UMA PROPOSTA DE ANÁLISE CURRICULAR ARTICULADA COM O CONTEXTO DO MUNDO DO TRABALHO NA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL AGRÍCOLA LUÍS ROBERTO DE OLIVEIRA1 DENISE ELIZABETH HEY DAVID 2 Resumo: Este trabalho analisou o modelo de currículo implantado na Educação Profissional Agrícola e as possíveis articulações entre o processo ensino-aprendizagem e o mundo do trabalho, pois as mudanças ocorridas a partir de 2010 exigem uma releitura direcionada a este processo, na expectativa que os educandos possam enfrentar a realidade do mundo do trabalho, que se mostra exigente em termos de qualificação profissional. Para realizar esta análise, foram envolvidos o corpo docente, discente e egressos do CEEP Lysímaco Ferreira da Costa, além do corpo docente de outros Colégios Agrícolas do Paraná. Foram realizadas pesquisas exploratórias com a finalidade de esclarecer se o modelo atual de currículo da educação profissional agrícola cumpre a função educativa e social a que se propõe e para saber das expectativas em relação ao curso e ao futuro dos alunos na condição de Técnicos em Agropecuária. Para o corpo docente de outros colégios agrícolas e egressos foi utilizada uma rede social, onde os mesmos questionários foram aplicados. Com base nas pesquisas realizadas concluiu-se que é necessária uma urgente revisão da matriz curricular do curso Técnico em Agropecuária, que não atende as expectativas de formação profissional dos educandos. A inclusão de algumas disciplinas técnicas suprimidas da atual matriz curricular, o aumento da carga horária das disciplinas técnicas e do estágio curricular, o aumento dos recursos destinados aos Colégios Agrícolas e melhoria da Fazenda-escola são fatores importantes apontados para melhorar a qualificação profissional e a formação cidadã dos educandos. Palavras-chave: Currículo. Formação Profissional Agrícola. Educação e Trabalho. Educação Profissional. 1. INTRODUÇÃO O Brasil convive com o paradoxo de ter um alto índice de desemprego e de um mercado de trabalho carente de mão-de-obra qualificada. A necessidade de entrar no mercado de trabalho cada vez mais cedo e com alguma qualificação profissional tornou os cursos técnicos uma alternativa para quem deseja qualificação e preparação para o mundo de trabalho. Segundo Inverno (2006, p.1), “a crise da escola e da educação profissional não é novidade [...]. Fala-se muito da necessidade de mudanças com relação aos conteúdos curriculares e aos métodos de ensino em nossas escolas”. 1 2 Professor PDE, Especialista em Educação, Docente no CEEP Lysímaco F. da Costa – Rio Negro/PR Orientadora do PDE, Doutora em Engenharia da Produção, Docente da UTFPR – Curitiba/PR A realidade da educação profissional e do ensino médio nas escolas brasileiras fomenta na comunidade escolar discussões entre a formação profissional e o que o mundo do trabalho exige dos educandos. Ao comentar sobre a situação do atual ensino médio no Brasil, Betti, Barrucho e Brasil (2011, p.93) citam que As aulas são rasas, desinteressantes, incapazes de preparar os estudantes para o século XXI para disputar espaço em um mercado de trabalho global, no qual a capacidade de inovar é cada vez mais valiosa. Na faixa dos 15 anos, estudantes demonstram dificuldade de resolver operações simples de matemática, como frações e porcentagens, e de compreender textos curtos. Neste aspecto, as mudanças ocorridas no período de 1995 a 2002, quando da ruptura do ensino médio com a educação profissional, trouxeram mudanças significativas à formação dos educandos (PARANÁ, 2006). A Educação Profissional foi restabelecida e reimplantada no estado do Paraná a partir de 2003, conforme documentos divulgados e citados neste trabalho. A intenção destes documentos foi estabelecer uma política específica para esta modalidade de educação, definida pela Secretaria de Estado da Educação, com destaque para os princípios políticos e pedagógicos que a fundamentam. De acordo com as Diretrizes da Educação Profissional: Espera-se contribuir para a retomada da formação para o trabalho em sua oferta pública na Rede Estadual, reafirmando-a como estratégia fundamental na formação de cidadãos autônomos e responsáveis pela sua inclusão consciente no mundo da produção contemporânea (PARANÁ, 2006, p.15). O que está em discussão na relação ensino e trabalho é a necessidade de colocar o aluno em um patamar superior à sua atividade. É exercer sobre ele uma formação profissional necessária para a finalidade de prepará-lo para enfrentar os desafios do mundo do trabalho, cada vez mais exigente em termos de qualificação profissional (PARANÁ, 2006). É o compromisso da educação profissional compreendida como direito social e condição indispensável para o desenvolvimento do cidadão, importante também para os jovens paranaenses que necessitam dela como forma de situar-se no sistema produtivo, de tal forma que lhe seja garantida uma educação de qualidade como direito que virá a contribuir para a sua inserção no mundo do trabalho, garantir sua sobrevivência ou melhorar os índices de produtividade da família rural, o que evita que o mesmo deixe o seu local de origem e contribua para piorar os índices sociais das cidades. Portanto, é o desafio quanto à educação para esse jovem do campo, considerar a sua cultura em sua dimensão empírica e fortalecer a educação escolar como processo de apropriação e elaboração de novos conhecimentos. A perspectiva dos jovens brasileiros, considerando o número de matrículas do Ensino Médio, é obter qualificação mais ampla para a vida e para o trabalho. Para tanto, é preciso identificar os pontos de partida para reorganizar constantemente uma escola que promova a realização pessoal, a qualificação para um trabalho digno, para a participação social e política, enfim para uma cidadania plena da totalidade de seus alunos. De acordo com as Diretrizes Curriculares da Educação Profissional (PARANÁ, 2006, p.22), “tomar o trabalho como princípio educativo [...] aponta a possibilidade da construção de projetos alternativos que atendam as necessidades dos que vivem do trabalho”. Isso implica desenvolver um currículo em que estejam presentes e articuladas a teoria e a prática, contemplando uma sólida formação científica e tecnológica, o que vale dizer que deve estar no currículo os fundamentos, princípios científicos e as diferentes tecnologias que caracterizam o trabalho atual. Isto permitirá aos alunos da Educação Profissional a formação necessária para enfrentar os desafios do mundo do trabalho. O currículo deve estar voltado à formação integral dos alunos, mas não somente a isso, deve preparar o aluno em suas diferentes habilidades, conhecimentos e atitudes para assumir as situações mais diferentes que irá enfrentar em sua vida profissional (PARANÁ, 2005). Buscar um novo olhar para a educação profissional é fator fundamental para que as políticas educacionais logrem êxito. Embora muito se tenha falado pouco se avançou nos projetos educacionais dos que estão comprometidos com as necessidades dos que vivem do trabalho. De acordo com as Diretrizes Curriculares para a Educação do Campo, Para a educação que se quer construir, um procedimento essencial é a escuta: [...] escutar os educandos e as suas observações, reclamações ou satisfações com relação à escola e à sala de aula. Escutar as carências expostas pelos professores [...] e cada um dos sujeitos que fazem parte do processo educativo: comunidade escolar, professores e governos, nas esferas municipal, estadual e federal. Por meio da escuta, será gerado o diálogo e nele serão explicitadas as propostas políticas e pedagógicas necessárias à escolar pública (PARANÁ, 2010, p.26). A falta de contato dos alunos com o campo, nas diversas atividades práticas, tem reportado à época em o trabalho era medido somente com conhecimento teórico, que bastava para a construção das competências e cuja pedagogia se caracterizava pela presença de um tutor mais experiente e que coordenava a aprendizagem dos novos trabalhadores. Bastavam saber fazer bem feito o trabalho e que tinham na observação, repetição e memorização as categorias do seu processo de aprendizagem, pois não era necessário intervir no processo para resolver problemas. Apesar de todo o desenvolvimento tecnológico, das novas propostas pedagógicas e dos novos conhecimentos, ainda hoje o currículo está levando os alunos a retroceder neste processo, claramente explicitado pela mudança ocorrida no currículo da Educação Profissional Agrícola. O momento para supostamente aprender a prática ocorre somente ao longo do estágio supervisionado, o qual foi diminuído das antigas 360 horas para apenas 160 horas no currículo atual. Com isso, fica a articulação entre a teoria e a prática por conta do aluno, tornando o ensino cada vez mais fragmentado. Esta é uma das mudanças que precisam acontecer na educação profissional agrícola, de modo a suplantar a formação teórica sem a articulação com a prática. Se há uma Fazenda-escola, implantada com a finalidade de dar este suporte prático, por que não ser mais bem utilizada pelos alunos? Por que eles devem buscar por si próprios a articulação entre a teoria e a prática se dispõe de uma estrutura voltada exclusivamente a este aprendizado pedagógico? E o mais importante, uma estrutura dentro do estabelecimento de ensino, ou seja, impõe ao aluno a responsabilidade de buscar algo fora da escola e que já existe dentro da escola com esta finalidade. De um modo geral, ao inserir o aluno no mundo laboral, o conhecimento teórico esbarra em profissionais de recursos humanos, que privilegiam o conhecimento prático e a experiência como critérios de seleção, ficando o aluno à margem do processo. Daí a necessidade de formar profissionais com um grau de flexibilidade que acompanhem as mudanças tecnológicas, decorrente da própria dinâmica do mundo do trabalho atual. Ou seja, o trabalho passou a significar enfrentar eventos, o que deixa a questão da memorização de procedimentos de lado para o enfrentamento de situações anormais decorrentes do dia a dia laboral. Não se trata mais de apenas fazer, mas de um fazer refletido, pensado, ou seja, ao aluno não interessa mais o fazer pelo fazer, sem que haja um propósito pensado no que ele realiza. A competência atual está em resolver situações não previstas, até mesmo desconhecidas. Esta nova competência remete à criatividade, à capacidade intelectual e prática, a educação continuada. As Diretrizes Curriculares da Educação Profissional (PARANÁ, 2006, p.27) incluem como exemplos de capacidade intelectual e prática: A capacidade de comunicar-se adequadamente, por meio do domínio de códigos e linguagens, e de incorporar, além da língua portuguesa, a língua estrangeira e as novas formas trazidas pela semiótica. A autonomia intelectual, para resolver problemas práticos com o uso de conhecimentos científicos, e a busca do aperfeiçoamento contínuo. A capacidade de comprometer-se com o trabalho, [...] por meio da responsabilidade, da crítica e da criatividade. Com base no pressuposto acima, percebe-se que o currículo atual diminuiu o número de aulas de língua portuguesa, de matemática, de língua estrangeira moderna, das disciplinas do ensino profissionalizante e do estágio supervisionado, além de suprimir as aulas práticas do campo. Ao iniciar o curso Técnico em Agropecuária, o aluno trás consigo muitas expectativas, seja por ser oriundo do meio rural ou por ver no curso uma oportunidade de melhorar sua vida pessoal e de sua família, com a convicção de que ao término do curso estará preparado para entrar no mundo do trabalho, construir uma carreira profissional ou então contribuir para a melhora dos índices de produtividade da propriedade rural familiar. A partir desta problematização, pode-se questionar: é possível colocar em prática um modelo curricular, com bases sistêmicas, para o curso Técnico em Agropecuária? Este modelo de currículo está atendendo as necessidades do corpo discente? O currículo está articulado com a realidade do mundo do trabalho? Responder estas questões é fundamental para atingir os objetivos desta pesquisa. Com base no pressuposto acima, o objetivo deste trabalho é analisar o atual modelo de currículo da educação profissional agrícola e os seus impactos no processo ensino-aprendizagem e na formação dos educandos. Para atingir este objetivo, foram utilizadas as seguintes estratégias: refletir criticamente se o conhecimento produzido pelo atual currículo é suficiente para oportunizar a formação profissional necessária aos alunos, analisar o perfil esperado do egresso do curso e o que o currículo propicia neste contexto, discutir com o corpo docente os impactos do currículo no processo ensino-aprendizagem e pesquisar com o corpo discente os reflexos do currículo na sua formação profissional. As mudanças ocorridas a partir de 2010 no modelo de currículo da Educação Profissional Agrícola exigem uma releitura construtiva direcionada ao processo de ensino e aprendizagem, para que os educandos possam enfrentar a realidade do contexto do mundo do trabalho, que se mostra exigente em termos de formação profissional. O novo modelo de currículo do curso Técnico em Agropecuária foi implantado no ano de 2010, pela Secretaria de Estado da Educação, em todos os colégios agrícolas da rede pública estadual. Verifica-se que o modelo curricular fomenta na comunidade escolar discussões pelo caráter determinante, em especial quando se tratam de eixos como trabalho, cultura, ciência e tecnologia. Os profissionais que atuam no curso Técnico em Agropecuária têm pronunciado, como na escola de atuação do autor do trabalho, que o curso se encontra distante da realidade dos alunos e, desta forma, não se apresenta atraente a eles, seja pela ausência de algumas disciplinas técnicas, tais como Informática, Zootecnia, Prática Agropecuária e Especificidade Regional, seja pelo enfraquecimento do currículo, quando comparado ao modelo que estava em operação até o ano de 2009. Assim, este trabalho surgiu da necessidade de um debate entre os profissionais envolvidos na educação profissional agrícola e que se avalie se o mesmo está cumprindo a função social a que se destina. O público-alvo do Centro Estadual de Educação Profissional “Lysímaco Ferreira da Costa” é formado, em sua maioria, por alunos oriundos de famílias de pequenos agricultores do meio rural e que vivem sob um contexto econômico voltado à agropecuária como base de sua subsistência, principalmente a produção de milho, soja, feijão, fumo, frango de corte, gado de leite e hortaliças entre outros. Este modelo de agricultura familiar rural propicia a sobrevivência da família rural e o excedente é vendido a terceiros, bem como cooperativas ou empresas privadas. Esclarece-se que estas cooperativas e empresas privadas exigem conhecimento e qualificação profissional dos envolvidos na cadeia produtiva do agronegócio, entre eles os alunos do curso Técnico em Agropecuária. Isto se faz necessário para aferir lucro ao processo e garantir a sobrevivência do sistema e, consequentemente, das próprias famílias rurais. O método escolhido para este trabalho foi o de pesquisas exploratórias, tendo como referências a fundamentação teórica desenvolvida e o modelo de currículo da Educação Profissional Agrícola. Os sujeitos envolvidos no projeto, além do corpo discente, são o corpo docente e egressos do referido colégio. Entende-se que um currículo, com reflexões críticas entre os profissionais da educação, contribuirá com a parcela da juventude rural que não tem condições financeiras para custear a sua formação profissional no curso Técnico em Agropecuária. Ele deve propiciar aos mesmos o acesso ao conhecimento em seus variados graus, o que será importante para a sua qualificação profissional e para a melhoria da produção agropecuária da propriedade rural, necessária para a permanência da família no meio rural. Esta questão também se reflete no contexto do mundo do trabalho, de forma flexível e permanente. O conhecimento de hoje rapidamente se torna obsoleto, sendo substituído por modelos e propostas melhores, que contribuem fundamentalmente para o aumento da produtividade e para a geração de novos postos de trabalho. A competência passou a ser a capacidade para resolver situações não previstas, para que os conhecimentos teóricos e práticos adquiridos se articulem. A prática não como uma mera atividade, mas como enfrentamento de eventos, cada vez mais articulado ao conhecimento. Ao educando do século XXI não interessa mais o simples “apertar de um parafuso”, ele precisa entender a complexidade de funcionamento de uma colheitadeira, por exemplo. A área que ela pode colher durante um período de tempo, a velocidade, o rendimento e o custo da horamáquina, entre outros. Esta visão vai dar origem a um novo trabalhador, preparado para a atuação nos diversos setores da sociedade e que lhe permita adaptar-se às variações decorrentes do processo. Assim, a necessidade da análise curricular é importante para determinar o nível de formação profissional que o modelo atual de currículo propõe aos educandos. Ao integrar-se currículo com aprendizagem propicia-se um maior envolvimento dos alunos, tornando o aprendizado mais significativo, melhora a formação profissional e permite que possam enfrentar adequadamente os desafios do mundo do trabalho. 2. O CURRÍCULO COMO INSTRUMENTO PEDAGÓGICO A aprendizagem escolar está diretamente relacionada ao currículo, documento que deve ser organizado para atender os diversos níveis de ensino e as ações docentes, por exemplo. Neste contexto, entende-se que o currículo escolar é um elemento importante para o planejamento do professor, pois pode organizar os conteúdos e as atividades. Contudo ele deve ser visto como um recurso para o educador e não como uma lei rígida ou um mandamento a ser seguido metodologicamente. Didaticamente ele pode ser usado como um norte para a práxis pedagógica, com flexibilidade de ajustes para melhor atender as necessidades dos educandos. Segundo Sacristán (2000, p.9), o currículo pode ser entendido “como algo que adquire forma e significado à medida que sofre uma série de processos de transformação dentro das atividades práticas que o tem mais diretamente por objeto”. A palavra currículo vem do latim currere, que significa carreira. Por isso ele pode ser definido como uma caminhada dentro do processo ensino e aprendizagem, que vai ajustando os conteúdos à realidade dos educandos. Ele não é único no nosso país, mas os Parâmetros Curriculares Nacionais oferecem uma sugestão, uma forma de definição das disciplinas e distribuição dos conteúdos entre os componentes curriculares propostos. Devido à dimensão territorial e à diversidade cultural, política e social do país, nem sempre os Parâmetros Curriculares chegam às salas de aula. Não se separa conteúdos de processo de instrução, ou seja, ação em desenvolvê-lo em consonância com atividades práticas (SACRISTÁN, 2000). O currículo envolve sempre um propósito, um processo e um contexto. Além disso, resulta da confluência de diversas práticas, exercidas por todos os elementos envolvidos no processo, em diferentes momentos. Isto significa que o currículo sempre acaba em uma prática pedagógica. É por isso um conceito complexo, dinâmico e multifacetado. Porém, seu conceito é difícil de estabelecer, em face das situações que o envolve. Sabe-se que sem um currículo não há como oportunizar o aprendizado e nem há possibilidade de obter algum efeito nos sujeitos que se educam. Assim, a educação pode ser compreendida como sendo uma atividade expressa de formas distintas onde tanto o conteúdo programático e a didática usada possam transformar o currículo em uma ação que produza a aprendizagem. Quando definimos currículo estamos descrevendo a concretização das funções da própria escola e a forma particular de enfocá-las num momento histórico e social determinado, para um nível ou modalidade de educação, pois ele é a forma de ter acesso ao conhecimento, não podendo esgotar seu significado em algo estático, mas através das condições em que se realiza e se converte numa forma particular de entrar em contato com a cultura (SACRISTÁN, 2000). O currículo deveria ser construído a partir do projeto pedagógico da escola e viabilizar a sua operacionalização, orientando as atividades educativas, as formas de executá-las e definindo suas finalidades, ou seja, um guia sugerido às diversas formas de ensinar e de avaliar. Esta concepção coloca em destaque a necessidade da adequação curricular como elemento que possa atender as reais necessidades educacionais de todos os alunos atendidos no âmbito da escola. Portanto, ele deve ser operacionalizado a partir do projeto pedagógico da escola, como ponto de referência para definir a prática escolar, como um recurso flexível para promover o desenvolvimento e a aprendizagem dos alunos. Quase se pode dizer que o currículo vem a ser um conjunto temático abordável interdisciplinarmente, que serve de núcleo de aproximação para muitos outros conhecimentos e contribuições sobre a educação, pois quando se fala em estabelecer políticas públicas de melhoria na qualidade da educação, deve-se falar em renovação curricular como um dos instrumentos para a garantia concreta desta melhora. Não existe ensino e nem processo de ensino e aprendizagem sem os conteúdos de um currículo e toda proposta de educação tem e deve tratar explicitamente o referente curricular (SACRISTÁN, 2000). De todos os sujeitos envolvidos no processo curricular, o professor é sem dúvida o mais determinante no currículo, pois é ele quem põe em ação na sala de aula os conteúdos necessários à aprendizagem dos alunos. Os currículos desempenham missões distintas em diferentes níveis educativos, de acordo com as suas características, à medida que refletem diversas finalidades destes níveis. Assim, é uma das dificuldades associadas aos currículos na pretensão em obter uma teorização ordenada e uma universalização dos conteúdos aplicados. É um erro tratá-lo como dado e não como um processo no qual se podem realizar alterações e ver como se configura em um determinado momento, tomando-o como algo indiscutível (SACRISTÁN, 2000). O currículo, em seu conteúdo e nas formas através das quais se apresenta e se apresenta aos professores e aos alunos, é uma opção historicamente configurada, que se sedimentou dentro de uma determinada trama cultural, política, social e escolar. Está carregado de valores e pressupostos que é preciso decifrar, tarefa a ser cumprida, tanto a partir de uma análise político-social quanto a partir do ponto de vista de sua instrumentalização “mais técnica”, descobrindo os mecanismos que operam em seu desenvolvimento dentro dos campos escolares. O sistema educativo serve a certos interesses concretos e eles se refletem no currículo. Ao acolher diferentes tipos de alunos num mesmo intervalo de idade, as escolas passam a tratá-los com iguais, mesmo sabendo que eles possuem diferentes origens e isto se reflete nos conteúdos a serem aplicados nas diferentes modalidades de educação. É o caso da educação profissional agrícola, que recebe uma variedade de alunos com diferentes capacidades e procedência social e também com diferentes destinos sociais, o que pode tornar o currículo mais segregativo, deixando de lado a função educadora e socializadora da escola. Segundo Sacristán (2000, p.30), O fracasso escolar, a desmotivação dos alunos, o tipo de relações entre estes e os professores, a disciplina em aula, a igualdade de oportunidades, entre outros, são preocupações de conteúdos psicopedagógico e social que têm concomitâncias com o currículo que se oferece aos alunos e com o modo como é oferecido. Quando os interesses dos alunos não encontram algum reflexo na cultura escolar, se mostram refratários a esta sob múltiplas reações possíveis: recusa, confronto, desmotivação, fuga, etc. Na sociedade atual, o conhecimento tem um papel relevante e cada vez mais decisivo no mundo do trabalho e uma escola comprometida não pode deixar de propiciar aos alunos o acesso a ele. A posse do conhecimento, que as instituições escolares devem proporcionar, é um meio que possibilita a participação dos indivíduos nos processos culturais, sociais e econômicos da sociedade ao qual estão inseridos. Por isto, é necessário retomar e ressaltar a relevância do currículo nos estudos pedagógicos, na discussão sobre a educação e no debate sobre a qualidade do ensino, para recuperar a consciência do valor cultural da escola como instituição facilitadora de cultura. Esquecer isto supõe introduzir-se por um caminho no qual se perde a função educadora da escola e no esquecimento da ponte que deve existir entre a prática escolar e o mundo do conhecimento ou da cultura em geral (SACRISTÁN, 2000). 3. HISTÓRICO DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL AGRÍCOLA NA REDE PÚBLICA ESTADUAL DO PARANÁ A política neoliberal do governo do estado do Paraná, que foi implantada no período de 1995 a 2002 teve consequências negativas no ensino médio profissionalizante, principalmente para os Colégios Agrícolas. Naquela época, com a finalidade de reduzir custos relacionados à manutenção destes estabelecimentos de ensino, foram realizados cortes no repasse de recursos para a Fazenda-escola, para a área pedagógica e para o sistema de internato. A responsabilidade trabalhista dos professores e funcionários foi transferida para uma empresa privada (PARANÁ, 2006). Em função do ocorrido na época, os gestores escolares buscaram alternativas para viabilizar o funcionamento da mesma, como a cobrança de mensalidades, arrendamento de terras, parcerias com empresas privadas, busca do lucro da Fazenda-escola, entre outras. Havia uma rotatividade de professores, devido a falta de concurso público e de um plano de cargos e salários, o que gerou um efeito negativo na formação dos alunos, não criando condições adequadas para o processo ensino-aprendizagem, além da falta de comprometimento profissional e de uma formação adequada para os profissionais que atuavam especificamente nesta modalidade de ensino. Outra consequência grave da política neoliberal foi o Decreto nº 2.208/97, que separou no ensino médio as matérias da base nacional comum das matérias específicas da formação profissional. Esta separação chegou ao limite de, em uma mesma escola e o mesmo aluno, ser obrigado a frequentar três cursos no mesmo período de tempo, sendo eles o Ensino Médio, o curso de Técnico em Agricultura e o curso de Técnico em Pecuária. Estas condições não oportunizavam a formação integral do aluno, por que ela era uma formação fragmentada, onde o aluno tinha dificuldades de conhecer os sistemas e fatores de produção como um todo. Basicamente, ele aprendia em segmentos, isto é, parte do processo, os chamados “módulos” (PARANÁ, 2006). No contexto desta reforma, houve a desativação dos cursos profissionalizantes nos estado do Paraná existentes até 1996, e a implantação de programas que remeteram à iniciativa privada a formação profissional técnica de nível médio. Porém, a redução da oferta de vagas no ensino público culminou com o fechamento de alguns Colégios Agrícolas, fato desastroso para a educação profissional. Desta forma, a política educacional, adotada no período de 1995 a 2002 para o ensino profissionalizante, não deixou nenhuma saudade (PARANÁ, 2005). Somente a partir do ano de 2003 é que houve uma mudança significativa na política educacional do ensino profissionalizante da rede pública estadual, com a necessidade da sua reestruturação e a retomada da oferta pública e gratuita de cursos profissionalizantes. Esta política de expansão também propiciou a reestruturação curricular dos cursos na perspectiva de favorecer a formação do cidadão, aluno e trabalhador, que precisa ter acesso aos saberes técnicos e tecnológicos, exigência do processo contemporâneo do mundo do trabalho (PARANÁ, 2006). Desde 2003, a retomada de educação profissional e a integração com o ensino médio, propiciou o desenvolvimento de políticas públicas voltadas à formação para o trabalho, mas na concepção em que trabalho, cultura, ciência e tecnologia constituem os fundamentos sobre os quais os conhecimentos escolares devem ser trabalhados e assegurados, na perspectiva da escola unitária e de uma educação politécnica (PARANÁ, 2005). Sob tal quesito, a política de retomada da oferta da Educação Profissional tinha, entre outros, a expansão e a reestruturação curricular, a formação de um quadro próprio docente e técnico e a sua capacitação, além da melhora da estrutura física e material dos estabelecimentos de ensino, bem como sua manutenção sem a cobrança de qualquer tipo de taxas. A necessidade do desenvolvimento de um novo currículo, integrado ao Ensino Médio, se fez necessário como uma das estratégias para a melhoria da formação dos alunos na concepção assumida (PARANÁ, 2006). Conforme afirmado por Kuenzer (1998, p.126), “a finalidade da escola que unifica cultura e trabalho é a formação de homens desenvolvidos multilateralmente, que articulem à sua capacidade produtiva as capacidades de pensar, de estudar, de dirigir ou de controlar quem dirige”. Desta forma, a partir de 2004, houve a implantação de cursos de educação profissional técnica de nível médio, com a organização curricular integrada ao ensino médio, nas áreas de Agropecuária, Florestal, Eletromecânica, Química, Comunicação e Artes, Informática, Administração da Confecção e Meio Ambiente, além dos estabelecimentos para a formação de docentes da Educação Infantil e dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental (PARANÁ, 2006). A promulgação do Decreto nº 5.154/04 regulamentou o ensino profissional e concebeu propostas curriculares considerando a necessária articulação entre as diferentes dimensões de formação do cidadão/aluno, enfatizando a oferta pública da educação profissional técnica de nível médio, nos aspectos do trabalho, cultura, ciência e tecnologia, como princípios fundadores da organização curricular integrada ao Ensino Médio (BRASIL, 2004). Este decreto possibilitava três tipos de formação para o aluno: a Formação Concomitante, oferecida somente a quem já tenha concluído o ensino fundamental ou esteja cursando o ensino médio, na qual havia a necessidade de matrículas distintas para o ensino médio e para a educação profissional técnica de nível médio. Esta formação não está em uso atualmente. A Formação Subsequente era oferecida aos alunos que já tinham concluído o ensino médio. E o outro tipo de formação para o aluno era a Formação Integrada, que era oferecida somente aos alunos que já haviam concluído o ensino fundamental, sendo o curso planejado de modo a conduzir o aluno à habilitação técnica de nível médio, na mesma instituição de ensino, contando com somente uma matrícula para cada aluno (PARANÁ, 2005). Esta concepção incorpora a categoria trabalho e reconhece sua dimensão educativa, ao mesmo tempo em que reconhece a necessidade da educação escolar vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social. É o trabalho como princípio educativo e como forma de orientar as políticas públicas, projetos e práticas da Educação Profissional (PARANÁ, 2006). De acordo com o Decreto nº 5.154/04, no Art. 2º: [...] a educação profissional observará as seguintes premissas: I - organização, por áreas profissionais, em função da estrutura sócio ocupacional e tecnológica; II - articulação de esforços das áreas da educação, do trabalho e emprego, e da ciência e tecnologia (BRASIL, 2004). Na prática os colégios agrícolas foram contemplados com repasses de recursos para o funcionamento da Fazenda-escola, para a melhoria da prática pedagógica, para a manutenção do sistema de internato e semi-internato, além da realização de concurso público para a contratação de professores e funcionários nas mais diversas áreas. O corpo docente foi contemplado com a implantação do Plano de Cargos e Salários, além de poder realizar a sua formação continuada através de um convênio com a Universidade Estadual de Ponta Grossa. A manutenção da escolha para dirigentes através de eleição direta, a elaboração do Plano Político Pedagógico, com base nas Diretrizes Curriculares Escolares (DCE), de forma a atender as diversidades regionais foram outras ações realizadas no período. No caso da Educação Profissional Agrícola, houve ainda a necessidade de elaborar um novo modelo de currículo, mais adaptado à realidade dos alunos e que atendesse a premissa da escola única para propiciar uma formação sólida e ampla, que lhe conferisse a capacidade de trabalhar intelectual e praticamente. Conforme afirmado por Garcia (2006, p.9) O rompimento com a formação restrita para o mercado de trabalho é necessário para que haja um novo ordenamento social, assegurando-se assim uma formação ampla, compreendendo-se as relações sociais subjacentes a todos os fenômenos e a relação entre conhecimentos gerais e específicos, sob os eixos do trabalho, ciência, tecnologia e cultura. A partir desta reestruturação, a nova educação profissional propiciou uma formação onde teoria e prática se articulava, contemplando um domínio de conhecimentos necessários para enfrentar os desafios do mundo do trabalho. Então, no nível médio, a escola tem importância fundamental na formação intelectual e moral dos alunos, necessária para a construção de uma nova sociedade (PARANÁ, 2006). 4. A EDUCAÇÃO PROFISSIONAL HOJE Em seu artigo 28, a Lei 9.394/96 estabelece as seguintes normas para a educação do campo: Art. 28. Na oferta de educação básica para a população rural, os sistemas de ensino promoverão as adaptações necessárias à sua adequação às peculiaridades da vida rural e de cada região, especialmente: I – conteúdos curriculares e metodologias apropriadas às reais necessidades e interesses dos alunos da zona rural. II – organização escolar própria, incluindo adequação do calendário escolar às fases do ciclo agrícola e às condições climáticas. III – adequação à natureza do trabalho na zona rural. (BRASIL, 1996). De acordo com as Diretrizes Curriculares para a Educação do Campo: Ao reconhecer a especificidade do campo, com respeito à diversidade sociocultural, o artigo 28 traz uma inovação ao acolher as diferenças sem transformá-las em desigualdades, o que implica que os sistemas de ensino deverão fazer adaptações na sua forma de organização, funcionamento e atendimento para se adequar ao que é peculiar à realidade do campo, sem perder de vista a dimensão universal do conhecimento e da educação (PARANÁ, 2010, p.18). Já a proposta político pedagógica tem por finalidade o domínio intelectual da tecnologia, a partir da cultura. Deverá permitir aos alunos conhecer os processos do trabalho e suas dimensões científica, tecnológica e social, como parte das relações sociais. Isto se faz necessário devido às próprias mudanças ocorridas ao longo dos últimos anos no mundo do trabalho, que passou a demandar maior conhecimento técnico por parte dos alunos (PARANÁ, 2006). Mas para que possa ocorrer a formação profissional adequada, é necessário desenvolver uma educação em que estejam presentes e articuladas a teoria e a prática, em todos os momentos da formação. Da mesma forma, deve-se assegurar que haja também um constante aprimoramento na organização do trabalho pedagógico, ou seja, deve haver espaço para o diálogo, a discussão e a busca por soluções e inovações para os problemas apresentados, sem que haja imposições ou que prevaleça a unilateralidade das relações, pois o conhecimento não é algo acabado, pronto e inquestionável, mas em constante transformação (PARANÁ, 2006). Desta forma, quando se trata de aprimoramento, deve-se compreender que o currículo desempenha um fator vital para o cumprimento das políticas educacionais que se comprometam com a estrita formação intelectual e prática dos alunos. Ele deve propiciar a democratização do acesso ao conhecimento e preparar os alunos para as etapas subsequentes da vida. A necessidade de repensar a organização dos saberes escolares, isto é, os conteúdos específicos a serem trabalhados. Aliar o conhecimento empírico com a criação de disciplinas que realmente importem para compor a parte diversificada do currículo. De acordo com Inverno (2006, p.3) A importância das escolas produzirem seus currículos de forma participativa e de elaborar suas propostas político-pedagógicas vai ao sentido da preservação da produção de saberes, de visão do mundo, de habilidades, de valores, símbolos e significado de culturas diferentes. O curso Técnico em Agropecuária proporciona ao aluno egresso uma perspectiva de totalidade, onde os conteúdos das disciplinas são contextualizados, o que significa recuperar a importância de trabalhar com os alunos os fundamentos científicos e tecnológicos presentes nas disciplinas da Base Nacional Comum (Ensino Médio) de forma integrada às disciplinas da Formação Específica, evitando a fragmentação do conteúdo. A proposta é uma formação aonde a teoria e a prática possibilitem aos alunos compreender a realidade para além de sua aparência, onde os conteúdos não se findem em si mesmos e que haja o resgate da formação humana. O aluno, como sujeito histórico, produz sua existência pelo enfrentamento da realidade dada, produzindo valores, conhecimento e cultura por sua própria ação. A integração curricular entre o Ensino Médio e a Educação Profissional tem por objetivo integrar o aluno ao contexto sociocultural atual, propiciando uma formação que possibilite uma escolha profissional sintonizada com os requisitos técnicos e tecnológicos próprios de sua área de formação. Para que possa ocorrer a formação profissional adequada e a qual se busca, é necessário desenvolver uma educação em que estejam presentes e articuladas a teoria e prática, com ênfase na formação específica, em todos os momentos da formação. Daí a importância de um currículo específico e articulado ao projeto político pedagógico e que tenha como finalidade a formação que permita aos alunos o domínio intelectual da tecnologia, a partir da cultura. Entende-se que a formação somente será atingida a partir do momento que o currículo passe a atender as necessidades intelectuais dos alunos, privilegiando a formação específica do curso escolhido por eles. Segundo Ramos (2005, p.115) “o conhecimento não é de coisas, entidades, seres, etc., mas sim das relações que se trata de descobrir, aprender no plano do pensamento”. Considerando o conhecimento em sua dimensão histórica verifica-se que a educação, em sua forma escolarizada, passa a ter relevância e, consequentemente, a Instituição Escolar assume um papel fundamental na formação do indivíduo, enquanto age como mediadora e articuladora entre o projeto político e os sujeitos envolvidos na educação. Segundo Ciavatta (apud GARCIA 2005, p.97) “a identidade que cada escola e seus professores, gestores, funcionários e alunos constroem é um processo dinâmico, sujeito permanentemente à reformulação relativa às novas vivências, às relações que estabelecem”. Nas últimas décadas o setor que mais avançou em tecnologia foi o setor da agropecuária. Sendo a escola vista como um organismo que interage com a comunidade e que responde a amplitude de realidades no Estado e no país, há necessidade de levar conhecimento e educação ao homem do campo, que seja capaz de atender as suas demandas sociais. Neste contexto, é importante ressaltar o relacionamento entre a escola e a comunidade na qual está inserida, considerando a história da cidade e do interior, sua população originária, formas de organização, características econômicas e produtivas. 5. METODOLOGIA PARA ANÁLISE DA MATRIZ CURRICULAR De acordo com Gil (1999, p.26) “a ciência tem por objetivo fundamental chegar à veracidade dos fatos [...] e o objetivo da pesquisa é descobrir respostas para problemas mediante o emprego de procedimentos científicos”. Desta forma, tendo como referências a fundamentação teórica e a leitura inicial do modelo de currículo da Educação Profissional Agrícola, foram envolvidos como sujeitos no projeto o corpo docente, o corpo discente e egressos do referido colégio. Para isso, foram realizadas pesquisas exploratórias com a finalidade de esclarecer se o modelo atual de currículo da educação profissional agrícola cumpre a função educativa e social a que se propõe. Inicialmente, a partir do segundo semestre de 2012, foi feito um diagnóstico inicial que subsidiou as demais pesquisas. Para isto, realizou-se uma Oficina de 8 horas com o corpo docente, cujo tema foi “A Importância do Currículo na Formação Profissional Agrícola, Articulado com o Contexto do Mundo do Trabalho”. Foi realizado um questionário fechado visando coletar as opiniões dos professores sobre a atual matriz curricular implantada no colégio a partir de 2010. Outro questionário fechado foi aplicado para os alunos ingressos, onde puderam opinar sobre suas expectativas em relação ao curso Técnico em Agropecuária. Um terceiro questionário fechado foi aplicado aos alunos concluintes do curso, onde os mesmos opinaram sobre a influência da atual matriz curricular na preparação dos mesmos para o mundo do trabalho. Ainda no segundo semestre de 2012, foi elaborada a produção didáticopedagógica, que constou de um caderno pedagógico e a criação de uma página em uma rede social, que serviu para coleta de dados com os egressos do Colégio Agrícola de Rio Negro, além de possibilitar ao corpo docente e ao corpo discente contribuírem com sugestões e opiniões a respeito da matriz curricular atual. A partir do primeiro semestre de 2013, foi utilizada uma rede social para que uma pesquisa de opinião fosse aplicada ao corpo docente dos demais Colégios Agrícolas do Paraná, além de outra pesquisa para os egressos do CEEP Lysímaco Ferreira da Costa. Em fevereiro de 2013 foi realizada uma segunda Oficina com o corpo docente do Colégio Agrícola de Rio Negro, cujo tema foi “O Perfil do Ingresso e o Perfil do Concluinte do Curso Técnico em Agropecuária”. Para isto, foi utilizado um questionário fechado visando coletar as opiniões dos professores sobre a atual matriz curricular e a formação esperada pelo mesmo. Uma terceira oficina foi elaborada em junho de 2013, onde a matriz curricular do curso Técnico em Agropecuária foi apresentada para o corpo docente. Nesta Oficina também foi utilizado um questionário fechado visando coletar opiniões dos professores sobre o atual modelo de matriz curricular implantado na Educação Profissional Agrícola do Paraná. Também foram analisadas e discutidas as oficinas realizadas anteriormente. Para melhor entendimento das pesquisas é importante situar o Colégio Agrícola de Rio Negro no contexto da Educação Profissional Agrícola. Atualmente o colégio conta com 197 alunos, sendo que 104 (52,80%) são oriundos do meio rural, e 93 (47,20%) são oriundos do meio urbano. Estes alunos moram no meio urbano e rural do município de Rio Negro e em cidades e distritos ao redor de Rio Negro, como Campo do Tenente, Quitandinha, Mandirituba, Piên, Agudos do Sul, Tijucas do Sul, Areia Branca dos Assis, Fazenda Rio Grande, Antônio Olinto, Mafra, Itaiópolis, entre outras. De acordo com as Diretrizes Curriculares da Educação do Campo (PARANÁ, 2010, p.34), “embora o censo do IBGE aponte cerca de 18% da população brasileira residindo no campo, a realidade da maioria dos pequenos municípios é de predomínio de características econômicas e socioculturais rurais”, caso dos municípios da região suleste do Paraná e do norte de Santa Catarina, de onde é oriunda a maioria do total dos alunos do Colégio Agrícola de Rio Negro. 6. ANÁLISE DO CURRÍCULO DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL AGRÍCOLA ARTICULADO COM O MUNDO DO TRABALHO As pesquisas realizadas no período de implementação do projeto de intervenção pedagógica, os questionários propostos, bem como as opiniões coletadas pela rede social e pelo Grupo de Trabalho em Rede (realizado no primeiro semestre de 2013), foram analisados e os resultados são discutidos nos itens subsequentes. 6.1. Pesquisa Com Os Alunos Concluintes Do Curso Técnico Em Agropecuária De um total de 52 alunos concluintes do curso Técnico em Agropecuária no CEEP Lysímaco Ferreira da Costa entrevistados, 35% eram oriundos do meio urbano, enquanto 65% eram oriundos do meio rural. Deste total, 28% optaram pelo curso por considerar que se trata de um curso que garante uma profissão no futuro, enquanto 20% optaram pelo referido curso pela expectativa de uma carreira profissional no futuro. Já para 16% dos alunos entrevistados, a opção foi pela possibilidade do curso encaminhar para o mercado de trabalho. Para 98% dos entrevistados, deve haver mais aulas além das previstas no atual currículo do curso Técnico em Agropecuária. Entre os motivos, 63% consideram ter mais aulas para aumentar o conhecimento e a aprendizagem. A ausência de disciplinas técnicas e a quantidade de aulas das matérias técnicas aliado a um currículo defasado e pouco atraente também foram apontados como problemas da matriz curricular, na opinião dos alunos entrevistados. Entre as disciplinas ausentes e que também contribuiriam para a melhor formação profissional dos alunos foram citadas: zootecnia geral, mecanização agrícola, topografia, fruticultura, gestão ambiental, informática, piscicultura, silvicultura, espanhol e inglês, além de aulas práticas de campo. As aulas práticas de campo são necessárias para conciliar a prática com o conhecimento teórico adquirido, para adquirir mais conhecimento teórico e prático e como forma de melhorar o desempenho nos estágios supervisionados. Com referência ao Estágio Supervisionado, 37% dos concluintes entrevistados querem mais horas de estágio, para que estejam melhor qualificados e capacitados para enfrentar os desafios do mundo do trabalho. Já para 54% dos alunos entrevistados, a matriz curricular do curso Técnico em Agropecuária não atendeu suas expectativas em termos de formação profissional, por possuir um conteúdo fragmentado, pela baixa carga horária e pela falta de disciplinas técnicas. Os alunos citaram que a matriz curricular decaiu em termos de disciplinas técnicas, quando comparado com as matrizes curriculares implementadas anteriormente, o que contribuiu para uma aprendizagem limitada e para menor conhecimento por parte dos concluintes. 6.2. Pesquisa Com Os Alunos Ingressos Do Curso Técnico Em Agropecuária De um total de 131 alunos ingressos do curso Técnico em Agropecuária no CEEP Lysímaco Ferreira da Costa entrevistados, 35% eram oriundos do meio urbano, enquanto 65% eram oriundos do meio rural. Deste total, 28% optaram pelo curso Técnico em Agropecuária por considerar que se trata de um curso que garante uma profissão no futuro, enquanto 19% optaram pelo referido curso pela expectativa de uma carreira profissional no futuro. Já para 16,03% dos alunos entrevistados, a opção foi pela possibilidade do curso encaminhar para o mercado de trabalho. Para 85% dos entrevistados deve haver mais aulas além das previstas no atual currículo do curso Técnico em Agropecuária, necessárias para aumentar o conhecimento, a aprendizagem, a capacitação e o preparo técnico para enfrentar os desafios do mundo do trabalho, enquanto a falta de disciplinas técnicas e de aulas de campo, aliado a um currículo fragmentado e defasado foram citados como problemas existentes da matriz curricular atual. Para 100% dos entrevistados as aulas práticas de campo devem estar presentes em uma matriz curricular, para adquirir mais conhecimento teórico e prático, experiência e capacitação, além da melhora no currículo pessoal de cada entrevistado. Para 23% dos alunos entrevistados, a matriz curricular do curso Técnico em Agropecuária não está atendendo as suas expectativas em termos de formação profissional, por possuir um conteúdo fragmentado, condensado, insuficiente e defasado, aliado a falta de disciplinas técnicas como zootecnia, topografia e informática. Com referência ao Estágio Supervisionado, os concluintes entrevistados citaram a necessidade de mais horas de estágio, para que estejam melhor qualificados e capacitados para enfrentar os desafios do mundo do trabalho. 6.3. Pesquisa Com O Corpo Docente Do CEEP “Lysímaco Ferreira Da Costa” De um total de 18 professores entrevistados, todos das disciplinas técnicas e alguns da base nacional comum, 24% acreditam que a busca por uma profissão é o principal fator que leva o aluno a optar pela Educação Profissional Agrícola, enquanto 12% acreditam que a qualificação profissional é fator importante para a melhora no desempenho da propriedade rural da família dos alunos oriundos do meio rural. Para 82% dos professores entrevistados, o currículo deve ser visto como um percurso que leva ao conhecimento e que a matriz curricular deve oportunizar a aprendizagem necessária para que a formação profissional seja significativa. Além disso, a matriz curricular deve ser uma construção coletiva e nortear os conteúdos a serem trabalhados, para que os mesmos possam atender a realidade de cada aluno e da região de sua origem. Para 83% dos professores entrevistados, o atual modelo de matriz curricular do curso Técnico em Agropecuária não vai atender as expectativas dos alunos em relação ao mundo do trabalho. Para que essa premissa seja alcançada é fundamental que a matriz curricular seja mais abrangente e atenda as expectativas e necessidades dos alunos, pais, professores e da comunidade aonde o educando está inserido, ou seja, de todos os sujeitos envolvidos diretamente no processo educativo. É necessário que os conteúdos programáticos aplicados despertem o interesse dos alunos e sejam instigantes, além de estarem atualizados e que sejam revistos constantemente. Dos professores entrevistados, 80% consideram que uma matriz curricular deve adaptar-se à realidade dos alunos, para que a aprendizagem seja significativa e que motive os alunos na busca pelo conhecimento. Ensinar exige respeito aos saberes dos educandos, por isso uma matriz curricular deve partir do conhecimento empírico para chegar ao conhecimento técnico. Na opinião dos entrevistados, uma matriz curricular enxuta e fechada engessa todo o processo educativo e não garante uma aprendizagem significativa. De acordo com os professores entrevistados, a atual matriz curricular não está conseguindo formar alunos preparados para enfrentar os desafios do mundo do trabalho. A falta de disciplinas técnicas, aliada a falta de aulas práticas de campo, a diminuição do número de horas-estágio, aliado a uma estrutura física e educacional que não acompanha as mudanças sociais e tecnológicas foram apontados como os problemas para esta baixa qualidade na formação dos educandos. Desta forma, a matriz curricular do curso Técnico em Agropecuária precisa ser revista, para que o aluno, ao concluir o referido curso, possa estar preparado para enfrentar os desafios do mundo do trabalho e para que o mesmo possa concorrer com seus pares em igualdade de condição. Ao melhorar a relação ensino e aprendizagem, propicia-se o aumento do conhecimento técnico, o que colabora para a melhora também na formação profissional dos educandos. A ementa das disciplinas não é suficiente para que ocorra a transformação dos conteúdos ministrado em aprendizagem, seja pela carga horária inadequada para a formação, seja pelos próprios conteúdos, insuficientes e defasados. A inclusão das aulas práticas de campo na matriz curricular vai contribuir para melhorar a relação ensino e aprendizagem e para adquirir mais conhecimento teórico e prático, experiência e capacitação, na opinião da maioria dos professores entrevistados. 6.4. Pesquisa Com Os Alunos Egressos Do Curso Técnico Em Agropecuária De um total de 110 egressos contatados e formados no CEEP Lysímaco Ferreira da Costa, 45 responderam o questionário enviado. Deste total, 51% são oriundos do meio urbano e 49% são oriundos do meio rural, conforme a figura 1: Figura 1: Proporção entre moradores da área urbana e rural Você é morador da área: Urbana 23 51% Rural 22 49% Fonte: elaboração do autor, 2013 Entre os motivos apontados para a escolha de um curso profissionalizante na área de agropecuária, destacam-se a busca por conhecimento específico na área e por ser o Técnico em Agropecuária uma profissão importante para alavancar uma carreira. Além disso, por se tratar de um curso de muito valor para adquirir mais conhecimento, que servirá tanto para competir de forma igual aos profissionais que já estão atuando na área como para servir como agente disseminador do conhecimento adquirido no meio rural e na propriedade familiar. Para a maioria dos entrevistados, ocorreram dificuldades ao longo do curso, entre elas a falta de aulas práticas de campo nas disciplinas técnicas e a falta de recursos materiais para as aulas práticas. Alguns citaram a dificuldade de interpretação e cálculos, fruto de uma base educacional deficiente. Já para alguns egressos, a falta de treinamento e de conhecimento pedagógico dos profissionais em suas formações para atuarem como professores foi uma das dificuldades do curso. A maioria dos alunos egressos (84%) considera importante haver mais aulas além das previstas no currículo do curso Técnico em Agropecuária, conforme a figura 2: Figura 2: Proporção dos que consideram importante ter mais aulas. Considera importante ter mais aulas além daquelas previstas na matriz curricular? Sim 38 84% Não 7 16% Fonte: elaboração do autor, 2013 Entre os motivos apontados pelos entrevistados, ter mais aulas para aumentar o conhecimento, a aprendizagem, a capacitação e o preparo técnico para enfrentar os desafios do mundo do trabalho, enquanto a falta de disciplinas técnicas e de aulas de campo, aliado a um currículo fragmentado e defasado foram citados como dificuldades da matriz curricular. A falta de aulas práticas e de disciplinas técnicas foi apontada como dificuldade para obter mais conhecimento ao longo do curso, necessário para a atuação profissional dos egressos, quando estiverem no mercado profissional. Por isso a necessidade de mais aulas além das previstas na matriz curricular, para aumentar o conhecimento, a qualificação e para obter acesso à tecnologia. O ramo agropecuário é um dos que mais cresce na economia nacional, com avanço tecnológico e, por isso, o tempo em sala de aula ou à campo é muito pouco para tanta informação disponível. Na opinião dos egressos, as aulas de campo, ausentes na atual matriz curricular, são importantes para conciliar o conhecimento teórico com o prático. O campo é a base para a atuação profissional, o aluno aprende a ter responsabilidade, a utilizar os diversos manejos aprendidos de forma coerente para melhorar a forma de criar e plantar. Muitas atividades relacionadas à profissão do Técnico em Agropecuária dependem do conhecimento prático, o que a teoria nem sempre consegue resolver. Em sala de aula o professor explica como que deve ser feito, mas é na prática que o aluno aprende. Ouvir é diferente de praticar. Dentre as disciplinas que mais contribuíram para a formação profissional dos egressos estão a mecanização agrícola, olericultura, topografia, criações animais, fruticultura, matemática, português, extensão rural, zootecnia e informática aplicada. Algumas destas disciplinas foram suprimidas da atual matriz curricular, enquanto outras tiveram a carga horária reduzida e outras foram agrupadas com outras disciplinas, porém com carga horária também reduzida. Para os egressos poderiam existir disciplinas na matriz curricular e que também contribuiriam para a sua formação profissional, como a silvicultura, mecanização agrícola, zootecnia, fruticultura, fumicultura, operador de máquinas agrícolas, topografia, usos dos agrotóxicos, irrigação e drenagem e climatologia. Um conhecimento maior da realidade em que se vive em cada região, suas necessidades e problemas, para que possam ser discutidos e apresentadas soluções também foi citado pelos entrevistados. Para 78% dos alunos entrevistados, a matriz curricular anterior do curso Técnico em Agropecuária atendeu as suas expectativas em termos de formação profissional, conforme a figura 3: Figura 3: Expectativas de formação profissional em relação à matriz curricular A matriz curricular do curso Técnico em Agropecuária atendeu suas expectativas em termos de formação profissional? Sim 35 78% Não 10 22% Fonte: elaboração do autor, 2013 Apesar das falhas na matriz curricular anterior, como a pouca interdisciplinaridade e a falta de assuntos mais atualizados, os egressos consideram que é possível ao profissional formado nos moldes daquela matriz trabalhar em qualquer das áreas da agropecuária. Todos os assuntos abordados foram de interesse e puderam ser utilizados durante a vida profissional. A matriz curricular tinha uma maior abrangência da formação da área da pecuária e agricultura, quando comparada com a matriz curricular em vigência. 6.5. Pesquisa Com O Corpo Docente De Outros Colégios Agrícolas Do Paraná De um total de 173 professores contatados e que trabalham em outros Colégios Agrícolas do Paraná, 25 responderam o questionário enviado. A maioria acredita que a formação dos futuros profissionais está intimamente ligada ao currículo, pois da matriz curricular dependerá as disciplinas e o conteúdo a ser ministrado e que serão usados pelos Técnicos em Agropecuária. É no currículo que a escola e o professor vão se fundamentar, para definir a proposta pedagógica a ser aplicada e para melhor atingir o objetivo final que é a aprendizagem dos alunos. Na opinião dos professores, não adianta iniciar a profissionalização dos alunos por disciplinas que exigem altas habilidades e conhecimentos, se estes alunos não tiverem a oportunidade de contato com pré-requisitos que o capacitem para chegar às competências superiores. Caso de disciplinas como zootecnia, informática e prática agropecuária, base para outras disciplinas técnicas e que foram suprimidas da atual matriz curricular. Por isso é importante que o currículo seja construído coletivamente, incluindo também os alunos nessa discussão. O aluno terá um processo de aprendizagem mais significativo quando estuda assuntos que despertem seus interesses. Neste contexto, é importante incluir disciplinas e conteúdos que contemplem, além da parte técnica, a formação de um indivíduo crítico, capaz de questionar ou mesmo mudar paradigmas impostos pela sociedade. Deve-se formar um cidadão capaz de exercer em plenitude a sua cidadania. Para que um currículo possa produzir aprendizagem, há necessidade de uma matriz curricular com uma carga horária compatível para que o professor possa repassar os conteúdos propostos e que a mesma venha de encontro com a realidade onde este aluno está inserido, pois, ao contrário, a matriz curricular tornase desinteressante e sem motivação e não vai conseguir produzir a aprendizagem esperado. Da mesma forma, uma matriz curricular atualizada e flexível, para que o futuro profissional também esteja atualizado e para que a mesma cumpra a função da formação técnica, tecnológica e de cidadania. Que ela esteja em sintonia com as mudanças do mercado do trabalho e da sociedade em geral e que alie o conhecimento teórico com o conhecimento prático e, principalmente, que as disciplinas tenham uma carga horária suficiente para que o professor possa desenvolver adequadamente o conteúdo. A atual matriz curricular possui disciplinas oriundas da junção de outras disciplinas, porém com carga horária reduzida, conforme o quadro 1. Novas Disciplinas Produção Animal Infraestrutura Rural Quadro 1: Novas Disciplinas da Matriz Curricular Carga Horária Semanal Disciplinas Unificadas 10 horas/aula Criações Zootecnia 4 horas/aula Irrigação e Drenagem Topografia Construções Rurais Fonte: elaboração do autor (2013) Carga Horária Semanal 9 horas/aula 6 horas/aula 2 horas/aula 2 horas/aula 2 horas/aula De acordo com a pesquisa, observa-se que a redução na carga horária das disciplinas acima fará com que os alunos tenham menor contato com conteúdos importantes para sua formação técnica. Outra questão foi a da disciplina de informática, essencial para qualquer curso profissionalizante. Apesar de haver um investimento na aquisição de laboratórios de informática para os Colégios Agrícolas, a disciplina foi retirada da atual matriz curricular, deixando de oportunizar aos alunos o acesso à tecnologia e à inclusão digital. A pesquisa realizada com os ingressos e concluintes do curso Técnico em Agropecuária do CEEP Lysímaco Ferreira da Costa apontou que 50% dos alunos não possuem computador em casa e com acesso à internet. A conectividade entre as disciplinas com um planejamento integrado dos conteúdos, a interdisciplinaridade, a aplicabilidade e uma sequência organizada e lógica dos conteúdos teóricos e práticos, além da constante atualização, também são importantes para que uma matriz curricular possa produzir conhecimento. Outra questão foi a diminuição do número de profissionais à campo e a diminuição das horas de coordenação, onde até o ano de 2011 havia 40 horas de coordenação de curso e 20 horas de coordenação de estágio, que foram reduzidas em 2012 para 5 horas por turma para coordenação de curso e de 3 horas por turmas para a coordenação de estágio. Na visão do corpo docente, é necessário o suprimento de profissionais legalmente habilitados para exercer as funções de Coordenador de Curso e de Coordenador de Estágio, bem como o suprimento de Médicos Veterinários e Engenheiros Agrônomos para o acompanhamento diário das atividades da escola e o funcionamento da Fazenda-escola, entre outros. Isto se faz necessário para garantir o atendimento das necessidades dos alunos. Não se consegue este atendimento sem os profissionais legalmente habilitados. Para 80% dos professores entrevistados, é importante que o currículo se adapte à realidade dos alunos, conforme a figura 4: Figura 4: Adaptação do Currículo aos Alunos Considera importante: Que o currículo se adapte à realidade dos alunos. 20 80% Que os alunos se adaptem à realidade do currículo. 5 20% Fonte: elaboração do autor, 2013 Os alunos necessitam de uma educação de qualidade e que esteja relacionada com o tempo em que vivemos, contemplando anseios e com a presença de tecnologias, além da presença de disciplinas com conteúdos regionalizados. A matriz curricular que estava em vigência até o ano de 2009 contemplava a disciplina de Especificidade Regional, onde cada Colégio Agrícola podia incluir temas referentes às questões da região na qual está inserido. Esta disciplina foi excluída da atual matriz curricular. Os alunos ingressos são de realidades diversas e o currículo exige que os mesmos se adaptem a realidades da qual não pertencem, tornando o currículo distante e desinteressante para os mesmos. O processo ensino e aprendizagem só acontece quando se coloca o aluno como sujeito do processo. Há casos citados pelos professores de novas culturas que já são uma realidade em certas regiões, mas que não fazem parte da matriz curricular do curso Técnico em Agropecuária, ficando a cargo de o docente inserir este conteúdo em sua disciplina, desde que a carga horária permita oportunizar mais conteúdo além do previsto. Na opinião dos professores entrevistados, para que o currículo se adapte à realidade dos alunos, é importante que garanta suprir as necessidades profissionais dos alunos, pois o currículo deve propiciar tanto o retorno dos alunos às suas origens e utilizar os conhecimentos para a melhora da propriedade rural, como para que os alunos possam enfrentar os desafios do mundo do trabalho. Para 100% dos professores entrevistados, as aulas de campo são importantes no processo ensino e aprendizagem, conforme figura 5: Figura 5: Aulas de campo como articulação no processo ensino e aprendizagem Considera as aulas de campo importantes como articulação no processo ensino e aprendizagem? Sim 25 100% Não 0 0% Não sei 0 0% Fonte: elaboração do autor, 2013 O processo educativo deve ser contínuo, portanto a extensão da teoria para a prática é fundamental no processo ensino e aprendizagem, que torna a assimilação do conteúdo mais efetiva. Além disso, é na prática que os alunos vão poder ter contato com os diversos sistemas de criação e plantios, a busca por soluções para os problemas que ocorrem no dia a dia, o que possibilita maior aprendizagem e capacitação. A prática de campo é necessária para que o aluno conheça o que está aprendendo na sala de aula, é a tradução do conhecimento científico no trabalho, na opinião dos entrevistados. Num curso profissionalizante, elas são essenciais para a fixação do conteúdo teórico, vivenciando situações reais da profissão, além de ser o momento para identificar-se o real perfil dos alunos do ensino agropecuário. A disciplina de Prática Agropecuária foi suprimida da matriz curricular atual, deixando os alunos somente com a possibilidade de contato com as atividades de campo restritas às aulas práticas das disciplinas técnicas. Para 68% dos professores entrevistados, o modelo atual de currículo não está conseguindo formar alunos preparados para enfrentar os desafios do mercado de trabalho, conforme a figura 6: Figura 6: Formação dos alunos de acordo com o modelo de currículo atual Considera que, de acordo com o modelo de currículo atual, está conseguindo formar alunos preparados para enfrentar os desafios do mundo do trabalho? Sim 8 32% Não 17 68% Fonte: elaboração do autor, 2013 De acordo com os entrevistados, a defasagem da matriz curricular atual quando comparada com os sistemas de produção utilizados pelos agricultores e a formação somente de mão de obra cuja capacidade não atende as necessidades de um mercado de trabalho exigente em termos de qualificação. A matriz curricular precisa ser revista, mas de forma madura e responsável, onde professores que atuam nos colégios agrícolas e conhecem diretamente a problemática devem expor sugestões para a melhora da matriz curricular atual, para que se tenha uma educação de qualidade. Ela não pode ser fruto somente de uma imposição superior, sem os cuidados necessários para que possa traduzir em conhecimento os conteúdos nela aplicados. Na opinião dos professores, “mundo do trabalho” é apenas um bonito termo, mas que não atende o que se busca dos alunos, em termos de qualificação profissional, ou seja, que ele não está preparado para enfrentar os desafios de uma carreira promissora e repleta de alternativas. Os colégios se tornaram centros assistencialistas, quando o que realmente deveria ser feito eram projetos para melhorar a produção do campo, de forma que possibilite os alunos de se apropriarem do conhecimento de forma significativa para eles. O Estado vem diminuindo as aulas como meio de diminuir gastos, ou seja, está valorizando a quantidade de alunos formados com menor custo do que a qualidade dos alunos formados com um custo maior. Com referência à carga horária das disciplinas, 80% dos professores entrevistados consideram insuficiente para que se possa realizar a articulação ensino e aprendizagem, conforme a figura 7: Figura 7: Carga horária das disciplinas A carga horária da(s) sua(s) disciplina(s) é condizente para que se possa realizar a articulação ensino e aprendizagem? Sim 5 20% Não 20 80% Desconheço a carga horária da(s) disciplina(s) que leciono 0 0% Fonte: elaboração do autor, 2013 A matriz curricular atual é fragmentada, deixa de propiciar estudos e conteúdos importantes para o futuro profissional, por causa da reduzida carga horária das disciplinas técnicas. Enquanto as disciplinas da base nacional comum contemplam um total de 2.880 horas/aula, as disciplinas da formação específica contemplam somente 1.980 horas/aula. A matriz curricular que estava em vigor até o ano de 2009 previa 50 horas/aula semanais, enquanto a matriz curricular atual prevê 40 horas/aula semanais, num momento em que discute o aumento da permanência dos alunos nos estabelecimentos de ensino. Esta diminuição tem como consequência menor tempo para aprendizagem. Algumas disciplinas que tiveram a carga horária semanal diminuída estão no quadro 2. Quadro 2: Carga horária de algumas disciplinas da atual matriz curricular Disciplinas Carga Horária Anterior Carga Horária Atual Agroindústria 4 horas/aula 2 horas/aula Inglês 4 horas/aula 2 horas/aula Matemática 12 horas/aula 9 horas/aula Português 12 horas/aula 9 horas/aula Fonte: elaboração do autor (2013) A disciplina de Inglês foi diminuída de 4 horas/aula semanais para 2 horas/aula semanais, numa época de acesso à internet e de conteúdo científico no idioma inglês. Além das questões do profissionalizante, os alunos utilizam o conhecimento de disciplinas como Português, Matemática e Inglês para provas nacionais, como o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), Olimpíada de Língua Portuguesa – Escrevendo o Futuro, exames vestibulares diversos, entre outros. Outra questão apontada foi a diminuição da carga horária do estágio supervisionado, de 360 horas (mínimo) para 160 horas (mínimo), o que acarreta menos tempo de aprendizagem, menor contato dos alunos com o mercado profissional e menor interesse por parte dos alunos em cumprir uma carga horária tão pequena. Esta diminuição do número de horas/estágio acarretou também problemas no andamento das atividades dos setores da Fazenda-escola, pois muitos alunos utilizam a própria estrutura dela para a realização dos seus estágios, principalmente durante os períodos de recesso escolar. Em oposição, disciplinas como Filosofia, Sociologia e Arte tiveram sua demanda de aulas aumentada, em cumprimento à Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) que obriga a inclusão de algumas disciplinas no currículo (BRASIL, 1996). Não se trata de discutir a formação humanista dos educandos, mas da necessidade de uma carga horária maior para determinadas disciplinas da BNC. Com referência á ementa das disciplinas, 60% dos entrevistados acredita que ela é insuficiente para que ocorra a transformação do conteúdo ministrado em aprendizagem, conforme a figura 8: Figura 8: Ementa das disciplinas A ementa da(s) sua(s) disciplina(s) é suficiente para que ocorra a transformação do conteúdo ministrado em aprendizagem? Sim 9 36% Não 15 60% Desconheço a ementa da(s) minha(s) disciplina(s) 1 4% Fonte: elaboração do autor, 2013 Para a maioria dos entrevistados, a carga horária das disciplinas foi pouca e deveria ser aumentada. Em muitos casos, o conteúdo é disperso, condensado e sem uma sequência favorável ao ensino e aprendizagem. A maioria das disciplinas possui um conteúdo defasado, além de uma ementa insuficiente para a articulação entre o ensino e a aprendizagem. Entre as sugestões apontadas na pesquisa para que o currículo e o curso Técnico em Agropecuária contribuam para melhor preparar os alunos para os desafios do mundo do trabalho, estão algumas listadas no quadro 3. Quadro 3: Sugestões para a melhora do curso Técnico em Agropecuária Mudanças na matriz curricular, de forma a aumentar a carga horária das disciplinas técnicas e adequação das ementas à carga horária das disciplinas. Aumento da carga horária do estágio supervisionado e reforma da atual matriz curricular que possibilite melhora na qualidade de ensino, pela visão dos profissionais envolvidos diretamente no processo. Reduzir a carga horária das disciplinas da formação humanística. Melhorar o nível de formação dos alunos do ensino fundamental, principalmente em cálculos matemáticos e interpretação de textos. Estágios que ofereçam a possibilidade de ensino e não sejam locais em que os estagiários sejam somente mão de obra barata. Tornar a Fazenda-escola em unidades produtivas, pois atualmente ela não serve de exemplo para os modelos produtivos ideais. Aumentar os recursos destinados aos Colégios Agrícolas. Aplicação de parte dos recursos federais e estaduais destinados aos colégios agrícolas para a melhoria dos maquinários, laboratórios, dos recursos bibliográficos, livros didáticos adequados e atualizados, pois os que existem não se destinam aos alunos que estão em formação. Interação das disciplinas da base nacional comum com a formação específica, com conteúdos comuns às disciplinas. Ter um critério mais adequado de seleção dos ingressos, baseado no perfil técnico, como ocorre em alguns colégios estaduais. Permitir que o aluno desenvolvesse nos colégios agrícolas atividades comuns de uma propriedade rural, como manipular tratores, colheitadeiras e demais implementos agrícolas. Retornar as disciplinas que foram suprimidas da matriz curricular que estavam em vigor até 2009 ou tiveram a carga horária diminuída, como informática, prática agropecuária, zootecnia, mecanização agrícola, agroindústria, topografia, irrigação e drenagem, construções rurais, especificidade regional, entre outras. Disponibilidade de horas para professores das áreas técnicas realizarem cursos de capacitação em suas áreas de formação, bem como elaborarem projetos envolvendo os setores produtivos e os alunos. Dedicação exclusiva dos professores que trabalham em colégios técnicos, mesmo aqueles das disciplinas da base nacional comum. Manter parceria com as universidades estaduais e federais, bem como instituições e órgãos públicos e privados voltados à agropecuária, para melhorar o nível técnico dos profissionais da educação agropecuária e dos alunos envolvidos na educação profissional agrícola. Disponibilizar horas na matriz curricular para o desenvolvimento de atividades que envolvam raciocínio, análise, síntese, reestruturação, interpretação, trabalho em equipe, organização, planejamento, entre outras habilidades que possam ser desenvolvidas pelos colégios e que serão utilizadas na vida profissional dos alunos. Trazer a realidade vivida no campo pela maioria dos alunos, diagnosticar problemas e metodologias aplicadas e inseri-las em uma disciplina regional, que abrange a realidade dos municípios contemplados pelo Colégio Agrícola, inserir eventos voltados ao campo, dias de campo, mostra técnica, experimentação agropecuária, entre outros. Fonte: elaboração do autor (2013) 7. CONSIDERAÇÕES FINAIS O objetivo deste trabalho foi analisar o atual modelo de currículo da educação profissional agrícola e os seus impactos no processo ensino-aprendizagem e na formação dos educandos. Com base nas pesquisas realizadas com o corpo docente, com o corpo discente e egressos do CEEP Lysímaco Ferreira da Costa e com o corpo docente de outros Colégios Agrícolas do Paraná, conclui-se que é necessário: Uma urgente revisão da matriz curricular do curso Técnico em Agropecuária, pois o modelo em vigência não atende as expectativas de formação profissional dos educandos, para que possam enfrentar a realidade do mundo do trabalho, que se mostra exigente em termos de formação profissional. A matriz curricular atual encontra-se distante da tecnologia e das novas técnicas de plantio e de criação animal. Esta defasagem de conteúdos repercute diretamente sobre a formação profissional dos alunos. A inclusão de disciplinas técnicas como Zootecnia, Prática Agropecuária, Mecanização Agrícola e Especificidade Regional melhoraria a capacitação profissional dos alunos, haja vista que o curso Técnico em Agropecuária se encontra distante da realidade dos alunos. E, o evidente enfraquecimento e a falta de disciplinas na atual matriz curricular, quando comparada ao modelo que estava em vigência até o ano de 2009, torna o curso pouco atraente. Aumentar a carga horária das disciplinas técnicas, pois a carga prevista na matriz atual não é suficiente para produzir conhecimento, seja para a qualificação profissional dos educandos, seja para a melhoria da produção agropecuária da propriedade rural, necessária para a fixação da família no meio rural. Aumentar a carga horária da atual matriz curricular. Aumentar a carga horária do estágio curricular, atualmente de 160 horas, pois o pouco contato dos alunos com as atividades de estágio interfere no processo de ensino e aprendizagem e na capacitação profissional dos educandos. Recolocar a disciplina de Prática Agropecuária na matriz curricular, aumentar os recursos para a manutenção e melhoria da Fazenda-escola e melhorar a capacitação dos profissionais à campo. Aumentar a carga horária das disciplinas de português, matemática, química, física e biologia e a elaboração de uma ementa destas disciplinas voltada ao curso de Técnico em Agropecuária. Permitir que o aluno desenvolvesse nos colégios agrícolas atividades comuns de uma propriedade rural, como manipular tratores, colheitadeiras e demais implementos agrícolas. A contratação de profissionais médicos veterinários, engenheiros agrônomos e técnicos agrícolas para o acompanhamento diário dos alunos, das atividades da escola e do funcionamento da Fazenda-escola, entre outros. Este trabalho contribui para que se possa compreender o que é de fato necessário e importante para a aprendizagem dos educandos, como por exemplo, propor colaborativamente, no processo de formação continuada dos professores, a construção de um novo modelo de currículo escolar voltado à realidade dos alunos, com a participação da comunidade escolar e de representantes das instâncias superiores, como Núcleo Regional de Educação e Secretaria de Estado da Educação, bem como empresas, autarquias, cooperativas e demais órgãos públicos e privados com atuação voltada a agropecuária. Isto se faz necessário por que, apesar dos esforços, ainda persiste uma dissonância entre o modelo de matriz curricular apresentado aos alunos do curso Técnico em Agropecuária, a articulação entre o processo de ensino-aprendizagem e os desafios do mundo do trabalho, de forma que o conhecimento produzido a partir deste modelo, de um modo geral, não permitirá aos formandos um adequado enfrentamento da prática profissional, prejudicando a construção de uma carreira profissional sólida, que garanta sua sobrevivência e contribua para a melhora social dos indivíduos envolvidos nela. Ao contrário, observa-se, de acordo com as pesquisas propostas, que o atual conteúdo da matriz curricular apresenta dificuldade em produzir conhecimento, pela falta de disciplinas necessárias para oferecer aos educandos uma melhor qualificação profissional. A supressão de algumas disciplinas técnicas tornou o currículo do ensino técnico agrícola distante da realidade que se busca. A falta de contato dos alunos com o campo é um dos problemas enfrentados, por que a disciplina de Práticas Agropecuárias foi suprimida da atual matriz curricular, comprometendo a formação profissional dos educandos. Isso tudo ainda dentro de uma jornada diária de 8 horas, no caso da educação profissional agrícola, quando não menos, estimulado por problemas como a indisciplina, a violência, falta de professores, problemas de infraestrutura nas escolas, entre outros. Esta é uma realidade que ainda preocupa a educação profissional: o currículo ainda não foi concebido para atender estas premissas. Especialistas e dirigentes educacionais, que construíram a atual matriz curricular, somente propuseram um rol de disciplinas, de conteúdos e de técnicas de ensino para serem seguidas e executadas. Apesar dos seus esforços a atual matriz curricular não conseguiu produziu efeitos significativos na prática pedagógica. Observa-se que as matrizes curriculares são geralmente dadas, prontas e acabadas, sem se apoiar em bases democráticas, frutos de reuniões onde nem sempre os representantes dos colégios agrícolas tiveram suas opiniões validadas. Foi o que aconteceu com o processo de implementação do atual modelo de matriz curricular. Vem daí a necessidade de rever a atual matriz curricular do ensino profissionalizante agrícola no Estado do Paraná, pois dela depende toda a estrutura dos colégios agrícolas. Um novo modelo que traga a melhoria do desempenho dos educandos e atinja as mudanças necessárias, além de proporcionar melhores resultados na formação técnica dos educandos. As mudanças ocorridas no ensino profissionalizante agrícola no Paraná, desde o ano de 2003, devem ser garantidas de modo a possibilitar a melhora constante os colégios agrícolas como um todo. É função do gestor escolar e da equipe pedagógica organizar a escola e cumprir o Projeto Político Pedagógico, importante para atender as necessidades de qualificação profissional dos educandos. Neste caso específico, o surgimento de novas exigências na economia, no agronegócio, das novas técnicas de criação animal, da qualidade dos alimentos e das novas variedades de sementes de grãos, nos leva a valorização de alguns conhecimentos e a relativização de outros. E são estas dificuldades que os gestores escolares, equipe pedagógica e corpo docente enfrentam no dia a dia dos colégios agrícolas. Então, percebe-se que muito ainda se pode fazer para garantir que as políticas públicas contribuam para a melhor capacitação dos educandos. O mundo do trabalho exige mais que somente um diploma, estamos vivendo um momento em que se utilizam mais neurônios que músculos. É necessário rever o que se está preparando para o mundo do trabalho, qual a qualificação e se esta qualificação é suficiente para atender as exigências atuais. REFERÊNCIAS BETTI, Renata, BARRUCHO, Guilherme, BRASIL, Sandra. É Preciso Encher a Cabeça Deles. Revista Veja, São Paulo, nº 2235, p. 92-96, 21 set. 2011. BRASIL, INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA - IBGE. Primeiros Dados do Censo 2010. Disponível em <http://www.censo2010.ibge.gov.br/primeiros_dados_divulgados/index.php?uf=00> Acesso em 26 mar. 2012. BRASIL, MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CULTURA. Leis e Decretos. Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Disponível em <http://bd.camara.gov.br/bd/bitstream/handle/bdcamara/2762/ldb_5ed.pdf> Acesso em 15 mar. 2012. __________. Leis e Decretos. Decreto 5.154, de 23 de julho de 2004. Disponível em <http://www.abennacional.org.br/download/regulamentacao_ensino_profissional.pdf> Acesso em 15 mar. 2012. BRASIL, SECRETARIA DA AGRICULTURA FAMILIAR. Crédito Rural. Disponível em <http://portal.mda.gov.br/portal/saf/programas/pronaf> Acesso em 15 abr. 2012. BRASIL, FUNDO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO. Alimentação Escolar. Disponível em <http://www.fnde.gov.br/index.php/programasalimentacao-escolar > Acesso em 15 abr. 2012. CIAVATTA, Maria. A Formação Integrada: a Escola e o Trabalho como Lugares de Memória e Identidade. In: GARCIA, Sandra Regina de Oliveira. Ensino Médio Integrado. São Paulo. Cortez, 2005, p.83-105. GARCIA, Sandra Regina de Oliveira. Diretrizes da Educação Profissional: Fundamentos políticos e Pedagógicos. In: SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO. Diretrizes Curriculares da Educação Profissional. Curitiba, 2006, p.9. GIL, Antônio Carlos. Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. São Paulo. Atlas, 1999, p.26-48. GOMES, Ângela de Castro Correia. VIEIRA, Leociléa Aparecida. O Currículo como instrumento central do processo educativo: uma reflexão etimológica e conceitual. Disponível em <http://www.pucpr.br/eventos/educere/educere2009/anais/pdf/2925_1387.pdf > Acesso em 15 abr. 2012. INVERNO, José Mário Angeli. Trabalho, ciência, tecnologia e cultura como princípios fundantes da organização curricular integrada: uma leitura política. Londrina. UEL, 2006, 11p. KUENZER, Acácia. Ensino de 2º Grau: o trabalho como princípio educativo. São Paulo. Cortez, 1998, 126p. PARANÁ, SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO. Alimentação Escolar Recebe Produtos da Agricultura Familiar. Disponível em <http://www.educacao.pr.gov.br/modules/noticias/article.php?storyid=3413&tit=Alime ntacao-escolar-recebe-produtos-da-agricultura-familiar > Acesso em 23 abr. 2012 PARANÁ, SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO. DCE Educação do Campo. Curitiba, 2010, 44p. PARANÁ, SECRETARIA DE ESTADO Profissional. Curitiba, 2006, 48p. DA EDUCAÇÃO. DCE Educação PARANÁ, SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO. Educação Profissional na Rede Pública Estadual. Curitiba, 2005, 48p. PARANÁ, SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO. Plano de Curso Técnico em Agropecuária. Curitiba, s/d, 84 p. PARANÁ, SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO. Projeto Político Pedagógico Centro Estadual de Educação Profissional “Lysímaco Ferreira da Costa”. Curitiba, 2010, 215p. RAMOS, Marise. Possibilidades e desafios na organização do currículo integrado. In: GARCIA, Sandra Regina de Oliveira. Ensino médio integrado. São Paulo. Cortez, 2005, p.106-127. SACRISTÁN, José Gimeno. O currículo: uma reflexão sobre a prática. Porto Alegre. Artmed, 2000, 352p. SILVA, Mônica Ribeiro. Currículo, reformas e a questão da formação humana: uma reflexão a partir da Teoria Crítica da Sociedade. Disponível em <http://ojs.c3sl.ufpr.br/ojs2/index.php/educar/article/viewArticle/2071> Acesso em 30 mai. 2012. APÊNDICE A – Pesquisas Elaboradas 1. CORPO DISCENTE: INGRESSOS Você é morador da área: ( ) urbana ( ) rural Que motivos o levaram a buscar o curso Técnico em Agropecuária: (escolha três alternativas que considere mais importantes e marque com X) ( ) é um curso gratuito. ( ) é um curso rápido. ( ) é um curso que garante uma profissão no futuro. ( ) encaminhamento para o mercado de trabalho. ( ) é uma ponte para a universidade. ( ) expectativa de uma carreira profissional. ( ) pode garantir a estabilidade financeira. ( ) capacita para o trabalho. ( ) irmãos ou parentes que já terminaram o curso ou estão concluindo. ( ) influência da família. ( ) possui um currículo adaptado para as necessidades profissionais. ( ) facilita a inserção no mercado de trabalho. ( ) para ficar longe de casa o dia todo. ( ) para preencher o tempo. ( ) meus pais me obrigaram estudar no colégio. ( ) outra __________________________________________ Possui computador em casa com acesso à Internet? ( ) Sim ( ) Não Apresenta dificuldade de aprendizado em alguma disciplina? ( ) Sim qual/quais? ( ) Não Você conhece o currículo atual do curso Técnico em Agropecuária? ( ) Sim ( ) Não Considera importante ter mais aulas além das previstas no currículo? Considera importante ter aulas práticas de campo? ( ) Sim ( ) Não Por quê? Em relação ao currículo, o curso está atendendo suas expectativas? ( ) Sim ( ) Não Por quê? 2. CORPO DISCENTE: CONCLUINTES E EGRESSOS Você é morador da área: ( ) urbana ( ) rural Que motivos o levaram a buscar o curso Técnico em Agropecuária: (escolha três alternativas que considere mais importantes e marque com X) ( ) é um curso gratuito. ( ) é um curso rápido. ( ) é um curso que garante uma profissão no futuro. ( ) encaminhamento para o mercado de trabalho. ( ) é uma ponte para a universidade. ( ) expectativa de uma carreira profissional. ( ) pode garantir a estabilidade financeira. ( ) capacita para o trabalho. ( ) irmãos ou parentes que já terminaram o curso ou estão concluindo. ( ) influência da família. ( ) possui um currículo adaptado para as necessidades profissionais. ( ) facilita a inserção no mercado de trabalho. ( ) para ficar longe de casa o dia todo. ( ) para preencher o tempo. ( ) meus pais me obrigaram estudar no colégio. ( ) outra __________________________________________ Possui computador em casa com acesso à Internet? ( ) Sim ( ) Não Apresentou dificuldade de aprendizado em alguma disciplina? ( ) Sim qual/quais? ( ) Não Considera importante ter mais aulas além das previstas no currículo? ( ) Sim ( ) Não Por que? De que maneira as aulas práticas de campo contribuíram para sua atuação profissional durante os Estágios Supervisionados? A carga horária do Estágio Supervisionado foi suficiente para melhorar a sua qualificação profissional? ( ) Sim ( ) Não Por quê? Quais disciplinas mais contribuíram para o seu Estágio Supervisionado? Quais as disciplinas mais contribuíram para a sua formação profissional? Quais disciplinas poderiam estar presentes no currículo e que também contribuiriam para sua formação profissional? O currículo atendeu suas expectativas em termos de formação profissional? ( ) Sim ( ) Não Por quê? 3. CORPO DOCENTE 1º ENCONTRO Prezado(a) professor(a): este questionário tem por objetivo fornecer subsídios para meu projeto de pesquisa no PDE, cuja linha de estudo é Currículo e Mundo de Trabalho. Sua colaboração será fundamental para o sucesso da minha pesquisa e não levará mais de 10 minutos para preencher. Muito obrigado! 1. Em sua opinião, o que leva o aluno a optar pela Educação Profissional Agrícola 2. Em sua opinião, de que maneira o currículo pode contribuir na formação profissional dos alunos? 3. Considera que o modelo atual de currículo do curso Técnico em Agropecuária vai atender as expectativas dos alunos em relação ao mundo do trabalho? ( ) Sim ( ) Não ( ) Não conheço o currículo ( ) Desconheço as expectativas dos alunos 4. O que é necessário ter em uma matriz curricular para que o mesmo possa produzir aprendizagem? 5. Considera importante: ( ) que o currículo se adapte à realidade dos alunos. ( ) que os alunos se adaptem à realidade do currículo. Por quê? 4. CORPO DOCENTE 2º ENCONTRO Prezado(a) professor(a): este questionário tem por objetivo fornecer subsídios para meu projeto de pesquisa no PDE, cuja linha de estudo é Currículo e Mundo de Trabalho. Sua colaboração será fundamental para o sucesso da minha pesquisa. Muito obrigado! 1. Considera as aulas práticas de campo importantes como articulação no processo ensino/aprendizagem? ( ) Sim ( ) Não ( ) Não sei 2. De que forma a sua disciplina está contribuindo para a formação do perfil esperado do egresso? 3. Como a sua disciplina pode contribuir como ferramenta a ser utilizada pelos alunos na vida profissional deles? 4. Quais dificuldades de aprendizagem os alunos mais apresentam em sua disciplina? Cite três: 5. Considera que, de acordo com o currículo atual, está conseguindo formar alunos preparados para enfrentar os desafios do mundo do trabalho? ( ) Sim ( ) Não Por quê? 5. CORPO DOCENTE 3º ENCONTRO Prezado(a) professor(a): este questionário tem por objetivo fornecer subsídios para meu projeto de pesquisa no PDE, cuja linha de estudo é Currículo e Mundo de Trabalho. Sua colaboração será fundamental para o sucesso da minha pesquisa. Muito obrigado! 1. A carga horária de sua(s) disciplina(s) é condizente para que se possa realizar a articulação ensino/aprendizagem? ( ) Sim ( ) Não Por quê? 2. A ementa de sua(s) disciplina(s) é suficiente para que ocorra a transformação do conteúdo ministrado em aprendizagem? ( ) Sim ( ) Não Por quê? 3. De que maneira a inclusão das aulas práticas de campo na matriz curricular poderia contribuir para melhorar a aprendizagem dos alunos? 4. Forneça sugestões para que a sua disciplina e o curso contribuam para melhor preparar os alunos para os desafios do mundo do trabalho: 6. CORPO DISCENTE: CONCLUINTES E EGRESSOS (REDE SOCIAL) Você é morador da área: ( ) urbana ( ) rural Em qual Colégio Agrícola se formou? Que motivos o levaram a buscar o curso Técnico em Agropecuária? (escolha três que considere mais importantes.) Apresentou dificuldade de aprendizado em alguma disciplina? ( ) Sim qual/quais? ( ) Não Considera importante ter mais aulas além das previstas no currículo? ( ) Sim ( ) Não Por quê? De que maneira as aulas práticas de campo contribuíram para sua atuação profissional após a formatura? Considera que a carga horária do Estágio Supervisionado foi suficiente para melhorar a sua qualificação profissional? ( ) Sim ( ) Não Por quê? Quais disciplinas mais contribuíram para o seu Estágio Supervisionado? Quais as disciplinas mais contribuíram para a sua formação profissional? Quais disciplinas poderiam estar presentes no currículo e que também contribuiriam para sua formação profissional? O currículo atendeu suas expectativas em termos de formação profissional? ( ) Sim ( ) Não Por quê? 7. CORPO DOCENTE (REDE SOCIAL) Prezado(a) professor(a): este questionário tem por objetivo fornecer subsídios para meu projeto de pesquisa no PDE, cuja linha de estudo é Currículo e Mundo de Trabalho. Sua colaboração será fundamental para o sucesso da minha pesquisa e não levará mais de 10 minutos para preencher e enviar. Em nenhum momento você será identificado. Muito obrigado! Em sua opinião de que maneira o currículo pode contribuir na formação profissional dos alunos? O que é necessário ter em um currículo para que o mesmo possa produzir aprendizagem? Considera importante: ( ) que o currículo se adapte à realidade dos alunos. ( ) que os alunos se adaptem à realidade do currículo. Por quê? Considera as aulas práticas de campo importantes como articulação no processo ensino/aprendizagem? ( ) Sim ( ) Não ( ) Não sei Por quê? De que forma a sua disciplina está contribuindo para a formação do perfil esperado do egresso? Como a sua disciplina pode contribuir como ferramenta a ser utilizada pelos alunos na vida profissional deles? Considera que, de acordo com o currículo atual, está conseguindo formar alunos preparados para enfrentar os desafios do mundo do trabalho? ( ) Sim ( ) Não Por quê? A carga horária de sua(s) disciplina(s) é condizente para que se possa realizar a articulação ensino/aprendizagem? ( ) Sim ( ) Não Por quê? A ementa de sua(s) disciplina(s) é suficiente para que ocorra a transformação do conteúdo ministrado em aprendizagem? ( ) Sim ( ) Não Por quê? Forneça sugestões para que a sua disciplina e o curso contribuam para melhor preparar os alunos para os desafios do mundo do trabalho: Mais uma vez, agradeço a sua participação neste questionário. Luís Roberto de Oliveira Professor PDE 2012/2013 APÊNDICE B – Dados estatísticos da população rural e urbana da região suleste do Paraná O estado do Paraná é caracterizado por sua produção voltada ao setor da agropecuária. Segundo dados do Censo Demográfico 2000-2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o referido estado possui uma população total de 10.439.601 habitantes, sendo 8.906.442 (85,31%) moradores do meio urbano e 1.533.159 (14,69%) moradores do meio rural. (BRASIL, 2010) As tabelas 1 e 2 comparam os valores das populações urbana e rural, em números absolutos e em porcentagens: Tabela 1: Censo da População Rural no Brasil POPULAÇÃO TOTAL URBANA TOTAL RURAL % TOTAL % PARANÁ 10.439.601 8.906.442 85,31 1.533.159 14,69 REGIÃO SUL 27.384.815 23.257.880 84,92 4.126.935 15,08 BRASIL 190.732.694 160.879.708 84,34 29.852.986 15,66 Fonte: adaptado de IBGE, 2012 Gráfico 1: Censo da População Urbana e da População Rural Fonte: adaptado de IBGE, 2012 Tabela 2: População Rural na Região Suleste do Paraná CIDADE POPULAÇÃO TOTAL POPULAÇÃO RURAL TOTAL % AGUDOS DO SUL 8.270 5.448 65,88 ANTÔNIO OLINTO 7.351 6.664 90,65 CAMPO DO TENENTE 7.125 2.931 41,14 MANDIRITUBA 22.235 14.816 66,63 PIÊN QUITANDINHA 11.214 17.088 6.700 12.202 59,75 71,41 RIO NEGRO 31.261 5.561 17,79 TIJUCAS DO SUL 14.526 12.259 84,39 Fonte: adaptado de IBGE, 2012 Gráfico 2: População Total e População Rural na Região Suleste do Paraná Fonte: adaptado de IBGE, 2012 Gráfico3: População Total, População Urbana e População Rural na Região Suleste do Paraná Fonte: adaptado de IBGE, 2012 Os dados demonstram que a população rural no estado do Paraná é inferior ao percentual nacional. Contudo, o estado do Paraná se destaca como um dos maiores produtores nacionais de grãos, principalmente milho, feijão e soja, além de ser um dos maiores na produção de suínos e aves (BRASIL, 2010). Isto se deve em função do aumento do nível tecnológico no meio rural e pela presença de empresas de ponta, que trouxeram esta tecnologia, hoje acessível a maioria dos produtores, em função dos programas de crédito rural existentes, como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF), entre outros. (BRASIL, 2012). A maior parte dos produtores rurais da região é formada de pequenos produtores, responsáveis pelo sustento da agricultura familiar rural, que garante, além da subsistência da própria família, a compra de parte do excedente pelo governo e repassado ao programa de merenda escolar, por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). (BRASIL, 2012). APÊNDICE C – Dados Gerais do Curso Técnico Em Agropecuária Objetivos do curso Técnico em Agropecuária Dentre os principais objetivos do curso Técnico em Agropecuária estão valorizar a educação como processo seguro de formação de recursos humanos, desenvolver nos alunos o autoconhecimento para uma formação que lhe permita inserir no mundo do trabalho para uma vida profissional produtiva, além de propiciar conhecimentos teóricos e práticos amplos para o desenvolvimento da capacidade de análise crítica, de orientação e execução de trabalho no Setor Agropecuário. Formar profissionais críticos, reflexivos, éticos, capazes de participar e promover transformação no seu campo de trabalho, na sua comunidade e na sociedade na qual está inserido. Profissionalizar egressos do ensino fundamental para atuação na área de Agropecuária, visando seu ingresso no mundo do trabalho no território nacional e propiciar uma formação que possibilite o aluno realizar planejamento, administrar, monitorar e executar atividades na área de agropecuária. Dados Gerais do Curso a) Habilitação Profissional: Técnico em Agropecuária b) Eixo Tecnológico: Recursos Naturais c) Forma: Integrado d) Carga horária total do curso: 4.800 horas/aula e 160 horas/aula de Estágio Profissional Supervisionado e) Regime de funcionamento: de 2ª a 6ª feira nos períodos matutino e vespertino f) Regime de matrícula: Anual g) Período de integralização do curso: mínimo 03 (três) anos h) Requisitos de acesso: conclusão do ensino fundamental i) Modalidade de oferta: presencial Perfil do candidato ao curso O aluno que queira realizar seus estudos na Educação Profissional Agrícola deve possuir requisitos básicos, como identificar-se com o manejo de plantas e animais, identificar-se com a leitura e a pesquisa na área de ciências naturais e da terra, possuir habilidade manual para trabalhos específicos, ter facilidade de comunicação oral e escrita e estar familiarizado com as questões do meio rural. Deve-se lembrar que, de acordo com a LDB, no seu art. 35: O ensino médio, etapa final da educação básica, com duração mínima de três anos, terá como finalidades: IV - a compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos processos produtivos, relacionando a teoria com a prática, no ensino de cada disciplina (BRASIL, 1996). Perfil profissional de conclusão do curso O aluno, ao concluir o curso Técnico em Agropecuária, será capaz de perceber, de maneira sistêmica as implicações sociais, econômicas, ambientais, políticas e técnicas de sua atuação profissional, agindo para detectar os problemas e aplicar as soluções técnicas, de forma suficientemente criativa, sustentável, rápida e coerente com a realidade rural. Atua em sistemas de produção agropecuária e extrativista fundamentado em princípios de desenvolvimento sustentável. Planeja, executa, acompanha e fiscaliza todas as fases dos projetos agropecuários. Administra propriedades rurais. Elabora, aplica e monitora programas preventivos de sanitização na produção animal, vegetal e agroindustrial. Fiscaliza produtos de origem vegetal, animal e agroindustrial. Realiza medição, demarcação e levantamentos topográficos rurais. Atua em programas de assistência técnica, extensão rural e pesquisa. Sendo tolerante e receptivo á diversidade cultural, étnica, religiosa, política e social das comunidades onde vier a se inserir no mundo do trabalho. Atividades que podem ser desenvolvidas pelo Técnico em Agropecuária Prestar assistência técnica no desenvolvimento de projetos tecnológicos agropecuários. Desempenhar cargos, funções ou empregos em atividades estatais, paraestatais e privadas. Atuar em atividades de extensão, assistência técnica, associativismo, pesquisa, análise, experimentação, ensaio e divulgação técnica. Prestar assistência técnica na aplicação, comercialização, no manejo e regulagem de máquinas, implementos, equipamentos agrícolas e produtos especializados, bem como na recomendação, interpretação de análise de solos e aplicação de fertilizantes e corretivos. Analisar as características econômicas, sociais e ambientais, identificando as atividades peculiares da área a serem implementadas. Adquirir, preparar, transformar, conservar e armazenar matéria-prima e produtos agroindustriais. Desenvolver programas de nutrição e manejo alimentar em projetos zootécnicos. Planejar e acompanhar a execução de programas de melhoramento genético em animais, bem como métodos e programas de reprodução. Implantar e gerenciar sistemas de controle de qualidade e sanidade na produção agropecuária. Planejar, organizar e monitorar a exploração e o manejo do solo de acordo com suas características. Cultivar sistemas e plantios abertos ou protegidos. Produzir mudas (viveiros) e sementes. Planejamento de ações referentes aos tratos das culturas. Planejar e acompanhar a colheita e a pós-colheita. Elaborar projetos topográficos e de impacto ambiental. Prestar assistência técnica e atuar na administração rural. Áreas de atuação do Técnico em Agropecuária Em institutos e empresas de pesquisa e desenvolvimento. Em empresas estatais, paraestatais e privadas e que prestam assessoria e acompanhamento agropecuário. Em empresas e indústrias que atuam no complexo agroindustrial. No desenvolvimento de empreendimentos agrícolas próprios. Propriedades rurais no desenvolvimento da agropecuária familiar rural. Matriz curricular atualizada do curso Técnico em Agropecuária A atual matriz curricular foi implantada no ano de 2010, prevê a duração mínima para o curso de três anos, num total de 4.800 horas/aula e 160 horas/aula de estágio supervisionado. O quadro 4 mostra as disciplinas presentes na atual matriz curricular do curso Técnico em Agropecuária. Quadro 4 – Matriz curricular atualizada Séries Disciplinas Base Nacional Comum Língua Portuguesa e Literatura Língua Estrangeira Moderna Geografia História Matemática Física Química Biologia Arte Educação Física Filosofia Sociologia SUBTOTAL Formação Específica Administração e Extensão Rural Solos Horticultura Agroindústria Produção Animal Fundamentos de Agroecologia Infraestrutura Rural Produção Vegetal SUBTOTAL TOTAL GERAL Estágio Supervisionado 1ª 2ª 3ª Total Hora/aula 3 2 2 2 3 2 2 2 2 2 2 24 3 2 2 3 2 2 2 2 2 2 2 24 3 2 2 3 2 2 2 2 2 2 2 24 360 80 240 240 360 240 240 240 160 240 240 240 2.880 2 2 3 4 2 3 28 53 - 2 2 2 3 2 2 3 29 53 2 2 2 2 2 3 2 3 30 53 2 240 240 280 80 400 160 160 360 1.920 4.800 160 Fonte: Secretaria de Estado da Educação, 2010