FACULDADE CEARENSE - FaC KATLARINE FERREIRA GOMES ESTUDO DE CASO EM UMA INDÚSTRIA TÊXTIL: A LIDERANÇA SOB O PONTO DE VISTA DE SEUS COLABORADORES KATLARINE FERREIRA GOMES ESTUDO DE CASO EM UMA INDÚSTRIA TÊXTIL: A LIDERANÇA SOB O PONTO DE VISTA DE SEUS COLABORADORES Artigo apresentado na Faculdade Cearense – FaC, como requisito parcial para obtenção do título de Pós – Graduado em Talentos Humanos. 2 RESUMO O presente artigo é um estudo de caso em uma Indústria Têxtil localizada no Distrito Industrial do Município de Maracanaú – Ceará. No artigo, aborda-se a visão dos colaboradores sobre os estilos de liderança dentro da organização. Considerando que o líder tem uma fundamental importância com relação ao desenvolvimento dos colaboradores e suas competências, sendo que esses profissionais dedicados à área de gestão de pessoas necessitam estar, constantemente, interessados em descobrir os motivos que levam o funcionário a se comprometer com a organização de forma efetiva e eficaz proporcionando o bem estar organizacional. Para a realização desta pesquisa utilizou-se a abordagem através de um estudo de caso, com caráter quantitativo descritivo, através de questionários fechados com perguntas e respostas direcionadas aos colaboradores da organização, com o objetivo de levantar o estilo de liderança e a visão que os subordinados têm dos seus líderes, assim como a relação entre líder e liderado. Além dos questionários, utilizou-se outras técnicas necessárias ao conhecimento da organização como: visitas agendadas com a coordenação da organização com o objetivo de explicar como seria realizada a pesquisa e entender como funciona a organização; visitas a todos os setores incluídos na amostra para apresentar a pesquisa aos colaboradores e saber a localização de cada setor; conversas informais com os líderes de cada setor em estudo para conhecer as pessoas e o funcionamento do mesmo; visita a alguns setores para realizar testes com os questionários a fim de adequar a linguagem e os termos técnicos. Dentro da pesquisa foram descritas as definições e as pesquisas realizadas e os estilos de liderança nas últimas décadas. Palavras – chave: Liderança. Gestão. Relacionamento. 3 ABSTRACT This article is a study made in a textile industry located in a Industrial Disctrict in Maracanaú – Ceará. The article is about the opinion of employees about differente kinds of leadership into the organization. A Leader has a really important responsablity in the development of the employees and their skills, thus the person that works with people managment needs making the employees to commit to the organization in this way providing welfare organization . This research as made using a quantitative and descriptive feature , using a questionnary within “close” questions, with questions and answers for the employees of the oragization, the target was knew the opinion about the kind of leadership their organization really has, and how’s the realionship between employees and bosses. Beyond questionnaries , it was used another ways to understand the organization such as: Visits to the leaders with target of explain how’s this research really is, Knows each department, some moments to talk informally with each leader, and some moments to visit departments to sigthseeing the organization. Key words: Leadership, Managment, Relationship 4 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................................... 7 2 LIDERANÇA NAS ORGANIZAÇÕES ............................................................................... 10 3 TRAJETÓRIA DA PESQUISA ............................................................................................ 14 3.1 organização e estrutura da empresa ................................................................................ 15 3.2 Visita à empresa.............................................................................................................. 17 3.3 A visão dos colaboradores .............................................................................................. 18 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................................ 27 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................................... 28 5 LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Faixa etária dos colaboradores................................................................................ 18 Tabela 2 – Sexo dos Colaboradores ......................................................................................... 19 Tabela 3 – Grau de Escolaridade doa Colaboradores ............................................................... 19 Tabela 4 – Trabalho em equipe ................................................................................................ 19 Tabela 5 – Relacionamento entre os membros da equipe da organização ............................... 20 Tabela 6 – Existência de líderes ............................................................................................... 20 Tabela 7 – Estilo de liderança................................................................................................... 21 Tabela 8 – Os líderes falam da importância do trabalho em equipe......................................... 21 Tabela 9 – Existe motivação por parte dos líderes ................................................................... 21 Tabela 10 – Os líderes desenvolvem competências ................................................................. 22 Tabela 11 – Visão do futuro por parte dos líderes da organização ........................................... 22 Tabela 12 – Nível de identificação dos líderes com os liderados da organização.................... 22 Tabela 13 – A liderança atua da administração de conflitos .................................................... 23 Tabela 14 – Os conflitos trazem algum benefício à liderança .................................................. 23 Tabela 15 – As atitudes dos líderes são justas .......................................................................... 24 Tabela 16 – A liderança é fundamental para os resultados positivos da organização .............. 24 Tabela 17 – Nível de relacionamento entre líderes e liderados ................................................ 25 Tabela 18 – Características mais acentuadas na liderança ....................................................... 25 Tabela 19 – A continuidade da liderança é o fator mais importante para assegurar seu sucesso .................................................................................................................................................. 25 Tabela 20 – Os liderados já exerceram papel de líder .............................................................. 26 6 1 INTRODUÇÃO As mudanças sociais, econômicas, tecnológicas e políticas e a velocidade com que elas acontecem exigem rápida adaptação das empresas aos novos cenários, para que as mesmas mantenham sua competitividade em mercados cada vez mais exigentes. Nesse contexto, a ação dos líderes assume papel central e estratégico no desempenho das organizações. Apesar de toda a transformação social, a tecnologia ainda não substitui a necessidade de orientar pessoas para alcançarem objetivos e metas. A liderança tem papel fundamental nas relações humanas e a capacidade de liderar associa-se tanto ao sucesso quanto ao fracasso das organizações. A permanência de um padrão elevado de desempenho exige flexibilidade, inovação e agilidade. Tais características decorrem basicamente dos recursos e das capacidades internas de cada organização e, ainda, essas habilidades se fazem necessárias à manutenção da vantagem competitiva. Como os líderes são responsáveis pelo desenvolvimento de uma força de trabalho capaz e comprometida, sua atuação se torna de fundamental importância para promover o comprometimento nas pessoas. Assim, os profissionais dedicados à área de gestão de pessoas necessitam estar, constantemente, interessados em descobrir como motivar e influenciar os liderados para que estes contribuam, da melhor forma, com os objetivos da organização. São vários os conceitos de liderança, uma vez que liderar é algo muito abrangente. Apesar de algumas definições específicas, a maioria depende da orientação teórica considerada. Além da influência, a liderança tem sido definida em termos de processo grupal, de personalidade, respeito, comportamentos específicos, persuasão, poder, conquista de meta, interação, diferenciação, o início da estrutura e a combinação destes. Durante muitos anos, a liderança foi estudada e entendida como um traço de personalidade, a depender exclusivamente de características pessoais e inatas do sujeito. Atualmente, percebe-se que uma atitude de liderança depende da aprendizagem social do indivíduo e, por isso mesmo, pode ser treinada/aperfeiçoada. Apesar disso, persistem inúmeras dúvidas conceituais. São muitos os trabalhos realizados em torno deste tema, bem 7 como focos e níveis de análise/intervenção; talvez por isso sejam inúmeras as confusões conceituais relacionadas com a liderança, nomeadamente aquela que equipara liderança a chefia. Atualmente, as aquisições de mercadorias e tecnologias estão acessíveis a todas as empresas e o que vai fortalecer a vantagem competitiva é a qualidade das pessoas que compõem a organização e a liderança tem papel fundamental para esse sucesso. Líderes são indivíduos que se destacam pelo seu preparo profissional, pela alta dose de equilíbrio emocional que apresentam e por conseguirem dirigir outras pessoas com habilidade e eficiência. A capacidade de inspirar caminha lado a lado com o desejo de desenvolver pessoas. O tema liderança tem merecido atenção das organizações e gestores, em virtude de se ampliar este aprendizado junto às práticas do cotidiano empresarial. Sabe-se da necessidade de um líder perante às equipes. Tome, por exemplo, o caso da na indústria têxtil onde também se faz necessário o investimento em qualificação e treinamentos específicos que visem o desenvolvimento da liderança. Com efeito, a opção pelo tema desta pesquisa está embasada na percepção das mudanças comportamentais nas organizações, e cuja finalidade é a de ensejar possíveis questionamentos e posteriores trabalhos, nas empresas, e também entender a visão dos liderados em relação a seus líderes, e como esses podem influenciar o empenho dos seus subordinados no alcance dos objetivos da empresa. Entende-se, então, que um líder de presença marcante, de ideias definidas, o tipo conhecido como “personalidade forte”, pode ser um agente impulsionador para uma equipe composta de pessoas mais dependentes e que possuem uma tarefa a ser cumprida num curto espaço de tempo. Por outro lado, este estilo de liderança poderia causar desmotivação em pessoas mais maduras, que se realizam ao efetuar suas atividades com autonomia. Portanto, diante da necessidade de conhecer o estilo de liderança das organizações e desenvolvê-las como diferencial competitivo é que foi realizada esta pesquisa. Empregou-se como instrumento de coleta de dados um questionário fechado. Como objetivo geral temos: analisar diderentes formas de liderança exercidas na empresa. Como objetivos específicos: verificar e analisar os pontos positivos e negativos de um líder; diagnosticar os estilos de liderança; verificar e analisar como os liderados absorvem as ações e decisões dos líderes. A problematização deste artigo: podemos identificar os estilos de liderança predominantes na empresa pesquisada, numa visão a partir dos colaboradores? No final desta pesquisa serão 8 identificados os estilos de liderança predominantes na organização e ainda como estes estilos influenciam na relação líder – liderado. Acredita-se que a capacidade dos líderes de influenciar pessoas e, principalmente, desenvolvê-las é fundamental e primordial no fortalecimento das relações, o que colabora na retenção e captação de talentos, item decisivo frente ao mercado competitivo. Segundo Spector (2004, p.330) “a idéia comum que faz parte de várias definições diz que liderança envolve influenciar as atitudes, crenças, comportamentos e sentimentos de outras pessoas”. Partindo dessa afirmação, e apoiado na ideia de que líderes e gerentes agem de formas diferentes, mas que ambos possuem importância própria e exercem algum tipo de influência, entende-se que ambos, de alguma forma, são líderes com diferentes estilos de liderar. E é com base nas afirmativas de Bennis (1996), o qual relaciona a qualidade de nossas vidas com a qualidade de nossos líderes, sendo que esses existem de várias formas, que o interesse em identificar os estilos de liderança dos chefes de setores, departamentos e unidades de uma organização mostra a sua relevância, tanto em termos de contribuição acadêmica quanto organizacional. 9 2 LIDERANÇA NAS ORGANIZAÇÕES Atualmente, as transformações econômicas, sociais e tecnológicas são cada vez mais frequentes e a organização tem necessidade de um patrimônio humano efetivamente disposto a contribuir com os seus objetivos. Essa evolução da sociedade sugere a evolução na relação indivíduo-organização. Se o ritmo acelerado das inovações desafia as mais brilhantes estratégias e a sociedade exige cada vez mais das empresas, é neste novo cenário que o papel do líder assume importância, fazendo da liderança um diferencial competitivo no mercado, pois o estilo de liderar reflete sobre o desempenho dos seguidores e, consequentemente, no sucesso da organização (STEFANO e GOMES FILHO, 2003). No entendimento de Longo (2011, p. 34), “a liderança é o processo de conduzir um grupo de pessoas; é a habilidade de motivar e influenciar os liderados para que contribuam da melhor forma com os objetivos do grupo ou da organização”. Conforme Bowditch e Buono (1999, p. 152), “uma liderança ideal é algo dificíl de ser definido, tendo em vista que o estilo adotado por um líder pode ser extremamente eficaz em determinada situação, e num outro momento, o mesmo estilo poderá ser totalmente inadequado”. Um líder, seja de chão de fábrica à mais alta gestão da empresa, precisa envolver pessoas dispostas a enfrentar desafios, a adaptar seus valores, a mudar perspectivas e aprender novos hábitos. Várias são as teorias a respeito da liderança. No entanto, elas apontam que o termo “líder” pode aplicar-se tanto ao líder quanto ao gerente, ou seja, o termo “líder” passa a ser utiizado junto com o termo “estilo”. Observa-se que, principalmente em décadas anteriores, a autoridade hierárquica, da maneira como tem sido conduzida, desde os primeiros estudos da teoria administrativa, costuma utilizar a obediência, ao invés de fortalecer o compromisso. Quanto mais forte o poder hierárquico é exercido, mais obediência traz como resultado. No entanto, nada substitui o compromisso, no que se refere à realização de profundas mudanças. 10 O próprio Maximiano (2002) declara que a liderança é o processo de direcionar as ações ou influenciar no comportamento e na mentalidade de outras pessoas. Afinidade física ou temporária não influencia no processo. Para Bowditch & Buono (2002), liderança pode ser considerada como um processo que exerce influência, geralmente uma pessoa, orientada pelos objetivos e metas. Portanto, não existem líderes seguidores. A nova maneira como superiores e subordinados se relacionam, indispensável ao fortalecimento do compromisso, possibilita aos gestores – principalmente no nível intermediário na hierarquia organizacional – saírem do modelo tradicional e se aproximarem dos conceitos e da busca da participação e comprometimento de todos. Portanto, no que se refere a uma liderança forte, vale ressaltar que os estilos de liderança adotados pelos gestores devem ser eficazes, objetivando influenciar seus seguidores a fazer a coisa certa de forma correta e que os direcione a ter o tipo de envolvimento que se espera deles. Segundo Chiavenato (1994), liderança é uma influencia interpessoal exercida em dada ocasião e dirigida através do processo de comunicação humana, com o propósito de atingir um ou mais pessoas. Conforme Bennis (1996), líderes são importantes por três motivos básicos: em primeiro lugar, eles são responsáveis pela eficácia das organizações - o sucesso ou o fracasso de qualquer organização depende da visão ou imagem que os liderados têm do seu superior. Segundo, líderes atendem a necessidade de se ter um porto seguro na vida - algo como uma meta maior – um lugar para onde correr, um refúgio frente às mudanças e turbulências de um mercado cada vez mais competitivo. E terceiro, a constante preocupação com a integridade das instituições. A literatura mostra que existem muitos estudos sobre liderança e estilos de liderança, dentre eles, pode-se destacar os estudos de Covey (1989) que elenca os sete hábitos mais eficazes dos líderes – que podem ser desenvolvidos e definidos como a interseção entre conhecimento, capacidade e vontade. No livro Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes, o autor levanta a questão de que, independente do número de liderados, só há uma coisa que pode ser mudada: o próprio líder. Portanto, diante de qualquer situação que o líder gostaria de mudar, a mudança tem que iniciar no próprio comportamento. O estudo Covey orienta os sete hábitos que podem ser mudados no líder para quebra de paradigmas e alcance de objetivos. Os três primeiros hábitos falam do auto domínio, que orienta conseguir o crescimento da personalidade para obter a independência. Os seguintes três hábitos tratam das relações com os outros – trabalho em equipe, cooperação e comunicação, que mais uma vez orienta a 11 conseguir a independência. E finalmente, o hábito sete, que fala sobre a renovação contínua que levará o líder a entender os hábitos restantes. Segundo Bennis (1996), o que pode vir a influenciar o ambiente no qual o líder atue são, principalmente, as habilidades e a competência que o mesmo possue. Já para Pepe e Quadros (2008), um líder precisa possuir várias virtudes, entre elas: competência, ética, autoconhecimento, sensibilidade, humildade, imparcialidade, motivação e inteligência acima de tudo. Ou seja, segundo os traços de personalidade, o líder possui características marcantes que o qualificam para a função, exercendo influência sobre os indivíduos e grupos. Conforme Pestana (2003), motivação é o impulso ou a força que leva as pessoas a agir de uma forma específica. São várias as teorias levantadas acerca da motivação, mas somente três mantiveram credibilidade, que são: a pirâmide de necessidade de Maslow1, a teoria de dois fatores de Hersberg2 e a teoria de Vroom3. Com efeito, o indivíduo precisa suprir suas necessidades para motivar-se e alcançar seus objetivos. Os fatores de satisfação envolvem sentimentos de realização, de crescimento profissional e de reconhecimento que se pode experimentar num trabalho desafiante e pleno. Esses fatores têm efeito positivo sobre a satisfação no trabalho, muitas vezes, resultando um aumento da capacidade total de produção da pessoa. Segundo Pestana (2003), o trabalho em equipe é mais do que uma ferramenta de trabalho. É um recurso primordial para a produtividade, sendo necessário que os membros estejam conscientes da missão do grupo, projeto ou qualquer desafio dentro da organização. Portanto, a maioria das atividades positivas ou negativas, somente são tomadas quando os membros estão em grupo, pois sozinhos estas não se manifestam. Dessa forma, o sucesso de uma organização é substancialmente influenciado pelo desempenho do grupo, que interagem entre si, e por toda a hierarquia da empresa. Para Davel e Machado (2001), nas empresas estruturadas no trabalho em equipe, em que os processos internos são guiados pelas mudanças ligadas ao ambiente interno, os líderes se tornam peças estrategicamente importantes. As responsabilidades tradicionalmente 1 Teoria de Maslow: é uma divisão hierárquica, em que as necessidades de nível mais baixo devem ser satisfeitas antes das necessidades de nível mais alto. Cada indivíduo tem de escalar uma hierarquia de necessidades para atingir a sua auto-realização. 2 Teoria proposta por Frederick Herzberg que aborda a situação de motivação e satisfação das pessoas. O objetivo era entender os fatores que causariam insatisfação e aqueles que seriam os responsáveis pela satisfação no ambiente de trabalho. 3 Teoria da Expectativa criada pelo pesquisador Victor Vroom. Aborda-se que a motivação está ligada com a escolha individual que cada um de nós pode ter sobre determinada atividade. 12 conferidas ao cargo de chefia e supervisão agora se encontram difuso no âmbito de equipe de trabalho e no âmbito de um processo de produção mais flexível. Pestana (2003), afirma que a excelência empresarial está intimamente ligada a gerência gerencial. Para o sucesso das empresas, é preciso visão, dedicação e integridade do líder, e as principais habilidades e ferramentas gerenciais se resumem basicamente em liderança. Com base nas afirmações de Pepe e Quadros (2008), observa-se que a liderança é necessária em todas as atividades, em todos os tipos de organização humana. É principalmente nas empresas onde vem a ser a principal função administrativa. Neste sentido, o presente estudo, ao explorar os estilos de liderança e a sua influência sobre seus liderados, pode levar as organizações a se valerem dos resultados atingidos para ajustar os estilos de liderança com o intuito de conseguir que os liderados tenham o tipo de comprometimento que se espera deles. Entende-se por estilo de liderança os tipos de comportamento (conjunto de reações e atitudes) do superior em relação ao seu subordinado, ou seja, a forma como se dá o relacionamento interpessoal. Chefia refere-se ao nível tático da organização, localizada entre a alta gerência e o nível operacional na hierarquia da empresa. Entretanto, uma organização não é mais que um conjunto de pessoas, e são exatamente essas pessoas que tentam levar a bom termo a missão e os objetivos para os quais a organização foi criada. Os procesos de seleção e recrutamento de pessoal levados a cabo pelas empresas em busca dos melhores colaboradores não são, por si só, suficientes para garantir que as tarefas se realizarão com o desempenho desejado, pois, além das habilidades, atitudes e destrezas, interfere nelas uma série de fatores psicológicos de caráter motivacional, como o interesse, a interação ou a vontade de executar essas tarefas. Diante desse cenário o papel do líder é desafiador, já que deve adaptar seus esforços às particularidades de cada pessoa, que é fundamentalmente diferente de outra, nas atitudes, comportamentos, objetivos, antecedentes e, particularmente, pelas necessidades que são próprias de cada uma. 13 3 TRAJETÓRIA DA PESQUISA Para a realização desta pesquisa empregou-se um estudo de caso, cujo caráter denomina-se quantitativo descritivo. Caráter quantitativo, pois a coleta de dados foi por meio de questionários fechados com perguntas e respostas direcionadas aos colaboradores da organização, com o objetivo de levantar o estilo de liderança e a visão que os subordinados têm dos seus líderes, assim como a relação entre líder e liderado; descritivo, pois foram descritas as definições e as pesquisas realizadas e os estilos de liderança nas últimas décadas. O estudo de caso é um método em que pode ser utilizado uma análise quantitativa e qualitativa contribuindo para que se possa compreender melhor os fenômenos individuais, os processos organizacionais e políticos da sociedade. É uma ferramenta utilizada para entendermos as formas e os motivos que levaram a determinada decisão. Conforme Yin (2001), o estudo de caso é uma estratégia de pesquisa que compreende um método que abrange tudo em abordagens de pesquisa e coleta e análise de dados. Esse método foi utilizado porque o fenômeno estudado é amplo e complexo, o qual não pode ser estudado fora do contexto onde ele ocorre naturalmente. Neste caso, busca-se determinar ou testar uma teoria, que tem como fontes de informação (mais importantes) os questionários e observações em campo. Segundo Fonseca e Martins (1996), a estatística descritiva constitui-se num conjunto de técnicas que objetivam descrever, analisar e interpretar os dados numéricos de uma população ou amostra. Portanto, após a aplicação dos questionários, será realizada uma análise estatística descritiva, objetivando resumir e analisar os dados coletados além de apresentá-los de forma clara e organizada à comunidade científica. Além dos questionários, utilizou-se outras técnicas necessárias ao conhecimento da organização como: - visitas agendadas com a coordenação da organização com o objetivo de explicar como seria realizada a pesquisa e entender como funciona a organização (Maio/2013); 14 - visitas a todos os setores incluídos na amostra para apresentadar a pesquisa aos colaboradores e saber a localização de cada setor (Junho/2013); - conversas informais com os líderes de cada setor em estudo para conhecer as pessoas e o funcionamento do mesmo (Junho/2013); - visita a alguns setores para realizar testes com os questionários a fim de adequar a linguagem e os termos técnicos (Junho/Julho/2013). Por fim, foram construídas tabelas com a finalidade de facilitar a visualização e a compreensão do problema em estudo. 3.1 organização e estrutura da empresa A Empresa4 objeto desta pesquisa é uma indústria têxtil brasileira de confecção de roupa de cama, mesa, banho e decoração, com sede em Blumenau, Estado de Santa Catarina. Foi fundada em setembro de 1882 por um imigrante alemão. No início, seu fundador dedicava-se à agricultura e à pecuária rudimentar e instalou um moinho de fubá movido por roda d’água. Em seguida, anexa uma serraria ao negócio. O imigrante idealizava algo inovador para o sustento de sua família e outros colaboradores: uma tecelagem. Em 1916, o alemão passa a fábrica a seus filhos. Superadas as dificuldades, os herdeiros iniciam a produção de seu principal produto por décadas: toalha de mesa. A Empresa tornou-se uma companhia de capital aberto em 1971 e, em 1977, implantou sua própria fiação, completando sua cadeia produtiva, mudando sua razão social para Sociedade Anônima (S.A.). Em 2005, com a finalidade de renovar seu portifólio, implantou uma filial em Maracanaú. No início, tinha trinta funcionários, hoje são mais de trezentos funcionários divididos em diferentes setores: administração, produção, almoxarifado e qualidade. A missão da empresa é “proporcionar renovação com produtos de cama, mesa, banho e decoração, de forma sustentável”. Para a empresa, qualidade não é apenas um diferencial. É um compromisso que se renova a cada peça produzida. Essa empresa tem como visão “ser referência em cama, mesa, banho e decoração, inspirando as pessoas a renovar a casa e a vida, de forma inovadora e com resultados sustentáveis”. Tem os seguintes valores: ética, qualidade, pessoas, conduta inovadora, sustentabilidade, cultura voltada para o cliente, atitude marca e parceria. 4 Informações retiradas do Manual de Integração da empresa. 15 A responsabilidade social da organização traduz ações que beneficiam, além dos colaboradores, a comunidade em que está inserida. Para a organização, sua responsabilidade traz enormes beneficíos. A organização utiliza o modelo de gestão Toyota5 e faz parte da sua filosofia técnicas como just-in-time6, kanban7 e kaizen8, que são técnicas de produção que compõem o Sistema Toyota de Produção9. Segundo Liker (2013), esse é o melhor modelo para que haja um melhor desempenho sem excessos de trabalho. O foco fica na gestão eficiente dos ativos da empresa. “É esperado que os líderes da Toyota conheçam a rotina de trabalho em detalhe e compreendam o contexto dos processos, usando o tempo para treinar e desenvolver os outros para que os processos sejam continuamente melhorados”. A estrutura física da empresa é de aproximadamente duzentos metros quadrados. Dentro dessa estrutura, existem distintos setores com as seguintes quantidades de funcionários: produção (260), planejamento e controle da produção (10), almoxarifado (15), manutenção (10), qualidade (15), totalizando 310 funcionários. Em cada setor existe um supervisor com uma média de 30 liderados diretos, acima dos supervisores está a coordenação do setor e acima desses a gerência geral. Fazem parte dos trabalhos realizados na organização, relacionados à gestão, programas de formação de liderança com o objetivo de desenvolver constantemente os líderes na gestão de pessoas e no conhecimento do negócio da empresa, atuando em dois programas básicos: programa de desenvolvimento gerencial (PDG), formação de lideranças (PROLIDER), consequentemente, atribuindo confiança ao líder para com seus liderados, independente do setor que o mesmo lidere. A comunicação, dentro da organização, acontece por diversos meios: cartazes, jornal, reuniões e intranet. O Sistema de Sugestões é uma ferramenta do Sistema de Gestão da Organização, que visa promover a participação de todos os funcionários no processo de evolução da empresa. O objetivo é desenvolver uma cultura que faça da percepção e do aproveitamento das oportunidades de melhorias um hábito. 5 Baseia-se na redução dos custos unitários dos produtos através da produção em grande escala, com lotes de estoque baixos, através da especialização e divisão do trabalho. 6 Sistema de Administração da Produção que determina que nada deve ser produzido, transportado ou comprado antes ou depois da hora exata. 7 Na administração da produção significa um cartão de sinalização que controla os fluxos de produção ou transporte em uma indústria. 8 Palavra japonesa com o significado de melhoria contínua. 9 Modelo Japonês de Administração que objetivava a qualidade dos produtos reduzindo os estoques e custos. 16 A organização dá oportunidades aos seus colaboradores com seleções internas, tendo a participação e indicação dos supervisores, e ainda possui um programa de participação de reultados (PPR), pago anualmente a todos os funcionários. 3.2 Visita à empresa A presente pesquisa trabalhará com dados de origem primária obtidos por meio de questionários fechados com perguntas e respostas direcionadas aos colaboradores da empresa. Conforme Barbosa (2008), os métodos e as técnicas de coleta de dados e informações qualitativas são objeto de uso de estudo nas disciplinas de avaliação e gerência de projetos e pesquisas. Na realização de pesquisas quantitativas é usado algum tipo de instrumento para obter índices numéricos que correspondem as características específicas das pessoas ou objetos da medição. O resultado da aplicação de um instrumento para medida quantitativa é um conjunto de valores numéricos que são resumidos e registrados sob a forma de relatórios. Na coleta de dados são usados instrumentos, ferramentas que permitem a coleta, o levantamento de dados, a produção de informações. Não existe um instrumento definido como o melhor. O instrumento depende do tipo de pesquisa e de dados que se pretende levantar. Considerando que a coleta de dados é a pesquisa propriamente dita, pois a mesma consiste no processo de levantamento de dados necessários à resolução do problema apontado na pesquisa e na indicação de meios a atingir os objetivos propostos, bem como na validação das hipóteses. Gil (1994), define questionário como a técnica de investigação composta por um conjunto de questões que são submetidas a pessoas com o propósito de obter informações sobre conhecimentos, crenças, sentimentos, valores, interesses, expectativas, aspirações, temores, comportamento presente ou passado, etc. Ainda com base em Gil (1994), o questionário apresenta uma série de vantagens como por exemplo: menores gastos com pessoal; garante o anonimato das respostas; permite que as pessoas o respondam no momento em que julgarem mais conveniente; e não expõe os pesquisados à influência das opiniões e do aspecto pessoal do entrevistado, é que foi escolhido o questionário como instrumento de coleta de dados para esta pesquisa. Os questionários foram aplicados em julho de 2013 e foram direcionados a trinta colaboradores de 5 setores da organização. Conforme Murteira (1993), “a estatística é um repositório de instrumentos adequados para: recolher, explorar e descrever, interpretar conjunto de dados numéricos”. Ou seja, a estatística consiste numa metodologia científica 17 para obtenção, organização e análise de dados, originados das mais variadas áreas de ciências experimentais, cujo objetivo principal é auxiliar a tomada de decisões em situações de incerteza. Portanto, conclui-se que, na base da Estatística, está um conjunto de dados sendo constituída pelos métodos utilizados de recolher, organizar, descrever e interpretar. A estatística descritiva se refere à maneira de apresentar um conjunto de dados em gráficos e tabelas e ao modo de resumir as informações contidas nestes dados a algumas medidas, ou seja, é a parte da estatística que trabalha com a organização e a apresentação de dados. A análise estatística tem como objetivo, obter conclusões a partir dos dados por forma a enriquecer o conhecimento da realidade. Assim, a coleta de dados desta pesquisa se deu através de questionário, seguido de uma Análise Estatística Descritiva. Por fim, foram construídas tabelas com a finalidade de facilitar a visualização e a compreensão do problema em estudo. 3.3 A visão dos colaboradores Os resultados abaixo representados são referentes às aplicações de questionários, direcionados a 30 colaboradores da organização. De acordo com a TABELA 1, percebe-se que 50 % dos entrevistados estão na faixa etária de 24 a 34 anos, e 3% estão entre 34 e 44 anos. Assim, com os dados apresentados, percebe-se que o quadro funcional da empresa é composta por jovens profissionais. Tabela 1 – Faixa etária dos colaboradores RESPOSTAS FREQUÊNCIA ABSOLUTA FREQUÊNCIA RELATIVA (%) De 14 a 24 15 50 De 24 a 34 14 47 De 34 a 44 1 3 De 44 a 54 0 0 Acima de 55 0 0 FONTE: Resultados da Pesquisa (2013) 18 De acordo com a TABELA 2, percebe-se que 87% dos participantes são do sexo feminino, e 13 % são do sexo masculino. Logo, o quadro funcional da organização é formado, em sua maioria, pelo sexo feminino. Tabela 2 – Sexo dos Colaboradores RESPOSTAS FREQUÊNCIA ABSOLUTA FREQUÊNCIA RELATIVA (%) Feminino 26 87 Masculino 4 13 Fonte: Resultados da Pesquisa (2013). De acordo com a TABELA 3, verifica-se que 3% dos entrevistados possuem o Ensino Fundamental completo, 80% o Ensino Médio completo, 3% o Nível Superior e 14 % o superior incompleto. Dessa forma, percebe-se que o nível de escolaridade da maioria dos colaboradores é o Ensino Médio. Tabela 3 – Grau de Escolaridade doa Colaboradores RESPOSTAS FREQUÊNCIA ABSOLUTA FREQUÊNCIA RELATIVA (%) Fundamental completo 1 3 Fundamental incompleto 0 0 Médio completo 24 80 Médio incompleto 0 0 Superior completo 1 3 Superior incompleto 4 14 Fonte: Resultados da Pesquisa (2013). A TABELA 4 mostra que 97% dos colaboradores trabalham em equipe e 3% não trabalham em equipe. Assim, verifica-se que nesta organização o trabalho em equipe é valorizado. Tabela 4 – Trabalho em equipe RESPOSTAS FREQUÊNCIA ABSOLUTA FREQUÊNCIA RELATIVA (%) 19 SIM 29 97 NÃO 1 3 Fonte: Resultados da pesquisa (2013). Com a TABELA 5, observa-se que 47% dos entrevistados possuem um ótimo relacionamento com os membros da equipe, e 53% possuem um nível de relacionamento. Assim, percebe-se que os membros da equipe têm um bom nível de relacionamento. Tabela 5 – Relacionamento entre os membros da equipe da organização RESPOSTAS FREQUÊNCIA ABSOLUTA FREQUÊNCIA RELATIVA (%) Ótimo 14 47 Bom 16 53 Razoável 0 0 Ruim 0 0 Fonte: Resultados da pesquisa (2013). A TABELA 6 apresenta que 100% dos colaboradores reconhecem a existência dos líderes dentro da organização, ou seja, os líderes da organização são reconhecidos. Tabela 6 – Existência de líderes RESPOSTAS FREQUÊNCIA ABSOLUTA FREQUÊNCIA RELATIVA (%) SIM 30 100 NÃO 0 0 NÃO SABE 0 0 Fonte: Resultados da pesquisa (2013). De acordo com a TABELA 7, verfica-se que 50% dos colaboradores considera o estilo democrático como o adotado na empresa pelos líderes, 5% considera o estilo liberal, e 47% o estilo situacional. Dessa forma, percebe-se que o estilo adotado pela maioria dos líderes da organização é o democrático. 20 Tabela 7 – Estilo de liderança RESPOSTAS FREQUÊNCIA ABSOLUTA FREQUÊNCIA RELATIVA (%) Autoritário 0 0 Democrático 15 50 Liberal 1 3 Situacional 14 47 Fonte: Resultados da pesquisa (2013). De acordo com a TABELA 8, percebe-se que 80% dos líderes falam da importância do trabalho em equipe e 20% não falam da importância do trabalho em equipe. Assim, percebese que os líderes falam da importância do trabalho em equipe, e que todos os liderados passam a trabalhar na mesma direção em busca dos objetivos da equipe. Tabela 8 – Os líderes falam da importância do trabalho em equipe RESPOSTAS FREQUÊNCIA FREQUÊNCIA ABSOLUTA RELATIVA (%) Sim 24 80 Não 0 0 Às vezes 6 20 Fonte: Resultados da pesquisa (2013). De acordo com a TABELA 9, segundo os colaboradores, observa-se que 73,3% dos líderes motivam seus liderados, 23,3% somente as vezes motivam as atividades e 3,4% não motivam. Assim, percebe-se que os líderes motivam seus liderados e esse incentivo, possivelmente, permite uma maior produtividade e uma maior satisfação no ambiente organizacional. Tabela 9 – Existe motivação por parte dos líderes RESPOSTAS Sim FREQUÊNCIA FREQUÊNCIA ABSOLUTA RELATIVA (%) 22 73,3 21 Não 1 3,3 Às vezes 7 23,4 Fonte: Resultados da pesquisa (2013). De acordo com a TABELA 10, observa-se que 76,7% dos líderes desevolvem as competências dos liderados, 3,3% não desenvolvem suas competências e 20% raramente desenvolvem as competências. Logo, os líderes desenvolvem as competências de seus liderados. Tabela 10 – Os líderes desenvolvem competências RESPOSTAS FREQUÊNCIA FREQUÊNCIA ABSOLUTA RELATIVA (%) Sim 23 76,7 Não 1 3,3 Às vezes 6 20 Fonte: Resultados da pesquisa (2013). De acordo com a TABELA 11, observa-se que todos os líderes são visionários do futuro, buscam sempre estar atualizados e preparados para o mercado de trabalho que está cada vez mais competitivo. Tabela 11 – Visão do futuro por parte dos líderes da organização RESPOSTAS FREQUÊNCIA FREQUÊNCIA ABSOLUTA RELATIVA (%) Sim 30 100 Não 0 0 Fonte: Resultados da pesquisa (2013). De acordo com a TABELA 12, observa-se que 70% dos entrevistados possuem uma identificação satisfatória com seus líderes, 13% identificaram-se razoavelmente e 17% precisam melhorar a identificação com seus líderes. Verifica-se que líderes e liderados relacionam-se muito bem. Tabela 12 – Nível de identificação dos líderes com os liderados da organização RESPOSTAS FREQUÊNCIA ABSOLUTA FREQUÊNCIA RELATIVA (%) 22 Satisfatória Razoável Precisa Melhorar 21 4 5 70 13 17 Fonte: Resultados da pesquisa (2013). Pela TABELA13, verifica-se que 63% dos colaboradores atuam na administração de conflitos, 10% não atuam na administração de conflitos e 27% somente algumas vezes atuam na administração de conflitos. Assim, percebe-se que a liderança atua na administração de conflitos, tentando, possivelmente, resolvê-los. Tabela 13 – A liderança atua da administração de conflitos RESPOSTAS FREQUÊNCIA FREQUÊNCIA ABSOLUTA RELATIVA (%) Sim 19 63 Não 3 10 Às vezes 8 27 Fonte: Resultados da pesquisa (2013). Segundo a TABELA 14, observa-se que 50% dos colaboradores consideram que os conflitos trazem benefícios à liderança e 50% relatam que não trazem benefícios algum. Assim, verifica-se que os liderados estão divididos em opinar no que diz respeito aos benefícios de um conflito entre liderados e líderes. Tabela 14 – Os conflitos trazem algum benefício à liderança RESPOSTAS FREQUÊNCIA FREQUÊNCIA ABSOLUTA RELATIVA (%) Sim 15 50 Não 15 50 Fonte: Resultados da pesquisa (2013). Conforme a TABELA 15, percebe-se que 47% dos entrevistados consideram que os líderes são justos em suas atitudes e 53% às vezes são justos em suas atitudes. Assim, o líder deve procurar ser justo, tanto na exigência como no reconhecimento, evitando sempre a dar importância a agravos comparativos, e, ainda, reconhecer os acertos e falhas de seus colaboradores de maneira objetiva, procurando ser igual na exigência com todos e equânime 23 nas recompensas, objetivando assim que os empregados entendam e aceitem o que lhes é exigido. Tabela 15 – As atitudes dos líderes são justas RESPOSTAS FREQUÊNCIA FREQUÊNCIA ABSOLUTA RELATIVA (%) Sim 14 47 Não 0 0 Às vezes 16 53 Fonte: Resultados da pesquisa (2013). Pela TABELA 16, observa-se que 83% dos colaboradores acreditam que a liderança é muito importante nos resultados e 17% acreditam que a liderança é importante. Assim, verifica-se que a liderança tem um papel fundamental na obtenção dos resultados da empresa. Tabela 16 – A liderança é fundamental para os resultados positivos da organização RESPOSTAS FREQUÊNCIA FREQUÊNCIA ABSOLUTA RELATIVA (%) Muito importante 25 83 Importante 5 17 Não é importante 0 0 Fonte: Resultados da pesquisa (2013). Como mostra a TABELA 17, verifica-se que, para 40% dos colaboradores, existe um ótimo relacionamento entre líder e liderado, 53% um bom relacionamento e 7% um nível razoável de relacionamento. Assim, verifica-se que os líderes procuram conservar um bom relacionamento com a sua equipe. Profissionais que têm boa relação com seus chefes geram resultados positivos, propiciam desenvolvimento, reconhecimento, diretrizes claras e expectativas alinhadas. Há pesquisas que apontam que um dos principais motivadores de boas performances dos colaboradores de uma empresa é a qualidade de relacionamento com o líder imediato, não havendo melhor contexto de trabalho para o desenvolvimento profissional de um colaborador. 24 Tabela 17 – Nível de relacionamento entre líderes e liderados RESPOSTAS FREQUÊNCIA FREQUÊNCIA ABSOLUTA RELATIVA (%) Ótimo 12 40 Bom 16 53 Razoável 2 7 Ruim 0 0 Fonte: Resultados da pesquisa (2013). Segundo a TABELA 18, verifica-se que 40% dos pesquisados são observadores e controladores, 50% são influenciadores e motivadores e 10% possuem outras características. Assim, com os dados apresentados, percebe-se que as características mais marcantes na liderança desta organização é de serem motivadores e influenciadores, porém com uma presença muito forte de características observadoras e controladoras. Tabela 18 – Características mais acentuadas na liderança RESPOSTAS FREQUÊNCIA FREQUÊNCIA ABSOLUTA RELATIVA (%) Autoritório/conflitivo 0 0 Observador/controlador 12 40 Influenciador/motivador 15 50 Outras 3 10 Fonte: Resultados da pesquisa (2013). De acordo com a TABELA 19, observa-se que 80% dos entrevistados acreditam que a continuidade da liderança é crucial para assegurar o sucesso das atividades, 10% não apostam na continuidade da liderança e 10% ficaram em dúvida. Observa-se, pelos dados apresentados, que a continuidade é o fator mais importante para garantir o sucesso do líder e da organização. Tabela 19 – A continuidade da liderança é o fator mais importante para assegurar seu sucesso RESPOSTAS FREQUÊNCIA ABSOLUTA FREQUÊNCIA RELATIVA (%) 25 Sim Não Talvez 24 3 3 80 10 3 Fonte: Resultados da pesquisa (2013). De acordo com a TABELA 20, verfica-se que 73% dos colaboradoes já exerceram o papel de um líder e 27% nunca exerceram o papel de um líder. Verifica-se que a maioria sabe o quanto é complexo o processo de liderança, passando assim, a entender melhor seu próprio líder. Tabela 20 – Os liderados já exerceram papel de líder RESPOSTAS Sim Não FREQUÊNCIA ABSOLUTA 22 8 FREQUÊNCIA RELATIVA (%) 73 27 Fonte: Resultados da pesquisa (2013). Com base nos dados apresentados, conclui-se que a maioria dos entrevistados estão na faixa etária de 24 a 34 anos; que 87% são do sexo feminino, com o nível de escolaridade do Ensino Médio. Percebe-se que, nesta organização, o trabalho em equipe é valorizado e os membros da equipe têm um bom nível de relacionamento entre si. Os colaboradores dessa organização também reconhecem a presença dos líderes e caracterizaram o estilo de liderança como democrático. Com relação a liderança, a resposta dos colaboradores na pesquisa mostrou que, os líderes buscam falar da importância do trabalho em equipe, motivá-los, desenvolver as competências dos seus liderados, o bom relacionamento e administra conflitos e toma atitudes justas. Os líderes da organização pesquisada procuram atualizar-se e prepararse para o mercado de trabalho, o que faz os colaboradores reconhecerem que a liderança tem um papel fundamental na obtenção dos resultados e que a sua continuidade é o fator mais importante para grantir o sucesso do líder e da organização. Por fim, através da pesquisa, pôde-se observar que a liderança da organização estudada tem carcterísticas marcantes de serem motivadora e influenciadora, porém com uma presença muito forte de características observadoras e controladoras. Contudo, verifica-se que 73% dos colaboradores participantes reconhece o quanto é complexo o processo de liderança, passando assim a entender melhor seu próprio líder. 26 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS No presente artigo, procurou-se apresentar algumas das dimensões da liderança, articulando-as de forma a dar uma sequência lógica à construção do papel da liderança na organização estudada, de forma a se desenhar um modelo para seu desenvolvimento. Conforme o estudo apresentado, pôde-se identificar que o estilo de liderança democrático é amplamente aceito e requerido pelos liderados. Os líderes, por sua vez, buscam o auto-desenvolvimento e a assertividade, assumindo o papel mais aproximado possível do perfil ideal, com o objetivo de motivar os seus subordinados, já que um líder deve ser capaz de fazer seguidores e saber para qual direção deve conduzí-los. Esse cenário demonstra que o relacionamento entre superior e subordinado, dentro da organização, pode ser considerado positivo e motivador, tendo em vista que a maior parte dos líderes pertence à linha democrática, apontada como ideal na literatura e no mundo dos negócios. Contudo, o assunto não se encerra. Como o próprio título indica, este artigo é uma reflexão sobre o papel da liderança a partir do olhar dos colaboradores, a fim de chegar a um modelo de sucesso. No entanto, para concluir este artigo é importante iniciarmos outros questionamentos: será o ser humano capaz de incorporar todos esses papéis, habilidades e conhecimentos sugeridos pelas teorias e exigidos pelo mercado de trabalho? Esses papéis condizem com uma configuração real da empresa? Espera-se que os gestores da organização estudada façam uma reflexão sobre a atuação da liderança nessa Indústria Têxtil, para desenvolverem trabalhos objetivando desenvolver os atuais gestores, pois é considerado essencial a um líder a capacidade de desenvolvimento contínuo e a humildade para admitir suas falhas e necessidades. É preciso estar disposto a lutar por uma boa causa, objetivando infleuenciar os seus seguidores a aderirem às metas e objetivos da empresa, pois a necessidade de melhorias e inovações são uma constante na atualidade. Configura-se como recomendação para esta organização desenvolver os líderes através de treinamentos e cursos, abrir espaços para debates e aprofundamento dos temas, 27 descentralizar decisões e atribuir responsabilidades. E ainda, futuras pesquisas como: a influenciada cultura organizacional na eficiência do líder. As limitações da pesquisa estão voltadas para a amplidão do tema e a vasta bibliografia encontrada. No entanto, pode-se afirmar que, no que refere-se à exploração do tema, buscou-se fundamentar a pesquisa nos principais estudiosos da atualidade. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BENNIS, Warren G. A formação do líder. São Paulo, Atlas, 1996. BOWDITCH, James L.; BUONO, Anthony organizacional. São Paulo: Pioneira, 1999. F. Elementos do comportamento BOWDITCH, J. L.; BUONO, A. F. Elementos de comportamento organizacional. São Paulo, Pioneira Thomson, 2002. CHIAVENATO, I. Gerenciando pessoas. 2ª . ed. São Paulo, Makron Books, 1994. COVEY, Stephen R. Os sete hábitos das pessoas altamente eficazes. Best Seller, 1989. DAVEL, Eduardo; MACHADO, Hilka Vier. A dinâmica entre liderança e identificação: sobre a influência consentida nas organizações contemporâneas. Ver. Adm. Contemp., Curitiba, v. 5, n. 3, dez. 2001. GIL, Antonio C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 4. ed. São Paulo, Atlas, 1994. FONSECA, Jairo S. da; MARTINS, Gilberto de A. 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