UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU”
PROJETO A VEZ DO MESTRE
ATIVIDADES LÚDICAS: A IMPORTANTE CONTRIBUIÇÃO DO
ORIENTADOR EDUCACIONAL
Por: Ana Magaly Cirqueira Nogueira
Orientadora
Profª. Maria Esther de Araújo Oliveira
Brasília
2009
2
UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU”
PROJETO A VEZ DO MESTRE
ATIVIDADES LÚDICAS: A IMPORTANTE CONTRIBUIÇÃO DO
ORIENTADOR EDUCACIONAL
Apresentação
Candido
de
Mendes
monografia
como
à
requisito
Universidade
parcial
para
obtenção do grau de especialista em Orientação
Educacional.
Por: Ana Magaly Cirqueira Nogueira
3
AGRADECIMENTOS
Primeiramente a Deus, pois por Ele e
d’Ele é tudo o que há.
À família preparada por Deus, que não
é biológica, mas ainda assim fruto do
amor, por me apoiar sempre.
Ao companheiro amado que me trouxe
essa
família,
pelos
incentivos
em
tempos de fraqueza.
Aos tutores d’ A vez do Mestre, pela
diligência
com
que
avaliaram
as
propostas de desenvolvimento deste
trabalho.
4
DEDICATÓRIA
A Cecílio e Carmelita, pais queridos já
recolhidos para o descanso.
A Dô, irmão amado que decidiu estar
mais perto dos pais.
5
“assim, o sentido essencial do brinquedo
é que uma regra torna-se um desejo”.
(Vygotsky)
6
RESUMO
Este trabalho trata da importância da contribuição do orientador
educacional para a implantação de atividades lúdicas no processo de ensino e
aprendizagem. Busca demonstrar que, por meio de projetos e experiências, o
jogo e a brincadeira estimulam diversas áreas do conhecimento, fazendo
perceber que essas atividades devem fazer parte do cotidiano escolar,
inclusive para superar as dificuldades de aprendizagem, otimizando o tempo
que o estudante passa na escola, tornando-o mais dinâmico e produtivo
através da ludicidade. É uma forma de fazer com que o orientador reflita sobre
sua prática, buscando alternativas eficazes que permitam conhecer melhor os
atores com os quais trabalha, para ajudá-los a trabalhar o lúdico na escola.
Palavras-chave: Jogos – Lúdico – Orientação Pedagógica
7
METODOLOGIA
Este trabalho se realizará por meio de investigação bibliográfica sobre o
tema da orientação educacional no que concerne ao estabelecimento de
atividades lúdicas no contexto escolar. Será, primeiramente, feita a leitura
focada no papel do orientador educacional na escola em sentido geral, assim
como uma investigação de teorias sobre a importância da utilização de
atividades lúdicas de modo a contribuir para o pleno desenvolvimento do
educando.
Para o desenvolvimento deste trabalho nos valeremos de leitura e
fichamento dos principais teóricos acerca das atividades de orientação
educacional e também aqueles que teorizaram acerca da importância do lúdico
no contexto escolar. Por fim, será feita uma análise teórica acerca de como o
orientador contribui para o desenrolar de atividades lúdicas na escola, por meio
da orientação de professores, alunos e demais atores do contexto escolar.
.
8
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO..........................................................................................
9
CAPÍTULO I – A orientação educacional .............................................
10
1. Breve histórico da orientação educacional no Brasil ............................
10
1.1. O Profissional de Orientação Educacional ................................... 12
1.2. Funções e atribuições do Orientador Educacional na escola .....
13
CAPÍTULO II – O lúdico...........................................................................
16
2. Histórico do lúdico... .............................................................................
16
2.1. Brinquedos pedagógicos ............................................................. 18
2.2. O Lúdico e o Resgate da História do Sujeito..............................
20
2.3. O Brincar e a História Cultural....................................................
22
2.4. Brinquedos Pedagógicos............................................................
27
CAPÍTULO III – Brincadeira séria...........................................................
30
3. O papel do orientador na implantação de atividades lúdicas ..............
30
3.1. Educação Lúdica: técnicas e jogos pedagógicos.......................... 31
3.2. Brinquedo e Cultura......................................................................
32
3.3. Educação Física: da alegria do lúdico à opressão do rendimento 33
3.4.Criatividade e Ludicidade uma Combinação Perfeita...................
35
CONCLUSÃO ..........................................................................................
37
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................
40
9
INTRODUÇÃO
A Orientação se fundamenta no princípio de que todo ser humano
necessita de ajuda em alguns momentos de sua vida, sendo alguns de maneira
constante, outros, de tempos em tempos e aqueles em que essa ajuda
somente se faz necessária em situações de crise. No ambiente educacional,
onde se encontram as mais variadas classes de pessoas, cada uma com uma
formação familiar distinta, é imprescindível a intervenção no trabalho dos atores
dessa comunidade pelo orientador educacional.
Tendo em vista que o principal público escolar é composto por crianças
e jovens, uma das maneiras mais eficazes de trabalhar a integração deles e
fortalecer, assim, seu compromisso com a aprendizagem é por meio de
atividades lúdicas. Tais atividades podem não só incentivar o educando ao
desenvolvimento das atividades escolares como proporcionar a fixação dos
conteúdos trabalhados nas aulas.
Para
explorar
o
brinquedo
e
suas
diversas
possibilidades,
consideramos de imediato nossas vivências no mundo da brincadeira, ou seja,
nossa relação íntima, quando crianças, com o brinquedo, para então explorar e
fundamentar nossas idéias com uma gama de fontes sobre o assunto.
Desse modo, o presente trabalho apresenta o brinquedo como um
instrumento para o desenvolvimento infanto-juvenil com funções ludoeducativas. Destacamos, não apenas a importância do brinquedo, mas a
imprescindibilidade do orientador educacional no processo de direcionamento
dos jogos mais adequados a cada idade e a cada conteúdo escolar.
Para
o
desenvolvimento
deste
trabalho
primeiro
faremos
uma
apresentação das teorias relativas ao trabalho do orientador educacional em
geral, logo uma explanação histórica do lúdico como forma de aquisição de
conhecimento.
Finalmente,
observaremos
a
importância
do
educacional para a implantação das atividades lúdicas na escola.
orientador
10
Capítulo I – A ORIENTAÇÃO EDUCACIONAL
1. Breve histórico da Orientação Educacional no Brasil
A Orientação Educacional surge em 1924, em São Paulo, no Liceu de
Artes e Ofícios, criada pelo engenheiro suíço Roberto Mange. Pretende ser um
serviço de seleção e de orientação profissional para alunos do curso de
mecânica. Sete anos depois, em 1931, o serviço de Orientação é tornado
oficial pelo professor Lourenço Filho, diretor do Departamento de Educação de
São Paulo, surgindo assim o primeiro Serviço Público de Orientação
Educacional e Profissional. A experiência, no entanto, teve duração efêmera
sendo extinto o serviço em 1935.
Esta primeira tentativa de implantar a Orientação Educacional,
resultado de transplante de modelos americanos e europeus, se justificava
como o necessário auxílio para que os alunos, até então entregues à própria
sorte, pudessem optar adequadamente por cursos ou ocupações. O
instrumental básico de trabalho do Orientador consistia em baterias de testes
de aptidão e desempenho na realização de tarefas. Baseando-se nesta
metodologia, o Orientador Educacional deveria selecionar e encaminhar para
treinamento os egressos da escola, que aspiravam por cursos universitários, ou
os que procuravam trabalho.
Foi na Lei Orgânica do Ensino Industrial, em 1942, que, pela primeira,
vez fez-se referência à Orientação Educacional. Ela teria claramente um papel
adaptador à sociedade, preparando para a inserção no mercado de trabalho,
para a incorporação dos valores da sociedade, tal como se apresentava.
Entre a proposta de Orientação Educacional e as reais necessidades
da rede escolar existia uma defasagem tão grande, que não existiam no país
profissionais formados para desempenhar tal função. O primeiro curso
específico surgiu em 1945, na PUC de Campinas, no estado de São Paulo.
Embora a lei destacasse a Orientação Educacional, o número de profissionais
11
formados
mostrou-se
insuficiente.
O
primeiro
registro
de
orientador
educacional, solicitado à Diretoria de Ensino Superior do MEC só se deu em
abril de 1960. Nove anos mais tarde, contava-se apenas com 1231
orientadores formados.
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1961 confirma a
referência à Orientação Educacional como ação educativa no ensino médio.
Refere-se à criação da orientação educacional e vocacional, em cooperação
com a família.
Os orientadores educacionais formados na década de 60 pretendiam
atuar nas áreas de orientação escolar, psicológica, familiar, profissional,
recreativa, saúde, contribuindo para a formação integral do aluno.
A orientação educacional, que em suas origens se limitava à seleção e
orientação
profissional,
amplia
a
sua
ação,
contribuindo
para
o
desenvolvimento integral do aluno. Nas duas situações tem nítida função de
ajustamento - ajusta adolescentes pobres às suas possibilidades, ou seja, aos
cursos oferecidos para atender o mercado industrial e o comércio, e ajusta os
adolescentes burgueses ao seu caminho natural - o ensino superior.
E desde então, os orientadores educacionais buscam o referencial
teórico para desempenhar seu trabalho. Surgem teses de mestrado sobre
informação profissional, desenvolvimento vocacional, sondagem de aptidões,
aconselhamento vocacional. Alguns autores ganharam destaque. Há o
momento de Donald Super, o de Bohoslavsky, o de Carl Rogers, o de Pelletier
e Bujold, o de Carkhuff. Todos são convidados para dar cursos, fazer
conferências, dar supervisão. Todos ganham em dólar e são reverenciados.
Seus livros são traduzidos e tornam-se bíblias para os orientadores. Alguns
têm os seus trabalhos adaptados à realidade brasileira.
Entre a legislação que vinha de cima e as teorias que vinham de fora,
começam a surgir as críticas dos próprios orientadores educacionais, que,
insatisfeitos com o papel que lhes fora destinado, buscam novos caminhos.
Além das já citadas nessa explanação da história da Orientação Educacional
12
no Brasil, os orientadores buscaram desenvolver suas atividades para
colaborar em todos os sentidos com o desenvolvimento dos educandos, desde
a orientação profissional e social para os adolescentes como a orientação dos
demais profissionais de educação no que tange à melhor utilização do tempo
que os estudantes passam na escola, por meio de implantação de projetos
educacionais que visem ao pleno desenvolvimento dos alunos. É sabido que a
infância é o período mais importante na formação dos indivíduos, sendo assim,
o foco deste trabalho estará sobre o trabalho do orientador relativamente às
séries da Educação Infantil.
1.1. O Profissional de Orientação Educacional
A Pedagogia busca aprofundar os conhecimentos sobre educação,
educandos e aprendizagem. Entre suas habilitações estão: supervisão escolar,
orientação educacional, administração escolar, magistério, educação infantil e
tecnologias educacionais.
Em termos gerais, a Pedagogia não configura em si mesma uma
profissão; ela busca ser uma ciência em educação. Para esse fim, conta com a
ajuda de outras ciências como a medicina, a psicologia, a história e a filosofia.
Mas, afinal de contas, em que consiste ser Pedagogo com habilitação
em Orientação Educacional?
O trabalho de Orientação Educacional consiste fundamentalmente em
orientar e acompanhar o aluno em seu processo de desenvolvimento frente às
grandes mudanças ainda encontradas em cada faixa etária (biológicas,
psíquicas e sociais), com a finalidade de levá-lo a um maior conhecimento de si
próprio para que possa ajustar-se harmoniosamente ao seu meio social,
familiar, escolar e assim preparar-se para o exercício consciente de sua
cidadania.
Ser Orientador Educacional exige alguns elementos básicos:
13
•
estudo profundo sobre a história da educação geral e brasileira;
•
atualização constante sobre políticas e legislações educacionais;
•
pesquisa sobre currículos e metodologias educacionais;
•
conhecimento
sobre
o
desenvolvimento
e
comportamento
humano;
•
capacidade
de
manter
bom
relacionamento,
empatia
e
flexibilidade;
•
saber trabalhar em grupo, tomar decisões e ter iniciativa;
•
embasamento teórico sobre dificuldades de aprendizagem;
Ser orientador educacional é acompanhar o desenvolvimento individual
ou em grupo de pessoas. As situações do dia-a-dia desse profissional exigem
flexibilidade, inteligência, capacidade de resolver problemas e conflitos
interpessoais, habilidade para trabalhar em grupo, dinamismo e criatividade.
Cabe ao Orientador Educacional, a preparação do aluno para seu
autoconhecimento e auto-compreensão, e o desenvolvimento de sua
capacidade para o relacionamento interpessoal. Desde 1942 as leis brasileiras
fazem obrigatória a orientação educacional nas escolas. Na maior parte dos
casos, os orientadores educacionais são consultores para a Direção e
interlocutores entre os pais, o aluno e a escola. Disciplinam o estudante,
reúnem-se e discutem problemas didáticos e disciplinares com os professores
e os pais do aluno, aplicam e interpretam testes padronizados, promovem
eventos que estimulam o relacionamento interpessoal, e aconselham o
encaminhamento a psicólogos e psiquiatras dos casos de desvios mais
complexos.
1.2. Funções e atribuições do Orientador Educacional na escola
No processo de transformação, não somente a formação do Orientador
Educacional necessitou mudar, mas a sua mentalidade e a forma de atuação,
podendo e devendo ele criar condições de modificação na escola colocando
em discussão:
14
•
como se faz;
•
quando se faz;
•
quê se faz;
•
por quê se faz;
•
e quem se beneficia com a ação pedagógica.
Conforme o artigo 1º da Resolução nº 7.150 de 16/06/93, é função do
Orientador Escolar:
articular o trabalho pedagógico da escola, coordenando e
integrando o trabalho dos coordenadores de área, dos
docentes, dos alunos e de seus familiares em torno de um eixo
comum: o ensino aprendizagem pelo qual perpassem as
questões do professor, do aluno e da família.
De maneira mais clara, podemos afirmar que cabe ao Orientador
Educacional basicamente:
Com relação à escola:
a) Coordenar
o
planejamento
e
a
implementação
do
Projeto
Pedagógico:
O orientador deve participar e envolver os professores na elaboração
do plano de desenvolvimento da escola visando à organização e a qualificação
escolar.
b) Coordenar programa de capacitação do pessoal
Analisar resultados, avaliar o desempenho, coordenar programas de
qualificação profissional, sendo o responsável pelas melhorias dos processos
de ensino e de aprendizagem.
Com relação à integração escola, família e comunidade:
a) Coletar informações
15
Na ação direta com o aluno (entrevista e orientação grupal) e na
indireta (através dos pais e observação dos professores), informações essas
que constituirão a base do aconselhamento a ser feito com os próprios alunos
e, eventualmente, da assessoria aos professores e familiares.
b) Realizar a orientação dos alunos articulando o envolvimento da
família no processo educativo
Trabalhar através dos professores e dos pais, ajudando-os a
compreender e minimizar as interferências negativas no rendimento escolar
dos seus filhos, assumindo, inclusive, posições favoráveis com relação às
ocorrências escolares e com o processo de aprendizagem.
A integração escola - família - comunidade, deve fazer parte integrante
do projeto de atuação do Orientador educacional.
Assim agindo, é grande a probabilidade de se alcançar os principais
objetivos da Orientação Educacional, que são:
•
desenvolvimento integral e harmonioso da personalidade do
aluno;
•
a ordenação e integração dos elementos que exercem influência
em sua formação;
•
a preparação para o exercício das opções básicas fundamentais
para o seu processo evolutivo.
Todas essas responsabilidades supracitadas muitas vezes não são de
conhecimento da comunidade escolar, o que pode vir a gerar comportamentos
profissionais inseguros quanto ao melhor rendimento possível de se obter dos
alunos.
16
CAPÍTULO II – O LÚDICO
2. Histórico do lúdico
Revendo a história do lúdico, certificamo-nos de que sua importância foi
percebida em todos os tempos, principalmente quando se apresentava como
fator essencial na construção da personalidade da criança.
Desde a época anterior a Cristo já havia uma preocupação em discutir o
valor proeminente do lúdico na vida das crianças. Essa assertiva é confirmada
por Araújo (1992, p.14) quando ressalta que “nos escritos de Leis, Livro VII,
Platão preconizava o valor educativo do jogo enquanto atividade lúdica”. Com o
passar dos tempos, na era cristã, várias concepções foram se formulando em
torno do lúdico. Umas de maneira muito significativa, outras discriminando a
criança e seu interesse pelas atividades lúdicas.
Com a evolução dessa tendência, muitos autores deram ênfase ao
estudo do lúdico, analisando conceitos que realmente atingissem um
significado de totalidade na vida do ser humano, bem como sua importância
nas várias culturas indistintamente.
Esta preocupação tem sido questionada especialmente hoje, quando o
surgimento de novas formas de lazer moderno e a fabricação de brinquedos
eletrônicos e mecânicos fazem com que o lúdico se torne uma atividade
passiva e limitada, dando à criança apenas a incumbência de expectadora de
uma ação, desprovida de qualquer esforço ou criatividade, transformando-se,
assim, num momento desvinculado de participação ativa.
Desde muito cedo na vida da criança é de fundamental importância o
desenvolvimento das atividades lúdicas, pois quando ela brinca, explora a
manuseia tudo aquilo que está à sua volta, através de esforços físicos e
mentais e sem se sentir coagida pelo adulto, começa a ter sentimentos de
liberdade e satisfação pelo que faz, dando, portanto, real valor e atenção às
atividades vivenciadas naquele instante.
17
Na escola, todos, e, principalmente o orientador pedagógico, devem
estar atentos à motivação da criança. Trabalhar seqüência numérica, por
exemplo, pode ser algo tedioso para uma criança, quando esta atividade se
resume à cópia dos numerais numa folha mimeográfica, mas pode se tornar
algo divertido quando desenvolvida por meio de um jogo ou brincadeira, como
o boliche.
O ser humano distingue-se das demais espécies por algumas
habilidades inerentes somente a ele, ressaltando-se a capacidade de pensar: a
racionalidade. Assim, pensa-se sempre o ser humano como um ser racional,
denominado comumente homo sapiens, mas não seria possível definir o
homem pela sua ludicidade, tendo-se, assim, o Homo Ludens?
O homem não é uma tábua rasa que só recebe e muito menos é um ser
que já nasce pronto, mas é um ser que nasce dependente e que vai se
desenvolver e amadurecer, ou seja, passa por diferentes etapas ao longo de
toda a sua existência. Uma dessas etapas, importantíssimas, é a infância. É
nesse período que a criança vai estabelecer relações e fazer descobertas e um
dos instrumentos para tais atitudes é o lúdico.
Brincar é, sem dúvida, um dos maiores passatempos da infância,
através da brincadeira, do movimento, da dança, ela vai compreendendo o
mundo vai promovendo e facilitando a comunicação com o outro, vai
desenvolvendo a sua criatividade. Segundo Schiller (1990, p.75) “brincar é um
processo criativo vinculado ao fenômeno da curiosidade e ao fenômeno das
intencionalidades do homem”. O brincar faz nascer o homem. O brincar
assume um dado novo que é a valoração dada ao brinquedo, ao jogo, à dança,
ao movimento, que ultrapassa totalmente o mero biológico.
O desenvolvimento de uma criança não ocorre de uma maneira única,
igual, linear. Por isso, Guerra (2002, p.30) ressalta que “a criança necessita de
um tratamento diferenciado, capaz de considerar seu contexto, sua história de
vida, seu conjunto de características, necessidades e desejos”. Não existe uma
receita passo a passo que toda criança tem que seguir. Durante seu
crescimento natural, ela experimenta, vivencia de maneira singular cada etapa
de sua existência. A criança percebe e sente o mundo de um jeito muito próprio
e é a partir dessa percepção que é impossível dissociar o ser denominado
18
criança de sua característica mais peculiar, que está estritamente ligada às
suas descobertas e à sua interação com o mundo: o lúdico.
O lúdico, embora seja um termo muito genérico, pode ser compreendido
aqui como o brincar. Lembrando que em sua origem latina a palavra “lúdico”
definia o fenômeno de brincar.
Brincar é indispensável à saúde física, emocional, intelectual da criança.
É uma arte, um dom natural que, quando bem cultivado irá contribuir no seu
processo de aprendizagem, de desenvolvimento, e, no futuro, para a eficiência
e o equilíbrio mental do adulto. Assim, é inquestionável o papel do lúdico, do
brincar na vida da criança, pois favorece tanto ao aspecto cognitivo, emocional
e psíquico como o crescimento físico e social. Deconto (apud ALMEIDA, 2003,
p.43) confirma isso ao ressaltar que “brincar é pensar com o corpo inteiro e que
assim nos tornamos protagonistas de nossos destinos, sujeitos de nossa
história, ‘brincantes’ tecendo peculiaridades poéticas de existir”.
O brincar é para a criança uma possibilidade de se ter um espaço me
que a ação ali praticada é de seu domínio, isto é, ela é seu guia, ela age em
função de sua própria iniciativa. Esse é sem dúvida um elemento relevante: a
criança toma a decisão para si (vai ou não brincar), isso lhe dá a chance de
experimentar sua autonomia perante o mundo.
Assim sendo as relações cognitivas e afetivas, conseqüentes da
interação lúdica, propiciam amadurecimento emocional e vão pouco a pouco
construindo a sociabilidade infantil. Especialmente nos jogos grupais, a
interação acontece de maneira mais fácil, pois é estimulada pela necessidade
que os elementos de grupo têm de alcançar determinadas metas. Para extrair
resultados mais ricos dessa interação é necessário mudar sempre os
elementos dentro de cada grupo. Esses grupos podem ser claramente
visualizados e estudados na escola.
2.1. Preparação das escolas no âmbito social
O atendimento institucional à criança pequena, no Brasil e no mundo,
apresenta em estado de análises que norteia uma reflexão sobre o ato
pedagógico. A escola como um todo deve está apto para recebimento desses
19
educandos de forma atrativa, espaçosa e dinâmica. Oferecendo cuidados com
a educação, segurança, saúde e alimentação. Este último quando oferecida.
Já os educadores na sua preparação escolar, bem informados sobre a
realidade de cada educando, contextualizando a história de vida de cada um e
tornando suas aulas mais significativas. Levando em consideração todos os
aspectos sociais, econômicos, emocionais e cognitivos.
Nesta preparação terá a participação das secretarias de educação que
mediará recursos didáticos ou financeiros que facilitem o acesso a ludicidade,
projetos que visam à construção de brinquedos com sucatas e demais
situações que sejam de responsabilidade deste órgão educacional e que
permeiam a ludicidade, os jogos e as brincadeiras na escola.
Atividades diversas, nesta perspectiva só irão vislumbrar uma educação
diferenciada
cujos
pais
e
comunidades
apreciaram
essa
instituição.
Exposições, feiras, indústrias de talentos serviram como um alicerce para
externar essa ludicidade desde que permita sua apresentação num espaço
apropriado para o resgate de brincadeiras e outros jogos que será inserido as
áreas de conhecimento.
Na mesma visão da responsabilidade das secretarias e gestores deve se
preocupar com os educadores, visando sempre capacitá-los ou informar sobre
os temas atuais, preferencialmente sobre planejamentos, projetos que
envolvam o lúdico, resgate de brincadeiras atuais e históricas junto às famílias
bem como informações citadas sobre a ludicidade.
Nesta linha de pensamento enfatizar sobre a sua importância, seus
meios, estudiosos que defendem recursos que fazem do lúdico, enfocar as
necessidades de se trabalhar com esse tema atual na sala de aula mostrando
a participação deste tema em todas as etapas da educação escolar.
De posse dessas informações, os educadores prepararão suas aulas
bem mais dinâmicas e atrativas, relacionando as áreas de conhecimento com a
ludicidade através de uma fusão de significados condizentes a realidade que o
educandos e a sua história se completa.
20
Portanto, escola: professores, gestores e sua equipe deverão estar
conscientes de seu papel nesta transformação da educação, os conteúdos
acompanhados com a ludicidade farão um grande avanço na relação de alunos
e professores dando uma nova qualidade e um significado ao ensino e a
aprendizagem.
2.2. O Lúdico e o Resgate da História do Sujeito
Do ponto de vista histórica a dimensão lúdica se destaca a partir da
época em que a criança no seu cotidiano está inserida num espaço em que a
mesma ocupa numa dimensão social específica. Na educação em que se
encontra e as relações sociais que mantém com o seu mundo.
Diversos estudos clássicos destacam a determinação das origens
brasileiras na mistura de três raças ou na assimilação progressiva, nos
primeiros séculos, das raças vermelha e negra pela raça branca, na figura dos
primeiros portugueses colonizadores.
Foi
graças
a
esse
cruzamento,
estimulado
pela
ausência
de
preconceitos raciais, que no Brasil se misturaram às raças brancas, ameríndias
e africanas na formação do povo brasileiro. Posteriormente, continuou o
cruzamento
com
povos
europeus
e
asiáticos,
produzindo
a
grande
heterogeneidade da composição populacional de hoje em dia.
Com essa mistura das populações veio também seu folclore. Ao longo
do processo de miscigenação, o folclore brasileiro recebeu nova cor, tomou
novos aspectos. Mas o que havia de português permaneceu e perdurou.
Foram através desses primeiros colonizadores que a ludicidade veio
unida com o folclore lusitano, incluindo os contos, histórias, lendas e
superstições que se perpetuam pelas vozes adocicadas das negras, e também
jogos, as brincadeiras de roda, festas, técnicas e valores.
21
Em virtude da ampla miscigenação étnica a partir do primeiro grupo de
colonização, fica difícil precisar a contribuição especifica de brancos, negros e
índios na ludicidade no Brasil. Quem de fato deu origem a ludicidade nas
instituições de ensino. (KISHIMOTO, 1997).
Surgem as primeiras construções lúdicas em algumas regiões e povos:
as pipas ou papagaios, transformando-se em brinquedos infantis e diversas
outras brincadeiras que se misturaram e se tornam presentes até hoje nos dias
atuais. Podendo ser construídos bem como industrializados.
Avaliado como parte da cultura popular, a ludicidade guarda a produção
espiritual de uma sociedade em certo período histórico. Não se conhece a
estirpe do jogo, estima-se que foram executadas por adultos, realizações de
romances, poesias, mitos e formalidades religiosas.
Considera-se que povos antigos como os da Grécia e Oriente brincaram
de amarelinha, de empinar papagaios, jogar pedrinhas, e até hoje as crianças o
fazem na mesma organização. O lúdico tem a sua origem na palavra latina
“ludus” que quer dizer “jogo”. Se estivesse limitada a sua estirpe, o termo lúdico
estaria se limitado apenas ao jogar, ao brincar, a animação espontânea,
ressalta Kishimoto, (1997).
A historicidade semântica da palavra “lúdico”, todavia, não se limitou a
apenas nas suas origens e acompanhou as abordagens da Ciência –
Psicomotricidade. A ludicidade passou a ser vista como um marco histórico
importantíssimo de psicofisiologia do comportamento humano.
A vista disso, o conceito de “lúdico” deixou de ser um pueril sinônimo do
jogo. As implicações da precisão lúdica excederam o perímetro do brincar
espontâneo. Passando a necessidade básica da personalidade do corpo e da
mente.
A ludicidade faz parte das atividades essenciais da dinâmica humana.
Caracterizando por ser espontâneo funcional e satisfatório levando a realização
de diversas atividades que englobam a criança dentro de sua especificidade
contribuindo para uma satisfação pessoal.
22
Portanto, a ludicidade pode ser um tema atual, porém já era um tema
estudado de muito tempo atrás. Visto numa abordagem restrita a Educação
Física e presente somente nestas aulas, sem vínculo a outras demais áreas de
conhecimento.
2.3. O brincar e a história cultural
O brincar é um recurso que as crianças utilizam para exprimir e elaborar
etapas de conteúdos de sua cognição, fato, vida, sentimentos. Além de ajudar
no desenvolvimento motor e cognitivo.
O brincar é como uma especificidade da infância na iconografia de
tempos passados. Crianças do tempo passado brincavam de tambor, enquanto
umas crianças da zona rural brincavam de pegar passarinho, subir nas árvores,
nadar nos rios, as meninas brincavam de bonecas, sugerindo uma atmosfera
de liberdade, de intimidade, onde tipicamente brincam de “mãe e filha”.
O faz de conta que as crianças representam através da ludicidade
permite externar o meio em que as mesmas estão inseridas. s relações sociais
que começam a perceber entre papéis de mãe e filha.
As brincadeiras passam por uma grande transformação conforme a
criança cresce e adquire uma abordagem mais sofisticada. Quando bebê, o
brincar está muito associado à exploração do espaço em que está inserido (tão
novo e conhecido), ao conhecimento (brinca com as partes de seu corpo) e à
aquisição das primeiras habilidades motoras.
No mesmo aspecto quando a mãe pega um paninho e esconde seu
rosto dizendo “cadê a mamãe?”, e logo afirma: “achou a mamãe!”. Esta inclui
as brincadeiras de ausência e presença, ao se afastar do bebê por algum
tempo quando deve se deslocar ao afastar de sua visão, procurando
estabelecer uma tranqüilidade.
23
O brincar dentro das brincadeiras simbólicas permite reviver cenas que
foram difíceis e, na fantasia, modificá-las. Por exemplo, a criança revive os
momentos que se passou durante uma visita a um dentista, brincando podendo
retroceder a situação que lhe causou um impacto de afastar-se da real
situação, logo, o jogo desta brincadeira constantemente, passará a voltar ao
dentista sem receios.
Outras situações do ato de brincar estão na percepção de encenação da
convivência do dia a dia das crianças, preparando-as para a vida adulta.
Encena o que é ser pai, mãe, filhas e outros personagens freqüentes no seu
universo infantil. Revivendo circunstância que acontecem no seu cotidiano.
O brincar representa também, as emoções que ocorrem ao seu lado,
poderá fazer de conta que é uma mãe muito brava – assim como a sua, nesta
vertente tenta assimilar o porquê dessas emoções. Nesta linha de pensamento,
o brincar também reflete a diferença entre os sexos na forma de brincar.
Esta afirmação retrata que algumas evidências dizem a respeito da
identidade sexual, sofrendo influências conforme o convívio das crianças.
Todas as meninas no início do seu brincar, brincam de casinha, escola,
encenando o que corresponde ao que a sociedade a espera.
No entanto os meninos implicam a ação de brincar com a comparação e
medição de forças. Refletidas e espelhadas em super-heróis, lutas, bonecos
com poderes especiais conduzindo numa influência que identificará, no futuro,
sua masculinidade.
A brincadeira repassa para as crianças valores que a sociedade acredita
ser importante, para as meninas ressalta que seu ato de brincar seja de forma
delicada. Enquanto para os meninos, estes não podem ser chorões ou
delicados e principalmente na forma de expressar seus sentimentos.
A sociedade obriga que suas brincadeiras, a dos meninos, sejam
envolvidas com carros, envolvam futebol, jogo de vídeo game desconsiderando
a verdadeira essência do brincar. Os reais objetivos da brincadeira e seus
valores de companheirismo, liberdade e expressão.
24
Quando ocorre que a criança venha brincar com brinquedos que não
condiz ao gosto que a sociedade, dita como normal, ou seja, menina brinca
com bola ou menino com boneca, isso não significa necessariamente um
problema. Isso ocorre pelo simples fato de gostar por gostar e que um adulto
pode não está por perto, ou que as crianças estejam próximas de crianças do
seu oposto.
Em outros casos, a ação do brincar desta forma, em suma pode refletir
um pedido de ajuda de um especialista, pelo simples fato das crianças terem
uma mãe que não se casou, não se arruma, evita os homens, apresentando
dificuldade de lidar coma sua própria sexualidade. O que a criança vincula o
problema de sua mãe a si próprio através de suas ações nas brincadeiras.
Quando a pré-adolescência e a adolescência chegam, as brincadeiras
diminuem, o jovem consegue diferencias as fantasias das brincadeiras e
expressam-se com facilidade tanto verbal quanto físicas características desta
fase. Um adolescente que brinca como uma criança necessita procurar um
tratamento.
Nesta linha de pensamento, junto às crianças, uma grande aliada a
essas brincadeiras seriam as escolas no que diz respeito aos conhecimentos
adquiridos pelas crianças e sua vivência antes do ingresso na instituição
constituindo um dos males educacionais, deixando o brincar de lado e
esquecido refletindo um brincar de forma fria e puro passatempo.
Neste sentido, é admissível presumir que uma modificação na forma de
abranger a criança impulsiona transformações educacionais na abordagem
pedagógica com os conteúdos infantis. O desafio dado ao ensino formal (nas
escolas) é como versar metodologicamente dessa manifestação, analisando
suas potencialidades e suas contradições.
Para tanto, é importante atentar para as feições assumidas pelas
brincadeiras cantadas e lúdicas de forma geral na transmissão de saberes (em
particular da cultura corporal) na esfera informal (rua, casa, igreja, trabalho) e
formal (escola).
25
Freire (1989, p. 43) ressalta que a escola pensa estar educando para o
aprendizado dos símbolos, e estes, representados pelos números, letras e
outros sinais, são reconhecidos socialmente. Considerando que a procedência
de brincar implica em diversas áreas de conhecimento e atinge todas as partes
do cognitivo, social e o emocional.
No entanto, se esquece de que as crianças não deixaram de ter seu
mundo particular (sua rua, casa, clube) ao ir a instituição educacional, cujos
símbolos procedem aos universais, através de imagens criadas por elas como
forma de representação do real.
E acrescenta que estes constituíram o dispositivo mais forte de proteção
do ser humano. Deste modo, quando a criança se oferece ao faz-de-conta,
passa a aprender, na visão do autor, aquilo que mais deve ser instruído entre
os humanos: a simbolizar. Portanto, assegurar o autor Kishimoto (1989, p.13),
“negar a cultura infantil, é no mínimo, mais uma ofuscação do sistema
institucional educacional”.
Um dos fundamentais motivos do acontecimento do furto do lúdico na
infância, alerta Marcellino (1991, p. 37), talvez seja a passagem de ponderar a
criança como um adulto em miniatura, cuja acepção seria prepará-la para o
futuro. Sempre preocupados em transmitir a realidade e as exigências que o
mercado de trabalho está propondo.
Mas faz-se uma ressalva nas afirmações do autor, “o mundo do
brinquedo, em sua essência, não se prende à preparação sistemática para o
futuro, todavia a vivência do presente, do agora”. As crianças precisam viver a
essências de cada dia e experiências únicas que são vividas somente por elas.
Nesta demanda entende-se que a crianças na sua infantilidade é
produtora de sua própria cultura, viabilizando tempo e espaço para esta
produção,
confirmando
o
direito
de
brincar,
permitindo
diversificadas
experiências e contribuindo para sua formação como ser humano atuante e
consciente de seu papel na sociedade em que vive.
26
Nesta perspectiva, a brincadeira pode ser compreendida como uma
ação lúdica com predominância da reflexão em imutável inter-relação com o
jogo, sobressaindo nesta organização da atividade por meio de regras ou
combinações. De acordo com os estudos de Rocha (2000), na educação
infantil educadores afirmam reconhecer no jogo uma superioridade no que dia
respeito à brincadeira.
Outro autor, Oliveira defende a diferença de brinquedo e brincadeira a
partir de uma linha teórica: uma vislumbra a brincadeira como sinônima do
brinquedo (o brinquedo não é apenas o palpável, concreto, no entanto o seu
ato no brincar), em outra dimensão destaca a brincadeira como o vivencial, o
entretenimento, e não o componente em si, sendo o brinquedo apenas um
instrumento utilizado para brincar (boneca, casa, bola, pipa, pião, etc).
Considerando esta tipologia dinâmica, as brincadeiras na vertente do
brincar, as brincadeiras cantadas são entendidas como formas lúdicas de
brincar com o organismo no principio da relação estabelecida entre o
movimento corporal e expressão verbal, como músicas, frases, palavras ou
sílabas ritmadas.
Desta forma, as brincadeiras cantadas integram-se na cultura popular ou
nascem na sociedade atual, representando uma possibilidade de potencializar
o “lúdico” no argumento educacional, manifestadas oras pelo ludus (comum na
condução sistematizada das brincadeiras na sua ação de brincar, quando
esclarecidas e ensinadas) ou pela paidia (presente como um laboratório de
criação).
O brincar acentua uma diversidade de movimentos, condutas,
permissões dos companheiros e fantasias que envolvem a criança no seu
cotidiano de “faz-de-conta”, ao mesmo tempo tão real e verdadeiro. De fato, as
crianças residentes em favela, suas brincadeiras se destacam pela polícia e
ladrão se comparadas aos da fazenda como o brincar de animais, pularem em
árvores, tomas banho de rios, etc.
27
É brincando que as crianças buscam abranger e dominar os fatos fora
de seu alcance. Não esquecendo que são nas brincadeiras que permitem a
transcendência da realidade imediata, haja vista a presença, mesmo que
minoritária, de outras situações sociais que constituem intercâmbio com o dia a
dia que a crianças costuma presenciar.
Em suma, é geralmente, por meio de jogos que as crianças brincam
socializando-se e expondo as suas memórias, estabelecendo não apenas a
educação formal bem como a produção cultural comum. Para Pinto (1997, p.
65), as crianças constroem os seus mundos sociais, isto é, constroem o espaço
que as rodeia e a sociedade mais vasta em que vivem.
2.4. Brinquedos Pedagógicos
Além dos brinquedos do dia-a-dia, que vêm carregados de significados e
história e que muito contribuem para o desenvolvimento da criança, pode-se
contar ainda com um instrumento importante para o educador, que, juntamente
com os brinquedos do cotidiano, irão lhe auxiliar a enriquecer sua prática
pedagógica: o brinquedo pedagógico.
Costuma-se chamar brinquedo pedagógico ao que foi fabricado com o
objetivo de proporcionar determinadas aprendizagens, tais como: cores, formas
geométricas, números ou letras, etc.
Entretanto, segundo Cunha, tal denominação é bastante relativa pelas
seguintes razões:
1º O que caracteriza o brinquedo é a atitude que envolve a sua
utilização. Um brinquedo pedagógico com as letras do alfabeto
impressas em cubos de madeira, por exemplo, pode ser usada
para montar um trenzinho, e um trenzinho pode ser usado
como instrumento de alfabetização, quando a criança se
interessa em ler o nome do fabricante, por exemplo.
2º O que é e o que não é pedagógico? Será que a pedagogia
se restringe a ensinar formas, cores, números e letras? A
educação é um processo global e contínuo. Cada etapa de
28
desenvolvimento, cada momento da vida de uma criança tem
prioridades diferentes, que a atuação pedagógica precisa
atender. O ursinho de pelúcia é o mais pedagógico que se
pode oferecer em certos momentos, como uma bola de futebol
pode ser em outros. Seguindo esta linha de pensamento,
poderíamos dizer que brinquedo pedagógico é todo o objeto
que atende à necessidade no momento em que ela o utiliza.
(apud MARANHÃO, 2004, p.85)
Essa definição seria mais correta do ponto de vista conceitual, pois
também são tarefas da educação o desenvolvimento emocional e social, a
preservação da alegria e da saúde mental da criança.
Como já foi citado anteriormente, todo brinquedo pode ser pedagógico
dependendo das circunstâncias, assim como os mais educativos brinquedos
podem deixar de sê-lo em determinada situação, pois o valor do brinquedo está
diretamente relacionado ao sentimento que consegue provocar na criança.
Podemos adotar a denominação Brinquedo Pedagógico não a nível
conceitual, mas apenas para caracterizar um tipo de brinquedo que tem uma
proposta mais objetiva, ou seja, fazer com que a criança aprenda de forma
prazerosa, sem medos e sem se sentir coagida pelo adulto.
No brinquedo pedagógico o objetivo é justamente obter a satisfação ao
final da atividade, ou seja, quando o objetivo do jogo foi alcançado. Mas este
prazer de ter conseguido pode ser tão importante que a criança queira repetir o
mesmo jogo muitas vezes, só para revivê-lo, vale ressaltar que o sucesso pode
ser influenciado pelo incentivo do adulto.
Segundo Maria Montessori,
Constata-se que um determinado jogo pode atender de tal
forma uma necessidade anterior da criança que ela executa
algumas dezenas de vezes, polarizando sua atenção de tal
forma que, ao largar o jogo, está mais calma e relaxada,
podendo até passar a ter comportamento mais equilibrado.
(apud CUNHA, 1988, p. 67)
O maior valor do brinquedo está na sua gratuidade. No brinquedo livre e
espontâneo a criança chega a alcançar um nível de participação, uma
29
profundidade que a enriquece na medida que aumenta sua capacidade de
engajamento, pelo livre exercício de concentração e de atenção.
Nem só os jogos que alimentam a fantasia da criança atendem a suas
necessidade, visto que existem outras necessidades inerentes ao seu processo
de desenvolvimento.
A proposta definida de um brinquedo pedagógico pode funcionar como
desafio à participação da criança. É motivador o subjacente convite a uma
auto-avaliação de habilidades ou à possibilidade de obter sucesso e reforçar o
auto-conceito. As crianças gostam de superar-se. Desse modo, Kishimoto
ressalta que:
para Piaget, os professores podem guiá-las proporcionandolhes os materiais apropriados, mas o essencial é que, para que
uma criança entenda, deve construir, ela mesma deve
reinventar. Cada vez que ensinamos algo a uma criança
estamos impedindo que ela descubra por si mesma. Por outro
lado, aquilo que permitimos que descubra por si mesma,
permanecerá com ela. (1999, p. 59)
Dessa forma, percebe-se claramente que o papel do educador não é dar
nada pronto pra criança, mas sim de motivá-la a fazer descobertas, é atiçarlhes a curiosidade. As descobertas feitas pelas crianças são significativas para
ela e deixam marcas indeléveis, que jamais se apagarão porque foram feitas
por elas e não por outrem.
30
CAPÍTULO III - BRINCADEIRA SÉRIA
3. O papel do orientador na implantação de atividades lúdicas
A grande questão que nos envolve seria o papel do orientador
educacional na implantação das atividades lúdicas dentro do contexto escolar.
Sabemos, devido a inúmeros autores, como, por exemplo, Gisele Waiskop,
João Batista Freire, Paulo Nunes de Almeida, Maria Luiza Teles, entre outros,
que a pré-escola pode ser vista de duas formas. A primeira consiste em ser
uma ambiente de extrema importância na construção do ser humano, deixando
de lado as ações que não "levariam" a criança de encontro ao seu
desenvolvimento pleno. A segunda forma seria a pré-escola como um local de
descarrego, por parte de seus familiares, onde as crianças se sentiriam livres e
o mesmo acontecendo com seus familiares.
Sabendo que podem existir estas duas formas de atuação da escola
para com as crianças e que ambas contribuem para o desenvolvimento infantil,
mas que apenas uma dá total liberdade a eles estarem interagindo de forma
agradável e segura, é que estamos realizando este trabalho, discutindo de
maneira clara e objetiva os diversos olhares com relação ao brinquedo, a
brincadeira e a ludicidade, suas funções dentro da sociedade, e como
poderiam estar sendo aplicadas no contexto escolar, mais especificamente na
pré-escola, sem corromper a metodologia imposta que seria a alfabetização
e/ou o desenvolvimento para a vida adulta.
Através destas informações, enfatizamos neste momento alguns autores
que foram citados anteriormente no início deste assunto, contextualizando suas
obras e contribuindo de forma significativa para o fechamento deste trabalho.
31
3.1. Educação Lúdica: técnicas e jogos pedagógicos
Segundo Snyders, (apud ALMEIDA, 2000) é preciso organizar o jogo de
tal forma que, sem destruir ou sem desvirtuar seu caráter lúdico, contribua para
formar qualidades do trabalho e do cidadão do futuro.
Refletindo sobre este pensamento é que Paulo Nunes de Almeida
propõe em sua obra a aplicação da ludicidade dentro de sua real
funcionalidade no desenvolvimento do ser humano, principalmente com
crianças e adolescentes.
Outro ponto importante da obra consiste em como ela está inserida no
contexto educacional onde Almeida realça a probabilidade de se estar
trabalhando com formas e conteúdos da ludicidade sem se perder em
metodologias tecnicistas impostas pelas escolas tradicionais, além de que
expõe também conteúdos pedagógicos como jogos onde tais atividades lúdicas
poderiam ser muito bem exploradas pelos profissionais da Orientação
Educacional como forma de garantir não só o desenvolvimento motor da
criança como também seu sistema cognitivo e afetivo-social como um todo.
Mas para ter esse rendimento o qual Almeida propõe, serão necessários
profissionais altamente capacitados para o desenrolar do lúdico dentro da
escola, caso contrário apenas serão ministrados jogos por jogar sem qualquer
tipo de especificidade e também de interdisciplinaridade.
Almeida exemplifica, através de dados concretos, que a Educação
Lúdica poderá estar presente na vida cotidiana escolar de cada criança sem
que se façam adaptações severas na metodologia tradicional e conclui de
forma clara e objetiva que pais, professores, diretores de escolas, enfim, todos
aqueles a quem o orientador educacional dá as direções, adaptem suas vidas
ao mundo tecnológico, informatizado, sem perder o caráter lúdico da vida
(prazer, brincar e educar), para que a criança possa expandir suas forças
normais naturalmente e crescer segura e confiante.
32
3.2. Brinquedo e Cultura
Por estarmos abordando também o brinquedo como meio pelo qual age
diretamente na vida cultural das pessoas, Gilles Brougère (1997) expõe em sua
obra reflexões a respeito do brinquedo e sua atuação na sociedade como
objeto sem valor ou com funções pré-estabelecidas, mas que não atingem as
perspectivas da sua real utilidade.
Esta obra é voltada para as ações realizadas pelas pessoas ao
utilizarem os brinquedos bem como a que elas aproveitem o resultado destas
ações em sua vida. E por esse objetivo que tanto nos interessa em nosso
estudo, o autor trata também através da linha educacional, mostrando de forma
clara e sucinta que o brinquedo não é um mero objeto, ele é marcado, de fato,
pelo domínio do valor simbólico sobre a função ou, para ser mais fiel ao que ele
é, a dimensão simbólica torna-se nele a função principal.
Em se tratando de valor simbólico podemos lançar mão de Oliveira
(1992, p. 29) onde a autora coloca o simbolismo do brinquedo como peça
fundamental no desenvolvimento da criança e ainda destaca o processo pelo
qual a mesma passa ao sofrer influência direta do simbólico no seu dia-dia.
Segundo Brougère, o brinquedo não parece definido por uma função
precisa: trata-se, antes de tudo, de um objeto que a criança manipula
livremente, sem estar condicionado às regras ou a princípios de utilização de
natureza, e é neste momento que adultos tentam ceifar essa liberdade
garantida, impondo-lhes tarefas absurdas, compromissos exagerados tentando
de uma forma ou outra “adultizar” esta criança precocemente a ponto de fazê-la
desistir de todo seu poder de criatividade, simbolismo, imaginação.
Com certeza podemos dizer que a função do brinquedo é a brincadeira.
O que caracteriza a brincadeira é que ela pode fabricar seus objetos, ou seja,
ela pode estar criando uma enorme variedade de ações sem que esteja
desviando de seu uso habitual.
Tudo que a criança faz dentro de uma brincadeira tem sentido, por mais
que pareça desorganizado para nós, dentro do seu acervo cognitivo tem uma
33
enorme significância. Talvez esse seja o ponto chave do descaso para com os
brinquedos e de suas funções. O excesso de atributos inseridos dentro de um
brinquedo, na atualidade, é de uma grandeza incomparável em relação a
brinquedos tradicionais ou do passado. Com a modernidade das indústrias de
brinquedos pouco se tem de "desvendar" novas funções para esses brinquedos
o que limita enormemente o lado criativo e imaginativo das crianças.
Hoje,
grande
parte
dos
sucessos
e
fracassos
das
empresas
multinacionais podem ser exemplificados pela adequação do conteúdo
simbólico dos brinquedos, ou seja, brinquedos com funções pré-estabelecidas
e que não traduzem o aspecto lúdico, são objetos sem valor e com final
precoce. Com efeito, a imagem do brinquedo não é qualquer imagem: ela deve
ser manipulável no interior da atividade lúdica da criança e corresponder à
lógica da brincadeira e da expectativa daquela que orienta na compra em
termos de imagem. Devemos distinguir o brinquedo que fora comprado com
orientação dos pais ou daquele que é pedido pela criança.
Podemos concluir, segundo Brougère (1997), que de um modo geral, o
brinquedo, por seu próprio "extremismo", nos permite vislumbrar uma direção
na análise da relação entre imagem e função no objeto, conhecer não só o
domínio da imagem, mas a própria transformação da dimensão simbólica em
função do objeto. Porém, a imagem pode ser a função ou participar
diretamente dela, como nos mostra o brinquedo.
3.3. Educação Física: da alegria do lúdico à opressão do rendimento
Outro teórico da ludicidade no contexto escolar, Silvino Santin, nos dá
uma idéia de como as aulas de Educação Física deixam de ser momentos de
descontração, deixam de ser momentos de relaxamento, é claro não deixando
de lado os objetivos propostos pela disciplina e passam a ser aulas militaristas
onde se tem como ponto central à performance, a busca de resultados
expressivos para satisfação de pais, professores e da escola em geral.
34
Santin (1998) aborda também a temática educacional do lúdico como
uma das ferramentas necessárias para o enriquecimento motor das crianças,
proporcionando dessa forma o prazer pela liberdade e criatividade que
atualmente um pouco esquecida dentro das aulas de Educação Física.
A quem devemos culpar este esquecimento? Pais, professores ou a
sociedade como um todo. Como já vimos em obras anteriores são os adultos
que não conseguem mais brincar e por isso projetam toda sua inoperância na
figura da criança, não as deixando brincarem e tampouco participam do
cotidiano infantil de seus filhos, impondo-lhes tarefas abusivas e precoces
escondendo o mundo que é da criança que é um mundo totalmente hostil ao
sistema de significações gerado pelo impulso lúdico.
É notório que quando o adulto cria brinquedos, ele cria como preparação
da criança para a vida adulta. Sua sensibilidade lúdica fica submetida à
sensibilidade lúdica do adulto. O importante não é usar e explorar o brinquedo,
mas tentar salvar o impulso lúdico, que tanto faz falta ao adulto.
Sempre que se pretende falar da criança, ela é enfocada a partir do
adulto. Parece que a razão de ser da criança está necessariamente atrelada ao
projeto tornar-se, melhor, antecipar-se como adulto. Ela deve jogar o jogo da
vida de acordo com as regras dos homens grandes. Mas que regras são estas
que até os adultos se contradizem e sofrem com essa angústia. Se a criança
puder criar, simbolizar, fantasiar suas próprias regras e conceitos, arcará com
conseqüências menos drásticas do que as impostas por um adulto. Elas
conhecerão mundos diferentes e com isso desenvolver-se-ão de maneira
sólida e consciente.
Neste sentido, argumenta Winnicott, é no brincar e somente no brincar
que o indivíduo, criança ou adulto, pode ser criativo e utilizar sua personalidade
integral. (apud SANTIN, 1998, pág. 116)
No brinquedo, a sensibilidade lúdica da criança que fantasia suas
criaturas, inventa nomes, define papéis e os altera quando quiser. O que a
criança opera, ao brincar, não é uma utilização de objetos com funções
35
preestabelecidas, mas ela cria formas que andam, que rodam, cria uma vida e
não uma propriedade.
Então podemos concluir, segundo Santin, que a corporeidade da
atividade lúdica é como a sonoridade de um instrumento musical. O som é
inseparável do próprio instrumento, e o som não se desvincula da melodia.
Vozes, sons, pessoas e instrumentos musicais formam um todo com a melodia.
O brinquedo forma uma sensibilidade corporal unívoca e indivisível, e a
melodia da corporeidade do brinquedo chama-se alegria.
3.4. Criatividade e ludicidade uma combinação perfeita
A ludicidade é assunto que tem conquistado espaço no panorama
nacional cuja criança se torna criadora porque além da sua necessidade de
exprimir seus sentimentos, precisa relacionar-se com o mundo.
Foi através da criatividade que o homem solucionou os problemas do
seu cotidiano, como criar armas para caçar, obter alimentos e roupas, descobrir
o fogo para se aquecer. Avançando e buscando diversas formas para melhorar
a sua condição de vida.
A criatividade humana manifestar-se pelo progresso conquistado pelo
homem em todos os campos da vida. Em qualquer profissão, a criatividade
está presente. No plano individual, a criatividade torna o homem um ser mais
acessível par realizar experiências enriquecedoras, para expressar e ativar sua
capacidade, para ser feliz.
Marcellino (1991) diz que “este novo prazer lúdico deve ser crítico e
criativo, desenvolvendo possibilidades de novos valores, questionamentos de
situações vigentes e do furto do componente lúdico da cultura da criança”. É
comprovado que a evasão escolar e a repetência se dão ao caráter imposto do
trabalho escolar.
36
Isto ocorre muitas vezes por falta de valores do lazer na escola e
educadores qualificados para assumir tal tarefa. São diversas as formas de
brincar, porém são poucas as quais possuem objetivo e direcionamento.
Por isso a ludicidade abre um leque de experiências que a criança
vivenciará e será única com características pessoais e que servirá como base
na relação qualitativa no ensino e aprendizagem tornando-a significativa. Junto
ao educador como mediador desta relação.
É preciso aprender a viver criativamente, ter pensamentos novos e fazer
produtos novos sob quaisquer condições. A criatividade é significativa porque a
situação humana em si própria e por si própria exige criatividade.
37
CONCLUSÃO
O processo de Orientação Educacional é o próprio processo da
educação, em seu sentido mais amplo. Deve-se distinguir a educação como
um processo global, da educação como processo de instrução que é a mera
transmissão de informações - objetivo da grande maioria das escolas.
A habilidade do professor enquanto instrui é avaliada, principalmente,
pela sua aptidão em manipular métodos apropriados e em avaliar o alcance
dos objetivos desta aprendizagem. A habilidade do aluno é medida em termos
de alcançar os objetivos que o professor coloca. Mas não se pode dizer que
toda educação se encerra na obtenção de informações, compreensão,
manipulação e uso dela: as sociedades de todo mundo estão a exigir que a
escola assuma a responsabilidade por outra classe de aprendizagem até bem
pouco tempo entregue à família, ao clube, à igreja e outras agências sociais.
Essa aprendizagem incorpora as habilidades de mover-se socialmente,
integrar-se e participar, desenvolver os sentimentos próprios, situar-se no
mundo de forma física, psicológica e moral.
Essas aprendizagens aconteciam, e ainda acontecem em qualquer
parte. Também na escola. Contudo, não de modo proveitoso e objetivo, mas
antes como um subproduto acidental. E, no entanto, são essas as
aprendizagens realmente significativas na vida de uma pessoa. É para esse
tipo de tarefa e responsabilidade que o profissional de Orientação Educacional
se habilita.
O brinquedo sozinho é apenas um dos muitos objetos, mas no
momento que se processa o ludo-educativo na ação da brincadeira
desencadeia o desenvolvimento afetivo, cognitivo, físico e de interação com o
social. É o brincar de forma livre que proporciona a motivação interna e externa
da brincadeira. Esse objeto de possibilidades tem uma ação social e intima
relação com as crianças independente de qual grupo seja.
38
Na realidade, todo brinquedo produzido tem como base os interesses
da criança que brinca, do adulto que compra e do fabricante. No entanto há
uma inversão desses interesses, ou seja, uma sensação de que em primeiro
vem a preocupação econômica e comercial do fabricante, depois o valor que os
pais dão ao objeto e, por último, o que as crianças querem, e o que podem
aproveitar de acordo com seu potencial criativo.
Mesmo
que
a
indústria
apresente
brinquedos
modernos
e
incrementados, todas as gerações estarão ligadas a algum brinquedo
específico, seja a bola, a boneca ou, quem sabe, aquele cabo de vassoura que
todos nós já demos asas à imaginação e se transformou em uma espada ou
um cavalo.
Na escola, a condensação das atividades lúdicas, sejam elas por meio
do brinquedo físico, o objeto, ou por meio das brincadeiras quem envolvem
desafios ou simplesmente que sejam administradas pelo ato do brincar, do
relaxamento,
devem
ser
manejadas
de
modo
que
contribuam
significativamente para o crescimento do estudante.
O jogo pelo jogo deve ser colocado em momentos específicos nos
quais se tenha pré-estabelecido o tempo e as regras, porém sem que isso seja
necessariamente colocado para o aluno. Os brinquedos direcionados por
disciplina ou para colocar em prática a interdisciplinaridade devem ser guiados
para melhor atender tanto as necessidades do professor que tem um currículo
a seguir quanto a dos alunos que seria otimizar o tempo que passam na
escola.
É nesse ponto que entra a tarefa do orientador educacional no que
concerne justamente à sua atividade principal: orientar. Orientar os professores
a melhor utilizarem os recursos lúdicos que se tenha ou que se adquira para a
escola. Orientar os alunos a desfrutarem do que a escola lhes proporciona e
orientar os pais a que não pensem que, por estar brincando na escola, o filho
não está “fazendo nada”, pois, como já exposto, os adultos perdem a
capacidade de brincar e passam a ver tal atividade como perda de tempo.
39
Assim, a escola como o ambiente de pleno desenvolvimento do
cidadão deve contar com o profissional de Orientação Educacional para
direcionar a realização das atividades e a melhor utilização do tempo para
desenvolvê-las. Levando em consideração que as atividades lúdicas são muito
produtivas para o crescimento infantil, pois podem ser utilizadas tanto para
trabalhar a matéria quanto para simplesmente relaxar, cabe ao orientador
educacional, orientar os profissionais da educação para o estabelecimento de
tais atividades no contexto escolar.
40
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SENA, M. G. C. Orientação educacional no cotidiano das 1ªs séries do 1º grau
– Coleção "Espaço" nº 9 São Paulo: Loyola,1993 .
SHILLER, F. A educação estética do homem. São Paulo: Iluminuras, 1990.
WAISKOP, G. Brincar na pré-escola. 3 ed. São Paulo: Cortez, 1999.
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Ana Magaly Cirqueira Nogueira