ISSN 1519-0412 vol. XVI nº 60 maio/ago. 2014 A Contribuição do Balanced Scorecard na Gestão Estratégica de um Escritório de Contabilidade Análise da Aplicação de Recursos Públicos em Gastos Sociais nas Cidades-Polos de Minas Gerais Finanças: Um Estudo Bibliométrico e Sociométrico da Produção Científica Brasileira O Impacto da Depreciação nos Índices Econômicos e Financeiros de uma Organização Pública pela Aplicação da Ipsas 17 O Perfil Bibliográfico das Disciplinas de Custos dos Cursos de Ciências Contábeis do Brasil Ranking das Instituições de Ensino Superior do Sistema ACAFE a Partir dos Indicadores de Desempenho Econômico, Financeiro e de Atividades 1 Pensar Contábil CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Pensar Co ntábil Corpo Editorial Josir Simeone Gomes (Rio de Janeiro – RJ) Editor Pós-doutor em Controle de Gestão na Universidade Carlos III de Madrid e Professor da UNIGRANRIO Adriano Rodrigues (Rio de Janeiro – RJ) Doutor em Controladoria e Contabilidade pela USP, Mestre em Ciências Contábeis pela UFRJ, Professor da área de Contabilidade e Finanças da UFRJ, dos Programas de Pós-Graduação da FACC e COPPEAD UniverCidade e Professora da Faculdade Moraes Júnior Mackenzie Rio, da UniverCidade, do MBA de Perícia e de Auditoria e Compliance da Universidade Cândido Mendes Ernesto Lopes-Valeiras Sampedro (Espanha) Professor Depto. Economia Financeira e Contabilidade de Vigo Emma Taliani Castelló (Espanha) Professora titular da Universidad Alcalá Francisco José dos Santos Alves (Rio de Janeiro – RJ) Doutor em Contabilidade e Controladoria – FEA/USP, Professor da UNISUAM, Professor e Coordenador do PPGCC da UERJ Hector Jaime Correa Pinzon (Colômbia) Contador Público da Universidade de Manizales, Membro do Conselho Permanente para Evolução da Normas Internacionais de Contabilidade na Colômbia, Membro e Presidente da Comissão de Administração e Finanças da Associação Interamericana de Contabilidade, Membro do Instituto Nacional de Contadores Públicos de Colômbia, Presidente da Federação de Contadores Públicos da Colômbia - Fedecop Jorge Ribeiro dos Passos Rosa (Rio de Janeiro – RJ) Contador, Administrador, Pós-Graduado em Didática de Ensino Superior, Coordenador do Curso de Graduação em Ciências Contábeis da UFF José Alonso Borba (Florianópolis – SC) Doutor em Contabilidade pela USP e Professor da UFSC Magno Tarcísio de Sá ( Rio de Janeiro – RJ) Contador, Especialização em Contas Públicas pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Professor Assistente da Faculdade Béthencourt da Silva e Supervisor de Auditoria da Auditoria Geral do Estado – Secretaria de Estado e Fazenda (RJ) Maria Thereza Pompa Antunes (São Paulo – SP) Doutora em Controladoria e Contabilidade pela USP e Professora Adjunta da Universidade Presbiteriana Mackenzie/FAAP Nahor Plácido Lisboa (São Paulo – SP) Doutor em Controladoria e Contabilidade pela FEA/USP, Professor da FEA/USP e Pesquisador da FIPECAFI Oscar Diaz Becerra (Perú) Mestre em Contabilidade e Gestão pela UNMSM. Professor honorário da Universidade Nacional Santiago Antúnez de Mayolo, Patrícia Gonzalez Gonzalez (Colômbia) Graduada em Contadoria pública pela Universidade Del Valle, Especialização em Finanças e Gerência em Impostos pela Universidade Del Valle, Doutora em Controladoria e Contabilidade pela USP. Chefe do Programa em Finanças da Universidade Del Valle. Sandra Maria dos Santos (Fortaleza – CE) Pós-Doutora em Economia Regional e Urbana pela UFPE/PIMES, Doutora em Economia Industrial pela UFPE/PIMES e Editora Chefe da Contextus – Revista Contemporânea de Economia e Gestão Vicente Mateo Ripoll-Feliu (Espanha), Doutor em Contabilidade pela Universidade de Valencia, Professor Titular da Universidade de Valencia (Espanha) Waldir Jorge Ladeira dos Santos (Rio de Janeiro – RJ) Doutor em Políticas Públicas e Formação Humana pela UERJ, Mestre em Contabilidade Financeira pela UERJ, Professor da UERJ, Professor Adjunto da FACC/UFRJ e Professor da EPGE da FGV Management Expediente Conselho Diretor do CRCRJ Vitória Maria da Silva Presidente Francisco José dos Santos Alves Vice-presidente Waldir Jorge Ladeira dos Santos VP de Desenvolvimento Profissional Josir Simeone Gomes VP de Pesquisa e Estudos Técnicos Lílian Lima Alves VP Operacional Gil Marques Mendes VP de Registro Profissional Márcia Tavares Sobral de Sousa VP de Fiscalização, Ética e Disciplina Irany Onofre Rodrigues VP de Interior Antonio Ranha da Silva VP de Controle Interno Conselho Regional de Contabilidade do Estado do Rio de Janeiro Rua Primeiro de Março, 33 – Centro – Rio de Janeiro – RJ CEP: 20.010-000 • tel.: (21) 2216-9595 • fax: (21) 2216-9607 www.crc.org.br Envio de artigos e assinatura: [email protected] Data de impressão: agosto/2014 Tiragem: 2.000 exemplares Consultores Ad Hoc ISSN 1519-0412 Distribuição: por assinatura anual (R$ 16,00) Atendimento ao assinante •tel.: (21) 2216-9608 / fax: (21) 2216-9607 “As opiniões emitidas em artigos são de exclusiva responsabilidade de seus autores. É permitida a reprodução de qualquer matéria, desde que citada a fonte.” Produção Editorial e Design: Cajá Comunicação Jornalista responsável: Bruno Chuairi (Mtb15963/97/79) Impressão: Gráfica Sumaúma Apoio administrativo: Maria de Fátima Gomes Bacelo, Alex da Silva Peccini e Patrícia Silva Adolfo Henrique Coutinho e Silva (Doutor em Contabilidade e Controladoria pela FEA/USP, Professor Adjunto da FAF/UERJ), Andre Carlos Busanelli de Aquino (Doutor em Ciências Contábeis - FEA/USP, Professor Associado da FEA-RP/USP), André Paula Osório Duque (Doutora em Ciência da Informação pela UFF), Aracéli Cristina de Sousa Ferreira (Doutora em Controladoria e Contabilidade pela USP, Professora Titular da UFRJ), Francisco Antônio Bezerra (Doutor em Ciências Contábeis pela FEA/USP, Professor Permanente no PPGCC/ Furb), Jorge Vieira da Costa Junior (Doutor em Controladoria e Contabilidade pela USP), Jose Augusto Veiga da Costa Marques (Pós-Doutor em Contabilidade e Controladoria pela FEA/USP, Professor Associado da FACC/UFRJ), José Maria Dias Filho (Doutor em Controladoria e Contabilidade pela USP, Professor Adjunto da Faculdade de Ciências Contábeis da UFBA), Marcelo Coletto Pohlmann (Doutor em Controladoria e Contabilidade pela USP, Professor Adjunto da PUC-RS), Miguel Ângelo Caçoilo Gonçalves (Doutorando em Contabilidade da Universidade do Minho) Natan Szuster (Doutor em Contabilidade pela USP, Pós-Doutor pela University of Illinois at Urbana-Champaign, Professor da FACC/UFRJ), Poueri do Carmo Mario (Doutor em Ciências Contábeis pela FEA/USP, Professor Adjunto do Departamento de Ciências Contábeis da UFMG), Ricardo Lopes Cardoso (Doutor em Ciências Contábeis pela FEA/USP, Professor Adjunto da EBAPE/FGV e da FAF/UERJ, Pesquisador Produtividade CNPQ nível 2), Simone Silva da Cunha Vieira (Doutora em Ciências Contábeis pela FEA/USP, Professora Adjunta da UERJ),Vinícius Aversari Martins (Doutor em Controladoria e Contabilidade pela USP, Professor Doutor da FEA-RP/USP) CONCEITO QUALIS/CAPES: B3 Esta revista está indexada em www.atena.org.br, www.latindex.org e www.sumarios.org. Ficha catalográfica P418 Pensar Contábil, v. 1, n.1, ago. 1998-. - Rio de Janeiro: CRCRJ, 1998-. Quadrimestral ISSN 1519-0412 1.Contabilidade. I.Conselho Regional de Contabilidade do Estado do Rio de Janeiro CDU – 657 Pensar Contábil CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Editorial Prezado leitor, Com o compromisso de oferecer ao público uma leitura relevante na área contábil estamos editando o número 60 de nossa revista Pensar Contábil. Neste número, como nos anteriores, são apresentados seis trabalhos que foram selecionados por meio do sistema de avaliação double blind review e abordam temas muito importantes para os profissionais da Contabilidade. O primeiro artigo enfoca A Contribuição do Balanced Scorecard na Gestão Estratégica de um Escritório de Contabilidade; O segundo trabalho chama a atenção para a Análise da Aplicação de Recursos Públicos em Gastos Sociais nas Cidades-Polos de Minas Gerais; O terceiro artigo aborda a área de Finanças, por meio de Um Estudo Bibliométrico e Sociométrico da Produção Científica Brasileira; O quarto trabalho discute O Impacto da Depreciação nos Índices Econômicos e Financeiros de uma Organização Pública pela Aplicação da Ipsas 17; O quinto artigo apresenta O Perfil Bibliográfico das Disciplinas de Custos dos Cursos de Ciências Contábeis do Brasil; Finalmente, o sexto trabalho apresenta um Ranking das Instituições de Ensino Superior do Sistema ACAFE a Partir dos Indicadores de Desempenho Econômico/ Financeiro e de Atividades. Boa leitura para todos. Sumário Summary A Contribuição do Balanced Scorecard na Gestão Estratégica de um Escritório de Contabilidade 4 14 4 Analysis of the Application of Funds Public Social Spending in the Cities of Poles Minas Gerais 14 Geovane Camilo dos Santos, Sandro Ângelo de Andrade Geovane Camilo dos Santos, Sandro Ângelo de Andrade Finanças: Um Estudo Bibliométrico e Sociométrico da Produção Científica Brasileira The Contribution of Balanced Scorecard in Strategic Management at the Accounting Office Rafael Tadeu Vieira, Sérgio Murilo Petri Rafael Tadeu Vieira, Sérgio Murilo Petri Análise da Aplicação de Recursos Públicos em Gastos Sociais nas Cidades-Polos de Minas Gerais Josir Simeone Gomes, D.sc. Editor 23 Finance: A Study Bibliometric Sociometric Production and Scientific Brazilian 23 Daniela Torres da Rocha, June Alisson Westarb Cruz, Marlon Barcelos de Azevedo, Rene Guimarães Andrich, Marcelo Tardelli, Khalil Gibran Martins Zeraik Abdalla Daniela Torres da Rocha, June Alisson Westarb Cruz, Marlon Barcelos de Azevedo, Rene Guimarães Andrich, Marcelo Tardelli, Khalil Gibran Martins Zeraik Abdalla O Impacto da Depreciação nos Índices Econômicos e Financeiros de uma Organização Pública pela Aplicação da Ipsas 17 The Impact of Depreciation and Financial Economic Indices of a Public Organization for Implementation of Ipsas 17 32 Júlio César da Silva, Alini da Silva, Caroline Sulzbach Pletsch, Fabricia Silva da Rosa Júlio César da Silva, Alini da Silva, Caroline Sulzbach Pletsch, Fabricia Silva da Rosa O Perfil Bibliográfico das Disciplinas de Custos dos Cursos de Ciências Contábeis do Brasil The Bibliographic Profile of Brazilian University-Level Cost Accounting Studies 41 Fernando Maciel Ramos, Evandro de Nez, Nelson Hein Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 16, n. 60, p. 3, maio/ago. 2014 41 Leila Chaves Cunha, Altair Borgert, Aline Willemann Kremer Leila Chaves Cunha, Altair Borgert, Aline Willemann Kremer Ranking das Instituições de Ensino Superior do Sistema ACAFE a Partir dos Indicadores de Desempenho Econômico, Financeiro e de Atividades 32 52 Ranking of Higher Education Institutions of ACAFE System out of Performance Indicators Economic/Financial and Activities 52 Fernando Maciel Ramos, Evandro de Nez, Nelson Hein 3 Pensar Contábil CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ A Contribuição do Balanced Scorecard na Gestão Estratégica de um Escritório de Contabilidade Rafael Tadeu Vieira Mestrando em Contabilidade da UFSC1 [email protected] Sérgio Murilo Petri Doutor em Engenharia de Produção Professor do PPGC/ UFSC1 [email protected] Resumo Este artigo tem como objetivo elaborar um balanced scorecard (BSC) para uma empresa prestadora de serviços contábeis e verificar, assim, as contribuições dessa ferramenta para auxílio da gestão estratégica da empresa em estudo. Para alcançar tal objetivo, tomou-se por base o planejamento estratégico da empresa, elaborado em 2009/2010. A empresa verificou, contudo, a necessidade de alguns ajustes, a fim de adequar a realidade da entidade para iniciar a elaboração do BSC. Foram necessários encontros com o gestor para alinhar e identificar as necessidades da entidade para que, com o maior número de informações, pudesse ser realizada a elaboração do BSC. Com essas informações, desenvolveu-se o mapa estratégico dividido em quatro perspectivas: financeira; clientes; processos internos e aprendizagem; e crescimento. Sobre tais perspectivas foram estabelecidos 13 objetivos estratégicos e 15 indicadores para monitoramento dos objetivos, sendo que a perspectiva clientes apresentou o maior número de indicadores. Deste modo, obteve-se o painel do BSC – que apresenta a situação atual e as metas da empresa para o primeiro ciclo do BSC. Foram apresentadas também iniciativas que auxiliam o alcance dos objetivos estratégicos evidenciados pelo BSC. Conclui-se que o BSC é uma ferramenta que auxilia o processo da gestão estratégica, pois, já na elaboração, exerce impacto tanto para gestores quanto para colaboradores, e poderá servir de know how para elaboração, implementação e acompanhamento nas empresas nas quais a prestadora de serviço exerce suas atividades, além de identificar similaridades com estudos anteriores, no tocante aos indicadores e à dificuldade de se possuir informações do estado atual a partir dos indicadores. Palavras-chave: Balanced Scorecard, Gestão Estratégica, Escritório de Contabilidade Abstract This article aims to develop a balanced scorecard (BSC) for an accounting firm and subsequently determine this tool’s contribution(s) to the company in question’s strategic management. To achieve this goal, the company’s strategic planning framework -developed in 2009/2010- was selected as a basis for the study; however, the company found some adjustments necessary in order to better suit its present circumstances and thusly establish a starting point from which the BSC could be elaborated. Furthermore, meetings with managers were also needed to align and identify the entity’s needs, incorporating as much relevant information as possible into the creation of the BSC. With this information, the strategic map was developed, divided into four perspectives: financial; customer; internal processes; and learning and growth, from which 13 strategic objectives and 15 indicators for monitoring them were established; among them, the largest number of indicators pertains to the client-based perspective. Thusly, a BSC panel that displays both the current status of the company and its goals for the first cycle of the BSC was obtained. Further, initiatives that helped achieve strategic goals evidenced by the BSC were presented in the same panel. The study concludes that the BSC is a tool that aids in the process of strategic management since, once in development, it bears relevance for both managers and employees, serving as technical know-how in terms of designing, implementing, and monitoring for companies within which a service provider operates, beyond identifying similarities with previous studies, regarding indicators and the difficulty of obtaining information on current circumstances from them. Key words: Balanced Scorecard, Strategic Management, Accounting Office 1. Introdução A prestação de serviços contábeis no Brasil tem como marca os escritórios de contabilidade. Somente em Santa Catarina, existiam 4.885 escritórios, em dezembro de 2013. São esses: individuais; sociedades; empresários; microempreendedores; empresa individual de responsabilidade limitada (CRCSC 2013). A necessidade de informação contábil das grandes, médias ou pequenas empresas surge de diversos pontos, como por exemplo: gerenciamento (informações para tomada de decisões) ou tributário (cumprimento das obrigações principais e acessórias), conforme a divisão realizada por Thomé (2001 1 UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina – CEP 88.040-970 – Trindade, Florianópolis – SC 4 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 16, n. 60, p. 4 - 13, maio/ago. 2014 Artigo recebido em 27/05/2014 e aceito em 15/07/2014 Pensar Contábil CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ A Contribuição do Balanced Scorecard na Gestão Estratégica de um Escritório de Contabilidade apud Carvalho et al. 2008): contabilidade, consultoria, administração pessoal, escrituração fiscal, serviços comerciais, auditoria, perícia e assessoria. Desta forma, um escritório de contabilidade realiza as atividades já descritas, contudo, também deve desempenhar essas funções para si. Assim, deve considerar a si mesmo, por primeiro, como uma empresa que necessita de ferramentas de estratégias para o seu negócio (PEREIRA, 2008). Para auxiliar a gestão de empresas, há diversas abordagens de avaliação de desempenho; contudo, o balanced scorecard (BSC) é uma ferramenta complementar ao planejamento estratégico. Mooraj, Oyon e Hostettler (1999) constaram que o uso do BSC é um “bem necessário”, pois auxilia a tomada de decisão com informações equilibradas e concisas. O BSC é utilizado por diversas empresas. O estudo de Anderson et al. (2001 apud Landry, Chain Jalbert 2002) destaca que o BSC utilizado para pequenas empresas é semelhante ao empregado nas grandes empresas, e apresenta uma vantagem na implementação, uma vez que o número de pessoas é reduzido e a estrutura organizacional, geralmente, é menos complexa em relação às grandes empresas. A partir do apresentado, a pergunta de pesquisa é: Quais as contribuições da elaboração de um BSC para um escritório de contabilidade? Assim, tem-se como objetivo de pesquisa a elaboração de um BSC para um escritório de contabilidade, com o intuito de auxiliar a execução do planejamento estratégico já existente. A pesquisa justifica-se por apresentar novos resultados em relação à implementação do BSC, pois, de acordo com Hoque (2013), 21% dos 114 artigos em revistas de contabilidade apresentam a adoção ou a implementação do BSC. Outrossim, a elaboração e a implementação do BSC por uma empresa prestadora de serviços contábeis pode servir como auxílio às empresas, pois a contabilidade é uma base de dados e informações. Deste modo, é possível aprimorar o BSC na sua implementação. Ainda, a utilização dessa ferramenta de apoio à gestão poderá ser implementada nos serviços prestados pela entidade, afinal, ela terá a experiência própria e poderá servir de subsidio para mais empresas. A estrutura da presente pesquisa é composta por introdução; referencial teórico, que aborda conceitos sobre o BSC e estudos similares; metodologia da pesquisa, que apresenta os aspectos metodológicos. Ademais, têm-se os resultados da pesquisa; as análises dos resultados e, por fim; as conclusões do trabalho. 2. Referencial Teórico Nesta seção, será discutido e apresentado o BSC como ferramenta de apoio a gestão estratégica, bem como estudos similares que visam suportar o objetivo da presente pesquisa. 2.1. Balanced Scorecard As métricas de estratégias financeiras são amplamente conhecidas. Contudo, as métricas não financeiras foram acrescidas ao planejamento estratégico das entidades com o intuito de ampliar a visão sobre o negócio, conforme Kaplan e Norton (1992; 1993). O BSC é um mecanismo para tornar entendível, para toda a organização, o plano estratégico da empresa e estabelecer o que cada um deve fazer, bem como as consequências das atividades realizadas, isto é, o desempenho. Além de gerar uma intensificação dos esforços e diminuir o emprego de recur- Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 16, n. 60, p. 4 - 13, maio/ago. 2014 sos em atividades que não geram desempenho (SILVA, 2003). O BSC auxilia a entidade a executar o seu planejamento estratégico, de modo a visualizar causas e efeitos nas atividades desenvolvidas e propostas pela empresa. Inicialmente, Kaplan e Norton (1992) dividiram o BSC em quatro perspectivas: financeira; clientes; processos internos; aprendizagem e crescimento. Posteriormente, Papalexandris, Ioannou, Prastacos (2004) estudaram a implementação do BSC na Grécia com as mesmas quatro perspectivas em uma empresa de software. Watchel, Hartford e Hughes (1999) elaboraram um BSC com as perspectivas definidas por Kaplan e Norton em um centro de queimaduras, demonstrando a amplitude que essas perspectivas alcançam. Ressalta-se, ainda, o estudo de Lee, Parque e Lim (2013), que evidencia a interligação; isto é, causa e efeito entre as perspectivas que se observaram por meio de um sistema de informação. Desta forma, o BSC é adotado por diversas entidades, lucrativas ou não. Cita-se, por exemplo, a pesquisa de Souissi e Itoh (2006) que apresenta a implementação do BSC em uma empresa de tecnologia japonesa que, em princípio, utilizou o BSC para promover a accountability. Entretanto, verificou-se que era uma ferramenta para disseminar as estratégias organizacionais e constataram-se alguns problemas no tocante à vinculação de estratégias e perspectivas. O estudo de Ahn (2001) evidenciou a elaboração do BSC para uma indústria da Suíça, constatando que o BSC é uma ferramenta para o auxílio de tomada de decisão, mas sua elaboração e implementação encontraram dificuldades, como, por exemplo, o número de horas para elaboração que superou o esperado e a definição das medidas utilizadas, corroborada pelo estudo de Haapasalo, Ingalsuo e Lenkkeri (2006). Pode-se verificar também a utilização do BSC em empresas não lucrativas ou entidades governamentais, apresentadas no trabalho de YU et al., que estudou o BSC para investigar o desempenho de equipes no Ensino Superior. É igualmente adotado por organizações de saúde, como no estudo de Zelman, Pink e Matthias (2003), que constatou a utilização do BSC por essas entidades, mas ressaltou a necessidade de ajustes para tais organismos com o intuito de alinhar ao seu objetivo. Há também estudos acerca da aplicação do BSC em empresas familiares, como é o caso do escritório de contabilidade que está sendo estudado. Conforme Craig e Moores (2005), empresas familiares crescem e têm focos diferentes de empresas não familiares. Os autores apresentaram, ainda, um BSC interligando os interesses familiares aos interesses da empresa, com o intuito desses dois objetivos distintos a ser alcançados. Outro estudo é o de Fernandes, Raja, Whalley (2006), que apresentou oito etapas para implementação do BSC para pequenas e médias manufaturas: iniciação do projeto; esclarecimento das estratégias; análise das estratégias; mensuração dos indicadores de desempenho; análise dos indicadores do desempenho; formação das iniciativas; plano de implementação; revisão do processo. Por fim, a pesquisa realizada por Soares e Silva (2013), que tiveram como foco de estudo os indicadores financeiros na perspectiva financeira do BSC em uma prestadora de serviços contábeis, o qual indicou que podem existir melhorias na utilização somente dos indicadores financeiros para gestão empresarial, mas ressaltou a necessidade do BSC como um todo, pois 5 Pensar Contábil Rafael Tadeu Vieira CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Sérgio Murilo Petri a perspectiva financeira não apresenta todas as reações das ações tomadas pelo gestor. 2.2. Estudos Similares Apresenta-se abaixo, Quadro 1, estudos similares que desenvolveram avaliação de desempenho, especificamente BSC, em empresas prestadoras de serviços contábeis ou em outras pequenas empresas. Destes trabalhos apresentados no Quadro 1, destaca-se o trabalho de Soares e Silva (2013) por apresentar os indicadores para perspectiva financeira para um escritório de contabilidade. E, além deste, ressaltam-se os trabalhos de Riva e Fedato (2009) e Gasparetto et al. (2007) que elaboraram BSC para empresas prestadoras de serviços que, de algum modo, apresentam similaridades. A partir do encontrado na literatura que descreve o processo de implementação em diversas entidades e países, deseja-se elaborar um BSC para um escritório de contabilidade. 3. Metodologia A pesquisa é considerada como uma pesquisa-ação, pois exige a participação tanto do pesquisador como dos gestores e colaboradores da empresa na elaboração do BSC e na constatação de contribuições ao processo de gestão estratégica (GRAY, 2012). Em relação à abordagem da pesquisa, enquadra-se como qualitativa, pois é contextual e interpretativa, além de captar os dados a partir da visão dos participantes, neste caso do gestor, colaboradores e pesquisador (GRAY, 2012). No tocante à natureza dos objetivos, é descritiva por descrever e explanar os dados obtidos do planejamento estratégico e, assim, caracterizá-los e utilizá-los no desenvolvimento do BSC. Segundo Gil (1999, p.70), “a pesquisa descritiva tem como principal objetivo descrever características de determinada população ou fenômeno ou estabelecimento de relações entre as variáveis”. Quanto aos dados obtidos, são primários e secundários, por serem alcançados por meio de entrevistas com Quadro 1: Estudos anteriores sobre BSC Objetivo Resultado Principais objetivos ou indicadores estratégicos Analisar de que modo a perspectiva financeira utilizada no Balanced Scorecard pode auxiliar o escritório contábil no alcance de seus objetivos estratégicos A utilização dos indicadores financeiros conseguiu elaborar o plano estratégico do escritório de contabilidade Os indicadores utilizados pelos autores foram o Economic Value Added (EVA); índices de rentabilidade; retorno do investimento Autores/ ano Soares e Silva (2013) Lima et al . (2011) Ser base para criar indicadores de desempenho em uma indústria Elaboração de um BSC para a indústria em questão, mas com metas, apenas, didáticas As perspectivas utilizadas na pesquisa são as mesmas apresentadas por Kaplan e Norton (1992). Ressalta-se os indicadores utilizados na perspectiva financeira: retorno sobre o capital próprio e na perspectiva crescimento e aprendizagem: custo de treinamento por hora Riva e Fedato (2009) Geração de informações gerenciais utilizando a metodologia do Balanced Scorecard, para que a empresa possa avaliar seus desempenhos e monitorar suas estratégias A elaboração de um BSC para uma pequena autoelétrica. Verificaram-se dificuldades para determinar o estado atual, pois a empresa não dispunha dessas informações para avaliar o desempenho As perspectivas utilizadas por ele são as mesmas apresentadas por Kaplan e Norton (1992). Alguns dos indicadores utilizados são: aumento do faturamento em relação ao ano anterior (Financeira); redução da inadimplência (Processos Internos) Gasparetto, et al. (2007) Constaram, por meio de usos de estatística, que a relação Verificar a aplicação do BSC em uma empresa de consultoria entre os indicadores é fundamental para a execução dos em planejamento estratégico objetivos estratégicos Fonte: Dados da pesquisa (2014) 6 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 16, n. 60, p. 4 - 13, maio/ago. 2014 Na elaboração do mapa, as perspectivas são as quatro apresentadas por Kaplan e Norton (1992). Nos indicadores, ressalta-se o de processos internos: Melhorar canais de comunicação por meio da divisão entre os novos canais de comunicação (acumulado) e o total dos canais de comunicação (planejado). E, na perspectiva Clientes, o somatório do grau satisfação do cliente por projeto dividido pelo total de projetos Pensar Contábil CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ A Contribuição do Balanced Scorecard na Gestão Estratégica de um Escritório de Contabilidade gestores e colaboradores que fazem parte do processo da empresa; desta forma, primários. Ao passo que os dados secundários foram obtidos por relatórios contábeis e no site da empresa, bem como do planejamento estratégico desenvolvido em 2009/2010 pela mesma (GRAY, 2012). Para elaboração do BSC seguiu-se as seguintes etapas: (i) entrevistas e obtenção dos dados; (ii) estruturação do mapa estratégico e identificação dos objetivos estratégicos e os seus indicadores, etapa elaborada em conjunto pesquisador – gestor; (iii) desenvolvimento do painel do BSC, o qual apresenta as perspectivas; objetivos estratégicos; situação atual; metas; iniciativas para alcançar as metas. 4. Apresentação e Análise dos Resultados Nesta seção, são apresentados os dados coletados pela pesquisa e o resultado da pesquisa. 4.1. Apresentação dos Dados O escritório de contabilidade em estudo é sucessor da atividade individual de um contador que atua com empresas da re- gião da Grande Florianópolis desde 1999, nos diversos ramos de atividades (industrial; comercial; serviços). Ressalta-se que é uma empresa familiar e que todos os membros da família estão envolvidos nos processos da empresa. Atualmente, a empresa conta com sete colaboradores e dois sócios que exercem funções nos seguintes departamentos: contábil; pessoal; fiscal e comercial/financeiro. Observa-se que a entidade apresenta o planejamento estratégico que foi desenvolvido nos anos de 2009 e 2010. Contudo, no decorrer das primeiras etapas para elaboração do BSC, verificou-se a necessidade de ajustes em determinados itens do planejamento estratégico, conforme segue no Quadro 2, estruturado de maneira a apresentar: negócio da empresa; missão; visão; pontos fortes; pontos fracos; oportunidades; ameaças e valores. Com essas informações obtidas pelo gestor, é possível elaborar o mapa estratégico que, segundo Kaplan e Norton (2004), demonstra os detalhes dos objetivos e das estratégias da empresa. Conforme apresentado no trabalho de Lee, Parque e Lim (2013), verificou-se a existência de impacto entre as perspectivas. Assim, o mapa estratégico - Figura 1 - representa as estratégias da empresa e as perspectivas que são relevantes para a entidade. Quadro 2: Planejamento estratégico Negócio da empresa Transmitir informação contábil de forma clara e objetiva em tempo hábil. Missão Atender os clientes com efetividade e visibilidade na gestão contábil Visão Ser referência nos serviços e assessoramento contábil, pela efetividade no atendimento, promovendo a satisfação dos clientes na Grande Florianópolis até 2017 Valores Ética – É fazer de maneira correta, não apenas fazer, mas sim porque é necessário. Comprometimento – Não é apenas cumprir seus compromissos, mas é se envolver com o trabalho para desenvolvê-lo da melhor maneira Agilidade – É deter informação ou pesquisá-la de maneira eficiente e repassá-la para os clientes de maneira rápida, proporcionando uma maior oportunidade e eficácia para os clientes. Responsabilidade – Responsável pela informação, isto é, proporcionar uma informação autêntica e verdadeira Capacitação – Desenvolver, proporcionar e buscar a renovação e atualização do conhecimento contábil Pontos Fortes O gestor consegue ter um controle, pois existem poucos subordinados; a capacitação do gestor e dos colaboradores; atenção às mudanças na legislação e no mercado; existe democracia na tomada de decisões; a comunicação ocorre de forma ascendente; existe cooperação entre os colaboradores; existe o cumprimento de prazo; boa relação entre colaboradores; busca pelas inovações e modernizações na área contábil; reuniões para transmissão das decisões Pontos Fracos Departamento financeiro ineficiente; dependência do gestor; atendimento em alguns casos inadequado pela falta de técnicas de bom atendimento; atividade rotineira – baixa criatividade; departamentalização excessiva; a não existência de manual de rotinas e procedimentos Oportunidades Grande número de abertura de empresas; modelo institucional político incentiva a inovação e o empreendedorismo; carência no mercado no que se diz respeito à assessoria de empresas; empresários pressionados pelo governo (fisco) em fornecer um maior volume de informações e em um período reduzido Ameaças Concorrentes praticam honorários abaixo do mercado; há muitas empresas do mesmo ramo de atividade; abertura de novos escritórios de contabilidade e escritórios já existentes abrindo filiais ou migrando para outros municípios; mão de obra despreparada para desenvolver função; não valorização da classe contábil; a legislação passa por uma grande quantidade de alterações Fonte: Dados da pesquisa (2014) Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 16, n. 60, p. 4 - 13, maio/ago. 2014 7 Pensar Contábil Rafael Tadeu Vieira CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Sérgio Murilo Petri Figura 1: Mapa estratégico do escritório de contabilidade Perspectiva Financeira Aumentar Rentabilidade Aumentar Faturamento Perspectiva Clientes Aumentar a Captação de Novos Clientes Manter a Satisfação dos Clientes Aumentar o Nível de Comprometimento Perspectiva Processos Internos Aumentar o Fluxo de Comunicação Aumentar a Amplitude de controle Reduzir o Tempo do Serviço Reduzir Custos Perspectiva Aprendizado e Crescimento Manter a Modernização Tecnológica e Técnica Manter a Atualização dos Sistemas de Informação Manter a Capacitação de Funcionários Fonte: Dados da pesquisa (2014) Quadro 3: Objetivos e indicadores elaborados para alcançar os objetivos estratégicos Pe perspectivas Objetivos Estratégicos Aumentar rentabilidade Financeira 1.1 Aprendizado e crescimento 1.2 Inadimplência/Lucro líquido 2 Variação do faturamento (Faturamento 2013- Faturamento 2012) /(Faturamento 2012) Cumprir os prazos solicitados 3 Satisfazer os clientes 4 Nota Pesquisa de Satisfação: ∑ Notas da pesquisa de satisfação/ (número de formulário x nota máxima possível do formulário) Manter os clientes 5 Número de ex-clientes voluntários Prospectar clientes 6.1 Número de indicados por clientes (Nº 2012/Nº2013) 6.2 Número de clientes captados com esforços próprios Facilitar a comunicação 7 Meios de comunicação utilizados internamente e externamente Controlar todos os processos em andamento 8 Número de processos organizados e acompanhados totalmente mensalmente Reduzir o tempo de serviço 9 Número de procedimentos automatizados Eliminar desperdícios de material 10 Número de documentos reimpressos por mês Capacitar os colaboradores 11 Média de horas de treinamento por colaboradores anual Modernização tecnológica 12 Número de itens tecnológicos utilizados nos serviços/ número de itens tecnológicos disponibilizados Motivar os colaboradores 13 Número de indicação de novos clientes por colaboradores Fonte: Dados da pesquisa (2014) 8 Rentabilidade (Lucro líquido/Patrimônio líquido) Aumentar faturamento Clientes Processos internos Indicador Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 16, n. 60, p. 4 - 13, maio/ago. 2014 Número de Prazos Não Atendidos Pensar Contábil CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ A Contribuição do Balanced Scorecard na Gestão Estratégica de um Escritório de Contabilidade Observa-se que o mapa estratégico segue a proposta de Kaplan e Norton (1992) e é possível visualizar, por meio deste, os principais objetivos da empresa e os impactos dos objetivos sobre os outros objetivos. Desta forma, após a realização do mapa e tendo-o como base para nortear as ações a serem realizadas pela entidade, surge a necessidade de mensurar os indicadores ligados aos objetivos da empresa, pois, conforme Kaplan e Norton (1992), só se pode controlar o que é passível de mensuração. Portanto, a elaboração do painel tem como primeiro passo a identificação dos objetivos e seus indicadores para a definição das metas, pois, desta maneira, os objetivos traçados pela entidade podem ser acompanhados e monitorados pelos indicadores que serão impulsionados pelas iniciativas que estão atreladas aos Tabela 1: Objetivos, indicadores, estado atual, metas e iniciativas Objetivos Estratégicos Aprendizado e Crescimento Processos Internos Clientes Financeira Aumentar rentabilidade Indicadores Estado Atual Metas Iniciativas 1.1 Rentabilidade (Lucro líquido/Patrimônio líquido) 6 17 1.2 Inadimplência/Faturamento -150 -118 Negociar formas de pagamento com os inadimplentes Aumentar faturamento 2 Variação do faturamento (Faturamento 2013- Faturamento 2012)/ Faturamento 2012) -160 -72 Revisar honorários dos clientes Cumprir os prazos solicitados 3 Número de prazos não atendidos -60 40 Identificar prazos e cumprir cronograma das obrigações Satisfazer os clientes 4 Nota pesquisa de satisfação: notas da pesquisa de satisfação/ (número de formulário X nota máxima possível do formulário) 122 150 Fornecer feedbacks aos clientes sobre seus processos e suas etapas Manter os clientes 5 Número de ex-clientes voluntários 50 50 Identificar possíveis falhas no atendimento/serviços prestados e intervi-los Prospectar clientes 6.1 Número de indicados por clientes (nº 2012/nº2013) 0 13 Realizar parcerias com clientes; oferecer benefícios pela indicação 6.2 Número de clientes captados com esforços próprios -60 -36 Facilitar a comunicação 7 Meios de comunicação utilizados internamente e externamente 0 13 Identificar e motivar a utilização de mídias e meios de comunicação mais rápidos com clientes e colaboradores Controlar todos os processos em andamento 8 Número de processos organizados e acompanhados totalmente mensalmente 67 97 Realizar levantamento dos processos; organizá-los e estabelecer prazos Reduzir o tempo de serviço 9 Número de procedimentos automatizados -40 8 Conhecer e aperfeiçoar procedimentos de informática. Incentivar a importação e exportação de dados Eliminar desper- 10 dícios de material Número de documentos reimpres- 0 sos por mês 0 Implantar controle e incentivar a redução por meio de recompensas Capacitar os colaboradores 11 Média de horas de treinamento por colaboradores anual -70 Verificar cursos disponíveis e incentivar os colaboradores a educação continuada Modernização tecnológica 12 Número de itens tecnológicos -50 utilizados nos serviços/ número de itens tecnológicos disponibilizados -30 Incentivar a implantação de sistemas nos clientes para captação dos dados Motivar os colaboradores 13 Número de indicação de novos clientes por colaboradores 10 Beneficiar com percentuais a ser estipulados sobre os honorários dos novos clientes -100 0 Fonte: Dados da pesquisa (2014) Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 16, n. 60, p. 4 - 13, maio/ago. 2014 9 Pensar Contábil Rafael Tadeu Vieira CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Sérgio Murilo Petri indicadores. Conforme o Quadro 3, observam-se as perspectivas, objetivos estratégicos e indicadores. O painel do BSC foi elaborado para identificar os objetivos, os indicadores, o status quo (situação atual). E, a partir desses dados, são estimadas as metas e as ações que impactam nos objetivos. Porém, ressalta-se que o BSC é uma ferramenta que auxilia a mensuração e a evidenciação das estratégias da empresa. Ademais, as ações ou iniciativas são a chave para atingir as metas, pois sem essas ações o BSC será, apenas, uma ferramenta de medição da situação atual, e não de acompanhamento da evolução da execução do planejamento estratégico. Destarte, apresenta-se a Tabela 1 com a situação atual advinda dos indicadores estabelecidos, bem como a meta e as iniciativas a serem implementadas pela entidade. A Tabela 1 evidencia, em cada perspectiva, os objetivos, indicadores, estado atual, metas e iniciativas. Aborda-se esses itens a fim de demonstrar como foram elaborados e verificar quais atitudes, na visão do gestor, precisam ser realizadas. Na perspectiva financeira, o aumento da rentabilidade e do faturamento foram considerados objetivos estratégicos. No tocante ao aumento da rentabilidade, a empresa verificou que, com a alteração de processos internos, há a possibilidade de os recursos próprios (capital próprio) serem suficientes para a atuação da empresa. Entretanto, a rentabilidade precisa, na visão da empresa, ser acompanhada pela liquidez, tendo em vista o alto índice de inadimplência (12%). O aumento do faturamento foi considerado pela empresa um objetivo estratégico pela necessidade de revisão dos honorários de determinadas empresas. Contudo, na implementação, não se espera atingir diretamente todas as metas, pois verifica-se uma dificuldade, por parte de alguns clientes, acerca do aumento de honorários e do pagamento em dia. Notou-se, na perspectiva dos clientes, que há a necessidade de realizar uma pesquisa de satisfação, pois a empresa não possui essa informação prontamente. Deste modo, para a realização da pesquisa, a empresa adaptou um questionário de um escritório de contabilidade parceiro e obteve-se um índice de resposta de aproximadamente 15%. Com as respostas de cada pergunta foi calculada a média das respostas e obteve-se a nota 9,22. A empresa observou que a questão aberta do questionário não apresentou um grande número de observações, mas a sugestão realizada é de fácil aplicação e servirá para melhorar a comunicação com o cliente. Contudo, a empresa quer manter o número de ex-clientes voluntários, isto é, aqueles que, por diversos motivos, trocam de prestador de serviços contábeis, pois, no último ano, a empresa não perdeu nenhum cliente desta forma, podendo considerar como um indicador de satisfação. Nessa perspectiva, identificou-se, ainda, que, por parte da empresa, há a necessidade de elaboração de um cronograma a ser cumprido das obrigações acessórias e demais processos, a fim de evitar o pagamento de multas e possíveis atritos com clientes por prazos estabelecidos e não cumpridos, para que haja menor probabilidade de passivos, tanto para o cliente quanto para o prestador de serviço, além de minimizar a possibilidade de fim do contrato de prestação de serviços. Quanto à perspectiva de processos internos identificou-se que as metas exigem alterações de procedimentos e inclusão de outros, isto é: para alcançar uma redução de material de expediente notou-se que há um excesso de impressões desnecessárias, consumindo, assim, rapidamente o material sem que haja necessidade. A 10 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 16, n. 60, p. 4 - 13, maio/ago. 2014 empresa não apresenta um valor do estado atual no momento da elaboração do BSC, mas irá realizar no primeiro mês da implementação a mensuração e estabelecer a meta. No concernente à facilitação da comunicação, a empresa constatou que utiliza apenas o contato de telefone e e-mail para realização de contatos internos e externos. Contudo, há a necessidade de estabelecer formas de comunicação instantâneas como: aplicativos para celulares; mensagens/conversas/teleconferências, com o intuito de aproximar e aprimorar o relacionamento, além de troca de informações internas e externas. O controle de processos será monitorado pelo número de processos que estão organizados e acompanhados, pois se verificou um desconhecimento de determinados processos que causaram mal-estar entre cliente e prestador de serviço e prazos não cumpridos que acarretaram elevação das despesas. Por fim, acerca das perspectivas Aprendizagem e Crescimento, verificou-se que estas têm dois objetivos específicos inferiores às metas: capacitar os funcionários e itens tecnológicos. Esses dois objetivos estão alinhados ao planejamento estratégico da empresa, pois a empresa identifica a necessidade de atualização de maquinários, além de técnicas, procedimentos e rotinas. Desta forma, a capacitação de funcionários é vital para qualidade dos serviços prestados. As iniciativas nessa perspectiva tendem a evidenciar aos colaboradores que necessitam aprimorar-se, atualizar-se e conhecer novas ferramentas, técnicas e legislações, não somente para utilização da empresa, uma vez que não é possível reter conhecimento depois da saída de algum colaborador. 4.2. Análise dos Resultados A elaboração do BSC tomou como base o planejamento estratégico desenvolvido pela empresa no ano de 2010, ajustado em função de alterações do ambiente. Tendo por base essas informações, utilizaram-se as perspectivas apontadas por Kaplan e Norton (1992), pois se adequavam ao planejamento estratégico da empresa. A partir disso, por meio de entrevistas, elaboraram-se os objetivos estratégicos e indicadores, além da mensuração dos objetivos e estabelecimento de metas, como se pode observar na Tabela 2. Desta forma, o mapa estratégico contém 12 objetivos. A partir dele, elaborou-se o painel do BSC, apresentando 13 objetivos estratégicos alinhados com as iniciativas, passíveis de mensuração e, assim, monitorados, para que a gestão estratégica da empresa possa ser facilitada e passível de acompanhamento por tais indicadores. A empresa apresenta uma meta em nível de excelência, isto é, seus indicadores apontam que, em determinados itens, a entidade já ultrapassou a meta. Porém, os demais itens encontram-se em nível de mercado ou competitivo; comprometedor ou sobrevivência, para os indicadores que se encontram nesse último grupo a empresa deve prestar atenção, visando agir para que as metas sejam alcançadas por meio das iniciativas apresentadas, a fim de minimizar possíveis problemas que possam acarretar a viabilidade da empresa e, até mesmo, a sua existência. Como pode ser observado no gráfico abaixo, Figura 2. Assim, é possível observar, tanto no mapa quanto painel e, até mesmo, no gráfico, que as perspectivas utilizadas para elaboração do BSC foram as mesmas apresentadas por Kaplan e Norton (1992). Contudo, ressalta-se que, além de serem as mesmas apresentadas no trabalho citado acima, foram as mesmas utilizadas nos trabalhos de Lima et al. (2011); Riva e Fedato (2009); Gasparetto et al. (2007). Pensar Contábil CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ A Contribuição do Balanced Scorecard na Gestão Estratégica de um Escritório de Contabilidade Tabela 2: Objetivos estratégicos com a situação atual e meta Objetivos Descrição dos objetivos Status Quo Meta Objetivo estratégico 1 Rentabilidade (Lucro Líquido/Patrimônio Líquido) 6 17 Objetivo estratégico 1.1 Inadimplência/Faturamento -150 -118 Objetivo estratégico 2 Variação do faturamento (Faturamento 2013- Faturamento 2012)/Faturamento 2012) -160 -72 Objetivo estratégico 3 Número de prazos não atendidos -60 40 Objetivo estratégico 4 Notas da pesquisa de satisfação/(Número de formulário x Nota máxima possível do formulário) 122 150 Objetivo estratégico 5 Número de ex-clientes voluntários 50 50 Objetivo estratégico 6 Número de indicados por clientes (Nº 2012/Nº2013) 0 13 -60 Objetivo estratégico 6.1 Número de clientes captados com esforços próprios Objetivo estratégico 7 Meios de comunicação utilizados internamente e externamente 0 13 -36 Objetivo estratégico 8 Número de processos organizados e acompanhados totalmen- 67 te mensalmente 97 Objetivo estratégico 9 Número de procedimentos automatizados -40 8 Objetivo estratégico 10 Número de documentos reimpressos por mês 0 0 Objetivo estratégico 11 Média de horas de treinamento por colaboradores anual -100 -70 Objetivo estratégico 12 Número de itens tecnológicos utilizados nos serviços/ Número de itens tecnológicos disponibilizados -50 -30 Objetivo estratégico 13 Número de Indicação de novos clientes por colaboradores 0 10 Fonte: Dados da pesquisa (2014) 97 Figura 2: Gráfico comparando a situação atual e as metas 0 da empresa 50 1 200 150 150 Mercado ou competitivo 50 40 17 0 13 13 8 10 0 Status Quo Meta -36 -50 -72 -100 -36 97 100 50 0 Excelência -118 -150 -30 - 70 -118 comprometedor ou sobrevivência -200 Fonte: Dados da pesquisa (2014) Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 16, n. 60, p. 4 - 13, maio/ago. 2014 11 Pensar Contábil Rafael Tadeu Vieira CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Sérgio Murilo Petri Percebeu-se uma similaridade referente aos indicadores utilizados nos trabalhos de Lima et al. (2011); Riva e Fedato (2009); Gasparetto et al. (2007); e de Silva e Soares (2013), no tocante à perspectiva financeira, pois, todos esses estudos utilizaram como medida de desempenho financeiro o retorno sobre o patrimônio líquido, bem como no presente estudo. Da mesma forma, notaram-se algumas similaridades em outros indicadores; por exemplo, a perspectiva Cliente. O trabalho de Gasparetto et al. (2007) mensurou a satisfação de seus clientes por meio do grau de satisfação do cliente por projeto, divido pelo total de projeto. O escritório de contabilidade, por sua vez, medirá a satisfação pelo somatório da pesquisa de satisfação enviada aos clientes divido pela nota máxima e multiplicado pelo número de questionários respondidos. A diferença entre os indicadores pode ser observada pela natureza dos serviços prestados pelas empresas: enquanto a empresa de Gaspareto et al. (2007) trabalha por projeto, o escritório de contabilidade é um trabalho contínuo. No tocante aos processos de internos, observou-se uma diferença em particular, pois nesse trabalho a redução da inadimplência foi considerada como uma perspectiva financeira, enquanto que no trabalho de Riva e Fedato (2009) esse objetivo estratégico foi apresentado na perspectiva Processos Internos. Ainda na perspectiva Processos Internos ressalta-se o indicador Comunicação, que também foi apresentado no trabalho de Gasparetto et al. (2007). No que tange ao processo de aprendizagem e crescimento, cita-se o trabalho de Lima et al. (2011), pois o treinamento foi utilizado por eles para acompanhar essa perspectiva. Contudo, diferentemente deles, o presente estudo não verificou isso pelo custo, pois há uma diferença entre os cursos, e optou-se por acompanhar apenas a quantidade de horas média por funcionários. Por fim, percebeu-se, já com a elaboração e implementação do BSC, mudanças na gestão da empresa, pois essa passou a observar a importância da mensuração para o acompanhamento do planejamento estratégico da empresa. 5. Conclusão O BSC é uma ferramenta de auxílio à gestão estratégica amplamente utilizada, isto é, diferentes ramos da indústria, comércio e prestação de serviços, bem como entidades não lucrativas a utilizam. Deste modo, a elaboração de um BSC para uma empresa prestadora de serviços contábeis foi executada com base em outros estudos similares considerando, entretanto, as características da empresa em estudo. A elaboração do BSC para a empresa evidenciou a necessidade da mensuração dos objetivos, pois o planejamento estratégico já existente estava adequado à empresa; faltava apenas um instrumento para verificar a execução desse planejamento. O BSC desenvolvido partiu do planejamento estratégico que necessitou de alguns ajustes. Após as alterações, foram selecionadas as perspectivas e os objetivos. Obteve-se, desta forma, o mapa estratégico. Com o mapa estratégico elaborado, foi desenvolvido o painel que está divido de acordo com as quatro perspectivas, 13 objetivos e 15 indicadores. E, com esses indicadores, buscou-se verificar a situação atual e traçar metas para os próximos anos da empresa. Observou-se, na base teórica, apenas uma pesquisa que desenvolvia o BSC, somente a perspectiva financeira, em prestadora de serviços contábeis. Por tal motivo, utilizou-se essa ferramenta com o intuito de corroborar com a gestão estratégica de uma empresa de pequeno porte e prestadora de serviços contábeis. Verificaram-se, na base teórica, algumas similaridades em indicadores e constatou-se que esses trabalhos também apresentaram problemas na identificação do status quo – estado atual. Como limitação da pesquisa, cita-se que se fez uso apenas das informações atuais disponíveis da situação atual, não realizando medições ou pesquisas relacionadas à satisfação dos clientes, por exemplo. Para pesquisas futuras, sugere-se o acompanhamento da execução do BSC elaborado nesta pesquisa, pois há necessidade de validação e verificação da contribuição do BSC desenvolvido para a execução do planejamento estratégico. Além disso, há possibilidade de elaboração e implementação do BSC em outra prestadora de serviços contábeis, a fim de comparar e evidenciar a utilização e os impactos do BSC na gestão dessas empresas. Referências AHN, Heinz. Applying the balanced scorecard concept: an experience report.Long range planning, v. 34, n. 4, p. 441-461, 2001. Disponível em: <http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0024630101000577>Acesso em: 25 out. 2013. CARVALHO, José Ribamar Marques de et al. Requisitos de qualidade em serviços contábeis no setor de comércio. 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A metodologia usada foi bibliográfica, documental, exploratória, descritiva, quantitativa e estudo de caso. Na faixa 1 teve similaridade positiva nas funções: Assistência Social (AS), Previdência Social (PS), Habitação (HB) e Cultura (CT); altos e baixos em Saúde (SD) e Educação (ED); e diminuição em Urbanismo (UB) e Saneamento (ST). Na faixa 2 teve estagnação para AS, CT e HB; altas e baixas para PS, ST e UB; e variação tendente ao crescimento para ED e SD. Na faixa 3, teve oscilação tendente ao crescimento para SD e ED; aumento seguidos de quedas para UB e PS; e estabilidade para AS, CT e HB. Na faixa 4, verificou oscilação tendente a aumento para SD e ED; teve variações para AS e CT; e as outras tiveram comportamento diferentes. Palavras-chave: Funções de Governo, Similaridade, Cidadespolos de Minas Gerais Abstract This paper verified the existence of similarity in the behavior of social spending to the poles of Minas Gerais towns are classified by population size. The methodology used was bibliographical, documentary, exploratory, descriptive, quantitative and case study. In lane 1 had positive similarity in functions: Social Assistance (SA), Social Security (PS), Housing (HB) and culture (TC), high and low on Health (SD) and Education (ED) and decrease in Urbanism (UB) and Sanitation (ST). In lane 2 had stagnation for AS, CT and HB; Upgrades & Downgrades for PS, TS and UB and variation leading to the growth for ED and SD. In lane 3 had oscillation leading to the growth SD, ED; increase followed declines to UB and PS and stability for AS, CT and HB. In lane 4, found oscillation tending to increase for SD and ED; had variations to AS and CT and the other had different behavior. Key words: Functions of Government, Similarity, Poles Cities of Minas Gerais 1. Introdução Os órgãos públicos da administração apresentam como principal função o bem estar da população, ou seja, todas as decisões visam beneficiar o interesse coletivo e não apenas o interesse de um pequeno grupo ou de uma pessoa. A Carta Magna do Brasil determina que a administração pública deve obedecer ao princípio da impessoalidade, ou seja, que não pode tomar nenhuma decisão em favor de um grupo como forma de prestar “favor”, mas que as decisões devem figurar em atender a toda a população. (BRASIL, 1988). Os órgãos da administração direta pública têm como principais fontes de financiamentos de suas atividades as receitas que por eles são arrecadadas mediante os tributos, ou que recebem de transferências de outros entes públicos e/ou privados. Os municípios têm como principais fontes de receitas a arrecadação de tributos (impostos, taxas e contribuições de melhorias) e as transferências de recursos do Estado, principalmente por meio da cota, parte na arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviço de Transporte Interestadual, Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) e também da União, com a distribuição de parcela do Imposto de Renda e Imposto sobre Produtos Industrializados, mediante o Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Para que os municípios possam desempenhar sua função social é necessária uma aplicação eficiente dos recursos arrecadados, visando o bem-estar da população, segundo Slomski e Scarpin (2010), na teoria, quanto maior for o gasto, melhor será o nível de bem-estar da população. Uma boa parte dos recursos é destinada aos gastos denominados “sociais”, e é gerenciada pelo poder público por meio do registro dos valo- Unipam – Centro Universitário de Patos de Minas – CEP 38702-054 – Patos de Minas – MG Fucape-ES/Fundação Piau – Fundação Instituto Capixaba de Pesquisa em Contabilidade, Economia e Finanças – CEP 35300-036 – Caratinga – MG 1 2 14 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 16, 14, n. 60, 55, p. 14 56 - 22, 64, set./dez. maio/ago. 2012 2014 Artigo recebido em 11/06/2014 e aceito em 15/07/2014 Pensar Contábil CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Análise da Aplicação de Recursos Públicos em Gastos Sociais nas Cidades-Polos de Minas Gerais res aplicados, de acordo com as demandas da população, sendo denominadas de despesas por funções de governo. Portanto, é fundamental que a população exija de seus representantes uma boa utilização dos recursos angariados, sempre com ênfase no atendimento das demandas necessárias do município, para que não fique nenhum cidadão sem receber o benefício que necessita para sua sobrevivência. Os gastos sociais também são considerados gastos públicos, sendo precípuos para o crescimento dos municípios. Esta forma de gasto está ligada a atender as demandas que estão atreladas diretamente ao dia a dia da população. (SANTOS; ANDRADE, 2012). O presente artigo possui como problema verificar se os valores dos gastos sociais avaliados em relação à arrecadação de impostos, incluindo as transferências, apresentam similaridade no comportamento entre as cidades-polos de Minas Gerais, distribuídas por faixas populacionais. O presente artigo tem como objetivo geral: elaborar um estudo dos últimos cinco anos da arrecadação de receitas próprias de impostos e Receitas Transferidas de Impostos da (União e Estado) às cidades-polos de Minas Gerais, analisando os valores registrados nas seguintes funções de governo: Assistência Social, Previdência Social, Saúde, Educação, Cultura, Urbanismo, Habitação e Saneamento, verificando se existe similaridade no comportamento entre as cidades-polos de Minas Gerais. O trabalho apresenta como justificativa a geração de informação para o setor público. Segundo Santos e Andrade (2012), a informação é precípua para todos os setores, mas de forma especial é para o setor público, pois permite ter-se uma dimensão da aplicação dos recursos disponíveis, mesmo com informações inexpressivas sobre a gestão dos recursos nos municípios. Partindo deste ponto, o presente trabalho trará informações úteis à população, permitindo verificar a relação entre receitas de impostos arrecadadas pelo município e receitas de impostos transferidos pela União e pelo Estado. Além disso, irá verificar como as cidades-polos de Minas Gerais distribuem estas receitas por meio das despesas classificadas por funções de governo. Constitui também na possibilidade de geração de informações que poderão ser utilizadas pelos gestores públicos para a elaboração, atendimento e acompanhamento de ações governamentais contidas no seu Plano de Governo. A estrutura do presente artigo é composta por esta introdução, seguida do referencial teórico que busca atualizar os leitores a respeito do tema. Após, aparece a metodologia, depois apresenta os resultados da presente pesquisa e, por fim, apresenta as considerações finais. 2. Referencial Teórico A Contabilidade Pública é o ramo da Contabilidade responsável pelo registro, controle e fornecimento de informações úteis para a tomada de decisão no setor público. A ramificação pública da Contabilidade já teve como maior função o registro dos bens públicos, voltadas principalmente para o registro orçamentário. Entretanto, atualmente, esta realidade mudou completamente, pois o mais importante é Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 16, 14, n. 60, 55, p. 14 56 - 22, 64, maio/ago. set./dez. 2012 2014 fornecer informações aos usuários em tempo real e hábil, de forma a atender aos requisitos necessários para que sejam tomadas as melhores decisões, e também para levar à população, dentro de perspectiva de transparência, todos os atos realizados pela administração pública. As decisões que um ente público toma são de suma importância, pois trata-se de dinheiro da população e, logo, devem ser dirigidas de forma a não deixar as pessoas em situações desconfortáveis, como: falta de acesso à saúde, à educação, falta de segurança, entre outras. Os Municípios, Estados, o Distrito Federal e União fazem parte da Administração Pública. A administração pública é dividida em direta e indireta, e, independentemente da sua modalidade, deverá obedecer aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade e publicidade (BRASIL, 1988). Administração pública direta é formada pelas atividades e serviços que pertencem à estrutura administrativa do Poder Executivo: da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (ANDRADE, 2006). Para Carvalho Filho (2009), a administração direta é o ajuntamento de organismos que formam as pessoas federativas, e que estão incumbidos de exercer de forma centralizada as atividades administrativas do estado. Conclui-se que a administração pública direta são os órgãos responsáveis pelos serviços, sendo ao mesmo tempo prestadores de serviços, e também “as donas” do mesmo. Administração pública indireta é a divisão dos serviços públicos por meio das autarquias, empresas públicas, sociedades de economia mista e fundações públicas, que possuem como características: personalidade jurídica própria, gestão independente, recursos financeiros e orçamentários individuais e são fiscalizadas pelo Tribunal de Contas (ANDRADE, 2006). Em conformidade a Carvalho Filho (2009), a administração indireta é a anexação de pessoas administrativas que são vinculadas à Administração Centralizada, e cujo objetivo é desempenhar as atividades de forma descentralizada. Logo, a administração indireta é aquela que presta serviços à população de forma descentralizada, sendo que ela é “contratada”, pois o responsável é a administração direta. No âmbito nacional existem vários estados, sendo que Minas Gerais é o que possui o maior número de cidades em todo o Brasil, no total de 853 municípios (IBGE, 2014). Dentre esta grande quantidade de municípios, o Estado é detentor de cidades-polos, que são as cidades consideradas as mais importantes, devida a quantidade de recursos que a cidade possui, como também pelo número da população. As cidades-polos de Minas Gerais são: Araguari, Araxá, Barbacena, Belo Horizonte, Betim, Contagem, Divinópolis, Governador Valadares, Ipatinga, Itabira, Itajubá, Itaúna, Ituiutaba, Juiz de Fora, Lavras, Montes Claros, Muriaé, Nova Lima, Ouro Preto, Passos, Patos de Minas, Poços de Caldas, Pouso Alegre, Sete Lagoas, Teófilo Otoni, Timóteo, Uberaba, Unaí, Varginha e Uberlândia. Os municípios, para atender ao bem-estar da população, necessitam de recursos, denominados receitas públicas. Existem várias formas pela qual o ente pode arrecadar o montante necessário para fornir as burras e realizar a distribuição destes valores à população. 15 Pensar Contábil Geovane Camilo dos Santos CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Sandro Ângelo de Andrade As principais fontes de receitas dos municípios são aquelas advindas das transferências de recursos pelo estado e pela União, denominados de receitas transferidas, em sua maioria resultantes da arrecadação de impostos. As receitas públicas são os ingressos de dinheiro nos cofres públicos das pessoas de direito público. (BASTOS, 1997; HARADA, 2012). Estes recursos são caracterizados por ser financeiros, ocasionando aumento nas disponibilidades do órgão. (PISCITELLI; TIMBÓ, 2009). Rosa (2011) destaca que nem todo ingresso de recursos representa uma receita pública, uma vez que não vier a causar aumento no patrimônio do órgão, pois valores que deverão ser restituídos e valores recebidos de empréstimos não representam receitas. As receitas devem ser, em virtudes de leis, contratos, convênios e outras modalidades de títulos que tenham origem específica. (ANDRADE, 2006). Os impostos arrecadados pelo município e as transferências recebidas de impostos dos entes estaduais e federal constituem as fontes de recursos mais importantes dos municípios. Os impostos são desvinculados e independentes de um serviço prestado pelo ente que o arrecadou. (HARADA, 2012; BRASIL, 1966).Os impostos são classificados em diretos e indiretos; a primeira forma são aqueles aplicados para o sujeito que praticou o ato que gerou o fato gerador, sendo esta pessoa quem arcará com o ônus. A segunda forma é quando o ônus é transferido ao consumidor final, mediante a repercussão econômica (HARADA, 2012). Os principais impostos dos municípios são: Imposto sobre Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU); Imposto sobre Transmissão Inter Vivos, a qualquer título, por ato oneroso, de bens imóveis (ITBI); e Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN) (BRASIL, 1988). O IPTU incide sobre imóveis que são situados na zona urbana do município, o ITBI incide sobre a transmissão de um bem imóvel, e o ISSQN, também conhecido como Imposto Sobre Serviço (ISS), tem o fato gerador na prestação de serviços. As receitas de transferências representam recursos de natureza financeira que os municípios recebem de outras entidades de direito público, cuja finalidade é atender os gastos de despesas correntes (ANDRADE, 2006). Segundo Machado Junior e Reis (1996), as receitas de transferências são os ingressos que são provenientes de outras entidades, sendo que podem ter condições preestabelecidas ou sem nenhuma exigência. A transferência mais representativa que os municípios recebem da União é a participação na arrecadação dos Impostos sobre Produtos Industrializados e o Imposto de Renda. Constituindo o Fundo de Participação dos municípios (FPM), esta distribuição está arrolada com a movimentação da economia (BOVO, 1995). Esse fundo tem sua estirpe com a Emenda Constitucional número 18, de dezembro de 1965. O valor inicial da participação era de 10% sobre o valor do IR e IPI, extraídos os incentivos fiscais, as restituições e as demais deduções autorizadas por lei atinentes a estes impostos. (STN, 2012). O FPM teve sua regulamentação com o CTN, e a distribuição começou em 1967, sendo que o critério adotado era a população dos municípios (STN, 2012). A Constituição Federal majorou a margem do FPM dos municípios para 22,5% (BRASIL, 1988). 16 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 16, 14, n. 60, 55, p. 14 56 - 22, 64, maio/ago. set./dez. 2012 2014 Em 1996 foi aprovada a Lei Complementar que instituiu a desoneração do ICMS sobre as exportações e, após esta data, os Estados recebem as parcelas referentes aos coeficientes individuais de participação, inclusive com os valores dos municípios. Em Minas Gerais, o valor desta participação é de 12,90414% e, desse valor, o estado repassa para os municípios 25%. Minas Gerais é o segundo estado com maior distribuição (BRASIL, 1996). A Emenda Constitucional nº 55, de 2007, acrescentou que os municípios passariam a receber mais 1% de FPM sobre o IR e IPI, sendo que, com essa alteração, o valor do Fundo de Participação dos Municípios é de 23,5%. (BRASIL, 2007). A União transfere aos municípios 50% do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, que estão situados neles (BRASIL, 1988). Em 2005 foi aprovada a Lei 11.250, que regulamenta sobre a transferência integral do ITR para os municípios. Ela permite que os municípios firmem com a Secretária da Receita Federal (SRF) convênios que permitiram aos municípios contarem com 100% da arrecadação (BRASIL, 2005). Os municípios que têm comercialização de ouro definido como ativo financeiro ou instrumento cambial auferem da União 70% do valor das Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou Relativas a Títulos ou Valores Mobiliários (IOF) (BRASIL, 1988). A transferência mais representativa que os municípios recebem dos Estados constitui na participação da arrecadação do ICMS, denominado Cota-Parte do ICMS. Segundo Bovo (1995), os municípios abiscoitam um percentual do valor do imposto arrecadado pelos Estados. A distribuição está relacionada ao dinamismo das economias locais, pois a principal variável é o Valor Adicionado Fiscal (VAF). Soares, Gomes e Toledo Filho (2011) apontam outras variáveis para a distribuição do ICMS, sendo elas: população, área, mortalidade infantil, evasão escolar e, principalmente, o Valor Adicionado Fiscal (VAF). A distribuição deste valor permite atender as necessidades dos municípios. Os estados devem repassar para os municípios o valor correspondente a 50% dos valores arrecadados referentes ao Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), sendo conhecido como Cota-Parte do IPVA (BRASIL, 1988). A União transfere para os Estados o valor de 10% sobre o IPI Exportação, e deste valor 25% é repassado para os municípios, sendo conhecida como Cota-Parte do IPI Exportação. Os estados granjeiam o percentual de 25% como transferências de impostos dos valores referentes às Contribuições de Intervenções nos Domínios Econômicos (CIDEs), sendo que, deste valor, 25% devem ser designados aos municípios. Esta transferência é vinculada, uma vez que seu objetivo é financiar os programas de infraestrutura de transportes. Os valores que os municípios auferem como receitas devem ser aplicados para atender as demandas da população, mediante as despesas de governo. As despesas classificadas como funções de governo foram instituídas pela Lei Federal nº 4.320, de 1964, sendo que nesta lei foram determinadas nove funções. Com o advento da Portaria da Secretaria de Orçamento e Finanças (SOF) nº 09, de 1974, foram para 16 funções de governo (SANTOS; ANDRADE, 2012). Pensar Contábil CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Análise da Aplicação de Recursos Públicos em Gastos Sociais nas Cidades-Polos de Minas Gerais No ano de 1999 houve uma reclassificação das funções de governo, que passaram a contar com 28, sendo determinado pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG) número 42 (SANTOS; ANDRADE, 2012). Os gastos públicos são os valores despendidos para a realização dos serviços públicos necessários a atender ao bem estar da população (KOHAMA, 2001), sendo de curto ou longo prazo (FERNANDES et al, 1998). Eles são considerados os principais meios de atuação do governo, sendo a principal forma pela qual o governo expressa suas prioridades, por meio da prestação de serviços públicos básicos e pela realização de investimentos (ARAÚJO; MONTEIRO; CAVALCANTE, 2010). Para Sant’Anna e Dalmonech (2010) os gastos públicos são os valores que os entes públicos têm registrado nos Orçamentos Públicos e que são empregados em benefício da população, mediante as funções de governo. Os gastos públicos, classificados como funções de governo, são divididos em: gastos mínimos, gastos sociais e gastos econômicos (REZENDE, 1997). Os gastos mínimos correspondem aos valores desembolsados exclusivamente pelo governo; os gastos sociais são aqueles voltados para atender os bens e serviços de caráter essencial, também conhecidos como semipúblicos, que são produzidos tanto pela iniciativa privada quanto pelo poder público; e os gastos econômicos são aqueles que não têm influência do governo (REZENDE, 1997). Os gastos sociais, considerados semipúblicos são: Assistência Social, Previdência Social, Saúde, Saneamento, Educação, Cultura, Urbanismo e Habitação (SANT’ANNA, 2006). Os desembolsos com a Assistência Social são os programas voltados para o arrimo de: crianças, adolescentes, idosos, reabilitação do profissional acidentado no trabalho e de dependentes do álcool e das drogas, presos e suas famílias (FERNANDES et al, 1998). Os gastos com a Previdência Social cobrem pagamentos de aposentadorias, pensões e outros benefícios previdenciários (FERNANDES et al, 1998). Os gastos de Saúde são aqueles desenvolvidos para o controle de doenças transmissíveis, cobertura de gastos da vigilância sanitária, atendimento das mães e crianças, produção e distribuição de remédios gratuitamente, manutenção de hospitais de ensino e residência médica e assistência médica hospitalar, mediante o programa do Sistema Unificado de Saúde (SUS) (FERNANDES et al, 1998). Os dispêndios com Saneamento são voltados para melhorar os sistemas de abastecimentos de águas e esgotos, sendo que os programas são financiados, entre outros meios, pelos recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) (FERNANDES et al, 1998). Os valores utilizados para cobrir os gastos com Educação pertencem à formulação política setorial e manutenções para expansão e melhorias de escolas, museus, bibliotecas estabelecimento de educação física (FERNANDES et al, 1998). Para os gastos com Cultura utilizam-se os valores que promovem a difusão de estabelecimentos culturais, assistência ao estudante e defesa e recuperação do patrimônio histórico e artístico (FERNANDES et al, 1998). Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 16, 14, n. 60, 55, p. 14 56 - 22, 64, maio/ago. set./dez. 2012 2014 Os gastos com Urbanismo e Habitação são aqueles necessários aos financiamentos de moradias urbanas e rurais, as transferências a outras esferas de governo para fins de planejamento urbano, incluindo os recursos dos programas com recursos do FGTS, somente as despesas de construção e manutenção de residências destinadas ao uso de servidores públicos civis ou militares (FERNANDES et al, 1998). 3. Metodologia O presente artigo, quanto aos procedimentos técnicos, é caracterizado por ser uma pesquisa bibliográfica e documental. Ao relacionar os objetivos, o presente artigo é caracterizado por ser um estudo exploratório e descritivo. A abordagem deste trabalho é quantitativa. E tem como principal característica ser um estudo de caso. Muitas vezes as pesquisas bibliográficas se confundem com as documentais, mas segundo Marconi e Lakatos (2001), existem diferenças entre estas pesquisas, pois a primeira é oriunda de fontes secundárias, ou seja, é o levantamento de bibliografia anteriormente publicada, principalmente, em livros, artigos, revista, sendo que sua finalidade é colocar o leitor em contato com o que já foi escrito sobre o tema. A segunda é de fontes primárias, ou seja, da instituição que está fazendo o estudo, e é composto pelos materiais não elaborados, escritos ou não, que são usados para informação para a pesquisa científica. Os estudos exploratórios são aqueles realizados nas áreas que têm pouco conhecimento acumulado e sistematizado, sendo o principal objetivo proporcionar maior familiaridade com o problema e torná-lo mais explícito (SILVA, 2003). Os trabalhos descritivos são aqueles que descrevem as características de uma população ou fenômeno, e estabelecem relações entre as variáveis. Esta pesquisa exige do pesquisador determinado grau de responsabilidade para que a pesquisa tenha a validade científica (SILVA, 2003). A abordagem quantitativa é aquela na qual existe a quantificação de dados, obtidos mediante informações coletadas por questionários, entrevistas e observações (OLIVEIRA, 2005) e costuma empregar métodos e técnicas estatísticas (MARTINS; THEÓPHILO, 2007). O estudo de caso analisa determinado fato com um grande grau de profundidade, sendo que sua maior utilidade é nas pesquisas exploratórias (SILVA, 2003). Este estudo tem como função retirar o máximo de informações e conhecimento de um ou alguns objetos (GIL, 1999). E, para Yin (2005), este estudo tem uma investigação empírica de um fenômeno real, sendo que estes deverão estar bem definidos. Os dados necessários para a elaboração deste trabalho foram coletados no site Finanças do Brasil (FINBRA – https:// www.tesouro.fazenda.gov.br/pt/prefeituras-governos-estaduais/sobre). Entretanto, os dados do ano de 2012 da cidade de Ipatinga não estavam disponíveis no site supracitado, sendo necessário utilizar os dados do Portal da Transparência do município antes mencionado, que possui o endereço eletrônico http://transparencia.ipatinga.mg.gov.br/. Após levantamento, os dados foram trabalhados em planilhas do software Excel, permitindo totalizar os valores das variáveis a serem analisadas. 17 Pensar Contábil Geovane Camilo dos Santos CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Sandro Ângelo de Andrade Foi realizada a distribuição das 30 cidades-polos de Minas Gerais em quatro faixas populacionais, sendo a primeira para aquelas que possuem até 105.000 habitantes. Esta faixa compreende as cidades de Ouro Preto, Nova Lima, Unaí, Timóteo, Itaúna, Itajubá, Lavras, Araxá, Ituiutaba e Muriaé. A segunda faixa compreende as cidades com população entre 105.001 e 200.000 habitantes e tem como cidades Passos, Itabira, Araguari, Varginha, Pouso Alegre, Barbacena, Teófilo Otoni, Patos de Minas, Poços de Caldas. A terceira faixa compreende as cidades com população entre 200.001 e 500.000 habitantes, sendo formada esta região pelos polos de Divinópolis, Sete Lagoas, Ipatinga, Governador Valadares, Uberaba, Montes Claros e Betim. A quarta faixa compreende as cidades que possuem mais de 500.001 habitantes, sendo as cidades-polos de Minas Gerais que possuem esta população Juiz de Fora, Contagem, Uberlândia e Belo Horizonte. A classificação adotada neste artigo para as despesas é o modelo definido pela portaria MPOG 42/1999, que trabalhará com as funções separadamente, sendo que neste trabalho elas ficaram assim distribuídas: Assistência Social, Previdência Social, Saúde, Saneamento, Educação, Cultura, Habitação e Urbanismo. O presente artigo verificará se existe similaridade no comportamento das oito funções de governo estudadas. Será comparada a evolução de 2012 para 2008, e verificará se houve alterações nos valores encontrados. 4. Resultados Os resultados são apresentados em gráficos, para ficar mais fácil a visualização dos resultados. Eles demonstram as variações das despesas por funções em relação ao total das arrecadações, incluído as próprias e as transferências, no período de 2008 a 2012. Na faixa 1, observa-se no Gráfico 1, que existe similaridade de comportamento dos gastos sociais efetivados em relação ao total de impostos, incluindo as transferências para as funções: Habitação, Cultura, Assistência Social e Previdência Social, que mantiveram praticamente estáveis ao longo do período analisado. As funções Saúde e Educação apresentam também comportamento similar, com altos e baixos ao longo do período, mas com tendência de crescimento ao final. Já as funções Urbanismo e Saneamento apresentam comportamentos distintos, sendo que a primeira após um período de queda no início da série, a partir de 2009 apresenta um crescimento constante. Com relação à função Saneamento, após um período de estabilidade até 2009, apresenta uma tendência de diminuição da relação gastos/impostos até o final da série analisada. Na faixa 2, compreendendo municípios entre 105.001 e 200.000 habitantes, pode-se verificar no Gráfico 2 que as funções Assistência Social, Cultura e Habitação tiveram similaridade, mantendo-se praticamente na inércia a relação gastos/ arrecadação impostos. As funções Previdência Social, Saneamento e Urbanismo também apresentam similaridade, alternando pequenos movimentos de alta e baixa, mas com tendência de baixa ao final do período analisado. Já as funções Educação e Saúde, após um período de aumento no período 2008/2009, diminuem em 2010, apresentando a partir daí uma tendência de crescimento até o fim do período analisado. 18 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 16, 14, n. 60, 55, p. 14 56 - 22, 64, maio/ago. set./dez. 2012 2014 Na faixa 3, ou seja, para municípios entre 200.001 e 500.000 habitantes, verifica-se no Gráfico 3 similaridade no comportamento das funções Saúde e Educação, que apresentaram um aumento no início da série, seguido de uma diminuição em 2010 e partir uma tendência de crescimento, acentuando-se no ano de 2012. As funções Urbanismo e Previdência Social, após um período de queda, voltam a crescer ao longo do período. As funções Assistência Social, Cultura e Habitação, também apresentam similaridade, com os indicadores mantendo-se praticamente estável. Na faixa 4, para municípios acima de 500.001 habitantes, percebe-se que as funções Saúde e Educação apresentam comportamento similares, com aumento no início do período analisado, seguido de diminuição e tendência de aumento no final da série. As funções Assistência Social e Cultura apresentam similaridade com pouca variação no período analisado. As outras funções apresentam comportamento diferente umas das outras. A função Assistência Social, em todas as faixas, manteve-se praticamente estável ao longo da série, com exceção da evolução de 2008 para 2009, nos municípios até 500.000 habitantes, onde teve uma pequena elevação da relação gastos/ arrecadação de impostos. A função Previdência Social não apresenta similaridade de comportamento em nenhuma das faixas ao longo da série, sendo que no final do período analisado houve um aumento do indicador para as séries 1, 3 e 4, sendo um pouco menor para a série 1, municípios até 105.000 habitantes, e uma diminuição para a faixa 2, ou seja, municípios entre 105.001 e 200.000 habitantes. Segundo Fernandes et al (1998), o majoramento da função Previdência Social é decorrido de aumento de pagamentos de aposentadorias, pensões e outros benefícios previdenciários, sendo precípuo proceder a uma análise qualitativa, que busque verificar se nestas faixas houve o aumento significativo de aposentadorias e pensões. Para a função Saúde é necessário saber, por meio da pesquisa qualitativa, os principais pontos que causam este aumento. A função Saúde apresenta similaridade em todas as faixas analisadas, com tendência de crescimento ao longo da série, sendo esta mais acentuada para os municípios entre 200.001 e 500.000 habitantes. A função Educação apresenta similaridade pra os municípios até 500.000 habitantes, ou seja, para as faixas 1, 2 e 3, com tendência de crescimento do indicador, apesar de pequenos aumentos e diminuições ao longo da série. A exceção fica por conta dos municípios acima de 500.000 habitantes onde o indicador apresentou uma diminuição de 2008 para 2011 e uma pequena evolução para 2012. As funções Educação e Saúde foram as que tiveram os maiores destaques, ou seja, são as que possuem maior participação destas despesas em relação ao total de receitas, em razão das determinações constitucionais que instituem a aplicação de no mínimo 25% para a Educação e 15% para a Saúde do total da arrecadação dos impostos municipais, incluindo-se as transferências do ente estadual e federal que tenham como fonte a arrecadação de impostos (BRASIL, 1988). Pensar Contábil CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Análise da Aplicação de Recursos Públicos em Gastos Sociais nas Cidades-Polos de Minas Gerais Gráfico 1: Despesas da região 1 em relação as receitas de arrecadação de impostos e transferências de impostos 40% 35% 30% 25% 20% 15% Assistência Previdência Social 10% Saúde Educação Cultura 5% Urbanism Habitação Saneamento 0% 2008 2009 2010 2011 2012 Fonte: Elaborado pelos autores Gráfico 2: Despesas da região 2 em relação as receitas de arrecadação de impostos e transferências de impostos 70% 60% 50% 40% 30% Assistência Social Previdência Social 20% Saúde Educação Cultura 10% Urbanismo Habitação Saneamento 0% 2008 2009 2010 2011 2012 Fonte: Elaborado pelos autores Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 16, 14, n. 60, 55, p. 14 56 - 22, 64, maio/ago. set./dez. 2012 2014 19 Pensar Contábil CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Geovane Camilo dos Santos Sandro Ângelo de Andrade Gráfico 3: Despesas da região 3 em relação as receitas de arrecadação de impostos e transferências de impostos 70% 60% 50% 40% 30% Assistência Social Previdência Social 20% Saúde Educação Cultura 10% Urbanismo Habitação Saneamento 0% 2008 2009 2010 2011 2012 Fonte: Elaborado pelos autores Gráfico 4: Despesas da região 4 em relação as receitas de arrecadação de Impostos e transferências de Impostos 70% 60% 50% 40% 30% Assistência Social 20% Previdência Social Saúde Educação Cultura 10% Urbanismo Habitação Saneamento 0% 2008 2009 2010 Fonte: Elaborado pelos autores 20 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 16, n. 60, p. 14 - 22, maio/ago. 2014 2011 2012 Pensar Contábil CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Análise da Aplicação de Recursos Públicos em Gastos Sociais nas Cidades-Polos de Minas Gerais A função Cultura apresentou ser similar, por meio da estagnação, nas faixas 1, 2 e 4, ou seja, o valor que tinha como percentual em 2008 permaneceu o mesmo em 2012, sendo encontrado o mesmo valor percentual para todas as faixas (2%). A função Urbanismo não apresenta similaridade em nenhuma das faixas, mas as faixas 1, 3 e 4 apresentam crescimento do indicador ao longo da série, enquanto a faixa 2 apresenta uma diminuição ao final do ano de 2012. A função Habitação apresenta similaridade nas faixas 1 e 2, ou seja, municípios até 200.000 habitantes, mantendo-se praticamente estável no período. Os municípios entre 200.001 e 500.000 habitantes, faixa 3, após um período de aumento e outro de diminuição do indicador, apresenta a partir daí uma tendência de crescimento. Já os municípios acima de 500.001, faixa 4, apresentam uma diminuição acentuada a partir de 2009. A função Saneamento não apresenta similaridade de comportamento entre as faixas populacionais analisadas, mas ao final da série apresenta uma diminuição do indicador para as faixas 1, 2 e 4 , sendo mais acentuado na última faixa, ou seja, para municípios acima de 500.000 habitantes. Nos municípios entre 200.001 e 500.000 habitantes, faixa 3, após um período de aumento e outro de diminuição do indicador, apresenta tendência de um pequeno crescimento ao longo da série. 5. Considerações Finais A presente pesquisa objetivou em verificar a similaridade no comportamento das funções sociais nas cidades-polos de Minas Gerais, sendo realizada a distribuição destas cidades em faixas, tomando como alicerce a população. Atualmente, existem 28 funções de governo, tendo definição por meio do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG) número 42 de 1999 (SANTOS, ANDRADE, 2012). No presente trabalho as funções analisadas foram: Assistência Social, Previdência Social, Saúde, Educação, Cultura, Urbanismo, Habitação e Saneamento. Os resultados demonstraram que na faixa 1, que compreende as cidades com população de até 105.000 habitantes, teve similaridade nas funções Habitação, Cultura, Assistência Social e Previdência Social, sendo ela a estabilidade. Encontrou, também, que as funções Saúde e Educação apresentam similaridade entre si, no sentido de apresentar altos e baixos. E as funções Urbanismo e Saneamento apresentam comportamentos distintos: a primeira teve queda no início e após tem crescimento e a segunda teve estabilidade inicialmente e após tem tendência a retração. A faixa 2 tem as cidades com população entre 105.001 e 200.000 habitantes e verifica similaridade de comportamento, no sentido de permanecerem inertes para as funções Assistência Social, Cultura e Habitação. Nas funções Previdência Social, Saneamento e Urbanismo verificam similaridade com alternações de altas e baixas no período e que a tendência final é a baixa no final. E as funções Educação e Saúde tiveram inicialmente aumento (2008/2009), após diminuição (2010) e após este período verifica tendência ao crescimento. Na faixa 3, que abrange as cidades de 200.001 a 500.000 habitantes, sendo encontrada similaridade no comportamento das funções Saúde, Educação que apresentaram aumento no início da série, em 2010 tiveram diminuição e a partir desta data teve crescimento. Nas funções Urbanismo e Previdência Social verifica queda no início e após constata-se um crescimento. Verificou que as funções Assistência Social, Cultura e Habitação permaneceram estáveis, ou seja, os valores não evoluíram. A faixa 4, que tem os municípios com populações acima de 500.001 habitantes, verificou que as funções Saúde e Educação tem comportamentos similares, sendo aumento no início do período, seguido por diminuição e termina com tendência a aumento. Nas funções Assistência Social e Cultura, verifica similaridade com predominância de pouca variação no comportamento. E as outras funções não tiveram comportamentos similares entre si. No trato das similaridades de comportamento das funções em relação às faixas, verifica que a Assistência Social teve similaridade em todas as faixas, exceção apenas na faixa 4, que foi a evolução. Na função Previdência Social, verifica que ela não teve similaridade em nenhuma das faixas, sendo que, ao final do período, houve aumento no indicador das séries 1, 3 e 4 e diminuição para a série 2, que possui as cidades com populações de 1005.001 a 200.000 habitantes. A função Saúde teve similaridade de comportamento em todas as faixas estudadas, sendocaracterizada pelo crescimento. Na Educação existe similaridade para as faixas 1, 2 e 3, sendo a característica pequenos aumentos e diminuições no final da série. Na função Cultura existe similaridade de comportamento nas faixas 1, 2 e 4, sendo ela a estagnação. Em Urbanismo encontra que não há similaridade em nenhuma das faixas, entretanto as faixas 1, 3 e 4 tiveram crescimento no indicador, e na faixa 2 houve quedas. A função Habitação teve similaridade no comportamento nas faixas 1 e 2, que é a estabilidade, na faixa 3 existiu aumento e após teve diminuição, e, depois disso, existe a tendência de crescimento e a faixa 4 tem diminuição acentuada depois de 2009. A função Saneamento não apresenta comportamento nas faixas populacionais estudadas, mas no final da série verifica diminuição nas séries 1, 2 e 4, e na faixa 3 existiu um período de aumento e após teve diminuição e no final da série existe crescimento. Para futuras pesquisas recomenda-se a análise de todas as funções sociais, em um maior lapso temporal. Recomenda-se, também, a análise de mais cidades do Estado de Minas Gerais, uma vez que este é o estado com maior número de municípios, um total de 853 (IBGE, 2014). E a aplicação de pesquisa qualitativa para verificar as informações não contempladas no presente artigo. Referências ANDRADE, Nilton de Aquino. Contabilidade Pública na Gestão Municipal. 2. ed.São Paulo: Atlas, 2006. 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Como resultado, pode-se observar que, dos pesquisadores analisados, 30 tiveram dois ou mais artigos publicados, respondendo por 15% do total de artigos. Com relação ao mapeamento dos elos relacionais entre os autores, pode-se perceber uma baixa densidade geral (0,0095), cercada por uma baixa média de centralidade, evidenciando uma suposta relação embrionária no desenvolvimento das cooperações entre pesquisadores de finanças na Revista Brasileira de Finanças (RBFin) nos últimos sete anos. Palavras-chave: Finanças, Bibliometria, Redes Sociais Abstract Rene Guimarães Andrich Mestre em Administração pela PUC-PR1 [email protected] Marcelo Tardelli Mestre em Administração pela PUC-PR1 [email protected] Khalil Gibran Martins Zeraik Abdalla Mestrando em Administração da UFPR2 [email protected] Resumo O presente estudo propõe analisar as publicações voltadas à abordagem de finanças no Brasil. Para tanto, analisou-se os artigos publicados na Revista Brasileira de Finanças (RBFin), observando os principais temas, autores, instituições de ensino, metodologia empregada, tipos de referências e cooperação entre os autores. Por meio da série histórica de 2003 a 2010, foram analisados todos os artigos 1 2 The present article aims to identify the main publications features in the field of finance in Brazil . In order to to so, it was evaluated the articles published in the Revista Brasileira de Finanças (RBFin), observing the major themes, authors, educational institutions, methodology applied, types of references and cooperation among authors. Through historical series from 2003 to 2010, it was evaluated all articles published since its first edition. A total of 105 articles were evaluated, corresponding to 200 researchers from 46 educational institutions. Through bibliometric methods and social network analysis, it could be evaluated the patterns of relations among authors and coauthors. As result, it could be seen that from the researchers studied, 30 had two or more articles published, accounting for 15% of the total articles. Regarding the mapping of relational links among authors, it can be observed a low overall density (0.0095), surrounded by a low average centrality, indicating a possible embryonal relationship in the development of cooperation among researchers in finance within Revista Brasileira de Finanças (RBFin) in the last seven years. Key words: Finance, Bibliometrics, Social Network PUC-PR – Pontifícia Universidade Católica do Paraná – CEP 80215-901 – Curitiba – PR UFPR – Universidade Federal do Paraná – CEP 80.060-000 – Curitiba – PR Artigo recebido em 05/02/2014 e aceito em 15/07/2014 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 16, 14, n. 60, 55, p. 2356 -31, 64,maio/ago. set./dez. 2012 2014 23 Pensar Contábil Daniela Torres da Rocha June Alisson Westarb Cruz Khalil Gibran Martins Zeraik Abdalla CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Marlon Barcelos de Azevedo 1. Introdução O tema Finanças vem apresentando um crescente desenvolvimento teórico e prático nos últimos anos no Brasil, e esta afirmação é fundamentada pelo aumento nos números de publicação da área. Além do número de publicações, outro fator a ser considerado seria quais são os principais programas de Mestrado e Doutorado e principais influências da área. Estudo de Souza et al. (2010) analisou a percepção sobre finanças do corpo docente de cursos de Doutorado em Finanças brasileiros e norte-americanos. Participaram 710 docentes provenientes de 35 Doutorados em Finanças (11 programas brasileiros e 24 programas norteamericanos). Os principais resultados indicaram que Finanças Corporativas é a área de atuação de grande parte dos docentes e a Revista Brasileira de Finanças e o Journal of Finance são os principais periódicos da área. Doutorados em Finanças da Coppead (UFRJ) e da University of Chicago são os mais influentes, e Finanças Comportamentais foi o tema emergente de pesquisa mais mencionado. Diante do exposto, o presente estudo tem como objetivo analisar as publicações voltadas à abordagem de finanças no Brasil. Para tanto, analisou-se os artigos publicados na Revista Brasileira de Finanças (RBFin), observando os principais temas, autores, instituições de ensino, metodologia empregada, tipos de referências e cooperação entre os autores. O presente o artigo está estruturado nas seguintes seções: introdução, referencial teórico, procedimentos metodológicos, apresentação e análise de resultados e considerações finais. 2. Referencial Teórico A presente seção aborda a fundamentação teórico-empírica do estudo, observando os principais conceitos utilizados, apresentando-se nos itens Finanças e Pesquisas sobre Finanças. 2.1. Finanças A área de finanças envolve o estudo de temas complexos, tais como o mercado financeiro e de capitais, instituições financeiras, sistemas financeiros, gerenciamento de riscos, dentre outros. Assim, o tema Finanças torna-se bastante desafiador em função de sua amplitude, complexidade, dinâmica dos mercados e entidades que impactam e são impactadas por esta área. Conforme estabeleceu Lemes Junior et al (2010, p. 3): “O campo de abrangência de finanças é amplo, incluindo o processo financeiro, o mercado financeiro o mercado de capitais, os instrumentos financeiros, as finanças pessoais, governamentais e corporativas”. De acordo com Gitman (2010), o termo finanças pode ser definido como: “a arte e a ciência de administrar o dinheiro”. Os princípios básicos de Finanças são aplicáveis a todos os tipos de empresas e adicionalmente pessoas físicas, pois a maior parte destas entidades levanta ou recebe, gasta ou investe dinheiro. Finanças então se referem ao processo, instituições, mercados e instrumentos envolvidos na transferência de dinheiro entre pessoas, empresas e órgãos governamentais (GITMAN, 2010). São diversas as subáreas existentes em finanças que possibilitam teorias e instrumentos para que os administradores financeiros tenham melhores condições para tomada de decisões relacionadas à captação de recursos (funding), análise 24 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 16, n. 60, p. 23- 31, maio/ago. 2014 Rene Guimarães Andrich Marcelo Tardelli de investimentos, avaliação de empresas e gestão de riscos. Dentre estas subáreas, podemos citar como principais: Finanças Corporativas, Investimentos, Mercado Financeiro, Finanças Comportamentais e Finanças Públicas. Pesquisa realizada por Souza et al. (2010) com o objetivo de identificar a percepção dos corpos docentes de Doutorados em Finanças brasileiros e norteamericanos, no que se refere ao ensino e pesquisa na área de Finanças, demonstrou que a principal subárea de atuação, na percepção dos docentes, seria a de Finanças Corporativas. Já no que se refere a temas emergentes para futuras pesquisas, o assunto em destaque seria Finanças Comportamentais. Fundamentalmente, envolve a gestão de fontes de recursos e a estrutura de capital das organizações e a atitudes dos gestores financeiros no sentido de maximizar o valor da firma para os proprietários/acionistas. Em linhas gerais, Finanças Corporativas tratam de todas as decisões financeiras das empresas, sejam elas grandes corporações ou pequenas empresas. Existem três princípios que são o alicerce das Finanças Corporativas: o princípio do investimento, do financiamento e dos dividendos. O princípio do investimento determina onde o negócio investe seus recursos, ou seja, em ativos ou projetos que possibilitem obtenção de um retorno maior do que uma taxa mínima de atratividade, a qual deve ser maior para projetos que envolvem um maior risco, além de estar adequada ao custo de capital (próprio ou de terceiros). Os retornos devem ser mensurados com base nos fluxos de caixa e no prazo para recebimento destes, que pode afetar de forma positiva ou negativa. Já o princípio do financiamento se refere ao conjunto de fundos usados para financiar os investimentos e a escolha adequada desses fundos, que podem ser oriundos de recursos próprios ou de terceiros. A escolha adequada pode maximizar o valor do retorno do investimento realizado, bem como estar compatível com a natureza do bem financiado. O princípio dos dividendos, por sua vez, endereça a questão de como os retornos podem ser reinvestidos no negócio ou distribuídos aos proprietários, se não existirem, por exemplo, opções de investimentos que superem a taxa mínima de atratividade, uma boa alternativa seria distribuir os recursos aos investidores DAMODARAN (2013). Já na visão de Lemes Junior et al (2010 p. 3), as Finanças Corporativas estariam mais especificamente vinculadas à maximização de riqueza dos acionistas de empresas constituídas, via de regra, na forma de sociedade anônima de capital, numa visão mais restrita do escopo de abrangência desta área das finanças. O tema emergente para elaboração de pesquisas na percepção dos docentes, denominado Finanças Comportamentais (Behavioral Finance), busca a incorporação de aspectos psicológicos inerentes ao ser humano aos modelos tradicionais de comportamento dos mercados, que eventualmente poderiam causar anomalias no funcionamento destes. Conforme Shefrin (2000), as Finanças comportamentais abordariam a psicologia e sua influência no comportamento dos mercados. O autor estabelece ainda que determinadas variáveis econômicas não poderiam ser explicadas somente pelas condições de equilíbrio racional, em contrapartida ao que estabelece a teoria tradicional, denominada Hipótese do Mercado Eficiente. Talvez um efeito na catalisação do interesse dos pesquisadores em Finanças Comportamentais tenha sido o episódio da crise Pensar Contábil CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Finanças: Um Estudo Bibliométrico e Sociométrico da Produção Científica Brasileira financeira subprime de 2008, que demonstrou que realmente o mercado pode não se comportar de maneira eficiente, causando sérias consequências aos sistemas financeiros de diversos países e seus afetados. 2.2. Pesquisas sobre Finanças Com a compreensão de alguns conceitos de finanças, é Autores importante avaliar o avanço de pesquisas na área. O tema Finanças é amplamente discutido no meio corporativo e acadêmico. O mercado para profissionais de finanças tem se tornado cada vez mais valorizado no Brasil, com destaque para aqueles com experiência em empresas que realizaram Initial Public Offering (IPO), o que tem contribuído para o crescimento da Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa) e também para aqueles com experiência em empresas de capital aberto nos Estados Unidos da América e que estão sujeitas às exigências da Lei Sarbanes Oxley, de 2002. Ao se analisar à evolução da produção científica na área de Finanças, o início se dá pela abordagem do trabalho de Borokhovich et al. (2000). Os autores realizaram uma análise, Funções no período de 1990 a 1996, de citações em artigos publicados em algumas das principais revistas de finanças, sendo elas The Journal of Finance, The Journal of Financial Economics e Review of Financial Studies, e concluíram que opiniões de fora do campo de finanças influenciam o que se comenta nestes jornais. Observase o senso comum influenciando o meio científico. Ainda que se observe no meio acadêmico uma predominância de produção científica quantitativa em finanças (GRABLE, 2006), percebe-se a importância de se captar a opinião do meio corporativo por meio de coleta de dados primários diretamente com aqueles que tomam decisões no dia a dia nas organizações. Estudos desta natureza, ainda que em menor número, são amplamente citados pelos autores quantitativos (NEUHAUSER, 2007). Baker (2007) argumenta em seu estudo que editores de 49 jornais da área de finanças, no período de 1985 a 2005, destacaram que artigos que se baseiam em material coletado por meio de questionários seguem o mesmo processo de revisão que os artigos baseados em material secundário. O autor observa ainda que ao menos um entre 63,3% do material publicado referese a um levantamento qualitativo realizado com aplicação de questionários. São estes estudos qualitativos que servem de base para futuros estudos empíricos. Ainda na década de 1990, Chan et al. (2004) realizaram estudo comparando a produção científica em finanças no período de 1990 a 1999, entre Europa e Estados Unidos. Ao todo, 15 jornais foram analisados e 219 universidades foram catalogadas. O Reino Unido dominou a produção, sendo presença constante entre as “top 20”. Universidades americanas foram classificadas nas posições 24 e 25 neste período, e 15 e 16 se observado apenas o período entre 1995 e 1999. No Brasil, no período entre 1974 e 2001, em uma análise da área de finanças em 551 artigos publicados nas principais revistas de Administração e em 264 artigos incluídos nos Anais do Enanpad, observou-se predominância de artigos com apenas um autor e a produtividade destes autores é mais baixa do que a sugerida pela teoria bibliométrica (LEAL et al., 2003). Camargos et al. (2005) também abordaram o tema por meio de um levantamento em 171 artigos publicados nos anais do Encontro Nacional da Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 16, 14, n. 60, 55, p. 2356 -31, 64,maio/ago. set./dez. 2012 2014 Anpad entre os anos de 2000 e 2004 e as principais constatações foram que há um predomínio de instituições da região Sudeste na quantidade de publicações, a maioria dos artigos teve até dois autores, e a quantidade de publicações em língua estrangeira (inglês) ainda foi baixa no período. O trabalho de Souza et al. (2008) foi realizado no Portal de Períodicos Capes, em 72 jornais que incluíam em seu título os termos “finance” e “financial”. O Journal of Finance foi o que apresentou o maior fator de impacto (2.549). A maioria da produção foi feita nos Estados Unidos (70,83%). Por fim, outro trabalho de Souza et al. (2011) abordou a produtividade científica dos professores da área de Finanças vinculados a programas de Doutorado em Administração. Constatou-se baixo número de publicação em periódicos internacionais classificação Capes A. 3. Procedimentos Metodológicos O presente estudo aborda métodos de pesquisa bibliográfica e bibliométrica. Segundo Pádua (2004), a finalidade da pesquisa bibliográfica é colocar o pesquisador em contato com o que já foi produzido a respeito do tema da pesquisa. Já a pesquisa bibliométrica é utilizada para quantificar os processos de comunicação escrita e o emprego de indicadores bibliométricos para medir a produção científica (OLIVEIRA, 2001). Como amostra, foram analisados as publicações de sete anos (2003 a 2010) da Revista Brasileira de Finanças (RBFin), sendo aplicada a análise bibliométrica aos artigos, procurando identificar as temáticas de Finanças. A coleta de dados valeu-se de pesquisa de dados secundários, enquanto a perspectiva temporal compreende observações longitudinais. A obtenção dos artigos revisados se deu por buscas eletrônicas realizadas no site da revista (http://bibliotecadigital. fgv.br/ojs/index.php/rbfin), tendo sido analisados todos os artigos publicados, totalizando 105 artigos. Os dados coletados sobre as publicações incluem: ano de publicação, referência, tema, título do artigo, autor/coautores, instituição de filiação e de cada um dos autores e metodologia empregada. Após a tabulação dos dados, procedeu-se à verificação da grafia dos nomes, afastando-se a possibilidade de serem incluídos nomes com grafias diferentes, mas não a incidência de homônimos, conforme apontado por Silva et al. (2006). A padronização dos nomes é necessária para construção de relações de coautoria. Da mesma maneira foi verificada a denominação das instituições de filiação dos autores. Na ausência da informação sobre vínculo, recorreu-se à Plataforma Lattes. As instituições foram mapeadas de acordo com a sua localização, identificandose o estado brasileiro (UF) da sua sede. Para identificação dos estados das instituições, em caso de dúvida quanto à localização, procedeu-se a uma pesquisa via internet. Com relação à forma de análise dos dados, o estudo compreende duas formas distintas de análise: software de análise de redes sociais (Ucinet) e análise de conteúdo simples. Nesse contexto, são abordados os seguintes conceitos: Software de análise de redes sociais: trata-se do software Ucinet 6 for Windows, versão 6.153. O sistema demonstra os aspectos relacionais dos atores envolvidos na estrutura de redes, possibilitando, por meio da estruturação de uma matriz, 25 Pensar Contábil Daniela Torres da Rocha June Alisson Westarb Cruz Khalil Gibran Martins Zeraik Abdalla CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Marlon Barcelos de Azevedo identificar atores, suas estruturas e objetivos de interação (BORGATTI et al., 2002). Em estudos de redes sociais, são considerados elementos primários os elos entre os nós da rede (sua existência ou não), e elementos secundários os atributos dos atores (raça, sexo, localização geográfica, objetivos e formas de interesse etc). A presente metodologia de análise utiliza gráficos a serem analisados de forma descritiva e matrizes quadradas ou retangulares, também conhecidas como sociomatrizes (X). As matrizes permitem a visualização de relações e padrões que dificilmente seriam percebidos nos sociogramas de pontos e linhas. Nas matrizes, as linhas (y) representam os elos enviados, enquanto as colunas (z) representam os elos recebidos. Os elos enviados e recebidos possuem importantes implicações nos cálculos de graus de centralidade local e global, e na identificação de subgrupos na rede. Justifica-se o uso desse tipo de análise, pois o campo científico é um sistema caracterizado por relações sociais regulares (MACHADO-DA-SILVA; GUARIDO FILHO; ROSSONI, 2006) e com função de disseminação das informações (MACIASCHAPULA, 1998). Para Galaskiewicz e Wasserman (1994), a análise de redes sociais concentra sua atenção em atores ou entidades sociais que interagem uns com os outros, e no fato de que essas interações podem ser estudadas e analisadas como uma única estrutura ou esquema. Dessa forma, os processos sociais podem ser explicados por meio de redes de relacionamentos que unem os atores ou instituições (WALTER; SILVA, 2008). Segundo Cruz et al. (2013), alguns conceitos iniciais são importantes no entendimento da análise de redes, dentre eles o presente estudo aborda em suas análises as seguintes abordagens: 1) Ator: indivíduos ou grupos de indivíduos, corporações, comunidades, departamentos etc.; 2) Elos relacionais: forma de ligação entre dois atores, podendo ser relações comerciais, transferência de recursos, interações gerais etc.; 3) Relação: coleção de elos de um determinado tipo entre membros de um grupo; 4) Rede social: conjunto finito de atores e suas relações; 5) Grau nodal: mensuração do grau de “atividade” de um determinado nó, com base no cálculo da quantidade de linhas adjacentes; 6) Densidade: cálculo da proporção de linhas existentes em um gráfico, com relação ao máximo de linhas possíveis (escala de 0 a 1); e 7) Distância geodésica: a menor distância entre dois nós. A partir das informações retiradas das publicações, foram geradas as figuras e tabelas cujos resultados e análise são discutidos na próxima seção. 4. Resultados A seguir, é apresentada a análise dos artigos obtidos no site da Revista Brasileira de Finanças (RBFin) entre 2003 e 2010. Durante o período em estudo, foram publicadas 21 edições da revista, nas quais foram publicados 105 artigos. 4.1. Perspectivas Temporais das Publicações O levantamento identificou 200 autores, sendo que, do total; 3% escreveram quatro artigos (seis autores); 3,5% (sete autores) publicaram três artigos; 8,5% (17 autores) publicaram dois artigos; e os demais publicaram apenas um artigo cada. A Tabela 1 representa o corte relativo a dois ou mais artigos publicados, 26 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 16, n. 60, p. 23- 31, maio/ago. 2014 Rene Guimarães Andrich Marcelo Tardelli indicando nominalmente os principais autores por número de artigos publicados. Tabela 1: Relação de autores com mais artigos publicados na Revista Brasileira de Finanças entre 2003 e 2010 Nº Autor Artigos 1 Antonio Gledson de Carvalho 4 2 Beatriz Vaz de Melo Mendes 4 3 Benjamin Miranda Tabak 4 4 Claudio Henrique da Silveira Barbedo 4 5 Luiz Eduardo Teixeira Brandão 4 6 Newton Carneiro Affonso da Costa Júnior 4 7 Alexandre Di Miceli da Silveira 3 8 Fernando Nascimento de Oliveira 3 9 Jairo Laser Procianoy 3 10 Pedro L. Valls Pereira 3 11 Richard Saito 3 12 Roberto Meurer 3 13 Walter Lee Ness Jr. 3 14 Christian Johannes Zimmer 2 15 Cláudio R. Lucinda 2 16 Fernanda Finotti Cordeiro Perobelli 2 17 Gustavo Silva Araújo 2 18 Joe Akira Yoshino 2 19 Jorge C. Kapotas 2 20 José Luiz Rossi Júnior 2 21 José Roberto Securato 2 22 José Valentim Machado Vicente 2 23 Lucas Ayres B. de C. Barros 2 24 Luiz Felipe Jacques da Motta 2 25 Marcelo C. Medeiros 2 26 Marcelo Cabus Klotzle 2 27 Ney Roberto Ottoni de Brito 2 28 Pedro Paulo Schirmer 2 29 Rodrigo S. Verdi 2 30 Willian Eid Junior 2 Fonte: Elaborado pelos autores Quarenta e seis instituições possuem vínculo com os autores que publicaram algum artigo sobre finanças. Entre elas, destaca-se a Universidade de São Paulo (USP), com 42 autores relacionados; em seguida a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), com 32 autores; a Fundação Getúlio Vargas (FGV), com 24 autores; e o Banco Central do Brasil (Bacen), com 22 autores. A Tabela 2 indica a posição das instituições com maior número de publicações. Pensar Contábil CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Finanças: Um Estudo Bibliométrico e Sociométrico da Produção Científica Brasileira Tabela 2: Relação de instituições com mais autores na Revista Brasileira de Finanças entre 2003 e 2010 Nº Instituição de Pesquisa Quantidade de autores 1 USP 42 2 PUC-RJ 32 3 FGV 24 4 Bacen 22 5 IBMEC 16 6 UFRJ 14 7 UFRS 12 8 UFSC 11 9 INSPER 9 10 UFPE 8 11 UFJF 5 Tipo de Experimento Artigos Publicados % Laboratório 6 85,7% Campo 1 14,3% Total 7 100% Fonte: Elaboração própria Tabela 6: Referências utilizadas nos artigos publicados na Revista Brasileira de Finanças entre 2003 e 2010 Fonte: Elaboração própria Quanto à natureza das pesquisas, nota-se que há o predomínio da pesquisa empírica, representando 81,9% (86 artigos) do total de artigos publicados, conforme Tabela 3. Tabela 3: Natureza de pesquisa dos artigos publicados na Revista Brasileira de Finanças entre 2003 e 2010 Natureza de Pesquisa Artigos Publicados % Empírica 86 81,9% Teórica 19 18,1% Total 105 100,0% Fonte: Elaboração própria Com relação ao tipo de pesquisa, existe um predomínio de pesquisas descritivas, sendo 83,8% (88 artigos) do total de artigos publicados, conforme Tabela 4. Tabela 4: Tipo de pesquisa dos artigos publicados na Revista Brasileira de Finanças entre 2003 e 2010 Tipo de Pesquisa Artigos Publicados Tabela 5: Tipo de experimento dos artigos publicados na Revista Brasileira de Finanças entre 2003 e 2010 % Descritiva 88 83,8% Exploratória 10 9,5% Experimento 7 6,7% Total 105 100,0% Fonte: Elaboração própria De acordo com os artigos publicados, que se enquadram em experimento, verifica-se que 85,7% (seis artigos) destes caracterizam-se como experimento de laboratório, e apenas 14,3% (um artigo) caracteriza-se como experimento de campo, conforme Tabela 5. Quanto à origem da literatura, observou-se que há predominância da literatura estrangeira, com 89% do total no período analisado, contra 11% da literatura nacional, conforme pode ser observado na Tabela 6. Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 16, 14, n. 60, 55, p. 2356 -31, 64,maio/ago. set./dez. 2012 2014 Ano Referências Nacionais Referências Internacionais 2003 10% 90% 2004 5% 95% 2005 9% 91% 2006 11% 89% 2007 11% 89% 2008 10% 90% 2009 19% 82% 2010 10% 90% Média 11% 89% Fonte: Elaboração própria Quanto aos principais temas estudados na área de finanças, conforme apresentado na Tabela 7, verifica-se que o tema mais pesquisado é o tema Gestão de Riscos (com 19 artigos), seguido de Métodos Quantitativos em Finanças (com 18 artigos), Gestão de Carteiras e Taxa de Câmbio (ambos com oito artigos), Mercado de Opções Reais (com sete artigos), Derivativos e Ofertas Públicas Iniciais (IPO) (ambos com quatro artigos), seguido de Governança Corporativa (com três artigos) e Influência de Mercado e Securitização (ambos com dois artigos cada). A categoria Outros abrange temas abordados em apenas um artigo, como: Efeito Clientela, Efeito Disposição, Efeito Dotação, Redes de Relações Corporativas, Board Interlocking, Excesso de Confiança dos Investidores, BookBuilding etc. Tabela 7: Temas dos artigos publicados na Revista Brasileira de Finanças entre 2003 e 2010 Tema Quantidade Gestão de Riscos 19 Métodos Quantitativos em Finanças 18 Gestão de Carteiras 8 Taxa de Câmbio 8 Mercado de Opções Reais 7 Derivativos 4 Ofertas Públicas Iniciais (IPO) 4 Governança Corporativa 3 Influência de Mercado 2 Securitização 2 Outros 30 Fonte: Elaboração própria 27 Pensar Contábil Daniela Torres da Rocha June Alisson Westarb Cruz Khalil Gibran Martins Zeraik Abdalla CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Marlon Barcelos de Azevedo 4.2. Perfil dos Elos Relacionais da Rede Observando a perspectiva relacional entre os autores que apresentaram publicações na Revista Brasileira de Finanças (RBFin) no período pesquisado (2003-2010), é apresentado o mapeamento dos elos relacionais entre os autores. Nesse sentido, os autores foram estruturados em uma matriz quadrada com observações binárias (0 e 1), de acordo com existência ou não de relações entre os principais autores na área. A densidade da rede é calculada pela proporção de linhas existentes em um gráfico, com relação ao máximo de linhas possíveis, podendo variar de 0 a 1. A escolha dessa medida tem como objetivo demonstrar o padrão de densidade geral das relações do período proposto. A Figura 1 apresenta o sociograma do período proposto, que evidencia a perspectiva de centralidade por atores (individual). Nesse caso, quanto maior o tamanho do “nó”, maior a centralidade do autor na perspectiva relacional. Conforme se observa na Figura 1, no período de 2003-2010, foram identificados 200 autores e uma densidade geral da rede de 0,0095 (escala de 0 a 1). Observa-se uma distância média pequena (1,89) no período analisado, demonstrando serem necessários aproximadamente dois intermediários (em média) para que ocorra o contato entre um autor e outro que não sejam diretamente ligados por elos. Estes dados também podem ser visualizados por meio da Tabela 8. Figura 1: Sociograma geral da rede 2003-2010 Fonte: Elaboração própria 28 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 16, n. 60, p. 23- 31, maio/ago. 2014 Rene Guimarães Andrich Marcelo Tardelli Tabela 8: Indicadores quantitativos (2003-2010) Característica Dados Número de Participantes Ativos 200 Densidade Geral 0,0095 Distância Média Geral da Rede 1,89 Fonte: Elaboração própria Se analisarmos os indicadores gerados sob a óptica individual dos atores, podemos observar que a percepção da centralidade por autor sugere o grau de inter-relação, podendo sugerir, neste contexto, que quanto maior o grau de centralidade do autor na rede, maior sua importância na estrutura relacional entre os pesquisadores da área (Tabela 9). O grau de centralidade visa revelar o número de laços que um ator possui com outros atores em uma rede, considerando somente os relacionamentos adjacentes, resultando na centralidade local dos atores (ROSSONI; HOCAYEN-DA-SILVA; FERREIRA JÚNIOR, 2006, p. 2). Segundo Souza (2004), em redes de elos direcionais, calculase o grau de variabilidade nos índices de centralidade individuais com relação ao envio (out) e o recebimento (in) de elos. Muitos atores apresentam sua centralidade mais fortemente estabelecida Pensar Contábil CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Finanças: Um Estudo Bibliométrico e Sociométrico da Produção Científica Brasileira em relação ao recebimento ou ao envio de indicações, devendose observar a realidade mapeada. Valores baixos representam uma rede mais dispersa em termos de centralidade. Tabela 9: Centralidade por autor em relações gerais (principais autores por centralidade) n o Autor Centralidade 1 Claudio Henrique da Silveira Barbedo 8 2 Newton Carneiro Affonso da Costa Júnior 7 3 Luiz Felipe Jacques da Motta 7 4 Walter Lee Ness Jr. 7 5 Benjamin Miranda Tabak 6 6 Gustavo Silva Araújo 5 7 Marcelo Cunha Medeiros 5 8 Luiz Eduardo Teixeira Brandão 5 9 José Valentim Machado Vicente 5 Fonte: Elaboração própria Ao observar a classificação dos principais autores a se relacionar entre as publicações de Finanças de acordo com o grau de centralidade, percebe-se a importância de alguns autores, como Claudio Henrique da Silveira Barbedo (8), Eduardo Newton Carneiro Affonso da Costa Júnior (7), Luiz Felipe Jacques da Motta (7), Walter Lee Ness Jr. (7), Benjamin Miranda Tabak (6), seguido de Gustavo Silva Araújo, Marcelo Cunha Medeiros, Luiz Eduardo Teixeira Brandão, José Valentim Machado Vicente, com 5. O grau de centralidade por autor tem o objetivo de identificar os autores que apresentam relação de coautoria com os demais, não apresentando a perspectiva de importância da produção científica, e sim a importância dos autores no estabelecimento de relações entre os pesquisadores da área. Na perspectiva de apresentar a relação dos autores e coautores por meio do sociograma, a Figura 2 demonstra a relação dos pesquisadores da rede, observando a relação de autoria (out) e de coautoria (in). Dessa forma, a conexão dos autores com os coautores é representada pela origem da seta nos autores, indicando o destino da seta aos coautores. Por meio da Figura 2, pode-se identificar alguns pesquisadores que apresentaram na matriz de autoria e coautoria grau de centralidade predominantemente de autoria, sendo eles: Claudio Henrique da Silveira Barbedo (cinco), Giuliano Lorenzoni (quatro), Gustavo Campos Catão (três) Fernanda Finotti Cordeiro Perobelli (três), ao contrário dos pesquisadores Newton Carneiro Affonso da Costa Júnior, Benjamin Miranda Tabak, Beatriz Vaz de Melo Mendes, José Valentim Machado Vicente, Luiz Eduardo Teixeira Brandão, que apresentam grau de centralidade 3, predominantemente de coautorias. Figura 2: Sociograma geral da rede – autoria e coautoria 2003-2010 Fonte: Elaboração própria Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 16, 14, n. 60, 55, p. 2356 -31, 64,maio/ago. set./dez. 2012 2014 29 Pensar Contábil CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Daniela Torres da Rocha June Alisson Westarb Cruz Khalil Gibran Martins Zeraik Abdalla Marlon Barcelos de Azevedo A Tabela 10 apresenta o grau de centralidade dos autores na matriz de autoria e coautoria, que elimina a relação de coautores com coautores, considerando apenas as relações de autores com coautores: Tabela 10: Centralidade por autor em relação à autoria e coautoria (principais autores por centralidade) N. Autor Out In 1 Claudio Henrique da Silveira Barbedo Centralidade Centralidade 5 2 2 Giuliano Lorenzoni 4 0 3 Gustavo Campos Catão 3 0 4 Fernanda Finotti Cordeiro Perobelli 3 1 5 Alexandre Di Miceli da Silveira 2 2 6 Newton Carneiro Affonso da Costa Júnior 2 3 7 Benjamin Miranda Tabak 1 3 8 Antonio Gledson de Carvalho 1 2 9 Beatriz Vaz de Melo Mendes 0 3 10 José Valentim Machado Vicente 0 3 11 Luiz Eduardo Teixeira Brandão 0 3 12 Luiz Felipe Jacques da Motta 0 3 13 Pedro L. Valls Pereira 0 3 14 Walter Lee Ness Jr. 0 3 Fonte: Elaboração própria Rene Guimarães Andrich Marcelo Tardelli 5. Considerações Finais Sob a perspectiva de quantificar e conhecer a produção científica acadêmica e identificar os principais temas predominantes na Revista Brasileira de Finanças (RBFin), bem como explicitar a distribuição da produção científica na área e os padrões de colaboração dos pesquisadores brasileiros por meio da utilização de abordagens bibliométricas e de análise de redes sociais nos trabalhos, este trabalho apresenta, na percepção e mapeamento das principais tendências, autores, universidades e relações entre autores no período analisado. Nesse sentido, vale destacar a identificação dos autores que mais publicaram artigos na Revista Brasileira de Finanças (RBFin) no período proposto, evidenciando a contribuição dos pesquisadores Antonio Gledson de Carvalho (quatro), Beatriz Vaz de Melo Mendes (quatro), Benjamin Miranda Tabak (quatro), Claudio Henrique da Silveira Barbedo (quatro), Luiz Eduardo Teixeira Brandão (quatro), Newton Carneiro Affonso da Costa Júnior (quatro), entre outros. Sob a perspectiva relacional, os principais autores, em geral, limitam seu ambiente de produção em torno de poucas parcerias. Nesse sentido, vale ressaltar a contribuição de centralidade entre autores de alguns pesquisadores: Claudio Henrique da Silveira Barbedo (cinco), Giuliano Lorenzoni (quatro), Gustavo Campos Catão (três) Fernanda Finotti Cordeiro Perobelli (três), com centralidade predominantemente de autoria e os pesquisadores Newton Carneiro Affonso da Costa Júnior, Benjamin Miranda Tabak, Beatriz Vaz de Melo Mendes, José Valentim Machado Vicente, Luiz Eduardo Teixeira Brandão, que apresentam grau de centralidade 3, predominantemente de coautorias. Com relação aos temas mais pesquisados, evidenciamse gestão de riscos, com 19 artigos publicados; Métodos Quantitativos em Finanças, com 18 artigos; Gestão de Carteiras e Taxa de Câmbio, ambos com oito artigos; e Mercado de Opções Reais, com sete artigos. Ressalta-se a contribuição das instituições de ensino superior que apresentam maior representatividade nas publicações, surgindo a USP (42) como a principal IES, seguida da PUC-RJ (32), FGV (24) e Bacen (22). No que se refere às limitações desta pesquisa, pode-se citar a amostra, visto que esta utilizou apenas dados da Revista Brasileira de Finanças (RBFin) no período de sete anos. Nesse sentido, sugere-se expandir os presentes métodos de estudos aos demais congressos e periódicos representativos para a área de finanças. Referências BAKER, H.K., MUCHERJEE, T.K. Survey research in finance: Views from journal editors. International Journal of Managerial Finance, 3(1):11–25, 2007. BORGATTI, S.P.: EVERETT, M.G.: FREEMAN, L.C. Ucinet for Windows: Software for Social Network Analysis. Harvard, MA: Analytic Technologies, 2002. BOROKHOVICH, K.A., BRICKER, R.J., SIMKINS, B.J. An analysis of finance journal impact factors. Journal of Finance, 55(3):1457-1469, 2000. 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Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 16, 14, n. 60, 55, p. 2356 -31, 64,maio/ago. set./dez. 2012 2014 31 Pensar Contábil CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ O Impacto da Depreciação nos Índices Econômicos e Financeiros de uma Organização Pública pela Aplicação da Ipsas 17 Júlio César da Silva Blumenau – SC Doutorando em Ciências Contábeis e Administração na Furb1 [email protected] Alini da Silva Blumenau – SC Mestranda em Ciências Contábeis na Furb1 [email protected] Caroline Sulzbach Pletsch Blumenau – SC Mestranda em Ciências Contábeis na Furb1 [email protected] Fabricia Silva da Rosa Blumenau – SC Pós-doutorado em Contabilidade pela UFSC2 [email protected] Resumo Após a harmonização internacional das normas contábeis, o Conselho Federal de Contabilidade – CFC – aprovou dez Normas Brasileiras de Contabilidade Aplicadas ao Setor Público, convergentes às Normas Internacionais de Contabilidade do Setor Público – (Ipsas, em inglês). Uma das normas contábeis publicadas no ano de 2010 para empresas públicas é o Ipsas 17, que trata do reconhecimento, mensuração e evidenciação dos ativos imobilizados. Desta forma, surge a questão problema da pesquisa: Quais os im1 2 pactos gerados pela aplicação da Norma Ipsas 17 sobre os resultados dos índices econômicos e financeiros da empresa pública, foco de estudo? Para resolver esta questão, foi estabelecido o objetivo de identificar os impactos nos índices econômicos e financeiros simulando a implantação da Norma Ipsas 17 em uma empresa pública. A pesquisa foi classificada como descritiva, documental, com abordagem quantitativa, realizada em uma Universidade Pública Catarinense. Os dados da pesquisa foram coletados em relatórios contábeis acerca do controle patrimonial, bem como os relatórios das demonstrações contábeis do último exercício fiscal. Como principal resultado da pesquisa verificou-se que os índices econômicos financeiros da entidade tiveram alteração de valor, como o ROA e o ROE, que diminuíram consideravelmente neste exercício. Palavras-chaves: Ipsas 17, Empresas Públicas, Imobilizado, Resultado Econômico e Financeiro Abstract After the international harmonization of accounting standards, the Federal Accounting Council - CFC approved ten Brazilian Accounting Standards applicable to the public sector, converged with International Accounting Standards for the Public Sector - IPSAS (in English). One of accounting standards published in 2010 for public companies is the IPSAS 17, which addresses the recognition, measurement and disclosure of fixed assets. Thus, the question arises research problem: What are the impacts generated by applying the Standard IPSAS 17 as the results of financial and economic indices of the public company, focus of study? And to address this issue in order to identify the impacts on economic and financial indexes simulating the deployment of the Standard IPSAS 17 in a public company was established. The research was classified as descriptive, documentary, using a quantitative approach, performed in a Santa Catarina State University. The survey data were collected on the equity accounting control reports as Furb – Universidade Regional de Blumenau – CEP 89030-080 – Blumenau – SC UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina – CEP 88040-900 – Florianópolis - SC Artigo recebido em 08/04/2014 e aceito em 15/07/2014 32 Pensar Pensar Contábil, Contábil, Rio Rio de Janeiro, de Janeiro, v. 16, v. 16, 14, n. 60, n. 60, 55, p. 33 p. -32 56 41,- 40, 64, maio/ago. set./dez. maio/ago. 2014 2012 2014 32 Pensar Contábil CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ O Impacto da Depreciação nos Índices Econômicos e Financeiros de uma Organização Pública pela Aplicação da Ipsas 17 well as reports of the financial statements for the last fiscal year. The main result of the research it was found that the economic and financial indices of the entity had a change of value, such as ROA and ROE, which decreased considerably this year. Key words: Ipsas 17, Public Enterprises, Assets, Economic and Financial Results 1. Introdução A necessidade de uma língua contábil universal, face à maior integração entre os mercados mundiais, suscitou a internacionalização das práticas contábeis (MACHADO; FREYTAG; MALISKI, 2012). A internacionalização das normas contábeis trata-se de um marco histórico por proporcionar que empresas de variados países utilizem a mesma forma de reconhecer, mensurar e evidenciar os atos e fatos contábeis, propiciando avanço na economia mundial. Inicialmente no Brasil, começou-se com a harmonização das normas contábeis de empresas privadas, com obrigatoriedade de implantação no ano de 2010, com seu projeto inicial assinado no ano de 2000. Porém, a normatização contábil de empresas privadas também alcançou o setor público, que, de acordo com Machado, Freytag e Maliski (2012), recentemente o Conselho Federal de Contabilidade – CFC – aprovou dez Normas Brasileiras de Contabilidade Aplicadas ao Setor Público, convergentes às Normas Internacionais de Contabilidade do Setor Público – Ipsas (em inglês), publicadas pela Federação Internacional de Contadores – Ifac (em inglês). Embora ainda não possuam obrigatoriedade de implantação, apenas incentivo, nos próximos anos será efetivada a implantação de todas as Ipsas. Uma das normas contábeis publicadas no ano de 2010 para empresas públicas é o Ipsas 17, a qual trata dos bens tangíveis destas entidades, ou seja, trata do reconhecimento, mensuração e evidenciação dos ativos imobilizados. Esta norma para empresas públicas é um fator importante, pois algumas, por leis tanto municipais como federais, são desobrigadas a efetivarem a depreciação de seus bens. Por este motivo, seus controles gerenciais, bem como dados finais oriundos do ativo imobilizado, são ainda incipientes, não retratando o seu valor justo nas demonstrações contábeis. Por conseguinte, dentre os gastos de uma entidade, a depreciação é um gasto não desembolsável no momento da realização de seus cálculos, porém deve ser mensurado segregando-o aos produtos ou serviços ofertados, para que o faturamento destes possibilite a manutenção ou troca de bens móveis ou imóveis quando necessários, a fim de não ficarem obsoletos. De acordo com Harzer et al. (2011), a depreciação possibilita que um valor deva ser reinvestido na entidade a cada ano para que esta não perca sua capacidade produtiva, sendo discriminados no processo orçamentário níveis mínimos de investimentos em imobilizado. Já Olak (2000) destaca que, embora a empresa pública apresente os demonstrativos contábeis convencionais, pelo balanço social e por meio de um relatório de avaliação de resultados e desempenhos (relatório de atividades) e diretamente por meio dos sistemas orçamentários (empenho), entretanto, não se verifica a prestação de contas dos resultados Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 16, 14, n. 60, 55, p. 32 56 - 40, 64, maio/ago. set./dez. 2012 2014 econômicos, considerando a eficiência no uso dos recursos investidos por meio de relatórios gerenciais, como é feito no setor privado. O gerenciamento dos resultados e, por conseguinte, o gerenciamento da aplicação da depreciação, não é evidenciado, surgindo desta forma a questão-problema de pesquisa: Quais os impactos gerados pela aplicação da Norma Ipsas 17 sobre os resultados dos índices econômicos e financeiros da empresa pública, foco de estudo? Para a resolução da questão-problema, foi definido o objetivo do presente estudo em identificar os impactos nos índices econômicos e financeiros simulando a implantação da Norma Ipsas 17 em uma empresa pública. Devida à harmonização recente das normas contábeis é necessário que as organizações tanto privada como públicas as apliquem corretamente, desta forma, o presente estudo serve para orientar aos interessados sobre as particularidades da norma. O estudo também é necessário por simular os possíveis impactos gerados sobre a empresa pública com a aplicação da nova normatização, antes da obrigatoriedade legal. E, em razão de poucos estudos sobre essa aplicabilidade, poderá ser possível mitigar eventuais desvios que possam surgir no decorrer de sua aplicação. Tudo motivado pela não obrigatoriedade corrente da depreciação dos bens às empresas públicas e que a partir de então, com sua aplicação, poderá gerar significativas mudanças nos resultados dos seus índices econômicos e financeiros. A construção deste artigo foi estruturada em cinco seções, sendo a presente introdução. Como segunda seção, é apresentada a revisão de literatura com um levantamento conceitual sobre os principais assuntos tratados sobre a temática. Na terceira seção, são apresentados os métodos e procedimentos que norteiam a construção desta pesquisa. Na quarta seção, é apresentada a análise dos resultados da pesquisa. Na quinta seção, são apresentadas as considerações finais, seguidas das referências utilizadas. 2. Revisão da Literatura Nesta seção são abordados assuntos que permeiam a temática em três subseções: resultado econômico e financeiro de empresas públicas, seguido da norma de ativo imobilizado para empresas públicas – Ipsas 17, e finalizando com um levantamento de estudos correlatos. 2.1. Resultado Econômico e Financeiro de Empresas Públicas As empresas encontram-se cada vez mais expostas em uma vitrine, de modo que os mais diversos públicos podem ter acesso sobre suas atividades, perspectivas e resultados. E, com essas informações de resultados, é possível medir seu desempenho ao longo do tempo. Diante disso, o bom desempenho da empresa é primordial para sua atratividade. O significado de desempenho, bem como sua interpretação, não segue necessariamente uma uniformidade de definição ou consenso, depende das questões institucionais de cada empresa e da sua dependência em relação a seus recursos (MARTINS; CRUZ; CORSO, 2011). De acordo com Caixeta et al. (2011), o desempenho no setor privado serve de direcionador para que investidores, credores e 33 Pensar Contábil Júlio César da Silva CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Alini da Silva Caroline Sulzbach Pletsch analistas externos utilizem estas informações para tomar suas decisões. Na analogia à empresa pública Slomski (2005) coloca o contribuinte como o acionista da “coisa pública”. O autor traz a ideia de que a administração pública tem de ser realizada como a administração de empresas, que visam lucro. Isso significa que a entidade pública deve prestar contas à sociedade, tal qual empresas privadas devem prestar contas para o acionista. Assim, quando se pensa em calcular o valor econômico agregado por uma entidade pública, deve-se pensar no valor adicionado para a sociedade, ou seja, deve-se calcular a quantidade de valor econômico que a entidade agrega à sociedade. Martins et al. (2012) afirmam que nas empresas privadas, cada vez mais os interesses voltam-se a assegurar que as empresas desenvolvam estratégias adequadas e sejam confrontadas com seu desempenho financeiro. Os autores enfatizam, ainda, que, apesar das especificidades de cada empresa, o processo normalmente é voltado a resultados e desempenho, aos seus acionistas e à comunidade financeira. Já no setor público, Olak (2000) concebe que a prestação de contas é feita com base nas informações geradas pelos demonstrativos contábeis convencionais, pelo balanço social e por meio de um relatório de avaliação de resultados e desempenhos (relatório de atividades) e diretamente por meio dos sistemas orçamentários (empenho). Entretanto, não se verifica a prestação de contas dos resultados econômicos, considerando a eficiência no uso dos recursos investidos, por meio de relatórios gerenciais, como é feito no setor privado. Neste contexto, o desempenho financeiro de uma empresa pública volta-se à perenidade organizacional. Sendo assim, quanto melhor for o desempenho da empresa, melhor será o público atendido. Indicadores são utilizados como forma de medida de desempenho e de comparação entre as empresas. Camargos e Barbosa (2005, p. 104) destacam que: [...] os de liquidez e de endividamento/estrutura visam identificar a situação financeira das empresas após a combinação [...]. Já os indicadores de rentabilidade visam identificar a situação econômica das empresas após a combinação, pois fornecem o retorno proporcionado pelo negócio, sinalizando a eficiência da sua gestão. Bezerra e Corrar (2006) destacam que a utilização de indicadores financeiros para a avaliação do desempenho é realizada há muito tempo. No entanto, a análise dos indicadores, geralmente, é realizada de forma individual e sequencial. Esse tipo de avaliação sequencial e individualizada não permite avaliar a influência de alguns indicadores sobre os demais, além de depender de critérios subjetivos para avaliar quais dos indicadores são os mais relevantes. 2.2. Norma do Ativo Imobilizado para Empresas Públicas – Ipsas 17 O objetivo principal da contabilidade (e dos relatórios decorrentes) é fornecer informação econômica relevante para que cada usuário possa tomar suas decisões e realizar seus julgamentos com segurança (IUDÍCIBUS, 1993). 34 Pensar Pensar Contábil, Contábil, Rio Rio de Janeiro, de Janeiro, v. 16, v. 16, 14, n. 60, n. 60, 55, p. 33 p. -32 56 41,- 40, 64, maio/ago. set./dez. maio/ago. 2014 2012 2014 Fabricia Silva da Rosa Ou seja, não se distingue se a organização é privada ou pública. Deve-se ainda levar em conta que nas organizações públicas a qualidade e a transparência das informações são reflexos evidentes para que a sociedade possa ter conhecimento dos processos de gestão do ente público. Na concepção de Quintana et al. (2011, p.127) “ao longo da história brasileira, percebeu-se a ênfase do setor público no controle orçamentário e financeiro, ficando a gestão patrimonial pouco valorizada”. Portanto, as emissões das Ipsas surgem com o propósito de reduzir e até eliminar a distância entre as práticas contábeis realizadas nas organizações privadas e públicas. E, para organizar a gestão patrimonial de igual forma para as organizações públicas, foi emitida a Ipsas 17. A Ipsas 17 trata sobre o ativo imobilizado de Empresas Públicas, é baseada principalmente na Norma Internacional de Contabilidade IAS 16, a qual foi revisada em 2003 por seu órgão regulador International Accounting Standards Board (Iasb) e é utilizada por demais órgãos emissores de Normas Internacionais de Contabilidade, como o Comitê de Normas Contábeis Internacionais do Setor Público (IPSASB), International Federation of Accountants (Ifac) com permissão do International Accounting Standards Committee Foundation (IASCF) (Ipsas 17, 2010). A presente Ipsas 17, que traz as informações do “Ativo Imobilizado”, revoga a Ipsas 17 “Ativo Imobilizado”, que foi emitida em dezembro de 2001, que consta no Manual SIAFi. Isto porque, como já dito anteriormente, em 2003 o Iasb revisou a IAS 16, e a Ipsas 17 de 2001 não apresenta as alterações feitas. Todavia, a Ipsas 17 de 2010, emitida pela Federação Internacional de Contadores (Ifac) já consta em seu conteúdo as alterações de 2003, sendo então esta a que deve ser aplicada em entidades públicas a fim de avaliação, evidenciação e mensuração do ativo imobilizado (Ipsas 17, 2010). O objetivo da norma Ipsas 17 é de apresentar o tratamento contábil para os ativos imobilizados, a fim de os usuários das demonstrações contábeis conhecerem os investimentos que as entidades fazem em seus ativos tangíveis, assim como suas mutações. As principais informações que esta norma traz referem-se à contabilização do ativo imobilizado, reconhecimento dos ativos imobilizados, a determinação dos seus valores contábeis e os valores de depreciação e perdas por desvalorização (Ipsas 17, 2010). Esta norma não se aplica a entidades públicas estatais, refere-se deste modo, somente a empresas públicas federais e municipais, pois as estatais obedecem as IFRS, sendo apresentada pela Ipsas1. As entidades públicas, federais ou municipais, devem, após reconhecer um ativo como imobilizado, evidenciá-lo pelo seu valor de custo ou por valor de ativo reavaliado. Um item do ativo imobilizado deve ser evidenciado por custo, reconhecendo seu custo menos qualquer depreciação e redução ao valor recuperável acumulados do ativo. Ativo evidenciado por valor reavaliado ocorre, quando pode ser mensurado confiavelmente um ativo por seu valor justo, na data da reavaliação menos qualquer depreciação e redução ao valor recuperável acumulado de ativo. Caso o valor contábil do ativo imobilizado ao ser reavaliado aumentar, 34 CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Pensar Contábil O Impacto da Depreciação nos Índices Econômicos e Financeiros de uma Organização Pública pela Aplicação da Ipsas 17 deve ser creditado em conta de reserva de reavaliação do patrimônio, e este ativo deve ser avaliado anualmente para verificar alteração de valor. Caso houver aumento, deve ser reconhecido como superávit, e, se houver diminuição, como déficit, para ocorrer reversão de acréscimo ou diminuição do valor justo do ativo imobilizado (Ipsas 17, 2010). Dado o exposto, quando um ativo imobilizado for incorporado ao patrimônio de uma empresa pública federal ou municipal, este deve ser evidenciado pelo valor de custo ou por valor reavaliado, bem como deve ser reconhecido, assim como consta nos dizeres do CPC 27, que trata sobre ativo imobilizado de empresas privadas, sua vida útil. Ou seja, quantos anos este bem possui de vida útil estimada, e também deve ser reconhecido seu valor residual, que é o valor de liquidação estimado deste item no último ano de sua vida útil, aplicando-se a depreciação sobre a diferença de valor entre o valor histórico e o valor residual, que é o valor contábil, quando o ativo estiver disponível para uso (IUDÍCIBUS et al., 2010). De acordo com Iudícibus et al. (2010) este valor residual e a vida útil dos ativos imobilizados devem ser revisados no final de cada exercício social, a fim de verificar se as estimativas diferem das estimativas anteriores. A norma Ipsas 17 traz ainda alguns métodos para se realizar a depreciação dos bens tangíveis, como o de linha reta, o método dos saldos decrescentes e o método de unidades produzidas. A entidade pública, por sua vez, deve adotar o método que melhor reflita sua realidade empresarial, e o padrão no qual os benefícios econômicos futuros ou em potencial são esperados a serem consumidos pela entidade. A depreciação pelo método linear ocorre quando há uma taxa constante durante a vida útil do ativo, caso o seu valor residual não se altere. O método dos saldos decrescentes procede em uma taxa decrescente de depreciação durante a vida útil do bem. E o método de unidades produzidas resulta em uma taxa baseada no uso ou produção esperado do ativo imobilizado (Ipsas 17, 2010). A despesa gerada pela depreciação deve ser reconhecida no superávit ou no déficit do exercício, a menos que a despesa enquadre-se como um custo na geração de outro ativo. Quando itens do ativo imobilizado tenham vida útil e método de depreciação igual, pode ser depreciado agrupado; caso contrário, deve-se ser depreciado separadamente (Ipsas 17, 2010). Por conseguinte, quando um ativo imobilizado estiver completamente depreciado, deve ser reconhecido como perda no déficit do exercício e, se há doação de um bem para a empresa pública, deve ser registrado como ganho no superávit do exercício (Ipsas 17, 2010). 2.3. Estudos Correlatos Com a finalidade de estabelecer um conhecimento prévio e facilitar o entendimento e a compreensão a respeito da temática, se identificou estudos anteriores que abordavam assuntos correlatos à temática. No estudo desenvolvido por Harzer et al. (2011), verificou-se o impacto da depreciação na gestão dos custos de uma empresa prestadora de serviço público de abastecimento de água frente ao Pronunciamento Técnico 27 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 16, 14, n. 60, 55, p. 32 56 - 40, 64, maio/ago. set./dez. 2012 2014 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis – CPC. Os principais resultados apontados demonstraram que a depreciação foi calculada para todas as categorias de bens utilizando-se o método da linha reta com base no tempo e valor residual zero. As taxas anuais utilizadas foram aquelas determinadas pela Instrução Normativa 162/1998, da Secretaria da Receita Federal, nos anexos I e II. Ao proceder com os cálculos da depreciação, foi constatado um impacto médio no imobilizado de 26,5% e nos resultados de 32,5% sobre o superávit corrente. Sendo que os custos de depreciação apontaram tendência de crescimento, porém com impacto percentual estável no imobilizado e declínio no superávit do exercício. Já Queiroz e Rodrigues (2012) estudaram os efeitos das Normas Internacionais de Contabilidade do Setor Público (Ipsas) sobre a Aplicabilidade dos Índices de Kohama para Análise de Balanços Patrimoniais da União. Os principais resultados desta pesquisa demonstraram que, embora ainda seja possível chegar ao valor de alguns dos índices de Kohama utilizando-se de relações matemáticas estabelecidas entre os antigos e novos grupos patrimoniais, sua aplicação na interpretação de demonstrações financeiras já não é sugerida por pautarem-se em princípios já superados, devendo ser utilizados novos quocientes na análise de balanços públicos, adaptados às mudanças impostas. No estudo desenvolvido por Machado, Freytag e Maliski (2012) sobre as mudanças de critério contábil na depreciação no setor público, identificaram que a instituição pública foco do estudo estava realizando o levantamento patrimonial para, posteriormente, adotar as novas regras relativas à depreciação no setor público, com a finalidade de demonstrar a sua real posição patrimonial. Ou seja, estavam em levantamento para se alinhar com as tratativas da Ipsas 17. Fragoso et al. (2012) realizaram um comparativo entre as normas brasileiras de contabilidade aplicadas ao setor público (NBCTSP) e as International Public Sector Accounting Standard (Ipsas). Os resultados encontrados destacam que ainda há diversos aspectos a serem discutidos para uma efetiva convergência às normas internacionais; esta convergência atual é parcial. No entanto, verifica-se que as NBCTSPs apresentam uma exposição conceitual de qualidade enquanto as Ipsas apresentam um conteúdo mais focado em procedimentos operacionais. No estudo realizado por Dantas et al. (2012), sobre reconhecimento e evidenciação nas demonstrações contábeis dos estados e municípios brasileiros, apontaram que 10 estados brasileiros (37%) não evidenciaram a depreciação dos bens imobilizados no Balanço Patrimonial do ano de 2008. Já nos municípios, 4.971 (98,4%) dos 5.050 municípios não evidenciaram a depreciação. As entidades públicas analisadas não reconhecem a despesa com depreciação, podendo indicar que o resultado econômico-patrimonial apresentado nas demonstrações contábeis desses entes públicos não reflete adequadamente a real situação do desempenho institucional. Já para Carvalho, Lima e Ferreira (2012) no estudo realizado na Agência Nacional de Telecomunicações – Anatel – sobre o reconhecimento e mensuração do ativo imobilizado frente aos padrões contábeis internacionais, 35 Pensar Contábil Júlio César da Silva CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Alini da Silva Caroline Sulzbach Pletsch demonstram que os procedimentos contábeis da depreciação para os bens adquiridos a partir de 2010 estão sendo executados, faltando reavaliação e ajustes dos bens adquiridos nos anos anteriores. No estudo de Amaral e Borba (2012) sobre as reavaliações de ativos na Universidade Federal de Santa Catarina frente aos novos processos, indicam uma grande quantidade de bens registrados por valores irrisórios na UFSC que deverão ser reavaliados até o final do exercício de 2013, conforme tabela de prazos estabelecidos pela STN. A validade conceitual e legal da reavaliação está garantida pelos normativos contábeis e pela Lei 4.320/64. Entretanto, esse procedimento não foi implementado até 2011, devido à magnitude e à complexidade da tarefa. Alves e Roncalio (2012) no seu estudo sobre a evidenciação patrimonial no Estado de Santa Catarina frente a adoção das novas normas, verificando como o governo está tratando tal assunto, demonstraram que a ação coordenada dos órgãos centrais dos sistemas administrativos envolvidos permitiu a operacionalização dos normativos pertinentes, em especial do Decreto Estadual n. 3.486/2010 e da Instrução Normativa Conjunta SEA/SEF n. 001/2011, em diversas unidades administrativas do Estado. Permitiu, ainda, iniciar-se um debate abrangente acerca do tema, introduzindo-o na agenda governamental. Por fim, foi possível apreender gargalos e falhas na realização dos procedimentos discutidos, bem como a necessidade de permanente monitoramento dos dados gerados pelos responsáveis pelo controle patrimonial, necessários ao registro contábil dos fenômenos tratados. No estudo desenvolvido por Arraes et al. (2013) sobre a implantação dos procedimentos de depreciação e realização dos bens móveis no governo do estado do Tocantins, demonstram que os procedimentos de depreciação e reavaliação dos bens móveis próprios da administração direta e indireta do Poder Executivo foi apenas a fase inicial dessa adesão à nova contabilidade pública brasileira. E, finalizando, no estudo desenvolvido por Viana et al. (2013) sobre a implantação dos novos procedimentos contábeis referente à depreciação realizados em uma instituição federal de Ensino Superior, foi constatado que a instituição necessita de controle mais aprofundado do imobilizado no que se refere aos procedimentos de depreciação e ao teste de recuperabilidade. Os gestores entendem que mais detalhes nos conteúdos de relatórios mensais proporcionarão benefícios na programação de compras, bem como percebem a necessidade de capacitação para melhor uso desses relatórios. Nos estudos anteriores analisados, nota-se que, em sua maioria, eles se concentram em analisar a prática em si, e não suas consequências. E, mesmo nos estudos de Queiroz e Rodrigues (2012) e Harzer et al (2011), nos quais as consequências foram analisadas, e sobre os indicadores econômico-financeiros, entretanto se reportaram a União e a uma autarquia municipal respectivamente. Já nos estudos de Amaral e Borba (2012) e Viana et al. (2013), realizados em universidade e instituição federal, possuem particularidades próximas a este estudo. Mesmo assim, nesses es- 36 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 16, 14, n. 60, 55, p. 32 56 - 40, 64, maio/ago. set./dez. 2012 2014 Fabricia Silva da Rosa tudos não são analisados possíveis impactos gerados nos indicadores econômico-financeiros. O que justifica ainda mais a necessidade da realização deste estudo em uma empresa pública, categorizada como uma universidade. 3. Métodos e Procedimentos de Pesquisa Quanto ao objetivo, a pesquisa foi classificada como descritiva. De acordo com Hair Jr. et al. (2005, p. 85), pesquisa descritiva “[...] tem seus planos estruturados e especificamente criados para medir as características descritas em uma questão de pesquisa. As hipóteses derivadas da teoria, normalmente servem para guiar o processo e fornecer uma lista do que precisa ser mensurado”. Quanto aos procedimentos, trata-se de uma pesquisa documental, realizada em uma universidade pública catarinense. Na concepção de Silva e Grigolo (2001), a pesquisa documental vale-se de materiais que ainda não receberam nenhuma análise aprofundada. Esse tipo de pesquisa visa, assim, selecionar, tratar e interpretar a informação bruta, buscando extrair dela algum sentido e introduzir lhe algum valor, podendo, desse modo, contribuir com a comunidade científica a fim de que outros possam voltar a desempenhar futuramente o mesmo papel. Quanto à abordagem, trata-se de uma pesquisa quantitativa. Ao conceituar o método quantitativo de pesquisa, Richardson (1989, p. 29) comenta que: O método quantitativo, como o próprio nome indica, caracteriza-se pelo emprego da quantificação tanto nas modalidades de coleta de informações, quanto no tratamento dessas, através de técnicas estatísticas, desde as mais simples, como percentual, média, desvio-padrão, às mais complexas, como coeficiente de correlação, análise de regressão, etc. A população alvo de estudo é constituída de uma universidade pública de Santa Catarina e os dados foram coletados dos relatórios contábeis acerca do controle patrimonial, bem como os relatórios das demonstrações contábeis do último exercício fiscal. 3.1. Procedimentos de Análise dos Dados Os dados obtidos foram tratados no software Excel que, na concepção de Kerlinger (1980, p.353), o processo de análise dos dados são realizados pela “categorização, ordenação, manipulação e sumarização de dados”, com o propósito de avaliar os impactos da depreciação gerados nos índices econômicos e financeiros com a aplicação da Ipsas 17. Após a obtenção da escrituração dos bens patrimoniais da entidade em estudo, originados pelo sistema patrimonial desta, os dados foram tratados no software Excel. Neste arquivo constava, a data de aquisição do bem, data de tombamento, ou seja, a data que o bem ficou disponível para uso, o valor de aquisição, número do item patrimonial e a localização do mesmo. Desta forma, estes foram organizados a fim de realizar a depreciação pelo método linear, desde a data de tombamento até o último Pensar Contábil CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ O Impacto da Depreciação nos Índices Econômicos e Financeiros de uma Organização Pública pela Aplicação da Ipsas 17 Tabela 1: Parte do Ativo Imobilizado da entidade pública com aplicação da norma IPSAS 17 Ativo Imobilizado (parte) antes de aplicado a norma IPSAS 17 R$ 36.962.994,21 Depreciação calculada de acordo R$ 13.048.957,60 com a norma Bens baixados por depreciação total R$ 6.919.843,18 Ativo Imobilizado (parte) depois de aplicado a norma IPSAS 17 R$ 16.994.193,43 Fonte: Dados da pesquisa (2014) exercício de demonstrações contábeis publicadas, que fora de 2012. Para a realização da depreciação dos bens, foi utilizada a instrução normativa do Sistema da Receita Federal de nº 162, de 31 de dezembro de 1998, a qual traz enquadramentos de bens patrimoniais, vida útil estimada e taxa de depreciação anual, para auxiliar no julgamento da vida útil estimada dos ativos imobilizados. Visto que, administração da entidade não possuía mecanismos para julgar a vida útil dos bens patrimoniais, bem como o valor residual, devido à falta de pessoas com juízo de valor no determinado momento, visto que serão organizadas comissões de profissionais em longo prazo para a realização desta tarefa. Também, foi utilizada a instrução do art. 301 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 – Decreto 3.000/1999 –, para o enquadramento dos bens que não atingiam o valor de R$ 326,61, o qual a instrução considera como não passível a ser enquadrado como bem imobilizado, mas sim como bem de pequeno valor, sendo considerado como despesa. A entidade possuía inúmeros bens com valores inferiores, que não prejudicavam o saldo total do ativo imobilizado, e que a mesma registrava no sistema patrimonial a fim de controlá-los. Para o julgamento do valor residual dos bens patrimoniais, utilizaram-se os mecanismos de procedimento da entidade quanto à forma em que estes utilizam e descartam os bens que não são mais úteis. Desta forma, assim como os demais entes públicos, utilizam seus bens até sucatearem, e, após este estágio, os bens são destinados a leilões públicos nos quais não possuem o conhecimento prévio do real valor que será possível obter pela venda. Optou-se, juntamente com os responsáveis da administração, utilizar nenhum valor como residual, ou seja, o valor residual dos bens foi considerado como zero. Por conseguinte, após determinado o valor residual como zero e estimado a vida útil dos bens, depreciou-se os mesmos, desde a data de tombamento até o exercício de 2012. Alguns itens foram baixados por não possuírem valor a ser depreciado, e outros continuaram com saldo para depreciação. A seguir, apresenta-se a Tabela 1 com o saldo do ativo imobilizado da entidade pública em estudo, depois de realizada a depreciação, de acordo com a norma Ipsas 17, emitida em 2010; a instrução normativa do Sistema da Receita Federal de nº 162, de 31 de dezembro de 1998; e o Art. 301 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 - Decreto 3.000/1999. Na Tabela 1, encontra-se o enunciado de parte do ativo imobilizado da entidade pública em estudo, com aplicação da norma Ipsas 17, visto que foi encontrada uma limitação na pesquisa, uma vez que a entidade não possuía todos os itens do ativo imobilizado escriturados no sistema patrimonial da mesma, como os bens imóveis e parte dos bens móveis, totalizando o percentual de 68,97%. Desta forma, não foi possível realizar o estudo sobre a plenitude dos bens, mas sim em 31,03% dos mesmos. Porém, pode-se igualmente realizar cálculos de índices econômicos e financeiros a fim de verificar o resultado parcial destes, com a aplicação da norma Ipsas 17 e sem a aplicação desta. Por conseguinte, depois de aplicado a norma Ipsas 17 sobre parte dos bens tangíveis da entidade em estudo, ve- Quadro 1: Variáveis de pesquisa Índice Composição do Indicador Autores Liquidez Geral Ativo Circulante + Realizável em Longo Prazo / Passivo Circulante + Exigível a Longo Prazo Gitman (2010); Assaf Neto (2012). Passivo Exigível Total / Ativo Total Gitman (2010); Groppelli, Nikbakht (2006); Ehrhardt, Brigham (2012), Assaf Neto (2012). Total do Passivo / Total do ativo – Total do passivo Ehrhardt, Brigham (2012). Lucro Líquido / Ativo Total Gitman (2010); Groppelli, Nikbakht (2006); Ehrhardt, Brigham (2012); Assaf Neto (2012). Lucro Líquido / Patrimônio Líquido Gitman (2010); Groppelli, Nikbakht (2006); Ehrhardt, Brigham (2012); Assaf Neto (2012). Ativo Permanente / Exigível a Longo Prazo + Patrimônio Líquido Assaf Neto (2012). Endividamento Dívida / Patrimônio ROA Fonte: Dados da pesquisa (2014) ROE Imobilização de Recursos Permanentes Fonte: Dados da pesquisa Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 16, 14, n. 60, 55, p. 32 56 - 40, 64, maio/ago. set./dez. 2012 2014 37 Pensar Contábil Júlio César da Silva CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Alini da Silva Caroline Sulzbach Pletsch rificou-se que o saldo de seus bens diminuiu para 45,98% do montante pela depreciação calculada. A baixa de bens por depreciação total, por sua vez, correspondeu a 54,02%, visto que a mesma nunca calculou depreciação por inferência em lei. A seguir, no Quadro 1, apresentam-se os índices econômicos financeiros a serem analisados no próximo tópico. A escolha destes indicadores se deu pela utilização de contas que tiveram impacto nos resultados da pesquisa, como o ativo permanente, ativo total e resultado patrimonial. Por conseguinte, a fim de verificar o impacto que a norma traria nos índices econômicos e financeiros da entidade em estudo, apresentam-se no próximo tópico os índices da Tabela 2 calculados. 3. Análise dos Resultados Nesta seção são apresentados os principais resultados quanto ao estudo realizado na entidade pública com a aplicação da Ipsas 17, a qual trata do ativo imobilizado para entidades públicas Municipais e Federais. Na tabela que segue é apresentada a variação do resultado da entidade caso realizasse os dizeres de tal norma. A Tabela 2 demonstra o resultado da demonstração das variações patrimoniais do exercício de 2012 da entidade pública em estudo, correspondente a demonstração do resultado do exercício de entidades privadas. Depois de aplicado a norma Ipsas 17, e por ter bens baixados por depreciação total, seu resultado diminuiria 99,20%. A Tabela 3, que segue, apresenta o saldo do ativo permanente e o saldo patrimonial, que é considerado como o ativo não circulante e o patrimônio líquido em empresas privadas, em que houve alteração de valor pela aplicação da norma Ipsas 17, respectivamente, bem como o total do ativo e o total do passivo antes e depois da aplicação da Ipsas 17 e demais contas do balanço patrimonial. Com esta tabela, pode-se perceber que, depois de aplicado a norma e com as alterações do ativo permanente e do saldo patrimonial oriundos da depreciação calculada e da baixa de bens por depreciação total, as contas tiveram uma diminuição de 12,51%. Este percentual foi ocasionado pela depreciação feita desde a data disponível para uso do bem até o exercício de 2012. Desta forma, tanto no ativo permanente como no saldo patrimonial diminuiu-se o valor dos bens que foram baixados por terem depreciação total, bem como a depreciação dos demais bens como ajuste de avaTabela 2: Saldo da Demonstração das Variações Patrimoniais – 2012, depois de aplicado a norma IPSAS 17 Resultado patrimonial do exercício antes de aplicado a norma IPSAS 17 R$ 6.975.571,76 Baixa de bens por depreciação total R$ 6.919.843,18 Resultado patrimonial do exercício depois de aplicado a norma IPSAS 17 R$ 55.728,58 Fonte: Dados da pesquisa 38 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 16, 14, n. 60, 55, p. 32 56 - 40, 64, maio/ago. set./dez. 2012 2014 Fabricia Silva da Rosa Tabela 3: Balanço Patrimonial – 2012, antes e após a aplicação da norma IPSAS 17 Balanço patrimonial Antes da aplicação da norma IPSAS 17 Depois da aplicação da norma IPSAS 17 Ativo Financeiro R$ 24.120.557,33 R$ 24.120.557,33 Ativo Permanente R$ 135.329.247,24 R$ 115.360.446,46 Ativo Compensado R$ 127.993,74 R$ 127.993,74 Total do Ativo R$ 159.577.798,31 R$ 139.608.997,53 Passivo Financeiro R$ 15.129.870,45 R$ 15.129.870,45 Passivo Permanente R$ 7.465.356,11 R$ 7.465.356,11 Saldo Patrimonial R$ 136.854.578,01 R$ 116.885.777,23 Passivo Compensado R$ 127.993,74 R$ 127.993,74 Total do Passivo R$ 159.577.798,31 R$ 139.608.997,53 Fonte: Dados da pesquisa liação patrimonial. Esta depreciação retroativa serviu para trazer o bem ao seu valor presente, considerado, desta forma, como lançamento dentro do patrimônio líquido somente, e não como despesa de depreciação na Demonstração das Variações Patrimoniais – 2012. Esta demonstração, por sua vez, como apresentado na Tabela 2, teve o impacto dos bens baixados por serem caracterizados como perdas no período. Apresenta-se a seguir a Tabela 4, com os índices econômicos e financeiros calculados sem a aplicação da Ipsas 17 e com a aplicação da Ipsas 17. Com esta tabela é possível verificar que o índice de liquidez geral apresentou o valor de 10,55 (sem Ipsas 17) e 9,23 (com Ipsas 17), verificando que, caso a entidade em estudo aplicasse a norma Ipsas 17, não comprometeria o índice de liquidez geral desta, visto que os dois índices calculados são Tabela 4: Índices calculados com a aplicação da IPSAS 17 e sem a aplicação da IPSAS 17 Liquidez Geral 10,55 9,23 Endividamento 14% 16% Dívida / Patrimônio 0,17 0,19 ROA 4% 0% ROE 5% 0% Imobilização de Recursos Permanentes 94% 93% Fonte: Dados da pesquisa CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Pensar Contábil O Impacto da Depreciação nos Índices Econômicos e Financeiros de uma Organização Pública pela Aplicação da Ipsas 17 superiores a 1. O índice de endividamento é demonstrado pelo percentual de 14 (sem Ipsas 17) e 16 (com Ipsas 17), ou seja, aumentou-se 2% de endividamento. O índice dívida patrimônio foi de 0,17 (sem Ipsas 17) e 0,19 (com Ipsas 17), ou seja, tem-se 0,17 e 0,19 de dívida por real do patrimônio respectivamente. O ROA, por sua vez, diminui 4% com a aplicação da Ipsas 17, visto a diminuição do lucro líquido do exercício ocasionado pela baixa de bens, bem como o ROE, que diminuiu 5%. O índice de imobilização de recursos permanentes foi de 94% (sem Ipsas 17) e 93% (com Ipsas 17). Ambos indicam que a entidade possui recursos permanentes para financiar suas aplicações de permanentes, pois não ultrapassaram o percentual de 100%. Por conseguinte, pode-se perceber que os indicadores econômicos financeiros que se utilizaram de contas patrimoniais não tiveram grande alteração de valor com a aplicação da norma Ipsas 17 e sem a aplicação da norma, visto que a conta do ativo imobilizado é complexa, assim como o saldo patrimonial. Porém, os indicadores que tiveram em sua composição contas de resultado, retrataram disparadamente a alteração do índice com a aplicação da norma e sem a aplicação desta, visto que pela baixa de bens por depreciação total, o resultado do exercício reduziu-se em 99,20%. Desta forma, ao realizar a aplicação da Ipsas 17 em empresas públicas federais e municipais, é importante que estas tenham o conhecimento desses resultados, pois será semelhante ao diminuir significativamente o resultado do exercício, e em escala menor, o saldo de seu balanço patrimonial. 4. Considerações Finais Dado o exposto, conclui-se que o presente estudo atendeu o objetivo que era de identificar os impactos nos índices econômicos e financeiros simulando a implantação da Norma Ipsas 17 em uma empresa pública. Visto que após o levantamento dos bens móveis que tinham cadastro no sistema patrimonial da entidade em estudo, aplicaram-se os dizeres da norma do ativo imobilizado de empresa pública Ipsas 17, realizando o cálculo da depreciação desde a data disponível para uso dos bens, aplicando-se o valor residual de zero e estimando a vida útil do mesmo. Depois de calculada a depreciação desses bens tangíveis verificou-se que alguns tiveram depreciação total, e, como a administração relatou que após este estágio o mesmo é utilizado até sucatear, foram considerados como baixados no resultado do exercício. E os demais bens tendo sido depreciados parcialmen- te, continuaram com saldo para depreciação no ativo imobilizado, sendo a despesa de depreciação considerada com ajuste de avaliação no saldo patrimonial. Com as alterações no balanço patrimonial e no resultado do exercício pela aplicação da Ipsas 17, verificou-se que os índices econômicos financeiros da entidade também tiveram alteração de valor, em que os que envolviam contas de resultado como ROA e ROE, diminuíram consideravelmente neste exercício, porém não comprometeu o patrimônio desta. Todavia, esta diminuição nos índices econômico financeiros da entidade em estudo não deve ser interpretada como empecilho para a regularização dos bens tangíveis nas demonstrações contábeis de entidades similares, visto que o impacto maior é no ano de aplicação, porém em período seguinte, a normalização das contas será retomada. Encoraja-se ainda que entidades públicas municipais e federais utilizem desta prática da Ipsas 17, visto que a mesma além de retratar o saldo real dos bens da entidade, atualizando suas demonstrações contábeis aos valores de mercado, possibilita maior comprometimento por parte da administração em registrar, organizar e mensurar de forma correta todos os bens patrimoniais da entidade em sistema compatível. Desta forma, à entidade teria ainda mais controle sobre o imobilizado, que são de valor complexo e pertence ao patrimônio público, seja a nível municipal ou federal. Por fim, aconselha-se que estudos futuros possam ser realizados em demais tipos de entidades públicas federais ou municipais, além de universidades, a fim de verificar situações diferenciadas ou não, auxiliando para que no ano de aplicação da Ipsas 17, diferentes organizações possam ter o conhecimento prévio de uma simulação dos procedimentos e medidas a serem tomadas para a aplicação desta. Uma vez que, depois de ter a obrigatoriedade desta norma, assim como as demais, verificam-se prazos estabelecidos para a finalização da prática, assim como utilização correta das diretrizes, que após ser implantado e publicado nas demonstrações contábeis, difícil se torna sua reversão. O ativo imobilizado, por sua vez, não só é uma importante conta no balanço patrimonial de organizações, mas também é a ferramenta de trabalho dos indivíduos desta, o qual sendo organizado, registrado, mantido a valor presente e conservado, só tem a trazer benefícios, tanto para os resultados da empresa, quanto para o trabalho eficaz dos colaboradores da entidade. Referências ALVES, Jorge Luiz; RONCALIO, Michele Patricia. Evidenciação Patrimonial no Estado de Santa Catarina: Desafios e Resultados da Adoção das Normas de Contabilidade Aplicadas ao Setor Público. In: Congresso Anpcont, 6, 2012. AMARAL, Neuton Alcedir de Lima; BORBA, José Alonso. 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Por fim, conclui-se que 37,16% dos planos de ensino não atendem à exigência do MEC quanto ao número mínimo de três títulos, bem como quanto a utilização de revistas e periódicos. Palavras-chave: Custos, Planos de Ensino, Bibliografia Abstract Altair Borgert Florianópolis – SC Contador CRCSC- 015.673/O-3 Doutor em Engenharia de Produção pela UFSC3 Professor do Departamento de Ciências Contábeis do PPGC/UFSC3 [email protected] Aline Willemann Kremer Florianópolis - SC Contadora CRCSC- 036.529/O-1 Mestranda do PPGC/ UFSC3 [email protected] Resumo Este estudo tem por objetivo traçar o perfil das bibliografias presente nos planos de ensino das disciplinas relacionadas à área de custos nos cursos de Ciências Contábeis do Brasil, por meio de uma pesquisa do tipo levantamento, com abordagem quali-quantitativa. Para tal, analisou-se 183 planos de ensino (PE) cujos resultados demonstram que: (i) 63,89% apresentam de uma a três obras de bibliografia básica; (ii) 73,55% são de publicação nacional e 23,88% dos Estados Unidos; (iii) os livros-textos são os mais evidenciados e representam 99,21%; e (iv) a bibliografia complementar apresenta maior diversidade em termos de modalidade comparativamente a bibliografia básica. Além disso, identificaram-se os autores com maior número de publicações referenciadas: LEONE, George S. Guerra; MARION, 1 2 3 The aim of the present study is to outline the bibliographic profile of Brazilian university-level cost accounting course content, as demonstrated by way of survey research using a combined qualitative-quantitative approach. Towards this end, 183 course curricula were analyzed, which indicated: (i) 63.89% incorporate between one and three works, with standard bibliographic references; (ii) 73.55% of the works cited are of Brazilian, and 23.88% American, origin; (iii) the textbook format is the most represented among the curricula´s citations (99.21%); and (iv) the complementary bibliographies contained in the sample show greater variety in formatting terms, in comparison with standard bibliographies. In addition to this, the authors whose works are most often referenced were ranked, with LEONE, George S. Guerra; MARION, José Carlos; and MARTINS, Eliseu shown to be the most prominent within the sample. Finally, it was concluded that 37.16% of the course curricula analyzed do not meet the requirements of the Brazil´s Ministério da Educação e Cultura (MEC) in respects to the set minimum of three titles cited, as well as its guidelines regarding the citation of magazines and news publications. Key words: Costs, Course Curriculum, Bibliography 1. Introdução O ensino da contabilidade no Brasil, em nível de graduação, passou por diversas mudanças ao longo do tempo. Segundo Laffin (2005), essas alterações sofreram influência da trajetória da concepção de currículo na perspectiva dos órgãos reguladores da educação, que ocorreram desde a implantação do curso em nível superior, no ano de 1945, até os dias atuais. Além disso, os currículos também foram influenciados pelos movimentos econômicos e políticos ocorridos no Brasil. Segundo Peleias et al. (2007), os anos de 1960 e o início dos anos de 1970 foram o cenário do milagre econômico e da ditadura militar. Furb – Universidade Regional de Blumenau – CEP 89030-080 – Blumenau – SC Unidavi – Centro Universitário para o Desenvolvimento do Alto Vale do Itajaí CEP 89160-000 – Rio do Sul – SC UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina – CEP 88040-970 – Florianópolis – SC Artigo recebido em 25/06/2014 e aceito em 15/07/2014 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 16, 14, n. 60, 55, p. 41 56 - 51, 64, maio/ago. set./dez. 2012 2014 41 Pensar Contábil Leila Chaves Cunha CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Altair Borgert Aline Willemann Kremer A partir da metade da década de 1970 sucederam-se as crises econômicas. Neste mesmo período, criou-se a Comissão de Valores Mobiliários (Lei nº 6.385/1970) e aprovou-se a Lei 6.404, de 15/12/1976, que trata das Sociedades por Ações. Essas mudanças foram, necessariamente, inseridas nos currículos dos cursos de Ciências Contábeis. No ano de 1963, por meio da Resolução CFE s/n, de 08 de fevereiro, fixou-se os currículos mínimos e a duração dos cursos. Neste período, evidenciou-se a disciplina de Contabilidade de Custos como obrigatória, que se manteve até o ano de 2004, com a Resolução CNE n. 10, de 16 de dezembro, a qual instituiu as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) do curso de Ciências Contábeis e estabeleceu que as Instituições de Ensino Superior (IES) definem a organização curricular do curso de Ciências Contábeis para atender aos campos de formação básica, profissional e teórico-prática. As normativas anteriormente apresentadas não preveem o tipo de bibliografia a ser utilizada pelos cursos de Ciências Contábeis. A menção que se observa, em relação à bibliografia, é nos documentos de avaliação utilizados pelo Ministério da Educação (MEC), por meio do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes), que avaliam as instituições, os cursos e o desempenho dos estudantes. Nesses documentos menciona-se o número mínimo de títulos para cada aluno e, em alguns momentos, especifica-se a modalidade. Os instrumentos de avaliação dos cursos estabelecem que o acervo da bibliografia básica tenha no mínimo três títulos por unidade curricular, e que estejam disponíveis na proporção média de um exemplar para menos de cinco vagas anuais. Quanto ao acervo da bibliografia complementar, solicita-se pelo menos cinco títulos por unidade curricular, com dois exemplares de cada título ou com acesso virtual. Além disso, solicita-se também a assinatura/acesso de periódicos especializados, indexados e correntes (MEC, 2012). Além da avaliação dos cursos, a bibliografia é mencionada na avaliação realizada pelo Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), que integra o Sinaes, no qual o aluno responde ao questionário socioeconômico descrevendo, dentre outros aspectos, questões relacionadas à bibliografia indicada pelos professores, tais como: se os professores indicam como material de estudo a utilização de artigos de periódicos especializados (artigos científicos), manuais ou materiais elaborados pelos docentes ou a utilização de livros-texto; e questões relacionadas à indicação da bibliografia nos Planos de Ensino (MEC, 2012). Os conteúdos das disciplinas de custos são objeto de estudo de pesquisadores como Godoy, Silva e Nakamura (2004); Rosa et al. (2012); Raupp et al. (2009); Ferreira et al. (2011). Nesses estudos, os autores descrevem os conteúdos de custos e a bibliografia mais evidenciada nas IES. No entanto, não descrevem com maior profundidade o perfil da bibliografia apresentada, o que justifica a presente pesquisa. Segundo Ferrari et al. (2012), a pesquisa científica em contabilidade possibilita esclarecimento sobre o campo de estudos disponíveis na área, que podem ser divulgadas aos demais interessados em adquirir conhecimento. Assim, neste artigo pretende-se dar continuidade ao estudo realizado por Cunha (2013), o qual caracterizou os conteúdos de custos previstos nos planos de ensino (PE) das IES do Brasil, bem como apresentou a bibliografia mais evidenciadas nos PE sem, contudo, traçar um perfil das mesmas. Diante disso, este estudo 42 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 16, 14, n. 60, 55, p. 41 56 - 51, 64, maio/ago. set./dez. 2012 2014 busca responder à seguinte questão: qual é o perfil bibliográfico prevista nos Planos de Ensino das disciplinas de custos nos cursos de graduação em Ciências Contábeis no Brasil? Além disso, a presente pesquisa se justifica por contribuir para o conhecimento do contexto educacional do curso de Ciências Contábeis, especificamente para a área de custos, pois estudos que tratam especificamente sobre a bibliografia das disciplinas de custos não foram encontrados nos congressos da área nos últimos cinco anos – ANPCONT, Congresso Brasileiro de Custos, Congresso de Controladoria da USP. Realizou-se a busca nas temáticas de educação e pesquisa em contabilidade, especialmente para subsidiar este trabalho. Ainda, no aspecto prático, contribui com os gestores dos cursos de Ciências Contábeis, no sentido de refletirem sobre a adequação da bibliografia da disciplina de custos para a formação do futuro profissional. 2. Fundamentação Teórica No Brasil, a trajetória da concepção de currículo, na perspectiva dos órgãos reguladores da educação, é descrita no Parecer CNE/CES nº 67, de 11 de março de 2003, que tem por objetivo constituir um referencial para as Diretrizes Curriculares Nacionais dos Cursos de Graduação. Este parecer prevê que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 4.024/1961, em seu art. 9º e, posteriormente, a Lei de Reforma Universitária nº 5.540/1968, no art. 26, conferiam ao então Conselho Federal de Educação a incumbência da fixação de currículos mínimos para os cursos de graduação. No exercício de suas competências, o Conselho Nacional de Educação e a Câmara de Educação Superior, em 03 de dezembro de 1997, aprovou o Parecer 776, com o propósito de servir de orientação para as Diretrizes Curriculares dos Cursos de Graduação, ao definir que as referidas diretrizes devem “se constituir em orientações para a elaboração dos currículos; ser respeitadas por todas as IES; e assegurar a flexibilidade e a qualidade da formação oferecida aos estudantes”. Atualmente, a legislação vigente é a Resolução CNE nº 10, de 16 de dezembro de 2004, que apresenta aspectos relacionados à capacitação profissional, competências e habilidades e de conhecimento do cenário econômico e financeiro, nacional e internacional. A proposta do Conselho Federal de Contabilidade se baseia nos eixos previstos por tal Resolução, ou seja, conteúdos de Formação Básica, de Formação Profissional e de Teórico-Práticas. Assim, atualmente, os currículos são prerrogativas das Instituições de Ensino Superior, e as Diretrizes Curriculares Nacionais norteiam a definição dos referidos currículos dos cursos, no sentido de se adaptarem à dinâmica das demandas da sociedade. Conforme o Parecer CNE/CES nº 67 de 11 de março de 2003, os currículos mínimos profissionalizantes, antes determinados por lei, não mais permitiam o alcance da qualidade desejada respeitando o contexto. Pelo contrário, inibiam a inovação e a diversificação na preparação ou formação do profissional apto para a adaptabilidade. A partir da definição dos componentes curriculares, elaboram-se os planos de ensino (PE). Segundo Abreu e Masetto (1990), compete aos responsáveis pela elaboração dos PE tomar algumas decisões, dentre elas: o que pretende que os alunos aprendam no período letivo, qual conteúdo abordar e qual parte dele deixar de lado, e quais recursos utilizar. O que norteia as decisões são as concepções de educação, de aprendizagem, bem como a Pensar Contábil CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ O Perfil Bibliográfico das Disciplinas de Custos dos Cursos de Ciências Contábeis do Brasil postura diante da área do conhecimento no qual atua e o tipo de conhecimento do qual dispõe. Este conjunto de decisões é concretizado no instrumento denominado plano de ensino. A elaboração de um plano de ensino é a oportunidade que o docente tem de preparar o que vai oferecer de melhor para o aluno, que consiste na escolha de um bom referencial teórico, na ordem dos conteúdos, identificação das estratégias de ensino, inclusão de resultados de pesquisas apresentados em periódicos e observação da evolução da realidade profissional. Assim, um plano de ensino deve conter: a) o objetivo da disciplina; b) conteúdo; c) as estratégias de ensino que serão utilizadas; d) critérios de avaliação; e) referências bibliográficas; e, f) cronograma (QUEIRÓZ; PALMA, 2006). Deste modo, o plano de ensino, além de nortear as atividades do professor, comunica ao aluno o que se espera dele, qual conteúdo é abordado, como se alcançam os objetivos e como ocorre a avaliação. Destaca-se que os objetivos propostos estão postos a partir da perspectiva do aluno e servem de base para a avaliação. Neste contexto, a seguir, apresentam-se algumas pesquisas anteriores a respeito de contabilidade de custos em ambientes educacionais e seus resultados. Godoy, Silva e Nakamura (2004) analisaram os programas de ensino das disciplinas da área de custos em três cursos de administração de empresas. Os resultados apresentados demonstram que a bibliografia utilizada contém um item comum, o livro de Martins (1998), denominado Contabilidade de Custos. Raupp et al. (2009) pesquisaram o ensino de contabilidade de custos nos cursos de graduação em Administração do Estado de Santa Catarina, e analisaram 28 IES, cujos resultados demonstraram que os títulos mais citados são MARTINS, Eliseu. “Contabilidade de custos” (22); BORNIA, Antonio Cezar. “Análise gerencial de custos: aplicação em empresas modernas” (8); HORNGREN, Charles Thomas; FOSTER, George; DATAR, Srikant. “Contabilidade de custos: um enfoque administrativo” (7), IUDÍCIBUS, Sérgio de. “Contabilidade gerencial” (7), MAHER, Michael. “Contabilidade de custos: criando valor para a administração” (7). Ferreira et al. (2011) realizaram pesquisa com o objetivo de identificar o perfil da disciplina de custos nos cursos de graduação das universidades norte-americanas. Destaca-se que apenas uma IES utiliza mais de uma referência bibliográfica, os demais utilizam somente uma referência, qual seja: HORNGREN, Charles Thomas; DATAR, Srikant M.; FOSTER, George; RAJAN, Mafhav; ITTNER, Cris. “Cost accounting: a managerial emphasis”. Lunkes et al. (2012) concluem que, na Espanha, as publicações em contabilidade gerencial correspondem a apenas 12% do total das publicações e que nos últimos cinco anos a formação de doutores na área representa 20,5% do total, enquanto que na área financeira representa 50,5%, e as demais áreas juntas 49%. Rosa et al. (2012) realizaram pesquisa com o objetivo de avaliar a estrutura curricular dos cursos de contabilidade das universidades federais da região norte do Brasil. Os resultados demonstraram que ocorre alinhamento entre os conteúdos e as diretrizes nacionais apresentadas na Resolução CNE/CES nº 10/2004. Contudo, quanto às diretrizes do currículo mundial apresentado pela ISAR/UNCTAD/ONU (DT 21/2003), os cursos analisados apresentam muitos dos tópicos básicos sugeridos; porém, não seguem a estrutura proposta e carecem de maior carga horária para estudos avançados em gestão de custos. Ainda, a referência Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 16, 14, n. 60, 55, p. 41 56 - 51, 64, maio/ago. set./dez. 2012 2014 bibliográfica mais evidenciada foi o livro “Contabilidade de Custos”, de Eliseu Martins (livro-texto e de exercícios). Verifica-se a carência de trabalhos que contemplam a bibliografia da disciplina de contabilidade de custos no Brasil, não obstante, os trabalhos anteriores têm como principal objetivo a verificação dos conteúdos das disciplinas de custos e apresentam apenas a bibliografia mais utilizada sem, contudo, traçar um perfil dessa bibliografia, o que é o objetivo principal desta pesquisa. 3. Procedimentos Metodológicos A presente pesquisa se caracteriza como aplicada, e, quanto à abordagem do problema, é qualitativa associada à quantitativa. Em relação aos objetivos é exploratória e descritiva o que, segundo Triviños (2009), se utiliza no campo da educação, cujo foco reside no desejo de se conhecer a comunidade e suas características. Quanto aos procedimentos de coleta de dados, é uma pesquisa bibliográfica e documental. Constitui-se, também, num estudo do tipo levantamento. A população é composta pelos cursos de Ciências Contábeis no Brasil, na modalidade presencial, num total de 1.211, conforme informações do MEC (2012). Cabe destacar que, neste número, inserem-se os cursos oferecidos nos campi fora da sede e integrais (diurnos) e noturnos. Definiu-se a amostra, num primeiro momento, por acessibilidade, ou seja, os cursos que apresentam os planos de ensino em seus sites. Deste modo, procedeu-se a busca nos sites dos 1.211 cursos de Ciências Contábeis do Brasil, cujo resultado foi a identificação de 39 cursos que disponibilizam os PE nos sites. Para melhorar a confiabilidade da pesquisa, buscou-se aumentar o tamanho da amostra. Para tanto, retirou-se do site do MEC (2012) a relação dos cursos de Ciências Contábeis, estratificada por região, e calculou-se a amostra com margem de erro de 7%, cujo resultado é a identificação aleatória de 200 cursos. Para Barbetta, Reis e Bornia (2004), a aleatoriedade é um processo de seleção em que todos os elementos da população têm a mesma possibilidade de serem selecionados. E, ainda, com base no estudo da amostra, pode-se fazer inferências sobre a população. O passo seguinte à identificação da amostra foi a busca do e-mail dos cursos, do coordenador ou de algum contato, ou da própria ouvidoria da IES. Logo após, encaminhou-se e-mail para os 200 cursos da amostra, para solicitar os PE das disciplinas que abordam conteúdos de custos. Nos casos em que não ocorreu a resposta por e-mail, realizou-se contato telefônico com a coordenação do curso para reforçar o pedido. Ressalta-se que a coordenação de três cursos respondeu que os PE são documentos sigilosos e que não podem ser encaminhados. Deste modo, a amostra final é representada por 75 cursos e 183 PE. Para o tratamento dos dados identificou-se os PE que evidenciam a bibliografia, num total de 171 títulos, ou seja, em 12 PE não se apresentam a bibliografia. Os dados são organizados em tabelas e analisados em conjunto e, posteriormente, em clusters, agrupados pelas regiões do Brasil, com o intuito de verificar se há diferenças entre elas, bem como pela organização acadêmica: universidades e centros universitários e faculdades. Contudo, esta pesquisa apresenta limitações que, segundo Collis e Hussey (2005), representam os potenciais pontos fracos, com o objetivo de identificar as dificuldades na consecução do estudo. Assim, as limitações desta pesquisa estão relacionadas à possibilidade de que as categorias de custos, evidenciadas neste 43 Pensar Contábil Leila Chaves Cunha CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Altair Borgert Aline Willemann Kremer estudo, podem não espelhar a realidade do que é abordado na sala de aula, já que algumas instituições pesquisadas apresentam planos de ensino mais sucintos do que outras. Tabela 2: País de origem da bibliografia País Básicas Complementares País 4. Resultados da Pesquisa Os resultados são apresentados em tabelas e analisados por meio da estatística descritiva, na seguinte estrutura: a) descrição da população e da amostra; b) caracterização da bibliografia; e, c) análise das bibliografias por clusters. 4.1. Descrição da População e da Amostra O número de cursos de Ciências Contábeis oferecidos no Brasil, no ano de 2012, é de 1.211. Algumas características se destacaram, como: diferenças entre as regiões no número de cursos oferecidos, como a Região Sudeste que oferece 529, o que representa 43,68% dos cursos, enquanto que a Região Norte oferece 75 cursos (6,19%) e há baixa oferta dos cursos nos estados do Acre (3), Roraima (4) e Sergipe (9). Verifica-se também que, em 41,33% dos cursos, a carga horária fica no intervalo de 120 horas a 150 horas, e que os 75 cursos pesquisados oferecem 183 disciplinas de custos, o que resulta numa média de 2,44 disciplinas por curso. Esses resultados convergem com os de Capacchi et al. (2007), que verificaram que, nas 25 IES pesquisadas no Estado Rio Grande do Sul, as disciplinas de custos, nos cursos de ciências contábeis, estão distribuídas em pelo menos dois semestres, e resultam numa média de 2,4 disciplinas por curso. 4.2. Caracterização da Bibliografia A caracterização da bibliografia é apresentada considerando-se os aspectos de quantidade de títulos evidenciados por PE, a origem, as modalidades e autores mais evidenciados. Na Tabela 1 apresenta-se o número de títulos da bibliografia básica e complementar por plano de ensino nos intervalos propostos. Observa-se, na Tabela 1, que em 12 PE a bibliografia básica não é evidenciada. Já nas complementares, este número passa para 42. Destaca-se que em 30 PE não há divisão entre bibliografia básica e complementar. Neste caso, considera-se a totalidade como bibliografia básica. O intervalo com maior frequência de títulos na bibliografia básica é “de um a três” (64,48%), e na bibliografia complementar é “de quatro a seis” títulos (40,98%). Este resultado pode estar relacionado ao fato de que os instrumentos de avaliaTabela 1: Bibliografia por PE Intervalo Básicas Quantidade Complementares % Quantidade % Não apresenta 12 6,56 42 22,95 de 1 a 3 118 64,48 34 18,58 de 4 a 6 40 21,86 75 40,98 de 7 a 10 9 4,91 23 12,57 Acima de 10 4 2,19 9 4,92 Total 183 100,00 183 100,00 Fonte: Dados da pesquisa 44 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 16, 14, n. 60, 55, p. 41 56 - 51, 64, maio/ago. set./dez. 2012 2014 Básicas Quantidade % Complementares Quantidade % Brasil 83 73,55 159 76,81 Estados Unidos 27 23,88 42 20,29 Inglaterra 1 0,89 4 1,93 Áustria - - 1 0,48 Canadá 1 0,89 - - Japão 1 0,89 1 0,48 Total 113 100,0 207 100,0 Fonte: Dados da pesquisa ção dos cursos estabelecem que o acervo da bibliografia básica tenha no mínimo três títulos por unidade curricular e, na complementar, pelo menos cinco. Ressalta-se que, em 13 PE (7%), evidencia-se apenas uma bibliografia básica por disciplina. Este resultado corrobora os achados de Ferreira et al. (2011) os quais demonstram que, na maioria das universidades norte-americanas, os planos de ensino das disciplinas de contabilidade de custos utilizam apenas uma referência. No Brasil, esse resultado contradiz a exigência do MEC de haver, pelo menos, três títulos na bibliografia básica. Na Tabela 2, demonstra-se o país de origem da bibliografia básica e complementar evidenciada nos PE das disciplinas de custos. Realizou-se a identificação da seguinte forma: a) identificação do ISBN do livro; b) consulta no site da biblioteca nacional, que identifica se o livro é traduzido, pois apresenta o título original da obra; c) consulta a um site de compra de produtos estrangeiros que permite visualizar o livro. Observa-se que a maior parte da bibliografia básica é de origem nacional (73,55%) e americana (23,88%). Os demais países representam apenas 2,67% da bibliografia evidenciada nos PE. Na bibliografia complementar, mantem-se a predominância do Brasil (76,81%) e dos Estados Unidos (20,29), enquanto os demais países representam apenas 2,89% do total da bibliografia. Destaca-se também a quantidade de títulos diferentes apresentadas: 113 básicas e 207 complementares. Das 207, 69 também se evidencia na bibliografia básica resultando em 138 títulos únicos. Sendo assim, o total de títulos diferentes é 251 (113 básicas mais 138 complementares). As modalidades das bibliografias apresentam-se na Tabela 3 – Bibliografia básica –, e na Tabela 4 – Bibliografia complementar – onde se evidenciam as quantidades presentes de cada modalidade nos Planos de Ensino. Na Tabela 3 observa-se que os livros (texto) são os mais evidenciados nos planos de ensino das disciplinas de contabilidade de custos (99,21%) e que as revistas/periódicos (0,31%) e as apostilas (0,16), mesmo sendo mencionados nos instrumentos de avaliação, tanto do Enade quanto dos cursos, praticamente não estão previstos nos PE como bibliografia básica. Ressalta-se que, dos planos de ensino que apresentam revistas/periódicos, apenas 1 PE evidencia o respectivo título. Na Tabela 4 apresenta-se a modalidade da bibliografia complementar, em que se observa maior diversificação quando compara- Pensar Contábil CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ O Perfil Bibliográfico das Disciplinas de Custos dos Cursos de Ciências Contábeis do Brasil Tabela 3: Modalidade da bibliografia básica Modalidade Tabela 5: Títulos dos periódicos Quantidade % Livros Periódicos 630 99,21 Livros de Exercício 2 0,31 Revistas/ periódicos 2 0,31 Apostilas 1 0,16 635 100,00 Total Fonte: Dados da pesquisa da à bibliografia básica, e que a maioria das bibliografias também é composta por livros (94,91%). Um item não encontrado na bibliografia básica e presente na bibliografia complementar diz respeito às teses e dissertações, ainda que com pouca representatividade. As revistas e periódicos são mais presentes na bibliografia complementar (1,49%) do que na bibliografia básica (0,31%), porém, em ambos números, são praticamente insignificantes, ainda que este item seja objeto de avaliação pelos órgãos reguladores do ensino superior no Brasil. Além disso, verifica-se pouca evidenciação de manuais ou materiais elaborados pelos docentes. Ressalta-se a previsão em um PE de artigo não publicado. Na Tabela 5 apresentam-se os títulos dos periódicos da bibliografia básica e complementar. Destaca-se que em um PE da BiTabela 4: Tabela 4: Modalidade da bibliografia complementar Modalidade Quantidade % Qualis Frequência A2 3 Revista FAE Business School - 2 Revista de Ciências Empresariais da Unipar - 2 Revista Brasileira de Contabilidade B5 1 Revista de Administração da USP A2 1 Revista de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas - 1 Revista HSM Management B5 1 Revista Razão Contábil C 1 - 2 Revista de Contabilidade e Finanças da FEA/USP Não informados Total 14 Fonte: Dados da pesquisa Quadro 1: Número de bibliografia por autor Autor Qtd. LEONE, George S. Guerra. 6 MARION, José Carlos. 6 MARTINS, Eliseu (1 coautor) 6 IUDÍCIBUS, Sérgio de. 5 PADOVEZE, Clóvis Luis. 5 SANTOS, Joel J. 5 Livros 764 94,91 Teses/Dissertações 12 1,49 Revistas/periódicos 12 1,49 Livros de exercícios 5 0,62 CHING, Hong Yuh. 4 4 Apostilas 2 0,25 COGAN, Samuel. Sites da área de custos 2 0,25 HORNGREN, Charles T (3 coautores) 4 Artigos Acadêmicos 1 0,12 KAPLAN, Robert S.; (2 coautores) 4 4 Artigos não publicados 1 0,12 PEREZ JUNIOR, José Hernandes. FASB 1 0,12 BEULKE, Roland; Berto, Dalvio J. 3 Instruções CVM n. 191/192 e n. 248/96 e Parecer CVM n. 027/95 1 0,12 BRUNI, Adriano L. FAMA, Rubens. 3 FREZATTI, Fábio. 3 JORNAL DO CFC. Brasil. Conselho Federal de Contabilidade, 2011 1 GUERREIRO, Reinaldo. 3 SUNDEN, G. L. (2 coautores) 3 Livros editados por professores 1 0,12 NORTON, David P. (1 coautor) 3 Pronunciamento CPC n. 02 (Conversão de DCs) 1 0,12 STRATTON, W. A. (2 coautores) 3 LUNKES Rogério J. 3 NAKAGAWA, Masayuki. 3 RIBEIRO, Osni Moura. 3 ROCHA, Welington. (1 coautor) 3 Trabalhos disponibilizados pelos professores Total 0,12 1 0,12 805 100,00 Fonte: Dados da pesquisa Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 16, 14, n. 60, 55, p. 41 56 - 51, 64, maio/ago. set./dez. 2012 2014 Fonte: Dados da pesquisa 45 Pensar Contábil Leila Chaves Cunha CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Altair Borgert Aline Willemann Kremer Tabela 6: Bibliografia básica MARTINS, Eliseu. Contabilidade de custos 120 70,18 LEONE, George S. Guerra. Curso de contabilidade de custos: contém critério do custeio ABC 34 19,88 HORNGREN, Charles T. DATAR, Srikant M., FOSTER, Georg. Contabilidade de custos: uma abordagem gerencial 31 18,13 IUDÍCIBUS, Sérgio de. Contabilidade gerencial 25 14,62 PADOVEZE, Clóvis Luís. Contabilidade gerencial: um enfoque em sistema de informação contábil 21 12,28 LEONE, George S. Guerra. Custos: planejamento, implantação e controle 20 11,70 CREPALDI, Silvio A. Curso básico de contabilidade de custos 19 11,11 BRUNI, Adriano L.; FAMA, Rubens. Gestão de custos e formação de preços 18 10,53 PEREZ JUNIOR, J. H.; OLIVEIRA, L.M.; GUEDES, R. Gestão estratégica de custos 16 9,36 CREPALDI, Silvio A. Contabilidade gerencial: teoria e prática 15 8,77 DUTRA, René Gomes. Custos: uma abordagem prática 15 8,77 ATKINSON, Anthony A. Contabilidade gerencial 13 7,60 BORNIA, Antonio C. Análise gerencial de custos: aplicação em empresas modernas 13 7,60 LEONE, George S. Guerra. Custos: um enfoque administrativo 13 7,60 GARRISON, Ray H.; NOREEN, Eric W.; BREWER, Peter C. Contabilidade gerencial 11 6,43 MAHER, Michael. Contabilidade de custos: criando valor para a administração 11 6,43 HORNGREN, C.; SUNDEN, G. L.; STRATTON, W. A. Contabilidade gerencial 9 5,26 PADOVEZE, Clóvis Luis. Curso básico gerencial de custos 9 5,26 RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade de custos: fácil 9 5,26 MARTINS, Eliseu. Contabilidade de custos: livro de exercício 8 4,68 HANSEN, D. MOWEN, M. Gestão de custos: contabilidade e controle 7 4,09 SHANK, J. K. GOVINDARAJAN, V. Strategic cost management - the new form competitive advantage. “A revolução dos custos”. 7 4,09 WERNKE, Rodney. Gestão de custos: uma abordagem prática 7 4,09 CASHIN, James A.; POLIMERI Ralph. Contabilidade de custos 6 3,51 Demais obras 178 Total 635 Fonte: Dados da pesquisa bliografia Básica e um da Bibliografia Complementar não é mencionado o título do periódico. Observa-se que a Revista Contabilidade e Finanças FEA/USP é presente em três PEs, enquanto os periódicos FAE Business School e Ciências Empresariais da Unipar são evidenciados em dois PE, bem como as demais aparecem em apenas um PE. Destaca-se que cinco dos periódicos foram indicados em apenas um PE, o que significa que os periódicos são evidenciados em apenas 9 PE. No Quadro 1 apresenta-se os autores com três publicações ou mais, evidenciadas nos PE dos cursos de Ciências Contábeis em geral, ou seja, em que se considera as bibliografias básica e complementar. Vale destacar que, ao lado do nome, entre parênteses, aparece o número de vezes que o mesmo é referenciado como coautor. Assim, por exemplo, o primeiro nome de destaque é “MARTINS, Eliseu (um coautor)”, o que significa que o mesmo foi evidenciado, individualmente, em cinco PE e em um PE em parceria com outro autor. 46 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 16, 14, n. 60, 55, p. 41 56 - 51, 64, maio/ago. set./dez. 2012 2014 Observa-se que os autores com maior número de publicações evidenciadas nos PE são: LEONE, George S. Guerra; MARION, José Carlos; MARTINS, Eliseu, cada um com seis publicações evidenciadas. Destaca-se, ainda, que os autores MAHER, Michael e ATKINSON, Anthony A., apesar de apresentarem apenas uma publicação, são as mais evidenciadas na bibliografia complementar dos cursos de Ciências Contábeis, conforme a Tabela 7. Os títulos mais evidenciados nos PE são apresentados na Tabela 6 em valores absolutos e relativos. A bibliografia básica é evidenciada em 171 PE, ou seja, 12 PE não a evidenciaram. Deste modo, o livro de MARTINS, Eliseu é evidenciada em 71,43% dos PE (120/168). Na Tabela 6 percebe-se que o livro MARTINS, Eliseu. “Contabilidade de custos” é o mais apresentado nos PE pesquisados, o que converge com pesquisas realizadas por Godoy, Silva e Nakamura (2004); Raupp et al. (2009); e Rosa (2012). A segunda bibliografia mais evidenciada é LEONE, George S. Guerra. “Curso de contabilidade de custos”, que Pensar Contábil CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ O Perfil Bibliográfico das Disciplinas de Custos dos Cursos de Ciências Contábeis do Brasil Tabela 7: Bibliografia complementar Bibliografia Qtd. % HORNGREN, C. T.; DATAR, S. M.; FOSTER, G. Contabilidade de custos: uma abordagem gerencial 38 27,54 MAHER, Michael. Contabilidade de custos: criando valor para a administração 25 18,12 LEONE, George S. G. Curso de contabilidade de custos 24 17,39 ATKINSON, Anthony A. Contabilidade gerencial 21 15,22 NAKAGAWA, Masayuki. ABC: custeio baseado em atividades 20 14,49 PEREZ JUNIOR, J. H.; OLIVEIRA, L. M.; GUEDES, R. Gestão estratégica de custos 20 15,22 CREPALDI, Silvio Aparecido. Curso básico de contabilidade de custos 19 13,77 DUTRA, René Gomes. Custos: uma abordagem prática 19 13,77 BRUNI, Adriano Leal; FAMÁ, Rubens. Gestão de custos e formação de preços 18 13,04 LEONE, George S. Guerra. Custos: planejamento, implantação e controle 18 13,04 MARTINS, Eliseu. Contabilidade de custos 18 13,04 PADOVEZE, Clóvis Luís. Contabilidade gerencial: um enfoque em sistema de informação contábil 18 13,04 HANSEN, D. MOWEN, M. Gestão de custos: contabilidade e controle 16 11,59 VANDERBERCK, Eduardo; NAGY, Charles. Contabilidade de custos 16 11,59 CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE DE SÃO PAULO. Custos: ferramenta de gestão 15 10,87 IUDÍCIBUS, Sérgio de. Contabilidade gerencial 13 9,42 VICECONTE, Paulo Eduardo V.; NEVES, Silvério das. Contabilidade de custos: um enfoque direto e objetivo 11 7,97 WARREN, Carl S.; REEVE, James M.; FESS, Philip E. Contabilidade gerencial 11 7,97 BORNIA, Antonio C. Análise gerencial de custos: aplicação em empresas modernas 10 7,25 GARRISON, Ray H.; NOREEN, Eric W.; BREWER, Peter C. Contabilidade gerencial 10 7,25 SANTOS, Joel José dos. Análise de custos: remodelado com ênfase para sistema de custeio marginal, relatórios e estudos de casos 10 7,25 BRIMSON, James A. Contabilidade por atividades: uma abordagem de custeio baseado em atividades 8 5,80 COGAN, Samuel. Custos e preços: formação e análise 8 5,80 CREPALDI, Silvio Aparecido. Contabilidade gerencial: teoria e prática 8 5,80 RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade de custos 8 5,80 SHANK, John, GOVINDARAJAN, Vijay. A revolução dos custos 8 5,80 NAKAGAWA, Masayuki. Gestão estratégica de custos: conceitos, sistemas e implementação 7 5,07 OLIVEIRA, Luís Martins de. Contabilidade de custos para não contadores 7 5,07 PEREZ JUNIOR, José Hernandez. Contabilidade de custos para não contadores 7 5,07 SAKURAI, Michiharu. Gerenciamento integrado de custos 7 5,07 SANTOS, Joel José dos. Formação do preço e do lucro 7 5,07 WERNKE, Rodney. Gestão de custos: uma abordagem prática 7 5,07 BEULKE, Rolando; BERTÓ, Dalvio J. Estrutura e análise de custos 6 4,35 HORNGREN, Charles T., SUNDEM, Gary L., STRATTON, William O. Contabilidade gerencial 6 4,35 IUDÍCIBUS, Sérgio de. Manual de contabilidade societária: aplicável a todas as sociedades 6 4,35 LEONE, George S. Guerra. Custos: um enfoque administrativo 6 4,35 MARION, José Carlos. Contabilidade empresarial: livro de exercícios 6 4,35 MARTINS, Eliseu. Contabilidade de custos: livro de exercício 6 4,35 ROBLES JR., Antonio. Custos da qualidade: uma estratégia para a competição global 6 4,35 SANTOS, Joel José dos. Contabilidade e análise de custos: modelo contábil, métodos de depreciação 6 4,35 Demais obras 300 120 Total 805 Fonte: Dados da pesquisa Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 16, 14, n. 60, 55, p. 41 56 - 51, 64, maio/ago. set./dez. 2012 2014 47 Pensar Contábil Leila Chaves Cunha CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Altair Borgert Aline Willemann Kremer aparece em 34 PE (19,88%); e a terceira, é HORNGREN, Charles T. DATAR, Srikant M., FOSTER, Georg. “Contabilidade de custos”, evidenciada em 31 PE (18,13%) – bibliografia com maior frequência na pesquisa realizada nas IES americanas, conforme Ferreira et al. (2011). Na Tabela 7 apresenta-se as principais bibliografias complementares evidenciadas nos cursos de Ciências Contábeis e, da mesma forma que a básica, evidenciam-se aquelas que aparecem seis vezes ou mais nos PE. O percentual é calculado sobre o número de PE que evidenciam a bibliografia complementar, que é 138. O número total de evidências da bibliografia complementar é 805, e o número de títulos diferentes é, também, de 138, desconsideradas aquelas que aparecem como bibliografia básica. Na análise da Tabela 7 percebe-se que as bibliografias mais evidenciadas são: HORNGREN, C. T.; DATAR, S. M.; FOSTER, G. “Contabilidade de custos”, destacadas em 38 PE, o que representa 27,54% dos cursos, e em 11 aparece em mais de um PE; LEONE, George S. Guerra. “Curso de contabilidade de custos”, evidenciada em 20 cursos (27,8%), e MAHER, Michael. “Contabilidade de custos”, evidenciada em 25 PE (18,12%). 4.3. Análise da Bibliografia por Clusters – Regiões do Brasil Neste tópico, apresentam-se as análises por clusters da bibliografia básica, em que se destaca apenas a frequência com que o título é evidenciado nos PE, seis vezes ou mais. As demais se agrupam no item “demais obras”. Os dados são apresentados em valores absolutos (A) e relativos (%), em ordem decrescente (valores do Brasil). Assim, apresenta-se a evidenciação da bibliografia básica por região do Brasil e pela organização acadêmica dos cursos: universidades e centros universitários e faculdades. Tabela 8: Bibliografia básica agrupada por região do Brasil Bibliografia básica Brasil A % A % Nordeste A % MARTINS, Eliseu. Contabilidade de Custos 120 18,9 7 18,4 11 15,1 45 19,6 9 22,0 46 18,6 LEONE, George S. Guerra. Curso de contabilidade de custos 34 5,4 1 2,6 11 15,1 7 3,0 3 7,3 12 4,9 HORNGREN, Charles T. DATAR, Srikant M., FOSTER, Georg. Contabilidade de custos 31 4,9 1 2,6 4 5,5 9 3,9 4 9,8 13 5,3 IUDÍCIBUS, Sérgio de. Contabilidade gerencial 25 3,9 1 2,6 2 2,7 8 3,5 1 2,4 13 5,3 LEONE, George S. Guerra. Custos 21 3,3 3 7,9 3 4,1 9 3,9 - - 5 2,0 PADOVEZE, Clóvis Luís. Contabilidade gerencial 20 3,1 1 2,6 1 1,4 10 4,3 1 2,4 7 2,8 BRUNI, Adriano L.; FAMA, Rubens. Gestão de custos e formação de preços 19 3,0 2 5,3 - - 13 5,7 - - 3 1,2 CREPALDI, Silvio A. Curso básico de contabilidade de custos 18 2,8 1 2,6 4 5,5 2 0,9 2 4,9 9 3,6 PEREZ JUNIOR, J. H.; OLIVEIRA, L.M.; GUEDES, R. Gestão estratégica de custos 16 2,5 1 2,6 2 2,7 4 1,7 2 4,9 7 2,8 DUTRA, René Gomes. Custos: uma abordagem prática 15 2,4 - - 2 2,7 8 3,5 2 4,9 3 1,2 ATKINSON, Anthony A. Contabilidade gerencial 15 2,4 - - - - 3 1,3 1 2,4 9 3,6 BORNIA, Antonio C. Análise gerencial de custos 13 2,0 1 2,6 1 1,4 - - - - 11 4,5 CREPALDI, Silvio A. Contabilidade gerencial 13 2,0 - - 2 2,7 3 1,3 1 2,4 7 2,8 LEONE, George S. Guerra. Custos 13 2,0 2 5,3 3 4,1 3 1,3 2 4,9 3 1,2 GARRISON, Ray H.; NOREEN, Eric W.; BREWER, Peter C. Contabilidade gerencial 11 1,7 1 2,6 1 1,4 8 3,5 - - 1 0,4 MAHER, Michael. Contabilidade de custos 11 1,7 - - 4 5,5 6 2,6 - - 1 0,4 HORNGREN, C.; SUNDEN, G. L.; STRATTON, W. A. Contabilidade gerencial 9 1,4 - - - - 6 2,6 - - 3 1,2 PADOVEZE, Clóvis Luis. Curso básico gerencial de custos 9 1,4 1 2,6 - - 6 2,6 - - 2 0,8 Fonte: Dados da pesquisa 48 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 16, 14, n. 60, 55, p. 41 56 - 51, 64, maio/ago. set./dez. 2012 2014 Norte Sudeste Sull % Centro Oeste A % A A % Pensar Contábil CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ O Perfil Bibliográfico das Disciplinas de Custos dos Cursos de Ciências Contábeis do Brasil Bibliografia básica Brasil Norte A % A % Nordeste A % MARTINS, Eliseu. Contabilidade de custos Livro de Exercícios. 8 1,3 1 2,6 - - 6 2,6 1 2,4 - - HANSEN, D. MOWEN, M. Gestão de custos contabilidade e controle 7 1,1 1 2,6 - - 4 1,7 - - 2 0,8 SHANK, J. K. GOVINDARAJAN, V. Strategic cost management - the new form competitive advantage. 7 1,1 - - 2 2,7 5 2,2 - - - - WERNKE, Rodney. Gestão de custos 7 1,1 1 2,6 - - 3 1,3 - - 3 1,2 CASHIN, James A.; POLIMERI Ralph. Contabilidade de custos 6 0,9 2 5,3 - - 2 0,9 2 4,9 - - Demais obras 178 19,4 5 13,2 10 13,7 46 20,0 4 9,8 58 23,5 Total 635 100 38 100 73 100 230 100 41 100 247 100 Sudeste Sull % Centro Oeste A % A A % Fonte: Dados da pesquisa Tabela 9: Bibliografia básica agrupada pela organização acadêmica Universidade Faculdade e Centro Bibliografia básica A % A % MARTINS, Eliseu. Contabilidade de Custos 66 16,5 54 22,9 HORNGREN, Charles T. DATAR, Srikant M., FOSTER, Georg. Contabilidade de custos: uma abordagem gerencial 26 6,5 5 2,1 LEONE, George S. Guerra. Curso de contabilidade de custos: contém critério do custeio ABC 19 4,8 15 6,4 IUDÍCIBUS, Sérgio de. Contabilidade gerencial 13 3,3 12 5,1 BORNIA, Antonio C. Análise gerencial de custos: aplicação em empresas modernas 12 3,0 1 0,4 LEONE, George S. Guerra. Custos: planejamento, implantação e controle 12 3,0 8 3,4 PADOVEZE, Clóvis Luís. Contabilidade gerencial: um enfoque em sistema de informação contábil 12 3,0 9 3,8 ATKINSON, Anthony A. Contabilidade gerencial 11 2,8 2 0,8 GARRISON, Ray H.; NOREEN, Eric W.; BREWER, Peter C. Contabilidade gerencial 11 2,8 - - BRUNI, Adriano L.; FAMA, Rubens. Gestão de custos e formação de preços 10 2,5 8 3,4 LEONE, George S. Guerra. Custos: um enfoque administrativo 10 2,5 3 1,3 PEREZ JUNIOR, J. H.; OLIVEIRA, L.M.; GUEDES, R. Gestão estratégica de custos 10 2,5 6 2,5 MAHER, Michael. Contabilidade de custos: criando valor para a administração 9 2,3 2 0,8 CREPALDI, Silvio A. Contabilidade gerencial: teoria e prática 7 1,8 8 3,4 PADOVEZE, Clóvis Luis. Curso básico gerencial de custos 7 1,8 2 0,8 CASHIN, James A.; POLIMERI, Ralph. Contabilidade de custos 6 1,5 - - HANSEN, D. MOWEN, M. Gestão de custos - contabilidade e controle 6 1,5 1 0,4 HORNGREN, C.; SUNDEN, G. L.; STRATTON, W. A. Contabilidade gerencial 6 1,5 3 1,3 RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade de custos: fácil. 6 1,5 3 1,3 Demais obras 140 30,6 170 72,0 Total 399 100,0 236 100,0 Fonte: Dados da pesquisa Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 16, 14, n. 60, 55, p. 41 56 - 51, 64, maio/ago. set./dez. 2012 2014 49 Pensar Contábil Leila Chaves Cunha CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Altair Borgert Aline Willemann Kremer Neste tópico o percentual de evidenciação é determinado pela divisão do número de obras pelo seu total. A Tabela 8 apresenta a frequência da bibliografia básica evidenciada nos PE, agrupadas por região. Na Tabela 8 apresenta-se o resultado do Brasil e das regiões e observa-se que a obra mais utilizada em todas as regiões é de Martins, Eliseu. “Contabilidade de Custos”. Na Região Norte a participação é de 18,4%; na Região Nordeste, 15,1%; na Sudeste 19,6%; na Região Centro-Oeste é de 22%; e na Sul, 18,6%. Em segundo lugar, apresenta-se: na Região Norte – Custos de George S. G. Leone (7,9%); na Região Nordeste – LEONE, George S. Guerra. “Curso de contabilidade de custos” (15,1%); na Região Dudeste – BRUNI, Adriano L.; FAMA, Rubens. “Gestão de custos e formação de preços” (5,7); na Região Centro-Oeste – HORNGREN, Charles T. DATAR, Srikant M., FOSTER, Georg. “Contabilidade de custos” (9,8%); Região Sul – são duas referências: Charles T. DATAR, Srikant M., FOSTER, Georg. “Contabilidade de custos” e IUDÍCIBUS, Sérgio de. “Contabilidade gerencial” (5,3%). A Tabela 9 apresenta a bibliografia básica agrupada pela organização acadêmica das IES: universidades e centros universitários e faculdades. Na Tabela 9 evidencia-se que a obra “Contabilidade de Custos” de Eliseu Martins também é a mais utilizada tanto nas universidades (16,5%) quanto nos centros universitários e faculdades (22,9%). Nas universidades as obras que aparecem em segundo e terceiro lugares são, respectivamente: HORNGREN, Charles T. DATAR, Srikant M., Foster, Georg. “Contabilidade de custos” (6,5%), e “Curso de contabilidade de custos” de Leone (4,8%). Nos Centros e Faculdades são: “Curso de contabilidade de custos” de Leone (6,4%) e CREPALDI, Silvio A. “Curso Básico de contabilidade de custos” (5,9%). Observa-se, também, que as seguintes obras evidenciam-se nas universidades e não aparecem em nenhum PE dos Centros e Faculdades: GARRISON, Ray H.; NOREEN, Eric W.; BREWER, Peter C. “Contabilidade gerencial” (11) e CASHIN, James A.; POLIMERI, Ralph. “Contabilidade de custos” (6). 5. Conclusão As alterações dos currículos do curso de Ciências Contábeis no Brasil sofrem influência da concepção de currículo na perspectiva dos órgãos reguladores da educação. A partir das DCN, as Instituições de Ensino Superior estabelecem a organização curricular do curso para atender aos campos de formação básica, profissional e teórico-prática. No entanto, não se referem a quesitos relacionados à bibliografia. Os instrumentos de avaliação utilizados pelo Ministério da Educação especificam alguns critérios sobre a bibliografia a serem observados pelas IES. Os resultados apresentados neste estudo demonstram que não há uma padronização dos PE nas IES, pois em 50 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 16, 14, n. 60, 55, p. 41 56 - 51, 64, maio/ago. set./dez. 2012 2014 12 PE não se evidencia a bibliografia e 30 deles não há divisão entre a bibliografia básica e complementar. Mesmo que 62,84% dos PE apresentam o número de títulos previsto pelos instrumentos de avaliação, 37,16% não atendem a esta previsão. Quanto à origem da bibliografia básica, 73,55% são de publicação nacional, enquanto as publicações internacionais são, na maioria, dos Estados Unidos (23,88%). Destaca-se também a quantidade de títulos diferentes apresentados nos PE, que é de 251. A bibliografia é composta, na maioria, por livros (texto), tanto a básica (99,21%) quanto a complementar (94,91%). Os periódicos são evidenciados em apenas 10 PE. Este resultado remete a uma reflexão, pois as IES, além de não atenderem aos instrumentos de avaliação, que preveem a utilização de revistas/periódicos, quanto de materiais elaborados pelos professores, não utilizam materiais mais recentes e se limitam à utilização de livros. Os autores com maior número de publicação são: LEONE, George S. Guerra; MARION, José Carlos; e MARTINS, Eliseu, com seis publicações cada um, mas, ressalta-se que autores com apenas 1 publicação são bastante evidenciados nos PE. A obra com maior frequência é de MARTINS, Eliseu. “Contabilidade de custos”, o que converge com resultados apresentados por Godoy, Silva e Nakamura (2004), Raupp et al . (2009) e Rosa et al . (2012). A segunda referência mais evidenciada é LEONE, George S. Guerra. “Curso de contabilidade de custos”, que aparece em 34 PE (19,88%), e a terceira, é HORNGREN, Charles T. DATAR, Srikant M., FOSTER, Georg. “Contabilidade de custos” evidenciada em 31 PE (18,13%), que é a referência mais presente na pesquisa realizada nas IES americanas, conforme Ferreira et al . (2011). Na análise por cluster, observa-se que a obra MARTINS, Eliseu. “Contabilidade de custos” tem a seguinte participação nas Regiões do Brasil: Norte, 18,4%; Nordeste, 15,1%; Sudeste, 19,6%; Centro-Oeste, 22% e Sul, 18,6%. Quanto às universidades e centros universitários e faculdades, a referência MARTINS, Eliseu. “Contabilidade de custos” é mais evidenciada nos centros universitários (22,9%) do que nas universidades (16,5%). Observa-se também que as seguintes obras evidenciam-se nas universidades e não aparecem em nenhum PE dos centros e faculdades: GARRISON, Ray H.; NOREEN, Eric W.; BREWER, Peter C. “Contabilidade gerencial” (11); CASHIN, James A.; POLIMERI, Ralph. “Contabilidade de custos” (6); e, MATZ, Adolph; CURRY, Othel. E. “Contabilidade de custos” (5). A presente pesquisa apresentou os resultados do perfil da bibliografia evidenciada nos PE dos cursos de Ciências Contábeis do Brasil, na modalidade presencial. Sugere-se, para futuros trabalhos, verificar outros aspectos da bibliografia, como o alinhamento com os conteúdos propostos, além da categorização dos títulos das obras previstos nos PE. Além disso, pode-se pesquisar a percepção dos professores a respeito do tema. Pensar Contábil CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ O Perfil Bibliográfico das Disciplinas de Custos dos Cursos de Ciências Contábeis do Brasil Referências ABREU, M. C.; MASETTO, M. T. O professor universitário em aula: prática e princípios teóricos. 8. ed. São Paulo: MG Ed. Associados, 1990. BARBETTA, P. A.; REIS, M. M.; BORNIA, A. C. Estatística: para cursos de engenharia e informática. São Paulo: Atlas, 2004. BRASIL. Resolução CFE s/n, de 08 de fevereiro de 1963. 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Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Superior. Brasília, 2004. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/rces10_04.pdf. Acesso: 25 0ut. 2011. _______ Ministério da Educação e Cultura. Instituições de Educação Superior e Cursos Cadastrados. Disponível em: https://emec.mec. gov.br/ies/. Acesso: 23 out. 2011. _______ Ministério da Educação, de maio de 2012. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira – Diretoria de Avaliação da Educação Superior (Daes). Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes). Instrumento de Avaliação de Cursos de Graduação presencial e a distância. Disponível em: http://download.inep.gov.br/educacao_superior/avaliacao_cursos_graduacao/instrumentos/20 CAPACCHI, M. et al. A prática do ensino contábil no Estado do Rio Grande do Sul: uma análise da grade curricular frente às exigências legais e necessidades acadêmicas. In: CONGRESSO ANPCONT, 1, 2006, Gramado. Anais... Gramado: Anpcont, 2006. 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Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 16, 14, n. 60, 55, p. 41 56 - 51, 64, maio/ago. set./dez. 2012 2014 51 Pensar Contábil CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Ranking das Instituições de Ensino Superior do Sistema ACAFE a Partir dos Indicadores de Desempenho Econômico, Financeiro e de Atividades Fernando Maciel Ramos Concórdia – SC CRCSC 031718/O-6 Especialista em Controladoria, Gerência Contábil, Auditoria e Perícia Mestrando do PPG em Ciências Contábeis/ Furb1 [email protected], [email protected] Evandro de Nez Concórdia – SC CRCPR 044691/O-6 Mestrando do PPG em Ciências Contábeis da Furb1 Professor e Coordenador do curso de Ciências Contábeis do Cesreal2 [email protected] Nelson Hein Doutor em Engenharia de Produção pela UFSC3 Pós-doutorado pelo Impa4 Pós-doutor pela Anderson School of Management da Universidade do Novo México /EUA5 Professor do Departamento de Matemática da Furb1 Professor permanente do PPGCC/ Furb1 [email protected] Resumo O objetivo desta pesquisa é realizar o ranqueamento das instituições de ensino superior (IES) associadas ao sistema ACAFE a partir dos seus indicadores de desempenho econômico e finan- ceiro. Para tanto, efetuou-se o cálculo dos indicadores aplicados a entidades do terceiro setor conforme estudo de Barney (1991), que são de liquidez, endividamento e atividade para cada entidade em análise a partir das demonstrações contábeis financeiras do exercício de 2011. Aplicou-se o método Topsis para elaborar o ranking geral das instituições a partir de seus respectivos indicadores, onde a Udesc possui a maior proximidade com a situação ideal positiva, liderando o ranking e a Uniplac com a situação ideal negativa. Posteriormente foi realizada a comparação do ranqueamento obtido a partir do IGC contínuo divulgado pelo MEC do respectivo período, o qual pode-se confirmar que existe diferença entre os rankings analisados. Palavras-chave: Instituições de Ensino Superior, Indicadores de desempenho Econômico/Financeiro, Indicadores de Atividade Abstract The objective of this research is to perform the ranking of higher education institutions (HEIs) associated with ACAFE system from its economic indicators and financial performance. To do so we performed the calculation of the indicators applied to third sector entities according to a study of Barney (1991), which are liquidity, leverage and activity for each entity in question from the financial accounting statements for 2011. After we applied the TOPSIS method to prepare the general ranking of institutions from their respective indicators, where UDESC has the highest proximity to the positive ideal situation, leading the ranking and UNIPLAC with ideal negative situation. Later comparison of the ranking obtained from the ongoing IGC released by the MEC of the relevant period, which can be performed to confirm that there was difference between the ranking’s analyzed. Key words: Institutions of Higher Education, Performance Indicators, Economic / Financial, Activity Indicators Furb – Universidade Regional de Blumenau – CEP 89030-080 – Blumenau – SC Cesreal – Centro de Ensino Superior de Realeza – CEP 85770-000 – Realeza – PR 3 UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina – CEP 88040-970 – Florianópolis – SC 4 Impa – Associação Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada – CEP 22460-320 – Rio de Janeiro – RJ 5 UNM – Anderson School of Management da Universidade do Novo México – CEP 87131-0001 – Albuquerque, NM 1 2 Artigo recebido em 10/02/2014 e aceito em 15/07/2014 52 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 16, 14, n. 60, 55, p. 52 56 - 60, 64, maio/ago. set./dez. 2012 2014 Pensar Contábil CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Ranking das Instituições de Ensino Superior do Sistema ACAFE a Partir dos Indicadores de Desempenho Econômico, Financeiro e de Atividades 1. Introdução As organizações do terceiro setor não são caracterizadas como públicas e nem privadas, apresentando estrutura de direito privado com finalidade pública, remetendo a necessidade da prestação de contas e análise de desempenho por seus stakeholders (CRUZ et al., 2009). Para o fornecimento dessas informações é necessária a utilização de ferramentas de gerenciamento e avaliação de desempenho. Os indicadores de desempenho são ferramentas essenciais, tanto para usuários internos e externos. A utilização de indicadores econômicos e financeiros no ambiente interno da organização auxilia os gestores em diversos aspectos, como na captação de recursos, decisão de investimentos, tomada de decisões e gerenciamento da entidade, e, já no ambiente externo, é útil para atrair investidores sociais. Para Klann et al, (2012), a avaliação de desempenho é de suma importância para todas as entidades que visam manter a sustentabilidade e continuidade de seus empreendimentos, e esta situação não é diferente com as entidades do terceiro setor e, neste contexto, as IES. Atualmente as entidades de ensino são avaliadas por meio de instrumentos que visam identificar a qualidade de ensino ofertada, para qual são analisados diversos aspectoscomo infraestrutura, corpo docente, programa de pós-graduação, desempenho dos acadêmicos no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), convergindo estes aspectos ao conhecido IGC, utilizado pelas instituições como ferramenta de competitividade, marketing e ranqueamento das mesmas. Porém o ranqueamento a partir do IGC é considerado por alguns autores como falho, por não levar em consideração o desempenho econômico e financeiro destas organizações. Neste contexto é de suma importância que as instituições também avaliem, além da qualidade ensino, o seu desempenho econômico e financeiro, o que tem suma importância para manter a continuidade dos serviços educacionais prestados. Diversos estudos vêm sendo realizados levando em consideração as formas de avaliação de instituições de ensino e a sustentabilidade destas organizações (BARNETSON e CUTRIGHT, 2000; MAINGOT e ZEGHAL, 2008; GARCÍA-ARACIL e PALOMARES-MONTERO, 2010; WAHEED, KHAN, e VEITCH, 2011). Neste contexto, o presente estudo tem como questão: “Qual o ranking das instituições de Ensino Superior do sistema da Associação Catarinense das Fundações Educacionais (ACAFE) a partir dos seus indicadores de desempenho?”. Para responder à problemática, a pesquisa tem por objetivo realizar o ranking das instituições de Ensino Superior a partir dos seus índices de liquidez, endividamento e atividade. Diversos indicadores são utilizados pelas organizações, porém, se analisados de forma individual, podem levar a avaliações e tomadas de decisão equivocadas. Em sua essência os indicadores supracitados são monocritérios, uma vez que gera apenas uma informação por vez em relação à situação econômica e financeira das organizações (KRESPI et.al., 2012). A realização do estudo justifica-se no aspecto teórico, empírico e social. No campo teórico, este visa contribuir para elucidação e discussão científica das ferramentas de análise de avaliação das instituições de ensino, bem como a avaliação de desempenho econômica e financeira das entidades do terceiro setor. No campo Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 16, 14, n. 60, 55, p. 52 56 - 60, 64, maio/ago. set./dez. 2012 2014 empírico, pois busca elucidar a relação entre desempenho econômico/financeiro com a qualidade de ensino ofertados. Já no campo social a pesquisa é de suma importância, pois fornece informações importantes aos stakeholders das entidades analisadas, podendo servir como uma forma de prestação de contas dos recursos utilizados, bem como da sustentabilidade econômica para continuidade na prestação de serviços de ensino com qualidade, uma vez que a descontinuidade destas instituições é prejudicial a um número alto de estudantes. As IES do sistema ACAFE em 2011 possuíam 134.626 alunos matriculados, demonstrando assim a importância desta rede de ensino para o desenvolvimento do Estado, sendo que, destes alunos matriculados, 19.791 concluíram o Ensino Superior no mesmo período. A apresentação do estudo é estruturada em cinco seções, sendo esta a primeira a qual compreendo os aspectos introdutórios, como a relevância do estudo, o objetivo e a problemática a qual visa responder. No segundo capítulo é realizada a revisão teórica a qual sustenta os argumentos utilizados para a análise dos dados, seguida dos aspectos metodológicos da pesquisa. Posteriormente é realizada a análise dos dados e, por fim, são apresentadas as considerações finais e principais conclusões acerca do estudo . 2. Referencial Teórico O referencial teórico está dividido em duas subseções: avaliação de desempenho em instituições de Ensino Superior e indicadores de desempenho aplicados a entidades do terceiro setor. 2.1. Avaliação de Desempenho Aplicado em IES Discorrer sobre avaliação de desempenho não é simples, devido à amplitude do tema. Esta complexidade se dá pelas diversas metodologias utilizadas para a mensuração e avaliação do desempenho de entidades (ANTUNES e MARTINS, 2007). Devido à diversidade das metodologias existentes as entidades devem escolher aquela que estiver mais próxima da sua atividade e que leve em consideração as variáveis adequadas para obter a avaliação adequada. Todas as instituições devem, de uma forma ou de outra, realizar a avaliação de desempenho, seja de caráter econômico, financeiro ou operacional, pois, a partir da mensuração do desempenho, poderá traçar estratégias para alcançar seus objetivos. Esta situação serve para todas as entidades, de todos os ramos e setores, e assim não é diferente para as instituições de ensino. A análise de desempenho de IES pode ser dividida em dois conjuntos: o primeiro relacionado aos aspectos de qualidade de ensino, pesquisa, desempenho acadêmico, inserção dos egressos no mercado de trabalho; o segundo relacionado ao desempenho econômico e financeiro (KLANN, et.al., 2012). Atualmente no Brasil a avaliação de desempenho das instituições de ensino é realizada pelo governo, por meio do Índice Geral de Cursos (IGC), que expressa a qualidade de ensino de todos os cursos de graduação e pós-graduação (strictu sensu) das instituições de ensino (BITTENCOURT, CASARTELLI e RODRIGUES, 2009). O IGC é composto pelo índice de conceito preliminar de cursos (CPC), que por sua vez é composto pelo desempenho dos acadêmicos no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Ena- 53 Pensar Contábil Fernando Maciel Ramos CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Evandro De Nez Nelson Hein de) (40%), IDD (30%), instalações e infraestrutura (3%), recursos didáticos (8%), percentual de doutores (12%) e percentual de professores com tempo integral (7%), e conceito de pós-graduação (Inep, 2013). É possível observar que ele não leva em consideração os aspectos econômicos e financeiros das instituições de Ensino Superior. A avaliação dos resultados econômicos e financeiros é tão importante para as entidades com fins lucrativos, assim como para as entidades com finalidades sociais e entidades sem fins lucrativas, ou como também podem ser denominadas, entidades do terceiro setor. As IES associadas ao sistema ACAFE são todas organizações sem fins lucrativos. A avaliação das instituições de ensino é realizada sobre diversos aspectos, e não há um consenso entre os estudos e pesquisas sobre a utilização de sistemas de mensuração de desempenho das entidades de ensino superior (BARNETSON e CUTRIGHT, 2000; MAINGOT e ZEGHAL, 2008; GARCÍA-ARACIL e PALOMARES-MONTERO, 2010; WAHEED, KHAN, e VEITCH, 2011; KLANN et. al., 2012). Quadro 1: Abordagens de Avaliação de Desempenho Organizacional. ABORDAGEM DESCRIÇÃO Medida de Sobrevivência Nessa abordagem, sugere-se que a própria sobrevivência da empresa é uma medida de desempenho normal. Essa medida é simples e fácil de usar, porém não proporciona a mensuração de um desempenho considerado superior Desempenho do Ponto de Vista dos Múltiplos Stakeholders Nessa abordagem, o desempenho da organização é avaliado em relação às preferências e desejos dos stakeholders. Nesse caso, para mensurar um tipo de desempenho é necessário primeiro entender o contexto geral dos stakeholders, suas expectativas, objetivos e aspirações Medidas Contábeis As medidas contábeis são uma das principais formas de aná¬lise de desempenho. Suas abordagens baseiam-se nos acontecimentos passa¬dos, possibilitando o entendimento do histórico da organização. As análises contábeis baseiam-se, em geral, na análise de cocientes que abordam dife¬rentes realidades. Essas realidades são separadas em quatro tipos de índices e duas formas de análise: índices de liquidez; índices de endividamento; índices de atividade; índices de lucratividade e rentabilidade 2.2. Indicadores de Desempenho Aplicados a Entidades do Terceiro Setor Drucker (1994) já mencionava que as organizações sem fins lucrativos não priorizam o desempenho e os resultados, porém são mais importantes e muito mais difíceis de medir e controlar nestas instituições do que em entidades com fins lucrativos. Rocha (2001) argumenta que o processo de profissionalização da gestão organizacional constitui uma evolução direcionada para níveis formais que traduzem termos de maturidade e desenvolvimento organizacional. Nas instituições sem fins-lucrativos, profissionalizar a gestão implica em abandonar práticas paternalistas e protecionistas e direcionar para a aplicação de critérios claros de avaliação e capacitação dos indivíduos inseridos nessa estrutura, aumentando competências e o desempenho profissional (OLIVEIRA e PAPA, 2009). Para Santos et al., (2008) o Terceiro Setor deve utilizar-se de um sistema adequado de indicadores, possibilitando o monitoramento do desempenho e focando no alcance da missão organizacional. Nos projetos sociais os indicadores são parâmetros que possibilitam mensurar, em que medida os projetos alcançaram os objetivos, procurando demonstrar a realidade e permitir a avaliação dos resultados (NASCIMENTO et al., 2012). O Quadro 1 descreve as abordagem de desempenho organizacional, descritas por Barney (1991), a serem utilizadas por instituições sem fins lucrativos. É importante ressaltar a complexibilidade da mensuração de desempenho nas entidades sem fins lucrativos, uma vez que nenhuma medida aparentemente consegue abordar todas as variáveis destas organizações, e que o desempenho destas se dá pela satisfação dos envolvidos em relação aos recursos aplicados inicialmente (BARNEY, 1991; PAULA, BRASIL e MÁRIO, 2009; CRUZ et. al., 2009). Nesta pesquisa é utilizada a abordagem definida por Barney (1991) como a de medidas contábeis, nas quais serão utilizadas os indicadores de liquidez, endividamento e atividade. Os indicadores de liquidez visam identificar a capacidade de pagamento das entidades, os índices de endividamento permitem o delineamento do perfil das dívidas e obrigações da organização, bem como a 54 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 16, 14, n. 60, 55, p. 52 56 - 60, 64, maio/ago. set./dez. 2012 2014 Fonte: Barney, (1991) utilização de capital de terceiros. Já o de atividade proporciona a obtenção de aspectos relacionados a operação da organização, como gastos administrativos (BARNEY, 1991; MATARAZZO, 2003; CRUZ et. al. 2009). 3. Métodos da Pesquisa Nesta seção busca-se descrever os métodos utilizados para a construção do presente estudo. 3.1. Delineamento da Pesquisa Diante dos diversos tipos de pesquisa que existem, Collis e Hussey (2005) afirmam que estas podem ser classificadas de acordo com seu objetivo, quanto ao processo e lógica de pesquisa e ainda quanto o resultado da mesma. Quanto ao seu objetivo, a presente pesquisa caracteriza-se como descritiva, pois tem por intuito levantar dados, registrá-los, analisá-los e interpretá-los sem que haja interferência do pesquisador. No que se refere aos seus procedimentos caracteriza-se como bibliográfica e documental. Foram utilizados os dados disponibilizados nos relatórios financeiros das fundações universitárias do Estado de Santa Catarina, mais precisamente nos balanços patrimoniais e demonstrativos de resultado de exercícios, e também o relatório de avaliação do Ensino Superior para obtenção do IGC. Pensar Contábil CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Ranking das Instituições de Ensino Superior do Sistema ACAFE a Partir dos Indicadores de Desempenho Econômico, Financeiro e de Atividades Já no que tange a análise dos dados essa pesquisa caracteriza-se como quali-quantitativa. A pesquisa qualitativa visa descrever e analisar as características de determinado problema. Já a pesquisa quantitativa emprega-se instrumentos estatísticos, tanto na coleta quanto na análise dos dados, possuindo como intenção de garantir a precisão dos resultados e a evitar distorções da analise dos mesmos. A abordagem quantitativa é aplicada aos estudos descritivos, que procuram descobrir e classificar a relação entre as variáveis e a relação entre os fenômenos. 3.2. População e Amostra Para obtenção dos dados relativos ao universo da população da pesquisa, buscou-se junto ao sítio da Associação Catarinense das Fundações Educacionais (ACAFE, 2013) a relação das universidades associadas, o que originou uma população de 16 instituições educacionais, sendo elas: USJ, Univille, Furb, Univali, Unidavi, UNI, UNC, Unisul, Unochapecó, Udesc, Unesc, Unoesc, Uniarp, Católica, Uniplac, Unifebe e Unibave. Com o objetivo de atingir a maior representatividade possível da população e, dessa forma, atender aos requisitos científicos necessários para que os dados coletados sejam válidos, Gil (2002) considera que, para que os dados obtidos na coleta sejam significativos, faz-se necessário que a amostra seja constituída de um número adequado de elementos. Portanto, para atender a este aspecto, buscaram-se os relatórios financeiros e IGC das 16 fundações, ou seja, toda a população. Porém a instituição de ensino USJ foi excluída da amostra, mesmo possuindo IGC, sendo o motivo da exclusão a falta dos demonstrativos financeiros, já que está ligada diretamente à administração pública, sendo seus demonstrativos vinculados a este, originando assim uma amostra final de 15 IES. 3.3. Coleta e Análise dos Dados Para realização da pesquisa se fez necessário buscar as publicações das demonstrações contábeis das fundações do sistema ACAFE do exercício do ano de 2011. O horizonte temporal escolhido para análise se deu em virtude da disponibilidade dos dados, uma vez que, até o momento da realização da presente pesquisa, as demonstrações contábeis não haviam sido publicadas. Inicialmente buscaram-se os relatórios financeiros no site das fundações. Para quelas que não haviam publicado , foi enviado um e-mail solicitando a disponibilização das demonstrações para compor o estudo. Já em relação ao IGC, a coleta se deu através do sítio do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep, 2013). Em posse dos relatórios financeiros foi necessário calcular os indicadores de desempenho econômico e financeiro das fundações. Para tanto, os dados foram tabulados em planilhas eletrônicas (Microsoft Excel®) para facilitar a realização dos cálculos. Para determinação dos indicadores de desempenho que seriam analisados, utilizou-se do estudo de Cruz et a.l (2009), que apresenta os indicadores aplicáveis as entidades do terceiro setor, porém foram desconsiderados alguns indicadores pelo entendimento que, apesar de serem indicados pelos autores às organizações sem fins lucrativos, entendeu-se que não são aplicáveis as fundações de ensino analisadas. O Quadro 2 demonstra os indicadores de desempenho econômico e financeiro utilizados no estudo. Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 16, 14, n. 60, 55, p. 52 56 - 60, 64, maio/ago. set./dez. 2012 2014 Após o cálculo dos índices de desempenho apresentados no Quadro 2, foi necessário aplicar o método multicritério Topsis (Technique for Order Preference by Similiarity to Ideal Solution) para elaborar o ranking das instituições de ensino e, posteriormente, comparar com o ranking elaborado a partir dos respectivos IGC continuo. 4. Método Multicritério Topsis O Apoio Multicritério à Decisão (AMD) surgiu nos anos 1970 e consiste em um conjunto de métodos e técnicas para auxiliar ou apoiar a tomada de decisões em ambientes de complexidade de critérios. Os métodos do AMD têm caráter científico e ao mesmo tempo subjetivo, trazendo consigo a capacidade de agregar, de maneira ampla, todas as características consideradas importantes, sejam elas as subjetivas ou qualitativas e as quantitativas, com a finalidade de possibilitar a transparência e a sistematização do processo referente aos problemas de tomada de decisão (GOMES, ARAYA e CARIGNANO, 2004). O método Topsis (Technique for Order Preference by Similiarity to Ideal Solution) foi desenvolvido por Heang e Yoon (1981) e que aborda o problema de decisão comparando duas situações hipotéticas: ideal e indesejável e que recebeu posteriores contribuições de Zeleny (1982), Hall (1989), e sendo enriquecido por Yoon (1987), (VALLADARES, 2011). Trata-se de um método multicritério de apoio à decisão no qual diversas alternativas são avaliadas segundo uma série de atributos de prioridades determinadas por um indicador derivado da combinação entre a aproximação a uma situação ideal, em inglês positive ideal solution (PIS) e ao distanciamento de uma situação ideal negativa, em inglês negative ideal solution (NIS), auxiliando na tomada de decisões e na organização de problemas mediante comparações e rankings. Para Castro (2007) o Topsis é considerado um método para hierarquização, uma evolução da Programação de Compromisso. A aplicação do método é baseada em duas matrizes. A primeira é uma matriz de decisão com as diversas alternativas e atributos ou critérios. Posteriormente os dados são normalizados, determinando a construção de uma segunda matriz. Para minimizar a distância da solução ideal e maximizar a distância para a solução ideal negativa, ou anti-ideal, utiliza-se a técnica da distância Euclidiana, que busca a minimização da raiz quadrada da soma das distâncias ao quadrado para as soluções ideais. O Topsis pode ser considerada a metodologia mais utilizada para o cálculo de similaridade, com o princípio de ordenação das preferências por analogia com a solução ideal e a criação de um indicador que encontra tanto a solução ideal como a separação à solução ideal negativa (Miranda, 2008). Este método também é conhecido devido à sua simplicidade na aplicação. O mesmo pode ser realizado sem a necessidade de um software específico, sua aplicação pode ser feita utilizando planilha eletrônica. Nesta pesquisa utilizou-se Microsoft Excel®. 5. Análise dos Dados A partir das demonstrações contábeis das IES analisadas, calculou-se os indicadores de liquidez, endividamento e atividade aplicados às entidades do terceiro setor, conforme Cruz et.al.,(2009), apresentados na Tabela 1. 55 Pensar Contábil Fernando Maciel Ramos CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Evandro De Nez Nelson Hein CARACTERÍSTICA RESULTANTE PARÂMETRO DE ANÁLISE Índice de Liquidez Corrente (ILC) Relaciona ativos circulantes com passivos circulantes. Está sujeito a disfunções de mensuração pelos registros contábeis. Apresentase em R$, podendo ser qualquer valor acima de R$ 0,00. Quanto maior melhor Índice de Liquidez Imediata (ILI) Relaciona as disponibilidades com os passivos circulantes. Nesse índice os efeitos de qualquer disfunção de avaliação em decorrência dos registros contábeis são nulos. Apresentase em R$, podendo ser qualquer valor acima de R$ 0,00. Quanto maior melhor Índice de participação de capitais de terceiros (IPCT) Relaciona a divisão do total do capital de terceiros com o ativo total a instituição, no curto, médio e longo prazo. Está sujeito a disfunções de avaliação, valor real dos permanentes, inadimplência de recebíveis, entre outros. Apresenta-se em % demonstrando o percentual do ativo que é financiado por recursos de terceiros. Depende do custo do capital de terceiros e da dotação orçamentária de subvenções ordinárias e extraordinárias. Quanto menor melhor. Representa a quantidade dos capitais de terceiros que são garantidos pela existência de um capital próprio. Está sujeito a disfunções de avaliação, valor real dos permanentes, inadimplência de recebíveis, entre outros. Apresentase em %, demonstrando a garantia efetiva que o capital de terceiros teria, caso necessário. Depende do tempo de existência da instituição, quanto mais tempo tiver a instituição, maior deve ser a garantia de pagamento dos capitais de terceiros. Quanto maior melhor. ENDIVIDAMENTO Garantia do patrimônio social ao capital de terceiros (GPSCT) Composição dos exigíveis (tipo de obrigações) (CETO) Contempla a identificação dos Apresenta-se exigíveis, entre passivos onerosos e em %. não onerosos. Quanto maior o percentual do curto prazo, maior o volume de recursos cuja liquidação deverá ocorrer no curto prazo (até 12 meses). Quanto menor melhor. Composição dos exigíveis (por vencimento) (CEPV) Contempla a identificação dos exigíveis por vencimentos, destacando o curto, médio e longo prazo. Apresenta-se em %. Quanto maior o percentual do curto prazo, maior o volume de recursos cuja liquidação deverá ocorrer no curto prazo (até 12 meses). Quanto menor melhor. Apresenta-se em %. Quanto maior o percentual, maior é a estrutura básica da instituição e maior é a necessidade de subvenções. Quanto maior melhor. Apresenta-se em %. Quanto maior o percentual de contribuição do superávit, maior o volume de recursos em trânsito para aplicação em projetos ou maior é a sobra de recursos a serem incorporados a estrutura patrimonial da instituição. Quanto maior melhor. atividade Índice de gastos administrativos (IGA) Quanto maior o percentual, maior é a estrutura básica da instituição e maior é a necessidade de subvenções. Quanto maior melhor. Identifica o percentual da receita operacional bruta destinado aos gastos administrativos da instituição. Identifica o percentual de contribuição do período ao patrimônio social da instituição. Fonte: Adaptado de Cruz et.al., (2009) 56 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 16, 14, n. 60, 55, p. 52 56 - 60, 64, maio/ago. set./dez. 2012 2014 ESTUDOS ANTERIORES Barney, (1991); Matarazzo, (2003); Iudícibus e Marion (2000); Cruz et.al. (2009). INDICADOR Olak e Nascimento (2008); Cabral (2008); Cruz et.al. (2009); Zoghbi, et. al. (2011). LIQUIDEZ Quadro 2: Matriz de Análise de Desempenho Econômico e Financeiro Pensar Contábil CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Ranking das Instituições de Ensino Superior do Sistema ACAFE a Partir dos Indicadores de Desempenho Econômico, Financeiro e de Atividades Tabela 1: Indicadores de Desempenho Econômico/Financeiro e Atividades IES LIQUIDEZ ILC ILI ENDIVIDAMENTO IPCT GPSCT CETO CEPV ATIVIDADE IGA IAS Uniplac Univille 0,75 0,12 0,97 0,03 0,43 0,21 0,14 -0,72 1,34 0,11 0,25 3,97 0,11 0,22 0,21 0,00 Unifebe 0,27 0,02 0,12 1,07 0,38 0,85 0,33 -0,35 Udesc 2,89 0,78 0,09 9,71 0,00 0,71 0,23 0,16 Unoesc 1,41 1,08 0,18 1,98 0,06 0,91 0,17 0,13 Unisul 0,86 0,04 0,62 0,62 0,60 0,65 0,32 0,03 Unidavi 3,33 1,11 0,07 14,02 0,00 1,00 0,14 0,05 Unochapecó 2,25 0,41 0,51 0,59 0,09 0,24 0,23 0,02 Furb 1,44 1,17 0,15 5,46 0,00 0,57 0,31 0,04 UNC 1,31 0,11 0,62 0,62 0,09 0,31 0,25 -0,06 Univali 1,13 0,58 0,18 4,56 0,61 0,52 0,12 0,02 Unesc 0,83 0,22 0,50 0,90 0,30 0,76 0,12 0,04 Uniarp 0,71 0,04 0,35 1,85 0,43 1,00 0,09 -0,06 Católica 0,50 0,01 0,30 2,37 0,10 0,43 0,23 0,01 Unibave 0,53 0,02 0,65 0,53 0,34 0,74 0,34 0,07 Fonte: Dados da Pesquisa, 2013 Entre as universidades analisadas, a Unidave possui o melhor índice de liquidez corrente (R$ 3,33), sendo esta a máxima ideal entre os indicadores analisados, e a Unifebe é a que apresenta o menor índice, de apenas R$ 0, 27. Já em relação à capacidade de pagamento imediato a instituição com o melhor indicador é a Furb (R$ 1,17), seguida pela Unidavi, que por sua vez apresentou entre as analisadas o melhor índice de participação de capital de terceiros e garantia de patrimônio líquido sobre o capital de terceiros utilizado. Já em relação aos índices de atividade, quatro instituições obtiveram índice negativo no indicador de acumulação de superávit, sendo que a Udesc apresentou o melhor IAS (16%). Analisando Tabela 2: Matriz de decisão Topsis IES LIQUIDEZ ENDIVIDAMENTO ATIVIDADE ILC ILI IPCT GPSCT CETO CEPV IGA IAS Uniplac 0,75 0,12 9,03 0,03 9,57 9,79 0,14 -0,72 Univille 1,34 0,11 9,75 3,97 9,89 9,78 0,21 0,00 Unifebe 0,27 0,02 9,88 1,07 9,62 9,15 0,33 -0,35 Udesc 2,89 0,78 9,91 9,71 10,00 9,29 0,23 0,16 Unoesc 1,41 1,08 9,82 1,98 9,94 9,09 0,17 0,13 Unisul 0,86 0,04 9,38 0,62 9,40 9,35 0,32 0,03 Unidavi 3,33 1,11 9,93 14,02 10,00 9,00 0,14 0,05 Unochapecó 2,25 0,41 9,49 0,59 Dados da Pesquisa, 9,91 2013 Fonte: 9,76 0,23 0,02 Furb 1,44 1,17 9,85 5,46 10,00 9,43 0,31 0,04 UNC 1,31 0,11 9,38 0,62 9,91 9,69 0,25 -0,06 Univali 1,13 0,58 9,82 4,56 9,39 9,48 0,12 0,02 Unesc 0,83 0,22 9,50 0,90 9,70 9,24 0,12 0,04 Uniarp 0,71 0,04 9,65 1,85 9,57 9,00 0,09 -0,06 Católica 0,50 0,01 9,70 2,37 9,90 9,57 0,23 0,01 Unibave 0,53 0,02 9,35 0,53 9,66 9,26 0,34 0,07 Fonte: Dados da Pesquisa, 2013 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 16, 14, n. 60, 55, p. 52 56 - 60, 64, maio/ago. set./dez. 2012 2014 57 Pensar Contábil CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Fernando Maciel Ramos Evandro De Nez Nelson Hein Tabela 3: Identificação da solução ideal positiva e negativa (PIS e NIS) IES LIQUIDEZ ILC ILI ENDIVIDAMENTO IPCT GPSCT CETO CEPV ATIVIDADE IGA IAS Uniplac 0,225225 0,102564 0,909366 0,00214 0,95700 1 0,411765 -4,50000 Univille Unifebe 0,402402 0,094017 0,981873 0,283167 0,98900 0,998979 0,617647 0,00000 0,081081 0,017094 0,994965 0,07632 0,96200 0,934627 0,970588 -2,18750 Udesc 0,867868 0,666667 0,997986 0,692582 1 0,948927 0,676471 1,00000 Unoesc 0,423423 0,923077 0,988922 0,141227 0,99400 0,928498 0,500000 0,81250 Unisul 0,258258 0,034188 0,944612 0,044223 0,94000 0,955056 0,941176 0,18750 Unidavi 1 0,948718 1 1 1 0,919305 0,411765 0,31250 Unochapecó 0,675676 0,350427 0,95569 0,042083 0,99100 0,996936 0,676471 0,12500 Furb 0,432432 1 0,991944 0,389444 1 0,963228 0,911765 0,25000 UNC 0,393393 0,094017 0,944612 0,044223 0,99100 0,989785 0,735294 -0,37500 Univali 0,339339 0,495726 0,988922 0,32525 0,93900 0,968335 0,352941 0,12500 Unesc 0,249249 0,188034 0,956697 0,064194 0,97000 0,94382 0,352941 0,25000 Uniarp 0,213213 0,034188 0,971803 0,131954 0,95700 0,919305 0,264706 -0,37500 Católica 0,15015 0,008547 0,976838 0,169044 0,99000 0,977528 0,676471 0,06250 Unibave 0,159159 0,017094 0,941591 0,037803 0,96600 0,945863 1 0,43750 NIS (S-) 0,081981 0,008547 0,909366 0,00214 0,93900 0,919305 0,264706 -4,50000 PIS (S+) 1 1 1 1 1 1 1 1 Fonte: Dados da Pesquisa, 2013 ainda os indicadores de atividade, observa-se que a IES com o menor índice de gasto administrativo é a Uniarp com 9%. A primeira etapa do método Topsis consiste na elaboração da matriz de decisão, ou também conhecida como a matriz do problema, onde deve-se estipular as alternativas e os critérios para o Tabela 4: Distância Euclidiana IES ∆+ ∆- Uniplac 33,18198 0,181445 Univille 3,078897 20,79628 Unifebe 12,90497 5,859593 Udesc 0,445033 32,12862 Unoesc 1,610413 29,48551 Unisul 3,260349 22,6124 Unidavi 0,827818 25,99228 Unochapecó 2,536224 22,28412 Furb 1,512049 24,47799 UNC 4,30487 17,56738 Univali 2,559397 22,00715 Unesc 3,272889 22,77832 Uniarp 4,913521 17,16949 Católica 3,508035 21,09343 Unibave 3,056672 25,00146 Fonte: Dados da Pesquisa, 2013 58 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 16, 14, n. 60, 55, p. 52 56 - 60, 64, maio/ago. set./dez. 2012 2014 ranqueamento. A matriz de decisão está representada fielmente pela Tabela 2, onde as IES são as alternativas, e os critérios para seleção são os indicadores de liquidez (ILC e ILI), endividamento (IPCT, GPSCT, Ceto, CEPV) e atividade (IGA e IAS). Para tratar os dados pela mesma forma de análise, foi necessário padronizá-los para uma análise “quanto maior, melhor”, por isso, os indicadores de IPCT, Ceto e CEPV de todas as IES foram transformados a partir da subtração do peso 10 os valores dos indicadores, não alterando assim o resultado da análise, esta situação pode ser observada na comparação entre as Tabelas 1 e 2. A segunda etapa do método Topsis é a normalização dos dados, na qual pode ser realizado por dois métodos, o método linear e a por vetor (MIRANDA, 2008). No tratamento destes dados foi realizada a normalização pelo método linear, o qual é realizado pela divisão da nota dada a um critério qualquer pelo valor máximo atribuído ao mesmo critério. Após a normalização dos dados, é necessária a identificação da PIS e NIS, ou seja, o cálculo da solução ideal positiva (S+) e da solução ideal negativa (S-), a qual é demonstrada na Tabela 3. A identificação acontece a partir da matriz de decisão normalizada e é realizada a partir da escolha do pior e melhor valor de cada critério. Devida à normalização dos dados, a solução ideal sempre será 1, enquanto a solução ideal negativa, ou seja, a pior, varia de -4,5 a 0,93900. A partir da identificação dos melhores e piores, é necessário então verificar a distância Euclidiana, calculando assim a distâ A etapa de cálculo da distância Euclidiana demonstra as medidas de separação para cada alternativa, onde todas são comparadas com a solução ideal positiva e negativa, e a partir disto é possível calcular o chamado coeficiente de classificação, o que Pensar Contábil CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Ranking das Instituições de Ensino Superior do Sistema ACAFE a Partir dos Indicadores de Desempenho Econômico, Financeiro e de Atividades Tabela 5: Coeficiente de Classificação Tabela 6: Ranking das universidades a partir dos indicadores de desempenho IES ∆+ ∆- Ai Uniplac 33,18198 0,181445 0,0054384 Univille 3,078897 20,79628 0,8710419 Unifebe 12,90497 5,859593 0,3122690 1 UDESC 0,9863376 Udesc 0,445033 32,12862 0,9863376 2 UNIDAVI 0,9691344 Unoesc 1,610413 29,48551 0,9482115 3 UNOESC 0,9482115 Unisul 3,260349 22,6124 0,8739852 4 Furb 0,9418220 Unidavi 0,827818 25,99228 0,9691344 5 UNOCHAPECÓ 0,8978167 Unochapecó 2,536224 22,28412 0,8978167 6 UNIVALI 0,8958178 Furb 1,512049 24,47799 0,9418220 7 UNIBAVE 0,8910593 UNC 4,30487 17,56738 0,8031812 8 UNESC 0,8743671 Univali 2,559397 22,00715 0,8958178 9 UNISUL 0,8739852 Unesc 3,272889 22,77832 0,8743671 10 UNIVILLE 0,8710419 Uniarp 4,913521 17,16949 0,7774977 11 CATÓLICA 0,8574054 Católica 3,508035 21,09343 0,8574054 12 UNC 0,8031812 Unibave 3,056672 25,00146 0,8910593 13 UNIARP 0,7774977 14 UNIFEBE 0,3122690 15 UNIPLAC 0,0054384 Fonte: Dados da Pesquisa, 2013 permite realizar o ranking das instituições. Pela Tabela 5, pode-se observar que a Uniplac é a IES, que possui a maior distância em relação a PIS, e já a Udesc é a que possui a maior distância da NIS, estes dados terão reflexo no coeficiente de priorização. O coeficiente de priorização ou de classificação, como também pode ser denominado neste trabalho, é o cálculo da similaridade para a posição ideal positiva (VALLADARES, 2011), verificando a posição de cada alternativa relativa à solução ideal ( A i ), e consequentemente definição da hierarquização definição da hierarquização das universidades. Para chegar aos coeficientes apresentados na Tabela 5, todas as alternativas foram comparadas com a solução ideal positiva e com a solução ideal negativa, e as instituições que possuem maior proximidade (Ai) de um, portanto, são as mais próximas da solução ideal, e em contrapartida, a IES que possuem Ai maior proximidade de 0 é que possuem proximidade com a solução ideal negativa. A partir disto é possível identificar o ranking das instituições de Ensino Superior a partir da similaridade entre os indicadores de desempenho econômico, financeiro e de atividade. O ranking final é baseado em uma decisão métrica de proximidade que seja uma função de ambas as medidas de separação. A partir do coeficiente gerado a partir dos indicadores de desempenho é possível então realizar o ranqueamento das universidades analisadas, conforme demonstra-se na Tabela 6. A partir da Tabela 6 observa-se que a IES que possui o melhor desempenho econômico/ financeiro é a Udesc, a qual obteve um coeficiente de similaridade de 0,9863376, sendo o mais próximo de um, enquanto a Uniplac possui a maior proximidade com a posição ideal negativa. Para finalizar esta análise, é realizada a comparação entre o ranking a partir dos indicadores de desempenho analisado com o ranking a partir do IGC contínuo das IES analisadas, conforme demonstra-se na Tabela 7. Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 16, 14, n. 60, 55, p. 52 56 - 60, 64, maio/ago. set./dez. 2012 2014 RANKING IES IND. DE DESEMPENHO – (Ai) Fonte: Dados da Pesquisa, 2013 Tabela 7: Comparação do ranqueamento indicadores de desempenho x IGC contínuo IES IND. DE DESEMPENHO – (Ai) Ranking IES IGC Cont. Udesc 0,9863376 1 Udesc 3,6889 Unidavi 0,9691344 2 Univali 2,8577 Unoesc 0,9482115 3 Furb 2,8397 Furb 0,9418220 4 Unidavi 2,723 Unochapecó 0,8978167 5 Unesc 2,629 Univali 0,8958178 6 Unisul 2,5718 Unibave 0,8910593 7 Unochapecó 2,5493 Unesc 0,8743671 8 Univille 2,5209 Unisul 0,8739852 9 Unoesc 2,3672 Univille 0,8710419 10 Unibave 2,3515 Católica 0,8574054 11 Unifebe 2,3027 UNC 0,8031812 12 Católica 2,2618 Uniarp 0,7774977 13 UNC 2,1334 Unifebe 0,3122690 14 Uniplac 2,0284 Uniplac 0,0054384 15 Uniarp 1,9661 Fonte: Dados da Pesquisa, 2013 59 Pensar Contábil Fernando Maciel Ramos CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Evandro De Nez Nelson Hein Na comparação dos rankings, observa-se que a Udesc, além de demonstrar os melhores indicadores de desempenho, também é a que possui o melhor IGC contínuo (3,6889). Já a Univali, observa-se que no IGC possui a segunda colocação pela análise do método Topsis com base nos indicadores de desempenho, ocupa a sexta colocação. Com a Unoesc acontece o inverso, ou seja, no ranking a partir dos indicadores de desempenho ocupa o terceiro lugar, porém, no IGC está em nono; O mesmo também acontece com a Uniarp, que pelo IGC contínuo ocupa a 15ª posição, e no desempenho sobe para décima terceira ocupação. 6. Conclusões Este artigo teve como objetivo realizar o ranking das instituições de Ensino Superior associadas ao sistema ACAFE, tendo como base o desempenho econômico e financeiro, utilizando para isso os indicadores de liquidez, endividamento e atividade. A avaliação de desempenho das entidades é de suma importância, uma vez que estas precisam manter a sustentabilidade financeira para que possam cumprir com o objetivo de fornecer formação com qualidade e garantindo assim o cumprimento de seus objetivos e missões, afinal, diversos estudantes estão vinculadas às instituições analisadas. A partir do cálculo dos indicadores de desempenho e posterior aplicação do método de análise Topsis foi possível elaborar o ranking das IES, a qual teve como a primeira colocada Udesc, apresentando um melhor desempenho econômico financeiro, com um coeficiente de similaridade de 0,9863376, sendo seguida pela Unidavi (0,9691344), Unoesc (0,9482115), Furb (0,9418220) e Unochapecó (0,8978167). A realização do estudo deu-se pela contribuição em três aspectos, sendo o teórico, o empírico e o social. No campo teórico o estudo permite elucidar ainda mais a necessidade de avaliação de desempenho nas instituições de Ensino Superior, bem como os indicadores aplicados a estas organizações, assim como os aplicáveis para verificar a sustentabilidade destas. No campo empírico, permite colaborar com outros estudos que visam apresentar ferramentas de análise e avaliação de desempenho para utilização pelas organizações, para que possam verificar a saúde financeira e, a partir disso, tomar decisões e ações para garantir a continuidade na prestação de serviços educacionais. Já no aspecto social, o trabalho contribui como uma prestação de contas aos diversos usuários destas entidades. Sugere-se outras pesquisas, com outras metodologias de avaliação, bem como com períodos diferentes para poder verificar as oscilações que podem ocorrer na similaridade dos dados, tanto com a situação ideal positiva como com a situação ideal negativa. Referências ACAFE - ASSOCIAÇÃO CATARINENSE DAS FUNDAÇÕES EDUCACIONAIS. Boletim informativo ACAFE. Dísponível em: < HYPERLINK “http://www.acafe.org.br/new/index.php?endereco=boletim/index.php” http://www.acafe.org.br/new/index.php?endereco=boletim/ index.php >. Acesso em 28 mar. 2013. ANTUNES, M.T.P.; MARTINS, E. 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ERRATA Vol. XVI - n. 59 - jan./abr. 2014 Página 4 Onde se lê : “Igor Sanderson de Assis”, leia-se: “ Igor de Assis Sanderson de Queiroz” Página 49 Onde se lê: “Marcelo Daia Barreto Especialista em Controladoria, Auditoria e Perícia Contábil pelo ITCP Cursos & Pós-Graduação e Faculdade Mauá DF [email protected] “ Leia-se: “Marcelo Daia Barreto Especialista em Controladoria, Auditoria e Perícia Contábil ITCP Cursos & Pós-Graduação e Faculdade Mauá DF [email protected]” Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 16, 14, n. 60, 55, p. 52 56 - 60, 64, maio/ago. set./dez. 2012 2014 61 Pensar Contábil CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ Orientações aos colaboradores da Revista Pensar Contábil Perfil temático e objetivos da publicação: A Revista Pensar Contábil é um periódico trimestral do Conselho Regional de Contabilidade, existente desde agosto de 1998 e tem como missão a divulgação de artigos relevantes na área de Contabilidade, com o objetivo de fomentar a pesquisa. Mecanismo de avaliação de artigos: Podem encaminhar artigos para a revista colaboradores do Brasil e do exterior. Os artigos recebidos são avaliados pelo Corpo Editorial e consultores externos, através do sistema double blind review, não sendo conhecidos os autores durante a avaliação. Os artigos são apreciados e pontuados para uma edição específica da revista. Envio e regras para publicação de artigos: Os artigos deverão ser inéditos, podendo estar no idioma português, espanhol ou inglês. Devem ser encaminhados para o e-mail [email protected], nos prazos e características a seguir: Para publicação na Revista número Prazo para receber artigos 61 – set./dez. –2014 31/08/2014 62 – jan./abr. – 201531/12/2014 63 – maio/ago. – 2015 30/04/2015 a) em folha de rosto, deverá constar: – o título do artigo; – identificação e qualificação do(s) autor(es) constando: o nome completo, número de registro (se for o caso), formação e qualificação profissional e/ou acadêmica (no caso de citar instituição de ensino, informar também o CEP, Cidade e UF correspondente); – endereço completo, telefone, fax e e-mail do(s) autor(es); b) a estrutura de apresentação do artigo deverá conter: título do artigo, resumo e palavras-chave, bem como os mesmos tópicos em inglês (title, abstract, key words), introdução, desenvolvimento e conclusão; c) a bibliografia completa deverá ser apresentada em ordem alfabética no fim do texto, de acordo com as normas da ABNT (NBR-6023 revisada); d) a formatação do artigo deve ser: – digitado em Word, tamanho A4, fonte Times New Roman; – fonte tamanho 12 para texto e tamanho menor para citações de mais de 3 linhas, notas de rodapé, paginação e legendas das ilustrações e tabelas; – as folhas devem apresentar margem esquerda e superior de 3 cm; direita e inferior de 2 cm; – entrelinhas simples; – alinhamento justificado; e) os artigos deverão estar redigidos em português. Os artigos de autores do exterior serão publicados em inglês, espanhol ou português, conforme o caso; f) os artigos deverão ter no mínimo 10 e no máximo 15 páginas; g) os artigos deverão ter sido completa e perfeitamente revisados; h) os direitos autorais dos artigos publicados nesta revista são dos autores, sendo concedidos por eles os direitos da primeira publicação ao Conselho Regional de Contabilidade do Estado do Rio de Janeiro. 62 Pensar Contábil, Rio de Janeiro, v. 14, n. 55, p. 56 - 64, set./dez. 2012 Pensar Contábil CRCRJ Conselho Regional de Contabilidade do RJ CRCRJ Conselho RegionalPensar de Contabilidade do RJ Contábil Lançamentos Título: Contabilidade Gerencial para Tomada de Decisão Autores: Peter Atrill e Eddie McLaney Editora: Saraiva/2014 www. editorasaraiva.com.br A contabilidade gerencial garante que os gestores disponham das informações necessárias para planejar, controlar e tomar decisões dentro das organizações. Todas as informações contábeis fornecidas devem cobrir um amplo espectro e ajudar na identificação e avaliação das consequências financeiras das decisões de longo e curto prazo tomadas pelas empresas. Com uma abordagem moderna e didática, o livro cobre todas as áreas necessárias para obter uma base sólida do assunto: trata das maneiras pelas quais a contabilidade gerencial pode ser usada para fazer planos e tentar garantir que esses planos sejam de fato cumpridos; considera o uso de informações para tomar decisões relativas a investimentos de longo prazo; trata da contabilidade gerencial estratégica; e lida com problemas de medição de desemprego quando a empresa adota uma estrutura organizacional divisional, como acontece com a maioria das grandes organizações. Com a preocupação de se fazer entender e colocar a teoria em ação, a obra é repleta de seções que tornam o aprendizado mais fácil e que auxiliam na fixação do assunto, com exercícios, cases do mundo corporativo, além de atividades que promovem reflexões para que a tomada de decisão seja feita da forma correta. Contabilidade Gerencial para Tomada de Decisão é essencial para todos os que desejam entender e se aprofundar em contabilidade gerencial, sejam contadores ou não contadores. Aplicação Este livro pode ser utilizado nas seguintes disciplinas dos cursos de Contabilidade, Administração e Engenharia de Produção: Contabilidade de custos, controladoria e contabilidade gerencial. Também serve como apoio à pesquisa em cursos de pós-graduação para gestores de micro e pequenas empresas, auxiliando-os em decisões gerenciais com aderência aos números contábeis. Título: Curso de Contabilidade Intermediária Superior em IFRS e CPC* Autor: Marcelo Cavalcanti Almeida** Editora: Atlas/2014 www.editoraatlas.com.br Esta obra foi escrita de acordo com as normas contábeis emanadas das IFRS/CPC, em linha com as modificações introduzidas na Lei Societária Brasileira (Lei nº 6.404/1976), pelas Leis nº 11.638/2007 e 11.941/2009, no processo de harmonização com as normas internacionais de contabilidade produzidas pelo IASB. A metodologia do livro contempla exposição teórica, exemplos práticos, casos programados para estudo e suas resoluções. Este volume integra um conjunto de quatro livros de contabilidade em IFRS/CPC, abordando os temas das normas internacionais de contabilidade em sequência e por grau crescente de complexidade. Este terceiro livro, projetado para o 3º ano dos cursos de Ciências Contábeis, contempla os seguintes principais temas: • Instrumentos financeiros; • Conversão de demonstrações contábeis; • Custos de empréstimos; • Benefícios a empregados; • Subvenções governamentais; • Pagamentos baseados em ações; • Provisões; • Tributos sobre o lucro; • Resultado por ação; • Políticas contábeis; Aplicação Livro-texto para o terceiro ano do curso de Ciências Contábeis. Leitura recomendada para contadores, auditores, analistas financeiros, consultores tributários e administradores. *Atende à programação do 3º ano do curso de Ciências Contábeis **Membro da Comissão de Educação Continuada do CRCRJ 63 Pensar Pensar Contábil, Contábil, Rio Rio de Janeiro, de Janeiro, v. 14, v. 14, n. 55, n. 55, p. 56 p. -56 64,- 64, set./dez. set./dez. 2012 2012 63 Ad V Cont Congresso Nacional de Administração e Ciências Contábeis Congresso Nacional de Administração e Ciências Contábeis e Outorga do Prêmio Contador Américo Matheus Florentino (CRCRJ) 16 e 17 de outubro de 2014 Informações: adcont.ppgcc.ufrj.br [email protected] (21) 3938-5262 PPGCC/UFRJ Programa de Pós-Graduação em Ciências Contábeis da UFRJ XVI Rio de Janeiro 22 a 24 de outubro de 2014 EMeCC UERJ Tendências de Pesquisa em Contabilidade Encontro de Mestrado em Ciências Contábeis e Outorga do Prêmio Contador Geraldo de La Rocque (CRCRJ) Mais informações: [email protected] 64