Secretaria de Governo do Estado de Minas Gerais – SEGOV/MG Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável de Minas Gerais – CONSEA-MG instituto félix guattari – IFG ORIENTAÇÕES PARA IMPLEMENTAÇÃO DE POLÍTICAS E AÇÕES PÚBLICAS DE EDUCAÇÃO ALIMENTAR E NUTRICIONAL NO MUNICÍPIO 1ª edição Belo Horizonte IFG/FGB 2010 1 Expediente Realização INSTITUTO FÉLIX GUATTARI - IFG CONSELHO DE SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL SUSTENTÁVEL DE MINAS GERAIS - COSEA/MG Presidente D. Mauro Morelli Secretário Geral Manoel Silva da Costa Junior Secretário Executivo Marcos Luiz da Cunha Jota Equipe Técnica Daniella Perdigão Oliveira Eliana da Cunha Messias Santos Flávia Roberta da Silva Nunes Gildázio Alves dos Santos Jacqueline Míriam Maciel Junqueira Joaquina Júlia Martins José Ivanir Miranda Duarte Maurício da Silva Martins Rosângela Ferreira Bortot Coelho Coordenação Geral Jacqueline M. Maciel Junqueira (Consea-MG) / [email protected] Myrtô Áurea de Lima Sucupira (IFG) / [email protected] Textos Daniella Perdigão Oliveira Jacqueline Míriam Maciel Junqueira Margarete Aparecida Amorim Mariana Lage de Oliveira Andrade Myrtô Áurea de Lima Sucupira Colaboração Adilana de Oliveira Alcântara Gregorio Franklin Baremblitt José Divino Lopes Filho Dom Mauro Morelli Revisão Ortográfica Carmem Míriam Maciel Junqueira Editoração, diamagração e arte-final IDM Composição e Arte Ltda ([email protected]) Impressão Gráfica e Editora O Lutador Financiamento SEGOV - Secretaria de Estado de Governo dados internacionais de catalogação na Publicação (ciP) (câmara Brasileira do livro, SP, Brasil) Orientações para implementação de políticas e ações públicas de educação alimentar e nutricional no município / [coordenação geral Jacqueline Mírian Maciel Junqueira, Myrtô Áurea de Lima Sucupira]. — Belo Horizonte : Instituto Felix Guattari, 2010. Vários autores. Vários colaboradores. Bibliografia. ISBN 978-85-63971-01-2 1. Ações públicas 2. Educação alimentar e nutricional - Brasil 3. Políticas públicas I. Junqueira, Jacqueline Mírian Maciel. II. Sucupira, Myrtô Áurea de Lima. 10-11805 CDD-363.856830981 Índices para catálogo sistemático: 1. Brasil : Educação alimentar e nutricional : Ação governamental : Bem-estar social 363.856830981 SUMáRIO UNIDADE I IMPLEMENTANDO POLÍTICAS PÚBLICAS ..................... 15 CAPÍTULO I Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável ........... 17 CAPÍTULO 2 Educação alimentar e nutricional ................................ 27 CAPÍTULO 3 Uma leitura da política pública sobre educação alimentar e nutricional do ponto de vista da análise institucional e da abordagem politransdimensional ................................................... 39 UNIDADE II IMPLEMENTANDO AÇÕES DE EDUCAÇÃO ALIMENTAR E NUTRICIONAL....................................... 57 CAPÍTULO 1 Promovendo alimentação saudável e adequada .......... 59 CAPÍTULO 2 Algumas metodologias em EAN ................................. 67 CAPÍTULO 3 Aprendendo a se alimentar ........................................ 87 CAPÍTULO 4 Programas de EAN.................................................... 119 Estatuto do bem comer para bem viver Art. 1º - O presente estatuto dispõe sobre a necessidade que o ser humano tem de alimentar corpo e alma, e não apenas comer sem “afetarse”. Art. 2º - Fica decretado que agora vale a saúde, que agora vale a vida e que de mãos dadas trabalharemos todos pela alimentação saudável. § 1º O leite materno é a primeira garantia de segurança alimentar e nutricional. O ato de amamentar é precioso, fornecendo calor humano e amor tanto para a mãe quanto para a criança. § 2º A Criança goza especialmente do direito de ser respeitada e alimentar-se com comida e com amor, ingredientes importantes para o seu crescimento e aprendizado. Art. 3º - Fica decretado que todos os dias da semana, inclusive nas temerosas segundas-feiras, seremos livres para mudarmos nosso comportamento alimentar, nos enriquecendo de nutrientes que darão mais força e vigor para o amanhã. Art. 4º - Fica decretado que em todo lar haverá uma horta, seja no quintal, em um vasinho ou em uma garrafa pet, para que ela possa assim florir e nutrir o dia a dia de cada cidadão com muita saúde e alegria. § - A natureza também deve ser amada e respeitada. Nunca deverá ser colocado em risco seu equilíbrio em prol da monocultura e superprodução. Igualmente, deverá ser valorizada a agricultura familiar e a agroecologia. Art. 5º - Fica decretado que, quanto mais colorida, saborosa e diversificada a refeição, mais benefícios trará para a saúde. Art. 6º - Fica decretado que o cidadão terá liberdade de escolher uma alimentação saudável e que, ao adquirir um alimento, deverá respeitar as épocas certas de plantio e colheita, para baratear cada alimento que irá para a sua mesa. § - Só uma coisa fica proibida: alimentar-se sem prazer! Art. 7º - Por decreto irrevogável fica estabelecido que nenhum alimento será proibido, desde que seja saudável e atenda as necessidades nutricionais de cada um. Art. 8º - Fica decretado que os alimentos amarelos propiciarão sorrisos luminosos, os vermelhos causarão olhares apaixonados, os roxos fornecerão saborosas lembranças, os brancos disseminarão a paz interior e os verdes trarão esperança por dias melhores. Art. 9º - É dever da família, da comunidade e dos governos valorizar práticas alimentares tradicionais e respeitar as culturas alimentares regionais e étnicas. Art. 10º - Fica decretado que a maior prova de amor sempre foi e será garantir o direito à alimentação adequada e saudável para todos os seres. • Texto meramente ilustrativo, não devendo servir como documento para a incidência oficial ou validade legal. • Objetiva afetar positivamente a leitura a seguir. C arta ao Leitor Alimento é Vida! Por essa razão o CONSEA-MG coloca em suas mãos uma semente de esperança. No devido tempo ela acaba germinando e se multiplicando. A partir de cada município, nos lares e nas escolas, o direito à alimentação saudável, adequada e solidária, será conhecido, reconhecido e exigido. Nosso país será exaltado, pois seu povo será vigoroso, inteligente, bem humorado e criativo. Seremos uma sociedade realmente democrática, livre dos males da fome e da exclusão social. Na “Terra da Santa Cruz” o pão será repartido como profissão de fé entre companheiros da mesma caminhada. As diferenças serão valorizadas e respeitadas, e a desigualdade abominada. Sem partilha do pão a paz estará ameaçada e a barbárie vicejará na terra fértil da ganância. Alimento é caminho da paz e da preservação das fontes da vida. Garantir o direito à alimentação e à nutrição é uma tarefa da família, da sociedade e dos governos. Bendita é a pessoa que tem fome e sede de justiça, pois será saciada. As orientações aqui oferecidas são sementes da esperança comprometida com a Paz e o Bem das crianças da Terra. + Mauro Morelli Bispo Emérito da Diocese de Duque de Caxias Fundador do Instituto Harpia Harpyia e Presidente do CONSEA-MG Indaiatuba, SP, 21 de junho de 2010 P refácio Em 2004, a Organização Mundial da Saúde (OMS), por ocasião da Assembléia Mundial da Saúde, aprovou um documento intitulado “Estratégia Global em Dieta, Atividade Física e Saúde”. Esse documento propõe ações de prevenção e controle das Doenças Crônicas Não Transmissíveis, e que devem ser empreendidas conjuntamente, em nível local, nacional e mundial. Dentre as principais ações da Estratégia encontra-se aquela referente à Política Alimentar e Agrícola, envolvendo programa de alimentação e regulamentação da propaganda de alimentos e das cantinas escolares. A adoção desta política assume como pressuposto a incorporação das principais recomendações sobre a alimentação, presentes no documento da Estratégia, que são: alcançar balanço energético e peso saudável; aumentar o consumo de frutas, hortaliças, cereais integrais e frutos secos; reduzir o consumo de gorduras saturadas e trans e substituí-lo por gorduras insaturadas; reduzir o consumo de açúcares livres; reduzir o consumo de sal e que este seja iodado; informar o consumidor sobre a seleção de alimentos saudáveis; reduzir a comercialização intensiva de alimentos ricos em gorduras e/ou açúcares; estimular o aleitamento materno exclusivo até o 6º mês, introduzir alimentos adequados ao lactente compatibilizando com o aleitamento até o 2º ano de vida. O Brasil, signatário deste documento pactuado pela OMS, tem promovido esforços para viabilizar a formulação e instituição de promoção da alimentação saudável nos vários níveis da gestão pública. Contudo, estes esforços mostram-se ainda insuficientes, particularmente quanto à efetividade dos mesmos no nível local. Os municípios, como unidades territoriais de referência do cidadão, em sua maioria carecem ainda de políticas e ações que promovam adequadamente a alimentação saudável, tarefa esta que não deve ser apenas do setor saúde, mas que deve incorporar iniciativas intersetoriais. Neste sentido, a adoção de políticas e ações de educação alimentar e nutricional baseada nos princípios da Estratégia Global, é uma excelente oportunidade para promover a construção intersetorial e interdisciplinar nos municípios. O presente caderno é um documento que poderá orientar estas formulações, facilitando a compreensão de temas relativos à educação alimentar e nutricional e estimulando o intercâmbio e acesso a setores governamentais envolvidos com a questão alimentar e nutricional. A educação alimentar e nutricional, assumida como ação de interesse coletivo, é uma importante ferramenta para garantir a segurança alimentar e nutricional, devendo ser tratada como tal. Parabenizo o CONSEA-MG pela iniciativa e recomendo aos gestores e técnicos municipais o bom uso deste Caderno. José Divino Lopes Filho A presentação O Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável de Minas Gerais - CONSEA-MG, criado em 1999, pelo Decreto n° 40.324, é um órgão colegiado de interação do Governo do Estado com a Sociedade Civil, vinculado ao Gabinete do Governador. Seu objetivo é deliberar, propor e monitorar ações e políticas de segurança alimentar e nutricional sustentável no âmbito do Estado de Minas Gerais. O Centro de Referência em Segurança Alimentar e Nutricional – CRESAN, vinculado ao Consea, visa garantir o direito humano à alimentação adequada para todos os habitantes do Estado de Minas Gerais, por meio do controle social das políticas e ações públicas de segurança alimentar e nutricional sustentável, em articulação do governo com as instituições da sociedade. Um conjunto de atividades promovidas pelo CRESAN vem sendo executado pelo Instituto Félix Guattari de Belo Horizonte – IFG, uma ONG fundada em 1996, que desenvolve atividades de atendimento clínico, formação, pesquisa, publicação e distribuição de livros, assim como consultoria em análise e intervenção organizacional em todo tipo de estabelecimento e movimentos populares. Uma das atividades desenvolvidas por meio dessa parceria foi denominada como “Ação 2” e visa formar e capacitar gestores e agentes sociais em educação alimentar. Essa ação foi iniciada através do Seminário “Políticas e ações públicas de educação alimentar” com a realização de três oficinas temáticas: “Informação alimentar e nutricional”; “Papel da agricultura urbana na educação alimentar e nutricional” e “Reflexões sobre alimentação e nutrição nos ciclos da vida e na diversidade cultural e social”. A finalidade da realização das oficinas foi construir um espaço coletivo com a participação de líderes comunitários, técnicos do CONSEA e profissionais de diversas áreas para debate e reflexão sobre temas relacionados à educação alimentar e nutricional. A dinâmica teórico-prática sistematizada nas atividades potencializou a produção e socialização do saber e subsidiou a elaboração do presente caderno pedagógico, que tem por objetivo contribuir para formação de agentes sociais, profissionais de saúde, conselheiros e gestores públicos. ORIENTAçÕES PARA O BOM USO DESTE CADERNO Este caderno pedagógico é destinado à formação de agentes sociais, conselheiros, gestores públicos e quaisquer pessoas que tenham interesse em implementar, promover e trabalhar com políticas de Educação Alimentar e Nutricional em sua comunidade. Ele apresenta uma proposta norteadora para o processo de implementação de políticas e ações públicas de educação alimentar e nutricional, que consiste em um conjunto de estratégias sistematizadas para garantir o direito e promover a alimentação saudável e adequada para toda a população. São necessárias, para isso, a sensibilização e mobilização de diversos atores, incluindo a própria comunidade, possibilitando a formação de cidadãos críticos, que busquem a garantia da segurança alimentar e nutricional sustentável, já regulamentada em leis e tratados internacionais. Percebe-se, com frequência, em processos educativos na área da saúde pública, que profissionais educadores têm uma visão simplista do tema alimentação e nutrição. Muitos reduzem suas intervenções a orientações restritivas e autoritárias, ignorando que mudança de hábitos alimentares e modos de vida requerem uma reflexão social consciente. Para tal, as ações não podem ser isoladas, ao contrário, precisam ser contínuas, sinérgicas, fundamentadas por uma ampla política de educação alimentar e nutricional. UNIDADE I Implementando políticas públicas 1 Segurança alimentar e nutricional sustentável Jacqueline Míriam Maciel Junqueira O enfoque da Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável – SANS é proveniente de extensa construção, contemplando múltiplas dimensões relacionadas a todo o ciclo do alimento e suas diversas relações e representações sociais. O conceito de SANS vem sendo debatido há pelo menos 20 anos no Brasil e, da mesma forma, sofre alterações em função da própria história do homem e das sociedades. De acordo com LEHMAN (1996), o termo Segurança Alimentar – SA foi utilizado na Europa durante a Primeira Guerra Mundial e após a Segunda Guerra ganhou força, passando a ser tratado como uma questão estratégica de domínio e de poder. A disputa entre os grupos hegemônicos da época gerou tensão política entre os organismos que reconheciam o direito humano à alimentação (Organização das Nações Unidas – ONU) e instituições que defendiam a SA como estratégia de mercado (Fundo Monetário Internacional, Banco Mundial). O entendimento era que a insegurança alimentar se dava pela indisponibilidade de alimentos para todas as populações, gerada pela produção agrícola insuficiente para atender a demanda. Em resposta à necessidade dos Estados e da humanidade em geral adotarem novas bases de relações, pautadas na promoção da justiça e da paz é adotada e proclamada a Declaração Universal dos Direitos Humanos DUDH, pela resolução 217 A (III) da Assembléia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948. A compreensão de Segurança Alimentar se fortaleceu com a dimensão do direito ao ser incluída a alimentação no artigo 25 da DUDH. Outra iniciativa importantíssima, ressaltada por CONTI (2009), foi a criação da Organização para a Agricultura e Alimentação (FAO) a partir de deliberações ocorridas no interior da Organização das Nações, que criou diversas agências, como a FAO, a UNESCO, a UNICEF e outras para se ocuparem de demandas específicas e abrangentes como são, por exemplo, a alimen tação e a educação. Sequencialmente foi aprovado e promulgado o 19 Pacto Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (PIDESC), em 1966, que tornou explícito o direito de toda pessoa estar livre da fome e ter acesso à alimentação adequada (PIDESC, art. 11). Estes instrumentos de direitos humanos incidiram fortemente na compreensão de Segurança Alimentar em construção. A partir dos anos 80 o conceito de segurança alimentar, inicialmente voltado para a disponibilidade de alimentos e para a expansão da produção agrícola, começa a enfatizar questões relativas ao acesso regular de alimentos para todos, de forma permanente e em quantidade suficiente. Constata-se que a produção brasileira é de 3.000 Kg/cal/dia per capta. A FAO (Food and Agriculture Organization) orienta que 2.200 Kg/cal/dia por pessoa são necessárias para ter segurança alimentar, colocando por terra a questão da produção insuficiente. Mais tarde a noção de segurança alimentar avança com debates internacionais, especialmente no âmbito de redes de organizações da sociedade civil e da FAO. Deste modo, o conceito passa a se relacionar com os princípios da Soberania Alimentar, incorpora a noção de alimento seguro e de qualidade, sem contaminações químicas ou biológicas, com valor nutricional, equilibrado e adequado à necessidade de cada um. Esse enfoque foi concretizado pela FAO, na Conferência Internacional de Nutrição, em 1996, agregando a dimensão nutricional ao conceito, passando o termo a ter a seguinte formulação: Segurança Alimentar e Nutricional – SAN, e a seguinte definição: a garantia, a todos, de condições de acesso a alimentos básicos de qualidade, em quantidade suficiente, de modo permanente e sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais, com base em práticas alimentares saudáveis, contribuindo assim para uma existência digna, em um contexto de desenvolvimento integral da pessoa, com preservação das condições que garantam uma disponibilidade de alimentos a longo prazo (fao, 1996). 20 Este conceito adotado internacionalmente pela FAO foi retrabalhado em Minas Gerais no âmbito das organizações e redes sociais que se organizaram criaram o Fórum Mineiro de SAN em 1998. O debate foi ampliado, como um conceito dinâmico, incorporou a dimensão da sustentabilidade que era muito presente na vivência e acúmulo dos movimentos ligados à produção que atuavam efetivamente neste fórum. Deste então as dimensões do conceito de Segurança Alimentar e Nutricional em Minas Gerais são expandidas compreendendo todo o ciclo do alimento e suas relações e representações sociais, tendo como base o direito humano à alimentação adequada e saudável - DHAA. Segurança no sentido de assegurar a realização do direito de todos, indistintamente, ao acesso a alimentos de forma regular e permanente. Além de ter segurança alimentar, ter o alimento e segurança do ponto de vista sanitário e químico; ter valor nutricional, qualidade de micro e macro nutrientes, torna-se indispensável a preocupação em assegurar às gerações futuras condições iguais ou melhores do que as que se tem hoje. Assim ter a preocupação de ser sustentável desde as etapas de produção, colheita, transporte, armazenamento, beneficiamento, processamento, comercialização, consumo e destino dos resíduos sólidos, compreende um enorme desafio. Neste sentido foi realizada em 2002 a I Conferência Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável de Minas Gerais. As questões trabalhadas no enfoque da SANS, com a dimensão da sustentabilidade, foram incorporadas ao conceito de SAN, passando a utilizar a seguinte formulação: Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável – SANS. Sustentável do ponto de vista ambiental, social, cultural e econômico e que contempla o ciclo do alimento nas seguintes etapas: – PRODUÇÃO: garantir o direito a terra e a água; garantir o acesso a terra e ao crédito; adotar modelo de produção agrícola que respeite e preserve o meio ambiente e o eco sistema; evitar o uso de produtos químicos, tóxicos e venenosos, fazer o planejamento com diversificação da produção; fortalecer a preservação e o controle das sementes em posse daqueles e daquelas que produzem os alimentos para a maioria da população, evitando assim que elas se tornem mercadoria e fonte de lucros exorbitantes para poucas empresas do sistema agroalimentar. 21 – COLHEITA: realizar a colheita de forma planejada, otimizada e adequada; evitar desperdícios e acondicionar corretamente a produção; estimular a criação de bancos familiares e comunitários de sementes. – PESCA: Aplicar gestão sustentável das administrações e práticas pesqueiras, utilizar os recursos piscícolas de forma responsável e otimizada, minimizar os desperdícios da pesca, reduzir o excesso da capacidade de pesca e aplicar abordagem cautelosa em relação às populações de peixes altamente migratórios; estabelecer e fortalecer a gestão integrada das zonas de conservação e aproveitamento sustentável da diversidade biológica de água doce. – ARMAZENAMENTO: armazenar o alimento de forma adequada, respeitando cada fase do mesmo, atendendo à necessidade de conservação e preservação das propriedades dos alimentos para consumo humano. – TRANSPORTE: garantir apoio governamental para a manutenção da infraestrutura viária e dos meios de transporte para escoamento da produção; facilitar e adequar o transporte às características do alimento, da região e do destino final ao consumidor. – BENEFICIAMENTO: preservar as qualidades especificações dos alimentos; utilizar técnicas saudáveis; aproveitar ao máximo os alimentos; utilizar embalagens que reduzam o lixo, com rotulagem clara, legível e compreensível ao consumidor. – CONSUMO: trabalhar o consumo consciente da água e do alimento com escolhas saudáveis; respeitar as múltiplas características culturais, sociais e regionais; evitar o desperdício; aproveitar cascas, talos e sementes; trabalhar a educação alimentar desde o ventre materno, em todas as faixas etárias e em todos os espaços possíveis; incentivar a prática de atividades físicas e evitar a produção excessiva de lixo como os descartáveis. 22 e – COMERCIALIZAÇÃO: facilitar a comercialização da agricultura familiar; criar espaços de compra direta do produtor ao consumidor; com divulgação informativa e respeitando os direitos do consumidor; valorizar mais a saúde e menos o lucro; regulamentar a mídia a favor da saúde, garantir a revisão da legislação e sistema de fiscalização; reduzir a ocorrência de doenças como obesidade e doenças associadas: diabetes, hipertensão, dislipidemias, doenças cardiovasculares, câncer e outras. – RESÍDUOS SÓLIDOS: destinar adequadamente todos os resíduos, assim que gerados; aproveitar os resíduos orgânicos na produção, concluindo o ciclo do alimento; reaproveitar as embalagens como matéria prima e novos produtos; adotar os sistemas de aterros sanitários em todos os municípios. O conceito de SANS adotado por Minas está em acordo com o conceito de DHAA elaborado em 2002 pelo então Relator da ONU para o Direito à Alimentação, Jean Ziegler: O Direito à Alimentação Adequada é um Direito Humano inerente a todas as pessoas de ter acesso regular, permanente e irrestrito, a alimentos seguros e saudáveis, em quantidade e qualidade adequadas e suficientes, correspondentes às tradições culturais do seu povo e que garanta uma vida livre do medo, digna e plena nas dimensões física e mental, individual e coletiva. Outra dimensão também incorporada a esse conceito é a soberania, a qual é reconhecida, juntamente com o DHAA como base para a garantia da SANS. O conceito de soberania alimentar firmado no Fórum Mundial sobre Soberania Alimentar em Havana, Cuba: É o direito dos povos definirem suas próprias políticas/estratégias sustentáveis de produção, distribuição e consumo de alimentos que garantam o direito à alimentação a toda a população, com base na pequena e média produção, respeitando suas próprias culturas e a diversidade [...] é a via de erradicar a fome e a desnutrição e garantir a segurança alimentar duradoura e sustentável a todos os povos. 23 E como um conceito vivo, o conceito de SANS em Minas Gerais é compreendido comungando também com a formulação da II Conferencia Nacional de SAN, em Olinda/2004: Segurança alimentar e nutricional consiste na realização do direito de todos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais, tendo como base práticas alimentares promotoras de saúde que respeitem a diversidade cultural e que sejam ambiental, cultural, econômica e socialmente sustentáveis. Através de um movimento contínuo de sensibilização, mobilização e articulação da sociedade civil e governo, em janeiro de 2006 foi promulgada a Lei 15.982, que garante a realização do DHAA por meio da Política Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável, instituindo o Sistema Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável. Este instrumento legal consolida de forma inequívoca o dever do Estado frente à segurança alimentar e nutricional sustentável ao enunciar que: Art. 3º - O direito humano fundamental à alimentação adequada, objetivo primordial da Política Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável, é direito absoluto, intransmissível, indisponível, irrenunciável, imprescritível e de natureza extrapatrimonial. Parágrafo único. É dever do poder público, em todos os níveis, da família e da sociedade em geral respeitar, proteger, promover e garantir a realização do direito humano à alimentação adequada. 24 Assim como a União, o estado de Minas Gerais já reconhece o DHAA e o garante em lei, torna-se necessário que cada Município também o faça através de instrumento legal. Desta forma constitua a política municipal de SANS como uma política de Estado com caráter permanente e de continuidade superando a transitoriedade das políticas de governo. A lei municipal deve dispor sobre a política e o sistema municipal de SANS e sua composição para que o município juntamente com o estado e a união possam garantir efetivamente o DHAA. consulte o site do conSea MG e obtenha informações através da cartilha: “orientações para uma Política Municipal de Segurança alimentar e nutricional Sustentável” www.consea.mg.gov.br 25 2 Educação alimentar e nutricional Mariana lage de Oliveira Andrade 27 HISTÓRICO A história da educação alimentar e nutricional (EAN) no Brasil e o seu estreito vínculo com as políticas de alimentação e nutrição em vigência, tem sido estudada e revisada por vários profissionais da área e políticos preocupados em garantir o direito humano à alimentação adequada (DHAA) e possibilitar que a população possa nessa época, é criado o primeiro fazer escolhas conscientes. O restaurante popular do Brasil, conhecimento dessa história é sendo implantado em Belo importante para melhor comhorizonte ainda nos anos 50, por preensão acerca das peculiaridades iniciativa do então governador dos processos de hoje, como forma Juscelino Kubitschek. de aperfeiçoar as conquistas e instalados em locais de grande decisões históricas, a fim de impletrânsito de pessoas de baixa mentar políticas e ações de EAN renda, os restaurantes populares eficazes e efetivas. têm o objetivo de assegurar De acordo com SANTOS, 2005, alimentação sadia e de baixo 1940 a 1960 a educação alimentar custo para quem faz refeições e nutricional esteve vinculada às fora de seu domicílio. os campanhas de introdução de novos restaurantes tornam-se também alimentos e às práticas educativas um pólo gerador de emprego e que se tornaram um dos pilares renda, pois priorizam a compra das políticas de alimentação e de gêneros alimentícios nutrição deste período. Nesse produzidos na própria região, momento, a educação alimentar e como forma de reduzir custos e nutricional se fundamentou no garantir qualidade e geração de mito da ignorância, fator consirenda aos agricultores locais. derado como determinante da fome e da desnutrição na população de baixa renda, grupo destinatário dessas ações educativas. BOOG, 2004, afirma que nos países assolados pela guerra, diante da falta de condições para produtividade e importação de alimentos, travava-se uma nova batalha: modificar os hábitos alimentares de populações pauperizadas. Foram realizadas campanhas de orientação à população com o slogan “The Kitchen is the key to victory – eat less bread” (A cozinha é a chave para a vitória – coma menos pão). Essa era uma maneira no início da década de 1970 foram criados programas utilizada por esses países para compensatórios das minimizar os efeitos da falta de desigualdades sociais voltados disponibilidade de alimentos. No para as necessidades básicas Brasil foi criada a função da dos indivíduos. dentre estes, o “Visitadora de Alimentação”, uma Programa nacional de profissional de saúde que ia à casa alimentação e nutrição – das pessoas para repassar às donas Pronan, que se constituiu na de casa orientações e recomendações proposta mais abrangente para sobre as melhores formas de escolher combater os problemas e preparar as refeições. alimentares no país. uma de De acordo com SANTOS, 2005, suas linhas de ação foi expandir a cobertura para trabalhadores a partir de meados de 1970, os de baixa renda, criando o programas de EAN passaram a ser programa de alimentação do dominados pela medicina e o trabalhador - Pat, com o binômio alimentação-educação objetivo de melhorar o estado prevalecente começou a ceder nutricional do trabalhador, espaço para o binômio alimentação aumentar sua produtividade e – renda, que reconhecia a baixa reduzir os acidentes de trabalho renda como principal obstáculo para e o absenteísmo. se obter uma alimentação saudável. atualmente o Pat encontra-se A suplementação alimentar passou sob a responsabilidade do a ser o eixo norteador das políticas Ministério do trabalho e de nutrição traçadas no país. emprego. Seus recursos provêm BOOG, 2004, afirma que devido dos trabalhadores (20%) e de empresas e do governo (80%). o à conjuntura sócio-politica da acesso à alimentação é época, a EAN que vinha sendo viabilizado por refeições servidas desenvolvida passou a ser vista no local de trabalho ou pelo como prática domesticadora, fornecimento de cupons e cestas repressora e até aviltante, reprovada básicas. por todos os que prezassem a liberdade. 30 Uma importante contribuição para a discussão sobre novas perspectivas da educação alimentar e nutricional se consolidou em meados de 1980, com a educação nutricional crítica. Tal concepção identificava haver uma incapaci dade da educação alimentar e nutricional, de forma isolada, promover alterações nas práticas alimentares. Essa concepção considera que não se pode seguir uma metodologia préfixada. Fortalece a discussão sobre a determinação social da fome e da desnutrição e a relação desses fenômenos com o modelo de organização capitalista. Vem contrapor o enfoque biológico e os métodos e técnicas educativas anteriormente utilizados. SANTOS, 2005, afirma que, como consequência, a questão da fome passou a fazer parte das discussões e não apenas a desnutrição, e, assim, a educação alimentar começa a contemplar não somente as práticas alimentares, mas, também, a tarefa de esclarecer a população sobre os direitos de cidadania. De acordo com FERREIRA & MAGALHÃES, 2007, EAN começou a ser reconhecida como segurança alimentar e nutricional, e vice versa, em discussões que integraram o cenário nacional e internacional nos anos 90, concebendo a alimentação como um direito humano. Atualmente as concepções de segurança alimentar têm sido muito mais abrangentes do que meras ações de combate à fome e à desnutrição, impactando a formulação das políticas públicas de EAN no país. Não parece haver dúvidas sobre a importância da interligação entre SAN e EAN na promoção de práticas alimentares saudáveis, na qual a alimentação tem sido uma das estratégias para a prevenção de agravos e promoção da saúde definida como: A promoção da saúde é caracterizada pela constatação de que a saúde é produto de um amplo espectro de fatores relacionados com a qualidade de vida, incluindo um padrão adequado de alimentação e nutrição, de habitação e saneamento, boas condições de trabalho e renda, oportunidades de educação ao longo de toda a vida dos indivíduos e das comunidades (BUSS, 1999). Segundo as Organizações das Nações Unidas (ONU), promover a saúde no âmbito da alimentação e nutrição exige que o Estado implemente políticas, programas e ações que possibilitem a progressiva realização do direito à 31 alimentação adequada, definindo, com isso, metas, recursos e indicadores para esse fim*. Para tanto, justifica-se essa busca histórica por melhores estratégias e avanços no campo da implementação de políticas de EAN – tema que será abordado neste trabalho. * Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Secretaria de Estado de Direitos Humanos. A Segurança alimentar e nutricional e o direito humano à alimentação no Brasil, Brasil. Documento elaborado em março 2002 para a visita, no Brasil, do Relator Especial da Comissão de Direitos Humanos da ONU sobre Direito à Alimentação, Brasília: Ministério das Relações Exteriores; 2002. 65p. 14. Brasil. Programa Fome Zero. Principais ações implementadas pelo Programa Fome Zero. São Paulo; 2004. 15. Brasil. Ministério da Saúde. Segurança Alimentar e Nutricional e Alimentação Saudável. [Internet]. Brasília; 2004. [acessado em 2004 abr 12]. Disponível em: http://www.fomezero.gov.br 16. Brasil. II Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional. 32 CONCEITO DE EDUCAçÃO AlIMENTAR E NUTRICIONAl À Educação Alimentar e Nutricional compete desenvolver estratégias sistematizadas para impulsionar a cultura e a valorização da alimentação, concebidas no reconhecimento da necessidade de respeitar, mas também modificar crenças, valores, atitudes, representações, práticas e relações sociais que se estabelecem em torno da alimentação. (BOOG, 2004). Pensando em uma política pública de educação alimentar deve-se considerar a agregação das diferenças, a construção de uma cultura de respeito à diversidade e valores tradicionais. Se esse ideário pode, por um lado, apresentar certo teor de utopia, por outro ele constitui um desafio ao valorizar a dimensão dos afetos e da criação coletiva nos trabalhos sóciocomunitários. Essas transformações administrativas, políticas, institucionais, Por que Educação Alimentar e Nutricional e não apenas educação alimentar ou educação nutricional? o termo educação alimentar representa o potencial social dos valores atribuídos aos alimentos e suas práticas culturalmente adotadas nos diversos espaços – família comunidade, escola, trabalho, mídias, etc. Já o termo educação nutricional abrange a esfera técnico científica da alimentação, considerando-a condição biológica vital – suprimento das necessidades nutricionais das pessoas. a unificação dos termos em educação alimentar e nutricional busca a complementaridade e respeito aos determinantes físicos, emocionais, culturais, sociais e biológicos da alimentação. 33 sociais, culturais e subjetivas correspondem à concepção o o camp n r a c de cidadania. u Ed plica ição im A idéia de cidadania está r t u n a d associada ao reconhecimento r novos em cria do outro como sujeito de dise sentido reitos compreendidos como para o ificados n ig s – vida, saúde e alimentação, comer ato de cultura, trabalho, lazer, 2004). educação, liberdade e (BOOG, dignidade – assim como respeito pelas diferenças psicológicas, étnicas, religiosas, intelectuais, físicas, de orientação sexual, etc. Além disso, ela está também associada à identificação do indivíduo ou coletivo como sujeito de sua própria história, o que implica o estímulo à liberdade, autonomia e autogestão. A autonomia em relação às escolhas alimentares é garantida ao individuo a partir de um processo educativo que, após a inserção da Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável na agenda política de governo toma novas formas ao considerar que a alimentação, embora sendo a condição necessária para atender um processo biológico vital (a nutrição), é determinante Saúde: “em seu sentido mais abrangente, a saúde é a resultante das condições de alimentação, habitação, educação, renda, meio ambiente, trabalho, transporte, emprego, lazer, liberdade, acesso e posse de terra e acesso a serviços de saúde. é assim, antes de tudo, o resultado das formas de organização social da produção, as quais podem gerar grandes desigualdades nos níveis de vida.” (conferÊncia nacional de SaÚde, 1986, p.4) 34 no que se refere à inserção do indivíduo na sociedade, particularmente no âmbito do exercício de seus direitos e deveres enquanto cidadão. Esse processo educativo deve abranger o acesso econômico e social a uma alimentação quantitativa e qualitativamente adequada e saudável, que atenda aos objetivos de saúde, prazer e convívio social. Iniciativas relativas ao incremento da qualidade da alimentação e à Educação Alimentar e Nutricional devem estar contempladas dentro de projetos sociais que defendam os direitos humanos e ações destinadas a fomentar qualidade de vida, a criação de ambientes favoráveis, ações comunitárias e reorientação dos serviços. Sugere-se que a educação alimentar e nutricional deve especialmente ser interna, elaborada pela população e concomitante com a organização política popular em defesa de seus direitos. 35 ESTRATÉGIAS MUNICIPAIS DE EAN Para delinear estratégias de EAN que modifiquem o contexto atual e garantam a Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável da comunidade, torna-se necessário que o município faça um diagnóstico para determinar o modelo causal da política que deverá atender as principais demandas identificadas. É fato incontestável a importância da alimentação saudável e agradável ao paladar, exequibilidade dos direitos humanos, potencialização da participação popular, para a promoção da saúde, prevenção e controle de agravos de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT)* oriundas da má alimentação, cuja prevalência vem aumentando significativamente. Já vale adiantar que no Brasil, de uma maneira geral, a prevalência de obesidade vem aumentando exponencialmente. A razão entre a prevalência de desnutrição e de obesidade foi dramaticamente afetada entre 1974 e 1989. Em 1974, havia, na população infantil, mais de quatro desnutridos para um obeso e, em 1989, essa relação caiu para dois desnutridos para um obeso. Na população adulta, houve uma inversão de prevalências: em 1974, havia um e meio desnutrido para um obeso, enquanto, em 1989, a obesidade excedeu duas vezes a desnutrição (BRASIL, 2006). Esse quadro preocupante é consequência do conceito equivocado da inevitabilidade das doenças crônicas, provocados pela falta de informação que certamente tem como uma das causas a ausência ou incipiência das ações públicas dirigidas ao controle, por exemplo, do tabagismo, do alcoolismo e da obesidade. É muito importante que os municípios reservem um lugar de destaque para ações de educação em alimentação e nutrição direcionadas a todos os estratos econômicos da população, fortalecendo suas ações de prevenção. A educação nutricional tem um papel importante também em relação à promoção de hábitos alimentares saudáveis e adequados, desde a infância. São indispensáveis ao município ações de alcance coletivo com o fim primordial de proporcionar os conhecimentos necessários e a motivação para formar * O grupo das DCNT’s compreende majoritariamente a obesidade, doenças cardiovasculares, hipertensão arterial, diabetes e câncer. 36 atitudes e hábitos para uma alimentação sadia, completa, adequada e Objetivos das ações de variada. educação alimentar e nutricional Um elemento importante para a propagação desse conhecimento é o Promover a alimentação adeincremento das redes de relacioquada e saudável no sentido de prazer cotidiano, de modo a namentos através de atendimentos estimular a autonomia do indivíespecializados e grupos de equipes do duo e a mobilização social, valoprograma de saúde da família (PSF). É rizar e respeitar as especificidades importante a implantação de serviços culturais e regionais dos difede nutrição junto a ambulatórios e rentes grupos sociais e etnias na unidades básicas de saúde, que devem perspectiva da San e da garantia estar atreladas às propostas pedagódo dhaa. gicas de mudança de comportamento alimentar baseadas na situação concreta de vida. Assim, as atividades de EAN e saúde com a atuação de nutricionistas estariam direcionadas a reverter o padrão de morbi-mortalidade da contemporaneidade que destina boa parte dos recursos do SUS para o tratamento de doenças como obesidade, diabetes, hipertensão arterial, neoplasias, hiperlipidemias e doenças cardiovasculares que poderiam ser evitadas. É com a preocupação de melhorar a qualidade de vida da população e otimizar os recursos do SUS que foi aprovada em 2006, pelo Ministério da Saúde, a Política Nacional de Plantas Medicinais e Medicamentos Fitoterápicos. Esta propõe, além da distribuição de fitoterápicos no SUS, a difusão do conhecimento popular sobre plantas medicinais na área da saúde. (BRASIL, 2006). Para o município isso pode significar uma mudança completa nas práticas de saúde, pois uma das diretrizes da política é a preservação da biodiversidade e o cultivo agroecológico. A agroecologia vem ganhando importância em discussões científicas e políticas através da inserção do consumo de fitoterápicos e do conceito de SANS em programas e ações de promoção da saúde e sustentabilidade. Estes programas e ações desenvolvidos, tanto por organizações da sociedade civil quanto pelos níveis de governos no Brasil, vêm incentivando a prática de agricultura urbana (AU) como estratégia de melhoria da qualidade de vida da população e do meio-ambiente – Lei 15.973/2006. A agricultura em espaços 37 urbanos acontece desde os surgimentos das primeiras cidades e pode ser incentivada no município como uma estratégia de EAN, pois potencializa o acesso da comunidade a alimentos de qualidade e estimula o consumo de frutas, verduras e legumes. A construção de hortas comunitárias em lotes vagos do município, em escolas públicas e o cultivo em domicílios, dentre outras possibilidades, integram a produção agroecológica de alimentos, plantas medicinais e manejo de áreas de vegetação nativa. Percebe-se como avanço no âmbito da SANS e da AU e como estratégia de EAN o crescente respeito e valorização de práticas alimentares culturalmente identificadas. Essas práticas consideram que o alimento tem significações culturais diversas, que precisam ser estimuladas bem como produzir e consumir alimentos saudáveis e adequados, regionais e não-convencionais. Um dos grandes desafios enfrentados pela EAN, nesse contexto, é introduzir “novas informações” sobre a função medicinal de plantas, valor nutricional e manipulação dos alimentos; ao mesmo tempo em que busca a valorização do “conhecimento popular” e das tradições das comunidades rurais e urbanas. Outro desafio enfrentado pela EAN é o entendimento da rotulagem nutricional, enquanto fonte de informação para a população em geral. A rotulagem deve ser trabalhada como um instrumento em processos educativos, não sendo um fim em si mesmo, mas servindo para a educação alimentar e nutricional em escolas, unidades básicas de saúde e campanhas de massa. Esses foram apenas alguns exemplos. São múltiplas as estratégias de EAN e elas devem se adequar as necessidades de seu município! Acesse! CGPAN: http://nutricao.saude.gov.br/pas.php ANVISA: http://portal.anvisa.gov.br/wps/portal/anvisa/home/alimentos?tax=Alimentos&cat= Rotulagem&siteArea=Alimentos&pagedesign=Alimentos_N2&WCM_GLOBAL_CONTEXT=/ wps/wcm/connect/Anvisa/Anvisa/Inicio/Alimentos 38 3 Uma leitura da política pública sobre educação alimentar e nutricional do ponto de vista da análise institucional e da abordagem politransdimensional Margarete Aparecida Amorim Myrtô áurea de lima Sucupira Gregorio Franklin Baremblitt - Colaborador Jacqueline M. Maciel Junqueira - Colaboradora Para construir uma política de educação alimentar e nutricional tendo como referência os enfoques da análise institucional e da politransdimensionalidade requer, minimamente, escolher alguns princípios ético-político-estéticos e teórico-técnicos próprios dessas abordagens, tais como: A) Fomento de práxis autoanalíticas e autogestionárias como potencialmente essenciais para a transformação do modo de vida dominante de nossa sociedade. Ou seja, afirmação de que são os grupos e coletivos implicados que detêm o saber sobre si mesmos, saber alienado que deve ser re-apropriado e intensificado. Isso se opõe ao citado predomínio de saberes e práxis que chegam de forma verticalizada e são impostos aos coletivos intervindos. Autoanálise: “Processo de produção e re-apropriação, por parte dos coletivos autogestionários, de um saber acerca de si mesmos, suas necessidades, desejos, demandas, problemas, soluções e limites. A autoanálise possibilita aos coletivos o conhecimento e a enunciação das causas de sua alienação.” Baremblitt, 2002, p.139. Autogestão: “É, ao mesmo tempo, no processo e no resultado da organização independente que os coletivos se dão para gerenciar sua vida. As comunidades instituem-se, organizamse e se estabelecem de maneiras livres e originais, dando-se os dispositivos necessários para gerenciar suas condições e modos de existência. Todo processo instituinte-organizante implica certa divisão técnica do trabalho, assim como alguma especialização nas operações de planejamento, decisão e execução. Essas diferenças podem implicar hierarquias, mas as mesmas não envolvem escalas de poder. Os conhecimentos essenciais são compartilhados e as decisões importantes 41 tomadas coletivamente. As hierarquias correspondem a diferenças de potência, peculiaridades e capacidades produtivas que visam sempre ser funcionais para a vontade comunitária.” Baremblitt, 2002, p.139. B) Compreender a realidade como politransdimensional, ou seja, constituída de infinitas dimensões molares e moleculares, instituídas e instituintes, micro e macro, conhecidas e desconhecidas, que se interpenetram e se influenciam umas as outras. “Instituinte: É o processo mobilizado por forças produtivodesejante-revolucionárias que tende a fundar instituições ou a transformá-las, como parte do devir das potências e materialidade sociais. Baremblitt, 2002, p. 157.” C) Denúncia e intervenção em todas as formas de dominação, mistificação, exploração, reprodução do mesmo e antiprodução; assim como nas do saber-poder enquanto opressão. Reprodução: “Num sentido etimológico, significa cópia ou imitação. Na filosofia, na Sociologia e para o Institucionalismo, designa as tentativas de reiterar algo idêntico, igual ou similar ao que já existe, cumprindo sua função conservadora. Dessa maneira, procura-se deter os devires, acontecimentos e transformações naturais, sociais, culturais e subjetivas.” Baremblitt, 2002, p. 166. 42 Antiprodução: “As potências produtivas de todo tipo – naturais, psíquicas e sociais (em especial os instituintes) –, são capturadas pelas grandes entidades de controle e reprodução (por exemplo: o Estado, o Capital, etc.) e suas forças são voltadas contra si mesmas, levando-as à repetição estéril ou autodestruição. As potências singulares, que o sistema dominante não está em condições de assimilar para transformar em bens, serviços ou valores alienados (mercadorias) e incorporá-las à sua lógica, são alvos dos mecanismos repressivos que eliminam mais ou menos deliberadamente as que não conseguem capturar.” Baremblitt, 2002, p.138. Produção: “Geração do novo - daquilo que a utopia ativa (valores instituintes de uma sociedade) persegue. É aquilo que processa tudo que existe - natural, técnica, subjetiva e socialmente. É a permanente geração de tudo que pode logo tender a cristalizar-se. É o devir, a metamorfose”. Baremblitt, 2002, p.164. D) Criação de dispositivos que propiciem a invenção do novo transformador e produtor de novas subjetivações e modos de vida, dito no sentido mais amplo possível. “Produção de Subjetivação: ...por contraposição ao processo de produção de subjetividade uniforme, sujeitada e submetida, infinitos e heterogêneos processos de produção de subjetivação livre, produtiva desejante, revolucionária. Esses são absolutamente contingentes, próprios de cada momento, lugar e conjuntura, e geram sujeitos singulares nas margens de cada acontecimento”. Baremblitt, 2002, p. 169 43 A Política de Educação Alimentar e Nutricional - PEAN deve ser entendida como um conjunto de práxis, análise e intervenção referente à garantia ao acesso à alimentação saudável, respeitando-se a diversidade cultural, o meio ambiente, as necessidades biopsicossociais e que todos o processo seja sustentável. Tanto a política como sua práxis deve ser coerentes com os objetivos de autonomia e emancipação dos coletivos envolvidos. A seguir uma sugestão de passos de implementação dessa política, dentro dos princípios apontados anteriormente. 1º Passo Constituição da equipe para conceber e executar a PEAN O gestor elege os responsáveis para compor o grupo gestor (GG) da PEAN. O mesmo deve ser constituído por representantes governamentais e não governamentais. Os participantes não governamentais devem ser escolhidos em assembléia comunitária, valorizando-se as lideranças espon tâneas. Os governamentais devem ser participantes de políticas fundamentais na interlocução com a PEAN, como por exemplo, representantes da saúde (como o PSF), agricultura, assistência social e educação (pela EAN). Essa polivocidade da equipe facilita a interpenetração das ações nas diferentes políticas. No funcionamento de uma equipe, dois momentos devem ser considerados: a realização da tarefa (para a qual foi constituída) e a dinâmica de como se dá seu funcionamento. O trabalho sobre o segundo momento denomina-se análise de implicação. Ou seja, qualquer equipe que se constitui, vivencia processos que se relacionam tanto com as relações interpessoais internas e externas ao próprio grupo, quanto à tarefa que tem que executar. Esses processos, incentivos ou obstáculos, podem dificultar ou facilitar a realização de seus objetivos; ao mesmo tempo, refletem a maneira em que se darão as relações com a comunidade, ou seja, uma equipe mais horizontal é mais capaz de incentivar a maior participação e até a autogestão coletiva. Já uma equipe hierarquizada e que supervaloriza seu saber em detrimento dos demais, tende a ser impositiva e autocrática. Faz-se necessário, portanto, que em todo o processo de aproximação em direção ao segmento destinatário (a comunidade), a equipe realize, em 44 Análise da demanda é a análise e deciframento que se faz do pedido de intervenção por parte de uma organização. é o primeiro e um importante passo para que se comece a compreender institucionalmente a dinâmica dessa organização. é o material de acesso inicial que já contém valiosos aspectos conscientes, manifestos, deliberados, assim como todo um filão de aspectos inconscientes e não-ditos que remetem a um esboço inicial da conflitiva e problemática da organização solicitante. (Baremblitt, 2002, p. 136.) primeiro lugar (seja por meio de autoanálise ou pela atuação de um analista contratado), uma análise de implicação do trabalho acerca da produção de demanda. Trata-se, portanto, de compreender e vivenciar o grau em que os agentes intervenientes (equipe) estão comprometidos racional e afetivamente com a demanda. Isso deve evidenciar-se na explicitação de quais são as ações realizadas (conscientemente ou não) para promover a demanda dos serviços em questão. Uma vez avançada esta análise, corrigir todos os elementos que impliquem o exercício de um poder inapropriado, um suposto saber e um atuar sem consulta, mais ou menos imposto, seja na totalidade da operação, seja em alguns de seus itens, formas e conteúdos. 45 2º Passo Definição do Campo de Análise O campo de análise se constitui, inicialmente, a partir do levantamento e análise dos dados existentes da população local referentes à PEAN, assim como os dados de âmbito: nacional, estadual, municipal e circunvizinho e, eventualmente, até mundiais, caso seja considerado importante para uma clara percepção de conjuntura dita em sentido muito amplo. Todo o material de que se disponha nesse momento é sempre valioso. Outro aspecto do campo de análise é o estudo das legislações vigentes, bibliografia da produção teórica e técnica, assim como de pesquisas a respeito, em âmbitos locais e globais. Deve-se, fundamentalmente, conhecer a proposta federal e estadual: suas diretrizes, critérios, recursos, fontes de apoio técnico e financeiro. Em outras palavras: com o que o município poderá contar para programar a PEAN. A par de todo esse material, finaliza-se com a análise instituinte de todo o recolhido, ou seja, busca-se detectar os aspectos reprodutivos e antiprodutivos, tanto quanto os que potencializam e contribuem com a produção de cidadania do coletivo, dito em um sentido geral e em especial no referente às políticas a serem implementadas. De comum acordo com a comunidade, se privilegiará e adiantará algumas prestações de serviços que se apresentem como ostensivamente urgentes, tais como: assistência médica, provisão alimentar, água etc. Dado que é impossível estudar uma comunidade em que os integrantes estão seriamente prejudicados ou até morrendo, no preciso momento, de doenças, ou de fome e sede. 3º Passo Mobilização Comunitária ou Autogestão do Processo Uma vez avançado o trabalho no campo de análise, planejar os passos seguintes para o aprofundamento do contato com a população supostamente interessada, para constituir assim o campo de intervenção. 46 Nos primeiros acercamentos (através de audiências públicas, fóruns, assembleias locais comunitárias) com a comunidade em questão, esta deverá ser claramente informada de que a PEAN será planejada, executada e reformulada num processo o mais autoanalítico e autogestionado possível; daí a importância e efetividade de seu envolvimento. Deve-se apresentar com clareza a proposta de PEAN, discuti-la e definir, com o coletivo, como será o seu envolvimento em cada passo do processo. Realizar-se-á uma análise acerca da necessidade (biológica), do desejo (subjetivo, consciente ou não), do interesse (ou seja, da vontade manifesta) de construir as possibilidades e receber os benefícios correspondentes à vital problemática em questão. No caso de se detectar, em algum desses níveis, a ausência, insuficiência ou contradição das respectivas exigências, se realizará uma análise geral, sempre autogestionada, de tais impedimentos possibilitando, simultaneamente, a prática de uma análise de implicação e de uma sensibilização do coletivo para a possível tarefa. O objetivo é detectar, contemplar, analisar e superar a formulação plena das exigências assim como de conhecer e avaliar as reais perspectivas de solução das mesmas. A partir daí se submeterá à consideração dos interessados a sistematização do que foi elaborado pelo grupo gestor no campo de análise, preferindo sempre (como dito acima), os dispositivos numerosos, tais como assembleias. Nesse encontro (se forem necessários se farão vários) serão eleitos os que participarão do novo grupo gestor (de constituição mista – profissionais e usuários), a ser ampliado ou alterado, a partir da decisão coletiva. Deve-se deixar claras as ações a serem realizadas por esse GG e que o mesmo se reportará 47 sistematicamente ao coletivo para socializar as ações e seus resultados, sendo essa inspiração a evidência de que a PEAN deverá ser realizada o mais autogestivamente pelos agentes intervenientes, junto ao coletivo. Nesse momento de mobilização comunitária, dados iniciais sobre o estado da PEANS da população intervinda já devem ser coletados a partir das falas da mesma. Portanto, é importante ter sempre alguém responsável pela ata dos encontros, registrando os emergentes. 4º Passo Diagnóstico Politransdimensional (DPTD) Primeira etapa: Conhecer a poli e transdimensões da realidade Inicialmente delimita-se o território, contemplando as características e diferenças das várias localidades no município ou outros espaços geográficos a serem diagnosticados. Atualiza-se a partir da participação ativa dos diferentes atores envolvidos (secretarias de governo, entidades sociais, etc.) o levantamento de dimensões relacionadas a todos os dados históricos e atuais: demográficos, de saúde, sociológicos, antropológicos, geopolíticos, subjetivos e econômicos próprios da situação em pauta feitos na análise de campo. Prestar-se-á especial atenção ao definir, com a maior precisão possível, em que consistem as dimensões específicas da problemática, como por exemplo: gastos com tratamentos de Doenças Crônicas não Transmissíveis, falhas na execução local do Programa Nacional de Alimentação Escolar, faltas de garantia ao cumprimento do Direito Humano à Alimentação Adequada, da Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável e da Soberania Alimentar da população. Uma das primeiras averiguações a ser realizada (que pode já ter sido considerado no campo de análise) se refere a ver se a comunidade está sendo contemplada em SANS e em EAN indiretamente em outras políticas ou 48 programas do governo federal, estadual ou municipal (por exemplo, bolsa família, alimentação escolar), assim como por organismos do terceiro setor ou outros assistenciais. Para possibilitar o conhecimento das dimensões que farão parte do diagnóstico é necessário criar dispositivos que possibilitem que os participantes se sintam à vontade para se expressarem, de forma que todos tenham “voz e vez”. Sugestão: pedir ao grupo para sugerir dinâmicas (baseadas na cultura local) que facilitem ouvir os diferentes participantes e que propicie o efeito da participação. Podem ser, por exemplo, através de desenhos, danças, trabalhos corporais, questionários, pequenos grupos de discussão para posterior socialização, esquizodramatizações e etc. Deve-se tentar usar dinâmicas que sejam verbais e não verbais. O trabalho com grupos ou assembléias comunitárias para se conhecer as várias dimensões da realidade de PEAN no município (polidimensionalidade), e como estas se interrelacionam e se transversalizam (transdimensionalidade), além de proporcionar dados bastante atuais, já possibilita o envolvimento dos mesmos com a proposta. Durante uma dinâmica podese pedir aos participantes para responderem a questões relacionadas à PEAN clareando a realidade vivenciada. Sugestão de questões (podendo ser alteradas dependendo das propostas do grupo e dos emergentes percebidos): – O que entendem por insegurança e segurança alimentar? – O que está funcionando bem na PEAN e que deve permanecer e ser intensificado (por que está funcionando bem?). – O que não está funcionando bem na PEAN e precisa ser raspado, jogado fora ou melhorado? – O que você considera como mais ameaçador (Núcleo de Ameaça Prioritário) e mais potente (Núcleo de Potência Prioritário) do que você descreveu? – Que ações podemos propor para intervir nessas dimensões? 49 Tais questões devem ser aplicadas a todos os segmentos de importância para a PEAN (governamentais e não governamentais). De posse das respostas do diagnóstico, o grupo escolhe, entre seus integrantes, aqueles que vão fazer a sistematização (finalização dessa etapa) dos dados conseguidos no diagnóstico. Definições de conceitos e siglas utilizadas deverão constar no documento (lembrar que as pessoas não costumam ter nenhuma familiaridade com siglas ou conceitos próprios da política e de sua fundamentação teórica). Segunda etapa: análise dos dados e elaboração do plano para a PEAN Como dito na etapa anterior, o grupo eleito deverá sintetizar os dados, considerando cada dimensão em suas subdimensões, conforme citado acima (do que funciona; do que não funciona; sugestões de ações para intervenção). Após organização dos dados, é feita a análise instituinte desses dados e das propostas, culminando no plano provisório da PEAN. Ambas as ferramentas: o diagnóstico e o plano se tornarão definitivas após alterações (em caso de necessidade) e aprovação pelo coletivo. Qualquer alteração posterior nesses documentos deverá ser validada pelo coletivo. A análise dos dados deve considerar o grau de comprometimento dos governos com a PEAN, assim como detectar seu 50 Importante lembrar: a) cada aspecto apontado sobre o que funciona ou não funciona, já constituem novas dimensões. a tendência politransdimensional das dimensões é que elas se proliferam ao infinito, sendo que cada coletivo irá ressaltar aquelas que lhes pareçam mais emergenciais em dado contexto. B) uma sugestão de intervenção pode atender a mais de uma subdimensão do que funciona ou não funciona, não tendo que ser em número igual a elas (número de dimensões = número de sugestões). c) a partir de registros escritos (atas), fotos, ou de vídeo, registrar quantas vezes aparecem às mesmas respostas, qual o número de participantes presentes e quantos foram convidados a participar (para se ter ideia se os dados coletados são representativos em relação ao número de pessoas que fizeram parte do coletivo). potencial para solucionar seus impasses. Assim como deve detectar o que está dentro da governabilidade, ou que depende de ações externas ao mesmo. A seguir, alguns pontos que contribuirão para essa análise. 1) Eleger um (ou mais de um) Núcleo de Ameaça Prioritário (NAP): Trata-se de, após análise de todos os dados, definir a dimensão, e/ou a subdimensão que mais prejudica o alcance da Política de Educação Alimentar e Nutricional Sustentável e que deve prioritariamente ser intervinda. 2) Eleger um (ou mais de um) Núcleo de Potencialidade Prioritário (NPP): Trata-se do inventário das virtualidades e possibilidades que tanto o coletivo intervindo como as entidades interventoras têm para potencializá-las a favor da resolução da problemática formulada. 3) Analisar seus determinantes ou suas causas: Trata-se de aprofundar na compreensão do que propiciou que tais núcleos se desenvolvessem com tanta intensidade a ponto de prejudicar (NAP) ou melhorar (NPP) a PEAN. 4) Análise das demais Dimensões: Trata-se de aprofundar na compreensão das demais dimensões que emergiram no diagnóstico e de seus determinantes. 5) Análise das Propostas: Trata-se de refletir sobre as sugestões propostas, até se chegar às conclusões do que se deve fazer (ações) para eliminar o NAP e intensificar o NPP. Posteriormente, realizar-se-á o mesmo com as demais dimensões, de acordo com o grau de prioridade. Nesse momento deve-se ter clareza do que é da governabilidade do coletivo e do que está além dessa governabilidade, sendo necessário propor ações que envolvam outros parceiros. Ou seja, o fato de não estar sob sua governabilidade, não exime a comunidade de ter ações de intervenção junto a esses responsáveis. 51 5º Passo Elaboração e divulgação do Plano da PEAN Após a produção coletiva acima chega o momento de sistematizar o Plano para a PEAN, que deverá ser socializado através de audiências públicas, assembleias comunitárias, de forma autoanalítica e autogestionária, junto com o diagnóstico, para ser discutido, aprovado ou alterado. Para o bom aproveitamento do encontro é importante registrar em ata os emergentes (opiniões, argumentações, questões a considerar, sugestões etc.) e encaminhamentos. O plano da PEAN deverá conter: 1. Introdução: Trata de contextualizar o documento, seus objetivos e a caracterização do município (região, população etc.). 2. Justificativa: Trata-se de explicar as razões de se realizar o diagnóstico e o plano para uma PEAN. 3. Metodologia: Descrever como foi elaborado o DPTD, desde o início até sua finalização, quantos encontros, número de participantes e de convidados, as dinâmicas usadas ou formas de levantamento dos dados etc. Fundamentar teoricamente termos básicos como: Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável, Soberania Alimentar, Diversidade Alimentar, Direito Humano à Alimentação Adequada, Alimentação Escolar, Educação Alimentar e Nutricional. 52 4. Plano de Ação: Dimensões Ação Responsável ou Profissional de Referência Prazo Metodologia Resultados Esperados NAP NPP Outras dimensões Outras dimensões Outras dimensões – Avaliação processual: Definir de quanto em quanto tempo o coletivo vai se reunir para avaliar como está se dando o processo para a efetivação do plano de ação proposto e para os ajustes necessários à sua implementação. Após discussão exaustiva, tendo sido aprovada na íntegra ou com alterações, o diagnóstico e o plano passam a ser definitivos, devendo seguir os trâmites legais para sua execução. Uma comissão deve ser formada para realizar esses encaminhamentos, assim como para acompanhar sua execução. A mesma deverá, sempre, retornar os resultados da implementação para o coletivo a fim de monitorar a PEAN. Este coletivo pode compor os Conselhos Municipais de SANS que já cumprem a função de monitoramento, avaliação e fiscalização da política. 53 5. Orçamento Público Um dos encaminhamentos necessários será garantir recurso financeiro através de dotação orçamentária para a execução das ações de EAN pelos órgãos governamentais. Para tanto, torna-se importante conhecer sobre o orçamento público (OP), como é elaborado, aprovado e executado, inclusive para participar, propor e monitorá-lo. O OP é instrumento de planejamento e implementação das ações governamentais, entre elas a política municipal de EAN, é por meio dele que o governo estima as receitas que irá arrecadar e prioriza os gastos que espera realizar com as políticas públicas durante o ano. Ele materializa-se por meio de lei, da peça de planejamento, dos recursos financeiros (receitas e despesas), das decisões políticas, das ações prioritárias e da corresponsabilidade dos entes governamentais em parceria com a sociedade civil. O OP ocorre em quatro fases distintas: 1ª) Elaboração da proposta realizada pelo Poder Executivo Municipal; 2ª) Apreciação e aprovação pelo Poder Legislativo Municipal; 3ª) Execução orçamentária; 4ª) Controle interno, externo e social. Para compreender o OP é fundamental observar três instrumentos legais que o compõem, a saber: • Plano Plurianual – PPA – É elaborado pelo Poder Executivo. Nele são estabelecidos objetivos, diretrizes, metas e estratégias com investimentos, obras e programas. • Lei de Diretrizes Orçamentárias – LDO – Objetiva definir as metas e prioridades da administração pública para o ano subsequente. Deve respeitar as definições do PPA e serve de orientação para a elaboração da lei orçamentária anual. • Lei Orçamentária Anual – LOA – Elaborada a partir dos parâmetros definidos pela LDO e de acordo com o PPA, estima as receitas e fixa as despesas, expressas em valores, detalhando-as por órgão de governo e por função de toda a administração pública. 54 Para garantir a eficácia do orçamento público na sua execução, faz-se necessário o acompanhamento, a publicação da LDO e da LOA, a realização do controle e fiscalização por meio do Tribunal de Contas, Poder Legislativo, sociedade organizada em conselhos e Ministério Público. As ações da política municipal de EAN poderão estar descentralizadas nas diversas secretarias e órgãos do município. Dessa forma, o orçamento também é descentralizado. É importante que o município fortaleça as ações dessa política incrementando seu orçamento para que, assim, seja garantido o direito humano à alimentação adequada. 55 UNIDADE II Implementando ações de educação alimentar e nutricional 1 Promovendo alimentação saudável e adequada Daniella Perdigão Oliveira 1.1. Conceito Uma alimentação saudável é aquela que é preparada com os devidos cuidados de higiene e que oferece todos os nutrientes, substâncias contidas nos alimentos e necessárias ao nosso corpo e mente. O corpo e a mente necessitam de alimentos para funcionar bem. E estes alimentos fornecem a energia para o trabalho diário, contribuem para que os órgãos funcionem com saúde sendo fundamentais para o crescimento e desenvolvimento, além de prevenirem doenças. A alimentação saudável e adequada é um aspecto imprescindível para a promoção da saúde. a comida simboliza o contato diário com a vida e com o prazer, não apenas na dimensão da necessidade orgânica, mas, também, no sentido de continuar a participar socialmente do mundo. (roteMBerG, 2004) “O Poder Público garantirá o direito à segurança alimentar e nutricional sustentável no Estado, em conformidade com o disposto na Lei nº 15.982, de 29 de janeiro de 2006, e no decreto n° 44.355, de 19 de julho de 2006. Considera-se segurança alimentar e nutricional sustentável a realização do direito de todas as pessoas ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso ao atendimento de outras necessidades essenciais, com base em práticas alimentares saudáveis, que respeitem a diversidade cultural e que sejam ambiental, cultural, econômica e socialmente sustentáveis. O direito humano fundamental à alimentação adequada, objetivo primordial da Política Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável, é direito absoluto, intransmissível, indisponível, irrenunciável, imprescritível e de natureza extra patrimonial. É dever do poder público, em 61 todos os níveis, da família e da sociedade em geral respeitar, proteger, promover e garantir a realização do direito humano à alimentação adequada.” (decreto n° 44.355, de 19 de julho de 2006). A realização de um direito humano básico, com a garantia ao acesso permanente e regular, de forma socialmente justa, a uma prática alimentar adequada aos aspectos biológicos e sociais dos indivíduos, de acordo com o ciclo de vida e as necessidades alimentares especiais, considerando e adequando quando necessário referencial tradicional local deve atender aos princípios da variedade, qualidade, equilíbrio, moderação, prazer e sabor, às dimensões de gênero, raça e etnia, e às formas de produção ambientalmente sustentáveis, livre de contaminantes físicos, químicos e biológicos e de organismos geneticamente modificados. (III Conferência Nacional de SAN, Fortaleza, 2007). Vida saudável é bem-estar físico, mental e social. A construção do aprendizado do que vem a ser uma alimentação saudável e adequada se dá através de várias fontes de informação. 62 comer ou alimentar-se? Quando uma pessoa come, ela apenas mata a fome; ao se alimentar, a pessoa se nutre, fortalece o corpo, a mente, e contribui para o desenvolvimento de um ser humano mais feliz. De acordo com ROTENBERG, 2004, antigamente era mais comum as pessoas aprenderem entre conversas “de mulheres”, com suas experiências e vivências que eram repassadas de mãe para filha e de avó para neta. Atualmente as fontes são diversas, as mulheres estão inseridas no mercado de trabalho e cotidianamente as informações acerca de uma alimentação saudável e adequada são divulgadas através de revistas, jornais, programas de rádio, televisão e outros. O volume de informações é grande e o nível destas é muito específico para ser compreendido e apreendido pela população de uma forma geral. Muitas vezes são informações inadequadas já que não se leva em consideração a idade, o sexo, a altura, a genética familiar, a atividade física exercida ao longo do dia, dentre outros fatores. Pois, nem tudo o que se lê ou que se ouve em relação a uma alimentação saudável serve igualmente para todos, afinal somos bioquimicamente e psiquicamente diferentes. à o acesso o ão e a informaç ento do conhecim r uma a se que vem ção alimenta le saudáve a é um adequad umano. direito h 63 1.2. Fatores facilitadores e dificultadores na promoção da EAN Entre os desafios para a promoção da EAN estão a divulgação e o conhecimento dos direitos, a compreensão da história de vida e os fatores determinantes do comportamento alimentar e suas consequências. As transformações sociais, econômicas e demográficas ocorridas durante as últimas décadas têm contribuído para as mudanças do perfil epidemiológico, de padrões alimentares, de atividade física, de ingestão alcoólica, de estimulantes e tóxicos. Em decorrência do aumento de práticas alimentares inadequadas, vários problemas de saúde vêm elevando o índice de sobrepeso, obesidade, doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes, colesterol alto, entre outras. O processo de conhecimento do problema e as etapas de aconselhamento são eficazes para ajudar os indivíduos a compreender e conscientizar-se das possibilidades de mudança das práticas alimentares. Utilizar práticas adequadas e saudáveis, com autonomia é exercer o papel de sujeito protagonista no programa de educação alimentar e nutricional em saúde, de modo a buscar qualidade de vida de forma ampla. As restrições ao acesso aos alimentos resultam em fenômenos simultâneos: a população dos estratos sociais mais pobres está desnutrida por não ter o suficiente para se alimentar e obesa por ter acesso aos alimentos industrializados Embora seja imprescindível comida farta todo dia, ainda é preciso aprender o que é um alimento saudável e adequado. 64 de má qualidade nutricional e baixo custo. E é sabido que para se alimentar com saúde e adequadamente não é preciso ter alto poder aquisitivo, é preciso obter informação adequada da qualidade e da quantidade do que se deve ingerir. Ultimamente o modo como as pessoas se comportam tem sido influenciado pela mídia e pelo mercado de consumo, fortalecidos com o surgimento das mais variadas técnicas de marketing e publicidade sobre o consumo dos alimentos influenciado pela praticidade da vida moderna. Para Boog (1998), “a mídia não preenche o espaço do encontro humano, do diálogo, do sentido da vida, ela pressupõe preencher, através do consumo, de dramatizações e encontros plenos, o vazio de uma vida sem sentido”. Considera-se que a ajuda recebida por uma pessoa, através de um profissional da nutrição (o nutricionista), para resolver problemas alimentares insere-se numa busca maior por qualidade de vida, que ocorre em determinado momento da história pessoal, e o aconselhamento dietético pode, se convenientemente conduzido, constituir-se em oportunidade para a busca ativa de uma vida mais prazerosa e mais plena. É mister destacar a distinção que Boog (1998) faz entre orientação nutricional e educação nutricional: a primeira expressão significa o fazer imediato, com as instruções propriamente ditas, dietas com objetivos específicos, com certo rigor para horários e técnicas, enquanto a educação nutricional volta-se para a formação de valores, do prazer, da responsabilidade, da criticidade, do lúdico e da liberdade, lembrando ainda que esta contempla a orientação nutricional e sua dimensão social e política. O acolhimento ao indivíduo é fundamental para se ter um resultado positivo do trabalho. Este saber necessário à prática profissional pode estar apoiado na concepção de FREIRE: “precisamos aprender a compreender a significação de um silêncio, ou de um sorriso ou de uma retirada da sala. O tom menos cortês com que foi feita uma pergunta”, assim como do acesso expressivo íntegro. Para que se sobreponha às dificuldades e intensifique os facilitadores é indispensável que o sujeito se disponha ao aprendizado e a mudança comportamental. 65 1.3. Onde Promover EAN A educação alimentar pode ser desenvolvida em escolas públicas e particulares, independente da idade, em centros de saúde, individualmente ou em grupos (de obesos, diabéticos, hipertensos e outros), em clubes, igrejas, academias, em empresas e em qualquer lugar onde se faça necessário disseminar informações sobre o que vem a ser uma alimentação adequada e saudável. 1.4.Profissionais envolvidos – Equidade É importante que o público envolvido no trabalho da educação alimentar seja de equipe multidisciplinar, se possível com um maior número de profissionais da saúde, como: nutricionistas, enfermeiros, médicos, fisioterapeutas, dentistas, educadores físicos, profissionais da educação (educadores) e outros, afinal o desenvolvimento de trabalho em conjunto com vários profissionais de áreas diferentes pode auxiliar diretamente na qualidade de vida, prevenção de doenças e manutenção da saúde dos atendidos. 66 2 Algumas metodologias em EAN Mariana lage de Oliveira Andrade - Organizadora Adilana de Oliveira Alcântara - Colaboradora 2.1. Trabalhando com grupos ou individualmente Para o desenvolvimento das práticas educativas sobre alimentação e nutrição, é interessante utilizar diversos recursos didáticos e incentivar atividades criativas que possibilitem ao cidadão entender o tema de maneira crítica e contextualizada. Tais atividades precisam de metodologias dialógicas, ou seja, que estabeleçam relações entre sujeitos. Nessa perspectiva, as oficinas são ótimas maneiras de trabalhar com a temática da educação alimentar e nutricional, pois são ações que promovem a construção coletiva do conhecimento, instigando a reflexão sobre o sentido e o significado da alimentação saudável e variada em todas as etapas da vida. Ou seja, as oficinas propostas são também espaços de construção e reconstrução coletiva do saber, incentivando os participantes a manifestarem de diferentes formas as percepções sobre sua identidade. Exemplos de Oficinas – Alimentação Saudável e Adequada Dez passos para uma alimentação saudável Público alvo: Adultos saudáveis Tema da atividade: Dez passos para uma alimentação saudável Objetivo da atividade: Promover hábitos de vida saudáveis. Infraestrutura necessária: Ambiente aberto ou fechado que possua uma parede de boa visibilidade para afixar cartazes. Nº min. de participantes: – Nº máx. de participantes: – Materiais: – 4 folhas de papel pardo – Canetinhas coloridas – Figuras de hábitos saudáveis – Os dez passos para a alimentação Saudável do Ministério da Saúde (disponível em: http://nutricao.saude.gov.br/pas.php) 69 Colar duas folhas de papel pardo formando um grande mural. Desenhar nas outras duas folhas de papel pardo dez pés em tamanho grande e recortá-los. Em cada molde de pé escrever a síntese de cada passo dos dez passos para uma alimentação saudável, preconizados pelo Ministério da Saúde (Material de apoio). Ilustrar o cartaz com figuras coloridas referentes a uma vida saudável. Metodologia: O cartaz deve ser exposto aos participantes que devem ser incentivados a fazerem uma reflexão sobre a primeira impressão que tiveram sobre as figuras. A seguir o facilitador deve ler cada um explicando a importância do mesmo e “dando dicas” de como as pessoas podem conseguir praticá-lo em seu dia a dia. Tempo previsto para realização da atividade: 40 minutos 70 Material de apoio Síntese dos “Dez passos para uma alimentação saudável” preconizados pelo Ministério da Saúde 1 – Faça pelo menos 3 refeições (café-da-manhã, almoço e jantar) e 2 lanches saudáveis por dia. Não pule as refeições. 2 – Inclua diariamente 6 porções do grupo de cereais (arroz, milho, trigo, pães e massas), tubérculos como as batatas e raízes como a mandioca nas refeições. Dê preferência aos grãos integrais e aos alimentos na sua forma mais natural. 3 – Coma diariamente pelo menos 3 porções de legumes e verduras como parte das refeições e 3 porções ou mais de frutas nas sobremesas e lanches. 4 – Coma feijão com arroz todos os dias ou, pelo menos, 5 vezes por semana. Esse prato brasileiro é uma combinação completa de proteínas e bom para a saúde. 5 – Consuma diariamente 3 porções de leite e derivados e 1 porção de carnes, aves, peixes ou ovos. Retirar a gordura aparente das carnes e a pele das aves antes da preparação torna esses alimentos mais saudáveis! 6 – Consuma, no máximo, 1 porção por dia de óleos vegetais, azeite, manteiga ou margarina. 7 – Evite refrigerantes e sucos industrializados, bolos, biscoitos doces e recheados, sobremesas e outras guloseimas como regra da alimentação. 8 – Diminua a quantidade de sal na comida e retire o saleiro da mesa. 9 – Beba pelo menos 2 litros (6 a 8 copos) de água por dia. Dê preferência ao consumo de água nos intervalos das refeições. 10 – Torne sua vida mais saudável. Pratique pelo menos 30 minutos de atividade física todos os dias e evite as bebidas alcoólicas e o fumo. 71 Material de apoio Figura ilustrativa para exemplificar o mural 72 Semáforo da alimentação saudável Público alvo: Crianças, adultos ou idosos saudáveis Tema da atividade: Alimentação saudável Objetivo da atividade: Promover hábitos de vida saudáveis Infraestrutura necessária: Ambiente aberto ou fechado que possua uma parede de boa visibilidade para afixar cartazes. Nº min. de participantes: 1 Nº máx. de participantes: 30 Materiais: – – – – – 1 folha de papel pardo; 1 folha de papel vermelho; 1 folha de papel amarelo; 1 folha de papel verde; diversas figuras de alimentos. Recortar as folhas coloridas em forma de círculo e colá-las na folha de papel pardo montando um mural em forma de semáforo de trânsito. Metodologia: As figuras dos alimentos deverão ser distribuídas aos participantes. A seguir, todos serão convidados a afixá-las no semáforo conforme esquema abaixo: • Vermelho → sinal de perigo, alimentos que podem trazer malefícios • amarelo → sinal de alerta, alimentos que devem ser consumidos com moderação • verde → sinal livre, alimentos que trazem benefícios 73 Quando todas as figuras estiverem afixadas no cartaz o facilitador deve destacar aquelas que foram posicionadas adequadamente e redistribuir as outras que foram colocadas em lugares errados. Deve-se sempre relacionar as cores ao nível de consumo (segundo a pirâmide de alimentos) e ressaltar a importância de usar a ideia do semáforo como exemplo na alimentação do dia a dia. Tempo previsto para realização da atividade: 40 minutos Material de apoio Figura ilustrativa para exemplificar o mural → → → 74 Conhecendo os grupos de alimentos Cereais Público alvo: Crianças e adolescentes Tema da atividade: Cereais Objetivo da atividade: Promover hábitos de vida saudáveis e incentivar práticas que levem a perda de peso. Incentivar o bom humor e alegria. Infraestrutura necessária: Escolas, ambiente aberto ou fechado, cadeiras Nº min. de participantes: 2 Nº máx. de participantes: 12 Materiais: – Figuras de alimentos do grupo dos cereais; – Cartolina branca – Perguntas sobre o conteúdo trabalhado (Material de apoio) Para confeccionar o jogo de cartas recorte a cartolina branca em retângulos de 10x5cm. Em um verso coloque um grande ponto de interrogação e no outro uma pergunta ou desafio. Metodologia: Apresentar aos participantes as figuras dos alimentos ressaltando a importância dos cereais como fonte de energia. Incentivar o consumo dos cereais integrais em detrimento dos cereais refinados e buscar desfazer o mito de que os cereais promovem o ganho de peso. Para reforçar o conteúdo e dinamizar a atividade divida os participantes em duas equipes, para fazer o jogo das cartas. Cada integrante da equipe escolhe uma carta, alternando as equipes. As cartas poderão conter uma pergunta, uma mímica a ser realizada e adivinhada pela equipe ou ganho ou perda de pontuação direta. As cartas com perguntas, quando acertadas, valem 1 ponto e as mímicas, quando adivinhadas valem 2. O ganho ou perda direta de pontos variava de 2 a 5 pontos. A equipe que ao final obtiver maior pontuação é a campeã. Tempo previsto para realização da atividade: 60 minutos 75 Material de apoio JOGO DE CARTAS SURPRESA! Perca 1 ponto! PERGUNTA Os cereais são alimentos que: a) dão energia b) engordam muito c) constroem os músculos (vale 1 ponto) PERGUNTA Antes de praticarmos exercícios físicos, devemos consumir: a) cereais b) legumes c) frutas ? (vale 1 ponto) PERGUNTA Pertence ao grupo dos cereais: a) Feijão b) Arroz c) Carne (vale 1 ponto) PERGUNTA Os alimentos do grupo dos cereais devem ser: a) alimentos menos consumidos ao dia b) alimentos não consumidos todos os dias c) alimentos mais consumidos ao dia (vale 1 ponto) 76 MÍMICA Imite alguém comendo macarrão ? (vale 2 pontos) PERGUNTA Qual tipo de bolo não pertence aos cereais? a) bolo de fubá b) bolo de cenoura c) bolo de aniversário ? (vale 1 ponto) PERGUNTA Para não fazer com que os cereais engordem muito, NÃO devemos adicionar a eles; a) molhos b) temperos c) sal PERGUNTA Pertence ao grupo dos cereais: a) cenoura b) beterraba c) mandioca (vale 1 ponto) (vale 1 ponto) PERGUNTA Não pertence ao grupo dos cereais: a) batata cozida b) batata frita c) batata assada (vale 1 ponto) ? PERGUNTA Qual tipo de biscoito NÃO pertence ao grupo dos cereais? a) biscoito recheado b) biscoito água e sal c) biscoito maisena PERGUNTA Qual tipo de pó NÃO é considerado cereal? a) fubá b) farinha de trigo c) açúcar (vale 1 ponto) (vale 1 ponto) 77 Conhecendo os grupos de alimentos Frutas e verduras Público alvo: Adultos com sobrepeso ou obesidade Tema da atividade: Frutas, Verduras e Legumes Objetivo da atividade: Promover hábitos de vida saudáveis e incentivar práticas que levem a perda de peso. Promover escolhas alimentares mais saudáveis. Incentivar o bom humor e alegria. Infraestrutura necessária: Ambiente aberto ou fechado, cadeiras Nº min. de participantes: 1 Nº máx. de participantes: – Materiais: – Figuras de frutas e hortaliças identificada pela sua quantidade de calorias/100 principais nutrientes (Material de apoio). – Figuras de alimentos não saudáveis identificados pela sua quantidade de calorias/100 principais nutrientes (Material de apoio). Metodologia: Primeiramente deve-se explicar aos participantes que engordamos porque comemos excesso de calorias; que nos tornamos sedentários com as facilidades da vida moderna, a oferta de alimentos calóricos é abundante e que por isso devemos optar por alimentos mais saudáveis no nosso dia a dia, como as frutas, que pode contem menos calorias, além de serem ricas em fibras alimentares, vitaminas, minerais e antioxidantes. Para demonstrar a diferença em termos calóricos de alimentos saudáveis e não saudáveis apresente uma figura de uma fruta ou hortaliça com sua respectiva identificação e, em seguida, apresente a figura de um alimento não saudável reforçando os malefícios de seus principais componentes (gordura, açúcar, colesterol). Tempo previsto para realização da atividade: 60 minutos 78 Material de apoio Figuras de alimentos saudáveis (calorias/100g) 49 calorias 15 calorias Rica em fibras, vitaminas e minerais Rica em fibras, vitaminas e minerais 37 calorias 48 calorias Rica em fibras, vitaminas e minerais Rica em fibras, vitaminas e minerais 33 calorias 98 calorias Rica em fibras, vitaminas e minerais Rica em fibras, vitaminas e minerais 79 Material de apoio Figuras de alimentos NÃO saudáveis (calorias/100g) 543 calorias 283 calorias Rico em gordura e sódio Rico em colesterol e gordura 410 calorias 306 calorias Rico em açúcar e gordura Rico em calorias, gordura e sódio 107 calorias 547 calorias Rico em açúcar e sódio (1 copo - 250ml) Rico em açúcar, gordura e colesterol 80 Conhecendo os grupos de alimentos Leites e derivados, carnes, ovos e leguminosas Público alvo: Adultos e idosos Tema da atividade: Leites e derivados, carnes, ovos e leguminosas Objetivo da atividade: Promover hábitos de vida saudáveis Infraestrutura necessária: Ambiente aberto ou fechado, cadeiras Nº min. de participantes: 1 Nº máx. de participantes: 12 Materiais: – – – – 1 folha de cartolina azul 1 folha de cartolina amarela 1 folha de cartolina rosa Canetinha Recorte cada folha de cartolina em oito retângulos. Nos retângulos azuis escreva os nomes dos alimentos, nos retângulos amarelos as características dos alimentos e nos retângulos rosas as recomendações do alimento (Material de apoio). Esses cartões com informações variadas e misturadas formam o Jogo “Ligue os fatos”. Metodologia: Inicialmente, deve-se discutir o papel dos grupos leite e derivados, carnes e ovos e leguminosas na nossa saúde e os riscos que podem trazer se ingeridos em excesso. Em seguida, distribuir aos participantes informações variadas sobre esses alimentos para que tentem fazer associações. Em seguida, a solução para o problema deve ser oferecida e as informações obtidas devem ser discutidas e comentadas com base nos princípios da alimentação e modos de vida saudáveis. Tempo previsto para realização da atividade: 60 minutos 81 Material de apoio JOGO lIGUE OS FATOS (SOlUçÃO DO PROBlEMA) Queijos Leite → São mais concentrados que o leite, pois são feitos a partir deles. → Os brancos são menos gordurosos que os amarelos. → O cálcio ajuda os ossos e dentes a ficarem mais fortes. → Os desnatados têm menos gorduras. Carne de boi → O ferro que previne a anemia. → Devemos sempre retirar sua gordura aparente, pois assim ficam mais saudáveis. Carne de frango → O peito é a parte mais magra. → Deve-se retirar sua pele para ingeri-la. Ovos → É composto por duas partes, sendo que uma delas tem muito colesterol. → Uma forma mais saudável de consumi-lo é chamada de pochê. Peixe → Possui gorduras boas. → Os de cor mais vermelha são mais gordurosos. → É uma boa opção de proteína, principalmente para quem não consome carne. → Deve ser consumido sempre acompanhado do arroz. → As proteínas que ajudam a construir nossos músculos. → Não devemos consumilos em excesso, pois não precisamos deles em grande quantidade. Leguminosas Grupo dos “alimentos construtores” 82 Conhecendo os grupos de alimentos Açúcares e gorduras Público alvo: Crianças Tema da atividade: Açúcares e gorduras. Fechamento da seqüência de atividades: pirâmide alimentar completa. Objetivo da atividade: Promover hábitos de vida saudáveis e incentivar práticas que levem a perda de peso. Infraestrutura necessária: Ambiente aberto ou fechado, cadeiras Nº min. de participantes: 1 Nº máx. de participantes: 12 Materiais: – 1 folha de papel pardo – Canetinha – Figuras de todos os grupos de alimentos Desenhar o esqueleto de uma pirâmide alimentar, em tamanho grande, na folha de papel pardo. Metodologia: Discutir com o grupo o perigo do consumo exagerado de açúcares e gorduras, enfatizando as consequências que esse hábito pode trazer para a saúde. Em seguida, pedir aos participantes que completem o esqueleto da Pirâmide Alimentar, de forma a avaliar se eles assimilaram as informações dadas nos encontros anteriores e verificando se eles possuem a visão do todo. Em seguida, o resultado obtido será discutido, corrigindo e explicando possíveis erros. As principais funções de cada grupo de alimentos devem ser retomadas rapidamente, a fim de se fazer uma pequena revisão de todos os assuntos trabalhos. Tempo previsto para realização da atividade: 60 minutos 83 Legenda: (naturalmente presente ou adicionada) Gordura Açúcar • Pirâmide alimentar adaptada Fonte: PHILIPPI, S. T. et al, 1996 84 CARRINHO DE COMPRAS Público alvo: Crianças e adultos Tema da atividade: Higiene alimentar e boas práticas de manipulação de alimentos Objetivo da atividade: Promover hábitos de vida e ganho de peso saudáveis Infraestrutura necessária: Ambiente aberto ou fechado, mesa e cadeiras Nº min. de participantes: 1 Nº máx. de participantes: 10 Materiais: – Figuras de alimentos de todos os grupos com respectivos preços (recortes de panfleto de supermercados) – Cartolina ou folha A3 quadriculada – “Semáforo da contaminação” (Material de apoio) Metodologia: Os participantes deverão distribuir as figuras na folha quadriculada conforme a ordem que colocam em seus carrinhos de supermercado na hora das compras. Em seguida o mediador deve ir recolocando os alimentos explicando a todos que o ideal é começar pelos alimentos não perecíveis e deixar os perecíveis por último, para que esses fiquem menos tempo possível fora de refrigeração. Para todos os alimentos o mediador deve fazer observações sobre os critérios de qualidade e que o consumidor deve observar as características organolépticas, a data de validade, se as latas não estão amassadas ou enferrujadas, se as embalagens não estão violadas e se os saquinhos não estão furados e com insetos. Todas essas orientações podem ser consultadas no site da ANVISA. Tempo previsto para realização da atividade: 60 minutos 85 MATERIAL DE APOIO Alimentos com alto risco de contaminação Alimentos com risco médio de contaminação Alimentos com baixo risco de contaminação 86 3 Aprendendo a se alimentar Daniella Perdigão Oliveira 3.1. Informações Nutricionais Nutrientes são substâncias presentes nos alimentos e utilizadas pelo corpo para produzir energia, crescer, desenvolver, reparar os tecidos e se proteger de doenças, denominados: carboidratos, proteínas, gorduras, vitaminas, sais minerais e fibras. Cada nutriente possui uma determinada função no organismo, assim, podemos dizer que o segredo de uma refeição saudável está na variedade e na combinação de alimentos. Os carboidratos desempenham um papel fundamental no corpo humano, fornecendo energia necessária para manter o corpo em funcionamento. o consumo exagerado de carboidratos pode causar obesidade, elevação das gorduras no sangue, aumento da pressão arterial, alterações ósseas (sobrepeso na coluna e articulações), diabetes e doenças cardíacas. Alimentos que são fontes: • Cereais: arroz, milho, trigo, aveia e centeio; • Raízes e tubérculos: batata doce, batata inglesa, mandioca, inhame e cará; • Farinhas: de milho, de trigo e de mandioca; • Massas: macarrão, pães, bolos, biscoitos, etc.; • Açúcar: mel, melado, açúcar cristal, açúcar refinado e açúcar mascavo. As proteínas são nutrientes fundamentais para a saúde, constroem e renovam os tecidos do corpo (músculos, ossos, cabelos, pele etc.) sendo indispensáveis para o crescimento e o desenvolvimento. 89 Alimentos que são fontes: • Carnes em geral (miúdos, peixes, aves, etc.); • Ovos, leite, iogurte, coalhada, queijos e requeijão; • Feijão, ervilha, lentilhas, soja, grão-de-bico; • Nozes, castanhas, amendoim; • Semente de abóbora, milho, girassol, gergelim. O consumo excessivo de proteínas causa o funcionamento excessivo dos rins, aumento da perda de cálcio na urina, elevação do ácido úrico, sendo um fator de risco para doenças das articulações, como a gota, e doenças do coração. As gorduras são uma fonte importante de energia e fazem parte da constituição das membranas celulares, sendo a maior parte da reserva de energia armazenada. Elas transportam as vitaminas A, D, E e K, servem de proteção para os órgãos internos e funcionam como isolante térmico, protegendo o corpo contra mudanças bruscas de temperatura. Alimentos que são fontes: • • • • • 90 Leite integral e derivados (manteiga, margarina, queijos); Óleos; Sementes, abacate, castanhas, nozes, coco; Carnes em geral; Gema de ovo. o excesso de gorduras no organismo pode causar o aumento do peso corporal, aterosclerose (acúmulo de gordura dentro das artérias), dislipidemia (aumento das gorduras do sangue). As vitaminas são nutrientes essenciais para a boa nutrição, fundamentais para o bom funcionamento do organismo. Elas incluem vitaminas A, complexo B, C, D, E e K. VITAMINA A Tem um papel fundamental no processo da visão, atua no desenvolvimento dos ossos e tecidos (pele e mucosas), previne contra doenças respiratórias, protege o corpo contra doenças crônico degenerativas, atua sobre a pele, cabelo e unhas e diminui a formação de radicais livres. Encontrada principalmente em: • Vegetais amarelo-alaranjados (cenoura, abóbora, batata, caju, mamão, pêssego, manga, melão, etc); • Folhas verde-escuras (couve, agrião, taioba, ora-pro-nóbis, serralha, brócolis, etc); • Fígado, gema de ovo; • Leite integral e derivados; • Óleo de bacalhau. os sucos e as saladas devem ser consumidos preferencialmente logo após o preparo, aproveitando-se mais os nutrientes dos alimentos. A falta ou carência de vitamina A pode causar: cegueira noturna; dificuldade de adaptação à luz forte; problemas de pele, cabelo e unhas; dor e fragilidade dos ossos; fadiga; diminuição da resistência às infecções e atraso no crescimento. 91 VITAMINAS DO COMPLEXO B São essenciais para a produção de anticorpos, protegendo das infecções; atuam no sistema nervoso central, coração e músculos; auxiliam no aproveitamento dos carboidratos, proteínas e gorduras; estimulam o crescimento; combatem o estresse; colaboram na formação dos glóbulos vermelhos do sangue; favorecem a regeneração dos tecidos; ajuda a regular os líquidos do corpo e são importantes para concentração e memória. as vitaminas do complexo B são divididas assim: B1 (tiamina), B2 (riboflavina), B3 (niacina), B5 (ácido pantotênico), B6 (piridoxina), B7 (Biotina), B9 (ácido fólico) e B12 (cianocobalamina). Alimentos que são fontes: • • • • • • Carnes, miúdos (fígado, rim, coração), peixes, ovos; Leite e derivados; Feijão, vagem, ervilha, lentilha; Brócolis, pimentão, agrião, serralha, rúcula, couve, mostarda, taioba; Sementes oleaginosas (nozes, amendoim, castanhas, etc); Cereais integrais e farelos, gérmen de trigo, etc. A falta ou carência de vitaminas do complexo B pode causar: lesões de pele; fraqueza muscular e perda de peso; insônia; depressão; cansaço; distúrbios nervosos; falta de apetite; anemias; dificuldade de respiração; apatia (desânimo) e dificuldade de aprendizagem. 92 VITAMINA C Aumenta a resistência às infecções; favorece a cicatrização e o crescimento normal dos ossos; conserva os vasos sanguíneos e os tecidos; ajuda na absorção do ferro de origem vegetal; previne as doenças da gengiva e combate os radicais livres. A vitamina C é melhor aproveitada quando as frutas e hortaliças são consumidas frescas e cruas. Encontrada em: • Limão, laranja, lima, tangerina, abacaxi, caju, acerola, kiwi, goiaba, manga, morango; • Salsa, pimentão, pimenta, brócolis, couve-flor, couve, tomate, repolho. A falta ou carência de vitamina C pode causar: problemas nas gengivas; escorbuto; falta de resistência às infecções; dificuldade de cicatrização; aparecimento de rugas; flacidez e cansaço. 93 VITAMINA D Fixa o cálcio e o fósforo em dentes e ossos; regula o crescimento; previne o raquitismo e possui papel importante no sistema de defesa do organismo (sistema imunológico). Encontrada principalmente em: • Leite integral e derivados (manteiga, queijo, iogurte, nata do leite); • Gema de ovo; • Peixes, óleo de fígado de peixe, etc.; • Miúdos (fígado). A falta ou carência de vitamina D pode causar: raquitismo; osteomalácia (ossos moles); deformação na coluna vertebral e pélvis e osteoporose. é importante tomar sol para que a vitamina d seja ativada em nosso organismo. e o ideal é tomar sol até 10 horas da manhã e após 16 horas. uns 15 minutos de sol por dia são suficientes. VITAMINA E Retarda o envelhecimento (sua ação antioxidante ajuda a combater os radicais livres); previne contra doenças do coração, pulmão e do sistema nervoso; aumenta a fertilidade; prolonga a vida dos glóbulos vermelhos. Principalmente encontrada em: • • • • • • 94 Óleos vegetais (de soja, milho, algodão, girassol, oliva); Gérmen de trigo, cereais integrais; Vegetais verdes; Gema de ovo, leite integral e derivados; Carnes (especialmente o fígado); Nozes, coco, amendoim. VITAMINA K É essencial no processo de coagulação do sangue, prevenindo hemorragias; ajuda na fixação de cálcio nos ossos e manutenção do tecido muscular; participa do metabolismo das proteínas e auxilia a respiração. Encontrada principalmente em: • Repolho, espinafre, couve-flor, brócolis, couve, nabo, alface, agrião, aspargo; • Leite integral e derivados; • Miúdos (fígado). A falta ou carência de vitamina K pode provocar hemorragia. SAIS MINERAIS Os sais minerais são nutrientes que desempenham diversas funções essenciais no organismo. Ajudam o corpo a funcionar de forma adequada e a manter a saúde. São eles: cálcio, cloro, cobre, iodo, ferro, sódio, magnésio, manganês, fósforo, potássio, selênio, enxofre e zinco. Veja as funções e principais fontes de alguns desses minerais. CÁLCIO Atua na construção e manutenção de ossos e dentes; previne a osteoporose; age na coagulação do sangue e oxigenação dos tecidos, essencial na transmissão dos impulsos nervosos e na regulamentação dos batimentos cardíacos; no caso de gestantes, é necessário para a formação do feto. Encontrado principalmente em: • Leite e derivados; • Vegetais verdes (repolho, couve, espinafre, taioba, brócolis, mostarda, folhas verdes em geral); • Peixes, mariscos, ostras. A falta ou carência de cálcio na alimentação provoca: deformação óssea; osteoporose; osteomalácia (amolecimento dos ossos); retardo no crescimento (raquitismo); enfraquecimento dos dentes; instabilidade emocional e insônia. 95 FERRO Ajuda na formação da hemoglobina (substância existente no sangue e que desempenha a tarefa de transportar o oxigênio dos pulmões até as células) e atua na transferência do oxigênio para todo o organismo. Para melhorar a absorção do ferro pelo nosso organismo, é essencial que se coloque um alimento fonte de vitamina C junto às refeições que contenham ferro. Encontrado principalmente em: • • • • • Carnes, miúdos; Feijões, ervilhas, folhas verde-escuras; Rapadura; Gema de ovo; Cereais integrais e farelos. A falta ou carência de ferro na alimentação provoca: anemia ferropriva, fadiga e tontura. 96 IODO Indispensável ao bom funcionamento da glândula tireóide, que regula o crescimento e o desenvolvimento físico e mental do indivíduo. É um componente dos hormônios da reprodução. Encontrado principalmente em: • Peixes de água salgada (robalo, pescada, tainha, linguado, bagre, peroá, etc.); • Sal de cozinha (todo sal de cozinha deve conter iodo); • Agrião, couve, aspargo, rabanete. A falta ou carência do iodo sobrecarrega as funções da glândula tireóide, aumentando o seu volume na base do pescoço. Essa doença é chamada de bócio (também conhecida como “papo”). No Brasil, desde 1953, a iodação do sal é obrigatória por lei. O consumidor deve verificar a embalagem do produto que traz os dizeres “sal iodado” ou “contém iodo” 97 FÓSFORO Atua na formação dos ossos e dentes; contribui para o crescimento e renovação da estrutura óssea, junto com o cálcio e a vitamina D. Combate o raquitismo. É fundamental para o sistema nervoso e atividade muscular. Encontrado principalmente em: • • • • • Carnes, aves, miúdos, peixes, ovos; Leite e derivados; Nozes, amendoim, castanhas; Feijão, ervilha; Cereais integrais, aveia, milho. A falta ou carência do fósforo provoca o raquitismo, que é a maior possibilidade de ocorrência de fraturas; músculos atrofiados e alterações nervosas. as frutas, verduras e legumes no período de safra estão mais nutritivos e preços mais em conta. 98 ZINCO Atua no crescimento e desenvolvimento; ajuda na formação dos ossos; participa do metabolismo das proteínas e dos carboidratos. É importante para a imunidade e defesa do organismo. Encontrado principalmente em: • Carnes, aves, fígado, frutos do mar; • Nozes, aveia; • Leite e derivados; • Soja, espinafre, cenoura, agrião e abacaxi. A combinação de vitamina C mais zinco é valiosa para a saúde, essencial para que o sistema imunológico atue de modo eficaz. A falta ou carência de zinco acarreta baixa resistência do organismo; lesões de pele; distúrbios gastrointestinais; atraso no crescimento e perda de apetite. MAGNÉSIO Essencial na formação de nervos e músculos saudáveis; atua na formação dos tecidos, dentes e ossos; promove o relaxamento muscular e previne as doenças cardíacas. Encontrado principalmente em: • Vegetais verdes; • Figo, milho, maçã, castanhas; • Gérmen de trigo, soja. A falta ou carência de magnésio no organismo pode ser responsável pela má formação de dentes e ossos e também pode provocar extrema sensibilidade ao frio e ao calor. 99 POTÁSSIO Auxilia na regulação da atividade neuromuscular; ajuda a regular os líquidos do corpo; contribui no processo de crescimento e é importante para o equilíbrio da pressão arterial. Encontrado principalmente em: • • • • • Vegetais verdes; Laranja, banana, batata doce, batata inglesa, tomate, abacaxi; Cereais integrais, ervilha, lentilha; Nozes; Carnes em geral. A falta ou carência de potássio provoca fraqueza muscular, problemas cardiovasculares e apatia mental (raciocínio lento, falta de concentração). A perda excessiva de líquidos (através de vômitos, diarréia e diurese prolongada) pode resultar em deficiência de potássio. 100 FIBRAS As fibras alimentares são substâncias vegetais de grande importância para o bom funcionamento do corpo. Elas não são digeridas pelo organismo, portanto, não são fontes de energia. Elas estimulam o funcionamento eficiente do intestino, combatendo a prisão de ventre e evitando doenças intestinais; auxiliam no controle do excesso de peso, pois, aumentam a saciedade e retardam o esvaziamento gástrico; ajudam no controle do colesterol e da diabetes. São encontradas nas polpas, cascas, películas, bagaços e sementes de alguns alimentos, tais como: • • • • • Cereais e farinhas integrais, farelo de trigo; Verduras de folha; Frutas frescas ou secas; Feijão, vagem, grão-de-bico, ervilha, lentilha e soja; Nozes, castanhas, amendoim, coco e pinhão. Quando a dieta for rica em fibras, o consumo de água deve ser aumentado. O excesso de fibras pode provocar obstrução intestinal, principalmente quando a ingestão for feita na forma concentrada e desidratada. A falta de fibras na alimentação provoca mau funcionamento do intestino, obesidade e problemas cardíacos. 101 ÁGUA A água é a substância mais abundante do corpo humano. Ela é um componente essencial de todos os tecidos do organismo. Sem a água o corpo humano só continuaria funcionando por poucos dias. A perda de 20% de água corpórea pode causar a morte e uma perda de apenas 10% causa distúrbios graves. A quantidade de água perdida a cada 24 horas deve ser reposta para manter a saúde e a eficiência do organismo. Em geral, adultos devem consumir diariamente de 2,0 a 3,5 litros de água (conforme o peso). A água desempenha um papel essencial em quase todas as funções do corpo humano; é utilizada para a digestão, para a absorção e para o transporte de nutrientes; assume o papel de solvente para os resíduos do corpo e também dilui sua toxicidade, ajudando no processo de excreção do corpo; ajuda a manter a temperatura do corpo estável e mantém a pele macia e elástica. A deficiência de água no organismo pode causar desidratação, pele ressecada, saliva grossa, urina mais concentrada (com coloração amarelo mais acentuado). Baixo consumo crônico de água aumenta o risco de cálculo (pedras) renal. A falta ou carência de nutrientes na alimentação prejudica o desenvolvimento e crescimento do organismo; diminui a resistência do indivíduo às doenças; pode levar a quadros sérios de desnutrição; interfere na recuperação 102 de tecidos (queimaduras, feridas, traumas, etc) e na produção de substâncias, como os hormônios, levando ao mau funcionamento do organismo. Sucos, chás, café e a maioria dos alimentos contêm água, mas, as pessoas não devem se esquecer de beber água pura. Em casos de vômitos e diarréia é importante aumentar o consumo de líquidos como: água, suco de frutas, chás e soro caseiro. Compreende-se como práticas alimentares: a seleção, o consumo, a produção da refeição, o modo de preparação, de distribuição, de ingestão, isto é, o que se planta, o que se compra, o que se come, como se come, onde se come, com quem se come, em que frequência, em que horário, em que combinação, tudo isso conjugado como parte integrante das práticas sociais. Por isso mesmo, alimentação se diferencia dependentemente da idade, do estado de saúde e da situação social. (ROTENBERG, 2004). Para garantir uma alimentação nutritiva e balanceada, o cardápio deve ser o mais variado possível, promovendo um equilíbrio entre a quantidade e a qualidade de alimentos. 103 As refeições em família representam um importante evento na promoção de uma alimentação saudável e adequada. Os pais servem como modelo para o comportamento alimentar das crianças, melhorando a qualidade da alimentação da família, e sem contar, que modificar hábitos alimentares durante a fase adulta tem alta taxa de insucesso. (ROSSI & ET AL, 2008). “Os hábitos e as práticas alimentares são permeados pelo aprendizado materno, que têm início na infância, e são associados aos hábitos urbanos de consumo.” (ROTENBERG, 2004). a falta de ferro causa anemia e aumenta as complicações no parto, como a hemorragia, uma das principais causas de morte materna. 104 3.2. Informações para Grupos Específicos GESTAÇÃO A gestação acarreta uma série de alterações anatômicas e fisiológicas no organismo materno, solicitando uma atenção maior em relação à ingestão e escolha dos alimentos e consequentemente uma maior necessidade de todos os nutrientes. A importância do pré-natal se dá por vários fatores, dentre eles, o peso da mulher antes de engravidar é fundamental para se fazer o cálculo de calorias que esta gestante poderá adquirir ao longo da gestação. O estado nutricional da mãe é importante para a saúde do bebê. Estudos mostram que mães desnutridas têm 75% de chance de seus bebês nascerem prematuros, e destes nascerem com menos de 2,5 quilos. Apesar de a gestante poder ingerir uma quantidade maior de alimentos, deve-se ter muito cuidado com a qualidade do que está sendo ingerido, afinal, nesta fase corre-se o risco de diabetes gestacional e hipertensão arterial, além de outras doenças, resultantes de uma alimentação inadequada. O uso de drogas atinge a criança dentro do útero. O hábito de fumar dificulta o crescimento da criança, prejudica o toda desenvolvimento do sistema nervoso, gestante além de aumentar os riscos de nascimento tem o direito fora de tempo. Bebês recém-nascidos humano ao pré-natal, que foram expostos ao álcool durante realizado por a gestação mostram sinais de retardo profissionais de saúde. mental e anormalidades físicas. além de controlar a saúde A alimentação começa ainda no da gestante e do bebê, o útero. Pelo cordão umbilical passam pré-natal deve orientar todos os nutrientes que o neném sobre alimentação necessita para se desenvolver, por isso saudável e adequada mesmo a alimentação da gestante deve e amamentação. ser saudável e adequada para que o bebê receba estes nutrientes. A mãe não deve ingerir álcool, nem fazer uso de cigarros ou qualquer outra droga. 105 NUTRIZ E LACTENTE Nutriz é a mulher que amamenta no período que se inicia logo depois do parto até o desmame da criança. A alimentação adequada da nutriz é importante para melhorar a composição e a formação do leite e manter a sua saúde. É essencial ter uma dieta balanceada, rica em proteínas, carboidratos, gorduras, vitaminas, minerais, fibras e muita água (no mínimo 8 copos por dia). Não são recomendados para a nutriz as frituras, fumo, bebidas alcoólicas, café, excesso de chá preto e mate. Também devem ser evitados os alimentos muito fortes e gordurosos, como carne de porco e embutidos, pois podem provocar reações como cólicas e alergias em algumas crianças durante o aleitamento. O horário das refeições deverá ser estabelecido de maneira que não interfira nas mamadas, para garantir a tranquilidade indispensável ao ato da amamentação. É importante repousar um pouco durante o dia, aproveitando o horário em depois do nascimento, a que o bebê está dormindo. alimentação saudável e Se sentir algum problema no peito ou adequada começa com o achar que o leite começou a diminuir, a aleitamento materno. nutriz deve procurar um Centro de Saúde na hora de amamentar a ou Banco de Leite Humano. mãe deve lavar bem as O bebê que está recebendo aleitamento mãos com água e sabão. materno também pode ser chamado de lactente. O aleitamento materno é a alimentação mais completa para a criança, devendo ser o único alimento até os seis meses. Após esse período é importante introduzir a alimentação complementar oportuna e adequada, mantendo o aleitamento materno até dois anos ou mais. O leite materno contém todos os nutrientes necessários para o crescimento e desenvolvimento do bebê, além de ser gratuito. Durante o prénatal a equipe de saúde irá estimular e ensinar a mãe como amamentar seu filho. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que a cada ano um milhão e meio de mortes poderiam ser evitadas por meio da prática do aleitamento materno. 106 alimentação nutritiva e equilibrada previne desnutrição e sobrepeso. Crianças em aleitamento materno exclusivo sofrem pelo menos 2 vezes e meia menos episódios de doenças do que crianças que recebem leite artificial. (OMS) Crianças que são amamentadas de forma exclusiva durante 4 meses ou mais têm, em média, metade de episódios de otite média aguda do que as que não são amamentadas. (UNICEF/OMS/UNESCO) Bebês que são amamentados estritamente com o aleitamento materno apresentam maior proteção contra diabetes e obesidade, melhor resposta às infecções, recuperação mais rápida nas doenças, menos problemas ortodônticos e fonoaudiológicos associados ao uso de mamadeira. Deve ser oferecido ao bebê, até o sexto mês de idade, somente leite materno, não há necessidade de chás, sucos ou até mesmo a água, porém, em casos de desidratação, o bebê deve ser levado imediatamente ao centro de saúde e continuar a receber o leite do peito e soro caseiro. 107 o contato físico da mãe com o bebê, a troca de olhares, de calor, de carícias, torna a amamentação uma experiência prazerosa e saudável. a ansiedade e a tensão podem interferir na produção do leite materno, portanto, manter a calma é fundamental! Os benefícios do aleitamento materno também afetam a nutriz, pois propiciam a involução uterina, reduzindo os riscos de hemorragia, de câncer de mama e de ovário, e de depressão pós-parto. Além do mais, o aleitamento é livre demanda, ou seja, a mãe pode oferecer ao bebê em qualquer lugar e horário. CRIANÇAS A PARTIR DE 6 MESES A partir dos seis meses o bebê está pronto para receber, de forma lenta e gradual, outros alimentos, mantendo o leite materno até dois anos de idade ou mais. É importante dar alimentos complementares como arroz, carnes, feijão, frutas, verduras e legumes três vezes ao dia se a criança ainda recebe leite materno, e cinco vezes ao dia se estiver desmamando. A alimentação complementar deve ser oferecida nos mesmos horários, respeitando-se sempre a vontade da criança. Esta alimentação deve ser iniciada com consistência pastosa, de textura delicada e, gradativamente, ir aumenos alimentos amassados são tando a sua consistência até chegar à mais nutritivos e saudáveis do alimentação da família. que quando batidos no A alimentação da criança deve ser liquidificador, além de variada e composta de alimentos desenvolver uma frescos e coloridos. No início ela tende dentição saudável. a devolver as primeiras ofertas dos 108 Como preparar o soro caseiro: Colocar 200ml de água (filtrada ou fervida), uma medida pequena de sal e duas medidas grandes de açúcar. Misture e ofereça à criança, em uma colher de chá, várias vezes ao dia. A colher-medida é distribuída em centros de saúde. alimentos, pois tudo é novo: a colher, a consistência e o sabor. Deve-se colocar pouco sal e não acrescentar açúcar nas preparações. Se o bebê não aceitar bem os novos alimentos, introduzir apenas um tipo a cada dia, para que ele sinta o sabor de cada alimento separadamente. O importante é ter paciência e continuar oferecendo o alimento até a criança se adaptar. Os alimentos enlatados, como frituras, refrigerantes, café, balas, salgadinhos e outros produtos industrializados, devem ser evitados. Esses alimentos não são saudáveis e, além de competir com os alimentos nutritivos, eles podem causar cáries e obesidade, e interferir na absorção de alguns nutrientes. Até o nascimento dos dentinhos é necessário higienizar (limpar) a boca da criança, após cada mamada/refeição, com um tecido molhado com água filtrada e/ou fervida. Quando aparecerem os dentinhos, é preciso substituir o pano molhado por uma escova dental macia, sem utilizar a pasta de dentes. A partir da introdução de novos alimentos é importante oferecer à criança água (tratada, filtrada ou fervida). Até 1 ano de idade devem ser evitados alimentos duros, frituras, peixes, carne de porco, clara de ovo, mel, castanhas, chocolate e bebidas achocolatadas, café, sucos artificiais, abacate, refrigerantes, alimentos enlatados e embutidos. Os ovos podem ser oferecidos inteiros apenas depois de um ano. Até esta idade, usar apenas a gema cozida, porém com moderação. 109 CRIANÇAS DE 1 A 6 ANOS Nesta faixa etária a criança já come a mesma alimentação da família. No entanto, algumas dicas são fundamentais para uma alimentação saudável e adequada, afinal é uma fase muito importante para formação do hábito alimentar. As refeições devem ser oferecidas em pequenas porções, porque o apetite da criança nesta faixa etária é menor, é uma fase de inapetência. A preocupação maior deve ser com a qualidade, para evitar carências nutricionais. As refeições e lanches devem ser servidos em horários fixos diariamente, com intervalos suficientes para que a criança sinta vontade de comer na próxima refeição. Evitar oferecer lanches logo depois das refeições só porque a criança não almoçou direito. Oferecer a sobremesa como sendo mais uma preparação da refeição, evitando utilizá-la como recompensa ao consumo dos demais alimentos, preferindo, sempre que possível, as frutas, evitando os doces. Os líquidos durante a refeição devem ser controlados, pois a criança troca facilmente a refeição por sucos e refrigerantes. Deixar os sucos para os horários dos lanches e os refrigerantes para ocasiões especiais. Também é importante não forçar a criança a comer com chantagens, recompensas, punições ou castigos, isso pode reforçar a recusa pelos alimentos. Algumas crianças precisam ser estimuladas a comer e nunca forçadas. Quando a criança já for capaz de se servir à mesa e comer sozinha, essa conduta deverá ser permitida e estimulada. 110 A família é o modelo para o desenvolvimento das preferências e hábitos alimentares, portanto, é importante que a criança observe outras pessoas se alimentando corretamente. O ambiente na hora da refeição deve ser calmo e tranquilo, sem a televisão ligada ou quaisquer outras distrações como brincadeiras e jogos. O ambiente favorável facilitará a confiança e o prazer da criança em se alimentar. O consumo de frutas, verduras e legumes deve ser incentivado desde cedo. É interessante variar as preparações com alimentos coloridos, texturas diferentes e formas atrativas. O consumo de alimentos com excesso de gordura, sal e açúcar (doces, enlatados, conservas, condimentos fortes, picles, carnes gordas, defumados, salame, mortadela, linguiça, etc.) deve ser limitado, pois são, comprovadamente, fatores de risco para as doenças crônicas. CRIANÇAS DE 6 A 10 ANOS Esta fase é caracterizada por maior atividade física, ritmo de crescimento acentuado, porém mais lento, com predomínio do peso em relação à altura. O estado nutricional da criança dependerá da maneira pela qual tenha sido alimentada nas fases anteriores de sua vida. É um pouco mais independente e, se bem orientada, pode selecionar os seus próprios alimentos. Esta fase é o oposto da anterior em relação ao apetite, pois come com mais voracidade. As refeições devem incluir o café da manhã, o almoço e o jantar e um a dois lanches ao longo do dia. Mas é preciso ficar de olho na qualidade, orientando e estimulando os bons hábitos alimentares. A alimentação deve ser variada, incluindo todos os grupos alimentares (carboidratos, proteínas, gorduras, vitaminas, minerais, fibras e água). É Quando uma criança se torna obesa nos primeiros dois anos de vida, ela tem muitas chances de continuar obesa na adolescência e na idade adulta. a obesidade contribui para o aparecimento de doenças como pressão alta, colesterol elevado, diabetes, problemas respiratórios e ortopédicos. 111 fundamental incentivar o consumo diário e variado de frutas, verduras e legumes, pois, são ótimas fontes de sais minerais, vitaminas e fibras. Assim como o consumo adequado de alimentos ricos em cálcio (leite e derivados e vegetais verdes) para formação adequada da massa óssea. O consumo exagerado de refrigerantes, balas, doces, chips e frituras causa o acúmulo de gordura e açúcar no organismo e pode ser responsável pelo mau rendimento escolar e maior risco de contrair doenças crônicas não transmissíveis – DCNT’s, como a hipertensão, diabetes, colesterol elevado, obesidade e outras. A água não pode faltar na dieta das crianças, além de mais saudável favorece a hidratação. A falta de nutrientes, a utilização de água contaminada para beber e preparar os alimentos, a presença de verminoses, ou a associação desses fatores, pode causar a desnutrição, que é uma doença com os seguintes sintomas: a criança não cresce ou cresce lentamente; os ombros, as partes internas da coxa e dos braços perdem gorduras e músculos, deixando perceber as costelas; a barriga aumenta de tamanho e a criança fica desanimada, sem vontade de brincar e estudar. ADOLESCENTES A adolescência é um período de transição entre a infância e a idade adulta, caracterizado por intensas transformações de natureza biológica, psicológica e social. É um período de crescimento e desenvolvimento físico intenso. Segundo a Organização Mundial de Saúde – OMS, a adolescência inicia-se aos 10 anos de idade e prolonga-se até os 20 anos. o Programa de alimentação escolar nas escolas públicas integra o conceito de escola Promotora de Saúde. neste sentido, garante o acesso e incentiva o consumo de alimentos saudáveis. 112 Os adolescentes têm grande necessidade de nutrientes, pois estão em pleno crescimento e desenvolvimento. Mais do que em qualquer outra fase alimentar-se do ciclo da vida, na adequadamente e praticar adolescência são atividade física é uma boa necessários muitos combinação para se levar alimentos construtores uma vida mais feliz. e energéticos. Os jovens gastam muita energia ao realizarem suas atividades físicas. O consumo de alimentos ricos em cálcio é muito importante para o adolescente devido ao desenvolvimento acelerado de músculos e ossos nessa fase. A vitamina D é importante para o fortalecimento do corpo. As necessidades de ferro também são grandes nessa fase. Os rapazes precisam dele porque a formação muscular é acompanhada por um volume maior de sangue. E as moças necessitam de mais ferro por causa da perda de sangue durante a menstruação. Na verdade, todos os nutrientes têm a sua importância em qualquer fase da vida; precisamos de todos os nutrientes em qualquer idade. De acordo com SICHIERI ET AL, 2000 adolescentes são particularmente influenciáveis em seu estilo de vida. Vários estudos indicam que os adolescentes, principalmente as meninas, para manter o seu peso próximo do que elas próprias acham saudável, se remetem a práticas alimentares inadequadas, como omitir refeições, o que torna insuficiente o consumo de alguns nutrientes, como por exemplo: cálcio e ferro. na adolescência é preciso estimular e Os adolescentes como forma, preservar hábitos alimentares muitas vezes, de socialização, se adquiridos na infância. o jovem deve adaptam ao consumo exagerado ser orientado pela família e pela escola de alimentos industrializados, sobre os riscos das bebidas alcoólicas fast-foods, doces, o que pode e dos alimentos que contêm gorduras, propiciar o surgimento de DCNT’s sal e carboidratos, em excesso. (SICHIERI & ET AL, 2000). 113 ADULTO Na idade adulta, é preciso preservar bons hábitos alimentares e adotar atitudes saudáveis, como atividade física com regularidade, para prevenir as DCNT’s, como a obesidade, aumento do colesterol, pressão alta e outros riscos associados à vida agitada, à falta de informação, ao comodismo etc. em todas as fases da vida, a alimentação deve ser variada e equilibrada, proporcionando uma dieta saudável, adequada e nutritiva. Para alguém ser saudável, além de modificar sua prática alimentar a fim de corrigir um problema de saúde, precisa mudar os hábitos alimentares para não retornar às condutas anteriores que trazem riscos ao organismo. A boa alimentação é fundamental para a manutenção e defesa do organismo. As exigências nutricionais do adulto vão depender da atividade física, massa corporal e idade. Nas mulheres, dependem ainda se estão grávidas ou amamentando. O tamanho e a composição do corpo podem influir no gasto de energia. O homem, por exemplo, tem mais massa corporal do que a mulher, por isso necessita de mais energia. 114 A atividade física é outro fator fundamental para a definição da dieta alimentar do adulto. O seu mundo gira em torno do trabalho e da família e é de acordo com a atividade exercida que se planejará a sua alimentação. TERCEIRA IDADE Na terceira idade é preciso estimular o idoso a adotar novos hábitos de vida para controlar os sintomas naturais do envelhecimento, que acontecem devido às mudanças sistêmicas do organismo, como a metabólica, gastrointestinal, renal, neurológica, psicossocial, sensorial, cardiovascular, músculo-esquelético e de imunocompetência. E também devido às alterações na composição corporal, como o aumento da massa gordurosa e diminuição da massa magra, massa óssea, água corporal e do metabolismo. É importante dizer que idade avançada não precisa ser sinônimo de problemas de saúde. Com hábitos de vida saudáveis, incluindo uma boa alimentação e atividade física, é possível compensar as mudanças naturais da idade e favorecer a boa forma e a saúde. Uma boa alimentação exerce papel fundamental na promoção, manutenção e recuperação da saúde. Mais do que nunca, é preciso evitar a deficiência ou o excesso de nutrientes. “O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE estima que a população idosa no Brasil cresça cerca de dezesseis vezes até o ano de 2025, fazendo o Brasil ocupar a sexta posição no ranking dos países mais populosos em número de pessoas idosas” (ALENCAR & ET AL, 2008). 115 É possível buscar o envelhecimento saudável por meio da promoção da saúde e da prevenção das doenças, mantendo a capacidade funcional pelo maior tempo possível. A capacidade funcional no idoso é resultante do cuidado preventivo que envolve alimentação saudável e adequada, atividade física, atividade mental e equilíbrio emocional incorporados no curso de sua vida. Alimentar-se de maneira saudável e adequada é importante sempre, mas nessa fase da vida torna-se fundamental ingerir alimentos ricos em vitaminas e minerais, e evitar gorduras e carboidratos em excesso. As restrições dietéticas, decorrentes de doenças específicas, como diabetes e hipertensão, devem ser respeitadas, o que não significa que a alimentação não possa ser saborosa. Segundo a OMS e a Política Nacional de Alimentação e Nutrição – PNAN, o princípio norteador de ações educativas que ressaltem a socialização do conhecimento sobre o processo de alimentação e nutrição, da infância até a velhice, será com vistas à adoção de estilos saudáveis de vida. A capacidade do idoso em determinar e executar seus próprios desígnios lhe dá autonomia. “Essa capacidade de gerir sua própria vida e de determinar quando, onde e como se darão suas atividades de lazer, convívio social e trabalho, certamente lhe confere saúde”. (ALENCAR & ET AL, 2008). 3.3. Conhecendo os Rótulos dos Alimentos Os rótulos são elementos essenciais de comunicação entre produtos e consumidores. As informações contidas nos rótulos devem ser claras para que possam ser utilizadas para orientar a escolha adequada de alimentos. No Brasil a Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA é o órgão responsável pela regulação da rotulagem de alimentos estabelecendo as informações que um rótulo deve conter e visando a garantia de qualidade do produto e a saúde do consumidor. Com a publicação das normas que tornam obrigatória a declaração do conteúdo nutricional dos alimentos, denominada de rotulagem nutricional, as informações contidas nos rótulos passam a ser ainda mais complexas, exigindo maior habilidade do consumidor para interpretá-las e entendê-las. Dados recentes levantados junto à população demonstram que aproximadamente 70% das pessoas consultam os rótulos dos alimentos no momento da compra, no entanto, mais da metade não compreende adequadamente o significado das informações. 116 Divulgar as informações e seu correto significado motivou a publicação de um manual dirigido especificamente aos consumidores. O propósito é facilitar a compreensão dos termos usados na rotulagem de alimentos, aumentando seu potencial de proteção e promoção da saúde. A expectativa é que o material possa ser adotado como instrumento de orientação e capacitação pelos diversos segmentos da população e desperte, ainda mais, o interesse pela busca do consumo e escolha mais saudável de alimentos. O objetivo maior é estimular que a população leia e entenda as informações veiculadas nos rótulos dos alimentos. Isso tudo para contribuir com a melhoria da saúde e qualidade de vida. Para mais informações acesse o site da Anvisa: www.anvisa.gov.br 3.4. Boas Práticas na Manipulação dos Alimentos Alimento saudável é aquele que vem da natureza, fornece nutrientes e está livre de qualquer contaminante, para isso, devemos: − lavar as mãos antes de preparar os alimentos; − usar água de boa qualidade no preparo e manuseio dos alimentos; a água deve ser a mesma que bebemos: filtrada ou fervida; − lavar bem os alimentos antes de cozinhá-los; − lavar os utensílios de cozinha com água e sabão, antes e depois do preparo da comida; − lavar a faca ao cortar alimentos diferentes para evitar contaminação de um alimento para o outro, principalmente no corte de carnes; − colocar os vegetais (frutas, verduras e legumes) que serão ingeridos crus em molho numa solução com água sanitária: uma colher de sopa para cada litro de água limpa; deixar por quinze minutos, escorrer e enxaguar em água corrente tratada, ou então filtrada. 117 Os contaminantes dos alimentos podem ser: químicos (por exemplo, material de limpeza: detergente, desinfetante e outros), físicos (palito de fósforo, cabelo, unha e etc.) e biológicos (microrganismos, como: bactérias, fungos, vírus e parasitas). Uma alimentação adequada e saudável precisa estar isenta de contaminantes, para isso, todo o cuidado é pouco na preparação dos alimentos. A higiene pessoal dos alimentos e do ambiente deve ser feita todos os dias. De nada adianta uma refeição colorida, cheirosa, apetitosa, rica em nutrientes, se estiver contaminada. Existem microrganismos que, ao contaminarem a refeição, não mudam as características naturais dos alimentos como: cheiro, sabor, cor e textura. Para saber mais sobre o assunto acesse o site da Prefeitura de Belo Horizonte: www.pbh.gov.br e entre em secretaria de abastecimento. Lá você terá acesso à cartilha: Higiene, Armazenamento e Conservação dos Alimentos, entre outras. 118 4 Programa e ações difusores de Educação Alimentar e Nutricional Daniella Perdigão Oliveira 119 4.1. Programa 5 ao Dia Este é um programa alimentar muito fácil de ser adotado, basta acrescentar na alimentação, pelo menos 5 porções de frutas, legumes e verduras (FLV). O objetivo do programa é promover o consumo diário de cinco porções de FLV, contribuindo para a saúde e a prevenção de diversas doenças associadas à alimentação. Para saber mais acesse o site: www.5aodia.com.br 4.2. 10 Passos para uma alimentação saudável “Os Dez Passos para uma Alimentação Saudável” são orientações práticas sobre alimentação para pessoas saudáveis com mais de dois anos de idade. Caso você tenha alguma doença como diabetes, hipertensão, colesterol alto e necessite de orientação nutricional específica, procure um nutricionista. O interessante é começar por aquela orientação que lhe pareça mais fácil ou desafiadora e procurar segui-la todos os dias. Não é necessário adotar todos os passos de uma vez e também não é preciso seguir a ordem dos números sugerida nos 10 passos. 1º Passo: Faça pelo menos 3 refeições (café da manhã, almoço e jantar) e 2 lanches saudáveis por dia. Não pule as refeições. 121 2º Passo: Inclua diariamente nas refeições 6 porções do grupo dos cereais (arroz, milho, trigo, pães e massas), tubérculos e raízes (batatas, mandioca, cará, etc). Dê preferência aos grãos integrais e aos alimentos na sua forma mais natural. 3º Passo: Coma diariamente pelo menos 3 porções de legumes e verduras como parte das refeições e 3 porções ou mais de frutas nas sobremesas e lanches. 4º Passo: Coma feijão com arroz todos os dias ou, pelo menos, 5 vezes por semana. Esse prato brasileiro é uma combinação completa de proteínas e bom para a saúde. 5º Passo: Consuma diariamente 3 porções de leite e derivados e 1 porção de carnes, aves, peixes ou ovos. Retirar a gordura aparente das carnes e a pele das aves antes da preparação torna esses alimentos mais saudáveis! 6º Passo: Consuma, no máximo, 1 porção por dia de óleos vegetais, azeite, manteiga ou margarina. 7º Passo: Evite refrigerantes e sucos industrializados, bolos, biscoitos doces e recheados, sobremesas e outras guloseimas como regra da alimentação. 8º Passo: Diminua a quantidade de sal na comida e retire o saleiro da mesa. 9º Passo: Beba pelo menos 2 litros (6 a 8 copos) de água por dia. Dê preferência ao consumo de água nos intervalos das refeições. 10º Passo: Torne sua vida mais saudável. Pratique pelo menos 30 minutos de atividade física todos os dias e evite as bebidas alcoólicas e o fumo. Para saber mais acesse o site do Ministério da saúde: http://bvsms.saude. gov.br/bvs/pacsaude 122 4.3. Saúde da família O objetivo do Programa Saúde da Família é atuar na manutenção da saúde e na prevenção de doenças, alterando, assim, o modelo de saúde centrado em hospitais. Criado em 1993, o programa já atende 103 milhões de pessoas. Para saber mais acesse o site do Ministério da saúde: http://bvsms.saude. gov.br/bvs/pacsaude 4.4. Mais saúde, Direito de todos O Mais Saúde: Direito de Todos é uma grande estratégia para melhorar as condições de saúde e a qualidade de vida da população brasileira, proporcionando mais acesso a ações e serviços de qualidade. Para saber mais acesse o site do Ministério da Saúde: http://bvsms.saude. gov.br/bvs/pacsaude 4.5. Brasil Sorridente: A Saúde Bucal Levada a Sério Programa que busca melhorar a saúde bucal dos brasileiros. Nos anos 90, o Brasil avançou na prevenção de cáries em crianças, mas, a situação de adolescentes, adultos e idosos permanece como foco principal de atenção. Para saber mais acesse o site do Ministério da saúde: http://bvsms.saude. gov.br/bvs/pacsaude São vários os programas, as ações e os materiais didáticos confeccionados para a população brasileira com informações sobre hábitos de vida mais saudáveis através da alimentação, da higiene e da atividade física. Para buscar estas e outras informações acerca do assunto acesse o site do Ministério da Saúde, das Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde. 123 CONSIDERAçÕES FINAIS Não existe saúde sem uma alimentação saudável. Segundo a Organização Mundial de Saúde, a saúde é um direito humano fundamental, definido como “um estado de completo bem-estar físico, mental e social e, não apenas ausência de doença” sendo, portanto, necessárias ações políticas e estratégias relacionadas com alimentação e nutrição que promovam práticas alimentares saudáveis. A alimentação saudável deve ser reconhecida como direito humano, o que compreende um padrão alimentar adequado às necessidades biológicas, sociais e culturais dos indivíduos, de acordo com as diversas fases do ciclo da vida. Nesse sentido, todo município deveria incluir a educação alimentar e nutricional no leque de componentes da política de segurança alimentar, de modo a promover hábitos alimentares saudáveis, estimular a diversidade no consumo alimentar e difundir as noções de segurança alimentar e direito à alimentação. Mas, como em todo processo educativo, a educação alimentar e nutricional precisa ser pedagogicamente estruturada; adequada à realidade local e estar integrada a outras ações de promoção de estilos saudáveis de vida. É fundamental construir uma cultura de cooperação intersetorial, isso facilitará a interlocução entre os atores, favorecendo a mobilização e a participação comunitária e as demandas locais. A metodologia de trabalho deve propiciar um ambiente favorável, onde os participantes possam expor, reconhecer e refletir sobre as suas próprias ideias. Também é preciso considerar o conhecimento prévio dos participantes e estimular o pensamento crítico para a promoção da alimentação saudável. Ou seja, é preciso promover a escolha saudável dos alimentos, sempre com autonomia, mobilizando para a mudança sem fazer imposições. Essa abordagem dialógica assume um caráter transformador na medida em que promove a troca de experiências da comunidade, numa relação de diálogo. FREIRE (1985) apresenta a educação dialógica, em oposição à educação bancária, como o caminho para a formação da consciência crítica. 127 Considerando, portanto, a necessidade de garantir ambientes que promovam alimentação saudável e o caráter intersetorial da promoção da saúde, é imprescindível definir estratégias, em conjunto com a sociedade, e desenvolver programas contínuos de promoção de hábitos alimentares saudáveis. Enfim, são muitos os desafios e as possibilidades de articulação intersetorial que podem ser construídas na perspectiva da segurança alimentar e nutricional nos municípios. Quando as soluções são encaminhadas de maneira integrada, respeitando a contribuição e autonomia de todos os atores envolvidos, a ação torna-se mais eficiente, numa concepção ampliada de desenvolvimento e de construção da cidadania. Para finalizar, muitos especialistas sugerem que o trabalho de educação alimentar e nutricional deva ser realizado por uma equipe multidisciplinar, uma vez que a educação alimentar requer a participação ativa de profissionais de diferentes setores (nutricionistas, médicos, agrônomos, pedagogos, comunicadores, trabalhadores sociais e outros), culminando numa rede de compromisso com a qualidade de vida da população. Adilana de Oliveira Alcântara 128 REFERÊNCIAS – AMORIM, M.; BAREMBLITT, G. Abordagem politransdimensional. Mimeo. Instituto Felix Guattari, 2010. – ALENCAR, M. do S. S.; JÚNIOR, F. de O.B.; CARVALHO, C. M. R. G. de. Os aportes sócio-políticos da educação nutricional na perspectiva de um envelhecimento saudável. Rev. Nutr. Campinas, 21(4): 369-381, jul./ago., 2008. – BAREMBLITT, G. Compêndio de análise institucional e outras correntes: teoria e prática. Editora Instituto Felix Guattari, 2002. – BUSS, PM. 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