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A Formação Continuada: o Olhar de Professores da Escola
Pública
Patrícia Almeida Piumbini Martins1
Shênia Soraya Soares Louzada2
Resumo: O presente artigo apresenta uma reflexão sobre o processo de Formação Continuada
vivenciado por professores de escolas públicas municipais da região metropolitana da Grande
Vitória.Usou-se como método para coleta de dados a aplicação de questionários contendo perguntas
fechadas e abertas em dois municípios. Apresenta a necessidade da Formação Continuada para
estes profissionais, destacando sua importância e objetivos. O olhar do participante desses processos
de formação foi o foco principal da pesquisa. A análise do resultado da pesquisa destaca um certo
sentimento de esperança por parte da maioria dos professores em relação à melhoria no seu
trabalho. Tal sentimento é chamado por Libâneo de “mercado de entusiasmo”. Junto com a análise
figuram algumas sugestões dos próprios entrevistados para a melhoria da Formação Continuada dos
professores.
Palavras-chave: Formação Continuada. Professores. Escola Pública. Melhoria da aprendizagem.
Abstract: This article focuses on the process of Continuing Education by experienced teachers of
municipal schools in the metropolitan region of Greater Vitória.Usou as a method for data collection
questionnaires containing closed and open questions in two counties. Presents the need for
Continuing Education for these professionals, highlighting its importance and goals. The look of the
participants in these processes of formation was the main focus of research. The analysis of the
search result highlights a certain feeling of hope for the majority of teachers in improving their work.
This feeling is called for Lebanon to "market enthusiasm. " Along with the analysis are some
suggestions from respondents to the improvement of teachers' continuing education.
Word-key: Continued formation. Professors. Public school. Improvement of the learning.
1. Introdução
A grande ênfase que os vários setores profissionais têm dado à formação
continuada foi a razão do interesse pela forma como esse processo tem acontecido
na rede pública de ensino, onde tradicionalmente se debate sobre a dificuldade do
acesso a uma formação complementar de seus professores. A questão que se
1
Pedagoga graduada pela
[email protected].
2
Faculdade
Cenecista
de
Vila
Velha
Docente da FACEVV. Psicopedagoga. Psicóloga. Doutoranda em Psicologia
-
ES/
FACEVV.
5
levanta é: Como tem acontecido a formação continuada de professores e qual o
grau de satisfação desses profissionais em relação a esse processo?
A partir dessa questão o objetivo principal foi identificar características da formação
continuada de professores da rede pública municipal, tendo como referência as
informações obtidas entre os profissionais de duas escolas da Região Metropolitana
da Grande Vitória, ES - RMGV. Pretendeu-se ainda verificar se os enfoques desse
processo têm atendido as expectativas dos docentes. Para atingi-lo fez-se
necessário também: descrever a necessidade e os objetivos da formação
continuada de professores da rede pública; tentar associar a motivação dos
educadores à importância da formação continuada; conhecer as razões que
impedem os professores de participarem da capacitação; investigar os fatores que
estimulariam os educadores ao curso; caracterizar os recursos didáticos utilizados
na formação continuada; averiguar a frequência dos professores na capacitação e a
evidência ou não de melhoria no processo ensino aprendizagem.
Foi realizada uma investigação nas duas escolas da rede pública da RMGV, que
atendem à Educação Infantil e Séries Iniciais da Educação Básica, as quais realizam
esse trabalho com seus professores. A coleta de dados ocorreu nas escolas “Olavo
Bilac”
3
e “Ruy Barbosa”
4
com a aplicação de questionários contendo perguntas
fechadas e abertas. Primeiro, houve a caracterização da pessoa pesquisada e em
seguida foram feitas perguntas específicas sobre o processo de formação
continuada oportunizado pelas escolas. Acredita-se que esse processo vai além de
um mecanismo de informação, auxiliando também na formação do docente como
sujeito, tornando-o um cidadão melhor, mais crítico e participativo, refletindo assim
ações positivas não só na Educação, mas também na sociedade.
2. A necessidade da formação continuada
3
4
Nome fictício
Idem
6
O mundo tem passado por profundas transformações que acontecem cada vez
mais rápidas. São importantes as discussões sobre o assunto de como fica o
professor neste novo mundo e na sua nova relação com o educando. Vê-se esta
angústia nas salas dos professores, nos intervalos escolares e em outros
espaços/tempos. Com as novas mídias, há alunos que vêm para a sala de aula com
mais informações do que, às vezes, o próprio educador que, pela necessidade de
sobrevivência, trabalha em mais de um turno e não tem condições de tempo para
atualizar-se no mesmo ritmo que os seus educandos.
Em um primeiro momento torna-se necessário quebrar o paradigma de que o
professor é o detentor permanente do saber e que sua formação garante sucesso
para sempre no seu papel de ensinar. Hoje o professor precisa ser o mediador do
conhecimento em evolução. Vive-se um momento de transição profunda percebida
em casa e na escola também.
Nas salas de aula há alunos que esperam e necessitam de professores reflexivos,
que aliem a teoria à prática, sendo críticos, indagadores e que percebam as
transformações dentro e fora da escola. Mas como dar conta dessa nova realidade
apenas com o que foi aprendido na graduação? Um dos caminhos é a Formação
Continuada. O educador não pode mais ficar engessado em velhas molduras e
concepções. Por meio de novos cursos, de especializações, de congressos, de
seminários e de outros mecanismos deve buscar o enriquecimento pessoal e
profissional.
Em seu artigo, Alves5 cita estudos sobre o saber que passa pelas pesquisas sobre o
comportamento,
a
cognição
e
o
pensamento
do
professor;
pesquisas
compreensivas, interpretativas e interacionistas; e, por fim, pesquisas que se
orientam pela sociologia do trabalho e das profissões. Essas declarações fortalecem
a ideia da Formação Continuada e não aquela da transmissão de conceitos que
perduram para sempre, segundo a qual
[...] acreditamos nas aquisições sem história, postulamos
incessantemente a existência de máquinas de aprender, ocultamos
5
ALVES, 2007, p. 3.
7
eternamente o processo em benefício do produto. Esquecemos até
mesmo, a gênese de nossos próprios conhecimentos e não
6
lembrando mais tê-los construído, acreditamos poder transmiti-los
Muitas vezes preso pelo comodismo, estruturado em concepções ultrapassadas, o
professor impede seu próprio crescimento, uma vez que ignora como construiu seus
conhecimentos e como pode ajudar seus alunos na construção dos seus. Este
professor precisa entender como necessário o fato de compreender seu
comportamento,
seus
conhecimentos
e
sua
atuação.
Ele
precisa
dar
prosseguimento à sua formação inicial a fim de não se tornar simplesmente um
transmissor.
3. Objetivos da formação continuada
São vários os objetivos da formação continuada e vão desde os que visam ao
intercâmbio com outros profissionais que atuam na área educacional, às alternativas
de trabalho, à condução para as práticas de auto-informação, à busca da inovação e
ao estímulo à investigação como um processo de emancipação, uma vez que
[...] tem íntima relação com o exercício da cidadania fundamentado no
conhecimento. (...) O grande volume de informações exige novas
competências de seleção, manipulação e compreensão de dados, de
modo que se obtenha a construção crítica do conhecimento. O
professor assume, então, o papel de mediador de informações,
possibilitando o desenvolvimento de uma visão crítica e a
emancipação, ou seja, viabiliza a 'capacidade de confronto, quebra da
7
ordem vigente considerada impositiva e injusta .
Tal afirmação permite que se considere que assim como a sociedade está mudando,
o papel do professor nesta sociedade também passa por transformações. Ele deixou
de ser apenas o transmissor do conhecimento para ser aquele que gerencia e media
o acesso a este conhecimento, contribuindo para quebra de paradigmas vigentes na
sociedade moderna.
4. Resultado da pesquisa de campo
6
7
Meurieu, apud HENGEMÜHLE, 2008. p. 24.
CUNHA ;VILARINHO, 2009 , p. 6.
8
As informações constantes nesse item objetivam apresentar qual o olhar dos
profissionais entrevistados sobre o processo de Formação Continuada que
vivenciam nas escolas onde trabalham. Dentre esses professores, 70% trabalham
em mais de um turno e mais de uma escola, sendo que 93% estão na rede pública.
No gráfico a seguir percebe-se a realidade da formação dos professores das duas
escolas.
Gráfico 1
Constata-se que a maioria dos professores tem especializações (70%) em diversas
áreas. Dos outros 30% que ainda não possuem curso de especialização, 22%
concluíram o curso de graduação em Pedagogia e outros 4% têm o ensino superior
completo em áreas diversas. Apenas 4% ainda não terminaram sua graduação. Isso
significa que os professores têm buscado melhorar sua formação, inclusive a
Continuada, conforme o próximo gráfico:
Gráfico 2
9
Grande parte (45%) dos professores participa semanalmente de algum programa de
Formação Continuada e outra fatia considerável o faz mensalmente, o que dá uma
perspectiva de melhoria da qualidade do ensino, principalmente quando se atenta
para a percepção dos próprios professores mostrada no gráfico seguinte:
Gráfico 3
Nesta questão observa-se que a maioria dos
professores
considera as
características da formação da qual participam como técnica, bem elaborada e
relevante, em diferentes graus, onde contextualizam os temas abordados que levam
para sua prática pedagógica. Em se tratando dos recursos didáticos utilizados
nesses programas, as respostas dos professores são bem interessantes.
Gráfico 4
10
Nota-se que novas tecnologias são usadas, o que poderia, em tese, possibilitar um
maior interesse na busca por auto-informação. Ao que indicam os números, não
faltam recursos didáticos para que os professores possam se atualizar.
Na investigação feita foram abordadas questões referentes à motivação, à
satisfação, ao crescimento pessoal e à melhorias da relação aluno-professor.
Observou-se que 78% dos professores estão bastante motivados em participarem
das formações. Ainda, pode-se destacar que 55% dos participantes a consideram
extremamente importante e 41% muito importante.
Quanto à satisfação, 63% estão satisfeitos com a formação que participam,
enquanto 33% não estão e 4% não responderam. Este índice de não satisfação é
preocupante porque mesmo considerando extremamente importante e estando bem
motivados uma grande porcentagem não está satisfeita com as atividades de
formações das quais participam, o que se apresenta antagônico quando se compara
as características dessas formações e aqueles que se dizem satisfeitos. O desejável
seria que tal satisfação acontecesse também com os alunos, mas isso implica em
reconhecer que “[...] a primeira reforma da formação de professores seria [...] que
eles atingissem um entusiasmo cultural, a confiança de que a cultura que eles
ensinam pode dar satisfação a seus alunos”8
8
Snyders apud LIBÂNEO, 1998, p. 10.
11
Quando perguntados se a Formação Continuada contribui de alguma forma para
seu crescimento 78% responderam sim e 22% disseram que não. E se a mesma
trouxe melhorias na relação aluno-professor 81% indicaram que sim e 19% que não.
Essas informações fazem pensar sobre o que Libâneo comenta em relação ao
mercado de Formação Continuada que se tem criado. Para ele, pode apenas servir
de “mercado de entusiasmo”, o que:
[...] significa dizer que pode ocorrer neles uma espécie de
negociação, de transação mercantil, cujo resultado é colocar os
participantes num estado artificial de entusiasmo. Nesse caso, sairiam
acreditando que, se aplicarem o que “compram”, melhorarão sua vida
pessoal e seu trabalho, terão mais prazer no que fazem sem que para
isso seja necessário muito estudo, muita teoria, muita reflexão sobre
a sua prática9
Em um primeiro momento estes cursos podem atender às expectativas do professor.
Porém, quando se confrontam com sua realidade pedagógica percebem que é bem
diferente daquela trabalhada nos encontros de capacitação. Mesmo assim, muitos
acreditam que estas contribuem para seu crescimento. Quando perguntados se
estes encontros têm promovido bons resultados na formação do aluno, 81%
responderam que sim e 19% que não. Essas respostas remetem mais uma vez aos
argumentos de Libâneo:
[...] O que está em questão é uma formação que ajude o aluno a se
transformar num sujeito pensante, de modo que aprenda a utilizar seu
potencial de pensamento por meio de meios cognitivos de construção
e reconstrução de conceitos, habilidades, atitudes, valores. Trata-se
de investir na combinação bem-sucedida da assimilação consciente e
ativa desses conteúdos com o desenvolvimento de capacidades
cognitivas e afetivas pelos alunos visando à formação de estruturas
próprias de pensamento, ou seja, instrumentos conceituais de
apreensão dos objetos de conhecimento, mediante a condução
pedagógica do professor que disporá de práticas de ensino
intencionais e sistemáticas de promover o “ensinar a aprender a
10
pensar
Se esta afirmação corresponde ao que os professores consideram como melhoria na
formação do aluno verifica-se que as formações oferecidas para os docentes
constituem-se em apoio e influenciam positivamente nesse processo, preparando
alunos reflexivos e críticos, não alheios à realidade social em que vivem.
9
LIBÂNEO, 1998. p. 1.
LIBÂNEO, 1998. p. 9-10.
10
12
Gráfico 5
É interessante observar que na sua grande maioria (92%), os educadores declaram
que recebem apoio da escola onde lecionam o que consequentemente faz pensar
que todo o corpo escolar está envolvido na melhoria da qualidade do ensino. Mas os
mesmos professores não deixaram claro como seria este apoio. Do mesmo modo,
quando perguntados se recebem o reconhecimento da escola pela sua participação
nos cursos: 96% responderam que são e 4% responderam que não são
reconhecidos.
Dentro do questionário utilizado, nas questões fechadas, perguntou-se sobre o
envolvimento de toda comunidade escolar e sobre formações onde só o docente
participa. As respostas indicaram que 67% das atividades de Formação Continuada
dirigem-se a toda a comunidade escolar e 33% são voltadas apenas para
professores.
Perguntou-se ainda se as modalidades oferecidas priorizam as questões atuais do
processo educacional. Os resultados são apresentados no gráfico a seguir:
Gráfico 6
13
Neste item, mesmo que a maioria tenha concordado com a afirmação de que a
Formação Continuada se caracteriza como modalidade diferenciada de capacitação,
que prioriza questões voltadas para o processo ensino-aprendizagem, o que destaca
é que ainda se encontram educadores que participam de formações nas quais,
infelizmente, parece não ter o objetivo de capacitá-los para o exercício eficaz e
eficiente de sua profissão, tema descrito nas perguntas abertas do questionário.
Quando perguntados sobre a primeira palavra que lhes vem à mente quando se fala
de Formação Continuada 22% apontaram o conhecimento e/ou preparação; 7%
destacaram o aperfeiçoamento da prática docente e o restante referiu-se ao assunto
como novidade, soluções para as angústias, aprendizagem, desenvolvimento,
atualização e ensino-aprendizagem.
Além de questões fechadas, foram realizadas questões abertas, onde o educador
dissertava seu ponto de vista. Foram selecionadas algumas respostas, cujos nomes
dos participantes são fictícios.
A. De que forma esses cursos auxiliam vocês educadores, nas questões atuais
vivenciadas nas salas de aula?
Célia: “Geralmente quem dá estes cursos são pessoas que não estão em sala de aula, não
vivenciam os problemas do dia a dia”;
Lúcia: “A nova visão de avaliação do aluno, que envolve todo o processo educativo”;
Conceição: “Contribui de forma efetiva para o bom desempenho da educação, facilitando a relação
entre os colegas de trabalho e os alunos”;
Joana: “Discussões das experiências profissionais e seus enfrentamentos”;
14
Maria: “Nem sempre essas capacitações são aproveitadas”;
Helena: “Maior clareza e definição nos planejamentos e eficácia do trabalho pedagógico”;
Carmelita: “Reflexão da prática docente”;
Ana Paula: “Contribui pouco, pois partem de cima para baixo e não das reais necessidades, além de
serem dirigidas por pessoas não capacitadas”.
As respostas variam entre aquelas que demonstram interesse e reconhecem a
importância dos programas de Formação Continuada e aquelas que fazem
restrições aos programas. Com certeza, melhorias neste processo serão de grande
valia, principalmente nas sugestões vindas por aqueles que participam da formação
e que tem vivências diversas da práxis pedagógica. Haja vista a afirmação de que as
pessoas que ministram os cursos não conhecem os problemas da sala ou pouco
capacitadas. Essas declarações precisam ser levadas em consideração quando se
promove qualquer projeto de capacitação ou Formação Continuada.
B. A formação continuada enquanto método de capacitação é:
Joelma: “A preparação para que os educadores melhor desempenhem sua função com
conhecimentos psicopedagógicos”;
Estela: “Produzir a sua profissionalidade no exercício de seu trabalho”;
Karina: “Ajudar no desenvolvimento da sala de aula e como melhorar sua didática com os alunos”;
Maria Edite: “É um momento importantíssimo para o profissional”;
Suzana: “Estudo de apoio teórico e dialógico que serve de suporte para o nosso crescimento no
processo ensino-aprendizagem”;
Ana Cláudia: “Uma forma que o educador pode aprimorar seus conhecimentos e suas práticas”;
Leonora: “A continuação do desenvolvimento realizado no decorrer da prática docente”;
Maria da Penha: “Atende aos professores, trazendo benefícios sem muitas vezes precisar se
ausentar do espaço escolar”.
Vê-se que os entrevistados entendem que este método traz não só crescimento
profissional como também pessoal que traz benefícios práticos e não só teóricos. Ou
seja, não parece que os profissionais sejam contra as iniciativas de melhoria na sua
formação.
C. Por que algumas pessoas não participam/valorizam a Formação Continuada de
Professores?
Célia: “Porque vão em busca de respostas a muitas aflições e saem desiludidas. Ninguém ouve nada
que vá usar em sala de aula”;
Lúcia: “Porque pensam que já sabem tudo e que não tem mais nada a aprender ou melhorar
enquanto postura profissional”;
Cleide: “Porque não conhecem e/ou até mesmo não participaram de forma correta da formação”;
Joelma: “Porque tem formação tradicionalista, assistencialista e histórica na modalidade de
atendimento ao ensino da pré-escola”;
Estela: “Falta de conhecimento”;
Conceição: “A maioria desses profissionais não tem compromisso com a educação e seus alunos”;
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Marco Antônio: “Às vezes os conhecimentos abordados já é rotina do educador”;
Alaor: “Desconhecimento da motivação, falta de interesse etc.”.
Os professores informam aqui respostas importantes a serem consideradas nas
formações continuadas. Elas vão da motivação, que muitas vezes fica prejudicada
pela falta de informação, pelos temas abordados, por não perceberem a relação dos
estudos com sua realidade profissional até ao fato de acharem que já sabem o
suficiente. Ao que parece, há necessidade de se elaborar tais atividades
fundamentadas nas necessidades indicadas pelos professores e naquelas
percebidas
pelos
outros
profissionais.
Seja
como
for,
é
fundamental
o
esclarecimento prévio quanto ao objetivo e ao conteúdo do curso.
D. Cite alguma mudança/melhoria que a formação continuada contribuiu em sua
sala de aula.
Estela: “Clareza dos objetivos a serem alcançados”;
Conceição: “Contribui de forma eficiente, facilitando o trabalho do professor e beneficiando o
aprendizado do aluno”;
Maria da Penha: “Na área matemática teve uma mudança significativa no que diz respeito às
operações de subtração com reagrupamento e na forma de elaborar problemas”;
Cristina: “Novas ideias, criatividade, novos tópicos e técnicas de ensino”;
Maria Tereza: “Nenhuma”;
Simone: “Meu comportamento para com os alunos, as elaborações de avaliações, resoluções de
problemas diários, entrosamento com os colegas”;
Luíza: “Resolução de problemas diários, mudando o comportamento para com os alunos e
entrosamento com os colegas”;
Deodora: “Produção de texto, escrita coletiva, refracção”.
Embora a maioria dos professores reconheça as melhorias em sala de aula, na
didática e nas relações interpessoais na escola, um deles não tenha percebido
nenhuma mudança. Os programas de Formação Continuada devem contemplar não
só o desenvolvimento científico e profissional do professor, mas também prepará-lo
para os enfrentamentos diários na sala de aula.
E. Indique algumas mudanças necessárias, na sua opinião, para que os cursos de
Formação Continuada de professores fossem mais atraentes.
Estela: “Mais interação entre os participantes, conscientização dos participantes envolvidos nesse
processo, melhor material didático, melhores palestrantes”;
Conceição: “Deveria acontecer com mais frequência e ser atraente”;
Simone: “União de todos os turnos para um bom entrosamento, aumentar o tempo de estudo, temas
atuais, palestras com profissionais especialistas, envolver toda a comunidade escolar”;
Luíza: “Temas atuais, palestras com profissionais especialistas, aumentar o tempo de estudo”;
16
Marco Antônio: “Gerenciamento na qualidade dos temas abordados, investimento nos
profissionais participantes, remuneração honesta para o educador”;
Alaor: “Realização de congressos e/ou seminários, necessidade de formação política dos
profissionais da educação”;
Deodora: “Deveriam ser no horário de trabalho, para que todos pudessem participar”;
Maria das Graças: “Mais tempo para o estudo, recursos didáticos”.
As propostas para a melhoria das formações oferecidas aos docentes são
pertinentes, levando em consideração as reais necessidades dos mesmos e o seu
fazer pedagógico. Pode-se perceber que, de modo geral, o professor está envolvido
nesse processo, porém deseja uma maior profissionalização daqueles que a
oferecem.
Muitas vezes a Formação se restringe a algumas ações como encontros pontuais na
própria escola. O repensar do processo se faz presente e urgente. A Formação
Continuada pode e deve extrapolar os muros da escola com Seminários,
Congressos e/ou outros eventos ligados à Educação, bem como cursos de
capacitação, especializações, atualizações dentre outros. Toda sugestão é válida
para ser avaliada por aquele que está em sala de aula, vivenciando os conflitos
diários desde que possa melhorar sua postura como educador e cidadão e contribuir
de alguma forma para a nova sociedade que se transforma dia-a-dia.
Considerações Finais
Neste artigo buscou-se discutir a necessidade e a importância da Formação
Continuada. Tarefa difícil, extensa, que envolve outros requisitos além da
compreensão do conceito em si. Envolve uma mudança de postura e de olhares, um
trabalho em conjunto, revendo a concepção da educação que se quer e a escola
que se deseja.
O resultado da pesquisa de campo trouxe à tona questões e anseios de professores
que atuam em escolas públicas, tirados por amostragem. O fato desse grupo labutar
em escola pública não significa, necessariamente, que o mesmo ocorra ou deixe de
ocorrer em outras escolas de outros lugares, mas o que foi ressaltado não pode
17
deixar de ser considerado por aqueles que discutem a Formação continuada de
professores.
Dentre o grupo investigado, muitos reconhecem a importância de uma formação
além da inicial. Admitem que são muitas vezes reconhecidos na escola. No entanto,
há também alguma insatisfação quanto àqueles que ministram os cursos.
Professores disseram que muito do que é trabalhado nestes ambientes não é
aplicável em sala de aula e acaba sendo apenas um “mercado de entusiasmo”. Não
trazem respostas coerentes com a realidade do cotidiano escolar.
Enfim, a Formação Continuada não se traduz apenas em profissionalização. É
também fator de crescimento pessoal e seus objetivos devem ser direcionados, não
só ao intercâmbio com outros profissionais que atuam na área educacional e às
alternativas de trabalho, mas inclusive, à contextualização dos temas abordados,
aos objetivos, à articulação entre o que se estuda e a realidade diária da sala de
aula, à motivação dos professores e à convergência de interesses em favor da
melhoria da qualidade de ensino.
Sem desconsiderar o tamanho reduzido da amostra, conclui-se que a Formação
Continuada também não se restringe ao ambiente escolar e a uma busca de
profissionalização. Há de se considerar e relacionar a vida pessoal do professor,
seus anseios, sua motivação à sua vida profissional. Percebe-se também que a
formação continuada oferecida nas escolas, embora já seja um avanço, ainda
precisa caminhar muito até produzir maior alcance do seu objetivo na melhoria da
qualidade de ensino.
Referências:
ALVES, Wanderson Ferreira. “A formação de professores e as teorias do saber
docente: contextos, dúvidas e desafios”. Educ. Pesqui., São Paulo, vol. 33, n.2,
ago.2007. Disponível em http://www.scielo.br. Acesso em 23/11/09.
CUNHA, Marta Lyrio da ;
VILARINHO, Lúcia Regina Goulart. “Concepção
Emancipatória: uma orientação na formação continuada a distância de professores”.
18
Rev. Diálogo Educ., Curitiba, v. 9, n. 26, p. 133-148, jan./abr. 2009 ISSN 15183483. Disponível em http://www.scielo.br. Acesso em 04/11/09.
HENGEMÜHLE, Adelar (org). “Significar a Educação: da Teoria à sala de aula”.
Porto Alegre: EDIPUCRS, 2008.
LIBÂNEO, José Carlos. “Congressos, encontros, seminários de educação: espaços
de desenvolvimento profissional ou mercado de entusiasmo?”. In: Revista de
Educação AEC, Ano 27 - nº 109. AEC do Brasil www.aecbrasil.org.br . Out/Dez
1998.
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A Formação Continuada: o Olhar de Professores da Escola