menciona, como sendo algo essencial para a caracterização das expectativas da organização em relação às pessoas. Segundo Fleury (2000 apud DUTRA, 2008, p. 26), são três as formas pelas quais as empresas podem competir: a) Excelência operacional; b) Inovação em produtos; c) Orientação para clientes. Conforme Fleury e Fleury (2001, p.190), para se desenvolver as competências em uma organização se necessita “percorrer o caminho que vai da aprendizagem do individuo, para a aprendizagem em grupo, para a aprendizagem na organização.” Izaquierdo (1997 apud FLEURY; FLEURY, 2001, p.190) afirma que: O indivíduo é exatamente só aquilo de que se lembra; eu sou quem sou porque me lembro de quem sou, porque sei quem sou. Se não nos lembrássemos de nada, não seríamos alguém; por isso é tão trágica a fase final da doença de Alzheimer, ou a ignorância do próprio eu. Le Boterf (1995 apud FLEURY; FLEURY, 2001, p. 192) enfatiza o seguinte quadro sobre o processo de desenvolvimento de competências das pessoas nas organizações: Quadro 2 – Processo de desenvolvimento de competência Tipo Função Como Desenvolver Conhecimento Entendimento, Educação formal e teórico. interpretação. continuada. Conhecimento sobre os procedimentos. Conhecimento empírico. Conhecimento social. Conhecimento cognitivo. Saber como proceder. Saber como fazer. Saber como comportar-se. Educação formal e experiência profissional. Experiência profissional. Experiência social e profissional. Saber como lidar com a Educação formal e informação, saber como continuada, e experiência aprender social e profissional. Fonte: Fleury e Fleury, (2001, p. 188). 16 Segundo Fleury e Fleury (2001, p. 192), “observa-se a conjunção de situações de aprendizagem que podem propiciar a transformação do conhecimento em competência”; transformação esta que, segundo eles, “só acontece em contexto profissional específico, pois a realização da competência deverá não apenas agregar valor ao individuo, mas também à organização”. Fleury e Fleury (2001, p.192) também afirmam nesse contexto, que “[...] é possível distinguir entre os vários níveis em que este processo pode ocorrer”, conforme os três itens seguintes: 1) Nível do individuo; 2) Nível do grupo; 3) Nível da organização. Dessa forma acrescentam ainda que as organizações desenvolvem rotinas e procedimentos para lidar com os problemas, sejam eles externos ou internos, implicando dessa forma, que a mudança em processos não seria o único indicador de que a aprendizagem de fato aconteceu. Nessa linha, Fleury e Fleury (2001, p.193) afirmam que: O processo de aprendizagem em uma organização envolve não só a elaboração de novos mapas cognitivos, que possibilitem compreender o que está acorrendo no ambiente externo e interno da organização, como também a definição de novos comportamentos que comprovam a efetividade do aprendizado (FLEURY; FLEURY, 2001, p.193). Exemplificando, as competências individuais se associam às seguintes competências: saber agir, mobilizar recursos, integrar saberes, saber aprender, saber engajar, assumir responsabilidades e ter visão estratégica. Em resumo é por meio dos processos de aprendizagem que as organizações desenvolvem as competências para as suas estratégias de negócio, conforme Fleury e Fleury (2001, p.193). 17 4.4 Caracterização das competências individuais Segundo Dutra (2008, p. 28), alguns teóricos definem a competência como “o conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes necessárias para que a pessoa desenvolva suas atribuições e responsabilidades”, proporcionando uma performance superior no desenvolvimento do seu trabalho. Dutra (2008, p. 28), acrescenta a estes, o termo “entrega”. Ele acredita que o simples fato de um indivíduo possuir um robusto conjunto de profundos conhecimentos, notadas habilidades e corretas atitudes não é, por si só, garantia que a organização se beneficiará inerentemente delas. O indivíduo deve ter a capacidade de “entregar-se à empresa”, e esta ter uma perspectiva mais adequada para avaliá-lo, orientar o seu desenvolvimento e estabelecer recompensas. De acordo com Le Boterf (apud DUTRA, 2008, p. 13) “a competência não é um estado ou um conhecimento que se tem, nem é resultado de treinamento”, na verdade ela é: colocar em prática o que se sabe em determinada situação beneficiando a organização na entrega dos trabalhos. Atualmente Dutra (2008, p. 30) acredita que estes conceitos são complementares e, graficamente, os representa conforme a figura abaixo: Figura 2 – Conceitos complementares da gestão de pessoas INPUTS Conhecimentos Habilidades Atitudes Fonte: Dutra (2008, p. 30). OUTPUTS Agregação de valor 18 Sendo assim, Dutra (2008, p. 31) afirma que as pessoas atuam como agente de transformação do conhecimento, colocando suas habilidades e atitudes à disposição da organização, a fim de contribuir para que a empresa atinja seus objetivos e metas. Resumidamente, Dutra (2008, p. 32) afirma que “algumas competências individuais são exigências para todas as pessoas que mantém relação de trabalho com a organização e outras são exigências para determinados grupos profissionais”. 4.5 Complexidade e espaço ocupacional Dutra (2008, p. 39) afirma que a complexidade nos processos de valorização das pessoas sempre esteve presente nas organizações, citando como justificativa, a existência de pesquisadores como Jaques, o qual produzia reflexões acerca deste tema no final da década de 50, quando a valorização por cargo era subjetiva, pois não estava apropriadamente associada à entrega dos trabalhos que o profissional gerava. Para poder balizar os cargos dentro da organização, Dutra (2008, p. 41) apresenta a seguinte figura: Figura 3 – Dimensões de Complexidade Eixo de desenvolvimento VI Nível de atuação Abrangência da atuação Escopo de responsabilidade Estratégia Internacional Organização V Nível de estruturação das atividades Baixo nível de padronização, estruturação e rotina Várias Nacional IV Tratamento da informação Autonomia e Grau de supervisão Decide / Responde Alto nível de autonomia Participa da decisão unidades de negócios Tática Regional II I Analisa e Recomenda Unidades de III negócios Área Operacional Local Fonte: Dutra (2008, p. 41). Atividades Alto nível de padronização, estruturação e rotina Sistematiza; Organiza Coleta Baixo nível de autonomia 19 Segundo Dutra (2008, p. 41), “ao longo de sua utilização, a complexidade revelou-se um conceito importante para se compreender a realidade da gestão de pessoas na empresa moderna”. Quanto mais as pessoas lidam com atribuições e responsabilidades de maior complexidade, mais elas se desenvolvem. Para isso é necessário, segundo Dutra (2008, p. 42), que se construa um sistema de gestão de desenvolvimento de pessoas baseado nos seguintes desdobramentos: 1) Análise das pessoas a partir de sua individualidade – deixam de ser analisadas a partir do cargo que ocupam ou perfil e passam a ser observadas pelas suas entregas; 2) Análise das deficiências individuais – analise da capacidade de entrega da pessoa, com isso é possível detectar o porquê da não-entrega, que pode ser pelo nível de informação, conhecimento ou habilidades e etc; 3) Analise da efetividade das ações de desenvolvimento – ao estabelecer com a pessoa um plano de ação de desenvolvimento, temos a cumplicidade dela e de sua chefia em relação ao plano; 4) Adequação das ações de desenvolvimento – da mesma forma que se deve analisar as pessoas respeitando sua individualidade a organização deve-se pensar no seu desenvolvimento. A partir destas definições é possível, segundo Dutra (2008, p. 41), estabelecer as principais abordagens para que se possa mensurar a complexidade das competências. 4.6 Mensuração de complexidade Segundo Jaques (1967; 1994 apud DUTRA, 2008, p. 43) “os níveis de complexidade podem ser medidos, no intervalo de tempo entre a tomada de decisão de forma autônoma e a possibilidade de avaliação dos resultados dela decorrentes”. Nessa linha, Stamp (1993 apud DUTRA, 2008, p. 44), procurou no do quadro abaixo, definir diferentes níveis de complexidade para o processo de tomada de decisões relacionado à maturidade do profissional. 20 Quadro 3 – Comparação entre trabalho requerido e processo de tomada de decisões para os níveis de trabalho Nível de Complexidade − 7 − − 6 − − 5 − − 4 − − 3 − − 2 − 1 − Trabalho requerido (Billis e Rowbottom) Assegurar viabilidade para as futuras gerações da organização Prever campos futuros de necessidade de uma sociedade Ajustar as características de uma organização para contextos multiculturais Formar opiniões e conceitos sobre os contextos econômicos, político, social, tecnológicos e religiosos Cobrir um campo geral de necessidades em uma sociedade Definir qual é a razão da existência de uma organização complexa Fornecer um espectro completo de produtos e serviços para a totalidade de um território ou organização Introduzir, desenvolver e manter uma unidade de negócios, integrando-a ao ambiente no qual está inserida Fornecer respostas sistemáticas de acordo com a necessidade de situações com inicio, meio e fim definidos Garantir o funcionamento pleno de um sistema Realizar tarefas concretas, cujos objetivos e implicações devem ser julgados de acordo com as especificidades da situação Identificar as necessidades de clientes específicos Realizar tarefas separadas e concretas, cujos objetivos e produtos podem ser totalmente especificados Fonte: Dutra (2008, p. 45). Processo de tomada de decisão (Stamp e Stamp) Prever − Interpreta e molda configurações de economias, políticas, nações, regiões, religiões e ideologias para criar futuros desejados Revelar − Estende sua curiosidade e analise alem das áreas conhecidas de influencia real ou potencial, explorando recursos inesperados de oportunidade ou instabilidade Tecer − Compreende relações entre diferentes sistemas − Identifica relações e vínculos potenciais entre questões e eventos desconectados Modelar − Utiliza idéias e conceitos, testando possíveis combinações e produzindo inovações − Constrói modelos com base no que vê em diversas realidades Conectar − Examina cuidadosamente várias atividades na busca de idéias, tendências ou princípios que criem um todo coerente Acumular − Reúne informações, passo a passo, para revelar aspectos óbvios e implícitos de cada situação, identificando resultados das possíveis respostas Perceber − Fornecer respostas diretas para tarefas imediatas 21 A partir desta estruturação da gestão de pessoas, Dutra, (2008, p. 46) afirma que “o conceito de competência permite estabelecer o que é esperado da pessoa de forma alinhada ao intento estratégico e às competências organizacionais”. Por este conceito de competência, associado ao conceito de complexidade, segundo Dutra (2008, p. 46), “é possível definir, para cada competência, diferentes níveis de complexidade de entrega”. Dentro deste nível de complexidade, Dutra (2008, p. 46), afirma que há cinco modelos de nível de complexidade que podem ser abordados: nível de complexidade para a competência gerencial “orientação estratégica”; nível de complexidade para competência da organização e o nível de complexidade para a competência gestão de processos de mudança. Vide quadros abaixo: Quadro 4 – Nível de complexidade para a competência gerencial “orientação estratégica” Orientação Estratégica Nível 5 4 3 2 1 Fonte: Dutra (2008, p. 47). Tem clareza e comprometimento quanto aos valores, missão e visão da empresa, buscando explicitá-los e aumentar a consciência de sua importância para os colaboradores com quem interage. Orientada pela estratégia organizacional, estabelece planos de ação concretos com base na análise de tendências do ambiente ATRIBUIÇÕES E RESPONSABILIDADES A. É co-responsável pelo estabelecimento da Visão Estratégica, Missão e Valores corporativos para a organização. B. Define as estratégias a longo prazo na análise de cenários incertos. C. Avalia tendências do ambiente e responde pela identificação de oportunidade para o negocio. D. Estabelece resultados esperados e avalia o grau de sucesso global da organização. A. Participa estabelecimento da Visão Estratégica, Missão e Valores corporativos para a organização. B. Participa do estabelecimento de objetivos estratégicos a longo prazo. C. Responde pelo estabelecimento de metas e objetivos das áreas sob sua responsabilidade A. Responde pelo estabelecimento de metas e objetivos para sua área, atentando para a coerência com os objetivos da unidade e da empresa. A. Participa do estabelecimento de metas e objetivos para sua área. B. Fornece informações relevantes de sua área que contribuíam para construção de cenários e definição das estratégias de sua unidade C. Estimula a disseminação, em sua área, dos valores, metas e objetivos. D. Compatibiliza as ações da sua área com a estratégica, políticas e objetivos definidos pela unidade e pela empresa. A. Orienta equipes em atividades operacionais na busca dos objetivos e metas organizacionais. 22 Quadro 5 – Nível de complexidade para a competência da organização Organização Nível 5 4 3 2 1 Fonte: Dutra (2008, p. 48). Busca aprimorar o modo como o trabalho é organizado e dividido na empresa. Mantém organizado seus ambiente de trabalho, possibilitando respostas mais eficientes. ATRIBUIÇÕES E RESPONSABILIDADES A. Estabelece as diretrizes sobre padrões de atuação e organização para a empresa como um todo. B. Estabelece políticas de gestão, explicitando as expectativas da companhia em relação aos colaboradores. A. Estabelece padrões de atuação e organização para unidade sob sua responsabilidade, garantindo o seu alinhamento as diretrizes organizacionais. B. Participa da formulação de políticas de gestão para a companhia. A. Sugere mudanças nos padrões de atuação e organização da área, considerando o impacto em outras áreas da empresa. A. Sugere mudanças nos padrões de atuação e organização da área, tendo em vista o seu aprimoramento. B. Estabelece e dissemina padrões de atuação e organização para área de atuação. A. Determina o melhor arranjo logístico capaz de oferecer agilidade de respostas às necessidades operacionais. B. Verifica a adoção, pelos níveis inferiores de carreira, das políticas e práticas definidas pela organização C. Informa e orienta sobre a necessidade de manter limpos e organizados a área de trabalho e os equipamentos. D. Define padrões de atuação e organização para as atividades que coordena. 23 Quadro 6 – Nível de complexidade para a competência da gestão de processos de mudança Gestão de processos de Identifica a necessidade de mudanças para enfrentar os desafios do negócio. Desenvolve mecanismos de controle e/ou gerenciamento de processos de mudança, participando de seu planejamento ou condução mudança Nível 5 4 3 2 1 ATRIBUIÇÕES E RESPONSABILIDADES A. Identifica tendências no ambiente de negócios, respondendo pelo sucesso e adequação dos processos de mudanças da empresa às novas configurações ambientais. B. Responde pelo planejamento e gerenciamento dos processos de mudanças estratégicos para a organização. A. Identifica tendências de mudança no ambiente, respondendo pela adequação da unidade sob sua responsabilidade à nova configuração ambiental. B. Avalia tendências, impactos e diagnostica riscos estratégicos e operacionais dos processos de mudanças estabelecidos para a organização. C. Participa do planejamento e gerenciamento dos processos de mudanças estratégicos para a empresa. A. Responde pela gestão dos processos de mudanças em sua área, assegurando sua efetiva implementação. B. Responde pela sinergia e adequação entre os processos de mudanças existentes em sua área com os de outras áreas da empresa A. Monitora o “sentimento” da equipe sob sua responsabilidade no tocando ao andamento das mudanças existentes na empresa e, em caso de problemas, encaminha sugestões de ações corretivas. B. Transmite tranqüilidade à sua equipe no que diz respeito às mudanças existentes na empresa. A. Identifica pontos passíveis de melhoria nas atividades sob sua coordenação. B. Alerta sua equipe para a necessidade de repensar/questionar constantemente o trabalho realizado. Fonte: Dutra (2008, p. 49). 24 Avaliando os três níveis de complexidade acima expostos, Dutra (2008, p. 50), afirma que: As pessoas migram de um estágio para outra à medida que ganham experiência e formação e desenvolvem a disposição de efetuar transformações em sua vida profissional, ou seja, assumir um conjunto de atribuições e responsabilidades mais exigentes (DUTRA, 2008, p. 50). Segundo Dalton e Thompson, (1993 apud DUTRA, 2008, p. 50), os estágios de desenvolvimentos ligados ao nível de complexidade de atuação da pessoa, são: a) Aprendiz - desenvolve atividades estruturadas, com autonomia para inovar dentro de parâmetros preestabelecidos; b) Profissional independente – atua de forma independente e não necessita de supervisão para entregar o que a empresa espera dele; c) Mentor e integrador – responsável por desenvolver outras pessoas, lidera grupos, os orienta técnica e administrativamente e assume a supervisão formal de projetos e pessoas; d) Diretor ou estrategista – responsável pela direção estratégica da empresa ou negócio, representa a empresa perante todos os níveis dentro da organização e perante pessoas e instituições externas. Com os níveis de complexidade desenvolvidos dentro da organização, Dutra (2008, p. 50), afirma que “tanto a empresa como as pessoas têm condições de identificar em qual estágio se encontram e o que é necessário para ascender ao estágio seguinte”. 25 4.7 Espaço ocupacional Segundo Dutra (2008, p. 51), o conceito “espaço ocupacional” surgiu inicialmente como mera expressão para designar o conjunto de atribuições e responsabilidades das pessoas nas organizações. As pessoas agregam valor à medida que obtêm progresso e vão assumindo maiores responsabilidades dentro das organizações, não necessariamente de forma associada a uma promoção de cargo. Neste contexto, Dutra (2008, p. 51), afirma que: A pessoa pode ampliar o nível de complexidade de suas atribuições responsabilidades sem mudar de cargo ou posição na empresa. Esse processo, que chamaremos de ampliação do espaço ocupacional, ocorre em função de duas variáveis: as necessidades das empresas, negócios ou meio e a competência da pessoa em atendê-las (DUTRA, 2008, p. 51). Conforme conceituado por Dutra, (2008, p. 51) e demonstrado graficamente na figura 4, a “ampliação do espaço ocupacional” denota, simplesmente, o crescimento profissional do indivíduo dentro de uma organização, propiciada pelo encontro das necessidades da empresa com as suas competências disponíveis, sem que isto ocorra, necessariamente, em decorrência de uma promoção de cargo. Figura 4 – Espaço ocupacional na organização Necessidades da organização Competências individuais e coletivas Fonte: Dutra (2008, p. 51). ESPAÇO OCUPACIONAL NA ORGANIZAÇÃO 26 Concluindo seu pensamento, Dutra (2008, p. 53), afirma que “os conceitos de complexidade e de espaço ocupacional complementaram o conceito de competência e permitiram uma visão mais nítida da realidade da gestão de pessoas na empresa moderna”. 4.8 Gestão de pessoas As práticas da gestão de pessoas têm o seu início na revolução industrial, onde a reunião de pessoas em um mesmo ambiente proporcionava um gerenciamento mais eficiente, diferentemente dos artesões que trabalham isoladamente. Nesta concepção, Cavalcanti (2001, p. 9), afirma que: As práticas da gestão de pessoas acompanharam a evolução da industrialização e das práticas administrativas, que se adaptavam na medida em que as empresas cresciam em tamanho, complexidade e necessidade de se diferenciarem dos concorrentes para tornarem-se competitivas (CAVALCANTI, 2001, p. 9). Para Fischer (2002 apud DUTRA, 2008, p. 55), “o modelo de gestão de pessoas é a maneira pela qual a empresa se organiza para gerenciar e orientar o comportamento humano no trabalho”. Segundo Dutra (2002, p. 55), “as práticas de gestão são conjuntos de procedimentos, métodos e técnicas utilizados para a implantação de decisões e para nortear as ações no âmbito da organização e em sua relação com o ambiente externo”. Na concepção de Chiavenato (1999, p. 24), “a gestão de pessoas é representada pela íntima interdependência das organizações e das pessoas. Tanto as organizações quanto as pessoas, variam intensamente.” 27 4.8.1 Processos da gestão de pessoas Segundo Chiavenato (1999, p. 12), a gestão de pessoas é dividida em seis processos básicos: 1. Processos de agregar pessoas: também denominados de processos de provisão ou de suprimentos de pessoas, utilizados para incluir novas pessoas na empresa; 2. Processos de aplicar pessoas: orienta as pessoas a desempenhar as atividades dentro da empresa, descrição de cargos e avaliação de desempenho; 3. Processos de recompensar pessoas: utilizados para incentivar e satisfazer as pessoas atendendo as necessidades individuais, por meio de remuneração; 4. Processos de desenvolver pessoas: esse processo inclui treinamento e desenvolvimento de carreira e programas de comunicação dentro da empresa; 5. Processos de manter pessoas: criam condições psicológicas satisfatórias para as atividades das pessoas; 6. Processos de monitorar pessoas: acompanha e controla as atividades das pessoas; 4.8.2 Movimentação de pessoas Segundo Dutra (2008, p. 60), a movimentação de pessoas “é o processo que trata o movimento físico da pessoa na empresa ou no mercado de trabalho”. Tanto para a captação, como para a movimentação de pessoas dentro das organizações, é necessária a observação e o estudo de alguns aspectos, os quais Dutra (2008, p. 61), cita: a) Perfil profissional; b) Perfil comportamental esperado da pessoa; c) Entregas desejadas da pessoa para atender ás necessidades da organização tanto presentes quanto futuram; 28 d) Condições de trabalho; e) Condições de desenvolvimento profissional; f) Condições contratuais, definindo os vínculos empregatícios a serem estabelecidos. 29 5 VENDAS Há indícios que o surgimento e a evolução da venda como atividade social tenha relação com a história da Grécia antiga. Segundo Cobra (1994, p. 25), a ação de vender estava associada a troca de produtos manufaturados, feitos por artesãos, que na época já recebiam a denominação de vendedores. Nessa mesma linha, Cobra (1994, p. 25), afirma ainda que “a associação entre artesãos e mercadores tornou a venda pessoal configurada como atividade mercantil”. A revolução industrial justificou o papel econômico do vendedor porque as economias locais não consumiam a produção. Desta forma, Cobra (1994, p. 25), afirma que “a economia de escala da produção estimula o crescimento de mercados massivos em áreas geográficas dispersas, que precisa ser alcançado por meio do trabalho do vendedor”. Conforme Cobra (1994, p. 26), em 1946, a revista Harvard Business Review publicou o artigo, “a venda de baixa depressão”, que se tornou um “clássico”, seguido por várias outras obras, que destacam o vendedor como peça fundamental dentro da organização. Resumindo, Cobra (1994, p. 27), afirma que: O vendedor moderno não deve ser apenas um apresentador de informações acerca de seus produtos ou serviços; ao contrário, deve estar apto a responder a uma enorme gama de necessidades do seu cliente antes, durante e após a venda (COBRA, 1994, p. 27). O conceito de vendas dessa forma, explica Cobra (1994, p. 38), é que “o enfoque passou a ser centrado no esforço e promoção de vendas e os lucros seriam decorrência do volume de vendas alcançado”. Sendo assim, verifica-se que a sociedade moderna é influenciada pelo marketing, também conhecido como administração mercadológica, a qual, nada mais é do que a administração do mercado com a finalidade de uma relação comercial mais estreita com o consumidor. 30 Nessa mesma linha de pensamento, Razzolini e Zarpelon (2004, p. 24), afirmam que: A Administração Mercadológica é uma disciplina que visa o estudo das relações comerciais, o comportamento do consumidor, processos de compra e venda, pesquisa e análise de mercado, concepção e desenvolvimento de produtos ou serviços, além de participar ativamente no nível estratégico em algumas organizações, dentre outras funções que são inerentes (RAZZOLINI; ZARPELON, 2004, p.24). Corroborando os pensamentos acima, Las Casas, (2002, p. 14), ao tecer comentários sobre a correlação intrínseca entre os conceitos de “vendas” e de marketing, afirma que: Entender vendas sem ter conhecimentos básicos de marketing seria o mesmo que entender as condições especiais de algum seguro sem conhecer as suas condições gerais. Um assunto está relacionado com o outro e o seu perfeito entendimento somente será possível com uma visão global da matéria (LAS CASAS, 2002, p. 13). 5.1 Sistema de marketing Segundo Kotler (2000, p. 30), o conceito de marketing “é o processo social, por meio do qual, pessoas e grupos de pessoas obtém aquilo que necessitam e o que desejam, com a criação, oferta e livre negociação de produtos e serviços de valor com outros”. O marketing representa as necessidades, desejos e demandas das pessoas para realizarem seus sonhos de consumo, ou seja, as necessidades humanas. Nesta linha, Kotler e Armstrong (2003, p. 7), afirmam que “o marketing ocorre quando as pessoas decidem satisfazer suas necessidades e seus desejos por meio de uma troca”. A troca é considerada o conceito central do marketing, sendo a transação a unidade de avaliação. O conceito de mercado não pode ser desvinculado do conceito de marketing, pois estão intimamente ligados. Segundo Kotler e Armstrong (2003, p. 8), “marketing significa administração de mercados para efetuar trocas e relacionamentos com o propósito de criar valor e satisfazer necessidade e desejos”. 31 Graficamente, Kotler (2000, p. 30), demonstra o seu conceito de sistema de marketing da seguinte forma: Figura 5 – Sistema simples de marketing Comunicação Setor (conjunto de vendedores) Bens e serviços Mercado (conjunto de compradores) Dinheiro Informação Fonte: Kotler (2000, p. 30). Na concepção de Miniacci e Lins (2002, p. 40), o marketing pode ser dividido da seguinte forma: “Ao desdobrarmos a palavra market + ing verificamos que a terminação ing, confere aos verbos ingleses o efeito de ação continuada, e market significa mercado. Portanto, a tradução de Marketing seria a atividade de interagir com o mercado”. Para Moreira et al. (2001, p. 28), “marketing é o processo de planejar e executar a concepção, estabelecimento de preços, promoção e distribuição de idéias, produtos e serviços, a fim de criar trocas que satisfaçam metas individuais e organizacionais”. Resumidamente, os autores destacam o marketing como ferramenta associada diretamente com as vendas, tendo sua base estabelecida dentro do mercado, onde se buscam as informações sobre as necessidades das pessoas. Os elementos do composto de marketing são ferramentas utilizadas no sentido de criar valor para os clientes e alcançar os objetivos da organização. 32 5.1.1 Marketing no ambiente de vendas Conforme Cobra (1994, p. 41), o vendedor dentro das suas funções em vendas é obrigado também a exercer funções do marketing, pois está diretamente em contato com o mercado. Então, o autor afirma que para entender o sistema de marketing é preciso entender também o sistema de vendas. “Definimos o sistema de vendas da empresa por meio da visão das funções básicas da administração de empresas: planejamento, organização, direção por meio de metas e estratégias e controle” (COBRA, 1994, p. 46). Ainda dentro desse conceito, Cobra (1994, p. 48), resume: “O sistema de vendas, assim como o sistema de marketing de uma empresa, deve estar voltado para o macro e micro ambientes. E a força de vendas, com o um braço do marketing, deve ter sensibilidade para sentir e tratar o mercado”. Para Moreira et al. (2001, p.30): O planejamento estratégico definido para empresa dá as diretrizes para o planejamento de marketing, que por sua vez, é a base do plano de vendas e de decisões de marketing, como quais são a política de preço e a forma de comunicação mais adequada; como deverá ser efetuada a venda; como será realizada a distribuição do produto desde o fornecedor até o consumidor final e que tipos de pesquisas de marketing devem ser realizados para garantir o sucesso do produto no mercado (MOREIRA et al. 2001, p. 30). Conforme Cobra (1994, p. 53), “a formulação estratégica é o passo básico para o plano operacional de vendas”, ou seja, o planejamento de vendas deve estar, assim como os demais planos de propagandas, de promoção, de merchandising, engatado com o plano de marketing, e este, ao planejamento estratégico da empresa. Para Moreira et al. (2001, p. 31), esses planos devem “ser específicos por produto, mercado e região e devem prever quem fará o que, onde, como, e quando, a fim de atingir as metas da maneira mais abrangente.” Os passos para o direcionamento estratégico do Marketing e da venda, segundo Cobra (1994, p. 54), são: “consolidar participação no mercado, crescer, ou mesmo decrescer como uma decisão estratégica de diminuir riscos” e esses objetivos têm que acompanhar a missão e a visão social da organização. 33 Para uma análise do ambiente de marketing, são necessários alguns passos, conforme citado por Cobra, (1994, p. 58): 1. Passo – Definição da missão econômica, filosófica gerencial, negócio da empresa. 2. Passo – Definição de objetivos, políticas e produtos/serviços; 3. Passo – Avaliação de recursos humanos, financeiros, tecnológicos, organizacionais, sinergias e força motriz; 4. Passo – Definição de estratégia competitiva; 5. Passo – Avaliação de forças e fraquezas e ameaças e oportunidades; 6. Passo – Formulação de estratégias operacionais e funcionais a partir da estratégia global; 7. Passo – Formulação de planos táticos / operacionais. 5.1.2 Vendas e o composto de marketing Para Moreira et al. (2001, p. 32), o conceito chamado de “composto de marketing” pode se definido como: O composto de marketing, também conhecido como composto mercadológico ou marketing mix é o conjunto de estratégias usadas – desde a concepção do produto até a sua colocação no mercado – para criar valor para o cliente e atingir os objetivos de marketing da organização (MOREIRA et al. 2001, p. 32). Segundo Kotler (2000), os elementos básicos que perfazem o composto de marketing, também conhecido por “composto mercadológico”, de um produto ou serviço, são: a) Produto: refere-se ao que os profissionais de marketing oferecem aos seus clientes. b) Preço: representa o custo monetário do produto, a quantidade de dinheiro que os consumidores têm de pagar para adquiri-lo. c) Praça: ou também conhecido como distribuição. d) Promoção: refere-se a informar, persuadir e influenciar as pessoas na escolha de produtos, conceitos ou idéias. 34 Complementando o conceito anterior, Kotler (2000), afirma que para cada elemento do composto de marketing há um elemento correspondente na percepção do consumidor, com relação a um produto ou serviço, denominado por ele de “os 4 C's” do marketing, quais sejam: a) Consumidor e suas necessidades e desejos; b) Custo para o consumidor; c) Conveniência; d) Comunicação. 5.2 Plano de vendas De acordo com Moreira et al. (2001, p. 61), alguns profissionais da área de vendas acreditam que planejamento é burocracia e que na pratica tudo ocorre de forma diferente. Mas a experiência demonstra que “quando se há planejamento, consegue-se avaliar melhor os pontos fortes e fracos, administrar melhor as dificuldades e sentir-se mais seguro na presença do cliente, quando em negociação com ele”. Sendo assim, Cobra (1994, p. 69), em sua obra, mostra uma ferramenta para poder desenvolver os passos para o planejamento estratégico da empresa e explana sobre a sua metodologia para o planejamento estratégico de marketing e vendas, no quadro seguinte: 35 Quadro 7 – Plano estratégico de marketing e vendas Repercussões Passos do Planejamento Plano de Marketing Plano de Vendas 1. Definição da missão Definição da filosofia de marketing: Metas de vendas e política de vendas econômica, escopo, metas e crenças, desejos e aspirações da política da empresa direção Análise das situações econômicas, cenário políticas e sociais passadas e futuras. O comportamento do consumidor e as estratégias de marketing A situação ambiental e suas repercussões nos negócios de curto e médio prazo. Avaliação das ameaças e oportunidades por segmento de mercado Avaliação dos recursos econômicos e tecnológicos disponíveis em face da 3. Análise de recursos concorrência e das tendências sociais disponíveis e necessidades e políticas e ainda em face dos da empresa e do mercado desejos, necessidades e comportamentos do mercado Análise do histórico de vendas nos últimos cinco anos. Previsão d vendas de lucro e de investimento no próximo exercício com base em potencial de vendas por região Previsão de despesas para manter ou aumentar a participação de mercado por território de vendas Caderno de fatos – combinar os dados de situação acima enumerados com os 4. Avaliação de fornecidos por pesquisas de mercado, oportunidades estratégicas com as idéias dos Gerentes de Produtos e departamentos funcionais: formular alternativas de estratégias de marketing Com base nas vendas passadas, no potencial de vendas e nas previsões de vendas: formular alternativas táticas para viabilizar as vendas, por zona de venda e por território de vendas 2. Análise ambiental do 5. Selecionar estratégias Estabelecer estratégias para cada Estabelecer táticas de vendas para cada segmento de mercado: Crescimento e região, produto e tipo de cliente Consolidação de mercado 6. Preparar planos de ação Desenvolver: • Planos de promoção • Planos de serviços • Planos de preços • Planos de distribuição 7. Rever planos Planos de vendas e a adoção de serviços, promoção, distribuição e preços por regiões de vendas, por clientes e por produto Avaliar a exigüidade dos planos em Avaliar a exigüidade dos planos em face face dos recursos disponíveis dos recursos disponíveis Avaliar esforços complementares Prever necessidades de: 8. Desenvolver programas necessários no decorrer do plano: • Treinamento de vendas complementares • Pesquisas de mercado • Convenções de vendas • Aquisições / fusões, compras etc • Reuniões regionais com equipes de vendas e com revendedores etc. 9. Preparar orçamentos e Preparar orçamento de receitas e Preparar orçamento de receitas e fluxo de caixa desembolsos em face da consecução desembolsos em face da consecução do do plano de marketing plano de vendas 10. Revisão final, avaliação Revisão final, avaliação e ajuste e ajuste Preparar métodos de venda 11. Transmitir o plano dos Transmitir o plano dos responsáveis Transmitir o plano dos responsáveis pela responsáveis pela pela implementação implementação implementação 12. Rever e atualizar o Rever e atualizar o plano pelo menos Rever e atualizar o plano pelo menos plano pelo menos trimestralmente trimestralmente trimestralmente Fonte:Cobra (1994, p. 69). 36 Cobra, (1994, p.73), conceitua planejamento mercadológico da seguinte forma: O planejamento mercadológico é um desenvolvimento sistemático de ações programadas para atingir os objetivos da empresa, por meio do processo de análise, avaliação e seleção das melhores oportunidades. O planejamento não deve ser confundido com a previsão, embora a previsão seja uma parte necessária e importante dos procedimentos a serem desenvolvidos, uma vez que o planejamento tem relação com o futuro (COBRA, 1994, p. 73). 5.3 Importância da área de vendas Las Casas, (2002, p. 17), enumera os principais quesitos de importância da área da vendas como atividade para a sociedade, quais sejam: a) Importância para a economia – no sistema capitalista, as relações de troca são essenciais para a economia, pois proporcionam crescimento da produção, emprego e investimentos; b) Melhor padrão de vida – os vendedores levam aos consumidores produtos que proporcionam conforto, aperfeiçoamento e benefícios; c) Aperfeiçoamento do produto – as empresas precisam dos vendedores para desenvolver mercados; d) Manutenção da atividade empresarial – o departamento de vendas desempenha papel relevante na obtenção de receita, para prover a manutenção de toda a empresa; e) Desenvolvimento de profissionais – o profissional de vendas é geralmente uma pessoa que aprende a ser flexível, auto-administrador e administrador do tempo. 5.4 Gerência de vendas Segundo Las Casas (2002, p. 39), o gerente de vendas “é o responsável pelo desempenho da equipe e resultados alcançados”, ele deverá conduzir seus subordinados ao caminho da obtenção dos objetivos da empresa. Ainda dentro deste conceito, Las Casas (2002, p. 39), afirma que “a profissão de um gerente de vendas torna-se verdadeiro desafio para muitos, uma 37 vez que a execução do seu trabalho exige a participação de outras pessoas, com espírito de cooperação e motivação”. Outra afirmação importante de Las Casas (2002, p. 39), é que na área de vendas, o administrador deve conhecer suficientemente a sua atividade, focada no seu ramo, para que possa gerenciar com respeito e liderança. Sendo assim, Las Casas (2002, p. 43), define que “líder é o indivíduo que chefia, comanda ou orienta, em qualquer tipo de ação, empresa ou linha de idéia”. Segundo Cobra (1994, p. 40), o profissional de vendas deve ter suas forças concentradas nos 4 “as”: a) Análise – visa identificar as forças vigentes no mercado e suas interações com a empresa; b) Adaptação - é o processo de adequação das linhas de produtos ou serviços da empresa ao meio ambiente; c) Avaliação - é o controle dos resultados do esforço de marketing; d) Ativação – são os seguintes elementos: a distribuição, a logística, a venda pessoal e o composto de comunicação. Ainda construindo-se o delineamento do conceito de “líder”, no caso em questão, do indivíduo atuante em vendas, Las Casas, (2002, p. 43), estabelece os seguintes estilos da liderança: a) Liderança autocrática – o administrador é quem dá ordem, impõem sua vontade ao subordinado, centralizando em si todas as decisões; b) Liderança democrática – administrador procura orientar o grupo a encontrar, por si mesmo, a solução para seus diversos problemas, fazendo-o participar e decidir pela melhor solução; c) Liderança Livre – caracteriza-se pela liberdade total de uma equipe de vendas, o gerente pouco interfere no andamento dos negócios de seus representantes. Ainda nesta mesma linha de pensamento, Vergara, (2005, p. 76), afirma que há três estilos de liderança: autocrático, democrático e laissez-faire: a) Autocrático – aquele estilo onde se destaca uma liderança autoritária, sem qualquer consulta a seus colaboradores; 38 b) Democrático – é aquele que busca a participação, consultando seus colaboradores na tomada de decisão; c) Laissez-faire – é aquele gestor que não impõem suas decisões, tampouco consulta seus colaboradores, ou seja, deixa os fatos acontecerem sem qualquer iniciativa. Corroborando os autores anteriores, para Johann, (2001, p. 75), existe a “teoria dos estilos de liderança”, que busca verificar a influência dos diferentes estilos de liderança sobre o desempenho e o comportamento das pessoas e os cita: a) Liderança autocrática: centralizando as decisões, o líder determina quem vai realizar cada tarefa; b) Liderança democrática – o líder atua como um facilitador, coordenando atividades e sugerindo idéias; c) Liderança liberal – liberdade para a ação, o líder participa apenas quando solicitado pelo grupo. 5.5 Funções do gerente de vendas Segundo Las Casas, (2002, p. 52), as funções do gerente de vendas se definem como: a) Planejamento – partindo dos objetivos da empresa, o gerente deve quantificar o mercado de atuação e determinar o seu potencial, deve pesquisar o nível de renda do público consumidor e com isto, determinar a previsão de vendas e o orçamento necessário aos seus custos operacionais; b) Organização – as atividades principais são centralizadas na estrutura da força de vendas e incluem aspectos relacionados com motivação, recrutamento e seleção de pessoas, treinamentos técnicos e comerciais da equipe, etc; c) Direção – o gerente de vendas deve executar o que foi planejado e empenhar-se principalmente no cumprimento das diretrizes, como metas, estratégias, objetivos, etc, fazendo com que o que foi planejado e comprometido junto à organização, seja executado; d) Controle – gestão do uso dos recursos financeiros da empresa, para o cumprimento das metas estabelecidas, dentro do orçamento pré-determinado. 39 6 MÉTODO Este estudo constituiu-se de uma pesquisa aplicada, descritiva, preponderantemente qualitativa, de levantamento, de campo em relação à coleta de dados e de campo com relação à fonte de informação e a técnica de amostragem foi não-probabilística acidental. 6.1 Sujeitos Foram sujeitos desta pesquisa 30 indivíduos (46,67% do sexo masculino e 53,33% do sexo feminino), com idade variando entre 23 e 56 anos (média de 32,89 anos e desvio padrão de 7,153 anos), todos com nível superior de instrução e atuantes no departamento de vendas de uma indústria multinacional de autopeças e sistemas automotivos, Tier 1 (ver apêndice C), localizada na região do grande ABC Paulista, com tempo de experiência na função variando de 1 a 36 anos (média de 8,73 anos e desvio padrão de 7,908 anos). 6.1.1 Materiais Elaborou-se um questionário para a coleta de dados, com 3 questões abertas (ver apêndice A). Seguindo-se a metodologia de Leme (2005), usou-se um questionário (vide apêndice A) construído no formato definido por ele próprio denominado como: “gosto / não gosto / o ideal seria” para extrair dos sujeitos os chamados “indicadores de competências”. No uso da metodologia desenvolvida por Leme (2005), nomeada de: “metodologia do inventário comportamental para mapeamento de competências”, construiu-se então este questionário específico (ver apêndice A) onde se buscou criar um instrumento de pesquisa capaz de se mapear as competências comportamentais elegidas pelos sujeitos da pesquisa, no ambiente de teste considerado neste estudo, que foi o departamento de vendas de uma empresa automotiva de autopeças e sistemas automotivos, Tier 1 (ver apêndice C), situada na região do grande ABC Paulista. 40 6.1.2 Procedimentos Todos os sujeitos foram contatados de forma simultânea, na semana 19 do ano 2009, primeiramente por correio eletrônico (ver apêndice B), de forma coletiva e, posteriormente por telefone, de forma individual onde foram passadas instruções gerais de preenchimento do questionário, seguindo-se os requisitos da metodologia adotada; Leme (200, p. 60). O tempo médio de retorno dos questionários preenchidos e em envelopes fechados e não identificados foi de 1,5 dias. 41 7 ANÁLISE DOS RESULTADOS Para a interpretação e tratamento dos dados obtidos por meio da pesquisa de campo e, para a consolidação de seus resultados, utilizou-se o método desenvolvido por Leme (2005), chamado por ele próprio de: “inventário comportamental para mapeamento de competências”. Nesta metodologia, inicialmente todas as respostas obtidas são analisadas e reescritas, perfazendo a etapa inicial da análise, definida por Leme (2005), como a “consolidação dos indicadores das competências”. Conforme Leme (2005, p. 60), esta fase constitui a parte mais importante da análise da pesquisa e demanda a correta interpretação de seus resultados para que possa ser feita de forma correta e apresentando resultados finais consistentes. Segundo Leme, (2005, p. 60), os indicadores das competências recebidos por meio das respostas dos questionários devem ser “reescritos”, obedecendo aos quesitos abaixo: a) No infinitivo; b) Na forma afirmativa; c) Eliminando-se as frases duplicadas ou de mesmo sentido e, d) Separando-se dois ou mais indicadores, quando mais do que um estiver presente na mesma frase. Na análise dos 30 questionários recebidos por meio da pesquisa de campo, cada uma das suas respectivas respostas foi, então, interpretada e reescrita conforme o critério acima e, desta análise, surgiu uma lista com todos os indicadores de competências apontados pelos sujeitos. Foram 264, os indicadores de competências apurados nesta etapa do trabalho. Posteriormente, estes 264 indicadores de competências apurados foram, analisados um a um, com o intuito de se determinar quais eram todas as suas competências associadas e, como resultado desta análise, obteve-se, finalmente, uma lista com 19 competências. Estas 19 competências foram obtidas por associação às chamadas “competências genéricas”, listadas por Leme (2005, p. 63) e por Gramignia (2002, p. 16). As 19 competências citadas, em sua ordem de importância, ou seja, refletindo os seus respectivos números de indicadores associados, foram as seguintes: 42 1-Liderança 2-Energia 3-Relacionamento interpessoal 4-Ética 5-Organização e planejamento 6-Conhecimento técnico 7-Foco no cliente 8-Comunicação verbal e escrita 9-Flexibilidade 10-Aceitação de riscos 11-Criatividade 12-Foco em resultado 13-Habilidade negocial 14-Adaptabilidade 15-Trabalho em equipe 16-Tomada de decisão 17-Delegação 18-Empreendedorismo 19-Visão sistêmica A distribuição dos 264 indicadores associados às suas respectivas competências, foi feita por meio da construção de 7 quadros, (quadros 8 a 14), constantes nas páginas seguintes. Destes 7 quadros, obteve-se então um quadro consolidado final, (quadro 15), com o número de indicadores para cada uma das 19 competências indicadas. Finalmente, consolidando-se os resultados da coleta de dados e da consolidação dos indicadores de competências, bem como a determinação do número de indicadores, para cada uma das competências consideradas, obteve-se o gráfico consolidado, (figura 6), onde se pôde observar, de forma clara, a incidência de cada uma das competências gerenciais, dentro do ambiente da pesquisa, permitindo-se que se obtivesse a conclusão do estudo. 43 7.1 Consolidação dos indicadores de competências Quadro 8 - Consolidação dos indicadores de competências às suas respectivas competências associadas – Parte 1 CONSOLIDAÇÃO DOS INDICADORES DE COMPETÊNCIAS ÀS SUAS RESPECTIVAS COMPETÊNCIAS ASSOCIADAS COMPETÊNCIA INDICADOR ASSOCIADO Liderança Expressar tranquilidade Demonstrar segurança nas palavras Ter segurança ao passar as informações Demonstrar comprometimento valorizar todos os membros do time, independentemente do cargo Demonstrar paixão pelo trabalho Manter-se atento às necessidades dos membros to time Demonstrar confiança na equipe Saber reconhecer os membros do time pelos seus méritos Saber determinar claramente os objetivos do depto. ao seu time Demonstrar auto-confiança para seu time Ter habilidade de liderar Ser emocionalmente equilibrado Ser comprometido com tudo aquilo a que se propõe Ter habilidade de liderar Ser emocionalmente equilibrado Ser comprometido com seu time Inspirar confiança e tranquilidade Saber ser um líder de fato Reconhecer e demonstrar o apreço pelo capital humano Ser comprometido Inspirar segurança Dominar habilidades da gestão de pessoas e de mudanças Ser comprometido com a empresa Ser competente na gestão das pessoas Reconhecer membros do time pela meritocracia Ter poder de decisão Reconhecer os subordinados pela meritocracia Ser comprometido Ter habilidade de liderar Ter poder de convencimento do time, visando a aderência do mesmo Reconhecer subordinados pela meritocracia Desempenhar liderança com inteligência profissional e emocional Investir em atualizações e treinamentos para sua equipe Compartilhar informações com os colegas Sabe compartilhar e difundir informações com o time Notificar o time com antecedência de acontecimentos futuros determinados Ser coach , saber orientar o subordinado Ter atitude (perfil) Ser comprometido com a empresa Ter habilidade de liderar Dar diretrizes para o time Ser lider com democracia Saber compartilhar informações Ser democrático e participativo Promover o crescimento profissional da equipe 44 Quadro 9 - Consolidação dos indicadores de competências às suas respectivas competências associadas – Parte 2 CONSOLIDAÇÃO DOS INDICADORES DE COMPETÊNCIAS ÀS SUAS RESPECTIVAS COMPETÊNCIAS ASSOCIADAS COMPETÊNCIA INDICADOR ASSOCIADO Energia Ter agilidade Ser disposto Ser pró-ativo Ser persuasivo Ser dinâmico Ser dinâmico Ter energia para lutar por realidades melhores Ser otimista Ser perseverante Ser dinâmico no dia-a-dia Ter boa vontade para com as necessidades das pessoas Ter dinamismo Ser perseverante Saber motivar a equipe Ser persistente Ser positivo Ser entusiasmado Ser otimista Ser dinâmico Ser entusiasmado Ser dinâmico Ser otimista Ter iniciativa Ter boa vontade Ser ousado Ser dinâmico Ter iniciativa Ser motivado Ser ágil Ter dinamismo Ser dinâmico Inspirar e motivar o time Relacionamento interpessoal Ser humilde Ter empatia Ser cortêz Ser assistencial Ser humilde Respeitar seu interlocutor Ser gentil, na medida correta do auto-respeito Ter excelente relacionamento interpessoal Relacionar-se interpessoalmente de forma eficaz Ter bom humor Ser simpático Ter disponibilidade Dominar o marketing do relacionamento Ser humilde sem deixar de ser consciente de seus predicados 45 Quadro 10 - Consolidação dos indicadores de competências às suas respectivas competências associadas – Parte 3 CONSOLIDAÇÃO DOS INDICADORES DE COMPETÊNCIAS ÀS SUAS RESPECTIVAS COMPETÊNCIAS ASSOCIADAS COMPETÊNCIA Relacionamento interpessoal (continuação) INDICADOR ASSOCIADO Ser acessível Ter grande habilidade no trato com as pessoas Ser dócil com as pessoas Ter tempo para conversar com o time Ter habilidade para construir e manter relacionamentos Ser educado Ser neutro no que tange a reações emocionais Ética Ser responsável, sem limitações Ser honesto Ser ético e verdadeiro ao apresentar a realidade de seus produtos Saber separar a percepção pessoal da profissional nas situações de conflito Usar a política de forma ética e dimensionada aos objetivos da empresa Ser ético no seu sentido geral Compartilhar informações com os colegas Cumprir o que é prometido Ter controle de suas emoções e palavras ao interagir com as pessoas Ser comedido nas suas ambições Ser sincero, transparente e íntegro Ser autêntico Ser humilde e comedido em sua auto-análise Valorizar os membros do time Respeitar os demais Sustentar decisões tomadas perante a alta administração Ser leal Ser responsável Cumprir com o que foi acordado e/ou negociado Lançar mão somente de informações verdadeiras quando junto ao cliente Ser íntegro Ser íntegro Ser íntegro e verdadeiro Organização e planejamento Ter dicotomia entre discurso e a prática do dia-a-dia Ser assertivo Ser pontual Saber dimensionar a periodicidade de reuniões Planejar a execução do trabalho dentro do horário comercial Ter conhecimento organizacional Saber dimensionar a sua capacidade máxima de absorver novas funções e/ou áreas Planejar as atividades para serem feitas durante o turno de trabalho Ser pontual Ser estratégico com decisões atuais versus tendências do mercado Ser pró-ativo Ser organizado com relação às informações necessárias para uma reunião Ser organizado com relação à agenda e periodicidade de visitas aos clientes Ser assertivo com relação à otimização do tempo e dos recursos 46 Quadro 11 - Consolidação dos indicadores de competências às suas respectivas competências associadas – Parte 4 CONSOLIDAÇÃO DOS INDICADORES DE COMPETÊNCIAS ÀS SUAS RESPECTIVAS COMPETÊNCIAS ASSOCIADAS COMPETÊNCIA Organização e planejamento (continuação) INDICADOR ASSOCIADO Planejar atividades com assertividade Ser assertivo Saber planejar e controlar Ter visão administrativa Saber administrar bem seu tempo Ser organizado Ser pontual Conhecimento técnico Ter elevada capacitação profissional Ter conhecimento técnico Manter-se atualizado tecnicamente sobre os produtos correntes Ter conhecimento técnico Ter visão macro do negócio e do mercado em que se atua Ter conhecimento do mercado e do produto que se fabrica Ter visão estratégica do negócio de forma macro Ter conhecimento de mercado e do negócio Ter visão macro do negócio como um todo Ter conhecimento do produto e do mercado Ter conhecimento do mercado e do negócio Ter visão de mercado Ter conhecimento das tendências de mercado Saber dar respostas rápidas na resolução de problemas Ter conhecimento do mercado, parceiros e concorrência Foco no cliente Saber ouvir o cliente Oferecer produtos e soluções que o cliente quer Ser comprometido com relação à assistência ao cliente Demonstrar paixão pelo cliente Ter foco no objetivo Considerar o cliente como sendo um parceiro sustentável Saber ouvir o cliente Ser comprometido com o cliente Bucar soluções rápidas para os problemas dos clientes Ouvir a voz do cliente e não somente a da empresa Envolver-se com os projetos Conhecer o cliente de forma profunda Participar ativamente de eventos no cliente Comunicação verbal e escrita Ser claro naquilo que solicita e também com relação ao resultado esperado Ter habilidade para a comunicação Ter facilidade para se comunicar Saber se expressar no momento correto e para a informação pertinente Ter clareza e objetividade nas informações passadas ao time Ser comunicativo Ser hábil e criativo na comunicação em negociações 47 Quadro 12 - Consolidação dos indicadores de competências às suas respectivas competências associadas – Parte 5 CONSOLIDAÇÃO DOS INDICADORES DE COMPETÊNCIAS ÀS SUAS RESPECTIVAS COMPETÊNCIAS ASSOCIADAS COMPETÊNCIA Comunicação verbal e escrita (continuação) INDICADOR ASSOCIADO Dominar técnicas para comunicações eficientes Manter aceitável nível de comunicação Saber comunicar-se Comunicar-se eficazmente Comunicar-se de forma clara Flexibilidade Manter o bom humor, mesmo em situações difíceis Manter atitude positiva Ser flexível Ser flexível Ser flexível Ter bom humor Ter bom humor Saber ouvir os membros do time Ter disponibilidade para ouvir os funcionários Ser acessível e informal no que tange ao acesso a seu time Aceitar opiniões do time na tomada de decisões Ter bom humor Aceitação de riscos Ter capacidade para tomada de decisões Enfrentar as responsabilidades Saber reconhecer as falhas de seu departamento Ter disposição para correr riscos inerentes Arriscar-se a novas situações Aceitar inovações de processos e idéias Ter audácia Ter coragem para arriscar-se Negociar no formato "ganha-ganha" Criatividade Incentivar o trabalho com grupos heterogêneos Ser aberto a novas idéias Ser criativo nas decisões diárias do trabalho Ser criatividade Ser aberto à mudança Aceitar inovações de processos e idéias Ser receptivo à concideração da diversidade Estar aberto às inovações Respeitar as diferenças das pessoas Foco em resultado Ser focado em resultado Ser persistente nos resultados Ser focado em resultado Saber dispender aportes corretos de energia para cada situação Saber fazer concessões ao cliente sem comprometer o resultado da empresa 48 Quadro 13 - Consolidação dos indicadores de competências às suas respectivas competências associadas – Parte 6 CONSOLIDAÇÃO DOS INDICADORES DE COMPETÊNCIAS ÀS SUAS RESPECTIVAS COMPETÊNCIAS ASSOCIADAS COMPETÊNCIA Foco em resultado (continuação) INDICADOR ASSOCIADO Ser focado em resultado Envolver-se com os projetos Adotar o uso de procedimentos de forma adequada ao resultado Especular positivamente Habilidade Negocial Saber ouvir os subordinados mesmo em situação de conflito Conquistar credibilidade da alta direção no suporte às suas decisões Saber escutar opiniões adversas em situações de conflito Saber dar respostas rápidas em situações de conflito Obtém credibilidade junto à direção da empresa saber negociar com persusão Ter habilidade para transformar uma condição comercial, positiva à Vendas Ter poder de convencimento estratégico Adaptabilidade Lidar facilmente com problemas de origens diversas Ser paciente Raciocinar de forma rápida e ampla Resolver problemas e fornecer informações com agilidade Aplicar o conceito do lessons learned Manter o auto-controle nas diversas situações Ter auto-crítica Trabalho em equipe Ser focado no trabalho em equipe Saber ouvir as sugestões de seus subordinados Ser democrático Ter espírito de equipe focado no bem comum dos membros do time Ter visão da empresa como um único grande time Promover trabalho em equipe baseado nas melhores práticas Integrar-se ao time Tomada de decisão Ter senso de urgência bastante apurado Ter facilidade ao tomar decisões duras Ter facilidade para tomar decisões Saber diferenciar o termo "urgente" do termo "prioridade" Ter desenvoltura na tomada de decisões e resoluções de problemas Tomar decisões de forma rápida Delegação Descentralizar a tomada de decisões Ter capacidade para delegar Saber delegar Ter capacidade para delegar e eleger responsabilidades autônomas Descentralizar atividades 49 Quadro 14 - Consolidação dos indicadores de competências às suas respectivas competências associadas – Parte 7 CONSOLIDAÇÃO DOS INDICADORES DE COMPETÊNCIAS ÀS SUAS RESPECTIVAS COMPETÊNCIAS ASSOCIADAS COMPETÊNCIA INDICADOR ASSOCIADO Empreendedorismo Ser empreendedor Ser empreendedor Ter visão para novas oportunidades Visão sistêmica Ter visão macro de todo o negócio: Finanças, Logística, Etc... 50 7.2 Determinação das competências mais importantes, segundo seus respectivos números de indicadores associados Quadro 15 - Definição das competências associadas aos seus respectivos indicadores DEFINIÇÃO DAS COMPETÊNCIAS ASSOCIADAS AOS SEUS RESPECTIVOS NÚMEROS DE INDICADORES COMPETÊNCIA NÚMERO DE INDICADORES Liderança 46 Energia 32 25 Relacionamento interpessoal Ética Organização e planejamento Conhecimento técnico Foco no cliente Comunicação verbal e escrita Flexibilidade Aceitação de riscos Criatividade Foco em resultado Habilidade negocial Adaptabilidade Trabalho em equipe Tomada de decisão Delegação Empreendedorismo Visão sistêmica 23 22 15 13 12 12 9 9 9 8 7 7 6 5 3 1 51 Figura 6 – Incidência de cada competência em função de seu respectivo número de indicadores apontados Liderança 50 Energia 45 Relacionamento interpessoal Ética 40 Organização e planejamento Conhecimento técnico 35 Foco no cliente 30 Comunicação verbal e escrita Flexibilidade Aceitação de riscos 25 Criatividade Foco em resultado 20 Habilidade negocial 15 Adaptabilidade Trabalho em equipe 10 Tomada de decisão Delegação 5 Empreendedorismo 0 Visão sistêmica 1 Pela observação dos dados consolidados no quadro 15, assim como se comprova na figura 6, acima, foi possível determinar que as competências mais importantes para um gestor de vendas de autopeças, apontadas pelos resultados desta pesquisa, à qual foi limitada ao ambiente de uma indústria Tier 1 (ver apêndice C), de autopeças e sistemas automotivos na região do grande ABC Paulista foram, na sua ordem de indicação: 1) Liderança; 2) Energia; 3) Relacionamento interpessoal; 4) Ética 5) Organização e planejamento 52 8 CONCLUSÃO A análise dos resultados nos permitiu atingir o objetivo proposto por este estudo, que era o de se determinar as competências gerenciais mais importantes para um gestor de vendas; no caso em questão, em uma empresa Tier 1 (ver apêndice C), de autopeças e sistemas automotivos localizada na região do grande ABC Paulista. O resultado deste estudo apontou 5 competências como sendo as mais importantes para um gestor de vendas, segundo a visão dos sujeitos desta pesquisa, ou seja, profissionais atuantes no departamento de vendas de uma empresa Tier 1 (ver apêndice C), de autopeças e sistemas automotivos. A competência “liderança” foi a que apresentou o maior número de indicadores; segundo Leme (2005, p. 68), a presença desta competência indica que o analisado, na qualidade de líder, é capaz de “conduzir pessoas e equipes para atingirem os objetivos organizacionais, promovendo o desenvolvimento de pessoas, de equipes, do ambiente e da empresa”, ou seja, o grupo analisado apontou esta como sendo a sua principal expectativa com relação aos seus gestores. A competência “energia” foi a segunda mais indicada pelos resultados da pesquisa, estando esta competência fortemente associada à motivação. Na natureza específica da atividade exercida pelo gestor avaliado, o resultado obtido, sugere, que as atitudes e habilidades relacionadas a esta competência, tais como: capacidade para motivar e para inspirar, capacidade para transmitir otimismo, perseverança, entusiasmo e dinamismo ao time sejam muito importantes para um gestor de vendas. Houve uma indicação bastante expressiva para a competência “relacionamento interpessoal”. Segundo Leme (2005, p. 69), esta competência é a capacidade de “interagir com as pessoas de forma empática e respeitosa, mesmo em situações adversas, mantendo um ambiente organizacional agradável e estimulador”. Por esta indicação, estima-se que a qualidade do relacionamento subordinado-gestor seja fundamental para um gestor de vendas. A expressiva indicação da “ética” como a quarta competência mais importante demonstra a valorização deste quesito pelo sujeitos pesquisados, sendo 53 que a característica de se ser ético está, fundamentalmente associada, às atitudes de determinado indivíduo. A competência “organização e planejamento” foi a quinta competência mais indicada pelo resultado desta pesquisa e demonstra a valorização dos sujeitos para com esta competência, a qual segundo Leme (2005, p. 66), é a habilidade para se “ordenar e planejar ações, ambiente ou equipe de trabalho, priorizando sequência e forma de execução ou implantação de tarefas ou ações, com a finalidade de facilitar e de atingir os objetivos propostos”. Houve irrisória ou mesmo nenhuma indicação, para as competências “garantia da qualidade”, “empreendedorismo” e “visão sistêmica”. Por estes resultados, concluiu-se que, na visão dos sujeitos analisados, estas competências não são importantes para o gestor de vendas de autopeças. As competências “delegação”, “tomada de decisões” e “trabalho em equipe” foram pouco indicadas. As demais competências indicadas pelos resultados da pesquisa obtiveram valores médios de importância, tais como: “aceitação de riscos”, “adaptabilidade”, comunicação verbal e escrita”, “conhecimento técnico”, “criatividade”, “flexibilidade”, “foco em resultado”, “foco no cliente” e “habilidade negocial”. Embora os resultados obtidos nos tenham propiciado dados claros no tocante à revelação das principais competências gerenciais necessárias para o gestor de vendas de autopeças, no ambiente em questão, nota-se ainda que a complexidade do tema, bem como o vasto universo ainda a se explorar neste mesmo âmbito, demanda e nos motiva a um prosseguimento nestas pesquisas. Um aspecto interessante a ser estudado, neste mesmo ambiente e, com estes mesmos sujeitos, seria, por exemplo, a determinação das deficiências gerenciais dos seus respectivos gestores atuais, que é, sem dúvida, uma pergunta pujante acerca deste trabalho e que fica sem resposta perante o leitor. Entretanto, para tal, esbarraríamos em questões éticas dentro da companhia e, obviamente, teríamos que buscar instrumentos de pesquisas especificamente direcionados e construídos para esta finalidade. Há diversos aspectos interessantes que foram revelados nesta pesquisa, os quais justificariam a sua continuidade e extensão. Tais aspectos não puderam ser estudados, nem analisados neste trabalho, seja por questões éticas e/ou por divergência de foco, em relação ao objetivo específico desta pesquisa. Cita- 54 se como um dos aspectos merecedores de um trabalho específico, com os mesmos sujeitos e no mesmo ambiente, por exemplo, o fato de a competência “delegação” ter sido tão inexpressivamente apontada pelos sujeitos pesquisados, fomentando no leitor, o desejo pela investigação e pelo estudo das aspirações profissionais e do índice de motivação dos sujeitos desta pesquisa. 55 REFERÊNCIAS APPOLINÁRIO, F. Metodologia da ciência: filosofia e prática da pesquisa. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2006. BLANCHARD, D. Forums, manufacturing talk. Industry week magazine. Disponível em <http://forums.industryweek.com/showthread.php?t=1399>, acesso em: 18 jun. 2009. CALDERELLI, A. Enciclopédia contábil e comercial brasileira. São Paulo: CETEC, 1997. CAVALCANTI, V. L. Gestão por competência. Curitiba: Isae/FGV, 2001. CHIAVENATO, I. Gestão de pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações. Rio de Janeiro: Campus, 1999. COBRA, M. Administração de vendas. 4. ed. 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O conceito do uso da palavra tier está relacionado à linha de importância que determinado fornecedor tem para as OEM’s (Original Equipment Manufacturer), entretanto, não determina, necessariamente, quão grande este fornecedor é, mas sim quem é o usuário final do produto por ele fornecido. Basicamente, se analisarmos o sistema de manufatura do segmento automotivo, no topo da cadeia de suprimentos estão as montadoras, também denominadas de OEM’s, as quais são os fabricantes das marcas de automóveis conhecidas, tais como: General Motors, Ford, Toyota, Volkswagen, Fiat, etc... Um fornecedor denominado de Tier 1 é aquela companhia que fornece seus componentes e sistemas automotivos direta e especificamente para uma das OEM’s. A título de exemplo de companhias atuantes deste segmento, citase empresas como: Dana, Johnson Controls, Kostal, Continental, Pirelli, Valeo, etc. Seguindo-se a mesma analogia, um fornecedor denominado de Tier 2 seria aquele que forneceria seus produtos ou matérias-primas para as empresas Tier 1 acima, e conseqüentemente, um fornecedor Tier 3 seria aquele que forneceria seus produtos ou matérias-primas para um Tier 2.