APRESENTAÇÃO Dando continuidade à série Estudos Avançados em Biblioteconomia e Ciência da Informação, apresentamos agora o terceiro volume. Como nas edições anteriores, foram selecionados trabalhos sobre tópicos variados, factíveis de atender as necessidades informacionais de diversos segmentos especializados da área de informação. Foram abordados neste volume: 1} Educação continuada para bibliotecários; 2} Economia da Informação; 3} Análise de citações; 4) Análise do currfculo de biblioteconomia. Quatro temas atuais que complementam os esforços que a Associação dos Bibliotecários do Distrito Federal (ABDF), sob a presidência do Professor Emir José Suaiden, vem realizando em prol de um constante aperfeiçoamento dos profissionais da informação. O trabalho apresentado por Milton Nocetti, intitulado "Educação Continuada para Bibliotecários", com uma revisão de literatu' ra, chama a atenção para uma metodologia cuja existência é sobejamente conhecida de todos. Desde que se criou a educação, sabe-se perfeitamente que o desequilíbrio entre o conhecimento que o indivíduo possui e a evolução do conhecimento pela sociedade só poderá ser evitado com uma educação continuada do indivíduo. Nocetti, usando Arboleda, afirma que, na América Latina, existe pouca literatura sobre o assunto, o que demonstra a pouca atenção dada ao assunto. Em princípio, trata-se de uma afirmativa correta, mas se considerarmos que a educação continuada é aquela que inicia após a saída das universidades e das escolas, não poder íamos Jizer que não existe literatura, mas, sim, que a educação continuada, que deveria iniciar já na escola ou universidade, não é exercitada. Interessante notar que entraves burocráticos e políticos e interesses de firmas multinacionais constituem empecilho para que profissionais da ciência da informação tenham acesso às grandes mudanças tecnológicas de hoje, com computadores e satélites. Deve-se, também, notar que o aumento da literatura científica só vem acarretando, na América Latina, aumento de volume e de trabalho,mas não aumento de uso. A definiǧo de Bewley é de simplicidade tio grande que continuada numa sociedade que muda constantemente, inicia um problema de adaptabilidade às nossas condições, tendo em vista a rigidez da nossa sociedade e instituições. A afirmativa de que 8 edu' cação continuada não seria pr6pria para a nossa sociedade fica totalmente desfeita se considerarmos que a educação, continuada ou não, apresenta elmentos de uma metodologia ativa capaz de provocar mu- chega a comprometer o conceito de educação continuada ou permanente, pois não há educação que não seja através da aprendizagem que, por sua vez, s6 poderá ser feita exclusivamente por meio dos conhecimentos existentes ou atualizados. Jones deriva para um campo de bastante divergência, quando afirma que o desenvolvimento da formação básica em biblioteconomia se dará no próprio local de trabalho, nas escolas e nas associações profissionais, através de cursos, palestras etc. Deixa transpare-cer, ou até mesmo confirma a posição crítica que as nossas universidades e escolas oferecem, hoje em dia, à nossa sociedade. O universitário, ao terminar o curso, regra geral, não possui capacidade para desenvolver as atividades da vida profissional. danças na sociedade. A conclusão de Casey complementa a nossa posição. A edu· cação continuada é tão necessária, e n6s acrescentamos de maior importância ainda, quanto a educação formal. Não há como refutar a importância da educação continuada para os bibliotecários da Amé· rica Latina. Novamente Nocetti faz uma referência sobre a duração das atividades a serem exercidas na educação continuada. Não se deve, porém, confundir curta duração de dias e meses com horas e dias. ~ difícil exercitar a educação continuada em uma hora ou em um dia. Dificilmente, algumas horas de palestras ou cursos de 24 horas mudarão o comportamento do bibliotecário ou ampliarão os seus conhecimentos. As atividades de curta duração devem durar dias e meses. ~ uma maneira bastante delicada de retirar a responsabilidade das universidades na formação básica do aluno. Não se pode transferir, por deficiência, quer seja de monitores, professores, ou de recursos de biblioteca ou financeiros, a formação do profissional para depois da saída da universidade. Os comentArios de Mittal são primários, pois a educação continuada de um profissional não se limitará a disciplinas oferecidas na escola. Convém observar que um profissional passa a ter um horizonte amplo. Normalmente, foge à rigidez das disciplinas universitárias e já inicia a sua especialização ou demonstra a tendência de sua preferência. Toda educação, seja ela continuada ou não, sempre permitirá ampliar e até mesmo dinamizar a capacidade de tomada de decisão. Qualquer educação deve dar a toda pessoa humana a satisfação de se tornar um profissional competente. A educação continuada, fundamentalmente, é uma decisão íntima do profissional, mas a intensidade dessa decisão está intimamente ligada à qualidade da formação profissional. A insegurança e má formação profissional dos nossos universitários constituem, sem dúvida nenhuma, o maior obstáculo para que a educação continuada seja exercitada permanentemente. A educação continuada é individuai quanto à tomada de decisão, mas, depois da decis,ão, pode passar para uma atividade de grupo e até mesmo de massa. Outro grande problema para quem realiza uma revisão bibliográfiçaé a necessidade de adaptar as posições do autor à área geográfica original e las posiçaes daqueles que tentam compreender esses conceitos. A afirmativa de Smith sobre a essencial idade da educação As atividades mais freqüentes citadas são sobejamente conhecidas, mas, infelizmente, são também mal aproveitadas. Estágios transformam-se em turismos, e congressos, em passeios. Gaver, Hoban e Stone afirmam que o próprio bibliotecário deve estabelecer a sua ehratégia de educação continuada. Alguns terão de fazê-Ia, outros não. Devido à pouca freqüência de educação continuada em nosso meio, seria mais importante que indivíduos se especializassem em elaborar educação continuada com base na identificação das necessidades dos bibliotecários para que a educação continuada definida pelo próprio indivíduo não venha a constituir mais uma metodologia cheia de vícios, como na formação universitá- ,', ria. Segundo Harvey & Lambert, em 1970, os bibliotecários norte-americanos começavam sua carreira desatualizados, sendo que até os professores estavam desatualizados. Esta afirmativa poderia ser considerada válida para os países da América Latina. ~ válida a sugestão de que os professores também façam sua educação continuada. Um professor não pode permanecer estagnado ou conservar a sua posição inicial. ~ necessário que os professores criem os seus programas de educação continuada. As associ~s profissionais sIo um elemento importante. Elas 16 se realizam como associações quando se preocupam. seriamente, com a criaçio de mecanismos ou veículos capazes de promover a educaçio continuada dos profissionais. Quanto ao retorno do investimento na educação, embora negado por alguns lutores, novos estudos sio feitos nas empresas e instituições para admitir este retorno. Os economistas, sociólogos e educadores chegam à conclusão de que investir na educação, continuada ou nio. ainda é uma alternativa de retorno rápido e elevado. Com relaçio ao Brasil, Nocetti cita alguns eventos que indicam o desenvolvimento da educação continuada. Seria prefedvel colocar que existem mecanismos à disposição, pois, quando se avaliam os resultados, vê-se que esses mecanismos existentes são mal usados. As considerações. finais de Nocetti reafirmam a situação do nosso profissional não s6 na área de biblioteconomia, como também em outras áreas. o o artigo de Katia Montalli et aI. analisa o currículo do curso de biblioteconomia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) sob aspectos de administração, recursos humanos, clientela, processo de ensino e estrutura do curso. As autoras chegam a conclusões, 115 vezes. discrepantes das diretrizes emanadas da Reitoria e mostram, com evidência. a pobreza com que o curso funciona. A metodologia empregada, com as restrições necessárias, pode servir de base e ponto de partida para avaliação de cursoS similares. O artigo de Aldo Barreto é uma revisão da literatura sobre a economia da informação, abordando aspectos de avaliação de custos econômicos vs. custos contábeis; análise de custos a curto e longo prazo;custo-benefício e custo-efetividade, discutindo também o valor da informação. Chega 11 conclusão da falta de uma base teórica para deterrnlnar o valor da informação como mercadoria. Nenhum autor brasileiro é citado por Barreto; indicaria isto uma ausência de pesquisas no pars sobre este problema ou privilegiamento de autores americanos? Em qualquer caso. evidencia-se a necessidade de maior embasamento teórico e de buscas de metodologias que dêem conta, de forme mais eficiente, dos custos da informação nos nossos centros de informação. Rubem U. Alvarado apresenta um estudo das fontes de infor- mação, citadas nos artigos publicados pelo periódico "Pesquisa Agropecuária Brasileira" entre 1978 e 1980. Demonstra que livros e periódicos são as fontes mais freqüentemente citadas, e que os idiomas inglês e português são os que atingiram alto nível de citação. Observa também que quatro manuais de estatística foram altamente citados. Agradecemos a desinteressada colaboração dos autores, sem a qual não teria sido possível esta realização. UBALDINO DANTAS MACHADO EDITOR